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  • Eu era Eu

    Sempre sentir que usava uma fantasia , uma mascara , porque a sociedade teria medo sendo eu
    É com ele eu era eu , era  como uma criança no Halloween  com a fantasia de monstro a diferença  é que não era uma fantasia , eu era o monstro , ele libertava a minha parte mais obscura , soltava os meus demônios e eu adorava isso , pela primeira vez conseguir me sentir completa .
    Libertou meus desejos mais sádicos e masoquistas , me sentia o lado mais ruim do mundo.
    Isso deveria ser ruim certo?
    Mas pra mim nunca foi , sempre foi a sensação mais avassaladora possível , eu o anjo e ele o demônio .
    No final era certo o destino , fez seu papel de demônio e me destruiu por inteira .
  • "MARCAS DE UMA SAUDADE"

    Tanto tempo já passou
    e eu não consigo te esquecer
    ainda vivo na saudade
    e restos da felicidade
    que você nem quis saber

    o nosso mundo, os nossos sonhos
    o teu sorriso,o teu perfume
    tantas juras esquecidas
    nossas vidas divididas
    o meu cíúme o teu amor

    estou morrendo de saudade
    você se quer lembra de mim 
    vou sofrendo feito louco
    e a saudade pouco a pouco
    vai matar você em mim.
  • "MEU QUERIDO JUNQ".

    “MEU QUERIDO JUNQ”.

     
    (Brito Santos) / Novembro/2016



    Revisão: Luísa Aranha

    Contato: (causoseprosas.com.br)



    Capa: Arte & Criação: Wilson Brito

    Contato: (facebook.com/wilson.brito93)



    Autores Novos e Veteranos. Divulgue sua obra aqui. Contato: Vânia Livros



    Agradecimentos Especiais:

    “Sociedade Secreta dos Escritores Vivos”: Bruno Vieira, Sandro Moreira, Bruno Cardoso.

     

    “Curso de Escrita Criativa”: Tiago Novaes.

    Contato: (escritacriativa.net.br)

     

     

    Para elas, as mulheres: As duas principais mulheres com quem tive a honra, e o privilégio de conviver. Mesmo por pouco tempo, foi um pouco que virou muito, levando-se em conta a qualidade do tempo vivido.

    “Mãe, e Irmã” – “Lú..., você quer umbu?”

     

    Mais mulheres: (Professoras) do Curso de Jovens e Adultos da Escola Fundação Florestan Fernandes em Diadema/SP.

    Especialmente para “Fátima” (História); e “Ana Paula” (Português/Inglês). Espero reencontrá-las um dia.

     

     

     

     

     

     

    MEU QUERIDO JUNQ


     

    “As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física”.

    (Friedrich Nietzsche )

     

    Manoel Junqueira, este era o seu nome. Para seu amor, era “Junq” (apelido carinhoso pois todo casal apaixonado tem essa mania não é mesmo? Ou é “tinho”, ou “vida”.  Alguns, são verdadeiras bombonieres. “Meu pão de mel”, “vem cá docinho de leite”.  Coisas grudentas, desse tipo.

    Estavam juntos há alguns anos. O relacionamento ia bem, cogitavam casar-se. Ter filhos? Quem sabe... mesmo que para isso, fosse necessário adotar. Uma união estável, quem poderia impedir? Namorado antigo? Jamais. Justiça? Também não.

    Com o problema na embaixada resolvido, comprou uma linda mansão em Atibaia. Tinha posses para isso, vida plena, vida boa.

    O escritório de contabilidade funcionava a todo vapor, clientes aos montes. Pensava em expandir, contratar mais funcionários. Pois é. Parece mentira, mas às vezes acontece. A felicidade aparece, vem e fica.

    Estavam bem nos negócios, bem no relacionamento, bem com os amigos. Coisa rara na vida de qualquer um, chegava a dar medo.

    O médico psiquiatra, Flávio Gikovate, escreveu sobre o assunto em um dos seus artigos: “... as pessoas, ao se apaixonarem, passam a viver em estado de alarme; muitas vezes em pânico, como se algo de terrível estivesse para lhes acontecer”.

    Sinceramente? Junq... dava de ombros para isso. Não que ele não respeitasse a opinião do médico, longe disso. Preferia olhar sempre, o lado mais otimista da vida, ver o copo “quase cheio”. Se era assim, com o copo quase cheio, quem dirá, com ele “passado à régua”.

    Como vida é ciranda, coisa viva que vagueia, chamava o Chico para cantar: “Roda mundo, roda gigante, rodamoinho roda pião, o mundo girou num instante, a roda do meu coração”.

     

    Uma mudança sutil ocorreu depois do feriado. Juntos mais uma vez, como gostavam de fazer, os três amigos fiéis, Carmen Lúcia, Manoel Junqueira e Albano Matoso, passaram um dos finais de semana mais divertidos da vida, como se o futuro adivinho e precavido, os premiasse pelo sofrimento vindouro.

    Contrapeso e equilíbrio na balança da mulher que segura a espada.

    Se conheciam desde os tempos de colégio, todos os homens naquela época desejavam Carmem Lúcia, também, com aquele corpão. Quando tinha apenas quinze anos, a menina já parecia uma “toura”. “Toura” de touro mesmo! Como se fosse esse o feminino.

    Botava umas roupas “Meu amigo”! Aqueles vestidinhos que vem o demônio no tecido, quando a mulher anda, é uma festa ali atrás, todo homem quer entrar mesmo sem ser convidado. Junq, um pouco tímido e sutil, ficava enciumado algumas vezes.

    Já Albano, macho alfa, arranca toco pega tudo e estraçalha, brincava com ela dizendo:

    “Ah..., se eu fosse mulher! Iria me vingar..., ô; se iria. O que eu faria? Sairia na rua com uma roupa bem provocante, sabe? Tipo essa que você está usando aí. E então, quando aparecessem candidatos, eu iria dar que só, dar sem dó. Dar pra caralho, deixar todos eles moles.

    E tem mais... quem não desse no couro, ia colocar na lista. A lista dos broxantes. Para aprender a se garantir”.

    Carmem Lúcia ria. Dizia que todo homem era igual, todo homem pensava desse jeito. Bons encontros, bons tempos aqueles.

    No recente final de semana, relembraram bons momentos: suas bagunças e curtições de adolescentes, inventaram e criaram novidades. Beberam, comeram, jogaram. Quase uma perfeição. Quase! Dois dos três agora noivos, pelo sim ou pelo não, justa e posta divisão.

    No meio da brincadeira, quando estavam disputando uma partida de “Just Dance”, Junq percebeu que Albano, estava a todo momento perto demais de Carmem Lúcia. Conversando mais que o de costume. De início, achou normal. Afinal de contas, a amizade dos três era antiga.

    “Será que eles já haviam tido um caso antes? E ele, Junq nunca ficara sabendo? Não, não, não... tira isso da cabeça rapaz, isso é só viagem, apenas viagem. É apenas o excesso de rum, com limão gelo e soda. ”

    E foi assim que Junq, começou a desconfiar dos dois. Pouco a pouco. Os atrasos para os compromissos que não aconteciam antes, uma viagem aqui outra li. As ligações em horas estranhas, sempre com descrições ou pelos cantos.

    “Quem era? ” “Hã? Nada não... apenas um amigo do trabalho”. A coisa intensificou, ou um copo esvaziou. Ou quem sabe, transbordou. Chegou uma hora, em que ficou insustentável.

    A semana decisiva na vida do trio seria aquela. Junq, depois do ocorrido na festa andava muito desconfiado, fez o que não costumava fazer. Uma das coisas que odiava nas pessoas, esgueirou-se por entre os móveis, e, durante uma das ligações, ficou ouvindo atrás da parede.

    “Sábado? Está bem. No mesmo lugar de sempre? Na mesma hora de sempre”. No fim a frase que terminou por selar seu destino massacrou seu coração. “Um beijo”! Aquela frase... duas palavras... nunca tinham soado tão dolorosas para ele como desta vez.

    Já havia ouvido tantas e tantas vezes, amigos cumprimentarem-se assim, é normal. Mas não ali, não entre ele dois, ele tinha certeza. Intuição, coisas do coração, de quem ama e está apaixonado. “Como ela pode? E ele...esse... porco traidor...aquela... puta e vadia”.

    Teve uma ideia: Iria até o encontro acabar com a festa. Surpreenderia os dois, e pronto. Se fosse o caso, desceria o cacete. Afinal de contas, quando o lance é traição, não tem esse negócio de culpa de um, e não culpa do outro.

    Tudo safado e sem vergonha, farinha do mesmo saco para citar o dito mais dito de todos os tempos. Para ter dedo na rosca, precisa dos dois. “Da rosca e do dedo”. Estava decidido.

    Na sexta-feira de manhã, Junq inventou uma viagem de negócios, disse que só retornaria no domingo. Comprou até mesmo a passagem de avião, mostrou e tudo, para dar credibilidade, queria deixar os dois “pombinhos” bem à vontade.

    Assim, sem desconfiar de nada, sem nem imaginar o que estaria esperando por eles. Queria pegar no flagra, ver com os próprios olhos. Todo homem traído merece isso, para limpar sua alma.

    Bons tempos aqueles em que às mulheres tinham a dignidade como principal característica. O que aconteceu com as mulheres meu Bom Deus? A culpa foi dela. Sempre dela. Ele sabia, dizia isso para os amigos quando conversavam sobre o assunto.

    “A tal: ‘Revolução Feminina’. A culpa sempre foi da ‘Chiquinha Gonzaga'. Maldita Chiquinha Gonzaga, ela e seu piano infeliz. Foi ali que começaram os ‘pancadões’ da vida. Que hoje dominam as grandes metrópoles, e muitas vezes varam as noites das periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo, impedindo todo e qualquer um, de ter uma mínima noite de sono. Imaginou a sua canção mais famosa, uma marchinha de carnaval: ‘Ô abre alas... que eu quero passar...’, tocado com som ao fundo do “Beatbox” puxado pelo DJ. Aquele ‘tchu-tchu-tchu’ horrível e repetitivo feito com a boca, os lábios abrindo e fechando rapidamente, batendo um contra o outro e cuspindo”.

    Durante a noite, Junq de propósito aproximou seu corpo deixando claro sua intenção, para ver se rolava alguma brincadeirinha entre os dois. Porém nada aconteceu. Foi como havia imaginado, o fingimento entrou em cena.

    “Sinto muito, mas hoje não dá, não estou bem”!

    “Não estou muito bem é uma pinoia! ”, pensou Junq. Queria mesmo era guardar todas as forças, todos os seus fluídos, inclusive seu suor, para a traição.

    “Filhos duma puta, miseráveis, como podem”. O sono demorou, criou filmes na cabeça, via os dois em kama sutra, outras vezes cabaret.

    Na manhã do sábado, como tudo já estava preparado de antemão, mesmo tendo dormido mal, acordou cedo, tomou banho e café. Saiu na hora que disse que sairia, para não levantar nenhuma suspeita.

    No beijo de despedida, se manteve frio e calculista, mas não deixou de imaginar aqueles lábios noutro corpo e sua língua noutra carne. Sentiu-se enojado. Cortaria à fria faca, fino fio em franco corte.

    Pegou o carro, o peso do pé no acelerador, a arrancada seguida do barulho dos pneus riscando o chão. Sua marca, sua urina, dirigiu até um ponto, em que pudesse fazer a perseguição sem ser visto, à distância.

    Nem precisou esperar muito, provavelmente o tesão dos dois estava à flor da pele, “Malditos! Se fosse mesmo viajar, mal teria saído. Não dariam o tempo, nem de tomar o avião”.

    Seguiu o carro tranquilo, com toda descrição. Tomando o cuidado de deixar alguns outros veículos entre eles, até chegar no local designado. Quando o perseguido estacionou, fez o mesmo.

    Foi aí então que viu, sem querer crer, sem querer ver. Uma flechada, uma agulhada, uma pancada, uma explosão.

    Sua desconfiança, suas dúvidas que até então ainda se achavam penduradas no corcovado, segurando em fracas raízes e cipós, caiu de repente.

    Uma queda no vazio, uma queda no escuro. Queda funda e sem volta, buraco largo escuro negro. Tudo estava acabado, o destino dos três, selado para sempre.

    Só lhe restava uma coisa a fazer, esperou que entrassem na casa, não era um motel. Escolheram uma casa tradicional, um sobrado simples, numa rua de pouco movimento. 

    Assim era melhor, mais fácil invadir sem portão um muro baixo.

    Caminhou até a entrada, na frente os dois carros estacionados. Um atrás do outro, bem coladinhos. Dando um recado claro, do que estaria acontecendo.

    Conferiu a pistola. As aulas de tiro finalmente pagariam seu valor. Para abrir a porta, usaria dois clips, isso era fácil. Praticava de vez em quando até por brincadeira.

    Assim que entrou, conforme caminhava ficava tudo evidente. As peças de roupas formando o caminho e a indicação da transa, primeiro as formais, depois as informais...

    E por fim, as íntimas. Alguns sussurros, dois gemidos, um pouco baixo ainda lento, dava até um certo tesão, mas o ódio era maior.

    O ódio pegou o tesão pelo pescoço, empurrou contra a parede, e com adaga pontiaguda perfurou seu coração, olhou fundo nos seus olhos, sem nenhuma piedade, olhar frio, olhar medonho, um olhar sem emoção.

    Subiu as escadas devagar, no andar de cima a porta do quarto estava entreaberta. A respiração ofegante, o cheiro dela, do creme dela, do perfume dela, do corpo dela. Ela em cima dele, cavalgando. O frenesi e a vontade. 

    Vasta a fome um do outro, dava até uma certa inveja. Os dois, com os olhos fechados, nem perceberam quando ele entrou. Ficou alguns segundos observando, realmente era linda.

    Peitos grandes, rígidos, coxas grossas, bunda avantajada, sacudindo as carnes conforme o corpo se movia para frente e para trás. Gemidos, mais fortes, mais alto. Não permitiria que gozassem! Arma apontada nas mãos trêmulas.

    Não estavam firmes o suficiente, mas era perto e não tinha como errar.

    Disparos! Um... dois... nela, por trás. Três... quatro... nele, no peito. Cinco... seis... na cabeça dela. Sete... oito... na cabeça dele. Pronto.

    Sentou na beira da cama onde um ato sexual acontecia ainda a pouco. O cheiro do sexo agora, misturado ia sendo substituído aos poucos, pelo da pólvora. Latidos vindos da janela. Um funeral a caminho, o final que todos os traidores mereciam e merecem.

    Olhou na mesinha ao lado, um papel rabiscado. Não... na verdade uma carta. No envelope “Meu Junq”, com um coração, circulando o nome. Dentro, estava impresso:

    Para Manoel Junqueira

     

    “Meu Querido Junq”,

     

    O maior amor que tive em minha vida, por muito, muito tempo.

    Meu amor, não pense que estou mentindo por favor. É a mais pura verdade. Estou indo embora sem nada dizer, porque não tenho coragem ainda. Há algum tempo, venho tentando encontrar forças e coragem para te contar, juro que tentei. Por Deus, tentei diversas vezes. Sempre tive certeza do que queria em minha vida, nunca tive dúvidas sobre nada. Você estava certo sobre muitas coisas, só errou em uma. Em me aceitar. Em me deixar fazer parte da sua vida. Nestes três últimos anos, tenho sabido mais que nunca, o que é viver felicidade. Achei até que não conseguiria sentir algo além. Que o nosso amor era o ápice das alturas. O clímax do clímax. Mas não foi assim.

    Espero que nos perdoe um dia por isso. Éramos amigos. Sim, éramos. Nossa amizade sempre foi verdadeira. Se estiver lendo essa carta é porque agora já não estaremos aí com você. Planejamos fugir, ir para bem longe, para nunca mais voltar e para nunca mais nos vermos. Seria impossível uma vida nova, com você perto. Então decidimos assim. Assim é melhor ou... menos pior. O que os olhos não vêm o coração não sente, isso é um fato.

    De alguém, que te amou com toda a paixão, que cabe em um coração humano.

     

    Albano Matoso de Oliveira.

     

     

    Sua visão foi ofuscada, tanto água, tanto choro, tão molhado estavam os olhos. Caiu devagar e de joelhos, com a carta na mão, o corpo balançando em pêndulo, então gritou rasgando o ar com um alto estrondo:

     - Arghhhhhhhhhhh! Nããããooooo! Não... não... não... – pegou a carta, amassou com os punhos e apertou contra a testa. Ficou assim, alguns segundos.

    Pouco tempo depois ergueu a cabeça, ainda zonzo, respirou.

    Procurou o resto das forças, por fim levantou devagar e pesado. Ouviu o som de conversas lá fora, sirenes ao longe, pela janela.

    Ajeitou um dos corpos na cama, o outro rolou e empurrou para o lado. Como quem se livra do lixo, um saco pesado jogado no cesto.

    Tirou toda a roupa do corpo. Ficou nu e deitou-se com o outro corpo na cama arrumados de um jeito, como um casal.

    Pegou a arma na mesa ao lado. Olhou para o teto, soluçou e chorou:

    – Agora... meu amor... ninguém vai nos separar...

    “Meu amor, minha vida... foi meu tudo, foi meu lar. ”... “Meu Querido Albano”.

    No chão frio ao lado da cama, o corpo de Carmem Lúcia que já foi um dia tão quente como o sol, mas que agora era uma casca vazia e sem vida, branca e sem cor.

    Como sempre tão juntos, quem iria mudar. Não passou mais que um segundo... outro tiro cortou o ar.







    (Brito Santos) 

    caminhantesdasletras.blogspot.com






  • "REFLEXÃO" "harmonizando com o silêncio"

    Quando me harmonizo com o silêncio, com o rosto em prantos eu ouço bem baixinho meu coração contestando a veracidade do destino. Ouço ele dizendo que a maneira que o tempo escolhe para adequar com sua vontade, um sentimento extremamente sensível e verdadeiro, é um tanto dolorosa e amarga, é batalha acima da capacidade que ele possui no momento, nesse momento de reflexão, desejo da paz e da luz divina que conduz o maior e puro amor.

    Eu me deixo ser levado aos sons de DEUS, à sublime melodia da natureza, sentindo um querer natural de emudecer-me e refletir sobre as coisas que eu mais gosto e amo. Fecho meus olhos e deixo minha mente ver por mim, ela vai captando fontes sagradas que são me trazidas apenas pelo meu espírito. 

    Os reflexos coloridos dos jardins naturais resignam um destino para cada planejamento meu, as folhas se balançam, parecendo querer me dizer que também amam a vida e que sou bem vindo ali. Me entrego à energia suprema que neste momento me da confiança e me faz ser bom.

    Neste meu instante de sincronismo com a razão superior, me sinto na falta de merecimento e por um instante me retrocedo, revendo atos incabíveis que quando na fraqueza de espírito, eu cometi. Aborrecido comigo mesmo, suplico num grito emocionado a remissão pro meu único e verdadeiro refúgio,DEUS.

    Percebo que minha súplica foi concedida, uma paz absoluta neste momento se põe e minha alma, no mais profundo do meu ser, me oferecendo ainda mais vontade de viver. Por tudo isso. Viverei, agradecerei e amarei.

    Enviarei um link aos que quizerem ouvir esta reflexão com trilha sonora e narração feitas por mim! Basta me enviar uma mensagem, um recado deixando um e-mail, lhes enviarei com o maior prazer e ficarei grato! Aguardo sua solicitação! Obrigado a todos!
  • "Senta aqui, vamos tomar um café"

    Senta aqui, vamos tomar um café?! Jogar conversa fora? Rir pra caramba, quem sabe chorar em algum momento. Senta aqui, vamos falar sobre nós! Como você está? Seus planos? Suas conquistas... Conta mais.

