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  • A Árvore da Vida

    É o lugar onde deito
    Sobre as raízes,
    Derramo rios de lágrimas
    (doces e salgadas),
    Espalho-me
    Os cabelos libertos,
    Nesse chão de amor
    E compreensão,
    E não me envergonho.
     
    Ela que me faz companhia
    Dia e noite,
    Aconselha-me,
    Alimenta-me
    Com suas doces peras.
     
    Hoje me impôs que levantasse
    A cabeça
    Na direção da montanha verde,
    Aquela que liberta o sol (todo dia),
    A brisa (todas as horas) e
    O amor (a vida inteira)
     
    Ali te vi replantando
    Todos os girassóis com a flor cabisbaixa. E
    Afagavas o solo com suas poesias encantadas,
    Afugentavas os resquícios da paisagem cinzenta,
    Confiante no próximo amanhecer,
    Quando todos nós seremos mais felizes.
  • A beleza dos diferentes

    Vou continuar seguindo por aqui
    pensei que sabia aonde ir
    provando um novo gosto e assim
    metamorfose ambulante em fim

    Muitas palavras sem palavras
    o bastante para explicar
    sincera é a faísca que se excita
    perceberá em nosso olhar

    Sua mente rápida divaga, a normalidade acaba
    adoro a riqueza da alma, comigo se encaixa
    quero a diferença, a cor que a pele exala
    coisas e pessoas normais continuam tão sem graça

    Apenas diz o que pensa, sente, surpreende
    afinal, é difícil encontrar o assunto que prende
    a atenção inteligente, nosso sorriso se rende
    um tapete se estende quando alguém te entende

    Rotinas diurnas, lacunas noturnas
    meu coração trancafiado na mesma urna
    a matéria é só uma energia que se curva
    por sorte ou azar, para cada mão há uma luva

    Tudo passa e a escolha sempre será sua
    ser livre da rua para casa, de casa para rua
    insignificante é quem só atua e nos julga                                           
    Sempre seremos verdadeiros e intensos, sem dúvida

    O que se fala, muda, colore, posso esticar
    a metafisica que buscamos, poucos sabem apreciar
    trilha de pensamentos que se calam pelo ar
    se não puder enxergar é melhor nem perguntar

    Alternativas mentais são caminhos a percorrer
    na velocidade da luz, fazemos sem perceber
    entre o futuro e o passado, querer e se envolver
    tudo é raro e valioso, não temos tempo a perder
  • A cachoeira

    cruz machado cachoeira

    Um dia belo
    Na cachoeira a felicidade

    Um dia
    Do salto a queda

    Lá de cima vem o primeiro
    Lá de baixo olha o segundo

    E se o segundo sobe
    O primeiro lá embaixo está

    E se o segundo pula
    O de baixo vê

    Um dia belo
    Na cachoeira que mostra

    As quedas
    As subidas e decidas que a vida nos dá

    E em troca pede-nos:
    -Aproveite viva!

    31245885
    Esta aqui é a cachoeira no RN.
  • A Cachoeira kkk

    Na Cachoeira
    A água boa para se banhar

    Vejo uma mulher a chorar
    Já estive em seu lugar

    Vejo um homem saltar de cabeça na água kkk
    Já estive também lá

    Vejo um prender a respiração, mergulhar e ir lá em baixo
    Já estive nesta situação

    Vejo um rapaz a girar varias vezes dentro da água
    Íh, não estive nesta não kkk

    É a vida é assim
    Altos e baixos, choros e glorias

    Na cachoeira
    Curtir é o que me importa
    cruz machado cachoeira
  • A Caminho

    Pouco mais do que nada é o que sou,
    um fraco a arrastar sua humanidade.
    Nas mãos, além de calos e memórias
    de ancestrais carinhos, nada mais eu trago.

    Os bolsos vazios e o coração
    senão pelos amores agonizantes
    e a angustia de se caminhar só
    sem cajados ou bússolas.

    Não peço nada, já que mínimo é o que tenho.
    Se meu futuro é ponte inacabada
    e o presente, pó da estrada e farrapos
    de andrajoso andarilho
    na busca de paz e um cadinho de amor.

