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  • O Ex-defunto

    Nas férias de verão, resolvi sair do inferno que era a trivialidade de uma vida pacata ao extremo. Nunca fui afim de viajar, de curtir com os amigos, de se embriagar ou coisa do tipo. Sempre fui fiel aos preceitos morais que minha mãe me deu. Segui piamente, durante décadas, os ideais familiares, os conselhos. Entretanto, nesse verão, resolvi sair da prisão cultural. Uma loucura extrema, talvez sobrenatural, abraçou-me de repente, e me forçou a quebrar as restrições coercitivas que me impedia sair da constância dos meus dias. Da forma como essa mudança inusitada me possuiu, fez-me sentir profundamente invadido. Talvez um demônio me possuiu, pensava. Eu me sentia leve, feliz e ao mesmo tempo, receoso. Durante a fase de preparação do cronograma de viagens, uma bipolaridade me tangia frequentemente, e assim fazia com que eu me sentisse: ora um caçador, ora uma caça. Contudo, meu lado obscuro venceu nas minhas decisões. 
    Passei em torno de dois meses, planejando, replanejando, desfazendo e refazendo meus planos para estas inexplicáveis férias que viriam. A fastidiosa carga horária de nove horas de trabalho me deixava exausto para planejar algo. Entretanto, como já mencionei, algo muito surreal me pungiu nesse momento. Toda noite, nesses últimos meses para as tão esperadas férias, empenhei-me distendendo meu descanso noturno à procura de promoções na internet e, metodicamente, planejando a viagem. Às vezes, pensava que estava ficando louco, mas acabei cedendo com a perspectiva de uma mudança, por mais radical que fosse, iria, assim achava, desopilar minhas tensões e seria, decerto, algo inédito. 
    No dia da viagem, peguei a minha cachorrinha, Dolly, e a levei até a casa do meu tio. Sem nenhuma preocupação pendente, encaminhei extaticamente até o aeroporto principal. Era uma euforia incontrolável e, lá no fundo, sentia que a minha normalidade estava acorrentada. 
    Desembarquei às oito horas da manhã (horário local) no Aeroporto Internacional de Dodoma, na Tanzânia. Esse foi o destino que o meu lado misterioso me guiou. Quando fui ao centro da cidade Dodoma, tive a sensação de que já estive naquele lugar antes — senti na prática o que na teoria eu refusava: a ideia do déjà-vu. Desdenhei essa abstração e volvi-me a apreciar as belezas da cidade. Tive um choque de percepção. Pensava que na África tudo era miséria, pobreza e selva. Achei extremamente fascinante a cultura e a peculiaridade daquela cidade. Monumentos, arranha-céus, construções opulentas desmitificavam os meus equivocados preconceitos. No entanto, o meu objetivo estava longe de ser a vida urbana. Queria inflexivelmente desbravar a temível Savana africana. Na verdade, a minha parte oculta que queria. 
    Após dois dias desfrutando das belezas urbanas, o grupo de turistas no qual eu me incluía, decidiu ir visitar a savana Serengueti, ao norte da Tanzânia. Eu estava bastante empolgado com o passeio silvestre. Os prados estéreis, os arbustos espargidos, e, acima de tudo, os temíveis animais africanos. 
    Durante a viagem dentro de uma gaiola ambulante, avistamos cenas indescritíveis; sentimos algo que só o ambiente pode nos proporcionar —O ar da liberdade. Paramos um pouco para apreciar uma manada de elefantes que cruzavam a estrada. Perpendicularmente à estrada, no lado esquerdo da nossa direção, avistamos uma cena inusitada, um grupo de leões estava espreguiçando-se no chão sem demonstrar nenhuma agressividade. Os turistas não paravam de registrar cada passo dos felinos. 
    Enquanto os leões distraíam a atenção dos turistas, eu observava ao longe, no lado direito, uma cena curiosa. Vi um homem, um rinoceronte, e depois, um tiro. Fiquei profundamente abatido. Não fui eu quem fora abatido, mas sentia-se partido. O monstro retraiu a atenções dos outros. E ficamos átonos diante tamanha brutalidade. Ele retirava rapidamente o chifre do morto, e ameaçou com a arma a todos nós. Então, o guia acelerou, sem delongas, à vante. Ao passo que o carro ia, eu olhava, amargurado e consternado, o verdugo se retirando às pressas. E a nossa expedição fora arruinada naquele momento. Perdi a essência de aventureiro. 
    Logo considerei que estava precisando de algo para retirar aquela cena horrenda da minha consciência. É difícil descrever minhas sensações naquele momento. Quando eu tentava se distrair, os pensamentos me assaltava inesperadamente. Via que não poderia viver a essência de férias tranquila, caso não fizesse o mínimo possível. Daí em diante, já não era minha consciência que me controlava. Estava com um ódio aliado a uma psicose incessante de querer destruir aqueles miseráveis que roubam o que não lhes pertence. 
    Voltei a inibir meus temores quando conheci, inesperavelmente, uma jovem nativa de vinte e três anos, em um restaurante na cidade Dodoma. Ela estava almoçando sozinha, em uma mesa de frente a que eu estava. Dardejei um olhar curioso a ela, e como se houvesse uma conexão intuitiva, ela equiparou seu olhar ao meu. Discretamente, disfarcei o meu vislumbre e, voltei a saborear a minha refeição. Ela lançava-me um olhar distinto e tentador, que me fazia sentir arrepios. Um momento depois estávamos face a face, eu e aquela elegante garota. Um inevitável sorriso de simpatia nos tangenciou. Acresce que, quando sorria, resolvi atirar um aceno cortês, e desastradamente, acabei derrubando o copo de suco da minha mesa, e fiquei profundamente envergonhado. O garçom cuidou do desastre e eu resolvi ir até a mesa daquela mocinha. 
    —Olá, tudo bem? 
    O sorriso foi a sua resposta. 
    Logo me dei conta de que não ela falava português, e me vi como um idiota. Minha situação estava pior que antes. Estava pressionado a dizer alguma coisa e a luz dos meus problemas veio com a respostava dela: 
    —Eu falo inglês! 
    Senti um alívio tremendo ao entender o que ela dissera. Pensei nas conclusões imediatas a que chegara com a sua voz e não pude evitar um riso de entendimento e de vergonha. 
    —Perdoe-me pela minha apresentação nada cortes 
    —Sem problemas. Ela sorria pendulando a cabeça de baixo para cima. 
    —Me chamo Marcos. 
    —Meu nome é Telissa 
    —Encantado em conhecê-la 
    —O prazer é recíproco! 
    Após essa cômica introdução, ela me convidou para sentar. Passamos horas conversando, por ora meio enrolado na fala, contudo, o entendimento foi concedido a ambos. Foi realmente deleitoso conversar com aquela simpática garota; passaram-se em torno de duas horas nessa conversação. Despedi-me dela, e ela disse que vinha com frequência almoçar naquele restaurante. 
    Por ora, minhas angustias estavam soterrada nas excitações, nas memórias reconfortantes daquela inexplicável conversa. Assim, conforme o dia ia se desfazendo, a minha empolgação para o almoço seguinte só aumentava. 
    No dia seguinte, passeei pela cidade, fui ao museu local, e olhava constantemente o relógio fitando não perder o horário do almoço. Seriam umas deis e meia da manhã e eu ainda estava no museu. O grupo de turistas ficavam fascinados com as esculturas, relíquias, entretanto, eu estava achando aquilo tudo entediante, antiquado e fastidioso. Quando o ponteiro tangenciou o marco doze, saí discretamente do museu e encaminhei até um táxi que me levou até o restaurante. 
    Lá dentro, olhei perscrutando as mesas e as pessoas a procura de Telissa, e não a encontrei. Era umas doze e meia quando resolvi reservar uma mesa. Pensei que ela já tinha ido embora, e assim, fiquei chateado em não encontrá-la. Cada mordiscada que dava na coxa de rã não sentia sabor algum, almoçava simplesmente para suprir minhas necessidades fisiológicas. Terminei de almoçar, e quando ia me levantando para sair, uma mão afaga meu pescoço. Senti-me leve e profundamente confortado com aquela mão; imaginava aquela simpática garota me acariciando. E, impensavelmente, tornei o meu pescoço para deslumbrá-la, e, infelizmente, tive uma quebra de expectativa: não era Telissa, era uma velho que estava se apoiando em mim para passar. Saí de lá aborrecido, olhando para o chão e pensando nela. 
    O dia se encerrou sem aplausos. Não foi um dia abençoado, foi um dia tão ruim quantos os outros que já tive. À noite, senti-me como um filhote deserdado, sem arrimo, com a dura sorte do destino. Dormi cedo naquela noite, estava totalmente desmotivado para qualquer atividade de lazer. 
    A essa altura eu já começava a pensar que ela talvez não gostasse de mim nenhum pouco. Deixei isso de lado e tentei aproveitar as férias. No almoço seguinte, caminhei até o restaurante, desdenhoso a qualquer distração, sentei-me cabisbaixo, ordenei um frago grelhado com batatas, e um suco de uva. Estava apreciando a comida, evitando que os pensamentos me usurpassem o momento. 
    —Marcos? 
    Uma voz me chama, e eu tento guiar a minha audição até o local exato. Diante de duas mesas atrás de onde estava, se encontrava a garota misteriosa. Meu coração acelerou, e senti uma tensão momentânea me pungindo. Era ela! Ela estava me chamando para compartilhar a companhia no almoço. Senti-me muito bem com sua presença e além mais, ela conversava com uma leveza que parecia que eu estava delirando. Nós conversamos várias horas, eu decidi convidá-la para passear —até porque meus dias ali estavam se acabando— e suavemente ela confirmou a minha proposta com um sorriso divino. Não sei se diria que me apaixonei por ela, mas, certamente, senti algo que há muito tempo não sentia. Ela demonstrava tanta simpatia que não cogitei o seu verdadeiro caráter. 
    Fomos até um parque há duas milhas do centro, ficamos ali apreciando os pássaro que desatavam a cantar; conversávamos como se já nos conhecêssemos há anos. 
    Durante os dias precedentes, a frequência de encontros só aumentava. Eu e Telissa fomos a parques, cinemas, shopping center, outros lugares urbanos. Toda essa reviravolta mudara intensamente o rumo bucólico que antes prognosticava. 
    Em uma manhã tão ensolarada quanto as outras, Telissa me encontra no Café-Renoir (ao lado do restaurante mencionado), e ao avistá-la, senti uma alegria imensurável. 
    —Bom dia, Marcos. Assim ela me chamava com um sotaque tão peculiar que até pensei que era um apelido carinhoso.. 
    — Bom dia, Telissa. Como foi a noite? 
    —Foi mais ou menos. Respondeu ela, como se estivesse incomodada com algo. 
    —Por que? interroguei-a com ar de espanto. Nunca a via desmotivada, triste como nessa ocasião. Ela optou pelo silêncio, e assim, eu a respeitei. Convidei-a para tomar café e, após insistir um pouco, ela cedeu. Conversamos algumas trivialidade, e aos poucos via o seu semblante voltando ao que era de costume. Fomos passear pelo parque, e depois de algumas voltas em torno, sentamos em um banco defronte a um pequeno lago, bem pequeno mesmo, talvez diria uma poça d’água se não fosse a presença de plantas aquáticas. Eu olhei nos seus olhos e ela retribuiu o ato. Seus olhos brilhavam bastante, e seus cabelos moreno avoaçavam com a sintonia do vento. Ela carinhosamente apalpou o meu rosto e desferiu-me um impiedoso e inexplicável ósculo. Seus lábios tangenciaram os meus, e o silêncio nos pensamentos caracterizou aquele momento irracional, em que os hormônios transladavam loucamente por nossos corpos. Não ingeri álcool mas me senti embriagado após aqueles beijo e carícias. Convidei-a até meus aposentos e ela não mediu esforços. Tive a melhor noite de todas, no entanto iria se arrepender amargamente por ter conhecido aquela mulher. 
    No dia seguinte, acordei ao seu lado, eu estava revigorado. Nunca me senti tão bem como naquele momento. Ela acordou com um carisma fascinante. Até cheguei a pensar, se ela estivesse fingindo, deveria ser uma grande atris, entretanto, o que importava para mim é que eu estava vivendo um momento deleitoso e, tudo aquilo, era, sem dúvidas, as melhores férias. Conversamos nos aposentos naquela manhã, almoçamos juntos —Ficamos o dia inteiro juntos. Foram momentos inescurecíveis e inexplicáveis. Aquela meiga e cálida garota me sucumbia qualquer tormenta. Era um anjo! 
    Faltava quatro dias apenas para o fim das férias. Eu evitava imaginar minhas férias acabando e ter que retornar para a monótona e exaustiva rotina. Nesse dia, pela manhã, Telissa me encontrou no Café-Renoir, após tomar lanchar, ela me convidou a ir visitar a sua casa. Eu fiquei surpreso por sua proposta e aceitei sem cogitar. Não foi tão longe, cheguei lá em torno de duas horas de táxi em uma área interiorana. Eu estava empolgado, com pensamentos ludibriosos me eivando e toda imaginação fértil no momento. No momento, não me perguntei como ela vinha para a cidade ou o que ela fazia lá. De fato, o desejo por prazer me fez agir sem pensar, ou há quem ressalve o lado obscuro que me fez ir até onde fui. Andamos em torno de dez minutos após descer do táxi, por uma trilha estreita, até chegar ao destino. Achei surpreso o lugar em que ela vivia. Mato ao redor, uma casa velha e, sobretudo, mistério. Como uma mocinha tão elegante poderia viver naquele lugar. Por um momento pensei que iria morrer, que talvez ela estivesse me levando para alguém me assassinar. Quando eu cheguei lá, um grande surpresa. 
    Carcaças de animais penduradas em estacas, provavelmente para secar. Eu me perguntava o porquê dela me levar para ali. Ainda com a ilusão de prazer, caminhei junto dela até a casa. Pensei, que nem todo mundo tem a sorte de viver com dignidade. 
    Ao entrar na casa, eu tive uma grande surpresa: uma arma, um alvo, e eu era alvo. Aí meus pensamentos explodiram; meu desejo latente foi convertido em terror iminente. Estava perplexo, e, cruamente, com a ideia de que iria morrer logo. O mesmo homem que outrora ceifou a vida daquele pobre animal na savana, estava prestes a ceifar a minha também. Fiquei mudo, sem palavras, nem expressões visíveis. Eu já estava imaginando a dor pura e efêmera de uma bala que logo transmutaria a minha vida ao esquecimento eterno. Cada milésimo de segundo pensado, era eternamente avassalador; eu estava me sentindo um defunto, uma presa coagida sem chances de fuga. Depois da minha pálida expressão, o homem despojou um sorriso maléfico. Era a hora da morte! exclamei mentalmente. 
    Depois de tantos pensamentos cruéis, Telissa toca em minha mão, e ao inflexivelmente afasto-a com um empurrão. Estava com profundo ódio dela. Como pude cair na tentação dela, pensava. O homem falou umas coisas que não entendi. Talvez tenha dito um Adeus ou coisa do tipo, e eu já estava lacrimejando quando, eu ouço um tiro. Morri! 
    Uma bala passa de raspão no meu ombro esquerdo, e eu fico sem entender. Não foi ele quem atirou em mim, fora outra pessoa (ou monstro) que atirou. Não sabia o que fazer. Abaixei-me, e engatinhei até atrás de uma poltrona rasgada, ao lado da porta. O homem começou disparar contra um outro que não consegui ver. O sangue estava brotando sem parar do meu ombro, era excruciante. Quando fui pegar um pano para conter o sangramento, eu me deparo com Telissa caída no chão. Não acreditei no que via, ela fora atingida no peito e estava agonizando. Puxei ela para perto de mim. E fiquei sem entender nada. Interroguei-a, ainda com remorso: 
    —Por que? Por que? 
    —Eu te... E ela apagou. 
    Não consegui entender as últimas palavras dela. Fiquei na dúvida se ela queria dizer que me ama ou que me odeia. Vislumbrei rapidamente o local, avistei algumas presas, chifres, no quarto e não me atentei mais aos detalhes. Corri escrupulosamente pelo cômodo até uma janela fechada, que logo foi quebrada com uma bala. O barulho ensurdecedor de fuzis, estava me deixando desorientado, entretanto, consegui me erguer e pulei da janela que dava de cara a um matagal. Corri desembestado, sem olhar para trás; me cortei todo, contudo, a dor não foi mais forte que a minha ânsia por viver. Quanto mais eu odiava a vida, mais temia a morte. Sob tal ótica, estava eu correndo sem parar, até que consegui chegar a estrada. De tão desorientado que estava, não sabia para que lado ir. Só sabia que teria de correr o máximo que puder. Resolvi intuitivamente, escolhendo a esquerda, e assim, marchei a passos larguíssimos ao desconhecido. 
    Enquanto eu avançava, fazia uma parada de vez em quando para conter o fôlego. O céu já estava prenunciando o crepúsculo e ainda não tinha chegado a lugar algum. Procurei à minha volta algum indício de residência ou de qualquer tipo de ajuda. E não obtive sucesso. A lua já estava imperando no céu, e eu estava ao relento, imundo, dilacerado, temeroso, sozinho e sobretudo, perdido. Eu resolvi repousar em uma árvore frondosa, temendo os animais ou algum monstro humano. 
    No dia seguinte, saí da árvore cansado e se coçando, meu estado de virgília não me concedeu uma noite de sono. E a coceira infame foi devido aos mosquitos noturnos. Achei uma árvore encantadora, próximo onde repousara, com supostos melões suspensos. Não resisti a tentação de comê-los; estava faminto. Comi dois melões e foi o suficiente para evacuar dezoito vezes durante a viagem. A diarreia estava me matando aos poucos. Desidratado e faminto, e ainda, correndo um grande risco de virar uma presa, lá estava eu, passando as minhas férias. 
    Segui a estrada a passos lentíssimos, quase se arrastando. Estava sentindo minha consciência se apagando. Achei uma poça d’água e cogitei em não beber. Tentei me hidratar, limpar minhas feridas e repousar um pouco. Ao lado, de onde eu repousava encontrei amoras silvestres, e por um tempo, cogitei em não comer. Não queria me desidratar mais, entretanto, a tentação da fome acabou me fazendo comer. Comi o máximo que pude, e por sorte, elas não me fizeram mal. Até que me ajudaram em conter o tenesmo. 
    Passei esse dia repousando em uma árvore, queria reter energias extras caso precisasse de uma fuga imediata. Comi toda a amora que encontrei. Não matava a fome, mas aliviava o incômodo da barriga vazia. À noite, consegui ter um sono ainda ruim, mas que me fez acordar um pouco melhor. 
    No dia seguinte, uma outra surpresa se verticalizou, agindo como um empecilho: uma manada de elefante descansava a baixo de onde eu estava. Receoso em descer em virtude dos casos de brutalidade desses animais, fiquei cautelosamente aguardando e com uma grande virgília, pois, eles poderiam derrubar a árvore se se sentirem ameaçados, e ainda, um pensamento atentador me fazia a todo tempo querer fugir: e se os caçadores de marfim viessem aqui matá-los, provavelmente iriam me matar também. Em meio a tantos pensamentos usurpadores, meu lado obscuro me concedeu a destreza de ficar escondido nas folhagens e aguardar. 
    Passaram-se horas, até que, ao meio dia, por aí, os brutamontes foram embora. Quando desci, estiquei minhas pernas, que estavam levemente dormentes, e o estalo foi a resposta para o alívio. Achei um escorpião enquanto estava comendo amoras, e, tendo em vista os programas de aventura na TV, achei coerente comê-lo, tirando primeiramente, o rabo. Ao colocá-lo na boca, suas pinças prenderam na minha língua que logo começou a arder, e tentei mastigá-lo, no entanto, um gosto essencialmente amargo me fez cuspi-lo. Nunca experimentei tamanho dissabor. Fui retornar a caminhada, e dessa vez não corria apenas para salvar minha vida, mas também para salvar a minha passagem de volta, pois só me restava um dia até o embarque. 
    Durante esse dia, eu andava em uma marcha rápida fitando poupar energia. Sempre que eu encontrava uma poça d’água não receava mais a sujeira, bebia como um animal. Durante o final da tarde, quando a penumbra já era visível, eu encontrei uma aldeia com poucas casas, mas que transpiravam um pouco de esperança. Não quis chegar durante a noite pedindo ajuda para não correr um risco de ser levado como inimigo ou quem sabe como caça. Preferi esperar em uma árvore com uns duzentos metros de distância. Na árvore eu avistava o fogo, que cintilava com a sintonia do vento. E dava para escutar as vozes dos aldeões. 
    O sol matinal envolveu-me quebrando o meu sono, que dessa vez foi o melhor desde que estava em fuga. Acordei animado para pedir ajuda. Afastando-me da árvore e olhando para frente, eu vi uma camionete chegando, e exclamei pensando: até que fim! ajuda! Pensava que iria obter comida, e ajuda para voltar, mas me enganei feio; eram traficantes de marfim que chegaram para descarregar e armazenar naquelas casas. Fiquei realmente abatido, pois, no dia seguinte teria de estar no aeroporto. 
    Retornei, a caminhada e evitei entrar em contato com os anfitriões, até porque eu era estrangeiro ali, e não iria entender o idioma local. Caminhei bastante desconsolado; não estava mais com aquela ânsia por viver; sentia-me um defunto. Sem perspectivas a não ser perecer. Meus passos já não estavam com a empolgação de antes e eu já começava a sentir dores que por ora me impossibilitava de caminhar incessantemente. Só um milagre para me tirar daquela aventura fadado à seleção natural. 
    Resolvi voltar a seguir a trilha da estrada de terra, e dessa vez, seguir até onde meu corpo me possibilitar. Enquanto via o caminho ficando exaustivo, doloroso, meus pensamentos estavam voltados para uma simples pergunta, mas com uma resposta temível: irei morrer? 
    Durante muito tempo devo ter ficado semi-desacordado. Não me recordo nada além de caminhar à diante, como um guerreiro que não teme mais a morte e busca o último triunfo: confrontar com a morte. Disseram-me que fui deixado na frente do hospital de Dodoma e que uma camionete me trouxera. Quem me trouxe não parou para questionamentos, simplesmente vazou como se nada tivesse acontecido. 
    No dia da viagem eu estava acamado, e ainda sob os cuidados médicos. Estava com uma infecção intestinal, desidratação, contusões, hematomas, e   inflamações em diversas escoriações que colecionei durante a fuga. Por fim consegui adiar a minha viagem alegando atestado médico. 
    Hoje completou exatos quatro anos desde que fui à Tanzânia. Recordo-me fascinado daquela inusitada vivência. Tenho várias dúvidas. Será que Telissa realmente me amava? Será que ela sobreviveu? Será que homem armado não queria me matar de verdade? Será que Telissa queria me mostrar algo? Será que foram os criminosos que me salvaram? E por que fizeram isso? Muitas dúvidas que guardo para mim, e sei que nunca irei saber ao certo. O mistério do meu lado obscuro ainda não foi desvendado; fui à vários médicos e não obtive outro veredito senão: Psicótico...
  • O Grotesco Prazer

    “Schadenfreude ist die schönste Freude, denn sie kommt von Herzen." 
       “Schadenfreude é a alegria mais bela, já que vem do coração.” 
       - (ditado popular alemão).
       
       Um homem sai do saguão de um grande edifício e começa a caminhar pela calçada. Passam das cinco horas da tarde, final do expediente deste sujeito bem vestido, de terno e gravata acinzentados; o terno, por sinal, de lapela curta, e como estava fechado, apenas se via a gola e uma pequena parte da camisa social branca que vestia por baixo. Um homem chique, que se veste bem para ir ao seu trabalho um tanto quanto burocrático e chato, mas que lhe rende uma quantia de dinheiro bem salgada todo o mês. E ele estudou para isso, para conseguir um trabalho que possa fornecê-lo uma conta bancário aceitável para alguém da classe alta.
       Logo mais à frente, naquela calçada muito bem feita – com paralelepípedos aparentando um estado tão bom que deveriam ter sido colocados há pouco tempo –, ele seguiu até seu carro; um Renault Duster da cor branca. Saiu da calçada para dar a volta no carro, abriu a porta e se sentou no banco do motorista. Começou a desabotoar o paletó, fechou a porta e pôs a chave na ignição a girando para ligar o painel. Se ajeitou no veículo, ligou o precioso ar condicionado, e logo deu a partida. Como sempre, soltou o freio de mão e engatou a primeira marcha. Ao sair do acostamento e entrar na via, rapidamente desenvolveu uma segunda e terceira marcha. Estava com pressa, queria logo chegar em casa.
       Em casa, após passar pelo portão, deixou o veículo na garagem, que, assim como o portão da frente, se abriu com um feitiço de mágica chamado “tecnologia”. É, este homem tem uma vida que poucos têm. Desceu do carro e caminhou até a porta que leva à grande sala de sua formosa residência de dois andares.
       Estava cansado pelo serviço entediante, mas esse cansaço logo passaria agora que está em casa e pode fazer o que quiser para relaxar. Mas então surge barulhos na escada, logo mais ao lado, que leva para o segundo andar. O homem, ainda bem vestido e que acabara de chegar em casa e estava cruzando a sala para subir justamente aquelas escadas, olhou para aquilo que causava os barulhos de passos. Era sua filha.
       - Pai! Olha só o que eu... – Falava a menina agitada, com um papel a balançar na mão direita, quando deu um pequeno tropeço na escada e não pôde terminar o que queria dizer.
       - Meus Deus, Letícia! Quase que você caí! – Fala o homem, apavorado por quase ter visto sua pequenina rolar escada à baixo.
       - Foi nada. – Disse a garotinha, aparentando ter seus quatro ou cinco anos de idade.
       - Como assim “nada”? Você me deu um grande susto, menina! – Exclamou o sujeito, ainda puxando fôlego depois daquele susto.
       A garotinha terminou de descer as escadas e foi direto ao seu pai. O abraçou, e ele a levantou em seu colo e disse:
       - Te amo muito, se você se machucasse, eu ficaria muito triste. Por isso, não quero mais te ver descendo rapidamente essas escadas, certo? Desça com calma de agora em diante. – Falou ele, beijando a bochecha de sua filhinha.
       - Aqui, pai, eu desenhei isso pra você. – Disse a loirinha, levantando o papel que tinha em mãos na altura dos olhos do pai.
       O homem, segurando carinhosamente sua filha – já meio pesada – no colo, pegou o papel da mão da menina e deu uma boa olhada nele.
       - Que lindo! É uma bela... Garrafa pet marrom? – Disse o pai, sorrindo para a filha, que por sinal não ficou muito feliz com aquelas palavras.
       - Não é uma garrafa marrom, pai. É um cavalo! – A menina quase chorava, estava magoada porque o pai zombou de sua bela garrafa... digo, cavalo que desenhou com tanto amor para aquele homem que ama tanto, mas que pouco tempo passa ao lado dela.
       Quando viu a burrada que fez, o sujeito elegante com aquele paletó aberto, resolveu se desculpar com a filha:
       - Oh, meu amor, eu estava apenas brincando... Claro que eu sabia que é um cavalo, e bem desenhado! – Disse o pai, abraçando a filha e a beijando no canto da boca. – Vou pendurar esse desenho na parede da minha sala lá no trabalho. – Ele continuou a falar, mas é claro que era mentira. Aquele desenho feito com tanto amor para ele, um presente da pequenina e ingênua filha, acabaria em uma gaveta ou pior.
       A menina continuou um pouco decepcionada, mas aceitou as desculpas do pai por conta da sua inocência de criança. O homem então a largou no chão e ficou com o desenho em mãos.
       - Onde está a mamãe? – Ele perguntou.
       - Lá na quarto, ela tá dobrando roupa. – Respondeu a criança.
       Sem mais palavras, o sujeito bem vestido começou a subir as escadas; lá em cima, seguiu para o seu quarto. Entrou nele, passando pela porta aberta, e viu sua esposa de frente para a cama à dobrar as roupas e à empilhá-las. Se aproximou da mulher e a abraçou por trás.
       - Me larga... tenho que terminar isso aqui. – Disse a esposa, meio ranzinza. Devia estar em um mau dia.
       - Olha só o que a Lelê desenhou. – Falou o homem, largando a esposa e colocando o desenho que Letícia fez para ele.
       - Sim. Vê se não joga fora, ela levou quase a tarde toda para desenhar isso pra você.
       - Mas é claro que não vou jogar fora, de onde tirou isso? Eu nunca jogo nada fora. – Embrabeceu o marido, mas logo abaixou a voz para não irritar a querida esposa. – Eu vou deixar na gaveta e amanhã eu...
       - Você leva pro trabalho e pendura na parede? – Disse a mulher, não deixando o marido terminar.
       - Sim. – Ele apenas disse, e ela, com os olhos fixos na roupa que dobrava, deu um sorriso sarcástico e forçado. Ela sabia que o papel seria esquecido na gaveta e nunca terminaria na parede de seu escritório.
       Mas o homem não se importou, logo virou as costas para a esposa e foi até o guarda-roupa pegar uma peça de roupa para levar com sigo para o banheiro, onde tomaria um banho.
       Mais tarde, após o banho, foi até a sala, já usando uma roupa mais confortável, e sentou-se no grande sofá. Por lá ficou descansando, até que Letícia apareceu para ligar a barulhenta TV de led grudada à parede. O sossego acabou!, pensou o homem que queria apenas relaxar com o silêncio pairando no ar. Mas para seu azar, ele tem uma filha pequena. Na verdade, nem é azar. Ele ama a menina, e ela é uma boa filha. Às vezes se estressa e também deixa de dar atenção para a filha, porém nunca deixará de amá-la. Ela é sua filha, ora bolas! Não é dos outros, ela é sua. Criação sua; com a grande ajuda de Bianca, sua esposa, é claro. Sem a mulher, nunca teria conquistado uma filha tão linda como Letícia. 
       Foi então que o pai, ainda sentado no sofá, chamou a filha para perto de si. Passou o resto do dia ao lado da menina, olhando programas infantis e jogando alguns joguinhos de criança. Queria descansar, óbvio, e ficando próximo da filha conseguia apenas agitação e dor de cabeça, mas pela menina valia a pena.
       Ás oito horas e meia, mais ou menos, Bianca chamou da cozinha o marido e a filha para irem jantar. A mulher havia preparado tudo, como sempre. Tinham uma empregada que limpava a casa durante o dia, mas as demais tarefas era Bianca que fazia e não se queixava. Era uma verdadeira dona de casa. Pai, mãe e filha jantaram alegres à mesa, até mesmo a esposa não estava mais aborrecida como antes. Talvez ver o marido e a filha brincando junto na sala tenha a alegrado, já que ultimamente o marido vivia um pouco distante.
       Ali pelas dez horas, Letícia já estava cansada demais pelo agito de logo à pouco com o pai, por isso não demorou para a garotinha começar a bocejar.
       - Edu, leve a Lelê pro quarto. – Disse Bianca, mandando no marido. E como todo bom marido, ele obviamente obedeceu a ordem sem pestanejar.
       O homem foi até sua filha, quase dormindo no sofá, e a agarrou no colo.
       - Não tenho sono, pai... – Disse a menininha com a voz cansada e dengosa.
       - Você já tá quase dormindo, filha. – Disse o pai, já ajeitando a filha em seus braços. – Vou ti levar pra cama.
       A menina não discutiu, apenas se entregou nos braços do pai. Os dois subiram as escadas e entraram no quarto da menina. O pai colocou a menina de pé ao lado da cama, para então puxar o cobertor. Letícia não queria soltar o pescoço de Eduardo, de tão molenga que estava grudada ao seu pai, mas acabou o largando por segundos até o homem a pegar novamente em seus braços e a colocar deitada sobre a cama. Puxou o cobertor fino sobre a menina e fez um carinho nos ombros dela quando a ponta de cima do cobertor chegou ao ombro dela. A filha sorriu.
       Por fim, Eduardo beijou sua filha na testa e ainda inclinado sobre a garotinha ele disse:
       - Boa noite, meu amorzinho. 
       A menina se agitou, fez uma carinha melancólica e disse:
       - Fique mais um pouco, pai... – Disse ela, quase suplicando.
       - Já passa das dez horas, Lelê. Tem que fechar os olhinhos e dormir. – Falou o pai, não se comovendo muito com as palavras e expressão facial de sua filha, pois a conhecia e se ficasse mais tempo com ela no quarto acabaria deixando ela mais agitada e não dormiria nunca desse jeito.
       - Mas eu tenho medo do escuro. – Disse ela, mas não consegue mais enganar o pai.
       Faz já alguns meses que Letícia dorme sozinha em seu quarto, e no começo a menina berrava e corria para dentro do quarto dos pais, mas com o tempo perdeu esse medo de ficar sozinha e no escuro em seu próprio quarto. Não há o que temer quando está debaixo do coberto e sobre seu aconchegante colchão, ela já sabe disso, o seu único problema é quando sente vontade de ir ao banheiro e tem medo de ir até lá naquela escuridão onde o interior da casa mergulha depois que todas – ou quase todas – as luzes se apagarem. Mas estando já na cama, cansada e molenga, e provavelmente sem vontade de ir ao banheiro, Letícia não tem nada que à impeça de cair logo em um sono profundo.
       - Você não tem mais medo, nos últimos dias dormiu sempre sozinha. – Disse o pai, já de pé e dando meia volta. 
       - Mas agora ele voltou! Tenho medo! – Birrou a filha, desesperada ao ver seu pai se afastando de si.
       - Ah, amorzinho meu, o pai está cansado. Brinquei e assisti TV contigo o tempo todo desde que cheguei em casa já cansado do trabalho. – Falou em um tom bastante sério.
       - Tá bom. – Falou a menina, emburrando e puxando o cobertor, tapando o seu rosto.
       Aquilo entristeceu o homem. Podia ficar um pouco mais com sua filha, fazer companhia por mais alguns míseros minutos. Não custaria nada, mas... A menina não pode ser mimada, e um pai de verdade sabe disso. Resolveu sair do quarto; apagou as luzes, saiu e antes de fechar a porta, olhou para Letícia e disse:
       - Boa noite, Lelê. – E fechou a porta.
       Não sentiu remorsos. Não fez nada de errado. Letícia não pode ser mimada, senão irá se tornar uma jovem despreparada para as tristezas do mundo. E amanhã o pai pode muito bem passar mais algum tempo com a filha quando voltar do trabalho, isso se ele se lembrar disso amanhã. Nunca poderemos saber como iremos estar no dia seguinte. Mas se Eduardo não quiser se arrepender futuramente, acho melhor não se esquecer ou ignorar sua filha nunca mais, pois quando ela crescer, não poderá voltar no tempo para aproveitar novamente o amor daquela doce e inocente menina. 
       Mas agora que já colocou Letícia na cama, seguiu até a sala e deu de cara com a esposa logo ao descer as escadas.
       - Já vou dormir. – Disse Bianca, com cara de sono.
       - Claro. – Ele apenas disse.
       - Você não vem?
       - Daqui a pouco eu vou, tenho um negócio do trabalho pra fazer. – Disse Eduardo, mas podia-se notar algo de estranho em sua voz.
       - Então tá, eu já vou. – Finalizou a esposa, logo seguindo seu caminho e subiu as escadas. Ela nem se importou com a estranheza de seu marido.
       Essa “estranheza” tem um nome, mas o homem prefere ignorá-lo, pois este soa um pouco doentio. 
       Seguiu até a cozinha. Em frente à pia, limpa e com pratos e talheres e copos lavados a secar sobre o suporte de plástico ao lado, o homem pegou um copo limpo e o encheu com a água da torneira. Levantou o copo cheio e o bebeu de uma vez só. Largou o copo seco solto sobre a bancada da pia e logo partiu até o canto da cozinha onde desligou as luzes no interruptor que lá havia. Fez o mesmo na sala, apagando todas as luzes da casa.
       No escuro, caminhou sem dificuldade alguma até as escadas. Conhecia sua casa como a palma da sua mão, por isso até com os olhos vendados conseguiria alcançar qualquer lugar que quisesse. Subiu as escadas e no corredor seguiu reto até o seu final, pois bem lá no fim ficava uma porta invisível naquela negritude. 
       O homem sabia que, mesmo sem enxergar, seguindo reto pelo corredor alcançaria a porta para seu escritório. Podia ir dormir, não havia trabalho há ser feito em casa nessa noite, mas o que o atrai até seu escritório é algo mais prazeroso. Algo para saciar um vício, ou melhor, uma doença. Não é algo normal, o sujeito sabe disso, mas ainda assim prefere ignorar.
       Como perdeu boa parte do resto de seu dia com sua filha, teria menos tempo para se deleitar com aquilo que lhe aguarda dentro de seu isolado escritório. Está cansado, claro, mas o cansaço não diminui a vontade de ocupar a mente com algo prazeroso para si. Um hobby, talvez seja, que se tornou uma espécie de tradição. Todas as noites – ou quase todas – ele tem aquele desejo, aquele passatempo, que o prende de minutos à horas trancado em sua base fortificada, onde nem sua esposa e nem sua filha estão por perto. Pode fazer o que quiser lá dentro, pode ser outra pessoa.
       Chegou ao final do escuro corredor e entrou no escritório. Ligou as luzes, fechou a porta e caminhou até a sua mesinha de trabalho, bem no centro mais ao fundo do cômodo. Se sentou em sua cadeira macia e giratória, uma dádiva para suas costas acostumadas com uma boa e confortável vida. Havia um notebook sobre a mesinha, juntamente de outras tralhas. Levantou a tampa do computador portátil e apertou o botão power.
       Demorou até o notebook ligar, cerca de dois minutos – que para Eduardo já era tempo demais para esperar. Quando a tela acendeu e ele colocou a sua senha, logo foi direcionado para sua área de trabalho.
       O papel de parede na tela do aparelho, por trás dos vários ícones, era um lindo horizonte suavemente azulado em uma tarde fresca de verão. Uma imagem linda, que trazia paz, mas o homem não quer paz agora. Ele quer apenas saciar o seu gosto exótico. Quer matar a fome, encher a mente com o suco da vida. Absorver forças inexplicáveis e se deleitar com tais magníficos sentimentos que afloram sua pele.
       Com a mão sobre o mouse, ao lado direito do notebook, o deslizou para o lado até o seu ponteiro no televisor alcançar um ícone em especial. Depois de dois cliques, uma janela do navegador se abriu. É hora de acessar o e-mail, ele pensou, mas então teve outra ideia melhor. Deixaria o principal para o final, primeiro iria visitar um site em específico e depois dar uma olhada em um certo fórum para então acessar por fim o e-mail e ver se chegou algo de novo.
       Abriu a guia anônima do navegador e começou a digitar letra por letra o endereço do tal site que iria visitar. Sabia de cór o nome, de tanto que já o digitou nas noites em que passa sozinho em seu escritório. Nos outros dias tinha mais tempo, podia deleitar-se o quanto quisesse, mas como hoje demorou para vir até o seu “porto-seguro” já que com sua filhinha passou a maior parte do tempo, teria no máximo uma hora. Logo teria que se deitar e dormir, porque amanhã é um novo dia onde terá que acordar às sete horas para se aprontar para ir trabalhar como sempre.
       A interface do site tinha duas cores predominantemente, vermelho e preto. Fundo todo escuro e letras em sangue. Era um aviso, e nele estava escrito em letras bem grandes: “O conteúdo deste site é impróprio para menores de dezoito anos”, e embaixo havia um ícone escrito: “Acessar”, e é claro que Eduardo clicou sobre ele.
       Logo foi direcionado para a verdadeira interface do site, e as mesmas cores de antes ainda eram predominantemente, porém agora tinha também ícones de vários e vários vídeos. Não é todo o dia que o homem acessa esse site, pois nem sempre os responsáveis por ele postam algo, por isso costuma ficar sempre uma semana sem vê-lo para então na noite do sétimo dia acessá-lo e ver todos os novos vídeos e matérias postados durante toda a semana que se passou. E o homem sorriu ao ver quantos novos vídeos haviam ali agora.
       As imagens dos ícones que direcionam para os respectivos vídeos estavam meio borradas, não porque a internet não as carregou, foi porque elas são mesmo impossíveis de serem detalhadas de propósito. E para o cidadão saber o que aquele curto vídeo apresenta – ou imagens, pois nem sempre eram vídeos mesmo estes sendo a maioria e o foco principal – uma série de linhas escritas ao lado dos respectivos ícones, explicando o que aquilo é.
       O homem focou no primeiro ícone e então leu por cima o que ali estava escrito. A única coisa que leu ali e acabou instigando sua mente a clicar para ver o vídeo foi o fato de haver a palavra “criança”.
       Após clicar e ser levado a uma página com o tal vídeo, início o player para assisti-lo. Foi então que começou a ver uma filmagem amadora, de apenas três minutos, e pelo que pôde notar pelo ambiente e pela fala das pessoas, devia ter sido filmado no sul dos Estados Unidos. 
       Era um aglomerado de gente, circundando a certa distância algo que prendiam seus olhares assustados ao centro da roda. Ali estavam dois homens, uma menina, e uma ave de rapina enorme – bem provável que seja uma águia. E o que fazia as pessoas em volta se espantar com aquilo era porque a menina gritava muito. Estava desesperada, e a ave estava bem ao lado dela, mas pouco se via pois um dos dois homens a tentar acalmar a menina estava bem na frente. E a mão do corajoso sujeito a filmar tudo, tremia bastante. 
       Mas foi então que aquele sujeito que bloqueava a visão mais detalhada da menina, resolveu dar alguns passos para o lado é o que a câmera focou foi bem chocante. A ave de rapina estava com o bico cravado no braço da pobre menininha, que devia ser só um pouco mais velha que a Lelê. 
       Podia-se detalhadamente ver o braço mutilado da garotinha a agonizar enquanto aqueles dois homens tentam tirar o bico do animal de sua carne branca. A ave estava sendo esganada por um dos rapazes, que por sinal vestiam algum tipo de informe idêntico, como se trabalhassem em um zoológico ou coisa parecida; mas pelo ambiente que pode se vê ao redor, aquilo é uma grande área aberta, grande demais para se localizar dentro de um zoológico por mais grande que este fosse.
       O vídeo acabou e não teve desfecho. A águia seguiu com seu bico cravado na menina a gritar. O homem em frente ao notebook ficou pensando: “Porque não mataram a porcaria da águia? Se fosse eu, degolaria a criatura para salvar a criança... Bom, pensar é fácil, difícil é fazer. E quem teria uma faca ou facão em mãos naquele lugar, que mais parecia um tipo de reserva ambiental?”.
       Foi a vez de retornar à interface principal do site e acessar o vídeo à baixo deste último que Eduardo viu com tanta curiosidade, ficando indignado e sentindo prazer inexplicável nesse seu sentimento estranho ao assistir desgraça alheia. E ainda mais por ser uma criança a sofrer, isso o deixou impactado. E deleitou-se com este saboroso sentimento. Logo clicou sobre o próximo ícone de vídeo, sem nem ler sobre o que era, então foi direcionado para um novo player que começou a rodar um novo vídeo quando o homem clicou sobre ele.
       Outro vídeo amador, e o ambiente era semelhante ao do anterior, a diferença era nas pessoas que agora apareciam na sua tela do notebook. Eram todos negros, por isso supôs que fora gravado na África. Provavelmente em algum país pobre e com conflitos internos, pois ali se via várias mulheres mal vestidas junto de seus pobres filhos, uns nos colos de suas mães e outros a caminhar ao lado. Mas não havia somente mulheres e crianças, o sujeito que estava gravando era homem, pelo tom de voz, porém ainda haviam outros homens ali. Todos negros e com farda de uma espécie de exército ou grupo de guerrilha, e em mãos empunhavam rifles que o nosso sujeito sentado na macia cadeira de seu escritório e a assistir tudo aquilo por uma tela não pôde reconhecer o modelo ou calibre – E como poderia? Eduardo nem sequer serviu o exército.
       Os homens fardados conduziam aquelas mulheres e crianças, como se estivessem às escoltando. Porém aquela caminhada teve um fim, e então os soldados deram ordens para as mulheres e seus filhos em uma língua esquisita. Foi aí que aquelas pessoas indefesas foram se alinhando lado a lado e se ajoelharam de costas para os homens armados.
       Um tiroteio se iniciou. Mulheres, crianças grandes e pequenas – até no colo de suas mães – foram sendo abatidas. Os primeiros disparos atingiram as mulheres, em seguida os filhos, e por fim os assassinos fardados, de cor de pele idêntica ao das inocentes almas sacrificadas, foram se aproximando dos corpos e acertaram um tiro na cabeça de cada um para ter certeza de que estão mortos. 
       Bem no final daquele vídeo de quase seis minutos, o câmera, falando em uma língua desconhecida, aproximou a imagem de uma criança que devia ter no máximo dois anos de idade. Estava com a cabeça estourada e ainda grudado aos braços de sua mãe igualmente morta. As vozes do câmera e dos soldados ao redor eram de pura zombaria, dava para notar pelo tom e pelas risadas.
       Eduardo absorveu cada segundo daquele vídeo incrível. Estava impressionado, pois já vira outros vídeos com execução, mas nunca havia visto uma criança sendo executada. Foi a vez de procurar outro vídeo na interface, e este terceiro era o último, pois os demais o homem em sua confortável cadeira já tinha visto em outros dias já que eram antigos e este site demora para publicar algo. O terceiro e último seria clássico, logo pensou, pois em sua descrição tinha “acidente de trabalho” em letras vermelhas.
       Sem mais enrolação, logo começou a assistir o último vídeo. Nele aparecia um homem solitário ao lado de um tipo estranho de máquina que rodava e estava enrolando algo que se assemelha a tecido. O sujeito solitário começou a tentar ajeitar o tecido, que estava ficando desparelho, e acabou prendendo a mão. Foi jogado ao chão e logo levado para cima estando com o braço inteiro preso agora. A máquina não parou de rodar, e o homem ia rodando junto em uma velocidade considerável. Suas pernas se chocavam brutalmente todas as vezes que era jogado para baixo e depois levantado para então descer outra vez. Foi se formando um rastro de sangue onde as pernas de borracha do rapaz se chocavam contra o chão. Não havia ninguém ali para ajudar. O vídeo acabou e o homem continuava rodando, provavelmente morreu, pensou o nosso homem de mais sorte, sentado a assistir o que mais lhe chama a atenção e mais lhe trás curiosidade. A desgraça alheia!
       Decidiu sair do site e procurar algo de “bom” nos fóruns perdidos na internet, nos quais consegue acesso porque já fora a tempo convidado por “amigos” para participar de ambos. 
       O primeiro fórum era um aglomerado de pornografia do tipo mais variado tipo, e ilegal. Decidiu ver o que havia no outro fórum, pois pedófilo o nosso homem aqui não é, ele é apenas um curioso. Alguém que busca prazer naquilo que é pútrido na humanidade. Fatalidades, crueldades, é isso o que mantém mais a atenção desse sujeito estranho, mas ainda assim tão comum.
       No segundo fórum achou um melhor prato para se deliciar. Haviam muitas imagens de pessoas sendo torturadas, pessoas mortas e até crianças com membros mutilados.
       Por fim, chegou a hora do principal. Já é meio tarde, e deve logo ir dormir, mas um último deleite ainda pode vir antes de ir para a cama. Acessou o e-mail e logo viu algo de novo em sua caixa de mensagem. Era uma mensagem estranha, em uma língua semelhante a árabe, mas o que importa é que ali havia um arquivo de vídeo anexado. 
       Abriu o player do sistema do Windows e logo começou a assistir. Ali havia uma jovem, de aparência europeia, amarrada há uma cadeira. Em frente a ela estava um sujeito encapuzado, segurando uma faca. Ele se aproximou e ela gritou. Eduardo viu aquele homem encapuzado cortar um dos dedos da jovem, e este foi trazido até a frente da imagem como se fosse um troféu a ser segurado pelo maníaco, enquanto isso a jovem agonizava.
       O homem, em seu escritório com os olhos vibrados naquilo que via, escutou o som da porta sendo aberta. Olhou e viu que era Letícia que entrava para atrapalhar o pai nesse momento de puro êxtase.
       - Lelê? Porque não está dormindo? – Ficou nervoso e o mais rápido possível desligou o notebook enquanto falava. Será que sua filha escutou os gritos vindos de seu computador? Bom, o volume estava baixo, mas...
       - Não consigo dormir, fica comigo pai? – Perguntou a menina, com uma cara fechada e esfregando os olhos e bocejando. Não deve ter escutado nada. 
       - Porque levantou da cama?
       - Acordei e não conseguia dormir de novo. Estava sozinha no escuro, e...
       - Tudo bem, filha. – Eduardo se levantou e foi até a menina. A pegou no colo e lhe deu um beijo na bochecha.
       Naquela noite o homem dormiu ao lado de sua filha, que levou consigo para o seu quarto onde sua esposa já roncava. Dormiu abraçando as duas. Antes de pegar no sono, chegou a pensar sobre o porque de sentir tanta vontade de ver aquele tipo de coisa no seu notebook, mas logo desistiu de procurar uma resposta para aquela sensação instigante. É difícil de explicar, o que ele sente é apenas um grotesco prazer.
  • O Guardião da Floresta

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      - Aitniê. - Disse em voz alta o indígena que guiava o barco, quando avistou a primeira luz do sol tocar o céu. Causou um reboliço no pequeno convés atrás de si.
      - É o quê? - João se pos de pé num pulo desejeitado. Pos uma mão no cabo dum revólver na cintura e a outra agarrou a borda do barco. Olhava para todos os lados, nitidamente assustado.
      - Significa 'Bom dia'. - O índio respondeu achando graça. Todo os tripulantes acordaram com a sua saudação.
      - Vai se foder índio. - João disse cuspindo na'gua.
      - O nome dele é Ubiratan! - Zé 'Tinhoso' o corrigiu com sua voz rouca. Sua expressão anulava qualquer objeção que o outro tivesse. Era o líder do bando.

      João era o novato, no total eram cinco malfeitores navegando rio acima em busca de algumas madeiras para o 'contato'. Zé esticou os ossos e foi até a ponte ter com o 'capitão'. Todos já estavam de pé.


       - Onde estamos? 
      - Sei lá. - Ubiratan respondeu sorrindo, sacudindo os ombros. Antes de qualquer reação, apontou para um mapa estirado no painel. - Por aqui. - Seu dedo estava perto da área marcada pelo Contato.
      - Logo logo tá nas vista! - Zé disse virando as costas. - Saruê, Pequeno… prepara as ferramentas. João, fica de oio nas margens. Vou prepara um trago pra nois.
    O, graças a Deus! - Saruê disse erguendo as mãos indo para o seu afazer.

     Uma conversa fiada tomou conta do barco rapidamente, depois que Zé abriu uma garrafa de cachaça e o copo foi de mão em mão, uma dose pra cada. Duas para o chefe, como de costume. João era o único que cumpria as ordens, seus olhos saltavam de uma margem para outra sem descanso, participava minimamente da conversa. O barco de pesca seguia num ritmo constante e tedioso, Ubiratan gostava de falar para espantar o sono e matar o tempo. 

      - Fala aí "Biratan", diga o significado de seu nome, diga. - Pequeno pediu apontando para o João. 
    Lança Dura! - Ubiratan disse e todos riram.
    Essa desgraça faz sucesso com as quenga, acredita? - Saruê olhava para João. - Nois conta isso nas Birosca já vem umas treis pra confirmar. - Gargalhou.
    Bora ajeitar essas serras, seus carniça! - Zé disse em meio às histórias. 

      O sol estava a meia altura quando Ubiratan avistou as copas coloridas das árvores. 


      - Oh lá Zé!
     - Bora ganha um dinheiro! - Respondeu animado pegando uma Serra elétrica pra si.

      Dez minutos depois o barco foi amarrado na margem. Ubiratan desembarcou rapidamente e entrou no mato a esquerda, carregava um pedaço de corda e um saco de fumo nas mãos.


      - João, fica de zóio no barco até ouvi a serra canta, beleza?
      - Po'deixa chefe! - Estava se afeiçoado ao grupo.
    Bora cambada! - Zé foi seguido pelos demais, todos carregavam uma Serra e facões. 

       Alguns passos depois, sumiram na mata fechada. O índio reapareceu andando de costas, desenrolando a corda com cuidado no chão cortando-a.


      - Que isso? - João perguntou curioso.
      - É pro Demônio da Floresta. - Ubiratan respondeu sério. -  Por onde eles foram?
      - Curupira? - João explodiu numa gargalhada - Puta que pariu - Ele não conseguia parar de rir, mesmo com o índio o encarando sério. - Foram por ali. - apontou em meio uma torção causada pelo riso exagerado. Ubiratan sumiu no rastro dos demais.

       Algum tempo depois o barulho da serra se fez mata adentro, era hora de agir. João ainda sorria, tirou o excesso de lágrimas dos olhos e deu mais uma olhada nos arredores antes de iniciar a caminhada. No segundo passo, viu a ponta da corda deixada por Ubiratan e resolveu segui-la. Dez passos a frente achou um punhado de corda enrolada, escondendo um pacote de fumo lacrado. Deu um riso largo e pegou a prenda olhando em volta, desconfiado. Sorriu mais uma vez e foi até às serras. 

      O serviço foi mais rápido do que Zé esperava, havia apenas duas dúzias de jacarandás na área, "árvores da flor roxa", como disse o Contato.  O bando preparou os troncos em formatos iguais e os arrastaram para a margem, Zé estava mal-humorado. Ubiratan, desconfortável.

      Como calculado, no final da tarde o barco estava descendo o rio puxando as madeiras encomendadas. Ubiratan guiava para a segunda marcação do mapa.

      - Esse contato seu é fraquinho, hein Zé. - disse entediado. 

     Zé estava olhando a margem com uma perna apoiada na borda e o pensamento distante.

      - Um punhadinho desse vai dá nada pra nois. - Saruê endossou 
      - Eta Febre do rato! Confia em mim mais não é? Oxem! - Zé se voltou para eles. - Esse Cabra é peixe grande. Disse que se nois levasse esses tronco pra ele, ele ia arrumar um serviço grande pra nois!
      - Ma rapais, e tu vai fica no preju é? Alugar barco, as serras, o óleo, tu tá se arrombano pra trabaia é? - Pequeno indagou.
      - Fecha essa boca, desgraça! O cara que tá bancano tudo, seu porra. Da minha parte é só a mão de obra podi de voceis! - Zé se satisfez com a expressão de admiração dos demais. - E o miseravi ainda vai dá 100 conto por cada tora! - Concluiu rindo de seu trunfo. 
      - Tu é o Cabra da peste memo hein. Rapais, que negoso doido é esse!? - Pequeno estava admirado, igual aos demais.

     Cada um disse alguma coisa sobre a sorte de ter pego um contato desse tipo e começaram a imaginar e discutir sobre qual seria o trabalho futuro, prometido. 

       Zé estava preocupado antes, quando estavam na margem preparando as toras, achou que era uma armadilha da polícia ambiental e/ou do IBAMA, o trabalho era o melhor que ele já pegou nessa vida de malfeitor. Na verdade iria receber R$ 200  por cada tronco e agora que seu bando acreditou no R$ 100, seu lucro seria maior ainda. Quando o barco entrou no "canal esquecido" Tinhoso relaxou de vez. Ali sabia que estava seguro, aquelas águas eram esquecidas pelas autoridades. 

      No início da noite avistaram o porto clandestino, exatamente onde o cliente marcou no mapa. Zé desceu sozinho, um capataz bem vestido o recebeu e mandou um qualquer seu contar os troncos e levou Zé num canto. Dez minutos depois todos estavam montados em seus cavalos com os bolsos cheios, em direção a Birosca mais próxima dali.

    Zé ainda repetia as palavras do homem em sua cabeça, "Meu patrão mandou dizer pra encontrar ele no mesmo lugar, daqui seis dias".

    Não se aguentava de empolgação. O bando chegou a galope numa cidadezinha precária. Uma avenida bem iluminada, tomada de comércios fechados e no final uma Birosca acesa com mesas para fora e clientes beberrões. 

       O bando chegou barulhento, tomou duas mesas e animou o lugar que já estava pronto para encerrar o dia mas, diante da disposição dos recém chegados, foi obrigado a estender o horário. Antes de mergulhar na cana e fumo, Zé Tinhoso passou o olho no bar e nos clientes, não queria ser importunado por gatunos. Não viu nada além de molengas chorões, então mergulhou de cabeça junto com seus homens na 'mardita'. Mais tarde, algumas 'Damas da noite' se juntaram ao bando e a coisa animou de vez. 

       No alto da madrugada os rapazes foram levados para os quartos cada um acompanhado por uma dama. Cada um tomou um quarto. Depois de satisfazerem seus clientes as senhoras saiam de cena, deixando-os sozinhos, dormindo. 

    Os quartos ficavam no andar superior, lado a lado, dividos por uma parede de taipa. Ubiratan não estava bem, fingiu dormir para dispensar sua senhora e sozinho, não conseguia dormir de jeito nenhum, um desconforto o tomou. Ouviu a porta de seu vizinho abrindo e fechando e o som de passos curtos e risadinhas, escada abaixo. Um minuto depois ouvi a porta se abrir de novo mas, não os passos, aprumou os ouvidos e teve certeza que seu vizinho estava se engasgando. Se levantou num pulo e correu até ele. A má iluminação impedia de ver quem era.


      - Oxe cabra tá morrendo aí é? - Disse se aproximando da cama e virando o homem de lado. - Que porra é essa? - perguntou quando sentiu um líquido quente saindo de seu colega. - Socorro! - Gritou quando sentiu o cheiro de sangue.

     Ouviu um grunhido no outro quarto.

      - Que diabo é isso? - A voz de Zé se fez no corredor. 
    Vem cá Zé olha isso…
    Crendeuspa… - A voz de Zé começou e deu lugar a um grito sufocado. 

    Ubiratan saiu do quarto correndo e viu com a luz da lua que entrava na única janela do corredor, seu chefe ajoelhado segurando a garganta que se desmanchava por entre seus dedos. 

      - Sai daqui demonio! - João gritou do último quarto. Alguma coisa o jogou no chão.

    Ubiratan estava desnorteado, gritou por socorro novamente enquanto corria até o quarto de João. Viu a silhueta de uma criatura pequena sobre seu colega cochichando alguma coisa em seu ouvido. Era tarde demais

    Essa era a única certeza que o índio tinha.

    Caiu de joelhos diante da porta  aberta enquanto explicava que deixou uma prenda, suplicava por perdão. O som da garganta de João se torcendo até quebrar fez um calafrio desesperado percorrer seu corpo. A criatura o encarou das sombras, em um segundo se pos diante dele, era pequena cabelo espetado e vermelho como fogo aceso, tinha um riso malicioso de dentes pontudos e amarelados a pele esverdeada usava apenas uma tanga de couro. Os pés virados para trás. Ubiratan tremia descontroladamente.

      - Aiacaqui... ai-có [ Cortamos só algumas árvores]  - Ubiratan conseguiu dizer com muito esforço
      - Aiacaqui aiacá [ Cortei só algumas cabeças] - O Curupira respondeu com uma voz sombria, fria como gelo, enquanto passava suas garras debaixo do queixo do infeliz e ria com seu sangue jogando.

      

  • O Humano entre Anjos e Demonios.

