person_outline



search

poesia

  • 11h07

    fico no aplicativo feito uma máquina

    indo e vindo vindo e indo no teclado

    só para saber se você está conectada

    e implorar que visualize a mensagem


    abro e fecho a digital é o abracadabra

    dos acessos e ilumina a tela desejada

    que surge e que desliza e que abastece

    a fome funda deste futuro ainda incerto


    entre a ansiedade da nuvem que estabelece

    a coordenada hostil do mundo quase frenético

    e o domingo trafega na via cirúrgica da gilete

    de um vento que desce e trafega e desaparece


    sobe a clorofila das onze em ponto da árvore

    em frente à janela e vejo o morro verde claro

    ardósia esmeralda que encosta no azul celeste

    do velório antecipado da manhã às onze e sete.

  • 12h15

    Ando por entre os assoalhos da alvorada.

    A manhã é Fellini. É terminal. E abafada.

    As horas são drágeas coloridas que matam

    este silêncio e a sua mentira de ser pausa.


    Há franjas de nuvens estendidas nas águas

    de um céu de fumaças distantes e rasas

    que exalam a erva defumada das almas

    quando transitam anônimas pela calçada.


    Doze e quinze — a garoa opaca se espalha.

    Estou sobre a marquise — eu e esse nada.

  • 140 batimentos por minuto

    Minhas mãos aos montes transpiram
    Meu corpo trêmulo agora busca por uma calmaria
    Minhas narinas sem função já não respiram
    Dormir? outrora poderia

    Quem dera fosse tudo isso adrenalina
    Quem sabe apenas animação genuína
    Bateram-se três da madruga
    E essa energia perseguia sem fuga
    Profissional assassina

    Aquelas palavras que não foram ditas
    Não foram ditas pois o peito travou
    Aquelas promessas tão bonitas
    Não foram cumpridas porque o racional não deixou
    Mil e uma coisas lindas
    Que o vento levou

    E por falar em mil que nem sequer posso citar
    Que tal falar dos mil pensamentos diarios
    Só pra começar?
    Pensamentos de todas as ordens, e são vários
    Nessa eterna máquina de ponderar
    Pondera tanto que as vezes não da nem pra controlar
    Pelo amor, onde fica o botão de desligar?

    Porque não basta apenas nessa vida ponderar
    Nem tudo se resume a raciocinar
    Quero por um momento parar de pensar
    Sem ter que estar ligado ou ter de me ligar
    Quero apenas vivenciar
  • 20 ANOS

    Por 20 vezes tentei
    Por 20 vezes falhei
    Por 20 vezes amei
    Por 20 vezes errei

    Por 20 vezes vivi
    Por 20 vezes morri
    Por 20 vezes perdi
    Por 20 vezes sorri

    Por 7.300 dias profundos
    Por 175.200 horas no mundo
    Por 10.512.000 segundos

    Fui pai
    Sou pai
    Sempre serei seu pai
  • 23h40 (ao vivo)

    O cenário da noite desmaia na estopa gelada

    do céu monocolor antes de virar madrugada.

    Vinte e três e quarenta e três e o nó não desata

    quando tudo mora nesta fuligem que se acaba.


    Faltam quatorze para o rodopio do calendário.

    Faltam onze, agora. Sinto de dentro do quarto,

    a rajada silenciosa destes dez minutos do prazo.

    Escrevo sobre este instante do relógio que marca


    o pulso grave das horas. A agonia cronometrada,

    feito se o futuro fosse aquele pinga-pinga da água

    que surge da torneira e explode no círculo do ralo.

    Vinte e três e cinquenta e seis. Sete, na verdade…


    Da meia-noite o meu verso vaza quase adormecido.

    O poema não me salva… E não me livra do infinito.

  • 27 (Vinte e sete)

    "Eu deveria ter 27 trilhas em caminhos;
              Eu deveria ter 27 tinteiros e um pincel;
              Eu tenho 27 trilhas em caminhos;
              Eu tenho 27 tinteiros e um pincel."

              Na cidade de Natal, um jovem nascido no dia 27, posteriormente nomeado por sua sobrinha de Tupo e anteriormente por sua mãe de Tulipo, que veio da admiração de sua mãe as suas 27 tulipas e do desejo de uma filha, mas Tulipo não é flor e não se preocupa com zoação.

