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Grasso: Depois da Formatura! (3)

Parte 3
Esse Capítulo não é recomendado para menores de 14 anos.
Na rodovia, José, Felipe e Magrão conversam
— Cara, esse carro é uma fera! Ele é quem vai me levar para longe dessa cidade. Liberdade! — Felipe exclamou, sentindo o cheiro da liberdade.
Magrão, encostado na parede, suspirou, um misto de excitação e melancolia no rosto.
— É, mal posso esperar para sair daqui também — disse Magrão.
— Pô, vocês dois vão embora? — perguntou José, a voz ligeiramente aguda.
— Não fique chateado. Você ainda tem a Esperança... — disse Magrão.
José cortou-o com um riso seco e amargo, balançando a cabeça.
— Não, Magrão. Eu não tenho mais — respondeu José, para fora do veículo.
Felipe, sempre o observador das desgraças alheias, interveio com um tom casual, como se comentasse o tempo.
— Eles brigaram e ela largou ele.
José estufou o peito, um sorriso surgindo nos lábios.
— Mais ainda tenho a Katia. Isso é o que importa, ainda mais agora que estamos transado — disse José, a voz carregada de uma satisfação superficial, tentando provar algo a si mesmo.
Magrão franziu a testa, indignaado.
— Você mal saiu de uma cama e já está pulando em outra? Nossa, típico do José
Felipe não conseguiu conter a risada.
— E agora o placar está: José 2, Magrão 0 — declarou Felipe, divertindo-se com a discórdia.
José riu, um som vitorioso.
Magrão, porém, não estava para brincadeiras. Ele se recompôs, a expressão séria, buscando um ponto fraco.
— Não ria, José. A Katia está indo para a universidade. Ela vai para longe em breve.
O sorriso de José vacilou, a alegria anterior evaporando como orvalho sob o sol.
— Eu espero que não... Eu amo aquela garota.
No sítio da família de Sandro, em Porto Epitácio, a diversão está a mil. Valéria filma tudo com sua câmera, capturando os momentos.
Felipe sai do carro, com um sorriso.
— Eu disse que meu carro nos trazia até aqui! — ele exalta, olhando para os amigos.
Toda a antiga turma da Grasso está lá, e os três os cumprimentam animados, relembrando os velhos tempos. José, porém, está em busca de Katia. Quando ela o vê, seu rosto ilumina-se e ela corre até ele.
— José!
— Katia! — ele respondeu.
— Temos que conversar — Katia falou, o tom mudando para algo mais sério.
José sente o coração acelerar e fica sério.
— Vem, vamos conversar — ela falou, guiando-a para dentro da casa.
Os dois entram em um quarto, longe da agitação. Valéria os observa.
— Olhe — disse Katia, estendendo a mão e mostrando o anel em seu dedo — veja em qual mão está.
José segura a mão dela, surpreso e intrigado.
— Estamos noivos?
Katia confirma com a cabeça, um sorriso largo se formando em seu rosto.
— Estamos noivos.
Eles se beijam, um momento doce e cheio de promessas.
— E também decidi ficar na universidade daqui — Katia disse, sua voz cheia de entusiasmo.
José sorri, a felicidade transbordando.
— Katia, isso é ótimo! Eu pensei que você estaria brava comigo.
— Por que eu estaria? Você fez alguma coisa errada? — ela perguntou.
— Não, claro que não.
— Eu sei que não, José.
Eles se beijam novamente, a conexão entre eles mais forte do que nunca.
Enquanto isso. Esperança caminha nervosamente por uma rua, segurando um papel amassado nas mãos enquanto observa os números das casas. Finalmente, ela encontra o local que procura e toca a campainha, seu coração acelerando.
Uma mulher atende à porta, com um olhar sério.
— Oi, sou Esperança Costa, tenho uma hora marcada — ela falou, tentando manter a voz firme.
A mulher abre a porta um pouco mais, permitindo que Esperança entre.
— Pode entrar. Você já fez isso antes ou é a primeira vez? — perguntou a mulher, avaliando-a.
— Não é a primeira vez — Esperança respondeu, a voz levemente trêmula, revelando a ansiedade.
— Tudo bem. A Dona Paula já vai te atender e explicar tudo, mas atenção: você não pode contar a ninguém sobre esse local, está bem? — avisa a mulher, com um tom firme, mas gentil.
— Tudo bem, não vou falar. Só quero acabar com isso logo.
Ela desvia o olhar, tentando esconder a vulnerabilidade.
