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Escola Grasso 313 – Dançando Com O Erro, Parte 1

Este Capítulo não é indicado para menores de 14 anos.

Lucas dirige o carro de entregas da pizzaria do pai enquanto dá carona para Chris e Joey até a escola.
Joey, no banco do passageiro, olha para ele com um sorriso de lado.
— Cara, como seu pai deixa você dirigir esse carro?
Lucas dá de ombros, mantendo os olhos na rua.
— Ele sabe que eu tenho responsabilidade.
Chris, no banco de trás, se inclina para frente entre os dois bancos.
— Tá, mas e se a polícia parar você?
Lucas solta uma risadinha.
— Já pararam várias vezes. Mas eles conhecem meu pai.
Joey abre um sorriso malicioso.
— Ah, entendi… seu pai suborna eles com pizza, né?
Lucas balança a cabeça, negando.
— Não, Joey. Não é isso.
Lucas estaciona em frente à escola. Os três descem do carro.
Joey fecha a porta ainda rindo.
— Claro que é. Agora entendi por que a pizzaria do seu pai vive cheia de policiais.
Lucas revira os olhos.
— Cara, para de falar besteira...
Ele interrompe a frase ao ver Lila se aproximando. O rosto dele muda na hora.
Lucas sorri.
— Lila… oi.
Lila passa por eles sem sequer olhar para Lucas.
— Oi, Joey.
Joey sorri de volta, relaxado.
— Oi, Lila. Tudo bem?
Chris aproveita o momento e entra na conversa.
— Lila, vou dar uma festa na minha casa amanhã. Você e suas amigas estão convidadas.
Lucas rapidamente acrescenta:
— Eu vou estar lá, Lila.
Ela continua olhando para Joey, como se Lucas nem tivesse falado.
— E você vai estar lá, Joey?
Joey dá um sorriso confiante.
— Claro. Eu nunca perco uma festa.
Lila ri, claramente gostando.
— Então a gente se vê lá.
— Com certeza — Joey responde.
Ela se vira para ir embora.
— Tchau, meninos.
Lila se afasta. Lucas acompanha ela com o olhar, claramente incomodado.
Chris percebe na hora.
Lucas suspira e começa a andar em direção à escola.
— Vamos entrar. O sinal já vai tocar.
Joey começa a andar também, mas Chris segura o braço dele.
— Ei, espera aí.
Joey olha para trás, confuso.
— O quê?
Chris franze a testa.
— Que palhaçada foi essa?
— Do que você está falando?
— Você sabe muito bem. O Lucas é apaixonado pela Lila, e você fica flertando com ela na cara dele.
Joey dá de ombros, indiferente.
— Se ele gosta dela, então que corra atrás. Você sabe que eu não dispenso garota nenhuma.
Ele se solta do braço de Chris e segue em direção à escola, deixando Chris parado ali, irritado.

Personagens Principais
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novak
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho

Dentro da escola, Lucas chega ao seu armário. Chris e Joey se aproximam logo atrás.
Chris encosta no armário ao lado.
— Ei, Lucas, você vai estar com o carro hoje à tarde, né? A gente precisa comprar umas coisas para a festa.
Lucas pega alguns livros dentro do armário.
— Vou estar com o carro, sim. Mas vocês vão ter que ajudar com a gasolina.
Joey se aproxima com um sorriso.
— Relaxa, cara. A gente sempre ajuda. Não esquenta com isso. — Ele dá um tapinha no ombro de Lucas. — Se preocupa com outra coisa. Muito mais importante.
Lucas levanta uma sobrancelha.
— O quê?
Joey sorri ainda mais.
— Perder a virgindade nessa festa.
Lucas revira os olhos e fecha o armário com um pouco mais de força do que o normal.
— Você só pensa nisso?
Joey dá de ombros.
— É sério, cara. Você é o único virgem entre nós três. E vai ter um monte de garotas na festa. Essa é a sua grande chance.
Chris olha para Lucas, concordando.
— Ele até que tem razão. Algumas dessas garotas provavelmente vão estar a fim de você. Então relaxa.
Lucas ajusta a mochila no ombro.
— Claro… porque é exatamente assim que as coisas funcionam.
Joey ri.
— Cara, você pensa demais.
Lucas começa a andar pelo corredor.
— Beleza, mas agora vamos para a aula. Não estou a fim de levar detenção logo de manhã.
Chris e Joey trocam um olhar e começam a andar junto com ele pelo corredor.
Joey ainda provoca:
— Só não vai fugir da festa depois, hein.
Lucas balança a cabeça, meio irritado, mas acaba soltando um pequeno sorriso.
 