              "A cidade deveria ter 27 ruas em estradas;
              A cidade deveria ter 27 edifícios de 27 andares;
              A cidade tem 27 ruas em estradas;
              A cidade tem 27 edifícios de 27 andares."

              No centro de um dos 27 traços do centro da rua, Tulipo comanda a dança de um grupo que se denomina seu e se nomeia: Os 27 céus. O grupo canta e dança em 27 passos alternados entre: para frente, para trás, para um lado e para o outro. Todos seguindo as ordens de Tulipo que criou este grupo de 27 pessoas para comandá-lo em uma competição na mídia visual.

              "Deveríamos ter 27 dias para praticar;
              Deveríamos ter 27 chances até vencer ou perder;
              Temos 27 dias para praticar;
              Temos 27 chances até vencer ou perder."

              Tulipo ficou irritado na sua primeira das 27 apresentações, mesmo assim ganhou e depois brigou, chingou seu grupo e toda está gritaria serviu para orientá-los a melhorar. As 27 apresentações tem sua definição definida e logo soa o nome do vencedor e Tulipo sorri, não acredita, fica desorientado por alguns instantes e dá 27 passos em direção ao palco da premiação e agradece a todos.

              "Às vezes não acreditamos em números;
              Às vezes não acreditamos em nós mesmos;
              Às vezes acreditamos em números;
              Às vezes acreditamos em nós mesmos."
  • 3h00 (pontualmente)

    Sempre estive muito mirado em mim mesmo,
    em meio às alcovas dos sonhos e do unguento
    incapaz de encher o oco das horas e o do tempo
    distorcido lá na câmara de gás do pensamento.
    E é no desenrolar sibilino de todo este enredo
    (o de me deter, contido, de dentro para dentro,
    feito uma feitiçaria que se multiplica em silêncio,
    entre os miolos, os ossos e a elétrica dos nervos)
    que estou preso nas névoas do arrependimento.
    Mas o que fazer a fim de presidir o deslocamento
    desta trilha que me desvia do meu próprio centro
    ao me ver de fora na forma de um outro desenho?
    A madrugada é alta na ópera dos galos dissidentes
    e invisíveis na luz ácida das três — pontualmente.
  • 4 Elementos

    Fogo demais, queima e consome rápido
    Muita Terra, endurece
    Muito Ar, aliena
    Muita Água, entristece.


    Poema do meu primeiro livro de poesias, Átomo, lançado em dezembro de 2018, com prefácio de Rafael Cortez e apresentação de Thomas Pescarini e disponível em formato físico e ebook na Amazon.
  • 45°C DO SEGUNDO TEMPO

    Procuro um verso na noite azul e ametista.

    Tento baixar aquela estrela na minha lista

    e ouvir os lamentos de quem sozinha brilha

    no meio do nada ou em algo que não exista.


    Não quero do tipo qualquer um me serve;

    talvez algum que forme o contato elétrico

    entre dois polos aleatórios que se atrevem

    a roçar seus limites na sala cinza do cérebro.


    Folheio vários livros. Abro e fecho os arquivos.

    Corro o dedo no drive. Subo e desço e respiro

    quase ofegante enquanto os miolos são fritos

    nesta azia dos signos, no refluxo dos sentidos:


    quando escrevo toda a temperatura aumenta...

    A perna treme. A mão sua. E onde está o poema?

  • 5h38 (tangerina)

    Há sobre a aurora uma garoa teimosa...

    Molha o raio de todo o orvalho que brota

    do bebê do dia onde o rosa sem demora

    sumiu do amarelo do contorno da encosta.


    Pode o poema se tudo é uma saudade agora?

    Fazer o que se o meu verso voou e foi embora?

    Estou muito cheio desse vazio oco que implora

    a tangerina do seu beijo e os degraus do seu pódio.


    Projeto nas paredes as imagens que assolam

    a sua falta. Ouço aqueles ais dos ecos da copa.

    Sinto o dulçor do perfume do amor do seu colo.

    Puxo risos altos dos pés sob pés da nossa história.


    No meio da manhã e entre os lamentos da memória,

    não há nas dez e dezenove nem uma garoa teimosa.

