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Grasso: Depois da Formatura! (2)

Parte 2
Esse Capítulo não é recomendado para menores de 14 anos.
Presidente Prudente, 2016
 
Esperança entra no local de trabalho com um ar cansado, mas com um brilho nos olhos.
— Cheguei tão tarde ontem à noite — Esperança falou, dirigindo-se a Amanda, que está em uma ligação.
Amanda, sem desviar o olhar do telefone, responde secamente:
— Apenas vá trabalhar, ok? Comece com aqueles álbuns.
Enquanto Esperança se dirige à sua estação, Amanda finaliza a chamada com um suspiro pesado.
— Sinto muito que minha filha esteja te dando tanto trabalho. Vou falar com ela... Obrigada, tchau.
Amanda desliga, fecha os olhos por um instante e, ao se virar para Esperança, seu semblante está carregado de frustração.
— A Luiza fez outra birra esta manhã quando eu a levei para a creche. Por que eles não conseguem lidar com isso? Eu pago eles para isso, não é?
Esperança, percebendo a tensão em Amanda, mas ainda com a mente no seu encontro, pergunta com um sorriso:
— Bem, você não vai me perguntar sobre meu encontro com o José?
Amanda revira os olhos, um gesto rápido e quase imperceptível.
— Como foi o seu encontro com o José?
— Nós nos divertimos tanto! Ele me fez rir o tempo todo. E quando começamos a nos beijar... nossa — Esperança confessa, um rubor subindo em suas bochechas.
— Tome cuidado, Esperança. Ele e Katia estão nesse ciclo de terminar e voltar há anos.
Esperança, confiante, rebate:
— Olha, ela vai para a universidade no ano que vem, e ele ainda estará no ensino médio, como eu.
Nesse momento, duas figuras conhecidas de Amanda entram na loja: Maria e Vitor.
— E aí, pessoal! — Vitor cumprimenta com um sorriso largo.
Maria se aproxima do balcão, entregando um pen drive a Amanda.
— A gente precisa dessas fotos impressas para a avó do Vitor o mais rápido possível.
— Deve estar pronto em uma hora — Amanda respondeu, já pegando o pen drive.
— Ótimo! Isso nos dá tempo suficiente para conferir as opções de decoração da festa. Há tantas opções, uma mais linda que a outra!
Vitor, olhando para a variedade de amostras de decoração, suspira, um misto de admiração e exaustão.
— Eu nunca soube que casar dava tanto trabalho.
Enquanto isso, Felipe está em seu trabalho em um posto de gasolina. Ele termina de abastecer uma moto, o cheiro de gasolina pairando no ar.
— Valeu, obrigado, tenha um bom dia — disse Felipe, enquanto entregava as chaves.
Assim que o cliente se afasta, Felipe corre até José, que está encostado em um carro próximo.
— Então você estava dizendo? — Felipe perguntou, a voz carregada de curiosidade, inclinando-se um pouco para ouvir melhor.
José sorriu.
— Então, tudo começou normalmente. Fomos ao cinema, comemos pizza e depois fomos de carro para um lugar mais tranquilo.
— Hum — murmurou Felipe, enquanto se abaixava para dar uma olhada rápida no motor de seu carro — Então, até onde você conseguiu ir?
— Bem, não chegamos a transar, mas rolou outras coisas — José falou, um leve sorriso nos lábios. — Mas você sabe, a Katia ainda é minha namorada e vou sair com ela na quinta.
Nesse momento, um carro se aproxima da bomba, interrompendo a conversa.
— Eu já volto — disse Felipe, com um suspiro discreto, mas um leve aceno de cabeça para José, indicando que a conversa não tinha acabado ali.
José da um último gole em seu refrigerante e arremessa a garrafa no lixo.
Magrão está em seu posto de salva-vidas no clube, o sol brilhando e o som de crianças brincando ecoando ao redor. Uma mulher sai da piscina, a água escorrendo por seus cabelos, e Magrão passa próximo a ela em sua ronda.
— Tudo bem? — ele perguntou, com a voz calma e profissional, lançando um olhar rápido para a mulher.
— Tudo ótimo, obrigada — disse a mulher, sorrindo educadamente.
Magrão continua andando, mantendo seu olhar atento ao redor da piscina, quando avista duas garotinhas mais adiante. Elas o olham com admiração e um pouco de espanto.
— Nossa, que cara alto! — exclamou uma delas, sussurrando para a amiga, mas alto o suficiente para ser ouvido.
As duas, com os olhos arregalados, começam a seguir Magrão, hesitantes no início, mas com uma curiosidade crescente. Magrão percebe o burburinho e os passos apressados atrás de si. Ele se vira, um leve toque de severidade em sua expressão, mas com um tom que não chega a ser amedrontador.
— Ei, ei, sem correr! — disse Magrão, a voz um pouco mais firme. — Vão brincar pro outro lado, combinado?
Magrão sai andando, as meninas dão risada e continuam seguindo ele.
A noite avança, e José e Katia retornam em seu carro de um encontro.
— Bem, eu sei que quero focar em questões ambientais e também em ciência política, mas isso significaria largar o jornalismo... Eu realmente não sei o que fazer — Katia expressou, a voz carregada de incerteza enquanto o dilema acadêmico pairava no ar.
