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Grasso: A Próxima Geração 101 – Turma da Grasso, parte 1
O celular de Mateus desperta com um alarme irritante. Ele se mexe na cama, pega o celular meio dormindo e desliga.
A porta do quarto abre de repente. Gaby entra já vestida para a escola.
— Mateus! Levanta!
Mateus abre apenas um olho
Já acordei…
— Não, não acordou. Você só desligou o alarme.
Mateus abre os dois olhos agora. Gaby se aproxima ainda mais.
Se você dormir de novo, a gente vai chegar atrasado no primeiro dia.
— Talvez isso não seja uma coisa tão ruim.
— Para de drama. Levanta!
Ela puxa o cobertor.
— Ei! — Mateus exclamou.
— Cinco minutos. Se você não descer, eu volto aqui com um copo de água.
— Você não faria isso.
— Experimenta.
Gaby sai do quarto. Mateus fica sentado na cama, esfregando os olhos.
— Primeiro dia em escola nova… que maravilha.
A cozinha está cheia de caixas da mudança. Raquel prepara o café da manhã enquanto Gaby entra.
— Bom dia, filha.
— Bom dia.
Raquel coloca uma tigela na mesa.
— Onde está o seu irmão?
— Descendo… eu acho.
Gaby pega um pão e passa manteiga.
Raquel olha para a filha animada.
— Eu ainda não acredito que vou voltar para a Grasso. Aquela escola mudou muito desde a minha época.
Gaby olha sério para mãe.
— Mãe…
— O quê?
— Só… tenta não conversar comigo na frente dos outros alunos.
Raquel olha confusa.
Por quê?
— Porque é estranho! Eles vão rir de mim.
Raquel sorri.
— Eu estudei lá anos e sobrevivi.
— A vovó não trabalhava lá.
— Relaxa. Você vai amar aquela escola.
Arthur entra na cozinha ajeitando os óculos. Raquel olha para ele .
— Olha só quem chegou. O novo chefe do departamento de Literatura e Letras da Universidade Prudentina.
Edu olha para ela e sorri.
— Muito engraçado.
Ele beija Raquel e depois dá um beijo na cabeça de Gaby.
— Bom dia, filha.
— Bom dia, papai.
Arthur se senta à mesa.
— Preparados para o primeiro dia?
Mateus entra na cozinha ainda com cara de sono.
— Nem um pouco.
Arthur olha para ele.
— Bom dia para você também.
— Bom dia. — Ele se senta. — Ainda acho que mudar de cidade no meio do ano é uma ideia terrível.
Gaby olha sério para o irmão Gêmeo.
— Mateus, o pai recebeu uma oportunidade incrível.
— Eu sei, eu sei… mas São Paulo era muito melhor.
— Você nem deu uma chance para a cidade nova ainda. — Gaby termina de comer e se levanta. — Vou escovar os dentes. — Ela olha para Mateus. — E anda logo. Eu não vou me atrasar por sua causa.
Gaby sai.
Raquel tira o avental e olha para Arthur e Mateus.
— Bom, eu também já estou indo.
Mateus olha confuso.
— Já?
— Sim, tenho uma reunião
antes da aula começar. — Ela pega a bolsa. — Além disso, eu sei que vocês dois não querem ser vistos chegando na escola com a mãe de vocês.
Gaby grita de longe
Ainda bem que você entende!
Todos riem.
— Primeiro dia de escola nova… isso sempre rende histórias. — Arthur falou.
Mateus olha para o pai.
— Espero que não sejam histórias constrangedoras.
Raquel olha para Mateus.
Com você e sua irmã? Difícil prometer isso.
Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
Mateus e Gaby caminham pela rua em direção à Escola Comunitária Grasso. Os dois usam mochilas. A manhã está tranquila e alguns outros alunos passam pela calçada.
Mateus suspira.
— Eu realmente não queria ter vindo pra cá.
Gaby olha pra ele.
— Mateus, você tem que pensar no papai, esse emprego, será bom pra ele, ele será reitor do departamento de Letras e Literatura da universidade.
Mateus olha pra frente.
— Bem, é mais fácil pra você aceitar né? É a favorita do papai.
Gaby balança a cabeça.
— Não, só sou mas apegada a ele do que você, que sempre foi mais apegado a mamãe — ela sorri. — filhinho da mamãe.
Mateus olha para Gaby.
— Falou a princesinha do papai.
