person_outline



search

pessoal

  • A Rotina De Quem Ama O Que Faz

    Tomar banho para limpar as impurezas do corpo;
    Ler para limpar as impurezas da mente;
    Escrever para limpar as impurezas do coração.
  • A Torre e os Enamorados

     
    a torre e os enamorados

     Não me recordo exatamente do meu início... Consigo apenas lembrar de quando já me considerava ser algo. Comecei como um aglomerado de rochas incandescente, sendo forjado pelo fogo que transmuta. Em um estado bruto, rústico e primitivo, ainda encontrava-me em minha nebulosa familiar, meu ponto de origem, e com os adventos das radiações cósmicas, dos ventos solares entre outras intervenções naturais, fui me formando.

        Possuo anéis de alegria ao meu redor, eles deslumbram e me protegem de turistas inoportunos, detesto turistas - até porque não sou a Disney. Tenho oceanos de sentimentos, com zonas abissais tão profundas e indesbraváveis quanto a subjetividade de um ser, rios de vivências que marcam minha derme - com leitos vívidos -, em que na queda de cada um há a força de minhas cachoeiras, onde abriga o início e o fim dos novos ciclos.

        Um dia - por loucura - acabei indo orbitar um corpo celeste desprovido de luz. Por consequência, toda vida que havia em mim foi se esvaindo... Foi uma fase de infortúnios e solidão, nunca imaginei que aprenderia a ser só, mesmo estando acompanhado. Minhas atmosferas já não davam conta de me manter habitável, meus vales foram ficando secos, todo o sentimento que fluía estava se perdendo no espaço, já não via mais promessa de continuidade, pois não podia se quer achar um arco-íris em qualquer canto, independente do quanto procurasse. Com tudo isso fui aumentando a minha órbita, desvencilhando-me naturalmente, para não me destruir. Meus anéis já não tinham brilho, eu não me via, mas sabia que não estava bem. 

        Coabitando a mesma localização e girando a uma distância de dias luz, segui, segui sem a esperança de mudança, em um estilo bem Clariciano. 

        Passei algumas poucas vezes por um certo corpo celeste, até que resolvi ir conhecê-lo. Ele era lindo... Uma estrela diferente de todas as outras que habitam o céu, seus raios era suaves e intensos, suas tempestades eram de doçura e atenção, a radiação transmitia reciprocidade, composto de carinho, que queimava paixão.

        Extasiado por seu encanto, mesmo distante, comecei a orbita-lo. Adentrando uma rota sem volta, lancei-me nessa empreitada. Pedi o respaldo de minhas luas, que não foram muito claras, mas explicitaram que ali era o meu lugar.

        Em uma térmica ascendente, fui mais rápido que um cometa, até que fiquei próximo a ele, parei a minha atenção, não queria perder um só segundo da volúpia de estar na sua companhia. Entre olhos fitados, havia apenas o silencio da imensidão, para que nada interrompesse a linguagem incompreensível a mente que o sentimento do olhar tem. Senti todo o calor do seu afeto, suas palavras fizeram ressurgir a vida em mim, meus campos floriram, meus bosques reavivaram-se, as borboletas voltaram a pairar com os beija-flores e as cachoeiras recuperaram sua força. 

        Ele era uma estrela solitária, ao meu ver, disse-me que eu era a "Lux da sua vida". De início eu ri, pois ele tinha um jeito bobo de falar, mas, mal ele sabia que a luz que ele via em mim era reflexo dele mesmo. Foi um magnetismo inesperado, senti que pertencia a ele e ele a mim, como se meu espaço já estivesse ali, esperando-me. A consumação de todos meus anseio, de meus desejos e aflições. 

        Por mais que eu queira estar sempre próximo dele, a vida ainda não permitiu, minha rota elíptica é ovalada, onde só tenho um contato próximo de tempos em tempos, mas, o encanto é que não perdemos nossa ligação, pois independente da distancia posso sentir o calor do seu afeto. 

        Por ser composto de carinho, em seu núcleo há algumas instabilidades, o que faz com que ele transpareça medo em sua coroa, mas nada que não seja recondicionado e estabilizado com reflexos visíveis de amor.

         Viciado em estar em rotação plena e inebriado por tudo isso, fui convidado a dançar. Ele me escolheu para ser seu par e nos concedemos o direito dessa dança cósmica que haverá de durar até o final da eternidade desse amor.

     

  • A tríade do mau em si

    Decidiu ir muito mais além do que se possa imaginar em sua estadia no plano físico-orgânico e tridimensional. Resolveu descortinar-se, despindo do manto de ignorância da sua própria persona programada, alienada e fragmentada. Parou de culpar o mundo… as pessoas… as coisas… tudo! Vira a culpa em si mesmo, e se vendo em sua dramática lastima percebeu-se sabotador de si mesmo, porquanto, ainda não se conhecia.

    A medida em que se observava, vira a tríade mental do seu ser mundano e civilizado psicológico: o EU INTELECTUAL; o EU EMOCIONAL; o EU SEXUAL. E se viu em uma sala completamente espelhada, em que cada ‘EU’ do triângulo de si, se multiplicava infinitamente no amago de sua personalidade inconstante e provisória.

    Ao se perceber equacionado em si mesmo… expressadamente contido entre parênteses, colchetes e chaves. Multiplicado e dividido meditou em manter a ordem dos fragmentos opostos, para por último se resolver em fatores de subtrações e adições, em toda complexidade de somatórias minimalísticas, entre efêmeras igualdades e variadas situações dos seus multifacetados ‘eus’ aplicativos do mau em si.

    Muito além de sua complexidade mental psicológica… degenerativas de todos os orgânicos e inorgânicos sentidos do corpo-mente… em que o ‘EU INTELECTUAL’ se aplica, elaborando seus conceitos e preconceitos a partir das múltiplas percepções externas e internas que adultera a Arte Sagrada, a Filosofia Primordial e a Santa Religião… o que já era pesado demais para resolver… tinha ainda que lidar com o automatismo instintivo do seu corpo físico-orgânico, pelo qual confeccionara o ‘EU SEXUAL’. Porém, mais ainda perigoso e desastroso, entre outros e esses fatores… era lidar com o insaciável e temido ‘EU EMOCIONAL’, a cabeça do meio do Dragão-de-Três-Cabeças, em que os outros dois ‘eus’ eram-lhes subservientes.