Ellie está em frente ao armário, remexendo os livros com atenção. Lara se aproxima, observando-a por alguns segundos.
— Pomponzinho, vamos pra aula? 
— Já vou — respondeu Ellie. — Só vou pegar o livro.
Ela retira um dos livros, fecha o armário e se vira.
— Pronto, vamos.
As duas começam a andar pelo corredor. Após alguns passos, Ellie diminui o ritmo.
— Lara… — sua voz sai baixa, quase um sussurro.
Antes que Lara consiga responder, Ellie cambaleia e desaba no chão.
— Ellie! — Lara gritou, ajoelhando-se ao seu lado.
Os alunos ao redor param, formando um círculo apreensivo. Murmúrios se espalham pelo corredor.
Lara segura o rosto de Ellie com cuidado.
— Ellie, por favor, fala comigo… acorda.
O corredor, antes barulhento, fica tomado por um silêncio tenso.
 
Na sala de aula, o professor explica a matéria enquanto escreve no quadro.
Lucas está sentado na carteira, com o caderno aberto, mas claramente não está prestando atenção em nada do que está sendo dito. O professor continua falando, mas as palavras parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro.
Algumas carteiras ao lado, Lila está sentada, aparentemente concentrada na aula.
Lucas olha para ela por alguns segundos, hesitando, como se estivesse pensando se deveria ou não fazer aquilo. Então acaba olhando de novo.
Lila percebe.
Ela vira o rosto na direção dele. Por um instante, os dois se encaram. Lila sorri de forma amigável, quase automática.
Logo depois, volta a olhar para frente, como se nada tivesse acontecido.
Lucas continua olhando para ela por mais um segundo… então solta um suspiro longo.
Ele deixa o lápis cair na mesa e lentamente abaixa a cabeça até encostar a testa na carteira.
O barulho chama a atenção de Chris, que está sentado na carteira de trás.
Chris se inclina um pouco para frente e sussurra:
— Cara… você está bem?
Lucas levanta o rosto só um pouco, com expressão derrotada.
— Não.
Chris segura a risada.
— Isso tem nome.
Lucas olha para ele, sem paciência.
— Nem começa.
Chris sorri.
— Lila.
Lucas solta outro suspiro enquanto o professor continua explicando a matéria, completamente alheio ao drama adolescente acontecendo na sala.
 
Ellie está sentada na maca da enfermaria da escola, ainda um pouco pálida. A enfermeira organiza alguns papéis quando a porta se abre de repente.
Marta entra apressada.
— Filha! Você está bem?
Ellie levanta um pouco da maca e tenta tranquilizar a mãe.
— Estou, mamãe. Foi só um susto.
A enfermeira se aproxima das duas.
— Ela está bem, mãe. Só teve uma queda de pressão.
Marta cruza os braços, ainda preocupada.
— Ela já desmaiou uma vez antes, porque não estava comendo direito.
A enfermeira olha para Ellie.
— Sim, ela comentou que não tomou café da manhã porque saiu um pouco atrasada de casa. — Depois completa, em tom gentil, mas firme . — Mas você precisa se alimentar direitinho, Ellie. Ainda mais na sua idade.
Ellie solta um pequeno suspiro e se levanta da maca.
— Eu sei… prometo que vou comer melhor. Mas agora eu preciso voltar para a aula.
Marta franze a testa.
— Eu vim buscar você para ir para casa.
Ellie balança a cabeça.
— Mamãe, eu estou bem, sério. Só não posso começar a perder aulas assim… depois fica tudo acumulado.
— Você pode repor essas aulas depois, Raquel — Disse a enfermeira.
Ellie dá um sorriso.
— Eu sei, mas mesmo assim não quero ficar para trás.
Marta olha para a enfermeira, buscando confirmação.
A enfermeira dá um pequeno aceno.
— Se ela está se sentindo bem, pode voltar para a aula. Mas com calma.
Marta volta a olhar para a filha, ainda apreensiva.
— Querida, se você sentir qualquer coisa, volta direto para a enfermaria, entendeu?
— Pode deixar.
— E vê se come direito na hora do almoço.
Marta abre a bolsa e tira uma nota.
— Toma, cinquenta reais para você comprar alguma coisa.
Ellie ri de leve.
— Eu tenho dinheiro, mamãe.
Marta coloca o dinheiro na mão dela mesmo assim.
— Eu sei. Mas eu quero ter certeza de que você vai comer bastante, tá? Para ficar bem logo.
Ellie finalmente sorri de verdade.
— Tá bom. Prometo.
Marta suspira, ainda preocupada, mas um pouco mais tranquila.
 
