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Romace

  • Meu amor escondido

    Estar com você é como mudar de orbita,
    de expressões,
    de sorrisos.
    Parece que foi feito pra me tirar do abismo.
    Diferente de tudo que eu já encontrei
    Feliz estaria eu se você ficasse mais um mês.
    Sinto saudades.
    Queria ter tido coragem pra dizer
    Eu encontrei você.
    ou
    Você me faz querer viver.
    Feliz é gostar
    Do seu olhar
    Do jeito calmo de falar
    E da sua voz ao cantar.
    Quando ele me abraça,
    Esqueço por dois segundos
    Que a vida passa!
    Esse sentimento, não é o mundo todo que me faz sentir,
    É alguém que talvez nunca leia isso aqui.
  • Monique

    Perdoe-me pela intromissão
    Por intrometer você
    Nesses meus versos
    Improvisados para você
    Em tua inspiração

    Gostaria apenas que você soubesse
    Que em dias e noites
    Me pego pensando em você
    E em dias e noites vazios
    Os pensamentos só aumentam

    Dias e noites vazios são rotinas da minha vida
    Então penso em você todos os dias
    Perdoe-me, a culpa é minha.
    Há algo errado comigo
    Não sei gostar, não sei amar.
    E fujo, fujo quando sei que vou me apaixonar.
  • My Swett Angel

    era uma noite chuvosa de junho em Miami e a pequena Lauren se encontrava debaixo de sua cama escondida, com as mãozinhas tampando os ouvidos tanto por causa dos trovões quanto pelos gritos devido a discussão dos seus pais no quarto da frente, a menininha de olhos verdes estava amedrontada, nunca gostara de noites chuvosas como essa, pois noites assim traziam consigo raios e trovões, e a pequenina morria de medo deles, sua mãe entrara no quarto depois de um longo e alto estrondo de trovão, Clara procurou por Lauren até encontrar a garota debaixo da cama toda encolhida com seu coberto favorito e agarrada em sua Nala de pelúcia, a mãe calmamente chamou a menina e a fez sair daquele local, a pegando cuidadosamente em seu colo e ninando sua filha.
    - Mama, eu estou com medo _disse a menina com a voz sonolenta.
    - Durma filha, eu estarei aqui te protegendo de tudo... _murmurou a mulher.
    - Porque você e o papa brigam tanto? _a garotinha se aconchegou mais nos braços de sua mãe.
    - Apenas durma querida _Clara mais uma vez murmurou_
    - Sim, ma... _e assim a garota caiu no sono.
    Clara por sua vez arrumou as malas de Lauren e esperou até seu marido dormir para arrumar as suas, o motivo das brigas constantes entre ela e seu marido sempre foi o vício que ele tinha em jogos de azar, as dividas estavam altas devido a isso e Mike nunca queria tentar ser melhor, nem por Clara e muito menos por sua pequena Lauren, a qual amava incondicionalmente. Clara sabia que era questão de tempo para as pessoas com quem Mike jogava acabariam vindo até sua casa e a mesma não sabia do que eles seriam capazes de fazer, ela não podia deixar Lauren passar por perigo algum e foi assim que decidiu ir embora daquela casa com sua filha. A mulher já havia colocado as malas em seu carro e agora acomodava uma pequena garota dormindo em sua cadeirinha, a deixando segura em seus cintos, Clara arrancou o carro dali e seguiu para casa da sua mãe, o que ela não esperava era que o pânico de pensar em ter alguém lhe perseguindo tomasse conta de seu ser e sem notar acelerasse o carro, e no momento seguinte ele estaria derrapando na estrada molhada e a última coisa que veria seria sua filha abrindo os olhos assustada para logo depois o carro capotar e ela apagar.
  • Nilfa e mochileiro

     
    Sobre a imensidão do triângulo estelar Mineiro
    O menino, mochileiro, transporta novos amores.
    Carangola, princesinha da mata; zona proibida.

    Quem por ventura ousou desbravar-te?
    Sereia em Minas, como podes?
    Terra ausente de mar....aqui te vejo Ninfa!
    Compreendo “nem faz falta o mar”¹

    Tú cantas às margens do Carangola
    Onde me vejo naufragar agora!
    Como fecunda o amor entre mochileiro e Ninfa?
    Que não seja eu infeliz como Apolo.
    Não se transforme perante mim em Loureiro.

    Carrego-te hoje em meu peito, com afago
    Não permitas, que caiamo-nos sobre Gaia
    Sem antes tê-la em flama, ardor, gozo.
    Pois será pelo apreço e infantil desejo
    Que te espero com arquejo a dar-lhe um beijo.




      Autoria: D`souza Gabriel
     ¹“Nem faz falta o mar” Musica, Minas das violas. Cesar Menotti e Fabiano.
  • No jogo do amor

    No jogo do amor, quem saiu ganhando foi eu, ao te encontrar !
  • Nossa primavera

    Céu azul,
    Nenhuma nuvem se quer se atreve a cruzar esse oceano. 

    Árvores paradas,
    A brisa não move suas folhas.
    Brisa gelada.
    Caminham ao meu redor de regata e shorts, pessoas admirando o verão.
    Um casaco cobre meus ombros.

    As pessoas se arrepiam ao passar por mim.
    Minha fria tristeza se tornou tão forte que não permanece mais dentro do meu coração.
    Não tenho mais controle. 

    Ela escorre pelos meus olhos,
    Emana do meu corpo,
    Tudo que toco se torna frio.
    Preto e branco.

    O sol não tem mais efeito sobre mim,
    Mas você tem,
    Você me aquece, espanta de mim esse inverno.

    Tenho saudades da nossa primavera.
  • Nosso plano hoje

    Nosso plano hoje e ser melhor que ontem.
    Nossa meta e viver a vida na intensidade máxima
    Nosso objetivo e ser o melhor no que eu faço
    A realidade e que para tudo acontecer só depende de min !
  • Nosso querido “nós”

    Desculpe se desisti de nós. É que no meio da euforia parece estar tudo bem, mas quando a gente coloca a cabeça no lugar, a gente percebe que tem muita coisa faltando, tem muita coisa errada, fora do lugar. Desculpe se não consegui levar adiante o que parecia ser para sempre. Talvez o “para sempre” tenha uma carga pesada demais para nós. Sei que nossa música parecia tocar no mesmo ritmo, mas meu compasso estava errado. Ou parecia estar. Quem sabe não era o seu? Na verdade, eu não sei. Não sei o que aconteceu com o nosso querido “nós”. Não sei onde fomos parar. Suspeito que ninguém conseguirá me fazer sentir o que só você me fez sentir. Mas, as coisas pararam de andar e eu não consegui empurrar mais. Ah, me desculpe meu amor, me desculpe por desistir de nós.
  • O Amor

    Percebi que teu olhar bastava
    Silenciava a voz e também as palavras
    Era você deixando de ser uma parte
    Era eu deixando de ser uma metade

    Era nós dois fortementes inteiros
    Completos, capazes de se doar por um sentimento
    Capazes de largar a boa realidade
    E nos fazer em nossa liberdade

    Você dizendo sim e não
    Ouvindo atentamente o coração
    Eu deixando no ar ou no máximo um talvez
    Agindo sem pensar, sem me notar, te notei

    Sem promessas, futuros distantes, coisas à frente
    Deixa acontecer, intensifica nosso presente
    Somos diferentes, somos iguais, somos nós
    Dois serem opostos donos de uma única voz