    Fora impactado pela tríade do ‘EU’ desde o nascimento, o que adoecia o corpo-mente, levando a uma total inconsciência ignorante de si, do outro e ao redor na cadeia ponto-espaço-tempo. Passara por longos e agoniantes momentos de transformações decadentes, ao receber do mundo exterior falsas imagens e impressões da realidade descendente em infra-normalidades, se afeiçoando as falsas qualidades antagônicas terrivelmente negativas do materialismo, baixo espiritualismo e vaidosas “verdades” sociais, econômicas e étnicas de si. E assim, decidira com afinco trabalhar na educação de sua forma infra-humana enfrentando o Dragão-de-Três-Cabeças, o Macho Alfa de suas bestialidades, brutalidades, temores, vaidades, traumas, vícios, costumes, psicoses e luxurias… a parte do partido egocêntrico, humanoide-animalesco em que adormece e entorpece a Sagrada Consciência Divina em sua gnose.

    Assim, almejava o retorno a sua Pureza Original, ao se render as espadas flamejantes das sentinelas-querubins que guardavam o caminho de acesso à Árvore da Vida.

    Aprofundando-se mais e mais em si mesmo, silenciou-se em sua retorta, destilou-se no Alkahest (solvente universal) de sua vontade, para ser posto em uma das câmeras do At-tannur (forno alquímico) de sua consciência, almejando ser purificado dos constituintes de seus ‘eus’ em sua solitária espargia espiritual.

    Os muitos questionamentos… as muitas perguntas… o excesso de gesticulações… as queixas e tagarelices de si, e as reclamações do mundo externo… o que não era ou estava bom em sua vivência… a falta de atenção e elogios alheios não mais o perturbavam em sua busca meditativa, em íntima contemplação.

    Apenas deixou-se ser arrastado pelo Rio (o Criativo), guiado em inércia e não-ação para o Mar (o Receptivo).

    Assim!

    O Amante, em Amor, uniu-se ao Amado…

    O Masculino penetrou o Feminino…

    O Homem conheceu a Mulher…

    O Pai gerou o Filho na Mãe…

    O Céu cobriu a Terra…

    O Sol em sua potência iluminou a Lua…

    O Criador, na Criação, manifestou-se em Criatura…

    E o Fogo Sagrado derreteu o tenebroso gelo nos empedrados corações.
  • A verdade sobre a confiança

    A algumas semanas pensei ter conquistado a tão famigerada confiança. Estava confortável com minha vida profissional, amorosa , acadêmica e segura de mim de uma maneira que nunca tinha estado antes .
    Porém hoje, uma amiga estava com problemas e conversei horas tentando acalma-la e faze-la ver a razão. Minutos depois outra amiga nossa chegou na conversa e com excessão de alguns pequenos pontos insignificante, disse exatamente a mesma coisa que eu, porém dessa vez nossa amiga triste entendeu, agradeceu os conselhos para ela e foi embora. Nesse momento me senti extremamente incapaz , como se eu não fosse capaz de dar bons conselhos ou não fosse uma fonte confiavel.
    Sentei alguns minutos e precisei me lembrar que não tem nada errado comigo , que a meninas dos conselhos não é superior a mim . Uma avalache foi aberta dentro de mim por algo tão pequeno. Será que todo essa confiança é real ? E a minha resposta a essa questão é : Sim, é real.
    Não é porque ruimos em um dia , porque nos questionamos se estamos fazendo as coisas direito, porque alguém melhor que você em algo te abalou que você nunca foi confiante, só significa que naquele momento especifico você não é . Se abalar com o talento dos outros não é bom, mas é completamente natural, pois nós somos humanos, não gostamos de perder. Mas, levantar e ver que assim como você aquela pessoa tem erros e problemas, e que você não é superior nem inferior , mas sim igual a ela , te faz transceder sua natureza humana . Lidar com sua falta de confiança não só faz com que ela se recupere com a faz voltar melhor que antes , e acredito que seja para isso que ela se abala , evolução.
  • A vida de uma Pimenta

    Comer a mais no café se tornou rotina. É uma maneira de evitar o contato prolongado com quem eu mais amava: meu pai.
      Depois do meu pedido de ajuda, a vida se virou de ponta cabeça. Depois do meu suicídio mal sucedido, minha cabeça começou a trabalhar num escritório e ter que ler vários artigos por dia.
      Bom, vamos ao ponto. A verdade é que sou depressiva bipolar e fóbica social. Mas a vida não tão difícil quanto pode ter passado em sua mente. Sou bem aberta à recepcionar pessoas e ouví-las. Só entro em pânico quando tenho que ir ao shopping. A vida só ficou complicada mesmo quando meus pais decidiram que eu não podia mais ficar sozinha. Isso mesmo. 24 horas por dia, vigiada. Além disso, comecei a ter o senso de que meu pai estava se aproveitando de nós, minhas irmãs e eu, para fazer tudo na casa, enquanto ele se sentava ao sofá. Sabe aquela VELHA história de que o homem trabalha fora de casa e a mulher dentro? Pois é, acontece aqui. E foi assim que as brigas começaram; que a distância se tornou refúgio e que eu comecei a perder o senso.
      Quero contar essa história do início. Mas é uma LON______GA história. Então, se você quiser/puder ficar, conto tudo direitinho....
  • A vida passa, meu amigo!

    Sempre me empolguei com relatos parecidos com o que vou escrever aqui. Mesmo cobiçando a atitude e me identificando com o estilo de vida, eu continuava sentado, esperando pelo dia que eu pudesse ter coragem de fazer a mesma coisa. Eu pensei que não faria nunca. Mas eu fiz, e quero te contar sobre os motivos que me fizeram me desvencilhar do meu trabalho.

