person_outline



search

morte

  • Conto de matizes

    Certo dia voltando do trabalho, senti uma mão no meu ombro. A mão envolveu meu pescoço e disse: eu sou ele, ele, aquele que aparece em teus sonhos. Fiquei assustado, olhei, não tinha ninguém, exceto um sujeito de barba feita com as mãos no bolso e olhando para o chão. Pensei ‘’ não seria Daniel, o cara do bar? ’’, olhei novamente e não vi ninguém, exceto João, meu vizinho, contando as moedas do troco.

    Minha cabeça pesou e suspirei. A mão envolvia meu corpo e deslizava descaradamente, obscena, traçando um caminho oblíquo como numa dança de balé.
    Olhei em volta, não havia ninguém, exceto Carlos, que conheci numa festa na sexta passada.

    Meu coração acelera e eu imagino estar vivendo num mundo paralelo, ‘’mas que loucura’’, penso, mas aí me vem a lembrança de estar sozinho e que essas paredes do meu quarto cor de creme reproduzem esse prazer que eu já não sinto mais.
    Talvez um dia eu tenha magoado você, te assustado e você e suas mãos fugiram de mim, hoje eu já não lembro mais. Talvez sejam as mãos de outro homem, mas eu estremeço e é o mesmo toque. Essas paredes estão me enlouquecendo, agora eu as vejo borrifadas de vermelho. Isso é sangue? Não, eu vejo você caído, encostado nela, você manchou o mundo que eu conhecia e agora suas mãos frias estão tocando meu corpo.
  • Conversando Com O Silêncio

    Conversamos por horas, sem dizer apenas uma palavra.
    As pessoas estão muito ocupadas em suas vidas barulhentas para escutar o que o silêncio tem a dizer.
    Se tornaram adversários de um aliado valioso, o tempo.
    Em uma competição que não parece ter vencedores.
    Elas estão perdidas…
    Estão apenas tentando fazer algum sentido...
    Os fracos estão aí para justificar os fortes.
    Mas ainda há esperança, talvez, apenas talvez você possa ser um dos escolhidos.
    Um dos abençoados por Deus.
    O resto de nós apenas rezamos para que o amanhã seja melhor do que o ontem costumava ser.
    Enquanto isso o silêncio se mantém mudo.
    Apenas aguardando o seu momento, o momento de finalmente ser escutado.
  • Dama de Sangue

    Dama de sangue
    sua mestre não é uma boa pessoa
    Dama de sangue
    juraste-me a felicidade!

    Agora me trancas neste buraco
    e toma conta de minha alma
    como ainda te amo
    quando me fazes tanto sofres?

    Dama de sangue
    mentistes para mim
    disseste-me que me salvaria
    e poste-me nessa tumba

    Agora há 7 palmos da terra
    entendo o que me dizias
    quando me mataste
    sua mestre levou minha alma
    Mas você
    Dama de sangue
    estarás junto a mim eternamente
    Ligados pelo sangue da aclamada vitória
  • DAS MESMAS VEZES

    A voz abriu a janela com furor e pudor, como se não quisesse fazer barulho. Porém, com o impacto insano dos próprios gestos embaralhados, desconcertados e desengonçados fez-se o estrondo sem querer. Havia o intuito de perturbar, de estilhaçar e por fim de fazer não viver. A voz sugava a alma da moça deitada na cama, quase que desfalecida. A voz que não se importava com a tortura agoniante dos ossos que se contorciam rapidamente em uma expulsão do próprio espírito. A voz que não era dos cabelos negros que estavam embalando o travesseiro em um abraço meio "graceiro", benéfico. A voz acariciou o pescoço nu da jovem imóvel. Fez-se um calafrio. Em um estupefato movimento do vento insone, a vocalização perdia-se no deserto frio da alma. A moça pestanejou, fez rangir os dentes, ignorou o grito de socorro estridente. Acordou, já era manhã. E, logo que se ergueu pela janela para contemplar o sol escaldante, a vista foi atingida com a dor do morto que a olhava com pupilas saltitantes. "O grito era dele!", exclamou. Agora não era mais. 
  • Desde a primeira vez

