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morte

  • Infindáveis

     
    Naqueles minutos, finitos.
    O tempo parou, supremo.
    E em minha alma prosseguem, absolutos.
    Aqueles malditos minutos...

    E o hiato segue como um pêndulo.
    Constante, invisível ou Latente.
    Infinitamente badalando,
    é nessas badaladas sisificas que morro.

    Lá, naquele espaço-tempo, você reside.
    Você, Você que me matou.
    Sem nome, sem face.
    Você, Você que violou meu corpo,minha alma.

    Mas essa infinidade só existe em mim.
    Você e os minutos se foram, satisfeitos.
    Deixando um rastro de enxofre.

    E, assim como Sisifo, sigo no pêndulo.
    Mas, na Esperança de que, um dia,
    a pedra caia sobre Você
  • Iniciando o pecado

    Por sorte conheci Ângela.
    Era magra, um pouco alta, loura, seus cabelos caiam sobre seus ombros com leves ondulações, era branca, suas bochechas eram rosadas, seu nariz avermelhado e lábios finos com um tom bem claro.
    Era adoravelmente simpática, seu sorriso era bem quadrado, como se fosse uma dentadura. Estava no segundo ano de medicina. Só sabia falar sobre isso.
    Falava como o cheiro hospitalar era viciante. Contava curiosidades sobre o corpo humano. Explicava sobre as partes inúteis do corpo.
    Era engraçada.
    O clima ficou tenso quando começou a falar sobre seu ex. Um cara qualquer. Futuro advogado. Um babaca que queria que ela desistisse da faculdade.
    Eu não me importava com nada que ela dizia.
    Mas queria me importar. Seus olhos claros, verdes ou azuis. Não lembro. Eram tão bonitos, tinham um brilho. Como se a vida dela até aquele ponto fosse tudo perfeito. Mas não era.
    Há alguns meses sua irmã ficará paraplégica num acidente de carro. Algo que me fez sentir mais próximo dela, já que tínhamos isso em comum.
    Seu foco na área, era descobrir um meio de fazer sua irmã voltar a andar.
    Ela tinha fé, mesmo dizendo não acreditar em Deus. Diferente dela, eu tinha uma crença enorme no pai divino. Eu era o escolhido. O filho de Deus.
    Minha avó começou a me levar para a igreja após a morte da minha mãe. Dizia que encontraríamos a paz lá. Encontrei a paz alguns anos depois numa missão divina.
    Ângela me perguntou sobre meu passado. Inventei uma historia, onde eu tinha uma família perfeita, feliz e viva. Contei coisas engraçadas sobre minha mãe. Contei sobre o arroz que ela queimou uma semana antes.
    Tudo mentira. Ângela ria.
    A festa já havia começado. A conversa estava tão boa que nem percebemos.
    Umas trinta pessoas estavam ali. A casa não era grande, tendo apenas um quarto, sala, cozinha e banheiro. Não era muito confortável, os cômodos eram minúsculos. Mas aconchegantes.
    Percebi que Ângela foi conversar com outros amigos. Fico sozinho. Algumas pessoas que passavam por mim, falavam comigo e ofereciam bebidas. Mas recusei. Jamais havia bebido álcool.
    Tentam puxar assunto, mas ignoro-as. Vejo os passos de Ângela, observo aquele sorriso saltar de conversa em conversa. Com a mão direita ela coloca uma mexa do cabelo atrás da orelha. Olha-me e sorri. Então some na multidão.
    A música esta cada vez mais alta. As luzes coloridas fazem minha visão ficar turva. De repente alguém grita ao pé do meu ouvido.
    “Quer ir ao quarto?” – era Ângela, rebolava e bebia uma bebida colorida.
    “Fazer o que?” – Pergunto... Atualmente me envergonho disso.
    Ela se inclina e me responde com um beijo.
    Um beijo de língua, sinto o sabor do álcool, mas não recuo, sinto o calor da sua língua, dança na minha boca.
    Beijo termina. Ela sorri.
    Agarra minha mão me puxa em direção ao quarto. Minúsculo quarto.
    Meu coração estava batendo o mais rápido possível. Ela abre a porta branca e entramos naquele pequeno espaço, com uma cama que tem um abajur na cabeceira, uma arara com diversas roupas espalhadas. Sobre a cama, estava um cara de porte físico bem atlético, junto de uma garota ruiva, totalmente nus.
    Ângela faz sinal para que saiam, foi quando notei, que ela era a dona da casa.
    Os dois obedecem, sem retrucar. Saem e fecham a porta.
    Ângela ri. Começa a dançar.
    Sou virgem. Ela sabe disso. Segura minhas mãos e põe sobre em sua barriga. Estava quente.
    Ainda segurando minhas mãos, sobe devagar sobre aquele seu corpo macio, fazendo com que eu tire sua camiseta. De sutiã preto ela rebola.
    Aquele excesso de informações, misturado com a bagunça que meus hormônios faziam dentro de mim, me deixava meio perdido.
    “O que eu faço?” Pensava frequentemente. Mas Ângela me dava às direções.
    Soltará o sutiã. Aquele belo par de seios do tamanho de maçãs, me fez vidrar ainda mais naquele corpo. Belas maçãs rosadas. Ela continua controlando minhas mãos. Passa elas sobre as maçãs, meu corpo esquenta. Ela mordisca meu lábio e se entrega num beijo estalado. Um beijo forte, com fogo e paixão.
    Ela deita. Olha-me nos olhos.
    Como se meu cérebro tivesse recebido instruções através daquele beijo, ele passa a fazer tudo automaticamente. Passo minha língua naquelas belas maçãs rosadas, desço pela sua barriga e abro seu short. Retiro-o e fico olhando para sua calcinha roxa com lacinho preto.
    Sem pensar duas vezes retiro toda minha roupa, não me importo em ficar nu. Deito sobre aquela garota de seios rosados, ela esta toda nua agora. Faço os movimentos no quadril como se estivesse programado no meu instinto.
    Movimentos repetidos. Corpos quentes.
    Sinto suas unhas arranharem minhas costas. Passo a mão em seu rosto. Em seu cabelo. Em seus braços, peitos. Beijo seu pescoço. Ela me agarra com mais força.
    Acelero o movimento. Ida e volta sem pausa.
    Novamente ela segura minha mão, leva até seu pescoço, o seguro e a beijo. Beijo firme.
    Ida e volta. Vai e vem sem pausa.
    Ela se contorce de prazer. Suas unhas arranham minhas costas, mais e mais. Suas pernas se contraem. Ela geme. Gemido abafado.
    Sinto minhas costas arderem. Seus olhos estão revirados e sua boca aberta.
    Gozo.
    Então foi quando percebi. Ela estava sufocando. Já havia sufocado, estava morrendo. Suas mãos caem sem força sobre a cama.
    Penso em pedir ajuda, mas minha voz não quer sair. Aqueles lábios que me beijavam há pouco tempo atrás estavam arroxeando. Ela não se move. O abajur na cabeceira da cama havia caído por causa do vai e vem.
    Entro em pânico. Corro para o banheiro e vomito. Vomito muito. Sento ao lado do vazo e começo a chorar.
    “O que houve?”
    “O que eu fiz?”
    Essas perguntas varriam minha mente. Eu precisava de ajuda. Ninguém me ajudaria. Minha avó ficaria louca. Choraria sem parar.
    “Você se tornou como sua mãe.” – Diria ela gritando e tentando furar o cerco policial.
    Eu estava sozinho. Ninguém poderia me consolar. Mas no meio daquele choro, tive forças para ficar em pé. Deixo o corpo do meu corpo sobre a pia, enquanto me olho no espelho. Vejo meu reflexo. Aparentava ser bem mais jovem. Cabelos bagunçados, nada de barba e olhos inchados. Aquela imagem me faz rir. Estar totalmente em pânico e não ter nenhuma saída, me fazia rir.
    Rir era a única coisa que poderia me ajudar.
    Penteio o cabelo com um pente que estava ali. Estou mais calmo. Respiro fundo. Mesmo sem entender o que aconteceu. Sorrio para o reflexo e ele me imita.
    Volto para o quarto.
    Ângela ainda esta lá. Nua e linda. A luz reflete sua pele pálida. Deito-me ao seu lado. Aconchego minha cabeça sobre seu ombro.
    “Como isso aconteceu?” – Pergunto a ela.
    “Perdoa-me, ok? Foi sem querer” – Tento me redimir com ela.
    A cubro para que não sinta frio. O som estava bem alto, poderia atrapalhar seu sono.
    Sono profundo.
    Sua boa ainda esta aberta, assim como seus olhos, que mesmo revirados são lindos.
    “O que eu fiz?”
    “o que estou fazendo?”
    Minha mente esta tentando me trazer para a realidade. Matei mesmo aquela garota. Sem motivo algum.
    Matei por ela ser linda? Não.
    Matei por que me apaixonei? Não.
    Não havia explicação, apenas duvidas. Coloco minha roupa e a visto também. Desculpa Ângela. Coloco seu corpo no meio das roupas que estão jogadas na arara. E me despeço. Sinto vontade de beija-la, mas minha sanidade ainda falava comigo. Ainda
  • Ironia

    Ironia é hoje me distrair com as coisas fúteis da vida para ludibriar a morte.
    Desde que me conheço por gente vi-me matando-me a cada dia e a cada ato com as coisas fúteis da vida.
    Procurei tornar-me consciente dessa futilidade que sempre me desviou de mim mesmo.
    Após muita luta e conhecimento, a sabedoria que adquiri me fez ver que deixei de crescer por mim mesmo, e que agora não consigo mais suportar o peso da verdade.
    Ironia é hoje me distrair com as coisas fúteis da vida para ludibriar a morte.
  • Jogada Ao Fogo

    Espero morrer logo.
    Mas seria misericordia demais.
  • Labirinto

    O sonho era bonito. Estava deitado na praia e sentia o sol bater na face direita do seu rosto. Já ardia de tão quente, mas não era uma ardência ruim ou angustiante. Trazia prazer sentir aquilo e o barulho das ondas do mar se quebrando trazia a tão querida paz. Porém, como é por diversas vezes costumeiro nessa vida, o sonho acabou e tudo se tornou um pesadelo. O despertador tocou as 05:30 da manhã, sinal de que ele tinha que sair da sua sonhada praia e começar a se arrumar para ir ao seu odioso trabalho.
    Tudo ocorria exatamente como ele detestava nos inícios da manhã. O seu café estava velho e ele colocou o número errado de colheradas de açúcar. O pão já estava duro, mas não o suficiente para que fosse impossível de comer. A programação da televisão era um lixo e, mesmo que achasse algo bom, não daria tempo de assistir tudo. Era assim todas as manhãs, mas o horário já avisava que não tinha como ser melhor.
    O cotidiano dos seus tormentos se modificou assim que abriu a porta. Tudo estava escuro. Somente por causa de uma luz, que estava distante dele uns 50 metros, era possível perceber que o que levava até ela era um corredor. Ele continuava na beira da porta com a sua chave na mão. Tentava entender o que estava acontecendo. Tentando achar alguma explicação lógica para aquilo. Tentando se convencer de que tudo não passava de um sonho. Tentando não se frustrar. E tentando criar coragem para ir até aquela luz.
    Os seus primeiros passos foram feitos sem muita convicção, mas a curiosidade de saber o que tinha lá fez com que a coragem viesse lentamente e seus passos foram se tornando mais firmes. Chegando lá, percebeu que tinha algo escrito na parede iluminada. “Bem-vindo ao meu labirinto! Direita ou esquerda? Direita.”. O que já era confuso para a sua mente se tornou ainda mais depois dessa frase. A única coisa que tinha convicção de que sabia era o que era um labirinto, mas não sabia de quem era ou de que maneira tinha parado ali já que sabia que não existia nenhum na porta de sua casa quando foi dormir. De qualquer maneira, seguiu para a direita com calma e sem nenhuma coragem.
    As paredes eram brancas e feitas com grandes tijolos de concreto, mas já estavam sujas e com trepadeiras crescendo nelas. Via a sua sombra o acompanhando apressadamente enquanto andava. Não havia luz o suficiente para que uma sombra fosse gerada. Percebeu isso quando um rato passou correndo por ele e nem sequer gerou uma imagem borrada. Quando chegou em uma bifurcação, continuou para a direita assim como ordenara o aviso. Finalmente, viu uma luz no final do corredor em que estava. Seguiu apressadamente, ansioso para saber o que estava escrito. Enquanto andava pensava somente em coisas boas, acreditando que podia ser uma saída ou pelo menos uma explicação do que estava acontecendo.
    O branco da parede começou a ter respingos de vermelho. Os respingos viraram manchas. A sua sombra se ajoelhou em prantos, ele não. Os seus passos estavam mais lentos como se quisessem impedir que os seus olhos vissem uma desgraça. Como se pudessem ver o futuro. E como se antecipassem a dor.
    Antes de ler o que estava escrito, viu o seu gato de estimação, chamado Simão, caído no chão. Ele repousava sobre o próprio sangue retirado por meio de uma degolação. Ainda dava para perceber o rabo com os pelos todos eriçados, mostrando que ele sofreu e sentiu medo em seus últimos minutos de vida. Assim que a sua ficha caiu, o que demorou poucos segundos, sentiu como se uma adaga tivesse sido fincada no peito. Não acreditava que, depois de passar doze anos ao lado do seu gato, ele teria que o perder dessa maneira, sem conseguir entender nem onde está e o porquê de estar lá.
    Quando finalmente conseguiu fazer com que as lágrimas saíssem da frente dos seus olhos, leu o que estava escrito na parede. “Eu disse direita? Esse nunca é um bom caminho, mas fique com esse presente. O reencontro com um animal de estimação é sempre emocionante. Siga ao norte e depois vá para a esquerda.”. Ele decidiu ir para o norte já que essa era a única opção além de voltar, mas viraria a primeira a direita que visse.
    Assim que começou a seguir pelo caminho planejado, viu que a sua sombra estava indo para trás. A sua mente estava perplexa com aquilo que via e isso só aumentou quando viu uma outra passar pela parede logo em seguida. Olhou para os lados e viu mais umas outras três sombras fazendo o caminho contrário. Decidiu ignorá-las, acreditando que esse seria somente outro truque do labirinto para desviá-lo do verdadeiro caminho.
    Como prometeu para si mesmo, virou a primeira a direita. O caminho parecia ser longo já que caminhava durante horas e não chegava a nenhuma parede que o impedisse de continuar. A sua mão já estava muita arranhada por ter que andar encostando na parede uma vez que a iluminação ia diminuindo lentamente e quase imperceptivelmente. Para ele, o labirinto insistia em tentar o convencer a seguir o outro caminho. Via diversas sombras voltando ou entrando em diversas bifurcações que levavam ao norte ou a noroeste, mas continuava firme em sua promessa.
    Finalmente chegou no terceiro aviso. A luz estava fraca e tremula. A escuridão a sua volta não o permitia ler direito. Quando olhou para a sua esquerda, viu diversas sombras parando uma atrás da outra. Não conseguia ter um bom pressentimento daquilo. Assim que a última sombra parou, todas passaram a correr em círculos. As sombras começaram a sair das paredes. Ele sentia o vento delas correndo em volta dele e o impedindo de respirar fundo. O seu coração disparou enquanto gritos estridentes de sofrimento começavam a ensurdecê-lo. Os seus olhos latejavam com o som e suas mãos foram instintivamente para os seus ouvidos, mas os sons já estavam dentro da sua cabeça. A dor que as sombras pareciam sentir invadiram o seu corpo e se concentravam em seu peito. Parecia que todas as angústias, sofrimentos, medos e dores, tanto físicas como emocionais, que as sombras sentiam estavam sendo transferidas para ele. A sua mente não aguentava aquilo e ele implorava para que a morte chegasse logo. O seu sofrimento deve ter durado horas ou pelo menos era isso que o seu cérebro estimava.
    A dor não cessou instantaneamente, mas foi reduzindo aos poucos, igual aconteceu com as luzes enquanto caminhava. No momento em que tudo se tornou suportável, viu que a luz presa na parede estava mais forte e com brilho firme. Leu cada palavra muito lentamente para tentar driblar a dor e impedir que ela não o faça entender a mensagem corretamente. “Você é retardado ou só não passou do maternal quando ensinaram direções? Eu falei esquerda e é melhor seguir as minhas ordens.”. Quando leu a palavra “ordens”, uma raiva subiu a sua cabeça que foi o suficiente para ignorar todo o resto da dor que sentia. Ele adorava desafiar autoridades e achava que, se continuasse para a direita, conseguiria a liberdade, então assim foi como ele fez.
    Ele foi um pouco para o norte e logo virou à direita. A dor misturada com a raiva o deixou com um aspecto de maluco. Às vezes, enquanto caminhava, sorria do nada com algum xingamento aleatório ao labirinto e seu criador como se estivesse prestes a ganhar uma luta difícil. Os seus passos agora eram inegavelmente firmes e sem nenhuma hesitação. Não havia muitas sombras a sua volta, somente três.
    A caminhada até o outro aviso não durou tanto como a anterior, mas ainda assim foi longa. Os seus pés já doíam, principalmente porque os sapatos que usava não eram feitos nem mesmo para caminhadas curtas. Mesmo assim conseguiu chegar ao quarto aviso e, no momento em que estava perto o suficiente para ler, se ajoelhou para que conseguisse descansar um pouco. Na parede estava escrito: “Você está saindo da área de influência dos meus poderes. Parabéns,”. Depois de ter sentido medo, tristeza e dor, esse foi o primeiro aviso que trouxe alguma felicidade e esperança. Pelo menos foi isso o que ele sentiu na primeira parte, mas a vírgula no final da frase o deixou apreensivo. Queria acreditar que era só um descuido numa pichação apressada. E, como quis acreditar dessa forma, assim acreditou e decidiu continuar o seu caminho para direita.
    Não demorou muito para encontrar outra bifurcação na sua tão querida direção. Depois de ter dado uns vinte passos, o caminho que estava atrás dele se fechou e o chão cedeu até a metade dos seus passos. A luz que iluminava aquelas áreas só durava o bastante para que ele visse toda o chão ceder com um estrondo aterrorizador e sumir diante dos seus olhos, se tornando nada além de escuridão. A cada passo que dava para frente, um pouco mais de chão era perdido atrás. Não tinha percebido antes, mas agora só tinha uma única sombra o seguindo, somente a sua.
    Os seus passos estavam tão lentos como os de um velho de noventa anos. Queria correr até o aviso, mas os seus joelhos estavam travados de medo. Queria acreditar que continuava no caminho da saída, porém não conseguia se convencer de que a liberdade tinha um caminho tão amedrontador. Os seus sorrisos desafiadores agora não passavam de um rosto que se segurava para não chorar com as suas pálpebras e lábios tremendo. Toda a força que fazia não foi o suficiente para segurar as suas lágrimas enquanto lia o aviso. “, você cavou a sua própria cova, então agora aceite a sua morte. Nos vemos no inferno.”. No exato segundo em que os seus olhos viram o ponto final, todo o ar a sua volta sumiu. Não havia mais luz no labirinto enquanto ele sufocava até a morte. Em seu sofrimento, os seus olhos pareciam vazios, embora seu coração estivesse cheio de decepção.
  • Leito

    Acorda, vira para o lado, sente o coração parar e pensar feito metal bruto. O corpo desfalesce, levantar é como se todos os musculos tivessem que trabalhar para por de pé um saco de lamuria. 
    Vai para o banheiro e as peças de roupas caem pelas maos. O espelho não reflete mais a cara da angustia. Volta para a cama que é o meu leito.
  • Livrai-nos do mal

    Pai nosso, que estás nos céus

    Santificado seja o teu nome. Venha o teu reino;
     
    Seja feita a tua vontade,
     
    Assim na terra como no céu
     
    Dá-nos hoje nosso pão de cada dia
     
    Perdoai-nos as nossas ofensas 
     
    Assim como nós perdoamos
     
    A quem nos tem ofendido
     
    E não nos deixeis cair em tentação
     
    Mas livrai-nos do mal
     
    Amém"
     
    "Mateus 6:9-13"



    Capítulo 1
     
    Investigação (1990)
     
    1
     
    O tempo se fecha no céu, as gotas se formam nas nuvens enquanto as lagrimas escorem dos rostos familiares em volta de Maria Carolina Ruschel. Seus pais, Sophia Ruschel e José Ruschel, estão sendo sepultados no cemitério atrás da igreja. Maria com apenas 8 anos assassinou eles, um ato que no futuro ela entenderia como vingança. Isso era apenas o começo dos assassinatos da pequena criança.
     
    Todos estavam de preto, alguns seguravam guarda-chuvas, outros lenços, o padre lia uma passagem da bíblia, trovões assustavam os presentes, o vento assoviava entre as folhas, Maria estava congelada de medo, não pelos corpos de José e Sophia, e sim pelo homem de terno preto que sorria logo atrás do padre, era um sorriso de satisfação, de trabalho bem feito. De repente a voz do padre fica cada vez mais distante, o som do vento e do choramingo de seus parentes começa a sumir. Quando o lugar todo fica em completo silencio, o homem começa a gargalhar euforicamente, Maria começa a tremer, suas pernas estão quentes, um liquido estranho esta escorrendo entre elas, ela cai no chão de joelhos, todas as pessoas ao seu redor sumiram, ela está sozinha junto ao homem desconhecido, Maria coloca a mão entre as pernas e sente o liquido grosso e viscoso. Sua vagina está sangrando. Ela começa a chorar, mas não demora muito e para, uma boa sensação toma seu corpo, o homem gargalha em dobro agora. Todo seu corpo começa a formigar, seus olhos ficam brancos, ela geme cada vez mais alto. Neste momento o homem mistura sua gargalhada com gritos.
     
    -ISSO! ISSO! MINHA GAROTA, NÃO RESISTA AO PECADO
     
    Ela tremeu e gemeu por mais alguns instantes e depois desmaiou. O homem estalou seus dedos e Maria acordou, ainda desnorteada limpou a saliva em sua boa, lambeu os lábios e olhou para o homem com cara de dúvida.
     
    -O que aconteceu? Cadê todas aquelas pessoas? Quem é você? –Disse ela rapidamente, se levantou assustada e cruzou os braços sentindo frio.
     
    -Calma minha menina. Quem sou? Bom depende a pessoa, mas para você, saiba que sou seu verdadeiro pai. E aquilo que você sentiu e um presente que dei a todas as pessoas do mundo, e você, Maria, teve a sorte de receber muito cedo. Bom, eu chamo isso que sentiu minha querida de felicidade, já meu pai chama de pecado, e os seres humanos deram um nome diferente, não gosto muito, espero que tenha gostado do meu presente-Ele dizia tudo isso se aproximando dela e gesticulando com as mãos.
     
    Maria agora se sentia bem, de uma maneira que nunca se sentira antes, o homem falava a verdade? Ele realmente era quem dizia ser? Ela não sabia, mas confiava nele. De repente ela sentiu vontade de querer mais, mais calor, mais formigamento, mais sangue, mais felicidade. Ele finalmente chegou ao lado dela, se agachou, colocou a mão em seu ombro-Era um homem muito bem arrumado, tinha um cheiro bom misturado com enxofre (ela amou o cheiro de enxofre) ele tinha uma rosa vermelha no bolso do terno, o cabelo era muito bem penteado, usava um bigode que se enrolava nas pontas, e um sorriso extremamente branco, os olhos eram seu destaque, as vezes vermelhos, as vezes violetas, as vezes roxos, a cor ia mudando sem serem notados.
     
    -Gostou? -Diz ele.
     
    -Sim...
     
    -Quer mais, não quer?
     
    -Sim...
     
    -Bom, é muito simples, é só me obedecer, você vai?
     
    -Sim...
     
    -Ótimo!
     
    O homem então beijou sua testa. Acordou deitada no chão, chuva caia forte agora, todos seus parentes e o padre estavam ao seu redor. O padre quebrou o silencio.
     
    -Menina! Você está bem?!-gritou ele ainda assustado.
     
    -Nunca estive melhor-disse ela sorrindo.
     
    2
     
    O padre, Joseph Levitt, carrega Maria em seus braços para dentro da igreja, ele tenta se apressar, mas já não é o jovem Bépe faz muitos anos. À chuva deixou o gramado escorregadio, se ele caísse poderia quebrar algum osso e ali ficar por um bom tempo pois os familiares de Maria não estavam por perto para ajudá-lo. Parece impossível levar a garota para dentro. Sua respiração fraca, sua velhice, não faria ele desistir-Bépe nunca foi de desistir das pessoas que podia ajudar. Um passo de cada vez, ele pensava respirando profundamente, chegando bem perto da porta, Joseph, teve o desagradável sentimento de ser observado, ele parou por um instante, seu coração dobrou os batimentos que já estavam acelerados. Por um pequeno instante o pobre padre (misturado aos sons de vento e trovões) ouviu uma gargalhada não muito nítida que parecia vir ao fundo da floresta, ou talvez foi sua imaginação de uma mente que estava em decadência junto com o restante do corpo. Finalmente ignorou todo o resto e entrou na igreja com a menina que estava tremendo de frio. Com dores nas costas, levou Maria para os primeiros bancos que ficavam perto do altar.
     
    Joseph procurou roupas secas nos pequenos armários-onde somente padres, freiras tinham acesso-encontrou um pequeno vestido branco para a menina e uma batina seca para ele. De volta ao altar Bépe trouce um cálice de vinho-agora de roupas secas- e um pão para alimentar a criança. Maria agora acordada sorria para ele ao ver a comida e o vestido. Porém o padre não gostou muito de ver aquele sorriso no rosto de Maria, era desagradável, não era um sorriso inocente e alegre de qualquer criança de sua idade, tinha malicia, uma malicia tão horrível e perturbadora que assustou o pobre senhor de uma maneira que ele teve vontade de jogar tudo no chão e puxar sua bíblia de bolso, mas não o fez, pois era somente uma pequena menina de cabelos longos e loiros com olhos azuis, na verdade até parecia um anjinho. Com toda a calma, Bépe, chamou Maria e mandou ela se vestir em algum dos quartos da igreja e depois voltar para comer o pão e beber um pouco de vinho-ele achou que tudo bem ela beber um pouco para esquentar o corpo, Na Europa e completamente normal crianças desta idade beber alguns goles de vinho, refletiu. A direita do altar existia um pequeno escritório, com bíblias, outros livros católicos, e até mesmo um telefone, em cima da mesa de Joseph. Ele se deslocou até sua mesa, sentou, e começou a pensar no que fazer com a garota. Alguns minutos se passaram e ele teve a ideia de ligar para a delegacia-ele tinha um amigo que era policial e poderia levar Maria em segurança para o orfanato e também escola de freiras da cidade- lá ela vai ter educação, comida e uma nova família, lembrou-se de sua infância. Sim, Madre Bárbara, será perfeito para ela. Com esse último pensamento em ordem, percebeu a escuridão de sua sala então ligou o abajur de sua mesa, no mesmo momento o sino badalou e fez Bépe voltar a realidade, ele viajava em lembranças. Já são sete horas, preciso me apressar. Finalmente pegou o telefone e digitou os números, meio relutante pois o rosto sorrindo de Maria não saia de sua mente, em seus 40 anos como padre, nunca tivera presenciado um sorriso tão maligno. Bépe era o apelido que ganhou por todos que moravam na cidadezinha de Vera Cruz. Uma cidadezinha que habitava dentro de si um mal que crescia a cada ano que passava, pelo menos era como o padre se lembrava. Com o dedo no ultimo digito da delegacia, Joseph ouvia o som do vento e da chuva, parecia que o passado o chamava. Bépe. Agora tremendo um pouco se lembrou de uma frase, não lembrava o contexto, nem onde estava, nem com quem falava. Se algum dia o anticristo nascer, e com ele trazer o apocalipse, Vera Cruz será seu berço. Com isso fez a ligação e após três longos Beeps, ouviu uma voz grossa e rouca sair do telefone
     
    -Alô, delegacia de Vera Cruz
     
    -A-Alô-diz o padre com a voz tremula
     
    3
     
    Vera Cruz nem sempre foi uma cidade onde coisas horríveis acontecem normalmente. Em algum dia no final de maio, o pequeno Bépe descobriria que sua cidade estava amaldiçoada com muito mais do que apenas alguns assassinatos, estupros, e até mesmo animais que simplesmente sumiam, ou morriam de alguma doença desconhecida que apodrecia sua pele e ossos em pouquíssimos dias. Era ainda pior, pode acreditar. 
     
    No verão de 1934, Joseph Levitt completava seus 12 anos, se sentia quase um adolescente agora. Suas primeiras paixões começaram a surgir. Além do futebol, Levitt admirava uma moça ruiva de cabelos longos que passava na frente de sua casa. Essa moça é Rosemary Aine. Sorriso longo, sua pele branca realçava sua boca excessivamente vermelha e pequena. Seus olhos verdes combinavam com seu vestido estilo camponesa alemã. Algumas sardas cobriam suas bochechas e nariz. Tinha seios fartos o bastante para marcar o pequeno decote apertado, e um quadril largo o suficiente para marcar o vestido. Com ela sempre levava uma cesta com flores e alguns vegetais. Rosemary sempre fazia o mesmo caminho ao leste da cidade, onde ficava a famosa vila das bruxas. Lugar onde viviam famílias irlandesas, que no passado foram expulsas de Vera Cruz, por puro e completo preconceito da sociedade na época
     
    Mas elas não são bruxas de verdade, certo? Levitt em um jantar após os pais contarem a ele sobre fogueiras feitas por seus avôs e outros moradores da cidade que na época era muito menor (mesmo hoje em dia a cidade dificilmente chegaria a dez mil moradores). Algumas bruxas foram queimadas vivas. Outras, esfaqueadas, decapitadas, enforcadas e afogadas. Mas no final todas era queimadas para retornarem para o inferno. Os pais-Morgana e Alfonso, Levitt-não contaram a parte mais pesada da história. Um simples coral vindo dos dois- É claro que não – Junto a risadas quase convenceu Joseph, mas sua curiosidade era maior.
     
    Um certo acontecimento mudou um pouco a sua conclusão, e despertou a curiosidade de Bépe em uma manhã fria de começo de inverno.
     
    Joseph, um menino loiro de olhos azuis (esse era um padrão de beleza que chamava a atenção de Rosemary e de muitas meninas, mas esse tempo se foi) de boca sempre aberta quando Rose passavam em frente à sua casa. O garoto usava sempre uma camisa branca junto ao seu macacão. Ele se sentava ao balanço de pinéu-que estava amarado na árvore de família-que o pai tinha projetado para ele. A árvore era da família a gerações, e tinha o nome de Maria, em homenagem a sua tataravó. Bépe brincava no balanço todos os dias após a escola, esperando sempre sua amiga passar para sorrir e alegrar seu coração.
     
    Em uma manhã de sábado, Joseph estava animado, desceu as escadas do seu quarto correndo, levando cobertor e travesseiro. Era dia de assistir desenhos animados. Ele era muito pontual sobre isso, todos os sábados, as sete horas ele estava em frente à televisão. Morgana prepara seu café da manhã, toradas com geleia de morango e leite morno com um pouco de açúcar. Morgana Levitt, era uma mulher muito alegre, cantava todas as manhãs de sábado. Ele comeu as toradas, bebeu seu leite, e riu, riu muito com os desenhos animados, o dia de Joseph Levitt estava perfeito até ele cometer o erro de seguir Rosemary até a casa na colina. Aquele era o dia em que Bépe teria certeza que além de um garoto solitário ele seria assombrado. Ao final dos desenhos, e do café, o garoto só precisava ver o sorriso de sua amada para seu dia ser perfeito. Correu pela sala e para fora de casa, correu ainda mais no gramado, com os braços abertos, se sentia um pássaro livre do cativeiro, livre para conhecer o mundo. Subiu no balanço e se jogou para frente com os pés, para trás, várias vezes, pegou velocidade, vou para longe, para o alto, sentiu o vento gelado, sentiu o sol. De repente vou fora do balanço, fora do gramado, por um instante seu coração quase saiu do peito mas voltou quando sentiu mãos gentis segurarem ele evitando que se quebrasse na calçada, mas não evitou o grito que saiu do fundo de seus pulmões.
     
    -AAAAH!
     
    -Calma garoto, eu te peguei viu? Tudo vai ficar bem-uma voz suave e gentil vinha da pessoa.
     
    -O-obrigado-disse ele envergonhado, porem se colocando no chão e vendo quem era sua salvadora. E agora seu coração realmente quase parrou. Era Rosemary.
     
    -Come se chama garotinho? Você mora aqui?
     
    -S- s -sim, me chamo Joseph.
     
    -A que lindo nome, prazer em te conhecer Joseph, me chamo Rosemary, eu sei parece complicado de lembrar, por isso pode me chamar de Mary, ou Rose se preferir, o que acha?
     
    -Acho legal-Ele estava menos nervoso, ela sorria para ele de uma maneira encantadora
     
    -Tome mais cuidado Joseph, você é um rapaz muito lindo, e sabe de uma coisa, essa cidade é perigosa demais para meninos lindos como você, e se acabar se machucando assim, pode ser difícil de correr do perigo não acha? –Ela disse mantendo o sorriso lindo, porem seus olhos mudaram do verde claro para o vermelho, isso fez Bépe se arrepiar totalmente, e tremer um pouco. Algo estava errado, o coral de vozes dos pais ressoou na cabeça-Claro que não.
     
    Com isso Mary continuou seu caminho. Tremendo um pouco, Joseph começou a seguir ela, ele estava curioso e com medo da história dos pais. Será verdade? Ele parou e esperou um pouco pensando no assunto. Aqueles olhos...
     
    Um menino apaixonado por uma jovem com talvez o dobro de sua idade, e não era só ele, ela seduzia qualquer um. Rosemary Aine tinha algo especial, e também escondia segredos terríveis. Segredos que traumatizariam Joseph. Porem ajudaria ele a descobrir a verdade por trás de toda a maldade de Vera Cruz. Mas naquele momento, ele não sabia de nada, ele só queria desvendar um mistério que atormentava sua cabeça O coral voltou-Claro que não.
     
    Ela começou a ganhar distância do menino, entrando agora no centro da cidade. Joseph morava na última casa da última rua antes do centro. Alfonso Levitt gostava porque podia comprar seu jornal do outro lado da rua todas as manhãs. Era um bairro de ricos, os mais ricos da cidade, se quisessem, juntos somente os pais de Joseph, comprariam toda a cidade e ainda assim sobraria dinheiro (não tinha muito no que gastar). A moça passara a banca de jornal, o jornaleiro gritava algumas manchetes sobre a bolsa de valores, assassinatos, e sobre a peste que estava devastando os animais no interior da cidade. O menino esperou pacientemente Rose se afastar uns bons metros, para que ele avançasse em sua direção. Ele estava realmente determinado em descobrir o que ela realmente era.
     
    Quando Mary alcançou a feira da cidade-onde aos sábados se reunira muitas pessoas em busca de vegetais, frutas, carnes, leite, pois as pessoas achavam que esses produtos que vendiam no mercado não eram saudáveis, apesar que os produtos que vinham do campo eram os que sobreviviam a praga, e outros que eram importados da vila das bruxas- o menino apresou o passo. Pessoas saiam de todas as lojas ao mesmo tempo, ele se esbarrava com muitas delas e pedia desculpa quase automaticamente. Joseph realmente achava que Rosemary não sabia de sua intenção, mas ele se enganava, e com isso ela pensava na forma mais "talentosa" de "impressionar" o menino.
     
    Ao passar a multidão de pessoas na feira, o garoto, seguia sua amada por toda a cidade, com passos minuciosos. Quando finalmente viu para onde Rose seguia caminho, Bépe ficou relutante. A vila das bruxas, no fundo ele sabia que provavelmente era lá que acabaria sua jornada. Mas algo o fez continuar, paixão? Talvez, ele não tinha certeza. Parado em frente a última farmácia de Vera Cruz, vendo a trilha e imensa floresta fechada onde Rose entrava cantarolando como se fosse a chapeuzinho vermelho, o menino tremia de medo da tremenda escuridão que habitava a floresta as dez horas da manhã. Uma escuridão tão densa que parecia que podia tocar e segurar em suas próprias mãos. As árvores, ele ouvia sussurros fracos de onde estava, uma língua desconhecida por Joseph, talvez já ouvira o padre Sebastião falar em uma de suas missas que o menino frequentava todos os domingos. Após um tempo ouvindo as vozes e os galhos sendo esmagados e o cantarolar ser diminuído, Joseph teve coragem o suficiente e se aproximou da floresta que parecia sugar sua alma e felicidade a cada passo que dava em sua direção. Em alguns segundos não existia mais a calçada em seus pés, e sim terra, grama, galhos, e folhas, os sussurros aumentavam. Ao chegar na entrada da floresta fechada, Bépe olhou para dentro, para o coração da floresta, e depois para o alto das árvores e percebeu que o tempo se fechava em cima da floresta, ele começou a ficar com frio, as folhas das árvores começaram a tremer e assoviar.
  • LUNA .

    Olá,meu nome é Kieran Luna Bellini. 
    Tenho a sensação de que te conheço...bom ,preciso te avisar que minha história não é sobre como eu queria morrer nem como foi a minha vida mas como eu te encontro nela.
    Não prometo romance nem acasos,tudo aqui é preciso e real muito real,o mundo que você conhece nunca mais será visto com os mesmos olhos.
     
     
    " -  Apagar as luzes para mim não é uma 
    escolha e sim minha realidade."
     
                               

    PRÓLOGO

     


    Rio de Janeiro,2001

    Apagar as luzes para mim não é uma escolha e sim minha realidade.
    Abri os olhos e vi somente uma imensa escuridão,sem saber ao certo o que tinha acontecido só sentindo meu corpo inerte,frio e molhado ,mas tenho que te contar o que aconteceu antes de você me conhecer aqui.
     
    - Kieran ! Acorda que preciso adiantar as coisas para amanhã . - Camila ,gritou.
     

    Meu nome é Kieran,tenho 8 anos e nesse exato momento te digo que minha melhor parte da vida é quando venho para a casa da minha irmã Camila .
    Na manhã seguinte será o aniversário da nossa tia então era correr contra o tempo para ajeitar tudo e eu amo essa parte!

    - A Triz vai dormir aqui pra nos ajudar ,e os meninos estão te chamando lá fora . - Minha irmã disse,como sempre tudo pra última hora.
    Comecei a organizar as coisas quando vi Tiago e Jean chegando.
    A amizade é uma coisa muito louca,por exemplo, minha amizade com o Tiago começou no alto de um monte de barro em frente a casa da minha irmã,ele me empurrou,me sujei e amizade feita. Desde então nunca mais nos desgrudamos,já o irmão dele Jean foi diferente...não sei se existe amor a primeira vista mas se existe ele foi meu primeiro amor porém meus pés são bem no chão e me contentei com a sua amizade.
    Final da tarde chegou e a fome bateu como sempre,me despedi dos meninos e fui correndo lanchar e esperar a minha prima Triz chegar.
    30 minutos depois ela chegou, era muito bonita,alta,13 anos e cabelos levemente ondulados e que eu saiba já tem lá seus namoradinhos e desde que chegou aqui não desgruda do celular.
    - Oi prima! Você está enorme,uma mocinha! Estava com saudade. - E eu super animada pra brincar e aprender crochê que ela prometeu me ensinar.
    Estava aqui na casa da minha irmã mas meus pensamentos estavam na minha casa,meus pais brigam muito e eu fico muito preocupada,vir pra casa da minha irmã é uma válvula de escape.
    - Ky ,vem jantar e depois disso as duas podem arrumar a cama de vocês na sala,aqui estão os lençóis,travesseiro e passa o repelente que tem muito mosquito- Gritou ,Camila.Ela arrumou tudo e foi deitar.
    Esperei a Triz terminar de tagarelar no celular,eu quando tiver meu namorado acho que não vou falar tanto assim no celular,que tanto papo é esse,prefiro minha tv globinho. Enfim ela desligou o celular,arrumamos as camas e eu só queria uma boa noite de sono e aproveitar o dia seguinte.
    - Boa noite Triz . - me virei e fechei os olhos esperando o sono vir ,quando estava quase pegando no sono senti uma mão passeando no meu corpo e na hora parasilei. A mão foi descendo até chegar no meu bumbum e eu queria gritar a irmã mas não saia nada ,e comecei a sentir muito medo.
    - Você gosta disso?. - Triz! mas porque ela está fazendo isso? Eu quero correr daqui mas não consigo fazer nada a não ser esperar ela terminar e ir dormir.
    Fiquei ali parada de olhos fechados suando frio esperando que ela iria parar mas não,ela continuou,me virou de frente pra ela deitada e tocou minha parte íntima,muito rapidamente apalpava os meus seios como se fosse algo normal e eu permanecia ali travada sem saber o que fazer mas eu sabia que aquilo que ela estava fazendo era errado.
    - Agora não se mexe ,eu já vou terminar- Ela falou e subiu em cima de mim esfregando sua virilha na minha muito rápido segurando meus seios,senti muita ânsia de vômito mas fechei os olhos,senti sua boca encostar na minha e tranquei a boca para não receber beijo,que nojo! Porque ela fez isso?.
    Não sei quanto tempo passou mas eu só pedia muito que terminasse ou que minha irmã escutasse os grunidos dela e viesse me ajudar mas isso não aconteceu ela terminou e eu só consegui falar .
    - Amanhã eu vou contar tudo a minha irmã.
    - E você acha que ela vai acreditar em você? Todos não vão acreditar,minha mãe amanhã vai chegar é a sua também! Acha que a minha tia vai acreditar? Vai ser maior escândalo,alguém pode até morrer! Você quer que sua mãe passe mal?
    O que eu fiz foi porque te amo muito mas não vou fazer de novo,amanhã você vai ficar quieta senão eu vou contar do meu jeito e você quem vai apanhar
    Chorei em silêncio tentando entender o que tinha acontecido e me sentindo muito culpada. Não consegui dormir,apenas cochilei querendo muito que tivesse sido um pesadelo.
    Amanheceu,ela levantou como se nada tivesse acontecido,arrumei os lençóis da cama improvisada,lavei o rosto e tentei encarar a minha irmã pra tentar dizer tudo que tinha acontecido mas não consegui. Todos chegaram,o povo aqui de casa é animado,tudo é churrasco! Segui aquele dia como se não houvesse acontecido nada.
    Tudo correu bem e todos se divertiram,eu brinquei e não consegui dizer nada. A partir desse dia eu nunca mais fui a mesma.

     
    1∆
    SOLAR

    Cansada. Me debrucei na mesa e apoiei a testa no pulso,não tinha dormido direito a noite inteira pensando em como iniciar esse ano.
    Já fazia 3 anos que eu havia me mudado para Portland,minha mãe decidiu vir pra cá já que minhas tias moravam aqui..depois que meu pai faleceu não havia mais motivos para ficar no Brasil.
    Até agora estava em modo automático tentando processar os fatos,a proposta de trabalho da mamãe,o falecimento do papai...esse segundo fato de alguma forma me trazia um certo alívio ,depois de tudo que aconteceu seria um descanso pra todo mundo e particularmente não sentia falta dele. Ele já não morava mais com a gente depois de tentar matar mamãe,vamos dizer que Alexsander precisava urgentemente de um psiquiatra mas  dizia não precisar,acabava que eu e mamãe pagamos o pato juntas e isso me irritava ao ponto de não querer mais ficar na mesma casa ,então fiquei morando em um quartinho nos fundos.
    Observando como ainda não tinha conseguido sair do poço,não me sentia muito eu e me sentia tão só mesmo com pessoas a minha volta,isso me fez lembrar quando conheci Skylar,sorri e voltei a me escorar na mesa pra acompanhar a minha lembrança.
    Eu estava chegando na cidade e não conhecia ninguém,respirei fundo e caminhei até o pátio da escola olhando toda aquela muvuca que me causava fobia,passei por todo mundo o mais rápido que eu pude quando alguém me jogou na parede.
    - Ei! Não olha por anda?. - Falei esfregando meu braço inconscientemente  como se a dor fosse passar. Quando me virei pra ver quem era a maluca que quase arrancou meu braço,me deparo com uma menina de cabelo preto e curto na altura dos ombros,fui descendo o olhar e  cheguei no seu rosto que exibia um sorriso debochado juntamente com uma maquiagem elaborada demais pra ser usada de dia...
    - Não? E tá me olhando assim por que? Vai me beijar? Sei que sou linda e etc mas te manca!
    Fiz um "O" com a boca enquanto a metade do colégio nos observava,ela falou tantas palavras ao mesmo tempo! Como alguém conseguia falar tanto em tão pouco tempo? Não queria confusão logo no meu primeiro dia então resolvi deixar pra lá tratando logo de me resolver com essa estranha.
    - Tudo bem, não está doendo mesmo. A propósito meu nome é Kieran Luna e não,não quero beijar você. - Torci o nariz e fiz uma careta pra tentar descontrair.
    A observei e vi sua carranca imitando algo como uma vilã,ela parecia ser muito teatral. Fiz sinal de que iria continuar meu caminho já que ela não se identificou,quando sinto um catucão.
    - E o meu é Skylar Kanda e sobre me beijar realmente  não deveria,é um vício. Sinto que vamos ser melhores amigas,garota! Unha e carne com toda a certeza,mas sou vegetariana só pra constar.
    Sai rindo da minha lembrança e vendo que a vida não tinha sido tão ingrata pra mim ,de alguma forma pelo menos Skye eu consegui ter na minha vida.
    - Cara,você devia relaxar. - Skyie falou baixinho para o professor não escutar. Tomei um susto saindo dos meus devaneios .
    - Skylar Catherine Kanda se você me assustar mais uma vez eu juro que te mato. -falei dando pequenos tapas no rosto pra tentar acordar.
    - E se você me chamar meu nome todo de novo eu te enterro nos fundos do Forest Park.
    Revirei meus olhos por causa da ameaça da Skyie e tentei me concentrar na aula do Professor Hall ,quem sabe não esqueceria toda aquela história.
    Hoje o dia se arrastou, não pensei que iria fazer tantas amizades mas devo ter um ímã pra gente maluca porque Skylar ,Evrett ,Deon e Mayo não eram normais . Em uma semana estavam me colocando em cada furada...vivendo perigosamente em Seattle. Skye era a pior mas suas intenções eram sinceras porque queria me animar então relevava.
    Estudava em casa e minha mãe achou que seria melhor interação humana para Ky,assim ela disse dando pulinhos pela casa.

    Minha cabeça estava muito pesada então resolvi ir pedalando ao Cook Park,mandei mensagem para mamãe e no grupo de amigos.
    Cheguei ao parque e estranhamente estava vazio então deixei minha bicicleta encostada na árvore e andei até o lago.
    - Você tem sérios problemas ,sabia?. - Disse Skye quase me fazendo cair dentro do lago.
    - E você é outra que tem uns bem gigantes,quer me matar de susto? Por pouco não tomei um banho de graça agora. - Peguei uma pedrinha e joguei no pé dela .
    - Ai! Eu não quero te matar mas você pelo visto...quando vi sua mensagem corri o máximo que eu pude, veio fazer o que aqui nesse breu?
    Cheguei mais perto do lago novamente,na verdade nem sei o que fui fazer ali... então algo na minha cabeça começou a apitar, será que ela tinha razão? Eu estava pensando em me matar?Olhei para a Skyie que estava me olhando preocupada.
    - Eu não sei,acho que só queria ficar pouco sozinha pra pensar. - Balancei os ombros como quem não quer nada,mas não sentia muita segurança no que estava falando.
    - Então dá próxima vez pense no seu quarto amada! Eu não sei se você percebeu mas eu não sou atleta pra ficar correndo a cidade inteira atrás de você,sossega esse seu bumbum senão eu espeto ele. - Falou colocando a mão na cintura e quase me engolindo viva.
    Ri,ela é definitivamente a melhor amiga que tenho nesse momento mas o sorriso não durou muito tempo,tinha que dar um jeito nisso.
    - Você vem? Eu marquei com os meninos na lanchonete Bar da Darla.
    - Pode ir,daqui a pouco chego lá. - Não muito animada pra ir mas se não fosse eles iriam me encher a semana inteira.
    - Ok , então...eu apostei uma cerveja que você iria então não me decepcione.
    - Não acho que você deveria beber , não está cedo demais?. - Levantei a sobrancelha ,não sei como alguém consegue engolir isso.
    - Abri aqui minha mochila por favor?
    - Pra que?. - Abri achando que era algo urgente .
    - Pra saber aonde eu coloquei aqui " Preciso da opinião da Kieran".
    - HA HA HA,nossa você é muito engraçada. - Joguei a mochila longe.
    - Eu sou mesmo e você deveria me valorizar mais,te espero lá. - Ela pegou a mochila e saiu correndo em direção a estrada.
    Esperei ela sumir do meu raio de visão e continuei olhando na direção do lago,algo me chamou atenção...será que estava ficando louca? Eu juro que vi alguma coisa girando no meio do lago. Cheguei mais perto ,era como um imã que puxava cada vez mais pra perto.
    - Oi ,Luna. - dei um pulo correndo pra longe da margem tropeçando em uma pedra.
    - Quem é você?. - Ok! Eu estava falando com...o que era aquilo mesmo?.
    De repente começou passar o filme da minha vida inteira sobre os meus olhos,quando parou exatamente na parte que mais me machucava .
    - Já chega!. -Gritei com todas as minhas forças,senti as lágrimas queimando sobre as minhas bochechas e muita raiva.
    - Eu preciso que você esteja preparada para o que vai acontecer,aliás já está acontecendo só você ainda não percebeu criança,abra os olhos pra saber quem realmente é seu destino.
    Da mesma forma que a voz apareceu ,sumiu e eu fiquei ali no chão tentando decifrar o que tinha acontecido. Tirei a sujeira da roupa em vão e comecei a sair da floresta ,meus amigos devem estar preocupados.


