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Romace

  • A beleza dos diferentes

    Vou continuar seguindo por aqui
    pensei que sabia aonde ir
    provando um novo gosto e assim
    metamorfose ambulante em fim

    Muitas palavras sem palavras
    o bastante para explicar
    sincera é a faísca que se excita
    perceberá em nosso olhar

    Sua mente rápida divaga, a normalidade acaba
    adoro a riqueza da alma, comigo se encaixa
    quero a diferença, a cor que a pele exala
    coisas e pessoas normais continuam tão sem graça

    Apenas diz o que pensa, sente, surpreende
    afinal, é difícil encontrar o assunto que prende
    a atenção inteligente, nosso sorriso se rende
    um tapete se estende quando alguém te entende

    Rotinas diurnas, lacunas noturnas
    meu coração trancafiado na mesma urna
    a matéria é só uma energia que se curva
    por sorte ou azar, para cada mão há uma luva

    Tudo passa e a escolha sempre será sua
    ser livre da rua para casa, de casa para rua
    insignificante é quem só atua e nos julga                                           
    Sempre seremos verdadeiros e intensos, sem dúvida

    O que se fala, muda, colore, posso esticar
    a metafisica que buscamos, poucos sabem apreciar
    trilha de pensamentos que se calam pelo ar
    se não puder enxergar é melhor nem perguntar

    Alternativas mentais são caminhos a percorrer
    na velocidade da luz, fazemos sem perceber
    entre o futuro e o passado, querer e se envolver
    tudo é raro e valioso, não temos tempo a perder
  • Amei

    Em palavras eu nunca disse ''Eu te amo'',
    Mais uma vez as estacões mudaram.
    Eu sempre procurei sua imagem em todos os lugares, 
    embora eu saiba que você não poderia estar em tal lugar...
    Nas ruas eu busco sua sombra, 
    em meio aos meus sonhos,
    As memorias não deixam falhar, 
    Eu estou te procurando,
    Algum dia poderemos ver sob os pés da cerejeira
    as flores deixando seu lar ?
    Eu me deixo levar em busca do seu sorriso,
    Coloco sua presença perto de mim, 
    mesmo não sabendo sua existência,
    Assim como a noite, eu espero que aquela estrela cadente seja você riscando o céu...
    Se o meu desejo fosse realizado, eu estaria ao seu lado agora, e seguraria seu corpo junto ao meu,
    Eu não desejaria nada mais, 
    nada mais que você...
  • Antecedente da cicatrização

    Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
    Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
    Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
    Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
    Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Beijo

    Definitivamente beijar não era o forte dela, descobri isto no primeiro toque em sua macia língua, estava tão ansiosa por isto quanto eu, mas como de praxi mantinha a solidez confiante a qual ela sempre cultivou no dia a dia, sua grosseria foi posta de lado para que ela aproveitasse um improvável e caótico momento. O beijo por sí só era péssimo em um ritmo inconstante sem aquele encaixe mandibular que se vê no cinema hollywoodiano, era uma orquestra sem timbre ou ritmo, que se construía na desordem atemporal, não lembro quanto tempo toquei seus lábios ou por quanto tempo tentei harmonizar aquela complicação que impunha sobre meus sentimentos, pela primeira vez na vida presenciei o dualismo presente no cérebro humano.
    O nariz dela era comprido e esguio, o que tornava o processo extremamente inconstante quando comparado ao de costume com minha namorada, a qual este momento deveria estar agonizando de saudades do seu amado e fiel namorado, este que julgava o beijo e a aparência de sua mais fiel concorrente, de perto, quase dentro.
  • Calada da Noite

    Aqui estou sozinho
    Nessa estrada escura
    Apenas seguindo meu caminho
    Não ligue para minha amargura
    Quero escutar sua voz
    Esse silêncio está me sufocando
    Às vezes prefiro ficar a sós
    Mas ainda estou te amando

    Parece uma noite infinita
    O seu silêncio ela quer que eu sinta
    Quero ver seu rosto novamente
    Quero aliviar minha mente
    Escute mulher, não irei desistir
    Angústia, medo, depressão vou resistir
    Queria experimentar seu amor
    Para tirar essa minha dor

    Nessa noite cheia de temor
    Dê-me uma luz minha amada
    Nessa sombra calada
    Dê-me seu calor
    Talvez eu esteja obcecado
    Mas não quero acreditar
    Nem mesmo esperar
    Ainda vou achar meu lugar no mundo

    Sinto que estou te encontrando
    Dessa noite me livrando
    E esse silêncio acabando
    Vejo que você está me amando
  • Carta de volta ao remetente

    Seus beijos me fazem querer ficar, eles são quentes e me perco nos seus lábios enquanto percorre minhas costas com suas mãos. Então abro os olhos com nossos rostos ainda ligados e vejo sua expressão sorridente enquanto beija. Sinto também o seu cheiro, ele me satisfaz da maneira mais refinada possível. Você se afasta e eu observo cada um de seus perfeitos detalhes. Não sei se já disse, mas amo a maneira como seus olhos têm o formato desenhado pelas maçãs do seu rosto. Vejo que elas estão rosadas e quero voltar a esse momento outra vez. "Por favor, não vá", eu digo querendo fique mais, pelo menos abraçada a mim.
    Chego em casa, ainda sinto seu cheiro, quero guardá-lo até nos vermos novamente. Estou totalmente submergido no que sinto por você, um sentimento para o qual não tenho nome.
    Ouço você dizer sobre suas noites, como se diverte. Conheço, através de você, as pessoas com quem anda ficando. Presto atenção em cada palavra que diz sobre o seu ex. Quando vai dormir, ainda fico acordado comparando os lugares onde poderíamos ir nesse fim de semana. Penso, por horas, no quanto desejo ser seu próximo beijo. Reflito sobre como, se eu tivesse a oportunidade que ele teve, nunca me tornaria seu ex.
    Na próxima vez que conversarmos, como sempre, eu vou perguntar sobre o seu dia tentando não demonstrar que te quero mais que tudo ao meu lado, pegar meu bloco e escrever todas as coisas que meu coração está dizendo sobre você, colocar numa caixinha com o seu nome e deixar guardado, esperando o dia em que serei bom o suficiente pra te dizer tudo o que está ali e ouvir que sente o mesmo por mim.
  • Carta para o sol

    Ei moreno, só queria poder te dizer o quanto você me fez bem, mas não posso, porque sei que não fiz o mesmo por você. Você era um raio de sol nas nuvens pretas que me rodeavam. Acontece que, no final, eu era um metal que sempre atraía raios.
    No início me irritei com a sua presença, era algo novo e diferente para mim, tentava te evitar ao máximo, só que quanto mais se puxa o elástico o estilingue arremessa mais longe. Eu não tive a dádiva de um aviso, ou uma luzinha vermelha que avisasse que o sentimento havia ultrapassado o limite. E você cansou, cansou de insistir em algo tão complicado, insistir em uma rua sem saída que apresentava várias esquinas, um labirinto escuro que se via uma luz de longe, mas que quando se aproximava percebia que era apenas uma lanterna. Eu não te culpo por isso, não mesmo, eu muitas vezes pensei em desistir de mim também, mas sabe moreno você merecia saber, mesmo muitas vezes me ignorando tentando não se importar, você merecia só pelo fato te ter ficado tanto, ter permanecido ao lado de algo tão estranho que sou eu, a maioria desiste no início. Porém por você ter ficado tanto despertou minha curiosidade, minhas perguntas que nunca encontro respostas, foi assim não foi? Que conseguiu criar morada em minha mente? Sim acho que sim, quanto mais eu quero saber e menos eu sei, começo uma busca incessante para encontrar a razão daquilo, e isso me deixa mais vulnerável ainda. Eu era um labirinto, mas você se transformou em um questionário, um grande ''e se’’, e por acaso eu não estava à procura de um talvez, eu fugia dele. Confesso que não imaginei que sentiria tanta saudade do sol, pensei que tinha me acostumado e de alguma forma me adaptado as nuvens, só percebi que você havia espantado muitas delas quando te deixei partir e eu não as teria mais para me cobrir. Agora estou a céu aberto, as nuvens continuam lá, eu ainda as atraio, mas achei um buraquinho. Eu deveria saber que sem o sol o céu fica nublado.

