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reflexão

  • Um pequeno começo

    Bom , é minha primeira vez em um site de textos , eu não tenho talento algum com isso , acho que só vim porque queria de alguma forma me "desabafar" sem sair do anonimato...Sabe? É estranho como você consegue ser mais sincero com pessoas que não conhecem , é algo sei lá... Simplesmente incrivel , não sei se é só comigo , mas já perceberam como é muito mais simples desabafar com um amigo , do que com um familiar? O amigo parece que te entende mais  , tipo :  Eu terminei o namoro faz dois dias , eu ainda nem sequer falei com a minha mãe , ou minha familia sobre...Pelo simples motivo que eu tenho um certo medo , não sei ao certo o porque...Mas enfim. Voltando ao assunto , o que eu realmente queria saber é :  o que trouxe vocês a esse site? :3 , vocês tem sonhos de serem escritores , fazem por hobbie ? ou só querem como  eu , interagir no anonimato?  Contudo , eu queria fazer uma reflexão...
     
      hoje eu me deparei com uma pergunta...O que me dá o direito de estar vivo ? Sabe...Eu não sei...Nós não sabemos como termina a vida , se existe reencarnação ou não...Eu não sei ao certo se alguém, algum dia vai ler esse texto...Mas , eu te peço...Não desperdice sua vida , com duvidas idiotas...Apenas viva ela  , acorde pensando em fazer alguém feliz e durma sabendo que fez alguém  feliz! Apenas nós  podemos mudar a nossa própria história , a humanidade  vai começar  a dar certo quando parar de culpar a Deus e começar a fazer nós mesmos...Muitos estão nesse exato momento desperdiçando as suas vidas com escolhas idiotas "ah , eu não tenho uma boa educação publica , vou usar  drogas" mano...Faça você mesmo a sua própria educação , pegue um livro e estude! cerca de 64% da população acima de 10 anos  no Brasil tem acesso a internet ,  hoje ela é o maior recurso que temos para pesquisas , aprendizagem e fins próprios . Claro , cada caso é um caso , essa é apenas uma das milhares de maneiras que eu tenho de pensar , tem pessoas que realmente não tiveram oportunidades na vida , essas sim ,  tem o direito  de  reclamar , mas você ? Você pode ser tudo o que quiser desde que corra atrás dos seus sonhos , e nessa jornada dificil , nunca desvalorize ninguém  , sempre continue a mesma pessoa  , e se for mudar que apenas melhore! Nunca deixe ninguem falar  que você não pode fazer...Não importa quem! Se você quer corra atrás , nada cai do céu além de  chuva e alguma coisa vindo do espaço ,  não espere um milagre...Se ele acontecer , legal , mas e se não acontecer? Você vai esperar até quando ? Até que se prove o contrário ,  nós infelizmente só temos uma vida (cada um tem sua fé , eu mesmo acredito em reencarnação.) então não faça uma escolha dá qual sabe que vai se arrepender , não afaste quem te ama de verdade...Você sabe o que merece , e o mais importante , não importa o motivo pelo o qual merecemos viver ,  nós estamos aqui e é o que importa , então você pode tomar uma escolha...Continuar esperando um milagre , ou fazer o seu próprio milagre...Claro , eu não falo isso para tirar a fé de ninguém , jamais! Eu acredito em Deus , apesar de não ter uma intimidade grande , sei que ele está aqui...Tem coisas que nem a medicina , a ciência ou nada aonde sopra os quatro ventos pode explicar , mas de qualquer forma , eu te desejo sorte , eu não sei quem você é , mas só você sabe o que vai se tornar! Espero que tenha sorte na sua vida , e nunca deixe de acreditar em si mesmo , obrigado por ler até aqui!

    obs: Desculpe qualquer  erro de portugês , como eu disse é minha primeira vez , talvez até possa praticar mais a minha escrita nesse site , obrigado <3
  • Uma mão sempre arruma uma boa luva

