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realismo

  • Andarilho lírico

    Luz.
    Carreira.
    Mesa suja e cheia. 
    Jurídica justiça sem juz.
     
    Injusta.
    assusta.
    Frusta.
    Reproduz. 
     
    Palavra entre beco.
    Rua sem saída. 
    Idai desprovida.
    Bico seco. 
     
    Boêmio e teco.
    Malandragem. 
    Boteco.
    Abordagem. 
     
    A vida enquadra.
    De toca a ladra. 
    Se emboca.
     
    Desbocada 
    Singela 
    Madrugada.
    Em aquarela.
    Água com churumi.
    Temperada com chimi churry 
    Ilustre término impune. 
    Clima tenso na viela 
     
    Elegante 
    Nada Atlético
    Cético viciante.
    Eclético coisa de patético.
    Ofegante de terno o miliante.
     
    Situação contrária.
    Sem aliado extra.
    Trancado.
    Deitado.
    Calor insuportável.
    Me passa um cigarro
    ( por favor )
  • Ando lendo muitos livros ultimamente

    Uma árvore pega fogo
    E
    Dois párias se matam em um bar enquanto eu leio um livro
    Nada acontece pelas próximas duas páginas
    Mesmo assim me convenço que não é a aposta que torna a vida suportável
    Um gato é atropelado
    E vento solar atinge o polo norte criando uma aurora boreal
    Nada acontece na próxima página
    Mudo a posição das pernas, é tudo que eu faço
    Agora estão esticadas


    As pessoas caminham e tentam não pisar nas minhas pernas
    Enquanto isso uma mãe golfinho dá à luz pela primeira vez
    E algum artista cria uma música lendária que nunca será gravada
    Estamos perto de descobrir quem é o assassino
    Viro mais uma página
    O sinal bate
    Mais uma geleira se parte formando um iceberg
    O livro acaba
    Olho para o teto e penso
    Que seres ridículos nós somos
    Um velho morre na Pensilvânia
    Fecho os olhos e seguro um grito de agonia.
     
  • Aniversario de um personagem

    sabe a maioridade poética que tanto buscam - eu já tive a tempos. por quê? - eu me pergunto - por quê a tecnologia estraga a inteligencia e a criatividade dos jovens escritores? - um texto cheio de dúvidas que até Foucault teria prazer em ler! - é só isso que tenho a mostrar - no centésimo poema autoral - que de original nada tem - existem pouquíssimas certezas neste vasto mundo - algumas das quais posso dizer agora (1) existe mais chances de você morrer atropelado por uma vaca do que ganhar na loteria - principalmente se você morar perto de uma - (2) ninguém nem mesmo seus heróis foram tão grandes assim - (3) seus pais fazem sexo - e não é só pra te ter e isso vale para seus avós, tios, irmãs, primos “isso se você já não estiver fazendo com nenhum deles”- (4) você não é especial, não importa o quanto fizeram você acreditar nisso - (ultima) se você me acompanha até aqui te garanto uma passagem pro inferno, mas pelo menos teve boas reflexões - ate a proxima
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Apresentação

    Frequentemente me pego relembrando o passado, como se tivesse algo nele que eu vivi e esqueci de aprender, algo que passou batido e que não notei.
    Os assuntos são variados, desde pessoas que nunca mais soube noticias, até momentos e  os sentimentos que senti neles.
    Acredito que peguei este hábito nas aulas de história do ensino médio, a professora Aninha sempre me instigava a saber toda a história para entender como chegamos no hoje, do porque daquilo tudo, por mais que a história fosse complicada.
    Minha história de vida não é daquelas chamativas, esta mais para uma história parada e monótona, porem quando se afasta um pouco para se observar de longe tem tantos capítulos que você leva um susto e se pergunta em como virou tudo aquilo, pois nem pareceu tantas histórias dentro de um livro só.
    Tenho atualmente 23 anos, paulistana, moro com os pais, trabalho a quase 7 meses em um petshop... um resumo da vida financeira, porem não de mim, não da minha história, daquilo que me define...
    O que me define é um conjunto das minhas ações, das pessoas que estão em meu cotidiano ou já estriveram, e todos meus pensamentos.
    Sei que esse texto ficou muito desconexo mas só precisava escrever sobre eu, sobre me afirmar no meio de tudo o que tenho passado, espero ser mais clara...
  • As curvas de Jessica

    Lentamente a vendei, tive que me controlar para não a assustar logo na amarra. Jessica não gostava muito, mas havia cedido, talvez pelo enorme tesão que sentia por mim ou pela grandiosa carência. Logo foi a vez dos pulsos serem amarrados, e, após eles, projetei meu corpo sob o dela, o forçando contra a parede enquanto ambos estávamos inclinados, de joelhos na cama. Meus dedos jogaram o cabelo de Jessica para o lado, seu pescoço ficou a mostra e, refletindo sobre todas as vezes que a via casualmente, não me contive. O primeiro abraço foi demasiadamente forte. O suficiente para que ela reclamasse e ficasse impedida de respirar, era esperado, meu braço passou por sua barriga, segurando em sua cintura, enquanto meus beijos alcançavam seu pescoço. Logo após, minhas unhas arranharam suavemente a parte de trás de sua coxa, e fiz o favor de massagear sua cintura. A excitação começava a fluir por seu corpo, isso era notável. Seus beijos ficaram mais salientes e calorosos, seu pescoço quase que se quebrava para alcança minha boca. Meu peitoral fazia enorme atrito com suas costas, me excitava pensar que ela estaria se empolgando com o toque de meu abdômen quente. Queria a tocar, por isso a acariciei por todo o corpo, as palmas de minhas mãos viajaram de seu rosto até seus joelhos, logo na última viagem fiz questão de passar sobre sua roupa íntima, tocando-a e a masturbando, por cima da roupa, de um jeito firme e lento o suficiente para estar sincronizado com nossos beijos e deslizes. Aquilo não era o bastante, a massageei na região dos seios, apalpando eles e não deixando um centímetro sem as carícias. Logo podia ouvir as primeiras falhas em sua respiração, o que só aumentou meu apetite, fazendo com que, de maneira inconsciente, deslizasse nossos quadris interminavelmente um pelo outro. Esse foi o primeiro passo para que Jessica se sentisse confortável com minha presença, ela passou a me desejar mais e mais. Eu também. Mas para dois jovens imaturos... todo amor era pouco.
  • As Três Maravilhas

    Os dias passaram o arrastando por trombadas de sentimentos incontroláveis. Pensava ele estar acima das suas emoções, porém, por pensar estar acima, tirara a mão do mastro, e fora arrastado pelas tempestades sentimentais. Forças destrutivas o empurraram novamente a lama, e se sentira energeticamente imundo. Abrira a porta escrotamente para o mal de si, e violara a regra de sua santidade e perfeição. O mal o rondara, e percebera-se insano.

