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Grasso: Como Nossos Pais, parte 2
Anteriormente em Como Nossos Pais
Luiza e sua melhor amiga, Manu, leem as mensagens que Hugo, o namorado de Luiza, enviou para ela. Mais tarde, enquanto conversam no parque sobre a visita de Hugo em uma excursão escolar, JP começa a desconfiar que há algo errado na história, já que as escolas estão fechadas durante as férias de verão. Em casa, Luiza discute com a mãe, Amanda, por ter mexido em seu computador. Pouco depois, ela recebe uma mensagem de Hugo dizendo que estará na cidade no dia seguinte e quer encontrá-la. Katia tenta aconselhar Luiza sobre o namoro, mas, decidida, ela aceita se encontrar com Hugo.
José Ferreira
Katia Cardellini
André Kimmich
Amanda Souza
Valéria Tralli
JP Djanikian
Edu Mariano
Manu Souza
Luiza Souza
Como Nossos Pais
— Mãe, você vai se atrasar — disse Luiza, olhando para o relógio.
— Eu já estou atrasada. Muito atrasada — respondeu Amanda, apressada, tentando colocar os brincos enquanto procurava os sapatos.
Luiza observou a mãe se arrumando e sorriu.
— Nossa, você está linda!
Amanda parou por um instante, surpresa.
— Sério? — perguntou, ajeitando o cabelo com um leve sorriso.
— Sim — respondeu Luiza, com um olhar carinhoso.
Amanda suspirou, nostálgica.
— Me sinto como se estivesse indo ao baile de formatura que eu nunca pude ir.
Ela pegou o celular e as chaves, olhou ao redor tentando lembrar o que faltava. Luiza levantou a bolsa no ar, sorrindo travessa.
— Procurando isso?
Amanda estreitou os olhos, meio rindo, meio desconfiada.
— Você realmente quer que eu vá logo, né? Está me escondendo alguma coisa?
— Eu e a Manu vamos assistir Netflix a noite toda e comer pipoca com manteiga de verdade.
Amanda riu.
— Certo, lindinha. Me deseje sorte.
Ela deu um beijo na testa da filha e caminhou até a porta. Antes de sair, se virou com um sorriso animado.
— Tchau!
Luiza esperou alguns segundos, depois se levantou e espiou pela janela até ver a mãe sair pelo portão. Assim que a ouviu fechar o portão, correu para o quarto.
Kimmich recebe Katia e Pedro na entrada, sorrindo com entusiasmo.
— Tudo bem? Sejam bem-vindos! — disse Kimmich, estendendo a mão. — A Sophia vai conduzir uma visita guiada pela nova Escola Grasso — Kimmich olha para Katia — Eu te encontro antes dos discursos, tá?
— Beleza — respondeu Katia, retribuindo o sorriso.
André sai, o noivo de Katia olhou para ela com um ar leve.
— Certo… antes dessa visita pela escola, que tal eu pegar umas bebidas pra gente? — sugeriu. Nesse instante, o celular dele começou a tocar.
— Um segundo — disse ele, afastando-se para atender.
— Beleza — respondeu Katia, observando-o se distanciar.
Mais tarde, Katia está na Sala de tecnologia “LabTech Grasso” da Escola Grasso. O espaço é moderno, com luzes suaves refletindo nas fileiras de computadores novíssimos.
Uma aluna chamada Stephanie Prioste apresenta o ambiente com entusiasmo.
— O programa “Informática e Mídia Digital” é único na nossa escola — explicou, sorridente. — Temos mais de cinquenta computadores de última geração, todos com acesso à internet e aos principais softwares educacionais. Também usamos o ArtMedia Studio, o software de arte e mídia mais atualizado do mercado. Tudo isso faz parte das reformas planejadas pelo vice-diretor Daniel Fernandes.
Enquanto Stephanie fala, Katia observa com interesse, mas seu olhar se desvia quando percebe José parado à porta. Ele a cumprimenta com um leve aceno e um sorriso discreto.
Katia hesita por um instante, surpresa, e retribui o gesto, tentando esconder o misto de curiosidade e emoção que sente.
Enquanto isso, Luzia se arruma diante do espelho, ajeitando o cabelo e falando ao celular com Manu.
— Então, você vai mesmo? — perguntou Manu, tentando soar casual, mas com um toque de preocupação na voz.
— Não, eu não vou — respondeu Luiza desviando o olhar do espelho, como se tentasse se convencer disso também.
Do outro lado da linha, Manu soltou um suspiro audível.
— Ufa… que bom. Fiquei aliviada agora.
Luzia riu de leve, mas havia algo de incerto no seu sorriso.
— Talvez eu o encontre quando for mais velha, né?
— É, com certeza — Manu respondeu. — Quer que eu vá aí?
Luzia parou por um instante.
— É… não precisa. Eu vou assistir a um documentário hoje à noite… sobre a vida selvagem. — Fez uma pausa curta. — Sabe… pro Hugo.