    Desde a primeiro vez em que te vi, eu sabia que você tinha algo especial guardado;
    Desde a primeiro vez em que te vi, eu senti uma forte atração por você;
    Desde a primeira vez em que nós conversamos, eu já sabia onde isso tudo iria parar;
    Desde a primeira vez que nos beijamos, eu já sentia que as borboletas iriam acordar;
    Desde a primeira vez em que transamos, eu já sabia que era você a pessoa certa;
    Desde a primeira vez que falamos o que sentiamos, eu me senti nas estrelas;
    Desde a primeira vez em que eu soltei um "eu te amo", me senti completa;
    Desde a primeira vez em que fiquei com ciúmes, eu estava ficado louca;
    Desde a primeira vez em que te vi na cama com outra, eu  já sai do meu mundo de fantasias;
    Desde a primeira vez em que você me deu um tapa, eu já não era mais a mesma;
    Desde a primeira vez em que nós brigamos, eu me sentia pertubarda;
    Desde a primeira vez em que você se desculpou, eu perdoei;
    Assim pensei que os primeiros versos rertonariam, mas me enganei.
    Pois desde a quarta vez que você me espancou, eu fiquei com os hematomas marcados na pele;
    Desde a quinta vez que você me forçou a fazer sexo com você, eu me sentia cada dia mais suja;
    Desde a sexta, sétima oitava vez em que você abusava de mim de todas as formas possíveis, eu desejava a morte, ela me parecia mais atraente do que você agora.
    Mesmo que eu falasse, gritasse, berrasse pela primeira vez pedindo socorro, ninguém me ouvia.
    Mesmo que eu tentasse sair, eu não conseguia, afinal, a culpa foi minha por não ter sido uma namorada melhor.
    Desde a primeira vez em que tentei esconder os machucados, eu estava me conformando.
    Desde a primeira vez em que fingir não ver aquela mensagem provocativa de outra mulher, eu estava me pondo no lugar.
    Desde a primeira vez em que eu tentei ignorar seus xingantos, eu estava me tornando uma mulher melhor para sociedade.
    Desde a primeira vez em que você pegou a faca pra mim, eu já não resistia;
    Desde o primeiro corte, nada me parecia melhor do que a morte;
    Desde que me senti agonizada no chão, senti que agora me livraria de tudo me matava lentamente a cada dia;
    Desde que me colocaram no caixão, agora eu poderia dormi em paz, sem medo do que você poderia fazer comigo enquanto eu dormia;
    Desde que tamparam o caixão, eu estava na melhor.
    Desdes que me jogaram na cova, eu não iria mais está acordada pra sofrer seus abusos;
    E essa foi a primeira vez em que me senti livre desde as outras primeiras vezes.
  • Deveria ter te falado

    Oi venho-te falar que tenho uma doença terminal não tenho muito tempo de vida, na verdade os médicos me falaram que tinha três meses de vida no máximo hoje esta quase no final desses três meses, não me brigue por não ter contado é que odiaria ver você perdendo tempo da sua vida se preocupando com alguém que já esta morta, e ver seu olhar de dó pra min não ia suportar isso acho melhor tomar um tiro, mas me desculpe por não ter contado antes, acho que sou idiota por não ter contado pode xingar me odeia  seria melhor, só de imaginar  você chorando me parte aquele meu coração que lava endurecida, mas se não chorar me arranca um sorriso. Sabe todo dai queria te contar, mas não consegui, por favor, entenda eu já estou morto não queria ser só um incomodo ver falsa esperança, não muito obrigado, mas não  quero. Você não tem ideia como não queria entrar em sua vida para partir tão breve, pensei todo dia de sumir com uma brisa que bate no rosto e se vai rápida mente não conseguia sempre queria aproveitar um pouco mais já que era meu fim queria acabar com lembranças boas mesmo que fosse só uma conversa boba ou um inteligente. Agora me despeço ADEUS vou sentir sua falta.
  • Dia 22 de Março

    Querida mãe,
      Como eu te conheço bem você está tomando café da manhã agora,provavelmente só irá perceber que está carta está aqui quando for colocar a caneca na pia.Quando ler esta carta inteira estará chorando,com a mão no peito e ajoelhada no chão frio da cozinha.Você sabe que eu acordo mais cedo e vou para a escola,só que hoje eu não vou estar lá.Eu amo a senhora mais que tudo.Não quero que pense que odeio a vida,quando eu estiver lá em cima estarei olhando o rio,sentindo a brisa,totalmente tranquilo,como eu sempre quis.Como eu me conheço bem,provavelmente estará escorrendo uma lágrima no meu rosto,mas ainda assim estarei sorrindo.Hoje é 22 de março,você estará lendo esta carta amanhã,quando eu não estiver mais aí.Não quero que pense o que poderia ser feito para me salvar,mas sei que ainda assim você pensará.Você terminará de ler esta carta e,provavelmente,meu pai estará tomando banho para ir trabalhar.Tantas coisas não ditas,e as coisas que foram ditas foram tão erradas,de qualquer forma,não há tempo para arrependimentos.Você irá passar por um trauma e sentirá minha falta.Acho que pior de tudo é ter tanta gente te amando e esperando tanta coisa de você,mas você não sabe dar o que elas esperam.Quando fazerem uma busca pelo meu corpo quero ser cremado e jogado no rio,onde eu pulei.Esta parte é para o papai agora.Não deixe que minha mãe veja meu corpo,com certeza já estarei roxo e todo estranho.Mas deixarei você se despedir de mim, apenas você.Porque quero que olhe para mim e peça desculpas,do mesmo modo que espero que aceite minhas desculpas agora.Desculpa por não ser o que você esperava,é normal ter expectativas frustadas,espero que algum dia se acostume com o fato de ter um filho fracassado.Amo vocês dois.Não digo nada as outras pessoas porque essa é a parte dramática da minha história.De quem foi a última palavra,quem me deu o empurrãozinho final para meu suicidio?De poucas em poucas frases eu cheguei a esse ponto.
      Amo vocês de fato...
  • Dia 23 de Março

    Se ao menos alguém abrisse a porta do quarto dele de madrugada e visse seu corpo se contorcendo na cama,dolorido e cansado de chorar,talvez ele não tivesse pulado lá de cima,talvez ainda estivesse aqui...
  • Doces Sonhos Temperados de Pimenta

    Enquanto me debato na cama,meus sonhos parecem tomar vida;
    Pesadelos que se tornam realidade;
    Medos que se mostram reais;
    Me provocam,para mostrar que podem se tornar reais quando quiserem; 
    Então me forço a acordar,me forço a abrir os olhos;
    Minha respiração desregular,mortes;
    Morte por todo meu pesadelo;
    Meus olhos se enchem de lágrimas;
    Pesadelos me forçam a ver meu pior medo;
    Mortes;
    Então pisco rapidamente,okay,sei a terrivel sensação de viver com a morte em mente.
  • Dor da Manhã

    Hoje acordei
    Uma tristeza imensa me invadia, doía
    Tudo em mim doía
    Triste essa minha vida vazia

    Um futuro sem paz e sem nexo
    Ao pensar no ontem, também sofria
    Que vida essa que tenho?
    Da onde vem tamanha agonia? Não sei...

