- Drama
- Postado em
Escola Grasso 314 – Dançando Com O Erro, Parte 2
Aviso ao leitor
Este Capítulo não é indicado para menores de 14 anos, ele aborda automutilação como parte da trajetória da personagem Ellie.
Este Capítulo não é indicado para menores de 14 anos, ele aborda automutilação como parte da trajetória da personagem Ellie.
A automutilação não é romantizada nem apresentada como solução.
Se você se identificou com essa situação, saiba: você não está sozinho(a) e existem caminhos de apoio. Sentir dor emocional não faz de você fraco(a), e buscar ajuda é um ato de coragem.
Conversar com alguém de confiança, procurar um profissional de saúde mental ou acessar serviços de apoio pode fazer toda a diferença.
No Brasil, você pode ligar gratuitamente para o CVV – Centro de Valorização da Vida, pelo número 188, 24 horas por dia, ou acessar o chat online.
Se estiver em outro país, procure serviços locais de apoio emocional ou emergência.
Você merece cuidado, escuta e acolhimento.
Lara e Ellie chegam juntas na sala, andando de mãos dadas.
— Que bom que deu tudo certo a conversa com sua mãe Pomponzinho, é ótimo que você tenha pessoas ao seu redor para te ajudar — Lara falou.
Ellie sorri.
— Ursinha, eu vou para minha aula agora, nos vemos no almoço — disse Ellie.
— Sim.
Ellie começa a sair da sala, Lara a chama.
— Há Pomponzinho, você está com meu isqueiro?
— Sim, você precisa ter mais cuidado, minha mãe quase viu ele, eu guardei ele na minha mochila — disse Ellie.
— Fica com ele depois eu pego — Lara respondeu.
— Beleza… — Ellie suspirou — Eu queria tanto passar a tarde correndo com você.
Lara dá um sorriso culpado.
— Você sabe que não dá… Segunda eu tenho aula de Taekwondo.
Ellie revira os olhos dramaticamente.
— Então falta.
— Não posso faltar sempre — Lara respondeu, rindo de leve. — Por que você não vem comigo hoje? Poderia ver como é a aula.
Ellie faz uma careta imediata.
— Ah, não. Você sabe que eu não gosto dessas coisas de luta.
Antes que Lara responda, o sinal toca alto pelo corredor.
Ellie suspira.
— Eu preciso ir… — ela falou baixinho, virando e se afastando um pouco abatida.
Lara observa Ellie ir embora, claramente dividida entre a rotina e a vontade de agradá-la.
Ana se aproxima devagar, percebendo o clima.
— Ela ficou chateada? — Ana perguntou.
Lara solta o ar, cansada da situação.
— Fico com ela a semana inteira… aí justo no dia que eu realmente não posso, ela fica assim.
Ana dá um tapinha solidário no ombro dela.
Personagens Principais
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novak
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho
Lucas anda pelo corredor. Alguns alunos olham para ele e cochicham entre si, lembrando do que aconteceu na festa.
Lucas tenta ignorar. Ele caminha até o seu armário, gira o cadeado e abre a porta de metal.
Enquanto pega alguns livros, Chris se aproxima com cuidado.
— Ei, Luquinhas… você está melhor?
Lucas fecha o armário sem responder e começa a caminhar pelo corredor.
Chris suspira e vai atrás dele.
— Cara, por que você está agindo assim?
Lucas continua andando.
Chris fala um pouco mais alto:
— Não fui eu que fiquei com a garota por quem você é apaixonado.
Lucas para de repente.
Ele se vira e encara Chris por um momento.
— Eu sei, cara.
Ele passa a mão no cabelo, claramente cansado.
— Mas agora eu só quero ficar sozinho, beleza? Depois a gente conversa.
Chris observa Lucas por um instante, percebendo que ele realmente não está bem.
— Tá… tudo bem.
Lucas se vira novamente para ir embora.
Mas, ao dar alguns passos, ele quase esbarra em Joey.
Os dois ficam frente a frente.
Por alguns segundos, nenhum dos dois diz nada. Eles apenas se encaram. A tensão entre os dois é evidente. Joey abre a boca como se fosse dizer alguma coisa… mas desiste. Lucas desvia o olhar primeiro e passa por ele sem falar nada. Ele entra na sala de aula e vai direto para o seu lugar.