    Eu sou Layla Nayana a próxima herdeira ao trono já que meu tio e o Rei ele é a linha direta na coroação, mas e incapaz de ter filhos, então cabe a Meu pai ter o herdeiro só que tem um pequeno problema meus pais só tiveram filhos do Sexo Feminino, melhor dizendo 7 Meninas sendo eu a mais velha. Então eu como a mais velha ganhei esse direito, eu serei a XII Rainha do Reino Alber Lencei.

     Amanha irei para uma escola ao interior do reino para aprofundar minha magia, minha magia e de invocação e possessão, ou seja, posso invocar espíritos e possui-los, fazendo uma fusão, vamos assim dizer, e claro eu preciso de um controle auto para não ser possuída, principalmente por meu espirito Fénix, sim meu espirito é a própria Fénix a Ave Imortal a qual ressurgi das cinzas um espirito classe Lendário, acima da classe lendária só existe 12 Espíritos Celestiais os espíritos nível Deus mas alguém que pode sumonar e muito mais raro, quase impossível você achar alguém com tal poder, tanto porque se você usa-los pode trazer vários danos ao seu corpo, como encurtar sua vida, ou ter que dar algo seu em troca como um braço, uma perna ou algum sentimento como amor, bondade ou ódio, e bem variado o numero de coisa que se pode perde, por isso nos consideramos ate uma maldição alguém nascer com tal poder, caso alguém nasça com tal poder nunca será usado pela corte ou elo exercito para fins como guerras, para que o usuário de tal poder não sofra danos irreparáveis, mas bom, ainda não nasceu ninguém com esse poder na minha Era então eu sou a que tem o espirito mais forte.

      Graças a tela sou chamada de a Esperança da humanidade, pura bobagem, quem tivesse um nível Deus seria tratado com um Rei então, e teria que ficar as ordens do Rei, no caso isso se aplica a mim, eu não posso desobedecer meu tio, ele tem que ter o poder necessário nas mãos para lutar, então deixo ele fazer o que quiser e falar quem sou para os outros nobres e plebeus.

     Hoje faço 15 anos, me torno adulta sendo assim resolvi estudar e aprofundar minha magia para acabar com as guerras entre os seres celestiais e os Humanos, afinal a terra já não está mais aguentando tantas guerras ao passar dos anos, isso para os anjos e demônios pouco importa já que a terra e só um campo de batalha. Antes era um paraíso ate que Deus morreu, sim deus a qual nos fez, morreu junto com o 4 Demonios superiores Lucifer, Leviatan, Beelzebub, Azazel á 2018 Anos na Grande Guerra. Morreram tentando selar os 12 Espiritos Celestiais conseguiram mas a forçar que lhes restou não foi suficiente para continuar a Guerra então pouco a pouco todos os seres demônios e anjos foram morrendo, Deus morreu dois dias depois de selar o espíritos, o que abalou os céus, só que do outro lado os 4 Demonios já não tinham mais forças então pediram que lhes matassem é assim foi feito.

     Desde então Miguel e Gabriel , os Arcanjos, lideram os Céus e no Inferno Belfegor, Asmodeus e Mamon, os Três Reis Demonios cuidam do inferno, essa briga entre eles continua até hoje só que os Humanos também entraram nessa briga a 1111 anos atras para proteger a terra graças a isso a terra continua bem, só que isso não pode continuar, não vai! 

    Amanha estou determinada de ir para a Lencei estudar e logo depois por um fim a essa Guerra, por que se não a humanidade deixará de existir para sempre.

    Ano 2130...

    _Me lembro de tudo daquele dia, o cheiro insuportável da fumaça, o fogo queimando tudo, gritos e choros de crianças e adultos, crianças chorando e buscando pelos seus pais, asas brancas e negras lutando no céus como se não fossemos nada, o sangue em minhas mãos, aqueles que tiraram tudo de mim Anjos e Demonios...

    Ano 112...

    Destrua, destrua todos.

    Você quer poder, nos te daremos poder o quanto você quiser Yuu, então o que você deseja ?

    _Eu desejo... desejo Morte.

    _Hahaha então que seja ser torne a própria morte Yuu, não Hakaishin, nos te daremos poder então destrua tudo.

    De repente o céu se fechou nada além da escuridão podia ser visto, estava um silencio até que...

    Naquele instante todos os seres existentes foram apresentados ao Real medo.

    No dia 12 de maio de 112 a  Propria Morte nasceu.

     todos ficaram com medo daquela escuridão sem fim ate que todos ouviram uma voz uma única voz com tons diferente como se variasse, era como se varias pessoas fossem uma só.

    Um grito de dor foi ouvido, logo depois uma voz.

    _Aaaaaaaaaaah

     _Eu na qual desperto, o ser Celestial acima de Deus!

    Eu destruo tudo, não salvo nada.

    Sua alma vai sofrer comigo

    O relapso da santidade surgiu

    O que é Amor ?

    O que é Dor ?

    Despedaçarei todos os Anjos e os demônios,

    MORRAM.

    _O céus se abriu e o Dia havia virado Noite, uma Risada era Escutada até que todos olharam para a Lua a vista era Linda é ao mesmo tempo Medonha, ali estava o ser na qual matou Deus e os 4 Demonios ali estava o Hakaishin (DEUS DA DESTRUIÇÃO).

    _Naquela noite Deus e os 4 Demonios selaram um Ser na Qual matou 50 % de todos os Anjos e Demonios o ser na qual pintou a terra de sangue, O Ser com Um Rosto uma hora feliz e outra na qual gritava e chorava, um ser realmente impossível de ser entender, O Medo em Pessoa.

    Os Motivos para que uma simples criança tenha ser tornado isso foi...

    Ano  Medieval 112..  

    2018 anos no passado

    Eu Yuu Layo tenho 11 anos e tenho 5 irmãos, vivo na vila July, uma vila pequena longe da capital perto das montanhas que cerca o país, estou catando madeira para queimar, já que hoje eu que irei fazer comida para comemorar, é aniversario da Vovó ela faz 80 Anos é a pessoa mais velha da aldeia, o pessoal a chama de ância o por que, não sei mas todos pedem conselhos a ela.

    A Vovó e muito sabia e sempre tem uma historia para contar, como a Historia da Criação, a historia do Minotauro, ou da Medusa a Rainha das Gorgonas, eu gosto das historias da vovó.

    Terminei de pegar a lenha, estou voltando para casa, meus irmão estão me esperando voltar, tenho ótimos irmãos principalmente Leya a mais nova ela sempre quer me ajudar, é apesar de ser a mais nova ela é a com mais amadurecimento entre nos todos talvez até mais que eu, hihihi.

    Cheguei em casa,  todos estavam arrumando a casa sem brigarem, o que era raro entre nos, a Vovó sorria e todos nos riamos por ela já não ter muitos dentes na boca quando sorria ficava engraçado. Terminei de fazer o almoço, era carne de carneiro com batatas, olho pro lado e todos babando principalmente a Vovó todos estavam famintos então disse a famosa frase que minha mãe usava nessas horas: Se empanturrem seus porcos.

    De repente o ambiente calmo se tornar um campo de batalha todos tentando ser o primeiro a comer, de um lado puxões e empurrões eram vistos do outro, mordidas no braço e arranhões eram feitos principalmente pela Vovó e como sempre a Leya esperando sua vez ela com certeza é a mais madura entre nos.

    Terminamos de comer, eu pedi para todos irem brincar e se divertirem assim foi, logo após todos saírem a vovó me chamou estava seria sobre algo, ela pede para eu sentar e escutar bem, é assim faço.

    _Escute Yuu os Knights Raid estão vindo, nos cobrar aquilo que seu pai deixou pendente.

    _É eu sei e eu já tenho um plano do que fazer.

    _Você não vai fazer isso, não vai se entregar para eles, você vai ser vendido e tratado como escravo esse não é o destino que seu pai queria Yuu.

    _O futuro que meu pai queria é um mundo de fantasias, eu não consigo sonhar igual a vocês vovó , só olho para frente nada mais, sigo em frente passo por passo, devagar e sempre, esse é meu lema e com ele que decidi isso, eu vou me entregar a eles para quitar a divida.

    Era meia-noite estava lua cheia, todos estão dormindo, estou indo me entregar, a vovó e pouco moradores sabem que estou indo, ela vai contar para meus irmãos amanha que fui morto por um urso e que meus restos foram enterrados no pé da montanha, os moradores irão fazer uma cova e fingirem que estou morto, assim espero que seja.

    A lua está no ápice, estou perto de onde é para nos encontrarmos, não a nada a ser feito o vilarejo não pode quitar a divida afinal vivemos do nossa própria colheita e não nos envolvemos com a capital para precisar de dinheiro, a divida de meu Pai é de remédios que meus irmão e o povo do vilarejo precisou por causa de uma peste que atacou o país á 3 anos atrás, o remédio não era caro só que a quantidade de remédios que foi preciso para as pessoas do vilarejo era alta os Knights Raid eles não são ruim apenas rígidos com suas regras, eles são responsáveis por trazer remédios, além de outras coisas da capital para os vilarejos só que todos os anos na Lua cheia eles voltam para cobrar um pouco da divida, caso não pague eles atacam o vilarejo e destroem tudo ate sobrar apenas pó e vendem todas as crianças para o mercado de escravos, deixando só os adultos livres acho que eles usam isso como uma punição aos devedores, eu não posso deixar isso acontecer, não vou meus irmãos vão ser livres.

     A divida é alta, é meu pai sumiu a 2 anos tentando se reergue na capital, já que a divida e algo que não podemos pagar, me darei como escravo que apesar de não parecer grande coisa um escravo jovem vale muito na capital principalmente para os nobres que gostam de nos maltratar para se sentirem superiores então irei com eles e assim que quitar minha divida voltarei para o vilarejo e claro demorara ano mas não á nada a ser feito, ops não é ora de chorar, estou chegando ao ponto de encontro

  • O Jogo da Morte: Véu Negro (continuação do cp 2 até cp 4)

    vinte minutos se passaram e as outras duas acordaram,ao ver a amiga toda desfigurada e morta,tentaram gritar,mas era inútil,pois suas línguas estavam na minha taça de champanhe,foi uma sensação incrível  quando eu bebi o liquido banhado com duas línguas nojentas,e melhor ainda foi ver a cara das duas vagabundas ao verem  suas línguas que um dia deram muito prazer pelas ruas da cidade,sendo degustadas por um sádico maluco.
    Como não podiam falar,eu mesmo fiz questão de escolher os utensílios que iria usar,para a vadia morena usarei uma furadeira e para loira falsa usarei um serrote,o que vocês acham garotas?,sensações corriam pelo meu corpo ao cortar o corpo de uma e perfurar o corpo da outra,gritos incubados eram sinfonias para os meu ouvidos,e no fim de tudo as três garotas estavam mortas e o véu negro estavam mais satisfeito do que nunca.
    E agora era só esperar,logo a gorda maldita estaria morta e queimando nas profundezas do inferno junto com as três prostitutas.
    O véu negro se aproximou de mim dizendo que alguém teria que ser culpado pela morte da gorda,então eu disse:
    -Que seja qualquer um menos eu.
    Atendendo ao meu pedido,levantou suas vestes negras e foi até o hospital onde a mesma estava internada,possuindo uma das enfermeiras e controlando cada passo que a pobre coitada dava,fez com que ela cravasse uma faca no coração da gorda,que sem reação,acabou morrendo,e graças ao véu negro aquela vadia não estava mais no meu caminho.
    Pela janela a morte saia e a enfermeira voltando a si,viu a paciente morta na sua frente,suas mão cheias de sangue e a faca caída no chão,sem entender nada,ficou paralisada até que os primeiros policiais chegaram e acabaram levando a “Criminosa” para a cadeia.
    Naquele momento eu ria mais alto que uma criança pura prestes a ser consumida pelo horror da humanidade,eu me deliciava com a sena na televisão e ao mesmo tempo eu sentia um pouco de pena da pobre enfermeira que por minha causa,iria passar o resto da vida numa sela suja,enquanto eu o verdadeiro culpado estava livre e acabando com mais vidas ordinárias deste planeta que não me oferecia mais nada a não ser o prazer do sofrimento.
    Desliguei a televisão e fui tomar um banho,ao mesmo tempo peguei  um dos meus bisturis e comecei a me cortar,aquilo foi incrível,eu estava me libertando pouco a pouco dos espíritos sofridos de cada um que assassinei.
    Naquela noite o véu negro me deu um pouco de descanso,as imagens das três garotas gritando de dor não saiam da minha cabeça,e foi ai que eu percebi que em minhas veias corria um sangue sádico para a coisa,pois sem a ajuda do véu negro,matei três pessoas a sangue frio e não me sentia culpado por isso,só fiz o meu trabalho.
    Liguei o radio e estava tocando uma musica que me fez lembrar de minha mãe adotiva,sim fui adotado quando eu tinha apenas cinco anos,nossa que falta minha mãe me faz,não esqueço do seu cheiro,dos almoços de domingo,pena que morreu em cima de uma cama,em um hospital psiquiátrico,deixando-me sua pensão.
    Quando eu tinha nove ,meu pai morreu ,minha mãe ficou meses trancada dentro de casa,um certo dia resolvi convida-la para ir ao parque,que ficava do outro lado da cidade,não sei o que houve pois ela aceitou,ao chegar no local,deixei-a sentada em baixo de uma arvore e fui ate o banheiro publico,ao colocar o primeiro pé dentro do ambiente,me deparei com uma cena perturbadora,um morador de rua abusava brutalmente de uma mulher,não me contive,peguei um pedaço de porcelanato de um vaso quebrado,e bati varias vezes na cabeça daquele imundo,restos de seu inútil cérebro se espalharam pelo banheiro,meu rosto ficou todo sujo de sangue,lambi minha boca,aquilo me excitou,e acendeu em mim o que por muito tempo ficou trancafiado em meu ser.
     O banheiro ficou gelado,parecia que o tempo havia parado,senti um gelo em minha espinha, uma tremedeira dentro de meu corpo e suavemente uma voz começou a falar.
    -Meu nome e véu negro,estou aqui porque senti que você pode me ajudar.
    -te ajudar em que,meu Deus será que estou ficando louco?
    -Depois do que você fez hoje e quando tinha nove anos,Deus não existe mais em você,mas eu posso começar a existir.
    -como assim?
    -podemos fazer um pacto;
    - que tipo de pacto?
    -toda vez que eu lhe pedir você terá que me dar uma alma,mas não é qualquer alma,e sim uma ruim,aquela que não poderá ser salva por aquele que no inferno não dizemos nem o nome,as mortes terão que ser cruéis.
    -mas eu não consigo fazer isso sozinho,o que você viu aqui hoje,foi apenas um momento;
    -isto não foi apenas um momento,você tem sangue para a coisa,sinto isso em sua alma,e não é de hoje que estou de olho em você,só esperei a oportunidade certa para lhe fazer essa proposta.
    -E o que eu ganho com isso?
    -você terá uma vida longa,quando morrer ficara em um lugar diferente,e poderá retornar mais uma vez para este planeta quando houver a oportunidade certa,terá minha ajuda por um tempo até que você consiga realizar todas essas façanhas sozinho,porem se você perder o jogo,este contrato será anulado,o que você me diz?
    -mas eu ainda posso ir para o céu,eu acredito nisto;
    Ele riu alto
    -o céu é para os fracos,você meu caro e muito forte e merece um lugar ao meu lado no reino das trevas.
    -como assim perder o jogo?
    -pense que a vida é um grande tabuleiro e as pessoas que ira matar são peça inúteis,neste jogo,então se você deixar de me entregar apenas uma alma,quando ela eu solicitar,você será considerado um perdedor e por fim terá que ser eliminado.
     Recusei o contrato;
    Tudo ficou meio quieto,comecei a sentir varias dores em meu corpo,algo estranho estava acontecendo,sem eu perceber ele tomou conta de meu corpo,quebrou o espelho do banheiro e com um dos pedaços ,começou a cortar a garganta da mulher,eu sentia suas veias parando de pulsar,confesso que aquela foi uma sensação incrível.
    Parado ao meu lado ele disse:
    -viu,não foi difícil,com o tempo você se acostumaria.
    Olho para trás,vejo minha mãe parada na porta,em estado de choque,o banheiro vertia sangue,e eu o filho que ela sempre amou,no meio de tudo aquilo,e com a arma do crime nas mãos.
    O véu negro se aproximou mais uma vez,senti sua mão fria encostar em meu ombro,e disse:
    -agora, ou você aceita meu acordo,ou farei você matar a sua querida mãe,e claro você passara tortuosos dias em uma sela imunda.
    -mas se eu aceitar,ela ira contar tudo o que viu aqui.
    -não se preocupe eu cuido dela.
    -você não vai mata-la,vai?
    -darei a ela apenas uma doze de loucura;
    -aceita ou não?
    -aceito
    E assim se iniciou o pacto com o véu negro.
    Depois de tantas lembranças de um passado não tão distante,Tive que limpar toda aquela bagunça do apartamento de michel,foi difícil tirar todo aquele sangue do piso branco,mas,depois de algumas horas e de muitos baldes de cloro,eu havia conseguido remover toda a podridão,sai do apartamento,eram mais ou menos nove e meia da manhã,fui ate uma loja na esquina e comprei alguns sacos plásticos resistentes,voltei ate o apartamento,cortei-as em pedaços e coloquei-as nos sacos,juntei tudo em um canto,e esperei anoitecer.
    Tocaram a companhia,olhei pelo olho mágico,um homem de mais ou menos cinquenta e dois anos ,gordo e careca,estava de pé em frente a porta,abri.
    O idiota se apresentou, como um morador do apartamento ao lado,veio reclamar do barulho da  noite passada ,eu com a minha perfeita educação,sorri e pedi desculpas, aleguei que havia dado uma festa pois eu era o novo morador do prédio,e que isso nunca mais ocorreria,o trouxa foi embora acreditando em tudo que eu disse.
    -Como esses seres humanos são Idiotas.
    Meia noite e meia ,era a hora perfeita,desci carregando os sacos,coloquei-os no porta mala e fui até um aterro sanitário,cavei um buraco bem fundo e lá enterrei todos aqueles corpos mutilados,aliviado ,entrei em meu carro e fui até um local mais seguro,estacionei, e fiquei olhando para o local,exatamente as três e meia da madrugada,chegou um caminhão vindo da cidade cheio de lixo,acendi um cigarro, e me delicie ao ver toda aquela pilha de lixo,sendo jogada em cima daquelas vadias.
    Jamais seriam encontradas, do lixo elas vieram e para o lixo retornaram.
    Pronto,agora era a hora de ir para a casa.
    Capitulo 3
    Já se passaram três semanas desde o incidente com a gorda e com as garotas de programa,muitas noites sem dormir e muitos pesadelos com o véu negro,promessas e dividas me atormentavam,deitado em minha cama as horas passavam.
    A fome bateu em meu estomago,eram quase oito e meia da manhã de um domingo,levantei, preparei o café,posso afirmar que ainda eu estava meio tonto com todos aqueles pesadelos, porem,o que mais me interessava naquele momento era o meu café,sem leite e com creme.
    Eu me sentia isolado,pois a mais de três semanas ele não me visitava,ou melhor não me dava uma nova missão,será que ele se esqueceu de mim?ou ele encontrou alguém melhor que eu?essas são respostas meio complicadas e perguntas idiotas para se pensar numa manha de domingo,acendi um cigarro e fui para o quarto,usei o banheiro.
    Deitei novamente em minha cama,mas não conseguia pegar no sono,então,tomei três comprimidos,e simplesmente apaguei.
    Uma nuvem negra,cobriu meu corpo e La no fundo da minha mente eu conseguia ver uma chama azul e vermelha,tentei chegar até ela,foi inútil,de repente,imagens de todas as pessoas que matei vinham em minha direção,todas queimadas, gritando por ajuda. consegui chegar até a chama.
    O calor era intenso,queimava a minha alma ,mas por algum motivo eu sabia que tinha que tocar naquela chama. Ao toca-la tudo se escureceu,eu não enxergava nada.
    Então meu querido véu negro me perguntou se eu estava preparado para saber de algumas  verdades, e com toda a certeza do mundo eu respondi que sim,então tudo começou a desmoronar,era como se todo o ambiente que eu estava se descascasse,luzes e chamas apareciam do nada,ele me estendeu a mão e disse que me levaria para um passeio,perguntei aonde,mas ele permanecia calado.
    1° fomos a um lugar sombrio,onde só se ouvia gritos e choros,(uma das camadas do inferno)a variação de temperatura era muito grande,almas ficavam ali jogadas,umas em cima das outras,o cheiro era insuportável,vermes se misturavam com seus corpos,a cena era perturbadora,mas para mim todos eles mereciam estar ali.
    2°fomos a um grande lamaçal(outra camada do inferno),todos que ali estavam eram pervertidos sexuais,Vivian de sexo,prazer e sofrimento,jogados como porcos no chiqueiro apenas digo,sem comentários.
    3°chegamos (a ultima camada do inferno),lá habitavam todas as almas perturbadas  e aflitas,sedentas de ódio e com sede se vingança,mas com aquele calor elas deviam estar com sede de água(brincadeira),neste momento o véu disse algumas palavra:
    -todos aqueles que desde o nascimento fizeram um pacto comigo e não cumpriram estão pagando sua pena com fogo e tormenta,e aqui também estão todos as almas que você e outros jogadores da morte mandam para mim todos os dias,lindo não?
    -maravilhoso,eu respondi !
    4°depois do inferno ele me levou até um local desértico,lá me mostrou três pessoas,servos leais que durante suas ultimas existências cumpriram os desejos e acordos com a morte e não perderam o jogo,então ficavam ali até chegar a hora de voltar entre nos humanos e trabalhar mais um pouco para o véu negro.
    Ao termino de nosso passeio eu tive a oportunidade de fazer uma única pergunta a ele,então sem pressa pensei em como fazê-la ,dizer tudo o que eu queria em uma única pergunta,mas era impossível enganar a morte.
    Então fiz a seguinte pergunta:
    - o que me resta depois de minha passagem terrena?
    Com um sorriso sarcástico,ela me respondeu:
    -para essa pergunta,você já tem a resposta,mas lembre-se do contrato.
    Com essas ultimas palavras,tudo se paralisou,der repente acordei.Confesso que eu estava meio preocupado,mas eu sabia que naquele momento o meu contrato estava realmente valendo,e que a minha querida morte era uma pequena professora,porem agora era por minha conta,se eu cumprisse o contrato eu iria para um lugar “melhor”,se não eu iria para o inferno,com as almas perdedoras,a escolha era somente minha.
    Capitulo 4
    Levantei e fui tomar um banho,confesso que me cortei um pouco,como eu já estava acostumado não sinto vergonha de contar para vocês,lembro-me que certa vez cortei minha perna e aquilo me deixou muito excitado,mas logo passou.
    Me enxuguei,coloquei uma roupa,quando ia saindo,reparei que a chave do apartamento de Michael ainda estava comigo,peguei-a  e fui ate sua casa,ao chegar La,desci do carro e toquei a campainha, reparei que a porta estava aberta ,entrei.
    -Michael você esta em casa?
    Comecei a Subir as escadas,entrei no primeiro quarto,não vi ninguém,derrepente ouvi um barulho no banheiro ,fui ate La,quando abri a porta Michael estava dentro da banheira cheia de água e com um secador de cabelos ligado em sua mão.
    -michael não faça isso,eu ainda te amo.
    -mas eu não me amo senhor c, até logo.
    Corri para desligar o secador da tomada,mas já erá tarde de mais,Michael morreu de uma forma chocante.
    CONTINUA..........
  • O jovem destemido

    Com pouco mais de mil habitantes, a cidade de Vila Velha era um refúgio dos grandes centros urbanos, e os únicos acontecimentos que agitavam a população do local eram nascimentos, casamentos e mortes, está última, sobretudo, quando se tratavam da Casa Mal-Assombrada que situava-se na cidade. Em mais de 150 anos de existência, a casa de dois andares, feita de madeira e com uma pintura há tempos desgastada fazia o mais corajoso dos homens suar frio ao se aproximar dela. E não é para menos: em todos esses anos, três famílias viveram no lugar e, segundo relatos, não sobreviveram para contar história.
    A primeira família, que construiu a casa, não vivera lá por mais de uma quinzena. Conta-se que, no meio da noite, gritos vindos da casa podiam ser ouvidos em todos os cantos de Vila Velha, e quando um grupo de pessoas decidiu entrar e ver o que estava acontecendo, os barulhos pararam de súbito e nada nem ninguém foi visto no local, incluindo a mobília. Não demorou muito para que o terreno fosse vendido, e uma nova família lá se instalasse. Naquele tempo a casa já tinha virado motivo de pânico para os mais supersticiosos, o que não afastou algumas pessoas nela interessadas. A segunda família, de sobrenome Turner, viveu lá por mais tempo. Foram aproximadamente cinco anos de uma estabilidade financeira razoável, porém um desequilíbrio emocional gigantesco por parte de marido e mulher. Brigas constantes um dia desencadearam algo muito maior: após vários dias sem nenhum movimento na casa e de um cheiro horrível exalar de lá, uma equipe policial acompanhada de alguns moradores entrou no local e presenciou uma cena um tanto quanto repulsiva: um corpo caído no chão com uma faca cravada no peito e outro corpo pendurado apenas pelo pescoço em uma corda presa ao lustre. Sem um exame preciso, era difícil discriminar homem de mulher.
    Depois desses dois acontecimentos, a casa caiu definitivamente no imaginário popular. Pessoa alguma chegava perto dela, que agora recebia o nome de Casa Mal-Assombrada de Vila Velha. Ninguém precisou ratificar nada, o nome simplesmente pegou. Por muito tempo, nenhum comprador interessado no imóvel apareceu, visto que ele teria supostamente matado seus dois últimos proprietários.
    Pois eis que surge então uma pessoa interessada na casa dita mal-assombrada, após exatos 50 anos. William Rayn era um jovem de apenas 20 aniversários, de baixa estatura, com os cabelos morenos até os ombros que deixava fluir toda sua juventude através de seu sorriso. Chegou à pequena cidade ainda de manhã, e pela primeira vez Vila Velha inteira parava para presenciar algo que não era um nascimento, um casamento ou uma morte. Dirigiu-se até a casa a pé, com uma multidão atrás dele. O padeiro parou de fazer pão; o barbeiro deixou um cliente à espera; os farmacêuticos e demais comerciantes fecharam seus estabelecimentos; todos largaram seus afazeres e foram imediatamente ver o novo dono da residência mais conhecida da região abraçar sua morte.
    William achou tudo aquilo engraçado, pois como uma simples casa poderia causar tanto medo nas mentes supersticiosas do povo do campo? O soar das suas botas ao andar davam a ele ainda mais confiança, e simplesmente deixou aquilo fruir: seu momento de fama estava lhe fazendo muito bem. Ao chegar em frente a casa e começar a subir os degraus da varanda, a multidão parou. Em sintonia, todo o barulho que os passos de meia cidade atrás dele faziam parou. William então virou-se para a multidão como se fosse uma celebridade e disse, tão alto para todo mundo ouvir:
    - Meu nome é William Rayn, e estou aqui para descriminar este lugar. Não haverá mais mortes, e vocês verão que não passou de pura coincidência. – Deu meia volta, tirou a chave da pesada porta de carvalho do bolso, a pôs na fechadura, girou e entrou.
    O odor do lugar não era o melhor que William já sentira. Além disso, o pó tomou conta da mobília que ali estava e a iluminação era muito precária. Ao subir as escadas, pegou um passarinho em flagrante entrando num buraco no teto, e pensou no mesmo instante que precisaria retificar aquilo o mais rápido possível. Largou sua única mala no maior quarto que achou e deitou-se na cama. Ficou ali por um tempo, pensando nas coisas que havia deixado para trás e como deveria ser dali para frente. William percebeu que a janela do seu quarto dava para um grande quintal atrás da casa, com uma grama incrivelmente verde e viva. Desceu as escadas e se certificou de que teria que fazer compras na vila, comida, aparelhos, roupas, tudo.
    O jovem rapaz saiu de sua nova casa e a multidão já estava dispersa. Tudo tinha voltado ao normal na cidadela. William então pôs-se a caminhar, lenta e tranquilamente, visitando mercados, farmácias, lojas de utensílios e de vestuário. Voltou para casa quando o sol já havia se posto, fazendo o mesmo trajeto de horas atrás. Subiu os degraus, parou na varanda em frente a porta, virou-se para a rua e, desta vez, com seu sorriso no rosto, deu um profundo suspiro de alegria. Observou as estrelas e as luzes das casas a sua frente e ouviu o cantar de alguns pássaros, provavelmente aqueles que estavam fazendo do sótão da casa seu lar. Virou-se para a porta e fez os mesmos movimentos, tirou a chave do bolso, a pôs na fechadura, girou e entrou.
    Willian ficou a maior parte da noite na cozinha, já que aquela noite faria uma macarronada ao molho branco com os mantimentos que comprou. Faria, se alguns acontecimentos estranhos não tivessem o deixado um pouco assustado. Ao primeiro sinal de fogo no antigo fogão à lenha da casa, uma rajada de vento fez com que a janela se abrisse e a brasa apagasse, além de um grande barulho de madeira contra madeira que a janela fez ao se chocar com a parede. Willian tentou algumas vezes mais acender o fogo, sem sucesso, pois todos os fósforos de dentro da caixa estavam literal e assustadoramente quebrados ao meio, o que dificultava seu manuseio. Por fim, desistiu e se convenceu a comer alguns produtos já prontos que comprou. Sua janta se limitou a bolachas de milho, frutas da venda da esquina de sua rua e alguns pedaços de pão dormido do mercado mais frequentado da cidade.
                Não passava das dez horas da noite quando Willian subiu ao seu quarto, com sua vela na mão, disposto a ler antes de dormir. Uma variedade imensa de livros existia no quarto principal, em uma estante dos antigos donos, e pensara que em até uma semana compraria uma estante nova para colocar todos eles. Curiosamente, estava apenas começando um livro que reunia os clássicos contos de Edgar Allan Poe, um dos mais incríveis escritores de terror de todos os tempos. Bem apropriado, Willian logo pensou.
                O primeiro conto era nada mais nada menos do que “O Corvo”, clássico absoluto do escritor. Não leu mais do que duas estrofes e, de repente, uma nova rajada de vento fez com que a chama da sua vela dançasse e quase se extinguisse e com que a janela batesse com um grande estrondo. Deu um pulo da cama, e com um ar sério e angustiado dirigiu-se até a janela, olhando para a noite. A lua era cheia e não havia nuvem no céu, e a Vila toda parecia ter morrido, pois luz alguma emanava de lugar algum. Isso deixou Willian ainda mais aterrorizado. Fechou a janela com rapidez e retomou seu lugar a cama, agora puxando o fino lençol para perto do peito.
                Retomou a leitura após alguns instantes de reflexão, dizendo a si mesmo que eram apenas coincidências e que nada teria de temer. Mas, logo que leu a primeira palavra, a rajada de vento se repete e a janela bate com ainda mais força. Dessa vez a chama não resiste, e a vela deixa Willian na completa escuridão, apenas com a luz da lua para iluminar seu quarto. De repente, ele percebe que um vulto negro entra pela janela recém aberta e pousa em cima do pé de sua cama. Willian não pensou duas vezes: atirou o livro ao chão e colocou-se por inteiro embaixo do lençol, deixando apenas a cabeça para fora.
                A figura negra ficou lá, imóvel, com os olhos brilhando em direção a Willian, que, nervoso, tremia incontrolavelmente. No momento de desespero, começou a pensar em todas as mortes que ocorreram na casa ao longo dos anos, na ave que estava parada dentro do seu quarto e no livro de contos de Edgar Allan Poe, tudo ao mesmo tempo em que tremia e guinchava de angústia. Foi no momento em que Willian controlou sua respiração e decidiu levantar e espantar a ave que, num rangido de madeira longo e contínuo a porta do seu quarto se abriu.
                A sombra de um homem alto apareceu diante da porta, e Willian corou de imediato. Nisso o corvo que continuava imóvel soltou o primeiro grunhido, e o homem avançou. Um, dois, três, quatro, cinco passos até chegar ao pé da cama e parar do lado da ave. Willian, aquela altura, já tinha encolhido o máximo que conseguia junto à cabeceira da cama e lágrimas já escorriam de seu rosto. Estava com medo, com muito medo. Ele sabia que             o homem o observava, junto com o corvo, mesmo não enxergando nada mais do que borrões brancos no meio da escuridão.
                Foi então que o homem levantou sua mão direita e, com uma incrível delicadeza, acariciou o animal que estava ao seu lado. Nesse momento seu olhar se desviou de Willian e focou no animal. O jovem não sabia o que fazer, nem o que pensar. Nada. Só conseguia ficar ali, paralisado pelo medo, com os olhos fixos na figura que estava parada a sua frente. Em um súbito momento de coragem, tentou exprimir alguma palavra, mas o que saiu de sua boca foi apenas um gemido, o suficiente para o homem a sua frente virar a cabeça em sua direção e afastar a mão do animal. Willian sabia que ele o observava. O mais novo dono da Casa Mal-Assombrada de Vila Velha estava tomado pelo medo, que se intensificou ainda mais quando o homem começou a andar em sua direção. Bastaram três passos para que ele ficasse perto suficiente de Willian e escutar o palpitar do seu coração que, naquele momento, quase saia pela boca.
                O homem pôs sua mão gelada como a neve no queixo do pobre rapaz e o levantou, fazendo-o ir de encontro com o dele, que ficava cada vez mais próximo, mais próximo, mais próximo até que, para seu alívio, Willian acordou. Acordou suado, com o livro de Allan Poe aberto em seu peito e com a janela e a porta devidamente fechados. Mesmo sendo um sonho, Willian não perdeu tempo: pegou suas roupas, livros e alguns de seus objetos, pôs tudo dentro da mala e saiu o mais rápido que pode de dentro da casa. Correu ainda de pijama até o fim da rua, onde havia a venda em que comprara comida no dia anterior, e pediu por um telefone ao comerciante que já estava encerrando mais um dia de trabalho. Willian chamou um táxi da cidade grande mais próxima, que chegaria em torno de vinte minutos. Vila Velha não tinha pontos de táxi, era pequena demais para isso, disse-lhe o comerciante. Durante todo o tempo de espera, não disse uma palavra, mas ficou em frente da venda, pois queria alguém por perto.  O táxi demorou um pouco menos do que o planejado, e Willian entrou tão rápido que nem se despediu do comerciante que o ajudara pouco tempo antes. Falou ao motorista que queria ir à rodoviária mais próxima. O mesmo consentiu com um aceno e acelerou. Não demorou muito para que o carro saísse da pequena cidade de Vila Velha e entrasse numa estrada de chão em péssimo estado. Mesmo assim, Willian não reparou nos solavancos que o carro dava e muito menos nas perguntas que o motorista fazia para tentar puxar assunto. Ele estava com a cabeça no sonho da noite anterior, querendo saber o que aquilo significava, o que havia acontecido e quem era aquele homem. Willian ainda sentia medo e sabia que o homem, de qualquer maneira, ainda o observava.
  • O Medo Apavorante da Mula sem Cabeça

    Disparada, intencionalmente pelos ‘GRANDES, e podres, PODERES’, por uma resposta a uma ansiedade fisiológica em massa nacional. Em uma reação social, descomunal, obtida por estímulos de crenças e imaginações interpretadas como um alerta de reações físicas e mentais, facilmente observáveis pelos corpos orgânicos em ênfase de pavor. Temendo antecipadamente ir de encontro contra o ‘mal imposto’, e pregado pela GRANDE MÍDIA, que comprometia as diversas relações sociais e familiares, na causa dos muitos enganos, até as exageradas causas de fobia e pavor que gerava desconforto, entre mínimas ansiedades a grandes sofrimentos psicológicos. Que as tensões sociais, políticas e militares voltaram à tona em meados da década de 1950.

    O medo, intencionalmente criado e imposto, nos dominou!

    Medo esse, pregado pelos monopolistas e latifundiários e seus beneficiadores como: os conservadores católicos, a burguesia industrial, e óbvio, os magnatas da grande mídia de rádioteledifusão e de comunicações impressas. Nisso, as Forças Armadas Brasileiras que já tinham grande influência e poder na política, desde a Proclamação da República e anteriormente na Guerra do Paraguai, não deixando de citar a Revolução de 1930. Se aliaram aos magnatas ativistas de direita, tentando impedir as posses de suas ameaças, representado nas pessoas de Juscelino Kubitschek e João Goulart. A grande ameaça que esses presidenciáveis representavam eram as implementações de políticas de esquerdas, como a reforma agrária e a nacionalização de empresas em vários setores econômicos da sociedade brasileira. O que ameaçava o poder do capitalismo classista no Brasil, e os seus poucos beneficiadores monopolistas, também, como a forte influência econômica dos Estados Unidos nos países da América do Sul.

    Nessa época, ‘EU’, por questões de segurança prefiro não ser identificado, trabalhava em um famoso jornal do sudeste do país como colunista e cronista. Foi quando começaram as censuras muito antes do golpe de estado de 1964. Em que fiquei pasmado ao escrever uma coluna, intitulada “Medo Nacional”, que foi rejeitada por meu editor-chefe, dizendo ele, que esses tipos de artigos agora estavam proibidos para serem publicados nos periódicos. Então, ele rasgou a minha coluna e foi depressa a sua mesa, para pegar uma pequena minuta rabiscada, como se estivesse escrita às pressas. Nela estava escrita um tema sobre a Guerra fria, e me deu severas instruções para que escrevesse um artigo em que endemonizasse os soviéticos, em pactos de conspiração com Cuba na América Latina. Tudo isso, com objetivos de polarizar a sociedade brasileira, implantando o temor do Brasil se juntar a Cuba como parte do bloco comunista. Fortalecendo as bases de direita, em que parte da classe média, junto aos latifundiários e toda grande mídia solicitavam uma “contrarrevolução” por parte das Forças Armadas para remoção de João Goulart do governo.

    Quatro anos depois dessas investidas, a mobilização foi iniciada por parte das tropas militares rebeldes pregando uma “Grande revolução”, e no dia 1 de abril de 1964 o presidente João Goulart partiu para o exílio no Uruguai. Tudo isso graças a mim, e minhas colunas fantasiosas de uma ameaça comunista no Brasil. Fui o primeiro a escrever um artigo com aquele tema, que como uma ponta acesa de um charuto cubano, caíra despreocupadamente sobre os talos de trigos e joios secos, incendiando todo o campo. Mas, como toda boa mentira tem uma base de verdade, utilizei-me da informação de alguns guerrilheiros brasileiros que foram treinados por investidores cubanos, ainda no governo de JK. O que não representava nenhuma ameaça na atualidade, pois esses grupos foram dispersos antes mesmo da posse de Jânio Quadros. Contudo, me serviu para criar uma tempestade em um copo d’água. E, por retirar a cabeça da mula, fui condecorado pelos golpistas ocultos da ‘Grande Mídia’, em que me ofereceram um cargo de editor-chefe de imprensa nas Forças Armadas.

    Ao ver a “Mula sem Cabeça” brasileira, que eu ajudei a criar, institucionalizada e empossada num golpe militar e ditadura. Com suspensão de liberdade de imprensa, de eleições, em cassações e prisões por posicionamento político. Senti aquela mesma sensação que me traumatizou quando criança, ao cair no fundo do poço no quintal da casa de papai e mamãe. Em que me esforçava violentamente para sair de lá, arranhando em desespero os meus braços e pernas nas sufocadas paredes de pedras esverdeadas de limo que me circulavam. As lembranças do sofrimento da água fria voltaram a me afligir, enquanto eu me pendurava no balde de cavilhas preso a uma corda pela alça de ferro. O pavor e os gritos agonizantes que dava, rasgando minha garganta e ecoando por todo poço, ecoaram agora em meus pensamentos. Dessa vez, papai e mamãe não estavam ali para me salvar. Dessa vez, só o medo estava ali. Apontando o dedo para mim, e gritando: Culpado!

    Depois que fui salvo do fundo do poço pelos meus pais, aprendi, por instinto de medo, com aquela dura lição, de nunca mais brincar em suas beiras. E, vendo o papel, a caneta, o lápis e a moderna máquina de datilografar Olivetti em minha frente… sobre minha mesa… em momentos de silêncio profundo. Tive uma certa sensação de pânico e pavor, como se estivesse na beira do poço de infância.

    Era óbvio que tudo aquilo era uma farsa. A ‘Mula sem Cabeça’, não nasceu sem cabeça. A cabeça fora intencionalmente cortada, e, seu corpo tenebrosamente assustador fora entalhado e animado por ‘Mestres manipuladores de Fantoches’. Gerando o engodo, caos e medo popular. A sociedade brasileira cega e manipulada, e agora oprimida, não podia racionalizar o fato acontecido. Pois, assim, como a mula, suas cabeças, também, foram cortadas. Todos os maiorais sabiam que bloco soviético estava financiando inúmeras guerrilhas na Europa Ocidental, porém, mesmo essa parte do mundo, sendo a mais afetada pelo “mal comunista”, países como o Reino Unido, a Itália e até a Alemanha não estavam sofrendo golpes militares e regimes ditatoriais durante esses tempos de Guerra Fria. ‘EU’ sabia de tudo, pois criei o mito da ‘Mula sem Cabeça’ no Brasil. Sabia quem eram os verdadeiros financiadores das forças golpistas de Castelo Branco. Sabia quem mandava e quem cumpria, e de todo apoio logístico e militar do ‘UNCLE SAM’.

    Por instinto, provocado pelo medo, não podia recusar a proposta dos militares de os representar via imprensa. Senão, é claro! Eu que seria a ‘Mula sem Cabeça’, ou melhor, o ‘Homem sem Cabeça’. Entretanto, sabia eu que perdi a minha cabeça há muito tempo, quando aceitei a escrever aquela maldita matéria inicial, que provocou toda essa discórdia. Podia ter recusado… fui contra todos os princípios e éticas do jornalismo. E, as lembranças do juramento que fiz no dia da formatura me atormentaram todos aqueles infernais dias dentro do meu escritório. Ainda me lembro como se fosse hoje, em que estava diante da imensa plateia ao receber o meu diploma, vendo meus pais orgulhosos, e lágrimas de felicidades escorrendo no rosto de minha mãe, enquanto repetia em alta voz aquelas palavras proferidas pelo meu mentor: “Juro exercer a função de jornalista, assumindo o compromisso com a verdade e a informação. Atuarei dentro dos princípios universais de justiça e democracia, garantindo principalmente o direito do cidadão à informação. Buscarei o aprimoramento das relações humanas e sociais, através da crítica e análise da sociedade, visando um futuro mais digno e mais justo para todos os cidadãos brasileiros. Assim eu Juro!”

    Agora aqui estava eu, andando e correndo com a burrinha, tendo que sustentar a mentira com mais mentiras. Me vendo com a função de tornar a ‘Mula sem Cabeça’ mais assustadora do que já era. Ficando encarregado de justificar o golpe militar e a política externa dos Estados Unidos, em transformá-lo em um herói nacional brasileiro, pela intervenção com sua suposta missão de liderar o “mundo livre” e frear a expansão do comunismo na América Latina, na retirada do presidente Jango, que fora democraticamente eleito pelos cidadãos brasileiros, e, ainda, tendo sido eleito com mais votos que o próprio presidente Juscelino Kubitschek.

    Fui amaldiçoado, como a mulher que dormiu com o padre, e condenado a me transformar na ‘Mula sem Cabeça’. E dores de cabeça me atormentavam todas as noites, vi que em vez de cabeça tinha um chama ardente de fogo no lugar. E depois da minha semana entediante de trabalho, galopava através dos campos urbanos desde o sol de quinta-feira até o sol de sexta-feira, bebendo e me embriagando pelos bares, boates e puteiros do Rio de Janeiro. E me vi transformado em um monstro, no pecado da mulher amaldiçoada, que virou a burrinha de padre.

    Assim, resisti na minha função caluniadora até o governo de Castello Branco e seus atos institucionais que ajudei a redigir. Porém, durante a repressão, restrições aos direitos políticos, liberdade de expressão, violência e tortura aos opositores do regime no governo de Costa e Silva e seu decreto AI-5, não pude mais aguentar tamanha pressão. E labaredas ardentes saíram de minha cabeça cortada. E vi que o encanto que me amaldiçoava só poderia desaparecer, se eu tivesse a coragem de arrancar da minha cabeça flamejante o freio de ferro.

    Então, em plena sexta-feira, no escuro do meu apartamento, comecei a confeccionar um aparelho constituído por uma grande armação reta, com medidas e pesos indicados pelas normas francesas, com aproximadamente 4 metros de altura, em que suspendi uma lâmina losangular que pesava cerca de 40 kg, guiada pela parte superior da armação por uma corda. A estrutura era meio arcaica e construída com pedaços de madeiras armengadas, mas, com as precisões certas, para quando a corda ser liberada cair de uma distância de 2,3 metros de altura, seccionando o freio de ferro.

    Depois de arrancar o freio de ferro que me prendia aquela maldição, surgi nos paraísos infernais como uma mulher arrependida pelos seus pecados.

    _ Extra! Extra! Famoso jornalista morre na manhã de sábado, lenta e dolorosamente ao tentar decapitar a sua cabeça em uma guilhotina artesanal feita por ele mesmo. Venham! Comprem o jornal!
  • O Monstro

    O garoto estava pálido quando apareceu na porta da sala escura, iluminada somente pela luz da TV. Exitou em entrar quando o pai indagou, sem tirar os olhos do jogo.
    – O que foi?
    O segundo tempo começara a pouco e o placar estava desfavorável para seu time.
    – Tem alguém no quarto.
    – Que merda é essa? – indagou, ainda sem lhe olhar o rosto, a lata de cerveja na boca.
    Um breve momento de silêncio. Os lábios do garoto tremiam. Da porta da sala, ele olhava, através do corredor mal iluminado, a porta de seu quarto mergulhado em breu. Era proibido acender a luz, dinheiro não nascia em árvores.
    – Eu perguntei que merda é essa moleque!
    O garoto desviou o olhar de volta ao homem alto e corpulento, que agora o fitava. Suas pernas ficaram moles, o rosto corou e os olhos se encheram de lágrimas.
    – Tem alguém no meu guarda-roupas. – repetiu, a voz mais fraca dessa vez.
    – Como alguém? Não tem ninguém em casa! – os olhos do homem tomaram um ar raivoso, a voz se tornou mais áspera – Tá de palhaçada comigo?
    – Não… não senhor.
    – Então porque está fazendo isso comigo? Não está vendo que eu estou ocupado!
    – Mas…
    – Sem mas, moleque. Volta pro seu quarto.
    O homem voltou sua atenção para a TV, mas não por muito tempo. Desviou o olhar novamente para o garoto que permanecia na porta da sala, congelado.
    – Mas que inferno! Eu não falei…
    O apito do arbitro tocou. Seu time sofrera uma punição. O sangue lhe subiu à cabeça. Jogou longe a lata de cerveja e saltou da poltrona em direção ao garoto. Agarrou-o pelos cabelos e lhe sacudiu a cabeça esbravejando. 
    Ainda pelos cabelos, arrastou o menino até o quarto escuro e o jogou sobre a cama.
    – Cadê? – Gritou o homem escancarando o guarda-roupas alto – Cadê o monstro, seu lixo? Cadê?
    Com raiva, puxou as poucas roupas e a coberta para fora, espalhando as peças pelo chão. Arrancou as gavetas e as arremessou contra a parede, a poucos centímetros da cabeça do garoto.
    – Eu te dou tudo o que você precisa! Você tem comida, roupa e cama! – vociferou –  Te falta alguma coisa?
    Com o punho serrado no rosto do garoto acoado, prensou sua cabeça contra a parede. 
    – E trabalho o dia inteiro pra não faltar nada aqui! Tudo o que eu quero é um tempo para mim, seu lixo. É pedir muito? – ele esperou a resposta, pressionando o rosto do garoto com mais força – Me responde!
    O menino não ousava, nem mesmo, soluçar. No ar, somente a respiração pesada e rápida do homem descontrolado. Os poucos segundos pareciam horas. Então o punho cedeu rispidamente e o homem endireitou seu corpo. A mão correu para o cinto.
    – Sei o que você está querendo! – disse ele, dando um tapa na fivela do cinto – Vou acabar de ver o meu jogo. Daí então, quando eu voltar, você vai aprender a me respeitar.
    O homem corpulento bateu a porta com força, deixando o garoto no breu do quarto. O volume da TV fora aumentando, mas ainda era possível ouvi-lo resmungando na sala. 
    O menino tremia na cama, as lágrimas quentes correndo-lhe o rosto, a respiração profunda. As calças urinadas. Aos poucos, a visão foi se acostumando à escuridão e os contornos do quarto começaram a se desenhar. 
    Então, um leve estalo veio da direção do guarda-roupas. Seus olhos se direcionaram para cima do móvel, onde uma silhueta parecia deitada. Outro estalo, o que parecia um braço fino desceu pendurado. Mais um estalo, e uma cabeça disforme apontou em sua direção. 
    O pobre garoto tentava controlar sua respiração e os tremores de medo, mas tremia tando que fazia barulho sobre a cama. Tinha medo até de fechar os olhos.
    Enquanto ainda se segurava ao móvel velho, aquele corpo esguio lentamente se projetou de cima do guarda-roupas, desdobrando-se na direção da cama, trazendo para a vista do menino um rosto deformado e um par de olhos inumanos que emanavam um sôfrego brilho púrpura.
    Aos poucos, aquilo esticou seu braço livre em direção ao menino. A mão cheia de dedos tortos e ossudos então tocou lhe a cabeça, fazendo com que ele fechasse os olhos e soltasse um gemido de horror.
    Sentiu então a mão pousar-lhe sobre a cabeça com leveza. Seu corpo cedeu à uma estranha calmaria e ele pode ouvir algo como que um murmúrio, uma tênue voz materna:
    – Vem comigo criança. Tem um monstro ai embaixo.
  • O Natal de Betinho

    Era fim de tarde e Betinho soluçava solitário encostado à porta da capela, a bunda magra torturada pelo frio da calçada. A palma da mão aberta mostrava uma moeda antiga deixada pelo pai em seu leito de morte, mas era antiga demais para comprar um presente para a mãe, outro para a irmã pequenina e doente, e outro para o irmão mais velho.
    Betinho odiava o Natal.
    Betinho odiava o Vigário.
    Há dias sua mãe não trabalhava mais para ele; não lavava o chão da igreja, nem ajeitava as velas do altar, nem tirava o pó das imagens... O vigário dizia que as beatas podiam fazer aquilo sem cobrar um centavo sequer, por quê pagaria a uma mulher preguiçosa e pouco religiosa como ela?
    Quando despediu a mãe do Betinho, o fez na sua frente, ignorando a existência do menino. Pensava que Betinho não entendia? Pensava que Betinho era burro?
    Betinho entendia tudo. Betinho sabia bem o significado da palavra “humilhação”.
    Por isso que Betinho odiava o vigário. Se pudesse dava-lhe um presente. Um presente tão asqueroso que o vigário jamais esqueceria.
    Mas aquela moeda não servia para nada, a não ser para lembrar da noite em que o pai se foi.
    Para quê ficar com ela? Para quê guardar aquela dor no bolso da bermuda, ou sob o travesseiro quando se deitava.
    Olhou bem para ela, a visão turva. As lágrimas partilhavam aquele momento. Das narinas escorria o catarro e a boca sentia uma mescla de sabores.
    Atirou a moeda para longe e enxugou a boca com o punho da camisa do irmão mais velho que usava quando estava suja. Só nessas ocasiões tinha um camisa: quando o irmão a atirava no cesto de roupa suja e usava a outra.
    Por que seu irmão tinha duas camisas e ele, nenhuma?
    Betinho odiava o irmão.
    Por que sua mãe nunca lhe comprou uma camisa e comprou duas para seu irmão?
    Betinho odiava sua mãe.
    E, ele agora pensava enquanto via a moeda rolar escada abaixo, sua mãe não lhe comprava uma camisa porque o dinheirinho que às vezes sobrava servia para comprar os remédios de sua irmã doentinha.
    Betinho odiava sua irmã doentinha.
    A única coisa que realmente amava era a lembrança do pai. O melhor a fazer era pegar a moedinha de volta. Descer aquela escada escura e fria apressadamente era o que devia fazer, caso quisesse reaver a moeda antes que algum delinquente o fizesse.
    Betinho desceu, os pés grudados nas costas, tamanha a pressa.
    Deteve-se no último degrau, junto ao chão.
    Um vulto esguio e negro como a noite que chegava segurava a moeda e abrindo-lhe um largo sorriso, perguntou:
    — Teu nome é Betinho?
    — Sim, senhor.
    — Queres comprar presentes de Natal com esta moeda?
    — Sim, mas não vale nada, senhor.
    — Vale bem mais que pensas.
    — O senhor acha?
    — Tenho certeza.
    — O que posso comprar com ela?
    — Muitas coisas. Mas antes, sentemos aqui, que te explico.
    O homem sentou primeiro naquele degrau.
    — Mas é tão gelado esse degrau! — Reclamava Betinho. — Prefiro ficar de pé, se o senhor não se importa.
    — Me importo, sim — o homem o encarou como se quisesse mata-lo, mas ao abrir um novo sorriso, continuou: — Por isso que já o esquentei para ti.
    Betinho sentou e mal pôde acreditar. O degrau estava quente.
    — O senhor é mágico? Está bem quentinho agora.
    — Não sou mágico. Sou um comerciante. E tenho uma proposta para ti. Quero te vender esta moeda.
    Betinho sorriu, inocentemente.
    — Mas esta moeda é minha!
    — Ora, mas é claro que não! Não a jogaste fora depois que descobriste que não queres mais lembrar do teu pai, que te amava tanto?
    — Como o senhor sabe disto?
    — Ora, mas não foi assim que pensaste quando jogaste esta moeda fora? Depois que descobristes que odeias o vigário, o teu irmão, a tua mãe e a tua irmãzinha doente?
    Betinho agora estava com muito medo. Com medo, mas com muita raiva e queria sua moeda de volta.
    — Dê-me a minha moeda, seu ladrão! — Gritou, avançando sobre aquele desconhecido.
    — Ela agora é minha porque a encontrei perdida nesta calçada — volvia ele, levantando-se e levando consigo o calor da calçada, transformando-a de volta naquela pedra de gelo. — Queres ela de volta?
    — Claro! — Betinho levantava-se e estirava a mesma mão que há pouco possuíra a moeda — Por favor!
    — Como disse antes, posso ti vendê-la.
    — Mas não tenho como pagar.
    — Claro que tens, olha só! Posso contar nos dedos! Conta comigo: O vigário, teu irmão, tua mãe, tua irmãzinha doente e teu falecido pai.
    Betinho sorriu. Agora havia descoberto: aquele homem era um louco qualquer, falava qualquer besteira que lhe passasse pela cabeça.
    — Por que ris? — Perguntou ele.
    — Porque o senhor é besta.
    — Sou mesmo?
    — Quer que eu pague com o vigário ou com meu irmão ou minha mãe ou minha irmã ou meu pai?
    — Sim, e por que não?
    — Está bem. Dê-me a moeda.
    — Não, não. Eu te vendo esta moeda. O que me ofereces em troca?
    — Deixe-me pensar... — Betinho nem precisou pensar muito. Era claro que já sabia. Era uma brincadeira, mas já sabia como brincar. —...O vigário.
    — Hum... — ele entregava a moeda a Betinho — Esta moeda deve valer muito para ti. Deste-me o mais valioso.
    — O canalha do vigário não vale nada — maldizia Betinho saindo correndo com sua moedinha de volta. Agora podia voltar para casa. Logo mais teria uma sopinha na ceia de Natal. Não era um peru, mas dava para encher a barriga.
    Enquanto cobria-se por uma densa nuvem de enxofre aquele homem dizia:
    — Verás o quanto ele vale.
    E lá ia Betinho feliz da vida para casa...
    A moedinha era sua novamente, agora era só entrar no beco e pronto já estava em casa.
    Mas, e aquele alvoroço?
    E aquela música? Não, não! Não era música, não! Era choro. Mas o que significava aquele aglomerado de beatas na frente da casa de Betinho? Que dor era aquela que todas sentiam em plena noite de Natal?
    Betinho pensou na mãe. O coração apertou quando entrou em casa e não a encontrou.
    — Cadê a mamãe? — Perguntou ao irmão, que ninava a irmã doentinha.
    — Foi na igreja cuidar das coisas do vigário.
    — Que tem o vigário?
    — Morreu, coitado. E parece que se enforcou, não sei porquê. Mas deixou uma carta que mamãe leu e correu para lá chorando como uma desesperada.
    — E o que dizia a carta?
    — Não sei. Mas tem teu nome, Betinho. Isso tem.
    Betinho correu para a porta, as beatas o olhavam com rancor, mas ele não entendia o porquê. Nunca havia dito nada que machucasse o vigário; o odiava, era verdade, mas somente seu coração sabia daquilo.
    Encontrou a mãe ao lado da cama onde o vigário jazia, coberto de flores brancas. Enquanto um terço pendia da mão que apontava para o alto em orações, uma folha de papel era esmagada pela outra, que se escondia às suas costas.
    Betinho olhou aquele papel que sua mãe segurava, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa foi surpreendido por ela, que notou sua presença.
    — Betinho — ela virava-se e esbofeteava-o — viste o que fizeste?
    — Mas eu não fiz nada!
    — Toma! — Ela jogava-lhe o papel na cara. — Some daqui e lê. Depois verás o quanto fostes uma criança má.
    Betinho saiu resmungando “Eu? Eu não fiz nada! Não fiz nada, não! Ele morreu porque quis! ”
    Sentou-se num dos bancos e leu.
    Senhor Deus, me perdoa. Não fui um bom filho. Aprendi tantas coisas Contigo, todos os Salmos, toda a liturgia, os dogmas da Santa Igreja, mas não consegui ensinar o Amor a uma criança. Sim, ensinei o Amor a tantas outras que cresceram, tiveram filhos e eu ensinei o Amor a esses filhos e aos seus filhos e aos seus filhos e assim por diante, mas não consegui ensinar o Amor a Betinho.
    Sim, a Betinho. Esse menino falava demais nas minhas aulas e isso me irritava. E eu, pobre criatura miserável e pecadora, ao invés de entender o quanto sua alma é livre como o vento, reprimia-o, expulsava-o e ainda despedi sua mãe, tão boa para mim.
    Que adianta rezar o Amor se não consegui fazê-lo brotar no coração de Betinho?
    Que eu sucumba no mar de arrependimentos que invade minha alma.
    Perdoa-me, Betinho.
    Adeus! O malcriado não foste tu, fui eu.
     
