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UMA PESSOA MUITO ESPECIAL
Ao longo dos últimos anos, tenho contado algumas histórias, citando pessoas, como: meus pais, irmãos, amigos etc. Hoje, pela manhã, acordado em minha cama, meio sonolento, comecei a pensar em uma pessoa muito especial que já está morando no paraíso: meu avô materno, Padrinho Aprígio. Não era meu padrinho. Ele era padrinho de um de seus netos e, assim, todos os netos adquiriram o hábito carinhoso de chamá-lo desse jeito. Então pensei: vou fazer um texto falando um pouco de meu avô tão querido, de uma personalidade marcante.
Aprígio Lopes de Faria era seu nome. O primeiro nome não é muito comum. Ele nasceu, no final do século XIX, em 28 de abril de 1893, na cidade de Capela Nova, município mineiro perto de Barbacena. Filho de Alcides Lopes de Faria e de Maria Clara de Faria. Casou-se com minha querida avó, Carolina Vita de Miranda, pouco mais nova do que ele. Era chamada, carinhosamente, de Madrinha Loló. Pelo mesmo motivo do avô, era assim chamada pelos netos. Padrinho Aprígio faleceu em 25 de abril de 1985, em Belo Horizonte, onde foi sepultado. Foram copiosas lágrimas derramadas. Ele deixou saudade imensa e muitos exemplos de honestidade, amor e carinho.
Quem era afinal esse homem? Um simples fazendeiro. Simples, não somente por seu despojamento e sua humildade, mas, por ser uma pessoa que não tinha grandes propriedades e riquezas materiais. Seu terreno, onde ficava a casa, era pequeno. Não sei precisar quantos alqueires tinha. Lembro-me de que a casa da fazenda era grande e muito aconchegante. Vários quartos bem arrumadinhos, cozinha grande com fogão de lenha. Na entrada da casa, havia uma frondosa amoreira. Situava-se em uma localidade chamada Laranjeiras. Os netos do Padrinho Aprígio gostavam imensamente de se arranchar na gostosa fazenda. Madrinha Loló e Padrinho Aprígio eram muito carinhosos e tinham imensa alegria de ver a família reunida.
Foram doze filhos que o casal trouxe ao mundo. Um deles, o João, faleceu no dia do nascimento. Os outros, posso enumerá-los agora. Começando pela minha saudosa mãezinha e, em seguida, os demais: Maria das Dores, Bernardino, Alcides( tio Cici), Glicéria (tia Cecela), Cacilda, José de Faria (tio Zezé Faria), Francisco (tio Chichico), Raimundo (tio Mundinho), Conceição (tia Bem), Gabriela e Geraldo Magela (tio Ladim). Atualmente há dois filhos vivos e muito estimados, que residem em Juiz de Fora: O tio José Faria e o tio Ladim.
Neste espaço, caro leitor, como já deve ter percebido, não apenas pelo título, minha intenção maior é relatar sobre o querido Padrinho Aprígio. As histórias da família não vão caber neste texto, já que são muitas... muitas. Cheias de imensa gratidão.
Infelizmente, meu avô faleceu e eu não aproveitei, como devia, para conhecer um “tantão” de suas memórias. Somente agora, que ele não está mais aqui, reconheço que fui negligente. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Apesar de conviver com ele por poucos anos, aprendi a admirar sua simplicidade, sua delicadeza, sua humildade. Era um homem muito bom, muito afável. Não me resta a menor dúvida.
Padrinho Aprígio viveu grande parte de sua vida nas Laranjeiras. À medida que os filhos foram crescendo, a maioria deles deixou a roça para buscar melhores condições de vida em cidades mais adiantadas. Em Juiz de Fora e Belo Horizonte, como exemplos. As filhas também se casaram e, no decorrer do tempo, sentiram-se meio sozinhos na roça: ele e minha avó. Então, resolveram vender a propriedade e compraram uma casinha no bairro Dom Bosco, em Belo Horizonte-MG. Na rua Pacaembu, 107. Hoje, rua Marataízes. Eles quiseram morar perto das filhas: Mamãe, Tia Glicéria, Tia Cacilda, tia Bem. O tio Bernardino que, inicialmente, fora para Juiz de Fora, comprou uma casa no bairro Concórdia, em Belo Horizonte, onde morou por muitos anos com a tia Filhinha e seus filhos.
Por residir bem perto da casa do Padrinho Aprígio, eu sempre o visitava. Ele adorava assistir TV. Dava boas risadas com os gracejos dos humoristas daquele tempo, Jojoca e Zé das Mulheres. Adorava também o Sinfrônio – Walter D’Avila, ator que ficou bem conhecido na Escolinha do Professor Raimundo. Quando a televisão em cores chegou ao Brasil, em 1972, ele comprou uma TV Philips, à válvula. Servia de grande distração para ele e minha avó.
Sentado na poltrona, ao lado dele e de Madrinha Loló, ouvi muitas histórias. Poderia ter ouvido muitas mais, como disse anteriormente. Sei que os filhos do tio Bernardino, além de outros netos, que costumavam também visitá-los com frequência, ouviam e guardaram na memória vários casos os quais ele contava com paciência e sabedoria.
Em 1985, meu querido avô adoeceu. A saúde se fragilizou e a família percebeu que Deus não demoraria chamá-lo para a eternidade. Foi no mês de abril daquele ano em que Tancredo Neves não tomou posse como Presidente da República, vindo a falecer. Ele me disse: “Tancredo Neves é um homem rico e os médicos não conseguiram salvar sua vida. E eu, então...” Tancredo faleceu em 21 de abril de 1985. Meu querido Padrinho Aprígio, em casa, cercado de pessoas que tanto o amavam, poucos dias antes de completar 92 anos, foi chamado por Deus, após cumprir com dignidade sua missão aqui na Terra. Foi numa tarde nostálgica que ele, em seu leito, deu o último suspiro, em sua casa, na rua Pacaembu, no dia 25 de abril de 1985. Meu pai, que estava junto dele, disse-me que as últimas palavras pronunciadas por ele foram: “Estou muito fraco.” Minha avó, já velhinha, com a memória prejudicada, não compreendia bem o acontecido. Sentimos que uma tristeza grande invadiu seu coração. Afinal seu companheiro fora embora. Sempre que eu ia lá, ela me perguntava: “Cadê o Aprígio?” Eu respondia indicando com meu dedo para cima, dizendo que subira para o céu. Em 31 de dezembro de 1985, Deus a chamou para o paraíso.
Deixo registrado neste relato um pouco da vida de meu querido e amado avô materno: Padrinho Aprígio. Tinha eu uma grande afinidade com ele, como meu leitor pôde perceber. Além dos motivos óbvios, meus familiares me diziam:
- “Como você está se parecendo com o seu avô Aprígio!” Eu me sentia orgulhoso quando me falavam isso e até hoje sou feliz de parecer com ele.
Nota: No texto publicado neste Recanto das Letras, denominado UM GRANDE SUSTO, deixei um registro em que este meu querido avô me levou no colo ao Hospital de Pronto Socorro, quando sofri uma terrível queda em uma cisterna. Em agosto de 1959, quando ainda não tinha completado 10 anos de idade.
Atualizado em: Qui 26 Fev 2026
