- Prosa Poética
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Depressão
Ela…
Ela vai e volta.
E quando volta,
faz de mim gato e sapato.
Me abusa,
me acusa,
me aponta...
E então, sacana,
me joga na cama
sem beijo,
sem drama,
sem desejo,
sem nada.
Ingrata!
Não me quer bem,
mas não tão logo me mata.
Safada!
Brinca,
pinta mil cenários
pra debochar dos sonhos.
Chama tudo de imaginário,
me faz de otário,
me repreende,
finge que sabe tudo —
e não me entende.
Só me prende:
parado,
calado,
abalado.
Meio raivoso,
meio choroso,
meio passado —
e só passando.
Existindo,
indo,
com ela do lado.
Mas ela vai…
e volta.
E quando vai,
às vezes até sorrio,
às vezes até levanto,
às vezes até vejo a luz do dia.
Mas não demora...
e parece que dá saudade
por ela ter ido embora.
E é sempre assim —
que ela volta.