    A vida passa, meu amigo. E é só por causa disso. Não vai valer a pena no final. Me vi dentro de uma maratona para ganhar dinheiro, subir de cargo e bater campanhas. Previ minha vida inteira aos 25 anos de idade, e sinceramente, foi chato demais! Não dá pra eu me matar de trabalhar agora porque eu deveria me preocupar com a educação de filhos que eu nem tive ainda. Não dá para desperdiçar uma vida inteira, porque eu deveria pensar na aposentaria. Além de corrermos o risco de nem chegarmos lá, essa estabilidade poderá ter acabado, e também mesmo que ainda exista e cheguemos lá, de que valerá a estabilidade se a vitalidade já se foi? Talvez eu olhe para trás e veja que fiz um péssimo negócio. Não dá mais para trocar experiências de vida por bens materiais e acúmulos de contas. Se não for para se aventurar, não fará sentido essa vida. É estranho, controverso e talvez esse texto não servirá para você, como uma peça de roupa que não entra, não veste bem, e não fará o menor sentido usar. Não use! Vivemos um tempo acelerado que me parece de propósito, para que não tenhamos tempo para pensar e notar o que importa. Importar, trazer pra dentro. O trânsito está cada vez mais acelerado, as pessoas estão cada vez com mais pressa e perdemos o respeito pelos outros. O excesso de futuro tem nos deixado doentes. Se a gente soubesse ao pé da letra que vamos morrer um dia, a gente faria tudo diferente. Mas nós não sabemos disso – não é? Eu quero desacelerar, ir com calma. Embora isso não quer dizer que perderei o sangue nos olhos e minha necessidade do já. A verdade é que eu tenho tanta coisa para fazer que não posso perder mais 1 dia da minha vida fazendo algo que não me representa mais. Cresci e não estou mais cabendo dentro desse sistema maluco de passar cartão, ficar preso por mais de 9 horas e tirar míseros 30 dias de descanso dentro de 1 ano inteiro. O salário é bom, mas não paga a conta. O mundo é demasiadamente grande para ficarmos num só lugar, fazermos sempre a mesma coisa e não nos atrevermos a arriscar por temer o que é novo.

    Há 7 anos atrás eu entrei nesse trabalho e interrompi diversos planos na minha vida, fiz faculdade de administração - da qual nunca tive vontade - porque eu precisava ser promovido na minha empresa. Não vou dizer que me arrependo. Esse trabalho me trouxe privilégios, me abriu portas e me apresentou um universo totalmente diferente do que eu vivia, e eu quis fazer parte dele. Com isso adquiri conhecimentos diversos e conheci pessoas encantadoras que vou levar pra sempre. Já fui destaque regional, já me vi nas primeiras posições em nível nacional, tive promoções rápidas e acabei indo mais longe que eu poderia prever anos atrás enquanto eu amarrava meu jaleco escrito “posso ajudar? ”. Mas antes de tudo isso, como eu mesmo disse, deixei muita coisa pra trás. O plano A, que estava esquecido, ressurgiu com força, me fazendo repensar minha vida inteira, trazendo à tona meus sonhos e planos que eu cultivava desde criança - e que sim, acabaram sendo mais inteligentes que minhas escolhas atuais porque sempre tiveram mais verdade e coragem -, o que me colocou frente a frente a mim. E o que era pra ser um encontro doloroso e desastroso, foi de um leve estranhamento para uma compreensão acolhedora quando me olhei e disse pra mim mesmo: “Ei! Aí está você! Por onde andou esse tempo todo? Eu estava com saudade”. E antes que eu caísse em lágrimas, essa mesma voz conhecida e esquecida continuou: “É isso que você quer? Então vambora!!!”, e pronto. Foi o apoio que eu precisava.

    Quero compartilhar isso com você e deixar meu rastro como outros já fizeram, e dizer que eu não conheço você, não sei sobre as contas que você tem para pagar, sobre seus sonhos deixados no caminho, sobre os filhos que você tem que sustentar, e não estou dizendo para tomar decisões precipitadas que podem ferrar com tua vida. Quero apenas que aproveite ela. Olhe para você, seu redor, seu corpo que fala constantemente se suas escolhas estão te levando para o caminho certo. Você pode sim conversar com todo tipo de gente e colher as mais diversas opiniões, faz parte do processo e eu fiz o mesmo. Mas a grama do vizinho é sempre mais verde e as experiências dos outros não são como as suas. Ninguém poderá te ajudar porque ninguém sabe mais de você que você mesmo, acredite. A decisão é única e exclusivamente sua. Não temos certeza do futuro e o controle do mundo é uma ilusão. Mas nossas escolhas e decisões é a gente que dá, como cartas que jogamos para o universo e esperamos que prospere. Temos muito tempo para errar e fazer de novo, não há desculpas no jogo. Perdi amigos próximos que se soubessem que sua estadia aqui teria uma jornada tão curta, talvez teriam feito escolhas diferentes. Mas de onde estão, devem rir da nossa cara quando nos pegam aflitos, deixando a vida passar em troca de esmolas e rodeados de medos e conflitos bobos. A vida está acontecendo agora. Esse é o momento. E você?! Tem feito o que?! Quais histórias vai contar quando chegar lá?! Aposte nas suas ideias e faça suas escolhas. Essas mesmas que estão aí. E você vai ficar muito, muito contente por tê-las feito. Porque a vida passa, meu amigo! E é só por causa disso!
  • A zona (a pior das piores)

    As vezes sinto vontade de ficar
    E penso que é normal
    Mas se é tão habitual estagnar
    Porque minha vontade de correr é fatal?

    Como hedonê esse suplicio me seduz
    Para um mundo imovél essa vontade me conduz
    Mas como um resquicio de luz
    Uma força dentro de mim se reproduz

    Põe de volta o moinho em movimento
    Faz o dom quixote interno ser são por um momento
    Faz o que antes caia na simplicidade de um intento
    virar real e trazer contentamento

    Minhas mãos agora deslizam
    Acessos de inspiração e epifania transbordam em mim
    Ideias na minha mente cristalizam
    E se tudo for posto em seu lugar,
    Não serei o mesmo enfim

    Adrenalina usurpa-me o direito de falar
    Agora todo o meu ser se concentra em exercer
    Exercer o poder de criar
    poder este, que é de toda obra
  • Abstração de vida