    Senta aqui, vamos matar a saudade de nós, vamos aproveitar um tempinho livre pra descansar a cabeça, o corpo! Senta aqui, vamos falar sobre sonhos, até mesmo daqueles mais cabulosos, quase impossíveis! Senta aqui, vamos olhar dentro do olho, ver como estão brilhando. Senta aqui, me deixa ver como você está bem, como você está feliz!

    Quero sentir seu abraço por alguns instantes. Ouvir sua voz, sua risada. Senta aqui, deixa eu te contar como eu estou como me sinto. Senta aqui, quero te contar uma ideia maluca que tive. Senta aqui, lembra aquela viagem que eu queria fazer, deu certo! Senta aqui, me ajuda a fazer uma lista de prioridades! 

    Preciso ir... Obrigada pela companhia, pelo café, pelo abraço, pela voz doce e suave, pelos conselhos impagáveis, pela companhia maravilhosa, pelas gargalhadas que demos, pelas bobagens que falamos e pela saudade que matamos!
  • “Pare de mendigar amor”

    As pessoas falam “pare de mendigar amor” Como se nós quiséssemos precisar passar por isso, como se fosse fácil deixar algo ou alguém que você ama com todo o coração, ir embora, sem nem mesmo tentar fazê-lo ficar... Não é que mendigamos amor, só queríamos ser retribuídos com pelo menos um pouco do que sentimos, algumas pessoas não entendem, e nunca vão entender  a imensidão de sentimentos que nos fazem ter essa atitude... Não é mendicância, é simplesmente o amor transbordando.

  • [Conto] - Escolha

    Então eu contei 1,2,3… suspirei. E sai dali. Passei por aquela porta. Definitivamente eu nunca mais voltaria àquele lugar. Nunca. Difícil descrever o que senti, uma espécie de raiva com uma mistura de desabafo e alívio. Por incrível que seja, eu chorei. Sim, chorei! Mas, dessa vez foi de alegria, êxtase, prazer. Liberdade. Realmente me vi liberta. Aquilo tudo me sufocava, aos poucos, lentamente, cada vez mais. Eu o amava, porém já não gostava mais dele.  Não dava mais.  

    Eu iria seguir a minha vida, os meus sonhos. Não mais o teria me impedindo de ir em busca das minhas conquistas. Sempre de um modo sutil, ele enfiava na minha boca um “você não pode me deixar. precisa de mim. não suporta nada sem mim. eu estou aqui por você, para te proteger e nada mais importa desde que fiquemos juntos”, literalmente enfiava garganta abaixo, já que eu o ouvia tanto dizer aquilo que acabava por internalizar e reproduzir a mim mesma a velha frase. Como se fosse um mantra. A mesma cena se repetia todas as vezes que lhe contava os meus planos. Não mais ouviria um “não vai. fica comigo, você pode deixar isso para depois. não vai conseguir sozinha” me fazendo sentir-se tão tola só de pensar em deixá-lo, afinal, ele me amava. Realmente uma tola. Fui tola em colocá-lo acima das minhas vontades. 

    É sobretudo cortante, sei que ele gosta de mim absurdamente. Sinto isso. Acredito que justamente por saber disso que sempre acatei cada frase. Pela mesma razão eu sentia culpa, afinal, como eu poderia planejar algo que ele não estivesse incluso, fazendo uma escolha só minha sobre mim? Eu me sentia má, pois ele fazia parecer que o meu gostar era ínfimo perto do dele,  sempre dizendo que largaria qualquer coisa por mim e para estar comigo, pois a minha companhia já o bastava e não teria nada mais a conquistar ou desejar. Confesso, me assustava, como poderia fazer de mim um mundo?

    No entanto, ele não percebia que aos poucos ele não desejava estar comigo, mas me ter; e isso são coisas bem distintas. Com o decorrer do tempo, ele se importava até mesmo quando as músicas que eu ouvia, os meus posts e até mesmo com os meus textos não falavam dele, mas apenas de mim; segundo ele, eu não “demonstrava” estar com ele. Outro dia, eu apaguei uma foto minha que havia postado logo após ter enviado para ele, pois, segundo ele, eu com isso eu jogava fora o fato da “foto ter sido tirada especialmente para ele e mais ninguém”.  

    Sim, ele queria estar comigo. Mas, ele possuía medo de me perder. Acredito que por tal razão insistia para que eu demonstrasse de forma visual estar com ele; isso significava incluí-lo em tudo. Pela mesma razão, me afastava dos meus sonhos… tinha pavor quando eu dizia que gostaria de morar em Arraial do Cabo, pois ele disse que jamais abandonaria São Paulo; ficava triste quando contava com vontade sobre a graduação, segundo ele, eu encontraria pessoas mais interessantes, a minha cabeça ficaria cheia e eu o abandonaria. Nunca era o momento para eu desejar ou pensar em fazer algo, a menos que ele estivesse incluído e fosse da vontade dele. 

    Como um cara pode tentar te afastar dos seus sonhos, das suas conquistas, da sua independência, só para estar ao seu lado?! E ainda tentar justificar esse absurdo com o esdrúxulo argumento de que é por “amor”? Via meus sonhos sempre adiados, afinal, eu ainda queria estar com ele, queria tanto ter os dois. Tudo o que mais desejava era poder pensar num futuro em que eu conquistasse o mundo e ele estivesse ali, comigo, me apoiando. 

    Ele me pedia tanto, chegava  a chorar implorando, se declarava e depois surgia outro velho argumento “vamos aproveitar o agora, você pode fazer isso depois”, eu questionava, discutiamos. Mas, ao final, a culpa sempre era do “amor”. Estava insustentável, não suportava mais o duelo entre o amor e os meu desejos. 
    Se enquanto eu apenas cogitava as coisas, sendo os meus desejos ainda abstratos e, por isso, distantes, ele agia dessa forma…. Sempre tive receio em pensar no depois… Sempre me questionei como ele iria reagir quando eu fizesse definitivamente algo, quando abandonasse a inércia e corresse atrás de seja lá o que fosse que me desse vontade. 

    Poxa, em nenhum momento ele disse “eu vou com você!”. Não! Não, não. Ele não disse! Nunca! Apenas me impedia, me desviava. Pois é, eu era fraca. Era.

    Apesar dessa situação horrível, ainda assim, tivemos momentos incríveis, com o seu lado que amava. Foi duro. Eu o deixei e talvez tenha “perdido” um cara que realmente me “amou”. No entanto, foi para o meu próprio bem e até mesmo para o dele. Poxa, eu não sou o céu de ninguém. Acredito que foi melhor assim. Quando olhar para trás, quero lembrar dele como uma bela melodia que acaba sem mais nem menos, enquanto ainda ouvimos os primórdios da melancolia ela chega ao seu fim e ficamos com a sensação de que haveria um depois. Prefiro uma melodia “interrompida” do que a ouvi-la por inteiro e ser destruída pela melancolia. 

    Liberdade. Agora terei liberdade para viajar, estudar… planejar como tocar a minha vida.  Farei tudo sem ressentimentos.

    Foi incrível a variedade de pensamentos - altos e baixos -, bem como o turbilhão de emoções que permeavam o meu corpo naquele momento, naqueles microsegundos em que peguei a maçaneta e simplesmente sai por aquela porta. Jamais esquecerei os meus 20 segundos de euforia ao fechá-la.

    Eu morava há cerca de 4 quarteirões dali, enquanto caminhava, chorei e saltitei agradecida a mim mesma. Confesso que Isso durou pouco. Até a hora que entrei casa. Meu irmão mais velho estava na sala com a  namorada, enquanto o caçula montava um quebra cabeça. Meus pais não estavam. Aquela calmaria me mostrou que poderia subir as escadas, ir direto para o meu quarto e permanecer o resto do dia ali, sozinha. Não haveriam perguntas ou sequer indagações em relação ao que houve. Ao menos, não agora. Tudo que eu precisava era ouvir um indie e pensar no que havia acabado de fazer. Isso, “acabado”, essa é a palavra. 

    Aos meus 17 anos eu o amava demais, além da conta. Jovem e uma vida inteira para fazer tudo o que me desse vontade, acertar e errar, desfazer e me refazer; mas nada atrapalhava tanto quanto esse “amor”. No momento, concluindo o colegial, os meus estudos eram prioridade, sempre foram, porém, infelizmente, o meu relacionamento estava atrapalhando, não somente, mas também, até mesmo os meus pequenos objetivos. Me vi obrigada a escolher entre ficar ao lado dele e jamais sentir-se realizada ou seguir o meu caminho e deixar para trás um cara incrível. Neste instante, a primeira coisa que me vem à mente é “Brooklyn Baby” da Lana Del Ray. 

    Eu o deixei. Afinal, diferente dele, eu o amava o suficiente a ponto de deixá-lo, ao invés de enganar não só a ele, mas a mim, estando infeliz ao seu lado. 

    Naquela noite eu desmoronei ouvindo todo o álbum de “Cigarettes After Sex”, não era tão fácil dizer adeus como pareceu naquela tarde. Tudo estava acabado. Mas, eu ainda tinha esperança, afinal, eu não iria embora para sempre. Voltaria depois da faculdade… se fosse amor, iria prevalecer, independente de tempo. E foi ao som de “Flower Face - Angela” que tive certeza de como o amava intensamente e ainda mais certeza da minha decisão. Não havia o que temer. A “saudade” iria passar, “solidão” sequer entrava no contexto - jamais estivera só - e “arrependimento” não condizia em nada.  

    Não. Realmente não o teria deixado se não tivesse tido um empurrão. Jamais havia pensado em fazer algo assim, boba, incapaz de escolher. Ganhar a bolsa de estudos foi o estopim. A minha família ainda nem sabia. Óbvio, em hipótese alguma cogitaria não ir. Eu precisava resolver uma coisa. Foi naquele mesmo dia, mais cedo, assim que acordei, chequei meus emails e recebi a notícia que mudaria a minha vida, a porta para os meus sonhos. 

    Fala sério, eu estava surtando. Após tanto esforço, eu havia conseguido! Eu sabia a grandiosidade do que significava essa aprovação. Eu estava em êxtase. Era a minha oportunidade e jamais abriria mão. Mal esperava a hora do jantar, estava ansiosa para ver a reação dos meus pais, ainda que já sabia o que esperar. 

    Mas, e o Jhon? O primeiro a receber a notícia seria ele.

    Não pensei duas vezes. Escovei os dentes, lavei o rosto, fiz um coque, vesti o “uniforme de sempre” jeans, all-star e a velha camisa de algodão, desci as escadas cambaleando enquanto comia uma pêra e corri para a casa dele. 

     Apesar de reconhecer que estava indo terminar a nossa história, não imaginava que ele não ficaria feliz com a minha conquista, que a desprezaria. Tudo bem que ele sabia o significado daquilo, porém, era o meu sonho e ele não foi capaz de ficar feliz por mim. Isso me magoou e me motivou  a seguir com aquilo, me dando ainda mais convicção no discurso de adeus. Não entendia a sua forma de amar. Foi isso que me motivou a não olhar para trás ao fechar a porta. 

    O dia havia começado com surpresas e emoções demais. Naquela noite, ouvindo “The Saxophones - If You're On The Water”, tudo o que mais desejava era que ele passasse, depressa.  

    Janaina Couto ©
    Publicado em 2020
  • [Poema] - Lembrar

    Todas as vezes que eu ouvir “Os Outros”
    ou até mesmo “Take My Breath Away”...
    Todas as vezes que alguém pronunciar aquela frase...
    Quando eu entrar naquele Colégio
    ou apenas passar em sua frente.

    Todas as vezes que outro alguém me fitar daquela forma...
    Todas as vezes que um sorriso me lembrar o teu...
    Quando outros lábios tocarem os meus.

    Todas as vezes que eu sentir euforia,
    vou lembrar de momentos simples com você…
    Todas as vezes que me tocarem daquela forma, da sua forma...
    Quando eu tocar aquela canção.

    Todas as vezes que atravessar aquela esquina
    ou sentar novamente no banco marfim daquela praça...
    Todas as vezes que um elogio vier intensificado por um sorriso largo malicioso...
    Quando eu ouvir um timbre próximo ao seu.

    Todas as vezes que rir com aquele filme...
    Todas as vezes que desembarcar naquela estação...
    Quando num abraço longo e apertado acariciarem a minha nuca.

    Todas as vezes que uma brisa invadir a janela do meu quarto numa madrugada de verão...
    Todas as vezes que ler aquele poema...
    Quando numa madrugada quente eu contemplar o mar.

    Todas as vezes que um olhar fixo e profundo fizer o meu corpo arrepiar por inteiro...
    Todas as vezes que a brisa deixar em mim o cheiro de mar...
    Sempre que lembrar daquele verão.
     
    Eu vou amar você, novamente, da mesmíssima forma,
    nem que seja por míseros instantes.
    E irei sorrir ao lembrar de como os dias daquele verão foram ainda mais quentes com você.
    E, nesses instantes, apenas nesse momento, desejarei intensamente reviver tudo.

    Depois?
    Provavelmente os meus olhos ficarão acinzentados e serenos, quem sabe, até mesmo trêmulos,
    quando me der conta de que o seu amor não mais me pertence e nem o meu a você.



    Janaina Couto ©
    [Publicado - 2019]
  • [Poema] - Perder

    Os dias correm
    penso, felizmente,
    cada vez menos em ti.

    Foi
    na verdade, ainda é
    tão árduo tentar te esquecer.

    Sequer sei se é possível
    essa coisa de esquecer.

    Acredito que não.

    Basta uma brisa
    um lugar
    um cheiro
    e, inevitávelmente, eu falho.

    Sim,
    eu falho
    cada vez menos.

    As vezes 
    me assusto 
    ao lembrar que ainda havia 
    um tanto de mim pra você conhecer
    é uma pena.

    Realmente uma pena,
    lentamente você me perder.


    Janaina Couto ©
    [Publicado - 2019]



  • * Carne e sangue

    Tentando encontrar um parâmetro mais definido sobre os sentimentos de Nayara relacionado ao seu casamento com Sílvio Agnaldo, pode se narrar os fatos baseados nas frustrações corriqueiras e comuns a toda hora, de todos os tamanhos e formas, objetivas no viver doméstico ou subjetivas no sentir os sentimentos sempre a inundando por dentro em torrentes de arrependimentos carregados de culpas por causa do pecado, de acordo com o que quase diariamente ouvia do pregador no púlpito, o suor escorrendo o rosto aos berros, a bíblia entrincheirada na mão esquerda, enquanto na outra, seus os dedos em riste, apontados para uma congregação assustada, os olhos vidrados no gesticular agitado, a voz  ficando cada vez mais falhada, intercalada nos goles d’água, e rouca diante das mensagens, das normas e da doutrina sabiamente ensinada a favor do testemunho que dizia que um membro de igreja só poderia se relacionar com outro da mesma congregação: “ Contudo, irmãos, eu vos afirmo que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus…”

    E assim foi com Nayara Tokugawa, pré adolescente aos treze anos de idade, visitando a primeira vez a Igreja Genuína dos Filhos do Altíssimo, conduzida ali por uma amiga da escola que conhecera o testemunho claudicante e perturbador narrado no intercalar das aulas, e que por bastante tempo ficou incrustado na sua alma de boa menina. Aos treze anos ela sentia-se extremamente impotente diante do alcoolismo do pai truculento e sempre embriagado, que quando não estava em roda de amigos bebendo ao varar da noite, estava caído no chão mulambento à porta do mesmo bar. Quando o salário recheava o bolso do senhor Nivaldo, uma amnésia temporária o visitava fazendo-o se esquecer dos compromissos em forma de faturas, boletos, cobranças ao pé da porta, e até mesmo o pagamento do leiteiro era desprezado frente a sua fiel fidelidade aos prostíbulos da região. 
    Nesses “respeitosos” ambientes, ele desaparecia por vários dias seguidos, às vezes faltava o serviço, e enquanto o fruto da labuta mensal de cobrador de ônibus não evaporava em forma de sorrisos estampados nos rostos das incansáveis operárias, ele não retornava para casa. “O pai voltou minha mãe?” A magérrima perguntava baixinho todas às vezes que ouvia o pai cadenciando os passos no corredor, seu rosto expurgado da embriaguez passada, camuflando uma seriedade não genuína, mas tão necessária para adentrar novamente o local de trabalho. 
    Eram rotineiras as contendas com a mulher frequentemente abandonada as responsabilidades de casa,  a filha comprometendo o futuro na diluição emocional que absorvia grande parte da sua energia mental frente aos estudos, sem falar nas cobranças conjugais aos gritos, as ameaças de separação repetitivas, os julgamentos simultâneos de atos certos e errados adentrando madrugada a fora; todo esse emaranhado sufocante, palpitante no peito amargurado de anos, pouco a pouco convenceram a jovem que, passar mais tempo esfolando os joelhos em forma de oração seria bem mais produtivo do que ficar ao pé da porta, fibrilando tentativas e pulsões de interferir nas brigas. Primeiro ela se firmou na igreja, depois sua mãe a acompanhou aos finais de semana, e em seguida, um bom tempo depois, o pai começou a frequentar as reuniões.

    Com a frequência nos cultos e conforme o peso das nádegas sobre o assento iam delineando um “ouvir” cada vez mais sensível às sutilezas apreendidas nas mensagens do evangelho, o coração familiar foi se pacificando aos poucos, se acalmando da torrente nervosa no sentir com desprezo o outro, da culpa arremessada simultaneamente para ambos os lados, e principalmente dos ódios gratuitos estimulados pelo alto teor alcoólico circulando nas veias o  poder destruidor dos consentimentos outroras construídos entremeio a raríssimos diálogos conscientes. 

    Agora todo esse emaranhado febril tratado, estava ruindo dia a dia em um desmoronamento prazeroso e não sutilmente apresentada como o testemunho vivo no meio de uma congregação ávida por experiências genuínas do  poder sobrenatural estimulando a todos para o bem comum, principalmente na prática dos ensinamentos aprendidos e engendrados profeticamente pela “ voz divina ” encarnada nas palavras de um pastor desmascarando a energia ruim, a moldando em forma de bons pensamentos, tecendo comportamentos mais assertivos no caminhar junto ao outro, convergindo assim todo e qualquer jugo desigual, seja na esfera da mente ou na emocional, em atitudes mais convidativas, benignas de sentir até as entranhas ou apelativas o suficiente para atrair sempre mais gente disposta a propagandear o “ reino de deus ” e a “ religião ” ensinada nos cultos cada vez mais recheados conforme um a um passava a enxergar a vida sob a tutela de um pregador cada vez mais possuído pelo espírito de "deus".
    Nesse ambiente, Nayara com o coração sempre grato das coisas que o seu Deus tinha realizado em sua família, procurava se ocupar cada vez mais nas atividades oriundas dos serviços demandados pela congregação, seja na organização do voluntariado responsável pela evangelização semanal que percorria os bairros, os telefonemas convocando os irmãos desviados, a procura insistente por alguma “estrela eminente”, seja um cantor famoso, pregador em ascendência ou mesmo alguém ainda desconhecido, mas com um testemunho de conversão forte o suficiente para apertar um pouco mais a coleira invisível dando voltas consecutivas no pescoço de cada fiel. 

    Para trás ficaram as brincadeiras na rua sempre tumultuadas pela garotada correndo solta às gargalhadas, findaram as festinhas entre os amigos, desapareceram os bilhetinhos secretos de amor e as confidências apaixonadas, e redirecionou ao presbitério todo as perguntas existenciais antes feitas diretamente aos pais. Acabou-se isso e muito mais, principalmente o  prazer juvenil adentrando a puberdade nos selinhos inocentes, nas bitocas acaloradas, nos abraços singelos ou apertados carregados de provocação mútua, principalmente quando ela estava, por assim dizer, escondida atrás de alguma árvore, na dobra de alguma esquina sem movimentação eminente, ou mesmo diante das ausências passageiras que proporcionavam estar momentaneamente com seu namoradinho em qualquer lugar. 

