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primeiro beijo,

  • Nilfa e mochileiro

     
    Sobre a imensidão do triângulo estelar Mineiro
    O menino, mochileiro, transporta novos amores.
    Carangola, princesinha da mata; zona proibida.

    Quem por ventura ousou desbravar-te?
    Sereia em Minas, como podes?
    Terra ausente de mar....aqui te vejo Ninfa!
    Compreendo “nem faz falta o mar”¹

    Tú cantas às margens do Carangola
    Onde me vejo naufragar agora!
    Como fecunda o amor entre mochileiro e Ninfa?
    Que não seja eu infeliz como Apolo.
    Não se transforme perante mim em Loureiro.

    Carrego-te hoje em meu peito, com afago
    Não permitas, que caiamo-nos sobre Gaia
    Sem antes tê-la em flama, ardor, gozo.
    Pois será pelo apreço e infantil desejo
    Que te espero com arquejo a dar-lhe um beijo.




      Autoria: D`souza Gabriel
     ¹“Nem faz falta o mar” Musica, Minas das violas. Cesar Menotti e Fabiano.
  • Nosso querido “nós”

    Desculpe se desisti de nós. É que no meio da euforia parece estar tudo bem, mas quando a gente coloca a cabeça no lugar, a gente percebe que tem muita coisa faltando, tem muita coisa errada, fora do lugar. Desculpe se não consegui levar adiante o que parecia ser para sempre. Talvez o “para sempre” tenha uma carga pesada demais para nós. Sei que nossa música parecia tocar no mesmo ritmo, mas meu compasso estava errado. Ou parecia estar. Quem sabe não era o seu? Na verdade, eu não sei. Não sei o que aconteceu com o nosso querido “nós”. Não sei onde fomos parar. Suspeito que ninguém conseguirá me fazer sentir o que só você me fez sentir. Mas, as coisas pararam de andar e eu não consegui empurrar mais. Ah, me desculpe meu amor, me desculpe por desistir de nós.
  • O ANJO DO JULGAMENTO

    Prólogo
    A maldade silenciosa.
    Vivo num mundo cruel e sem salvação. Onde monstros se disfarçam de homens, e crianças são tratadas como adultos. Sigo por ruas pavimentadas, pagas com o sangue dos trabalhadores, e a dor dos inocentes. Criminosos crescem como pragas, e andar por qualquer cidade, já não é mais seguro. Ligo minha TV para esquecer que a perversão cresce lá fora, e me deparo com materiais doentios direcionados aos menores. A maior rede social de vídeos do mundo, proíbe minhas denúncias, garantindo que o material não chegue aos adormecidos. Mas minhas palavras não podem ser caladas. Há uma inútil luta na sociedade, para saber qual religião é melhor que a outra, ou se o homem é maior que a mulher, e vice e versa. Enquanto todos dão atenção para assuntos tão triviais, verdadeiros males ocorrem em torno do mundo com um único objetivo: manter a dominância de uma Elite doentia, que tem pervertido a magia, desde que o homem era somente um projeto de uma raça superior. Não me diga que ainda acredita, que os demônios vivem abaixo dos seus pés, e que Deus não é uma inteligência magnânima, que deu origem a isto tudo. Não, não me confunda como uma religiosa fanática, pois estou bem longe de ser. Não, também não me chame de satanista, este é um nome que não cabe a mim. Estou muito além destes rótulos, para ser definida somente por eles, por isso peço que me respeite, e me chame apenas por anjo do julgamento. Já que estou acima do bem e do mal, e apta para determinar a sentença dos seus homens e mulheres. Vim para este mundo, como uma de vocês, nasci de uma barriga humana, embora fique cada vez mais claro, que não sou deste mundo. Cresci como uma criança normal, sem saltos no tempo, ou perseguições de um grupo secreto. Porém sempre carreguei comigo, uma maldade gigantesca, que me levava a manipular, me aproveitar, e torturar os outros. Talvez tenha sido uma menina psicopata, talvez somente acima da média, mas uma coisa é muito clara, esta crueldade frívola nunca me abandonará, e dado as atuais circunstâncias, é melhor que assim seja. Na minha fase adulta, o meu destino ficou cada vez mais claro, quando seres poderosos, entraram em contato comigo através de pensamentos obscuros, e sinais nos céus, que jamais cessariam, até eu aceitar a minha conduta. Em janeiro de 2020, fui seguida por um grupo de frades tradicionais, após ter tido vários pesadelos, com inúmeras mortes causadas pelas minhas mãos. Eu senti medo, pois após tantos anos de terapia, enfim tinha descoberto que sofria de um mal psicológico, que poderia me transformar numa assassina de uma hora para a outra, o quê para mim, era cruel e demoníaco, e eu precisava controlar, senão vidas inocentes iriam pagar pelo meu problema. Eles me chamaram por um nome, que tentei esconder debaixo do tapete, todavia evitar o quê era, não foi o suficiente para me deixarem em paz, e assim tive de seguir com eles. Muito antes de evitar as minhas asas negras, já havia imaginado que um grupo viria até mim, e me levariam a algum lugar sombrio, por isso implorei aos deuses para me protegerem, ou me deixarem escapar. Infelizmente cheguei ao meu destino, e ninguém me salvou. Eles eram assustadores, e tentaram me atacar, mas o meu desejo insaciável por sangue, me levou a ficar viva e ilesa. Manchada de vermelho, me afastei do monte de cadáveres, pronta para me entregar a polícia. Só que dois padres surgiram, e aplaudiram o meu desempenho. “Ela é perfeita.” Concordaram entre si, e fiquei desconfiada, esperando que me dessem uma explicação. Eles pestanejaram, e me vi obrigada a puxar a faca. “Digam quem são, e o quê fazem aqui.” Perguntei sentindo a adrenalina fluir. “Somos os filhos de Jesus. Pertencentes a ordem sagrada de Cristo.” Eles me responderam, e eu gargalhei. Afinal o quê uma ordem de tamanho poder religioso, iria querer com um anjo caído, que negava a própria alcunha? Eles me disseram que precisava ir com eles ao mosteiro de Santa Marta, e que lá receberia explicações mais detalhadas. Naturalmente opinei por não ir, contudo cedi a minha curiosidade, e com eles eu segui. Muitas horas se passaram, até me levarem ao topo de uma montanha rochosa. Outra vez o medo de ser destratada, e sofrer torturas preencheu o meu ser, até que o vi. Era um homem loiro, de cabelos escuros, olhos penetrantes e claros, que intercalavam entre o rio e o mar, muito bonito , que vinha em minha direção. “Minha filha.” Ele disse, e eu não segurei o riso. Até ali tinha noção que de quê havia conhecido o paraíso, porém filha daquela figura bíblica? Era cômico demais. “Preferes desta forma?” Disse ao fazer chifres de bode crescer em sua cabeça, enquanto o corpo mudava. “Não pode ser.” Fiquei catatônica, e acabei por desmaiar em seus braços. Ao acordar ele me explicou tudo, e pude reagir de outra maneira, o abraçando forte, por saber que estava diante do meu verdadeiro pai. Assim me tornei uma dos seus seguidores, e me dediquei a cumprir a minha missão, de destruir os ímpios, e iluminar a terra, com a minha chama sagrada. Pois ele só havia voltado, para que o julgamento se iniciasse, e o mesmo só poderia ser feito com o poder da sua amazona, e filha mais velha, a própria morte, ou seja eu. No início senti culpa pelas vidas que ceifei, no entanto bastou ver a lista dos culpados, para que o arrependimento se transformasse em paz. Não estava tirando aqueles homens e mulheres de suas famílias, e sim devolvendo demônios de volta para o inferno, do qual nunca deveriam ter saído, e seguiria fazendo isso até limpar o planeta, desta maldita escória de covardes.
    Capitulo 1- Verdades
    Inconvenientes
    A MORTE NARRA:
    Um dia eu tive uma amiga, que acreditei que seria para sempre, mas agora era somente outra neblina de inveja e prepotência, que precisava se dissipar. Ela era bonita, e de corpo desejável, mas embora tivesse tais atributos, não era feliz ou satisfeita consigo mesma, por mais que escondesse isso, através de um sorriso tão vazio quanto a sua cabeça sonhadora. Sei que parecem sinais de ódio, todavia posso assegurar-lhes que é somente mágoa. Eu confiei nela, depositando em suas mãos todos os meus sonhos, medos, e anseios, como se fosse a única confidente que tive na vida, e o quê achei que duraria até o Armagedom, hoje era apenas um motivo de dor e tristeza. Ela seguiu uma vida criminosa sem retorno a cidadania de bem. Algo que tentei lhe alertar, que não teria um fim nobre. Já eu me juntei a Ordem secreta, que conhecia as duas faces do demônio, e passei a julgar os meliantes que trucidavam inocentes. Desde sempre estava claro, que éramos o lado diferente da moeda. Só que para a minha surpresa, não fui eu, a servir as trevas, cometendo iniquidades, apesar dos demônios que sempre me acompanharam, nas profundezas da minha mente. “Thamara.” Meu superior me chama, enquanto sigo pelo escritório, olhando os relatórios da empresa, com um par de óculos, que por intervenção divina, não mais necessitava, porém precisava para manter as aparências. “Seu desempenho foi excelente neste mês. Logo se formará com louvor.” Ele me elogia, e o olho sem muito interesse nas finanças. “Que bom. Não vejo a hora de terminar o curso, e voltar a trabalhar em casa.” Deixo escapar, e isso o magoa, já que acha que eu não valorizo seus esforços para me sentir bem ali. Não me importo muito, pois após ter conhecido tantos que usavam a máscara de bons moços, para esconder seus crimes. Gentilezas não mais me atraem. “Tha.” Ouço a voz do meu amado, e sorrio ao ver o belo moreno de terno que vem na minha direção. Ao chegar o abraço com todas as minhas forças, pois ele é a minha luz, neste mundo sombrio. Nós terminamos as simulações de compra e venda de ações, e descemos pela escadaria. Ao entrarmos no carro, nossas feições de alegria mudam, e ele segura a minha mão. “Sei que não será fácil. Mas é preciso.” Diz tentando me dá forças, e eu aceno com a cabeça, me preparando para tempestade que há de vir. Ele estaciona o carro, eu desço com o cabelo amarrado, num coque para trás, luvas, e tudo o quê é necessário para cometer um crime. Estamos numa floresta densa e escura, e o cheiro de morte impregna o ar. “Ela esteve aqui.” Aviso, ao o seguir sem fazer muito barulho. “De fato.” Meu marido pega duas cabeças de recém-nascidos, mortos, que tiveram seus olhos arrancados, e pela quentura do sangue, percebo que o infanticídio foi praticado a poucas horas. “Droga!” Esbravejo furiosa, e nós abandonamos o local do sacrifício. Assim me livro das vestimentas que nos ligam aos assassinos, exatamente como os filhos de Jesus me ensinaram, e seguimos como inocentes. Meu celular toca, e o atendo com grande desgosto.
    _Thamara.
    _Não chegamos a tempo de capturá-la.
    _Eu sei. Sua irmã pode ser uma
    cabeça oca, mas ordem a qual ela
    serve, é cheia de membros
    perigosos.
    _Para uma menina, ela tem me
    causado uma bela dor de cabeça.
    _É porquê tem sentimentos por ela,
    e no fundo se sente culpada pelo
    caminho que tomou.
    _Pai. Eu sou o monstro da família.
    Se tivesse controlado meu ego,
    talvez pudesse salvá-la.
    _Não, não poderia. Ela tinha o livre
    arbítrio, e optou por seguir para
    as trevas.
    _Ela não é tão má. Eu sei, porquê
    na hora das mortes...
    _Thamara. Você desliga as emoções
    , para julgar os que merecem. Ela o faz
    para sorrir, se divertir, e você já viu.
    Não há comparação.
    Meu pai estava certo. Minha irmã, e antiga melhor amiga, agora era um monstro imparável, que não se preocupava com o dia de amanhã, e já tinha cometido mais de 10 assassinatos, em nome da Ordem das Corais. Uma seita religiosa que tem planos malignos para o planeta, e precisa ser detida, pois apesar de seu número ser pequeno, a mesma é responsável por todo o serviço sujo, da ordem piramidal dos Iluminados. Algo terrível, que me trouxe memórias cruéis... “Katherine!” Gritei ao vê-la arrancar a cabeça de uma criança, mas ela me ignorou, tinha se entregado a escuridão, e nada poderia ser feito para regressar. “Ela nunca vai parar.” Conclui retornando aos tempos atuais. Era hora de matá-la, mas não sabia se teria a mesma frieza que desenvolvi ao exterminar os outros.
    A viagem de volta para casa foi longa e silenciosa. Bartolomeu sabia o quanto aquela situação me afetava. Ao chegarmos, notei que os portões da minha luxuosa casa estavam abertos, então coloquei um dos pares de luvas, e amarrei os cabelos. “Thamy.” Meu marido segurou o meu pulso, assim que coloquei o pé para fora, já com a adaga na mão. Meus olhos subiram, e vi a silhueta de minha mãe Lina, brincando com minha filha e cópia Ramona. “Não traga os seus trabalhos para casa. Seu pai jurou que manteria sua identidade protegida, e enviaria os melhores guardas para cuidar do nosso lar. Confie na palavra dele.” Ele me disse, porém não quis ouvir, andava tendo visões de que a casa seria invadida pela Ordem das Corais, e seria arrastada pelos Iluminados para dentro de um abismo, e não podia abaixar a guarda. A noite...Jantamos lasanha, com muito refrigerante, agindo como a família normal que não éramos, para manter a mente de Ramona sã. Um acordo que firmei com Bart, para garantir que a menina tivesse a infância que não tivemos, e somente mais tarde viesse a saber O quê nós somos. A pequena sempre carinhosa, nos deu beijos de boa noite, e foi para o seu quarto, ler seus contos favoritos dos irmãos Grimm. Apesar de sua doçura, ela sempre teve inclinações para assuntos obscuros, pois as histórias contadas para outras crianças, lhe davam sono. Era uma prodígio, e por isso eu ficava cheia de dores de cabeça, quando minha mãe vinha em casa. “Thamy você tem que colocá-la numa escola especializada.” Disse minha mãe, enquanto eu colocava os pratos na lava louça. “Já falamos sobre isso. Nem eu, nem Bartolomeu gostamos da ideia. O mundo não é seguro para uma garota gentil como ela.” Respondi esperando o furacão Lina, derrubar todos os objetos da cozinha, mas a idade a deixou mais calma, e isso me surpreendeu. “Filha você sempre reclamou por não termos explorado o seu potencial quando criança. Nós não fizemos isso, porquê não percebemos, seu pai não percebeu, mas você e Bart veem, não acha justo lhe darem a oportunidade?” Usou o velho argumento irritante, de quê fui um prodígio não reconhecido, por culpa do meu pai terrestre, e isso me chateou muito, contudo respirei fundo, e sentei a mesa, ligando o meu notebook. “Venha aqui.” Chamei-a, e a mulher baixinha e empinada, se juntou a mim, com seus óculos fundos. “Está vendo estas notícias?” Mostrei o novo sistema de pesquisa inteligente, conhecido como SIP-I. O programa que substituiu o Google em 2022, quando a Deep Web, deixou de ser uma rede subterrânea, para se tornar superficial, devido a grande popularidade de materiais distribuídos como inofensivos. Ao contrário do programa do Bill Gates, o SIP-I, era controlado por uma inteligência artificial, criada por um gênio e pai de família, que a desenvolveu exclusivamente para garantir que os filhos, ficassem longe dessas mídias danosas. O Google ainda existe, porém é uma ferramenta usada por criminosos, que agora podem agir a olho nu, graças a intervenção da Elite, para satisfazer seus desejos doentios. A policia, os guardas, os seguranças, os advogados, e todas as ferramentas para se fazer a justiça, não passam de teatros financiados pelo grupo piramidal, para fingir que ainda há um meio de salvar a todos. Sim, o mundo está um completo Caos, e não posso colocar a minha preciosa herdeira do verdadeiro Novo Mundo, nas garras dos monstros do atual. Não tive todo o cuidado de filtrar a sua programação, lhe formar em cursos a distância, para agora entregá-la de mãos beijadas ao sistema deles. “Menina de 10 anos, é estuprada em banheiro unissex por garotos da mesma idade. -Menina desaparece em escola, sem deixar rastros- Menina é agredida ao voltar para casa sozinha- Meninas tendem a sofrer 75% das agressões e abusos no país -Professor é preso por molestar as alunas. Preciso ler mais?!” Disse ao configurar o SIP-I com a minha biometria, para conteúdo adulto no meu computador portátil. “O mundo não é só isso Thamara.” Ela tenta me convencer, e eu acabo rindo, pois praticamente todo mês tenho que matar muitos, por conta da perversão que se expandiu. “Pode até não ser. Mas tudo o quê vejo é esse descontrole, e enquanto Ramona não for capaz de matar, em vez de ser morta, ela fica em casa.” Disse com frieza, e minha genitora se calou. A conversa que tive com a Dona Lina, me deixou bastante apreensiva, e trouxe de volta demônios, que há anos não me perturbavam. “Cuidado em casa.” Disse uma das vozes de minha consciência. “Você não deve confiar em nenhum homem.” Repetiu, e o medo se apoderou de mim. A passos lentos segui pelo corredor do quarto da minha menina, a porta estava entreaberta, e o meu bebê de 10 anos dormia totalmente embrulhado em sua coberta lilás, que por meu intermédio havia se tornado a sua cor favorita, desde que era menor. Entrei no cômodo, e me sentei ao seu lado, fiquei lhe fazendo cafuné, e vi o seu sorriso. “Você é a coisa mais importante do mundo para mim.” Disse-lhe, e ela me abraçou forte. Foi então que ouvi ruídos, e me vi obrigada a me esconder. Como não tinha para onde ir, usei um dos poderes da morte, a invisibilidade. Bart apareceu ali, e sem perceber acabei por deixar a menina descoberta, com o seu pijaminha de short curto. Respirei fundo, se algo ruim fosse acontecer, teria que ser naquele momento, pois meu marido pensava que eu ainda estava a conversar com a sua sogra. Ele a observou sorridente, e a cobriu, dando-lhe um beijo no rosto. “Sua mãe e você, são tudo para mim.” Falou com ternura, e eu não consegui me conter. Meu corpo tremulou entre o intangível e tangível, e acabei por surgir no canto da parede. “Thamara? Mas o quê faz aqui?” Disse já incomodado. “Eu precisava ver se a Ramona estava bem.” Foi o meu primeiro impulso a dizer. “Se era só isso, por quê se escondeu atrás da cortina?” Questionou com o ar de inteligência, sabendo no fundo o quê aquilo significava. “Nem precisa dizer.” Concluiu me deixando para trás, e sai atrás dele, pronta para me explicar.
    _Bart.
    _Thamy. Você lida com o mal o tempo todo.
    Como é que ainda pensa isso de mim?
    _É só que você é todo liberal, e gosta muito
    de mim, sendo que pareço uma menina
    de 14 anos.
    _15. Mas você tem 24, há diferença.
    _Até o dia que envelhecer...
    _Primeiro se envelhecer, sempre será a minha
    mulher. Segundo você não envelhece, é
    parte de ser a morte.
    _Mas se não consigo julgar nem a Katherine,
    que é minha irmã, imagine a você que é
    o amor da minha vida?
    _Eu não sou a Katherine. Tenho prazer de matar
    pela mesma razão que você. Pra limpar o mundo
    dessa escória maldita, que se tornou uma
    epidemia!
    “Tem prazer de matar? Pela mesma razão que ela?” Ouvi uma terceira voz na discussão, e meus olhos se arregalaram, lá estava a minha mãe na porta do quarto da minha filha, que se escondia atrás da sua longa camisola azul. “Ah! Fantástico!” Explodi, e ele lutou para se manter calmo. “Agora todos os meus planos para a Ramona foram por água abaixo. Está feliz?!” Deixei fluir o ódio. “Espera, vai me culpar? Foi você que iniciou a discussão!” Ele rebateu, e embora tivesse razão, preferi negar a culpa, e inspirei “todo o ar do ambiente”, até me tranquilizar, para explicar tudo o quê tinha acontecido, pois embora tivesse o dom de tirar a vida das pessoas, não tinha a capacidade mudar seus rumos. O tempo nunca volta para a morte, isto se dá por uma força maior que a minha, e até mesmo a de meu pai.
    Nos sentamos a mesa, a mesma onde deveriam haver conversas comuns e entediantes, em vez do grande “elefante” que estava entre nós. Ramona ficou a me observar com seus olhinhos negros, que estavam esperando uma explicação, enquanto minha mãe tremia como um rato diante do gato, achando que minha doença, tinha enfim chegado ao estágio final, e agora eu matava sem ter um código de conduta. “Eu poderia mentir para vocês, e acreditem em mim quando digo: Adoraria fazer isso. Mas esconder a verdade, as levariam a pesquisar por conta, e tirarem conclusões mais absurdas que o próprio axioma, por isso vou lhes contar tudo.” Tentei soar culta e fria, mas por dentro temia que não me entendessem, e me jogassem numa casa de apoio emocional e psicológico, um nome bonito para hospício do século XXI. Bart mesmo magoado pela acusação, segurou a minha mão me dando apoio, e apesar de meus demônios o odiarem, por me fazer tão fraca, uma pequena parte de mim, se sentiu segura por tê-lo ali, e assim ambos sorrimos sem vontade, um para o outro. “Lembram-se quando sumi por mais de 6 meses, quando estava perto de fazer 28 anos?” Iniciei o meu relato, com uma pergunta, para adaptá-las ao ambiente do passado. “E que Bart lhes disse que tínhamos tirado um ano de férias longe da Ramona, que tinha se tornado cada vez mais pestinha?” Conclui, e a velha conservada Lina, revirou os olhos, já se recordando do fatídico tempo. “É claro que sim, foi o seu ato mais egoísta em relação a pobrezinha.” Resmungou seca, e isso me fez sorrir com satisfação, pois agora ela se calaria com a verdadeira razão do meu sumiço. “A verdade é que eu tinha sido recrutada por uma antiga Ordem que...” Tentei terminar mas a avó, já veio atropelando a minha narrativa. “Você entrou para os Iluminados?! Depois de tudo o quê me falou sobre eles e sua maldade e...” Desta vez eu atropelei suas palavras. “Não! Eu entrei para a Ordem de Cristo. Na qual os verdadeiros devotos da luz celestial, ou estrela da manhã, são treinados pelo filho de Deus, para limpar o mundo de tamanha crueldade, provocada pela má interpretação das Escrituras Sagradas, que foram corrompidas pelo homem, para atender suas ambições.” Respondi quase automaticamente, e ela ficou emudecida. “Mas você é má. Como o filho de Deus, a aceitaria em seu rebanho?” Inquiriu desapontada com o seu grande ídolo divino. “Eu sou má, porquê preciso ser, e Jesus me escolheu porquê sou a filha dele e Madalena.” Disse com desgosto. Após ter entrado em tantas casas, para matar homens merecedores desta sorte, não gostava de ser associada a maldade diabólica, pregada por palavras vãs, de homens loucos por poder. “Mas você não é filha de Lúcifer?!” Ela ficou ainda mais confusa. “Tive a mesma reação ao descobrir. Mas sim Lúcifer e Jesus são o mesmo ser.” Esclareci, e ela cuspiu a água que tinha começado a beber. “Meu pai cometeu muitos erros mãe. Um deles foi tentado introduzir neste mundo, virtudes para os quais não estava preparado.” Baixei a cabeça, lamentando pelo surgimento da outra face, do príncipe do mundo. “Seu pai é o Alexandre! Esse homem que a induz a matar é um blasfemo!” Gritou como uma fanática, e com o meu dedo indicador apontei minha energia para a planta no meio da sala, que por “mágica" começou a secar, enquanto meus olhos mudavam de castanho para violetas. “Tudo é um, e o um é tudo.” Disse ao abrir a palma, e soprar a vida de volta para a flor, que brotou ainda mais linda e brilhante.
    _Como fez isso? Esse Homem. Esse homem é um alien?!
    _Não, bom é, mas não da forma que está pensando.
    Eu sou o cavaleiro do Apocalipse mãe, eu sou
    a Morte.
    _Mas como isso é possível? Sua gestação foi normal,
    embora houvessem complicações!
    _E você rezou a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
    para que eu não morresse, e me chamou de seu
    milagre.
    _Minha filha. É um peso tão grande para carregar.
    _Eu sei que é mãe. Sei que posso ficar louca. Mas pela
    primeira vez na vida, tudo realmente faz algum sentido,
    e principalmente, eu não preciso mais ficar de braços
    cruzados, vendo o mundo ruir.
    _Mas você é tão jovem, bonita, e inteligente.
    Ele não pode escolher outra em seu
    lugar?
    _Eu tenho 666 irmãos. Mas nenhum deles tem o
    meu poder mãe.
    _Eu sabia que um dia isso ia acontecer.
    _Não tá planejando me colocar no hospício não é?
    _Não, não minha filha. Apenas espero que saiba
    o quê está fazendo, pois um erro e...
    _Mamãe eu não morro.
    _Mas pode se ferir, e depois de tudo o quê já passou, não
    quero que se machuque ainda mais.
    Ela me abraçou, e Ramona ficou calada, ponderando sobre tudo o quê sabia a respeito de Cristo e Lúcifer. Naquela madrugada tive de falar tudo a minha pequena, de uma forma que ela pudesse entender, e acabamos por adormecer.
    O MISTERIOSO MARIDO NARRA:
    Thamara dormiu junto de nossa filha, e eu fiquei a mesa, arrumando os pratos, cheio de doces que devoramos ao ouvir as palavras da minha esposa. Lina não conseguia dormir, por isso ficou sentada no sofá com o olhar vazio. Embora quisesse transmitir confiança a filha, ainda não tinha aceitado os fatos, e suas mãos tremulantes, alegavam que estava a beira de um surto. Olhei-a por cima dos ombros, e respirei fundo. Se não a ajudasse agora, a Thamy iria sofrer as consequências mais tarde, e não podia deixar isso acontecer. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado, e ela como que por desespero virou-se para mim, dando-me um baita susto, com seus grandes olhos vermelhos e enrugados, marcados pelo pânico do desconhecido.
    _Bart.
    _Eu mesmo Lina.
    _Thamara não me contou como você foi envolvido
    nessa matança.
    _Ah, é simples. O par da Morte, sempre será
    o Peste.
    _Espera você também acredita que é um dos Cavaleiros
    do Apocalipse?
    _Mas é claro que sim. Fui treinado junto com
    a Thamy.
    _Isso é loucura Bart!
    _Não, não é. Basta parar de ver a Thamy como somente
    sua filha, que verá os sinais entorno dela.
    _Vocês tomaram alguma droga, quando conheceram
    esse guru que acha que é Cristo?!
    _Lina. Se acalma. O tal “guru" salvou sua filha de ficar
    cega.
    _Então é um alien! Um alien maldoso!
    _Lina. Ele é realmente Cristo, sua filha é a Morte, e
    eu sou o Peste. Precisa aceitar isso.
    _Por quê?!
    _Porquê com você como nossa aliada, podemos
    iniciar o quanto antes, os treinos de Ramona para
    esta seguir o destino que lhe foi escrito.
    _E seria?
    _Herdar nossos poderes e manter o mundo
    em equilíbrio.
    A conversa com Lina, não me pareceu muito proveitosa. Era evidente que Thamara tinha puxado a cabeça dura dela. Todavia obtive algum êxito, e por isso pude dormir em paz naquela noite. “Você tem que matá-la.” O sussurro de minha própria voz passou pelos ouvidos. Minha esposa não estava de todo errada, haviam demônios na minha mente, só que ao contrário do quê ela pensava, não representavam perigo algum a nossa filha, não da forma que com veemência me acusava, pelo menos. Meus pensamentos eram mais piedosos, me falavam sobre matar a família inteira, e depois a mim mesmo, não torturá-las com maldade, como fazia com minhas “vítimas”, ou de maneira sexual, como algumas das “vítimas” faziam com terceiros.
    Mergulhado no vazio obscuro dentro de mim, eu os vi. Eram vários de mim, cada um com uma ideia de diferente, e como eu sou o rei deste Inferno mental, caminhei lentamente entre eles, mostrando-lhes a minha força e imponência. O meu eu assustado se recolheu de imediato, ou meu eu raivoso, saltou na minha direção, e por isso o peguei pelo pescoço. “Ela nunca vai te amar! Não é capaz de amar a alguém!” Ele gritou e isso me fez sorrir, ao puxar seu crânio ensanguentado para fora do esqueleto. “Eu que mando aqui, e se não respeita a minha amada deusa, deve morrer como todos os outros.” Esclareci, e o frio e calculista veio até mim. “Ela não é controlável como a Célia. Não é um bom negócio, seguir com aqueles que estão além dos fios de nossa manipulação.” Olhou para mim, e eu lhe acertei com um machado que projetei. Não tinha tempo para ouvir as asneiras, de partes minhas, para as quais somente a Thamara ainda dava vida. “Ele seguiu por aquela direção.” Disse o meu eu viciado em violência, e por isso segui cautelosamente até a escuridão, que crescia da direção em que aquele demônio tinha se enraizado. “Ela te deixou uma vez.” Foram as suas primeiras palavras. “Ela seguiu com Dave, e te ignorou. Só retornou porquê Dave não a ama.” Continuou com seu monólogo de mágoa. “Só há uma razão para odiá-la tanto. Sr. Tristeza.” Brinquei ainda atento ao ataque dele. “É Sr. Melancolia.” Ele gritou enfurecido. “Pra mim parece mais o bebê chorão. Aquele tempo se foi Bart Melancólico.” O alfinetei, e depois recobrei o sentido, se somos o mesmo, não cairia numa provocação barata. “Não para mim. Eu ainda a vejo nos braços do outro, exatamente como ela desenhou.” Respondeu com mais intensidade, e pude chegar até ele, porém ao pisar no topo de uma colina, iluminada pela luz da lua, percebi que aquela voz vinha do meu inconsciente. “Ela nos ama. Me ama, e é só o quê importa.” Disse ao olhar para baixo. “Não é tão simples.” Suas sombras se materializaram, agarrando meus pés como tentáculos, e me arrastando para dentro do breu. Uma vez disse a Thamara que eu tinha entrado em depressão quando me deixou, mas eu menti, ela tinha criado algo muito pior dentro de mim, pois nunca havia amado tanto alguém antes dela, e agora esse mesmo monstro queria me puxar para o fundo, com o intuito de se tornar o 70% de mim, que controlava os meus outros demônios. Isso já tinha acontecido uma vez, e até hoje sofro com consequências do Bart Melancólico, que me levou a trair a minha esposa, mesmo que só emocionalmente, e ela nunca me perdoou. “Ela irá fugir com o primeiro homem bonito que aparecer.” Ele disse tentando me desnortear, mas desde que tinha completado 30 anos, não era o garoto de antes, o emprego e pequenas intervenções de Thamy, tinham me tornado atraente o suficiente, para não me sentir ameaçado, caso surgisse mais um novo rival, na batalha pelo coração da minha companheira. Por isso concentrei raios de luz na minha palma, e cortei os braços da criatura, antes de chegar na ponta do precipício. “Eu não entendo por quê você ainda existe. Eu já superei o passado, então faça o mesmo. Não importa as batalhas que perdemos, e sim que vencemos a guerra, e teremos a Thamara para sempre.” Disse iluminando o meu corpo ao máximo, para ser intocável pelo poder obscuro, do ser que habita as profundezas da minha cabeça. “Dave, Thomy, e outros, não foram os últimos.” Ele me disse, e retornei ao meu estado ativo.
    Já eram 7: 30 da manhã, e Thamara já havia iniciado suas negociações com o Robô da Ibov. “Me atrasei?” Brinquei com o meu sorriso mais sem graça, e ela seguiu com os seus olhos vazios, procurando por algo que nem a mesma sabia. “Está atrasado em 15 minutos, e só não perdeu 140 USD, porquê entrei em seu Login.” Respondeu seca, e isso me preocupou bastante. Se ela soubesse a luta que vivo toda noite, para continuarmos juntos, talvez valorizasse o meu amor, ou não. Conhecendo a senhorita “Não te amo há muito tempo.” Certamente não. “Obrigado meu peixe.” Agradeci citando o nosso apelido próprio, na intenção de alcançar as suas emoções. Só que ela seguiu inerte, me ignorando, e isso fez com quê o pesadelo da noite passada, parecesse bem real. Sentei-me do seu lado, meio desarrumado, tinha apenas escovado os dentes, e lavado o rosto. Sua pequena e delicada mão procurou pela minha, e isso me fez sorrir. “Não Bart Melancólico estava errado. Ela me ama sim.” Pensei tentando esconder o riso de alegria, e sem dizer nada ela se encostou no meu ombro, ainda focada na tela da FT. Era o seu jeito de dizer Eu te amo, sem o uso das palavras, e eu adoro isso, pois depois do carinho silencioso, sempre vem o beijo, e neste sinto toda a sua energia amorosa fluir com bastante gosto.
    A MORTE VOLTA A NARRAR:
    Ainda estava enfurecida pela noite passada, ele me traiu com uma garota mais jovem, de 18 anos, quando tinha 22. O quê quer que eu pense? Que é um homem digno que não se interessa por garotinhas? É difícil. Pois achei que o fato de ser 2 anos mais nova, me dava uma vantagem que as outras não podem ter. Afinal desde nova, sempre sofri muita rejeição dos caras da minha idade, e recebi bastantes pretendentes mais velhos. Assim conclui que meu par teria de ter sempre um ou dois anos acima de mim, do contrário sempre seria sempre um fracasso. Meus planos caíram por terra! Mesmo sendo mais nova, ele procurou por uma ainda mais nova, 4 anos mais nova. O quê me levou a concluir que se tivesse 17, teria um relacionamento com uma menina de 13 anos, algo tão patético, quanto o quê Roger, o lixo que me desvirginou fez. Depois de tal fato, nunca mais o vi com os olhos do encanto, porém ainda sim, mesmo ferida, e quebrada por dentro, não deixei de amá-lo. Só que como ele nunca valorizou os meus esforços, para manter longe os abutres que queriam destruir o nosso relacionamento, sempre que esse rancor crescia dentro de mim, acabava por dizer que não sinto mais nada, pois a verdade é que não queria sentir, mas por alguma razão era o único que não era capaz de deixar de amar totalmente. Talvez fosse o pacto que fizemos, quando ele tinha 18 e eu 16, ou quem sabe somos almas gêmeas. Já não sei mais, pois cansei de fazer inúmeros rituais para nos desamarrar, e continuarmos voltando aos dias de intensa paixão da juventude, e nos amando ainda mais. Como uma maldição sem fim, da qual nunca poderia escapar. Karma também é uma opção, consequência por desafiar a ordem divina. Contudo poderia ter me prendido a um homem cachaceiro, que me bateria, ou não me reconheceria nem mesmo com magia. Porém acabei junto dele, e apesar de ter sido o maior dos idiotas, foi a melhor opção, entretanto se pudesse voltar no tempo, eu teria impedido essa união de todas as formas, e com certeza me espancaria até desmaiar, antes de juntar nossas gotas de sangue, e transformá-las numa só, envolvendo o nome de Lúcifer e Lilith. Talvez fosse melhor ter invocado a própria Afrodite e o seu Adônis endeusado, mas isso é duvidoso, pois muitos no círculo dos magistas alegam que Lilith é Vênus, e se isso é verdade, então Lúcifer seria Áries ou será que era o pobre Efestos? Aquele que foi expulso do Olimpo pela própria mãe, e se tornou um Deus por sua cruel astúcia, ao descobrir as fraquezas daqueles que um dia o humilharam. Tanto faz. Só sei que rezei aos deuses errados, pois mesmo que a minha vítima cedesse, passamos por vários problemas ligados a este bendito ritual diabólico. O amo muito, ele é a minha vida, não vivo sem ele, parece que quem se amarrou fui eu. É duro sentir tal coisa, sendo que nunca tive tal emoção, por nenhum outro homem antes, e pior ainda é gostar dele deste forma, depois de tudo o quê aconteceu. Eu piso, humilho, chuto como se fosse outro psicótico a ser julgado, e na hora de partir o agarro forte, e faço o quê estiver ao meu alcance para não deixá-lo ir. Meus médicos dizem, que é culpa do meu mal, que não o amo de verdade, só gosto de sua submissão, e de torturá-lo friamente. É tudo tão simples para eles, que chega a me dar raiva. Não é que não o ame, pois se assim fosse, não perderia a cabeça só de imaginar ele com outra. “E isso se dá porquê o trata como sua posse, e acredita que ninguém mais pode tocá-lo.” Já até ouço o Doutor Fernand dizer, e reviro os olhos. Oras se não quero que ninguém toque nele, é porquê é importante para mim, e as mãos impuras de terceiros não devem corromper o meu imaculado amado.
    _O quê está pensando Thamy?
    _Nada.
    _Olha lá a mentira patológica gente.
    _Não importa.
    _Ainda é sobre aquele assunto irritante?
    _Em parte sim.
    _Hm.
    _O quê quer para o café?
    _Nada.
    _Isso só funciona comigo. Deixa de graça.
    _Eu realmente estou sem fome.
    _Então vou fazer bolinhos de queijo
    , presunto, salsa, e recheio de
    requeijão.
    _Quero 2.
    _Ótimo. Vou aguardar você terminar
    aqui.
    Sorri da maneira mais cínica, e isso o contagiou. É nessas horas que percebo o quanto me ama. “Eu vou. Mas só porquê me garantiu 140 dólares ainda pouco.” Fez a face de senhor da razão, e eu gargalhei. Está querendo enganar a quem querido? É evidente que expande a quantidade de oxitocina no seu organismo por mim. Tomamos o café-da-manhã, já em clima de harmonia, sorrindo como se por alguns minutos todos os males tivessem ido embora. Uma perfeita relação abusiva, na qual para surpresa de todos, era a mulher que estava pisando de salto alto nos sentimentos do homem. O telefone tocou, e fechei a cara, pois não era Lúcifer que estava me ligando, e sim a minha irmã que tinha se bandeado pro lado dos Iluminados.
    _Luciféria.
    _Pai!
    _Precisa vim a Santa Marta o quanto antes.
    _O quê? Por quê?
    _Sua irmã despertou da lavagem cerebral
    das Corais, e está a beira da morte!
    _Ela... O quê?
    _Venha ao mosteiro, e explicarei tudo.
    _Está bem.
    Ele desligou, e eu olhei para Bart. Nós entramos no carro, e dirigimos até o monte dourado. Katherine estava totalmente desidratada, caída no piso, como se implorasse pelo seu último suspiro. Sem dizer nada, afastei todos os frades, e me ajoelhei diante dela. Concentrando minhas energias na palma, vi ambas se tornarem esferas de luz radiante, e soprei para dentro da sua boca, infelizmente minha irmã não estava só morrendo, e sim tinha sido acometida por um vírus, e somente o sangue do Peste, poderia curá-la. “Vai em frente.” Disse ele estendendo o pulso, e com minha unha de energia, perfurei sua pele rasgando-a, até pingar gotas vermelhas na língua da moça, que pouco a pouco se restabeleceu de sua doença.
    Passadas algumas horas...Caminhei pelo mosteiro, e fumei um cigarro de maconha para me acalmar. Meu pai viu, e sorriu, erguendo a mão, para tirá-lo da minha. Sem questionar o entreguei, e para a minha surpresa, ele o levou aos lábios, e puxou toda a fumaça com gosto. “Parece que o lado Lúcifer segue aí dentro.” Brinquei, e ele olhou para o céu. “Lúcifer nunca irá embora, Magda.” Respondeu com calmaria. “É Luciféria, Luciferiel.” O corrigi. “Luciféria no céu, Magda na Terra, Arádia na Magia, Matheuccia na Religião...São apenas nomes. O quê importa é a sua essência, pequena princesa.” Citou meus “20 nomes", e me fez entender o seu propósito. “De fato. Lúcifer no céu, Jesus Cristo na Terra, Agrippa na Magia e na Religião.” Devolvi na mesma moeda, e ele riu com compaixão. “Então reconheceu minhas palavras, até mesmo através de um homem? A eduquei direito pelo visto.” Olhou para o lado, e ergui os ombros. “Quando falou que o Ar não era um elemento, e sim uma cola que unia os outros 3, como se o mesmo fosse o mais poderoso dos elementos, ficou bem óbvio na verdade.” Completei, e ele seguiu a fumar a erva sagrada, que aos olhos do sistema, era maldita, pois fazia o cérebro trabalhar mais rápido, e se tornar menos passivo ao controle. “Pena que nem todos os meus filhos aprenderam direito a respeito da palavra sagrada.” Olha para a frente, e a silhueta de violão da Coral, surge querendo se aproximar de nós. “As deixarei a sós.” Ele de imediato se retira. “Espera, ela é sua filha. A minha está em casa lendo e aprendendo.” Resmunguei colocando minha mão em seu peito, não o deixando passar. “Mas quando sua mãe criou ódio dos homens, você cuidou dela, como se fosse sua. Queria uma chance de se redimir? É esta.” Me relembrou, e acabei por ficar sem argumentos. Como uma criança, a morena veio até mim, e eu segui com a postura fria de mágoa.
    _Lucy.
    _É Thamara.
    _Pra mim sempre será Lucy, a minha irmãzinha
    mais velha.
    _Irmã mais velha, não venha com diminuitivos
    para despertar meus sentimentos.
    _Como sempre fria como gelo não é?
    _Diria mais fria como a Antártica.
    _Não vai querer saber como te encontrei?
    _Você sempre se fez de lesa, mas é inteligente.
    Não há nada surpreendente em ter chegado
    até aqui.
    _Eu ouvi um elogio da Sra. Crítica?
    _O quê quer aqui Katherine? Já não nos traiu
    o suficiente, ao se misturar as Corais?
    _Isso está além do quê pode compreender
    Thamara Mary.
    _Que você tinha sede de poder, e se meteu
    com as pessoas erradas? Não, é bem
    fácil.
    _Se me ver como a velha Lilá, sim, é só isso.
    Mas entrei na Ordem das Corais, para vigiá-las,
    e te entregar constantes relatórios sobre os
    crimes.
    _É Agarath e disso eu me lembro. Então num fatídico dia, simplesmente me levou para uma armadilha, e por pouco não morri.
    _Eu me apaixonei Lucy, e assim como você
    e Bart, ele era o meu parceiro de outras
    vidas.
    _Outro loiro de olhos claros com o rosto
    de uma estátua grega?
    _Guarde o seu sarcasmo. Ele era moreno,
    de olhos castanhos, e sem um gigante
    porte físico.
    _Deixe-me adivinhar, era o líder das Corais?
    _Não. Era outro subalterno como eu, e quando as
    Corais descobriram que tinha traído elas, juraram
    matá-lo, e me entregar o seu coração numa
    folha.
    _Então por um amor de verão traiu
    alguém de seu próprio sangue.
    Interessante.
    _Ele não era um amor de verão Lucy!
    Estávamos juntos, desde que me infiltrei
    na Ordem das Corais!
    _E já se passou pela sua cabecinha infantil,
    que ele pode ser o vigia delas, para testar
    a sua lealdade queridinha?
    _Já! É claro que já! Você me treinou lembra?
    _Então como ainda pode me trair?
    _Porquê ele era diferente do John. Me ligava,
    Mandava flores, fazia planos comigo, e me
    fazia ver que Bart não era o único homem
    na face da Terra, a amar uma mulher.
    _Não te usava? Não te ignorava? Não
    pisava em você? Não dava sinais claros
    de manipulação, e que não estava
    afim?
    _Não. Havia tanta devoção da parte dele,
    que várias vezes as Corais tentaram o matar,
    somente por me proteger.
    _Então te amava mesmo.
    A conversa prosseguiu, e vi os olhos de Katherine. Apesar dos sinais de um amor realmente recíproco, estava claro que aquela história não tinha tido um final feliz.
    A MEMBRO CORAL NARRA:
    Quando entrei no clube das Corais, que até aquele momento não era uma ordem reconhecida pelo mundo, tinha apenas um objetivo, orgulhar a minha mestra, irmã, e segunda mãe que já tinha conhecido. A tarefa era simples, apenas observar os relatórios através do Whatsapp e repassá-los para a minha superior, que havia praticamente retornado dos mortos. Contudo praticamente da noite para o dia, o Clube das Corais, ganhou destaque, e passou a ser notado por diversos países. Assim em vez do pequeno grupo que só tinha conversas online, agora os membros ganhavam passagens, para se encontrarem pessoalmente. Entrei num lugar com estátuas de Gárgula, cheio das mais diversas artes clássicas e góticas. Quem tivesse conhecido a líder antes, não acreditaria, que Ane Marrie agora era uma das mulheres mais ricas do Brasil. Mas isso tinha um preço, que era caro demais para pagar. “Olá meus filhos. Eu sou a deusa. Lúcifer não virá, mas os homens de Cristo, bateram a nossa porta, e não podemos deixá-los esperando.” Disse Ane, enquanto os 9 membros principais, se aproximavam de seu trono de mármore, uma regalia necessária, oferecida por ninguém menos que os iluminados. “Luz é o quê este mundo precisa, e é a ela que agora serviremos, sem perder a nossa autonomia.” Prosseguiu, sentindo-se a dona do mundo. “Se Lucy assistisse a essa cerimônia, teria revirado os olhos, e cochichado algo sarcástico.” Pensei ao me ajoelhar perante os pés da “deusa Marrie". A festa foi bastante recatada, até o momento em que ela pediu que nos despíssemos. Tremi um pouco, pois só havia eu e mais uma garota, chamada Pauline, e um dos homens veio até mim. Seu nome era Timothy, e o olhar cheio de desejo, me fez ter repulsa, por achar que era um pervertido qualquer. Porém quando segurou minha mão, e a beijou, soube que mesmo sendo um tarado, era um cavalheiro. “Não é bem o lugar para ser educado.” Joguei verde, para ver se era um teatro e ele riu. “Com alguém tão bela quanto você, é sempre hora de ser educado.” Ele me olhou com os seus escuros olhos penetrantes, e sem graça deixei meu riso escapar. Após o evento, em que por nome dos deuses tivemos de copular, Ane Marrie notou uma conexão entre nós, e nos fez um par, segundo ela éramos deuses antigos, que agora tinham reencarnado para clarear a sociedade. Novamente se Lucy ouvisse tal coisa, iria surtar, pois parecia uma cópia malfeita da historia dela e do marido, e se saísse da minha boca, certamente brigaríamos, pois ela iria pensar que a ideia teria sido minha, por conta dessa “mania de poder". Timothy andava pela cidade, sentindo-se o Senhor das Ruas, por conta do título que a “deusa" lhe proporcionou. Eu seguia ignorando isso, minha deusa era outra, e a mesma dizia que eu só me tornaria como ela, no dia em que finalmente despertasse, de maneira tanto física quanto intelectual. Só que o meu parceiro achava mesmo que Ane Marrie, era alguma entidade poderosa, por isso tentava fazer a minha cabeça para ver a sua grandeza, e jamais seguir a renegada filha de Lúcifer, que não fazia parte das Corais, por ser uma egocêntrica, metida, que achava ter mais poder que a “nossa" majestade. “Sempre não é Lucy?” Mas estes embora pareçam ser defeitos, no fim eram suas qualidades, e eu admirava esse desempenho frio e turrão de ser. Percebendo que a glória da Rainha Cobra, não me tocava o coração, ele desistiu de falar de seus feitos, e passou a mudar de assunto. “Obrigado Satã por sinal.” Foi então que vi que Timothy, não era só um ingênuo seguidor da “deusa nada virgem", como Lucy costumava chamar, e pouco a pouco, meus pensamentos sempre focados na minha irmã, foram desaparecendo, e sendo substituídos por todos os segundos e minutos que ficava perto dele. É claro cometíamos muitos crimes hediondos, em nome dos Iluminados, por intermédio da majestosa Marrie. Mas tudo o quê ficava na minha mente, eram os milk-shakes com hambúrguer que comíamos na volta para casa. Os meses se passaram, e a minha aproximação com ele, se tornou cada vez maior. O quê deveria ser somente uma parceria de negócios, logo se tornou um romance, e quando dei por mim estávamos vivendo juntos, no apartamento simples dele, que nós chamávamos de ninho do amor. Mesmo que um filho de Eva morresse em minhas mãos todos os dias, tudo o quê importava, era o calor do seu colo no final da noite, pois nada mais era importante além de nós dois, ou assim pensei.
    Certa noite cheguei em casa, e Timothy não estava lá. Somente o nosso cachorro Vlad, se encontrava no apartamento. Logo o medo de algo ter acontecido invadiu o meu pensamento. Liguei em seu telefone, e o mesmo estava desligado. Estaria ele aprontando sem mim? Questionei. Só que o meu amor, me deixou um pouco mais lúcida, e por isso decidi verificar os meus recados. “Amor. O Vlad tá com saudades.” Foi a primeira mensagem, as 7:30. “Amor hoje vai ter pizza na janta, quer escolher o sabor?” Foi a segunda, na hora do almoço. “Amor trouxe sua pizza favorita, com muito queijo e...” A ligação caiu as 19:45. “Merd...!” Deixei escapar, e fui para a próxima e última mensagem. “Sabemos de sua conexão com a deusa renegada, e se quiser ouvir outra declaração patética do seu amado, vai ter que fazer o seguinte...” Anotei as instruções com a mão trêmula. Sabia que Thamara jamais me perdoaria, pelo que ia fazer. Contudo Timy era o amor da minha vida, e eu não me perdoaria se algo acontecesse a ele. Precisava tomar uma decisão, que mudaria a minha vida sempre, e tinha apenas alguns minutos para cruzar a linha da traição. Foi então que segui o plano delas, e enviei uma falsa localização para a minha irmã, que a enviaria direto para o abate. Ela não havia despertado ainda, mas assim como eu tinha alguém que me amava, ela também tinha, e certamente ele iria resgatá-la, e caso isso falhasse, havia uma força celestial disposta a mudar o tempo, para salvá-la, e sendo assim ela era importante o suficiente para o universo intervir. Ao contrário do Timothy que tinha menos de 2 horas de vida, e poderia desaparecer para sempre, pois era um criminoso, e mesmo sendo um filho do Inferno como eu, ficaria preso ali, por sua afronta a ordem natural, ao seguir as leis erradas. Era o fim da minha parceria com a minha irmã, e por isso não conseguia aguentar as lágrimas, mas mesmo assim, eu segui em frente, e entrei naquele depósito. Timy estava preso dentro de um vidro cheio de água, acorrentado até o pescoço, com panos brancos que estavam vermelhos de sangue. Só haviam 7 minutos de vida agora, e eu precisava encontrar o painel. Corri de um lado para o outro, tentando achá-lo, até que notei os olhos do meu amado, e segui na direção indicada por estes. Quando o líquido já tinha ultrapassado o queixo, eu consegui desligar, e sem pensar duas vezes, entrei no tanque, e usei a chave que me entregaram, após mandar minha irmã para a morte. Ao nos encontrar nos abraçamos mais forte do quê nunca, e nos beijamos ali dentro. Mas após ter comprometido toda a Ordem das Corais, eu mesma paguei o preço. O tanque se fechou, na parte de cima, e a própria Ane Marrie, veio nos executar. Pensei que ia morrer, pois agora não só subia água, e sim um liquido verde, que segundo a mesma estava contaminado, com um vírus que tinha ficado adormecido há 7 mil anos. Eu gritei, e me debati, enquanto Timothy ficou parado. Não entendi a razão, até ver a enorme e gosmenta criatura na sua nuca, que brilhava mais que neon, e que seus olhos estavam vazios. “Este? É um presente da nossa bióloga renegada, que antes de sair me ensinou sobre todos os poderes da ciência... e seus malefícios.” A rainha sorriu, e entrei em desespero. Sem saber o quê fazer, passei a me empurrar na ordem contrária ao apoio do tanque. A queda poderia me machucar, só que era melhor que morrer. Empurrei várias vezes, impulsionando o meu corpo, até que a cúpula caiu no piso e se partiu. Me arrastei entre os cacos, e peguei a mão do meu namorado. Sabendo que não éramos mais bem vindos, sai correndo até a saída mais próxima. Nós dois corremos até a floresta, e quando vi um frade passar por ali, gritei pedindo por ajuda. “Eu sou Úrsula, a outra irmã de Thamara a filha mais velha de Cristo!” Foi tudo o quê pude pronunciar, antes de desmaiar. Se falasse meu nome verdadeiro, eles não nos ajudariam, Thamara tinha deixado isso bem claro, na sua “doce” carta de despedida, por isso fui obrigada a mentir. Mas ainda bem que fiz isso, pois me trouxe até o único lugar, em que Timothy pôde ser curado, para que possamos iniciar uma nova vida, longe dos crimes da Ordem das Corais. Sei que somos dois ímpios, mas se meu pai é mesmo Cristo, ele ensinou os outros a perdoarem, e certamente não negaria uma segunda chance, para uma das suas filhas, e o sobrinho, filho de seu irmão Belial.
    _Então mentiu para chegar aqui?
    _É só o quê ouviu?!
    _Não, foi apenas a parte mais marcante, pois pensei
    que tinha me rastreado de alguma maneira, algo mais
    inteligente, do quê apenas sorte.
    _Foi inteligente, do contrário Timothy teria morrido.
    _E agora espera que a Ordem de Cristo os abracem
    , e ofereçam um banquete pela sua chegada?
    _Queremos somente redenção Thamy.
    _Sem coroas, deuses, ou as velhas regalias que
    foram ofertadas por Marrie, para tentá-los ?
    _É claro que sim.
    _Estão prontos para o trabalho duro,
    que lhes confere alguma nobreza
    entre nós?
    _Se tiver um quarto, comida boa, e bons
    livros.
    _Acha que está no direito de exigir?
    _É o mínimo para um ser humano.
    _Então terá de se dirigir ao pai.
    Ele quem lida com essas
    coisas.
    Thamara era bastante firme em suas palavras, porém era evidente o alívio que sentia no peito, por me ter de volta ao seu comando. Uma vez irmã, sempre irmã, e mesmo com toda a frieza, ficava claro que se importava do contrário, não teria feito o seu marido “O Peste" me dá o sangue da cura.
    A MORTE NARRA:
    A volta da minha irmã mais nova deveria me trazer alegrias, mas por mais feliz que estivesse pela sua volta, não podia me esquecer dos males que tinha causado, e de quê nem Ramona escapou das suas teias diabólicas. Inspirei fundo, e caminhei para longe dela, deixando-a sem respostas. Tudo sempre foi muito fácil para Katherine, então não me admira a sua “cara de pau”, de vim até Santa Marta em busca de perdão. Nosso pai poderia lhe perdoar, afinal ele sempre foi o cara que perdoo as faltas do mundo, mas eu neste sentido, era tão implacável quanto minha mãe Madalena Lilith.
    A noite... Timothy e Katherine ficaram agarrados um ao outro, sorrindo, ao beberem a sopa do nosso chefe e padre João. Quem os visse ali, pensaria que eram almas gêmeas, puras e inocentes, entregues aos desejos da juventude. Fiquei com o cotovelo apoiado na mesa, pousando a mão abaixo do queixo. Os observando com cautela e fúria. Vendo o meu estado, Bart deitou sua cabeça no meu ombro, dando-me beijinhos no pescoço, até me fazer rir, e sussurrou para nos afastarmos de todos. De mãos dadas, nós seguimos até a beira do rio cristalino, e nos sentamos na ponta da terra, deixando a água cobrir os nossos pés. “Não gostei da volta dela.” Ele iniciou, e dei graças aos deuses, por não ser a primeira a dizer. “Ela é minha irmã, mas eu também não estou satisfeita com isso.” Concordei, e ele se deitou no meu colo, deixando a água fria cobrir metade do seu corpo, já que a fenda estava rasa, e “secando”.
    _Por pouco você e Ramona não morreram
    naquele dia. Não é algo fácil de se perdoar.
    _Se Ele não tivesse parado o tempo...
    _E ainda tem essa. Graças a ela o Arcanjo voltou.
    _Ciúmes, bonitinho?
    _Sempre terei ciúmes de você. É o amor da
    minha vida.
    _Você também é o amor da minha...
    _Mas?
    _Você sabe...
    _Está muito magoada comigo, para sentir
    alegria por isso.
    _Olha, não é que é esperto?
    _Engraçadinha.
    _Sou mesmo.
    _Eu te amo Thamy. Sei que falhei feio contigo, como marido,
    mas não vai se passar um dia da minha vida, que não deixarei
    de lutar para ser digno do seu perdão.
    Ele ergueu a face para cima, e pude vê as estrelas se refletirem nos seus olhos. Aquelas íris brilhantes, e a pupila tão dilatada ao olhar para mim, me fizeram entender porquê mesmo depois de tantos anos, sofrendo por ser incapaz de dar uma segunda chance a alguém, ainda seguia ao seu lado, e afastava todos os possíveis pretendentes, tornando-o minha primeira e única opção. “Também te amo Bart. É difícil pra mim perdoar, qualquer pequena falha que seja. Mas por você estou tentando.” Me esforcei para me declarar. Escrever é fácil, porém falar dos meus sentimentos, sempre foi algo complicado, pois é como se eu não fosse capaz de amar, ao ponto de literalmente esquecer de mim, e levar um tiro para proteger alguém que não está dentro desse corpo. Contudo Bart era o único por quem eu realmente me esforçava para ser melhor, e por mais que o Dr. Fernand ou o Dr. Augusto dissessem o contrário, isso para mim, era o mais perto do amor que podia conhecer. Sem que percebesse, meus dedos fizeram carinho em sua cabeça, e meus lábios foram até os seus. Talvez amar, não fosse algo que trouxesse somente felicidade e satisfação, e sim a caminhada longa e tortuosa, na qual os dois enfrentam todas as barreiras para continuarem juntos.
    O PESTE NARRA:
    Outra vez seus impulsos românticos a traíram, era óbvio por causa da sua face corada de vergonha, ao afastar o rosto depois de me beijar, e praticamente criar alguma distância emocional, ao se recostar para trás. Ainda bem que tínhamos voltado a brigar por nosso relacionamento, não queria me lembrar, do dia em que quase perdi a mulher da minha vida, e o fruto desse amor que nunca se apaga. Droga. Estou começando a lembrar outra vez...Já ouço o som do temporal que caia, e a voz dela ao telefone. “Bart por favor me ajude.” Foi tudo o quê ouvi, antes de ligar sua localização, e seguir até o meio da mata escura. A mesma em que há poucos dias, havíamos encontrado sacrifícios infantis, em nome dos “ofídios em forma de humanos”. O sangue estava espalhado por toda parte, - ao contrário do quê fizeram com Marcele, outra membro que abandonou as corais, antes da mesma se transformar numa ordem mundialmente famosa, por suas atrocidades. – Eles queriam mesmo executar a Thamara, sem fazer parecer suicídio. Minha respiração era calma, porém a cada passo que dava, o medo crescia dentro de mim, e os suspiros pouco a pouco se aceleravam. As folhas se quebraram abaixo dos meus pés, mesmo tentando ser sorrateiro, e isso fez meu coração subir até um pouco acima das costelas. Um pouco trêmulo, me aproximei das árvores, para observar o ambiente. Sentindo a força de Gaia fluir pela copa, ganhei energia para enfrentar os monstros que tinham levado a minha amada, e a minha filhinha. Minha áurea obscura cresceu, e por alguns segundos o Bart viciado em violência, tomou 70% do controle do meu corpo, pois estava pronto para me “banquetear” com a carne de certas corais. Meus dedos arranharam o tronco, como se fossem obsidianas, e por um momento senti que meus olhos queimaram, e se tornaram amarelos como ouro, dando-me o poder de ver no escuro. Foi então que a vi, nos braços dele, e minhas íris se tornaram vermelhas como rubi, pois o Bart melancólico quem assumiu. “O quê faz aqui?” Perguntei ao ver o homem de longos e cacheados cabelos negros, que segurava a minha esposa, e ficava ao lado da minha filha, me encarando com seus olhos azuis, que brilhavam de maneira tão inumana quanto os meus. “Se soubesse cuidar dela. Eu não precisaria intervir.” Ele me respondeu, e isso me fez rir de raiva, pois jamais deixava de salvaguardar a minha amada. “O quê aconteceu?” Perguntei lentamente, pronto para matá-lo com todos os requintes da maldade, assim que me entregasse a minha companheira. “As corais vieram atrás dela.” Disse sem parecer se importar, e ela despertou. “Você?” Perguntou para ele, com certa mágoa, e este sem querer sorriu. “Estou fazendo hora extra.” A colocou no piso, e levantou voo. “Ela precisa de proteção. Não importa quem você seja, sabe que somente o Pai tem tal poder.” Disse ao passar por mim. Apesar de ser um engomadinho celestial, ele estava certo, porém conhecendo a mulher que tinha, havia a certeza de quê ela não seria a favor de tal intervenção, por isso só deixei escapar um barulho de lata de refrigerante sendo aberta.
    No caminho de volta para casa...Thamara ficou em completo silêncio, segurando Ramona que tinha dormido em seus braços. Pelo retrovisor pude vê-la. Seu olhar era vazio, tinha marcas de garras nos ombros, o lábio estava roxo, como se tivessem torturado e depois a forcassem a beber veneno. Eu queria saber o quê tinha acontecido, mas ela parecia sem reação. Ao passar pela entrada de casa, ela pulou no meu colo e me abraçou forte. “Ela saiu. Eu preciso ir embora.” Foram as suas palavras. Sem pensar, a segurei contra o meu peito. “Não.” Foi tudo o quê consegui sussurrar, e ela me deu um beijo no rosto, seguido de um beijo na boca, que pareceu sugar as minhas energias. Era como se ela fosse a Hera Venenosa das revistas em quadrinhos, mas seus olhos ficavam violetas e vítreos, quando minha vida era engolida por sua boca roxa. “Eu te amo muito. De verdade. Mas meu ódio pode te machucar, então adeus.” Ela disse e dei o meu último suspiro, caindo desmaiado no piso.
    Os dias se passaram...Minha sogra entrou em desespero, e veio para dentro da nossa casa, me oferecer ajuda para cuidar de Ramona, enquanto eu procurava por minha esposa. Cheguei a voltar a beber e fumar, coisa que só fiz na adolescência após termos terminado por conta dos seus inúmeros pretendentes, e querer vivenciar todos os prazeres da juventude. Ela certamente diria que o fez, pra ficar com o tal Dave, porém anos mais tarde, vim saber que não tinha só o babaca, outros estavam aos seus pés. Não acho isso negativo, porquê eu também era o homem de muitas, após termos nos afastado. Pra mim isso só significava que a separação nos tornou duas criaturas frias e maldosas, que deixaram um rastro de destruição por onde passaram, mas se reencontraram mesmo nas trevas, pois eram perfeitos um para o outro. Infelizmente acho que ela não via assim, e por isso tinha partido de vez. Ela, seu outro Eu sempre saia em momentos de adrenalina. Então isso pra mim, era uma desculpa mais do quê esfarrapada. O sino da porta do bar tocou, e foi tudo muito rápido. Um grupo de mascarados, com uma braçadeira vermelha, jogaram um frasco ovalado no piso, que se partiu e deixou todos doentes.
    No meio daquela névoa verde, eu via mulheres e crianças gritando, ao chorarem lágrimas de sangue, enquanto os homens vomitavam sem parar pelos cantos, e alguns tremiam como se sofressem o efeito colateral de um remédio psiquiátrico. O quê quer que seja, era mortal, mas me sentia normal, por isso caminhei por ali, até chegar a saída, onde encontrei um grupo de homens de túnica branca. “Eis que o filho do nosso senhor enfim aparece entre as sombras, iluminando-as com a sua luz.” Disseram em coro, e ergui uma sobrancelha de incredulidade. “Saudamos-te ó grande cavaleiro iluminado, que deve acompanhar a amazona negra que com a sua mortalha e foice limpará o mundo.” Eles se ajoelharam diante de mim, com itens em suas mãos. “Eu sonhei que muitas pessoas morriam por minhas mãos.” Me recordei, com a voz dela. “Não podia ver o rosto, mas andava a cavalo com um guerreiro de armadura prata, que me levava até os outros dois. Era como se eu fosse a Morte” Foi o segundo lampejo. “E se um dos cavaleiros, não for apenas uma corrupção machista, e a Morte na verdade é uma amazona?” Foi o quê me fez ter certeza que era dela que se tratava. “Onde ela está?!” Peguei um deles pela túnica, e ergui contra a parede, pronto para destrui-lo caso tivesse feito mal a minha amada. “Está em Santa Marta, porém assim como a mesma está treinando, você deverá fazê-lo, para terem controle dos seus poderes, e não serem controlados por eles.” Me respondeu aquele ficava ao lado do outro. “Olha pra minha cara. Vê se eu me importo com isso? Só quero achá-la.” Disse com impetuosidade. “Se quiser ver a minha filha. Terá de ser merecedor dela.” O quarto e último homem impôs, e quando olhei para trás, vi seus olhos brilhantes como uma lâmpada no escuro. “Lúcifer?” Questionei desconfiado. “É apenas um dos meus nomes, meu filho rebelde.” Me respondeu. “Ela está bem? Não estão abortando seus filhos, e lhes dando o feto para comer não é?” Inqueri me recordando das terríveis visões da minha companheira. “Não somos Os Iluminados. Nosso treinamento é mais rigoroso e evolutivo. Ela está aprendendo a controlar o poder da Morte, e não se tornar o próximo grande Demônio, já temos você pra isso.” Respondeu e brincou no final. “Do quê está falando?” Perguntei sem entender a razão de tal acusação. “Então o bloqueio de memória foi um sucesso.” Se aproximou de mim, e pousou a mão no meu ombro direito. “Infelizmente Baal Hadad, não poderá viver para sempre nesta mentira, de quê só Thamara Mary, viveu no Inferno, e tem o meu sangue.” Tais palavras me deixaram um pouco receoso. “É hora de enfrentar o seu grande demônio, e fazer juiz ao fato de ser o príncipe deste mundo.” Ele prosseguiu. “Esse não é o teu título?” Perguntei com certa curiosidade. “Eu sou o novo Deus, meu filho, o título de Diabo é, e sempre será seu.” Ele me respondeu, e meus olhos se engrandeceram. “Isso não seria uma blasfêmia para o Altíssimo?” Notei os aspectos bíblicos dos quais Thamy sempre falava. “Seria, se ele não tivesse concedido esta glória, para se tornar o sucessor do seu bisavô.” Outra vez ele respondeu algo de quê não tinha muito conhecimento, a não ser pelas aulas da minha linda descendente dele.
    _Eu tenho um bisavô?
    _É muito para explicar. Mas sim. Você é parte da terceira
    gerações dos deuses.
    _Então este bisavô é o Caos da mitologia nórdica?
    _Sim, e dele nasceram os primeiros deuses supremos,
    que são os seus avós.
    _É muito para processar...
    _Ficará mais fácil depois que desbloquearmos sua memória.
    _Não.
    _O quê? Por quê?
    _Se sou mesmo o Diabo, não quero machucar Thamara
    ou minha filha, é melhor deixá-lo adormecido.
    _Isso é um excelente sinal. Porém embora tenha machucado
    muitos com a sua frieza e sadismo, tenho certeza que não
    praticou algum mal contra elas.
    As palavras de Lúcifer me acalmaram, e por isso segui com os frades, para receber o devido treinamento de meu poder, e ver a minha amada outra vez. Foram 6 meses de teorias e práticas, sobre o meu porte físico e espiritual. Os cientistas da ordem diziam, que minha saliva era uma fonte de doenças nocivas, que se transformava no quê minha mente desejasse, e que o meu próprio sangue, continha antígenos praticamente sobre-humanos para cada um desses males. Por vários meses fui estudado numa estufa, ás vezes dentro de um tanque, outras numa maca, para definir o limite dos meus poderes, que faziam de mim, uma bomba biológica, com a cura para as mesmas doenças que causava, por isso me chamaram de Peste. Contudo embora fosse parte das minhas habilidades, ter esses vírus vivendo em meu corpo, e os curar, não era todo o meu poder, pois graças aos seres microscópicos, poderia modificar o meu DNA, para me tornar qualquer ser existente na galáxia...Mas não vem ao caso, como dizia...No sexto mês finalmente pude encontrá-la, ela continuava linda e radiante como a lua. Como tanto gostava, estava usando um vestido preto longo e decotado, sendo seguida por homens e mulheres cobertos por capuzes amarelos. Ao contrário dos costumeiros olhos vazios, parecia tão serena quanto na adolescência, e sorria com a confiança, que nós dois acreditávamos que tinha morrido.
    _Bart?
    _Thamara...
    _Como chegou até aqui?
    _Digamos que nossos caminhos se cruzaram.
    Você não é a única filha cósmica.
    _Sério? Eu sabia! Você é meu par eterno!
    _Não, não sou. Sou apenas o deus que ficou
    louco de amores por você, e não te deixou
    viver na solidão.
    Eu segurei em sua face e a beijei com carinho. Ao sentir o seu corpo no meu, meu coração pulsou com muita intensidade. Foi assim que as memórias do passado tomaram conta da minha mente... Eu era somente um garoto loiro, semelhante um viking, quando nos reencontramos. Ela era somente uma menina de cabelos vermelhos, com olhos violetas e vítreos. Nós discutimos no começo, pois a figura baixinha, tinha contas para acertar comigo. Mas como sempre fomos estranhamente um atraído pelo outro, acabou por me contar a verdade. Sentia-se vazia, e nem sempre do nada, nascem as melhores coisas, por isso ela tomou a pior decisão. Com o uso dos seus poderes, ela abriu a porta da minha cela, e me soltou no universo. Então o quê Deus havia decretado como um caso resolvido, voltou para lhe assombrar. Pouco a pouco me infiltrei no paraíso, e fiz com quê os anjos ficassem encolerizados. Os fracos pereceram diante de meu poder, e o caos se fez no cosmos. Para mim, era como uma festa sem fim, com muitos gritos, sangue, e desespero. Mas para ela, era como uma falha grotesca, que precisava ser corrigida antes que descobrissem o quê fez. Eu espalhei entre as multidões, todo o sofrimento possível para me fortalecer, e ela veio com a sua foice, para lhes dá paz mesmo no Inferno, entre os seres materializados. Seu pai tinha sido o anjo que tirava a vida dos vivos. Porém após o seu nascimento, ele foi coroado como príncipe celestial, e outro teve de assumir o seu posto. Muitos dos seus bravos filhos, lutaram para provar que eram dignos de tal glória. Assim eles limparam a galáxia, ceifando todas as almas que pudessem, com suas armas especiais. Contudo foi na única menina, que o poder se manifestou, e por isso esta que recebeu a sorte grande. Ao contrário dos irmãos, ela não matava somente para se provar merecedora da foice de seu pai, mas sim de acordo com o seu código de conduta, no qual os culpados eram friamente punidos, e os justos levados cuidadosamente para o outro lado. Seus irmãos só se focavam em quantidade, ela não, e esta era a virtude secreta do seu pai, quando ele atuava como tal. Eu a admirava, tanto pela sua impetuosidade violenta com os ímpios, quanto pelo cuidado que tinha com os inocentes. Por isso também tomei a pior decisão. Certa vez a Morte, estava a tomar banho no rio sagrado, e eu entrei na água, infectando-a, para lhe tornar inofensiva. Ela lutou com valentia, usou seus poderes para tentar curar a água, mas por algum mistério da natureza, a pobrezinha não tinha forças para vencer a mim, pois eu era a própria doença, era o vírus que carregava outros dentro de mim, era a própria Peste, em forma humanoide. Ela não suportou a enfermidade que lhe provoquei, e caiu em meus braços. Estava fraca, e bastante vulnerável, quase irresistível. Passei a mão por sua face pálida, ela me olhou preocupada, quase dizendo "não" para a minha proximidade, porém mesmo assim a beijei, e a tomei para mim. Por alguns anos, ela desapareceu, e os homens deixaram de respeitar o poder celestial, assim como acreditaram que não havia punição para os seus crimes, pois eu também não atuava. "Vou beber até cair hoje, pois o meu fígado não mais adoce vadia!" Disse um bêbado ao espancar a esposa, que segurava o símbolo dos celestiais. "Deus porquê não me permite morrer, e me deixa sofrer? Não pequei tanto para acabar assim!" Chorou com a boca toda ensanguentada. Ela não era a primeira a perder a fé. Outros estavam em níveis mais avançados, chegando até mesmo a acreditar, que Deus os tinha abandonado a mercê do mal, do qual tinha lhes prometido proteção. Inúmeras criaturas iam as ruas, protestar contra as iniquidades divinas, e haviam os que tentavam assumir o papel, da única juíza consagrada pelos deuses, deste universo. “Então você queria encontrar a paz, depois de tudo o quê me fez?" Um homem num plano de vingança, apontou a arma para a cabeça de outro. "Eu lamento te informar, mas não existe mais morte, e por isso sou livre para estourar a tua cabeça, quantas vezes desejar." Atirou na testa do culpado, várias e várias vezes, com um sorriso cada vez maior, que o tornava pior do quê aquele que ele julgava. Este não era um caso isolado, os assassinatos se expandiam mais do quê as doenças, que costumava espalhar. Para uns era um parque de diversão macabra, e para os que não tinham tal coragem, parecia a visão mais do quê realista do Inferno dos mortais. Cabeças decepadas, gritavam pelas ruas, e os sádicos lhe perfuravam os olhos, e chutavam-nas para a lama, afogando-as sem parar. Pessoas que tinham perdido o corpo na briga para sobreviver, se arrastavam pelos cantos, para tentar se livrar daquela tortura sem fim. As mulheres se uniam em instalações, para cuidarem uma das outras, já que nesta realidade sem final ou consequência, os pervertidos também ganhavam espaço, e se sentiam no poder de abusar das mesmas. Nem mesmo as crianças, conseguiam manter a inocência, e por isso ficavam divididas: Entre aquelas que matavam, e as que corriam. Meu ato egoísta, tinha feito da galáxia, o próprio Tártaro dos Gregos, e o Inferno dos Católicos, pois eu os privei de manter a bondade, e de receber a devida a punição, ao levar a nossa Morte, para o único lugar, no qual somente o seu Eu daquela realidade, tinha a permissão de julgar, e esta era somente como qualquer criatura que habitava aquele Cosmo. Como desde cedo trabalhei para o céu, como o auxiliar do meu pai, o veneno de Deus. Sabia de todos os pontos fracos da Morte, desde a sua jurisdição, até o quê poderia prendê-la para sempre. Acorrentada no fundo do universo, ela brigava para sair, amava o seu trabalho, e não queria ver ninguém lhe substituir. Só que nunca me dirigia a palavra, e evitava até olhar em meus olhos, devia me odiar bastante. Todavia eu não conseguia deixá-la ir, pois só o fato de tê-la por perto, era o suficiente para me sentir bem, e não me importava com quantos sofreriam no processo. "Já não basta o quê fez?" Ela finalmente disse, com seus braços presos ao aço, banhado com a luz do buraco branco, que sintetizei para imitar o poder supremo, do pai do príncipe celestial. "Foi culpa de nossa mãe, e você sabe." Respondi de imediato. "É só o quê sabe dizer. Mas se fosse forte, teria dito não." Ela retrucou. "Você não pode me culpar por aquilo para sempre. Se soubesse lutar, também teria impedido.” Rebati, e ela ficou indignada. “Vai culpar a vítima? É sério?” Sua voz era alegre, mas cheia de raiva. “Eu sou o Peste. O quê esperava? Que eu me arrependesse? Fui treinado para ser impiedoso!” Mostrei a minha ira, e ela voltou ao silêncio. “Ao menos sentiu algo por mim?” Aquele tom me deixou desnorteado, parecia triste, quase magoada. “Você sabe que sim. Haviam dois destinos naquela noite: te possuir, ou te fazer desaparecer para sempre da minha realidade.” Desabafei com tristeza, quase me encolhendo de vergonha. “Eu não podia ficar sem você.” Segurei em sua face, erguendo seu queixo, e olhei no fundo daquela neve, coberta pela luz do rouxinol. “Mas você sempre foi o pior dos filhos. O Forte, O Implacável por ser incapaz de amar.” Argumentou, sem acreditar. “Parece que a única fraqueza da Peste é a própria Morte.” A beijei, e mesmo com as mãos acorrentadas, ela me puxou para a si. Aquela atração mortal e doentia, tomou conta de nós dois, e a boca mais fria que existe, pareceu quente por uns minutos. Com suas pernas salientes e fatais, ela montou em mim e me arranhou, se entregando a enfermidade do amor. Logo arranquei a sua mortalha, e tirei a sua armadura, enquanto ela me despiu as vestes de cavaleiro. Minhas mãos desceram pela sua costa frágil e nua, a sua boca não quis desgrudar, e quando o fez, foi somente para me beijar o corpo inteiro, e voltar ao meio das coxas, onde fez vários movimentos de vai e vem, deixando sua doce saliva escorrer por meu membro. Contudo não a deixei somente me satisfazer. A deitei no piso, segurei seus pulsos, e passei a minha língua por entre os seios delicados, descendo, até chegar no ponto do prazer, do qual bebi todo o júbilo com gosto, até escorrer pelo canto dos lábios, e quando vi que praticamente implorava, para que a completasse, sorri maldosamente. “Você realmente me deseja ?” Beijei-lhe a virilha, e ela corou de vergonha. “Sim.” Respondeu com sua voz doce como chocolate amargo, o meu favorito. “Então peça por mim.” Impus, e ela relutou, até que se deu conta de quê só havia nós dois, como na segunda vez, em que estivemos juntos, e cedeu a sua vontade. “Me possua Peste.” Aquelas palavras me deixaram eletrizado, e por isso entrei dentro dela com ímpeto, arrancando-lhe suspiros tão intensos, que foi capaz de suar. Aquele rosto, aquele sorriso, aquelas bochechas rosadas de prazer, seguido de seus gemidos, me deixaram louco. Por dias repetimos o feito, e creio que a Morte, foi a primeira a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, por isso esta doença é vista de maneira tão mórbida. Mas ela não mais se importava, nem sequer ligava para o quê fazia, só com quem fazia. Se ela me amava, eu não sabia, acreditava que estava usando seu charme fatal somente para ganhar a liberdade. Porém no dia que enfim a libertei, esta saiu voando para fora do cativeiro, e se deparou com a luz de uma das luas do planeta em que estávamos. Estava tão feliz, que pensei que nossos momentos de amor doente, ficariam para trás, assim que retornasse, para impor a ordem ao nosso “mundo". “Vamos?” Segurou em meu pulso, e fiquei paralisado. “Quer que eu vá? Eu o Peste, o demônio, o...” Me silenciou com o dedo indicador. “Nem tudo é preto e branco Peste. Você causou sim muito sofrimento, mas graças a ti famílias se mantém unidas, homens mudam a conduta, e mulheres valorizam a felicidade.” Seus olhos eram de uma criatura sã, contudo suas palavras me pareciam insanas. “Se isso é verdade, por quê sempre atrapalhou a minha tarefa? Como se quisesse me corrigir, após ter me libertado?” Questionei incrédulo, e ela sorriu. “Porquê tua execução é tão sombria e implacável, que mesmo as vítimas dos criminosos, se apiedavam destes. Que de acordo com o meu dever, mereciam uma punição ainda mais severa, por toda a eternidade.” Ela explicou. “O meu erro foi te libertar, mas você quem escolheu atender o meu pedido. Portanto é só você que pode corrigir isso. O quê já se passou, não dá para voltar atrás, sem alterar todo o equilíbrio já existente. ” Ela completou, e eu percebi que estava errado, não era uma falha grotesca que tentava controlar. Nós retornamos para a nossa galáxia natal, tudo estava destruído, e muitos imploravam por seu regresso, enquanto me destetavam mais do quê nunca. Pouco a pouco, ela fez o seu trabalho, não haviam muitos para receber o atestado de óbito, por isso eliminou os executores com punhos de ferros e sem piedade, e trouxe enfim o descanso para os que tinham temido, que aqueles dias jamais teriam fim. Nosso pai quis julgá-la, porém eu assumi a responsabilidade por tê-la raptado, e assim a livrei de perder o manto que tanto adorava. Achei que após a confissão, voltaria para a cela, contudo por ter me provado um pouco mais maduro, o pai decidiu me tornar o segundo juiz consagrado, que auxiliaria a Morte em seu trabalho. Tão grande foi a minha alegria, ao ouvir tal coisa, pois em vez de me afastarem dela, nos juntaram como a metade oposta e complementar da mesma moeda. Desde então, as duas criaturas mais perigosas do universo, seguiram de mãos dadas por toda a eternidade, se amando de uma maneira que os mortais não seriam capazes de compreender. Já que onde Morte fosse, a Peste certamente ali estava... “Bart?” Ouvi a voz dela dizer, e outra vez estávamos a beira do rio. Todavia enquanto me perdia em lembranças passadas, já havíamos trocado de lugar, e agora ela tinha se sentado em meu colo, e ficava a olhar para os peixes na água, ao entrelaçar seus dedos aos meus. “Oi...” Falei olhando para as nossas alianças, próximas uma da outra, por causa da união das palmas. “Promete nunca me deixar?” Disse se encolhendo, quase sem voz, e a luz da lua brilhou sob o aço dos anéis. “É claro que sim meu amor. Não importa o quê os astros digam, sempre seremos um do outro.” Beijei sua cabeça, e ela retribuiu beijando as minhas mãos.
  • O Assexual, por um Assexual.