Eles sorriem animados, Mateus anda olhando para frente.
— Sabe… eu realmente estou feliz pelo papai.
— Eu sei.
— Só que… ainda é estranho. A gente deixou tudo para trás.
Gaby olha para ele.
— São Paulo, seus amigos, sua escola…
Ele suspira.
— É. Recomeçar do zero é meio assustador. — Eles caminham alguns passos em silêncio.— E fazer amigos novos também.
Gaby olha para ele e começa a sorrir.
— Mateus, por favor.
Mateus olha para a irmã.
— O quê?
— Você pode ser ruim em várias coisas. Mas fazer amigos não é uma delas.
— Obrigado pela parte motivadora.
Ela aponta para ele.
— No colégio antigo você era praticamente uma celebridade.
— Isso é exagero.
— Nem um pouco. Todo mundo conhecia você.
Gaby abaixa um pouco o olhar.
— Diferente de mim. Eu era meio… invisível. Eu não tinha quase nenhum amigo.
Mateus para de caminhar por um momento e olha para a irmã.
— Gaby, escuta.
Ela olha para ele.
— Você não precisa se preocupar com isso — disse Mateus, olhando a irmã nos olhos.
— Fácil falar.
— Não. É sério.
Ele sorri.
— Se você for você mesma, as pessoas vão gostar de você.
— Você acha?
— Tenho certeza.
Eles voltam a caminhar.
— E antes que perceba, você vai ter um monte de amigos.
Ela olha para frente e vê o prédio da escola.
— Bem… vamos descobrir.
— Primeiro dia — Mateus falou.
— Primeiro dia — Ela repetiu.
Os dois seguem caminhando em direção à escola.
A Escola Comunitária Grasso está cheio de alunos conversando, rindo e caminhando para as salas. Mateus e Gaby entram pelo portão observando tudo.
— Nossa… tem muita gente aqui — Gaby falou, impressionada
— É uma escola. Isso costuma acontecer.
— Engraçadinho.
Eles continuam caminhando pelo corredor.
— Escuta… você pode me procurar na hora do almoço? Não quero parecer uma fracassada sentada sozinha.
Mateus ri.
— Gaby, nós dois somos fracassados sem amigos. Vamos aceitar isso.
Gaby para de andar e olha para ele bem séria.
Em seguida, Mateus e Gaby estão sentados em frente à mesa do diretor. Daniel Fernandes folheia as fichas escolares deles.
— Então… Mateus e Gabrielly Merino. — Ele ajusta os óculos e olha a ficha de Mateus. — Interessante.
Mateus e Gaby trocam um olhar rápido.
— Time de natação, editor de esportes do jornal da escola, representante estudantil… E ainda conseguiu manter médias altas.
Daniel pega a outra ficha.
— Agora… Gabrielly.
Gaby se ajeita na cadeira.
— Clube de teatro, conselho estudantil, literatura avançada… Quase uma aluna nota A. Vocês dois têm currículos impressionantes para a idade. — Ele apoia as mãos na mesa. Mas preciso avisar uma coisa. A Escola Comunitária Grasso é exigente. Nossos alunos são competitivos. Muito competitivos.
— Entendi — disse Mateus
— Isso não é ruim. Significa que todo mundo aqui quer ir bem.
— Nós também — Gaby completou.
— Ótimo. — Ele fecha as fichas. Se em algum momento vocês tiverem dificuldades acadêmicas… Venham falar comigo. Bem-vindos à Grasso.
Mateus e Gaby saem da sala do diretor e caminham pelo corredor cheio de armários.
Mateus olha para Gaby.
— Competitiva, hein?
— Pois é.
— Já estou com saudade da escola antiga — ele falou.
— Você falou isso há dez minutos.
— E continuo falando.
Gaby respira fundo.
— Ok… primeira missão do dia.
— Qual?
— Sobreviver.
Mateus sorri.
— Parece um bom plano.
Gaby está na aula de língua portuguesa e literatura avançada. Os alunos estão conversando antes da aula começar. Alguns mexem no celular, outros conversam em pequenos grupos.
Gaby aparece na porta da sala segurando a mochila. Ela olha ao redor, um pouco nervosa, procurando um lugar para sentar.
Stefy levanta a mão e acena para ela.
— Ei! Aqui!
Gaby olha surpresa e caminha até a carteira ao lado dela.
— Obrigada.
Ela coloca a mochila no chão e se senta.
