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Grasso: A Próxima Geração 103 – A Estratégia do Caos

— Seja bem-vindo, Mateus — disse o gerente Anderson, com um leve sorriso.
Mateus retribuiu o sorriso e estendeu a mão.
— Obrigado, Anderson.
Anderson apertou sua mão com firmeza.
— É muito bom ver jovens da sua idade buscando um trabalho honesto.
Mateus deu um sorriso, um pouco ansioso.
— E… quando eu posso começar?
— Se você conseguir todos os documentos que pedi… hoje à noite mesmo.
Os olhos de Mateus se iluminaram.
— Ótimo! Vou correr atrás disso agora.
Ele se virou rápido e foi até Gaby.
— Consegui, Gaby!
Ela abriu um sorriso enorme e o abraçou sem pensar duas vezes.
— Eu sabia! Sabia que você ia conseguir, maninho!
Os dois saíram do Luca’s animados, quase pulando de alegria.
Gaby olhou para ele, com um sorrisinho de lado.
— Agora eu vou poder ficar com a sua mesada…
Mateus arqueou a sobrancelha, encarando ela.
— Então era isso? Você só estava torcendo por causa disso?
Ela riu, sem nem tentar disfarçar.
— Ei, não só por isso! — deu um leve empurrão no ombro dele — Trabalhar vai te fazer bem, sabia?
Mateus soltou um riso curto.
— Ah, vai… e pra você também, pelo visto.
Enquanto isso, na casa de Will…
Will estava jogado no sofá, folheando uma revista de motos, distraído. A porta se abriu com um leve barulho.
— Will, cheguei! Vou preparar alguma coisa pra gente comer — disse o pai, entrando.
Ele parou ao notar a revista nas mãos do garoto.
— Onde você conseguiu isso?
Will nem levantou os olhos de imediato.
— Eu comprei.
O pai franziu a testa, desconfiado.
— Não mente pra mim, Will.
Will fechou a revista com força e se levantou, já irritado.
— Eu já disse que comprei!
— Não grita comigo.
O clima ficou pesado de repente seu pai lhe deu um soco no rosto, Will correu para o seu quarto e trancou a porta.

Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
 
Mais tarde. O sol já está mais baixo, luz dourada. Mateus está com o skate, concentrado.
O som de Rodinhas no asfalto, faz um leve barulho da rua ao fundo.
Mateus tenta uma manobra (um ollie com giro). Ele respira fundo antes.
— Vai… agora vai.
Ele pega impulso, salta… mas erra o tempo. O skate escapa.
Mateus perde o equilíbrio e cai pra frente.
Mateus está no chão, meio tonto. Ele leva a mão à testa e vê sangue.
— Ai… droga…
Ele solta um riso curto de dor, meio sem graça.
— Tenho que dar um jeito nisso antes de ir trabalhar daqui a pouco.
Gaby vem correndo assustada.
— Mateus! Você tá bem?!
Ela se abaixa ao lado dele, tentando olhar o corte.
Mateus tenta parecer tranquilo
— Tô, tô… não foi nada demais.
— Não foi nada? Sua testa tá sangrando! Por que você tem que fazer essas estupidez.
— Eu só errei a manobra, relaxa.
Gaby olha séria
— Você caiu de cara no chão, Mateus. Não é “só”. E onde você conseguiu esse skate? Você nem sabe andar de skate.
Mateus olha pra ela e dá um sorrisinho de lado.
— Tá, talvez tenha sido feio.
Gaby revira os olhos, mas aliviada.
— “Talvez”? Você quase se destruiu ali.
Ele ri de leve.
— Mas você viu? Eu quase acertei.
— Eu vi você quase ir parar no hospital.
Gaby começa a se levantar.
— Vem, vamos limpar isso direito.
Ela estende a mão.
Mateus olha, pega na mão dela e levanta.
— Beleza… mas eu ainda vou acertar essa manobra.
— Você vai devolver esse skate para o Rick.
Os dois saem andando juntos, enquanto o skate fica no chão.
 