Ellie está no vestiário, amarrando o cadarço do tênis antes de ir correr. Poucos segundos depois, as líderes de torcida entram, conversando alto e rindo. Ela coloca a mochila num canto e sai apressada.
Nicole cutuca Carol com o cotovelo.
— Ei, Carol… — ela aponta com o queixo. — É a mochila da sonsa.
Carol ergue uma sobrancelha.
— É, eu vi.
Antes que Carol diga mais alguma coisa, Nicole já se aproxima da mochila e a abre.
Carol arregala os olhos, nervosa.
— O que você vai fazer, Nicole? Deixa isso aí…
Nicole vira a cabeça devagar, lançando um olhar afiado.
— Cala essa boca. Quando eu quiser sua opinião, eu peço.
Carol engole seco e se cala. Nicole pega o celular de Ellie.
— Nossa… ela é tão sonsa que nem coloca senha no celular. — Nicole abre a tela facilmente.
Ela começa a deslizar o dedo pelas fotos de Ellie, e um sorriso lento aparece no canto da boca, um sorriso que deixa carol ainda mais inquieta.
— O que foi? — Carol perguntou, tentando ver por cima do ombro.
Nicole não responde. Apenas continua olhando as fotos com aquele sorriso insinuante, como se tivesse acabado de ter uma ideia muito, muito ruim.
Lucas está dirigindo enquanto dá carona para Chris depois da escola.
Chris está no banco do passageiro, mexendo no celular. Lucas quebra o silêncio.
— Uma festa no meio da semana? Meu pai nunca vai deixar.
Chris olha para ele, como se aquilo não fosse um grande problema.
— Então fala que vai dormir lá em casa.
Lucas olha rapidamente para ele.
— Para quê?
Chris dá de ombros.
— Para fazer um trabalho. Sei lá… de ciências, de história, qualquer coisa.
Lucas solta uma pequena risada.
— Você fala isso como se fosse fácil.
Chris sorri.
— Cara, seu pai confia em você. Vai funcionar.
Ele então acrescenta, lembrando do plano.
— E também… essa é a chance perfeita de manter o Joey longe da Lila. Pelo menos por um dia.
Lucas fica pensativo por alguns segundos enquanto dirige.
— É…
Ele suspira.
— Eu vou falar com meu pai. Se ele deixar, eu vou.
Lucas encosta o carro em frente à casa de Chris.
Chris abre a porta.
— Beleza. Então a gente se encontra mais tarde no Luca’s e combina tudo certinho.
Lucas faz um aceno com a cabeça.
— Fechado.
Chris sai do carro e fecha a porta.
Lucas fica parado por um instante, olhando para frente, pensativo… antes de dar partida no carro novamente.
Mais tarde, depois do treino, Ellie e Lara saem do vestiário Lara olha para Ellie enquanto caminha.
— Amanhã eu venho correr com você.
Elllie sorri.
— Hoje o treino foi pesado.
Lara solta uma pequena risada.
— Você está reclamando? Foi você que pediu para corrermos mais.
— Eu achei que ia ser mais fácil — Ellie respondeu, meio sem graça.
As duas caminham em direção à saída quando veem Carol e Nicole encostadas perto da porta, conversando.
Lara cutuca Ellie com o cotovelo.
— Olha ali.
Ellie acompanha o olhar dela.
— A Nicole?
— É.
Lara cruza os braços.
— Ela faz Taekwondo comigo. Ela também é faixa amarela.
— Então vocês duas estão no mesmo nível?
— Mais ou menos. Ela começou um pouco antes.
— Não sei como você consegue ficar perto dela, ela é muito chata.
— Sim, ela faz bullying com muitos alunos. Se ela tentar fazer alguma coisa com você me avisa.
— Você sabe que não gosto de brigas Ursinha.
— Tem horas que é melhor resolver as coisas no braço Pomponzinho.
— Não, acho, pra mim o diálogo sempre vai ser a melhor opção.
— Pode ser, mais se eu souber que alguém está te maltratando, o diálogo não será minha primeira opção.
— Só não vai se meter em problemas por minha causa.
Lara sorri e pega na mão de Ellie, as duas caminham enquanto conversam.
No Luca’s, Lucas e Chris estão encostados perto das quadras da escola. Joey chega mexendo no celular.
— E aí, o que vocês querem? — Joey perguntou. — Me chamaram com tanta urgência que achei que alguém tinha morrido.