— Você é nova aqui, né?
— Sou.
— De onde você veio?
— De São Paulo.
Stefy arregala um pouco os olhos.
— Sério? São Paulo é enorme.
— Pois é. Meu pai conseguiu um trabalho aqui na cidade, então a gente se mudou.
— Entendi.
Stefy sorri de forma simpática.
— Relaxa, você vai gostar daqui. — Ela aponta discretamente ao redor. — A Grasso é um lugar bem acolhedor. Tem espaço para todo tipo de pessoa.
Gaby sorri aliviada.
— Isso é bom de ouvir no primeiro dia.
De repente, a porta da sala abre com um pouco de pressa.
O professor Luiz Ribeiro entra carregando alguns livros.
— Bom dia, turma!
A classe responde meio desorganizada.
— Bom dia, professor…
— Antes de qualquer coisa, peço desculpas pelo atraso. — Ele coloca os livros na mesa. — Eu cometi um erro terrível hoje de manhã.
Os alunos olham curiosos.
— Comi dois burritos no café da manhã.
Alguns alunos começam a rir.
— Nunca façam isso antes de subir três andares de escada.
A sala ri.
— Aprendi uma lição importante hoje. Literatura alimenta a mente. — Ele aponta para a barriga. — Mas burrito demais derruba o professor.
A sala ri novamente. Gaby ri também, relaxando um pouco.
— Muito bem, pessoal. Esse semestre vamos falar sobre algo simples… — Ele escreve no quadro. Histórias. Porque todo mundo aqui tem uma. — Ele olha para a turma. — E algumas delas ainda nem começaram direito.
Gaby troca um olhar com Stefy.
— Ele sempre começa a aula assim — Stefy sussurrou.
Gaby sorri.
— Eu gostei.
A aula segue em um clima leve e divertido.
Enquanto isso Mateus está na aula de Francês A sala de aula está organizada em fileiras. A professora Luma está escrevendo na lousa. Ela se vira para a classe.
— Bonjour, classe!
A maioria dos alunos ficam confusos, a professora continua.
— À partir de maintenant, nous parlons seulement français.
Silêncio total na sala.
Mateus olha para John. Um garoto bem vestido, com relógio caro e postura confiante. John olha para ele.
— Você entendeu?
— Nem um pouco — Mateus respondeu.
Giovanna na primeira fileira levanta a mão com confiança.
— Professora, a senhora disse que a partir de agora devemos falar apenas francês.
Luma sorri satisfeita
— Très bien, Giovanna.
Alguns alunos se entreolham.
— Regra número um da minha aula.
Ela escreve no quadro: “Français Seulement”.
— Aqui nós falamos francês. Falar português é extremamente proibido.
Alguns alunos murmuram preocupados.
Ela olha pela sala.
— Se cometerem erros, não tem problema. Errar faz parte de aprender.
Mateus olha para John.
— Acho que estamos em perigo.
— Com certeza.
Luma bate palmas animada.
— Très bien, classe!
Ela escreve no quadro.
— “Bonjour, je m’appelle…”
Ela aponta para Giovanna.
— Você pode tentar?
Giovanna sorri confiante.
— Bonjour… je m’appelle Giovanna.
Luma bate palmas.
— Parfait!
A aula continua com os alunos tentando falar francês e rindo dos próprios erros.
Mais tarde, Mateus entra na sala do Juliu’s Diario um pouco curioso, olhando tudo ao redor. Uma garota organizada e concentrada está sentada à mesa revisando alguns papéis.
Agnes Montenegro, editora do Julius Diário, levanta os olhos.
— Posso ajudar?
— Oi… meu nome é Mateus Merino. Eu sou novo na escola.
— Ah, sim. O Daniel falou de você. — Ela se encosta na cadeira. — O que você está procurando exatamente?
— Eu queria saber se posso entrar para o jornal da escola. Na minha escola antiga eu fazia parte do jornal. Eu cobria a parte de esportes.
Agnes observa Mateus com interesse.
— Esportes são uma parte importante do Julius Diário. Nós precisamos de pessoas aqui. Mas também não podemos aceitar qualquer um. O Julius é um dos melhores jornais escolares do país. E eu pretendo continuar mantendo esse padrão.
Ela o encara com um leve sorriso firme. Mateus concorda com a cabeça.
— Entendi.
— Se você entrar para a equipe, vou esperar três coisas de você. — Ela levanta três dedos. — Foco. Respeito aos prazos. E comprometimento total.
