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O GRANDE BARCO DA VIDA - 'Estamos todos no mesmo barco'?
O GRANDE BARCO DA VIDA - 'Estamos todos no mesmo barco'⯑
Noite passada, pela madrugada, Levi teve vontade de se levantar a fim de escrever este texto. Não o fez. A cama estava muito quentinha e sua esposa, certamente, sentir-se-ia incomodada. Por isso deixou para elaborá-lo pela manhã do outro dia. É um assunto que está, com certeza, latente no cotidiano de todos nós, assim ele pensava.
Vejam só. Imaginou Levi que nós, humanos, pudéssemos estar dentro de um soberbo barco fazendo uma viagem, juntamente como várias pessoas: crianças, adultos, idosos... amigos, parentes bem próximos e componentes da sociedade em geral, por que não dizer. Esta viagem poderia ser comparada à vida humana. A seguir, vou tentar explanar o que passou pela cabeça do personagem da história.
Enquanto a embarcação vai singrando os mares, muitos tripulantes vão deixando a nau como se estivessem sendo arremessados ao mar, já que não conseguiam mais continuar a viagem. Não porque quisessem. Isso acontece com o ser humano. Chega a hora em que ele não suporta mais a doença e expressa uma sensação de exaustão e incapacidade de lidar com sua condição de saúde. Tem que deixar o barco, dar adeus às pessoas que ele tanto ama e rumar para outra direção: o desconhecido.Tem que pular do barco, querendo ou não. Significa que encerrou seu ciclo de vida. Chegou o instante de se apresentar ÀQUELE que o criou.
Levi citou que seu irmão mais velho se despedira da família no último dia 19 de julho do ano em curso. Já era de se esperar. O momento de abandonar o barco estava chegando e não havia outra saída. O sofrimento chega e o corpo já não suporta. O irmão abandonou o barco e deixou que todos os outros seguissem a viagem. Um a menos no grandioso barco da vida. Talvez ou, sem dúvida, Levi, naquele momento, fora impelido a redigir a escrever esta crônica. Estive e ainda estou refletindo muito sobre a passagem para o outro lado da vida, já que estou vivendo o luto pela morte dele, ressaltou ele muito reflexivo. Uma curiosidade sem tamanho o amedronta. Como será o lado de lá? Olhou firme para o rosto de seu irmão, cujo corpo estava sereno e coberto de flores, como se quisesse conversar com ele. Seu desejo era lhe pedir para lhe informar como fora sua apresentação ao Pai Celestial.
Continuando, Levi retorna ao gigantesco barco da vida, que singra cautelosamente o mar revolto, onde os passageiros às vezes choram, às vezes riem, às vezes gritam, ficam calados, sofrem, mas continuam olhando o horizonte, na esperança de que possam encontrar, lá na frente, a alegria, a felicidade... Que bom, pensa ele. A esperança ainda existe. Enquanto a esperança existe, a chama está acesa e a vida está valendo a pena. Tempestades no caminho são muitas. O barco saltita, mas não sai de seu rumo. Ainda bem...
Levi, de olhos cerrados, lembrou-se de uma frase que nós, humanos, costumamos dizer no dia a dia: "Estamos no mesmo barco."
Concluindo esta história, o homem, personagem desta história, calejado pelas adversidades da vida, com os olhos marejados de lágrimas, lembra-se de uma passagem do evangelho de São Marcos, já que o barco está muito presente na época de Cristo com seus discípulos, e fica mais aliviado:
JESUS ACALMA A TEMPESTADE
35 Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus discípulos: “Vamos para o outro lado”. 36 Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam. 37 Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água. 38 Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos?”
39 Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: “Aquiete-se! Acalme-se!” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.
LUIZ GONZAGA PEREIRA DE SOUZA
Atualizado em: Qua 15 Out 2025