No sítio, o pessoal se divertem. José e Katia saem do quarto, irradiando felicidade.
— Senhoras e senhores, gostaria de apresentar a vocês minha noiva! — José falou, com um sorriso radiante.
Valéria observa com um sorriso irônico.
— Senhora Ferreira — ela comenta, a ironia evidente, fazendo Katia levantar uma sobrancelha em resposta.
Magrão se aproxima, estendendo a mão para José.
— Parabéns, cara!
— Valeu! — José respondeu, apertando a mão dele.
— Obrigada, Magrão! — Katia acrescentou, sorrindo.
José se volta para Katia, envolvendo a cintura dela com as mãos.
— E agora não me falta mais nada — disse ele, olhando nos olhos dela antes de se beijarem.
Valéria observa a cena com um semblante sério. Nesse momento, Felipe entra na sala com uma garrafa de cerveja.
José olha para Magrão.
— Magrão, sei que você não sabe muito sobre garotas, então vou te ensinar umas coisas.
— Vai começar... — Magrão respondeu, se afastando.
José, vai atrás dele e segura seu braço.
— Espera aí, cara! Eu sei que você não tem experiência com elas.
Magrão puxa o braço com força, visivelmente irritado.
— Já chega!
— Não precisa ficar com ciúmes só porque você não tem uma namorada — José provoca.
Magrão para, virando-se com um olhar desafiador.
— Cala a boca, José! Se você não ficar quieto, tenho algumas coisas bem interessantes para dizer.
Felipe se aproxima, percebendo a escalada da tensão.
— Ei, ei, calma aí, Magrão.
Katia olha confusa:
— O que ele está dizendo?
— Não é nada, Katia. Vamos lá para fora — José respondeu, lançando um olhar sério para Magrão.
José e Katia saem.
— Ele só estava brincando, cara — Felipe tenta intervir.
— Estou cansado desse idiota me enchendo o saco!
— Relaxa, cara.
— Ele acha que tem tudo! Droga de verão!
— Para de reclamar, Magrão. Você acha que sua vida tá ruim? Você vai para a faculdade, tem seus pais vivos, mora em uma ótima casa.
— Você não sabe como me sinto, cara!
— Ah, que dó de você, Magrão. Filhinho da mamãe!
Magrão se irrita, ainda mais.
— E você é muito maduro, Felipe! Passou o verão inteiro bebendo e consertando seu carro!
— Você não vai me falar do meu carro de novo, vai?
— Não sei por que você tem tanto orgulho dele! Eu morreria de vergonha dirigindo aquela lata velha!
Felipe, sem pensar, empurra Magrão.
— Você é um verdadeiro babaca às vezes! — ele falou, a frustração transbordando. — E você fala demais!
Magrão revida, empurrando Felipe de volta.
— Eu falo demais? — ele perguntou, indignado.
Os dois se agarram, a tensão explode em uma briga, enquanto Sandro e Valéria correm para separá-los.
— Se vocês querem brigar, façam isso lá fora, longe da casa! — Sandro ordena, o tom firme.
Valéria, preocupada, intervém.
— Calma, gente! Por favor, ninguém vai brigar. Felipe, que tal irmos buscar mais sorvete no seu carro? Vem comigo!
— Beleza, vamos! — Felipe respondeu, enquanto sai da casa.
— Vou pegar minha bolsa — Valéria falou, indo para o quarto.
Sandro observa Magrão, que se senta, a raiva ainda pulsando.
— Qual é o seu problema, cara?
— Estou de saco cheio desses caras!
Valéria retorna e fala com Sandro, a preocupação no olhar.
— Acalma o Magrão — ela falou, a voz suave, tentando apaziguar a situação.
Ela sai da casa.
Felipe espera ao lado do carro, bebendo cerveja, enquanto Valéria se aproxima.
— O que foi aquilo lá dentro? — ela perguntou.
— Eu não sei, o cara é um idiota imaturo — Felipe respondeu, entrando no carro. — Ele reclamou o verão inteiro. Ele ganhou tudo de graça, e eu tive que ralar para ter o que tenho.
— Vocês precisam se entender. O verão está acabando, e ele vai para a faculdade, ficando quatro anos fora.
Felipe liga o motor e sai rapidamente.
Enquanto isso, a galera se diverte jogando vôlei. Maria e Vitor conversam perto da rede.
— Maria, eu já estou cansado de ir em feiras de casamento, só isso — Vitor desabafou.
— Você não quer mais se casar comigo? — Maria perguntou.