    “Mamãe, estou indo para a igreja!” É o que ela mais comumente dizia à partir dali, a Bíblia gorda empanturrada debaixo dos esqueléticos braços, a sensação gostosa no peito acariciando a alma em afagos rememorando na mente a certeza do dever angelical sendo cumprido à risca. Mas com o passar de dois anos, Nayara Tokugawa começou a sentir incômodos rotineiros que começavam a somatizar alergias diversas em forma de coceiras que coçando sofregamente descascavam a pele, deixando-a com fundo levemente mais avermelhado que o normal. À partir dali vieram as luxações no corpo e as constantes dores se esparramando pelos ossos, pelos músculos que, inundando importunos o resto do corpo, gerava uma angústia de ser que nenhum remédio receitado ou a mais potente oração em forma de jejum davam algum jeito. 

    “Você precisa se consagrar mais minha filhinha!” Ouvia sempre as mesmas orientações pastorais que apesar de reconfortantes a curto prazo, não tinham qualquer efeito em um longo prazo carregado de responsabilidades eclesiásticas. Sem contar o que já foi mencionado, dentro da organização eclesiástica era a responsável por propagandear e estimular as correntes espirituais da semana, no abastecimento do púlpito com a água, café e os papéis para redigir os pedidos, pela organização das mesas e cadeiras porventura desorganizadas, e na ausência de voluntários na noite, a limpeza geral do salão até o horário que antecedia o apagar das luzes. 

    “Essa irmãzinha é abençoada!” Eram constantes os elogios que ouvia de relance, às vezes diretamente no encarar de olhos carregados de admiração, mas apesar de todas estas práticas que ela, por um breve tempo, insistiu acreditar que a consagravam, não percebeu a eclosão dos gritos repentinos no inconsciente lhe informando que suas crenças estavam totalmente desniveladas. Desniveladas nas cobranças religiosas que a torturavam mais do que a pacificavam, nas alterações constantes do humor por causa de uma pressão sanguínea sufocando o peito em surtos repentinos que aconteciam em dias alternados, e principalmente na solidão solidária entremeando almas com crenças parecidas mas que de forma alguma nunca se conectavam. 

    Com todos esses conflitos, Nayara Tokugawa foi sentindo uma película de tristeza pálida e contígua crescer na sua face e se avolumar no coração, cerceando os sentimentos juvenis ainda não amadurecidos à medida que a afundavam cada vez mais em amarguras, em vazios perturbadores, e em culpas carregadas de sofrimentos pelo aflorar de uma enxurrada de desejos que a pequenina julgava, de acordo com o que ouvia do púlpito, emoções proibidas frente ao que se propôs a abandonar em nome da fé. 

    Todo um conjunto de sensações boas no início e na maioria ruins no desandar dos fatos, a embarcaram cada vez mais dentro de um casulo de insegurança contínua, acelerado ainda mais pelas memórias de uma vida que também aconteceu em forma de gritarias, de gargalhadas, das brincadeiras de rua até o adentrar da noite, e no “ prazer proibido ” que aos finais de semanas a arrebatava entre beijos e abraços quando em conjunto com Frederico, seu namoradinho da casa ao lado. Em noites febris assim, ela  encontrava alento apenas entre os pensamentos que porventura já a endurecia há anos. Convencendo-se sempre com os mesmos argumentos religiosos carregados de versículos bíblicos, relembrando o poder divino na cura dos traumas entre seus familiares, buscando alívio principalmente em aconselhamentos pastorais e na constante leitura de livros que pudessem de alguma forma, blindá-la frente a todos estes “ tormentos ”.

    Imersa nesse “ santo ” processo até aos dezoito anos de idade e não encontrando outra solução para a pacificação da própria alma, além do que era ensinado piamente na igreja, ou seja, a repreensão e negação de fatos represados, uma pontinha de “ libertadora esperança ” surgiu em seu coraçãozinho quando pela primeira vez viu um irmãozinho novo na fé; Sílvio Agnaldo de Amorim, rapazola de dezessete anos chegando acompanhado dos pais, que vinham de mudança do interior e chegavam com todas as recomendações dos irmãos da matriz da igreja em São Paulo. “A paz do Senhor minha irmã!” Era o que frequentemente ele dizia, cumprimentando Nayara antes do culto, o rosto de menino ainda mais destacado pelo empinar do nariz sob o cadenciar de seus passos rumo aos primeiros assentos da congregação. Quando o pregador apontava no púlpito, Sílvio Agnaldo vidrado sempre estava nas palavras, nos gestos, nas entonações marcantes que mais arrancavam Glórias e Aleluias, procurando sempre aqui e ali, por espaços desocupados na Bíblia arregaçada, que pudessem ser rapidamente preenchidos por suas anotações em azul ou preto e na ausência delas, por alguma das suas canetinhas coloridas. 

    “Com certeza ele será um pastor!” Ouvir essas palavras fascinava Nayara Tokugawa, sempre atenta a tudo o que testemunhavam sobre ele, e que pouco a pouco, avolumando no coração de mulher ainda fibrilando desejos por um “ santo amor ”, paulatinamente a convenceu que ambos, com toda a certeza, seriam um casal ímpar diante do seu Deus. A partir daí, intensificaram as súplicas repentinas, as orações de madrugada, e as consagrações em jejuns que se estendiam por dias sem fim. Casaram-se dois anos depois com todas as pompas e gracejos dos irmãos, que anos outroras, profetizaram o acontecimento. “ Minha esposa: em consagração a Deus não nos tocaremos por trinta dias!” Logo na lua que deveria ser de mel, Sílvio Agnaldo martelou a proposta conjugal que acabou sendo um prelúdio da história que os acompanharia anos afora. Pensando já estar livre de antigos tormentos, feliz e anestesiada pelos acontecimentos que agora ocupavam todos os recônditos dos pensamentos recentes, ela respondeu imatura em sorrisos, gracejando louvores rendidos aos céus, falando em gestos e calando todos os protestos interiores com o olhar carregado de precoces ternuras que refletia em Sílvio Agnaldo, a certeza que ela estava entrando em sua vida principalmente para ajudá-lo no ministério. 

    Agindo assim de início e impressionada apenas com o “ brilho do anel ” circulando o dedo trocado de mão, acabou se esquecendo de si e das necessidades da menina mulher incrustadas no ser, estimuladas na carne desde a puberdade precoce, e que apesar de propagandear aparências de felicidades na alma, por trás de todo aquele aparato religioso, eclesiástico, servil no viver a vida buscando um nível cada vez mais alto de santidade, nos recônditos de sua feminilidade ainda resistia a fêmea insaciável, adormecida de outras épocas e que em noites mais febris, quando o invólucro do pudor é rompido e os diques do desejo se entornam para mais, ela ressurgiria arruinando o chão das sexualidades não correspondidas, expondo dessa forma todas as sujeiras, as imundícias e as superficialidades construídas dentro de uma conjugalidade que supervalorizou a castidade e a religião e desprezou quase por completo as singularidades de um viver comum a dois.

    “É tentação do diabo!” “Assim ela convencia a si sempre em silêncio, ora orando cabisbaixa e mergulhada em culpas passageiras, outrora jejuando dias e dias que pareciam nunca ter fim, preces sempre acompanhadas de confissões cada vez mais corroboradas da “ palavra ”, a bíblia sempre a tiracolo, reprimindo todo o tipo de alteração nos impulsos sexuais que seriam normais na sua carne, se não fosse o desprezo assexuado que já alguns anos recheava o casamento de tristezas. “Meu Deus! Será que algo assim é normal ?” Eram partes de suas orações confusas, misturadas com o desgosto que paulatinamente enchiam sua alma de amargura, pois quando eles estavam deitados e com desejo a esposa resvalava em seu peito cabeludo, logo ele saltitava nervoso, vociferando desculpas esfarrapadas, dizendo não estar em condições pelo cansaço que no púlpito o consumia ou pelas horas de estudo da “ palavra de deus ” quando na confecção da mensagem principal que, após semanas de dedicada consagração, esgotaram todas as alegrias que porventura teria para compartilhar com ela.

    “ O mais importante é a amizade entre o casal! ” O marido repetia a desgastada frase todas às vezes que sentindo a aproximação repentina da mulher resfolegante, logo tratava de castrá-la em respostas acompanhadas de uma face cerrada, às vezes reprimindo-a em chantagens fictícias corroboradas no uso covarde de alguns versículos invertidos e utilizados a favor da sua assexualidade já condenada, principalmente nos encarceramentos que outrora a cercando com todo o respeito e carinho de um amigo, a cuidava pura e simplesmente como o objeto do seu não desejo.“Seja fiel ao seu cônjuge!” Atrás do púlpito era isso o que o pastor Sílvio Agnaldo geralmente pregava, lançando o olhar condenatório para todos os lados, os dedos das mãos sempre em riste carregados de ameaças divinas para o resto da congregação. “Amados irmãos, depois da Obra do Senhor, o mais importante é a santidade no casamento como a base de uma família que agrada a Deus!” Repetia sem se julgar anestesiando-se nas frustrações alheias, fechando os olhos para as próprias misérias, tapando os ouvidos para os clamores visíveis e audíveis da esposa cada vez mais saturada de um homem se revestindo de hipocrisias, de mentiras e dos enganos que, como servo de Deus, deveria ser o primeiro a repudiar.

    Tirando a pauta do não-me-toque, a vida doméstica, de início era uma maravilha. De todos os quesitos que um bom marido deveriam ter, boa parte deles estavam destacados no currículo de Sílvio Agnaldo. Sempre atento às necessidades da igreja como também com os olhos sempre voltados para dentro de casa, nunca permitia que a mulher, quando se sentindo indisposta, se excedesse em assuntos do lar. Por isso, quando necessário era ele mesmo quem cuidava dos afazeres domésticos desde a limpeza e manutenção dos ambientes internos, os cuidados com as roupas e outros tecidos que iam para a lavadora, sem falar nas obrigações que exigiam dele algum tipo de locomoção; as compras semanais em supermercados quase sempre lotados, as visitas nas feiras a procura de frutas e verduras sempre frescas, e as filas de bancos à perder de vista que enfrentava sempre em nome do  amor; de pé por horas, até que todos os boletos relacionados a prestação de algum serviço necessário, estivessem quitados.

    Para encurtar as idas e vindas do trabalho, a residência estava localizada em um bairro vizinho a Campo Lindo. A construção simples erigida nos fundos de um terreno de duzentos metros quadrados, era ainda mais empoderada por causa do belo jardim ocupando quase toda a área externa da habitação: bordeado por pingos de ouro, cicas gorduchas próximo ao portão em um constante desabrochar de folhas esverdeadas, sem falar nos cactos acompanhados de rochas fragmentadas, das espadas de São Jorge sempre amostras, do Ficus, da Pacova, das Patas de Elefantes e das flores de todos os tipos e cores. E no centro do jardim, sobre um círculo cimentado, a palmeira gigantesca, velha de anos outroras, o tronco cinzento rachando sinais de apodrecimento recentes, que já somatizando problemas no piso, suas folhas inundadas de casulos de borboletas precoces, cobriam em molestamentos sombreados grande parte da varanda principal, bem na entrada da casa. 

    Apesar de modesto, a limpeza e conservação sempre constante do verde davam um ar mais respirável, mais louvável, mais receptivo ao ambiente delimitado por vizinhanças de casas sem qualquer cuidado, as pinturas de anos à refazer, telhados sempre velhos com partes esburacadas ou quebradas, e na frente dos portões sobre calçadas despedaçadas, um acúmulo de mal cheiro insuportável de sacolas rasgadas, o interior todo à mostra, lançados de qualquer jeito ali sem o mínimo do entendimento da importância da presença de um cesto ou mesmo de um latão de lixo para os proteger.

    "Meu bem, hoje a noite o culto se estenderá até a madrugada!"  Ela ouvia as constantes deixas do marido já partindo porta afora logo após ter certificado que a esposa de nada material necessitava em casa. Sentindo-se mais sozinha que o convencional, já imersa em pensamentos noturnos, ela recorria a velha bíblia companheira de anos. "Lerei Cantares de Salomão para me animar..." Sibilava palavras contidas, desviando-se de leituras apocalípticas, posicionando a luz do abajur frente ao rosto enquanto se esparramava por completo no leito raramente utilizado. Começava do início e logo se entediava no atravessar dos capítulos. Decidida a desfrutar mais dos solitários momentos de tempo, com olhos ansiosos ela ia pulando versículos, saltitando palavras, até encontrar as passagens perfeitas que mais a excitava; debruçada sobre eles com o coração palpitando recorrentes tremuras, a mente mergulhava vorazmente nas partes sempre grifadas, o papel amarelado pelo encardido constantes dos dedos acompanhando palavra por palavra, e a imaginação a mil, ora em galopes repentinos, outrora em demoradas galopadas, tudo por causa da provocação insinuante incendiando os pensamentos encorpados e deliciosamente imaginados em cada frase: "Oh amado da minha alma!" Sussurrava para si, os olhos cerrados, retrocedendo inconscientemente os pensamentos de volta ao passado. 

    "Dize-me, oh tu, a quem ama a minha alma: onde apascentas o teu rebanho, ondes o recolhes pelo meio dia…"   Letra por letra, as palavras cada vez mais sendo entoadas em uma sonoridade ficando adocicada, lenta e gradualmente era consumida pelos desejos da fêmea mulher que com o fogo abrasador corando o rosto angelical, descia pelo pescoço aquecendo os seios, passeava em movimentos circulares eletrizando o ventre, e por fim, se concentrando na virilha, espalhava-se gradualmente pelas pernas, devorando toda a sensibilidade contida nelas. Quando assim, já imersa em um fluxo de pecados não mais considerados, as memórias do seu passado tornavam a acariciá-la em contínuos tormentos, pululando na mente desejos antigos ainda ardendo inconscientemente, fazendo emergir do baú das lembranças secretamente guardadas, tudo o que ficou impresso em sua sexualidade de menina; os olhares inocentes, os beijos inflamados, as fugas momentâneas, os abraços apertados, e os toques de pele findando sempre em dedos carinhosamente entrelaçados. 

    Um frenesi de sentimentos cada vez mais conectados na extensão da amizade de tempos outroras, expressados nas carícias, nos afagos das faces ficando rosadas, e na paixão juvenil sempre envolta por um amor não fingido, deliciosamente correspondido, às vezes impossibilitado de ser expressado por causa de ausências proibitivas impostas temporariamente por ambos os pais. Tudo isso junto e eclodindo na sua feminilidade, a transportava para um momento da vida que, comparado aos dias atuais, fora mágico e sublime por estimular sensações genuinamente prazerosas que agora, pelo peso dessas ardências que brotavam no terreno infértil da sua conjugalidade, a molestava diariamente diante de todas as incongruências diárias vividas com Sílvio Agnaldo. Uma pausa para a respiração e logo então as mãos se encontravam debaixo da saia, os olhos cerrados, os pensamentos já enclausurados, e todo aquele peso no peito sufocado de anos áridos encontrava oportunidade para se diluir na liberdade sexual momentânea que, expurgando resquícios do pudor religioso ainda grudado na alma, desafogava por completo qualquer insatisfação outrora domesticada. “Que tesão!” Nayara Tokugawa sussurrava doces sussurros, os dedos eriçados passeando o tecido de algodão cada vez mais umedecido, tateando na mente por algo no casamento para se ancorar, se deleitar, e não encontrando nem migalhas na própria conjugalidade, retroagindo ainda mais o passado sem traços de culpas na própria psique, até se agarrar por completo às estruturas deliciosamente construídas em um relacionamento juvenil abruptamente deixado para trás. “Oh meu amor!” Gemia sem pronunciar o seu nome, entesourando na memória verdades que não ousava expressar em palavras, pelo medo de às enfraquecê-las, ou mesmo perdê-las por qualquer vento do acaso que, porventura passeando enquanto ela gemia, as engolfassem transportando-as para fora do ambiente das suas subjetivas realidades.

    De repente, parte das suas angústias evaporavam por um breve instante na respiração não mais contida pelo agitar frenético dos dedos acelerando cada vez mais o friccionar embaixo, inundando-a de carinhos imaginados também com outros homens que, recheando os inúmeros textos eróticos devorados em noites insones, a faziam se sentir temporariamente um pouco menos solitária.“ O mais importante é a amizade entre o casal... ” Retrucava em gemidos às constantes falas do marido-pastor, imaginando em desejos acalorados, “algum desconhecido” forçando passagem entre as pernas decididamente arreganhadas, ordenando posições corporais submissas, sussurrando palavras aveludadas ao pé do ouvido, a fazendo se sentir viva e plenamente saboreada no êxtase louco que jorrando entre as coxas, era maculado apenas pelo rancor refletido na vingança fictícia imposta mentalmente a Silvio Agnaldo. 

    Depois de três anos assim, a culpa após estes contínuos atos, já não a molestava. Esparramada sobre a cama, o corpo totalmente nu, inerte e inundado pelo deleite decorrente do abandono das fagulhas não mais eletrificadas, o que pairava após o frenesi era apenas nuvens carregadas de arrependimentos desconhecidos, sublimando os pensamentos pós prazer, e enquanto não fossem discernidos até as entranhas, a manteria  agrilhoada em um sentimento de extrema carência por ausência de consumação carnal. Após Nayara tanto buscar os encontros para os diálogos, colecionar noites de choro carregadas de ânsia que pareciam nunca ter fim, estabeleceram-se as brigas entre o casal e nunca mais os abandonaram. 
    “Deixa de ser frouxo! Você não é homem para mim!" Rotineiramente era o que ela mais vociferava amargurada, emitindo ofensas ácidas em suas tentativas desesperadas de encontrar alguma luz, alguma solução, ou qualquer válida saída para a decadente corrosão conjugal, ainda que estimulando o casamento a trancos de maus tratos contínuos. O marido argumentava sempre aos berros, exausto pelos uso dos mesmos argumentos, desprezando conscientemente a natureza das coisas normais da vida que o Deus que a seu favor eloquentemente ele pregava, havia definido de serem simples. Não demorou muito e logo essas ofensas verbais se converteram em uma agressividade recíproca, recheada de empurrões, tapas e pontapés que, engrossando o clima dentro da casa do santo casal, era ouvido à distância por toda a vizinhança assustada, confusa nas decisões a tomar, e que não sabendo discernir se era briga conjugal ou oração forte para destronar o capeta, não acudia e muito menos ligava para a polícia. Com o transbordar das duplas angústias no acumular de conflitos sob conflitos em demandas que desatavam até o nó das gargantas entaladas de anos, como não encontrando meio termo entre os diálogos que se tornavam cada vez mais raros, implantou-se um silêncio entre os dois que só era rompido quando na presença de algum conhecido, eles dissimulava intimidades, afetos fingidos, risos forçados em uma ginástica laboral tremenda para continuar mantendo as aparências diante de uma congregação cada vez mais desconfiada.