    Não podia crer que novamente tropeçara… o mesmo ciclo vicioso… a cobra que morde o próprio rabo… a mordida na própria língua.

    Entretanto, o Sagrado com toda a sua Mística o amava. E como uma mulher estéril que sorriu de felicidade pelo fim de sua improdutividade, ao ter um varão, na sua velhice… o Sagrado, assim, pacientemente, e rigorosamente, o educava com AMOR.

    O Místico Amor…

    O Amor do Amante e do Ser Amado… que faz do dois, três, e das três maravilhas uma só PRESENÇA.

    Havia entre eles compreensão e trabalho mútuo… era o pequeno e O GRANDE… o fraco e O FORTE… o encarnado e O IMANIFESTO…, que se despontavam em duas formas distintas, o inferior e O SUPERIOR. Contudo, um dependia do outro para ser visivelmente revelado.

    A Inteligência Superior a ele ofertada o fazia diferente dos demais, por isso, ao cair se levantava rapidamente… O SAGRADO compreendia que os tempos atuais eram ofuscados por uma sombra de trevas e ignorância, e que a LUZ teria como trabalho romper a cápsula de ignorância em que o SER AMADO nasceria, pois não tinha como nascer numa poça de lama sem estar melado por ela… só que ele mesmo (O Ser Amado) estava cansado dessas repetidas quedas na poça suja. Suas quedas eram mínimas em sua totalidade, nada que magoasse alguém, nada que ferisse… nada que matasse… nada de inveja, cacoetes, ou avareza… nada de arrogância, intolerância e cinismo… nada de extrema ignorância ou alienação. Caía contra ele mesmo… caía em sua perfeição, em sua santidade.

    E assim, se magoava e se autopunia, porquanto, almejava o principado. Por isso, os cavaleiros sombrios o perseguiam, e caía, quando, enganado pelo pequeno eu, amante da luxúria, cega e apaixonadamente o dominava. Entretanto, sabia quem era o inimigo, o estudara, o observara… e, também, o compreendeu… e dele mesmo teve compaixão.

    Vira os seus pequenos filhos que ao longo do seu nascimento no mundo das ilusões, nascera de suas traumáticas experiencias. Todos eles estavam berrando e choramingando por comida. O seu filho Medo tinha como iguaria a egoística proteção e isolamento, e a culpa era sua sobremesa favorita; Já a sua filha Ambição se deliciava de glamour, com biscoitos recheados de estrelismos. Porém, o que mais lhe preocupava, era seu filho mais velho Desejo, que crescera além da conta, e, trouxera sua amante Luxúria para habitar em sua morada, e juntos se deliciavam no doce picante chocolate da paixão.

    Notara que alimentar esses filhos seus era trabalho de sua personalidade mecânica e falsa, habitante dos infra mundos, cultivada exatamente por todas as coisas que contraiu e aprendeu em toda sua vida social metropolitana, fixa pelas teias de pontos de vistas alienados a uma realidade criada nos padrões ilusórios do pensar, sentir e agir mecanicamente.

    Sim! Ao se observar e autoanalisar a sua personalidade induzida…, sem sombra de dúvidas em sua mecânica ambiguidade, se percebera homem-máquina… um mero robô-humanoide que trabalha, se alegra, sofre, se droga, goza, come e dorme. E, pensara na etimologia da palavra robô, provinda do russo Работа (rabota), que quer dizer: trabalho, algo meramente mecânico, e percebera que seu instinto não passava disso… uma mera programação… pronta para executar as suas funções animais de prazer e dor. Graças a uma ignorante educação equivocada, que o adestrou a atuar, desde infância, em um frágil mundo de mentiras, em razão dos múltiplos episódios exteriores e de choques aleatórios, que abrolham em seu interior algumas mudanças quase sempre errôneas, ou não coincidentes com o evento em tese.

    E, assim, oculta e perspicazmente se sentara na poltrona da sua existência…, e vira seus malcriados filhos, que, insistindo em crescer em sua persona, desde cedo, assumir o controle da condução de sua vida mecânica, pois, estes, veio a existência unicamente por causa da pressão dos dramas, tragédias e comédias que se apresentam nas telas e palcos da vida. Claramente vira, que por culpa dessa mecanicidade do ser, O SAGRADO perdera sua essência e fragrância, despossibilitando a sua santa e perfeita manifestação harmoniosa, em sua vivência material orgânica. Já que toda forma de ação conscientemente mística-divina, fora substituída pelo automatismo mecânico do individuo social… o chamado cidadão comum.

    Analisara que sua débil e frágil personalidade mecanizada e controlada pelos ‘eus’ criados de si se adaptava a ambientes e pessoas. Escaneando e criando autoimagens em costumes e hábitos moldáveis pelo intelecto, utilizando de discursos e palavras, pensamentos e movimentos ilusórios, que utilizavam de hipnose consciente para o adormecimento da própria consciência.

    Ao se perceber mecanizado, resolvera ir a fonte de tudo que o programava… sentou-se em profundo silêncio, fixando os olhos ao chão… fizera uma pergunta ao universo do seu ser… e, prometera a si mesmo levantar-se, apenas com a resposta. Fixo em sua empreitada, o tempo, destruidor de todo gênero e criações humanas, ali parou. E, percebeu a expansão do seu próprio Ser Divino, além matéria, e viu o quanto era amado e protegido por essa Absoluta Grandeza. Também, junto a essa visão divina, se culpava por não se dedicar totalmente a esse Primeiro Amor… era o Ser Amado, porém, por não ter o Divino Amante por primazia, ainda não o conhecia. E, por ainda não o conhecer em sua Divina Essência, não se tornou o instrumento musical de suas harmoniosas canções… não alcançando ainda o Imanifesto que manifesta tudo.

    Em sua meditação sabia que a viagem era longa, e o trabalho pesado, a vida corpórea orgânica e encarnada tinha que enfrentar o mundo para se livrar de suas rédeas e freios. Sabia que o mundo material não passava de uma escola da alma, por isso, o alienado entretenimento social não o sequestrava.

    E, clamando silenciosamente orou: “Ó Sagrada e Mística Essência Divina que se assenta no trono de meu coração; Grande Sol Central Esplendoroso, mais radiante entre todas as luzes desse plano material; Magnifica Lua Cheia que ofusca as luzes cintilantes de todas as estrelas no imenso escuro dos céus; Consciente Inteligência do Eterno Sentido Divino; Grande Oceano pelo qual desagua todos os rios; Soberano entre as fontes de todos os néctares nascentes; Leão de todas as selvas e pastagens. Ó tu de olhos abertos em todos os lugares, fala-me diretamente sem intermediações, pois, tenho sede de ti. Como poderei eu te conhecer… aqui sentado e meditando?”

    Ali, parado, meditando por horas afinco, nada ouvira… nada vira… e não deslumbrara nada.