    Olá, irei abordar um tema que para grande parte das pessoas seja inexistente. O Assexualismo, sim ele existe e é bem comum encontrar outros assexuais hoje em dia.
       Bom, se eu vou apontar as partes ruins e problemas que carrega, eu devo ao menos explicar o que é assexualidade.
       Quando uma pessoa não sente atração por ninguém, ou sente, mas é tão fraco que nem conta. Dos assexuais, parte está satisfeita, e feliz em possar a vida sozinho, mas por outro lado, os que não gostam de serem assim, dariam tudo pra trocar de time.
       Vou falar um pouco da minha experiência pessoal, afinal eu também sou assexual. Sou um jovem-adulto, ainda novo, de resto segredo. Comecei a desconfiar que era assexual com 14 anos. Mas por falta de informação tanto da minha parte quanto da parte dos meus pais houve outros questionamentos no mesmo sentido durante alguns anos. Eu tive uma adolescência péssima e conturbada, porque me sentia um ET. Somente depois de adulto que eu entendo que realmente era assexual, e sempre fui.
       Um dos problemas que me incomoda por ser novidade e pouco estudado, quando tenho dúvidas eu nunca acho quem saiba sana las. Parece que nascemos assexuais para ficarmos andando por aí à esmo sem saber de nada ou tendo motivação.
       Eu gostaria de entrar no assunto de Emoções, mas eu não posso falar sobre algo que nem eu entendo, é complexo e delicado.
  • O Beijo impossível

