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Escola Grasso 311 – Perto de Mim

Os alunos do departamento de drama da Grasso estão sentados no chão da sala de drama. O professor fala com energia, tentando animá-los.
— Gente, isso aqui não é brincadeira. Musical exige tempo, ensaio e muita dedicação. Então escolham algo que vocês realmente curtam fazer.
Carol se inclina para frente, animada.
— A escola do meu primo fez Pippin. Ficou incrível!
Ana faz uma careta.
— Sério? Pippin? Meio… nada a ver, né?
Peter ergue a mão, tentando trazer ordem.
— Calma. Vamos pensar direito. Nossos pais vão assistir. Talvez algo mais conhecido… tipo Chicago.
Ana revira os olhos.
— Nossa, piorou. Isso é totalmente fora da nossa realidade. A gente está no ensino médio, lembra? Tem que ser algo com que a galera se identifique.
Peter olha para Ana
— Então você queria o quê? Mamma Mia?
— Sim! — Carol respondeu na mesma hora, quase pulando.
Ana suspira, impaciente.
— Legal… mas é meio óbvio, não acha? Parece a escolha padrão de toda escola que não sabe o que montar.
Peter dá um sorriso.
— Talvez você tenha razão.
Peter fica olhando para Ana.
Ela percebe o olhar e segura um sorriso discreto, fingindo que não notou.
O professor bate palmas para chamar atenção.
— Ok, ok. Gostei da energia. Mais alguma ideia?
Enquanto os outros começam a comentar entre si, Peter se inclina um pouco na direção de Ana.
— Então… você gosta de histórias românticas de ensino médio?
Ela ergue a sobrancelha.
— No palco? Sim. Fora do palco? Não.
Peter olha para frente.
— Que pena.

Personagens Principais
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novask
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho

Em um dia frio, Ana, Lory, Nina e Paola estão a frente da Grasso. Ana está encolhida dentro do casaco, esfregando as mãos.
— Ele já está vindo? Eu estou congelando — Ana reclama, batendo os pés no chão.
Paola olha o celular.
— Está sim. Mandou mensagem agora. Está pegando café no Luca’s.
Lory abre um sorriso tranquilo.
— Eu amo esse clima. Frio assim é perfeito.
Nina ri, abraçando o próprio casaco.
— Claro, né? Você praticamente é uma britânica.
Lory revira os olhos, sorrindo.
— Eu não sou britânica. Minha avó é. Eu só herdei o gosto pelo frio.
Paola respira fundo, ficando um pouco séria. Ela olha direto para Lory.
— Lory… preciso te falar uma coisa. Eu e o Dani vamos fazer o trabalho de ciências juntos. Estou te contando porque… sei lá, achei que você devia saber.
Por um segundo, o olhar de Lory vacila. O sorriso quase some. Ela engole em seco, mas se recompõe.
— Tudo bem, Paola. É só um trabalho.
Ana percebe a tensão, mas antes que diga algo, Gabriel o namorado de Paola surge equilibrando cinco copos de café.
— Senhoritas, o serviço de cafeteria chegou.
As meninas riem. Cada uma pega seu copo.
Paola encosta no braço dele, orgulhosa.
— Fala a verdade, meninas. Meu namorado é perfeito, né? E ainda se transferiu para a Grasso. Melhor decisão da vida dele.
Gabriel fica vermelho.
— Eu estou aqui, sabia?
Nina olha mais à frente e avista Rodrigo.
— Vocês vão entrando. Eu já alcanço vocês.
Ela se afasta rapidamente. Paola e Gabriel seguem na frente, conversando. Ana desacelera o passo, ficando ao lado de Lory.
— Você está mesmo bem com a Paola e o Dani fazendo o trabalho?
Lory encara a porta da escola.
— E por que eu não estaria?
— Porque eu te conheço — Ana respondeu com leveza. — Eu vi sua cara quando ela falou.
Lory solta o ar devagar.
— Eu só… odeio ouvir o nome dele. Só isso.
Antes que Ana responda, Peter aparece animado demais.
— Oi, Ana! — Ele olha para Lory. — Oi… amiga da Ana!
Lory força um sorriso educado.
Ana observa Peter subindo a escadaria da escola. Ele olha rapidamente na direção dela antes de continuar.
Lory segue o olhar de Ana… e arregala os olhos.
— Peter Moretti? Sério?
Ana tenta parecer casual.
— A gente está na aula de produção teatral.
Lory cruza os braços, desconfiada.
— Ele estava claramente flertando com você.
— Não estava — Ana rebateu rápido demais.
— Estava sim. Eu vi como ele olhou para você e como você olhou pra ele. Eu achava que a senhorita Ana Castro não queria um relacionamento no momento.
— Lory ele só disse Oi.
Lory entra na escola, Ana sorri.

