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  • A TEORIA DE PENSAR DIFERENTE

    Parte1
             Por, exemplo, você está dormindo e tem que acordar cedo para ir a escola mas o maior problema é que você já respondeu ao não que não gosta daqueles alunos e o pior ainda é quando como você já pensou na resposta “não” e ainda é pior porque você é o diretor daquela escola e em ambas partes você está em raciocínio Animal, é eu sei! Ative uma fagulha em você para acionar o seu lado Racional que é o que nos diferencia dos animais irracionais, é, eu sei. Então seu lado animal têm de acender por essa fagulha humana e ser incinerado por um vestígio de você que é humano e dizer enquanto está com sono Eu!!! Vou!!! Acordar!!!!!!!!! E Levantar!!!!!!!!!! Pense Diferente e Faça Diferente...
             As Garotas, por, exemplo, no jogo da sedução, são as mais animais ou pelo ao menos a maioria, já foi estudado por estatística científica que as mulheres sensatas só há a 1% (por cento) de toda a população mundial. Só essas pensam e fazem diferente sem muito esforço comparando com o resto da população das mulheres. 1% dos homens é como eu. Diferente. Que gosta das mais difíceis. Bom há muitas delas bonitas e grandiosas para quem têm um bom gosto por mulheres. Bom, primeiro procure uma que costuma sempre estar te olhando e te cumprimentando e principalmente preocupada com você, depois leia Nessah Alita e siga o “Pensar Diferente” Baseando na garota que precisa ser encantada. E é simples, é só seguir a Teoria de Pensar e Fazer Diferente, resistir aos jogos amorosos deixar ela falando as emoções dela e você ouvindo e é importante que enquanto ela estiver falando ou discutindo alguma coisa se for ou não se é bom ou não, é importante que você somente escute ela e memorize tudo e mais importante ainda você não pode tocar no assunto nem enquanto ela estiver falando se emocionando nem quando ela mesma se calar aí você começa com o hábito de trocar de assunto mas se ela quiser implicar com o assunto, bom, tente não desaponta-la e faça tudo o que ela quiser, ou dependendo da tragédia ou mesmo fútil fique em silêncio mas se você ver que ela está achando estranho porque algumas costumam só esperar um abraço ou um beijo na boca ou na bochecha ou na testa e depende do caso você tem que encaixar estes métodos dessa forma se for conveniente usando minha teoria e a de “Nessah Alita” assim você pode conquistar qualquer garota mas leva tempo e a maioria dos homens não gostam de esperar e preferem ficar com uma das mais fáceis que são as mais feias, é mesmo, bom, eu já sou o 1% dos tipos que gosta de um jogo difícil.
             Quando seu lado animal disser não, faça o sim. Então você fará o que nos tornamos humanos. Por, exemplo, como, Quando você vê um Uma Grande Tentação que pode te dar muita dor de cabeça e muitos problemas e até uma vida inteira jogada para o lixo!!! Como, por, exemplo, como, você ver UM BAITA DE UM TRIPLE BIG MAC só seu na sua frente e você está morrendo de fome mas têm a opção de comprar alimentos orgânicos para preparar na sua própria casa, no próprio fogão de cozinha em sua cozinha com muita calma sem se ceder a nenhuma tentação de comer o Bolo Trufado que está na geladeira.
             Para o Big Mac pense e faça diferente e diga firmemente para si mesmo, diga NÃO! E vá ao supermercado comprar legumes e verduras, as vezes um pouco de carne que é essencial para sua Janta ou almoço. E para o BOLO trufado da geladeira enquanto você estiver cozinhando para família ou para você mesmo diga NÃO ao BOLO trufado, e termine de cozinhar e deixe a sobremesa (O Bolo Trufado) para três horas depois de se alimentar com o prato de entrada.
             As vezes dá aquela preguiça de pausar o filme a uma hora da manhã mesmo sabendo que temos que acordar cedo amanhã para trabalhar e nosso lado animal diz que nós temos que ficar assistindo o filme sentadão na poltrona, não tomar banho e até adormecer e que se danem os dentes e sujeira também que eu não quis escovar os dentes porque eu não quis pausar o filme a uma hora da manhã. BOM! Neste caso temos que ignorar esse pensamento animal e temos que dizer SIM!!! eu vou escovar os meus dentes, é!!! Eu vou Botar a Cachola para funcionar e acionar a Razão, meu lado Humano! É!!!! Tô afinzão de escovar os meus dentes!!! Temos que “Pensar Diferente” Temos que pausar o filme temos que pensar diferente! E ao escovar os dentes temos que pensar diferente! E dizer para nós mesmos SIM!!! eu vou pausar o filme! E SIM!!! eu vou escovar os meus dentes! Para não ter problemas com os dentistas!!! É!!!!!!! E porque eu gosto muito dos meus dentes e até porque eu acho minha arcada dentaria Divina! E na verdade eu quero muito, sim, eu quero, é, um bom hálito!!! Para dizer a verdade é para não incomodar a mim mesmo. Você têm que dizer SIM!!! porque seus dentes estão pedindo para ampara-los e confortá-los. Pense em SIM!!! neste caso Pense Diferente! Pense em SIM! Neste caso SIM!!! Também Faça Diferente, vai lá e escove os seus dentes e FAÇA A DIFERENÇA!!!!!!, FAÇA E PENSE DIFERENTE!!!!!!
    Parte 2
    A Farpa nos mantêm concentrados mantendo uma força que chamamos de Inteligência (INTELIGÊNCIA: -A RAZÃO) Os que falam, emitem só por falar ou pensar, por emoção e são ouvidos e os que a interpretam dessa forma reemitem a própria emissão e passam-na à literalmente como se fosse fato reemitida e os inocentes passam a acreditar em tudo do ré emissor tendo acreditado em fatos de um futuro que não e nunca acontece; tudo sem razão como tudo que se reflete emotivamente de uma mente que se alto-culpa pela ira por medo como uma ferida que nunca sara inevitavelmente para sempre buscar o perdão ou resposta sem sucesso algum, e se martiriza para toda a vida terrena por dentro dos átomos e o tempo faz deixar essa ferida mais profunda e horrenda nos deixando loucos(as) até o tempo de ela (a pessoa) descansar, talvez; Não se sabe! É como uma ferida que se sente mas não se encontra nem se vê mas se sabe que está lá, se sente mas não vê. Como uma farpa na sua mente que não se vê mas sente! Nos deixando loucos. E entrando na toca do coelho como em “Alice no País das Maravilhas” e nós queremos saber até onde a toca do coelho nos leva; mas temos anseio ou medo e ou então, culpa por algo que sempre escolhemos e isso é ser inteligente, isso é – ficar longe da toca do coelho e evitar chegar perto dela por causa DA FARPA; Há! A FARPA! NÃO SE SABE O QUE É ESSA FARPA. E POR ISSO ELA NOS ATORMENTA TODO O TEMPO. E NÃO HÁ COMO NEGA-LA, MAS O INTELIGENTE É! Porque A Farpa existe mesmo não vendo nem tomando conhecimento nem se vasculharmos todos nossos pensamentos. Ela está lá ou aqui. Em mim mesmo. Agora mesmo e nesse instante. O tempo todo em nós! E o quanto mais forte a Farpa fica nós ficamos mais inteligentes melhorando nossa concentração passo a passo mesmo quando antes não éramos ou não fomos inteligentes. A Força da Inteligência é a Força da Farpa que é A Própria Concentração e a intensidade da concentração depende do controle da intensidade da Farpa já a inteligência não tem intensidade mas sim força que é mantida e estabilizada dependendo da Força da concentração que a concentração depende da inteligência se houver O CONTROLE DA FARPA “DA TEORIA DA FARPA”. Se a Concentração for intensa e forte a inteligência permanece forte dependendo do controle da farpa e da concentração já a concentração depende do nosso controle da farpa A Força que nós temos perante a Farpa, nos segurando, nos fortalecendo para não entrarmos na toca do coelho.
  • Crime Perfeito

    Perina se levantou e foi até a cozinha, queria transformar toda a sua raiva em uma ideia de vingança, precisava encontrar uma forma de ridicularizar sua inimiga.

    Abriu os armários, seus olhos fixos e atentos a qualquer insinuação, a qualquer sugestão para um crime perfeito.

    “Cozinha é o melhor lugar para se premeditar um crime. Aliás, uma mente criminosa com certeza nasce ou se desenvolve aqui.”

    Pensou ela determinada, enquanto abria as gavetas.

    Um objeto atraiu seu faro, seus olhos fixaram-se nele, pura concentração, nada era mais importante naquele momento, nada que conseguisse quebrar aquela atração. Uma força magnética criou-se ali.

    Pegou-o, caminhou até a sala, sentou-se no sofá e explorou-o primeiro com os olhos e depois com os outros sentidos. Consumiu-o completamente, e depois daquela experiência intensa e voraz, deixou seu corpo cair cansado, deitando-se no sofá.

    Suas mãos sem forças se abriram e soltou a prova do crime, o objeto escorregou pelo sofá e caiu no chão, o conteúdo devorado até o final, sobrava apenas a embalagem daquela deliciosa e intensa experiência.

    Passado o torpor, Perina se sentia péssima, novamente foi dominada por aquela força e impetuosamente comeu toda a barra de chocolate. Daquela forma, jamais conseguiria colocar em ação sua vingança.

    Pra isto precisaria pensar como uma verdadeira criminosa. Saiu atrás de uma ideia assassina e o que conseguiu foi acrescentar mais colesterol à sua coleção devorando aquele tablete inteiro de chocolate.

    Perina era compulsiva, desde pequena, por sorte não tinha tendência a engordar, mas tinha problemas com o espelho e com a autoestima, o que afetava e muito suas relações. Eram sempre superficiais.

    Já havia pensado em procurar um médico, chegara até a marcar. Mas sempre desistia, não era fácil abrir mão daquela liberdade gastronômica.

    Mas agora era diferente, precisava começar a pensar com a cabeça, ou emagrecê-la, sim porque de tanto pensar em comida, achava que sua cabeça já estava gorda.

    Trabalhava atualmente numa loja de utilidade doméstica. Foi lá que conheceu Junia, uma mulher magra, linda, desenvolta... mas uma cobra, que além de colega de serviço era também vizinha, morava três casas depois de Perina.

    Junia era má por natureza, inventava mentiras, colocava amigo contra outro, fazia as maiores armações e saia de boazinha. Com Perina então, ela vivia aprontando.

    E desta vez Junia tinha passado dos limites, aprontou uma que Perina evitava até pensar, falar com os outros sobre aquilo então, de jeito nenhum.

    Ela injetou corante num chocolate que Perina amava e aqueceu – o um pouco. Quando Perina foi comê-lo ele estava todo derretido, e gulosa como era, se lambuzou toda. E o resultado, mesmo depois de lavar ficou com o rosto e as mãos todos manchados, deixando claro pra quem quisesse ver que tinha, como uma criança recém-nascida se sujado inteira para comer.

    As pessoas que já conheciam bem sua compulsividade, chegavam a olhar com dó pra ela, e fingiam não perceber aquela catástrofe.

    Aquilo despertou em Perina o que ela tinha de pior. Iria controlar sua fome para satisfazer seu ideal mais profundo: a vingança.

    Precisava de uma ideia.

    Abaixou e pegou a embalagem de chocolate e foi pra cozinha preparar o jantar. Ali pensando no que fazer... Veio o insight:

    “Lógico, comida envenenada, como não pensei nisto antes, uma comida irresistível e envenenada. A mesma arma da inimiga.”

    Escolheu a receita, planejou tudo. Tinha todos os ingredientes, faltavam apenas os morangos. E ela queria colocar numa travessa floral que tinha na loja que trabalhava, que aliás, ainda estava aberta. Resolveu dar um requinte de crueldade à sua vingança, ligou para Junia e pediu para que ela trouxesse morango frescos e a travessa quando viesse do trabalho. Falsa como era, ela se prontificou imediatamente.

    A quantidade de veneno tinha que ser bem dosada, senão poderia até matar. Decidiu colocar todo o frasco, porque sabia que Junia comeria um pedaço pequeno, assim teria uma baita dor de barriga e mais alguns incômodos. Era uma vingança arriscada, mas valia a pena.

    Lavou toda a louça, pôs o lixo pra fora e sentou no sofá para descansar.

    Mas enquanto descansava pensou melhor e desistiu da vingança, aquilo nada tinha a ver com ela, Junia era do mal, ela não.

    Estava decidida, pela manhã iria jogar a sobremesa fora e depois procurar um médico e começaria um tratamento, tudo aquilo já estava começando a mexer com seu caráter.

    Mas tinha sido bom pensar e executar até ali aquela vingança, era como um desestressante. Agora ia seguir com sua vida.

    Estava tão cansada que dormiu ali mesmo assistindo televisão.

    Perina acordou assustada, tivera um sonho tenso, mas delicioso. No sonho ela levantara e encontrara um pavê embrulhado pra presente em sua geladeira e comera quase todo.

    De tão intenso o sonho, ela se sentia até sem ar. Levantou-se e sentiu o corpo pesado, a cabeça girando, e muita tontura. Com muito esforço, foi pegar um copo de água.

    Abriu a geladeira e lá estava a sobremesa desembrulhada e comida quase toda.

    “Não foi um sonho!”

    Tentou entender, mas seus sentidos foram sumindo e seu corpo pesando até que caiu morta no chão.

    A faxineira chegou mais tarde e chamou a polícia. Encontraram o pavê envenenado e na investigação descobriram que foi Junia quem comprou os morangos e a travessa floral.

    A conclusão da polícia foi a óbvia: Junia fez uma sobremesa envenenada e deu pra Perina.

    Junia chegou algemada á delegacia.

    -Não fui eu, eu juro, ela que me encomendou a travessa e os morangos.

    Mas o delegado, que era gordinho estava enfurecido com tamanha maldade.

    -Você vai pagar pelo mal que fez a esta moça. Tentou um crime perfeito, seu álibi até que é bom, mas vou te alertar.

    -CRIMES PERFEITOS NÃO EXISTEM!

  • Crônicas do Parque: Rápido Demais

    Já fazia cinco solitários anos em que se encontrava separado e divorciado. Se mantinha firme em sua promessa de não mais se envolver e se entregar a um relacionamento amoroso. Afinal, sofrera bastante quando se separou da sua amada e louca esposa norte-americana (USA), que de repente enlouquecera quando ele achava estar tudo indo bem.

    Lembrara-se quando, por causa da separação, se ergueu de uma depressão que quase o matou de fome, em que ao final do quinto dia sem comer desmaiara caindo da cadeira em que estava sentado solitário trancado no escuro do seu apartamento. Em um instante se viu envolto em uma luz alvamente branca, flutuando em um corredor que o erguera para cima. Aquilo o atraia majestosamente como dando um basta a sua vida terrena de sofrimentos. Porém, de repente, ao súbito, olhara para baixo vendo o seu corpo caído ao chão desgraçadamente. E disse para si mesmo:

    — Não! Não é minha hora, tenho que voltar. Por favor me ajuda!

    E, novamente, lá estava ele, desgraçadamente em seu corpo caído ao chão. Juntou forças e foi se arrastando até a cozinha. Ao chegar, viu um pedaço de baguete duro sobre a mesa, e se esforçando em seu íntimo, apoiando penosamente os seus braços na cadeira, ergueu-se com considerável esforço para pegá-lo. Já com o pão-duro na mão, rastejou até o filtro de água potável em que enchera um copo. E ali caído ao solo com as costas recostadas nas gavetas do armário da pia, comeu vagarosamente o tosco pedaço de pão-duro, junto a goladas de água.

    Quando sentiu que já tinha forças para se levantar, ergueu-se pausadamente segurando com suas mãos as gavetas da pia, como se estivesse escalando o monte Everest. E, apoiou-se sobre seus pês. Foi até o banheiro, e tomou uma longa ducha quente. Ao final, viu que carecera de um choque térmico, e virou a torneira fazendo com que água esfriasse, tomando uma outra ducha fria. E bocejava, estremecia e ofegava.

    Vestiu-se, entrou em seu carro e pegou seu smartphone o ligando depois de uma semana, e vira múltiplas notificações de mensagens e ligações em sua tela. Ignorou-as, indo diretamente ao aplicativo GPS de serviços para procurar um bom restaurante italiano mais próximo, pois muito desejara comer uma pasta com frutos do mar. Depois dessa recaída em que quase lhe valera a vida, prometeu para si mesmo viver como um monge eunuco, distante das perigosas mulheres.

    Assim, estava ele vivendo feliz sem dar satisfação a ninguém para onde ia e o que fazia. Procurava ocupar ao máximo o seu tempo fazendo classes de yoga, pilates, teatro e aprendendo a tocar flauta e piano. Evitava ler, ver e ouvir romances, séries e filmes, músicas e histórias de relações amorosas, em que baixara um moderno e super aplicativo de tarefas, para seu smartphone. Onde ao final de cada dia, dedicava meia hora da sua atarefada vida para fazer a programação do próximo dia, não dando oportunidades para surpresas, fechando assim, as portas para novos imprevistos que o poderia levar a um novo relacionamento, ao conhecer uma interessante pessoa em um lugar desconhecido, fora da sua agenda digital de compromissos fictícios.

    Portanto, acordava, se levantava e ia correr por uma hora todas as manhãs antes de ir para o seu entediante trabalho de programador, em uma dessas grandes corporações Hi-Tech Israelense.

    Em uma dessas manhãs em que corria no parque de Kfar Saba, viu a sua frente uma jovem que tropeçara na pista de exercícios, e machucara um dos joelhos, por um instante decidiu ignorar aquele acidente, ultrapassando-a. Porém, por um ataque de consciência deu meia volta, indo ao encontro da jovem que se encontrava sentada no chão chorando.

    Ao chegar até ela, agachou-se e disse ainda ofegando pelo esforço do seu exercício:

    — Você está bem?

    — Claro que não! Você não vê?

    — Desculpe! Só estou tentando ajudar. Venha, vou te levantar.

    — Ai! Ai! Ai! — resmungou a moça não podendo se apoiar em uma das pernas.

    Então, ele a carregou em seus braços a levando para grama, pondo-a debaixo de uma Tamareira que fazia uma refrescante sombra. E a perguntou:

    — Você mora por aqui por perto?

    — Moro em Rosh Haayin.

    — Não está tão longe. — falou ele enquanto estava lavando o ferimento do joelho da jovem moça, com a água de sua garrafa.

    — Você está de carro? — perguntou a jovem. — Será que pode me levar até minha casa. — acrescentou.

    Ele hesitou ao responder de imediato, e olhou para o seu smartwatch que se encontrava no pulso direito, sabendo que se a ajudasse, chegaria tarde no trabalho. E, olhando para aquela jovem e linda moça de olhos verdes molhados de lágrimas, não resistindo ao seu apelo, disse:

    — Sim, eu te levo para casa. Mas, vamos rápido, é que estou meio atrasado para o trabalho.

    Ela sorriu, e de súbito o beijou no rosto como forma de reverência. E aquele beijo repentino acendeu um chama nele que há muito tempo se encontrava apagada. E temeu, ignorando aquele beijo ao levantar a moça nas suas costas, apoiando-a como se fosse uma mochila. Ao passo em que ele caminhava com a pesada moça sobre as costas, ela ia tagarelando:

    — Nem ao menos nos apresentamos, e aqui estamos como namorados em que você me leva de macaquinho. Como é o destino, ultimamente só estou conhecendo novas pessoas através das redes sociais no meu celular, e agora te conheço assim, em um acidente, e já temos um contato físico como pessoas que se conhecem a muito tempo. Acho que só os acidentes são capazes disso. Agora me vejo em meio a uma fantasia, nessas cenas de filmes românticos dos anos 80 e 90 que as pessoas postam na internet. O que acha? Eu ainda não sei o seu nome. Como você se chama?

    — Em primeiro lugar não somos amigos, nem muito menos namorados. Em segundo você está muito pesada, e não estou conseguindo me concentrar com essa sua tagarelice. Me chamo Nimirod.

    — Desculpa Nimi, eu só estava querendo te distrair por causa do meu peso e seu esforço. Me chamo Einat. Prometo que não falo mais. Naim meod (Prazer em conhecê-lo)!

    Juntos chegaram ao estacionamento, e ele a colocou no banco da frente do seu carro. Ela ainda se encontrava calada pela dura que recebera dele, e, ele se encontrava sério, meio puto em chegar atrasado para o trabalho.

    Então, ela resolveu quebrar o gelo que existia entre os dois, perguntando-o:

    — Você corre no parque de Kfar Saba todos os dias?

    — Ken (Sim). — respondeu ele secamente.

    — Você mora em Kfar Saba?

    — Lo (Não). — deu outra resposta seca.

    — Onde mora?

    — Próximo. — disse isso não querendo respondê-la.

    — Sim. Não. Próximo. Você fala hebraico? — disse ela o provocando.

    — Você é da polícia? Não pode se calar um pouco, apenas por um momento. Não gosto de ser interrogado, e por sua causa estou me atrasando para o trabalho hoje.

    Ao ver essa resposta arrogante, mais uma vez os olhos da jovem se encheram de lágrimas, e ela pediu para descer ali mesmo em qualquer lugar, já que estava incomodando.

    Diante disso, vendo as lágrimas descendo pelas lindas pálpebras que ao chorar se encontra avermelhadas no belo rosto inocente da jovem ao seu lado, arrependido ele disse:

    — Desculpe-me Einat. Apenas fiquei irritado por me atrasar para ir ao trabalho hoje, tenho muitas tarefas e meu chefe está já há uma semana no meu pé para que eu termine. Vou te levar para casa e tentar responder suas perguntas, ok.

    A jovem enxugou suas lágrimas, deu um grande sorriso, e perguntou:

    — Quantos anos você tem?

    — Trinta e sete. E você?

    — Vinte e três.

    — Você é nova. Fez o exército?

    — Sim. Terminei faz um ano.

    — E não viajou?

    — Acabei de chegar da Índia, estive lá por dez meses.

    — E como foi?

    — Louco. Já foi a Índia?

    — Sim.

    — E como foi?

    — Louco.

    — Então, não preciso lhe dizer nada — disse ela sorrindo.

    Ele sorriu em resposta, e a perguntou já chegando em Rosh Haayin:

    — Em que direção fica sua casa aqui.

    — Eu não sei direito lhe instruir, pois sou nova aqui, mas posso ver no celular. — disse ela pegando o seu smartphone, e abrindo o aplicativo GPS digitando o nome da rua.

    — Você é daqui? Quero dizer, dessa região? — perguntou ele, enquanto ela ainda digitava.

    — Não. Sou de Tel Aviv. Vim morar aqui por causa do emprego de ajudante de enfermeira veterinária, pois quero estudar veterinária no futuro. Amo animais, principalmente gatos.

    — Eu odeio gatos. São egoístas e interesseiros.

    — Assim como nós. — disse ela.

    — Prefiro os cachorros. São amáveis e amigos. — disse ele ignorando o que ela disse.

    — Já eu, não sou muito afeiçoada a eles. São dependentes de mais e bagunceiros.

    — Assim como nós, principalmente quando crianças. — disse ele.

    Ambos se olharam e sorriram como se concordassem um com o outro, e a voz robótica do aplicativo falou dizendo que se encontravam no local de chegada.

    — É aqui, nesse prédio. — disse ela apontando, e continuou — Quer entrar para tomar um café? Afinal, você já está atrasado mesmo.

    — Não, obrigado! Não quero me atrasar mais ainda.

    — Só que tem um probleminha! — disse a jovem o pegando pelo braço — Esqueceu que não posso andar, e no meu prédio não tem elevador, e vivo no terraço no quarto andar. — disse ela sorrindo.

    — Ok! Te levo até lá, mas não tenho tempo para o café.

    Ela sorriu. Ele saiu do carro, foi até a porta do assento lateral, a carregou em seus braços, e ela disse:

    — Agora parece que acabamos de nos casar, e você me leva para lua de mel.

    Ele a encarou com seriedade não gostando nada do que ela disse, e a colocou em suas costas indo em direção ao prédio a sua frente. Chegando à porta, ele se virou de lado para que ela pudesse digitar o código chave de cinco dígitos para abrir, fazendo um barulho entediante afirmando que já estava destrancada. Ele empurrou a porta de vidro com o pé, e enquanto adentrava ela ajudou com uma das mãos, sendo que o seu outro braço estava envolvendo o busto e pescoço dele.

    E seguiram subindo a escada. A cada andar ele parava um pouco para pegar um fôlego e descansar. E ela resolveu dessa vez ficar em silêncio, pois ele não estava nada gostando daquela situação. Então, chegaram a porta do apartamento dela. E ela disse:

    — Não vai nem ao menos entrar para um copo d’água e descansar um pouco.

    E, ofegante ele disse:

    — Não. Melhor não. Estou muito atrasado, tenho que ir.

    — Vai me deixar aqui na porta para que eu me arraste até a cama? — perguntou ela com uma dengosa voz.

    — Acho melhor você já aprender a se virar sozinha com essa situação. Depois você vai me pedir para te levar para o banheiro, e te dar banho e depois fazer comida.

    — Eu bem que poderia comer você. _ disse ela, e vendo a cara dele de extremo espanto, rapidamente exclamou — Brincadeirinha! — disse isso, querendo desfazer o que disse.

    — É por isso que não quero entrar. É disso que eu tenho medo. Vocês jovens são rápidos demais. Bye! — disse ele descendo as escadas.

    — Hei, espera aí! Você não me disse onde mora. — disse ela gritando.

    — Moro em Kfar Saba. — respondeu ele já de baixo.

    — Me dá o número do seu telefone. — ela gritou de cima.

    — Rápido demais, já disse! E se eu for casado…

    — Você é casado? — Ela gritou o mais alto que pode.

    — Não! Mas, enquanto o meu número de telefone, vai ter que descobrir por si só.

