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Grasso: Como Nossos Pais, Parte 1

Luiza e sua melhor amiga, Manu, estavam no quarto de Luiza. Manu usava um chapéu fedora.
— Leia de novo, Manu — Luiza pediu, com um tom de súplica.
— Eu já li seis vezes, Luiza.
— Só mais uma vez, por favor.
Manu revira os olhos.
— Ok, ok.
Manu pega o celular de Luiza. Ela começa a ler a mensagem:
— "Luiza, você salvou o meu projeto científico sobre o Refúgio de Vida Selvagem. Eu devo tudo a você. Te amo, Hugo."
Luiza suspirou, um suspiro repleto de paixão e felicidade. Um sorriso radiante ilumina seu rosto.
— Eu te amo, eu te amo.
As duas amigas deram um gritinho animado, um coro de pura alegria.
— Deixa eu ver a foto de novo — Luiza pediu, ansiosa.
Manu mostrou a foto no celular. Luiza suspira.
— Ele fica cada vez mais fofo sempre que vejo seu rosto.
— Isso é possível? — Manu perguntou, brincando.
Luiza percebeu que Manu estava com o braço apoiado em uma revista.
— Manu, cuidado! Não amasse a revista, quero que a Katia a autografe.
Luiza pega a revista com cuidado. Ela olhou a capa, onde uma foto de Katia Cardellini, agora uma jornalista famosa, estampava a publicação.
A cena muda para a cozinha. Amanda, agora com 27 anos, olhava uma foto dela adolescente com Luiza ainda pequena nos braços. Ela colocou a foto em uma caixa.
— Luiza, você está pronta? — Amanda gritou da cozinha.
— Só um minuto! — Luiza gritou de volta.
— Anda logo, filha, o JP está esperando por nós.
Luiza estava no computador quando Amanda entrou no quarto.
— Lu, seu quarto está uma bagunça. Eu pensei que você ia arrumá-lo.
— Eu vou — Luiza respondeu, fazendo uma careta de contrariedade.
— Anda logo, desliga o computador — Amanda insistiu.
— Eu estava mostrando pra Manu suas fotos.
Amanda se abaixou, olhando a tela do computador. Seus olhos se iluminaram ao reconhecer o conteúdo.
— Página no Facebook da reunião da minha turma.
Amanda sorri, sentindo uma onda de nostalgia enquanto olhava as fotos. Ela parou em uma foto sua.
— Como esse penteado era legal.
— Sim, han han — Luiza respondeu com ironia, um sorriso nos lábios.
Manu sorriu, compartilhando o momento.
— Minha reunião de dez anos! Nossa, vai ser ótimo ver todo mundo de novo.— Amanda se levanta. — Está ficando tarde, vamos lá, meninas — Amanda disse, virando-se para sair. Ela se aproximou de Manu e tirou o chapéu de sua cabeça.
Manu se levantou e seguiu Amanda. Luiza, porém, continuou no computador, Manu para na porta e olha para Luiza.
— Essas coisas que você pegou para a reunião são muito legais.
Luiza continuava olhando a tela.
— Luiza, vamos! — Amanda chamou novamente, com mais firmeza.
Luiza finalmente se levantou. Na pressa, ela esqueceu seu celular na mesinha. Assim que saiu do quarto, uma nova mensagem de Hugo chegou.

José Ferreira
Katia Cardellini
André Kimmich
Amanda Souza
Valéria Tralli
JP Djanikian
Edu Mariano
Manu Souza
Luiza Souza
 
Como Nossos Pais

Mais tarde, Amanda, Luiza, Manu e JP chegam à Escola Comunitária Grasso. JP, com um ar de quem acabou de descobrir um tesouro, está usando um chapéu que, momentos antes, era usado por Manu.
— Obrigada por trazerem isso — Amanda disse, um sorriso genuíno iluminando seu rosto, aliviada pela ajuda.
— Por nada, Amanda. Sem problemas! Isso nos dá a chance de ver a escola — Manu respondeu, com um tom mais contemplativo, como se estivesse observando algo novo.
— Você não acha que veremos o suficiente dela este ano? — JP perguntou, com um toque de sarcasmo em sua voz.
Amanda, com um leve franzir de testa, mas ainda sorrindo, entrega uma caixa grande e pesada para JP.
— Você tem certeza que aguenta?
JP ajeita o chapéu em sua cabeça.
— Eu posso ser pequeno, mas sou forte como um touro!
Luiza, ao lado, revira os olhos com um suspiro quase inaudível.
Amanda fecha o porta-malas do carro.
— Obrigada novamente, pessoal, e Lu... — Amanda começou, dirigindo-se a Luiza.
— Sim, eu vou limpar meu quarto — Luiza interrompeu, a voz um pouco apressada, como se quisesse sair dali o mais rápido possível. Ela então se vira para Manu. — Minha mãe me apressou tanto para sair que acabei esquecendo o celular...
Manu e Amanda continuam andando, imersas em sua própria conversa, enquanto JP, com a caixa pesada em mãos, fica um pouco para trás.
— Pessoal, ei! Me ajudem! — JP gritou, a voz ofegante e um pouco abafada pelo esforço, quase derrubando as caixas em um desequilíbrio cômico.
 