    2∆
    PERSEGUIÇÃO

    Ainda estava atordoada com o que tinha acontecido, não sabia de quem era a voz , aliás queria me internar e usar uma camisa de força urgente. Caminhava em passos lentos até o bar aonde meus amigos me esperavam, entrei já me sentando e pedindo um copo com água bem gelada .
    - Kieran ?. - Deon me chamou com os olhos arregalados.
    - Ky? Mulher ! parece que você viu Pennywise!. - Skyie falou praticamente gritando chamando atenção do bar inteiro.
    Eu deveria ter ido pra casa,minha cabeça está latejando,coloco a mão na testa esfregando tentando me livrar em vão da dor chata que ficou morando ali.
    - Oi Deon e Oi pra você também Skyie, alguém pode pedir um saco de gelo por favor?. - Olhei para a mesa e vi faltando alguém.
    - Bellini está achando que isso aqui é o delivery do McDonald's? Gelo a vontade? Isso é um bar mas vou quebrar esse gelo pra você...nossa essa foi péssima. - Skylar pediu o gelo rindo do trocadilho péssimo que fez ,Skylar sendo Skylar.
    Olhei em volta e vi as pessoas animadas,algumas no canto solitário bebendo sua cerveja outros cantando no karaokê ,hoje definitivamente o clima estava estranho.
    - Aqui,gelo saindo para a garota da Floresta. - Skylar e sua língua grande.
    - Floresta?. - Deon falou virando pra mim preocupado.
    - Sim...eu resolvi dar uma volta no Forest Park.
    - Sozinha? Poderia ter nos chamado, até poderíamos ter ido a praia. - Assenti colocando o saco de gelo na testa .
    - Deon não se preocupe,eu estou bem. - Falei sem ter realmente certeza de que estava bem.
    - Esse papo tá muito down pelo amor,vamos! Estou aqui pra me divertir,anda logo Ky!. - Sky já levantou me puxando para o mini espaço para dança.
    Estávamos dançando,eu tentando dançar. Mayo e Deon já tinham encontrado um par pra dançar enquanto Skye se divertia dançando com Evreet e eu me vi dando passos soltos na pista sozinha quando vi uma menina entrando e então a observei.
    Os cabelos longos e cacheados ,o rosto sereno foi o que pude observar na iluminação do ambiente,tive uma sensação de dejavú...dei mais umas esticadas com as mãos e resolvi ir ao banheiro,quem sabe um pouco de água gelada no roso ajudasse,o dia estava sendo difícil.
    Entrei no banheiro que estava vazio...estranho,fui direto para a torneira lavei o rosto e quando abri os olhos vi uma menina me olhando,continuei o que estava fazendo tentando a ignorar.
    - Oi,sou nova na cidade...estou procurando a casa da minha tia e acabei me perdendo,poderia me ajudar?
    Olhei o rosto dela que me parecia familiar,de repente começou a crescer um sentimento de amizade mas ignorei ,pisquei os olhos sem entender nada mas a respondi.
    - Ah...claro,meu nome é Kieran...e o seu é?
    - Samantha Tala,mas pode me chamar de Samy.
    Ela estava sorrindo pra mim? E porque eu estava com esse sorriso idiota no rosto também?
    - Entendi...meus amigos estão lá fora ,quer me acompanhar? É bom que você já se enturma.
    Saímos do banheiro indo em direção a mesa esperando o pessoal voltar.
    Todo mundo voltou pra mesa desconfiados e curiosos com a garota do meu lado mas não fizeram nenhuma pergunta creio que eu que esperando alguma explicação educadamente...
    - E então? Quem é você?. - Skye falou dando uma golada na décima caneca de cerveja.Olhei pra ela emitindo um sinal de aviso com olhos,mesmo assim ela me ignorou e assentiu para a Samantha se explicar. Respirei fundo e cutuquei a garota pra falar logo.
    - Meu nome é Samantha,estou procurando a casa da minha tia...sou nova na cidade e meio que entrei aqui primeiro porque estou morrendo de fome e também preciso de informações.
    - E aonde entra a gente nessa história?
    - Skye!. - Todos falaram juntos.
    - O que? Só estou perguntando o óbvio. - Quando isso tudo terminasse eu iria dar uns cascudos nessa moça.
    Todos pararam para analisar com muita atenção Samantha que agora estava devorando um hambúrguer com um copo imenso de refrigerante. Esperamos ela terminar de comer pacientemente.
    - Como eu disse, preciso de ajuda para encontrar a casa da minha tia e a Kieran disse que vocês iriam me ajudar.
    Coloquei a mão no rosto já esperando a revolta de todos juntos,realmente procurar casas pela vizinhança não era o melhor programa da tarde.
    - Por mim tudo bem. -Mayo foi o primeiro a se voluntariar,claro que com as suas segundas intenções.
    - Nós também. - Deon e Evreet juntos concordaram só restando uma pessoa...
    - Bom ,não é o meu programa preferido mas se todos vão eu tenho que ir. - Skylar falou como se estivesse sendo levada para a guerra.
    Pagamos a conta,nos despedimos do Alfred o dono do bar e seguimos em direção a rua. Eu estava no automático até agora,não digerindo o que tinha ocorrido mais cedo. Coloquei na minha cabeça que aquilo foi fruto da minha imaginação misturado com meu desgaste emocional.
     - Kieran eu preciso falar com você urgente. - Samy me puxou pra perto da calçada enquanto os outros  do outro lado da rua tentavam descobrir aonde era a casa da tia Haven.

    Olhei de soslaio e vi Mayo,Deon e Evreet concentrados em achar o endereço por meio do gps ,mais a frente observei uma Skylar revoltada dando "pequenos" socos no celular e xingando palavras nada educadas então retornei meu olhar para a Samy. Não ignorando o que passei mais cedo,essa semana estava sendo complicada pra mim e com toda certeza quando colocasse meus pés em casa seria banho e cama.
    - Sim?. - Perguntei desinteressada,estava cansada.
    - Não existe tia Haven. - Ela disse mas eu só consegui arregalar os olhos e comecei a pensar se isso tinha alguma ligação com o que aconteceu mais cedo. Dei dois passados para trás e fechei os punhos involuntariamente.
    - Espera! Me deixa explicar primeiro. - Samy estendeu as mãos em sinal de rendição,então eu decidi manter aquela pequena distância para escutar.
    - Eu juro que quero entender e que seja rápido. - Olhei rapidamente de lado e vi que Skye nos observava mas estava dividida entre ver o que eu fazia e o celular ainda que parecia estar travado.
    - Me expressei errado,ela existe mas eu sei aonde ela mora. Inventei essa história porque eu precisava de um tempo pra falar com você,é sobre mais cedo..lembra?
    - Não do que você está falando,aconteceu exatamente nada. - Sai correndo em direção aos meus amigos deixando ela para trás e nem me atrevi a olhar.
     
  • Luz

    Boa parte das crianças tem medo do escuro e a grande solução para isso é uma luzinha pequena feita em diferentes cores para plugar na tomada. Assim era possível ter uma noite inteira de sono sem achar que tem algum monstro perdido na escuridão. Agora, no auge dos seus 29 anos, Manu não vê mais necessidade de ter essa luzinha já faz tempo, mas em uma noite observou o seu novo repelente elétrico de mosquitos e o pequeno LED vermelho que tinha para indicar que estava ligado. Ele projetava a sua luz para o teto e ela o encarava enquanto se lembrava da sua infância.
    Essa luz formava um círculo vermelho no teto, mas com o interior escuro como se fosse um eclipse solar dentro de sua casa, totalmente privativo. Aquela projeção de uns 30 centímetros de diâmetro era hipnotizante e ela o encarava com fascinação. Era lindo, embora um pouco assustador. Ao mesmo tempo que queria dormir e descansar do longo dia de trabalho, queria ficar ali olhando para cima enquanto viajava em sua mente. Talvez tenha se passado uns dez, vinte minutos ou talvez uma ou duas horas quando ela viu algo na escuridão do interior do halo vermelho. Eram pequenos círculos ovalados de um vermelho bem mais intenso. O topo deles foi lentamente se achatando, se transformando em olhos zangados, e logo abaixo um sorriso com dentes brancos e afiados começou a surgir como se a desejassem. Ela prendeu a respiração durante alguns segundos sem perceber e fechou os olhos com força, espremendo uma pálpebra contra a outra, para não ver aquilo que a sua mente implorava para não ser real. Enquanto isso o seu corpo foi lentamente deixando de sentir a sua cama e as suas mãos foram se fechando para tentar conter o medo. Se não bastasse o frio subindo pela espinha, ela sentia o frio se aproximar como se tivesse algo o empurrando para perto dela. Não aguentando o terror, o seu corpo se virou de lado, os joelhos começaram a ir em direção aos seus seios enquanto os seus braços abraçavam firmemente as pernas. De olhos fechados e em posição fetal, ouviu uma voz velha, que era aguda como unhas arranhando um quadro negro, sussurrando em seus ouvidos.
    — Esqueça o medo e venha brincaar! Não sabe brincaar? Fique traanquila, eu ditarei as regras antes de caada fase começar! A morte pode ser o prêmio ou a punição, vocÊ decide! — e a cada palavra e sílaba arrastada os seus olhos se apertavam mais e os seus braços abraçavam as pernas com mais força — Vaaamos, abra os seus olhos! Eu juuro que você não irá me ver!
    Ela queria acreditar que estava sonhando e que tudo não passava de um pesadelo produzido pelo seu doente subconsciente, mas não importava o quanto se esforçava em seus argumentos, a sua mente sabia que era real. E, por saber que era real, se obrigou a ter coragem e abrir os olhos, mas não sem relutância, é claro. Afinal, se visse uma sombra de algo assustador, a sua reação provavelmente seria fechá-los novamente. Mas não viu nada. Estava tudo completamente escuro, então foi se levantando aos poucos, tomando muito cuidado. Quando finalmente estava totalmente erguida, uma luz apareceu a uns dez metros de distância iluminando um grande pedaço de pedra de cor barrosa. Por não ver onde estava pisando, cada passo é tomado com um enorme cuidado, mas o destino era certo: a grande pedra. A uns três metros de distância, percebeu que tinha algo escrito nela como se garras tivessem arranhado a pedra em uns dois centímetros de profundidade, dando um aspecto sombrio a cada letra. Quando chegou perto o suficiente, percebeu que eram as regras do jogo que a criatura falou no início. Estava escrito: “Caminhe rápido porque na escuridão estarei lá, mas, se quieta ficar, viva continuará!”. Havia um X bem grande cruzando a palavra viva o que gerou um frio na espinha de Manu. Mas não teve tempo para refletir sobre isso porque, no momento em que terminou de ler, a luz que antes iluminava a pedra tinha sumido e a voz da criatura voltou a aparecer.
    — A primeeira faase começou! Siiga o vento, miinha criaança! — a sua voz ia engrossando à medida que falava, chegando a parecer um trovão no final — BOA SORTE! —  Com a explosão da última palavra, duas enormes bolas de fogo, parecendo uma mistura de pássaros com olhos gigantes, passaram dando um rasante em Manu que se lembrou a tempo das regras e se impediu de gritar de medo colocando as mãos na boca enquanto caia de costas no chão.
    Com a respiração acelerada, ficou encarando a direção em que foi o fogo alado, lutando para que o seu medo não enchesse os seus olhos de lágrimas. Quando conseguiu se acalmar um pouco, se levantou e começou a seguir o caminho da bola de fogo, mas, depois de apenas três passos, ela se lembrou das grandes asas do fogo batendo e se deu conta de que o vento delas era direcionado para trás. Já que a regra era seguir o vento, tinha que dar as costas para as imensas bolas de fogo que iluminavam o horizonte e seguir a escuridão.
    Não tinha nada para ver a sua direita, a sua esquerda e nem na sua frente. A sua única alternativa era se afastar silenciosamente da sua única, e ainda assim temida, fonte de luz. Quando até essa luz não era mais visível, começou a ouvir um zumbido distante. Era um ou mais insetos voando em sua direção, ela sabia disso. O zumbido era um som grosso que não se lembrava de ter ouvido em lugar algum, mas que indicava que não eram insetos pequenos. Ela não gostava de insetos, principalmente daqueles que voavam e eram totalmente imprevisíveis em seus movimentos. Sempre que via um perdido em sua casa, tentava matar o mais rápido possível mesmo que sentisse que não era o correto. Era o jeito que ela encontrava de se livrar desse problema, mas que agora não poderia fazer já que matar, seja lá o que estivesse vindo, poderia fazer barulho e violar as regras. Pelo mesmo motivo, teria que evitar correr ou se desesperar, então, nesse meio tempo em que os insetos estavam se aproximando, tentaria se acalmar o máximo possível.
    No momento em que o primeiro zumbido passou pelo seu ouvido, a sua respiração acelerou e teve que segurar a sua mão para que não soltasse um frustrado tapa em seu pescoço tentando acertar o bicho. Ao mesmo tempo, uma outra rocha passou a ser iluminada indicando o destino final dessa fase e as regras da outra. Mas essa pequena fonte de luz repentina também servia para ver como eram os insetos. O monstro que a atormentava queria que ela os visse. E ela viu. Eram aranhas de diferentes tipos, mas a maioria parecia com peludas tarântulas com dois pares de asas de cada lado e um afiado ferrão na sua parte traseira que soltava uma gosma nojenta e verde. Parecia uma junção de abelhas com aranhas que vinham para cima dela como se fosse uma presa fácil. Ao ver o que enfrentava, Manu só conseguiu colocar as mãos ao redor do rosto para diminuir o seu campo de visão enquanto os seus olhos lutam para não ficarem fechados, franzindo todos os músculos da testa.
    Mesmo sentindo uma mistura de medo de ser machucada e nojo daqueles insetos, continuou a caminhar no mesmo ritmo. Reto e constante, os seus passos pareciam ignorar os insetos. Pelo menos até o primeiro pousar em seu ombro, fazendo com ela sentisse todas as oito patas em sua pele e a luta delas para ficarem estáveis enquanto Manu mexia os seus ombros para frente e para trás se esforçando para que aquele monstro minúsculo voltasse para o ar. Mas esse monstro decidiu que não sairia de lá tão fácil e rapidamente fincou o seu ferrão traseiro no ombro dela enquanto as presas da frente mordiam o seu pescoço, causando uma dor causticante. A primeira reação de Manu foi olhar para cima como reflexo da dor e soltar alguns xingamentos em sua mente, mas logo pegou o inseto com a mão e o jogou longe, retirando a força suas presas dela e causando mais dor. O local agora latejava e ardia, dificultando o seu raciocínio. Os seus pés pareciam fazer mais esforço para dar cada passo como se estivesse entrando em um lamaçal, a obrigando a diminuir o ritmo de caminhada. Por causa disso, mais e mais insetos começaram a pousar nela, a ferroando e mordendo incessantemente. Os seus dentes estavam quase se quebrando com a força que fazia para manter a boca fechada e não emitir nem sequer um “aí”. Ela até tentava retirar algumas das aranhas com as mãos, mas eram muitas e os seus músculos se contraíam a cada nova picada. Em uma dessas, não conseguiu se aguentar e caiu no chão, continuando a sua jornada engatinhando enquanto as suas costas se cobriam de aranhas. A sua visão já não condizia com a realidade, vendo a pedra se aproximando e afastando sucessivamente. Ela lutava para continuar se movimentando, levando cada músculo ao seu esforço máximo. Até que a sua panturrilha não aguentou mais e causou uma dolorosa cãibra. Com a sucessão de dores latejantes que pareciam emanar de todo o corpo e subir até a sua mente já tonta, não aguentou mais engatinhar e caiu no chão. Ficou deitada no chão por alguns segundos, talvez tenha até desmaiado, e os insetos começaram a cobrir cada parte do seu corpo, inclusive o rosto. Em um certo momento, quando uma das aranhas mordeu a sua língua, ganhou um pequeno lampejo de força que a permitiu começar a se arrastar, se impulsionando com o braço esquerdo. Ela não sentia mais nada em seu corpo e nem sabia se os insetos continuavam em cima dela, só tentava continuar enquanto ainda estava consciente. E, logo quando estava com a visão completamente turva e sentindo a sua cabeça caindo no chão, levantou o braço direito, encostou em uma rocha e desmaiou.
    — Acoorde, minha querida dama! — sussurrou a criatura despertando pequenos reflexos nas pálpebras de Manu — Você aiinda está viva, mas só por sorte do deestino. Mais alguuns segundos e vocÊ seria minha. Minha, minha, minha, vocÊ será miinha! MAS não sou cruel, vejo que está debiliitada, então deixarei você repousar... Você ficará bem quietinha, sem se mover enquaanto o caminho vem até vocÊ! — Manu, que ainda estava zonza e dolorida, já tinha conseguido ficar de joelhos em meio a escuridão e percebeu que mais uma fase tinha começado quando viu um ponto de luz brilhante no horizonte.
    Ainda respirando com dificuldade, tentando assimilar tudo o que aconteceu e tudo o que ainda irá acontecer, Manu ficou parada enquanto encarava aquele ponto de luz que parecia uma estrela distante, piscando e oscilando. Ela queria coçar os olhos para ver se enxergava melhor, mas entendeu as regras dessa fase. Podia não estar entendendo tudo, mas sabia que não podia se mover muito nem mesmo com sabe se lá qual armadilha a criatura colocar. Alguma coisa iria vir, tinha certeza disso, embora não quisesse pensar muito para não sofrer por antecipação mais do que já estava sofrendo fisicamente. Ia aproveitar esse tempo para se recuperar, mesmo que fosse bem pouco, então fechou os olhos para adiar ao máximo o momento de sofrimento.
    Ela continuava tentando adiar e ignorar tudo quando algo peludo passou pela lateral da sua perna direita. Ela fechou os olhos com mais força quando sentiu algo rápido e pequeno subir em sua coxa com as suas seis pequenas pernas. Mas não conseguiu mantê-los assim quando ouviu um forte bater de asas e, pensando que podia ser novamente as aranhas, teve que ver o que tinha a sua volta. A sua primeira visão foi do chão e teve que segurar o seu corpo para não ter nenhum reflexo. O chão era um tapete de baratas e ratos, não dando pra ver nem sequer um milímetro de terra, piso ou seja lá que estivesse embaixo dela. Os ratos tinham tufos de pelo cinza encardido espalhados pelo seu grande corpo e os seus olhos vermelhos iluminavam os seus enormes dentes. Já as baratas eram marrons, beirando ao preto, com uns 10 centímetros de corpo e que não paravam de mexer as suas antenas enquanto as suas asas ficavam ameaçando voar. Quando finalmente percebeu que algumas lágrimas pareciam estar presas na parte de trás dos seus olhos e que não iriam cair, teve coragem de parar de encarar o movimento aleatório dos ratos e baratas. Então Manu olhou para cima sem movimentar a cabeça e viu a criatura que batia as asas. Era um majestoso e nada assustador beija-flor extremamente colorido, tendo penas que iam do roxo, passavam pelo azul e terminavam no verde. Ela encarava os seus olhos e ele os dela, a deixando imersa nesse pequeno campo de visão como se a hipnotizasse, mas as suas poderosas asas começaram a levá-lo para a direita até sair do campo de visão de Manu. Agora ela só conseguia ouvir o som alto de suas asas batendo bem próximas ao seu ouvido e o seu coração parecia tentar igualar os seus batimentos com a impossível velocidade daquelas asas. A sua respiração ficou curta e acelerada, temendo o que vinha pela frente. E o seu temor se confirmou quando começou a sentir algo longo, fino e levemente úmido entrando e saindo de seu ouvido em uma velocidade assustadora como se estivesse escavando, procurando alguma coisa enquanto causava uma agonia dolorosa. Com as lágrimas caindo dos seus olhos e lutando contra as contrações involuntárias de seu abdómen, forçou os seus olhos a ficarem abertos para tentar se concentrar em alguma outra coisa. Mas, assim que olhou para baixo, começou a ouvir um zumbido agudo em seu ouvido que causava uma forte dor em sua cabeça, tendo que se esforçar para não entrar em posição fetal. No mesmo momento, viu as baratas subindo em seu corpo até a sua cabeça, tentando forçar uma passagem pela sua boca, nariz e olhos. Seu corpo tremia com a dor e agonia quando os ratos começaram a roer as suas pernas, mas Manu continuava sem se mexer mesmo não conseguindo mais ver a que distância estava a luz. O tempo parecia uma eternidade e cada segundo demorava a se passar em meio ao sofrimento. Ela só queria que tudo acabasse e não estar mais nesse pesadelo. Ela só queria...
    — PARABÉNS, vocÊ passou por maais uma fase! Pode se mexer agora! — nesse momento ela simplesmente desabou no chão como se tivesse sem forças enquanto dava longas puxadas de ar — agora só resta mais uuma fase e ela é beem simples! Você não está vendo, maas tem uma porta a sua frente. NÃO abra ela em hipótese alguma! Até loguiinho, minha você!
    Demorou um pouco até que Manu conseguisse sentar e depois finalmente levantar. O seu corpo inteiro doía, as articulações pareciam estar inchadas, o seu ouvido zumbia de maneira incessante e havia sangue escorrendo por todo o seu corpo. O cansaço era grande, mas a curiosidade pela prova ser só uma porta era ainda maior. Por ser a última prova, tinha dúvidas se deveria seguir as regras ou não. Mesmo agora podendo fazer barulho e se mover à vontade, ela ficou olhando para a porta até conseguir se decidir. Durante o seu raciocínio, começou a ouvir em meios aos zumbidos o barulho de alguma coisa correndo a alguns metros de distância. A sua respiração voltou a acelerar e começou a ouvir os seus próprios batimentos quando o som de um rosnado se espalhou pelo ar.
    Podia sentir a criatura se aproximando e a cercando quando se lembrou de que, segundo o monstro que a atormentava, a morte poderia ser o prêmio ou a punição. Talvez por causa disso ou somente por puro instinto, deu uma pequena corrida cambaleante até a porta e começou a puxá-la com toda a sua força, mas não havia nenhum movimento. Os rosnados aumentaram em volume e proximidade, aumentando também o seu desespero. Talvez pela adrenalina que continuava a inundar o seu corpo, outro pensamento pairou sobre a sua cabeça: “não estou dentro, estou fora”. Por isso parou de puxar a porta e colocou o peso todo do seu corpo para empurrá-la. Quase todo o seu corpo passou por ela, mas, quando as suas pernas estavam suspensas no ar, a criatura mordeu a parte interna da coxa direita. A violência do choque fez com que ela girasse no ar enquanto gritava de dor. Tudo ficou em silêncio quando a cabeça de Manu bateu em alguma coisa na escuridão e a fez desmaiar.
    Já era de manhã quando acordou em sua cama. Sentindo todo o seu corpo dolorido, tentou se levantar e ir até um espelho, mas a dor na sua perna direita não permitiu e a levou até o chão. Lá mesmo tirou a sua calça de pijama e viu uma grande ferida já cicatrizada de uns trinta centímetros em formato de dentes bem na parte interior da coxa. O resto do seu corpo estava marcado por picadas em cicatrização e não ouvia mais nada em seu ouvido direito. Manu chorou, chegou a ir ao hospital, mas nada adiantou. Além do constante medo de dormir, essa dor e essas marcas a perseguiram pelo resto de sua vida.
  • Madrugada do dia 23

     Uma das minhas coisas preferidas em você era o seu sorriso, e como constantemente tava rindo por aí e contando piadas sem graças mas que para você faziam total sentido, se eu me recordo bem, a gente costumava conversar bastante sobre vários assuntos, mas eu nunca me expressei pra ti, e eu me arrependo muito disso.
     Eu não tive a oportunidade de te conhecer direito e muito menos de saber das suas raizes, da sua história e de tudo que você passou, afinal, eu nunca realmente perguntei essas coisas que eu julgava tão bobas, e eu me arrependo muito disso.
     Por mais que a gente não soubesse nem o sobrenome um do outro direito, a gente sabia que tinha uma conexão, e você foi uma das poucas pessoas com quem eu relamente tinha interesse em conversar, e podia conversar por horas, a gente nunca chegou a marcar aquele role para falar bobagem e comer porcaria, nem chegou a fumar um cigarro junto num dia chuvoso, e por mais que a gente não tenha tantos momentos, você deixou eu ver seus pensamentos privados, e eu, a única pessoa que lia tudo que você pensava, não movi 1 dedo pra te ajudar, e eu me arrependo muito disso.
     Eu costumava te mostrar minhas músicas preferidas e as que eu acabava de conhecer, mandava minhas fotos fazendo careta, você era especial pra mim, e eu achei que você sempre estaria aqui.
     A culpa que eu sinto por eu não conseguir te ajudar, ou te dizer algumas palavras que poderiam ter mudado a sua indecisão é imensa, e eu sabia muito bem a sua visão sobre a vida, e como ela te dava medo, ela te aparavorava e você não tinha vontade nenhuma de tornar ela sua amiga, e com razão, as coisas não foram facéis pra ti, você comentava comigo sobre seu vazio interno e como via a morte como seu refúgio, eu nunca prestei muita atenção nisso, eu não porque eu nunca prestei atenção no que você dizia, e você me dava sinais de que um dia isso iria acontecer.
     Sim, as vezes eu esquecia de te responder ou mandar uma mensagem, e isso me dói, me dói não ter dado valor ao momentos enquanto eles estavam lá, e você adiou isso por muito tempo, não é? me desculpa.
     Eu sei que agora você encontrou a paz que tanto queria, que acabou toda a sua dor e todas aquelas merdas que você estava sentindo, eu sei que você desejava a morte mais que tudo, e você não via isso como algo ruim, você me dizia "Por que eu nao gostar da vida é ''errado''?, é somente minha opnião, e infelizmente ou felizmente nada vai mudar isso, assim como tem gente que não gosta de chocolate, de lasanha, de ouvir determinado tipo de música, eu não gosto de viver!"
    bem e como eu entendo seu ponto de vista, eu respeito ele, e eu sei que era isso que você queria, e que não se arrepende, mas eu sinto sua falta, me dói ir ver seu visto por ultimo, e ver que foi no dia às 03:29 do dia 23, perto do horário em que você se suicidou, me desculpa não poder te mostrar como a vida também pode ser seu refúgio, eu espero que você encontre a paz que tanto almejava, eu vou lembrar de você para sempre, 777.



    -Dedico esse texto a você Renann, que teve uma passagem tão rápida na minha vida, mas que me marcou de inúmeras formas, eu sei que você está bem agora.

  • MAGIK

  • Mais um auto assassinado - o suicídio bem sucedido

    Eu ia começar logo por onde tá doendo
     
    ia ficar passando o bisturi ou uma tesoura na gengiva do dente que tá doendo bastante cutucando bem forte
    até fica sangrando e escorrer da boca aquela baba vermelha misto de saliva e sangue
    ia tacar sal também
    e água fervente
     
    ia espetar agulhas e alfinetes em todo o seu corpo
    e fazer vários cortes
    deitar vc sobre a cama...nua
    e fazer um corte transversal na barriga
    e ir tirando órgão por órgão
    melecando tudo de sangue viscoso
    minhas mãos enlameadas de sangue
    meus dedos lambuzados de hemácias
    eu ia beber seu sangue estomacal
    eu ia te matar várias vezes clarice
    preparar seu funeral
    seu modo de ser cremada
    eu ia jogar suas cinzas no oceano
    mas antes eu ia retirar seus olhos
    os nervos e a córnea
    com uma serra, partir seu crânio
    e dissecar do cérebro à cóclea
    cerebelo e hipófise
    tudo o que a natureza em seu ventre materno e deu
    eu ia retirar
    matá-la lentamente
    com meu bisturi convincente
     
    eu ia começar a rasgar sua pele por essas feridas de espinhas que vc tem no rosto
    cavucando onde dói
    fazendo sair pus
    ia retirar todo o seu nariz pra ficar igual ao bebê de tarlatana rosa
     
    ia retirar unha por unha
    dos pés e das mãos
     
    antes de te cremar eu ia cozinhar você
    e depois eu te eletrocutaria
    eu odeio você
    o que eu mais quero é matar você
    o que eu mais quero é deixar de viver
     
    enquanto eu escrevo
    respiro mais um pouco
    e mesmo que seja narrando meu auto assassinato
    eu fico feliz e aliviada
     
    então por isso
    obrigada
  • Me Conserta...

    Menina dos olhos castanhos, tristes e caídos;
    Ela vive para fazer poesia, mas ainda assim precisa de fortes anti-depressivos.
  • Metade de Um Segundo

    E quando em uma fração de segundos aquele pensamento passa em minha mente,eu me sinto culpada por imaginar o quão estranhamente prazeroso seria parar de respirar.
  • Momento Final.

    A vontade de gritar é quase sufocante, minha pele molhada pelo suor tendo calafrios constantes. Minha boca cianótica tremendo os lábios como se estivesse com frio. Meus músculos contraídos. Eu não posso gritar, eu não devo gritar. Eu contraio meus olhos, é necessária muita força. Tento distrair minha mente, mas ela teima em ficar focada. Meu estomago dói. Eu não posso gritar, eu não devo gritar. Levo minhas mãos a cabeça e puxo meu cabelo enquanto contraio todo corpo para traz quase formando um arco e me lanço novamente para frente caindo de joelho ao solo. Eu não posso gritar, eu não devo gritar. Mas eu preciso. Abro os olhos e com a visão turva olho para cima. Eu estou me rendendo, desistindo perante a necessidade de gritar, de exorcizar meus demônios. Me controlar é inútil e ainda mais sofrido. Eu não posso gritar, eu não devo gritar. Me deixo cair de vez ao solo e me contraio em posição fetal como se estivesse com cólica.  Lagrimas saem de meu rosto e alguns gemidos escapam de uma respiração dispneica. Eu não aguento mais e já não me lembro porque não posso gritar, porque não devo gritar. Ainda em posição fetal eu abro a boca e puxo o ar para os pulmões. Eu posso gritar, eu devo gritar. Sinto o ar voltando do pulmão, me preparo para o grito, meu corpo estremece. Eu vou gritar. Então eu solto o ar com a força necessária para o grito, mas ele não vem. O desespero toma conta. Não consigo gritar,tento gritar. Mas a vontade de gritar ainda é quase sufocante. Me deito e deixo meu corpo lentamente relaxar. Viro a cabeça e fico com a bochecha no chão, olhando para o frasco de remédio que tomei poucos minutos atrás. Eu não posso me arrepender, Eu não devo me arrepender. Minha respiração fica mais pesada e sinto que a hora chegou. Meu ultimo fôlego. Puxo o ar novamente porem mal da pra encher os pulmões. Minha ultima tentativa. Que patético, que ridículo. Depois da pior parte, desistir. Solto o ar junto com um grito meio abafado. Ninguém deve ter escutado. Em fim, o fim. Meu corpo relaxa, minha visão fica turva, a respiração fica mais pesada. Já não sinto mais nada. Nem sofrimento, nem dor, nem felicidade. Tudo fica escuro. A morte chega…
    Choque. Não!
    Eu quero morrer, eu devo morrer.
    Choque… Sirene… Luzes… Vida.
  • Monstros de fora e de dentro

    Discutir sobre a morte e a crueldade, em todo tempo, importunou muitas pessoas. Não estou exprimindo uma tese de que esses indivíduos não se interessam pela morte, não. Só presumo que se sentem mais confortáveis não falando dela. Porque a morte nos remete ao lado ruim do ser humano, às pessoas que morrem prematuramente e com vitalidade de sobra, mas por uma eventualidade, elas sucumbiram. Eventualidade? Acaso? Lugar errado, no dia errado e na hora errada. Mas é só isso que sentencia a morte? Etnia errada, opção sexual errada e religião errada. O que é infalível para te manter vivo? O que devemos simular para não cessar a vida por obra de algum acaso? Devemos sonegar afeições e o que somos? Manter-se em jaulas, cadeias, prisões, criadas por nós mesmos, graças ao medo de estar tão descoberto nas veredas, mas radiante por ser capaz de continuar sendo quem é?
    E se atuarmos dessa forma, o que faremos com as nossas reflexões sobre as pessoas que escolheram guerrear e morreram por isso? Omitimo-las? Menosprezamos as causas de tanto finamento? Esquecemos que, em um mundo de abundante alimento e água, multidões ainda morrem de fome e sede? Um planeta arquitetado com tantas origens onde ainda se tolera morrer por especismos e fanatismos da raça humana? Ah, abandonar a luta é mais descomplicado... É mais simples suprir o monstro dentro de si e simular condescendência do que aniquilar os que estão lá fora. Admitir que a morte existe e contempla a todos e, se chegou antes do tempo para alguns, foi um acidente... Um triste acaso que perdura em sua mente alguns instantes, até que sustente seu monstro repetidamente e deixe os de fora representar.
  • Morte de Mãe

    A cena ainda se faz bem nítida. Tarde de sol forte. O menino estava do lado de fora, quase que escondido atrás do muro da varanda. Dentro de casa, a mãe desabafava aos prantos: “colocarei fim a este sofrimento”. A depressão não era algo recente. Contava que no dia do casamento esteve prestes a pular de uma pedra e que só não o fizera pois fora avistada por um tio que por ali passava. O tal mal aparecia e sumia de tempos em tempos. Mas dessa vez era diferente. Não passava. O garoto não entendia. Chorava no banho. “Morrer é uma decisão? ”. Tentava imaginar como seria viver sem a mãe. Algumas cenas presenciadas só fizeram sentido muitos anos depois: o pai contando e escondendo os comprimidos, o irmão mais velho chorando depois de flagrar a mãe tentando amarrar um cinto no telhado... Meses de tratamento e nada parecia fazer efeito. A decisão estava tomada. Tirar a vida era a única solução. E não faltaram tentativas. O menino à vira pela última vez num domingo pela manhã. Após o almoço, um pedido ao pai para brincar na casa do vizinho. O pai relutou. A mãe interveio: “deixa eles irem”. A última cena, ela sentada no sofá da sala se eternizaria na memória. Tudo estava planejado. Um minuto de descuido. Aproveitando não ter ninguém por perto, saíra pela porta da sala, caminhou até o final da rua e adentrou uma lavoura de café. Em questão de minutos, o bairro todo estava a sua procura. O menino não tardou ficar sabendo do sumiço da mãe. Embrenhou-se na lavoura junto com o pai que lhe pedia para gritar pela mãe. Gritava com força e medo. Ajoelhou-se, pediu a Deus que ajudasse. Nada adiantou. A noite chegou. Os parentes vinham de longe. O clima era de morte. A noite foi demorada. Um tipo de velório sem féretro, sem corpo. Era impronunciável, mas no fundo, todos pareciam saber o que o dia seguinte entregaria. Por volta das 9h um vizinho se aproxima assustado. Trazia notícias. Havia encontrado a mulher: “infelizmente está morta”. Cessava-se a dor do sumiço. Iniciava-se a dor da perda, da morte. Ela apoderara-se de uma faca de pão, adentrou a lavoura, chegou até uma mata, cortou um cipó e antes de consumar escreveu um adeus com as iniciais dos filhos no tronco de uma árvore. O atestado confirmara: “asfixia mecânica por enforcamento”. Encerrou-se ali uma breve vida. Os motivos até hoje são desconhecidos. A imagem da mãe morta num caixão na sala perturbou o menino por muito tempo. Era difícil olhar para aquele canto da casa sem reviver a cena. Os pesadelos foram uma constante. O péssimo trabalho feito pela funerária contribuiu para fixar na memória uma imagem nada agradável da mãe: machucados visíveis, a cola nos olhos, uma fita adesiva fechava a boca... na mão esquerda, cheia de arranhões, a aliança de casamento, afinal tinha sido um pedido seu. Num gesto triste, o menino alcançou uma rosa que havia dado de presente no dia das mães e um terço que ela sempre carregava e colocou entre suas mãos. O caixão foi lacrado. Uma rápida passagem pela igreja. O padre da paróquia se negou a fazer uma celebração de corpo presente. Enterro feito. Ficara o vazio na casa, na alma. Na cabeça do menino, várias lacunas ficaram e só foram preenchidas anos depois... ou não.
  • MYSTICA STATERA por Lux Burnns O tomo para iniciantes

    Sumário
     Agradecimentos..........................3
     Introdução......4
     Capítulo 1- O nascer e o torna-se.....5
     Capítulo 2-Realizando a magia.......12
     Capítulo 3- A magia é vida, mas não é um ser 
    vivo....20
     Capítulo 4- O mundo sem o véu..........26
     Capítulo 5- O fanatismo, o grande o veneno mágicko......33
     Capítulo 6 - A verdade liberta, mas é dolorosa....39
     Capítulo 7 - DIY mágicko.............47
     Capítulo 8 - A bruxa que vive entre os santos e os pecadores............ 54
     Capítulo 9 – Os Deuses, e o Fim da farsa da Realidade Dualística...... 59
     

     
     
    Agradecimentos
    Minha gratidão é voltada para o meu companheiro Soul, que me apoiou desde o início desta caminhada, me ajudando a melhorar ainda mais como ocultista, e jamais desistir das minhas convicções, mesmo quando o mundo inteiro, parecia discordar das mesmas. Também deixo minhas graças aos meus amigos: Lua Negra, Srtoa Gamab, Milliato, Rivendell, Srta Rabbith, Mandy, Tha, a Witch born on fire, e Isa, que me ajudaram a perceber quê este tomo poderia ser útil as próximas gerações. Por fim reconheço também o auxílio de minha mãe Silvana, que apesar dos pequenos atritos pelas crenças diferentes, sempre acreditou em mim e nos meus ideais. Obrigado a todos vocês, que me deram ânimo para chegar até aqui, e terminar este projeto. Não sei o quê me aguarda depois disso, mas certamente é um feito e tanto, e me orgulho por plantar esta semente, que vocês com carinho e paciência regaram.
     

    Introdução 
    É válido mencionar, que jamais tive a intenção de escrever um livro voltado para o aprendizado dos demais. Afinal há muitos autores, infinitamente melhores do quê uma velha bruxa, em um corpo não tão jovem. 
    Mas devido ao grande número de desinformados, que se acham conhecedores do mistério, e tudo o quê mesmo representa, vejo que é hora de assumir o meu manto de ocultista outra vez, e trazer-lhes algumas verdades nada convenientes. 
    Não estou aqui para lhes ensinar fórmulas, que vão mudar as suas vidas num estalar de dedos. Muito menos sobre como devem adorar seus deuses, ou o quê é o certo e o errado. Não sou uma bússola moral para tomar tal partido, apenas viajo de mundo em mundo, para libertar aqueles que aceitam o preço da liberdade. A ignorância pode ser uma benção, mas é a coragem que determina quem tem a chave do tudo. O inimigo é astuto, logo devemos ser justos, mas isto não significa dissociar, e se abster, e sim que devemos está preparados. Você pode não compreender estas palavras no momento, mas logo entenderá o quê cada frase significa.
     Se escolheu decifrar este livro, é porquê ouviu o chamado, mas não estou falando dos filhos do sol, e sim de algo mais amplo e intrigante.
    Há memórias de um mundo que querem te fazer acreditar que não existe. Há poderes que um ou nenhum dos seus parentes consegue explicar. Há mistérios em teu íntimo, que quer desvendar.
    As respostas estão presentes aqui, mas está pronto para ouvir o quê a primeira causa tem a dizer? Não será um caminho fácil, por isso é necessário que esteja pronto para esta jornada, que saiba no mínimo o quê é a espada e o escudo, e como usá-los. Do contrário será devorado pelos teus demônios, antes mesmo de ouvir a palavra da força geradora.
    Eu sei, parece o roteiro de algum filme de ficção científica bizarro, porém tudo o quê for mencionado aqui, será focado na minha experiência real como bruxa, e no aprendizado que isto me trouxe no decorrer do tempo. Está preparado? Então vire a página, pois a aventura o aguarda jovem peregrino.
    Capítulo 1
    O Nascer e o Tornar-se 
    Vivemos numa sociedade cheia de liberdade, que acredita bastante no ideal de igualdade, e que todos podem entrar no mundo da magia, sem discriminações de espécie. 
    Não estou aqui para me impor sobre tal coisa, porém acredito -e é o quê devia ser ensinado- que há aqueles que nascem com a predisposição para a magia, e os que infelizmente, não foram agraciados pelas divindades.
    Isso faz com que estes sejam mais fracos? Não. Eles devem ser escorraçados, e friamente criticados ? Também não. Apenas devem ter consciência de quê a sua busca, certamente será mais trabalhosa e longa – ou não se souber usar os meios certos, mas não vem ao caso – Por isso jamais devem se comparar aos que possuem habilidades naturais, pois tal atitude culmina em desencontro com o propósito inicial, de descobrir-se neste caminho.
    Não pense em nenhum momento, que o fato de ser somente humano te faz inferior, isso não significa muita coisa, quando você sabe que há meios de melhorar as suas habilidades.
    Já os predispostos, deveriam entender que o fato de terem recebido dons da natureza, não os faz automaticamente deuses, apenas lhes dá alguma vantagem em relação aos outros. Mas uma vantagem, não significa uma vitória garantida, portanto devem estudar e se preparar, tanto quanto os que não foram agraciados, para superar suas limitações, que sim existem.
    Não importa o quê são capazes de fazer - se levitam, se incendeiam, se preveem, manifestam, projetam, e tudo mais-  isto não os faz bruxos, apenas são detentores de habilidades especiais. Tanto o filho de um deus, quanto o filho do homem, precisam de treinamento, e conhecimento, para poder serem dignos de tal alcunha.
     
    É nos ensinado desde o começo, que precisamos andar em grupos, para poder obter o grau de bruxo, mago, ou feiticeiro. A sociedade mágica insiste em seguir essa premissa, mesmo nos tempos atuais, e isso atrasa bastante a vida de um novato.
    Grupos, como: Ordens e Covens, Podem até servir para ajudar no entendimento de certos assuntos, mas a realidade é que se queres realmente o poder, não deve seguir com ninguém mais, além de ti mesmo.
    Afinal de contas, o ocultismo no fim é apenas uma forma de encontrar-se, e não é no meio da multidão, com suas ideias diversificadas, que conseguirá te achar, no máximo ficará ainda mais confuso e perdido.
    Você se encontrará apenas quando não houver ninguém por perto, quando estiver sozinho num quarto escuro ou claro, questionando-se sobre o quê é, como, e o porquê das coisas.
    Por isso não acredite em líderes, que fazem questão de impor que precisa deles, acredite em ti mesmo, e naquilo que vai de acordo com a tua personalidade, e o quê tu consideras certo ou errado.
    E este tópico nos leva a outra questão. A magia tem se tornado um grande alvo do entretenimento. Para onde olhar  há “bruxos” ou “seres místicos”. O quê é uma coisa boa, mas somente para a diversão, pois tudo o quê se encontra nos filmes, seriados, desenhos e afins, são apenas fragmentos de textos ocultistas, e qualquer um de bom senso sabe, que não dá para entender o texto com apenas um verso, pois o mesmo pode servir para expressar diversas possibilidades, e se apenas escolher ler tal parte, jamais entenderá o contexto para que foi criado, por isso não use tais meios para aprender sobre o caminho. 
    A verdadeira magia, influencia o ambiente, mas o ambiente não influencia a magia. Logo uma obra midiática pode ser inspirada em algo oculto, só o quê o oculto, não pode advim de uma obra midiática, do contrário todo o entendimento se perde, e em vez de formar a sua inteligência divina, apenas a degrada e a transforma em loucura vã.
    Um bruxo de verdade- homem ou ser mágico- Sabe disto por instinto próprio. Entretanto com tantos jovens adotando posturas erradas, por conta do quê assistiram, é sempre bom frisar tal fato.
    Como disse antes são verdades inconvenientes, por isso não espere que eu vá apoiar uma conduta tão inapropriada para o ocultista.
    Queres ser um bruxo? Então leia, pesquise, estude, questione-se, e faça-se um. 
    Não espere que apenas porquê mudou o caminho, e deixou de seguir com as ovelhas, tudo será mais fácil. Verdade seja dita, se quer conforto, e evitar desafios que podem te fazer desmoronar, seu lugar não é aqui. Não importa se tem o sangue, sem essência jamais conseguirá sair do lugar.
    A magia não é um caminho simples, nunca foi. Apenas os que se encantam por sua versão comercializada de luzes e pó brilhante, acreditam nesta falácia.
    O agraciado deve aprender a controlar seus dons, para não ferir os que não merecem receber tal castigo, e o humano deve procurar meios, de melhorar seu espírito, ou DNA cósmico, para garantir que conseguirá manifestar alguma habilidade.
    Só que ambos precisam passar pelo mesmo processo árduo e cansativo. O agraciado, que nasceu com poderes sobrenaturais, precisa torna-se aquele que tem controle de si, e o humano que tem o controle da sua mente, precisa destruir todas as barreiras impostas, para então nascer como um ser sobrenatural.
    Ambos são como a metade um do outro, mas precisam focar em suas limitações, pois o primeiro poderá sofrer consequências desagradáveis, e o segundo precisa achar meios, de fazer-se tão forte quanto o outro, mas no fim os dois se encontram no mesmo patamar, por isso seus caminhos, ou o quê são , não interessa.
    É dito que para ser um bruxo, é necessário uma iniciação, canalizada por sacerdotes e sacerdotisas, que receberam o chamado dos deuses, e toda aquela parafernália, que estamos cansados de ouvir.
    A iniciação é um processo necessário sim, mas não precisa vim das mãos de alguém que diz ter sido “tocado” pelos deuses. 
    Haverão aqueles que certamente discordarão de mim, pois são tão tradicionalistas quanto os cristãos ortodoxos, contudo esta é uma verdade inegável.
    Não estou dando pontos a favor de rituais de meia tigela, encontrados na vasta rede, que fique claro. Apenas acho justo mencionar, que tais postos – sacerdotes- não torna os homens e as mulheres detentores da verdade, pois para aqueles que podem ver, a mesma   é revelada dia após dia, fora dos templos “sagrados”. 
    Aliás creio que o grande segredo, é apenas um pedaço de papel vazio, que nada diz, pois o axioma está no vento, na água, na terra e no fogo, não nas palavras ditas por um mestre.
    Você é o quê acredita ser, não o quê os outros impõem sobre ti.
    A iniciação nada mais é que um processo psicológico, no qual você condiciona o teu cérebro, para se abrir a possibilidades, que por anos foram lhes ensinadas como impossíveis.
    É importante pois o poder, embora se manifeste em nossos genes, vem da mente. 
    É um fato científico, pois por mais que muitos duvidem, a magia é sim ciência, pois pode ser estudada, verificada e comprovada.
    Os neurônios são responsáveis por tudo o quê fazemos, seja bom ou ruim. Assim se você acredita firmemente, que ao chegar do outro lado de uma rua, vai acabar caindo, esses impulsos químicos captam a mensagem, e fazem com quê sofra o acidente, porquê os manipulou para isso.
    Este é um caso simples, mas há situações ainda mais “inexplicáveis”, nas quais as pessoas sofrem de males mentais, que podem provocar sintomas físicos, mesmo que não haja aparentemente nada para causar dor, são as chamadas doenças psicossomáticas.
    É por isso que um bom bruxo, precisa ter um ótimo preparo mental, ou a sua magia não obterá resultados.
    Não adianta nada você nascer com a predisposição, ou procurar pela essência sem acreditar nelas, pois em ambos os casos, não conseguirá despertar suas verdadeiras habilidades.
    Já viu que pode levitar, ou incendiar as coisas por exemplo, só que na hora de provar os teus poderes, há um bloqueio.
    Sozinho chega ao teto, queima a toalha da mesa. No entanto na presença de amigos, é visto como louco, pois seus pés não saem do chão, ou acreditam que usou o isqueiro, para forjar provas.
    Isso te faz achar que enlouqueceu, que os outros estão certos, e que é melhor evitar as suas “habilidades imaginárias”. Não é?
    Esse certamente é o caminho mais fácil, mas como disse antes o caminho é difícil, não adianta fugir no primeiro obstáculo.
    Esta é apenas a prova, de quê precisa tornar-se aquele que controla a si mesmo, para poder provar aos outros, do quê realmente é capaz.
    É a evidência de quê a predisposição, não é o suficiente, se em nada acredita – Principalmente se duvida de si.
    Já no caso dos humanos, a situação é um pouco diferente, pois este ainda não manifesta nada, mas precisa se desamarrar das correntes de concreto da sociedade, na qual foi inserido.
    De outra maneira, achará apenas os que lhe oferecem um lugar, servindo aos deuses, mas jamais um acento do lado dos mesmos.
    O ser humano, está acostumado a ter tudo nas mãos, e a seguir sempre aquilo que o torna o maior dos maiores, e é isso que tem que acabar.
    Há uma hierarquia no mundo mágicko, que deve ser respeitada. Só que o fato de hoje ser apenas homem, não implica que amanhã também será, então é preciso que aprenda a aceitar as suas limitações, e a conhecer melhor as possibilidades.
    Seu mundo é pessimista demais, ou exacerbadamente otimista, você não tem equilíbrio, vive mergulhado em caos, engolindo os ideais daqueles que supostamente estão acima de ti, sem nunca levantar a voz.
    É preciso que entenda que você tem sim voz, que o quê sente importa, que há muito mais do quê somente um planeta abrigando a vida, e -comprovado por Galileu Galilei- A Terra não é o centro do Universo.
    Desse modo, quase tudo o quê lhe ensinaram até o momento, pode ser mentira, ou uma verdade mergulhada em mentiras, ou seja há fatos que são claramente falsos, e outros embora pareçam como tais, são verdadeiros.
    É preciso que entendam suas limitações, ou a magia nunca funcionará.
    A iniciação além de expandir a sua mente e elevá-la, é também o  desenvolvimento de uma conexão mental do seu eu e o cosmos, e por isso deve ser considerada “sagrada.” 
    Assim sendo quando for realizá-la, não vá procurar por “receitas de bolo” prontas, como se houvesse alguma nova bruxa, que fosse a Ana Maria Braga da Magia, pois não há - se houvesse todos teriam poderes e entendimento, e não é o que acontece.
    Somos todos mestres e aprendizes de nós mesmos, mas devemos sempre procurar sermos a melhor versão. - É importante frisar, porquê se tu é o teu mestre, logo irá crer que pode fazer o quê quiser, como se ser um mestre, significasse que é Deus, e pode mandar e desmandar. Mas não é bem assim.
    Ser o teu próprio mestre, significa melhorar-se nos aspectos necessários. Crescer, e desenvolver-se, para alcançar os teus objetivos, não interessa se são bons ou ruins, pois bem e mal é relativo -O quê é bom para mim, pode não servir para ti.
    A iniciação, mesmo que realizada por tuas mãos, ainda é um ritual, e por isso dependendo do Deus que escolher seguir, deve respeitá-la como tal.
    Se queres obter sucesso e expandir teus pensamentos, é preciso que ouça a tua voz interior. Mas esta voz não nasce do nada, ela não é uma ideia absurda que lhe vem ao pensamento, e tu executas, isso se chama criatividade, não o chamado interno.
    Para realizar uma iniciação de sucesso, é necessário, que conheça os cultos anteriores dedicados ao Deus com o qual escolheu aprender. É uma forma de honrá-lo, e a ti mesmo também, para quê não passe vergonha entre os outros ocultistas, e consiga calar a boca dos iniciados.
    Eu escolhi aprender com Satã, logo me utilizei de velas negras,  símbolos profanos, e materiais de corte, para realizar a minha auto-iniciação.
    Sou uma predisposta, nasci numa família, que embora hoje sirva a Yaweh sob a luz, um dia serviram ao seu lado negro, conhecido como Adonai.
    Por isso consegui aprender muita coisa, sem a interferência de mestres e iniciados. Já tive a oportunidade de andar com grupos. Mas os “mestres” que apareceram em meu caminho, mais me atrasavam, do quê me ajudavam a entender a minha verdade.
    Entendo muitos conceitos místicos, por intermédio dos deuses do abismo. Eles me ensinaram a ser mais forte, e me indicaram o quê procurar, para achar as respostas, por isso sou muito grata a eles, e defendo minha versão da veras mística. (Ou verdade mística)
    É significativo mencionar que os deuses, embora nos guiem pelo caminho, eles jamais podem andar por nós, sendo assim não espere que o Deus escolhido, te entregue todo o material, que precisa para alcançar o teu objetivo, eles te darão a chave, mas a porta quem procura é você.
    Outra coisa, se teus caminhos se abrem com facilidade, há apenas duas explicações: O teu papel é pequeno, logo suas limitações são fáceis de superar, ou já sofreu o suficiente, para entender como alcançar aquilo que mais deseja.
    Após passar pela iniciação, e receber sinais – isso mesmo sinais, e não sinal- de quê o Deus escolhido te acolheu entre os seus, você agora vai definir como deve estudar, e mensurar o teu aprendizado, por isso precisará de um caderno, e uma caneta, para registrar, cada coisa incomum que te ocorreu, com data, hora, condições mentais, respostas plausíveis, e tudo o quê for necessário, para provar que teu relato é verídico.
    Se é um predisposto, poderá medir a melhora do controle de teus dons, se é o primeiro da tua linhagem, poderá transmitir isso para o próximo que colocar o manto, que certamente vai aparecer, podendo ser um filho seu, ou algum outro parente.
    Coisas incomuns vão acontecer, é inevitável, faz parte da jornada. Como lidarão com elas, é que vai definir se são ou não bruxos, magos, ou feiticeiros de verdade.
    Ou acreditaram mesmo que bastava um ritual, para se tornarem algo?
    Não, não é tão simples. Se fosse, se chamaria cristianismo, e não paganismo.