    É de senso comum e bom alvitre que que Machado de Assis é considerado um dos nossos melhores escritores. Em termos de ficção, ao menos, é o mais famoso. Nascido em 21 de junho de 1939, no Morro do Livramento que Joaquim Maria Machado de Assis nasceu. Era neto de libertos, seus pais eram o pintor Francisco de Assis e a portuguesa Maria Leopoldina Machado de Assis.
                Aos seis anos, presenciou a morte de sua única irmã. Quatro anos depois, sua mãe falece. Seu pai casa-se uma segunda vez em 1854. Aos catorze anos, o jovem Machado de Assis trabalha para manter a casa com a madrasta, pois seu pai também falecera. Pouco se sabe da juventude machadiana, mas o que se sabe é que já nesta época o mulato sabia ler e escrever.
                O adolescente suburbano do Rio de Janeiro tinha uma queda bela vida intelectual e da boêmia da cidade. A Rua do Ouvidor com suas livrarias e cafés chamavam-lhe a atenção. Queria ser participe daquele meio. Ascender socialmente. Ainda na juventude, como que atraído pelas letras, foi caixeiro de livraria, tipógrafo, revisor, logo após, inicia como cronista e jornalista.
                Mas sua estreia foi com um poema, A palmeira, publicado no jornal Marmota Fluminense. Não por coincidência, seu primeiro livro publicado foi uma coletânea de poemas, Crisálidas (1864). Machado de Assis, à custa de muito esforço, pois era um homem de cor, ocupou diversos cargos públicos. Trabalhou na Secretária de Agricultura, foi membro da Ordem da Rosa, e diretor da Diretoria da Diretoria do Comércio em 1889.
                Além de poeta, contista, romancista, dramaturgo, foi crítico, trabalhando inclusive como censor! Mas assim como Machado adorava dialogar com o leitor em suas sobras, que pensa o leitor desse devaneio biográfico? Para entendermos uma obra, devemos saber primeiro quem a produz, e quando a produz. Já dissemos quem, mas talvez nos falte o quando. E esse quando era o Rio de Janeiro de 1874.
                O tráfico negreiro no Atlântico estava proibido por lei de 1850. A Lei do Ventre Livre estava em vigor desde 1871. A Guerra do Paraguai havia feito os seus estragos geopolíticos e na política interna brasileira. Havia um gérmen abolicionista que cresceria a partir dos finais da década de 70 do século XIX. O Imperador mantinha sua popularidade a todo custo, se tornando último elo das elites com a Monarquia.
                O romance (ou seria melhor dizer: a novela) A mão e a luva é considerado uma das melhores obras machadianas. E das que já li, embora seja boa, é menos que Dom Casmurro ou um Memórias Póstumas de Brás Cubas. Até mesmo contos como O alienista me foram mais palatáveis e de sincero proveito que essa história da fase romântica de Machado de Assis, aos 35 anos, quando estava casado com a portuguesa Carolina Augusta Xavier Novais.
                Aqui já se delineia muito do que se tornará estilo próprio do autor: uma leitura da alma feminina, ironia, determinismo, fatalismo, relativismo etc. O romantismo de Machado de Assis tem um ingrediente a mais que os outros livros dessa escola literária: a ambição dos amantes, motor primeiro das paixões que se legitimam. Os românticos, geralmente perdem o páreo na corrida dos corações.
                A galeria de personagens é curta nesse drama. Começamos com dois amigos, Estêvão e Luís Alves, ambos estudantes. O primeiro apaixonado por Guiomar, uma órfã de pai e mãe, que busca se tornar professora. O romance entre os dois desanda, e por mais de dois anos sem se verem, encontram-se por acidente em chácara da baronesa, madrinha da jovem Guiomar.
                A esse seleto grupo de personagens, adentram a baronesa, viúva que encontra em Guimar substituta da filha morta; seu sobrinho Jorge, um mancebo que deseja desposar a bela Guiomar e ter como herança as rendas da tia; Mrs. Oswald, viúva inglesa e intervencionista das questões familiares. Mas de todos, é Luís Alves que vai se sobressaindo, pois consegue ultrapassar Jorge no atalho do coração de Guimar. Estêvão de tão cego por sua paixonite aguda, não percebe nada que se processa ao redor.
                Se um a ama mais por ambição egoísta, e o outro por cegueira deliberada, Luís Alves é o amante comedido que tendo consigo a paciência dos estrategos e as posses, resgata para si aquele coração que parece intocável, que ninguém parece suspirar. E nisto consiste a forma machadiana de romantismo, ama-se menos por fervor dos impulsos naturais como no naturalismo e mais por necessidades várias como a ascensão social.
                Estêvão é o típico amante que exaspera em paixões fulminantes, é tolo e falto de juízo como diriam sem uma época. Parvo, pois não sabe ler nenhum sentimento no corpo e na voz da amada. Jorge, nem o coloco na conta de amante, seu amor é tecido pelas hábeis mãos da governanta inglesa. Essa última personagem merece papel de destaque, dissimula e se utiliza dos sentimentos alheios como boa manipuladora.
                Confesso que o final foi inesperado da minha parte, mas não tive tanta emoção ou diversão como em outras leituras. O uso da gramática, da ortografia e de erudição são aqui de sorte que engrandecessem a leitura, sem pedantismo, há aqui força de quem passei nas palavras, as domina por completo. Se A mão e a luva está aquém de outras obras de Machado de Assis, ela está muito além de outras obras românticas, com suas relações açucaradas e agourentas.
  • Uma pequena casinha turquesa.