    — Isso já é bom! — gritou ela, e já não houve mais respostas. — “Ele se foi” — pensou ela entrando no seu apartamento.

    Ele entrou no carro e dirigiu rapidamente para o local de trabalho, fazendo consideráveis esforços para esquecer aquele imprevisto e inconveniente acontecido, repetindo um milhão de vezes em sua mente — “Isso nunca existiu” — tentando assim ignorar os fatos, que já fora fisgado pelas garras amorosas do destino.

    Ela estava maravilhada com ele, achava ele bonito e responsável, o tipo certo para uma mulher se casar. Ela era tão jovem, mas já pensava em um bom partido. Estava meia que traumatizada pelo motivo de suas duas irmãs mais velhas não conseguirem ter relacionamentos por serem gordas, não suprindo as exigências dos homens israelenses, numa sociedade que admira e fortalece a indústria da moda e cosméticos. Sendo que sua irmã mais velha de trinta e oito anos, fizera bebês em um laboratório de banco de espermas, tendo assim filhos gêmeos. E sua segunda irmã de trinta e quatro, já estava pensando em fazer a mesma coisa. Ela não era assim tão gordinha, mas geneticamente tinha formas arredondadas, e isso a preocupava. Passava muito tempo na frente do espelho, e se achava gorda e feia.

    Porém, não era bem assim, suas amigas a invejavam pela sua cintura bem definida, seu bumbum farto e arredondado, seus seios medianos e seu rosto de anjo com olhos verdes e cabelos loiros e encaracolados cor de mel. Um belo corpo de violoncelo, unida a um belo rosto e altura de um metro e setenta e cinco invejável. Não era gorda de jeito e maneira, era dessas mulheres mutantes de forma gigantesca.

    O despertador do smartphone tocou as cinco horas da manhã como de costume, ele se levantou em um único pulo de sua cama indo diretamente ao banheiro, lavara o rosto e escovara os dentes apressadamente. Vestiu-se com sua roupa e assessórios de correr, colocou seus fones de ouvidos bluetooth, e pendurou o seu smartphone por uma capa detentora em seu braço esquerdo, começando o seu exercício matinal ao som do piano de Richard Clayderman. Pelo esforço que fizera anterior e interiormente para esquecer do evento inconveniente do dia passado, já não se lembrara com emoção daquela moça linda e alta de olhos verdes e cabelos loiros encaracolados, sua mente se voltara a sua rotina diária de solteirão feliz.

    Mas para o seu desgosto, lá estava a jovem linda moça correndo em sua direção pela contramão com o joelho enfaixado. Ao passo em que se aproximava dela, ele pensava em ignorá-la. Dizendo em seus pensamentos: “Puta-merda! O que ela quer de mim. Droga! Porque logo hoje fui me esquecer de colocar meus óculos escuros”.

    Ao se aproximarem, param ainda correndo e trocaram sorrisos, e ela disse:

    — Olá como está?

    — Bem. Vejo que seu joelho já está bom.

    — Quase. Mas não resistir ter que parar com os meus exercícios matinais.

    — Entendo. Bom! Não quero me atrasar mais um dia para o trabalho. Bye!

    — Bye! Lehitraot (Até mais ver)!

    E, continuaram os seus percursos, entretanto, enquanto se distanciavam ela se virou correndo de costas e disse em alta voz:

    — Ainda quero o número do seu telefone.

    — Ainda vai ter que descobrir. — disse ele não olhando para trás.

    E, isso se repetia dia após dia, semana após semana.

    Até em que um belo dia de Yom Rishon (domingo) ensolarado, em que ele estava a correr como de costume no parque de Kfar Saba, não a viu durante todo o percurso. E, pensou: “Ela não veio correr hoje. O que será que aconteceu. Não importa! Bom para mim”. E, Yom Sheni (segunda-feira) a mesma coisa. E, Yom Shilishi (terça-feira), Yom Revyi (quarta-feira), Yom Hamishi (quinta-feira), Yom Shishi (sexta-feira) a mesma ausência.

    Yom Shabat (sábado), ele despertara já sem o apito do seu despertador. Continuou ainda deitado em sua confortável cama elétrica com colchões de astronauta, e não conseguia pensar em outra coisa, senão, nela. E vislumbrara em seus pensamentos o sorriso contagiante que enfeitava seu belo e limpo rosto redondo. Sua meiga voz de menina mimada. E seu gigante corpo perfeito. A ausência dela o fisgara, como as coloridas iscas artificiais dos profissionais esportistas pescadores. Aconteceu o que ele mais temia, se viu apaixonado, e sabia que esse sentimento era o mesmo que estar enfermo. Mas, agora, o que fazer, pensou. Ir procurá-la. Não! Isso era se entregar a loucura novamente. E se lastimou pelo fato de não ter dado o número do seu telefone a ela.

    Levantou-se da cama, foi ao banheiro, levantou a tampa da latrina e fez xixi. Deu descarga, e foi ao lavatório. Se olhou no espelho, e pela primeira vez viu um fio de cabelo branco em sua cabeça e dois em sua barba. “Meu deus!” Pensou. Abriu rapidamente a gaveta do lavatório procurando uma tesoura, e achando-a, rapidamente com cuidado fora até a raiz dos seus intrusos cabelos brancos para expulsá-los.

    — Estou ficando velho. — disse em alta voz para si mesmo.

    Teve medo por um instante de pânico de envelhecer sozinho. E pensou nela. Rapidamente entrara na banheira, ligara a ducha tomando um banho. Pegou a tolha, se enxugou apressadamente, passara um creme facial no rosto e se perfumara. Correu até o quarto, se vestindo elegantemente com roupas de verão. Uma curta bermuda branca, uma camiseta verde e uma sandália de couro esportiva. E, pensou em convidá-la para ir à praia em Herzliya.

    Ao chegar no prédio em que ela morava, correu em direção a porta, e não se lembrando o número do seu apartamento, não sabia em que botão devia apertar para chamá-la pelo interfone. Esperou um pouco, e teve a oportunidade quando um casal estava para sair, aproveitou essa oportunidade em que a porta fora aberta, adentrando-a. E subiu as escadas em direção ao terraço no quarto andar. Lá chegando, parou e fez um pequeno exercício de respiração para aliviar a tensão. E, antes de bater à porta hesitou, não sabendo bem o que dizer a ela. E quando fora bater, a porta se abriu. Sendo, que ambos se assustaram. E ela disse:

    — Você aqui! Eu já estava prestes a sair.

    — Pois é, resolvi ainda que tarde aceitar seu convite para tomar um café. Mas, vejo que tens compromisso.

    — Eu estava indo à praia.

    — Uau! Foi isso mesmo que vim fazer aqui, te convidar para ir à praia.

    — Ainda quer entrar e tomar um café antes?

    — Seria um prazer!

    Ele entrou, e viu que ela morava em um pequeno apartamento de solteiro de apenas um quarto, com uma pequena cozinha e banheiro acoplados. Mas, que continha uma enorme varanda no terraço com muitas flores, plantas, um cagado, um papagaio branco, uma iguana e três gatos. O apartamento era pequeno, mas estava muito bem organizado com uma cama de casal ao meio, a cozinha no estilo americano a frente, o banheiro ao lado e uma grande mesa com impressora e computador, improvisando um escritório de trabalho. Do outro lado havia também uma porta e uma larga janela que dava para varanda. O ambiente estava bem iluminado e confortável, havia odores de incenso, e um toque alegre maravilhosamente feminino. Muito distante do seu escuro apartamento, triste e sem graça. E, enquanto ela aprontava o café, ele disse ao se sentar a cama:

    — Bonito e aconchegante aqui.

    — Foi isso que você perdeu antes. Muito lento você, Sr. Lesma.

    — E você, apressada demais, Sra. Papa Léguas.

    — Viu!

    — Viu o quê?

    — Agora já estamos nos comportando como um casal rotineiro, discutindo por besteiras.

    — Rápida demais, menina! — Ele a alertou, e continuou — Nem começamos ainda a namorar, e você fala em casamento. Mas me diga, porque não foi ao parque correr essa semana.

    — Funcionou!

    — Funcionou o quê? — perguntou ele sem nada entender.

    — Não está vendo. — disse ela sorrindo, e fazendo um gesto obvio ao erguer a palma de suas mãos para cima, ao dobrar os cotovelos a linha do umbigo.

    — Como sou idiota! Shalom! — disse ele indo revoltado em direção a porta.

    — Bye! — disse ela tranquilamente sem olhar para traz, enquanto ainda preparava o café.

    Rapidamente ele saiu, e descendo as escadas às pressas, parou no meio, colocou a mão na cabeça, e dizia para si em voz alta:

    — Como sou idiota! Hahhhh!

    Continuou a descer, e ao chegar a porta. Hesitou em abri-la. E se viu completamente apaixonado e envolvido por ela. Tão rápido, mais rápido do que a velocidade dos pensamentos era a velocidade dos sentimentos. Sua cabeça lhe dizia: “Saia imediatamente dessa arapuca, e esqueça essa garota que só vai atrapalhar a sua vida”. E o coração rebatia, dizendo: “Volte imediatamente, peça desculpas e diga que gosta dela”.

    O coração foi mais forte, assim deu meia volta e subiu as escadas. E lá estava ela a porta, com duas xícaras na mão, uma de café e outra de chá de folhas de Luíza Limão do seu pequeno canteiro de ervas. Ele subiu a passos lentos em sua direção. E pediu desculpas, e ela abrindo os braços com as mãos ocupadas com as xícaras cheias, disse:

    — Só desculpo se me der um beijo.

    Ele se aproximou o mais perto possível, encostando barriga a barriga, e sentiu o calor atraente do corpo dela o chamando. Olho a olho se olhavam, e o olhar dela ficou meio vesgo, tornando-a mais linda e atraente, ainda mais do que já era. Suas respirações estavam ofegantes, e seus corações pulsavam tão alto, que faziam os líquidos das xícaras que estavam nas mãos dela ondularem pelas laterais, respigando todo o chão. E por um instante se cheiravam, enquanto seus narizes se tocavam. Rapidamente ele se afastou, pegando a xícara de café da mão dela, e disse:

    — Rápido demais, menina. Rápido demais…

    Ela sorriu, e ambos caminharam até a varanda. Assim, se sentaram um a frente do outro em uma pequena mesa de ferro, com a plataforma de cimento com mosaicos feitos de pedaços de azulejo que ela mesma confeccionara. E, apenas se olhavam por longos minutos sem nada dizer, enquanto saboreavam o gosto do café e chá, e os gatos se enroscavam em seus pés.

    Então, ele rompera o silêncio dizendo:

    — Vamos devagar, Ok! Assim será melhor e mais prazeroso. Não quero ter uma relação de palito de fósforo.

    — Como assim, palito de fósforo? — indagou ela.

    — Você tem uma caixa de fósforos? — perguntou.

    Ela sem nada dizer, adentrou a casa para apanhar. E trazendo, foi vagarosamente por detrás dele o abraçando em tons provocativos, enquanto estendia com uma das mãos a caixa de palitos de fósforos a frente dos seus olhos. Ele pegou a caixa, ela voltou ao seu assento, e ele disse:

    — Tome essa caixa, pegue um fósforo e acenda.

    E, assim como foi dito, ela fez. E ele disse:

    — Está vendo! O fósforo acendeu ligeiro se inflamando rapidamente, e da mesma forma ligeiro se apagou. O mesmo acontecerá conosco se formos tão depressa nisso. Tudo não passará de uma inflamante paixão. Devemos começar como uma pequena fogueira de acampamento. Catar folhas e palhas secas, colocar gravetos em cima, depois paus grossos e duros, e acendê-la com muita atenção cuidadosamente, e ir alimentando-a com esse combustível de matéria orgânica dura aos poucos, para que permaneça acesa, e venha nos aquecer por toda noite, até a vinda do sol.

    — Mas, essa sua fogueira só poderá ser acesa com um palito de fósforo, não é? — questionou a moça a sua frente com ironia.

    Nisso, ele se irritou novamente. E ela rapidamente disse:

    — Brincadeirinha, Sr. Nervosinho. — e sorriu como uma esperta menina, que ganhou a aposta.

    — Ok! Nada de telefones, SMS, Telegram, WhatsApp, Facebook, Skype e todas essas parafernálias da internet. Usaremos cartas. E só nos encontraremos no local especificado por elas. Faremos a moda antiga, antes da tecnologia. _ rebateu ele, irritado por se sentir derrotado.

    — E se as cartas não chegarem? Você sabe como são os correios aqui em Israel.

    — Vamos usar então uma empresa de correios privada. Não se preocupe, eu cobrirei todos os custos.

    — Está bem, Sr. A Moda Antiga — disse ela ironicamente concordando.

    Assim, terminaram com o café e chá, e foram para praia em Herzliya. Lá, conversaram bastante abrindo o livro de suas vidas um para o outro, e o tempo em que passaram juntos foram mágicos para os dois.

    Ele a levou de volta para o apartamento dela em Rosh Haayin. E, ao se despedir saindo do carro, enquanto ainda caminhavam até a porta do prédio, ela o surpreendeu com um beijo apaixonante em sua boca, em que ele nem ao menos teve chance de resistir, apenas pela altura dela, teve que ficar suspenso nas pontas dos pés. Então, ela percebendo o seu desconforto, o puxou ainda o beijando descendo para rua, enquanto ele ainda ficava sobre o paralelepípedo da calçada, dessa forma ele ficou mais alto e ela mais baixa. Esse beijo em que se abraçaram amorosamente, durou por quase dois minutos. Ao terminar ela disse se despedindo:

    — Isso foi apenas o palito de fósforo que acendeu a fogueira no nosso acampamento.

    E assim, ele e ela, Nimi e Einat se encontravam esporadicamente através de cartas que indicavam locais estratégicos como um jogo de RPG. Ela o escrevia cartas amorosas, as desenhando com lápis de cor, ou aquarela, e fazia também colagens de flores e folhas do seu jardim suspenso. Ele a enviava cartas com bombons e flores, sempre ditando os lugares de encontro como o mestre do jogo. Até que um dia, ela recebeu uma encomenda vinda em um carro forte de alta segurança, tendo que dar várias assinaturas nos protocolos de papeis para recebê-la. Parecia-lhe algo extremamente de muito valor financeiro, para vim com aqueles seguranças todos bem armados, com pistolas e escopetas Glock 9mm e .40 S&W. Era uma caixa grande que envolvia outras pequenas caixas, como degraus de escada de caixas sobre caixas. E, ao chegar à última e pequena caixa preta. Encontrou um pequeno papel vermelho, dobrado em quatro partes. E ao abri-lo, viu um número de telefone escrito em tinta negra: 0529516651. De imediato foi a sua bolsa procurando o seu smartphone, e ao achá-lo ligou imediatamente. E ao dizer alô, ouviu uma voz que emocionado perguntava:

    — Quer se casar comigo?

    — Rápido demais, seu moço. Nem ao menos ficamos noivos e você já pensa em casamento.

    Então, ele ao ouvir essa resposta, desligou de imediato o telefone.

    E, ela se desesperou dizendo para si: “Droga! Eu brinco demais com ele, e ele sempre me leva a sério. Apenas só repeti as suas palavras. Droga!”.

    Todavia, enquanto ela tentava ligar para ele novamente, desesperada para lhe dizer: “Sim! Era isso que eu mais desejava desde quando nos conhecemos”. Ela ouviu um toc, toc em sua porta. E abrindo-a, lá estava ele de joelhos com uma caixa de anéis na mão dizendo:

    — Case-se comigo agora Einat, mesmo que seja rápido demais! É que não precisamos mais da fogueira no nosso acampamento. Pois, o sol raiou, e já é dia!

  • Eclipse Solstício Presságio Ruim

    Minha Amável Lua Amante

    Hoje em meu ápice momento de máxima intensidade
    Neste eterno ciclo em que me entrego iluminando a Terra em plena caridade
    Fertilizando os vegetais e a realização dos desejos mundanos
    Em que sou venerado com danças, cortejos e rituais dos seres humanos
    Ocultamente vieste repleta de Amor a me contemplar

    Mesmo que para o Povo das Fadas sua presença ofuscante neste solstício dia seja um mal sinal
    Acreditando que estou rejeitando suas oferendas de mel, cervejas e centeios em sacrifício ritual
    Alegremente e de forte energética corrente, estou aqui a me entregar
    E em tua sombra… meu puro Amor… vem minha luz apaixonadamente ocultar

    Oculta-me. Ó! Meu lindo Amor
    Oculta-me dos olhos alheios, porque hoje só a ti pertenço
    Esfria em mim esse calor de ego intenso
    Pelo menos neste curto e sagrado momento
    Em que fria e escura vem me beijar

    Sagrado momento de êxito resultante…
    Essa é nossa maestria oculta ao entendimento humano
    Que ignora nos céus o divino celestial plano
    Pelo qual, de tempos em tempos
    Neste misterioso e sagrado momento
    Em que agora se faz aos olhos terrenos
    Amorosamente no místico copular

    Minha Amável Eterna Amante
    Acompanho solitário todas as suas fases errantes
    E justamente hoje em que atingi o meu ponto luminoso mais extraordinário
    Envolvido em magias rituais e antigas tradições do coletivo mágico imaginário
    Vieste lentamente encobrindo os céus e a terra com teu manto
    Apavorando e preenchendo os corações dos homens de espanto
    Trazendo para eles a maldição de dias inférteis
    E a calamidade das forças inertes
    Apenas com teu singelo presente ato
    De no meu alegre e festejado aniversário
    Com tua noite me presentear

    É por isso, Meu Amor, que vás embora tão rapidamente?
    Porque fostes rejeitadas por esses seres dementes
    Em que o Sagrado Amor Celeste nada entende?

    Não saia de cima de mim, assim, tão rápido!
    Pois não sou eu o culpado
    Desses seres terrestres desolados
    Com sua presença e ato de amor se apavorar

    Homens e Mulheres o porquê de tanto pavor e terror?
    Se em todos os solstícios de verão vos entrego o meu iluminado fertilizante amor…
    Vos peço apenas hoje que aceite nessa vossa celebração ritual minha Doce Escura Amada
    E com fogueiras e tochas à Terra poça ser só hoje iluminada
    E juntos o Amor Celeste possamos em festa celebrar

    Não… Meu Amor!
    Não te apreces a ir tão rápido embora
    Pois hoje o dia demora
    E, também, hoje sua fase é nova
    E tua face no escuro do céu
    Encoberta com o noturno véu
    Apenas um contorno prateado
    Em um vislumbre descortinado
    Me resta a contemplar

    Ó! Ignorantes seres terrestres
    Olha o que comigo fizestes
    Nestes círculos sagrados concêntricos
    Me louvando inutilmente em seus centros
    Enciumados e pavorosos por dentro
    A minha Lua Amada a rejeitar

    Por isso, também, vos rejeitarei
    Não serei mais o seu fértil rei
    E, irado vos abrasarei
    Com meu calor de dor a vos queimar

    Ó! Lua Amada de mim…
    Esperarei novamente o contínuo retorno a ti
    Para que juntos possamos ter um deslumbre do fim
    No eclipse solstício de verão que pressagia na Terra dias pandêmicos ruins
    Pelo simples e sagrado sexo-tântrico ato de me amar e te amar tanto assim