    Capitulo 2 – Realizando a magia

    Poderia encher as páginas com vários sistemas mágickos, como: Herméticos,  Satânicos, Caoístas, Streghes, Célticos, Gregos, Egípcios etc. Alguns conheço a fundo, outros apenas de maneira superficial, mas não o farei. 

    Se queres conhecer cada um deles, sugiro que faça uma pesquisa, extensa e detalhada, para entender o conceito apresentado, por estas filosofias de maneira profunda.

    Como disse antes não estou aqui para ensiná-los, como adorar os seus deuses, até porquê o ato de “adoração”, é algo que me dá nó estômago, mas vai de cada um.

    Então você escolhe com o quê quer trabalhar, minha função é apenas te ensinar, a realizar o ato mágicko. (Note que há um k extra, é proposital, para separar magia de ilusionismo, e foi proposto por um famoso ocultista.) 

    Primeiramente lembre-se sempre: O poder vem da mente, e com a linguagem certa pode programá-la. Sendo assim os resultados mágickos (como respostas, questões, ou atos) são genuínos, mas o processo para se realizar o ato, pode ser provocado pela mídia. 

    Não estou me contradizendo, a magia sempre influencia, mas a mídia não deve fazê-lo, pois faz do entendedor um tolo. No entanto, se souber usá-la, pode ser bastante benéfica, na hora de preparar a sua mente, para desbravar a Terra Oculta e suas maravilhas.

    Você Não deve aceitar a verdade escrita no roteiro, pois é uma meia verdade, e toda meia verdade é uma mentira.

    Todavia se for esperto o suficiente, fará bom uso de tais artifícios, e em vez de acabar mergulhado nas trevas da insanidade, será um exímio ocultista.

    O tolo irá ouvir a música milhares de vezes, e se deixará ser controlado por ela, tornando-se mais dos zumbis da cultura popular. O astuto utilizará a mesma música, para domar a si mesmo, pois tem conhecimento dos seus efeitos e que a própria serve para controlar a mente, por isso sabe como programar a canção, para atingir o seu objetivo.

    O ingênuo assistirá um filme, e criará diversas histórias em sua mente, acreditando que aquela é a sua realidade, sem de fato ser. O desperto verá na mesma obra, aspectos que condizem com a sua jornada, e os quê também contradizem seu aprendizado. – A magia estará presente ali mas o verdadeiro ocultista, saberá sobre o quê se trata o seu contexto.

    O hipócrita utilizará lendas urbanas, para validar as suas experiências “mágicas”, e recuará quando for abordado. O consciencioso saberá que a verdade sobre as lendas urbanas, é tão pequena que passa despercebida, por isso fará o possível para detalhar o seu relato, de maneira que coincida com o quê tal criatura realmente é, pois tem o entendimento de quê lendas nascem da má interpretação dos povos sobre determinados seres. Lobisomens por exemplo podem ser criaturas provindas de Sirius B, Vampiros podem ser membros da constelação de Alfa Draconis, e por aí vai.

    A voz do coletivo precisa ser ignorada, até que se faça necessário ouvi-la, ou seja o conhecimento empírico tem de ser esquecido, até que haja uma explicação científica para o mesmo, ou uma forma de validá-lo de maneira, que não seja uma experiência pessoal.

    Encontrar-se a si mesmo é importante, contudo depois de achar-se, deve focar-se em descobrir se realmente é o quê acredita ser, pois é a mente é uma caixinha de surpresas.

    No mundo em que vivemos, o ceticismo doentio é louvado, por isso devemos dançar de acordo com a música, para poder criarmos nossos passos. Isto é necessitamos abraçar o conhecimento concreto, antes de realizar a magia. Porquê embora o espírito preceda ao corpo, a mente funciona como nossa alma, e quando a mesma é atingida, nossos resultados mágickos podem falhar.

    Não adianta tentar empregar a magia pela magia, numa sociedade que te obriga a ter respostas para tudo. 

    Foi-se o tempo que não havia explicações para os fatos naturais, e bastava curva-se para os deuses para conseguir as suas graças.

    Não é mais a Era de Ouro, os Deuses não estão mais entre nós, eles abandonaram este planeta há muitos anos, e até os seus filhos estão por conta, por isso conectar-se com os mesmos não é tão simples.

    É imprescindível que o predisposto tenha consciência disto, pois muitos filhos dos deuses, acreditam do fundo de seus corações, que nossos pais cuidam de nós, por 24 horas, como se fossem como os humanos que nos acolheram em suas casas, mas a realidade é outra.

    É, eu lamento, lamento de verdade. Mas os deuses tem seus próprios afazeres, e embora nos visitem algumas vezes, deixando rastros incontestáveis de sua presença, eles não ficam ao nosso lado todo o tempo.

    Novamente estou ciente de quê muitos tentarão me “apedrejar” por isso. Só que como disse antes, as verdades são inconvenientes, e trago a liberdade para os que aceitam o seu preço, e neste caso o preço é abandonar a carência de seus coraçõezinhos, e aceitar que o pai, a mãe, ou ambos nem sempre podem ficar presentes.

    Se vocês os veem, ou os ouvem constantemente, é porquê ainda estão acordando, e as memórias da vida passada, estão se manifestando, de acordo com a forma com a qual eles se comportavam com vocês, no outro mundo.

    Eles nunca aparecem por nada, sempre há uma motivação para realmente virem ao nosso encontro, e quando vem, fazem com que saibamos que estiveram conosco.

    Lúcifer e Lilith são meus pais, sou a primeira de sua linhagem, e isso pode ser confirmado no meu site antigo, que disponibilizarei no fim deste livro. Por quê digo isto? Bem uma famosa série, retratou tal fato recentemente, só que antes do mesmo acontecer, já havia escrito no meu site, que esta primeira era eu. Então pode ir conferir na prática, que o oculto influencia mídia mas a mídia não interfere no aprendizado místico.

    Quando Lúcifer me visita, sempre há todo um contexto por trás disto, ou é para me dá um alerta, como em 2013 quando me mostrou que Belzebu é um traidor, que quer o seu trono. Para me proteger de alguma criatura nociva, que tentou me destruir, enquanto caminhava pelo mundo inferior. Ou me convocar para alguma reunião importante. - Eu sei parece cômico, mas já fui chamada uma vez, para ir com o mesmo no conselho celestial.

    Como sei que de fato era ele? Eu jamais tinha visto Belzebu como um traidor. Mas após este sonho e outros nos quais fui perseguida pelo Senhor das Moscas,  fiz uma extensa pesquisa, e encontrei relatos de pequenos ocultistas, que defendiam a mesma teoria. Alguns que falavam que Belzebu se opõe a rebelião de Satanás, outros que ele era como um exorcista, mencionado na bíblia.  Mas pareciam tão dissociados da realidade, que me desanimei e aleguei insanidade.

    Contudo algo em meu interior, me levou a pesquisar ainda mais, e acabei encontrando um belo artigo dedicado ao mesmo, no site da Penumbra Livros, onde faço grande parte dos meus estudos esotéricos atualmente, devido a enorme fonte de conteúdo gratuito disponível ali.

    De fato não só Belzebu era traidor, como já tinha conquistado o trono do Inferno uma vez, fazendo com quê 49 dos 72 demônios que caminhavam com Lúcifer o servissem, e isto já tinha até se tornado o roteiro de uma revista em quadrinhos da Vertigo inclusive.

    Até aquele momento eu nada sabia, mas Lúcifer veio e me mostrou um fato, que não era uma fantasia, e podia ser comprovado.

    Além disso no dia do dito sonho, ocorreu um evento quase cataclísmico em minha cidade, ligado ao vento, que é um dos elementos que o representa, e minha mãe literalmente viu um anjo dentro do nosso lar, muito bonito segundo a mesma.

    Já na outra vez, foi como se ele enviasse uma mensagem através de uma médium, na qual me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer em breve. 

    É claro que duvidei, para mim a possessão, é apenas um processo psicológico, no qual o “possuído”, na verdade é um predisposto, que desconhece seus dons, e acaba manifestando habilidades sobre-humanas, que fazem com os quê os padres interpretem de maneira errônea, e na época, achava que se tratava de uma insanidade maior que a minha, só que ainda sim, é no mínimo suspeito tudo o quê aconteceu depois.

    Minha casa foi saqueada, e levaram todo o meu material de registro de eventos sobrenaturais, os homens reviraram o meu quarto todo, e deixaram o da minha mãe arrumado. Procuraram pelo notebook, onde tinha fotos, teorias, e vídeos, sobre a minha caminhada oculta, levaram a minha câmera, e até o quê eu usava para me distrair do mundo, o meu playstation 2, que já não valia muita coisa na época, e acreditei ser o disfarce perfeito, para o quê realmente fizeram.

    Foi como se declarassem guerra a mim, e a minha sanidade, pois eu analisei os fatos, bati cabeça dando explicações para mim mesma, e a verdade é que até hoje não consigo ver como um mero assalto, pois o mesmo começou, segundo a perícia no momento do incêndio da rua debaixo, que havia começado por causas naturais, e não por intervenção humana.

    Isso não foi a única coisa, naquele ano e até o inicio do outro fiquei muitas vezes a beira da morte. Escapando de acidentes por muito pouco, ou sobrevivendo as tentativas de suicídio, mesmo sem querer continuar de pé, porquê não suportava mais o fardo de ser filha de Lúcifer e Lilith. – Ou achou que somente o não agraciado sofreria? 

    Não foi fácil, e depois que tudo o quê era meu foi levado, fiquei isolada do mundo, e saiu a notícia de quê as contas estavam sendo vigiadas pelos americanos, e como se isto não bastasse, a minha página com apenas 150 curtidas, tinha sido apagada da rede, como se o link estivesse quebrado. O quê convenhamos, é no mínimo suspeito.

    Mas Lúcifer havia me avisado, e eu não dei ouvidos.

    Já Lilith sempre foi mais sutil, aparecia em corpos bonitos, e transmitia mensagens de importância sentimental, que me impediriam de me meter em furadas - Entretanto eu não ouvia, e por isso me machucava sem necessidade.

    No meu primeiro contato com a mesma, esta me revelou que o meu namorado na época, não era digno, nem me pertencia, e que era um erro tomar posse do mesmo, pois este era infantil e malévolo, e não era o quê tinha escolhido para mim.

    Duvidei de imediato, pois a moça que me disse, parecia ter sentimentos pelo rapaz. Só que anos mais tarde, vim saber que as suas predições estavam corretas, e que o cara era realmente um traste.

    Não haviam sinais plausíveis, que nos ligassem de fato, somente aqueles que vinham da sua capacidade de me estudar, para saber o quê eu queria - como um sociopata adolescente - e que o fato de me juntar a ele, não trouxe nada mais que:  Desentendimento, culpa, tristeza, e desespero. Como se o mesmo tivesse sido colocado na minha frente, somente para atrasar a minha descoberta, sobre quem e o quê de fato era, pois tal informação certamente tinha grande valia, e lá na frente falarei sobre isto.

    Por estas e outras que digo, eles só vão se manifestar em casos de extrema importância, por isso não espere que apareçam apenas por quê é a tua vontade.

    É preciso entender que a linha da realidade e a ficção por vezes se cruzam, mas a ficção é apenas uma expressão exagerada da realidade. Se não compreender isso, certamente não vai suportar os desafios, e acabará por enlouquecer. – Foi o quê quase aconteceu comigo, depois de 6 anos no caminho.

    Por isso use os artifícios midiáticos apenas para controlar a ti mesmo, para atingir o teu objetivo, ou por diversão. Mas jamais faça uso dos mesmos, para o teu aprendizado. Eu sei deve ser a 3° ou a 4° vez que repito, mas é para que entre em suas cabeças.

    O preparo mental é o primeiro e mais importante nível, porquê é através deste que vai destravar todo o teu potencial oculto, e trazê-lo para a luz.

    Por isso é necessário cuidar da tua mente, como se fosse o teu corpo, absorvendo somente aquilo que é capaz de suportar, e que favoreça o teu entendimento, ou a realização do teu propósito.

    Dias antes de fazer o ritual, faça uma boa playlist de músicas, que te ajudem a se sentir mais forte e capaz, de filmes que te façam crer no mundo oculto, de games e quadrinhos que seguem o mesmo roteiro, e quebram o padrão do impossível, tornando-o possível.

    Pois assim é criada a atmosfera mística mental, e isto te ajuda a ficar pronto para realizar o teu ato místico.

    Feito isto, agora é hora de seguir para o segundo nível.

    A atmosfera mental já foi desenvolvida, você se sente pronto para fazer o seu primeiro ritual, e não há nada que te faça duvidar de suas capacidades.

    Então agora deve expressar isso de maneira física, desenhando símbolos em teu altar, utilizando as velas certas, o incenso necessário, e o ambiente favorável ao teu rito.

    Por isso precisará conhecer cada símbolo que for utilizar em teu ritual, do contrário pode acabar libertando uma coisa, que deveria ficar no outro mundo- Falo por experiência, passei 9 anos sob a influência de Carreau, por ter o libertado em um dos meus rituais, e só há pouco tempo me livrei do mesmo. Então tome muito cuidado, com os símbolos que vai utilizar, pois cada um tem significado específico, e não é o teu desejo de alterá-lo, que vai promover a mudança de uma egrégora que está presente neste planeta há anos.

    Feito isto, agora é colocar em prática o teu aprendizado, então vá adiante.

    Já estudou, já conheceu os símbolos, e leu tudo a respeito dos cultos dedicados ao deus que tu escolhestes, então porquê não se arriscar com um rito próprio? 

    Você já aprendeu a respeito do ser escolhido, sabe o quê pode, ou não fazer, o quê o honra ou desonra, então dê asas a tua imaginação, pois uma imaginação sem recursos é criatividade, mas quando a mente foi preenchida com conteúdo, a imaginação pode abrir as portas, para quê consiga ouvir a tua voz interna. Quer dizer que se você apenas fizer um ritual, seguindo a tua imaginação por nada, pode falhar e cometer erros graves, mas se souber moldá-la, pode servir de ponte entre você e o deus que te aceitou entre os seus.

    Os predispostos precisam está preparados, pois quando a sua voz interna surgir, vários fatos intrigantes vão acontecer, inclusive coisas de origem sobrenatural, que parecem obra de um poltergeist, mas provavelmente virão deles mesmos. 

    A forma de saber se vem de si mesmo, é medindo sua temperatura corporal, pois o excesso de energia, fará com quê a mesma suba bastante, independente do seu elemento, mesmo os que tem afinidade com o gelo, poderão sentir a sensação de calor intenso.

    Ou tentando mensurar o seu comportamento psicológico, pois se estiver sob o estado de muita adrenalina, também poderá acabar por influenciar o ambiente com a tua força oculta.

    Já os humanos não precisam se preocupar, também podem empregar a sua energia oculta num ato mágico, sem ter alcançado o poder divino. É claro que no caso dos mesmos, coisas sobrenaturais serão raras, e provavelmente se acontecer, dificilmente virão dos mesmos. Contudo isso não significa que não há nada que possam fazer.

    O poder dos homens está em sua mente, um pouco mais que no caso dos predispostos, e os humanos podem usar a sua força, para realizar sonhos típicos da espécie, como: Ganhar muito dinheiro, um bom emprego, atrair o amor de suas vidas, melhorar a aparência etc.

    Não será algo instantâneo pois são limitados, por serem a imagem de seu Deus Jeová, mas mesmo assim, com o método certo, e os 2 níveis mental e físico, eles certamente atingirão as suas metas.

    Pois há uma energia oculta poderosa, que está disponível para todos, inclusive os humanos, e é através desta que podem inclusive, abandonar a condição de homens, para se tornar algo mais próximo dos predispostos, ou ainda mais poderosos que alguns.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capitulo 3- A Magia é vida, mas não é um ser vivo.

    A magia não é feminina, nem masculina, ela está acima de teorias tão mundanas.

    Atualmente vemos constantemente que a magia é algo especificamente feminino, que a mulher é detentora de uma enorme energia oculta, porquê somente a mesma é capaz de produzir a vida, e todo aquele blá, blá, blá feminista, do qual até mesmo Lilith já está por aqui.

    Ou pior ainda que o homem, por conta de seu intelecto voltado para o modelo mais racional da realidade, é naturalmente aquele que manifesta as forças de um verdadeiro deus, ou outras besteiras machistas que nos fazem entender, porquê o feminismo existe para se opor a tal pensamento.

    Nem o homem ou a mulher são os provedores de tal energia. Não separados pelo menos. Pois a mulher embora tenha o ambiente perfeito para gerar a vida, não pode fazê-lo sem a semente que existe dentro do homem.

    É totalmente desnecessário provar a sua superioridade através do seu sexo. Isto não é coisa de um bruxo real, mas sim de alguém que tem sérios problemas consigo, e precisa validar-se pelo quê tem no meio das pernas.

    No caso das mulheres, é como adotar uma postura semelhante ao machismo, que supostamente desprezam. No caso dos homens é apenas seguir sendo como os outros, quando, como ocultista , deveria ser melhor que os demais.

    Baphomet representa a união do feminino e masculino, e é uma das figuras mais poderosas do ocultismo, pois não expressa apenas a dualidade, mas a totalidade, que é o uno. A união  do céu e o inferno, do sagrado e o profano, e provavelmente é a imagem perfeita, de como a primeira causa seria, se a mesma se manifestasse em forma física, portanto aprenda a lição mostrada por esta imagem.

    A Magia não tem Religião.

    Muitos defendem abertamente que bruxaria cristã não existe, porquê a igreja perseguiu inúmeros bruxos na santa inquisição. – Até os 16 anos acreditava no mesmo, mas hoje tenho 24 anos, e sou obrigada a desiludi-los mais uma vez.

    O conceito amplamente defendido é que a magia pertence ao paganismo, e logo não pode ser praticada dentro das igrejas, ou por seus fiéis.

    Quem faz tal defesa, provavelmente se encontra no inicio da caminhada- Mas se já passou vários anos, e ainda acredita nisso, precisa urgente deixar de seguir a “massa mística” (O quê é irônico, pois nem deveria haver uma.) e conectar-se  com os deuses, pois apesar do quê imaginam, não estão nem os servindo, nem caminhando com os mesmos.

    Eles sentem como se a nossa cultura estivesse sendo saqueada dos templos sagrados, e entregues aos cristãos.

    E não estão errados, pois isto é o quê de fato aconteceu, antes da chegada de Cristo. – A bíblia sagrada cristã é um mosaico de textos ocultistas de outras culturas.

    Portanto o “roubo” já aconteceu há muito tempo, não é algo novo, e desta forma muitos fiéis já tiveram tempo suficiente para desenvolver os seus cultos. Existe até mesmo uma linha do cristianismo, voltada para os misticismos, então a bruxaria cristã não é algo novo, aceite isso.

    Além disto os grandes ocultistas conhecidos, estudaram as mesmas filosofias criadas por estes fiéis, antes de fundar as suas escolas de pensamentos. É o caso de Aleister Crowley - conhecido como “To Mega Therion”, a  “Besta 666”, “O homem mais cruel do mundo” - que ingressou na Ordem da Aurora Dourada, antes de criar seus Libers. Porém o quê poucos sabem, é que embora o mesmo tenha sido expulso da escola dominical, a Ordem que o recebeu, foi fundada através do ensinamentos distorcidos de Agrippa, que era um grande homem, e devoto do divino.

    Então não há necessidade de espancar e cuspir naqueles que descobriram tal possibilidade, pois pode até servir para contribuir em alguma coisa.

    Há tanta coisa que merece mais tal ódio, que realmente me dói a vista, ler tanto desgosto voltado para os que resolveram seguir um caminho diferente do nosso.

    Do momento em quê erguemos nossa espada para os homens apenas por conta da sua religião, estamos sendo tão sujos e hipócritas, quanto os inquisidores, que apenas apontavam o dedo para aqueles que discordavam da sua versão do mundo. – E eu sei que você não quer ser comparado com o teu rival, então não haja como tal.

    É importante frisar, que a magia supostamente foi trazida aos homens por aqueles que desceram dos céus, por isso a mesma não pertence a humanidade, e logo não deve ser julgada como se fosse.

    Lúcifer e os caídos ensinaram as mulheres, e lhes deram o poder, para realizar os próprios intentos. Mas de onde Lúcifer veio e onde a magia residia antes? Isso mesmo no plano celestial, ou a Deusa Desceu a Terra para ensinar os humanos a praticar a magia, e os guiar para o seu mundo. Quando não mais pôde ficar enviou a sua filha, para continuar o seu trabalho. Mas é sempre seguindo a premissa de quê a magia foi transportada de outro reino, que não é o quê vivemos.

    Então por favor, pare de usar esse contexto absurdo, de quê a magia pertence somente a um grupo, pois até nos textos antigos, pode ser comprovado, que “não é assim que a banda toca”. Hermes Trismegisto já dizia: O quê está acima, é o quê está abaixo. Entenda de uma vez por todas este conceito.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    A magia não tem política.

    Se você é de : direita, esquerda, liberal, fascista, socialista, ou qualquer outro partido conhecido, não importa.

    Novamente é algo mundano, que deve ser deixado em seu devido lugar.

    Não traga suas convicções partidárias para dentro da sociedade ocultista, pois não é bom misturar as coisas.

    Hitler e o Vrill estão aí para provar. 

    Ele obteve um grande sucesso ao realizar a sua missão, mas a sua mensagem real jamais foi ouvida, e pior ainda acabou por ser distorcida, com o decorrer dos anos. Sendo tratada como um massacre desnecessário, ou desumano, ou o grito de horror de inocentes, que nem eram tão inocentes assim. – A sua luta não era contra os judeus, e sim os sionistas, que supostamente queriam dominar o mundo, mas conseguiram fazer parecer que esta era a vontade de Adolf.

    Esta é a versão da verdade que conheço e acredito, pois a filosofia sionista e illuminati, em muito coincidem.

    Mas é algo em quê Eu acredito. Não significa que você é obrigado a crer no mesmo. Por isso saiba que há um espaço para a magia, e outro para a política, não é porquê um influencia o outro, que devemos misturá-los.

    O Tudo é o Todo, e o Todo é Um. Só que é preciso compreender suas metades, para poder entender como se complementam.

    A Magia não tem etnia.

    Não importa se tu és negro, branco, hispânico, índio, ou qualquer outra raça conhecida. Todos são humanos, ou ao menos meio-humanos, no caso dos predispostos. Assim sendo devem respeitar uns aos outros.

    Se o branco quer fazer parte da gira, deixe-o entrar. O mesmo vale para o negro que anseia entrar num sistema mais elitista como o luciferianismo ou o satanismo.

     

    Salvo apenas exceções para filosofias voltadas para o racismo como a Skull and Bones por exemplo. Porém creio que tais ideais são como feminismo e machismo, e precisam ser abolidos da face da Terra, pois só servem para validar a vontade, de gente tão pequena que se define por sua cor ou sexo.

    A magia não tem estilo.

    Vocês encontrarão gente de todo tipo no caminho. Mulheres com roupas provocantes, homens maquiados, moças de turbante, rapazes de dread, gente de preto, gente de branco, e isso não significa absolutamente nada.

    A roupa que a bruxa veste, não representa o seu poder, apenas expressa a sua mais forte emoção, aquilo que mais gosta, e tem alguma afinidade.

    Ou seja não é porquê uma bruxa veste preto, que ela trabalha para Satã, ou porquê uma bruxa usa vestes coloridas, que esta serve a deusa e o deus.

    A diversidade neste meio é muito grande, logo nem tudo o quê aparentemente é, de fato é. Quer dizer há casos de bruxos que se vestem como anjos, mas trabalham com energias bem densas, e o mesmo ocorre com aqueles que se vestem como demônios, mas praticam magias menos pesadas, pois é o quê podem suportar.

    Há bruxos que pouco estudam, mas conseguem obter grandes resultados. – Embora mais tarde acabem achando que o hospício é o lar doce lar.

    Há ocultistas que procuram estudar mais do quê necessário, e quê embora criem barreiras no seu desenvolvimento, se sentem mais confortáveis, em suas limitações.

    Então não adianta ditar que a magia é um estilo de vida, pois cada um é livre para encontrar o tipo de vida que o mais o agrada. – É claro que adotar a prática diariamente, certamente vai te ajudar a obter bons resultados, pois condiciona o cérebro a destruir o empecilho do impossível. Entretanto isso não é uma obrigação, nem uma regra. Você decide o quê se adequa a tua condição. - Até porquê há aqueles que compartilham seu lar com outras pessoas, que não apoiam as suas práticas, e por isso precisam de outros meios, de gerar uma boa atmosfera mágica, que não implique em desrespeito aos que lhe oferecem um teto, e seja viável para executar.

     

     

    A magia é uma energia.

    A magia é formada de átomos de energia positiva e negativa, e você é o nêutron que rege tais forças. 

    A magia não tem voz, ela apenas te ajuda a encontrar a sua. A magia não pode ser um corpo, mas te ajuda a moldar o teu. A magia não ouve, mas te faz ouvir. A magia não vê, mas te ilumina para enxergar. A magia não sente, mas te impulsiona a sentir. A magia não pensa, só que intervém em teus pensamentos.  

    A magia é uma força gigantesca, que se bem canalizada, pode criar ou destruir a vida, mudar ou colocar as coisas no lugar, alterar o fluxo ou mantê-lo, incendiar ou apagar o incêndio. É a mais perfeita expressão da linguagem divina, proveniente da Primeira Causa. É a matriz de onde tudo nasce, da qual pode beber de sua energia.

    A magia é vida, pois é movimento, e ausência do mesmo, é luz, é sombra, é claro e escuro, é impulso, é neutra, é causa e efeito, mas não é um ser vivo.

    Consequentemente não pode ser tratada como tal. A vista disto não lhe atribua as características de um humano, fazendo-a ter: sexo, política, etnia, ou estilo, pois esta é muito maior que tais convicções.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capitulo 4- O Mundo sem o véu.

    Já trabalhamos em cima da atmosfera mística , e a importância do aspecto mental, para criar tais condições, e portanto aplicar a energia mágicka. Mas como é que o mundo se torna, após quebrar a barreira do impossível? 

    Primeiramente o mundo de concreto, continuará o mesmo, são seus olhos e o olhar que se tornarão diferentes. 

    Provavelmente deve ver diariamente a batalha entre os céticos e os ocultistas. “Só confie na ciência pois há como comprová-la e a magia é apenas crendice.” Dizem os apaixonados pela ciência. “Abra seus olhos, há um mundo mágico por trás deste, e somente a fé nele é o suficiente para manifestá-lo. A ciência é uma tolice, um insulto as forças divinas.” Dizem os aficionados a magia.

    Você pode de imediato concordar com a segunda visão, mas ambas estão erradas. – Embora a parte do conceito metafísico (o mundo por trás do mundo) seja correta.

    Quando se encontra de fato com o oculto, você percebe que magia e ciência, servem para dar as mãos e não se destruírem, como se fossem inimigos velados.

    Essa rivalidade trivial, não é digna de um ocultista, pois o mesmo tem consciência, de quê muito do quê temos hoje antes era visto como místico.

    Imagine-se em 1500 com um celular em suas mãos, certamente as pessoas do tempo, ficariam maravilhadas, e depois iriam temê-lo, ao ponto de queimá-lo vivo, sob a declaração de prática de bruxaria. – Mas nos tempos em que vive, sabe que se trata de ciência, e isto o faz rir.

    Essa perspectiva a princípio pode deixá-lo desnorteado, só que é um fato. Eles nem parariam para estudar a respeito, pois naquela época a Terra era movida pelo medo.

    Muitos cientistas foram tidos como hereges no seu tempo, e jogados no fogo purificador dos santos, então tentar separar o inseparável é bobagem. – Todavia é significativo que saiba que não basta compreender as metades, é necessário entendê-las a fundo.

    A ciência é um meio de comprovar se um fato é real ou falso. Embora seus métodos, pareçam servir somente para desbancar a existência de seres maiores que a humanidade. Eles também podem ser usados, para por exemplo separar, quem realmente viveu uma experiência sobrenatural, e os que apenas precisam de tratamento psiquiátrico. – Lembrando que alguns eventos de natureza mística, podem ser tão devastadores, que causam este efeito de estresse pós-traumático.

    Logo se a ciência serve para medir o evento, o esoterismo é o evento– Uma manifestação nua e crua da natureza, que para muitos foi esquecida, e que tem mistérios a serem desvelados.

    Desta forma o primeiro ponto é esse: A inexistência de um padrão dualista, e percepção de que o universo é realmente um, cujas as metades unidas, o fazem completo.

    Além disso, quando você se conecta de fato com o cosmos, ele também se junta a ti, e assim desenvolve o quê é conhecido como inteligência divina. – Não que vá conseguir resolver cálculos matemáticos complicados em segundos, como no filme Transformers, mas certamente libertará uma sabedoria, bem diferente da dos demais, e que vai te ajudar a se compreender melhor.

    No caso daqueles que tem a predisposição, poderão descobrir mais sobre a linhagem, através das memórias dos deuses, que vão lhes transmitir informações sobre a sua missão, e o nível dela. – Se será fácil ou cheia de obstáculos.

    Já os humanos, terão como resolver as suas grandes questões, a respeito de quem são, e de onde vieram de fato, podendo inclusive conhecer o criador da sua espécie, e lhe pedir a dádiva divina. – Mesmo que tenha um preço alto a se pagar.

     

     

     

     

     

     

     

    E este é o segundo ponto: Saberá sem ter visto nada antes. – Mentalize a seguinte situação: Você é um estudante de médio conhecimento sobre a Deusa Afrodite. Tudo o quê sabe é que é a Deusa do Amor, e que seu par é Hefestos, o ferreiro do Olímpo, e outras pequenas coisas. Do nada seu corpo se desliga, e você tem a visão de Afrodite na cama de Ares, o Deus da Guerra dos Gregos, e Hefestos quer provar a sua traição. Você retorna, acha aquilo estranho, e decide pesquisar sobre isso, então lá está o quadro que retrata a sua visão. É o quê vai acontecer, quando libertar este tipo específico de aprendizado.

    Novos mundos irão se apresentar a ti, mas eles não serão físicos. Sempre que meditar, terá visões do teu verdadeiro lar, que não é este planeta, e ao fazer a viagem astral irá sentir, como  são as outras civilizações.

    Há chances de prestigiar o mundo, em que o Deus que te acolheu habita, e assim receber dele algumas direções, para te ajudar a cumprir o teu propósito.

    É quando começará a entender a teoria de Giordano Bruno, sobre os milhares de planetas, que existem além da Terra, e a diversidade presente nos mesmos.

    Deixará de crer em filosofias como criacionismo ou evolucionismo, e aceitará o design inteligente, que lhe parecerá a resposta mais plausível, para a origem das espécies existentes.

    Verá que a panspermia cósmica, é uma ideia incompleta, pois a vida não se forma do nada, é preciso de uma causa que a gere, e esta é ninguém menos que o próprio Uno, que você conhece como Universo.

    Ao entrar no plano invísivel , começará a duvidar se está vivo, ou preso em um sonho, do qual acorda todas as noites, e retorna para casa. – É lindo, porém se você criar afinidade com apenas o outro lado, esquecerá que não habita nele, e isto te trará consequências terríveis, como buscar o abraço gélido da morte por exemplo, e ao fazê-lo, se levará a dimensões sombrias, que deram origem ao termo adotado como Inferno, o quê atrasará ainda mais a sua volta.

     

    É preciso que se lembre sempre, de quê embora a sua casa seja a anos luz daqui, há pessoas que precisam de você, e tu tens uma missão a cumprir, antes de retornar para aquele lugar que te faz tão bem. – Quando fizer a projeção, tenha ciência de quê está fazendo uma visita, e não se mudando pra lá.

    Alguns rapidamente encontram o caminho de volta para as estrelas, outros demoraram, pois não estão prontos para aceitar, que aquele canto maravilhoso, o aguarda, mas ainda não é o momento certo. – Ou pior, devido as espécies superiores e inferiores, que vem se aniquilando há milênios, não há pra onde ir, e só pode aprender com o quê restou, da sua civilização materna.

    Outra coisa, é importante também ter conhecimento de quê, tudo o quê tem no outro mundo, não pode trazer para o físico. O máximo que conseguirá, é uma versão fantasma da coisa em questão.

    Portanto se atravessar o mundo dos dragões para este, montando em um deles, o mesmo não vai se materializar em teu quarto, como se fosse um animal comum, e somente os que desenvolveram A Visão, poderão enxergá-lo, (ou nem isto, pois há os que escolhem com quem interagir).

    Há muitas críticas no meio sobre o quê os bruxos já viram ou experimentaram.  Qualquer magista que tenha  visto duendes ou dragões, e se juntado a estes numa experiência mística, é friamente julgado. Então mesmo que adentre no outro lado, é preciso que não fale isto para quem não presenciou o mesmo, pois dificilmente vão compreender. – Salvo exceções aos que se dizem ocultistas, mas precisam de substâncias alucinógenas para adentrar no outro mundo. Estes realmente possuem pouca credibilidade sobre o quê presenciaram, pois as drogas não te ajudam a conhecer a outra dimensão, no máximo consegue refletir o teu interior. Isto não significa que me oponho ao seu uso, pois cada cabeça tem uma sentença, e sabe o quê é melhor para si. No entanto quando se trata de experiências extra-sensoriais, o uso de tais artifícios pode lhe ofuscar A Visão.

     

     

     

     

     

    Não estou falando da visão física, mas sim do terceiro olho, o olho que tudo vê, o olho que não enxerga somente o concreto, mas os átomos que o compõem, e vibram na mais baixa frequência, para torná-lo pesado.– É o olho que desmembra a realidade, para que conheçamos cada um dos seus mais profundos mistérios, e certamente você não querer perder essa capacidade. Pois uma vez que encontra o plano místico, os seres do plano místico te encontram também, e nem sempre isso é algo positivo, pois a maioria detesta os seres esquecidos na Terra, e anseia destrui-los, para que não retornem ao mundo deles, com medo de serem “infectados” por ideias humanas.

    E aqui é que a situação piora, pois os seres que odeiam os meios- terrestres, e terrestres em sua totalidade, fazem de tudo para que  os bruxos, não consigam atravessar a ponte do astral, para o Etérico – O plano acima do astral, (que também pode ser reconhecido como o Consciente Coletivo de Jung) terão as respostas necessárias, para evoluírem suas consciências, sobre quem são.

    Eu sei parece o roteiro de algum RPG, e se quer saber a realidade, o mundo invisível não é tão diferente do mesmo. Então se anseia entender a respeito, sugiro que comece a jogar, e estude todo o sistema, para quê saiba de suas limitações.

    Aliás creio que quando disseram que Deus jogava com dados, se referiam a isto, pois tudo depende das circunstâncias. Deus lhe oferece alternativas, e você no início, quer seguir adiante, e derrotar o monstro com um golpe de misericórdia. Contudo Ele no poder de mestre do jogo, prefere que lute contra o monstro, da forma mais humilhante que há, e perca teus braços e pernas. Ambos atiram seus dados no tabuleiro. O resultado dele é 7 o seu é 2, sua vontade é alterada para que a dele seja atendida, e você nobre peregrino, acaba por perder teus membros na batalha contra o gigante.

    Pois não importa o quanto digam que A Tua Vontade é A Lei, seus artigos podem ser alterados pela diretoria, que foi gerada pela Lei Imutável dos Antigos. 

     

    A sua vontade, não é o suficiente para alterar algo monumental, principalmente quando se trata do seu encontro com o Mestre do plano Superior. Pois naquele lado há uma egrégora poderosa, que foi alimentada por milhões, e a diferença do milhão para um é muito grande.

    Você certamente deve está pensando, se é assim que graça tem em praticar magia? A mesma de jogar. Pois quando você segue dentro dos padrões sociais, apenas está sendo parte do cenário, e não tem controle das próprias ações.

     Mas quando modifica o rumo, ao menos tem a chance de escolher, ou seja está pegando os seus dados, e se preparando para alcançar a glória do verdadeiro livre- arbítrio.

    Porém assim como para jogar um RPG, você precisa muito do quê o dado, na magia não é diferente. É necessário escolher um personagem, ou no caso do ocultismo, uma vertente, como a magia draconiana por exemplo.

    Feito isto, não basta apenas manter o personagem, é preciso fortalecê-lo, para encarar o mundo que o aguarda. No RPG com armaduras, joias, e outros apetrechos. Na magia com sigilos, círculos, linguagens desconhecidas, etc.- E mesmo que seu personagem esteja no nível máximo, sempre haverão aprimoramentos, para torná-lo cada vez mais capaz de alcançar os objetivos, que lhe são apresentados na jornada.

    Portanto antes de adentrar de vez no mundo translúcido, ou tentar remover o véu do mundano, se prepare devidamente, pois nem sempre o mestre vai com a cara do seu personagem, e no seu caso essa potência é ninguém menos que o próprio Deus. - Não o Deus dos Ocultistas, que é a força ilimitada e geradora. Mas sim o quê foi criado por uma egrégora de humanos ambiciosos, e mal intencionados, que conheceram um ser, que achou que poderia tomar a coroa cósmica de quem o gerou, e o fortaleceram o suficiente para ser aquele que hoje comanda muitos mundos. É, eu sei parece a história de Lúcifer, mas este é um clássico caso, em quê o vilão se denuncia pela sua versão deturpada dos fatos, e quem tem o bom senso consegue perceber as entrelinhas. – Leia o Antigo Testamento, como um livro comum, e verá que o Deus do Amor, é na verdade uma expressão do mais puro Ódio. 

     

     

     

    Além destas alegorias, há muitas outras, então fique atento, e aprenda a jogar, ou siga como a massa permitindo que o mestre controle o seu destino, sem jamais se opor a tudo o quê te acontece, e ficando grato pelo pão e o vinho na mesa, assim como pela morte dolorosa de toda a sua população, porquê este quis assim.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capítulo 5 - O fanatismo, o grande veneno mágicko.

    No capítulo 4, abordei sobre o outro mundo, mas primeiro expliquei sobre o maior dos empecilhos para chegar lá, pois é importante que esteja ciente, de quê nem tudo são flores.

    Posso ter passado a impressão de quê estou em cima do muro, sobre Deus e o Diabo. Mas o fato é que, quando se conhece ambos os lados, fica claro que a ideia do preto e branco, não serve para nada.

    É claro Jeová é cruel, é o Deus dos homens, dos pecadores. Contudo é um verdadeiro Ares da religião judaico-cristã, não há quem duvide da eficácia de suas estratégias, e isto é admirável. – Apenas discordo de algumas metodologias dele.

    O mesmo ocorre com Lúcifer, ele é meu pai, e certamente me orgulho disto. Porém não concordo em evitar a massa. Apesar de não pertencer a ela, seus tipos de entretenimentos são bem agradáveis.

    Então é aqui que se percebe, a razão para não apoiar fanatismos. Se fosse obcecada por Lúcifer, concordaria com tudo o quê dissesse, mesmo que fosse contra aquilo que gosto, somente para ser o quê ele supostamente espera de mim.

    Isso é errado. Além da grande falta de amor próprio, há também o risco de ser manipulado por entidades maléficas, que não caminham nem com a luz, nem com as trevas, apenas servem a si mesmos. – O quê não é errado, mas do momento que atrapalha a vida do outro, se torna prejudicial.

    São seres que passaram grande parte da sua vida, sob a sombra dos senhores, e que jamais conseguiram ascender como eles, e por isso na primeira oportunidade, os apunhalaram pelas costas, e assim foram jogados num mundo caótico, de onde vez ou outra saem para atormentar, sob a forma de fantasmas, que sussurram coisas em nossos ouvidos. – É como se fossem os empregados que se dedicaram a empresa, sem terem recebido uma proposta de aumento, e mesmo assim esperaram subir de cargo, e quando nada aconteceu, começaram a destruir o prédio para que ninguém mais trabalhasse. 

    Uns os chamam de demônios, mas isto é um insulto aos seres do mundo inferior. Então prefiro seguir com o conceito da umbanda, de espíritos obsessores, e embora grande parte diga que se tratam apenas de seres humanos, poucos sabem que não são apenas os homens, que tem problemas para evoluir.

    São criaturas que em vez de terem visto alguma oportunidade, abraçaram as limitações como desculpa, para concentrar a sua ira em algum foco.

    E porquê estou falando nelas? É bem simples na verdade. Porquê tais seres encarnados ou desencarnados, costumam se aproveitar da fé alheia, para que cumpram seus objetivos atrozes, de destruir a base das filosofias, que supostamente os abandonaram.

    Portanto quando você se entrega demais a fé, não consegue perceber as armadilhas dos mesmos.

    Imagine duas situações: Primeiro há um padre de uma cidade pequena, cheia de gente analfabeta, mas com muita fé em compensação.

    Eles acreditam que apenas a palavra de Deus, proferida por seu padre, é a verdade imutável da vida.

    Contudo tal líder, pouco se importa com as palavras divinas, apenas as estudou, para ter poder sobre as pessoas, e assim usá-las como bem entender.

    Ele tira das mesmas: o seu dinheiro, os seus filhos, a sua liberdade, e os faz segui-lo cegamente, em rumo a completa perdição, pois sabe que está condenado, e quer levar quem puder junto.

    Como se não bastasse, para garantir-se, diz que é a vontade de Deus, toda vez que o questionam, e pior ainda, faz com que seus seguidores, repudiem qualquer figura pública, que pode desmistificar a sua falácia. – E se a tática funciona, mostra as suas garras, é quando por exemplo reúne os mais devotos, e os influencia a matar alguém, alegando que a pessoa está sob possessão demoníaca. (Não que discorde da existência da mesma, mas creio que eu, que o quê parece palhaçada para quem entende, é assustador para o ignorante, e o medo, sempre gera caos, se mal empregado) 

    No segundo caso, a mentira é um pouco mais articulada. O sacerdote diz que você é livre, que não precisa mais seguir nenhuma regra do “Nazareno”, que a vida começa agora, e os pecados não passam de uma bobagem.

    No início nenhum centavo é tirado, eles apenas promovem festas de orgia. – O quê não é ruim se for solteiro, mas o verdadeiro preço, que vem depois sim.

    Você se envolve nas palavras do sacerdote: Não há Céu, Não há Inferno, somente o aqui e agora, então façam valer a pena do jeito que o diabo gosta!

    Assim como o padre, tal sacerdote não está interessado no crescimento do seu grupo, somente quer arrastá-los para o fundo do poço, para que precisem dele, e é aqui que o golpe se torna mais evidente.

    Pois toda vez que a pessoa quer sair da tristeza por sua vida vazia, surge um novo motivo para deixá-la em tal estado. – É, o sacerdote, não carrega tal acunha, sem ser praticante de magia.

    Após fazer com que a vítima de seu magnetismo ( e alguns espíritos), comece a enlouquecer, vem as ofertas absurdas. “Mate um bebê para Satã, e ele te libertará destas correntes.” Diz o mesmo. Mas convenientemente, esquece de contar que a criança escolhida, é filha da ex com o atual - que percebeu o bosta que ele era, e o deixou.

    Eu sei parece inacreditável, mas a situação somente se agrava, pois no fim das contas, o padre e o sacerdote, se encontram longe dos olhos de todos, e assumem que suas jogadas, estão sendo bastante eficazes. Pois se os cristãos ficarem longe da magia, que os levam a questionar, e os satanistas evitarem o sentido de certo e errado, nunca conseguem atingir o estado da iluminação, para descobrirem a quem de fato servem, e que não é nem ao Diabo, nem a Deus.

    Estas criaturas são ainda mais inescrupulosas que Jeová, pois enquanto o mesmo ainda recompensa os seus, estes seres apenas fazem os demais afundarem, e nunca reconhecem os seus esforços, porquê como disse antes, sentem-se injustiçados, e que todos merecem a sorte que tiveram, por serem tão tolos ao acreditarem neles.

    Então não deixe que a sua fé te domine, mesmo que seja parte do plano superior. – Ela pode abrir portas, mas se não souber onde pisa, acabará indo para uma selva, e mergulhará em areia movediça.

    Somente a fé, nos faz ficar cegos. Da mesma forma como seguir somente a ciência, nos faz deixar de perceber, o tamanho da plenitude do universo, e que nem tudo se resume ao que é “concreto”. – A verdade mística não pode ser medida por filosofias dualistas da humanidade, pois esta se perdeu há muito tempo.

    Então como nos impedir de chegar a esse ponto? 

    Não há um método certo, e que tenha 100% de eficácia. Mas após várias pesquisas de campo, com base em observação, percebi algumas formas, que listarei a seguir:

     Evite defender a sua fé com paixão. – Não estou dizendo que não deve amar o quê faz, mas sim que precisa saber a diferença, entre o amor e a paixão. Amor é uma chama pequena, que serve para nos aquecer numa caverna. Paixão é um incêndio, que se alastra, destruindo toda a floresta, e se não ficou claro Paixão é um caso de amor intenso, impulsivo, e descontrolado. Amor é quando duas pessoas completas, compartilham uma vida juntas, sem desistir de quem são, pois escolheram andar com o par, e não dominá-lo.

     Estude tanto o seu opositor, quanto aqueles a que apoia. – Não estou dizendo que precisa se tornar um cdf de magia. Todavia é preciso sim ter conhecimento do quê faz. Então antes de julgar o inimigo, tente descobrir sobre as suas motivações para agir de tal forma. Concordar ou não, está fora do caso, mas é importante ver até onde o boato relatado é real.

     Haja como cético. – Apesar da correlação com o item anterior, é importante nos focarmos no fato, pois ser cético, é duvidar bastante da história, antes de aceitá-la como verdade, e é esta postura que deve tomar, sempre que uma coisa, que desconhece, surge na tua porta.

     Procure informações imparciais – Se o bruxo diz que a sua deusa é santa, e a religião a condena como “demônio”, é bom evitar ouvir ambos, e buscar por uma voz, que trabalha todos os aspectos da deusa, desde os puros, aos mais pecaminosos.

     Não fale sobre sua filosofia com eles. – Um fanático não tem nada para acrescentar na sua busca por conhecimento, a não ser, que queira estudar sobre transtornos de personalidade, ligados a estresse pós- traumático. Mais terrível ainda, pode te levar pro fundo do poço junto com ele, pois te faz crer no mesmo mundo maravilhoso, em que os seus superiores o colocaram. Então se tem um(a) amigo(a) que sofre disto, fale sobre qualquer assunto, menos deste.

     Rejeite as palavras do fanático – Não precisa humilhar a pessoa, por conta do seu fascínio. Afinal o fanático em si, é apenas uma pessoa apaixonada, sendo controlada por terceiros. Então sempre que notar os traços de fanatismo, lembre-se de que ela é apenas o papagaio repetindo o quê ouviu, e não sabe o quê fala.

     Conheça os traços de fanatismo. – Um ser tomado por esta paixão doentia, manifesta alguns sintomas como: 

    Palavras vazias. – O(a) sujeito (a) fala como se entendesse do assunto, mas ao ser confrontado, e obrigado a defender os interesses, com ideias próprias, fica mudo, ou tenta alterar o rumo da conversa. Fingem sensatez e calmaria. – Frases como “O mundo é injusto, por causa de...” são bem comuns no seu vocabulário, pois estes conhecem o Uno, mas são incapazes de entendê-lo.

    III. São agressivos. – Se mudar o rumo da conversa, não funcionar, eles começam a se irritar bastante, e por isso se tornam violentos.

    Não suportam a verdade. – Diga-lhes que Satã é bom, ou que Deus é engenhoso, e verás o fanático demonstrar, a escuridão mais profunda daquilo a que serve. São iludidos. – Não conseguem extrair a verdade de um material fabricado para entretenimento, e pior ainda, tomam para si o todo como verdade absoluta. (Depois saem matando hereges ou sacrificando virgens porquê o programa ensinou.) Veem sinais onde não há nada. – Que há sinais no universo, todos nós sabemos, porém achar que tudo é sinal de alguma coisa, sem antes avaliar os aspectos psicológicos, entorno de tal possibilidade, é sim um erro. Se você sonha com um homem te perseguindo, após ter assistido um filme de terror, ou vários, isto certamente comprova que no fundo, não suportou tão bem quanto pensava. Agora se você sonha com anjos te ajudando, quando a sua vida, é totalmente voltada pro satanismo, é bom avaliar o quê significa.

    VII. Carregam olhos vazios, e parecem está sob efeito de drogas pesadas. – Eles podem tentar forçar o riso, para demonstrar que estão 100% satisfeitos, mas se olhar bem, verá sinais físicos, que denunciam a sua infelicidade como: Olhos de quem foi vítima de hipnose, sorriso que não condiz com os mesmos, magreza ou gordura extrema, tremedeira, e fala lenta, cheia de pausas excessivamente longas, (mesmo que não condiga, com a sua regionalidade) ou discurso caloroso e agitado demais.

    VIII. São ativistas do templo. – Que há fiéis enjoados dentro das igrejas voltadas para o culto cristão, já estamos cansados de saber. Mas sim, também há fanáticos no templo pagão. São bruxos e bruxas, que vivem querendo impor a sua crença, mesmo que isto não seja bom para a própria imagem.

    Não tem noção do quê fazem – São como crianças de 3 anos, que repetem os gestos dos líderes. Nunca questionam os seus superiores. – Nem conseguem, pois a lavagem cerebral intensa, os tornou submissos.  Te amam, somente enquanto concorda com eles. – Discorde de uma ideia sobre a sua conduta, e eles te queimam vivo (literalmente ás vezes).

     

     

    Em algum momento da vida, podemos apresentar, alguns destes sinais, já que independente do caminho que seguimos, nós o amamos, não importa o quão complexo seja. Mas é bom lutar contra tais atitudes, pois elas só servem para nos envergonhar, e também nos distanciam dos deuses, e consequentemente do quê é real e falso.

     

     

     

     

     

     

    Capítulo 6 – A verdade liberta, mas é dolorosa

    É, nobre forasteiro, se a vida tem sido fácil, e as verdades que descobriu até o momento, não lhe trouxeram nenhum problema, ou representaram tudo aquilo que sempre quis, sem algum esforço, e nem sangue ou suor foi derramado. – Significa que a parte boa está acabando, e é melhor está preparado, ou você é vítima da sua própria mente.

    No segundo caso, é algo muito comum atualmente. É o quê chamo de iluminação de holofote. Trate-se de uma pessoa, que sai dizendo que é superior aos demais, ou força transparecer que já atingiu o nível máximo da evolução cósmica. – Mas antes dos beijos de luz, deixa subentendido que te quer “queimando no inferno”.

    A verdade nunca é aquilo que serve para compensar uma perda, mas sim confrontar a existência do ser, por ter sido pré-estabelecida há muito tempo, e isso nos leva a um tópico interessante: Os bonecos que pensam ser filhos dos deuses.

    Hoje em dia tem muitos filhos de Lúcifer e Lilith por aí. Se for contar nos grupos de magia do Brasil, há mais ou menos “mil” deles. – Razão pela qual, prefiro me manter em silêncio a respeito disto, pois me sinto envergonhada.

    Assim como há também as crianças Percy Jackson – Jovens entre 11 e 18 anos, que se encantaram pelos programas, que são focados na visão etérica (e distorcida) do mundo, e saíram mundo a fora, batendo no peito, e dizendo eu sou um (a) semideus!

    Em ambos os casos é algo bastante incômodo, pois se for falar com tais seres, muitos são vítimas do fanatismo midiático, e não só não possuem habilidades, como também mentem, para dar a impressão de quê são “especiais.”

    Chego a sentir dó dessas crianças, pois o tempo que gastam tentando provar o quê não são, poderiam usar para adquirir conhecimentos, que os levassem a encontrar os deuses, e dependendo do contexto, serem abençoados por eles, ao ponto de desenvolverem algum dote.