Na hora do almoço, Lucas, Joey e Chris estão sentados em uma mesa no refeitório da escola. Bandejas espalhadas, barulho de alunos conversando por todos os lados.
Chris está inclinado sobre a mesa, pensando alto.
— Salgadinhos… muitos salgadinhos.
Joey olha para ele, confuso, mastigando uma batata frita.
— Ué, mas você não pediu para o pessoal levar comida?
Chris balança a cabeça.
— Não. Pedi para levarem bebida. Mas como eu sei que a maioria vai aparecer com refrigerante e energético, a gente precisa levar as bebidas alcoólicas.
Lucas levanta os olhos da bandeja e encara Chris.
— E onde exatamente você pretende comprar bebida, gênio? Até onde eu sei, você não tem uma identidade falsa.
Chris dá um sorriso meio orgulhoso.
— Eu conheço um lugar. Um cara amigo de um primo meu vende. Ele não faz muitas perguntas.
Joey abre um sorriso animado.
— Perfeito. Então está combinado.
Ele se levanta da cadeira e pega a mochila.
— A gente se vê no carro do Luquinhas mais tarde.
Lucas suspira, já acostumado com o apelido.
Joey continua, olhando ao redor do refeitório:
— Agora, se me dão licença… tenho outros assuntos para resolver.
Chris acompanha o olhar dele e vê duas garotas sentadas em outra mesa.
— Claro que tem.
Joey se afasta, atravessa o refeitório e, sem nenhuma vergonha, se senta entre as duas garotas, já começando a conversar com elas.
Chris ri baixo.
— Impressionante.
Ele se levanta também, pegando sua bandeja.
— Eu também tenho que ir. Clube de fotografia.
Lucas levanta uma sobrancelha.
— Boa sorte tentando tirar foto em vez de ficar flertando por lá.
Chris sorri de lado.
— Não prometo nada.
Ele dá um tapinha na mesa antes de sair.
— Até mais.
Lucas fica sozinho na mesa. Ele apenas acena com a mão em despedida, pega uma maçã da bandeja e dá uma mordida, olhando o refeitório cheio ao redor.
 
Na hora da saída, os alunos começam a deixar a escola. Ellie caminha pela calçada em frente ao portão, segurando um buquê de flores.
De repente, alguém chama atrás dela.
— Ellie, espera!
Ela olha para trás e vê Adryan correndo para alcançá-la. Ellie para e espera.
Adryan chega um pouco ofegante.
— Fiquei sabendo do seu desmaio. Desculpa não ter ido te ver na enfermaria… meu dia foi uma correria. — Então ele olha para o buquê nas mãos dela e sorri. — Mas estou vendo que você recebeu meu presente.
Ellie olha para as flores e abre um sorriso.
— Ah, sim. Obrigada. Elas são lindas.
Adryan aponta discretamente para o buquê.
— Flores amarelas simbolizam amizade.
Ellie ergue as sobrancelhas.
— Nossa… aprendi uma coisa nova hoje.
Adryan ri, mas logo seu sorriso diminui um pouco e ele a observa com mais atenção.
— Mas falando sério… você está bem?
Ellie começa a caminhar de novo, e Adryan acompanha ao lado dela.
— Estou, sim. Foi só uma queda de pressão. Já estou melhor.
Adryan parece aliviado.
— Ainda bem. Porque minha mãe está fazendo aquela torta que você adora e pediu para eu te chamar para jantar lá em casa.
Os olhos de Ellie se iluminam.
— Sério? Aquela de frango?
— Isso. De frango com catupiry. E o melhor: sem azeitonas.
Ele ri.
— Ela sabe que você odeia.
Ellie faz uma careta divertida.
— Eu odeio mesmo.
Adryan aponta para frente, animado.
— Então vamos?
Ellie sorri.
— Vamos.
Eles caminham juntos pela calçada. Depois de alguns passos, Ellie olha novamente para o buquê em suas mãos.
— Mas me conta uma coisa… como você conseguiu que entregassem flores dentro da escola?
Adryan abre um sorriso misterioso.
— Tenho meus contatos.
Ellie ri, e os dois continuam andando e conversando pela rua.
 