    A noite ja´ caia sobre a Guanabara,e Celso podia ver da sua janela,os montes se fundirem,numa mancha cor de perola,enquanto os casais se fundiam na areia...
    Pensava em Flavia,uma gata misteriosa,que conhecera em outra noite,e que apenas pelas madrugadas,dava o ar da graça...
    Convites para almoços,passeios na praia,recusava,dar seu endereço,nem pensar..
    Quando queria,aparecia e faziam amor em seu apto,mais nada.
    Causava estranheza tambem,o fato de sempre saber quando estaria so´,e nunca lhe permitir beija-la.
    Fora levando as coisas assim,mas conforme a paixao aumentava,ia lhe cobrando uma atitude:
    -Eu tenho mau halito,amor?
    e´ por isso que evita minha boca?
    Ela sorriu constrangida,mas retrucou:
    -Nao esta´ bom assim?
    -Mas pode ficar melhor!
    quero me casar contigo,te dar meu nome...
    A bela morena em resposta,sumiu por bons meses,e so´ voltou,quando seu corpo sentiu a mesma falta de Celso.
    Mataram a saudade loucamente,mas nada de beijo...
    Ele porem,decidiu investiga-la,ao inves de fazer perguntas,e descobriu pasmo,que ela era prostituta,"Flavia navalha"era seu nome de guerra,o qe explicava os habitos noturnos,mas nao o nojo de beija-lo...
    "Preciso mostrar que nao sou feito seus clientes!"
    Trouxe seu sobrinho,para que lhe pedisse um beijo,mas ate´ ao anjinho ela recusou...
    Ja´ irritado,lhe deu um ultimato:se nao o beijasse,nem precisava mais aparecer!
    A moça,sentindo que ia perder seu grande amor,resolveu contar seu drama:
    quando menina,foi agarrada na porta da escola,por um bebado,que lhe beijou a força,o que lhe matara o gosto de beijar,impedindo suas relaçoes de avançarem e lhe encaminhando ao sexo sem amor.
    -Foi voçe quem reabriu meu coraçao!
    por favor,me ajude,nao me rejeite...
    O rapaz abraçou-a e jurou descobrir um meio de cura-la
    Rodaram varios psicologos,mas nenhum resolvia,enquanto as esposas sofriam por fazer coisas de puta,ela penava por nao conseguir ser romantica...
    Continuaram a se relacionar,mas sempre faltava algo,e Flavia acabou fugindo de novo,libertando o amado para encontrar uma mulher completa!
    Apos muito procura-la,Celso foi acha-la num anuncio de jornal,onde uma pobre prostituta pedia:
    "Prostituta procura homem para beijar"
    Correu ate´ o endereço,mas alguem ja´ havia chegado primeiro:
    um velho,que desde que beijara a força uma criança,nunca mais amara ninguem,se entregando ao alcool...
    Vitima e algoz se reconheceram,sem precisar de palvras,e num longo beijo,curaram os machucados que a vida lhes fizera...
    Desde entao,provou do amor nos labios de seu amado,e gostou tanto,que passou a trabalhar numa barraca de quermesse,vendendo beijos..
    FIM
  • O BEIJO NO ASFALTO

    no meio da avenida,
    um corpo estendido no asfalto
    sutil cheiro de morte
    não há quem se importe
    quem suporte
    tenha sorte
    seja forte
    sinta o cheiro da morte
    por cima de seus ombros largos
    jogue seus medos nos lagos
    sinta o último afago
    sinta o último afeto
    voa por cima o inseto
    exceto
    último tomado de assalto
    última tomada no asfalto
    no meio, eu vejo
    o pródigo,
    o cúmplice,
    o último, beijo.
  • O Ex-defunto

    Nas férias de verão, resolvi sair do inferno que era a trivialidade de uma vida pacata ao extremo. Nunca fui afim de viajar, de curtir com os amigos, de se embriagar ou coisa do tipo. Sempre fui fiel aos preceitos morais que minha mãe me deu. Segui piamente, durante décadas, os ideais familiares, os conselhos. Entretanto, nesse verão, resolvi sair da prisão cultural. Uma loucura extrema, talvez sobrenatural, abraçou-me de repente, e me forçou a quebrar as restrições coercitivas que me impedia sair da constância dos meus dias. Da forma como essa mudança inusitada me possuiu, fez-me sentir profundamente invadido. Talvez um demônio me possuiu, pensava. Eu me sentia leve, feliz e ao mesmo tempo, receoso. Durante a fase de preparação do cronograma de viagens, uma bipolaridade me tangia frequentemente, e assim fazia com que eu me sentisse: ora um caçador, ora uma caça. Contudo, meu lado obscuro venceu nas minhas decisões. 
    Passei em torno de dois meses, planejando, replanejando, desfazendo e refazendo meus planos para estas inexplicáveis férias que viriam. A fastidiosa carga horária de nove horas de trabalho me deixava exausto para planejar algo. Entretanto, como já mencionei, algo muito surreal me pungiu nesse momento. Toda noite, nesses últimos meses para as tão esperadas férias, empenhei-me distendendo meu descanso noturno à procura de promoções na internet e, metodicamente, planejando a viagem. Às vezes, pensava que estava ficando louco, mas acabei cedendo com a perspectiva de uma mudança, por mais radical que fosse, iria, assim achava, desopilar minhas tensões e seria, decerto, algo inédito. 
    No dia da viagem, peguei a minha cachorrinha, Dolly, e a levei até a casa do meu tio. Sem nenhuma preocupação pendente, encaminhei extaticamente até o aeroporto principal. Era uma euforia incontrolável e, lá no fundo, sentia que a minha normalidade estava acorrentada. 
    Desembarquei às oito horas da manhã (horário local) no Aeroporto Internacional de Dodoma, na Tanzânia. Esse foi o destino que o meu lado misterioso me guiou. Quando fui ao centro da cidade Dodoma, tive a sensação de que já estive naquele lugar antes — senti na prática o que na teoria eu refusava: a ideia do déjà-vu. Desdenhei essa abstração e volvi-me a apreciar as belezas da cidade. Tive um choque de percepção. Pensava que na África tudo era miséria, pobreza e selva. Achei extremamente fascinante a cultura e a peculiaridade daquela cidade. Monumentos, arranha-céus, construções opulentas desmitificavam os meus equivocados preconceitos. No entanto, o meu objetivo estava longe de ser a vida urbana. Queria inflexivelmente desbravar a temível Savana africana. Na verdade, a minha parte oculta que queria. 
    Após dois dias desfrutando das belezas urbanas, o grupo de turistas no qual eu me incluía, decidiu ir visitar a savana Serengueti, ao norte da Tanzânia. Eu estava bastante empolgado com o passeio silvestre. Os prados estéreis, os arbustos espargidos, e, acima de tudo, os temíveis animais africanos. 
    Durante a viagem dentro de uma gaiola ambulante, avistamos cenas indescritíveis; sentimos algo que só o ambiente pode nos proporcionar —O ar da liberdade. Paramos um pouco para apreciar uma manada de elefantes que cruzavam a estrada. Perpendicularmente à estrada, no lado esquerdo da nossa direção, avistamos uma cena inusitada, um grupo de leões estava espreguiçando-se no chão sem demonstrar nenhuma agressividade. Os turistas não paravam de registrar cada passo dos felinos. 
    Enquanto os leões distraíam a atenção dos turistas, eu observava ao longe, no lado direito, uma cena curiosa. Vi um homem, um rinoceronte, e depois, um tiro. Fiquei profundamente abatido. Não fui eu quem fora abatido, mas sentia-se partido. O monstro retraiu a atenções dos outros. E ficamos átonos diante tamanha brutalidade. Ele retirava rapidamente o chifre do morto, e ameaçou com a arma a todos nós. Então, o guia acelerou, sem delongas, à vante. Ao passo que o carro ia, eu olhava, amargurado e consternado, o verdugo se retirando às pressas. E a nossa expedição fora arruinada naquele momento. Perdi a essência de aventureiro. 
    Logo considerei que estava precisando de algo para retirar aquela cena horrenda da minha consciência. É difícil descrever minhas sensações naquele momento. Quando eu tentava se distrair, os pensamentos me assaltava inesperadamente. Via que não poderia viver a essência de férias tranquila, caso não fizesse o mínimo possível. Daí em diante, já não era minha consciência que me controlava. Estava com um ódio aliado a uma psicose incessante de querer destruir aqueles miseráveis que roubam o que não lhes pertence. 
    Voltei a inibir meus temores quando conheci, inesperavelmente, uma jovem nativa de vinte e três anos, em um restaurante na cidade Dodoma. Ela estava almoçando sozinha, em uma mesa de frente a que eu estava. Dardejei um olhar curioso a ela, e como se houvesse uma conexão intuitiva, ela equiparou seu olhar ao meu. Discretamente, disfarcei o meu vislumbre e, voltei a saborear a minha refeição. Ela lançava-me um olhar distinto e tentador, que me fazia sentir arrepios. Um momento depois estávamos face a face, eu e aquela elegante garota. Um inevitável sorriso de simpatia nos tangenciou. Acresce que, quando sorria, resolvi atirar um aceno cortês, e desastradamente, acabei derrubando o copo de suco da minha mesa, e fiquei profundamente envergonhado. O garçom cuidou do desastre e eu resolvi ir até a mesa daquela mocinha. 
    —Olá, tudo bem? 
    O sorriso foi a sua resposta. 
    Logo me dei conta de que não ela falava português, e me vi como um idiota. Minha situação estava pior que antes. Estava pressionado a dizer alguma coisa e a luz dos meus problemas veio com a respostava dela: 
    —Eu falo inglês! 
    Senti um alívio tremendo ao entender o que ela dissera. Pensei nas conclusões imediatas a que chegara com a sua voz e não pude evitar um riso de entendimento e de vergonha. 
    —Perdoe-me pela minha apresentação nada cortes 
    —Sem problemas. Ela sorria pendulando a cabeça de baixo para cima. 
    —Me chamo Marcos. 
    —Meu nome é Telissa 
    —Encantado em conhecê-la 
    —O prazer é recíproco! 
    Após essa cômica introdução, ela me convidou para sentar. Passamos horas conversando, por ora meio enrolado na fala, contudo, o entendimento foi concedido a ambos. Foi realmente deleitoso conversar com aquela simpática garota; passaram-se em torno de duas horas nessa conversação. Despedi-me dela, e ela disse que vinha com frequência almoçar naquele restaurante. 
    Por ora, minhas angustias estavam soterrada nas excitações, nas memórias reconfortantes daquela inexplicável conversa. Assim, conforme o dia ia se desfazendo, a minha empolgação para o almoço seguinte só aumentava. 
    No dia seguinte, passeei pela cidade, fui ao museu local, e olhava constantemente o relógio fitando não perder o horário do almoço. Seriam umas deis e meia da manhã e eu ainda estava no museu. O grupo de turistas ficavam fascinados com as esculturas, relíquias, entretanto, eu estava achando aquilo tudo entediante, antiquado e fastidioso. Quando o ponteiro tangenciou o marco doze, saí discretamente do museu e encaminhei até um táxi que me levou até o restaurante. 
    Lá dentro, olhei perscrutando as mesas e as pessoas a procura de Telissa, e não a encontrei. Era umas doze e meia quando resolvi reservar uma mesa. Pensei que ela já tinha ido embora, e assim, fiquei chateado em não encontrá-la. Cada mordiscada que dava na coxa de rã não sentia sabor algum, almoçava simplesmente para suprir minhas necessidades fisiológicas. Terminei de almoçar, e quando ia me levantando para sair, uma mão afaga meu pescoço. Senti-me leve e profundamente confortado com aquela mão; imaginava aquela simpática garota me acariciando. E, impensavelmente, tornei o meu pescoço para deslumbrá-la, e, infelizmente, tive uma quebra de expectativa: não era Telissa, era uma velho que estava se apoiando em mim para passar. Saí de lá aborrecido, olhando para o chão e pensando nela. 
    O dia se encerrou sem aplausos. Não foi um dia abençoado, foi um dia tão ruim quantos os outros que já tive. À noite, senti-me como um filhote deserdado, sem arrimo, com a dura sorte do destino. Dormi cedo naquela noite, estava totalmente desmotivado para qualquer atividade de lazer. 
    A essa altura eu já começava a pensar que ela talvez não gostasse de mim nenhum pouco. Deixei isso de lado e tentei aproveitar as férias. No almoço seguinte, caminhei até o restaurante, desdenhoso a qualquer distração, sentei-me cabisbaixo, ordenei um frago grelhado com batatas, e um suco de uva. Estava apreciando a comida, evitando que os pensamentos me usurpassem o momento. 
    —Marcos? 
    Uma voz me chama, e eu tento guiar a minha audição até o local exato. Diante de duas mesas atrás de onde estava, se encontrava a garota misteriosa. Meu coração acelerou, e senti uma tensão momentânea me pungindo. Era ela! Ela estava me chamando para compartilhar a companhia no almoço. Senti-me muito bem com sua presença e além mais, ela conversava com uma leveza que parecia que eu estava delirando. Nós conversamos várias horas, eu decidi convidá-la para passear —até porque meus dias ali estavam se acabando— e suavemente ela confirmou a minha proposta com um sorriso divino. Não sei se diria que me apaixonei por ela, mas, certamente, senti algo que há muito tempo não sentia. Ela demonstrava tanta simpatia que não cogitei o seu verdadeiro caráter. 
    Fomos até um parque há duas milhas do centro, ficamos ali apreciando os pássaro que desatavam a cantar; conversávamos como se já nos conhecêssemos há anos. 
    Durante os dias precedentes, a frequência de encontros só aumentava. Eu e Telissa fomos a parques, cinemas, shopping center, outros lugares urbanos. Toda essa reviravolta mudara intensamente o rumo bucólico que antes prognosticava. 
    Em uma manhã tão ensolarada quanto as outras, Telissa me encontra no Café-Renoir (ao lado do restaurante mencionado), e ao avistá-la, senti uma alegria imensurável. 
    —Bom dia, Marcos. Assim ela me chamava com um sotaque tão peculiar que até pensei que era um apelido carinhoso.. 
    — Bom dia, Telissa. Como foi a noite? 
    —Foi mais ou menos. Respondeu ela, como se estivesse incomodada com algo. 
    —Por que? interroguei-a com ar de espanto. Nunca a via desmotivada, triste como nessa ocasião. Ela optou pelo silêncio, e assim, eu a respeitei. Convidei-a para tomar café e, após insistir um pouco, ela cedeu. Conversamos algumas trivialidade, e aos poucos via o seu semblante voltando ao que era de costume. Fomos passear pelo parque, e depois de algumas voltas em torno, sentamos em um banco defronte a um pequeno lago, bem pequeno mesmo, talvez diria uma poça d’água se não fosse a presença de plantas aquáticas. Eu olhei nos seus olhos e ela retribuiu o ato. Seus olhos brilhavam bastante, e seus cabelos moreno avoaçavam com a sintonia do vento. Ela carinhosamente apalpou o meu rosto e desferiu-me um impiedoso e inexplicável ósculo. Seus lábios tangenciaram os meus, e o silêncio nos pensamentos caracterizou aquele momento irracional, em que os hormônios transladavam loucamente por nossos corpos. Não ingeri álcool mas me senti embriagado após aqueles beijo e carícias. Convidei-a até meus aposentos e ela não mediu esforços. Tive a melhor noite de todas, no entanto iria se arrepender amargamente por ter conhecido aquela mulher. 
    No dia seguinte, acordei ao seu lado, eu estava revigorado. Nunca me senti tão bem como naquele momento. Ela acordou com um carisma fascinante. Até cheguei a pensar, se ela estivesse fingindo, deveria ser uma grande atris, entretanto, o que importava para mim é que eu estava vivendo um momento deleitoso e, tudo aquilo, era, sem dúvidas, as melhores férias. Conversamos nos aposentos naquela manhã, almoçamos juntos —Ficamos o dia inteiro juntos. Foram momentos inescurecíveis e inexplicáveis. Aquela meiga e cálida garota me sucumbia qualquer tormenta. Era um anjo! 
    Faltava quatro dias apenas para o fim das férias. Eu evitava imaginar minhas férias acabando e ter que retornar para a monótona e exaustiva rotina. Nesse dia, pela manhã, Telissa me encontrou no Café-Renoir, após tomar lanchar, ela me convidou a ir visitar a sua casa. Eu fiquei surpreso por sua proposta e aceitei sem cogitar. Não foi tão longe, cheguei lá em torno de duas horas de táxi em uma área interiorana. Eu estava empolgado, com pensamentos ludibriosos me eivando e toda imaginação fértil no momento. No momento, não me perguntei como ela vinha para a cidade ou o que ela fazia lá. De fato, o desejo por prazer me fez agir sem pensar, ou há quem ressalve o lado obscuro que me fez ir até onde fui. Andamos em torno de dez minutos após descer do táxi, por uma trilha estreita, até chegar ao destino. Achei surpreso o lugar em que ela vivia. Mato ao redor, uma casa velha e, sobretudo, mistério. Como uma mocinha tão elegante poderia viver naquele lugar. Por um momento pensei que iria morrer, que talvez ela estivesse me levando para alguém me assassinar. Quando eu cheguei lá, um grande surpresa. 
    Carcaças de animais penduradas em estacas, provavelmente para secar. Eu me perguntava o porquê dela me levar para ali. Ainda com a ilusão de prazer, caminhei junto dela até a casa. Pensei, que nem todo mundo tem a sorte de viver com dignidade. 
    Ao entrar na casa, eu tive uma grande surpresa: uma arma, um alvo, e eu era alvo. Aí meus pensamentos explodiram; meu desejo latente foi convertido em terror iminente. Estava perplexo, e, cruamente, com a ideia de que iria morrer logo. O mesmo homem que outrora ceifou a vida daquele pobre animal na savana, estava prestes a ceifar a minha também. Fiquei mudo, sem palavras, nem expressões visíveis. Eu já estava imaginando a dor pura e efêmera de uma bala que logo transmutaria a minha vida ao esquecimento eterno. Cada milésimo de segundo pensado, era eternamente avassalador; eu estava me sentindo um defunto, uma presa coagida sem chances de fuga. Depois da minha pálida expressão, o homem despojou um sorriso maléfico. Era a hora da morte! exclamei mentalmente. 
    Depois de tantos pensamentos cruéis, Telissa toca em minha mão, e ao inflexivelmente afasto-a com um empurrão. Estava com profundo ódio dela. Como pude cair na tentação dela, pensava. O homem falou umas coisas que não entendi. Talvez tenha dito um Adeus ou coisa do tipo, e eu já estava lacrimejando quando, eu ouço um tiro. Morri! 
    Uma bala passa de raspão no meu ombro esquerdo, e eu fico sem entender. Não foi ele quem atirou em mim, fora outra pessoa (ou monstro) que atirou. Não sabia o que fazer. Abaixei-me, e engatinhei até atrás de uma poltrona rasgada, ao lado da porta. O homem começou disparar contra um outro que não consegui ver. O sangue estava brotando sem parar do meu ombro, era excruciante. Quando fui pegar um pano para conter o sangramento, eu me deparo com Telissa caída no chão. Não acreditei no que via, ela fora atingida no peito e estava agonizando. Puxei ela para perto de mim. E fiquei sem entender nada. Interroguei-a, ainda com remorso: 
    —Por que? Por que? 
    —Eu te... E ela apagou. 
    Não consegui entender as últimas palavras dela. Fiquei na dúvida se ela queria dizer que me ama ou que me odeia. Vislumbrei rapidamente o local, avistei algumas presas, chifres, no quarto e não me atentei mais aos detalhes. Corri escrupulosamente pelo cômodo até uma janela fechada, que logo foi quebrada com uma bala. O barulho ensurdecedor de fuzis, estava me deixando desorientado, entretanto, consegui me erguer e pulei da janela que dava de cara a um matagal. Corri desembestado, sem olhar para trás; me cortei todo, contudo, a dor não foi mais forte que a minha ânsia por viver. Quanto mais eu odiava a vida, mais temia a morte. Sob tal ótica, estava eu correndo sem parar, até que consegui chegar a estrada. De tão desorientado que estava, não sabia para que lado ir. Só sabia que teria de correr o máximo que puder. Resolvi intuitivamente, escolhendo a esquerda, e assim, marchei a passos larguíssimos ao desconhecido. 
    Enquanto eu avançava, fazia uma parada de vez em quando para conter o fôlego. O céu já estava prenunciando o crepúsculo e ainda não tinha chegado a lugar algum. Procurei à minha volta algum indício de residência ou de qualquer tipo de ajuda. E não obtive sucesso. A lua já estava imperando no céu, e eu estava ao relento, imundo, dilacerado, temeroso, sozinho e sobretudo, perdido. Eu resolvi repousar em uma árvore frondosa, temendo os animais ou algum monstro humano. 
    No dia seguinte, saí da árvore cansado e se coçando, meu estado de virgília não me concedeu uma noite de sono. E a coceira infame foi devido aos mosquitos noturnos. Achei uma árvore encantadora, próximo onde repousara, com supostos melões suspensos. Não resisti a tentação de comê-los; estava faminto. Comi dois melões e foi o suficiente para evacuar dezoito vezes durante a viagem. A diarreia estava me matando aos poucos. Desidratado e faminto, e ainda, correndo um grande risco de virar uma presa, lá estava eu, passando as minhas férias. 
    Segui a estrada a passos lentíssimos, quase se arrastando. Estava sentindo minha consciência se apagando. Achei uma poça d’água e cogitei em não beber. Tentei me hidratar, limpar minhas feridas e repousar um pouco. Ao lado, de onde eu repousava encontrei amoras silvestres, e por um tempo, cogitei em não comer. Não queria me desidratar mais, entretanto, a tentação da fome acabou me fazendo comer. Comi o máximo que pude, e por sorte, elas não me fizeram mal. Até que me ajudaram em conter o tenesmo. 
    Passei esse dia repousando em uma árvore, queria reter energias extras caso precisasse de uma fuga imediata. Comi toda a amora que encontrei. Não matava a fome, mas aliviava o incômodo da barriga vazia. À noite, consegui ter um sono ainda ruim, mas que me fez acordar um pouco melhor. 
    No dia seguinte, uma outra surpresa se verticalizou, agindo como um empecilho: uma manada de elefante descansava a baixo de onde eu estava. Receoso em descer em virtude dos casos de brutalidade desses animais, fiquei cautelosamente aguardando e com uma grande virgília, pois, eles poderiam derrubar a árvore se se sentirem ameaçados, e ainda, um pensamento atentador me fazia a todo tempo querer fugir: e se os caçadores de marfim viessem aqui matá-los, provavelmente iriam me matar também. Em meio a tantos pensamentos usurpadores, meu lado obscuro me concedeu a destreza de ficar escondido nas folhagens e aguardar. 
    Passaram-se horas, até que, ao meio dia, por aí, os brutamontes foram embora. Quando desci, estiquei minhas pernas, que estavam levemente dormentes, e o estalo foi a resposta para o alívio. Achei um escorpião enquanto estava comendo amoras, e, tendo em vista os programas de aventura na TV, achei coerente comê-lo, tirando primeiramente, o rabo. Ao colocá-lo na boca, suas pinças prenderam na minha língua que logo começou a arder, e tentei mastigá-lo, no entanto, um gosto essencialmente amargo me fez cuspi-lo. Nunca experimentei tamanho dissabor. Fui retornar a caminhada, e dessa vez não corria apenas para salvar minha vida, mas também para salvar a minha passagem de volta, pois só me restava um dia até o embarque. 
    Durante esse dia, eu andava em uma marcha rápida fitando poupar energia. Sempre que eu encontrava uma poça d’água não receava mais a sujeira, bebia como um animal. Durante o final da tarde, quando a penumbra já era visível, eu encontrei uma aldeia com poucas casas, mas que transpiravam um pouco de esperança. Não quis chegar durante a noite pedindo ajuda para não correr um risco de ser levado como inimigo ou quem sabe como caça. Preferi esperar em uma árvore com uns duzentos metros de distância. Na árvore eu avistava o fogo, que cintilava com a sintonia do vento. E dava para escutar as vozes dos aldeões. 
    O sol matinal envolveu-me quebrando o meu sono, que dessa vez foi o melhor desde que estava em fuga. Acordei animado para pedir ajuda. Afastando-me da árvore e olhando para frente, eu vi uma camionete chegando, e exclamei pensando: até que fim! ajuda! Pensava que iria obter comida, e ajuda para voltar, mas me enganei feio; eram traficantes de marfim que chegaram para descarregar e armazenar naquelas casas. Fiquei realmente abatido, pois, no dia seguinte teria de estar no aeroporto. 
    Retornei, a caminhada e evitei entrar em contato com os anfitriões, até porque eu era estrangeiro ali, e não iria entender o idioma local. Caminhei bastante desconsolado; não estava mais com aquela ânsia por viver; sentia-me um defunto. Sem perspectivas a não ser perecer. Meus passos já não estavam com a empolgação de antes e eu já começava a sentir dores que por ora me impossibilitava de caminhar incessantemente. Só um milagre para me tirar daquela aventura fadado à seleção natural. 
    Resolvi voltar a seguir a trilha da estrada de terra, e dessa vez, seguir até onde meu corpo me possibilitar. Enquanto via o caminho ficando exaustivo, doloroso, meus pensamentos estavam voltados para uma simples pergunta, mas com uma resposta temível: irei morrer? 
    Durante muito tempo devo ter ficado semi-desacordado. Não me recordo nada além de caminhar à diante, como um guerreiro que não teme mais a morte e busca o último triunfo: confrontar com a morte. Disseram-me que fui deixado na frente do hospital de Dodoma e que uma camionete me trouxera. Quem me trouxe não parou para questionamentos, simplesmente vazou como se nada tivesse acontecido. 
    No dia da viagem eu estava acamado, e ainda sob os cuidados médicos. Estava com uma infecção intestinal, desidratação, contusões, hematomas, e   inflamações em diversas escoriações que colecionei durante a fuga. Por fim consegui adiar a minha viagem alegando atestado médico. 
    Hoje completou exatos quatro anos desde que fui à Tanzânia. Recordo-me fascinado daquela inusitada vivência. Tenho várias dúvidas. Será que Telissa realmente me amava? Será que ela sobreviveu? Será que homem armado não queria me matar de verdade? Será que Telissa queria me mostrar algo? Será que foram os criminosos que me salvaram? E por que fizeram isso? Muitas dúvidas que guardo para mim, e sei que nunca irei saber ao certo. O mistério do meu lado obscuro ainda não foi desvendado; fui à vários médicos e não obtive outro veredito senão: Psicótico...
  • O Vampiro.

    Era uma noite de lua cheia.  
    Eu estava sonhando com ela e, repentinamente, com o vento, ela desce vestida de branco com uma vela na mão; vai ao meu encontro onde estou sentado no órgão e murmura: "dá me um pouco de vida...?"
    Imediatamente, vampiro, me levantei e em duas taças lhe dei do meu sangue até que elas caíssem com calor e acidez no chão.
    No dia seguinte ela estava do meu lado na minha cama alta e na noite urrou: "eu sou a morte...!"
  • Paixão

    Fui na chuva e não me molhei
    andei no calor e não me queimei
    fiquei no inverno e não me congelei
    Porém quando vi você eu me apaixonei
  • Quero Querubim

    Você não imagina, nem suspeita que te quero, já te amo, te espero
    Eu te quero
    Uouoo
    Eu te quero
    Uo oou
    E aos poucos vou provando esse amor em cada gesto, cada palavra, um deslize deixa sem graça por um momento, faz meu pensamento   turbinar
    Então, se livra de mim, me deixa na mão
    Esqueça que estou aqui
    Nao faz assim, cuida de mim
    Nao me deixe só
    Me faça sorrir, me deixe feliz
    E eu te dou tudo o que você sempre quis
    Eu te quero
    Uouoo
    Eu te quero
    Uo oou
    Eu quero bis, e você aqui
    Querubin faz assim, vamos ser feliz
    Quero bis e tudo que a gente sempre quis
    Querubin
    Eu te quero, Uouoo
    Eu te quero
    Uouoo oou
    Querubin
  • Rápido demais — Crônicas do Parque

    Já fazia cinco solitários anos em que se encontrava separado e divorciado. Se mantinha firme em sua promessa de não mais se envolver e se entregar a um relacionamento amoroso. Afinal, sofrera bastante quando se separou da sua amada e louca esposa norte-americana (USA), que de repente enlouquecera quando ele achava estar tudo indo bem.

    Lembrara-se quando, por causa da separação, se ergueu de uma depressão que quase o matou de fome. Em que ao final do quinto dia sem comer, desmaiara caindo da cadeira em que estava sentado solitário trancado no escuro do seu apartamento. Em um instante se viu envolto em uma luz alvamente branca, flutuando em um corredor que o erguera para cima. Aquilo o atraia como dando um basta a sua vida terrena de sofrimentos. Porém, de repente, olhara para baixo vendo o seu corpo caído ao chão desgraçadamente. E disse para si mesmo:

    _ Não! Não é minha hora, tenho que voltar.

    E, novamente, lá estava ele, desgraçadamente em seu corpo caído ao chão. Juntou forças e foi se arrastando até a cozinha. Ao chegar, viu um pedaço de baguete duro sobre a mesa, e se esforçando apoiando penosamente os seus braços na cadeira, ergueu-se para pegá-lo. Já com o pão duro na mão, rastejou até o filtro de água potável, em que enchera um copo. E ali caído ao solo com as costas recostadas nas gavetas do armário da pia, comeu vagarosamente o tosco pedaço de pão duro, junto a goladas de água.

    Quando sentiu que já tinha forças para se levantar, ergueu-se pausadamente segurando com suas mãos as gavetas da pia, como se estivesse escalando o monte Everest. E, apoiou-se sobre seus pês. Foi até o banheiro, e tomou uma longa ducha quente. Ao final, viu que carecera de um choque térmico, e virou a torneira fazendo com que água esfriasse, tomando uma outra ducha fria. E bocejava, estremecia e ofegava.

    Vestiu-se, entrou em seu carro e pegou seu smartphone o ligando depois de uma semana, e vira múltiplas notificações de mensagens e ligações em sua tela. Ignorou-as, indo diretamente ao Google Maps para procurar um bom restaurante italiano mais próximo, pois desejara comer uma pasta com frutos do mar. Depois dessa recaída em que quase lhe valera a vida, prometeu para si mesmo viver como um monge eunuco, distante das perigosas mulheres.

    Assim, estava ele vivendo feliz, sem dar satisfação a ninguém para onde ia e o que fazia. Procurava ocupar ao máximo o seu tempo fazendo classes de yoga, teatro e aprendendo a tocar flauta e piano. Evitava ler, ver e ouvir romances, series e filmes, músicas e histórias de relações amorosas. Em que baixara o Google Keep, um moderno e super aplicativo de tarefas, para seu smartphone. Onde ao final de cada dia, dedicava meia hora da sua atarefada vida para fazer a programação do próximo dia, não dando oportunidades para surpresas. Fechando assim as portas para novos imprevistos que o poderia levar a um novo relacionamento, ao conhecer uma interessante pessoa em um lugar desconhecido, fora da sua agenda digital de compromissos fictícios.

    Portanto, acordava, se levantava e ia correr por uma hora todas as manhãs antes de ir para o seu entediante trabalho de programador, em uma dessas grandes corporações Hi-Tech Israelense.

    Em uma dessas manhãs em que corria no parque de Kfar Saba, viu a sua frente uma jovem que tropeçara na pista de exercícios, e machucara um dos joelhos. Por um instante decidiu ignorar aquele acidente, ultrapassando-a. Porém, por um ataque de consciência deu meia volta, indo ao encontro da jovem que se encontrava sentada no chão chorando.

    Ao chegar até ela, agachou-se e disse ainda ofegando pelo esforço do seu exercício:

    _ Você está bem?

    _ Claro que não! Você não vê?

    _ Desculpe! Só estou tentando ajudar. Venha, vou te levantar.

    _ Ai! Ai! Ai! _ resmungou a moça não podendo se apoiar em uma das pernas.

    Então, ele a carregou em seus braços a levando para grama, pondo-a debaixo de uma Tamareira que fazia uma refrescante sombra. E a perguntou:

    _ Você mora por aqui por perto?

    _ Moro em Rosh Haayin.

    _ Não está tão longe. _ falou ele enquanto estava lavando o ferimento do joelho da jovem moça, com a água de sua garrafa.

    _ Você está de carro? Será que pode me levar até minha casa.

    Ele hesitou ao responder de imediato, e olhou para o seu smartwatch que se encontrava no pulso direito, sabendo que se a ajudasse, chegaria tarde no trabalho. E, olhando para aquela jovem e linda moça de olhos verdes molhados de lágrimas, não resistindo ao seu apelo, disse:

    _ Sim, eu te levo para casa.

    Ela sorriu, e de súbito o beijou no rosto como forma de reverencia. E aquele beijo repentino ascendeu um chama nele que há muito tempo se encontrava apagada. E temeu, ignorando aquele beijo ao levantar a moça nas suas costas, apoiando-a como se fosse uma mochila. Ao passo em que ele caminhava com a pesada moça sobre as costas, ela ia tagarelando:

    _ Nem ao menos nos apresentamos, e aqui estamos como namorados em que você me leva de macaquinho. Como é o destino, ultimamente só estou conhecendo novas pessoas através do Facebook, e agora te conheço assim, em um acidente, e já temos um contato físico como pessoas que se conhecem a muito tempo. Acho que só os acidentes são capazes disso. O que acha? Eu ainda não sei o seu nome. Como você se chama?

    _ Em primeiro lugar não somos amigos, nem muito menos namorados. Em segundo você está muito pesada, e não estou conseguindo me concentrar com essa sua tagarelice. Me chamo Nimirod.

    _ Desculpa Nimi, eu só estava querendo te distrair por causa do meu peso e seu esforço. Me chamo Einat. Prometo que não falo mais. Naim meod (Prazer em conhecê-lo)!

    Juntos chegaram ao estacionamento, e ele a colocou no banco da frente do seu carro. Ela ainda se encontrava calada pela dura que recebera dele, e, ele se encontrava sério, meio puto em chegar atrasado para o trabalho.

    Então, ela resolveu quebrar o gelo que existia entre os dois, perguntando-o:

    _ Você corre no parque de Kfar Saba todos os dias?

    _ Sim. _ respondeu ele secamente.

    _ Você mora em Kfar Saba?

    _ Não. _ deu outra resposta seca.

    _ Onde mora?

    _ Próximo. _ disse isso não querendo responde-la.

    _ Sim. Não. Próximo. Você fala hebraico? _ disse ela o provocando.

    _ Você é da polícia? Não pode se calar um pouco, apenas por um momento. Não gosto de ser interrogado, e por sua causa estou me atrasando para o trabalho.

    Ao ver essa resposta arrogante, mais uma vez os olhos da jovem se encheram de lágrimas, e ela pediu para descer ali em qualquer lugar, já que estava incomodando.

    Diante disso, arrependido ele disse:

    _ Desculpe-me Einat. Apenas fiquei irritado por me atrasar para ir ao trabalho hoje, tenho muitas tarefas e meu chefe está já há uma semana no meu pé para que eu termine. Vou te levar para casa e tentar responder suas perguntas, ok.

    A jovem enxugou suas lágrimas, deu um grande sorriso, e perguntou:

    _ Quantos anos você tem?

    _ Trinta e sete. E você?

    _ Vinte e três.

    _ Você é nova. Fez o exército?

    _ Sim. Terminei faz um ano.

    _ E não viajou?

    _ Acabei de chegar da Índia, estive lá por dez meses.

    _ E como foi?

    _ Louco. Já foi a Índia?

    _ Sim.

    _ E como foi?

    _ Louco.

    _ Então, não preciso lhe dizer nada _ disse ela sorrindo.

    Ele sorriu em resposta, e a perguntou já chegando em Rosh Haayin:

    _ Em que direção fica sua casa aqui.

    _ Eu não sei direito lhe instruir, pois sou nova aqui, mas posso ver no Waze. _ disse ela pegando o seu smartphone, e abrindo o aplicativo GPS digitando o nome da rua.

    _ Você é daqui? _ perguntou ele, enquanto ela ainda digitava.

    _ Não. Sou de Tel Aviv. Vim morar aqui por causa do emprego de ajudante de enfermeira veterinária, pois quero estudar veterinária no futuro. Amo animais, principalmente gatos.

    _ Eu odeio gatos. São egoístas e interesseiros.

    _ Assim como nós. _ disse ela.

    _ Prefiro os cachorros. São amáveis e amigos. _ disse ele ignorando o que ela disse.

    _ Já eu, não sou muito afeiçoada a eles. São dependentes de mais e bagunceiros.

    _ Assim como nós, quando crianças. _ disse ele.

    Ambos se olharam e sorriram como se concordassem um com o outro, e a voz robótica do aplicativo falou dizendo que se encontravam no local de chegada.

    _ É aqui, nesse prédio. _ disse ela apontando, e continuou_ Quer entrar para tomar um café? Afinal, você já está atrasado mesmo.

    _ Não, obrigado! Não quero me atrasar mais ainda.

    _ Só que tem um probleminha! Esqueceu que não posso andar, e no meu prédio não tem elevador, e vivo no terraço no quarto andar. _ disse ela sorrindo.

    _ Ok! Te levo até lá, mas não tenho tempo para o café.

    Ela sorriu. Ele saiu do carro, foi até a porta do assento lateral, a carregou em seus braços, e ela disse:

    _ Agora parece que acabamos de nos casar, e você me leva para lua de mel.

    Ele a encarou com seriedade não gostando nada do que ela disse, e a colocou em suas costas indo em direção ao prédio a sua frente. Chegando a porta, ele se virou de lado para que ela pudesse digitar o código chave de cinco dígitos para abrir, fazendo um barulho entediante afirmando que já estava destrancada. Ele empurrou a porta de vidro com o pé, e enquanto adentrava ela ajudou com uma das mãos, sendo que a outra estava envolvendo o busto e pescoço dele.

    E seguiram subindo a escada. A cada andar ele parava um pouco para pegar um fôlego e descansar. E ela resolveu dessa vez ficar em silêncio, pois ele não estava nada gostando daquela situação. Então, chegaram a porta do apartamento dela. E ela disse:

    _ Não vai nem ao menos entrar para um copo d’água e descansar um pouco.

    E, ofegante ele disse:

    _ Não. Melhor não. Estou muito atrasado, tenho que ir.

    _ Vai me deixar aqui na porta para que eu me arraste até a cama? _ perguntou ela com uma dengosa voz.

    _ Acho melhor você já aprender a se virar sozinha com essa situação. Depois você vai me pedir para te levar para o banheiro, e te dar banho e depois fazer comida.

    _ Eu bem que poderia comer você. _ disse ela, e continuou_ Brincadeirinha. _ disse isso, querendo desfazer o que disse.

    _ É por isso que não quero entrar. É disso que eu tenho medo. Vocês jovens são rápidos demais. Bye! _ disse ele descendo as escadas.

    _ Hei, espera aí! Você não me disse onde mora. _ disse ela gritando.

    _ Moro em Kfar Saba. _ respondeu ele já de baixo.

    _ Me dá o número do seu telefone. _ ela gritou de cima.

    _ Rápido demais, já disse! E se eu for casado…

    _ Você é casado? _ Ela gritou o mais alto que pode.

    _Não! Mas, enquanto o meu número de telefone, vai ter que descobrir por si só.

    _ Isso já é bom! _ gritou ela, e já não houve mais respostas. _ “Ele se foi” _ pensou ela entrando no seu apartamento.

    Ele entrou no carro e dirigiu rapidamente para o local de trabalho, fazendo consideráveis esforços para esquecer aquilo tudo, repetindo um milhão de vezes em sua mente _ “Isso nunca existiu” _ tentando assim ignorar os fatos, que já fora fisgado pelas garras do destino.

    Ela estava maravilhada com ele, achava ele bonito e responsável, o tipo certo para uma mulher se casar. Ela era tão jovem, mas já pensava em um bom partido. Estava meia que traumatizada pelo motivo de suas duas irmãs mais velhas não conseguirem ter relacionamentos por serem gordas, não suprindo as exigências dos homens israelenses, numa sociedade que admira e fortalece a indústria da moda e cosméticos. Sendo que sua irmã mais velha de trinta e oito anos, fizera bebês em um laboratório de banco de espermas, tendo assim filhos gêmeos. E sua segunda irmã de trinta e quatro, já estava pensando em fazer a mesma coisa. Ela não era assim tão gordinha, mas geneticamente tinha formas arredondadas, e isso a preocupava. Passava muito tempo na frente do espelho, e se achava gorda e feia.

    Porém, não era bem assim, suas amigas a invejavam pela sua cintura bem definida, seu bumbum farto e arredondado, seus seios medianos e seu rosto de anjo com olhos verdes e cabelos loiros cor de mel. Um belo corpo de violoncelo, unida a um belo rosto e altura de um metro e setenta e cinco invejável. Não era gorda de jeito e maneira, era dessas mulheres mutantes de forma gigantesca.

    O despertador do smartphone tocou as cinco horas da manhã, como de costume ele se levantou indo diretamente ao banheiro, lavara o rosto e escovara os dentes apressadamente. Vestiu-se com sua roupa e assessórios de correr, colocou seus fones de ouvidos bluetooth, e pendurou o seu smartphone por uma capa detentora em seu braço esquerdo, começando o seu exercício matinal ao som do piano de Richard Clayderman. Pelo esforço que fizera para esquecer do evento inconveniente do dia anterior, já não se lembrara com emoção daquela moça linda e alta de olhos verdes, sua mente se voltara a sua rotina diária de solteirão feliz.

    Mas para o seu desgosto, lá estava a jovem linda moça correndo em sua direção pela contramão com o joelho enfaixado. Ao passo em que se aproximava dela, ele pensava em ignorá-la. Dizendo em seus pensamentos: “Puta-merda! O que ela quer de mim. Droga! Porque logo hoje fui me esquecer de colocar meus óculos escuros”.

    Ao se aproximarem, param ainda correndo e trocaram sorrisos, e ela disse:

    _ Olá como está?

    _ Bem. Vejo que seu joelho já está bom.

    _ Quase. Mas não resistir ter que parar com os meus exercícios matinais.

    _ Entendo. Bom! Não quero me atrasar mais um dia para o trabalho. Bye!

    _ Bye! Lehitraot (Até mais ver)!

    E, continuaram os seus percursos, entretanto, enquanto se distanciavam ela disse em alta voz:

    _ Ainda quero o número do seu telefone.