       Dois meninos, deitados no capim que parece mais uma grama. Mesmo em cima da camisa, volta e meia o capim pinica as costas. Estão bem em frente para a estrada de asfalto, que trouxe o “progresso” a comunidade rural.
        Nenhum deles liga pro asfalto quente. Mas os carros que passam sobre ele sim. A escola era pela manha. Já tinham feito suas obrigações na roça e agora estavam ali a contar as três horas da tarde, quantos subiam e quantos desciam.
       Os que desciam eram de um, os que subiam do outro. Quando um carro dava marcha ré, não discutiam, negociavam ate chegar a uma conclusão. Alguém lembra que tem carros demais e diz “não, fica já tenho muitos da cor vermelha”, e o amigo respondia “não eu tenho muitos chevetes”. Doa o carro e fim de papo. Ambos possuem tantos carros que poderiam abrir ate uma concessionária
        Mas e as motos? As motos também, as bicicletas e ate os carros de mão. Estavam ali tão despreocupados. Não tem filhos para alimentar, educar, mulheres para cobrar nada deles. Por isso viviam assim, como diria o poeta “Êta vida besta meu Deus”.
       Um deles esboça um sorriso, o outro senti pena daquelas pessoas a descer e subir no asfalto, a passarela do progresso. Eles pouco se importavam com ele, queriam mesmo era sonhar que eram donos do que passava por ela.                                                              
  • Ação e Reação

    Tenho ouvido por ai a lei da ação e reação. Ela é usada em qualquer situação social e vou me ater, somente, no momento de desentendimento num relacionamento a dois, não vem ao caso qual seja o tipo de relacionamento, ampliarei para todas as classes, seja homo, seja heterossexual. Acontece que em momentos de conflitos conhecemos verdadeiramente quem é o nosso parceiro. Não é no sexo, nem no cinema, nem na casa da sua mãe, nem na viagem e no jantar romântico. É aqui (no desentendimento), que poderemos identificar qual é a sua personalidade e acredite: Se você não gostar da ação ou reação do seu parceiro, tome cuidado! Desde da violência física, verbal e consequentemente psíquica até aos atos de suposta traição ou desejo de trair. Acontece que no período de conflito é que demonstramos quem somos de verdade. O quanto de autocontrole e respeito para com o outro temos. Aqui demonstramos o nosso verdadeiro afeto e amor e o mais importante nossa índole. Se somos pacientes, altruístas, fieis, respeitosos e bondosos com o outro. O importante é se relacionar com quem lhe entenda e te aceite nos momentos felizes e saiba te tratar ainda melhor em tempos de conflitos. Mas por favor, saiba identificar e valorizar o comprometimento do próximo, pois você também está sendo analisado.
  • Acefalia aguda