    O coração de Betinho apertou. Deveria chorar?
    Deveria.
    Deveria correr até o quarto, jogar-se aos pés do defunto e pedir-lhe perdão?
    Deveria.
    — Mas ele não vai te ouvir.
    Betinho olhou para o lado e lá estava seu amigo coberto de enxofre.
    — Senhor, eu estava brincando. Por que o senhor matou o vigário?
    — Eu? Eu não matei ninguém. Tu o vendeste para mim.
    — Mas pensei que o senhor estivesse brincando.
    — Brincando? Numa noite como esta? Numa noite em que as casas estão celebrando a vida eu procuro celebrar a morte de alguma forma. 
    Betinho encheu os pulmões e gritou:
    — Chega! Esta brincadeira acabou agora!
    — Engano teu. Começou agora.
    A força com que Betinho sentiu a mão da mãe puxar-lhe os cabelos foi tanta que ele gritou, agora de dor.
    — Para de gritar dentro da igreja e vai para casa, pensar em tudo o que fizeste ao coitado do vigário todos esses anos, Betinho.
    — Mas, mãe. É culpa do diabo.
    — A culpa é tua, Betinho. Vai para casa, que não quero olhar para ti.
    Ele já descia as escadas, aos soluços.
    Sua mãe finalizou dizendo:
    — E pensar o quanto ele te amava...
    Quando chegou em casa o irmão chorava. A irmãzinha parecia uma boneca de pano em seus braços e estava branca como cera. O que havia acontecido agora?
    — Está morta, Betinho — dizia o irmão. — Agora que o vigário está morto, quem lhe dará a Extrema Unção?
    — Meu Deus! O que isto quer dizer?
    — Que as portas do céu não se abrirão para nossa irmãzinha e sua alma vagará pelo Vale do Sofrimento para sempre, Betinho.
    — Misericórdia!
    — Será que nem isto aprendestes na igreja?
    Betinho saiu porta a fora, mas antes pegou uma vela e foi até os fundos da casa, no quartinho dos livros que o pai lia para ele. Ali era um bom lugar para acender uma vela e pedir que todo aquele pesadelo acabasse. Sentia a presença do pai ali; quem sabe ele não pediria a Deus por Betinho...
    Acendeu a vela, ali mesmo sobre uma pilha de livros e rezou...qual oração se não aprendera nenhuma? E o que deveria pedir? Não sabia falar com Deus; nunca procurou aprender. Mas sabia que uma vela acesa já era meio-caminho andado.
    Agora deveria caminhar um pouco. Talvez se fosse até a padaria da esquina poderia conseguir um pouco de pão dormido para trazer para casa e comer com a família, mesmo em meio a tanto sofrimento...
    Saiu com aquela esperança no peito.
    Encontrou com a mãe no caminho, que perguntou para onde ele iria.
    — Para qualquer lugar onde não me culpem por algo que não fiz! — Ele estava com raiva.
    — E teu irmão está em casa? E tua irmãzinha?
    — Melhor a senhora mesma ir lá e vê.
     — Ó, meu Deus! — Ela adivinhava e saía correndo.
    Betinho caminhou um pouco mais e contou sua história ao velho corcunda da padaria, que compadecido, entregou-lhe uma sacola com alguns pães.
    Mas a fome era tanta que preferiu comer um pedaço do pão ali mesmo na praça. Depois comeu outro pedaço e outro e outro e outro...quando se deu conta havia comido tudo.
    E agora? Voltaria para casa e diria o quê?
    Que não havia ganhado pão algum.
    Pôs-se de pé e já ia voltar quando o clarão no céu o fez relembrar daquelas tardes quando o pai lhe levava até ali para ver o pôr-do-sol...
    Mas aquele clarão não era no céu, era logo mais abaixo.
    E havia fumaça também.
    — Corre lá, Betinho! — disse uma beata que passava. — Tua casa pegou fogo.
    Ele lembrava-se da vela sobre os livros.
    — Parece que tua mãe entrou por uma janela para salvar teu irmão, mas não deu tempo. Agora estás sozinho no mundo. Que tristeza.
    Totalmente em desespero Betinho presenciou os últimos momentos da grande fogueira que sua casa havia se transformado. Os vizinhos jogaram agua a noite toda e, de manhazinha tudo eram cinzas.
    Os três dias seguintes Betinho os passou sentado defronte às cinzas da casa, até que sentiu o cheiro de enxofre novamente.
    — O que o senhor quer agora, Satanás? Sei que o senhor é o diabo, agora. Não sei como consegui ser tão burro.
    — Não foste burro. Foste imprudente. Olhaste apenas para teu umbigo.
    — Mas agora está tudo perdido. O que mais o senhor quer?
    — Eu, que pergunto: queres mais alguma coisa?
    — Quero minha família de volta.
    — Sei. Mas não posso te dar.
    — Claro que pode! O senhor a tirou de mim!
    — Mas que calúnia! Nunca tirei tua família de ti. Eu a comprei, assim como comprei o vigário, de ti!
    — Pois eu exijo que o senhor me venda, de volta!
    — Tens como pagar?
    Betinho enfiou a mão no bolso da bermuda e entregou a moeda a ele.
    — Aqui está! Se com ela eu te vendi o vigário e minha família, com ela poderei compra-los de volta.
    — Certamente — ele pegava a moeda e a guardava no bolso. — Mas nesses três dias ela perdeu um pouco de valor, então ficarás me devendo um trocado.
    — Não devo nada ao senhor!
    Aquele homem acariciou a cabeça de Betinho e este se afastou rapidamente. A Nuca havia esquentado, parecia que ia ferver.
    — Pronto. Agora não me deves mais nada. Vai para tua igreja rezar. Quem sabe...
    O cheiro repugnante de enxofre fez com que Betinho se afastasse, correndo de volta para a igreja.
    Parou no primeiro degrau e pensou: tentarei subir rezando. Tentarei lembrar das aulas do vigário. Quem sabe, lembro ao menos do Pai Nosso.
    — Pai Nosso... — ele começava a subida —...que estais...no céu.... Santificado seja Teu Nome...
    Ele mal podia crer no que se passava. Conseguia lembrar. Não havia sido tão mal aluno. Sabia rezar, sim, senhor!
    No último degrau sentou-se e encostou na porta como há três dias o fizera. Respirou profundamente e fechou os olhos pensando em tudo. Na irmãzinha, no irmão, na mãe, no vigário...
    A porta abriu-se rapidamente e quase que ele tombou para trás, pondo-se de pé rapidamente.
    — Betinho, meu querido!
    — Vigário! — Betinho mal podia crer. — É o senhor mesmo?
    — E quem mais seria? Venha! Entre meu querido. Têm uns alunos que não sabem rezar como tu. Mas graças a Deus que tu me ajudas. És precioso!
    — Sou nada. Sou malcriado.
    — Tu? Malcriado? Tua mãe precisa saber disso.
    — Minha mãe? Ela está viva?
    — Mas que brincadeira é esta, Betinho? — o irmão chegava naquele momento. — Olha o que trouxe para ti.
    Betinho abria um pacote e sua emoção era grande. Lá estava a camisa que tanto sonhara ter.
    — Como é linda!
    — Não é lá das melhores — sua mãe chegava com sua irmãzinha nos braços. — Mas tua irmã está tão bem de saúde que não precisará mais de remédios e eu pude comprar uma camisa para ti para cearmos o Natal de logo mais à noite contigo, teu irmão e tua irmã bem vestidos.
    — E hoje teremos pão, sopa e peru — finalizou o vigário. — Nosso Natal será inesquecível.
    Betinho, emocionado, disse:
    — Com certeza. Jamais esquecerei de todos que amo tanto e deste Natal especial!
    Durante a noite a ceia foi perfeita. As músicas das beatas, as gargalhadas, os elogios da beleza de Betinho e do cuidado que ele tinha com a irmãzinha, o irmão e a mãe.
    Era uma noite inesquecível, não fosse um único detalhe. Detalhe esse que Betinho queria saber, mas não lembrava.
    De madrugada sua mãe veio apagar a vela que ainda iluminava seu quarto, mas ele não deixou.
    — Ainda não apaga, mãe. Queria perguntar uma coisa antes?
    Ela sentou-se ao seu lado na cama e perguntou:
    — Pergunta, filho. Se puder responder...
    — Bem eu queria saber uma coisa... — ele esforçava-se. — Queria perguntar sobre uma pessoa...só não sei quem é.
    — E como vou sabe, né? — ela sorriu, beijou-lhe a testa, apagou a vela e se foi.
    Minutos depois Betinho tornou a acender a vela e foi até o quartinho dos fundos. Talvez alguma coisa ali o fizesse lembrar.
    Ao abrir a porta...
    Não havia nada. Nenhum móvel ou objeto, nada.
    Como poderia lembrar?
    A nuca latejou e uma voz sussurrou rapidamente:
    “Agora não me deves mais nada”
    Balançou a cabeça e sorriu. Não havia nada para lembrar. Era melhor voltar para cama e aproveitar o restinho do Natal. Voltaria até no escuro. Gostava do escuro. Gostava de sentir medo, de vez em quando.
    Soprou a chama e se foi para a cama.
    Betinho guardaria aquela noite para sempre. Aquele havia sido um natal especial: a ceia com o vigário amigo, a sopa, o pão, o peru...A mamãe, o irmão, a irmãzinha, algumas beatas...
    Havia sido uma noite inesquecível; ele adormeceu pensando assim.
    Mas..e a moeda? Que moeda, afinal, se não havia lembrança alguma da moeda que o pai que tanto amara havia lhe dado em seu leito de morte.
    Pai? Que pai que havia retirado da memória no momento em que comprou o vigário e a família de volta?
    Pobre Betinho que vendeu a família e o vigário...
    Pobre Betinho sem moeda...
    Pobre Betinho sem seu pai...
    Fim
  • O Negro dos sonhos

    A Luz caiu
    Compreensível,afinal
    Lá fora da minha casa
    Caía um intenso temporal

    Sento em frente à janela,
    Meus pensamentos põem-se a voar;
    Apenas o fim da tempestade
    Todos eles pode findar

    Ouço um barulho seco
    Vindo do andar de baixo;
    ''Deve ser apenas um rato'',
    Penso,e relaxo

    Volto à janela,
    Onde é meu lugar.
    Quando, de repente,
    O barulho torno a escutar

    Dessa vez,aterrorizada
    Desço e vou checar...
    Haveria alguém lá embaixo,
    Pronto a me pegar?

    Minha pergunta se responde
    Em dos olhos um piscar;
    Acendo a vela no porão
    Mas não há nada para olhar

    Meu medo esquecido;
    Volto áquele lugar.
    A mesma janela,a mesma chuva;
    Mas não a mesma a observar

    Sinto-me diferente;
    Como se não fosse eu.
    Minha mente não é mais clara;
    Agora é só um breu

    Serei eu mesma,outra?
    Meu corpo já não se encaixa;
    Me sinto presa,sufocada,
    No canto obscuro da caixa

    Sinto algo tocar em mim,
    Rápida,olho para trás;
    Vejo um vulto negro,fugaz;
    Logo desaparece,aliás

    Mais barulhos,que estranho;
    Não são os mesmos de antes.
    Volto ao porão,
    Em passadas hesitantes

    Não apenas não vejo nada,
    Como vejo algo,sim
    Não vejo com meus olhos,
    Mas sinto atrás de mim

    Meus olhos se reviram,
    Minha boca se abre,
    Um esgar pálido me observa,
    Já face a face

    Os olhos da criatura
    Não demonstram piedade;
    Parece que veio determinado
    A cumprir sua finalidade

    Não sinto-me mais diferente
    Parece que passou.
    Agora a mesma mulher
    À frente da janela acordou.

    O Que teria sonhado?
    A Lembrança se esmaece
    Enquanto isso,calma,
    A chuva de novo aparece.
  • O Palco do Terror

    A cidade de Mersin,ao sul da Turquia,tem belezas naturais de tirar o fôlego.Por ser uma cidade  as margens do mar do mediterrâneo e também pelo imponente castelo de Korikos,uma construção medieval que fica as margens do mar.Mas de tirar realmente o fôlego é o que irei relatar aos leitores.Fato que me foi descrito por pessoa que não posso nomear neste registro,mas tem de mim toda credibilidade desejável.Mesmo sendo algo que se possa atribuir a alguém da mais astuciosa imaginação,jazem a miúde em recantos secretos do pensamento,inacessíveis a compreensão humana.
    Porem devo dizer que tudo o que vivenciamos é real,ao seu modo. Acontecimentos naturais e inevitáveis exageros em que caímos quando relatamos situações cuja influência foi forte e ativa sobre as faculdades da imaginação.Alem do fato de os incidentes a narrar serem de uma natureza tão fantástica, não tendo, necessariamente, outro apoio senão eles próprios.
    Era maio de 1861,e Mersin sendo uma cidade ainda pequena,em plena primavera,se via agitada pela presença do circo dos irmãos Kolberts,artista andarilhos de viajavam por todo pais,e que carregavam a fama de levarem ao locais em que passavam grandes espetáculos.
    Entre as diversas atrações,um ilusionista chamado Dhed tinha lotação total em sua tenda durante  suas apresentações,usando uma capa de cor avermelhada e sempre acompanhado de sua assistente,a quem ele intitulava ser Norma, a esposa do deus Osíris.No palco,durante suas exibições,é colocado sobre uma pequena mesa uma diminuta estatueta de pedra,que segundo o artista,daria origem ao seu nome. Dhed, é um dos símbolos mais comuns e mais encontrados na mitologia egípcia. É um hieróglifo em forma de pilar que representa estabilidade. É associado a Osíris, o deus egípcio do pós-morte, do submundo e dos mortos. O símbolo é comumente interpretado como sendo a representação de sua coluna vertebral. O pilar de Dhed foi também utilizado como amuleto para os vivos e mortos.
     O místico mestre das ilusões encantava a todos com seus inúmeros truques.Entre os mais esperados pelo público,alem de espelhos,fumaça, espadas e o brilho das pedrarias de sua capa,estava a façanha de fazer desaparecer objetos e reaparecerem em outros locais.
    As apresentações se seguiram por doze noites,e após terminar sua última apresentação,Dhead notou que nem todos os expectadores deixaram sua tenda.Cinco homens permaneciam sentados em suas cadeiras,na primeira fila.
    ---Senhores...o show já terminou.  Disse o ilusionista.
    Um indivíduo,muito bem vestido e aparentando mais de cinqüenta anos,com um vasto bigode grisalho, ergueu-se  de sua cadeira e aproximou-se do palco,enquanto os demais permaneceram sentados,observando enquanto o mágico recolhia seus objetos.
    ---Sr. Dhed,creio que na sua última passagem pela cidade de Antalia,uma grande quantia em jóias desapareceram do Antalia Bank,como em um passe de mágica.
    O artista nem por um instante mostrou-se abalado pela acusação do estranho expectador.
    ---O que eu faço são truques de mágica,não roubo bancos senhores!É mera ilusão, que somente seus olhos podem torná-las reais.Seja o que foi que os senhores imaginaram,não passa de ilusão.
    Aquela explicação  absurda,de um cinismo incrível,deixou a todos   estarrecidos.Encontravam-se todos diante de uma situação,no mínimo intrigante,na qual o acusado fundamentava sua inocência de modo quase inacreditável,sem cabimento algum.Fazendo o que sabia fazer de melhor,iludir.
    O homem de pé enfrente ao palco,abriu levemente seu paletó,mostrando preso em seu colete  o emblema de metal da policia Turca.
    ---Sou o inspetor Mallet,e creio que o senhor deve me acompanhar,juntamente com a moça a qual chama de esposa de Osíris.Precisamos de uma explicação,mas na delegacia.
    Mesmo com o que disse o inspetor, Dhed permanecia extremamente calmo.
    ---Prezado inspetor,nada possuo,a não ser minhas roupas e minha tenda. Como poderia eu,possuir jóias de grande valor e viver miseravelmente neste circo ?
    ---Tenho acompanhado suas apresentações. Disse o inspetor.  E continuou...
    ---Parece-me que infelizmente por cada cidade que o senhor passa,misteriosamente objetos valiosos desaparecem sem deixar vestígios,sem nenhuma pista.Já revistamos sua carruagem,e encontramos algumas peças lá.Desta vez o senhor não vai escapar.
    O ilusionista mantendo a mesma serenidade,agachou-se no palco para ficar mais próximo a Mallet.
    --- Existem dias em que gostaríamos de voltar e começar tudo de novo inspetor,mas quem poderia afirmar que se pudéssemos começar de novo não terminaria da mesma forma.Poderíamos dizer que é o destino.O inspetor é um homem justo,por este motivo não vai negar-me um último pedido antes de conduzir-me a delegacia. Gostaria de fazer minha última apresentação,um único número.E somente para os senhores.
    Houve uma breve hesitação por parte do policial,mas recuando até sua cadeira,fez um aceno com a mão sinalizando que concederá sua  derradeira solicitação,e sentou-se novamente.
    ---Cuidado com o que vai fazer Dhed,desta vez estamos preparados.
    ---Que mágica poderia eu fazer para fugir dos senhores? Acho que somos livres para sermos,bons,maus ou indiferentes.penso que o caráter determina o destino,porem não creio que o resto é predeterminado. É apenas conseqüência.Após terminarmos o número,estaremos aqui mesmos,a sua espera...inspetor.
    Com esta resposta,o homem das ilusões colocou sua auxiliar de joelhos no palco,e pegando um  sabre que estava sobre a mesa,colocou a lâmina na parte frontal do pescoço da moça.
    ---Devo alertá-los que é apenas um truque,jamais teria eu,a intenção de ferir minha tão linda assistente. 
    Dizendo isto,o ilusionista com um rápido e certeiro movimento atravessou de um lado ao outro o pescoço da jovem com a afiada lâmina do sabre.Um silêncio mortal caiu sobre a tenda.Até que segurando a mão da jovem,ajudou-a a levantar-se e com um breve movimento de reverencia, agradeceram a  minúscula platéia que os assistia.
    Era com certeza o melhor e mais difícil número de ilusionismos já feito,mas para o desencanto de Dhed,de seus expectadores nenhum aplauso ouviu-se.Permaneciam sentados,imóveis,com suas gargantas cortadas,e suas cabeças jogadas ao chão.
  • O Palhaço do Quindim

    Esta história aconteceu no bairro onde eu cresci e poderia muito bem ser uma daquelas lendas urbanas, mas não é. Era 1995, eu tinha oito anos e, como toda criança feliz, brincava muito na rua e tinha uma turminha: eu, a Lulu, a Tati, a Nina, o Gui, o Luquinhas e o seu irmão mais velho, o Piolho. Formávamos um grupo de crianças entre oito e onze anos. Sempre depois da escola, nos encontrávamos na Praça Central para brincar de pega-pega e comer picolé da carrocinha do Tio Maneca. Bons tempos. Ou nem tanto.
    No final da Rua Brasil, na casa amarela (que nossa turma apelidou de O Quindim), morava o Palhaço Roseta. Um artista circense muito misterioso: divertido como todo palhaço, mas meio macabro - como todo palhaço, também. Nunca alguém da vizinhança viu o Roseta sem sua vestimenta ou maquiagem de trabalho, nem jamais foi vista outra pessoa naquela casa, senão o próprio palhaço.  Segundo boatos, apesar de sua profissão, Roseta não gostava de criança e, se alguma ousasse entrar em sua casa ou roubar as laranjas da árvore do seu quintal, ele a comeria viva.
    Como toda criança, nossa turma adorava histórias estranhas. E também morria de medo do Roseta, apesar dele ser - pelo menos aparentemente - muito simpático com todo mundo. Incontáveis foram as vezes que marcamos (escondidos de nossos pais) de irmos à casa do Roseta para investigar o mistério do Quindim. Sempre desistíamos no meio do caminho – seja por medo do Roseta ou receio de sermos pegos por algum outro adulto.
    Foi em uma noite de sexta-feira treze, enquanto brincávamos na rua e contávamos histórias de terror que o Piolho, o mais velho do nosso grupo, anunciou:
    - É hoje! Vou invadir O Quindim, comer todas as laranjas do Roseta e descobrir o que tem lá dentro.
    - Você sempre diz isso, mas no final se borra de medo. Debochou a Nina.
    - Aposta quanto? Perguntou o menino.
    - Todas as minhas figurinhas da Copa 94, com álbum e tudo. Provocou o Gui.
    - Então tá bom. Vai buscar seu álbum, porque em menos de uma hora, ele e todas as figurinhas serão meus!
    Fomos todos em direção ao Quindim, vigiando se nossos pais não nos flagrariam. Quanto mais chegava perto, mais adrenalina sentíamos. Um misto de medo e curiosidade tomou conta de todos – menos do Piolho, que parecia estar muito confiante. Já o Luquinhas estava muito assustado:
    - Mano, tem certeza?
    - Tenho sim. Vou pular o muro, entrar pela janela, vejo o que tem lá dentro e  depois abro a porta para vocês entrarem.
    - Tá bom, só não vai sujar sua camisa polo nova, ou mamãe vai te matar!
    E lá se foi nosso amigo. Rindo muito e caçoando do irmão que estava quase chorando, o Piolho pulou o muro. Escutamos quando, já do outro lado, ele avisou que a janela estava aberta, portanto seria muito fácil entrar. Foi questão de segundos para ouvirmos nosso amigo falar: “entrei!”.
    O que ocorreu depois ficará eternamente em minha memória, pois nunca mais eu vi ou ouvi uma coisa tão assustadora. Acenderam-se todas as luzes da casa e do pátio, em um clarão fora do normal. A única luz apagada foi a da janelinha de cima, provavelmente de algum tipo de porão ou algo parecido. Nessa janelinha, vimos a sombra de um homem com nariz de palhaço. Apesar da escuridão do cômodo, conseguíamos enxergar algumas feições daquele ser estranho, por causa da iluminação externa. O homem era completamente deformado, com olhos saltados e mandíbula exposta, pois sua pele do queixo era totalmente corroída.
    Em uma das mãos, o homem segurava um menino pela gola do que parecia ser uma camisa polo. Na outra, ele apertava uma coisa com formato igual ao de um coração humano. Neste exato momento, um grito muito alto invadiu a rua:
    - Me ajudem!
    Com aquele grito estridente, toda a vizinhança saiu para ver o que estava acontecendo. Fomos obrigados a contar o que fazíamos em frente à casa do Palhaço Roseta, assim como o que havíamos acabado de presenciar. Adultos entraram na casa. A polícia chegou logo depois.
    Até hoje Rodrigo Farias – o Piolho - consta na lista de crianças desaparecidas da cidade. Diversas buscas foram feitas, pessoas deram depoimentos, mas sem sucesso algum. O Quindim ficou isolado por dias, semanas, mas nunca encontraram sequer uma pista. O Palhaço Roseta foi interrogado na mesma noite em que tudo aconteceu. Ele alegou que não viu ou ouviu coisa alguma, pois na hora do ocorrido, estava jantando no andar de cima.
    Tempos depois, Roseta se mudou e O Quindim nunca mais recebeu um novo morador. A casa tornou-se abandonada e, até hoje, é conhecida como mal-assombrada por crianças e pessoas que acreditam em maldições.
    No ano de 2013, li uma notícia na internet sobre a morte do velho Palhaço Roseta. Aposentado, ele vivia há alguns anos em uma região isolada de uma cidade litorânea. A causa da morte não foi informada completamente. Na notícia, constava apenas que o homem possuía “estranhos hábitos alimentares”.
    Desde aquela noite, eu e meus amigos nunca mais passamos em frente ao Quindim. Nem falamos no assunto. A única pessoa que ainda vive por aquelas bandas é, por incrível que pareça, o Luquinhas. Agora um homem casado e com um filho pequeno, fiquei sabendo que ele diz a todos que seu irmão foi engolido por um demônio e que, para evitar uma nova maldição, ele precisa se manter perto de onde tudo aconteceu. Por enquanto, está funcionando.
    FIM
  • O pequeno Johnny

    Steve  morava em um bairro de classe média alta, adornado por diversas árvores e jardins, ruas tranquilas com asfalto de boa qualidade (raridade naquela cidade) e calçadas bem trabalhadas, sem buracos. Quase todas as ruas tinham um guardinha para fazer rondas noturnas. Mas a vida de Steve nem sempre foi assim. Essa casa foi comprada com o esforço de um carreira brilhante como empresário do ramo alimentício, o que lhe  possibilitou uma vida de muitos luxos.
    Quando seu filho, o pequeno Johnny, veio ao mundo foi o melhor dia de sua vida. O bebê nasceu saudável, com 3 quilos, mas não chorava muito, parecia ser uma criança quieta. Aquela cabeça delicada tinha alguns poucos fios loiros, assim como a mãe. Tinha olhos castanho claro como o pai e a linda cara de joelho, como todos os recém nascidos.
    Dois dias depois teve um de seus piores dias. Saiu do hospital para comprar doces para sua esposa. Sua doceria preferida era na região, andou cantarolando alguma coisa inteligível, mas que parecia clara em sua mente. Seu relógio marcava perto das 7 da manhã, quando foi abordado por dois sujeitos armados. Bateram-lhe incessantemente, ameaçaram sua vida e o fizeram se despir em um beco sujo. Fugiram com todo seu dinheiro e roupas. Deixaram-no sangrando em uma caçamba de lixo que escorria algum líquido negro pegajoso. Dias depois Steve viu um vídeo seu na internet andando desnorteado, pelado e sangrando por uma avenida movimentada suplicando por ajuda.
    Foi quando decidiu que não permitiria que aquilo a acontecesse novamente, não dependeria da boa vontade de estranhos. Mudou-se para um bairro nobre. Conseguiu uma casa um pouco afastada das demais, não muito, mas seu quarteirão tinha apenas dois vizinhos, e comprou dois revolveres, um 38 especial e uma Magnum 357, os mais potentes que tinham para oferecer. O vendedor disse que eram mais confiáveis que pistolas, que nunca travariam. Era perfeito. Um mantinha sempre em sua cintura, o outro em casa, era guardado em sua escrivaninha, sempre carregado com seis balas para qualquer emergência.
    Sua esposa não gostava de armas na casa, agora com o bebê gostava menos ainda. Brigavam constantemente sobre esse assunto, contudo, Steve manteve a arma na escrivaninha e a outra sempre consigo, sentia-se seguro assim. Poderia se proteger, proteger a casa e sua esposa.
    Daí surgiu um dos maiores hobbys de Steve. Praticava tiro pelo menos uma vez por semana, quando sentia-se muito estressado ia ao estande de tiros duas ou três vezes. Ultimamente começara a ir quatro. Descarregava sua energia negativa naquele pôster e sua pontaria melhorava consideravelmente. Ás vezes pensava em sua esposa parada ali no lugar daquele poster, não desejava mal a ela, mas certas vezes ele estava apenas puto com ela, com o bebê que não lhe deixava dormir, com algum cliente safado que não lhe pagava. Começou a usar aquele estande como terapia, assim todos a sua volta continuavam seguros. Steve não acreditava em psicólogos, era coisa de frouxo, mariquinhas. Homens de verdade conseguem lidar com seus problemas sozinhos e escondidos do mundo. Afinal, ele tem uma família que depende dele, não pode dar sinais de fraqueza.
    Era a noite de aniversário dos 15 anos de casamento. Steve sairia com sua esposa para um jantar romântico e depois iriam ao bar que se conheceram para beber até as 3 da manhã. Sua vizinha, Judy, cuidaria de seu filho, como sempre fazia. Era uma garota adorável, de 16 anos, com longos cabelos negros, estudiosa que aproveitava o bico de babá para comprar livros e juntava dinheiro para poder conhecer a Europa. Steve adorava isso e geralmente lhe entregava algum livro velho, além do pagamento.
    Os dois se despediram da menina e do filho. Eram 19h e Johnny, agora com 4 anos, poderia ficar acordado até às 21h. Judy brincaria bastante com ele neste meio tempo. A criança adorava a babá, ela cuidava dele desde que nasceu, os pais consideravam ela a melhor amiga dele. Sabiam que seu filho estava em boas mãos. Assim, o casal seguiu para sua noite romântica.
    Judy sabia que caso o pequeno se cansasse antes do horário de dormir, teria mais tempo para falar com seu namorado pelo telefone e assistir televisão. Então brincou bastante com ele, seu brinquedo favorito era um do homem aranha, então juntos desbravaram a casa enfrentando as forças do mal, até acabarem na cozinha. Não levou nem uma hora para que a criança começasse a bocejar e mostrar sinais de irritação. Foi quando Judy lhe enrolou em seu cobertor favorito, leu a história dos três porquinhos e o viu dormir como um anjinho.
    A babá desceu para a sala, ligou a tv para assistir um seriado qualquer e mandou mensagem para seu namorado. Ele disse estar ocupado e que falaria com ela em breve. Ela desconfiava que ele a traia porque não se sentia pronta para perder a virgindade com ele, mas não tinha certeza. Gostava muito dele (o que os olhos não veem o coração não sente, certo?), achava que aquele rapaz de 18 anos estaria bom para namorar por enquanto. Ele a levava em alguns lugares bacanas e já dirigia, era bom não depender da carona dos pais. Então disse que tudo bem, iria apenas assistir tv até pegar no sono, afinal, a criança dormira e não havia muita coisa para fazer naquela casa.
    Judy pegou algumas frutas na geladeira e se aconchegou no sofá. Dava risada olhando a tv, algumas piadas inteligentes, mas aos poucos o sono chegava. Tudo parecia tão distante... seu namorado... a televisão... o senhor Steve... ela começou a ressoar baixinho, era um sono gostoso. Sonhava com Paris, como queria morar lá, talvez se apaixonar por um lindo francês e ouvir todas as manhãs aquele idioma maravilhoso em seu ouvido.
    Enquanto isso, o pequeno Johnny acordou. Mas não chorava ao acordar, continuava uma criança quieta. Em vez disso, sempre procurava a mamãe. Desceu de sua cama em silêncio. O quarto não era muito escuro, pois uma luz sempre ficava acesa, ligada em uma tomada no meio do cômodo. Era normal o pequenino acordar na noite. Andou até o quarto vizinho, que era o de seus pais.
    -Mama?
    Não teve resposta. Andando no escuro conseguiu subir na pequena escrivaninha para acender a luz. Quase caiu, mas se equilibrou e viu a gaveta entreaberta. Seu pai sempre esquecia de trancá-la, mas esquecer de fechá-la era algo mais raro. Deve ter saído com pressa, discutia com a esposa novamente, pois ela viu o coldre por baixo do terno o que lhe incomodava profundamente.
    Na gaveta daquela escrivaninha, tinha um brilho intenso refletindo a luz do teto e o pequeno Johnny adorava coisas brilhantes. Com um pouco de força a gaveta escorregou um pouco revelando aquele belo Magnum 357 cromado. Era pesado, mas Johnny conseguiu tirar da gaveta e derrubar em uma almofada no chão (sempre que seus pais saiam brigados deixavam o quarto bagunçado). Fez um barulhinho de “puf” que divertiu a criança e lhe tirou risinhos infantis.
    Ele desceu da escrivaninha, com um cuidado que não se espera de um infante dessa idade. Segurou aquele cabo negro e arrastou o revolver, que fazia um pequeno ruído com o atrito entre o cano e o piso de madeira. Esse ruído divertida Johnny que seguiu andando com um sorriso e pequenas risadinhas.
    - Mama?
    Seguiu andando vagarosamente pelo segundo andar de sua casa, arrastando a arma, até que chegou às escadas. Ali sentou e colocou a ponta da arma na boca por alguns instantes, até reparar no brilho que vinha da sala.
    Desceu as escadas arrastando seu novo brinquedo e viu a bela Judy deitada, ressoando tranquilamente. Parecia uma pintura da tranquilidade, enquanto a televisão passava um comercial sobre segurança doméstica.
    - Tá mimindo...
    O pequeno Johnny esboçou uma feição de decepção. Então largou o revolver no chão, entre o sofá e a mesa de centro, e foi para cozinha onde deixara seu boneco do homem aranha antes de dormir. Brincou ali por uns 10 minutos.
    - Iudy...
    Queria brincar com sua amiga. Voltou para sala engatinhando, com seu boneco nas costas. Gostava de brincar assim, lembrava das vezes em que seu pai o carregava nas costas e corria pelo jardim, esses dias eram cada vez mais raros. Mesmo assim, foi sorrindo até o sofá
    - Acódá Iudyy. – disse com cuidado
    Não teve respostas. Então sentou com seu boneco e com a arma de seu pai. Era bem difícil para ele levantar aquele pedaço de metal, então apenas inclinava o cano e atacava o super herói. O barulho do impacto começou a incomodar Judy que abriu os olhos vagarosamente.
    - Johnny, é você? Que horas são? JOHNNY O QUE É ISSO?
    Judy ficou aterrorizada ao ver aquela criança brincando com uma arma no chão, apontando em sua direção. Ainda deitada no sofá olhou para a criança e ficou petrificada.
    - Bincá cumigo Iudy! – disse Johnny levantando a arma pelo gatilho.
    O tiro ensurdecedor fez o pequenino chorar. De Judy apenas silêncio. A bala atravessou a cavidade de seu olho esquerdo, levando grande parte da traseira de seu crânio e seus miolos, para fora de sua cabeça em direção ao encosto do sofá branco.
    Alguns vizinho saíram para suas janelas, apenas para ver três motos descendo a avenida. Imaginaram que aquele barulho fora apenas um desses babacas estourando o escapamento para impressionar o outro.
    -Binca comigo? Binca? – diz o pequenino - Ta nanando. Nun qué acodá.  Acho que fez dodói. Vô ajuiá.
    Ele pega a arma pelo cano quente e queima a mão. Começa a chorar de novo.
    - Mau! Muito mau! Nun queió mais bincáááááá!
    Correu para a cozinha chorando e ali tentou subir na banqueta. Em cima do balcão estava seu suco, sempre deixavam algumas caixinhas ali e sabiam que o pequenino conseguia pegar. Ele conseguiu subir na banqueta e pegou sua caixinha. Já sabia furar com o canudinho, mas quase caiu lá de cima. Conseguiu se equilibrar e desceu com cuidado.
    Voltou para a sala com o suco na mão
    - Éga, Iudy. Vai aiudá! Éga, éga, é seu.
    Colocou o canudinho na boca de Judy, com gotas de sangue escorrendo e pingando em seu braço rechonchudo. Ela não queria suco de uva. Então a criança colocou, cuidadosamente, a caixinha no chão.
    - FEIAAA!!!!
    E saiu para brincar com seu homem aranha.
    - Pepeta! Adê a pepeta?
    O pequeno Johnny não encontrou a chupeta. Procurou pela sala e não achou. Foi então que viu a arma no chão. Se aproximou, tinha medo por conta de quando se queimou. Mesmo assim encostou a mão sem cuidado algum. O cano estava morno, agradável ao toque. Colocou a boca e mamou, a sensação era boa, mas a posição era incomoda. Tentou colocar a arma de pé, seus olhos fechados aproveitando os prazeres orais que Freud descrevia. Tentou apoiar a mão melhor para segurar aquele pedaço de ferro de pé. Achou. Era um pequeno pedaço de metal curvo. Relaxou o corpo um pouco, o sono apertou. Inclinou-se um pouco para frente e não ouviu aquele segundo tiro.
  • O quarto

    Dia 1
    Toc toc
      Bato na porta de entrada, mas ninguém aparece para atender. Olho para o relógio e já está tarde. O voo atrasou, o taxista era lento. Toc toc. Ninguém abre a porta. Olho pela janela da casa, mas isso se torna impossível, todas estão cobertas por cortinas pesadas e escuras. Coloco a minha mão dentro do vaso das roseiras que ficam ao lado da porta, encontro uma chave e a coloco na fechadura, giro a maçaneta e ponho os meus pés para dentro da casa. As luzes estão acessas, mas não tem ninguém.
     — Joe? — Novamente o meu chamado é ignorado.
      Desço a escada até o porão, o meu quarto. A cama e os livros ainda estão no mesmo lugar. Coloco a minha mochila no chão e subo. Vejo meu pai descer a escada do andar superior. Ele gesticula em libras para mim e eu o respondo. O meu pai perdeu a audição quando ainda éramos criança e com isso a fala foi se tornando cada vez mais difícil para ele, mas se falarmos bem devagar ele ainda consegue ler os nossos lábios.
     — Cadê o Joe? Eu já sei da armação dele. — Conforme me comunico em libras, falo bem alto para que o meu irmão me escute.
     — Você sabe que eu só fiz isso, por que você vive mais para o trabalho do que tem tempo para vir aqui. — Viro e encontro o meu irmão saindo da cozinha com uma faca e as mãos sujas de sangue, ele cheira e coloca um dos dedos na boca, limpado-o com a sua saliva — É carne de porco, a sua favorita.
      Há dois dias recebi uma ligação de Joe, supostamente, assustado e falando sobre como o nosso pai não estava bem. Eu acreditei no início. Mas depois percebi que o Joe nunca me liga, nem mesmo para assuntos graves e segundo é o Joe, só poderia ser mais uma de suas brincadeiras sem graça.
     — Você não pode inventar as coisas e simplesmente me pedir para viajar para esse lugar no meio do nada. Perdi meu tempo.
     — É, mas você veio. — Ele disse. É, eu vim.
    Dia 2
      Ainda de olhos fechados ouço passos em cima do porão, como se várias pessoas estivessem se movimentando na sala principal. Subo e quando entro na sala não encontro ninguém, a casa parece tão vazia quanto ontem. Penso que estava sonhando acordada. Vou até à cozinha e pego um copo com água, sento-me perto da janela e arrasto a cortina para o lado, lá fora ainda está escuro e pingos de água batem contra a grama verde do jardim. Caminho para mais perto da janela, algo preto e grande vem na minha direção, colide na janela e cai. Dou um passo para trás assustada e deixo o copo cai no chão, olho para a janela e tudo o que vejo é o vidro trincado, ainda com receio caminho lentamente para mais perto janela e observo além da rachadura, um corvo contorcendo-se no chão, a ave consegue se recuperar e levanta voo. Vejo o animal desaparecendo além das árvores.
      Não volto mais a dormir, fico em meu quarto lendo alguns dos meus muitos livros até que amanheça. Quando finalmente retorno para o andar superior da casa tudo está em silêncio, assim como na madrugada. Caminho até as janelas da casa e abro as cortinas uma por uma, a claridade entra e a casa finalmente recebe luz natural. Na janela trincada consigo ver ao longe o meu pai no jardim apontando para algo nas árvores e Joe ao seu lado. Lembro do quarto do meu pai e decido ir olhá-lo. Quando abro a porta do cômodo não consigo enxergar nada, tudo está escuro e sinto um cheiro forte que me deixa enjoada.
      Ligo a luz. A intensidade da iluminação faz com que os meus olhos se fechem instantaneamente, olho para todos os lados, mas nada parece incomum. Sinto algo tocar os meus ombros e calcanhares, afasto-me, mas não tem ninguém, devo estar sentindo coisas. Ouço uma voz vindo do closet do quarto. “Tem alguém aqui”, é o que consigo escutar. Ela se torna mais alta, e mais alta e então começa a parecer gritos “Tem alguém aqui”. Protejo os meus ouvidos com as mãos, contudo, não adianta, está muito alto. O cheiro começa a ficar mais intenso. Agora percebo que o ar não circula mais pelo local, as janelas estão cobertas pelo mesmo modelo de cortina das outras janelas que pelo visto tampam o restante da casa. A minha respiração começa a pesar, fica cada vez mais difícil de respirar. As vozes começam a brincar com a minha mente. Tem alguém aqui. Tem alguém aqui. Aproximo-me do closet e o odor fica ainda mais presente, arrasto o material de mdf para o lado e vejo um animal sem cabeça pendurada em um cabide. É um porco.
      Por um instante tudo fica escuro em minha cabeça, os meus olhos se abrem novamente e o animal decepado ainda está na minha frente. Desço as escadas correndo. No andar de baixo vejo Joe fechando a última cortina de uma das janelas. O ambiente continua claro, a luz artificial está ligada. Tento gritar, mas a minha respiração ainda está desregulada.
     — Você não deve em hipótese alguma abrir as cortinas — a voz de Joe ecoa na minha cabeça. E então desabo no chão gélido. “Tem alguém aqui”. A voz grita e é a única coisa que fica na minha mente.
    Dia 3
      Vozes são tudo o que escuto ao abrir os olhos, mas não tem ninguém comigo. Não consigo lembrar do que aconteceu. A casa está em completa escuridão quando subo as escadas, vou até à janela abrir as cortinas, mas alguém me puxa para trás. É Joe.
     — Não abra as cortinas. — É tudo o que ele fala antes de sair, consigo ouvir seus passos indo para a cozinha, ele retorna e acende velas, colocando-as em candelabros pela casa toda. — Estamos sem energia por tempo indeterminado.
      Tudo o que vejo é a silhueta de Joe andando pela casa. Subo as escadas e encontro o meu pai saindo do seu quarto, assim que ele me avista volta correndo para o cômodo, acelero os meus passos até a porta e o impossibilito de a fechar antes que eu possa entrar, diferente do resto da casa a janela está aberta permitindo que entre um pouco de luz e a brisa da manhã. O meu pai vai até porta e a tranca, quando se vira para mim, começa a falar, mas eu não consigo entender os seus rápidos movimentos com a mão. Ele para e retorna. Tudo o que eu consigo entender é “Tem alguém aqui”, então flashes da noite anterior aparecem na minha cabeça, olho ao meu redor e não vejo nada, vou até o closet e tem apenas roupas. A escuridão consome o lugar e as velas tomam o lugar da luz natural. Pergunto para o meu pai quem está aqui, mas batidas fortes na porta nos atrapalha.
      A porta é aberta bruscamente. Joe aparece e balança um molho de chave na mão. Convida-nos para descer e comer. O prato principal de hoje será carne de porco, novamente. Mas antes, ele pede para que eu saia do quarto, pois, precisa conversar com o meu pai em particular, assunto de homem, ele diz. Desço as escadas e vou até à cozinha. Na mesa, a carne fede e está coberta de moscas, tento afastá-las, mas são muitas. Parece podre. Aperto o meu nariz com os dedos e saio de lá. Espero até que o meu pai e meu irmão desçam para que eu possa falar da impossibilidade de comermos carne estragada. Quando eles finalmente descem, passam por mim e vão até à mesa de jantar, ouço a cadeira ser arrastada e os talheres batendo no prato. Vou até lá e eles estão comendo, olho para o meu prato e a carne está intacta, bem assada e não parece podre. Olho ao redor e percebo que definitivamente algo está acontecendo comigo.
    Dia 4
      A luz tremeluzente da vela se apaga. Acendo outra. Não vai demorar para que essa assim como as outras três se desmanche até virar cera. Logo será manhã e eu ainda não conseguir fechar os olhos um só instante. Não sei o que está acontecendo, mas há algo de errado na casa. Ontem fui até a caixa elétrica da casa e parece que alguém desligou o interruptor de toda a casa, não sei quem o fez, mas não temos vizinhos e nem arruaceiros nas proximidades. “Sem energia por tempo indeterminado”, Joe falara. Decido não contar para ele e nem para o meu pai, temos velas suficientes para cinco meses.
      No andar de cima escuto a voz abafada de Joe e de mais alguém, a qual não consigo reconhecer, parecem estar no quarto do meu pai, ainda do último degrau da escada, estico o pescoço para tentar ouvir algo, mas a porta se fecha em um estrondo. Assusto-me, mas decido subir mesmo assim. Não ouço mais as vozes, apenas um grunhido que se parece com o som da voz do meu pai. Eu acho que ele está tentando falar, mas algo o impede. Bato na porta. Joe! Joe! Grito o nome do meu irmão. Sem passos, sem nada. Ninguém está vindo abrir a porta. Forço a fechadura da porta, mas ela se abre rapidamente, fazendo-me cair de joelhos no chão.
     — Você precisa saber esperar — Joe fala e passa por mim. Na cama, vejo o rosto do meu pai enrugado dormindo. É, não tem ninguém aqui.
    Lá fora a chuva castigava o jardim, as árvores balançam de forma ritmada de acordo com a direção do vento e os trovões soavam estrondosos. Pela única fresta da janela posso ver o que acontecia do lado de fora. Já era noite e as luzes da vela criava um ambiente sinistro na casa. A cabeça de um cervo empalhado e pendurado, agora parecia um monstro que toma forma uma horrenda e sombra se estende por toda a parede. Direciono novamente a minha atenção para a chuva, mas sinto algo envolver o meu pescoço, como se fossem duas mãos grandes estivessem enroscando-o e não querem mais soltar, tento inalar o ar, mas fica difícil, levanto-me e tento levar as minhas mãos até o pescoço, porém, algo me impede e continua a me sufocar. Uma baba grossa e vermelha começa a escorrer pela minha boca e cai no carpete. Esforço-me para gritar o nome de Joe, mas não consigo. Primeiro a minha visão fica turva e depois tudo apaga.
      Acordo ofegante. Pingos de água caem sobre o meu rosto que está molhado de suor, tem uma infiltração no teto do porão. Olho para o relógio na escrivaninha e ainda é noite, nada aconteceu foi apenas um pesadelo. Mesmo assim toco no meu pescoço e está dolorido, tento falar algo, mas a minha voz sai rouca, a minha garganta se contrai e sai um pouco de sangue pela minha boca, lembro do sonho e caminho até o local da casa, no qual ocorreu o meu suposto sonho. A cortina está um pouco afastada, deixando a luz da lua passar pelo vidro, vou até lá e a arrastado, fechando-a completamente. Olho para o carpete e noto uma mancha vermelha escura, abaixo-me e toco aquele borrão sujo, o sangue ainda está quente e viscoso. Algo tenta se aproximar de mim enquanto levanto, olho para trás e vejo uma sombra correndo e subindo as escadas. Sigo o vulto, ao chegar no andar superior, a coisa entra no quarto do meu pai, apresso-me a ir atrás, mas a porta já está fechada. Tento abrir a porta, mas algo pesado parece impedir até mesmo a maçaneta de girar. Ainda não consigo falar por causa da minha garganta, mas mesmo assim continuo a empurrar a madeira pesada na minha frente. Não obtenho um resultado, então decido tentar pela janela, mesmo que isso dê chance para o que quer que seja sair de lá.
      Olho para a janela em cima. É no segundo andar, então não é tão alto. A chuva já passou, mas o frio insiste em continuar. Subo pela construção de madeira que fica ao lado da janela, encontro dificuldade em apoiar os meus pés junto das plantas que envolvem a madeira. Mas preciso ser rápida. Não consigo enxergar lá dentro, as grossas cortinas tapam a minha visão. Arrasto o vidro para o lado, mas não é surpresa alguma que a janela esteja trancada pelo lado de dentro. Com o braço esquerdo me seguro no parapeito da janela e coloco o cotovelo direito na frente do me corpo, sem pensar muito jogo o braço na direção do vidro, uma fina rachadura se abre, forço mais uma vez e, finalmente, um buraco mediano rompe, posiciono a minha mão para dentro e encontro a fechadura, arrasto o ferro para o lado e a janela destrava.
     
      Coloco a última parte do meu corpo para dentro do quarto. No meu bolso esquerdo sinto o estilete friccionar. O quarto está escuro, a não ser pela luz trêmula da vela, e sem sinal de ninguém, o que é estranho, já que o meu pai deveria estar dormindo aqui. O mesmo odor que eu sentir pela primeira vez que entrei aqui surgi novamente. Sinto uma vontade incontrolável de vomitar e uma líquido espesso sai pela minha boca. As mesmas vozes que gritavam quando entrei aqui retornam, mas agora a frase é diferente "Estou aqui". Puxo o canivete do meu bolso e vou até o closet, deslizo a porta de uma vez e enxergo um corpo também sem cabeça pendurada no cabide. Olho para a cama e o meu pai não está lá. Eu preciso sair daqui. Corro até a janela, mas está trancada, e não abre, tento a porta, mas como esperado ela também não quer abrir. A vela intenta a apagar e uma silhueta aparece na parede, uma grande mão ameaça em vir em minha direção, jogo o meu corpo contra a porta, esperando que alguém ouça o barulho. Aquele membro grande agarra o meu pescoço e o brilho da luz se dissipa, a porta se abre e o meu corpo é jogado para frente e logo desmaio.
    Dia 5
      Os meus olhos se abrem com dificuldade. Apalpo abaixo do meu corpo e percebo que estou na casa, na mesinha ao lado consigo ver uma xícara de chá e uma caixinha transparente com pílulas. O relógio aponta que já é tarde e logo mais a noite chegará. Devo ter dormido o dia todo. Sento na cama com dificuldade e apoio o meu corpo na parede, estico o meu braço e apanho a xícara que contém um líquido verde, levo o conteúdo até o nariz e tem um cheiro forte, mas não parece ser ruim.
     — Você vai se sentir melhor quando tomar com os comprimidos — Assusto-me com a voz que sai do canto escuro do quarto, é Joe, eu não o vi ali. — Eles irão vir te pegar a noite.
      Eles quem? Mas quando vou perguntar a porta do porão se fecha, ele se foi e me deixou aqui sozinha. Eu não posso mais ficar aqui. Derramo o chá no mesmo canto escuro do qual Joe saiu e jogo as pílulas debaixo da cama. Pego a minha mochila, mas está vazia, sem as peças de roupa que eu trouxe, está sem nada. Vou até o telefone que fica na mesinha de cabeceira, mas está mudo, preciso ligar o sistema de energia e restabelecer o sistema de telefonia. A porta se abre, volto para cama. Joe olha a mochila jogada no chão e me fita balançando a cabeça negativamente.
     — Você não vai precisar mais das suas roupas. Confie em mim. — É a última coisa que diz antes de sair apressado do quarto, deixando-me sem possibilidades para perguntas e respostas.
      Vejo o relógio e pelo horário sinalizado o sol deve estar se pondo. Apesar do receio de que a porta esteja trancada, subo as escadas e consigo abri-la sem dificuldades. Aqui em cima o silêncio é agonizante, caminho até a janela e puxo a cortina para o lado, diferente do que o relógio indicava, o sol não está se pondo, já anoiteceu e o céu está escuro, nem lua, nem estrelas. Alguém atrasou o meu relógio. Caminho até a porta dos fundos da casa, já do lado de fora vou até o interruptor e ligo todo o sistema, ainda assim as luzes da casa estão apagadas, conecto também a fiação do sistema de telefonia. Retorno para a casa, ainda com receio de que alguém me veja. Vou para o meu quarto e tranco a porta. Consigo ligar a luz. Retiro o telefone do suporte, e está funcionando normalmente, disco alguns números, mas o aparelho para de funcionar novamente. O meu corpo começa a tremer e sinto que vou desmaiar, tento dizer a mim mesma para ficar calma, porém só aumenta a sensação. Do alto da escada uma luz pálida escapa por debaixo da porta e uma sombra anda na frente do porão, desaparecendo depois. Ele já sabe que liguei o sistema.
      Tudo retorna a ficar escuro. Olho para a frente e a luz da vela também se apaga. O que faço agora? Olho para a porta do porão e decido correr, ainda que seja a minha última chance. Subo as escadas e abro a porta, mas antes de colocar os meus pés para fora da cômodo algo me faz tropeçar e caio na escada, o meu corpo colidi com o chão, tento me levantar, mas não consigo, julgo que quebrei algumas costelas. Na porta vejo a silhueta de uma pessoa descendo pelas escadas, esforço-me a levantar, mas sinto uma dor excruciante nas minhas costas, ainda assim consigo me arrastar para trás, mas a madeira da cama me impede de continuar, a coisa vem se aproximando de mim, mesmo com a escuridão eu consigo ver o par de olhos que me encaram, eles brilham de uma forma que eu nunca tinha visto. Do seu braço direito observo um objeto pontiagudo que também reluz no escuro. Antes que a coisa me acerte, dou um chute que parece ter sido no ar, pois, não sinto o impacto em nada, mas por um tempo a figura some da minha frente e eu não sei como, mas consigo me levantar e mesmo andando curvada alcanço a escada, subo mais rápido que posso e consigo sair do porão. Apoiando-me na parede chego até a porta de saída. A minha única e última chance, digo em meus pensamentos, a última oportunidade. Toco na maçaneta e a porta abre com dificuldade. O vento choca contra a minha face e a neblina cobre todo o jardim, dou uma última olhada para trás e resolvo tentar correr. No entanto, ao invés de o meu corpo ir para frente, eu o sinto sendo lançado para trás no ar e se chocando com a parede, escorregando lentamente até atingir o chão. Da minha garganta rasga um grunhido de dor, sem forças para me levantar, vejo as velas que estão colocadas nos candelabros se acenderem e na parede surgem sombras que se aproximam de mim, enquanto a porta a minha frente começa a ranger, de forma lenta e agoniante, fechando e atrás dela está o meu irmão. É tudo o que vejo antes das sombras se revelarem sobre mim.
     
  • O Sobretudo Negro

    A noite ficava cada vez mais sombria. As luzes dos postes piscava, lentamente. Um nevoeiro sem fim tomava conta das ruas. Ao andar pelas ruas desertas da grande cidade, um jovem avistou em um beco sem saída algo que lhe atraiu a atenção. Um corpo humano cuidadosamente colocado sobre o chão frio, aproximou-se dele e observou curiosamente. Estranhamente parecia já ter visto aquela pessoa, tudo nele lhe parecia familiar, a pele clara, os cabelos negros, a barba por fazer, a camiseta azul, a bermuda jeans, o tênis.
    Pensou por um instante, até que num lampejo, um pensamento assustador veio-lhe à cabeça. Mas não havia possibilidade disso ter acontecido, não podia ser ele o jovem morto naquele beco. Aquilo não fazia sentido, com certeza lembraria de ter morrido, ainda mais de tal maneira, três tiros no peito. O sangue escorrendo constantemente. Precisava ter certeza de que aquilo não era mais um de seus sonhos, por este motivo levou as mãos, lentamente, até a altura dos olhos. E então, algo estranho aconteceu, suas mãos não estavam normais, havia uma forte luz azul envolvendo-as. Essa luz movimentava-se, contornando suas mãos, e aparentemente, o restante do seu corpo.
    O jovem tentava encontrar uma explicação racional para aquilo estar acontecendo, mas não recebeu muito tempo. Um som vindo da entrada do beco tomou sua atenção. Assustado, ele prendeu a respiração e concentrou-se apenas em ouvir. O som ficava cada vez mais alto, como se estivesse aproximando-se. Concentrou-se ainda mais e, logo percebeu que tratava-se de passos, que eram precisos e que, de fato, estavam mais próximos dele. Ainda prendendo a respiração, decidiu contar os passos, para determinar o quão próximo dele aquela pessoa estava.
    Mais um passo. Estava chegando perto. Outro passo. Chegava ainda mais perto. O som do atrito do seu salto com o chão de paralelepípedo ficava cada vez mais alto. O jovem sentiu o desespero tomar conta do seu corpo, e um outro sentimento começava a surgir.Tomado pela curiosidade decidiu virar-se na direção de onde o som vinha. Seus olhos encolhiam-se tentando enxergar além do denso nevoeiro. Aos poucos a imagem tornava-se mais nítida. Aquela sombra parecia ter um formato humano. Seu corpo era mais visível conforme atravessava o nevoeiro. As botas marrom escuro. Os longos cabelos encaracolados. A pele escura destacando- se em meio à névoa. Os olhos fundos e avermelhados. E o mais marcante, seu longo sobretudo negro.
    Ao ver aquele ser já ao seu lado, o jovem entendeu que outro sentimento havia surgido. Eta a morte ali, bem ao seu lado. Não poderia ser outra coisa. Sentiu uma mão tocar-lhe o ombro e uma voz rouca sussurrar em seu ouvido: “Não há mais o que fazer aqui”. E num instante, a névoa havia dissipado-se. A rua voltava a ter sua iluminação normal. Ninguém viu o que acabara de acontecer.

    - Onde estou?! - sua voz tomou conta daquela escuridão.

    O ser que havia trazido- o foi em sua direção e olhou- lhe por alguns instantes, pensou se deveria dizer a verdade, mas optou por não fazê- lo. Apenas continuou encarando- o, seus olhos estavam ainda mais avermelhados.

    - Por que não consigo encontrar meu corpo? - tornou a fazer perguntas.

    - Seu corpo não pertence a esse lugar - finalmente respondeu- lhe, sua voz rouca ecoou por todo o ambiente.

    - E onde ele está?

    - Digamos apenas que não o verá.

    - O que isso quer dizer? - o ser riu maleficamente e afastou- se dele - Não me deixe aqui! Ainda não me respondeu!

    O riso ficava cada vez mais alto. O ser já não estava mais ali. Havia sumido e deixado apenas sua risada alta e debochada.

    - Onde eu estou?! - gritou, dessa vez mais alto que da vez anterior - Me tira daqui!

    “Você terá que esperar. Talvez demore… Talvez não. Enquanto isso, você deveria fazer amizade com os outros” sua voz ecoou uma última vez. Ele olhou em volta e viu- se cercado por muitos outros, todos pareciam confusos. E sem corpo. Apenas cores flutuando pelo lugar. E então ele finalmente entendeu, estava naquele lugar, para onde todos iriam antes do julgamento final.