    Portanto, sabia que para poder receber as ondas de vibrações harmoniosas do SUPERIOR, primeiro tinha que se domar: educar todos os seus sentidos… peneirar todos os seus pensamentos… frear todos os seus sentimentos… adestrar todas as suas emoções. Se conhecer e ser o senhor de si mesmo, deixando de alimentar os seus ‘eus’ criados, e, assim, matá-los de fome e sede, para que educadamente perceba a superioridade do Pai, e possa o servir com frequente piedade e fé inquebrantável.

    Intentara evolutivamente que a melhor riqueza e nobreza do ser humano é a FÉ. Que seguindo a missão de sua existência no aqui e agora, atrairia a verdadeira felicidade que é independente e indiferente a ter alguma coisa, e ser algo ou alguém de sucesso para viver. Que, interiorizando e espiritualizando cada ação, até o ato de limpar uma fossa de merda pública em reverencia e gratidão, chegaria à maestria e principado. Degustara o doce mel da verdade, e queria obter os melhores dos bens e serviços devocionais, vivendo a vida sabiamente vivida purificando todas as maldades suas e dos demais. Descobriu que pela Fé… atravessaria as tormentas, pela Sinceridade… o mar dos egos e, pela Bonança e compaixão… o outro lado do reino da morte.

    De repente, em sua meditação, o espírito destruidor que o tentava, o inundou de maus pensamentos, gerando em sua mente maus sentimentos. Vira claramente a face do Anjo da Destruição, prateada como a lua em sua feminina forma tentadora, que faz lançar a culpada alma nos infra mundos infernais, e que goza de toda desolação. Ela estava deslumbrantemente irresistível, e cheirava paixão e luxúria. Seu sexo molhado de gozo tentador estava exposto, e latejando desejo o chamava. Sua boca parecia doce como mel, melados de néctar do prazer. No entanto, um pensamento de morte passou como vulto em sua consciência… e, meditando profundamente, enquanto se via nos braços demoníacos da luxúria, freou sua paixão, e disse, dessa vez, em voz audível: “Ó Dona de meu Desejo, como és bela e tentadora, estou agora ardendo de paixão e tesão por ti, porém, sinto seu calor arder como brasa, se me entrego a ti queimarei minha alma em sua chamas mortíferas. Ó Espírito de Tentação! Penso agora em minha morte, e tenho ela agora como fiel companheira. Você não tem mais lugar em mim”. Falando isso, o Tentador se dissolveu diante de seus olhos como um monte areia a esparramar pelo chão.

    A partir daquele dia as três maravilhas abundou o seu ser… de um que era se tornou vários; de vários, um; manifesto ou invisível atravessa sem resistências as paredes, as rochas como se penetrasse uma queda d’água de cachoeira; submergia na terra, e tornava a subir como se fosse o mar; caminha nas águas como se fosse terra firme; voava pelos ares como os pássaros, e sentava nas nuvens como os seres inefáveis; até a lua e o sol inflamados de calor, Ele acariciava com suas mãos, e no mundo dos deuses e semideuses se manifestava em glória; conhecia os homens e lia os seus pensamentos, sabia dos caminhos de sua alma, aquilo que faz elevar e tropeçar, dizendo: “Esse é o seu pensamento e desejo. Isso ou aquilo está em seu espírito. Este é o destino que te espera.”; E tinha sabedoria e inteligência para instruir e adestrar qualquer alma vivente.

    E assim, se manteve calmo e sereno em sua iluminação. O AMOR do AMANTE envolveu o SER AMADO, purificando de todas as impurezas acumuladas em seus centros orgânicos. O humanoide de programação emocional, deletou sua atividade efemeramente mecânica, transcendendo o corpo biológico, que agora era o receptáculo do SAGRADO em si mesmo.

    Nada mais o afetava, livrou-se do medo… fez da morte física sua companheira, e matou-se a si mesmo, renascendo das cinzas do sofrimento, se purificando nas águas do arrependimento, emergindo no ar do Sagrado Conhecimento… não por estar isento de emoções e sentimentos. Mas, unicamente por se livrar do corpo mortificado do desejo… que, ilusoriamente se ajoelhava perseguindo o prazer, e alienadamente orava fugindo da dor.
  • Até Quando

    Percebe-se sua vivência
    Apenas à realização,
    Ao cotidiano, só resta
    A repetição.

    Intediante, intediante, intediante
    Até o momentâneo ápice,
    Que rapidamente se alastra ao ar
    Até a volta, a volta,
    Até quando.
  • B A I I S C T N Â

     

     

                           B                              A

                              I                         I

                                 S               C

                                     T       N

                                         Â

     

     


                         
                        t e l e              v i s ã o

     


                        t e l e             v a z ã o

     


                        t e l e              v a z i o

     

     

     

     

     




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    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 188.
  • BBB DO FUTURO

    Teremos três casas nessa edição.
    Os participantes não saberão da existência das outras casas.
    O público somente saberá das três casas, quando o programa for ao ar.
    Somente os eliminados da casa 01 e da casa 02 saberão que existe a casa 03.
    CASA 01 – É exatamente conforme as edições anteriores. Sendo que, o eliminado entrará diretamente na casa 03. Mas os brothers da casa 01 não saberão.
    CASA 02 – É exatamente conforme as edições anteriores. Sendo que, o eliminado entrará diretamente na casa 03. Mas os brothers da casa 02 não saberão.
    CASA 03 – Os eliminados das casas 01 e 02 concorrerão a um segundo prêmio: Haverá diversos jogos para eliminação definitiva. A eliminação se dará por pontuação, quem tiver menor pontuação estará eliminado.
    ELIMINAÇÃO (CASAS 01, 02) - Não teremos mais provas do líder e do anjo. Teremos pontos alcançados para conseguir ficarem imunes (a se definido a quantidade de brothers para imunidade).  A indicação ao paredão será feita pelo público e o próprio público indica quem sai das duas casas (em dias diferentes). Nos dias de eliminação, o público vota quem estiver no paredão das casas 01 e 02, dando-se em dias diferentes: sábado e domingo. A eliminação fica terça e quarta.
    IMUNIDADE (CASAS 01, 02): Será totalizado o maior número de pontos, onde esses pontos serão somados de acordo com o desempenho, conforme uma tabela anunciada desde o início do jogo, onde somente o público saberá da existência. Os brothers nunca saberão o porquê de estarem imunes. Alcançaram os pontos necessários para isso, de acordo com a tabela.
    TABELA (CASA 01, 02) - A tabela analisará questões como: BOM COMPORTAMENTO, BOM COMPANHERISMO, BOM RELACIONAMENTO INTERPESSOAL, DISPOSIÇÃO PARA TRABALHAR, EMPENHO NOS TESTES E ETC.
    PROVAS (CASA 01, 02) - Teremos uma única prova na semana. O grupo perdedor terá além da comida racionada, a obrigação da limpeza total da casa. Preparação das refeições do grupo vencedor e aquecer a água quando alguém for tomar banho (caso o programa queira seguir a linha autossustentável). Nas festas estão livres para comer e se divertir, mas a limpeza também do pós-festa, no dia seguinte, será também por conta do grupo perdedor.
    PROVAS (CASA 03) – Segue os reality anteriores, tais como: NO LIMITE e HIPERTENSÃO. Poderá ter outro apresentador somente para a casa 03. Corroborando com o apresentador das CASAS 01 e 02.
    Obs: Os habitantes da casa 01 poderão ser os participantes das edições do BBB anteriores: Os mais polêmicos, os mais maldosos, os mais chatos.
    Os habitantes da casa 02 poderão ser os costumeiros selecionados, conforme já é feito.
    O prêmio poderá ser dobrado, já que a participação do público será muito maior, como também o tempo ao vivo.
  • Beijo