               Muitos adolescentes brasileiros nascidos na primeira década deste século, e outros tantos jovens adultos da década de 90, se portam como verdadeiros doutores em História e Ciência Política. Pseudocríticos baseando suas vagas opiniões em velhos preconceitos, medos sepultados já há muito tempo e memórias deturpadas por pessoas que nem sequer puderam estudar História. Sem fundamentos empíricos e teóricos, não há História.
                Essa História, ciência da reconstrução do passado através dos vestígios deixados pelo homem no tempo e no espaço, é diferente da história, sucessão de eventos humanos em ordem cronológica e assimilável. O infante — geralmente aquele que filava as aulas de humanas, por considerarem-nas muito chatas ou irrelevantes para a formação profissional —, não saberá defini-la, pois não tem formação na área.
                Não saberá dizer também: Como se deu a conjuntura político-econômico de 1964? O que é uma Ditadura Militar? O que é um golpe de Estado? Como o Tenentismo contribuiu para a formação do “Superleviatã”? Qual o papel da extrema-esquerda na radicalização nas alas golpistas? Você já leu os atos adicionais e institucionais promulgadas pelo Executivo centralizador? O que é um político biônico? Etc.
                Você, que provavelmente deixará um ataque nos comentários desse texto e não uma crítica racional, não tem formação na área de História ou qualquer das Ciências Humanas. Não leu nem sequer um livro de História do começo ao fim e não viveu entre 1964 e 1985.
                Você caro leitor(a), provavelmente não viveu num período onde o salário diminuía na mesma proporção em que banqueiros enriqueciam com empréstimos bilionários com dívidas internas e externas. À censura. Uma época onde democracia se resumia a um bipartidarismo forçado onde o governo controlava ambos os partidos, seja com ideologia ou o braço forte da lei. A inflação galopante que elevava o preço dos alimentos. A precarização e privatização do ensino com a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Onde homossexuais não podiam servir ao Exército, considerados doentes mentais. Época em que prisões arbitrárias, sem amparo legal tinham o aval do Estado. Onde assassinos são heróis. Golpistas democratas. Submissos das potências estrangeiras patriotas. Um tempo e que tortura era política pública e terrorismo de Estado ação de legalidade constituinte. Você, é um mero produto desse período.
                Antes que venham as acusações, eu não sou filiado a partido político. Não sou sindicalista. Não milito em quaisquer ONGs. Nem pratico esportes radicais!
                Minha legitimidade para falar de Ditadura Militar? Bem, digamos que sou graduando em História. Tenho mais legitimidade do que você, ou um youtuber, um blogueiro, qualquer influencer ou “personalidade da mídia”. E o melhor de tudo, meu argumento se fundamenta em princípios teóricos e empíricos, de pessoas que estudaram décadas para chegar à conclusão de suas pesquisas, sejam elas quais forem.
                Mais que uma crítica, lanço aqui um desabafo. Eu tenho muita vergonha de pertencer a uma geração que tem como único objetivo viver em alucinado egotismo. Pessoas que tem como única preocupação adquirir curtidas de pessoas tão acéfalas quanto aqueles que postam fotos entupidas de Photoshop. Crianças mimadas carentes de atenção.
                Sinto nojo de uma nação que escolheu candidatos conservadores, que acusam os próximos dos crimes que eles mesmos praticam nas surdinas como os bons hipócritas que o são. De um país que trocou o seu desenvolvimento para ver o seu processo de conquista ruir como um castelo de cartas marcadas. Uma pátria que tem como único objetivo devorar os seus sonhos de seus filhos e filhas. Se incitar o ódio de héteros contra LGBT+, de homens contra mulheres, de jovens contra adultos, de sulistas contra nortistas, de brancos contra negros... de brasileiros contra brasileiros.
    Vou deixar aqui referências o suficiente para aqueles que cultivam a ignorância, amorteça o seu despreparo perante a realidade:
    LEI Nº 4.024, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html>  acesso dia 26/03/2019 às 23:29 Hrs
    LEI Nº 5.692, DE 11 DE AGOSTO DE 1971
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html>   acesso dia 26/03/2019 às 23:40 Hrs
    Reforma tornou ensino profissional obrigatório em 1971
    Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/03/03/reforma-do-ensino-medio-fracassou-na-ditadura>    acesso dia 26/03/2019 às 23:48 Hrs
    Os currículos de História e Estudos Sociais nos anos 70: entre a formação dos professores e a atuação na escola
    Disponível em: <http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Elaine%20Louren%E7o.pdf > acesso em 26/03/2019 às 00:02 Hrs
    "O desafio de ensinar História durante o regime militar"
    Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/o-desafio-de-ensinar-historia-durante-o-regime-militar-ehc3qh8l0viwed9l42wawrz9q/>  acesso dia 27/03/2019 às 11:25 Hrs
    OS ESTUDOS SOCIAIS E A REFORMA DE ENSINO DE 1º E 2º GRAUS: A “DOUTRINA DO NÚCLEO COMUM”
    Disponível em: <http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1439700335_ARQUIVO_OSESTUDOSSOCIAISEAREFORMADEENSINODE1E2GRAUS.pdf> acesso dia 27/03/2019 às 11:43 Hrs
    Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/documents/186968/485895/Estudos+sociais+no+1%C2%BA+grau/4e96a598-50ec-491d-ab72-4ce2c50a9f3d?version=1.3> acesso dia 27/03/2019 às 12:00 Hrs
    Decreto nº 66.600, de 20 de Maio de 1970
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/decreto-66600-20-maio-1970-408046-publicacaooriginal-1-pe.html> acesso dia 27/03/2019 às 12:07 Hrs
    ARNS, Dom Paulo Evaristo. Brasil: nunca mais. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.
    BANDEIRA, Moniz. O governo João Goulart e as lutas sociais no Brasil (1961-1964). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.
    BRITO, Maurício. Capítulos de uma história do movimento estudantil na UFBA (1964- 1969). Salvador: EDUFBA, 2016.
    CARDOSO, Lucileide Costa. Criações da memória: defensores e críticos da ditadura (1964-1985). Cruz das Almas-BA: UFRB. 2012.
    DANTAS NETO, Paulo Fábio. Tradição, autocracia e carisma: a politica de Antonio Carlos Magalhães na modernização da Bahia (1954-1974). Belo Horizonte; Rio de Janeiro: Ed. UFMG; IUPERJ, 2006.
    DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do estado, ação política, poder e golpe de classe. Petrópolis-RJ: Vozes, 1987.
    FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (org.). O Brasil republicano: volume 4: o tempo da ditadura: regime militar e movimentos sociais em fins do século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
    _____; REIS, Daniel Aarão (org.). Nacionalismo e reformismo radical (1945-1964). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. (As Esquerdas no Brasil, v. 2).
    _____; GOMES, Angela de Castro (org.). 1964: o golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.
    FICO, Carlos. Além do golpe: versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Rio de Janeiro: Record, 2004.
    _____. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 24, no. 47, p. 29-60, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbh/v24n47/a03v2447.pdf>. Acesso em: 13 mar. 2019.
    _____. O golpe de 1964. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2014.
    _____. Ditadura militar brasileira: aproximações teóricas e historiográficas. Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 9, n. 20, p. 05 ‐ 74. jan./abr. 2017. Disponível: <http://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180309202017005>. Acesso em: 13 mar. 2019.
    FIGUEIREDO, Argelina Cheibub. Democracia ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
    GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
    JOSÉ, Emiliano; MIRANDA, Oldack. Lamarca: o capitão da guerrilha. São Paulo: Global, 2004.
    LEME, Caroline Gomes. Ditadura em imagem e som: trinta anos de produções cinematográficas sobre o regime militar brasileiro. São Paulo: Ed. UNESP, 2013.
    LIMA, Thiago Machado de. Pelas ruas da cidade: o golpe de 1964 e o cotidiano de Salvador. Curitiba: CRV, 2018.
    MENDONÇA, Sônia Regina de; FONTES, Virgínia Maria. História do Brasil recente: 1964- 1992. São Paulo: Ática, 1994.
    MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
    NAPOLITANO, Marcos. O regime militar brasileiro: 1964-1985. São Paulo: Atual, 1998.
    _____. O golpe de 1964 e o regime militar brasileiro. Revista Contemporánea: história y problemas del siglo viente. Montevideo, v. 2, p. 209-218, 2011. Disponível em: <http://www.geipar.udelar.edu.uy/wp-content/uploads/2012/07/Napolitano.pdf>. acesso em: 13 mar. 2019.
    _____. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.
    PAES, Maria Helena Simões. A década de 60: rebeldia, contestação e repressão política. São Paulo: Ática, 2001.
    REIS FILHO, Daniel. Ditadura militar, esquerdas e sociedade. São Paulo: Jorge Zahar: 2000, p. 33-73.
    _____. Ditadura e democracia no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
  • Acorde como um sonhador

    Acorde como um sonhador, levante como um vencedor e viva como uma pessoa realizada
  • Adverso a mim