    Não seriam semideuses, mas e daí? Quantas lendas maravilhosas serão necessárias, para que entendam, que nascer humano, não significa morrer como tal?

     Olhem o exemplo do conde Vlad III, o turco, que empalava os seus inimigos vivos, e deu origem ao vampiro mais famoso das décadas. Ele iniciou como humano, mas hoje, para muitos, é visto como um Deus Noturno.

    Então novamente o quê você é no momento não importa, o quê pode vim a se tornar, após a caminhada sim, portanto pare de perder tempo, forçando ser o quê não é, e abrace quem é de fato.

    A verdade, não é aquilo que deseja, e sim o quê necessita.

    Você pode morrer gritando aos 4 ventos, que é filho (a)  de um deus (a) mas se não for, sempre haverão ausências de sinais legítimos, e a magia não vai se manifestar, mesmo que a sua fé seja grande, pois haverá um forte bloqueio em teu caminho.

     Porém quando realmente é algo, até as coincidências, serão ligadas ao deus com o qual sente a conexão.

     É o meu caso. Quando me foi revelado que era filha de Lúcifer, me opus a isso, com toda fibra do meu ser. – Tinha acabado de ler Lex Satanicus, e via Lúcifer e Satã como seres distintos. Sendo Lúcifer, o belo e inteligente, que tem repulsa ao mundano, e Satã um charmoso nerd, que se divertia em qualquer lugar.

    Jamais pensei em Lúcifer, como sequer meu semelhante, pois apesar de ter problemas para me socializar, não desprezava a sociedade, como ele, e isso foi um grande baque para mim.

    Como se não bastasse, além de ser filha do ser mais inteligente e cheio de conquistas, também me foi revelado que eu era um anjo, e foi a gota d’água, porquê detestava celestiais, e todo o plano superior na época. – Tinha 17 anos, e os hormônios agiam com grande potência em meu organismo.

    Não foi da noite  para o dia, que consegui aceitar. Receber a notícia de que era filha de Lilith foi fácil, pois já tinha notado traços de personalidade, bem semelhantes aos da deusa antiga, que ao contrário do quê a maioria pensa, não nasceu de um mito Judeu, mas sim Sumério, sob o nome de Kiskill-Lila, a filha legítima da deusa Terra, ou Antu, também conhecida como Tiamat, pelos Babilônicos. – Então sei que Lilith não é a deusa suprema, e também que não foi criada para o Adão.

    Lilith era uma deusa lasciva, hipersexualizada, que seduzia os homens, para torturá-los. Tinha ódio da humanidade, por ter sido substituída, por uma mulher inferior. Gerava abortos, para não mandar suas crianças sagradas, para este buraco conhecido como planeta Terra.

    Eu a admirava, me sentia como ela, sentia seu poder em minhas veias, e gostava muito da sensação. Mas como disse antes a verdade não é algo que tapa buracos, por isso tinham aspectos negativos, sobre ter o seu sangue.

    Meu impulso agressivo era muito forte, meu desejo sexual também, ás vezes manipulava as pessoas para o benefício próprio e nem percebia, e pior fui inclinada a uma vida pecaminosa de traição, que por muito esforço, não foi física. – Com exceção ao homem com o qual sou casada, mas ele era meu amante, e não o traído.

    Além disto, como carrego duas naturezas divinas em meu DNA cósmico, tenho peso de consciência sempre que pratico atos de maldade, com aqueles que não deveriam receber a escuridão de mim. – Mas os que a merecem, ou esqueço, ou me vanglorio da vitória.

    Saber destas e outras coisas, foi um enorme desafio, principalmente porquê não entrei no caminho, achando que era um ser celestial ou demoníaco. Apenas o fiz para entender, porquê minha família toda, possuía um passado de histórias fantásticas ou sombrias, e coisas estranhas aconteciam comigo desde criança.

    Quando bebê, meu andajá  se ligava sozinho de madrugada, e isto causou tamanho pavor nos meus pais, que estes queimaram o objeto. Já um pouco mais velha, quando me irritava as coisas caíam sem tocar, se sentia muito ódio, os eletrônicos pegavam fogo perto de quem me magoou, ouvia passos há metros de distância, encontrava objetos perdidos através de sonhos, e literalmente deslocava  meu espírito de um mundo para o outro. – Na infância entrava numa espécie de transe, que me levava para uma dimensão, onde os belos eram maus, e os seres horrendos me protegiam, mas não sabia o porquê. Assim como costumava dizer que o bicho papão era meu amigo, muito antes de lançarem filmes sobre o tema ( quando o entretenimento era voltado para bom é bonito, e mal é feio.) Tal capacidade assustava a minha avó materna, que me pegava falando “sozinha”, e acusava que eu conversava com demônios.

     Como se isso não fosse o suficiente, quando estava na quarta série, e estudava numa escola de esquina para o cemitério, chamada Guanabara, cheguei a me deparar com o mundo sobrenatural, e creio eu que a própria morte, pois era um ser de mortalha negra, que apareceu em meio a penumbra, iluminada por pequenos raios de sol, depois de ter me encontrado com torneiras, que se abriram sem o auxílio de mãos alheias. Não fiquei lá para conversar, tinha 10 anos na época, por isso sai correndo, e ao entrar em contato com meus colegas, tentei não parecer que tinha medo, ou visto algo. Dentre outras histórias, que vieram depois, mas que se eu citasse seria difícil de crer, então vou parar por aqui.

    Quando me abri para o satanismo, não tinha a intenção de ser uma das filhas de Satã, ansiava apenas por ser uma soldada, que guiaria as pessoas para os seus devidos caminhos.

    Por isso ao ser confrontada com visões, e gente muito mais surtada do quê eu mesma, acabei por duvidar de tudo. – “Ah tah eu sou filha de Lúcifer e Lilith, e a herdeira do Inferno, Aham, acredito” ou “Este é o cúmulo da infâmia”. “Tanta gente lá fora, querendo isso, e eu aqui apenas seguindo a minha jornada sem acreditar que sou eu.” “Por quê Lúcifer e não Satã?” – Relembrando que na época via-os como gêmeos negros, não uma totalidade de opostos complementares.

    Não foi algo simples, e pra piorar fiz uma cota de inimigos, que achavam que eu não era digna. – E não ligava muito, pois também concordava com isso, só brigava quando se tratava de mim, não da minha suposta “herança”.

     

     

     

     

    Até hoje sigo duvidando, mesmo que bem lá no fundo, saiba que é verdade, e que aceitar isso é o melhor caminho. Só que sou muito cética, para abraçar tal fé sem provas mais consistentes, e outra eu nunca quis sentar no lugar de Lúcifer, só de está na sua presença, com meus dragões, e meus aliados, já me sentiria feliz. –Apesar das reservas, que tenho, por ele ter interferido para que soubesse, como era ser a ovelha negra da família, e iniciar uma conquista, com apenas as asas e a essência. Todavia há sinais de quê sou da sua linhagem, e vou citá-los, para quê fique claro, quando alguém é um filho, e quando não é. São eles: 

     Nascimento que parece milagroso, mas é maldito: Quando minha mãe engravidou, ela teve rubéola, e o caso foi tão grave, que o médico mandou-lhe me abortar, mas ela se opôs a isto, e fez promessa a uma santa, para garantir minha segurança, e vim saudável. — A igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quase pegou fogo em 2013, quando houve um incêndio de grandes proporções em Macapá- AP, que foi inclusive noticiado no jornal nacional, mas a causa por muito tempo, foi um mistério insolúvel.

     O meu número da sorte ligado a data do meu aniversário: 15/02/1995 foi quando nasci, e 15 é o meu número da sorte desde criança. – Afinal ganhava festas e presentes. O mesmo dígito é considerado o número do Diabo no Tarot. Além disto se somar todos os algarismos de maneira cabalística, resultará em 5, que lembra o pentagrama, um símbolo bastante comum na magia, e o 1,5 é uma das partes presentes da Deusa Babalom, de Aleister Crowley, representada em sua totalidade por 156.

     Os fenômenos de 15/02: O dia é marcado por grandes eventos históricos, ligados a Nova Era, e ao mesmo a antiga. É no dia 15 por exemplo, que comemora-se a Lupercália, o “dia dos namorados pagão”, em que se celebra Lupercos – que é tido como uma das faces de Lúcifer na Itália – e o dia da fundação de Roma. Foi também no dia 15, que logo após o Papa renunciar, um meteorito caiu na Rússia, e muitos acharam que era um sinal apocalíptico. Desde então no mesmo dia: O exército de fanáticos, chamados de gladiadores do altar se levantou – Estes são responsáveis pela destruição ilegal de terreiros.  Até o material midiático foi direcionado para o caos do fim do mundo. Procure pela série mais assistida por quase um mês: The Umbrella Academy que foi baseada na HQ da Dark Horse, e Doom Patrol, um dos poucos sucessos da DC comics. – Que a propósito, fazem parte do meu gênero favorito de programação, e soou como um presente. Mas você já deve saber, afinal o oculto influencia a mídia... e o resto já deve ter gravado não é?

     Sinais físicos: “Os olhos são a janela da alma”, já dizia o ditado popular. – Embora tenha nascido sem uma alma, meu espírito segue me precedendo. Portanto vez ou outra, os olhos se alteram de maneira expressiva, (quase inumana em alguns casos).

     A minha descendência física: É evidente que carrego uma grande herança Africana, mas o quê poucos percebem, é que a minha forte ligação é com a Itália, inclusive meu sobrenome é dessa origem, e tenho parentes originalmente italianos. Por quê é um sinal? Lá é único lugar onde as bruxas cultuam, e aceitam que Lúcifer teve uma filha enviada a Terra, e também o primeiro local do mundo, onde ouviu-se o nome do Deus Romano. – E eu não sabia disto até 2016. Quando tive um sonho, sobre ter ficado adormecida por 500 anos, que me levou até um conflito na terra da minha descendência de sangue, onde até mesmo encontrei, uma música relevante ao meu nome secreto em 2013. Mas nunca tinha pesquisado mais a fundo, até aquele dia, quando tive o estalo “E se eu focasse na minha magia hereditária para me desenvolver?”.

     A falta de empatia satânica: Lúcifer não é aquele que se diverte entre os demônios, é o quê os mantém na linha, então é normal, que muitos demônios, ou espíritos perturbados, tenham aversão a mim, pois sou filha do “carcereiro da prisão cósmica”.

     Poderes, que podem ser terríveis ás vezes: Odeio ferir pessoas inocentes, mas por vezes a minha ira, se manifesta de tal forma, que consigo interferir neste plano. – Se você é um de nós ou dos nossos, sabe bem a que me refiro.

     A ausência de Lúcifer e Lilith: Eles são deuses, tem seus afazeres, não podem ficar me mimando a cada 24 horas, só porquê vim deles. – A não ser que eu necessite exclusivamente de sua proteção. No entanto é mais fácil enviarem guardiões, antes de tomarem partido, pois querem filhos fortes e dispostos a lutar.

     Loucura racional: Não pertenço a um lado, estou ligada ao todo. Conceitos separativos pertencentes a humanidade, me parecem antiquados. “Magia não pode se unir a Religião” é o tipo de frase que me faz rir por exemplo.– Mas sigo respeitando cada crença, assim como quero, que a minha seja respeitada.

     Relatos autênticos: Devido ao conhecimento sobre os grimórios – e a grande quantidade de gente cética sobre quem sou – registrei tudo datado num site, que serviu como meu diário por um tempo. O nome do mesmo é: Os pensamentos infernais de Carry Manson. – Tenha em mente que na época eu tinha 18 anos, havia acabado de aceitar que era a primeira filha de Lúcifer, e meus textos soavam completamente insanos (e até vergonhosos.) Além disso há os livros Sobre mim de 16/05/2018 e The Angel In Earth de 28/05/2019 no site da Autores, onde podem ler melhor sobre a minha história, e tirarem as suas conclusões. – Os conceitos apresentados acima, são apenas para diferenciar a fantasia do verdadeiro.

     

    Queria dizer que a verdade é o máximo, um conto de fadas, ou tudo o quê aparece na TV, em quê do nada os esquisitos se tornam legais, e imediatamente são reconhecidos como os maiorais da história da Terra. Mas não é assim que funciona.

    Diga que é filho de um Deus, e prepare-se para as risadas, insultos, e pessoas que imediatamente se acham melhores que você.

    Levante-se contra aqueles que não tem consciência, e eles vão apontar o dedo, achando que surtou, e se por acidente acabar os machucando, farão a tua caveira.

    Estou revelando sobre mim, não para que venham tirar satisfações mais tarde. – Mas se quiserem tenho muito mais material para provar quem sou.  – E sim para lhes mostrar, que há sim semideuses entre os humanos, e que nem todos pertencem ao 90% dos mergulhados em mentiras, somente para aparecer.

    Vocês não estão sozinhos. Eu posso ouvi-los, e acreditar em suas histórias, se forem sinceros sobre o quê houve. – Quem realmente é, percebe as inconsistências dos fatos, por isso é mais fácil saber, quem carrega a mesma dádiva ou maldição.

    Cada de nós tem uma missão, seja ela grandiosa, ou parte de um grande plano, e seria bom que nos apoiássemos, pois o universo é grande o suficiente para quê todos consigamos, alcançar a merecida glória. – E isso vale para humanos e predispostos.

    Acham que apenas por ser filha de Lúcifer e Lilith, sou uma criatura suprema e imbatível? Não, não é por aí. Há os filhos que nasceram da própria Tiamat ou de Apsu, e outros Titãs, que são muito mais poderosos. – No entanto ter muita energia, não significa  automaticamente, que sabe usá-la.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capítulo 7 – DIY MÁGICKO

     DIY é um conceito em inglês que significa Do it Youself, ou Faça você mesmo, e foi adotado por alguns grupos dos E.U.A que preferem fabricar seus materiais, e se abstém do uso das grandes marcas conhecidas. É claro que tal ideal parece implícito para muitos, e embora haja uma corrente chamada Magia do Caos,  que foi desenvolvida Austin O. Spare, e trabalha com isso de maneira bem expressiva, é importante que saiba como praticar.

    Você pode naturalmente criar feitiços, rituais, e cerimônias, para cultuar o teu deus, e lhe mostrar a sua devoção. Mas infelizmente há leis que por hora são permanentes.

    Não adianta por exemplo usar um baphomet para fechar um portal, quando o mesmo é usado a décadas por diversas seitas satânicas, para invocar os príncipes infernais.

    Assim como não adianta tentar invocar um demônio, atribuindo energias negativas ao pentagrama, que há muito tempo é considerado pelas bruxas, como um símbolo de proteção. – Pode até funcionar devido o grande descaso da sociedade, que segue achando que é o símbolo do Diabo, mas a entidade em questão vai rir de você.

    Sempre crie meios de se proteger, mesmo que seja na hora de criar um servidor – No caso da Chaos Magic. – Você pode ter a linhagem dos demônios, sem saber, e atrair um ser de luz, que tenta te destruir, somente porquê tu nascestes como determinado herdeiro. – E vá por mim, luz não significa ausência de combate violento.

    Verifique as condições ideais para realizar a prática mágicka. – Não só a atmosfera mística, como a física também.

    Se a lua é negra, e não condiz com o teu objetivo, evite-a, ou vibre de acordo com o instrumento, de onde saiu o acorde.

    Se o tempo está ruim, (e você não foi responsável), vivem te perturbando, e tudo parece dá errado no dia em questão, já tem a resposta para o teu intento, que é: Não. O universo está se manifestando contra, então fica por sua conta e risco. – Caso queira ir adiante.

    Procure conhecer os presságios. O chamado do universo é comum, por seguir um padrão lógico de repetições, que foge do binário computacional 0 e 1, e passa a ser 0,0,0 ou 1,1,1 – Quanto mais frequente, mais chances há de ser o Cosmos falando de maneira silenciosa. – Será um alerta, se Todos os itens estiverem presentes:

     Números: Números iguais, são portais de consciência – e energia mágicka – se abrindo. Mas quando surgem várias vezes, em conceitos diversos, é bom avaliar o quê significam através do estudo da numerologia, cabala, e gematria em geral.

     Sonhos : O plano onírico é um dos mais interessantes, pois revela sobre o mundo, que há dentro do ser. – Freud estudava os sonhos, para compreender melhor seus pacientes, e você também pode, embora o método não seja recomendado, pois dificilmente será objetivo para ter resultados plausíveis. Além disto, se o indivíduo está conectado com o oculto, tem a capacidade, de prever as linhas dos próximos acontecimentos. Assim sendo deve-se avaliar, quando um sonho, é apenas sonho, ou um sinal. 

    Por ex: Se você tem tido sonhos com elementos semelhantes isolados. Como: a presença constante de pregos em evidência. O resto do contexto se aplica a ti, mas a presença dos pregos é um comunicado. – Como se fosse um código morse do Universo.

     Frases incomuns: Sejam de ameaças, ou que transmitam segurança. – Devem ser avaliadas, se sentir algum tipo de calafrio na espinha, quando as ouvir. Não importa se é da boca de um estranho, na tela do pc, ou em uma canção, pesquise sobre a questão, e tente decifrar o quê significa.

    É relevante salientar que o Padrão Ressoante é a chave, e que embora tenha citado apenas 3 exemplos, o fato de o presságio acontecer 3 vezes, não é o suficiente para se definir como um sinal. Será um sinal, se houver persistência do oculto em te mostrar a mesma mensagem, do contrário pode ser somente uma bela coincidência. A(o) Bruxa (o) saberá intuir a partir disso, e definirá se quer seguir tal caminho, ou optar por outro.

    Respeite as Leis Antigas, apenas atribua algo condizente a tua personalidade no Culto a teu Deus.

    Se lá no teu grimório diz que deve usar a violeta, use a violeta, não o  eucalipto – Com exceção a sacrifícios humanos e de animais, sem razão lógica. Como por ex: Mate um carneiro para o deus, e se livre do cadáver. (Se for para matar um bicho, que seja para deleitar-se da sua carne, ou trazer alívio para alguma dor.)

     

    Siga os antigos, estude-os, respeite-os, mas adore somente aos deuses. – Não trate grandes nomes da vertente da magia, como se fossem a entidade a que te dedica. – Por ex: Aleister Crowley Não É Um Deus Supremo. Em vista disso não haja como se fosse. ( Leia seus escritos, mas sempre com a consciência crítica, do quê condiz com a tua realidade.)

    Você pode imitar alguns rituais, feitiços, e poções. Mas o ocultismo é o campo da criatividade, então quando estiver pronto, inove, entregue-se, e DIY (Faça você mesmo) – Não é porquê fulana usa sempre os métodos 100% tradicionais, que tu devas utilizar também, afinal para ela pode ser fácil, arrancar a cabeça de um cervo, e para ti não.

    Como é errado falar de um ideal, sem aplicá-lo na vida, a experiência que lhes trago é a minha própria língua, que batizei de Lovlicos, pois me baseei em escritos de H.P Lovecraft, e nos sinais da linguagem cósmica, e ela consiste em: 

    Alfabeto tradicional  português- BR. 3 Palavras abreviadas com 3 siglas no total.

    III. Formação de frases, com no máximo 3 sentenças.

    Dicção forte, com acentos ocultos, que somente 

    quem já presenciou os mistérios do universo, 

    consegue aplicá-los.

    Timbre doce para o uso benéfico, timbre

    sombrio, beirando o demoníaco para o

    maléfico.

     

     

    Ex: 

    Em português é: 

    A lua brilha sem parar

    Em Lovlicos é: 

    Alub separ

    Em português é:

    Sim e não, talvez

    Em Lovlicos é:

    Sie nata

     

    Em português é:

    Não vou

    Em Lovlicos é:

    Navo

     

    Parecem palavras de uma raça antiga de alienígenas – ou com os Enn’s demoníacos que conheci ano passado. Mas é apenas um sistema simples, que apliquei aos meus rituais, e até agora rendeu bons resultados. – Ainda que alguns fatos tenham me assombrado, pois apesar de não ter uma egrégora forte (por ser minha criação) é uma expressão muito poderosa. – A melhor explicação, é que o cérebro se impressiona com coisas estranhas, e o uso das mesmas, intensifica o poder mágicko.

    A intenção aplicada nela pode variar, mas pelo que percebi com as minhas experiências e análises, é uma força que mexe com a ordem mundana, e traz a tona o quê é considerado impossível. – Tanto pro bem, quanto pro mal.

     

    Fora a Lovilicos, também realizo meus próprios rituais, baseados na filosofia com a qual tenho mais afinidade. – Uma qualidade, que me fez inclusive criar uma seita chamada Sees- Seguidores da Estrela, que obviamente representava Lúcifer, mas para acessá-la bastava acreditar em algo. -  Através dela introduzi algumas pessoas no mundo místico, após comprar-lhes a sua alma. – Quando acreditava em tais falácias.

    O Sees tinha um propósito comum: Realizar desejos, sejam eles nobres ou atrozes. Assim como também gerava consequências, para aqueles que traíssem o círculo.

     

    No total formávamos 4 componentes. Todos os membros eram femininos, e a nossa crença no poder oculto, era tão grande, que quando nos tornamos A constelação – O quê uma sente, as outras também. – O efeito foi imediato.

    Da mesma maneira que quando uma das moças, escolheu um homem, em vez do círculo. Acabou possuída, e tentou matar o seu amado, diante dos familiares. – Tinha 16 anos na época, e até chorei, me sentindo culpada, por um demônio tomar-lhe posse. – Nem sempre ter poder, é um sonho, na maioria das vezes parece mais um pesadelo. (Ao menos para mim.)

    Nossos rituais incluíam derramamento de sangue, como prova de lealdade, e devorar as doces frutas do cemitério, onde nos reunimos para realizar nossas práticas ocultas. – Que fique claro, não tolerava sacrifício de animais, o fluído da vida, vinha das moças, que faziam parte do círculo.

    Era pura brincadeira de criança, como uma versão da vida real de jovens bruxas. – Mas não cheguei a me tornar uma maníaca como a Nancy, apesar de me vestir como tal.

    Tivemos poucas reuniões, pois após chegarem as consequências, duas garotas, queriam pular fora. Uma perdeu o namorado, e a outra começou a ver as sombras, e isso lhe fez ter medo de onde colocava o pé. Então só restou eu e outra garota, que me apoiou por um bom tempo. – E até me ajudou quando minha vida ficou em risco, após romper o círculo de vez.

    Lembro-me do nosso último encontro. Foi o mais marcante de todos, pois ali tive o primeiro vislumbre da vida passada. – Fomos até o cemitério, e lá um estranho homem de chapéu branco, e camisa vermelha nos recebeu, fazendo perguntas interessantes, a respeito de estarmos ali para passeio ou trabalho, e nos avisou para tomar cuidado com as visagens (termo para espíritos) minha companheira riu, disse temer só os vivos, e eu disse que a morte era uma escapatória para os covardes, frase esta que não saia da minha cabeça.

     Ao ouvir a minha resposta, ele fez uma reverência, e sumiu no meio do matagal. Após a sua partida, as sombras começaram a ganhar forma, e tanto eu, quanto a menina vimos coisas. Primeiro vi uma mulher enforcada no topo de um pinheiro, por um cipó cheio de espinhos, e logo deduzi que era uma bruxa. Em seguida seu corpo sem vida caiu, e um ser de chifres meio homem meio touro, veio para recolhê-lo. Tão grande foi a minha surpresa, ao ver como ele a pegava nos braços. Não a arrastava para o inferno, nem levava como um pedaço de carne, parecia mais que era a sua noiva, e tinha um aparente carinho por ela. – Conseguia sentir que aquela imagem, era um retrato da minha vida passada, e aquela conexão era fantástica. – Ambos desapareciam na névoa, e 7 ou 8 rostos, não lembro ao certo, apareceram, sendo 5 femininos e os restantes masculinos. Nós voltamos para a causa da minha amiga, e acabei por desmaiar sem razão aparente.

     

     

     

     

    Mais tarde a noite, quando estava sozinha em meu quarto, vi que haviam várias sombras chifrudas ao meu redor, e as mesmas pareciam que iam sair das paredes. – Isso me deu um calafrio tão grande, que naquela noite, resolvi dormir no sofá. – Neste tempo nem imaginava que era a herdeira de Lúcifer, então não tem como ser algo influenciado por tal descoberta, que veio acontecer no ano seguinte, e só foi aceita, quase 2 anos depois, pois precisei analisar toda a gama de fatores, para poder aceitar tais fatos.

    Então tome muito cuidado com o quê aplica no seu DIY mágico, pois tudo o quê fizer, expressará a sua real natureza. – É por isso que estou lhe dando estes conselhos de maneira direta, pois apesar de ser uma conhecedora dos mistérios, com grandes saberes, por ter estudado sempre sozinha. Queria que alguém tivesse me dito estas palavras, para evitar todos os desastres que aconteceram.

    A magia independente do quê faça, sempre trará consequências. Mas não é como colher o quê plantar, e sim por causa do valor que atribui a tua responsabilidade pelos atos. Portanto sempre pratique, somente aquilo que a sua consciência é capaz de suportar, do contrário além de ser taxado como louco pela sociedade, vai realmente acabar como um. – Ouça esse conselho de quem foi recentemente diagnosticada com transtorno de personalidade, após inúmeras tentativas de suicídio e agressão, antes de conhecer formas de lidar com a própria escuridão.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capitulo 8 – A bruxa que vive entre os santos e os pecadores.

    Viver em sociedade é uma tarefa difícil para um bruxo. Sabemos de tantas coisas maravilhosas, e verdades indizíveis, que nos sentimos criaturas superiores, que precisam interferir na jornada dos demais, para que experimentem de toda a beleza ou conhecimento que adquirimos. – Isso é inegável, mesmo que sirva a luz da magia, e diga que acredita que todos são iguais, a igualdade não é a resposta para o quê quer.

    Imagine que todos no mundo são lagartas, e que algum dia se tornarão lindas borboletas. – Se você interferir no processo, eles certamente morrerão, antes de conseguirem sair do casulo. Este é um exemplo que li em Lex Satanicus, e achei algo absurdo na época, mas hoje percebo que é o melhor a ser feito.

    Assim como as pessoas, podem ser simbolizadas como insetos majestosos, também podem ser descritas como música, e cada uma tem um ritmo ou melodia própria, que pode ou não agradar os nossos ouvidos. – Portanto procure sempre andar, com aqueles que tem um ideal em comum contigo.

    É lindo abraçar as diferenças, mas uma coisa é aceitar o outro, outra bem diferente, é querer ser como ele. – A verdadeira beleza do mundo, não está em rostos padronizados e iguais. Mas sim em suas peculiaridades. O quê quero dizer com isso? Seja fiel a ti mesmo, e se aceite acima de tudo, não tente se adequar aos demais, somente porquê eles não te aceitam. Procure pelo teu próprio nicho, pois não importa qual seja, sempre há um espaço para ser ouvido. 

     

     

     

    Evite se expressar em sociedade, se não aceitam a tua crença mística. – Não é porquê você respeita os outros, que eles farão o mesmo por ti. – “Mas Lux você falou para não me adequar aos demais!” Sim, e não se adequar, significa ser leal aos teus ideais, não importa o ambiente em que se encontra. – Eu sou bi, e mesmo em meio aos héteros, continuarei sendo, não importa o quê digam. E se encontrar aqueles que me apoiam, me abrirei e direi a verdade, se não, seguirei em silêncio, pois o mundo é um lugar perigoso, e há aqueles que em seu fanatismo, apenas precisam de um “A”, para virem para cima. – E não quero mais responsabilidades por danos aos outros. É uma questão de sobrevivência.

    Enfiar nossas crenças na goela alheia, é como forçar a pessoa a aceitar nossas filosofias. – Eu sei que funcionou para os cristãos, mas o medo é tão eficaz, que hoje os fiéis se uniram a outras crenças, por não aceitarem a intolerância religiosa. Então o temor, embora funcione, não se compara a força do amor pelo quê se faz. Por isso se quer mesmo trazer, alguém para o seu lado – Vá na mãe de santo mais próxima, e coloque o nome da pessoa numa roda. Brincadeira!

    Tente explicar-lhes sobre a sua fé, e quando for confrontado, apenas faça comparações, que o ajudem a perceber que no fim seu amor pela divindade, não é tão diferente, do quê o quê sentem por Cristo. – Sua vida está tão difícil por quê não larga dessa tal magia e abraça o nosso senhor? Já me disseram e respondi Da mesma forma que você ama o seu senhor, apesar das dificuldades, eu também amo a Lúcifer, e assim como tu se identificas com Cristo, eu me sinto mais confortável andando com o deus romano. Foi o suficiente para seguir em paz, nunca mais tocou-se no assunto, e a amizade seguiu  a mesma.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Não tente humilhar ninguém, a não ser que a pessoa realmente mereça tal castigo. – Eu pessoalmente odeio “lacrações”, porquê é algo desnecessário para sociedade, e trata-se de gente, que quer “arrasar” apenas repetindo o discurso alheio, como se fosse uma verdade absoluta. A pessoa aparentemente refletiu sobre algo, mas no fundo não se deu o trabalho de questionar, e apenas uniu a ideia do autor, a coisas que ouve no cotidiano. Chega a ser – me perdoe pela expressão – Patético, pois a preguiça intelectual se torna mais do quê evidente. – Por isso fica a seu critério Expor a sua ideologia ou não–  Mas lembre-se Bruxos (a) de verdade, não tomam os problemas da sociedade como seus. – Eu sei soa frio, todavia é assim que funciona, pois devido a enorme gama de poder, que um ser desses possui, se ele coloca as suas emoções em jogo, certamente isso traz consequências, que dificilmente são agradáveis. Hoje destrói um ditador, amanhã impede o seu país de prosperar, e todos acabam na miséria por exemplo.

    Não estou dizendo,  que não deve defender aquilo em quê acredita, estou apenas esclarecendo, que precisa ter noção do quê defende, antes de ir as ruas ou redes sociais. – Não seja mais um papagaio da fé, e somente parta para a guerra, se o conceito do outro, realmente te ferir, de uma forma, que precisa colocar todo o ácido para fora. – Este livro não é para passivos, ou atacados, mas sim guerreiros que sabem quando devem erguer a voz.

    Isto nos leva a um tópico interessante. Não ataque a tudo e todos, apenas porquê não te aceitam. Aprenda a si amar, e não ligar para opiniões repulsivas. – Não ligar mesmo, ou seja ouvir, e entrar por um lado e sair pelo outro, sem sair por aí dizendo “Eu não ligo! Não adianta tentar me atingir! Pois não vai conseguir!” já que se o fizer, estará claramente agindo de maneira contrária, ao que disse.

    Aprenda a controlar a sua raiva, ou ela te controlará. – Não haja por impulsos, pois isto pode custar muito caro para você, ou os seus colegas. – A ira nos faz ter pensamentos num segundo, cuja responsabilidade pesa por uma década.

    Haverão muitos grupos, que exaltarão a fúria, e te dirão para destruir tudo e todos. Mas não te falarão, que você pode ferir alguém gravemente, ou até mesmo matar o alvo escolhido. – Porquê a maioria que venera estas forças, não se dá ao trabalho de conscientizar os seus do perigo.

    Aprender a controlar a sua raiva interior, não te fará mais fraco. Mas sim capaz de realmente arrancar o coração, de um inimigo velado, sem sequer se importar se isto pesa ou não na consciência, pois terá ciência, de quê se chegou a tal ponto, foi algo necessário, e será mais difícil de se arrepender. Só que se o fizer, apenas por causa de um segundo de raiva, a culpa mais tarde vai te consumir, e caso isto não aconteça, sugiro que vá urgente ao psiquiatra, pois a sua falta de empatia, é algo assustador.

    Aceite a natureza, e a proteja, não tente modificar a ordem das coisas. – Nós somos carnívoros, está no nosso DNA, desenvolvemos caninos para devorar carne. Se você quer cuidar da natureza, comendo apenas frutas e vegetais, tudo bem, mas não venha tentar obrigar os outros a seguirem a tua doutrina. – Cada um em seu nicho lembra?.

     “Um leão pode devorar um ser humano, mas o ser humano não pode devorar o leão”? A onde isto é natural na cadeia alimentar? Por quê o leão tem que ser superior ao homem, em vez de haver um termo de igualdade entre ambos? A ciência não tem dito a anos, que o homem tem parentesco com os primatas, e logo é um animal também? – Eu sei isso pode ser desagradável, mas o natural não se baseia em veados e leões, andando lado a lado como amigos, da mesma forma, não pode acontecer com os humanos e os seus irmãos animalescos. Não importa se é racional. A falta do instinto caçador, nos torna dóceis, e mais fáceis de sermos manipulados por entidades obsessoras. – É claro esta é a minha opinião, escolher seguir ou não é de você, mas antes de sair levantando bandeiras a favor do meio-ambiente, pelo menos conheça o quê defende.

    Isto significa que eu, Lux Burnns, sou um monstro, a favor da caça por diversão, e outros meios de entretenimento humano, que humilham os animais? Não, o preto e branco, não se encaixa a mim. Uma coisa é respeitar a natureza, outra é usá-la como posse, da maneira que bem entender. – Por mim as fábricas de comida, deveriam promover o abate misericordioso, semelhante aos dos banquetes de festividades africanas.

     

     

    Sempre respeite a crença alheia. Você ama Odin e seu parceiro a Lúcifer. Mas e daí? Cada um segue a divindade que desejar, e aprende com a mesma. – Novamente lembre-se da metamorfose da borboleta, se mexer no casulo, ela morre.

     

    O mesmo vale para os seus pais. Se você vive com eles, lhes deve muito, por te darem um teto, comida, e as vezes até roupa lavada. Então não os desafie, ou os desmereça por causa de crenças diferentes. Vocês são de tempos diferentes, foram colocados juntos, para aprenderem uns com os outros, não se destruírem. – Seja maduro, saiba argumentar, e lutar como um nobre, pelo seu ponto de vista. Se agir assim, eles provavelmente verão, que a tua filosofia está te tornando alguém melhor, e que não precisam se preocupar. Agora se sair berrando, quebrando os móveis da casa, batendo a porta do quarto, mesmo que eles só queiram conversar, tudo o quê vai ganhar com isso, é mais abordagens, que demonstrem medo do caminho que está tomando. – Falo por experiência. Iniciei minha vida mágica da pior forma, e só depois que adotei esta postura, por causa de Anton Lavey, a guerra em casa acabou. Rebeldia com causa é algo louvável, mas rebeldia por rebeldia, nada mais é que tolice. – Se eles  ainda sim, não permitirem que faça os cultos dentro de casa, vá para fora, se for ruim, procure algum canto seguro, onde possa praticar, sem causar problemas em seu lar. – Nem sempre será um método efetivo, mas é melhor ter aliados dentro de casa, do quê inimigos.

     

    Por fim sempre tenha em mente, que sentir-se superior, não significa ser superior. Para torna-se assim, terá que ter atitudes que condizem com tal postura. – Não me mande beijos de luz, se a sua única intenção é me queimar. GsolitaryDevil.

     

     

     

     

    Capitulo 9 – Os Deuses e o Fim da farsa da realidade dualística.

    Este é o fim da sua jornada comigo, e o ínicio de algo ainda maior. Como disse lá no início, há autores infinitamente melhores, e não estou aqui para me apropriar dos seus cargos ou teorias. – Apenas estou apresentando-as com uma linguagem mais direta, para que saibam exatamente o quê praticam, de acordo com a interpretação aceita por outros ocultistas. 

    Até aqui temos trabalhado sobre as grandes causas sociais, que afligem a comunidade mística, e muitas vezes defendi que a realidade não é dualística. Mas para fechar este pequeno guia, me aprofundarei nesta questão com uma explicação mais extensa. – É neste ponto que você vai decidir, se quer continuar sendo ocultista, ou prefere tomar o caminho mais simples, adotando alguma religião por exemplo.

    Desde que éramos jovens, nos ensinaram a dividir o mundo entre homens e mulheres, bem e mal, fogo e gelo, guerra e paz. Nossos pais – na maioria das vezes – nos diziam “No mundo há Deus que é o bem, e há Satanás que é o mal. Deus é luz, Satanás escuridão. Deus é água, Satanás é chamas.” 

    Apesar de não discordar, dos conceitos acima apresentados – com exceção a Deus ser luz, mas é pessoal – creio continuarmos a segui-los é errado. Já aprendemos muito sobre as duas metades, então por quê deveríamos continuar trabalhando-as de maneira separada? 

    Está certo, a iluminação é importante, mas as sombras também são. É preciso que haja um ou o outro, para quê o todo exista. Não adianta tentar tirar um dos números da equação, senão dificilmente encontrará o valor de X ou Y.

     

     

    Devido a minha conexão cósmica, estudei não somente astrologia, como astronomia, física, e biologia. Pensei a príncipio, como muitos magos, que era apenas uma imposição social, para nos manter ignorantes perante a verdade do universo. Mas foi então que percebi, que a culpa da divisão não era dos cientistas, em sua maioria religiosos, e sim dos novos filósofos da internet, que empregam o conhecimento científico, apenas para atender os seus próprios conceitos mesquinhos.

    “Deus não existe.” Dizem todos os ateus, que esqueceram-se de questionar, adotando uma conduta massificada, e muitas vezes tomam como prova inconstetável, as palavras de grandes pensadores, que foram queimados como hereges. Oras meus amigos, se Deus não existe, naturalmente nada mais do mundo místico é real também. Inclusive Lúcifer, Odin, Hel, Osíris, Ísis, Seth, Zeus, Deméter, Amon, Baal, Krishina, e vários outros deuses, pois se o suposto supremo não é real, o resto dificilmente pode ser considerado como tal. O velho barbudo de sandálias que conhecemos, nada mais é do quê uma imagem criada por homens, que compilaram antigos escritos, num livro chamado bíblia sagrada. – Então quando se entrega a crença, de adorar o Deus do impossível, você indiretamente está se conectando com alguma destas divindades do velho mundo, por isso o uso de versículos, para atingir determinados objetivos.

    Espera Lux Burnns, filha de Lúcifer e Lilith, neta da gigante Tiamat, você está sugerindo que devo me converter? Calma! Não, isso jamais. Alimentar a ideia de quê este deus é supremo, é o quê torna ainda mais forte, não lembra? 

    Só que também não se pode descartar o inegável, de quê esse grande mosaico mal feito, também é parte da nossa cultura, e que desprezar alguns dos seus fatos, é o mesmo que massacrar a própria doutrina. – Por isso se prender ao lado A ou B, é errado. 

    “Ah mas a deusa x é maior que o deus y.” ou “O deus y é maior que a deusa x” Já chega de se prender a isso. Queres realmente acessar o poder máximo, nesta realidade limitada? Então pare de abraçar apenas a causa que te convém, e aceite que o quadrado é feito de dois triângulos, ou o círculo é formado pela união dos mesmos. – O quê isto significa? Que a realidade não se resume, a deuses C e D, e que não é necessário comprar as suas brigas, para que adquira o seu respeito, ou realizem os seus objetivos.

    Nem mesmo estes deuses são originários do príncipio feminino ou masculino, mas sim da união de ambos, que nasceram do verdadeiro ser supremo, que não é Jeová, Cerridween, ou nem mesmo Tiamat, apesar do quê muitos acreditam.

    Se você é iniciante, será um choque, mas a realidade precisa mostrada desde aqui, para que entenda a perda de tempo, que é lutar apenas de um lado. Então prepare-se, pois a origem do universo, de acordo com os antigos, lhe parecerá absurda, se ainda continua abraçado apenas a positivos e negativos:

     Mitologia súmeria

    Cosmogonia

    “Antes de todos os antes, nada existia, a não ser Nammu, o abismo sem forma. Um dia, Nammu resolveu espreguiçar-se, e novamente voltou a enrolar-se. Com esse gesto, ele criou Ki e Anu, respectivamente a Mãe Terra e o Firmamento. Deles nasceriam todos os demais deuses, o tempo e, no futuro, o homem, que seria feito de argila.”

    Superinteressante 28/05/2019

     

     Mitologia Egípcia: 

    Cosmogonia 

     

    Neterus Primordiais:

    São os deuses mais importantes os quais estão associados com o mito de criação (origem do universo):

    • Nun (Nu ou Ny): simbolizava a água ou o líquido cósmico que deu origem ao Universo.• Atum (Atum-Rá, Tem, Temu, Tum e Atem): representa a transformação de Nun, sendo considerado aquele que deu origem a explosão do Universo (semelhante ao Bing Bang) e que gerou os diversos corpos celestes, separando assim, o céu e a Terra.• Amon (ou Amun): esposa de Mut, ele é considerado o rei dos deuses.• Aton (Aton ou Aten): relacionado ao sol, ele foi o deus do atomismo que estava relacionado com o disco solar.• Rá (ou Ré): deus da criação, sendo um dos principais deuses do Egito.• Ka: força mística que representava a alma dos deuses e dos homens.• Ptah: marido de Sekhmet e de Bastet, representava o deus criador e protetor da cidade de Mênfis. Além disso, era considerado deus dos artesãos e arquitetos.• Hu: representava a palavra de criação do Universo.

    Toda Matéria 28/05/2019

     Mitologia Hindu

       Comosgonia 

    A Mitologia Hindu está fundada nos Vedas, que são os livros sagrados dos hindus. Segundo a crença, o próprio Brahma os  escreveu. Brahma é o Deus supremo da tríade hindu. Seus atributos são representados pelos três poderes: criação, conservação e destruição, que formam a Trimuri ou trindade dos principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva, respectivamente, da criação, da conservação e as destruição.

    Brahma é o deus criador de todo o universo e de todas as divindades individuais e por ele, todas serão absorvidas. Ele se transformou em várias coisas, sem nenhuma ajuda externa e criou a alma humana que, de acordo com os Vedas, constitui uma parte do poder supremo, como uma fagulha pertence ao fogo.

    Infoescola 28/05/2019

     Mitologia Grega

    Cosmogonia

     

    No princípio de todos os mitos, houve um tempo em que nada existia no Universo além do Caos – a mais antiga, a mais inexplicável, a mais absurda das divindades. Nenhum poeta e nenhum filósofo grego imaginava o que teria existido antes dele: era o primeiro dos deuses, a sombra de loucura e confusão que está nas profundezas de tudo o que existe.

    O Caos ocupava todo o espaço do Universo. Nele, estavam misturadas as sementes de todas as coisas futuras: mas não havia ordem alguma, apenas um turbilhão sem sentido e sem fim. No poema As Metamorfoses, escrito no século 1 a.C., o poeta romano Ovídio descreve assim a terrível divindade que deu origem a tudo: “Antes que a terra, o mar e o céu tomassem forma, a natureza tinha apenas uma única face, chamada Caos: uma massa crua e desestruturada, um conglomerado de matéria composta por elementos incompatíveis… Nenhum elemento estava em sua forma correta, e tudo estava em conflito dentro de um mesmo corpo: o frio com o quente, o seco com o molhado, o pesado com o leve”.

    O Sol não iluminava o dia, e a Lua não brilhava à noite. Não havia chão para firmar os pés, nem mar para se nadar – todos os elementos estavam misturados num caldo primitivo. E as coisas, embora sempre em convulsão, não saíam do lugar: pois não havia sequer direita e esquerda, em cima ou embaixo, Norte ou Sul, dentro ou fora. O Caos era tudo e, ao mesmo tempo, nada.

    Superinteressante 28/05/2019

     

     Mitologia Nórdica

    Cosmogonia

     

    A narrativa das Edas conta que, no princípio, não havia nem céu nem terra, apenas uma enorme abismo sem fundo e um mundo de vapor, no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte surgiram doze rios que, após longa viagem, congelaram-se e com o acúmulo das camadas de gelo umas sobre as outras, o abismo se encheu.

    Ao sul desse mundo de vapor, havia um mundo de luz, que soprando vapores quentes, derreteu o gelo que havia se formado. Esses vapores, ao elevarem-se no ar, formaram nuvens e destas surgiu Ymir, o gelo gigante e sua geração. Surgiu, também, a vaca Audumbla, que alimentou o gigante com seu leite e alimentava-se da água e sal contidos no gelo. Certo dia, quando a vaca lambia o gelo, surgiu o cabelo de um homem; no segundo dia, a cabeça e no terceiro, todo o corpo, com grande beleza, força e agilidade.

    O novo ser era um deus e dele e de sua esposa surgiram Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir. Com o corpo do gigante morto, fizeram a terra, com o sangue, os mares, com os ossos ergueram as montanhas, dos cabelos fizeram as árvores, com o crânio fizeram o céu e o cérebro tornou-se as nuvens carregadas de neve e granizo. A moradia dos homens foi formada pela testa de Ymir e ficou conhecida como Midgard ou terra média.

    Infoescola 28/05/2019

     

    Notou uma semelhança? É novato, e A e B nada mais são que A+B, que resulta em AB, que é a resposta sobre o quê o cosmos é. Eu detesto matemática, mas é um cálculo aceitável. Só que esta presença de uma força, que é a soma de partes, não se encontra presente apenas no misticismo, ou em algebra.

    Na física por exemplo um átomo, é formado por prótons e elétrons, que significa respectivamente o positivo e o negativo trabalhando juntos. Isto é algo caiu para mim na sexta-série, mas estava tão focada em renegar o aprendizado mundano, que não pude perceber, o quanto isto podería me ser útil.

    Na biologia há os casos de partogênese, quando uma espécie assexuada, gera uma prole. Mas isto só é possível, porquê as mesmas carregam tanto os genes xx quanto o xy. 

    Esta é a natureza meu caro, esfregando em sua face, que as espécies não são definidas por machos ou femêas, e sim por aqueles que são dotados de capacidades, para dominar o reino em quê habitam. – No reino dos insetos a louva deus fêmea, fica no poder, porquê o ambiente a tornou capaz. No reino felino, especificamente dos leões, é o leão quem comanda, e assim por diante.

    Os humanos, pré-dispostos ou não, continuam sendo animais, por isso também são livres, para definir quem é apto ou não para determinado cargo, desde que estejam cientes, de quê os gêneros feminino e masculino, atuam como formas da valor equivalente, não desigual. Já que novamente, um sem o outro, tem poder, mas os dois juntos, geram a perfeita união que representa o nosso Universo.

    Portanto não se entregue a falácias dualístas, que só agregam valor a determinado grupo. Abrace o todo, entenda-o, e perceba que a união de muitos, é o quê realmente faz a força.

    Por fim guarde isto em sua mente: Bem e mal é relativo sim. Mas uma conduta, realmente correta, pode ser alvo de piada entre os demais. Não importa, se tu segues a luz ou as trevas. Sempre que resolver pensar fora da caixa, haverão aqueles que tendem a te “apedrejar” ou “queimar na fornalha ardente”, por sua postura nobre.

    Um satanista pode sim ser amigo de um cristão. Um bruxo pode sim ser amigo de um mundano. A única coisa que me parece imperdoável, é que ambos continuem, a tentar se destruir, por comprar a briga de seres, que claramente andam de mãos dadas.

    Sem o Inferno não há quem puna os criminosos pelos seus pecados terríveis, da mesma maneira que sem o Paraíso não tem recompensas maravilhosas. Sem a Guerra, não há razão para o Amor existir. Sem a luz não dá para ver na escuridão, assim como sem um pouco escuro, é impossivel enxergar na luz. Sem o fogo para aquecer, o frio nos congela. Sem o frio para nos aliviar, o calor nos queima. Sem a lança para atacar, o escudo pode não ser mortal. Sem o escudo, não há como se defender da espada. A magia branca nos ajuda a alcançar nossos objetivos, mas a magia negra, nos ajuda a sobreviver. O tudo é o todo, e o todo é a junção de todas as metades.

    Agora a sua jornada se encerra comigo, nobre peregrino, e espero ter te ajudado a encontrar o teu cálice dourado. Pegue-o, encha-o do vinho do saber, e embriague-se de conhecimento, pois como pôde ter notado, não importa o caminho que tomares, o destino sempre será o mesmo, mas é a perspectiva do conceito, que te trará paz ou desespero.

    Com muito carinho, Lux Burnns.