  • 5h40 & 11h00 & 13h49

    Às cinco e quarenta um céu de azul metálico,
    entre o semicírculo, dominava toda a abóbada
    da manhã que aguardava o fresta da alvorada,
    ainda nas coxias da ex-noite que saiu de órbita.
    Agora, às onze horas, o ciano resiste na encosta
    (as nuvens vieram com seus chumbos esparsos),
    sequestraram os cinzas e espalharam as rochas,
    onde acendi os meus sonhos e subi o despacho.
    Na sacada vejo vários ruídos e ouço os pedaços
    da rua que levitam na elipse do átomo e no bafo
    dos versos que na cerração do poema se formam
    e voláteis sobem e rodopiam e nunca mais voltam.
  • 5h43 (acalanto)

    O morro parece um jardim de plantas variadas,
    quando a manhã produz do alto a névoa cinza,
    mas quase transparente da garoa que se espalha
    no domingo preso em casa dentro da pandemia.
    Não sei traduzir esta lavanda das cinco e quatro
    — fougères amplos, mesclados com o óleo diesel
    das poças cintilantes da água vinda da madrugada.
    O meu olfato é um depósito exposto de imagens
    e vejo o médio, o musgo, o claro, o escuro, o oliva
    e os tons dos verdes que se expandem das árvores,
    feito se acalentassem este dia ácido de melancolia
    no gingado das suas copas que o vento coreografa.
  • 6B

    Grito um silêncio na manhã fria da segunda

    temperada nas ervas da ventania. Na agulha

    procuro na mudez da casa a melodia oculta

    do verso que flutua nas bordas da balbúrdia


    ainda feito a palavra aleatória desse sistema

    atrás dos tapumes. Dentro do porão do poema

    eu tento mexer com as sombras que conjuram,

    cada uma, as preces para outra nova arquitetura.


    A luz de mil imagens modifica o ângulo e a estrutura.

    A linha do horizonte é grafite 6B. Aqui. Ali. Profunda.

  • 80 TIROS

    "80 tiros" parece nome de filme, daria bom título pra 1 poema.
    Mas a extensão do ato macabro não pede lirismo,
    mede a insanidade e a indignação.

    Drummond precisou de apenas 1 tiro para acordar
    a madrugada com "a morte do leiteiro".

    Ando ensurdecido, 
    o barulho da aurora em meus ouvidos
    parece grave estampido de canhão.

    Ultimamente quando escrevo sinto que vai sair uma de História.
    Mas eu não quero ensinar História para mais ninguém,
    desisti de ensinar mas não desisti da História.
    Eu submeti a História à Poesia que transcende os limites da ciência
    que se vende de acordo com a circunstância e a conjuntura.

    A Poesia tem canal direto para alma que necessita
    de um terceiro tom, a minha alma principalmente.  
    *
    *
    Baltazar Gonçalves

  • 99°GL (inviável)

    O poema é aquele álcool frágil

    e de quase cem graus inviáveis

    que aparece, mas não se instala


    e pousa no trago que você aprecia

    e finge que é seu — e sua a poesia.

    Posa de modelo para a sua escrita


    e sai e sobra o pó das suas vísceras.

  • A arte diante de ti!

    Eu vi você sair daquela porta

    Com aquele jeito "encantador"

    E ao mesmo tempo despojado

    Ao ponto de ser engraçado!





    Só queria expressar

    Ou melhor tentar

    Expressar que você

    Me conquistou

    Com seu "jeitão" de ser!





    Toda vez que você sair

    Por aquela porta

    Irei te expressar de uma

    Forma diferente

    Daquilo que já foi visto!





    Por quê amor é algo inexplicável

    Não estou aqui para explicar

    Ou expressar amor algum

    Por alguém!

    Apenas estou expressando

    A minha arte ao meu ver!
  • A Árvore da Vida

    É o lugar onde deito
    Sobre as raízes,
    Derramo rios de lágrimas
    (doces e salgadas),
    Espalho-me
    Os cabelos libertos,
    Nesse chão de amor
    E compreensão,
    E não me envergonho.
     
    Ela que me faz companhia
    Dia e noite,
    Aconselha-me,
    Alimenta-me
    Com suas doces peras.
     