Bella avista Lara encostada nos armários. Respira fundo antes de se aproximar.
— Lara… a gente pode conversar?
Lara fecha o armário devagar.
— Pode. Ainda temos alguns minutos antes da primeira aula.
Bella a observa com cuidado.
— Você está bem?
Lara dá de ombros.
— Eu vou ficar. A Marta e o Roberto estão cuidando de mim.
Bella franze a testa.
— Eles não são seus pais.
Lara sustenta o olhar dela.
— Não. Mas têm sido melhores do que os nossos.
Bella balança a cabeça, incomodada.
— Não fala assim. A gente tem ótimos pais.
— Você veio até aqui para defender eles? — Lara perguntou, já impaciente.
— Não! — Bella respondeu rápido. — Eu só queria saber como você está… e pedir para você voltar para casa. O nosso quarto não é o mesmo sem você. Está… vazio.
O olhar de Lara vacila por um segundo. Ela suspira.
— Bella, eu te amo. Você é minha irmã. Mas eu não vou voltar para aquela casa.
— Você odeia tanto assim eles?
— Não é isso…
— Então é o quê, Lara? Eles amam a gente.
Lara aperta os punhos. A respiração de Lara fica pesada. De repente, ela perde o controle e dá um soco forte no armário ao lado. O barulho ecoa pelo corredor.
Bella se assusta. Alguns alunos param para olhar.
— Pelo amor de Deus, Bella! — Lara explode, com os olhos marejados. — Você é muito ingênua. Abre os olhos! Eles sempre pensaram neles mesmos. Sempre usaram a gente, e você finge que não vê.
O corredor fica em silêncio constrangedor.
Lara pega a mochila e se afasta, ainda tremendo de raiva.
Bella fica parada, olhando para o amassado no armário. Depois percebe os alunos encarando.
O rosto dela queima de vergonha. Ela abaixa a cabeça e sai pelo corredor, tentando segurar as lágrimas.

Lory está sentada na sala de aula com Ana. As duas dividem o mesmo livro, mas Lory claramente não está prestando atenção.
A porta abre. Dani entra.
Ele passa pelo corredor entre as carteiras e se senta algumas fileiras atrás delas. Lory sente antes mesmo de olhar. Mesmo assim, olha.
Dani já está olhando para ela.
Os dois se encaram por alguns segundos longos demais. Lory desvia rápido e finge procurar algo na mochila.
Ana percebe tudo.
— Me tira uma dúvida… vocês ainda não conversaram depois do término?
Lory continua mexendo na mochila.
— Não tem nada para conversar, Ana.
— Eu sei. Mas vocês eram tão… perfeitos um para o outro. Se ele não te traiu nem nada, vocês podiam pelo menos tentar ser amigos.
Lory fecha o zíper com força.
— Não é tão simples assim.
Ana cruza os braços.
— Então me explica, porque até agora você não me disse por que ele terminou.
Lory fica em silêncio. Os olhos baixam devagar.
— Ele disse que me amava… — ela engole seco. — E eu não respondi.
Ana arregala os olhos.
— O quê? Ele terminou por causa disso? — ela fala mais alto do que deveria.
Lory cutuca o braço dela rapidamente.
— Fala baixo!
Alguns alunos olham. Ana abaixa o tom.
— Desculpa… mas, Lory… você gosta dele.
— Eu sei — ela respondeu, quase num sussurro. — Eu só… travei.
Lory, sem querer, olha para trás.
Dani está encarando as duas. O olhar não é exatamente de ódio — é mágoa. Orgulho ferido. Ele claramente percebe que estão falando dele.
O maxilar dele tensiona. Ele se levanta e sai da sala.
A porta bate mais forte do que o necessário.
Lory suspira, sentindo o peso daquilo no peito.
— Ótimo… — ela murmura.
Ana segura a mão dela por um segundo.
— Ele ainda gosta de você. Dá para ver.
Antes que Lory responda, Ana percebe alguém ao lado.
Peter está sentado na carteira ao lado delas, com um sorriso discreto.
— Estamos na mesma turma de matemática. Quem diria?
Ana se recompõe rápido.
— Eu nunca te vi aqui antes.
— Eu troquei alguns horários para encaixar as aulas de teatro.
Ana sorri, interessada.
— Falando nisso… a gente podia começar a preparar alguma coisa para o musical, se você quiser.
Ana olha para ele por um segundo a mais do que deveria.
— Claro eu topo.
Eles trocam um olhar leve, o sinal toca.
O professor Rogério entra na sala.