Dentro da escola, Manu e Luiza caminham lado a lado.
— Que pena que você esqueceu o celular — Manu comentou.
— Eu sei, mas o Hugo me mandou uma mensagem ontem à noite também.
— E o que ele disse? — Manu perguntou, inclinando a cabeça levemente, curiosa.
— Disse que agora ele tem mais de 6 mil nomes na petição para manter o Refúgio de Vida Selvagem intocado. Aí ele terminou com um "obrigado pela sua ajuda com tudo, você é a melhor".
— Nossa! — exclamou Manu, um sorriso largo se abrindo em seus lábios.
— Eu sugeri a petição, mas o Hugo fez todo o resto. Ele é tão comprometido.
Manu da um leve suspiro.
— Pena que ele mora em Fortaleza.
De repente, um grito ecoa de mais atrás, quebrando a calma momentânea.
— Socorro! — JP gritou, seguido por um baque.
Manu e Luiza param abruptamente, virando-se instintivamente para trás.
— JP! — Manu gritou, um misto de surpresa e preocupação em sua voz.
Ambas largam as caixas com um pouco mais de pressa e correm na direção de JP para ajudá-lo.
Enquanto recolhem as caixas espalhadas, Luiza encontra uma foto antiga. Nela, José, Felipe e Magrão aparecem com seus instrumentos musicais, vestindo camisetas da banda "Remédio Alternativo". Um sorriso de deboche se forma em seus lábios.
— As pessoas eram tão estranhas antigamente.
Manu olha para a foto e sorri.
 
Enquanto isso, em outra parte da cidade, José, agora com 27 anos e totalmente careca, e dono de uma loja de automóveis, atendia uma cliente conhecida, Valéria.
— Este carro, Valéria, é uma joia! Ele combina o charme inconfundível do passado com a tecnologia do futuro. É a mistura perfeita de nostalgia e inovação.
Valéria sorri de volta, mas um leve franzir de testa aparece.
— José, eu aprecio o seu entusiasmo, de verdade. Mas preciso de algo maior. Sabe, para minha mudança para Goiânia, este aqui, por mais charmoso que seja, parece um pouco... apertado.
— Valéria, confie em mim. O espaço interno é surpreendente, você vai ver! Que tal fazermos um test drive? Deixamos suas coisas na Grasso, damos uma volta tranquila, e tenho a sensação de que você vai se apaixonar por ele quando sentir a dirigibilidade e o conforto.
— Tudo bem, José. Vamos ver então — respondeu Valéria, com um toque de curiosidade.
Nesse momento, uma garotinha se aproxima, puxando a barra da calça de José. Valéria sorri ao vê-la.
— Não me diga que essa é a Lari! — exclamou Valéria, com um brilho nos olhos.
José se abaixa um pouco para olhá-la.
— Sim, essa é a minha Lari.
Valaria se aproxima de Lari, com um tom carinhoso.
— Ei, fofinha, como você cresceu!
— Diga oi para a Valéria, filha — pediu José, com ternura.
Lari, um pouco tímida, levanta a mãozinha.
— Oi — disse ela, com uma voz doce e infantil.
José olha para Valéria.
— Ela começa na escolinha na próxima semana, acredita? — José comentou, um leve sorriso no rosto. — Vai ser ótimo para ela ter a companhia de outras crianças.
Valéria o observa por um momento, a preocupação em seus olhos crescendo.
— Falando em estar perto de outras pessoas, José... eu vi no face da reunião que você não confirmou presença.
— Eu sei — disse José.
— José todos sentimos muito que sua esposa morreu, mas já faz um ano, eu acho que a Adriana ficaria chateada se ela visse você se isolando das pessoas.
José desvia o olhar, sua expressão endurecendo levemente com a menção de sua falecida esposa. Ele rapidamente muda de assunto, pegando a chave do carro.
— Que tal se a gente der uma volta nesse carro agora? — ele propôs, com um tom mais animado. Seus olhos se voltam para Lari, que está ali, alheia à conversa adulta. — Anjinho, você quer dar uma volta — Ele a pega no colo, um sorriso forçado no rosto. — Vamos lá, vamos vender um carro para a tia Valéria!
Ele se apressa em direção ao escritório com Lari nos braços, deixando Valéria para trás. Valéria suspira suavemente, a cabeça baixa, um misto de compreensão e tristeza no olhar.
 