    _ Ainda vai ter que descobrir. _ disse ele não olhando para trás.

    E, isso se repetia dia após dia, semana após semana.

    Até em que um belo dia de Yom Rishon (domingo) ensolarado, em que ele estava a correr como de costume no parque de Kfar Sabah, não a viu durante todo o percurso. E, pensou: “Ela não veio correr hoje. O que será que aconteceu. Não importa! Bom para mim”. E, Yom Sheni (segunda-feira) a mesma coisa. E, Yom Shilishi (terça-feira), Yom Revyi (quarta-feira), Yom Hamishi (quinta-feira), Yom Shishi (sexta-feira) a mesma ausência.

    Yom Shabat (sábado), ele despertara já sem o apito do seu despertador. Continuou ainda deitado em sua confortável cama elétrica com colchões de astronauta, e não conseguia pensar em outra coisa, senão, nela. E vislumbrara em seus pensamentos o sorriso contagiante que enfeitava seu belo e limpo rosto redondo. Sua meiga voz de menina mimada. E seu gigante corpo perfeito. A ausência dela o fisgara, como as coloridas iscas artificiais dos profissionais esportistas pescadores. Aconteceu o que ele mais temia, se viu apaixonado, e sabia que esse sentimento era o mesmo que estar enfermo. Mas, agora, o que fazer, pensou. Ir procurá-la. Não! Isso era se entregar a loucura novamente. E se lastimou pelo fato de não ter dado o número do seu telefone a ela.

    Levantou-se da cama, foi ao banheiro, levantou a tampa da latrina e fez xixi. Deu descarga, e foi ao lavatório. Se olhou no espelho, e pela primeira vez viu um fio de cabelo branco em sua cabeça e dois em sua barba. Meu deus! Pensou. Abriu a gaveta procurando uma tesoura, e achando-a, rapidamente com cuidado fora até a raiz dos seus intrusos cabelos brancos para expulsá-los.

    _ Estou ficando velho. _ disse em alta voz para si mesmo.

    Teve medo por um instante de pânico de envelhecer sozinho. E pensou nela. Rapidamente entrara na banheira, ligara a ducha tomando um banho. Pegou a tolha, se enxugou apressadamente, passara um creme facial no rosto e se perfumara. Correu até o quarto, se vestindo elegantemente com roupas de verão. Uma curta bermuda branca, uma camiseta verde e uma sandália de couro esportiva. E, pensou em convidá-la para ir à praia em Herzliya.

    Ao chegar no prédio em que ela morava, correu em direção a porta, e não se lembrando o número do seu apartamento, não sabia em que botão devia apertar para chama-la pelo interfone. Esperou um pouco, e teve a oportunidade quando um casal estava para sair, aproveitou essa oportunidade em que a porta fora aberta, adentrando-a. E subiu as escadas em direção ao terraço no quarto andar. Lá chegando, parou e fez um pequeno exercício de respiração para aliviar a tensão. E, antes de bater à porta hesitou, não sabendo bem o que dizer a ela. E quando fora bater, a porta se abriu. Sendo, que ambos se assustaram. E ela disse:

    _ Você aqui! Eu já estava prestes a sair.

    _ Pois é, resolvi ainda que tarde aceitar seu convite para tomar um café. Mas, vejo que tens compromisso.

    _ Eu estava indo à praia.

    _ Uau! Foi isso mesmo que vim fazer aqui, te convidar para ir à praia.

    _ Ainda quer entrar e tomar um café antes?

    _ Seria um prazer!

    Ele entrou, e viu que ela morava em um pequeno apartamento de solteiro de apenas um quarto, com uma pequena cozinha e banheiro acoplados. Mas, que continha uma enorme varanda no terraço com muitas flores, plantas, um cagado, um papagaio branco, uma iguana e três gatos. O apartamento era pequeno, mas estava muito bem organizado com uma cama de casal ao meio, a cozinha no estilo americano a frente, o banheiro ao lado e uma grande mesa com impressora e computador, improvisando um escritório de trabalho. Do outro lado havia também uma porta e uma larga janela que dava para varanda. O ambiente estava bem iluminado e confortável, havia odores de incenso, e um toque alegre maravilhosamente feminino. Muito distante do seu escuro apartamento, triste e sem graça. E, enquanto ela aprontava o café, ele disse ao se sentar a cama:

    _ Bonito e aconchegante aqui.

    _ Foi isso que você perdeu antes. Muito lento você, Sr. Lesma.

    _ E você, apressada demais, Sra. Papa Léguas.

    _ Viu!

    _ Viu o quê?

    _ Agora já estamos nos comportando como um casal rotineiro, discutindo por besteiras.

    _ Rápida demais menina! _ Ele a alertou, e continuo _ Nem começamos ainda a namorar, e você fala em casamento. Mas me diga, porque não foi ao parque correr essa semana.

    _ Funcionou!

    _ Funcionou o quê? _ perguntou ele sem nada entender.

    _ Não está vendo. _ disse ela sorrindo.

    _ Como sou idiota! Bye! _ disse ele indo revoltado em direção a porta.

    _ Bye! _ disse ela tranquilamente sem olhar para traz, enquanto ainda preparava o café.

    Rapidamente ele saiu, e descendo as escadas às pressas, parou no meio, colocou a mão na cabeça, e dizia para si em voz alta:

    _ Como sou idiota! Hahhhh!

    Continuou a descer, e ao chegar a porta. Hesitou em abri-la. E se viu completamente apaixonado e envolvido a ela. Tão rápido, mais rápido do que a velocidade dos pensamentos era a velocidade dos sentimentos. Sua cabeça lhe dizia: “Saia imediatamente dessa arapuca, e esqueça essa garota que só vai atrapalhar a sua vida”. E o coração rebatia, dizendo: “Volte imediatamente, peça desculpas e diga que gosta dela”.

    O coração foi mais forte, assim deu meia volta e subiu as escadas. E lá estava ela a porta, com duas xícaras na mão, uma de café e outra de chá de folhas de Luiza Limão do seu pequeno canteiro de ervas. Ele subiu a passos lentos em sua direção. E pediu desculpas, e ela abrindo os braços com as mãos ocupadas com as xícaras cheias, disse:

    _ Só desculpo se me der um beijo.

    Ele se aproximou o mais perto possível, encostando barriga a barriga, e sentiu o calor atraente do corpo dela o chamando. Olho a olho se olhavam, e o olhar dela ficou meio vesgo, tornando-a mais linda e atraente, ainda mais do que já era. Suas respirações estavam ofegantes, e seus corações pulsavam tão alto, que faziam os líquidos das xícaras que estavam nas mãos dela ondularem pelas laterais, respigando todo o chão. E por um instante se cheiravam, enquanto seus narizes se tocavam. Rapidamente ele se afastou, pegando a xícara de café da mão dela, e disse:

    _ Rápido demais menina. Rápido demais…

    Ela sorriu, e ambos caminharam até a varanda. Assim, se sentaram um a frente do outro em uma pequena mesa de ferro, com a plataforma de cimento com mosaicos feitos de pedaços de azulejo que ela mesma confeccionara. E, apenas se olhavam por longos minutos sem nada dizer, enquanto saboreavam o gosto do café e chá, e os gatos se enroscavam em seus pés.

    Então, ele rompera o silêncio dizendo:

    _ Vamos devagar, Ok! Assim será melhor e mais prazeroso. Não quero ter uma relação de palito de fósforo.

    _ Como assim, palito de fósforo? _ indagou ela.

    _ Você tem uma caixa de fósforos? _ perguntou.

    Ela sem nada dizer, adentrou a casa para apanhar. E trazendo, foi vagarosamente por detrás dele o abraçando em tons provocativos, enquanto estendia com uma das mãos a caixa de palitos de fósforos a frente dos seus olhos. Ele pegou a caixa, ela voltou ao seu assento, e ele disse:

    _ Tome essa caixa, pegue um fósforo e ascenda.

    E, assim como foi dito, ela fez. E ele disse:

    _ Está vendo! O fósforo ascendeu ligeiro se inflamando rapidamente, e da mesma forma ligeiro se apagou. O mesmo acontecerá com nós se formos tão depressa nisso. Tudo não passará de uma inflamante paixão. Devemos começar como uma pequena fogueira de acampamento. Catar folhas e palhas secas, colocar gravetos em cima, depois paus grossos e duros, e acende-la com muita atenção cuidadosamente, e ir alimentando-a com esse combustível de matéria orgânica dura aos poucos, para que permaneça acesa, e venha nos aquecer por toda noite, até a vinda do sol.

    _ Mas, essa sua fogueira só poderá ser acesa com um palito de fósforo, não é? _ questionou a moça a sua frente com ironia.

    Nisso, ele se irritou novamente. E ela rapidamente disse:

    _ Brincadeirinha, Sr. Nervosinho. _ e sorriu como uma esperta menina, que ganhou a aposta.

    _ Ok! Nada de telefones, SMS, Telegram, WhatsApp, Facebook, Skype e todas essas parafernálias da internet. Usaremos cartas. E só nos encontraremos no local especificado por elas. Faremos a moda antiga, antes da tecnologia. _ rebateu ele, irritado por se sentir derrotado.

    _ E se as cartas não chegarem? Você sabe como são os correios aqui em Israel.

    _ Vamos usar então uma empresa de correios privada, a Deutsche Post DHL. Não se preocupe, eu cobrirei todos os custos.

    _ Está bem, Sr. A Moda Antiga _ disse ela ironicamente concordando.

    Assim, terminaram com o café e chá, e foram para praia em Herzliya. Lá, conversaram bastante abrindo o livro de suas vidas um para o outro, e o tempo em que passaram juntos foram mágicos para os dois.

    Ele a levou de volta para o apartamento dela em Rosh Haayin. E, ao se despedir saindo do carro, enquanto ainda caminhavam até a porta do prédio, ela o surpreendeu com um beijo apaixonante em sua boca, em que ele nem ao menos teve chance de resistir, apenas pela altura dela, teve que ficar suspenso nas pontas dos pés. Então, ela percebendo o seu desconforto, o puxou ainda o beijando descendo para rua, enquanto ele ainda ficava sobre o paralelepípedo da calçada, dessa forma ele ficou mais alto e ela mais baixa. Esse beijo em que se abraçaram amorosamente, durou por quase dois minutos. Ao terminar ela disse se despedindo:

    _ Isso foi apenas o fósforo que acendeu a fogueira no nosso acampamento.

    E assim, ele e ela, Nimi e Einat se encontravam esporadicamente através de cartas que indicavam locais estratégicos como um jogo de RPG. Ela o escrevia cartas amorosas, as desenhando com lápis de cor, ou aquarela, e fazia também colagens de flores e folhas do seu jardim suspenso. Ele a enviava cartas com bombons e flores, sempre ditando os lugares de encontro como o mestre do jogo. Até que um dia, ela recebeu uma encomenda vinda em um carro forte de alta segurança, tendo que dar várias assinaturas nos protocolos de papeis para recebe-la. Parecia-lhe algo extremamente de muito valor financeiro, para vim com aqueles seguranças todos bem armados, com pistolas e escopetas Glock. Era uma caixa grande que envolvia outras pequenas caixas, como degraus de escada de caixas sobre caixas. E, ao chegar à última e pequena caixa preta. Encontrou um pequeno papel vermelho, dobrado em quatro partes. E ao abri-lo, viu um número de telefone escrito em tinta negra: 0529516651. De imediato foi a sua bolsa procurando o seu smartphone, e ao acha-lo ligou imediatamente. E ao dizer alô, ouviu uma voz que emocionado perguntava:

    _ Quer se casar comigo?

    _ Rápido demais seu moço. Nem ao menos ficamos noivos e você já pensa em casamento.

    Então, ele ao ouvir essa resposta, desligou de imediato o telefone.

    E, ela se desesperou dizendo para si: “Droga! Eu brinco demais com ele, e ele sempre me leva a sério. Apenas só repeti as suas palavras. Droga!”.

    Todavia, enquanto ela tentava ligar para ele novamente, desesperada para lhe dizer: “Sim! Era isso que eu mais desejava desde quando nos conhecemos”. Ela ouviu um toc, toc em sua porta. E abrindo-a, lá estava ele de joelhos com uma caixa de anéis na mão dizendo:

    _ Case-se comigo agora, mesmo que seja rápido demais! É que não precisamos mais da fogueira no nosso acampamento. Pois o sol raiou, e já é dia.
  • Rimando com amor

    Ah essa palavra que tanto nos temos escutado, desde criança sendo influenciado, a dar e receber amor !
    Vivo a pensar como uma coisa boa dessa, pode a alguém machucar
    o que ninguém sabe e quando a pessoa amada ira encontrar.
    Sera que em algum canto, dessa imensidão, alguém ira me amar?
    Ah então vivo a pensa e escrever, o que tanto queria te falar !
    Sim nessa imensidão a uma pessoa em que não paro de pensar!
    Ela que vou, todo meu amor lhe dar !
    Farei de tudo pra lhe conquistar !
    Para que em nosso lar, nosso amor tenha frutos e possa continuar !
  • semeie amor

    Nesse mundo de desilusões ainda vivo a ilusão do felizes para sempre, do ate que a morte no separe, não e porque muitos estão esfriando que você também tem que esfriar, o mundo nos criou para amar, então o amor devemos semear.
  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • sorria