  • O Sombra

           Capítulo 1: Noite chuvosa
         Tudo começa com Mike no dia 27/10 de 1987, eram oito horas da noite e chovia demais. Mike estava  sem muito o que fazer, resolveu ir na biblioteca antes que fechasse as nove horas. Quando estava saindo com sua capa de chuva amarela, sua mãe gritou:
        - Filho pegue a bombinha para usar caso tenha suas crise de asma e por favor não demore, já são oito e vinte.
        - Você não acha que sou um pouco louco para sair a essa hora só para pegar um livro? - pergunta Mike dando uma risadinha.
        - Só um pouquinho filho, você não acha melhor fica em casa? Pois ta chovendo demais e é de noite, a biblioteca abre amanhã, aí você pode ir bem cedo. - fala sua mãe com uma preocupação.
         - Mãe eu não demoro dez minutos para chegar na biblioteca, daqui a meia hora estou em casa com um livro bem legal. - fala Mike sorrindo para ela.
         Então sua mãe deixou ele ir mas antes de ir Mike pegou sua bombinha que estava em cima do bidé de seu quarto. Quando Mike saiu pela porta, ele sentiu o frio e o vento forte batendo em seu rosto, não havia ninguém na rua. No caminho para biblioteca Mike notou que a chuva estava mais forte e  que começaram os trovões e relâmpagos. Quando estava passando pelo último poste de luz antes de chegar na biblioteca viu que ele havia piscado três vezes direto, parecia um aviso dizendo perigo. Mike ignorou o poste e andou mais rápido em direção da biblioteca, quando estava entrando na biblioteca viu na janela uma pessoa passar. Isso deu uma certo susto em Mike pois ele achava que era o único que ía na biblioteca a essa hora.
         Quando entrou na biblioteca a senhora Amber falou: 
        -Mike já são oito e meia, por favor seja rápido e escolha seu livro. E por favor deixe sua capa de chuva ali na estante para não sair molhando tudo
         Mike deixou sua capa de chuva na estante e perguntou para senhora Amber:
        -  Foi a senhora que eu recém vi na janela agora a pouco? - pergunta Mike um pouco assustado.
        - Não, faz mais de quatro horas que não saio dessa cadeira e a última pessoa esteve aqui a três horas atrás, acho que está lendo demais senhor Foster - diz a senhora Amber ajustando seu óculos que estava torto.
        - Talvez seja isso mesmo mas agora vou ver o livro antes que a senhora feche a biblioteca - diz Mike indo para o corredor cinco.
        Enquanto Mike anda pelo corredor cinco, ele nota um livro com uma capa super legal, em sua capa diz: O mundo escondido. Quando Mike vai pegar o livro ele sente que algo cruza atrás dele, então ele se vira rapidamente mas não tinha nada, com o susto ele teve uma crise de asma, rapidamente ele pega a sua bombinha no bolso de sua calça, inclina sua cabeça para cima e da uma respirada enquanto pressiona a bombinha. Mike estava com muito medo, ele resolveu ir para casa e deixar para pegar um livro outro dia, mas quando ta saindo do corredor cinco, ele escuta um livro cair no final do corredor seis que fica ao lado direito do cinco. Mike sai do cinco e vai para o seis, quando pegou o livro na mão deu um trovão tão forte que fez Mike ficar mais assustado, mas ele não teve uma crise de asma.
         Depois de pegar aquele livro ele chega na bibliotecária e fala:
        - Vou levar esse, seu nome é Eli.
        - Tudo bem, qual é o nome do autor - pergunta a senhora Amber olhando para o livro para ver se achava o nome do autor.
         Mike olha o livro por fora e vê suas primeiras e últimas páginas para dizer o nome do autor, mas simplesmente não tinha. Então ele disse:
        - Não tem, coloque autor desconhecido.
         Assim escreveu a senhor Amber no caderno onde ela anotava o nome do livro, seu autor, a pessoa que levava e a data que levava, normalmente as pessoas tem quinze dias para ler o livro mas caso não terminem é só ir na biblioteca e dizer que não terminaram e que precisam de mais quinze dias. Então senhora Amber da mais quinze dias para ler, caso a pessoa não termine nesses outros quinze dias é só ela voltar e fazer a mesma coisa.
         Depois que a senhora Amber anotou em seus caderno, Mike desejou uma boa noite para ela e foi para casa. No caminho para casa aconteceu o mesmo que havia acontecido com o poste de luz mas só que ele se apagou e não acendeu depois da terceira piscada, Mike começa a correr e é perseguido por uma coisa preta que parecia uma sombra, quando Mike corria e passava pelo postes, eles iam se desligando depois de três piscadas rápidas. Quando passou pelo último poste antes de chegar na sua casa a coisa preta sumiu e os postes apagados acenderam. 
         Quando Mike notou que tinha voltado ao normal, ele já estava em frente a porta de sua casa, com mais uma horrível crise de asma que fez ele tirar a bombinha de seu bolso e respirar pressionando a bombinha com a cabeça inclinada. Depois disso entrou na sua casa. Quando estava entrando seu irmão George de sete anos e meio falou para ele:
        -Oi mano, recém cheguei com o papai do mercado. Eu pedi pra ele comprar moranguinhos que a gente  gosta e ele comprou.
         Então George tirou do seu bolso um morango e deu a Mike.
        - Obrigado George, muito obrigado - agradeceu Mike enquanto passava sua mão entre os cabelo de George.
         Mike comeu o morango e foi para cozinha com George para eles jantarem, quando sentaram na mesa seu pai falou:
        - Vamos orar para agradecer?
         Todo mundo responde que sim, então papai orava em voz alta enquanto Mike, mamãe e George oravam em voz baixa. George sempre repete o que Mike fala, pois ele não sabe orar muito bem. Depois da oração comeram a deliciosa massa com guisado que  mamãe havia feito.
        Logo em seguida, depois do almoço Mike e George foram escovar os dentes e depois foram para o quarto que os dois dividem. Como Mike é o irmão mais velho com doze anos, ele sente que tem a responsabilidade de ler para George. E George adora quando Mike lê, essa noite Mike leu uma parte do livro de fantasia que seu pai tinha comprado para ele ler para George. A história do livro era sobre um dragão que protegia um reino, mas o rei achou que ele era do mal e expulsou ele. George acabou dormindo bem na parte em que o dragão é expulso e vai parar em uma terra distante voando.
         Mike guardou o livro na estante de livro de seu quarto, deu um beijo na bochecha de George falando boa noite em voz baixa e foi dormir, resolveu deixar ler o livro Eli amanhã pois já eram dez horas e vinte da noite e ele teria escola pela manhã.
  • O Sombra: Capítulo 1

    Capítulo 1: Noite chuvosa
         Tudo começa com Mike no dia 27/10 de 1987, eram oito horas da noite e chovia demais. Mike estava  sem muito o que fazer, resolveu ir na biblioteca antes que fechasse as nove horas. Quando estava saindo com sua capa de chuva amarela, sua mãe gritou:
        - Filho pegue a bombinha para usar caso tenha suas crise de asma e por favor não demore, já são oito e vinte.
        - Você não acha que sou um pouco louco para sair a essa hora só para pegar um livro? - pergunta Mike dando uma risadinha.
        - Só um pouquinho filho, você não acha melhor fica em casa? Pois ta chovendo demais e é de noite, a biblioteca abre amanhã, aí você pode ir bem cedo. - fala sua mãe com uma preocupação.
         - Mãe eu não demoro dez minutos para chegar na biblioteca, daqui a meia hora estou em casa com um livro bem legal. - fala Mike sorrindo para ela.
         Então sua mãe deixou ele ir mas antes de ir Mike pegou sua bombinha que estava em cima do bidé de seu quarto. Quando Mike saiu pela porta, ele sentiu o frio e o vento forte batendo em seu rosto, não havia ninguém na rua. No caminho para biblioteca Mike notou que a chuva estava mais forte e  que começaram os trovões e relâmpagos. Quando estava passando pelo último poste de luz antes de chegar na biblioteca viu que ele havia piscado três vezes direto, parecia um aviso dizendo perigo. Mike ignorou o poste e andou mais rápido em direção da biblioteca, quando estava entrando na biblioteca viu na janela uma pessoa passar. Isso deu uma certo susto em Mike pois ele achava que era o único que ía na biblioteca a essa hora.
         Quando entrou na biblioteca a senhora Amber falou: 
        -Mike já são oito e meia, por favor escolha seu livro rápido. E por favor deixe sua capa de chuva ali na estante para não sair molhando tudo
         Mike deixou sua capa de chuva na estante e perguntou para senhora Amber:
        -  Foi a senhora que eu recém vi na janela agora a pouco? - pergunta Mike um pouco assustado.
        - Não, faz mais de quatro horas que não saio dessa cadeira e a última pessoa esteve aqui a três horas atrás, acho que está lendo demais senhor Foster - diz a senhora Amber ajustando seu óculos que estava torto.
        - Talvez seja isso mesmo mas agora vou ver o livro antes que a senhora feche a biblioteca - diz Mike indo para o corredor cinco.
        Enquanto Mike anda pelo corredor cinco, ele nota um livro com uma capa super legal, em sua capa diz: O mundo escondido. Quando Mike vai pegar o livro ele sente que algo cruza atrás dele, então ele se vira rapidamente mas não tinha nada, com o susto ele teve uma crise de asma, rapidamente ele pega a sua bombinha no bolso de sua calça, inclina sua cabeça para cima e da uma respirada enquanto pressiona a bombinha. Mike estava com muito medo, ele resolveu ir para casa e deixar para pegar um livro outro dia, mas quando estava saindo do corredor cinco, ele escuta um livro cair no final do corredor seis que fica ao lado direito do cinco. Mike sai do cinco e vai para o seis, quando pegou o livro na mão deu um trovão tão forte que fez Mike ficar mais assustado, mas ele não teve uma crise de asma.
         Depois de pegar aquele livro ele chega na bibliotecária e fala:
        - Vou levar esse, seu nome é Eli.
        - Tudo bem, qual é o nome do autor - pergunta a senhora Amber olhando para o livro para ver se achava o nome.
         Mike olha o livro por fora e vê suas primeiras e últimas páginas para dizer o nome do autor, mas simplesmente não tinha. Então ele disse:
        - Não tem, coloque autor desconhecido.
         Assim escreveu a senhora Amber no caderno onde ela anotava o nome do livro, seu autor, a pessoa que levava e a data que levava, normalmente as pessoas tem quinze dias para ler o livro mas caso não terminem é só ir na biblioteca e dizer que não terminaram e que precisam de mais quinze dias. Então senhora Amber da mais quinze dias para ler, caso a pessoa não termine nesses outros quinze dias é só ela voltar e fazer a mesma coisa.
         Depois que a senhora Amber anotou em seu caderno, Mike desejou uma boa noite para ela, colocou sua capa de chuva e foi para casa. No caminho para casa aconteceu o mesmo que havia acontecido com o poste de luz mas só que ele se apagou e não acendeu depois da terceira piscada, Mike começa a correr e é perseguido por uma coisa preta que parecia uma sombra, quando Mike corria e passava pelos postes eles iam se desligando depois de três piscadas rápidas. Quando passou pelo último poste antes de chegar na sua casa a coisa preta sumiu e os postes apagados acenderam. 
         Quando Mike notou que tinha voltado ao normal, ele já estava em frente a porta de sua casa, com mais uma horrível crise de asma que fez ele tirar a bombinha de seu bolso e respirar pressionando a bombinha com a cabeça inclinada. Depois disso entrou na sua casa. Quando estava entrando seu irmão George de sete anos e meio falou para ele:
        -Oi mano, recém cheguei com o papai do mercado. Eu pedi pra ele comprar moranguinhos que a gente  gosta e ele comprou.
         Então George tirou do seu bolso um morango e deu a Mike.
        - Obrigado George, muito obrigado - agradeceu Mike enquanto passava sua mão entre os cabelo de George.
         Mike comeu o morango e foi para cozinha com George para eles jantarem, quando sentaram na mesa seu pai falou:
        - Vamos orar para agradecer?
         Todo mundo responde que sim, então papai orava em voz alta enquanto Mike, mamãe e George oravam em voz baixa. George sempre repete o que Mike fala, pois ele não sabe orar muito bem. Depois da oração comeram a deliciosa massa com guisado que  mamãe havia feito.
        Logo em seguida, depois do almoço Mike e George foram escovar os dentes e depois foram para o quarto que os dois dividem. Como Mike é o irmão mais velho com doze anos, ele sente que tem a responsabilidade de ler para George. E George adora quando Mike lê, essa noite Mike leu uma parte do livro de fantasia que seu pai tinha comprado para ele ler para George. A história do livro era sobre um dragão que protegia um reino, mas o rei achou que ele era do mal e expulsou ele. George acabou dormindo bem na parte em que o dragão é expulso e vai parar em uma terra distante voando.
         Mike guardou o livro na estante de livro de seu quarto, deu um beijo na bochecha de George falando boa noite em voz baixa e foi dormir, resolveu deixar ler o livro Eli amanhã pois já eram dez horas e vinte da noite e ele teria escola pela manhã.
  • O Sombra: Capítulo 2

    Capítulo 2: Eli e sua mensagem
         Enquanto Mike dormia, sonhou que George estava morto em pedaços no chão, seu coração estava fora do peito, seu cabelo loiro cheio de sangue. Mike acordou gritando:
        - George não!
         Mike olhou para lado direito onde fica a cama de George e viu ele se acordando com o grito. George perguntou:
        - Mano, ta tudo bem? Eu fiz algo errado?
         Mike vai para cama de George e abraça ele chorando, dizendo:
        - Não fez nada de errado George, eu só tive um sonho horrível.
         - Como foi o sonho mano? - perguntou George secando as lágrimas de seu irmão.
        -Foi horrível, você estava morto e era muito horrível mesmo George. - responde Mike abraçando George tão forte como se não quisesse o largar mais.
        - Mas agora ta tudo bem, aquele sonho acabou. Você sabe que horas são? - pergunta George querendo saber se já estava na hora de ir para escola.
         Então Mike pega seu relógio de pulso que estava no bidé, olha as horas e diz:
        - São sete e dez, acho melhor a gente se levantar e comer uma torrada. E depois escovar os dentes.
         Então os dois se levantaram, foram para a cozinha, Mike fez duas torradas, uma para ele e a outra para seu irmão. George pergunta:
        - Tem suco mano?
        - Acho que tem um pouco do de laranja que sobrou ontem - responde Mike enquanto vai em direção a geladeira para olhar se tinha suco.
         Então Mike acha o suco mas só tinha para um. Então Mike deu para George o suco juntamente com a torrada. George olhou para Mike que estava sem suco e só com uma torrada, então falou:
        - Eu divido meu suco contigo.
        - Não precisa, eu tomo água - fala Mike bagunçando o cabelo loirinho de seu irmão.
         Depois do café da manhã foram escovar os dentes. Mike e George gostam de escovar os dentes um do outro. Então depois eles pegaram suas mochilas e foram para escola. Na escola Mike encontrou Jack seu amigo que usa uma toca escura e tem uma franja super legal.
        - Vou com meus amigos Mike, se não se importa.
        - Pode ir George mas antes quero um abraço.
         Então os dois irmão se abraçaram, Mike deu um beijinho na bochecha de seu irmão e lhe desejou uma boa aula. Enquanto George foi com seus amigos, Mike foi para o pátio da escola junto com o Jack para eles sentarem num banco e conversarem. Quando se sentaram, Mike tirou o livro Eli de sua mochila e falou para Jack:
        - Eu tive uma noite muito bizarra ontem, eu vi vultos, postes se apagaram e fui até perseguido por uma coisa escura que parecia uma sombra.
        - Mas o que esse livro tem haver? - pergunta Jack tentando acreditar em Mike.
        - Eu estava na biblioteca e tinha deixado para pegar um livro em outro dia, ou seja, nesse dia mas quando estava lá ontem ouvi o barulho desse livro caindo no corredor 6. Peguei ele na mão e bem na hora relampeou. Então cheguei na senhora Amber e ela anotou os dados no caderno e depois que tava vindo para casa fui perseguido por essa "sombra". Com certeza você não está acreditando em mim
         - Meu Deus Mike, isso é muita loucura, mas eu acredito em você. Você é meu melhor amigo Mike Foster, se me dissesse que laçou fogo pelas mãos, eu acreditaria. - fala Jack indo mais perto de onde Mike estava assentado no banco.
        - Obrigado Jack, também considero você como meu melhor amigo. - fala Mike assegurando a mão de Jack - Eu tive um sonho horrível onde George estava morto no chão, com seu coração fora do peito e seus cabelos coberto de sangue.
        Mas ta tudo bem agora Mike, isso já passou - fala Jack assegurando firme a mão de Mike.
         Quando foram realmente olhar o livro, acabou batendo o sinal para eles irem para sala de aula. Entraram na sala e se sentaram nas classe da frente. A aula favorita de Mike era a de história pois ele sempre descobria coisas incríveis que aconteceram a tempos atrás. Já a aula favorita de Jack é matemática, sua inteligência é impressionante.
         Depois dos dois primeiros períodos de aula que foi ciência e geografia  Mike e Jack foram para o recreio. No recreio Mike observava seu irmão brincando com seus amigos enquanto fala com o Jack.
         - Ei Mike pegue o livro para nós olharmos - fala Jack com muito curiosidade.
         Então Mike foi correndo e pegou o livro que estava em sua mochila, quando estava saindo da sala a porta se fechou sozinha. Mike tentou abrir mas não conseguia, ele começou a bater nela mas mesmo assim ela não se abria e ninguém escutava pois era muito alto o  barulho das crianças gritando enquanto brincavam no pátio da escola. Naquele momento Mike teve um ataque de asma, rapidamente ele pegou sua bombinha e fez os três passos que ele sempre fazia, que são:
       1: Inclina a cabeça para trás.
       2: Respira
       3: Pressiona o botão da bombinha.
         Isso sempre parava as suas crises. Mike não tinha muito o que fazer, então resolveu sentar em sua cadeira e ler o livro de Eli até bater para voltarem para a sala e alguém abrir a porta. No momento que sentou para ler, Jack apareceu e falou:
        - Por que a demora? O que está fazendo? Ía ler sozinho?
        - Iria pois a porta estava trancada e eu teria que esperar alguém destrancar, para não ficar com tédio eu iria ler.
        - Mas a porta estava normal. Ela não estava trancada. - fala Jack olhando seriamente para a cara de Mike.
         Mike levanta da cadeira e abraça Jack tão forte e depois diz:
        - Eu estou com medo, esta acontecendo essa coisas estranhas comigo. Por favor fica do meu lado e me ajuda.
        - O Mike, lembre que sempre te ajudarei, sempre estarei do seu lado, sempre poderá contar comigo, isso é uma promessa. - fala Jack prometendo não abandonar Mike.
         Depois do abraço eles foram ler o livro mas infelizmente acabou o recreio e eles não puderam ler, mas eles ficaram de ler na casa do Mike pela tarde. Depois de mais dois períodos de aula, um de português e o outro de matemática, os dois foram para casa juntamente com George. A casa de Jack fica do lado da de Mike, uma casa azul marinho de dois andares. Quando estavam na frente de suas casas, eles se despediram e combinaram de se encontrar as três horas da tarde para ler o livro.
         Mike entrou com George para sua casa e foram direto almoçar um estrogonofe muito gostoso que a mãe deles havia preparado, mas antes de comerem seus pai falou:
        - Vamos orar, hoje você pode orar Mike?
        - Sim, posso. - responde Mike nervoso porque fazia tempo que não orava pelo alimento em voz alta.
         Então todos fecharam seus olhos e Mike começou a orar:
        - Muito obrigado senhor pelo alimento que você não deixa faltar. Abençoe toda nossa família e perdoe qualquer pecado que temos cometido. Seja feita sua vontade, amém.
         Papai gostou muito que Mike orou e achou muito bonito. Então eles comeram, depois disso papai foi trabalhar as duas horas da tarde em sua oficina e mamãe foi trabalhar vendendo imóveis que é seu emprego. Acabou ficando só George e Mike em casa. Então eles foram construir uma pipa de papel. A pipa ficou tão bonita, ela era colorida e era cheia de detalhes. Eles ficaram brincando com aquela pipa até Jack chegar para ler o livro Eli.
         Quando Jack chegou, Mike subiu para seu quarto com ele, enquanto George ficou brincando com a pipa. Quando subiram foram direto para o livro e começaram a ler juntos. Na primeira página estava escrito:
        - Por favor se você esta lendo esse livro saiba que meu nome é Eli de... Meu sobrenome não importa, quero que saiba que eu estou morto por causa de um entidade que é tipo uma sombra, acabei colocando o nome Sombra nele. Se você viu essa criatura saiba que você pode morrer, mas da para ter um final diferente do meu, basta você enfrentá - lo sem ter medo, ele pode tomar a forma do que você mais tem medo mas você precisa superar o medo se quer derrotar ele. Eu acredito que estou morto enquanto você lê esse livro, pois sei que não conseguiria vencer meu maior medo. Nos primeiros dias ele vai brincar com você, vai te causar medo pois ele gosta de fazer isso, ele se alimenta do medo. Não esqueça que a chave para derrotar ele é não ter medo, se você tem um medo, saiba que você precisa superar. Nas próximas páginas verá relatos do que aconteceu com as pessoas que interagiram com o Sombra.
         Depois que Jack e Mike leram só isso já ficaram horrorizados. Ficaram fazendo perguntas pra si mesmo. De que maneira surgiu o Sombra? Por que ele faz isso com pessoas? Ele é um demônio? Nós vamos morrer?
         Essas perguntas ficaram repetindo na cabeça dos garotos até que Mike falou:
        - Jack você não esta envolvido nisso, isso é perigoso, é melhor ir embora e eu darei meu jeito.
        - Não vou ir embora de maneira nenhuma - reponde Jack cumprindo sua promessa. 
        - Posso falar o meu maior medo? - pergunta Mike enquanto começa a escorrer lágrimas de seu rosto.
        - Pode - responde Jack assegurando mão de Mike.
        - Meu maior medo é perder o George e você. Se você morrer ficaria um vazio de mim, eu não seria mais eu. 
        - Mike eu...
         Jack é interrompido por George batendo na porta e perguntando:
        - Posso entrar mano?
        Mike responde sim e seu irmão entra, ele acaba notando que Mike estava chorando e fala:
        - O que aconteceu mano, esta tudo bem? Eu não gosto de ti ver assim.
        - George vem aqui, senta na minha cama. - fala Mike sorrindo por ver o carinho de seu irmão.
         Quando George sentou Mike lhe deu um abraço bem forte dizendo que isso tudo iria passar. Quando Mike olhou pra Jack falou:
        - O que você ia dizer?
        - Nada - responde Jack escondendo algo.
        - Tem certeza? Parecia algo sério. - diz Mike insistindo pra ele dizer.
        - Ok, eu digo. Estou com fome mas tava com vergonha de falar - diz Jack novamente escondendo a verdade.
        - Não precisa ter vergonha, que tal a gente tomar um suco juntamente com o bolo de chocolate que mamãe fez? Você quer também George?
        - Sim - reponde George e Jack.
         Então os garotos vão se alimentar. Mike serviu seu irmão e Jack também. Quando já havia servido os dois, Mike se serviu e acabou derrubando o copo de vidro que caiu no chão quebrando em vários pedacinhos. Jack olha assustado e pergunta:
        - Você esta bem? 
        Mas Mike não respondeu pois estava tendo uma visão. Nessa visão ele viu um acidente de carro. Quem sofreu o acidente foi o senhor Russel e a senhora Russel que são os pais do Jack. Quando a visão acabou Mike olhou pra Jack e disse:
        - Jack eu vi seus pais sofrerem um acidente de carro.
        - Eu estava lá? Você estava? - pergunta Jack se lembrando de um acidente de dois anos atrás.
        - Sim você estava e eu também, só que a gente era...
        - Criança - completa Jack - isso já aconteceu, se lembra que você perdeu a memória?
        - Sim, me lembro. Vocês tinham falado que foi num acidente de carro mas eu não conseguia me lembrar. - respondeu Mike impressionado que uma parte que faltava da sua memória havia voltado.
        - Lembra que você foi na roda gigante?
        - Não, eu nunca fui numa roda gigante mas lembro que a gente foi no parque. - fala Mike tentando lembrar de alguma roda gigante.
        - Há, tá! - reponde Jack com uma expressão meio triste.
        - Mas já que você lembra que eu fui numa roda gigante me conta como foi. - fala Mike querendo lembrar.
        - Foi incrível, a gente foi junto e dava pra ver a cidade de Healdsburg inteira dali de cima - fala Jack escondendo uma coisa que havia acontecido na roda gigante.
        - Que legal. - fala Mike tentando imaginar como seria ver a cidade de Healdsburg em um roda gigante. - mas acho melhor eu limpar essa bagunça de suco.
         Então Mike limpou e pegou outro copo e tomou o suco e comeu o bolo de chocolate. Depois dos garotos terem comido foram jogar basquete no quintal. Sempre que eles faziam sexta eles gritavam: - Ponto pra mim!
         Os garotos foram parar de jogar basquete a seis horas da tarde, foi quando os pais de Jack chegaram em casa e chamaram ele para ajudar a carregar as compras. Mike e o pequeno George foram juntos para ajudar a carregar as sacolas. Depois disso Mike chegou em Jack e falou:
        - Quer possar lá em casa? Só vai ter que orar junto com minha família para agradecer pelo alimento.
        - Quero, não tem problema. O bom que amanhã não teremos aula pois é sábado - fala Jack feliz pois havia tempo que não pousava na casa de seu amigo. - só teremos que pedir para nossos pais.
  • O Sombra: Capítulo 2

    Capítulo 2: Eli e sua mensagem
         Enquanto Mike dormia, sonhou que George estava morto em pedaços no chão, seu coração estava fora do peito, seu cabelo loiro cheio de sangue. Mike acordou gritando:
        - George não!
         Mike olhou para lado direito onde fica a cama de George e viu ele se acordando com o grito. George perguntou:
        - Mano, ta tudo bem? Eu fiz algo errado?
         Mike vai para cama de George e abraça ele chorando, dizendo:
        - Não fez nada de errado George, eu só tive um sonho horrível.
         - Como foi o sonho mano? - perguntou George secando as lágrimas de seu irmão.
        -Foi horrível, você estava morto e era muito horrível mesmo George. - responde Mike abraçando George tão forte como se não quisesse o largar mais.
        - Mas agora ta tudo bem, aquele sonho acabou. Você sabe que horas são? - pergunta George querendo saber se já estava na hora de ir para escola.
         Então Mike pega seu relógio de pulso que estava no bidé, olha as horas e diz:
        - São sete e dez, acho melhor a gente se levantar e comer uma torrada. E depois escovar os dentes.
         Então os dois se levantaram, foram para a cozinha, Mike fez duas torradas, uma para ele e a outra para seu irmão. George pergunta:
        - Tem suco mano?
        - Acho que tem um pouco do de laranja que sobrou ontem - responde Mike enquanto vai em direção a geladeira para olhar se tinha suco.
         Então Mike acha o suco mas só tinha para um. Então Mike deu para George o suco juntamente com a torrada. George olhou para Mike que estava sem suco e só com uma torrada, então falou:
        - Eu divido meu suco contigo.
        - Não precisa, eu tomo água - fala Mike bagunçando o cabelo loirinho de seu irmão.
         Depois do café da manhã foram escovar os dentes. Mike e George gostam de escovar os dentes um do outro. Então depois eles pegaram suas mochilas e foram para escola. Na escola Mike encontrou Jack seu amigo que usa uma toca escura e tem uma franja super legal.
        - Vou com meus amigos Mike, se não se importa.
        - Pode ir George mas antes quero um abraço.
         Então os dois irmão se abraçaram, Mike deu um beijinho na bochecha de seu irmão e lhe desejou uma boa aula. Enquanto George foi com seus amigos, Mike foi para o pátio da escola junto com o Jack para eles sentarem num banco e conversarem. Quando se sentaram, Mike tirou o livro Eli de sua mochila e falou para Jack:
        - Eu tive uma noite muito bizarra ontem, eu vi vultos, postes se apagaram e fui até perseguido por uma coisa escura que parecia uma sombra.
        - Mas o que esse livro tem haver? - pergunta Jack tentando acreditar em Mike.
        - Eu estava na biblioteca e tinha deixado para pegar um livro em outro dia, ou seja, nesse dia mas quando estava lá ontem ouvi o barulho desse livro caindo no corredor 6. Peguei ele na mão e bem na hora relampeou. Então cheguei na senhora Amber e ela anotou os dados no caderno e depois que tava vindo para casa fui perseguido por essa "sombra". Com certeza você não está acreditando em mim
         - Meu Deus Mike, isso é muita loucura, mas eu acredito em você. Você é meu melhor amigo Mike Foster, se me dissesse que laçou fogo pelas mãos, eu acreditaria. - fala Jack indo mais perto de onde Mike estava assentado no banco.
        - Obrigado Jack, também considero você como meu melhor amigo. - fala Mike assegurando a mão de Jack - Eu tive um sonho horrível onde George estava morto no chão, com seu coração fora do peito e seus cabelos coberto de sangue.
        Mas ta tudo bem agora Mike, isso já passou - fala Jack assegurando firme a mão de Mike.
         Quando foram realmente olhar o livro, acabou batendo o sinal para eles irem para sala de aula. Entraram na sala e se sentaram nas classe da frente. A aula favorita de Mike era a de história pois ele sempre descobria coisas incríveis que aconteceram a tempos atrás. Já a aula favorita de Jack é matemática, sua inteligência é impressionante.
         Depois dos dois primeiros períodos de aula que foi ciência e geografia  Mike e Jack foram para o recreio. No recreio Mike observava seu irmão brincando com seus amigos enquanto fala com o Jack.
         - Ei Mike pegue o livro para nós olharmos - fala Jack com muito curiosidade.
         Então Mike foi correndo e pegou o livro que estava em sua mochila, quando estava saindo da sala a porta se fechou sozinha. Mike tentou abrir mas não conseguia, ele começou a bater nela mas mesmo assim ela não se abria e ninguém escutava pois era muito alto o  barulho das crianças gritando enquanto brincavam no pátio da escola. Naquele momento Mike teve um ataque de asma, rapidamente ele pegou sua bombinha e fez os três passos que ele sempre fazia, que são:
       1: Inclina a cabeça para trás.
       2: Respira
       3: Pressiona o botão da bombinha.
         Isso sempre parava as suas crises. Mike não tinha muito o que fazer, então resolveu sentar em sua cadeira e ler o livro de Eli até bater para voltarem para a sala e alguém abrir a porta. No momento que sentou para ler, Jack apareceu e falou:
        - Por que a demora? O que está fazendo? Ía ler sozinho?
        - Iria pois a porta estava trancada e eu teria que esperar alguém destrancar, para não ficar com tédio eu iria ler.
        - Mas a porta estava normal. Ela não estava trancada. - fala Jack olhando seriamente para a cara de Mike.
         Mike levanta da cadeira e abraça Jack tão forte e depois diz:
        - Eu estou com medo, esta acontecendo essa coisas estranhas comigo. Por favor fica do meu lado e me ajuda.
        - O Mike, lembre que sempre te ajudarei, sempre estarei do seu lado, sempre poderá contar comigo, isso é uma promessa. - fala Jack prometendo não abandonar Mike.
         Depois do abraço eles foram ler o livro mas infelizmente acabou o recreio e eles não puderam ler, mas eles ficaram de ler na casa do Mike pela tarde. Depois de mais dois períodos de aula, um de português e o outro de matemática, os dois foram para casa juntamente com George. A casa de Jack fica do lado da de Mike, uma casa azul marinho de dois andares. Quando estavam na frente de suas casas, eles se despediram e combinaram de se encontrar as três horas da tarde para ler o livro.
         Mike entrou com George para sua casa e foram direto almoçar um estrogonofe muito gostoso que a mãe deles havia preparado, mas antes de comerem seus pai falou:
        - Vamos orar, hoje você pode orar Mike?
        - Sim, posso. - responde Mike nervoso porque fazia tempo que não orava pelo alimento em voz alta.
         Então todos fecharam seus olhos e Mike começou a orar:
        - Muito obrigado senhor pelo alimento que você não deixa faltar. Abençoe toda nossa família e perdoe qualquer pecado que temos cometido. Seja feita sua vontade, amém.
         Papai gostou muito que Mike orou e achou muito bonito. Então eles comeram, depois disso papai foi trabalhar as duas horas da tarde em sua oficina e mamãe foi trabalhar vendendo imóveis que é seu emprego. Acabou ficando só George e Mike em casa. Então eles foram construir uma pipa de papel. A pipa ficou tão bonita, ela era colorida e era cheia de detalhes. Eles ficaram brincando com aquela pipa até Jack chegar para ler o livro Eli.
         Quando Jack chegou, Mike subiu para seu quarto com ele, enquanto George ficou brincando com a pipa. Quando subiram foram direto para o livro e começaram a ler juntos. Na primeira página estava escrito:
        - Por favor se você esta lendo esse livro saiba que meu nome é Eli de... Meu sobrenome não importa, quero que saiba que eu estou morto por causa de um entidade que é tipo uma sombra, acabei colocando o nome Sombra nele. Se você viu essa criatura saiba que você pode morrer, mas da para ter um final diferente do meu, basta você enfrentá - lo sem ter medo, ele pode tomar a forma do que você mais tem medo mas você precisa superar o medo se quer derrotar ele. Eu acredito que estou morto enquanto você lê esse livro, pois sei que não conseguiria vencer meu maior medo. Nos primeiros dias ele vai brincar com você, vai te causar medo pois ele gosta de fazer isso, ele se alimenta do medo. Não esqueça que a chave para derrotar ele é não ter medo, se você tem um medo, saiba que você precisa superar. Nas próximas páginas verá relatos do que aconteceu com as pessoas que interagiram com o Sombra.
         Depois que Jack e Mike leram só isso já ficaram horrorizados. Ficaram fazendo perguntas pra si mesmo. De que maneira surgiu o Sombra? Por que ele faz isso com pessoas? Ele é um demônio? Nós vamos morrer?
         Essas perguntas ficaram repetindo na cabeça dos garotos até que Mike falou:
        - Jack você não esta envolvido nisso, isso é perigoso, é melhor ir embora e eu darei meu jeito.
        - Não vou ir embora de maneira nenhuma - reponde Jack cumprindo sua promessa. 
        - Posso falar o meu maior medo? - pergunta Mike enquanto começa a escorrer lágrimas de seu rosto.
        - Pode - responde Jack assegurando mão de Mike.
        - Meu maior medo é perder o George e você. Se você morrer ficaria um vazio de mim, eu não seria mais eu. 
        - Mike eu...
         Jack é interrompido por George batendo na porta e perguntando:
        - Posso entrar mano?
        Mike responde sim e seu irmão entra, ele acaba notando que Mike estava chorando e fala:
        - O que aconteceu mano, esta tudo bem? Eu não gosto de ti ver assim.
        - George vem aqui, senta na minha cama. - fala Mike sorrindo por ver o carinho de seu irmão.
         Quando George sentou Mike lhe deu um abraço bem forte dizendo que isso tudo iria passar. Quando Mike olhou pra Jack falou:
        - O que você ia dizer?
        - Nada - responde Jack escondendo algo.
        - Tem certeza? Parecia algo sério. - diz Mike insistindo pra ele dizer.
        - Ok, eu digo. Estou com fome mas tava com vergonha de falar - diz Jack novamente escondendo a verdade.
        - Não precisa ter vergonha, que tal a gente tomar um suco juntamente com o bolo de chocolate que mamãe fez? Você quer também George?
        - Sim - reponde George e Jack.
         Então os garotos vão se alimentar. Mike serviu seu irmão e Jack também. Quando já havia servido os dois, Mike se serviu e acabou derrubando o copo de vidro que caiu no chão quebrando em vários pedacinhos. Jack olha assustado e pergunta:
        - Você esta bem? 
        Mas Mike não respondeu pois estava tendo uma visão. Nessa visão ele viu um acidente de carro. Quem sofreu o acidente foi o senhor Russel e a senhora Russel que são os pais do Jack. Quando a visão acabou Mike olhou pra Jack e disse:
        - Jack eu vi seus pais sofrerem um acidente de carro.
        - Eu estava lá? Você estava? - pergunta Jack se lembrando de um acidente de dois anos atrás.
        - Sim você estava e eu também, só que a gente era...
        - Criança - completa Jack - isso já aconteceu, se lembra que você perdeu a memória?
        - Sim, me lembro. Vocês tinham falado que foi num acidente de carro mas eu não conseguia me lembrar. - respondeu Mike impressionado que uma parte que faltava da sua memória havia voltado.
        - Lembra que você foi na roda gigante?
        - Não, eu nunca fui numa roda gigante mas lembro que a gente foi no parque. - fala Mike tentando lembrar de alguma roda gigante.
        - Há, tá! - reponde Jack com uma expressão meio triste.
        - Mas já que você lembra que eu fui numa roda gigante me conta como foi. - fala Mike querendo lembrar.
        - Foi incrível, a gente foi junto e dava pra ver a cidade de Healdsburg inteira dali de cima - fala Jack escondendo uma coisa que havia acontecido na roda gigante.
        - Que legal. - fala Mike tentando imaginar como seria ver a cidade de Healdsburg em um roda gigante. - mas acho melhor eu limpar essa bagunça de suco.
         Então Mike limpou e pegou outro copo e tomou o suco e comeu o bolo de chocolate. Depois dos garotos terem comido foram jogar basquete no quintal. Sempre que eles faziam sexta eles gritavam: - Ponto pra mim!
         Os garotos foram parar de jogar basquete a seis horas da tarde, foi quando os pais de Jack chegaram em casa e chamaram ele para ajudar a carregar as compras. Mike e o pequeno George foram juntos para ajudar a carregar as sacolas. Depois disso Mike chegou em Jack e falou:
        - Quer possar lá em casa? Só vai ter que orar junto com minha família para agradecer pelo alimento.
        - Quero, não tem problema. O bom que amanhã não teremos aula pois é sábado - fala Jack feliz pois havia tempo que não pousava na casa de seu amigo. - só teremos que pedir para nossos pais.
  • O touro Agostinho

    Ela já contava com o atraso. Esperava sentada na fonte da praça do Giraldo, abraçando os joelhos junto ao peito e segurando os livros entre o abraço. Um calor difícil de sustentar debaixo de sombra, insuportável a descoberto. Mas era urgente retocar o bronze.
    Vestia tshit branca enfiada nas calças de cintura subida e tamancos pretos. Salto não muito alto.
    O opel corsa aproximou-se, arrastando a marcha e Simão arremessou o braço para fora da janela, muito concentrado sem mesmo retirar os olhos da estrada. Dora observou-o por breves segundos; postura rígida, pescoço reto. E como era de se esperar, depois de alguns  soluços, o corsa acabou mesmo por ir abaixo.
    "É seguro?", achincalhou ela da fonte.
    Ele não ouviu. Ficou a controlar do retrovisor se algum carro se aproximava.
    "Simão, acorda e ajuda-me a pôr a mala atrás", pediu ela carregando a mala com as duas mãos na frente
    "Espera aí, acho que vem uma carrinha."
    "Ela que espere. Faz-te cavalheiro e ajuda-me a carregar o raio da mala."
    Simão abriu a porta, ainda de olho na carrinha que entretanto parara ao fundo. A camisa xadrez a pender-lhe em torno da cintura. Carregou a mala sem fitar Dora, desajeitado e tropeçando nas próprias atitudes nervosas.
    "Entra rápido que a carrinha vem aí", avisou.
    Dora ficou parada do lado de fora a encará-lo antes de entrar.
    "Simão", começou ela. "Relaxa, estás uma pilha de nervos."
    "É que vem lá a carrinha e depois começa a apitar."
    Ela entrou de braços cruzados, para vincar o desconforto com a atitude do outro, que fez o carro engasgar-se para arrancar.
    Da praça do Giraldo até à saída de Évora foram cerca de dez minutos. Dez minutos de janelas escancaradas e o rádio a berrar qualquer música de Nirvana que ele também cantarolava e batucava com os dedos no volante. Depois exibiu o fio ao pescoço com o nome da banda, vangloriando-se por já ter comprado os bilhetes para o concerto.
    "Vou estar cara a cara com ele" gritou enfiando uma palmada na perna de Dora. "Kurt Cobain, o deus do grunge."
    Simão estava numa euforia excessiva. No fundo, Dora quase o invejava por não poder viajar sozinha também até Lisboa. Não pela música, mas pelo passeio.
    Ela fez questão de lhe dizer que não o achava preparado para viajar sozinho até Lisboa sem alguém experiente do lado, mas ele nem ouviu, ou fingiu que não escutou. Enfim, haja dinheiro, pensou ela. O carro era novo e o entusiasmo incontrolável.
    Simão continuou a divagar qualquer coisa acerca de Kurt Cobain. O cabelo estava quase como o do ídolo, mas ligeiramente mais ortodoxo, estilo cortina separado no centro para cada lado. No entanto, para Dora, a música resumia-se a berros de jovens mal resolvidos com a sociedade. E insistia no mesmo argumento.
    "Uma heresia", dizia Simão já enfadado.
    Mesmo assim não conseguiu impedi-la de quase arrancar a k7 do rádio. Ela não ia de maneira nenhuma até Beja debaixo daquela guerra de guitarras e gritos. As notícias da tarde eram mais interessantes para acompanhar o descampado de início de Verão que já se tingia de amarelos, salpicado de sobreiros descamisados.
    Informação de última hora, mais um agricultor desaparecido. Dora quase arrancou o volume para aumentar.
    "Shhh!", fez apontando o ouvido.
    “O que foi?”
    “Espera, deixa ouvir.”
    Falava-se do desaparecimento de um agricultor, na sequência da morte de outro coitado. Um total de três homens desaparecidos e um morto. Conflitos motivados por desacordos acerca de herdades e terrenos. Aparentemente existia um terreno problemático na junção de outros quatro, cujo os limites se interceptavam. Alguma coisa aquela propriedade tinha, que fomentava a discórdia. Ainda que o sujeito encontrado morto tivesse sido abalroado por uma manada de touros bravos. Não era certo de que se tratavam de assuntos relacionados, mas aconteciam na mesma área; bem ali onde Dora e Simão deslizavam a caminho de Beja.
    “Não é estranho?”, perguntou Dora, de atenção dividida entre o rádio e Simão.
    “Sei lá”, deu o outro de ombros.
    “Mas ouviste? Agora matam-se uns aos outros por um pedaço de terra? Voltámos à idade da pedra.”
    “Eles que se entendam. Não gosto de agricultores”
    Não era o desentendimento que preocupava Dora, eram as proporções que atingiam. Ainda que Simão o tentasse ignorar, havia por certo muita gente envolvida numa terra tipicamente tão recatada. Um problema a nível nacional de algo que acontecia nas suas barbas.
    “Mas este foi colhido pelos touros”, relembrou Simão.
    “Que por acaso também estava envolvido nas brigas… Não acredito em coincidências”
    Simão fixou o olhar no painel de combustível.
    Quase na reserva.
    Optou por não dizer nada mas o sinal amarelo não se conteve.
    “Estamos na reserva?”, perguntou Dora de olhos arregalados, assim que o sinal brilhou.
    Deu-se uma troca de quase insultos entre os dois. Simão revelava-se muito mais inexperiente do que ela ponderava. E ele insistia em afirmar que conseguiam chegar ao próximo posto com a reserva.
    Acabaram por encostar aos portões da quinta mais próxima. “Herdade do Girasol” lia-se na placa. A estradinha de terra afunilava à direita até ao casebre azul e branco no topo.
    “Vamos pedir ajuda antes de ficarmos sem a reserva”, disse Dora.
    "Eu ainda acho que chegávamos até à próxima..."
    "É melhor não arriscar", ela interrompeu. "Perguntamos se têm telefone, assim ligamos a alguém para nos vir buscar."
    Caminharam ladeados por uma cerca de pedra, e a meio do percurso ficava o portão do cercado.
    Aberto.
    Outra placa a indicar "Gado bravo". Pararam automaticamente, admoestados pelo receio.
    "Gado bravo e deixam o portão aberto. Por isso é que depois temos agricultores colhidos por manadas de touros"
    "Vou buscar o carro", sugeriu Simão.
    "Deixa, agora falta pouco. Corremos."
    E desataram a correr como crianças até à casinha azul e branca. Ela equilibrando-se nos tamancos, ele evitando o pó nos redley com a camisa à cintura quase a arrastar no chão.
    A casinha albergava o hálito fresco da cerâmica, e a velhinha muito magra limpava as mãos ao avental para servir dois copos de água.
    "O Alberto já liga o telefone aqui na sala", ia ela dizendo num sotaque cantado.
    As paredes sustentavam molduras a preto e branco de rostos jovens de lábios escuros, recordando outros tempos.
    "Beto, o telefone", gritou a velhota carregando os copos de água.
    Cabelo curto e grisalho, olhos concentrados em tarefas por cumprir.
    Beto entrou pela sala e deixou o telefone, branco amarelado na mesa. Já era de botões. O velhote voltou para dentro queixando-se das modernices, esquecera os fios para ligar à tomada.
    "Não sei se viu mas deixaram o portão da cerca lá em baixo aberto", avisou Dora. "Pode ser perigoso porque depois anda aí gente de um lado para o outro".
    A velhota parou, virada para a janela, de costas para os dois.
    "São touros que têm ali?", insistiu Dora. "A plaquinha da entrada diz girasol em vez de girassol. Mas é só um detalhe"
    "A menina faz muitas perguntas", respondeu a velhota numa súbita mudança de temperamento.
    Dora ia dizer que só estava a avisar mas foi interrompida pela voz esganiçada da senhora quase aos gritos:
    "Não tem que andar a espreitar a vida das pessoas, se o portão está aberto é para ficar aberto. Agente sabe o que faz."
    O rosto de Dora encheu-se de vermelho, os lábios apertados, olhos lacrimejantes. Simão conhecia aquela cara. Sabia que Dora não era menina de aceitar desaforos. E a velhinha continuou a carregar na mesma ferida.
    "Dora, não vale a pena", sussurrou Simão.
    "Isso é o que vamos ver. Era só o que me faltava", começou Dora. "Mas está aos gritos por quê? Eu ofendi-a? Deve ter algum problema na cabeça, só pode".
    A velhota revelou-se osso duro de roer e rapidamente a discussão tomou dimensões desmedidas. O pescoço de Dora inflamado em veias, o dedo da velhota no ar a ameaçá-la. Nem mesmo Simão conseguiria apagar o fogo que se alastrava como um rastilho de pólvora.
    "Vieram cá para vigiar?", perguntava a velhota. "Pois fiquem sabendo que daqui não nos tiram."
    "Mas do que está você a falar?"
    No meio do reboliço Dora mal teve tempo de ver a pá esparramar-se na cabeça de Simão. O sangue salpicou-lhe a tshirt branca, e o coitado ficou estatelado no chão, de fio ao pescoço exibindo as letrinhas "Nirvana". Dora ficou de boca escancarada a cruzar o olhar entre o velho e a tshirt. O velhote correu todo encarquilhado de pá prontificada também para cima de Dora
    "Você, não grita com a minha mulher", advertiu antes de investir com a pá no chão.
    Dora tropeçou nos tamancos quase caindo de costas. E de cotovelo a proteger a cara, ainda gritou: "Desculpem, eu não queria...". Coberto de ódio, o homem continuou de pá hasteada e ela correu, desequilibrando-se para a saída.
    A velhota berrava como uma galinha a ser degolada: "Vai buscar a espingarda, Beto"
    E o Beto já de pressão de ar em punho ainda apontou alguns chumbos a Dora que desejava ter trazido os ténis.
    É quando corre pela vida que o ser humano consegue as mais magníficas proezas; Dora galgou o muro de pouco mais de um metro e aterrou de mãos nas fezes de um qualquer bovino. Ainda se sentia o odor a feno embrulhado em travos de chiqueiro.
    Sentiu o leve cutucar de mão de criança, e a voz sussurrou.
    "Vem, aqui não te vão fazer mal."
    Ela olhou para cima, e eis um menino de cerca de dez anos, chapeu virado para trás, pele muito branca e macacão arregaçado na perna.
    "Atrás da árvore não nos conseguem ver", continuou ele, puxando Dora pela mão.
    Dora conseguiu recuperar a pulsação ao deixar de ouvir as chicotadas da espingarda. Debaixo da árvore, apertou os joelhos contra o peito e ficou a estudar o rosto do menino que a observava, apoiado na vara. Ela esperava que ele lhe entendesse os pensamentos. Mais do que isso, ela queria que o menino compreendesse o medo que o seu espírito carregava naquele instante. Os olhos como dois copos de água cheios, prestes a verter.
    Mas logo secaram quando a pouco mais de dez metros de distância conseguiu identificar, uma rocha? Indagou ela.
    Começou por descortinar os cornos, apontados na sua direção, o focinho brilhante, de narinas em riste, atravessadas pela argola.
    "Está um boi atrás de ti", disse ela com a voz trémula.
    O menino rodou apenas a cabeça, mantendo-se apoiado na vara e sorriu antes de dizer:
    "Ele não nos vai fazer mal. O Agostinho só está curioso."
    Depois, o miúdo posicionou-se de cócoras muito próximo de Dora.
    "É o chefe de todos os outros", completou ele apontando para os outros bois que entretanto surgiam por ali.
    Dora limpou o ranho do nariz, que insistia em pingar.
    "A avó deu nomes de padres famosos a todos. Ela diz que os touros são rigorosos como os padres e zelosos na distribuição da mensagem. Têm uma tarefa muito importante em mãos."
    Agostinho afastou-se num trote nervoso e desapareceu no horizonte.
    O menino continuou: "A avó está com medo que nos tirem da quinta por eles já serem velhos. Eu sei que está preocupada mesmo que tente esconder."
    "E os teus pais?", questionou Dora.
    "Morreram há uns anos. É por isso que os outros agricultores querem ficar com o que é nosso."
    "Eu tenho que ir buscar o meu amigo, ele ficou lá em cima", explicou Dora, em devaneio.
    "Anda", disse o menino segurando-lhe o braço. "vou mostrar-te um segredo."
    Caminharam pelo pasto até uma descida acidentada. Dora mantinha a atenção presa na casinha azul e branca, cada vez mais distante. E então o menino parou.
    "Consegues ver?", perguntou.
    Ela esforçou-se para entender o que via. Um amontoado de…
    "Vamos aproximar-nos mais. Não caias", avisou o menino.
    Conseguiu por fim decifrar o que via. O medo foi crescendo, drenando-lhe o rosto e acelerando o coração. Ela ficou quase morta de medo ao ver os corpos amontoados lá em baixo.
    "Queriam tirar a quinta à minha avó, mas enviei-lhes o Agostinho.", explicou ele com um sorriso rasgado nos lábios. O menino tinha olhos de gato, esverdeados, observou Dora. E uns lábios muito vermelhos. Era um menino bonito até.
    Ele voltou-se novamente para os corpos dos agricultores, precipitados no barranco. Dora encheu-se de energia, empurrou o menino para o chão e desatou a correr de volta ao muro. Não foi uma boa decisão, para Agostinho que emergiu ao fundo, de cornos rentes ao chão, um galopar de pernas curtas. Não esperou pelas ordens do menino, ele faria justiça e lidaria depois com as possíveis consequências.
    Dora não estava disposta a ser colhida pela onda de fúria prestes a rebentar-lhe em cima. Correu de pés descalços, e olhos fixos no muro de pedra. Os outros touros incentivaram Agostinho juntando-se à perseguição, fazendo o chão tremer. Apesar do calor, o céu carregava-se de nuvens escuras que coavam a luz solar.
    No momento em que Agostinho se prontificava para executar a sentença, Dora saltou cheia de destreza o muro de pedra, caindo de pernas assentes no chão. Agostinho esbarrou de cornos contra o empedrado, recuando sobre as patinhas delicadas, equilibrando toda a massa negra de músculos.
    Ela continuou a correr em direção ao carro. Apesar do terreno acidentado, não cedeu à dor nos pés que já sangravam.
    O carro permanecia de portas abertas. Sentou-se ao volante, num surto de desespero. Mas as chaves estavam nos bolsos de Simão, que jazia na casinha azul. E mesmo que as chaves ali estivessem, ela não saberia nem ligá-lo.
    Voltou a sair do carro. Seria mais sensato pedir socorro junto à estrada principal. Mas sentiu um peso forte na nuca que a fez aterrar de mãos no chão. A vista turva. O corpo a ser arrastado pelo pó.
    "Desta vez não me escapas", ouviu ela.
    Conhecia aquela voz rouca. Estava a ser arrastada pelo velhote, ainda de pá na mão.
    Os olhos não resistiram à dor e de um momento para o outro tudo escureceu.
  • O Trem Fantasma

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    Era uma tarde esplendida que parecia sair de um quadro de artes. O pôr do sol alaranjado com um suave vento fresco enfeitava a paisagem perfeita para um encontro a dois. Sendo assim o nosso casal desse conto Liliane e Edson decidiram aproveitar o domingo para conhecer o parque de diversões “La Bamba”. A cidade de Campinas promovia a mais nova atração que já fazia sucesso entre crianças e adultos de todas as idades. 
    O Algodão-doce, a pipoca, a maça do amor e as guloseimas apetitosas aromatizavam o clima. A roda gigante, o carrossel, o carrinho de bate — bate e a montanha-russa completavam os atrativos. Nada poderia atrapalhar os noivos apaixonados. Porém, nem tudo é fantasia e o mal existe podendo vagar por entre nós nas mais variadas formas, sendo uma delas à morte. 
    Eu particularmente vejo a vida como um trem sem rumo buscando estações para desembarcar seus passageiros em seus destinos finais. E infelizmente Lili e Ed teriam o seu caminho interrompido por uma fatalidade. 
    A noite da data de 21 de agosto de 2028 despertaria os medos mais intensos para eles. Angústia, pânico, ansiedade e dor, todos os sentimentos misturados em uma única dose de terror. O mundo sobrenatural seria revelado. E você leitor acredita em fantasmas? 
    ********************************** 
    A fila para a atração “Expresso do Inferno” chamava a atenção, era empolgante a ideia de andar em um trem fantasma. O único a não compartilhar de tal entusiasmo era o medroso Ed, que segurava a mão de sua donzela Lili tão forte a ponto de estralar seus dedos. 
    O percurso não demorava mais do que 20 minutos na escuridão, apenas um carrinho por vez circulava sobre os trilhos de madeira. A temática do castelo dos horrores amedrontava pelas fantasias realistas. Gritos e mais gritos podiam ser ouvidos a metros de distância. Preparados para essa aventura? 
    — Minha amada, somos os próximos! Você está vendo algo na entrada? 
    Além do coveiro sem cabeça com uma pá? 
    — Não! Somente ele na porta, a fumaça bloqueia qualquer vestígio. 
    O passeio iniciava-se com uma música fúnebre, olhares fixos tentavam se adaptar enquanto luzes vermelhas piscavam sem parar. Gradualmente os personagens entravam em cena atuando de forma esplêndida. O pianista sem dedos tocava alegremente e a dama de vermelho dançando sem os pés, flutuava por cima das cabeças dos visitantes. 
    O vampiro sanguinário sumia e aparecia entre os espelhos enquanto o lobisomem uivava para a lua. A noiva cadáver coberta de vermes, choramingava pelos cantos. E é claro que não poderia faltar a serra elétrica sendo erguida pelo açougueiro maquiavélico, um clichê mundial. 
    — Meu deus! Lili aquilo é um esqueleto enforcado? 
    — Sim! É a entrada do cemitério Ed, com cruzes enferrujadas. 
    — O zumbi medonho está olhando para mim, como se fosse me devorar. 
    — Não o vi! Estava encantada com os pedaços de partes humanas penduradas no frigorífico. Querido você está suando. Está tudo bem? 
    - Sim. Mas nos paramos? Que barulho é esse? 
    ********************************** 
    Em poucos segundos telhas enormes despencaram sobre o casal, o estrondo gigantesco media a proporção do desastre, a poeira que pairava no ar dificultava a visão. O que tinha acontecido? 
    Edson levantou-se devagar, desnorteado e tremendo apoiou-se na parede. Sem pensar muito pegou o seu celular e ativou a função da lanterna. Tudo estava escuro, e para piorar a situação sua futura esposa havia sumido. Sua mente estava em choque, nada fazia sentido, onde estavam todos? 
    Caminhando por mais alguns passos Ed notou rastros de sangue, seriam o de Lili? O alerta de perigo era evidente, havia entre eles um assassino? Muitas perguntas sem respostas e a agonia em seu peito só aumentava. 
    - Socorro!! Ajudem-me. Alguém está me ouvindo? 
    Correndo por entre os espaços disponíveis o nosso protagonista se perdia cada vez mais. A diversão tornou-se um pesadelo. Era como se um mundo aleatório estivesse se criando rapidamente. Um labirinto de portas trancadas e corredores sem saída, não havia uma única alma penada. 
    O silêncio no ambiente era medonho sendo apenas interrompido por sua respiração ofegante. Gritar, chorar, implorar ou rezar não traria a sua amada de volta, ou uma solução para os seus problemas. Pensamentos inoportunos colocavam em jogo a sua sanidade mental, estaria ele louco? Morto? Ou no inferno? Mas os seus pecados não eram tantos assim. Entre questionamentos e incertezas eis que surge uma menina. 
    A garota de cerca de onze anos estava parada olhando fixamente para Ed. Seu vestido branco, cabelos negros e olhos verdes completavam a sua aparência. A pele branca quase transparente e o seu ursinho de pelúcia na mão esquerda finalizavam o aspecto sinistro. Como ela havia chegado até ali? 
    A pequena fantasma de forma carismática abriu um sorriso enquanto levitava, era algo difícil de acreditar. Ed estava paralisado sem saber como agir, a cena de filme de horror abalava seus nervos. 
    — Olá! Sou a Anne, quer brincar? 
    - Desculpe, mas estou procurado uma saída. Preciso achar uma pessoa. 
    - Seria a Lili? 
    - Sim! Você a viu? 
    - Acredito que era ela no hospital. 
    - Que hospital? Devo estar enlouquecendo. Eu morri? 
    - Não, seu bobo. Quer que eu leve você até ela? 
    - Por favor, serei muito grato. 
    ********************************** 
    Como em um passe de mágica as portas foram se abrindo. Anne atravessava as paredes em alta velocidade enquanto Ed corria atrás tropeçando em todos os objetos que encontrava pela frente. Era no final das contas uma brincadeira e a linha de chegada terminaria em uma janela vermelha. 
    - Pronto! Só abrir e pular. 
    - Sério? Mas não vejo nada. 
    - Apenas pense na Lili. 
    - Você vai ficar aqui? Não quer vir comigo? 
    - Eu não posso. Mas você sim. Vá Logo! Ela está te esperando. 
    — Obrigado querida. 
    ********************************** 
    Liliane estava segurando as mãos de Ed quando ele acordou em uma cama de hospital. Sonolento e com dores de cabeça ele tentava entender o que estava acontecendo. Sua noiva eufórica beijava-o e agradecia a Deus pelo seu retorno. Enfim estavam juntos. 
    - O que está havendo? Não me recordo de nada. 
    - Você teve uma hipoglicemia, falta de açúcar no sangue, caiu logo após o sintoma de sudorese. E na queda bateu a cabeça bruscamente em um cano de metal, me apavorei. Foram 12 dias de coma querido. 
    — Nossa! Mas você está bem? 
    - Agora sim! Eu te amo. 
    - Também te amo. Vamos embora? 
    - Logo voltaremos para casa. Como é estar desacordado? 
    - Depois te conto, é uma longa história. Como foi passar o tempo aqui? 
    — Triste em alguns momentos. Conheci um casal adorável Lorena e Marcelo. Estavam com a filha internada vitima de afogamento, mas ela faleceu. Tentei confortar o coração deles de todas as formas. 
    - Como ela chamava? – indagou Ed com um nó em sua garganta. 
    - Anne. 

     

  • O último portal II Justice

    O Último Portal II:
    Justice































    POR: Carry Manson

    Nota da Autora: TODA TEM SEXTA NOVOS CAPÍTULOS.



    Prólogo

    Vivemos numa Nova Era de paz e harmonia

    diante da bandeira verde e azul de nosso país.

    Por muitos anos, lutamos pela liberdade, sem

    entender o quê isto significava. Mas quando

    a tivemos em nossas mãos, muitos a viram

    com os olhos do arco-íris, que foi a cor que a

    mídia pintou, enquanto outros mantiveram a

    mente cheia de conhecimento, e por total

    consequência a razão. Enquanto os jovens

    em sua maioria, e os adultos fingindo serem

    jovens pulavam, enchiam a cara, e se

    drogavam. Os sensatos, observam o caos,

    e não fechavam os olhos para todas as

    iniquidades cometidas. Felizmente chegou

    o momento em que uma luz brilhou. Ela veio

    em forma de escuridão, todos disseram que

    era coisa das obras ocultas, quando nem

    sequer percebiam, que a sociedade

    atual, era o palco destas

    forças.

    Há algum tempo atrás eu jamais lutaria

    a favor de um ditador, mas agora entendo

    porquês todos alemães adoraram a Hitler.

    Ele veio para salvá-los, da desolação que

    se aproximava, não era uma luta contra

    os judeus, haviam judeus no seu exército,

    mas sim uma luta para salvar o mundo,

    que claramente falhou, pois hoje

    Eles o dominaram.

    Ele era um radical, mas o povo precisava

    de um radical, alguém que fizesse algo por

    eles, e não para si próprio, um louco, cuja

    loucura, aceitando ou não, trouxe muito

    desenvolvimento para a sociedade.

    As mortes foram horríveis sim, inocentes

    morreram é claro, mas nenhuma guerra é

    ganha sem dor e sofrimento, nenhuma

    glória chega antes de sermos

    testados.