José estaciona o carro suavemente em frente à casa de Katia.
— Ou talvez você pudesse tirar um ano de folga. Assim, teria tempo para pensar com mais calma sobre tudo.
Katia balançou a cabeça, um leve franzir na testa.
— Sim, mas eu estudei tanto para conseguir me formar um ano mais cedo...
Um leve sorriso surgiu nos lábios de José.
— Verdade. Olha, deixe essa preocupação de lado por um instante e me dê um beijo.
O beijo se aprofunda, e com ele, o clima no carro se torna mais íntimo. A mão de José desliza com suavidade pela coxa de Katia, um gesto que busca estreitar a conexão entre eles. No entanto, Katia sente a necessidade de impor um limite.
— Não, José. Por favor, pare um pouco — Katia pediu, a voz gentil, mas firme, retirando a mão dele delicadamente.
José interrompeu o gesto, a surpresa tingindo seu tom.
— Mas... por quê?
— Eu só não acho que isso seja uma boa ideia agora.
José se ajeitou no banco, um suspiro escapando, carregado de uma frustração mal disfarçada. — Você não confia em mim?
— Claro que eu confio em você, José — Katia respondeu prontamente, buscando tranquilizá-lo. — Não é sobre isso.
— Então, por que não podemos fazer o que nós dois queremos neste momento? — José insistiu.
— É complicado... Não é sobre você, de verdade. Eu só não acho que estou pronta ainda — Katia finalizou, desviando o olhar por um breve instante.
José baixou a cabeça, absorvendo as palavras dela. Katia, percebendo a tentativa dele de entender, ofereceu um sorriso suave, um gesto de carinho para amenizar a situação.
— Boa noite — ela disse, selando o momento com um beijo rápido e reconfortante.
Ao sair do carro, Katia se viu envolvida pelo silêncio da rua, apenas pontuado pelos latidos distantes dos cachorros. José, ainda no banco do motorista, esticou a cabeça para fora da janela.
— Katia! — ele a chamou.
Katia se virou, um leve sorriso nos lábios.
— Quando vamos nos ver de novo? — José perguntou.
— Eu vou trabalhar até tarde durante a semana e nos fins de semana.
Uma nota de indignação coloriu a voz de José.
— Ótimo. E eu ainda estou trabalhando durante o dia.
Katia, percebendo a frustração dele, tentou encontrar uma solução prática, um eco da sua própria indecisão.
— Olha, vamos dar um jeito, ok? Vamos sincronizar nossas agendas para ver quando podemos nos encontrar.
José apenas balançou a cabeça.
— Boa noite — Katia falou, antes de se virar e entrar em sua casa.
— Boa noite — José respondeu.
No volante, enquanto saía, a irritação de José era visível, um misto de desapontamento pela rejeição e pela dificuldade em conciliar suas vidas. Ele não tinha conseguido o que queria naquela noite.
José chegou em casa, o som da porta se fechando suavemente ecoando pela casa. Na cozinha, sua mãe, estava preparando um chá.
— Oi, mãe — disse José, o tom um pouco arrastado, enquanto largava o celular sobre a mesa.
— Oi, querido. Como foi o filme?
— Bom.
Jose abriu a geladeira, e pegou uma garrafa de água.
De repente, o celular de José vibrou.
— Atende pra mim, mãe? — José pediu, a voz ligeiramente apressada.
Clara pegou o celular, seus olhos curiosos. — Alô! Sim, ele está aqui. Quem fala? — Ela olhou para José. — Esperança? — perguntou sua mãe, uma sobrancelha se arqueando levemente, um misto de surpresa e questionamento em seu semblante.
Um rubor subiu pelas bochechas de José. Ele pegou o celular rapidamente.
— Eu... vou atender no quarto, mãe. — E com isso, ele correu para seu quarto, fechando a porta atrás de si e se jogando na cama, o coração batendo um pouco mais rápido.
— Oi, Esperança!
— Oi! Eu só liguei para dizer ou e ver como você está.
— Bem, estou bem. Como você está?
— Estou bem também... — Esperança fez uma pausa, o silêncio se esticando por um momento. — Você gostaria de sair algum dia?
Um sorriso genuíno começou a se formar nos lábios de José.
— Sim. Quando?
— Sábado? — Esperança sugeriu.
— Sábado está bom. — José respondeu, sentindo uma onda de alívio e excitação.
Esperança soltou um pequeno suspiro de contentamento.
— Legal. Bem, meus pais vão viajar e, talvez, se você quiser, você pode vir aqui. Eu posso preparar um jantar. Eu cozinho muito bem! — ela acrescentou, com um toque de orgulho.
— Claro, por que não? Parece ótimo. — José respondeu, já imaginando a noite.
— Legal. Te vejo sábado então. — disse Esperança, o sorriso transparecendo em sua voz.
— Ok, tchau! — disse José, desligando o celular.
Assim que a ligação terminou, um sorriso largo se espalhou pelo rosto de José. Ele se virou na cama, seus olhos pousando na mesinha ao lado. Lá estava uma foto de Katia. Ele olhou para a foto, o sorriso diminuindo um pouco enquanto a olhava.