Mais tarde, Lucas, Joey e Chris chegam a um bar pequeno e mal iluminado em um bairro afastado da cidade.
Lucas olha ao redor, claramente desconfortável.
— Cara… eu não acredito que você me trouxe para esse bairro. Esse lugar é um dos mais perigosos da cidade.
Joey dá de ombros, tranquilo.
— Relaxa. Eu já saí com uma garota daqui.
Lucas revira os olhos.
— Sério? Ninguém quer saber das suas aventuras românticas.
Chris dá uma leve cotovelada em Lucas.
— Shhh… o Zecão está vindo. Deixa que eu falo.
Zecão, um homem grande com cara de poucos amigos, se aproxima do balcão.
Chris levanta a mão em cumprimento.
— Opa, e aí, Zecão.
Lucas olha para Joey, confuso.
— “Opa”?
Joey segura a risada.
Chris continua, tentando parecer confiante.
— Vou dar uma festa hoje e preciso de umas bebidas.
Lucas tira uma folha dobrada do bolso e entrega para Chris, que passa a lista para Zecão.
— Está tudo nessa lista, preciso disso pra amanhã.
Zecão pega o papel, olha rapidamente e coça a barba.
— Vou ver o que tenho aqui.
Ele se afasta para os fundos do bar.
Lucas faz uma careta, incomodado com o cheiro do lugar.
— Cara… esse lugar está fedendo. Vou esperar lá fora.
Ele se vira e sai.
Joey observa Lucas indo embora.
— Eu também vou esperar lá.
Do lado de fora, Lucas encosta na parede perto da entrada. Joey chega logo depois.
Nesse momento, uma viatura policial passa devagar pela rua.
Os dois ficam imóveis.
Um dos policiais olha diretamente para Lucas e diminui ainda mais a velocidade.
Lucas engole em seco.
O policial abaixa um pouco o vidro.
— Ei, garoto… você não é o filho do Marcos?
Lucas responde, meio sem graça.
— Sou, sim.
O policial olha para o parceiro no banco ao lado.
— O pai dele é dono da melhor pizzaria da cidade. Qualquer hora dessas vou te levar lá.
A viatura segue pela rua e se afasta.
Joey solta o ar que estava segurando.
— Viu só? Até a polícia gosta da pizza do seu pai.
Lucas balança a cabeça, ainda nervoso.
— Por um segundo achei que a gente ia parar na delegacia.
Joey ri.
— Relaxa, Luquinhas.
 
Ellie está na casa de Adryan. Todos estão sentados à mesa terminando o jantar.
Ellie limpa discretamente os lábios com o guardanapo e sorri.
— Débora, essa torta está uma delícia.
Débora abre um sorriso orgulhoso.
— Obrigada, querida. Quer mais um pedaço?
Ellie balança a cabeça.
— Não, obrigada. Já estou satisfeita.
Débora levanta da cadeira.
— Então vou separar um pedaço para você levar para os seus pais… e para a Esther também.
Ellie sorri.
— Eles vão adorar.
— Já volto — disse Débora, caminhando para a cozinha.
Juvenal, o pai de Adryan, apoia os braços na mesa e olha para Ellie com simpatia.
— E seus pais, estão bem, Raquel?
— Estão, sim.
Juvenal faz um pequeno aceno com a cabeça.
— Manda um abraço para o seu pai quando chegar em casa. Faz tempo que não o vejo. Tenho viajado demais ultimamente. — Ele sorri com certa nostalgia. — Mas qualquer hora dessas passo lá para conversar com ele. Seu pai é um grande amigo. Ele me ajudou muito em um momento difícil… vou ser sempre grato a ele e à sua mãe também.
Adryan entra na conversa, curioso.
— Vocês se conhecem há uns dezesseis anos, né, pai? Mais ou menos a minha idade e a da Ellie.
Juvenal concorda.
— Isso mesmo. Foi pouco tempo depois que você nasceu. Nós tínhamos acabado de chegar da Bahia. Só a Débora que já conhecia a Marta.
Ellie olha para Adryan.
— Sim, elas já eram amigas quando eram solteiras, né?
Nesse momento, Débora volta da cozinha segurando um pote de plástico.
— Exatamente.
Ela coloca o pote sobre a mesa por um instante.
— Sua mãe e eu nos conhecemos quando trabalhávamos na casa do doutor Mauro e da dona Olga. Já temos mais de vinte anos de amizade.
Ela ri de leve.
— Como o tempo voa.
Débora entrega o pote para Ellie.
— Aqui. Um pedaço bem caprichado.
Ellie pega o pote com cuidado.
— Muito obrigada, Débora.
— Imagina.
Débora volta a se sentar à mesa, e a conversa continua de forma tranquila enquanto eles terminam o jantar.
 