De volta à escola, Luiza, Manu e JP carregavam as caixas com um misto de cansaço e expectativa. Ao entrarem em um corredor, depararam-se com um homem com uma xícara nas mãos, esse homem, era ninguém menos que Magrão, agora um adulto.
— Eu espero muito que você seja o professor André Kimmich — disse Luiza.
Kimmich sorriu, um sorriso que parecia carregar anos de lembranças.
— Eu sou, e você deve ser a pequena Luiza — ele falou, seus olhos percorrendo o rosto dela, buscando a menina que ele conheceu.
Ele olhou para as caixas que eles carregavam, um brilho de admiração surgindo em seu olhar.
— Nossa! Minha nossa, a Amanda encontrou todas essas coisas?
As crianças colocam a caixa no chão. Kimmich, então, notou o chapéu que JP usava e o pegou com cuidado.
— Consigo ver que o fedora está voltando — Kimmich comentou, um toque de humor na voz, e colocou o chapéu na cabeça, ajustando-o com um gesto familiar. Ele pegou uma das caixas, sentindo o peso e a história que ela carregava. — Ótimo, obrigado, pessoal. E aproveitem seus últimos dias de liberdade — disse Kimmich, um tom levemente melancólico misturado à sua fala.
Os três se viraram e começaram a andar.
— Pequena Luiza? — JP provocou, um sorriso maroto no rosto, ecoando a forma como Kimmich se referiu a ela.
Luiza, com uma expressão de leve irritação, mas também com um toque de diversão contida, deu um soco no braço de JP.
— Ai! — ele exclamou, mais por encenação do que por dor.
Luiza, como se um gatilho tivesse sido acionado, saiu correndo, e Manu e JP a seguiram, a energia infantil tomando conta.
— Ei, pessoal, sem correr, não corram! — Kimmich gritou, uma risada começando a se formar em seus lábios.
Os três continuaram a corrida, desaparecendo de vista.
— Ok, continuam correndo, nem me escutaram — Kimmich falou para si mesmo, balançando a cabeça com um sorriso.
Luiza, Manu e JP corriam pela escola, chegando a uma sala repleta de computadores de última geração.
— Santo Deus, olha esses computadores! — Luiza exclamou, hipnotizada pela tecnologia de ponta.
— Luiza, vamos! — JP chamou, rindo. — Já estou te vendo mandando mensagem pro Hugo daqui.
— Cala a boca! — Luiza respondeu, empurrando JP de leve.
— Ei, ele pode ler minha alma! — disse JP, zoando Luiza
Luiza deu outro soco no braço dele.
— Ai! — exclamou JP, com uma careta.
De repente, eles ouviram vozes se aproximando.
— E esta é a joia da coroa da Grasso, o laboratório de informática. Todos os computadores aqui estão conectados à internet de alta velocidade — disse o vice-diretor da Grasso, Daniel Fernandes.
— Ouviu bem, Edu isso não tinha na sua antiga escola — disse o pai de Edu, com um tom de satisfação.
JP ficou olhando, de repente reconhecendo Edu.
— Edu? — JP perguntou, surpreso.
— JP? — Edu respondeu, igualmente espantado.
Os dois se aproximaram e fizeram um toque de mão com a coreografia que só eles entendiam: "Arriba, arriba! Grilos, grilos! Rá, rá, rá!"
Luiza olhou para Manu com uma careta.
— Eles se conheceram no acampamento de verão — Manu explicou, com um sorriso.
— Cara, o que você tá fazendo aqui? — JP perguntou, ainda processando a surpresa.
— Estou conhecendo a escola com meu pai. Ele se mudou com a namorada para o bairro, e a Grasso é a escola mais próxima — Edu respondeu.
— Vou deixar vocês conversando enquanto seu pai e eu terminamos de preencher os formulários no meu escritório — Daniel disse, se retirando.
— Então, Arthur, você vai pra casa comigo? — perguntou o pai de Arthur.
— Não, eu vou a pé — Edu respondeu.
— Ok — disse o pai, concordando. Ele e Daniel saíram.
Luiza e Manu se aproximaram dos dois.
— Ah, Arthur, essas são Manu e Luiza. Luiza, Manu, esse é o Arthur. A gente estava junto no acampamento — JP apresentou.
— A sério? — Luiza perguntou, com uma pitada de ironia.
— Prazer em conhecê-las — Edu falou, um pouco sem jeito.
Luiza revirou os olhos discretamente.
— Sim, ok — Luiza falou, dando de ombros. Ela olhou em volta. — Ótimo, não tem ninguém. Manu, vem comigo. Vocês dois, fiquem de guarda — disse Luiza, entrando decidida no laboratório de informática e fechando a porta atrás de si.
JP e Edu encostam na porta.
— Então sua amiga é sempre assim? — Edu perguntou.
— Sempre — JP respondeu.
Eles espiam pelo vidro da porta, Manu de dentro sala grita e da um susto neles ela sorri e se afasta da porta.
Edu revira os olhos.
— Crianças.
JP sorri.