    Não me abras portas, ao me ver passar
    capaz que eu entre e queira ficar.
    Capaz até que vislumbre-me feliz
    como talvez nunca tenha sido, 
    dá-me somente água e o benefício da inocência.
    Não me corrompa coração e caminhos
    com a visão de alegrias
    que somente os puros podem provar.
  • À CAPELA

    Sou aquela sola a qual nunca se acaba,

    a que continua viva e jogada às traças

    dos escanteios empoeirados da casa.

    Me estico no varal das línguas afiadas,


    sob os pisantes dos donos das cocadas,

    na rabeira do pernil sem nem uma prata.

    Estou aqui no pátio desta selva armada

    encoberto pelo caráter aleatório que falha


    feito papel de bala chupada. A dose derramada

    de cachaça do poeta que não serve para nada.


    Escoro a draga do mundo sobre um verso tosco

    e blefo neste sonho vivo, mesmo já estando morto.

  • A Casa

    A minha casa eu construí com o brilho de querer brilhar...não é longe nem distinto de si o brilho quando em si já se faz toda intenção de brilhar...mas que na espécie rara da minha voz ao minha casa fitar, o tom absorto dos olhos a todas as portas abrir e em cada chave a vida num novo patamar.
    A minha casa veio de longe nos meus caminhos primeiros a me soprar o brilho da noite de sonhar em brilhar, minha casa se fez apresentar em mim a estrela da manhã de em brilho ver meu coração se contornar.
    A minha casa respira no Amor que construí no brilho de querer amar, e em cada respirar da minha casa em mim se constrói o brilho de com Amor tudo nela cercar...
    A minha casa não é lugar de descanso, mas eis que certo dia hei eu de chegar ao cansaço, e no fôlego último pedir pro fogo me fazer nele respirar...
    Seja como for, na minha casa tem a própria essência de amar em todos os opostos de si e do mundo que se fazem conhecer pra que o Amor possa se sustentar.
    E eu respiro no fogo de ver brilhar o sonho da minha casa os alicerces de construir o sempre querer, e eis que me retomo em mim minha morada de levantar acerca do Amor o sempre perto brilho de ver o sonho da minha casa brilhar. E eis que construo minha casa e minha casa me constrói e porque, no voo incessante de querer o brilho fazer em fogo o construir e o respirar da minha casa em Amor, estou eu pra além da minha casa ver o meu sonho de a partir dela fazer o brilho voar.
  • A Cesário Verde (O poeta incompreendido)

    Pela vívida Lisboa deambulava
    O maior dos repórteres entre os poetas
    Porque na sua tela havia cores certas
    E, nas suas palavras, arte não faltava.   
                                                 
    Concentrava toda a perfeição literária!
    É Impensável não ter sido idolatrado
    Mas tamanho talento foi desrespeitado,
    Foi julgado por uma gentinha ordinária

    O seu parnasianismo não encantou todos,
    A sua busca pela perfeição formal
    Foi desvalorizada de todos os modos
    E essa falta de consideração foi fatal.

    Repousa enfim, depois da humilhação sofrida.
    Abençoada a terra que o recebeu, 
    Pois o que dali nascerá serão os frutos
    De uma semente desprezada pelos incultos.

    Espero que este louvor lhe tenha agradado.
    A si, declaro-me um simples admirador;
    Que estes alexandrinos lhe sirvam de alento,
    Que estes versos lhe despertem o sentimento.
  • A Charada