    Hoje me impôs que levantasse
    A cabeça
    Na direção da montanha verde,
    Aquela que liberta o sol (todo dia),
    A brisa (todas as horas) e
    O amor (a vida inteira)
     
    Ali te vi replantando
    Todos os girassóis com a flor cabisbaixa. E
    Afagavas o solo com suas poesias encantadas,
    Afugentavas os resquícios da paisagem cinzenta,
    Confiante no próximo amanhecer,
    Quando todos nós seremos mais felizes.
  • A beleza dos diferentes

    Vou continuar seguindo por aqui
    pensei que sabia aonde ir
    provando um novo gosto e assim
    metamorfose ambulante em fim

    Muitas palavras sem palavras
    o bastante para explicar
    sincera é a faísca que se excita
    perceberá em nosso olhar

    Sua mente rápida divaga, a normalidade acaba
    adoro a riqueza da alma, comigo se encaixa
    quero a diferença, a cor que a pele exala
    coisas e pessoas normais continuam tão sem graça

    Apenas diz o que pensa, sente, surpreende
    afinal, é difícil encontrar o assunto que prende
    a atenção inteligente, nosso sorriso se rende
    um tapete se estende quando alguém te entende

    Rotinas diurnas, lacunas noturnas
    meu coração trancafiado na mesma urna
    a matéria é só uma energia que se curva
    por sorte ou azar, para cada mão há uma luva

    Tudo passa e a escolha sempre será sua
    ser livre da rua para casa, de casa para rua
    insignificante é quem só atua e nos julga                                           
    Sempre seremos verdadeiros e intensos, sem dúvida

    O que se fala, muda, colore, posso esticar
    a metafisica que buscamos, poucos sabem apreciar
    trilha de pensamentos que se calam pelo ar
    se não puder enxergar é melhor nem perguntar

    Alternativas mentais são caminhos a percorrer
    na velocidade da luz, fazemos sem perceber
    entre o futuro e o passado, querer e se envolver
    tudo é raro e valioso, não temos tempo a perder
  • A cachoeira

    cruz machado cachoeira

    Um dia belo
    Na cachoeira a felicidade

    Um dia
    Do salto a queda

    Lá de cima vem o primeiro
    Lá de baixo olha o segundo

    E se o segundo sobe
    O primeiro lá embaixo está

    E se o segundo pula
    O de baixo vê

    Um dia belo
    Na cachoeira que mostra

    As quedas
    As subidas e decidas que a vida nos dá

    E em troca pede-nos:
    -Aproveite viva!

    31245885
    Esta aqui é a cachoeira no RN.
  • A Cachoeira kkk

    Na Cachoeira
    A água boa para se banhar

    Vejo uma mulher a chorar
    Já estive em seu lugar

    Vejo um homem saltar de cabeça na água kkk
    Já estive também lá

    Vejo um prender a respiração, mergulhar e ir lá em baixo
    Já estive nesta situação

    Vejo um rapaz a girar varias vezes dentro da água
    Íh, não estive nesta não kkk

    É a vida é assim
    Altos e baixos, choros e glorias

    Na cachoeira
    Curtir é o que me importa
    cruz machado cachoeira
  • A Caminho

    Pouco mais do que nada é o que sou,
    um fraco a arrastar sua humanidade.
    Nas mãos, além de calos e memórias
    de ancestrais carinhos, nada mais eu trago.

    Os bolsos vazios e o coração
    senão pelos amores agonizantes
    e a angustia de se caminhar só
    sem cajados ou bússolas.

    Não peço nada, já que mínimo é o que tenho.
    Se meu futuro é ponte inacabada
    e o presente, pó da estrada e farrapos
    de andrajoso andarilho
    na busca de paz e um cadinho de amor.

    Não me abras portas, ao me ver passar
    capaz que eu entre e queira ficar.
    Capaz até que vislumbre-me feliz
    como talvez nunca tenha sido, 
    dá-me somente água e o benefício da inocência.
    Não me corrompa coração e caminhos
    com a visão de alegrias
    que somente os puros podem provar.
  • À CAPELA

    Sou aquela sola a qual nunca se acaba,

    a que continua viva e jogada às traças

    dos escanteios empoeirados da casa.

    Me estico no varal das línguas afiadas,


    sob os pisantes dos donos das cocadas,

    na rabeira do pernil sem nem uma prata.

    Estou aqui no pátio desta selva armada

    encoberto pelo caráter aleatório que falha


    feito papel de bala chupada. A dose derramada

    de cachaça do poeta que não serve para nada.


    Escoro a draga do mundo sobre um verso tosco

    e blefo neste sonho vivo, mesmo já estando morto.

  • A Cesário Verde (O poeta incompreendido)

    Pela vívida Lisboa deambulava
    O maior dos repórteres entre os poetas
    Porque na sua tela havia cores certas
    E, nas suas palavras, arte não faltava.   
                                                 
    Concentrava toda a perfeição literária!
    É Impensável não ter sido idolatrado
    Mas tamanho talento foi desrespeitado,
    Foi julgado por uma gentinha ordinária

    O seu parnasianismo não encantou todos,
    A sua busca pela perfeição formal
    Foi desvalorizada de todos os modos
    E essa falta de consideração foi fatal.