Bella está na pista de atletismo, alongando a perna apoiada na mureta. Ela parece concentrada, mas inquieta.
Adryan se aproxima, jogando a mochila no chão.
— Oi, Bella. Vai correr agora?
— Vou. Preciso descarregar a cabeça. E você?
— Também. Só estou esperando a Lara e a Ellie chegarem.
Bella para o alongamento por um segundo.
— Você tem visto a Lara com frequência?
— Quase todo dia. Por quê?
Bella hesita.
— Eu estou meio preocupada.
Adryan franze a testa.
— O que aconteceu?
— A gente estava conversando hoje… normal. Do nada ela se irritou e deu um soco no armário. Mas não foi fraco, não. Amassou a porta.
Adryan solta um suspiro curto.
— Bella… a Lara sempre foi meio explosiva.
— Eu sei. Mas não assim. Nunca desse jeito. E teve aquela vez que ela bateu naquela menina no Parque do Povo.
Adryan passa a mão na nuca, desconfortável.
— Eu lembro. Mas eu acho que foram situações isoladas. Na maior parte do tempo ela está tranquila. Deve ser a maconha — disse Adryan, sorrindo.
— Adryan, se você vai fazer piada, melhor nem começar.
— Ei, calma. Desculpa. — Ele levanta as mãos em rendição.
Bella respira fundo, mas ainda está tensa.
— Eu só queria ajudar.
— Eu sei. Mas, às vezes, ajudar não é lembrar a pessoa do que ela está tentando esquecer.
Bella engole seco.
— Eu tenho medo de ela perder o controle de novo.
— Então vai com calma. Não chega pressionando e sufocando ela.
— Eu não estou sufocando ela.
— Eu sei que você não faz por mal. Mas é assim que ela se sente quando você insiste em falar dos seus pais.
Bella trava.
— Ela te contou isso?
Adryan confirma com a cabeça.
O silêncio pesa por alguns segundos.
Bella olha para a pista, evitando encará-lo.
Bella fica em silêncio, absorvendo.
— Eu sinto que ela está piorando.
— Ela não está piorando. Só fica tranquila tá, ela está bem tenho certeza que as coisas vão melhorar e logo ela vai voltar para casa, Só precisa de espaço. E tempo.
— Espaço? Ela já está praticamente morando na casa da Ellie.
— E talvez isso seja o que ela precisa agora. — Ele olha direto para Bella. — Você também precisa deixar ela respirar um pouco.
Bella abaixa a cabeça, Adryan continua.
Vai qualquer dia lá na Ellie, fala com a Lara conversa com ela.
Bella sorri.
— Faz o seguinte: aquece comigo enquanto elas não chegam. A gente treina juntos hoje.
— Pode ser — Adryan respondeu.
 
Lory está sentada em um banco da praça do bairro, o livro aberto no colo. Ela finge concentração, mas passa a mesma página três vezes.
Ana surge do nada e joga um pequeno pacote de batatas fritas no colo dela.
Lory leva um susto e quase derruba o livro.
— Sua encomenda. Chiclete, refrigerante, sal e fio dental.
Lory se levanta para pegar melhor a sacola.
— Obrigada.
Ela começa a mexer na sacola.
— Não tinha o de menta?
— Acabou.
Lory faz uma careta leve.
— Sempre acaba o de menta.
Elas começam a andar pela praça.
Um silêncio curto.
Ana olha de lado.
— Ele não estava lá.
Lory demora um segundo.
— O quê?
— O Dani. Ele não estava no mercado. Caso você estivesse… sei lá… curiosa.
— Eu não estava.
— Tá. Só achei que você pudesse estar. Então achei justo avisar.
— Não estava — Lory insistiu.
Silêncio de novo.
Ana não se aguenta.
— Só pensei que você gostaria de saber, que o Dani não trabalha às quartas à tarde e você não precisa evitar o mercado.
Lory para de andar.
— Eu não estava evitando o mercado.
— Ah, não?
— Não. Você está inventando coisa.
— Estou, claro.
Lory respira fundo e volta a andar.
— E eu não estou evitando ninguém.
— Ok — disse Ana.
— Ok — disse Lory.
Ana muda de assunto.
— Então, o que você vai fazer hoje à noite?
— Lição de casa. Depois mais lição de casa. E, se sobrar tempo, mais lição de casa.
— E você?
— Lição de casa também. E aquele trabalho de ciências.
— Legal.
— Sim, super legal. Ciência é legal.
Lory fica em silêncio.
Ana observa.
— Você tem certeza de que ele não estava lá dentro?
Ana segura o sorriso.
— Perguntei para o Caio do caixa.
Lory tenta parecer indiferente.
— Ah.
Elas continuam andando pela calçada.
 
Em seguida, Lory está na casa de Ana.
— Eu já vou. Tenho um milhão de coisas para fazer ainda.
Lory ri, pega a mochila e abre a porta.
Peter está no portão.
Os olhos dela se arregalam por um segundo, depois surge um sorrisinho provocador.
— Olha só quem apareceu.
Ana surge atrás dela.
— Cala a boca.
As duas caminham até o portão.
Lory abre e passa por Peter.
— Tchau para vocês.
— Tchau — Peter respondeu
— Tchau, Lory — Ana também respondeu.
Ana se vira para Peter.
— Oi.
— Oi. Eu estava pelo bairro e resolvi passar aqui para falar sobre o musical.
— Ah, é? E como você sabia onde eu moro?
Ele dá de ombros, casual demais para quem claramente pensou nisso antes.
— Perguntei para uns amigos em comum.
— Amigos em comum?
— O Gabriel e a Paola, mais prometo que não foi nada assustador.
Ele ri.
Antes que ela responda, Olga aparece na porta.
— Filha, quem é o seu colega?
Ana se vira.
— Mãe, esse é o Peter. Ele veio falar sobre o musical da escola.
Olga sorri educadamente.
— Então não deixem o menino no portão. Convida ele para entrar.
Ana abre mais o portão. Ele entra.
— Quer café? — Ana perguntou.
— Não, obrigado. Eu não bebo cafeína.
Eles entram na sala Ana fecha a porta.
 