    Eu sou a charada por poucos decifrada
    Por vós amada por todos desejada
    A cara encriptada, coroa do reino fantochada
    Por todos disputada, por todos procurada
    O dilema a malícia a felicidade fictícia
    A corrupção do polícia a censura da notícia
    Matéria palpável desejada em abundância
    Mal inevitável o prólogo da ganância
    Sou o pseudónimo do ser anónimo
    Corpo de lúcifer é meu sinónimo
    Fui a razão da fúria de cristo
    Sou desde então o advogado do ministro
    Sou a razão das solidárias ajudas
    Fui a razão dos chicotes dos tugas
    Sou a causa da fama do judas
    Sou e serei o ser que tu não mudas.
    Sou a máscara do vosso baile
    O tecido do vosso xaile
    O defeito insuperável pela qualidade
    Plumas no leito que trazem infelicidade
    Eu sou o mal mas por ti necessário
    Ser decimal, sinal vital binário
    Na minha ausência a presença do precário
    Na abundante existência o sorriso do proprietário
    Sou debatido na igreja, no ministério
    No político partido no Vaticano em mistério
    Sou o vício do ambicioso sem critério
    Ser maligno que ninguém leva a sério
    O meu pacto com o homem só vai até o cemitério
    Quando vivo garanto-lhe um império
    Sou o incentivo das maldades do hemisfério
    Motivo do debate bélico no Iraque.
  • A chuva lá fora

    A chuva lá fora
    Os trovões graves e marcantes
    Mas na minha mente a única coisa que ecoa é a sua voz, a todo instante

    Qual o sentido?
    Por que eu tô parado encarando o vidro?
    Já são anos que com o sofrimento eu lido
    Eu já não mais existo
    Não sem você
    E é tudo tão clichê
    Mas hoje eu vejo que tem que ser
    E a chuva não acalma, achei que seria um remédio para minha alma
    Mas ela não para, meu coração então dispara
    Mas, de repente, para
    Tudo isso é para?
    Por que nada disso sara?
    Por que, Sara?
    Anseio pelo seu rosto, mas, agora, queima tudo quando você me encara
    Eu te amo
    Não nego, não posso, não sou capaz
    Não sei por que não me entrego, em meio aos destroços, não saio daqui nunca mais
    Tento lembrar, mas não consigo
    Comecei isso aqui com um propósito e não o achei ainda, por isso nunca termino
    Ah, e o nosso término
    Um tratamento tão gélido
    A dependência dos remédios...
    Tudo interligado
    Todos os acontecimentos, todos eles, todos culpados
    E ainda assim me culpo
    Sou tão burro, tão estúpido
    Eu sinto muito... Sinto muita falta
    Queria que fosse tudo como antes, mas não é você quem me exalta, não mais
    Não sei se ainda sou capaz
    Só consigo olhar para trás
    Mas isso nada me traz
    A alegria já não mais me satisfaz
    Estou morto por dentro
    Não sei se aguento
    Não sei... Não sei...
    Que merda é essa em que tô preso?
    É impossível de entender
    Não sei como entrei, não sei como sair, não sei se vou sobreviver
    Sempre me esqueço, sempre
    Por mais que eu tente
    Tentativas em vão, todas elas
    E ficam as sequelas
    E elas nunca se vão
    São como uma tatuagem no meu coração
    Que nada remove
    Que a todo momento remói
    E dói...
    Eu me perdi
    Esqueci
    Deixei de lado a vida, o prazer
    Abri minha ferida, decidi para sempre sofrer
    Não sei como entrei
    Não sei como sair
    Tudo deixei

    A chuva escorre na janela e o barulho me causa pânico
    Só penso nela, uma tentativa de ter ânimo
    Quando o céu vai abrir?
  • A Chuva que não parava

    A Chuva que não parava,
    em meus ouvidos ela sempre soava.
    Um som de tranquilidade,
    um sentimento de saudade.
     
    A Chuva que não parava,
    sempre me abraçava.
    Nunca se atrasava,
    pois no tempo que ela chegava,
    meu coração ela sempre tocava.
  • A Cidade Cinza