Manu franziu o cenho, desconfiada.
— Eu podia te ajudar na pesquisa, se quiser.
— Não, tá tudo bem. — Luzia forçou um tom leve. — Eu realmente preciso me concentrar.
— Ah… beleza então — disse Manu, mas a dúvida permanecia em sua voz.
— Já vai começar, te ligo amanhã, tá?
— Beleza — respondeu Manu, ainda desconfiada, antes de desligar.
De volta à Grasso, o tour com os ex-alunos pela escola continua.
— Aqui temos nossa sala de História à direita, Geografia à esquerda e o departamento de Inglês logo à frente — disse Sophia, com o tom animado de quem conhece cada corredor de cor.
Mais atrás, José e Katia caminhavam lado a lado, um silêncio leve pairando entre eles até que José respirou fundo.
— Eu queria te pedir desculpas por ontem à noite — começou ele, a voz um pouco tensa. — Não foi como eu imaginei te ver de novo, depois de todos esses anos.
Katia desviou o olhar por um instante antes de responder:
— Pra ser sincera… eu também não.
José sorriu de forma nervosa, coçando a nuca.
— Podemos simplesmente dizer que o passado é passado e que o futuro é… — ele parou, confuso. — Sei lá o que eu estou dizendo. — Riu de si mesmo. — Eu só estou tentando dizer que quero que sejamos amigos de novo. Beleza?
Katia olhou para ele, o rosto suavizando.
— Eu também — disse ela, com um pequeno sorriso.
— Que bom — respondeu José, visivelmente aliviado.
Ela riu de leve.
— José, fica pra reunião, vai. Sem pressão… mas não vai ser a mesma coisa sem você.
José abriu a boca pra responder, mas foi interrompido por uma voz empolgada.
— Meu Deus! Katia Cardellini? José Ferreira?
Ambos se viraram.
— Sara! — disse Katia, sorrindo.
— Oi! — cumprimentou José, um pouco sem graça.
Sara se aproximou, radiante.
— Nossa, faz tanto tempo! Mas eu te vejo toda semana naquele programa… como é o nome mesmo? — Ela olhou para José. — E o seu comercial...
— É, eu sei que é meio brega — cortou José, tentando rir.
— Brega? — Sara arqueou uma sobrancelha, divertida. — Não, José… é sexy. O jeito que você rasgou a camisa… — ela soltou uma risada. — Quase me fez querer comprar um carro.
Katia cruzou os braços, forçando um sorriso.
— Verdade — José respondeu.
— Bem, posso te oferecer uma bebida? — disse Sara, já dando um passo à frente.
— Acho que são de graça — comentou Katia, com um tom leve, mas o olhar dizia outra coisa.
— Vamos lá, pelos velhos tempos — disse Sara, pegando José pela mão antes que ele respondesse.
Ele se virou rapidamente para Katia.
— Te vejo depois.
— Beleza… tchau — respondeu Katia, tentando parecer indiferente.
José foi levado por Sara, e Katia o acompanhou com os olhos por um instante antes de desviar, disfarçando o incômodo com um sorriso educado.
Enquanto isso Luiza chega ao hotel onde Hugo disse que estaria hospedado com sua turma da escola. Ela manda um áudio.
— “Oi, Hugo. Aqui é a Luiza. Eu sei que cheguei um pouco cedo, então acho que vou esperar aqui em baixo. Mas estou muito nervosa... Você sabe como eu sou. Então acho que te vejo em breve”.
Enquanto isso, na casa de Arthur, ele e JP jogam videogame no sofá quando a voz do pai interrompe:
— Arthur, você tem uma visita.
Edu pausa o jogo, confuso. Manu aparece na entrada da sala, abraçando os próprios braços.
— Manu? O que houve? — JP perguntou.
Ela respira fundo, claramente agitada.
— Eu estou com um pressentimento muito ruim. Passei na casa da Luiza, mas ela não estava lá.
— E o que que tem? — JP perguntou, mas o tom dele já não é tão despreocupado.
— Ela me disse que ia ficar em casa hoje à noite pra assistir um documentário — Manu falou, inquieta.
JP e Edu trocam um olhar rápido; a tensão cresce.
— Será que ela não foi se encontrar com aquele menino… o Hugo? — Edu perguntou, tentando soar racional, mas a inquietação transparece.
— Eu não sei — Manu balança a cabeça — Mas ela estava agindo muito estranho.
— Lá na minha antiga, uma garota conheceu um cara online e foi encontrar ele. Três dias depois, encontraram o corpo dela.
JP arregala os olhos, surpreso e irritado.
— A Luiza é esperta demais. Ela não faria isso.
Manu morde o lábio, aflita.
— Esperta ou não… alguma coisa tá errada.
Edu se levanta do sofá, já inquieto, andando pela sala.
— A gente tem que pensar em todas as possibilidades. Para onde ela iria? — Ele respira fundo e olha pros dois. — Eu posso entrar no Instagram dela. Talvez tenha alguma pista.