     

  • * Prazeres "quase" eternos

    Nos refletores, cores variadas explodindo em feixes de luzes ricocheteando os globos espelhados posicionados estrategicamente no alto do salão, infundia em cada um dos presentes, um misto de sensação cada vez mais agitado, frenético, dançante e prazeroso no expressar já movimentado dos pés sobre a pista de dança. “Que tanto de gata! Vamos praticar os passinhos? Marcos Hayashi era impulsionado pelos amigos em provocações já imersas e sequestradas pelo ritmo das músicas, vibrando neles, pensamentos, atitudes e comportamentos mais ousados que em um dia normal. “ Putz! Há tantos anos frequento esse espaço e nunca encontrei alguém que realmente valesse a pena!” Com o olhar viajando pelo ambiente, ele suspirava silencioso entre um e outro ressentimento, copo de cerveja à mão, acompanhando apenas com os olhos o grupo incompleto se enfileirando no centro, iniciando os passos exaustivamente praticados no fundo do galpão da fábrica. Conforme a música se desenvolvia e a provocação do ritmo abastecia a eletricidade dos corpos, a galera ao redor ficava cada vez mais agitada com gritos perenes, excitada pelos movimentos frenéticos de pés, mãos, troncos e cabeças metodicamente sincronizados entre os eles, perfeitamente expressando rostos já corroborados de sentimentos de aprovação por causa dos aplausos que recebiam. “ Galera, hoje não irei participar! Marcos sorria um sorriso desanimado partindo solitário para o segundo piso, após ter negado o convite quase obrigatório de estar ali, juntamente com eles, participando da coreografia que a alguns anos o clã  utilizava como “isca” para “pescar” novas garotas. Subindo as escadas, a alma tateando aqui e ali através de olhares trocados, contraditoriamente ele adentrou a sala reservada aos namorados, e como todas às vezes que se sentia entediado, caminhou lentamente atravessando o corredor sobrepujando uma parede esverdeada, onde após a grossa coluna de concreto, alguns banquinhos isolados construíam uma aura maior de privacidade no ambiente. Já sentado, o líquido embriagante sobre a mesa ao lado de um maço de cigarros amarrotado, ele ficava ali, o olhar perdido no horizonte dos sons, das cores e dos corpos agitados de desejo lutando contra a ansiedade e o receio de “porventura” voltarem desacompanhados após a farra.
    Como nas noites que velhos sentimentos voltava a atormentá-lo, ele retirou o pequeno livreto do bolso, capa azul de camurça, onde estava escrito em letras desgastadas e douradas o título: MAKTUB (Está escrito!) Com o rosto mergulhado vasculhava página por página, a fumaça do cigarro insistindo adentrar as pálpebras mas impedida pelo piscar frenético dos olhos, seu dedo finalmente encontrou a dobradura no cantinho que denunciava o papel amarrotado, sujo e amarelado pelas constantes releituras das letras. “O pior pecado do mundo é o arrependimento” Lia e relia em voz alta a frase que a tantos anos exercitava os músculos da língua e da mente, entremeando os pensamentos, devorando horas de suas horas por busca de significados diferenciados entre os inúmeros que se pôs a refletir em algum canto do apartamento. “Não acredito que estou vendo você aqui!” Era uma voz feminina e sensual, reconhecida no desabrochar da infância até a puberdade precoce, que acompanhou o Marcos menino nas ruas, nas praças, nas lanchonetes, na escola e em cada cantinho de casa quando imprudentemente esquecidos ali por ambos os pais. “ Linda Harumi! ” Em um sobressalto, os olhos não podendo esconder o impacto daquela presença, ele ficou vislumbrado com a beleza que agora encorpava a menina manhosa, delicada em gestos e nos protestos, a raquítica especial que insistia a tantos anos estimular antigas lembranças, povoar suas memórias, sempre o incomodando em desejos impossíveis de serem esquecidos. “ Há quanto tempo você está no Japão?” Já sentada e o encarando, Linda perguntava curiosidades ouvindo atentamente não mais se atendo a fisionomia do rosto dele, nem incomodada pelos olhares à volta a devorando de cima a baixo, mas no movimentar contínuo e singelo daqueles doces lábios que, na adolescência, tanto deliciou em beijar. “Estou à três anos no Japão! E você?”  Marcos respondia suas perguntas com o semblante amendoado e carinhoso, lutando com os olhos na verdade, mas não conseguindo se desvencilhar das curvas, das formas, da silhueta formosa ainda que na penumbra do ambiente levemente já esbranquiçado pela fumaça branca liberando um odor agradável que subia dos motores elétricos posicionados nos quatro cantos da pista de dança.
    Como água represada à anos, ambos assim ficaram, os olhos dele encarando sutilmente os olhos dela, ela tateando resquícios de percepções diversos nele, mas ambos simultaneamente impulsionados a encontrar nos diálogos; um sentimento comum impregnando as palavras, ladeando o pausar das resposta involuntárias, ou suspenso em algum movimento inconsciente que porventura denunciasse em gestos, em olhares, em suspiros inaudíveis que eles ainda se desejavam. “ Cheguei à três meses... é tudo tão diferente…  não sei se vou conseguir me acostumar!” Buscando refúgio no calor corporal que, paulatinamente se alastrava para a singeleza do rosto, Linda Harumi intercalava sorrisos com desvios de olhar, e ele, devolvia o sorriso envelopando com eles, promessas protetoras de alguém um pouco mais acostumado com toda aquela loucura, com todos aqueles trejeitos, com todas aquelas esquisitices de país de 1º mundo.  Finalmente chegava a pausa de descanso do DJ que, com as mãos doloridas, posicionou um LP enquanto os casais apaixonados iam se formando aos pares. “Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo...” Ele se levantou da mesa, e estendendo carinhosamente a mão em sua direção, a convidou para descer até a pista de dança ao som romântico de Mariah Carey...
    “You look into my eyes
    And I get emotional inside
    I know it's crazy but
    You still can touch my heart
    And after all this time
    You'd think that I
    I wouldn't feel the same
    But time melts into nothing
    And nothing's change…”

    Já abraçados, as mãos de Linda suavizadas sobre os ombros seus ombros e as deles circundando firmemente sua cintura, por um momento ou pelo tempo que durou a música, toda uma torrente de sentimentos acumulados e represados ao longos dos anos passados, arrebataram suas almas: vieram as lembranças das promessas joviais expressas em beijos singelos e demorados, das fugas entremeio as festinhas que aconteciam na vizinhança, as travessuras, os receios, e a intranquilidade pelo possível flagra ao pé da porta que avultam ainda mais em sentimentos sinceros, crescentes, genuínos, se apossando cada vez mais do coraçãozinho de ambos na pré-adolescência. “Nunca consegui te esquecer!” Marcos proferia confissões acaloradas ao pé do seu ouvido, a respiração de ambos ficando acelerada, diminuindo cada vez mais o espaço entre os corpos no apertar dos abraços não tão sutis, seduzidos cada vez mais pelas passagens românticas da música. “ Ah Marcos… eu também não … “ Ela respondia os gracejos já se sentindo segura nas palavras, o queixo angelical repousado sobre o ombro dele, deixando a doce fragrância do perfume nos cabelos embriagar cada vez mais o olfato do recém amor reencontrado. “ Parece que foi ontem....”  Refletiam no conforto do próprio silêncio, os passos alternados; dois para lá, dois passos para cá, e a canção anestesiando os corpos da tensão do dia, adocicando pensamentos diversos, enternurando emoções antigas, revirando no fundo do baú dos sentimentos até encontrar o ‘’amor descontinuado’” ainda fibrilando pulsões, latejando sensações, emergindo na epiderme do ser resquícios do prazer de uma vida a dois interrompida, impossível agora, pela força do destino ou pelo acaso do reencontro de almas que se procuravam, permanecer vivo somente nas lembranças.
    “Não vai nos apresentar ?” Logo ao final do repertório romântico, os amigos se aproximaram expressando arfadas, suspiros e golfadas de ar intercaladas, provocando ciúmes ao colega que, diante daquela beldade, o julgava um cara sortudo. “Essa é a Linda!" Apresentava a acompanhante ao seleto grupo de amigos em círculo, desejando naquele espaço de tempo ter dito “meu amor” ao invés de “minha amiga”, dando-lhe um beijo singelo na bochecha, enquanto permitiu que ela fosse fuzilada por perguntas vindas de todo o grupo. Ela respondeu todas as perguntas buscando sempre apoio na presença ao seu lado, as palavras entrecortadas por gestos, por olhares, por suspiros acompanhados de uma entonação amanteigada na voz, e a todo momento direcionando o olhar para aquele que a abraçava. “ Vamos reunir a galera amanhã na estação. Você vem?” Convidaram. “Não vou dar certeza pessoal... Eu e a Linda acabamos de nos reencontrar e talvez tenhamos outros planos para amanhã...” Franzindo os olhos, Marcos a encarava com ternura em rabos de olhos desconfiados, receoso por ter ultrapassado por assim dizer, algum limite dela, na resposta espontânea que deu ao amigo. No relógio central localizado no alto do chafariz da praça principal, bateram duas horas da manhã quando todos se despediram em frente da casa noturna denominada B’One com o frio cortando porta afora, cada um seguiu esgotados e satisfeito em passos apressados na direção do ponto de ônibus. “Aonde te deixo?” Marcos Hayashi perguntava já sentindo saudades, conduzindo-a rumo à estação do metrô subterrâneo enquanto Linda Harumi momentaneamente muda, sorriu envergonhada, com o rosto mais corado que o normal. “Me leva pra sua casa?” Ressabiada e com os olhos miúdos enterrados em sua direção, como uma cadelinha sem dono ela apertou ainda mais o braço encadeado ao seu. Por um instante de momento, com a mente de Marcos  sendo pega desprevenida viajando em devaneios passados, ficou mudo.  “Se você quiser é claro...” Ela reforçou o auto convite com a face insegura e envergonhada,respeitando as próprias pausas respiratórias do ar gelado adentrando as narinas, concentrando o seu olhar a partir dali, nas leituras de uma "aura" agora desperta, emitindo paulatinamente um brilho mais incandescente que antes.
    Após apearem do táxi, ambas as mãos roçando a pele em toques singelos, finalmente seus dedos se entrelaçaram. “Nem em mil anos poderia ter imaginado reencontrá-la...” Marcos Hayashi comemorava em silêncio, a respiração ficando ofegante, e a imaginação a mil enquanto conduzia com doçura Linda Harumi já na entrada do pátio. “Cuidado com o degrau princesa!” Advertia carinhoso, controlando em pausas a excitação se avolumando na mente, enquanto admirava de rabo de olho a silhueta formosa revelada na penumbra da noite. “ Haha! Princesa? Nossa! Estou adorando esse seu tratamento VIP!” Ela subia lentamente cadenciando os passos, a lanterna do celular Iluminando o caminho, enquanto se esforçava para apaziguar o vestido florido, rebelde ao corpo, totalmente agitado com as rajadas de ventos vindo em ambas as direções. Dentro do apartamento N° 404, já protegidos da tortura congelante que ficara de fora, em um impulso logo eles se aqueciam abraçados. “Precisamos de um banho!” Linda se antecipou em falar, para logo em seguida, às pressas, corrigir o possível mal entendido sublimado nas próprias palavras: “ Quero dizer que eu preciso tomar um banho…” Energias inocentes estas, entremeando suas falas, passando a vibrar insinuações sensualmente mais provocantes na libido de ambos. “ Sim, claro! Vou pegar um roupão para você…” Suspirou.
    Foi uma “puta grosseira” de um prostíbulo localizado no centro de uma cidade chamada Omya que anos atrás “roubara” a virgindade do inexperiente Marcos. Entre as “estocadas inseguras” ora ela folheava uma revista, outrora retocava a maquiagem borrada, mas sempre e compulsivamente recontando o dinheiro adquirido que escondia entre cobertores inundados de suor. Com as pernas arregaçadas, recebendo as idas e vindas frenéticas que estremeciam toda a extensão do seu corpo judiado, ela não se esforçava para esconder a má vontade do “ fazer ” expressado nos suspiros tediosos que bufava, nos olhares indiferentes carregados de desprezo, e principalmente na falta de educação que denunciava o cansaço da “ labuta exagerada ” que mulher alguma nunca deveria se acostumar. Dentro de uma cabine 3x1 mal iluminada, com homens e alguns jovens atrás da porta em fila ansiosos para adentrar, foi que Marcos Hayashi aos 16 anos de idade iniciava a traumática vida sexual que, dali pra frente, viciava sua carne, mas violentava inevitavelmente a sua alma. Agora Linda Harumi estava ali: lindamente provocante, insinuante em gestos inconscientemente diretos, arrebatada por desejos de compartilhar com ele, o abecedário completo do prazer quando é deliciosamente conjugados nos verbos: dar e receber amor. Mas Marcos respirando resquícios dessas mesmas frustrações passadas, instintivamente se fez de desentendido, corou nervoso, e insinuando à tarefas esquecidas, ele desprezou momentaneamente os clamores desesperados da sua faminta carne. “ Está com fome? Que acha de eu preparar um lámen pra nós!” Dizia partindo para a cozinha, lhe entregando um roupão amarelo, enquanto Linda envergonhada pelas recentes falas, fechava a porta do banheiro confusa. “Fiz besteira… como você é oferecida garota!" O quê ele vai pensar de mim?” Ela naufragava em perguntas confusas, tirando a roupa vagarosamente, e em paralelo, procurando defeitos em frente a um espelho que revelava seu físico, mas não as angústias brotando da sua alma. “ Burra, burra, burra...” Balançada pelas próprias condenações, ela achava repouso apenas na batida quente das águas que, inundando suas costas, descia suavemente ladeando e abrangendo as curvas acentuadas das nádegas.
    Na cozinha, segurando uma faca afiada na mão, Marcos Hayashi preparava entre um suspiro e outro, os ingredientes que comporiam o preparo do alimento à base de massa: o kombu, o niboshi, ossos de carne, shitake e um pouco de cebola. Mantinha o pé segurando a porta da geladeira entreaberta para alcançar com a mão um par de ovos mexidos que quando quebrados, caiam na água fervente, diluindo e empedrando ao mesmo tempo. “ Que vontade de estar lá, tomando um banho quentinho, agarradinho com ela... ” Dizia degustando os pensamentos vindos do demoniozinho sibilando em seus ouvidos, os seus olhos revirados ao teto, já sentindo no corpo as velhas tremuras do prazer.

    “Mas ela não é como as outras que eu  comi...” Deu o veredicto final, se concentrando no tempero, despejando as verduras picadas na panela enquanto o macarrão duro amolecia aos poucos, no compasso das mexidas da colher de pau. O cheiro do lámen proporcionado nos vapores que subiam em espiral até o teto, seguia o fluxo do ar sorrateiro que entrando pela abertura da janela da sala, alcançava e engolia todos os ambientes do apartamento. “Que cheiro delicioso! ” De repente, Linda, a passos lentos, com o roupão grudado a um corpo jorrando vapor pelos ares, despontou silenciosa na porta da cozinha, e encostando no portal contemplava-o enquanto penteava com os dedos seus longos cabelos umedecidos. 

    Sobre a mesa, os tchawans esperavam virados de cabeça pra baixo bem ao lado dos hashis de madeira recém tirados de uma embalagem. Para acompanhar o preparo; shoyu, pimenta e um pouquinho de kurikake que era jogado sobre o arroz cozido sem um pingo de sal. “ Linda, use o meu quarto para se trocar! ” No quarto, já sentada sobre a cama, Linda Harumi vasculhava com olhos nervosos resquícios que porventura indicassem alguma pista, alguma mancha, cheiro ou algo que confirmasse que alguma presença feminina havia passado por ali. Não encontrou nada. Apenas fixado nas paredes, três pôsteres de tamanho 2x1 “embelezavam” o ambiente pouco iluminado, gerando um frenesi louco de imagens retiradas de revistas hentais (pornô). Em cada cenário, mulheres nuas em  poses extravagantes e sensuais, revelavam as próprias “curvas” sem nenhum pudor. Por exemplo, na parede frontal, estampado estava a imagem de uma loira estonteante: só de biquíni e agachada de costas, ela segurava uma bola de basquete, glúteos quase ao chão, o rosto virado pra trás oferecendo um sorriso lindo carregado de provocação. Na parede lateral à esquerda, bem ao lado de uma estante montada de ferro encaixáveis, o segundo quadro apresentava uma morena escultural em meio à mata: sentada sobre uma grande pedra, as pernas entreabertas, o dedo indicador da mão esquerda passeando os lábios volumosos em um olhar inocente, subliminarmente convidativo ao prazer. À vista ficavam os seios fartos, as coxas grossas, a barriga bronzeada, e o sexo totalmente à mostra, sendo ladeado carinhosamente pela pontinha dos dedos da mão direita. Por último era a ruiva emoldurada no cantinho especial do quarto, por cima de uma escrivaninha coberta por livros e algumas revistas de sacanagem organizadas metodicamente em fileiras que faziam divisa com um porta canetas de aço. A terceira beldade estava suspensa sobre uma máquina de escrever antiga que, há alguns anos, Marcos Hayashi vinha dedilhando alguns poemas apaixonados. “Assim você acaba comigo guria!” Era exatamente assim que ele em seus devaneios frequentes, repetia sua confissão sem se cansar, sozinho no banho ou debruçado sobre a cama, devorando a imagem nua com olhos famintos enquanto arregaçava o “membro endurecido” salivando de desejo, saltitante na palma da mão. “ Nem consigo trabalhar amanhã ” Desejava-a com a boca, os pensamentos soltos e encravados em cada pedacinho do corpo dela: nos lábios carnudos insinuantes no movimentar da língua aos beiços, nos seios fartos carregados de uma volúpia descomunal que refletindo o rosado dos bicos pontudos expressava ainda mais a brancura da pele sedosa, na bunda redondinha, formosa em formas, empinando convites a deliciosas cavalgadas aceleradas, e por fim, na cerejinha do bolo, o gran finale, representado pelo sexo depilado, acentuado pelas marcas de um biquíni ausente, deliciosamente pronto para ser consumido a exaustão. Gemendo sempre baixinho acompanhando o movimentar frenético do vai e vem dos dedos cerrados, ele não deixava que nada passasse despercebido à sua mente, sempre voraz a tudo que, dependendo da quantidade dos pixels da imagem estática, pudesse ser deliciado.
    Deslumbrada com a beleza das imagens, no entanto visivelmente perturbada com a rivalidade que elas representavam, Linda Harumi ficou por um breve espaço de tempo às encarando de frente; o olhar empoderando, a respiração firme e pausada na postura ereta do corpo que anunciava ali, algum tipo de futura batalha. “O reinado de vocês, suas piranhas, acaba aqui!” Dizia em falas esquizofrênicas, relaxando os ombros e as costas, sentindo-se mais leve, mais segura e liberta nas recentes palavras que expurgaram algum tipo de mal inconsciente. Em seguida, após vestir um moletom acinzentado, procurou na gaveta inferior da cômoda alguma meia que pudesse calçar. “Será que é o diário dele?” Lina Harumi manuseava um caderninho capa de couro, cor vinho envelhecido, com o tempo de uso já considerável, sem anotações externas que denunciassem algum tipo de função. Abri-lo sem ser descoberta era impossível. Trancado pelas bordas, um pequeno cadeado dourado garantia que o conteúdo das páginas, seja lá o que for que estivesse escrito, ficasse totalmente inviolável, definitivamente inacessível a olhares curiosos. 

    “ O lámen está pronto... ” Sobre a mesa, com os olhares timidamente trocados, eles se sentaram lado a lado, talheres à mão, servindo da panela à frente, deliciosa e convidativa aos olhos no saciar da fome acumulada, expressada nos roncos sugestivos do estômago que horas atrás vinha reclamando como cachorro louco. Dizendo “Oishi!” em japonês, Linda agradecia a Marcos Hayashi com a boca cheia do macarrão, ora suspenso sobre as duas ferpas do hashi que, enfiado entremeio aos fios, lutava para manter-se firme e ancorado aos dedos. “Vamos ouvir uma música?” Retirando o CD da Roxette do estojo, Marcos o encaixou cuidadosamente no compartimento do aparelho eletrônico, girando o botão do volume até que a canção Listen To Your Heart, já audível em som ambiente, começasse a tocar:

    “I know there's something in the wake of your smile
    I get a notion from the look in your eyes, yea
    You've built a love but that love falls apart
    Your little piece of heaven turns too dark…”

    Finalizado o jantar, eles se sentaram na sacada do apartamento. Com o coração mais acelerado, a respiração ofegante em ciclos se alternava de acordo com a temperatura no interior do edredom enroscado em ambos os corpos à convites de contatos mais aflorados. “A lua é linda!” Ouvia-o dizer poemas ao pé do ouvido, aveludando as palavras, e com o olhar amoroso, Marcos ajustava o tom da voz na altura perfeita que não atrapalhasse a melodia de amor que continuava entoando vibrações carregadas de candura a partir do aparelho na sala.