    Não podemos mais fechar os olhos para

    o certo, ou o errado. A justiça tem que ser

    feita, para que menos inocentes sofram

    , em nome dos falsos revolucionários,

    pois revolução mesmo, é aquela

    que é benéfica ao individuo,

    e os outros.

    Infelizmente nem todo mundo vê assim,

    e por isso em breve iremos lutar uns contra

    os outros, porquê os filhos das cores, não

    são capazes de ver o planeta, com os

    olhos dos filhos do sol nascente.













    Capítulo 1- O brilho no céu, visto pelos poucos.




    “Depois do ocorrido na floresta, nosso grupo se

    separou. Natasha seguiu com os Filhos das cores, 

    abandonando também ao seu par. Alexandra se

    casou com um humano, e apenas Victória 

    ficou ao meu lado.” Isabelle escreve em seu 

    diário, e sorri para o marido, que ao contrário do

    que se imagina, não está mais dentro de

    Dantas, mas segue com o demônio

    Leviroth, com quem outra vez trouxe ao

    mundo, a pequena Isandra, que antes era

    só um fantasma. Hoje a criança não se

    recorda do quanto já ajudou seus pais,

    mas tem constantes sonhos a respeito

    disso. “Nós trouxemos os demônios

    a Terra naquele dia? Será que eram os

    nossos pais? Ou libertamos o mal?” Belle

    morde a tampa da caneta. Infelizmente

    nem tudo são flores, após abrirem os

    últimos portais, Leviroth destruiu o

    corpo de Dantas, por conta da

    sua energia, e por isso teve de ir para

    o corpo de um amor secreto da Calligari.

    Um garoto por quem nutriu uma paixão

    muito forte, antes do metido a perfeito

    interferir. Seu nome era Bener De La

    Cruz. Um rapaz moreno, magro, de olhos

    castanhos, e pele amarelada, que um dia

    entregou a sua alma a filha do demônio,

    por ter alimentado uma paixão por

    ela, desde que tinha 15 anos. Que aliás

    tinha sido o corpo original do príncipe, mas

    como Isa não percebeu, ele foi obrigado a

    mudar, até ela finalmente o amar.

    Na hora da transferência, a energia do

    par de Isa se tornou tão densa, que o corpo

    o rejeitou de imediato, gerando uma triste

    consequência, Leviroth perdeu da memória

    , ao retornar para a casca vazia, e Isa se

    sentiu solitária sem ele, achando que

    o tinha perdido. Separados ambos ficaram

    sofrendo, Leviroth tentou cometer suicídio,

    e a bela feiticeira se jogou nos prazeres do

    mundo, viciando-se em certas manias

    humanas, que terminaram por

    destruí-la. Ao se reencontrarem, a chama

    ardente se reascendeu de imediato, só que

    o amor, outra vez veio com o tempo, e por

    isso eles tiveram problemas para enfim

    se adaptarem. Após algum tempo Isabelle

    reencontrou Victória, que como os outros foi

    para um caminho diferente, e esta veio lhe dizer a 

     triste notícia. Belliath, também tinha partido naquela

     noite, que elas batizaram como o banquete diabólico, e 

    isso lhe deixou muito triste e abatida. Ao ouvir as lamentações 

    a amiga, a jovem lhe abraça forte, e conta-lhe que passara 

    pelo mesmo, só que teve um desfecho feliz, assim elas 

    passaram a trabalhar nas buscas pelo

     outro príncipe.

    _Olha Belle. Este aqui poderia ser o

    Belliath não acha?

    _Não, não tem a energia forte dele.

    _E este? É sedutor como ele...

    _De fato, mas tem a personalidade?

    _Isa o quê foi?

    Victória larga as fotos estiradas na mesa,

    e se volta para a amiga que se mostra bem

    pensativa, a respeito de algo. Esta para de

    pensar, e olha de forma alheia, como se

    tivesse saído de uma alucinação.

    _Não é nada Vic. São apenas sonhos

    que tem se mostrado curiosos.

    _Como assim? O quê tem sonhado?

    _Lembra que sumiu por uns anos?

    _Eu tinha perdido o meu amado,

    não comece a me julgar!

    _Não estou. É que desde aquela noite

    no bosque, tenho tido sonhos que

    não me deixam dormir.

    _Que tipo de sonhos? E com quem?

    _Um demônio, e é como se Dantas

    fosse ele.

    _Mas tinha um demônio no Dantas.

    O Leviroth seu atual marido.

    _Sim...Porém parece que tinha algo

    mais, dentro daquele mauricinho

    idiota.

    Isabelle respira fundo, e recorda-se do

    último contato que tivera com o namorado

    , e baixa a cabeça. “Você o colocou dentro de

    mim! Sua vadia maluca!” “Ele escolheu

    seu corpo! Eu não tive culpa!” “Ele só

    me escolheu, por sua causa!”. “Eu espero que

    você morra!” Gritou ao ver sua pele se dilacerando,

    no meio da mata, até que se foi. Deixando-a para o

    todo sempre, e então o demônio veio em forma

    de espírito, tentando se agarrar a ela, mas 

    desapareceu diante de seus olhos.

    _Isabelle. Estou falando com você.

    _Oi Vic. Me perdoa, estava lembrando

    dos últimos momentos, em que o

    Dantas foi ele mesmo.

    _Por quê?

    _Porquê ele desejou minha morte.

    _E daí?

    _E se ele foi pro Inferno, e fez um

    contrato para garantir isso?

    _Com o quê tem sonhado?!

    _Com o Anticristo, e ele vem para

    me buscar, todas as vezes...

    _Como um monstro, pronto para

    te arrastar para o outro lado?

    _Como um noivo no dia do seu

    casamento, e eu sou a noiva,

    não uma espectadora.

    Responde recordando-se dos sonhos

    que tem com uma criatura humanoide,

    de olhos verdes, cabelos negros e bem

    longos, de pele pálida, que está sempre

    sério, mas nunca perde a oportunidade

    de está ao seu lado, como o seu par, e

    antes que a converse se prolongue,

    alguém liga a TV do bar, e chama

    a atenção das belas.

    _Caos no novo governo. Isto é o quê

    vemos neste momento! As minorias

    se revoltaram, e pedem pela volta

    dos velhos ministérios!

    _Isto é uma luta pelos direitos

    humanos! Este ditador tem que

    ser derrubado! Senão mais

    gente vai morrer!

    _Jovens e adultos, invadem o

    congresso, para brigar pelos direitos

    dos presos, que estão sendo usados

    , para experimentos científicos.

    _Eles são humanos como eu e você!

    Comem, bebem, sentem frio e medo!

    Precisam de cuidados! Não desta

    opressão maldita!

    _A confusão gera um conflito entre

    militantes da bandeira vermelha, e

    os militares, que tem carta branca

    , para puni-los, caso haja algum

    sinal de violência física.

    _Isso, isso é resultado do fascismo,

    que Vocês seus desumanos, deram o

    apoio! Olhem pra esta foto! Olhem

    pra este homem! Isso parece

    certo pra vocês?!

    Uma mulher grita diante da câmera,

    e mostra a imagem de um sujeito bem

    magro, recebendo agulhadas nas veias,

    num estado deplorável. Ao ver aquilo,

    Isabelle revira os olhos. “Luan Alves

    de Andrade, o cara que estuprou

    7 bebês. Merece até pior que

    isso.” Se recorda da prisão

    do meliante.

    _Depois de tudo o quê ele fez

    com aquelas crianças, este castigo

    é até mediano. Se eu estivesse no

    projeto, o torturaria por total

    prazer.

    _Com certeza. Um ser destes

    nem merece ser chamado

    de humano.

    _É, mas ainda sim, estes cegos

    se reúnem diante do Congresso

    para lutar pelos direitos dele.

    _Sim Belle, a humanidade está

    mesmo perdida.

    _De fato.

    As duas se levantam, pagam a conta

    com código digitais, e vão embora, sem

    perceber que estavam sendo vigiadas por

    um homem de terno e chapéu branco, e

    este sorri, e pega as digitais dos copos

    , sem que o vejam fazê-lo, pois é um

    aparentemente profissional na área.

    “Isabelle S Calligari Marry De La Cruz.”

    É o quê aparece na tela do seu celular,

    junto da imagem da bela, parecendo a

    pior das anarquistas. “Victória Silverius

    S Haster.” É o segundo nome a vim,

    junto da imagem da bela no seu

    estado normal.

    “Elas são perfeitas para o caso.” Ele

    pensa, ao analisar o perfil das duas. Isa

    se mostra um gênio revoltado, enquanto

    que Vic mostra habilidades notáveis em

    trabalhos manuais, e muito carisma.

    “Isabelle é realmente a filha dele.”

    Conclui, desligando a tela.

    A noite...Isabelle digita uma extensa

    pesquisa no notebook, e do nada a sua

    tela escurece, preocupada, ela se cobre

    , e se afasta do aparelho. Dados com

    código são  descriptografados, e

    ela recebe uma mensagem.

    _1508? O quê isto significa?

    _Siga o Coelho Alice.

    _Eu não. É arriscado demais.

    _Você quer respostas sobre o seu

    sonho comigo, e eu posso te dá

    , mas precisa confiar em

    mim.

    _Usando robôs é fácil mesmo

    roubar informações.

    _Eu sei seu nome, e sei onde

    nasceu.

    _Basta ir no Facebook.

    _Eu sei que está roendo a

    fronha com medo.

    _Estudou meu perfil psicológico.

    _Eu sei de coisas que fez no

    sonho, e não teve coragem de

    contar a Victória, por sentir

    vergonha.

    _Algo mais?

    _Sei de tudo o quê já fez.

    _Por exemplo?

    _Suas orgias lésbicas com 6

    anos de idade.

    _Ok. Você venceu. O quê

    quer?

    _Siga o coelho e saberá.

    A tela volta ao normal, e então chega

    um convite para um baile de gala, para uma

    pessoa, em seu e-mail. “Leviroth não me

    perdoaria, mas preciso saber o quê me

    atormenta.” Morde os lábios, ao

    olhar para trás.

    Tomada pela curiosidade, respira fundo,

    e responde para o destinatário. “Agradeço

    a oportunidade, mas estou inclinada a ter

    que recusá-lo.” Envia, e recebe uma outra

    mensagem. “Doce Alice, precisa encontrar

    o Chapeleiro, o quanto antes. Não pode

    recusar.” A dama olha para os lados, e por

    fim escreve outra conclusão. “Tenho medo

    do Tempo. Ele pode não entender.”, E por

    fim recebe a última mensagem. “Farei

    um convite duplo, mas preciso vê-la

    para o chá.” Desta vez a antiga rebelde não

    recua. “Mostre-me o caminho para o Chá.”

    Enfim diz, e as mensagens se apagam

    Restando um convite para o

    casal.

    Com Victória acontece a mesma coisa,

    porém o roteiro é outro. “Sei que deseja

    encontrar alguém que não é deste mundo.”

    Diz a sua frase. “Não ignore este aviso, nós

    podemos te ajudar a encontrar Belliath.”

    Ao ver o nome de seu amado, o seu

    coração salta pela boca.

    _Como sabem de Belliath?!

    _Sabemos tudo sobre você.

    Senhorita Haster.

    _Quem são vocês afinal?!

    _Se queres saber, o caminho para

    a floresta deve seguir, Branca

    de Neve.

    _Não são os caçadores, não é?

    _Somos os mineradores, e

    podemos encontrar ao seu

    príncipe.

    _Os Anões?!

    Victória gargalha diante do computador,

    e leva um pequeno choque na ponta do seu

    dedo, que a faz chacoalhar a mão devido a

    dorzinha nele provocada. “Ai que anões

    irritados.” Pensa, colocando

    o indicador na boca.

    _Não se trata de uma brincadeira.

    _O quê podem me provar sobre

    o meu príncipe?

    _Que Ele a perdeu para anjos

    furiosos, e está entre os

    nossos agora.

    _O quê?!

    _Vá para a floresta, e o verá.

    A tela escurece, e Victória recebe um

    individual, para a mesma festa que Belle

    e Ben foram chamados. Só que enquanto

    no convite de uma está impresso o coelho, 

    no da outra é uma maçã mordida só de 

    um lado.




































































































    Capítulo 2- O baile misterioso




    No dia seguinte... Victória e Isabelle se

    arrumam para a festividade, sem saber que

    elas vão se encontrar no mesmo lugar. “ A

    fantasia certa para cada convidado.” Diz os

    bilhetes, em cima das estranhas caixas

    grandes, cor de ovo, que recebem. “Espero

    vê-la hoje, mesmo acompanhada do Tempo

    , senhorita Alice. Ass: Chapeleiro” É o quê

    o bilhete somente de Isabelle diz. “Logo a

    princesa irá receber o seu beijo, mas o feliz

    para sempre dependerá dela. Ass: Dunga”

    É o bilhete de Victória. Ambas pegam as suas 

    fantasias, e observam, que mesmo as

    respectivas personagens, não precisem de

    máscaras, elas precisaram usar. Ben chega

    do trabalho, e encontra a caixa enviada a

    ele, e pega a sua fantasia de Tempo, que

    vem com um aviso. “Olá senhor tempo,

    pode ter pensado que enlouqueci, mas eu

    preciso encontrar a Alice para o chá.” Diz

    o papel que ele esmaga revirando

    os olhos.

    _A gente já não teve problemas demais?

    _Por favor Leviroth. Eu preciso ir neste

    lugar, há respostas que você não pode

    me dá, não com essa memória.

    _Está bem. Mas se o Chapeleiro tentar

    ficar com você, ele vai conhecer o punho

    do Tempo.

    _Que bonitinho da sua parte, ainda ter

    ciúmes, depois de anos de casados.

    _Eu não lutei com aquele mauricinho

    Idiota, para ficar sem você depois.

    _Disso cê lembra né!

    _E de como você se sentia nos meus

    braços também.

    _Se controla bonitão. Não quero dá

    o Odin para a Isandra tão cedo.

    Diz Isabelle fazendo menção ao nome

    do próximo filho, que terá com o príncipe

    do Caos, e ele a puxa para si, beijando-a

    com intensidade, e deixando-a úmida

    entre as pernas, ao ponto de ficar

    corada.

    _Continuo tendo jeito para a coisa.

    _Continua sendo meio idiota.

    _O idiota que te ama.

    _O idiota com quem me casei.

    _E que vai amar por mais uma

    eternidade.

    _Pode ter certeza que sim.

    O beija, e ele a carrega, pronto para

    lhe tirar as roupas. Mas quando abre a

    sua camisa, e vai em direção aos seios

    dela, Isandra entra na sala, cortando o

    clima quente entre os dois. Sem jeito,

    eles sorriem, e a bela ajeita o cabelo

    para ir pegar a menina.

    _Depois desta festa odiosa...

    _Quando Isandra dormir...

    _Vou te mostrar os prazeres do Sol.

    _Vou ser uma com você como a

    Lua.

    _Agora vai lá com a nossa

    filha. Gostosa!

    Ele diz vendo-a de costas, e lhe dá

    um tapa na bunda, com o olhar safado,

    deixando-a vermelha de vergonha, ao ir

    até a menininha de 5 anos, que corre até

    os braços da mãe, com os olhos brilhando

    de alegria. Ao ver o sorriso da esposa, ele

    se sente realizado, por tudo o quê eles

    viveram, ter acabado tão bem.

    “Eu preciso encontrar a Alice para o

    chá.” Lhe vem a mente, transformando a

    sua face aliviada, em grande mau humor.

    “Como se não bastasse ter que ficar no

    corpo daquele moleque. Agora isso.”

    Pensa com raiva, temendo o quê

    está por vir.

    Sua memória pode ser sido afetada,

    mas não a mente de estrategista natural, e

    esta lhe diz que esta festa não vai terminar

    nem um pouco bem. Porém devido as atuais 

    circunstâncias, ele não pode dizer não a

    sua amada.

    A noite...Eles chegam ao local, é um

    museu antigo, e há muitos homens e

    mulheres bem de vida. Leviroth põe a

    máscara depois de entrar, e Isabelle

    o faz logo em seguida, grudando no

    marido com medo do quê vai ter

    encontrar ali. Infelizmente, assim que

    entram, há pelo menos 5 Alices dentro

    do salão, e quando o demônio se afasta

    para pegar as bebidas, a bela desaparece

    em meio as outras, e é puxada para o

    centro do lugar, onde dança com

    o Chapeleiro.

    _Olá Alice. Fico feliz que veio

    para a festa do Chá.

    _Quem é você? E o quê quer

    exatamente?

    _Você já me conhece dos seus

    sonhos querida.

    _Esta é a pior cantada de todos

    os tempos. Senhor Chapeleiro.

    _Estou falando sério.

    Pega em suas costas, e então aproxima

    sua boca do ouvido da bela, que fica por

    procurar pelo seu par, ignorando o ser

    misterioso, que se irrita, e a aperta

    colando-a em seu peito.

    _Meu reinado se aproxima.

    E a prostituta deve caminhar

    ao meu lado.

    _Que coisa romântica de se

    dizer no primeiro encontro...

    _Você pensa que casou-se com o

    príncipe. Mas também já foi a

    mulher de um Rei.

    _Anticristo?

    _Nesta noite sou só o Chapeleiro.

    Tira a máscara para a dama, e esta que

    já não conseguia respirar, perde o ar por o

    ver ali diante dela, segurando-a nos seus

    braços. Ele era idêntico ao sonho, só

    que neste momento está a sorrir,

    com bastante confiança.

    _Silêncio. Não grite.

    _Por quê está aqui?!

    _Porquê é chegada a hora de

    assumir o poderio do mundo.

    _E o quê isto tem a ver

    Comigo?!

    _Você é a mulher de vermelho,

    e deve ficar comigo.

    _Eu já pertenço a outro ser.

    _Será que é verdade?

    _É claro que é, eu vi a minha vida

    passada com ele!

    _Mas a viu por completo? Acha mesmo

    que alguém como você só teve um

    amor?

    _E o quê sabe sobre mim?!

    _Sei que ajudou a me libertar.

    É a última coisa que diz, dando-lhe um

    beijo rápido, e se misturando a multidão ao

    ver que Leviroth tinha percebido, que a sua

    Alice, tinha uma pulseira negra envolta do

    pulso, que a diferenciava das outras, e

    estava vindo resgatá-la.

    _Vamos sair daqui agora.

    _Está tudo bem meu amor?

    _Ele me beijou!

    _O Chapeleiro?!

    _O Anticristo!

    Berra claramente traumatizada com

    tal encontro, e abraça o marido, sentindo-se

    mole, como se fosse desmaiar de tanto

    nervosismo. Do outro lado do salão, que está

     decorado com árvores semelhante a floresta.

    Victória dança nos braços de um belo príncipe

     com máscara, que fica em  silêncio, até que 

    ele a beija, e esta sente tanto fervor, que 

    não há como negar,

    é Belliath ali.

    _Eu senti a sua falta minha princesa.

    _O beijo foi ótimo, mas como posso

    ter certeza que você é você?

    _Pergunte algo que só nós dois

    sabemos.

    _Como foi a nossa primeira vez?

    _Comigo sendo romântico, ao contrário

    do Roger.

    _Algo mais?

    _Você me expulsou do corpo dele,

    e voltei a ser grosso, mas mesmo

    assim nos envolvemos naquela

    noite.

    _Belliath!

    _O corpo do Roger não suportou.

    Tive mudar, antes que a insanidade

    dele me afetasse.

    _Tudo bem. Contanto que eu

    esteja com você.

    _Sim meu amor...

    Ele a abraça e olha para o outro lado, no

    qual O chapeleiro passa fazendo o sinal de

    que é hora de ir. Ao vê-lo, pede-lhe mais

    tempo, mas o líder nega, e o príncipe

    beija a sua amada com furor, deixando-a

    sem fôlego por alguns segundos, então

    segura em sua face, e olha em seus

    olhos.

    _Eu preciso ir agora.

    _Para onde?

    _Não posso dizer no momento.

    Mas tenha certeza de uma coisa,

    eu vou te achar de novo.

    _Me promete?

    _Sim, fique com isso, é algo

    que tenho esperado muito tempo

    para te dá outra vez.

    _Isso é?

    _Sim, quando eu puder voltar,

    nós iremos nos casar. Diga

    a Isabelle, que mandei um

    “Oi.”

    _Isabelle está aqui?

    _Sim, Ele queria muito vê-la

    , mas não podia se expor.

    _Quem?

    _O Anticristo.

    Responde deixando a amada com o anel de

    noivado, e parte com o Chapeleiro. Isabelle tira

    a máscara, e sai do salão de festas, e já se senta no sofá 

    onde os bêbados deitam, e fica no colo do marido, que lhe

     faz um carinho na cabeça, acalmando-a, pois apesar da

    forma atraente do tal ser, ela está em estado de

     choque.

    _Belle!

    _Vic!

    _Como veio parar aqui?!

    _Recebi um convite.

    _Eita quanta grosseria.

    _Desculpe, eu vim por respostas

    , e acabei por me deparar com

    o meu pesadelo vivo. E

    você?

    _Vim encontrar Belliath, que

    está junto do seu pesadelo

    vivo.

    _Olá Victória, eu também

    estou aqui.

    Diz o demônio erguendo a mão, como

    um aluno na hora da chamada. E é quando

    a bela nota que há mais alguém junto de sua

    amiga, e fica constrangida por ter ignorado

    o coitado sem querer.

    _Oi Leviroth. Desculpe, estava

    tão doida para encontrar a Belle,

    que nem te vi.

    _Depois dizem que não tem um

    “relacionamento lésbico”.

    _Para com isso Levi. Como foi

    reencontrar o Belliath?

    _Foi lindo e perfeito. Do jeito com

    o qual sonhei Belle. Olha só!

    _Nossa trabalhar pro Anticristo

    compensa hein?! Mor será que

    ele me arranja um emprego?

    _Nem pensar. Se você faltar um

    dia, em vez de descontar no salário,

    ele fala que tá no contrato chamar

    a sua esposa para um jantar!

    _Se for como os sonhos que ela

    me contou, é melhor ficarem bem

    longe dele. Ele quer tanto ela,

    quanto você já quis.

    _Já quis? Eu continuo louco

    por essa mulher! E juro que ainda

    quero arrebentar esse cara, por ter

    beijado ela. Aliás cadê ele hein?

    _Se aquieta bravão. Ele correu assim

    que te viu. Não deve mais nem sequer

    está por aqui. O quê significa que: É

    hora de beber!

    _Opa!

    Victória fica no bar admirando a aliança

    que seu amado lhe deu, com tanta alegria

    que nem nota outros rapazes. Já Isabelle

    bebe sem parar, querendo perder a sua

    consciência, para esquecer que tudo o

    quê temia, tinha vindo a tona.

    _Mais um por favor.

    _Já chega Camelinho. Eu vou no

    banheiro, e vamos para casa

    certo?

    _Está bem. Vou chamar, a Vic.

    A bela se prepara para se levantar, só

    que seu corpo está pesado. O efeito da bebida

    é tão forte, que vê tudo rodando, vários Chapeleiros

     caminham pelo salão, e ela não sabe se está alucinando, 

    até que um deles, a ajuda a ficar de pé,  lhe entrega uma carta. 

    Ela rapidamente a abre, percebendo que deve ler antes do marido

    voltar. “Você seguiu o Coelho, e esta é a sua recompensa. Te vejo lá

    , junto da Branca de Neve.” É tudo o quê diz no papel, e dentro do 

    envelope acha um pendrive, que tem esculpido nele a estranha 

    numeração...“1508.” Olha para o drive, e o guarda no bolso. Victória 

    vem ao seu encontro, depois de sair do trem do amor, e a moça 

    logo lhe mostra a carta, e o tal aparelho que veio junto. Ao 

    ver aquilo, a jovem fica estática, e curiosa para entender

     qual é a relação de Belle com o Anticristo.

    _Belle...Você é um imã para demônios!

    _Há há engraçadinha. Deve ter algo muito

    errado comigo isso sim.

    _O quê ele queria com você esta noite?

    _Eu não sei. Acho que me traumatizar.

    _Com um beijo?

    _Qual é. Foi só um selinho. Mas o fato

    de vim da boca dele, é que me assustou.

    _Não foi como quando Leviroth...

    _Não! Eu tenho medo dele!

    _Então não gostou nem um pouco?

    _Eu sou casada. Com o amor da

    minha vida. É claro que não.

    _Eu não entendo Belle. Você e

    Leviroth são almas gêmeas, por quê

    surgiu mais alguém nessa história?

    _Boa pergunta. Ele diz que foi porquê

    Eu fui mulher dele.

    _Mas toda a sua vida passada foi

    Revelada, com a chegada de

    Leviroth.

    _Foi o quê eu pensei, só que ele

    garante que há mais para

    saber.

    _Então no pendrive...

    _Deve ter mais pistas sobre quem eu

    já fui.

    Conclui observando o marido se

    aproximar, então esconde o pendrive e a carta.

    Eles vão para dentro de um Uber, e ali longe dos

    olhos curiosos, a jovem pega o tal papel e

    mostra para o conjugue.

    _Ele não queria que soubesse.

    _Que horas recebeu isso?

    _Foi ainda pouco. Antes de partimos.

    _Ele está te atraindo para alguma

    armadilha.

    _Eu sei, por isso estou te contando.

    _Devia cortar relações com

    esse cara.

    O motorista os observa pelo retrovisor,

    e aumenta a velocidade em que está indo,

    mudando o percurso do caminho de volta

    para casa. Notando a estranha situação, a

    moça olha para o marido, e os dois se

    jogam em cima do motorista.

    _O quê está fazendo?! Pra onde está

    nos levando?!

    _Responda para ela, ou vai acabar

    morto.

    _Por favor não façam nada comigo!

    Ele me obrigou! É a única forma

    de sair! De sair!

    _Você está trabalhando para

    O Anticristo?!

    _Responda ou quebro o seu pescoço!

    _Não! É para O Chapeleiro! Ele quer

    vê-la de novo senhorita Alice da

    pulseira negra!

    _Droga!

    Grita ao sentir o impacto do carro colidindo

    com outro. Leviroth é jogado contra o painel,

    e ela se bate no banco, ficando com

    uma linha de sangue na testa. O Chapeleiro

    entra na parte do passageiro, e pega a moça em

    seus braços, olhando para o rival, que se mostra

    desesperado, por não poder fazer nada, já que sem 

    memória, não sabia como ativar os seus poderes 

    caóticos. Isabelle acorda, sendo carregada pelo

    estranho, e sente o cabelo negro dele,

    caindo sob o seu rosto.

    _O quê, você, quer comigo?

    _Apenas a sua lealdade. Deixei bem

    claro que não devia contar a ele, só

    quê fez, e a consequência foi essa

    querida Alice.

    _Está dizendo que isso, isso é um

    Jogo?!

    _E o quê não é? Tudo se trata de

    ganhar uma recompensa por algo. Até

    um bebê sorri apenas, porquê sabe

    que vai receber um agrado.

    _Eu não sei, qual é, o, seu problema,

    mas juro, vou, te arrebentar!

    Grita usando o seu dom, para jogar um

    poste em cima dele, só que ele sorri, ergue

    a mão, e estala o dedo destruindo-o em mil

    pedaços. Ela entra em pânico, e para de

    reagir, fazendo-o sentir o doce gosto da

    vitória, obtida através do medo.

    _Esqueceu quem tem mais força?

    _Como eu, poderia saber? Nunca

    te vi, na minha vida!

    _Não adianta fingir. Eu provoquei

    aqueles sonhos.

    _Eu não sou, a prostituta.

    _Como pode ter tanta certeza?

    _Como você pode?!

    _Porquê fui eu quem te devolveu

    para este mundo Luciféria.

    “Como ele pode saber que este é o meu

    outro nome?!” Ofega, aterrorizada pelas

    coisas que o sujeito tem conhecimento a

    seu respeito. “É ele. Não há mais nem

    uma dúvida.” Termina, enquanto

    entram em outro carro.

    _Pode respirar. Não vou te fazer nada.

    Pelos sonhos já deveria saber.

    _Eu não estou destinada a você!

    _De fato antes não estava. Mas na

    hora que alterei o seu destino,

    passou a ser.

    _Por quê eu?! Com tanta mulher no

    mundo, muito mais bonita. Por quê

    tem que ser eu?!

    _Porquê foi você Isabelle, quem

    Eu escolhi, e não há anjo ou demônio

    que possa impedir, o quê agora nós

    somos um para o outro.

    _O pesadelo e uma bruxa que

    quer fugir dele?!

    _Um só espírito. Uma só carne.

    Uma única...

    _Eu sou a Alma Gêmea de Leviroth!

    Lúcifer nos revelou isso!

    Esbraveja, horrorizada pela palavra que

    ia sair da boca do poderoso homem. “Isso

    não pode ser verdade. Não pode! Eu amo

    Leviroth! Como nunca amei ninguém

    antes!” Suas mãos tremem sem

    parar.

    _Não é mais. Agora é a minha.

    _E a Minha opinião sobre isso?

    Eu não te dei permissão de

    se tornar meu par!

    _Não deu nesta na vida. Mas na

    outra foi apaixonada por mim, de

    tal forma, que governou o Egito

    ao meu lado.

    _Eu sempre fui do Leviroth.

    _Defina sempre. Porquê até onde

    Eu sei, nós passamos um bom

    tempo juntos.

    _Escuta aqui. Ôh falso messias do

    caralho. Eu já fui encantada por um

    demônio, e ele usou a sua mesma

    jogada. Por isso não vou cair...

    O belo se debruça em cima dela, e a

    beija, segurando-a com firmeza. Desta

    vez ela luta para se livrar dele, não por

    não resistir, mas sim porquê só é

    capaz de pensar em Leviroth,

    neste momento.

    Não é como da outra vez, em que o

    toque do demônio, a fazia ir as nuvens, e

    se sentia culpada por desejá-lo. Ela sente

    total desespero, desgosto, e desprazer

    em tal atitude, por isso o morde bem

    forte, ao ponto de sangrar, só que

    isto o faz rir.

    _Aposto que ele nunca calou sua

    boquinha desta forma.

    _Eu sou casada! Com o amor da minha

    Vida e existência! Encoste em mim de

    novo, e eu vou...

    _Vai o quê?! Me morder como uma

    gatinha assustada que é?!

    _O quê eu fiz para merecer isso?!

    _Me soltou para o universo.

    _Eu nem me lembro disso!

    _Não lembra porquê faz muito

    tempo, mas desde daquele dia eu

    soube que era perfeita, e que a deusa

    mãe a tinha feito para mim...

    Se recorda da menina ruivinha, que foi até

    o Tártaro, e o libertou para o cosmos. “Você

    sabe que posso destruir o universo?”

    “Sim, sei, e eu quero que faça isso, é uma

    forma de me agradecer.” Ele a vê lhe dando as

    costas, então seus olhos ficam fixos na miniatura

    da Rainha da terra do não retorno. “Um dia ela será

    a minha rainha.” pensa ao escapar, virando-se para 

    trás, só para ter certeza de que vai ver a criança

     maldosa outra vez, mas esta já tinha

    desaparecido.

    _Eu me apaixonei por você naquele dia.

    _Pelo que me disse eu era uma criança

    , uma criança bem estúpida por

    sinal.

    _Sim era. Mas aguardei ansiosamente

    , até que crescesse, só que quando fui

    lhe buscar, o seu coração já tinha

    sido tomado por Ele.

    _Não foi tomado. Eu o dei para ele.

    _Foi tomado sim. De mim. Eu deveria

    ter sido o seu par, não aquele idiota

    do príncipe.

    O ódio e a mágoa nos olhos do belo

    estranho, são bem visíveis, e dão fortes

    calafrios na jovem mulher, que não se

    sente nada a vontade, na presença

    da ilustre figura.

    _Se isso é verdade, por quê Lúcifer

    nunca o mencionou!? Ou te vi na

    hora que despertei?!

    _Lúcifer apoia sua união com Leviroth,

    e por culpa pelo o quê um dia sentiu por

    mim, você apagou nossas memórias.

    _História bonita! Mas eu sempre fico

    com Leviroth, por quê insiste!? É

    óbvio que a deusa mãe não

    me fez pra ti!

    _Porquê Eu quero você. Tanto que

    roubei as tábuas do destino, que a tal

    deusa destinada a mim, um dia pegou

    do deus aquático, e lá escrevi que é

    para sermos um só.

    _Você é louco.

    Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.













    Capitulo 3- Mais mistérios no ar.




    A moça passa por trás do carro, e aumenta a velocidade 

    de seus passos, correndo para longe do veículo, antes que

    seja atingida como o homem que a sequestrou. Os seus

    cabelos esvoaçam ao vento, é evidente que há medo

    em seu olhar, ela precisa sair dali, pois como 

    nas outras vidas, os inimigos são 

    perigosos.

    _Isabelle S Calligari De La Cruz.

    _Como sabe o meu nome?

    _Não há tempo para responder.

    Venha comigo.

    _Socorro!

    Um ser alado levanta voo, pegando-a em

    seus braços, e este a coloca dentro de um carro

    em movimento, através do teto solar, e entra logo

    em seguida. A morena olha para os lados, e vê que

    o marido, está recebendo os cuidados médicos

    logo a frente, e se não estão tentando-a

    lhe separar dele, inimigos não

    devem ser.

    _Para onde estamos indo?

    _Logo irá saber senhorita Calligari.

    _Por quê estão nos ajudando?

    Quem são vocês?

    _São respostas que logo irá obter.

    Mas antes há outras pessoas

    a serem encontradas...

    Responde-lhe o anjo, com um sorriso, e lhe

    aplica um sonífero no pescoço, que a faz desmaiar

    em seu ombro. Não permitindo-a vê-lo, e talvez o

    reconhecer de algum lugar. O carro segue a

    viagem, e entra num túnel, no qual

    desaparece. Olhos se movem, ainda fechados, e se 

    abrem em sincronia, outra vez As 4 fases da Lua está

    reunida, porém uma integrante não está presente, e 

    esta é Natasha, que neste momento lidera as atuais

    tropas da bandeira vermelha, por ter sido uma

    dos convertidos em Filhos das cores.

    _Onde estamos?! Belle?! Victória?!

    _Alexandra?! (Dizem em uníssono)

    _O quê aconteceu para virmos 

    parar aqui?! Horácio?!

    _Alexandra? Está tudo bem meu

    amor?!

    _Isabelle...Isabelle não vá com ele...

    Leviroth parece ter pesadelos, e a sua

    amada, pula do sofá negro, correndo para 

    acordá-lo, e antes que haja mais confusão, 

    o agente que salvou a Senhora De La 

    Cruz, caminha no meio da sala.

    Ele é pálido como a lua, tem olhos azuis,

    e cabelos negros curtos. Apesar da roupa de 

    agente de elite, este não se mostra muito 

    formal, e se escora na beira mesa, 

    atraindo a atenção deles.

    _Olá para todos.

    _Isso daqui não é um dos jogos

    mortais não é?!

    _Alexandra isso não tem sentido!

    _Garotas...

    _Ué é Belle, os caras não nos deixaram

    ver como se chega aqui. Preciso saber

    se estamos em perigo.

    _E você acha que eles nos diriam?

    _Ninguém está em perigo aqui.

    Não ainda pelo menos.

    _Viu como foi bom perguntar?!

    _Seria melhor não saber.

    _Vocês foram convocados, porquê

    precisamos da sua ajuda.

    O agente revira os olhos, e os rapazes ficam

    analisando aquilo friamente. Tentando saber a

    onde isso dará. Sabendo que as palavras não

    serão o suficiente, o rapaz liga a TV LCD atrás 

    dele, e mostra as imagens do fatídico dia

    do banquete diabólico.

    _Não! Algo deu errado! 

    _Leviroth! Leviroth! 

    _Sua vadia! Espero que morra!

    _Victória ele quer o controle 

    de volta! Não vai dá!

    _Belliath! Não!

    _Samalast! 

    _Alexandra!

    _Não confie neles Natasha!

    _Meu amor!

    Vários corpos ficam atirados ao piso sem as

    suas órbitas, como se tivessem queimado por

    dentro. As 4 bruxas olham para os cadáveres,

    e ficam em estado de pânico, sem saber o

    quê fazer. Forças obscuras saem de dentro do

    tal portal, dando gargalhadas, por enfim ficarem

    livres de suas prisões. Elas giram entorno das

    feiticeiras, até por fim irem para cima

    delas, fazendo-as berrar em

    desespero.

    _Sim nós sabemos o quê fizeram.

    _Éramos jovens, não sabíamos que o 

    resultado seria este! 

    _Só queríamos ver nossos pais!

    _Eu só queria saber se real!

    _Sim, sabemos disso. Se acalmem.

    _Eu não matei o Dantas.

    _Eu não mandei o Roger pro

    hospício.

    _Eu não destruí o meu namorado.

    _Não exagerem. Nisso são culpadas.

    Diz o moreno, e Isabelle fica irritada com

    a atitude fria dele. Por isso se levanta e vai

    ao seu encontro, pronta para bater nele

    se preciso, afinal de contas tinha sido

    um idiota, e merecia uma bela

    correção.

    _Como você ousa dizer isso?!

    Não vê o estado em que elas

    estão?!

    _Pensassem nisso antes de querer

    brincarem de Deus. Luciféria!

    _Como sabe o meu nome real?!

    _Não importa. Me perdoe eu

    fiquei nervoso.

    _Como sabe disso?!

    _Ele sabe porquê é um arcanjo

    Izzy.

    Diz Leviroth os separando, antes que ele

    se matem ali mesmo. Porém quando vê o

    rosto do agente de perto, de imediato o

    reconhece, e isto o faz ficar catatônico,

    e implorar com o olhar, para que não

     diga nada para Isabelle.

    _Um Arcanjo?!

    _É. Um dos que te levou para o céu.

    _Isso mesmo. Eu quem te assassinei

    na outra vida, para impedir que

    abrisse outro portal.

    _Agora que não confio mesmo em

    você! Pior que os Filhos das Cores 

    é a tua raça!

    _Calma Izzy.

    _É a mesma que a sua. Então cuidado

    na hora julgar. Eu abri minhas asas e voei

    contigo, pensou que fosse o quê?

    _Eu sou diferente! Eu sei lá um

    mutante?!

    _Já chega vocês dois.

    O marido a leva de volta para o sofá, e

    olha para trás, o ser alado agradece com

    gestos, e o demônio olha com indiferença,

    sentando-se junto da esposa, que ao se

    ajeitar, o encara com raiva latente.

    _Não estou aqui para achar um

    culpado, e sim uma solução.

    _Como se Lúcifer ou Satã fossem 

    nos permitir, ajudar anjos imundos 

    como você.

    _Eu permito, e aliás sou um só.

    Diz um homem tão louro, que parece ter

    sido coberto pela luz mais radiante do mundo.

    Ao vê-lo Isabelle cai para trás, e Victória fica

    de queixo caído. Junto dele vem Belial, e

    o deus sumério Enki, agora batizado

    como Leviatã.

    _Papai?

    _Eu e Victória somos irmãs?!

    _Não entendo por quê estão tão 

    surpresas. Já os viram antes.

    _Venham cá, dá um abraço minhas

    princesas queridas.

    Lúcifer abre os braços,  tornando-se agora 

    um belo moreno de olhos vermelhos, e com o

    par de chifres exposto, e Victória corre para

    abraçá-lo. Isabelle fica congelada ali, sem

    se mover, e por isso o pai vai ao 

    seu encontro.

    _Ainda bravinha e ciumenta não é

    Luciféria?

    _Só estou assustada. Foi me dito que

    um dia herdaria o seu reino, e a 

    Vic o reino de Satã.

    _ E ambiciosa, como o pai...

    Confundiram as suas mentes minha

    Princesinha. Ninguém vai herdar reino

    algum, porquê sou eterno.

    _Que animador...

    _Mas você e Victória, tem os seus

    próprios, que foram feitos com muito

    carinho pela sua amada mãe Lilith.

    _Então ? 

    _Vocês não são só princesas do

    Caos. São rainhas de reinos

    distintos.

    _Interesseira!

    O agente tosse, chamando a atenção de

    Isabelle, e o imperador do Caos, ri daquilo

    notando o raio que está saindo dos olhos de

    ambos, que estão se fulminando sem parar,

    como se houvesse alguma história, por

    trás de tanto ódio mútuo.

    _Algumas coisas nunca mudam...

    _Não, não diz...

    _Não diz o quê? Estrupício de asas?

    _Não é Miguel?

    _Ela vai me matar agora.

    _Miguel? Arcanjo Miguel?!

    _Isso mesmo querida.

    A bela de imediato se afasta, e Victória e Alexandra vão 

    atrás dela. Miguel e Lúcifer discutem um com o outro. “Não 

    tínhamos combinado que ela não saberia?!” “E te dá a chance 

    de desgraçar a vida dela de novo?” “Eu nem queria voltar a me

    envolver com aquela maluca! Estou trabalhando aqui contra

    a minha vontade!” “Não pareceu isso Nergal.” “Dá pra parar

    de entregar meus nomes de bandeja?” “Então pare com a

    sua procura, por motivos pra discutir com Ereshkigal, 

    foi assim que começou da outra vez.”

    _Belle está tudo bem?

    _Parece que cê tava certa...

    _Eu tô bem Vic, e concordo Alex.

    _Vai conseguir fazer a sua missão com ele?

    _Ele não parece muito interessado em voltar,

    então pode ficar fria.

    _É, eu vou ficar calma. Não é nada demais.

    Olha para o agente que continua a brigar com o irmão,

    que segue gargalhando, zombando das desculpas do pobre

    , que se mostra incomodado com as alegações. Seu olhar de

    medo, se cruza com os da jovem, e ambos ficam parados,

    totalmente desconsertados. O Anticristo não tinha lhe dito 

    mentiras, ela realmente teve outros pares, e o arcanjo era um 

    deles, mas como o seu amor por Leviroth era maior, ela fingia

    que não existiam. Ele passa a mão no cabelo cortado, e por

    fim respira fundo, indo ao seu encontro. Ao chegar as

    amigas o observam como leoas prontas para

    avançar.

    _Me perdoe. Eu só fiquei irritado por

    falar mal dos anjos.

    _Tudo bem.

    _O quê aconteceu no passado, fica enterrado lá.

    _Concordo plenamente com você.

    _Podemos trabalhar juntos?

    _Certamente.

    Apertam as mãos como adultos maduros, e ele se 

    distancia, recompondo-se, após engolir a verdade seca,

    que lhe dói a garganta. “Fica no passado.” Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.  

     Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.

    _Todos reunidos. Agora podemos seguir adiante.

    O agente começa a descrever por quê cada um foi

    convocado ali. Contando toda a história que veio dá 

    origem, a esta estranha união entre iluminação e 

    trevas, com o auxílio de slides. “É dito na bíblia 

    que após a queda dele, escuridão e luz não devem 

    se misturar. Mas dado as tristes circunstâncias em que

     tanto anjos quanto os demônios, estavam a mercê da 

    extinção não tivemos outra escolha, senão nos

     juntarmos.” Inicia, com

    o olhar fixo no nada, e mostra imagens da luta

    entre o céu e o inferno. “Eles queriam paz, e nós

    a guerra porém ambos utilizamos os mesmos meios 

    para isso, e foi assim que o libertamos.” Mostra a 

    imagem do Chapeleiro para todos, e a filha de 

    Lúcifer sente um incômodo. “Todo o nosso ódio e

    mágoa, nos deixou tão cegos, que nem percebemos

    quando ele se apossou de nossos mundos, e quando

    voltamos a razão, era tarde demais.” Mostra o paraíso

    devastado, e o inferno dominado. “Por muitos séculos

    vagamos sem um lar, até acharmos este planeta no

    qual nos estabelecemos.” Mostra a chegada dos 

    Anunnakis e os reptilianos, e como eles se

    desenvolveram. “Haviam alguns conflitos vez ou 

    outra, pois somos como água e óleo. Mas nós criamos

    uma bela comunidade, tanto para anjos, quanto para

    os demônios.” Aponta para o Egito, e demonstra os

    deuses, mas não há bons ou maus, apenas os

    iluminados, e os obscuros. “Infelizmente ele nos

    encontrou. Meu povo foi escravizado outra vez, e os

    demônios se curvaram para ele, para sobreviver. Só

    restou um punhado de anjos e demônios, seguros

    do Pacto de Harmonia.” Ele mostra os seres de

    amaduras vermelhas, se curvando para o 

    ser. “Ele é aparentemente só um garoto, mas não

    se enganem, seu poder era tão grande, que o próprio

    pai, tentou devorá-lo, para o impedir de reinar.” As

    cenas agora se passam na Grécia antiga. O garoto

    é um homem agora, que domina as terras sombrias

    , e o Olimpo. Sim ele é Zeus e Hades, mas em 

    períodos diferentes. Pois o verdadeiro Zeus é o

    próprio Lúcifer, renascido após ter sido preso pelo

    próprio filho, quando era o Titã Prometheus. “Você

    será jogado na Terra do não retorno.” Diz-lhe o titã. 

    “Eu voltarei, e tomarei o trono de ti outra vez Zeus.”

    Declara o inimigo. “Dizem que Perséfone é assim.

    Mas esta foi uma forma que propagamos para 

    garantir a segurança dela.” Ele olha para

    o anjo das bruxas.

    “Só que a sua verdadeira forma é essa.” Surge o

    retrato da deusa, e as bruxas se viram para Isabelle

    , que fica transtornada com aquilo. “É idêntica a ti.”

    Diz Victória fascinada com isso. “Tem até as suas

    Tetas.” Alexandra brinca, e a jovem se cobre

    com os braços. “Ao contrário do quê os humanos

    dizem, Koré não era uma virgem, e tão pouco estava

    livre naqueles tempos, tinha um relacionamento 

    com Thanatos, sob a alcunha de Macária, e com ele teve um 

    bebê. Algo que enfureceu  bastante o

    deus dos infernos gregos, e por isso 

    ele a tomou para si.” O rapto da deusa, é mostrado

    em obras de artes, que não condizem com a sua forma

    verdadeira. “Os humanos inventaram também que a deusa

    Afrodite, era um equivalente de Inanna, a deusa mesopotâmica

    , e que esta tinha descido ao Inferno, apenas para rever o seu

    amante Adônis.” Imagens de Afrodite e Adônis surgem na

    tela. “Mas como devem saber, assim como a descida dela, a

    sua identidade também é uma mentira. Esta é a antiga forma

    dela.” A imagem da deusa é idêntica a Victória. “Isso explica

    porquê sempre acreditou no amor, mais que todos.” Diz

    Isabelle. “Ou porquê teve tantos namorados.” A outra

    bruxa brinca. “Afrodite não nasceu da espuma do mar, esta

    é uma metáfora, que esconde o seu outro nome Despina. A

    deusa renegada.” Segue contando a história sem muito

    interesse. “Ao contrário do quê a humanidade prega, ela não

    foi deixada para trás, porquê Deméter era má, ou por ser fruto

    de um abuso. Mas sim porquê Despina compactuou com os

    titãs, na guerra, para roubar o trono de Perséfone, a sua

    irmã mais velha.” Victória se sente triste, mas Isabelle segura

    sua mão, dando-lhe apoio. O quê ocorreu naqueles tempos, é

    para ser esquecido, pois hoje em dia são melhores amigas. “

    E foi assim que garantiu que Perséfone fosse levada

    ao Inferno.” Prossegue. “Despina teve orgulho de seu ato

    cruel, até sofrer as consequências. Deméter ficou desolada pela

    perda da filha, e por esta razão esqueceu dos outros filhos, não

    se importando com nenhum deles, exatamente como quando

    a caçula nasceu.” Ao ouvir aquilo Isabelle fica de queixo

    caído, pois nas suas visões em que tinha uma irmã

    , esta parecia ser muito mais amada. “Hera não queria deixar

    que Deméter fizesse um acordo para devolverem a filha. Afinal

    de contas, ela era o pilar de Despina neste plano, pois tudo o

    quê desejava, era fazer a sua rival sofrer, por tira-lhe o

    amor de Zeus.” Ao verem a história, as irmãs se entreolham,

    e lembram das vezes que viam sobre Ninlil e Inanna, que

    desde o principio queria o amor de Enlil, mas como este era 

    da irmã, ela ficou furiosa. “Me perdoa Belle.” Victória se

    sente incomodada, e chora, abraçando a sua 

    irmã. “Esta tudo bem. Nos preparamos para este dia Vic, ou

    esqueceu de como foi que nos conhecemos?” A dama ri, e a 

    moça fica sem jeito. “Despina se arrependeu, e foi até

    Hades, desfazer o acordo, mas o deus tinha se apaixonado 

    pela deusa, e não a queria deixar ir, pois temia que nunca

    mais voltasse.” Isabelle sente uma dor na garganta. “Triste

    pela derrota, a deusa renegada caminhou sem rumo, até cair no

    mar, e se encontrar com outra divindade, que estava morrendo em

     meio a tantas guerras e desavenças.” Surge a primeira Afrodite 

    celestial, sentindo-se fraca. “Me perdoe. Eu não sabia que meu ódio 

    poderia causar tantas desgraças.” Implora o perdão da deusa, esta sorri 

    e toca em seu rosto, puxando-a para perto. “Este é o meu fim Despina.

    Por tua causa, Eu o Amor estou morrendo, e é por isso que precisa

    consertar o teu erro.” Disse-lhe a deusa a beira da morte.

    “Como? Se tudo o quê consigo fazer é congelar e destruir o quê a

    minha mãe cria.” Chorou a menina de cabelos brancos e rosto jovem.

    “Através do amor minha querida. Através do amor.” Disse-lhe com

    as mãos em sua face, e a beijou calorosamente, preenchendo o

    frio em seu coração, com tanto calor, que seus cabelos

    mudaram de neve para vermelhos como as

    rosas. A luz brilhou, e por fim ela saiu das espumas renascida, a

    velha Despina, amargurada e louca por destruição tinha morrido, e

    dado espaço para a segunda Afrodite, que faria o quê estivesse ao

    seu alcance, para salvar a sua irmã do marido. “Despina não foi a

    única a receber o beijo de uma deusa, que lhe deu novos poderes.

    Koré também tinha passado por este processo, e por isso sua irmã

    se sentiu tão mal.” O anjo explica, e Isabelle fica

    a se questionar.

    _Perdão mas está errado. Eu vi o meu passado.

    Eu era a invejosa, não Despina.

    _Até onde exatamente você viu? Na infância sim,

    teve suas razões para detestar a sua irmã, pelo tipo

    de carinho que Deméter dava a ela. Mas depois que

    ficou mais velha, e recebeu a graça de Nyx, sua

    mãe teve muito orgulho de você.

    _Sim, mas Despina era mais amada e 

    querida.

    _Não, quem te disse isso?

    _Uma bruxa chamada Ariadna.

    _Ela mentiu para você. Sempre foi muito amada

    por seus pais, por ser a primeira filha deles, e mesmo

    achando que não, eles te deram tudo o quê podiam

    , para te fazer feliz. Só que o fato de dividirem 

    este amor com Despina, que te deixou

    tão chateada.

    _Mas Ariadna...

    _Claramente não é de confiança.

    Responde e prossegue ignorando os outros apelos. “Eu disse que

    nós duas fomos bem amadas.” Resmungou Victória com alegria, por

    saber que não deixou sua amiga sofrer. “Para chegar no lar

    do deus do submundo. Afrodite foi até a deusa Tétis, e pediu-lhe

    para levá-la ao fundo do mar. Para assim chegar as águas,

    que passaram pelo Tártaro.” Contou a história, e como já era de

    se esperar, Tétis tinha traços idênticos aos de Alexandra, que fez logo

    um sinal, para que as irmãs se calassem. “Em várias culturas, estas 3 deusas

    foram muito conhecidas, e como ambas tiveram domínio do submundo, logo

    formaram a egrégora de Hécate, que deu origem ao surgimento de uma

    nova deusa na mente humana.” Eis que aparece a imagem da deusa

    de três cabeças. “Afrodite, representava a jovem. Tétis a mulher,

    e Perséfone a anciã, por herdar o poder de uma titã.” Mostra a estátua,

    e aponta para o símbolo lunar na cabeça da deusa. “Esta imagem das três

    fases da lua, foi muito presente nas culturas, e suas histórias se repetiram,

    fazendo-as serem conhecidas por outros nomes. Por isso é muito comum

    , encontrar deusas equivalentes.” Diz  apontando

    para as deusas semelhantes, de outras culturas, e Isabelle ergue

    a mão, o fazendo revirar os olhos, por temer que isso

    gere uma nova discussão.

    _Sim Isabelle pode falar...

    _O meu equivalente nórdico é a Hel. O quê não coincide

    em nada com a Perséfone.

    _Não coincide com o quê os humanos sabem, mas você

    é como uma segunda Nyx, portanto faz sim sentido.

    _Se diz...

    Ele sorri forçadamente e prossegue com as explicações. Sabendo 

    agora dos seus reais poderes, que vão além dos 4 elementos, as jovens 

    são conduzidas para fora da sala, e levadas até o ginásio, onde uma das

    belas tem uma surpresa devastadora. “Você é minha agora.” Se recorda

    Victória, ao ver um belo homem de cabelos longos e negros, pálido, e

    de olhos azuis escuros, que está com o olhar vazio de um

    assassino mortal.

    _Com licença, mas o quê ele faz aqui?

    _Ah, perdão Victória. mas devido

    ao seu poder como Despina, você deu

    origem aos seres vampíricos, e por isso

    Gabriel, irá te ajudar a manipular os

    seus dons.

    _Nunca odiei tanto o fato de ser vampira.

    _Vai dá tudo certo. Você e Bóreas se

    separaram, já faz alguns séculos.

    Ele segura em seu ombro, e a empurra para os braços do irmão, lhe

    deixando, numa bela saia justa. Alexandra, e Horácio são chamados pelo

    anjo Salatiel, e ao ver este a jovem da moda caveira, cospe a água que usou

    para se acalmar, por encontrar o aparentemente ex ali. Vendo-a ali, o loiro

    de olhos verdes, sorri e acena sem más intenções, mas esta não retribui e

    sai correndo até Isabelle. “Eu não sei quem vai te ajudar. Mas você não

    me deixar sozinha com aqueles dois.” Aponta para os alados, e

    Belle arregala os olhos, puxando-a para o canto, onde

    conversam baixo.

    _Pelo visto não sou a única “ferrada” aqui.

    _Para de brincar Belle. Sabe como me sinto como

    sobre isso.

    _A gente teve tempo para se preparar, mas fomos

    ingênuas. Agora é respirar fundo, e trabalhar

    com eles.

    _Como você está sobre Miguel?

    _Bem ué. Eu temi a toa, ele me quer tanto

    , quanto eu quero peixe.

    _Detesta mais que a própria vida?

    _Exatamente.

    Ri e o arcanjo ouve aquilo com desgosto. “Sem querer

    interromper esta conversa, mas é hora de ir.” Ele chama

    a bela, e a pega pelo pulso, afastando-a da amiga. “Eu sou

    adulta.” Diz de má vontade. “Então haja como tal, e não

    se atrase para a sua aula.” Ele a arrasta, e ela se solta.

    “Eu não vou. A minha amiga precisa de mim.” Ela

    volta para Victória, que está pálida.

    _Ela vai ficar com o Gabriel. Você sabe o quê

    eles vão fazer, e não vão se matar.

    _Ela está noiva de Belliath!

    _Ah é? É costume da família dormir com outro

    no noivado. Vamos embora.

    _Não tínhamos parado de brigar?!

    _Tínhamos. Até você fofocar com a sua 

    amiga, que me odeia mais que a comida

    que detesta. Sendo que eu só te salvei

    , daquele maluco.

    _E não é verdade?! 

    _Só porquê eu disse que te acho maluca.

    Não quer dizer que te detesto.

    _E o quê quer dizer então?!

    _Que você é louca oras. Agora larga ela,

    seu marido e eu iremos te treinar.

    O anjo a afasta outra vez, e Victória fica com os

    olhos arregalados, sentindo Gabriel vindo por trás

    dela. “Vamos treinar. Preciso te ensinar a arte da

    caça.” Sussurra em seu ouvido, segurando em

    seu pulso, e inspirando a pele do seu 

    fino pescoço.

    _Eu sou noiva de Belliath.

    _Sua irmã era noiva do meu irmão.

    _Corta essa, eu sei que é filho de Bael.

    _Não sou. Bael foi um tio amável que me

    reconheceu, até se tornar Deus, e agir

    como tal.

    _E eu devia ter pena?

    _Não. Mas devia se lembrar, que nem

    sempre conseguiu resistir a mim.

    Responde dando-lhe um beijo no pescoço, que

    a deixa arrepiada. Mas para disfarçar, ela o segue e

    pega a luva de garras. Isabelle caminha ao lado do tal

    arcanjo, e entra na sala de tiro. Leviroth está acertando

    até os menores alvos com exatidão, e para não ficar

    para trás, Miguel pega uma arma, e também 

    atira, como se os dois competissem.

    _Preste atenção Isabelle.

    _Fique em silêncio e calma.

    _E se não conseguir... Apenas pense

    em algo que odeia.

    _Verdade. Imagine o prazer de atirar na

    cabeça deste ser.

    _Mire na garganta para acertar o alvo.

    Os dois atiram na mesma direção e acertam. A dama

    fica de queixo caído, e se afasta pelos raios produzidos 

    pela tensão deles. Mas Leviroth a pega por trás, e lhe

    dá uma arma para treinar. “É a sua vez amor.” Ele

    diz e lhe ajuda a mirar. Ao ver a bela, sendo

    guiada, o agente se incomoda.

    _Eu preciso tomar um ar.

    _Eu cuido das aulas.

    _Por mim tudo bem.

    _Até mais.

    O agente acena de má vontade, e sai do local, não

    querendo mais ver aquilo. Leviroth ri e abraça a esposa,

    dando-lhe um beijo caloroso. “Alguém se chateou.” Ri da

    dor do rival. “Se chateou? E você não perdeu a chance

    de piorar as coisas.” Ela brinca, e ele volta a lhe

    pegar pela cintura, encostando-a na

    parede.

    _É evidente que ele quer lembrar os

     velhos tempos.

    _Não quer nada. A gente se detesta.

    _Vai por mim, sou um espécime masculino.

    Ele não te olha com desprezo.

    _Acho que você está paranoico.

    _Não estou. Você pode não ter se preparado

    para este momento, mas eu sim.

    _Foi em vão. As chances de eu ficar com Miguel

    , são iguais a gostar de peixe.

    _Você já comeu peixe 3 vezes Izzy.

    _Comer, não significa gostar.

    _Mas que quis experimentar. Eu sei que disse

    que te deixaria ir, só que não vou fazer isso

    sem lutar, ok?

    _Você não precisa. Já me tem há mais de 9

    anos.

    Diz beijando-o com fervor. Tomado pelo medo de

    perdê-la, ele a carrega, segurando-a com força, e com

    vontade. Seus lábios vão para o pescoço dela, passando

    a língua com todo o desejo de sua licantropia, e lhe

    descendo as garras pela costa, por dentro do

    seu vestido já aberto.

    _Podem nos ver...

    _E isso importa? São adultos. Vão ignorar.

    _Você é um louco.

    _E você ama isso em mim.