— Não foi isso que eu disse! Eu só estou cansado de ficar sentado, fingindo animação com um monte de gente!
Maria balança a cabeça, magoada, e se afasta bruscamente.
Day e Sara entram em uma canoa no Rio Paraná e começam a tremer com o balanço. Day entrega uma cerveja para Sara.
José e Katia estão abraçados.
— Vou pegar uma cerveja — desse José.
Ele entra na casa e encontra Magrão sentado.
— Qual é o seu problema, cara? Você quase estragou tudo! Nunca mais faça uma coisa dessas — José falou, pegando duas garrafas de cerveja na geladeira — Quando é que você vai relaxar e levar tudo na esportiva?
— Isso não é piada para mim, José — Magrão respondeu, a voz baixa. — Você faz as coisas sem se importar com as pessoas. Quão legal e honesto você foi neste verão?
Katia entra na sala, mas Magrão não a vê imediatamente.
— Eu vou lá para fora — José tenta se afastar.
— Não, você vai me ouvir! — Magrão o segura pelos ombros com força. — Você passou o verão todo namorando a Katia, e aí vai lá e transa com a Esperança! Nossa, que ótimo namorado você é! Uma salva de palmas! — Magrão começa a aplaudir ironicamente.
Magrão se vira e congela ao ver Katia, que o encara com uma expressão séria e chocada. José percebe a presença dela. Magrão, sem dizer mais nada, sai da casa.
— Katia... — José tenta, a voz falhando.
— Esperança Costa? — ela pergunta, a voz fria como gelo.
— Katia, eu...
— Você transou com a Esperança Costa?
— Não.
— Não minta para mim, José! Você Transou com ela, *****! — Katia gritou.
José fica em silêncio por longos segundos.
— Aconteceu. Não significou nada.
Katia revira os olhos.
— Não significou nada? Então você não era virgem, José?
José fica em silêncio novamente.
— Por quê? — ela questionou, as lágrimas começando a surgir.
— Você estava sempre ocupada. Ela veio atrás de mim, eu nunca fui atrás dela.
— Mas você não disse não! Há quanto tempo isso está acontecendo?
— Foi só durante o verão, beleza?
Eles se encaram em um silêncio pesado.
— Eu ia ficar aqui por você, José. Eu estava fazendo todos os meus planos em torno de você.
— Katia, a gente pode deixar isso para trás, superar isso e...
— Acabou, José — Katia falou, tirando o anel do dedo e jogando-o no chão. Ela entra em um quarto e tranca a porta.
— Katia, por favor, vamos conversar, me deixe explicar!
Katia se joga na cama, soluçando.
Enquanto isso, Magrão está sentado à beira do lago, processando a briga anterior, quando percebe Day e Sara na canoa. De repente, a canoa vira jogando as duas na água. Day consegue se agarrar à canoa virada, mas Sara começa a afundar rapidamente.
— Socorro! Socorro! — Day grita, o pânico tomando conta.
Devido à música alta, Magrão é o único que percebe o perigo. Ele não hesita, acionando suas habilidades de salva-vidas, e mergulha no rio. Kaio e Vini, um pouco mais distantes, também percebem o tumulto e pulam na água logo em seguida.
Sara afunda, desaparecendo sob a superfície. Magrão mantém a calma, nadando com precisão até encontrá-la submersa. Ele a agarra, puxando-a para a margem com força. Enquanto isso, Kaio e Vini se concentram em ajudar Day a se estabilizar perto da canoa virada.
Magrão deixa Sara em segurança na terra firme. Ele se afasta um pouco, sentando-se no chão, ofegante. Ele desaba em choro.
Enquanto isso, na beira da estrada, Felipe segura o óculos quebrado com as mãos trêmulas. Ele encara a armação como se ainda tentasse entender o que acabou de acontecer. A camiseta, suja de sangue.
Do outro lado do asfalto, o cheiro de gasolina e fumaça se mistura ao som metálico do aparelho dos bombeiros cortando as ferragens do carro capotado. Um estalo seco, depois o silêncio. Os socorristas retiram de dentro o corpo pequeno de uma criança, coberto com um lençol branco.
Felipe pisca várias vezes, o olhar perdido. Os lábios se abrem, mas nenhuma palavra sai.
— Chegamos tarde demais para salvá-lo — disse a socorrista, com a voz embargada, olhando para o policial ao lado. — Havia uma garrafa de cerveja no outro carro.