No dia seguinte, Gaby e Stefy caminham lado a lado, desviando de outras pessoas.
— O dia da foto está chegando! — disse Stefy animada.
Gaby suspira, meio desanimada.
— Nem me fala… eu não tenho roupa nova pra usar. E tô sem dinheiro agora.
Stefy olha pra ela, sincera.
— Gaby, você tem roupas lindas. Sério.
Gaby para na porta do banheiro e encara Stefy.
— Stefy, tem a foto em grupo, lembra? Não dá pra ir de qualquer jeito… todo mundo vai ver.
Stefy dá de ombros, tentando tranquilizar.
— Ninguém liga tanto assim, juro.
Gaby faz uma cara de “liga sim”.
As duas entram no banheiro.
Sophia vê Gaby e Stefy e abre um sorriso animado.
— Finalmente!
Ela puxa Fernanda levemente pelo braço.
— Gaby essa é a Fernanda, minha amiga de infância. — Ela olha para Fernanda. — Fer, essa é a Gaby. Ela veio de São Paulo.
Gaby e Fernanda trocam um sorriso e se cumprimentam.
— Prazer! A Sophia já falou de você — disse Fernanda
Gaby da um sorriso
— Espero que bem, né?
As duas dão uma risadinha leve.
Gaby olha de volta para Sophia, com um tom meio provocador.
— Todo esse tempo pra me apresentar sua “amiga de infância”? 
Sophia dá um sorrisinho sem graça, mas tranquila.
— A gente tinha brigado… ficou um clima estranho. — Ela troca um olhar com Fernanda. — Mas agora tá tudo certo.
Fernanda encosta no ombro dela, sorrindo.
— Tudo mais que certo.
As duas se olham e, sincronizadas:
— Best friends forever! — Elas disseram ao mesmo tempo.
 
Em seguida, Sophia e Stefy estão sentadas na sala de aula quando Will entra, quieto, cabeça baixa, mochila em um ombro só. Ele evita olhar para as pessoas e vai direto para o lugar dele.
Sophia observa.
— Ele sempre chega assim…
Stefy olha para Sophia.
— Ele sempre parece tão triste.
Sophia acompanha com o olhar, pensativa.
— Já reparei… ele quase não fala com ninguém.
Will se senta no fundo e fica mexendo no caderno, isolado.
— A gente precisa fazer alguma coisa — Stefy falou.
Sophia vira rápido pra ela, curiosa.
— Tipo o quê?
Stefy sorri.
— Fazer ele sorrir, ué.
Sophia levanta uma sobrancelha, meio desconfiada.
— E como exatamente você pretende fazer isso?
Stefy se inclina mais perto, conspirando.
— A gente pode começar simples. Tipo… puxar assunto.
Sophia olha para Will de novo, avaliando.
— Tá… qual é o plano?
Stefy abre um sorriso animado.
— Missão: fazer o Will sorrir.
Sophia entra no clima.
— Ok. Missão aceita.
As duas batem de leve as mãos, como um cumprimento improvisado.

Mais tarde, Mateus entra em casa, mochila em um ombro, visivelmente cansado.
— Cheguei!
Ele empurra a porta do quarto… e para na hora.
O quarto está completamente arrumado.
— Ué…?
Ele dá dois passos pra dentro, olhando ao redor.
— Mamãe? Você arrumou meu quarto?
Raquel aparece na porta, com um sorriso orgulhoso.
— Arrumei o seu e o da Gaby. Um presente por vocês serem bons filhos.
Mateus dá um sorriso, meio sem jeito.
— Valeu… eu faço o possível.
Ele joga a mochila na cama e começa a mexer nas coisas, procurando algo.
— Mamãe, cadê minha jaqueta jeans? Vou usar hoje à noite no trabalho.
Raquel perde um pouco do sorriso e se aproxima.
— Filho… então…
Mateus para de mexer nas coisas e olha pra ela.
— O que foi?
— Eu peguei sua jaqueta pra consertar o botão… mas acabei rasgando.
Silêncio rápido.
Mateus fecha os olhos por um segundo, respirando fundo.
— Mamãe… aquela é a minha favorita.
Raquel se aproximando mais.
— Eu sei, querido. Me desculpa mesmo. Eu compro outra pra você.
Mateus passa a mão no cabelo, inquieto.
— Mas não dá tempo, né? Eu vou trabalhar daqui a pouco… e mais tarde vai esfriar.
Raquel pensa rápido.
— Pega uma do seu pai. Depois eu compro outra, prometo.
Mateus revira os olhos, mais frustrado do que irritado.
— Tá… fazer o quê.
Ele olha ao redor do quarto arrumado, conectando as coisas.
— Foi por isso que você arrumou meu quarto?
Raquel dá um sorrisinho culpado.
Mateus solta um riso curto pelo nariz, balançando a cabeça.
— Eu sabia.
Os dois dão risadas.
 