Chris sorri.
— A gente só queria falar com você.
Joey cruza os braços.
— Estou ouvindo.
Lucas olha para Chris, como se estivesse pedindo para ele começar.
Chris suspira e vai direto ao ponto.
— O meu primo Enzo vai dar outra festa.
Joey ergue uma sobrancelha.
— Outra?
— Só que dessa vez é diferente — continua Chris. — Vai ser na fazenda do pai dele. Fica mais ou menos uma hora daqui. Vai ter piscina, fogueira… espaço pra todo mundo.
Joey parece interessado.
— Hum… já está melhorando.
Chris continua animado:
— E o melhor: os pais do primo dele nem vão estar lá.
Joey solta um sorriso.
— Agora você tem minha atenção.
Lucas tenta parecer casual.
— A gente estava pensando em ir juntos.
Joey olha desconfiado.
— “Pensando”?
Ele aponta para os dois.
— Desde quando vocês dois planejam alguma coisa?
Chris dá uma risada.
— Desde que a gente percebeu que a última festa terminou meio… caótica.
Joey olha para Lucas.
— Ah, sim. Aquela parte eu lembro bem.
Lucas revira os olhos.
— Você também não ajudou muito.
Joey dá de ombros.
— Eu estava me divertindo.
Chris entra no meio antes que vire discussão.
— Enfim… essa festa vai ser melhor. Mais gente, mais espaço… menos drama.
Joey inclina a cabeça.
— Quem vai?
Chris responde rápido:
— Um monte de gente da escola do meu primo.
Joey olha para Lucas.
— A Lila vai?
Lucas responde imediatamente:
— Acho que não.
Chris confirma com a cabeça.
— Só vai nos três da Grasso.
Joey pensa por alguns segundos.
— Então por que eu iria?
Chris sorri.
— Porque vai ter garotas de outras escolas também.
Joey levanta as sobrancelhas.
— Agora você está falando a minha língua.
Lucas cruza os braços.
— Então… você vai ou não?
Joey pensa mais um momento e então abre um sorriso.
— Tá bom. Eu vou.
Chris bate de leve no ombro dele.
— Sabia que você não ia resistir.
Joey se senta na mesa.
— Só espero que essa festa seja melhor que a última.
Ele olha sério para Lucas.
— E tenta beber menos dessa vez. Você fica um chato quando está bêbado.
Lucas força um sorriso.
— Pode deixar.
Mais tarde, a estrada de terra leva até a fazenda do primo de Chris. O carro segue levantando um pouco de poeira enquanto a música toca baixo no rádio.
Lucas dirige com as mãos firmes no volante. Joey está no banco do passageiro, Chris está no banco de trás olhando pela janela.
— Eu só sei que lá tem, vai ter muitas garotas.
— Pra que? Pro Joey ficar com todas e não deixar nenhuma para a gente.
Joey revira os olhos.
— Ótimo. Vai começar.
— Você fez aquilo de propósito — disse Lucas, subindo a voz.
Joey suspira, já prevendo a discussão.
— Lá vamos nós de novo…
Lucas continua.
— Você sabia que eu gostava da Lila e mesmo assim ficou com ela.
Joey vira o rosto para ele.
— Primeiro: você gosta dela. Ela não é sua namorada.
Lucas aperta o volante.
— Você entendeu muito bem o que eu quis dizer.
Joey balança a cabeça.
— Não, Lucas. Quem não entendeu foi você. A Lila pode ficar com quem ela quiser. Ela não pertence a você.
Lucas solta uma risada irritada.
— Claro… e por acaso tinha que ser logo com você?
Joey dá de ombros.
— Não fui eu que fui atrás dela.
Lucas olha para ele, incrédulo.
— Como é que é?
Joey continua, tranquilo.
— Foi ela que veio falar comigo na festa.
Lucas olha para frente novamente, claramente irritado.
— É… exatamente esse o problema.
Joey revira os olhos.
— Ah, por favor. — Ele aponta para Lucas. — O que aconteceu naquela festa não foi culpa minha.
Lucas responde na hora:
— Não? Então de quem foi?
Joey fala com mais firmeza.
— Sua.
Lucas olha para ele.
— Minha?
— Sim. Você encheu a cara, começou a gritar com todo mundo e ainda me empurrou.
Lucas fica em silêncio por alguns segundos.