    Ele abre as calças, e a deixa de joelhos. “Prove que

    é minha.” Coloca-lhe no piso, e ela se ajoelha. O órgão

    está rígido, apontando para o céu, e a bela o abocanha

    com as mãos para trás, enquanto ele lhe acaricia o

    topo da cabeça. Há tanta sede nela, que sua

    boca transborda saliva.

    _Você é minha?

    _Sim.

    _Somente minha?

    _Sim.

    _Então mostre-me o quanto me ama.

    Ela faz movimentos com a língua, saboreando seu

    membro, como um picolé encontrado no deserto. No

    entanto quando se cansa, o morde, e arranha o seu

    peito, erguendo-se como uma deusa soberana,

    sob um daemon. Algo que o faz sorrir, pois

    é sua hora de amá-la.

    _Ah Tempo cruel. Gosta do sabor de sua

    doce Alice?

    _Adoro!

    _Quanta sede. Parece está me devorando...

    _E você não quer ser devorada pelo

    Tempo?

    _Não! Eu quero devorá-lo!

    O empurra, e então monta sob o seu corpo, como

    uma amazona, e escorre liquido do meio das sua pernas,

    envolta do falo dele. O agente resolve voltar, e se depara

    com a cena. Ao ver os olhos de prazer intenso da moça,

    ele de imediato desaparece. O demônio não está

    errado, há interesses obscuros no anjo.

    _Devemos terminar... logo...Tempo.

    _Não, enquanto você não provar o seu desejo.

    _O quê deseja de mim?

    _Que se entregue, e esqueça onde estamos.

    Ele a abraça, e a coloca deitada no piso. Mergulhando

    seus dentes nos seios dela, e a fazendo delirar de loucura

    amorosa. Ao ponto de gemer tão alto, que sofre uma

    represália. Seu amado puxa-lhe o cabelo na nuca,

    e lhe cala com um beijo.

    _Ah!

    _É esse rosto que gosto de vê...

    _Ah! Eu vou! 

    _Sim querida, me pinte com sua 

    tinta deliciosa...

    _Ah! 

    Ela o beija, sentindo seu corpo trêmulo, e suas palmas

    afundam no peito, enquanto ele a prende em cima, com

    um sorriso maldoso, não a deixando escapar, até não ter

    mais gotas peroladas. Os olhos dela se apertam, é uma

    energia muito grande, até que não suporta, e os

    dois se derretem no fogo do amor.

    _Eu preciso tomar uma pílula. 

    _Eles devem ter por aqui.

    _E se não tiverem?

    _Odin vai nascer...

    _Vai me prender de novo com um filho?

    _Funcionou da outra vez, por quê

    não?

    _Você é um idiota.

    _Mas você não vive sem mim.

    Ele se deita e ela se recosta em seu peito adormecendo.

    Mais tarde... os efeitos da paixão foram tão fortes, que o ser

    das trevas continua adormecido. Contudo o medo de Isabelle

    de engravidar uma segunda vez, a faz se levantar, e dá uma

    volta pelo corredor, onde por coincidência se encontra

    Miguel, que está sentado na parede, e nota o seu 

    medo.

    _Precisando de uma pílula do dia seguinte?

    _O quê? Como sabe?!

    _Eu voltei a sala... e vi tudo.

    _Ah sim... Não tem nada demais a 

    gente é casado, é o quê pessoas casadas 

    fazem oras. Elas transam!

    _É, eu sei. Sei também que praticam

    isso há mais tempo, que a sua 

    união.

    _Por quê minha vida pessoal te

    interessa tanto? 

    _Não interessa só não pude deixar

    de refletir a respeito.

    Ele se levanta, e entrega a cartela a ela. Seus olhos

    azuis estão frios, magoados por alguma razão. Na sua

    mente, se passam pensamentos dos quais pode vim a se

    arrepender, se colocar em prática. “Como ela ainda mexe

    tanto comigo?” Pensa ainda parado ali, imerso em sua

    cabeça. “Ele está cada vez mais estranho.” Ela

    o olha, e se afasta.

    Sem dizer nada, sua mão agarra o pulso dela, não

    a deixando ir. Ele fica cabisbaixo, sabe que o quê quer

    que esteja planejando, pode ser um risco gigante dado

    ao fato, de que Leviroth, Lúcifer, Enki, Belial, e todos

    os deuses que não aprovaram esta união, podem

    puni-lo a sangue frio.

    _Eu preciso ir.

    _Não precisa. É noite, todos estão dormindo.

    _Você está me assustando...

    _Eu não sou o Anticristo. Não tentarei nada.

    Apenas fique.

    _O quê há com você? Horas diz que me odeia,

    minutos depois parece que...

    _Eu ainda te amo? 

    Aquelas palavras a quebram em mil pedaços. Numa

    explosão tão impactante, que ela fica sem palavras. Ele

    da um passo a frente, ela dá dois para trás, e acaba “no

    muro”. Suas mãos tremem sem parar, Leviroth está

    certo, ele não a olha com desprezo, e quer

    reviver os anos dourados.

    _Você me odeia lembra? Não quer se envolver

    com uma maluca, não tem a intenção de

    cometer esse erro de novo.

    _Eu disse aquilo para me proteger. Mas ainda

    sim, te deitei em meu ombro antes de 

    chagarmos aqui.

    _Não tem nada demais...

    _Eu te quis perto de mim.

    _Você, tá confuso, não sente nada por

    mim, não mais. Você mesmo disse “o

    passado fica enterrado lá.”

    Diz ela e ele segura em sua face, e tudo acontece rápido 

    demais, para que consiga impedir. Seus lábios estão ligados

    aos dele, seus olhos se fecham por um breve segundo, mas

    ela luta para ficar acordada. Não se entregando aos seus

    impulsos românticos, e ficando petrificada diante dele.

    O quê o leva a entender que só um dos lados

    sente algo, e não é ela.

    _Me desculpa.

    _Tá tudo bem...

    _Eu só me deixei levar pelo ciúme...

    _Não diga nada. 

    _O quê?

    _É melhor se convencer que não sente nada

    , absolutamente nada por mim.

    _Eu não posso. Não dá mais.

    _Você teve o seu tempo, e não veio. Me deixou

    cartas, mas nunca se aproximou.

    _Como você...

    _Eu te amei naquele tempo, de verdade.

    Mas você não sentiu o suficiente para

    lutar por nós.

    _Você corria risco de vida!

    _Eu queria me arriscar!

    Grita tão alto que sua voz ecoa pelo local, e ela

    mesmo se cala. Lágrimas escorrem pela sua face, e

    tudo vem a tona. Ele esteve presente nesta vida, só

    que era como um admirador secreto, um vampiro

    a espreita, que por mais que se comunicasse,

    nunca podia se aproximar.

    _Eu esperei incansavelmente por você.

    _Eu não podia... Isso ia te matar.

    _Eu nunca me importei em morrer e você

    sabe.

    _Mas Isabelle eu não queria te perder de novo,

    como quando se atirou para fora do paraíso

    , e se matou.

    _Você sabia quem eu era...

    _Sempre soube. Tive uma minha memória intacta

    sobre o passado. 

    _Então por quê não lutou pra ficar comigo?!

    Lhe bate no peito, e ele segura seu pulso, abraçando-a

    forte em seguida. “Fora o risco. Você tinha que fazer a sua

    escolha sozinha. Te mandar cartas foi uma trapaça.” Ele diz

    em seu ouvido, e uma lágrima cai no piso. “Era lindo ler 

    que seria minha até depois da morte. Mas eu não

    podia te condenar a mim outra vez.” A

    aperta.

    _Minha vida, assim como a sua, não foi um

    mar de rosas. Também tive uma mãe louca,

    só que a minha matou todas as minhas

    namoradas.

    _Forma bonita de preservar o amor...

    Com muitas namoradas.

    _Você não era uma humana estúpida,

    tinha valor para mim, e merecia ser feliz

    , longe de todo este...este inferno.

    _Eu teria enfrentado as chamas com

    Você.

    _Teria acabado morta, por não ter despertado.

    _Então me deixou ir...

    _Sim. Mas não totalmente...Sempre te protegi

    de longe, mesmo quando pensou está só.

    _Isso não é verdade...

    _Acha que aquele bandido que te abordou

    pegou fogo por acidente?

    _Mas quem me protege desta forma é o diabo.

    _Lamento te informar...mas ele não é o

    único.

    O belo se lembra do tempo que tinha os cabelos longos

    até o ombro, e a vigiava, quando não fingia ser humano. A

    salvando de malfeitores, que poderiam chegar ao lugar no

    qual se encontrava. Algumas vezes não resistia, e entrava 

    em seu quarto, no escuro, e ficava vendo-a dormir. Mas 

    tudo isso parou, quando Bener entrou na vida dela, pois

    o anjo tinha consciência, de que o demônio também 

    poderia protegê-la, por isso partiu. Ela respira fundo

    , e o afasta, deixando-o sem jeito.

    _Obrigada pela ajuda.

    _Mas?

    _O quê aconteceu, não 

    vai se repetir.

    _E ?

    _Você vai contar ao meu 

    marido, mesmo sabendo 

    das consequências.

    _Estou ciente.

    _Não precisa. Eu vi tudo.

    Leviroth aparece na porta do lugar,

    com os braços cruzados. A bela corre

    para o marido, e este fica parado. Os

    olhos dela imploram pelo abraço

    dele, e este a envolve contra o

    peito, encarando o 

    outro.

    _Eu já sabia que isso aconteceria.

    _Você me odeia?

    _Não a culpe Leviroth.

    _Como eu disse, vi tudo Miguel.

    Você a cercou, e ela não cedeu.

    _Não mesmo.

    _Se estão resolvidos. Não tenho

    mais o quê fazer aqui.

    _Vai descansar Izzy. Tá tudo bem.

    Ele a conduz para a sala, e a deixa lá, com um sorriso. 

    Mas ao se virar, a sua raiva cresce tanto, que os seus olhos

    ficam negros por completo, e ele flutua em alta velocidade

    , e pegando o rival pela gola da camisa. O erguendo no

    topo da parede, com completa fúria.

    _Fique longe dela.

    _Depois da rejeição, não tinha

    a intenção de fazer algo 

    mais.

    _Estou falando sério "filinho de

    papai"! 

    _O principe renegado está 

    de volta?

    _Ele nunca saiu. 

    _Eu não vou tentar mais nada

    com a sua esposa. 

    _Ótimo.

    O demônio o coloca no piso. Se sentindo mais calmo, 

    ao ponto dos olhos negros, voltarem ao estado normal.

     "Mas eu não vou ficar longe dela." O agente da um

    escorão no rival, e passa por ele.

     

     

     

     

     

    Capitulo 4- O demônio, o anjo

    e a simbiose.

    .

     

    Leviroth respira fundo, e caminha pelo local, até 

    encontrar o templo do deus Enki, que está sentado em

    um trono, acima das águas. Ao ver o rapaz, o deus o

    chama, e este se curva perante a ele.

    _Levante-se garoto. Tu és um

    nobre.

    _Sou um nobre apenas porquê

    me destes a graça, meu 

    Senhor.

    _Isto não é verdade meu jovem.

    _Não é?

    _É hora de saberes a verdade,

    então observe a tua resposta.

    O deus ergue as águas, e cobre o  príncipe com elas. 

    Ele viaja até o seu passado, e se depara com três bebês.

     "Eis o nascimento da luz, das trevas, e do equilíbrio." Diz a 

    voz de Enki. O primeiro bebê brilha mais que o sol, já o segundo 

    enegrece como o cosmo, e o terceiro, ao contrário dos outros, é 

    escuro com a luz em seu interior. "Tem se falado muito da trindade

    feminina, mas há também a trindade masculina, e aliás esta foi a

     primeira a existir." Prossegue com aquela narração. "O pai é a

     existência, e os gêmeos são vida e morte." Conta, e

    surge Samael, segurando dois bebês, junto de Lilith."Antes do 

    nascimento da escolhida, e se tornar Lúcifer, Samael teve dois filhos 

    inicialmente. Um nasceu de sua sede de sangue, o outro surgiu de sua

     justiça." Gêmeos enfrentam um ao outro na barriga. "A luz forte do

    primeiro filho, obrigou Samael a lhe esconder do mundo, para não o 

    queimar. Enquanto a escuridão se  fez viva." Os irmãos se separam. "A 

    primeira filha de Samael  nasceu. A escuridão não se conteve e tomou-a 

    para si, e com ela, a princesa angelical se juntou." A jovem ruiva abraça

    ao demônio de olhos vermelhos. "A menina ao  contrário dos seus 

    irmãos, não herdou nem luz, nem as sombras, mas sim o controle 

    de ambos." Diz o deus com a sua sabedoria, e surge a bela 

    dançando com o amado acima da terra, enquanto o 

    gêmeo de 

    poder solar, olha para ela. "Os três bebês que viu, são os primeiros filhos 

    sagrados." Agora eles estão mais velhos, cada um 

    reinando de uma forma. O gêmeo solar, lidera um império de fogo. O gêmeo 

    negro, lidera a escuridão, e a jovem deusa fica entre ambos, usando forças de luz 

    e trevas. "É dito que Lúcifer reina no inferno. Isso é uma mentira. Ele está acima disso, e reina nos céus como o senhor do ar, da vida, e da criação." Prossegue. "Ele separou

    Anu e Namu, mas criou tudo isto, e seus filhos ficaram responsáveis pela 

    governança de suas terras."  Diz o deus. "Após os mais velhos, seguirem seus 

    rumos, os mais jovens vieram a se preparar, para serem deuses." Os outros deuses surgem, e cada um tem um dom diferente. "Luciféria treinou os deuses que cuidavam das forças da natureza. Bael cuidou dos seres das profundezas. E você, jovem príncipe Azazel, ensinou os seres das sombras." Ao ouvir o nome Leviroth, respira e se 

    afoga.  O quê obriga o deus, a tirá-lo das águas. 

    _Eu sou Leviroth. O príncipe 

    renegado. O rebelde.

    _Não. Você é Azazel o príncipe

    do caos, e grande mago das 

    sombras.

    _Eu sou filho de Deus e Asherah.

    _Não. Você é filho de Enlil e

    Ninlil. Como seus irmãos.

    _Eu sempre servi a Odin e Gaya.

    _Sua mãe é Nyx e seu pai Eros.

    _Mas Luciféria é filha de Zeus e

    Deméter. Outras faces de seus 

    pais, depois de Hades e Hera 

    prendê-los. 

    _Eu sou o filho de Odin. Não do amor.

    Ali por trás da porta, Isabelle ouve a discussão, e vai

    até os aposentos do pai. No qual o encontra sentado no

    seu trono, e se curva perante a ele. “Minha princesa erga-te,

    e jamais se curve a outro nobre, que não seja você mesma.”

    Diz o deus supremo, e a jovem moça, fica de pé indo 

    até ele, que já tem todas as respostas na

    ponta da língua.

    _Quer saber quem é o Anticristo,e o quê ele 

    e você tiveram. Se Enki mentiu ou não para o

    demônio Leviroth. E porquê o chama por

    Azazel.

    _Sim...Primeiro acreditei que ele era meu

    tio. Depois conclui que era meu irmão.

    _Descobriu o certo minha querida.

    _E por quê sonho que sou mulher dele, se

    sou casada com Leviroth?

    _Porquê a luz busca a escuridão...

    _Então ele devia ter um relacionamento

    gay com Leviroth, ou incestuoso com

    minha mãe.

    _Você não sabe mesmo, qual é o seu

    papel nisso tudo não é?

    _Sou a “messias negra”, nascida para

    guiar o teu povo.

    Isabelle revira os olhos, pois desde o episódio da 

    floresta, deixou de acreditar no seu destino grandioso,

    e Lúcifer ri disso, pois nota na filha, a mesma forma com

    a qual a esposa demonstra desgosto. Elas são parecidas,

    até quando a menina deseja se desvencilhar de tudo, pois

    encontrar a si mesmo no escuro, é o mesmo que achar 

    os demônios insaciáveis de Lilith, que ficam a 

    espreita no fundo da mente.

    _E você sabe o quê significa?

    _Que tenho que liderar suas tropas. Sendo que

    só consigo falar com meus amigos?

    _Não tem a ver com o povo Lucy. Tem a ver com 

    você.

    _Eu não tenho poderes como Afrodite e Tétis.

    Controlo ervas e escrevo o futuro.

    _Sua mãe lhe deu o maior dom dela. O dom

    da noite minha querida, com o qual você fez

    de seus irmãos, deuses abissais.

    _E o quê é esse “dom da noite”?

    _É o dom que dá vida as coisas, e que mantém

    o universo em equilíbrio.

    Isabelle se mostra confusa, e o deus se levanta,

    para lhe ajudar a entender melhor do quê se trata.

    A bela recua temendo o quê está por vir, mas o pai

    a segura, e lhe guia até a câmara, onde mostra os

    velhos tesouros da família luciferiana, e o seu

    diário.

    _E o quê isso tem a ver com o Anticristo?

    _Abra o livro da sabedoria, que seu tio Enki

    fez para mim, e saberá.

    _Acha que estou pronta? 

    _Teve 13 anos para se preparar minha

    querida. Vá em frente.

    _Você vai me proteger?

    _Sempre.

    As mãos dela pousam no livro, e com cuidado ela

    o abre. As folhas se passam rapidamente, até que por

    fim viram vultos, e a bela desmaia nos braços do seu 

    pai, deixando seu corpo para trás, até chegar no inicio

    da civilização da Terra. Luciféria está sentada no 

    lado de uma rocha, com lágrimas em sua

    face.

    _Por quê chora criança?

    _Porquê perdi meus pais para sempre.

    _Eles morreram?

    _Não...Mas Ela nasceu.

    _Ela?

    _Minha irmã...

    _Irmãos são complicados. Por isso quis

    matar os meus.

    _Eu entendo.

    Sem saber de quem se tratava. Ela desenvolveu uma

    amizade com o sol do subsolo, e este também sentiu-se

    ligado a moça, ao ponto de fazer crescer uma flor para 

    sentir seu toque. Ela o via como um amigo, um cão de 

    guarda, para quem podia contar todos os seus 

    segredos.

    _Será que brilho tanto quanto o sol?

    _Consegue ver aí dentro?

    _Sim... mas não estou brilhando no momento.

    _Então como está vendo?

    _Joguei minhas chamas nas velas.

    _Entendo.

    _Tudo bem com você criança?

    _Para de me chamar assim. É só a minha irmã...

    Eu só queria matá-la. Mas não quero acabar

    como você Sr. Rá.

    _É, é melhor tomar cuidado. O escuro pode

    não ser agradável.

    A advertiu. Luciféria tinha tanta estima pelo amigo,

    que a entendia como ninguém mais, que passou a ler

    os arquivos de Miguel, para encontrar uma brecha que

    o libertasse, e o devolvesse para este mundo. Sim, ela

    usou o anjo, para conseguir ajudar o ser que vivia

    nas profundezas, e assim o tirou daquele

    lugar sombrio.

    _Você?

    _Você? É a garotinha...

    _Que você molestou.

    _Luciféria me perdoa...Eu não sabia...

    _Você vai voltar pra jaula!

    Tenta empurrá-lo, mas ele segura sua mão, e a olha nos

    olhos, com suas íris cor de sangue. Ele realmente se sente

    culpado, por ter a tocado indevidamente, mas ela só quer

    mandá-lo de volta para a prisão. Miguel presencia este

    momento, e corre para ajudá-la, assim ambos o

    colocam de volta na caverna. Mas ele percebe que foi a

    princesa que o libertou, e fica chateado. Ela se justifica por

    ele ter lhe entregado a Inanna, que queria matá-la quando

    era um bebê, só que o arcanjo continua magoado. 

    “Luciféria?” Pergunta a voz do submundo.

    _Eu nunca mais quero falar com você!

    _Eu sempre te avisei que era um monstro.

    _Não achava que era o Meu monstro!

    _Se acalme. Não há motivos para gritos.

    _Você me tocou, e abusou de outras!

    _Eu lhes dei a escolha.

    _Engraçado, eu não tive esta escolha.

    _Isso porquê Inanna te odiava.

    Ao ouvir a última frase, ela o deixa falando sozinho,

    e tenta retomar a sua vida como se nunca tivesse lhe

    conhecido. Miguel segue ignorando-a. Céu e Terra não

    devem se misturar mesmo, desde que Enlil ficou entre 

    eles. O arcanjo e novo brigadeiro das tropas do deus 

    Anu, e não o esconde o desgosto, pois realmente

    tinha um sentimento forte pela primogênita 

    de Lúcifer. 

    _Vai me ignorar para sempre?

    _Só por quê me usou para libertar o Diabo?

    Não imagina.

    _Me perdoa. Eu não sabia de quem se

    tratava.

    _Só há um prisioneiro terrível no universo.

    _Como eu ia saber que era ele?

    _Eu não estou nem aí para o quê acha Luciféria.

    Só me importa o fato de ter me traído, para

    ficar com ele.

    _Trair? Nós somos amigos!

    _Correção éramos amigos. Até mais.

    O arcanjo a deixa, e ela olha para o seu irmão mais

    velho, que também não aprova a sua atitude. Ao chegar

    no castelo, Luciféria vê os pais brincando com a irmã, e

    sorrindo, e ela sente muita raiva daquilo, pois os pais

    estavam tão focados em cuidar de Aggarath, que

    nem perceberam o risco no qual ela se meteu.

    “Ninguém me ama. Eu estou sozinha. Sendo esquecida.

    Perdendo o quê me importa.” Se senta encostada de costas

    para a parede, e coloca as mãos na cabeça, como se algo no

    seu interior, quisesse se libertar, e ela não pudesse deixar. 

    Só que como ninguém a vê ela perde o controle, e

    retorna até a floresta proibida.

    Seus pés caminham pela terra molhada. Os olhos violetas

    ficam vazios. O vento bate em seu cabelo que está a mudar de

    cor, deixando de ser vermelho, para virar roxo escuro. A pele

    alva, empalidece até ficar cor de papel. Ela desenha os

    símbolos na rocha, e invoca a destruição.

    _Luciféria?

    _Você precisa me compensar pelo ocorrido.

    _Por quê me libertou de vez? Sabia que posso 

    destruir o universo?

    _Sim, eu sei, e eu quero que faça isso, é a uma

    forma de me agradecer por te libertar.

    _Eles vão te matar, se descobrirem. 

    _Eu não quero viver Sr. Rá.

    A gigantesca e bela criatura, fica assustada com as fortes

    palavras proferidas pelos lábios da criança de 13 anos, e antes

    de fazer alguma coisa para tirá-la dali, ela desaparece, e deita

    na sua cama com os pés sujos. Na manhã seguinte...Há muito

    alvoroço a respeito da fuga de Bael, e ela fica transtornada

    com o fato de se encontrar tão suja. “Não resistiu ao

    amor que tinha por ele não é?” Diz Miguel

    sentado no canto da janela.

    _Do quê você está falando?!

    _Só uma criatura se compadeceu pela solidão

    do demônio. Não há duvidas de que tem culpa

    no cartório.

    _Eu não fiz nada Miguel. 

    _E estes pés sujos?

    _Eu não me lembro. Só estava muito triste,

    Irritada, e fui dormi.

    _Não foi você?! 

    _Não. 

    _Não está mentindo para proteger o seu amado?

    _O quê? Eu não o amo! E sim, não há porquê

    mentir pra você.

    Luciféria cresceu, sem saber do seu lado negro, 

    e por sorte e ajuda do ser do outro mundo, ninguém 

    nunca soube do seu segredo, até aquele dia. Ela agora

    tinha 16 anos, muita coisa tinha acontecido. Azazel e

    ela haviam se envolvido, pouco antes de se casar

    com Miguel, algo que o deixou furioso, ao

    ponto de castigá-la.

    _Não faça nada comigo por favor...

    _Você gosta da escuridão não é? Pois

    vai conhecê-la!

    _Por favor não faça isso!

    _Divirta-se demônio.

    Disse deixando-a trancada na cela do demônio, e

    este estava tão insano de raiva, que não se conteve, e

    tirou-lhe as roupas ali mesmo. “Socorro!” Ela berrou por

    não saber quem estava no escuro. Suas mãos passaram

    pela janela da porta, e só ouviu-se o impacto do seu

    corpo sendo violado friamente. Até que ele viu

    seu rosto na luz, e ficou em pânico.

    _Luciféria?

    _Bael?

    _Eu não sabia...

    _Você...Continua...Sendo um monstro.

    Ela desmaiou em seus braços, e ele derramou 

    lágrimas sob seus pequenos seios. Miguel chegou a 

    este ponto, pois desde pequenos Luciféria e Azazel eram 

    quase inseparáveis. Um cuidava do outro, e  se protegiam

    do resto mundo, por isso mesmo quando ela nutriu uma

    forte paixão por Miguel, o príncipe rebelde sempre foi

    um empecilho. Desta forma, para livrar-se do rival,

    o arcanjo com a ajuda de Inanna, adulterou o 

    DNA dele, e o fez crer ser filho de Anu.

    _Azazel por favor fica.

    _Este não é o meu lugar Lucy.

    _É claro que é. Meu pai te ama como

    se fosse filho dele. Te dará um reino

    também!

    _Eu não quero viver de caridade mais.

    Adeus Lucy.

    Disse dando-lhe um beijo de despedida. “O quê?”

    Olhos confusos o encararam. “Não deixe o idiota do 

    noivo saber.” Riu se preparando para ir. “Por favor 

    fica” Agarrou-lhe o braço. “Me perdoa mas não

    posso.”  Beijou-a na testa, e foi embora.

    A tristeza por não ser filho de Samael, o deixou tão

    devastado, que ele deixou o palácio do pai, para viver

    com o verdadeiro, abandonando sua irmã e melhor

    amiga, e fazendo-a se sentir tão só, que esta

    encontrou refúgio nos braços do

    Diabo.

    “Ela sempre encontra um demônio! Um maldito

    demônio para amar!” Pensava Miguel entorpecido pelo 

    ódio, passando a mão pelos longos cabelos. Após algumas

    horas, ele volta a cela, e tira suas roupas para que

    Luciféria pense que foi ele, e não Bael, pois se

    descobrirem que Anu o protege, todos

    se voltarão contra o supremo.

    Mas esta não é a pior parte de tudo...A irmã de

    Luciféria com seus poderes de criar ilusão, fez a mãe

    crer que esta tinha copulado com o próprio pai, quando

    a culpada pelo crime era a acusadora. Ela foi expulsa

    de Irkala, e mandada de volta a Dilmun, onde

    sofreu grandes humilhações.

    A raiva de Miguel a perseguiu, por todos os cantos,

    até virar uma prisioneira, e quase sofrer abusos na mão

    dos deuses menores. Azazel a reconheceu de imediato

    , e por isso correu até cela, para impedir que o ato

    chegasse ao objetivo. Ao ouvir a voz do grande

    general, todos se curvaram para ele, e este

    foi até a cruz.

    O rosto dela estava vermelho de tanto chorar,

    os cabelos mais escuros que o normal, e ao contrário

    dos cachos, tinham alisado, e caiam sem parar. Ao 

    vê-la naquele estado, ele segurou em sua face

    , quase que em desespero.

    _Quem foi o responsável por isso?

    _Oras Senhor. O brigadeiro Mikael nos deu

    carta branca para fazermos o quê quisermos

    com ela.

    _E alguém fez?

    _Eu fiz. Penetrei o corpo dela com os dedos,

    até fazê-la gritar.

    Disse um deus grande e robusto. Ao ouvir aquilo 

    o jovem sorriu, e o jogou contra a parede, o retalhando

    com a sua adaga, com tanta cólera, que só parou após

    deixá-lo em pedaços. Vendo aquilo, os deuses se

    cobriram, e saíram correndo assustados, por

    temor as suas vidas

    _Você está a salvo agora.

    _Obrigada.

    _Que confusão aprontou para vim parar aqui?

    _De todas as vezes que fui culpada, esta é

    a única que não sou. Nossa mãe me

    expulsou de casa.

    _O quê? Por quê?

    _Ela jura que eu dormi com meu pai.

    Mas eu não fiz isso.

    _Não mesmo?

    _Está desconfiando de mim?

    _É que você nutria sentimentos pelo meu

    Irmão mal, então...

    _Eu estava sendo estuprada na hora.

    Por isso não tem lógica.

    _E quem fez isso com você?!

    _Miguel.

    Ouvindo o famoso nome, e ele a tira da cruz, e a 

    carrega para o canto, onde lhe deita, e a deixa para

    dormir, enquanto sai a caça do rival. “Vigie a cela 13.”

    Ordena para o soldado, e este se recusa. “É melhor

    fazer o quê digo. Pois sou seu superior.” O pega

    pela gola da camisa, e seus olhos ficam

    negros como carvão.

    O gêmeo mal procura pela moça, em forma de 

    luz, e quando a encontra se materializa. Seus dedos

    tiram o cabelo da face dela, e ao vê-la tão maltratada,

    o pouco de sentimento que lhe resta, o faz ter ódio

    do céu, e todas as espécies que a machucaram,

    por isso ele inicia sua vingança.

    Isabelle não suporta todas as visões dolorosas

    do seu passado, e volta a si mesma, acordando no

    sofá dourado de seu pai, que está lhe aguardando

    com um relógio, e uma bandeja com comidas

    apetitosas.

    _Sem refrigerante?

    _Precisa se alimentar melhor e sabe disso.

    O refrigerante é uma arma pra matar

    as células dos mortais.

    _E os pesticidas nas frutas, são tão

    diferentes disso né?

    _Apenas coma. Mandei preparar especialmente

    para você, achei que voltaria faminta da sua

    jornada. Então como foi?

    Pergunta empurrando a bandejinha para ela, e

    esta rejeita. Ele revira os olhos, estala os dedos, e

    lhe dá o refrigerante. Assim ela pega o murffy de 

    morango com chantilly, e o devora numa 

    bocada só.

    _Azazel me ama...

    _Sim.

    _O Anticristo também...

    _De fato. 

    _Mas Miguel é um babaca que merece morrer.

    _Não está tão longe da verdade, mas porquê

    Miguel está entre seus pares?

    _É que aquele idiota me beijou.

    _Ah ele te beijou? Interessante.

    “Esse garoto tá morto. Não vou deixar desgraçar a

    vida da minha filha de novo, ao ponto dela se jogar na

    água, e se perfurar com a matadora de deuses.” Pensa

    sorrindo e ignorando metade do quê a moça diz, pois

    já sabe de que respostas se tratam. Mas ela está

    tão entusiasmada, que não se cala.

    _Eu cheguei a ficar com o anticristo?

    _Sim... Depois que o prendemos outra vez 

    no subsolo, ele a roubou para si.

    _Então o rapto...os meus pesadelos...

    _São reais.

    _Sim, mas por quê me chamavam de virgem?

    _Porquê o cristianismo perverteu o sentido

    da palavra Koré. Devia significar apenas

    jovem e não virgem.

    _Ah sim.

    Ao ouvir aquilo ela fica feliz, e quase salta de alegria,

    pois o tema virgindade, pesava-lhe demais a consciência,

    e saber que o nome foi corrompido, lhe trouxe paz de

    espírito. “Maldita seja a igreja católica, e sua mania

    de demonizar tudo.” Conclui, mas logo a alegria

    vai embora, e dá espaço para a 

    tristeza.

    _ Por quê você e a mamãe me esqueceram?

    _Nunca a esquecemos.

    _Nem viram, quando eu estava falando com

    Bael.

    _Na verdade vimos. Mas acreditávamos que com

    o seu dom poderia equilibrá-lo.

    _Então eu posso curar o ódio dele?

    _Sim, se atravessar a escuridão, e lhe puxar

    para a superfície.

    _Ou seja me envolvendo com ele...

     

    _Me envolvendo com ele... 

    _Sim, mas é uma escolha sua , caso opte por seguir o caminho atual, também pode matá-lo. Isso é o quê poder de Nyx representa para você. _Ele é seu filho...como eu e  Aggarath. 

    _Ele deixou de ser meu filho,  quando cometeu todos aqueles  crimes abomináveis. Ao ouvir a dureza na voz do pai, Isabelle salta para trás, pois pelo  quê o anticristo disse, ela já esteve do seu lado, e deve ter sido renegada da mesma forma, por caminhar com as trevas verdadeiras do universo. Por isso se preocupa, e tenta ficar calada, mas não consegue. 

    _Eu já andei com ele. 

    _Não teve culpa de amá-lo. 

    Com você ele foi bom. 

    _Epa eu nunca o amei. _Será mesmo? Quase destruiu o mundo quando o prendemos. _Eu não me lembro disso... 

    _Você se esforçou para apagar , nas duas vezes. Mas ele não vai deixar assim, então venha e veja... 

    Lúcifer mostra os retratos dos deuses traidores, e na maioria deles , a deusa meio lunar e solar caminha com o sol. Ela julga os inimigos dele, e ele destrói os que a ferem. Para a infelicidade da moça, dá para  notar a ligação entre eles. 

    _Esta... 

    _Sim é você. 

    _Por quantos séculos estive  

    com ele? 

    _Uns 500 anos. No começo ele a  raptou, depois você voltou por vontade própria. _Ele me raptou e eu retornei?! _Sim. Até se casou com ele, como não fez nem com Azazel, nem com Miguel. 

    _Foi forçado né?!  

    _Ele fingiu ser Azazel na verdade, mas depois você descobriu, e não lhe pediu o divórcio. _Eu sei... Já tinha visto isso. Só queria que não fosse real. _É bem real, e você tem que decidir se vai ajudá-lo ou matá-lo. Aquelas palavras ficam na mente  da moça por vários dias. "ajudar ou matar." Fica a refletir, sem saber que partido deve tomar. Afinal era do próprio Diabo que se tratava, porém  apesar dos pesares, ele tinha sido bom pra ela em  alguns momentos, e isto tornava seu julgamento  turvo. 

    Certo dia ele a chama para sair, e ela aceita,  para tirar a dúvida da sua cabeça. Preocupada em ser raptada, pede para irem a um lugar público, e eles ficam sentados na beira de uma escada, em frente a um  museu todo branco. Ao contrário da outra vez, ele não  está mascarado, e está vestido como no helloween,  enquanto ela está mal vestida, lembrando os  nerds da antigas. Não querendo atraí-lo. 

    _Sem máscaras desta vez? 

    _Sem marido?  

    _Ele me deu permissão para vim. _Você sendo submissa? Esse cara tem que me dá o manual! 

    _Vamos nos engalfinhar ou conversar? 

    _Certo. O quê quer saber de mim? 

    _Foi você que me chamou para sair. 

    Achei que você tinha perguntas. _Eu li o escreveu no seu site...Apenas quis ser gentil. 

    Responde bebendo um copo de refrigerante, e  ela olha para o lado, ele oferece a bebida, mas a dama recusa, e por isso ele avança na sua direção,  deixando-a do seu lado. "O quê ele está fazendo?" se afasta dali, mas o copo fica onde ele quer. 

    _Certo. Como perguntar isso? 

    _Sim, você me amou. 

    _Não era o quê ia perguntar. 

    _Mas é o quê quero esclarecer. 

    _Não seja um idiota.  

    _Está certo. Pergunte. 

    Ele passa o braço envolta dela e pega a bebida. Seus olhos frios cruzam os dela, e esta sente o rosto esquentar de vergonha. Por isso se afasta um pouco mais, e ele segura seu pulso, imobilizando-a com gentileza. 

    _Fica calma. Não vou fazer nada. 

    _Foi o quê disse da outra vez... 

    _Nada que Você não queira. Mas enfim veio pra falar de relacionamento, ou quer um esclarecimento útil? 

    _Então relacionamento não é útil?  

    Tanto faz. Como isso aconteceu? 

    _Não, quando quem eu queria não me quer. Foi bem simples você teve síndrome de Estocolmo, e ficou comigo. 

    Responde de forma seca e ela se levanta para ir embora. Outra vez ele respira fundo, e agarra no seu braço, impedindo-a de seguir em frente. Ela volta , e se senta a alguns centímetros de distância. “Isso não vai acabar bem.” Olha para o lado, sentindo arrependimento, e pega o celular. _Eu sei que está aqui para saber se deve me matar ou não.  

    _Mas eu não escrevi isso no site. 

    _Não sou burro, e você sempre foi previsível. Banca a rainha do mal, mas no fundo tem uma gota de piedade. 

    _Esta é a Victória, não eu. _Se veio até mim, o próprio ato contradiz suas palavras. Você sabe que te torturei, que te machuquei, e destruí o teu psicológico. Mas mesmo assim veio me dá uma chance de me redimir. 

    _Não vim para isso. 

    _Não minta para si mesma. Foi usando a justiça a teu favor, que não se tornou tão abominável, mesmo exterminando 75% da humanidade. 

    _Não me lembre disso... 

    _Tem medo? 

    _Não vem ao caso. 

    Ela sente as mãos dele em sua face, e recua. Ele sorri, e se levanta, outra vez bloqueando as chances dela escapar. Preocupada com estes avanços sutis, ela clica na tela para ligar para Victória, mas ele toma o seu aparelho. 

    _Confie em mim. Se quer a verdade. 

    _Por quê me escolheu? 

    _Eu não escolhi, aconteceu, e não fui capaz de deixar pra lá. 

    _Eu cometi atos de crueldade ao seu lado? _Não, embora me dissesse que sentia prazer em torturar alguns pecadores. _Por quê não me deixou ir se não tenho nada a ver com você? 

    _Você se engana. Somos bem parecidos,  mas eu abracei a escuridão, e você ficou com medo dela. 

    _Então fiquei no lado da luz? 

    _Não, você habitou o purgatório. Nem luz , nem escuridão. Tinha desprezo 

    pela primeira, e temia a segunda. Então ficou num lugar próprio. 

    Ela inspira fundo, e ele ri, erguendo a mão. “Segure-a, e saberei que tenho uma chance.” É o quê ele pensa. Ao sentir calafrios, ela evita-o, e  os dois voltam para a escada, onde se sentam. “ Droga. Mas não vou desistir, ela vai ceder. É o destino que escrevi, e a própria deusa mãe abençoou.” Ele revira os  olhos. 

    _Então isso é O equilíbrio... _Não, esta é a sua personalidade. O  equilíbrio é teu dom. _Razão pela qual busca por mim... _Não. Eu te procuro por outro  motivo... 

    Já cansado das escapadas da moça, ele olha em  seus olhos, e a beija de surpresa. Naturalmente as mãos dela sofrem espasmos, e ela o evita, porém por uns segundos seus dedos agarram os dele, não lhe permitindo se afastar. Ele a solta, para ver sua reação, e ela fica com a cara de choro. Os olhos dela ficam vazios, e seu braço se movimenta estapeá-lo, mas este segura sua mão, com tanta facilidade, que é como se tivesse lido seus pensamentos, por isso eles se encaram. 

    _9 mil anos, e ainda reage do mesmo jeito. 

    _9 mil anos? Está de brincadeira?!  _Não. Praticamente toda a sua vida na Terra, foi ao meu lado, até um dos seus amantes  vim te resgatar. 

    _Amantes?! 

    _Azazel e Miguel.  

    _Eles vieram bem antes de você. _Mas foi pra mim que disse “sim” no fim  das contas. E o tapa no rosto, era o primeiro sinal de que acabaria nos meus braços. 

    _Não. Não pode ser. Eu detestei! _Eu senti seus dedos, e eles prendiam os meus. Você queria continuar mas sua consciência, amargou o sabor deste doce prazer. 

    _Não, não queria. Eu levei meses pra te esquecer, e você não vai apagar meu desenvolvimento. 

    _Me esquecer? 

    O interesse dele se intensifica, e ela tenta correr, contudo ele a agarra, fazendo-a ficar contra o seu  peito, para que as mulheres ao redor não vejam o assédio, e criem algum alvoroço, que possa lhe prejudicar de alguma forma. 

    _Fica calma. 

    _Me solta. 

    _Eu vou, e também devolverei o celular. 

    _Mas em troca quer o quê!? Outro beijo!? _Que me responda... Você se lembrou de mim? 

    _Com tantos sonhos foi impossível não lembrar.  

    _Você acreditou me amar em algum momento? 

    _Não importa. 

    _Quer ser livre ou não? 

    _Sim... 

    _Sim quer ou sim me amou? _Sim para o segundo. Mas já matei esse sentimento, agora pode me deixar ir? 

    _Tudo bem.  

    Ele a solta, e entrega o aparelho. Ela de imediato lhe dá as costas, e sai bufando de raiva. “Mesmo que diga não, eu sei que ainda sente algo por mim, e não é desprezo.” Ele se recorda do beijo, e de ter aberto um pouco o olho, ao sentir que os dedos dela ficaram a pressionar os seus. Não havia ódio no ato, no  lugar disso estava uma paixão, que ele poderia usar contra ela. 

    Capitulo 5- O alvorecer do futuro  

    5 meses depois... Isabelle está mudada, não mais passa tanto tempo tempo dentro de casa, ou com os amigos. Caminha por várias ruas e lugares, com uma lata de cerveja na mão, passando por maus bocados vez ou outra, por sua aparência de 16, permanecer mesmo nos seus 25. Sem dizer nada a ninguém foi ao salão, e alisou e repicou o cabelo, algo que seria benéfico, se não fosse pelo o quê veio depois, pintou as unhas de preto, passou a usar batom escuro e se manter em silêncio. Algo que preocupou a todos, menos uma pessoa, que já havia visto esta reação em outras vidas, e não estava nada surpreso. 

    _Está com sérios problemas não é? 

    _Não começa Leviroth. Só me deixa em paz. _O quê aconteceu que te deixou assim desta vez? 

    _Nada. Só voltei a ser mesma Isabelle obscura de antes oras. 

    _A Isabelle de antes era como a lua, obscura mas com brilho, tudo o quê vejo é uma estrela morta. 

    _Volta pra casa. Eu não quero falar com ninguém. 

    _Eu volto mas você vem comigo. 

    Ele a carrega no ombro, e a leva como um cadáver abatido, ela   o olha com indiferença, e fuma um cigarro de menta, bebendo logo  depois. No entanto antes de saírem do viaduto, outro ser também não  muito preocupado surge, trajando roupas bem chamativas. Ao vê-lo  Leviroth, a coloca no piso, porém fica na sua frente, impedindo-o  de chegar tão perto dela. 

    _Velhos hábitos nunca mudam, não é irmão? 

    _O quê você quer? Não vê o estrago que causou? 

    _Vocês dois parem, não quero falar com ninguém. _Eu não fiz nada desta vez. Mas temo trazer más noticias, e acho melhor que ouçam. _Diga e se retire, se não quiser relembrar como foi preso naquela rocha mística. 

    _Já chega, eu não vou ficar aqui. 

    _Fique. Se forem para casa, podem morrer. 

    _O quê? A minha filha está lá! 

    _Não, não tá, quando vi que veio atrás de mim , sem ela, pedi a Victória que a levasse para a minha mãe. 

    _E eu coloquei demônios envolta da moradia, para matar qualquer ser que tente atravessar a barreira. 

    _Por quê faria isso? 

    _É óbvio que é pela Isabelle. 

    Ao ver a onde a discussão daria, a bela os deixa discutindo, sobre “quem é o macho alfa”, e passa entre eles. No entanto ao  chegar perto da rua, sente duas mãos diferentes em seus pulsos,  que a fazem ficar. O espectro deles é muito forte, tanto que a jovem sente tontura ao receber o impacto da  suas energias. 

    _Porquê deveríamos confiar em você? 

    É o filho traidor. 

    _Não se faça de herói Azazel. Esteve ao meu  lado, quando iniciei uma nova gerência dos  mundos. 

    _Gerência dos mundos? É assim que chama o seu golpe de estado? 

    _É até perceber, que meu próprio irmão, queria matar a deusa bebê, que viria a ser minha esposa. 

    _Eu não sabia que também me apaixonaria por ela. 

    _Olha isso não melhora as coisas. 

    _Não melhora mesmo. 

    _São um só espírito mesmo não é? Naquela época , eu só conhecia um amor, o da minha mãe. 

    _Espera dizem que somos gêmeos, está dizendo que... 

    _Não mesmo. 

    _Nós somos filhos de Inanna e Gulgalana. _Mas me disseram que eu era filho de Nyx, ou seja Lilith, como Luciféria e Aggarath. _Inanna é a mãe de vocês? Lúcifer traiu Lilith? _Não. Lilith é a metade de Lúcifer, ele não faria isso com a minha mãe! _Sim. Ele a traiu, mas Lilith nunca soube, por isso ele a fez crer que estava grávida, e quando nascemos, nos roubou de Inanna , e nos deu para ela. 

    _Por quê? 

    _É, posso pensar em mil razões, mas qual delas? 

    _Inanna iria nos devorar. 

    Imagens do passado inundam a mente do anticristo, e este respira fundo, nem sempre fora um pequeno mal, porém ao descobrir que não era filho de Lilith, entendeu que Azazel era,  e por isso ela o tratava melhor, assim se juntou a sua mãe, e tramou as ruínas do atual império em que se vivia. Infelizmente foi só na adolescência, quase na fase adulta que veio descobrir que Azazel também era filho dela, e que ela o fez entender de outra maneira, para que seus planos se realizassem. Lilith não tratava um melhor que o outro, apenas reconhecia as suas qualidades, e ele não era capaz de ver as  suas. Após saber das artimanhas da sua mãe e amante, ele tentou desfazer todo o erro, mas só piorou ainda mais a situação, pois a verdade, destruiu a rainha do Inferno de tal  maneira, que esta enviou o próprio marido para a morte, e este criou um ódio profundo do próprio filho. Todos o julgaram, pelos atos que cometera antes, e desta forma ele enlouqueceu.  

    _Eu deveria ter sido o sol e meu irmão aqui a lua. 

    _Você deveria ter sido luz e eu escuridão. 

    _Então eu nasci para realinhara-los?  

    _De certa forma sim, você desperta coisas boas em  mim, e sombras profundas nele. 

    _Eu inverto a ordem... não a equilibro. _É, e o escuro cresce ainda mais, quando lembro que você quer a minha esposa. 

    _Ela não é a sua esposa. Nasceu para luz e para as trevas, portanto pertence a nós dois. _Sem querer ser estraga prazeres, mas sou monogâmica, e não poligâmica. E não pertenço a ninguém só a mim mesma, o máximo que podem ter de mim é meu coração, mas eu sou eu. 

    _Pensei que era dele. 

    _Eu também pensei, agora estou na  dúvida. 

    A dama revira os olhos e outra vez lhes dá as costas, mas sem fazer alarde, ergue o celular, e se afasta um pouco deles, para tentar conversar com alguém, que não participa desta profecia, ou loucura toda. Os irmãos se entreolham, e se debruçam sob o parapeito do viaduto. 

    _Então qual é a má notícia? 

    _Temos uma mãe ciumenta, que quer que a filha de Lilith morra. 

    _Se afaste de Isabelle, e ela a deixa em paz. Pois não vai representar alguma ameaça. 

    _Não é tão simples. Inanna sabe que enquanto 

    Lucy existir, meus sentimentos serão dela, e por

    isso quer aniquilá-la. 

    _Por quê a quer tanto? É pela profecia de ela ser o equilíbrio? 

    _Não. Quando você e meu pai me jogaram na masmorra dos condenados,  Luciféria foi a única que veio falar comigo... 

    _Porquê não sabia quem você era. 

    _É, mas você bem sabe, que depois ela ficou comigo , por nossa similaridade. 

    _É, tal como eu e ela temos. Mas pelas armações de Miguel, acabei por abandoná-la, e isso te deu certa liberdade de se aproximar não é? 

    _Ou foi o destino que quis que nos conhecêssemos. _Oras Bael não seja tão tolo. Sabe tão bem  quanto eu que nós fazemos o próprio destino. 

    _Não vou discutir. Luciféria, Isabelle, te escolheu. Mas eu a escolhi, e é meu dever protegê-la de nossa mãe. 

    _Está bem, mas tente reviver os velhos tempos  com ela outra vez, e serei o único filho de  gêmeos. 

    Olha de canto para o irmão e este ri, enquanto a bela  liga para alguém do seu celular. Na tela surge o número que termina em 12, mas ela não consegue completar a ligação, e vozes começam a ecoar na linha, como se fossem indistinguíveis. Ela desliga o aparelho assustada , e caminha até os irmãos. Tudo começa a se iluminar a sua volta, fazendo-a ficar em desespero. Seus gritos não tem som, o Anticristo olha para trás, e se transforma em pó ao vento. Leviroth agarra seus pulsos , e ela segura em seu braço, tudo se destrói envolta deles , e a pobre cai no vazio, mergulhando numa escuridão profunda, na qual desaparece. O despertador toca, são 06:03, a jovem se levanta da cama, e corre para tomar seu banho. Está evidentemente atrasada. “Vamos Izzy vai se atrasar!” Grita Benner, e ela desce as escadas , já arrumada para sair. Ele sorri, e os dois entram no carro, seguindo viagem para o quê parece ser os seus empregos. 

    _Tive aquele sonho outra vez. 

    _O do Anticristo? 

    _Sim. Eu não suporto isso, é sempre o mesmo enredo e patético, onde sou o centro de alguma coisa importante, quando na verdade não sou. _Izzy. Eu sou o príncipe do Caos, e seu marido, nós já vimos Lúcifer, e ele te chamou de filha, como pode pensar ainda que não é especial? Você o libertou sabia? 

    _Não sem ajuda. Sozinha, ele teria continuado  preso, e o aconteceu depois disso? Ah é, ele me abandonou, e se fez ser notado pelo mundo! _Izzy. Lúcifer sabe o quê faz. Se ele ficasse do seu lado, certamente você iria sofrer as consequências de carregar o sangue dele, por isso se afastou. 

    _Pois eu preferia “sofrer as consequências”.  Do quê continuar sendo ninguém. _Mas você é alguém. É a rainha do primeiro reino do Caos. 

    _É? Mas quem sabe disso? Aliás quem teme , ou quer fazer pacto com Luciféria? 

    _Os vampiros Italianos?  

    _Não começa. 

    _Ué foi você que perguntou. 

    _Aff. Tá certo. Até mais, chegamos na escola. Ela desce do carro furiosa, e ele ri, observando-a partir, com sua saia longa, salto alto e blazer, como  se fosse a um enterro. “Essa é a minha mulher.” É o quê pensa apaixonado, e então dá a partida. Ela entra na sala, e todos param de fazer suas atividades, para se sentarem no seus lugares. A aula do dia, é sobre como o elo perdido foi desconsiderado, e que apesar dos estudos antigos mostrarem o homem como semelhante ao macaco, este era na verdade uma junção de todas as espécies de mamíferos, répteis, aves, e anfíbios. 

    _Então o Dr. Thomas John percebeu a discrepância na antiga pesquisa, e concluiu que a espécie humana é parente de todos os vertebrados, e não apenas o macaco, como se acreditava antes. _Professora Isabelle. Por quê defendiam tanto que o maior parentesco do homem era com o macaco? 

    _Devia prestar mais atenção na aula senhorita 

    Lina. Como disse Antes, por conta dos velhos estudos , que indicavam que 99.1% do DNA humano era igual ao dos primatas, concluía-se que o parente mais próximo do homem era este. _Professora Isabelle, então a teoria do  elo perdido na verdade é um erro? _Sim, Bill. Esse erro dos cientistas de acreditar que tinha apenas um elo, é uma piada. Já que agora foi comprovado, que o elo não existe, mas a conexão entre as espécies sim. _Professora essa descoberta do Dr. John , não abre ainda mais espaço para se defender a existência do elo? 

    _Sim e não Luíza. Pois a nova teoria de parentesco múltiplo, liga o homem aos vertebrados, mas não unifica todas as espécies. Bom já é 12:00, tenham um bom descanso, a palestra foi longa, e não mandarei dever de casa. 

    A bela termina a aula, e ajeita algo no computador, com um sorriso tristonho. Os alunos se despedem, e vão embora para os seus lares, porém quando a bela chega no corredor, se depara com um grupo de adolescentes de preto, que estão desenhando um pentagrama rubro no piso, e por isso para de caminhar, e observa o feito dos alunos. 

    _O quê estão fazendo senhoritas? 

    _Nada que seja da sua conta santarrona! _É, vai entrar no seu carrinho estúpido, e nos deixe em paz falou?! _Um pentagrama... Querem invocar algo eu presumo. 

    _E se quisermos? Seu Deus falso, não vai poder impedir! 

    _É, aceita que dói menos titia! 

    _O quê acham que são? Filhas do Inferno , que podem atormentar os outros por prazer? 

    _Não que seja do seu interesse, mas é o quê somos. Nós ouvimos o chamado do senhor das trevas! E iremos obedecer cada ordem do libertador! 

    _É nós vmos devastar, esse centro de ensino , para que o apocalipse se inicie aqui. _Vão para casa. Saiam disso. Satã não é senhor de ninguém, na verdade é um idiota , tão mesquinho e mentiroso, quanto o Pai. 

    _O quê você ousou dizer?! Satã irá cortar tua língua! 

    _Tá querendo morrer veia?! 

    _Vocês são uma piada.  

    A professora ri, e vai embora deixando as garotas góticas  para trás. “Essa vagabunda da Isabelle tem que pagar!” Pensa  a líder do grupo, e lhe lança um feitiço quebra ossos, porém ao receber aquela energia tão tenebrosa, a dama abre suas asas , e o poder da bruxa se torna inofensivo. Ao ver aquilo as jovens se apavoram, pois percebem que a educadora , é na verdade um anjo.  

    _Deixem-na em paz!  

    _Aaaah! 

    _Olá... 

    _Ela pode destruir suas almas se quiser. 

    _Sa-Satã... 

    _Pai. 

    _Olá minha garotinha favorita. 

    _Satã é seu pai?! Mas você é um anjo! 

    _Perguntem a Lilith, foi ela que me gerou. 

    _Isso é verdade. 

    _Você é filha de Lúcifer e Lilith?! _Não. Sou filha de Bruna, a bruxa mestiça que deveria reinar ao lado de Satã, segundo uma série tosca de televisão. 

    _As aparências realmente enganam não é? O rei do inferno, se transforma em uma pilha de pó, e rapidamente volta a sua forma humana, que é idêntica a do ator do programa de TV.  As meninas se escondem atrás da líder, e esta faz sinal para que se afastem, e se curva  aos pés do belo homem, que acha graça do fato,  e segura no ombro da professora. 

    _Você está aqui em busca da próxima Bruna, como A madame escuridão? 

    _Em primeiro lugar, eu detesto Bruna. Em segundo jamais procuraria pela próxima bruxa poderosa, pois depois de Lilith eu sou a única. 

    _Pode parecer arrogante mas é verdade, ela é a primeira da minha linhagem com Lilith, e portanto carrega mais genes divinos que os demais. 

    _Mas você odeia magia, só se foca em ciência e fatos concretos. Isso não tem lógica! 

    _Tenho minhas razões, não é papai? 

    _Ela me odeia porquê quis protegê-la, e dei fama e poderes as suas irmãs.  

    _E o quê isso tem a ver?  

    _Tem a ver que graças a esse idiota, eu não alcancei o meu status de Deusa, e por isso sofro humilhações nas mãos de humanos estúpidos feito vocês. 

    _Desculpe. 

    _É por ser tão simpática, que ainda não tem tantos  seguidores minha bravinha. 

    _Desculpa, mas sorrisos falsos não são pra mim. Olha com indiferença, enquanto os olhos vão para o teto, com certo desprezo, e ela cruza os braços. Ele ri e a abraça forte, ela fica com os braços colados ao corpo, evitando aquele gesto de carinho, o quê deixa as garotas horrorizadas, pois dariam suas almas para serem filhas. 

    _Igual a mãe quando sente raiva. São as únicas mulheres, que tem tanto poder sobre mim. _Não é o quê soube. Afinal sua filha com Inanna , tem o prazer de jogar isso na minha cara, enquanto está lá no topo por sua voz de sereia. 

    _Sexo e amor é diferente. Eu tenho responsabilidade por Victória, pois ela e o seu marido são frutos do meu deslize. Mas eu amo você e sua mãe. 

    _É um deslize antes e depois do meu nascimento. Tem certeza que nos ama mesmo? Eu duvido. _Está bem, não estou aqui para discutir o quê é o certo ou errado.  Vim para te ajudar, mas já vi que pode se virar sozinha. 

    _É o quê acontece, quando o próprio pai nos abandona no mundo! A gente tem que saber se cuidar! E aliás eu votei na família Messiânica pra presidente! 

    _Grande coisa eu fiz o mesmo nos E.U.A! 

    Ele berra, e ela vai embora fazendo o sinal do cotoco , ignorando todo o tumulto. Ao ver aquela discussão, as meninas notam que mesmo no Inferno há conflitos, como  na vida humana, e correm para abraçar o papai renegado, mas este faz um sinal para que não se aproximem, pois se sente muito triste pela rejeição da sua primeira e única filha com Lilith. 

    _Ela é uma grata senhor. 

    _Não, não é. Aquela menina sofreu demais por minha culpa, ela tem razões para me odiar. _Como pode defendê-la depois de tamanha recusa? 

    _Ela é filha do meu grande amor, e este amor se 

    estende até a minha menininha. 

    _Deixe-a ir senhor. Ela é apenas uma, enquanto nós somos muitas, e daríamos tudo para sermos suas filhas. 

    _Eu não preciso de mais filhas.  Preciso é de menos, e se querem tão desesperadamente o meu apreço , devem começar por ela. 

    _Mas senhor! 

    _Sem mais. Se querem ter alguma importância no inferno, devem fazer a minha princesinha se sentir como tal. 

    No dia seguinte... Isabelle está no computador, preparando o material para a aula do antigo DNA lixo, que agora é conhecido como DNA Ouro, pois graças a esta brilhante descoberta, que o Doutor John fez uma revisão da antiga pesquisa, que mostrava os humanos como parente mais próximos dos primatas, e isto seria útil para a futura prova. Uma das meninas do dia anterior, a olha sem jeito, e entra na sala. 

    _Veio trazer algum recado das suas amiguinhas adoradoras de Satã? 

    _Não. Eu vim pedir uma trégua, e que me ajude pois se as outras descobrirem, elas me matam. 

    _Por quê eu deveria te ajudar? 

    _Eu não levantei a voz para a senhora, ao contrário das minhas amigas. 

    _Mas também não teve coragem para ficar ao meu lado, então repito por quê deveria te ajudar? _Eu posso te tornar uma deusa, por quê acredito em 

    Você. Depois de ontem encontrei o seu site Senhora Noturna, e percebi que você não é só a filha de Lúcifer. 

    _O quê quer dizer com isso? 

    _Você é a Arádia. A nossa messias sagrada, que veio para proteger o povo da escuridão, e nos guiar junto do Anticristo. 

    _Ah meu outro segredinho foi descoberto. O quê acha que ganhará com isso? Fama, sucesso, poder? Não sei se notou mas sou só uma professora do segundo grau. 

    _Nada. Apenas poderei ajudar a minha mãe, a subir no trono que sempre lhe pertenceu. 

    _Do quê está falando?! A minha única filha é Isandra! _Não segundo essa marca. Eu sou filha de Arádia e o Arcanjo Miguel, portanto pertenço a  

    você. 

    _Como posso saber que isso não é um jogo de manipulação , para saberem as minhas vulnerabilidades? 

    _Porquê ela não está mentindo Luciféria. 