Na manha seguinte na escola, Mateus e John estão encostados em um banco, com mochilas no chão.
— Mas como assim ela rasgou?
Mateus gesticula, meio indignado.
— Ela foi consertar um botão… e rasgou a jaqueta inteira.
John segura o riso.
— Nossa, ajuda muito.
Mateus solta um riso curto.
— Era minha favorita, cara. Eu usava pra tudo.
— E agora?
— Agora eu tô usando uma do meu pai… mas, sei lá, não é a mesma coisa.
John sorri.
Will está sentado alguns lugares atrás, sozinho, mexendo na mochila. Ele escuta a conversa.
Ele se levanta.
— Ei Mateus, eu ouvi você falando da jaqueta.
— É cara minha mãe estragou ela.
Will se aproxima mais.
— Eu tenho uma… que talvez sirva em você. Posso te vender por 50 reais.
— Que tipo de jaqueta?
— Jeans… azul. Tá bem conservada.
John cutuca Mateus de leve.
— Já é melhor que a do seu pai.
Mateus segura o riso.
— Você pode ir lá em casa depois da aula. Aí você prova.
Mateus confirma com a cabeça.
— Beleza… pode ser.
Will faz um pequeno aceno.
— Me espera na frente da escola na hora da saída.
will e se afasta.
 
Dentro da escola, Sophia e Stefy estão encostadas perto dos armários, claramente esperando alguém.
Stefy olha ao redor.
— Tá, a gente precisa de um plano melhor.
— Você que disse que era só fazer ele rir.
— E é… teoricamente.
Sophia cruza os braços, desconfiada.
— Tô com um leve pressentimento de que isso vai dar errado.
Stefy abre um sorriso confiante.
— Confia.
Will caminha como sempre: quieto, olhando mais pro chão do que pras pessoas.
Stefy cutuca Sophia discretamente.
— É agora.
As duas se posicionam na frente dele.
Will para, meio surpreso.
— Oi…
Sophia sorri.
— Oi!
Stefy entra direto no plano.
— Você gosta de piada? Eu conheço uma muito boa.
Will olha sem entender nada, mas fica em silêncio.
Sophia olha pra Stefy tipo “vai logo”.
Stefy respira fundo e começa:
— Tá… por que o livro de matemática ficou triste?
Will encara, esperando.
— Não sei.
Stefy tenta segurar o riso.
— Porque ele tinha muitos problemas.
Sophia dá um sorrisinho, esperando alguma reação.
Will apenas olha para as duas. Sem expressão.
Stefy dá uma risadinha sem graça.
Will desvia o olhar, claramente desconfortável.
— Eu… tenho que ir.
Sem esperar resposta, ele passa por elas e continua andando pelo corredor.
 
Gaby e Fernanda estão sentadas lado na sala de aula.
Gaby olha para ela.
— Eu tô meio desesperada com essa foto da escola.
Fernanda olha pra ela, interessada.
— Por quê?
Gaby dá um suspiro.
— Eu não tenho nada legal pra vestir. Tipo… nada mesmo.
Fernanda pensa por um segundo, depois abre um sorriso.
— Então vamos resolver isso.
Gaby olha pra ela, confusa.
— Como?
— A gente vai fazer compras depois da aula.
Gaby faz uma careta.
— Eu adoraria… mas tô sem grana.
Fernanda inclina a cabeça.
— Tipo, sem grana mesmo?
Gaby dá um meio sorriso, meio culpado.
— Digamos que eu já gastei quase toda a minha mesada.
Fernanda segura o riso.
— Prioridades, né?
Gaby sorri.
— Total.
Fernanda se aproxima um pouco mais, com ar de quem tem uma ideia boa.
— Relaxa. Eu conheço uma loja com preços bem bons.
Gaby olha pra ela, desconfiada, mas esperançosa.
— Já gostei.
As duas riem.
Elas continuam conversando, já animadas com o plano.
 