     

     

     

     
     
     
  • Não existe final feliz

    1
    Roberto tinha uma infância feliz. Não era de uma família rica, seu pai era mecânico, dono de uma oficina, com uma renda que permitia não faltar nada à família. Contudo não tinha luxos. Matriculou seu filho mais novo em uma das melhores escolas da cidade, prezava muito pelo seu futuro. Já  o mais velho, Victor, com nove anos, o ajudava na oficina depois da escola.
    Era uma noite chuvosa, seis meses depois de seu quinto aniversário, Roberto brincava com seu bonequinho do aliens, que lutava incessantemente contra seus comandos em ação. Esses soldados precisavam defender o forte montado em cima da cama, com cobertores, a qualquer custo, o futuro do universo dependia disso. Ótimos brinquedos da década de 90.
    Neste dia, ele brincava sozinho, seu irmão fora dormir na casa de um amiguinho, mas se lhe perguntassem ele preferia quando seu vizinho o visitava. Felipe era apenas um ano mais novo, praticamente um irmão menor, e quando ele o visitava, Roberto podia montar uma fase de vídeo game na sala, passando pelo corredor até seu quarto. Escondia os bonecos do mal e com o avanço de Felipe, essas forças se revelavam aos poucos. Roberto sempre deixava Felipe ganhar a brincadeira, se por algum motivo ele morria, Roberto inventava uma forma de “continue”. Uma vez até deixou seu amigo mudar de boneco para seguir com a brincadeira. Ficava feliz com a companhia, com as risadas, não precisava de nada além disso.
    Era uma criança com felicidade plena, não sabia que isso não duraria para sempre. E naquele dia, ele não sabia, mas a felicidade de todo o seu futuro começava.
    Na cidade de São Caetano, um casal transava apaixonadamente. Eles batalhavam muito todos os dias, chegavam em casa estressados. A renda não era suficiente para cuidar da filha de dois anos e as dívidas cresciam. Por alguns meses parecia que o amor não existia mais por ali (mas existia, pressionado por todas as preocupações) e naquele dia, com o anúncio da promoção de Alberto e a expectativa de Carmem ser contratada, o alívio foi instantâneo. Na cama lágrimas felizes rolaram, de ambos.
    Foi uma noite única e intensa...
    Ainda não sabiam que desse amor uma semente germinou e nove meses depois nasceu aquela que iria ganhar o coração de Roberto para sempre.
    2
    Sarah nasceu uma linda menina, saudável. Aquele dia, no hospital, era só de risos e sorrisos. A família toda presente, primos, avós, tios e tias, e, principalmente, sua irmã mais velha. Thais, ao vê-la sorriu como nunca antes, aproximou seu rosto daquela infante e disse “você é, e sempre será, minha melhor amiga, vou cuidar muito de você”.
    Carmen conseguiu se consolidar no emprego de caixa de banco, a família planejava se mudar para São Paulo, ficar mais perto do trabalho e economizar tempo, pois este era o bem mais valioso que possuíam. Conseguiram comprar um apartamento na planta, com um preço incrível, e se mudaram pouco depois do aniversário de 2 anos de Sarah.
    3
    Roberto era tímido, pouco conversava com garotas, tentava ser bonzinho com elas. Sempre torceu para que alguma visse a bondade em seu coração e se apaixonasse por isso. Foi apenas com 15 anos que beijou pela primeira vez e foi incrivelmente bem, não bateram os dentes nem nada parecido, foram apenas um pouco desajeitados, mas foi bom. Era o primeiro beijo daquela garota também, que era dois anos mais nova do que ele.
     Namoraram por algum tempo, só que ela sempre o deixou como opção, pois preferia sair com outras pessoas. Não o traia, contudo, dava atenção para diversos homens que a cortejavam. Talvez por isso ela tenha terminado com ele. Ela procurava algo que não encontraria ali, não sabia explicar, ou talvez apenas quisesse se divertir, era nova demais para algo sério.
    Com 17 anos, Roberto perdeu sua virgindade. Conheceu uma garota pela internet, usavam Orkut, ele achava que essa rede social iria durar para sempre, era tão divertida.
    A garota foi até sua casa e não havia ninguém lá além dele. Tiraram a roupa, fizeram um pouco de preliminares e, então, transaram. Roberto achou estranho durar tanto tempo, nos filmes a primeira vez dos rapazes é sempre tão rápida, ele levou pelo menos meia hora antes de terminar. A garota ficou grata, ela não sabia que ele era virgem, pois ele lhe disse que não era (pequenas mentiras de flerte), achou que seria perdoado por isso. O contato deles diminuiu e nunca mais saíram.
    4
    Sarah era um anjo na Terra, todos gostavam de sua companhia, ela emanava uma luz própria deixando todos ao seu redor felizes. Com 12 anos o menino que ela gostava, Marcelo, agiu rapidamente e encostou seus lábios nos dela, sem que ela tivesse tempo de reagir. Estavam no pátio da escola, vazio, ela tinha atitude e disse “venha fazer direito” dando seu primeiro beijo de verdade.
    Deste dia em diante, andavam sempre de mãos dadas na escola, fosse no começo da aula, no intervalo ou depois, e foi com ele que, aos 16 anos perdeu, a virgindade. Foi um momento mágico, ela gostava de assistir filmes pornográficos femininos, tinha uma boa ideia do que fazer e o guiou, ela já parecia bem experiente, mesmo sendo sua primeira vez. Ele gozou, ela não, teve que continuar sozinha depois. Quando ele viu isso se ofereceu para ajudá-la, ela aceitou e teve seu primeiro orgasmo com outra pessoa.
    Ele sempre a tratou bem, mesmo dois anos mais velho, lhe dava flores, fazia juras de amor e a idolatrava. Ela nunca entendeu porque dezoito meses depois ele terminou com ela e foi morar junto com outra garota.
    Aquilo a magoou profundamente, mesmo entrando na faculdade de psicologia aos 18 anos, ela estava triste, deprimida e de coração partido, então resolveu se dar um tempo. Por quase um ano não se relacionou com nenhum homem, pensou em virar lésbica, mas sabia que não era algo que “se virava”. Nunca sentiu vontade de beijar uma garota, então conheceu Fernando que parecia um cara legal. Talvez as coisas começassem a se acertar.
    5
    Roberto entrou na faculdade administração de empresas aos 20 anos. Não conversava com muitas pessoas, não herdou a “boa praça” do pai. Seu primeiro semestre foi horrível, até que chegou na sala de aula e leu na lousa “Roberto, o sem amigos”. Aquilo partiu seu coração, principalmente porque, de certa forma, era verdade. Resolveu sair daquela aula e foi quando começou a beber. Logo, conseguiu sim fazer seus amigos na sala e na faculdade, conversava com um ou outro, e no semestre seguinte conheceu Adriana. Tornaram-se bons amigos.
    Ele a acompanhava até o metrô, embora tivesse que fazer todo o caminho de volta para pegar o ônibus para casa. Um dia torceu o pé feio, precisou andar de muletas por duas semanas para cuidar do ligamento do tornozelo. No primeiro dia, mesmo assim, a acompanhou até o metrô, ela achou lindo, mas pediu que não fizesse mais enquanto estivesse naquela condição. Ele não gostava de dar trabalho aos outros, se considerava bem independente, contudo, pediu para seu pai lhe buscar na faculdade durante esse tempo e deixá-la no metro antes de irem para casa.
    Seu pai tinha facilidade em captar as coisas no ar. Perguntou se ela era namorada dele, ele respondeu que não, talvez no futuro, então percebeu que gostava dela pra valer. No dia seguinte ele a beijou, foi um beijo bom, ela ficou vermelha e também gostou. Assim que seu pé ficou melhor e pôde largou as muletas, convidou Adriana para sua casa. Ela achou que ele iria tentar transar com ela, ficou um pouco receosa. Sua surpresa foi enorme quando ele apareceu com uma rosa, de toblerone, e apenas a pediu em namoro. Ela aceitou.
    Três meses depois a banda preferida de Roberto iria para São Paulo, ele a convidou para ir, ela disse que não, pois se conheciam há pouco tempo para isso. Ele não entendeu, mas foi com seu irmão. Foi o melhor show de sua vida. Uma garota pediu um beijo para ele e ele disse que não, pois namorava. Ela perguntou “onde está sua namorada, então?”, ele não soube responder e aquilo o chateou.
    Com o passar do tempo, Adriana se revelou uma garota muito ciumenta e controladora, exigia sempre ver o celular de Roberto, ele não gostava daquilo, mas deixava. Descobriu que a mãe dela era ainda pior com o pai, talvez fosse genético, talvez fosse ensinado, não sabia o motivo real por trás daquele ciúmes, contudo começou a ver uma aura muito negativa ao redor dela.
     Um mês depois, estavam sozinhos na casa de Adriana. Ela mexia no computador e decidiu ir tomar banho. Roberto não tinha muito o que fazer naquela casa e Adriana tinha trancado o banheiro, não pode se juntar a sua namorada. Decidiu mexer no computador desbloqueado à sua frente e viu o Orkut dela aberto assim que a tela preta ficou colorida. Ali olhou o grupo de amigos e observou um grupo chamado “peguetes”, tinham 6 caras naquele grupo.
    Resolveu não olhar mais a fundo, apenas escreveu uma mensagem no computador dela dizendo “que bom que tem outras opções, mas não tem mais a minha”. Levantou, pegou seu carro e foi embora, de certa forma aliviado.
    6
    O relacionamento de Sarah e Fernando durou bastante. Seu coração parecia curado e ela se apaixonou, amou aquele rapaz como amou Marcelo, não tinha certeza se mais, ou menos, julgou melhor considerar como iguais. Cinco anos se passaram até que ela descobrisse as traições dele. Ficou deprimida de novo, fechou seu coração.
    Não sabia, mas mesmo com todo o sofrimento, seu brilho aumentava, era um ser iluminado que ainda não encontrara o par perfeito, contudo, aprendeu que o par perfeito não era algo necessário e que deveria ser algo que lhe acrescentasse, não aquilo que precisasse para viver.
    Sarah refletiu sobre seus amores antigos, pensou onde errou, onde acertou e dai cresceu em maturidade. Via como não gostava de ser contrariada, costumava abaixar a cabeça ou ficar irritada, descobriu que nenhuma das duas soluções era boa. De uma forma ou de outra acabava por guardar mágoas. Seu coração era nobre, sabia que poderia encontrar uma outra forma, poderia ser mais compreensiva. Ela não precisava aceitar tudo o que lhe impunham, também não tinha de ser rude, tinha que assimilar os erros dos outros, tentar entender, compreender sem julgamento, e, assim, ajudar as pessoas a encontrar um caminho melhor. A história de vida de cada um refletia em suas ações. Se uma pessoa não tem a perna e ganha uma prótese, ela não poderia esperar sair correndo no mesmo dia. A maturidade de Sarah demoraria, só que chegaria antes do que da maioria.
    Fechou-se novamente para os homens, apenas para coisas sérias, ainda queria aproveitar de outras formas e adorava sexo. Começou a sair mais com os amigos, a beber, a se divertir, ia para baladas e beijava um cara ou outro. Era uma garota linda em todos os sentidos da palavra, ficaria sozinha apenas se quisesse e quando a vontade apertasse conseguiria transar tranquilamente. Também resolveu aproveitar mais a família, era apaixonada por aquelas pessoas, desde sempre. Eles lhe faziam um bem imensurável.
    7
    A ficha de Roberto caiu e ele se cansou de tratar todos bem e ser usado, mal tratado e ter o coração partido. Resolveu mudar, começou a sair na noite com seus amigos, bebia, ao ponto de perder o controle e a memória, e ficava com a maior quantidade de mulheres possível. Não se importava mais, queria apenas transar, não queria relacionamentos. Dai em diante, diversas mulheres passaram por sua cama, diversas tiveram o coração partido por ele. Sua luz brilhava com uma intensidade cada vez menor e escurecia. Ele não sabia, talvez até não se importasse, achava que vivia os melhores dias de sua vida, ao custo de diversas pessoas entristecidas por suas ações e deixadas no caminho. Pelo menos ele não ficaria mais triste e desiludido. Tornou-se egoísta, egocêntrico e começou a tratar as garotas como simples objetos de prazer.
    No fundo não assumia para ninguém, nem apenas para si mesmo, que sentia o vazio no peito, seu coração não partia, pois estava oco, essa  sensação era pior. Não importava quantas vezes transasse ou com quantas, aquilo já não parecia certo, era tão fútil, superficial e aos poucos via que apenas o prazer carnal não era a solução de seus problemas.
    Dois anos se passaram e o buraco em seu peito crescia mais e mais, foi quando começou a sair menos. Já estava formado há dois anos, decidiu focar em sua carreira e arrumou um trabalho na Avenida Brigadeiro Luis Antonio. Todo dia pegava o metrô da linha verde de volta para casa, descia na Vila Madalena e de lá as vezes caminhava até sua casa ou se estivesse muito cansado pegava um ônibus. Preferia ir a pé, gostava de observar a cidade com calma, o céu escuro com calma, as vezes via algumas estrelas, gostava de ver a lua, principalmente cheia, seus pensamentos viajavam. Sentiu uma felicidade maior assim, com dias mais tranquilos.
    Certo dia, andando de volta para casa foi assaltado. Eram três garotos com uma faca, deviam ter 13 anos. Eram garotos mal trapidos e sujos, davam risada enquanto o roubavam. Aquela noite era muito fria. Por sorte esqueceu seu celular em casa e sua mochila estava cheia de casacos. Os garotos pediram para revirá-la e revistaram Roberto. Como demorou muito tempo, exigiram só o que ele tinha na carteira, havia apenas uma nota de dez reais, Roberto ainda pediu desculpas por ter só isso. Os três foram embora, dando gargalhadas.
    Antes de chegar em casa, com pesar no coração, Roberto sentou em um banco de praça e olhou para o céu. Era noite de lua cheia, linda, que irradiava sua luz, uma cena linda de se ver. E, então, ele sorriu sem reparar. Não sabia que alguns quilômetros dali, Sarah também olhava aquela lua, seu coração também triste, suplicava por dias melhores.
    8
    Sarah andava pela Avenida Paulista com alguns currículos na mochila. Imaginou que para ajudar no pagamento da faculdade um estágio em Recursos Humanos traria um salário maior do que nas outras áreas da psicologia, embora quisesse ter seu consultório próprio quando se formasse. Começou na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, estação mais próxima de sua casa, e andou até a Rua da Consolação distribuindo seus currículos para todas as empresas no caminho.
    Todos ficavam impressionados com sua energia positiva, sua luz e alegria. Não demorou muito até ser contratada por um escritório de engenharia, próximo à estação consolação do metrô. Sarah tinha um poder incrível, ela atraia pessoas boas para seu entorno e nesse escritório não foi diferente. Muito embora uma ou outra pessoa não lhe tratassem tão bem, nunca foi desrespeitada, mesmo sua chefe sendo ríspida em algumas situações e muito exigente, sentia-se bem ali.
    Imaginou se teria uma carreira boa em recursos humanos, mas o pensamento não durou muito. Sarah era uma garota muito decidida, alguns podem dizer que ela era cabeça dura, mas decidira por um consultório e é isso que ela teria.
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    Era uma quarta feira nublada de outono, Roberto saiu do trabalho no seu horário, 18h00, como sempre saia.
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    Era uma quarta feira nublada de outono, Sarah saiu do trabalho no seu horário, 18h00, não era algo tão comum, mas lhe agradava muito.
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    Roberto, com seu fone de ouvido tocando ACDC, não viu que na estação Trianon Masp, aquela linda garota de cabelos ruivos saiu do trem dela correndo para pegar o metrô no sentido contrário, o mesmo que Roberto estava.
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    Sarah correu para o vagão à sua frente. Um antes que Roberto se espremia entre dezenas de pessoas que tentavam voltar para casa ou iam para seus cursos. Ela precisava correr de volta ao escritório, pois esqueceu o trabalho da faculdade em sua mesa. Era dia de entrega e apresentação. Essas trapalhadas de Sarah sempre fizeram parte de seu charme.
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    Durante meses ambos passaram pela mesma estação, a Trianon, sem saber da existência um do outro, ele indo sentido Vila Madalena, ela indo Sentido Sacomã. Por algum milagre ambos passavam, quase sempre, ao mesmo tempo naquela estação. Infelizmente, ficavam em seus vagões, ali, uns 50 metros de distância um do outro.
    Roberto não se lembra disso, só que uma vez viu Sarah por um breve instante. Seu coração parou por um segundo, apenas para poder vê-la melhor sem tremer, então voltou a bater. Ali o dano fora feito, aquele rapaz tinha se apaixonado sem saber.
    No mês seguinte, Roberto andou pela calçada impar da Paulista e Sarah andou pela caçada par. No meio do caminho passaram um pelo outro, cada um pela sua calçada. Entraram em restaurantes distintos para almoçar e, quando saíram, passaram um pelo outro, cada um em sua calçada. O coração de Roberto acelerou e ele nunca entendeu o porquê.
    No carnaval ambos foram ao mesmo bloco, com pelo menos um milhão de pessoas entre eles. Roberto viu três pessoas bêbadas, ajudou duas a se levantarem. A terceira não conseguia, então, Roberto pediu para que as três ficassem por ali e conseguiu chamar uma bombeira para ajudar. Logo, uma cadeira de rodas passou e levou o trio embora. Sarah nesse momento beijava um rapaz que acabara de conhecer, era o terceiro do dia, mas este foi o único que lhe pediu o contato. Ela deu, achou-o simpático, não se importaria de transar com ele algumas vezes.
    Sarah e Roberto andaram de encontro um ao outro, no meio do caminho ele teve seu celular furtado. Um reboliço aconteceu, pessoas se aglomeraram, alguém viu quem furtou o celular e uma briga generalizada aconteceu. Sarah viu de perto o que acontecia, talvez até tenha visto Roberto de relance, ela não sabe. Conversou com seus amigos e decidiram que o carnaval tinha acabado naquele momento. Foram embora.
    Roberto caminhou até a delegacia mais próxima, sentiu uma sensação estranha, não soube explicar. O que ele não compreendia é que enquanto entrava naquele local cheio de policiais, se tivesse parado naquele momento e olhado para trás, veria os cabelos ruivos deslumbrantes de sua amada. Talvez ainda não fosse a hora, não estivessem prontos um para o outro.
    Em quatro dias de carnaval, Roberto não ficou com ninguém, sentia aquele vazio crescer e sua tristeza aumentar. Também sabia que beijar outras pessoas, naquele estágio de sua melancolia, tão somente faria sua tristeza aumentar. Contudo, dois meses depois, conheceu Ana Clara e sua amiga Natália. Em quatro dias de carnaval, Sarah beijou uns 10 caras, entre eles William, com quem saiu algumas vezes e dois meses depois conheceu seu amigo Flávio.
    No mesmo dia em que Roberto levou duas garotas para sua cama, Sarah foi ao motel com dois homens. Ele gostou da experiência, mas ainda preferia a privacidade e exclusividade de uma casal, a atenção mútua de um para o outro, a entrega de um ao outro, não que fosse recusar participar de outros ménages se tivesse chance, era realmente uma experiência incrível, mas nada superaria o que o futuro lhe reservava. Sarah, por sua vez, gostou do ménage, os dois homens foram carinhosos e a trataram bem. Foi uma experiência única, gostou, mas não faria de novo.
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    Chegou a formatura de Sarah, que transbordava felicidade com sua nova profissão. Podia fazer aquilo que amava, ajudar outras pessoas a melhorarem de seus conflitos pessoais e a se sentirem bem, se conhecerem melhor e a se aceitarem. Abriu seu tão sonhado consultório com uma amiga da faculdade. Seus pacientes a adoravam, alguns até ficavam “tristes” em serem curados e não precisarem mais visitá-la.
    Naquela tarde tinha decidido almoçar com sua irmã e aguardava ansiosamente por aquela hora tão rara que poderiam partilhar. No meio do caminho o carro de Thais quebrou perto da Avenida Doutor Arnaldo. Faltava pouco para chegar à Avenida Paulista. Havia decidido ir antes para dar uma volta no shopping em seu dia de folga, enquanto esperava sua irmã, agora temia pelo atraso que aquele carro iria lhe causar. Abriu o capô e viu, tristonha, a fumaça sair.
    Decidiu pegar o celular da bolsa e tentou ligar para o seguro, mas não achava o cartão de jeito nenhum. Pensou em procurar na internet pelo seu Smartphone. Contudo, o dono do restaurante, que ficava em frente de seu carro quebrado e observou toda a cena, perguntou se poderia ajudar de alguma forma. Thais ficava feliz em ainda encontrar pessoas boas naquela cidade grande. Ele lhe indicou uma oficina mecânica por perto, o dono era um velho amigo que almoçava ali quase todos os dias, iria se aposentar logo, mas seu competente filho assumiria os negócios da família. Ela aceitou a ajuda e em poucos instantes, Victor apareceu em uma pick up Strada. Mexeu algumas coisas no motor do Clio velho de Thais e o rebocou até a oficina.
    Thais e Victor conversaram por muito tempo e, logo, pareciam velhos amigos.
    Ambos namoravam, quase casados. Moravam juntos com seus respectivos e isso não impediu de ali nascer uma amizade instantânea. Victor se ofereceu para dar carona a ela, seu pai permitiu, só pediu para que não demorasse muito. Thais ligou para seu namorado e explicou o que aconteceu, ele foi bem compreensivo, pediu para marcar um jantar de agradecimento em outra oportunidade. Victor aceitou e levou Thais até a famosa avenida.
    - Ali está minha irmã, é a ruiva. Pode parar, obrigada e desculpe pelo incômodo!
    - Incômodo nenhum! Por favor, este é meu telefone, mande mensagem amanhã que talvez o carro já esteja pronto. E tome cuidado na volta.
    Victor viu Sarah pela primeira vez, achou-a linda, ruiva de olhos verdes, imaginou que ela poderia ser perfeita para alguém que ele conhece, mas quem?
    15
    Mais um ano se passou, a amizade entre Thais e Victor se fortaleceu. Roberto saia com Aline, uma garota bondosa, mas seu coração ainda pertencia ao ex. Seu trabalho exigia longas horas de seu tempo e naquele sábado ela não pôde ir com Roberto e Victor à casa de Thais. Era um pequeno almoço e pela primeira vez Roberto e Sarah se viram. O coração dele bate mais forte, talvez, de alguma forma, lembrasse daquele dia no metrô, talvez não. De qualquer forma ele se apaixonou de novo.
    Mas dessa vez lembraria...
    Em poucos instantes decorou aquele rosto perfeito, aqueles olhos verdes maravilhosos, aquele cabelo flamejante, aquele brilho de luz incessante que emanava daquela garota e sorriu.
    Ela apenas pensou “que homão da  porra”, mas sabia que ele namorava ou algo do tipo.
    Foi uma tarde alegre, com muita conversa, muita risada, Roberto ficou amigo de Thais e de seu namorado. Pouco conversou com Sarah, afinal ele saia com alguém e tinha medo do que poderia acontecer se passasse muito tempo com aquela garota maravilhosa.
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    Aline era um amor de pessoa, só que quando bebia se transformava. Quando a viu virar uma taça inteira de vinho, em um gole só, Roberto já imaginou que coisa boa não viria dali. Eles terminaram por três vezes e voltaram, Roberto sempre acreditou em segundas chances, terceiras, quartas.... contudo a pessoa deveria entender seus erros e tentar melhorar. Ele não via mais isso nela.
    Dois meses se passaram desde que Roberto conhecera Sarah, os efeitos que ela lhe causaram foram enormes e seu coração balançava (na verdade seu coração sabia exatamente o que queria), a relação entre ele e Aline andava muito desgastada e nada mudava de nenhum dos dois lados, ela continuava bebendo e se transformando, ele continuava ignorando os problemas de ambos e não conversava.
    Até que um dia brigaram por algum motivo bobo. Ele não conseguia se lembrar qual e, simplesmente, ficaram sem se falar. O orgulho de Roberto era muito grande, o silêncio perdurou por três dias, sendo quebrado apenas por uma mensagem dela no celular dizendo “acho melhor sermos apenas amigos”. Foi a última vez que se falaram.
    17
    Roberto passou seis meses solitário e refletiu sobre sua vida. Pensou em seus erros, como fora egoísta, mesquinho, orgulhoso e, mesmo quando imaginava fazer o melhor para as outras pessoas, normalmente tomava as decisões erradas. Não por ser uma pessoa ruim, mas por imaginar estar sempre certo. Ao invés de conversar, expor suas fraquezas, fragilidades, suas opiniões e fazer com que lhe entendessem, preferia ficar quieto e cortar qualquer discussão logo no começo, tinha um gênio explosivo que não queria botar para fora. Foi então que descobriu a verdade sobre si. Era medroso, tinha medo de encarar os problemas, de expor esse seu lado mais humano, só não sabia ainda o porquê.
    Seis meses foram um longo tempo, mas o necessário para que Roberto finalmente amadurecesse. Ele não sabia, mas, enfim, estava pronto para os melhores dias de sua vida.
    18
    Em uma conversa com Thais, Roberto descobriu que Sarah era solteira e achou a oportunidade perfeita para saírem. Chamou todos para um pub, todos gostavam de ouvir Rock, então aceitaram. As duas famílias torciam para que aquilo desse certo, Roberto e Sarah eram muito queridos.
    Quando Sarah chegou, as pernas de Roberto ficaram moles, borboletas voaram em seu estômago, seu corpo ficou frio por um breve momento. Então, seu coração acelerou como se ele tivesse corrido uma maratona. Respirou fundo, tomou duas garrafas de cerveja e ficou pronto para conversar com ela que, sem perceber, viria a ser o amor de sua vida.
    Roberto e Sarah saiam há 3 semanas quando marcaram um encontro e neste beberam muito, a ponto de quando voltaram para casa mal conseguiram achar a cama. Naquele impulso alcoolizado transaram pela primeira vez. Eles não fizeram amor naquela noite, fizeram um sexo bêbado, sujo e selvagem. Se ele, sem saber, havia se apaixonado a primeira vista naquele dia no metrô e a segunda vista (essa ele lembrava bem) quando a viu na casa de Thais, ela se apaixonou a primeira transada.
    Dali em diante os dois transavam sempre que podiam. Eram bem similares em libido e na forma como faziam, as peças tinham um encaixe perfeito. Sarah sempre via o brilho nos olhos de Roberto quando se encontravam, e Roberto se perdia no sorriso de Sarah toda vez que conversavam. O amor entre eles crescia cada vez mais, logo namoravam e não desgrudavam um do outro.
    19
    Então tiveram uma pequena briga. Roberto brincou com Sarah, disse que teriam uma ninhada de filhos se continuassem transando daquela forma e que ele iria gostar, Sarah disse que não queria ter filhos.
    A briga se intensificou, Sarah ainda tinha resquícios de não querer que discordassem dela, e Roberto tinha resquícios de seu orgulho tolo e de pensar apenas no próprio umbigo. Ela foi para casa chateada, ele foi para casa bravo. Ele mandou uma mensagem perguntando se ela chegou bem, ela respondeu que sim, e não se falaram mais naquela noite.
    No dia seguinte, Roberto apareceu de surpresa na casa dos pais de Sarah. Ela ainda morava lá. Ele pediu para ela sair, e ela fez, receosamente. Ele olhou nos olhos dela e pediu desculpas, disse que havia errado, que deveria ser mais compreensivo e, de fato, tentava ser, o que importava era ter ela ao lado dele. Continuou dizendo que se tivessem filhos ou não, parecia algo pequeno demais perto da felicidade que ela lhe trazia. Ela sorriu, aquele lindo sorriso de verão, pediu desculpas também, disse entender que ter filhos era um sonho dele, mas não era algo que ela queria, pelo menos não por enquanto.
    Ele queria ter dois filhos, ela não queria ter nenhum. O primeiro filho veio por acidente, em um final de semana romântico. Ela não tomava pílula e não quiseram usar proteção naquela noite. Ele pensou em tirar antes do gozo, ela falou que não, talvez tenha se levado pelo momento. Após o orgasmo dela, seu rosto de prazer mudou, por um momento, para uma expressão de desespero, para depois abrir espaço para um sorriso deslumbrante e um beijo rápido.
    - Acho que agora você será papai – disse Sarah sorrindo
    - Acho que agora você será mamãe – Disse Roberto antes de lhe dar um beijo apaxonado.
    20
    Roberto não entendia porque amava Sarah. Sarah não entendia porque amava Roberto. Eles eram tão diferentes, histórias de vidas diferentes, sensações diferentes, desejos diferentes, mas riam um do outro e de si mesmos sempre, a companhia que se faziam bastava para deixa-los felizes. Quando passavam tempo juntos esqueciam do resto do mundo. Existia apenas Roberto e Sarah, talvez por isso que se amassem, porque eram a melhor companhia um para o outro. O sentimentos deles era algo sem explicação, puro que apenas acontecia e eles decidiram parar de lutar contra para aproveitar aquele amor que não tinha interpretação, apenas a sensação.
    No mês seguinte, Roberto levou Sarah ao restaurante preferido deles. Era uma cantina italiana, onde beberam vinho, comeram um Fettuccine a Parisiense incrível e após um beijo apaixonado, ele ajoelhou, tirou de seu bolso um anel e disse:
    - Sarah, você é o amor da minha vida e te quero para sempre. Pensava que o melhor que poderia ter acontecido na minha vida seria ter te conhecido antes, mas vi que eu não estava pronto para ti. E você, talvez, não estivesse pronta para mim. Se te conhecesse antes, poderíamos ter nos separado, talvez para sempre, por alguma briga boba ou mágoas acumuladas. Crescemos muito e chegamos aqui. Você é perfeita para mim e se aceitar esse anel, quero passar o resto da minha vida tentando ser perfeito para você.
    Ela aceitou, o restaurante aplaudiu, algumas senhoras choraram, o dono do restaurante já conheci Roberto, disse que a janta era por conta da casa, mas em troca pediu um convite para o casamento. Roberto não sabia se era brincadeira ou não. Ee qualquer forma o convidou.
    Eles casaram um ano e meio depois. Leonardo foi carregado, no colo de Thais, e levou as alianças. Raquel, a preferida de Roberto e Arthur, o preferido de Sarah, nasceram nos anos seguintes e foram bem planejados.
    No aniversário de 15 anos de Leonardo, fizeram uma festa surpresa, todos os amigos da escola estavam lá e no mês seguinte viajaram para a Europa. Roberto sempre teve o sonho de morar por lá, sabia que teve que abrir mão disso por um amor, não teve um único dia que se arrependesse. Sarah queria conhecer todos os países do mundo, mas teve de abrir mão disso para construir sua família, não teve um único dia que se arrependesse.
    21
    Sarah morreu em uma noite quente de verão. Ela sempre gostou de se exercitar e naquela noite saiu para correr no parque perto de casa. Foi então que um mal súbito fez seu coração parar “por dois segundos”, enquanto corria e conversava com seu amor no telefone. Mesmo depois de tanto tempo eles não conseguiam desgrudar um do outro, o dia de tristeza veio em dobro, ela só tinha 53 anos.
    Roberto chorou, como nunca antes, não conseguiu se despedir do grande amor de sua vida e agora a perdera para sempre. Decidiu que era velho demais e apaixonado demais por suas memórias para procurar um outro amor. Sabia que aquela mulher era única, perfeita para ele e tudo o que pedia era ter cumprido a promessa de ter sido perfeito para ela. Nunca lhe perguntou, mas por todos os dias de sorrisos, risadas e juras de amor, achava que sim.
    Passou o resto de seus dias sozinho, mas não solitário, sempre teve a presença de seus filhos, netos e amigos. Não precisava de outra mulher, pois teve uma vida repleta de amor, de uma pessoa muito especial. A mais especial de todas.
    Demorou algum tempo, mas Roberto pensou ter sido melhor ela ir antes. Sabia da dor que ardia em seu peito, ficou grato por Sarah nunca ter sentido isso. Ela morreu como viveu, feliz. Era o ser mais iluminado que conhecera.
    22
    Deitado em sua cama de hospital, morria de câncer no pâncreas aos 86 anos. Naquela manhã seus três filhos estavam ao seu redor, então lhes disse.
    - Leo, Raquel, Arthurzinho, eu os amo e sempre os amei. Hoje eu sei que não existe final feliz, o final é sempre igual, é sempre a morte. A maior tristeza possível. Não se importem com as lágrimas deste velho tolo, apenas agradeço todos os dias por todos os começos e meios que tive com sua mãe e com vocês. Tive mais felicidades com ela do que uma vida poderia suportar, talvez por isso ela tenha ido embora tão cedo. Lembrem-se disso meus filhos queridos, aproveitem seus começos e meios, não pensem no fim.
    E com lágrimas escorrendo pela face e um sorriso esplendoroso, Roberto fechou os olhos naquela manhã melancólica de inverno, para nunca mais abrir.
  • Natural Witch por Lux Burnns

    Sumário
     Agradecimentos..........................
     Introdução......
     Capítulo 1..........
     Capítulo 2...........................
     Capítulo 3..........................
     Capítulo 4.........................
     Capítulo 5........................
     Capítulo 6....................
     Capítulo 7...............
     Capítulo 8.............
     

     
    Agradecimentos
    Minha gratidão é voltada para o meu companheiro Soul, que me apoiou desde o início desta caminhada, me ajudando a melhorar ainda mais como ocultista, e jamais desistir das minhas convicções, mesmo quando o mundo inteiro, parecia discordar das mesmas. Também deixo minhas graças aos meus amigos: Volúpia, Srtoa Gamab, Milliato, Rivendell, Srta Rabbith, Mandy, Tha, a Witch born on fire, e Isa, que me ajudaram a perceber quê este tomo poderia ser útil as próximas gerações. Por fim reconheço também o auxílio de minha mãe Silvana, que apesar dos pequenos atritos pelas crenças diferentes, sempre acreditou em mim e nos meus ideais. Obrigado a todos vocês, que me deram ânimo para chegar até aqui, e terminar este projeto. Não sei o quê me aguarda depois disso, mas certamente é um feito e tanto, e me orgulho por plantar esta semente, que vocês com carinho e paciência regaram.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Introdução 
    É válido mencionar, que jamais tive a intenção de escrever um livro voltado para o aprendizado dos demais. Afinal há muitos autores, infinitamente melhores do quê uma velha bruxa, em um corpo não tão jovem. 
    Mas devido ao grande número de desinformados, que se acham conhecedores do mistério, e tudo o quê mesmo representa, vejo que é hora de assumir o meu manto de ocultista outra vez, e trazer-lhes algumas verdades nada convenientes. 
    Não estou aqui para lhes ensinar fórmulas, que vão mudar as suas vidas num estalar de dedos. Muito menos sobre como devem adorar seus deuses, ou o quê é o certo e o errado. Não sou uma bússola moral para tomar tal partido, apenas viajo de mundo em mundo, para libertar aqueles que aceitam o preço da liberdade. A ignorância pode ser uma benção, mas é a coragem que determina quem tem a chave do tudo. O inimigo é astuto, logo devemos ser justos, mas isto não significa dissociar, e se abster, e sim que devemos está preparados. Você pode não compreender estas palavras no momento, mas logo entenderá o quê cada frase significa.
     Se escolheu decifrar este livro, é porquê ouviu o chamado, mas não estou falando dos filhos do sol, e sim de algo mais amplo e intrigante.
    Há memórias de um mundo que querem te fazer acreditar que não existe. Há poderes que um ou nenhum dos seus parentes consegue explicar. Há mistérios em teu íntimo, que quer desvendar.
    As respostas estão presentes aqui, mas está pronto para ouvir o quê a primeira causa tem a dizer? Não será um caminho fácil, por isso é necessário que esteja pronto para esta jornada, que saiba no mínimo o quê é a espada e o escudo, e como usá-los. Do contrário será devorado pelos teus demônios, antes mesmo de ouvir a palavra da força geradora.
    Eu sei, parece o roteiro de algum filme de ficção científica bizarro, porém tudo o quê for mencionado aqui, será focado na minha experiência real como bruxa, e no aprendizado que isto me trouxe no decorrer do tempo. Está preparado? Então vire a página, pois a aventura o aguarda jovem peregrino.
    Capítulo 1
    O Nascer e o Tornar-se 
    Vivemos numa sociedade cheia de liberdade, que acredita bastante no ideal de igualdade, e que todos podem entrar no mundo da magia, sem discriminações de espécie. 
    Não estou aqui para me impor sobre tal coisa, porém acredito -e é o quê devia ser ensinado- que há aqueles que nascem com a predisposição para a magia, e os que infelizmente, não foram agraciados pelas divindades.
    Isso faz com que estes sejam mais fracos? Não. Eles devem ser escorraçados, e friamente criticados ? Também não. Apenas devem ter consciência de quê a sua busca, certamente será mais trabalhosa e longa – ou não se souber usar os meios certos, mas não vem ao caso – Por isso jamais devem se comparar aos que possuem habilidades naturais, pois tal atitude culmina em desencontro com o propósito inicial, de descobrir-se neste caminho.
    Não pense em nenhum momento, que o fato de ser somente humano te faz inferior, isso não significa muita coisa, quando você sabe que há meios de melhorar as suas habilidades.
    Já os predispostos, deveriam entender que o fato de terem recebido dons da natureza, não os faz automaticamente deuses, apenas lhes dá alguma vantagem em relação aos outros. Mas uma vantagem, não significa uma vitória garantida, portanto devem estudar e se preparar, tanto quanto os que não foram agraciados, para superar suas limitações, que sim existem.
    Não importa o quê são capazes de fazer - se levitam, se incendeiam, se preveem, manifestam, projetam, e tudo mais-  isto não os faz bruxos, apenas são detentores de habilidades especiais. Tanto o filho de um deus, quanto o filho do homem, precisam de treinamento, e conhecimento, para poder serem dignos de tal alcunha.
     
    É nos ensinado desde o começo, que precisamos andar em grupos, para poder obter o grau de bruxo, mago, ou feiticeiro. A sociedade mágica insiste em seguir essa premissa, mesmo nos tempos atuais, e isso atrasa bastante a vida de um novato.
    Grupos, como: Ordens e Covens, Podem até servir para ajudar no entendimento de certos assuntos, mas a realidade é que se queres realmente o poder, não deve seguir com ninguém mais, além de ti mesmo.
    Afinal de contas, o ocultismo no fim é apenas uma forma de encontrar-se, e não é no meio da multidão, com suas ideias diversificadas, que conseguirá te achar, no máximo ficará ainda mais confuso e perdido.
    Você se encontrará apenas quando não houver ninguém por perto, quando estiver sozinho num quarto escuro ou claro, questionando-se sobre o quê é, como, e o porquê das coisas.
    Por isso não acredite em líderes, que fazem questão de impor que precisa deles, acredite em ti mesmo, e naquilo que vai de acordo com a tua personalidade, e o quê tu consideras certo ou errado.
    E este tópico nos leva a outra questão. A magia tem se tornado um grande alvo do entretenimento. Para onde olhar  há “bruxos” ou “seres místicos”. O quê é uma coisa boa, mas somente para a diversão, pois tudo o quê se encontra nos filmes, seriados, desenhos e afins, são apenas fragmentos de textos ocultistas, e qualquer um de bom senso sabe, que não dá para entender o texto com apenas um verso, pois o mesmo pode servir para expressar diversas possibilidades, e se apenas escolher ler tal parte, jamais entenderá o contexto para que foi criado, por isso não use tais meios para aprender sobre o caminho. 
    A verdadeira magia, influencia o ambiente, mas o ambiente não influencia a magia. Logo uma obra midiática pode ser inspirada em algo oculto, só o quê o oculto, não pode advim de uma obra midiática, do contrário todo o entendimento se perde, e em vez de formar a sua inteligência divina, apenas a degrada e a transforma em loucura vã.
    Um bruxo de verdade- homem ou ser mágico- Sabe disto por instinto próprio. Entretanto com tantos jovens adotando posturas erradas, por conta do quê assistiram, é sempre bom frisar tal fato.
    Como disse antes são verdades inconvenientes, por isso não espere que eu vá apoiar uma conduta tão inapropriada para o ocultista.
    Queres ser um bruxo? Então leia, pesquise, estude, questione-se, e faça-se um. 
    Não espere que apenas porquê mudou o caminho, e deixou de seguir com as ovelhas, tudo será mais fácil. Verdade seja dita, se quer conforto, e evitar desafios que podem te fazer desmoronar, seu lugar não é aqui. Não importa se tem o sangue, sem essência jamais conseguirá sair do lugar.
    A magia não é um caminho simples, nunca foi. Apenas os que se encantam por sua versão comercializada de luzes e pó brilhante, acreditam nesta falácia.
    O agraciado deve aprender a controlar seus dons, para não ferir os que não merecem receber tal castigo, e o humano deve procurar meios, de melhorar seu espírito, ou DNA cósmico, para garantir que conseguirá manifestar alguma habilidade.
    Só que ambos precisam passar pelo mesmo processo árduo e cansativo. O agraciado, que nasceu com poderes sobrenaturais, precisa torna-se aquele que tem controle de si, e o humano que tem o controle da sua mente, precisa destruir todas as barreiras impostas, para então nascer como um ser sobrenatural.
    Ambos são como a metade um do outro, mas precisam focar em suas limitações, pois o primeiro poderá sofrer consequências desagradáveis, e o segundo precisa achar meios, de fazer-se tão forte quanto o outro, mas no fim os dois se encontram no mesmo patamar, por isso seus caminhos, ou o quê são , não interessa.
    É dito que para ser um bruxo, é necessário uma iniciação, canalizada por sacerdotes e sacerdotisas, que receberam o chamado dos deuses, e toda aquela parafernália, que estamos cansados de ouvir.
    A iniciação é um processo necessário sim, mas não precisa vim das mãos de alguém que diz ter sido “tocado” pelos deuses. 
    Haverão aqueles que certamente discordarão de mim, pois são tão tradicionalistas quanto os cristãos ortodoxos, contudo esta é uma verdade inegável.
    Não estou dando pontos a favor de rituais de meia tigela, encontrados na vasta rede, que fique claro. Apenas acho justo mencionar, que tais postos – sacerdotes- não torna os homens e as mulheres detentores da verdade, pois para aqueles que podem ver, a mesma   é revelada dia após dia, fora dos templos “sagrados”. 
    Aliás creio que o grande segredo, é apenas um pedaço de papel vazio, que nada diz, pois o axioma está no vento, na água, na terra e no fogo, não nas palavras ditas por um mestre.
    Você é o quê acredita ser, não o quê os outros impõem sobre ti.
    A iniciação nada mais é que um processo psicológico, no qual você condiciona o teu cérebro, para se abrir a possibilidades, que por anos foram lhes ensinadas como impossíveis.
    É importante pois o poder, embora se manifeste em nossos genes, vem da mente. 
    É um fato científico, pois por mais que muitos duvidem, a magia é sim ciência, pois pode ser estudada, verificada e comprovada.
    Os neurônios são responsáveis por tudo o quê fazemos, seja bom ou ruim. Assim se você acredita firmemente, que ao chegar do outro lado de uma rua, vai acabar caindo, esses impulsos químicos captam a mensagem, e fazem com quê sofra o acidente, porquê os manipulou para isso.
    Este é um caso simples, mas há situações ainda mais “inexplicáveis”, nas quais as pessoas sofrem de males mentais, que podem provocar sintomas físicos, mesmo que não haja aparentemente nada para causar dor, são as chamadas doenças psicossomáticas.
    É por isso que um bom bruxo, precisa ter um ótimo preparo mental, ou a sua magia não obterá resultados.
    Não adianta nada você nascer com a predisposição, ou procurar pela essência sem acreditar nelas, pois em ambos os casos, não conseguirá despertar suas verdadeiras habilidades.
    Já viu que pode levitar, ou incendiar as coisas por exemplo, só que na hora de provar os teus poderes, há um bloqueio.
    Sozinho chega ao teto, queima a toalha da mesa. No entanto na presença de amigos, é visto como louco, pois seus pés não saem do chão, ou acreditam que usou o isqueiro, para forjar provas.
    Isso te faz achar que enlouqueceu, que os outros estão certos, e que é melhor evitar as suas “habilidades imaginárias”. Não é?
    Esse certamente é o caminho mais fácil, mas como disse antes o caminho é difícil, não adianta fugir no primeiro obstáculo.
    Esta é apenas a prova, de quê precisa tornar-se aquele que controla a si mesmo, para poder provar aos outros, do quê realmente é capaz.
    É a evidência de quê a predisposição, não é o suficiente, se em nada acredita – Principalmente se duvida de si.
    Já no caso dos humanos, a situação é um pouco diferente, pois este ainda não manifesta nada, mas precisa se desamarrar das correntes de concreto da sociedade, na qual foi inserido.
    De outra maneira, achará apenas os que lhe oferecem um lugar, servindo aos deuses, mas jamais um acento do lado dos mesmos.
    O ser humano, está acostumado a ter tudo nas mãos, e a seguir sempre aquilo que o torna o maior dos maiores, e é isso que tem que acabar.
    Há uma hierarquia no mundo mágicko, que deve ser respeitada. Só que o fato de hoje ser apenas homem, não implica que amanhã também será, então é preciso que aprenda a aceitar as suas limitações, e a conhecer melhor as possibilidades.
    Seu mundo é pessimista demais, ou exacerbadamente otimista, você não tem equilíbrio, vive mergulhado em caos, engolindo os ideais daqueles que supostamente estão acima de ti, sem nunca levantar a voz.
    É preciso que entenda que você tem sim voz, que o quê sente importa, que há muito mais do quê somente um planeta abrigando a vida, e que - apesar de comprovado por Galileu Galilei- A Terra não é o centro do Universo.
    Desse modo, quase tudo o quê lhe ensinaram até o momento, pode ser mentira, ou uma verdade mergulhada em mentiras, ou seja há fatos que são claramente falsos, e outros embora pareçam como tais, são verdadeiros.
    É preciso que entendam suas limitações, ou a magia nunca funcionará.
    A iniciação além de expandir a sua mente e elevá-la, é também o  desenvolvimento de uma conexão mental do seu eu e o cosmos, e por isso deve ser considerada “sagrada.” 
    Assim sendo quando for realizá-la, não vá procurar por “receitas de bolo” prontas, como se houvesse alguma nova bruxa, que fosse a Ana Maria Braga da Magia, pois não há - se houvesse todos teriam poderes e entendimento, e não é o que acontece.
    Somos todos mestres e aprendizes de nós mesmos, mas devemos sempre procurar sermos a melhor versão. - É importante frisar, porquê se tu é o teu mestre, logo irá crer que pode fazer o quê quiser, como se ser um mestre, significasse que é Deus, e pode mandar e desmandar. Mas não é bem assim.
    Ser o teu próprio mestre, significa melhorar-se nos aspectos necessários. Crescer, e desenvolver-se, para alcançar os teus objetivos, não interessa se são bons ou ruins, pois bem e mal é relativo -O quê é bom para mim, pode não servir para ti.
    A iniciação, mesmo que realizada por tuas mãos, ainda é um ritual, e por isso dependendo do Deus que escolher seguir, deve respeitá-la como tal.
    Se queres obter sucesso e expandir teus pensamentos, é preciso que ouça a tua voz interior. Mas esta voz não nasce do nada, ela não é uma ideia absurda que lhe vem ao pensamento, e tu executas, isso se chama criatividade, não o chamado interno.
    Para realizar uma iniciação de sucesso, é necessário, que conheça os cultos anteriores dedicados ao Deus com o qual escolheu aprender. É uma forma de honrá-lo, e a ti mesmo também, para quê não passe vergonha entre os outros ocultistas, e consiga calar a boca dos iniciados.
    Eu escolhi aprender com Satã, logo me utilizei de velas negras,  símbolos profanos, e materiais de corte, para realizar a minha auto-iniciação.
    Sou uma predisposta, nasci numa família, que embora hoje sirva a Yaweh sob a luz, um dia serviram ao seu lado negro, conhecido como Adonai.
    Por isso consegui aprender muita coisa, sem a interferência de mestres e iniciados. Já tive a oportunidade de andar com grupos. Mas os “mestres” que apareceram em meu caminho, mais me atrasavam, do quê me ajudavam a entender a minha verdade.
    Entendo muitos conceitos místicos, por intermédio dos deuses do abismo. Eles me ensinaram a ser mais forte, e me indicaram o quê procurar, para achar as respostas, por isso sou muito grata a eles, e defendo minha versão da veras mística. (Ou verdade mística)
    É significativo mencionar que os deuses, embora nos guiem pelo caminho, eles jamais podem andar por nós, sendo assim não espere que o Deus escolhido, te entregue todo o material, que precisa para alcançar o teu objetivo, eles te darão a chave, mas a porta quem procura é você.
    Outra coisa, se teus caminhos se abrem com facilidade, há apenas duas explicações: O teu papel é pequeno, logo suas limitações são fáceis de superar, ou já sofreu o suficiente, para entender como alcançar aquilo que mais deseja.
    Após passar pela iniciação, e receber sinais – isso mesmo sinais, e não sinal- de quê o Deus escolhido te acolheu entre os seus, você agora vai definir como deve estudar, e mensurar o teu aprendizado, por isso precisará de um caderno, e uma caneta, para registrar, cada coisa incomum que te ocorreu, com data, hora, condições mentais, respostas plausíveis, e tudo o quê for necessário, para provar que teu relato é verídico.
    Se é um predisposto, poderá medir a melhora do controle de teus dons, se é o primeiro da tua linhagem, poderá transmitir isso para o próximo que colocar o manto, que certamente vai aparecer, podendo ser um filho seu, ou algum outro parente.
    Coisas incomuns vão acontecer, é inevitável, faz parte da jornada. Como lidarão com elas, é que vai definir se são ou não bruxos, magos, ou feiticeiros de verdade.
    Ou acreditaram mesmo que bastava um ritual, para se tornarem algo?
    Não, não é tão simples. Se fosse, se chamaria cristianismo, e não paganismo.
     