    Sorria todo dia ate virar mania
  • The Angel In Earth

    Lux Burnns
    Sumário
     Prólogo............................ 3
     Capítulo 1- 1995............... 4
     Capítulo 2- 2006...............12
     Capítulo 3- 2011...............23
     Capítulo 4- 2013...............44
     Capítulo 5- 2015...............55
     Capítulo 6- 2018...............72
     Referências......................88
    Prólogo
    Escrevo livros desde os 11 anos, foi uma alternativa, quando vi que meus desenhos tinham os próprios traços, e jamais mudariam. Fui autora de muitos projetos não reconhecidos, que podem ser encontrados em meio a vasta internet, para quem quiser ver, como foi que a minha escrita mudou de redundante para encantadora. — Não é presunção, se há uma gama de leitores que concordam. 
    Minhas obras sempre foram voltadas, para o quê seria no futuro, ou as aventuras mágicas, de uma mente, muito, muito perturbada. Então definitivamente, não é fácil iniciar um projeto, que retrate quem eu sou, sem o uso de alegorias, e extremos ao retratar sobre fatos que me assombram, ou aconteceram.
    A jornada não será simples, pois meus problemas não se resumem somente a eventos comuns. Já me encontrei com o sobrenatural várias vezes, e sei que há mistérios, que fazem a insanidade se tornar um refúgio, diante da realidade nefasta. – Vi coisas que preferia esquecer, e que me fazem cogitar a ideia de juntar a banca ateísta.
    Como se isso não fosse o suficiente, tive minha saúde mental degradada com o decorrer do tempo, e isto me levou a conhecer o pior que existe da natureza humana. – Já teve medo de entrar no hospício? Eu sim. Não por achar que viraria minha casa, mas por acreditar que seria aprisionada ali, por causa dos meus pensamentos, e a ausência de sentimentos em determinados momentos.
    Tentei escrever o Sobre Mim, narrando somente os fatos, sem fazer uma análise profunda e detalhada de minhas ações, e acabou por ser concluído como um ensaio suicida, nem um pouco convincente. – Eu estava a beira de um surto, e o livro serve ao menos para o estudo psicológico, ou a expressão mais pura da loucura de uma mulher.
    Espero que esta tentativa seja diferente, ( darei o meu melhor para que seja). Então busque pela sua bota mais resistente, e a capa mais quente, pois a caminhada será longa, e ela começará agora.
    Capitulo 1- 1995
    Meus pais eram o típico exemplo, da história de amor, mais estranha do mundo. Minha mãe era um pouco namoradeira, e meu pai aparentemente um stalker, pois ficava lhe esperando voltar dos encontros, e a vigiava através da casa da vizinha dela. – Se isso não é perseguir, então não imagino nem um outro sinônimo para substituir a palavra.
    Minha mãe, talvez por ter sido criada de forma conservadora, não viu em seus atos nada de absurdo, por isso se apaixonou pelo jovem que vivia de cara amarrada e pouco ria, e que estava sempre na sua porta.
    Anos mais tarde, eles me geraram dentro de um carro, ouvindo a música Black da banda de rock Pearl Jeam, que basicamente fala de um amor dependente, que um homem tem por uma mulher, que não acreditava que poderia tê-la para sempre.
    Um romance com claros sinais de quê não era para acontecer, não poderia resultar em boas coisas, por isso, creio eu que minha mãe sofreu de rubéola na gravidez. – Isto ou o fato de ter abortado a sua primeira criança antes, por uma motivação bem adolescente, que quase custou a sua vida.
    O médico foi bem sincero para a minha mãe, disse que o melhor a ser feito era abortar, antes dela se colocar num risco maior. Contudo devido ao pecado anterior, e o peso que isso lhe trouxe, ela seguiu com a gravidez, e usou a sua fé para me proteger. Foi até a igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e lhe fez uma promessa. – Por causa disso, hoje carrego o odioso nome da Santa, que volta no Apocalipse, como a Prostituta Montada na Besta. (Leia sobre A Virgem Maria na perspectiva de Aleister Crowley.)
    Nasci no dia 15/02/1995, exatamente ás 10:51 da manhã, em Macapá- Ap. Mas minha mãe deu entrada no hospital, a noite, depois de ter tido um ataque de ciúmes, que a fez cair da escada, e assim foi as pressas para a maternidade, com medo de acabar me perdendo. – Nascida do desamor, com uma trindade de quinzes presente na data do aniversário, isto não é pura coincidência. 
    Meu nome humano é Thaís, em homenagem ao falecido tio Thales, que parecia o gêmeo do meu pai, apesar de ser um ano mais novo. – Por anos só soube que ele morreu, aos 17 anos, num acidente de moto, após se meter, com o quê meu pai chamou de “magia dos mortos” (Necromancia?) Porém quando fiz 19 anos, o irmão vivo me contou que Thales não apenas se foi, ele apareceu para o irmão estranho e sempre recluso, e lhe disse “Vou embora porquê esse lugar é pequeno demais para mim”. O quê era intrigante, pois eles eram ricos na época, e tinham um ótimo apartamento em São Paulo – Sp. (O curioso é que se Thales não tivesse morrido, eu não teria nascido.)
    A maldição começou desde cedo. Quando recém nascida – contam meus pais – que vivia no hospital, e o pior é que de alguma forma me lembro, do meu pezinho engessado, dentro de um quarto verde, com algumas lajotas. Como se não bastasse, toda noite era visitada, por uma poderosa entidade, que de acordo com minha mãe, era capaz de acionar o meu andajá eletrônico de madrugada. – O evento se repetiu tanto, que meu pai chegou a literalmente queimar o objeto, por medo do quê tinha por trás dele.
    Infelizmente o problema não estava no andajá, e sim em mim. Meus cabelos negros e lisos caíram, sendo substituídos por cachos marrons acobreados. – Diz minha mãe, que foi culpa do óleo Johnson, mas acho improvável, pois se fosse, minha pele pálida como papel, teria continuado da mesma forma. – É claro que a genética pode explicar isso, mas o fato em si, é comum entre as “crianças mágicas” (Leia Ciências Ocultas da Iavisa, para maior compreensão.)
    Minha infância não foi formada somente por doces e caramelos. Embora hajam memórias açucaradas, também existem as amargas que gostaria de esquecer, não pelo mal que me foi causado, e sim pelo quê me tornei por tal intervenção.
    Aos 5 anos fui molestada por meu avô, que me levava para o fundo do quintal, onde tinha um galinheiro, e quando me colocava para andar por lá, também enfiava seus dedos em minhas partes. – É horrível ter dons, que te fazem lembrar de tudo. – E mais tarde, aos 7 anos – por total negligência do meu pai, que me esquecia até 13 horas na escola – O meu professor de balé, o Junior, fez o mesmo. Só que numa sala cheia de crianças, focadas na TV, enquanto sussurrava em meu ouvido “Pense numa coisa bem boa.” 
    No primeiro momento achei que não tinha me afetado, mas hoje em dia percebo que sim. – Aos 2 anos, costumava matar pintinhos os sufocando, sob o pretexto de quê os colocava para dormir, e aos 8 desenvolvi desprezo pela cor rosa, que era exatamente a mesma que usava nas aulas de dança, por uma obrigação imposta por meus pais. – Que queriam me forçar a ser uma criança normal, o quê particularmente era impossível.
    Eu tinha sentido na pele, literalmente, o quanto o mundo é doentio, e como não quis contar a ninguém. – Para não perder as minhas regalias, dadas pelo meu avô, em troca do perdão por sua atrocidade. – Segurei aquele segredo comigo, e fui me tornando cada vez mais sombria.
    Para meus pais e coleguinhas era uma menina boa. Sozinha, me tornava outra pessoa. – Alguém que não merece nem ser citada. – Pois seus pecados são tão profundos, que até um padre cético, acreditaria se tratar de possessão infantil, ou algo ainda mais nefasto. – Vivia envolvida em clubes secretos da escola, me masturbando com meninas da minha idade – Isso com 6 anos, e até hoje me pergunto com quem foi o meu primeiro beijo, mas creio que quem o conseguiu, foi a minha coleguinha Vivi. –  Gostava de desenhar, só que no lugar de coelhinhos, flores e corações, minhas obras amadoras, expressavam a morte, sob o esquartejamento, e uma enorme poça de sangue. – Who’s bad? ( Michael Jackson – Bad – 1987.)  – Com 10 anos, acertei uma pedra na cabeça da minha vizinha, porquê ela fez amizade com outra menina, e me deixou de lado. – Eu mirei, vi se não tinha ninguém na rua, e puxei o elástico do estilingue. A cabeça da menina sangrou, e lembro-me do quanto fui falsa, ao ponto de pedir-lhe desculpas sem me importar.
    Ainda no mesmo ano, como era muito solitária, acabei por cair numa armadilha cruel. – Lembre-se que para os meus coleguinhas, eu era um anjinho. – Uma menina me chamou para ir dormir na sua casa, e como da outra vez – quando todos foram – Não me deixaram ficar, fiz de tudo para ir. Inclusive negociei ir com a menina, no lugar de alugar fitas de N64 na Top Game – Era muito manipuladora, desde pequena. A mãe da menina fez um drama, (ou para mim parecia assim, devido a boa vida que levava) sobre não ter dinheiro para nada mais que o necessário. Eu naturalmente entendi, mas a própria filha não, e assim esta se envolveu no roubo, e me puxou junto, enquanto fugia do guarda. Entramos no banheiro, e ela me implorou para assumir a culpa. – Naquela hora queria ter sido má, e dito surtou é? Mas não foi o quê houve – Sai do lugar, tomando a responsabilidade para mim, o supermercado estava cheio, todos me olhavam com repulsa, por andar mal vestida, e não acreditaram, quando disse que voltaria para pagar. – Apesar de ser da classe média alta, me vestia como mendiga, e aparência é o quê importa.
    No lugar da menina, quem recebeu a bronca fui eu, e como não tinha formas de me defender, usei a novela como argumento, para quê me deixassem em paz. – Alegando  sofrer de cleptomania. 
    Ouvi muito do meu pai, e mais tarde dos meus colegas, pois somente eu sabia a verdade daquele dia. A menina, mentia para se safar da vergonha, e fazia de mim, o seu bode expiatório. 
    Já cansada de tais afrontas, contei a verdade ao meu pai, que antes achava somente o pior de mim, mas depois agradeceu a Deus, pela ludibriadora ser a menina. – E armei para ferrar as garotas que se juntaram a ela. – Mesmo que de forma inconsciente.
    “A Thaís é boa. A Thaís é uma santa. Não faz nada de errado.” Diziam sobre mim. Então por causa da minha cara de sonsa, não desconfiaram de nada, quando as chamei para assistir Van Hellsing na casa da vovó, através do paperview recém comprado.
    As recebi no meu lar, com um sorriso, brincando, e quando dei por mim, outra vez elas faziam aquelas terríveis acusações a meu respeito. – Isso me encheu de ódio, e tudo o quê me lembro em seguida, foi de soltar meus 5 cachorros de grande e médio porte, para cima delas. (Literalmente.) Papai ficou horrorizado pela minha conduta, eu segui com o nariz empinado. – Ainda sim continuaram a me chamar de santa.
    Naquele ano, a menina que roubou o meu projeto da água, e o tratou como seu, tentou fazer as pazes comigo, e isto resultou numa história inacreditável. – De tardinha, resolvemos brincar de jogar a bexiga d’água uma para a outra, e se caísse a perda era evidente. Só que no meio da competição, o balão se partiu em câmera lenta, e vimos o tempo praticamente congelar, enquanto a cachoeira saia de dentro da borracha vermelha. – Até hoje me pergunto que tipo de alucinação foi esta.
    Mais tarde quando tinha 11 anos, levei um fora muito ruim, do garoto que eu gostava, por causa de uma falsa amiga, que fez a minha caveira pra ele. Estava muito abalada por isso, e tudo o quê queria era ouvir minhas músicas, sem interferências.
    Todavia minha prima de 5 anos, não respeitou o meu espaço. – Afinal o pai dizia que ela podia tudo, e a família reforçava tal autoridade, por isso a menina era terrível. – Eu pedi para me deixar em paz, mas ela ficou pulando no sofá e gritando, bem na hora da música que queria ouvir. Não aguentei, e acabei por pegá-la pelo pescoço e erguê-la. 
    Lembro-me de olhar em seus olhos, que estavam amedrontados, e só parar por medo de ir parar na cadeia. – Eu era criança, mas sabia bem o quê significava o xilindró.
    Meu pai ficou uma arara comigo, e falou um monte, mas eu apenas mantive a mentira de quê nada fiz, só que ele não acreditou e por isso apanhei. – Novamente o ódio subiu a minha cabeça, e tentei não manifestar de forma física, foi quando por coincidência, senti um cheiro de queimado, proveniente do quarto onde minha avó dormia. O ventilador tinha se aquecido, ao ponto de iniciar um incêndio, e a chama azul e amarela já se formava. – Ela era a principal responsável pelo meu sofrimento, pois devido a sua xenofobia, tratava minha prima como se fosse Jesus, e eu o próprio Lúcifer.
    Naquela época coisas bem incomuns ocorriam. Costumava ver uma mulher de cabelos de fogo, que nunca me dizia o nome, e que decidi chamar de Layla. – Sempre que Layla estava comigo, eu me deslocava do corpo para outra dimensão, onde os belos eram maus, e os feios bons, comigo ao menos. – Quando a mídia defendia o oposto, com obras como Abracadabra da Disney (que aliás era um dos meus filmes favoritos)
    Sempre que ia para o outro lado, me esquecia daqui, e por isso muitas vezes era encontrada sob o estado de transe, falando “sozinha”.  (Minha avó materna até me acusava de falar com demônios por sinal.) – Quando não era com Layla, também dava voz aos personagens que criava, e acabava por fugir dessa realidade. (Por isso até hoje me questiono o quê ela é)
    De forma gradual, passei a notar que tinha habilidades, e elas estavam aumentando. Mas junto do meu “poder”, também vinham os “demônios internos” que não paravam de se formar.
    Talvez devido ao trauma provocado pela moléstia, tive de escolher entre dois caminhos: Ser a vítima da situação, ou me tornar ainda pior do quê quem me feriu. – Optei pela segunda opção, e assim me entreguei aos meus desejos mais obscuros, ainda na infância.
    Beijos e masturbação com garotas, aos 6 anos, agressão violenta com 10 e 11, não se comparam, ao pior dos meus crimes. – Eu seduzia garotos, os fazia querer me tocar, para torturar-lhes, segurando-os pelos testículos, ou dando-lhes tapas humilhantes na face. – E quando contava a versão as minhas amiguinhas, por vergonha, dizia que a culpa era deles, mesmo sabendo que era minha.
    Somente a minha santa protetora, conhecia meus piores segredos, pois preferia conversar com uma estátua, a fazer confissão para um padre. – Sempre pedia perdão pela minha conduta, de coração, pois tinha medo do castigo divino, mas as únicas vezes que meus desejos eram atendidos, envolvia uma força totalmente oposta a igreja.
    Devido a devoção da minha mãe, aprendi desde cedo sobre a figura do Diabo, e seus outros nomes, que segundo a mesma, jamais devia falar. – Mal sabia ela, que em meus momentos de ira, me sentia impelida a me isolar, e falava “Diabo, Diabo, Diabo, Satanás, Lúcifer!” – E magicamente meus problemas eram resolvidos.
    Tinha tanta afinidade com as trevas, que quando ganhei um cachorrinho, quis batizá-lo de Satanás, por achar o nome bonitinho. – Não importava se isso impunha medo, nos personagens do programa Chaves. – Mas jamais consegui ter um cãozinho com esse nome.
    Minha ligação com as terras debaixo era tão forte, que meu feriado favorito era o Halloween, e em vez de me fantasiar de princesa ou anjo (embora no pré tenham me obrigado a me vestir como tal), costumava ir de vampira, diabinha, ou bruxa. – A figura da bruxa muito me encantava, por isso tive uma vassourinha na infância, e até mesmo um pentagrama. – Do qual tive de me desfazer, por ser o símbolo do Diabo, já que a estrela representava um poder, e o círculo a sua influência sob o mesmo, segundo o meu avô.
    Pode se dizer que tinha uma forte atração pela magia e os seus mistérios, e que desde criança, parecia pertencer a parte mais profunda dos infernos. – Não que as minhas maldades me orgulhem, mas elas servem como prova, do quê sou ao menos.
    A escuridão em mim, se fortaleceu bastante quando mal sabia que era gente, e com isso desenvolvi habilidades notáveis. – Como toda pequena capeta, adorava aprontar. Era muito quieta, gostava de ler e vê TV, mas na hora de causar o caos, me superava. – Ao contrário das outras crianças, conseguia ouvir passos a metros de distância, e isso me ajudava muitas vezes, a sair ilesa da cena do crime.
    Cansei de contar as vezes, que sai do lugar, minutos antes de alguém aparecer para me abordar. Só que como mencionei antes, tinha muito mais que uma habilidade. Além de ouvir a Terra, e provocar focos de incêndio com minha ira, também fazia com quê os objetos caíssem, somente por me chatear, sem mover um dedo, e meu choro focado em algum desejo, realizava até consertos de eletrônicos aparentemente queimados. – Esta foi a minha predisposição. 
     No meu tempo, definitivamente estava longe de ser uma criança normal. Era sádica, má, e pior consciente dos meus atos, pois tinha uma noção de quê tais praticas eram erradas. 
    Não me admira já ter me encontrado com a morte. – Interessado? Pois bem. – Vamos voltar uns anos. Estava na quarta série, e ouvia sobre os relatos do fantasma do banheiro. Ria disso, pois para mim era como a lenda urbana da “Maria Sangrenta”. Porém como a escola Guanabara ficava na esquina com o cemitério, era algo que devia averiguar.
    Estudava a tarde naquele tempo, e como havia luz do sol, não pensava que algo pudesse aparecer, por isso sem avisar a ninguém, fui até o banheiro feminino, onde a suposta entidade era vista. 
    Entrei, e lavei minhas mãos, de acordo com o quê ia girando a torneira, as outras se abriam em sincronia. – Admito que isso me assombrou, mas não o suficiente, para ver se a água da privada, ficava vermelha sem motivo. – Todavia quando abri a porta e fui averiguar, a luz se apagou, e só restou a claridade solar do espaço fechado. Meu coração bateu acelerado, e quando olhei para o fundo do local, lá estava a criatura, com a sua mortalha negra, cujos os pés não tocavam o chão. Sai de lá na hora, correndo pelo corredor, e depois respirei fundo, e tentei demonstrar que não tinha medo, afinal se contasse ninguém acreditaria, e não queria ser taxada de louca.
    Fora a experiência com Layla, A Morte, e outros fatos incomuns, há também uma história, que foge dos limites da alucinação. – Até aqui só falei do quê foi visto, não o quê foi sentido. Então lá vamos nós. – Era de noite, e eu estava brincando com a vizinhança de pira esconde (A versão Amapaense do Pique-Esconde) Fui até uma casa, que parecia abandonada, e fiquei atrás dela. Então no meio da penumbra ouvi um cachorro, que me mordeu por trás do joelho. Nem sequer vi de onde o animal apareceu, mas a marca que ficou no meu corpo, foi bem real. Questionei o resto da garotada, só que nem mesmo eles sabiam, qual era a raça, ou se era vacinado. – Torci para que fosse, tinha muita campanha sobre o perigo da raiva na época. –Outro fato incomum é que quando feri o meu joelho, formou-se o número 7, e na vez que me queimei no antebraço com a borda da bandeja, a marca ficou semelhante a um triângulo ascendente.
    Há muito mais segredos, e sinais concretos, de um sério transtorno de personalidade, associado a aventuras fantásticas do mundo oculto, mas por hora encerraremos por aqui. – Bruxa Natural? Quem sabe. Algo mais?  Certamente, mas se quiser saber, terá que virar a página. Estarei no aguardo, e parabéns por ter chegado até aqui.
    Capitulo 2 - 2006
    Que tenho sérios problemas, já está claro pelo capítulo anterior, mas o quê sou? Já está evidente também? De certa forma sim, mas isto é somente a ponta do iceberg.
    O ano de 2006, foi marcado pelo fora, e o quase assassinato da minha prima – Causado por minhas mãos. – Mas também por algo que mudou a minha vida para sempre. 
    Era um final de semana em junho, eu acho, quando estava sentada diante da TV, fazendo o meu passatempo favorito que era desenhar. Desde que tinha começado a esboçar minhas expressões sombrias, sempre pegava um livro azul. Era como um imã invisível, que me atraia para ele, mesmo sem conhecer o conteúdo, e por isso me senti motivada a abri-lo. 
     – Foi quando vi pela primeira vez, um livro de magia, que se chamava Ciências Ocultas da Iavisa. 
    O quê mais me interessava, o livro 2, sobre hipnose, infelizmente desapareceu, e nunca pude o lê. Só me restou os livros que continham ao todo: Queromancia, Grafologia, Horóscopo, Bola de Cristal, Varinha Mágica, Búzios, Cartas, Vodu, a história de São Cipriano, e Segredos da Magia Negra em geral. – É, a primeira vez que toquei num grimório, já li logo sobre os sacrifícios mais absurdos, para o “demônio” Adonai. (Que hoje sei que é a face obscura de Yaweh.)
    Fiquei de imediato fascinada pelo mesmo, e o interesse aumentou ainda mais, quando minha avó me repreendeu, e disse que era uma leitura pesada para a minha idade. 
    Como ela tinha constantes ocupações, por causa do motel, a tapeçaria, e a lanchonete, mal parava na sua casa. – Assim sendo quando saia, corria para a sua biblioteca, e pegava o manuscrito proibido. – Me deliciava com o saber obscuro, e passava horas entretida com o mesmo.
    De fato era um livro pesado, e hoje não deixaria uma criança da minha idade ler, mas por alguma razão, estava preparada para estudar, e praticar somente o quê estava ao meu alcance. – Só as famosas benzuras, por isso soube lidar muito bem com tamanho poder.
    Porém depois de muito sofrer, passei a usar o livro em si, como uma ameaça aqueles que me machucaram. – Parafraseando a parte que diz “Ele adoeceu, mas nenhum dos médicos conseguiu encontrar a cura.” (Só que lógico usando a minha linguagem adolescente.)
    Meus coleguinhas ficaram divididos entre os que temiam, e os que queriam conhecer o aprendizado antigo, e a minha rival temeu que lhe roubasse o namorado com amarrações, por isso bateu foto da benzura “Para manter o namorado.” – Eu poderia ter usado amarração, estava ao meu alcance. Mas apesar de ser um monstro, sempre valorizei o amor como algo sagrado. Portanto se o fizesse, estaria quebrando muito mais que as leis divinas, trairia ao meu próprio código moral. – E também o fato de causar calafrios, em todos aqueles que me chamavam de anjinho, já foi uma vingança e tanto.
    Pouco a pouco a minha escuridão saiu, e tal como a borboleta, sai da versão de lagarta gorda e baranga, e ganhei as minhas asas. – Mas elas não eram cor de arco íris, e sim negras, como a noite mais pavorosa, o sinal o apocalíptico. 
    Apesar de sofrer bullying por conta dos meus cachos, não era nada ruim, pois me fazia sentir parte da galera. – Além do mais, se alguém te chama de algo, você sempre pode dá a volta por cima. – Eles me chamavam de leão, e eu dizia que era a rainha da selva, e os mesmos garotos mais tarde me elogiavam.
    Devido a grandes fatores, me desenvolvi muito cedo. – O meu primeiro dia na 5° série, foi marcado por ser o exemplo, do uniforme que não deveria ser usado na escola. – Nada de saias, bota e blusa colada de manga curta, e advinha como eu estava?
    Entrei na adolescência com 11 anos, e muito dos meus dilemas daquela idade, hoje são parte da vida de gente que acabou de atingir a maior idade.  – Então atualmente com 24 anos, creio que a minha mente seja mais próxima, de quem tem 30 ou 40.
    Portanto não me adaptava aos meus colegas de turma. – Assim acabei por fazer amizade com os veteranos, que para a minha felicidade, compartilhavam dos mesmos gostos que eu.
    No início éramos apenas um grupo, mas mais tarde, nos tornamos Os Naruteiros, com direito a comunidade no Orkut e bandanas, fabricadas a mão. – E desta forma nos tornamos bastante conhecidos, e a escola se tornou um lugar bom para se viver, pois mesmo que tivesse de conviver, com os – em sua maioria -mentecaptos da minha turma, a 612, tinha um refúgio entre os que já estavam na sétima série.
    É dito que são sempre os mais velhos, que influenciam os jovens a tomarem o caminho errado. Mas comigo não era assim, a maldade não tem uma idade específica, por isso fui eu quem apresentou aos outros, o subgênero de anime Hentai, logo depois de conhecer. – Se você sabe qual é, poderá ter certeza de que sou uma peste.
    A amizade durou muito tempo, até fazer a besteira de aceitar namorar com o nerd da turma, – que ao contrário do quê diz a cultura popular, era bonitinho, e lembrava o Fred da série Icarly. – Eu somente gostava da sua companhia, cavalheirismo, e a personalidade forte de um leonino, mas estava apaixonada pelo seu melhor amigo, e ainda sim cedi aos meus impulsos de pequena Lilith, e usei o coitado. – Me arrependo bastante disso, não por ter sentimentos, mas pela minha falta de humanidade, na hora que terminamos. 
    Perdi a todos por ser tão estúpida, só que felizmente, conheci outra veterana, que parecia me entender ainda mais que os outros. – Com ela não era popular, mas nem precisava disso, pois era feliz, por finalmente encontrar alguém com quem pudesse me abrir, e lhe contar sobre os meus interesses no ocultismo. – Como sinto falta daqueles tempos, tão simples e cheios de aventuras.
    Sabe aquela dupla imbatível? Éramos nós. Ela era o Batman da minha Robin, a Estelar da minha Ravena, A Chelsea da minha Raven, a Jody da minha Juniper. Mas dizíamos mesmo que éramos Carly e Sam da série, pois a persona da Carly lembrava a minha, e a da Sam a dela. 
    A gente vivia se metendo em confusão, e gazetava (matava) aula, para ficar andando pelo colégio, desafiando a lei mundana estabelecida. – Nos sentíamos donas do Antônio João, o pior pesadelos dos alunos, e a nossa coordenadora. – Eu amava demais  isso. 
    Mas meu pai detestava. – Tudo o quê me fazia ter um propósito, o irritava. Para ele, garotas de classe média, tinham que andar com gente equivalente, ou acima disto. Nunca os pobres. – Como se dinheiro fosse a identidade do caráter. – Eu era a prova viva, de quê a lógica dele era falha, pois já era má, muito antes de encontrar a menina.
    Perdi as contas de quantas vezes me levantei contra ele, para defender a minha melhor amiga, e da vergonha que era, ter que mandá-la ir pra casa, porquê ele torcia o nariz para a moça, e o clima se tornava gélido com a sua presença . – Isso porquê vivíamos numa casinha de alvenaria, mal feita. Mas o reizinho, sempre queria manter a sua majestade forçada, e me tratar como se fosse uma princesa, saída dos filmes da Barbie.
    Felizmente ele trabalhava o dia todo, e a minha mãe também. Então quando voltava da escola, tinha a casa só para mim, e aproveitava para chamá-la, pois a vida tinha sido tão maravilhosa, que ela morava na ladeira de baixo, e éramos praticamente vizinhas.
    Num ponto de vista meu pai estava certo, o fato de sermos de “mundos diferentes” pesava um pouco, pois isto a fascinava, e lhe fazia roubar alguns dos meus pertences. Só que eu não ligava, o quê era material não tinha tanto significado para mim, a sua lealdade, o seu respeito, e a forma como me protegia dos demais, fazia dela a melhor ladina do mundo, por isso tinha vezes que até abria mão dos meus objetos, somente para fazer a sua felicidade, já que para ela tinha mais significado, do quê para mim.
    Como ambas éramos estudantes de paranormalidade, gostávamos muito de testar as lendas urbanas, e foi por isso que aconteceu. – Numa tarde qualquer eu, e ela e nossas outras amigas, nos reunimos na minha casa, para fazer o Jogo da Caneta (Que é uma mistura de Charlie Charlie com Ouija). Uma menina se apresentou no tabuleiro, e quando pedimos para nos dar o seu nome, estava aberta a aceitar qualquer um, menos Samara, pois este também era o nome da entidade, do único filme de terror que não aguentava, porquê ficava só em casa, e a minha única companhia era a TV, de onde a criatura saia no filme, para atacar as suas vítimas. – Nem Freddy vs Jason, me deixava tão apavorada, e olha que quando assisti com 10 anos, fiquei 4 dias sem dormir. – Não sei se foi o meu medo, mas o nome era exatamente o quê mais temia, por isso comecei a chorar, e implorei para aquilo terminar.
    A menina não queria sair do jogo, então literalmente rompemos o círculo. – Esta foi a pior atitude, pois com isso libertamos-a para fazer o quê desejasse. – Inicialmente faltou luz, e ninguém queria ir a cozinha pegar as velas, porquê já eram 19 horas. Tive de virar o Coragem, e me levantei do sofá, para fazê-lo, ou continuaríamos no escuro. Fomos em fila, comigo liderando, e quando alcançamos as velas, uma forte rajada de vento derrubou o pirex, que estava na janela. O medo bateu, e corremos para o sofá, com as velas em mãos. Ao olhar para os quadros de paisagens, víamos rostos de pessoas, e o temor nos fazia ficar congeladas. As meninas foram cada uma para as suas casas, e eu fiquei lá, sozinha com a Samara, e a minha mente, que não parava de me lembrar, das histórias com o final trágico, que minha mãe e minha tia contaram, para me fazer evitar participar de tais jogos. – “A mãe da minha amiga morreu porquê fizemos o jogo do copo” Dizia a minha mãe na memória. “Quem são vocês, e por quê me tiraram do meu corpo?!” Dizia a minha tia. – O pânico me consumia, e quando meus pais chegaram, agradeci aos deuses por ter só um quarto para todos.
    Voltar para a minha residência, sabendo que o meu pior pesadelo me aguardava, não era algo agradável. Chegava, tomava banho do pescoço para baixo, somente para não fechar os olhos, e ouvia músicas, pois cantar me ajudava a esquecer, que tinha uma menina gravemente perturbada ali. Só que quando ia assistir a Playtv, via mensagens espalhadas nas paredes, sobre querer me matar. Por isso abandonava o lugar, e ia para casa da minha amiga, na qual ficava até a hora mais próxima dos meus pais chegarem.
    Só que houve um tempo que precisei parar com isso. Tinha me colocado nessa, e precisava sair, por isso a convoquei para conversar. – Gradualmente fui lhe tirando respostas, e descobri que ela somente gostava de assustar, não queria me fazer mal de verdade, pois se sentia tão sozinha quanto eu. Assim sendo nos tornamos amigas, e para onde eu ia, apresentava ela aos outros, com o uso do tabuleiro. – A maioria ficava assustada, mas ter uma polterguiest como protetora, era bom demais, me fazia me sentir segura. – Pena que um dia ela encontrou a luz, e partiu. Até hoje sinto a sua falta. Nem todas eram como a Laura a amiga da minha Bff, que ficou perambulando por aqui por um bom tempo.
    Mas infelizmente o mesmo destino que nos uniu, também nos separou mais tarde, pois ela teve de ir embora da cidade, e eu acabei sozinha, com os meus demônios, que sem ela foram me consumindo aos poucos, desde o momento da sua partida. – Não podia culpá-la, só que na hora de ir, eu não derramei nenhuma lágrima, mesmo que sentisse muito. Meu coração, já estava começando a endurecer, e só pude abraçá-la forte e torcer pelo melhor no Pará, para onde iria se mudar.
    Como tinha de voltar a maldita normalidade que detestava, e não podia contar com meus colegas de classe, acabei por me tornar uma criatura obscura de novo, e quando dei por mim, tinha abandonado os emos, e havia me tornado uma gótica, de cabelos negros, pele amarelada, de batom preto, bastante transtornada, que não apenas se cortava, como batia foto daquilo, por achar que a imagem da  cruz sangrando, era uma verdadeira obra de arte da natureza.
    Quando ela voltou, era tarde demais para mim, pois grande parte das minhas sombras tinha me consumido, e eu já não controlava nem um dos meus impulsos. – Vivia criando desculpas para encher a cara, e ir a cemitérios, somente porquê era chocante para os demais, e isso me trazia paz.
    Acho que foi por isso que ela fez, o quê considerou necessário. – Criou um par para mim, e forjou cartas – pois por me conhecer, sabia que a única coisa que poderia trazer ao normal, era amar alguém.
    Dessa forma começou a mais doce das ilusões que vivi, e que realmente me ajudou, a recuperar um pouco do controle. – Infelizmente não o suficiente, para que a nossa amizade sobrevivesse.
    Tudo começou com uma troca de cartas, que deveria resultar num encontro, mas sempre que ia conhecer o meu suposto par perfeito, ele nunca estava lá, e a única vez que supostamente nos vimos, eu tinha deixado de comer, para não aparecer gorda no encontro, que era um show da Pitty na minha cidade. – Então as chances de ser alucinação eram muito altas, por isso fui me desligando do ser, até encontrar outra pessoa, numa rede social. – Típico de gente solitário não é?
    Assim conheci um novo par, e me juntei a este. Algo que supostamente trouxe muita dor ao ser fictício criado por minha amiga, e o quê obviamente resultou no fim do relacionamento, e como preço. – Nem eu entendo essa. – Acabei por ser traída pelo outro, ou ao menos foi o quê pensei, já que algum tempo depois, foi tudo esclarecido, e não era nada do quê havia imaginado.
    Nesse tempo os computadores eram de mesa, e como tinha a minha mesada – Regalias pelo silêncio, lembra? – Me deslocava da casa da minha avó, até a Lan House mais próxima, que ficava a quase 1 km de distância.
    Tudo o quê me lembro do dia, é que eram 18 horas, e me livrei da aliança de compromisso. – Meu deus como era trouxa! – Então enquanto ficava sentada, no quê seria o próximo galinheiro do vovô, vários corvos pousaram na goiabeira, que estava acima da minha cabeça.
    Esse cara era o típico mago puritano, e perdê-lo foi bem fácil, pois alguém que não me achava digna da real magia, e me mandava praticar magia wiccana, merecia realmente o pior. – Chorei um pouco, e no dia seguinte estava pronta para tentar com o próximo, a fila anda era o meu ditado popular favorito.
    Iniciei um namoro de curta duração, com um amigo na época, pois achava mesmo, que o quê acontecia nos filmes de romance, podia funcionar na vida real, e com isso aprendi que os filmes, não são fiéis ao retrato da realidade.
    O puritano e eu voltamos, mas ele concluiu que era muito mais obscura, do quê podia suportar. – Só porquê descrevi um romance sanguinário entre irmãos diabólicos, muito antes disso ser aceito pela sociedade. 
    Tinha completado 15 anos na época, e levar um fora foi bem complicado, por isso passei a procurar por alguém, que pelo menos pudesse me aceitar como aberração que era, e assim parei de ser tão exigente. – O quê viesse era lucro. – Só que o puritano, era tão idiota, que queria continuar a manter a amizade comigo, só para me alfinetar, pela a sua preferência, por japonesas. – Que pra mim, eram criaturas patéticas, que existiam para dizer “sim senhor” para os seus parceiros, ou seja meninas submissas, que não mereciam uma gota de valor. – E sigo pensando assim. Parece que tá no sangue, de quem tem a descendência asiática, ser uma Eva da vida, like a Lúcifer 4° temporada, que a retratou da maneira, que sempre acreditei que fosse: Superficial, submissa, e sem cérebro.
    Perto do meio do ano, passei a andar com uma outra gótica, com a qual costumava encher a cara, e me fazia sair de casa toda quarta e sexta-feira. – Ela estava namorando na época, com um cara gótico satânico, que supostamente a glorificava, e só o fato de ter góticos na cidade, já fazia os meus olhos brilharem, pois o quê imperava naquele tempo eram os emos, e ele poderia ter algum amigo, que também fosse satanista.
    A novela se repetiu, sempre que marcávamos para conhecer o rapaz, ele nunca aparecia, e quando veio, era ainda pior que ele mesmo, por isso fui destruindo a linha da ilusão. – E para piorar, a Srta Peitão, vivia me deixando a sós com o namorado, e colocando-lhe chifres constantes. O quê eu achava um absurdo, por isso colocava lenha na fogueira, de tal forma, que um dia ele a deixou para ficar comigo.
    Apesar de claramente ser uma fura-olho, não quis seguir como errada, e a menina soube de tudo pela minha boca. – É óbvio que ela me odiou, e a guerra se iniciou.
    De um lado estava ela, a carismática, sedutora cheia de fartura peitoral, do outro estava eu, a estranha, aparentemente certinha, que pouco se importava com as suas acusações, e gostava de discutir nas redes sociais, somente por prazer.
    Houve uma vez, que ela bebeu demais, e se reuniu com as amigas, para me cercar. Falou um monte de coisas, que não consigo me recordar, pois não parava de rir do seu estado deplorável. – Se aquilo foi para me intimidar, não funcionou, pois estava acostumada a lidar com muitos me olhando torto.
    Fora a vida agitada de vilã adolescente, como se fosse uma Blair Waldorf menos afortunada, também segui fazendo meus estudos místicos, e procurando entender cada vez mais, sobre o satanismo, e quanto mais lia a Bíblia Satânica de La Vey, menos encantada ficava pelo meu atual namorado, que apesar de ser conhecido por sua prática oculta, me parecia um verdadeiro merda.
    Pois toda vez que lhe contava, as coisas que ocorriam comigo, ele tentava distorcer como alucinação, como se somente o quê vivia fosse real. – Certa vez na véspera da véspera do natal (23/12) de 2009, sofri um ataque de fanatismo terrível. – Tinha acabado de entrar para o submundo, e enquanto tomava banho, tentava conversar com a minha mãe, perguntando como seria que meus novos amigos me felicitariam na data natalícia, estava feliz, me senti renovada, animada pelo quê estava por vir. Mas quando sai do banheiro, minha mãe olhou para mim, e disse “Você é um monstro!” Não entendi o porquê da acusação, se nada tinha feito para ela. – Talvez fosse por ter deixado de ser virgem recentemente, e ainda entrar pro lado negro da força. Talvez fosse demais para ela suportar, e eu no meu egoísmo não tinha percebido. – Aquilo me doeu profundamente, e por isso lhe falei coisas, que destruíram de vez o seu psicológico. “Tão monstruosa quanto você, que tirou a vida de um pobre bebê, ao fazer aquele aborto!” Respondi com o ar desafiador, e ela desapareceu. Achei que ia se recolher, para chorar por seu pecado, mas em vez disto, a mulher pegou uma faca de cortar carne, e veio para cima de mim. Seus olhos castanhos, naquele momento pareciam amarelos. “Demônio!” Ela gritou, tentando empurrar a faca no meu peito. E não sei como, mas tive forças para contê-la, de tal maneira, que o seu impulso parecia pertencer a uma criança de 4 anos. Eu escapei, e sabendo da sua maior fraqueza, comecei a chorar, com o intuito de sensibilizá-la. Não lembro o quê disse a seguir, porém isto a fez voltar a si. Ela saiu se sentindo culpada, e caminhei para frente do espelho, onde sequei as lágrimas e sorri de forma maléfica. – Todavia o ser não acreditava que era algo oculto, e dizia que aquilo era normal. (Provavelmente para ele.)
     – Mas houve outro fator, para aceitar na minha vida, alguém que valia tão pouco. – Após muita bebedeira, acabei por beijar a minha melhor amiga, e isso se repetiu quando ela dormiu na minha casa. Eu me apaixonei por ela, só que como a mesma passou me evitar, não tive escolha, senão abraçar o quê viesse, para que aquilo não crescesse ainda mais. 
    Acho que a rejeição, foi o quê destruiu o meu fascínio por ela, e me fez ficar cada vez menos empática, ao ponto de brigarmos praticamente por tudo. – Só que nunca quis lhe contar, que a verdadeira razão para me magoar era essa, e não as futilidades relacionadas as roupas e sapatos, que compartilhávamos, porquê  na época morava comigo.
    De tanto ler as palavras de Anton, resolvi fundar a minha própria seita, que de acordo com o meu talento de criar nomes, se chamava Sees, e significava seguidores da estrela.
    Uma a uma das minhas amigas, recitou o poema de aceitação, e quando se deram conta, tinham me dado o poder de governar as suas almas, e agora eu as guardava em nome de Lúcifer, que era o verdadeiro dono delas. – Ainda me lembro das faces de pânico, após perceberem que tinham se vendido para mim, e o quanto ri pela minha conquista.
    A primeira reunião foi na minha casa, preparei tudo com cuidado, para simbolizar uma verdadeira comunhão com Lúcifer, e outros demônios a favor da carnificina. – A cidra era de maçã, e a comida em si, se formava de alimentos, que poderiam ser comidos crus.
    Nada saiu como o esperado, pois estava um pouco nervosa, e as meninas não parava de zoar umas as outras, o quê atrapalhava na minha concentração, porquê me divertia junto. – Uma verdadeira brincadeira de criança, que jamais pensei, que pudesse resultar em coisas tão graves mais tarde. – É claro eu admirava Satã, de todo o meu coração, e de alguma maneira me sentia ligada a ele, só não pensava que tinha realmente tais capacidades.
    O quê deveria ser uma reunião séria, acabou por atender dos requisitos do livro da Lei de Aleister Crowley – Que foi algo que vim ler, anos mais tarde  e dizia que os favoritos de Hadit e Nuit, eram os que tinham o riso frouxo, e que viviam para valer.
    Mas no fim das contas foi um sucesso, pois consegui citar todas as 9 regras, e esclareci que os espíritos das trevas, eram livres para castigar aos que traíssem ao círculo. Além disto, também fizemos o pacto da estrela, que figurativamente veio a nos transformar numa constelação de 4 estrelas, pois logo após nos unirmos, fatos interligados começaram a ocorrer. – Se uma sentia dor de cabeça, as outras também sentiam. Se uma caísse, as outras caíam. Um verdadeiro efeito dominó mágicko.
    A segunda reunião foi no cemitério do Santa Rita, para onde eu, e uma das meninas, costumávamos ir para beber, sem que nossos pais soubessem. – Calma, nenhum animal foi sacrificado, assim como as tumbas permaneceram intactas. Nós somente conversávamos, bebíamos, e devorávamos as frutas suculentas, adubadas com os restos mortais, dos quê já tinham partido.
    Lembro-me de como foi. Entrei no jogo dos espíritos, e sem querer recebi uma mulher, bastante irada, que queria me obrigar a desistir do meu namorado. Seu nome era Isabel e parecia disposta a me ferir. – Como a boa aquariana que sou, logicamente me opus, somente porquê era a vontade dela. Tive 5 dias para desfazer os laços com o cara, ou morreria, e como estava ligada as outras 3, a ameaça também valia para elas.
    A pressão foi grande, mas não tomei uma decisão, até atravessarmos a rua, e quase sermos atropeladas. 
    Terminar com o “satanista” foi algo fácil, apenas porquê me trouxe mais paz do quê continuar, com um verme inteligente, que me tirou tanto do sério com as suas mentiras, que em 4 meses de namoro, eu literalmente tentei matá-lo usando magia. – Era 31 de outubro para 1 de novembro, quando fui ver se ele iria para as festividades, mas ele alegou está indisposto.  Fui compreensiva, e decidi ir com a minha mãe, mas sem uma galera para me divertir, sai cedo, após nos encontrarmos com o meu pai, que estava saindo com uma garota de aparentemente 19 anos. – Santa crise de meia idade Drácula! – Caso não tenha entendido, meu pai se parece demais com o Bella Lugosi, e por isso sempre o chamei de Conde Drácula.
    Por volta das 1:45 da manhã, uma das meninas do Coven, me contou que o viu no evento, e tal atitude desleal, me deixou tão furiosa, que decidi usar a força do meu ódio para atingi-lo. – Só não sabia que era tão grande.
    Derramei meu sangue num papel, e com o mesmo fiz um pentagrama invertido, no qual uni meu pseudônimo Siath com o nome de Lúcifer, e lhe roguei várias desgraças, por praticamente uma hora, das 6 até as 7 da manhã, e fui dormir. – Quando deu 16 horas, ele me ligou, dizendo que mal conseguia andar, e tinham lhe atestado possível pneumonia.
    Eu ri, e lhe contei a verdade, que tinha feito algo para o machucar. O tal tenebroso homem mais temido da pequena cidade, implorou para mim, como um garotinho para desfazer o quê quer que fosse. – E claro que desfiz, só queria lhe punir pela mentira, não matá-lo oras.
    Então quando acabou, para mim foi alívio, e isso me trouxe uma sensação de liberdade muito grande. Por isso decidi mudar o meu pseudônimo para Carry Manson, e Carry jamais seria como Thaís.  – Assim em dezembro de 2010, decidi que procuraria por um par, que tivesse coisas em comum comigo, independente da religião ou aparência.
    Foi então que conheci o amor da minha vida, mas isto fica para o próximo capítulo, em quê abordarei não só minha vida pessoal, como também o destino do Sees.
    Capitulo 3- 2011
    Narcisista, egocêntrica, manipuladora, e o demônio com rosto de anjo. – Isto certamente me definia, pois até aqui, já deve ter percebido, o quanto  era desumana em muitos aspectos da minha vida. Mas a maioria das pessoas não conseguia enxergar, não importava o quê fizesse, para mostrar a minha verdadeira natureza. Sempre me achavam uma linda menininha inofensiva. –Só que o meu amado não, ele me amava com todos os meus defeitos, e não me obrigava a ser uma bonequinha de porcelana, que nunca podia levantar a voz.
    Nightmare, era um dos amigos da minha melhor amiga, e eu o conhecia pela rede social do orkut, desde que tinha terminado com o nerd. – Sempre marcávamos de nos ver, mas eu nunca ia, pois nem foto de perfil ele tinha, e eu prezava bastante pela minha segurança.
    Num sábado entrei no MSN, outra rede social quente da época, e decidi lhe mandar mensagem, perguntando se a gente tinha brigado por alguma razão, que não conseguia me lembrar. – Memória seletiva é complicada. Mas ele deixou claro, que tudo estava bem, e por isso insinuei que me arrumasse um encontro. Só o quê amigo dele estava passando por problemas, e por esta razão se ofereceu para ir em seu lugar.
    Eu aceitei, só que para ter certeza de quê era o cara certo, pedi para trocarmos telefones, e nos falarmos antes de nos vermos. – Até aquele momento não estava nas nuvens, para conhecê-lo, afinal o cara vivia mandando exclamações, sempre que falava comigo, e isso me fazia pensar que era mais dos homens felizes, que dificilmente aceitaria a plenitude das minhas trevas, e minha vida de pecados intensos. Só que quando ouvi a sua voz profunda e mórbida, a situação mudou.
    Não era o palhaço como o Coringa, nem o bom samaritano como o Super Homem, seu timbre sombrio, lembrava bastante o Batman, que era o meu personagem favorito desde menina.
    Conversamos por horas a fio, sobre os mais diversos assuntos, de ocultismo a cultura pop, e quando não tínhamos mais o quê falar, brinquei exatamente como fazia com a minha amiga, pois como não sabíamos xavecar, para criar afinidade com os garotos, usávamos até questões fúteis, para que o silêncio não imperasse. – Como por exemplo “Qual é o seu biscoito favorito?”
    Conversar com o rapaz foi tão maravilhoso, que cheguei a sonhar um dia antes do encontro, que ele tinha entrado na minha vida para me fazer feliz. – No sonho entrava no quarto com o meu coven, e dizia-lhes que estava namorando o Nightmare! – Alongando o nome com as notas da música do Avegend Sevenfold. – E a gente comemorava como uma grande conquista. Isto antes de saber se tinha física também, pois só a química não era o suficiente. – Já tinha tido outros sonhos que previam o futuro, mas na maioria das vezes, eram coisas boas, que depois se tornavam ruins, e o presságio não mostrava, por isso seguia em 60%, não 99.
    O encontro foi num dia semana, numa segunda senão me engano, dia 13 de dezembro. Fui com mais duas amigas, a melhor e a ladra de pretendentes, que decidiram me acompanhar pela minha segurança, antes de me deixar a sós com ele.
    Nós caminhamos pelo lugar bonito, na praça beira rio, e nos sentamos abaixo da Fortaleza de São José. Ele usava um boné, e estava ouvindo Papa Roach, uma das bandas que gostava bastante na época. Aos nos ajeitarmos, ele me ofereceu um lado do fone, e quando a música tocava, falou sobre o clipe da mesma, onde o rosto da moça se despedaçava, e quando seus dedos tocaram a minha face, fiquei corada como nunca antes. – Era como se fosse o meu primeiro amor, e ninguém tivesse sequer me abraçado antes.
    Naquele dia meu pai apareceu, e como estava no escuro com um estranho, ele o detestou. – Como tudo mais que me fazia bem. 
    Nós trocamos mensagens, e após conhecê-lo ele queria ir devagar, e eu praticamente queria casar, como se fosse do signo de peixes no primeiro encontro, segundo o Vitor Dicastro. Contudo do momento que recuou, a frieza aquariana se tornou presente, e parei de lhe responder as mensagens, para ir dormir.
    Nosso segundo encontro foi na mesma semana, na quarta-feira daquele mês. Neste cometemos o erro n° 1 da paquera. “Em hipótese alguma fale dos exs.” Mas nós o fizemos, e ele esclareceu que se fosse adiante, não seria um relacionamento de um segundo. – Já tinha desabafado várias vezes com ele antes, e posso admitir que tinha problemas, para manter um relacionamento sério. Só que tudo deu certo, e fomos para um banco na frente do CCA, no qual ele me roubou um beijo, e depois veio o segundo, e assim por diante. – A física era excelente, ô pegada boa!
    O relacionamento foi se tornando cada vez mais sério, passávamos quase 24 horas trocando mensagens, pois havia a escola, e outras coisas.  – Como o Sees, que começava a se desfazer, por causa que a mais patricinha tinha começado a ver espíritos, e a minha amiga, havia iniciado um relacionamento com um cara, que não era a favor das nossas práticas, apesar do ótimo gosto musical.
    Só restou eu e aquela que tinha abandonado a igreja, por isso tentamos de todas as formas manter o quê sobrou do grupo, e fizemos algumas reuniões, entrevistas, e até chamamos alguns rapazes que conhecíamos, mas poucos estavam disponíveis para praticar. – E assim o Sees enfim desmoronou, porém antes de entrar para as lembranças, trouxe uma experiência única.
    Era sábado a tarde, quando eu e a antiga beata fomos para o cemitério do Santa Rita. Nós chegamos lá, cumprimentamos o guarda, e ficamos por ali mesmo, quando de repente um homem moreno, de chapéu branco e camisa vermelha surgiu. 
    –Estão aqui a trabalho ou a passeio?
    _A passeio. (Respondi)
    _É, viemos visitar uma tia nossa.
    _(Risos) Cuidado com as visagens!
    _Eu só temo aos vivos! (A minha amiga disse)
    _A morte é uma escapatória para os covardes.
    Disse com um sorriso. O homem colocou a mão na aba, como uma reverência, e sumiu em meio a mata alta. – Ele era o quê eu chamava de guia, seres que aparecem ao acaso, para te auxiliar, dando-lhe as respostas que perguntou ao universo, e nunca mais são vistos.
    Assim que desapareceu de nossa visão, nos deitamos nas lápides, e nos focamos nas sombras. A menina teve uma visão, e eu também. Na minha vi a silhueta de uma mulher, cujos os cabelos eram enrolados como os meus, mas parecia uma camponesa, que havia sido enforcada no topo de um pinheiro, por cipós cheios de espinhos. – O quê me fez concluir que aquela era a minha vida passada, e estava comprovando, que havia mesmo sido uma bruxa.
    Seu corpo despencou, provavelmente já faziam dias desde a sua morte, e o cipó tinha apodrecido. Um ser meio homem, meio touro, veio até a bruxa, e a recolheu. – O calafrio me percorreu a espinha, pois estava claro que ia para o inferno, e não sabia se isso era bom ou ruim. – Meus olhos se encheram de espanto, pela forma como ele a pegou. Não a punha em seu ombro , como um pedaço de carne de açougue, nem a puxava pelos cabelos. Apenas a segurou no seu colo, como se fossem recém casados, e desapareceu com a mesma na densa névoa. Então 7 ou 8 rostos se formaram, sendo 5 de mulheres, e o restante de homens, ambos vestidos como nobres do período renascentista. 
    No caminho de volta para casa da menina, me senti um pouco mais cansada do quê deveria, e desmaiei na rede dela. – Onde tive um sonho, do qual não consigo me recordar.
    A noite conversei com o meu amado, e lhe contei sobre a visão que tive entre as tumbas. Enquanto nos falávamos, notei que meu quarto começou a escurecer, por isso desliguei, e vi que todas as sombras que estavam ali, tinham chifres, e apontavam para mim. – Senti um enorme calafrio, e decidi dormir fora dali, pois tive a impressão de que eles sairiam das paredes.
    O relacionamento com Nightmare, se tornava cada vez mais sério, por isso o escolhi para ser iniciado no Sees, mas ao contrário do quê fiz com as meninas, lhe avisei que tomar-lhe-ia a alma caso entrasse, e ele aceitou as condições. – No outro sábado, de madrugada enquanto a minha mãe dormia, abri-lhe os caminhos do mundo oculto de vez.
    Acendi as velas negras, lhe cortei o dedo, uni o seu sangue ao meu, então fizemos a magia sexual, evocando os 4 príncipes infernais, e no fim o  declarei como o meu rei. – Afinal ele tinha me ensinado a jogar xadrez, e nos víamos como o rei e a rainha do jogo.
    O sees em si virou pó, mas as suas consequências, puderam ser sentidas, mesmo após acabar. Uma vez no domingo, a minha melhor amiga apareceu em meu lar, e me contou algo que me assombrou por muito tempo. – Por alguma razão a pobre ficou possuída de tal forma, que tentou machucar o seu amado, e os pais dele chamaram um padre para exorcizá-la. Mas a criatura era tão poderosa, que rezava os versículos com o homem santo. 
    Eu tinha dito que haveriam consequências, que os espíritos das trevas iriam punir, quem traísse o círculo. Mas me referia a seres inferiores, jamais uma criatura de tal porte. – Assim sendo quando a moça saiu, fui até a frente do espelho, que sabia que era um portal, e me vi. Minha pele era azul, e de alguma maneira me refletia como um monstro horrendo. Chorei bastante por isso, pois era um sinal de quê as trevas estavam outra vez, tomando posse de mim.
    Todavia a situação ficou ainda mais estranha. Certa vez enquanto estava no banheiro da escola, uma menina entrou ali, e me disse “Você realmente veio para revolucionar esse lugar.”, e confessou que era satanista, por isso me senti mais a vontade na sua presença.
    Desenvolvemos uma boa convivência de imediato, mas infelizmente, haviam segredos que ela escondia de mim, e que pareciam bem ruins. – Era hora do intervalo, nós conversávamos sobre os filhos dos demônios, e vendo que a maioria tinha as mesmas habilidades que eu, lhe questionei. “Será que não sou uma também?” e ela disse com veemência “Não! Você não!” e isto me deixou bastante intrigada, ao ponto de conversar com o Conde Drácula, que parecia entender os mistérios, mas não queria me dizer diretamente.
    Estávamos no carro, voltando para casa, após um longo dia, e lhe falei “As pessoas não me acham digna da magia sabe?” Fui bem sincera, e eis que o céu escureceu, e ele disse “Quem ousou dizer isto?!” – Foi o quê chamo de impressão, (termo retirado da HQ Hellblazer) que é quando uma entidade aparece rapidamente num corpo.
    Os fatos incomuns não paravam de se acumular, por isso me entreguei a leitura do espiritismo, que me parecia uma religião bem evoluída, em relação as outras. – Ser satanista é conhecer o inimigo e tê-lo na palma da mão baby –  e decidi fazer uma projeção astral em rumo ao Inferno, para encontrar respostas, para as minhas grandes questões daquele tempo.
    Após passar muito tempo sem dormir, e projetar dentro de casa, decidi tentar o grande feito. – Cheguei exausta da escola, e me joguei na cama, somente de calça jeans e sutiã vermelho, me focando em chegar ao reino infernal.
    Acordei do outro lado, dentro da minha escola, vestida exatamente como dormi. Já era de se esperar, que o meu inferno pessoal, fosse justo aquele maldito lugar. A menina que me abordou no banheiro estava lá. “Ele quer falar com você, mas não vá com ele” Disse-me com raiva, e sem entender, caminhei até a recepção.
    Ao chegar lá, encontrei um lindo homem de rosto grego, meio cinza, com chifres vermelhos, e asas de morcego, que trajava apenas uma calça negra, solta, como a dos samurais. Ele me estendeu a sua mão, e eu a segurei. Então este levantou voo, comigo no seu colo, e tudo ali começou a se destruir, por conta dos inúmeros tornados. – A menina que me levou até o demônio, se trancou num carro antigo, e foi consumida pela catástrofe, enquanto me fitava dominada pelo ódio.
    Acordei daquela viajem, e fiquei curiosa sobre quem era o meu salvador, por isso me joguei na internet, e comecei a pesquisar em diversas fontes. Mas todas indicavam que era o próprio Satã, e isso fez meus olhos brilharem, ao ponto de crer que era uma dos seus soldados. – Só que levantou a duvida, o quê eu era, para ter alcançado tamanha glória?
    Segui meus dias, entrando nas comunidades ocultistas, tentando entender a mensagem que recebi no astral, mas as respostas de muitos, eram genéricas demais  como “você leu demais e sonhou com isso”. – Só que não era um sonho, e sim uma projeção em terras infernais, mas a falta de compreensão era tanta, que preferiam crer em coisas tão simplórias. Eu sabia do fundo do meu coração que era algo mais, sentia isso em mim, por isso quando um sacerdote de 40 anos apareceu, e me disse que Satã havia me escolhido, decidi conversar com ele, e outra moça, que parecia compreender sobre as insanidades, que aconteciam na minha vida, por também ser uma bruxa satânica.
    Só que quanto mais ia ao astral, mais ataques recebia, e todos vinham da menina da minha escola, que no campo de batalha, tentava me aplicar algo, com uma seringa cheia de um liquido viscoso. Mas eu sempre a vencia, usando todas as minhas habilidades ligadas aos elementos, que por alguma razão, lá me permitiam até controlar o tempo, como a deusa Ororo de Xmen.
    Como sempre considerei as palavras, que não me agradavam, refleti bastante sobre meu encontro com Satã, e até aceitei que podia mesmo ser um sonho. – Só que o conceito mudou, tão rápido quanto surgiu, pois encontrei a minha atacante, que me chamou no corredor, e me revelou que andava tendo pesadelos comigo. Neles eu saia de um pentagrama, e ao meu redor estavam várias pessoas, que supostamente havia matado, e ia para cima dela. Por isso a mesma pediu para nos afastarmos. – Foi ela que declarou guerra, quando misteriosamente o cemitério que adorava frequentar, virou notícia por conta de um culto brutal, no qual um bode foi assassinado, e disseram ser obra de “satanistas.” – Por causa de tal fato, os guardas começaram a pegar no pé, de quaisquer pessoas suspeitas. E uma menina de batom escuro vestida todo de preto, era certamente um bom alvo para isso.
    Queria saber separar a vida pessoal da mágicka, mas creio que o quê fez sagrada, foi o fato de ser totalmente oposto. – Minha reserva de energia oculta, conhecida como Satã, estava crescendo cada vez mais, e toda vez que me sentia desafiada, usava meu poder para provar o meu valor.
    Num dia qualquer disse a um amigo que seria atropelado, e mais tarde, o mesmo veio falar comigo. Estava mais pálido que o normal, e me pediu para jamais brincar daquela forma outra vez, pois na tarde daquele dia, um caminhão quase o atropelou. – Naquela época, pensei ter a ver com minha capacidade oculta, mas hoje vejo que foi apenas a lei da atração agindo. – Você atrai aquilo que teme.
    O menino que era um santo, ia a acampamentos da igreja e tudo mais, começou a voltar-se para as práticas da magia. – E de alguma forma me sentia responsável pelo feito, pois vivia lhe contando sobre as minhas aventuras. 
    Graças a ele, descobri mais uma pista a respeito de quem era, pois este encontrou uma bruxa mais velha, e lhe contou sobre mim, para que pudéssemos descobrir o quê tudo o quê vinha acontecendo significava. – Era como se fosse uma universitária de ocultismo, pois a mulher lhe disse, que tudo o quê precisaria em breve era fazer uma escolha. Enquanto ele, teria que estudar bastante para se desenvolver.
    Isto me parecia muito verdadeiro, pois em 11/11/11 aconteceu uma coisa, que literalmente testou os limites da minha razão. – No dia anterior a abertura do portal, a minha amiga foi na minha casa, e nós debatemos sobre o quê o 11/11/11 significava. No meio da conversa ela soltou “Algo grande irá acontecer, mas passará despercebido por todos.” E seguimos falando a respeito, focando principalmente no símbolo do Anticristo, pelo qual nós éramos apaixonadas, e que apesar da narrativa do filme a profecia – Que me fez ter um sonho com o menino da trama-Achava que era uma mulher. Naquele tempo para mim, um portal era algo que só podia ser aberto pela elite, que já tinha atingido o limite máximo dos seus poderes sobre-humanos. – Por isso não consegui entender o quê veio adiante. Dormi tranquilamente, nos braços do meu amado, e despertei numa passarela de vidro, que ficava acima das águas, localizada entre enormes montanhas marrons, das quais podia-se ver a cachoeira cristalina. Estava coberta por uma túnica negra, e caminhei até o fim da ponte, onde encontrei um monólito, no qual se encontrava uma tábua de pedra, semelhante aos 10 mandamentos, mas com símbolos alienígenas, que brilhavam na cor verde, e de alguma forma reconhecia, e alinhava. Feito isto um asteroide passava entre as nuvens, e em seguida apareciam vários nomes de lápides de presidentes, e o ano 1999. – Por quê é assustador? Minha mãe falou que um colega lhe contou, que no dia em questão, um astro passou próximo a Terra, e o mesmo era também responsável pelo dilúvio lá no passado. ( A coisa mais estranha, é que um objeto celeste realmente passou naquele mês, mas eu não tinha conhecimento disto.)
    Saber destas coisas, foi me tornando uma criatura cada vez mais mesquinha, pois tamanho poder, influência e beleza, só me fazia ter cada vez mais ambição na vida, e enquanto eu lutava para alcançar o topo, meu par apenas se confortava com uma existência vazia de pouco luxo. – O quê irritou muito o meu pai, pois a gente morava junto na época, e o rapaz não tinha ânimo para ir procurar um rumo na vida.
    Eu tentava ser compreensiva, porquê sabia como se sentia perante os demais, mas no fundo me sentia tão incrédula, quanto o próprio Drácula. – Por isso, quando a mãe lhe conseguiu um emprego em outra cidade, preferi que fosse, pois concordava com o meu pai. – Precisava de alguém que caminhasse comigo, não que ficasse nas minhas costas, me atrapalhando a chegar na parte mais íngreme da montanha. – Não entenda errado, ele suportava todos os meus dramas, tínhamos muito em comum, só que a sua falta de prazer em ascender na vida, pesava demais para mim. Eu fiz de tudo para quê dessemos certo, abri mão até mesmo da minha vida de luxo, para ir viver com ele, e isto resultou numa das minhas experiências mais assombrosas. – Viver na casa de Nightmare, era um enorme desafio, principalmente porquê a sogra, me odiava tanto quanto o meu pai ao filho dela, e como ele não queria que pensassem ainda pior a seu respeito, não me deixou faltar na escola naquele dia, mesmo lhe dizendo que não queria ir mesmo.
     Ao chegar lá, não teve aula, e a patricinha ladra de projetos, nos chamou para beber com os colegas. – Cachaceira como eu e a ex-beata éramos, aceitamos na hora, tomar uma Vodca com suco de laranja. Eles foram na frente, e nós duas tomamos o caminho do sol quente, para chegar ao “Poeirão”, porquê ela teve um mal pressentimento. – É incrível como o simbolismo surge no dia-a-dia, pois literalmente estávamos seguindo por um caminho diferente, por não sermos como eles. – Ela não era como eles Blutengel- Lúcifer.
    Chegamos no local, e iniciamos a bebedeira. O povo tinha um péssimo gosto musical, e eu não conseguia tolerar isso. “Coloca a Lady Gaga” dizia, mas eles continuavam a ouvir funk carioca. Minha amiga não era tão elitista, por isso foi rebolar até o chão, e eu virei meia garrafa num gole.Tinha comido antes, mas do mesmo jeito o álcool me subiu a cabeça, e entrei num daqueles transes, só que consciente desta vez. – Era como se estivesse no meio das nuvens, e haviam vários anjos entorno de mim. Isso me deixava apavorada, ao ponto de ameaçá-los de morte, caso se aproximassem. 
    Do nada o céu escureceu, e a chuva começou, todos incluindo a patricinha saíram correndo, e a ex-beata ficou para me ajudar, enquanto eu vomitava sem parar, ao ponto de espumar pela boca. – É nesta hora que se vê quem são os seus amigos de verdade.
    Ela me levou até um bar, onde pediu que ligassem para o Samur, e nos confundiram como irmãs. Dentro do veículo agradeci a paramédica por me ajudar, e pedi pra ex-beata ligar para o meu amado. No banco de espera, desmaiei, e ficava oscilando entre este mundo e o outro, até que me estabeleci aqui. – Lembro-me que fiquei furiosa porquê ele não apareceu, mas mais tarde, soube pela sua mãe, que tinha pego uma bicicleta para chegar lá, quando percebeu que não tinha um tostão no bolso, para pagar a passagem, e eram 40 minutos do seu bairro até o hospital, e eu fiquei menos tempo que isso, após diagnosticarem a minha melhora súbita, do quase coma alcoólico. 
    Certa vez logo após ele ir para Ferreira Gomes, eu fiquei até de madrugada na internet, conversando com um gótico metido a ocultista, que só reforçou uma ideia presente em minha mente. – Eu merecia mais do quê aquilo, e por um pensamento tão egocêntrico, dado a minha natureza, acabei por me envolver com este cara, por apenas uma noite. Mas depois que acabou, deixei claro que não se repetiria, e de imediato quis terminar meu relacionamento. – Mesmo que fossem somente palavras, não tinha cara para continuar, como se nada tivesse acontecido, eu não era a Srta Seios Fartos.
    Meu companheiro me ligava sempre do outro lado. Só que eu lhe dava patadas, dizia que não o amava mais, e tentava fazê-lo me esquecer a qualquer custo, pois o quê fiz, não perdão. – No entanto era persistente, e esconder o meu pecado contra ele, estava se tornando cada vez mais difícil, já que quando nos conhecemos, o mesmo me disse que via o futuro, e agora fazia juiz a isto.
    O amante de uma noite, não me deixava em paz, entrava nos grupos em quê me encontrava, e fazia dramas, por tê-lo bloqueado do MSN, mas eu não deixava os rastros da traição, portanto não sabia como meu marido, poderia ter previsto tudo com exatidão. – Numa noite qualquer, estávamos deitados no quarto da minha mãe, e em meio a penumbra ele disse “Você vai me deixar por alguém da internet.” E eu fiquei apavorada, dizendo que era impossível. – E era mesmo, o amante era um canalha, e nem em sonho planejava ter um relacionamento sério com ele. – Contudo meu par usava o argumento, de quê havíamos nos conhecido na internet, e isto ia se repetir. – Mas duvidei porquê na época tínhamos um relacionamento a distância, e já não aprovava tal coisa.
    Naquela noite ele surtou, saiu batendo portas, e então pegou o seu canivete Soul, que ficava junto da minha faca Deathpeople. Com um sorriso diabólico, disse que as vozes o mandavam me matar, e eu fiquei abraçada ao meu notebook, sem saber o quê fazer, sentindo a lâmina na minha garganta. Foi então que tive um estalo, e decidi manipulá-lo da mesma forma, como fiz com a minha mãe lá em 2009. – Apaguei as luzes, porquê sabia que o escuro o acalmava, e lhe abracei forte entre lágrimas “Se as vozes dizem para fazer isso, elas não são boas, então por favor para de ouvi-las!” Disse abraçando-lhe enquanto ficávamos deitados na cama.
    Contei a bruxa satânica, com ainda mais detalhes, do quê agora sou capaz de dizer, e esta concluiu que era uma possessão, e que soube lidar bem com o demônio. – Além disto na mesma conversa, lhe contei sobre o meu passado, e eis que ela disse algo enigmático. “Agora entendo tudo. Sua mãe foi apenas o ovo, você sempre pertenceu a Satã.” E depois sumiu sem deixar algum rastro.
    Contei a verdade para o meu companheiro, e ele me perdoou imediatamente. – Provavelmente porquê a gota d’água, foi ter conversado com a detestável ex, uma semana antes da traição, e não ter me contado. O quê pode se dizer como o verdadeiro pivô, pois a minha insegurança, era tanta, que só pensava o pior.
    Nós tentamos seguir adiante, só que acabei me encantando por uma moça de São Paulo, e ela por mim, e assim acabei casada com um, e namorando-a a distância. – Mas todos as partes envolvidas sabiam, e até mesmo se davam bem. – Viva a fidelidade satânica!
    É claro que não deu certo, e o trio se desfez. Depois disso voltei a caça, gostei de um rapaz, de outro, e nunca me decidia se continuava ou não com o meu rei. – Que entre uns e outros, era agora o meu amante, e com ele me sentia a vontade para trair aos outros.
    Quando finalmente estávamos nos ajeitando, numa amizade colorida, o pior veio. – Conheci um rapaz, que me disse que juntaria cada caco do meu coração, e lhe disse friamente para que entrasse na fila. Ele parecia ter 15 anos, e eu realmente detestava gente mais nova. Só que era outro persistente, que ficava por perto, tentando me conquistar, mas eu não dava a mínima, para cavalheirismo forçado. – Lembre-se que deixei até o nerd, que era um amor de pessoa, porquê a química não batia.
    Porém numa madrugada isso mudou. De garoto insuportável metido a príncipe, eis que surgiu a sua outra face, a demoníaca, que não era um lambe botas, e isto me despertou o interesse. – Vivia assistindo documentários sobre maníacos, psicopatas, e assassinos no Discovery Chanel, e o History. Então quando alguém supostamente perturbado apareceu, quis estudá-lo. 
    Infelizmente a versão de plástico, continua a me encher o saco, e eu só estava focada na sua real essência. – Está bem, o meu gosto para homens era péssimo, mas é preciso que entenda, que a minha natureza não é benevolente, por isso me juntar a alguém, que fosse normal estava fora de cogitação, porquê me entediava.
    O menino e meu ex-marido, começaram a competir, mas a minha atenção no novo, acabou por resultar na vitória deste, e assim meu antigo par teve de partir. – Não foi uma despedida dolorosa, pois até transamos antes, e ele mesmo abriu caminho para o outro, ao me ajudar a restabelecer a conexão da internet, quando a CPU, aparentemente parecia ter queimado, e não podia falar com o rapaz.
    O amor da minha vida se foi, e aquele que desgraçaria de vez a minha mente, foi o quê ficou. – Como em o Alienista, a verdade mais dura ficou clara, conviva demais com os loucos, crie uma ligação com o mesmos, e será o próximo a ir para o hospício.
    O rosto malévolo do garoto, as coisas que supostamente dizia ser capaz de fazer, mas que me parecia romântico demais para tais atos, me deixava fascinada admito. – Eu estava me tornando obcecada pelo ser que criou, e queria provar-lhe que a suposta mortal inútil, tinha mais valor do quê imaginava.
    Logo que iniciei o relacionamento, tirei o arcano 15 no tarô, e em vez de ver a clara mensagem negativa, preferi abraçar aquilo como “destino”.   – Nem eu sei o quê aconteceu ao certo para ficar assim, só lembro que foi pouco depois, dele ter dito que teve um apagão, e se encontrou diante de um pentagrama, derramando gotas de sangue no mesmo.
    Conviver com o mesmo não era fácil, e por isso eu costumava reclamar bastante, exaltando o relacionamento que um dia tive. – Isto o tirava do sério, da mesma forma, como possuir inúmeros contatos de garotos, com os quais flertava, quando me fazia raiva. 
    Finalmente tinha entrado num relacionamento abusivo, e ao menos desta vez, não era quem pisava nos outros. – A sensação era terrível, e isso me atrapalhou bastante, na hora de aceitar a descoberta sobre quem era.
    Um dos rapazes com o qual me envolvi, mas me joguei para escanteio, falou para o meu amigo, que eu era herdeira do inferno, e este me repassou o fato, como se fosse algo dele. – O quê não gostei inicialmente, e o fato de ter beijado ele e mais dois num fim de semana, tinha abalado a nossa amizade. Pois assim como odiava traição, não queria que ninguém mais sofresse com isso, e quando aconteceu, ele namorava a minha colega de turma da 211, para quem tive de contar tudo, e esclarecer que foi um erro. – Eu sei é hipócrita da minha parte, mas quando se é jovem, dificilmente se dá conta das besteiras que faz.
    “Herdeira do Inferno.” Uma frase tão curta, que me trouxe tanta dor e sofrimento. – Após a descoberta, vários caras se aproximaram de mim, alegando que eram o meu marido demoníaco da outra vida, e isso me deixou bem frustrada, pois sentia como se quisessem me usar, para subir na escala infernal, e mesmo que parecesse grande coisa, para mim aquilo era pouco. – São palavras. Não é porquê alguém disse que automaticamente, iria abraçar tal destino sem mais nem menos. 
    Precisa questionar o fato, analisá-lo, antes de tomar como verdade. Por essa razão, sai novamente em busca de provas, que me fizessem de fato, a futura rainha do inferno.
    Na época conversava com um De Molay, que antes tinha me dado o fora, e depois que nos tornamos amigos, veio com a besteira de se apaixonar. Mas apesar de tudo, ele me protegia do outro, e parecia ter bastante conhecimento oculto, logo era uma boa alternativa, pergunta-lhe a respeito de tal novidade. – Ele não só não discordou, como esclareceu que eu era filha de Lilith, e em muito lembrava a minha mãe.
    É claro que duvidei. – Lilith a poderosa, dotada de seios fartos, e cabelos perfeitos? Impossível! Só que gradualmente, fui encontrando provas, que me ligassem a ela. No retrato de John Collier de 1887, a bela era retratada com seios pequenos como maçãs nem excessivamente magra, muito menos gorda, com madeixas douradas e crespas. – Semelhante as minhas, cujas as quais, a minha mãe terrestre, dizia que era “cabelo de surfista”. Além disso o nome Lilith, terminava com o mesmo Th, presente no meu, e por mais idiota que hoje pareça, não acreditava que era uma coincidência. – O resto dos traços como criatura lasciva e cruel, já devem ter ficado claro.
    Saber que tinha a essência de Lilith, a rainha do Inferno, era algo maravilhoso para mim. – Tudo começava a fazer sentido, as visões, as situações escabrosas, a minha persona obscura, e por isso quando soube da segunda parte , foi um choque para mim. 
    Através de uma bruxa wiccana, soube que o Deus que deu origem ao mito do Diabo, e a Deusa virgem desavergonhada, a qual odiava, me amavam e me protegiam. – E não era uma benção comum do grupo, apesar do quê possa parecer. Ela literalmente tirou nas cartas para saber. – Terrivelmente, não soube apenas me auxiliar, ao descobrir quem era, de imediato ficou furiosa comigo, e disse que Ela quem era a filha de Lúcifer e iria reinar. Algo que era complicado, pois não tinha tido uma vida tão ligada ao Inferno, para quê outra viesse tomar o lugar, que parecia me pertencer. – Estranhamente depois da afronta, por causa do seu namorado cafajeste, que alegava que eu era poderosa, regente do bem e do mal, e que podia transitar entre o céu e o inferno por ser filha de Lúcifer e Maria Padilha. – A mesma bruxa disse sob o estado de “mensageira”, que o meu futuro seria extraordinário. Só que o sucesso mundano, já não me parecia o suficiente, por isso lhe perguntei se era normal ou mágico, e o tal ser respondeu que era mágico. – Ainda estou no aguardo sobre isso.
    Como tudo estava ficando cada vez pior, recorri ao mago de 40 anos, que inicialmente me disse que fora escolhida por Satã. Este me revelou que no ano do fim do mundo, descobria algo importante, e que era uma das peças chave, para os planos de Satã na Terra. – O quê seria conclusivo, mas logo após a descoberta, tive um sonho do qual jamais esquecerei. Estava correndo na chuva, tentando fugir de um homem encapuzado, e quando pulava do penhasco para o outro lado, uma voz de trovão dizia “Cuidado com aquele que diz querer ajudar o teu pai, pois o mesmo, apenas está procurando meios de destrui-lo!” Naturalmente pensei em Arikiel, porém quando o magista de 40 anos, fez uma proposta indecente, sabendo que o via como um pai, e que eu tinha 16 anos, ficou claro de quem se tratava o comunicado. – Filho de Satã é? Engraçado pois meu pai jamais aprovaria a sua conduta para comigo.
    Por fim, naquele mesmo ano uma menina me enviou mensagem, e achei bastante incomum, porquê nem a conhecia, e a outra moça que era a sua amiga, pouco sabia ao meu respeito. – Mas ainda sim esta deixou claro que éramos irmãs, por termos a essência de Lilith, e sua prima que também era uma bruxa, me disse que eu era pura. Algo que odiei de imediato, e acho que por isso ela completou com “Pura...Pura maldade.”
    Eu era a princesa infernal não é? Ia herdar o trono do Inferno, e governar os outros. Então me diga como quê diabos, foi me mostrado que tinha sangue de anjo?! –  Como já deve ter percebido até aqui, não sou de aceitar as coisas, antes de muito questionar. “Anjo, anjo, anjo” Era o quê ficava na minha cabeça. Como é que podia ser filha de Lúcifer e Lilith, e ter uma essência tão terrível?! Isso me devastava, e para piorar, o meu namorado, reforçava que meu poder era ainda menor, por possuir as malditas asas de penas. – Eu nunca comemorava pelas descobertas. Primeiro Filha de Lúcifer? Isso era uma piada entre os satanistas da cidade! Além do mais, até naquele tempo havia tanta gente se denominando como tal, que me doía o peito, pensar com quantos teria que competir para sentar-me ao lado do meu “pai”. Segundo anjo?! Pura?! Que porcaria era essa?! Depois de tudo o quê tinha aprontado na vida, não havia razão, para crer que era uma celestial. – Só que era, e uma pequena seita de fanáticos, que para minha infelicidade desapareceu do Google, me mostrou a extensão do problema. – Logo após eu ter tido uma visão, de um anjo de asas negras, copulando com uma linda mulher ruiva, num lugar que parecia o Éden. – Eles esclareceram que Satanás tinha uma filha, e que esta foi expulsa do paraíso, junto com o pai. Contudo não era a única a falar a respeito, tinha uma outra, que era mais específica, dizia que a filha levava todos a perdição, e os que se casassem com ela, teriam que servir ao seu pai. Não sei se sumiram também, mas juro em nome do Cosmos, pareciam falar de mim, só estavam errados numa coisa, eu não uma senhora, nem nunca seria, pois tenho problemas para envelhecer fisicamente. – Tenho 24 anos, mas pareço ter 16, por conta dos problemas hormonais.
    As imagens do passado pareciam se tornar claras, vez ou outra entrava em transe na escola, e via a minha outra vida. – Tinha estudado numa instituição mágicka, em uma outra dimensão, cuja a tecnologia era mais avançada do quê este mundo. Mas não era só isso, lá era a pior das piores, por isso todos me chamavam de mini Lilith. Era tão ruim, que havia até mesmo roubado o noivo da minha irmã, o anjo Alakiel, que do momento que fui para a guerra, quando os celestiais nos acharam, acabou por me abandonar em um carro. – Calma, eu sei que Alakiel é pura imaginação, só que a semelhança entre Alakiel e Arakiel o anjo caído, responsável pelos sinais na Terra, é bastante clara. O quê comprova que a minha visão era turva, mas ainda sim era uma visão. – Ás vezes o transe era tão profundo, que literalmente acordava na sala errada, e nem sabia como havia chegado lá.
    Arakiel era o nome do ser que influenciava, o falso príncipe, ou talvez fosse o próprio, isso não ficou claro,  mas parecia realmente haver uma força sobrenatural por trás de tudo. – Sempre que eu discutia com o rapaz, minhas tentativas de suicídio, traziam a tona a existência do ser, que de alguma maneira, batalhava com o outro, para ficar em seu lugar, e se juntar a mim. Ele batia o pé, dizendo que era um demônio, e eu dizia que era um anjo disfarçado de demônio, que viera para me confundir. – É, vergonhosamente entrei no jogo do sociopata, mas não o suficiente para crer que eram dois seres distintos, pois na minha concepção na época, o bom, gentil e amoroso, era a máscara, que escondia quem ele realmente era, ou seja o Arakiel, que nunca queria me dá o nome, e se chamava de Lord Dark.
    O outro lado existia apenas para me confrontar, por causa da minha conduta, de mulher sirigaita, que estava pronta para deixá-lo se fosse preciso. Só que as discussões filosóficas, sobre o céu e o inferno, anjos e demônios, me fazia querer estar sempre com a versão do rapaz que me machucava, mas que também atraia a minha atenção, e muitas vezes me ajudava a sair das crises existenciais, que ele mesmo me colocava. – Eu sabia que era tóxico, para nós dois, pois também o feria de propósito, só que definia como um relacionamento em que, os dois se xingavam, porém se outros fizessem o mesmo, que nos aguardassem, pois um cuidava do outro.
    Sempre que me metia em confusão, Lord estava lá, e costumava humilhar quem ousasse me ferir. – Isso para mim era importante, porquê embora o meu ex-marido tivesse sempre me aceitado como era, nunca fora capaz de levantar a voz a ninguém por mim, e isto me fazia ter a impressão, de quê era eu contra todos, e não nós.
    Era uma droga viciante, alucinante, que estava me destruindo sem perceber. Pois assim que me conquistou, fiquei na palma da sua mão. Não via os sinais, como: mensagens enviadas por 24 horas, ás vezes que tentou se matar, e me enviou o vídeo, a forma como me envenenava sobre os outros, dizendo que não tinha amigos de verdade, e só podia contar com ele. – Neste ponto tive de concordar, só restou uma ou duas pessoas, das quase vinte, com quem mantinha contato naquele tempo, porquê quando afundei de vez, a maioria torceu para que morresse mesmo.
    Em outubro daquele ano tive um sonho com o meu ex, ele estava vestido de laranja, não me parecia mais consciente de seus demônios, e entrava na minha casa. Eu parecia drogada, não conseguia comer, e pegava com as mãos o macarrão do prato de plástico azul. Só que meu corpo pesava bastante em seguida, e ele me carregava para a cama. – Aquele sonho sombrio, me preocupou bastante, por isso falei para o Lord, que agora tinha “tomado” o corpo de vez, e este me falou que ele parecia o cara do seu sonho, e que tinha de me livrar de todas as coisas que ele me deu, pois isto nos mantinha ligados, e não acabaria bem. 
    Aterrorizada, coloquei a camisa do System of a Down para a doação, e quebrei a estatueta favorita dele, que tinha me dado para provar o seu amor. Uma porcelana marrom em forma de lobo, que ele adorava, por ser fã de tudo ligado ao animal. – Ainda me lembro daquela tarde, me recusava a fazê-lo, mas o garoto ficava sussurrando em meus ouvidos “Quebre, quebre, quebre!” e o fiz entre lágrimas, sentindo como se quebrasse algo em mim.
    Depois do sonho e todo o resto, Nightmare que agora atendia pela alcunha de Soul Ripper, tentou manter contato comigo, mas por medo, eu o evitei, achando que os seus demônios o tinham consumido de vez. Assim sendo o bloquei nas redes sociais, e por isso ele veio na porta da minha casa, só que o tratei com frieza, e ele partiu cabisbaixo. – Eu entendo que queira me dá um soco, pois se eu pudesse faria como Yuno Gasai, e tomaria o meu lugar no passado, para impedir esse erro.
    Gradualmente fui perdendo amigos, e quando somente restou eu e o garoto da web, ele me pediu em casamento, e aceitei. Sabia que tinha um marido vindo do Inferno, e achava que podia ser ele, pois nunca havia sido tão trouxa para alguém antes. – Entretanto tudo mostrava o contrário, e até mesmo a minha irmã, recebeu a mensagem de Lilith, de quê ele não era o meu par, que Lúcifer o tinha escolhido por um propósito, e tomar Arakiel com tal era um erro. – A aquela altura, tinha mergulhado na mais profunda insanidade, e não ouvia nem sequer os deuses, estava convencida de quê era meu, e nada nem ninguém, poderia mudar isso. – Será? 
    Num dia qualquer briguei com o rapaz, e fiz a coisa que ele mais detestava, para atrair o seu outro lado. Bebi até perder a consciência, mesmo sabendo o quão arriscado aquilo podia ser, já que a barreira entre o físico e o espiritual, ficava cada vez mais fina , de acordo com a quantidade de álcool ingerida. – Lembre-se do trágico episódio de 2011.
    Acabei por desmaiar, enquanto conversávamos no celular, pois não me aguentava em pé. Despertei no meio de uma praça, onde as freiras de branco passaveam. Parecia o paraíso, mas as faces daquelas mulheres não me inspiravam confiança, por isso apressei os passos. Foi então que vi uma freira de preto, esfaqueada a sangue frio no piso cheio de quadradrinhos, e decidi correr. As senhoras já estavam entorno de mim, com sorrisos dotados de mania, por isso fiz um grande esforço para despertar, chamando pelo anjo que se disfarçava de demônio. Ele estava desmaiado também, por isso o despertei ligando inúmeras vezes. “Durma, não vou deixar nada te machucar, sabe que basta me chamar se algo acontecer.” Disse-me enquanto eu estava em estado de pânico, só que o efeito da bebida era muito forte, por isso cai no sono de novo. O sonho me pareceu bem normal desta vez. Estava na antiga casa da minha avó materna, enquanto esta ajeitava a cama, bastante sorridente, mas de alguma forma eu sabia que não era ela, por isso disse “Você não é a minha avó! Revele-se!” Então ela parou de dobrar os lençóis, e me olhou com um sorriso assustador, enquanto a sua pele morena, começava a empalidecer, e as unhas ficavam pretas. “Tem certeza de que quer saber?” Perguntou, e eu me preparei para lutar, só que uma força maior, me puxou de volta para o corpo contra a minha vontade. – Nunca soube o nome da criatura, e até hoje isso muito me intriga.
    Em novembro de 2012, me caracterizei como Alerquina, por notar que tínhamos um rosto bem semelhante, e me preparei para ir ao evento de Cosplay, mas quando cheguei na porta, senti uma tontura e desmaiei. – Meu espírito foi levado para o cemitério do Santa Rita, e lá fiquei rodeada por espíritos zombeteiros que diziam “Morte, Dinheiro, Mentira!” repetidamente, e gargalhavam como loucos.
    Tudo estava preparado, para quê eu e Arakiel nos encontrássemos, nossas mães tinham conversado, e a dele havia aceitado a união, pois o rapaz tinha dito que preferia a morte, a ficar sem mim. Dia 28 de dezembro ele chegaria na cidade, só que infelizmente – ou felizmente –  Descobri que tinha me traído em novembro, e a raiva por ele, era maior do quê qualquer coisa que sentisse, por isso fiz o quê ele sempre detestou, sai com a minha amiga ex- beata, e bebi com estranhos. O problema é que o garoto em estado de bebida, tentou me estuprar na praça, e se não fosse pela minha amiga, e o amigo dele, a noite não teria acabado bem, pois morder forte a sua língua, somente o excitava ainda mais.  – Contei tudo ao anjo, disfarçado de demônio, e ele ameaçou o cara de morte, caso voltasse a se aproximar de mim. Só que “pagar em dólar”, não tinha sido o suficiente, eu ainda o odiava por ter me enganado, e por isso decidi terminar em 25 de dezembro daquele ano, após ter tido um estranho presságio, de quê estavam tentando me matar. – Gente de outra escola foi até a minha, e ficou a me olhar estranho, como se tivessem desejos insidiosos. Depois enquanto dormia o teto se abriu um pouco, em meio a chuvarada, e se não saio a tempo do quarto, teria morrido eletrocutada.
    Acabou. Fui dormir, só que naquela noite tive um sonho, de quê ele estava muito magro em meio a escuridão, e escalava meu corpo chorosamente, dizendo “Eu te amo, porquê está fazendo isso comigo?!” Então quando acordei recebi a notícia, meu avô tinha falecido, e o menino nem sequer respondia as mensagens, no início fiquei preocupada, depois soube que estava bem, e entrei num profundo estado de depressão. – Não comia, não dormia, e só sabia falar dele, achava até mesmo que tinha sido separado de mim, por um kimbandista, com o qual puxou briga, porquê o mesmo havia dito que eu era filha de um cachorro de rua, mas nunca de Satã.
    Tentei namorar o DeMolay, mas este me deixou por causa da ex, e acabei fazendo amizade com um garoto detestável, que fez minha amiga sofrer, e que estava arrependido. Vamos chamá-lo de o Geminiano. – O geminiano era de Rio de Janeiro, e costumava implicar comigo por qualquer coisa, mas como era o único que me entendia, sobre querer voltar para a pessoa que havia deixado, só me restava falar com ele.
    Os pesadelos eram bastante frequentes na época, sonhava que estava grávida, e Arakiel – que apesar de parecer ter pouca idade, era um ano mais velho que eu – tinha alguma relação com isso.
    Vivia vendo zumbis, guerras, e o fim do mundo eminente. – Provavelmente pelo bombardeio de mensagens midiáticas a respeito. 
    Meus amigos só sabiam me apoiar com “likes”, em coisas que me faziam me sentir um lixo, e eu sentia raiva disso. – O canalha estava certo? Eu estava sozinha mesmo?
    No ano de 2013, fiz 18 anos, mas foi o pior dos meus aniversários, pois de quem eu queria os parabéns nunca veio. Como se isso não bastasse, um meteorito caiu na Rússia, logo após a renúncia do Papa, e temia que isso de alguma forma fosse associado a mim, afinal era supostamente A filha de Lúcifer, e os religiosos sempre buscam por um bode expiatório. – Lembro-me que não pude comemorar no dia, mas o fiz no sábado, e quando bebi, meus olhos brilharam de forma inumana, ao ponto de ficarem verdes, e isso foi capturado pela câmera.
    Em março daquele ano, resolvi sair de dia, com a ex-beata, queria me destruir sabe? Beber até não aguentar mais. Nós fomos até o Formigueiro, uma praça que ficava atrás da igreja de São José, onde os roqueiros costumavam se reunir.
    Lá encontramos um homem, que usava uma camisa preta, e o símbolo da estrela de Davi, e este não parava de cumprimentar a todos. Até aí tudo bem, só que um dos meninos, me falou que se tratava de um pedófilo, e quando este veio até mim, minha energia cresceu mais que o normal, pois detesto o tipo. – Ele disse “Você tem um espírito forte, tenho certeza que é de leão.” Disse-me, e sorri de forma maldosa, negando, enquanto apertávamos as mãos. Os olhos dele se engradeceram, e o medo ficou presente, ele literalmente saiu andando de depressa, sem falar com o resto do povo.
    Decidimos sair andando pela cidade, e nos estabelecemos na praça da bandeira, onde fiquei no escuro. Então uns 30 minutos após sair do Formigueiro, um grupo de frades a caráter, tão grande que nem deu para contar, surgiu andando pelo centro, e a menina que estava conosco até brincou, dizendo que pareciam ser um grupo de Jedis. – Se era “caçavam pela filha de Darth Vader”.
    Coincidência ou não, até hoje não sei explicar, mas o medo foi tão grande, que me manifestei nas redes sociais, dizendo que se sumisse, que me procurassem no Vaticano. – Fanatismo, loucura, pode chamar do quê desejar, só  que é no mínimo estranho.
    Mais coisas aconteceram naquele ano terrível, e quando Soul/Nightmare reapareceu, eu definitivamente não estava pronta para voltar. Já tinha dado errado uma vez, e no momento só queria me destruir, por isso não podia arrastá-lo para o fundo comigo, só que isto tudo fica para o próximo capítulo.
                             