  • O ANJO DO JULGAMENTO

    Prólogo
    A maldade silenciosa.
    Vivo num mundo cruel e sem salvação. Onde monstros se disfarçam de homens, e crianças são tratadas como adultos. Sigo por ruas pavimentadas, pagas com o sangue dos trabalhadores, e a dor dos inocentes. Criminosos crescem como pragas, e andar por qualquer cidade, já não é mais seguro. Ligo minha TV para esquecer que a perversão cresce lá fora, e me deparo com materiais doentios direcionados aos menores. A maior rede social de vídeos do mundo, proíbe minhas denúncias, garantindo que o material não chegue aos adormecidos. Mas minhas palavras não podem ser caladas. Há uma inútil luta na sociedade, para saber qual religião é melhor que a outra, ou se o homem é maior que a mulher, e vice e versa. Enquanto todos dão atenção para assuntos tão triviais, verdadeiros males ocorrem em torno do mundo com um único objetivo: manter a dominância de uma Elite doentia, que tem pervertido a magia, desde que o homem era somente um projeto de uma raça superior. Não me diga que ainda acredita, que os demônios vivem abaixo dos seus pés, e que Deus não é uma inteligência magnânima, que deu origem a isto tudo. Não, não me confunda como uma religiosa fanática, pois estou bem longe de ser. Não, também não me chame de satanista, este é um nome que não cabe a mim. Estou muito além destes rótulos, para ser definida somente por eles, por isso peço que me respeite, e me chame apenas por anjo do julgamento. Já que estou acima do bem e do mal, e apta para determinar a sentença dos seus homens e mulheres. Vim para este mundo, como uma de vocês, nasci de uma barriga humana, embora fique cada vez mais claro, que não sou deste mundo. Cresci como uma criança normal, sem saltos no tempo, ou perseguições de um grupo secreto. Porém sempre carreguei comigo, uma maldade gigantesca, que me levava a manipular, me aproveitar, e torturar os outros. Talvez tenha sido uma menina psicopata, talvez somente acima da média, mas uma coisa é muito clara, esta crueldade frívola nunca me abandonará, e dado as atuais circunstâncias, é melhor que assim seja. Na minha fase adulta, o meu destino ficou cada vez mais claro, quando seres poderosos, entraram em contato comigo através de pensamentos obscuros, e sinais nos céus, que jamais cessariam, até eu aceitar a minha conduta. Em janeiro de 2020, fui seguida por um grupo de frades tradicionais, após ter tido vários pesadelos, com inúmeras mortes causadas pelas minhas mãos. Eu senti medo, pois após tantos anos de terapia, enfim tinha descoberto que sofria de um mal psicológico, que poderia me transformar numa assassina de uma hora para a outra, o quê para mim, era cruel e demoníaco, e eu precisava controlar, senão vidas inocentes iriam pagar pelo meu problema. Eles me chamaram por um nome, que tentei esconder debaixo do tapete, todavia evitar o quê era, não foi o suficiente para me deixarem em paz, e assim tive de seguir com eles. Muito antes de evitar as minhas asas negras, já havia imaginado que um grupo viria até mim, e me levariam a algum lugar sombrio, por isso implorei aos deuses para me protegerem, ou me deixarem escapar. Infelizmente cheguei ao meu destino, e ninguém me salvou. Eles eram assustadores, e tentaram me atacar, mas o meu desejo insaciável por sangue, me levou a ficar viva e ilesa. Manchada de vermelho, me afastei do monte de cadáveres, pronta para me entregar a polícia. Só que dois padres surgiram, e aplaudiram o meu desempenho. “Ela é perfeita.” Concordaram entre si, e fiquei desconfiada, esperando que me dessem uma explicação. Eles pestanejaram, e me vi obrigada a puxar a faca. “Digam quem são, e o quê fazem aqui.” Perguntei sentindo a adrenalina fluir. “Somos os filhos de Jesus. Pertencentes a ordem sagrada de Cristo.” Eles me responderam, e eu gargalhei. Afinal o quê uma ordem de tamanho poder religioso, iria querer com um anjo caído, que negava a própria alcunha? Eles me disseram que precisava ir com eles ao mosteiro de Santa Marta, e que lá receberia explicações mais detalhadas. Naturalmente opinei por não ir, contudo cedi a minha curiosidade, e com eles eu segui. Muitas horas se passaram, até me levarem ao topo de uma montanha rochosa. Outra vez o medo de ser destratada, e sofrer torturas preencheu o meu ser, até que o vi. Era um homem loiro, de cabelos escuros, olhos penetrantes e claros, que intercalavam entre o rio e o mar, muito bonito , que vinha em minha direção. “Minha filha.” Ele disse, e eu não segurei o riso. Até ali tinha noção que de quê havia conhecido o paraíso, porém filha daquela figura bíblica? Era cômico demais. “Preferes desta forma?” Disse ao fazer chifres de bode crescer em sua cabeça, enquanto o corpo mudava. “Não pode ser.” Fiquei catatônica, e acabei por desmaiar em seus braços. Ao acordar ele me explicou tudo, e pude reagir de outra maneira, o abraçando forte, por saber que estava diante do meu verdadeiro pai. Assim me tornei uma dos seus seguidores, e me dediquei a cumprir a minha missão, de destruir os ímpios, e iluminar a terra, com a minha chama sagrada. Pois ele só havia voltado, para que o julgamento se iniciasse, e o mesmo só poderia ser feito com o poder da sua amazona, e filha mais velha, a própria morte, ou seja eu. No início senti culpa pelas vidas que ceifei, no entanto bastou ver a lista dos culpados, para que o arrependimento se transformasse em paz. Não estava tirando aqueles homens e mulheres de suas famílias, e sim devolvendo demônios de volta para o inferno, do qual nunca deveriam ter saído, e seguiria fazendo isso até limpar o planeta, desta maldita escória de covardes.
    Capitulo 1- Verdades
    Inconvenientes
    A MORTE NARRA:
    Um dia eu tive uma amiga, que acreditei que seria para sempre, mas agora era somente outra neblina de inveja e prepotência, que precisava se dissipar. Ela era bonita, e de corpo desejável, mas embora tivesse tais atributos, não era feliz ou satisfeita consigo mesma, por mais que escondesse isso, através de um sorriso tão vazio quanto a sua cabeça sonhadora. Sei que parecem sinais de ódio, todavia posso assegurar-lhes que é somente mágoa. Eu confiei nela, depositando em suas mãos todos os meus sonhos, medos, e anseios, como se fosse a única confidente que tive na vida, e o quê achei que duraria até o Armagedom, hoje era apenas um motivo de dor e tristeza. Ela seguiu uma vida criminosa sem retorno a cidadania de bem. Algo que tentei lhe alertar, que não teria um fim nobre. Já eu me juntei a Ordem secreta, que conhecia as duas faces do demônio, e passei a julgar os meliantes que trucidavam inocentes. Desde sempre estava claro, que éramos o lado diferente da moeda. Só que para a minha surpresa, não fui eu, a servir as trevas, cometendo iniquidades, apesar dos demônios que sempre me acompanharam, nas profundezas da minha mente. “Thamara.” Meu superior me chama, enquanto sigo pelo escritório, olhando os relatórios da empresa, com um par de óculos, que por intervenção divina, não mais necessitava, porém precisava para manter as aparências. “Seu desempenho foi excelente neste mês. Logo se formará com louvor.” Ele me elogia, e o olho sem muito interesse nas finanças. “Que bom. Não vejo a hora de terminar o curso, e voltar a trabalhar em casa.” Deixo escapar, e isso o magoa, já que acha que eu não valorizo seus esforços para me sentir bem ali. Não me importo muito, pois após ter conhecido tantos que usavam a máscara de bons moços, para esconder seus crimes. Gentilezas não mais me atraem. “Tha.” Ouço a voz do meu amado, e sorrio ao ver o belo moreno de terno que vem na minha direção. Ao chegar o abraço com todas as minhas forças, pois ele é a minha luz, neste mundo sombrio. Nós terminamos as simulações de compra e venda de ações, e descemos pela escadaria. Ao entrarmos no carro, nossas feições de alegria mudam, e ele segura a minha mão. “Sei que não será fácil. Mas é preciso.” Diz tentando me dá forças, e eu aceno com a cabeça, me preparando para tempestade que há de vir. Ele estaciona o carro, eu desço com o cabelo amarrado, num coque para trás, luvas, e tudo o quê é necessário para cometer um crime. Estamos numa floresta densa e escura, e o cheiro de morte impregna o ar. “Ela esteve aqui.” Aviso, ao o seguir sem fazer muito barulho. “De fato.” Meu marido pega duas cabeças de recém-nascidos, mortos, que tiveram seus olhos arrancados, e pela quentura do sangue, percebo que o infanticídio foi praticado a poucas horas. “Droga!” Esbravejo furiosa, e nós abandonamos o local do sacrifício. Assim me livro das vestimentas que nos ligam aos assassinos, exatamente como os filhos de Jesus me ensinaram, e seguimos como inocentes. Meu celular toca, e o atendo com grande desgosto.
    _Thamara.
    _Não chegamos a tempo de capturá-la.
    _Eu sei. Sua irmã pode ser uma
    cabeça oca, mas ordem a qual ela
    serve, é cheia de membros
    perigosos.
    _Para uma menina, ela tem me
    causado uma bela dor de cabeça.
    _É porquê tem sentimentos por ela,
    e no fundo se sente culpada pelo
    caminho que tomou.
    _Pai. Eu sou o monstro da família.
    Se tivesse controlado meu ego,
    talvez pudesse salvá-la.
    _Não, não poderia. Ela tinha o livre
    arbítrio, e optou por seguir para
    as trevas.
    _Ela não é tão má. Eu sei, porquê
    na hora das mortes...
    _Thamara. Você desliga as emoções
    , para julgar os que merecem. Ela o faz
    para sorrir, se divertir, e você já viu.
    Não há comparação.
    Meu pai estava certo. Minha irmã, e antiga melhor amiga, agora era um monstro imparável, que não se preocupava com o dia de amanhã, e já tinha cometido mais de 10 assassinatos, em nome da Ordem das Corais. Uma seita religiosa que tem planos malignos para o planeta, e precisa ser detida, pois apesar de seu número ser pequeno, a mesma é responsável por todo o serviço sujo, da ordem piramidal dos Iluminados. Algo terrível, que me trouxe memórias cruéis... “Katherine!” Gritei ao vê-la arrancar a cabeça de uma criança, mas ela me ignorou, tinha se entregado a escuridão, e nada poderia ser feito para regressar. “Ela nunca vai parar.” Conclui retornando aos tempos atuais. Era hora de matá-la, mas não sabia se teria a mesma frieza que desenvolvi ao exterminar os outros.
    A viagem de volta para casa foi longa e silenciosa. Bartolomeu sabia o quanto aquela situação me afetava. Ao chegarmos, notei que os portões da minha luxuosa casa estavam abertos, então coloquei um dos pares de luvas, e amarrei os cabelos. “Thamy.” Meu marido segurou o meu pulso, assim que coloquei o pé para fora, já com a adaga na mão. Meus olhos subiram, e vi a silhueta de minha mãe Lina, brincando com minha filha e cópia Ramona. “Não traga os seus trabalhos para casa. Seu pai jurou que manteria sua identidade protegida, e enviaria os melhores guardas para cuidar do nosso lar. Confie na palavra dele.” Ele me disse, porém não quis ouvir, andava tendo visões de que a casa seria invadida pela Ordem das Corais, e seria arrastada pelos Iluminados para dentro de um abismo, e não podia abaixar a guarda. A noite...Jantamos lasanha, com muito refrigerante, agindo como a família normal que não éramos, para manter a mente de Ramona sã. Um acordo que firmei com Bart, para garantir que a menina tivesse a infância que não tivemos, e somente mais tarde viesse a saber O quê nós somos. A pequena sempre carinhosa, nos deu beijos de boa noite, e foi para o seu quarto, ler seus contos favoritos dos irmãos Grimm. Apesar de sua doçura, ela sempre teve inclinações para assuntos obscuros, pois as histórias contadas para outras crianças, lhe davam sono. Era uma prodígio, e por isso eu ficava cheia de dores de cabeça, quando minha mãe vinha em casa. “Thamy você tem que colocá-la numa escola especializada.” Disse minha mãe, enquanto eu colocava os pratos na lava louça. “Já falamos sobre isso. Nem eu, nem Bartolomeu gostamos da ideia. O mundo não é seguro para uma garota gentil como ela.” Respondi esperando o furacão Lina, derrubar todos os objetos da cozinha, mas a idade a deixou mais calma, e isso me surpreendeu. “Filha você sempre reclamou por não termos explorado o seu potencial quando criança. Nós não fizemos isso, porquê não percebemos, seu pai não percebeu, mas você e Bart veem, não acha justo lhe darem a oportunidade?” Usou o velho argumento irritante, de quê fui um prodígio não reconhecido, por culpa do meu pai terrestre, e isso me chateou muito, contudo respirei fundo, e sentei a mesa, ligando o meu notebook. “Venha aqui.” Chamei-a, e a mulher baixinha e empinada, se juntou a mim, com seus óculos fundos. “Está vendo estas notícias?” Mostrei o novo sistema de pesquisa inteligente, conhecido como SIP-I. O programa que substituiu o Google em 2022, quando a Deep Web, deixou de ser uma rede subterrânea, para se tornar superficial, devido a grande popularidade de materiais distribuídos como inofensivos. Ao contrário do programa do Bill Gates, o SIP-I, era controlado por uma inteligência artificial, criada por um gênio e pai de família, que a desenvolveu exclusivamente para garantir que os filhos, ficassem longe dessas mídias danosas. O Google ainda existe, porém é uma ferramenta usada por criminosos, que agora podem agir a olho nu, graças a intervenção da Elite, para satisfazer seus desejos doentios. A policia, os guardas, os seguranças, os advogados, e todas as ferramentas para se fazer a justiça, não passam de teatros financiados pelo grupo piramidal, para fingir que ainda há um meio de salvar a todos. Sim, o mundo está um completo Caos, e não posso colocar a minha preciosa herdeira do verdadeiro Novo Mundo, nas garras dos monstros do atual. Não tive todo o cuidado de filtrar a sua programação, lhe formar em cursos a distância, para agora entregá-la de mãos beijadas ao sistema deles. “Menina de 10 anos, é estuprada em banheiro unissex por garotos da mesma idade. -Menina desaparece em escola, sem deixar rastros- Menina é agredida ao voltar para casa sozinha- Meninas tendem a sofrer 75% das agressões e abusos no país -Professor é preso por molestar as alunas. Preciso ler mais?!” Disse ao configurar o SIP-I com a minha biometria, para conteúdo adulto no meu computador portátil. “O mundo não é só isso Thamara.” Ela tenta me convencer, e eu acabo rindo, pois praticamente todo mês tenho que matar muitos, por conta da perversão que se expandiu. “Pode até não ser. Mas tudo o quê vejo é esse descontrole, e enquanto Ramona não for capaz de matar, em vez de ser morta, ela fica em casa.” Disse com frieza, e minha genitora se calou. A conversa que tive com a Dona Lina, me deixou bastante apreensiva, e trouxe de volta demônios, que há anos não me perturbavam. “Cuidado em casa.” Disse uma das vozes de minha consciência. “Você não deve confiar em nenhum homem.” Repetiu, e o medo se apoderou de mim. A passos lentos segui pelo corredor do quarto da minha menina, a porta estava entreaberta, e o meu bebê de 10 anos dormia totalmente embrulhado em sua coberta lilás, que por meu intermédio havia se tornado a sua cor favorita, desde que era menor. Entrei no cômodo, e me sentei ao seu lado, fiquei lhe fazendo cafuné, e vi o seu sorriso. “Você é a coisa mais importante do mundo para mim.” Disse-lhe, e ela me abraçou forte. Foi então que ouvi ruídos, e me vi obrigada a me esconder. Como não tinha para onde ir, usei um dos poderes da morte, a invisibilidade. Bart apareceu ali, e sem perceber acabei por deixar a menina descoberta, com o seu pijaminha de short curto. Respirei fundo, se algo ruim fosse acontecer, teria que ser naquele momento, pois meu marido pensava que eu ainda estava a conversar com a sua sogra. Ele a observou sorridente, e a cobriu, dando-lhe um beijo no rosto. “Sua mãe e você, são tudo para mim.” Falou com ternura, e eu não consegui me conter. Meu corpo tremulou entre o intangível e tangível, e acabei por surgir no canto da parede. “Thamara? Mas o quê faz aqui?” Disse já incomodado. “Eu precisava ver se a Ramona estava bem.” Foi o meu primeiro impulso a dizer. “Se era só isso, por quê se escondeu atrás da cortina?” Questionou com o ar de inteligência, sabendo no fundo o quê aquilo significava. “Nem precisa dizer.” Concluiu me deixando para trás, e sai atrás dele, pronta para me explicar.
    _Bart.
    _Thamy. Você lida com o mal o tempo todo.
    Como é que ainda pensa isso de mim?
    _É só que você é todo liberal, e gosta muito
    de mim, sendo que pareço uma menina
    de 14 anos.
    _15. Mas você tem 24, há diferença.
    _Até o dia que envelhecer...
    _Primeiro se envelhecer, sempre será a minha
    mulher. Segundo você não envelhece, é
    parte de ser a morte.
    _Mas se não consigo julgar nem a Katherine,
    que é minha irmã, imagine a você que é
    o amor da minha vida?
    _Eu não sou a Katherine. Tenho prazer de matar
    pela mesma razão que você. Pra limpar o mundo
    dessa escória maldita, que se tornou uma
    epidemia!
    “Tem prazer de matar? Pela mesma razão que ela?” Ouvi uma terceira voz na discussão, e meus olhos se arregalaram, lá estava a minha mãe na porta do quarto da minha filha, que se escondia atrás da sua longa camisola azul. “Ah! Fantástico!” Explodi, e ele lutou para se manter calmo. “Agora todos os meus planos para a Ramona foram por água abaixo. Está feliz?!” Deixei fluir o ódio. “Espera, vai me culpar? Foi você que iniciou a discussão!” Ele rebateu, e embora tivesse razão, preferi negar a culpa, e inspirei “todo o ar do ambiente”, até me tranquilizar, para explicar tudo o quê tinha acontecido, pois embora tivesse o dom de tirar a vida das pessoas, não tinha a capacidade mudar seus rumos. O tempo nunca volta para a morte, isto se dá por uma força maior que a minha, e até mesmo a de meu pai.
    Nos sentamos a mesa, a mesma onde deveriam haver conversas comuns e entediantes, em vez do grande “elefante” que estava entre nós. Ramona ficou a me observar com seus olhinhos negros, que estavam esperando uma explicação, enquanto minha mãe tremia como um rato diante do gato, achando que minha doença, tinha enfim chegado ao estágio final, e agora eu matava sem ter um código de conduta. “Eu poderia mentir para vocês, e acreditem em mim quando digo: Adoraria fazer isso. Mas esconder a verdade, as levariam a pesquisar por conta, e tirarem conclusões mais absurdas que o próprio axioma, por isso vou lhes contar tudo.” Tentei soar culta e fria, mas por dentro temia que não me entendessem, e me jogassem numa casa de apoio emocional e psicológico, um nome bonito para hospício do século XXI. Bart mesmo magoado pela acusação, segurou a minha mão me dando apoio, e apesar de meus demônios o odiarem, por me fazer tão fraca, uma pequena parte de mim, se sentiu segura por tê-lo ali, e assim ambos sorrimos sem vontade, um para o outro. “Lembram-se quando sumi por mais de 6 meses, quando estava perto de fazer 28 anos?” Iniciei o meu relato, com uma pergunta, para adaptá-las ao ambiente do passado. “E que Bart lhes disse que tínhamos tirado um ano de férias longe da Ramona, que tinha se tornado cada vez mais pestinha?” Conclui, e a velha conservada Lina, revirou os olhos, já se recordando do fatídico tempo. “É claro que sim, foi o seu ato mais egoísta em relação a pobrezinha.” Resmungou seca, e isso me fez sorrir com satisfação, pois agora ela se calaria com a verdadeira razão do meu sumiço. “A verdade é que eu tinha sido recrutada por uma antiga Ordem que...” Tentei terminar mas a avó, já veio atropelando a minha narrativa. “Você entrou para os Iluminados?! Depois de tudo o quê me falou sobre eles e sua maldade e...” Desta vez eu atropelei suas palavras. “Não! Eu entrei para a Ordem de Cristo. Na qual os verdadeiros devotos da luz celestial, ou estrela da manhã, são treinados pelo filho de Deus, para limpar o mundo de tamanha crueldade, provocada pela má interpretação das Escrituras Sagradas, que foram corrompidas pelo homem, para atender suas ambições.” Respondi quase automaticamente, e ela ficou emudecida. “Mas você é má. Como o filho de Deus, a aceitaria em seu rebanho?” Inquiriu desapontada com o seu grande ídolo divino. “Eu sou má, porquê preciso ser, e Jesus me escolheu porquê sou a filha dele e Madalena.” Disse com desgosto. Após ter entrado em tantas casas, para matar homens merecedores desta sorte, não gostava de ser associada a maldade diabólica, pregada por palavras vãs, de homens loucos por poder. “Mas você não é filha de Lúcifer?!” Ela ficou ainda mais confusa. “Tive a mesma reação ao descobrir. Mas sim Lúcifer e Jesus são o mesmo ser.” Esclareci, e ela cuspiu a água que tinha começado a beber. “Meu pai cometeu muitos erros mãe. Um deles foi tentado introduzir neste mundo, virtudes para os quais não estava preparado.” Baixei a cabeça, lamentando pelo surgimento da outra face, do príncipe do mundo. “Seu pai é o Alexandre! Esse homem que a induz a matar é um blasfemo!” Gritou como uma fanática, e com o meu dedo indicador apontei minha energia para a planta no meio da sala, que por “mágica" começou a secar, enquanto meus olhos mudavam de castanho para violetas. “Tudo é um, e o um é tudo.” Disse ao abrir a palma, e soprar a vida de volta para a flor, que brotou ainda mais linda e brilhante.
    _Como fez isso? Esse Homem. Esse homem é um alien?!
    _Não, bom é, mas não da forma que está pensando.
    Eu sou o cavaleiro do Apocalipse mãe, eu sou
    a Morte.
    _Mas como isso é possível? Sua gestação foi normal,
    embora houvessem complicações!
    _E você rezou a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
    para que eu não morresse, e me chamou de seu
    milagre.
    _Minha filha. É um peso tão grande para carregar.
    _Eu sei que é mãe. Sei que posso ficar louca. Mas pela
    primeira vez na vida, tudo realmente faz algum sentido,
    e principalmente, eu não preciso mais ficar de braços
    cruzados, vendo o mundo ruir.
    _Mas você é tão jovem, bonita, e inteligente.
    Ele não pode escolher outra em seu
    lugar?
    _Eu tenho 666 irmãos. Mas nenhum deles tem o
    meu poder mãe.
    _Eu sabia que um dia isso ia acontecer.
    _Não tá planejando me colocar no hospício não é?
    _Não, não minha filha. Apenas espero que saiba
    o quê está fazendo, pois um erro e...
    _Mamãe eu não morro.
    _Mas pode se ferir, e depois de tudo o quê já passou, não
    quero que se machuque ainda mais.
    Ela me abraçou, e Ramona ficou calada, ponderando sobre tudo o quê sabia a respeito de Cristo e Lúcifer. Naquela madrugada tive de falar tudo a minha pequena, de uma forma que ela pudesse entender, e acabamos por adormecer.
    O MISTERIOSO MARIDO NARRA:
    Thamara dormiu junto de nossa filha, e eu fiquei a mesa, arrumando os pratos, cheio de doces que devoramos ao ouvir as palavras da minha esposa. Lina não conseguia dormir, por isso ficou sentada no sofá com o olhar vazio. Embora quisesse transmitir confiança a filha, ainda não tinha aceitado os fatos, e suas mãos tremulantes, alegavam que estava a beira de um surto. Olhei-a por cima dos ombros, e respirei fundo. Se não a ajudasse agora, a Thamy iria sofrer as consequências mais tarde, e não podia deixar isso acontecer. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado, e ela como que por desespero virou-se para mim, dando-me um baita susto, com seus grandes olhos vermelhos e enrugados, marcados pelo pânico do desconhecido.
    _Bart.
    _Eu mesmo Lina.
    _Thamara não me contou como você foi envolvido
    nessa matança.
    _Ah, é simples. O par da Morte, sempre será
    o Peste.
    _Espera você também acredita que é um dos Cavaleiros
    do Apocalipse?
    _Mas é claro que sim. Fui treinado junto com
    a Thamy.
    _Isso é loucura Bart!
    _Não, não é. Basta parar de ver a Thamy como somente
    sua filha, que verá os sinais entorno dela.
    _Vocês tomaram alguma droga, quando conheceram
    esse guru que acha que é Cristo?!
    _Lina. Se acalma. O tal “guru" salvou sua filha de ficar
    cega.
    _Então é um alien! Um alien maldoso!
    _Lina. Ele é realmente Cristo, sua filha é a Morte, e
    eu sou o Peste. Precisa aceitar isso.
    _Por quê?!
    _Porquê com você como nossa aliada, podemos
    iniciar o quanto antes, os treinos de Ramona para
    esta seguir o destino que lhe foi escrito.
    _E seria?
    _Herdar nossos poderes e manter o mundo
    em equilíbrio.
    A conversa com Lina, não me pareceu muito proveitosa. Era evidente que Thamara tinha puxado a cabeça dura dela. Todavia obtive algum êxito, e por isso pude dormir em paz naquela noite. “Você tem que matá-la.” O sussurro de minha própria voz passou pelos ouvidos. Minha esposa não estava de todo errada, haviam demônios na minha mente, só que ao contrário do quê ela pensava, não representavam perigo algum a nossa filha, não da forma que com veemência me acusava, pelo menos. Meus pensamentos eram mais piedosos, me falavam sobre matar a família inteira, e depois a mim mesmo, não torturá-las com maldade, como fazia com minhas “vítimas”, ou de maneira sexual, como algumas das “vítimas” faziam com terceiros.
    Mergulhado no vazio obscuro dentro de mim, eu os vi. Eram vários de mim, cada um com uma ideia de diferente, e como eu sou o rei deste Inferno mental, caminhei lentamente entre eles, mostrando-lhes a minha força e imponência. O meu eu assustado se recolheu de imediato, ou meu eu raivoso, saltou na minha direção, e por isso o peguei pelo pescoço. “Ela nunca vai te amar! Não é capaz de amar a alguém!” Ele gritou e isso me fez sorrir, ao puxar seu crânio ensanguentado para fora do esqueleto. “Eu que mando aqui, e se não respeita a minha amada deusa, deve morrer como todos os outros.” Esclareci, e o frio e calculista veio até mim. “Ela não é controlável como a Célia. Não é um bom negócio, seguir com aqueles que estão além dos fios de nossa manipulação.” Olhou para mim, e eu lhe acertei com um machado que projetei. Não tinha tempo para ouvir as asneiras, de partes minhas, para as quais somente a Thamara ainda dava vida. “Ele seguiu por aquela direção.” Disse o meu eu viciado em violência, e por isso segui cautelosamente até a escuridão, que crescia da direção em que aquele demônio tinha se enraizado. “Ela te deixou uma vez.” Foram as suas primeiras palavras. “Ela seguiu com Dave, e te ignorou. Só retornou porquê Dave não a ama.” Continuou com seu monólogo de mágoa. “Só há uma razão para odiá-la tanto. Sr. Tristeza.” Brinquei ainda atento ao ataque dele. “É Sr. Melancolia.” Ele gritou enfurecido. “Pra mim parece mais o bebê chorão. Aquele tempo se foi Bart Melancólico.” O alfinetei, e depois recobrei o sentido, se somos o mesmo, não cairia numa provocação barata. “Não para mim. Eu ainda a vejo nos braços do outro, exatamente como ela desenhou.” Respondeu com mais intensidade, e pude chegar até ele, porém ao pisar no topo de uma colina, iluminada pela luz da lua, percebi que aquela voz vinha do meu inconsciente. “Ela nos ama. Me ama, e é só o quê importa.” Disse ao olhar para baixo. “Não é tão simples.” Suas sombras se materializaram, agarrando meus pés como tentáculos, e me arrastando para dentro do breu. Uma vez disse a Thamara que eu tinha entrado em depressão quando me deixou, mas eu menti, ela tinha criado algo muito pior dentro de mim, pois nunca havia amado tanto alguém antes dela, e agora esse mesmo monstro queria me puxar para o fundo, com o intuito de se tornar o 70% de mim, que controlava os meus outros demônios. Isso já tinha acontecido uma vez, e até hoje sofro com consequências do Bart Melancólico, que me levou a trair a minha esposa, mesmo que só emocionalmente, e ela nunca me perdoou. “Ela irá fugir com o primeiro homem bonito que aparecer.” Ele disse tentando me desnortear, mas desde que tinha completado 30 anos, não era o garoto de antes, o emprego e pequenas intervenções de Thamy, tinham me tornado atraente o suficiente, para não me sentir ameaçado, caso surgisse mais um novo rival, na batalha pelo coração da minha companheira. Por isso concentrei raios de luz na minha palma, e cortei os braços da criatura, antes de chegar na ponta do precipício. “Eu não entendo por quê você ainda existe. Eu já superei o passado, então faça o mesmo. Não importa as batalhas que perdemos, e sim que vencemos a guerra, e teremos a Thamara para sempre.” Disse iluminando o meu corpo ao máximo, para ser intocável pelo poder obscuro, do ser que habita as profundezas da minha cabeça. “Dave, Thomy, e outros, não foram os últimos.” Ele me disse, e retornei ao meu estado ativo.
    Já eram 7: 30 da manhã, e Thamara já havia iniciado suas negociações com o Robô da Ibov. “Me atrasei?” Brinquei com o meu sorriso mais sem graça, e ela seguiu com os seus olhos vazios, procurando por algo que nem a mesma sabia. “Está atrasado em 15 minutos, e só não perdeu 140 USD, porquê entrei em seu Login.” Respondeu seca, e isso me preocupou bastante. Se ela soubesse a luta que vivo toda noite, para continuarmos juntos, talvez valorizasse o meu amor, ou não. Conhecendo a senhorita “Não te amo há muito tempo.” Certamente não. “Obrigado meu peixe.” Agradeci citando o nosso apelido próprio, na intenção de alcançar as suas emoções. Só que ela seguiu inerte, me ignorando, e isso fez com quê o pesadelo da noite passada, parecesse bem real. Sentei-me do seu lado, meio desarrumado, tinha apenas escovado os dentes, e lavado o rosto. Sua pequena e delicada mão procurou pela minha, e isso me fez sorrir. “Não Bart Melancólico estava errado. Ela me ama sim.” Pensei tentando esconder o riso de alegria, e sem dizer nada ela se encostou no meu ombro, ainda focada na tela da FT. Era o seu jeito de dizer Eu te amo, sem o uso das palavras, e eu adoro isso, pois depois do carinho silencioso, sempre vem o beijo, e neste sinto toda a sua energia amorosa fluir com bastante gosto.
    A MORTE VOLTA A NARRAR:
    Ainda estava enfurecida pela noite passada, ele me traiu com uma garota mais jovem, de 18 anos, quando tinha 22. O quê quer que eu pense? Que é um homem digno que não se interessa por garotinhas? É difícil. Pois achei que o fato de ser 2 anos mais nova, me dava uma vantagem que as outras não podem ter. Afinal desde nova, sempre sofri muita rejeição dos caras da minha idade, e recebi bastantes pretendentes mais velhos. Assim conclui que meu par teria de ter sempre um ou dois anos acima de mim, do contrário sempre seria sempre um fracasso. Meus planos caíram por terra! Mesmo sendo mais nova, ele procurou por uma ainda mais nova, 4 anos mais nova. O quê me levou a concluir que se tivesse 17, teria um relacionamento com uma menina de 13 anos, algo tão patético, quanto o quê Roger, o lixo que me desvirginou fez. Depois de tal fato, nunca mais o vi com os olhos do encanto, porém ainda sim, mesmo ferida, e quebrada por dentro, não deixei de amá-lo. Só que como ele nunca valorizou os meus esforços, para manter longe os abutres que queriam destruir o nosso relacionamento, sempre que esse rancor crescia dentro de mim, acabava por dizer que não sinto mais nada, pois a verdade é que não queria sentir, mas por alguma razão era o único que não era capaz de deixar de amar totalmente. Talvez fosse o pacto que fizemos, quando ele tinha 18 e eu 16, ou quem sabe somos almas gêmeas. Já não sei mais, pois cansei de fazer inúmeros rituais para nos desamarrar, e continuarmos voltando aos dias de intensa paixão da juventude, e nos amando ainda mais. Como uma maldição sem fim, da qual nunca poderia escapar. Karma também é uma opção, consequência por desafiar a ordem divina. Contudo poderia ter me prendido a um homem cachaceiro, que me bateria, ou não me reconheceria nem mesmo com magia. Porém acabei junto dele, e apesar de ter sido o maior dos idiotas, foi a melhor opção, entretanto se pudesse voltar no tempo, eu teria impedido essa união de todas as formas, e com certeza me espancaria até desmaiar, antes de juntar nossas gotas de sangue, e transformá-las numa só, envolvendo o nome de Lúcifer e Lilith. Talvez fosse melhor ter invocado a própria Afrodite e o seu Adônis endeusado, mas isso é duvidoso, pois muitos no círculo dos magistas alegam que Lilith é Vênus, e se isso é verdade, então Lúcifer seria Áries ou será que era o pobre Efestos? Aquele que foi expulso do Olimpo pela própria mãe, e se tornou um Deus por sua cruel astúcia, ao descobrir as fraquezas daqueles que um dia o humilharam. Tanto faz. Só sei que rezei aos deuses errados, pois mesmo que a minha vítima cedesse, passamos por vários problemas ligados a este bendito ritual diabólico. O amo muito, ele é a minha vida, não vivo sem ele, parece que quem se amarrou fui eu. É duro sentir tal coisa, sendo que nunca tive tal emoção, por nenhum outro homem antes, e pior ainda é gostar dele deste forma, depois de tudo o quê aconteceu. Eu piso, humilho, chuto como se fosse outro psicótico a ser julgado, e na hora de partir o agarro forte, e faço o quê estiver ao meu alcance para não deixá-lo ir. Meus médicos dizem, que é culpa do meu mal, que não o amo de verdade, só gosto de sua submissão, e de torturá-lo friamente. É tudo tão simples para eles, que chega a me dar raiva. Não é que não o ame, pois se assim fosse, não perderia a cabeça só de imaginar ele com outra. “E isso se dá porquê o trata como sua posse, e acredita que ninguém mais pode tocá-lo.” Já até ouço o Doutor Fernand dizer, e reviro os olhos. Oras se não quero que ninguém toque nele, é porquê é importante para mim, e as mãos impuras de terceiros não devem corromper o meu imaculado amado.
    _O quê está pensando Thamy?
    _Nada.
    _Olha lá a mentira patológica gente.
    _Não importa.
    _Ainda é sobre aquele assunto irritante?
    _Em parte sim.
    _Hm.
    _O quê quer para o café?
    _Nada.
    _Isso só funciona comigo. Deixa de graça.
    _Eu realmente estou sem fome.
    _Então vou fazer bolinhos de queijo
    , presunto, salsa, e recheio de
    requeijão.
    _Quero 2.
    _Ótimo. Vou aguardar você terminar
    aqui.
    Sorri da maneira mais cínica, e isso o contagiou. É nessas horas que percebo o quanto me ama. “Eu vou. Mas só porquê me garantiu 140 dólares ainda pouco.” Fez a face de senhor da razão, e eu gargalhei. Está querendo enganar a quem querido? É evidente que expande a quantidade de oxitocina no seu organismo por mim. Tomamos o café-da-manhã, já em clima de harmonia, sorrindo como se por alguns minutos todos os males tivessem ido embora. Uma perfeita relação abusiva, na qual para surpresa de todos, era a mulher que estava pisando de salto alto nos sentimentos do homem. O telefone tocou, e fechei a cara, pois não era Lúcifer que estava me ligando, e sim a minha irmã que tinha se bandeado pro lado dos Iluminados.
    _Luciféria.
    _Pai!
    _Precisa vim a Santa Marta o quanto antes.
    _O quê? Por quê?
    _Sua irmã despertou da lavagem cerebral
    das Corais, e está a beira da morte!
    _Ela... O quê?
    _Venha ao mosteiro, e explicarei tudo.
    _Está bem.
    Ele desligou, e eu olhei para Bart. Nós entramos no carro, e dirigimos até o monte dourado. Katherine estava totalmente desidratada, caída no piso, como se implorasse pelo seu último suspiro. Sem dizer nada, afastei todos os frades, e me ajoelhei diante dela. Concentrando minhas energias na palma, vi ambas se tornarem esferas de luz radiante, e soprei para dentro da sua boca, infelizmente minha irmã não estava só morrendo, e sim tinha sido acometida por um vírus, e somente o sangue do Peste, poderia curá-la. “Vai em frente.” Disse ele estendendo o pulso, e com minha unha de energia, perfurei sua pele rasgando-a, até pingar gotas vermelhas na língua da moça, que pouco a pouco se restabeleceu de sua doença.
    Passadas algumas horas...Caminhei pelo mosteiro, e fumei um cigarro de maconha para me acalmar. Meu pai viu, e sorriu, erguendo a mão, para tirá-lo da minha. Sem questionar o entreguei, e para a minha surpresa, ele o levou aos lábios, e puxou toda a fumaça com gosto. “Parece que o lado Lúcifer segue aí dentro.” Brinquei, e ele olhou para o céu. “Lúcifer nunca irá embora, Magda.” Respondeu com calmaria. “É Luciféria, Luciferiel.” O corrigi. “Luciféria no céu, Magda na Terra, Arádia na Magia, Matheuccia na Religião...São apenas nomes. O quê importa é a sua essência, pequena princesa.” Citou meus “20 nomes", e me fez entender o seu propósito. “De fato. Lúcifer no céu, Jesus Cristo na Terra, Agrippa na Magia e na Religião.” Devolvi na mesma moeda, e ele riu com compaixão. “Então reconheceu minhas palavras, até mesmo através de um homem? A eduquei direito pelo visto.” Olhou para o lado, e ergui os ombros. “Quando falou que o Ar não era um elemento, e sim uma cola que unia os outros 3, como se o mesmo fosse o mais poderoso dos elementos, ficou bem óbvio na verdade.” Completei, e ele seguiu a fumar a erva sagrada, que aos olhos do sistema, era maldita, pois fazia o cérebro trabalhar mais rápido, e se tornar menos passivo ao controle. “Pena que nem todos os meus filhos aprenderam direito a respeito da palavra sagrada.” Olha para a frente, e a silhueta de violão da Coral, surge querendo se aproximar de nós. “As deixarei a sós.” Ele de imediato se retira. “Espera, ela é sua filha. A minha está em casa lendo e aprendendo.” Resmunguei colocando minha mão em seu peito, não o deixando passar. “Mas quando sua mãe criou ódio dos homens, você cuidou dela, como se fosse sua. Queria uma chance de se redimir? É esta.” Me relembrou, e acabei por ficar sem argumentos. Como uma criança, a morena veio até mim, e eu segui com a postura fria de mágoa.
    _Lucy.
    _É Thamara.
    _Pra mim sempre será Lucy, a minha irmãzinha
    mais velha.
    _Irmã mais velha, não venha com diminuitivos
    para despertar meus sentimentos.
    _Como sempre fria como gelo não é?
    _Diria mais fria como a Antártica.
    _Não vai querer saber como te encontrei?
    _Você sempre se fez de lesa, mas é inteligente.
    Não há nada surpreendente em ter chegado
    até aqui.
    _Eu ouvi um elogio da Sra. Crítica?
    _O quê quer aqui Katherine? Já não nos traiu
    o suficiente, ao se misturar as Corais?
    _Isso está além do quê pode compreender
    Thamara Mary.
    _Que você tinha sede de poder, e se meteu
    com as pessoas erradas? Não, é bem