No dia seguinte, Lucas dirige até uma rua tranquila. Ele estaciona em frente a uma casa, olha para os lados para se certificar de que ninguém está vendo e sai do carro.
Alguns metros à frente, uma bicicleta está parada na calçada.
Lucas se aproxima, agacha e rapidamente esvazia os pneus.
Ele volta correndo para o carro, entra e dá ré, estacionando um pouco mais à frente da rua.
Algum tempo depois, Lila aparece empurrando a bicicleta com dificuldade.
Lucas dirige lentamente até ela e abaixa o vidro.
— Oi, Lila. O que aconteceu?
Lila suspira, claramente irritada.
— Ah, Lucas… alguém esvaziou os pneus da minha bicicleta. Tenho quase certeza de que foi o filho do meu vizinho. Aquele garoto vive aprontando.
Ela empurra a bicicleta mais um pouco.
— Agora vou chegar atrasada na escola.
Lucas tenta parecer casual.
— Não vai, não. Entra aí que eu te dou uma carona.
Lila abre um sorriso aliviado.
— Sério? Ah, Lucas, obrigada! Nem sei o que dizer.
Lucas sai do carro rapidamente.
— Relaxa.
Ele pega a bicicleta.
— Vai entrando, eu coloco a bicicleta no porta-malas.
Lila entra no carro enquanto Lucas coloca a bicicleta no porta-malas e volta para o banco do motorista.
Logo depois, eles saem.
Por alguns segundos, o carro segue em silêncio.
Lucas olha rapidamente para Lila.
— Então… você e o Gui terminaram mesmo?
Lila olha pela janela.
— Sim. Já faz alguns dias.
— Ele devia ser meio idiota para deixar você escapar.
Lila dá um pequeno sorriso educado.
— Ou talvez a gente só não combinasse mais.
Lucas tenta continuar a conversa.
— Bom… agora você está solteira.
Lila olha para ele, meio desconfiada.
— E daí?
Lucas dá uma risadinha sem graça.
— Nada… só estou dizendo.
Mais alguns segundos de silêncio.
Lucas tenta de novo.
— A festa do Chris hoje vai estar bem legal. Você vai com suas amigas, né?
— Vou, sim.
— Ótimo… a gente podia… sei lá… conversar mais lá.
Lila dá de ombros.
— Talvez.
Lucas tenta parecer confiante.
— Ou a gente pode dançar.
Lila olha para ele, divertida.
— Você dança, Lucas?
Ele hesita um segundo.
— Se for preciso, eu danço.
Ela ri.
— Isso eu quero ver.
Lucas aproveita o momento.
— Então está combinado.
Mas Lila já voltou a olhar para a rua, claramente sem levar a conversa tão a sério quanto ele.
Pouco depois, o carro para em frente à escola.
Lucas estaciona.
— Chegamos.
Lila abre a porta e pega a mochila.
— Valeu pela carona, Lucas. Você salvou minha manhã.
Lucas tenta parecer casual.
— Sempre que precisar.
Ela sai do carro e fecha a porta.
— A gente se vê na festa.
— Com certeza — respondeu Lucas.
Lila se afasta caminhando em direção a entrada da escola.
Lucas a observa por alguns segundos, pensativo.
 
