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O sono

O sono me puxa
Pelos cabelos que não tenho.
Desperto um pouco,
Vejo-me no meu lugar,
Que eu não sei onde é.
Perco-me em um labirinto que está dentro de mim.

Corro com uma faca nos dentes

Para não sair da minha mão,
Que eu não sei se é minha.
O sono dá um tempo para mim.

Um tempo como todo tempo,
Com presente, futuro e passado
Correndo abraçados.
O relógio não para.

No meu pulso ainda vejo alguma coisa.
Na luz do dia nada vejo.
O sono passa e leva com ele
Algo que é meu.
Meus olhos, meus ouvidos,
Todos os sentidos,
Pelo sono atingidos.
O sono adormece o meu ser,
Põe a minha alma no mar,
Para deixá-la sem peso,
Para facilitar para os ventos.
O sono antes de pegar o corpo
Tira a alma pra dançar.

O sono dá razão à falta de razão.

O sono da razão é um pesadelo,

Que embrulha os sentidos em um novelo

Que rola de ladeira abaixo.

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Atualizado em: Ter 30 Dez 2025

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