— Pode deixar. Eu levo isso a sério.
Mateus olha ao redor da sala novamente.
— Já até pensei na minha primeira matéria.
Agnes o encara.
Ah, é?
— Vou entrevistar o zelador da escola.
Agnes levanta uma sobrancelha.
— Engenheiro de manutenção.
Mateus sorri, meio sem graça.
— Certo… engenheiro de manutenção.
Agnes também sorri.
— Você aprende rápido.
Ela pega um bloco de anotações e escreve algo.
— Passe aqui amanhã depois das aulas. Vamos ver se você realmente tem talento para o jornalismo.
— Estarei aqui.
Mateus pega a mochila e sai da sala.
O refeitório da Escola Grasso está cheio. Alunos conversam alto, bandejas batem nas mesas, e o ambiente é agitado. Em uma mesa mais afastada, Mateus está sentado sozinho com sua bandeja, mexendo no suco enquanto observa o movimento ao redor. Enquanto isso, em outra parte do refeitório, Gaby caminha ao lado de Stefy, carregando sua bandeja.
— Tem uma amiga minha que você precisa conhecer. É um pouco mandona, mas é legal.
— Ótima combinação.
Stefy ri.
Uma garota organizada, com postura confiante, acena para Stefy.
Stefy e Gaby se aproximam.
— Sophia, essa é a Gaby. Ela é nova na escola.
Sophia sorri
— Prazer, Gaby.
— Prazer.
— Gaby veio de São Paulo.
— Sério? Deve ser uma mudança enorme.
— Um pouco.
As três se sentam.
— Então… seja bem-vinda à Grasso.
— Obrigada.
— Se você precisar entender como a escola funciona, pode perguntar.
— Ótimo, porque eu ainda estou meio perdida.
— Bom, primeiro: a escola é dividida em duas partes.
Ela aponta discretamente pelo refeitório.
— Ensino fundamental e ensino médio.
As salas de aula ficam em andares diferentes — disse Stefy.
Sophia completa.
— Mas o refeitório é compartilhado.
Gaby olha ao redor e percebe alguns alunos mais velhos.
— Então todos almoçam juntos?
— Isso mesmo — Sophia falou.
— Isso não causa problemas? Bullying ou algo assim.
Sophia balança a cabeça.
— É difícil. Tem muitos inspetores de olho o tempo todo.
— Eles aparecem do nada — Stefy falou.
Sophia sorri.
— É quase assustador.
Gaby olha para o lado e vê Raquel, sua mãe, andando pelo refeitório. Raquel olha casualmente na direção das mesas e por um segundo cruza o olhar com Gaby. Gaby imediatamente abaixa a cabeça e finge mexer na bandeja.
— Você quer ir no Luca’s depois da aula com a gente? — Stefy perguntou.
Gaby olha confusa.
— Quem é esse?
Sophia e Stefy se olham.
— Uma lanchonete perto da escola — disse Sophia
— Basicamente metade da Grasso vai lá depois das aulas. É tipo o ponto de encontro oficial dos alunos.
Gaby da um sorrisinho.
— Parece divertido.
Então você vem? — Stefy respondeu.
Gaby pensa por um momento.
— Claro.
Stefy sorri animada.
— Perfeito!
Do outro lado do refeitório, Mateus ainda está sentado sozinho, observando a movimentação, sem perceber que sua irmã está ali perto.
Mais tarde, a sala de informática está quase vazia. Alguns computadores estão ligados, iluminando o ambiente com a luz das telas. Mateus entra curioso, olhando os equipamentos. Em um dos computadores, Edu Mariano está concentrado digitando rapidamente. Mateus passa atrás dele e olha para a tela, confuso.
— O que é isso?
Edu se vira um pouco na cadeira.
— Um jogo. Estou criando para a aula de informática e mídia digital.
Mateus observa a tela novamente.
— Você mesmo fez isso?
— Ainda estou fazendo. — Ele volta a digitar. — O personagem ainda atravessa paredes às vezes.
— Isso parece difícil.
— Um pouco… mas é divertido.
Mateus se afasta e se senta em outro computador.
De repente, dois alunos entram na sala rindo.
Eles param atrás de Edu e olham para a tela.
— Olha só. O nerd está trabalhando — disse um dos valentões.
Edu suspira, irritado.
— Vocês dois não têm nada melhor para fazer?