— O quê? Não! — JP reage na hora, indignado. — A gente não pode invadir as mensagens pessoais dela.
Edu vira para JP, encarando-o.
— Você quer encontrar ela ou não?
O silêncio que segue pesa mais do que qualquer resposta.
Na escola, José caminha pelo corredor com duas taças na mão quando se depara com vozes conhecidas vindo de uma sala semiaberta. Ele diminui o passo, atento.
— Você conhece ela, né? — a voz de Pedro soa baixa, tensa. — Estudou com ela no ensino médio. Ela está insistindo nessa coisa de casamento e eu… eu estou prestes a estourar com meu programa. Então a carreira dela teria que ficar em segundo plano, você entende?
— Claro que sim — ela falou, tocando o braço dele com delicadeza exagerada. — Você é um artista, Pedro. Um artista precisa estar livre, aberto a novas experiências. Eu adoraria ir te ver em São Paulo.
— Eu posso te levar pra passear… te mostrar a cidade — ele continua, com um tom insinuante.
— Eu adoraria — Sara respondeu, inclinando levemente a cabeça, como se cada palavra fosse uma provocação calculada.
José, parado no corredor, sente o estômago revirar. O maxilar dele se contrai, a expressão fica séria, dura, uma mistura de incredulidade e preocupação pela pessoa que Pedro acabou de diminuir tão casualmente. Ele respira fundo, tentando se recompor, mas a conversa continua a ecoar na cabeça dele.
Luiza espera na recepção do hotel, olhando o celular quando um homem se aproxima segurando uma caixa de pizza. Ele sorri de forma educada, mas apressada.
— Oi… você é a Luiza, né? — ele perguntou.
Ela ergue o olhar e automaticamente dá um passo para trás, avaliando o desconhecido.
— Quem é você?
— Ah, claro! — ele ajeita a caixa na mão — Meu nome é Mário. Sou professor e estou organizando uma viagem escolar. Um dos meus alunos veio encontrar uma garota… você é a Luiza?
O tom dele é casual demais. Luiza hesita, mas tenta manter a postura. Depois força um sorriso leve.
— Sou, sim.
— Ótimo! Eu sou o professor do Hugo. — Ele baixa o tom, quase conspiratório. — Não conta pra ele que eu falei isso, mas ele está super animado pra te conhecer.
Luiza relaxa só um pouco, mas ainda segura a bolsa perto do corpo.
— Eu também estou.
— Então sobe. Nós vamos jantar agora.
Luiza congela por um instante. Ela olha para ele, depois para a caixa de pizza, e a sensação estranha se intensifica.
— Ou eu posso pedir para o Hugo descer depois que ele comer.
— Mas ele queria que você assinasse a petição dele hoje.
Luiza arregala um pouco os olhos.
— Ele trouxe a petição?
— Sim — Mário respondeu.
Enquanto isso, JP, Edu e Manu tentam entrar no Instagram de Luiza.
— Qual é o sobrenome da mãe dela? — Edu perguntou.
— Souza. É o mesmo da Luiza — Manu responde automaticamente.
Edu tenta mais uma vez.
— Não é isso — ele resmunga, impaciente. — Ela tem um cachorro? Um peixe? Algum pet?
Manu fica totalmente em silêncio, encarando o vazio como quem tenta puxar informações do nada.
— Beleza, vamos continuar — Edu suspira, já cansado. — Qual a banda de rock favorita da mãe dela?
Manu abre as mãos, completamente perdida.
— Arthur, eu mal sei a banda favorita da minha mãe…
Enquanto isso, no hotel, Luiza e Mário caminham pelo corredor em direção ao quarto.
— Semana que vem ele vai enviar a petição para as Nações Unidas — disse Mario, com um orgulho exagerado na voz.
— Nossa! Isso é incrível! — Luiza sorri, verdadeiramente impressionada.
— O Hugo é um garoto maravilhoso — Mario falou, entregando o cartão do quarto para ela. — Pode abrir, por favor?
Luiza pega o cartão, ainda animada com a história. Ela encosta na fechadura eletrônica.
Ela entra no quarto primeiro, curiosa, e Mário entra logo atrás, dando uma olhada rápida para os cantos, quase discreto demais, como se estivesse checando algo sem querer chamar atenção.
Dentro do quarto, Mário bate de leve na porta interna.
— Meninos, a pizza chegou.
Luiza se senta em uma poltrona. Seus olhos acabam parando em uma câmera posicionada em cima da cama. Mário percebe o olhar dela.
— Ah — ele ri de um jeito um pouco forçado. — Vamos fazer um diário em vídeo dessa viagem. Ideia dos garotos, na verdade. Isso é muito importante pra eles.
Ele faz um gesto com a mão, mudando de assunto rápido.
— Bem, não vamos deixar a pizza esfriar. Os meninos já estão vindo. O Hugo fala de você o tempo todo. Disse que você faz trilha... às vezes levo os meninos pra fazer trilha também.