    Diz um homem de cabelos longos entrando no lugar, e a dama se afasta, empurrando o computador com as unhas pintadas de preto, totalmente atordoada pela figura. Sim era o próprio anjo que estava ali diante dela, confirmando a história da menina, e para ter certeza, este abre as asas, e seus olhos mel se tornam azuis, enquanto os dela ficam violetas, iguais aos de um dragão. 

    _Eu soube que tive filhos de Belzebu, mas de você? _Foi há muito tempo, quando desisti do céu para que pudéssemos ficar juntos. Infelizmente você morreu no parto, e Bael apagou sua memória para não te perder pra mim. 

    _E quem é a mãe dela desta vez? Posso saber? _Ela não tem uma mãe específica, foi feita no  laboratório, com os genes e a essência de  nossa filha Laura. 

    _Espera eu só posso produzir meninas? 

    _Sim, mas houve uma vez que gerou um garoto, só que  ele seguiu seus passos e virou bissexual. _Faz sentido. Desculpe Laura, eu não me recordo mesmo, mas isso não significa que vou te abandonar certo? Agora se me derem licença, eu preciso ir  para a minha vida humana. 

    Ela tenta sair daquele local, mas o arcanjo segura no seu braço, e lhe diz algo no ouvido. Ao ouvir tais palavras, ela engole aquilo com desgosto, e lhes dá as costas. “Qual o tipo de vadia que eu fui na outra vida? Já é o 5 filho que me aparece.” Pensa entrando no carro, e então dirige para a casa. 

    Ao contrário do quê se possa imaginar, a professora não mora numa casa qualquer, mas sim numa enorme  mansão, com detalhes antigos, e não é o seu salário que arca com isso, mas sim os seus investimentos em ações da bolsa. Ao vê-la a pequena Isandra corre para lhe abraçar, e as duas entram na casa. 

    Benner está sentado na frente do computador, verificando os lucros da família Calligari de La Cruz, mas ao vê a esposa e a filha larga tudo, e vai lhes dá atenção. Os três entram numa sala escura, onde tem um sofá marrom bem confortável, com uma gigantesca tela de plasma, e todos os tipos de eletrônicos , de realidade virtual, que se possa imaginar. Cada um coloca o seu capacete, e então os três vão para outra realidade, que se passa no tempo medieval, mas tem muitos detalhes bem futuristas, na qual Isabelle é um anjo, Benner um arqueiro demoníaco, e a filha uma curandeira. 

    _Lá vem o dragão! 

    _Se abaixa Isa! 

    _Você também Izzy! 

    _Socorro! 

    _Isaaa! 

    _Izzy!  

    _Mãe! 

    _Deixem comigo! Grito de Tiamat! 

    _Flecha da Fênix! 

    _Cura mágica! 

    Ondas devastadoras saem dos lábios de Isabelle, e ela flutua no ar. Uma fênix gigante em forma de fogo, cobre o gigantesco dragão, e este gargalha sem parar, enquanto o escudo protege a família. O dragão se transforma em um homem de longos cabelos pretos, e olhos vermelhos, que quebra a cúpula de energia, e sequestra a avatar ruiva. 

    _Mamãe! 

    _Isabelle! 

    _Benner! Isandra! 

    A dama grita e então todos retornam para a mansão, menos Isabelle, que é puxada para a França.  Onde acorda nos braços de um homem semelhante ao avatar, mas de olhos castanhos quase vermelhos, em vez de brilhantes cor de rubi. Ao ver que não voltou para casa, ela tira o capacete em estado de choque , e se afasta da estranha figura loira e vitoriana, pegando a primeira faca que aparece para se defender. 

    _Quem é você?! E o quê quer comigo?! _Sou um velho amigo, que tem te acompanhado  a vida toda. 

    _Você se ferrou. Miguel apareceu ainda pouco. 

    _Não sou Miguel. Sou Bael. 

    _Bael não é meu amigo, e você não é Belzebu. 

    _Garota eu te transferi do seu país para o meu , enquanto estava jogando. Literalmente distorci a realidade ao meu bel prazer. Tem certeza de que não sou? 

    _Tem uma possibilidade de 75%. _Sempre cabeça dura.  Quer que te prove de  outra forma? 

    Os dedos com unhas grandes seguram o rosto da bela dama, enquanto ele sorri pronto para beijá-la, mas ela se afasta dando um passo para trás, com o olhar de nojo. Ele revira os olhos bem irritado, e a pega pelo pulso, levando-a a força para o sofá, onde a joga de mal jeito, fazendo-a fechar as pernas com rigidez, por temer que ele veja o quê tem por baixo da sua saia longa. 

    _Acabou o romance? Que rápido! 

    _Você é uma idiota. 

    _Me trouxe da América do Sul, só para me xingar? 

    Eu devo ser muito importante mesmo pra você! 

    _Você é, e sabe disso. Não se faça de tonta. _Certo. Eu estaria horrorizada, se não tivesse sido quase abduzida por você há 4 anos. Pode falar então por quê me sequestrou dessa vez? 

    _Estava com saudades. 

    _O idiota agora é você pelo visto. 

    _Eu não pude resistir. Você e sua família devem ir para o subsolo, daqui há 3 horas  se quiserem viver. 

    _Por quê? 

    _Tenho planos para iniciar a fundação do Novo Mundo. Por isso estou te avisando. 

    _E a minha casa? Eu levei 3 anos para conseguir a mansão!  

    _Ah para de choramingar. Eu te arrumo 3, em apenas 4 minutos. 

    _É se me tornar a Senhora Zebu. 

    _Não, isso vai ser em breve, mas não vem ao caso. Apenas arrume as suas coisas, e vá para o local indicado. Quando sair de lá, tudo estará  normal. 

    _Eu nunca vou me casar com você! _Disse isso da outra vez, mas aceitou de bom grado, minha querida Ishtar. 

    _Me mande logo para casa, e nunca mais me chame por esse nome maldito, dado em homenagem a sua primeira esposa. 

    Diz dando as costas para o homem, que segura em seu ombro, e lhe dá um aparelho com as coordenadas  do local para onde ir. Ela pega o tablet, e ele lhe dá um  abraço forte, como se quisesse evitar o seu sofrimento, porém ela não retribui, age da mesma forma que fez com o pai, e ele se obrigado a apelar, e a beija  

    no rosto, perto da boca. 

    _Se controle. Tudo o quê aconteceu foi há  mais de mil anos. 

    _Pra mim foi ontem. Há alguém mais que queira proteger, e alertar? Meus homens podem cuidar disso. 

    _Deixa que eu mesma aviso. Quanto tempo ficaremos lá?  

    _Até a fumaça se dissipar.  

    _Fumaça? 

    _Para o novo mundo existir, o velho precisa ser destruído. Em breve saberá mais detalhes. 

    _Eu tive muitas visões...Não é o quê... _É exatamente isso, e enquanto o seu poder  não for desbloqueado, é melhor que esteja em  segurança, junto dos seus amados. 

    _Não vai me separar deles vai?  _Não, mas quero que coopere e nos ajude a  libertar o seu poder. 

    _Por quê? 

    _No novo mundo, o homem vai caçar as bestas, e só eu não vou poder proteger a todos. _A velha história do Anticristo e a Messias negra. _É, mas não iremos nos casar, a não ser que queira. 

    _Pode ter certeza que não quero.  _Então assim será, mas te garanto que não vou desistir, não programei todo o mundo , para ficar sem a princesa no final. 

    _Me manda pra casa! 

    Ela grita com raiva, e ele a manda de volta para a mansão. O corpo dela se materializa, e a bela retorna para o lar. Tudo está escuro, e Isandra e Benner foram atrás dela. Sem pensar duas vezes, pega o telefone, e liga para eles. Infelizmente não há sinal, por isso ela pega o punhal na gaveta,  e vai atrás deles. 

    Há um céu cinza, com névoa por toda parte. Em vez de usar os sapatos altos, ela está com uma bota de plataforma baixa, e uma bolsa preta com a alça envolta do corpo, na qual guardou a lâmina. Ela sai da moradia, olhando para os lados em total desespero, preocupada que não os ache a tempo. 

    _Bael? 

    _Oi. Precisa de ajuda? 

    _Sim, essa sua manobra idiota, custou a minha família! 

    _O quê? Como assim? 

    _Eles desapareceram! Se isso foi alguma armação sua, eu juro que vou libertar meu poder pra te matar! _Se acalma princesa mimada. Eu vou localizá-los, e os mandar para o bunker em segurança. 

    _Eu não confio em você! 

    _Vai precisar. Desça e aguarde a minha ligação. 

    _O estranho é que seu número funciona. Bael! _É criado para ser um número de emergência,  por isso funciona. Agora desça. 

    _Eu... 

    _Eles estarão lá acredite em mim. Até mais. 

    _Bael! 

    _O quê é? 

    _Vou escrever uma lista de 10 pessoas que quero proteger. 

    _Ainda bem que não é amada pelo mundo, senão não iria me deixar destruído. Vou salvar todos. 

    Ele desliga, e ela fica preocupada, em vez de obedecer, pega o carro, e vai para a cidade. Ao perceber que ela não o ouviu, o anticristo se enfurece, e toma controle do veículo prendendo-a contra o banco, com o cinto de segurança, que agora é feito  de nano filamentos  automatizados, e por isso podem ser manipulados por hackers. 

    _Não pode ir pra cidade sua maluca! 

    _Você não vai me impedir de salvá-los. 

    _Eu já disse que vou te ajudar! 

    _Eu já disse que não confio em você! _Ah finalmente! Pronto! Eles estão há 10 km de você! E ainda tem 2 horas para achá-los! Se acalma! 

    _Avise-os. Eu vou até lá! 

    _Eu vou te guiar.  

    _Avise-os! 

    A voz do rádio para de responder, e ele lhe devolve o poder de dá a partida. A professora dirige até o local indicado, e não  acha ninguém ali, por isso pega o seu celular e volta a ligar para os seus familiares. Novamente não há sinal, e por isso ela bate violentamente contra o painel, com tanta raiva que parte do  seu poder desperta, e ela quebra o motor. “Porra!” Grita furiosamente, e se agarra ao volante entre lágrimas. 

    _Luciféria? 

    _O quê quer?! Me mandou pro meio do nada! 

    _Levante o rosto... 

    _Leviroth!  

    Ela abraça o marido, e olha para o lado procurando pela filha, mas ele explica que a menina está dormindo dentro do carro, pois desmaiou após caminhar por horas, procurando a mãe. Ao ouvir isso, a dama se sente culpada, e se lembra de Laura, que deve está em casa sem saber o quê está para acontecer. 

    _Bael? 

    _Sim.  

    _Por favor avise Laura Miller e Nicolas Miller. 

    _A sua aluna e o pai? Por quê? _Ela é uma das minhas futuras aprendizes, e aquela que já demonstrou lealdade, ela merece isso. 

    _Tudo bem mais sua lista de 10 pessoas com conexões, fecha aqui ok? Não sou Jesus para  salvar todos. 

    _Na verdade é sim. 

    _É mas o “todos” a que me referia eram os meus escolhidos, o resto são pecadores. 

    _Agora a bíblia faz sentido. 

    Brinca e o demônio ri desligando o aparelho. Ao notar algo errado, o príncipe do Caos quebra o rádio, e entra no veículo. Sentando-se com ela, no seu colo. Ele lhe dá uma  mordida no pescoço, tentando arrancar a toda a verdade  dela, mas a mulher percebe, e ri da tentativa. 

    _Está bem eu conto demônio chato. 

    _Então não perdi o jeito. 

    _Laura é minha filha. Minha filha da época em que era Arádia e Miguel caiu. 

    _E Nicolas é  Miguel. 

    _Sim, ele tem cuidado sozinho da Laura, e ela é uma boa garota mas tem andado com más companhias. 

    _Já se apegou a garota. 

    _Sim. Promete que não vai armar pra ela morrer? 

    _É claro. Elisa foi uma lição. 

    _Se algo der errado, eu mesma a destruo. 

    _Está bem. 

    Ele a abraça, e os dois mudam de carro. Ao entrar no Saveiro prateado do marido, ela encontra a filha dormindo, enrolada na sua jaqueta, e sorri, fazendo carinho na cabeça do seu par. Eles seguem até uma estação abandonada, na qual encontram outras famílias sobrenaturais, que aguardam  pelo metrô. Laura e Nicolas, estão no canto, junto das  amigas da filha de Isabelle, e isto não lhe agrada nem um pouco. 

    _Fiquem aqui. 

    _É a Laura Miller? 

    _Sim. 

    _Izzy. Faltam 23 minutos para o trem chegar. 

    _Eu resolvo isso em 2! 

    Diz caminhando em direção a adolescente e as amigas, e para diante delas, olhando para Laura com bastante fúria. Ao vê-la entre o sobreviventes a menina arregala os olhos, e cospe o sorvete que o pai comprou. Sem dizer uma palavra, a garota vai até a professora, e as duas se afastam. 

    _Eu quis te proteger. Não essas inúteis. _Elas são minhas amigas Isabelle, não podia deixá-las morrer. 

    _Aliás cadê a rainha boca suja de vocês? 

    _Essa daí eu posso deixar pra trás. _Está dando um golpe de estado? É isso que Nicolas tem te ensinado? 

    _Mãe eu preciso assumir o meu lugar. 

    _Se é um lugar roubado. Não é para ser seu. _Você teria feito a mesma coisa no meu lugar. 

    _Não, eu teria deixado Todas para trás, ou escolhido quem fosse leal a mim. Essas garotas não gostam de você Laura! Elas só gostam de permanecerem vivas! _E o quê quer que eu faça?! Deixar que todos me odeiem como você?! _É melhor ser odiada por idiotas, do quê ser amada por eles por 2 minutos, e morrer com uma faca cravada nas costas. _Ninguém nunca vai te matar, porquê não tem uma pessoa te seguindo. _Escute aqui pirralha. A única razão para sobreviver a este Armagedom, é porquê o Anticristo me escolheu. Então dobre a língua ao falar comigo. 

    Diz furiosa, e se afasta da garota, indo para a sua outra família, que a recebe de braços abertos, e sorrindo. Laura estava iludida, sobre o quê ter poder, e se chateia muito , ao ver que a irmã, é muito mais parecida com Arádia , do quê ela, por isso engole sua raiva, e volta para as amigas. 

    Isabelle se senta ao lado de Benner, e carrega Isandra no seu colo, enquanto revisa os nomes das 10 pessoas que ela escolheu para sobreviver. Os primeiros 4 nomes são os mais conhecidos. Não é porquê ela e as amigas perderam o total contato, que ela não iria lhes querer bem. Infelizmente o nome de Natasha é riscado, pois esta se recusa a “Viver em paz, em cima de um castelo, que é sustentado pelo sangue de negros e homossexuais.” Ao ler isso a bela ri com compaixão. 

    Natasha tinha sido tão cegada pela mídia, que nem era capaz de perceber, que não havia mais distinção entre os ricos e os pobres, mas sim entre os seres paranormais, e os humanos. Nada era mais azul ou branco, e sim um perfeito e profundo negro, que unificava as espécies mais fortes. 

    O trem chega e as portas se abrem. No tablet de Isabelle se encontra a recomendação de que siga no segundo trem com a sua família. No entanto por manipulação da própria, Laura deve mandar as amigas no primeiro, e pegar o  próximo. Sem sequer se despedirem da menina , as bruxas entram no transporte. 

    É quando Laura percebe que não tem mesmo amigas, pois estas seguiram o caminho, abandonando-a para trás, por acharem que há mais chances se entrarem no primeiro trem. Ao ver isso Nicolas abraça a menina, que chora sem parar, implorando para que fiquem com ela, mas as garotas só prezam por sua sobrevivência. 

    O segundo trem chega, e por ironia do destino, ou mesmo manipulação do anticristo, Isabelle, Benner, e Isandra, dividem o dormitório com a família Miller, que fica feliz e triste por se juntarem aos De La Cruz. Nicolas e Benner se encaram de imediato, e Isandra e Laura também, o quê faz Isabelle se sentir desconfortável, ao ponto de se sentar no meio deles. 

    _Isa diga olá para Laura, ela é sua irmã. Sim Benner. Nicolas é Miguel. Sim Miguel , Benner é o Rei Leviroth. _Olá “irmã.” _Olá “irmãzinha”! 

    _É um “prazer” Nicolas. 

    _Digo o mesmo Benner. 

    _Por favor não briguem.  

    _Não tenho porquê mamãe.  

    _Eu menos ainda mãe. 

    _Posso conviver com isso. 

    _Eu também. 

    _Alguém me trás muita cerveja! 

    _Eu quero 1! 

    _Eu quero 3! _Isandra Sônia Calligari De La Cruz, Você não tem idade para beber. 

    _Nem você Laura Irina Miller! 

    _Pelo menos concordaram em algo. 


    Capitulo 6 – O Ataque 

    O vagão para por um momento, ao chegar diante de um túnel. A família De La Cruz e os Miller acordam de seus sonos leves. Um grupo de serviçais de branco e mascarados, entra nos quartos, com bandejas, nas  quais se encontram máscaras de aves, para impedir a entrada do ar. A maioria delas é de corvo, mas há uma de coruja, que traz um bilhete específico para Isabelle. “Os líderes devem ser distintos dos sobreviventes. Você entrou no transporte vip do Inferno, aproveite a sua estadia.” Ao ler tais palavras, ela engole seco, e coloca a sua proteção estilizada. Curiosa para saber o quê está havendo, a bela cutuca um dos serventes. 

    _Qualquer um pode colocar essa máscara? _Não senhorita. O senhor Bael disse que a coruja é especificamente para você. 

    _Por quê precisamos das máscaras? 

    _Logo entraremos no Novo Mundo. Mas para este Nascer, o velho deve deixar de existir. 

    _Será uma bomba de gás? _Sim. Queremos destruir os impuros, não o planeta. 

    _Está bem. O quê ele faz? 

    _Logo verá em primeira mão. 

    A mulher sorri, colocando a máscara de pombo negro, e se retira. Após todos se vestirem adequadamente, um alarme é ressoado, e  se abre uma porta no escuro. Dentro de cada corredor, desce uma tela de plasma, que transmite o quê está ocorrendo no mundo  afora. O caos se espalha por cada continente, muitos se escondem nos bunkers, e bem ao lados dos trilhos, é possível presenciar toda a confusão. O gás é inspirado pelos cidadãos, que foram pegos  desprevenidos, e estes morrem em questão de segundos , vomitando sangue. O metrô do novo mundo para. Os que estavam conspirando contra o sistema, surgem em grande escala, e tentam abrir as portas. Há uma mãe segurando um bebê recém-nascido nos braços, que não para de chorar, com a sua pequena máscara de gato azul. Ao vê-la Isabelle, corre para lhe ajudar, só que antes que chegue a porta, surge uma mulher leoa. “Uma cobaia de Thomas John?” Nicolas conclui, ao olhar para a marca de um T e um J entrelaçado nas costas da criatura, que está a devorar os órgãos saindo do peito da mãe, com a boca toda suja de vermelho, enquanto o bebê mole se rasteja pelo piso, tentando sobreviver, machucado por suas garras. “Ele vai morrer!” Isabelle grita ao ver a criança. Notando o olhar de Nicolas e de Benner, ela percebe que ninguém está disposto a ajudar, por isso escapa pelo meio da  multidão, e abre as portas deixando o gás venenoso entrar. A bela coruja corre até o bebê, e a mulher leoa sente o seu cheiro. “Isabelle!” O outro ser com fantasia de coruja, fica apavorado pela situação, só que por medidas de segurança, o esquadrão dos brancos, fecham as portas. “Eu sou o chefe de vocês! Não podem deixá-la para morrer!” Discute com a equipe das aves noturnas, e enquanto isso Benner e Nicolas tentam sair para salvar a jovem mulher. “Eu, eu vou te proteger.” Ela diz com lágrimas, pegando o pobre bebezinho, que não para de chorar. Os seus berros são detestáveis,  só que naquele momento, tudo o quê quer é salvá-lo. A barriguinha dele, está coberta pelo fluxo escarlate, que não para de sair. “Não, não, não”  Ela abraça o menininho, segurando sua cabecinha chorona, ao correr da leoa humana. Porém esta pousa na sua frente, e atira a cabeça da mãe, ao seu lado. Fazendo-a ficar rígida de medo. 

    _Me dá a sobremesa. 

    _É uma criança! Não pode fazer isso! 

    _Ele iria crescer e destruir o novo mundo! 

    _O quê? 

    _O olho de Deus nos mostrou o futuro. 

    _O futuro não é inalterável. 

    _A única chance do mundo prosperar é se ele morrer. 

    _Então o mundo vai ser destruído. 

    Por quê eu não vou entregá-lo! 

    Ela grita, e a fera vai para cima dela. Ao ouvir o rugido, Benner, Bael,  e Nicolas, olham para a direção da moça, e ficam em pânico, pois há  uma falha na contenção, e sua roupa é rasgada, fazendo-a absorver   a névoa venenosa. Ela grita, e gotas vermelhas mancham o piso de  azulejo branco. Pouco a pouco, sente o veneno fazer o efeito, e se torna difícil respirar, só que ainda sim não larga o  nenê. 

    _Já chega Esfinge! 

    _Mas senhor ela está com o bebê! _Não importa! Encoste um dedo  nela, e eu juro que te mato! 

    _Sim senhor. 

    Esfinge se retira do local, e o anticristo vai até a moça, que segura o menininho contra o peito, cuspindo sangue sem parar. Ele a pega em seus braços, e passa a mão em seus cabelos, vendo-a empalidecer cada vez mais. “Isabelle que bobagem foi fazer?!” Pensa ao olhar para os seus braços, que seguram o garotinho, que também está prestes a morrer. “ 

    Isso foi idiota! É apenas um mortal!”  Mostra o olhar desaprovador 

    , então a bela agarra em sua gola com a mão livre, e o olha 

    implorativa. 

    _Salva o meu bebê. 

    _O quê? Surtou? A mãe dele é outra! 

    _A mãe dele sou Eu agora. _Isabelle não! Você vai ter que ficar pra trás se o quiser! 

    _Odin. Odin é o nome dele! 

    _Você está morrendo! 

    _Salva o meu bebê! 

    Ela berra em desespero antes de desmaiar no seu colo. Notando que não há como convencê-la de abandonar o garotinho, ele descobre o rosto, e morde o seu pulso, sugando o próprio sangue, para guardar na bochecha. Os lábios não param de pingar, e por isso ele transmite a cura da morte para ela com o  seu beijo fervoroso, que não é retribuído. Os olhos se abrem, mas não são  cor de mel, e sim violetas azulados, semelhantes aos de um dragão. Ela percebe  que foi salva por ele, e lhe bate para que ajude a criança também, obrigando-o a alimentar o bebê, como se fosse um passarinho. O olhinho da criança se abre, e a bela sorri, estranhando aquela reação o anticristo fica  desconfiado.  

    _Por quê fez isso? 

    _Eu não suportei ver um bebê morrer. _Para o novo mundo existir sacrifícios serão feitos, precisa se acostumar. Não vai poder salvar todas as crianças do mundo. 

    _Eu sei. Mas quem puder salvar com toda certeza eu irei. 

    _E o quê vai fazer com isso? 

    _É um menininho. 

    _Tanto faz. Não pode entrar no bunker com ele. 

    _Então eu vou ficar aqui. 

    _Ah não. Eu não te avisei como proteger os seus amados, para você ficar no velho mundo. 

    _Então terá de aceitar a mim e o  bebê. 

    Benner e Nicolas se aproximam com as meninas, que ficam assustadas pela forma como mãe segura o bebezinho. É claro que ninguém aprova a decisão da moça, mas como Bael tem autoridade sob o conselho, ela entra no transporte, e é levada para o novo mundo. Todos ficam descontentes pela conexão que ela teve com o recém-nascido, e por isso quando esta dorme ao lado do bebê  e as suas filhas, estes se reúnem fora do vagão, e discutem sobre o quê  está havendo. 

    _O quê foi aquilo lá fora? 

    _Acho que tenho uma ideia. 

    _Também acho. 

    _Desembuchem. Ela é a mulher mais complexa do mundo, não deu para ler todos os seus arquivos. 

    _Isabelle sempre quis ter um menino. _Mas de acordo com os avanços científicos , ela só pode produzir meninas. _Então ao ver o menino que perdeu a mãe, ela não perdeu a oportunidade... _Sim. Ela o chamou de Odin não foi? Odin é o nome que daria para o  nosso filho. 

    _Ela deve pensar que é coisa do destino. Ninguém vai separá-la desse menino. _É mas segundo o olho divino ele é  o homem que vai destruir o meu império. 

    _Não vejo mal nisso. 

    _E eu menos. 

    _Típicos dos homens que não fazem a diferença. 

    No dia seguinte... Isabelle cuida da criança que adotou, com a ajuda da  equipe de cientistas do anticristo. Em vez de se opor a criação de Odin, o belo e ardiloso homem de negócios, se aproxima da bela e o novo filho, e tenta manipulá-los. “Leviroth não quer ser o pai dele, não é? Eu assumo  a responsabilidade.” Ele se oferece para dar seu sobrenome ao novo membro da família de Isabelle, e ela nega com educação, pois  ao que parece Leviroth aceitou o nenê. 

    _Ele tem o meu DNA. Eu o salvei da morte. 

    Mereço ser o pai dele. 

    _Bael. Benner já aceitou. 

    _Mas fui eu que salvei vocês. 

    Não é justo. 

    _Qual é o seu interesse no Odin? 

    _Ele vai destruir o meu império Isabelle. Mas acredito que se for o pai dele, posso mudar isso.  

    _Vai manipular ele? 

    _Se eu for um bom pai, não haverá razões para odiar o quê construí _Na boa Bael. Cê surtou. 

    _Me dá ao menos uma chance. 

    _Não. Ele será um De La Cruz. 

    Não um Baltazar. 

    Benner chega a estufa onde a esposa brinca com o bebê, e se depara com ela e o anticristo conversando de maneira bem íntima. Seus olhos ficam vazios, e este se recorda de quando ela estava para morrer, e ele a tomou nos braços, acariciando o seu rosto, e lhe dando sangue com um beijo. É claro que ela não retribuiu, porém na mente do príncipe do Caos, este ato de heroísmo poderá custar tudo o quê ele batalhou para manter, o seu casamento. Simulando uma tosse, ele dá passos longos para perto da amada, e o bebê, e a beija com carinho, mas  quando os lábios se desgrudam, encara o rival. _Eu pensei que era contra a adoção do menino Odin. _Ele carrega o nome do único Deus acima de mim,  e ao qual eu respeito. Além disso veio para te destruir, é o suficiente pra mim. 

    _Não precisa disso. O pai de Odin é o Benner, não há discussão. 

    _Não me obrigue a isso. 

    _Obrigar a quê ? 

    _O quê está escondendo? 

    _Esse menino é meu filho com aquela mulher. 

    _Você é o pai biológico do Odin?! 

    _Sim, e ela é a mãe biológica dele. _Opa. O quê aconteceu naquela abdução  há 4 anos?! Eu não me lembro de muita coisa.  Só de um lugar branco como um laboratório  alien, e está muito drogada. 

    _Nós colhemos seu material genético. 

    Foi assim que Nicolas reviveu Laura, e eu criei esse bebê. Só que ao perceber o quê ele faria, dei a ordem para impedir a continuação da gravidez. 

    _Vocês realmente abduziram minha mulher, para fazer experiências bizarras?! 

    _O quê você fez? 

    _Não foram tão bizarras. Ela tem o sangue e a essência de Lúcifer, era perfeita para o meu herdeiro. 

    Eu mandei matar a barriga de aluguel, e ela fugiu , descobriu que sou o anticristo, e se juntou aos conspiradores. 

    _Não há escrúpulos pra você mesmo. 

    _Você tentou assassinar meu único menino? 

    _Isabelle você tem vários filhos mundo a fora. 

    Odin é um de milhares. 

    _Eu ia ver a morte de um ser que é DNA do 

    meu DNA. O único menino que pude ter, e você ia  tirá-lo de mim! Nunca mais se aproxime da gente! 

    Grita furiosa, pegando o bebê no seu colo, que não para de chorar, e sai da estranha instalação. Bael bufa de raiva, e Benner o encara com indiferença. Fica claro que logo vão discutir, mas mesmo assim o belo loiro, respira fundo, e abre espaço para que se sentem a mesa, e conversem de forma civilizada. O marido se acomoda, e junta as mãos com um sorriso de fúria, enquanto o senhor  do novo mundo, apenas aguarda o quê está por vir. _O quê queria com esses herdeiros sintéticos? 

    _Um exército de seres fiéis a mim e a minha rainha. 

    _Ela é a Minha Rainha.  

    _Não por muito tempo. No outro mundo você é alguma coisa. Aqui eu sou, e não sei se lembra mas a sua amada ama tudo o quê se refere a minha cultura diabólica. 

    _Ela ama tudo o quê se refere ao Pai dela. _Ou será que é ao seu verdadeiro marido? Nunca houve um divórcio adequado, esqueceu? 

    _Luciféria morreu Bael. Esta é Isabelle. 

    Elas não são a mesma pessoa. 

    _Então terei que te roubar Isabelle também. 

    Porquê ela tem o espírito da minha Lucy. _Depois de tentar matar o Odin, ela nunca vai  te querer. Não importa quantas vezes venha a salvá-la. 

    _Ah qual é. Eu fiz coisas bem piores na outra vida, e ela ainda sim casou comigo, e tivemos a Memphis  , da maneira tradicional. 

    _Que ela foi obrigada a matar, porquê tentou eliminar Elisa e Marisa.   

    _Mas ainda sim a tivemos. 

    O loiro ri com malícia, e o demônio se controla para não acerta-lhe um golpe. Horas mais tarde...A jovem mulher olha para o bebê, e este ri para ela. As filhas não se sentem felizes com tanto apego, e reviram os olhos. Isandra e Laura partem pelos corredores, e vão até Nicolas que está sentado no refeitório,  falando seriamente com Leviroth, que demonstra desagrado, porém  não para com ele, e sim com a ousadia do seu rival. 

    _Não queremos ter um irmãozinho! 

    _É verdade papai. Já me basta a Laura! 

    _Hey!  

    _Desculpa Laura. Você é legal, mas não é aquele moleque remelento, que nem tem o nosso sangue. 

    _Isso é verdade. Que amor é esse?! 

    _Acalmem-se as duas. 

    Nicolas respira fundo, e os pais puxam as cadeiras para as garotas, que se sentam com alguma dificuldade. Os pais se entreolham, com a certeza de que as duas crianças mimadas tem tendências psicopatas, e podem fazer como a filha de Bael. Por isso tomam as rédeas da situação, e tentam evitar o quê pode acontecer, para que Isabelle não tenha que se voltar contra  as meninas. _Odin é irmão de vocês _O quê?! 

    _Como assim?! Isabelle pulou a cerca?! 

    _Laura! 

    _Não, ela não pulou a cerca. Pelo que o idiota do meu irmão explicou, foi criado por manipulação genética. 

    _Em laboratório? 

    _Como eu? 

    _Ao que parece sim. Não consegui destruir todas as amostras de DNA de Isabelle pelo visto. 

    _Então foi assim que conseguiu o material genético dela? 

    _Foi? Papai achava que era de maneira tradicional. _Eu também achei, até papai me contar que  sai de uma barriga de aluguel, de um clone dela. 

    _Nunca pensei isso. Isabelle não pularia a cerca uma segunda vez Isandra. 

    _É? Pelo ciúme que sentiu da mamãe, duvido viu? _Senhor De La Cruz posso assegurar, nasci  em uma instalação de pesquisa genética. 

    _Podemos nos focar em questões mais importantes? 

    Isabelle e Bael tem um filho. Isso não é assustador? o quê ele ganha com isso? 

    _Uma ligação eterna com Isabelle. Está convicto de que ela pode voltar a mesma Lucy, que largou todos os que amou, para ser sua rainha. 

    _Minha mãe já teve um caso com ele? 

    _Arádia e o Novo Senhor do Inferno? 

    _Sim. Houve uma época, que ela sentiu um ódio extremo do pai e a mãe, de mim e Leviroth, e se juntou a ele. _Não só isso. Destruiu milhares de povos, julgando-os a favor do seu então marido. 

    _Como Ishtar. 

    _Ela também é Ishtar? 

    _É um lado sombrio da vida da mãe de vocês. Só que tudo começou por causa de um  

    Bebê. 

    _E agora está se repetindo... 

    A dama coloca o bebê para dormir, e sente uma forte pontada na cabeça, que a faz se debater contra o vidro da janela.  Um vulto negro surge e a carrega, embora  se pareça muito com Bael, não é ele que vem acudi-la, mas sim o seu pai, que a deita na cama, e a cobre notando a sua palidez. “O quê ele fez contigo?” Passa a mão na cabeça da filha, que está ardendo em febre, e suas veias brilham um forte  tom de roxo florescente. Fazendo-o entender o quê houve. Furioso este sai do  quarto, e vai atrás do anticristo, pronto para corrigir o seu filho rebelde, da mesma forma que o seu pai fez com ele, quando descobriu que ele lhe roubou, o seu bem mais precioso, a sua rainha. No caminho, este se depara com Victória e o neto Dave Haster. Ao vê-lo a mulher com roupas de caveira, corre para o abraçar, e este o retribui relutante. 

    _O quê foi pai? 

    _Isabelle foi infectada com a essência de Caesta. 

    _E o quê isso significa? 

    _Significa que seu irmão Bael, está tentando matar Isabelle, para reviver Ishtar  outra vez. 

    _Mas Isabelle é Ishtar  não ? 

    _Sim, e não. Ishtar é uma das 3 personalidades da sua irmã. A  1-Luciféria Lilith II, o anjo justo. A  2-Nahemah Hela, a deusa do julgamento. E por fim a 3 é Babalon Ishtar. 

    _Isabelle é Babalon?!  

    _E também é Koré. 

    _Mas Babalon é a prostituta e Koré a virgem! 

    _São estágios da vida da sua irmã. Ela foi Koré, a meninas dos olhos de Bael, e se tornou Babalon, a mulher dele. _Isabelle e Bael são realmente casados?! _Não exatamente. Ela como Babalon Ishtar é a mulher dele, mas como Isabelle é mulher de Azazel. 

    _Então Bael quer exterminar as outras duas versões dela, para só uma existir? _Sim. Babalon surgiu de todo o ódio que sua irmã sentiu por cada sofrimento, ela é o lado mais negro que existe nela. 

    _Então o quê ocorre se ela virar Babalon? _Ela se torna a Messias Negra das verdadeiras trevas. 

    _E  isso quer dizer? 

    _Que não há um futuro livre para as próximas 

    gerações. 

    Ele respira fundo, e Victória fica catatônica. Isabelle  gira de um lado para o outro, sentindo-se desconfortável. Corpos estão espalhados por toda parte, queimando em brasas ardentes. Sua mão segura uma espada e um estandarte, como se fosse uma amazona egípcia. Seus pés caminham pelo chão, cobertos de sangue. O medo lhe preenche o âmago. Que criatura grotesca teria feito tamanha chacina no antigo Egito? Sua respiração se torna ofegante, o coração palpita rapidamente,  e logo esta começa a correr pela areia. Há risadas em uníssono, e isto a deixa desconfiada. “Inanna.” Pensa com certeza e raiva em seu olhar, dando  passos longos em direção as vozes. Uma mulher, com o corpo pouco coberto, vestida de branco, está sentada no colo do Deus do local, com um cálice dourado em suas mãos.  Ao vê-la sorridente e maléfica, larga suas armas, em estado de  pânico. Os lábios da mulher misteriosa, beijam os lábios profanos do Deus iniquo. A mão do homem pálido, e de olhos vermelhos, agarra os seus cabelos  ruivos, e eles se encaram como dois dragões prestes a acasalar. As suas unhas negras  arranham carinhosamente a coxa dela, enquanto as mechas dos longos cabelos lisos, caem sob suas pernas, fazendo-a corar e abrir seus olhos violetas. Ao assistir a cena, a bela, fica de queixo caído. “Por favor não faça isso!” Grita em sua mente, ao tapar o rosto com os dedos abertos, e os olhos arregalados. Por não  conseguir suportar ver a cena, já que a mulher de cabelos 

    de fogo é ela mesma, em outra vida. Aterrorizada, pela visão que acabara de  ter, dá passos errados e escorrega para trás. Ao vê-la os demônios sorriem, e vão ao seu encontro, avançando em seu corpo, e beijando-a dos pés a cabeça, até Babalon desaparecer ao entrar no seu corpo, fazendo-a se sentir muito atraída, pelo novo Senhor do Céu e do Inferno. 

    _Você vai ceder a mim. Sempre cede. Basta sofrer o suficiente. 

    _Aquela, vadia, ali, não, sou, eu! 

    _,É uma parte sua. Uma parte que sempre desejou  toda a minha escuridão e iniquidade. 

    _Para! 

    _Você ama o Inferno, porquê ama a mim. 

    _Não! Eu! Não! Te amo! 

    _Ama sim. Pare de fingir o contrário. 

    _Não...Não... 

    Ela sente os dedos dele em suas costas, logo está com a roupa da Deusa Escarlate, e a sua coroa. “Eu não sinto atração, eu não sinto atração, eu não sinto atração!” É o  quê repete na sua mente, tão concentrada em não sentir, que é pega desprevenida no escuro, e ele a beija com ferocidade. De inicio ela não retribui, mas seu corpo reage contra a sua vontade, fazendo-a sentir algum prazer ao ser dominada, pela poderosa criatura. A língua dele entra em sua boca, por vários minutos, deixando-a sem ar, enquanto eles giram no meio do nada, como fantasmas se tornando um só ser 

    , de duas cores, a luz violeta, que se torna levemente rubra e a ausência de cores, o Ayin. “Eu Não...” Tenta o impedir de chegar, só que não resiste, e acaba em  seus braços, emanando a luz completamente em cor de rubi. 

    _Socorro! 

    _Filha? 

    _Mana? 

    _Me tirem daqui! Me tirem daqui! 

    _O quê aconteceu Isabelle?! 

    _Ela teve um pesadelo com o anticristo. 

    Certeza. 

    _Eu, e ele... A gente... Ai minha nossa Eu não acredito no quê vi! 

    Ela se ajoelha ao lado da cama, e o pequeno Odin acorda assustado, em estado de desespero. Ela treme se aproximando do bercinho, está em choque, sem acreditar no quê aconteceu, e no quê sentiu. O pai e a irmã tentam lhe acalmar, mas nada funciona, seu corpo não para de vibrar. É como se estivesse na Antártida, usando somente um biquíni. Lúcifer abraça a filha mais velha, impedindo-a de carregar o seu neto, pois na situação em  que encontra, pode derrubá-lo. Victória pega o bebê draconiano, e fica a niná-lo, junto do filho que luta para distrair o seu primo. A bela  volta a empalidecer, e sua pressão desce a tal ponto, que esta perde a consciência, nos braços do anjo das virtudes. Percebendo a gravidade do caso, a irmã mais nova, passa a mão no cabelo, e se ajeita ao lado da consanguínea fazendo-lhe carinhosos cafunés. 

    _É muito para Isabelle suportar. 

    _Sim. Sua irmã foi a que mais sofreu de vocês. 

    _Como que ela acabou nos braços dele?! Todo mundo sabe que ela é do Azazel! 

    _Ela e ele tem um destino, criado por Caesta , a grande deusa matrona. 

    _Mas você disse uma vez que ela e Azazel nasceram um para o outro! 

    _Sim, e é verdade. Só que ela foi castigada, por fazer Miguel se apaixonar, e destruir o seu destino com a outra sobrinha. 

    _Eke?  

    _Sim. Por se meter com uma das favoritas, ela a fez cair nos braços do demônio. Ficando assim dividida pelos gêmeos primários. _E o quê ela pode fazer pra mudar isso? _Somente controlar o quê sente pelo seu carrasco. 

    _Isso é horrível. Por quê Caesta é tão ruim? _Não há uma resposta. Mas Caesta odeia a sua irmã, tanto quanto a sua tia Lilith. Então creio que a motivação vem daí. 

    Lúcifer segura o netinho, e este gargalha no seu colo, sentindo-se muito confortável.  Ao vê-lo ele franze o cenho, e se recorda de quando segurou os gêmeos Bael e Azazel em seu colo. Azazel era uma criaturinha coberta por uma mortalha de energia escura, com um sinuoso brilho em seu peito. Já Bael era um bebê que brilhava tanto quanto o sol, mas em seu olhar havia a mesma fúria, do pai, quando ainda recebia o nome de Samael, e isto o preocupou. Os meninos, cresceram aos cuidados de Lilith, que em sua sabedoria sobre gestação, logo viu o futuro devastador daquele que pensou ser seu filho. Um calafrio percorreu-lhe a espinha, ao se lembrar de como Lúcifer era antes, e por isso o temeu por quase toda a sua vida. Bael cresceu se sentindo odiado pela mãe, e quando Luciféria nasceu, ele tentou matá-la afogada. Se a rainha do Inferno não chega a tempo, ele teria conseguido. É claro que a princesa não morreria de fato, mas esta seria enviada para o reino de Caesta, onde sofreria com o seu julgamento rígido e cruel, mesmo sem saber pensar. Lilith teve ódio dele, e por isso ela o enviou para uma floresta, na qual suas criaturas o puxaram para o subsolo do Éden Negro, e o manteve lá. Como no sonho de Isabelle, ela  foi até o lugar proibido, e teve com o terrível demônio, uma espécie de amor platônico, no qual ele a quis como sua futura rainha do submundo, e ela o quis como um amigo, com quem dividia suas aflições sobre a família, Miguel ou Azazel. Isso o devastou, e foi assim que ele acabou nos braços da sua verdadeira mãe, Inanna, que o educou para tomar posse do  céu de Ninlil, e o Inferno de Ereshkigal, que basicamente são a face da mesma deusa. Caesta os favoreceu, Bael tomou posse do mundo de Anu, e Chaos o marido e o oposto complementar dela, não gostou nada da afronta, e por isso lhe mostrou o poder da desordem. Enquanto céu e inferno lutavam entre si, o novo Deus, inventava meios para se aproximar outra vez de Luciféria. Só que ao vê-la nos braços do odiado gêmeo, ele mesmo a empurrou para a Terra, onde ela sofreu  

    até se matar. O quê só o pai sabe, é que quando ela se foi, ele saiu do trono, e entrou na água, sujando-se com o sangue da bela, enquanto via que poderia salvá-la. Só que nada conseguiu, e esta agora na adolescência, foi mandada para o reino de Caesta. A deusa anciã, recebeu sua essência, e quis destrinchá-la, mas ele atravessou o reino fatal para os deuses, só  para lhe trazer de volta. “Caesta. Você disse que quer que ela sofra. Ela sofre ao meu lado. Devolva-me a minha boneca.” O mentiroso profissional piscou diante da gigante, que gargalhou como louca, com as suas duas vozes entrelaçadas, entre a roca e a fina, como a de Akasha, em A Rainha dos condenados. O novo Deus, se curvou para a velha Tiamat, sem saber que decisão tomar. 

    _Está apaixonado pelo anjo maldito! 

    _Não, não estou mais. Eu só quero feri-la. _Não me engana Bael Lúcios  _Eu sou o carrasco dela.  

    _Não é mais. Designarei outro para esse 

    serviço. 

    Ao ouvir a ordem, o demônio ri sem acreditar, e então pega a deusa pelo pescoço, e a parte ao meio, banhando-se no sangue da draconesa, com seu olhar frio e sem vida. “Ninguém me diz o quê fazer. Nem mesmo você minha  querida avó.” Ele diz ao olhar para a cabeça dela, então olha para o coração desta, e o pega. A bela filha de Lúcifer, aparece presa em um cristal verde,  num sono profundo, que o jovem deus quebra com seu punho, só que nem assim ela desperta, e por isso ele rasga o seu peito, e coloca o miocárdio da deusa no lugar do seu. 

    _Bael o quê está fazendo?! Ela não é digna! 

    _Eu a escolhi. Quer você queira ou não. _Ela não vai suportar! É filha de um demônio e meu coração de carne é puro!  

    _Ah é? Esqueci de lhe contar  Luciféria não é filha de uma demônia. Mas sim da deusa que foi violentada. 

    _Ela é filha de Ninlil?!  

    _Você entende rápido.  

    _Então isso foi uma armadilha?! 

    _Achou mesmo que depois de tudo o quê fizeram Comigo, eu seria fiel a vocês?! Ah vovó isso foi uma tolice. 

    _Você vai morrer! 

    A Deusa Berra se materializando, mas os olhos de Luciféria se abrem, tão  verdes quanto esmeraldas, e esta surge diante da gigante, segurando o seu punho violento, com relativa facilidade. Ao ver que a menina agora, tem uma parte importante do seu poder, ela voa para longe, e decide criar um exército para deter Bael e a amada.  Aos poucos ela recobra a consciência, porém não se recorda de nada da outra vida, por isso o novo deus agarra a oportunidade, e se aproxima dela, fingindo o seu par. É claro que ela reconhece, e se afasta , só que quando recua, ele avança, como uma serpente, e lhe dá o bote, fazendo-a não resistir, e até retribuir aos seus desejos. 

    “E depois dele a manipular e mentir, ainda sim ela se tornou sua rainha, e nos traiu.” É o quê reflete o imperador do Inferno nos dias atuais, olhando para a filha no colo da irmã, com certo receio. Por isso coloca o pequeno  Odin para dormir, e volta para o caminho anterior. Contudo ao chegar na porta ouve uma voz familiar, e por isso para. 

    _Papai? A onde está indo? 

    _Vou resolver alguns problemas querida. 

    _Não o enfrente. Ele está poderoso demais. _Ele nunca foi mais poderoso do quê eu. 

    _Como pode ter tanta certeza?  

    _Eu ainda estou aqui. 

    O coroa charmoso pisca, e vai embora. Bael fica sentado diante da mesa,  fazendo anúncios em nome do seu pai, em relação ao Apocalipse, como se este patrocinasse suas atrocidades, em prol do novo mundo. No entanto ao terminar o seu discurso raso, o próprio deus da justiça aplaude com ironia, entrando no local, com o seu sorriso mais confiante, que faz o diabo ficar em choque, por acreditar que este vai desmascará-lo, mas por total educação, o pai espera a reunião acabar, para poder  repreendê-lo. 

    _Lúcifer. 

    _Olá filhinho. Está prestes a dominar o mundo, e ainda sim precisa do meu nome para ter algum sucesso? 

    _O quê quer?! 

    _Que fique longe de Isabelle. A menina não é a sua Ishtar, e eu não quero vê a reencarnação da minha filha  morrer. 

    _Você pode tentar enganar a Aggarath, o Azazel, o Miguel, e as crianças. Mas Eu sei que é a minha Luciféria. 

    _Em primeiro lugar Luciféria é o par de Azazel. Em segundo ela não tem mais a mesma personalidade. A Luciféria que conhecemos não existe mais. 

    _Então nunca a conheceram de verdade. Porquê Isabelle é exatamente a mesma Luciféria da qual me lembro. 

    _Você não vai machucá-la outra vez. 

    _Você e eu sabemos que eu nunca a machuquei de fato. O único que mais se feriu com a nossa união foi Você. 

    _Você fez com ela se odiasse, e enlouquecesse! 

    Não venha me dizer que não a machucou! 

    Lúcifer perde a cabeça, e agarra o filho pelo colarinho, o jogando contra a parede. O loiro ri da afronta, como se aquilo não o ferisse, e o quê o pai estava dizendo fosse somente ladainha. Todavia basta sentir a pressão da flamejante luz gloriosa do deus renegado, para se controlar, e deixar de agir feito um idiota. Infelizmente o momento de juízo  não dura, e este volta a defensiva agressiva. 

    _Ela surtou apenas porquê não se aceitou. 

    _Ela não é assim. Não é uma...! 

    _Uma o quê? 

    _Uma aberração como você! 

    _Desculpe informar reencarnação de Chronos. Mas a sua doce Perséfone, não é tão pura quanto você acredita.  

    _Eu nunca disse que ela era pura. Não seja idiota. 

    Ela apenas não é monstruosa como você. 

    _Ah ela é. E toda vez que desceu ao meu reino,  

    provou da minha escuridão e quis mais. 

    _Você a obrigou! 

    _No começo sim... Mas depois ela voltou ao Tártaro, pelo prazer que somente as trevas podem proporcionar. 

    _Está bem. Já vi que discuti não vai levar a  nada. Só fica esperto. Porquê Eu estou por  perto, e não te deixarei tirá-la de nós. _Interessante é um desafio? Porquê se for Eu já ganhei. Ela te odeia, pois se deu conta do péssimo pai que é. 

    Ele diz com um sorriso cruel, e o deus que domina o Tártaro, lhe acerta um soco no rosto, com a mão tão quente, que se ele não desvia, em vez de receber um arranhado no canto dos lábios, teria tido a face queimada. A raiva consome o progenitor, e este sente seu punho tremer, o deus do novo mundo, se enfurece pela humilhação, e urra para que saia imediatamente da sua  presença. 

    “Eu já pretendia tomar Isabelle para sempre, mas agora isso não é mais uma pretensão, e sim uma certeza.” Os olhos dele ficam sombrios, e o anjo caído, caminha pelo vagão, suando frio. Ao verem Lúcifer, Azazel e Nicolas correm para cumprimentá-lo, e saber o quê houve de tão grave, para que tenha se deslocado da Boulevard, para os trilhos do  trem da perdição. 

    _Olá irmão. 

    _Oi pai. 

    _Olá garotos. 

    _O quê aconteceu? Está trêmulo! 

    _Tem a ver com a Izzy? 

    _Apenas tive uma conversa com meu filhinho rebelde. 

    _Parece mais que discutiu. 

    _E espancou. 

    _Ah isso? É porquê ele não quer deixar a minha filha em paz, e me chamou de péssimo pai. 

    _É um soco e tanto. 

    _O quê ele ainda quer com Isabelle?! 

    _Tê-la de volta. 

    _Mas mesmo depois de muito tempo? 

    _Eu vou matar ele antes de conseguir uma segunda vez! 

    Azazel se prepara para ir atrás do irmão, mas Lúcifer o impede, e então avista a sua sobrinha Alexandra, e tem um plano, que resolve colocar em prática. Como quem não quer nada, se aproxima da moça, e tenta convencê-la a lhe ajudar, mas como a menina tem o sangue das deusas, percebe logo que é uma jogada, e o       faz confessar a verdade. Ele se envergonha, só que ainda sim, a bela bruxa resolve ajudá-lo, por ver o seu desespero, ao pensar que vai perder  

    a filha do seu grande amor outra vez. 

    _Então Isabelle realmente teve um relacionamento com  O Anticristo? 

    _Sim. 

    _E há ainda alguma chance de quê ela caia nos abraços dele? _Infelizmente há. Ele percebeu que a fonte do amor, vem do  seu ódio pelo resto do Universo, e por isso desgraçou a vida dela. 

    _Se ela souber que ele fez isso, certamente ficará longe dele. 

    _Não. Isabelle é louca como Luciféria, pode acabar se apaixonando, só por saber que ele gastou metade da vida, focado em obtê-la. 

    _E ele realmente gastou?! 

    _Ele não está vigiando-a de agora Alexandra. 

    _Ele é um psicopata! Isso é ruim... 

    _Eu sei... Isabelle tal como Luciféria abraçou As trevas com que a humanidade me vestiu. 

    Isabelle acorda no colo da irmã e se assusta, pois jamais imaginou que Victória  seria capaz de perdoá-la, após a sua coroação de rainha do pop no Madison Square Garden. Na qual a melhor amiga e irmã, se enfureceu pelo grande sucesso que seu pai proporcionou a mais nova, enquanto a manteve longe dos holofotes, porquê segundo ele Victória era mais digna, por ter o amado cegamente. Foi a gota d’água para Isabelle, que fez até o mais virtuoso dos seres ficar em silêncio, quando disse “É muito fácil ser fiel aos sentimentos por 3 anos de espera. Ela não ficou, por mais da metade da vida, esperando todos os dias que aparecesse, e chorou achando que tinha enlouquecido, quando nada aconteceu. Mas se isso a torna mais digna, então a partir de hoje corto meus laços com você e o satanismo, não importa  se tenho o teu sangue, Eu não sou mais tua filha.” Mal sabia ela, que o pai não fez aquilo por duvidar da sua nobreza, afinal nunca foi fã de adoração, e sim do amor  que poucos tinham por ele. O pobre imperador foi obrigado a agir dessa forma, renegando-a, ou Inanna, teria cortado-lhe a garganta, assim que fugiu da Dimensão prisional, junto com os demônios que enganaram as princesas e os príncipes do Caos. 

    _Então recebeu o meu pedido de desculpas. 

    _Sim, e eu aceitei. Você é minha irmã, sempre vai ser. _Posso até ser Vick. Mas te salvei por compaixão, e não pelo babaca do nosso pai. 

    _Devia pegar menos pesado com ele Izzy. 

    _Primeiro só Azazel me chama de Izzy. Segundo Você lembra o quê aconteceu no Madison. Ele me chamou lá para ser humilhada e rebaixada a serva! 

    _Primeiro Tô nem aí. É Izzy e ponto. Segundo já parou para se perguntar por quê ele fez isso? 

    _Porquê não o amei o suficiente e era indigna. 

    Ele mesmo disse. 

    Ela revira os olhos, e a dama lhe entrega o celular, na página oficial do site do pai.  “Leia a carta, Ao fruto do meu grande amor 19/08/2020.” Ela respira fundo apontando o dedo para onde a bela deve clicar. Isabelle se mostra relutante, mas Victória lhe dá, Insistindo para que o faça. “Ao contrário do quê ele disse a mídia, não foi um single barato, para iniciar sua carreira com chave de ouro. “ Diz, então isso desperta a curiosidade da bruxa mais velha do convém.  “Ao fruto do meu grande amor. Me perdoe por te abandonar naquela noite de horror. Você não entenderia, então te deixei ir. Se eu te coroasse como sonhava, não haveria como fugir. Sua mãe é a minha rainha, mas você sempre será minha garotinha. Me perdoe por  ser tão cruel. Mas havia algo terrível por baixo do véu. Seu sorriso, sua esperança. Sempre estarão em minha lembrança. Não podia permitir aquela matança. O relógio se move lentamente. Fazendo com que eu me lamente. Contudo não posso voltar atrás. Os monstros te devorariam no Alcatraz. Então tenho que seguir de coração partido. Sem poder está contigo.” Ao ler a parte “Seu sorriso, sua esperança” Ela fecha o cenho, e se esforça para terminar. Ao ver o seu incômodo,  Victória percebe que há algo errado, e pega o telefone de volta, pronta para abrir o inquérito. 

    _Não basta ter conseguido o topo que sonhei?! 

    Tem que jogar na cara o quanto ele te ama?! 

    _O quê?! Não Izzy. Não é pra mim! 

    _É claro que é, eu quase nunca sorrio ou tenho esperanças! 

    _Mas já teve! E nosso pai se recorda disso! Por favor Izzy! 

    Inanna não é o grande amor do nosso pai! Sua mãe É! 

    _Se isso é verdade, por quê ele pulou a cerca tantas vezes com ela?! 

    _Porquê ela o enfeitiçou! 

    Grita como se revelasse um segredo cruel e obscuro, e Isabelle recobra o fio  da sanidade. Olhando para ela em estado de choque, as duas que estavam em pé,  se sentam na cama, e a mulher com roupas moda caveira começa a chorar sem parar, o quê desperta um pouco de compaixão na irmã que a abraça, lhe acolhendo, e confortando-a, enquanto tenta secar as suas 

    lágrimas. Só que Victória, fica inconsolável, praticamente a beira de um surto, como se a sua vida de pop star, não fosse o paraíso que a professora acreditava  que era. Então pouco a pouco, ela se recompõe, passando a luva na sua face, para limpar o lápis borrado dos cílios inferiores. 

    _O quê tem demais nisso? Todo mundo sabe que Inanna é uma vadia. _Tem que Eu nasci de uma noite de prazer Isabelle. Não de amor , como você! 

    _Mas você disse que Inanna e ele se amavam. 

    _Eu menti. Estava furiosa por como me tratou. A minha vida é uma mentira! Eu sou uma deusa do amor, que literalmente nasceu do testículo do mar! 

    _Todos nós nascemos de um testículo Victória. 

    _Você não entende. Eu sou só o esperma que evoluiu, e Inanna usou para prender o nosso pai, e quando não tive serventia , ela me jogou fora! 

    _Minha nossa Vick. Mas Lilith te acolheu como filha lembra? _É mas eu sempre soube que ela não me amaria como amou a você. Esse tipo de conexão, só se tem através do sangue.  

    _Então por isso fez aquelas coisas terríveis comigo? _Sim. Eu me arrependi depois. Mas era tarde demais, tinha finalmente cumprido com a vontade Inanna, e você já era pura escuridão como eu e Bael. 

    _Se você é tão má assim. Por quê está confessando? _Porquê você é minha irmã! E eu te amo. Lilith me aceitou na casa dela, mas foi você que me criou, não fui justa contigo. 

    _Tudo bem. 

    _Não, não tá. Inanna continua a te odiar, e foi por isso que nosso pai agiu daquela forma. Se ele não te tirasse do caminho dela, ela ia te matar diante todos. 

    _Ela o quê?! 

    _Ela ia te matar. Por isso pai cedeu a entrada na fama pra mim. Como sou filha dela, ela iria adorar me ver ali, no seu lugar. 

    _Então ela desgraçou minha ida ao topo?! 

    _Sim. Mana me perdoa mesmo, sério. 

    _Bom pelo menos me contou. 

    Responde abraçando a irmã, reatando os laços de uma amizade que tinha sido destruída, há 9 anos. Então elas olham para o vazio, como se houvessem outros pecados escondidos. Enquanto isso... Bael sorri, com o seu mais perverso olhar, e o trem finalmente chega a velha cidade  subterrânea, na qual, se estabilizará o novo mundo. 

    Capitulo 7 – A cidade dourada 

    As portas do transporte se abrem, e todos descem outra vez mascarados. Porém o anticristo passa por todos, e é o primeiro a tirar a sua proteção, os deixando de queixo caído. “O homem em sua enorme ignorância, sempre acreditou que está no topo era o quê mais importava. Mas hoje meus queridos, estamos provando o valor das terras do subterrâneo.” O anfitrião abre os braços, com suas caras roupas amarelas, mostrando o paraíso que os aguarda. “Os humanos nunca entenderam, que o quê está acima, é o que está abaixo.” O loiro imita a estátua de Baphomet. “Que a sua morada , pode ser tanto o céu, quanto a terra.” Prossegue, e então olha para a única coruja entre as outras aves, com forte fixação. “Que o amor e o ódio provém da mesma energia.” Segue encurralando a jovem mãe. “E que podem ser convertidos. Portanto aquele que odeia hoje, pode ser a quem venha amar no dia de amanhã.”  Sorri com malevolência, e a bela recua. Percebendo o desconforto da amada, Leviroth resolve acolhê-la, e está o abraça forte, mas seu olhar continua preso a figura do rei do novo, que continua a sorrir confiante. O novo mundo dos escolhidos, é diferente do quê muitos se acostumaram, principalmente os que enriqueceram por obra de Bael. Há uma enorme fonte de água potável no meio da cidade, que é cheia de prédios dourados, que possuem várias tecnologias, as quais a comunidade tem acesso para resolver as suas causas, não importa se são significativas ou fúteis. Um 

    verdadeiro Éden. Ao entrarem no local, cada família é colocada numa casa, de acordo com a quantidade de membros, e dentro desta encontram roupas, comidas, e alguns brinquedos para se distraírem. Só que depois de ser raptada, Isabelle evita o capacete de realidade virtual, e prefere usar o aparelho, no qual reproduz livros. Já Os Miller optam por passar horas, enfrentando um ao outro num jogo de corrida de carro. Victória e Dave ficam num jogo de música, enquanto o par dela assiste TV, e Alexandra , e sua família escolhem vê um filme de terror de possessão.  “Amo Lovecraft.” A mãe de Isandra diz com um sorriso, cruzando as pernas, e balançando o berço de Odin, para mantê-lo dormindo. 