    Só sei que esta melancolia...
    De um jeito avassalador me afligia
    Novamente minha alma, meu corpo e minha mente padecia. 

    Mil demônios me assistia
    Cada um deles me matava dia após dia...
    Em algum momento eu morria.
  • E então, brasileiros?

    Ontem, às três horas da tarde 

    já era noite em são paulo,

    pessoas olhavam para o céu:

    o apocalipse está chegando.

     

    A Amazônia pega fogo há 16 dias,

    animais morrem há 16 dias,

    plantas queimam há 16 dias

    e há 16 dias ninguém sabia disso.

     

    Hoje, às seis horas da manhã 

    um ônibus foi sequestrado no rio,

    o criminoso tinha uma arma de brinquedo,

    seu sangue escorria e a “vida era celebrada”.

     

    A internet está revoltada,

    os stories estão indignados,

    os posts estão chocados,

    e vc, brasileiro? como se sente? 

  • Ele

    Ele cansou. Está exausto de correr atrás do presente. Cansou do cheiro de coisas novas e preferiu usar o tato para encontrar conforto. Ele engoliu litros e mais litros de gritos acorrentados que hoje pesam dentro de seu estômago. Ele está tentando evitar essa ânsia que bate em sua porta todos os dias. Ele sobe as escadas até o vigésimo andar só pra olhar pela janela e assistir o presente visto de cima. Ele caiu na inércia. Entrou em piloto automático. Ele adotou o padrão e expulsou os devaneios da sua própria boca. Ele quebrou os próprios dedos pra não conseguir escrever sobre o peso dos gritos que arranham suas pregas vocais. Ele ficou diante de todos os caminhos e vendou os olhos para entrar no mais dolorido. Ele não está aqui. Ele está no seu próprio mundinho pedindo socorro por dentro e forçando um sorriso por fora. Ele pediu ajuda aos remédios e se viu com um punhado de fragmentos da própria morte em suas mãos. Pensou em por pra dentro também. Mas os gritos ocuparam todo o espaço. Cheio. Transbordando. Fechado.
  • Elleanor - conto/ficção

    elleanor02
    natal
    A traição será Vingada!

    ano:2019
    gênero: Fantasia / ebook
    autor: Marcos dos Santos
  • Entre Lobos - (conto-romance) 2/9

    principal
    NÃO SE SINTA PERDIDO(A) Leia o capítulo anterior! Tenha uma ótima leitura!

    28 de setembro 1939

                John estava dormindo quando acordou com o barulho da velha motocicleta de Derek estacionando em frente a sua casa. Nem se deu ao trabalho de saber que horas eram, de qualquer forma tinha a completa certeza de que era cedo de mais para estar despertando. Sonolento, sentou sobre a borda da cama por um breve tempo e depois deixou o quarto sem calçar seus chinelos. Ligou as luzes da cozinha e serviu uma doze de whisky que tomou em apenas um gole. Serviu-se novamente. A porta de entrada foi aberta.

    — Mas que droga é essa gora, Dek? – com sua voz rouca, soltou antes mesmo que seu filho pudesse dizer qualquer coisa. — O que deu em você?!

    — Não foi nada de mais! – o outro respondeu em seguida.

    — Nada de mais? – riu-se. — Olha só pra essa tua cara! Um belo estrago, não?! – reparou ainda.

    — Garanto que a do outro não ficou tão linda assim! – defendeu-se indo em direção ao velho sofá onde deixou que seu corpo caísse depois de por seu capacete em um canto qualquer ali perto.

    Ficaram em silêncio por alguns segundos até começarem a rir juntos da situação.

    — Tome. – John estendeu o copo. — Quem sabe isso ajude a amortecer a situação. – pausa. — Hansly? – então soltou tentando identificar quem fora o oponente daquele embate.

    — O filho da mãe sempre cruza o meu caminho. – Derek respondeu confirmando.

    — Vocês têm de resolver isso de uma vez! – o homem sugeriu. — Não podem ficar se atracando toda vez que se encontram. Não são mais moleques, droga! – ainda acrescentou.

    — Dessa vez não provoquei nada. Mark está de prova – defendeu-se. — Só o que fiz foi revidar. – explicou antes de tirar um gole da bebida.

    — Mark. – o homem soltou descredibilizando o valor da testemunha. — Tanto pior. – acrescentou. — Só espero que esteja em pé amanhã pra podermos trabalhar. – comentou afastando-se. — Tony Mayer anda impaciente com a entrega da caminhonete. Precisamos entrega-la de uma vez. – John comentou.

    — O senhor pode ficar tranquilo. – Derek tentando despreocupar seu pai. — Estarei lá! – respeitoso, completou vendo John sumir no corredor.