Enquanto isso, Kimmich olhava fotos antigas, de si mesmo e de seus amigos adolescentes. Um sorriso nostálgico em seus lábios enquanto ele revivia mentalmente cada risada, cada aventura, cada momento da sua juventude.
Longe dali, um carro de luxo deslizava suavemente pela rodovia que levava à cidade. No banco de trás, Katia Cardellini, agora uma renomada jornalista, falava ao celular, a voz um misto de cansaço e carinho.
— Pedro, eu sei que você está sobrecarregado, mas este fim de semana é muito importante para mim — a voz do outro lado parecia suplicar. Katia suspirou, um pequeno sorriso surgindo em seu rosto. — Vamos lá, é só um fim de semana. Eu quero te mostrar aos meus amigos... por favor... Sim, isso é perfeito... Ótimo, às cinco. Obrigada, amor... Eu também te amo.
Com um suspiro suave, Katia desligou o celular, guardando-o na bolsa enquanto a paisagem familiar da cidade começava a surgir pela janela.
Pouco tempo depois, o carro parou elegantemente em frente à Escola Grasso. O motorista desceu e abriu a porta para ela. Katia saiu do veículo, impecável em seu traje.
— Obrigada — ela disse gentilmente.
Ela caminhava com uma mistura de curiosidade e nostalgia em direção à entrada da escola. Ao atravessar as portas, seus olhos varreram o corredor e ela viu Kimmich, segurando uma caixa.
— Magrão! — ela exclamou, um sorriso genuíno e radiante iluminando seu rosto ao reconhecê-lo.
Kimmich, pego de surpresa, colocou a caixa no chão. Seus olhos se arregalaram em reconhecimento.
— Katia! Ei! — ele balbuciou, um sorriso largo e atônito se abrindo em seu rosto.
Os dois se aproximaram rapidamente, os braços se abrindo para um abraço apertado e caloroso, um reencontro que parecia desafiar o tempo.
— Ótimo ver você! — Kimmich disse, as palavras um pouco abafadas pelo abraço.
Katia se afastou um pouco, as mãos ainda nos ombros dele, examinando-o com carinho. — É ótimo ver você também! Então, você é professor da Grasso agora?
Kimmich balançou a cabeça, fazendo uma careta divertida.
Katia, com um brilho nos olhos, tirou um pedaço de tecido dobrado da bolsa.
— Aqui — ela falou, estendendo um tecido colorido para Kimmich.
Ele pegou, erguendo uma sobrancelha e examinando-a com uma expressão confusa.
— Ok, esta é a sua melhor lembrança da Grasso?
Katia riu, um Faixa som fresco e nostálgico.
— O quê? Você não lembra da minha fase de? Era moda na época! — Ela fez um gesto com a mão, como se estivesse revivendo o passado.
— Ah, falando nisso... — Kimmich se abaixou e, com um movimento um tanto teatral, tirou um chapéu fedora da caixa. — Que tal esse fedora do José?
Katia pegou o chapéu com um ar de diversão e o colocou na cabeça, ajustando-o com um toque de elegância inesperada.
— Legal, combina com você — disse Kimmich, observando-a.
Katia olhou para ele, o fedora ligeiramente torto em sua cabeça.
— Onde está a camisa?
— Eu não sei. Acho que o José ainda está usando.
Katia soltou uma gargalhada alta e contagiante, o som preenchendo o corredor da escola, um eco divertido de tempos passados.
Enquanto isso, José, Valéria e a pequena Larissa chegavam à Grasso. Valéria vê o carro de Katia, sem saber que ela dela.
— Nossa! Olha isso, Josefino! Por que você não me vende um carro como esse, hein? — Valéria brincou, dando um leve empurrão no braço dele, os olhos ainda fixos no veículo imponente.
José sorriu, mas sua atenção já estava desviada. Seus olhos varreram a fachada da escola e, através da porta de vidro, ele a viu. Katia. Ela parecia caminhar em câmera lenta. Seus olhos se encontraram, e por um instante, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Eles se olhavam de longe, uma conexão silenciosa e intensa se formando através do vidro.
 
Enquanto isso, Manu estava no laboratório de informática, com a energia de um elétron instável. Andava de um lado para o outro, as mãos apertando-se nervosamente, a testa franzida em preocupação.
— Manu, se acalme. Se formos pegas, eu direi que te forcei a vir — Luiza falou, sem desviar os olhos da tela do computador, onde navegava distraidamente pelo Instagram.
De repente, o sorriso despreocupado de Luiza desvaneceu-se. Seus olhos se arregalaram, fixos na tela, e um pequeno som de surpresa, quase um engasgo, escapou de seus lábios.
Manu parou abruptamente, a apreensão em seu rosto se intensificando. Ela se inclinou sobre a mesa, apoiando os braços com força.
— O quê? O que diz? — perguntou, a voz um pouco mais alta do que o permitido no laboratório.
— O Hugo... ele está vindo para a cidade... e ele quer me conhecer... amanhã — ela sussurrou, as últimas palavras quase inaudíveis, como se o choque ainda não a tivesse abandonado.
 