Joey continua:
— Você não brigou comigo porque eu fiz algo errado. Brigou porque está com ciúme.
Lucas volta a olhar para a estrada.
— Eu não estou com ciúme.
Joey dá um sorriso de lado.
— Claro que está.
Chris já irritado perde a paciência.
— Ei, gente por favor, parem com essa discussão idiota, já deu... Vocês dois estão enchendo o saco com essa barriguinha besta, ainda falta um pouco para chegarmos na fazenda e eu não quero mais ouvir sobre isso.
Os dois ficam em silêncio, Lucas se concentra na estrada.
Algum tempo depois, o carro finalmente chega à fazenda. A música alta já pode ser ouvida de longe, e várias luzes iluminam a área perto da casa.
Lucas estaciona o carro perto de outros veículos espalhados pelo gramado.
Joey olha pela janela e assobia.
— Ok… tenho que admitir. Essa festa parece boa.
Lucas desliga o carro. Os três saem do carro.
— Finalmente! Achei que não íamos chegar nunca.
Joey olha ao redor, animado. Algumas pessoas estão dançando perto da casa, outros conversam ao redor de uma fogueira mais afastada.
— Cara… isso aqui está muito melhor que a festa de sexta.
Chris sorri.
— Eu sou obrigado a concordar.
Lucas cruza os braços e observa a festa.
Joey começa a andar em direção à casa.
— Ótimo. Então eu tenho trabalho a fazer.
Lucas olha para ele.
— Trabalho?
Joey sorri.
— Socializar.
Chris ri.
— Tradução: flertar com metade da festa.
Joey se vira andando de costas.
— Alguém precisa manter a reputação.
Lucas balança a cabeça.
Chris olha para ele.
— Você vai ficar aí parado ou vai entrar?
Lucas suspira.
— Já estou indo.
Chris dá um tapinha no ombro dele.
— Tenta se divertir hoje, cara. Sem drama.
Lucas olha para a festa novamente, ainda meio pensativo.
— Vou tentar.
Os três caminham em direção à casa enquanto a música aumenta e a festa continua animada.
No quarto de Ellie, a música toca baixinho enquanto ela termina de se arrumar. Lara está sentada na cama, mexendo no celular.
— Anda logo, Pomponzinho — Lara falou rindo. — Se a gente demorar mais, vai ficar muito tarde.
Ellie pega a bolsa, mas de repente para. Ela fecha os olhos por um instante e leva a mão ao estômago.
Lara percebe.
— Ei… você está bem?
Ellie respira fundo.
— Acho que… não muito.
Ela se senta na beira da cama. Lara se levanta na hora e se aproxima.
— O que foi? Está tonta de novo?
Ellie faz uma pequena careta.
— Um pouco… e meio enjoada também.
Lara cruza os braços, preocupada.
— Isso tem a ver com o desmaio de ontem?
Ellie dá de ombros.
— Talvez.
Ela olha para a bolsa na mão e depois a coloca de lado.
— Acho que não vou mais hoje.
Lara franze a testa.
— Tem certeza?
Ellie assente devagar.
— É melhor eu ficar em casa.
Lara observa o rosto dela por alguns segundos, avaliando a situação.
— Quer que eu vá chamar sua mãe?
Ellie balança a cabeça rapidamente.
— Não, não precisa. Eu só preciso… descansar um pouco.
Lara se senta ao lado dela.
— Então eu vou ficar com você.
Ellie solta um pequeno sorriso, mas ainda parece desconfortável.
— Obrigada.
Lara a observa com atenção.
— Você quer água? Ou alguma coisa para comer?
Ellie hesita um segundo.
— Talvez só um pouco de água.
Lara se levanta.
— Já volto.
Quando Lara começa a sair do quarto, Ellie fala rapidamente:
— Lara…
Ela para na porta e olha para trás.
— Oi?
Ellie parece um pouco insegura.
— Você pode… ficar aqui comigo um pouco?
Lara não pergunta nada. Apenas volta e se senta novamente ao lado dela.
— Claro.
Ela pega o controle da música e diminui o volume.
— A gente pode só ficar aqui conversando.
Ellie respira mais tranquila.
— Obrigada.
Lara sorri.
— Relaxa. Eu não vou a lugar nenhum.
As duas ficam sentadas ali, em silêncio por alguns segundos, enquanto Ellie tenta se acalmar.