    O Amor!
  • O ANJO DO JULGAMENTO

    Prólogo
    A maldade silenciosa.
    Vivo num mundo cruel e sem salvação. Onde monstros se disfarçam de homens, e crianças são tratadas como adultos. Sigo por ruas pavimentadas, pagas com o sangue dos trabalhadores, e a dor dos inocentes. Criminosos crescem como pragas, e andar por qualquer cidade, já não é mais seguro. Ligo minha TV para esquecer que a perversão cresce lá fora, e me deparo com materiais doentios direcionados aos menores. A maior rede social de vídeos do mundo, proíbe minhas denúncias, garantindo que o material não chegue aos adormecidos. Mas minhas palavras não podem ser caladas. Há uma inútil luta na sociedade, para saber qual religião é melhor que a outra, ou se o homem é maior que a mulher, e vice e versa. Enquanto todos dão atenção para assuntos tão triviais, verdadeiros males ocorrem em torno do mundo com um único objetivo: manter a dominância de uma Elite doentia, que tem pervertido a magia, desde que o homem era somente um projeto de uma raça superior. Não me diga que ainda acredita, que os demônios vivem abaixo dos seus pés, e que Deus não é uma inteligência magnânima, que deu origem a isto tudo. Não, não me confunda como uma religiosa fanática, pois estou bem longe de ser. Não, também não me chame de satanista, este é um nome que não cabe a mim. Estou muito além destes rótulos, para ser definida somente por eles, por isso peço que me respeite, e me chame apenas por anjo do julgamento. Já que estou acima do bem e do mal, e apta para determinar a sentença dos seus homens e mulheres. Vim para este mundo, como uma de vocês, nasci de uma barriga humana, embora fique cada vez mais claro, que não sou deste mundo. Cresci como uma criança normal, sem saltos no tempo, ou perseguições de um grupo secreto. Porém sempre carreguei comigo, uma maldade gigantesca, que me levava a manipular, me aproveitar, e torturar os outros. Talvez tenha sido uma menina psicopata, talvez somente acima da média, mas uma coisa é muito clara, esta crueldade frívola nunca me abandonará, e dado as atuais circunstâncias, é melhor que assim seja. Na minha fase adulta, o meu destino ficou cada vez mais claro, quando seres poderosos, entraram em contato comigo através de pensamentos obscuros, e sinais nos céus, que jamais cessariam, até eu aceitar a minha conduta. Em janeiro de 2020, fui seguida por um grupo de frades tradicionais, após ter tido vários pesadelos, com inúmeras mortes causadas pelas minhas mãos. Eu senti medo, pois após tantos anos de terapia, enfim tinha descoberto que sofria de um mal psicológico, que poderia me transformar numa assassina de uma hora para a outra, o quê para mim, era cruel e demoníaco, e eu precisava controlar, senão vidas inocentes iriam pagar pelo meu problema. Eles me chamaram por um nome, que tentei esconder debaixo do tapete, todavia evitar o quê era, não foi o suficiente para me deixarem em paz, e assim tive de seguir com eles. Muito antes de evitar as minhas asas negras, já havia imaginado que um grupo viria até mim, e me levariam a algum lugar sombrio, por isso implorei aos deuses para me protegerem, ou me deixarem escapar. Infelizmente cheguei ao meu destino, e ninguém me salvou. Eles eram assustadores, e tentaram me atacar, mas o meu desejo insaciável por sangue, me levou a ficar viva e ilesa. Manchada de vermelho, me afastei do monte de cadáveres, pronta para me entregar a polícia. Só que dois padres surgiram, e aplaudiram o meu desempenho. “Ela é perfeita.” Concordaram entre si, e fiquei desconfiada, esperando que me dessem uma explicação. Eles pestanejaram, e me vi obrigada a puxar a faca. “Digam quem são, e o quê fazem aqui.” Perguntei sentindo a adrenalina fluir. “Somos os filhos de Jesus. Pertencentes a ordem sagrada de Cristo.” Eles me responderam, e eu gargalhei. Afinal o quê uma ordem de tamanho poder religioso, iria querer com um anjo caído, que negava a própria alcunha? Eles me disseram que precisava ir com eles ao mosteiro de Santa Marta, e que lá receberia explicações mais detalhadas. Naturalmente opinei por não ir, contudo cedi a minha curiosidade, e com eles eu segui. Muitas horas se passaram, até me levarem ao topo de uma montanha rochosa. Outra vez o medo de ser destratada, e sofrer torturas preencheu o meu ser, até que o vi. Era um homem loiro, de cabelos escuros, olhos penetrantes e claros, que intercalavam entre o rio e o mar, muito bonito , que vinha em minha direção. “Minha filha.” Ele disse, e eu não segurei o riso. Até ali tinha noção que de quê havia conhecido o paraíso, porém filha daquela figura bíblica? Era cômico demais. “Preferes desta forma?” Disse ao fazer chifres de bode crescer em sua cabeça, enquanto o corpo mudava. “Não pode ser.” Fiquei catatônica, e acabei por desmaiar em seus braços. Ao acordar ele me explicou tudo, e pude reagir de outra maneira, o abraçando forte, por saber que estava diante do meu verdadeiro pai. Assim me tornei uma dos seus seguidores, e me dediquei a cumprir a minha missão, de destruir os ímpios, e iluminar a terra, com a minha chama sagrada. Pois ele só havia voltado, para que o julgamento se iniciasse, e o mesmo só poderia ser feito com o poder da sua amazona, e filha mais velha, a própria morte, ou seja eu. No início senti culpa pelas vidas que ceifei, no entanto bastou ver a lista dos culpados, para que o arrependimento se transformasse em paz. Não estava tirando aqueles homens e mulheres de suas famílias, e sim devolvendo demônios de volta para o inferno, do qual nunca deveriam ter saído, e seguiria fazendo isso até limpar o planeta, desta maldita escória de covardes.
    Capitulo 1- Verdades
    Inconvenientes
    A MORTE NARRA:
    Um dia eu tive uma amiga, que acreditei que seria para sempre, mas agora era somente outra neblina de inveja e prepotência, que precisava se dissipar. Ela era bonita, e de corpo desejável, mas embora tivesse tais atributos, não era feliz ou satisfeita consigo mesma, por mais que escondesse isso, através de um sorriso tão vazio quanto a sua cabeça sonhadora. Sei que parecem sinais de ódio, todavia posso assegurar-lhes que é somente mágoa. Eu confiei nela, depositando em suas mãos todos os meus sonhos, medos, e anseios, como se fosse a única confidente que tive na vida, e o quê achei que duraria até o Armagedom, hoje era apenas um motivo de dor e tristeza. Ela seguiu uma vida criminosa sem retorno a cidadania de bem. Algo que tentei lhe alertar, que não teria um fim nobre. Já eu me juntei a Ordem secreta, que conhecia as duas faces do demônio, e passei a julgar os meliantes que trucidavam inocentes. Desde sempre estava claro, que éramos o lado diferente da moeda. Só que para a minha surpresa, não fui eu, a servir as trevas, cometendo iniquidades, apesar dos demônios que sempre me acompanharam, nas profundezas da minha mente. “Thamara.” Meu superior me chama, enquanto sigo pelo escritório, olhando os relatórios da empresa, com um par de óculos, que por intervenção divina, não mais necessitava, porém precisava para manter as aparências. “Seu desempenho foi excelente neste mês. Logo se formará com louvor.” Ele me elogia, e o olho sem muito interesse nas finanças. “Que bom. Não vejo a hora de terminar o curso, e voltar a trabalhar em casa.” Deixo escapar, e isso o magoa, já que acha que eu não valorizo seus esforços para me sentir bem ali. Não me importo muito, pois após ter conhecido tantos que usavam a máscara de bons moços, para esconder seus crimes. Gentilezas não mais me atraem. “Tha.” Ouço a voz do meu amado, e sorrio ao ver o belo moreno de terno que vem na minha direção. Ao chegar o abraço com todas as minhas forças, pois ele é a minha luz, neste mundo sombrio. Nós terminamos as simulações de compra e venda de ações, e descemos pela escadaria. Ao entrarmos no carro, nossas feições de alegria mudam, e ele segura a minha mão. “Sei que não será fácil. Mas é preciso.” Diz tentando me dá forças, e eu aceno com a cabeça, me preparando para tempestade que há de vir. Ele estaciona o carro, eu desço com o cabelo amarrado, num coque para trás, luvas, e tudo o quê é necessário para cometer um crime. Estamos numa floresta densa e escura, e o cheiro de morte impregna o ar. “Ela esteve aqui.” Aviso, ao o seguir sem fazer muito barulho. “De fato.” Meu marido pega duas cabeças de recém-nascidos, mortos, que tiveram seus olhos arrancados, e pela quentura do sangue, percebo que o infanticídio foi praticado a poucas horas. “Droga!” Esbravejo furiosa, e nós abandonamos o local do sacrifício. Assim me livro das vestimentas que nos ligam aos assassinos, exatamente como os filhos de Jesus me ensinaram, e seguimos como inocentes. Meu celular toca, e o atendo com grande desgosto.
    _Thamara.
    _Não chegamos a tempo de capturá-la.
    _Eu sei. Sua irmã pode ser uma
    cabeça oca, mas ordem a qual ela
    serve, é cheia de membros
    perigosos.
    _Para uma menina, ela tem me
    causado uma bela dor de cabeça.
    _É porquê tem sentimentos por ela,
    e no fundo se sente culpada pelo
    caminho que tomou.
    _Pai. Eu sou o monstro da família.
    Se tivesse controlado meu ego,
    talvez pudesse salvá-la.
    _Não, não poderia. Ela tinha o livre
    arbítrio, e optou por seguir para
    as trevas.
    _Ela não é tão má. Eu sei, porquê
    na hora das mortes...
    _Thamara. Você desliga as emoções
    , para julgar os que merecem. Ela o faz
    para sorrir, se divertir, e você já viu.
    Não há comparação.
    Meu pai estava certo. Minha irmã, e antiga melhor amiga, agora era um monstro imparável, que não se preocupava com o dia de amanhã, e já tinha cometido mais de 10 assassinatos, em nome da Ordem das Corais. Uma seita religiosa que tem planos malignos para o planeta, e precisa ser detida, pois apesar de seu número ser pequeno, a mesma é responsável por todo o serviço sujo, da ordem piramidal dos Iluminados. Algo terrível, que me trouxe memórias cruéis... “Katherine!” Gritei ao vê-la arrancar a cabeça de uma criança, mas ela me ignorou, tinha se entregado a escuridão, e nada poderia ser feito para regressar. “Ela nunca vai parar.” Conclui retornando aos tempos atuais. Era hora de matá-la, mas não sabia se teria a mesma frieza que desenvolvi ao exterminar os outros.
    A viagem de volta para casa foi longa e silenciosa. Bartolomeu sabia o quanto aquela situação me afetava. Ao chegarmos, notei que os portões da minha luxuosa casa estavam abertos, então coloquei um dos pares de luvas, e amarrei os cabelos. “Thamy.” Meu marido segurou o meu pulso, assim que coloquei o pé para fora, já com a adaga na mão. Meus olhos subiram, e vi a silhueta de minha mãe Lina, brincando com minha filha e cópia Ramona. “Não traga os seus trabalhos para casa. Seu pai jurou que manteria sua identidade protegida, e enviaria os melhores guardas para cuidar do nosso lar. Confie na palavra dele.” Ele me disse, porém não quis ouvir, andava tendo visões de que a casa seria invadida pela Ordem das Corais, e seria arrastada pelos Iluminados para dentro de um abismo, e não podia abaixar a guarda. A noite...Jantamos lasanha, com muito refrigerante, agindo como a família normal que não éramos, para manter a mente de Ramona sã. Um acordo que firmei com Bart, para garantir que a menina tivesse a infância que não tivemos, e somente mais tarde viesse a saber O quê nós somos. A pequena sempre carinhosa, nos deu beijos de boa noite, e foi para o seu quarto, ler seus contos favoritos dos irmãos Grimm. Apesar de sua doçura, ela sempre teve inclinações para assuntos obscuros, pois as histórias contadas para outras crianças, lhe davam sono. Era uma prodígio, e por isso eu ficava cheia de dores de cabeça, quando minha mãe vinha em casa. “Thamy você tem que colocá-la numa escola especializada.” Disse minha mãe, enquanto eu colocava os pratos na lava louça. “Já falamos sobre isso. Nem eu, nem Bartolomeu gostamos da ideia. O mundo não é seguro para uma garota gentil como ela.” Respondi esperando o furacão Lina, derrubar todos os objetos da cozinha, mas a idade a deixou mais calma, e isso me surpreendeu. “Filha você sempre reclamou por não termos explorado o seu potencial quando criança. Nós não fizemos isso, porquê não percebemos, seu pai não percebeu, mas você e Bart veem, não acha justo lhe darem a oportunidade?” Usou o velho argumento irritante, de quê fui um prodígio não reconhecido, por culpa do meu pai terrestre, e isso me chateou muito, contudo respirei fundo, e sentei a mesa, ligando o meu notebook. “Venha aqui.” Chamei-a, e a mulher baixinha e empinada, se juntou a mim, com seus óculos fundos. “Está vendo estas notícias?” Mostrei o novo sistema de pesquisa inteligente, conhecido como SIP-I. O programa que substituiu o Google em 2022, quando a Deep Web, deixou de ser uma rede subterrânea, para se tornar superficial, devido a grande popularidade de materiais distribuídos como inofensivos. Ao contrário do programa do Bill Gates, o SIP-I, era controlado por uma inteligência artificial, criada por um gênio e pai de família, que a desenvolveu exclusivamente para garantir que os filhos, ficassem longe dessas mídias danosas. O Google ainda existe, porém é uma ferramenta usada por criminosos, que agora podem agir a olho nu, graças a intervenção da Elite, para satisfazer seus desejos doentios. A policia, os guardas, os seguranças, os advogados, e todas as ferramentas para se fazer a justiça, não passam de teatros financiados pelo grupo piramidal, para fingir que ainda há um meio de salvar a todos. Sim, o mundo está um completo Caos, e não posso colocar a minha preciosa herdeira do verdadeiro Novo Mundo, nas garras dos monstros do atual. Não tive todo o cuidado de filtrar a sua programação, lhe formar em cursos a distância, para agora entregá-la de mãos beijadas ao sistema deles. “Menina de 10 anos, é estuprada em banheiro unissex por garotos da mesma idade. -Menina desaparece em escola, sem deixar rastros- Menina é agredida ao voltar para casa sozinha- Meninas tendem a sofrer 75% das agressões e abusos no país -Professor é preso por molestar as alunas. Preciso ler mais?!” Disse ao configurar o SIP-I com a minha biometria, para conteúdo adulto no meu computador portátil. “O mundo não é só isso Thamara.” Ela tenta me convencer, e eu acabo rindo, pois praticamente todo mês tenho que matar muitos, por conta da perversão que se expandiu. “Pode até não ser. Mas tudo o quê vejo é esse descontrole, e enquanto Ramona não for capaz de matar, em vez de ser morta, ela fica em casa.” Disse com frieza, e minha genitora se calou. A conversa que tive com a Dona Lina, me deixou bastante apreensiva, e trouxe de volta demônios, que há anos não me perturbavam. “Cuidado em casa.” Disse uma das vozes de minha consciência. “Você não deve confiar em nenhum homem.” Repetiu, e o medo se apoderou de mim. A passos lentos segui pelo corredor do quarto da minha menina, a porta estava entreaberta, e o meu bebê de 10 anos dormia totalmente embrulhado em sua coberta lilás, que por meu intermédio havia se tornado a sua cor favorita, desde que era menor. Entrei no cômodo, e me sentei ao seu lado, fiquei lhe fazendo cafuné, e vi o seu sorriso. “Você é a coisa mais importante do mundo para mim.” Disse-lhe, e ela me abraçou forte. Foi então que ouvi ruídos, e me vi obrigada a me esconder. Como não tinha para onde ir, usei um dos poderes da morte, a invisibilidade. Bart apareceu ali, e sem perceber acabei por deixar a menina descoberta, com o seu pijaminha de short curto. Respirei fundo, se algo ruim fosse acontecer, teria que ser naquele momento, pois meu marido pensava que eu ainda estava a conversar com a sua sogra. Ele a observou sorridente, e a cobriu, dando-lhe um beijo no rosto. “Sua mãe e você, são tudo para mim.” Falou com ternura, e eu não consegui me conter. Meu corpo tremulou entre o intangível e tangível, e acabei por surgir no canto da parede. “Thamara? Mas o quê faz aqui?” Disse já incomodado. “Eu precisava ver se a Ramona estava bem.” Foi o meu primeiro impulso a dizer. “Se era só isso, por quê se escondeu atrás da cortina?” Questionou com o ar de inteligência, sabendo no fundo o quê aquilo significava. “Nem precisa dizer.” Concluiu me deixando para trás, e sai atrás dele, pronta para me explicar.
    _Bart.
    _Thamy. Você lida com o mal o tempo todo.
    Como é que ainda pensa isso de mim?
    _É só que você é todo liberal, e gosta muito
    de mim, sendo que pareço uma menina
    de 14 anos.
    _15. Mas você tem 24, há diferença.
    _Até o dia que envelhecer...
    _Primeiro se envelhecer, sempre será a minha
    mulher. Segundo você não envelhece, é
    parte de ser a morte.
    _Mas se não consigo julgar nem a Katherine,
    que é minha irmã, imagine a você que é
    o amor da minha vida?
    _Eu não sou a Katherine. Tenho prazer de matar
    pela mesma razão que você. Pra limpar o mundo
    dessa escória maldita, que se tornou uma
    epidemia!
    “Tem prazer de matar? Pela mesma razão que ela?” Ouvi uma terceira voz na discussão, e meus olhos se arregalaram, lá estava a minha mãe na porta do quarto da minha filha, que se escondia atrás da sua longa camisola azul. “Ah! Fantástico!” Explodi, e ele lutou para se manter calmo. “Agora todos os meus planos para a Ramona foram por água abaixo. Está feliz?!” Deixei fluir o ódio. “Espera, vai me culpar? Foi você que iniciou a discussão!” Ele rebateu, e embora tivesse razão, preferi negar a culpa, e inspirei “todo o ar do ambiente”, até me tranquilizar, para explicar tudo o quê tinha acontecido, pois embora tivesse o dom de tirar a vida das pessoas, não tinha a capacidade mudar seus rumos. O tempo nunca volta para a morte, isto se dá por uma força maior que a minha, e até mesmo a de meu pai.
    Nos sentamos a mesa, a mesma onde deveriam haver conversas comuns e entediantes, em vez do grande “elefante” que estava entre nós. Ramona ficou a me observar com seus olhinhos negros, que estavam esperando uma explicação, enquanto minha mãe tremia como um rato diante do gato, achando que minha doença, tinha enfim chegado ao estágio final, e agora eu matava sem ter um código de conduta. “Eu poderia mentir para vocês, e acreditem em mim quando digo: Adoraria fazer isso. Mas esconder a verdade, as levariam a pesquisar por conta, e tirarem conclusões mais absurdas que o próprio axioma, por isso vou lhes contar tudo.” Tentei soar culta e fria, mas por dentro temia que não me entendessem, e me jogassem numa casa de apoio emocional e psicológico, um nome bonito para hospício do século XXI. Bart mesmo magoado pela acusação, segurou a minha mão me dando apoio, e apesar de meus demônios o odiarem, por me fazer tão fraca, uma pequena parte de mim, se sentiu segura por tê-lo ali, e assim ambos sorrimos sem vontade, um para o outro. “Lembram-se quando sumi por mais de 6 meses, quando estava perto de fazer 28 anos?” Iniciei o meu relato, com uma pergunta, para adaptá-las ao ambiente do passado. “E que Bart lhes disse que tínhamos tirado um ano de férias longe da Ramona, que tinha se tornado cada vez mais pestinha?” Conclui, e a velha conservada Lina, revirou os olhos, já se recordando do fatídico tempo. “É claro que sim, foi o seu ato mais egoísta em relação a pobrezinha.” Resmungou seca, e isso me fez sorrir com satisfação, pois agora ela se calaria com a verdadeira razão do meu sumiço. “A verdade é que eu tinha sido recrutada por uma antiga Ordem que...” Tentei terminar mas a avó, já veio atropelando a minha narrativa. “Você entrou para os Iluminados?! Depois de tudo o quê me falou sobre eles e sua maldade e...” Desta vez eu atropelei suas palavras. “Não! Eu entrei para a Ordem de Cristo. Na qual os verdadeiros devotos da luz celestial, ou estrela da manhã, são treinados pelo filho de Deus, para limpar o mundo de tamanha crueldade, provocada pela má interpretação das Escrituras Sagradas, que foram corrompidas pelo homem, para atender suas ambições.” Respondi quase automaticamente, e ela ficou emudecida. “Mas você é má. Como o filho de Deus, a aceitaria em seu rebanho?” Inquiriu desapontada com o seu grande ídolo divino. “Eu sou má, porquê preciso ser, e Jesus me escolheu porquê sou a filha dele e Madalena.” Disse com desgosto. Após ter entrado em tantas casas, para matar homens merecedores desta sorte, não gostava de ser associada a maldade diabólica, pregada por palavras vãs, de homens loucos por poder. “Mas você não é filha de Lúcifer?!” Ela ficou ainda mais confusa. “Tive a mesma reação ao descobrir. Mas sim Lúcifer e Jesus são o mesmo ser.” Esclareci, e ela cuspiu a água que tinha começado a beber. “Meu pai cometeu muitos erros mãe. Um deles foi tentado introduzir neste mundo, virtudes para os quais não estava preparado.” Baixei a cabeça, lamentando pelo surgimento da outra face, do príncipe do mundo. “Seu pai é o Alexandre! Esse homem que a induz a matar é um blasfemo!” Gritou como uma fanática, e com o meu dedo indicador apontei minha energia para a planta no meio da sala, que por “mágica" começou a secar, enquanto meus olhos mudavam de castanho para violetas. “Tudo é um, e o um é tudo.” Disse ao abrir a palma, e soprar a vida de volta para a flor, que brotou ainda mais linda e brilhante.
    _Como fez isso? Esse Homem. Esse homem é um alien?!
    _Não, bom é, mas não da forma que está pensando.
    Eu sou o cavaleiro do Apocalipse mãe, eu sou
    a Morte.
    _Mas como isso é possível? Sua gestação foi normal,
    embora houvessem complicações!
    _E você rezou a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
    para que eu não morresse, e me chamou de seu
    milagre.
    _Minha filha. É um peso tão grande para carregar.
    _Eu sei que é mãe. Sei que posso ficar louca. Mas pela
    primeira vez na vida, tudo realmente faz algum sentido,
    e principalmente, eu não preciso mais ficar de braços
    cruzados, vendo o mundo ruir.
    _Mas você é tão jovem, bonita, e inteligente.
    Ele não pode escolher outra em seu
    lugar?
    _Eu tenho 666 irmãos. Mas nenhum deles tem o
    meu poder mãe.
    _Eu sabia que um dia isso ia acontecer.
    _Não tá planejando me colocar no hospício não é?
    _Não, não minha filha. Apenas espero que saiba
    o quê está fazendo, pois um erro e...
    _Mamãe eu não morro.
    _Mas pode se ferir, e depois de tudo o quê já passou, não
    quero que se machuque ainda mais.
    Ela me abraçou, e Ramona ficou calada, ponderando sobre tudo o quê sabia a respeito de Cristo e Lúcifer. Naquela madrugada tive de falar tudo a minha pequena, de uma forma que ela pudesse entender, e acabamos por adormecer.
    O MISTERIOSO MARIDO NARRA:
    Thamara dormiu junto de nossa filha, e eu fiquei a mesa, arrumando os pratos, cheio de doces que devoramos ao ouvir as palavras da minha esposa. Lina não conseguia dormir, por isso ficou sentada no sofá com o olhar vazio. Embora quisesse transmitir confiança a filha, ainda não tinha aceitado os fatos, e suas mãos tremulantes, alegavam que estava a beira de um surto. Olhei-a por cima dos ombros, e respirei fundo. Se não a ajudasse agora, a Thamy iria sofrer as consequências mais tarde, e não podia deixar isso acontecer. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado, e ela como que por desespero virou-se para mim, dando-me um baita susto, com seus grandes olhos vermelhos e enrugados, marcados pelo pânico do desconhecido.
    _Bart.
    _Eu mesmo Lina.
    _Thamara não me contou como você foi envolvido
    nessa matança.
    _Ah, é simples. O par da Morte, sempre será
    o Peste.
    _Espera você também acredita que é um dos Cavaleiros
    do Apocalipse?
    _Mas é claro que sim. Fui treinado junto com
    a Thamy.
    _Isso é loucura Bart!
    _Não, não é. Basta parar de ver a Thamy como somente
    sua filha, que verá os sinais entorno dela.
    _Vocês tomaram alguma droga, quando conheceram
    esse guru que acha que é Cristo?!
    _Lina. Se acalma. O tal “guru" salvou sua filha de ficar
    cega.
    _Então é um alien! Um alien maldoso!
    _Lina. Ele é realmente Cristo, sua filha é a Morte, e
    eu sou o Peste. Precisa aceitar isso.
    _Por quê?!
    _Porquê com você como nossa aliada, podemos
    iniciar o quanto antes, os treinos de Ramona para
    esta seguir o destino que lhe foi escrito.
    _E seria?
    _Herdar nossos poderes e manter o mundo
    em equilíbrio.
    A conversa com Lina, não me pareceu muito proveitosa. Era evidente que Thamara tinha puxado a cabeça dura dela. Todavia obtive algum êxito, e por isso pude dormir em paz naquela noite. “Você tem que matá-la.” O sussurro de minha própria voz passou pelos ouvidos. Minha esposa não estava de todo errada, haviam demônios na minha mente, só que ao contrário do quê ela pensava, não representavam perigo algum a nossa filha, não da forma que com veemência me acusava, pelo menos. Meus pensamentos eram mais piedosos, me falavam sobre matar a família inteira, e depois a mim mesmo, não torturá-las com maldade, como fazia com minhas “vítimas”, ou de maneira sexual, como algumas das “vítimas” faziam com terceiros.
    Mergulhado no vazio obscuro dentro de mim, eu os vi. Eram vários de mim, cada um com uma ideia de diferente, e como eu sou o rei deste Inferno mental, caminhei lentamente entre eles, mostrando-lhes a minha força e imponência. O meu eu assustado se recolheu de imediato, ou meu eu raivoso, saltou na minha direção, e por isso o peguei pelo pescoço. “Ela nunca vai te amar! Não é capaz de amar a alguém!” Ele gritou e isso me fez sorrir, ao puxar seu crânio ensanguentado para fora do esqueleto. “Eu que mando aqui, e se não respeita a minha amada deusa, deve morrer como todos os outros.” Esclareci, e o frio e calculista veio até mim. “Ela não é controlável como a Célia. Não é um bom negócio, seguir com aqueles que estão além dos fios de nossa manipulação.” Olhou para mim, e eu lhe acertei com um machado que projetei. Não tinha tempo para ouvir as asneiras, de partes minhas, para as quais somente a Thamara ainda dava vida. “Ele seguiu por aquela direção.” Disse o meu eu viciado em violência, e por isso segui cautelosamente até a escuridão, que crescia da direção em que aquele demônio tinha se enraizado. “Ela te deixou uma vez.” Foram as suas primeiras palavras. “Ela seguiu com Dave, e te ignorou. Só retornou porquê Dave não a ama.” Continuou com seu monólogo de mágoa. “Só há uma razão para odiá-la tanto. Sr. Tristeza.” Brinquei ainda atento ao ataque dele. “É Sr. Melancolia.” Ele gritou enfurecido. “Pra mim parece mais o bebê chorão. Aquele tempo se foi Bart Melancólico.” O alfinetei, e depois recobrei o sentido, se somos o mesmo, não cairia numa provocação barata. “Não para mim. Eu ainda a vejo nos braços do outro, exatamente como ela desenhou.” Respondeu com mais intensidade, e pude chegar até ele, porém ao pisar no topo de uma colina, iluminada pela luz da lua, percebi que aquela voz vinha do meu inconsciente. “Ela nos ama. Me ama, e é só o quê importa.” Disse ao olhar para baixo. “Não é tão simples.” Suas sombras se materializaram, agarrando meus pés como tentáculos, e me arrastando para dentro do breu. Uma vez disse a Thamara que eu tinha entrado em depressão quando me deixou, mas eu menti, ela tinha criado algo muito pior dentro de mim, pois nunca havia amado tanto alguém antes dela, e agora esse mesmo monstro queria me puxar para o fundo, com o intuito de se tornar o 70% de mim, que controlava os meus outros demônios. Isso já tinha acontecido uma vez, e até hoje sofro com consequências do Bart Melancólico, que me levou a trair a minha esposa, mesmo que só emocionalmente, e ela nunca me perdoou. “Ela irá fugir com o primeiro homem bonito que aparecer.” Ele disse tentando me desnortear, mas desde que tinha completado 30 anos, não era o garoto de antes, o emprego e pequenas intervenções de Thamy, tinham me tornado atraente o suficiente, para não me sentir ameaçado, caso surgisse mais um novo rival, na batalha pelo coração da minha companheira. Por isso concentrei raios de luz na minha palma, e cortei os braços da criatura, antes de chegar na ponta do precipício. “Eu não entendo por quê você ainda existe. Eu já superei o passado, então faça o mesmo. Não importa as batalhas que perdemos, e sim que vencemos a guerra, e teremos a Thamara para sempre.” Disse iluminando o meu corpo ao máximo, para ser intocável pelo poder obscuro, do ser que habita as profundezas da minha cabeça. “Dave, Thomy, e outros, não foram os últimos.” Ele me disse, e retornei ao meu estado ativo.
    Já eram 7: 30 da manhã, e Thamara já havia iniciado suas negociações com o Robô da Ibov. “Me atrasei?” Brinquei com o meu sorriso mais sem graça, e ela seguiu com os seus olhos vazios, procurando por algo que nem a mesma sabia. “Está atrasado em 15 minutos, e só não perdeu 140 USD, porquê entrei em seu Login.” Respondeu seca, e isso me preocupou bastante. Se ela soubesse a luta que vivo toda noite, para continuarmos juntos, talvez valorizasse o meu amor, ou não. Conhecendo a senhorita “Não te amo há muito tempo.” Certamente não. “Obrigado meu peixe.” Agradeci citando o nosso apelido próprio, na intenção de alcançar as suas emoções. Só que ela seguiu inerte, me ignorando, e isso fez com quê o pesadelo da noite passada, parecesse bem real. Sentei-me do seu lado, meio desarrumado, tinha apenas escovado os dentes, e lavado o rosto. Sua pequena e delicada mão procurou pela minha, e isso me fez sorrir. “Não Bart Melancólico estava errado. Ela me ama sim.” Pensei tentando esconder o riso de alegria, e sem dizer nada ela se encostou no meu ombro, ainda focada na tela da FT. Era o seu jeito de dizer Eu te amo, sem o uso das palavras, e eu adoro isso, pois depois do carinho silencioso, sempre vem o beijo, e neste sinto toda a sua energia amorosa fluir com bastante gosto.
    A MORTE VOLTA A NARRAR:
    Ainda estava enfurecida pela noite passada, ele me traiu com uma garota mais jovem, de 18 anos, quando tinha 22. O quê quer que eu pense? Que é um homem digno que não se interessa por garotinhas? É difícil. Pois achei que o fato de ser 2 anos mais nova, me dava uma vantagem que as outras não podem ter. Afinal desde nova, sempre sofri muita rejeição dos caras da minha idade, e recebi bastantes pretendentes mais velhos. Assim conclui que meu par teria de ter sempre um ou dois anos acima de mim, do contrário sempre seria sempre um fracasso. Meus planos caíram por terra! Mesmo sendo mais nova, ele procurou por uma ainda mais nova, 4 anos mais nova. O quê me levou a concluir que se tivesse 17, teria um relacionamento com uma menina de 13 anos, algo tão patético, quanto o quê Roger, o lixo que me desvirginou fez. Depois de tal fato, nunca mais o vi com os olhos do encanto, porém ainda sim, mesmo ferida, e quebrada por dentro, não deixei de amá-lo. Só que como ele nunca valorizou os meus esforços, para manter longe os abutres que queriam destruir o nosso relacionamento, sempre que esse rancor crescia dentro de mim, acabava por dizer que não sinto mais nada, pois a verdade é que não queria sentir, mas por alguma razão era o único que não era capaz de deixar de amar totalmente. Talvez fosse o pacto que fizemos, quando ele tinha 18 e eu 16, ou quem sabe somos almas gêmeas. Já não sei mais, pois cansei de fazer inúmeros rituais para nos desamarrar, e continuarmos voltando aos dias de intensa paixão da juventude, e nos amando ainda mais. Como uma maldição sem fim, da qual nunca poderia escapar. Karma também é uma opção, consequência por desafiar a ordem divina. Contudo poderia ter me prendido a um homem cachaceiro, que me bateria, ou não me reconheceria nem mesmo com magia. Porém acabei junto dele, e apesar de ter sido o maior dos idiotas, foi a melhor opção, entretanto se pudesse voltar no tempo, eu teria impedido essa união de todas as formas, e com certeza me espancaria até desmaiar, antes de juntar nossas gotas de sangue, e transformá-las numa só, envolvendo o nome de Lúcifer e Lilith. Talvez fosse melhor ter invocado a própria Afrodite e o seu Adônis endeusado, mas isso é duvidoso, pois muitos no círculo dos magistas alegam que Lilith é Vênus, e se isso é verdade, então Lúcifer seria Áries ou será que era o pobre Efestos? Aquele que foi expulso do Olimpo pela própria mãe, e se tornou um Deus por sua cruel astúcia, ao descobrir as fraquezas daqueles que um dia o humilharam. Tanto faz. Só sei que rezei aos deuses errados, pois mesmo que a minha vítima cedesse, passamos por vários problemas ligados a este bendito ritual diabólico. O amo muito, ele é a minha vida, não vivo sem ele, parece que quem se amarrou fui eu. É duro sentir tal coisa, sendo que nunca tive tal emoção, por nenhum outro homem antes, e pior ainda é gostar dele deste forma, depois de tudo o quê aconteceu. Eu piso, humilho, chuto como se fosse outro psicótico a ser julgado, e na hora de partir o agarro forte, e faço o quê estiver ao meu alcance para não deixá-lo ir. Meus médicos dizem, que é culpa do meu mal, que não o amo de verdade, só gosto de sua submissão, e de torturá-lo friamente. É tudo tão simples para eles, que chega a me dar raiva. Não é que não o ame, pois se assim fosse, não perderia a cabeça só de imaginar ele com outra. “E isso se dá porquê o trata como sua posse, e acredita que ninguém mais pode tocá-lo.” Já até ouço o Doutor Fernand dizer, e reviro os olhos. Oras se não quero que ninguém toque nele, é porquê é importante para mim, e as mãos impuras de terceiros não devem corromper o meu imaculado amado.
    _O quê está pensando Thamy?
    _Nada.
    _Olha lá a mentira patológica gente.
    _Não importa.
    _Ainda é sobre aquele assunto irritante?
    _Em parte sim.
    _Hm.
    _O quê quer para o café?
    _Nada.
    _Isso só funciona comigo. Deixa de graça.
    _Eu realmente estou sem fome.
    _Então vou fazer bolinhos de queijo
    , presunto, salsa, e recheio de
    requeijão.
    _Quero 2.
    _Ótimo. Vou aguardar você terminar
    aqui.
    Sorri da maneira mais cínica, e isso o contagiou. É nessas horas que percebo o quanto me ama. “Eu vou. Mas só porquê me garantiu 140 dólares ainda pouco.” Fez a face de senhor da razão, e eu gargalhei. Está querendo enganar a quem querido? É evidente que expande a quantidade de oxitocina no seu organismo por mim. Tomamos o café-da-manhã, já em clima de harmonia, sorrindo como se por alguns minutos todos os males tivessem ido embora. Uma perfeita relação abusiva, na qual para surpresa de todos, era a mulher que estava pisando de salto alto nos sentimentos do homem. O telefone tocou, e fechei a cara, pois não era Lúcifer que estava me ligando, e sim a minha irmã que tinha se bandeado pro lado dos Iluminados.
    _Luciféria.
    _Pai!
    _Precisa vim a Santa Marta o quanto antes.
    _O quê? Por quê?
    _Sua irmã despertou da lavagem cerebral
    das Corais, e está a beira da morte!
    _Ela... O quê?
    _Venha ao mosteiro, e explicarei tudo.
    _Está bem.
    Ele desligou, e eu olhei para Bart. Nós entramos no carro, e dirigimos até o monte dourado. Katherine estava totalmente desidratada, caída no piso, como se implorasse pelo seu último suspiro. Sem dizer nada, afastei todos os frades, e me ajoelhei diante dela. Concentrando minhas energias na palma, vi ambas se tornarem esferas de luz radiante, e soprei para dentro da sua boca, infelizmente minha irmã não estava só morrendo, e sim tinha sido acometida por um vírus, e somente o sangue do Peste, poderia curá-la. “Vai em frente.” Disse ele estendendo o pulso, e com minha unha de energia, perfurei sua pele rasgando-a, até pingar gotas vermelhas na língua da moça, que pouco a pouco se restabeleceu de sua doença.
    Passadas algumas horas...Caminhei pelo mosteiro, e fumei um cigarro de maconha para me acalmar. Meu pai viu, e sorriu, erguendo a mão, para tirá-lo da minha. Sem questionar o entreguei, e para a minha surpresa, ele o levou aos lábios, e puxou toda a fumaça com gosto. “Parece que o lado Lúcifer segue aí dentro.” Brinquei, e ele olhou para o céu. “Lúcifer nunca irá embora, Magda.” Respondeu com calmaria. “É Luciféria, Luciferiel.” O corrigi. “Luciféria no céu, Magda na Terra, Arádia na Magia, Matheuccia na Religião...São apenas nomes. O quê importa é a sua essência, pequena princesa.” Citou meus “20 nomes", e me fez entender o seu propósito. “De fato. Lúcifer no céu, Jesus Cristo na Terra, Agrippa na Magia e na Religião.” Devolvi na mesma moeda, e ele riu com compaixão. “Então reconheceu minhas palavras, até mesmo através de um homem? A eduquei direito pelo visto.” Olhou para o lado, e ergui os ombros. “Quando falou que o Ar não era um elemento, e sim uma cola que unia os outros 3, como se o mesmo fosse o mais poderoso dos elementos, ficou bem óbvio na verdade.” Completei, e ele seguiu a fumar a erva sagrada, que aos olhos do sistema, era maldita, pois fazia o cérebro trabalhar mais rápido, e se tornar menos passivo ao controle. “Pena que nem todos os meus filhos aprenderam direito a respeito da palavra sagrada.” Olha para a frente, e a silhueta de violão da Coral, surge querendo se aproximar de nós. “As deixarei a sós.” Ele de imediato se retira. “Espera, ela é sua filha. A minha está em casa lendo e aprendendo.” Resmunguei colocando minha mão em seu peito, não o deixando passar. “Mas quando sua mãe criou ódio dos homens, você cuidou dela, como se fosse sua. Queria uma chance de se redimir? É esta.” Me relembrou, e acabei por ficar sem argumentos. Como uma criança, a morena veio até mim, e eu segui com a postura fria de mágoa.
    _Lucy.
    _É Thamara.
    _Pra mim sempre será Lucy, a minha irmãzinha
    mais velha.
    _Irmã mais velha, não venha com diminuitivos
    para despertar meus sentimentos.
    _Como sempre fria como gelo não é?
    _Diria mais fria como a Antártica.
    _Não vai querer saber como te encontrei?
    _Você sempre se fez de lesa, mas é inteligente.
    Não há nada surpreendente em ter chegado
    até aqui.
    _Eu ouvi um elogio da Sra. Crítica?
    _O quê quer aqui Katherine? Já não nos traiu
    o suficiente, ao se misturar as Corais?
    _Isso está além do quê pode compreender
    Thamara Mary.
    _Que você tinha sede de poder, e se meteu
    com as pessoas erradas? Não, é bem
    fácil.