    Uma pequena casinha turquesa
    Ele passava todos os dias em frente àquela casinha turquesa. Era uma casa pequena, com apenas um pavimento e que permanecia sempre fechada. Até mesmo as janelas tinham suas cortinas cor creme bloqueando a visão.
    Naquele dia, como usual, o rapaz passou pela casa, a olhou por instantes e seguiu seu caminho.
    Entrou na cafeteria em que tomava café antes do trabalho e pediu o que sempre comia:
    - Por favor, uma fatia de bolo de limão e um cappuccino. – disse o jovem.
    Beatriz, com seu sorriso encantador, serviu o pedido e disse que ele ficasse à vontade. Esse era o tratamento usual aos clientes, afinal. Ele a achava linda. Pensou em chamá-la pra sair algumas vezes, mas desistiu todas as vezes.
    A vida não estava muito simples, o trabalho de auxiliar de gerência em finanças no New Bank não era nem de longe o que desejava para o seu dia-a-dia. Apesar disso, precisava ganhar dinheiro, pagar seu aluguel e a TV a cabo, uma de suas únicas diversões.
    - O senhor Thompson está lhe chamando na sala dele. – disse a secretária executiva do diretor.
    - O que será? – retrucou.
    - Não sei, mas ele disse que era urgente.
    O que não seria urgente naquele banco. Talvez o pagamento do bônus do final de ano, que sempre dependia da boa vontade e humor do diretor.
    Bateu na porta.
    - Sr.Thompson?
    - Entre rapaz, preciso lhe pedir algo urgente. – e continuou – Nós estamos fazendo a compra de uma banco menor e preciso de alguém de confiança para analisar os números da transação. Posso contar com você? Você é um dos meus melhores analistas financeiros! – exclamou naquele elogio forçado para elevar a moral e ajudar a escravizar mais ainda o funcionário.
    - I trust you! – usou seu bordão de incentivador.
    - Pode deixar comigo! – respondeu o rapaz com um sorriso entredentes.
    - Ahhhh... pra segunda! – falou fechando a porta.
    Como era uma sexta-feira, ele já saiu pelo corredor imaginando que seu final de semana seria super emocionante.
    O expediente acabou e todos se despediram para voltar para suas casas, curtir o final de semana com suas famílias. Ele não tinha ainda uma família e seus pais haviam falecido muito cedo. Sua companhia para o final de semana seriam os números.
    O dia estava muito bonito, um céu sem nuvens e com um azul de reflexos perfeitos. Apesar disso, a temperatura estava amena. Ligou a TV e o noticiário local mostrava famílias no parque central da cidade se divertindo em piqueniques. Havia até um pequeno palco montado com uma programação musical bem agradável.
    Por alguns segundos olhou o material de trabalho em cima da mesa e pensou em começar logo. Afinal, dessa forma, poderia acabar mais cedo e conseguir maratonar alguma série à noite.
    Olhou novamente.
    Olhou novamente.
    Olhou para a TV. E para o parque com seus piqueniques.
    Resolveu sair. Ver o dia. Fazer algo que nunca fazia.
    Saiu confiante.
    Descia a rua que o levaria ao metrô e sabia que passaria novamente em frente à pequena casa turquesa.
    Quando chegava próximo à casa começou a ouvir gritos abafados. Parecia que vinham de dentro da casa. Mas não fazia sentido pois nunca viu ou ouviu nada que indicasse que alguém morava ali.
    Chegando mais perto, realmente, alguém gritava de dentro da casa.
    - Socorro! Socorro! Ajudem! Não consigo levantar do chão.
    O grito abafado era de uma mulher, uma voz que expressa com clareza o sentimento do momento em que se encontrava.
    - Olá! Olá! Precisa de ajuda? – disse ele ao se aproximar.
    - Graças a Deus! Entre, entre! A porta está aberta. – pediu a voz de dentro da casa.
    Girou a maçaneta e a porta abriu com facilidade. Nossa, pensou, será que essa casa sempre fica aberta. Como nunca há sinal de movimento, poderia ser alvo de ladrões.
    - Com licença. – disse o rapaz.
    - Entre, meu filho. Graças a Deus alguém me ouviu. Achei que iria ficar estatelada aqui no chão todo o final de semana. – respondeu a senhora.
    Ao entrar, o visitante inesperado viu uma senhorinha no chão. Estava um pouco acima do peso e, por isso, não conseguia levantar.
    - Muito obrigada, meu filho! Além de estar um pouco cheinha, também tenho problemas nas articulações. – disse a senhora com voz amável.
    Colocou-a sentada em um sofá antigo, que lembrava muito o de sua casa porém mais surrado do tempo.
    - A senhora está bem? – perguntou.
    - Estou, sim. Fico muito sozinha nos finais de semana porque meus filhos moram em outros estados e a pessoa que cuida de mim não vêm nos finais de semana.
    Naquele momento ele sentiu pena e se identificou um pouco com a história, afinal ele também era muito sozinho.
    - A senhora quer que ligue para alguém?
    - Não é necessário. Estou bem e prometo que tomarei mais cuidado para não cair de novo.
    - Bom, então, já vou indo pois tenho muito a fazer.
    - Ahhh... não diga isso. Tem mesmo? Tem certeza de que é tão importante assim?
    - Tenho, preciso entregar esse trabalho até segunda-feira.
    - Ihhhh... parece meu pai. Não agora, claro, ele já faleceu. Na época em que era mais jovem só o via trabalhando. Dias de semana e finais de semana. Minha mãe ficava muito sozinha e triste. Mas isso não importa, fique pelo menos para um cafezinho. Fiz um bolo de cenoura com cobertura de chocolate que é irresistível. Meu pai adorava quando fazia, é receita da minha mãe.
    Com pena, ele respondeu.
    - Hummm... não diga isso, é meu preferido também.
    - Perfeito! Então, vamos comer na mesa da cozinha?
    Ele a ajudou a levantar e foram para a cozinha. Era uma cozinha com azulejos azul claro na parede e um piso que com peças de porcelanato menores. Apesar de um aspecto antigo, ele gostou muito da combinação. Era meio esquisita, mas o agradava. Havia um relógio na parede, mas estava parado, não funcionava mais.
    - Sente-se, meu filho. Posso lhe perguntar uma coisa. Qual seu nome? Esqueci também de me apresentar, meu nome é Amélia.
    - Meu nome é Davi. Minha mãe gostava muito do nome e, por isso, me chamo assim.
    - Nossa, que coincidência imensa! Meu pai se chamava Davi!
    - Nossa, é mesmo, o nome não é tão comum assim.
    Ele se sentou à mesa enquanto ela passava o café. Cortou uma fatia generosa de bolo e o serviu. Colocou duas pequenas xícaras de ágata sobre a mesa e serviu aos dois.
    - Me conte mais de você, meu rapaz. Já casou? Têm filhos?
    - Não, não. Trabalho demais e acabo não tendo muito tempo para conhecer pessoas.
    - Ahhh... meu filho, não faça isso. Só se percebe que não se tem mais tempo quando não há mais tempo para se pensar nisso. Acredite!
    - A senhora tem razão.
    - Meu pai trabalhava muito, assim como você, e quase não tinha tempo para mim e para minha mãe. Não faça o mesmo com sua futura família. Isso magoou tanto minha mãe que acho que morreu de puro desgosto.
    - Do que ela faleceu?
    - Não se soube ao certo. Era jovem, trabalhava, como meu pai, mas também cuidava de mim. Ela tinha um emprego de apenas meio período em uma lanchonete aqui do bairro e, no período da tarde, ficava comigo.
    - Nossa, seu bolo é muito bom! O melhor que já comi! Sério!
    - Agradeça a minha mãe, a receita é dela. Ela tinha muitas receitas por conta do trabalho na cafeteria.
    O bolo estava mesmo muito gostoso. O elogio que ele fez tinha sido realmente sincero.
    - A senhora pode me dar a receita? Vou levar a uma amiga minha que também trabalha numa cafeteria. Vai fazer o maior sucesso.
    - Claro.
    Levantou-se, abriu uma gaveta e pegou um papel.
    - Aqui está.
    O papel já tinha a receita escrita. Pareceu estranho ou, no mínimo, o ego da senhora era imenso. Ter uma receita já escrita para entregar a quem pedisse. Parecia que já esperava essa reação de mim.
    - Pode levar a receita original. Já tenho tudo aqui na minha cabeça. – disse a senhora e piscou seu olho direito.
    - Muito obrigado! A senhora é muito simpática! O café e o bolo estão ótimos, mas agora preciso ir mesmo.
    - Ahhh... não diga isso. Meu pai era assim. Lembro que estava sempre correndo e não aproveitava sequer um minuto de despreocupação. Tenho muita pena de como ele foi e do que ele mesmo se provocou. Quando não estava trabalhando, ficava horas vendo televisão. Dizia que era sua forma de desestressar. Posso lhe dizer uma coisa, Davi?
    - Claro.
    - Não seja igual ao meu Davi. Meu pai não viu a vida e nem a vida o viu. Podia ter sorrido muito mais e contado anedotas, ter viajado mais e levado a família para lugares horríveis, mas que ficariam na memória. Podia ter me visto quando me formei, depois quando tive meus filhos, os netos dele, mas morreu cedo. A vida se cansou dele.
    Ele levantou e foi em direção à porta.
    - Que bom que a senhora está bem. Voltarei outro dia para conversarmos mais e para mais um cafezinho com seu delicioso bolo de cenoura.. Posso?
    - Sim, meu filho! Não vou a nenhum lugar. Estarei te esperando.
    Nos despedimos, lhe dei um abraço e sai.
    Foi um tempo muito agradável. Ele se deixou envolver com o bate papo sem nem pensar no tempo. Parecia que o tempo havia parado para que aquele encontro acontecesse.
    Estava indo em direção à lanchonete. Resolveu passar lá pra entregar a receita para Beatriz. Havia ouvido tudo que a senhora disse e estava cheio de si. Sol, parque, um papo descontraído, estava sendo um ótimo dia.
    - Bom dia, Beatriz! – disse ele ao entrar na cafeteria.
    - Bom dia, Davi! Você aqui em um sábado? – respondeu a atendente.
    - Pois é, você não acreditaria, mas acabei ajudando uma senhora no caminho e bati um longo papo com ela. Ela me serviu um bolo de cenoura muito, muito gostoso e pedi a receita para trazer pra você.
    - Nossa, que legal! Deixa eu ver.
    - Aqui está, ela disse que era a receita original que recebeu de sua mãe.
    A atendente olhou a receita e, com uma voz espantada, perguntou.
    - Quem escreveu isso aqui no verso da receita? Olhe.
        Receita 27: Bolo de cenoura com cobertura de chocolate caseiro
    - Não sei, talvez ela mesma ou a mãe.
    - Davi, essa letra é minha e sempre escrevo isso no verso das receitas que acho que ficaram perfeitas. Faço isso porque vou passar todas as receitas se tiver uma filha no futuro. Receitas de família. Já tenho até o nome dela, será Amélia.
  • Vai, Mas Volta Logo!