Enquanto isso, na casa de Esperança, a alegria explodia. Ela comemorava baixinho, um sorriso radiante iluminando seu rosto sentindo a promessa de um sábado especial.h
No sábado José chega na casa de Esperança, com um buquê de flores, ele toca a campainha e Esperança abre o portão sorrindo.
— Oi — disse Esperança.
— Oi, são pra você — disse José, entregando o buquê.
— Obrigada, que fofo, entre, o jantar está quase pronto.
José entra na casa.
Katia está em seu turno de trabalho atendendo uma mesa.
— Um X-burguer por favor — disse a cliente.
Ela olha para o outro cliente.
— Um X-burguer com salada — disse o segundo cliente.
Ela olha para o terceiro cliente.
— O mesmo pra mim, sem cebola — ele respondeu.
— Ok, já volto com os pedidos.
Enquanto se afasta alguém chama Katia.
— Você pode trazer mais guardanapos por favor?
— Claro — disse Katia pegando um porta guardanapo no balcão e levando até a mesa.
De volta à casa de Esperança, a água fervente da panela começa a transbordar.
— Esperança, essa panela deveria estar fazendo isso? — José perguntou, um misto de susto e confusão em sua voz.
— Ah, sim — Esperança respondeu desligando o fogo e pegando a panela com firmeza. — Você poderia me pegar o escorredor? Está ali no armário.
— Ok — José respondeu, localizando-a rapidamente.
José segura ao escorredor enquanto Esperança joga a água com cuidado.
— Vai devagar, esse escorregador é muito pequeno — alertou José.
De repente, José olha para o lado e vê uma fumaça saindo do forno.
— Esperança, tem alguma coisa queimando!
Esperança se vira rapidamente e, no susto, derruba o macarrão no chão.
— É a torta! — exclamou Esperança, correndo para abrir o forno. Ela retira a torta queimada, e a coloca sobre a pia, levando as mãos à cabeça em desespero.
— Você sabe que eu sou uma boa cozinheira, né?
José, começa a rir, um riso que carrega mais alívio do que escárnio.
— Quer pedir uma pizza? Podemos pedir para eles queimarem aqui.
Esperança, com um lampejo de humor sarcástico, se agacha e começa a jogar macarrão em José.
— Pare de rir de mim! — Esperança falou, com um sorriso que começava a despontar.
— Ei, essa camisa é nova! — disse José, abaixando-se e pegando macarrão para jogar de volta em Esperança.
Os sorrisos agora eram genuínos, e a brincadeira se intensificou, com os dois jogando macarrão um no outro em meio a gargalhadas. Em meio à diversão, José a segura em seus braços e a beija. Logo, os dois estão deitados no sofá, a paixão tomando conta. José, sem camisa, começa a tirar a blusa de Esperança.
— Espere — ela pediu, com a voz um pouco ofegante.
José suspira, um leve revirar de olhos.
— Beleza — ele disse.
— Não é isso — Esperança explicou, olhando-o nos olhos. — Você tem camisinha?
Um sorriso se espalha pelo rosto de José enquanto Esperança beija seu pescoço.
— Claro, sim.
José pega uma camisinha do bolso da camisa que estava no chão da sala e a mostra para Esperança. Ela sorri, um sorriso cúmplice, e desliga a luz do abajur.
No dia seguinte, Magrão está no clube. De repente, uma mulher se aproxima.
— Oi — disse a mulher, com um tom casual e um olhar curioso.
— Oi — Magrão respondeu, o tédio se dissipando instantaneamente em surpresa. Ele ajeitou a postura.
— Vocês oferecem aulas de natação aqui? — a mulher perguntou.
— Sim, oferecemos. Eu mesmo as ensino — Magrão respondeu, um leve sorriso surgindo em seus lábios, genuinamente satisfeito com a pergunta inesperada.
— Ah, sério?
— Sim — respondeu Magrão, o sorriso se alargando, um brilho de orgulho em seus olhos.
Uma garotinha se aproxima da mulher, segurando sua mão com firmeza.
— Mamãe, vem — disse a garotinha, puxando-a pela mão com impaciência infantilu.
— Querida, o que foi? — a mulher perguntou, virando-se para a filha.
Elas se afastam um pouco.
— Olha, filha, aquele grandão ali vai te dar aulas de natação o verão todo — disse a mulher.
Magrão ficou olhando com cara bocó.
Mais tarde, Magrão está na oficina de Felipe. Felipe arruma o seu carro enquanto esta sem cliente, enquanto Magrão fala.
— Cara, que saco este verão! O dia todo eu estou cercado por mulheres lindas, mas todas têm namorados ou são casadas. Ninguém nem fingiu que ia se afogar para eu salvar!
— Relaxa, Magrão. Um dia você vai fazer sexo — Felipe respondeu sem tirar os olhos do motor.
— Ah, claro.
— Sim, quando você tiver mais de 90 anos — Felipe completou, dando um sorriso.
Magrão olhou seriamente para Felipe, os olhos semicerrados.
— Obrigado, Felipe. Que incentivo maravilhoso. Muito obrigado.
Nesse momento, José entra na oficina, animado.
— Ei, pessoal! — exclamou José.
— E aí! — Felipe e Magrão responderam em uníssono, com pouco entusiasmo.