    _Se me ver como a velha Lilá, sim, é só isso.
    Mas entrei na Ordem das Corais, para vigiá-las,
    e te entregar constantes relatórios sobre os
    crimes.
    _É Agarath e disso eu me lembro. Então num fatídico dia, simplesmente me levou para uma armadilha, e por pouco não morri.
    _Eu me apaixonei Lucy, e assim como você
    e Bart, ele era o meu parceiro de outras
    vidas.
    _Outro loiro de olhos claros com o rosto
    de uma estátua grega?
    _Guarde o seu sarcasmo. Ele era moreno,
    de olhos castanhos, e sem um gigante
    porte físico.
    _Deixe-me adivinhar, era o líder das Corais?
    _Não. Era outro subalterno como eu, e quando as
    Corais descobriram que tinha traído elas, juraram
    matá-lo, e me entregar o seu coração numa
    folha.
    _Então por um amor de verão traiu
    alguém de seu próprio sangue.
    Interessante.
    _Ele não era um amor de verão Lucy!
    Estávamos juntos, desde que me infiltrei
    na Ordem das Corais!
    _E já se passou pela sua cabecinha infantil,
    que ele pode ser o vigia delas, para testar
    a sua lealdade queridinha?
    _Já! É claro que já! Você me treinou lembra?
    _Então como ainda pode me trair?
    _Porquê ele era diferente do John. Me ligava,
    Mandava flores, fazia planos comigo, e me
    fazia ver que Bart não era o único homem
    na face da Terra, a amar uma mulher.
    _Não te usava? Não te ignorava? Não
    pisava em você? Não dava sinais claros
    de manipulação, e que não estava
    afim?
    _Não. Havia tanta devoção da parte dele,
    que várias vezes as Corais tentaram o matar,
    somente por me proteger.
    _Então te amava mesmo.
    A conversa prosseguiu, e vi os olhos de Katherine. Apesar dos sinais de um amor realmente recíproco, estava claro que aquela história não tinha tido um final feliz.
    A MEMBRO CORAL NARRA:
    Quando entrei no clube das Corais, que até aquele momento não era uma ordem reconhecida pelo mundo, tinha apenas um objetivo, orgulhar a minha mestra, irmã, e segunda mãe que já tinha conhecido. A tarefa era simples, apenas observar os relatórios através do Whatsapp e repassá-los para a minha superior, que havia praticamente retornado dos mortos. Contudo praticamente da noite para o dia, o Clube das Corais, ganhou destaque, e passou a ser notado por diversos países. Assim em vez do pequeno grupo que só tinha conversas online, agora os membros ganhavam passagens, para se encontrarem pessoalmente. Entrei num lugar com estátuas de Gárgula, cheio das mais diversas artes clássicas e góticas. Quem tivesse conhecido a líder antes, não acreditaria, que Ane Marrie agora era uma das mulheres mais ricas do Brasil. Mas isso tinha um preço, que era caro demais para pagar. “Olá meus filhos. Eu sou a deusa. Lúcifer não virá, mas os homens de Cristo, bateram a nossa porta, e não podemos deixá-los esperando.” Disse Ane, enquanto os 9 membros principais, se aproximavam de seu trono de mármore, uma regalia necessária, oferecida por ninguém menos que os iluminados. “Luz é o quê este mundo precisa, e é a ela que agora serviremos, sem perder a nossa autonomia.” Prosseguiu, sentindo-se a dona do mundo. “Se Lucy assistisse a essa cerimônia, teria revirado os olhos, e cochichado algo sarcástico.” Pensei ao me ajoelhar perante os pés da “deusa Marrie". A festa foi bastante recatada, até o momento em que ela pediu que nos despíssemos. Tremi um pouco, pois só havia eu e mais uma garota, chamada Pauline, e um dos homens veio até mim. Seu nome era Timothy, e o olhar cheio de desejo, me fez ter repulsa, por achar que era um pervertido qualquer. Porém quando segurou minha mão, e a beijou, soube que mesmo sendo um tarado, era um cavalheiro. “Não é bem o lugar para ser educado.” Joguei verde, para ver se era um teatro e ele riu. “Com alguém tão bela quanto você, é sempre hora de ser educado.” Ele me olhou com os seus escuros olhos penetrantes, e sem graça deixei meu riso escapar. Após o evento, em que por nome dos deuses tivemos de copular, Ane Marrie notou uma conexão entre nós, e nos fez um par, segundo ela éramos deuses antigos, que agora tinham reencarnado para clarear a sociedade. Novamente se Lucy ouvisse tal coisa, iria surtar, pois parecia uma cópia malfeita da historia dela e do marido, e se saísse da minha boca, certamente brigaríamos, pois ela iria pensar que a ideia teria sido minha, por conta dessa “mania de poder". Timothy andava pela cidade, sentindo-se o Senhor das Ruas, por conta do título que a “deusa" lhe proporcionou. Eu seguia ignorando isso, minha deusa era outra, e a mesma dizia que eu só me tornaria como ela, no dia em que finalmente despertasse, de maneira tanto física quanto intelectual. Só que o meu parceiro achava mesmo que Ane Marrie, era alguma entidade poderosa, por isso tentava fazer a minha cabeça para ver a sua grandeza, e jamais seguir a renegada filha de Lúcifer, que não fazia parte das Corais, por ser uma egocêntrica, metida, que achava ter mais poder que a “nossa" majestade. “Sempre não é Lucy?” Mas estes embora pareçam ser defeitos, no fim eram suas qualidades, e eu admirava esse desempenho frio e turrão de ser. Percebendo que a glória da Rainha Cobra, não me tocava o coração, ele desistiu de falar de seus feitos, e passou a mudar de assunto. “Obrigado Satã por sinal.” Foi então que vi que Timothy, não era só um ingênuo seguidor da “deusa nada virgem", como Lucy costumava chamar, e pouco a pouco, meus pensamentos sempre focados na minha irmã, foram desaparecendo, e sendo substituídos por todos os segundos e minutos que ficava perto dele. É claro cometíamos muitos crimes hediondos, em nome dos Iluminados, por intermédio da majestosa Marrie. Mas tudo o quê ficava na minha mente, eram os milk-shakes com hambúrguer que comíamos na volta para casa. Os meses se passaram, e a minha aproximação com ele, se tornou cada vez maior. O quê deveria ser somente uma parceria de negócios, logo se tornou um romance, e quando dei por mim estávamos vivendo juntos, no apartamento simples dele, que nós chamávamos de ninho do amor. Mesmo que um filho de Eva morresse em minhas mãos todos os dias, tudo o quê importava, era o calor do seu colo no final da noite, pois nada mais era importante além de nós dois, ou assim pensei.
    Certa noite cheguei em casa, e Timothy não estava lá. Somente o nosso cachorro Vlad, se encontrava no apartamento. Logo o medo de algo ter acontecido invadiu o meu pensamento. Liguei em seu telefone, e o mesmo estava desligado. Estaria ele aprontando sem mim? Questionei. Só que o meu amor, me deixou um pouco mais lúcida, e por isso decidi verificar os meus recados. “Amor. O Vlad tá com saudades.” Foi a primeira mensagem, as 7:30. “Amor hoje vai ter pizza na janta, quer escolher o sabor?” Foi a segunda, na hora do almoço. “Amor trouxe sua pizza favorita, com muito queijo e...” A ligação caiu as 19:45. “Merd...!” Deixei escapar, e fui para a próxima e última mensagem. “Sabemos de sua conexão com a deusa renegada, e se quiser ouvir outra declaração patética do seu amado, vai ter que fazer o seguinte...” Anotei as instruções com a mão trêmula. Sabia que Thamara jamais me perdoaria, pelo que ia fazer. Contudo Timy era o amor da minha vida, e eu não me perdoaria se algo acontecesse a ele. Precisava tomar uma decisão, que mudaria a minha vida sempre, e tinha apenas alguns minutos para cruzar a linha da traição. Foi então que segui o plano delas, e enviei uma falsa localização para a minha irmã, que a enviaria direto para o abate. Ela não havia despertado ainda, mas assim como eu tinha alguém que me amava, ela também tinha, e certamente ele iria resgatá-la, e caso isso falhasse, havia uma força celestial disposta a mudar o tempo, para salvá-la, e sendo assim ela era importante o suficiente para o universo intervir. Ao contrário do Timothy que tinha menos de 2 horas de vida, e poderia desaparecer para sempre, pois era um criminoso, e mesmo sendo um filho do Inferno como eu, ficaria preso ali, por sua afronta a ordem natural, ao seguir as leis erradas. Era o fim da minha parceria com a minha irmã, e por isso não conseguia aguentar as lágrimas, mas mesmo assim, eu segui em frente, e entrei naquele depósito. Timy estava preso dentro de um vidro cheio de água, acorrentado até o pescoço, com panos brancos que estavam vermelhos de sangue. Só haviam 7 minutos de vida agora, e eu precisava encontrar o painel. Corri de um lado para o outro, tentando achá-lo, até que notei os olhos do meu amado, e segui na direção indicada por estes. Quando o líquido já tinha ultrapassado o queixo, eu consegui desligar, e sem pensar duas vezes, entrei no tanque, e usei a chave que me entregaram, após mandar minha irmã para a morte. Ao nos encontrar nos abraçamos mais forte do quê nunca, e nos beijamos ali dentro. Mas após ter comprometido toda a Ordem das Corais, eu mesma paguei o preço. O tanque se fechou, na parte de cima, e a própria Ane Marrie, veio nos executar. Pensei que ia morrer, pois agora não só subia água, e sim um liquido verde, que segundo a mesma estava contaminado, com um vírus que tinha ficado adormecido há 7 mil anos. Eu gritei, e me debati, enquanto Timothy ficou parado. Não entendi a razão, até ver a enorme e gosmenta criatura na sua nuca, que brilhava mais que neon, e que seus olhos estavam vazios. “Este? É um presente da nossa bióloga renegada, que antes de sair me ensinou sobre todos os poderes da ciência... e seus malefícios.” A rainha sorriu, e entrei em desespero. Sem saber o quê fazer, passei a me empurrar na ordem contrária ao apoio do tanque. A queda poderia me machucar, só que era melhor que morrer. Empurrei várias vezes, impulsionando o meu corpo, até que a cúpula caiu no piso e se partiu. Me arrastei entre os cacos, e peguei a mão do meu namorado. Sabendo que não éramos mais bem vindos, sai correndo até a saída mais próxima. Nós dois corremos até a floresta, e quando vi um frade passar por ali, gritei pedindo por ajuda. “Eu sou Úrsula, a outra irmã de Thamara a filha mais velha de Cristo!” Foi tudo o quê pude pronunciar, antes de desmaiar. Se falasse meu nome verdadeiro, eles não nos ajudariam, Thamara tinha deixado isso bem claro, na sua “doce” carta de despedida, por isso fui obrigada a mentir. Mas ainda bem que fiz isso, pois me trouxe até o único lugar, em que Timothy pôde ser curado, para que possamos iniciar uma nova vida, longe dos crimes da Ordem das Corais. Sei que somos dois ímpios, mas se meu pai é mesmo Cristo, ele ensinou os outros a perdoarem, e certamente não negaria uma segunda chance, para uma das suas filhas, e o sobrinho, filho de seu irmão Belial.
    _Então mentiu para chegar aqui?
    _É só o quê ouviu?!
    _Não, foi apenas a parte mais marcante, pois pensei
    que tinha me rastreado de alguma maneira, algo mais
    inteligente, do quê apenas sorte.
    _Foi inteligente, do contrário Timothy teria morrido.
    _E agora espera que a Ordem de Cristo os abracem
    , e ofereçam um banquete pela sua chegada?
    _Queremos somente redenção Thamy.
    _Sem coroas, deuses, ou as velhas regalias que
    foram ofertadas por Marrie, para tentá-los ?
    _É claro que sim.
    _Estão prontos para o trabalho duro,
    que lhes confere alguma nobreza
    entre nós?
    _Se tiver um quarto, comida boa, e bons
    livros.
    _Acha que está no direito de exigir?
    _É o mínimo para um ser humano.
    _Então terá de se dirigir ao pai.
    Ele quem lida com essas
    coisas.
    Thamara era bastante firme em suas palavras, porém era evidente o alívio que sentia no peito, por me ter de volta ao seu comando. Uma vez irmã, sempre irmã, e mesmo com toda a frieza, ficava claro que se importava do contrário, não teria feito o seu marido “O Peste" me dá o sangue da cura.
    A MORTE NARRA:
    A volta da minha irmã mais nova deveria me trazer alegrias, mas por mais feliz que estivesse pela sua volta, não podia me esquecer dos males que tinha causado, e de quê nem Ramona escapou das suas teias diabólicas. Inspirei fundo, e caminhei para longe dela, deixando-a sem respostas. Tudo sempre foi muito fácil para Katherine, então não me admira a sua “cara de pau”, de vim até Santa Marta em busca de perdão. Nosso pai poderia lhe perdoar, afinal ele sempre foi o cara que perdoo as faltas do mundo, mas eu neste sentido, era tão implacável quanto minha mãe Madalena Lilith.
    A noite... Timothy e Katherine ficaram agarrados um ao outro, sorrindo, ao beberem a sopa do nosso chefe e padre João. Quem os visse ali, pensaria que eram almas gêmeas, puras e inocentes, entregues aos desejos da juventude. Fiquei com o cotovelo apoiado na mesa, pousando a mão abaixo do queixo. Os observando com cautela e fúria. Vendo o meu estado, Bart deitou sua cabeça no meu ombro, dando-me beijinhos no pescoço, até me fazer rir, e sussurrou para nos afastarmos de todos. De mãos dadas, nós seguimos até a beira do rio cristalino, e nos sentamos na ponta da terra, deixando a água cobrir os nossos pés. “Não gostei da volta dela.” Ele iniciou, e dei graças aos deuses, por não ser a primeira a dizer. “Ela é minha irmã, mas eu também não estou satisfeita com isso.” Concordei, e ele se deitou no meu colo, deixando a água fria cobrir metade do seu corpo, já que a fenda estava rasa, e “secando”.
    _Por pouco você e Ramona não morreram
    naquele dia. Não é algo fácil de se perdoar.
    _Se Ele não tivesse parado o tempo...
    _E ainda tem essa. Graças a ela o Arcanjo voltou.
    _Ciúmes, bonitinho?
    _Sempre terei ciúmes de você. É o amor da
    minha vida.
    _Você também é o amor da minha...
    _Mas?
    _Você sabe...
    _Está muito magoada comigo, para sentir
    alegria por isso.
    _Olha, não é que é esperto?
    _Engraçadinha.
    _Sou mesmo.
    _Eu te amo Thamy. Sei que falhei feio contigo, como marido,
    mas não vai se passar um dia da minha vida, que não deixarei
    de lutar para ser digno do seu perdão.
    Ele ergueu a face para cima, e pude vê as estrelas se refletirem nos seus olhos. Aquelas íris brilhantes, e a pupila tão dilatada ao olhar para mim, me fizeram entender porquê mesmo depois de tantos anos, sofrendo por ser incapaz de dar uma segunda chance a alguém, ainda seguia ao seu lado, e afastava todos os possíveis pretendentes, tornando-o minha primeira e única opção. “Também te amo Bart. É difícil pra mim perdoar, qualquer pequena falha que seja. Mas por você estou tentando.” Me esforcei para me declarar. Escrever é fácil, porém falar dos meus sentimentos, sempre foi algo complicado, pois é como se eu não fosse capaz de amar, ao ponto de literalmente esquecer de mim, e levar um tiro para proteger alguém que não está dentro desse corpo. Contudo Bart era o único por quem eu realmente me esforçava para ser melhor, e por mais que o Dr. Fernand ou o Dr. Augusto dissessem o contrário, isso para mim, era o mais perto do amor que podia conhecer. Sem que percebesse, meus dedos fizeram carinho em sua cabeça, e meus lábios foram até os seus. Talvez amar, não fosse algo que trouxesse somente felicidade e satisfação, e sim a caminhada longa e tortuosa, na qual os dois enfrentam todas as barreiras para continuarem juntos.
    O PESTE NARRA:
    Outra vez seus impulsos românticos a traíram, era óbvio por causa da sua face corada de vergonha, ao afastar o rosto depois de me beijar, e praticamente criar alguma distância emocional, ao se recostar para trás. Ainda bem que tínhamos voltado a brigar por nosso relacionamento, não queria me lembrar, do dia em que quase perdi a mulher da minha vida, e o fruto desse amor que nunca se apaga. Droga. Estou começando a lembrar outra vez...Já ouço o som do temporal que caia, e a voz dela ao telefone. “Bart por favor me ajude.” Foi tudo o quê ouvi, antes de ligar sua localização, e seguir até o meio da mata escura. A mesma em que há poucos dias, havíamos encontrado sacrifícios infantis, em nome dos “ofídios em forma de humanos”. O sangue estava espalhado por toda parte, - ao contrário do quê fizeram com Marcele, outra membro que abandonou as corais, antes da mesma se transformar numa ordem mundialmente famosa, por suas atrocidades. – Eles queriam mesmo executar a Thamara, sem fazer parecer suicídio. Minha respiração era calma, porém a cada passo que dava, o medo crescia dentro de mim, e os suspiros pouco a pouco se aceleravam. As folhas se quebraram abaixo dos meus pés, mesmo tentando ser sorrateiro, e isso fez meu coração subir até um pouco acima das costelas. Um pouco trêmulo, me aproximei das árvores, para observar o ambiente. Sentindo a força de Gaia fluir pela copa, ganhei energia para enfrentar os monstros que tinham levado a minha amada, e a minha filhinha. Minha áurea obscura cresceu, e por alguns segundos o Bart viciado em violência, tomou 70% do controle do meu corpo, pois estava pronto para me “banquetear” com a carne de certas corais. Meus dedos arranharam o tronco, como se fossem obsidianas, e por um momento senti que meus olhos queimaram, e se tornaram amarelos como ouro, dando-me o poder de ver no escuro. Foi então que a vi, nos braços dele, e minhas íris se tornaram vermelhas como rubi, pois o Bart melancólico quem assumiu. “O quê faz aqui?” Perguntei ao ver o homem de longos e cacheados cabelos negros, que segurava a minha esposa, e ficava ao lado da minha filha, me encarando com seus olhos azuis, que brilhavam de maneira tão inumana quanto os meus. “Se soubesse cuidar dela. Eu não precisaria intervir.” Ele me respondeu, e isso me fez rir de raiva, pois jamais deixava de salvaguardar a minha amada. “O quê aconteceu?” Perguntei lentamente, pronto para matá-lo com todos os requintes da maldade, assim que me entregasse a minha companheira. “As corais vieram atrás dela.” Disse sem parecer se importar, e ela despertou. “Você?” Perguntou para ele, com certa mágoa, e este sem querer sorriu. “Estou fazendo hora extra.” A colocou no piso, e levantou voo. “Ela precisa de proteção. Não importa quem você seja, sabe que somente o Pai tem tal poder.” Disse ao passar por mim. Apesar de ser um engomadinho celestial, ele estava certo, porém conhecendo a mulher que tinha, havia a certeza de quê ela não seria a favor de tal intervenção, por isso só deixei escapar um barulho de lata de refrigerante sendo aberta.
    No caminho de volta para casa...Thamara ficou em completo silêncio, segurando Ramona que tinha dormido em seus braços. Pelo retrovisor pude vê-la. Seu olhar era vazio, tinha marcas de garras nos ombros, o lábio estava roxo, como se tivessem torturado e depois a forcassem a beber veneno. Eu queria saber o quê tinha acontecido, mas ela parecia sem reação. Ao passar pela entrada de casa, ela pulou no meu colo e me abraçou forte. “Ela saiu. Eu preciso ir embora.” Foram as suas palavras. Sem pensar, a segurei contra o meu peito. “Não.” Foi tudo o quê consegui sussurrar, e ela me deu um beijo no rosto, seguido de um beijo na boca, que pareceu sugar as minhas energias. Era como se ela fosse a Hera Venenosa das revistas em quadrinhos, mas seus olhos ficavam violetas e vítreos, quando minha vida era engolida por sua boca roxa. “Eu te amo muito. De verdade. Mas meu ódio pode te machucar, então adeus.” Ela disse e dei o meu último suspiro, caindo desmaiado no piso.
    Os dias se passaram...Minha sogra entrou em desespero, e veio para dentro da nossa casa, me oferecer ajuda para cuidar de Ramona, enquanto eu procurava por minha esposa. Cheguei a voltar a beber e fumar, coisa que só fiz na adolescência após termos terminado por conta dos seus inúmeros pretendentes, e querer vivenciar todos os prazeres da juventude. Ela certamente diria que o fez, pra ficar com o tal Dave, porém anos mais tarde, vim saber que não tinha só o babaca, outros estavam aos seus pés. Não acho isso negativo, porquê eu também era o homem de muitas, após termos nos afastado. Pra mim isso só significava que a separação nos tornou duas criaturas frias e maldosas, que deixaram um rastro de destruição por onde passaram, mas se reencontraram mesmo nas trevas, pois eram perfeitos um para o outro. Infelizmente acho que ela não via assim, e por isso tinha partido de vez. Ela, seu outro Eu sempre saia em momentos de adrenalina. Então isso pra mim, era uma desculpa mais do quê esfarrapada. O sino da porta do bar tocou, e foi tudo muito rápido. Um grupo de mascarados, com uma braçadeira vermelha, jogaram um frasco ovalado no piso, que se partiu e deixou todos doentes.
    No meio daquela névoa verde, eu via mulheres e crianças gritando, ao chorarem lágrimas de sangue, enquanto os homens vomitavam sem parar pelos cantos, e alguns tremiam como se sofressem o efeito colateral de um remédio psiquiátrico. O quê quer que seja, era mortal, mas me sentia normal, por isso caminhei por ali, até chegar a saída, onde encontrei um grupo de homens de túnica branca. “Eis que o filho do nosso senhor enfim aparece entre as sombras, iluminando-as com a sua luz.” Disseram em coro, e ergui uma sobrancelha de incredulidade. “Saudamos-te ó grande cavaleiro iluminado, que deve acompanhar a amazona negra que com a sua mortalha e foice limpará o mundo.” Eles se ajoelharam diante de mim, com itens em suas mãos. “Eu sonhei que muitas pessoas morriam por minhas mãos.” Me recordei, com a voz dela. “Não podia ver o rosto, mas andava a cavalo com um guerreiro de armadura prata, que me levava até os outros dois. Era como se eu fosse a Morte” Foi o segundo lampejo. “E se um dos cavaleiros, não for apenas uma corrupção machista, e a Morte na verdade é uma amazona?” Foi o quê me fez ter certeza que era dela que se tratava. “Onde ela está?!” Peguei um deles pela túnica, e ergui contra a parede, pronto para destrui-lo caso tivesse feito mal a minha amada. “Está em Santa Marta, porém assim como a mesma está treinando, você deverá fazê-lo, para terem controle dos seus poderes, e não serem controlados por eles.” Me respondeu aquele ficava ao lado do outro. “Olha pra minha cara. Vê se eu me importo com isso? Só quero achá-la.” Disse com impetuosidade. “Se quiser ver a minha filha. Terá de ser merecedor dela.” O quarto e último homem impôs, e quando olhei para trás, vi seus olhos brilhantes como uma lâmpada no escuro. “Lúcifer?” Questionei desconfiado. “É apenas um dos meus nomes, meu filho rebelde.” Me respondeu. “Ela está bem? Não estão abortando seus filhos, e lhes dando o feto para comer não é?” Inqueri me recordando das terríveis visões da minha companheira. “Não somos Os Iluminados. Nosso treinamento é mais rigoroso e evolutivo. Ela está aprendendo a controlar o poder da Morte, e não se tornar o próximo grande Demônio, já temos você pra isso.” Respondeu e brincou no final. “Do quê está falando?” Perguntei sem entender a razão de tal acusação. “Então o bloqueio de memória foi um sucesso.” Se aproximou de mim, e pousou a mão no meu ombro direito. “Infelizmente Baal Hadad, não poderá viver para sempre nesta mentira, de quê só Thamara Mary, viveu no Inferno, e tem o meu sangue.” Tais palavras me deixaram um pouco receoso. “É hora de enfrentar o seu grande demônio, e fazer juiz ao fato de ser o príncipe deste mundo.” Ele prosseguiu. “Esse não é o teu título?” Perguntei com certa curiosidade. “Eu sou o novo Deus, meu filho, o título de Diabo é, e sempre será seu.” Ele me respondeu, e meus olhos se engrandeceram. “Isso não seria uma blasfêmia para o Altíssimo?” Notei os aspectos bíblicos dos quais Thamy sempre falava. “Seria, se ele não tivesse concedido esta glória, para se tornar o sucessor do seu bisavô.” Outra vez ele respondeu algo de quê não tinha muito conhecimento, a não ser pelas aulas da minha linda descendente dele.
    _Eu tenho um bisavô?
    _É muito para explicar. Mas sim. Você é parte da terceira
    gerações dos deuses.
    _Então este bisavô é o Caos da mitologia nórdica?
    _Sim, e dele nasceram os primeiros deuses supremos,
    que são os seus avós.
    _É muito para processar...
    _Ficará mais fácil depois que desbloquearmos sua memória.
    _Não.
    _O quê? Por quê?
    _Se sou mesmo o Diabo, não quero machucar Thamara
    ou minha filha, é melhor deixá-lo adormecido.
    _Isso é um excelente sinal. Porém embora tenha machucado
    muitos com a sua frieza e sadismo, tenho certeza que não
    praticou algum mal contra elas.
    As palavras de Lúcifer me acalmaram, e por isso segui com os frades, para receber o devido treinamento de meu poder, e ver a minha amada outra vez. Foram 6 meses de teorias e práticas, sobre o meu porte físico e espiritual. Os cientistas da ordem diziam, que minha saliva era uma fonte de doenças nocivas, que se transformava no quê minha mente desejasse, e que o meu próprio sangue, continha antígenos praticamente sobre-humanos para cada um desses males. Por vários meses fui estudado numa estufa, ás vezes dentro de um tanque, outras numa maca, para definir o limite dos meus poderes, que faziam de mim, uma bomba biológica, com a cura para as mesmas doenças que causava, por isso me chamaram de Peste. Contudo embora fosse parte das minhas habilidades, ter esses vírus vivendo em meu corpo, e os curar, não era todo o meu poder, pois graças aos seres microscópicos, poderia modificar o meu DNA, para me tornar qualquer ser existente na galáxia...Mas não vem ao caso, como dizia...No sexto mês finalmente pude encontrá-la, ela continuava linda e radiante como a lua. Como tanto gostava, estava usando um vestido preto longo e decotado, sendo seguida por homens e mulheres cobertos por capuzes amarelos. Ao contrário dos costumeiros olhos vazios, parecia tão serena quanto na adolescência, e sorria com a confiança, que nós dois acreditávamos que tinha morrido.
    _Bart?
    _Thamara...
    _Como chegou até aqui?
    _Digamos que nossos caminhos se cruzaram.
    Você não é a única filha cósmica.
    _Sério? Eu sabia! Você é meu par eterno!
    _Não, não sou. Sou apenas o deus que ficou
    louco de amores por você, e não te deixou
    viver na solidão.
    Eu segurei em sua face e a beijei com carinho. Ao sentir o seu corpo no meu, meu coração pulsou com muita intensidade. Foi assim que as memórias do passado tomaram conta da minha mente... Eu era somente um garoto loiro, semelhante um viking, quando nos reencontramos. Ela era somente uma menina de cabelos vermelhos, com olhos violetas e vítreos. Nós discutimos no começo, pois a figura baixinha, tinha contas para acertar comigo. Mas como sempre fomos estranhamente um atraído pelo outro, acabou por me contar a verdade. Sentia-se vazia, e nem sempre do nada, nascem as melhores coisas, por isso ela tomou a pior decisão. Com o uso dos seus poderes, ela abriu a porta da minha cela, e me soltou no universo. Então o quê Deus havia decretado como um caso resolvido, voltou para lhe assombrar. Pouco a pouco me infiltrei no paraíso, e fiz com quê os anjos ficassem encolerizados. Os fracos pereceram diante de meu poder, e o caos se fez no cosmos. Para mim, era como uma festa sem fim, com muitos gritos, sangue, e desespero. Mas para ela, era como uma falha grotesca, que precisava ser corrigida antes que descobrissem o quê fez. Eu espalhei entre as multidões, todo o sofrimento possível para me fortalecer, e ela veio com a sua foice, para lhes dá paz mesmo no Inferno, entre os seres materializados. Seu pai tinha sido o anjo que tirava a vida dos vivos. Porém após o seu nascimento, ele foi coroado como príncipe celestial, e outro teve de assumir o seu posto. Muitos dos seus bravos filhos, lutaram para provar que eram dignos de tal glória. Assim eles limparam a galáxia, ceifando todas as almas que pudessem, com suas armas especiais. Contudo foi na única menina, que o poder se manifestou, e por isso esta que recebeu a sorte grande. Ao contrário dos irmãos, ela não matava somente para se provar merecedora da foice de seu pai, mas sim de acordo com o seu código de conduta, no qual os culpados eram friamente punidos, e os justos levados cuidadosamente para o outro lado. Seus irmãos só se focavam em quantidade, ela não, e esta era a virtude secreta do seu pai, quando ele atuava como tal. Eu a admirava, tanto pela sua impetuosidade violenta com os ímpios, quanto pelo cuidado que tinha com os inocentes. Por isso também tomei a pior decisão. Certa vez a Morte, estava a tomar banho no rio sagrado, e eu entrei na água, infectando-a, para lhe tornar inofensiva. Ela lutou com valentia, usou seus poderes para tentar curar a água, mas por algum mistério da natureza, a pobrezinha não tinha forças para vencer a mim, pois eu era a própria doença, era o vírus que carregava outros dentro de mim, era a própria Peste, em forma humanoide. Ela não suportou a enfermidade que lhe provoquei, e caiu em meus braços. Estava fraca, e bastante vulnerável, quase irresistível. Passei a mão por sua face pálida, ela me olhou preocupada, quase dizendo "não" para a minha proximidade, porém mesmo assim a beijei, e a tomei para mim. Por alguns anos, ela desapareceu, e os homens deixaram de respeitar o poder celestial, assim como acreditaram que não havia punição para os seus crimes, pois eu também não atuava. "Vou beber até cair hoje, pois o meu fígado não mais adoce vadia!" Disse um bêbado ao espancar a esposa, que segurava o símbolo dos celestiais. "Deus porquê não me permite morrer, e me deixa sofrer? Não pequei tanto para acabar assim!" Chorou com a boca toda ensanguentada. Ela não era a primeira a perder a fé. Outros estavam em níveis mais avançados, chegando até mesmo a acreditar, que Deus os tinha abandonado a mercê do mal, do qual tinha lhes prometido proteção. Inúmeras criaturas iam as ruas, protestar contra as iniquidades divinas, e haviam os que tentavam assumir o papel, da única juíza consagrada pelos deuses, deste universo. “Então você queria encontrar a paz, depois de tudo o quê me fez?" Um homem num plano de vingança, apontou a arma para a cabeça de outro. "Eu lamento te informar, mas não existe mais morte, e por isso sou livre para estourar a tua cabeça, quantas vezes desejar." Atirou na testa do culpado, várias e várias vezes, com um sorriso cada vez maior, que o tornava pior do quê aquele que ele julgava. Este não era um caso isolado, os assassinatos se expandiam mais do quê as doenças, que costumava espalhar. Para uns era um parque de diversão macabra, e para os que não tinham tal coragem, parecia a visão mais do quê realista do Inferno dos mortais. Cabeças decepadas, gritavam pelas ruas, e os sádicos lhe perfuravam os olhos, e chutavam-nas para a lama, afogando-as sem parar. Pessoas que tinham perdido o corpo na briga para sobreviver, se arrastavam pelos cantos, para tentar se livrar daquela tortura sem fim. As mulheres se uniam em instalações, para cuidarem uma das outras, já que nesta realidade sem final ou consequência, os pervertidos também ganhavam espaço, e se sentiam no poder de abusar das mesmas. Nem mesmo as crianças, conseguiam manter a inocência, e por isso ficavam divididas: Entre aquelas que matavam, e as que corriam. Meu ato egoísta, tinha feito da galáxia, o próprio Tártaro dos Gregos, e o Inferno dos Católicos, pois eu os privei de manter a bondade, e de receber a devida a punição, ao levar a nossa Morte, para o único lugar, no qual somente o seu Eu daquela realidade, tinha a permissão de julgar, e esta era somente como qualquer criatura que habitava aquele Cosmo. Como desde cedo trabalhei para o céu, como o auxiliar do meu pai, o veneno de Deus. Sabia de todos os pontos fracos da Morte, desde a sua jurisdição, até o quê poderia prendê-la para sempre. Acorrentada no fundo do universo, ela brigava para sair, amava o seu trabalho, e não queria ver ninguém lhe substituir. Só que nunca me dirigia a palavra, e evitava até olhar em meus olhos, devia me odiar bastante. Todavia eu não conseguia deixá-la ir, pois só o fato de tê-la por perto, era o suficiente para me sentir bem, e não me importava com quantos sofreriam no processo. "Já não basta o quê fez?" Ela finalmente disse, com seus braços presos ao aço, banhado com a luz do buraco branco, que sintetizei para imitar o poder supremo, do pai do príncipe celestial. "Foi culpa de nossa mãe, e você sabe." Respondi de imediato. "É só o quê sabe dizer. Mas se fosse forte, teria dito não." Ela retrucou. "Você não pode me culpar por aquilo para sempre. Se soubesse lutar, também teria impedido.” Rebati, e ela ficou indignada. “Vai culpar a vítima? É sério?” Sua voz era alegre, mas cheia de raiva. “Eu sou o Peste. O quê esperava? Que eu me arrependesse? Fui treinado para ser impiedoso!” Mostrei a minha ira, e ela voltou ao silêncio. “Ao menos sentiu algo por mim?” Aquele tom me deixou desnorteado, parecia triste, quase magoada. “Você sabe que sim. Haviam dois destinos naquela noite: te possuir, ou te fazer desaparecer para sempre da minha realidade.” Desabafei com tristeza, quase me encolhendo de vergonha. “Eu não podia ficar sem você.” Segurei em sua face, erguendo seu queixo, e olhei no fundo daquela neve, coberta pela luz do rouxinol. “Mas você sempre foi o pior dos filhos. O Forte, O Implacável por ser incapaz de amar.” Argumentou, sem acreditar. “Parece que a única fraqueza da Peste é a própria Morte.” A beijei, e mesmo com as mãos acorrentadas, ela me puxou para a si. Aquela atração mortal e doentia, tomou conta de nós dois, e a boca mais fria que existe, pareceu quente por uns minutos. Com suas pernas salientes e fatais, ela montou em mim e me arranhou, se entregando a enfermidade do amor. Logo arranquei a sua mortalha, e tirei a sua armadura, enquanto ela me despiu as vestes de cavaleiro. Minhas mãos desceram pela sua costa frágil e nua, a sua boca não quis desgrudar, e quando o fez, foi somente para me beijar o corpo inteiro, e voltar ao meio das coxas, onde fez vários movimentos de vai e vem, deixando sua doce saliva escorrer por meu membro. Contudo não a deixei somente me satisfazer. A deitei no piso, segurei seus pulsos, e passei a minha língua por entre os seios delicados, descendo, até chegar no ponto do prazer, do qual bebi todo o júbilo com gosto, até escorrer pelo canto dos lábios, e quando vi que praticamente implorava, para que a completasse, sorri maldosamente. “Você realmente me deseja ?” Beijei-lhe a virilha, e ela corou de vergonha. “Sim.” Respondeu com sua voz doce como chocolate amargo, o meu favorito. “Então peça por mim.” Impus, e ela relutou, até que se deu conta de quê só havia nós dois, como na segunda vez, em que estivemos juntos, e cedeu a sua vontade. “Me possua Peste.” Aquelas palavras me deixaram eletrizado, e por isso entrei dentro dela com ímpeto, arrancando-lhe suspiros tão intensos, que foi capaz de suar. Aquele rosto, aquele sorriso, aquelas bochechas rosadas de prazer, seguido de seus gemidos, me deixaram louco. Por dias repetimos o feito, e creio que a Morte, foi a primeira a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, por isso esta doença é vista de maneira tão mórbida. Mas ela não mais se importava, nem sequer ligava para o quê fazia, só com quem fazia. Se ela me amava, eu não sabia, acreditava que estava usando seu charme fatal somente para ganhar a liberdade. Porém no dia que enfim a libertei, esta saiu voando para fora do cativeiro, e se deparou com a luz de uma das luas do planeta em que estávamos. Estava tão feliz, que pensei que nossos momentos de amor doente, ficariam para trás, assim que retornasse, para impor a ordem ao nosso “mundo". “Vamos?” Segurou em meu pulso, e fiquei paralisado. “Quer que eu vá? Eu o Peste, o demônio, o...” Me silenciou com o dedo indicador. “Nem tudo é preto e branco Peste. Você causou sim muito sofrimento, mas graças a ti famílias se mantém unidas, homens mudam a conduta, e mulheres valorizam a felicidade.” Seus olhos eram de uma criatura sã, contudo suas palavras me pareciam insanas. “Se isso é verdade, por quê sempre atrapalhou a minha tarefa? Como se quisesse me corrigir, após ter me libertado?” Questionei incrédulo, e ela sorriu. “Porquê tua execução é tão sombria e implacável, que mesmo as vítimas dos criminosos, se apiedavam destes. Que de acordo com o meu dever, mereciam uma punição ainda mais severa, por toda a eternidade.” Ela explicou. “O meu erro foi te libertar, mas você quem escolheu atender o meu pedido. Portanto é só você que pode corrigir isso. O quê já se passou, não dá para voltar atrás, sem alterar todo o equilíbrio já existente. ” Ela completou, e eu percebi que estava errado, não era uma falha grotesca que tentava controlar. Nós retornamos para a nossa galáxia natal, tudo estava destruído, e muitos imploravam por seu regresso, enquanto me destetavam mais do quê nunca. Pouco a pouco, ela fez o seu trabalho, não haviam muitos para receber o atestado de óbito, por isso eliminou os executores com punhos de ferros e sem piedade, e trouxe enfim o descanso para os que tinham temido, que aqueles dias jamais teriam fim. Nosso pai quis julgá-la, porém eu assumi a responsabilidade por tê-la raptado, e assim a livrei de perder o manto que tanto adorava. Achei que após a confissão, voltaria para a cela, contudo por ter me provado um pouco mais maduro, o pai decidiu me tornar o segundo juiz consagrado, que auxiliaria a Morte em seu trabalho. Tão grande foi a minha alegria, ao ouvir tal coisa, pois em vez de me afastarem dela, nos juntaram como a metade oposta e complementar da mesma moeda. Desde então, as duas criaturas mais perigosas do universo, seguiram de mãos dadas por toda a eternidade, se amando de uma maneira que os mortais não seriam capazes de compreender. Já que onde Morte fosse, a Peste certamente ali estava... “Bart?” Ouvi a voz dela dizer, e outra vez estávamos a beira do rio. Todavia enquanto me perdia em lembranças passadas, já havíamos trocado de lugar, e agora ela tinha se sentado em meu colo, e ficava a olhar para os peixes na água, ao entrelaçar seus dedos aos meus. “Oi...” Falei olhando para as nossas alianças, próximas uma da outra, por causa da união das palmas. “Promete nunca me deixar?” Disse se encolhendo, quase sem voz, e a luz da lua brilhou sob o aço dos anéis. “É claro que sim meu amor. Não importa o quê os astros digam, sempre seremos um do outro.” Beijei sua cabeça, e ela retribuiu beijando as minhas mãos.
  • O Assexual, por um Assexual.