      ~ O quanto você me amou?
  • Chá das Cinco



    Peço às visitas que entrem
    Entrem, mas apenas se forem ficar
    Pois, senão, que sozinha me deixem
    Basta de ir embora antes de chegar.

    A porta está sempre aberta e espera
    Espera muito, se precisar
    Até que finde a primavera,
    Não há problema em demorar.

    Leve muito tempo, mas venha certo
    Certo, que ao puxar a cadeira
    Ficará do outono ao próximo inverno
    Ou até que floresça a última videira.

    Pois quero viver uma vida inteira
    Inteira, de verdadeiros sentimentos
    Da lua cheia ao raiar da aurora,
    Não apenas de breves momentos.
  • Como água do mar

    Hoje nada mais faz sentido
    A saudade já bate mais forte
    Preciso daquele abraço,do seu abraço
    Sai desse lugar e vem me encontrar
    Estou te esperando de frente pro mar

    Vem,não faz isso comigo
    Não me deixe mais uma vez
    Viva comigo,o que temos a perde?
    Deixa falarem,que no nosso romance nem nos entendemos
    Se deixa levar,nosso amor é mais lindo que a água do mar

    Que sorriso é esse
    Me conquisto em 2 segundos
    Fiquei louca só de imaginar
    Mil coisas para nos amar
    Uma tarde não basta
    Quero toda a eternidade
    Esse brilho no olhar

    Vem que hoje é o nosso dia
    Vamos aproveitar cada segundo
    Eu te quero mais do que posso suportar
    O seu sorriso me despertou
    Todo esse amor,o que faço agora?
    Já que sem você eu estou.
  • Detalhes de você

    Ah menina, esse sorriso eloquente, meio de lado, é minha inspiração pra escrever todas as palavras. Não que elas sejam minhas, pois na verdade elas já são suas, te dei todas elas, você só não tomou pra si ainda. E essa sua bochecha marcada que a maquiagem só faz estragar? Não me entenda mal, eu adoro quando você se maquia, mas adoro ver seus traços reais.  E quando você está concentrada? Faz caras e bocas como se não tivesse ninguém por perto, parece viajar no seu mundo, completo, infinito, suas sobrancelhas parece querer desenhar o que está passando na sua cabeça naquele momento. Forte, se desafios tivessem medos, talvez eles não ousariam te enfrentar. Falando em ousadia, muito marmanjo, se surpreenderia vendo você trabalhar. Calma, pensando bem, isso é uma péssima ideia, já pensou o ciúmes que isso iria me causar?
    E quando você faz cara de brava? Parece uma criança inocente que ainda está tentando aprender a expressar isso. Observadora, mas só de caráter e personalidade, com os objetos ao seu redor, você é um verdadeiro desastre. - Mesas, cadeiras, facas, fiquem longe dela! Como você conseguiu essa pequena marca no seu rosto mesmo? Quer ser durona e usa isso como um escudo protetor. Tá se escondendo do quê? Eu já consegui ver através desse escudo gigante. Atrás dele você ainda está em cacos, mas eu sei esperar. 
    Lembra daquela viagem que a gente planejou à um tempo atrás? Ela poderia ser a melhor de todas! Nem precisa acontecer nada demais, estar por perto e, juntos, é muito melhor do que estar perto e longe de você.
  • É ela

    Sorriso encantador,olhar devastador
    Cara,da onde ela surgiu?
    É tão linda que passaria a vida a te olhar
    Imaginando como seria poder te beijar

    Quando percebi já estava dominado
    Estava ali para qualquer coisa
    Que doidera,pensei em até em casar
    Imagina ter filhos com essa mulher?

    Nunca pensei em algo sério
    Sempre fui o vagabundo
    Que não queria saber de nada
    E agora eu a olho,nem sei o que dizer

    Vamos fugir de todo o mal
    Viver de frente pro mar
    Só nós dois a se amar

    Tudo isso a se imaginar
    Em apenas um olhar ao te encontrar
    E conto para todos
    Que o motivo do meu sorriso é você
    E vou contando as horas para te encontrar.
  • IDADE DO LOBO

    Quem ouviu falar a respeito da idade do lobo? Todo mundo!

    Mas quem sabe definir o que é isso? Muita gente tentou, mas ninguém conseguiu uma definição cem por cento científica, pois é uma fase tão irracional que é impossível haver um embasamento na ciência. Sabe-se que quanto mais tardia, mais ridícula ela se torna. Não vamos ser tão duros com o adjetivo. Vamos dizer que é uma fase se total regressão emocional, ou de infantilidade exacerbada ou de intensa necessidade de auto-afirmação, enfim não importa o nome. É uma baita imaturidade! E nós mulheres, quase todas, temos o carma de agüentar esta fase. Além do mais, ela tem características injustas entre os próprios homens. Ou seja: um homem rico tem muito mais chance do que um pobre. “Homem lobo“ sem grana tem muito menos chance de conquistar as lindas jovens, do que os ricos que não se inibem em reconhecer seu favoritismo trazido pelo vil metal.

     Na nossa história, o “lobo” tinha um bom poder aquisitivo. Bem casado, vida tranqüila, filhos criados e casados.

    Numa noite de lua cheia, que é a noite dos lobisomens, nosso herói começou a sentir certa comichão e com o tempo notou que, dentro dele, todas as noites se tornavam noites de lua cheia e saia por aí uivando desesperadamente. Suas inúmeras companheiras estavam na faixa de 20 a 39 anos. Dizia que sair com mulher de 40 era pecado.

    Sua mulher tentou, lutou muito, quis fazer terapia de casal, mas nada o animava a prosseguir na vida que tinha. Ele queria sua liberdade. Reconhecia qualidades inúmeras em sua mulher, mas ele estava adorando sua independência afetiva. Poder variar, ter contado com diversas jovens, para ele estava sendo a glória!

     O divórcio aconteceu e cada um foi para o seu lado. Sua mulher sofreu muito e levou algum tempo para se recuperar. Quando isso acontece, as mulheres sempre acham que são as culpadas e se perguntam: “o que fiz de errado?”, esquecendo desta fase tão perigosa da imaturidade masculina.

    Enfim, nosso amigo gastou dinheiro que não deveria ter gasto, com gente com quem não precisava gastar. Qualquer chance, levava suas meninas para viajar. Para Miami e Las Vegas já havia ido quatro ou cinco vezes. As “periguetes” adoravam ir pra lá.

     Já havia  três anos que estava nesta vida e já estava se cansando. Queria algo diferente, mas a faixa etária tinha de ser a mesma.   Chegou a propor algo mais sério para algumas. Tentarem viver juntos, claro, sem se casarem e foi vendo que cada vez mais problemas iam acontecendo.

    Uma, andava dez quilômetros três vezes por semana e freqüentava a academia nos outros dias. Quando saiam para andar, o seu orgulho masculino ficava ferido. No terceiro quilômetro ele já estava de língua de fora, e fingia que torceu o pé, ou estava com dor e cabeça, ou arranjava outra desculpa qualquer para não dizer que não agüentava mais aquele ritmo de caminhada, mas as desculpas já estavam acabando e ele ia se sentindo inferiorizado e quem sabe... velho. Tinham as que gostavam de jantar tarde. Mas jantar tarde e deitar logo depois, dá azia e refluxo. Isso sem falar em transar de barriga cheia. E quando ia dançar e sua companheira não queria sentar nenhum instante! Ele queria dançar quatro ou cinco músicas e descansar, beber alguma coisa, se refazer. Mas o pior de tudo era quando saiam em grupo. Aguentar o papo dos amigos delas, não dava! Quanta baboseira! E o tratavam como se ele fosse Matusalém!

    E o nosso “macho alfa” foi cansando, desanimando e se decep-cionando  com a vida de ôba-ôba. Começou a relembrar seus bons tempos de homem casado. Tudo funcionando em casa. Sua mulher, às vezes era muito chata, como toda mulher que se preza, mas era uma pessoa inteligente com quem podia trocar idéias, falar sobre todos os assuntos; tinham gostos semelhantes, sempre haviam se dado bem, eram felizes e a liberdade que ele buscava tendo a chance de sair com quem quisesse, era falsa. A verdadeira liberdade era poder palitar os dentes, ir ao banheiro de porta aberta, poder roncar sem ter vergonha, ir para mesa do café sem pentear o cabelo, não precisar disfarçar a barriga, dizer que não estava a fim de transar e tantas outras coisas. Essa era a verdadeira liberdade.