— Temos. Mas irritar você é mais divertido.
— Vocês são idiotas — disse Edu.
Os dois se encaram, irritados.
— O que você disse? — O valentão perguntou.
— Você ouviu.
O valentão dá um passo à frente e puxa Edu pela gola da camisa.
— Cuidado com a boca, nerd.
Mateus se levanta da cadeira, atento à situação.
— Ei.
Antes que ele continue, um outro garoto que estava em um computador se levanta atrás dele. com postura firme. É Rick dos Anjos.
— Larga ele.
O valentão solta Edu e da um passo para trás
— Olha quem chegou. O fracassado — disse o outro valentão.
Rick suspira, claramente sem paciência.
— Eu não estou tendo um bom dia. Então vocês dois podem sair da sala agora. Ou vocês vão se arrepender de ter ficado.
Silêncio por um segundo.
Os dois valentões trocam um olhar, um pouco intimidados.
— Vamos embora.
Os dois saem da sala resmungando.
O ambiente fica em silêncio por alguns segundos. Rick sai, Mateus se aproxima de Edu.
— Ainda bem que seu amigo te ajudou.
Edu olha para Mateus.
— Meu amigo? Eu nem sem quem ele é.
Mateus fica sem palavras e vai atrás de Rick.
Na parte de fora da escola, encostado em uma parede, Rick está com os braços cruzados, olhando o movimento, tentando parecer despreocupado.
De longe, Mateus o vê e caminha até ele.
— Ei.
Rick olha para ele.
— Eu só queria dizer que foi legal o que você fez lá.
Rick dá de ombros.
— Eles vivem procurando alguém para incomodar.
— Bom… hoje não deu muito certo para eles.
Rick deixa escapar um pequeno sorriso. Mateus continua.
— Eu sou novo na cidade — disse Mateus.
— Então, seja bem-vindo a Presidente Prudente, onde nada acontece.
Mateus sorri.
— Diferente da escola. — ele olha no relógio — Não é nem uma hora ainda e já vi acontecer muita coisa estranha por aqui.
— Cara, você ainda não viu metade das coisas estranhas dessa escola.
Os dois riem.
Rick se desencosta da parede.
— Se quiser, mais tarde a gente pode dar uma volta.
— Parece um bom plano — Mateus concordou.
— A cidade é maior do que parece.
Mateus sorri. Rick começa a caminhar. Os dois seguem caminhando pelo pátio da escola.
Na hora da saída. Alunos saem da escola em grupos, conversando e rindo. Gaby e Mateus caminham lado a lado pela calçada, mochilas nas costas.
— Então… primeiro dia sobrevivido — disse Gaby.
— Por pouco.
— Como foi o seu? — ela perguntou.
— Até que foi interessante.
— Interessante é bom ou estranho?
— Um pouco dos dois.
Gaby ri.
— Eu conheci duas garotas legais. A Stefy e a Sophia.
Mateus olha surpreso.
— Você fez amigas no primeiro dia?
Ela sorri.
— Nem acredito.
— Eu disse que ia acontecer.
Gaby sorri.
— Está bem, você pode dizer “eu avisei”.
Mateus também sorri.
— Obrigado.
Eles continuam caminhando.
Gaby olha para Mateus
— E você?
Eu também fiz um amigo.
— Quem?
— Um cara chamado Rick.
— Rick… nome de cara que parece durão.
— Ele meio que parece mesmo.
— Mas é legal?
— Sim. Ele ajudou um garoto na sala de informática quando dois idiotas começaram a provocar ele.
— Então ele é do tipo que defende os outros.
— Exatamente.
Gaby pensa por um momento.
— Parece um bom amigo.
— Também achei.
Eles caminham em silêncio por alguns segundos.
— Mais alguma coisa interessante aconteceu?
— Na verdade… sim.
— O quê?
— Eu tive a impressão de que alguns alunos queriam falar comigo. Mas parecia que eles estavam meio… receosos.
— Receosos de quê?
— Não faço ideia. Talvez ficaram intimidados com minha beleza
Os dois riem.
— De qualquer forma… — Ela sorri. Parece que o primeiro dia não foi tão ruim.
— É — disse Mateus. — Acho que a Grasso pode ser interessante.
Eles olham para frente, caminhando em direção à casa.
Mais tarde, Gaby está sentada na cama no quarto de Stefy, olhando alguns acessórios espalhados. O quarto tem personalidade: pôsteres, roupas e um espelho grande.