    Olá, irei abordar um tema que para grande parte das pessoas seja inexistente. O Assexualismo, sim ele existe e é bem comum encontrar outros assexuais hoje em dia.
       Bom, se eu vou apontar as partes ruins e problemas que carrega, eu devo ao menos explicar o que é assexualidade.
       Quando uma pessoa não sente atração por ninguém, ou sente, mas é tão fraco que nem conta. Dos assexuais, parte está satisfeita, e feliz em possar a vida sozinho, mas por outro lado, os que não gostam de serem assim, dariam tudo pra trocar de time.
       Vou falar um pouco da minha experiência pessoal, afinal eu também sou assexual. Sou um jovem-adulto, ainda novo, de resto segredo. Comecei a desconfiar que era assexual com 14 anos. Mas por falta de informação tanto da minha parte quanto da parte dos meus pais houve outros questionamentos no mesmo sentido durante alguns anos. Eu tive uma adolescência péssima e conturbada, porque me sentia um ET. Somente depois de adulto que eu entendo que realmente era assexual, e sempre fui.
       Um dos problemas que me incomoda por ser novidade e pouco estudado, quando tenho dúvidas eu nunca acho quem saiba sana las. Parece que nascemos assexuais para ficarmos andando por aí à esmo sem saber de nada ou tendo motivação.
       Eu gostaria de entrar no assunto de Emoções, mas eu não posso falar sobre algo que nem eu entendo, é complexo e delicado.
  • O começo