    Definitivamente beijar não era o forte dela, descobri isto no primeiro toque em sua macia língua, estava tão ansiosa por isto quanto eu, mas como de praxi mantinha a solidez confiante a qual ela sempre cultivou no dia a dia, sua grosseria foi posta de lado para que ela aproveitasse um improvável e caótico momento. O beijo por sí só era péssimo em um ritmo inconstante sem aquele encaixe mandibular que se vê no cinema hollywoodiano, era uma orquestra sem timbre ou ritmo, que se construía na desordem atemporal, não lembro quanto tempo toquei seus lábios ou por quanto tempo tentei harmonizar aquela complicação que impunha sobre meus sentimentos, pela primeira vez na vida presenciei o dualismo presente no cérebro humano.
    O nariz dela era comprido e esguio, o que tornava o processo extremamente inconstante quando comparado ao de costume com minha namorada, a qual este momento deveria estar agonizando de saudades do seu amado e fiel namorado, este que julgava o beijo e a aparência de sua mais fiel concorrente, de perto, quase dentro.
  • Beleza se põe à mesa?

    Lembro- me de quando eu estava no pré vestibular, na primeira aula de redação e a professora nos propôs o seguinte tema: Beleza, se põe ou não à mesa? Ali, eu com uma intelectualidade mínima, preso a paradigmas religiosos que me impossibilitava pensar em frases pornográficas e ainda com a vergonha de expor minhas ideias, características educacionais que me foram impostas, como agressões físicas (palmadas), tratamentos para reeducação com berros dos meus pais e uma exclusão informativa que me foi atingida durante toda minha miserável vida acadêmica. Fiquei repleto de duvidas e sem o que dizer. Mas agora, antes tarde do que nunca (frase que ouvia de um amigo de infância, espero que ele se manifeste aqui), tenho minha opinião. Beleza, se põe sentada na cadeira. Com postura, com educação e habilidades sofisticada para utilizar de forma correta os talheres. Além dessas características, deves ser alguém que agradeça de forma humilde os serviços prestados pelo garçom. Que se vista com elegância suficiente para atrair olhados, mas deixa claro em suas ações que se respeita acima de qualquer opinião alheia. Que se orgulha da pessoa que é, e que não satisfeita busca uma nova melhoraria todos os dias. Que sabe sorrir diante a uma problemática, não por maluques, mas por total lucides de conseguir enxergar uma possível solução. Que valorize as relações sociais que foram estabelecidas por si, e que tenha empatia para respeitar ainda mais as que não foram. Que entenda que as diferenças sempre existirão e que o príncipe perfeito, sempre dependerá de quão princesa tu és. Que ame os animais, bem mais que os humanos. Que seja uma pessoa que encante com suas ideias inovadoras. E que utilize a mesa para escrever seus mais belos textos.
  • Bistância

    tele   visão
    tele   vazão
    tele   vazio
  • Cachorro no mato

    Era uma multidão. Um fluxo aleatório de gente indo para cá e para lá. Bruna vinha andando como quem não quer nada, mas com o ritmo de quem sabe onde quer chegar. Só seguindo o fluxo da sua linha. Quando viu o pato vindo concentrado na tela do celular ela deu o bote. Rápida como uma naja atacando um ratinho branco especialmente para as câmeras da Discovery. A super-câmera ia mostrar em detalhes como o punho dela se dobrava num ângulo perfeito para baixo e depois para cima, retirando com suavidade e segurança o celular da mão do duck. Ela não mudou o ritmo da caminhada, não fez nenhum movimento brusco. Só os músculos do braço se moveram como um chicote. Do bolso e de volta para o bolso, carregada, em milésimos de segundos. Quando o pato atordoado acusou o golpe Bruna já estava pelo menos dez passos longe da confusão. Daí para frente era só não olhar para trás.

    Ela entrou num shopping shing-ling e esvaziou os bolsos num balcão. “Quanto tempo faz você roubar isso?” “Foi tudo agora, se você correr para mudar o PIN não vão nem conseguir travar.” “Você boa.” “Me paga.” O chinês, que na verdade é coreano, deu o dinheiro e Bruna colocou as notas no sutiã. Como uma estudante de uma faculdade tradicional qualquer ela caminhava desapercebida pelo formigueiro do centro da cidade.

    De repente Bruna sabia que estava sendo observada. Manteve as mãos quietas nos bolsos e continuou a tocada firme. Girou só um pouco a cabeça, como quem quer ver o que esta acontecendo em volta de si, e percebeu que ele estava três passo atrás, do seu lado esquerdo, falando num celular. Quando ela se virou para frente de novo ele tocou seu ombro e se aproximou. Num terceiro movimento um cano frio tocou a sua cintura. “Só vem comigo. É só uma conversa.” Avessa a chamar atenção ela só seguia a direção que o cano apontava.

    Os dois entraram num prédio com aspecto de velho, depois numa das salas do sétimo andar. Ele pediu para que Bruna encostasse na parede para ser revistada. “Cuidado com essa mão aí!” Ela falou só por implicância. “É estranho quando é o seu bolso com uma mão que não é a sua?” O capanga abriu a porta de outra sala e mandou ela entrar. Um velho carcamano meio chinês (ou coreano?) estava sentado do outro lado de uma mesa. “Entrar cara Bonnie. Você saber quem ser eu?” “Não.” “Eu ser quem todo mundo que fazer coisa errada alguma aqui ter que pagar. Me entender?” “Não vou mais fazer nada de errado aqui então.” “Vai sim. Vai porque você boa. Vai porque Sr. Antônio ganhando muito dinheiro vendendo o que você entregar ele, e eu ganhar muito dinheiro também. Vai porque eu querer que você vai.” Ela ficou olhando sem saber o que falar. Não precisava ter assistido um filme do Scorsese para entender o que estava acontecendo. “Agora o Sr. Antônio me pagar 20% do que você ganhar, porque ele pagar sua parte mim. Assim nunca precisar nós ver. Entender?” Bruna acenou que sim com a cabeça sem conseguir mais esconder o medo. “Agora poder voltar ao trabalho.” Ela se levantou e saiu.