Luiza sorri de canto, desconfortável, abaixando o olhar.
Mário percebe a mudança no rosto dela.
— Pode pegar uma pizza, se quiser.
— Não… eu não estou com fome. — Ela se levanta rápido demais. — Acho que esqueci minha bolsa lá embaixo, vou buscar.
— Luiza, sua bolsa está bem aqui. — Mário falou pegando a bolsa.
O coração de Luiza dispara. Ela dá dois passos apressados até a porta, tenta girar a maçaneta, mais está trancada. Sem pensar, corre para o banheiro e se tranca lá dentro, ofegante.
— Luiza? — Mário bate devagar na porta, a voz baixa. — O que foi?
— Você… — ela respira fundo, a voz trêmula. — Você é o Hugo, não é?
O silêncio do outro lado é pior do que qualquer resposta.
Enquanto isso, na escola, Daniel Fernandes faz um anúncio.
— Uma salva de palmas para a nossa defensora do meio ambiente, Katia Cardellini!
O auditório explode em aplausos. Katia respira fundo, emocionada, e sobe ao palco. Seus olhos brilham ao ver os ex-colegas reunidos.
— Nossa… isso é incrível. Ver todos vocês aqui de novo… eu quase não vim. Tinha medo de que nada se comparasse às nossas lembranças deste lugar. Do que passamos juntos. Foram tantas coisas… tantos erros também…
Mais atrás, Pedro observa atento.
José, ao lado, acompanha sério.
— Ela é muito boa, não é? — Pedro comenta, tentando puxar assunto.
José mantém a expressão fechada.
— Alguns de nós acham que sim. Outros… não tenho tanta certeza.
Pedro franze a testa, confuso.
— Não entendi o que você quer dizer.
José desvia o olhar e chama:
— Ei, Sara.
Sara vira, surpresa.
— Você pretende ir pra São Paulo antes ou depois dele terminar com a Katia?
Sara arregala os olhos, completamente sem graça.
— Você tá com tanto ciúme assim que tá inventando coisas? — Pedro rebateu, irritado.
José encara Pedro, incrédulo.
— Que tipo de idiota vem à reunião do ensino médio da noiva e diz para uma estranha que vai terminar com ela quando fizer sucesso?
Pedro respira fundo, tentando manter a calma.
— Você tá imaginando coisas.
— Estou? — José falou.
— Isso não tem nada a ver com você. — Pedro responde mais ríspido.
José aperta a mandíbula.
— Tem, sim. Ela é minha amiga. Então vamos fazer assim: você conta a verdade… e depois some da vida dela.
Pedro solta uma risada curta, debochada, e dá um tapinha no rosto de José.
— Relaxa, José.
José se levanta de repente, furioso. Pedro também se levanta rápido.
Antes que alguém possa impedir, Pedro acerta um soco no rosto de José.
O auditório engasga num murmúrio. Katia para o discurso no meio de uma frase, assustada.
José se recompõe e devolve o soco com força. Os dois ficam se encarando, respirando pesadamente, prestes a voltar a brigar.
O celular de Pedro começa a tocar. José, num gesto rápido, pega o aparelho.
— É isso que você quer, né? — ele provoca.
Katia desce do palco às pressas.
— José, o que está acontecendo?!
— Esse cara veio até mim com um monte de besteira…
— Só conta a verdade pra ela antes que seja tarde demais — José corta, transtornado.
Roberto tenta recuperar o controle.
— Katia, não tá acontecendo nada. Ele esta louco. Está com ciúmes.
Sara finalmente intervém.
— Ele… ele só tem dúvidas sobre se casar. Quem não tem?
Roberto sente o chão sumir. Katia vira para ele devagar.
— Você não quer se casar comigo?
— Katia… eu…
Ele tenta falar, mas não consegue. As palavras simplesmente não vêm.
Os olhos de Katia se enchem de entendimento e de dor. Ela dá um passo para trás, se afastando.
Daniel, percebendo o caos, leva o microfone à boca numa tentativa desesperada de salvar o clima.
— Soltem o som! Vamos… vamos dançar!
A música começa, mas o ambiente está quebrado.
De volta ao quarto do hotel, Luiza está presa no banheiro.
Ela pressiona as mãos contra a porta, o coração acelerado, tentando controlar a respiração.
— Eu não podia te dizer minha idade verdadeira… você ia parar de falar comigo — Hugo confessou do outro lado.
Luiza apertou ainda mais o trinco, com a voz trêmula:
— Eu só quero ir embora. Por favor… me deixa ir.
Hugo suspirou, como se tentasse manter a calma.
— Tá… tudo bem.
Ele deu alguns passos para trás, o som das pisadas ecoando no quarto silencioso.
— Mas você não pode ir embora se continuar trancada aí dentro. Luiza… eu não quero te assustar. Olha… eu vou descer até o saguão, — continuou. — Você faz o que quiser depois: pode ir embora ou… se quiser… pode ficar pra gente conversar. A escolha é sua, tá?