    A idéia foi crescendo, e chegou num ponto em que era preciso decidir.

    “ Vou procurar minha mulher. Mulher é diferente de homem. Mulher sabe perdoar. Falo com ela e no dia seguinte me mudo pra lá. Volto para o lar!”

    Ligou para ela e perguntou se podiam conversar. Ela disse que sim e quis marcar num restaurante, mas ele não quis. Pediu para ir à casa dela (que em breve também seria dele novamente). Ele esperava que pudesse “pintar um clima” e seria tudo como antes. Na casa deles!

    E chegou o dia do encontro. Quando ele a viu, seu coração disparou. Que mulher linda, que classe, que descontração tão refinada, ela era demais! Falou tudo que ensaiou durante aqueles dias. Ela estava impassível olhando pra ele. Ele começou a se incomodar com essa impassividade e silêncio. Quis terminar logo o “discurso” e perguntou:

    -O que você acha de tudo que lhe falei?

    Ela suspirou, virou o rosto para o lado e deixou seu olhar se perder em algum ponto da parede. Depois de segundos, olhou diretamente para os olhos dele, de forma profunda e coerente e se preparou para a resposta.

    Ele estava petrificado na poltrona. Nada daquilo estava no script que ele havia feito em sua cabeça. Para ele, chegar naquele ambiente tão familiar, é fato que haviam acontecido certas mudanças desde a sua saída, mas era o apartamento em que haviam vivido juntos muitos anos, ter falado tudo o que ele falou para ela, a única reação cabível e esperada por ele, seria ela se atirar em seus braços. Mas não era isso que estava acontecendo. Ela estava parada olhando para ele com um olhar penetrante e ao mesmo tempo gelado, que ele não sabia o que queria dizer. E o silêncio dela era confuso e chocante.

    Finalmente ela falou:

    - Você está com câncer ou outra doença grave?

     Ele, surpreso, disse que não. Ela continuou:

    -Depois de 36 anos de casamento, você resolve se divorciar, passa mais de três anos viajando e curtindo milhões de moças mais novas que as suas filhas e pelo que eu o conheço, chega aqui, certo de que eu vou dizer com voz melosa que você pode entrar que a casa é sua? Não! A casa é minha. É só  minha!”. Se você estivesse doente, por pena cuidaria de você,  como tantas outras mulheres abandonadas fazem quando seus ex-maridos voltam pedindo um lugar pra morrer. Mas graças a Deus não é o seu caso!

    Ele, pálido como papel  sulfite e tremendo mais que uma gelatina, vendo o seu mundo ruir, consegue com grande esforço balbuciar:

    -A casa nunca mais vai poder ser NOSSA?”

    Outra pausa.

    “Talvez possa ser. Depende só de você. Se você for suficientemen-te homem para me reconquistar, me reconquiste”.

     Sem mais uma palavra ela levantou, abriu a porta e polidamente o despediu.

    Realmente, ele não sabia o que estava sentindo naquela hora. Um misto de tristeza, raiva, decepção, irrealização, sei lá mais o que. Ele esperava que tudo tivesse sido diferente. Lentamente foi vendo que ela tinha razão de estar magoada. A necessidade que ele teve de “dispirocar” foi dele e não dela.

     E foi solitário para o seu apartamento, sentou numa poltrona e pensou pelo resto da noite.

    Por sua vez, ela, assim que fechou a porta, caiu numa crise de choro intensa. Não conseguia parar. Nestas horas as lágrimas são as grandes companheiras. Só elas podem acalmar nossas emoções exacerbadas. Depois do que ele a fez passar, como podia chegar com a cara de pau que chegou achando que já ia ficar lá? Realmente a maioria dos homens não tem a mínima sensibilidade!

    Mas no fundo o que mais a estava atormentando, é que ainda gostava dele e tinha saudades da vida feliz que tiveram durante muito tempo. E pelo que ela conhecia dele, ele não iria conseguir reconquistá-la. Não iria conseguir demonstrar de forma sensível e original que a amava e que realmente gostaria de recomeçar uma vida com ela, não por comodismo, mas sim por afeto.

    O dia estava amanhecendo quando ela conseguiu dormir e dormiu pesado até bem tarde.

    Quando levantou e abriu a porta do quarto, sua funcionária apareceu com um sorriso malicioso dizendo que tinha surpresa pra ela.

     Ela foi indo em direção da sala e foi sentindo um perfume diferente. Andando cuidadosamente sem saber o que realmente ia encontrar, com o coração num ritmo diferente do normal, se deparou com dez dúzias de rosas vermelhas (ela contou) e na mesa da sala de jantar havia  uma enorme cesta de café da manhã com um envelope. Ela pegou e abriu. Dentro havia um anel. Despretensioso mas de muito bom gosto, num estilo de aliança. E um bilhete:

                  “Não vou te deixar em paz, porque te amo”

    Ela pôs o anel, riu e chorou...

    FIM
  • Idílica



    Para que amar tão intensamente
    Se tudo terminas ao final dos dias?
    Deixas um coração que ainda sente
    Os sorrisos e as liras que tu dizias.

    Não vês que vives de medos?
    Que cultivas apenas desgostos?
     De porta em porta, novos rostos
    E, dentro de ti, apenas segredos.

    Por esta maldição, segues sempre a mesma vida.
    Hoje, mais um sorriso roubado
    E outra cama, para, recostado,
    Fazer juras e sumir em seguida. 

    Não vês que te perdes nos próprios encantos?
    Pois as lágrimas delas, tuas são
    E nem mil camas ou mil rostos
    Preencherão o vazio do teu coração.

    Ah! Se tu percebesses por fim
    Que és covarde por amar.
    Cessa de vez este teu procurar
    E faz tua casa dentro de mim
    O meu corpo, o teu altar.
  • Marias - I