     
     
    Capitulo 2 – Realizando a magia
    Poderia encher as páginas com vários sistemas mágickos, como: Herméticos,  Satânicos, Caoístas, Streghes, Célticos, Gregos, Egípcios etc. Alguns conheço a fundo, outros apenas de maneira superficial, mas não o farei. 
    Se queres conhecer cada um deles, sugiro que faça uma pesquisa, extensa e detalhada, para entender o conceito apresentado, por estas filosofias de maneira profunda.
    Como disse antes não estou aqui para ensiná-los, como adorar os seus deuses, até porquê o ato de “adoração”, é algo que me dá nó estômago, mas vai de cada um.
    Então você escolhe com o quê quer trabalhar, minha função é apenas te ensinar, a realizar o ato mágicko. (Note que há um k extra, é proposital, para separar magia de ilusionismo, e foi proposto por um famoso ocultista.) 
    Primeiramente lembre-se sempre: O poder vem da mente, e com a linguagem certa pode programá-la. Sendo assim os resultados mágickos (como respostas, questões, ou atos) são genuínos, mas o processo para se realizar o ato, pode ser provocado pela mídia. 
    Não estou me contradizendo, a magia sempre influencia, mas a mídia não deve fazê-lo, pois faz do entendedor um tolo. No entanto, se souber usá-la, pode ser bastante benéfica, na hora de preparar a sua mente, para desbravar a Terra Oculta e suas maravilhas.
    Você Não deve aceitar a verdade escrita no roteiro, pois é uma meia verdade, e toda meia verdade é uma mentira.
    Todavia se for esperto o suficiente, fará bom uso de tais artifícios, e em vez de acabar mergulhado nas trevas da insanidade, será um exímio ocultista.
    O tolo irá ouvir a música milhares de vezes, e se deixará ser controlado por ela, tornando-se mais dos zumbis da cultura popular. O astuto utilizará a mesma música, para domar a si mesmo, pois tem conhecimento dos seus efeitos e que a própria serve para controlar a mente, por isso sabe como programar a canção, para atingir o seu objetivo.
    O ingênuo assistirá um filme, e criará diversas histórias em sua mente, acreditando que aquela é a sua realidade, sem de fato ser. O desperto verá na mesma obra, aspectos que condizem com a sua jornada, e os quê também contradizem seu aprendizado. – A magia estará presente ali mas o verdadeiro ocultista, saberá sobre o quê se trata o seu contexto.
    O hipócrita utilizará lendas urbanas, para validar as suas experiências “mágicas”, e recuará quando for abordado. O consciencioso saberá que a verdade sobre as lendas urbanas, é tão pequena que passa despercebida, por isso fará o possível para detalhar o seu relato, de maneira que coincida com o quê tal criatura realmente é, pois tem o entendimento de quê lendas nascem da má interpretação dos povos sobre determinados seres. Lobisomens por exemplo podem ser criaturas provindas de Sirius B, Vampiros podem ser membros da constelação de Alfa Draconis, e por aí vai.
    A voz do coletivo precisa ser ignorada, até que se faça necessário ouvi-la, ou seja o conhecimento empírico tem de ser esquecido, até que haja uma explicação científica para o mesmo, ou uma forma de validá-lo de maneira, que não seja uma experiência pessoal.
    Encontrar-se a si mesmo é importante, contudo depois de achar-se, deve focar-se em descobrir se realmente é o quê acredita ser, pois é a mente é uma caixinha de surpresas.
    No mundo em que vivemos, o ceticismo doentio é louvado, por isso devemos dançar de acordo com a música, para poder criarmos nossos passos. Isto é necessitamos abraçar o conhecimento concreto, antes de realizar a magia. Porquê embora o espírito preceda ao corpo, a mente funciona como nossa alma, e quando a mesma é atingida, nossos resultados mágickos podem falhar.
    Não adianta tentar empregar a magia pela magia, numa sociedade que te obriga a ter respostas para tudo. 
    Foi-se o tempo que não havia explicações para os fatos naturais, e bastava curva-se para os deuses para conseguir as suas graças.
    Não é mais a Era de Ouro, os Deuses não estão mais entre nós, eles abandonaram este planeta há muitos anos, e até os seus filhos estão por conta, por isso conectar-se com os mesmos não é tão simples.
    É imprescindível que o predisposto tenha consciência disto, pois muitos filhos dos deuses, acreditam do fundo de seus corações, que nossos pais cuidam de nós, por 24 horas, como se fossem como os humanos que nos acolheram em suas casas, mas a realidade é outra.
    É, eu lamento, lamento de verdade. Mas os deuses tem seus próprios afazeres, e embora nos visitem algumas vezes, deixando rastros incontestáveis de sua presença, eles não ficam ao nosso lado todo o tempo.
    Novamente estou ciente de quê muitos tentarão me “apedrejar” por isso. Só que como disse antes, as verdades são inconvenientes, e trago a liberdade para os que aceitam o seu preço, e neste caso o preço é abandonar a carência de seus coraçõezinhos, e aceitar que o pai, a mãe, ou ambos nem sempre podem ficar presentes.
    Se vocês os veem, ou os ouvem constantemente, é porquê ainda estão acordando, e as memórias da vida passada, estão se manifestando, de acordo com a forma com a qual eles se comportavam com vocês, no outro mundo.
    Eles nunca aparecem por nada, sempre há uma motivação para realmente virem ao nosso encontro, e quando vem, fazem com que saibamos que estiveram conosco.
    Lúcifer e Lilith são meus pais, sou a primeira de sua linhagem, e isso pode ser confirmado no meu site antigo, que disponibilizarei no fim deste livro. Por quê digo isto? Bem uma famosa série, retratou tal fato recentemente, só que antes do mesmo acontecer, já havia escrito no meu site, que esta primeira era eu. Então pode ir conferir na prática, que o oculto influencia mídia mas a mídia não interfere no aprendizado místico.
    Quando Lúcifer me visita, sempre há todo um contexto por trás disto, ou é para me dá um alerta, como em 2013 quando me mostrou que Belzebu é um traidor, que quer o seu trono. Para me proteger de alguma criatura nociva, que tentou me destruir, enquanto caminhava pelo mundo inferior. Ou me convocar para alguma reunião importante. - Eu sei parece cômico, mas já fui chamada uma vez, para ir com o mesmo no conselho celestial.
    Como sei que de fato era ele? Eu jamais tinha visto Belzebu como um traidor. Mas após este sonho e outros nos quais fui perseguida pelo Senhor das Moscas,  fiz uma extensa pesquisa, e encontrei relatos de pequenos ocultistas, que defendiam a mesma teoria. Alguns que falavam que Belzebu se opõe a rebelião de Satanás, outros que ele era como um exorcista, mencionado na bíblia.  Mas pareciam tão dissociados da realidade, que me desanimei e aleguei insanidade.
    Contudo algo em meu interior, me levou a pesquisar ainda mais, e acabei encontrando um belo artigo dedicado ao mesmo, no site da Penumbra Livros, onde faço grande parte dos meus estudos esotéricos atualmente, devido a enorme fonte de conteúdo gratuito disponível ali.
    De fato não só Belzebu era traidor, como já tinha conquistado o trono do Inferno uma vez, fazendo com quê 49 dos 72 demônios que caminhavam com Lúcifer o servissem, e isto já tinha até se tornado o roteiro de uma revista em quadrinhos da Vertigo inclusive.
    Até aquele momento eu nada sabia, mas Lúcifer veio e me mostrou um fato, que não era uma fantasia, e podia ser comprovado.
    Além disso no dia do dito sonho, ocorreu um evento quase cataclísmico em minha cidade, ligado ao vento, que é um dos elementos que o representa, e minha mãe literalmente viu um anjo dentro do nosso lar, muito bonito segundo a mesma.
    Já na outra vez, foi como se ele enviasse uma mensagem através de uma médium, na qual me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer em breve. 
    É claro que duvidei, para mim a possessão, é apenas um processo psicológico, no qual o “possuído”, na verdade é um predisposto, que desconhece seus dons, e acaba manifestando habilidades sobre-humanas, que fazem com os quê os padres interpretem de maneira errônea, e na época, achava que se tratava de uma insanidade maior que a minha, só que ainda sim, é no mínimo suspeito tudo o quê aconteceu depois.
    Minha casa foi saqueada, e levaram todo o meu material de registro de eventos sobrenaturais, os homens reviraram o meu quarto todo, e deixaram o da minha mãe arrumado. Procuraram pelo notebook, onde tinha fotos, teorias, e vídeos, sobre a minha caminhada oculta, levaram a minha câmera, e até o quê eu usava para me distrair do mundo, o meu playstation 2, que já não valia muita coisa na época, e acreditei ser o disfarce perfeito, para o quê realmente fizeram.
    Foi como se declarassem guerra a mim, e a minha sanidade, pois eu analisei os fatos, bati cabeça dando explicações para mim mesma, e a verdade é que até hoje não consigo ver como um mero assalto, pois o mesmo começou, segundo a perícia no momento do incêndio da rua debaixo, que havia começado por causas naturais, e não por intervenção humana.
    Isso não foi a única coisa, naquele ano e até o inicio do outro fiquei muitas vezes a beira da morte. Escapando de acidentes por muito pouco, ou sobrevivendo as tentativas de suicídio, mesmo sem querer continuar de pé, porquê não suportava mais o fardo de ser filha de Lúcifer e Lilith. – Ou achou que somente o não agraciado sofreria? 
    Não foi fácil, e depois que tudo o quê era meu foi levado, fiquei isolada do mundo, e saiu a notícia de quê as contas estavam sendo vigiadas pelos americanos, e como se isto não bastasse, a minha página com apenas 150 curtidas, tinha sido apagada da rede, como se o link estivesse quebrado. O quê convenhamos, é no mínimo suspeito.
    Mas Lúcifer havia me avisado, e eu não dei ouvidos.
    Já Lilith sempre foi mais sutil, aparecia em corpos bonitos, e transmitia mensagens de importância sentimental, que me impediriam de me meter em furadas - Entretanto eu não ouvia, e por isso me machucava sem necessidade.
    No meu primeiro contato com a mesma, esta me revelou que o meu namorado na época, não era digno, nem me pertencia, e que era um erro tomar posse do mesmo, pois este era infantil e malévolo, e não era o quê tinha escolhido para mim.
    Duvidei de imediato, pois a moça que me disse, parecia ter sentimentos pelo rapaz. Só que anos mais tarde, vim saber que as suas predições estavam corretas, e que o cara era realmente um traste.
    Não haviam sinais plausíveis, que nos ligassem de fato, somente aqueles que vinham da sua capacidade de me estudar, para saber o quê eu queria - como um sociopata adolescente - e que o fato de me juntar a ele, não trouxe nada mais que:  Desentendimento, culpa, tristeza, e desespero. Como se o mesmo tivesse sido colocado na minha frente, somente para atrasar a minha descoberta, sobre quem e o quê de fato era, pois tal informação certamente tinha grande valia, e lá na frente falarei sobre isto.
    Por estas e outras que digo, eles só vão se manifestar em casos de extrema importância, por isso não espere que apareçam apenas por quê é a tua vontade.
    É preciso entender que a linha da realidade e a ficção por vezes se cruzam, mas a ficção é apenas uma expressão exagerada da realidade. Se não compreender isso, certamente não vai suportar os desafios, e acabará por enlouquecer. – Foi o quê quase aconteceu comigo, depois de 6 anos no caminho.
    Por isso use os artifícios midiáticos apenas para controlar a ti mesmo, para atingir o teu objetivo, ou por diversão. Mas jamais faça uso dos mesmos, para o teu aprendizado. Eu sei deve ser a 3° ou a 4° vez que repito, mas é para que entre em suas cabeças.
    O preparo mental é o primeiro e mais importante nível, porquê é através deste que vai destravar todo o teu potencial oculto, e trazê-lo para a luz.
    Por isso é necessário cuidar da tua mente, como se fosse o teu corpo, absorvendo somente aquilo que é capaz de suportar, e que favoreça o teu entendimento, ou a realização do teu propósito.
    Dias antes de fazer o ritual, faça uma boa playlist de músicas, que te ajudem a se sentir mais forte e capaz, de filmes que te façam crer no mundo oculto, de games e quadrinhos que seguem o mesmo roteiro, e quebram o padrão do impossível, tornando-o possível.
    Pois assim é criada a atmosfera mística mental, e isto te ajuda a ficar pronto para realizar o teu ato místico.
    Feito isto, agora é hora de seguir para o segundo nível.
    A atmosfera mental já foi desenvolvida, você se sente pronto para fazer o seu primeiro ritual, e não há nada que te faça duvidar de suas capacidades.
    Então agora deve expressar isso de maneira física, desenhando símbolos em teu altar, utilizando as velas certas, o incenso necessário, e o ambiente favorável ao teu rito.
    Por isso precisará conhecer cada símbolo que for utilizar em teu ritual, do contrário pode acabar libertando uma coisa, que deveria ficar no outro mundo- Falo por experiência, passei 9 anos sob a influência de Carreau, por ter o libertado em um dos meus rituais, e só há pouco tempo me livrei do mesmo. Então tome muito cuidado, com os símbolos que vai utilizar, pois cada um tem significado específico, e não é o teu desejo de alterá-lo, que vai promover a mudança de uma egrégora que está presente neste planeta há anos.
    Feito isto, agora é colocar em prática o teu aprendizado, então vá adiante.
    Já estudou, já conheceu os símbolos, e leu tudo a respeito dos cultos dedicados ao deus que tu escolhestes, então porquê não se arriscar com um rito próprio? 
    Você já aprendeu a respeito do ser escolhido, sabe o quê pode, ou não fazer, o quê o honra ou desonra, então dê asas a tua imaginação, pois uma imaginação sem recursos é criatividade, mas quando a mente foi preenchida com conteúdo, a imaginação pode abrir as portas, para quê consiga ouvir a tua voz interna. Quer dizer que se você apenas fizer um ritual, seguindo a tua imaginação por nada, pode falhar e cometer erros graves, mas se souber moldá-la, pode servir de ponte entre você e o deus que te aceitou entre os seus.
    Os predispostos precisam está preparados, pois quando a sua voz interna surgir, vários fatos intrigantes vão acontecer, inclusive coisas de origem sobrenatural, que parecem obra de um poltergeist, mas provavelmente virão deles mesmos. 
    A forma de saber se vem de si mesmo, é medindo sua temperatura corporal, pois o excesso de energia, fará com quê a mesma suba bastante, independente do seu elemento, mesmo os que tem afinidade com o gelo, poderão sentir a sensação de calor intenso.
    Ou tentando mensurar o seu comportamento psicológico, pois se estiver sob o estado de muita adrenalina, também poderá acabar por influenciar o ambiente com a tua força oculta.
    Já os humanos não precisam se preocupar, também podem empregar a sua energia oculta num ato mágico, sem ter alcançado o poder divino. É claro que no caso dos mesmos, coisas sobrenaturais serão raras, e provavelmente se acontecer, dificilmente virão dos mesmos. Contudo isso não significa que não há nada que possam fazer.
    O poder dos homens está em sua mente, um pouco mais que no caso dos predispostos, e os humanos podem usar a sua força, para realizar sonhos típicos da espécie, como: Ganhar muito dinheiro, um bom emprego, atrair o amor de suas vidas, melhorar a aparência etc.
    Não será algo instantâneo pois são limitados, por serem a imagem de seu Deus Jeová, mas mesmo assim, com o método certo, e os 2 níveis mental e físico, eles certamente atingirão as suas metas.
    Pois há uma energia oculta poderosa, que está disponível para todos, inclusive os humanos, e é através desta que podem inclusive, abandonar a condição de homens, para se tornar algo mais próximo dos predispostos, ou ainda mais poderosos que alguns.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Capitulo 3- A Magia é vida, mas não é um ser vivo.
    A magia não é feminina, nem masculina, ela está acima de teorias tão mundanas.
    Atualmente vemos constantemente que a magia é algo especificamente feminino, que a mulher é detentora de uma enorme energia oculta, porquê somente a mesma é capaz de produzir a vida, e todo aquele blá, blá, blá feminista, do qual até mesmo Lilith já está por aqui.
    Ou pior ainda que o homem, por conta de seu intelecto voltado para o modelo mais racional da realidade, é naturalmente aquele que manifesta as forças de um verdadeiro deus, ou outras besteiras machistas que nos fazem entender, porquê o feminismo existe para se opor a tal pensamento.
    Nem o homem ou a mulher são os provedores de tal energia. Não separados pelo menos. Pois a mulher embora tenha o ambiente perfeito para gerar a vida, não pode fazê-lo sem a semente que existe dentro do homem.
    É totalmente desnecessário provar a sua superioridade através do seu sexo. Isto não é coisa de um bruxo real, mas sim de alguém que tem sérios problemas consigo, e precisa validar-se pelo quê tem no meio das pernas.
    No caso das mulheres, é como adotar uma postura semelhante ao machismo, que supostamente desprezam. No caso dos homens é apenas seguir sendo como os outros, quando, como ocultista , deveria ser melhor que os demais.
    Baphomet representa a união do feminino e masculino, e é uma das figuras mais poderosas do ocultismo, pois não expressa apenas a dualidade, mas a totalidade, que é o uno. A união  do céu e o inferno, do sagrado e o profano, e provavelmente é a imagem perfeita, de como a primeira causa seria, se a mesma se manifestasse em forma física, portanto aprenda a lição mostrada por esta imagem.
    A Magia não tem Religião.
    Muitos defendem abertamente que bruxaria cristã não existe, porquê a igreja perseguiu inúmeros bruxos na santa inquisição. – Até os 16 anos acreditava no mesmo, mas hoje tenho 24 anos, e sou obrigada a desiludi-los mais uma vez.
    O conceito amplamente defendido é que a magia pertence ao paganismo, e logo não pode ser praticada dentro das igrejas, ou por seus fiéis.
    Quem faz tal defesa, provavelmente se encontra no inicio da caminhada- Mas se já passou vários anos, e ainda acredita nisso, precisa urgente deixar de seguir a “massa mística” (O quê é irônico, pois nem deveria haver uma.) e conectar-se  com os deuses, pois apesar do quê imaginam, não estão nem os servindo, nem caminhando com os mesmos.
    Eles sentem como se a nossa cultura estivesse sendo saqueada dos templos sagrados, e entregues aos cristãos.
    E não estão errados, pois isto é o quê de fato aconteceu, antes da chegada de Cristo. – A bíblia sagrada cristã é um mosaico de textos ocultistas de outras culturas.
    Portanto o “roubo” já aconteceu há muito tempo, não é algo novo, e desta forma muitos fiéis já tiveram tempo suficiente para desenvolver os seus cultos. Existe até mesmo uma linha do cristianismo, voltada para os misticismos, então a bruxaria cristã não é algo novo, aceite isso.
    Além disto os grandes ocultistas conhecidos, estudaram as mesmas filosofias criadas por estes fiéis, antes de fundar as suas escolas de pensamentos. É o caso de Aleister Crowley - conhecido como “To Mega Therion”, a  “Besta 666”, “O homem mais cruel do mundo” - que ingressou na Ordem da Aurora Dourada, antes de criar seus Libers. Porém o quê poucos sabem, é que embora o mesmo tenha sido expulso da escola dominical, a Ordem que o recebeu, foi fundada através do ensinamentos distorcidos de Agrippa, que era um grande homem, e devoto do divino.
    Então não há necessidade de espancar e cuspir naqueles que descobriram tal possibilidade, pois pode até servir para contribuir em alguma coisa.
    Há tanta coisa que merece mais tal ódio, que realmente me dói a vista, ler tanto desgosto voltado para os que resolveram seguir um caminho diferente do nosso.
    Do momento em quê erguemos nossa espada para os homens apenas por conta da sua religião, estamos sendo tão sujos e hipócritas, quanto os inquisidores, que apenas apontavam o dedo para aqueles que discordavam da sua versão do mundo. – E eu sei que você não quer ser comparado com o teu rival, então não haja como tal.
    É importante frisar, que a magia supostamente foi trazida aos homens por aqueles que desceram dos céus, por isso a mesma não pertence a humanidade, e logo não deve ser julgada como se fosse.
    Lúcifer e os caídos ensinaram as mulheres, e lhes deram o poder, para realizar os próprios intentos. Mas de onde Lúcifer veio e onde a magia residia antes? Isso mesmo no plano celestial, ou a Deusa Desceu a Terra para ensinar os humanos a praticar a magia, e os guiar para o seu mundo. Quando não mais pôde ficar enviou a sua filha, para continuar o seu trabalho. Mas é sempre seguindo a premissa de quê a magia foi transportada de outro reino, que não é o quê vivemos.
    Então por favor, pare de usar esse contexto absurdo, de quê a magia pertence somente a um grupo, pois até nos textos antigos, pode ser comprovado, que “não é assim que a banda toca”. Hermes Trismegisto já dizia: O quê está acima, é o quê está abaixo. Entenda de uma vez por todas este conceito.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    A magia não tem política.
    Se você é de : direita, esquerda, liberal, fascista, socialista, ou qualquer outro partido conhecido, não importa.
    Novamente é algo mundano, que deve ser deixado em seu devido lugar.
    Não traga suas convicções partidárias para dentro da sociedade ocultista, pois não é bom misturar as coisas.
    Hitler e o Vrill estão aí para provar. 
    Ele obteve um grande sucesso ao realizar a sua missão, mas a sua mensagem real jamais foi ouvida, e pior ainda acabou por ser distorcida, com o decorrer dos anos. Sendo tratada como um massacre desnecessário, ou desumano, ou o grito de horror de inocentes, que nem eram tão inocentes assim. – A sua luta não era contra os judeus, e sim os sionistas, que supostamente queriam dominar o mundo, mas conseguiram fazer parecer que esta era a vontade de Adolf.
    Esta é a versão da verdade que conheço e acredito, pois a filosofia sionista e illuminati, em muito coincidem.
    Mas é algo em quê Eu acredito. Não significa que você é obrigado a crer no mesmo. Por isso saiba que há um espaço para a magia, e outro para a política, não é porquê um influencia o outro, que devemos misturá-los.
    O Tudo é o Todo, e o Todo é Um. Só que é preciso compreender suas metades, para poder entender como se complementam.
    A Magia não tem etnia.
    Não importa se tu és negro, branco, hispânico, índio, ou qualquer outra raça conhecida. Todos são humanos, ou ao menos meio-humanos, no caso dos predispostos. Assim sendo devem respeitar uns aos outros.
    Se o branco quer fazer parte da gira, deixe-o entrar. O mesmo vale para o negro que anseia entrar num sistema mais elitista como o luciferianismo ou o satanismo.
     
    Salvo apenas exceções para filosofias voltadas para o racismo como a Skull and Bones por exemplo. Porém creio que tais ideais são como feminismo e machismo, e precisam ser abolidos da face da Terra, pois só servem para validar a vontade, de gente tão pequena que se define por sua cor ou sexo.
    A magia não tem estilo.
    Vocês encontrarão gente de todo tipo no caminho. Mulheres com roupas provocantes, homens maquiados, moças de turbante, rapazes de dread, gente de preto, gente de branco, e isso não significa absolutamente nada.
    A roupa que a bruxa veste, não representa o seu poder, apenas expressa a sua mais forte emoção, aquilo que mais gosta, e tem alguma afinidade.
    Ou seja não é porquê uma bruxa veste preto, que ela trabalha para Satã, ou porquê uma bruxa usa vestes coloridas, que esta serve a deusa e o deus.
    A diversidade neste meio é muito grande, logo nem tudo o quê aparentemente é, de fato é. Quer dizer há casos de bruxos que se vestem como anjos, mas trabalham com energias bem densas, e o mesmo ocorre com aqueles que se vestem como demônios, mas praticam magias menos pesadas, pois é o quê podem suportar.
    Há bruxos que pouco estudam, mas conseguem obter grandes resultados. – Embora mais tarde acabem achando que o hospício é o lar doce lar.
    Há ocultistas que procuram estudar mais do quê necessário, e quê embora criem barreiras no seu desenvolvimento, se sentem mais confortáveis, em suas limitações.
    Então não adianta ditar que a magia é um estilo de vida, pois cada um é livre para encontrar o tipo de vida que o mais o agrada. – É claro que adotar a prática diariamente, certamente vai te ajudar a obter bons resultados, pois condiciona o cérebro a destruir o empecilho do impossível. Entretanto isso não é uma obrigação, nem uma regra. Você decide o quê se adequa a tua condição. - Até porquê há aqueles que compartilham seu lar com outras pessoas, que não apoiam as suas práticas, e por isso precisam de outros meios, de gerar uma boa atmosfera mágica, que não implique em desrespeito aos que lhe oferecem um teto, e seja viável para executar.
     
     
    A magia é uma energia.
    A magia é formada de átomos de energia positiva e negativa, e você é o nêutron que rege tais forças. 
    A magia não tem voz, ela apenas te ajuda a encontrar a sua. A magia não pode ser um corpo, mas te ajuda a moldar o teu. A magia não ouve, mas te faz ouvir. A magia não vê, mas te ilumina para enxergar. A magia não sente, mas te impulsiona a sentir. A magia não pensa, só que intervém em teus pensamentos.  
    A magia é uma força gigantesca, que se bem canalizada, pode criar ou destruir a vida, mudar ou colocar as coisas no lugar, alterar o fluxo ou mantê-lo, incendiar ou apagar o incêndio. É a mais perfeita expressão da linguagem divina, proveniente da Primeira Causa. É a matriz de onde tudo nasce, da qual pode beber de sua energia.
    A magia é vida, pois é movimento, e ausência do mesmo, é luz, é sombra, é claro e escuro, é impulso, é neutra, é causa e efeito, mas não é um ser vivo.
    Consequentemente não pode ser tratada como tal. A vista disto não lhe atribua as características de um humano, fazendo-a ter: sexo, política, etnia, ou estilo, pois esta é muito maior que tais convicções.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Capitulo 4- O Mundo sem o véu.
    Já trabalhamos em cima da atmosfera mística , e a importância do aspecto mental, para criar tais condições, e portanto aplicar a energia mágicka. Mas como é que o mundo se torna, após quebrar a barreira do impossível? 
    Primeiramente o mundo de concreto, continuará o mesmo, são seus olhos e o olhar que se tornarão diferentes. 
    Provavelmente deve ver diariamente a batalha entre os céticos e os ocultistas. “Só confie na ciência pois há como comprová-la e a magia é apenas crendice.” Dizem os apaixonados pela ciência. “Abra seus olhos, há um mundo mágico por trás deste, e somente a fé nele é o suficiente para manifestá-lo. A ciência é uma tolice, um insulto as forças divinas.” Dizem os aficionados a magia.
    Você pode de imediato concordar com a segunda visão, mas ambas estão erradas. – Embora a parte do conceito metafísico (o mundo por trás do mundo) seja correta.
    Quando se encontra de fato com o oculto, você percebe que magia e ciência, servem para dar as mãos e não se destruírem, como se fossem inimigos velados.
    Essa rivalidade trivial, não é digna de um ocultista, pois o mesmo tem consciência, de quê muito do quê temos hoje antes era visto como místico.
    Imagine-se em 1500 com um celular em suas mãos, certamente as pessoas do tempo, ficariam maravilhadas, e depois iriam temê-lo, ao ponto de queimá-lo vivo, sob a declaração de prática de bruxaria. – Mas nos tempos em que vive, sabe que se trata de ciência, e isto o faz rir.
    Essa perspectiva a princípio pode deixá-lo desnorteado, só que é um fato. Eles nem parariam para estudar a respeito, pois naquela época a Terra era movida pelo medo.
    Muitos cientistas foram tidos como hereges no seu tempo, e jogados no fogo purificador dos santos, então tentar separar o inseparável é bobagem. – Todavia é significativo que saiba que não basta compreender as metades, é necessário entendê-las a fundo.
    A ciência é um meio de comprovar se um fato é real ou falso. Embora seus métodos, pareçam servir somente para desbancar a existência de seres maiores que a humanidade. Eles também podem ser usados, para por exemplo separar, quem realmente viveu uma experiência sobrenatural, e os que apenas precisam de tratamento psiquiátrico. – Lembrando que alguns eventos de natureza mística, podem ser tão devastadores, que causam este efeito de estresse pós-traumático.
    Logo se a ciência serve para medir o evento, o esoterismo é o evento– Uma manifestação nua e crua da natureza, que para muitos foi esquecida, e que tem mistérios a serem desvelados.
    Desta forma o primeiro ponto é esse: A inexistência de um padrão dualista, e percepção de que o universo é realmente um, cujas as metades unidas, o fazem completo.
    Além disso, quando você se conecta de fato com o cosmos, ele também se junta a ti, e assim desenvolve o quê é conhecido como inteligência divina. – Não que vá conseguir resolver cálculos matemáticos complicados em segundos, como no filme Transformers, mas certamente libertará uma sabedoria, bem diferente da dos demais, e que vai te ajudar a se compreender melhor.
    No caso daqueles que tem a predisposição, poderão descobrir mais sobre a linhagem, através das memórias dos deuses, que vão lhes transmitir informações sobre a sua missão, e o nível dela. – Se será fácil ou cheia de obstáculos.
    Já os humanos, terão como resolver as suas grandes questões, a respeito de quem são, e de onde vieram de fato, podendo inclusive conhecer o criador da sua espécie, e lhe pedir a dádiva divina. – Mesmo que tenha um preço alto a se pagar.
     
     
     
     
     
     
     
    E este é o segundo ponto: Saberá sem ter visto nada antes. – Mentalize a seguinte situação: Você é um estudante de médio conhecimento sobre a Deusa Afrodite. Tudo o quê sabe é que é a Deusa do Amor, e que seu par é Hefestos, o ferreiro do Olímpo, e outras pequenas coisas. Do nada seu corpo se desliga, e você tem a visão de Afrodite na cama de Ares, o Deus da Guerra dos Gregos, e Hefestos quer provar a sua traição. Você retorna, acha aquilo estranho, e decide pesquisar sobre isso, então lá está o quadro que retrata a sua visão. É o quê vai acontecer, quando libertar este tipo específico de aprendizado.
    Novos mundos irão se apresentar a ti, mas eles não serão físicos. Sempre que meditar, terá visões do teu verdadeiro lar, que não é este planeta, e ao fazer a viagem astral irá sentir, como  são as outras civilizações.
    Há chances de prestigiar o mundo, em que o Deus que te acolheu habita, e assim receber dele algumas direções, para te ajudar a cumprir o teu propósito.
    É quando começará a entender a teoria de Giordano Bruno, sobre os milhares de planetas, que existem além da Terra, e a diversidade presente nos mesmos.
    Deixará de crer em filosofias como criacionismo ou evolucionismo, e aceitará o design inteligente, que lhe parecerá a resposta mais plausível, para a origem das espécies existentes.
    Verá que a panspermia cósmica, é uma ideia incompleta, pois a vida não se forma do nada, é preciso de uma causa que a gere, e esta é ninguém menos que o próprio Uno, que você conhece como Universo.
    Ao entrar no plano invísivel , começará a duvidar se está vivo, ou preso em um sonho, do qual acorda todas as noites, e retorna para casa. – É lindo, porém se você criar afinidade com apenas o outro lado, esquecerá que não habita nele, e isto te trará consequências terríveis, como buscar o abraço gélido da morte por exemplo, e ao fazê-lo, se levará a dimensões sombrias, que deram origem ao termo adotado como Inferno, o quê atrasará ainda mais a sua volta.
     
    É preciso que se lembre sempre, de quê embora a sua casa seja a anos luz daqui, há pessoas que precisam de você, e tu tens uma missão a cumprir, antes de retornar para aquele lugar que te faz tão bem. – Quando fizer a projeção, tenha ciência de quê está fazendo uma visita, e não se mudando pra lá.
    Alguns rapidamente encontram o caminho de volta para as estrelas, outros demoraram, pois não estão prontos para aceitar, que aquele canto maravilhoso, o aguarda, mas ainda não é o momento certo. – Ou pior, devido as espécies superiores e inferiores, que vem se aniquilando há milênios, não há pra onde ir, e só pode aprender com o quê restou, da sua civilização materna.
    Outra coisa, é importante também ter conhecimento de quê, tudo o quê tem no outro mundo, não pode trazer para o físico. O máximo que conseguirá, é uma versão fantasma da coisa em questão.
    Portanto se atravessar o mundo dos dragões para este, montando em um deles, o mesmo não vai se materializar em teu quarto, como se fosse um animal comum, e somente os que desenvolveram A Visão, poderão enxergá-lo, (ou nem isto, pois há os que escolhem com quem interagir).
    Há muitas críticas no meio sobre o quê os bruxos já viram ou experimentaram.  Qualquer magista que tenha  visto duendes ou dragões, e se juntado a estes numa experiência mística, é friamente julgado. Então mesmo que adentre no outro lado, é preciso que não fale isto para quem não presenciou o mesmo, pois dificilmente vão compreender. – Salvo exceções aos que se dizem ocultistas, mas precisam de substâncias alucinógenas para adentrar no outro mundo. Estes realmente possuem pouca credibilidade sobre o quê presenciaram, pois as drogas não te ajudam a conhecer a outra dimensão, no máximo consegue refletir o teu interior. Isto não significa que me oponho ao seu uso, pois cada cabeça tem uma sentença, e sabe o quê é melhor para si. No entanto quando se trata de experiências extra-sensoriais, o uso de tais artifícios pode lhe ofuscar A Visão.
     
     
     
     
     
    Não estou falando da visão física, mas sim do terceiro olho, o olho que tudo vê, o olho que não enxerga somente o concreto, mas os átomos que o compõem, e vibram na mais baixa frequência, para torná-lo pesado.– É o olho que desmembra a realidade, para que conheçamos cada um dos seus mais profundos mistérios, e certamente você não querer perder essa capacidade. Pois uma vez que encontra o plano místico, os seres do plano místico te encontram também, e nem sempre isso é algo positivo, pois a maioria detesta os seres esquecidos na Terra, e anseia destrui-los, para que não retornem ao mundo deles, com medo de serem “infectados” por ideias humanas.
    E aqui é que a situação piora, pois os seres que odeiam os meios- terrestres, e terrestres em sua totalidade, fazem de tudo para que  os bruxos, não consigam atravessar a ponte do astral, para o Etérico – O plano acima do astral, (que também pode ser reconhecido como o Consciente Coletivo de Jung) terão as respostas necessárias, para evoluírem suas consciências, sobre quem são.
    Eu sei parece o roteiro de algum RPG, e se quer saber a realidade, o mundo invisível não é tão diferente do mesmo. Então se anseia entender a respeito, sugiro que comece a jogar, e estude todo o sistema, para quê saiba de suas limitações.
    Aliás creio que quando disseram que Deus jogava com dados, se referiam a isto, pois tudo depende das circunstâncias. Deus lhe oferece alternativas, e você no início, quer seguir adiante, e derrotar o monstro com um golpe de misericórdia. Contudo Ele no poder de mestre do jogo, prefere que lute contra o monstro, da forma mais humilhante que há, e perca teus braços e pernas. Ambos atiram seus dados no tabuleiro. O resultado dele é 7 o seu é 2, sua vontade é alterada para que a dele seja atendida, e você nobre peregrino, acaba por perder teus membros na batalha contra o gigante.
    Pois não importa o quanto digam que A Tua Vontade é A Lei, seus artigos podem ser alterados pela diretoria, que foi gerada pela Lei Imutável dos Antigos. 
     
    A sua vontade, não é o suficiente para alterar algo monumental, principalmente quando se trata do seu encontro com o Mestre do plano Superior. Pois naquele lado há uma egrégora poderosa, que foi alimentada por milhões, e a diferença do milhão para um é muito grande.
    Você certamente deve está pensando, se é assim que graça tem em praticar magia? A mesma de jogar. Pois quando você segue dentro dos padrões sociais, apenas está sendo parte do cenário, e não tem controle das próprias ações.
     Mas quando modifica o rumo, ao menos tem a chance de escolher, ou seja está pegando os seus dados, e se preparando para alcançar a glória do verdadeiro livre- arbítrio.
    Porém assim como para jogar um RPG, você precisa muito do quê o dado, na magia não é diferente. É necessário escolher um personagem, ou no caso do ocultismo, uma vertente, como a magia draconiana por exemplo.
    Feito isto, não basta apenas manter o personagem, é preciso fortalecê-lo, para encarar o mundo que o aguarda. No RPG com armaduras, joias, e outros apetrechos. Na magia com sigilos, círculos, linguagens desconhecidas, etc.- E mesmo que seu personagem esteja no nível máximo, sempre haverão aprimoramentos, para torná-lo cada vez mais capaz de alcançar os objetivos, que lhe são apresentados na jornada.
    Portanto antes de adentrar de vez no mundo translúcido, ou tentar remover o véu do mundano, se prepare devidamente, pois nem sempre o mestre vai com a cara do seu personagem, e no seu caso essa potência é ninguém menos que o próprio Deus. - Não o Deus dos Ocultistas, que é a força ilimitada e geradora. Mas sim o quê foi criado por uma egrégora de humanos ambiciosos, e mal intencionados, que conheceram um ser, que achou que poderia tomar a coroa cósmica de quem o gerou, e o fortaleceram o suficiente para ser aquele que hoje comanda muitos mundos. É, eu sei parece a história de Lúcifer, mas este é um clássico caso, em quê o vilão se denuncia pela sua versão deturpada dos fatos, e quem tem o bom senso consegue perceber as entrelinhas. – Leia o Antigo Testamento, como um livro comum, e verá que o Deus do Amor, é na verdade uma expressão do mais puro Ódio. 
     
     
     
    Além destas alegorias, há muitas outras, então fique atento, e aprenda a jogar, ou siga como a massa permitindo que o mestre controle o seu destino, sem jamais se opor a tudo o quê te acontece, e ficando grato pelo pão e o vinho na mesa, assim como pela morte dolorosa de toda a sua população, porquê este quis assim.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Capítulo 5 - O fanatismo, o grande veneno mágicko.
    No capítulo 4, abordei sobre o outro mundo, mas primeiro expliquei sobre o maior dos empecilhos para chegar lá, pois é importante que esteja ciente, de quê nem tudo são flores.
    Posso ter passado a impressão de quê estou em cima do muro, sobre Deus e o Diabo. Mas o fato é que, quando se conhece ambos os lados, fica claro que a ideia do preto e branco, não serve para nada.
    É claro Jeová é cruel, é o Deus dos homens, dos pecadores. Contudo é um verdadeiro Ares da religião judaico-cristã, não há quem duvide da eficácia de suas estratégias, e isto é admirável. – Apenas discordo de algumas metodologias dele.
    O mesmo ocorre com Lúcifer, ele é meu pai, e certamente me orgulho disto. Porém não concordo em evitar a massa. Apesar de não pertencer a ela, seus tipos de entretenimentos são bem agradáveis.
    Então é aqui que se percebe, a razão para não apoiar fanatismos. Se fosse obcecada por Lúcifer, concordaria com tudo o quê dissesse, mesmo que fosse contra aquilo que gosto, somente para ser o quê ele supostamente espera de mim.
    Isso é errado. Além da grande falta de amor próprio, há também o risco de ser manipulado por entidades maléficas, que não caminham nem com a luz, nem com as trevas, apenas servem a si mesmos. – O quê não é errado, mas do momento que atrapalha a vida do outro, se torna prejudicial.
    São seres que passaram grande parte da sua vida, sob a sombra dos senhores, e que jamais conseguiram ascender como eles, e por isso na primeira oportunidade, os apunhalaram pelas costas, e assim foram jogados num mundo caótico, de onde vez ou outra saem para atormentar, sob a forma de fantasmas, que sussurram coisas em nossos ouvidos. – É como se fossem os empregados que se dedicaram a empresa, sem terem recebido uma proposta de aumento, e mesmo assim esperaram subir de cargo, e quando nada aconteceu, começaram a destruir o prédio para que ninguém mais trabalhasse. 
    Uns os chamam de demônios, mas isto é um insulto aos seres do mundo inferior. Então prefiro seguir com o conceito da umbanda, de espíritos obsessores, e embora grande parte diga que se tratam apenas de seres humanos, poucos sabem que não são apenas os homens, que tem problemas para evoluir.
    São criaturas que em vez de terem visto alguma oportunidade, abraçaram as limitações como desculpa, para concentrar a sua ira em algum foco.
    E porquê estou falando nelas? É bem simples na verdade. Porquê tais seres encarnados ou desencarnados, costumam se aproveitar da fé alheia, para que cumpram seus objetivos atrozes, de destruir a base das filosofias, que supostamente os abandonaram.
    Portanto quando você se entrega demais a fé, não consegue perceber as armadilhas dos mesmos.
    Imagine duas situações: Primeiro há um padre de uma cidade pequena, cheia de gente analfabeta, mas com muita fé em compensação.
    Eles acreditam que apenas a palavra de Deus, proferida por seu padre, é a verdade imutável da vida.
    Contudo tal líder, pouco se importa com as palavras divinas, apenas as estudou, para ter poder sobre as pessoas, e assim usá-las como bem entender.
    Ele tira das mesmas: o seu dinheiro, os seus filhos, a sua liberdade, e os faz segui-lo cegamente, em rumo a completa perdição, pois sabe que está condenado, e quer levar quem puder junto.
    Como se não bastasse, para garantir-se, diz que é a vontade de Deus, toda vez que o questionam, e pior ainda, faz com que seus seguidores, repudiem qualquer figura pública, que pode desmistificar a sua falácia. – E se a tática funciona, mostra as suas garras, é quando por exemplo reúne os mais devotos, e os influencia a matar alguém, alegando que a pessoa está sob possessão demoníaca. (Não que discorde da existência da mesma, mas creio que eu, que o quê parece palhaçada para quem entende, é assustador para o ignorante, e o medo, sempre gera caos, se mal empregado) 
    No segundo caso, a mentira é um pouco mais articulada. O sacerdote diz que você é livre, que não precisa mais seguir nenhuma regra do “Nazareno”, que a vida começa agora, e os pecados não passam de uma bobagem.
    No início nenhum centavo é tirado, eles apenas promovem festas de orgia. – O quê não é ruim se for solteiro, mas o verdadeiro preço, que vem depois sim.
    Você se envolve nas palavras do sacerdote: Não há Céu, Não há Inferno, somente o aqui e agora, então façam valer a pena do jeito que o diabo gosta!
    Assim como o padre, tal sacerdote não está interessado no crescimento do seu grupo, somente quer arrastá-los para o fundo do poço, para que precisem dele, e é aqui que o golpe se torna mais evidente.
    Pois toda vez que a pessoa quer sair da tristeza por sua vida vazia, surge um novo motivo para deixá-la em tal estado. – É, o sacerdote, não carrega tal acunha, sem ser praticante de magia.
    Após fazer com que a vítima de seu magnetismo ( e alguns espíritos), comece a enlouquecer, vem as ofertas absurdas. “Mate um bebê para Satã, e ele te libertará destas correntes.” Diz o mesmo. Mas convenientemente, esquece de contar que a criança escolhida, é filha da ex com o atual - que percebeu o bosta que ele era, e o deixou.
    Eu sei parece inacreditável, mas a situação somente se agrava, pois no fim das contas, o padre e o sacerdote, se encontram longe dos olhos de todos, e assumem que suas jogadas, estão sendo bastante eficazes. Pois se os cristãos ficarem longe da magia, que os levam a questionar, e os satanistas evitarem o sentido de certo e errado, nunca conseguem atingir o estado da iluminação, para descobrirem a quem de fato servem, e que não é nem ao Diabo, nem a Deus.
    Estas criaturas são ainda mais inescrupulosas que Jeová, pois enquanto o mesmo ainda recompensa os seus, estes seres apenas fazem os demais afundarem, e nunca reconhecem os seus esforços, porquê como disse antes, sentem-se injustiçados, e que todos merecem a sorte que tiveram, por serem tão tolos ao acreditarem neles.
    Então não deixe que a sua fé te domine, mesmo que seja parte do plano superior. – Ela pode abrir portas, mas se não souber onde pisa, acabará indo para uma selva, e mergulhará em areia movediça.
    Somente a fé, nos faz ficar cegos. Da mesma forma como seguir somente a ciência, nos faz deixar de perceber, o tamanho da plenitude do universo, e que nem tudo se resume ao que é “concreto”. – A verdade mística não pode ser medida por filosofias dualistas da humanidade, pois esta se perdeu há muito tempo.
    Então como nos impedir de chegar a esse ponto? 
    Não há um método certo, e que tenha 100% de eficácia. Mas após várias pesquisas de campo, com base em observação, percebi algumas formas, que listarei a seguir:
     Evite defender a sua fé com paixão. – Não estou dizendo que não deve amar o quê faz, mas sim que precisa saber a diferença, entre o amor e a paixão. Amor é uma chama pequena, que serve para nos aquecer numa caverna. Paixão é um incêndio, que se alastra, destruindo toda a floresta, e se não ficou claro Paixão é um caso de amor intenso, impulsivo, e descontrolado. Amor é quando duas pessoas completas, compartilham uma vida juntas, sem desistir de quem são, pois escolheram andar com o par, e não dominá-lo.
     Estude tanto o seu opositor, quanto aqueles a que apoia. – Não estou dizendo que precisa se tornar um cdf de magia. Todavia é preciso sim ter conhecimento do quê faz. Então antes de julgar o inimigo, tente descobrir sobre as suas motivações para agir de tal forma. Concordar ou não, está fora do caso, mas é importante ver até onde o boato relatado é real.
     Haja como cético. – Apesar da correlação com o item anterior, é importante nos focarmos no fato, pois ser cético, é duvidar bastante da história, antes de aceitá-la como verdade, e é esta postura que deve tomar, sempre que uma coisa, que desconhece, surge na tua porta.
     Procure informações imparciais – Se o bruxo diz que a sua deusa é santa, e a religião a condena como “demônio”, é bom evitar ouvir ambos, e buscar por uma voz, que trabalha todos os aspectos da deusa, desde os puros, aos mais pecaminosos.
     Não fale sobre sua filosofia com eles. – Um fanático não tem nada para acrescentar na sua busca por conhecimento, a não ser, que queira estudar sobre transtornos de personalidade, ligados a estresse pós- traumático. Mais terrível ainda, pode te levar pro fundo do poço junto com ele, pois te faz crer no mesmo mundo maravilhoso, em que os seus superiores o colocaram. Então se tem um(a) amigo(a) que sofre disto, fale sobre qualquer assunto, menos deste.
     Rejeite as palavras do fanático – Não precisa humilhar a pessoa, por conta do seu fascínio. Afinal o fanático em si, é apenas uma pessoa apaixonada, sendo controlada por terceiros. Então sempre que notar os traços de fanatismo, lembre-se de que ela é apenas o papagaio repetindo o quê ouviu, e não sabe o quê fala.
     Conheça os traços de fanatismo. – Um ser tomado por esta paixão doentia, manifesta alguns sintomas como: 
    Palavras vazias. – O(a) sujeito (a) fala como se entendesse do assunto, mas ao ser confrontado, e obrigado a defender os interesses, com ideias próprias, fica mudo, ou tenta alterar o rumo da conversa. Fingem sensatez e calmaria. – Frases como “O mundo é injusto, por causa de...” são bem comuns no seu vocabulário, pois estes conhecem o Uno, mas são incapazes de entendê-lo.
    III. São agressivos. – Se mudar o rumo da conversa, não funcionar, eles começam a se irritar bastante, e por isso se tornam violentos.
    Não suportam a verdade. – Diga-lhes que Satã é bom, ou que Deus é engenhoso, e verás o fanático demonstrar, a escuridão mais profunda daquilo a que serve. São iludidos. – Não conseguem extrair a verdade de um material fabricado para entretenimento, e pior ainda, tomam para si o todo como verdade absoluta. (Depois saem matando hereges ou sacrificando virgens porquê o programa ensinou.) Veem sinais onde não há nada. – Que há sinais no universo, todos nós sabemos, porém achar que tudo é sinal de alguma coisa, sem antes avaliar os aspectos psicológicos, entorno de tal possibilidade, é sim um erro. Se você sonha com um homem te perseguindo, após ter assistido um filme de terror, ou vários, isto certamente comprova que no fundo, não suportou tão bem quanto pensava. Agora se você sonha com anjos te ajudando, quando a sua vida, é totalmente voltada pro satanismo, é bom avaliar o quê significa.
    VII. Carregam olhos vazios, e parecem está sob efeito de drogas pesadas. – Eles podem tentar forçar o riso, para demonstrar que estão 100% satisfeitos, mas se olhar bem, verá sinais físicos, que denunciam a sua infelicidade como: Olhos de quem foi vítima de hipnose, sorriso que não condiz com os mesmos, magreza ou gordura extrema, tremedeira, e fala lenta, cheia de pausas excessivamente longas, (mesmo que não condiga, com a sua regionalidade) ou discurso caloroso e agitado demais.
    VIII. São ativistas do templo. – Que há fiéis enjoados dentro das igrejas voltadas para o culto cristão, já estamos cansados de saber. Mas sim, também há fanáticos no templo pagão. São bruxos e bruxas, que vivem querendo impor a sua crença, mesmo que isto não seja bom para a própria imagem.
    Não tem noção do quê fazem – São como crianças de 3 anos, que repetem os gestos dos líderes. Nunca questionam os seus superiores. – Nem conseguem, pois a lavagem cerebral intensa, os tornou submissos.  Te amam, somente enquanto concorda com eles. – Discorde de uma ideia sobre a sua conduta, e eles te queimam vivo (literalmente ás vezes).
     
     
    Em algum momento da vida, podemos apresentar, alguns destes sinais, já que independente do caminho que seguimos, nós o amamos, não importa o quão complexo seja. Mas é bom lutar contra tais atitudes, pois elas só servem para nos envergonhar, e também nos distanciam dos deuses, e consequentemente do quê é real e falso.
     
     
     
     
     
     
    Capítulo 6 – A verdade liberta, mas é dolorosa
    É, nobre forasteiro, se a vida tem sido fácil, e as verdades que descobriu até o momento, não lhe trouxeram nenhum problema, ou representaram tudo aquilo que sempre quis, sem algum esforço, e nem sangue ou suor foi derramado. – Significa que a parte boa está acabando, e é melhor está preparado, ou você é vítima da sua própria mente.
    No segundo caso, é algo muito comum atualmente. É o quê chamo de iluminação de holofote. Trate-se de uma pessoa, que sai dizendo que é superior aos demais, ou força transparecer que já atingiu o nível máximo da evolução cósmica. – Mas antes dos beijos de luz, deixa subentendido que te quer “queimando no inferno”.
    A verdade nunca é aquilo que serve para compensar uma perda, mas sim confrontar a existência do ser, por ter sido pré-estabelecida há muito tempo, e isso nos leva a um tópico interessante: Os bonecos que pensam ser filhos dos deuses.
    Hoje em dia tem muitos filhos de Lúcifer e Lilith por aí. Se for contar nos grupos de magia do Brasil, há mais ou menos “mil” deles. – Razão pela qual, prefiro me manter em silêncio a respeito disto, pois me sinto envergonhada.
    Assim como há também as crianças Percy Jackson – Jovens entre 11 e 18 anos, que se encantaram pelos programas, que são focados na visão etérica (e distorcida) do mundo, e saíram mundo a fora, batendo no peito, e dizendo eu sou um (a) semideus!
    Em ambos os casos é algo bastante incômodo, pois se for falar com tais seres, muitos são vítimas do fanatismo midiático, e não só não possuem habilidades, como também mentem, para dar a impressão de quê são “especiais.”
    Chego a sentir dó dessas crianças, pois o tempo que gastam tentando provar o quê não são, poderiam usar para adquirir conhecimentos, que os levassem a encontrar os deuses, e dependendo do contexto, serem abençoados por eles, ao ponto de desenvolverem algum dote.
    Não seriam semideuses, mas e daí? Quantas lendas maravilhosas serão necessárias, para que entendam, que nascer humano, não significa morrer como tal?
     Olhem o exemplo do conde Vlad III, o turco, que empalava os seus inimigos vivos, e deu origem ao vampiro mais famoso das décadas. Ele iniciou como humano, mas hoje, para muitos, é visto como um Deus Noturno.
    Então novamente o quê você é no momento não importa, o quê pode vim a se tornar, após a caminhada sim, portanto pare de perder tempo, forçando ser o quê não é, e abrace quem é de fato.
    A verdade, não é aquilo que deseja, e sim o quê necessita.
    Você pode morrer gritando aos 4 ventos, que é filho (a)  de um deus (a) mas se não for, sempre haverão ausências de sinais legítimos, e a magia não vai se manifestar, mesmo que a sua fé seja grande, pois haverá um forte bloqueio em teu caminho.
     Porém quando realmente é algo, até as coincidências, serão ligadas ao deus com o qual sente a conexão.
     É o meu caso. Quando me foi revelado que era filha de Lúcifer, me opus a isso, com toda fibra do meu ser. – Tinha acabado de ler Lex Satanicus, e via Lúcifer e Satã como seres distintos. Sendo Lúcifer, o belo e inteligente, que tem repulsa ao mundano, e Satã um charmoso nerd, que se divertia em qualquer lugar.
    Jamais pensei em Lúcifer, como sequer meu semelhante, pois apesar de ter problemas para me socializar, não desprezava a sociedade, como ele, e isso foi um grande baque para mim.
    Como se não bastasse, além de ser filha do ser mais inteligente e cheio de conquistas, também me foi revelado que eu era um anjo, e foi a gota d’água, porquê detestava celestiais, e todo o plano superior na época. – Tinha 17 anos, e os hormônios agiam com grande potência em meu organismo.
    Não foi da noite  para o dia, que consegui aceitar. Receber a notícia de que era filha de Lilith foi fácil, pois já tinha notado traços de personalidade, bem semelhantes aos da deusa antiga, que ao contrário do quê a maioria pensa, não nasceu de um mito Judeu, mas sim Sumério, sob o nome de Kiskill-Lila, a filha legítima da deusa Terra, ou Antu, também conhecida como Tiamat, pelos Babilônicos. – Então sei que Lilith não é a deusa suprema, e também que não foi criada para o Adão.
    Lilith era uma deusa lasciva, hipersexualizada, que seduzia os homens, para torturá-los. Tinha ódio da humanidade, por ter sido substituída, por uma mulher inferior. Gerava abortos, para não mandar suas crianças sagradas, para este buraco conhecido como planeta Terra.
    Eu a admirava, me sentia como ela, sentia seu poder em minhas veias, e gostava muito da sensação. Mas como disse antes a verdade não é algo que tapa buracos, por isso tinham aspectos negativos, sobre ter o seu sangue.
    Meu impulso agressivo era muito forte, meu desejo sexual também, ás vezes manipulava as pessoas para o benefício próprio e nem percebia, e pior fui inclinada a uma vida pecaminosa de traição, que por muito esforço, não foi física. – Com exceção ao homem com o qual sou casada, mas ele era meu amante, e não o traído.
    Além disto, como carrego duas naturezas divinas em meu DNA cósmico, tenho peso de consciência sempre que pratico atos de maldade, com aqueles que não deveriam receber a escuridão de mim. – Mas os que a merecem, ou esqueço, ou me vanglorio da vitória.
    Saber destas e outras coisas, foi um enorme desafio, principalmente porquê não entrei no caminho, achando que era um ser celestial ou demoníaco. Apenas o fiz para entender, porquê minha família toda, possuía um passado de histórias fantásticas ou sombrias, e coisas estranhas aconteciam comigo desde criança.
    Quando bebê, meu andajá  se ligava sozinho de madrugada, e isto causou tamanho pavor nos meus pais, que estes queimaram o objeto. Já um pouco mais velha, quando me irritava as coisas caíam sem tocar, se sentia muito ódio, os eletrônicos pegavam fogo perto de quem me magoou, ouvia passos há metros de distância, encontrava objetos perdidos através de sonhos, e literalmente deslocava  meu espírito de um mundo para o outro. – Na infância entrava numa espécie de transe, que me levava para uma dimensão, onde os belos eram maus, e os seres horrendos me protegiam, mas não sabia o porquê. Assim como costumava dizer que o bicho papão era meu amigo, muito antes de lançarem filmes sobre o tema ( quando o entretenimento era voltado para bom é bonito, e mal é feio.) Tal capacidade assustava a minha avó materna, que me pegava falando “sozinha”, e acusava que eu conversava com demônios.
     Como se isso não fosse o suficiente, quando estava na quarta série, e estudava numa escola de esquina para o cemitério, chamada Guanabara, cheguei a me deparar com o mundo sobrenatural, e creio eu que a própria morte, pois era um ser de mortalha negra, que apareceu em meio a penumbra, iluminada por pequenos raios de sol, depois de ter me encontrado com torneiras, que se abriram sem o auxílio de mãos alheias. Não fiquei lá para conversar, tinha 10 anos na época, por isso sai correndo, e ao entrar em contato com meus colegas, tentei não parecer que tinha medo, ou visto algo. Dentre outras histórias, que vieram depois, mas que se eu citasse seria difícil de crer, então vou parar por aqui.
    Quando me abri para o satanismo, não tinha a intenção de ser uma das filhas de Satã, ansiava apenas por ser uma soldada, que guiaria as pessoas para os seus devidos caminhos.
    Por isso ao ser confrontada com visões, e gente muito mais surtada do quê eu mesma, acabei por duvidar de tudo. – “Ah tah eu sou filha de Lúcifer e Lilith, e a herdeira do Inferno, Aham, acredito” ou “Este é o cúmulo da infâmia”. “Tanta gente lá fora, querendo isso, e eu aqui apenas seguindo a minha jornada sem acreditar que sou eu.” “Por quê Lúcifer e não Satã?” – Relembrando que na época via-os como gêmeos negros, não uma totalidade de opostos complementares.
    Não foi algo simples, e pra piorar fiz uma cota de inimigos, que achavam que eu não era digna. – E não ligava muito, pois também concordava com isso, só brigava quando se tratava de mim, não da minha suposta “herança”.
     