Mais tarde, à música toca alta na festa da fazenda. Algumas pessoas dançam perto das caixas de som enquanto outras conversam espalhadas pelo gramado.
Lucas está encostado perto de uma mesa com bebidas, olhando ao redor. Ele pega um copo, mas parece meio distraído.
Uma garota se aproxima para pegar um refrigerante e acaba esbarrando levemente nele.
— Foi mal — ela falou, segurando o copo para não derramar.
Lucas olha para ela e sorri.
— Relaxa, a culpa foi minha também.
Ela ri.
— Eu acho que a gente ainda não se conhece.
— Acho que não mesmo.
Ela estende a mão.
— Sou a Marina.
Lucas aperta a mão dela.
— Lucas.
Ela olha ao redor da festa.
— Você também achou que essa fazenda ficava no fim do mundo?
Lucas ri.
— Achei que a gente nunca ia chegar.
— Eu quase desisti no meio do caminho — Marina falou. — Meu amigo jurou que era “logo ali”.
Lucas balança a cabeça.
— Sempre tem alguém que diz isso.
Marina toma um gole da bebida.
— Você estuda em qual escola?
— Escola Grasso.
— Ah, então você é um nerd.
Lucas sorri.
— Algo assim.
Ela inclina a cabeça, curiosa.
— E você sempre vem para festas assim?
Lucas dá de ombros.
— Depende. Se meus amigos me arrastarem, sim.
Marina ri.
— Então você é facilmente influenciável.
— Só um pouco.
Ela observa Lucas por um instante.
— Você parece meio quieto para alguém em uma festa.
Lucas faz uma careta divertida.
— É que meu amigo já foi falar com metade das garotas daqui. Alguém precisa equilibrar a reputação do grupo.
Marina ri.
Ela aponta para a área perto da casa.
— Você já viu a fogueira ali atrás?
Lucas olha na direção que ela apontou.
— Ainda não.
— É a melhor parte da festa.
Ela começa a caminhar.
— Vem, eu te mostro.
Lucas hesita um segundo, mas sorri e vai atrás dela.
— Ok… você me convenceu.
Os dois seguem caminhando pelo gramado enquanto continuam conversando, a música da festa ficando um pouco mais distante.
— Então, Lucas — Marina diz olhando para ele — você sempre confia em estranhas que aparecem em festas?
Lucas sorri.
— Só quando a conversa está boa.
Marina dá um sorriso de volta.
— Então estamos indo bem até agora.
Depois de um tempo de conversa, a fogueira ilumina parte do gramado da fazenda. Algumas pessoas conversam sentadas em troncos enquanto a música da casa ainda pode ser ouvida ao fundo.
Lucas e Marina estão um pouco afastados da multidão, rindo de alguma coisa.
— Então você dirige o carro da pizzaria do seu pai? — Marina perguntou.
Lucas ri.
— Às vezes. É meio que o meu “pagamento” por ajudar lá.
— Não parece tão ruim.
— Só quando tenho que acordar cedo.
Marina dá um passo mais perto.
— Eu gosto de pizza… talvez eu apareça lá um dia.
Lucas sorri.
— Aparece mesmo.
Os dois se encaram por um instante, e Marina se inclina. Lucas corresponde e eles se beijam.
Quando o beijo termina, Marina parece animada.
— Ok… você beija bem.
Lucas ri, um pouco sem graça.
— Obrigado… eu acho.
Marina toma um gole da bebida que estava segurando.
— Acho que você foi o décimo hoje.
Lucas pisca, confuso.
— O quê?
Ela fala de forma casual, contando nos dedos.
— Décimo garoto que eu beijei hoje à noite.
Lucas franze a testa.
— Espera… você está falando sério?
— Sim — ela respondeu, rindo. — Eu e minhas amigas fizemos uma aposta.
Lucas fica claramente desconfortável.
— Que tipo de aposta?
Marina parece achar aquilo divertido.
— Quem conseguisse beijar mais gente na festa ganhava.
Lucas encara ela por um momento, processando a informação. Ele passa a mão no rosto e se levanta.
— Acho que eu preciso de um pouco de ar.
Marina olha para ele, confusa.
— Sério? Foi só um beijo.
Lucas se afasta alguns passos, claramente enjoado.
— É… eu percebi.
Ele se inclina um pouco, segurando o estômago.
Marina recua um passo.
— Ei… você está bem?