Enquanto isso...
— Qual é o nome do seu dinossauro? — Katia perguntou, com um sorriso nos lábios.
— Andy — Lari respondeu, os olhos brilhando.
— Andy! Esse é um nome muito bonito! — Katia exclamou.
José se aproxima dela.
— Então você vai se casar! Parabéns!
— Sim! Quando é o grande dia? — Valéria se apressou em perguntar, a curiosidade estampada no rosto.
Katia riu, um pouco sem jeito, mas feliz.
— Em algum momento do ano que vem. E nós não fizemos a lista de convidados ainda, mas todos vocês estão convidadíssimos!
— Ótimo! E quando vamos conhecer o Pedro? — Kimmich perguntou.
— Ele está vindo em um voo de São Paulo esta tarde. Está morrendo de vontade de conhecer vocês!
José, com a testa franzida em um misto de interesse e ceticismo divertido, indagou:
— E ele está no meio artístico?
— Sim, ele é um diretor — Katia confirmou, com um pequeno ar de triunfo.
José balançou a cabeça lentamente, um sorriso de lado.
— Eu sempre soube que você conheceria um cara... à sua altura.
Um breve silêncio, preenchido por olhares cúmplices e sorrisos, pairou no ar. Katia balançou a cabeça.
— Bem, eu acho... Hum... eu provavelmente deveria ir fazer o check-in no hotel. Mas José, a reunião? Você realmente não vai?
— Não, eu não vou — José respondeu,
Katia não desistiu.
— Então, pelo menos saia para beber com a gente hoje à noite!
— Eu não sei... — José começou a hesitar, olhando para o chão.
— Ele vai! Nós dois estaremos lá! — Valéria interveio prontamente, cortando a indecisão de José com um olhar determinado.
Katia sorriu, satisfeita.
— Tudo bem, eu vejo vocês mais tarde então.
Ela começou a sair, e Kimmich pegou o chapéu da cabeça dela.
— Tchau, Katia — disse Valéria.
 
Enquanto isso...
Luiza, Manu, JP e Edu estavam no parquinho do bairro, o sol da tarde iluminando suas brincadeiras. Luiza e Manu balançavam-se, enquanto Edu e JP estavam no alto de um trepa-trepa ao lado.
— Eu quero muito conhecê-lo, de verdade, mas... eu disse a ele que ainda estava no ensino médio — Luiza confessou.
— Ah, Luiza! Você está quase lá! E o Hugo está vindo aqui, você tem que conhecê-lo! É o destino! — Manu exclamou, com um entusiasmo contagiante.
Arthur, que até então estava distraído, ergueu a cabeça, a curiosidade piscando em seus olhos.
— Quem é Hugo? — ele perguntou.
JP olha para ele.
— — Um pervertido que ela conheceu na internet! Certeza que ele é um psicopata de quarenta anos que mora no porão escuro da mãe!
Luiza parou bruscamente o balanço, os olhos faiscando em direção a JP.
— Você ainda molha a cama e eu sou sua amiga!
— Hahaha! — JP exclamou.
Arthur, no entanto, parecia mais sério.
— Luiza, você está conversando com um estranho que conheceu na internet? Isso pode ser muito perigoso!
Luiza balançou a cabeça, impaciente.
— Ele não é um estranho! Ele me enviou a foto dele! E eu conheço o Hugo há muito mais tempo do que conheço você!
Manu interveio, tentando acalmar os ânimos.
— Ele é legal! Ele tem dezesseis anos e está vindo aqui em uma excursão escolar!
— Excursão escolar? É janeiro! — JP apontou, o tom incrédulo.
— Eles organizaram no ano passado, e ele só pode vir no último minuto! E isso não é da conta de vocês! — Luiza falou.
De repente, sem aviso, Edu e JP sacaram duas pistolas de água, e começaram a disparar jatos de água em Luiza e Manu, rindo a plenos pulmões. As meninas, pegas de surpresa por um segundo, logo revidaram com suas próprias pistolas. O parquinho se transformou em um campo de batalha aquático, com gritos, risadas e jatos de água voando em todas as direções.
 