Mais tarde, na casa de Will, Mateus entra, olhando ao redor, um pouco curioso.
Will fecha a porta atrás dele, meio tenso e aponta para o sofá.
— Pode sentar aí, vou pegar a jaqueta.
Mateus assente, tentando parecer tranquilo.
— Beleza.
— Quer um refrigerante?
— Pode ser.
Will vai até a cozinha.
Mateus observa a casa, mexe de leve nas mãos, meio sem saber o que fazer.
Will volta e entrega uma lata pra ele, Mateus pega e agradece.
— Valeu.
Will se vira.
— Vou pegar a jaqueta.
Logo Will volta com a jaqueta jeans.
— É essa aqui.
Mateus pega, analisa o tecido.
— Parece boa.
Ele veste a jaqueta
— Ficou certinha.
De repente a porta da sala se abre.
Os dois olham na direção da entrada.
O pai de Will entra, sério, olhando ao redor.
— Will.
Will fica mais rígido.
— Oi pai, esse é o Mateus da escola.
O pai de Will balança a cabeça.
— E aí Mateus.
O pai vai até a cozinha, abre a geladeira.
— Cadê o refrigerante?
Will hesita.
— Eu… peguei um.
O pai volta o olhar lentamente para a sala e vê Mateus com a lata na mão.
Mateus já se levanta, desconfortável.
— Eu ainda não abri a lata...
— Pode ir embora — Pai do Will interrompeu
Mateus olha para Will por um segundo.
Will evita o olhar.
Ele abre a porta e sai, ainda incomodado.
A porta não fecha completamente e Mateus ouve o tom agressivo vindo de dentro e o grito de dor de Will.
Mateus franze a testa, preocupado, sem saber o que fazer.
 
Enquanto isso, Gaby e Fernanda estão em uma loja experimentando roupas
Gaby sai do provador usando uma blusa nova. Ela se olha no espelho, ajustando a peça.
Fernanda está sentada por perto, analisando.
— Ficou linda!
Gaby gira um pouco, ainda se olhando.
— Eu gostei também… — Ela para, o sorriso diminui. — Mas nem adianta. Eu não tenho dinheiro pra levar.
Fernanda levanta, como se não fosse grande coisa.
— Ah, relaxa.
Gaby franze a testa.
— Relaxar como?
Gaby entra de novo no provador e, segundos depois, sai com a blusa dobrada nas mãos.
Antes que ela reaja, Fernanda pega a blusa com naturalidade… e coloca dentro da própria bolsa.
Gaby fica imóvel por um segundo, processando.
— Fernanda … o que você tá fazendo?
Fernanda fecha a bolsa com calma, como se fosse normal.
— Só resolvendo o problema.
Gaby olha ao redor, nervosa.
— Você tá maluca? A gente pode se dar muito mal!
Fernanda sorri.
— Ninguém viu.
Gaby fica séria
— Isso não é motivo!
Fernanda segura o braço dela de leve, puxando.
— Vem, vamos sair logo daqui.
As duas saem da loja. Gaby olha para trás, claramente desconfortável.
Fernanda parece totalmente tranquila.
— Pronto. Agora você já tem roupa pra foto.
Gaby para de andar e encara ela.
— Fernanda, isso é errado. E se alguém te pegar?
Fernanda suspira, como se fosse exagero.
— Eu faço isso direto. Nunca deu nada.
As duas continuam andando.
 