    Uma estrela que não brilhava igual as outras
    Se sentia sozinha por ser diferente
    Do seu rosto caiam gotas
    Na verdade a estrela é gente
     
    Era julgada pela aparência
    Pois não a viam por dentro
    Mas o que faltava era convivência
    Então o que restava eram lágrimas ao vento
     
    Cada estrela tem seu brilho
    Mas o dessa era especial
    Apesar do seu jeito frio
    Por dentro era alguém amável e genial
     
    Certo dia se apaixonou
    Por uma linda estrela reluzente
    Se perguntava o porquê que nunca a notou
    E por ironia do destino, ela está na sua frente
     
    Um coisa que nunca aconteceu antes
    Ela chegou e disse que lhe amava
    Sem reação, apenas observando
    Aquele rosto que tanto lhe encantava
    Olhou para ela, é o que sentia por ela acabou falando.
     
    Os dois estavam sempre juntos
    Brilhando por onde passavam
    Mais o amor entre eles não possuía escudo
    Então cada vez mais se distanciavam
     
    Até que um dia
    Ela se apagou do céu dele
    E o amor que ele tinha
    Cada vez mais em seu peito doía
     
    A linda estrela reluzente
    Foi embora sem avisar
    Deixando uma dor enfervecente
    A solidão e sem ninguém para amar
     
    Pobre estrela que amou
    Sua felicidade foi embora
    E continuou sofrendo
    Com o amor que ainda lhe restou.
  • O Diário de Melissa

    "- Eu me chamo Melissa, tenho 20 anos e não faço a menor ideia do que escrever em um Diário. Ganhei você no meu aniversário e, infelizmente, acabei te jogando no fundo da gaveta pelos últimos dois anos. Quando algumas coisas ruins começaram a acontecer na minha vida, acabei não entendendo bem o que fazer e, ao ir à um psicólogo, ele me aconselhou: escreva.

    Eu não poderia começar a escrever sobre outras coisas sem antes avivar o meu passado. Sabe, Diário, sinto-me culpada por muitas coisas e, entre elas, culpada por falhar e por não saber me impôr nos momentos certos. Mas, o que fazer?

    Há alguns anos atrás, tive meu futuro decidido. Meus pais me colocaram em uma escola particular, depois seguiram para me pôr em uma faculdade e cá estou, no meu último ano. Por quê não me impus? Quanto tempo eu perdi fazendo o que não queria? Quanto tempo eu teria investido se eu já soubesse o que fazer? Eu me sinto perdida, diário. Não estou feliz com o que faço, logo, não me sinto disposta o suficiente pra continuar. O que está acontecendo? Tudo tão confuso.

    Lembro-me de alguma vez na vida ter tido sonhos como querer ser uma Cozinheira Chef e ter meu próprio restaurante, ou trabalhar o meu corpo suficiente para ser uma modelo. Mas, logo que isso passa pela minha cabeça, hoje, só consigo pensar que o meu tempo não volta atrás e está cheio de arrependimento. Que tipo de pessoa eu vou me tornar, desse jeito?