    Derek trabalhava na oficina mecânica de seu pai, por conta disso, tinha conhecimento o suficiente para dar cabo de alguns trabalhos. No tempo em que estava de folga, mexia em sua motocicleta e até fazia alguns ajustes na moto de Mark, seu grande companheiro de noitadas. John e ele estavam finalizando alguns reparos na caminhonete de um cliente quando o rapaz apareceu.

    — Vai, Dek. – John avisou concentrado no motor a sua frente. Seu filho deu a partida e tudo pareceu estar em ordem, finalmente. — Ok! Está bem, pode desligar! – ergueu a mão. Desceu o capô. — Esse deu trabalho! – comentou dando duas batidas sobre a lataria do veículo. — Finalizamos por hoje. – satisfeito.

    — Quando Mayer vem pegá-lo? – Derek perguntou.

    — Bem... – limpava-se em um pano que parecia ainda mais sujo que as suas próprias mãos. — Eu poderia muito bem ligar, mas quero que você faça esse favor pra mim.

    Mark aproximou-se.

    — Já que a sua namorada chegou – provocou os dois. — Vá até a casa dele e peça pra que venha dar uma olhada nessa situação.

    — Claro! Mas preciso de um dinheiro. – falou sem rodeios. — Estou sem cigarros e...

    — Você é um grande mercenário é isso que você é. – jogou o pano sugo contra seu filho antes de ir até um balcão onde abriu uma gaveta e retirar uma pequena quantia em dinheiro. — Mas olha – Derek aproximou-se. — Vê se não vai se meter em confusão novamente... Um olho roxo já lhe basta. – debochou.

    Derek apenas assentiu com o semblante devolvendo o trapo sujo e enfiando o que recebera no bolso da calça suja. Saíram os dois em direção a saída do galpão.

    — A propósito!  – Mark já passos distante virou-se para o senhor. — Eu sou o homem da relação. – referiu-se a brincadeira feita anteriormente pelo senhor.

    — Caiam fora daqui! – John respondeu achando graça.

    Depois de passarem na casa de Tony, Mark e Derek foram para um local conhecido onde costumavam tomar cerveja e ficar jogando conversa fora. Derek comprou uma cerveja e um maço de cigarros enquanto ouvia o deboche do amigo sobre o estado que ficara sua cara depois da noite passada.

    — Ora, vê se cala essa boca! – Derek — Sabe muito bem que fui eu quem se saiu bem nessa. – tomou um gole no bico da garrafa. — Mas que droga de amigo você, hein!

    — Fato, é fato! – o outro de mãos estendidas. — E ele está bem estampado na sua cara. – completou a provocação.

    — Ei! – chamou a atenção do rapaz atrás do balcão. — Dê mais volume! – pediu apontando para o rádio. — Qualquer coisa é melhor do que ouvir essa tua voz! – voltou-se novamente para Mark.

     Então, aos poucos dentro doe estabelecimento as vozes foram se calando e por fim, todos puderam ouvir sobre o ataque massivo que havia sido feito sobre a Polônia. Tanto a Alemanha quando a União Soviética haviam investido forças para tomar o país. Finalmente, Varsóvia, capital da Polônia, havia se rendido ainda no dia anterior.

    — Dane-se essa droga! – um grandalhão soltou atravessando o bar depois de acabar com sua bebida.

    Grande parte dos que estavam por lá o miraram.

    — Essa DROGA! – Mark falou chamando a atenção do rapaz que passou ás suas costas. — Pode muito bem vir a acontecer aqui! Na nossa casa.

    — Dane-se o que você acha também sobre isso! – o rapaz respondeu apontando o dedo em direção a Mark que de imediato pôs-se em pé.

    — Ei! – Derek tocou-lhe o ombro mostrando que não valia apena criar caso.

    — Isso mesmo! – o rapaz continuou. — Escute o teu amigo ou vai acabar ficando com o rosto igual ao dele! – advertiu.

    — Seu filho da mãe! – Mark então perdeu a paciência.

    Os dois embolaram-se entre socos e empurrões, Mark obviamente não daria conta do grandalhão sozinho e até mesmo o dono do estabelecimento pediu para que Derek intervisse naquele embate que, possível e provavelmente lhe daria algum prejuízo. Antes de obrigar-se a dar apoio ao amigo, Derek tomou o restante de sua bebida e no mesmo instante em que pôs-se ereto viu Mark ser projetado para fora do bar como se fosse um mero saco de lixo sobre a calçada. Indo de encontro ao rapaz, deu lhe um murro no estômago que a princípio não mostrou qualquer efeito e o soco no rosto pareceu apenas deixa o outro ainda mais irritado. No lado de fora, enquanto se recuperava, Mark era acudido por duas belas moças.

    — Mas que filho da... – Derek vendo em que se metera afinal de contas.

    — Vamos terminar logo com isso! – o outro a sua frente disse armando-se para uma nova investida.

    CONFIRA também - Meu querido Manequim
                                 Humanos
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

    principal
    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 1/9

    principal
    Estados Unidos 8/12/1941

    “...Peço que o Congresso declare que, em vista do ataque ardiloso e não provocado do Japão no domingo, 7 de dezembro, um estado de guerra passa a existir entre os Estados Unidos e o Japão”
    Franklin Roosevelt


    Minnesota, condado de Todd, final de tarde. Dias após o ataque a frota naval americana.