    Uma vez um professor me solicitou um epílogo sobre a minha própria vida. Onde eu contasse algo pessoal, talvez ate peculiar, para que eu pudesse assim, me definir. Isto é, que por hora, me fizesse enquadrar ou desenquadrar em algo, e de alguma forma pertencer há alguma objetificação. E ser aspirante a escritora, é cômico. Em sua cabeça, quando solicitado alguma escrita, é sempre sobre os outros, sejam eles quem forem, ou ate às vezes fica a critério da capacidade imaginária e vagante do seu próprio inconsciente. Entretanto, dificilmente é sobre você mesmo. Tal pedido soa muito íntimo. Se autoanalisar para entreter algo ou alguém, e soa também intimidador, ser forcado a olhar para suas sombras no desejo de seguir surpreendendo um possível leitor, positiva ou negativamente. As minhas trajetórias sempre foram complexas, algumas ate demais. Mas, sem nenhuma intenção de me tornar um livro aberto, eu vou me deliciar em contar apenas alguns fragmentos sobre mim — não os melhores, e nem os piores — apenas fragmentos dessa mulher que me tornei hoje. E para isso, eu vou começar fazendo uma analogia a água, assim acredito que será mais fácil compreender a sequência de dores e sabores, de partes dessa trajetória. Imagine comigo uma cachoeira, e pense em seus diversos elementos: o que a compõe, qual o seu fluxo, quais são as suas fases, e qual é o seu início e o seu fim, mas sempre mantendo em mente sua interminável jornada. E assim, podemos começar analisando seu elemento chave, a própria água. Um conglomerado de átomos que se materializa em algo que podemos definir, palpar. Fluida, adaptável, onipresente, e o mais fascinante, eterna. E a água sempre me seduziu muito, e se estou sendo bem sincera, continuadamente me sinto perseguida por ela. Sou leonina ferrenha, e com muitos componentes de fogo no mapa astral — sem um elemento de terra para promover um nivelamento — e me vejo com um ascendente e uma lua em peixes. Nunca cheguei a uma conclusão se isso seria um carma cósmico ou uma dádiva. Logo, durante um momento de angústia em minha vida, esbarrei com uma taróloga, que além do baralho convencional, ela também abriu um oráculo para mim, de forma intuitiva, e era o oráculo dos cristais de água. Ele é baseado nos estudos do Dr. Masaru Emoto, que chegou a conclusão em suas análises que as moléculas da água são afetadas pelos nossos pensamentos, sentimentos e palavras. E na primeira carta de três, onde eu supliquei por um conselho de vida, a carta contava a história de uma montanha milenar no Japão. Eu fiquei deslumbrada com aquela coincidência e me sentei focada, enquanto escutava atentamente cada palavra que ela me dirigia. E ela começou me explicando que em uma das maiores montanhas do Japão, era encontrada a nascente mais pura em seu pé. Mas, que a água passava por poucos bocados, como ela gostou de dizer, para chegar ate lá intacta. Ela precisava mudar de forma, se transmutar, ser esmagada e comprimida, por rochas e por terra, para chegar em seus afluentes, e que, mesmo com tantas adversidades, ela resistia aos infortúnios, e chegava em seu destino como era em sua essência, pura. E eu, enfeitiçada com a história, esperei inquieta meu conselho de vida, que acabou na hora sendo um pouco desapontador, ela me disse: “Seja como a água, Rafaela.”. Porém, com o passar do tempo, tudo foi se tornando mais claro, e eu realizei que foi um dos melhores conselhos que já havia recebido. Até porque, na vida, muitas vezes queremos e buscamos incansavelmente, o ápice. O ápice de um momento, o ápice de uma história, o ápice de um relacionamento fracassado, ou o ápice máximo de prazer em diversas lascas de nossas vidas. E dessa maneira, esquecemos de apreciar as circunstâncias, esquecemos de refletir que dessa vida que nos foi dada, não terá outra igual. Então, como humana, como carne, eu decidi que era o momento de parar com os excessos e curtir os processos — sejam eles de dor ou de amor — e pensar nas coisas simples que estão todos os dias aqui me fazendo feliz. Um sorriso, um flash, o beijo que você me deu. O meu coração acelerado toda vez que eu vejo aquela fotografia. Tão trivial. Tão surpreendente bom de viver.
  • Ainda espero por aquela pergunta.

    Passei anos da minha infância esperando que alguém notasse que por trás daquela criança, existia uma alma carente… esperando por uma simples pergunta.
    Foram várias noites me perguntando onde estava minha mãe, apesar de eu saber a resposta (no quarto ao lado) era como se ela nunca fosse me alcançar, até porque hoje eu posso dizer que "ela" é a pessoa que menos me conhece.
    E é por isso que ainda me sinto tão sozinha, acho que ainda espero por isso… por aquela pergunta que me fez passar noites chorando esperando por alguém.
    Ainda me lembro do olhar das pessoas… até porque sempre fui a criança esquecida na escola, deixada na reunião ou privada simplesmente de conversar com os próprios pais… eu fui a criança que os outros pais sempre olharam de lado, por dó! Eu era a filha de alguém que estava sempre sozinha e sempre mentindo, quando me perguntavam "Onde está sua mãe" eu respondia e inventava histórias interessantes, até porque até para uma criança dizer que foi esquecida era difícil… hoje eu escutei que em cabeça de criança só coisa de criança e isso me fez lembrar que na minha cabeça era tudo difícil e complicado… a resposta nunca era compatível com a idade, eu sempre me preocupei com a visão das outras pessoas sobre mim… porque apesar de ser uma peça quebrada eu odiava ser vista assim… eu apenas queria ser algo a mais ou ao menos algo igual.
    Essa culpa que sinto tem muitos nomes mas o principal é Mãe, porque a minha não estava lá, ela estava preocupada tentando sobreviver e viver a vida que ela havia perdido, assim como eu minha mãe foi privada de afeto materno, minha avó a abandonou cedo e isso refletiu em mim porque eu também fui abandonada emocionalmente cedo… a preocupação da minha mãe era me alimentar, era só essa a preocupação! Afeto, carinho ou qualquer palavra de incentivo era luxo, não fazia parte da minha realidade… por isso eu as inventava na minha cabeça, como toda criança eu inventava histórias onde eu era uma filha com uma família…
    Ainda tenho essa mania de criança… ainda choro a noite sozinha quando me sinto triste e ainda espero por alguém me fazer a pergunta. É algo que faço há anos e ainda ninguém sabe.
  • Alguém

    Ai você para pra pensar e olhar pro lado
    E descobre que, quem você queria que estivesse do seu lado, na verdade... Já foi embora... Descobre que as lembranças que você alimentava e a saudade que se alimentava das suas lembranças estão agora se alimentando de você
    Os únicos pensamentos que lhe vem a cabeça são os melhores e os piores dependendo de como se olha... Mas você não quer nenhum deles...
    Não quer esquecer e tentar ser feliz sem aquele alguém... Não quer morrer e tentar ser feliz sem você mesmo...
    A única coisa que parece realmente ser o que você quer... É aquele alguém.
  • Alguém Politicamente Incorreto.

    Nunca quis alguém perfeito;
    Nunca quis um super-homem;
    Não quero um super herói;
    Não quero alguém que haja como um ser humano politicamente correto;
    Não quero alguém que não erre;
    Quero alguém que erre;
    Que peça desculpas;
    Alguém que chore;
    Alguém imperfeito;
    Um anti-herói;
    Alguém que tenha medo,e que nem sempre seja corajoso;
    Quero alguém que procure em mim um ombro para chorar,um abraço quente para se encolher e ficar.
  • Alguns de Nós

    Biu faz bico de homem-aranha para completar o orçamento. Estava pulando e dançando num daqueles ônibus turísticos da cidade.