    Maria ouviu o trote do cavalo aproximando-se da porteira. Num impulso, soltou a espiga de milho que acabara de ter os cabelos penteados e trançados por ela. Com as mãos trêmulas, segurou a barra do vestido e correu em disparada através do estreito caminho de terra que cortava todo o milharal e terminava próximo ao imenso terreiro de secar café, nos fundos da casa.
    _Onde é que ocê tava, menina? Seu pai ainda há de matar ocê por causa desses sumiços.
    _Eu tava brincando de boneca, mãe.
    _Cê tava amarrando os cabelos dos milhos outra vez?
    Maria ia responder alguma coisa quando o pai adentrou à cozinha, interrompendo a conversava das duas.
    _Ocê ainda tá nessa sujeira? Vai caçar um jeito de se arrumar que seu noivo já tá aí na sala esperando pra lhe vê. Fez uma pausa e direcionou-se para a mulher. _E ocê trata de passar um café e trazer aqui na sala.
    Mãe e filha olharam-se assustadas e confirmaram com um aceno de cabeça. O homem deu meia volta e saiu fazendo barulho com as botas no assoalho de madeira.
    _Eu não quero ver aquele homem, mãe.
    _E ocê lá tem algum querê, menina? Desde de quando a gente pode desquerer alguma ordem de vosso pai?
    _Mas, mãe...
    _Mas nada, Maria. Trate logo de ir botar seu vestido de laço e pentear esse cabelo. Na certa, as espigas estão mais penteadas que ocê. A mulher finalizou e voltou-se para o fogão a lenha que queimava num dos cantos da cozinha.
    Enquanto se vestia, Maria ouvia as vozes que conversavam animadamente na sala.
    _Eu tenho certeza que o senhor vai fazer muito bem proveito daquela lavoura, senhor Afonso. Eu é porque já desgostei daquelas terras. O visitante falou.
    _Já tenho tudo pensado aqui na cabeça, seu Zeca. Tudim aqui. Vai ser o tempo de ocêis casar pra modo de eu mais os meninos começar a trabalhar naquilo lá.
    _Aquilo é pra família grande que nem a de vocês. Eu, depois que a mulher morreu, desgostei de muita coisa. Mas pra frente eu até penso em levar vossa filha pra morar na cidade comigo.
    Maria sentiu o coração triplicar os batimentos. Ir embora pra cidade com aquele homem que ela mal conhecia? Seu pai não podia permitir uma loucura dessas.
    _Cada um sabe o que é melhor pra si. Mas, eu não saio da minha roça de maneira alguma, seu Zeca.
    _O senhor é por que foi nascido e criado por essas bandas, seu Afonso. Eu, ao contrário, não. Já vivi uns tempos na cidade e, confesso, ando sentindo um pouco de saudade do movimento de lá.
    _É justamente isso que me assusta, seu Zeca. Movimento.
    A menina estava estagnada ouvindo a conversa quando a mãe apareceu na porta do quarto com uma bandeja de café e xícaras nas mãos.
    _Anda logo, menina. Daqui a pouco teu pai vem te buscar debaixo de porretada.
    _A senhora podia falar que eu tô passando mal, mãe.
    _Ocê ficou maluca? Seu pai sabe muito bem que ocê tá boa igual um coco. Anda, saía logo desse quarto.
    Maria ainda tentou retrucar, mas ouviu a voz do pai chamando seu nome. Sabia que seria inútil inventar qualquer desculpa. Entrou na sala de cabeça baixa e agarrada à mãe que também tinha os olhos voltados para o assoalho.
    _Boas tardes, seu Zeca.
    _Boas tardes, dona Helena. Com tens passado a senhora?
    _Bem, com a graça de Deus. E vossos filhos, como vão?
    _Muito bem, obrigado. Ansiosos com a chegada da nova mãe.
    Maria sentiu um calafrio percorrer o corpo. Na certa, tratava-se dela. Como isso podia ser possível? Ao que ela recordava-se do velório da falecida dona Lúcia, esposa de Zeca, o primeiro filho deles era mais velho que ela.
    _E ocê? Não cumprimenta seu noivo, Maria? Afonso perguntou num tom zangando.
    _Boas tardes, seu Zeca. Ela respondeu com a voz tremida.
    O homem levantou-se da cadeira onde achava-se sentado ao lado do futuro sogro e caminhou em direção a elas. Pegou uma das mãos de Maria entre a suas e falou sorrindo.
    _Boas tardes, menina. Não precisa ficar tão acanhada assim. Muito logo seremos marido e mulher.
    Aquilo fez o estômago de Maria revirar e ela pensou que fosse fazer uma sujeira no meio da sala. Puxou sua mão com rapidez e tratou de ir ajudar a mãe servir o café.
    _O senhor vai ter que ter paciência com essa daí, seu Zeca. Ela é um pouco arisca mesmo.
    Já sentado outra vez, e agora com um cigarro entre os lábios, Zeca sorria enquanto falava.
    _Depois que estiver lá em casa, rapinho aprende, seu Afonso. Ela é nova e eu hei de ser um bom professor.
    ...
    A visita de Afonso se estendeu por quase toda à tarde e quando ele finalmente se despediu com promessas de um breve retorno, Maria sentia a bunda doer. Ficara tempo demais sentada no banco de madeira ao lado do pai.
    _Ocê pode caçar um jeito de tratar melhor o seu noivo na próxima vez que ele vier lhe ver. Esse homem tá salvando nossa vida.
    _Eu não gosto dele, pai.
    _E ocê lá tem que gostar de alguma coisa, menina? Ocê tem é que me obedecer e dá graças a Deus pelo seu Afonso se interessar por alguém tão mal criada que nem ocê.
    _Mas, eu não quero ir embora com ele, pai. Eu faço qualquer coisa que o senhor mandar. Eu vou trabalhar na roça igual os meus irmãos. O senhor vai ver.
    O homem sorriu.
    _Deixa de falar bobagem, menina. Eu sei o que tô fazendo. Esse casamento vai me render uma quantia de terras que nem se nós trabalhasse o restante de nossas vidas, de sol a sol, ia conseguir adquirir.
    Maria calou-se percebendo o quão inútil era discutir com pai. Ela havia sido trocada por um pedaço de terra e nada que dissesse faria o velho Afonso mudar de ideia.
  • Me Espera

    Eu queria ter te dito
    mas estava com o coração doído
    eu me sentia tão bem
    com você aqui ? não sei

    parecia estar perdido
    ou em outro mundo distinto,
    tentando não lembrar
    sem querer outra vez me apaixonar

    não sei se é apenas uma distração
    ou algo mais que tenho em meu coração,
    esse seu olhar tão lindo
    achei que havia esquecido...

    (pré refrão)
    quase me perdi em tantos dias e sinto que não vivi nada sem você,sem você...

    (refrão)
    me espera,
    me deixa te dizer,
    o quanto senti sua falta
    o quanto eu quero você!

     
  • Meu amor escondido

    Estar com você é como mudar de orbita,
    de expressões,
    de sorrisos.
    Parece que foi feito pra me tirar do abismo.
    Diferente de tudo que eu já encontrei
    Feliz estaria eu se você ficasse mais um mês.
    Sinto saudades.
    Queria ter tido coragem pra dizer
    Eu encontrei você.
    ou
    Você me faz querer viver.
    Feliz é gostar
    Do seu olhar
    Do jeito calmo de falar
    E da sua voz ao cantar.
    Quando ele me abraça,
    Esqueço por dois segundos
    Que a vida passa!
    Esse sentimento, não é o mundo todo que me faz sentir,
    É alguém que talvez nunca leia isso aqui.
  • O Amor

    Percebi que teu olhar bastava
    Silenciava a voz e também as palavras
    Era você deixando de ser uma parte
    Era eu deixando de ser uma metade

    Era nós dois fortementes inteiros
    Completos, capazes de se doar por um sentimento
    Capazes de largar a boa realidade
    E nos fazer em nossa liberdade

    Você dizendo sim e não
    Ouvindo atentamente o coração
    Eu deixando no ar ou no máximo um talvez
    Agindo sem pensar, sem me notar, te notei

    Sem promessas, futuros distantes, coisas à frente
    Deixa acontecer, intensifica nosso presente
    Somos diferentes, somos iguais, somos nós
    Dois serem opostos donos de uma única voz

    O Amor!
  • O Diário de Melissa

    "- Eu me chamo Melissa, tenho 20 anos e não faço a menor ideia do que escrever em um Diário. Ganhei você no meu aniversário e, infelizmente, acabei te jogando no fundo da gaveta pelos últimos dois anos. Quando algumas coisas ruins começaram a acontecer na minha vida, acabei não entendendo bem o que fazer e, ao ir à um psicólogo, ele me aconselhou: escreva.

    Eu não poderia começar a escrever sobre outras coisas sem antes avivar o meu passado. Sabe, Diário, sinto-me culpada por muitas coisas e, entre elas, culpada por falhar e por não saber me impôr nos momentos certos. Mas, o que fazer?

    Há alguns anos atrás, tive meu futuro decidido. Meus pais me colocaram em uma escola particular, depois seguiram para me pôr em uma faculdade e cá estou, no meu último ano. Por quê não me impus? Quanto tempo eu perdi fazendo o que não queria? Quanto tempo eu teria investido se eu já soubesse o que fazer? Eu me sinto perdida, diário. Não estou feliz com o que faço, logo, não me sinto disposta o suficiente pra continuar. O que está acontecendo? Tudo tão confuso.

    Lembro-me de alguma vez na vida ter tido sonhos como querer ser uma Cozinheira Chef e ter meu próprio restaurante, ou trabalhar o meu corpo suficiente para ser uma modelo. Mas, logo que isso passa pela minha cabeça, hoje, só consigo pensar que o meu tempo não volta atrás e está cheio de arrependimento. Que tipo de pessoa eu vou me tornar, desse jeito?

    Mas, as escolhas de meus pais não foram tão ruins. Guiaram-me pelo caminho certo, levaram-me à igreja, foram gentis - embora ausentes - e principalmente estiveram lá para me ajudar. Sei que deveria retribuí-los, mas isso é uma coisa que não consigo engolir. Diário, não sei se amo tanto assim meus pais. Como humanos, cometeram muitos erros e, entre eles, o erro principal que me assombra até hoje é o fato de que cortaram minhas asas. Eu não pude voar, minha imaginação não pôde sobreviver e, hoje, estou a te escrever.

    Perto do fim de meu curso, não penso em "deixar pra lá". Penso em ganhar com isso. Mas, já não sonho mais e já não possuo objetivos. A vida parece fácil e ao mesmo tempo incompleta. Mas, esse é só um dos primeiros capítulos da minha vida, vai passar. Ainda assim, sou grata. Grata por ter sido repreendida, mas ingrata por não saber como voar, por não conseguir imaginar e ser incapaz de sonhar.