Por alguns segundos, não se ouviu nada apenas o ar condicionado.
Então, o barulho da fechadura soou.
Hugo abriu a porta do quarto devagar, como se quisesse provar que não faria nenhum movimento brusco.
Sem entrar de volta, ele disse:
— Eu vou ir agora.
E fechou a porta atrás de si, deixando o silêncio ainda mais pesado.
Enquanto isso, na escola, Katia e José conversam sentados no chão do corredor.
— Isso me trouxe muitas lembranças, sabe? — Katia passa a mão pelos próprios braços, como se tentasse se aquecer de algo interno. — Na verdade, estou aliviada. Eu sei que isso é estranho, mas… — Ela sorri de canto, insegura, e deixa a frase morrer no ar.
José observa aquele sorriso curto, compreensivo.
— Isso não é estranho — ele disse, com a voz baixa e firme.
Katia solta um riso fraco, quase um suspiro cansado.
— Eu estou aqui, quase fazendo 30 anos, e nunca tive um relacionamento que durasse mais de alguns meses. Aí, como eu estou sempre trabalhando, conheci o Pedro — ela revirou os olhos ao lembrar — e ele nem sempre é um idiota.
José ergue as sobrancelhas, meio preocupado.
— Ou poderia estar te enganando.
Katia franze a testa, mas não discorda. Apenas deixa os ombros caírem.
— Pois é. E aí durou mais do que alguns meses e eu pensei: “bem…”
— Ele é a pessoa certa — José completou, enxergando onde ela queria chegar.
— Achei que daria certo. Mas não… — Katia balança a cabeça, a voz embargando. — Ele não é o cara certo. Sabe, eu dei conselhos amorosos pra Luiza ontem à noite. Eu sou uma fraude.
Ela se levanta rápido demais, como se quisesse fugir de si mesma. José acompanha o movimento com os olhos, preocupado.
— Não, Katia. Você não é uma fraude. Você é uma das pessoas mais confiáveis e carinhosas que eu conheço. Você nunca vai ser uma fraude.
Katia aperta os lábios para conter as lágrimas. Ela respira fundo, enxuga o rosto com a ponta dos dedos e tenta recompor o sorriso.
— José… você… como você sabia que a Dri era a pessoa certa?
José hesita por um instante, como se revivesse memórias que ainda doem. Depois se levanta e fica ao lado dela.
— Eu amava quando ela me chamava de Joe… — Ele sorri com saudade. — O cheiro do cabelo dela… e ela sempre me fazia rir. Sempre.
Katia engole seco, culpada.
— José… me desculpa. — Sua voz é baixa, sincera.
Ele vira para ela e força um sorrisinho tranquilo.
— Ei. Não precisa se desculpar. Eu tive sorte.
Por um momento, eles apenas se encaram. Katia deixa o rosto relaxar e sorri de volta, agora um pouco mais leve.
— É… você teve.
Enquanto isso, Manu, Edu e JP continuam tentando descobrir a senha do Instagram de Luiza. Edu vê uma foto antiga de Amanda, ainda na época da escola.
— Essa é a mãe dela? O que está escrito na camiseta? — Edu pergunta, inclinando apertando os olhos, tentando decifrar.
JP se aproxima, mas dá de ombros.
— Sei lá… é inglês. Nem dá pra ler direito.
Manu, impaciente, bate levemente o pé no chão.
— Gente, foco. A Luiza não colocaria uma senha tão óbvia assim.
Edu suspira, mas mesmo assim tenta a palavra que viu na camiseta. Para surpresa dele, a tela desbloqueia.
Ele congela por um segundo, encarando Manu com os olhos arregalados.
— O que você disse mesmo?
Manu pisca, confusa por um instante, até perceber o que aconteceu.
— Não acredito… — ela leva a mão à testa. — Beleza, agora procura as mensagens do Hugo. Rápido!
No quarto de hotel, Luiza sai do banheiro devagar, ainda com o coração acelerado. Ela olha ao redor e percebe que Hugo não está ali.
Ela dá dois passos cautelosos, decide aproveitar a chance e abre a porta do quarto. Já coloca a mão no puxador do corredor quando, de repente, uma sombra surge atrás dela.
Hugo aparece rápido, quase surgindo do nada, e agarra seu braço. Ele empurra a porta com força, fazendo-a bater contra o batente. Luiza prende a respiração, os olhos arregalados, o corpo inteiro estremecendo.
Ele a encara de perto, o olhar duro, quase sem piscar.
— Se você gritar, eu coloco fita adesiva na sua boca — ele disse com a voz baixa e ameaçadora. — E você não vai gostar disso.
Luiza engole seco, a respiração curta, sentindo o pânico subir pelo corpo como um arrepio gelado.
De volta à casa de Arthur.
— “Você não gostaria disso”? Eu não entendo — Manu disse, confusa.