Ele se vira para o lado e vomita.
Na manhã seguinte, no corredor da escola, Lucas está encostado no armário tentando coçar discretamente o braço.
Chris chega primeiro, puxando a manga da camiseta para olhar o próprio antebraço.
— Cara… você também está com isso?
Lucas olha.
— Com o quê?
Chris mostra o braço. Pequenas manchas vermelhas estão espalhadas pela pele.
— Isso aqui. Está coçando sem parar.
Lucas levanta a manga do casaco e mostra o braço.
— Ótimo… então não sou só eu.
Chris faz uma careta.
— Parece picada de mosquito… só que pior.
Nesse momento Joey chega, caminhando meio irritado e coçando o pescoço.
— Vocês também estão coçando igual loucos ou sou só eu?
Lucas e Chris olham para ele.
— Você também? — Lucas perguntou.
Joey puxa a gola da camiseta para mostrar algumas manchas no pescoço.
— Olha isso.
Chris arregala os olhos.
— Ok… isso definitivamente não é normal.
Joey continua se coçando.
— Eu acordei no meio da noite achando que tinha formiga andando em mim.
Lucas faz uma careta.
— Obrigado por essa imagem mental.
Chris cruza os braços, pensativo.
— Espera… nós três estamos com isso.
Joey olha para os dois.
— Sim… e daí?
Chris começa a raciocinar.
— Ontem na festa… vocês encostaram em alguma coisa estranha?
Lucas pensa por um instante.
— Eu sentei perto da fogueira.
Joey responde na hora.
— Eu também.
Chris aponta para eles.
— Eu sabia.
Lucas franze a testa.
— Sabia o quê?
Chris fala como se tivesse descoberto um grande mistério.
— Aqueles troncos perto da fogueira.
Joey para de se coçar por um segundo.
— E daí?
Chris faz uma careta.
— Tinha umas plantas ali perto.
Lucas olha para ele.
— Plantas?
Chris suspira.
— Cara… e se era alguma planta que dá alergia?
Joey abre os olhos.
— Você está dizendo que eu estou assim por causa de uma planta?
Chris dá de ombros.
— Parece bem provável.
Lucas olha para os braços novamente.
— Incrível.
Joey começa a coçar de novo.
— Isso é culpa sua, Chris.
Chris se defende.
— Minha? Eu não obriguei vocês a sentarem lá.
Joey responde imediatamente.
— Foi você que disse que aquele era o melhor lugar da festa!
Lucas suspira.
— A gente atravessa uma hora de estrada, quase briga na festa, e ainda volta com alergia.
Joey aponta para o braço.
— E olha isso aqui… como eu vou explicar isso em casa?
Chris dá uma pequena risada.
— Boa sorte tentando explicar que foi atacado por uma planta.
Lucas fecha o armário.
Chris começa a caminhar pelo corredor.
Lucas e Joey vão atrás dele enquanto continuam reclamando da coceira.
Ellie está na escola quando Nicole se aproxima, com um sorriso provocador.
— Oi, Ellie. Como você está? — perguntou Nicole, inclinando a cabeça como se realmente se importasse.
Ellie permanece em silêncio.
— Nossa… não vai me responder? — Nicole ironiza, estreitando os olhos.
— O que você quer, Nicole? — Ellie perguntou, desconfiada.
— Nada demais. Só vim te dizer que você precisa cuidar melhor das suas coisas.
— Do que você está falando?
Nicole pega o celular, desbloqueia e vira a tela, mostrando uma foto para Ellie.
— Eu não sabia que você gostava de se exibir desse jeito.
Ellie arregala os olhos ao ver sua própria foto.
— Onde… como você conseguiu isso? — Ellie perguntou, a voz tremendo.
— Como eu disse, você precisa cuidar melhor das suas coisas. Imagina só se suas fotos caem em mãos erradas… — Nicole fala como se estivesse fazendo um favor.
— Apaga essas fotos, Nicole. Elas não são suas. — Ellie dá um passo à frente, desesperada.
— Eu vou apagar, Ellie… mas você vai fazer algo por mim.
— O que você quer? — Ellie perguntou, embora já tema a resposta.
— Essa jaqueta que você está usando.
— Não. De jeito nenhum — Ellie respondeu firme, apesar do medo.
Nicole dá de ombros e começa a se afastar.
— Então depois não reclama.