    Sabe, Diário, meus pais não souberam lidar comigo e eu os entendo. Nunca fui do tipo calma e gentil. Mas sim hiperativa e solitária. Eu nunca tive ninguém ao meu lado. Encontrei amigos dos quais hoje arrependo-me de ter me envolvido e acabei carregando cicatrizes até hoje. Não considerava amizades femininas, uma vez que sempre acabavam falando mal de mim pelas minhas costas ou me abandonavam sempre que descobriam algo desagradável em minha personalidade.

    A maioria de meus amigos eram homens e, eles me entendiam, mas, preocupavam meus pais. Meus pais sempre foram do tipo machistas o que, de certo modo, acabou me detonando à longo prazo. Diziam coisas desagradáveis e justificavam que a religião me proibia de envolvimento acima do necessário com qualquer tipo de homem enquanto que colocavam meus irmãos, por serem homens, acima do patamar e sem regras. Aquilo me enojava.

    Sempre fui restringida de tudo e todos. Meus irmãos eram livres para fazer o que bem entendessem. Sempre odiei essa regra. Hoje, acho que a restrição excessiva acabou comigo mais do que me ajudou. Ela fazia com que eu me sentisse um pássaro preso em uma gaiola, com uma vontade voraz de libertação. Fugi e escapei das regras várias vezes e, sempre que saía, mesmo que não fizesse nada, ao voltar eu era julgada.

    Mas, sabe diário, acredito que os melhores momentos da minha vida vieram com aquelas fugas. Eu fugia, sentava em algum lugar perto da praia e ali ficava o dia inteiro, respirando ar puro, sentindo o gosto de uma falsa liberdade. O horário de recolher me entristecia como nada faria: era hora de voltar pra cela e enfrentar o castigo que fosse.

    Mas, acho que não foi só isso. Meus pais tinham aquele péssimo hábito de não me reconhecer, o que perdura até os dias de hoje. Dentre os três irmãos, ainda que eu obtivesse mais êxito em alguma área, o crédito sempre era deles de alguma forma. Porém, acredito que não seria o que sou hoje sem todas essas vivências. Eu cresci.

    Sei que cresci quando, hoje, olho para os meus pais, com os mesmos velhos hábitos amargurantes e já não sinto nada. Sei que já não sou tão imatura a partir do momento em que não imagino mais uma cela todas vezes que chego em casa. Sei que não sou uma má pessoa no momento em que eu decidi perdoá-los por essas pequenas coisas e seguir em frente.

    Eu nasci ali, cresci ali. Não tem como dizer que, acima de tudo, não os amo. Acho que, todas as famílias possuem seus problemas, mesmo que pareçam tão perfeitas no exterior. Sei, hoje, que todas as pessoas possuem seu jeito único de amar, mesmo que em silêncio. E, eu os amo em silêncio, porque as palavras simplesmente não conseguem encontrar um jeito de sair.

    Acabei notando que, eles também, me amam em silêncio. Não conseguem dizer, por algum motivo. Mas, acabam demonstrando através de pequenas coisas, pequenos cuidados. Obrigada por tudo, pai e mãe. E obrigada à você também diário. Cheguei em uma conclusão: está tudo bem, eu estou bem."


    - Capítulo 1: Meus pais
  • O Mesmo Ritmo

    Uma parte de mim diz que "não"
    Que não é a hora certa
    Para se envolver, se entregar

    A outra parte diz que podemos ir
    Em busca do que nos espera
    E não devemos deixar no ar...

    Passei o dia todo pensando no que te dizer
    É duvidoso o "sim", é doloroso o "não"
    Escolhi o que preciso, o que agora posso ter
    Vai no mesmo ritmo do meu coração

    Me olhe nos próximos dias, nos próximos meses, nos próximos anos
    Da mesma forma que me olhou agora, quando eu disse que te amo

    Me guarde, nos seus pensamentos
    Me envolva em seus dias, me mostre saídas
    Sei que a nossa história, já estava escrita
  • O que é paixão?

    - O que é paixão? - ela me perguntou.
    A pergunta dela quebrando o silêncio me fez perceber que eu já estava ali parado, a olhar aqueles olhos pequenos que me cercavam de calma, por muito tempo. Balbuciei na pressa de dizer algo, mas calei. Não queria quebrar o momento com uma frase apressada e sem sentido. Eu já fazia isso demais e quase nunca a gente tem outra chance de responder a mesma pergunta. Eu também não me senti verdadeiramente obrigado a respondê-la com palavras, porque achei que meu olhar encantado pelo dela e o toque dos meus dedos nos seus cabelos pudessem expressar melhor, seja lá o que eu podia afirmar naquele instante.
    Quando se trata de sentimentos, eu sempre preciso de muito tempo para definí-los por vários motivos. Primeiro porque nunca são iguais a outros que eu já senti. Lógico que eu já havia me apaixonado antes, mas por outras mulheres, em outras idades, enquanto tinha outras contas a pagar. Com ela não haveria de ser igual. Não seria justo que eu usasse a definição que eu já conhecia. Porque nem que só o compasso do coração mudasse, não haveria de ser a paixão por ela a mesma que eu já vivi antes. Também ela, caso se apaixone por mim, se fizer como já fez por outros, não vai me agradar. Que ela tratasse de me arrumar uma loucura nova, um apelido carinhoso inédito, uma comida favorita com outros temperos ou uma posição diferente na cama! Pois das poucas certezas que tenho, uma delas é que eu não quero paixão de segunda mão.
    Outra razão pra eu tardar em tentar definir um sentimento é que ele sempre pode se confundir com a luz e a música que toca na hora de dizer e ficar mais melancólico que realmente é, ou me induzir a usar um vocabulário que condiz com o contexto, mas não com o que eu sinto. Ainda, pode se misturar com outras vontades e necessidades. Impossível imaginar, por exemplo, que alguém pode amar verdadeiramente se está roncando de fome ou com qualquer outra necessidade fisiológica em atraso. Talvez algum mártir por aí possa, tudo bem, mas não faz o meu estilo.
    - Vai me enrolar até quando? Há três dias que você prometeu me dizer – trucou-me ela, daquele jeito docemente abusado de quem sabe sempre o quê e quando quer. E o "o quê" até costumava variar, mas o "quando" era sempre agora.
    E eu ainda não disse nada. Beijei aquela testa franzida e questionadora e deixei meu olhar cair no dela. Ela silenciou como quem se recusava a começar um novo assunto até pôr fim naquele. E isso sequer me perturbava. 
    Paixão, ali naquele segundo, não precisava ser maior que os olhos pequenos dela. Que olhos lindos!
  • Olhar seu

    São seus olhos, esses belos pares  que me olham e vêm em mim aquilo que o espelho não me revela
     São seus belos pares de olhos que refletem o meu rosto e me fazem te enxergar e me enxergar ao mesmo tempo 
    São esses seus olhos, que transmitem sentimentos e  palavras, que dialogam comigo e me fazem entender o que você sente.
     São esses olhos, que combinados com os meus trazem a certeza de que de nossos olhares precisavam se cruzar.
  • Os nossos Primeiros Pais e as Nossas Primeiras Mães