Edu se inclinou para a frente imediatamente, como se tivesse encontrado o ponto que estava procurando.
— Olha isso. Presta atenção. A Luiza disse que adora Chicken Rum. Aí, na mensagem seguinte, ele responde dizendo que também gosta de Chicken Rum — Edu explicou.
Manu ergueu os olhos.
— E o que que tem? — perguntou, apesar de soar um pouco insegura.
Edu soltou um suspiro nervoso.
— No dia seguinte, a Luiza te manda mensagem falando como exercícios ao ar livre são ótimos. Agora lê a resposta dele.
Manu engoliu seco e começou a ler em voz baixa:
— Adoro fazer trilhas, estar ao ar livre me faz sentir mais livre.
JP, que estava encostado na mesa, endireitou o corpo na mesma hora.
— Tá. Isso é realmente estranho — ele disse.
Edu balançou a cabeça, como se a peça final do quebra-cabeça tivesse acabado de cair no lugar.
— Ele está repetindo tudo o que ela diz. Palavra por palavra. O cara hackeou o Instagram dela e tá lendo as mensagens — completou, a voz firme, quase num sussurro alarmado.
Enquanto isso, no quarto do hotel, Hugo ajusta a posição da filmadora, testando o foco. O som do clique da câmera ecoa pelo quarto silencioso. Ele então se senta na beira da cama, perto demais de Luiza.
Ela permanece imóvel, os olhos arregalados, respirando curto, como se estivesse presa em si mesma.
— Luiza… — Hugo falou com uma calma que só deixa tudo mais assustador. — Sua mãe está na reunião dela. Ela nem sabe que você está aqui. Nós temos a noite inteira só para nós.
Luiza engole seco, o corpo rígido, as mãos tremendo no colo. Ela tenta falar, mas a voz simplesmente não sai.
Na casa de Arthur.
— Essa é a última mensagem — Edu disse, mostrando o celular para todos. — Ele está hospedado no Hotel Rota do Oeste.
Os três se entreolham, e em um segundo estão de pé. O clima muda para puro pânico.
— A gente precisa ir. Agora! — JP falou já indo para a porta.
Eles saem correndo da casa, nem fecham direito a porta. Minutos depois chegam à escola, ofegantes, suados, quase tropeçando nas próprias pernas.
Dentro da escola, André e Amanda dançam uma música romântica no salão decorado.
— Eu adorei estar de volta — André falou sorrindo. — Ensinar essas crianças… como a Luiza. E poder dançar com a mãe dela, então…
Amanda ri, corando um pouco.
— Alguém ficou mais soltinho nos últimos dez anos — ela brincou.
De repente, a porta se abre com força.
As crianças entram correndo Manu na frente, desesperada.
— Amanda! Amanda! — Manu gritou ofegante.
Amanda interrompe a dança imediatamente, o sorriso desaparecendo.
— O quê? O que aconteceu? — ela perguntou, preocupada.
Arthur, Manu e JP começam a falar todos ao mesmo tempo, atropelando palavras, gesticulando, quase gritando. É impossível entender qualquer coisa.
— Calma! Calma! — Magrão levanta as mãos. — Ei! Um de cada vez!
Amanda olha para eles, o pânico crescendo em seus olhos.
Alguns segundos depois, Amanda já está do lado de fora da escola, andando de um lado para o outro enquanto fala ao telefone com mãos trêmulas.
— Minha filha está em perigo... — a voz dela falha por um instante. — É alguém que ela conheceu na internet... Hotel Rota do Oeste… Por favor, mandem uma viatura. Eu estou indo para lá agora. Por favor… se apressem.
Ela desliga, respira fundo — mas o ar não parece entrar.
Amanda olha para JP, Edu e Manu, que estão brancos de preocupação.
— Vocês três vão pra casa. Agora. E eu vou ligar para os pais de vocês — ela falou, firme, mas a voz treme no final.
Eles baixam os olhos, sem coragem de discutir.
Amanda entra no carro. Magrão, já ao volante, pisa no acelerador.
No quarto do hotel.
Luiza está sentada na cama, imóvel, respirando rápido, olhos perdidos no vazio. Não consegue reagir, o choque é tão grande que o corpo parece desligado.
Hugo se aproxima devagar, tentando soar gentil, mas sua voz é fria.
— Luiza… relaxa. Não precisa ter medo de mim.
Ela se encolhe ainda mais.
Minutos depois, André e Amanda chegam ao hotel. Eles praticamente voam para dentro do elevador, subindo para o andar indicado. O corredor parece interminável até que encontram o número do quarto.
Amanda começa a bater na porta com força.
— Luiza! Luiza, você está aí?! — ela gritou, a voz embargada.
— Mãe! — Luiza gritou, desesperada.
Hugo arregala os olhos. Ele corre e tampa a boca de Luiza com a mão.
Mas Luiza, tomada pelo pânico, reage do único jeito que consegue: morde a mão dele com toda força.