    fácil.
    _Se me ver como a velha Lilá, sim, é só isso.
    Mas entrei na Ordem das Corais, para vigiá-las,
    e te entregar constantes relatórios sobre os
    crimes.
    _É Agarath e disso eu me lembro. Então num fatídico dia, simplesmente me levou para uma armadilha, e por pouco não morri.
    _Eu me apaixonei Lucy, e assim como você
    e Bart, ele era o meu parceiro de outras
    vidas.
    _Outro loiro de olhos claros com o rosto
    de uma estátua grega?
    _Guarde o seu sarcasmo. Ele era moreno,
    de olhos castanhos, e sem um gigante
    porte físico.
    _Deixe-me adivinhar, era o líder das Corais?
    _Não. Era outro subalterno como eu, e quando as
    Corais descobriram que tinha traído elas, juraram
    matá-lo, e me entregar o seu coração numa
    folha.
    _Então por um amor de verão traiu
    alguém de seu próprio sangue.
    Interessante.
    _Ele não era um amor de verão Lucy!
    Estávamos juntos, desde que me infiltrei
    na Ordem das Corais!
    _E já se passou pela sua cabecinha infantil,
    que ele pode ser o vigia delas, para testar
    a sua lealdade queridinha?
    _Já! É claro que já! Você me treinou lembra?
    _Então como ainda pode me trair?
    _Porquê ele era diferente do John. Me ligava,
    Mandava flores, fazia planos comigo, e me
    fazia ver que Bart não era o único homem
    na face da Terra, a amar uma mulher.
    _Não te usava? Não te ignorava? Não
    pisava em você? Não dava sinais claros
    de manipulação, e que não estava
    afim?
    _Não. Havia tanta devoção da parte dele,
    que várias vezes as Corais tentaram o matar,
    somente por me proteger.
    _Então te amava mesmo.
    A conversa prosseguiu, e vi os olhos de Katherine. Apesar dos sinais de um amor realmente recíproco, estava claro que aquela história não tinha tido um final feliz.
    A MEMBRO CORAL NARRA:
    Quando entrei no clube das Corais, que até aquele momento não era uma ordem reconhecida pelo mundo, tinha apenas um objetivo, orgulhar a minha mestra, irmã, e segunda mãe que já tinha conhecido. A tarefa era simples, apenas observar os relatórios através do Whatsapp e repassá-los para a minha superior, que havia praticamente retornado dos mortos. Contudo praticamente da noite para o dia, o Clube das Corais, ganhou destaque, e passou a ser notado por diversos países. Assim em vez do pequeno grupo que só tinha conversas online, agora os membros ganhavam passagens, para se encontrarem pessoalmente. Entrei num lugar com estátuas de Gárgula, cheio das mais diversas artes clássicas e góticas. Quem tivesse conhecido a líder antes, não acreditaria, que Ane Marrie agora era uma das mulheres mais ricas do Brasil. Mas isso tinha um preço, que era caro demais para pagar. “Olá meus filhos. Eu sou a deusa. Lúcifer não virá, mas os homens de Cristo, bateram a nossa porta, e não podemos deixá-los esperando.” Disse Ane, enquanto os 9 membros principais, se aproximavam de seu trono de mármore, uma regalia necessária, oferecida por ninguém menos que os iluminados. “Luz é o quê este mundo precisa, e é a ela que agora serviremos, sem perder a nossa autonomia.” Prosseguiu, sentindo-se a dona do mundo. “Se Lucy assistisse a essa cerimônia, teria revirado os olhos, e cochichado algo sarcástico.” Pensei ao me ajoelhar perante os pés da “deusa Marrie". A festa foi bastante recatada, até o momento em que ela pediu que nos despíssemos. Tremi um pouco, pois só havia eu e mais uma garota, chamada Pauline, e um dos homens veio até mim. Seu nome era Timothy, e o olhar cheio de desejo, me fez ter repulsa, por achar que era um pervertido qualquer. Porém quando segurou minha mão, e a beijou, soube que mesmo sendo um tarado, era um cavalheiro. “Não é bem o lugar para ser educado.” Joguei verde, para ver se era um teatro e ele riu. “Com alguém tão bela quanto você, é sempre hora de ser educado.” Ele me olhou com os seus escuros olhos penetrantes, e sem graça deixei meu riso escapar. Após o evento, em que por nome dos deuses tivemos de copular, Ane Marrie notou uma conexão entre nós, e nos fez um par, segundo ela éramos deuses antigos, que agora tinham reencarnado para clarear a sociedade. Novamente se Lucy ouvisse tal coisa, iria surtar, pois parecia uma cópia malfeita da historia dela e do marido, e se saísse da minha boca, certamente brigaríamos, pois ela iria pensar que a ideia teria sido minha, por conta dessa “mania de poder". Timothy andava pela cidade, sentindo-se o Senhor das Ruas, por conta do título que a “deusa" lhe proporcionou. Eu seguia ignorando isso, minha deusa era outra, e a mesma dizia que eu só me tornaria como ela, no dia em que finalmente despertasse, de maneira tanto física quanto intelectual. Só que o meu parceiro achava mesmo que Ane Marrie, era alguma entidade poderosa, por isso tentava fazer a minha cabeça para ver a sua grandeza, e jamais seguir a renegada filha de Lúcifer, que não fazia parte das Corais, por ser uma egocêntrica, metida, que achava ter mais poder que a “nossa" majestade. “Sempre não é Lucy?” Mas estes embora pareçam ser defeitos, no fim eram suas qualidades, e eu admirava esse desempenho frio e turrão de ser. Percebendo que a glória da Rainha Cobra, não me tocava o coração, ele desistiu de falar de seus feitos, e passou a mudar de assunto. “Obrigado Satã por sinal.” Foi então que vi que Timothy, não era só um ingênuo seguidor da “deusa nada virgem", como Lucy costumava chamar, e pouco a pouco, meus pensamentos sempre focados na minha irmã, foram desaparecendo, e sendo substituídos por todos os segundos e minutos que ficava perto dele. É claro cometíamos muitos crimes hediondos, em nome dos Iluminados, por intermédio da majestosa Marrie. Mas tudo o quê ficava na minha mente, eram os milk-shakes com hambúrguer que comíamos na volta para casa. Os meses se passaram, e a minha aproximação com ele, se tornou cada vez maior. O quê deveria ser somente uma parceria de negócios, logo se tornou um romance, e quando dei por mim estávamos vivendo juntos, no apartamento simples dele, que nós chamávamos de ninho do amor. Mesmo que um filho de Eva morresse em minhas mãos todos os dias, tudo o quê importava, era o calor do seu colo no final da noite, pois nada mais era importante além de nós dois, ou assim pensei.
    Certa noite cheguei em casa, e Timothy não estava lá. Somente o nosso cachorro Vlad, se encontrava no apartamento. Logo o medo de algo ter acontecido invadiu o meu pensamento. Liguei em seu telefone, e o mesmo estava desligado. Estaria ele aprontando sem mim? Questionei. Só que o meu amor, me deixou um pouco mais lúcida, e por isso decidi verificar os meus recados. “Amor. O Vlad tá com saudades.” Foi a primeira mensagem, as 7:30. “Amor hoje vai ter pizza na janta, quer escolher o sabor?” Foi a segunda, na hora do almoço. “Amor trouxe sua pizza favorita, com muito queijo e...” A ligação caiu as 19:45. “Merd...!” Deixei escapar, e fui para a próxima e última mensagem. “Sabemos de sua conexão com a deusa renegada, e se quiser ouvir outra declaração patética do seu amado, vai ter que fazer o seguinte...” Anotei as instruções com a mão trêmula. Sabia que Thamara jamais me perdoaria, pelo que ia fazer. Contudo Timy era o amor da minha vida, e eu não me perdoaria se algo acontecesse a ele. Precisava tomar uma decisão, que mudaria a minha vida sempre, e tinha apenas alguns minutos para cruzar a linha da traição. Foi então que segui o plano delas, e enviei uma falsa localização para a minha irmã, que a enviaria direto para o abate. Ela não havia despertado ainda, mas assim como eu tinha alguém que me amava, ela também tinha, e certamente ele iria resgatá-la, e caso isso falhasse, havia uma força celestial disposta a mudar o tempo, para salvá-la, e sendo assim ela era importante o suficiente para o universo intervir. Ao contrário do Timothy que tinha menos de 2 horas de vida, e poderia desaparecer para sempre, pois era um criminoso, e mesmo sendo um filho do Inferno como eu, ficaria preso ali, por sua afronta a ordem natural, ao seguir as leis erradas. Era o fim da minha parceria com a minha irmã, e por isso não conseguia aguentar as lágrimas, mas mesmo assim, eu segui em frente, e entrei naquele depósito. Timy estava preso dentro de um vidro cheio de água, acorrentado até o pescoço, com panos brancos que estavam vermelhos de sangue. Só haviam 7 minutos de vida agora, e eu precisava encontrar o painel. Corri de um lado para o outro, tentando achá-lo, até que notei os olhos do meu amado, e segui na direção indicada por estes. Quando o líquido já tinha ultrapassado o queixo, eu consegui desligar, e sem pensar duas vezes, entrei no tanque, e usei a chave que me entregaram, após mandar minha irmã para a morte. Ao nos encontrar nos abraçamos mais forte do quê nunca, e nos beijamos ali dentro. Mas após ter comprometido toda a Ordem das Corais, eu mesma paguei o preço. O tanque se fechou, na parte de cima, e a própria Ane Marrie, veio nos executar. Pensei que ia morrer, pois agora não só subia água, e sim um liquido verde, que segundo a mesma estava contaminado, com um vírus que tinha ficado adormecido há 7 mil anos. Eu gritei, e me debati, enquanto Timothy ficou parado. Não entendi a razão, até ver a enorme e gosmenta criatura na sua nuca, que brilhava mais que neon, e que seus olhos estavam vazios. “Este? É um presente da nossa bióloga renegada, que antes de sair me ensinou sobre todos os poderes da ciência... e seus malefícios.” A rainha sorriu, e entrei em desespero. Sem saber o quê fazer, passei a me empurrar na ordem contrária ao apoio do tanque. A queda poderia me machucar, só que era melhor que morrer. Empurrei várias vezes, impulsionando o meu corpo, até que a cúpula caiu no piso e se partiu. Me arrastei entre os cacos, e peguei a mão do meu namorado. Sabendo que não éramos mais bem vindos, sai correndo até a saída mais próxima. Nós dois corremos até a floresta, e quando vi um frade passar por ali, gritei pedindo por ajuda. “Eu sou Úrsula, a outra irmã de Thamara a filha mais velha de Cristo!” Foi tudo o quê pude pronunciar, antes de desmaiar. Se falasse meu nome verdadeiro, eles não nos ajudariam, Thamara tinha deixado isso bem claro, na sua “doce” carta de despedida, por isso fui obrigada a mentir. Mas ainda bem que fiz isso, pois me trouxe até o único lugar, em que Timothy pôde ser curado, para que possamos iniciar uma nova vida, longe dos crimes da Ordem das Corais. Sei que somos dois ímpios, mas se meu pai é mesmo Cristo, ele ensinou os outros a perdoarem, e certamente não negaria uma segunda chance, para uma das suas filhas, e o sobrinho, filho de seu irmão Belial.
    _Então mentiu para chegar aqui?
    _É só o quê ouviu?!
    _Não, foi apenas a parte mais marcante, pois pensei
    que tinha me rastreado de alguma maneira, algo mais
    inteligente, do quê apenas sorte.
    _Foi inteligente, do contrário Timothy teria morrido.
    _E agora espera que a Ordem de Cristo os abracem
    , e ofereçam um banquete pela sua chegada?
    _Queremos somente redenção Thamy.
    _Sem coroas, deuses, ou as velhas regalias que
    foram ofertadas por Marrie, para tentá-los ?
    _É claro que sim.
    _Estão prontos para o trabalho duro,
    que lhes confere alguma nobreza
    entre nós?
    _Se tiver um quarto, comida boa, e bons
    livros.
    _Acha que está no direito de exigir?
    _É o mínimo para um ser humano.
    _Então terá de se dirigir ao pai.
    Ele quem lida com essas
    coisas.
    Thamara era bastante firme em suas palavras, porém era evidente o alívio que sentia no peito, por me ter de volta ao seu comando. Uma vez irmã, sempre irmã, e mesmo com toda a frieza, ficava claro que se importava do contrário, não teria feito o seu marido “O Peste" me dá o sangue da cura.
    A MORTE NARRA:
    A volta da minha irmã mais nova deveria me trazer alegrias, mas por mais feliz que estivesse pela sua volta, não podia me esquecer dos males que tinha causado, e de quê nem Ramona escapou das suas teias diabólicas. Inspirei fundo, e caminhei para longe dela, deixando-a sem respostas. Tudo sempre foi muito fácil para Katherine, então não me admira a sua “cara de pau”, de vim até Santa Marta em busca de perdão. Nosso pai poderia lhe perdoar, afinal ele sempre foi o cara que perdoo as faltas do mundo, mas eu neste sentido, era tão implacável quanto minha mãe Madalena Lilith.
    A noite... Timothy e Katherine ficaram agarrados um ao outro, sorrindo, ao beberem a sopa do nosso chefe e padre João. Quem os visse ali, pensaria que eram almas gêmeas, puras e inocentes, entregues aos desejos da juventude. Fiquei com o cotovelo apoiado na mesa, pousando a mão abaixo do queixo. Os observando com cautela e fúria. Vendo o meu estado, Bart deitou sua cabeça no meu ombro, dando-me beijinhos no pescoço, até me fazer rir, e sussurrou para nos afastarmos de todos. De mãos dadas, nós seguimos até a beira do rio cristalino, e nos sentamos na ponta da terra, deixando a água cobrir os nossos pés. “Não gostei da volta dela.” Ele iniciou, e dei graças aos deuses, por não ser a primeira a dizer. “Ela é minha irmã, mas eu também não estou satisfeita com isso.” Concordei, e ele se deitou no meu colo, deixando a água fria cobrir metade do seu corpo, já que a fenda estava rasa, e “secando”.
    _Por pouco você e Ramona não morreram
    naquele dia. Não é algo fácil de se perdoar.
    _Se Ele não tivesse parado o tempo...
    _E ainda tem essa. Graças a ela o Arcanjo voltou.
    _Ciúmes, bonitinho?
    _Sempre terei ciúmes de você. É o amor da
    minha vida.
    _Você também é o amor da minha...
    _Mas?
    _Você sabe...
    _Está muito magoada comigo, para sentir
    alegria por isso.
    _Olha, não é que é esperto?
    _Engraçadinha.
    _Sou mesmo.
    _Eu te amo Thamy. Sei que falhei feio contigo, como marido,
    mas não vai se passar um dia da minha vida, que não deixarei
    de lutar para ser digno do seu perdão.
    Ele ergueu a face para cima, e pude vê as estrelas se refletirem nos seus olhos. Aquelas íris brilhantes, e a pupila tão dilatada ao olhar para mim, me fizeram entender porquê mesmo depois de tantos anos, sofrendo por ser incapaz de dar uma segunda chance a alguém, ainda seguia ao seu lado, e afastava todos os possíveis pretendentes, tornando-o minha primeira e única opção. “Também te amo Bart. É difícil pra mim perdoar, qualquer pequena falha que seja. Mas por você estou tentando.” Me esforcei para me declarar. Escrever é fácil, porém falar dos meus sentimentos, sempre foi algo complicado, pois é como se eu não fosse capaz de amar, ao ponto de literalmente esquecer de mim, e levar um tiro para proteger alguém que não está dentro desse corpo. Contudo Bart era o único por quem eu realmente me esforçava para ser melhor, e por mais que o Dr. Fernand ou o Dr. Augusto dissessem o contrário, isso para mim, era o mais perto do amor que podia conhecer. Sem que percebesse, meus dedos fizeram carinho em sua cabeça, e meus lábios foram até os seus. Talvez amar, não fosse algo que trouxesse somente felicidade e satisfação, e sim a caminhada longa e tortuosa, na qual os dois enfrentam todas as barreiras para continuarem juntos.
    O PESTE NARRA:
    Outra vez seus impulsos românticos a traíram, era óbvio por causa da sua face corada de vergonha, ao afastar o rosto depois de me beijar, e praticamente criar alguma distância emocional, ao se recostar para trás. Ainda bem que tínhamos voltado a brigar por nosso relacionamento, não queria me lembrar, do dia em que quase perdi a mulher da minha vida, e o fruto desse amor que nunca se apaga. Droga. Estou começando a lembrar outra vez...Já ouço o som do temporal que caia, e a voz dela ao telefone. “Bart por favor me ajude.” Foi tudo o quê ouvi, antes de ligar sua localização, e seguir até o meio da mata escura. A mesma em que há poucos dias, havíamos encontrado sacrifícios infantis, em nome dos “ofídios em forma de humanos”. O sangue estava espalhado por toda parte, - ao contrário do quê fizeram com Marcele, outra membro que abandonou as corais, antes da mesma se transformar numa ordem mundialmente famosa, por suas atrocidades. – Eles queriam mesmo executar a Thamara, sem fazer parecer suicídio. Minha respiração era calma, porém a cada passo que dava, o medo crescia dentro de mim, e os suspiros pouco a pouco se aceleravam. As folhas se quebraram abaixo dos meus pés, mesmo tentando ser sorrateiro, e isso fez meu coração subir até um pouco acima das costelas. Um pouco trêmulo, me aproximei das árvores, para observar o ambiente. Sentindo a força de Gaia fluir pela copa, ganhei energia para enfrentar os monstros que tinham levado a minha amada, e a minha filhinha. Minha áurea obscura cresceu, e por alguns segundos o Bart viciado em violência, tomou 70% do controle do meu corpo, pois estava pronto para me “banquetear” com a carne de certas corais. Meus dedos arranharam o tronco, como se fossem obsidianas, e por um momento senti que meus olhos queimaram, e se tornaram amarelos como ouro, dando-me o poder de ver no escuro. Foi então que a vi, nos braços dele, e minhas íris se tornaram vermelhas como rubi, pois o Bart melancólico quem assumiu. “O quê faz aqui?” Perguntei ao ver o homem de longos e cacheados cabelos negros, que segurava a minha esposa, e ficava ao lado da minha filha, me encarando com seus olhos azuis, que brilhavam de maneira tão inumana quanto os meus. “Se soubesse cuidar dela. Eu não precisaria intervir.” Ele me respondeu, e isso me fez rir de raiva, pois jamais deixava de salvaguardar a minha amada. “O quê aconteceu?” Perguntei lentamente, pronto para matá-lo com todos os requintes da maldade, assim que me entregasse a minha companheira. “As corais vieram atrás dela.” Disse sem parecer se importar, e ela despertou. “Você?” Perguntou para ele, com certa mágoa, e este sem querer sorriu. “Estou fazendo hora extra.” A colocou no piso, e levantou voo. “Ela precisa de proteção. Não importa quem você seja, sabe que somente o Pai tem tal poder.” Disse ao passar por mim. Apesar de ser um engomadinho celestial, ele estava certo, porém conhecendo a mulher que tinha, havia a certeza de quê ela não seria a favor de tal intervenção, por isso só deixei escapar um barulho de lata de refrigerante sendo aberta.
    No caminho de volta para casa...Thamara ficou em completo silêncio, segurando Ramona que tinha dormido em seus braços. Pelo retrovisor pude vê-la. Seu olhar era vazio, tinha marcas de garras nos ombros, o lábio estava roxo, como se tivessem torturado e depois a forcassem a beber veneno. Eu queria saber o quê tinha acontecido, mas ela parecia sem reação. Ao passar pela entrada de casa, ela pulou no meu colo e me abraçou forte. “Ela saiu. Eu preciso ir embora.” Foram as suas palavras. Sem pensar, a segurei contra o meu peito. “Não.” Foi tudo o quê consegui sussurrar, e ela me deu um beijo no rosto, seguido de um beijo na boca, que pareceu sugar as minhas energias. Era como se ela fosse a Hera Venenosa das revistas em quadrinhos, mas seus olhos ficavam violetas e vítreos, quando minha vida era engolida por sua boca roxa. “Eu te amo muito. De verdade. Mas meu ódio pode te machucar, então adeus.” Ela disse e dei o meu último suspiro, caindo desmaiado no piso.
    Os dias se passaram...Minha sogra entrou em desespero, e veio para dentro da nossa casa, me oferecer ajuda para cuidar de Ramona, enquanto eu procurava por minha esposa. Cheguei a voltar a beber e fumar, coisa que só fiz na adolescência após termos terminado por conta dos seus inúmeros pretendentes, e querer vivenciar todos os prazeres da juventude. Ela certamente diria que o fez, pra ficar com o tal Dave, porém anos mais tarde, vim saber que não tinha só o babaca, outros estavam aos seus pés. Não acho isso negativo, porquê eu também era o homem de muitas, após termos nos afastado. Pra mim isso só significava que a separação nos tornou duas criaturas frias e maldosas, que deixaram um rastro de destruição por onde passaram, mas se reencontraram mesmo nas trevas, pois eram perfeitos um para o outro. Infelizmente acho que ela não via assim, e por isso tinha partido de vez. Ela, seu outro Eu sempre saia em momentos de adrenalina. Então isso pra mim, era uma desculpa mais do quê esfarrapada. O sino da porta do bar tocou, e foi tudo muito rápido. Um grupo de mascarados, com uma braçadeira vermelha, jogaram um frasco ovalado no piso, que se partiu e deixou todos doentes.
    No meio daquela névoa verde, eu via mulheres e crianças gritando, ao chorarem lágrimas de sangue, enquanto os homens vomitavam sem parar pelos cantos, e alguns tremiam como se sofressem o efeito colateral de um remédio psiquiátrico. O quê quer que seja, era mortal, mas me sentia normal, por isso caminhei por ali, até chegar a saída, onde encontrei um grupo de homens de túnica branca. “Eis que o filho do nosso senhor enfim aparece entre as sombras, iluminando-as com a sua luz.” Disseram em coro, e ergui uma sobrancelha de incredulidade. “Saudamos-te ó grande cavaleiro iluminado, que deve acompanhar a amazona negra que com a sua mortalha e foice limpará o mundo.” Eles se ajoelharam diante de mim, com itens em suas mãos. “Eu sonhei que muitas pessoas morriam por minhas mãos.” Me recordei, com a voz dela. “Não podia ver o rosto, mas andava a cavalo com um guerreiro de armadura prata, que me levava até os outros dois. Era como se eu fosse a Morte” Foi o segundo lampejo. “E se um dos cavaleiros, não for apenas uma corrupção machista, e a Morte na verdade é uma amazona?” Foi o quê me fez ter certeza que era dela que se tratava. “Onde ela está?!” Peguei um deles pela túnica, e ergui contra a parede, pronto para destrui-lo caso tivesse feito mal a minha amada. “Está em Santa Marta, porém assim como a mesma está treinando, você deverá fazê-lo, para terem controle dos seus poderes, e não serem controlados por eles.” Me respondeu aquele ficava ao lado do outro. “Olha pra minha cara. Vê se eu me importo com isso? Só quero achá-la.” Disse com impetuosidade. “Se quiser ver a minha filha. Terá de ser merecedor dela.” O quarto e último homem impôs, e quando olhei para trás, vi seus olhos brilhantes como uma lâmpada no escuro. “Lúcifer?” Questionei desconfiado. “É apenas um dos meus nomes, meu filho rebelde.” Me respondeu. “Ela está bem? Não estão abortando seus filhos, e lhes dando o feto para comer não é?” Inqueri me recordando das terríveis visões da minha companheira. “Não somos Os Iluminados. Nosso treinamento é mais rigoroso e evolutivo. Ela está aprendendo a controlar o poder da Morte, e não se tornar o próximo grande Demônio, já temos você pra isso.” Respondeu e brincou no final. “Do quê está falando?” Perguntei sem entender a razão de tal acusação. “Então o bloqueio de memória foi um sucesso.” Se aproximou de mim, e pousou a mão no meu ombro direito. “Infelizmente Baal Hadad, não poderá viver para sempre nesta mentira, de quê só Thamara Mary, viveu no Inferno, e tem o meu sangue.” Tais palavras me deixaram um pouco receoso. “É hora de enfrentar o seu grande demônio, e fazer juiz ao fato de ser o príncipe deste mundo.” Ele prosseguiu. “Esse não é o teu título?” Perguntei com certa curiosidade. “Eu sou o novo Deus, meu filho, o título de Diabo é, e sempre será seu.” Ele me respondeu, e meus olhos se engrandeceram. “Isso não seria uma blasfêmia para o Altíssimo?” Notei os aspectos bíblicos dos quais Thamy sempre falava. “Seria, se ele não tivesse concedido esta glória, para se tornar o sucessor do seu bisavô.” Outra vez ele respondeu algo de quê não tinha muito conhecimento, a não ser pelas aulas da minha linda descendente dele.
    _Eu tenho um bisavô?
    _É muito para explicar. Mas sim. Você é parte da terceira
    gerações dos deuses.
    _Então este bisavô é o Caos da mitologia nórdica?
    _Sim, e dele nasceram os primeiros deuses supremos,
    que são os seus avós.
    _É muito para processar...
    _Ficará mais fácil depois que desbloquearmos sua memória.
    _Não.
    _O quê? Por quê?
    _Se sou mesmo o Diabo, não quero machucar Thamara
    ou minha filha, é melhor deixá-lo adormecido.
    _Isso é um excelente sinal. Porém embora tenha machucado
    muitos com a sua frieza e sadismo, tenho certeza que não
    praticou algum mal contra elas.
    As palavras de Lúcifer me acalmaram, e por isso segui com os frades, para receber o devido treinamento de meu poder, e ver a minha amada outra vez. Foram 6 meses de teorias e práticas, sobre o meu porte físico e espiritual. Os cientistas da ordem diziam, que minha saliva era uma fonte de doenças nocivas, que se transformava no quê minha mente desejasse, e que o meu próprio sangue, continha antígenos praticamente sobre-humanos para cada um desses males. Por vários meses fui estudado numa estufa, ás vezes dentro de um tanque, outras numa maca, para definir o limite dos meus poderes, que faziam de mim, uma bomba biológica, com a cura para as mesmas doenças que causava, por isso me chamaram de Peste. Contudo embora fosse parte das minhas habilidades, ter esses vírus vivendo em meu corpo, e os curar, não era todo o meu poder, pois graças aos seres microscópicos, poderia modificar o meu DNA, para me tornar qualquer ser existente na galáxia...Mas não vem ao caso, como dizia...No sexto mês finalmente pude encontrá-la, ela continuava linda e radiante como a lua. Como tanto gostava, estava usando um vestido preto longo e decotado, sendo seguida por homens e mulheres cobertos por capuzes amarelos. Ao contrário dos costumeiros olhos vazios, parecia tão serena quanto na adolescência, e sorria com a confiança, que nós dois acreditávamos que tinha morrido.
    _Bart?
    _Thamara...
    _Como chegou até aqui?
    _Digamos que nossos caminhos se cruzaram.
    Você não é a única filha cósmica.
    _Sério? Eu sabia! Você é meu par eterno!
    _Não, não sou. Sou apenas o deus que ficou
    louco de amores por você, e não te deixou
    viver na solidão.
    Eu segurei em sua face e a beijei com carinho. Ao sentir o seu corpo no meu, meu coração pulsou com muita intensidade. Foi assim que as memórias do passado tomaram conta da minha mente... Eu era somente um garoto loiro, semelhante um viking, quando nos reencontramos. Ela era somente uma menina de cabelos vermelhos, com olhos violetas e vítreos. Nós discutimos no começo, pois a figura baixinha, tinha contas para acertar comigo. Mas como sempre fomos estranhamente um atraído pelo outro, acabou por me contar a verdade. Sentia-se vazia, e nem sempre do nada, nascem as melhores coisas, por isso ela tomou a pior decisão. Com o uso dos seus poderes, ela abriu a porta da minha cela, e me soltou no universo. Então o quê Deus havia decretado como um caso resolvido, voltou para lhe assombrar. Pouco a pouco me infiltrei no paraíso, e fiz com quê os anjos ficassem encolerizados. Os fracos pereceram diante de meu poder, e o caos se fez no cosmos. Para mim, era como uma festa sem fim, com muitos gritos, sangue, e desespero. Mas para ela, era como uma falha grotesca, que precisava ser corrigida antes que descobrissem o quê fez. Eu espalhei entre as multidões, todo o sofrimento possível para me fortalecer, e ela veio com a sua foice, para lhes dá paz mesmo no Inferno, entre os seres materializados. Seu pai tinha sido o anjo que tirava a vida dos vivos. Porém após o seu nascimento, ele foi coroado como príncipe celestial, e outro teve de assumir o seu posto. Muitos dos seus bravos filhos, lutaram para provar que eram dignos de tal glória. Assim eles limparam a galáxia, ceifando todas as almas que pudessem, com suas armas especiais. Contudo foi na única menina, que o poder se manifestou, e por isso esta que recebeu a sorte grande. Ao contrário dos irmãos, ela não matava somente para se provar merecedora da foice de seu pai, mas sim de acordo com o seu código de conduta, no qual os culpados eram friamente punidos, e os justos levados cuidadosamente para o outro lado. Seus irmãos só se focavam em quantidade, ela não, e esta era a virtude secreta do seu pai, quando ele atuava como tal. Eu a admirava, tanto pela sua impetuosidade violenta com os ímpios, quanto pelo cuidado que tinha com os inocentes. Por isso também tomei a pior decisão. Certa vez a Morte, estava a tomar banho no rio sagrado, e eu entrei na água, infectando-a, para lhe tornar inofensiva. Ela lutou com valentia, usou seus poderes para tentar curar a água, mas por algum mistério da natureza, a pobrezinha não tinha forças para vencer a mim, pois eu era a própria doença, era o vírus que carregava outros dentro de mim, era a própria Peste, em forma humanoide. Ela não suportou a enfermidade que lhe provoquei, e caiu em meus braços. Estava fraca, e bastante vulnerável, quase irresistível. Passei a mão por sua face pálida, ela me olhou preocupada, quase dizendo "não" para a minha proximidade, porém mesmo assim a beijei, e a tomei para mim. Por alguns anos, ela desapareceu, e os homens deixaram de respeitar o poder celestial, assim como acreditaram que não havia punição para os seus crimes, pois eu também não atuava. "Vou beber até cair hoje, pois o meu fígado não mais adoce vadia!" Disse um bêbado ao espancar a esposa, que segurava o símbolo dos celestiais. "Deus porquê não me permite morrer, e me deixa sofrer? Não pequei tanto para acabar assim!" Chorou com a boca toda ensanguentada. Ela não era a primeira a perder a fé. Outros estavam em níveis mais avançados, chegando até mesmo a acreditar, que Deus os tinha abandonado a mercê do mal, do qual tinha lhes prometido proteção. Inúmeras criaturas iam as ruas, protestar contra as iniquidades divinas, e haviam os que tentavam assumir o papel, da única juíza consagrada pelos deuses, deste universo. “Então você queria encontrar a paz, depois de tudo o quê me fez?" Um homem num plano de vingança, apontou a arma para a cabeça de outro. "Eu lamento te informar, mas não existe mais morte, e por isso sou livre para estourar a tua cabeça, quantas vezes desejar." Atirou na testa do culpado, várias e várias vezes, com um sorriso cada vez maior, que o tornava pior do quê aquele que ele julgava. Este não era um caso isolado, os assassinatos se expandiam mais do quê as doenças, que costumava espalhar. Para uns era um parque de diversão macabra, e para os que não tinham tal coragem, parecia a visão mais do quê realista do Inferno dos mortais. Cabeças decepadas, gritavam pelas ruas, e os sádicos lhe perfuravam os olhos, e chutavam-nas para a lama, afogando-as sem parar. Pessoas que tinham perdido o corpo na briga para sobreviver, se arrastavam pelos cantos, para tentar se livrar daquela tortura sem fim. As mulheres se uniam em instalações, para cuidarem uma das outras, já que nesta realidade sem final ou consequência, os pervertidos também ganhavam espaço, e se sentiam no poder de abusar das mesmas. Nem mesmo as crianças, conseguiam manter a inocência, e por isso ficavam divididas: Entre aquelas que matavam, e as que corriam. Meu ato egoísta, tinha feito da galáxia, o próprio Tártaro dos Gregos, e o Inferno dos Católicos, pois eu os privei de manter a bondade, e de receber a devida a punição, ao levar a nossa Morte, para o único lugar, no qual somente o seu Eu daquela realidade, tinha a permissão de julgar, e esta era somente como qualquer criatura que habitava aquele Cosmo. Como desde cedo trabalhei para o céu, como o auxiliar do meu pai, o veneno de Deus. Sabia de todos os pontos fracos da Morte, desde a sua jurisdição, até o quê poderia prendê-la para sempre. Acorrentada no fundo do universo, ela brigava para sair, amava o seu trabalho, e não queria ver ninguém lhe substituir. Só que nunca me dirigia a palavra, e evitava até olhar em meus olhos, devia me odiar bastante. Todavia eu não conseguia deixá-la ir, pois só o fato de tê-la por perto, era o suficiente para me sentir bem, e não me importava com quantos sofreriam no processo. "Já não basta o quê fez?" Ela finalmente disse, com seus braços presos ao aço, banhado com a luz do buraco branco, que sintetizei para imitar o poder supremo, do pai do príncipe celestial. "Foi culpa de nossa mãe, e você sabe." Respondi de imediato. "É só o quê sabe dizer. Mas se fosse forte, teria dito não." Ela retrucou. "Você não pode me culpar por aquilo para sempre. Se soubesse lutar, também teria impedido.” Rebati, e ela ficou indignada. “Vai culpar a vítima? É sério?” Sua voz era alegre, mas cheia de raiva. “Eu sou o Peste. O quê esperava? Que eu me arrependesse? Fui treinado para ser impiedoso!” Mostrei a minha ira, e ela voltou ao silêncio. “Ao menos sentiu algo por mim?” Aquele tom me deixou desnorteado, parecia triste, quase magoada. “Você sabe que sim. Haviam dois destinos naquela noite: te possuir, ou te fazer desaparecer para sempre da minha realidade.” Desabafei com tristeza, quase me encolhendo de vergonha. “Eu não podia ficar sem você.” Segurei em sua face, erguendo seu queixo, e olhei no fundo daquela neve, coberta pela luz do rouxinol. “Mas você sempre foi o pior dos filhos. O Forte, O Implacável por ser incapaz de amar.” Argumentou, sem acreditar. “Parece que a única fraqueza da Peste é a própria Morte.” A beijei, e mesmo com as mãos acorrentadas, ela me puxou para a si. Aquela atração mortal e doentia, tomou conta de nós dois, e a boca mais fria que existe, pareceu quente por uns minutos. Com suas pernas salientes e fatais, ela montou em mim e me arranhou, se entregando a enfermidade do amor. Logo arranquei a sua mortalha, e tirei a sua armadura, enquanto ela me despiu as vestes de cavaleiro. Minhas mãos desceram pela sua costa frágil e nua, a sua boca não quis desgrudar, e quando o fez, foi somente para me beijar o corpo inteiro, e voltar ao meio das coxas, onde fez vários movimentos de vai e vem, deixando sua doce saliva escorrer por meu membro. Contudo não a deixei somente me satisfazer. A deitei no piso, segurei seus pulsos, e passei a minha língua por entre os seios delicados, descendo, até chegar no ponto do prazer, do qual bebi todo o júbilo com gosto, até escorrer pelo canto dos lábios, e quando vi que praticamente implorava, para que a completasse, sorri maldosamente. “Você realmente me deseja ?” Beijei-lhe a virilha, e ela corou de vergonha. “Sim.” Respondeu com sua voz doce como chocolate amargo, o meu favorito. “Então peça por mim.” Impus, e ela relutou, até que se deu conta de quê só havia nós dois, como na segunda vez, em que estivemos juntos, e cedeu a sua vontade. “Me possua Peste.” Aquelas palavras me deixaram eletrizado, e por isso entrei dentro dela com ímpeto, arrancando-lhe suspiros tão intensos, que foi capaz de suar. Aquele rosto, aquele sorriso, aquelas bochechas rosadas de prazer, seguido de seus gemidos, me deixaram louco. Por dias repetimos o feito, e creio que a Morte, foi a primeira a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, por isso esta doença é vista de maneira tão mórbida. Mas ela não mais se importava, nem sequer ligava para o quê fazia, só com quem fazia. Se ela me amava, eu não sabia, acreditava que estava usando seu charme fatal somente para ganhar a liberdade. Porém no dia que enfim a libertei, esta saiu voando para fora do cativeiro, e se deparou com a luz de uma das luas do planeta em que estávamos. Estava tão feliz, que pensei que nossos momentos de amor doente, ficariam para trás, assim que retornasse, para impor a ordem ao nosso “mundo". “Vamos?” Segurou em meu pulso, e fiquei paralisado. “Quer que eu vá? Eu o Peste, o demônio, o...” Me silenciou com o dedo indicador. “Nem tudo é preto e branco Peste. Você causou sim muito sofrimento, mas graças a ti famílias se mantém unidas, homens mudam a conduta, e mulheres valorizam a felicidade.” Seus olhos eram de uma criatura sã, contudo suas palavras me pareciam insanas. “Se isso é verdade, por quê sempre atrapalhou a minha tarefa? Como se quisesse me corrigir, após ter me libertado?” Questionei incrédulo, e ela sorriu. “Porquê tua execução é tão sombria e implacável, que mesmo as vítimas dos criminosos, se apiedavam destes. Que de acordo com o meu dever, mereciam uma punição ainda mais severa, por toda a eternidade.” Ela explicou. “O meu erro foi te libertar, mas você quem escolheu atender o meu pedido. Portanto é só você que pode corrigir isso. O quê já se passou, não dá para voltar atrás, sem alterar todo o equilíbrio já existente. ” Ela completou, e eu percebi que estava errado, não era uma falha grotesca que tentava controlar. Nós retornamos para a nossa galáxia natal, tudo estava destruído, e muitos imploravam por seu regresso, enquanto me destetavam mais do quê nunca. Pouco a pouco, ela fez o seu trabalho, não haviam muitos para receber o atestado de óbito, por isso eliminou os executores com punhos de ferros e sem piedade, e trouxe enfim o descanso para os que tinham temido, que aqueles dias jamais teriam fim. Nosso pai quis julgá-la, porém eu assumi a responsabilidade por tê-la raptado, e assim a livrei de perder o manto que tanto adorava. Achei que após a confissão, voltaria para a cela, contudo por ter me provado um pouco mais maduro, o pai decidiu me tornar o segundo juiz consagrado, que auxiliaria a Morte em seu trabalho. Tão grande foi a minha alegria, ao ouvir tal coisa, pois em vez de me afastarem dela, nos juntaram como a metade oposta e complementar da mesma moeda. Desde então, as duas criaturas mais perigosas do universo, seguiram de mãos dadas por toda a eternidade, se amando de uma maneira que os mortais não seriam capazes de compreender. Já que onde Morte fosse, a Peste certamente ali estava... “Bart?” Ouvi a voz dela dizer, e outra vez estávamos a beira do rio. Todavia enquanto me perdia em lembranças passadas, já havíamos trocado de lugar, e agora ela tinha se sentado em meu colo, e ficava a olhar para os peixes na água, ao entrelaçar seus dedos aos meus. “Oi...” Falei olhando para as nossas alianças, próximas uma da outra, por causa da união das palmas. “Promete nunca me deixar?” Disse se encolhendo, quase sem voz, e a luz da lua brilhou sob o aço dos anéis. “É claro que sim meu amor. Não importa o quê os astros digam, sempre seremos um do outro.” Beijei sua cabeça, e ela retribuiu beijando as minhas mãos.
  • O Banquete