    “ O velho griot ancião ao ver o povo sentado ao seu redor. Pegava o seu M’bolumbumba, levava a barriga e começava a tocar. E o som do seu instrumento ecoava pela floresta e na cabeça de cada pessoa que se encontrava ali presente. Todos se maravilhavam com o toque daquele instrumento e a beleza de sua música. Criando assim, um clima de magia e nostalgia a todos que ouviam. E o velho Djeli contava uma história cantada. E todos ficavam em grande silêncio e prestavam muita atenção, a cada som que emanava da sua boca. E assim, contava o preto velho griot Djeli:
    __ No tempo dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães, toda vida na nossa amada Ama Terra estava iluminada, e devidamente equilibrada e unificada. E toda humanidade era um só povo. Uma só raça. Uma só cor. Uma só nação. Um só pensamento. Um só sentimento. Uma só expressão. Uma só língua. Um só amor. E havia uma só terra que formava um único e grande continente. E nessa terra havia um único e só rei, Kee’Musoo: “Aquele que Criou o Todo e o Tudo”…
    … Nesse tempo, Kee’Musoo. A grande e maravilhosa Essência que habita em todos e em tudo. O grande Criador de todo o universo e de toda a natureza, onde toda a vida caminha, vive e respira. O Maravilhoso dos maravilhosos. O mais Belo dos belos que da cor, cheiro e embeleza toda a vida. Aquele que é Rei dos reis e o Senhor dos senhores, e o maior Amor de todos os amores. Aquele que é a Fonte. Aquele que é Raiz. Aquele Luminoso que é a matriz da luz, do cheiro, do som e de todo o sentir, da visão, da inteligência e de todo o entendimento. Essa magna Energia Vivificante que movimenta, sustenta e faz existir todas as coisas pela sua imensa sabedoria. Sempre habitava e sempre imperava nas cabeças e nos corações dos homens e das mulheres…
    … Sendo Kee’Musoo, o maravilhoso e Amado Esposo para as mulheres, e a bondosa e Amada Esposa para os homens. E assim, os homens e as mulheres viviam em eterna comunhão de amor com o seu Criador…
    … Kee’Musoo, “Aquele que Criou o Todo e o Tudo” era ação e não palavras. Era harmonia e não esforço. Era caridade e não sacrifícios. Era a fonte da fé e de todo amor dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães…
    … “Aquele que Criou o Todo e o Tudo” nunca os corrigia. Pois a venda da ignorância do orgulho de todo egoísmo humano, ainda não existiam nos olhos dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães. Dessa forma, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, tornavam a luz “Daquele que Criou o Todo e o Tudo” útil. Dentro, entre e fora dos seus corpos. Emanavam apenas sentimentos bons, positivos e amorosos. Se fazendo um só com “Aquele que Criou o Todo e o Tudo”. E caminhavam como reis e rainhas em meio a todas as outras criaturas, em todas as formas, em toda existência individual, como em toda a comunidade e em toda Luz…
    … Não procuravam compreender o porquê de todas as coisas: Quem eram? O que eram? De onde vieram? E todas essas perguntas que sufocam a nossa consciência. E nem pensavam em questionar ou ir contra as leis naturais e universais de toda a vida. Apenas viviam o que eram…
    … A mais perfeita de todas as criações “Daquele que Criou o Todo e o Tudo”…
    … Os corações dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães, pulsavam em ressonância com o coração da Vida Infinita, através dos rufares dos seus tambores. Nos seus rituais sagrados, os seus espíritos eram arrebatados pela canção das estrelas, que os faziam dançarem em círculo por toda a noite, ao redor de uma grande fogueira, com labaredas ardentes azuladas, amareladas e avermelhadas. Dançavam imitando os movimentos dos astros ao redor do fogo que representava o sol. Dançavam imitando as nuvens que caminhavam ofuscando o brilho da lua, e dos outros inúmeros corpos celestiais que animavam e iluminavam o escuro do céu…
    … Em seus rituais sagrados celebravam a magia da vida conservando a Criança Interior, dançando em volta da Fogueira da Alegria. Fazendo a Magia do Sorriso florescer em seus corações…
    … Dentro dos seus peitos as vozes de todo o universo e toda a natureza faziam a Magia da Canção acontecer. E dessa forma, o povo alado do imenso céu, ensinavam-lhes a arte de ver o que hoje é oculto aos nossos olhos de carne…
    … Através dos seus trabalhos ritualísticos e das suas manifestações culturais circulares, a Magia do Amor se manifestava nos seus corpos. Por terem a humildade de fincar os seus pés descalços no chão, e olhar para as alturas e para as bordas do horizonte infinito, obtendo a dignidade de compreender que emanação “Daquele que Criou o Todo e o Tudo”, eles e elas eram…
    … Para os nossos Primeiros Pais e para as nossas Primeiras Mães, o Amor era o solo fértil onde cresciam todas as suas ações. Em que a alma da nossa amada Ama Terra, iluminada pelo nosso amado Padrasto Sol e pela nossa amada Madrasta Lua. Pulsava em seus corpos, sentindo a sabedoria do Sagrado e Eterno Contínuo que existe em todos e em tudo. Dessa maneira, a superficialidade das aparências que existe no mundo hoje não os iludia. Não impedindo em seus crescimentos como manifestações da mais pura e perfeita perfeição…
    … Ouviam a Canção da Criação que se renova de tempos em tempos. E que pelo movimento perfeito da sua dança a tudo cresce e embeleza…
    … Nesse tempo em que a nossa amada Ama Terra era unida. Formando uma grande e elevada montanha plana, no meio de um grande e único oceano de águas reluzentes, que estava envolto e contido por imensos paredões de gelos, como se o nosso mundo fosse o olho único de um gigante ciclope universal. Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, conheciam que “Aquele que Criou o Todo e o Tudo” dançava em todas as coisas, e falava através de todo movimento que se podia ver, ouvir, cheirar, sentir e perceber. Pois, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães podiam ver, ouvir, cheirar e sentir com o coração. Pelo coração entendiam o Movimento Sagrado que impulsiona a circulação de todas as coisas…
    … Conheciam Aquele que Criou o Todo e o Tudo nos seus próprios corpos e nas três manifestações primarias da vida, que pela verdade entendiam ser uma só. O ÚNICO CRIADOR, TODA A CRIAÇÃO, E AS VARIADAS CRIATURAS. Que de geração em geração se manifestava em nossa natureza como: Pai “CRIADOR”, mãe “CRIAÇÃO”, e filhos “CRIATURAS”. E assim, reconheciam a maravilhosa presença e vida “Daquele que Criou o Todo e o Tudo” neles mesmos, nelas mesmas e nos seus filhos…
    … Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam a vida em toda sua totalidade. Tinham o entendimento oculto de reconhecer que vivíamos em um corpo. Sabiam que esse corpo era a nossa primeira casa. E que essa casa, deveria ser tratada como um Templo Sagrado de Pureza Sublime, da Morada da Alma e Manifestação da Vida. E que éramos, entretanto, seres bipartidos, e por consequência, seres sexualizados. Assim, compreendiam o conhecimento oculto que há por detrás de nossa sexualidade, servindo como um veículo para honrar e respeitar a vida de todos os seres, através da união sexual dos corpos bipartidos. Fazendo do “Dois (2) Um (1), e do Um (1) Três (3)” na chegada dos novos seres. Aí está o segredo do Sagrado e Eterno Contínuo de Toda Criação, manifestado nas formações das criaturas…
    _ isso particularmente eu chamo de O PODER DAS PIRÂMIDES _
    … Pois naquele tempo, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, louvavam a Grande e Perfeita Criação. Provinda da união amorosa do Grande e Majestoso Universo Magnífico “Kee, O Esposo”, com a Grande e Majestosa Natureza Maravilhosa “Musoo, A Esposa”, representados nos seus corpos como o MACHO e a FÊMEA…
    … Este era o momento mais sagrado para os nossos Primeiros Pais e para as nossas Primeiras Mães. Pois, compreendiam perfeitamente que pela a união dessas manifestações, manifestava-se: O NOVO. Assim, o ato sexual era o que havia de mais sagrado, e só podia ser vivenciado num imenso ritual de amor e dança sob a luz da lua nova. E, unicamente se aprofundavam nesse prazer, só para gerar uma nova existência. Nesse momento, eles e elas compreendiam o poder em que o Dois (2) se faz Um (1). Pelo nascimento de uma nova vida no mundo, provinda pela união dos seus corpos…
    … Assim, pela manifestação e popularização da vida, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, entendiam que vivíamos em um mundo de relacionamentos, contatos e sentimentos com nossos semelhantes, e outras criaturas animadas e inanimadas. E éramos, entretanto, seres sociais. E que cada contato nos ofertam presentes e surpresas, e cada relacionamento nos oferecem inúmeras alegrias e oportunidades de seguirmos AS VIAS DO CONHECIMENTO. Dando e recebendo de bom grado. Aprendendo e depois ensinando. Sabendo respeitar o momento em que todas as coisas se encaixam. E de que tudo tem o seu tempo, lugar, coração e inteligência certa…
    … Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam que todos nós participamos direta ou indiretamente, conscientes ou inconscientemente das estruturas que nos governam, e de que somos seres poderosos e politizados em virtude dessa participação. Sabiam dessa forma, que nossa vida sempre permite contribuir para a criação de estatutos, leis e estruturas que respeitem a dignidade e o espírito de todos os seres…
    … A ninguém adulavam, bajulavam ou prestavam homenagens, e nem davam poder aos homens a as mulheres que hoje julgamos ser grandes e poderosos. Nem ninguém classificava ou distinguia os homens e as mulheres por suas notáveis habilidades, cargos, posições hierárquicas ou acúmulos de posses. Pois, todos observavam os dons e os talentos em si e no outro. Sabendo que cada existência individualizada é única. Trazendo em si mesma sua sabedoria individual, pelo seu pessoal ponto de vista do universo e da natureza, que contém um mistério envolto em um segredo oculto, que só esse ser individualizado pode conceber…
    … E por isso, seus trabalhos se baseavam em aprimorar as suas faculdades inatas, como Portadores da Luz em diversas faces, em adoração e obediência ao Criador de Todas as Coisas Existentes. Sendo cada homem e cada mulher, ponte para o outro homem e para a outra mulher na diversidade dos seus dotes, talentos e conhecimentos. Formando uma natural cadeia comunitária de autoajuda, suficiência e sustentabilidade solidaria…
    … Os sacerdotes e governantes eram como as grandes montanhas e vulcões. E o povo era como as grandes árvores, e os outros seres como as pequenas plantas e arbustos em meio a uma imensa biodiversidade florestal. Dando sua sombra, água dos paramos, adubos, alimentos e proteção, para suprir as necessidades do ciclo de toda vida da natureza, em troca e comunhão contínua…
    … Todos eram honestos, bondosos, fiéis e justos sem se darem conta de que estavam sendo o que verdadeiramente deviam ser. Naturalmente amavam-se uns aos outros. Mas não se classificavam bons, ou se qualificavam generosos, ou compreendiam e valorizavam por meio de doutrinas e dogmas, o significado do amor ao semelhante e ao seu próximo…
    … A ninguém enganavam, usurpavam ou tiravam proveitos de nenhuma situação adversa, tiranicamente em intrigas e mentiras. Mas nenhum deles sabiam o que era ser sincero e o que era ser honesto…
    … Eram fieis ao seu rei, a natureza e o universo, ao equilíbrio, ao seu Deus: “O AMADO e A AMADA”. Pelo qual chamavam de: “PAI-MÃE DE TODA CRIAÇÃO”, “GRANDE E PODEROSO ESPÍRITO”, ou simplesmente “AQUELE QUE CRIOU O TODO E O TUDO”. Mas, desconheciam ser esse entendimento a verdadeira fé e verdade…
    … Viviam todos juntos em plena liberdade, dando e recebendo em comunhão contínua. Mas não sabiam o que era gentileza, o que era generosidade e o que era liberdade…
    … Assim, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães que compreendiam e entendiam essas simples, mas, porém, grandes coisas. Respeitavam a Natureza como sua mãe, o Universo como seu pai, e todas as Coisas Vivas como irmãos…
    … Cuidando deles, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães sabiam que estavam cuidando de si mesmos…
    … Dando a eles, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães compreendiam que estavam dando a si mesmos…
    … Ficando em paz com eles, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães sentiam em seus corações que estavam sempre em paz consigo mesmos…
    … Aceitavam a responsabilidade, pela energia que ambos manifestavam. Tanto na sua atividade como um integrante das suas comunidades sociais, quanto no Reino Sutil de se conhecerem como parte integrante do Reino Animal. E quando os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães estavam admirando uma bela flor. Pela prática da observação, eles e elas não viam apenas um acontecimento isolado. Mas raízes, folhas, galhos, caule, água, solo, minúsculos seres da terra, vento e sol, estrelas, lua e o todo do cosmos. Cada um deles se relacionando com os demais, e as pétalas aflorando dessa bela relação…
    … E olhando para Si mesmos ou para as outras pessoas, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães podiam ver a mesma coisa. Grandes árvores e pequenos insetos. Complexos seres humanos e a simplicidade da beleza das flores. Pássaros voando no firmamento e animais rastejando no solo. Sol escaldante e lua deslumbrante. Astros luminosos, planetas errantes, estrelas cintilantes, águas correntes, e um minúsculo grão de areia parado no chão. E em sua superioridade como imagem e semelhança da Fonte Criadora, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam e entendiam que suas próprias energias tinham parte nisso…
    … Em seus pensamentos não havia a separação das coisas, e nem havia as variadas fragmentações do saber de cada coisa. Tudo e todos eram um só, em perfeito movimento continuo do existir…
    … Não contavam as horas do dia, e, nem contavam os dias, nem tão pouco os meses e os anos. Apenas viviam de acordo com os ciclos da Majestosa Natureza Maravilhosa, em plena comunhão com o Magnífico Universo Absoluto…
    … Naquele tempo os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães não dividiam o dia, como hoje fazemos. Não havia manhãs, tardes ou noites. Mas, percebiam o movimento do dia como o ciclo da vida de todas as coisas existentes. Início, trajetória e fim. Luz e trevas, trevas e luz. E, no movimento do dia percebia a dança de todas as coisas existentes em evolução contínua, e em diversas situações de ganho e perda, vida e morte. E nas mudanças das estações, podiam compreender a totalidade dos ciclos de suas vidas…
    … Primavera, verão, outono e inverno…
    … Nascimento, juventude, maturidade e velhice…
    … O início e o fim, o fim e o início…
    … Não possuíam a linguagem escrita. Não por ignorância ou por serem julgados como povos primitivos. Mas, porque em seus pensamentos não existia o esquecimento do Saber do Sagrado e Eterno Contínuo, que manifestava na nossa amada Ama Terra o Entendimento Ancestral. Pois, de geração em geração, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, guardavam as palavras dos antepassados dentro deles e dentro delas, desde muito tempo. E continuavam a passar para os seus descendentes, AS CRIANÇAS. Pelo qual os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, compreendiam que seriam os herdeiros da vida e guardiães do mundo, manifestando O NOVO…
    … Em suas linguagens não existiam palavras que denominassem toda e qualquer forma egocentrista. Não existia eu… seu… ou meu… só havia NOSSO. E não existia nenhuma palavra ou expressão que justificasse falsidades, infelicidades, discórdias, avarezas ou mentiras. E assim, os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães valorizavam as suas palavras como o Alimento Sagrado da Alma. E através de suas palavras de puro e pleno poder. Transmitiam a visão e conhecimento do não tempo, das estrelas e dos astros, das coisas, dos animais, das plantas, de todo o Universo e de toda a Natureza, do SER e do Espírito a cada um…
    … Assim, o Saber Ancestral do Sagrado e Eterno Contínuo nunca morria, e, os pais de seus pais e as mães de suas mães, sempre se faziam eternamente vivos em seus corpos por indefinidas gerações. Pois sabiam que o novo é a continuação do velho. E assim, velho e novo não existiam. Era o fim e o começo do ciclo da roda girante do Sagrado e Eterno Contínuo…
    … Hoje, com a quebra do Sagrado e Eterno Contínuo. E por desvalorizarem as histórias e banalizarem as palavras de sabedoria dos templários antepassados ancestrais. Os nossos Primeiros Pais e as nossas Primeiras Mães, morreram nos novos corpos. E o Saber Ancestral que transmitia o princípio educacional das maravilhas desse mundo, pela ignorância se extinguiu. Por esses motivos, seus feitos por muito tempo, até os dias de hoje nunca foram narrados. E como consequência, o esquecimento do Sagrado e Eterno Contínuo se tornou o conhecimento dos povos. E a sede do Espírito se tornou a decadência dos novos…
    … E os novos seres de hoje, seguirão tentando inutilmente inventar mais cores, mais sabores, mais odores, mais luzes, mais deuses, mais líderes, mais ídolos, mais verdades, mais religiões e mais ciências. E, inúmeros mais objetos e mais utensílios, sendo que caminharão e cambalearão de lugar e lugar procurando inutilmente o que é de mais sagrado, para tentarem matar essa sede insaciável do espírito. Que nos torna cada vez mais ignorantes e distantes da vida, da natureza e do universo, da verdade, do saber e do “Criador de Todas as Coisas Existentes”…
    … E o Saber Ancestral do Sagrado e Eterno Contínuo, que transmitia o princípio educacional das maravilhas desse mundo se extinguiu. E dos nossos Primeiros Pais e das nossas Primeiras Mães…
    Fez-se uma breve pausa. E o ancião Djeli com os olhos mergulhados no vasto horizonte verde. Onde as inúmeras palmeiras de Guarirobas, bailavam ao movimento suave e dançante dos ventos marítimos. Exclamou com um tom forte e firme de voz, balançando a cabeça para um lado e para o outro:
    _ Não nos restaram mais lembranças!”
    Texto extraído do livro: O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA.
    Em breve nas melhores livrarias de todos os países de língua portuguesa, Esse romance que nos conta uma história de amor e luta, de esperança e liberdade, de profecias, espiritualidades e crenças messiânicas no período colonial português no Brasil. Esta saga tem palco no Quilombo dos Palmares, entre o atual estado do Pernambuco e Alagoas, onde era a Capitania Hereditária de Pernambuco e nos conta uma história mística de um Preto Velho GRIOT chamado Djeli, um descendente dos antigos contadores de histórias africanos e de N’zambi, um jovem da descendência real do Congo, que futuramente se tornaria um dos maiores heróis negros da história dos africanos escravizados, forçadamente trazidos para o Novo Mundo.
  • Poder de Conquista (Não julga o livro pela capa) Parte II