— O carro está ficando bom, hein? — comentou José, observando o trabalho de Felipe.
— E aqui está ele, senhoras e senhores, o virgem número dois! — Magrão anunciou, engrossando a voz em um tom teatral de sarcasmo.
José olhou para Magrão, balançando a cabeça com um sorriso.
— Você está sozinho nessa, meu amigo... Eu fiz ontem à noite — revelou José, com um brilho maroto nos olhos.
Magrão arregalou os olhos, a apatia sumindo instantaneamente.
— Você e a Katia? — Magrão perguntou, quase engasgando.
— Não, não foi com ela.
— Então foi com quem? A Katy Perry? — Magrão ironizou, incrédulo.
— Esperança? — Felipe perguntou, levantando uma sobrancelha, reconhecendo o nome.
— Sim! — José respondeu, radiante de orgulho.
— Esperança? Esperança Costa? — Magrão perguntou, agora genuinamente chocado.
— Sim! Estávamos lá e tal... ela se empolgou. Quem poderia dizer não? — José deu de ombros, como se fosse o destino.
José e Felipe trocaram um sorriso cúmplice.
— Bem-vindo ao clube, José — disse Felipe, batendo na mão de José.
Magrão se aproximou de José, a expressão mudando de choque para desconfiança.
— Espera aí, cara. O que aconteceu com a Katia? — Magrão pressionou, a voz baixa e séria.
— Nada, ela ainda é minha namorada — José respondeu, mantendo a calma.
— Então você realmente fez sexo com a Esperança? — Magrão insistiu, querendo a confirmação final.
— Olha, a Katia pode levar o tempo que quiser e esperar o momento certo, mas eu não — José retrucou, com um sorriso largo e sem remorso.
Enquanto isso, Esperança está no trabalho conversando com Amanda.
— Foi tudo tão perfeito... — suspirou Esperança. Eu só espero que ele não ache que fui rápida demais, que sou... fácil.
Amanda a encarou, sem desviar o olhar. Ela hesitou por um instante, como se pesasse as palavras.
— Esperança, desculpa a sinceridade, mas... sim, você foi rápida. E, sejamos honestas, ele também é. Vocês dois são fáceis.
— Mas nós nos divertimos muito juntos, Amanda. É diferente.
— Eu sei que sim. Mas o que me preocupa é o outro lado da moeda. Eu só acho que você precisa ter certeza absoluta de que ele e a Katia terminaram de verdade.
— Olha, José e eu vamos voltar para o ensino médio no ano que vem... Vou voltar como namorada dele.
Durante o verão, José passa todo o seu tempo livre se divertindo com Esperança enquanto Katia trabalha e mal tem tempo para ver José. Magrão também passa o verão todo no tédio do trabalho de salva-vidas, e Felipe continua trabalhando em seu carro. José mantém seu namoro duplo com Katia e Esperança, sem que as duas saibam.
2017
Em um raro dia de folga, Katia sai com José para e os dois se divertem bastante. No dia seguinte, Katia está na piscina da casa de Valéria, e as duas conversam.
Katia observava a água da piscina, o sol refletindo em seu rosto. Ela respirou fundo antes de quebrar o silêncio.
— Valéria, desculpa a invasão, mas... você e o Sandro, vocês estão bem? Tipo, sexualmente falando?
Valéria sorriu, pegando uma bebida. — Uau, que mudança de assunto. Por que a pergunta, Katia? Você está pensando em algo com o José?
Katia mexeu os dedos na água.
— Eu estava pensando nisso. Eu e o José... estamos ótimos no resto, mas... Acho que estou pronta para dar o próximo passo.
Um tempo depois, Valéria da algumas dicas importante para Katia.
— Então você segura o pacote assim, abre com cuidado para na rasgar a camisinha, ache o lado certo e coloca — disse Valéria, colocando o preservativo em uma banana, aperte essa pontinha pra tirar todo o ar e abaixe e aí está — disse Valéria.
Enquanto isso, José e Magrão estão no serviço de Felipe.
— Que verão incrível! — exclamou José, jogando-se em uma cadeira e estendendo as pernas.
— Que verão horrível — Magrão rebateu, com um desânimo profundo. — Já é fevereiro e não consegui nenhuma garota.
José, com um sorriso vitorioso, coloca uma garrafa de cerveja gelada sobre a bancada.
— Bem, então acho que você não quer ouvir o que eu fiz ontem à noite, não é? — perguntou ele, piscando para Felipe.
— Não, não quero — Magrão respondeu secamente.
— Bem, acho que você já sabe, né? Que eu fiz sexo... De novo — disse José, soltando uma gargalhada alta e dando um leve toque no ombro de Felipe.
Magrão suspirou, a paciência claramente se esgotando.
— Eu falei que não quero saber, José. Você poderia, por favor, parar com isso? É desnecessário.
Felipe, foi até uma geladeira pequena no canto.
— Magrão, você tem certeza que não quer uma cerveja? Tem bastante. Está gelada.
— Felipe, essa é a sua terceira garrafa hoje — Magrão falou, a preocupação transparecendo em sua voz.
— E o que tem? Eu reponho o que eu bebo, meu chefe é gente boa — Felipe respondeu, dando de ombros.