         Escorado sobre a mesa da cozinha, John tentava estabilizar a frequência da radio. A todo instante era transmitido notícias sobre a guerra que partira da Alemanha nazista sobre a Europa. Agora, com a participação do seu país na batalha após o ataque em Pearl Harbor, todo jovem americano era bem vindo ao exército e isso o deixava tenso, pois, Derek era seu único filho e possivelmente iria acabar envolvido àquela causa. Sua concentração era tamanha sobre os noticiários que se quer havia reparado que o próprio chegara e de fato só deu-se conta disso depois que seu filho largara um envelope a sua frente.

          — O que é isso? – perguntou sem tocar na correspondência.
          — Aqueles desgraçados vão pagar caro pelo o que fizeram! – Derek respondeu com precisão. — Vou me juntar ao exército! – declarou.

          O homem escorou-se na guarda da cadeira e tomou fôlego. Desfez-se do ar e levantou sem dizer uma única palavra deixando que a transmissão da rádio encontrasse seu próprio jeito de se consolidar. Foi até o armário e retirou um cigarro da carteira e em seguida escorou-se à porta de saída. Acendeu o fumo e tragou a fumaça profundamente antes de começar a falar.

          — Só espero que não esteja fazendo isso por causa daquela def...
          — Deixe Katy fora disso! – Derek interferiu-se. — Isso nada tem a ver com ela. – esclareceu. — E agradeceria se o senhor não a chamasse dessa forma novamente. A caso tem simpatia pelos ideias daquele tal Führer? – finalizou em um tom mais sério.
          — Não diga bobagens, rapaz! – o senhor firme contra aquela injúria. — Mas está bem! Faça como quiser. Não vai mais me ouvir dar um “pio” sobre essa garota, mas saiba que está criando a ti mesmo um grande problema! – deu outra tragada no cigarro.

          Derek não soube ao certo se seu pai se referia a sua entrada ao exército ou ao seu relacionamento instável com Katherine. Em meio aquele breve silêncio em que se encontravam, ouviram a chegada de um visitante. O rapaz deixou sua motocicleta junto a de Derek e foi de encontro a ambos, agora, parados em frene a  entrada da casa.

          — Sr. John! – o rapaz o cumprimentou respeitosamente antes de falar com Derek.
          — Olá, Mark! – o homem respondeu. — E as novidades, rapaz?
          — Bem... – mirou Derek. — O senhor já deve estar sabendo da nossa... Inclusão! – orgulhoso, referiu-se ao alistamento militar.
         — Claro que sim! – demonstrando não estar surpreso em saber que os dois estariam juntos também naquela empreitada, John respondeu com um pigarro rouco. — Afinal de contas, onde um estaria se não estivesse o outro? – riu-se com certo deboche.
          Mark apenas respondeu com um sorriso na face.

          — Precisamos conversar! – Mark dirigiu-se ao amigo logo à sua frente.

         Percebendo que seria um assunto que não lhe dizia respeito, John deixou que os dois rapazes ficassem a sós. Depois de trocarem algumas poucas palavras Mark deixou clara a razão de ter vindo. De dentro de sua jaqueta, retirou uma folha de papel dobrada e entregou ao outro. Era de Katherine, escrita por sua irmã Mary.

          — Ela está preocupada, Dek! – Mark comentou. — Acha que a ideia de termos entrado no exército foi meio... impulsiva. – descontraiu.

          A mensagem falava sobre a repulsa de Katherine sobre o alistamento de ambos e do quanto ela tronara-se mais reclusa após o término do relacionamento com Derek. Informalmente, pedia ainda para que ele viesse vê-la, deixando claro que os pais dela agora mostravam-se mais receptivos quando a presença dele.

          — Como ela está? – Derek pediu sobre Katy.
          — Até onde sei, mal tem deixado o próprio quarto... – breve pausa. — Pra uma pessoa que adorava fazer passeios isso deve significar alguma coisa, não?
          — Nada disso precisava ter acontecido. – Derek soltou. — Sabe que não foi por minha causa que...
          — Não os tenha mal. – Mark o interrompeu. — Meus tios sempre foram muito cautelosos a tudo o que envolvesse Katy... Só pensam na segurança dela.

         Ficaram em silêncio por alguns segundos.
         — Então, você não vêm? – perguntou.

         Derek o fitou condenando a possível chance de o amigo ter lido sua correspondência.

         — Não, não! – Mark logo se defendeu ao perceber a reação do outro. — Elas só me fizeram prometer que te convenceria ou te levaria amarado até lá. – brincou pondo novamente o capacete.

          Ainda que aquele convite lhe parecesse, num primeiro instante, estranho, Derek sabia que era preciso aceita-lo já que lhe restava pouco tempo na cidade e a verdade é que pouco importava se os pais de Katy, por causa da atual situação da filha, apenas iriam tolera-lo. Ele ainda a amava e nada sabia do que estava por vir assim de partisse para longe dela.

          — Vou dar uma saída! – esquivando parte de seu corpo para dentro da casa avisou seu pai que respondeu erguendo seu copo munido de whisky enquanto ainda fumava e fuçava na transmissão da rádio.

    Confira o capítulo seguinte! 
  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

    principal
    Não sinta-se perdido LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!

          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 4/9

    principal
    Não se sinta perdido. LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ÓTIMA leitura!

    Naquela manhã de sábado Mark ligara para Derek pedindo para que o amigo viesse dar uma olhada na sua Formosa, apelido carinhoso que dera a sua motocicleta. Ainda perto do meio dia, ele apareceu por lá. Mark já o esperava disposto a dar cabo de tudo sozinho.