    Ela - Eu tenho 20 anos, você é muito criança pra mim
    Eu - Criança! Eu ainda vou-te mostrar que "idade é apenas número e que maturidade não esta na idade mas na experiência".
    Era de noite e eu estava em casa quando o telefone tocou.
    Eu - Alô,
    Ele - Yá wí como é que foi?
    Eu - Normal, já que ela chamou-me de criança mas estou no activo.
    Ele - Ok, este fim-de-semana irei a minha tia
    Eu - Ta fixe brother, aproveita as gatas e boa viagem
    Ele - Ok, valeu.
    No segundo dia de noite o telefone tocou e eu atendi.
    Eu - Alô
    Ela - Oi tudo bem? Hoje não saíste a rua?
    Eu - Estava ocupado com a organização e arrumação da casa
    Ela - E agora pode sair? Vamos a uma cantina
    Eu - Ok, espera um pouco estou a sair.
    Fomos andando devagar e a conversar quando chegamos ao local, ela comprou o que queria e depois estávamos a voltar, eu senti alguma coisa diferente por parte dela parecia estar interessada ou com vergonha de mim a minha desconfia confirmou-se quando ela pediu para voltarmos de uma outra rua que tinha pouca iluminação, quando entramos na rua dei por conta que também estava isolada, eu pensei "depois dela ter-me chamado de criança ela nunca vai me falar que quer alguma coisa, ela esta com vergonha ou com medo de ser rejeitada? Vou ter que tentar alguma coisa".
    Seguro na mão dela e puxo-a para uma parede com pouca iluminação, ela fica de costa na parede o meu corpo estava próximo do dela, como sou mais alto agachei-me para poder beija-la para a minha surpresa, ela correspondeu, mas ficou admirada e sem perceber como é que então pouco tempo a minha mão já estava dentro da sua calcinha e o meu dedo médio estava dentro da sua xana. Ela afastou um pouco os seus seios do meu corpo e a sua boca da minha mas quando ela tentou falar, eu puxei ela de volta enquanto a minha língua passava pelos seus lábios, tirei a minha mão do seu pescoço e coloquei em seus seios, ela enrolou os seus braços no meu pescoço e eu mordi os seus lábios, quando deslizei a minha boca para o seu pescoço ela conseguiu falar em um gemido enquanto eu mordia o seu pescoço.
    Ela - espera Cláudio
    Eu não liguei e apenas continuei, voltei a beijar a sua boca depois de um tempo, eu senti algo a molhar a minha mão e percebe que ela tinha tido um orgasmo “Quanto tempo ela estava sem fazer sexo?”, eu sabia que tinha que controlar-me mas não consegui e comecei a rir. Ela empurrou-me e disse: você é um parvo. E saio correndo, fui atrás dela, demorou apenas alguns segundos para alcança-la e fazê-la parar de corre.
  • Poder de Conquista (Não julga o livro pela capa) Parte III