— Eu não estou falando disso — Magrão insistiu, frustrado.
— E do que você está falando, afinal? — Felipe retrucou, franzindo a testa, confuso com a mudança de tom.
Magrão ficou em silêncio.
José se levantou, aproveitando a tensão, e caminhou lentamente até Magrão.
— Ei, Magrão. Você sabia que eu transo toda semana? — perguntou ele, sorrindo.
— Cala a boca, José! — Magrão respondeu, irritado, finalmente explodindo.
— Ah, eu entendo. Você está com ciúmes — disse José, cruzando os braços.
— Eu não estou com ciúmes! Eu só acho que você deveria terminar com uma delas, pelo menos! — Magrão disparou.
— Por quê? Elas não sabem que eu estou namorando as duas. Ninguém vai se machucar.
Esperança esta com Amanda na loja.
— Eu não sei o que vou fazer com a Luiza quando eu for para a faculdade. A creche é só metade do dia — desabafou Amanda.
Esperança permaneceu em silêncio, os olhos fixos em um ponto vago. Sua mente, de fato, estava a quilômetros de distância, ponderando os próprios dilemas.
Amanda percebeu a ausência da amiga, a quietude incomum.
— Esperança? Você está bem? — perguntou Amanda, tocando levemente seu braço.
Esperança piscou, como se estivesse voltando de um sonho profundo.
— Eu não estou me sentindo bem — respondeu, a voz baixa e sem energia.
— O que você tem? — Amanda insistiu, a preocupação crescendo.
— Eu não sei, Amanda. Eu só... me sinto mal.
— Quer saber? Vá para casa. Eu posso te cobrir.
— Valeu, eu acho que vou — disse Esperança, já se afastando para pegar sua bolsa e casaco.
Maria e Vitor entraram na loja com uma energia contagiante.
— Oi, pessoal! — Maria exclamou, a voz alta e alegre. — As fotos do chá de panela estão prontas? Estou ansiosa para ver!
— Sim, estão sim! — Amanda respondeu, pegando um álbum decorado da prateleira de trás. — Deixa eu te mostrar.
Enquanto isso, Magrão e José estão com Felipe dando uma volta no carro de Felipe.
— Em uma semana seu carro finalmente estará bom, Magrão ainda será virgem e eu vou sair com a Katia no aniversário dela — disse José
— Vocês querem que eu levo vocês na festa do Sandro? — Felipe perguntou.
— Eu vou com a Katia no meu carro — José respondeu.
— Eu vou com você Felipe — Magrão falou.
Eles chegam de volta no posto de gasolina, Felipe estaciona e os três saem do carro.
— Cara que verão! Que verão! — José exclamou.
Esperança chega a uma clínica médica e dirige-se à recepcionista.
— Posso ajudá-la? — a recepcionista perguntou, sem desviar os olhos da tela.
— Sim, eu estava pensando se talvez eu devesse ver alguém — Esperança respondeu, a voz um fio.
— Por qual motivo?
Esperança engoliu em seco. O silêncio se estendeu por longos segundos, pesado de hesitação.
— Gravidez — Esperança conseguiu dizer, a palavra mal saindo.
Em seguida, Esperança está conversando com uma médica.
— Eu não sei como isso aconteceu. Ele sempre usou preservativo.
— Bem, infelizmente eles não são perfeitos. Às vezes, o preservativo rompe ou não é removido corretamente. Mas agora temos algo muito mais importante com que nos preocupar. Você está grávida.
— Eu não posso fazer um aborto? — Esperança perguntou
— Isso não é uma opção.
— Eu não quero ter esse filho.
— Você tem outras opções, como entregá-lo para adoção. Converse com seus pais sobre isso.
— Não, eles não podem saber sobre isso — disse Esperança, o pânico evidente em seus olhos.
Mais tarde Esperança esta no serviço de José.
— Por que eu não posso ir para a festa do Sandros com você? — Esperança perguntou.
— Eu já te disse é uma festa pequena apenas para formandos — José respondeu.
— Mas você vai
— Sim, mais eu conheço essas pessoas desde o ensino fundamental, eu saio com elas.
— Você tem vergonha de mim?
— Claro que não Esperança de onde você tirou isso? Você só não pode ir.
Esperança olha decepcionada para José.
— Você gosta de mim né? — ela perguntou.
— Esperança você sabe que eu gosto de você — José respondeu com um falsa compreensão.
— Vamos nos ver amanhã?
— Amanhã é o meu aniversário eu vou sair com meus pais para jantar.
— Mas eu preciso falar com você.
— Então fale agora.
— Você não quer mais sair comigo?
— Sim... É. Semana que vem.
Esperança revira os olhos.
— Semana que vem — ela falou.
— Esperança relaxe. Olhe eu tenho muito trabalho pra fazer, é melhor você ir ou vou ter problemas.
Esperança tira uma presente da sacola e joga em José. Ela se vira e sai.
— Esperança — ele a chamou, mais ela já estava longe.
Na manhã seguinte, o aniversariante do dia acordou com o som estridente do despertador do celular. José se revirou na cama, resmungando contra o travesseiro. No mesmo instante, sua mãe abriu a porta do quarto.
— José! Hora de levantar e ir trabalhar! — disse sua mãe, com a voz firme de quem já estava de pé há horas.