    Capitulo 4- 2013
    Não dá para duvidar da persistência de Soul. Mesmo depois que terminamos, e tê-lo afastado, a pedido de Arikiel, sob circunstâncias estranhas, ele ainda continuava ali, sendo um amigo para todas as horas, porém apesar de não ter me esquecido, preferia que o fizesse. – Meu coração não lhe pertencia mais, então para quê iria continuar torturando-o? Ele não merecia esse destino cruel, portanto quando reapareceu, e por acidente, acabamos por dormir juntos, por volta de maio daquele ano – O quê faz de mim um monstro, pois era o mês do seu aniversário – Eu lhe disse em definitivo “Isso não quer dizer que te amo, e nem que vamos voltar!” , ele pareceu entender, e também falou que não era o quê queria. – Contudo mais tarde soube, que tinha ido embora cabisbaixo.
    Me perdoe querido leitor, mas não poderia continuar segurando o rapaz ao meu lado, por puro egoísmo. – Tudo o quê tinha passado com o Arakiel, havia feito a minha concepção mudar. – Sem contar que na época estava me envolvendo com o Geminiano, e não queria iniciar outro relacionamento com o pé esquerdo.
    Estava cada vez mais perdida, e apesar de ter o Geminiano ao meu lado, me sentia cada vez mais sozinha, por isso vivia entrando em sites de Creepypastas. – Já havia tentado inúmeras formas de me matar, como : Morrer afogada aos 6 anos, mas não deu certo, a professora me salvou. Morte por acidente automobilístico, só que os carros paravam antes. Morte por ingestão de caixas de remédio, todavia somente dormia, e voltava nova em folha. Morte por envenenamento, que me fazia vomitar sem parar, porém bastava um copo de leite, e tudo voltava ao normal. Morte por corte da artéria, no entanto parecia nunca rasgar a carne o suficiente, pois no dia seguinte, já estava como se estivesse se cicatrizando. – Então como os métodos tradicionais, estavam sempre falhando, procurei por entidades místicas, para me destruírem de uma vez. – Claramente não funcionou, senão não estaria aqui agora.
    Caminhava pelo mundo, como se fosse uma zumbi, sem vida, sem motivação, sem acreditar em nada. – Se Lúcifer era meu pai, então por quê as coisas estavam dando tão errado? – Fui perdendo a minha fé nele, e abracei a linha de fanatismos sobre o fim do mundo, pois saber que o lugar onde estava seria destruído, me trazia paz. – Poderia ser “imortal”, só que se o planeta inteiro fosse destruído, não creio que iria sobreviver.
    Por isso quando a mensageira Maria, foi tomada pela presença de Lúcifer, que me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer, eu questionei bastante, porquê seria literalmente o meu maior desejo.
    Os dias seguiram, e enquanto estava imersa em escuridão, passava grande parte do meu tempo, digitando um dos meus romances sombrios, chamado Psychosocial The Game of Larry Coltown, que nunca teve um final. Mas deixou claro que a minha relação com Arakiel, era como uma lavagem cerebral, na qual literalmente perdia a noção de mundo, e sobre quem realmente era. – Na trama, Corelle era raptada por um Doutor sanguinário, denominado Michael Kovat, que fazia dela uma máquina destruidora, para servir a cruel Ordem de Cristo, que existia somente para matar os demônios, e todos os seus filhos. – Em alguns pontos eu e Corelle éramos semelhantes, noutros ela tinha as próprias características. Contudo era inegável que ela me representava, e por isso é perceptível que muitos dos seus desafios, são parte da minha dissociação da realidade, que era extrema naquele tempo. 
     Todavia não chegava ao ponto, daqueles com quem tentava estabelcer laços. Maria tinha um grupo no Facebook, com um monte de jovens perturbados, que conseguiam superar até a mim. – Foi ali que aprendi a separar a fantasia da realidade de vez. Pois ver um homem dizendo que era um arcanjo, e uma mulher dizendo que era o próprio Asmodeus, era demais para mim. – Asmoday parecia ser uma garota inteligente, que sabia bastante do oculto, só que em algum momento da vida perdeu a sanidade, e ficou presa entre a Terra e o outro lado. Ela era bonita, mas se disfarçava de feia, tinha 27 anos, e aparentava 16, foi a única bruxa satânica, que conheci, que fazia aniversário no dia 15/02 também. Ela vivia implicando comigo, me chamando de princesa mimada, porquê supostamente não tinha sofrido o suficiente, e mesmo que acontecesse, continuaria sendo uma “santa”. Apesar do conflito, eu a admirava, queria fazer-lhe recuperar a consciência, pois tinha muito a oferecer a este mundo, de tal forma, que nem me importava se fosse ela a verdadeira princesa infernal, em vez de mim, mas seu caso era complicado. Asmoday  tinha uma personalidade semelhante a da Maze de Lúcifer, e como alegava ter estado em uma clínica psquiátrica, preferi aceitar o seu mundo como ele era.
    Em 13 de julho daquele ano, Arakiel voltou a aparecer. Ele tinha essa mania de ir e voltar, sempre que começava a esquecê-lo, e enquanto ajudava a ex-beata, cuidando dela após beber demais, por quê lhe devia uma, o meu celular foi roubado. – Eu não podia deixá-la sozinha, não depois de ter me salvo de um estupro, e da minha consequência, por fechar o círculo do Sees. – Não podia deixar a minha amiga, não depois de tudo o quê tinha feito por mim, portanto quando ela ficou mais porre que o normal, no dia do rock, tive lhe de socorrer. 
    Só que no meio disso, Arakiel ficou mandando mensagens, e como nunca resisti a uma boa discussão, fiquei tirando e colocando o meu celular da bota, até que um bandidinho veio e tomou-o da minha mão, lembro de ter segurado em seu braço, rindo sem parar, não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo, e ele me chamou de patricinha. O nervosismo tomou conta de mim, e ele saiu andando, mas tentei correr atrás, porém o sedentarismo venceu. – O meu ódio foi gigantesco naquele momento, e quando fomos falar as autoridades, a mulher só sabia torcer o nariz, como se eu tivesse me drogado por causa da vestimenta, foi preciso que uma galera me segurasse, para não ir para cima dela. Estava tão enfurecida, que sentia meus pés saírem da sola da bota, e tentava me controlar, para não levantar voo ali mesmo, e acabar de fato como prisioneira do Vaticano.
    Dois rapazes literalmente competiam pela minha atenção, e isso me deixaria feliz, só que aquele projeto de ser, tinha levado muito mais que o meu aparelho, ele havia levado a minha honra, e como uma criatura guerreira, não podia deixá-lo ficar impune. – Foi então que lhe enviei a mensagem ameaçadora Você não sabe com quem se meteu, criatura inferior, e pagará caro por isso!
    Arakiel apenas se preocupava com a minha vida, e por isso o mandei para o raio que o parta. Ao chegar em casa, fiquei sozinha, fingi está bem, porquê não queria que minha mãe, deixasse de se divertir com as amigas por minha causa, mas quando ela saiu, toda a fúria deixou de ser contida. – Não me lembro ao certo, mas chutei portas, gritei sem parar, e isso resultou na visita da minha vizinha, que alegava que eu estava possuída. – Possuída de ódio, isso sim!
    Mais tarde naquele ano no dia 14 de agosto, tive um sonho estranho, nele saia de uma espécie de jogos mortais, e ao pular o muro, ia parar na rua da frente da minha casa, onde um homem de casaco preto, me dava uma facada no estômago, mas não sentia dor, nem saia sangue. Nesta data em questão, iria começar a trabalhar no jornal do amigo do meu pai, e pedi para ficar em casa, mas minha mãe, apesar de dizer poucos nãos, me barrou desta vez. Fui para o diário do povo, lá parecia um lugar perfeito para trabalhar, pois se me formasse como jornalista, poderia enfim provar que os deuses eram aliens, e que já haviam estado na Terra. – Lembra das coisas boas do Soul? Esta era uma delas, pois graças a sua fixação por Et’s, acabei assistindo muitos documentários do History, que abriram a minha consciência, para fora da filosofia de Anton Lavey, de quê Satã era uma alegoria a psique humana. – Tudo tinha sido maravilhoso, só que como naquele ano, estava pagando todos os meus carmas,  é claro que o dia não terminaria assim.
    Ao chegar em casa, vi um monte de gente amontoada, no fim da rua, por causa de um incêndio, e brinquei com a minha mãe. “Desta vez a culpa não foi minha, nem estava aqui para causar isso.” E tudo pareceu normal, só que quando aparecemos na entrada do portão, notei que a janela estava aberta. “Mãe você saiu e não fechou a janela!” Disse-lhe, e ela saiu catatônica. “Eu não... Thaís nós fomos roubadas!” Falou assim que atravessou para dentro do quintal. “Mas o quê mais eles poderiam me roubar?... Meu notebook!” Berrei entrando logo atrás, e quando um dos vizinhos passou ao meu lado, com um sorriso de vitória, quase fui para cima dele. – Por conta da surra que tinha dado na sua irmã, eles colocaram fezes no cadeado de casa, então como não poderia esperar o pior?! 
    A casa estava intacta, o quarto da minha mãe também, somente o meu fora invadido, e revirado de cabeça para baixo. Levaram meu note, minha câmera digital, e o playstation 2, que valia pouco na época, e parecia ser apenas uma desculpa, pois no mesmo dia, o meu Facebook foi cancelado, e a minha página de conspirações, que só tinha 167 pessoas, desapareceu como se nunca tivesse existido. – Depois que postei que as pessoas no futuro, viveriam em casebres, a mercê de gente ruim, que lavaria as suas mentes, para que ficassem na miséria, enquanto viviam como reis, caçando pessoas geneticamente modificadas, que acusavam de serem demônios, sem saber que os verdadeiros eram poucos, e que tudo aconteceria, após um grupo de fanáticos pela Era de Aquário, fizessem um ataque terrorista, pior que o da H1N1. – Fomos a delegacia, todavia de novo fui destratada, e desta vez os homens na sala, pareciam zumbis. A perícia foi até o local, e concluiu que o assalto ocorreu na hora do incêndio, e apesar do quê parecia, o mesmo era de causas naturais, ninguém tinha o provocado.
    Fui desplugada da Matrix, e tive diversos sonhos mais tarde, que me fizeram ficar preocupada. Naquele tempo haviam muitas manifestações contra a presidente Dilma, e o país mergulhava em violência, e isto me fazia pensar que os cavaleiros do Apocalipse tinham sido libertados, e ela era o próprio Guerra. – Pois seu partido era representado pelo vermelho, e desde que assumira o poder, o nível de conflitos se elevou. 
    Talvez por causa da teoria de quê Guerra era a Dilma, Fome estava na África, Morte era o Bashar Al Assad, e a Peste em breve se manifestaria, tive esse devaneio onírico. No qual falava com ela, e a defendia dos demais, somente para chegar até os seus guardas, e lhe dizer “Eu sei quem você realmente Guerra, fale comigo!” Esta me dizia que não teria com o quê me preocupar, pois quando o mundo acabasse, teria um lugar para mim na Arca – Como no filme 2012 – e em seguida aparecia no jornal nacional, várias manchetes sobre o fim do mundo, incluindo uma de mesmo título, que retratava a queda da estátua da liberdade, que era derrubada por uma enchente de água suja.
    Só me restava a TV para saber dos acontecimentos do mundo, e quando saiu a notícia de Edward Snowden, vazando documentos, que alegavam que os E.U.A, estavam vigiando o Brasil, me deu um enorme calafrio na espinha, pois de alguma maneira, tudo o quê tinha acontecido agora fazia sentido. – Estavam tentando me proteger, não sei quem, mas do quê tinha certeza.
    Pouco a pouco, as coisas foram voltando ao normal. Ganhei um note e um celular novo. Me mudei por tempo para Porto velho, até a poeira baixar, e lá tive vários sonhos, que se hoje tivesse o meu caderno lhes contaria, mas eu me livrei dele tempos depois. – Tudo o quê me lembro agora, é que tinha relação com me apaixonar por um lobisimen, um ser careca chamado Samael, que queria ser o meu par. – Hoje sei que este é um dos nomes de Lúcifer, e não faz sentido algum, a não ser o de quê acessei o consciente coletivo. – e com a lua que se dividia em 4 partes.
    Em outubro daquele ano, o homem que me molestou quando criança foi preso com exatas 11 acusações ás 19:15, e foi jogado no  IAPEM, que era como uma amostra grátis, do Inferno para gente como ele.  – Também em outubro, o círio fluvial resultou em tragédia, e muitos morreram quando o barco afundou. – Até hoje me pergunto se tenho algo a ver com isso, pois o sincronismo foi harmônico, como se um demônio passasse por ali, e punisse o meu professor, mas matasse os religiosos também.
    Em novembro, o bairro Perpetuo Socorro sofreu um terrível incêndio, que chegou a ser noticiado no jornal nacional, e que os grandes conspiradores, encontraram a evidência de um círculo no meio do fogo. O mesmo lugar era considerado um antro de bandidos, que se escondiam ali.  – “Criatura inferior, não sabe com quem se meteu e pagará caro por isso!” Lembra? 
    Ainda neste tempo, também houve um súbito tremor em Santana, como se algo se movesse abaixo das águas. – Só não lembro a data. – e lá vivia o menino de quem eu gostava, mas tinha desistido de mim, apesar de ambos sermos satanistas, que ao concentrarmos nossas energias, conseguimos interferir no rádio, por não gostarmos da música.
    Já não aguentava mais carregar esse fardo de ser filha de Lúcifer, por isso decidi fazer algo mundano para variar. – Entrei em aulas de canto, só que no primeiro dia, nos obrigaram a cantar um hino da igreja, o fiz meio relutante, e ainda sim a situação foi desagradável.
    Ao voltar para casa, minha mãe parou numa panificadora, e quando eu voltei de lá, me falou que viu a sombra de uma mulher sendo esfaqueada na cozinha, e entrou em pânico, ao ver que ninguém fazia nada.
    Um dia depois, no domingo a noite, nós fomos até a frente da igreja do Novo Horizonte, comprar umas guloseimas, e quando passamos ao lado de um carro, o farol se ascendeu. Minha mãe ficou com medo, e eu tentando acalmá-la lhe disse “Deve ter alguém lá.” Só que ela insistiu em passar do lado, e quando olhamos para dentro do veículo, não havia ninguém.
    Em 27/12/2013 , tive um sonho do qual jamais vou esquecer. – No plano onírico o filho de Belzebu vinha para me matar, mas acabava por não fazê-lo, e deixava claro que eu era o último impedimento, para quê o Senhor das Moscas, alcançasse o trono de Lúcifer. – No dia em questão formou-se uma tromba d’água na cidade, e não creio que tenha sido coincidência.
    Não me lembro da virada de 2013 para 2014, mas o ano seguinte não seria completamente normal, pois acabara de fazer 19 anos, e pretendia entrar para a Faculdade FAMA, onde estudaria ciências biológicas, no turno noturno, (o dos meus sonhos). – Nos resultados da prova fiquei em 11° lugar, e mesmo que não fosse uma federal o resultou me trouxe felicidade. – Até porquê eu detestava o padrão do Enem, que tinha me classificado, para a lista de espera em Artes no ano anterior.
    No primeiro dia de aula faltou luz, e comemorei sem parar, pois odiava instituições de ensino, fui para lá apenas por um propósito e nada mais. – Naquele dia me tornei conhecida, por causa das mechas cor de rosa, e o cabelo alisado, que me fazia parecer a Draculaura, por isso me chamavam sempre de Monster High. – Bullying? Eu adorava aquele apelido.
    Na hora de explicar as minhas motivações, para entrar na escola de ensino superior, deixei bem claro que estava ali, apenas para estudar sobre os extraterrestes. – A razão ficou clara agora? – Então percebi que havia um garoto, semelhante ao Finn de Strange Things, interessado em mim, e logo o evitei, apesar de achá-lo bonitinho.
    Neste ano, a minha conexão com as entidades superiores, era bastante forte. – Certa vez desenhei o circumponto numa sexta, e quando foi na semana seguinte, na segunda, surgiu um agroglifo semelhante em Curitiba. – Em tal tempo mantinha contato por e-mail com um doutor, que fazia parte da maior ordem ocultista conhecida, que havia aberto vagas, e dentre os 300 que se inscreveram, eu tinha ficado entre os poucos aceitos.
    Lhe expliquei sobre as minhas motivações para querer entrar, e que era filha de Lúcifer, e depois de mais ou menos um mês, o meu mentor, foi coroado como Imperador da filial brasileira. – Tão grande foi a minha surpresa quando aconteceu, pois este havia me escolhido como uma dos seus filhos, e me prometeu proteção. – Porém depois de um tempo, fiquei temerosa, vivia tendo pesadelos com ele, de quê poderia acabar sendo morto, e quando vi, o ser realmente desapareceu misteriosamente. – Se era a ordem mesmo não sei, mas antes dele sumir, me deixou alguns livros de Crowley, enviados somente ao meu endereço. – Além disso parecia ter uma força oculta atrás de mim, pois nas fotos podia-se ver seres de chifres, ou mãos inumanas sob a minha cabeça.
    Deveria ter ido a universidade, somente para estudar, estava enrolada com o Geminiano, e certamente o aparecimento de alguém do meu tipo, abalaria a minha força para me manter fiel. –Principalmente quando meu par , era mais um mulherengo, que não merecia nem o meu “oi”.– Só que advinha? O menino era outro persistente. – Não sei o quê há em mim, que encanta esse povo.
    Conversamos bastante, ele era o nerd universitário, e o quê realmente havia me encantado a seu respeito, é que tinha me mostrado um vídeo dissecando um rato, e que tinha levado uma edição da Mundo Estranho. – Parecia o esquisito dos meus sonhos, e tal coisa me deixou confusa, surtada, obcecada. – Até ali o amor mais saudável que tinha tido era com o Soul, que em 2013 tinha assumido um relacionamento com uma garota, que nunca tinha ouvido falar, e que minha mãe ,falava que era a favorita da minha ex-sogra, que me detestava por ser uma bruxa de Satã. – Só recentemente vi o filme O rei da água, que retrata a mesma situação. 
    O nerd universitário, era amoroso, atencioso, arrogante, mas ajudava a todos, incluindo a mim, que queria proteger dos outros. – Como não me apaixonar por alguém assim? Eu o fiz. Só que depois de umas mordidas no pescoço, soube que tinha namorada, e não podia ir adiante com isso. O meu transtorno bateu, e tentei me matar, porquê as cartas falavam que um grande amor ia aparecer, e o Astral Online, onde fazia minhas consultas, era sempre certeiro, por isso jurava que ele era o Rei, só que estava mais para Valete. O coitado se sentiu culpado, não entendeu a minha reação, disse que gostava muito de mim, e com tal atitude semelhante a Atração Fatal. – Outro filme que assisti recentemente, por conta da suspeita de ser Bordeline. – O fiz se afastar de mim.
    Contudo era isso, ele se afastava, mas não queria que outros gostassem de mim, e como se não fosse o suficiente, a namorada dele era amiga, de uma das poucas amigas de verdade que tinha. – Eu havia falado com ela, a menina era um amor, sagaz, e não podia trair a sua confiança assim, destruindo um relacionamento de 5 anos. Por isso mesmo gostando demais dele, fui me afastando, evitando-o, até que ele passou a fingir que não estava ali, e isto me devastou.
    Vez ou outra nos falávamos, e o abraçava forte, sem poder fazer algo mais, mas não era o suficiente. No meu tempo livre, resolvi sair com outros garotos, até conheci um cara legal, que apesar de ser de igreja, me compreendia, e tinha uma mente interessante, além de ser atraente. No entanto o quê para mim era um fica, para ele era um relacionamento, e quando beijei outro garoto, o clima ficou bastante tenso. – O garoto santo, me fez perceber, que estava me tornando uma vadia sem coração, mesmo que não me dissesse com estas palavras.
    Marquei um encontro com o segundo, mas o garoto não apareceu, e no seu lugar encontrei o Soul, que perguntou se poderia ganhar um abraço, e eu deixei. – Ao menos na rua, não corríamos o risco de acabar pelados. – Todas as meninas falavam que ele não tinha me esquecido, mesmo que estivesse namorando, e eu sempre ignorava tal coisa, exatamente porquê já tinha seguido em frente.
    Por causa deste dia Soul reapareceu, e me senti muito bem ao conversar com ele pelo WhatsApp, enquanto brincava sobre o quê ele tinha feito de errado, para ter resultado no fim do relacionamento. Porém ele saiu, e foi discutir com a menina que estava a sua porta. – Aceitei aquilo numa boa, não era mais uma prioridade na sua vida. O quê era muito bom, pois podíamos enfim sermos amigos, sem cores no meio. 
    Marcamos de nos ver, um pouco depois do meio do ano, para ele instalar uns jogos no meu computador. – Não sei se foi armação da minha mãe, só que ela sugeriu ir para o quarto, onde era mais frio. – Ele se encolheu todo, como uma criança, com medo de apanhar, e por algum motivo, eu literalmente me joguei em seus braços e o beijei. – A física continuava a mesma, e quando ele foi embora, me dispus a reconquistá-lo, pois somente ele tinha me feito feliz de verdade.
    Nesta brincadeira acabamos voltando a nos ver com frequência. Isso não agradou nada o nerd universitário, que numa noite de grupo de estudos, literalmente colocou fogo no meu cabelo para quê parasse de abraçar o Soul. – Lembro-me de seus olhos assustados por tal atitude, e ter perguntado se eu estava bem. – No mesmo dia Soul e eu amarmos para que o Nerd universitário, visse o quanto ele me fazia feliz, e por consequência, acabei sentada no sofá, entre os dois. Soul estava confiante, até conversava com o rapaz, e o outro estava inseguro, não queria ir embora, antes do meu ex, que ficaria em meu lar para dormir. – Foi uma sensação maravilhosa, ver o seu sofrimento, desprezá-lo como fez comigo, mesmo que agora estivesse solteiro.
    Lentamente fui deixando de ir a faculdade, após a ex beata, que se chamava Rose, ter me dito que o Nerd havia insinuado, que eu não tinha estrutura mental, para manter um relacionamento sério. Só que quando apareci, ele me abraçou forte demais, e disse que ainda havia chance de passar no bimestre, se estudasse um pouco mais. Todavia lhe falei que sabia, mas não queria mais ficar lá. – Se pensou que era um blefe, acabou por se enganar feio, pois realmente larguei a faculdade depois. – Realmente eu não tinha condição mental para nada, e ficar vendo-o todos os dias, com a amiga que o envenenou contra mim, provavelmente falando que o amarrei, só piorou o meu estado.
    Soul voltou a viver comigo, deixando de morar em Ferreira Gomes, e apesar de termos feito um acordo, – e ter lhe dito que gostava dos dois – Ele nunca encenava para ninguém a nosso respeito, por isso mesmo juntos, não tinha como esfregar na cara do Nerd, que estava melhor sem ele. – O quê era uma mentira, porém não queria que tanta gente, que torcia pela minha desgraça soubesse oras.
    Soul saia, dizia que ia voltar no domingo, e aparecia na segunda. Tinha mania de ignorar as minhas postagens, e só vivia no computador. Havia coisa errada, porém eu achava que era porquê ele lia as minhas conversas, que falavam a respeito do quanto ainda pensava no Nerd. – Ele não era mais o mesmo homem de antes, tinha se tornado um cafajeste, e me deixado a par disso, logo quando assumimos um compromisso de status na rede social.
    O Geminiano que do nada tinha se apaixonado por mim, não me deixava em paz, e Soul com medo de haver um terceiro na jogada, me dizia para me afastar dele. – E como a boa aquariana que era, fazia exatamente o oposto.
    No livro anterior o culpei por ter me traído, como se fosse uma santa imaculada, mas aqui fica totalmente claro, que as suas motivações eram fortes, afinal se ele não fizesse nada. – Seria o cara perfeito. Brincadeira! Mas dificilmente o respeitaria tanto quanto agora, pois a sua falha, me fez perceber que era somente humano, e não um deus da alto estima, que suporta tudo sem jamais se vingar.
    O início era um relacionamento de amizade colorida, para todos tínhamos voltado, mas entre nós era apenas uma parceria estratégica, que nos servia como alicerce, para não acabarmos sozinhos. 
    Mais uma virada da qual não me recordo bem, e o ano seguinte prometia mais fatos esquisitos, que talvez não fosse capaz de suportar. – 4 luas de sangue foram anunciadas, e o frio na barriga, de quê o momento tinha chegado me tocou. Só que isto fica para o próximo capítulo. 
    Capitulo 5- 2015
    O ano de 2015 foi marcado pela presença de Óvnis. – Algo que me trouxe alegria, pois lá em 2013, tive a minha primeira experiência de 3° grau com eles. – Eram 7 horas da manhã, ainda tinha um notebook, e estava no Facebook, quando de repente, tudo se desligou, a luz começou a piscar, e senti uma atmosfera extraterrestre, causada por uma forte pressão no ar, e um som semelhante ao de uma nave espacial midiática. Eu não fiquei assustada, porém quando uma esfera amarela flutuou a minha frente, fiquei fascinada pela mesma. – Isto ocorreu uma semana antes da invasão da minha casa. – Até hoje me pergunto se foi uma alucinação, pois não costumava dormir a noite, e sabia os efeitos que isso podia provocar.
    Os meus 20 anos, foram simbolizados pela festa, com direito a globo e tudo. Embora houvessem poucos para comemorar, foi algo realmente único. Bebemos até as 4 da manhã, dançamos, confessamos pecados. Esta é de longe uma das melhores festas da minha vida. Contudo quanto a segunda veio, o número 27092015 surgiu na tela do meu celular, e me senti como o Neo em Matrix. – Achava que meus poderes enfim atingiriam o nível máximo, e que a guerra entre anjos e demônios sairia do oculto, fazendo com quê todos despertassem. – Por isso decidi pesquisar sobre os fatos do dia 15/02 daquele ano, e o horror me preencheu, quando vi que o exército de fanáticos, que literalmente pareciam jovens de mentes lavadas, postou um video se revelando no dia do meu aniversário. – Eles se chamavam de Gladiadores do Altar, e eram bem semelhantes as visões que tive ao escrever o romance Psychosocial, na parte da Guerra, mas na minha obra, eram conhecidos como Executores. – Um nome apropriado para aqueles que se dispunham a caçar bruxas e demônios. Coisa que os Gladiadores já andavam fazendo de forma ilegal.
    O tão aguardado setembro vermelho chegou. Eu estava extremamente animada, achando que finalmente o mundo, teria o véu removido. Por isso não parava de falar na lua de sangue, afinal de contas tinha previsto-a em 2013, muito antes de anunciar as 4 luas que viriam. – Quando se sonha demais, a decepção pela queda é muito grande. Nada aconteceu, o mais estranho daquele dia, foi apenas ter ouvido jovens que riam como maníacos, passando na frente da minha casa de madrugada.
    No fim, lá em novembro, aconteceu uma coisa bizarra, enquanto conversava com uma amiga, sobre as creepyspastas para o Halloween, começamos a ouvir interferências na ligação, como se algo tentasse falar conosco. – Graças aos deuses ela gravou, e hoje tenho como provar o quê aconteceu. – Poderia ser somente a presença da ejeção de massa solar, no entanto foi muito esquisito, devido ao contexto em quê nos encontrávamos. – Além do mais quando me reuni com ela e a minha outra amiga, batemos uma foto, na qual o número 7 surgiu na minha testa, o 8 na dela, e o 6 na última, e quando fomos ler o livro de Salomão, os versículos bateram perfeitamente conosco.
    O ano de 2016, foi simbolizado pela traição. Poucos dias antes do meu aniversário, descobri que Soul andava falando com uma moça chamada Thaís, e as brincadeiras de que a amante se chamava assim, se tornaram algo real diante das evidências do flerte. – Saber disso literalmente partiu o meu último fio de sanidade, a menina tinha 18 era popular, ingênua, e claramente gostava dele, portanto não foi fácil encarar tal episódio.
    Sabe o quê mais detesto? Não ser única, não ter algo próprio, e comparada a outras pessoas. – Ele cometeu os 3 atos em um ano. – Aquilo me doeu bastante, porquê tinha excluído o Nerd que após meses longe, tinha mandado solicitação para mim, e ainda havia bloqueado o Geminiano, deixando claro que não tinha mais volta mesmo. Então quando vi que ele cedeu, enquanto me esforcei muito para não ser infiel uma segunda vez, não consegui perdoar. – A minha sanidade foi para o espaço, e quebrei o seu pc a base de pancadas intensas com o controle, o expus para as pessoas, e ainda o fiz se humilhar em público pedindo o meu perdão.
    Eu sou egoísta, cruel, e de péssima índole, mas se meus limites são ultrapassados, me torno a própria Lilith na hora da vingança. – Todo dia era uma briga diferente, acertava-lhe tapas na cara, lhe mordia  até ficar roxo, o mandava embora, e não conseguia deixá-lo ir até a porta.
    Na vã tentativa de me distrair, chamei algumas amigas para irem me visitar, mas todas as fotos se perderam. – Meus 21 anos foram comemorados com muitas teorias da conspiração, e docinhos. – E os compartilhei com uma das meninas, que fazia aniversário no dia 14, data para qual foi transferido o dia dos namorados, por causa dos ritos do dia 15 de fevereiro. Não lembro se algo aconteceu neste dia.
    Pode-se dizer que neste ano toda a minha fúria foi liberada, e quando Arakiel reapareceu, pedindo ajuda, é claro que me dispus a fazê-lo, somente para atingir o Soul, porquê sabia que o outro o deixava inseguro. – Por uma conversa, ou sabe-se lá mais o quê, pois ninguém confessou ainda, eu o fiz chorar, implorando o meu perdão.
    Em maio, a vida mundana se separou de vez da vida mística. Creio até mesmo que fui parar em Sete Além. – Era de manhã, apesar do desgaste emocional fui para a faculdade, pois estudar e tentar manter uma vida fora de casa, me ajudava a tentar controlar os meus impulsos agressivos. Cheguei no bloco D, tudo estava desertíco. Pensei que fosse pelo horário, pois tinha ultrapassado o limite de tolerância 8:15. Subi as escadas até o andar da minha sala, e quando cheguei lá, a mesma estava vazia. Fiquei emputecida, e até gravei um vídeo para provar que tinha ido, e ninguém havia me avisado, que não teria aula. Desci e fui pegar um ônibus para chegar ao centro, onde entraria em outro para chegar em casa. Ao sair, fui atravessar a rua, e um carro branco antigo quase me atropelou, e quando cheguei ao meu destino, vi o mesmo modelo que agora era preto. Estranhei aquilo, só que ao chegar em casa, adormeci, e tive um sonho esquisito, em que tinha entrado noutro mundo, através de um corredor vermelho, e que quando voltava, as pessoas diziam que tinha havido aula sim, eu que não estava lá. Então pegava o Goiabal, o ônibus conhecido por sempre se encontrar vazio, – o quê o tornava alvo de suspeitas, como “entrou morreu”– e nele ouvia a música Deja Vu da Pitty.  Quando acordei fui no grupo da minha panelinha, e soltei os cachorros para todos, afinal aquilo era um sonho, eu tinha ido para aula, e não havia ninguém lá, mas os meus colegas, – que já me achavam estranha, pelos fortes impulsos nervosos, que faziam a minha caneta girar violentamente, em meio ao tabuleiro manual dos espíritos – Ficaram sem reação, e disseram que “Houve sim aula, e eu não apareci na sala.” – Teria sido este um surto? Ou havia voltado a ter as minhas habilidades de me transportar entre os mundos? Admito não ter dormido bem na noite anterior, então isso pode ter provocado a alucinação, mas onde exatamente eu estava? 
    Em abril estava pronta para deixá-lo, veio a notícia de quê estava grávida, e sabia bem quando a criança havia sido feita. – Ela fora gerada 3 dias antes do evento, no qual faltou luz na hora que cheguei, e me recordo de minha mãe ter me perguntado se não queria voltar para casa, mas fiz uma escolha, que mudaria a minha vida para sempre, quando disse “não”, pois lá bebi um copo de vodca, que deve ter cortado o efeito da pílula do dia seguinte, que tomei quase beirando as 72h, ( ou o óvulo já havia se instalado em meu útero, devido a posição do coito). Independente de ser um menino ou menina, queria abortar, e Soul compreendia o porquê. Se lá em 2015, que nem imaginava as coisas que fazia, já tinha abortado um, pra quê manteria o próximo, naquelas circunstâncias?
    Palavras ácidas saiam da minha boca, eu implorava a Lilith que me atendesse, como da outra vez, porquê não queria trazer uma criança ao mundo para sofrer. – Contudo depois que comecei a falar, com a minha barriga, Soul percebeu que poderia ser uma boa mãe, e entrou para o Time bebê.
    Arakiel não ficou feliz com a gravidez, e me disse para matar, o quê me fazia infeliz. – Logo após lhe falar que não queria ter a criança, num momento de desespero, e depressão pré-parto. – Eu finalmente passei a ter desprezo por ele, assumir que Lord era apenas uma máscara, e que tinha me torturado de propósito era aceitável, porém ceifar a vida do meu bebê?! Isso era imperdoável, e dessa forma acabei por cortar o contato de vez.
    Como em 2015 ninguém despertou na última lua de sangue, perdi a minha fé na magia, e ao saber da realidade terrível em 2016, toda a minha esperança se foi. – O vazio cresceu em mim. Nada do quê o Soul fizesse era o suficiente, para perdoá-lo, pois verdade seja dita, nunca perdoei ninguém que me magoasse. – Normalmente os cortava da minha vida, e cada um seguia o seu caminho, só que agora tinha um laço com ele, que jamais poderia ser rompido.
    Aquilo me assustava de tal forma, que falava muita coisa ruim sobre a maternidade, e parecia sofrer de bipolaridade, ou mania mesmo. – E saber que carregava uma menina, somente piorou tudo, porquê isso era o meu pior pesadelo, temia que o caso com a minha prima se repetisse, e todos voltassem a sua atenção para ela. – Para piorar minha mãe me deixava ainda mais paranoica, dizendo que o melhor para a criança, era colocá-la para a adoção, pois uma mulher que nunca poderia ter filhos, iria amá-la muito mais. – Minha mãe tinha trauma da maternidade ruim, pois a minha avó, havia lhe criado a base de humilhações, tão desumanas, que quando criança, a mesma lhe fez comer o próprio dejeto, para que nunca mais aprontasse. Além de lhe bater sempre que bebia, ou se envolvia com o pai de santo da gira de esquerda. – Novamente eu era vista como um monstro, e me sentia muito mal. Não queria me desfazer da menina, porquê sabia que ela herdaria a minha maldição, e uma pessoa comum não iria aceitá-la, e lhe trataria como uma aberração. Eu a amava, só não suportava a ideia de sair dos holofotes, dos poucos que me viam. – Soul e mãe  viviam discutindo, mas o fato de se opor a algo, depois da minha gravidez, me fazia sentir ainda mais raiva dele.
    Em 23 de junho de 2016, algo estranho aconteceu, tive um sonho de quê era uma das cabeças da besta do Apocalipse, e enquanto estava estressada, e focada numa prova, um tornado passou destruindo a cidade, em pontos que se relacionavam a mim, e os que haviam me feito mal como: Buritizal onde vivem os Marianos, o trabalho da minha mãe, uma boate onde tinham gays de faxada, o Paulo Conrado onde perdi no volêi, e a cidade de uma suposta satanista, descrente dos meus poderes. – Tal fato foi citado junto de uma profecia, que se referia a 7° exintição em massa, sendo que 7, é o número que mais aparece marcado no meu corpo. Ainda no mesmo mês, sangrei após sentir muita dor na gestação, e por isso segui a tradição da família, de colocar o nome da santa no sobrenome. – Como se não bastasse, também vivia sendo atormentada por entidades, que chegaram a tentar me empurrar de barriga no chão, e toda lua cheia eu sentia dores gigantescas, que me faziam berrar.
    Em outubro tive 3 presságios ruins. O primeiro foi em 24/11/2016. Nele uma força me puxava para o palco, mas eu não queria ir, em seguida me via chorando e dizendo “2017 é um ano sombrio, tudo o quê pensei que aconteceria em 2013, está acontecendo em 2017.” e “Pois é, pra quê diabos quis prever o futuro? Foi a pior coisa que poderia desejar.” Então despertei as 1 horas da manhã, e notei em meu braço a marca de um brasão de time de futebol, que até postei na minha antiga página. O foi em 29/11/2016 e acabou marcado pela presença de vozes que diziam “Você é a escolhida, isso não quer dizer que é a mais forte, mas pode se tornar.” E a presença de Lúcifer, que estava envolvendo o mundo numa cúpula de trevas, quando naves espaciais tentavam invadir a Terra. O terceiro se deu em 30 /11/2016, neste o grande símbolo era uma enorme onda, que vinha na direção do Cristo Redentor, onde eu estava pousada, e dizia “Isso não é um bom presságio! Não pode ser!” – O golpe no estômago foi intenso, quando soube que ocorreu o acidente da Chapecoense, exatamente no dia 29/11/2016, por volta das 1 h da manhã, que coincidia perfeitamente com a marca e a hora do primeiro presságio
    Em dezembro daquele ano, tive um sonho, no qual vi um reino mágico, onde vivia junto de Lúcifer, que era loiro como um elfo do Hobbit, e havia me mandado para a Terra num dragão. Eu vivi entre 4 bruxas, e estas resolveram trancar o meu espírito imortal numa boneca russa, por exatamente 500 anos, quando voltaria para cumprir o meu destino junto da minha filha. – Olha o Aprendiz de Feiticeiro aí gente! – Na época achei algo místico, por isso fiz um cálculo numérico, em que subtraia do ano do meu nascimento, o número presente no devaneio. O resultado me direcionou para a Itália, e isso me fez me dar conta, que tudo sobre a minha natureza luciferiana vinha de lá. – Em 2013 por exemplo, recebi o sopro de quê meu nome real era Luciféria, e quando fui pesquisar, somente tinha um conto descrito como “Histórias de não se crer”, e menções nas letras da banda italiana de vampiric metal Theatres des Vampires, que me descreviam como bruxa com o poder do inferno, detentora do livro de Macabria, que em meu sonho aos 17 anos, tinha conhecido como o livro do Diabo, e este me concedia o poder de controlar os mortos, logo depois de ver uma peça do xadrez, que hoje não lembro qual é, mas a única certeza que tenho é que não era o “peão”. Além do mais, meus dois sobrenomes são italianos, mas meus avós tinham me contado, sobre os parentes que tinha na Itália. – Então após o presságio onírico, pensei “Por quê não pesquisar sobre a magia ligada ao meu sangue?” O espanto preencheu os meus olhos, quando vi que lá era o único país, que cultuava Lúcifer como um Deus, que tinha uma filha, que foi enviada a Terra, para ensinar a magia aos humanos. – Tal coisa era surpreendente, pois no livro O Último Portal de 2012, me descrevi como uma bruxa babilônica, que havia aberto um dos “9 portais da destruição”, que libertariam Lúcifer, e os outros demônios, e numa dessas aventuras, era responsável pelo culto gerado pela Ordem da Lua, que era o símbolo de Diana a mãe da menina, que em muito lembrava Lilith, pois era a virgem deflorada. – O nome da filha era Arádia, denominação semelhante a Áquila que minha mãe queria me dá, mas como meu pai era um bunda mole, não permitiu. – Ela nasceu em 13 de Agosto, eu em 15 de Fevereiro, ambas tínhamos conhecidos números diabólicos no nascimento. – Ela parecia ter Sol em Leão Lua em Aquário, já eu sou Sol em Aquário Lua em Leão. – Era conhecida como o Equilíbrio entre luz e trevas, era boa e má ao mesmo, tal como eu mesma, que apesar dos pesares tinha um código ético. – Ela tinha estado na Terra há muito tempo, assim como sentia que eu também. – Ela era visitada por uma mulher, que era a própria Diana, e lhe ensinava sobre a magia, semelhante a mim com Layla. – Ela escapou várias vezes da morte, eu também. – Ela foi perseguida por religiosos, eu também. – Ela tinha afinidade com o Arcanjo Miguel, eu também. (Michael Kovat era inspirado nisso) – Ela estava na Terra, como mensageira de seu pai. Eu também. – Ela defendia a natureza, e dizia que a natureza era a grande professora da magia. Eu havia entrado em ciências biológicas, acreditando no mesmo conceito, e pelo fascínio pela diversidade natural. –Ela era a primeira filha, eu também. – Ela era Arádia de Toscano. Eu sou Thaís Mariano. – Isto por si comprovou que éramos a mesma pessoa, em tempos e localidades totalmente diferentes. 
    O parto de Rá, foi totalmente normal, mas dias antes de acontecer, sonhei que dava luz a um menino, que queria roubar o seu lugar, e era bastante cruel. – O dia se iniciou como qualquer outro, mas o tampão se distendeu,  e tive certeza de quê naquele dia deixaria de ser uma gata buchuda. Ás 8 da manhã, fui para o Hospital São Camilo, onde foi feito o detestável exame de toque, e ainda não tinha dilatado nada. Voltei para casa, as dores foram se intensificando quanto mais andava, e por isso pedir para irmos ao Poeirão (pois era próximo a maternidade) , no qual fiquei andando, seguindo o conselho do médico, para ter um parto rápido.
    Soul de canalha maldito, voltou a ser o meu príncipe do cavalo negro, e me ajudou bastante nestas horas, me dando apoio ao caminhar. Quando deu 13 horas, resolvi ir almoçar, mas as contrações aumentaram, e tive de correr para o S.C. – Pedi para o meu marido entrar, porquê esse era o nosso momento.
    Ficamos na espera, e as 14 horas tinha dilatado 4 cm apenas, por isso decidi continuar caminhando, até fazer os 10. – Queria muito uma Cesária, mas apesar da menina ter 3,77 kg, eles me colocaram para o parto natural.
    Sofri para caramba naquele dia, e não pude receber anestesia. – Eu tentava não gritar, não chorar escandalosamente, mas era impossível, quando demorava tanto para dilatar. 
    Soul me dava apoio, chamava as enfermeiras, e tudo mais, e até tentava me acalmar, só que aquilo era horrível demais. – Era como as cólicas que me faziam parar no hospital, quando tinha 16 anos.
    As 16 horas, após uma caminhada na sala, a placenta se rompeu, e quando isso aconteceu, urrei “A minha bolsa estourou!” Exames foram feitos, e já estava com 8 cm agora, só precisava de um banho quente, para me abrir de vez. Soul me ajudou, me molhando nas costas, e quando sai de lá, senti mais uma dor, que quase acabou comigo. – De alguma forma sabia a hora exata, pois pedi para chamar a enfermeira, que trouxe o médico, e após mais um exame de toque, ficou claro que estava pronta para dar a luz.
    Deitada naquela cama, via nos pés o meu marido e a atenciosa enfermeira, que fazia uma torcida estilo – Vai torta vai Dos Padrinhos mágicos. – Eu pressionava demais a minha garganta, e ela me mandava direcionar a minha força no útero, pois já podia ver a cabeça do bebê, e o meu marido confirmava. 
    As 18:10 de 9 de Janeiro de 2017, Rá nasceu, e até a minha bunda foi costurada, pois me rasguei todinha, mas nem senti na hora. Aquele rostinho roxo, igual a um zumbi do Dead Space 2, me conquistou tanto, que beijei a sua cabeça toda suja de restos de parto, e mandei tomarem cuidado com a minha princesa. Soul me agradeceu por aquele momento único, me abraçou, me beijou, e até cortou o cordão umbilical dela, assim que esta passou a respirar pelo nariz.
    Passei 3 dias no hospital, e os 2 últimos foram ruins, pois ela chorava de fome, e eu achava que não estava dando leite o suficiente, por ter seios pequenos. – As peitudas reforçavam meus temores, enquanto o meu marido tentava me acalmar, me dizendo para não ouvir as palavras delas, pois grande parte de quem estava ali, não estava recebendo a atenção que eu tinha, com praticamente a família inteira vindo visitar.
    Quando saímos de lá, e fomos para casa, a Rá ainda não mamava direito, e vivia sugando o bico do meu peito até sangrar, de tal forma que chegou num momento, em que me neguei a amamentá-la. Minha mãe falou logo que ia matar a criança de fome, e comprou um pote de leite, que servia apenas para crianças de 6 meses, o quê resultou numa diarreia na minha pequena, tão brava, que me senti culpada, ao ponto de ir ao banco de leite, para ela ser alimentada.
    Não era como eu pensava, outras mulheres providas de leite, não iriam lhe dá o peito, pelo contrário, somente nos ensinavam a amamentar, e ainda ficavam com o leite que era ordenhado. Tive de ir 2 dias para pegar o jeito, porquê aquela sem dente, só ficava cheia quando tinha uma enfermeira para me ajudar, a achar a pega certa. – A minha falta de instinto materno era um horror.
    Na última ida, de tarde a pequena criatura cabeluda, fez um berreiro antes do teste do pezinho, e tive de lutar contra o meu temor, lhe servindo o meu peito. – Fui louvada como uma heroína pela minha mãe, e desde então a bebê passou a se alimentar da devida forma. 
    Infelizmente depois que a tive, fomos as duas atormentadas por uma entidade, e o namorado fanático da minha mãe, sugeriu que ela precisava ser batizada. – É claro que me opus, mas depois da extensa pesquisa que fiz, sobre a razão do batismo, concordei, e ela foi abençoada na mesma igreja, onde a minha mãe fez a promessa, que supostamente me trouxe a este mundo. – Na hora que disseram “Você nega as armadilhas e as forças de Satanás...” Soul e eu dissemos não, mas como tinha muitas crianças, nem perceberam. Rá odiou receber a água benta, ela não costumava chorar muito, só que quando o padre lhe benzeu o fez.
    Quase um mês depois de dá a luz, eu ainda sentia dores intensas, por isso o médico me passou exames para ser assistida corretamente. O resultado foi, que sofria tais dores, por conter restos de parto no útero, que estavam apodrecendo, e poderiam me matar. – Fui imediatamente para o hospital da mulher, onde fiquei 3 dias na cadeira, antes de ser atendida. – Algo que só aconteceu, porquê a minha madrinha mexeu o pauzinhos, e me encaixou logo na próxima turma para a cirurgia.
    Fazer a operação foi a coisa mais bizarra do mundo. Entrei na sala do hospital, conversei com o médico, e desmaiei de tal maneira, que assim que o efeito do sonífero passou, fui uma das primeiras a acordar, e tive a sensação de que era uma zumbi, recém acordada do necrotério. – Rá não parava de chorar, nem mesmo com a mamadeira cheia de NAN, e quando cheguei, ela se ajeitou no meu colo, agarrou o meu peito, e adormeceu comigo. – Quase não saio de lá, antes do meu aniversário de 22 anos, pois desta vez fiquei internada por mais dias. 
    Ter um bebê em casa não é fácil, principalmente quando pensamentos sádicos se passam pela sua cabeça, por quase ter matado a sua prima antes. – Com medo de machucar o meu bebê, como via a maioria das mulheres mal-amadas fazer, decidi ir buscar um tratamento psiquiátrico adequado. Só que o quê achei que seria uma enxurrada de preconceitos, acabou por me deixar muito feliz, porquê apesar dos insultos do Nerd, minha inteligência era acima da média, e isto foi testado pelos especialistas, que notaram também alguns traços de manipulação. – Eu lhes contei tudo de ruim que fiz, e conseguia me lembrar, além das visões de céu e inferno, mas não deu nada demais, somente que sofria de depressão profunda. – Todavia quando meu marido e minha mãe ficaram a sós, lhes contaram que precisava de um tratamento psicoterápico urgente, ou desenvolveria um mal patológico, devido aos prováveis apagões.
    Fui para a terapia por meses, conversar com a Anelise, uma psicóloga excelente, que notou que grande parte dos meus relacionamentos eram destrutivos, e que isso precisava ser corrigido, tinha que ficar com quem me amasse, e o Soul por mais bizarro que possa parecer, realmente era o cara, que deveria me ajudar. – Houve uma vez que tentei usá-la para o analisar, e saber se tinha me traído,  mas ela era tão excepcional, que descobriu tudo, e desarmou a minha bomba. 
    Naquele ano recebi um ataque, após ter tido um sonho esquisito com o arcanjo Gabriel me caçando, e me chamando de filha de Satanás. – Exatamente como em 2013, quando o vi como meu inimigo pela primeira vez. Acordei acorrentada, num lugar semelhante ao cenário do Jogos Mortais I. Me soltei imediatamente, e corri para o portal que estava aberto, em direção ao Parque do Forte. Procurei por uma moto, e subi na mesma, dirigi tentando escapar de um homem moreno. Ele me perseguiu pelo centro, numa viajem frenética sob duas rodas, que resultou num acidente, em quê fui atirada contra a quina de uma escada de ferro, que fez a minha cabeça se partir ao meio. Eu morri, pela primeira vez em sonho, só que meu corpo virou energia, e a mesma se massificou, fazendo-me voltar. As roupas estavam rasgadas, mas a pele intacta, então sai caminhando meio abatida, pelas escadas do Teatro das Bacabeiras, e lhe disse “Você até tentar. Mas nunca conseguirá me destruir Gabriel!” – Despertei do segundo ataque, e a música Man in the box não saia da minha cabeça, por isso voltei a ouvir Alice in Chains. Tudo parecia comum, quando do nada comecei a vomitar a noite, depois senti uma dor infernal na costela inteira, e sem saber como parar, pedi pra minha mãe me levar ao pronto socorro, e quando sai do carro vi a data, que era 27/03/2017 então disse “Hoje é dia 27 algo importante vai acontecer”. – A UPA estava fechada, e tive de ir no posto, no qual coloquei tudo para fora, e recebi 3 injeções, para aliviar a dor. – Achava que era consequência do anticoncepcional, por isso não liguei, só que era ruim demais. Após receber o remédio, dormi, e quando deu 3 horas da manhã do outro dia, a dor voltou com tudo. Até liguei para ambulância, só que eles não vieram, e fiquei por conta. Soul então sugeriu colocar a toalha morna no meu tórax. Entretanto para realmente cessar o meu sofrimento, precisei colocar o ferro no nível ardente, de tal maneira que minha barriga ficou vermelha, quando coloquei o bendito tecido. – Então algum tempo depois, saiu a notícia de quê o menino do Acre, tinha misteriosamente desaparecido. A coincidência foi tanta, que Soul não me permitia ficar a par do caso, porquê tinha receio do rapaz ser minha alma gêmea. – Calma, ele não era, o máximo que poderia ser era outro Índigo, por isso havia uma conexão.
    Naquele ano precisei fechar de vez a história da traição, pois as palavras da minha mãe, ressoavam na minha mente “A gente transmite para os filhos, o quê sentimos por nossos parceiros.” – E eu ainda me sentia muito magoada por causa do Soul.
    Fui atrás de cada uma das envolvidas, saber até onde a história ido, pois sem um desfecho final, não conseguia seguir em frente. – A amante com quem traiu a japonesa do Paraguai, era gentil, só que não tinha ouvido falar de mim. A japonesa virgem e ignorante, e a minha xará era tranquila. – A questão é que não conseguia perdoar, depois de tudo o quê vivemos, quase ninguém sabia ao meu respeito, somente se lembravam da maldita virgem, e isso me doía bastante, pois significava que falava a respeito dela, e quem dera que fosse mal, mas eram coisas como “Preciso mudar por ela.” e outros romantismos insuportáveis da TV. A xará também não sabia de nada, somente que ele ia parar de fazer certas brincadeiras, porquê estava começando a gostar de uma garota, e que nunca tinha o visto gostar tanto de alguém assim, o amigo dizia que fui a garota com quem ele passou um tempo. O melhor amigo era o único que dizia que nunca o tinha visto tão feliz, quanto como quando Soul estava ao meu lado. Por ironia da vida, o melhor amigo que me detestava no passado, por conta da minha conduta like a Yuno Gasai de Mirai Nikki. Mas foi o primeiro a me estender a mão, quando surtei entre os outros, e hoje me sinto ainda mais culpada pelo acidente do círio fluvial, porquê a mãe dele se foi ali.
    Além do mais, Soul sempre falava comigo, e tinha guardado a minha música “Suicida” em vez dos vídeos eróticos, e enquanto ele falava palavras vazias sobre a outra, por mim realmente mudou. – Para ser sincera, até atualmente ainda sigo com dúvidas sobre o quê aconteceu, só que verdade seja dita ele suportou muita coisa, antes de aprontar para mim. Lógico que o ideal era não ter havido nada, mas isso só seria possível, se partíssemos do principio de  quê sou perfeita, o quê sabemos que não sou.
    As crises alternavam bastante, está com ele não me fazia bem, por isso decidi que o melhor era nos separarmos, e ele ir morar com a Rá, junto da sua mãe em Goiânia- GO. – A notícia chegou como uma explosão nos ouvidos do Drácula, que falou um monte de coisas para mim, mas as piores foram “Não importa o quê você quer da vida, mas estamos falando da Minha Neta!” “Você é mente fraca mesmo!” “Depressão é frescura!”  Não consegui me aguentar, ele mandou o Soul calar a boca, e eu ordenei que saísse da minha casa. – “Essa casa só é tua por quê eu te dei!” ele disse. “Não me importo, deu por quê quis agora vai criar a tua filha favorita e me deixa em paz!” Gritei estridente, e no mesmo dia, decidi que ia para Goiânia também, e não ficaria mais nem um minuto naquela cidadezinha, na qual poderia dar de cara com ele.
    Soul foi na frente, e assim percebeu logo o tipo de cobra, que era o namorado da minha mãe, pois o cara queria praticamente tomar a guarda de Rá, para ele e a minha mãe. – A nova guerra se iniciou, por quê ela me colocava depois do moleque, que se chamava Ren, e tinha o mesmo jeito do Arakiel, só que a diferença, é que não fingia ter dupla personalidade.
    Quando Soul estava em Goiânia, decidi deixá-lo, após ter chegado ao ponto de tomar minha caixa de comprimidos de cloridrato de sertralina. – Senti apenas a minha mão formigar, e quando cheguei ao hospital, completamente normal, os médicos brincaram a respeito da minha resistência. “A gente devia chamá-la para beber conosco. Tomou uma caixa inteira, e ainda nem desmaiou!” A consulta foi feita, nos deslocamos do interior para a cidade a toa, pois outra vez não conseguia morrer.
    A minha despedida foi muito boa, reencontrei uma velha amiga, e o meu amigo que quase morreu para um caminhão. – Eu realmente senti alegria por poder me despedir deles, pois eram pessoas maravilhosas, que não colocariam “medos” na minha cabeça.  
    Deveria ter chegado solteira a Goiânia, mas a verdade é que com todos os meus transtornos, não conseguia ficar longe do Soul. Não importava quem aparacesse agora, por isso quando cheguei em Goiás, prometi a mim mesma, que faria de novo o quê estivesse ao meu alcance, para sermos felizes.
    A presença de Ren, fortaleceu muito a minha união com o Soul, pois juntos tínhamos o propósito de proteger a nossa filha daquele moleque insolente, que não só não queria nada da vida, como também era um verdadeiro fifi, cheio de leva e traz, algo que me dava nos nervos, pois estava ajeitando a minha situação com a sogra, e ele criava atritos, sempre que eu brigava com o Soul, dizendo que a mulher o mandava me deixar, que eu não o amava, que era melhor ir atrás de outra. – O quê provavelmente foi dito, para ele encontrar a virgenzinha odiosa, que na visão da mãe de Soul, supostamente o salvou de cometer suicídio por minha causa. É? Mas ela fez ele arranjar emprego? Terminar os estudos? Virar um homem em vez de um cafajeste? Não fez.
    Goiânia era o lugar perfeito para recomeçar, mas a teoria de quê o problema não era o ambiente, e sim eu, se fortalecia bastante. – Queria mesmo esquecer, fazer fotos maravilhosas, e esfregar na cara da menina, o homão da porra que ela perdeu, mas bater fotos românticas, me dava calafrios, porquê tudo me lembrava, a foto dos dois que tinha estado no perfil, coisa que ele nunca fizera por mim, e que o Dr. Arthur meu psiquiatra, entendeu como uma paixão que foi muito mais forte do quê por mim, algo que me fez surtar ali mesmo, pois não queria ser mulherzinha de amorzinho, preferia ser a vadia destruidora de corações, do quê mais uma trouxa que cedeu ao amor. – Algo que me levou a procurar pela “puritana inquisidora” para lhe dizer umas verdades. Infelizmente não tinha forças para aguentar a briga, por isso ler a mensagem de que ela se dava bem com a minha sogra, e que esta “sempre seria a sua mocinha” Não foi algo fácil de tolerar.
    As crises voltaram com intensidade, e por isso comecei a usar meus poderes contra mim. – Nesta altura tinha me dado conta, de quê tudo o quê escrevia se tornava real, por isso passei a descrever a minha morte, em um dos meus projetos, e então no dia seguinte um homem armado, passou na rua de casa, e por pouco não morri. – Tudo se realiza menos a minha morte, como se jamais fosse descansar em paz. Dádiva? Ou Maldição? 
    Certa vez, após discutir com a virgiranha, fugi de casa, queria me matar, mas acabei no Capes, pedindo ajuda, porquê a vontade de me destruir, e destruir os outros não passava. – A puritana era como uma pessoa tóxica, mentirosa, e sem escrúpulos, que me fazia parecer um anjo de tão má que era.
    Lá contei as psicólogas, sobre ser filha de Lúcifer, e encarar isso como um problema, que precisava ser resolvido, pois como alguém como eu, poderia acreditar em tal coisa? Mas elas me aconselharam a não abandonar a minha crença, e que cada um seguia, a filosofia que lhe cabia melhor. – E vendo o quanto tentava ser racional , mesmo quando minha consciência estava prestes a se dissolver, disseram que deveria continuar a escrever o livro da minha história de vida, pois  quando lhes contava sobre os fatos, não sabiam se era alucinação, ou se algo sobrenatural havia mesmo acontecido, já que parecia-lhes inteligente demais, para aceitar algo, que não pudesse ser legítimo. – Impressionado? Brincadeira!
    Como se não bastassem os problemas mundanos, ainda haviam inimigos do passado, que voltavam como amigos. – Certo dia fiz uma projeção forçada, e me deparei com uma enorme cobra negra, de cabeça triangular, que se rastejava por cima do guarda-roupa, até chegar a borda do colchão, onde se ajeitava para saltar de boca aberta para cima de mim. Acordei trêmula, mesmo que a esta altura, já não conseguisse ser assustada por qualquer coisa.– Minha protetora era um polterguist lembra? – No mesmo dia, a mensageira Maria enviou mensagem, e bem devido ao fato de quê ela trabalhava com o Kimbandista, que me fez muito mal, apenas porquê fui fria com ele, havia cortado laços com a mesma. Todavia quando o comunicado de quê meu antigo mentor – O mesmo do qual a voz de trovão me afastou – andava matando todos os antigos membros da seita, e que Asmoday e Solomon haviam partido por sua intervenção, tive de ouvir, e aceitar uma trégua por sobrevivência. 
    O centro-oeste é considerado por alguns conspiradores, como o berço da sétima raça, e em Goiânia, há uma estátua representando 3 das 7. – E isto foi uma enorme surpresa para mim, pois me mudei para GO, por puro intuito, de ficar o mais longe que pudesse do Drácula. A quem jamais perdoarei. – Ao acaso acabei por ficar numa das cidades, onde há o maior número de avistamento de Óvnis.