Lara chega na pista ajeitando o elástico no cabelo. Quando vê Bella parada perto da arquibancada, ela diminui o passo.
Ela respira fundo antes de se aproximar.
— Bella… que bom que você está aqui.
Bella se vira. Por um segundo, fica tensa, mas relaxa ao ver a expressão da Lara.
— Oi.
Lara enfia as mãos no bolso do moletom.
— Eu queria te pedir desculpa pelo que aconteceu hoje cedo. Eu não queria te assustar.
— Eu sei. Só… eu não quero mais brigar com você.
Lara balança a cabeça.
— Nem eu.
Adryan se aproxima.
— Nossa, que momento fofo. Estou até com medo de atrapalhar.
Bella revira os olhos.
— Você sempre atrapalha.
— Faz parte do meu charme.
Ele olha ao redor.
— Mas cadê a Ellie?
Lara solta um suspiro.
— Está vindo. Disse que precisava terminar uma trança no cabelo.
Adryan revira os olhos dramaticamente.
— Claro. Porque nada é mais urgente antes do treino do que uma trança perfeita.
Bella ri de leve, o clima finalmente ficando mais leve.
Ela olha para Lara outra vez, agora com um sorriso sincero.
— Ei… quer tomar café comigo amanhã? No Luca’s antes da aula?
Lara ergue as sobrancelhas, surpresa, mas feliz.
Bella empurra o ombro dela.
— Eu aceito.
— Depois eu te mando mensagem para combinar o horário.
— Fechado.
Adryan olha para as duas.
— Eu amo quando as coisas se resolvem sem drama. Minha paz de espírito agradece.
Lara encara ele.
— Ninguém pediu sua opinião.
— Eu sei, mas eu entrego mesmo assim.
Bella dá uma risadinha.
Lara olha para a pista, respirando mais leve do que quando chegou.
 
Na sala da casa de Ana, uma música toca em seu celular. Ela observa a reação de Peter mais do que a própria música.
A canção termina.
— Então… o que você acha? — ela perguntou.
Peter fica alguns segundos em silêncio. Ele se levanta devagar, pega o casaco e caminha até perto da porta, pensativo.
— É boa. De verdade. No ano passado eu estava exatamente assim… por causa do meu pai.
Ana abaixa um pouco o celular.
— Sério?
— É. Estávamos numa fase complicada. Mas agora ele está fazendo tratamento, e as coisas estão melhorando.
Ana assente, entendendo mais do que demonstra.
— Eu te entendo, foi assim… com meu irmão. E com meu pai. Aquela coisa de garoto adolescente com raiva do mundo. Hormônios, drama…
Peter dá um sorriso.
— Sim, então temos o nosso musical.
Ana olha confusa.
— Nosso... Nosso musical. Sim temos nosso musical. A gente pega essas histórias, essas coisas reais… e transforma em roteiro.
Ana começa a se animar.
— Você acha que eles vão aceitar uma coisa mais… pessoal?
— Talvez. — Ele muda de assunto. — E você acha que sua mãe percebeu por que você escolheu justamente músicas românticas para me mostrar?
Ana cruza os braços, fingindo segurança.
— Você vê o que quer ver.
Peter sustenta o olhar dela.
— Eu sei muito bem o que eu quero ver, Ana. — Ele sorri de leve. — E estou vendo agora.
O coração dela dispara. Ela tenta manter a postura, mas o sorriso sai, tímido.
— Você é convencido.
— Só quando eu tenho motivo.
Ele respira fundo.
— Você acha que sua mãe se importaria se você fosse lá em casa qualquer dia para a gente escrever o musical? Eu só estou perguntando por que minha mãe e meus irmãos estão no Canadá… e meu pai vive viajando. Eu fico sozinho quase o tempo todo.
Ana fica surpresa com a sinceridade repentina. O sorriso dela diminui um pouco.
Ela olha para o relógio na parede.
— Está ficando tarde, Peter. Você precisa ir agora. Boa noite.
Ele abre o portão. Antes de sair, olha para trás uma última vez. Ela ainda está ali, parada
Ele sorri.
Peter sai e Ana fecha o portão por dentro e encosta a testa no metal por um segundo.
Ela suspira.
E então deixa escapar um sorriso que ela tentou segurar o tempo todo.
 
No dia seguinte, na sala de drama, Ana e Peter estão de pé na frente da turma.
— A maioria das músicas que a gente escuta fala de coisas reais… coisas que os cantores viveram. Amor, briga, família, insegurança.
Ela olha rapidamente para Peter, Peter continua:
— Então a Ana pensou… e se o nosso musical fosse assim também? Em vez de pegar uma história pronta, a gente cria uma. Tipo transformar as nossas próprias experiências no enredo. Resumindo: seria uma ópera rock escrita e produzida por nós.
Alguns alunos se entreolham, curiosos.
— Não precisa ser nada antigo ou parado. Pode ser atual, intenso… do nosso jeito.
O professor se levanta da cadeira, visivelmente animado, e se aproxima deles.
— Pessoal, isso é incrível. Um musical original, inovador, contando as histórias de vocês, com a linguagem de vocês. — Ele abre um sorriso largo. — Acho que encontramos o nosso show.
A sala explode em aplausos e comentários animados.
Ana olha para Peter, os olhos brilhando. Ele sorri de volta, satisfeito.
Os dois voltam para seus lugares.
O professor continua:
— Agora precisamos definir as funções. Os produtores do projeto serão… Ana e Peter. Parabéns aos dois.
Alguns colegas assobiam, outros batem palmas de novo.
Ana dá um sorriso orgulhoso.
— Para o restante da turma, escrevam as três funções que mais interessam a vocês e me enviem até o fim da aula…
Enquanto o professor fala, Ana, ainda animada, encosta de leve o pé no de Peter.
Um toque discreto.
Ele olha para ela por um segundo.
O sorriso dele desaparece. Ele fica sério e afasta o pé devagar, como se nada tivesse acontecido.
Ana percebe.
Ela fica imóvel por um instante, depois revira os olhos e finge prestar atenção no professor.
 