José virou para o lado, tentando ignorá-la, mas a mãe pegou um travesseiro que estava ao lado dele.
— Dezenove anos, ela falou.
— Por que eu tenho que trabalhar no meu aniversário? — José gemeu, escondendo o rosto.
— Porque é seu aniversário, não é feriado.
Sua mãe se sentou na beirada da cama, um gesto que sempre indicava algo importante.
— José. Seu pai e eu estamos muito orgulhosos de você. Você está se tornando um homem. E o café está pronto e... Você não precisa mais se preocupar com as prestações do seu carro.
José finalmente abriu os olhos.
— Sério? — José perguntou, se sentando na cama.
— Seu pai e eu quitamos o carro. Feliz aniversário, meu amor.
A mãe deu um beijo carinhoso na bochecha de José, que, sem conseguir conter, abriu um sorriso largo e genuíno.
— Obrigado, mãe.
— Agora levanta logo, antes que eu te jogue pela janela — disse sua mãe, rindo, antes de sair do quarto e fechar a porta com um clique suave.
José ficou deitado por mais um instante, o sorriso ainda iluminando seu rosto, a sensação de liberdade superando em muito o desejo de dormir mais um pouco.
Mais tarde, Katia está em seu quarto se arrumando para o jantar com José. Sua mãe a chama.
— Querida, estou indo agora. O táxi já deve estar chegando.
— Tchau, mãe! Divirta-se em São Paulo.
— Dê os parabéns para o José por mim.
— Beleza.
Katia abriu a pequena bolsa que usaria. Com um movimento rápido e um olhar furtivo para a porta, ela pegou um pacote de preservativos e o guardou discretamente no fundo da bolsa, um pequeno sorriso em seus lábios.
No restaurante, o ambiente era elegante. José deu um gole contemplativo em sua taça de vinho tinto.
— Este vinho é realmente muito bom. Uma escolha excelente, Katia.
— Então, eu vou para o sítio do Sandro amanhã com a Valéria para ajudar a arrumar a festa. Você quer ir com a gente?
— Vocês vão muito cedo, acho que vou com o Felipe no carro dele, e ainda vou trabalhar até às três da tarde. Então vejo você lá.
— Você tem certeza que aquele carro vai chegar até lá? — Katia perguntou.
— Sim, com certeza. Ele deu uma boa arrumada no carro, disse que trocou o óleo e revisou os freios.
O garçom se aproximou e serviu mais vinho para os dois.
— Não acredito que ele não me pediu identidade. Devo parecer mais velho hoje, o que você acha?
Katia sorriu
— Eu acho você um cara maravilhoso, José. E, por isso, eu gostaria de fazer um brinde.
Eles pegaram as taças.
— Eu sei que não conseguimos passar muito tempo juntos neste verão, e você foi tão compreensível com isso — Katia disse, a voz mais suave.
— Isso não foi nada, Katia. Eu entendo.
— Para mim, é algo — ela insistiu, brindando com ele, um gesto que selava um pacto implícito. Ela bebeu um pouco mais.
— Então... minha mãe foi para São Paulo. Estou sozinha em casa esta noite, e você sabe como eu odeio dormir sozinha.
José, distraído, respondeu de forma prática, sem captar a deixa sutil que ela acabara de plantar.
— Eu também não gosto de ficar sozinho. Olhe se o alarme está ligado antes de deitar, por favor.
Katia decidiu abandonar as sutilezas. Ela começou a deslizar seu pé pela perna de José por baixo da mesa, um toque lento e deliberado. Em seguida, ela moveu a mão para a dele, segurando-a firmemente sobre o tecido da toalha.
— José. Minha mãe está fora. Estou completamente sozinha.
Neste momento de pressão, José finalmente percebeu o volume estranho que ela havia escondido sob a mão dele. Ele olhou para baixo e viu o canto do pacote de preservativos. Uma compreensão clara inundou seu rosto. José sorriu.
— A conta, por favor — ele disse, puxando a mão de volta e sinalizando para o garçom com uma firmeza repentina.
Mais tarde, na casa de Katia, o silêncio era pesado, mas confortável, enquanto os dois estavam deitados lado a lado na cama, após o que havia sido um momento intenso. De repente, os ombros de Katia começaram a tremer. Lágrimas silenciosas escorriam pelo seu rosto.
— Desculpe, José... — ela sussurrou, a voz rouca. — Eu nem sei por que estou chorando. Não estou triste, prometo. Foi... foi mais intenso do que eu esperava.
José reagiu imediatamente, deslizando a mão pelo braço dela com gentileza, um gesto firme e reconfortante.
— Está tudo bem, Katia. Chorar é permitido. Não precisa ter um motivo lógico.
Ele se inclinou, depositando um beijo suave na pele sensível de seu ombro, esperando que ela se acalmasse.
— Eu preciso ir — disse José abruptamente, sentando-se na beirada da cama e começando a vestir a roupa com uma urgência crescente, como se o tempo estivesse se esgotando.
Katia o observou, sentindo o calor se dissipar rapidamente.
— Pensei que você fosse dormir aqui.
— Eu não posso ficar, Katia. Seus pais... eles me matariam se descobrissem. Você sabe disso.