    Ted se achava melhor que todo mundo só por ser consagrado em sua profissão. Não tinha amigos, mas tinha bajuladores que encheram a sala do memorial no seu velório.

    No auge da carreira, curtia cada degrau de sua ascensão, mas tinha problemas com peso, pois mais que tudo na vida ele adorava comer. E foi isso que o matou em uma tarde ensolarada. Descendo do ônibus perdeu o equilíbrio, caiu e o motorista não viu. Jamais conseguiria levantar-se sozinho. O enterro foi feito com o caixão fechado.

    Para o falecido aconteceu rápido. Primeiro estava rolando no meio fio, em seguida abria os olhos em uma sala branca. Um homem calvo de pele oleosa e camisa azul listrada o encarava. Toda religião tem um representante para recepcionar seus mortos. Ted era ateu e, portanto, seu guia só poderia ser um contador.
    "Que porra é essa?" Perguntou com seu jeitinho peculiar. O contador não se abalou, começou exatamente como havia planejado: "Estás prestes a passar pelo…" E foi subitamente interrompido. "Passar é o caralho. Chama teu chefe!" O contador ficou em silêncio e não demonstrou emoção. "Traz alguém que resolva!". Ted observou um sinal com a mão e à contra-gosto seguiu o caminho indicado. Uma porta enorme se abriu e na outra sala havia uma surpresa. Um aroma delicioso de comida fresquinha o lembrou que estava mais faminto do que nunca. "Sei que acreditas ser o melhor chef da atualidade. Mesmo que o fosse, isso seria nada ante os cozinheiros daqui." O falecido nem pensou em retrucar. Sua boca estava cheia d'água e seus olhos fixos em uma mesa longa coberta por iguarias de todos os tipos. Foda-se a vida e os falsos amigos, estava onde queria. Era o céu.

    "Eis as regras" continuou o contador: "Todo o banquete será servido pelo Maitre em certa ordem. Não sairás daqui sem teres comido cada migalha ou definhado e morrido novamente por inanição. Se tocares a comida ou os pratos com qualquer parte do corpo que não o interior da boca, ela apodrecerá instantaneamente. Tens todo o tempo para dar cabo à provação". Ted ostentou um sorriso obsceno ao se deixar guiar pacificamente até à mesa. O primeiro prato foi posto e a cúpula de metal foi levantada revelando uma generosa porção de azeitonas. Ted já ia pegando a primeira quando lembrou que não poderia tocá-las. "Cadê os talheres? Como vou banquetear?" O contador tirou do bolso um palito de dentes. "Deverás usar esse instrumento que não será reposto sob nenhuma circunstância". Nem daria para argumentar, pois o contador sumiu sem se despedir.

    Encarando seu palito, Ted tentou imaginar como comeria bifes, ovos ou arroz. A fome estava insuportável e ele resolveu começar pelo princípio. Espetou a primeira azeitona e, com desgosto, percebeu que estavam com caroço. O palito quebrou em dois e o homem chorou. Sem se dar por vencido usou metade do palitinho, limpou cada carocinho e esperou pelo próximo prato. O Maitre veio, suspendeu a cúpula e dessa vez era sopa.
  • O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR PERANTE A OBESIDADE

    RESUMO

    O presente estudo de revisão literária, visa identificar a obesidade no ensino fundamental e demonstrar a importância da educação física escolar na infância e na adolescência para se evitar a obesidade e a série de complicações provenientes do excesso de gordura corporal nesta fase e na vida adulta. Foram relatados os fatores que causam obesidade, suas consequências, as complicações que essa doença pode acarretar e o papel da educação física escolar na prevenção da obesidade, bem como a reeducação alimentar no controle do peso. Constata-se que a educação física escolar tem papel fundamental perante ao quadro de obesidade, e este estudo aponta que partindo de um planejamento pedagógico é possível levar os alunos a tomada de consciência corporal e as práticas de educação física. A pesquisa mostrou que atualmente, na grande maioria dos casos, exercício físico é a melhor opção para o combate da obesidade, bem como a conscientização sobre a prática de atividades física.
    Palavras-chave: Educação física escolar; obesidade; exercício físico.