    Indignada ela foi em direção ao cubículo do Sr. Antônio no shopping shing-ling. “No que você me enfiou seu chinês desgraçado?” “Calma. Não nervosa.” “O que você falou para ele seu cretino?” “Que você ser boa. Ele proteção. Você não cadeia.” “Proteção o escambau! Não tenho dono!” “Calma. Não nervosa. Eu paga metade sua parte. Pronto.” “Chinês burro!” Ela voltou para o mundo sem muito destino. Tinha o trabalho do dia no peito e percebia o tempo todo que estava sendo vigiada. Irritada com toda aquela situação ela entrou repentinamente num ônibus sem nem ver a bandeira e saiu dali.

    Conseguiu se virar por três dias com o dinheiro que tinha até se entregar a loucura orgânica do calçadão do centro da cidade. No momento em que desceu a ladeira, e avistou a massa desordenada de carne humana atravessando o viaduto, já sabia que estava sendo vigiada. Fez uma primeira coleta de aparelhos e voltou para o box chinês-coreano. “Você não aparecer. Eu ficar preocupado.” “Preocupado porra nenhuma. Quem mais vai querer me extorquir dessa vez?” “Que? Eu não entender você querer dizer. Istoiqui?” “Tá bom, tá bom. Só me dá meu dinheiro. Entender me-dá-dinheiro?” “Sim, sim.”

    Ela pegou a grana e voltou para as ruas. Não procurava mais quem há estava seguindo, apenas sabia que eles estavam lá. Então começou a se exibir. Primeiro roubou a carteira de um executivo depois de um encontrão 'acidental'. “Desculpa” foi tudo que o palerma disse para ela, que respondeu com um sexy “tudo bem” enquanto enfiava a carteira dele no bolso da calça. Mas não conseguia fugir de sua especialidade, as chicotadas. Viu o cordeirinho vindo de longe. Digitando compulsivamente. Levantava a cabeça sem o menor foco. Ajustou a direção para passar ao lado dele. Calculou a rota de fuga por detrás da presa. Colocou as mãos no bolso do moletom e foi para cima com a confiança de uma leoa que ataca um cervo em campo aberto. Quando ela estalou o braço de volta com o celular na mão sentiu um empurrão por trás. “Sua larapia maldita!” Não conseguiu distinguir as palavras enquanto caia esbarrando nas pessoas e abrindo um círculo no meio do povo. O dono do celular virou lobo e foi para cima dela uivando. Socos, chutes e pontapés aos gritos de “mata! mata! mata!” da torcida. Toda encolhida no chão ela foi resgatada por duas mãos e arrastada para dentro de um carro. Bruna tremia e chorava descontroladamente. Só começou a se sentir mais segura quando percebeu que era o capanga do velho carcamano meio chinês que dirigia o carro.
  • Calidoscópio

    para tia Francisca Miriam

    Do outro lado    odal ortuo oD

    Ohlepse on ameop o    o poema no espelhO

    Não esconde nada    adan ednocse oãN

    Sarvalap sa euqrop    porque as palavraS

    São apenas um jogo    ogoj mu sanepa oãS

    Oãça-snegami ed    de imagens-açãO

     

     

     

     

     

     

     

     





    ..................................

    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 192.
  • Cão Morto

    Muito morto, tanto quanto pode ser. Sim. E mais: Contente.
    Senti uma bofetada no rosto. Ele não, estava morto. Um morto não se assusta com um vivo, muito menos aquele desvivido, bravo. Negaram, abandonaram, maltrataram e por fim, mataram-no. E mesmo assim, permanecia como um monumento anônimo numa rua perdida de uma Curitiba estranha. Olhos escancarados em desafio inconveniente à vida que lhe foi tão custosa, a língua para fora estancando um sorriso macabro.
    Voltando ao golpe. Fui pego de surpresa, mas é redundante, golpes são assim. Eu que, arrogantemente, andava em plena vida nesse mundo de imortais, me virei, dei de cara com a morte. E ela me esbofeteou. Justo. Sem aviso ou mensagem, interrompi sua peça póstuma em ousadia digna de gente. Como quem não quer nada adentrei em sua morada e chutei o trabalho de sua, ironicamente, vida.
    Mas foi ela (a vida) quem primeiro me bateu, a fragrância de milhões e milhões de seres vivos lutando uma batalha infinda pelos restos do cão, excretando compostos dos mais variados e malcheirosos. Desculpa, menti, afinal a vida e a morte são a mesma donzela, e seu tapa era igual. E ele ria, em deboche. Ele? Sim, o cão.
    Porque, fruto do desprezo de milhares de pessoas estava ali, morto mas nunca tão cheio de vida, contra a vontade de todos que empinaram o nariz a ele. Havia vencido. Pela ação de milhões de decompositores cada pedaço de matéria em sua carcaça renasceria, era imortal e isso lhe dava certo contentamento a morte e a vida que teve.
    Um dia, pensei eu afagando o rosto moralmente doído, ele será gente, e empinará o nariz para aqueles que um dia lhe foram irmãos no abandono. Ai eu entendi. Tempos atrás, havia sido cão e, algum dia, amaldiçoei essa raça esnobe e estranha que me negava. Ironicamente, em uso do ciclo interminável da matéria, eu renasci gente e tive a chance também de negar meu passado oculto. Devo tê-la tomado, não lembro, o que torna o pecado ainda pior.
    Ele ria entre moscas e tive pena, por fim. Meu rosto já esfriava, o dele era o próximo. As mil próximas vidas lhe custariam muito mais que essa, ele ria, morto, contente, inocente.
  • Carbono

    A lembrança instintiva de quando tu apertava minha garganta com teus nós, ainda amarga minha boca
    Me faz vomitar e transpirar de pavor
    Toda noite.

    Quando ameaçava rasgar minha pele, da forma mais deplorável possível, 
    Eu tremia, as paredes tremiam
    Tu, solidificava

    Prendeu meus pulsos sob o tampo da mesa, minha cintura junto à cadeira. Escancarou minha boca e descia longas e cheias colheres de medo,
    Embebedou-me de pavor,
    Tornando-me satisfeita da intoxicação.

    Acolhia-me na cama com um abraço. Onde eu era imóvel, 
    Onde tu expandia,
    Onde eu era invadia.
    Teus dedos longos arrancaram todas as portas, apedrejaram todas as vidraças
    Eu sangrava, 
    Enquanto ninava-me ao som de meus gritos abafados.

    Surpreendente ficara o brilho do terror em teus olhos naquela madrugada onde levantei para beber água. 
    Tu intacto nos lençóis sujos, 
    Indefeso 
    Caótico 
    Fragmentado

    Há em mim, todas 
    Os abates teus e dos outros
    Há em mim a morte,
    Há em mim a vida.