     “ Eu a perdi uma vez…” Marcos ditava promessas que insistia que iria cuprir a ela, o seu olhar ficando sério, apertando seguidas vezes um chumaço do edredom felpudo que ia reduzindo cada vez mais o espaço entre os dois corpos se ardendo de desejo no resvalar nada sutil dos toques eletrizados. “Ah mas éramos apenas dois jovens apaixonados...  Enroscada ao seu peito e com a ponta dos dedos, Linda identificou uma estrelinha sob a lua, reluzindo seus raios cintilantes na penumbra da noite. “ Vamos compensar agora, né princesa ? Ao ouvir a energia vibrando destas doces palavras, Linda Harumi duplicou o sorriso espaçando ainda mais o espaço entre os lábios, agasalhando no coração de mulher sensibilizada com o cenário, as doces seguras palavras recém-ouvidas ao pé do ouvido. “ Podemos sim e vamos! ” Marcos Hayashi reforçou novamente os abraços, o seu semblante esmagando o dela, sorvendo com a língua o excesso do chocolate que ficara salpicado em um dos lados da bochecha. O carrossel girando no aparelho de som, por fim alcançou o último CD posicionado e, no compartimento sobre o laser, posicionou a música romântica La Solitude de Laura Pausini:

    “Marco se n'è andato e non ritorna più
    E il treno delle 7:30 senza lui
    È un cuore di metallo senza l'anima
    Nel freddo del mattino grigio di città
    A scuola il banco è vuoto, Marco è dentro me
    È dolce il suo respiro fra i pensieri miei
    Distanze enormi sembrano dividerci
    Ma il cuore batte forte dentro me”

    Ali, sobre o luar, os rostos corados levemente sendo iluminados, eles deram o primeiro beijo de amor que, dali pra frente, selaria o reinício da relação iniciada na adolescência. Debaixo do cobertor, ora os corpos se fundindo nos abraços apertados, outrora as mãos soltas à vontade brincando apalpadelas entremeio ao vácuo, deixava a pele toda eletrizada, desejosa por mais, carregada de uma ânsia insaciável por toques mais acalorados. “  Sou toda sua amor!” Linda Harumi se jogou sobre seu corpo, o olhar levemente ficando devasso, se distanciando rapidamente da timidez inicial, incentivada ainda mais pelo alastrar da ardência úmida no enroscar frenético das duas línguas. “ Vem cá... não foge! ” E ela o segurava em suas falsas escapulidas, ambos os sexos estimulados debaixo da roupa, a sua boca carnuda toda enlouquecida, desejosa por mais, naufragando em um mergulhar cada vez mais profundo dentro dos lábios do amado.

    Linda se entregava sem economias, excitada pela voracidade dos beijos contínuos, pelo calor tempestivo gerado nos abraços mais apertados, mas sempre e paulatinamente testemunhando o desnudar do próprio corpo no avultar nada sutil de dois olhos incinerados. Ainda que se sentindo sequestrada pelo desejo de satisfazer a ele ou mesmo ansiando querer mais pra si dele, ela permanecia totalmente entregue diante das investidas sequenciais, palpáveis, ou gustativas, não interrompendo as preliminares nem diante das tão necessárias golfadas de ar. “Fica louquinha pra mim, fica princesa?” O amado balbuciava para uma mulher cada vez mais perdida nos próprios sentidos, a cabeça emborcada para o lado em desprezos dos cabelos sobre o ombro, permitindo com estes submissos atos, uma passagem mais convidativa ao prazer, carregada de provocações eróticas, aprisionando parte dos desejos de Marcos focado na consumação exacerbada da pele nua em volta do seu exuberante pescoço. “Ai que tesão...” Sem piedade Marcos caia esfomeado, o pensamento acelerando o palpitar do coração nos gemidos crescentes ao pé do ouvido, beijando a pele dela com carícias provocativas no passear sensível junto aos lábios, em suaves mordidas no lóbulo inchado de desejo, seguido por intercaladas enfiadas da língua no fundo do orifício do ouvido. “Hum, já estou tão molhada...”. Excitado, Marcos finalizava o ciclo degustativo com chupadas mais sedentas que as iniciais, sua língua serpenteando roxeões à flor da pele, notórias a ver de longe, afogando cada vez mais a libido de ambos no desejo louco de adentrarem o próximo estágio.

    Grossas nuvens formando no horizonte, e o próximo estágio acontecia estritamente às apalpadelas aprofundadas, a mão de Marcos adentrando o moletom de Linda, a pontinha das unhas arranhando suavemente a lateral do dorso dela, a deixando toda arrepiada, louca de desejo por ele que, suas mãos subindo o sutiã, não saia dali, até vencer o adversário empacado, o fecho não sincronizado com o tesão arrebatador que há muito tempo já engolia os dois. No concentrar mental entre as pausas para a respiração, finalmente o fecho se abriu, os sorrisos antes abafados coloriam mais o rosto, as mãos resfolegantes por tatear tanto, finalmente degustavam toda a volúpia de um par de seios extremamente fartos. “ Também estou pegando fogo...” Marcos Hayashi advertia sem parar e ela ficava cada vez mais excitada nas carícias, nos afagos, no movimentar da pontinha do dedo pressionando levemente os bicos dos seios e os deixando mais inchados, entumecidos e desesperados por mais. “Agora desce um pouquinho...” Em seguida, como um cachorrinho bem adestrado ele fielmente obedecia, descendo ao ventre chapado, passeando os dedos na extensão da virilha, estacionando nos pelos pubianos macios e escassos, ora puxando-os levemente como se quisesse arrancá-los, outrora massageando por cima como uma mãe amorosa acariciando os cabelos do filho.

    Ali na virilha, a calcinha apertada denunciando tatilmente a umidade do sexo vazando o exterior do tecido, os dedos dele ficaram mais agitados, mais sedentos, mais ansiosos por causa do ritmo pulsante do sangue que, circulando com maior rapidez nas têmporas da testa, aumentava cada vez mais a pressão sanguínea dentro da cabeça. “Que bucetinha molhada..." Assim, narrando seus laboriosos atos, Marcos começava devagarinho, acariciando o clitóris em movimentos suaves, às vezes frenético no enrijecer dos dedos, mantinha estes movimentos por alguns segundos, depois voltava a ladear os lábios de cima a baixo, arregaçando a abertura da vagina, sempre com o extremo cuidado de não feri-la com as unhas. Na entrada do orifício, com o desejo sexual alimentando a sua sensibilidade criativa, Marcos Hayashi sentia o próprio “pau” ao invés de “dedos” endurecidos: indo, vindo, estacionando lá no fundo, depois voltando e entrando novamente, retornando a ladear os grandes lábios como no início, saboreando assim, devagarinho, palmo a palmo, toda a  densidade cavernosa daquele sexo encharcado.“ Que vontade de chupá-la...” Diante de um par de olhos se cerrando, ele retirava e adentrava os dedos do orifício, e com a viscosidade fazendo ponte entre o indicador e o polegar, abocanhou os dedos com uma tal voracidade, que a deixava ainda mais excitada.

    Era de se esperar que a chuva logo caísse do céu já tenebroso, anunciando o prelúdio que viria através das trovoadas que estremeciam os carros estacionados, os latões de lixo, os postes de ferro mal posicionados, os corrimões das escadas e seus parapeitos, as paredes de alvenaria, os telhados, as janelas, e toda a extensão da sacada onde eles se encontravam. “ Por favor, vamos entrar?” Ela agarrava-se a ele enquanto os clarões dos raios iluminavam como flashes instantâneos os ambientes antes ocupados apenas pelo negrume da noite; as vielas pouco movimentadas, o sombrear das árvores envelhecidas na entrada do pátio e os corredores dos edifícios vizinhos mal iluminados por causa da baixa potência da lâmpada. “Claro que sim! Vamos...” Ele com o olhar prestativo encadeou seus braços a ela que, sentindo o cheiro másculo exalando do seu corpo úmido de minutos outroras, agora lutava para manter toda aquela excitação incubada no seu corpo de mulher ainda não satisfeita. Caminharam até o interior da sala com os dedos entrelaçados, ambos os rostos selando-se entremeio aos beijos que aconteciam aos trotes, e quando atravessaram o ambiente, alcançaram por fim o aconchego do quarto quente, totalmente preparado ao prazer. 

    No canto esquerdo do dormitório, um abajur chinês com cúpula esbranquiçada e base em tons que se aproximavam ao vermelho sangue, estava localizado a ½ metro da cama. A partir dali, emergindo sua luzinha fraca e limitada, os feixes de luzes alcançavam apenas parte dos móveis e objetos que compunham o lugar, emergindo todo o resto do ambiente em uma penumbra amarelada que se permitia ver apenas vultos nas sombras. “Safadinho você hein...!” Dando voltas ao redor e se posicionando fronteiriço as paredes do quarto, para o provocar, ela encarava as três imagens emolduradas, arranjadas de tal forma que, a iluminação refletida diretamente nos retratos, acentuava ainda mais a beleza irradiando de cada uma das daquelas deliciosas curvas estáticas. “São só pôsteres que não significam nada...” Usando argumentos que mantinham a suavidade do clima ainda pairando no ar, ele a apertou no peito, deu-lhe logo um beijo ardente, sugando todo o fôlego que ela tinha reservado para revidar em palavras. “E eu?” Sorrindo baixinho entremeio aos gritinhos de prazer sufocado que quanto mais ela emitia, ele delirava, seu pescocinho sensível ficou totalmente exposto às carícias vorazes dos lábios incendiados de Marcos. “Você é o meu xuxuzinho!” Respondendo respostas agradáveis, ele a abraçava cada vez mais forte, temperando com humor as palavras salpicadas com ternura, emulando à partir do coração que em outros tempos estava desassossegado, o amor adolescente interrompido anos atrás, e que agora, se ascendia em envergadura e presença,  anestesiando a psique de ambos em confortos verbais e carinhos visíveis, expurgando de dentro dela, qualquer tipo de malícia que porventura instigasse a continuar se avolumando de ciúmes infantis. “Assim você me ganha!” Agora, com o ar do ambiente mantendo sua nobreza, o mesmo inspirava leveza, e impregnado das liberdades não palpáveis que tanto protegem e estimulam os amores, eles voltaram a se aconchegar nos abraços.

    A música havia parado de tocar no aparelho quando o som da chuva torrencial começou a despencar do céu. Inicialmente foram pingos pipocando sobre o telhado que, quando se avolumavam na calha, transbordavam na parede e desciam inundando as bordas janela, deixando a vidraça completamente enervada por grossos fios de água que se enraizaram. “Que fofinho !”  Retirando a calcinha rosa de Linda, Marcos a deslizava entre as pernas entreabertas, enquanto ela o encarando na direção dos seus olhos, se situava através do brilho ocular emitido graças a uns poucos feixes de luzes que ricocheteava em um espelho e jorravam entremeio a escuridão do quarto. Com as mãos segurando o objeto íntimo, ele o levou até o rosto, acariciou a própria pele como se fosse a dela, e em seguida buscou entremeio as linhas do tecido de algodão, o cheiro exalando da essência úmida impregnada no seu interior..“ Tem um odor maravilhoso ! ”  Era o que repetia antes de entrar em um transe louco que o levou a sugar todo o resquício do líquido viscoso que pairava na superfície do algodão. Marcos a elogiava lambendo os próprios beiços, passeando a língua aos lábios, acariciando o membro endurecido trincando pulos desesperados para fora da calça. Como uma mulher não enlouquecerá de prazer diante destes atos? Ver o amado se satisfazendo assim; como um cachorro doido, faminto de desejos, degustando “sabores” e consumindo “odores”, o olhar faiscando contatos mais aprofundados na pele dela, a sua boca gulosa pipocando em brasas, desejando a todo custo bebericar toda a sua intimidade?

    “ Mantenha bem abertinha para mim... ” Marcos segurava suas pernas entreabertas, enquanto descia a sensibilidade do seu rosto devagarinho, suavizando toda a extensão da pele dela. “ Tá gostoso assim? ”  Passeava a língua úmida no interior das coxas, saltitava entre elas, até chegar pertinho dos grandes lábios. Apesar do tesão implorando por extravasar, ele não adentrou por um instante. Permanecia apenas ladeando lábios e língua por fora, energizando a libido aflorada nos toques singelos na pele do seu rosto provocando a pele dela, enquanto beijos e mordiscadas suaves eram alternados rente à divisa, arrepiando Linda Harumi ainda mais no desejo louco de ter todos aqueles limites íntimos ultrapassados. “ Tá judiando demais de mim...” Linda emitia gemidos suaves, os olhos semicerrados ao céu, adocicando a voz no rebolar perfeito que poderia colocar o pingar do seu sexo, mais bem posicionado frente a lábios vertendo lavas incendiárias. Com as pernas tremulando sobre os seus lábios, finalmente Marcos Hayashi decidiu que a doce tortura chegava ao fim. “ Enfia essa linguinha lá no fundo, por favor… ” Enlouquecida nos estímulos e ainda mais sendo consumada a exaustão por uma boca esfomeada, ela desfrutava o desidratar dos próprios fluídos entremeio a uma língua louca, serpenteando enrijecida sobre o clitóris vibrando cada vez mais intumescido. O amado lambuzava os beiços, a pausa para as suas respirações sendo adiadas, a língua, os lábios, e a boca por um todo sempre prudentes na aceleração frenética que desprezava ainda mais os protestos alarmados pululantes no aperto da própria calça. Lentamente, palmo a palmo, com a língua tateando aqui e ali ansiando por absorver resquícios de sensibilidade ainda não explorada, Marcos subia e descia devagarinho, palmilhando olfatos, degustando com excelência toda a textura da pele sensível envolta da vagina. Com a pontinha dos beiços, os dentes acovardados dentro da sua boca, ele puxava cuidadosamente os lábios vaginais: ora os esticando de encontro a si, outrora soltando-os de volta, mas sempre e repetidamente voltando a esses mesmos atos de provocação, gerando dessa forma, uma tensão sexual assoberbada em gemidos cada vez mais carregados de gratidão.

    Linda Harumi suplicava a ele, e ele com a excitação expressada na face avermelhada, mergulhava cada vez mais fundo dentro dela: tateando o interior da intimidade, sentindo as fissuras cavernosas no penetrar inicialmente tímido, e em seguida perfurador da língua até o fundo, mas sempre engolindo e engolfando em êxtase absoluto cada pedacinho da sua libido transbordante de mulher lucidamente entregue. Abandonando os trejeitos ora iniciais, de súbito ele alternou o tom das investidas, antes lentas e delicadas, para em seguida se lançar com maior avidez, maior gula e uma sede insaciável na agressividade enternurada que tomava conta da sua língua. “ Uiiii, Marcos, eu estou quase gozando!” 

    Ela arfava transes carregados de extrema sensualidade; serpenteando o corpo e revirando os olhinhos para o alto, expressando nestes sequenciais atos, todos os desejos outrora reprimidos no ser e agora, expressos no mordiscar frenético das unhas aos bicos dos seios, das mãos galgando carícias em volta do pescoço e lóbulo da orelha, movimentos incontroláveis que a deixaram toda inundada, desejosa ao extremo, fielmente descabelada diante do frenesi possuidor de promessas de êxtases absolutos. “Não para que eu vou gozar!” Quando ouvia este tipo de confissão, Marcos dava brecadas propositais como parte de seus planos de prazeres quase eternos, cheios de malícias, com os lábios umedecidos se afastando do sexo temporariamente desidratado, e arrancando nesses covardes atos, protestos acalorados carregados de uma ansiedade descomunal, ainda mais expressados no rebolar ensandecido das nádegas sobre seu rosto. “ Aguenta mais um pouquinho...”  Marcos também empacava excitado, seus olhos encarando um olhar desvanecendo, mas sete segundos depois ele voltava a apertar o botão do start com mais vontade, maior voracidade e grande desejo nos lábios entremeando as pernas dela; degustando os sabores, consumindo os mesmos odores, fibrilando as velhas palpitações em um bailar nada sutil do clítoris sob a vibração mais enérgico da sua língua.

     Após sequenciais investidas assim: frustrantes e ao mesmo tempo provocantes na carne suada, a excitação de ambos novamente alcançava o nível máximo; ele voltando da embriaguez, subia até a virilha,  passeava a língua sobre o ventre dela, ladeando sempre em sentido horário ou ao contrário os biquinhos pontudos e rosados aprumados em ambos os seios. Por fim, pairava sobre o rostinho angelical e lindo levemente desfigurado pelo prazer interrompido de minutos outroras. “ Agora sente o seu gosto na minha boca! ” Marcos ia ordenando submissões e despejando na boca dela toda a essência do sexo ainda pairando sobre seus lábios, e Linda Harumi gemia mais enlouquecida, se perdendo nos cheiros, nos gostos, nos próprios fluídos a sublimando em metamorfoses embriagantes da própria sexualidade. “ Fica de quatro...” Ela totalmente turva entre os sentidos rodopiando, logo ficou de quatro, enquanto ele afrouxando o cinto da calça, tirou o jeans apertado denunciando um volume exagerado dentro da cueca box. “ Putz, esqueci o preservativo...” Expressando preocupações no semblante, Marcos ia revirando as gavetas da cômoda e do guarda roupa, o membro endurecido bailando vendido no ar, enquanto ela enlouquecida suplicava cada vez mais alto para logo ser penetrada...

    “ Te quero por inteiro… ” O provocava em palavras suavizando gemidos em seu ouvido, tentando-o com o timbre da sua voz ficando enternurada, oferecendo ali toda a volúpia dos lábios vaginais arregaçados e ainda mais valorizados no rebolar provocante das nádegas passeando sofregamente para ambos os lados. Com o rosto enterrado no colchão e a curvatura perfeita da coluna indo de encontro com um arrebitar cada vez mais acentuado da bunda, ela insistia: “ Ah! Assim não! Vem logo Marcos...”  Agora Linda ordenava em gemidos, e ele de pronto obedecia em desesperados desejos de obedecer; optando assim por deixar do lado de fora do quarto; todas as disciplinas latentes que poderiam por hora, evitar preocupações carregadas de reticências futuras, desprezando nessa forma de agir e mal calcular, quaisquer empecilhos ao prazer corroborado nas duas carnes que finalmente se esfolavam. “ Que fogo...” Em baixos sussurros e com a respiração ofegante,  Marcos sentia o pulsar do próprio sangue circulando incontrolável nas veias, enquanto ela desfrutava centímetro a centímetro conforme a consumação operava por baixo das suas operantes nádegas. “ Mete com mais vontade... ” Linda Harumi se sentindo ávida, com tamanha eroticidade mordeu o travesseiro, e com o sexo sendo arreganhado em um cravar de dedos afastando ambas as suas coxas para os lados, com as intimidades escancaradas, ela testemunhou seu clitóris tremer e vibrar em um aperto sufocante socando sequenciais intensidades por baixo das suas nádegas.

     Percebendo o seu sexo friccionar suavemente o “ ponto de contato” do outro sexo, ele com a mão esquerda apoiado sobre a bunda dela, buscava apoio para investidas mais emborcadas, perfeitamente mais bem posicionadas, realizando movimentos transversais no penetrar, ou verticais o suficiente para que os pés levemente em suspensão junto ao corpo favorecessem um ângulo melhor, um colocamento melhor, facilitando dessa forma uma postura mais adequada para que a rigidez peniana infringindo o clitóris intumescido, o esmagasse sucessivamente em todas as investidas de entra e sai. E assim foi. Sucessivamente, exaustivamente, calorosamente provocando o desejo sexual tempestivo, a eletricidade afrodisíaca se apoderando de ambos os corpos inebriados por mais, o prazer não maduro emergindo a virilha, se espalhando pelos músculos em calafrios reconfortantes carregados de promessas de devaneios altissonantes, a tensão tão estimulada nas preliminares, saldada ali, nos pensamentos não mais confundidos e muito menos controlados pela consciência já livre das prisões, liberta dos atrasos, se entregando de vez na luxúria do gozo explodindo no corpo e na alma de ambos. “ Linda! !” Ele dizia “ Marcos !” Ela respondia. Encerrando os gemidos, jogados um sobre o outro, totalmente nus e encharcados pelo deleite percorrendo os corpos, eles adormeceram. 