Mais tarde, Ana e Lory estão sentadas em um banco na frente da escola, cada uma com um copo de café nas mãos.
Ana está claramente indignada.
— Ele estava claramente flertando comigo ontem à noite. Claramente. E hoje age como se nada tivesse acontecido.
Lory dá um gole no café, observando-a com um sorriso divertido.
— Hum… então você está mesmo a fim do senhor “quente e frio”.
Ana franze a testa.
— Senhor o quê?
— Quente e frio. Ontem todo intenso, hoje distante. Estratégia clássica.
Ana encara a amiga.
— Eu preciso muito que você traduza isso para o português normal.
Lory ri.
— Significa que ele pode estar tentando parecer misterioso. Ou resumindo se fazendo de difícil.
Ana balança a cabeça, frustrada.
— Só me responde uma coisa Ana.
Lory se inclina um pouco mais perto.
— Ele faz seu coração bater mais rápido?
Ana automaticamente abaixa o olhar para o copo de café. Ela fica em silêncio por alguns segundos, mexendo na tampa do copo.
 
Lara está sentada no Luca’s, mexendo distraída no açúcar do café. Ela olha o celular, impaciente. A porta abre. Bella entra.
Com Eduardo.
Lara fecha os olhos na mesma hora, como se já soubesse que algo assim ia acontecer.
— Eu devia ter imaginado.
Ela se levanta rápido, pega a mochila e começa a ir em direção à saída.
Bella arregala os olhos.
— Lara! Onde você vai?
Lara não responde. Empurra a porta e sai.
Bella corre atrás dela.
— Lara, espera!
Lara para no meio da calçada e se vira bruscamente.
— Você está brincando com a minha cara?
Bella dá um passo para trás, assustada com o tom.
— Não, eu só… eu achei que...
— Você achou o quê? Que trazer ele escondido ia resolver tudo?
— Eu só queria que vocês conversassem! — Bella respondeu, nervosa. — Para ver se dá para voltar a ser como antes.
Lara ri sem humor.
— Como antes?
Ela se aproxima um pouco mais, indignada.
— Bella, você acha mesmo que eu era feliz naquela casa?
Bella fica em silêncio.
— Você quer ser atleta. Você aguenta pressão. Aguenta cobrança. Aguenta grito. Ótimo. Eu não aguento mais. Eu vivia com medo de errar. De não ser boa o suficiente. De decepcionar ele o tempo todo.
— Lara, por favor… — Bella tenta tocar no braço dela, mas Lara se afasta.
— Eu só quero que vocês se entendam.
Isso parece piorar tudo.
— E o que eu quero? — Lara explode. — Não importa? Eu já falei mil vezes que eu não quero me entender com ele. Quantas vezes eu preciso repetir?
— Ele é seu pai…
— Sim, infelizmente é. — Lara respira fundo, tremendo de raiva. — Mas isso não faz dele um pai bom.
Ela olha direto para Bella.
— O Roberto me escuta. Ele não grita comigo. Ele não me trata como um projeto. Ele é muito mais pai do que o Eduardo já foi.
Bella sente o impacto daquelas palavras.
— Lara…
— Eu não vou voltar. Não agora. Talvez nunca.
Lara se vira e começa a andar rápido pela calçada.
— Lara, por favor! — Bella gritou, já com os olhos cheios de lágrimas.
Eduardo sai do café e se aproxima das duas.
Ele envolve Bella em um abraço quando ela começa a chorar.
— Calma, filha… vamos dar um tempo para ela.
Bella soluça.
— Pai, ela precisa voltar para casa…
Ele segura o rosto dela com cuidado.
— Eu não posso obrigá-la. E ela está bem na casa do Roberto. Ele sempre me manda notícias dela.
Bella limpa as lágrimas.
— Mas e se ela nunca voltar?
Eduardo suspira, tentando parecer mais forte do que está.
— Então a gente espera. E tenta fazer melhor quando ela estiver pronta.
Bella olha na direção em que Lara foi embora. Mas Lara já sumiu da vista.
 