    A voz que não é mais coberta pela tua, 
    As amarras que não esmagam meus pulsos. 
    Tudo fede a gasolina,
    Suor,
    Covardia.

    Trago o cigarro. Te dou uma prova. 
    Tu inflama.
    Espalha,
    Desespera.

    Agridoce é o gosto de mulheres-oxigênio. 
    Tenho meus próprios pulmões
    Espero que os teus, 
    Derretam no carbono.
  • CARMOND - CAPÍTULO II

    O convite para ir à Carmond chegou um ano após Augusto ter retornado da Europa, onde havia se formando em medicina. E talvez tenha sido isso a causa de seus amigos colocarem tantos empecilhos na sua decisão de aceitar a proposta. Na certa, queriam aproveitar mais a convivência, uma vez que haviam passado tanto tempo distantes.
    _ Você não pode está falando sério que aceitou ir para aquele fim de mundo. Só pode ser uma brincadeira e, convenhamos, de muito mau gosto. O Silva falou enquanto eles dividiam uma cerveja num bar qualquer no centro da cidade.
    _ Porque todo esse espanto, Silva? Serão só alguns meses. É só o tempo do velho ficar bom ou...
    O Silva acabava de virar o último gole do copo e enquanto falava, voltou a enchê-lo.
    _ Você sabe muito bem da fama daquele vilarejo, Augusto. As histórias que chegam de lá são horripilantes.
    _ Como assim? Eu não sei do que está falando?
    _ Não se faça de desentendido, meu amigo. Sabes tão bem quanto eu que pouquíssimas pessoas viajam para aquele lugar e é ainda menor o número que retorna de lá.
    Nesse momento, Augusto não conseguiu conter o riso e isso pareceu deixar o Silva um pouco irritado.
    _ Vais rindo, doutor Augusto, depois não adiantará dizer que não o avisei. Como já diz o bom e velho ditado: Quem avisa amigo é.
    _ Não podemos acreditar em tudo que essa gente diz, meu amigo. Essas histórias são tão verdadeiras quanto o coelho da páscoa ou o papai Noel.
    _ Bom, eu como acredito que tudo é possível nesse mundão de meu Deus, se estivesse no seu lugar, não iria.
    No instante em que Augusto iria dar continuidade à conversa, os dois foram surpreendidos com a chegada de César e Rafael, ambos, amigos de longa data.
    _ Que maravilhosa coincidência! Veja que sortudos que somos! Quatro amigos se encontrando casualmente para tomarem cerveja e jogar conversa fora.
    O Silva, ouvindo as palavras de César, foi logo adiantando:
    _ É bom aproveitar mesmo este momento. Pode ser um dos últimos que passamos assim: os quatro juntos.
    _ Não entendi, alguém aqui irá morrer?
    _ Não leve a sério as palavras do Silva, meus caros. Ele já bebeu um pouco além da conta.
    Todos já estavam acomodados ao redor da mesa e o garçom, com uma competência invejável, servia cerveja aos recém chegados.
    _ Não estou bêbedo coisa nenhuma, rapazes. A verdade é que nosso amigo doutor acabou de fazer uma das maiores burradas da sua vida.
    _ Não seja exagerado, Silva. Desse jeito eles irão achar que eu engravidei alguma daquelas donzelas que visitam meu consultório semanalmente.
    Enquanto César e Rafael sorriam curiosos, Silva continuou com uma expressão de desaprovação e retomou a conversa:
    _ Antes fosse isso. Um filho com uma daquelas donzelas seria muito melhor que se enterrar naquele maldito vilarejo.
    A última palavra proferida por Silva ficou vagando no ar entre os quatro rapazes por um breve instante, enquanto os dois últimos a chegarem encaravam Augusto, espantados.
    _ Vilarejo? Isso quer dizer...
    Antes que completasse a pergunta, Silva adiantou-se:
    _ Isso mesmo: VI-LA-RE-JO, disse pausadamente, enfatizando cada sílaba. _ Augusto acaba de aceitar a proposta de ir para Carmond, tratar de um velho, que segundo informações, já deveria ter partido dessa pra melhor há muito tempo.
    César e Augusto, que até então estavam acreditando que tudo não passava dos dramas habituais do Silva, agora pareciam estar totalmente de acordo com ele.
    _ Sou obrigado a concordar com o Silva. Você só pode estar louco para aceitar ir para aquele lugar. Um vilarejo que fica a não sei quantos mil quilômetros, que só passa trem a cada quinze dias... Não! Você só pode estar de brincadeira.
    _ Calma, meus caros! Vocês estão fazendo confusão num mísero copo d’água, ou melhor, de cerveja. Sorriu e continuou. _ É verdade sim que eu irei até Carmond tratar da saúde de um velho que está a padecer. Ponto. É só isso. É o tempo de ir, tratar do enfermo e estarei de volta ao meu consultório, as minhas fiéis pacientes e aos meus amigos medrosos e queridos.
    Os três ainda continuaram questionando e listando o quanto ele perderia se afastando da cidade naquele momento. César apressou em dizer que ele mal havia aberto as portas do consultório que o pai, com tanto zelo, havia o dado de presente assim que Augusto retornou da Europa.
    Rafael alertou que as donzelas procurariam outros consultórios, e aí quando ele retornasse, se retornasse, não teria mais pacientes lindas e calientes implorando para serem consultadas.
    E por fim, o Silva, que já não encontrava mais argumentos, continuou insistindo na história de que o vilarejo era mal assombrado e que quem viajava até lá, dificilmente retornava.
    Porém, mesmo com todos esses argumentos, Augusto não se deixou persuadir, e dois dias após aquele encontro no bar, despedia-se dos amigos e da família, e embarcava no trem com destino à longínqua e misteriosa Carmond.
    Passadas algumas horas do embarque, uma chuva torrencial começara a cair, e quando o trem parou num lugar qualquer da estrada deixando Augusto, sozinho, esperando pelo motorista que lhe fora prometido na carta, o jovem médico começou a refletir se os amigos não estavam, de fato, com razão.
  • cicatrizes

    vida,eu já sinto tanto a tua falta,minha vida está muito vazia,o meu coração está vazio. será que tu sente a minha falta como eu sinto a sua? será que tu pensa em mim como eu penso em ti?nós quebramos as nossas promessas,nós erramos,eu errei,você errou,eu errei comigo mesma ao achar que nosso amor devia acabar,minha vida tava um caos,eu tomei várias decisões erradas,ter te deixado foi a maior delas,e agora eu não posso mais voltar atrás.
    acho que sempre estarei esperando a tua volta,me culpo todos os dias por não ter coragem e força o suficiente para ir atrás de você. você aconteceu na minha vida. e meu corpo e a minha alma ainda estão conectadas a ti.
  • Ciclos

    Entender os belos ciclos da vida é ridículo diante do péssimo individuo, a vida ínfima contempla doenças emocionais que são absolvidas por um sentindo maligno chamado "poder". Qualquer ser que convive pelos bens naturais e necessários encontra em si as virtudes harmoniosas, algo inexplicável cujo o ser malicioso não entenderá. Amar a modesta emoção é compreender o supero sentindo. 
  • Como o inferno realmente é.