Dentro da escola, Lara se aproxima de Ellie no corredor.
— Pomponzinho… — Lara falou, hesitante. — Você já me disse várias vezes que me ama. Isso é verdade, né?
Ellie a encara, surpresa com a pergunta.
— Claro que é. Você sabe disso.
— Eu sei — Lara concorda, respirando fundo. — Mas… você confia em mim?
Ellie franze levemente a testa.
— Por que essas perguntas, Ursinha?
— Eu preciso saber — Lara insistiu, com a voz suave, mas firme. — Você confia mesmo em mim?
— Confio, sim.
Lara se inclina um pouco para a frente.
— Então, por favor, seja sincera comigo. Não esconde nada. Eu te amo e quero te ver bem.
Ellie fica em silêncio por alguns segundos.
— Isso é por causa do desmaio? — Ellie perguntou.
Lara suspira, reunindo coragem.
— Ultimamente eu tenho notado que você anda comendo muito pouco, Ellie.
Ellie passa as mãos pelo rosto, visivelmente cansada.
— Às vezes… eu sinto uma necessidade de controlar alguma coisa na minha vida. Isso me deixa ansiosa. Quando fico assim, eu não sinto vontade de comer… e piora quando estou estressada ou chateada.
Lara a observa com atenção.
— Por que você não contou isso pra alguém? Nem precisava ser pra mim… podia ser pros seus pais, ou para Esther.
— Não é fácil falar sobre isso — Ellie respondeu, em voz baixa.
Lara assente, compreensiva.
— Eu sei, pomponzinho. Mas você não está sozinha. Tem pessoas que podem te ajudar.
Ellie respira fundo, como se estivesse lutando contra algo por dentro.
— E… não é só isso. Eu já me machuquei antes. Eu parei, mas… não está sendo fácil.
O rosto de Lara perde a cor.
— Meu Deus… — ela murmurou, visivelmente abalada. — Pomponzinho, conversa comigo, por favor. E conversa com seus pais. Não tenha vergonha disso.
— Eu parei com isso — Ellie falou rapidamente. — De verdade. E sobre comer mais… você pode me ajudar com isso.
Lara segura as mãos dela.
— Eu vou te ajudar. Mas você também precisa querer. Fale com seus pais.
— Eu quero melhorar — Ellie garante. — Mas não vou falar com eles agora. Está tudo bem. Sua ajuda já é suficiente.
Lara aperta levemente as mãos dela, os olhos cheios de preocupação.
— Não está tudo bem, pomponzinho. Isso é sério.
— Eu sei — Ellie respondeu, sincera. — Justamente por isso eu vou me esforçar pra melhorar.
Lara permanece em silêncio por um momento. Ela ainda está preocupada.
— Eu não vou falar e peço por favor que você também não conte.
— Por que você não quer falar? — Lara perguntou.
— E se minha mãe não acreditar em mim? Achar que isso é bobagem, olha Ursinha como eu disse está tudo bem agora, vamos deixar isso para lá.
Lara olha preocupada para Ellie, mas resolve respeitar sua decisão.
 
Naquela noite, Lucas chega à festa na casa de Enzo. A música está alta, luzes coloridas piscam pela sala e a casa está cheia de alunos conversando e dançando.
Enzo aparece logo na porta com um copo na mão.
— Luquinhas! E aí, cara! — ele diz animado. — Olha só isso… a festa está sendo um sucesso. Olha quanta gente!
Lucas dá uma olhada rápida pela sala, procurando alguém.
— É… está cheia mesmo.
Ele volta a olhar para Enzo.
— A Lila já chegou?
Enzo aponta para o fundo da casa.
— Chegou. Está ali atrás.
Lucas nem responde. Apenas começa a caminhar naquela direção.
Ele atravessa a sala cheia de gente, passa por alguns grupos conversando e entra em outro cômodo.
Quando olha para frente, vê Joey conversando com Lila.
Os dois estão muito próximos, rindo de alguma coisa. Joey se inclina um pouco… e os dois acabam se beijando.
Lucas para no meio do caminho, o rosto imediatamente fechando.
Ele caminha até eles, claramente irritado.
— Lila, larga esse idiota.
Os dois se afastam do beijo. Lila olha para Lucas, confusa.
— O quê?
Lucas encara Joey com raiva.
— Você não conhece ele como eu conheço. Esse cara não presta. Ele só vai te magoar.
Joey cruza os braços, irritado.
— Ei, qual é o seu problema?
Lucas ignora Joey e segura a mão de Lila, tentando puxá-la.
— Vem, Lila. Você não precisa ficar aqui com ele.
Lila puxa a mão de volta imediatamente.
— Ei! Me solta!
Ela encara Lucas, agora irritada.
— Quem está sendo idiota aqui é você.
Lucas fica sem reação por um segundo.
Lila vira para Joey.
— Vamos sair daqui.
Joey dá um sorriso provocador para Lucas e passa o braço pela cintura dela.
— Boa ideia.
Os dois se afastam juntos em direção ao corredor.
Lucas fica parado no meio da sala, olhando os dois irem embora enquanto a música continua tocando ao redor.
 