No dia seguinte uma sala está organizada para as fotos. Alunos arrumados, alguns ajustando cabelo, outros rindo.
Gaby está um pouco afastada, olhando para a própria blusa e alisando, meio inquieta.
Ela força um sorriso, mas claramente está tensa.
Sophia e Stefy se aproximam por trás.
— Gaby! — disse Sophia.
Gaby se vira.
— Oi! Meninas
Stefy arregala os olhos ao ver a blusa.
— Espera… essa blusa é nova?
Gaby hesita por meio segundo, mas sorri.
— É… comprei ontem.
Sophia abre um sorriso sincero.
— Ficou linda em você, sério.
Stefy concorda, empolgada.
— Muito! Tipo, perfeita pra foto.
Gaby sorri, mas ainda meio travada.
— Obrigada…
Ela olha de leve para os lados, como se estivesse com medo de alguém observar.
Stefy ri.
— Relaxa, é só uma foto. O máximo que pode acontecer é você não gostar e reclamar por anos.
Gaby solta uma risadinha.
— Ótimo, super tranquilizador.
O fotógrafo chama os alunos.
— Turma, se organizem para a foto!
Stefy anima na hora.
 
Alunos organizados em fileiras. Alguns em pé, outros sentados. O fotógrafo ajusta a câmera.
— Todo mundo olhando pra cá! Vamos fazer rápido.
Gaby, Sophia, Stefy e Will estão próximos.
Stefy ajeita o cabelo. Sophia dá um sorrisinho animado. Gaby tenta parecer tranquila.
Will está imóvel. Sério. Olhar distante.
Sophia percebe Will ao lado, completamente sem expressão.
Sophia se inclina um pouco na direção dele.
— Will… tenta sorrir um pouquinho.
Will nem olha pra ela.
— Pra quê?
— Porque é foto da escola… todo mundo tá sorrindo.
Will mantém o olhar fixo na câmera, sem mudar nada.
— Eu não quero.
Stefy percebe e tenta ajudar.
— Pelo menos finge. Tipo… um sorriso mínimo já serve.
Will solta um suspiro leve.
— Não, valeu.
Logo o fotógrafo começa a contar.
— 3… 2… 1…
Flash
 
Depois da foto, Will se aproxima de Mateus.
— Mateus, você trouxe o dinheiro da Jaqueta?
Mateus olha pra ele, meio surpreso com a abordagem.
— Trouxe… mas não tudo. Eu tenho vinte agora, depois te dou os outros 30, pode ser?
Will hesita por um segundo.
— Tá. Pode ser.
Mateus observa ele por um instante, mais sério.
— Sobre ontem…
Will já desvia o olhar.
— Não.
Mateus estranha a resposta direta.
— Eu só ia perguntar se você tá...
— Eu disse não — Will interrompeu, firme.
Mateus levanta as mãos de leve, tentando não pressionar.
— Tá, calma. Só queria saber se você tá bem.
Will solta um suspiro, claramente irritado.
— Eu tô.
Mateus hesita, mas fala mesmo assim.
— Eu ouvi.
Will aperta a mandíbula, incomodado.
— Esquece isso.
Mateus observa ele, sem saber se insiste.
Will dá um passo pra trás.
— Depois você me dá o resto.
Sem esperar resposta, ele se vira e sai.
Mateus fica parado, olhando ele se afastar.
 
Mais tarde, Sophia e Stefy estão encostadas perto da parede… cada uma segurando um “focinho de porco” de plástico.
Stefy segura o riso
— Isso é ridículo.
Sophia olha para ela.
— Exatamente por isso vai funcionar.
Stefy coloca o focinho.
— Se isso não fizer ele rir, nada faz.
Sophia também coloca o dela.
— Ok… foco. Missão: fazer o Will sorrir, tentativa dois.
Stefy olha pra frente.
— Ele tá vindo.
Will se aproxima.
Sophia da um cutucão no braço de Stefy.
— Agora.
As duas pulam na frente dele de repente.
— Oinc, oinc!
Elas fazem barulhos e pequenos movimentos engraçados.
Will para e olha para as duas sem reação.
Stefy tenta intensificar, andando em círculos.
— Oinc… oinc!
Sophia tenta segurar o riso, mas continua.
— Oinc!
Will apenas encara as duas e sai andando.
As duas param… lentamente.
Sophia tira o focinho devagar.
— Desisto.
Stefy também tira o dela e suspira frustrada.
 