— AAH! — Hugo gritou, recuando.
É o segundo que ela precisava.
Luiza se joga para trás, tropeça, mas se levanta e corre para a porta como se sua vida dependesse disso e dependia. Ela destranca com mãos trêmulas e abre a porta com um tranco.
Amanda mal tem tempo de pensar. Ela puxa a filha para os braços com força, quase desabando junto.
— Meu Deus, Luiza! Você está bem?! — Amanda perguntou, a voz quebrando.
Luiza desaba em lágrimas contra o peito da mãe, incapaz de responder.
André chega logo atrás, mas antes que possa dizer qualquer coisa, Hugo aparece na porta com a mão no local da mordida.
— Houve um mal-entendido… Eu—
Ele não termina.
André avança instintivamente, o olhar duro como pedra. Ele o segura pelo colarinho e o empurra contra a parede do corredor.
— Se tentar alguma coisa… — André falou entre dentes, o rosto a centímetros do dele — eu quebro seu pescoço.
Hugo engasga, sem conseguir responder.
Nesse momento, os policiais chegam correndo pelo corredor.
— Policia! Afaste-se! — um deles ordena.
André solta Hugo imediatamente, respirando fundo para se controlar. Os policiais agarram Hugo pelos braços e o algemam.
Hugo é levado enquanto Amanda abraça Luiza ainda mais forte, sussurrando:
Mais tarde, Luiza e Amanda já estão em casa. A sala está silenciosa, carregada de cansaço e tensão. Um policial segura a CPU do computador de Luiza enquanto se prepara para sair.
— Quando vamos ter ele de volta? — Amanda perguntou, tentando manter a voz firme, mas preocupada.
— Logo — respondeu o policial. — Só precisamos verificar se há alguma prova que ajude no caso. Esse criminoso é reincidente, e agora achamos que podemos finalmente pegá-lo. Mas precisamos disso como evidência.
O policial faz uma pausa antes de continuar, olhando Amanda nos olhos.
— Eu tenho uma filha da idade da Luiza… — ele diz com a voz baixa. — Não tenha medo de ser um pouco mais rígida quando necessário.
Amanda engole seco e apenas acena.
Ele vai embora. Amanda fecha o portão devagar, como se parte do peso do dia ainda estivesse presa ali fora. Depois respira fundo e vai para o quarto de Luiza.
No quarto, Luiza está sentada na cama, abraçando um travesseiro.
— Desculpa por ter estragado sua reunião… Espero que vocês tenham se divertido ontem à...
— Como você pode fazer isso, Luiza? — Amanda explode, sem conseguir se conter. — Como você pôde fazer algo tão estúpido?
Luiza abaixa a cabeça.
— Eu cometi um erro…
— Um erro que poderia ter te… matado — Amanda falou, a voz falhando.
Luiza olha para ela.
— Você nunca cometeu um erro antes? Tipo… me ter?
Amanda fecha os olhos por um instante, atingida pela frase.
— Isso não é a mesma coisa.
— Eu estraguei tudo. Eu sou uma criança boba — Luiza murmurou, enxugando o nariz.
— Não, você não é boba — Amanda respondeu sentando ao lado dela. — Mas, Luiza, você manteve esse cara em segredo por oito meses. Oito meses. Por que você não me contou? Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa.
— Não, eu não posso! — Luiza explodiu, lágrimas surgindo. — Você é minha mãe! Você não lembra como é ter doze anos!
Amanda respira fundo, deixando o silêncio cair por alguns segundos. Depois coloca a mão com cuidado sobre o braço da filha.
— Eu lembro, Luiza. Muito mais do que você imagina. E você também vai lembrar quando estiver na minha idade. Eu não espero que você nunca erre… eu só quero que você continue falando comigo. Mesmo quando for difícil. Mesmo quando tiver medo. Podemos fazer isso juntas, certo?
Luiza começa a chorar de vez, o corpo inteiro tremendo.
Amanda a abraça sem hesitar.
— Eu te amo, filha. Mais do que qualquer coisa nesse mundo.
— Mamãe… eu fiquei com tanto medo… — Luiza soluça, apertando Amanda como se não fosse soltá-la nunca mais.
— Eu sei, meu amor. Eu sei. Mas você está segura agora. Eu prometo.
As duas ficam assim, abraçadas, deixando o alívio finalmente tomar o lugar do pânico, mãe e filha respirando juntas após o pior ter passado.
Alguns ex-alunos gravam vídeos de como está a vida deles, dez anos depois de terminarem o ensino médio.
— Olá, eu sou Sara Páscoal. Atualmente sou garçonete, mas fiz um comercial de shampoo recentemente — você provavelmente viu: “cabelos macios e brilhantes”. — ela sorri, confiante. — Próxima parada: Netflix.