Katia sentou-se também, puxando o lençol para cobrir-se enquanto ele abotoava a camisa. Ela tentou processar a disparidade entre os momentos anteriores e a pressa atual.
— Você parecia tão calmo, tão seguro. Eu estava tão nervosa.
José parou por um instante, olhando-a nos olhos, a tensão ainda evidente em seu maxilar.
— Eu estava apavorado. Só não queria estragar tudo para você.
— Temos que nos ver mais. De verdade. Eu sei que vai ser muito melhor da próxima vez — disse Katia, buscando reafirmação na promessa de um futuro imediato.
— Próxima vez? Katia, você está indo para a universidade semana que vem.
Ela desviou o olhar para o lençol.
— Bem, na verdade, eu ainda não decidi se vou mesmo.
José se aproximou novamente, a animação voltando aos seus olhos, mas agora misturada com súplica.
— Você tem que ficar, Katia! Você me faz tão feliz.
Um sorriso genuíno, mas ligeiramente incerto, iluminou o rosto de Katia.
— Talvez eu fique.
Os dois sorriram, um sorriso compartilhado que tentava ignorar a porta da frente e a estrada para a universidade que os esperavam.
José saiu da casa de Katia, e ela o acompanhou até o portão, seus olhos transmitindo uma mistura de satisfação e uma leve inquietude.
— Você tem certeza de que está tudo bem? — Katia perguntou, a voz suave, mas com um tom de quem busca uma confirmação profunda.
José se aproximou, forçando um sorriso
— Katia, está tudo perfeito.
— Eu estou tão feliz — ela declarou, o rosto iluminado por uma alegria genuína. — Essa foi a primeira vez para nós dois, e realmente foi tudo perfeito. Cada momento.
Ela o abraçou com força, e o calor do seu corpo, a pureza de suas palavras, atingiram José como um golpe físico. A culpa, antes um nó, agora se tornava uma onda avassaladora. Ele sabia que a "primeira vez" dela era, para ele, apenas mais um capítulo em uma história que ele não havia contado a ela. Ele a apertou de volta, um abraço carregado de remorso disfarçado de afeto.
— Olha, eu te vejo amanhã no porto. — José se afastou um pouco — Tchau!
— Tchau — Katia respondeu, um sorriso radiante em seus lábios enquanto lhe dava um último beijo, um selo de confiança e carinho.
José entrou no carro, e partiu. Katia fechou o portão, o sorriso ainda presente, mas agora tingido de uma doçura sonhadora. Seus dedos encontraram o anel em seu dedo direito. Com um movimento deliberado, ela o transferiu para o dedo esquerdo, um gesto de aceitação, de promessa, de um futuro que ela via com clareza e esperança.
Na manhã seguinte, José entrou na cozinha, a luz do sol de verão entrando pelas janelas. Sua mãe já estava tomando café.
— Bom dia, mãe — ele disse, a voz surpreendentemente leve, beijando-a no rosto.
— Bom dia, meu filho — ela respondeu, erguendo os olhos. — Que horas você chegou ontem à noite?
— Bem tarde. — A resposta foi rápida, quase evasiva.
— E como você está se sentindo?
— Eu me sinto ótimo. Nunca estive melhor.
Sua mãe o observou com um olhar perspicaz, um pequeno sorriso de canto de boca.
— Percebi. Você está de um humor excelente.
— O que mais eu poderia querer? — ele rebateu, com um entusiasmo forçado. — É um lindo dia de verão, sem a pressão da escola.
Ela deu um gole lento no café, deixando o silêncio se estender por um momento antes de soltar a informação.
— A Esperança ligou ontem à noite.
O copo de José parou no meio do caminho para a boca.
— E o que você disse a ela?
— Que você estava dormindo.
— Hum. — José engoliu em seco, tentando desesperadamente recompor a fachada de tranquilidade. O nervosismo começou a corroer sua confiança.
— O que foi? — A mãe notou a mudança instantânea na postura dele. — Sua testa está franzida.
— Nada. — Ele tentou soar casual, mas a palavra saiu tensa.
Neste exato momento, o telefone fixo tocou, quebrando a quietude da cozinha. A mãe atendeu, a voz mudando para um tom acolhedor.
— Alô. Bom dia, Esperança.
José congelou, os olhos fixos na mãe, seu corpo rígido. A mentira que ele havia construído tão cuidadosamente estava prestes a desmoronar.
— Eu não estou em casa — ele murmurou, quase inaudível, um apelo desesperado para que a mãe o cobrisse.
— Sim, ele está aqui — a mãe respondeu ao telefone, olhando diretamente para José com uma expressão indecifrável.
José se levantou bruscamente, a cadeira raspando no chão, e correu para pegar o telefone das mãos da mãe, a culpa e o pânico finalmente se manifestando fisicamente.
— Oi, Esperança.
— Você teve um bom jantar? Com seus pais? — A voz de Esperança soou distante, quase apologética.
— Eu... eu queria te contar sobre isso, Esperança. As coisas mudaram por aqui.
Esperança sentiu um frio imediato. A casualidade dele era uma mentira óbvia.
— Ah, claro que sim.
José hesitou, e então a defensiva tomou conta.
— Você não acredita em mim?