    O relacionamento abusivo em quê minha mãe vivia, estava se tornando vergonhoso e insuportável, e a situação somente piorou, depois que invoquei demônios no seu quarto, para quê caçassem o Ren, porquê eu já tinha colocado até uma faca no pescoço do infeliz, e minha protetora, continuava a ser humilhada por ele. – O problema é que por causa dele, ela me fazia mal, dizendo que tudo o quê acontecia de ruim na sua vida, era obra do demônio, e vivia colocando hino de igreja para a minha filha. Algo que me irritava muito, pois detesto fanatismos, e sei que a música tem o poder de alterar a consciência, e literalmente lavar uma mente despreparada. – Todo dia ela esfregava Deus na minha cara, e apesar de não ter muito a reclamar dele, porquê me deu um sinal sobre o Apocalipse em 2013, estava voltando a odiá-lo.
    Meus demônios se vingaram de ambos, e por causa disso, a minha mãe surtou de vez, ao ponto de ouvir vozes, fazer papelões, alegando que tinha levado chifre, e eu não a aguentava mais, porquê era óbvio que estava alucinando, e pior ainda que o meu título de Louca da família, agora era totalmente seu. – Eu já tinha surtado, me tornado violenta, mas neste ponto em quê literalmente saia realidade, e não tinha controle jamais.

    Sempre ouvia gritos e mais gritos, e aquilo me envergonhava. Por isso quando ela quis mudar de casa, aceitei de imediato, porquê queria mesmo aqueles shows acabassem. – Era ridículo demais, vê-la chorando aos 4 ventos, por um cara que tinha dito, que preferia que a mãe tivesse lhe abortado. Ela tinha apanhado. Tinha sido humilhada, e ficava “lambendo as botas do cara” A onde estava seu amor próprio?! O quê tinha ocorrido com a mulher que me criou? A gerente, a promotora de vendas, a diretora do DAF, a que trabalhava na SEMA? Agora tinha sido reduzida a uma mulher qualquer, incapaz de se livrar de um relacionamento bosta, e por isso foi perdendo o meu respeito. – Eu a amava, mas apesar do episódio com Arakiel, jamais tinha baixado a minha cabeça, permitindo que um homem me pisasse daquela forma.