Stefy está em frente ao espelho, terminando de se arrumar.
— Você demora mesmo ou hoje é uma ocasião especial?
— Hoje eu estou sendo rápida.
— Estou com medo do que seria “demorar”.
Stefy ri enquanto ajeita o cabelo.
— Você vai gostar do Luca’s é bastante divertido. Você sobreviveu ao primeiro dia na Grasso, merece relaxar um pouco.
— Sobrevivi por pouco.
As duas riem.
— E ainda fez amigas.
— Isso ainda parece estranho de falar.
— Você acostuma.
Stefy pega uma jaqueta e veste.
— Você e a Sophia são amigas há muito tempo?
— A gente começamos a estudar juntas o ano passado na Grasso.
— Ela parece gente boa.
— Ela é. Só gosta de ter tudo sob controle.
— Entendi.
Stefy dá uma última olhada no espelho.
— Pronto.
— Finalmente.
As duas saem do quarto e vão até a sala. O pai de Stefy está na sala, sentado no sofá com um livro.
— Pai estamos indo.
Ele olha para as duas.
— Tchau meninas. Cuidem-se, está bem?
— Pode deixar.
Ele se levanta e dá um beijo na testa de Stefy.
— Qualquer coisa, me liga.
— Pode deixar.
Stefy e Gaby saem de casa e caminham pela calçada.
— Seu pai parece legal.
— Ele é. — Stefy fica um pouco mais quieta por um instante. — Ele faz o possível desde que minha mãe morreu.
Gaby olha para Stefy.
— Eu sinto muito.
— Obrigada.
Stefy respira fundo, voltando ao clima leve.
— Então… Preparada para o Luca’s?
— Sim.
As duas seguem caminhando pela rua.
Mateus e Rick caminham lado a lado pela vila Estrela Brilhante, as ruas são tranquilas, com casas antigas, árvores e calçadas largas. O clima é bem diferente do movimento da escola.
— E você só tem uma irmã — Rick perguntou.
— Irmã sim, mas tenho um irmão mais velho, ele ficou em São Paulo, faz faculdade lá. Na verdade ele é filho só dá minha mãe.
Rick balança a cabeça.
— Entendi. — ele olha ao redor. — E essa é a Vila Estrela Brilhante.
— Por que tem esse nome?
— Não tenho a mínima ideia, só sei que é um dos bairros mais tradicionais da cidade. — Rick aponta ao redor. Mesmo sendo perto do centro, parece outra cidade.
Mateus observa as casas.
— Dá para perceber.
— É bem mais tranquilo do que São Paulo. Mas me surpreendeu o tanto de edifícios que tem nessa cidade.
— Tem bastante mesmo, a maioria são edifícios residenciais.
— Mais é bem mais tranquilo do que São Paulo. Lá é tudo rápido. Muito barulho, muita gente…
— E você gostava?
Mateus pensa por um segundo.
— Gostava, mas também é cansativo às vezes. — Eles continuam andando. — Eu estudava em uma escola grande também.
— Parecida com a Grasso?
— Nem tanto. A Grasso parece mais… intensa.
— Essa é uma boa palavra.
Mateus chuta de leve uma pedrinha no chão enquanto anda.
— Eu nadava lá. Competição, treinos quase todo dia…Era puxado, mas eu curtia.
— Tem uma equipe de natação na Grasso, e é muito boa.
— Sim, já me inscrevi para o teste, será na semana que vem.
— Na verdade a Grasso é muito forte com esportes em geral, eu estou na equipe de futsal, basquete e Wrestling.
— Legal, pretendo entrar no time de basquete também.
— Você vai gostar.
Mateus olha para Rick.
— E você veio de onde?
— Florianópolis.
— E você veio com seus pais para cá?
— Não, eu estou morando com meu irmão aqui. — Rick olha para o lado e já muda de assunto. — Ei ali é mercado do Miguel, as coisas são tudo mais barato.
Mateus percebe que ele não quer entrar muito no assunto, mas continua leve.
— E lá em Floripa?
Rick fica em silêncio por um momento.
— Eu ficava na praia o dia todo.
— Legal.
Mais um pequeno silêncio.
Ali na frente tem um lugar legal. — Rick aponta. Depois a gente pode passar lá.
Eles continuam caminhando pela Vila enquanto o sol começa a se pôr.