    Com o irromper do sol no horizonte denunciado que o alvorecer havia principiado, ambos se sentiram levemente atordoados quando no abrir da janela do quarto, golpes de ventos carregados de resquícios da neblina que havia varado a madrugada ainda insistia umedecer a camada de ar, somando-se ao cheiro das flores e das árvores, principalmente do pessegueiro plantado na frente do edifício, inundando ambos os pulmões de uma essência revigorante que rememorava antigas recordações no peito de Marcos. Ficaram por alguns instantes posicionados assim, os rostos sobrepujando parcialmente o limite da janela, avistando ao longe as montanhas, as nuvens pairando quase inertes sobre elas, e toda a vegetação limítrofe pelo alcance de dois pares de olhos encantados com a beleza do cenário. “ Que vista privilegiada! ” Ela bocejou esticando os braços outrora repousados nos ombros de Marcos, procurando a melhor posição para aproveitar a infusão dos raios solares que, jorrando ambiente adentro, aquecia parcialmente a nudez feminina refletindo um brilho mais incandescente através da pele. 

    “ Daí alguém pode te ver... ” Ele sorria sussurrando ciúmes brotados inconscientemente, para em seguida jogá-la sobre a cama, se esforçando a todo o instante para imobilizá-la com o corpo estendido sobre o dela. “ Eu quero que me vejam como vim ao mundo! ” Dando risadas golfadas entremeio a provocações acompanhadas de remelexos de quadril, Linda Harumi  brincava de se soltar até sentir o fôlego se esvair nas cócegas que recebia na sola do pé, nas axilas e principalmente na cinturinha tão sensível ao encravar dos dedos de Marcos. “Ainda não te disse bom dia meu bebêzinho lindo!” Ainda nus, eles já se encontravam enroscados, e apesar do leve incômodo apontado através do bocejar dos hálitos, logo as bocas se avançaram em um tripudiar frenético de línguas e lábios em total desconsonância com hábitos rotineiramente matinais. “Assim você acaba comigo!” Em um meneio, ele foi jogado de costas por ela, e ela já sobre ele, oferecia toda a volúpia de ambos os seios eriçando os bicos quando posicionados fronteiriço a voracidade dos seus lábios. “Mama gostoso meu bebê!”  O provocava sem se deixar penetrar, apenas saboreando os lábios vaginais passeando com eles na ponta do membro ficando endurecido, e o encharcando no mel que escorria gradualmente pela cabeça, lambuzando toda a extensão nervurada, até se acumular viscoso no limite das bolas massageadas pela delicadeza da sua dedicada mão. 

    Encarando-o no fundo dos seus olhos, carinhosamente Linda sorriu o provocando: “  Você vai ver o que é bom para tosse! Ontem a noite me torturou, agora sou eu que vou te pagar na mesma moeda! ”  Degustando um duplo prazer; tanto no proferir dessa covarde promessa quanto no vislumbre da “ dureza “ posicionada a poucos centímetros do corar do seu rosto, com o serpentear da pontinha da língua, ela umedecia os lábios em provocações contínuas e não amenizadas no olhar devorador estampado na sua bela face. " Vai me fazer gozar com essa boquinha? ” Ele deitado de costas, mantinha contínuos emborques de coluna para vê-la trabalhando lá embaixo, antecipando na mente e na carne, a colheita do prazer sexual proveniente da noite anterior que, após ter semeado exaustivamente em frenéticas labutas de língua e lábios, chegava carregado de promessas de devaneios deliciosamente ainda indefinidos.  Mas com intuito de torturá-lo, ela ficou inerte por alguns instantes, apenas encarando-o e se deliciando no desespero expressado em seu semblante: “ Hum… Esse pau vai ficar mais gostoso na minha boca!” Com o corpo tremulando da ansiedade que o revolvia em remexidas ensandecidas pelo logo aquecer de seus doces lábios, e apesar dos seus desesperados atos; ora segurando um chumaço do seu cabelo e direcionando o orifício da boca para perto do palpitar do seu sexo, outrora implorando o logo realizar daqueles prazeres já efervescendo em gemidos silenciosos e desesperados, Linda não cedeu. Desejou excitá-lo além. E assim, consequentemente o resistia realçando cada vez mais o verbalizar das suas promessas. 

    Com uma das mãos soldada sobre o sexo, com a outra ela se esquivava do desespero de Marcos Hayashi, agarrando-o pelo punho da sua mão direita, para em seguida devorar gradualmente toda a sensibilidade contida em cada um dos seus dedos. Com um biquinho beijava as unhas e dali com um sensual afastar de lábios, sua boca úmida o sorvia como se fosse uma luva em idas e vindas, incendiando cada vez mais a sensibilidade já refletida em tremulações nervosas que vagarosamente subia pela espinha dorsal dele e explodia deformando o seu rosto. Sussurrando repetidamente: “ Tá gostoso bebê? ” Ela proferia palavras aveludadas, os olhos amendoados, naufragando o silêncio ensurdecedor da manhã nos gemidos que naturalmente se misturavam com o início de uma melodia de pássaros que se iniciava no beiral da janela. “É assim que vou fazer com você!” E tornava a engolir os dedos e gemer, aumentando o ritmo ou diminuindo, alternando entre os dedos frios e secos e os deixando novamente quentes e umedecidos. “ Que sede da sua boca bebê…”  Se lançando rapidamente sobre ele, novamente ela se afogou em sua boca, beijando-o sofregamente, mordiscando seus lábios ainda anestesiados dos prazeres outroras, e de lá, escorregando de línguas entrelaçadas, ia se aventurar entremeio a roxeões esculpidos e decorados sob a pele do seu pescoço exposto.

    Mas de forma alguma ela se distraia do membro ainda tremulando abaixo, e paralelamente enquanto se deliciava descendo os lábios na caixa toráxica, nos bicos do peito e os mordiscando de leve, passeava sobre o umbigo e o provocava com a " quentura " da língua massageando o fundo do orifício. Em baixo, sob o massagear delicado de uma das mãos, ora Linda arregaçava a cabeça até esgoelá-lo, outrora encapuzava-o por completo também, persistindo nesses calorosos sequenciais movimentos até gerar um calor sexual intempestivo que só era amenizado no estimular mais intenso e mais frenético do arregaça e encapuza que paulatinamente ia emergindo a libido sexual do amado no anseio louco de logo ter o seu pênis exaurido no desforrar de lábios acelerados. " Garota, você é do mal mesmo!" Repetia sem se conter, os olhos docemente acovardados, os braços soltos e desenergizados, naufragando seu corpo carnal na imensidão dos estímulos estuprando seu ser, e o arrebatando ferozmente por dentro. Nos segundos que se seguiram, com a respiração atropelada na sensação chamuscante percorrendo em fagulhas de molestamentos no peito, desejou que seus desesperados anseios de devaneios se tornassem muito mais que eternos quando por fim a quentura abarcando aqueles doces acelerados lábios, cumpria a prazerosa promessa de o engolir. "Puta que o pariu..." Gemia já estando no céu: o movimento da cabeça da amada indo e vindo ocultando parte do seu sexo agargantado, sons sonoros de êxtases de delícias eram pronunciadas em gemidos não contidos que ora e outra arfava descargas elétricas afrodisíacas no intervalo de ambas as respirações.

    " Chupa só a cabecinha..." Com a mão de Marcos segurando um chumaço dos seus cabelos alvoroçado, para lá ela subiu guiada deixando toda a extensão nervurada iluminada de saliva, e após segundos degustando em delícias a pontinha rachada, o encarava com gula cada vez mais expressa no olhar visceral abrilhantando seus olhos. Ali, diante dos desejos desesperados do amado, ela mergulhou mergulhos nunca imaginados com outros homens: com a libido desenfreada inundando o próprio sexo em gotejos de desejos sobre a perna e o cobertor, ora suas mãos calibraram o membro para que não ultrapassasse o limite do pedido, outrora desciam tremulando pelo corpo feminino até a vagina, degustando com os dedos eretos e cerrados, toda a extensão do pêlos pubianos, lábios e a entrada molhada. "Agora engole até o talo e acaba com o papai...!" Ao ouvir as orientações finais de Marcos, Linda Harumi se aprumou em desejos de obedecer para se lançar com muito mais prazer: retirou fios de cabelos que incomodavam a face e foi descendo e subindo, subindo e descendo, vagarosamente articulando movimentos com o cilindro de carne sufocando o aperto dos próprios lábios. " Hum… parece que ficou mais grosso hein?" Agora mais excitada e após cerrar a mão na base encharcada de saliva, laborou movimentos com o corpo nu, ajustando a posição corporal que mais cooperasse com a mecanicidade da sua língua e lábios, principalmente da garganta já desfrutando de gotículas precoces e salgadas, resultado dos estímulos cada vez mais enérgicos no passear descontrolado da outra mão sobre o próprio sexo, pois os dedos operando ritmados com o sugar da voracidade da sua boca, estimulavam brutos prazeres sob a sensibilidade de um clitóris se avolumando de gula carnal, afogado em ânsias, desejoso até os céus dos céus por aqueles breves segundos de gozos que quando alcançaram, a fez desfalecer e tornar uma só entranha com ele.

     “ Que tal um banho juntinhos ? Podemos? ” Sorriam desorientados pelas energias raleadas de minutos outroras, e o piso gelando a sola do pé, agredia chacoalhões matinais conforme eles iam trotando até o registro da ducha. Mas nem tudo se trata só de sexo, carnes esfoladas e suores respingando de corpos eletrizados até a alma. Há um sentimento sim, ou melhor, uma “verdade ainda oculta em sentimentos”  e que é um tanto quanto essencial dentro de um relacionamento que vai se desenvolvendo aos poucos, entremeando as experiências das trocas recíprocas, fortalecendo a conta-gotas todas as bases subjetivas do que no íntimo já deseja ser puro e incondicional. E quando esse processo é genuinamente forjado no espelho da verdade tateando as verdades que mais despontam de dentro do coração, esse jeito de se encarar para se enxergar, vai tecendo  caminhos decididamente compartilhados, enredos mais solidificados, carregados de mais significados se aflorando em cuidados, proteções, carinho curador de feridas, um conjunto de anestésicos psicoemocionais para a epiderme do ser frente ao que, na vida comum de um casal, ainda vai se desenrolar em muitos sequenciais amadurecimentos, até se metamorfosear por completo do rio vertendo o inundar de experientes lágrimas, no que seja o desabrochar do verdadeiro amor. 

    Do nada, “ flagelos do passado ” tornaram a reviver, avultar corpo e carne, sequestrando Linda em uma “ insegurança repentina ” que já deixava seus olhos verdes marejados de lágrimas. “ Dessa vez vai ser diferente! ” Insistia silenciosamente para si em meio aos conflitos; os ossos titubeando o peso do corpo no bambear dos músculos das pernas, as tremuras crescentes fibrilando na boca do estômago, e o peito suado, sufocado na ausência do ar que grotescamente minguava na mente. Tudo junto e eclodindo, elevou a ansiedade de Linda Harumi ao seu estado máximo. Ela buscou alento entre os movimentos, mas não encontrou. 

    “ Está tudo bem? ” Assim, deitada sobre o piso, o antebraço direito sobre o rosto como venda sobre os olhos, ela sofreu acovardada o peso de cada pancada existencial refletida nos pavores angustiosos, nas sequenciais lembranças ruins que cansaram de lhe roubar o sono da noite, nos traumas, nas frustrações, nas desilusões, nos abusos, e no sentimento de abandono que insistia a todo custo acompanhar seus antigos relacionamentos. 
    “Eu sinto que eu sinto excessivamente…” Ela recordou dos diagnósticos da terapeuta, os braços circundando o corpo nu coberto pelo cabelo molhado, enquanto expressava um choro sendo reprimido no intervalar de cada respiração. “ Pelo amor de Deus Linda, me diga o que está acontecendo com você? Foi algo que eu fiz? ” Ali, já sentada no chão, ela encontrou auxílio apenas nos ensinamentos fraternos ouvidos desde a infância pelos pais e tios, nas lembranças das falas solidárias que adentrando madrugada a fora pareciam nunca esgotar os diálogos entre os amigos, nas orações que ouviu na igreja, na Palavra que proferiu na solidão do quarto, nas recordações da paz desfrutada entre as meditações diárias.
    “Eu não fui totalmente sincera com você Marcos…”  Aconchegada sobre a cama, com os braços firmes em abraços dando voltas nos joelhos, Linda Harumi voltava a derramar pequenas lágrimas alinhadas com um sentimento palmilhando cuidadosamente as escolhas das suas palavras, ladeando os suspiros irreprimíveis, margeando as confissões que sofregamente ela revelaria a seguir: “ Me perdoe a maldade que fiz a você Marcos … Eu não deveria ter te envolvido nisso... ” . Confuso e ficando angustiado, Marcos se manifestou: “ Que maldade você fez para mim Linda? Por acaso isso é alguma brincadeira? Putz, realmente não estou entendendo nada…” 

    Limpando as lágrimas com as bordas do roupão, e lutando inutilmente consigo para empoderar o próprio semblante, Linda não pode sintonizar-se com o brilho confuso emitido pelos olhos dele, e aos soluços, confessou aos prantos: “ Sou uma mulher casada Marcos… Sou uma mulher casada…! Me perdoe esta grande maldade! ” Portanto, como ele nunca imaginou vivenciar uma situação como aquela que ela também demonstrou ao longo da noite, ter na alma e no corpo a âncora ancorada nos refrigérios das paixões reavivadas, Marcos Hayashi sem saída, e não tendo outra alternativa, passou a cultivar um silêncio de início ensurdecedor.

    Ainda aos prantos, ela insistia: “ Me perdoe Marcos! Te encontrar foi um tipo de presságio, milagre, sei lá, mas que está sendo um refrigério indescritível pra mim. Meu mundo está desmoronando e não sei o que fazer…” Ela suspirou e prosseguiu: “Ontem a noite brigamos feio, saí sem rumo, perdida, só queria tomar um ar, daí eu te vi e…” Com o rosto cabisbaixo, escolhendo cuidadosamente as frases e picotando palavras julgadas desnecessárias, Linda Harumi demonstrou, apesar do corpo ainda envergado, vestígios de uma coragem crescente que de fato a ajudou a voltar-se para ele e encará-lo nos olhos “ Marcos, por favor, fala alguma coisa…” 

    Após liberar uma golfada de ar, Marcos mantinha seu silêncio enclausurado no corpo nu debruçado sobre as bordas da janela. O rosto se aquecendo rebelde ao sol, a íris se acostumando a luminosidade adentrando o ambiente, e a cabeça sendo sustentada pelo apoio de uma das mãos vacilando o peso da mesma para ambos os lados. Vagarosamente, ele inspirou e respirou sequencialmente respeitando as pausas profundas, profundas pausas ante o absorver do ar denso e gelado parido no encontro dos vendavais noturnos da noite de outrora, com as névoas advindas das montanhas distantes. Acendeu um cigarro e abraçou-se. Na verdade, abraçou-se como nunca antes tinha-se abraçado, e chorou. Conseguinte ao enxugar das lágrimas, mergulhou mergulhos em seus pensamentos mais confusos e, após longos minutos inerte com o olhar mirando o nada diante de si, submergiu do seu mundo interior transbordando de lá, o alívio alentador das inocências que inocentaram a aura já se sentindo generosamente liberta do inundar intrépido de sentimentos esvoaçados. 

    Serenando o semblante agora esvaziado das angústias que o cerraram a face, ele expurgou-se de todas as culpas e, voltando-se a se alimentar de pensamentos carregados de amor, encapsulou-se por completo em auto perdões contínuos que, abrilhantando seu olhar, resguardou a psique que lutara ferozmente para voltar a se equilibrar. Interiormente, Marcos Hayashi, já naquele início de manhã avançada, se anestesiava no horizonte das primeiras movimentações iminentes vindas do comércio iniciando suas atividades, dos passos descompassados dos transeuntes cruzando ruas e calçadas, e enquanto uma brisa suave passeava reconfortos em seu rosto, seus ouvidos antes consumidos naquela rotina vibrando desgastes, adorou todos os sons sobrevindos até a janela, principalmente dos automóveis a transitar velozmente, segundos seguintes a semáforos totalmente esverdeados.
  • ***SERÁ*

    Será que tudo é pra sempre?
    Ou somos nós que acreditamos em algo e fazemos com que isso dure]
    [o tempo necessário para que se torne eterno?

    Será que o amor existe mesmo?
    Ou somos nós que ao gostarmos de alguém, damos tudo para que esta pessoa possa se sentir amada, respeitada a tal ponto que começamos a chamar isso de amor?

    Porque será que quando deixamos alguém magoado não pensamos nas consequencias que isso poderá nos trazer mais tarde, e simplesmente deixamos?

    Porque será que é tão triste, quando tudo aquilo que achavamos que era o certo a se fazer, na verdade era a coisa mais errada!

    Porque que a vida tem que ser cheia de incertezas?

    Porque cada passo que nós damos deve ser terrivelmente articulado, pensado, para mais à frente não darmos de cara com a parede que nós mesmos construímos?

    Às vezes cada um de nós deve parar para pensar se tudo o que estamos passando é um acaso, ou fomos nós que provocamos em um tempo já esquecido!

    "A vida é uma caixinha de surpresas" como muitos dizem. Só que quem coloca as surpresas lá dentro somos  nós mesmos!
  • #0 Cidade Fantasma

    Após uma longa ressaca, Taylor, se vê em uma situação completamente estranha e assustadora. A caminho de seu trabalho, percebe a solidão nas grandes avenidas da grande cidade litorânea de Perth, Austrália. Ao decorrer da história, a garota descobre que após o surto de um vírus, a população ainda saudável foi deslocado para os países mais perto do continente Oceânico. Por conta de seu passado, derrubou deus e mundo atrás de uma cura ao lado dá última pessoa que imaginava estar, seu ex-namorado.

    Será que o ex casal problemático conseguirá salvar o pais ou deixará que todo o mundo se contamine? O destino dos seres humanos estão nas mãos deles e eles não tem muito tempo.
  • #1 Cidade Fantasma

    TAYLOR CARTER P.O.V 

    Minha cabeça latejava.

    Nunca mais iria beber.

    É o que eu sempre falava, e realmente nunca aconteceu.

    O sol brilhava lá fora, já eram quase nove da manhã e eu ainda não havia levantado. Até tentei, mas meu corpo implorava para não ser mexido. Porém, era preciso. Tinha trabalho.

    Um banho não foi o que realmente ajudou, após algumas pilulas consegui ficar de olhos abertos sem sentir minha cabeça latejar. Minhas roupas da noite passada ainda estavam jogadas no chão do banheiro. Chutei o salto enquanto me arrastava até o armário e pegando a blusa branca, como era novata ainda precisava esperar meu uniforme chegar. Este povo demora demais.

    Uma maça foi o suficiente para não vomitar durante o caminho. Mas havia algo de errado. Naquela hora todos os dias as ruas eram lotadas de carros, motos e pessoas ignorantes que não sabiam respeitar as leis de trânsito. Mas agora, estava completamente vazia.

    Meu celular estava no porta luvas, havia deixado ali antes de entrar na boate na noite passada e desde então não o mexi. Haviam algumas ligações da emissora, eu estava completamente ferrada. Seria demitida, com toda certeza.

    Estacionei meu carro em frente a emissora como todos os dias. Quando chegava nunca sobrava vaga por isto, acabava deixando o carro do lado de fora, por sorte nunca tinha sido assaltada, ainda.