    — Ela não liga, Dek. – adiantou o problema. — Não está dando partida. – explicou ainda.
    — Vamos ver. – o outro disse depois de aproximar-se e cumprimentar o amigo que se mostrava preocupado com a situação.

    Já haviam se passado alguns minutos desde que Derek procurara desvendar o problema quando um automóvel escuro estacionou sobre o gramado em frente a casa. Sem dar atenção, ele continuou fixo no que estava fazendo, diferente de Mark que ao perceber quem chegara lgo  foi recepciona-los.

    — Mãe! – disse indo em direção ao carro. — Eles chegaram. – avisou.
    — Mark! – um senhor falou depois de desembarcar Do vveículo. 
    — Tio. – cumprimentou o homem com aperto de mão e um abraço.
     
    Em seguida uma mulher desembarcou acompanhada de suas duas filhas.

    — Ajude sua tia, sim. – sugeriu ao sobrinho. — Trouxemos algo para o almoço.
    Mark contornou o veículo e deu auxílio a Dna. May.

    — Deixe que eu levou tia. – adiantou-se pegando uma bandeja larga. — Olá Mary... Katy. – cumprimentou suas primas também.

    Então, Derek, voltou-se para trás e viu Katherine deixar o veículo. Mark, acompanhado pelos demais veio em direção a residência.

    — O que houve? – o homem parou por um segundo ao ver o que estava acontecendo.
    — Minha princesa não está bem. – Mark respondeu pelo amigo. — E esse é meu anjo da guarda – referiu-se ao amigo agachado — Dek esse é meu tio Alan e tio Alan esse é Dek. – os apresentou.
    — Me desculpe, senhor. – Derek pôs-se em pé. — Eu o cumprimentaria, mas... – estendeu as mãos mostrando o quanto estavam sujas.

    O rapaz não soube se seria muito educado cumprimentar o senhor daquela forma. Deixou de ter dúvidas quando percebeu que o homem lhe estendera a mão. “É o melhor.” Ouviu Mark falar logo ao lado do senhor.

    — Deixe disso, rapaz. – o homem disse. — Mãos como essas representam o progresso.

    A poucos passos as costas dos dois cruzou Katherine que o fitou discretamente. Mary o ignorou completamente assim como Dna. May. Na entrada da casa surgiu Sofya, mãe de Mark, uma mulher simpática e sorridente que agora as esperava calorosamente. Mark, juntamente com seu tio, seguiu para dentro de casa.

    — Já volto, Dek. – avisou e a verdade é que realmente não levou muito tempo até que estivesse de volta. — E então... como está indo? – pediu com certa preocupação.

     Sem responder, Derek prendeu novamente a mangueira a uma pequena saída do motor e pediu para que o outro tentasse dar partida novamente. Como por um milagre, a motocicleta respondeu imediatamente.

    — Eu sabia! – Mark contente. — Você daria um jeito, Dek!
    — Coisa simples...
    — Bem... Como minhas economias andam...escassas. – agora o outro explicava-se. — Não tenho como te pagar, mas – desligou a moto. — O que acha de almoçar com nós.
    — Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu. — Me parece uma reunião íntima. – referiu-se ao encontro dele com os familiares.
    — Não, não! Deixa disso! – o convidou com um movimento de mão. — Meu tio provavelmente te interrogue, mas é uma boa pessoa. Pelo visto ele gostou de você.
    — E isso é bom?
    – Depende do quanto você corresponda as expectativas dele. – riu-se.

    Percebendo que não existiria uma maneira de impedir que aquele convite se desfizesse seguiu o amigo para dentro da residência.

    Derek sentiu-se um pouco acuado sentado à mesa. Diferente dos demais, ele usava uma vestimenta mais informal. Até mesmo Mark que entre todos era o que mais se assemelhava a ele, estava ou lhe pareceu aquele momento, especialmente bem alinhado.

    — E então... Derek. – o senhor dirigiu-se a ele. — Tem dom para concerto?

    Mark, então, o fitou como se lhe dissesse “Falei que isso podia acontecer”.

    — Bem... Trabalho na oficina de meu pai. – explicou objetivamente. — Ajudo a...resolver algumas coisas.
    — E vejo que se sai muito bem, não. – referiu-se a moto do sobrinho.
    — Obrig...
    — Ainda que se evolva em problemas nas horas vagas. – Mary soltou num sussurro, mas que claramente pode ser ouvido por todos.
    Mark posicionou-se.
    — Aquele dia foi apenas um... Equívoco.
    — Chame como quiser, Mark. – Mary. — A meus olhos vocês não passavam de dois baderneiros.

    Então, estalou-se um certo desconforto a mesa. Derek arrependeu-se no mesmo instante em ter aceitado aquele convite. Não tinha sido o suficiente ter passado a impressão errada na primeira vez, ainda teria que ser exposto ante a família inteira de Katherine, que tanto quanto a última vez, mantinha-se calada. Tanto ele quanto Mark foram envolvidos pelas desaprovações de todos.

    — Mas Dek não teve culpa. – Mark esclareceu. — Tudo o que fez foi ajudar.
    — Uma confusão sempre será uma confusão! – o homem colocou fitando os dois. — E não tolero baderneiros, Mark! São um atraso. E em respeito a memória do grande homem que foi teu pai, não vou tolerar ou permitir que você se torne um. – completou apoiado por sua irmã Sofya.
    — Obrigado, Mary. – então Mark dirigiu a prima. — Finalmente estou conseguindo ser visto como um delinquente. – debochou ao mesmo tempo em que abocanhava um pedaço de carne.