    Teu cheiro já esta em minha pele
    Tua voz ecoa nos cantos sem parar
    Sinto teu abraço e meu corpo cede
    Já é a saudade que ocupa um lugar

    Um amor que não sei explicar
    Meus olhos brilham ao te ver sorrir
    Sei que logo vou te abraçar
    Mas viciei em te fazer feliz

    Amor, hoje somos apenas um
    Um único coração que vive por dois
    Mostrando que somos seres incomuns
    Mas que se encontraram em uma só voz

    Abro mão do meu mundo para te ter aqui
    Sei que meu amor vai ao teu encontro
    Já estava escrita nossa história 
    E assim vamos seguir

    Não esquece que te quero de mais
    Então vai, mas volta logo!
  • Vamos plantar mato!

    Plantar mato
    não a orquídea
    de que todos louvam
    so´a beleza
    esta perfídia..
    Plantar mato
    louvar não so´a aparençia
    mas o recato
    não resumir a virtude
    a um fato...
    A tudo conceder encanto
    não apenas ao olfato
    plantar mato,mato ,mato...
  • Varanda

    Um descanso para os pés
    Um descanso para a alma
    Alma sem pé nem calma

    Eu aponto para o céu
    Ela olha para o inferno
    Conto as nuvens
    Ela conta os dias

    E enquanto você esgota cada chance
    de fazer a vida valer a pena
    De relance
    O telhado da varanda cai

    E adeus...