Mais tarde Katia está na casa de Amanda vendo as fotos do tempo de escola delas na página do Facebook da reunião de 10 anos da turma delas no computador.
— Meu Deus — disse Katia, com os olhos fixos na tela.
As duas explodem em risadas, um som nostálgico preenchendo o ar.
— Espere, espere, volte! Eu quero ver isso de novo — Katia falou, sua voz embargada pela risada, enquanto ela estendia a mão para o mouse.
Amanda vê o anel no dedo de Katia.
— Mal posso esperar para conhecer o Pedro, ele tem um ótimo gosto para joias, isso é um bom sinal.
— Obrigada, mas na verdade eu mesma escolhi porque ele estava tão ocupado com a pré-produção e todas essas coisas, ele só me deu o cartão e disse: "Pode escolher o que você quiser" — Katia falou.
De repente Luiza entra no quarto, com um pacote de salgadinho e uma garrafa de refresco na mão.
— Por que você está no meu computador? — Luiza perguntou, a voz com um tom de acusação, os olhos estreitos.
— Nosso computador, mocinha — Amanda respondeu, com um tom de advertência.
— Você está na página da reunião de novo? Da próxima vez você pode pelo menos perguntar, antes de invadir? — Luiza perguntou, a irritação evidente em sua postura.
— Da próxima vez você poderia ser mais educada com nossa convidada — Amanda perguntou, com o tom firme.
Luiza vê Katia e seus olhos se arregalam em choque e admiração.
— Katia Cardellini do NC News e nascida em 2 de março de 1999, você é de peixes...
— Você é uma stalker? — Amanda interrompeu, olhando para a filha.
— Eu não posso acreditar que você está aqui no meu quarto bagunçado — disse Luiza, ignorando a mãe, a voz cheia de incredulidade enquanto olhava para Katia.
— Não se preocupe com isso, meu Deus, é ótimo ver você crescida — Katia falou, com um sorriso caloroso e genuíno.
— Então, ela está esperando uma mensagem do namorado — disse Amanda, com um risinho travesso, cutucando Luiza com o cotovelo.
— Você hackeou meu celular? Você nunca ouviu falar em privacidade? — Luiza perguntou, o rosto corando de vergonha e raiva, virando-se abruptamente para a mãe.
— Relaxe, eu estou brincando com você — Amanda falou, ela se virou para Katia, com um olhar cúmplice — Não consigo acreditar que minha filha descobriu os garotos.
Luiza olha para sua mãe, com uma expressão de puro desespero adolescente.
— Mãe, eu não vou fazer sexo! — disse Luiza, quase gritando, os olhos arregalados de horror.
Amanda olha assustada para Katia, com uma risada nervosa escapando de seus lábios.
— Vamos nos divertir esse final de semana, certo? — ela perguntou, tentando mudar o rumo da conversa, um olhar de "me ajuda" para Katia.
— Eu prometo — Katia respondeu, com um sorriso compreensivo, divertindo-se com a situação.
As duas começam a sair do quarto, Katia olha para Luiza.
— Tchau. — disse Katia, com um aceno amigável. — ela a ponta para um quadro na parede. — Muito bonito esse quadro da Nossa Senhora.
Luiza sorri timidamente e fecha a porta do quarto.
 
Mais tarde, Luiza estava em seu computador, os dedos voando sobre o teclado, enquanto Manu estava deitada na cama, observando-a com uma sobrancelha arqueada.
— Ok, ele tem que aprender a cuidar da vida dele — Luiza resmungou, sem tirar os olhos da tela, a voz carregada de uma irritação contida.
Manu suspirou, virando-se de lado para encarar a amiga.
— O JP só está preocupado com você.
Luiza finalmente levantou o olhar, um brilho de desprezo nos olhos.
— O JP é apenas uma criança imatura.
— O Edu parece ser gente boa.
— Ele é... bem, acho que sim. Mas sabe, garotas são muito mais maduras do que garotos. É por isso que gosto do Hugo. Nunca tive um namorado tão inteligente, tão atencioso — disse Luiza, se levantando.
— Você nunca teve um namorado, Luiza.
Luiza soltou um suspiro dramático, quase um lamento, e se jogou na cama ao lado de Manu, afundando entre os travesseiros. Ela agarrou um ursinho de pelúcia que estava por perto, apertando-o contra o peito.
— Eu sei.
— Talvez... — Manu começou, a voz arrastada, hesitando.
— O quê? — Luiza perguntou, virando a cabeça para a amiga, os olhos curiosos.
— O que o Edu disse sobre conhecer estranhos na internet ser perigoso.
Luiza revirou os olhos.
— Manu, eu posso cuidar de mim mesma, você não precisa se preocupar. Vamos em um lugar público.
— Talvez você devesse conversar com sua mãe — Manu sugeriu, a voz suave, quase cautelosa. — Ela é legal e vai entender.
O rosto de Luiza se contorceu em uma careta.
— Ela não é tão legal... — Ela pensou por alguns segundos — Você está dizendo que eu não deveria ir conhecer o Hugo?
Manu deu um toque leve, mas firme, com a mão fechada na testa de Luiza.
Luiza com um sorriso travesso, pegou o ursinho e bateu a pata de pelúcia na testa de Luiza.
— Ei! — Manu exclamou, rindo.
 