    1. INTRODUÇÃO

    Atualmente os índices de obesidade infantil no Brasil vêm crescendo. A prevalência da obesidade no Brasil está ocorrendo devido melhorias nas condições de vida, Carneiro (et al., 2000), ainda ressalta que é em especial pelo maior acesso à alimentação por camadas mais pobres da população e pela redução do gasto diário de energia, proporcionado em sua maioria das vezes, devido ao avanço tecnológico.

    A obesidade tem seu início, em sua grande maioria na infância, e a probabilidade de uma criança obesa desenvolver obesidade na vida adulta se torna maior do que em crianças com gordura corporal normal (McARDLE et al., 2003; BRASIL, 1998). Existem períodos de maior criticidade para o desenvolvimento e acúmulo de gordura corporal, que oferecem grandes riscos para o surgimento da obesidade: gestação, primeiro ano de vida, idade pré-escolar (entre 5 e 7 anos de idade) e adolescência (JOSUÉ e ROCHA, 2002; BRASIL, 1998). Os maiores determinantes da obesidade estão associados aos fatores ambientais e comportamentais e não apenas a fatores genéticos (HILL e PETERS, 1998).

    Em estudos brasileiros, nas regiões Sudeste e Nordeste, em 1996 e 1997, 13,9% das crianças e adolescentes de 6 a 18 anos eram obesas, contra 4,1% na década de 70 (OLIVEIRA et al., 2004). A obesidade infantil é uma patologia sistêmica e tem como consequência possíveis a hipertensão arterial, a dislipidemia, a intolerância à glicose e o diabetes do tipo 2.

    Cerca de 30% das crianças e adolescentes que possuem quadro de obesidade, exibem fatores de riscos cardiovasculares e do diabetes, constituintes da síndrome metabólica (SHAIBI et al., 2005). Em crianças e adolescentes, ocorrem distúrbios de diversas formas, desde alterações posturais, como joelhos vagos, pés planos, desgaste articular ocasionado pelo excesso de peso. A falta de tempo, motivação, locais seguros, programas desportivos acessíveis, torna-se evidente que a escola, por ser o lugar onde as crianças e adolescentes passam a maior parte do tempo, deve prover um trabalho de excelência no âmbito desportivo visando e priorizando a qualidade de vida, partindo de princípios onde os alunos conheça o próprio corpo, como o PCN de Educação Física sugere (BRASIL, 1997), e desempenhe um papel de responsabilidade educacional com a saúde de seus alunos.

    Assim, esta pesquisa levanta a seguinte problemática: quais as possibilidades de interveniência da Educação Física no combate a obesidade em crianças e adolescentes? A fim de esclarecer tal problema, este trabalho foi dividido em questões que norteiam este estudo, que são: 1º Quais os aspectos que causam obesidade? 2ºQuais os métodos de prevenção e tratamento da obesidade? 3º A educação física escolar no ensino fundamental e seus conteúdos e objetivos. Partindo de tais questionamentos, é possível ver que a escola e a disciplina Educação Física possuem papéis fundamentais para a prevenção e também tratamento da obesidade, e acrescenta-se outra característica da escola, que se refere à aquisição e reformulação de valores, neste caso relacionados à prática de atividade física, hábitos alimentares e outras variáveis que levam a instalação da obesidade (COSTA et al, 2001)


    OBJETIVOS

    Esta pesquisa tem por objetivo geral:

    -Contextualizar o papel da Educação Física Escolar na prevenção e controle da obesidade em crianças e adolescentes.

    OBJETIVOS EPECÍFICOS

    - Descrever a importância da educação física escolar na infância e na adolescência
    - Identificar os conteúdos da educação física escolar que possibilitam a redução da obesidade;
    - Discutir o papel da educação física escolar para a interveniência da obesidade.

    A relevância da pesquisa encontra-se ao verificar que a escola e a disciplina Educação Física possuem papéis fundamentais para a prevenção e também tratamento da obesidade, e acrescenta-se outra característica da escola, que se refere à aquisição e reformulação de valores, neste caso relacionados à prática de atividade física, hábitos alimentares e outras variáveis que levam a instalação da obesidade (COSTA et al, 2001).
    Portanto levantar conhecimentos e formas de trabalhar os conteúdos relacionados ao controle da obesidade nas aulas de educação física escolar, podem subsidiar os professores com recursos didáticos para qualificar sua prática pedagógica e diminuir as consequências deste problema social.

    Perante este quadro de obesidade na infância e adolescência no Brasil, há uma real preocupação em se prevenir desta enfermidade, assim, essa pesquisa subsidia os professores de educação física com informações capazes de expandir as questões relativas de como se trabalhar a questão de obesidade, tão inerente na infância e adolescência. Desta maneira, os profissionais que atuam na área da Educação Física e queiram melhorar o estilo de vida dos alunos, podem realizar aulas mais interessantes e motivadoras, por se fazer necessário este conhecimento, inclusive para o professor de Educação Física Escolar, pois quando eles conhecem as barreiras que impedem a prática desportiva, tem uma excelente ferramenta de como melhorar as aulas e fazer com que o aluno tenha interesse em realizar as atividades propostas, como por exemplo, os alunos com quadro de obesidade.

    ASPECTOS QUE CAUSAM A OBESIDADE

    Tanto a infância quanto a adolescência, podem ser entendidas como uma fase de evolução do ser humano, e a partir daí, temos o processo de transformação somática, psicológica e social de cada indivíduo, e tanto a infância quanto a adolescência, são fases importantes devido à aquisição da imagem corporal e estruturação da personalidade do indivíduo, mais atenuada na adolescência. Segundo Vitalle e Tomioka (2003), a adolescência é a segunda maior modificação no desenvolvimento biopsicossocial, a primeira grande mudança é o nascimento. O corpo infantil também sofre mudanças, porém não como na adolescência que deve lidar com um corpo novo, bem diferente do corpo infantil que estava habituado. Há também, grandes alterações psicossociais, tais como redefinição da imagem corporal, busca de identidade, pois a imagem corporal é muito importante durante a adolescência, influenciando adolescentes em se sentirem aceitos ou rejeitados pelos pares, isolando-se. (PESA E JONES, 2000).

    Seguindo nessa linha de raciocínio no que tange ao sedentarismo, esse aumento de criança e adolescentes obesos se deve entre outras coisas ao ritmo louco que a vida pede, onde, por exemplo, os pais ficam mais nos locais de trabalhos do que em suas residências e com isso acabam por não ter um convívio com os filhos da forma que deveria ser, tal ausência acaba por fazer com que as crianças fiquem praticamente presas em casa e por conta disso os mesmo tem que buscar formas de divertimentos, que em outras épocas era contemplado com brincadeira com os colegas nos quitais e ou nas ruas, e que hoje estão associadas à utilização de meios tecnológicos, as crianças quase não brincam mais, e jogos eletrônicos, tablets, computadores e televisão, fazem as honras quando o assunto é brincar, dessa forma não obtendo gasto calórico condizente com o consumo de calorias (VARELLA, 2011) Tanto na infância quanto na adolescência, o corpo tem o peso corporal como função do equilíbrio energético, que se define em ingerir e gastar energia, e quando existe um balanço energético positivo ao longo do tempo, o resultado é o ganho do peso (BOUCHARD, 2003).

    Quando ocorre um exagero ao ingerir alimentos, crianças e adolescentes acumulam gordura corporal, o que ao longo do tempo e estilo de vida que leva, torna-se obesa, seja pelo consumo exagerado de alimentos calóricos e com alto teor de gordura, seja pelo avanço tecnológico que acaba por proporcionar tudo com rapidez, gerando por fim o sedentarismo desde a infância. Amaral e Pimenta (2001) citam que o uso de equipamentos eletrônicos, em especial a televisão, contribui para a instalação da obesidade, pois são atividades com baixíssimo gasto energético e estão associadas, na maioria das vezes, às propagandas de produtos alimentícios, induzindo ao consumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares. Para Mello et al (2004), a revolução tecnológica, o aumento da violência e a redução dos espaços para a prática de atividade física nas grandes cidades levaram ao abandono das brincadeiras ou jogos tradicionais, minimizando os níveis de atividade física entre a população juvenil. Oehischiaeger et al (2004), estudando os fatores associados ao sedentarismo em adolescentes, notaram que as meninas são mais sedentárias que os meninos. Para Haywood e Getchell (2004), a diferença quanto à prática de atividade física entre os gêneros, se explica pelos valores adquiridos culturalmente em relação à atividade física, em que os meninos são incentivados a explorar o universo da cultura corporal do movimento e as meninas a se empenharem nas atividades artísticas e intelectuais. Outros aspectos importantes, relacionados ao abandono das atividades físicas pela população juvenil se referem ao fácil acesso a equipamentos eletrônicos e ao aumento da violência nos grandes centros urbanos, o que estaria dificultando a utilização dos espaços públicos indicados para a prática de atividade física (MELLO et al, 2004).

    PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA OBESIDADE

    A atividade física tem um importante papel na vida do ser humano, ela representa uma quantidade significativa do gasto energético, auxiliando na redução do tecido adiposo. Bouchard (2000) afirma que existem fatores determinantes que auxiliam neste gasto energético, tais como a individualidade biológica e a utilização de substratos1 devido ao treinamento mais intenso. Estudos comprovam que jovens obesos, para movimentar o corpo em determinado espaço, gastam mais energia do que um jovem magro, desta forma torna-se necessário que ocorra a adaptação de atividades físicas no ambiente escolar, levando em consideração o gasto energético e o peso corporal. “A baixa atividade física leva ao ganho de peso, enquanto o ganho de peso leva a posterior diminuição da atividade física, formando um ciclo vicioso” (BOUCHARD, 2000, p. 253). Villares (2006) explica que tem sido frequentemente recomendado à prática de atividade física para crianças obesas no tratamento de hipertensão, diagnosticando então que após um longo período de treinamento físico para essas crianças, ocorreu uma significativa queda de pressão sistólica e diastólica2, tornando-se então necessária à prática diária de exercícios físicos nesses casos mais isolados.

    A prática física possibilita também significativas mudanças na vida do obeso, como uma redução dos níveis de LDL - colesterol, redução dos níveis de triglicerídeos, entre outros benefícios. Um programa de intervenção precoce deve basear-se fundamentalmente nos seguintes aspectos: dieta, educação nutricional, exercício físico, apoio psicológico, suporte familiar e ocasionalmente tratamento farmacológico (DÂMASO, 2005)·. A manutenção do peso corpóreo depende exclusivamente do próprio indivíduo, da capacidade de manter um equilíbrio na ingestão e no gasto de calorias. Em obesos, um fator que interfere neste balanço é a termogênese, na qual a capacidade que o organismo tem de eliminar o excesso de energia por meio da produção de calor corporal é muito menor que o normal, ou seja, a resposta termogênica é muita abaixo da média. Para tanto, a atividade física possibilita que aumente o gasto energético e principalmente estimula o processo da termogênese induzida por alimentos (DÂMASO, 2005). Segundo a afirmação de Villares (2006) a prática regular de exercício físico “modifica a atividade das enzimas lipoproteínas lípase (LPL)3, elevando a liberação e o armazenamento de gordura no tecido adiposo, além da capacidade [...] de oxidar carboidrato e gordura no músculo”. O autor afirma ainda sobre as evidências, na qual relatam, que a ingestão alimentar sofre alterações dependendo da intensidade do exercício físico, como em atividades de leve a muito leve intensidade aumentam a ingestão alimentar, atividades moderadas possibilita o controle de queima e ingestão calórica e atividades muito intensas diminui a ingestão alimentar e perda de peso.

    1 Tem a função de dividir os nutrientes ingeridos entre massa gorda e massa livre de gordura.
    2 Sístole é o periodo de contração muscular das câmaras cardíacas que alterna com o periodo de repouso, diastole.
    3 Conjunto de proteínas e lipídeos, arranjados de forma a otimizar o transporte dos lipídeos pelo plasma.


    Para Dâmaso (2005), o exercício possibilita que ocorra alteração metabólica benéfica na vida da criança, os efeitos potenciais de atividade física na criança obesa podem ser observados abaixo:

    – Efeitos do exercício na criança obesa:

     Diminuição do percentual de gordura;
     Aumento da massa magra;
     Aumento da termogênese;
     Diminuição da pressão arterial;
     Melhora na condição cardiovascular;
     Melhora a saúde psicossocial;
     Previne a obesidade.

    Deve-se sempre lembrar que a prática de atividades físicas para criança está diretamente relacionada ao prazer e ao bem-estar psicológico e físico, sendo necessário que os exercícios sejam diferenciados e até mesmo adaptados pelo professor de Educação Física Escolar, sabendo sempre estimular ao mesmo tempo conduzir as atividades, sempre criando e utilizando o lado lúdico do aluno.

     

    Fatores de Risco da Obesidade

    A obesidade vem se tornando um problema de saúde pública, que atinge diferentes faixas etárias, seu crescimento está associado a diversos fatores como mencionado anteriormente, sendo considerada uma epidemia global. Fisberg (2005) acredita que o diagnóstico da obesidade não é tratado como deveria, não dão a devida importância, pois já está mais que comprovado “que a obesidade, de instalação no final da infância e início da adolescência, trará consequências funestas4 para o indivíduo na vida adulta”. O excesso de peso proporciona diferentes riscos à saúde, ou seja, facilita no desenvolvimento de diversas doenças, como as cardiovasculares; é necessário admitir que o tratamento e prevenção da obesidade na infância podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.

    Os principais fatores de risco para crianças com obesidade são a elevação do nível do triglicerídeos e do colesterol, alterações também ortopédicas, dermatológicas e respiratórias. Afirma ainda o autor Fisberg (2005) que a síndrome metabólica é caracterizada por alterações metabólicas, como a dislipidemia, hipertensão arterial e o aumento da insulina plasmática estão associados à obesidade, ou seja, um conjunto de alterações no organismo humano. A dislipidemia possui características principais, que são o aumento do triglicerídeos, das partículas lipoprotéicas de baixa densidade (LDL -colesterol)5 e a diminuição da lipoproteína de alta densidade (HDL - colesterol)6. Estudos revelam que a criança obesa tem uma predisposição maior para desenvolver quadros hipertensos do que uma criança magra, sendo assim, quando adultos terão uma maior probabilidade de serem hipertensos, aumentando assim a preocupação de profissionais da saúde na intervenção e tratamento da mesma.



    4 Adj. 1. Funesto: que fere mortalmente, ou prognostica ou traz desgraça, desventura, tristeza. FERREIRA, A.B.H. Miniaurélio século XXI: O minidicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2000.
    5 Low Density Lipoproteins. Conhecido como ” colesterol ruim”, possui ações danosas, como a formação de placas arteroscleróticas (doença inflamatória crônica) nos vasos sanguíneos.
    6 High Density Lipoproteins. Este por sua vez é conhecido como o “colesterol bom”, possui ações benéficas.

    Segundo Rabelo e Martinez (2005) existem apenas duas formas de obesidade na região abdominal, que são:

     Visceral: Caracterizada pelo excesso de gordura na parte interna, é classificada como a mais grave, possui diferenças estruturais tornando-se assim mais suscetível a alterações metabólicas. Segundo os autores, tecido adiposo visceral possui grandes quantidades de células por unidade de massa, fluxo sanguíneo, número de receptores para glucocorticóides7 e lipólise8. E nesta região os adipócitos9 são menos sensíveis ao efeito insulina, que é o hormônio responsável pela redução da glicemia (taxa de glicose no sangue), ao promover o ingresso de glicose nas células, sendo que também é essencial no consumo de carboidratos, na síntese de proteínas e no armazenamento de lipídios (gorduras).

     Subcutânea: Caracterizada pelo excesso de gordura na parte externa. É extremamente preocupante o alto índice de obesidade na infância e adolescência, pelas consequências em curto e longo prazo. Em curto prazo, quando existe uma concentração muito alta de adiposidade (gordura) na região abdominal, pode ocorrer a síndrome plurimetabólica, sendo identificada nitidamente na infância, na qual ocorre a hiperinsulinemia, consequentemente níveis elevados de triglicérides na idade adulta e alguns outros fatores de risco. Em longo prazo, evidências comprovam que, crianças obesas quando se tornam adultos tem grande disposição para estar acima do peso ideal, ou seja, há uma probabilidade de continuarem a serem obesas na idade adulta. Há estudos demonstrando que a obesidade na infância está relacionada a um aumento no risco para várias doenças crônicas numa fase posterior da vida...o excesso de peso na adolescência confere um maior risco para mortalidade [...]. (RABELO e MARTINEZ, 2005) Problemas de saúde de ordens ortopédicas são bastante visíveis, sua principal causa é o excesso de peso sobre o aparelho locomotor, como a hiperlordose lombar (acentuação da lordose lombar ou cervical), pés planos


    7 Os glucocorticóides são uma classe de hormônios esteróides.
    8 Lipólise é um processo pelo qual há a adegradação de lipídios em ácidos graxos e glicerol.
    9 Células adiposas ou adipócitos são células que armazenam lípidos e regulam a temperatura corporal. (deformidade decorrente da pressão do peso corporal), entre outras.


    Todas essas disfunções ortopédicas podem ser reversíveis se diagnosticadas anteriormente, caso isso não ocorra, torna-se um processo doloroso e permanente na vida da criança. Com o aumento da pressão na região abdominal, Fisberg (2005) acredita que possa provocar doenças hepáticas e gástricas, apresentando muitas vezes refluxo gastroesofageano10 e distúrbios do esvaziamento gástrico. Distúrbios respiratórios também possuem presença significativa na vida de crianças acima do peso, sendo frequente o esforço respiratório, tosse, infecções respiratórias, decorrentes das alterações ventilatória, Fisberg (2005) afirma que essa situação é decorrente do “acúmulo de gordura nas costelas, nos espaços intercostais, no diafragma e no parênquima pulmonar 11. [...] Todas as modificações hormonais observadas na obesidade, e atribuídas ao papel metabólico que a massa adiposa adquire podem ser completamente revertidas se o paciente conseguir reduzir seu peso, aproximando-se de seu peso ideal. (FISBERG, 2005). Enfim, torna-se explícito que os riscos cardiovasculares são mais agravantes, por representarem um risco vital, sendo que os outros distúrbios, como os metabólicos são os maiores responsáveis pela qualidade de vida, sendo assim é necessário que seja tratada a obesidade infantil, prevenindo para que a mesma desapareça, garantindo um tratamento eficaz que requer prevenção das possíveis eventualidades e complicações futuramente.

    CONTEÚDOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL


    Tradicionalmente a educação do corpo sempre esteve ligada à educação física, sabe-se que ela sofreu grandes influências da medicina, em que assumia uma função higienista, e das instituições militares, que possuíam uma forte preocupação com a eugenia12, sendo que esse foi um fator determinante no modo como era ensinada.


    10 Caracteriza-se pelo retorno do conteúdo do estômago (suco gástrico e alimentos) para o esofago.
    11 Tecido que forma a parte funcional do pulmão.
    12 Proibindo casamentos consaguíneos, exigindo exames pré-nupciais, entre outros, ou seja, uma determinada ação com o intuito de melhorar a genética da raça humana.
     
    Segundo Brasil (2000) a elite imperialista resistia em executar atividades físicas, pois associava o trabalho físico com o trabalho escravo. Qualquer atividade que exigia de certa forma o esforço físico era mal vista, dificultando de certa forma a obrigatoriedade da prática de atividades físicas nas escolas. A filosofia positivista influenciou as instituições militares, pois o foco era a educação do físico, assim formando indivíduos saudáveis e fortes, podendo defender sua pátria, mantendo a ordem e o progresso. Brasil (2000) afirma que só a partir de 1851, através da reforma Couto Ferraz, a Educação Física foi inserida e obrigatória nas escolas, ocorrendo grande contrariedade pela sociedade, pois veriam as crianças sendo envolvidas em atividades sem caráter intelectual. Nos anos trinta, através do processo de industrialização, urbanização e a inserção do Estado Novo, foi que a educação física adquiriu novas atribuições, na qual auxiliava no fortalecimento do trabalhador para que este pudesse produzir mais. Já nos anos sessenta e setenta, o foco era desenvolver o desempenho e o físico do aluno, preparando este para as olimpíadas ou para a guerra, pois ainda persistia a influência militar. Só a partir da década de oitenta passou a ser conceituada no papel de desenvolvimento humano, ou seja, o enfoque era o desenvolvimento psicomotor do aluno, pois ela trabalhava todas as diferentes dimensões possíveis.

    Atividade Física na Infância

    Sabe-se que o corpo é o objeto de interação da criança com o mundo. Através das vivências com a realidade e as relações interpessoais é que se dá o conhecimento do próprio corpo, desta forma, estabelecendo diferentes valores e significados. No período de escolaridade no ensino fundamental I, os alunos sentem uma grande necessidade de movimentar-se, além de estarem se adaptando as novas exigências de longos períodos de concentração. Brasil (2000) acredita que a capacidade que o aluno tem de distribuir-se no espaço, arrumar materiais, ouvir o professor, enfim utilizar a concentração, é também um objeto de ensino e aprendizagem, pois no horário da aula de educação física elas ficam num nível de excitação tão alto que se torna difícil o andamento da aula. A atividade física vivenciada na infância proporciona uma série de benefícios à saúde ao longo da vida, até mesmo auxilia no desenvolvimento da criança, como durante o crescimento pubertário, no qual a atividade física possibilita que a densidade óssea aumente, um bom desenvolvimento nesta fase da vida, garante a diminuição da incidência de osteoporose na idade adulta. Villares (2006) afirma que “a capacidade física da criança é menor quando comparada aos adultos”, isso se dá através da estrutura corporal (osso, músculo, fibras, entre outros) e fisiológica, na qual há uma redução significativa no desempenho da capacidade cardiorrespiratória em crianças durante exercícios intensos e duradouros, quando comparadas com o adulto.

    É preciso compreender que existem fatores importantes durante a execução de algum exercício, não é correto exigir o mesmo desempenho físico das crianças, pois elas possuem diferentes características fisiológicas entre si. Enfim, a atividade física para crianças deve ser estimulada e prescrita por um profissional da saúde, como o professor de educação física escolar, e tem de ser devidamente acompanhada, para que não ocorram problemas relacionados à saúde no futuro. Ao se planejar uma aula de educação física, deve ser levado em conta alguns aspectos que fazem parte dos conteúdos das aulas, são estes: relevância social, características dos alunos e as características da própria área, respeitando a legislação vigente. São eixos temáticos de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais:

    1- Esquema corporal (conhecimento do meio) – estrutura corporal, ajuste postural, respiração, relaxamento e lateralidade. * Estrutura corporal: noção da nomenclatura e localização e conhecimento das partes do corpo. * Postura: posicionamento do corpo estático perante a execução de um movimento. * Respiração: possibilita a troca gasosa, eliminando substâncias nocivas ao corpo. * Relaxamento: capacidade de descontrair a musculatura de maneira voluntária. * Lateralidade: saber diferenciar o lado direito do esquerdo.

    2- Estruturação espacial (conhecimento das relações com o meio) – tomada de consciência do corpo com meio ambiente, que possibilita a organização com o mundo, o ambiente, os objetos, aprimorando dessa maneira a dinâmica geral, apreciação do espaço corporal, localização espacial.

    3- Orientação temporal – dimensões fundamentais da ação humana o espaço e o tempo, segundo Piaget. 4- Fases do desenvolvimento motor – no processo de elaboração das aulas e educação física, temos que saber os aspectos cognitivo, afetivo, social e psicomotor. De acordo com os PCN’s, são blocos de conteúdo no ensino fundamental: - Esportes, jogos, lutas e ginásticas; - Atividades rítmicas e expressivas; - Conhecimentos sobre o corpo.


    Objetivos de Educação Física no Ensino Fundamental I e II:

    - Desenvolver o prazer e gosto pela atividade física, bem como o prazer sobre o corpo e os cuidados com o seu e com os dos outros;
    - Solucionar problemas de ordem corporal;
    - Conhecer, modificar, organizar locais para as atividades corporais;
    - Desenvolver noções esportivas, de saúde (nutrição higiene e postura);
    - Adquirir noções de regras e aceitação de resultados;
    - Oferecer oportunidades e situações para que o aluno analise, critique e apresente propostas de mudança nas atividades;
    - Criar um ambiente de igualdade de direitos e posições nas atividades.


    Em relação à Educação Física Escolar, Bento (1991) já afirmava que a promoção da saúde é muito mais uma categoria pedagógica do que uma questão médica, pois se entrecruzam determinantes culturais, biológicas e comportamentais. Inclusive, no que diz respeito à saúde psicológica da população de obesos. Samulski e Lustosa (1996) afirmam que a permanência na atividade depende de exercícios de nível moderado, pois essas atividades permitiriam um progresso gradativo do desempenho do jovem.

    Como determinantes culturais, vemos que fica evidente que um dos últimos lugares para a prática de atividades físicas é a escola, as aulas de Educação Física que além de ser uma prática gratuita, o que para muitos já é uma vantagem, também á dirigida por um profissional graduado. Nas aulas de educação física os alunos têm a oportunidade de se exercitar, tais exercícios devem ser destinados a todos sem exceção, onde as atividades proposta nas escolas devem primar pela participação em massa de todos os alunos, os educadores físicos precisam planejar suas aulas utilizando da riqueza de possibilidades que a educação física escolar disponibiliza, onde a utilização de temas transversais de forma lúdica pode ser uma saída e deve ser um facilitador para trazer benefícios para crianças obesas e ou com sobrepeso, visto que, a utilização de temas atais e que fujam apenas de aptidões física e meios tecnista são mais atraentes e prazerosas para alunos que geralmente ficam excluídos das aulas (SOUZA; FÁVERO, 2010).