O policial assente, o maxilar tenso. Ele respira fundo e se aproxima de Felipe.
— Você é o motorista deste carro?
Felipe não responde de imediato. Apenas aperta o óculos na mão até um caco de vidro ferir sua palma.
— Certo... você vai ter que vir comigo — disse o policial, num tom mais baixo.
Felipe se levanta devagar, como se cada movimento pesasse toneladas. Cambaleia por um instante antes de seguir o policial. Quando entra no banco de trás da viatura ela sai rapidamente do local.
Alguns dias depois, José vai visitar Felipe na prisão.
Do outro lado do vidro, Felipe surge com o olhar vazio, a barba rala e os ombros caídos. José força um sorriso e acena.
— E aí, Felipe... como você tá? — perguntou José.
— Como você acha que eu estou, José? Preso nesse buraco.
José baixa o olhar.
— Eu sinto muito, cara...
— Eu tenho dezenove anos, José. Dezenove. Não sou mais criança.
O silêncio pesa entre os dois. Do outro lado, um guarda passa, e o som das chaves ecoa no corredor.
— Não foi minha culpa — disse Felipe de repente, a voz quebrando. — Aquele garoto... ele nem estava de cinto.
José o encara, hesitante. — Você estava bêbado, Felipe.
Felipe aperta os punhos sobre a mesa de metal.
— Eu não queria... — ele respira fundo. — A Valéria só queria sorvete.
José engole em seco.
— E o Magrão? — Felipe perguntou, os olhos marejados. — Ele nem veio me ver.
— Eu... não sei — respondeu José, desviando o olhar. — A gente não tá se falando.
— Por quê? — a voz de Felipe falha. — Melhores amigos... não deviam sumir assim.
Felipe encosta a testa no vidro e começa a chorar. José o observa, impotente, a mão tremendo antes de encostar no vidro do outro lado.
— Vai ficar tudo bem, cara — disse José, com a voz baixa, mesmo sem acreditar nas próprias palavras.
Katia chega ao hospital com um buquê de flores nas mãos. O corredor cheira a desinfetante e silêncio. Quando ela para diante da porta do quarto, vê Sandro sentado em uma cadeira, curvado, os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele parece esgotado.
Ela bate de leve na porta. Sandro ergue o rosto, ajeita os óculos e se levanta devagar.
— Oi — ele falou, abraçando Katia. — Obrigado por vir.
— Como ela está? — Katia perguntou, num sussurro.
Sandro olha para dentro do quarto, depois a puxa para o corredor.
— Eu... não sei se ela vai voltar a enxergar. — A voz dele falha. — Eu não sei de mais nada. Eu nunca devia ter deixado ela ir com ele.
Katia encosta uma das mãos no ombro dele. — Sandro... não se culpa assim.
Ele passa a mão pelo rosto, exausto.
— O pai dela desceu pra tomar um café. A mãe volta depois do trabalho.
— Posso vê-la? — Katia perguntou, hesitante.
— Ela está dormindo, mas... vai gostar de saber que você veio. Pode acordá-la.
— Tudo bem.
Katia entra no quarto em silêncio. O som das máquinas é baixo, constante. Ela se aproxima da cama e pousa o buquê na mesinha ao lado.
— Valéria... Valéria... — chamou suavemente.
A garota se mexe, erguendo a mão, tateando o ar até encontrar os dedos de Katia.
— Katia... — disse Valéria, a voz fraca, trêmula.
— Oi, amiga. Como você está? — Katia respondeu, apertando a mão dela.
— Eu... não sei. Não consigo ver nada — murmurou Valéria.
Katia engole o choro e força um sorriso.
— Tenho certeza que você vai ficar bem.
Silêncio. As duas ficam assim por alguns segundos, de mãos dadas.
— Katia...
Katia começa a falar.
— A gente devia ter ido pra universidade juntas — ela respira fundo, depois sussurra: — Eu te amo, Valéria. — Katia se inclina e beija a testa da amiga. — Então, por favor... melhora logo.
Valéria esboça um sorriso fraco, e Katia segura a mão dela um pouco mais, sem dizer mais nada.
José chega de carro na casa de Magrão, que está guardando as malas para ir à universidade. Ele sai do carro e se aproxima.
— Magrão.
Magrão olha surpreso, a expressão mudando rapidamente.
— Não esperava te ver aqui.
— Bem, eu... fui ver o Felipe hoje — José respondeu nervoso.
— Eu não quero saber daquele irresponsável que dirige bêbado.