    Aqui no inferno, o suor escorre pela minha testa e acho que morrerei de tanto calor, acho que vou morrer, o sol não vai embora e a noite não chega trazendo o frio. O vento além de quente só trás a poeira cegando meus olhos que já não mais enxergam, ouvi rodinhas de uma mala sendo arrastadas com dificuldade e achei que era chuva, estou delirando, talvez a falência cerebral esteja próxima.
    Sei que já estou no inferno, mas tenho medo que demônios puxem os meus pés se deixa-los descobertos, por isso não só a minha testa, como meu corpo todo está encharcado, uma sensação nada confortável, poderia tomar um banho para refrescar-me mas quando a água cai, ferve tanto que parece que minha pele cairá junto com as gotas do chuveiro. Bom, de qualquer forma não mais importa, iríamos morrer queimando de qualquer jeito, seja de calor ou pelo próprio fogo, as pessoas já estão ateando as chamas em todos os lugares, em vez de luz do sol, labaredas ferventes e impetuosas iluminam nossos céus matando junto animais e florestas, eles morreram primeiro. E o resto ? Ou morrerão queimados como aquelas criaturas inocentes, ou morrerão de calor excessivo como morro agora.
  • Crônicas do Parque: A verdade está onde nunca a procuramos

    Era uma daquelas manhãs escaldantes com temperaturas que variavam de trinta e cinco a trinta e oito graus célsius, com sensação de quarenta a quarenta cinco no centro-norte de Israel. Como de costume me encontrava todos os Yom Sheni (segunda-feira) no parque de Kfar Saba, fazendo manutenção nas piscinas ecológicas.

    Pegava meu bastão de rede, uma caixa plástica preta dessas de armazenar verduras em supermercados, e um balde vazio de comida de peixes ornamentais. Entrava na piscina e submergia até os joelhos no primeiro terraço em que ficava as Nymphoides, espécies do gênero das plantas aquáticas que crescem enraizados no fundo, com as folhas a flutuar à superfície da água, de cores brancas, amarelas e variadas tonalidades de flores rosa, da família Nymphaeaceae.

    Prendia meu smartphone pela sua capa ao cordão que ficava no meu pescoço, em que segurava ao peito um Magen David (Estrela de Davi) com um rosto de leão no centro, e colocava uma música suave para iniciar o meu trabalho de cuidar dos nenúfares.

    Em especial, aquela era a piscina ecológica que eu mais gostava dentre todas outras que dava manutenção no centro-norte. Pois, além de ser a maior dessa região, estava em um parque bonito e tranquilo arrodeado de belas esculturas. Essa piscina era especial, pois era a única de todas que tinha uma original carpa cinza gigante, espécie de peixe de água doce originário da China, e também havia um canteiro com Lótus Branco (Nelumbo Nucifera), um género de plantas aquáticas pertencente à família Nelumbonaceae da ordem Proteales, e também era lotada de peixes Koi (Nishikigoi), tendo o Higoi (carpa vermelha), o Asagui (carpa azul e vermelha) e o Bekko (branca e preta), que são carpas ornamentais coloridas ou estampadas que surgiram por mutação genética espontânea das carpas comuns (carpas cinza) na região de Niigata no Japão, tendo também outras inúmeras variedades de peixes-ornamentais como: peixes-dourados, peixes barrigudinho (Guppy) de diversas cores, aruanãs, entre muitos outros.

    Nesse dia em especial, me senti constantemente sendo observado por um senhor de chapéu azul e cabelos grisalhos que aparentava ter a idade de oitenta anos. Estava bem-vestido e mantinha sempre um sorriso no rosto. Ele se encontrava sentado em um banco largo que ficava próximo à piscina. E lentamente eu me aproximava dele ao curso do meu ofício de retirar as folhas amareladas dos nenúfares. E ao me aproximar daquela figura atraente, eu o cumprimentei com um Boker Tov (Bom Dia), e ele me respondeu com um Boker Or (Manhã de Luz). Assim trocamos sorrisos, e me voltei novamente para o meu ofício matinal.

    Quando o balde em que colocava as folhas amareladas e flores mortas dos nenúfares se encontrou cheio, me retirei da piscina para esvaziá-lo, o despejando na caixa plástica preta que estava perto do banco em que o senhor de chapéu azul se encontrava sentado. E, ao me retirar para regressar a piscina, ele elevou a sua doce voz anciã, perguntando-me:

    — Atah Rotze coz cafeh (Você aceita um copo de café)?

    Então, de imediato lhe respondi:

    — Ken, efshar (sim, aceito).

    Então, ele retirou de uma sacola de pano um bojão de gás pequeno e enroscou uma pequena boca de fogo nele, acoplando. Colocou o aparato ao solo, e retirou da sacola uma garrafa pet de coca-cola com água, uma pequena chaleira e dois copos de aço inoxidável. E, enquanto ele despejava a água no recipiente e acendia o fogo com um isqueiro para ferventar, fez um sinal com as mãos para eu me sentar ao seu lado.

    Enquanto a água estava para ferver, nos apresentamos e ele me fazia inúmeras perguntas sobre mim e meu ofício. Perguntas comuns que eu já estava calejado em responder. E, depois que ele preparou o café, comecei também a interrogá-lo. Para minha surpresa, descobri que ele não era judeu, mas árabe. Sendo que falava um bom hebraico sem sotaque e se vestia elegantemente, como um velho Ashkenazi. Além dele ter olhos de uma cor azul-claros como o céu que estava sobre nossas cabeças. (…Nós, e nossos pré-julgamentos…).

    Ele me falou que viveu muitos anos em Espanha, sendo um mestre sacerdote de Sufi gari (Tasawwuf), uma arte mística e contemplativa do Islão, assim como é a Kabbalah para os judeus. Ele viu o Magen David em meu peito, e disse que era bonito esse símbolo com um rosto do leão no centro. Também, me falou que esse símbolo em que os judeus se apropriaram o colocando em sua bandeira, é de muita importância para o Tasawwuf (Sufismo). E me revelou segredos importantes sobre o significado desse símbolo.