Enquanto isso, em um barzinho na cidade, estão Katia, Kimmich, Amanda, José, Valéria e Pedro.
Pedro está falando.
— Ensinar é tão nobre, retribuir... Na verdade, estou trabalhando em um roteiro sobre vocês, tipo uma mente perigosa...
O telefone de Pedro toca, cortando sua fala. Ele revira os olhos, mas atende.
— Só um minuto, eu tenho que atender — disse Pedro, já se afastando um pouco, com o telefone no ouvido. — Lucas, sim, não estou em Presidente Prudente... Sim, a cidade onde o Ronaldo Fenômeno marcou o primeiro gol com a camisa do Corinthians... Não, ainda não vi nenhuma onça...
Pedro se afasta.
— Katia, eu assisto seu programa toda semana. As situações em que você se mete... você é muito corajosa — Valéria falou, com um sorriso genuíno.
Katia, surpresa, ergue uma sobrancelha.
— Corajosa eu? — Ela riu, um pouco sem graça. — Então, mas e você?
— E eu? — Valéria perguntou, realmente confusa com a pergunta.
José sorri.
— Vamos lá, Valéria, não seja tão modesta. Dois anos de fisioterapia, seguidos por um bacharelado com honras e um mestrado em antropologia — disse José, enumerando com os dedos.
— E seu doutorado em um ano — Amanda completou.
Valéria balançou a cabeça, um pouco envergonhada.
— Pessoal, isso não é ser corajosa.
Katia se inclinou para frente, um sorriso no rosto.
— Tem razão, Valéria. Isso é apenas brilhante, incrível e maravilhoso.
Valéria suspirou, olhando para a mesa.
— Nem é incrível. É apenas a vida, e eu sobrevivi ao acidente.
Um silêncio breve pairou sobre a mesa.
— O acidente em que o Felipe matou uma criança, e dez anos depois ele está livre — disse Kimmich, a voz um pouco mais baixa, carregada de um tom pesado.
De repente, um comercial da loja de veículos de José começa a passar na televisão do barzinho. José está falando nele, com um entusiasmo exagerado. Os amigos, começam a rir abertamente quando José, no comercial, com uma careta cômica, tira a camisa.
Valéria olha para José, um brilho de admiração e surpresa em seu olhar.
— José, isso é incrível!
José sorri, um pouco orgulhoso, mas com um toque de diversão.
— Eu precisava de um comercial, então fiz um comercial.
Os amigos dão risada, o clima leve e descontraído.
Pedro se aproxima, ainda falando no celular, a voz um pouco mais alta e irritada.
— Espere um segundo, Lucas, me escute. Eles são de uma grande empresa. Você não vai assinar o acordo com qualquer coisa. Resolve isso! — Pedro desliga o celular com um estalo e olha para José, o bom humor evaporado. — Ok, José, da próxima vez contrate um ator de verdade, sabe? Evite essa coisa de vendedor de carros usados desonesto. Era isso que eu faria.
Um silêncio tenso se instala no local, quebrando a leveza de antes. Os sorrisos nos rostos dos amigos diminuem.
— Claro, obrigado, Pedro — José respondeu educadamente, mas seu tom era um pouco mais frio, os olhos fixos em Pedro.
Pedro, alheio à mudança de atmosfera, senta à mesa, com um ar de quem fez um favor.
— Sem problemas. É para isso que me pagam muito dinheiro.
Kimmich, percebendo o desconforto, tenta suavizar a situação.
— Mas o comercial é engraçado! É clássico! É...
— É José! — Valéria e Amanda dizem em uníssono.
Katia olha para Pedro.
— Pedro, se você tivesse visto o José no ensino médio, você ia rir muito o tempo todo.
— Tenho certeza que sim — Pedro respondeu.
Katia continua, a voz mais suave agora, olhando para José.
— E apesar de tudo o que você passou, você ainda é o mesmo José de sempre.
José fica sério, a expressão endurecida. Seus olhos encontram os de Katia.
— Na verdade, eu mudei. E alguns de vocês... Com licença — José se afasta abruptamente da mesa, deixando um silêncio pesado para trás.
 