    Em uma noite chuvosa e com muita neblina...
    A luz da vela que ilumina...
    O poste que ficava na esquina...
    Da Cidade Cinza que ficava do lado da colina...
    Nas ruas molhadas de calçada de pedra...
    Não sabemos quem anda a frente...
    A neblina cobre os rostos...
    E não sabemos se é gente...
    Os ratos que passam pelas esquinas...
    Tem olhos vermelhos e cheiro de sina...
    Eles saem das paredes da Catedral...
    Como se eles se arrependessem do mal...
    As paredes do local santo...
    Não tem cor de salvação...
    E para o espanto...
    Nem o padre da cidade parece ter coração...
    As portas da prefeitura, são de madeira talhada...
    E os portões da frente são de pedra rachada...
    O prefeito nem larga sua almofada...
    Ele tem medo do monstro que mora debaixo da escada...
    A praça principal...
    Nunca apareceu no cartão postal...
    O parquinho velho e cheio de ervas daninhas...
    Virou lar de estranhas andorinhas...
    A biblioteca pública era um lugar esquisito...
    Os livros eram velhos e de capa estragada...
    Mas nunca vai ver uma folha rasgada...
    Pois a bibliotecária morta nunca deixou sua bancada...
    A escola é tão cinza quanto a cidade...
    Mas saiba que as crianças vão as aulas de verdade...
    Com o uniforme preto e tão sérias...
    Elas nem prestam mais atenção nas matérias...
    O açougue vende só carne podre...
    Bife fresco por lá é raridade...
    O açougueiro já nem corta as carnes de verdade...
    Ele coloca no balcão e ainda diz que é “Liquidação”...
    O cemitério é sujo e abandonado...
    As lapides estão cobertas de mofo...
    Quando tem velório na cidade...
    O caixão sempre é fechado...
    A Cidade Cinza é lar de famílias e animais...
    Vivendo suas vidas habituais...
    Mas cada um tem uma história interessante...
    E que pode encher uma estante...
    Eu paro por aqui pois minha vela está se apagando...
    Já é tarde da noite e está ventando...
    A neblina deixa tudo mais assustador...
    E eu fecho meu livro, que tem meu nome bordado “ O Narrador”...
  • A Colecionadora De Medos

    Quando eu era pequena eu tinha medo de zumbis, e tinha mais medo ainda de eles estarem atrás da minha cortina. Então eu ficava acordada a noite inteira olhando para a cortina, tentando me convencer de que não tinha nada para me assustar ali. Mas uma hora eu dormia,e quando eu acordava eu acordava olhando para a cortina.
    Quando eu era pequena eu tinha medo de palhaços assassinos, e tinha medo de eles entrarem na minha janela, então eu ficava olhando para a janela e para a cortina. Tentava me convencer de que nada me atacaria. Mas uma hora eu dormia, e quando acordava eu acordava olhando para a janela e para a cortina.
    Depois que eu cresci um pouco, fiquei com medo de dormir. Então, me deram um urso que me ajudaria a dormir. Eu abraçava aquele ursinho, e um dos meus medos foi perder ele. Então sempre que eu acordava, eu acordava olhando para ele.
    Eu fui crescendo, fui perdendo medo de palhaços assassinos e medo de zumbis atrás da minha cortina... Então eu comecei a ler, e fiquei com medo de algo me tirar dos meus livros. Então comecei a escrever, e fiquei com pavor de algo me tirar o poder de escrever, de me libertar. 
    Então eu tive outro medo, um medo grande...e estranho. O medo de ficar cega. Eu não conseguiria viver como vivo hoje, como amo viver hoje. Talvez, desde sempre, eu estivesse tão ocupada olhando atrás das cortinas e por cima das janelas e que fiquei com medo de não conseguir ver os meus medos. Só assim eles me venceriam.
  • A cópula dos mortos

    Morto, caminhando entre mortos.
    Uma carne viva, uma vida morta.
    Vivo em um corpo vivo
    sempre ansiando por coisas,
    coisas que já nascem mortas,
    abortos embalados pela canção
    da cegueira infinita bailando
    sobre os corpos dos prazeres
    em cópula com todas as dores
    enquanto abrem o meu peito e lambem
    sugando o sangue do meu coração,
    do meu trêmulo coração sem vontade.
    A cada desejo, a mentira da vida...
    Tão suculento, coxas úmidas,
    lábios e línguas…
    Fantasmas com máscaras de Vênus
    e os louros de Apolo, sendo tudo
    mas nunca sem polos.
    Sou corrompido pelas alturas,
    violentado pelos de baixo.
    Se olho pra cima e grito:
    Salve-me!
    O decote do mundo desvia o meu olhar.
    Quando dou por mim estou no quarto escuro
    entre os lábios de Babilônia embriagado por seu perfume,
    fazendo juras de amor, achando que eu a penetro,
    quando sou penetrado de todas as formas e grito: Mais!
    Ela se aproxima da minha face,
    seu hálito doce, seus cabelos serpenteantes,
    e nos seus olhos frios, sem vida como um espelho,
    vejo refletido a mim mesmo
    e com horror percebo que não existo,
    sou apenas ela que olha para o vazio
    dançando sobre os cadáveres da vida,
    sem vida, sonhando tudo.
  • A culpa não é sua