    Na terceira fileira de trás para frente, na janelinha, um garotinho de nove anos observa o herói. Sabia que não era o verdadeiro, mas estava admirado assim mesmo. Queria ser um super-herói mais do que tudo na vida.

    Na calçada, uma senhora de meia idade enxerga os olhinhos brilhantes do menino que passeia despreocupado no ônibus. Sempre dizia que não, mas no fundo queria muito ser mãe, sempre quis. Agora era tarde, estava velha demais.

    A poucos passos um jovem casal passeia de mãos dadas. Cada um imerso em seus próprios pensamentos. O rapaz vê a coroa que caminha à frente e dá asas à imaginação. Tinha tara por mulheres mais velhas e aquele bumbum tinha o tamanho e o formato que ele mais cobiçava.

    Encostado na porta de correr de uma loja falida, um mendigo finge dormir, mas acompanha o casal que passa. Roupas de marca, cortes de cabelo impecáveis, vida ganha. Lutava todos os dias por um prato de comida, mas não culpava ninguém por suas desgraças. Trocava o prato de comida que fosse por mais uma dose. De preferência direto na veia.

    Estressado, um senhor de cabelos branquinhos passa olhando tudo ao redor. Pensa em como vai conseguir terminar o mês só com sua aposentadoria. Não dá para viver de forma digna e ser honesto ao mesmo tempo. Teria que escolher. Quem dera não tivesse que se preocupar com isso, como aquele mendigo. Sujo, faminto, mas dormindo em horário comercial de um dia útil.

    A estagiária mal começou sua carreira e está por um fio. Sobrecarregada com tanto trabalho, nem sabe por onde começar suas tarefas. Já paga a previdência, e conta os anos que faltam para se aposentar. Aquele senhor, por exemplo: passeia a hora que quer. Nem precisa pagar ônibus. Mas falta muito ainda. Falta tudo!

    De bicicleta o entregador escuta seu walkman enquanto procura o número do prédio em que deve deixar o pacote. Tem fome, e não ajuda em nada ficar entregando sanduíches por aí. Do seu destino sai aquela gatinha, a estagiária. Cara, quando teria coragem de falar com ela? Essa sim era para casar, tinha um futuro e tanto.

    De terno, gravata e pasta na mão o advogado percorre o caminho de seu carro até o escritório. Faltava mais uma quadra e parecia que ia morrer. Suava por causa do calor e amaldiçoava a vida por não ter uma vaguinha mais perto. De que adiantava ser um dos sócios do escritório e sofrer desse jeito? Queria estar como aquele rapaz, que passa o dia trabalhando de bermuda e camiseta, guiando uma bicicleta. Trocaria na mesma hora se desse para manter seu salário.

    Biu largou a faculdade no primeiro semestre. Sonha em voltar e, algum dia, trabalhar em um escritório, andar chique e elegante de terno e gravata, como aquele cara. Por enquanto, não tinha jeito, precisava dar duro fazendo bicos de homem-aranha.
  • Alinhavo

    Meus predencimentos tomaram
    minha mente no bailar dos meus pés
    pela rua, hoje à tarde.
    A sondagem de uma voz
    dizia-me uma única frase.
    E dela, sem mais delongas do pensamento
    e a cada passo dado,
    mais e mais costureiras trabalhavam
    no interior do meu guarda-roupas,
    naquela mistura de panos velhos e sujos.
    Arrumados e amarrotados.

    A cada linha introduzida, mais
    e mais  aguilhoadas.
    E era assim em cada parada.
    Em cada canto da estrada.
    Em cada conversa, onde o sorriso
    deveria permanecer nítido,
    para que os lançaços não
    se lançassem ao chão em forma d'àgua.

    As ruas da cidade me consomem
    em nostalgia nas vertentes em
    que a meninez palpita no peito.
    A admiração alheia à um corpo formado
    e uma face que lhe dizem "bela",
    desvela a modestidade e a gratidão.
    A bola rolou uns quilômetros a frente
    na solidão dum aro de borracha
    preso ao chão. 

    No avanço, o balançar do balanço
    foi interrompido pelos miúdos
    completamente tomados de ingenuidade.
    Rotulada de tia, o favorecimento
    para seus sorrisos fez-me bem ao coração.

    - Deleitos à uma maçã? Que banzo do meu pirulito de morango vermelho igual aos meus brincos e meu batom. Maldito e bendito seja o tempo, que mudou tudo de tom!

    Nas últimas colisões,
    os alvitres valeram apena, crendo estou!
    A última costureira terminou seu Alinhavo
    e no Ponto de Cruz a nota da voz que sondei,
    dizia-me:
    "Hoje você carrega nos ombros
    o peso de inspirar pessoas,
    isso é tudo que te restou!"
    De sopro em sopro ao lagrimar pela rua,
    Vênus me acompanhou...
  • Alvorada lírica I - Hospitalidade

    Versos livres
    Feitos no improviso
    Poema-desabafo
    Que dispensa rimas
    E firulas quaisquer

    Entrego-me
    De braços abertos
    À tudo que me consome
    Destrói, devora, aniquila
    Desfecho letárgico

    Só penso
    Naquilo que não tenho
    Nas perdas que carrego
    Efígie do fracasso
    Maldito seja o vosso nome

    Só sinto
    Uma ira desenfreada
    Verdadeira fúria inexorável
    Que não posso extravasar
    Sem ferir alguém

    Ódio
    Que se volta a mim
    Represado no meu íntimo
    Implodindo cada célula
    Até me fazer ruir

    E agora
    Que estou em ruínas
    Desencantado da vida
    Decido plasmar tudo
    Em poesia

    Então vem
    Negatividade
    Aninha-se no meu colo
    Que hoje te prometo
    Afagos e cafunés

    Afinal, velha conhecida
    Certamente viria
    Ao meu encalço
    Novamente

    Tudo bem
    Tem cama pra mais um
    E eu já estou indo aprontá-la

    Mas o faço com uma condição:
    Não se esqueça, por favor
    De que é visita

    Estamos de acordo?
  • Alvorada lírica II - Queda livre

    Desabafo que prossegue
    Tamanha a aflição
    Mente esvoaçante
    Que trabalha a milhão

    A rima voltou
    Mas a paz não
    Culpa a me corroer
    Autodepreciação

    Olho ao meu redor
    Vida em frangalhos
    Nada há de útil
    Ou mesmo retalhos

    De uma história decente
    Condição de indigente
    Infame e perpétua
    Força decadente

    Céus, quando foi que tudo
    Deu errado deste jeito?
    Raios, como ver beleza
    Neste processo imperfeito?