    Adeus céu
    Adeus calmaria
    Adeus, Maria

    Adeus, poesia.
  • Vários Leões Por Dia

    Hoje acordei com um pensamento, que na verdade, anda me cercando a um tempo, "Como lidar com gente, é difícil", nossa quase que um inferno diário. Mas como Deus é bom também acordei com outros pensamentos mais positivos que esse primeiro. 
    Nada, absolutamente nada é para sempre, se Deus não fez nem a nossa vida infinita, por que faria nossa dor, nossa angustia, nossos medos, nossas raivas, nossos desesperos?! A não claro para os que passam a vida causando tudo isso pra os demais, ai talvez sim mereçam tal castigo. Mas para as pessoas de bem acredito na paz, no paraíso de felicidade e bondade que Deus prepara para cada um. E acho que foi por acreditar nisso que nunca desabei de vez.
    Faz algum tempo que a depressão, o panico, e tudo de ruim vem tentando me abraçar com todas as forças, faz tempo que vejo as forças negativas da vida pairarem sobre mim, sugando minha fé, minhas energias, minha força de vontade, minha alegria, minha paciência, tudo, tirando tudo de mim. Acho interessante que nessa luta diária tenho algumas pessoas junto a mim que muito fazem pensar ainda mais.
    Algumas pessoas vejo que estão ali por estar, não cheiram nem fedem, só estão ali. Não ajudam, mais também não atrapalham, não falam, mais também não se calam. Pessoas que até gosto, não tenho nada contra, mas as vezes caem no conceito, por as vezes parecerem gostar muito de reclamar e nada fazer para algo mudar, pessoas acomodadas talvez, de corpo, pois a linguá nunca de cansa.
    Outras vejo a presença delas em minha vida como se fossem de minha família, cuidam, mimam, se preocupam. Pessoas que julgo serem amigos de verdade, companheiros para qualquer momento, qualquer situação. Pessoas nas quais posso contar sempre, mesmo que seja só para falar besteiras. Me ouvem, me aconselham, brincam comigo, tudo que acho essencial em um relacionamento.
    Mas dai vem os dementadores, monstros que se disfarçam de pessoas para apontar o dedo em seu rosto, para lhe caluniar, lhe prejudicar. Ficam de olho em cada passo seu para que possa perceber qualquer vacilo, para então golpear. Monstros que não tem vergonha na cara, que na frente de alguns, são pessoas maravilhosas, doadoras de palavras bonitas, e de boas atitudes, compreensivas e chegam a ser até carinhosas. Mas longe desses alguns, são bueiros podres e fedorentos, cheios de merda e insetos asquerosos, distribuindo mentiras, e histórias mal contadas, como diz uma amiga "Dissimulando" e "Manipulando" as presas por onde passa.
    A gente se depara com tanta coisa na vida, que as vezes é difícil acreditar que vamos ter força para vencer tudo. Mas não é só de força que vive o homem, precisamos de fé, precisamos de sabedoria, de amor, de paciência. Paciência não para esperar pela justiça do homem, essa é falha e as vezes nem existe. Mas esperar pela justiça de Deus, pois ele sim vê, o que cada ser aqui faz, e quem pratica o mal contra seu irmão, esse sofrerá as consequências e pagará pelos seus atos.
    Não é fácil acordar pela manhã com um sentimento que só te faz querer continuar na cama, pra mim sempre fui de pensar que quem tem que estar na cama é doente, então porque estou ali naquela situação?! Sem vontades, sem folego, sem forças. Talvez esteja doente, mas não uma doença no corpo, que pode ser detectada em uma consulta de emergência. Mas uma doença na alma, nos sentimentos. Eu não entendia, por muito tempo não entendi, o porque do desanimo, da falta de paciência, o porque de ter emagrecido quase 4 kilos.
    Mas depois, com o tempo fui começando a enxergar o que estava acontecendo comigo, estava doente, sim eu estava, pois pessoas saldáveis não choram noites inteiras, não pensam em suicídio, não pensam em sumir, não pensam em só ficar deitadas esperando tudo passar. Pessoas saldáveis se arriscam, enfrentam os problemas, lutam contra o desanimo, e querem viver, querem estar.
    Me toquei que só estava existindo, não era feliz, não fazia meu marido feliz. O sorriso no rosto era um disfarce para evitar perguntas, o coração quase saindo pela boca, na eminencia de um infarto, para alguém que já sofre de ansiedade e tem picos de batimentos, eu saberia bem como é, não seria a primeira vez que iria parar no hospital por problemas cardiorrespiratórios. Me recordo a ultima vez, o que o médico disse: "Você é muito nova para tanto stress, se acalme ou poderá ter uma parada!".
    Depois disso passei tanto tempo me controlando para não surtar, mas de uns tempos pra cá, algo vem me atormentando tanto, é um pouco aqui, outro pouco ali, no fim um bola de neve e construída e você descobre que simplesmente está cansada. Cansada de pessoas reclamando em seu ouvido e não agindo, cansada de gente passando dos limites e te desencorajando a fazer algo, cansada de ser parada na porta das oportunidades, cansada de várias pequenas situações, que no final podem até algumas delas fazer parte da vida, mas não deveriam ser tão persistentes na vida da gente.
    Mas fui tomando decisões e me afastando das preocupações que não eram minhas, de coisas e pessoas que diziam estar comigo mas não estavam. Me afastei das fofocas, das piadinhas, das chatices. Me apeguei em quem eu vi estava realmente ao meu lado. Em quem quando notou que eu precisava me estendeu a mão, quando outros nem se quer notaram.
    Como a vida é uma professora maravilhosa, hoje ando bem mais observadora, ando um pouco mais pisando em ovos. Um amiga diz que não devo endurecer, e acho que não vou, mas a vida já me ensinou muito, endurecer não vou, mas hoje sei que estou numa selva, e a noite gatos dormem nas arvores para não ser atados por outros bichos e esse vacilo eu não farei mais.
    Acho que é quase impossível não misturar vida pessoal com a profissional, pelo simples fato de ser um ser humano, é impossível você se sentir bem, confortável, ao lado de quem já tentou te prejudicar, ou alguém que já lhe deu as costas. Mas a linha do respeito pode permanecer, afinal como diria meu pai e minha mãe, um bom dia, boa tarde e boa noite não mata ninguém, e eu ainda completo que com um sorriso na boca, você ainda deixa o inimigo deprimido. Aquele velho tapa na cara da sociedade.
    Hoje eu decidi sorrir mais, viver minha vida e deixar essa gente pra lá, tentar viver um pouco a parte apesar de estarem bem ali, fazer meu melhor, e viver minha vida. Me incomoda? sim, muito! mas sabe eu sei o que Deus tem pra mim, eu sei que pra ele ter me colocado aqui é porque ele sabia que eu daria conta, e não vou desaponta-lo de forma alguma.
    Não vou ficar mas me expondo sozinha, quando não sou somente eu que penso assim, as pessoas tem medo, tem vergonha, e nada acontece, nada muda, e não posso ir para uma guerra sozinha, então é melhor orar, porque nessa guerra eu sei que não ficarei só. Sei que Deus vai dar sabedoria, discernimento, paciência para cada dia. Sim não pedirei nada mais além disso, pois é somente disso que precisamos. Precisamos saber lidar com as dificuldades, ter discernimento das bombas que nos jogam pois algumas podem nos destruir mas outras podem nos favorecer, paciência para pensar antes de agir, de falar e de julgar. 
    Se a justiça do homem acontecer fico grata e aliviada, porém espero a de Deus pois sei que somente essa vai doer no coração dos dementadores. 
  • Vazio