    Eu - Sei que só um parvo, idiota, mas é que nunca esperei que uma criança conseguiria fazer isso a uma kota (pessoa mais velha)
    Ela - Não és nada um parvo muito menos idiota, e além disso eu já percebi que és uma criança muito especial.
    Continuamos a caminhar nas calmas e eu fiz ela rir de várias coisas, enquanto conversamos, infelizmente o nosso passeio chegou a fim quando chegamos a porta de sua casa, ela deu-me um beijo de tirar o fôlego, para que eu percebesse que ela não estava chateada e que realmente estava interessada.

    Quando cheguei em casa peguei no telefone e liguei para o meu camba (amigo)
    Ele - Alô
    Eu - Miguel, nem vais acreditar o que aconteceu...
    Ele - Lhe kissaste?
    Eu - Yá wí, você sabe como é que é,"uma formiga pode derrubar um elefante"
    Ele - Essa é a ideia, também estou com uma kota de 24 anos
    Eu - Não maia mostra-lhe que "grande não é dois e pequeno não é metade"
    Ele - Risos a ideia é essa, depois actualizo-te
    Eu - Ok.

    Depois de falar com Miguel acabei por adormecer, "droga já é segunda-feira!", quando vi a hora, já eram 10h da manhã, preparei-me e foi a escola, voltei as 18h, essa era a rotina da semana, e dificilmente saia de casa porque a semana estava a ser chata e muito estressante, falava com ela as vezes pelo telefone mas conversávamos por muito tempo quando nós encontramos na rua, felizmente era sexta-feira "Dia do homem", o telefone tocou.
    Eu - Alô
    Ele - O que foi? Estas doente?
    Eu - Não, apenas cansado, essa semana foi chata
    Ele – Ham! Entendo, hoje é dia do homem vamos curtir? (diverte-nos)
    Eu - Não posso os meus velhos (pais) foram a um óbito, só voltaram na segunda
    Ele - Tens a casa só para ti vais aproveita a oportunidade?
    Eu - Talvez a Jéssica possa vir da um passeio na minha casa
    Ele - Talvez! Eu aposto que ela vem
    Eu - Combinamos de nos encontrar hoje
    Ele - Tá fixe, falamos depois, estou a ir curte
    Eu - Curte também por mim
    Ele - Pêra também por mim (faz sexo também por mim)
    Eu e Ele - Darei o meu melhor por ti.

    Saí de casa para me encontra com ela no local combinado, ela levou-me para conhecer alguns dos seus amigos, todos eles eram mais velho de mim e encontravam-se em pares, ao total formamos um grupo de 8 pessoas, quando começamos a conversa eles deram por conta que a minha carinha de criança não tinha nada a ver com o conhecimento que eu possuía, debatemos sobre vários assuntos e eu fazia questão de participar em todos eles, por vezes ficava calado a ouvir o que eles falavam, mas acabava sempre abortado para participar do assunto, estava muito divertido mas como estávamos a fazer muito barulho o dono do estabelecimento veio ter connosco, por isso achamos melhor sairmos do local, andamos em grupo a conversa e a fazer muito barulho, as gargalhadas eram constante e trocamos de lugar frequentemente, as vez me encontrava na direita outras vez na esquerda e por vezes no meio deles e fomos caminhado a este ritmo. Quando voltamos já eram 22h.
    Ela - Gostei muito de estar contigo
    Eu – Também eu, foi muito divertido
    Ela - É verdade mas infelizmente acabou
    Eu - Quês ir a minha casa?
    Ela - E os teus pais?
    Eu - Eles foram ao óbito e só voltaram na segunda-feira
    Ela - Sim quero, mas encontrarei-te lá, primeiro tenho que fazer algo em casa
    Eu - Não demora.

    Beijei ela e depois foi para casa, demorou algum tempo até baterem a porta, quando fui abrir era ela, tinha mudado de roupa e prendido o cabelo, sem demora peguei na pasta que ela trazia para ajudar-lha a carregar e pedi para ela entra, coloquei a pasta no quarto e depois apresentei-lhe a casa, por últimos sentamos no sofá da sala.
    Eu - Porque que cortaste as unhas?
    Ela - Fogo, você repara! Não quero aleijar-te
    Eu - Gostei do teu visual
    Ela - Obrigada, porque que o teu corpo fica quente? Não fico com vontade largar-te quando isso acontece.
    Eu - Não sei o porque, mas isso só acontece quando estou excitado.

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