Dentro da escola, Ana está no armário organizando os livros quando ouve passos se aproximando.
— Ana.
Ela reconhece a voz. Fecha o armário com mais força do que precisava, se vira… e começa a andar pelo corredor.
— Ei, espera. Eu só quero conversar — Peter acelera o passo para alcançá-la.
— Conversar? — ela ri de lado, sem parar. — São 15h30. Não é o horário em que você costuma dizer algo misterioso e ir embora?
— Isso é por causa de hoje de manhã?
— Não aconteceu nada hoje de manhã. Meu pé só teve um espasmo.
Peter segura de leve o braço dela, fazendo Ana parar. Não é agressivo, é mais um pedido silencioso.
— Para com isso, Ana. — Ele suspira. — Eu te acho inteligente, engraçada… e muito bonita. Mas parece que você decidiu que não quer nada comigo. Então, se for isso, eu te deixo em paz.
Ela fica em silêncio por alguns segundos. O corredor está barulhento, mas entre os dois parece que tudo ficou mais quieto.
Ana fica em silêncio, Peter continua.
— Escute, por que você não vai em casa hoje a noite? Temos uma sala de música grande, vamos nos concentrar no musical.
Ana sorri
— Como amigos, certo?
— Amigos. Colegas. Parceiros de palco. Você escolhe o nome.
— Claro, somos pessoas maduras, não há motivo para não ficarmos sozinhos em uma sala — Ana falou, sorrindo.
 
Mais tarde, na casa de Paola, ela e Dani estão sentados lado a lado na mesa da sala, cercados por folhas e o livro de ciências aberto.
O silêncio é quase desconfortável. Só se ouve o som das canetas.
Paola para de escrever. Levanta a cabeça devagar e observa Dani, que está concentrado.
— Posso te fazer uma pergunta bem pessoal?
Dani nem olha para ela.
— Pode perguntar. Talvez eu não responda.
Paola apoia o queixo na mão.
— Você acha que você e a Lory vão voltar algum dia?
A caneta de Dani para no meio da frase.
Ele respira fundo.
— Que tal a gente voltar para o trabalho?
— Dani…
— Paola.
Ela revira os olhos.
— Eu só estou dizendo que vocês dois ainda...
De repente Lory aparece. O olhar dela muda na mesma hora.
— Eu devia ter ligado antes… Desculpa.
Ela se vira e começa a se afastar
— Lory! — Paola sai atrás dela.
Lory para, mas não se vira de imediato.
— Desculpa por não ter te contado que ele estava aqui. Eu achei que você não vinha hoje.
Lory finalmente olha para ela.
— Tudo bem. Você não sabia.
O “tudo bem” soa menos convincente do que ela gostaria.
— A gente já está terminando o trabalho. Espera no meu quarto. Depois a gente sai, dá uma volta, sei lá.
O telefone de Lory toca, ela olha é Lorena, Lory não atende.
— Pode ser… mas eu não posso voltar muito tarde hoje. Tenho umas coisas para resolver em casa.
— Ótimo. Não vai demorar.
Lory força um sorriso.
— Ok.
Paola observa o rosto dela por um segundo a mais.
— Vai lá para o meu quarto. Eu já vou.
As duas entram.
 
Mais tarde, Lory e Paola estão sentadas em uma sorveteria, cada uma com um pote quase intacto na frente, claramente estão mais interessadas na conversa do que no sorvete.
Paola olha para o celular e suspira.
— Eu chamei a Nina para vir, mas ela disse que já tinha combinado de sair com o Rodrigo.
Lory revira os olhos na mesma hora.
— Eu não gosto desse menino.
— Nem eu. Ele claramente está brincando com ela. E a Nina toda iludida, achando que é diferente.
— Você já falou isso para ela?
— Já. Várias vezes. — Paola dá de ombros. — Mas quando a pessoa não quer ouvir, não tem muito o que fazer.
Lory mexe o sorvete com a colher, pensativa.
— Por que essas coisas de romance têm que ser tão complicadas? — Ela suspira. — Quer dizer… nem todos são assim. Você e o Biel, por exemplo.
Paola sorri de leve.
— Você acha que não é complicado para a gente?
Lory ergue as sobrancelhas.
— Vocês parecem tão… resolvidos.
Paola ri.
— A gente começou a namorar com 14 anos, Lory. Não fazíamos ideia do que estávamos fazendo. Foi tudo na tentativa e erro.
— E nunca deu errado?
— Já deu. Já brigamos por besteira, já tivemos crise de ciúmes, já ficamos dias sem nos falar. Mas a gente foi aprendendo junto. Crescendo junto.
Lory observa, com um olhar meio distante.
— Isso é bonito. Um relacionamento assim… que vai ficando mais forte com o tempo.
O sorriso dela vai diminuindo aos poucos.
Ela abaixa a cabeça e começa a apertar a colher entre os dedos.
Paola percebe a mudança.
— Você vai ficar bem, Lory. Sabe o que eu acho? O Dani vai perceber a burrada que fez. Ele vai sentir sua falta e vai querer voltar.
Lory levanta o olhar.
— Você acha?
— Acho. — Paola dá um sorriso confiante. — E, quando isso acontecer, você vai decidir se ele merece uma segunda chance.
Lory deixa escapar um sorriso pequeno, mas verdadeiro.
 