    Conversamos sobre muitas coisas, e eu o interrogava mais e mais, pois vi que esse senhor era muito sábio e ciente de tudo que falava. Ele me revelou coisas sobre a conduta do corpo, como postura e fala. Falou-me sobre pensamentos, músicas e danças místicas, e, sobre alimentação e jejuns para se ter uma vida espiritual equilibrada com o corpo físico. Nesse assunto, perguntei a ele porque não se deve comer carne de porco. Até porque eu já tinha perguntado a muitos rabinos e religiosos judeus o porquê de não comer a carne desse animal, e muitos não sabiam me responder ao certo. E, os que respondiam, falavam que estava escrito nos Livros da Lei, a Torah, mas não sabiam perfeitamente o porquê.

    Diante da minha pergunta, ele sorriu e me disse algo em que fiquei atônito. Contava ele que os porcos eram seres humanos amaldiçoados, por levar uma vida sexual pervertida na sua última encarnação. Ele me disse que por isso dentre todos os animais o porco era o mais inteligente, e, que seus órgãos internos como fígado, rins e coração são muito parecidos com os nossos, pois na verdade era um ser humano que encarnou nessa condição com a total consciência de sua vida-passada, mas que devido fato de estar em um corpo animal atrofiado não podia se comunicar para se revelar como tal. Nasceu nessa condição devido à decadência espiritual de sua vida anterior como ser humano, ao se entregar aos prazeres sexuais nojentos e tenebrosos, por isso esse animal pode levar até trinta minutos tendo orgasmos. E, assim, veio nessa condição para viver em sua podridão, ao comer seu alimento e dormir misturado as suas fezes, mesmo tendo a inteligência de defecar em um mesmo lugar, são condicionados pelos seus criadores (seres-humanos) a viver junto ao seu excremento. Também, ele me falou que o porco não tem a capacidade de olhar para cima, não podendo ver o céu, e sua pele não pode ser exposta à luz solar por muito tempo, pois não consegue transpirar, e pela falta de umidade decorrente do suor pode sofrer fortes queimaduras. Nasceu para olhar para baixo e se esconder da luz, sendo forçado por essa natureza a viver na lama. Ele também me disse, que o porco é o animal mais amaldiçoado do que a serpente, pois os porcos são invulneráveis às suas picadas venenosas. E concluiu:

    — É por isso que não se deve consumir a carne desse animal, por na verdade ser um ser-humano totalmente consciente em forma atrofiada. — e, acrescentou me revelando algo — Você sabia que não há diferença de gosto entre carne humana da carne suína… ambas possuem a mesma textura e sabor.

    Uau! Diante desses fatos que me foram apresentados por esse velho sacerdote Sufi, fiquei estupefato. E, entendi o porquê de George Orwell escolher os porcos para serem os protagonistas da revolução em seu romance satírico (Animal Farm — A Revolução dos Bichos). Provavelmente, ele sabia desse conhecimento do Tasawwuf. E isso me fez pensar, o quanto os antigos sabem do quê não sabemos. Essas são respostas que não podemos encontrar no oráculo Google. Respostas de um velho de oitenta e poucos anos sentando em um banco de parque (se bem que agora poder ser encontrada no Google).

    O velho me vendo atônito, colocou seus aparatos de café na sua sacola, levantou-se, despediu-se e saiu sem mais nada a dizer.

    E lá no banco do parque de Kfar Saba fiquei com a mão no queixo, vendo os peixes e as nymphaeas. Tão Ignorado em minha ignorante aquariofilia.

  • DECEPÇÃO

    Seja uma decepção para os outros
    Mas não seja uma
    Pra si mesmo

    Todos querem te julgar
    Mas o que diria
    Sobre você nesse momento?

    Nunca tive tanta certeza
    De que sou
    O melhor que posso ser

    Nunca tive tanta certeza
    De que tenho o melhor que posso ter

    Tanta falta de ambição
    Não seria um pecado
    Se eu me contento com pouco
    Melhor do que com nada

    Eu finjo que tá tudo certo
    Mesmo quando não está
    Eu finjo que tá bem
    Até ficar

    Seja uma decepção para todo mundo
    Mas nunca uma pra si mesmo

    Não importa o que pensem os outros
    E sim o que pensa de você mesmo

    E eu sou aquilo que sempre quis ser
    E eu sou aquilo que vocês nunca vão compreender
    E eu sou aquilo que sempre quis ser
    E eu sou aquilo que vocês nunca vão compreender

    Eu finjo que tá tudo bem
    Mesmo quando não está
    Eu finjo que tá tudo bem
    Até ficar
  • DEFINA SORTE

    Defina sorte?
    Sorte é você acreditar em um sonho e alcançar o seu sucesso com muito suor, em que outros já desistiram e afirmavam que você também iria fracassar???
    Eu defino sorte como 1-acreditar 2-perseverar e 3-trabalhar
    1-acreditar é pensar que pode, que deve e que vai conseguir, tenha sempre em foco o seu objetivo. 
    2-perseverar é não desistir no primeiro tropeço, quem disse que seria fácil? É contra tudo e todos que vão na sua contramão, acredite no seu potencial.
    3-trabalhar esse é o mais desgastante; onde a maioria desiste, mas sem trabalho não a sucesso, nada acontece!!!Você não vai conseguir sem suar a camisa,trabalhe de forma honesta contigo e com os outros,para quando olhar para trás a sua consciência esteja limpa!!!Se destaque!!!
    Depois de tudo isso você terá a definição de sorte.
    obs: na vida ira aparecer muitos que falarão muito mais do seu fracasso ao invés do seu triunfo, infelizmente essa é a realidade.pessoas tentarão te desacreditar de que você é capaz!!!Zombarão da sua persistência!!!Só você pode dar a resposta!!! Sé é o fracasso ou sucesso (vulgo sorte) !!!
  • Desabafos de uma Ana

    Tem um momento da vida que você tem que parar para refleti sobre tudo o que você fez,que quer fazer é que está fazendo. Esse momento tem que acontecer não apenas uma vez,mas várias. Até hoje tento realizar as coisas com racionalidade, mas será que é o suficiente? Mágoas do passado não são simplesmente apagadas de uma hora para outra,ou até mesmo perdoadas,ainda mais quando são pessoas que você menos quer se magoa. Pedir perdão de um dia para o outro não resolve nada, inventar mentiras também não, e aquele tempo todo que passou sem falar um palavra se quer comigo? E aqueles momentos que mais precisei ou mais felizes da minha vida que foi perdido por um mero orgulho? Hoje percebo que toda mágoa que quardava não valia a pena, não existe volta para o que não quer ser concertado,não existe perdão para quem não admite o erro,não existe aproximação para quem não tenta. E pensando nesse momento,todo o tempo perdido valeu a pena?Sim,porque pude percebe a cada segundo quem realmente quis estar comigo resolvia o problema na hora,não deixava o orgulho vencer e reconhecia que estava errado. E se era eu a errada,me mostrava isso,não apenas sumia. Então reveja o seu julgamento de quem está certo ou errado,pois se despender de mim,vai continuar sendo apenas mais uma pessoa que passou pela minha vida.

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