Mateus vai falar com Jennifer a secretária da escola.
— Oi, Mateus. Precisa de alguma coisa?
Mateus se aproxima devagar, olhando ao redor.
— Posso… fazer uma pergunta?
Jennifer percebe o tom e presta mais atenção.
— Claro.
Mateus passa a mão na nuca, nervoso.
— Tipo… se alguém conhecesse uma pessoa que… que apanha em casa… O que dá pra fazer nessa situação?
Jennifer olha para o machucado na cabeça de Mateus e fala com calma, sem assustar.
— Dá pra ajudar, sim. Mas é importante procurar um adulto de confiança… alguém que possa agir de verdade.
Mateus engole seco.
— Tipo… aqui na escola?
— Sim. A gente pode ajudar. Mas precisa saber quem é essa pessoa.
Mateus fica em silêncio por um segundo, pensando.
— Essa pessoa estuda aqui? Na Escola Comunitária Grasso?
Ele percebe o que acabou de insinuar.
— Não! Quer dizer… eu só tava perguntando.
Jennifer mantém o olhar firme, mas sem pressionar demais.
— Mateus…
Ele já começa a recuar.
— Esquece, tá? Eu falei demais.
Antes que ela responda, ele se vira e sai apressado.
Jennifer fica parada por um segundo, preocupada.
Ela pega o telefone.
— Oi, aqui é da Escola Comunitária Grasso… eu preciso fazer um encaminhamento.
 
Mais tarde, Gaby e Fernanda estão em outra loja olhando algumas roupas.
Fernanda pega algumas peças e analisa rapidamente.
— Essa aqui também ficou boa em você.
Gaby segura a roupa, mas não parece tão animada quanto antes.
— Fernanda … eu acho melhor não.
Fernanda nem responde. Apenas dobra a peça com prática… e coloca dentro da bolsa.
Fernanda fecha a bolsa com tranquilidade.
Gaby olha ao redor, nervosa.
Fernanda já começa a andar em direção à saída.
— Vem logo.
Gaby hesita… mas acaba seguindo.
As duas caminham tentando parecer normais.
Gaby claramente não consegue disfarçar o nervosismo.
Elas chegam perto da saída, o alarme dispara.
Gaby trava na hora.
Fernanda para um segundo… mas tenta continuar andando.
— Ei. Vocês duas.
O segurança para na frente delas.
— Podem voltar um momento, por favor.
Gaby engole seco.
— A gente… não fez nada.
Fernanda mantém a postura, mas está menos confiante.
— Deve ter sido engano.
O segurança mantém o tom calmo, mas firme.
— Vamos resolver isso ali dentro.
Gaby olha para Fernanda, assustada, Fernanda evita o olhar.
 
Mateus chega em casa acompanhando de Will
Mateus entra com Will… e para ao ver um homem sentado com seus pais.
— O que está acontecendo?
Raquel se levanta, um pouco tensa.
— Filho… esse é o Mariano, do Conselho Tutelar.
O homem se levanta, postura calma, mas firme.
— Oi, Mateus. Podemos conversar um minuto?
Mateus olha rapidamente para os pais, desconfiado.
— Sobre o quê?
— Sobre algo que você comentou na escola hoje.
Mateus entende na hora… e fica tenso.
— Eu só fiz uma pergunta.
Mariano observa com atenção.
— Às vezes, perguntas vêm de situações reais.
Mariano repara no corte na testa de Mateus.
— Esse machucado… foi o quê?
Mateus toca a testa, meio sem pensar.
— Eu caí de skate.
Mariano mantém o olhar, avaliando.
— Tem certeza?
Mateus responde firme, quase na defensiva.
— Tenho. Foi um acidente.
Mateus olha para os pais e depois volta para Mariano.
— Meus pais nunca fizeram nada comigo.
Raquel se emociona levemente. O pai de Mateus permanece em silêncio, atento.
Mariano assente devagar.
— Certo.
Ele dá um passo mais próximo, mas mantendo o tom calmo.
— Então… você estava falando de outra pessoa?
Mateus trava, ele olha de relance… para Will.
Will, até então quieto, começa a se afastar discretamente em direção à porta.
Ele tenta abrir sem fazer barulho.
Mariano percebe.
— Ei… você.
Will congela.
Mateus vira o rosto rapidamente.
— Will
Will abre a porta, claramente querendo sair.
— Eu tenho que ir.
Mariano se aproxima com calma.
— Espera um instante.
Will evita olhar para todos.
— Eu já vou embora.
Mariano observa o comportamento dele, atento.
— Você é amigo do Mateus?
Will sai para fora, Mariano vai atrás.
Mateus e os pais se aproximam da janela, olhando para fora, preocupados.
Will está parado, de costas, tentando se controlar, Mariano se aproxima, sem invadir espaço.
— Você não precisa lidar com isso sozinho.
Will fica em silêncio.
— Se alguma coisa estiver acontecendo… eu posso ajudar.
Will respira fundo, ainda sem olhar para ele.
Marino se aproxima de vagar
— Você pode confiar em mim.
Will finalmente levanta um pouco o olhar… ainda inseguro.
 