Enquanto isso, Ana entra na cozinha ajeitando a bolsa no ombro. Olga está encostada na pia, mexendo em uma panela.
— Ana, quer comer alguma coisa antes de sair?
— Não, mãe.
Ela pega um copo e bebe um pouco de água, tentando parecer normal.
— Ah… minha ideia e a do Peter para o musical foi escolhida.
Olga se vira na hora, animada.
— Sério? Filha, isso é maravilhoso!
Ana tenta segurar o sorriso, mas não consegue.
— Pois é. A gente vai produzir o musical.
— Eu sabia que você ia conseguir.
Ana sorri, fingindo tranquilidade.
— A gente vai se encontrar agora para começar a organizar as ideias.
Olga apoia as mãos na bancada.
— Quem mais vai estar lá?
Ana já esperava a pergunta.
— Só nós dois. Somos os produtores.
Olga observa a filha por alguns segundos a mais do que o normal.
Pequeno silêncio.
— Tudo bem. Mas não volta tarde. E me manda mensagem.
— Beleza, mãe. Eu te ligo quando estiver voltando.
Olga se aproxima e ajeita uma mecha do cabelo de Ana.
— Você está linda.
Ana revira os olhos, mas sorri.
— É só um ensaio.
— Claro.
Olga dá um beijo no rosto dela.
— Se cuida.
— Tchau, mãe.
— Tchau, filha.
Ana sai pela porta tentando manter a postura calma.
 
Lory chega em casa mais quieta do que o normal.
Lorena está deitada no sofá, mexendo no celular. Quando vê a filha, se senta na mesma hora.
— Oi, filha.
Lory para por um segundo… e então atravessa a sala rápido.
— Mãe!
Ela a abraça forte, quase como se estivesse segurando algo dentro dela.
Lorena estranha, mas retribui.
— Ei… o que aconteceu? Está tudo bem?
Lory se afasta um pouco, passando a mão pelo rosto.
— Me desculpa.
— Pelo quê?
— Por tudo... Por ter sumido hoje. Por estar estranha esses dias.
Lorena segura o rosto da filha com carinho.
— Querida, respira primeiro.
Lory tenta puxar o ar, mas os olhos já estão marejados.
— Eu não sei o que deu em mim. Eu só… cansei. Queria fugir. Ir para qualquer lugar que não fosse aqui.
Lorena faz que sim com a cabeça.
— Eu respeito isso. A vontade de fugir é um sentimento que eu conheço muito bem.
Ela segura os ombros da filha com firmeza, mas com suavidade.
— Mas a gente precisa conversar. Sempre. Não importa o quanto esteja brava ou confusa. A nossa relação só funciona se a gente combinar isso. Pode ser?
Lory assente.
— Pode.
Ela limpa o rosto rapidamente.
— Agora eu vou tomar um banho e comer alguma coisa antes de estudar.
— Ótimo. — Lorena observa a filha com atenção. — Mas antes… me conta o que aconteceu entre você e o Dani.
Lory desvia o olhar.
— Eu não quero falar sobre isso.
— Eu quero.
Lory suspira.
— Por quê?
Lorena hesita por um segundo.
— Porque eu tive uma conversinha com ele hoje.
Lory olha para a mãe, surpresa.
— O quê?
— Eu estava preocupada com você. Fui até a casa dele perguntar se ele sabia onde você estava.
Lory arregala os olhos.
— Mãe!
— Calma. Eu só perguntei. Ele disse que você estava na casa da Paola, então eu fiquei mais tranquila. Mas, quando eu estava indo embora… eu não sei. De repente comecei a dizer que você é uma garota incrível e que foi horrível ele ter terminado com você.
Lory fecha os olhos, envergonhada.
— Mãe…
— E então ele disse que tinha te falado que te amava.
Silêncio.
— Ele me disse, sim — Lory admite, baixinho.
— E você… não respondeu?
Lory balança a cabeça.
— Não.
Lorena observa a filha com mais cuidado agora.
— Isso deve ter sido difícil para ele.
— Eu sei.
A voz de Lory falha.
— Ele parecia tão magoado. Eu não queria machucar ele. Eu só… travei — Ela senta no braço do sofá — Foi como se minha cabeça tivesse desligado. Eu fiquei parada lá, olhando para ele, sem conseguir dizer nada.
Lorena se senta ao lado dela.
— Está tudo bem ter medo.
Lory olha para a mãe.
— Amar alguém dá medo. Muito. — Lorena sorri de leve. — Mas também é uma das coisas mais maravilhosas que existem. — Ela segura a mão da filha. — Se você nunca tentar dizer o que sente, nunca vai viver isso de verdade. E eu quero que você viva. Quero que experimente tudo de bom que existe dentro de você, porque você é incrível. Eu não estou dizendo que você precisa sair por aí dizendo “eu te amo” a qualquer momento — Lorena continua. — Isso tem que ser verdadeiro, pensado, sentido. Mas um dia… com alguém… vai ser certo.
Ela toca o coração da filha de leve.
— E eu quero que você esteja pronta quando esse momento chegar.
Lory respira fundo.
Um sorriso pequeno, mas sincero, aparece.
— Obrigada, mãe.
Lorena beija a testa dela.
— Agora vai tomar seu banho antes que eu comece a chorar também.
Lory ri baixinho.
E, pela primeira vez em dias, o peso no peito parece um pouco menor.
 