    A cada dia que passa me torno mais vazio, me sinto como um pote sem conteúdo. As vezes eu penso sobre a vida e me bate uma saudade, do tempo em que apenas vivia, não tinha preocupações e muito menos desamores. Minha cabeça nunca esteve tão "fodida", meus problemas estão gritando como loucos no manicômio, mas não sei, não consigo demonstrar minhas emoções. Realmente estou me tornando vazio, mas isso pode ser algo bom! Se me fazer parar de pensar nela. No mundo existem várias formas de se decepcionar, mas se eu não transparecer vou parecer forte,  um ser humano decidido! Mesmo que por dentro eu esteja destruído.
  • Verbo da esperança

    Tenho uma luz verde no coração. É a luz da esperança. Potência essa capaz de nos guiar por incríveis percepções. Verde é a cor da minha primeira planta e a última cor de camisa que provavelmente eu compraria e isso diz muito, pois nesse pequeno gesto, percebo que o foco do nosso olhar talvez esteja na espontaneidade das cores, portanto, modificá-las para encaixar em modelos determinados pode tirar à primeira vista a beleza do produto. Mas, sim, é preciso dar usos. Utilidades diversas às palavras, inclusive.
    À medida que escrevo, me liberto das dores que afligem os dias e tento recompor a paisagem. É na experiência vivida que afloram os aprendizados. Não adianta encaixar as palavras na gaveta, assim como as cores, se estas não puderem ser primeiro verbo, e isso implica ação, para somente depois, se tornarem reutilizáveis em funções diversas. O verbo não é esquecido, as palavras contidas em um livro fechado talvez não sejam lembradas, porque não estão conhecidas e é preciso conhece-las. É preciso conhecer-se. Dessa forma, encaixar o verbo pode tirar dele a função de expandir-se. E quando a palavra vai, o processo se constitui em um movimento interdependente entre simples e complexo, pois esta vai, caminha, corre vento, mas quando pega voo, não olha para trás e nem tem caminho que a leve para o endereço de volta. Por isso, é preciso cuidado. A palavra lançada é um perigo. É um remédio, é uma culpa. É preciso repensar seu uso. Silenciar as palavras não é guarda-las no criado-mudo. Silenciar também é válido como verbo de fazer e, porque não de agir, pois, eis que ‘’o silêncio fala’’, como dizem os antigos. E o seu, o que fala? Dar a palavra usos jamais imaginados, como propôs o princípio da insignificância de Manoel de Barros. Usar e desusar, mas com recomendações: evitar manusear para condenar, maldizer ou sufocar. Isso é regra que se impõe para não afobar a alma alheia. As palavras podem configurar pessoas, pois atravessam nossos muros e deixam à mostra: fragilidades e força. Já pensou que, olhando através das palavras, talvez estejamos vendo boa parte daquele que a exterioriza?

    Porém, alto lá…

    É preciso não se precipitar e ir além. Palavra também vem no olhar, nos gestos, no grande choro ou no sorriso que carrega tímidas expressões. Como vão suas palavras hoje? Carecem de inspiração ou somente de lápis e papel? Estão afiadas? A pergunta é: já lapidou suas palavras hoje? Usou a lapiseira ou a navalha?

  • Verde e Azul

    O que faz o verde, verde 
    e o azul, azul 
    porque o azul não e verde 
    e o verde não é azul 
    quem disse que o azul não pode ser verde 
    e o verde é de cor verde 
    só sei que quem diz que o verde é verde 
    é a pessoa que ver o verde verde 
    mais quem disse que verde não pode ser azul?
  • VERME

    Vive no esgoto,
    no submundo,
    no meio escroto
    alheio ao mundo.
    Um ser abjeto,
    vil objeto,
    sem projeto,
    puro dejeto.
    Ser repugnante,
    mero rastejante,
    vida degradante,
    rato meliante.
    Verme maldito
    que vive escondido,
    malévolo espírito,
    traficante bandido
  • Vida

    Vida!  Amar a vida? Mas e suas dores?
    Agradecer por acordar vivo no dia seguinte?
    Por ter que suportar este mundo?

    Não posso simplesmente desistir
    Mesmo não amando a vida!
    Não ligo se morrer
    Então para que viver?

    Existir para que? Pra depois morrer?
    Sabendo que um dia todos vão morrer?
    Meio sem sentido.
    Amor e outros sentimentos trazem apenas mais dores.

    Mas o amor e outros sentimentos
    Fazem parte da convivência humana
    Às vezes acho que não pertenço a isso tudo
    Não que eu seja bom demais
    Que eles sejam burros demais

    Só acho que a presença humana às vezes é desnecessária
    Como se todos estivessem embriagados de estupidez
    Afinal, escolher então a solidão?
  • Vida

    A maior inspiração que se pode ter em vida,  é compreender que a mesma é um dom, e que vive-la intensamente irá revelar o seu verdadeiro significado.
  • VIDA

    Se você nascesse de novo,
    O que faria pra melhorar?
    Erraria tudo outra vez?
    Tentaria mais acertar?