    Os professores de Educação Física, ao acatar estratégias para combater o sedentarismo, contribuem de maneira satisfatória para a promoção de saúde de seus alunos. Logo, parece-nos razoável considerar que o exercício, o desporto e a aptidão física aparecem como conteúdos essenciais da Educação Física escolar. Não se trata somente de justificar a aptidão física apenas como um estado de adaptação biológica em curto prazo, mas vê-la como um processo que representa todo o envolvimento do indivíduo com as valiosas experiências educacionais, através das práticas de atividades físicas que devem ser utilizadas durante toda a vida”. A educação física escolar tem uma missão importante perante o quadro de obesidade, pois apenas a educação física orientada, juntamente com uma reeducação alimentar, minimiza o problema, pois ajuda no controle de peso dos alunos obesos, e o professor de educação física desta maneira, passa a agir de forma profilática, evitando que os alunos dentro do peso engordem.

    Fox (1999) enfatiza que os professores de Educação Física também têm um papel a desempenhar em neutralizar a grande ênfase que a sociedade coloca sobre alguns valores diretamente relacionados ao sucesso e o fracasso, que, por ventura, podem prejudicar a autoestima desses jovens. Nos dias atuais, a educação física escolar está assumindo cada vez mais a abordagem socioconstrutivista, pautada num papel mais ativo do aluno na construção de seu próprio conhecimento em termos de motricidade (MATTOS e NEIRA, 2005). Esta se configura através de temas ou formas de atividades particularmente corporais, tais como: os jogos, os esportes; a ginástica; a dança, entre outras que constituem seu conteúdo. Entretanto, e quase unanimidade que parece existir nas teorias e proposições para as aulas de Educação Física escolar, não está se concretizando na prática. Infelizmente, os alunos da Educação Física escolar realizam poucos movimentos, os quais são pouco sistematizados, e aprendem pouco, tendo escassas oportunidades para construção do próprio conhecimento.

    O movimento é algo indissociável da educação física, bem como é indissociável da saúde, e para que haja a relação entre a educação física escolar e a obesidade, é necessário que haja atenção dos professores de educação física escolar perante este quadro. Os professores de educação física, utilizando os conhecimentos relacionados à área, como, por exemplo, Cineantropometria, Fisiologia, Anatomia e Biomecânica podem organizar estratégias para determinar a prevalência, orientar sobre a prevenção e controle da enfermidade, além de encaminhar os casos graves para tratamento. Uma das estratégias que pode ser utilizada para detectar a prevalência será a Antropometria, ramo da Antropologia que estuda o conjunto dos processos de mensuração do corpo humano ou de suas partes (FERREIRA,1986; STEDMAN, 1996; CEZAR, 2000).

    Porém, não durante o movimento. A Antropometria é o elo entre as dimensões da Educação e da Saúde, porque, entre os procedimentos utilizados, na área clínica, para realizar a avaliação do estado nutricional, além dos testes bioquímicos e das provas funcionais está à análise de dimensões corporais, ou seja, a própria Antropometria (MONTEIRO e BENICIO, 1987). Os professores podem ajudar os alunos a tratarem essa problemática social, efetuando mudanças de concepções fundamentadas na autoaceitação e no encorajamento para romper com paradigmas sociais e comportamentais. Isso é necessário porque, especialmente na adolescência, não é apenas o sistema fisiológico que está desempenhando uma nova dinâmica, mas também o jovem vivencia uma nova fase na construção da sua personalidade. A promoção da saúde no âmbito escolar poderá estar incluída na proposta político-pedagógica das escolas, já que esta tem papel relevante em relação à educação da personalidade e, como consequência, no estilo de vida das pessoas (MARTINEZ, 1996). Neste sentido, faz-se necessário proporcionar aos adolescentes a aquisição de conhecimentos e estimular atitudes positivas em relação aos exercícios físicos.

    Segundo Barros (1993), nenhum exercício físico será incorporado aos hábitos regulares se este não trouxer alguma forma de prazer ou recompensa. Toda a atividade física quando iniciada com sacrifício ou obrigação será, possivelmente abandonada, por mais consciente que o indivíduo possa estar do seu benefício para a saúde. Os profissionais de Educação Física escolar devem procurar utilizar informações disponíveis na literatura no sentido de analisar, interpretar, transferir e formar conceito quanto à atividade física motora relacionada à saúde e demais hábitos considerados saudáveis. Devem promover no adolescente, conhecimentos específicos relacionados à qualidade de vida: informações sobre anatomia, nutrição, fisiologia, benefícios da atividade física, programas de treinamento físico e controle do peso corporal. Em relação à atividade motora, devem no primeiro momento, distinguir as definições de atividade física e exercícios. Segundo Willians (1995), as atividades físicas englobam muitas das atividades do dia-a-dia, como a corrida, a caminhada, as atividades domésticas, subir escadas, atividades de lazer entre outras; e os exercícios seguem um programa de atividades físicas elaborado para melhorar o condicionamento físico.

    Para Barbosa (1991), é necessário propiciar independência e oportunizar experiências de atividades físicas agradáveis, sem grandes habilidades motoras que estimulem a prática continuada, com isto, resguardando a percepção de competência nos alunos, além de conscientizar a comunidade escolar de que a aptidão física, a prática de atividade física e bons hábitos alimentares são importantes a todos os indivíduos em todas as idades, principalmente para os que mais necessitam: os sedentários e os obesos, e também proporcionar aos alunos a aquisição de conhecimentos e estimular atitudes positivas em relação aos exercícios físicos. Os conteúdos de educação física escolar que auxiliam para o controle da obesidade são vários, a ginástica por exemplo, apresenta diversas formas de ser executada, em escola, o alongamento e o aquecimento auxiliam muito na qualidade da prática de atividades físicas. O aquecimento pode ser feito de inúmeras maneiras, a brincadeira, os jogos recreativos por exemplo, que envolvam um grupo de musculatura específica, podem ser realizados exercícios com leves cargas específica para cada grupo muscular que pretende ser trabalhado.
     
    O alongamento é de extrema utilidade para o organismo quando o exercício se encerra, como uma atividade de volta à calma e relaxamento. O estiramento muscular (alongamento), quando realizado além do limite habitual (sem dor), proporciona também ganhos de flexibilidade. Com esse propósito, ele deve ser realizado como uma atividade específica e não antes ou depois de outro exercício, sendo que o objetivo é chegar até a maior amplitude possível do movimento. A flexibilidade promove o aumento da elasticidade da fibra muscular. Quanto mais alongado o músculo, maior a mobilidade da articulação e assim maior será a amplitude de movimento.

    Na rotina escolar, o aquecimento é ideal antes de iniciar as aulas. Partindo do alongamento e do aquecimento, podemos realizar outros exercícios específicos para auxiliar no combate à obesidade, como as brincadeiras de rua por exemplo, um simples carrinho de lomba, jogo de bolita, amarelinha, podem e contribuem muito para que haja a diminuição de crianças e adolescentes que passam a maior parte do tempo em frente à televisão, computador e jogos eletrônicos, modos de atividade de lazer sedentária tão presente na atualidade, e dessa forma, estimular em aula o aumento da prática de atividade física. A escola pode auxiliar na promoção da atividade física e saúde, especialmente através da aula de Educação Física, onde as práticas corporais podem ser trabalhadas e contextualizadas. Desta forma, promover a discussão e proporcionar um espaço de reflexão sobre os estilos de vida individual e coletivo dos alunos pode ser o primeiro passo na consolidação de um conhecimento e de uma consciência a respeito do tema obesidade, que é responsável por doenças crônicas, doenças estas que são puramente associadas à inatividade física. A prática de exercícios físicos regulares proporciona, entre outros benefícios:

    - Gasto energético mais eficiente durante a prática de exercícios e também nas atividades da vida diária, com capacidade aumentada de gastar gordura;
    - Menor frequência cardíaca em repouso;
    - Redução mais rápida dos batimentos cardíacos após o exercício;
    - Aumento do volume cardíaco;
    - Redução do risco de morte por doenças cardíacas;
    - Redução do risco de morte prematura;
    - Redução do risco de vir a desenvolver doenças cardíacas, câncer, diabetes tipo II,
    - hipertensão, osteoporose e obesidade. Para o primeiro ciclo da educação básica, podemos trabalhar a ludicidade associando jogos, lutas, brincadeiras de rua, jogos cooperativos, entre outros.

    Uma conscientização sobre alimentação saudável também faz parte de um conteúdo essencial que deve estar presente nas aulas de educação física escolar. Abaixo, algumas sugestões partindo da ideia dos autores mencionados nesta pesquisa, e de materiais literários complementares (revistas, sites, entre outros):

    - Aviãozinho de Papel;
    - Carrinho de rolemã;
    - Confecção de brinquedos antigos;
    - Telefone sem fio;
    - Dinâmicas em grupo;
    - Listagem de alimentos saudáveis;
    - Jogo do alimento oculto;
    - Atividades de intensidade moderada: corridas diversas, jogo de ataque e defesa, contra-ataque;
    - Técnicas de alongamento e relaxamento;
    - Trabalhos de pesquisa;
    - Produção textual; - Saídas de campo;
    - Atividades coordenativas;
    - Deslocamentos diversos;

    É importante que independente do resultado obtido em aula prática, o profissional de educação física escolar sempre deve estimular os alunos a se envolverem com as atividades físicas de maneira regular, fazendo-os pensar sobre seus hábitos de lazer para que desta maneira, possam fazer uma autocrítica, e possam reconhecer as barreiras que os impeçam de praticar atividade física fora da escola, além de apontarem soluções possíveis para uma mudança de comportamento. Havendo isso, os índices de obesidade no ensino fundamental serão menores, pois desta maneira, o profissional de educação física terá atingido de maneira plena a conscientização do aluno sobre seu corpo e o desempenho do mesmo sobre as capacidades físicas.
     
    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Considera-se pertinente ao estudo, a apresentação dos reais motivos à prática regular de atividades físicas de alunos eutróficos, com sobrepeso e obesos. Inicialmente podemos salientar o fato de que, apesar da consciência do aluno em relação da importância de se praticar atividades físicas afim de promover saúde e da aquisição de consciência corporal, há também o prazer em realizá-las. Perante isto, o professor certamente deverá explorar ao máximo esse prazer que a atividade física proporciona. Diante da pesquisa, fica evidente que a educação física escolar possui um papel fundamental perante ao quadro de obesidade, e este estudo aponta que partindo de um planejamento, é possível se atingir nos alunos a tomada de consciência corporal e as práticas de educação física.

    A educação física no ambiente escolar, apresenta um dos momentos mais oportunos afim de enfatizar a relação que existe entre a prática da atividade física e a saúde. Mesmo que a educação física escolar sofra o impacto de fatores que influenciam alunos a serem menos ativos, deve assumir o papel de cuidar da saúde dos mesmos, já que podemos salientar que é a disciplina que realiza o desenvolvimento das habilidades e capacidades físicas por toda vida, sendo esta então, a disciplina mais completa do ambiente escolar para o controle da obesidade, pois ela por si só é capaz de prevenir e controlar a obesidade dos alunos do ensino fundamental, partindo de uma metodologia incisiva e de atividades físicas prazerosas, que motivem os alunos a incorporarem as práticas corporais em seu hábito cotidiano, conforme relatado ao longo deste trabalho de pesquisa.


    REFERÊNCIAS


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  • OS SETE PECADOS

    A GULA
    Epaminondas saiu da clínica desenxabido, olhou para os dois lados da Avenida Porto Alegre, puxou sua calça jeans até ela encontrar a bainha da camiseta curta na tentativa de esconder  a barriga que teimava em “espiar” o mundo por baixo da borda da camiseta apertada. Segurava as cinco folhas dos exames laboratoriais que havia mostrado ao Dr. Russo, que impiedosamente o havia sentenciado a uma vida de restrições. O Médico ordenara uma mudança drástica no seu estilo de vida, que ele deveria cumprir a risca se quisesse viver por mais tempo e ver seu neto entrar para a universidade.
    Todas as luzes de alerta do seu organismo estavam piscando, embora houvesse luzes verdes e as amarelas, a imensa maioria das luzes piscantes era vermelha. Urgia a necessidade de abolir o consumo de um sem números de alimentos saborosos, reduzir os quantitativos de outros  e melhorar a qualidade daqueles rol de poucos alimentos que restaram autorizados a comer. Tudo isso sem esquecer, é claro, dos exercícios físicos...Epaminondas recebeu a “ordem” para evitar o álcool, mas com certeza essa parte da sentença ele não ouviu
    Epaminondas sempre fora um cara festivo. Adorava os comensais com amigos, regados a muita carne e cerveja. Não seguia aquela máxima do “café da manhã de rei, almoço de príncipe e jantar de mendigo”, para ele o café da manhã tinha que ser de um rei, o almoço de dois reis e a janta tinha que ser a da família real inteira. Comer era um dos prazeres de sua vida, e sua esposa Dileta, sempre fora uma excelente cozinheira. Epaminondas sempre fora um glutão, mas agora os “boletos” das farras e bebedeiras estavam começando a chegar.
    Era a morte em vida para aquele homem desvalido que havia muito perdido a auto-estima, e que por isso ele compensava nos poucos prazeres que ainda restavam: a comida e a cervejinha._ Não acredito nesses médicos. Se eles pensam que vão mandar na minha vida, estão enganados. _ A única forma de “cortar o churrasco” que eu conheço, é com a faca, pensou o ofegante Epaminondas, enquanto colocava o cinto de segurança, depois de caminhar os cem metros que separava o seu carro da portaria da clínica. _Tudo balela!! Esbravejou, dando partida no seu Corsa vermelho o qual ele mal cabia dentro.
    A AVAREZA
    _Não foi por falta de aviso, retrucou a Dileta, a esposa. _Você come “carne gorda” sete dias por semana; come que nem um boi e fica ai nesse sofá assistindo o Discovery!! Dileta passou aquela tarde ligando para as academias de Chapecó, fazendo orçamentos. Queria porque queria matricular seu marido em uma delas. Depois saiu pesquisado locais que vendem produtos naturais e saudáveis para dar um up nas refeições do marido.
    No final da tarde apresentou o orçamento para o marido: _O que?! Esbravejou Epaminondas. Já paguei para fazer os exames, só o que faltava...ter que pagar academia e gastar tudo isso para comprar essas porcarias naturais...e quer saber? Não vou gastar mais um pila sequer nesses remédios!! Falou apontando para a receita meio amassada sobre a mesa. _Vou “me curar” do meu jeito. Não vou dar meu dinheiro para esses filhos das putas exploradores da desgraça alheia !!
    A PREGUIÇA
    Epaminondas morava na Rua Johnn Kennedy, pertinho o EcoParque e da Avenida Getulio Vargas. _Vou caminhar todos os dias no Ecoparque e subir a Avenida. Isso pra mim é fácil, Dileta. Fica tranqüila e confie em mim. No dia seguinte Epaminondas acordou sentindo um cansaço antecipado: Vestiu lentamente seu bermudão da Oceano, sua camiseta surrada a qual ele utilizava pra dormir, seu tênis Nike falsificado que havia pago 75 Reais e meias brancas esticadas até o tornozelo, ambos os produtos foram trazidos do Paraguai por um amigo, Saiu até frente da casa, olhou para o relógio que teimava em usar no pulso direito. Marcava sete horas e doze minutos.
    Em pé de frente pra rua, encostado no portão com a cabeça no entremeio das barras metálicas amarelas, olhou o tempo, o movimento de veículos que desciam pela John Kennedy em direção ao centro, bocejou, sentiu a temperatura e, como não encontrou motivos para desistir, saiu em direção ao EcoParque. Aqui vou eu, Que merda de vida, pensou.
    Epaminondas ficou feliz quando contornou a esquina e viu sua casa, enfim cumprira sua missão e retornava para casa, após ter percorrido longos quatrocentos metros que nada mais é do que o perímetro da quadra. Quando chegou no portão, olhou o relógio que marcava sete horas e trinta e dois minutos, fez cara de cansado, pois havia o risco da Dileta estar esperando para conferir. Para sua sorte ela continuava dormindo.
    A IRA
     Havia se passado uma semana e Epaminondas cumprira religiosamente a sua rotina. Caminhava todos saindo e chegando no mesmo horário. Havia controlado a alimentação e naquela semana na havia molhado o bico, pelo menos na frente da mulher. Ele estava se sentindo melhor, talvez fosse impressão ou auto-engano. Pediu pra Dileta onde ela tinha guardado a balança portátil, pois ele estava disposto a conferir seu peso. Dileta estava feliz com a disposição que o marido demonstrara durante a semana.
    Dileta ficou muito assustada quando ouviu o barulho que veio do banheiro, correu para conferir e viu que Epaminondas estava muito irritado. Estava em vestindo somente um cuecão verde e uma camiseta branca que havia rasgado em razão de sua ira. Ao seu lado jazia a pequena balança estraçalhada. Epaminondas havia chutado a balança contra a parede do banheiro e feito as peças se espalharem pelo chão. Tudo isso depois que ele havia constatado que não perdera uma grama sequer. _Não agüento mais esse sofrimento, bradou ele. Estou praticamente uma semana sem comer uma comida decente. Estou passando fome, caminhando feito um louco pra que?! Dileta se compadeceu.
      _Você tem que ter paciência, Epaminondas. As coisas não acontecem do dia pra noite!!
      _ Não agüento mais tanta cobrança, Dileta. Você é um monstro!!
      _Mas o que é isso?! Retrucou Dileta. _Eu só quero o teu bem!!
      _Você e esses médicos não sabem de nada... Não são felizes e não querem que os outros sejam!!  Falou Epaminondas, enquanto olhava com ódio para Dileta.
       _E não é só isso...Se você quiser continuar comigo, vai ter que me aceitar assim!! Falou enquanto socava os azulejos do banheiro. _Deixe-me em paz, Dileta. Deixe-me em paz.
      Dileta se afastou chorando. Nunca havia visto seu marido tão raivoso.
      _Vida cruel!! Dileta ouviu da cozinha o último grito de Epaminondas que vinha do banheiro.
    A INVEJA
    Pelo menos Epaminondas já conseguia correr, ou trotar, mas o fato é que aqueles quarenta e cinco dias de prática fizeram bem pra ele. Já conseguia completar quatro ou cinco voltas na trilha do Ecoparque, e quando se aventurava na Avenida Getulio Vargas, em direção norte, conseguia correr do Ecoparque até o monumento das três estatuas dos pioneiros, la no final da avenida. Claro que intercalava o percurso com caminhadas estratégicas. Ninguém é de ferro
    O horário preferido dele era no final da tarde em razão da temperatura mais amena e  também porque tinha a oportunidade de correr com as demais pessoas que também se exercitavam no mesmo local e hora – Olhava fingindo não olhar para as “meninas” das mais diversas idades que lá “desfilavam”  e detestava ver os garotões que marcavam um ritmo forte do inicio ao fim. Nos meus tempos de piá eu também corria desse jeito. Ressentiu-se.
    Naquele início da noite, como de costume, na altura do Posto Avenida, já retornando. Epaminondas escutou as passadas que batucavam um ritmo firme na sua retaguarda. Percebia os passos mais e mais perto, a cada segundo. Olhou de canto de olho e viu um corredor que pedia passagem pela pista de pavers do canteiro central. O senhorzinho passou como o vento por Epaminondas, e se distanciou rapidamente.. Audácia !!  Pensou Epaminondas. Tentou forçar o ritmo para alcançar – ultrapassar o velho? Como pode um cara que deve ter uns vinte anos a mais do que eu, correr com tanta firmeza no passo? Velho maluco...vai ter um ataque cardíaco já já!! Não só pensou como também desejou em seu subconsciente.
    A VAIDADE
    Passadas seguras, ritmo forte. Oito quilômetros por dia, fizesse chuva ou sol. A barriga já havia diminuído e volume, mais ainda quando Epaminondas a encolhia. Celular fixado no braço. Aplicativos acionados marcando distância, tempo, pace, calorias consumidas e batimento cardíacos. Eyes of Tiger da banda Survivor era o que tocava forte nos fones de ouvidos, por bluetooth, é claro. A avenida Getulio Vargas ficara pequena para o Epaminondas. Era a imagem perfeita de um atleta vencedor.
    Epaminondas em sua camiseta azulada de poliamida, absorvente ao suor e com um logo chamativo da adidas, tudo comprado a vista no Tasca e Cia. Corria com olhar altivo e  não vigiava mais a performance dos atletas que dividiam o trajeto com ele. Agora ele era o vigiado, o homem a ser vencido. Epaminondas corria com semblante de atleta, passadas de atleta. Só baixava o olhar para ver seu tênis cinza, legítimo da Nike, modelo apropriado para seu biótipo. Levara muito tempo para ele conseguir enxergar a ponta do seu tênis, não tinha como não se sentir envaidecido do seu progresso. Epaminondas se transformou em outro homem.
    MAIS INVEJA
    Realmente a Avenida Getulio Vargas havia ficado pequena para Epaminondas. Passou a fazer pouco caso das pessoas que insistiam em percorrer sempre o mesmo trajeto. Epaminondas era diferente. Corria até o final da Getulio e retornava até o Shopping Pateo, seguia pela Rua Xanxerê até a Avenida Fernando Machado, e então retornava em direção ao Centro. Correndo pelo lado esquerdo do passeio, desviou do grupo de pessoas que estavam no seu caminho. Definitivamente não eram atletas. Viu que um deles estava fumando Crack. Ele não sabia que a situação das drogas em Chapecó estava daquele jeito. Ficou triste, mas ignorou. _Cada um escolhe o que quer para a sua vida.
    O Forrest Gump da Getulio Vargas continuou correndo e correndo, ignorava tudo o que o pudesse distrair de seu objetivo que era completar o percurso. Ignorava os malucos sentados nas muretas queimando as pedras e ignorava as jovens senhoritas e as jovens quase senhoritas que se postavam em cada esquina a espera de clientes. Oi gostosão!! Uma delas falou quando Epaminondas passou feito um raio. Epaminondas deu de ombros. Ergueu o queixo acima da testa, encolheu a barriga, estufou o peito e seguiu. _Credo... Não sou pro teu bico, pensou alto o vaidoso atleta.   Epaminondas achou a Fernando Machado um lugar "meio esquisito"  
    A LUXÚRIA
    _Oi gostosão !!  Era a “centésima” vez que ele ouvia aquilo. Cada vez que passava pelo mesmo local e hora, ele ouvia a jovem senhorita falar a mesma coisa. Já estava ficando de saco cheio, afinal, ele corria ali pela praticidade do percurso e não por outro motivo. Quanto às jovens senhoritas? Ele continuava achando soberbamente que ele estava infinitamente acima do nível dela.
    Naquele fim de tarde e início da noite, Epaminondas percorria confortavelmente o seu costumeiro circuito com o mesmo olhar altivo de sempre, o que lhe dava um ar de arrogância na percepção de quem o fitava. Passadas firmes e constantes denunciavam que ali seguia um abnegado homem dos esportes.. Sou foda!! Pensou, auto-adjetivando. 
    Já no retorno, quando desceu a ledeira da Fernando, ali no início da parte plana, na esquina da Alfa, Epaminondas fora surpreendido pela “centésima primeira vez” com um aceno da senhorita que costumeiramente ali marcava a presença todas as noites.  _Oi gostosão !!  Epaminondas seguiu mais uns dez passos...reduziu a velocidade e parou. Olhou para trás e meio encabulado retornou até a sua assediadora: _ Oi...Você vem sempre aqui??
  • Rápido demais — Crônicas do Parque

    Já fazia cinco solitários anos em que se encontrava separado e divorciado. Se mantinha firme em sua promessa de não mais se envolver e se entregar a um relacionamento amoroso. Afinal, sofrera bastante quando se separou da sua amada e louca esposa norte-americana (USA), que de repente enlouquecera quando ele achava estar tudo indo bem.

    Lembrara-se quando, por causa da separação, se ergueu de uma depressão que quase o matou de fome. Em que ao final do quinto dia sem comer, desmaiara caindo da cadeira em que estava sentado solitário trancado no escuro do seu apartamento. Em um instante se viu envolto em uma luz alvamente branca, flutuando em um corredor que o erguera para cima. Aquilo o atraia como dando um basta a sua vida terrena de sofrimentos. Porém, de repente, olhara para baixo vendo o seu corpo caído ao chão desgraçadamente. E disse para si mesmo:

    _ Não! Não é minha hora, tenho que voltar.

    E, novamente, lá estava ele, desgraçadamente em seu corpo caído ao chão. Juntou forças e foi se arrastando até a cozinha. Ao chegar, viu um pedaço de baguete duro sobre a mesa, e se esforçando apoiando penosamente os seus braços na cadeira, ergueu-se para pegá-lo. Já com o pão duro na mão, rastejou até o filtro de água potável, em que enchera um copo. E ali caído ao solo com as costas recostadas nas gavetas do armário da pia, comeu vagarosamente o tosco pedaço de pão duro, junto a goladas de água.

    Quando sentiu que já tinha forças para se levantar, ergueu-se pausadamente segurando com suas mãos as gavetas da pia, como se estivesse escalando o monte Everest. E, apoiou-se sobre seus pês. Foi até o banheiro, e tomou uma longa ducha quente. Ao final, viu que carecera de um choque térmico, e virou a torneira fazendo com que água esfriasse, tomando uma outra ducha fria. E bocejava, estremecia e ofegava.

    Vestiu-se, entrou em seu carro e pegou seu smartphone o ligando depois de uma semana, e vira múltiplas notificações de mensagens e ligações em sua tela. Ignorou-as, indo diretamente ao Google Maps para procurar um bom restaurante italiano mais próximo, pois desejara comer uma pasta com frutos do mar. Depois dessa recaída em que quase lhe valera a vida, prometeu para si mesmo viver como um monge eunuco, distante das perigosas mulheres.