— Magrão, ele está muito perturbado com isso.
— Perturbado? E os pais da criança? E a Valéria? E o futuro dela? Aquela criança de dois anos nunca terá a chance de fazer nada. Ela está morta, acabou — disse Magrão, fechando o porta-malas com força.
José se afasta, a frustração evidente em seu rosto.
— Mas o Felipe se arrependeu. Ele merece uma segunda chance — disse José, se afastando.
Magrão o chama, a raiva se dissipando um pouco.
— José.
José para e se vira.
— Sobre o que aconteceu na festa... Me desculpe.
— Tudo bem, cara. Ela teria descoberto de qualquer maneira.
— Eu sinto muito, cara. Foi minha culpa — disse Magrão, entrando no banco do passageiro.
José se aproxima do carro, a preocupação no olhar.
— Você está mesmo indo embora?
— Sim. Para falar a verdade, eu nem posso esperar para sair daqui.
— Você tem sorte.
A mãe de Magrão se aproxima, interrompendo o momento.
— Oi, José! Como você está?
— Bem — ele respondeu.
Ela entra no carro, e José se inclina um pouco mais para Magrão.
— Magrão, por favor, não vá antes de falar com o Felipe.
Magrão se vira para sua mãe, a decisão já tomada.
— Vamos indo, mãe.
— Nós somos amigos desde o sétimo ano — José falou.
— Até mais, José — Magrão falou, sem olhar para José.
Sua mãe arranca com o carro, deixando José parado, sentindo o peso da despedida.
Nove meses depois.
Chega o casamento de Vitor e Maria, no dia 19 de outubro de 2017.
Os noivos saem da igreja radiantes, rodeados por familiares e amigos. Risadas, aplausos e flashes de câmeras preenchem o ar. Quase todos os amigos da escola estão lá, emocionados com a cena.
Mais tarde, na festa, a música toca alto, e o salão brilha sob as luzes coloridas.
Maria conversa animada com Jéssica, Katherine e Tânia, segurando uma taça de espumante.
— E essa é a grande noite! — disse ela com um sorriso travesso. — Estou com uma lingerie muito sexy.
As meninas caem na risada.
Enquanto isso, Vitor conversa com Vini, Claiton e Matheus, ainda com o sorriso bobo de recém-casado.
— Eu só quero que isso acabe logo — confessa rindo, meio nervoso. — Esperei quatro anos por essa noite.
Os amigos riem e batem nos ombros dele.
De volta à mesa, Maria continua empolgada:
— O apartamento está pronto. A gente mobiliou tudo... bem, eu mobiliei.
Ela vê Vitor do outro lado do salão e acena, os olhos brilhando.
— Que homem lindo — ela suspira, erguendo a taça. — Um brinde a ele!
As meninas brindam, rindo.
Em outra parte do salão, Katia conversa com Ângela.
— Então a Érika decidiu ficar na República Dominicana? — perguntou Katia.
— Sim! — respondeu Ângela, empolgada. — Ela vai dar aula lá. E conheceu um cara, o Carlos. Está apaixonada!
Angela escuta a música que começa a tocar e abre um sorriso.
— Adoro essa música. Vou dançar um pouco, você vem?
— Depois — disse Katia, com um sorriso leve.
Angela se afasta rodopiando pelo salão. Katia caminha devagar, observando o movimento. Amanda a vê e vem em sua direção.
— Katia! Oi, como vai? — disse Amanda, abraçando-a.
— Bem — respondeu Katia, retribuindo o abraço.
— Os dois estão lindos, né? Parecem tão felizes juntos.
— Sim — respondeu Katia, sorrindo. — Então... você está na faculdade agora?
— Estou, e cuidando da Luíza. Ela está enorme, você precisa ver! — disse Amanda, rindo com orgulho.
Enquanto isso, Magrão está com a namorada, Bia, perto do balcão.
— Vou buscar champanhe, você quer? — perguntou ele.
— Quero, mas não demora. Não conheço ninguém aqui.
Ele a beija e sai, atravessando o salão cheio. Ele vê José.
— José!
— Magrão! E aí, como está a faculdade?
— Ótima, simplesmente ótima.
— Eu te vi na igreja mais cedo. Arrumou uma namorada, hein?
Magrão ri, com um ar orgulhoso.
— Sim, a Bia. Vem, quero te apresentar.
— Beleza. — José o segue.
— Deixa eu só pegar duas taças de champanhe — disse Magrão.
Ele pega as taças e os dois saem.