Peter caminha pelo corredor amplo da casa enquanto Ana observa tudo com curiosidade.
— E aqui é o resto da casa — ele disse, apontando para uma parede cheia de quadros. — Austrália, Tanzânia, Irlanda… Aqui sou eu com 13 anos alimentando girafas.
Ana se aproxima das fotos.
— Você realmente teve uma infância de documentário.
Ele ri.
— Nem tanto.
Ana cruza os braços, pensativa.
— Deve ser incrível viajar assim. Conhecer o mundo todo.
Ela dá um sorriso.
— Com 13 anos eu estava no meu quarto tentando aprender a passar delineador sem parecer um panda.
Peter olha para ela, confuso.
— Por que você fala como se não fosse bonita? Isso é estranho.
Ela desvia o olhar, sorrindo sem querer.
— Falando em estranho… já estamos aqui há duas horas e ainda não fizemos absolutamente nada do musical.
— Verdade.
Ele aponta para o corredor.
— A gente pode ir para o meu quarto. Tem um teclado lá.
Ana ergue uma sobrancelha.
— Você não é nada sutil.
Peter sorri de lado.
— Você gosta de flertar, né? — Ana perguntou.
— Flertar não significa nada. Você pode flertar com várias pessoas e não precisa significar nada.
— Então por que estamos nessa casa grande e vazia e não na escola?
— Porque… — ele se aproxima mais um passo — daqui a cinco segundos eu vou te beijar.
Ana sente o coração acelerar.
Ele levanta a mão devagar e toca o rosto dela com cuidado, dando espaço para ela se afastar se quisesse.
— Cinco…
Ela não se mexe.
— Quatro…
O olhar dela desce para a boca dele por um segundo.
— Três…
Ana segura a camisa dele e o puxa antes que ele termine a contagem.
O beijo começa intenso, mas não apressado, mais curioso do que impulsivo. Como se os dois estivessem confirmando algo que já sabiam.
 
Na manhã seguinte na escola, Bella está parada em frente ao armário, organizando os livros.
Adryan passa pelo corredor. Ele a vê, hesita… continua andando.
Dois passos depois, para.
Suspira.
Volta.
— Bella… bom dia.
Ela não olha para ele.
— A Lara me contou sobre ontem.
Bella fecha o armário.
— Ótimo. Então você já sabe que eu sou a vilã da história.
— Eu não disse isso.
— Nem precisa.
Ela finalmente olha para ele.
— Sabe qual foi o meu erro, Adryan? Ter desabafado com você. A gente nem é amigo.
Ele mantém a calma.
— Eu sou amigo da Lara. E me importo com ela.
— Eu sou irmã dela. — Bella cruza os braços. — E eu sei o que é melhor para ela. Se ela não consegue enxergar o problema, isso é culpa dela.
Adryan respira fundo.
— Eu não vou discutir com você.
Ela parece quase decepcionada por ele não reagir.
— Só vou dizer uma coisa — ele continua. — Eu respeito a decisão da Lara. Seja qual for. E vou continuar respeitando.
Ele dá um passo para sair.
Bella fala antes que ele vá.
— Ela tem 16 anos, Adryan. Dezesseis. Não importa o que ela quer agora. Ela vai voltar para casa e vai seguir as regras do meu pai. E nem você nem ninguém vai impedir isso.
Adryan sai sem dizer nada.
 
Ana e Lory estão sentadas no banco em frente à escola.
— Meu conselho? Não continua com isso. Antes que você se envolva de verdade e acabe se machucando.
Ana vira o rosto para ela.
— Por que eu me machucaria?
Lory inclina a cabeça, como se a resposta fosse óbvia.
— Porque ele é o Peter Moretti, Ana. Você sabe o histórico dele. Quando ele enjoa de alguém, acabou. Ele simplesmente segue em frente como se nada tivesse acontecido.
Ana passa a mão pelo próprio braço, inquieta.
— Meu estômago está estranho. Tipo… não sei explicar.
Ana encara o chão.
— Isso é normal, só não leva isso adiante.
Antes que Ana responda, Peter se aproxima, mochila jogada de qualquer jeito em um ombro.
— Bom dia, meninas.
Lory olha para ele e depois para Ana.
— Bom dia, Peter. — Ela lança um olhar discreto para a amiga. — Vou deixar vocês a sós.
Peter se aproxima um pouco mais.
— Então… está pronta para fazer o dever de casa hoje à noite?
Ana hesita por meio segundo. As palavras da Lory ecoam na cabeça dela.
Ela força um sorriso confiante.
— Ah… oi. Sim. Claro. Com certeza.

Sinopse do Próximo Capítulo – Procurando Meu Lugar
Zara teme que ninguém a aceite. Nicole e Ana se surpreendem durante um trabalho escolar ao criarem uma conexão profunda. Mas quando Nicole descobre que elas compartilham o mesmo gosto por garotos, será que ela escolherá a amiga em vez de Peter? Sara se pergunta se está se afundando demais na própria tristeza.
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Atualizado em: Seg 27 Abr 2026

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