    Capitulo 6- 2018
    Em 2018 fiz 23 anos, e como presente, ganhei mais uma seita que afundou, por conta do descaso dos participantes. – Seu nome era Ludac e significava Luz do Amanhacer Cósmico. A ideia a príncipio era minha e de Maria, com quem fui desenvolvendo alguns laços, tentando me opor a minha natureza vingativa e cruel.
    O propósito era reunir todos os filhos cósmicos, que se encontravam perdidos, e precisavam encontrar a iluminação, antes que fizessem parte do exército do anticristo brasileiro. – O meu antigo mentor, que criou um enorme grupo de fanáticos e covardes, que temem os demônios, e abraçaram o satanismo, somente para fugir de suas vidas miseráveis. – Acho que exagerei.
    É claro que falhou, pois o homem tem o aporte de verdadeiros demônios, que precisam do fanatismo para sobreviver. – Por quê são ainda mais inferiores do quê a gente, e precisam da adoração cega, para sentirem-se deuses.
    O grupo era composto por mim, Maria, Lua Negra, Felipe, e a Pleiadiana. Maria usava Felipe, para me atingir, pois pouco antes do seu aparecimento, havia lhe dito que logo me encontraria, com um velho amigo dos meus pesadelos, que era um arcanjo. – Não, não era Gabriel, mas sim o outro de quem já falei.
    Ela sabia que a presença do arcanjo me afetava, por conta de um sombrio passado da outra vida, em que tinha sido torturada pelo mesmo. Por isso sugeria que era um arcanjo, só não o quê iria surgir. – Por ter ciência de quê odeio não ter razão. Mas pelo contexto das conversas, lhe entregava pistas do meu passado. Já que o sujeito supostamente escrevia poemas, sobre uma pequena Lilith, sendo esta a minha fama no inferno, e que a mensageira sabia. – Eles jogavam com a minha sanidade, e me faziam sofrer.
    Porém com a ajuda de Lua Negra – um rapaz que notei ser nobre de imediato, por ser o único com o qual podia debater, sem descer o nível a humilhações. – Acabei por conhecer uma moça, que chamarei de vampira, apenas por ser o seu nick no WhatsApp.
    De imediato reconheci a minha irmã doutro tempo, que lá se fazia de boa, mas era extremamente ruim, como sou nesta vida, só que sem escrúpulos mesmo. – No meu lugar entre matar ou não minha prima, ela teria ido adiante, mesmo que isso lhe fizesse parar no Inferno como criminosa.
    Quis manter distância dela, pois Maria dizia que a mesma me machucaria. – Não acreditei, por conta das suas armações, mas ainda sim, devo admitir que não estava errada. Ficar perto da garota, me deixava doente, ao ponto que a crueldade, que lutei para manter sempre presa, começava a sair, e eu sentia prazer nisso.
    vampira no ínicio parecia mesmo ser uma boa pessoa, e para ser sincera, seria bom se assim continuasse. Porém depois que ela se tornou namorada de Felipe, que apesar de mal falar comigo, vivia perguntando a meu respeito, ela se tornou uma outra mulher. – Todo tempo ela mencionava o quanto o namorado era “lindo”, e esta parecia ser a sua única qualidade, pois de resto nada tinha. 
    Como eu já havia namorado alguns garotos fora da esfera virtual, beleza não me parecia muita coisa. –Sou casada com um cara semelhante ao Pen Badgley, então não tenho do quê reclamar. – Só que ainda sou uma ex patinho feio, e ver tanta superficialidade, me dava nos nervos. –Posso não está com o tal “deus grego” mas o quê importa para mim, é que meu marido me ama, me aceita, e me ajuda a ser uma pessoa melhor.
    Agora jogavam com nós duas. Onde já se viu um cara ignorar uma mensagem de morreria por você, para atender o choro de outra? Foi exatamente o quê aconteceu, quando tive o presságio terrível, de quê o menino Felipe, iria se tornar a casca de Belzebu, se tatuasse o sol negro em seu corpo. – Afinal tinha umas contas para acertar com o deus, desde 2013, e não queria que fosse ali.
    Ao tocarmos no nome da criatura, comecei a receber manifestações fortes da sua presença. Em casa as brigas entre a minha mãe e o Ren só pioravam,  apesar deste está longe. Chegou num ponto que tivemos de mudar de casa, porquê a minha progenitora jurava que tinham câmeras, e caixas de som por todo canto. – Ela tinha surtado, e eu não conseguia fazê-la voltar a realidade.
    Na casa verde, as coisas deveriam melhorar, mas só pioravam. Minha mãe não conseguia nem mesmo ficar sozinha no quarto, que ficava de frente para o meu. – A presença de Belzebu tinha crescido na minha vida, e o ouvia como uma terceira voz, ou extra consciência.
    Não era como o caso da minha mãe, que ouvia vozes xingando-a através de aparelhos mecânicos. tinha a impressão de quê estivesse dentro de mim, como uma terceira personalidade se manifestando.
    Bael dizia coisas como ser a sua 4° esposa, que o mito de Samael como o próprio escuro, era uma farsa. Ele era o diabo, e as 4 esposas eram dele. – É claro que eu duvidava. Mas a filha plediana, que me odiava por ser alvo de interesse de Michael, o amava, e vampira achava que estava incluída na jogada, por conta do seu par.
    Certa vez num domingo ouvi Bael dizer “Felipe não mantém contato contigo porquê não quer ser mal interpretado.” E então mais tarde, vampira me enviou um print do seu par, no qual o mesmo dizia “Eu não posso manter contato com ela, ela é casada, e isso não é certo”. – Meus olhos se engrandeceram com isso, pois eu não tinha acesso a tal informação, e ainda sim, havia acertado em cheio.
    Bael era real? Ou somente uma forte alucinação, de uma bruxa que era filha de Lúcifer? Isto era o quê me preocupava dia após dia, mas quando ele disse que em breve apareceria, e nunca chegou, tive certeza que estava enlouquecendo. – Se fosse verdade teríamos nos visto não é? Porém nunca aconteceu.
    Já teve a impressão de quê o Inferno, está dentro da sua própria cabeça? Era assim que me sentia ao embarcar na fé da vampira, de quê os nossos piores medos iriam se manifestar. – Os medos dela eu não sei, mas os meus se concretizaram.
    Naquele ano foi lançado o filme Luciferina. Que me parecia bastante familiar. O filme contava sobre a história de uma freira, que após perder a mãe, embarcava numa aventura, para saber porquê a mesma havia se matado. Spoiler: Natalia (a freira) tinha um poder sobrenatural, que a deixava cega por segundos, e assim a mesma enxergava a luz ou escuridão nas pessoas. – Após as inúmeras tentativas de suicídio, as consequências vieram. Comecei a perder a visão, e por isso em 2016 resolvi me consultar. Só que no dia em questão, logo após sair do consultório ás 7 da manhã, a rua estava deserta, e um homem meio bêbado me abordou. Eu estava com muito medo, por conta das notícias que havia lido sobre estupros. – Como pareço uma garotinha adolescente, sempre sou um alvo perfeito para eles. – Ele estava começando a se aproximar, quando olhou através de mim, e ficou frustrado. Olhei para a mesma direção, e tinha um homem parado ao lado do lixo. Ele era musculoso, com dreads amarrados num rabo de cavalo, vestido de camisa verde e calça preta, como se fosse um guerreiro africano. O moreno ficou parado ali, como se esperasse o bêbado se retirar, e como resultado o mesmo seguiu o seu rumo. Quando me virei outra vez, o sujeito havia sumido, como se tivesse aparecido somente para me ajudar. Por isso decidi caminhar para onde houvesse movimento, e quando encontrei uma mulher da vida, me agarrei a ela, pois apesar de sua profissão sentia nela tanta segurança, quanto quando o moço de verde apareceu. – Essa capacidade de ver quem é bom ou ruim, condiz muito comigo. 
    A freira supostamente era virgem, mas tinham cenas quentes, em quê ela se masturbava, exatamente como eu fazia, antes de me entregar a um homem. Além do mais, apesar de não ser intocada, nunca ultrapassei o limite de 4 homens, e até hoje não sou casada por cerimônia. ‐Sempre algo dá errado, quando estou prestes a virar a mulher do Soul, então não sou pertecente a um homem.
    O namorado da sua irmã, é um idiota, e isto fica claro depois que eles fazem o ritual na ilha de Índios, onde a mesma tem diversas visões infernais. – Macapá- Ap é uma ilha de índios também, embora possua uma civilização, e você sabe das visões que tive lá.
    O par dela é o Abel, um rapaz magro de cabelos enrolados, que é conhecido entre os amigos por ser o esquisito como ela, já que tem apagões. Ambos são virgens, e é o destino deles se unir. – Soul em muitos aspectos se compara ao mesmo, principalmente pela falta de memória, já que tem inclusive tendência a Alzheimer. Os virgens na magia, são aqueles que não são casados, e que nunca praticaram a magia sexual. – Ele foi o único com quem pratiquei este ato em específico.
    Abel tinha problemas para lembrar, porquê era a verdadeira casca do diabo, que queria gerar uma criança mágicka com a freira, usando a sua alma gêmea para seduzi-la. – Medo. É só o quê tenho a dizer.
    É descoberto que a mãe de Natalia, foi escolhida por uma seita satânica, para dar a luz a filha de Lúcifer, mas a mulher mesmo sabendo do destino sombrio, pede ajuda as freiras para proteger a criança. – Alegoria ao aborto que minha mãe se recusou a fazer, e o pedido que fez a santa?
    No fim a única forma de exorcizar o demônio, era literalmente copulando com o mesmo, e o quê deveria ser um abuso, acaba por se tornar erótico, e desta forma Natália salva alma de Abel, mas ele morre, e o filme termina com ela grávida de outra criança mágicka, indo a igreja para protegê-la. – Nem preciso dizer nada.
    A príncipio quis passar a bola para vampira, afinal ela é a virgem de hímen, mas o próprio contexto do filme retrata, que é a virgem sob a ótica do ocultismo, e não a cristã. Sendo assim embora decretem a virgindade santificada, é santificada de acordo com o olhar de Crowley, não de Constantino. – Luciferina é o nome satânico da freira, e ela diz que o significado é “A portadora da luz”.  Sendo o meu Luciféria, “A luz que parte”. – Fim dos Spoilers.
    vampira se identificou de imediato, porém ela olhou apenas para o meio das suas pernas, e só isto não era o suficiente para preencher os requisitos. – Um filme assim, tão estranhamente ligado as minhas particularidades, me deixou preocupada, principalmente porquê foi lançado no dia 15 de março. – Seria um sinal de quê a extra consciência falava sério? Nem eu sabia.
    O ano seguiu-se de maneira comum, mas o entusiasmo de vmpira pela suposta aparição do seu grande amor, me fazia ficar em alerta para o Senhor das Moscas. – Houve uma vez que me senti vigiada, pois enquanto fazia amor com o meu marido, ouvi o barulho de um carro, que só saiu da porta, depois que paramos.
    Se tinha segurado as pontas até ali, certamente agora perderia o fio da meada. – Lembranças de sonhos com o anticristo se tornavam frequentes, sempre que tentava ver alguma fraqueza do demônio. – Aos 14 anos tive o sonho com o menino da profecia. Aos 21 havia sonhado que nos encontraríamos diante de um anjo, ele agora estava mais velho, mas mesmo assim se tornava o meu par. – E é lógico que tinha ignorado tais coisas, pois onde já se viu? Eu sou a mulher do Soul, mesmo sem cerimônia. É a ele que meu coração pertence.
    Tentei seguir ignorando sequer a possibilidade, mas a situação somente se tornou mais evidente. – Não importava o quê fizesse, a sua chegada era cada vez mais fácil de provar.
    Num dia qualquer uma barata avançou na minha direção, mas quando ergui a palma em defesa, ela abaixou as asas. – Isso seria totalmente natural, se não fosse pela presença das moscas, que seguiam a minha mãe, não importava o quanto mantivesse a sua assepsia intacta.
    Fingi que não era nada, usei veneno para afastar os insetos, nada melhor do quê boa e velha ciência não é? – Não quando se trata do paranormal. – Certa vez o ralo entupiu, e a água começou a transbordar acima do piso alto. Para resolver o problema, Soul abriu o buraco, com a ajuda de um ferro, e várias baratas ficaram a flutuar entre as ondas.
    Ignorei mais uma vez, embora estivesse em alerta agora, e algo ainda maior aconteceu. A mente da minha mãe se degradou de vez. A sua insanidade era tanta, que todos os dias alegava ver Óvnis, mas depois de ler um estudo, que relacionava a aparição dos mesmos, como resultado de um intenso abuso emocional, eu acabei deixando de acreditar nela. – Todavia houve um fato que mudou a minha perspectiva. 
    Eram 7 horas da manhã, minha mãe estava se entretendo com a Rá, quando de repente me chamou. Sai do quarto com preguiça para as suas teorias malucas, e achei que ela tinha gritado, apenas porquê estava passando uma matéria sobre aliens na TV. Mas quando cheguei a tela estava congelada, e era como se alguma vida inteligente, interagisse através dos sons do aparelho. – Eu gravei a última parte, só que não foi o suficiente, por isso torci para que retornassem em breve.
    Levou algum tempo para o fato se repetir, mas quando ocorreu gravei. – Eram 3 horas da manhã, quando Rá se encaminhou até a tela da TV, de onde saiam vozes distorcidas como a intro da Iron Man do Black Sabbath. – Depois de tudo o quê passei, não era qualquer coisa que me assustava, por isso assim que notei tal presença, fui logo filmar.
    No final daquele ano, vários pássaros pousaram na árvore ao lado da minha casa, e começaram a grasnar sem parar. – Realmente não há nada certo? É tudo normal, ou ao menos é para mim, devido a cada desafio que já enfrentei.
    As perturbações não pararam, nem mesmo quando minha mãe se mudou. A luz da cozinha onde mais conversava com a extra consciência – por quê a água funcionava como um portal entre os mundos – entrou em curto, e os demônios começaram a fazer uma rave em casa. – Sendo que me recusei a ir para uma, por causa de um mal pressentimento, que tive assim que os novos vizinhos chegaram, e não fui a única, Soul falou para evitar contar as minhas experiências em voz alta, pois também estava se convencendo, de quê eu era o alvo de Belzebu. Meus maus pressentimentos, não eram por acaso, pois alguns dias depois, acordei de madrugada, e quando foi de manhã, soube que o comércio que ficava a frente da nossa casa, foi roubado após ser arrombado. “Eu sacrifiquei uma família para salvar a sua.” A voz disse. Então fiquei sem reação, era como se tivesse sendo protegida pelo mal, e embora me garantisse a sobrevivência, não me sentia bem com isso.
    Somente eu e vampira sabíamos que Bael agora era o meu protetor, mas ainda sim Maria apareceu amedrontada, porquê do nada sofreu a paralisia do sono, e viu o próprio diante dela, totalmente dominado pelo ódio. – Seria pelo quanto ela me artomentou antes?
    Tinha a impressão de quê não era qualquer uma para Bael. Portanto não iria me deixar em paz tão facilmente, e tive de me precaver. – Se o garoto Felipe, iria ser a sua nova casca, não podia falar com o mesmo, por isso o bloquiei, e pensei que seria o suficiente. Mas um vigarista que queria saber sobre o quê eu escrevia apareceu. – Ele era estranho, dizia ter sido amigo de um maçom, e quê conhecia sobre Goétia e os Druídas, em seguida me enviou um pdf de Cipriano, mesmo que eu tenha deixado claro, que Cipriano para mim é um covarde, fanático, e farsante. O homem se aproximou de minha mãe, e no fim depois levar o seu dinheiro, soubemos que o mesmo estava sob ameaça de morte, e era totalmente insano, ao ponto de repetir as palavras do meu avô “Eu vou para o Inferno para comandar.” Algo que me fiz rir, pois Lúcifer é o meu pai, e nunca deixou uma pessoa que tenha me feito mal, passar impune. – E quando não é ele, é o Belzebu, então me pareceu cômico.
    A entrada do ano de 2019 foi diferente, em 21 de janeiro houve uma lua de sangue, que caiu no eixo Aquário (sol) e Leão (lua) como no meu mapa, e perto do meu aniversário de 24 anos. – Sendo que vez ou outra algo grandioso (e catastrófico) ocorre neste dia. – Minha filha teve de ser levada ao hospital, porquê a dias não evacuava, mesmo com as frutas que lhe dávamos para facilitar.
    Sai as pressas, e deixei uma mensagem para a vampira, não me lembro qual, mas me recordo da resposta que tive. – A menina estava convencida, de que era a escolhida do Anticristo, que teriam um filho, e entraria para a história. – Não preciso falar da minha reação não é? Alegria por ela ser alvo dele, mas raiva por quê quem sempre quis entrar para a história era eu, e pelo amor dos deuses do abismo, se chegou até aqui, é porquê acredita no meu destino também. É inegável que tenho um significado único dentro desta sociedade.
    15 de fevereiro estava se aproximando outra vez, e como vampira parecia disposta a roubar o meu lugar, tive o prazer de reunir 10 fatos associados a data, e por quê isto me tornava a perfeita filha de Babalom.
    Em 10° lugar – A atriz que fazia a Huntress, a minha primeira personagem favorita da série Arrow, dividia o aniversário comigo.
    Em 9° lugar – O Eniac o pai dos computadores modernos, foi revelado neste dia, e trouxe uma Nova era computacional.
    Em 8° lugar – A intérprete de Gabrielle em Xena, que deu a luz a Hope, com um ser das trevas, também era minha xará de data de nascimento.
    Em 7° lugar – Outra referência a DC comics, O César Romero, o primeiro Coringa da TV fazia aniversário neste dia.
    Em 6° lugar – O primeiro esboço do genoma humano, foi publicado pela revista Nature.
    Em 5° lugar – A primeira nebulosa a ser vista, e batizada de “olho de gato” foi descoberta neste dia em 1786, e ficava localizada na Constelação de Draco. – Fato interessante em 2013, encontrei uma das minhas irmãs, e como os demônios a amavam ao ponto de me ignorar,  larguei o satanismo, para me dedicar a magia draconiana, por ter uma enorme afinidade com dragões, desde os 9 anos. – Quando sonhava que sobrevoava uma cidade em ruínas, montada num dragão ocidental, branco azulado, que se chamava Graham. – Por quê acreditava que somente eles me aceitariam.
    Em 4° lugar – Galileu Galilei nasceu neste dia, e ele foi responsável por inúmeras descobertas, além de ter sido tratado como herege, por defender a teoria heliocêntrica.
    Em 3° lugar – Matt Groening o criador dos Simpsons e Futurama, é do dia 15. – O gênio incompreendido, hoje é visto como um dos grandes profetas da atualidade, pois a sua série mais conhecida, previu diversos acontecimentos.
    Em 2° lugar – O meteorito que caiu na Rússia, logo após a renúncia do papa. – Aos meus 18 anos.
    Em 1° lugar– A Lupercália, evento dedicado ao deus Lupercus, que é tido como uma faces do Deus Lúcifer na Itália, e a fundação de Roma por Rômulo e Remo. O evento funciona como o Dia dos Namorados pagão, mas deixou de ser divulgado há muito tempo, por quê a igreja tentando sufocar a tradição, criou o dia de São Valetim, que é comemorado no dia 14, para quê o 15 passe em branco. – É nestas horas que o desprezo pela igreja cresce.
    Algumas coisas são bobas, outras tem enorme significado para mim, e ao analisar tais fatos, tenho a forte impressão de quê a data foi propositalmente escolhida. – Afinal de contas 15 é o arcano do Diabo original.
    Tudo isso deveria me animar, mas quanto mais o dia se aproximava, menos feliz eu ficava. Mais um ano estava ficando mais velha, e Lúcifer não tinha aparecido, quase ninguém sabia quem era, então como este tão falado destino poderia me pertencer? A tristeza invadia o peito, talvez a resposta fosse esta, todo o meu sofrimento, e vida paranormal por nada mais, que ter entrado no caminho mais denso, ou ainda não estava pronta, para ser reconhecida. Será que agora é a hora? Em breve saberemos.
    Duas séries seriam lançadas em 15/02, e elas eram do meu gênero favorito super heróis, e apesar de parecer um presente, não sentia ânimo para assistir. Só que um comunicado, mudou a minha perspectiva, Lua Negra disse “Assista-as. Se é exatamente do jeito que gosta, pode ser que tenha uma mensagem para ti lá.” Então me preparei para fazê-lo, mas no dia mesmo, fui tirada de casa, para ir no Escape Room, onde tive de resolver um crime satânico junto de Soul, mas nós falhamos e rimos sem parar na hora de “morrer”. – Foi um dos melhores dias da minha vida. Eu sei sou estranha, mas você já deveria saber.
    A série lançada pela Netflix se chamava The Umbrella Academy, e pertencia a editora Dark Horse, a premissa era simples: Mulheres deram a luz a 7 bebês, mas antes do dia começar elas não estavam grávidas. As crianças cresceram, mas apenas 6 delas desenvolveram dons, e se tornaram super-heróis. O foco da trama? Era o Apocalipse, e eles precisavam impedir.
    Spoiler: A série tratava a número 7, como uma inútil violinista, que tinha de viver tomando remédios, para não comprometer a sua saúde mental. Seus 6 irmãos eram deuses, por onde iam tinham reconhecimento, e ela sempre era jogada no canto, sendo lembrada apenas por escrever um livro, sobre como era a vida deles, por trás das câmeras. – 7 é o número que estava na minha testa, no meu joelho, eu era a 7, a mensagem era esta, eu era a única criança, que jamais atingiria aos palcos, como Asmodeus, Mammon, Belzebu, Caim, Azazel, e alguma irmã qualquer. Pois todas nascem com um forte apelo sexual, e poucas herdam o cérebro como eu – Continuo sendo ácida.
    Assisti até o fim somente por causa do número 5, o homem preso no corpo de um menino, e Klaus o rapaz que tinha poder de falar com os mortos, mas temia as suas habilidades de tal forma, que preferia se drogar para não ver os fantasmas. – A destruição mundial era obra de um grupo seleto, que queria proteger um rapaz, que apesar de nascer no dia dos heróis, não tinha poder algum, mas era um sociopata de mão cheia, bastante interessado na número 7. – Claro para ser a vítima dele pensei.
    Mas no fim, foi mostrado que 7 era a mais poderosa dos irmãos, e o pai não a deixou desenvolver seus dons, porquê temia que a mesma matasse os outros. O tratamento desumano que ela recebeu do homem, a deixou transtornada, ao ponto de desenvolver uma extra consciência maléfica, dominada pelo ódio, que lhe disse as mesmas coisas, que costumava dizer em momentos de raiva, sobre jamais ir para o palco. – É isso. Nesta peça de teatro, eu sou aquela que nunca sai de trás das cortinas. – Coincidência? Quem sabe.
    Fim dos spoilers. 
    A outra série se chama Doom Patrol, e é da DC comics. A premissa é bem diferente, não se trata de heróis, mas fracassados, que foram escondidos do mundo, porquê o Cliff não achava que os aceitariam. Sua estética é abstrata e dadaísta, o quê a torna revolucionária em relação as outras obras da DC. 
    Mas não assisti de imediato, apenas esses dias, depois de fatos estranhos que aconteceram comigo. – Novidade não é? – Sei que ao ler a minha história, irá comparar com uma série conhecida, por isso embora o livro “Sobre mim” seja uma vergonha nacional, deixarei disponível, apenas para quê tenha certeza de quê é um relato legítimo. – Aquele final me deixou assustada, pois parecia condizer com o meu destino, porém não com o Senhor das trevas, e sim Das Moscas. Por isso num sábado tive de fazer um ritual para Tiamat, para saber o significado disto. – Me senti nua diante do mundo, como se algo estivesse contando 70% da minha história, através da famosa personagem. Não foi uma sensação agradável, só me vi assim quando fizeram Luciferina.  – Tiamat me enviou um presságio onírico, no qual eu tinha um marido monstruoso, que tentava me afastar do Soul. – Pelos deuses! De novo essa história? – Mais tarde ainda no mesmo sonho, aparecia um crítico de arte, vestido de terno, para o qual queria vender um cd chamado 1574, que havia sido feito em 1574. Eu tinha vários cds originais em mãos, e somente um falso. Mas o quê me chamava a atenção era o 1574, ao qual o crítico não me permitia vender, pois na visão deste era algo valioso, que me faria falta no futuro. Acordei e enviei o sonho para uma amiga bruxa, e quando foi de tarde Notredame apareceu queimada nas notícias, era o dia 15, do mês 4, e talvez o 7 no sonho, tivesse alguma ligação comigo. (Afinal o 7 estava sempre presente.) No dia 17 tive um outro presságio, nele estava numa festa de luxo, onde recebia uma proposta indecente, que recusava, e uma mulher invejosa, me chamava de gorda. Até aí tudo bem, mas quando sai do local, o alarme soou alto, então avisaram que os animais tinham fugido do zoológico. As portas de aço se fecharam, senti como se estivesse na série Zoo. Eu me bati contra as mesmas, e então alguém soltou cachorros raivosos na minha direção, mas um vigilante me salvou, e acordei dentro da sua cabine, enquanto ele dizia em desespero “Escreva! Escreva! E eles vão parar!” então me deu uma caneta, e uma caixa para apoiar o papel, onde iniciei a escrita com “A”. – Conclui após muito analisar, que os animais no zoológico, eram demônios saindo do inferno, mas não sei quem era o meu salvador. Ao apresentar o sonho para um novo amigo, – Que estuda magia desde os 10 anos, e para o qual somente revelei a meu respeito, porquê as cartas disseram “Comunica-te com aquele que fala com a divindade.” – Ele chegou ao mesmo resultado, muito antes de lhe mostrar a minha conclusão.
    Certo dia estava online, comentando que não tenho medo dos demônios, afinal já tive o desprazer de conhecer os piores, e estou claramente sendo cogitada para algo. Foi então que uma mulher veio e disse: “Você é como eu, é uma escolhida.” Achei aquilo incomum, por isso resolvi conversar com a mesma. Foi uma total perda de tempo, embora seja médium, é ainda mais louca do quê transpareci nestas páginas. Falou-me coisas como “Sou a filha de Lúcifer e Lilith, meu irmão é Mammon,  sou Asherah a deusa perdida, e Bael é o meu marido.” Tentei lhe explicar a impossibilidade de assim ser, mas ao mesmo tempo me questionei também, estaria eu inerte na loucura como ela? Preciso voltar a terapia! Ela me chamava de a irmã mais nova, filha de Maria Padilha, não um demônio como a própria. Mas esta me parecia a sua realidade, não a minha. Em algum ponto da vida, ela teria acabado por libertar muitos demônios, e os mesmos agora dominavam o seu corpo. Era como se andasse com uma legião, pois a sua fala era desconexa, fanática, e imprecisa. – Isso é um roteiro de filme de terror Nammu? É como se eu fosse o rapaz de Dagon tentando viver a vida de 0 e 1, e o deus antigo me atraísse para a sua cidade. A mulher diz que é rica, mas pelo grau da sua insanidade, fica difícil saber se é de fato ou é mais uma alucinação. 
    Como se não fosse o suficiente, uma bruxa me alertou para tomar cuidado, com qualquer feiticeira que oferecesse dinheiro em troca de dinheiro. Então quando fiz uma evocação a Marbas, o demônio leonino, que tem me dado uma força quando piso no Inferno, e é responsável pela revelação de segredos ocultos. Descobri que meu nickname “Carry” era semelhante a “Carreau”, a potestade que “endurece o coração dos homens”, e fui atrás de uma bruxa que parecia humilde. 
    Ao contrário da outra “princesa”, ou – como chamarei a partir daqui – Legião. Esta não era perturbada, e quando lhe mandei a mensagem, explicando que era filha de Lúcifer e Lilith, mas não me opunha a religiões, e sim aos líderes ambiciosos. Ela me falou logo “Você está assustada por causa de visitantes em sua casa.” e eu enviei sobre “Carreau” ela falou para chamar-lhe no Whatsapp, pois era a escolhida para isso.
    Conversamos, e ela disse que Luciféria não é real, é tudo manipulação de Carreau, que toda a minha vida foi uma mentira, mas sou uma bruxa poderosa por conseguir libertá-lo. No início propôs viajar a minha cidade, mas não tinha dinheiro para tal, por isso ofertou entregar a conta, para lhe enviar o dinheiro da passagem. Depois conversamos mais, e ela falou coisas esquisitas, como a forma de um anjo de asas rosas, é a minha verdadeira, e que para me livrar de Carreau, teria de invocar a Mikael, e agiu dizendo “é eu sei que sabe bem quem é”. Então ela abriu um portal, e supostamente tirou Carreau, mas seu celular caiu mais tarde, e ela precisava de 30 reais na conta, para fazer um banimento completo, não era grande coisa, mas eu realmente só tinha 10 reais. Ela parou de responder, ficou bem, e minha filha voltou a surtar, tinha lhe pedido para libertar o ser, pois convivi 9 anos com ele, saberia lidar. Então quando disse que ele voltou, ela me bloquiou sem mais nem menos. – O quê mais tem acontecido é fazerem isso. Falar, criar amizade, e sumirem.
    Por sorte havia seguido os meus instintos, e preparado um ritual, para me livrar de Carreau. – Eram 3 horas da manhã, não havia sinal da lua minguante no céu, e eu estava com um portal aberto, sob o uso do mesmo símbolo que o trouxe, enquanto ouvia a música Sitra Ahra da banda Therion, porquê queria mesmo me conectar com o outro lado. Comecei a meditar chamando Lilith, então quando a senti ali, chamei o demônio para fora de mim, e o peguei pelo pescoço, enquanto usava a minha linguagem Lovlicos. – Com a qual fiz um símbolo a esquerda, e no dia seguinte apareceu a direita. – Meditei para transferi-lo para o portal de Apsu, e chegou num momento, que nem sequer consegui ouvir a melodia, era somente eu e ele. Senti uma verdadeira onda de energia brigar em mim, tentava levantar a cabeça, mas ele não deixava, e quando consegui, e senti meu corpo mais leve, fechei o portal. Achei que 7 minutos tinham se passado, mas na verdade foram 47. Por 40 minutos estive do Outro lado, e não sabia se tinha o vencido, até que olhei para o céu, e a lua tinha deixado de ser encoberta pelas nuvens. – A noite voltou a brilhar – Titans Go.
    Esses tempos enfim assisti Doom Patrol. No início pensei que a mensagem para mim, se relacionava a Crazy Jane, pois a mesma tem 64 personalidades, e o meu último relatório psiquiatrico, resultou em transtorno de personalidade com instabilidade emocional, podendo ser boderline ou impulsiva. Spoiler: Jane não é a personalidade matriz, assim como a minha atual persona, mais justa e sensível, também não é a minha original.
    Mas de acordo com que a série segue, há uma mensagem sobre o Anticristo, que é um garoto depressivo, por ter que destruir o mundo, e é socorrido pela Rita Farr, uma mulher cuja a habilidade, lhe transforma num monstro, apesar de não envelhecer. – Esta mensagem não ficou clara, mas o fato do menino ser chamado de “o livro nunca lido” me deu um frio no estômago. Fim dos Spoilers.
    Recentemente tentei entrar numa audição de talentos do Projeto Passarela, e consegui passar, mesmo sem o treinamento exemplar de teatro. – O número final da minha inscrição chamou-me a atenção, pois terminava em 777, um número significafivo para Crowley.
    Lá também soube que tinha de falar inglês se quisesse o sucesso mundial, algo que me deixou intrigada, pois desde o ínicio do ano tenho estudado a lingua, porquê a extra consciência me prometeu, que o meu tão sonhado sucesso víria, após aprender exatamente essa expressão. – Eu sei que é a lingua universal, mas quando ouvi a voz, ainda nem sabia da iniciativa. Além do mais fui até lá, apenas para realizar sonhos mundanos, de enfim ter algo que será visto por todos, e entrará para a história seja como heroína ou vilã.
    Há algum tempo passei a desenvolver um livro de magia para iniciantes, e estou muito feliz com a obra. Vai servir para os filhos dos cosmos, que realmente tiveram experiências paranormais, e quê precisam de um manual, para não libertarem seres perigosos neste mundo. – Entendeu a referência?
    Lá estou me focando apenas no aprendizado dos demais, e de forma bem superficial, retratei um pouco das minhas experiências como filha de Lúcifer e Lilith.  – Apenas porquê o contexto era adequado.
    Mas estes dias vi uma sequência de números inesquecível. Fui deixar Soul no laboratório, e quando olhei para o ônibus a minha frente, tinha o número “20290”. 02 – Fevereiro 90 – Década que nasci. Tudo bem é uma linda coincidência, por isso segui meu rumo. Um ônibus passou ao meu lado, com o número “011” na placa, e devido a um rapaz que chamarei de Art, soube recentemente que 11/11, é o portal dos “Humanos angelicais”.  – Obrigado força oculta, por me lembrar das minhas asas de penas. Tudo bem, mas em seguida vi uma placa com o fim 33. – 33, o grau mais elevado da maçonaria, o numero sagrado. – Legal ué. A próxima placa era 5888, e este é um mistério, contudo no livro descrevo que é preciso haver a repetição de presságios, para se iniciar uma investigação sobre os sinais. Então próximo de casa, apareceu um carro de placa 93, próximo a um lava rápido de carros, com o número 1515 pintado na parede. – 93,93,93, 15, o meu número. – Coincidência? Espero que sim.
    Esses dias estava terminando o relato de 2017, e tentei não mencionar a ex de Soul, mas só de lembrar das coisas que ela dizia, era impossível não sentir a minha real natureza sair, por isso tentei me controlar. Mas toda a raiva que contive, foi para o ambiente. Enquanto a minha mãe cozinhava, o fogo se alastrou na boca do fogão, e por pouco não iniciou um incêndio. Então quando cheguei para almoçar, ela falou para mim, que tenho de mandar o meu Pai lá parar de perturbá-la, pois o espírito imundo que lhe castiga, é o meu protetor. – Quase deixei o prato cair de minhas mãos, e fiquei catatônica. Não é de Lúcifer que ela estava falando, mas sim de Bael.
    O quê isto significa? Nem eu sei, e para ser sincera, prefiro continuar sem entender, pois as possibilidades, são todas negativas. – Eu entrei em alguma realidade alternativa de Terror? Aqui ainda é Sete Além? Não sei. 

    Mas sei de uma coisa, se a mente humana é poderosa, imagine a mente de um anjo? Por isso vou continuar seguindo a minha vida, como se nada estivesse acontecendo. – Tudo o quê vi é real ou Eli estava certa? O quê é a realidade? Apenas o quê pode ser tocado? Ou o quê é sentido através de outras percepções? O concreto é verdadeiro? Ou é apenas um aglomerado de energia densa, que limita o olhar sobre o mundo? Você me verá nos palcos, e ficará surpreso por conta da minha história? Ou morrerei como oculta? Em breve saberemos, e teremos todas as respostas. Se a minha realidade caótica, é apenas um filme, a única coisa que posso afirmar, é que está perto do próximo ato, e nas últimas cenas, terei certeza do quê tudo isto se trata. Se viver para contar história, terei o prazer de lhes escrever um segundo livro, se não, obrigado por terem lido até aqui, e por me guardarem em seus inconscientes, mantendo a minha lembrança viva. Até a próxima, Lux Burnns.
  • tudo vai da certo

    tudo vai da certo e se não der, a gente faz da !
  • Um Final Feliz...

    Essa é a história de uma menina que nunca se encaixou em nenhum lugar do mundo…
    Desde pequena ela se sentia diferente das outras meninas de sua idade. Enquanto as outras gostavam de se arrumar, de serem aceitas nos grupinhos mais populares da escola, essa garota usava moletom de cactos, as “amigas” diziam que era pijama, mas ela considerava um elogio ser diferentes das pessoas ao seu redor (ela sempre gostou disso).

    Ela também gostava de caminhar mata a dentro com sua irmã e algumas colegas, brincar de escolinha, (odiava bonecas, queria aventura) sonhava em ser bruxa, dormia na sala escondida da mãe pra assistir os filmes do Harry Potter, amava os animais, até roubou um gato uma vez. A vida inteira morou pertinho do mar, numa casa velha, na rua da cachoeira, gostava de cantar. Reunia as amigas no quintal para contar histórias de terror, subia em goiabeiras, corria de medo de borboletas gigantes, mas vivia procurando cobra coral no meio das pedras da cachoeira. Ela era estranhamente interessante.

    Na adolescência começou a estudar a Bíblia, afinal, ela amava aprender sobre tudo, sempre acreditou em Deus e amava toda a sua criação. Mas também acreditava em alienígenas e fadas, passava horas olhando para o céu em busca de naves, mas só via aviões e ainda assim tentava imaginar que eram realmente óvnis.
    Seu primeiro beijo foi aos 13 anos com o garoto da escola que ELA escolheu. Os pais surtaram quando souberam, a proibiram de ver o garoto, afinal ela era nova demais, e sua família era muito cristã. Foi a primeira vez que sofreu por alguém.

    Com o tempo ela se tornava mais questionadora, curiosa sobre tudo, sobre o mundo, sobre as pessoas, não se contentava com respostas curtas, queria saber o porque de tudo! Se revoltava quando não tinha a resposta que queria, foi uma adolescente rebelde, e ao mesmo tempo tímida, mas sempre em busca dos seus sonhos. Agora ela queria cantar numa banda de rock, e é claro que ela conseguiu, apesar de não ter durado muito tempo, ela conseguia quase tudo o que queria.

    A partir daqui, a história vai começando a ficar um pouco triste e pesada. Aos 16 anos ela se apaixonou pelo baixista da banda, que também se apaixonou por ela, e começaram a namorar, escondido, porque seus pais ainda a achavam nova demais pra isso, até que descobriram e os chantagearam dizendo: -“ou ele te assume e te leva pra morar com ele, ou não queremos mais que vocês se vejam.” Já imaginam né, ela foi morar com ele e sua família, e assim ficaram por dois anos, até que ela fez dezoito anos e seus pais a aceitaram de volta em sua casa, até seu namorado foi junto, e assim ficaram mais um ano, até que certas atitudes de ambos, fizeram com que essa história chegasse ao fim, só que não…

    Ele voltou a morar com os pais e ela decidiu ir morar sozinha pela primeira vez. Ela até tinha algumas amigas, e queria aproveitar a vida, saía, bebia, curtia o que podia, mas nada a satisfazia. No fim do dia, ela só queria acordar com alguém ao seu lado, mas nem sempre era quem ela queria, e tudo voltava a rotina, festa, amigas, bebedeira e mais insatisfação. Ela se perdeu, conheceu o inferno, mas nunca perdeu a esperança nas pessoas, no amor. Ela levou um longo tempo para esquecer a história com o baixista, até que desistiu e decidiu recomeçar a vida.

    Abandonou tudo e todos que se diziam amigos, foi morar no interior, para poder ficar perto dos pais e cuidar melhor de si mesma, conheceu pessoas incríveis e um lugar mais incrível ainda. Ela teve algumas crises de ansiedade até se acostumar com o novo estilo de vida, ela partiu alguns corações (quem nunca), mas ela encontrou alguém na pequena cidade que a fizesse feliz da forma que ela sempre sonhou, e hoje estão juntos.

    Hoje ela faz 25 anos, e diz com toda a certeza que se encontrou, que encontrou seu lugar no mundo. Ela é fotógrafa, registra com amor os momentos de amor, ela tem as pessoas mais importantes ao seu lado, ela é grata todos os dias pelos amigos que fez, pela beleza da natureza, pela magia encontrada em cada cachoeira. Ela é feliz, ela sou eu!

  • Uma garota encantadora

    Seu lindo sorriso me encantou,seu olhar tímido mais forte me contagiou,seus olhos porem um pouco fechado mais que revela muita coisa,seus cabelos longos seu perfume único que sempre me sentia feliz ao senti-lo de perto, sua boca tão linda que puder sentir e me encantar podia lhe descrever por horas mais ja percebi que seria pouco uma simpatia unica e encantadora que me fazia uma pessoa sonhadora, vários momentos com você eu passei muito feliz eu fui disso eu sei vários encontros beijos e abraços nesse tempo criei um laço, mais depois vi que não era como eu pensava que apenas parecia da certo, você me encantou como a muito tempo eu não me em catava, ate algumas musicas para ti eu cantava, sempre foi alegria,sorrisos e felicidades,mais como nem tudo na vida e perfeito tudo acabou mais um sonho que se foi,porque não estava bom do jeito que estava acontecendo, queria mais e você em outro pensava,mas mesmo assim ainda imagino nos 2 juntos e felizes eu sei que pode acontecer,mais minha vida não vou parar talvez de novo eu venha me apaixonar,depois disso meu coração se fortaleceu, você sempre será um sonho meu!!!
  • Viva como quiser

    E meu amor,não entristece não
    Porque a emoção é capaz de ser mais forte que a razão
    Liberte-se,como sempre quis
    E viva como quiser

    O futuro é um sonho que ainda não foi sonhado,não tenha medo
    Suas ações que te fizeram assim
    Jogue tudo pro alto,pare de ser tão racional
    A vida é mais bela do que você pensa
    Aproveite nosso amor e não tema.

    Um sonho pode ser mais libertador do que você pensa
    Sonhe,acredite,se emocione e viva!
    Estou do seu lado a todo momento
    Acalmasse meu amor,vou te proteger
    Me de a mão que te mostro o melhor lado da vida

    Libera a mente e experimente
    O que a vida tem a te oferecer
    Posso te mostra isto da melhor forma
    Só basta acreditar em mim
    Que transformo qualquer desilusão em um arco-íris infinito
    E te levo pra conhecer o pôr do sol mais bonito

    E meu amor por você supera qualquer obstáculo
    Minha felicidade está em cada sorriso que você dar
    Coragem,pois é uma das mais belas coisas que você tem a oferecer
    Você é mais forte do pensa,prove
    Pode ser a felicidade em pessoa
    Então erga-se,você é muito mais do que pensa.

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