    Ao passar pelas enormes porta de vidro não encontrei ninguém pela recepção, muito menos nos grandes corredores, percorri todo o prédio e não havia nenhuma alma. O sinal lá dentro não funcionava, a internet muito menos, e todos os televisores não ligavam. Algo de estranho estava acontecendo.

    Deixei o prédio e fui atrás de alguém, mas a única coisa que encontrava eram animais perdidos nas vazias estradas. O que diabos aconteceu?

    Naquele momento havia dado uma pausa, estava em um supermercado, ele aparentava ter sido arrombado, haviam muitas coisas jogados no chão. Peguei alguns salgadinhos e água. Deitei o banco do carro e liguei o ar no máximo. Estava morta de fome e calor.

    Remexi algumas vezes no radio do carro até conseguir algo.

    " Sydney está servindo como refugio" Com certeza algo aconteceu, pensei.

    Apenas uma rádio funcionava porém estava cortando e apenas ouvia coisas que não conseguia entender direito, era sobre Sydney, o tal refúgio e a população do continente.

    _ Isso que dá ficar de ressaca.- disse para mim mesma._ Não posso mais beber, definitivamente.

    Estava entretida com meu salgadinho até me lembrar de algo. Toda capital continha um transmissor via satélite. Com certeza deve funcionar. A sede estava vazia como já esperado. Alguns papeis estavam jogados no chão e estava na mesma situação do super mercado, foi tudo tão rápido que provavelmente não deu tempo de ninguém pegar absolutamente nada.

    _ Cadê você.- revirava a gaveta da sala principal do prédio._ cadê você......hmn, um cofre.

    Colei meu ouvido na porta do cofre e então usei minha mágica. Senha estupida, pensei. A-P-1729.

    ( Austrália- Perth - 1729 ano de fundamento.)

    Lá estava, um celular via satélite. Nele continha apenas um numero.

    _ Alo?- disse ao ligar._ Tem alguém ai?

    _ Quem está falando?- uma voz grossa me fez dar um pulo, não esperava por isto._ Como conseguiu este telefone?

    _ Sou Megan , foi a única coisa que achei que fosse funcionar e veja só, funcionou. Agora pode me dizer, o que está acontecendo?

    _ Megan , onde você está?-perguntou novamente o homem, ele estava de sacanagem comigo?

    _ Perth, agora pode me explicar o que diabos está acontecendo? Cadê todo mundo?

    _ Um vírus contaminou a maior parte do continente Oceanico.- ele explicou, agora sim._ O que você está fazendo em Perth? Está área foi evacuada a dois dias.

    _ Dois dias?- disse assustada._ Que dia é hoje?

    _ Onze de Abril.- Droga, pensei. Havia dormido por quase dois dias._ Você pode me dizer qual é a sua situação? Você foi infectada?

    _ Acabei de acordar, não sabia o que estava acontecendo. Pelo que percebi, ainda estou bem.

    _ O que aconteceu com você?- uma voz feminina adentrou pelos meus ouvidos.

    _ Quem são vocês?-perguntei estranhando.

    _ Sou a agente 059, serviço secreto dos Estados Unidos da América.

    _ Estados Unidos?

    _ O governo Australiano juntou forças com os Estados Unidos e outros países para tentar descobrir uma cura e tentar conter o surto. Agora que já disse quem somos, diga você quem você é.

    _ Deixa eu adivinhar, investigou meu nome?- Ri._ Vocês não perdem o costume.

    _ Então?

    _ Taylor Carter, você provavelmente já deve ter ouvido meu nome.

    _ Com certeza, só não imaginava que seria você quem iria tentar o primeiro contato.

    _ Sempre sou a primeira.- me gabei. _ Agora pode me dizer para onde devo ir para não me infectar?

    _ Infelizmente não.

    _ Como assim não?-perguntei irritada._ Vocês simplesmente vão me deixar aqui para morrer?

    _ Precisamos de sua ajuda.

    Ótimo, três anos longe das agências e já estão pedindo minha ajuda novamente. Odiava todo esse povo.

    _ Já imaginava.- bufei entrando em meu carro e então fechando todos os vidros ligando o ar novamente._ Para que precisam de mais uma pessoa?

    _ Na realidade, apenas temos um agente nosso nesta região, não podemos arriscar mais uma pessoa.

    _ E querem me usar já que estou aqui, certo?

    _ Sim, então, irá nos ajudar?- Taylor, não fala isso!

    _ Do que precisam? - DROGA.

    _ Encontre nosso agente e ele explicará udo.

    _ Onde ele está? - Perguntei bufando.

    _ Alice Springs.

    _ Ótimo, quase dois dias de viagem.

    _ Nos estamos contando com vocês, são nossas únicas esperanças.

    A ligação foi finalizada.

    Ótimo Taylor, primeiro você flagra seu namorado transando com sua melhor amiga, depois você se embebeda, acorda dois dias depois com uma puta de uma ressaca e descobre que todo o continente onde você vive foi devastado por uma merda de um vírus, agora toda a raça da humanidade está contando com você para fazer sei lá o que com sei lá quem. Tem como piorar? E eu devo calar a boca, antes que realmente piore.

    Antes de começar minha incrível viagem de quase dois dias enchi o tanque, não paguei, para que pagar? Todos se mandaram mesmo. Peguei algumas coisas na conveniência do posto e joguei tudo no banco de trás do meu maravilhoso Mazda3 Hatchback branco. E então, finalmente peguei a estrada e a melhor parte, podia correr o quanto eu quisesse, ninguém me repreenderia ou me impediria de fazer o que eu quiser, até por que, de acordo com os americanos, sou a única esperança.


  • 0 + 0 = 1

    A união física de dois corpos é uma grande ilusão. O imenso espaço interatômico faz com que os dois corpos jamais se toquem. No entanto, os receptores sensíveis do corpo humano são estruturas exímias na captação de qualquer proximidade entre dois componentes mínimos da matéria. 
    A princípio, um beijo. Ah, quantos beijos podem acontecer nesse universo da afeição humana… Um beijo a princípio afetuoso, carregado de amor plácido e etéreo. Ou talvez um beijo descompromissado, sexualmente interessado, livre de quaisquer bagagens emocionais, qualquer intensidade metafísica. 
    Ambos beijos levam a um mesmo fim: o beijo efetivamente intenso. O beijo impregnado de calor, sensualidade, fogo e paixão. O beijo que acende todas as áreas cerebrais ligadas ao puro, irracional e instintivo desejo por outro corpo pulsante, vivo, róseo. 
    Ah, as o beijo não anda só, jamais. É acompanhado ora por mãos na nuca, acariciando os pelos escassos ou agarrando os cabelos grossos com fúria, ora por mãos compulsivas esfregando-se pelo corpo do outro por mero instinto possessivo. 
    Logo após, a urgência da imersão carnal surge. O desejo atinge um nível no qual todos os sensores de racionalidade da estrutura física humana são por ele obscurecidos, por vezes completamente apagados. O ente corpóreo ambulante não mais suporta viver sua única e miserável existência, fadada à solidão e à podridão eterna. Dessa forma, os dois corpos se unem, compartilhando não apenas estruturas carnais, mas as paixões, os sentimentos que insistem em surgir em momentos inoportunos, as metas jamais alcançadas, as frustrações inerentes ao ser que anda sobre este chão, acompanhado de longe por mais e mais seres vazios. 
    Dois vazios somam então, em sua vaga, distante, estúpida efemeridade e insensatez, uma plenitude.
  • 1 A Sangue Suga

     Hoje encontrei algo que me origina um medo nunca antes presenciei em minha vida, algo que me faz estremecer ao mesmo tempo que me faz querer sentir mais disso. Não sei como ela surgiu ou de onde veio, mas seu cheiro me excita ao ponto de me prostituir as suas vontades. Sinto meu corpo se dobrar quando ela passa, como se fosse minha rainha, a soberana do meu ser. É sim, a primeira a me dominar a esse ponto de venerar sem questionar. 
     Como alguém tão inesperado aparece assim do nada? Por qual motivo ela me domina tão facilmente? Ainda não sei seu motivo ou o porquê desse seu jogo, mesmo sabendo que estou em suas mãos. Ela parece ser uma sangue suga com esse seu joguinhos mentais, aonde suga toda minha vitalidade juntamente com meus propósitos. Deve ser por isso que me entrego a ela, parece uma vampira, um demônio esgueirando por entre as sombras da minha consciência. Sim, ela sem dúvidas e uma vampira, me seduzindo dessa forma, me prendendo em suas garras grandes e afiada. 
     Agora sinto meu sangue quente e viscoso escorrendo por meu pescoço, enquanto fico entregue em seus braços. Consigo ouvir o som de meu sangue pingar no piso de madeira do segundo andar desta casa velha, em frente a uma janela com a luz do luar banhando meu corpo nu. Sinto sua pele fria me acalmar por dentro como se fosse uma cama banhada pelo sereno em uma noite de verão. 
     Me desculpe por ser tão insensível com seu modo de guiar, parece que minha alma não terá salvação se me entregar mais uma vez meu corpo em seus braços. Mas lamento por mim, por não conseguir resisti as suas vontades e desejos, por não conseguir lutar contra seu controle sobre mim. Realmente lamento por mim, por achar que seria mais que um escravo ou uma ferramenta de prazer, realmente lamento por esse ser jogado aos seus pés. 
  • A arte diante de ti!

    Eu vi você sair daquela porta

    Com aquele jeito "encantador"

    E ao mesmo tempo despojado

    Ao ponto de ser engraçado!





    Só queria expressar

    Ou melhor tentar

    Expressar que você

    Me conquistou

    Com seu "jeitão" de ser!





    Toda vez que você sair

    Por aquela porta

    Irei te expressar de uma

    Forma diferente

    Daquilo que já foi visto!





    Por quê amor é algo inexplicável

    Não estou aqui para explicar

    Ou expressar amor algum

    Por alguém!

    Apenas estou expressando

    A minha arte ao meu ver!
  • A canção que fiz

    cancao de amor e
         Como começar esta canção? Tem que ter o mar, o som do mar num dia claro para o inicio, no meio o barulho de alguém pulando neste.
         Tampei os ouvidos para não escutar tal musica depois de pronta, me trazia solidão. Mas por quê? Se é tão bom e belo o convite do mar as suas águas.
         A música deve falar de amor, de uma mulher a quem se teve amor e este se desfez por algum ato final.
         Não sendo uma novela daquelas que um morre no fim, mas sendo mais ou menos assim, pois a de morrer de amor um dia.
         O refrão tem que ter gritaria, mas uma boa gritaria para os ouvidos, gritos de amor e não de desespero ou medo.
         Tem que sentir alguém lhe apertar o pescoço de tanto amor que tem para te dar e não sabe como fazê-lo.
         Como terminar esta canção? Já o fim... O fim tem que terminarem juntos porque de tanto brigarem acabam se amando e perdoando.
         Esta é a novela musical de muitos amantes e atrizes, esta é a canção que vai tocar lhes o coração.
         Somos amantes do mar, amantes no mar, amantes da paixão que penetra em nossos corações e nos faz sentir.
         Ao terminar esta musica saio pela porta e após dormir acordo me perguntando se a fiz.
         Por fim quebro o violão, para me dar mais inspiração e terminar dizendo assim:
         -Uma canção que me faça esquecer, esquecer-se de ti e recomeçar aqui, da mesma forma que antes começamos e agora esperando um novo fim!
         Então começo uma nova canção, se no caderno, novas paginas rabisco e nelas eu acredito.
         O vento vem para me dizer:
         -Vá me ouvir no mar! E é assim que eu vou compondo. E é assim que sua vida vai se juntando, a mim, ao me ouvir depois da musica pronta a cantar.
         Cantando para vocês a quem nem conheço, mas me faz ter endereço, um caminho longo a seguir cantando e encantando, encantado por tudo a seguir.
         Obrigado por lerem, a canção que eu fiz, desta outra nova fiz e aqui se fez ler para depois você ouvir.
         Oh, querida.
  • A Canção que Purifica.

    Ela é toda canção;
    Ela é jazz e reggae;
    Ela é hino que purifica a alma e mente;
    Todas as outras coisas vieram depois;

    Ela tem um corpão violão;
    Seu andar é uma valsa;
    Sua risada é melódica;
    O seu olhar é a letra de uma música intensa;

    Ela é uma música chiclete que não desgruda do meu coração;
    Seus pensamentos estão em harmonia com os meus,como dó,ré,mi;
    De sua boca só sai palavras que são músicas aos meus ouvidos;
    Ela é toda melodia.
  • A culpa é minha

    Eu sei, a culpa é inteiramente minha, eu que me iludi sozinha, criei expectativas onde não deveria, eu que gostei demais, eu que coloquei muita intensidade, eu que deixei minha felicidade depender de uma só pessoa, a culpa e minha sim, e estou arcando com as consequências disso.

  • A escuridão e a Luz

    Cada canto do meu chalé era uma alma perdida, Uma alma de quem quer nada com a vida ! Mas quem sou eu para dizer umas coisas dessas ! Alias oi ! Eu me chamo Grabriel Di angelo filho do semideus Nico Di angelo que é filho de hades..ou seja hades é o meu vó ! Puff da na mesma ! 

    Sempre fui apaixonado por um filho de Apolo chamado Felipe ! Felipe averls ! Mas ele tem namorada e nunca me repara ! Alias quem repara no neto de Hades ? Ninguem. 

    .......

    Finalmente o toque do recoler...Uma tronbeta que Quiron feiz para Mandar o povo pros seus chalés ! Diz ele que é melhor do que ficar grirando que nem louco mandando o povo ir dormir ! Me lembro desses dias, Confeço que até que me dovertia vendo aquilo ! Mas em fim...vou pro meu chalé quando entro percebo que algo está estranho...A porta do banheiro estava aberta..pingos de aqua podiam ser ouvidos...uma estranha gosma vermelha aparecia nas paredes ! Escuto a porta atrás de mim ser fechada muito forte..as luzes do local de dentro do meu chalé estavam apagando ! Isso deveria ser normal pro chalé de Hades ! Mas...isso nunca aconteceu ! 

    - Quem é está ai ? - digo 

    Do nada escuto uma risada ! 

    Kkkkkkkk - risada de garota 

    - Ta bom ! Clarity pare com essa brincadeira sem graça ! - digo

    Clarity é uma meia-erma minha ela ama me zuar ! Mas depois que falei aquilo ficou um total cilencio..e me senti como se estivesse sendo observado...do nada do lado de fora escuto alguem bater desesperado na porta

    - Grabriel saia da i ! O mais rapido o possivel ! O chalé está amaldiçõado ! - diz a garota do outri lado da porta

    - Clarity ! Dessa veiz eu não caio ! Alias aqui é o chalé de Hades! Oque de mais pode acontecer ! - digo

    Clarity - Não estou a brincar ! Tem mesmo um monstro ae ! Escontre uma saia imediatamente

    E do nada vejo uma sombra muito enorme da minha frente ! A unica coisa que consigui fazer foi gritar

    - AHHHHHHHHH 

    Apago ! 

    Clarity on

    - Gabriel ! Gabriel ? - digo

    Droga ! A porcaria do centauro modificado deve ter o pegado ! E pior ninguem conhese os poderes da quele centauro ! Droga ! Preciso imediatamente avisar Quiron ! 

    .......

    Quiron - Mas como você soube daquilo ? 

    Clarity - Eu estava vindo da lanchonete quando vi um centauro meio humano e meio serpente com chifres indo em direção ao meu chalé ! Nico estava lá ! Infelizmente antes deu chegar a tenpo o maldito centauro ja tinha chegado antes de mim ! E dai tudo que eu podi ouvir foi um grito do Di Angelo ! 

    Quiron - Droga ! Avise ao felipe quem sabe ele pode ajudar ! Clarity farei o meu possivel ok ?

    Clarity - Ok 

    ......

    Agora aqui estou eu, na frente do chalé 7 ! Preste a chamar o felipe o garoto no qual gabriel gosta ! Sim ele me disse isso....safadenho aquele garoto kkkk
    Em fim, Bato na porta e logo em sequida vejo " Anna" a namorada dele (Autora - Anna é filha de afrodite) me olhar com uma cara de que - Oque uma Francis está fazendo aqui- tenho certeza que esse era o pensamento da patricinha

    - Clarity Francis ! Oque faiz aqui ? 

    Clarity - eu que te pergunto ! Mas em fim ! Preciso falar com o teu "Namorado" de quinta ! 

    - ele está dormindo

    Clarity - o acorde ! É importante ! 

    - Nem se os deuses quiserem ! 

    Clarity - o sua puta ! Se você não acordar aquele desgraçado eu vou te meter um soco nessa sua cara de santa que vai fixar até roxo !

    - hm...está bem 

    Era bom saber..que eu botava medo nas pessoas...

    ......

    Felipe - ELE OQUE ? 

    Clarity - Que saco Alvez Jackson ! Ja disse o meu irmão quer dizer meio irmão Sumiu ou não por um sentauro modificado 

    Felipe - Aonde ele está ? 

    Clarity - Parece preucupado ! - digo dando um sorriso, quem sabe Gabriel x felipe existe ! (A/n - eventem um nome pro shipp) 

    Felipe - Esqueça ! Só me fale aonde ele está

    Clarity - a ultima vez foi no nosso chelé de Hades 

    ....
    ..
    Gabriel on

    Ae minha cabeça...sinto como se tivesse levado uma batecada de panquecas na minha cabeça...se bem que panqueca é bom...ok to esquezito...hm..espera esse não é o meu chalé...olho em volta e percebo que estou numa enfermaria ! Mas oque aconteceu ? Eu não me lembro de nada ! É como se eu tivesse esquecido de tudo ! 

    Clarity - Finalmente ! 

    Mas me lembro dela !

    - Cla...oque aconteceu ?

    Clarity - um centauro te atacou e dai o felipe foi lá e te ajudou

    - F-felipe..Quem é esse tal de felipe ? - digo confuso

    Clarity - Gabriel não brinque com isso !

    - Brincar com oque ! - digo

    Clarity - Não pode ! Você está com amnesia ! 