    Ela apenas ergueu as sobrancelhas lembrando algo do tipo “Não há de que”.
  • Entre Lobos (conto-romance) 5/9

    principal
    (POSTAGEM TODO INÍCIO DE MÊS) Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! TENHA UMA ÓTIMA LEITURA!


    — Que almoço, hein? – Mark na varanda riu-se com o amigo depois.

    Sem dizer nada Derek apenas calçou um cigarro entre os lábios. Apalpou os próprios bolsos, mas não achou seu isqueiro.

    — Tome. – o outro alcançou o seu depois de acender o próprio fumo. — Não ligue... Eles são assim mesmo. Conservadores.

    — Claro! – disse depois de soltar a fumaça do pulmão. — Mas então acho que já está tudo resolvido por aqui. – fitou a motocicleta do amigo. — Já é hora de eu ir.

    Assim que disse isso, viu atravessarem a porta de saída Mary e Katherine acompanhada logo atrás por seu pai e as duas mulheres.

    — Mas nos deixe na cidade, papai. – Mary. — Eu e Katy queremos conhecer o parque que chegou essa semana. – comentou.

    — Está bem. – o senhor respondeu. — E o que acha de fazer companhia a elas Mark? Seria de bom tom se agisse como um cavalheiro algumas vezes.

    — Não é necessá... – Mary

    — Claro! – Mark respondeu de imediato. — Assim aproveito pra testar a Formosa. – respondeu com semblante sorridente.

    — Mas pai... – Mary ainda não aprovando aquela ideia.

    — Sabe que não gosto que andem sozinhas, ainda mais em lugar tumultuados como esses. – o homem deixou claro. — Mark lhes fará companhia, sim. – completou aproximando-se de Katy e lhe acariciando o rosto. Seguiu em frente depois de despedirem-se de Sofya. Minutos depois o veículo deu partida e sumiu.

    — Mas e vocês? – A mãe de Mark perguntou sem entender o porquê de os dois ainda estarem por lá. — Já não deveriam ter ido encontrá-las? – completou voltando para dentro de casa.

    — Sim! Claro! – Mark de súbito. — O que acha Dek? – disse apoiando a ideia de tê-lo como companhia.

    — Bem... – Derek deu mais algumas tragadas no fumo e antes que pudesse dizer qualquer coisa o outro antecipou-se comentando.

    — Talvez tenhamos que aturar o humor inflexível de Mary. – brincou. — Mas pense nas lindas mulheres que por lá estarão. – deu um tapinha no ombro do amigo.

    Derek sorriu vendo a perspicácia do amigo.

    — Por isso você aceitou a sugestão do teu tio, não foi? – falou dano uma última puxada na fumaça e jogando fora o cigarro pela metade.

    — Tudo na vida tem um preço. – respondeu pondo seu capacete. — E nesse caso, vejo como uma... Troca de favores. – breve pausa. — As mantemos seguras enquanto bebemos e admiramos a paisagem. Perfeito, não? – concluiu antes de dar partida na motocicleta. Pegaram a estrada.

    O lugar realmente estava movimentado, mas não levaram muito tempo até que conseguissem encontra-las em meio aquela multidão. Derek aproximou-se com o amigo e parou próximo a Katherine que evitava o encontro de seus olhos.

    — Nós vamos caminhar. Deve ter muita coisa interessante por aqui. – avisou o primo. — E você – o mirou séria. — Conseguiria não criar problemas? – soltou antes de afastar-se com Katy.

    — Fique tranquila. – começou com um tom debochado. — Farei o máximo pra que não me diminua no próximo almoço. – então, embrenhou-se com Derek no movimento.

    — Ok! – Mark soltou em algum momento mais tarde já sentindo-se incomodado. — Preciso de uma cerveja e não acho que vou encontrar isso por aqui. – ainda mirando ao redor. Avistou suas primas em frente a uma barraca. Foram até elas. — Como estão se saindo?

    — Muito bem. – Mary respondeu. — Vamos só comprar um refresco. Logo papai vem nos buscar.

    — Acho que vou me contentar com isso. – ele sussurrou dando-se por vencido referinod-se a bebida.

    Assim que um pequeno grupo deixou o lugar depois de fazerem suas compras Mary adiantou-se acompanhada deMark. Katherine mirava a imensa roda gigante que estava a alguns metros longe de onde estavam, vendo sua atenção sobre a atração, Derek usou-a como um meio para em fim aproximar-se dela.

    — Imensa, não? – disse parando logo ao lado. Katy o fitou com o semblante liso e não disse nada. — Quer ir até lá? – perguntou.

    Katherine, pensou por um segundo e sorriu demonstrando ter deduzido o que ele lhe dissera.

    — Conhecer? – respondeu com a voz fraca. — Ela? – indicou com a face.

    — Sim! – ele disse. — Gostaria? – mostrou o caminho com um gesto simples.

    Katherine o observou e respondeu afirmativamente com a cabeça, mas sem pronunciar uma única palavra.

    — O que acha que está fazendo? – Mary então susrgiu como um fantasma.

    — Bem... Nós íamos até a roda gigante e...

    — Não, não vão! Não mesmo! – a outra posicionou-se. — Katy – voltou-se para a irmã. — Não pode agir dessa maneira... precisa ser mais cuidadosa. – reprovou a atitude da irmã.

