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O Coração Morfeu

Na solidão segue o coração Morfeu. Entre o silêncio e a criação, ele vaga como Beethoven, que, surdo para o mundo, ouvia o próprio abismo e dele fazia canções.
Carrega consigo dogmas que o sufocam, mas resiste sem sequer cogitar rendição. Reconhece, na dúvida do seu próprio eu, que há algo a ser buscado na imensidão deste mundo.
Segue seu caminho, aprendendo a vencer a solidão que tenta prendê-lo. Em muitos momentos recorre a soluções rápidas e momentâneas, que, embora passageiras, mostram-se eficazes.
Arrancam-no da solidão e o conduzem ao mundo da ilusão, onde tudo parece simples e todas as dores se resolvem num piscar de olhos.
Mas ele sempre retorna e retorna pior.
Pois caminhou por trilhas que, no apagar das luzes, o afastam completamente da própria realidade.
E o povo que o observa de longe, à espreita, com olhos de pedra, por vezes se pergunta:
“Quem é esse homem pobre de cultura e de alento, vagando nesse vasto mundo, sem tempo, sem rumo e sem medo?”
E ele, e seu coração Morfeu, que mesmo cansado ainda pulsa, escorrem pelas ruas da cidade, à espera da luz que um dia, talvez, venha encontrá-lo.
Desta luz ele precisa, mas, no fundo do seu ser, não a reconhece.
Às vezes e, na verdade, quase sempre a luz era ele mesmo quem escondia.
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Atualizado em: Qui 12 Mar 2026

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