— Ei, aqui é o Natan! Surpresos em me ver? Pois é… eu consegui. Dez anos depois, tenho HIV, mas ainda estou livre da AIDS. — ele da um sorriso. — Vejo vocês daqui a dez anos. — Então… — ele estende a mão, apontando para um canto do corredor — era ali que eu costumava bater no José. Bem ali.
Ao fundo, dá para ouvir a risada do José.
— Olá, sou Karla. Venham para a reunião de hoje à noite. — ela fala com um sorriso nostálgico. — Foi aqui que vivi algumas das melhores lembranças da minha vida e fiz amizades que levo até hoje.
Katherine está olhando um painel de fotos; a câmera se aproxima.
— Eu sou a Katherine, da turma de 2017. Acabei de voltar de Curitiba e… nossa, é tão bom ver todo mundo. — ela ri de leve. — Vocês acreditam que a Kátia ficou famosa? Bom, eu também tenho um canal no YouTube. Ainda é pequeno comparado ao dela… — ela faz um gesto modesto — tenho só um pouco mais de um milhão de inscritos. Faço vídeos de viagens pelo mundo. O canal se chama “Kath Pelo Mundo”, então… se inscrevam lá. — ela pisca para a câmera.
— Eu era Ana Beting, agora sou Ana Oliveira. — ela sorri com tranquilidade. — Meu marido e eu somos veterinários… quer dizer, eu serei oficialmente daqui a seis meses. Temos dois filhos lindos.
— Olá, sou Matheus Martins. Eu e o Danilo somos programadores e temos nossa própria empresa. — ele ajusta a postura. — Ele não pôde estar aqui hoje porque está no hospital, se recuperando de uma apendicite, mas está bem.
— Oi, sou a Maria. O Vitor e eu ainda estamos casados e temos dois filhos. — ela coloca a mão na barriga, sorrindo. — E mais um a caminho! A prática leva à perfeição, né? Agora que os mais velhos estão na escola, vou ter bastante tempo com o bebê. — ela olha para o lado. — Ali está o Vitor! Vitor, vem aqui! — ela volta para a câmera, rindo — Ele continua sendo o mais fofo.
— Oi, Kátia Cardellini, turma de 2016. A maioria de vocês já conhece meu trabalho com questões ambientais… talvez tenham me visto no YouTube ou na TV. — ela cruza os braços, satisfeita. — Enfim, a Grasso parece ótima, mas estou muito feliz por já ter saído do ensino médio.
— Oi, aqui é o Vini. — ele fala rápido, meio descontraído. — Hoje sou advogado, trabalho em um escritório e atuo com causas trabalhistas.
— Sou Amanda Souza. Comprei o salão da minha mãe e hoje sou cabeleireira. — ela sorri orgulhosa. — A Luiza está indo muito bem, já é adolescente… e, acreditem ou não, vai estudar na Grasso. Tipo… um déjà vu meio estranho. — ela ri. — Mas é muito bom ver todo mundo de novo.
— Oi, eu sou a Joanna. — ela pensa por um segundo. — Bom… acho que dá pra dizer que sou cineasta de documentários. Terminei meu primeiro curta no ano passado, chamado “Na Noite Fria e Escura”, e agora quero transformar em longa. Então, se alguém tiver um milhão de reais sobrando… pode me mandar. — ela dá um sorrisinho. — Obrigada.
— Ei, sou a Leandra, turma de 2016. — ela fala com calma. — Trabalho com pessoas com deficiência intelectual. Não sei se faço tanta diferença assim… mas ajudo pessoas todos os dias, e isso já significa muito pra mim.
— Oi, sou Kaio Bechler. — ele respira fundo antes de continuar. — Depois do ensino médio, tive alguns problemas com drogas, mas estou limpo e sóbrio há dois anos. Então… chega de open bar pra mim. — ele sorri de lado. — Hoje trabalho em uma funerária e também faço freelas de escrita. Meu trabalho mais recente foi publicado por uma editora famosa. É bem legal.
— Oi, sou André Kimmich. — ele ajeita a camisa. — Meus amigos costumavam me chamar de Magrão… na verdade, ainda chamam. Mas meus alunos me chamam de professor Kimmich. Isso mesmo. — ele sorri, orgulhoso. — Agora estou dando aulas na Grasso, e tem sido muito bom até agora. O que mais… ah, sou solteiro. Não por muito tempo, espero. — ele dá uma risadinha.
— Oi, eu sou José Ferreira, dono da José Veículos, as melhores ofertas em carros. — ele fala como se estivesse num comercial, depois relaxa. Tento aproveitar a vida ao máximo com a minha filha, Lari, que tem cinco anos… mas às vezes parece que tem dezoito. E, bom… estou muito feliz por ter vindo hoje. Foi incrível ver todo mundo de novo. Obrigado por terem insistido. Tchau, tchau!
Este episódio compartilha o título com a música de 1976, “Como nossos pais,” de Elis Regina.
Este episódio compartilha o título com a música de 1976, “Como nossos pais,” de Elis Regina.
Atualizado em: Sex 8 Maio 2026