    Assim, estava ele vivendo feliz, sem dar satisfação a ninguém para onde ia e o que fazia. Procurava ocupar ao máximo o seu tempo fazendo classes de yoga, teatro e aprendendo a tocar flauta e piano. Evitava ler, ver e ouvir romances, series e filmes, músicas e histórias de relações amorosas. Em que baixara o Google Keep, um moderno e super aplicativo de tarefas, para seu smartphone. Onde ao final de cada dia, dedicava meia hora da sua atarefada vida para fazer a programação do próximo dia, não dando oportunidades para surpresas. Fechando assim as portas para novos imprevistos que o poderia levar a um novo relacionamento, ao conhecer uma interessante pessoa em um lugar desconhecido, fora da sua agenda digital de compromissos fictícios.

    Portanto, acordava, se levantava e ia correr por uma hora todas as manhãs antes de ir para o seu entediante trabalho de programador, em uma dessas grandes corporações Hi-Tech Israelense.

    Em uma dessas manhãs em que corria no parque de Kfar Saba, viu a sua frente uma jovem que tropeçara na pista de exercícios, e machucara um dos joelhos. Por um instante decidiu ignorar aquele acidente, ultrapassando-a. Porém, por um ataque de consciência deu meia volta, indo ao encontro da jovem que se encontrava sentada no chão chorando.

    Ao chegar até ela, agachou-se e disse ainda ofegando pelo esforço do seu exercício:

    _ Você está bem?

    _ Claro que não! Você não vê?

    _ Desculpe! Só estou tentando ajudar. Venha, vou te levantar.

    _ Ai! Ai! Ai! _ resmungou a moça não podendo se apoiar em uma das pernas.

    Então, ele a carregou em seus braços a levando para grama, pondo-a debaixo de uma Tamareira que fazia uma refrescante sombra. E a perguntou:

    _ Você mora por aqui por perto?

    _ Moro em Rosh Haayin.

    _ Não está tão longe. _ falou ele enquanto estava lavando o ferimento do joelho da jovem moça, com a água de sua garrafa.

    _ Você está de carro? Será que pode me levar até minha casa.

    Ele hesitou ao responder de imediato, e olhou para o seu smartwatch que se encontrava no pulso direito, sabendo que se a ajudasse, chegaria tarde no trabalho. E, olhando para aquela jovem e linda moça de olhos verdes molhados de lágrimas, não resistindo ao seu apelo, disse:

    _ Sim, eu te levo para casa.

    Ela sorriu, e de súbito o beijou no rosto como forma de reverencia. E aquele beijo repentino ascendeu um chama nele que há muito tempo se encontrava apagada. E temeu, ignorando aquele beijo ao levantar a moça nas suas costas, apoiando-a como se fosse uma mochila. Ao passo em que ele caminhava com a pesada moça sobre as costas, ela ia tagarelando:

    _ Nem ao menos nos apresentamos, e aqui estamos como namorados em que você me leva de macaquinho. Como é o destino, ultimamente só estou conhecendo novas pessoas através do Facebook, e agora te conheço assim, em um acidente, e já temos um contato físico como pessoas que se conhecem a muito tempo. Acho que só os acidentes são capazes disso. O que acha? Eu ainda não sei o seu nome. Como você se chama?

    _ Em primeiro lugar não somos amigos, nem muito menos namorados. Em segundo você está muito pesada, e não estou conseguindo me concentrar com essa sua tagarelice. Me chamo Nimirod.

    _ Desculpa Nimi, eu só estava querendo te distrair por causa do meu peso e seu esforço. Me chamo Einat. Prometo que não falo mais. Naim meod (Prazer em conhecê-lo)!

    Juntos chegaram ao estacionamento, e ele a colocou no banco da frente do seu carro. Ela ainda se encontrava calada pela dura que recebera dele, e, ele se encontrava sério, meio puto em chegar atrasado para o trabalho.

    Então, ela resolveu quebrar o gelo que existia entre os dois, perguntando-o:

    _ Você corre no parque de Kfar Saba todos os dias?

    _ Sim. _ respondeu ele secamente.

    _ Você mora em Kfar Saba?

    _ Não. _ deu outra resposta seca.

    _ Onde mora?

    _ Próximo. _ disse isso não querendo responde-la.

    _ Sim. Não. Próximo. Você fala hebraico? _ disse ela o provocando.

    _ Você é da polícia? Não pode se calar um pouco, apenas por um momento. Não gosto de ser interrogado, e por sua causa estou me atrasando para o trabalho.

    Ao ver essa resposta arrogante, mais uma vez os olhos da jovem se encheram de lágrimas, e ela pediu para descer ali em qualquer lugar, já que estava incomodando.

    Diante disso, arrependido ele disse:

    _ Desculpe-me Einat. Apenas fiquei irritado por me atrasar para ir ao trabalho hoje, tenho muitas tarefas e meu chefe está já há uma semana no meu pé para que eu termine. Vou te levar para casa e tentar responder suas perguntas, ok.

    A jovem enxugou suas lágrimas, deu um grande sorriso, e perguntou:

    _ Quantos anos você tem?

    _ Trinta e sete. E você?

    _ Vinte e três.

    _ Você é nova. Fez o exército?

    _ Sim. Terminei faz um ano.

    _ E não viajou?

    _ Acabei de chegar da Índia, estive lá por dez meses.

    _ E como foi?

    _ Louco. Já foi a Índia?

    _ Sim.

    _ E como foi?

    _ Louco.

    _ Então, não preciso lhe dizer nada _ disse ela sorrindo.

    Ele sorriu em resposta, e a perguntou já chegando em Rosh Haayin:

    _ Em que direção fica sua casa aqui.

    _ Eu não sei direito lhe instruir, pois sou nova aqui, mas posso ver no Waze. _ disse ela pegando o seu smartphone, e abrindo o aplicativo GPS digitando o nome da rua.

    _ Você é daqui? _ perguntou ele, enquanto ela ainda digitava.

    _ Não. Sou de Tel Aviv. Vim morar aqui por causa do emprego de ajudante de enfermeira veterinária, pois quero estudar veterinária no futuro. Amo animais, principalmente gatos.

    _ Eu odeio gatos. São egoístas e interesseiros.

    _ Assim como nós. _ disse ela.

    _ Prefiro os cachorros. São amáveis e amigos. _ disse ele ignorando o que ela disse.

    _ Já eu, não sou muito afeiçoada a eles. São dependentes de mais e bagunceiros.

    _ Assim como nós, quando crianças. _ disse ele.

    Ambos se olharam e sorriram como se concordassem um com o outro, e a voz robótica do aplicativo falou dizendo que se encontravam no local de chegada.

    _ É aqui, nesse prédio. _ disse ela apontando, e continuou_ Quer entrar para tomar um café? Afinal, você já está atrasado mesmo.

    _ Não, obrigado! Não quero me atrasar mais ainda.

    _ Só que tem um probleminha! Esqueceu que não posso andar, e no meu prédio não tem elevador, e vivo no terraço no quarto andar. _ disse ela sorrindo.

    _ Ok! Te levo até lá, mas não tenho tempo para o café.

    Ela sorriu. Ele saiu do carro, foi até a porta do assento lateral, a carregou em seus braços, e ela disse:

    _ Agora parece que acabamos de nos casar, e você me leva para lua de mel.

    Ele a encarou com seriedade não gostando nada do que ela disse, e a colocou em suas costas indo em direção ao prédio a sua frente. Chegando a porta, ele se virou de lado para que ela pudesse digitar o código chave de cinco dígitos para abrir, fazendo um barulho entediante afirmando que já estava destrancada. Ele empurrou a porta de vidro com o pé, e enquanto adentrava ela ajudou com uma das mãos, sendo que a outra estava envolvendo o busto e pescoço dele.

    E seguiram subindo a escada. A cada andar ele parava um pouco para pegar um fôlego e descansar. E ela resolveu dessa vez ficar em silêncio, pois ele não estava nada gostando daquela situação. Então, chegaram a porta do apartamento dela. E ela disse:

    _ Não vai nem ao menos entrar para um copo d’água e descansar um pouco.

    E, ofegante ele disse:

    _ Não. Melhor não. Estou muito atrasado, tenho que ir.

    _ Vai me deixar aqui na porta para que eu me arraste até a cama? _ perguntou ela com uma dengosa voz.

    _ Acho melhor você já aprender a se virar sozinha com essa situação. Depois você vai me pedir para te levar para o banheiro, e te dar banho e depois fazer comida.

    _ Eu bem que poderia comer você. _ disse ela, e continuou_ Brincadeirinha. _ disse isso, querendo desfazer o que disse.

    _ É por isso que não quero entrar. É disso que eu tenho medo. Vocês jovens são rápidos demais. Bye! _ disse ele descendo as escadas.

    _ Hei, espera aí! Você não me disse onde mora. _ disse ela gritando.

    _ Moro em Kfar Saba. _ respondeu ele já de baixo.

    _ Me dá o número do seu telefone. _ ela gritou de cima.

    _ Rápido demais, já disse! E se eu for casado…

    _ Você é casado? _ Ela gritou o mais alto que pode.

    _Não! Mas, enquanto o meu número de telefone, vai ter que descobrir por si só.

    _ Isso já é bom! _ gritou ela, e já não houve mais respostas. _ “Ele se foi” _ pensou ela entrando no seu apartamento.

    Ele entrou no carro e dirigiu rapidamente para o local de trabalho, fazendo consideráveis esforços para esquecer aquilo tudo, repetindo um milhão de vezes em sua mente _ “Isso nunca existiu” _ tentando assim ignorar os fatos, que já fora fisgado pelas garras do destino.

    Ela estava maravilhada com ele, achava ele bonito e responsável, o tipo certo para uma mulher se casar. Ela era tão jovem, mas já pensava em um bom partido. Estava meia que traumatizada pelo motivo de suas duas irmãs mais velhas não conseguirem ter relacionamentos por serem gordas, não suprindo as exigências dos homens israelenses, numa sociedade que admira e fortalece a indústria da moda e cosméticos. Sendo que sua irmã mais velha de trinta e oito anos, fizera bebês em um laboratório de banco de espermas, tendo assim filhos gêmeos. E sua segunda irmã de trinta e quatro, já estava pensando em fazer a mesma coisa. Ela não era assim tão gordinha, mas geneticamente tinha formas arredondadas, e isso a preocupava. Passava muito tempo na frente do espelho, e se achava gorda e feia.

    Porém, não era bem assim, suas amigas a invejavam pela sua cintura bem definida, seu bumbum farto e arredondado, seus seios medianos e seu rosto de anjo com olhos verdes e cabelos loiros cor de mel. Um belo corpo de violoncelo, unida a um belo rosto e altura de um metro e setenta e cinco invejável. Não era gorda de jeito e maneira, era dessas mulheres mutantes de forma gigantesca.

    O despertador do smartphone tocou as cinco horas da manhã, como de costume ele se levantou indo diretamente ao banheiro, lavara o rosto e escovara os dentes apressadamente. Vestiu-se com sua roupa e assessórios de correr, colocou seus fones de ouvidos bluetooth, e pendurou o seu smartphone por uma capa detentora em seu braço esquerdo, começando o seu exercício matinal ao som do piano de Richard Clayderman. Pelo esforço que fizera para esquecer do evento inconveniente do dia anterior, já não se lembrara com emoção daquela moça linda e alta de olhos verdes, sua mente se voltara a sua rotina diária de solteirão feliz.

    Mas para o seu desgosto, lá estava a jovem linda moça correndo em sua direção pela contramão com o joelho enfaixado. Ao passo em que se aproximava dela, ele pensava em ignorá-la. Dizendo em seus pensamentos: “Puta-merda! O que ela quer de mim. Droga! Porque logo hoje fui me esquecer de colocar meus óculos escuros”.

    Ao se aproximarem, param ainda correndo e trocaram sorrisos, e ela disse:

    _ Olá como está?

    _ Bem. Vejo que seu joelho já está bom.

    _ Quase. Mas não resistir ter que parar com os meus exercícios matinais.

    _ Entendo. Bom! Não quero me atrasar mais um dia para o trabalho. Bye!

    _ Bye! Lehitraot (Até mais ver)!

    E, continuaram os seus percursos, entretanto, enquanto se distanciavam ela disse em alta voz:

    _ Ainda quero o número do seu telefone.

    _ Ainda vai ter que descobrir. _ disse ele não olhando para trás.

    E, isso se repetia dia após dia, semana após semana.

    Até em que um belo dia de Yom Rishon (domingo) ensolarado, em que ele estava a correr como de costume no parque de Kfar Sabah, não a viu durante todo o percurso. E, pensou: “Ela não veio correr hoje. O que será que aconteceu. Não importa! Bom para mim”. E, Yom Sheni (segunda-feira) a mesma coisa. E, Yom Shilishi (terça-feira), Yom Revyi (quarta-feira), Yom Hamishi (quinta-feira), Yom Shishi (sexta-feira) a mesma ausência.

    Yom Shabat (sábado), ele despertara já sem o apito do seu despertador. Continuou ainda deitado em sua confortável cama elétrica com colchões de astronauta, e não conseguia pensar em outra coisa, senão, nela. E vislumbrara em seus pensamentos o sorriso contagiante que enfeitava seu belo e limpo rosto redondo. Sua meiga voz de menina mimada. E seu gigante corpo perfeito. A ausência dela o fisgara, como as coloridas iscas artificiais dos profissionais esportistas pescadores. Aconteceu o que ele mais temia, se viu apaixonado, e sabia que esse sentimento era o mesmo que estar enfermo. Mas, agora, o que fazer, pensou. Ir procurá-la. Não! Isso era se entregar a loucura novamente. E se lastimou pelo fato de não ter dado o número do seu telefone a ela.

    Levantou-se da cama, foi ao banheiro, levantou a tampa da latrina e fez xixi. Deu descarga, e foi ao lavatório. Se olhou no espelho, e pela primeira vez viu um fio de cabelo branco em sua cabeça e dois em sua barba. Meu deus! Pensou. Abriu a gaveta procurando uma tesoura, e achando-a, rapidamente com cuidado fora até a raiz dos seus intrusos cabelos brancos para expulsá-los.

    _ Estou ficando velho. _ disse em alta voz para si mesmo.

    Teve medo por um instante de pânico de envelhecer sozinho. E pensou nela. Rapidamente entrara na banheira, ligara a ducha tomando um banho. Pegou a tolha, se enxugou apressadamente, passara um creme facial no rosto e se perfumara. Correu até o quarto, se vestindo elegantemente com roupas de verão. Uma curta bermuda branca, uma camiseta verde e uma sandália de couro esportiva. E, pensou em convidá-la para ir à praia em Herzliya.

    Ao chegar no prédio em que ela morava, correu em direção a porta, e não se lembrando o número do seu apartamento, não sabia em que botão devia apertar para chama-la pelo interfone. Esperou um pouco, e teve a oportunidade quando um casal estava para sair, aproveitou essa oportunidade em que a porta fora aberta, adentrando-a. E subiu as escadas em direção ao terraço no quarto andar. Lá chegando, parou e fez um pequeno exercício de respiração para aliviar a tensão. E, antes de bater à porta hesitou, não sabendo bem o que dizer a ela. E quando fora bater, a porta se abriu. Sendo, que ambos se assustaram. E ela disse:

    _ Você aqui! Eu já estava prestes a sair.

    _ Pois é, resolvi ainda que tarde aceitar seu convite para tomar um café. Mas, vejo que tens compromisso.

    _ Eu estava indo à praia.

    _ Uau! Foi isso mesmo que vim fazer aqui, te convidar para ir à praia.

    _ Ainda quer entrar e tomar um café antes?

    _ Seria um prazer!

    Ele entrou, e viu que ela morava em um pequeno apartamento de solteiro de apenas um quarto, com uma pequena cozinha e banheiro acoplados. Mas, que continha uma enorme varanda no terraço com muitas flores, plantas, um cagado, um papagaio branco, uma iguana e três gatos. O apartamento era pequeno, mas estava muito bem organizado com uma cama de casal ao meio, a cozinha no estilo americano a frente, o banheiro ao lado e uma grande mesa com impressora e computador, improvisando um escritório de trabalho. Do outro lado havia também uma porta e uma larga janela que dava para varanda. O ambiente estava bem iluminado e confortável, havia odores de incenso, e um toque alegre maravilhosamente feminino. Muito distante do seu escuro apartamento, triste e sem graça. E, enquanto ela aprontava o café, ele disse ao se sentar a cama:

    _ Bonito e aconchegante aqui.

    _ Foi isso que você perdeu antes. Muito lento você, Sr. Lesma.

    _ E você, apressada demais, Sra. Papa Léguas.

    _ Viu!

    _ Viu o quê?

    _ Agora já estamos nos comportando como um casal rotineiro, discutindo por besteiras.

    _ Rápida demais menina! _ Ele a alertou, e continuo _ Nem começamos ainda a namorar, e você fala em casamento. Mas me diga, porque não foi ao parque correr essa semana.

    _ Funcionou!

    _ Funcionou o quê? _ perguntou ele sem nada entender.

    _ Não está vendo. _ disse ela sorrindo.

    _ Como sou idiota! Bye! _ disse ele indo revoltado em direção a porta.

    _ Bye! _ disse ela tranquilamente sem olhar para traz, enquanto ainda preparava o café.

    Rapidamente ele saiu, e descendo as escadas às pressas, parou no meio, colocou a mão na cabeça, e dizia para si em voz alta:

    _ Como sou idiota! Hahhhh!

    Continuou a descer, e ao chegar a porta. Hesitou em abri-la. E se viu completamente apaixonado e envolvido a ela. Tão rápido, mais rápido do que a velocidade dos pensamentos era a velocidade dos sentimentos. Sua cabeça lhe dizia: “Saia imediatamente dessa arapuca, e esqueça essa garota que só vai atrapalhar a sua vida”. E o coração rebatia, dizendo: “Volte imediatamente, peça desculpas e diga que gosta dela”.

    O coração foi mais forte, assim deu meia volta e subiu as escadas. E lá estava ela a porta, com duas xícaras na mão, uma de café e outra de chá de folhas de Luiza Limão do seu pequeno canteiro de ervas. Ele subiu a passos lentos em sua direção. E pediu desculpas, e ela abrindo os braços com as mãos ocupadas com as xícaras cheias, disse:

    _ Só desculpo se me der um beijo.

    Ele se aproximou o mais perto possível, encostando barriga a barriga, e sentiu o calor atraente do corpo dela o chamando. Olho a olho se olhavam, e o olhar dela ficou meio vesgo, tornando-a mais linda e atraente, ainda mais do que já era. Suas respirações estavam ofegantes, e seus corações pulsavam tão alto, que faziam os líquidos das xícaras que estavam nas mãos dela ondularem pelas laterais, respigando todo o chão. E por um instante se cheiravam, enquanto seus narizes se tocavam. Rapidamente ele se afastou, pegando a xícara de café da mão dela, e disse:

    _ Rápido demais menina. Rápido demais…

    Ela sorriu, e ambos caminharam até a varanda. Assim, se sentaram um a frente do outro em uma pequena mesa de ferro, com a plataforma de cimento com mosaicos feitos de pedaços de azulejo que ela mesma confeccionara. E, apenas se olhavam por longos minutos sem nada dizer, enquanto saboreavam o gosto do café e chá, e os gatos se enroscavam em seus pés.

    Então, ele rompera o silêncio dizendo:

    _ Vamos devagar, Ok! Assim será melhor e mais prazeroso. Não quero ter uma relação de palito de fósforo.

    _ Como assim, palito de fósforo? _ indagou ela.

    _ Você tem uma caixa de fósforos? _ perguntou.

    Ela sem nada dizer, adentrou a casa para apanhar. E trazendo, foi vagarosamente por detrás dele o abraçando em tons provocativos, enquanto estendia com uma das mãos a caixa de palitos de fósforos a frente dos seus olhos. Ele pegou a caixa, ela voltou ao seu assento, e ele disse:

    _ Tome essa caixa, pegue um fósforo e ascenda.

    E, assim como foi dito, ela fez. E ele disse:

    _ Está vendo! O fósforo ascendeu ligeiro se inflamando rapidamente, e da mesma forma ligeiro se apagou. O mesmo acontecerá com nós se formos tão depressa nisso. Tudo não passará de uma inflamante paixão. Devemos começar como uma pequena fogueira de acampamento. Catar folhas e palhas secas, colocar gravetos em cima, depois paus grossos e duros, e acende-la com muita atenção cuidadosamente, e ir alimentando-a com esse combustível de matéria orgânica dura aos poucos, para que permaneça acesa, e venha nos aquecer por toda noite, até a vinda do sol.

    _ Mas, essa sua fogueira só poderá ser acesa com um palito de fósforo, não é? _ questionou a moça a sua frente com ironia.

    Nisso, ele se irritou novamente. E ela rapidamente disse:

    _ Brincadeirinha, Sr. Nervosinho. _ e sorriu como uma esperta menina, que ganhou a aposta.

    _ Ok! Nada de telefones, SMS, Telegram, WhatsApp, Facebook, Skype e todas essas parafernálias da internet. Usaremos cartas. E só nos encontraremos no local especificado por elas. Faremos a moda antiga, antes da tecnologia. _ rebateu ele, irritado por se sentir derrotado.

    _ E se as cartas não chegarem? Você sabe como são os correios aqui em Israel.

    _ Vamos usar então uma empresa de correios privada, a Deutsche Post DHL. Não se preocupe, eu cobrirei todos os custos.

    _ Está bem, Sr. A Moda Antiga _ disse ela ironicamente concordando.

    Assim, terminaram com o café e chá, e foram para praia em Herzliya. Lá, conversaram bastante abrindo o livro de suas vidas um para o outro, e o tempo em que passaram juntos foram mágicos para os dois.

    Ele a levou de volta para o apartamento dela em Rosh Haayin. E, ao se despedir saindo do carro, enquanto ainda caminhavam até a porta do prédio, ela o surpreendeu com um beijo apaixonante em sua boca, em que ele nem ao menos teve chance de resistir, apenas pela altura dela, teve que ficar suspenso nas pontas dos pés. Então, ela percebendo o seu desconforto, o puxou ainda o beijando descendo para rua, enquanto ele ainda ficava sobre o paralelepípedo da calçada, dessa forma ele ficou mais alto e ela mais baixa. Esse beijo em que se abraçaram amorosamente, durou por quase dois minutos. Ao terminar ela disse se despedindo:

    _ Isso foi apenas o fósforo que acendeu a fogueira no nosso acampamento.

    E assim, ele e ela, Nimi e Einat se encontravam esporadicamente através de cartas que indicavam locais estratégicos como um jogo de RPG. Ela o escrevia cartas amorosas, as desenhando com lápis de cor, ou aquarela, e fazia também colagens de flores e folhas do seu jardim suspenso. Ele a enviava cartas com bombons e flores, sempre ditando os lugares de encontro como o mestre do jogo. Até que um dia, ela recebeu uma encomenda vinda em um carro forte de alta segurança, tendo que dar várias assinaturas nos protocolos de papeis para recebe-la. Parecia-lhe algo extremamente de muito valor financeiro, para vim com aqueles seguranças todos bem armados, com pistolas e escopetas Glock. Era uma caixa grande que envolvia outras pequenas caixas, como degraus de escada de caixas sobre caixas. E, ao chegar à última e pequena caixa preta. Encontrou um pequeno papel vermelho, dobrado em quatro partes. E ao abri-lo, viu um número de telefone escrito em tinta negra: 0529516651. De imediato foi a sua bolsa procurando o seu smartphone, e ao acha-lo ligou imediatamente. E ao dizer alô, ouviu uma voz que emocionado perguntava:

    _ Quer se casar comigo?

    _ Rápido demais seu moço. Nem ao menos ficamos noivos e você já pensa em casamento.

    Então, ele ao ouvir essa resposta, desligou de imediato o telefone.

    E, ela se desesperou dizendo para si: “Droga! Eu brinco demais com ele, e ele sempre me leva a sério. Apenas só repeti as suas palavras. Droga!”.

    Todavia, enquanto ela tentava ligar para ele novamente, desesperada para lhe dizer: “Sim! Era isso que eu mais desejava desde quando nos conhecemos”. Ela ouviu um toc, toc em sua porta. E abrindo-a, lá estava ele de joelhos com uma caixa de anéis na mão dizendo:

    _ Case-se comigo agora, mesmo que seja rápido demais! É que não precisamos mais da fogueira no nosso acampamento. Pois o sol raiou, e já é dia.
  • SÍNDROME DO MANGUITO ROTADOR EM IDOSOS: PREVENÇÃO COM A FISIOTERAPIA

    O envelhecimento pode causar alterações musculares, dentre elas, a fraqueza muscular, que resultam no desequilíbrio muscular. Com estas mudanças associadas a presença de dor, ocorrem mudanças no padrão de funcionalidade do indivíduo alterando a maneira de realizar suas atividades de vida diária, aumentando a chance de lesões osteomioarticulares, ou seja, que envolvem os músculos, tendões, articulações e a estrutura óssea.
    A síndrome do manguito rotador em idosos é muito comum, sendo potencializadas pela prática insuficientes de atividade física, movimentos repetitivos, instabilidade da articulação do ombro, além de tendinites e rupturas (parciais ou totais) dos tendões. As lesões nesta região normalmente surgem devido a uma inflamação que aparece com o desgaste e a irritação gerados por impactos excessivos na articulação da região. Neste sentido, a Fisioterapia por meio do reequilíbrio muscular é capaz de prevenir esta lesão. Dentre os recursos disponíveis está o treinamento de força, que melhora a função da musculatura específica do ombro, promovendo a estabilização, proporcionando qualidade e força adequada aos movimentos evitando futuras lesões. Cuide da sua saúde! Procure um Fisioterapeuta!

    Autor: Willian Cassio dos Santos
    Orientação: PhD Natália Boneti Moreira

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