    Pois só vejo trevas
    E escuridão
    Contemplo um mar morto
    De pura desolação

    Se arrependimento matasse
    Já seria um morto-vivo
    Zumbi por excelência
    Decrépito nativo

    Da terra dos descaminhados
    Aqueles que se perderam
    E nunca mais se acharam

    Ecoa a pergunta
    Retumbante e incômoda

    O que foi ?
    Que eu fiz ??
    Com a  p**** ????
    Da minha vida ????????
  • Alvorada lírica III - Fênix

    Ufa!
    Adormeceu
    Posso aproveitar este momento
    Para gozo meu

    Poxa, que drama
    Tempestade num copo d’água
    Mas agora vejo o copo
    Antes, visão enevoada

    Enfim, há muito a reclamar
    Lamentar, lamuriar
    Chorar, espernear

    Assim como há muito a aprender
    Escolher, fazer
    Rever, ser

    E é por isso que vou prosseguir
    Corrigir, persistir
    Mas jamais desistir

    Já que tantos tropeços
    Me fizeram cair
    E o que foi que eu fiz?
    Levantei,
    Sacudi a poeira,
    E me reergui

    Eis o que farei
    Mais uma vez.
  • Amadurecer É Um Luto Constante

    Crescer é uma perda;
    Digo por experiência própria que crescer é uma perda como qualquer outra;
    Tudo acontece tão de repente, sem aviso algum, e isso é crescer, aprender a navegar numa tempestade;
    Não tem aviso ou preparo, é tudo jogado sobre você;
    Você sofre perdas, perda do que você fazia antes, perda daquela inocência e daquele carinho que você recebia;
    Mas quem entenderia? Se nem quem sofre a perda a entende.
  • Amanhã é quarta-feira

    Amanhã é quarta-feira e eu não tenho previsão de nada, não tenho previsão de voo, não tenho previsão de resposta da Camila, aliás, não tenho nem previsão de viver. Se eu estiver vivo amanhã é uma dádiva de Deus.
    Depois eu termino aquele texto que comecei, por hora me falta inspiração.
    Quero ficar quieto no banheiro, tomar um banho de uma hora, depois meditar, depois tocar violão e pensar na Camila, ouvir um bom som do Tom e pensar na minha vida.
    Talvez sempre tenha acreditado e sentido a lei da atração, mas acho que ando entorpecido com o excesso de realidade, a vida é como é. Confesso que ando me machucando um pouco, poderia pegar mais leve comigo mesmo. Poderia, se não acreditasse na atração, daí pensaria menos no que eu quero.
    Poderia, se ficasse indiferente a realidade nua e crua.
    Poderia, se nunca tivesse alçado voos lindos.
  • Amante da Guerra

    Tenho te observado por um tempo, admito, não pude deixar de notar esses olhos achocolatados oceânicos, quero saber mais do que apenas seu nome, amante da guerra, quero saber mais, mais e mais. Estou à 45 passos de você, e mesmo assim estou tão longe, não posso te alcançar por que não sou digna de ti, e nunca serei, meus pés nunca poderão andar 45 passos até os seus, nunca irei saber nada além de seu breve nome.
    Me sinto uma tola por ficar te procurando por aí, esperando que me procure também apesar de nem saber quem sou, desejo coisas que sei que não acontecerão e que não me esforçarei para que elas aconteçam, eu o quero. Mas somente assim, onde eu o observo você não pisa em meus sentimentos, onde 45 passos são o suficiente para me manter distante de ti, onde eu posso te querer legalmente e onde posso fantasiar sobre um dia em que você poderia me querer também.
  • Ame-se

    Quer um conselho?
    Ame-se! Perdoe-se! Permita-se!
    Evite comparações, você não precisa ser melhor que ninguém para ser bom.
    Seja a melhor versão de você. Seja hoje melhor do que foi ontem, não precisa ser nada grandioso. Pode ser um pequeno gesto ou um grande ato, o importante é que você procure evoluir sempre.
    Faça por você o que os outros não fazem. Não abandone a você mesmo. Não negue-se respeito, amor ou cuidado.
    Ninguém melhor do que você mesmo sabe o que passou.
    Ninguém melhor que você sabe o quanto doeu.
    Ninguém sentiu o que você sentiu.
    Ninguém sabe o peso que você carrega/carregou nos ombros.
    Ninguém sabe a força que você fez pra levantar ou o tamanho da angustia que te impedia de pegar no sono.
    Ninguém pode saber ao certo. Ninguém está/estava na sua pele.
    Então ninguém melhor do que você sabe da sua força pra suportar, pra levantar e pra seguir.
    Ninguém melhor do que você pra se admirar, pra saber do que é capaz. Ninguém pode conhecer você melhor que você mesmo.
    Ninguém melhor do que você conhece seus limites.
    Ninguém vai fazer tão bem se te amar quanto você pode fazer se amar a se mesmo.
    É importante ser amado? Sim, claro.
    Mas mais importante é amar-se.
    Confie e ama-se porque ninguém te conhece como você mesmo.

    Você é uma pessoa incrível!
  • Amigos De Verdade?

    Querido Amigo,
    Nós passamos por tantas coisas juntos.Brigamos mas nos perdoamos,eu ainda não sei o motivo do nosso afastamento.Fomos tão fortes o tempo todo,nunca nos mantemos fracos perto um do outro.Agiamos deste modo sempre.Acho que foi por causa disso que nós nos afastamos,ser forte o tempo todo cansa.Eu sinto muito por cada palavra que foi dita,e sinto muito por cada briga infantil.Querido amigo,não consigo dizer nada quando olho nos seus olhos,talvez seja medo ou culpa.Eu sinto muito.

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222