     
     
     
    Até hoje sigo duvidando, mesmo que bem lá no fundo, saiba que é verdade, e que aceitar isso é o melhor caminho. Só que sou muito cética, para abraçar tal fé sem provas mais consistentes, e outra eu nunca quis sentar no lugar de Lúcifer, só de está na sua presença, com meus dragões, e meus aliados, já me sentiria feliz. –Apesar das reservas, que tenho, por ele ter interferido para que soubesse, como era ser a ovelha negra da família, e iniciar uma conquista, com apenas as asas e a essência. Todavia há sinais de quê sou da sua linhagem, e vou citá-los, para quê fique claro, quando alguém é um filho, e quando não é. São eles: 
     Nascimento que parece milagroso, mas é maldito: Quando minha mãe engravidou, ela teve rubéola, e o caso foi tão grave, que o médico mandou-lhe me abortar, mas ela se opôs a isto, e fez promessa a uma santa, para garantir minha segurança, e vim saudável. — A igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quase pegou fogo em 2013, quando houve um incêndio de grandes proporções em Macapá- AP, que foi inclusive noticiado no jornal nacional, mas a causa por muito tempo, foi um mistério insolúvel.
     O meu número da sorte ligado a data do meu aniversário: 15/02/1995 foi quando nasci, e 15 é o meu número da sorte desde criança. – Afinal ganhava festas e presentes. O mesmo dígito é considerado o número do Diabo no Tarot. Além disto se somar todos os algarismos de maneira cabalística, resultará em 5, que lembra o pentagrama, um símbolo bastante comum na magia, e o 1,5 é uma das partes presentes da Deusa Babalom, de Aleister Crowley, representada em sua totalidade por 156.
     Os fenômenos de 15/02: O dia é marcado por grandes eventos históricos, ligados a Nova Era, e ao mesmo a antiga. É no dia 15 por exemplo, que comemora-se a Lupercália, o “dia dos namorados pagão”, em que se celebra Lupercos – que é tido como uma das faces de Lúcifer na Itália – e o dia da fundação de Roma. Foi também no dia 15, que logo após o Papa renunciar, um meteorito caiu na Rússia, e muitos acharam que era um sinal apocalíptico. Desde então no mesmo dia: O exército de fanáticos, chamados de gladiadores do altar se levantou – Estes são responsáveis pela destruição ilegal de terreiros.  Até o material midiático foi direcionado para o caos do fim do mundo. Procure pela série mais assistida por quase um mês: The Umbrella Academy que foi baseada na HQ da Dark Horse, e Doom Patrol, um dos poucos sucessos da DC comics. – Que a propósito, fazem parte do meu gênero favorito de programação, e soou como um presente. Mas você já deve saber, afinal o oculto influencia a mídia... e o resto já deve ter gravado não é?
     Sinais físicos: “Os olhos são a janela da alma”, já dizia o ditado popular. – Embora tenha nascido sem uma alma, meu espírito segue me precedendo. Portanto vez ou outra, os olhos se alteram de maneira expressiva, (quase inumana em alguns casos).
     A minha descendência física: É evidente que carrego uma grande herança Africana, mas o quê poucos percebem, é que a minha forte ligação é com a Itália, inclusive meu sobrenome é dessa origem, e tenho parentes originalmente italianos. Por quê é um sinal? Lá é único lugar onde as bruxas cultuam, e aceitam que Lúcifer teve uma filha enviada a Terra, e também o primeiro local do mundo, onde ouviu-se o nome do Deus Romano. – E eu não sabia disto até 2016. Quando tive um sonho, sobre ter ficado adormecida por 500 anos, que me levou até um conflito na terra da minha descendência de sangue, onde até mesmo encontrei, uma música relevante ao meu nome secreto em 2013. Mas nunca tinha pesquisado mais a fundo, até aquele dia, quando tive o estalo “E se eu focasse na minha magia hereditária para me desenvolver?”.
     A falta de empatia satânica: Lúcifer não é aquele que se diverte entre os demônios, é o quê os mantém na linha, então é normal, que muitos demônios, ou espíritos perturbados, tenham aversão a mim, pois sou filha do “carcereiro da prisão cósmica”.
     Poderes, que podem ser terríveis ás vezes: Odeio ferir pessoas inocentes, mas por vezes a minha ira, se manifesta de tal forma, que consigo interferir neste plano. – Se você é um de nós ou dos nossos, sabe bem a que me refiro.
     A ausência de Lúcifer e Lilith: Eles são deuses, tem seus afazeres, não podem ficar me mimando a cada 24 horas, só porquê vim deles. – A não ser que eu necessite exclusivamente de sua proteção. No entanto é mais fácil enviarem guardiões, antes de tomarem partido, pois querem filhos fortes e dispostos a lutar.
     Loucura racional: Não pertenço a um lado, estou ligada ao todo. Conceitos separativos pertencentes a humanidade, me parecem antiquados. “Magia não pode se unir a Religião” é o tipo de frase que me faz rir por exemplo.– Mas sigo respeitando cada crença, assim como quero, que a minha seja respeitada.
     Relatos autênticos: Devido ao conhecimento sobre os grimórios – e a grande quantidade de gente cética sobre quem sou – registrei tudo datado num site, que serviu como meu diário por um tempo. O nome do mesmo é: Os pensamentos infernais de Carry Manson. – Tenha em mente que na época eu tinha 18 anos, havia acabado de aceitar que era a primeira filha de Lúcifer, e meus textos soavam completamente insanos (e até vergonhosos.) Além disso há os livros Sobre mim de 16/05/2018 e The Angel In Earth de 26/05/2019 no site da Autores, onde podem ler melhor sobre a minha história, e tirarem as suas conclusões. – Os conceitos apresentados acima, são apenas para diferenciar a fantasia do verdadeiro.
     
    Queria dizer que a verdade é o máximo, um conto de fadas, ou tudo o quê aparece na TV, em quê do nada os esquisitos se tornam legais, e imediatamente são reconhecidos como os maiorais da história da Terra. Mas não é assim que funciona.
    Diga que é filho de um Deus, e prepare-se para as risadas, insultos, e pessoas que imediatamente se acham melhores que você.
    Levante-se contra aqueles que não tem consciência, e eles vão apontar o dedo, achando que surtou, e se por acidente acabar os machucando, farão a tua caveira.
    Estou revelando sobre mim, não para que venham tirar satisfações mais tarde. – Mas se quiserem tenho muito mais material para provar quem sou.  – E sim para lhes mostrar, que há sim semideuses entre os humanos, e que nem todos pertencem ao 90% dos mergulhados em mentiras, somente para aparecer.
    Vocês não estão sozinhos. Eu posso ouvi-los, e acreditar em suas histórias, se forem sinceros sobre o quê houve. – Quem realmente é, percebe as inconsistências dos fatos, por isso é mais fácil saber, quem carrega a mesma dádiva ou maldição.
    Cada de nós tem uma missão, seja ela grandiosa, ou parte de um grande plano, e seria bom que nos apoiássemos, pois o universo é grande o suficiente para quê todos consigamos, alcançar a merecida glória. – E isso vale para humanos e predispostos.
    Acham que apenas por ser filha de Lúcifer e Lilith, sou uma criatura suprema e imbatível? Não, não é por aí. Há os filhos que nasceram da própria Tiamat ou de Apsu, e outros Titãs, que são muito mais poderosos. – No entanto ter muita energia, não significa  automaticamente, que sabe usá-la.
     
     
     
     
     
     
    Capítulo 7 – DIY MÁGICKO
     DIY é um conceito em inglês que significa Do it Youself, ou Faça você mesmo, e foi adotado por alguns grupos dos E.U.A que preferem fabricar seus materiais, e se abstém do uso das grandes marcas conhecidas. É claro que tal ideal parece implícito para muitos, e embora haja uma corrente chamada Magia do Caos,  que foi desenvolvida Austin O. Spare, e trabalha com isso de maneira bem expressiva, é importante que saiba como praticar.
    Você pode naturalmente criar feitiços, rituais, e cerimônias, para cultuar o teu deus, e lhe mostrar a sua devoção. Mas infelizmente há leis que por hora são permanentes.
    Não adianta por exemplo usar um baphomet para fechar um portal, quando o mesmo é usado a décadas por diversas seitas satânicas, para invocar os príncipes infernais.
    Assim como não adianta tentar invocar um demônio, atribuindo energias negativas ao pentagrama, que há muito tempo é considerado pelas bruxas, como um símbolo de proteção. – Pode até funcionar devido o grande descaso da sociedade, que segue achando que é o símbolo do Diabo, mas a entidade em questão vai rir de você.
    Sempre crie meios de se proteger, mesmo que seja na hora de criar um servidor – No caso da Chaos Magic. – Você pode ter a linhagem dos demônios, sem saber, e atrair um ser de luz, que tenta te destruir, somente porquê tu nascestes como determinado herdeiro. – E vá por mim, luz não significa ausência de combate violento.
    Verifique as condições ideais para realizar a prática mágicka. – Não só a atmosfera mística, como a física também.
    Se a lua é negra, e não condiz com o teu objetivo, evite-a, ou vibre de acordo com o instrumento, de onde saiu o acorde.
    Se o tempo está ruim, (e você não foi responsável), vivem te perturbando, e tudo parece dá errado no dia em questão, já tem a resposta para o teu intento, que é: Não. O universo está se manifestando contra, então fica por sua conta e risco. – Caso queira ir adiante.
    Procure conhecer os presságios. O chamado do universo é comum, por seguir um padrão lógico de repetições, que foge do binário computacional 0 e 1, e passa a ser 0,0,0 ou 1,1,1 – Quanto mais frequente, mais chances há de ser o Cosmos falando de maneira silenciosa. – Será um alerta, se Todos os itens estiverem presentes:
     Números: Números iguais, são portais de consciência – e energia mágicka – se abrindo. Mas quando surgem várias vezes, em conceitos diversos, é bom avaliar o quê significam através do estudo da numerologia, cabala, e gematria em geral.
     Sonhos : O plano onírico é um dos mais interessantes, pois revela sobre o mundo, que há dentro do ser. – Freud estudava os sonhos, para compreender melhor seus pacientes, e você também pode, embora o método não seja recomendado, pois dificilmente será objetivo para ter resultados plausíveis. Além disto, se o indivíduo está conectado com o oculto, tem a capacidade, de prever as linhas dos próximos acontecimentos. Assim sendo deve-se avaliar, quando um sonho, é apenas sonho, ou um sinal. 
    Por ex: Se você tem tido sonhos com elementos semelhantes isolados. Como: a presença constante de pregos em evidência. O resto do contexto se aplica a ti, mas a presença dos pregos é um comunicado. – Como se fosse um código morse do Universo.
     Frases incomuns: Sejam de ameaças, ou que transmitam segurança. – Devem ser avaliadas, se sentir algum tipo de calafrio na espinha, quando as ouvir. Não importa se é da boca de um estranho, na tela do pc, ou em uma canção, pesquise sobre a questão, e tente decifrar o quê significa.
    É relevante salientar que o Padrão Ressoante é a chave, e que embora tenha citado apenas 3 exemplos, o fato de o presságio acontecer 3 vezes, não é o suficiente para se definir como um sinal. Será um sinal, se houver persistência do oculto em te mostrar a mesma mensagem, do contrário pode ser somente uma bela coincidência. A(o) Bruxa (o) saberá intuir a partir disso, e definirá se quer seguir tal caminho, ou optar por outro.
    Respeite as Leis Antigas, apenas atribua algo condizente a tua personalidade no Culto a teu Deus.
    Se lá no teu grimório diz que deve usar a violeta, use a violeta, não o  eucalipto – Com exceção a sacrifícios humanos e de animais, sem razão lógica. Como por ex: Mate um carneiro para o deus, e se livre do cadáver. (Se for para matar um bicho, que seja para deleitar-se da sua carne, ou trazer alívio para alguma dor.)
     
    Siga os antigos, estude-os, respeite-os, mas adore somente aos deuses. – Não trate grandes nomes da vertente da magia, como se fossem a entidade a que te dedica. – Por ex: Aleister Crowley Não É Um Deus Supremo. Em vista disso não haja como se fosse. ( Leia seus escritos, mas sempre com a consciência crítica, do quê condiz com a tua realidade.)
    Você pode imitar alguns rituais, feitiços, e poções. Mas o ocultismo é o campo da criatividade, então quando estiver pronto, inove, entregue-se, e DIY (Faça você mesmo) – Não é porquê fulana usa sempre os métodos 100% tradicionais, que tu devas utilizar também, afinal para ela pode ser fácil, arrancar a cabeça de um cervo, e para ti não.
    Como é errado falar de um ideal, sem aplicá-lo na vida, a experiência que lhes trago é a minha própria língua, que batizei de Lovlicos, pois me baseei em escritos de H.P Lovecraft, e nos sinais da linguagem cósmica, e ela consiste em: 
    Alfabeto tradicional  português- BR. 3 Palavras abreviadas com 3 siglas no total.
    III. Formação de frases, com no máximo 3 sentenças.
    Dicção forte, com acentos ocultos, que somente 
    quem já presenciou os mistérios do universo, 
    consegue aplicá-los.
    Timbre doce para o uso benéfico, timbre
    sombrio, beirando o demoníaco para o
    maléfico.
     
     
    Ex: 
    Em português é: 
    A lua brilha sem parar
    Em Lovlicos é: 
    Alub separ
    Em português é:
    Sim e não, talvez
    Em Lovlicos é:
    Sie nata
     
    Em português é:
    Não vou
    Em Lovlicos é:
    Navo
     
    Parecem palavras de uma raça antiga de alienígenas – ou com os Enn’s demoníacos que conheci ano passado. Mas é apenas um sistema simples, que apliquei aos meus rituais, e até agora rendeu bons resultados. – Ainda que alguns fatos tenham me assombrado, pois apesar de não ter uma egrégora forte (por ser minha criação) é uma expressão muito poderosa. – A melhor explicação, é que o cérebro se impressiona com coisas estranhas, e o uso das mesmas, intensifica o poder mágicko.
    A intenção aplicada nela pode variar, mas pelo que percebi com as minhas experiências e análises, é uma força que mexe com a ordem mundana, e traz a tona o quê é considerado impossível. – Tanto pro bem, quanto pro mal.
     
    Fora a Lovilicos, também realizo meus próprios rituais, baseados na filosofia com a qual tenho mais afinidade. – Uma qualidade, que me fez inclusive criar uma seita chamada Sees- Seguidores da Estrela, que obviamente representava Lúcifer, mas para acessá-la bastava acreditar em algo. -  Através dela introduzi algumas pessoas no mundo místico, após comprar-lhes a sua alma. – Quando acreditava em tais falácias.
    O Sees tinha um propósito comum: Realizar desejos, sejam eles nobres ou atrozes. Assim como também gerava consequências, para aqueles que traíssem o círculo.
     
    No total formávamos 4 componentes. Todos os membros eram femininos, e a nossa crença no poder oculto, era tão grande, que quando nos tornamos A constelação – O quê uma sente, as outras também. – O efeito foi imediato.
    Da mesma maneira que quando uma das moças, escolheu um homem, em vez do círculo. Acabou possuída, e tentou matar o seu amado, diante dos familiares. – Tinha 16 anos na época, e até chorei, me sentindo culpada, por um demônio tomar-lhe posse. – Nem sempre ter poder, é um sonho, na maioria das vezes parece mais um pesadelo. (Ao menos para mim.)
    Nossos rituais incluíam derramamento de sangue, como prova de lealdade, e devorar as doces frutas do cemitério, onde nos reunimos para realizar nossas práticas ocultas. – Que fique claro, não tolerava sacrifício de animais, o fluído da vida, vinha das moças, que faziam parte do círculo.
    Era pura brincadeira de criança, como uma versão da vida real de jovens bruxas. – Mas não cheguei a me tornar uma maníaca como a Nancy, apesar de me vestir como tal.
    Tivemos poucas reuniões, pois após chegarem as consequências, duas garotas, queriam pular fora. Uma perdeu o namorado, e a outra começou a ver as sombras, e isso lhe fez ter medo de onde colocava o pé. Então só restou eu e outra garota, que me apoiou por um bom tempo. – E até me ajudou quando minha vida ficou em risco, após romper o círculo de vez.
    Lembro-me do nosso último encontro. Foi o mais marcante de todos, pois ali tive o primeiro vislumbre da vida passada. – Fomos até o cemitério, e lá um estranho homem de chapéu branco, e camisa vermelha nos recebeu, fazendo perguntas interessantes, a respeito de estarmos ali para passeio ou trabalho, e nos avisou para tomar cuidado com as visagens (termo para espíritos) minha companheira riu, disse temer só os vivos, e eu disse que a morte era uma escapatória para os covardes, frase esta que não saia da minha cabeça.
     Ao ouvir a minha resposta, ele fez uma reverência, e sumiu no meio do matagal. Após a sua partida, as sombras começaram a ganhar forma, e tanto eu, quanto a menina vimos coisas. Primeiro vi uma mulher enforcada no topo de um pinheiro, por um cipó cheio de espinhos, e logo deduzi que era uma bruxa. Em seguida seu corpo sem vida caiu, e um ser de chifres meio homem meio touro, veio para recolhê-lo. Tão grande foi a minha surpresa, ao ver como ele a pegava nos braços. Não a arrastava para o inferno, nem levava como um pedaço de carne, parecia mais que era a sua noiva, e tinha um aparente carinho por ela. – Conseguia sentir que aquela imagem, era um retrato da minha vida passada, e aquela conexão era fantástica. – Ambos desapareciam na névoa, e 7 ou 8 rostos, não lembro ao certo, apareceram, sendo 5 femininos e os restantes masculinos. Nós voltamos para a causa da minha amiga, e acabei por desmaiar sem razão aparente.
     
     
     
     
    Mais tarde a noite, quando estava sozinha em meu quarto, vi que haviam várias sombras chifrudas ao meu redor, e as mesmas pareciam que iam sair das paredes. – Isso me deu um calafrio tão grande, que naquela noite, resolvi dormir no sofá. – Neste tempo nem imaginava que era a herdeira de Lúcifer, então não tem como ser algo influenciado por tal descoberta, que veio acontecer no ano seguinte, e só foi aceita, quase 2 anos depois, pois precisei analisar toda a gama de fatores, para poder aceitar tais fatos.
    Então tome muito cuidado com o quê aplica no seu DIY mágico, pois tudo o quê fizer, expressará a sua real natureza. – É por isso que estou lhe dando estes conselhos de maneira direta, pois apesar de ser uma conhecedora dos mistérios, com grandes saberes, por ter estudado sempre sozinha. Queria que alguém tivesse me dito estas palavras, para evitar todos os desastres que aconteceram.
    A magia independente do quê faça, sempre trará consequências. Mas não é como colher o quê plantar, e sim por causa do valor que atribui a tua responsabilidade pelos atos. Portanto sempre pratique, somente aquilo que a sua consciência é capaz de suportar, do contrário além de ser taxado como louco pela sociedade, vai realmente acabar como um. – Ouça esse conselho de quem foi recentemente diagnosticada com transtorno de personalidade, após inúmeras tentativas de suicídio e agressão, antes de conhecer formas de lidar com a própria escuridão.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Capitulo 8 – A bruxa que vive entre os santos e os pecadores.
    Viver em sociedade é uma tarefa difícil para um bruxo. Sabemos de tantas coisas maravilhosas, e verdades indizíveis, que nos sentimos criaturas superiores, que precisam interferir na jornada dos demais, para que experimentem de toda a beleza ou conhecimento que adquirimos. – Isso é inegável, mesmo que sirva a luz da magia, e diga que acredita que todos são iguais, a igualdade não é a resposta para o quê quer.
    Imagine que todos no mundo são lagartas, e que algum dia se tornarão lindas borboletas. – Se você interferir no processo, eles certamente morrerão, antes de conseguirem sair do casulo. Este é um exemplo que li em Lex Satanicus, e achei algo absurdo na época, mas hoje percebo que é o melhor a ser feito.
    Assim como as pessoas, podem ser simbolizadas como insetos majestosos, também podem ser descritas como música, e cada uma tem um ritmo ou melodia própria, que pode ou não agradar os nossos ouvidos. – Portanto procure sempre andar, com aqueles que tem um ideal em comum contigo.
    É lindo abraçar as diferenças, mas uma coisa é aceitar o outro, outra bem diferente, é querer ser como ele. – A verdadeira beleza do mundo, não está em rostos padronizados e iguais. Mas sim em suas peculiaridades. O quê quero dizer com isso? Seja fiel a ti mesmo, e se aceite acima de tudo, não tente se adequar aos demais, somente porquê eles não te aceitam. Procure pelo teu próprio nicho, pois não importa qual seja, sempre há um espaço para ser ouvido. 
     
     
     
    Evite se expressar em sociedade, se não aceitam a tua crença mística. – Não é porquê você respeita os outros, que eles farão o mesmo por ti. – “Mas Lux você falou para não me adequar aos demais!” Sim, e não se adequar, significa ser leal aos teus ideais, não importa o ambiente em que se encontra. – Eu sou bi, e mesmo em meio aos héteros, continuarei sendo, não importa o quê digam. E se encontrar aqueles que me apoiam, me abrirei e direi a verdade, se não, seguirei em silêncio, pois o mundo é um lugar perigoso, e há aqueles que em seu fanatismo, apenas precisam de um “A”, para virem para cima. – E não quero mais responsabilidades por danos aos outros. É uma questão de sobrevivência.
    Enfiar nossas crenças na goela alheia, é como forçar a pessoa a aceitar nossas filosofias. – Eu sei que funcionou para os cristãos, mas o medo é tão eficaz, que hoje os fiéis se uniram a outras crenças, por não aceitarem a intolerância religiosa. Então o temor, embora funcione, não se compara a força do amor pelo quê se faz. Por isso se quer mesmo trazer, alguém para o seu lado – Vá na mãe de santo mais próxima, e coloque o nome da pessoa numa roda. Brincadeira!
    Tente explicar-lhes sobre a sua fé, e quando for confrontado, apenas faça comparações, que o ajudem a perceber que no fim seu amor pela divindade, não é tão diferente, do quê o quê sentem por Cristo. – Sua vida está tão difícil por quê não larga dessa tal magia e abraça o nosso senhor? Já me disseram e respondi Da mesma forma que você ama o seu senhor, apesar das dificuldades, eu também amo a Lúcifer, e assim como tu se identificas com Cristo, eu me sinto mais confortável andando com o deus romano. Foi o suficiente para seguir em paz, nunca mais tocou-se no assunto, e a amizade seguiu  a mesma.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Não tente humilhar ninguém, a não ser que a pessoa realmente mereça tal castigo. – Eu pessoalmente odeio “lacrações”, porquê é algo desnecessário para sociedade, e trata-se de gente, que quer “arrasar” apenas repetindo o discurso alheio, como se fosse uma verdade absoluta. A pessoa aparentemente refletiu sobre algo, mas no fundo não se deu o trabalho de questionar, e apenas uniu a ideia do autor, a coisas que ouve no cotidiano. Chega a ser – me perdoe pela expressão – Patético, pois a preguiça intelectual se torna mais do quê evidente. – Por isso fica a seu critério Expor a sua ideologia ou não–  Mas lembre-se Bruxos (a) de verdade, não tomam os problemas da sociedade como seus. – Eu sei soa frio, todavia é assim que funciona, pois devido a enorme gama de poder, que um ser desses possui, se ele coloca as suas emoções em jogo, certamente isso traz consequências, que dificilmente são agradáveis. Hoje destrói um ditador, amanhã impede o seu país de prosperar, e todos acabam na miséria por exemplo.
    Não estou dizendo,  que não deve defender aquilo em quê acredita, estou apenas esclarecendo, que precisa ter noção do quê defende, antes de ir as ruas ou redes sociais. – Não seja mais um papagaio da fé, e somente parta para a guerra, se o conceito do outro, realmente te ferir, de uma forma, que precisa colocar todo o ácido para fora. – Este livro não é para passivos, ou atacados, mas sim guerreiros que sabem quando devem erguer a voz.
    Isto nos leva a um tópico interessante. Não ataque a tudo e todos, apenas porquê não te aceitam. Aprenda a si amar, e não ligar para opiniões repulsivas. – Não ligar mesmo, ou seja ouvir, e entrar por um lado e sair pelo outro, sem sair por aí dizendo “Eu não ligo! Não adianta tentar me atingir! Pois não vai conseguir!” já que se o fizer, estará claramente agindo de maneira contrária, ao que disse.
    Aprenda a controlar a sua raiva, ou ela te controlará. – Não haja por impulsos, pois isto pode custar muito caro para você, ou os seus colegas. – A ira nos faz ter pensamentos num segundo, cuja responsabilidade pesa por uma década.
    Haverão muitos grupos, que exaltarão a fúria, e te dirão para destruir tudo e todos. Mas não te falarão, que você pode ferir alguém gravemente, ou até mesmo matar o alvo escolhido. – Porquê a maioria que venera estas forças, não se dá ao trabalho de conscientizar os seus do perigo.
    Aprender a controlar a sua raiva interior, não te fará mais fraco. Mas sim capaz de realmente arrancar o coração, de um inimigo velado, sem sequer se importar se isto pesa ou não na consciência, pois terá ciência, de quê se chegou a tal ponto, foi algo necessário, e será mais difícil de se arrepender. Só que se o fizer, apenas por causa de um segundo de raiva, a culpa mais tarde vai te consumir, e caso isto não aconteça, sugiro que vá urgente ao psiquiatra, pois a sua falta de empatia, é algo assustador.
    Aceite a natureza, e a proteja, não tente modificar a ordem das coisas. – Nós somos carnívoros, está no nosso DNA, desenvolvemos caninos para devorar carne. Se você quer cuidar da natureza, comendo apenas frutas e vegetais, tudo bem, mas não venha tentar obrigar os outros a seguirem a tua doutrina. – Cada um em seu nicho lembra?.
     “Um leão pode devorar um ser humano, mas o ser humano não pode devorar o leão”? A onde isto é natural na cadeia alimentar? Por quê o leão tem que ser superior ao homem, em vez de haver um termo de igualdade entre ambos? A ciência não tem dito a anos, que o homem tem parentesco com os primatas, e logo é um animal também? – Eu sei isso pode ser desagradável, mas o natural não se baseia em veados e leões, andando lado a lado como amigos, da mesma forma, não pode acontecer com os humanos e os seus irmãos animalescos. Não importa se é racional. A falta do instinto caçador, nos torna dóceis, e mais fáceis de sermos manipulados por entidades obsessoras. – É claro esta é a minha opinião, escolher seguir ou não é de você, mas antes de sair levantando bandeiras a favor do meio-ambiente, pelo menos conheça o quê defende.
    Isto significa que eu, Lux Burnns, sou um monstro, a favor da caça por diversão, e outros meios de entretenimento humano, que humilham os animais? Não, o preto e branco, não se encaixa a mim. Uma coisa é respeitar a natureza, outra é usá-la como posse, da maneira que bem entender. – Por mim as fábricas de comida, deveriam promover o abate misericordioso, semelhante aos dos banquetes de festividades africanas.
    Sempre respeite a crença alheia. Você ama Odin e seu parceiro a Lúcifer. Mas e daí? Cada um segue a divindade que desejar, e aprende com a mesma. – Novamente lembre-se da metamorfose da borboleta, se mexer no casulo, ela morre.
    O mesmo vale para os seus pais. Se você vive com eles, lhes deve muito, por te darem um teto, comida, e as vezes até roupa lavada. Então não os desafie, ou os desmereça por causa de crenças diferentes. Vocês são de tempos diferentes, foram colocados juntos, para aprenderem uns com os outros, não se destruírem. – Seja maduro, saiba argumentar, e lutar como um nobre, pelo seu ponto de vista. Se agir assim, eles provavelmente verão, que a tua filosofia está te tornando alguém melhor, e que não precisam se preocupar. Agora se sair berrando, quebrando os móveis da casa, batendo a porta do quarto, mesmo que eles só queiram conversar, tudo o quê vai ganhar com isso, é mais abordagens, que demonstrem medo do caminho que está tomando. – Falo por experiência. Iniciei minha vida mágica da pior forma, e só depois que adotei esta postura, por causa de Anton Lavey, a guerra em casa acabou. Rebeldia com causa é algo louvável, mas rebeldia por rebeldia, nada mais é que tolice. – Se eles  ainda sim, não permitirem que faça os cultos dentro de casa, vá para fora, se for ruim, procure algum canto seguro, onde possa praticar, sem causar problemas em seu lar. – Nem sempre será um método efetivo, mas é melhor ter aliados dentro de casa, do quê inimigos.
    Por fim sempre tenha em mente, que sentir-se superior, não significa ser superior. Para torna-se assim, terá que ter atitudes que condizem com tal postura. – Não me mande beijos de luz, se a sua única intenção é me queimar. GsolitaryDevil.
     
    Capitulo 8 – Os Deuses e o Fim da farsa da realidade dualística.
    Este é o fim da sua jornada comigo, e o ínicio de algo ainda maior. Como disse lá no início, há autores infinitamente melhores, e não estou aqui para me apropriar dos seus cargos ou teorias. – Apenas estou apresentando-as com uma linguagem mais direta, para que saibam exatamente o quê praticam, de acordo com a interpretação aceita por outros ocultistas. 
    Até aqui temos trabalhado sobre as grandes causas sociais, que afligem a comunidade mística, e muitas vezes defendi que a realidade não é dualística. Mas para fechar este pequeno guia, me aprofundarei nesta questão com uma explicação mais extensa. – É neste ponto que você vai decidir, se quer continuar sendo ocultista, ou prefere tomar o caminho mais simples, adotando alguma religião por exemplo.
    Desde que éramos jovens, nos ensinaram a dividir o mundo entre homens e mulheres, bem e mal, fogo e gelo, guerra e paz. Nossos pais – na maioria das vezes – nos diziam “No mundo há Deus que é o bem, e há Satanás que é o mal. Deus é luz, Satanás escuridão. Deus é água, Satanás é chamas.” 
    Apesar de não discordar, dos conceitos acima apresentados – com exceção a Deus ser luz, mas é pessoal – creio continuarmos a segui-los é errado. Já aprendemos muito sobre as duas metades, então por quê deveríamos continuar trabalhando-as de maneira separada? 
    Está certo, a iluminação é importante, mas as sombras também são. É preciso que haja um ou o outro, para quê o todo exista. Não adianta tentar tirar um dos números da equação, senão dificilmente encontrará o valor de X ou Y.
     
     
    Devido a minha conexão cósmica, estudei não somente astrologia, como astronomia, física, e biologia. Pensei a príncipio, como muitos magos, que era apenas uma imposição social, para nos manter ignorantes perante a verdade do universo. Mas foi então que percebi, que a culpa da divisão não era dos cientistas, em sua maioria religiosos, e sim dos novos filósofos da internet, que empregam o conhecimento científico, apenas para atender os seus próprios conceitos mesquinhos.
    “Deus não existe.” Dizem todos os ateus, que esqueceram-se de questionar, adotando uma conduta massificada, e muitas vezes tomam como prova inconstetável, as palavras de grandes pensadores, que foram queimados como hereges. Oras meus amigos, se Deus não existe, naturalmente nada mais do mundo místico é real também. Inclusive Lúcifer, Odin, Hel, Osíris, Ísis, Seth, Zeus, Deméter, Amon, Baal, Krishina, e vários outros deuses, pois se o suposto supremo não é real, o resto dificilmente pode ser considerado como tal. O velho barbudo de sandálias que conhecemos, nada mais é do quê uma imagem criada por homens, que compilaram antigos escritos, num livro chamado bíblia sagrada. – Então quando se entrega a crença, de adorar o Deus do impossível, você indiretamente está se conectando com alguma destas divindades do velho mundo, por isso o uso de versículos, para atingir determinados objetivos.
    Espera Lux Burnns, filha de Lúcifer e Lilith, neta da gigante Tiamat, você está sugerindo que devo me converter? Calma! Não, isso jamais. Alimentar a ideia de quê este deus é supremo, é o quê torna ainda mais forte, não lembra? 
    Só que também não se pode descartar o inegável, de quê esse grande mosaico mal feito, também é parte da nossa cultura, e que desprezar alguns dos seus fatos, é o mesmo que massacrar a própria doutrina. – Por isso se prender ao lado A ou B, é errado. 
    “Ah mas a deusa x é maior que o deus y.” ou “O deus y é maior que a deusa x” Já chega de se prender a isso. Queres realmente acessar o poder máximo, nesta realidade limitada? Então pare de abraçar apenas a causa que te convém, e aceite que o quadrado é feito de dois triângulos, ou o círculo é formado pela união dos mesmos. – O quê isto significa? Que a realidade não se resume, a deuses C e D, e que não é necessário comprar as suas brigas, para que adquira o seu respeito, ou realizem os seus objetivos.
    Nem mesmo estes deuses são originários do príncipio feminino ou masculino, mas sim da união de ambos, que nasceram do verdadeiro ser supremo, que não é Jeová, Cerridween, ou nem mesmo Tiamat, apesar do quê muitos acreditam.
    Se você é iniciante, será um choque, mas a realidade precisa mostrada desde aqui, para que entenda a perda de tempo, que é lutar apenas de um lado. Então prepare-se, pois a origem do universo, de acordo com os antigos, lhe parecerá absurda, se ainda continua abraçado apenas a positivos e negativos:
     Mitologia súmeria
    Cosmogonia
    “Antes de todos os antes, nada existia, a não ser Nammu, o abismo sem forma. Um dia, Nammu resolveu espreguiçar-se, e novamente voltou a enrolar-se. Com esse gesto, ele criou Ki e Anu, respectivamente a Mãe Terra e o Firmamento. Deles nasceriam todos os demais deuses, o tempo e, no futuro, o homem, que seria feito de argila.”
    Superinteressante 28/05/2019
     
     Mitologia Egípcia: 
    Cosmogonia 
     
    Neterus Primordiais:
    São os deuses mais importantes os quais estão associados com o mito de criação (origem do universo):
    • Nun (Nu ou Ny): simbolizava a água ou o líquido cósmico que deu origem ao Universo.• Atum (Atum-Rá, Tem, Temu, Tum e Atem): representa a transformação de Nun, sendo considerado aquele que deu origem a explosão do Universo (semelhante ao Bing Bang) e que gerou os diversos corpos celestes, separando assim, o céu e a Terra.• Amon (ou Amun): esposa de Mut, ele é considerado o rei dos deuses.• Aton (Aton ou Aten): relacionado ao sol, ele foi o deus do atomismo que estava relacionado com o disco solar.• Rá (ou Ré): deus da criação, sendo um dos principais deuses do Egito.• Ka: força mística que representava a alma dos deuses e dos homens.• Ptah: marido de Sekhmet e de Bastet, representava o deus criador e protetor da cidade de Mênfis. Além disso, era considerado deus dos artesãos e arquitetos.• Hu: representava a palavra de criação do Universo.
    Toda Matéria 28/05/2019
     Mitologia Hindu
       Comosgonia 
    A Mitologia Hindu está fundada nos Vedas, que são os livros sagrados dos hindus. Segundo a crença, o próprio Brahma os  escreveu. Brahma é o Deus supremo da tríade hindu. Seus atributos são representados pelos três poderes: criação, conservação e destruição, que formam a Trimuri ou trindade dos principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva, respectivamente, da criação, da conservação e as destruição.
    Brahma é o deus criador de todo o universo e de todas as divindades individuais e por ele, todas serão absorvidas. Ele se transformou em várias coisas, sem nenhuma ajuda externa e criou a alma humana que, de acordo com os Vedas, constitui uma parte do poder supremo, como uma fagulha pertence ao fogo.
    Infoescola 28/05/2019
     Mitologia Grega
    Cosmogonia
     
    No princípio de todos os mitos, houve um tempo em que nada existia no Universo além do Caos – a mais antiga, a mais inexplicável, a mais absurda das divindades. Nenhum poeta e nenhum filósofo grego imaginava o que teria existido antes dele: era o primeiro dos deuses, a sombra de loucura e confusão que está nas profundezas de tudo o que existe.
    O Caos ocupava todo o espaço do Universo. Nele, estavam misturadas as sementes de todas as coisas futuras: mas não havia ordem alguma, apenas um turbilhão sem sentido e sem fim. No poema As Metamorfoses, escrito no século 1 a.C., o poeta romano Ovídio descreve assim a terrível divindade que deu origem a tudo: “Antes que a terra, o mar e o céu tomassem forma, a natureza tinha apenas uma única face, chamada Caos: uma massa crua e desestruturada, um conglomerado de matéria composta por elementos incompatíveis… Nenhum elemento estava em sua forma correta, e tudo estava em conflito dentro de um mesmo corpo: o frio com o quente, o seco com o molhado, o pesado com o leve”.
    O Sol não iluminava o dia, e a Lua não brilhava à noite. Não havia chão para firmar os pés, nem mar para se nadar – todos os elementos estavam misturados num caldo primitivo. E as coisas, embora sempre em convulsão, não saíam do lugar: pois não havia sequer direita e esquerda, em cima ou embaixo, Norte ou Sul, dentro ou fora. O Caos era tudo e, ao mesmo tempo, nada.
    Superinteressante 28/05/2019
     
     Mitologia Nórdica
    Cosmogonia
     
    A narrativa das Edas conta que, no princípio, não havia nem céu nem terra, apenas uma enorme abismo sem fundo e um mundo de vapor, no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte surgiram doze rios que, após longa viagem, congelaram-se e com o acúmulo das camadas de gelo umas sobre as outras, o abismo se encheu.
    Ao sul desse mundo de vapor, havia um mundo de luz, que soprando vapores quentes, derreteu o gelo que havia se formado. Esses vapores, ao elevarem-se no ar, formaram nuvens e destas surgiu Ymir, o gelo gigante e sua geração. Surgiu, também, a vaca Audumbla, que alimentou o gigante com seu leite e alimentava-se da água e sal contidos no gelo. Certo dia, quando a vaca lambia o gelo, surgiu o cabelo de um homem; no segundo dia, a cabeça e no terceiro, todo o corpo, com grande beleza, força e agilidade.
    O novo ser era um deus e dele e de sua esposa surgiram Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir. Com o corpo do gigante morto, fizeram a terra, com o sangue, os mares, com os ossos ergueram as montanhas, dos cabelos fizeram as árvores, com o crânio fizeram o céu e o cérebro tornou-se as nuvens carregadas de neve e granizo. A moradia dos homens foi formada pela testa de Ymir e ficou conhecida como Midgard ou terra média.
    Infoescola 28/05/2019
     
    Notou uma semelhança? É novato, e A e B nada mais são que A+B, que resulta em AB, que é a resposta sobre o quê o cosmos é. Eu detesto matemática, mas é um cálculo aceitável. Só que esta presença de uma força, que é soma de partes, não se encontra presente apenas no misticismo, ou em algebra.
    Na física por exemplo um átomo, é formado por prótons e elétrons, que significa respectivamente o positivo e o negativo trabalhando juntos. Isto é algo caiu para mim na sexta-série, mas estava tão focada em renegar o aprendizado mundano, que não pude perceber, o quanto isto podería me ser útil.
    Na biologia há os casos de partogênese, quando uma espécie assexuada, da origem a uma prole. Mas isto só é possível, porquê as mesmas carregam tanto os genes xx quanto o xy. 
    Esta é a natureza meu caro, esfregando em sua face, que as espécies não são definidas por machos ou femêas, e sim por aqueles que são dotados de capacidades, para dominar o reino em quê habitam. – No reino dos insetos a louva deus fêmea, fica no poder, porquê o ambiente a tornou capaz. No reino felino, especificamente dos leões, é o leão quem comanda, e assim por diante.
    Os humanos, pré-dispostos ou não, continuam sendo animais, por isso também são livres, para definir quem é apto ou não para determinado cargo, desde que estejam cientes, de quê os gêneros feminino e masculino, atuam como formas da valor equivalente, não desigual. Já que novamente, um sem o outro, tem poder, mas os dois juntos, geram a perfeita união que representa o nosso Universo.
    Portanto não se entregue a falácias dualístas, que só agregam valor a determinado grupo. Abrace o todo, entenda-o, e perceba que a união de muitos, é o quê realmente faz a força.
    Por fim guarde isto em sua mente: Bem e mal é relativo sim. Mas uma conduta, realmente correta, pode ser alvo de piada entre os demais. Não importa, se tu segues a luz ou as trevas. Sempre que resolver pensar fora da caixa, haverão aqueles que tendem a te “apedrejar” ou “queimar na fornalha ardente”, por sua postura nobre.
    Um satanista pode sim ser amigo de um cristão. Um bruxo pode sim ser amigo de um mundano. A única coisa que me parece imperdoável, é que ambos continuem, a tentarem se destruir, por comprar a briga de seres, que claramente andam de mãos dadas.
    Sem o Inferno não há quem puna os criminosos pelos seus pecados terríveis, da mesma maneira que sem o Paraíso não tem recompensas maravilhosas. Sem a Guerra, não há razão para o Amor existir. Sem a luz não dá para ver na escuridão, assim como sem um pouco escuro, é impossivel enxergar na luz. Sem o fogo para aquecer, o frio nos congela. Sem o frio para nos aliviar, o calor nos queima. Sem a lança para atacar, o escudo pode não ser mortal. Sem o escudo, não há como se defender da espada. A magia branca nos ajuda a alcançar nossos objetivos, mas a magia negra, nos ajuda a sobreviver. O tudo é o todo, e o todo é a junção de todas as metades.
    Agora a sua jornada se encerra comigo, nobre peregrino, e espero ter te ajudado a encontrar o teu cálice dourado. Pegue-o, encha-o do vinho do saber, e embriague-se de conhecimento, pois como pôde ter notado, não importa o caminho que tomares, o destino sempre será o mesmo, mas é a perspectiva do conceito, que te trará paz ou desespero.
    Com muito carinho, Lux Burnns.
  • NAVEGANTE DESTEMIDO

    Eu não temo a morte 
    Eu não temo a vida 
    Tenho arte atrevida 
    Não posso negar 
    Eu sou homem de sorte 
    E eu vivo sem norte 
    Navego sozinho 
    Por todo lugar
  • Notas sobre meu vizinho serial killer

    Eram exatamente 19:25 quando passei pela rua principal e lá estava ele de costas para mim, sempre de costas para mim... Às vezes, olho para cima e vejo mais que costas, talvez um sorriso ou um olhar de soslaio quem sabe. Talvez ele sinta a presença quando me aproximo e olho pro primeiro andar pelo gradeado da varanda, mas faz desdém e mostra as costas; ainda sim, sempre me vem aquela sensação de que no fundo, ele é mais que costas... talvez um peito largo, mãos bonitas com certeza tem.
    Meu vizinho não tem nome, está sempre sozinho, na rua anda em passos lentos, como que saboreando cada movimento dos bandos fúteis de jovens, dos risos falsos e alegrias fingidas. Às vezes me pergunto o porquê ele me ignora quando passo e várias respostas me vêm em mente, talvez o fato de eu ser jovem e fútil bastasse, mas não, nenhuma delas soa real ou convincente o bastante para eu poder deixar de lado.

    Quando eu era criança sentava na mesa com meus pais para o almoço de domingo, a comida posta, tínhamos que fazer a oração agradecendo a Deus pela benção de ter o que comer, hoje eu já não lembro das palavras que eu repetia por meio de sussurros, mas eu lembro muito bem das moscas que se aproveitavam dos olhos fechados e iam atacar nossa comida. Foi uma das grandes questões de minha infância pois deveria eu vigiar a comida enquanto meus pais agradeciam e ir para o inferno? Ou fechar os olhos e ignorar essa intrusão deixando assim que elas ganhassem?  Ah! Eu me lembro tão bem de como elas esfregavam as patas imundas enquanto se preparavam para o ataque.
    Dizem que as moscas só vivem 24h, para mim não, eram sempre as mesmas que perseguiam meu espírito, os mesmos rostos me arrastando para um poço de dúvidas sem fim. Pois bem, meu vizinho também esfrega as patas e essa é a sensação imunda que eu tenho quando estou perto dele. 

    Agora são 00:32 da manhã e do meu quarto posso ouvir os anjos cantarem ‘’Tende, pois, piedade dele, ó meu Deus! Ó Misericordioso Senhor Jesus, concedei-lhe o repouso eterno. Amém! ’’.  
    Certo dia eu li um livro que falava sobre anjos, os ‘’anjos caídos do paraíso’’ que foram condenados por Deus a viverem como mortais. Condenação pior existe? Creio que não. Segundo os relatos sagrados, Enoch, o homem que andava com Deus e, que também era pai de Matusalém, escreveu em seu livro, que os anjos chamados Vigias eram encarregados de vigiar os mortais aqui na terra, eram invisíveis ao homem e tinham uma pele tão alva quanto o amanhecer. Certo dia, no Monte Hermon, Semjaza, o líder do bando viu as filhas dos homens banhando nuas na fonte e gostou do que viu, sugeriu que todos desposassem as moças, e assim o fizeram. Por se rebelarem contra o Senhor, foram condenados. Às vezes eu também vejo anjos, vejo a morte em seus olhos de fogo, suas mãos largas, suas costas...

    Meu vizinho mata mulheres. Certo dia, passando pela rua principal, o vi com sacos plásticos pretos nas duas mãos, mais uma vez ele me ignorou; talvez saiba que sei ou talvez é a forma como ele faz tudo aquilo parecer normal, escondendo as provas do crime onde todos possam ver e ninguém desconfiar. É sempre assim que os bons fazem, mas eu sei, eu sei que sei. Ele mata mulheres, não mulheres como eu, mulheres. Tudo começa com a falta de vigia, almas vagas e flutuantes não observam ao seu redor, ele sabe disso, eu também. Esse é seu ‘’design’’, assim como as moscas, ataca quando fecham os olhos. Nem preciso falar que meu vizinho é um homem lindo, mãos largas, sua pele é o crepúsculo do dia, seu sorriso de canto sabe sempre a hora do lance, ele sente o cheiro das vítimas de longe, observa-as e se vangloria ‘’mais uma’’. Para pessoas bonitas a vida deve ser mais fácil, mas monótona com certeza, seduzir talvez nem seja preciso, um sorriso basta, a autoconfiança basta. Eu o observo sempre de cabeça baixa, sinto seus olhos em mim, sua inquietação, eu sei.
     
    Ele as chama para sua casa que fica no primeiro andar da rua principal, em baixo tem um jardim lindo onde as flores são tão vividas! Adubo orgânico, creio eu. Mas meu vizinho é lindo, acho que já disse isso; as mulheres aceitam seu convite tão satisfeitas, tão limpas... mal sabem que irão morrer depois de uma noite intensa de prazer e juras sussurradas. Elas deitam em seu peito e respiram fundo, sentem um cheiro de limpeza no ar, ou talvez um pouco de solvente, o importante é que elas sentem uma paz com ele, ou talvez a melhora que antecede a morte, agora isso eu já não sei.
    Um último beijo, devagar, bem devagar, ele sente a vida em suas mãos, tão frágil... na nuca, ela ri, expõe o pescoço para que ele possa melhor trilhar seus beijos suaves, ele ri.

    Às vezes eu penso de que maneira irei morrer, particularmente há dois tipos de morte que eu não gostaria de conhecer: acidente de transito ou carbonizada. Mas aí eu lembro de uma uma frase que minha mãe sempre dizia, ’’cuidado com as coisas que você deseja que nunca aconteçam com você, pois podem acontecer exatamente porque você teme’’. A morte sempre me fascinou, desperdiçava horas pensando em como seria o momento da minha ‘’passagem’’, isso sempre me intrigou; alguém vai segurar minha mão quando eu atravessar? A propósito, eu sempre pedia perdão pelas vezes em que deixava de orar para vigar as moscas.
    Meu vizinho não é rico, mas como eu disse e repito, é um homem lindo e, para as almas ociosas, isso basta. Ele desliza as duas mãos bem devagar sobre o pescoço dela, ela ri, acha que faz parte do ritual de amor, ele ri, pois é seu ritual de morte. Os olhos clamam por socorro, ninguém a ouve, olhos profundos, ele aperta com força, o corpo pesado sobre seu corpo nu...ela morreu.