    Mas, as escolhas de meus pais não foram tão ruins. Guiaram-me pelo caminho certo, levaram-me à igreja, foram gentis - embora ausentes - e principalmente estiveram lá para me ajudar. Sei que deveria retribuí-los, mas isso é uma coisa que não consigo engolir. Diário, não sei se amo tanto assim meus pais. Como humanos, cometeram muitos erros e, entre eles, o erro principal que me assombra até hoje é o fato de que cortaram minhas asas. Eu não pude voar, minha imaginação não pôde sobreviver e, hoje, estou a te escrever.

    Perto do fim de meu curso, não penso em "deixar pra lá". Penso em ganhar com isso. Mas, já não sonho mais e já não possuo objetivos. A vida parece fácil e ao mesmo tempo incompleta. Mas, esse é só um dos primeiros capítulos da minha vida, vai passar. Ainda assim, sou grata. Grata por ter sido repreendida, mas ingrata por não saber como voar, por não conseguir imaginar e ser incapaz de sonhar.

    Sabe, Diário, meus pais não souberam lidar comigo e eu os entendo. Nunca fui do tipo calma e gentil. Mas sim hiperativa e solitária. Eu nunca tive ninguém ao meu lado. Encontrei amigos dos quais hoje arrependo-me de ter me envolvido e acabei carregando cicatrizes até hoje. Não considerava amizades femininas, uma vez que sempre acabavam falando mal de mim pelas minhas costas ou me abandonavam sempre que descobriam algo desagradável em minha personalidade.

    A maioria de meus amigos eram homens e, eles me entendiam, mas, preocupavam meus pais. Meus pais sempre foram do tipo machistas o que, de certo modo, acabou me detonando à longo prazo. Diziam coisas desagradáveis e justificavam que a religião me proibia de envolvimento acima do necessário com qualquer tipo de homem enquanto que colocavam meus irmãos, por serem homens, acima do patamar e sem regras. Aquilo me enojava.

    Sempre fui restringida de tudo e todos. Meus irmãos eram livres para fazer o que bem entendessem. Sempre odiei essa regra. Hoje, acho que a restrição excessiva acabou comigo mais do que me ajudou. Ela fazia com que eu me sentisse um pássaro preso em uma gaiola, com uma vontade voraz de libertação. Fugi e escapei das regras várias vezes e, sempre que saía, mesmo que não fizesse nada, ao voltar eu era julgada.

    Mas, sabe diário, acredito que os melhores momentos da minha vida vieram com aquelas fugas. Eu fugia, sentava em algum lugar perto da praia e ali ficava o dia inteiro, respirando ar puro, sentindo o gosto de uma falsa liberdade. O horário de recolher me entristecia como nada faria: era hora de voltar pra cela e enfrentar o castigo que fosse.

    Mas, acho que não foi só isso. Meus pais tinham aquele péssimo hábito de não me reconhecer, o que perdura até os dias de hoje. Dentre os três irmãos, ainda que eu obtivesse mais êxito em alguma área, o crédito sempre era deles de alguma forma. Porém, acredito que não seria o que sou hoje sem todas essas vivências. Eu cresci.

    Sei que cresci quando, hoje, olho para os meus pais, com os mesmos velhos hábitos amargurantes e já não sinto nada. Sei que já não sou tão imatura a partir do momento em que não imagino mais uma cela todas vezes que chego em casa. Sei que não sou uma má pessoa no momento em que eu decidi perdoá-los por essas pequenas coisas e seguir em frente.

    Eu nasci ali, cresci ali. Não tem como dizer que, acima de tudo, não os amo. Acho que, todas as famílias possuem seus problemas, mesmo que pareçam tão perfeitas no exterior. Sei, hoje, que todas as pessoas possuem seu jeito único de amar, mesmo que em silêncio. E, eu os amo em silêncio, porque as palavras simplesmente não conseguem encontrar um jeito de sair.

    Acabei notando que, eles também, me amam em silêncio. Não conseguem dizer, por algum motivo. Mas, acabam demonstrando através de pequenas coisas, pequenos cuidados. Obrigada por tudo, pai e mãe. E obrigada à você também diário. Cheguei em uma conclusão: está tudo bem, eu estou bem."


    - Capítulo 1: Meus pais
  • O mar

    Você me lembra o mar
    Azul, minha cor favorita 
    Imenso como seu abraço 
    Calmo
    E tempestuoso
    Tão bonito
    Cristalino 
    Puro,
    Do azul claro onde as crianças brincam
    Ao tom mais escuro onde meus pés mal tocam a areia 
    Até o azul marinho, quase preto, onde se é difícil de enxergar,
    E apesar das ondas nervosas em dias agitados
    Apesar de todos os navios naufragados 
    Apesar de toda água salgada que engoli,
    Eu o amo.
  • O Mesmo Ritmo

    Uma parte de mim diz que "não"
    Que não é a hora certa
    Para se envolver, se entregar

    A outra parte diz que podemos ir
    Em busca do que nos espera
    E não devemos deixar no ar...

    Passei o dia todo pensando no que te dizer
    É duvidoso o "sim", é doloroso o "não"
    Escolhi o que preciso, o que agora posso ter
    Vai no mesmo ritmo do meu coração

    Me olhe nos próximos dias, nos próximos meses, nos próximos anos
    Da mesma forma que me olhou agora, quando eu disse que te amo

    Me guarde, nos seus pensamentos
    Me envolva em seus dias, me mostre saídas
    Sei que a nossa história, já estava escrita
  • O mistério de Saint Thereza

    Perto da “grande” igreja no centro da cidade podia-se ouvir uma bela música ao som de suaves teclas de piano. A canção se ouvia da casa de Margot, a viúva de cabelos louros, olhos verdes, uma das mulheres mais lindas que o jovem Victor conhecia. Ela era a melhor musicista da cidade, uma mentora para ele, talvez até mesmo uma amiga, apesar da diferença evidente de idade ente eles. O jovem amava música e frequentemente visitava a viúva para ouvi-la tocar, recentemente o jovem teve coragem para tentar aprender algumas melodias no velho piano de cordas desafinadas. Entre conversas, poesias, risadas e chá a casa era iluminada com um ar de felicidade.
    Margot era uma mulher respeitada conhecida por toda a cidade desde os quinze anos como a grande musicista da igreja central. Havia até mesmo tocado na orquestra sinfônica na capital da república, descendo as colinas nebulosas em direção ao litoral.
    Dentro da moradia o jovem Victor encontrava-se tocando, ou melhor, tentando tocar “As Quatro Estações” de Vivaldi. Enquanto o jovem apanhava das notas Margot sentava ao seu lado, tomando um suava chá de camomila e o observando atentamente para orientá-lo.
    Chegando na última linha da partitura o jovem estudante termina feliz por não ter cometido erro de nota durante a longa música, apesar de ter errado o tempo da música três vezes.
    Ao término, o jovem recebeu uma salva de palmas entusiasmadas da sua mestra de música.
    —Meus parabéns Victor, você progrediu muito nesses últimos meses.
    —Obrigado senhora Margot.
    Ela olhou para a janela e viu o sol iniciando a se por.
    —Bem, já são quase cinco horas meu rapaz, estamos tendo dias frios e escuros então é bom que você vá para casa antes que escureça.
    Victor concordou, pegou sua mochila e despediu-se da mulher que o acompanhou até a porta. Após deixar a pequena casa da viúva o jovem foi caminhando pelas ruas pequenas e vazias em direção de sua casa. Ele via aos poucos o sol se pôr e o frio se impor naquele vilarejo entre as colinas.
    Victor ouviu um barulho vindo de uma lata de lixo que tremia, o garoto assustado resolveu passar pela calçada oposta da lata do lixo. Foi quando a trepidou mais e mais, o metal fazia um som ensurdecedor, com a melodia de metal se intensificando lata virou, tombou com violência no chão, a tampa rolou pela rua de paralelepípedos. De dentro da escuridão dois olhos amarelos surgiram um grito desesperado foi ouvido quando um rato saiu correndo por sua vida enquanto um gato de boca espumante logo atrás o perseguia.
    A perseguição foi rápida pois o gato logo conseguiu capturar e devorar o rato. Foi brutal, violento e sangrento. O gato preto olhou para o rapaz, seus olhos amarelos e assustadores o fizeram tremer.
    O gato rosnou para ele e mostrou as garras, parecia que ia atacar, Victor não sabia o que fazer apenas apertou sua mochila, o gato avançou, mas após três passos foi então que um latido foi ouvido. O gato assustado correu enquanto um vira-latas aparecia imponente na rua, era um híbrido de pastor alemão com lobo.
    —Pêssego! —Disse o menino reconhecendo o vira-latas.
    O cachorro parou de latir e reconheceu o menino, abanando o rabo feliz. Victor tirou da mochila que carregava algumas frutas que o cachorro amava comer. O próprio nome “pêssego” foi dado por Victor porque quando ele conheceu o cachorro ele estava roubando pêssegos do mercado da cidade. Foi a primeira vez que ele viu um cachorro preferir frutas.
    O cachorro comeu feliz as frutas.
    —Eu tenho um lanche especial para você! —Disse Victor tirando da mochila um pedaço de frango embrulhando em papel. Era um resto do almoço que ele guardou.
    O cachorro pulou feliz e abocanhou a carne no ar. Satisfeito e alegre o cachorro pediu carinho do menino. Os dois brincaram um pouco quando Victor percebeu que estava quase escuro. Então rapidamente ele se despediu do amigo canino e correu para casa.
    Após dois quarteirões ele avistou a pequena choupana de madeira e palha, na periferia da cidade, uma construção sólida, mas visivelmente pouco favorecida.
    Chegando em casa ele encontrou correndo, sua mãe estava fazendo o jantar, a senhora era muito parecia com o filho, cabelos pretos, olhos castanhos, as poucas distinções era a altura, a idade e o fato dela ser uma mulher.
    —Boa noite mãe. Benção. — O jovem cumprimentou.
    —Boa noite querido. Pode pegar alguns temperos na horta filho? —Disse a mãe cortando cenouras.
    —Claro mãe. —Disse ele colocando a mochila na cadeira.
    Victor foi até a horta na parte de trás da casa, pegou manjericão, alecrim e pimentas. Após encher a cesta ele caminhou de volta para a cozinha quando percebeu que a mãe estava fazendo muita comida. Ele então curioso resolveu indagar sobre a situação.
    —Vai ter alguma festa hoje?
    —Você esqueceu que sua irmã virá para casa hoje?
    Um estalo bateu na cabeça de Victor, sua irmã voltaria para casa hoje, para o feriado prolongado da semana santa. Ela estudava no Instituto Federal na cidade vizinha mais de cem quilômetros de distância, por conta disso ela morava em uma república feminina. Victor ficou animado com a ideia de revê-la.
    —Vá tomar um banho filho. —Disse a mãe sentindo cheiro de cachorro, ela sabia que era Pêssego, aquele vira-latas sempre vinha e matava alguns ratos de pradaria que atacavam as alfaces.
    O sorriso de Victor murchou, ele sabia que não tinha água quente nesse horário devido ao racionamento de luz. A maravilha moderna de energia, quase tão recente quanto água encanada e esgoto interno.
    Resmungando ele foi desanimado tomar seu banho frio.
    ------------------------------------------Horas mais tarde-------------------------------------- -
    Já era quase oito horas da noite quando o ônibus interestadual passou na avenida principal. Victor observou pela janela três pessoas descerem da condução. Caminhavam pela rua deserta carregando mochilas. Finas gotas de chuva ameaçavam cair naquela noite, apenas mais uma noite fria nas colinas.
    Até que as pessoas chegaram até a porta da frente que foi aberta pela mãe.
    Victor desceu as escadas para encontrar sua irmã e outras duas meninas, provavelmente suas colegas de quarto.
    —Victor! —A jovem gritou. Sua irmã Verônica, de cabelos pretos como os dele e olhos azuis, gritou feliz abraçando o irmãozinho. Ela tinha a cor dos olhos de sua avó.
    Ele a abraçou de volta sem dizer nada. O clima era de festa.
    —Essas são minhas amigas Lucy e Anna. —Disse a irmã feliz em apresentar as amigas.
    As duas pareciam adolescentes normais, Lucy era ruiva de olhos castanhos e Anna era um pouco parecida com Victor. Elas ficariam uma semana aqui porque a faculdade fechava durante este período na páscoa.
    Eles foram jantar, a mãe havia feito um ótimo banquete. Verônica e a mãe conversavam de forma despretensiosa enquanto Lucy puxava conversa com ele.
    —Então Victor, em que ano você está? —Disse a jovem.
    —Eu estou no primeiro ano do ensino médio. —Disse o rapaz.
    —Jura? Achei que você fosse mais jovem. —Disse a jovem curiosa.
    —Eu tenho quatorze anos, pulei algumas séries na infância. —Disse mais uma vez o rapaz com certa humildade.
    A garota ficou impressionada chamando-o de inteligente. A conversa foi boa até chegar as dez horas. Victor foi para seu quarto e as meninas dividiriam o quarto de Verônica. A mãe fechou tudo e foi par seu quarto.
    ----------------------------------------------Meia noite----------------------------------- -
    Victor acordou ouvindo um barulho do lado de fora, estava chovendo muito, as janelas do quarto batiam violentamente enquanto o vento uivava. O jovem sonolento caminhou até a janela e a fechou, cansando e com sede ele desceu lentamente até a cozinha quando abriu a geladeira rudimentar e pegou uma caixa de leite. Bebendo calmamente a medida que observava a chuva cair.
    Um raio rasgou o céu e a janela da cozinha abriu sem motivo. Victor se assustou com o barulho, mas rapidamente foi fechá-la, quando se aproximou da janela e a fechou o rapaz percebeu um vulto do lado de fora na chuva.
    “Deve ser aquele guaxinim roubando os temperos novamente! ” —Victor ficou irritado porque ele nunca conseguia pegar o ladrãozinho de hortaliças, nem mesmo Pêssego conseguiu pega-lo. Victor pegou um porrete para assustá-lo e saiu na chuva pelos fundos da casa.
    —Você voltou seu ladrãozinho! — Ele se aproximou do vulto comendo, mas percebeu que não era um guaxinim era uma pessoa abaixada com sangue. Ele ficou preocupado, será que era alguém machucado?
    —Você está bem? —Victor ia se aproximando e tocar na pessoa quando viu o sangue no chão não era da pessoa e sim de guaxinim que ela estava comendo…
    A pessoa ou coisa olhou para ele. Victor sentiu seu sangue gelar com aqueles olhos amarelados e dentes afiados. A criatura se levantou com se não tivesse ossos.
    Victor ficou travado ele por algum motivo não conseguia se mexer, apenas caiu para trás ficando imundo de lama, por conta da chuva, lama e escuridão o jovem não conseguia ver a criatura, apenas percebera que a pessoa estava descalça.
    O indivíduo se aproximava dele, dentes e unhas grandes um olhar homicida, Victor sentia a lama envolvê-lo, ela cheirava a sangue e podridão. A criatura abre a boca e o som faz os ouvidos do garoto sangrarem.
    —Vos terminus est incipiam. Vos moriar. Et mortuus es.
    —O que? —Victor fala baixinho tremendo de medo, a criatura estica a mão, mas antes da criatura tocá-lo Victor ouve-se um barulho vindo de fora do seu campo de visão. De uma moita próxima ouve-se um latido forte, sai um cachorro negro latindo ele voa no braço da criatura que grita de dor balançando o braço. O animal recusa-se a largar, mordendo com toda força, mas a criatura usa a outra mão e enfia as garras no pobre animal.
    O cachorro com a dor larga a mordida e é jogado para longe acertando a cerca com força e se ferindo no processo.
    —Pêssego!
    Victor reconhece o cachorro enquanto a criatura desaparece como se fosse flutuando na escuridão da chuva. O cachorro machucado uivava de dor, o sangue se mistura com a lama do chão.
    O jovem estava machucado também, mas se levantou e foi até o cão que já tinha ficado inconsciente, ele pegou o cachorro em seus braços e caminhou mancando para dentro de casa rezando a oração do pai nosso o mais forte que podia em sua mente, mas sentia que olhos vermelhos o observavam.
    Foi a primeira noite sombria na pequena cidade de Santa Thereza, mas o pobre jovem não sabia quantas mais seu futuro reservava.
    Fim (Por Hora)
  • O Príncipe Relógio

    Era uma vez um príncipe muito preguiçoso, que detestava cumprir com as suas responsabilidades reais. O tic tac do relógio lhe irritava já que era o que informava o horário de cada obrigação do dia. 

    Indignado, o príncipe ordena a todos os seus subordinados da guarda real a destruir todos os relógios do reino, sem medir as consequências de tal atitude. Como era de se esperar, o caos tomou conta do reino e os pais do príncipe são obrigados a convocar a feiticeira do reino para dá uma lição em seu filho. A feiticeira sabendo o que o príncipe havia feito, transforma-lhe no objeto que ele mais detestava: em um relógio, em um grande relógio de praça.

    O príncipe vendo o que lhe acontecera, implora para que o feitiço seja desfeito, mas a feiticeira lhe diz que infelizmente não tinha poder para quebrar um feitiço uma vez lançado. Dito isso, a feiticeira desaparece e a ordem no reino é restaurada com o novo relógio.

    O novo relógio era o único do reino, já que por se tratar de um feitiço, nenhuma réplica pôde ser feita e o príncipe acabou tendo que se acostumar com a sua nova rotina, agora de marcador do tempo. Tudo ia bem até a inesperada chegada de uma família real de um reino vizinho, que havia sido destruído, vir morar com a família do príncipe.

    O rei e a rainha do reino vizinho, ficaram muito agradecidos com a hospitalidade de seus anfitriões, principalmente pelo carinho e paciência que tiveram com sua filha, a princesa Aruna, que vivia desaparecendo do palácio, deixando todos super preocupados.

    Aruna amava se aventurar, então sempre que podia se misturava entre os súditos em busca de aventuras. E um lugar onde sempre gostava de ir era a praça onde ficava o relógio. 

    Não demorou muito para que o príncipe relógio se apaixonasse por ela. Ele a via todos os dias, ela era tão boa e gentil, que ele já não conseguia viver sem ela e nem como um relógio, pois dessa forma jamais poderia se casar com o amor da sua vida, o que acabou lhe abalando profundamente.