    Fim do cap 1
  • A Garota que pressente a chuva

    Você veio até mim
    Anunciando uma tempestade
    Nos molhamos demais
    E assim permanecemos juntos

    A chuva intensa passou
    Você continuou
    Nos entrelaçamos
    E nos tratamos com franqueza

    Mas você confunde o que deseja
    Com a necessidade de algo que não se sustenta

    Porque na verdade o momento talvez já tenha passado

    O tempo bom surgiu
    Um novo começo ressurgiu
    Mas acho que não mas estamos
    Totalmente nos planos um do outro

    Você intensa da sua forma
    E eu intenso do meu modo
    Como a chuva que caiu
    Quando veio o sol
    Você talvez já partiu

    Garota que trouxe a chuva
    E um pouco mais de desejo
    A quem não conseguia
    A tempos sentir qualquer coisa no peito

    Não irei sofrer
    Mas foi bom em ver
    Você sorrindo pra mim
    Dizendo que me deseja

    Não querendo dar um fim
    No que sempre acabo dando
    Eu acabo me molhando
    Esquecendo meu guarda chuva

    Esperando você dizer
    Junto de mim
    De novo que vai chover
    E não ter medo
    De se molhar
    Dessa vez
    Até o fim
  • A gênese do caos

    Um livro de ficção científica me atraí por diversos motivos, dentre eles: os personagens singulares, a trama que me provoca um sentimento de encantamento e a verossimilhança com a nossa realidade. O livro Manjedoura tem tudo isso, sendo uma grata surpresa para um primeiro título publicado pelo autor Sandro J. A. Saint, jovem autor araçaense. Seu romance é um prato cheio para amantes da ficção científica.
                Um tipo de obra que sempre estará em voga é a distopia. Essa narrativa que vislumbra um mundo onde a sociedade está colapsada devido a fatores socioeconômicos, políticos e/ou culturais, lembra o quanto a humanidade é sobrecarregada de contradições. Com certa dose de pessimismo e fatalismo, a modernidade e o progresso se tornam fatores de diluição da sociedade. O livro se torna um alerta, ou seria uma profecia?
                Manjedoura como um primeiro livro de Sandro J. A. Saint apresenta uma narrativa coerente e original, pois consegue sintetizar muito bem os elementos narrativos desse tipo de história. Unindo pós-apocalipse e cyberpunk numa trama distópica, o romance nos traz uma realidade árida, pouco convidativa. Um ambiente carnívoro com relações sociais predatórias. Os protagonistas revelam bem os sentimentos em relação a esse mundo intoxicado de poluição e violência. Como não poderia faltar num livro como este, a temporalidade é desconhecida. Não sabemos se estamos em um futuro ou em uma realidade paralela.
                O livro começa com uma inserção objetiva nesse mundo, um modo de acautelar o leitor e fazê-lo entender que a narrativa terá um cenário diferenciado. É nesse mesmo prólogo que ficamos sabendo que a população mundial cresceu de tal forma que as guerras e o baixo número de recursos naturais diminuíram o número populacional a menos de 30% do total. As elites, sob as suas variadas vertentes, políticos, militares, cientistas e artistas, se unem e formam um único órgão chamado de Cúpula. Seu objetivo é conduzir os resquícios da humanidade.
                Para resolver o problema da superpopulação, eles criam o Projeto Manjedoura, humanos não nascem, são produzidos em escala industrial em laboratórios, chipados e depois dispersados pela cidadela. Mesmo nesse cenário repressor, há revoltas. Grupos rebeldes se organizam e formam os White Mouses, indo viver na clandestinidade fora da Cúpula, ondes serão perseguidos pelas sentinelas.
                Os protagonistas que conduzem a trama são Hanss Nagaf, o emocionante mensageiro-chefe; Jason Cry, o pupilo falastrão de Hanss; e por fim, Handra, a belicosa guerreira do frio. A personalidade desses personagens é única. Com certeza você vai se identificar com todos ou um deles. Mesmo outros personagens que aparecem na trama têm sua personalidade bem definida e atuante na história. Nenhum personagem aqui foi desperdiçado e agrega a narrativa.
                Hanss é um personagem que soa familiar, conduz a trama com bom humor e se mostra um personagem sentimental, a todo momento tenta empreender uma visão mais espiritualizada da vida. Handra é o tipo de protagonista feminista que falta a muitas obras, forte, sem com isso perder a feminilidade. Jason representa o olhar do leitor, sua impulsividade judiciosa e olhar cético vão trazer os conflitos necessários ao trio, bem como divertir o leitor, se tornando um alívio cômico numa sociedade tão agressiva.
                Minha recomendação é: leia esse livro! O livro está com uma edição impecável feita pela Editora Lexia, custa apenas R$ 21,90 mais o frete. Tem orelhas, miolo em papel offset, capa e contracapa feita pelo próprio autor, reforçando o caráter autoral da obra. Se o leitor busca uma ficção científica distópica com pitadas de fim do mundo, Manjedoura é a pedida.
  • A Grande Rocha da Vida

    Quando a Terra Média ainda era dividida entre homens e criaturas, existiam os reinos dos humanos, o território dos gigantes, as cavernas dos elfos, o reino das fadas, o reino das nuvens dos deuses, e o misterioso reino dos pesadelos, habitado pelos demônios.
    Entre eles existia uma rocha mágica que podia curar quem a absorvesse, nem que fosse um pouquinho de seu poder de doenças e feridas, A Grande Rocha da vida. Todas essas nações podiam usar o seu poder, moderadamente, para que não houvesse conflitos ou guerras por posse dela, tanto que cada nação tinha um dia específico da semana para usar o poder da Grande Rocha, a menos que fosse emergência.
    Havia um segredo sobre a Rocha que só os deuses e os demônios tinham em conhecimento, que se alguém absorvesse todo o seu poder, obteria vida eterna e poder ilimitado, o suficiente para derrotar qualquer um, e segundo as Runas dos Tempos dos Profetas, apenas quem tivesse o sangue de demônios ou deuses podia absorver toda a Rocha, mas “lá se sabe se isso é verdade”.
    Um dia os demônios tentaram tomar a Rocha só para eles no objetivo de que Helldron, Rei dos demônios, absorvesse-a e destruísse as outras nações, dominando o mundo, mas falharam porque todos se uniram e os selaram junto ao portal proibido que dava acesso para o Reino dos Pesadelos. Muitos morreram, pois os demônios eram muito poderosos. Quando tudo estava se estabilizando os deuses fizeram um comunicado pacífico, dizendo que iriam pegar a Rocha e leva-la aos céus para que eles decidissem quem usaria ou não o seu poder, mas não aceitaram e obrigaram os deuses a se exilarem nos céus. Os deuses são pacíficos e inteligentes então para manter a ordem eles aceitaram seu exílio, pois sabiam que depois desse comunicado poderia haver desconfiança. E assim terminou o que eles chamaram de “A Guerra Centenária”, pois pode não parecer, mas a guerra contra os demônios durou 200 anos.
    Os demônios não eram muito amigáveis. Eles tinham três corações e viviam 700 anos. As fadas eram fascinantes porque eles voavam sem ao menos ter asas e mantinham um corpo jovem mesmo estando a poucos dias da morte. Vivem 300 anos e quando morrem seus corpos demoram 50 anos para se decompor. Os humanos viviam uma vida normal, sua expectativa de vida era cerca de 90 anos. Os gigantes, bem, eles não eram maus, mas alguns eram brutos demais, outros eram amigáveis, e uns eram travessos, pois pregavam peças nos humanos se fantasiando de demônios e assustando-os dizendo que “nós, os demônios voltamos para tomar a Grande Rocha e destruir todas as nações”, e por isso os gigantes eram mal interpretados por alguns humanos, pois achavam que os gigantes queriam a volta dos demônios... “será que é verdade?”. Os elfos também eram pacíficos, assim como os deuses, mas também eram misteriosos. Pesquisavam segredos do mundo, mas não diziam para os outros. Os deuses não eram como divindades, eram nomeados de deuses por serem muito sábios, tentavam evitar conflitos, procuravam jeitos de beneficiar a todos. Eles não são eternos, mas vivem 300 anos a mais que os demônios. Antes dos deuses serem exilados, alguns se relacionavam com humanos, e a junção dos dois originou uma nova espécie, que rapidamente virou uma nação também, e ficaram conhecidos como druidas. Os druidas têm duas diferenças dos humanos, uma, é que eles nascem com os olhos muito amarelados e brilhantes, e outra é que eles têm um poder de cura parecido com a da Grande Rocha da Vida, só que um druida pode curar apenas feridas, pois envenenamentos, doenças, essas coisas eles não conseguem curar. Havia um, porém no nascimento de um druida, pois alguns nasciam como humanos normais, mas eles não eram mandados para os outros reinos, pois os anciões ensinavam técnicas de cura com ervas e outras coisas que eles encontravam na floresta dos druidas. E também não podem absorver tanto da Grande Rocha. Todos aceitaram o surgimento dos druidas, as fadas se aliaram a eles, e os dois agiram por gerações como “unha e carne”.
    Muitos anos depois da Guerra Centenária, na floresta dos druidas, havia 200 anos que humanos não nasciam, e acharam que tal coisa não iria mais acontecer, até que uma menina nasceu só que ela nasceu com muitas doenças, meio fraca, e por alguma razão, a Grande Rocha não curava suas doenças. Ela sempre admirou a Rocha, mesmo não podendo ajuda-la. Ela cresceu, conheceu um humano por quem se apaixonou, eles casaram-se e um ano depois tiveram a noticia de que ela estava gravida. Numa expedição aos Montes de Gelo, seu marido morreu num acidente. Quando o bebê estava pronto para nascer, numa mesa de parto, ela não tinha forças para fazer com que o bebê saísse, e sentia muita dor. Mesmo estando ciente de que não funcionava, levaram ela até a Rocha, pois era uma emergência, e, por incrível que pareça, a mesma a deu forças para deixa-lo sair. Ela sabia que ia morrer, mas antes de morrer viu que era um menino, e o nomeou como Seikatsu, que do japonês para o português significa “vida”.
    O Avô de Seikatsu não gostava dele, pois dizia ele que Seikatsu matou a própria mãe, então o menino foi criado por todos os druidas. Ele não guardava rancor de seu avô e não se sentia muito triste quando falavam de sua mãe, pois para ele ela era uma heroína por viver tantos anos no estado em que estava, e deixou ele como prova de sua força, e como ela, ele também admirava a grande Rocha.
    Quando completou maior idade decidiu iniciar uma jornada pela Terra Média para conhecer todas as criaturas das outras nações, indo primeiro para o reino mais próximo dos humanos, pois ele queria conhecer a cultura do povo do qual seu pai fazia parte.
    Chegando lá ele se encantou com o jeito dos humanos, seu jeito de comemorar o deixava impressionado. Com o dinheiro que ele havia guardado por anos para quando chegasse sua jornada, ele pretendia comprar várias coisas do reino humano, mas descobriu que no dia seguinte teria um festival que os humanos celebravam para comemorar a vitória contra os demônios na Guerra Centenária, então guardou suas economias para o tão esperado evento. No dia do festival, todos cantavam e dançavam juntos, e o rei propôs irem todos até à Grande Rocha para admirá-la enquanto celebravam, e como ele chegou atrasado não conseguiu comprar nada, então só podia aproveitar a longa caminhada até a Rocha. Chegando lá, todos se espantaram, pois, metade da Rocha tinha sumido, como se alguém tivesse a cortado e levado embora, e seu poder estava enfraquecido, incapaz de curar qualquer um.
    Não demorou muito pra todas as nações ficarem sabendo. Os humanos convocaram uma reunião para saber o que houve, mas o atual estado da Grande Rocha começou a causar discórdia, pois os druidas e as fadas acusaram os humanos de roubar o poder da Rocha por terem sido vistos por perto, e os gigantes não estavam do lado de ninguém, só sabiam que alguém havia roubado a Grande Rocha e que estavam prontos para qualquer batalha para encontrá-la, e os elfos não reagiram de nenhum modo, o que era muito suspeito. Seikatsu não conseguiu engolir o fato de que a Grande Rocha não estava em seu estado normal, e que isso causaria guerra. Usou todas as suas economias para comprar uma espada, e um equipamento básico para sair numa jornada, e dessa vez não era para conhecer seres e lugares novos, e sim para descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha. Ele falou com o rei sobre sua jornada, e pediu que alguns homens fossem com ele, mas o rei não pensava em nada além de se preparar o possível começo de outra “Guerra Centenária”, e os únicos que conseguiam ajudar a restaurar a ordem e resolver os conflitos sem violência eram os deuses, mas eles haviam sido exilados, e não estavam mais interessados em deixar seu exílio e intervir na Terra.
    Seikatsu andou por três dias até chegar perto do reino dos gigantes. Chegando lá, viu alguns homens com pedras nas mãos, atirando-as em um buraco bem fundo, onde tinha um gigante com uma cara ameaçadora. Ele espantou aqueles homens com sua espada, chamou ajuda de alguns gigantes, e tiraram aquele brutamonte do buraco. O gigante agradeceu, e perguntou o que trazia um bravo humano até o território dos gigantes. Seikatsu explicou a situação, e o gigante, conhecido como Smasher, jurou que o guiaria até completar seu objetivo de descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha da Vida. Eles fizeram uma pesquisa em metade do território dos gigantes, falaram inclusive com o comandante deles, e todos negaram que não sabiam nada sobre o atual estado da Grande Rocha, então eles partiram.
    Dois dias depois, eles chegaram num bosque, onde encontraram um enorme golem de planta, que expeliu um gás roxo que os envenenou e os fez cair de sono.  Quando acordaram, deram de cara com um monte de crianças flutuando, e perceberam que estavam no Reino das fadas.  As fadas explicaram a situação, foi um mal entendido, pois o golem de planta era só um guardião, mas ele não ataca a menos que cheguem perto do Reino das fadas sem avisar com antecedência. Enquanto Smasher estava fazendo a pesquisa sobre o desaparecimento da metade da Rocha, Seikatsu estava explorando aquela linda cidade, e enquanto passava por um recanto com plantações de uvas, ele se deparou com uma linda fada, e os dois ficaram por um longo tempo se encarando, como se nunca tivessem visto algo tão especial na vida. Eles se cumprimentaram, o nome dela era Hana. Ela ouviu falar sobre o que ele estava fazendo, e perguntou se ele gostaria de passar mais um dia pelo reino das fadas. Ele aceitou, e ela mostrou a ele como era a cidade à noite. Perto de um lago, meio embaraçados, explicaram o que sentiram um pelo outro quando se viram, pareciam sincronizados, um só, e no dia seguinte, ela o acompanhou em sua jornada.
    Seikatsu não tinha noção por onde começar a procurar uma passagem para as cavernas dos elfos, mas por sorte, Hana sabia onde era, porque quando mais nova, acompanhava sua mãe em entregas de flores para os elfos, pois por algum motivo eles adoravam comer pétalas de flores. Chegando lá n hesitaram em ir direto falar com a chefia. Os elfos disseram que descobriram que o rei dos demônios conseguiu um jeito de escapar antes de ser selado, e que ele estava habitando um corpo humano, e que foi ele que absorveu a Rocha, só que seu corpo humano era fraco, então só conseguiu absorver metade da Rocha, e a outra metade está fraca, e a mesma podia se destruir a qualquer momento. Seu plano era absorver os demônios do selo do portal proibido, reconstituir seu corpo original e terminar de absorver todo o poder da Grande Rocha da Vida.
    Saindo de lá, eles partiram em direção à Grande Rocha, no objetivo de dizer a todos o que realmente estava acontecendo, e chegando lá se deparou com os druidas caídos no chão próximos à Rocha, e um homem que aparentava estar com más intenções. Eles diziam que era seu pai. Então, o “pai” de Seikatsu começou a se decompor e surgir um demônio enorme de dentro dele, sendo esse Helldron, o Rei dos demônios. Helldron explicou que não houve nenhum acidente, e que Helldron matou e tomou o corpo do pai de Seikatsu, e matou todos os outros que estavam com ele. Smasher tentou um ataque surpresa, mas foi ludibriado, pois Helldron o pegou de surpresa, e o lançou contra a Grande Rocha. Smasher não aguentou tal impacto e teve alguns de seus ossos quebrados, impossibilitando-o de lutar. Os humanos temeram o poder de Helldron, e alguns deles recuaram, mas os gigantes, as fadas e os elfos, ficaram e lutaram bravamente, mas “a que preço?” Muitos foram mortos, Helldron estava invencível. Seikatsu partiu rapidamente para cima dele, e assim, num chute com poder suficiente pra abrir uma cratera, Helldron o lançou até a Rocha, fazendo com que seu corpo a perfurasse, e por alguma razão, ela não estava curando ninguém. Por alguns instantes, todos pensaram que era o fim. Helldron gargalhava comemorando sua vitória, e quando ia se aproximando da Rocha para absorvê-la, uma incrível luz surgiu de dentro dela, sua estrutura começou a se partir em pedaços, e de dentro dela, surgira um corpo emitindo luz, era Seikatsu. Helldron se perguntou o porquê, e como ele absorveu a Rocha, e um velho druida entendeu em fim que, Seikatsu e talvez até sua mãe não tivessem poderes de cura porque haviam herdado poder dos deuses, e na teoria, os deuses tinham mais controle sobre o poder da Rocha do que os demônios. Seikatsu absorveu em um estalar de dedos, toda a energia da Rocha tirada por Helldron, e, num soco estrondeante, reduziu Helldron em poeira. Seikatsu curou a todos, reviveu alguns mortos, despediu-se de Hana e dos druidas, e, emitindo uma incrível luz verde que iluminava toda a Terra Média, transformou-se em um incrível cristal, que se parecia com a Grande Rocha da Vida. Seu corpo virou uma estatua de pedra dentro daquele cristal. Sua Historia foi contada por gerações. Festivais celebrando sua vitória sobre Helldron, e todos o chamavam como, O Menino da Vida.
  • A Madrugada

     O quarto estava escuro, com um fraco feixe de luz lunar que entrava pela janela aberta, ferindo o breu instalado no úmido cômodo, iluminando o chão de piso branco barato e uma parede bege envelhecida. O ventilador ligado em sua maior potência pouco ruído fazia frente ao estardalhaço criado pela forte ventania do lado de fora da janela. O quarto não possuía som, todo o som pertencia a tempestade que reclamava seu direito sobre os ventos.
     À esquerda, a simples janela de alumínio dava uma visão escura sobre a cadeia de morros habitados por casas, aqui e ali uma luz de uma varanda vazia, engolidas na proclamação e na vastidão da noite, mas o principal evento não estava lá fora, ele vinha de fora para dentro e aqui no quarto, ele acontecia.
     Atrás da janela, do teto até os últimos seis centímetros do chão, a suave cortina de renda branca resistia, imóvel, elegante e destemida, ela se erguia frente a gritaria dos ventos, observava como se vê uma pirraça de uma criança mal educada, e comparada a ela, era a isso que se resumia toda aquela encenação da força do soturno céu.
     Com ciúmes e sentindo-se diminuída, a ventania irrompeu pela janela, tomando a suave cortina pelos braços e jogando-a pelos quatro cantos do quarto em arcos vertiginosos e ríspidos, porém, ainda impassível, ela se segurava no trilho sem aparente esforço, sem ter tocado o chão ou alguma das paredes nenhuma vez, ela volta a sua posição original ainda imaculada.
     O céu ultrajado com a insubordinação, tentou novamente, voltou mais furioso e violento, e assim fez seguidas vezes, mas a leve cortina não demonstrava resistência, e com toda sua elegância e suavidade, se colocava de volta atrás da janela, com movimentos graciosos, sem tocar nenhum canto do quarto.
     O tempo passava, o céu poderoso e revoltoso, já não demonstrava tamanha rebeldia, a ventania diminuiu, foram trocadas primeiro por brisas fortes, depois nem isso. Sem sucesso, o céu enviou seu último campeão para o duelo final. Uma fraca brisa perpassou pela janela, jovem e gentil, parecia pedir permissão ao entrar e suavemente pegou a mão da leve cortina.
     Enquanto o som lá fora diminuía drasticamente, a brisa começou a conduzir a cortina pelo quarto, não era apenas um simples movimento de empurrão para aqui ou acolá, era suave. Assim, a cortina foi lentamente se enroscando na brisa e ali eles bailavam uma lenta e suave valsa, cada vez mais lenta e ritmada, a dança transformava o casal, se antes eram brisa e cortina, agora eram uma só coisa, transfigurados, inseparáveis, vitais um ao outro. E toda vez que a leve cortina passava pelo fraco feixe de luz prateada, ela se iluminava, como se vestisse um vestido de diamantes que reluzia ao pequeno pedaço de lua presente.
     Tocada pela lua que crescia agora a cada instante, a cortina nasceu, debutou e envelheceu bailando com o seu amor na eternidade de minutos, ali ela foi plebeia, princesa, rainha, filha, mulher, esposa e mãe.
     Mas o tempo corria, as nuvens passaram, o céu se abriu como que saindo de cena, pois seu protagonismo havia sido roubado, e agora limpo, dava lugar para a lua cheia que ia aparecendo para contemplar aquele pequeno e delicado acontecimento que tomava toda a sua atenção, completando e prateando a noite daquele jovem casal. Porém, com a chegada da lua, a brisa precisava ir, seu mestre a chamava, e ela cada vez mais fraca se despedia da cortina. Até que saiu, a cortina agora sozinha, era banhada completamente pelo pratear da lua, jazia parada em frente a janela, fria, sem lembranças, abandonada na quietude da noite, ela voltara a ser só uma leve cortina de renda branca, sem par, sem motivo, sem vida. Apenas uma cortina morta.

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