    Falaria menos que antes?
    Tentaria a Deus encontrar?
    Largaria o fumo e o álcool?
    Deixaria a vida levar?

    Aproveite o tempo que resta,
    Já pensou não podes voltar?
    Deixe tudo bem arrumado,
    Para o outro que vai chegar.

    Trocaria as noites em claro?
    Dormiria sem hesitar?
    Transaria só com quem ama?
    Amaria só para transar?

    Viveria cada momento,
    Sem um dia desperdiçar?
    Pouparia cada moeda,
    Esperando a morte chegar?

    Aproveite o tempo que resta,
    Já pensou não podes voltar?
    Deixe tudo bem arrumado,
    Para o outro que vai chegar.
  • Violência contra a mulher

    E quando se fala em violência contra a mulher, não podemos deixar de lembrar, dos parceiros abusivos!
    Muitos deles, nem chegam a agressão física, mas agridem a dignidade, a autoestima, a saúde mental de muitas mulheres, de maneira velada, quase doce, através das desqualificações, da falta de respeito, das humilhações, do desprezo, das mentiras patológicas, das tentativas de te fazer acreditar que "você é louca, tem uma imaginação muito fértil, inventa estorinhas" , para te confundir, te fragilizar, te enganar, diante da sua percepção, quando se depara com situações claras, de que está sendo traída, está sendo desrespeitada.
    Esta é uma forma de violência cruel, perversa e covarde, já que ela só se faz possível, porque as vítimas, geralmente são pessoas boas, generosas, que querem o bem do abusador, e ele se aproveita, justamente da boa fé e da bondade daquelas que ele abusa.
  • VITÓRIA

    Quem compete obcecado
    Não concebe a frustração
    De está classificado
    Em segunda colocação.

    Quem compete aliviado
    Sem nenhuma pretensão
    O prêmio vem adiantado
    Já é um campeão.

    Quem vive para vencer
    Avizinha da derrota
    Quando chega o dia “D”
    Vida vira bancarrota.

    Competir é vitória
    Antecipada na largada
    Coroado de oliveira
    Antes da linha de chegada.
  • Viver a vida

    Como a vida pode ser tão intensa
    Para alguém que a sente
    Tão profunda e imensa 
    Eu sou alguém que sente
    A tristeza se transformar em desespero
    A felicidade ser magia
    Eu sou alguém que sente
    A dor, destrói
    O amor, consome
    Eu sou alguém que pode dizer
    Tão profunda e imensa
    Como a vida pode ser tão intensa
    E como meu coração
    Eu o sinto em profunda escuridão
    Mas com a alma intacta
    E se ela acaba
    Ela não quebra, estralhaça
    Eu não sou alguém que sente
    Eu sou alguém que vive
    Tão intensa, profunda e imensamente.
  • Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?

    O mundo é tão complicado
    As pessoas são tão confusas
    Felicidade!
    Todos buscam, todos buscam...
     
    A vida é tão curta
    Os dias passam rápido
    O tempo é escasso
    Não temos tempo a perder
    O tempo não para
    Vamos viver!
     
    Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?
    Vamos me fale! Pra quê viver?
     
    Viver a ignorância predominante do nosso país?
    Viver a miséria e a violência que deixa o nosso povo infeliz?
    Viver a deficiência do ensino público?
    Viver com fome, demente e imundo?
    Viver num país de terceiro mundo subdesenvolvido?
    Viver a blasfema “de um mundo melhor” na boca dos políticos?
    Viver jogado nas praças, debaixo dos viadutos, marquises e vielas?
    Viver a vida bastante iludida de uma novela?
     
    Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?
    Vamos me fale! Pra quê viver?
     
    Vamos viver o que há para viver
    Viver o momento presente
    Deixar que o coração e a mente ame incondicionalmente
    Vamos nos preencher do mais infinito amor por todas as criaturas
    Praticar a benevolência para com o mundo todo
    Porque somente quando amamos é que percebemos a importância do viver
     
    Vamos me fale! O que há para amar?
     
     
    Amar é ter respeito
    É sentir dentro do peito
    É abster-se de todas as facetas do preconceito
     
    Amar é cuidar do bem estar de todas as coisas
    É não possuir, mas, de ser possuído
    É olhar para uma árvore e não vê só uma árvore
    Vê raízes, folhas, tronco, chuva, solo e Sol
    Em um relacionamento contínuo e a árvore aflorando dessa relação
     
    Amar é olhar para si mesmo e para outra pessoa e vê a mesma coisa
    Árvores e animais, humanos e insetos, pedra, flores e pássaros
    Todos unidos na mais perfeita harmonia
    Dando origem a todas as coisas vivas
     
    A pessoa que ama é compreensiva com sua gente infantil
    Em seu olhar não há malevolência
    Quando é agredido e ofendido escreve na área
    Para que o rancor e o ódio do seu coração
    Sejam apagados facilmente pelas ondas do mar
    E os benefícios que recebe escreve na pedra
    Para que sejam lembrados para todo o sempre
     
    Amar é saber que a Terra é um ser vivo
    Um gigantesco ser consciente
    Sujeito às mesmas forças que nós
    É saber que este grande ser é a nossa mãe, e assim, respeitá-la
     
    Sabendo disso!
    Sabe-se que todas as coisas vivas são irmãos
     
    Cuidando delas!
    Estaremos cuidando de nós mesmos
    Dando a elas!
    Estaremos dando a nós mesmos
    Ficando em paz com elas!
    Estaremos sempre em paz, em paz com nós mesmos
     
    Vamos viver o que há para viver
    A felicidade brota do agora
    O entendimento está no momento presente
    Na nossa vida cotidiana
    Caminhando passo a passo ao nosso lado
     
    Viver cada minuto como se fosse o ultimo minuto de nossas vidas!
     