Um tempo depois, Mateus e os pais ainda observam pela janela enquanto Mariano conversa com Will do lado de fora.
O celular de Arthur toca, ele pega o celular.
— Alô?
O rosto dele fica sério rapidamente.
Depois de um tempo, Arthur entra rápido na loja, olhando ao redor.
Gaby não está à vista.
Um gerente se aproxima.
— Posso ajudar?
— Minha filha. Gabrielly. Disseram que ela está aqui.
O gerente reconhece na hora.
— Sim. Por favor, venha comigo.
Eles vão até o escritório do gerente, Gaby não está ali ainda.
Arthur cruza os braços.
— O que aconteceu?
O gerente mantém o tom firme, mas controlado.
— Sua filha foi pega tentando sair da loja com peças sem pagar.
Arthur fecha os olhos por um segundo, frustrado.
— Nós poderíamos acionar a polícia, mas desta vez não faremos isso. Porém, se isso acontecer novamente… não haverá aviso.
Gaby entra devagar, visivelmente abalada, cabeça baixa. Sem coragem de encarar o pai.
Arthur olha para ela.
Não é raiva explosiva… é decepção.
Gaby arrisca olhar.
— Papai…
Arthur respira fundo.
— Vamos para casa.
Gaby apenas concorda com a cabeça.
 
Em casa, Raquel está claramente abalada e firme ao mesmo tempo. Gaby está de cabeça baixa, segurando o choro.
— Eu não estou brava só pelo que você fez… estou decepcionada.
Gaby aperta as mãos.
— Eu sei.
— Você sabe mesmo? Porque isso não é pouca coisa, Gaby.
— Eu não fiz nada mamãe.
— Mais sua amiga fez e vocês estavam juntas. E isso pode trazer consequências sérias.
Gaby segura as lágrimas, sem conseguir responder.
— Eu te ensinei coisa melhor que isso. — Raquel olha para Gaby. — Sobe. A gente continua essa conversa depois.
Gaby apenas assente.
Ela entra e fecha a porta com cuidado.
Gaby encosta na porta por um segundo… e finalmente deixa o choro escapar.
 
Depois de um tempo, Gaby está sentada na cama, ainda abatida, olhando para baixo.
Mateus bate na porta.
— Posso entrar?
Gaby levanta a cabeça.
— Pode.
Mateus entra devagar, fechando a porta atrás de si.
Ele observa a irmã por um segundo, percebendo como ela está.
— Como você está?
— Me sentindo uma idiota.
Mateus se aproxima e senta ao lado dela.
— Ei… todo mundo faz coisa estúpida alguma vez na vida.
Gaby solta um leve suspiro.
— Acho que eu me superei.
Mateus dá um sorriso.
— Nem de longe.
Ela olha para ele, desconfiada.
Mateus se ajeita, como quem vai contar uma história.
— Você lembra do sétimo ano… da professora de matemática?
Gaby franze a testa, tentando lembrar.
— A que implicava com todo mundo?
Mateus sorri.
— Essa mesma.
— Lembra que eu prendi o vestido dela na porta.
Gaby começa a rir lembrando
— O vestido ficou pra trás.
Mateus sorri
— Na frente de todo mundo
Gaby tenta segurar o riso.
— Mas aquilo foi sem querer.
Mateus apenas levanta a sobrancelha e olha para ela.
Gaby para… pensa… e estreita os olhos.
— Não foi?
Os dois se olham em silêncio.
E então… começam a rir juntos.
 