    Um tsunami cobre a cidade 
    Água salgada em nossas gargantas 
    Mar, você é o vilão,
    Destruidor de vidas

    Acusado falsamente, 
    No tribunal da injustiça 
    Você não é o culpado,
    Mar, você não é o vilão 

    A água que cobre a cidade, 
    Lágrimas dos meus olhos 
    Mar, eu sou a vilã,
    Eu sou a culpada.
  • A Dama Mourisca

    A dama mourisca, tal qual Sefora, a sacerdotisa
    Equilibra o seu temor
    Sobre o brilho daquele áureo candelabro.
    Delicadas elipses,
    Teias tecidas na conjuntura da infinitude
    Naquele céu noturno do corpo feito lua minguante.
    Sem corda para segurar, sonha-se o sonho.
    Dos espaços sem limites, o olhar pende...
    Para onde?
    Duplo éter daquela viagem.
    Naquele momento ela finge lançar-se desavisadamente
    Ao som de uma música que só ela ouve.
    Circunscrita por um cortejo ígneo
    Que há tantas jornadas a acompanha,
    Ela é a própria razão de ser da luz.
    Guardiã e súdita.
    Confidente e mensageira...
    Ela solta seu corpo e tudo gira.
    A vida, ideias, imagens, paisagens, histórias, pensamentos, premonições e distúrbios.
    Em que se pendura esse candelabro de samsara?
    Quando vai voltar a rodar?
    A (equilibrista) moura mantém seu delicado equilíbrio.
    Prazerosamente, ébria no seu próprio ser.
    Obediente aos ditames
    Daquilo que julga fazer ela parte
    À maneira do fio que enlaça as contas do colar,
    Confunde-se inevitavelmente ao seu desenho.
    ...Numa noite qualquer de estrelas presentes, ela retornará
    Para nos alertar sobre o próximo giro da roda.
    Tomará fôlego, e sorrirá.
    Um sorriso calmo e acolhedor. Compreensivo...
    E, embalados por esse semblante, desta vez, nós sonharemos.
    Enquanto ela, dançará...
  • A Desconstrução

    Eu vou a chão, e que nada me sustente.
    É face a face não no espelho de mim,
    Mas no que sou sem imagem.
    Eu vou ao chão nas minhas construções
    Ora ver ruir os cuidados e as bases,
    E que nada me sustente nas cinzas indistintas,
    E que nada me decifre no caos e no queimar dos olhos:
    Que do pó e da lágrima,
    Depois que vento é do tempo ação,
    Há de ser água a emprestar à vida condição,
    Num instante do que é prestes a se fazer,
    O nada se figura em ponte,
    E eu vou ao chão, em água deitar,
    Não me sustento,
    E há de ser o fogo a vida a começar,
    Se espalhar eu, pela água, em meu elemento.