    Com o abalo por não poder ser correspondido, o príncipe relógio começa a perder a capacidade de marcar o tempo, já não consegue se concentrar, movimentar os ponteiros no tempo certo, sua tristeza aos poucos vai lhe destruindo.

    E o povo ao perceber que estava ficando novamente sem relógio, entra em desespero e o rei resolve convocar novamente a feiticeira do reino para ajudá-los a evitar um novo caos.

    A feiticeira logo percebe que se tratava de um amor que não poderia ser vivido, então na tentativa de acalentar o coração do príncipe promete transformar a princesa também em um relógio para que assim os dois pudessem ficar juntos. 

    O príncipe prontamente pensa em aceitar a proposta, mas ao ver a sua amada como de costume explorando o reino, decide não aceitar. Ele a amava muito e sentia que ela nunca seria feliz sem a sua liberdade e com lágrima nos olhos, volta-se para a feiticeira e recusa a proposta.

    O príncipe relógio ajusta seus ponteiros e volta a funcionar normalmente, entende que as vezes fazer a própria vontade não é uma boa opção se for prejudicar alguém que ama e que o maior preço pelo egoísmo quem paga é a própria pessoa. O príncipe estava disposto a colher para sempre os frutos das suas escolhas, mas jamais permitir novamente que outros pagassem por elas.

    Feito isso, algo estranho acontece no reino, os relógios que haviam sido quebrados a mando do príncipe voltam a funcionar e o feitiço que havia sido lançado é desfeito. 

    O príncipe sem entender pergunta a feiticeira como aquilo havia acontecido, e ela diz que realmente, como ela havia dito no início, ela não tinha poder para quebrar um feitiço uma vez lançando, somente a coisa mais poderosa do mundo, um ato de amor verdadeiro.

    A atitude que o príncipe tomou por amor a princesa finalmente quebrou o feitiço e logo a notícia do que aconteceu se espalhou pelo reino e Aruna ao saber o que o príncipe havia feito por ela se apaixona por ele.

    Já não havia impedimento para que os dois fiquem juntos, então voltando para o palácio o príncipe é recebido com uma grande festa, a princesa ao vê-lo chegar corre ao seu encontro, percebendo com muita emoção que era correspondido o príncipe se casa com a princesa Aruna e os dois vivem felizes para sempre.

    Fim!

  • O que é paixão?

    - O que é paixão? - ela me perguntou.
    A pergunta dela quebrando o silêncio me fez perceber que eu já estava ali parado, a olhar aqueles olhos pequenos que me cercavam de calma, por muito tempo. Balbuciei na pressa de dizer algo, mas calei. Não queria quebrar o momento com uma frase apressada e sem sentido. Eu já fazia isso demais e quase nunca a gente tem outra chance de responder a mesma pergunta. Eu também não me senti verdadeiramente obrigado a respondê-la com palavras, porque achei que meu olhar encantado pelo dela e o toque dos meus dedos nos seus cabelos pudessem expressar melhor, seja lá o que eu podia afirmar naquele instante.
    Quando se trata de sentimentos, eu sempre preciso de muito tempo para definí-los por vários motivos. Primeiro porque nunca são iguais a outros que eu já senti. Lógico que eu já havia me apaixonado antes, mas por outras mulheres, em outras idades, enquanto tinha outras contas a pagar. Com ela não haveria de ser igual. Não seria justo que eu usasse a definição que eu já conhecia. Porque nem que só o compasso do coração mudasse, não haveria de ser a paixão por ela a mesma que eu já vivi antes. Também ela, caso se apaixone por mim, se fizer como já fez por outros, não vai me agradar. Que ela tratasse de me arrumar uma loucura nova, um apelido carinhoso inédito, uma comida favorita com outros temperos ou uma posição diferente na cama! Pois das poucas certezas que tenho, uma delas é que eu não quero paixão de segunda mão.
    Outra razão pra eu tardar em tentar definir um sentimento é que ele sempre pode se confundir com a luz e a música que toca na hora de dizer e ficar mais melancólico que realmente é, ou me induzir a usar um vocabulário que condiz com o contexto, mas não com o que eu sinto. Ainda, pode se misturar com outras vontades e necessidades. Impossível imaginar, por exemplo, que alguém pode amar verdadeiramente se está roncando de fome ou com qualquer outra necessidade fisiológica em atraso. Talvez algum mártir por aí possa, tudo bem, mas não faz o meu estilo.
    - Vai me enrolar até quando? Há três dias que você prometeu me dizer – trucou-me ela, daquele jeito docemente abusado de quem sabe sempre o quê e quando quer. E o "o quê" até costumava variar, mas o "quando" era sempre agora.
    E eu ainda não disse nada. Beijei aquela testa franzida e questionadora e deixei meu olhar cair no dela. Ela silenciou como quem se recusava a começar um novo assunto até pôr fim naquele. E isso sequer me perturbava. 
    Paixão, ali naquele segundo, não precisava ser maior que os olhos pequenos dela. Que olhos lindos!
  • O Sombra: Capítulo 3

    Capítulo 3: O sumiço de George
         Os garotos foram pedir para o pai de Mike. Mas antes de entrarem na porta da casa, Mike disse:
        - Pede você Jack 
        - Eu não, o pai é seu. Então peça você. - diz Jack dando um soquinho leve no braço de Mike.
        - Já sei quem pode pedir. - fala Mike olhando para o pequeno George.
        - Quem? - pergunta George com sua inocência.
        - Você mesmo - fala Mike passando a mão na cabeça de George.
        - Eu? - pergunta George surpreso - Tudo bem, pode ser eu mesmo. - George dá um leve sorriso para os garotos sem mostrar os dentes e entra na casa acompanhado dos garotos.
         - Oi Jack tudo bem? - pergunta o pai de Mike quando eles entram.
        - Tudo senhor Foster e com o senhor?
        - Tudo, precisam de alguma coisa garotos? - depois que o pai do Mike fala isso, Mike cutuca o George.
        - Precisamos - diz o pequeno George - A gente precisa que tu deixe o Mike posar aqui em casa para a gente brincar.
        - Eu deixo. - fala o pai do Mike brabo por George ter falado "tu". - O que eu disse sobre o "tu" George? Eu disse que é falta de respeito, deve falar pai ou senhor.
        - Desculpa pai - fala o pequeno George de cabeça baixa olhando para seus tênis.
        - Que não repita de novo - fala seu pai - Você já falou com seus pais Jack?
        - Sim, eles deixaram - fala Jack enquanto Mike, George e ele se deslocam para o seu quarto e o de George que são o mesmo.
         Quando chegaram, os três garotos pegaram livros e gibis para ler. Mike estava com um livro de mistério enquanto os outros garotos estavam com gibis de super heróis. 
        - Ei guris que tal a gente ler um livro nós três juntos. - fala Mike - Na verdade eu leio e vocês escutam se vocês quiserem.
        - Pode ser - concorda Jack e George.
         Mike então vai para estante de livros e pega um livro de mistério chamado: "O desaparecimento de Jonas". Ele começa a ler desde o primeiro capítulo. Depois de terem terminado de ler três capítulo escutaram o grito da senhora Foster chamando para o jantar. Já eram oito e meia da noite. Os garotos desceram a escada correndo.
        - Onde esta o George? - pergunta a senhora Foste quando Mike e Jack sentam na mesa.
        - Acho que ele está no banheiro - responde Jack educadamente. - Vamos fazer a oração? - pergunta Jack enquanto dava uma coçadinha em sua bochecha cheia de sardinhas.
        - Sim. Mas vamos esperar o George - Responde o senhor Foster olhando em direção da escada esperando que George aparecesse a qualquer momento.
         Passou uns dois minutos e nada do George. Uma preocupação surge no rosto de Mike. Ele sente que algo ruim aconteceu, então ele fala:
        - Eu vou procurar ele
         Ele se levanta da mesa e Jack o acompanha. Os dois sobem a escada, olham nos quartos e nada do George, olham no banheiro e nada do George. Os garotos procuram até no sótão e mesmo assim nada do George. Mike começa a tremer, suas mãos estão começando a suar frio, sente um medo horrível.
        - Onde ele está? Onde e-e-ele e-e-es-está? - gagueja Mike de tanto medo que ele está - Ja-ja-jack me fa-fa-fala onde e-ele está?
         Mike pega sua bombinha de asma no bolso e inclina a cabeça para trás e da uma forte inspirada na bombinha.
        - Eu não sei mas a gente vai encontrar ele. Eu prometo - responde Jack chegando perto para um abraço.
         Mike ía recusar o abraço pois achava que não era o momento mas ele precisava tanto então aceitou. Os garotos desceram a escada e contaram a notícia para a mãe e o pai de Mike. A mãe de Mike correu desesperadamente para celular e começou a discar o número da polícia, enquanto seu pai começou a gritar pela casa: 
        
        - George! George para de brincadeira! Aparece meu filho, por favor! 
         Um tempo depois o Willian(pai do Mike e do George) sai pela rua gritando o nome do filho mas não encontra ele de jeito nenhum. Graças a Deus chega a polícia, eles acabam cercando a casa inteira como se fosse uma cena de crime. Os policiais pediram para Kathy(mãe dos garotos), Willian, Jack e o coitado do Mike que não conseguia parar de tremer para irem posar em outra casa até eles terminarem a investigação da casa.
        - Filho posa na casa do Jack que eu e seu pai iremos posar na casa de sua tia Lilian.
         Então o coitado do Mike se despediu em lágrimas de seus pais e foi para casa de Jack. Os garotos contaram toda a história para senhora e o senhor Russell. 
        - Tem um pijama extra do Jack. E se não se importar pode dividir a cama com o Jack - fala a senhora Russell.
        - Tudo bem, vou para o banho se não se importam - fala Mike finalmente começando a parar de tremer.
        - Pode ir querido, você precisa descansar - fala senhora Russel tentando ser a mais compressível possível.
         Então Mike pega o pijama extra do Jack e vai para o banho. Ele toma um banho bem quentinho. Naquele banho ele não sabia se era água do chuveiro que escoria do seu rosto ou lágrimas. Quando terminou o banho e foi se vestir, notou que havia esquecido a cueca. Então gritou para o Jack:
        - Jack, me traz uma cueca, acabei esquecendo.
         Jack chega com a cueca na porta do banheiro e dá uma batida na porta. Mike abri uma fresta para a cueca passar e para Jack não ver ele nu, mas quando Jack estava passando a cueca acidentalmente viu Mike nu. Quando Mike notou que ele viu, pegou a cueca e fechou a porta rapidamente.
        - Desculpa Mike, foi sem querer. Eu sinto muito - fala Jack encostado na parede de fora do banheiro.
        - Não tem problema, foi só um acidente. - fala Mike totalmente envergonhado.
         Depois de Mike ter colocado a roupa foi para a cozinha para "jantar". A família Russell na verdade não janta, eles tomam um café com pão, bolo, bolachinhas entre outras coisas desse tipo. Mike fez um café bem quentinho, pegou um pão e passou nele o famoso doce de leite do senhor Russell. A senhora Russel é padeira e o senhor Russell trabalha juntamente com ela na padaria fazendo doces para a venda. Depois dos garotos terem se alimentado(sem terem feito oração pois a família Russell não tem esse costume) foram para o quarto.
        Havia muito tempo que Mike não ia no quarto de Jack(aproximadamente 6 meses). O quarto estava diferente, pintaram de azul (antes era verde), estava com um mural com fotos, anotações, desenhos, lembretes e outras coisas. Mike se surpreende e pergunta:
        - Jack, quando fez tudo isso? Está muito lindo.
       - Não sei ao certo, mas sei que foi esse ano que comecei. Olha aquela foto - fala Jack apontando para uma foto de uns três anos atrás. Naquela foto estava Jack e Mike juntos mostrando seus lindos sorrisos, parecia que Jack tinha mais sardinhas do que atualmente. - Faz bastante tempo né?
        - Sim, a gente era bem mais novo e você tinha mais sardinhas - Mike dá uma leve risadinha independente de toda aquela situação. - Jack que horas são? - pergunta Mike olhando pro seu pulso e lembrando que seu relógio de pulso havia ficado em sua casa.
        - São dez horas - responde Jack apontando com o dedo para o relógio acima da porta em seu quarto.
         - Eu acho que eu já vou dormir se não se importa, Jack. - fala Mike dando um coçadinha no nariz.
        - Também vou 
         Então os garotos deitaram na cama, o primeiro a dormir foi Jack. Mike não tirava o irmão da cabeça, pensava cada pensamento horrível. Ele morreu? - perguntava Mike para si mesmo - Mike virou a cabeça para esquerda onde estava deitado Jack, e foi uma das poucas vezes que viu Jack sem sua famosa toca escura. O cabelo de Jack era um ruivo muito bonito, com uma linda franja ruiva.
         Mike estava se sentindo muito inseguro, então assegurou a mão de Jack para se sentir um pouco mais seguro. Logo depois ele dormiu e passou a noite inteira assegurando a mão de Jack.
  • O Vazio

    O vazio que se instalou dentro de mim.
    Eu já não sei o que fazer, eu estou totalmente refém dessa situação.
    Não entendo como um simples sentimento pode fazer isso com as pessoas, era pra ser algo tão lindo. Era pra ser algo bom, algo de só de pensar, levasse-a para o céu.
    Mas não é bem assim.
    Talvez a idealização foi demais, a ponto de realmente levar ao céu, mas quando quase chegou lá, perdeu todas as suas forças e caiu.
    Caiu rápido de mais, tão rápido que só percebeu quando estava arrasada no chão do quarto se perguntando como isso aconteceu.
    O tombo foi feio, ainda escorregou-se na paredes de seu banheiro se perguntando como aquilo tudo virou toda essa catástrofe.
    Ainda pode se ver os hematomas: no coração e na mente.
    Não recuperou-se tão rápido quanto queria, mas estava seguindo em frente, ou pelo menos tentava.
    O certo é que ela ainda estava a pensar sobre tudo o que aconteceu, se perguntando o que ela errou, como ela poderia ter se protegido ou até mesmo evitado todo esse acidente.
    Cavando fundo, e abrindo as feridas, não deixava seu corpo tentar cicatrizar ou até mesmo o tempo tentar reparar. Ela estava cada vez se machucando mais, ela queria ver mais fundo, chegar mais fundo, ver se dava pra ir mais fundo.
    Mas não dava, aquele era o limite.
    Limite de tudo.
    Ela deveria apenas aceitar a situação, mesmo não tendo superado, essa era a melhor opção a seguir.
    Não iria ser fácil, isso é fato, mas ela teria que tentar aceitar para se encontrar, encontrar a sua essência novamente pois havia entregado tudo aquilo.
    O fato era que nada poderia dá certo se apenas ela arriscasse. Mas tudo bem, menina, se orgulhe de tudo, você fez o seu melhor.
    Mesmo com essas palavras de consolo ela não ficava quieta, queria saber como seria se desse certo, e se aquele toque não tivesse acontecido, e se eles nunca tivessem se conhecido, e se...
    E se... isso era o que a matava, o que deixava a sua angústia consumir tudo de dentro dela. Ela precisava aprender a se desprender das situações e pessoas. Mas para ela, era difícil, difícil até de mais.
    Não aceitava qualquer coisa ou migalhinhas. Ela queria mesmo um banquete de emoções: tudo do bom e do melhor, pessoas profundas.
    Pessoas tão profundas que ela quase se afogaria ao mergulhar.
    Mas o desespero ao se afogar, para ela, seria melhor do que soluçar desesperadamente por uma coisa que não aconteceu.
  • Oh, Amor

    Oh Amor, seu toque delicado
    Beslisca e me acalma a alma
    Me deixa de lado e te trago no peito e a cada cigarro que eu fumo
    Trago-lhe a cada segundo comigo, lado a lado
    Larga-me as vezes mas eu sou teimosa e volto a te buscar novamente
    Em busca de algo novo se realizar
    Um eu novo renasce a cada encontro de ti, Amor
    Mesmo tratado como tão clichê no mundo, me surpreende a cada minuto que te olho e te beijo
    Um beijo as vezes não tão físico, as vezes quebra a lei da física, tranformando qualquer coisa em que nem os mais inteligentes saberiam explicar
    A sensação, é como uma colisão de nossos corpos, talvez celestias, mas sempre nus
    Para que todos possam ver nossa beleza e pureza
    Oh, amor, és híbrido ou hibisco a ponto de queimar-me?
  • Olhar seu

    São seus olhos, esses belos pares  que me olham e veem em mim aquilo que o espelho não me revela
     São seus belos pares de olhos que refletem o meu rosto e me fazem te enxergar e me enxergar ao mesmo tempo 
    São esses seus olhos, que transmitem sentimentos e  palavras, que dialogam comigo e me fazem entender o que você sente.
     São esses olhos, que combinados com os meus trazem a certeza de que de nossos olhares precisavam se cruzar.
  • Os nossos Primeiros Pais e as Nossas Primeiras Mães