    Repousa enfim, depois da humilhação sofrida.
    Abençoada a terra que o recebeu, 
    Pois o que dali nascerá serão os frutos
    De uma semente desprezada pelos incultos.

    Espero que este louvor lhe tenha agradado.
    A si, declaro-me um simples admirador;
    Que estes alexandrinos lhe sirvam de alento,
    Que estes versos lhe despertem o sentimento.
  • A Charada

    Eu sou a charada por poucos decifrada
    Por vós amada por todos desejada
    A cara encriptada, coroa do reino fantochada
    Por todos disputada, por todos procurada
    O dilema a malícia a felicidade fictícia
    A corrupção do polícia a censura da notícia
    Matéria palpável desejada em abundância
    Mal inevitável o prólogo da ganância
    Sou o pseudónimo do ser anónimo
    Corpo de lúcifer é meu sinónimo
    Fui a razão da fúria de cristo
    Sou desde então o advogado do ministro
    Sou a razão das solidárias ajudas
    Fui a razão dos chicotes dos tugas
    Sou a causa da fama do judas
    Sou e serei o ser que tu não mudas.
    Sou a máscara do vosso baile
    O tecido do vosso xaile
    O defeito insuperável pela qualidade
    Plumas no leito que trazem infelicidade
    Eu sou o mal mas por ti necessário
    Ser decimal, sinal vital binário
    Na minha ausência a presença do precário
    Na abundante existência o sorriso do proprietário
    Sou debatido na igreja, no ministério
    No político partido no Vaticano em mistério
    Sou o vício do ambicioso sem critério
    Ser maligno que ninguém leva a sério
    O meu pacto com o homem só vai até o cemitério
    Quando vivo garanto-lhe um império
    Sou o incentivo das maldades do hemisfério
    Motivo do debate bélico no Iraque.
  • A chuva lá fora

    A chuva lá fora
    Os trovões graves e marcantes
    Mas na minha mente a única coisa que ecoa é a sua voz, a todo instante

    Qual o sentido?
    Por que eu tô parado encarando o vidro?
    Já são anos que com o sofrimento eu lido
    Eu já não mais existo
    Não sem você
    E é tudo tão clichê
    Mas hoje eu vejo que tem que ser
    E a chuva não acalma, achei que seria um remédio para minha alma
    Mas ela não para, meu coração então dispara
    Mas, de repente, para
    Tudo isso é para?
    Por que nada disso sara?
    Por que, Sara?
    Anseio pelo seu rosto, mas, agora, queima tudo quando você me encara
    Eu te amo
    Não nego, não posso, não sou capaz
    Não sei por que não me entrego, em meio aos destroços, não saio daqui nunca mais
    Tento lembrar, mas não consigo
    Comecei isso aqui com um propósito e não o achei ainda, por isso nunca termino
    Ah, e o nosso término
    Um tratamento tão gélido
    A dependência dos remédios...
    Tudo interligado
    Todos os acontecimentos, todos eles, todos culpados
    E ainda assim me culpo
    Sou tão burro, tão estúpido
    Eu sinto muito... Sinto muita falta
    Queria que fosse tudo como antes, mas não é você quem me exalta, não mais
    Não sei se ainda sou capaz
    Só consigo olhar para trás
    Mas isso nada me traz
    A alegria já não mais me satisfaz
    Estou morto por dentro
    Não sei se aguento
    Não sei... Não sei...
    Que merda é essa em que tô preso?
    É impossível de entender
    Não sei como entrei, não sei como sair, não sei se vou sobreviver
    Sempre me esqueço, sempre
    Por mais que eu tente
    Tentativas em vão, todas elas
    E ficam as sequelas
    E elas nunca se vão
    São como uma tatuagem no meu coração
    Que nada remove
    Que a todo momento remói
    E dói...
    Eu me perdi
    Esqueci
    Deixei de lado a vida, o prazer
    Abri minha ferida, decidi para sempre sofrer
    Não sei como entrei
    Não sei como sair
    Tudo deixei

    A chuva escorre na janela e o barulho me causa pânico
    Só penso nela, uma tentativa de ter ânimo
    Quando o céu vai abrir?

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222