    Não importa o lugar
    Não importa a condição
    Viva! Viva o momento presente!
     
    Porque a vida é curta
    Os dias passam rápido
    O tempo é escasso
    Não temos tempo a perder
    O tempo não para
    Vamos viver!
     
    Sem “o quê?”, sem “de quê?”, sem “porquê?”
    Sem se perguntar “pra quê viver?”
  • Você não é bonito, você é um padrão!

    "Obcecado por dentes alinhados, sobrancelhas finas, uma pele lisa e macia sem nenhum tipo de ruga ou marcação. Uma cintura estreita, seguida de um quadril largo e coxas grandes. Uma grande bunda e grandes peitos..."

    Não, esse trecho não foi escrito por um psicopata, por um maníaco... Esse trecho foi escrito pela sociedade, descreve perfeitamente o PADRÃO.
    Ah, como você conhece esse padrão. É o padrão você tenta entrar todos os dias, é o padrão que você busca...
    Engraçado como o ser humano pode ser tão fútil e ingrato a ponto de nunca estar satisfeito com sua aparência, com o que enxerga no espelho. Não estou generalizando, de maneira alguma... Eu conheço muito bem as exceções. 
    Conheço aqueles que não se abatem, não abaixam a cabeça.
    O simples fato de não mostrar o que os outros querem, desejam, almejam e mais do que nunca, invejam, jamais vai para-lós... São superiores ao cabelinho da moda, as roupas de grife, ao corpinho definido.
    São aqueles que procuram apenas a felicidade e o amor, buscam ter uma vida de sucesso, expandir seus conhecimentos e tornar-se cada vez mais atraentes. 
    Não atraentes para os leigos, mas atraentes para pessoas diferentes, para pessoas especiais. Pessoas que compartilham os mesmos ideias, que podem dar amor e afeto independente do rostinho que o parceiro tem, do corpo que o parceiro tem, da aparência que o parceiro tem. 
    Não existe beleza exterior, existem exigências feitas todos os dias por nós mesmos, somos os jurados mais cruéis do planeta. Cobramos dos outros o que não queremos que nos cobrem, somos hipócritas... 
    Você é feio? Seja o feio mais atraente.

    Jamais ligue para o que as pessoas veem, e sim para o que elas sentem.
     Ao encher uma pessoa de amor e compaixão, você está fazendo a diferença, você está sendo BONITO, está tendo atitudes BONITAS.

    Quem lhe disse que espinhas são nojentas? Que o cabelo deve ser bem penteado? Que as roupas tem que combinar? É TUDO UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA. O FEIO, não existe.
    Todos nós somos diferentes, e isso é incrível...

    Sinta-se, perceba-se... Você está aqui para cumprir sua missão! Você está aqui por um propósito! Ninguém jamais vai poder te ditar o que fazer ou não.
    Nunca, em momento algum, deixe de fazer algo por não se sentir bonito o bastante para aquela ocasião.

    APROVEITE A VIDA MEU CAMARADA, seja boa pinta, seja descolado, mas nunca deixe de ser VOCÊ MESMO.
  • Zelizeu (primeira parte)

    Filho de Josué Bonsucesso Bem-Aventurado, mecânico falido de aeronaves marítimas, e da pobre, ingênua e póstuma Josefina Beatrice Eldervina Arnalda, nasce, em um hospital semiprivado em uma tenebrosa tarde tipicamente invernal de verão, o nosso objeto contemplativo Zelizeu.
    Mas, meu caríssimo, devo deixar claro de antemão que não há romances ou surpresas na história de Zelizeu, então, por obséquio, não espere com esperança descabida tais eventos.
    Zelizeu, órfão de mãe já de parto, foi criado somente pelo seu pai, e desde pequeno sempre demostrou aptidões para a metalurgia, coisa que rapidamente foi notado pelo seu progenitor que não tardou em arranjá-lo um oficio no bairro industrial da cidade. Assim Zelizeu, aos nove anos de existência, já era uma pequena peça de minimíssima importância dentro da indústria metalúrgica, coisa que não muda nos dezenove anos posteriores.
    Claro que agora você deve estar pensando: “Mas então quer dizer que a verdadeira história (aquela que realmente importa ser contada, aquela que ficará guardada em nossos corações e mentes, como algo verdadeiramente extraordinário) só se inicia com seus vinte e oito anos?”
    Não, meu caríssimo...
    Acontece que Zelizeu, aos seus vinte e oito anos, quatro meses e um dia de existência, torna-se sozinho no mundo triste em que nasceu, pois seu pai sofre um mal súbito e falece enquanto fazia devotadamente suas necessidades fisiológicas matutinas diárias. Com tal acontecimento e saboreando de uma epifania inigualável Zelizeu sente-se livre para largar o oficio determinado pelo seu, agora finado, progenitor  e seguir o seu verdadeiro sonho; ser auxiliar de cozinha em um uma empresa multinacional de fast food, todavia tamanha sensação momentânea termina tão subitamente quanto iniciou-se e ele não se encoraja o suficiente para pedir demissão, assim continua sendo apenas mais uma peça de insignificante importância dentro da indústria metalúrgica do bairro industrial da cidade. Não que eu queira dizer que ele teria mais significância vital atuando como auxiliar de cozinha ou qualquer outro honrado trabalho, a existência de Zelizeu já estava fardada em apenas ser uma minúscula quase insignificante peça nessa colossal engrenagem cósmica em que habitamos.

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