Luiza está dormindo. Ela acorda com Amanda, Katia e Valéria chegando em casa e cantando “Todo Mundo Quer Alguma Coisa” da banda Remédio Alternativo.
“Todo mundo quer alguma coisa.
Eles nunca vão desistir.
Todo mundo quer alguma coisa.
Eles vão pegar seu dinheiro
E nunca desistir”.
Elas sorriem animadas, os rostos iluminados pela alegria do momento.
— Ainda sabemos a letra! — exclamou Valéria, com um brilho divertido nos olhos.
— Quem quer uma taça de champanhe? — Amanda perguntou.
— Eu quero! — Valéria respondeu imediatamente.
Luiza, com um suspiro pesado, sai do quarto, os olhos ainda um pouco sonolentos, e caminha pelo corredor até a sala. Amanda a vê, e um pequeno sobressalto de culpa passa por seu rosto animado.
— Lu, meu Deus, nós te acordamos! — disse Amanda, levando a mão à boca.
Luiza se senta no sofá, afundando nos estofados.
— Desculpe, Lu — Katia falou.
— Vamos ficar quietas agora, prometo! — Amanda falou. Ela olha para Katia e Valéria. — Garotas, champanhe?
— Só um copo, por favor. O Pedro está me esperando no hotel — Katia falou.
Amanda se vira e vai para a cozinha.
— Eu vou te ajudar! — disse Valéria, com a voz cheia de disposição, indo atrás dela.
Katia se vira para Luiza, o sorriso voltando com força total, os olhos brilhando com uma genuína felicidade ao vê-la. Ela se senta ao lado de Luiza.
— Ei, Luiza! Como você está? É tão bom, ver você!
— Katia, posso te perguntar uma coisa? — Luiza perguntou, a voz um pouco mais baixa, um toque de hesitação.
— Claro! Deixa eu adivinhar... seu namorado?
— Meus amigos não acham que eu deveria ficar com ele.
— Bem, o que você acha? Essa é a pergunta mais importante, não é? Quero dizer, você gosta dele?
— Sim, nos damos tão bem. Às vezes é como se ele pudesse ler minha mente.
— Às vezes você só precisa arriscar, entende? Ir em frente, seguir o seu coração, mesmo que seus amigos não achem certo. A vida é sua!
— Como você fez? — Luiza perguntou.
— Sim! Exatamente! Se eu fosse pela minha família, eu estaria trabalhando em algum escritório aqui na cidade, com planilhas e reuniões intermináveis — Katia disse, fazendo uma careta dramática e se contorcendo ligeiramente, como se a ideia fosse um tormento físico. — Nossa, que horror só de pensar! Mas mudando de assunto... ele é bonito? Quero detalhes!
Luiza sorri timidamente, um rubor discreto colorindo suas bochechas, os olhos brilhando com a nova perspectiva e o encorajamento.
— Vamos lá, eu quero detalhes, Lu! Todos os detalhes! — Katia insistiu.
 
Enquanto isso, Amanda e Valéria estão na cozinha. Valéria se abana com o chapéu de José, que, nesse dia, já passou pela cabeça de quase todo mundo.
— Amanda, você acha que a Kátia poderia arrumar alguém... melhor? — Valéria perguntou, com um tom de voz que misturava curiosidade e uma pontinha de fofoca, enquanto ajeitava o chapéu de José na cabeça.
Amanda sorri discretamente, e vai até a sala, levando champanhe para Kátia. Ela observa Luiza, que está visivelmente intrigada.
— Mas como você sabe? Quando é um desses momentos? — Luiza perguntou, com os olhos arregalados, demonstrando uma genuína curiosidade juvenil.
— Bem, você sente aqui dentro — Kátia respondeu, com um sorriso enigmático, colocando a mão sobre seu próprio peito, como se tocasse a essência de sua intuição. Ela continuou, com a voz mais suave: — Geralmente, não tem erro.
— Ei, meninas, vocês estão conversando sobre o quê? — Amanda perguntou, com um leve tom de diversão na voz, percebendo o clima de confidência.
— Nada demais, estou apenas contando histórias chatas sobre minhas aventuras ambientais — Kátia respondeu.
— Isso mesmo, grandes histórias! — disse Luiza, com um sorriso cúmplice para Katia.
Amanda olha para Luiza.
— Querida, você não quer se juntar a nós um pouco? — Amanda perguntou.
— Não, estou cansada — Luiza respondeu, com um bocejo disfarçado. Ela se levanta com um ar de desinteresse e vai para seu quarto, sem olhar para trás.
— Tchau — disse Kátia, com um aceno casual.
— Boa noite — Amanda falou, com um suspiro suave.
Luiza entra em seu quarto, e a porta se fecha com um clique.
— Então, do que vocês estavam falando? — Amanda perguntou, com a voz mais baixa, voltando a atenção para Kátia e Valéria, que agora eram seu foco.
Amanda senta no sofá, acomodando-se.
— O que você gostaria de saber? Ela é tão jovem — Kátia falou.
— E você é tão velha — Amanda respondeu, sorrindo abertamente, um brilho divertido nos olhos, entrando na brincadeira.
— O quê? Eu nem cheguei aos trinta ainda! — disse Kátia, com uma indignação teatral, colocando a mão na cintura.
Valéria senta em uma poltrona.
— Eu me recuso a ter essa discussão sobre relógio biológico. Sinceramente, eu nem sinto o tempo passando — Valéria falou.
— Eu gostaria de ter um encontro — Amanda falou, com um suspiro sonhador, mudando o rumo da conversa.
— Essa é a melhor coisa sobre o Pedro, chega de flertar com homens com sapatos sustentáveis que comem comida orgânica e bate-papo ambiental — Kátia falou, com um tom de alívio e um pouco de sarcasmo.
— Pobre Kátia — Valéria falou, com um sorriso.
 
Enquanto isso, Luiza está em seu quarto, sentada na cama e com o celular nas mãos.
"Oi Hugo, sim, eu quero muito me encontrar com você amanhã."
Luiza sorri.
— Às vezes você... simplesmente vai em frente...
Luiza envia a mensagem dando um suspiro em seguida.
Continua...


Está história compartilha o título com a música de 1976, “Como Nossos Pais,” de Elis Regina.

 
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Atualizado em: Seg 27 Abr 2026

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