Ellie e Lara conversam no Luca’s. O garçom trás um sanduíche em um prato.
— Pomponzinho… eu pedi esse sanduíche pra você — disse ela, estendendo o prato com um leve sorriso. — Por favor, come, tá?
Ellie olha para o sanduíche e depois para Lara, tocada pelo gesto.
— Obrigada, Ursinha.
— Eu só quero o seu bem — Lara respondeu, com sinceridade nos olhos.
Ellie fica em silêncio por um instante, pensativa.
— Eu sei… e foi por isso que eu estive pensando melhor — ela falou, respirando fundo. — Acho que eu devo contar essas coisas pra minha mãe, sabe?
O rosto de Lara se ilumina.
— Sim — ela responde de imediato. — E, se você quiser, eu vou com você.
Ellie sorri, um sorriso pequeno, mas confiante.
— Eu quero.
Lara sorri também, segura a mão de Ellie com firmeza e carinho.
— Então eu vou estar lá do seu lado. Sempre.
 
Mais tarde, Ellie e Lara chegam juntas à casa de Ellie. As duas param por um instante diante da porta.
— Preparada? — perguntou Lara, apertando de leve a mão dela.
Ellie respira fundo.
— Sim.
Elas entram ainda de mãos dadas.
— Mamãe? — Ellie chamou, com a voz um pouco trêmula. — Você está onde?
Marta surge da cozinha, enxugando as mãos no pano de prato.
— Estou aqui, querida.
Ellie se aproxima devagar.
— Você pode vir aqui um instante? Eu preciso conversar com você.
Marta percebe o tom sério da filha e se aproxima imediatamente.
— O que foi, meu amor? Está tudo bem?
Ellie olha para Lara ao seu lado. Lara lhe retribui o olhar, firme e encorajador. Ellie então sorri, um sorriso pequeno, mas cheio de alívio.
— Agora está.
 
De volta à festa, Lucas está encostado perto de uma mesa cheia de copos vazios. Ele bebe sem parar.
Chris se aproxima, preocupado.
— Luquinhas, chega. Você já bebeu demais.
Ele pega o copo da mão de Lucas.
Lucas franze a testa.
— Você é meu pai agora?
Ele tenta pegar o copo de volta.
— Não? Então me devolve isso.
Chris afasta o copo.
— Eu não sou seu pai, mas sou seu amigo. E estou dizendo: chega por hoje.
Lucas ri com ironia.
— Amigo… claro.
Nesse momento, a porta da sala se abre e Lila entra com Joey. Os dois estão rindo de alguma coisa.
Por coincidência, a música para naquele instante.
O silêncio na sala chama a atenção de todos.
Lucas olha diretamente para Joey.
— Você é meu amigo… — Ele aponta para Joey com o dedo. — Mas esse idiota aqui não é.
Algumas pessoas ao redor começam a olhar para a cena.
Joey fica sério.
— Lucas, para com isso.
Lucas continua, cada vez mais alterado.
— Ouviu bem? Você é um amigo de merda. — Ele dá um passo na direção de Joey. — Você não respeita ninguém. E vai acabar magoando a Lila… igual faz com todo mundo. — Porque é só isso que você sabe fazer, Joey. Machucar as pessoas.
Joey respira fundo, tentando manter a calma.
— Cara… para com isso.
Lucas dá mais um passo.
— Ou o quê? O que você vai fazer?
Sem pensar, Lucas empurra Joey com força.
Joey dá um passo para trás, surpreso.
Chris corre e segura Lucas pelos braços.
— Chega, cara! Para com isso!
Lucas tenta se soltar.
— Me solta!
Ele puxa o braço com força.
— Eu vou embora dessa droga de festa.
Lucas se vira para sair… mas para de repente.
Ele se curva e acaba vomitando no chão.
Um silêncio constrangedor toma conta da sala.
Lucas levanta a cabeça devagar.
Todos estão olhando para ele.
Alguns com cara de choque, outros tentando segurar o riso.
Envergonhado e furioso, Lucas limpa a boca com a manga da camisa e sai da casa sem dizer mais nada.

Sinopse do Próximo Capítulo – Dançando Com O Erro, parte 2
Ellie começa a ser chantageada por Nicole. Lucas e seus amigos partem para uma festa em uma fazenda.
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Atualizado em: Dom 17 Maio 2026

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