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Quebranto

Às vezes tudo espanta
E a gente não se encanta
Não canta
Não levanta
A solidão se agiganta
Dá um nó na garganta
A vida aquebranta
Silêncios antigos cobrindo a alma
O tempo passa a se arrastar
Nada parece chamar
Lá fora o mundo gira
Por dentro tudo repousa
Num estranho e contínuo entardecer
O espírito se recolhe
Onde nem o pensamento alcança
Uma parte secreta atravessa corredores de sombra
Busca antigas chaves perdidas na memória
A alma ouve vozes que o ouvido não compreende
O coração caminha por trilhas
Que só se revelam quando a luz se apaga
Mas nem todo silêncio é vazio
Há silêncios que são portais
Nesses momentos alguma coisa invisível trabalha
Toca o mais fundo da alma
Como raizes que crescem no escuro da terra
Até um dia, sem aviso
A alma desperta do recolhimento
Ergue os olhos para os mistérios de mundo
E descobre que o que parecia ausência
Era apenas o universo escrevendo em segredo
Um novo começo dentro de nós.
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Atualizado em: Qui 19 Mar 2026

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