    E eu vou ao chão, sem laços de sustento na base,
    Lapsos da construção, amando o ruir dos espelhos:
    Meus reinos sem capitais.
    Não mais reflexo, eu sou imagem.
    Eu vou ao chão sem cuidados,
    Mesmo que indistinta nas cinzas,
    O caos se decifra no queimar das águas nos olhos:
    Na lágrima o tempo em ação que com o vento vem o depois.
    E dos meus olhos me fiz de vida condição e do nada um instante:
    Criação, eu em meu elemento.
    E eu vou ao chão, porque sou ponte,
    E no fogo a vida pela água, do começo ao se espalhar,
    Eu em meu sustento.
    Eu vou ao chão, para chão ser.
  • A DOR DA PARTIDA

    Quantas partidas presenciei;
    Quantos desejei que ficasse para sempre;
    Partiu para longe, partiu para nunca mais voltar;
    Ainda me perco olhando para horizonte na espera que seja apenas um sonho;
    E ao acordar vai estar ali, de braços aberto a me acolher.
    Até que percebo que não vai voltar e por mais que eu deseje se foi...
    E dói, dói profundo, e por mais que eu compreenda que tudo tem um dia e hora para ir, ainda assim dói.
    E quantas vezes desejei também partir...talvez, em algum momento eu partir da vida de alguém, e será que doeu? Será que fiz falta, será que olhou para o horizonte na esperança que voltasse? Não, sei.
    Só sei que ainda hoje vejo as pessoas partirem da minha vida, vejo indo embora para algum lugar...e a dor da partida permanece presente em mim.
    Talvez, um dia eu me acostume, ou um dia eu também me vá para algum lugar onde a dó da partida não seja tão presente em minha vida.
  • A dor de não amar

    É fato
    Nada se pode vencer 
    Se o amor não resplandecer
    Eis o campeonato

    É triste quem no amor não é nato
    Vai se perder 
    E padecer
    É fato
  • A dor de um anjo

    Dói de verdade
    ver anjos machucados
    anjos caídos
    que apenas queriam amor
    e um pouco de carinho..

    Apenas anjos
    pequenos anjos
    com grandes corações
    prontos para dar amor..

    São jogados fora
    maltratados e
    esquecidos..

    Pequenas almas humanas
    criadas para guerras
    almas inofensivas..

    Apenas criadas para matar
    não para amar, não para respeitar
    apenas para matar e ignorar..

    Animais anjos caídos 
    estão sempre para te amar
    não para serem maltratados..

    Pelos humanos sem corações
    corações de verdade aqueles
    com carinho, amor e compreensão..

    Talvez ninguém tenha visto
    mas, a verdadeira guerra já começou
    só nós que ainda não notamos..

    A guerra por ódio 
    um querendo ser superior 
    ao outro
    um matando o outro pela sua
    cor, sexualidade e gênero..

    Pequenas almas 
    sendo motivos de piadas
    sendo motivos de morte
    sendo espancados e jogados
    foras como lixos por uma sociedade
    que deveria amar um ao outro..

    Agora podemos ver que os
    verdadeiros anjos, almas 
    felizes e amorosas
    estão apenas sendo destruídas..

    Por monstros que não conseguimos
    ver, mas estão ali..

    Por favor não sinta ódio
    Não machuque ninguém
    Não xingue ninguém
    Não faça o mal..

    ~Todo mal que te fizeram apenas retribua com amor,
    Porque quando se tem amor, força de vontade e objetivos ninguém pode te derrubar…
  • A ESCOLA DA VIDA

    Hoje é dia de prova
    E me preparo em oração
    O agente se renova
    Encarregado da missão.
    De surpresa me aparece
    Uma em cada momento
    Cada instante uma prece
    Pouco estudo e muito lamento.
    E na volta para casa
    Eu rezo para entrar
    É que a fé às vezes jaza
    E as provas tende aumentar.
    Pra quem estuda fica fácil
    E também saiba vigiar
    Com Jesus tudo é grácil
    Ajuda quem tem fé passar.
    Tem dias que reprovo
    Distraído na multidão
    Mas o Diretor muito bondoso
    Deixa-me em recuperação.
    Tem vezes sem estar pronto
    Não querendo arriscar
    Fico em prece estudando
    Para outra prova eu tentar.
    A vida é uma escola
    Qualquer dia e lugar
    Até mesmo na família
    Tem professor pra ensinar.
    O dia é corretor
    E quando me esqueço de vigiar
    Peço rápido ao Diretor
    Outra prova pra tentar.
    Em todos os anos letivos
    Cada dia foi uma lição
    Estou fazendo supletivo
    Recuperando em oração.
    Fiz muitas provas no escuro
    E foram poucas que passei
    Deixei matérias para o futuro
    Que no pretérito eu errei.
    No final impetuoso
    Sem nota pra passar
    O Diretor maravilhoso
    Deu-me a chance de voltar.
  • A escolha por trás da escolha