— Nicole, espera! — Ellie respira fundo, tira a jaqueta devagar e entrega para ela.
Nicole a pega com um sorriso.
— Ótimo. Obrigada, Ellie.
— Agora apaga a foto — Ellie pediu, olhando diretamente para ela.
Nicole apenas sorri, guarda a jaqueta no braço e se afasta sem confirmar nada.
Depois da última aula, Lucas, Joey e Chris caminham rapidamente pela calçada até uma pequena farmácia perto da escola.
Os três parecem desconfortáveis. Joey coça o braço, Chris tenta não coçar o pescoço e Lucas olha para as manchas no antebraço.
Eles entram na farmácia.
Atrás do balcão está um funcionário de meia-idade com um sorriso simpático.
— Boa tarde, rapazes. Posso ajudar em alguma coisa?
Os três se olham, esperando que um dos outros fale.
Chris empurra Lucas levemente.
— Vai, fala você.
Lucas suspira e se aproxima do balcão.
— Então… a gente está com um pequeno problema.
O funcionário inclina a cabeça, curioso.
— Que tipo de problema?
Joey levanta a manga da camiseta e mostra o braço.
— Isso aqui.
O homem observa as manchas.
— Está coçando?
Chris responde imediatamente:
— Muito.
O funcionário ri de leve.
— Parece alergia de contato.
Lucas franze a testa.
— Alergia de contato?
— Alguma planta, inseto ou coisa assim.
Joey olha para os braços novamente.
— Ótimo… fui derrotado por uma planta.
Chris tenta segurar o riso.
— Pelo menos não foi por um animal.
O funcionário caminha até uma prateleira e pega um creme.
— Isso aqui deve ajudar com a coceira.
Ele coloca a caixa no balcão.
— Usem duas vezes por dia.
Chris pega a caixa e vai até o caixa, enquanto Joey e Lucas esperam do lado de fora. Por alguns segundos, nenhum dos dois fala. Joey quebra o silêncio.
— Escuta…
Lucas olha para ele.
— Sobre a festa do Chris…
Joey suspira.
— Eu não devia ter falado daquele jeito com você.
Lucas passa a mão no braço.
— Eu também não devia ter te empurrado.
Joey dá um pequeno sorriso.
— Aquilo foi meio dramático.
Lucas ri de leve.
— Um pouco.
Joey olha para ele com mais seriedade.
— Eu não quis te magoar com a história da Lila.
Lucas dá de ombros.
— Eu sei.
Ele olha para a rua por um instante.
— Eu só… gosto dela há muito tempo.
Joey assente.
— Eu percebi.
Lucas respira fundo.
— Mas você estava certo em uma coisa.
Joey levanta uma sobrancelha.
— Em qual?
Lucas responde:
— Ela pode ficar com quem quiser.
Joey observa Lucas por um momento e então estende a mão.
— Então… ainda somos amigos?
Lucas olha para a mão dele por um segundo… e aperta.
— Sempre fomos.
Joey sorri.
— Ótimo.
Ele olha para o braço cheio de manchas.
— Porque eu não queria enfrentar outra festa com plantas assassinas sem você.
Lucas ri.
Chris sai da farmácia, passando o creme no braço.
— Vamos nessa.
Os três começam a caminhar pela calçada conversando novamente como antes.
Ellie está em seu quarto. O choro vem em ondas silenciosas, o corpo encolhido, tentando não chamar atenção. Ela leva a mão ao pulso onde está a cicatriz da queimadura na chapinha dias antes.
De repente ela se lembra de algo, Ellie abre sua mochila e pega o isqueiro de Lara, Ellie começa a queimar o braço direito próximo a axila, numa tentativa confusa de se distrair da dor maior que aperta o peito. Ela fecha os olhos com força, respirando de forma irregular.
— Para… — ela sussurra para si mesma, a voz falhando.
As lágrimas continuam caindo, enquanto ela tenta recuperar o controle. Por alguns segundos, Ellie fica imóvel, apenas respirando, tentando juntar os pedaços.
Sinopse do Próximo Capítulo – Era Pra Ser a Gente, Mas Você Estragou Tudo
Quando Helena e Zara entram em conflito, Zara revida. Michael chega ao fundo do poço e percebe que precisa de ajuda urgente. Maju é rejeitada por um importante produtor musical e pergunta se perdeu sua grande chance.
Atualizado em: Qui 14 Maio 2026