    Ele a beija sem a vida, porém quente como um beijo de amor. Seus membros são cortados, ele sente prazer, é um dever, seu dever. Nada de guardar a cabeça no freezer como prêmio, meu vizinho guarda mechas de cabelo envoltas em um laço cor de rosa. Não as cozinha nem as come depois de mortas, ele faz adubo para o jardim, outras partes, mistura com seu lixo. Ele é um homem educado, fala com as senhoras que passam na rua, diz bom dia, e compra pão na mesma padaria que eu. Meu vizinho não deixa rastros, não deixa partes que possam ser identificadas posteriormente. Esse é o seu estilo.
    Sempre que o vejo, geralmente na rua principal, abaixo minha cabeça, não consigo olha-lo sem imaginar tais coisas. Certa feita planejei roubar um de seus sacos de lixo e comprovar minha teoria, mas sei que por uma obra do destino nada encontraria além de camisinhas usadas e litros de solvente. Me chamariam de louca, e isso eu não aceitaria jamais.
    Meu vizinho tem um jardim lindo, todo mundo o inveja.
  • Nunca Será

    Estava frio. Isso é tudo o que eu sou capaz de dizer sobre o tempo daquela noite. Você quer mais o que? Frio é frio, gelado, duro como um cubo de gelo, não há sentimentos no frio.
    Esse garoto apareceu do nada e já veio querendo conversar comigo. Engraçado que as pessoas sempre evitam moradores de rua, mas aquele cara era diferente, ou estava diferente.
    - Como vai? – perguntou.
    - Mal, está frio e eu estou dormindo em um ponto de ônibus.
    - Não deve ser tão ruim assim, morar na rua, quer dizer.
    - Quer trocar de lugar?
    - Bem que eu gostaria, minha vida está horrível.
    - Era só o que me faltava... – murmurei.
    A conversa poderia ter acabado bem ali, talvez tivesse sido o melhor para todo mundo. Percebi que aquele garoto não estava bem, mas fechei os olhos para isso.
    - Sua vida tá horrível? – continuei em voz alta. – Garoto, olha para mim, não tenho um teto decente sobre minha cabeça, nem uma cama quentinha para deitar. Tá reclamando de barriga cheia, coisa que, aliás, eu também não tenho, tanto no figurativo quanto na realidade.
    - Você não entenderia. Não é possível comparar a dor das pessoas.
    - Concordo. Mas isso não me impede de ficar puto quando me aparece um garoto reclamando a vida mesmo tendo coisas que algumas pessoas gostariam de ter.
    - Você nem sabe qual é o meu problema, e são dores diferentes.
    - Claro que sei. Uma garota, não é?
    - Não. Bem, em parte, mas ela não é tudo.
    - Qualquer que seja seu problema tenho certeza de que é capaz de aguentar. Deus não te daria uma cruz impossível de carregar.
    - Apenas o fato Dele dar uma cruz para gente O torna mal.
    - Falou e disse, na minha opinião Ele também deveria carregar uma cruz. Espera um pouco, acho que isso já aconteceu.
    - Não me importo. Ele me faz sofrer e ponto.
    - Você acredita em Deus?
    - Não de verdade. Se ele realmente existisse o mundo não estaria assim, eu não estaria assim.
    - Se Ele não existe quem te faz sofrer?
    - Então Deus existe e é culpado da minha miséria.
    - Ele nos dá a cruz, quem escolhe se vai ficar parado, suportando o peso dela para sempre, ou se vai continuar até que um dia essa cruz pare de pesar é você.
    - Tá dizendo que tenho que me conformar e continuar levando esse peso?
    - Eu não diria conformado, mas focado que um dia esse peso vai deixar de existir.
    - Quando?
    - Não sei, talvez na morte.
    - Então eu deveria me matar agora e todos os meus problemas iriam sumir?
    - Sim, mas aí você estaria escolhendo o caminho mais fácil.
    - E qual seria o problema disso?
    - Me diz você. O que é melhor? Experimentar o sofrimento agora, contudo suportar essa dor sabendo que um dia você irá experimentar a alegria, ou acabar com tudo agora apenas conhecendo o sabor da miséria?
    - Bom ponto, mas não é o suficiente.
    - Vai fazer o quê? Se matar?
    - É o plano.
    - Então vá, pelo menos assim eu durmo em paz.
    - Você não ficaria com peso na consciência? Por ter permitido que eu acabasse com a minha vida?
    - Quem deveria estar com peso na consciência é você, por querer fazer isso.
    - Se eu morrer ninguém vai sentir minha falta.
    - E você vive para eles ou para si mesmo?
    - O ser humano não é capaz de viver na solidão. É isso que está acontecendo comigo.
    - Você está solitário?
    - Sim, ninguém se importa comigo.
    - Pelo visto nem você.
    - Por que eu deveria?
    - Porque se nem você quer seu próprio bem como pode esperar que os outros queiram?
    - Às vezes nós mesmos não bastamos, precisamos de alguém.
    - E você vai achar esse alguém na morte?
    - Aqui é que não vai ser.
    - Errado, lá é que não vai ser. Mas como você sabe que não irá encontrar ninguém que se importe com você aqui?
    - Tenho 16 e nunca apresentei uma namorada pros meus pais.
    - Acha que precisa de uma? Isso é o necessário para te fazer feliz?
    - Bem, é um começo. Ter uma namorada é bom. É alguém para enfrentar os problemas ao seu lado.
    - Entendi. E você pretende encontrar essa companheira morrendo?
    - Não, mas ela não existe e nem vai.
    - E você por um acaso é Deus, aquele desgraçado, para prever o futuro? Porque se você for eu tenho algumas coisas para conversar contigo.
    - Não sou Deus, nem prevejo o futuro.
    - Então não venha me dizer que ninguém nunca vai gostar de você.
    - Até hoje ninguém gostou, e não falo só no sentido amoroso.
    - Você não gosta de si mesmo, por que acha que outra pessoa deveria?
    - As pessoas deveriam gostar de nós como somos, em qualquer situação.
    - É mesmo? Você tem mãe?
    - Tenho.
    - Quando ela está com raiva, você fica perto dela?
    - Não.
    - Por quê?
    - Ela começa a gritar comigo e me deixa irritado também.
    - Se você não fica do lado de alguém em qualquer situação, por que espera que as pessoas façam isso por você? Se quer reciprocidade não acha que deveria partir de você primeiro?
    - E por que nunca de outra pessoa? É sempre eu que tento falar com alguém, ou pergunto se está tudo bem. Estou esperando essa reciprocidade.
    - Entendo, você que se esforça e na hora do retorno nada acontece.
    - Exato.
    - Então existem dois caminhos, ou realmente essa pessoa não quer saber de você e insistir só vai te fazer mal, porque é verdade, pessoas decepcionam. A outra opção é que você não está enxergando o retorno.
    - Não enxergo?
    - Não, essa pessoa pode estar atuando indiretamente ou você está cego demais para ver o bem que estão te fazendo.
    - Faz sentido. Você é bem sábio, deve ter vivido muito.
    - Talvez, enfrentei problemas, como você, e ainda enfrento, mas não desisto, ainda espero ser capaz de experimentar a felicidade.
    - Não é feliz?
    - Não, mas continuo em frente, tendo esperança de que um dia vou ficar bem.
    - E se isso nunca acontecer? Terá vivido em vão?
    - A vida só é em vão quando você fecha os olhos para a esperança e mergulha no mar de tristeza.
    - Você vive a espera de algo, como isso pode ser bom?
    - Às vezes a espera guarda o que você precisa e não o que você quer.
    - Se eu sair daqui e me matar?
    - Terá jogado fora a chance de um dia poder ser feliz.
    - E se nunca fosse para eu ser feliz?
    - Se cometer suicídio nunca vai saber.
    - É arriscado e incerto.
    - Acabou de descrever a vida. A morte é bem certa e segura, mas não tem a recompensa que a vida pode ter.
    Aquele garoto foi embora e me deixou lá. No dia seguinte ouvi duas pessoas dizendo que um menino tinha se jogado de um prédio não muito longe dali, não tive dúvidas de que era ele. Preferiu a facilidade a dificuldade, mesmo sabendo que nunca haveria felicidade no caminho escolhido. Mas não era isso que ele queria? Ser feliz? Então por que
    decidiu ir por um caminho onde ele nunca será.
  • Nuvens Mortas

    Entrar naquele quarto seria o mesmo que quebrar mais ainda o meu coração partido.Todas as vezes que me olho no espelho vejo uma versão minha que eu não conhecia.A barba está grande,estou mais magro,sujo e olhos olhos inchados.Estou assim desde o dia daquele acidente.Aquele acidente que eu perdi as duas coisas mais importantes da minha vida.Eu pego meu celular para ver as fotos dela,mas ele está descarregado a dias.Eu com certeza perdi o emprego.Meus pais e meus amigos se afastaram,me dando tempo para recuperar daquele dia.Me lembro como se fosse ontem o dia que eu e meu amor estavamos colando nuvens rosas naquele quarto de boneca.Os olhos dela nunca haviam estado tão felizes,a barriga dela estava enorme e o sorriso estava tão vivo,assim como o meu estava.
      Arrasto meu corpo até aquele quartinho.Assim que abro a porta vejo o berço,as nuvens rosas na parede.Estava tudo pronto.Abro a cômoda e vejo aqueles sapatinhos rosas minuscúlos,as fraldinhas que nunca serão usadas.Uma vida que nunca será vivida.Estava tudo pronto.Agora aquelas nuvens rosas estão mortas assim como meus amores.Talvez um dia eu possa entrar nesse quarto para me consolar novamente.
  • O Anjo da Fazenda

    1
    Andy, meu querido Andy.... O conheci em uma tarde nublada. Pobre figura que apareceu em nossa porta. Mas isso é me adiantar na história. Acho que o antes preciso fazer as devidas apresentações. Eu morava em uma fazenda com minha esposa, após anos lutando pelos direitos negros, resolvemos que queríamos uma criança. Achamos melhor nos afastar de toda a turbulência dos protestos e da violência policial. Às vezes, me parecia uma causa perdida, às vezes parecia que dávamos passos curtos adiante.
    Assim, Sasha e eu decidimos nos mudar. Ela acabara de completar vinte e dois anos. Era meu amor de infância, nos conhecemos quando ela tinha apenas quatro anos e eu virava dos oito para os nove. Tivemos um pequeno romance infantil, andávamos de mãos dadas o tempo inteiro. Alguns meninos tiravam sarro, alguns branquelos nos agrediam. Isso nunca importou para nossa relação, sempre soubemos que éramos a coisa certa, sabe? Feitos um para o outro, o amor verdadeiro.
    Nunca nos separamos, abandonei o ensino médio para trabalhar, ela foi um pouco além. Sasha sempre foi um doce, a mulher mais inteligente que já conheci na vida. Também é a mulher mais linda do mundo para mim, mas se me perguntar a verdade, eu poderia dizer que ela parece que nasceu do avesso... Eu não sou lá essas coisas também, o importante é que nós dois nós amávamos... Sempre foi assim e sempre será. Nunca teria outra mulher.
    Com sete anos eu já lhe dizia que iríamos casar. Assim que ela completou dezoito fugimos e nos casamos. Foi uma cerimônia linda, apesar de ter sido pequena, apenas eu, ela e o padre. O padre, meio bêbado, nos casou em uma madrugada, éramos a senha cinquenta e sete, e atrás de nós havia uma fila enorme. Não foi o casamento dos sonhos, foi algo simples, feito por dois adolescentes fodidos e sem dinheiro, mas era o nosso casamento e ficamos felizes com a forma que aconteceu, aquele pedaço de papel de nada valia, O sentimento é que já éramos casados desde que nos conhecemos.
    Logo cedo trabalhei como empacotador em um supermercado, não era o melhor emprego do mundo, mas era fácil e pagava uma merreca. Sasha, com toda sua inteligência, conseguiu um emprego melhor e foi ser secretária em um escritório de advocacia. Foi quando os tumultos aconteceram, não lembro qual foi o estopim, contudo agora todos queriam lutar por um país melhor. No início participávamos, acreditávamos que traria mudanças. Bastou um policial mudar as balas de borracha por balas de verdade e uma dezena de protestantes morreu alvejada pela polícia. As coisas se tornaram violentas muito rápido.
    No protesto seguinte o número de mortos foi maior, cerca de vinte e sete. O terceiro foi um abatedouro, a quantidade de feridos passou de cem, não sei ao certo, acho que chegou perto da segunda centena. Os mortos foram quarenta e três, muitos por balas, muitos pisoteados. Foi quando decidimos ir embora daquela cidade grande. Com o dinheiro que guardamos. Conseguimos comprar uma pequena fazenda, nela colocamos nossa caixinha de correio escrito “Carter” na entrada. Aquele lugar era um lixo, precisou de muito trabalho e amor para se tornar a casa que os Carter mereciam.
    Tínhamos cerca de duzentos quilômetros entre nós e qualquer possibilidade dos tumultos, deixamos aquela cidade grande para trás, sem arrependimento algum. Um pouco mais próximo de nós, uns quinze qu quilômetros, tínhamos uma cidadezinha pacata para fazer nossas compras. Apenas o xerife da cidade nos visitava. Seu nome era Franklin, gostava dele, desde o começo nos tratou bem. Assim, resolvemos convidá-lo para almoçar em nossa casa, nunca vi um policial recusar uma refeição grátis. Depois de um tempo nos tornamos amigos, ele aumentou o perímetro de sua ronda para incluir nossa casa, sempre dividíamos as refeições, às vezes ele trazia algo, às vezes nós fazíamos e sempre tínhamos uma conversa agradável.
    Agora, lembro-me como eu adorava aqueles almoços saborosos sempre feitos por minha doce Sasha. Sim, ela fazia o almoço para nós dois e para as visitas que raramente apareciam, o xerife era o mais recorrente. Nosso combinado funcionava assim, o café da manhã era minha responsabilidade, às vezes levava na cama para ela, às vezes comíamos na sala, às vezes do lado de fora da casa. O jantar revezávamos, às vezes ela fazia, às vezes eu, mas sempre preferi quando fazíamos juntos.
    Em nossa pequena fazenda tínhamos paz, tranquilidade, uma vaca para o leite da manhã, seis galinhas para ovos e uma plantação suficiente para vender o excedente na cidade, na época certa.
    Eu não conseguia ir à cidade sozinha para vender nossos tomates e nossas cenouras. Por mais que não gostasse de deixar a casa sozinha, precisava que Sasha fosse comigo à cidade vender nossa colheita. Pretendíamos ter um filho e gostaríamos que ele tivesse as oportunidades que não tivemos e, meu amigo, oportunidades custam caro. O trabalho era duro e fazíamos apenas os dois. Acordávamos às cinco da manhã e acabávamos tudo perto das dez da noite.
    Depois de trinta e sete anos tentando ter uma criança, descobri que não poderia ter filhos, alguma coisa sobre baixa contagem ou fragilidade. Eu, honestamente, não sei, parei de escutar o doutor quando ele disse “você nunca poderá ter um filho”. Ainda tentávamos, minha doce Sasha sempre dizia que os médicos erram sempre nessas coisas e que se não fosse para ter meu filho, ela não teria com mais ninguém. Sabíamos que nunca teríamos uma criança e naquela região do país era difícil conseguir uma adoção.
    Foi quando meu aniversário de sessenta e sete anos chegou. Sasha fez um bolo de amora delicioso, como só ela sabe fazer. Sentamos em nossa varanda e passamos o dia conversando. Ela já estava doente nessa época, o sangue em sua tosse era normal de se ver. O médico disse que o câncer nos pulmões já era irreversível, que não havia muito a ser feito, não lhe faria bem algum ficar no hospital, presa e entubada. Sua recomendação foi que deveríamos aproveitar o tempo que nos sobrara. Nossa rotina não mudou muito, embora cada tosse dela fizesse meu coração partir um pouco mais.
    Foi quando o vi pela primeira vez...
    Andy apareceu em nossa porta. Era uma tarde nublada, chovera um pouco mais cedo, tornando a terra à beira da estrada em lama. Andy surgiu carregando uma pequena maleta de couro e vestia um terno surrado, grande demais para ele, e tinha lama até o joelho. Por sua aparência suja eu poderia jurar que ele caíra pelo menos uma vez em algum lamaçal, pobre criatura.
    - Senhor, desculpe lhe incomodar nesta linda tarde de verão, mas poderia lhe pedir apenas um copo de água, para que eu possa seguir minha viagem?
    Apenas um pouco de água para continuar sua viagem.... Olhando aquela aparência frágil, julguei que ele precisava de muito mais do que isso. Nós dessas cidades pequenas gostamos de ajudar, nos interessamos pelos outros, normalmente. Sua cara de bebê exclamava sua pouca idade, não tinha pelos no rosto, não poderia passar de vinte anos. Mas não caia nessa, nunca confio em um branquelo batendo na minha porta, sua educação sempre esconde alguma coisa. Achei melhor mandá-lo embora.
    Foi quando Sasha, que é quem tinha o coração maior, apareceu ao meu lado.
    - Boa tarde, menino, qual o seu nome?
    - Sou Andy Robbins, senhora. Muito prazer e uma ótima tarde. Teria a honra de saber o seu nome?
    - Somos os Carter, sou Sasha e este é meu marido George. Vou buscar sua água, espere um instante.
    - Muito obrigado.
    Sou uma pessoa muito sincera e preciso dizer que não fui com a cara de Andy. Não gostava de sua educação, não gostava de sua pouca idade e não gostava do fato de ele estar a pé, sendo que, por onde ele vinha, a cidade mais próxima tinha mais de cem quilômetros de distância. A parada de ônibus era mais perto, apenas uns três quilômetros, mesmo assim algo não me cheirava bem nele.
    - Para onde você está indo, branquelo?
    - Estou indo para a cidade, quero distribuir alguns currículos para conseguir algum emprego.
    - Você tem a cor certa para isso, não?
    - Desculpe? – ele indagou com uma expressão de dúvida.
    - A cidade que você quer está vinte quilômetros de distância, pelo menos se você for para oeste, para o leste terá que andar mais de cem.
    - Obrigado, senhor. Estou indo para o oeste, tenho uma boa experiência em trabalhos de fazenda e nunca estive em uma cidade grande, estou ansioso e com um pouco de receio. Sabe, desde que meu papai morreu e o banco tirou nossa terra, decidi arriscar na vida urbana.
    - Vem uma chuva forte por ai – diz Sasha voltando com um copo de  água – você não pode ir a pé até a cidade nesse clima. Por que não fica a noite aqui? Podemos armar uma cama no celeiro, se não se importar de dormir com Bibi, nossa vaca.
    - Amor, – eu disse em um tom baixo – não acho que devemos fazer esse convite.
    - Ora, George, você acha que um menino franzino e sujo desses pode.... – ela foi interrompida por um pequeno surto de tosse – Desculpe. Acha que ele pode fazer algum mal?
    Eu vi um pouco de sangue em sua boca, sujou seu queixo e ela não reparou. Mordi o lábio inferior com meu canino, para segurar a lágrima que queria escorrer. Não acho que ela se atentou a isso, então achei melhor concordar.
    - Por favor, entre. – Disse Sasha em sua doce voz melodiosa – já vamos almoçar. Você pode tomar um banho e depois se juntar a nós. George lhe emprestará alguma roupa limpa.
    Andy não falou muito naquele almoço. Tentamos descobrir de onde ele vinha, contudo, suas respostas eram vagas, como se fosse doloroso lembrar. Seu olhar era de certa forma vazio e penetrante. Quando lhe dirigíamos a palavra ele hesitava em responder, quando respondia, olhava em meus olhos como se pudesse ver o fundo de minha alma e, de certa forma, eu podia ver a dele. Não engoli aquela história de perder a fazenda para o banco, mas comecei a imaginar que, talvez, algo mais triste do que isso tivesse acontecido.
    Naquela noite, Andy se mostrou muito prestativo e, enquanto, fazíamos o jantar, ele pediu para ajudar. Não permiti, fazer o jantar era o momento especial em que passava com Sasha, assim, pedimos que ordenhasse a vaca para que tivéssemos leite fresco. Quando voltou o balde estava cheio.
    Na manhã seguinte acordei cedo e vi que Andy olhava nossa plantação. Andava entre os tomates e as cenouras, resmungava algo para si mesmo e voltava.
    - O que está fazendo, Andy?
    - Sabe George, se você plantar coentro com os tomates pode reduzir um pouco o número de pragas. Ele atrai predadores naturais dessas pragas, sua perda seria menor. Estou vendo muitos tomates estragados e isso meu deixa triste. Papi sempre dizia que a plantação cresce melhor se sua planta tiver uma companheira. – ele disse com um sorriso sonhador e encantador.
    - Sim, temos perdido grande parte da plantação. Não gostamos de usar esses agrotóxicos. Sua ideia pode ser útil, vamos tentar.
    Era uma ideia interessante, iria pesquisar alguns dados nos dias seguintes para saber se ele tinha alguma base. Primeiro precisaria lidar com Andy, aquele sorriso encantador não me parecia algo de uma pessoa ruim. Se estava dizendo a verdade sobre quem era, não teria chances na cidade. Era um garoto de fazenda e, por mais que eu odeie admitir, precisávamos de ajuda, Sasha não tinha muito tempo, um ano no máximo, e já não podia fazer esforços para cuidar do plantio.
    - Querido, por que não o convida para ficar conosco? Ele pode dormir no celeiro e trancamos tudo à noite. E uma mão para ajudar com a plantação nos faria bem, poderíamos crescer um pouco mais e você não ficaria sozinho quando.....
    - Sasha Carter, não se atreva a dizer isso! – minha voz soou falhada.
    - Quando eu me for, meu amor. Temos que falar disso. Sabemos que eu não tenho muito tempo e que não tivemos um filho. Com Andy você pelo menos terá companhia por algum tempo.
    - Quando você se for, eu vou junt....
    A batida da palma de sua mão contra minha face foi dura e ardida (não deixou de ser merecida). Ela colocou o dedo na minha frente. Não tive coragem de encará-la, apenas abaixei o rosto e chorei.
    -George Carter, você vai viver e vai viver por muito anos. – seu rosto estava vermelho e sua expressão não era exatamente de raiva, era uma mistura de repreensão e incredulidade, algo parecido com uma mãe que ouve seu filho dizer um palavrão - Se realmente me ama, e tenho certeza de que ama, pois nunca existiu um homem que tratasse tão bem uma mulher, você vai viver para honrar a minha memória. – Ela foi interrompida por uma crise de tosse - Poderá encontrar outra pessoa e cuidar de Andy, se ele precisar. Prometa isso, você viverá!
    - Eu prometo, mas nunca encontrarei outra pessoa.
    Nos próximos dias éramos uma família feliz. Sasha, Andy e eu. O menino sabia se virar na terra, para meu alívio. Sua ideia de planta companheira parecia dar certo e tínhamos um produto novo para vender. Com certo receio de minha parte, deixamos que ele se mudasse do celeiro para nossa casa, tínhamos um quarto vago. Eu lhe pagava pelos serviços que prestava, Sasha não precisava mais me ajudar, podia ficar em casa enquanto vendíamos a produção na cidade. A vida era boa, se não fosse pela doença de meu amor.
    Tudo isso iria mudar...
    2
    Com o passar dos meses a doença de Sasha se agravara, Andy tornou-se o filho que nunca tivemos, eu poderia passar mais tempo com minha esposa que raramente deixava o quarto. Agora todos os dias recebia o café da manhã na cama, o almoço na cama e o jantar na cama.
    Se não fosse por Andy a fazenda teria morrido naqueles meses de primavera e teríamos falido. Eu não conseguia deixar Sasha sozinha, não conseguia trabalhar e com certeza não conseguia ir até a porcaria da cidade vender nossas cenouras e nossos tomates e coentros. A vida fora daquele quarto não fazia sentido. Sua respiração era difícil e barulhenta. Eu chorava todos os dias, eram os únicos momentos em que saia de perto de Sasha, não queria que ela me visse nesse estado, embora ela soubesse.
    - Você é um bom homem George. Por favor, cuide de Andy, ele tem sido tão bom conosco, um verdadeiro anjo em nossa vida.
    - Sim, eu cuidarei.
    - E tenha uma vida longa, meu amor... Por favor, deixe-me um pouco, preciso fazer minhas pazes com Deus.
    Não contive as lágrimas, apenas levantei e saí. Acho que foi a primeira vez que Sasha me viu chorar. Lembrei-me de como via minha esposa, aquela mulher tão cheio de vida, ternura e bondade, morrer aos poucos, dia a dia, em um sofrimento que parecia não ter fim. Bom, o fim estava chegando, esse pensamento não me alegrou nem um pouco. Encontrei Andy na cozinha, ele olhou para mim e me abraçou. Tinha aquele sorriso encantador de Andy no rosto e foi em direção ao quarto.
    - Não, Andy, não entre ai! - Eu queria gritar, mas a voz saiu fraca.
    Ele seguiu seu caminho, entrou no quarto de Sasha, minha doce e frágil esposa, ela se assustou e permaneceu imóvel, com o ruído de sua respiração sendo ouvido de fora do quarto.
    - Andy, por favor, me deixe só. – Ela disse em sua voz amorosa.
    - Andy, SAI DAQUI! – foi rude de minha parte, ele tinha o direito de se despedir dela.
    Ele continuou se aproximando dela, seus passos eram firmes e decididos. Ele sorriu, ela retribuiu o sorriso.
    - Por favor, deixe-me ver.
    - Tudo bem, querido Andy.
    Ele a tocou, colocando suas mãos nas costelas dela, uma de cada lado. Eu não entendi o que ele tentava fazer, fiquei nervoso e decidi tirá-lo dali à força. Foi quando um brilho surgiu em suas mãos, o quarto inteiro ficou um pouco mais quente, um calor gostoso e reconfortante como uma lareira em uma noite de neve.
    Não entendi o que acontecera. Era realidade? Aquele brilho aconteceu ou tive um derrame pelo nervoso e alucinava?
    - Respire Sasha, encha seus pulmões. – falou em um tom descontraído.
    Eu vi o peito de Sasha inflar como não via há anos. Então ela soltou todo o ar, sem barulho algum.
    - Andy, meu querido, você realmente é um anjo?
    Ela não respondeu, apenas sorriu. Veio em minha direção e disse:
    - Não... Não sou um anjo. E ela não viverá para sempre, está vivendo em tempo emprestado agora..... Sabe, esse câncer é algo muito violento mesmo, os pulmões dela estavam quase mortos, ela não iria sobreviver até amanhã.
    - Muito obrigado, Andy. Ela está bem mesmo? Você a curou?
    - Por hora sim, ela viverá mais...
    - Eu consigo respirar amor... Eu consigo respirar! – ela chorava, dessa vez de alegria, como não fazia há muito tempo.
    Andy saiu do quarto sem dizer mais uma palavra e foi para o celeiro. Fui atrás dele e quando cheguei, ele já dormia em sua cama. Não sei que tipo de poderes aquele menino tinha, só sei que era algo exaustivo. Conversei com Sasha para fazermos um jantar especial para ele naquela noite e que arrumaríamos o quarto da casa para que ele não precisasse mais dormir no celeiro. Um anjo não deveria dormir ali com os animais.
    Quando Andy acordou já era quase meia noite. Mesmo assim sua aparência era de cansaço extremo. Ele andou vagarosamente até a casa e nos reunimos na sala de jantar. Gastamos um pouco mais em um champanhe, era uma ocasião única e o esperamos para o jantar tardio.
    - Andy, gostaríamos que você se mudasse aqui para casa, temos um quarto pequeno com algumas tralhas, vamos limpá-lo depois da janta, porque gostaríamos que viesse ainda hoje
    - Obrigado, senhor George. Fico muito grato por isso, mas não precisa de pressa, podemos fazer isso amanhã, com calma. Hoje à noite vocês deveriam aproveitar a companhia um do outro.
    - Tudo bem, Andy – disse Sasha – vamos aproveitar o jantar que é uma ocasião muito especial e tudo graças a você.
    Ele sorriu, pareceu um pouco desconfortável, embora seu sorriso tenha sido simpático, como sempre.
    - Posso fazer um pedido?
    - Claro Andy. O que quiser.
    - Poderiam guardar esse segredo? Também não seria bom se as pessoas vissem a senhora Sasha bem nos próximos meses.
    Concordei com ele, imaginei o que aconteceria se as cidades vizinhas soubessem de nosso anjo milagreiro. Com certeza a notícia se espalharia como fogo no feno seco. Logo o garoto teria que se exibir todos os dias. Percebi sua exaustão e o que aquilo lhe causaria. Será que aquele anjo poderia morrer por causa disso? Não sei, de qualquer forma esconderíamos Sasha e isso seria fácil, afinal, a única visita regular que tínhamos era do xerife que, geralmente, passava por ali uma vez a cada quinze dias e para demonstrar sua preocupação com minha esposa. Depois de alguns meses eu poderia falar sobre alguma cura milagrosa, afinal essas coisas acontecem.
    3
    A felicidade voltara aos meus dias, a vida fazia sentido novamente, Sasha e eu parecíamos um casal de adolescentes apaixonados depois de seu “renascimento”. Tudo porque Deus enviou seu pequeno anjo magrelo para nos ajudar. Andy seguia trabalhando em nossa fazenda, o rapaz tinha uma resistência incrível, às vezes imaginava se ele realmente dormia. Sempre acordava antes de mim e quando eu ia dormir o ouvia andando fora da casa. Era bom ter essa juventude por perto.
    Naquele começo de tarde resolvi ir com Andy até a cidade para fazer as compras do mês. Sempre que lhe perguntava sobre o paraíso e sobre o todo-poderoso, mas ele, delicadamente, mudava de assunto. Entendi que não era um assunto que quisesse falar (talvez nem pudesse).
    Enquanto entravamos em minha caminhonete Chevrolet vermelha, toda suja de terra, tentei conseguir alguma informação celestial dele.
    - Diga-me, Andy, quantos anos você tem? De verdade.
    - Eu não sei... – ele perdera aquele sorriso lindo e apenas encarava seus sapatos, no assoalho do carro.
    - Sabe há quanto tempo está na Terra?
    - Não, tenho apenas flashes, lembro-me de uma família antes de vocês vagamente, mas não consigo ver seus rostos. A lembrança dói, não sei por quê.
    - Então não é sua primeira vez na Terra?
    - Senhor George, desculpe. Poderíamos falar de outra coisa?
    - Claro Claro. Entendo que este assunto é delicado para você. Por favor, perdoe minha indelicadeza.
    - Não se preocupe. – ele finalmente olhou para mim, com seu sorriso de Andy – Não ligue o carro, o xerife está chegando. Ele ainda não sabe sobre mim, não é?
    - Fique sentado aqui no carro e abaixe a cabeça. Eu cuido disso.
    Desde que a doença de Sasha se agravara o xerife não entrou mais em nossa casa, nem me viu na cidade. A essa altura não achei que seria uma boa ideia ele saber da existência de Andy. Sai do carro e andei até Franklin.
    - Boa tarde, xerife. Em que posso ajudá-lo hoje.
    - Olá George. Como está a Sasha?
    - Está mal... Mas ainda temos esperança... Gostaria de convidá-lo para entrar, só que....
    - Você está de saída, não? Acha prudente deixar sua mulher sozinha nesse estado?
    - Preciso fazer as compras do mês, não pretendo ficar muito tempo longe.
    - E quem está no carro seu carro, o rapaz que abaixou a cabeça quando você saiu?
    -...
    - Vamos lá, George, somos amigos. O que está acontecendo?
    (ele nunca iria acreditar que um anjo estava morando comigo e que curou minha esposa. Talvez se eu mostrasse Sasha para ele, só que ai quebraria a promessa que fiz para Andy. Isso seria uma afronta a Deus? Achei melhor não arriscar)
    - É apenas um garoto que está ajudando nas tarefas. Ele não cobra muito caro e faz bastante. Não queria que você ficasse preocupado por termos um estranho por aqui, mas ele estava procurando trabalho e pareceu inofensivo.
    - E qual o nome desse rapaz inofensivo que está lhe ajudando?
    - Andy Robbins. Não sei ao certo de onde veio, para lhe dizer a verdade, nunca perguntei.
    - Tudo bem, George. Vá até a cidade, se não se importar, darei umas voltas por aqui, caso Sasha precise de algo. Quando você voltar me avise.
    - Claro Franklin. Muito obrigado.
    Enquanto saia da fazenda, reparei nos olhos azuis do xerife nos observando severamente, eu o vi daquela forma antes, não era raiva nem nada do tipo, era o olhar que ele tinha quando desconfiava de alguém, sempre me disse que era algo frequente em seus tempos de investigador. Talvez ele não tenha engolido a história e aquilo me preocupava.
    Quando voltamos o Sol já se punha, Franklin nos aguardava na porta da fazenda.
    - George, seu filho da mãe, safado. Meu turno já acabou há meia hora e ainda estou aqui te esperando. Sabe que não entraria na sua casa sem permissão, ainda mais na condição em que Sasha se encontra.
    - Tudo bem, Franklin. Desculpe a demora, trouxemos bastante coisa.
    - Sabe do que você precisa, meu velho? De um desses – ele disse retirando seu smartphone do bolso – Aí poderíamos conversar melhor. – Você pode me ligar, se Sasha precisar de algo eu não preciso ficar aqui do lado de fora esperando o pior. Olha só, ele faz tudo, – eu vejo um flash que quase me cegou – até tira fotos.
    - Olha xerife, você sabe que não me dou bem com tecnologia –respondi rindo – por isso nem máquina de lavar roupa nós temos. Sasha e eu somos de outra época e estamos felizes assim.
    - Eu sei bem disso. Não vou mais lhe incomodar. Boa noite George, se cuide.
    - Você nunca nos incomoda Franklin. Por favor, volte quando quiser. Boa noite.
    Na semana seguinte, vi a viatura do xerife todos os dias passando em frente à fazenda, aquilo me preocupou. Do que ele desconfiava?
    - Andy, você já viu o xerife? Já falou com ele?
    - Não lembro. Talvez... Talvez com a outra família... Eu não me lembro. Acha que é por isso que ele tirou a minha foto?
    - Tirou sua foto?
    Como eu pude ser tão burro? Ela não queria me mostrar a porcaria de um celular, ele queria uma foto do meu anjo (sim, eu já julgara aquele anjo como meu, talvez esse tenha sido meu pecado).
    - Não acredito que ele fez isso. Amanhã vou descobrir o que ele está tramando.
    Passei a noite rolando na cama, até que Sasha me expulsou do quarto. Desci para tomar um leite gelado. Minha cabeça era dominada por diversos pensamentos. O que aquele xerife de bosta estava tramando? Qual o interesse dele no meu anjo? Isso não poderia ficar assim. Olhei para o relógio e vi que eram cinco da manhã. Ele deveria estar acordando, não perdi tempo e fui para meu carro. Vi que a porta de Andy estava aberta, talvez ele estivesse vendo a plantação, sempre acordou cedo aquele rapaz.
    Dirigi rápido, como um garoto inconsequente. Em minha pressa esqueci de trocar o pijama. Isso não importava, Franklin iria ouvir poucas e boas de mim. Consegui chegar em sua casa antes que saísse para a delegacia.
    - Bom dia, George. O que lhe traz tão cedo aqui?
    - Precisamos conversar, Franklin! Eu quero sab....
    - Sim, precisamos. – ele disse com firmeza - E tenho um assunto muito sério para tratar com você. Ia te chamar na delegacia um pouco mais tarde. Já que está aqui, por favor, me acompanhe, tenho cópia de tudo aqui em casa.
    Ele me levou até um quarto com diversos recortes de jornais, fotos e desenhos. Três fotos em particular eu reconheci, foram em minha fazenda, todas eram de Andy. A que ele tirou em meu carro, uma arando a terra e outra entrando em minha casa.
    - O que é tudo isso Franklin?
    - Apenas veja que irá entender. Olhe esse recorte.
    A notícia dizia:
    “HERÓI SALVA FAMÍLIA DE INCÊNDIO.
    Segundo testemunhas, o homem entrou no imóvel sozinho e entre cinco e dez minutos depois saiu com toda a família e seu cachorro pela porta da frente.
    Andy Mitchell não concedeu entrevista e se esquivou de qualquer foto.”
    - O bombeiro chefe era meu amigo, disse que não entendia como a família toda sobreviveu. Eles passaram tempo demais lá dentro, respirando fumaça e em um calor absurdo. Todos deveriam ter morrido, até a porra do cachorro escapou. Olhe essa foto, está em preto e branco, um pouco desfocada, mas.... é ele. E não parece ter envelhecido um único dia.
    O nome embaixo da foto dizia “Andy Mitchell” e o que mais me impressionou foi a data... era de 25 anos atrás. Isso só queria dizer que meu anjo operou outro milagre. Ele falou sobre outra família que não lembrava, talvez seja isso. E tentou se esquivar das fotos para não ser reconhecido, ele não quer publicidade.
    - George, ainda está comigo? Isso é importante.
    - Mas só mostra que ele é um herói.
    - Não. Olhe esse outro recorte.
    “FAMÍLIA RESGATADA DE INCÊNDIO É ESQUARTEJADA 4 MESES DEPOIS”
    - Eu era o investigador encarregado desse caso. Eu tinha certeza de que tinha sido esse tal herói, só que ele sumiu. Ninguém ouvia dele desde o incêndio. Acabei arrancando do pai da família, Brandon Brooks, que esse tal Andy morava com eles, em segredo. Isso foi uns três dias antes das mortes. Tá vendo esses recortes e casos na parede? Desconfio que todos têm a participação dele e não consegui provar ainda. Essa chacina da família Brooks é o único que conseguiram uma foto e um nome. Esse cara parece que sabe onde uma tragédia vai acontecer, ajuda as pessoas e depois mata quem salvou. E é por isso que estou patrulhando sua casa desde que o vi. Se a Sasha ainda não melhorou temos tempo, se bem que eu não faço ideia de como ele poderia ajudá-la. Mas também não faço ideia de como ele não envelheceu em tanto tempo.
    (ela está vivendo em tempo emprestado...)
    (ela está vivendo em tempo emprestado...)
    (ela está vivendo em tempo emprestado...)
    A frase martelava na minha cabeça. O mundo girou ao meu redor e senti que iria desmaiar. Não, não podia ser verdade. Não o anjo Andy que curou minha esposa.
    - Eu... Eu.... preciso sair daqui.
    - Você está bem George?
    - Sim, eu preciso ir para casa.
    - Tudo bem. Eu tenho alguns compromissos agora pela manhã. Tudo bem se eu passar na sua casa no final da tarde? Gostaria de ter uma palavrinha com esse Andy.
    - Tudo bem... eu só preciso ir...
    Não me lembro do caminho de volta, nem da velocidade que atingi, apenas sei que o motor gemeu o caminho inteiro.
    - Sasha! Amor! Você está ai? ANDY???
    (por favor, Deus, que ela esteja cuidando das galinhas)
    Entrei correndo na casa, não ouvi nenhum ruído e ninguém me respondia. Subi as escadas para o cômodo em que amei Sasha pela maior parte de minha vida e a porta estava fechada.
    - Sasha? – perguntei com a voz falhando
    Girei a maçaneta, temendo o que poderia encontrar. Abri a porta e o que vi, não imaginaria em meus piores pesadelos. O corpo desfigurado de Sasha jazia no chão. Onde as mãos salvadoras de Andy encostaram para lhe devolver a vida havia diversas perfurações com o líquido vermelho escorrendo. O sangue dela pintava as paredes do quarto, como uma obra impressionista pintada pelo próprio Satã, retratando a cena de horror que ali se passara, apenas poucos instantes antes de minha chegada. E o mais horripilante foi ver Andy, banhado em sangue, sentado na cama, com minha esposa a seus pés, a faca ensanguentada na mão e aquele sorriso de Andy no rosto.
    - Por favor, senhor George. Não se assuste. Eu pretendia limpar tudo antes que o Senhor chegasse. Eu lhe disse que ela viveria em tempo emprestado... Chegou o dia do pagamento. Uma vida salva vive de tempo emprestado... Ás vezes dura bastante, ás vezes não. Você aproveitou um bom tempo com sua esposa, eu deveria ter cobrado antes, mas gostei muito do senhor, sabia que iria sofrer no dia que o pagamento fosse devido.
    Eu ajoelhei no chão, incrédulo com o que via, com aquele anjo... Não, aquele demônio... Não pude pensar em nada, apenas na pergunta mais idiota que veio a mente...
    - Por que?
    - Entenda, Senhor George, o tempo emprestado dela acabou, eu apenas recolhi o que era justo....
    De alguma forma, aquilo parecia fazer sentido para ele, como se fosse a verdade absoluta e irrefutável. Talvez isso... não, o sorriso, com certeza foi o sorriso que me fez explodir. Arremessei-me em direção a Andy, como nos tempos em que brigava com a polícia em nossos protestos, contudo a idade não era mais a mesma. Não fui páreo para a juventude dele, pelo menos para a juventude que ele aparentava ter. Ele me dominou facilmente, me jogou contra a parede e encostou a faca na minha garganta, aquela faca ainda tinha o sangue da minha amada, que agora escorria em mim.
    - Acabei de salvar a sua vida, Senhor George – ele disse perdendo o sorriso do rosto – Eu não queria fazer isso, não com o senhor, mas você me obrigou e agora também está vivendo em tempo emprestado – ele disse jogando a faca para longe.
    Não lembro exatamente o que aconteceu, apenas que a raiva me dominou e pulei em cima dele com ambas as mãos apertando seu pescoço. Ele sorriu para mim, de novo. Isso apenas aumentou minha ira.... E continuou sorrindo daquele jeito encantador até a vida sumir de sua face.
    Naquele dia eu matei Andy com minhas próprias mãos. Queria enterrá-lo no porão. Depois pensei melhor, não queria aquele corpo perto de mim. O coloquei no porta-malas da caminhonete, enrolado no cobertor, que ele usou por tanto tempo em minha casa e joguei alguns tomates em cima para disfarçar.
    Depois de morar tantos anos em uma fazenda afastada, você sabe todos os lugares da região que seriam bons para esconder um corpo. Não que você pense nisso, só que na hora em que você precisa, esses lugares vêm à mente. Lembrei-me de uma vala que eu poderia colocá-lo, ela tinha algumas falhas, o exército costuma treinar explosivos por ali uns 10 anos antes. Ninguém passa por ali, seria preciso apenas jogá-lo no buraco e colocar um pouco de terra em cima. Seria temporário, depois de uma semana eu voltaria para achar um lugar melhor.
    Chegando em casa precisaria limpar o quarto e enterrar Sasha com dignidade. Ninguém poderia ver o corpo e todos acreditariam que ela morreu de câncer. No dia seguinte compraria um caixão e a enterraria no quintal. Faria uma lápide para ela, não era a melhor solução, era a única que tinha.
    Foi só então que lembrei de ver o quarto de Andy por seus pertences, vi algumas roupas que comprei para ele e sua pasta de couro. Quando a abri, não havia nada ali dentro, como se nunca tivesse sido usada. Queimei tudo e apreciei ver aquilo ardendo, imaginando que o corpo dele estaria ali. Talvez eu devesse ter queimado ele. Pensaria durante a semana qual opção seria melhor.
    No final da tarde Franklin apareceu. Eu disse que Andy fugira, talvez por ver a polícia rondando mais a área, também disse que Sasha estava piorando, não deveria viver muito tempo. Ele pediu para vê-la. Consegui chorar e pedi para que não entrasse na casa, ele acreditou e foi simpático comigo, deu-me um abraço. Foi a segunda vez que nos abraçamos, na primeira, quando descobrimos a doença de Sasha, foi algo rápido, com dois tapinhas nas costas. Este não, foi longo. Eu chorei, e de verdade, pela primeira vez com outro homem. Franklin me deu um celular velho, disse que se eu precisasse de qualquer coisa, a qualquer horário, poderia ligar e ele apareceria. Pedi para ele vir almoçar em uma semana. Já havia decidido enterrar Sasha antes dessa visita.
    Na semana seguinte, já havia arrumado a casa, limpado qualquer vestígio do que acontecera por ali e na caminhonete. Depois de uma pequena cerimonia solitária para enterrar Sasha, era hora de mudar de lugar o corpo daquele desgraçado. Eu passei quase um dia inteiro cavando uma cova em um lugar isolado, desisti da ideia de queima-lo, de certa forma me parecia um sacrilégio. E, pensando bem, no dia que encontrassem esse filho da puta, eu já teria morrido há muito tempo e Franklin me enterraria ao lado de minha esposa. Passei a semana inteira refletindo e decidi que contaria toda a verdade para ele em nosso almoço no dia seguinte. O que eu tinha a perder?
    Dirigi até onde larguei o corpo de Andy e joguei a faca que ele usou por ali, era a única evidência que poderia ser usada contra mim, só que estava bem limpa e era uma faca comum jogada em lugar nenhum. Não me preocupei com isso.
    Peguei minha pá e, embora cansado, consegui desenterrar o cobertor em poucos minutos. Quando o puxei para fora da vala, algo não batia. O cobertor estava leve demais. Meu coração parou por um instante e o choque percorreu meu corpo todo. Minha boca ficou seca e permaneci completamente imóvel. Tive medo, muito medo, então puxei o cobertor para ver que não havia nada ali. Nada de Andy, nada de corpo.
    Dei dois passos lentos para trás, meus olhos vidrados naquele pano grosso, cheio de terra e vazio. Corri para o carro e procurei o telefone, era hora de falar com o xerife. A porcaria ficou em casa. Liguei o Chevrolet e pisei fundo.
    Por Deus, será que alguém encontrou Andy e tirou o corpo de lá? Por que deixariam o cobertor enterrado? A terra não parecia remexida quando eu comecei a cavar. Será que eu errei o lugar e tudo foi uma incrível coinc....
    - Andy?
    Aquele sorriso... Ele me olhou com aquele sorriso... no fundo de meus olhos. Andava tranquilamente pela terra ao lado da estrada. Isso me perturbou profundamente e perdi o controle do carro. Encontrei um poste e nunca descobri se agradeço ou não pelo cinto de segurança.
    4
    Passei duas semanas no hospital, esse ossos velhos demoram para cicatrizar. Franklin me visitou quase todos os dias, ele se tornara um grande amigo por isso pedi desculpas por ter lhe escondido a história toda. Na primeira chance que tivemos sozinho eu lhe contei tudo, como Andy aparecera em nossa porta, com aquele sorriso encantador, como mesmo sem pedir ele nos convencera a abrigá-lo, como ele salvara a vida de Sasha, como ele a esquartejara e como eu o estrangulei com todas as minhas forças. Então, respirei fundo e lhe disse o motivo de meu acidente.
    Ele acreditou em tudo que lhe disse. Também me falou de um detetive particular com quem trabalhara certa vez, um tal de Sean Corbyn, que investigava alguns casos estranhos, Franklin acreditava que talvez pudesse ajudar. Eu disse que não. Queria apenas me recuperar e ir para casa. No mesmo dia o xerife verificou os locais que falei, até o corpo de Sasha. Olhou nos meus olhos e disse, com certo ressentimento, que se não me conhecesse diria que eu sou culpado de ter esquartejado a minha mulher. Eu queria espancá-lo quando disse isso, ele pediu desculpas, por ter escolhido as palavras erradas, mas que acreditava em tudo que eu falei e que iria me ajudar no que fosse preciso. Apenas agradeci e pedi para que fosse embora.
    Foi a primeira noite que Andy me visitou...
    Estava dopado de morfina, então minha memória não é muito clara, ou certa. Lembro das luzes apagadas, era tarde da madrugada. Ouvi passos caminhando em minha direção, o que eu ouvi em seguida foi mais horripilante.
    - Boa noite, senhor George. Não era assim que eu queria que aproveitasse seu tempo emprestado. Espero que me perdoe por causar seu acidente.
    - Enfermeiraaaaa!!! ENFERMEIRAAAA!!!! – gritei a plenos pulmões.
    A enfermeira de plantão apareceu correndo com uma médica. Nenhuma delas viu ninguém nem ouviu nada. Disseram que poderia ser algo da minha cabeça e fizeram diversos exames. Eu sabia que não era nada da minha cabeça, foi por isso que decidi ir embora do hospital assim que minhas dores melhoraram.
    Franklin era contra eu ir para casa tão cedo, talvez não acreditasse na visita de Andy. Mesmo assim, resolveu me visitar todos os dias. Andy também.
    Eu o via andando na rua em frente à minha casa, ás vezes ele apenas parava e observava. Eu ouvia sua voz nas paredes da casa. Pedi ao xerife um rifle emprestado. Ele foi contra, contudo cedeu algo menor, uma Smith Wesson 9mm que não saia de minha cintura. Um pente nela e outra em meu bolso.
    Quatro dias depois de sair do hospital, vi a porta do celeiro aberta e eu sempre tranco aquela porcaria depois de colocar a Bibi lá dentro. Eu tinha certeza de que era ele, Andy voltara para sua antiga cama e me aguardava. Peguei minha pistola e sai da casa, fui em direção ao celeiro. A escuridão lá dentro era intensa, mesmo com a fazenda banhada pelo luar. Ouvi movimentos e atirei. Cinco tiros no escuro, um mugido e uma queda ao solo. Bibi agonizava, por minha culpa.
    Liguei as luzes para revistar aquele lugar, sem sinal de Andy. Dei um último tiro de misericórdia em Bibi e estava cansado demais para qualquer coisa. Deixe-a deitada ali, sem vida. Ela não iria a lugar nenhum mesmo. Voltei para minha cama. Naquela noite sonhei com Andy batendo na janela, com aquele sorriso encantador, falando “senhor George”.
    Acordei tarde, perto do meio dia. Não tinha ânimo para sair da cama, então ali continuei até as duas da tarde. Quando levantei, vi o carro de Franklin na porta. Contei-lhe das visitas de Andy e como matei Bibi na madrugada. Ele se espantou:
    - George, não acha melhor me devolver a pistola?
    - Não Franklin. É minha única proteção.
    -Tudo bem. Por favor, tome cuidado. Agora me mostre o animal.
    - Eu a deixei lá no fundo. É por aqui.
    Seguimos nosso caminho até o celeiro. A porta estava trancada. Eu não lembro se a tranquei antes de ir dormir. De qualquer forma, desde que Sasha morreu, a chave sempre fica no meu bolso. Destranquei a porta e a abri. Foi quando ouvimos.
    - Muuuuuuu.
    - Essa é a Bibi, George?
    - Eu não entendo... Acho que sim...
    - Ela não me parece morta.
    - Eu a vi. Dei um tiro de misericórdia ainda. Andy.... ele trouxe ela de volta à vida! Só pode ser isso.
    - George... Não há nem sangue aqui, não há nada.
    - Você não entende....Cada dia eu ouço a voz dele mais forte.... Ele fica andando por aqui, me observando.... Ele tirou minha mulher de mim e agora tira minha sanidade, mesmo depois de morto.
    - Você não quer ir ao hospital comigo? Podemos pedir para o médico ver se há algo errado com você. Eu realmente acredito em você, mas não temos nenhuma evidência, além de um cobertor sujo e sua mulher esfaqueada.
    - E você precisa de mais do que isso? Ou você acha que eu matei minha mulher? O amor da minha vida, que passei todos os meus anos idolatrando?
    - Por favor, George. Eu não disse isso. Tenha calma.
    - Saia da minha propriedade! E só volte aqui com uma porra de um mandato!
    Ele não teve coragem de pedir a arma de volta. Pediu desculpas e foi embora. Naquela tarde não vi nem ouvi Andy. O que foi um alívio. Também não fui no celeiro ver Bibi, aquele animal me assustava agora. Decidi ir à cidade para tentar espairecer. Minhas voltas me levaram até um mercado e uma garrafa de Jack Daniels. Eu nunca fui muito de beber, mas acho que não havia hora melhor para começar.
    Metade da garrafa se fora e eu estava de volta ao volante, em uma mão a Smith Wesson, na outra minha garrafa que transitava entre mão direita, meio das pernas e minha boca. Seguia em direção à fazenda amaldiçoada. Sim, era isso. A fazenda era amaldiçoada pelo espírito de um demônio, de uma vaca e do meu amor. Olhei para o lado e vi Andy sentado ao meu lado na caminhonete. Não pensei, usei meus dois pés no freio e dei três tiros. Consegui estourar minha garrafa, o vidro do carro e não faço ideia de onde foi parar o terceiro, a única coisa que sei é que não foi para a cabeça de Andy.
    Chegando a fazenda, vi um clarão atrás da casa. Eu já estava bem bêbado e meus movimentos eram difíceis, contudo consegui abrir o portão, só esqueci a caminhonete do lado de fora e entrei com a pistola na mão. Nos fundos da casa, vi aquele fogaréu. Eram minhas roupas queimando em um semicírculo e, no meio, estava Bibi, morta de novo. Quando me aproximei, vi encravado profundamente em sua pele “Vivendo em tempo emprestado”.
    Cai de joelhos e atirei algumas vezes sem direção alguma. Gritei
    - ANDYYYY!!!! ANDYYYY!!!!
    Não tive resposta. Não sentia minhas extremidades, não sabia se por medo ou pelo álcool. Ouvi o som das chamas, o que era reconfortante. Andy me trouxe para o inferno, é de onde ele veio, não?
    Olhei para frente, consegui focar meus olhos embriagados e Andy surgiu em meio ao fogo. Ele tinha sua pasta de couro na mão direita. Ele a abriu e de dentro tirou uma faca... com sangue... por Deus, será a mesma faca que matou Sasha? Será o Sangue de Sasha?
    Dei três tiros em sua direção, acertaram seu peito. Com a mão tremendo, levantei a mira e atirei mais três vezes. O primeiro atravessou seu olho, deixando um buraco aterrorizante, o segundo foi no meio da testa, de onde escorreu um fiapo de sangue, o terceiro lhe decepou a orelha direita. Nenhum fez com que ele parasse. Embora com o rosto disforme, ainda tinha aquele sorriso de Andy, mesmo ali era um sorriso bonito. Como eu odiava aquele sorriso.
    Foi quando senti sua mão gelada em volta de meu pescoço, apertando com força, uma força que aquele rapaz franzino não deveria ter.
    - Você.... deveria..... você deveria estar morto... Eu te matei e enterrei.... Por que, Andy?
    - Hoje é dia de pagar a vida emprestada Senhor George. Saiba que não tenho prazer nenhum em tirar sua vida.
    Seu sorriso sumiu. Ele olhou para baixo, viu minha pistola e deixou sua faca cair na grama. Uma pequena lágrima escorreu do olho que ainda tinha. Sua mão alcançou a minha. Por Deus, como ele é forte. Ergueu a pistola até minha têmpora direita. Então atirou.

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