— Não. Não mesmo. — A convicção de Esperança era absoluta.
José arregalou os olhos, uma expressão genuína de incredulidade e ressentimento cruzando seu rosto.
— Olha, Esperança! Eu posso sair com quem eu quiser! Nós não somos namorados! E o que você estava fazendo ligando para a minha casa? Você está me perseguindo?
O ataque oco atingiu Esperança como um golpe físico.
— Eu ia te desejar feliz aniversário. Era para ser uma surpresa.
José fechou os olhos com força, e suspira.
— Olha, Esperança, me desculpa, eu não...
— Não me trate como uma idiota, José! — A voz dela se quebrou, mas a força da mágoa a sustentou. — Eu realmente pensei que te amava, mas agora... agora eu te odeio. E eu nunca mais quero te ver.
Com um clique seco, Esperança desligou. Ela jogou o telefone na cama e desabou, o choro reprimido explodindo em soluços silenciosos contra o travesseiro. Segundos depois, o telefone começou a tocar incessantemente com o nome de José, mas ela permaneceu imóvel, recusando-se a atender.
Valéria, Katia e Sandro terminavam de carregar os últimos pertences no porta-malas do carro, preparando-se para a viagem. Sandro empurrou uma caixa final para o fundo do compartimento e a fechou com um baque seco.
— Prontinho. Vamos indo, meninas. Mas antes, preciso de uma parada rápida no banheiro — ele anunciou, já se afastando com um sorriso fácil.
Assim que Sandro se distanciou, Valéria se virou para Katia, com um brilho nos olhos.
— Então, você se divertiu muito ontem à noite?
— Foi maravilhoso, Valéria. E não foi só pelo sexo, se é isso que você está pensando. Foi a forma como ele foi depois... tão gentil, tão atencioso. Eu vou ficar. Eu decidi. Vou me matricular na universidade aqui.
Valéria ficou séria, a incredulidade estampada no rosto.
— O quê?! Katia, você e ele... vocês só dormiram juntos! Não sacrifique todo o seu futuro!
— Eu não estou sacrificando nada! — Katia rebateu, a voz ganhando firmeza. — Não há nada de errado em cursar uma das melhores universidades do país, que por acaso fica aqui.
— Você é infinitamente mais inteligente que ele! Essa relação não vai durar nem até o primeiro semestre! — Valéria insistiu, sentindo a amizade desmoronar.
— Isso não é verdade, Valéria. E você não tem o direito de julgar o que é melhor para mim.
Valéria sentiu uma pontada de mágoa e raiva.
— Por que você está agindo assim? Você sempre me dizia para arriscar mais, para ir atrás do que me faz feliz! E eu estou indo atrás do que me faz feliz agora. — Katia falou.
Com um floreio de frustração, Valéria deu as costas e entrou pela porta da frente do carro, batendo a porta com força contida.
Katia a observou, e entrou no carro pela porta de trás.
— Você vai se divertir muito mais sem mim, Valéria. Você sempre fez isso — ela falou, o clima no carro pesando.
Sandro voltou, pulando no banco do motorista, animado. — Prontinho! Certo, meninas, vamos pegar a estrada!
As duas permaneceram, em um silêncio denso e palpável.
— O que aconteceu aqui? — Sandro perguntou, confuso.
Mais tarde, na rua, o som estridente da buzina cortou o ar. Felipe, impaciente ao volante, bateu novamente no painel.
— Anda logo com isso, Magrão! Vamos perder tempo! — gritou Felipe.
José, que estava parado próximo ao carro, se virou, confuso e abatido.
— O que eu fiz de errado agora, Felipe?
Felipe o encarou com uma expressão dura.
— Você mentiu para ela, José. É isso que você fez de errado.
— Sim, mas não foi uma mentira que destruiria o mundo! Ela não precisava saber que eu estava saindo com a Katia ao mesmo tempo — José se defendeu, a voz baixa, quase se justificando para si mesmo.
Nesse momento, Magrão se aproximou, visivelmente contrariado, acompanhado por sua mãe, que segurava algo para ele.
— Eu não preciso disso, mãe. Eu estou bem — Magrão protestou, tentando se afastar do objeto que ela insistia em lhe dar.
— Precisa sim, meu filho, é para a viagem. Leva! — insistiu a mãe, empurrando o item em suas mãos.
Magrão suspirou profundamente, aceitando a derrota daquela pequena batalha.
— Magrão, vamos logo! O tempo está correndo — Felipe interveio, impaciente com a pausa.
— Já vou — Magrão respondeu.
Felipe voltou sua atenção para José, que parecia perdido.
— Esqueça essa história, beleza? Você não precisa dela.
— Eu só... eu não entendo o que aconteceu. Estava tudo indo tão bem, Felipe.
Magrão, fecha o porta-malas e finalmente pronto, deu um passo em direção ao carro.
— Vamos — ele disse.
— Já se despediu da mamãe, Magrão? Não vá esquecer de ligar! — Felipe perguntou, com um tom de brincadeira forçada, tentando aliviar a tensão pesada que pairava sobre José.
Felipe deu a partida com um rugido do motor, e os três partiram, deixando a discussão sobre o coração partido para trás, pelo menos por enquanto.
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Atualizado em: Seg 27 Abr 2026

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