— E o Felipe? — Magrão perguntou.
José suspira, olhando para o chão.
— Vai ser julgado logo. Vai se declarar culpado... talvez fique preso por um bom tempo. — Ele segura o braço de Magrão. — Você vai falar com ele um dia?
Magrão fica em silêncio por um instante.
— Talvez — respondeu, desviando o olhar.
Logo depois, eles chegam até Bia.
— José, essa é a Bia, minha namorada. Bia, esse é o José, um velho amigo.
Os dois se cumprimentam com um aperto de mão simpático. José sorri para ela, mas seus olhos se desviam para Katia, que conversa com Amanda em uma mesa próxima.
— Ei Magrão, me liga antes de ir embora. A gente podia sair, fazer alguma coisa — disse José.
— Beleza, vou estar por aqui a semana toda.
— Ótimo. — Ele sorri. — Com licença, prazer em te conhecer, Bia.
Bia acena e José se afasta.
Katia e Amanda continuam conversando.
— E a Valéria, ela está melhor? — perguntou Amanda, virando-se para Katia.
— Sim, está muito melhor — respondeu Katia, sorrindo com alívio. — Recuperou a visão em um dos olhos. Eu a vi hoje de manhã.
De repente, José se aproxima da mesa.
— Katia — disse ele, um pouco tenso. — Posso me sentar?
Katia o encara por um segundo, séria, o olhar firme. Depois, respira fundo.
— Claro.
— Oi, Amanda — cumprimenta José, puxando uma cadeira e se sentando.
O som da música cobre o silêncio breve que se instala.
— Então… como está a faculdade? — ele perguntou, tentando parecer casual.
— Está boa. Muito boa. Estou aprendendo muito. Jornalismo é perfeito.
José sorri, sincero.
— Ei, você vai ser famosa. Um dia eu vou me gabar: “A Katia? Eu conheci ela no ensino médio.”
Katia dá uma risadinha leve, mas o clima entre os dois é denso. Amanda percebe e se levanta.
— Acho que vou pegar alguma coisa pra comer — disse ela, saindo discretamente.
José observa Amanda se afastar e depois volta o olhar para Katia. A música muda, ficando mais suave.
Ele se inclina um pouco para frente, a voz baixa.
— Olha, eu queria me desculpar… pelo que fiz com você. Por ter te magoado. Me desculpe, de verdade.
Katia o observa em silêncio por um momento. Seu rosto é calmo, mas seus olhos guardam um misto de mágoa e ternura.
— Você meio que me fez um favor, José. — Ela dá de ombros. — Ir pra São Paulo foi a coisa certa. Eu amadureci muito lá.
José sorri, com um olhar compreensivo e um toque de arrependimento.
— Então… você está com alguém? — ele perguntou.
— Não. Ninguém. E você?
— Também não.
— E a Esperança?
Ele solta um suspiro curto.
— A gente não se fala desde o verão.
Katia olha para o vazio por um instante, relembrando.
— Ah… o verão — murmurou ela.
Nesse momento, Bruno toma o microfone. Sua voz ecoa pelo salão:
— Senhoras e senhores… os noivos, Sr. E Sra. Goldberg.
Todos se voltam para a pista de dança. Maria e Vitor se beijam sob aplausos. José e Katia os observam.
— Acho que eles vão conseguir — disse José, com um sorriso leve.
— Talvez consigam mesmo. — Katia retribui o sorriso. — Eles parecem muito felizes juntos.
Uma música romântica começa a tocar, e os noivos começam a dançar. Outros casais se juntam, enchendo a pista com risadas e passos lentos.
Katia olha para José, pensativa, e então fala baixinho:
— Você quer dançar?
José a encara, surpreso.
— Como velhos amigos — completou ela, antes que ele responda.
Um sorriso surge no rosto dele, tímido, mas sincero.
— Eu adoraria.
Os dois se levantam. No meio da pista, Katia coloca a mão no ombro dele, e José segura sua cintura com cuidado, como se o simples toque o transportasse de volta ao passado.
— Uma coisa não podemos negar — disse José, sorrindo. — Tivemos bons momentos juntos, não é?
— Sim — respondeu Katia, com um olhar doce. — Tiramos ótimas fotos juntos.
Eles riem baixinho, e por um instante o mundo ao redor parece desaparecer só os dois, a música, e as lembranças que ainda dançam entre eles.
Isso não é o fim. Em breve.
Grasso: APróxima Geração
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Atualizado em: Seg 27 Abr 2026

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