O Luca’s está cheio de alunos da Grasso, música baixa ao fundo e mesas ocupadas por grupos animados.
Gaby, Stefy e Sophia estão sentadas em uma mesa com batatas fritas e refrigerantes.
Gaby olha para Stefy
— Ok… você tinha razão. Esse lugar é muito legal.
Stefy sorri.
Eu disse que você ia gostar.
Gaby observa o ambiente.
Aqui é sempre lotado?
— Sim o tempo todo, menos no horário de aula — Sophia falou.
— É a hora que os moradores mais velho vem aqui, tomar café e comer alguma coisa — Stefy completou.
Sophia olha para Gaby.
— Aqui é onde tudo acontece depois da aula.
— Tipo? — Gaby perguntou.
— Amizades, tretas, fofocas…
Stefy completa:
— E mais fofocas.
As três riem.
De repente, Giovanna se aproxima.
Sophia se aproxima de Gaby e Stefy.
— Falando em fofoca.
Giovanna se aproxima das três.
— Olá meninas.
As três olham para cima. Giovanna está ali, impecável e confiante como sempre.
— Oi Giovanna — disse Stefy.
Giovanna olha para Gaby.
— Você é a aluna nova, certo?
— Sou.
— Querida, vou te dar um conselho, se você quiser se dá bem na Grasso ande com essas garotas.
Gaby olha para Sophia e Stefy.
— Então tá.
Giovanna continua.
— Você veio de São Paulo não é?
Gaby olha confusa.
— Como você sabe.
Giovanna sorri.
— A escola inteira já sabe.
— A notícia corre rápido aqui — disse Gaby.
— Principalmente quando envolve alunos com histórico interessante.
Gaby fica um pouco sem graça.
— Não é nada demais.
— Enfim, eu preciso ir. Nos vemos a amanhã na aula.
Ela se vira e sai.
Silêncio por um segundo.
Gaby olha para as amigas.
Ela é sempre assim?
Sim — disse Stefy.
— E às vezes pior — Sophia completou.
Gaby abaixa a cabeça.
— Ótimo…
Stefy pega uma batata frita.
— Bem-vinda à Grasso.
As três riem.
Na manhã seguinte. O celular de Mateus desperta com um alarme irritante.
Ele se mexe na cama, pega o celular meio dormindo e desliga.
Silêncio por dois segundos…
A porta do quarto abre de repente. Gaby entra já pronta para a escola.
— Mateus! Levanta!
Mateus abre apenas um olho.
— Já levantei.
Gaby suspira.
— De novo isso?
— Detalhes.
Gaby olha confusa.
— O que?
— Nada, eu já vou me levantar.
— Segundo dia. Você não pode se atrasar já.
— Tecnicamente, eu posso.
— Mateus.
Ele suspira e se senta na cama, esfregando os olhos.
— Tá bom… já estou acordado.
Ela se encosta na porta.
— Então… o que achou do primeiro dia?
— Melhor do que eu esperava.
— Eu também.
— Acho que vou dar uma chance para a escola.
Gaby sorri.
— Olha só, evolução.
— Não se acostuma.
— Tarde demais.
Mateus levanta da cama.
— Mas é sério. A Grasso parece ter bastante coisa acontecendo.
— Tem mesmo.
— E as pessoas… são interessantes.
Gaby sorri.
— Isso é um jeito educado de dizer “complicadas”.
Mateus sorri de volta.
— Exatamente.
Os dois riem.
— Quais são suas expectativas para hoje? — Gaby perguntou.
— Sobreviver de novo.
— Boa meta.
— E talvez não ser odiado por ninguém.
— Isso já é mais difícil.
Mateus esfrega os olhos.
— Obrigado pelo apoio.
Gaby sorri. Mateus continua.
— Quero ver como vão ser as aulas… e talvez ir melhor no francês.
— Boa sorte com isso.
— Vou precisar.
Ele olha para Gaby.
— E você?
— Eu quero… continuar sendo notada.
— Você já começou bem.
— E talvez não entrar em nenhuma competição maluca da escola.
Um pequeno silêncio confortável.
Gaby empurra o ombro de Mateus de leve.
Anda logo. Se atrasar no segundo dia é feio.
Mateus boceja.
— Já estou indo.
Ela olha para ele mais uma vez.
— E toma um banho.
Gaby sai do quarto.
Mateus levanta os braços e cheira as axilas.
Continua.
Atualizado em: Ter 5 Maio 2026