Na manhã seguinte, Mateus avista Will mais afastado, perto de um banco.
Ele se aproxima.
— E aí.
Will olha para ele, mais tranquilo do que o normal.
— E aí.
Mateus pega o dinheiro do bolso e estende.
— Os trinta que faltavam.
Will olha para o dinheiro… e depois para Mateus.
— Nem precisava.
— Precisava sim. Combinado é combinado.
Will pega, mas sem aquela pressa de antes.
— Eu vou embora.
Mateus estranha.
— Como assim?
— Vou morar com o meu irmão… em Londrina.
Mateus processa a informação.
— E… você quer ir?
Will pensa por um segundo.
— Quero.
— Então… acho que é uma coisa boa.
Will olha para ele, sincero.
— É.
Os dois se encaram por um segundo… e sorriem.
Próximas dali, Sophia e Stefy observam a cena.
— Ele… sorriu — disse Stefy.
Sophia estreita os olhos, tentando confirmar.
— Sim, finalmente.
As duas continuam olhando, agora com um leve sorriso.
Stefy olha para Sophia.
— Eu ainda não acredito que ele sorriu.
Sophia a olha.
— Nem eu.

Na hora do almoço, Gaby vê Fernanda sentada em um banco, mexendo no celular, mais quieta que o normal.
Ela respira fundo… e se aproxima.
— Oi.
Fernanda levanta o olhar.
— Oi.
Gaby senta ao lado dela.
— Meus pais ficaram sabendo.
Fernanda já entende na hora.
— E aí?
Gaby solta um suspiro.
— Levei uma bronca daquelas.
Fernanda sorriso.
— Sorte a sua.
Gaby estranha.
— Sorte?
Fernanda dá de ombros, olhando para frente.
— Pelo menos eles se importam. Os meus nem ligaram.
Gaby vira o rosto, surpresa.
— Como assim?
— Ele nem falaram nada, como se fosse algo normal.
Gaby fica em silêncio por um momento, absorvendo.
— Eu não quero mais fazer isso.
Fernanda olha para ela.
— Nem de vez em quando?
— Nem.
Fernanda desvia o olhar, pensativa.
— Eu só queria que eles reparassem em mim.
Agora tudo faz mais sentido, Gaby suaviza o olhar.
— Você podia tentar falar com eles.
Fernanda dá um leve sorriso de canto.
— Eles não escutam.
— Mesmo assim… tenta. Fala como você se sente de verdade.
— E… se não adiantar…
Fernanda olha para ela.
— Você pode falar comigo.
Fernanda encara Gaby por um segundo… surpresa e então sorri.
— Você é estranha.
Gaby franze a testa.
— Por quê?
— Porque você se importa.
Gaby dá um sorriso.
— Alguém tem que se importar, né?
As duas ficam em silêncio por um momento.
Mas agora é um silêncio confortável.
Fernanda olha para Gaby
— Eu gosto de ser sua amiga.
Gaby sorri.
— Eu também.

Este capítulo recebeu o nome da música de 1988, “A Estratégia do Caos”, da banda RPM

Sinopse do Próximo Capítulo – Ciúme
É a noite do baile noturno do ensino fundamental, mas Gaby e Mateus não vão ao baile porque vão jantar com os avós. A insegura Stefy não quer ir ao baile porque está preocupada com seu peso e tem certeza de que “nenhum garoto jamais se interessaria por ela”. Urso tem uma queda por ela, mas Stefy não percebe quando ele demonstra interesse. Mas a ciumenta Giovanna quer Urso só para ela e fará qualquer coisa para brincar com as inseguranças de Stefy. E Luiza vai ao baile sozinha, já que os pais rigorosos de Manu a proíbem de ir a um baile noturno. Ela se sente solitária no começo, mas acaba se aproximando de Rick.
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Atualizado em: Dom 24 Maio 2026

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