    _Isabelle encontrei seu pai ontem. 

    _O meu pai?! Aquele desgraçado que me renegou?! 

    _Não, o seu outro pai, com compartilha a essência única. _Ah o outro desgraçado que me renegou. O quê tem ele? 

    _Ele falou que o Anticristo está focado em ti. _É, eu sei, o fato de Odin ter o nosso DNA, me deixou bem desconfiada. Mas não acho que sou o Foco dele. 

    _Você é. Ele deixou claro para mim também. 

    _Eu não entendo o porquê de tudo isso. 

    Sou só uma professora de biologia. 

    _Eu entendo. Ele acha que você é Luciféria. 

    _E eu sou. Só que o quê isso tem a ver? _Não, não é. Tem o sangue e a essência, parte da forma, mas não é ela. 

    _Então eu não sou a princesa mesmo? 

    _É claro que é Izzy. Mas vocês tem personalidades diferentes, e não é só isso... 

    O marido respira fundo, lutando contra o seu ciúme, que quer o dominar, como um dono domina o seu animal. As imagens da sua amada ruiva nos braços de Bael, lhe vem a mente, e os seus dentes rangem sem parar, enquanto ele treme de raiva. A dama fecha o livro, e o coloca na cadeira branca. Suas mãos tocam o rosto do  amado, que retorna para a realidade, e a encara tomado pelo medo,  e a tristeza. 

    _O quê está havendo meu amor? 

    _Você lembra que sempre me disse que tinha um ser obscuro  dentro de ti, que você mantinha enjaulado no fundo da sua mente.  Porquê se saísse iria ferir os que ama? Sem dó ou piedade,  exatamente como a deusa descrita por Crowley? 

    _Sim é claro. Por quê? 

    _Você é mais que Koré, é Babalon também. _Aquela criatura arrogante e cheia de si?! Impossível. Eu sofro de depressão por ter Pouco amor próprio. 

    _É uma longa história. Mas em resumo você e Bael estiveram juntos, sim exatamente como desconfiava. Por isso teve os pesadelos em que se envolvia com o Anticristo. 

    _Por quê não me confirmou antes? 

    _Estávamos em crise, e eu achei que iria preferir a ele. 

    _Leviroth está inseguro? 

    _É claro que estou. Tudo o quê gosta, é baseado nele. 

    _Isso não é verdade. 

    _Você mesma disse uma vez. Há diferenças entre Lúcifer e o Diabo, e eu amo mais o Diabo do quê a Lúcifer. 

    _Você leu minhas mensagens para Victória?! _Eu sempre leio. Não tem por quê ficar surpresa, fez  a mesma coisa comigo. 

    _É, eu fiz. Só me preocupo que não confie em mim. 

    _Eu confio. Só que temia que ele fosse te procurar. 

    As mãos dele continuam a tremer, e a bela as segura. No começo ele se mostra relutante, mas ela é firme no ato. É difícil ver o demônio chorar, só que está claro  que aquilo o assusta, e que as lágrimas querem sair. Por isso ela o abraça forte, e este acaba se deixando retribuir, apertando-a forte contra o seu peito,  como se aquilo pudesse impedir a sua separação. 

    _Eu estou aqui B. 

    _É, mas por quanto tempo? 

    _Eu sempre vou está aqui. 

    _E se um dia sentir algo por ele outra vez? 

    _Eu arranco meu coração, e faço uma lavagem cerebral , para ficar somente amando você. 

    _Não. Isso não. 

    _Eu te amo muito. Não precisa se preocupar certo? 

    _Eu também te amo muito. 

    Eles olham um para o outro, e então como duas serpentes, inclinam a cabeça para frente, encostando os seus lábios um no outro. Como se quisessem algo mais, então os seus olhares transmitem mensagens, e eles se beijam fervorosamente. O demônio a  pega em seus braços, carregando-a para o quarto, no momento que suas línguas se enrolam uma na outra. A mão máscula tranca a porta, a dama tira sua roupa, e ele também. Como uma fera, ele fica por cima dela, mordendo seu pescoço com ferocidade, enquanto seus dedos agarram as costas femininas. Arrancando-lhe fortes gemidos, sem sequer começarem. Porém quando as coisas vão esquentando, os olhos da bela se tornam reptilianos, e esta sente muito desejo por sangue. Percebendo que há algo errado, o marido para com os estímulos, e com a unha arranha o pescoço, permitindo-a beber da sua vida. 

    _Não. Eu posso não ter controle. 

    _Eu sou um demônio. Me curo rápido. 

    _Tem certeza disso? 

    _Tenho. Pode se alimentar de mim, assim não precisará ir atrás do meu irmão. 

    Ele diz e a sua companheira, o ataca, sugando sua energia com tanta sede, que  parecia está no deserto. Ele sorri, contudo percebe que ela não vai parar, e a afasta. Os olhos deles se encontram, nos dela há fome, e no dele receio. Por isso esta salta pela janela, e o deixa para trás. Os seus sentidos ficam apurados, ela segue o cheiro  de sangue, vendo as cores da aura de cada um, enquanto tudo vibra ao seu redor. Um rapaz se encaminha para um dos becos do local, e ela o segue, com as mãos para trás expondo as suas garras. Bael percebe que está fora de controle , e vai ao seu encontro. O jovem tenta gritar, só que ela arrancou a sua língua fora, e está prestes a devorá-lo. Vendo aquela cena, ele sorri com crueldade, e estala o dedo, reconstruindo a língua do garoto, que está aterrorizado. 

    _Você pode falar outra vez. 

    _Ela, ela me perseguiu. 

    _Eu sei. Mas se não quiser voltar a ficar mudo, não conte a ninguém o quê viu. 

    _Está bem. Eu, eu só quero ir pra casa. 

    _O caminho é livre. 

    Isabelle respira fundo no canto, tremendo, como se estivesse doente. Seus olhos mudam de cor, e alternam entre draconianos e normais. Os dentes se tornam afiados , e os caninos pontudos. O loiro se aproxima lentamente, e ela se afasta, mas está fraca, e ele sabe disso. A unha do seu dedo indicador cresce como uma lâmina, e ele faz o mesmo que Leviroth, porém em vez de arranhar o pescoço, ele fura o lábio inferior, e a segura contra a parede, deixando o liquido pingar na sua blusa branca. 

    _Eu não vou. 

    _Vai morrer de fome assim. 

    _Eu já bebi o sangue de Leviroth. 

    _Ele é um Demônio mas não é um Deus. Não tem sangue  suficiente para alimentar uma Deusa. 

    _O quê você quer? Eu não sou Babalon! 

    _Quem te falou isso? 

    O anticristo fica desconfiado da afirmação, e ela vira o rosto para o lado, evitando olhar para as gotas vermelhas. Só que ele passa o dedo no ferimento, e coloca entre os seus dentes, fazendo-a chorar, por ter que lutar contra o seu desejo. “Eu vou matar todos no seu reino.” O ameaça, e ele ri do seu desespero. “Será julgada, e morta, pois não há necessidade de matar alguém por alimento, quando eu sou uma fonte  inesgotável.” Ele responde em voz baixa, aproximando-se  dela. 

    _Eu não tenho medo da morte esqueceu? 

    _Deveria ter, pois se perder a consciência posso te fazer minha. 

    _Você não...Necrofilia sério?! 

    _Hahaha, Embora a ideia me agrade bastante, não é isso que quero dizer.  

    _Então? 

    _Eu vou lavar a sua mente, para que me ame. Mais ainda. 

    _Eu não te amo. 

    _Será que não mesmo? Sempre soube quem era o Diabo, e quem era Lúcifer, mas seguiu me cultuando. 

    _Eu não achava que você era real. Acreditava que era só uma ideia da minha mente perturbada. 

    _É? Mas eu sou, e sim eu te quero. 

    _Eu não sou mais uma das suas mil garotas. Aliás eu não acredito nas suas palavras, pois como o seu nome diz, é “O caluniador”. 

    Ela lhe dá as costas, e ele ri. De repente a pega nos braços, e segura seu pulso contra a parede, respirando pela boca, perto da boca dela, enquanto esta absorve o aroma do sangue, lutando para não beber da nascente em seu corpo. Gargalhadas histéricas se fazem presentes, e a sombra do demônio da dimensão do caos se desfaz, e refaz diante do seu inimigo, o afastando da sua amada. Ao receber o golpe de Leviroth, o ser de amarelo fica surpreso, só que não desiste, e voltar a ficar de pé, pronto para lutar, no entanto o marido joga a mão para trás, e exibe a lâmina do seu punhal, como se estivesse pronto para matá-lo, algo que é cômico para o rival. 

    _Acha mesmo que pode me matar? Eu sou Deus! 

    _Não, nunca pensei nisso. Mas sei que posso te ferir bastante. _Será que pode? Só conseguiu alguma coisa, porquê eu estava inerte no olhar da sua mulher. 

    _Eu sempre fui melhor na batalha do quê você irmão, por isso não precisei roubar o poder de nosso avô, para ser um Deus. 

    _Você é apenas um demônio, um demônio bastardo! 

    _Somos gêmeos,idiota. Se eu sou bastardo, você também é. 

    _Eu sou o ser supremo do universo. O alfa e o ômega. 

    O principio e o fim. O nada e o tudo. 

    _Nascido da prostituta de Lúcifer. Tal como eu. 

    _Você quer desaparecer para sempre? 

    _Isso só seria possível se não fosse um fracassado. 

    Então tenta filhinho de Inanna, tenta. 

    O demônio ri, com crueldade, e o diabo perde a cabeça, e vai para cima dele. 

    “O seu problema Bael, é achar que uma chama roubada te faz digno! Você é só Lixo!” Ele provoca, acertando golpes violentos no seu irmão mais novo, e tirando sangue deste com facilidade. “Você queria oferecer o seu sangue pra ela !? Que tal eu ajudar um pouco?!” O demônio corta o pescoço do diabo, e inclina a sua cabeça, em cima da bela, que estava sentada no piso assistindo  a luta. “Ele é uma fonte inesgotável amor. Pode beber.” A dama olha para o marido assustada. “Beba. Sei que está com sede.” Ele olha para o outro lado, e a moça salta para o pescoço do anticristo, lambendo cada gota rubra que sai do seu corte, enquanto este se debate sem parar, mas não consegue escapar do seu ataque faminto. “Eu era conhecido como o clone de Lúcifer. Mas não  era por um senso de justiça distorcido...” Ergue o queixo dele, fazendo-o olhar para cima. “Mas sim porquê tal como Samael. Eu ceifei muitas almas, sem dó , ou piedade, e antes de matar as torturei por dias.” Ele diz no ouvido do inimigo, enquanto a esposa se alimenta. “Nunca se esqueça disso,  ou volte a cercar a minha amada.” Diz entredentes. “Você tirou a Luciféria de mim uma vez, porém não deixarei que tire também a Isabelle.” Ele percebe que a dama se saciou, e o arremessa contra a parede. Percebendo que está em desvantagem, o diabo olha para a dama, e o seu irmão, e desaparece , deixando um rastro de fumaça negra. Benner está bufando de  raiva, contudo abraça a sua companheira. “Eu disse uma vez que te deixaria ir se quisesse ser feliz com outro, mas a verdade é que não posso Isabelle. Não quero, te deixar partir.” Ele confessa, e a jovem o beija com a boca toda suja de vermelho. Ele não resiste, e retribui ao beijo com fervor, carregando-a em seus braços. A adrenalina que percorre o seu corpo, lhe faz  tirar a blusa rapidamente. Então se faz ser colocada no piso, para abrir-lhe a calça, e encher sua boca com o membro pulsante dele, que está rígido e duro. 

    Ele não consegue aguentar, e solta gemidos, ao sentir a saliva dela escorrendo por seu símbolo fálico. Toda aquela situação de guerra e morte, os deixa bem excitados. Por isso escorre o liquido de prazer, no meio das pernas dela, e cai no chão. Notando o quanto está molhada, ele a levanta, e a joga na parede, pronto para penetrá-la. Ela respira ofegante, e então o sente entrando no seu corpo encharcado, tornando-se um só com ela. A boca dele vai até o seu pescoço, fazendo-a revirar os olhos de prazer, enquanto ele aperta  o seu seio, e a agarra pela cintura. A sua costa dói por conta dos tijolos, só que em vez de parar, ela o arranha nas costas, e morde a sua jugular, afundando sua unha na pele dele, ao ponto de sangrar. Só que ele gosta da dor, e retribui lhe pegando pelo pescoço com força, sorrindo com maldade, ao ter noção do seu poder. Logo a vira de costas, e esta se empina. Ele entra em seu corpo outra vez, segurando as suas mãos na parede. Outra vez a boca dele vai para o seu pescoço, só que a pega pelo cabelo e lhe morde na nuca, deixando-a bastante excitada com tanta violência. As mãos dele pegam os seus seios, e seus dedos se entrelaçam aos dela. Eles gemem, gemem sem parar. Outra vez ela vira para ele, só que em vez dela descer 

    , ele quem o faz. De joelhos como um escravo, ele bebe do seu leite feminino , beijando-a entre as pernas, como se estivesse fazendo isso com a sua boca. É impossível não sentir prazer, por isso mais e mais quantidades do liquido cor de pérola, chegam a sua língua, enquanto as bochechas dela ficam  coradas, pela falta de pudor. Notando que ela está mole de tanto gozar, ele ri, e sinaliza negativamente, com o dedo indicador, e volta a prensá-la na parede, mergulhando seu membro no buraco carnoso, com vontade, até que não suporta mais segurar o prazer, e jorra seu liquido branco contra o solo. Regorjeando-se de satisfação. _Eu devia tentar matar o Bael mais vezes. _Você sabe que sempre amei os psicóticos  com tendências assassinas. 

    _É, por isso se casou comigo. 

    _E continuarei para resto da vida. 

    _Eu te amo Izzy. 

    _Também te amo B. 

    Os dois se abraçam, e então colocam as suas roupas de volta. Nem os mais de 9  anos de casados, havia apagado o fogo da sua relação. Eles dão as mãos, e caminham risonhos como dois adolescentes pelo centro. Ao vê-los Victória deixa Dave com o marido, e vai até o casal, curiosa para saber, porquê Isabelle estava com a boca toda suja do liquido vital. A bela identifica o olhar observador da amiga, e se afasta de 

    Benner. As duas caminham para uma maloca abandonada, e se sentam na mesa que está no meio do local. Victória capta que algo aconteceu, por conta dos lábios vermelhos, e as machas na blusa branca de Isabelle, e por isso inicia a conversa apontando para os seus seios. 

    _Você matou alguém? 

    _Não. Mas foi por pouco. 

    _Você machucou alguém?! 

    _Sim, só que Bael ajudou a pessoa a se curar. 

    _Mas você saiu toda feliz com o Benner. 

    Então Bael não conseguiu nada. 

    _Sim. Só que também foi por bem pouco. 

    _Pode me contar tudo. 

    _Bael me fez uma bebedora de sangue... 

    Isabelle começa a narrar os fatos para Victória, que fica de queixo caído  porquê o seu sonho era se tornar vampira, e quem tinha se tornado era a sua  amiga. Já o sonho de Isabelle era ser famosa, mas quem se tornou foi ela. “Que  mundo injusto” Ela sorri com tristeza, e a professora lhe olha desconfiada. “Vic? 

    Tem algo errado?” segura as suas mãos, e a dama sorri com tristeza. “Não, Está tudo bem.” Tenta mentir, só que não consegue, e por isso a mulher volta a lhe questionar. “Está tudo bem?” Insiste, e a bela se segura para não sorrir, e negar os fatos outra vez. 

    _Você percebeu. 

    _É. Você ficou triste do nada. 

    _É que Isabelle, este era o meu sonho lembra? _Sim mana, mas também era o meu ser famosa, e ter muitos seguidores. Só quem conseguiu foi você. 

    _É. Isso é tão injusto quanto você disse que seria uma vez. 

    _Você está com raiva de mim? 

    _Não Isabelle. Estou triste. Por quê não conseguimos realizar os nossos sonhos? 

    _Porquê nossos destinos eram esses. Mas Vic nem sabemos se sou uma vampira, é provável que eu seja outra coisa. Ser uma criatura da noite, atrapalharia aos planos de Bael. 

    _Não, quando todos vivem na cidade subterrânea. 

    _Tenho que concordar. Porém te prometo uma coisa, se eu for uma vampira mesmo vou te transformar também. 

    _Por quê faria isso? Eu sou uma estrela, e nunca te puxei para o palco. _Porquê ser vampira, já foi um dos meus sonhos, e creio que no novo mundo, eu realizarei os outros. 

    _Você merece irmã. Apesar de dizer que tem trevas profundas, sempre foi uma pessoa maravilhosa. 

    _É, ser boa, sempre foi a minha maior fraqueza. 

    _Pra mim não. Esta é a sua qualidade, boa na medida certa. 

    Ao longe o diabo quebra todos os seus objetos dentro do escritório, entregando-se aos seus instintos mais primitivos. “Maldito seja!” Berra destruindo tudo ao seu redor, recordando-se de que ficou a segundos de ter o quê ele queria. “Por muito pouco ela não foi minha!” Brada socando a mesa de pedra negra, e volta a razão. “Por muito  pouco...” Se acalma, e começa a alegrar-se. “Eu só preciso criar uma situação, e ela será minha.” Seus olhos se tornam obsessivos. “Um beijo. Isso vai confundir o seu coração.” Conclui confiante da aposta. “Um beijo, e ela voltará a ser a minha Babalon.” Ele prossegue, e então ajeita os fios do seu rabo de cavalo desgrenhado, amarrando-o outra vez. “Uma festa em homenagem a Dionísio deve funcionar.” Termina, bebendo Whisky da boca do copo quebrado. Com o olhar fixo  no seu grande  objetivo Recuperar Luciféria. 

    A noite... Todos são convocados ao baile do anticristo, sob pena de perderem suas  moradias, caso não o prestigiem por uma hora. Outra vez Isabelle recebe a máscara de coruja, e ela e Leviroth se entreolham com a certeza de quem veio aquele presente, por isso trocam a fantasia, e vão para a festividade. Ao chegar lá, eles se separam por alguns minutos, para que o demônio vá comprar bebidas, mas a fila no bar é enorme, e demora mais que o esperado. Um homem de máscara 

    negra, a puxa para dançar, e pela ousadia ela o  reconhece. 

    _Achou que eu não ia te reconhecer? 

    _Você quer levar outra surra?  _Não me importo em apanhar mil vezes, se tiver a chance de ficar na sua companhia. 

    _Eu tenho mais o quê fazer. Licença. 

    _Do quê tem medo? 

    _Medo? Eu não tenho medo. 

    Tenho pavor. Agora... 

    _É só um beijo Isabelle Caligari. Nada que não queira vai acontecer. 

    _Vê isso? Significa que sou casada. 

    _Isso é só um circulo envolta do seu dedo. Eu ergui estátuas gigantescas, para te mostrar ao mundo. 

    _Esse é o seu problema. Acha que exagerando, pode conseguir alguma coisa. 

    _Eu sempre consegui, ou nunca sentiu falta de  

    ter todos os seus caprichos realizados? _Eu senti. Mas o Leviroth me ensinou, que são as pequenas coisas que fazem o amor. _É uma pena, pois eu adorava te exaltar, e te fazer ser reconhecida. 

    Ele aproxima os lábios dos seus, e os olhos dela crescem por baixo da máscara. Lentamente nega com a cabeça, tentando escapar da sua investida. O dedo dele segura o seu queixo, e a mão a segura por trás. “Cadê o seu príncipe sombrio para te socorrer?” Ele brinca apertando-a, e aproximando-a do seu peito. Os braços da pobre se esticam, e ela fecha os olhos com medo do quê vai acontecer. “Não  resista.” Ele tira as suas mãos do ombro, e a deixa bem perto dele. “Não faça isso.” Os lábios imploram. “Quietinha. Nós dois sabemos.” A unha dele cresce. “Que se o seu marido não interrompesse...” Corta o meio dos lábios inferiores. “Você teria me beijado...” Diminui ainda mais a distância da boca, e ela sente  a sua respiração. “E gostado.” Completa, beijando-a. É claro que ela não quer lhe  dá o gosto da vitória, mas o sabor do sangue, altera os seus sentidos, e faz sugá-lo como um animal faminto. Ele ri, e se aproveita da situação, para colocar a sua língua cheia do liquido vital, para trabalhar. Outra vez é difícil resistir, há uma luta no começo, que termina em retribuição. Porém Victória vê a cena, e corre para separá-los. Fazendo algum esforço, ela os afasta. 

    _Fica longe da minha irmã! 

    _Eu até vou ficar. Mas garanto que Ela não vai querer isso. 

    _Vai embora Bael. 

    _Viu? Ela mandou!  

    _É assim? Depois de praticamente arrancar  o meu ar, com o seu beijo cheio de volúpia? 

    _Eu vou te matar! 

    _Saia. Antes que Leviroth volte. _Está bem. Aguardo a sua ligação para uma parte 2 desse momento. 

    _Só nos seus sonhos! 

    _... 

    _Lá também.  

    Ele gargalha indo embora todo vitorioso. Victória pede para que saiam, e ela envia uma mensagem ao marido, avisando que estarão num local mais tranquilo. Ao ver a SMS, ele sorri encantado, mas sua paz vai embora, ao ver quem chegou exibindo os dentes com felicidade. “Eu quero uma dose do seu melhor Whisky. E uma rodada de bebida para todos!” Berra, e os alcóolatras comemoram. Vendo o irmão  no canto, ele se aproxima cheio de arrogância, e este revira os olhos. 

    _Olá irmãozinho. 

    _E aí. 

    _Sabe por quê estou tão feliz? 

    _Por coisas boas, não deve ser. 

    _É. Mas o quê não é bom pra você, é ótimo  pra mim. 

    _Eu sei. 

    _Sabe? 

    _Quem você acha que avisou a Victória? _Então também deve saber que sua mulherzinha, estava pegando fogo em meus braços. 

    _Porquê você se cortou? Engraçado. Nunca precisei jogar tão baixo para seduzi-la. Sabe por quê? Porquê sou um homem de verdade , sei como encantar uma mulher. Fica na paz “irmãozinho”. 

    Ele sai aparentemente por cima, contudo basta sair da frente dos olhares curiosos, para deixar a máscara cair, está triste, e até magoado. “Não vou tomar outra decisão estúpida, deve ter havido uma razão. Ela pode realmente só ter tido abstinência de sangue.” Pensa ao caminhar pelo local, evitando as piscadas, das biscates que 

    aparecem no caminho. As damas pousam seus braços no apoio, e olham para o fundo abismo. Como se estivessem em silêncio a horas, respiram profundamente. Isabelle está trêmula, e envergonhada pelo aconteceu, e a irmã está receosa, como se já tivesse visto este filme antes, e não quisesse reiniciar a fita. “Bel. Eu não vou te julgar só quero te advertir, essa história não tem um 

    final feliz. Ele não é diferente de Gabriel.” Inicia, e ela fica calada,  procurando uma resposta. 

    _Eu não sinto nada por Bael. 

    _Depois daquele beijo cheio de volúpia?! Tá zoando! _Tá. Foi uma atração momentânea pelo sangue dele. 

    _Só o sangue? Porquê parecia que a sua língua estava na goela dele. 

    _Já chega Vic. Nem eu sei o quê aconteceu certo?! Também queria entender! 

    _Você não saboreou o momento? 

    _Meu deus não! Talvez... um pouco! 

    _Você tá confusa Isabelle! Igual a mim. 

    Quando beijei o Gabriel! 

    _É! Mas a diferença é que não quero casar e ter filhos com ele! Eu sou casada Vic! Isso nunca deveria ter acontecido! 

    _Você tem que evitar o Bael tá? 

    Depois do beijo as coisas só pioram. _Tudo bem, eu não pretendo ficar perto dele. 

    Garante, mas no dia seguinte, enquanto todos estão dormindo em seus quartos. 

    Ela envia uma mensagem para ele, e este deixa claro que só lhe dará uma resposta , se for vê-lo, em um jardim distante da cidade. Algo que ela se reluta a fazer, até ele jurar por escrito, que não fará nada com ela. Preocupada pelo quê possa acontecer entre eles, ela escreve uma carta, porém quando a deixa na mesa,  o seu marido acorda, e percebe algo errado. Por isso pega o seu celular, e olha a conversa que ela está tendo com o seu irmão. “É sério isso Isabelle? Esta bem na cara que ele quer bem mais que um beijo.” Ele diz empurrando o aparelho. “Eu preciso entender Leviroth.” Ela se arruma para sair. “A última vez que ficou dividida, 

    houveram graves consequências. Só não esqueça disso.” Ele lhe 

    dá as costas, e a bela sai. Ao chegar no local, ela fica em pânico, pois a estátua de anjo, e a iluminação é semelhante aos seus sonhos com o anticristo, e todos eles tinham algum contexto romântico. Ela respira fundo, está vazio. “Talvez ele só esteja me testando, e...” Ele chega, com o cabelo desgrenhado, e um sorriso totalmente sem vergonha. “A noite deve ser sido boa.” Brinca com desgosto. “Tenho uma reputação a zelar.” Ele rebate, e se sentam perto um do outro na fonte. 

    _Vamos ser bem diretos ok? 

    _Eu sempre sou Isabelle. 

    _Isso tem que parar. Eu sou casada e respeito  muito o meu marido. 

    _Engraçado. Quando era eu o marido, você não tinha piedade de mim. 

    _Eu não te amava, e você me traiu antes, ou se já se esqueceu das doces noites  com Aggarath? 

    _Não, não esqueci, mas isso só aconteceu por  culpa do seu desprezo. 

    _Hahaha' Essa é boa. Você é o  cafajeste, e eu que levo a culpa? 

    _Tem razão. É idiota. Já aconteceu, mas não muda o fato de que esteve casada comigo. _É, quando descobri fiquei me perguntando como pude ser tão idiota. 

    _Já chega. Assim você vai acabar tirando a roupa, e eu não vou resistir. 

    _Eu vou é te esganar. Não está me escutando? 

    Eu não quero isso. O passado morreu certo?! 

    _Estou, só não quero ouvir.  

    _Foi uma total perda de tempo. Até mais. 

    Ela se levanta para ir embora, só que ele segura o seu pulso,  e fica de pé diante dela, sem o comum semblante zombeteiro. O quê a deixa bem preocupada, pois o quê quer que venha a dizer, é algo sério. “Eu não quero ouvir porquê também estou confuso.” Diz em forma de confissão, apertando o seu braço para não deixá-la se mover. Seus olhos denotam tristeza, e por alguma razão, isso lhe desperta um pouco de compaixão, e ela resolve esperar por sua explicação. Eles  retornam para a fonte, e ele passa a mão nos cabelos, cobrindo a sua face. 

    _Eu sei que sou um babaca. “Imperador dos  Babacas” pra você. 

    _Victória te disse isso?! 

    _Eu te vigio Isabelle. Sei o quê fala de mim. _E quer se vingar fazendo eu me apaixonar, só porquê disse que não seria uma das mil, que acreditam nos seus falsos “eu te amos"? 

    _Não. Eu não me importo com o quê diz. _Então porquê tudo isso? Eu briguei com Leviroth pra está aqui. Preciso saber. 

    _De verdade? Eu só sinto a falta da minha Amada. 

    _É. Eu não sou aquela prostituta fria! _Esse é apenas um rótulo, que você recebeu por ser uma criatura livre de amarras. 

    _Bael. Eu sei que quer me matar, para trazer ela de volta, mas não é justo comigo. Eu não sou mais 

    Luciféria, nem Babalon, Hell, ou qualquer outra Deusa. Sou apenas Isabelle, mas eu sinto, e isso me assusta. 

    _Eu não tenho a intenção de te matar. Se fosse como  diz, já teria morrido. Sinto algo por ti, sendo Babalon  ou Isabelle.  

    _Não pode. Terá que viver com isso. 

    Nem tudo pode ser seu. 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • O Vaso de Pandora

    ...
         Lá estava eu, com meu grupo de amigos de sempre. Mal podia acreditar que estávamos a caminho de uma expedição de verdade, assim eu imaginava. Eu estava até me sentindo parte do scooby doo, e passei a nos enxergar daquela forma, afinal estávamos em cinco pessoas, duas meninas e três meninos, mas sem o cachorro. Era empolgação ao máximo. Chegamos a tal caverna que nos indicaram, onde haviam ruinas. Mal entramos e já encontramos o tal objeto que nos pediram pra buscar. Certos de que seríamos perseguidos, decidimos nos separar, afinal não queríamos que o grupo inimigo nos achasse. Pelo menos, tínhamos a vantagem de que ninguem do outro grupo nos conhecia. Mas a desvantagem de não sabermos quem eram do outro, ou quantos seriam. Saímos da caverna, pegamos nossas bicicletas, e pedalamos pela estrada de chão até chegarmos no cemitério dos ricos. Foi aí que a história complicou...
         Um outro grupo de garotos passou por nós, indo na direção da caverna. Claro que eles chegariam lá, não encontrariam o objeto e viriam atrás da gente. Será que ele prestaram atenção em nós, nos nossos rostos? Assim que eles passaram nos dividimos em duas equipes, para ter a chance de despistar os quem quer que nos seguisse. Uma equipe daria a volta por fora da cidade, enquanto a nossa iria por dentro da cidade. Por sorte (ou azar), eu fiquei com o tal objeto. Pus na mochila e seguimos caminho, tentando planejar o que fazer caso fossemos parados ou perseguidos.
       Já estava começando a anoitecer quando estavamos chegando perto do centro, nossas três bicicletas quebraram e tivemos que ir caminhando. Legal, uma desvantagem caso os outros garotos inimigos aparecessem aparecessem. Chegamos no bairro próximo ao centro da cidade, e passamos a ter mais cuidado, já que estavámos chegando até quem no "contratou". Mas um medo grande nos invediu, como saberíamos quem era nossos inimigos? E como saber quantos eram? Quantos outros garotos foram convocados para esse serviço? Nos aproximamos de um grupo de garotos e garotas amontoados numa esquina, conversando, escutando funk, alguns até fumavam. Eles nos acompanhavam com um olhar de pura voracidade, mas porque fugir se eles não sabiam quem éramos e o que tínhamos na mochila?
        Alguns deles usavam fantasias de heróis de quadrinho, máscaras ou capas, um tanto exagerado, mas quem liga pra esses moleques que pareciam deliquentes e não filhinhos de papai? Passamos por eles tentando manter nossa postura, dobramos a esquina e entramos no primeiro bar que vimos. Um bando de adolescentes no meio de bêbados e mulheres velhas tentando a sorte com algum cara que tivesse 100 reais sobrando na carteira. A caminhada até ali foi longa, mas ainda faltava um grande trecho até o centro da cidade. Pensamos em descansar um pouco e tomar algum refrigerante, mas só foi nos sentarmos a mesa que os garotos da esquina se aproximaram. O cheiro estonteante de cigarro em suas bocas dava nausêas. Eles nos perguntaram da onde estávamos vindo e para onde estávamos indo, e a única garota da nossa equipe respondeu a eles. Por sorte eles engoliram a mentira dela e nos deixaram em paz.
        No entanto, o medo começou a falar mais alto. Assim que os garotos esquisitos saíram do bar e se afastaram, nós nos levantamos e tentamos seguir nosso rumo sem chamar atenção. Mas é claro que não deu certo, os garotos notaram que saímos com pressa e começaram a nos perseguir. Nós três corremos bairro adentro, nos separando. A maioria deles foi atrás da garota, enquanto apenas uma das meninas inimigas me seguiu. Agarrei a mochila, corri o mais rápido que pude e tentei despista-la pulando para dentro do muro de uma das casas. Achei que tinha escapado dela, mas não demorou muito tempo para que ela também pulasse o muro e viesse na minha direção segurando uma faca.
        Trocamos xigamentos, lutamos pelo jardim dos fundos da casa, dando tapas ou arremessando objetos um no outro, até que consegui derrubá-la no chão e torcer sua perna. Pensando em dificultar mais ainda a vida dela e evitar que ela conseguisse vir atrás de mim, a arrastei para dentro da piscina que tinha ali. A piscina era funda e a garota mau conseguia se manter na superfície. Ela começou a gritar enfurecida, o que chamou a atenção de alguém de dentro da casa. As luzes do jardim acenderam enquanto corri para o muro, subi nele e observei por um momento o que iria acontecer. Uma mulher loira de meia idade saiu da casa e foi caminhando lentamente e incrédula em direção a piscina. A garota gritava pedindo ajuda para tirá-la da piscina, reclamando da dor na perna. A mulher se ajoelhou na borda, chorando baixinho e começou a acariciar a cabeça da garota. Ela pedia desculpas para a garota enquanto a coitada lutava para conseguir se manter na borda, ela mau conseguia bater as pernas. Foi quando a mulher, em meio a lágrimas, tirou as mãos da garota da borda da piscina, e com uma das mãos empurrou a cabeça dela para debaixo da água. A garota se debateu por uns minutos até que parou em meio a bolhas de ar que saiam de sua boca. A mulher soltou sua cabeça e deixou seu corpo flutuar na piscina. Ela se levantou, limpou as lágrimas, olhou para o céu e gritou "EU NÃO TIVE CULPA FILHA, AGORA ME DEIXE EM PAZ!". Ela entrou na casa e eu desci do muro em choque. Andei pela rua, ainda visualizando a cena na minha mente, encontrei um canto escuro em meio a duas casa e me sentei no chão.
       Tudo isso por causa desse objeto? Esse vaso de cerâmica antigo? O que ele tem de tão especial? Abri a tampa do vaso procurando algo valioso, e com o pensamento ainda naquela cena que acabará de ver. Porque aquela mulher fez aquilo? Enterrei minha cabeça dentro do vaso e comecei a chorar, mas eu não estava mais vendo o interior do vaso, e sim a piscina numa visão de dentro da casa. Um par de mãos limpou minhas lágrimas, e fui para uma sala onde havia uma outra mulher igual a que assassinou a garota na piscina e mais duas meninas assistindo TV. Parei no corredor e me olhei no espelho, eu estava vendo pelos olhos da mulher assassina. Podia ver, podia ouvir, podia sentir tudo o que ela sentia. Ela estava magoada de ter visto o fantasma de sua filha afogada na piscina, estava confusa e frágil. Ela, eu olhei mais uma vez para piscina e o corpo ainda estava lá, um terror se espalhou pelo seu, meu, nosso corpo. Nós acabamos de matar uma garota inocente.
        Eu, ela, nós não estávamos pensando direito, agimos por impulso. Chamamos uma das meninas que estava na casa, filha da outra mulher, e a levamos para a piscina. Eu, ela, nós a afogamos também, afinal sabiámos que a culpa disso tudo foi da nossa irmã gêmea. Ela tinha que pagar pelo que fez com minha filha, ela tinha que perder uma de suas filhas também, ela precisava sentir o que eu, ela, nós sentimos. Mas não era o suficiente, não mesmo. Pegamos uma faca que estava jogada no chão perto da piscina, chamamos nossa irmã e mostramos sua filha afogada, ao lado de uma outra garota desconhecida, ambas boiando sem vida. Enquanto nossa irmã estava ajoelhada chorando sua perda, só me aproximei dela, puxei sua cabeça para cima e passei a faca na sua garganta com uma dor no peito e uma raiva muito grande. Fiquei assistindo seu sangue jorrar e se misturar na água da piscina, seu olhar ficar vazio aos poucos, sua tentativa inútil de tentar conter o sangue com as mãos. A empurrei para dentro da água para fazer companhia da sua filha favorita, nos levantamos com lágrimas nos olhos, lavamos as mãos, jogamos a faca na água, entramos na casa, pegamos nossa sobrinha querida restante e fomos embora com pensamento que agora tudo ficaria bem.
    O vaso saiu do meu rosto e mal pude ver o céu em meio as lágrimas.
  • Olhos vidrados

    - Volte aqui seu irresponsável!- Lucas correu o mais depressa que pôde. Atrás dele, o padrasto, armado de faca e com os olhos injetados de sangue e fúria. No rosto gotículas de sangue e um sorriso maquiavélico se desenhava fantasmagoricamente. Lucas tremia, respirava com dificuldade e mal sabia o que fazer naquele momento. Como poderia lutar contra aquele monstro se não tinha arma alguma para tal?
    Encaminhou-se para floresta. Esconder-se-ia detrás de árvores e ali esperaria o assassino ir embora. Pobre Lucas, quatorze anos, espinha enfeitando a cara e hormônios a flor da pele. Sonhava com meninas e pensava estudar arquitetura na universidade perto de casa. Mas o destino lhe fora cruel.
    Viu o pai ser assassinado quando tinha cinco anos de idade. De chupeta na boca não compreendeu quando uns homens vestidos de cinza derrubaram a porta de sua casa, tiraram o pai que assistia televisão na sala, o levaram para fora e sem explicações lhe deram três tiros. A mãe, uma dependente química ficou sabendo da notícia, mas lotada de cocaína pouco se importou; Lucas ficou sozinho em casa, chorando, enquanto o pai morto olhava pra ele com os olhos vidrados.
    E não demorou muito tempo para a mãe de Lucas surgir com outro homem. Lucas, agora com sete anos ganharia irmãos e sua vida se transformaria em um verdadeiro inferno. O padrasto, um bebum fedido e ignorante entraria na vida da família para castigar os filhos e espancar a mulher, e ai daquele que ousasse dedurar seus feitos horrendos a polícia.
    Por tantas vezes Lucas tentou fugir. Mas a pedido da mãe o padrasto ia atrás do enteado e o achava, e quando era encontrado levava uma surra, tão forte que o menino ia para escola cheio de hematomas. Como desculpa dizia ter caído em casa, infelizmente para ele todos acreditavam até mesmo os professores.
    Foi até estranho quando o padrasto deixou de beber e por consequência as surras tiveram um basta. Mas não durou muito. Convidado para ir a uma festa, o padrasto bebeu além da conta e ao voltar para casa deu de cara com a mulher cavalgando em cima de outro homem. Enfurecido ele foi embora.
    Ninguém soube durante meses sobre o paradeiro do homem. A mãe continuou dando suas escapadas, e Lucas retomou sua vida normal. Tudo parecia estar em paz, quando padrasto retornou, armado de faca e de fúria. A primeira vítima foi à filha de cinco anos. A menina que ninava a boneca foi atingida com três facadas. Depois foram os dois irmãos, ambos esfaqueados até a morte. Ele pouco se importou com os corpos dos filhos pequenos espalhados pela casa, a filha menor agarrada à boneca o olhava de olhos vidrados, os filhos homens também. E ficou ali, sentado em uma velha cadeira de metal, de pintura descascada, com o olhar perdido no horizonte, enquanto passava a língua pelos lábios; parecia faminto, ávido por vingança.
    - Amélia? Renato? Tadeu? – Era a voz da mãe chamando pelos filhos que não poderiam responder, estavam mortos. Ao notar a presença da esposa o padrasto escondeu-se. De costas ela entrou e logo em seguida pisou em algo estranho, era a cabeça da filha, ao perceber e visualizar tal cena gritou tão forte que pôde ser ouvidos a milhares de quilómetros de distância.
    Como fosse um fantasma o padrasto surgiu, seu rosto estava com sangue e seus olhos injetados de ira olhavam para a mulher.
    - Assassino! – Gritou ela. A voz rouca e o coração despedaçado. De faca em punho ele atacou. Em principio ela conseguiu se desvencilhar, mas foi por pouco tempo. Cada estocada da faca acertava em cheio, fazendo sangue jorrar por todos os lados.
    Lucas chegava da escola em silêncio como sempre fazia, e pela janela ele viu aquilo que nunca na vida desejava ver, toda a família morta. Ficou ali petrificado. O padrasto virou o rosto num instante visualizando Lucas.
    - Vou acabar com a tua raça, seu maldito! – Disse o homem se levantando e partindo atrás do menino.
    Com o coração disparado e tremendo muito ele encontrou forças para fugir. Embrenhou-se entre folhas e arbustos e ali ficaria até o padrasto se cansar. E se ele não ficar esgotado? O que faria? Morreria.
    - Volte aqui seu irresponsável! – Finalmente Lucas e o padrasto estavam um de frente para o outro. O velho sujo de sangue e arma em punho. Lucas abaixado recuava lentamente enquanto seu oponente avançava. Com as mãos tateou a terra e as folhas jogadas no chão na esperança de achar algo que lhe servisse como arma, mas sua busca foi em vão. E a cada passo dado pelo padrasto o corpo de Lucas se contraia.
    Foi quando ele se deu por vencido, fechou os olhos e aguardou pelo pior, sua morte. O padrasto se aproximou e se abaixou e ficou olhando para ele, com a faca ensanguentada acariciou o rosto do menino.
    - Vou te matar! – Falou o velho puxando a faca para o alto.
    - Mate-me então! – Falou o menino com voz firme e decidida.
    De repente Lucas viu a expressão de o padrasto mudar, de outrora um rosto diabólico para uma aparência de medo, ele estava sofrendo um ataque cardíaco. Lucas ficou em pé observando aterrorizado a cena. As mãos do homem ficando fracas deixando a faca cair no solo para desabar em seguida de olhos vidrados.
    FIM!!!
  • Pré-Mentira

    “– Raphael may amech zabi almi – gritou o gigante. – Ó alma tola – respondeu Virgílio – fica com essa tua trompa, que está presa a teu peito, e faze uso dela para descarregar tua raiva! – e depois voltou-se para mim – Ele mesmo se acusa. Ele é Nemrod, o construtor da torre de Babel. Para ele, língua alguma faz sentido, portanto vamos deixá-lo, pois é perda de tempo tentar falar com ele”.
    (Dante Alighieri – A Divina Comédia – Canto XXXI) “
    Ele era o melhor investigador de toda a cidade, conhecido por Cherlóqui, por isso sabia que aquela chamada, em plena madrugada, só podia ser um caso muito sério. Chegou ao local do crime, onde se encontrou com o perito.
    “Qual a história?”
    “Homem, aparentando uns 35 anos de idade, teve a cabeça e os pés arrancados de forma violenta”.
    “Identificação?”
    “Não temos a arcada dentária, pois falta a cabeça”.
    “Arrancaram os pés para torturá-lo, depois deceparam a cabeça para dificultar a identificação?”
    “Não, nossa perícia indica que primeiro arrancaram a cabeça, depois os pés”.
    O investigador procurava compreender por que o assassino arrancaria os pés de uma vítima já morta, não era como se ela pudesse fugir faltando-lhe a cabeça.
    “Além disso, deixaram as mãos, com as digitais perfeitas”.
    O chamaram em plena madrugada para aquilo?A vítima seria facilmente identificada. “Qual o resultado da papiloscopia?”
    “Então, doutor, isso que é o pior?”
    “Não houve identificação?”
    “Sim, duas.”
    “Duas?Isso não é possível, algum erro no procedimento”.
    “Pior que não, doutor, repetimos o procedimento diversas vezes, o resultado é esse mesmo”.
    “Fascinante, a vítima são duas pessoas”.
    “É pior que isso, doutor”.
    “Como assim?”
    “As digitais da mão direita são uma combinação perfeita das minhas digitais.”
    “Do senhor? Mas isso não é possível, o senhor está aqui, vivo, não pode ser a vítima”.
    “Pois é”.
    “E as digitais da mão esquerda?”.
    “São do senhor, combinação perfeita”.
    “Eu?”
    “Sim”.
    “Mas isso não faz sentido, eu estou aqui, vivo”.
    “Pois é, eu também”.
    “Mais alguma prova?”
    “Sim, uma testemunha do crime”.
    “Ótimo, vamos falar com ela”. O perito indicou a um policial que fosse buscar a testemunha.
    “Esse é o corpo de delito mais estranho que já vi, por isso mandei chamar o senhor imediatamente”.
    “Fez muito bem, logo encontraremos a lógica disso tudo”.
    O policial voltou trazendo a testemunha pelo braço.
    “Então o senhor testemunhou o crime?”
    “Não”.
    “Encontrou o corpo?”
    “Também não”.
    “Mas por que está aqui como testemunha?”
    “Melhor dizer ao doutor tudo que você sabe”, disse o policial, sacudindo a testemunha pelo braço”.
    “Eu não sei de nada, estava visitando um amigo em Sapopemba, me pegaram e trouxeram pra cá”
    “Sapopemba?Mas isso é do outro lado da cidade”.
    “Pois é, eu nunca nem estive por esses lados da cidade”
    O investigador se via diante do maior desafio de sua bem sucedida trajetória profissional. Um crime com uma testemunha que não sabia nada do caso, provas periciais que apontavam para vítimas impossíveis, todos os elementos que indicavam uma grande conspiração, envolvendo os figurões mais poderosos da cidade, desmascarados pela lógica apurada do investigador Pauderney de Oliveira, mais conhecido como o Cherlóqui de Guaianazes.
    “Meus caros, estamos diante de um caso fascinante, talvez um dos maiores crimes da história, e digo isso com grande convicção”. Ao ouvir as palavras do grande Cherlóqui, testemunha, policial e perito se estenderam eretos, sentindo-se importantes por fazer parte de um caso de tamanha gravidade.
    “E a arma do crime?”, perguntou o investigador.
    “Mais um embrolho, doutor. Nossa perícia indica que os pés e a cabeça foram arrancados por meio de um cortador de unhas”
    “Cortador de unhas?”
    “Sim, cortador de unhas”.
    “Aquela faquinha que tem no meio, pra tirar sujeira debaixo das unhas?”
    “Pior que nem isso, doutor, foi o cortador de unhas mesmo”.
    “Mas isso não faz sentido. Quanto tempo o assassino ia levar pra cortar uma cabeça com um cortador de unhas?”
    “Pois é”.
    “Aliás, falando em tempo, qual o horário da morte”.
    “Mais um problema, doutor. Rigor mortis indica a hora da morte às 3h”.
    “E qual o problema?”
    “Bom, como foi usado um relógio de ponteiro, não sabemos se é 3 da tarde ou 3 da madrugada”.
    “Como assim?”
    “Pois é, doutor, não faz sentido”.
    Cherlóqui se via diante do maior enigma de sua vida. Um corpo com os pés e a cabeça arrancados por um assassino armado com um cortador de unhas, que o utilizou com grande destreza para mutilar sua vítima, cuja identificação permanece desconhecida. Estava diante de um assassino frio e impiedoso, que certamente agiria de novo. Mas como desvendar esse crime diante da completa ausência de lógica na cena crime?Cherlóqui acendeu seu cachimbo e começou a baforar, enquanto refletia sobre as possibilidades do caso. Os demais acompanhavam em silêncio, sentido o aroma do burley queimando.
    “Elementar, meus caros, já desvendei o caso, já sei de tudo”.
    “Mas como, doutor, sem provas, sem testemunha?”, indagou o perito, admirado.
    “Deduzi quem é a vítima analisando as peças do caso”.
    “Mas quem?”, perguntou a testemunha que nada havia testemunhado.
    “Vejam bem, temos um corpo do qual foram arrancados a cabeça e os pés a golpes de cortador de unhas, instrumento praticamente inviável para a prática desse odioso crime, um ato completamente sem sentido. Depois, temos a hora da morte, que pode ter uma diferença de até 12 horas, devido ao recurso a um relógio de ponteiros, conduta inexplicável por parte dos profissionais envolvidos Isso também não faz qualquer sentido. Se isso não fora o bastante, temos a prova pericial que apresenta impressões digitais com combinações perfeitas e cientificamente inquestionáveis com as impressões do nobre colega perito e aquelas do investigador do caso, ambos aparentemente vivos, e com os pés e cabeça intactos, como se pode facilmente comprovar”, disse Cherlóqui, abrindo os braços, como se permitindo que sua integridade física fosse avaliada pelos presentes, gesto repetido pelo perito. “Além disso, senhores, temos uma testemunha que nada viu, que nada sabe, que se encontrava em Sapopemba, fazendo sabe-se lá o quê, mas que, ainda assim, está aqui diante de nós como testemunha”.
    “Eu tava visitando um amigo, tenho culpa de ele morar lá?E desde o começo eu disse que não sabia de nada”, se justificou a testemunha, “cala a boca”, disse o policial, chacoalhando seu braço.
    “Doutor, mas esses fatos não fazem qualquer sentido”.
    “Exato, não fazem sentido para os leigos, mas para a mente experimentada nos caminhos da lógica, para o raciocínio apurado de um investigador, a conclusão é inevitável: a vítima é a história”, os três se entreolharam em dúvida com a resposta do renomado investigador.
    “Prezados, a vítima é a história, estamos diante de uma história sem pé nem cabeça”, concluiu o grande Cherlóqui.
    “Meu Deus, e a gente dentro?Eu quero voltar pra Sapopemba!!”, gritou a testemunha, desesperada, “já falei pra você calar a boca”, repreendeu o policial, sacudindo-lhe pelo braço.
    “Sim, meus caros, temo que sim, estamos dentro de uma história sem pé nem cabeça”, lamentou Cherlóqui.
    “E o assassino, quem é esse vagabundo, doutor?”, arguiu o policial.
    “Ah, estava quase me esquecendo, obrigado por me lembrar. Senhores, o assassino pode ser facilmente deduzido a partir da vítima, a lógica é impecável. O assassino é o autor.
    “O autor?”, perguntou o perito.
    “Sim, não resta dúvida, o assassino é o autor da história”, conclui Chelóqui.
    “Mas por que ele fez isso com a pobre da história?”, questionou a testemunha.
    “Boa pergunta, meu caro”.
    “Writer´s block?Um autor sem imaginação?”, especulou o perito.
    “Melhor não provocar”, recomendou o policial, “nossa vida tá na ponta da caneta do homem”.
    “Escritores costumam ser seres caprichosos, difícil entender a lógica que os guia, sempre muito carregada de subjetividade”, palpitou Cherlóqui.
    “O assassino é o autor dessa história sem pé nem cabeça, nosso destino está nas mãos desse facínora. E agora doutor?”, perguntou o perito.
    “Temo que sim, creio que precisamos descobrir uma maneira de restabelecer a lógica dessa história, e assim retornar ao dia a dia de nossas vidas”.
    O grupo refletia em silêncio, imaginando uma maneira de restabelecer o sentido daquela história.
    “E se tentássemos discutir temas científicos?Algo das ciências exatas?Nada mais lógico”, sugeriu o perito.
    “Tenho minhas dúvidas, algumas discussões científicas descambam para o que há de mais irracional. Além disso, todos os pressupostos que balizam o pensamento científico decorrem de mero ato de fé. Creio que discussões como essa apenas trarão mais confusão, complicando ainda mais a nossa já complicada situação”, argumentou Cherlóqui.
    “E se a gente falar de futebol?”, opinou a testemunha, mas ninguém lhe deu atenção, nem o policial que costumava chacoalhar o seu braço. Sem graça, ele voltou a fuçar seu nariz em silêncio.
    “Podemos discutir as possibilidades de livre-arbítrio diante de um autor autoritário e sem empatia”, sugeriu mais uma vez o perito.
    “Tenho minhas ressalvas, esses temas metafísicos são ainda mais complicados que a ciência”, opinou Cherlóqui.
    “O que é livre-arbítrio?”, perguntou o policial. A testemunha permanecia em silêncio, cutucando seu nariz.
    Apesar da situação desfavorável, Chelóqui contemplava tudo em um estado de êxtase, uma quase alegria, como que uma criança diante de um brinquedo novo. Já não tinha dúvidas de que havia chegado ao ápice de sua brilhante carreira, finalmente encarava o criador da história em pessoa, e toda sua lógica cartesiana não seria capaz de desvendar, necessitaria de um raciocínio quântico, de recurso às ciências ocultas. Nesse estado de contemplação, Cherlóqui simplesmente perdeu a noção do tempo-espaço, e mergulhou de cabeça no maior mistério do universo, indiferente a seus colegas de infortúnio. E foi nesse delírio, que finalmente viu a luz.
    “EUREKA!!!”, gritou Cherlóqui, excitado, “é isso, é isso”!!
    “Que foi, doutor?”, perguntou o perito, espantado”.
    “É isso, é isso, desvendei o enigma!!!”, Cherlóqui parecia possuído, sua face havia se transformado totalmente, não mais apresentava a expressão serena do lógico investigador, mas o sorriso abobalhado, o olhar distante, típico daqueles que perderam a razão.
    “Desvendei o enigma, desvendei o enigma. Meus caros, nenhuma história tem pé nem cabeça, nenhuma faz sentido, assim, não há nada de anormal nessa história na qual figuramos, é só mais uma consequência lógica da história das histórias, o final é sempre Deus Ex Machina, é tudo uma farsa, uma grande gambiarra ad hoc criada para nos iludir com a ideia de que existe algum sentido, quando nada faz sentido, NADA FAZ SENTIDO HAHAHAHA”.
    “Como assim, doutor?”, perguntou o perito. O policial já não entendia mais nada, e teve vergonha de perguntar o que era Deus Ex Machina. A testemunha continuava entretida com as entranhas de seu nariz, como se nada tivesse acontecido.
    “Pensem nas outras histórias que são contadas, nenhuma faz sentido. É esse o enigma, nada tem sentido, hahahaha”, os demais permaneceram calados, tinha o grande Cherlóqui sido acometido pela loucura?Tinha a história sem pé nem cabeça prejudicado seu juízo?
    “Por que o senhor está rindo, doutor?”, perguntou o perito.
    “Porque posso, o homem ri porque pode, não há necessidade de motivo, na verdade, rir sem motivo algum é a maior homenagem a esse vazio indiferente. É o riso imotivado que nos integra ao absurdo, ao absoluto, que não passa da maior história sem pé nem cabeça já contada”.
    “Mas o que vamos fazer pra sair dessa?”
    “Restabelecer o sentido é o único ato de resistência possível, decorrência natural da constatação de que nenhuma dessas histórias que nos contaram a vida toda faz algum sentido. Já pensaram nisso?A falta de fundamento dos pressupostos de nossas vidas?É assustador”
    “É verdade, pensa naquela história da Arca de Noé, onde ia caber tanto bicho?”, argumentou o perito, “sem falar que aquela bicharada toda ia se matar lá dentro, só ia sobrar o leão e outros animais dos mais fortes. Nem Noé e sua família escaparia”.
    “E o Pinóquio?”, indagou o policial, “o nariz do cara cresce, onde já se viu?Se cada vez que mentisse o nariz crescesse, daí ficava fácil, era só sair prendendo os narigudos. Mas eu já vi vagabundo sem unha que continuava mentindo, tem mentira que nem pau-de-arara quebra, é uma coisa poderosa demais, a mentira é mais forte que a dor”.
    E os três(a testemunha continuava cutucando o nariz, eventualmente comendo o que encontrasse) se empenharam em desnudar a falta de sentido de todas as histórias que já ouviram, desde a bíblia até os mais recentes filmes de Hollywood, e tudo parecia, enfim, ter algum norte.
    “Parece que está funcionando”, disse o perito, “estamos recobrando o sentido”.
    “Prezados, tudo indica que vamos, por fim, sobreviver a essa história sem pé nem cabeça”, disse Cherlóqui, otimista.
    “Socorro!!!Me ajudem!!Me ajudem!!!!A testemunha se transformou numa enorme barata”, gritou o policial, tentando conter as dezenas de braços que se agitavam pelo ar”.
    “Não vamos perder o foco”, disse Cherlóqui, “é só um livro do Kafka.
    “Quem?”, disse o policial, já se rendendo ao baratão.
    “É, há mais coisas entre o céu e a terra, do que julga a vã filosofia”, parabolou o perito.
    “Não!!!!!!!!!”, gritou Cherlóqui, mas era tarde. Um enorme abismo se abriu, exibindo aos três as profundezas do Inferno.
    “São os nove círculos do inferno de Dante”, gritou Cherlóqui, com os cabelos agitados pelo redemoinho de fogo que os envolvia, “eu falei pra evitar temas metafísicos”.
    “Mas era Shakespeare”, retrucou o perito.
    “Dá na mesma”, concluiu Cherlóqui.
    “Meu Deus, a barata foi engolida pelo quinto círculo”, gritou o policial, enquanto observava o inferno se aproximar cada vez mais deles.
    Encarando a imensidão do inferno que se abria, o grande Cherlóqui constatara a insignificância de sua vida diante dos caprichos do destino. Não era mais o grande Cherlóqui, a “Águia da Vila Carrão”, mas um mero ponto sem importância na vastidão do Universo. Havia algo ao mesmo tempo aterrador e magnífico na perspectiva que essa contemplação de uma força irresistível proporcionava ao investigador. “Ah, João Paulo, como tinhas razão, o homem é uma paixão inútil”. Toda a lógica, toda a razão, em todas as suas formas, se derretiam na corrente de eventos que se sucediam de forma simultânea, destruindo completamente qualquer concepção de tempo, transformando tudo em uma enorme pasta disforme, sem propósito, expressão material da eternidade. “eu me tornei a morte, destruidor de mundos”, pensou Chelóqui, ao entregar os pontos.
    “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”, pronunciou o perito, “Cherlóqui, eu já consigo ler a placa do portal de entrada, e agora?”
    Resignado, Cherlóqui sentenciou seu destino: “Prezados, agora só nos resta dançar um tango argentino”.
    Na vertigem do nada infinito que se abria diante de seus olhos, eles decidiram encarar a música, deram as mãos solenemente, como se fossem fazer uma oração, e foram dançando a micareta em direção ao abismo.
    NOTA DO AUTOR: Prezados leitores, não é do meu costume me intrometer em minhas histórias, mas sinto-me obrigado a repudiar, com a mais eloquente veemência, as aleivosias imputadas contra minha pessoa no decorrer desse conto. Sempre pautei os meus textos pelos mais elevados padrões de ética, quem escreve sabe como, muitas vezes, os personagens fogem ao controle do autor, e a história toma um rumo próprio, independente da vontade daquele que escreve. Se alguma desgraça acometeu os personagens deste fatídico conto, mesmo que seja a eterna danação no último círculo do inferno de Dante, esses fatos decorrem única e exclusivamente das ações e escolhas dos próprios personagens, não podendo ser o autor responsabilizado por seu infortúnio. Peço desculpas aos leitores por essa indevida, porém necessária, intervenção, mas essa manifestação se fez necessária diante das inúmeras maledicências, infelizmente bastante frequentes nesses lamentáveis tempos de pós-verdade em que vivemos.
    Sobre os comentários injuriosos do senhor Cherlóqui de Guaianazes, meus advogados já estão tomando as devidas providências.
     

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