    “ O velho griot ancião ao ver o povo sentado ao seu redor. Pegava o seu M’bolumbumba, levava a barriga e começava a tocar. E o som do seu instrumento ecoava pela floresta e na cabeça de cada pessoa que se encontrava ali presente. Todos se maravilhavam com o toque daquele instrumento e a beleza de sua música. Criando assim, um clima de magia e nostalgia a todos que ouviam. E o velho Djeli contava uma história cantada. E todos ficavam em grande silêncio e prestavam muita atenção, a cada som que emanava da sua boca. E assim, contava o preto velho griot Djeli:
    __ No tempo dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães, toda vida na nossa amada Ama Terra estava iluminada, e devidamente equilibrada e unificada. E toda humanidade era um só povo. Uma só raça. Uma só cor. Uma só nação. Um só pensamento. Um só sentimento. Uma só expressão. Uma só língua. Um só amor. E havia uma só terra que formava um único e grande continente. E nessa terra havia um único e só rei, Kee’Musoo: “Aquele que Criou o Todo e o Tudo”…
    … Nesse tempo, Kee’Musoo. A grande e maravilhosa Essência que habita em todos e em tudo. O grande Criador de todo o universo e de toda a natureza, onde toda a vida caminha, vive e respira. O Maravilhoso dos maravilhosos. O mais Belo dos belos que da cor, cheiro e embeleza toda a vida. Aquele que é Rei dos reis e o Senhor dos senhores, e o maior Amor de todos os amores. Aquele que é a Fonte. Aquele que é Raiz. Aquele Luminoso que é a matriz da luz, do cheiro, do som e de todo o sentir, da visão, da inteligência e de todo o entendimento. Essa magna Energia Vivificante que movimenta, sustenta e faz existir todas as coisas pela sua imensa sabedoria. Sempre habitava e sempre imperava nas cabeças e nos corações dos homens e das mulheres…
    … Sendo Kee’Musoo, o maravilhoso e Amado Esposo para as mulheres, e a bondosa e Amada Esposa para os homens. E assim, os homens e as mulheres viviam em eterna comunhão de amor com o seu Criador…
    … Kee’Musoo, “Aquele que Criou o Todo e o Tudo” era ação e não palavras. Era harmonia e não esforço. Era caridade e não sacrifícios. Era a fonte da fé e de todo amor dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães…
    … “Aquele que Criou o Todo e o Tudo” nunca os corrigia. Pois a venda da ignorância do orgulho de todo egoísmo humano, ainda não existiam nos olhos dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães. Dessa forma, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, tornavam a luz “Daquele que Criou o Todo e o Tudo” útil. Dentro, entre e fora dos seus corpos. Emanavam apenas sentimentos bons, positivos e amorosos. Se fazendo um só com “Aquele que Criou o Todo e o Tudo”. E caminhavam como reis e rainhas em meio a todas as outras criaturas, em todas as formas, em toda existência individual, como em toda a comunidade e em toda Luz…
    … Não procuravam compreender o porquê de todas as coisas: Quem eram? O que eram? De onde vieram? E todas essas perguntas que sufocam a nossa consciência. E nem pensavam em questionar ou ir contra as leis naturais e universais de toda a vida. Apenas viviam o que eram…
    … A mais perfeita de todas as criações “Daquele que Criou o Todo e o Tudo”…
    … Os corações dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães, pulsavam em ressonância com o coração da Vida Infinita, através dos rufares dos seus tambores. Nos seus rituais sagrados, os seus espíritos eram arrebatados pela canção das estrelas, que os faziam dançarem em círculo por toda a noite, ao redor de uma grande fogueira, com labaredas ardentes azuladas, amareladas e avermelhadas. Dançavam imitando os movimentos dos astros ao redor do fogo que representava o sol. Dançavam imitando as nuvens que caminhavam ofuscando o brilho da lua, e dos outros inúmeros corpos celestiais que animavam e iluminavam o escuro do céu…
    … Em seus rituais sagrados celebravam a magia da vida conservando a Criança Interior, dançando em volta da Fogueira da Alegria. Fazendo a Magia do Sorriso florescer em seus corações…
    … Dentro dos seus peitos as vozes de todo o universo e toda a natureza faziam a Magia da Canção acontecer. E dessa forma, o povo alado do imenso céu, ensinavam-lhes a arte de ver o que hoje é oculto aos nossos olhos de carne…
    … Através dos seus trabalhos ritualísticos e das suas manifestações culturais circulares, a Magia do Amor se manifestava nos seus corpos. Por terem a humildade de fincar os seus pés descalços no chão, e olhar para as alturas e para as bordas do horizonte infinito, obtendo a dignidade de compreender que emanação “Daquele que Criou o Todo e o Tudo”, eles e elas eram…
    … Para os nossos Primeiros Pais e para as nossas Primeiras Mães, o Amor era o solo fértil onde cresciam todas as suas ações. Em que a alma da nossa amada Ama Terra, iluminada pelo nosso amado Padrasto Sol e pela nossa amada Madrasta Lua. Pulsava em seus corpos, sentindo a sabedoria do Sagrado e Eterno Contínuo que existe em todos e em tudo. Dessa maneira, a superficialidade das aparências que existe no mundo hoje não os iludia. Não impedindo em seus crescimentos como manifestações da mais pura e perfeita perfeição…
    … Ouviam a Canção da Criação que se renova de tempos em tempos. E que pelo movimento perfeito da sua dança a tudo cresce e embeleza…
    … Nesse tempo em que a nossa amada Ama Terra era unida. Formando uma grande e elevada montanha plana, no meio de um grande e único oceano de águas reluzentes, que estava envolto e contido por imensos paredões de gelos, como se o nosso mundo fosse o olho único de um gigante ciclope universal. Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, conheciam que “Aquele que Criou o Todo e o Tudo” dançava em todas as coisas, e falava através de todo movimento que se podia ver, ouvir, cheirar, sentir e perceber. Pois, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães podiam ver, ouvir, cheirar e sentir com o coração. Pelo coração entendiam o Movimento Sagrado que impulsiona a circulação de todas as coisas…
    … Conheciam Aquele que Criou o Todo e o Tudo nos seus próprios corpos e nas três manifestações primarias da vida, que pela verdade entendiam ser uma só. O ÚNICO CRIADOR, TODA A CRIAÇÃO, E AS VARIADAS CRIATURAS. Que de geração em geração se manifestava em nossa natureza como: Pai “CRIADOR”, mãe “CRIAÇÃO”, e filhos “CRIATURAS”. E assim, reconheciam a maravilhosa presença e vida “Daquele que Criou o Todo e o Tudo” neles mesmos, nelas mesmas e nos seus filhos…
    … Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam a vida em toda sua totalidade. Tinham o entendimento oculto de reconhecer que vivíamos em um corpo. Sabiam que esse corpo era a nossa primeira casa. E que essa casa, deveria ser tratada como um Templo Sagrado de Pureza Sublime, da Morada da Alma e Manifestação da Vida. E que éramos, entretanto, seres bipartidos, e por consequência, seres sexualizados. Assim, compreendiam o conhecimento oculto que há por detrás de nossa sexualidade, servindo como um veículo para honrar e respeitar a vida de todos os seres, através da união sexual dos corpos bipartidos. Fazendo do “Dois (2) Um (1), e do Um (1) Três (3)” na chegada dos novos seres. Aí está o segredo do Sagrado e Eterno Contínuo de Toda Criação, manifestado nas formações das criaturas…
    _ isso particularmente eu chamo de O PODER DAS PIRÂMIDES _
    … Pois naquele tempo, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, louvavam a Grande e Perfeita Criação. Provinda da união amorosa do Grande e Majestoso Universo Magnífico “Kee, O Esposo”, com a Grande e Majestosa Natureza Maravilhosa “Musoo, A Esposa”, representados nos seus corpos como o MACHO e a FÊMEA…
    … Este era o momento mais sagrado para os nossos Primeiros Pais e para as nossas Primeiras Mães. Pois, compreendiam perfeitamente que pela a união dessas manifestações, manifestava-se: O NOVO. Assim, o ato sexual era o que havia de mais sagrado, e só podia ser vivenciado num imenso ritual de amor e dança sob a luz da lua nova. E, unicamente se aprofundavam nesse prazer, só para gerar uma nova existência. Nesse momento, eles e elas compreendiam o poder em que o Dois (2) se faz Um (1). Pelo nascimento de uma nova vida no mundo, provinda pela união dos seus corpos…
    … Assim, pela manifestação e popularização da vida, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, entendiam que vivíamos em um mundo de relacionamentos, contatos e sentimentos com nossos semelhantes, e outras criaturas animadas e inanimadas. E éramos, entretanto, seres sociais. E que cada contato nos ofertam presentes e surpresas, e cada relacionamento nos oferecem inúmeras alegrias e oportunidades de seguirmos AS VIAS DO CONHECIMENTO. Dando e recebendo de bom grado. Aprendendo e depois ensinando. Sabendo respeitar o momento em que todas as coisas se encaixam. E de que tudo tem o seu tempo, lugar, coração e inteligência certa…
    … Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam que todos nós participamos direta ou indiretamente, conscientes ou inconscientemente das estruturas que nos governam, e de que somos seres poderosos e politizados em virtude dessa participação. Sabiam dessa forma, que nossa vida sempre permite contribuir para a criação de estatutos, leis e estruturas que respeitem a dignidade e o espírito de todos os seres…
    … A ninguém adulavam, bajulavam ou prestavam homenagens, e nem davam poder aos homens a as mulheres que hoje julgamos ser grandes e poderosos. Nem ninguém classificava ou distinguia os homens e as mulheres por suas notáveis habilidades, cargos, posições hierárquicas ou acúmulos de posses. Pois, todos observavam os dons e os talentos em si e no outro. Sabendo que cada existência individualizada é única. Trazendo em si mesma sua sabedoria individual, pelo seu pessoal ponto de vista do universo e da natureza, que contém um mistério envolto em um segredo oculto, que só esse ser individualizado pode conceber…
    … E por isso, seus trabalhos se baseavam em aprimorar as suas faculdades inatas, como Portadores da Luz em diversas faces, em adoração e obediência ao Criador de Todas as Coisas Existentes. Sendo cada homem e cada mulher, ponte para o outro homem e para a outra mulher na diversidade dos seus dotes, talentos e conhecimentos. Formando uma natural cadeia comunitária de autoajuda, suficiência e sustentabilidade solidaria…
    … Os sacerdotes e governantes eram como as grandes montanhas e vulcões. E o povo era como as grandes árvores, e os outros seres como as pequenas plantas e arbustos em meio a uma imensa biodiversidade florestal. Dando sua sombra, água dos paramos, adubos, alimentos e proteção, para suprir as necessidades do ciclo de toda vida da natureza, em troca e comunhão contínua…
    … Todos eram honestos, bondosos, fiéis e justos sem se darem conta de que estavam sendo o que verdadeiramente deviam ser. Naturalmente amavam-se uns aos outros. Mas não se classificavam bons, ou se qualificavam generosos, ou compreendiam e valorizavam por meio de doutrinas e dogmas, o significado do amor ao semelhante e ao seu próximo…
    … A ninguém enganavam, usurpavam ou tiravam proveitos de nenhuma situação adversa, tiranicamente em intrigas e mentiras. Mas nenhum deles sabiam o que era ser sincero e o que era ser honesto…
    … Eram fieis ao seu rei, a natureza e o universo, ao equilíbrio, ao seu Deus: “O AMADO e A AMADA”. Pelo qual chamavam de: “PAI-MÃE DE TODA CRIAÇÃO”, “GRANDE E PODEROSO ESPÍRITO”, ou simplesmente “AQUELE QUE CRIOU O TODO E O TUDO”. Mas, desconheciam ser esse entendimento a verdadeira fé e verdade…
    … Viviam todos juntos em plena liberdade, dando e recebendo em comunhão contínua. Mas não sabiam o que era gentileza, o que era generosidade e o que era liberdade…
    … Assim, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães que compreendiam e entendiam essas simples, mas, porém, grandes coisas. Respeitavam a Natureza como sua mãe, o Universo como seu pai, e todas as Coisas Vivas como irmãos…
    … Cuidando deles, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães sabiam que estavam cuidando de si mesmos…
    … Dando a eles, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães compreendiam que estavam dando a si mesmos…
    … Ficando em paz com eles, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães sentiam em seus corações que estavam sempre em paz consigo mesmos…
    … Aceitavam a responsabilidade, pela energia que ambos manifestavam. Tanto na sua atividade como um integrante das suas comunidades sociais, quanto no Reino Sutil de se conhecerem como parte integrante do Reino Animal. E quando os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães estavam admirando uma bela flor. Pela prática da observação, eles e elas não viam apenas um acontecimento isolado. Mas raízes, folhas, galhos, caule, água, solo, minúsculos seres da terra, vento e sol, estrelas, lua e o todo do cosmos. Cada um deles se relacionando com os demais, e as pétalas aflorando dessa bela relação…
    … E olhando para Si mesmos ou para as outras pessoas, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães podiam ver a mesma coisa. Grandes árvores e pequenos insetos. Complexos seres humanos e a simplicidade da beleza das flores. Pássaros voando no firmamento e animais rastejando no solo. Sol escaldante e lua deslumbrante. Astros luminosos, planetas errantes, estrelas cintilantes, águas correntes, e um minúsculo grão de areia parado no chão. E em sua superioridade como imagem e semelhança da Fonte Criadora, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam e entendiam que suas próprias energias tinham parte nisso…
    … Em seus pensamentos não havia a separação das coisas, e nem havia as variadas fragmentações do saber de cada coisa. Tudo e todos eram um só, em perfeito movimento continuo do existir…
    … Não contavam as horas do dia, e, nem contavam os dias, nem tão pouco os meses e os anos. Apenas viviam de acordo com os ciclos da Majestosa Natureza Maravilhosa, em plena comunhão com o Magnífico Universo Absoluto…
    … Naquele tempo os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães não dividiam o dia, como hoje fazemos. Não havia manhãs, tardes ou noites. Mas, percebiam o movimento do dia como o ciclo da vida de todas as coisas existentes. Início, trajetória e fim. Luz e trevas, trevas e luz. E, no movimento do dia percebia a dança de todas as coisas existentes em evolução contínua, e em diversas situações de ganho e perda, vida e morte. E nas mudanças das estações, podiam compreender a totalidade dos ciclos de suas vidas…
    … Primavera, verão, outono e inverno…
    … Nascimento, juventude, maturidade e velhice…
    … O início e o fim, o fim e o início…
    … Não possuíam a linguagem escrita. Não por ignorância ou por serem julgados como povos primitivos. Mas, porque em seus pensamentos não existia o esquecimento do Saber do Sagrado e Eterno Contínuo, que manifestava na nossa amada Ama Terra o Entendimento Ancestral. Pois, de geração em geração, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, guardavam as palavras dos antepassados dentro deles e dentro delas, desde muito tempo. E continuavam a passar para os seus descendentes, AS CRIANÇAS. Pelo qual os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam que seriam os herdeiros da vida e guardiães do mundo, manifestando O NOVO…
    … Em suas linguagens não existiam palavras que denominassem toda e qualquer forma egocentrista. Não existia eu… seu… ou meu… só havia NOSSO. E não existia nenhuma palavra ou expressão que justificasse falsidades, infelicidades, discórdias, avarezas ou mentiras. E assim, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães valorizavam as suas palavras como o Alimento Sagrado da Alma. E através de suas palavras de puro e pleno poder. Transmitiam a visão e conhecimento do não tempo, das estrelas e dos astros, das coisas, dos animais, das plantas, de todo o Universo e de toda a Natureza, do SER e do Espírito a cada um…
    … Assim, o Saber Ancestral do Sagrado e Eterno Contínuo nunca morria, e, os pais de seus pais e as mães de suas mães, sempre se faziam eternamente vivos em seus corpos por indefinidas gerações. Pois sabiam que o novo é a continuação do velho. E assim, velho e novo não existiam. Era o fim e o começo do ciclo da roda girante do Sagrado e Eterno Contínuo…
    … Hoje, com a quebra do Sagrado e Eterno Contínuo. E por desvalorizarem as histórias e banalizarem as palavras de sabedoria dos templários antepassados ancestrais. Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, morreram nos novos corpos. E o Saber Ancestral que transmitia o princípio educacional das maravilhas desse mundo, pela ignorância se extinguiu. Por esses motivos, seus feitos por muito tempo, até os dias de hoje nunca foram narrados. E como consequência, o esquecimento do Sagrado e Eterno Contínuo se tornou o conhecimento dos povos. E a sede do Espírito se tornou a decadência dos novos…
    … E os novos seres de hoje, seguirão tentando inutilmente inventar mais cores, mais sabores, mais odores, mais luzes, mais deuses, mais líderes, mais ídolos, mais verdades, mais religiões e mais ciências. E, inúmeros mais objetos e mais utensílios, sendo que caminharão e cambalearão de lugar e lugar procurando inutilmente o que é de mais sagrado, para tentarem matar essa sede insaciável do espírito. Que nos torna cada vez mais ignorantes e distantes da vida, da natureza e do universo, da verdade, do saber e do “Criador de Todas as Coisas Existentes”…
    … E o Saber Ancestral do Sagrado e Eterno Contínuo, que transmitia o princípio educacional das maravilhas desse mundo se extinguiu. E dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães…
    Fez-se uma breve pausa. E o ancião Djeli com os olhos mergulhados no vasto horizonte verde. Onde as inúmeras palmeiras de Guarirobas, bailavam ao movimento suave e dançante dos ventos marítimos. Exclamou com um tom forte e firme de voz, balançando a cabeça para um lado e para o outro:
    _ Não nos restaram mais lembranças!”
    Texto extraído do livro: O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA.
    Em breve nas melhores livrarias de todos os países de língua portuguesa, Esse romance que nos conta uma história de amor e luta, de esperança e liberdade, de profecias, espiritualidades e crenças messiânicas no período colonial português no Brasil. Esta saga tem palco no Quilombo dos Palmares, entre o atual estado do Pernambuco e Alagoas, onde era a Capitania Hereditária de Pernambuco e nos conta uma história mística de um Preto Velho GRIOT chamado Djeli, um descendente dos antigos contadores de histórias africanos e de N’zambi, um jovem da descendência real do Congo, que futuramente se tornaria um dos maiores heróis negros da história dos africanos escravizados, forçadamente trazidos para o Novo Mundo.
  • Os olhos

    Os olhos vidrados no espelho de outra alma. Reflexos de incertezas são lançados ao abismos. A circunferência em prata alega sentimentos puros mas os olhos alegam desejos Inconcebíveis. Os olhares se contornam à procura de resguardo, sem êxito eles se chocam, abalando a  máquina interna que faz pulsar o calor nas veias. Nervosismo petrifica o olhar. Os poros transpiram. Os lábios mantêm-se retraídos evitando articular palavras comprometedoras, entretanto o silêncio denuncia o anseio da carne. 

    Voltando aos olhos, eles refletem veracidade atribuindo nexo ao que outrora foi desnexo.
  • Os três passos para o amor

    Os três passos para o amor:

    1)Se ame como você é hoje! -
    Compre as suas roupas, perfumes e o que gosta pensando em usá-los no presente e não daqui meses ou anos.
    Lembre-se: você é lindo(a) do jeitinho que é, então se mime e usufrua do que gosta sem julgamentos. 

    2)O seu presente também traz felicidade-
    Crie as suas metas futuras, mas se admirando e sendo grato pelo hoje, bem como pelas suas metas já conquistadas. 
    Ânimo, você já é um vencedor!

    3)Viva o agora! -
    Seja grato pelas oportunidades e não deixe-as passar. Respeite o seu tempo sempre, todavia se já der para fazer, não se sabote e acredite: esse já é o momento.
    Faça hoje e não no próximo ano...o seu livro de vida é o agora!

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