    O que nos faz optar a escolher?
    Com este incomodo persistente
    Coloquei um objetivo em minha mente
    Se por acaso me perder, espero que possa entender

    Quando um 'sim' é pronunciado, ele tem um significado
    É comum gostar do 'sim' e desprezar o 'não'
    Este 'sim' pode ser entendido como contrário do 'não'? Em vão!
    Este 'não', é uma forma de se interpretar o 'sim', um ponto relativo.
    Uma opção curiosa de não assumir um 'sim' proativo

    Isto lhe faz pensar em seguir divergências por sua própria escolha
    O segredo disto então, é entender que por trás de todo 'sim' foi elaborado um 'não'
    Nenhum ponto é certo ou errado. Mas sim, dependente de determinação ou ilusão
    Emerge de ti, escolher sair ou ficar nesta bolha.

    O que é uma tradição, se não uma brincadeira de 'sim' e 'não'
    Negar a si mesmo é deixar de pensar na própria escolha de vida
    E aceitar, sem contextualizar, é criar uma certeza de acabar com dúvida!
    Procurar entender problemas origina mais problemas, isto nos mantém em evolução

    Adotar uma escolha seguir, fará uma consequência há de surgir
    A dicotomia agora está entre o sucesso e a falha
    A falha ralha de maneira devastadora, traz o teu coração a partir
    Digo que isto não é fim, e tu deves agir

    Deixei a depressão me ferir, cicatrizes vieram a abrir
    Um antigo incômodo me atingiu, a tristeza
    Ela, sábia e coesa, não agiu com avareza
    Com sua companhia me ajudou com certeza
    Não é como antes, agora é uma amiga, em vagir

    Sua escolha é importante para ti, e para todos a sua volta
    Ódio não precisa de motivo, mas de motivação
    Falhas podem ser uma forma de redenção
    Tenha o 'sim' na resiliência e o 'não' escolhendo sempre o 'sim'. Dê a si mesmo a escolha de reviravolta

  • A Evolução de Adão

    Toda mulher convém ser amada,
    Com respeito e com muita paixão,
    Pois o barro que D’us a afeiçoou,
    Êle retirou do coração!

    Toda mulher é tom de emoção,
    De mistérios e de mui valor!
    Por serem a arca que guarda a vida,
    São as sendas intensas do amor!

    Em ti encontro este belo esplendor
    Oh coroa da divina criação!
    De uma costela se fez completa,
    Com a inefável inspiração!
    Ao guardar a centelha da vida,
    És a nobre evolução de Adão!

    ISBN - 978-85-5530-024-0
  • À Florbela Espanca

    Te entendo, amiga, o tanto que arde

    O sol, a pino, no céu azul piscina

    O amor no peito, vermelho escarlate

    E o medo de ambos te faz fugir como menina

     

    Pena que não pude encontrá-la, franzina e fina

    Destilando no papel essa beleza de arte

    Vislumbrando, como um astrônomo à Marte

    Olhando hoje o que tu refletiu em era distinta

     

    Triste noite, mundo deserto e frio

    Ao ouvir sua infeliz sina

    Andreza de Oxum nunca mais sorriu

     

    E esse fadário no seu peito forte

    Um tédio profundo de viver nina

    Um desejo persistente pela morte
  • A Fragilidade do Azul

    Todo carinho ainda é pouco
    para coração assim
    tão frágil.

    Sim, cuidado! Pois meu coração
    é frágil como um faquir
    ou professor de física
    tísico e desgrenhado.

    Fragilíssimo!
    Como a moça de porcelana e celulites
    que, às quintas, cospe fogo
    em circos de quinta.

    Frágil como uma réstia de luz
    no derradeiro instante
    de um crepúsculo azul.

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