    — Calma! Não há nada de errado. – Derek. — Só estamos conversando.

    — Não! Ela não está conversando! – respondeu com mais frieza. — Você quem a está importunando. – entregou um copo para a outra. — Deixe-a em paz! Sei muito bem o que você pretende com ela. – insinuou ainda. — Vamos, Katy. – deixou que a outra passasse a sua frente.

    — Mas... – Derek mirou o amigo que deu de mãos como se dissesse “esquece, esquece”.

    — Já te falei sobre isso. – Mark segundos depois. — Vai encontrar problemas ali. – referiu-se a Kety. — Tanto meus tios quando Mary... – pensou por um segundo. — Talvez não minha tia, mas os outros são bem rigorosos quanto a Katherine.

    — Não entendo.... – buscou uma explicação para si mesmo.  — Beata? – concluiu.

    antes mesmo de responder o outro sorriu parecendo debochado.

    — Mais complicado do que isso. – riu-se Mark. — Katy não é como as outras, Dek. – secou seu refresco. — Acho que a diversão acabou por aqui.

    — Vamos até minha casa. – agora Derek sugeriu. — Lá te um bom wisk e você aproveita pra me explicar melhor essa história.

    O outro concordou ao perceber que seu dia ainda não estava perdido.

    Agedeço a atenção!
    Confira também os outros títulos!
    Forte abraço!
  • Entre Lobos (conto-romance) 6/9

    principal
    Não se sinta perdido(a), LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!
    Derek fumava escorado sobre o corrimão acompanhado de um copo de bebida e mais adiante, não muito distante de onde estava, Mark permanecia sentado sobre os poucos degraus que levavam a varanda. A rua em frente, monótona, estava tão quieta quanto os dois amigos.
    —... Quer me fazer de besta! Você está zombando de mim, Mark. – Derek então falou depois de soltar a fumaça do pulmão.
    — Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? – o outro respondeu imediatamente. — Você deve ter percebido algo de estranho, não? Com ela. Queria saber o que esta havendo e estou te dizendo. – completou.
     — Mas... Impossível! Você mesmo viu o que aconteceu no parque! Por mais curta tenha sido nós tivemos uma conversa. – jogou contra. — Não? – riu-se.
    — Está bem, talvez a situação não seja exatamente como coloquei... Ao menos não ainda. Apesar de Katherine ter perdido grande parte da audição, não significa que não consiga nos ouvir. – tirou um gole da bebida. — Sinceramente fiquei surpreso que ela tenha se ariscado a falar com você, Dek. – comentou ainda. — Ela costuma ser extremamente reservada.
    O amigo ainda refletia sobre o que acabara de ouvir.
    — Reparando agora, isso explica muita coisa. – então, disse depois. — E como pode ser desfeito? – atencioso. — Isso pode ser desfeito. – reformulou a frase esperando que sua confirmação fosse apoiada pelo amigo.
    Mark negou com a cabeça antes de responder.
    — Não! – pesaroso com aquele fato. — E com o tempo só piora. Meus tios já procuraram todos os meios pra ver se ao menos isso pode ser interrompido, mas parece que vai chegar o dia em que ela simplesmente vai deixar de ouvir qualquer coisa, Dek. – esclareceu por fim. — E isso é muito triste de saber.
    Ficaram em silêncio.
    — Por isso, meu caro amigo, vou dizer uma última vez. – Mark pôs-se em pé. — Esquece essa história. Não vai querer essa situação pra você. Acredite.
    — Como?! – Derek surpreso. — Acho que não entendi direito. – precisou de confirmação.
    — Não, você me ouviu muito bem. – Mark afirmando o que havia dito. — Esqueça Katy.
    — Poxa vida, Mark! Achei que fosse ter ao menos o teu apoio! – insistiu.
    Antes de seguir falando o outro pôs seu copo vazio junto ao do amigo.
    — A surdez de Katy é só parte do problema, Dek. – continuou dando de mão em seu capacete. — Viu como Mary reagiu só de você trocar umas poucas palavras com ela, meu tio é tanto pior. – montou na motocicleta. — Acredite, cara! Se tem alguém que pode falar com propriedade, essa pessoa sou eu... Faça um favor a si mesmo. Esqueça Katherine ou isso pode não acabar bem.  E é tudo o que tenho a dizer sobre isso. – de ombros vestindo o acessório dando partida e indo embora.
    Derek continuou onde estava, fumando imóvel vendo o amigo levantar poeira da estrada. Não demorou muito e ouviu a porta atrás abrir e bater novamente. John aproximou-se dizendo
    — Deveria dar ouvidos ao que ele disse.
    — As espreitas agora? Não achei que o senhor agisse assim. – comentou vago buscando fitar o homem por cima do ombro.
    — Não pensa em levar isso adiante, não é? – o homem seguiu dizendo sem dar ouvidos ao que seu filho lhe dissera.
    — Bem... Parece que todos já sabem o que eu devo ou não fazer, não é? – respondeu tomando o restante de sua bebida e em seguida lançou o toco de cigarro na estrada antes de seguir para a porta de entrada.
    — Pense melhor, rapaz. – o homem sugeriu. — Essa não é como uma de suas brigas de rua. Ao mesmo consegue enxergar isso?
    — Claramente. – entrou deixando a porta bater. — Claramente. – repetiu.
    Na manhã seguinte, como de costume, John escutava os noticiários sobre o avanço da Alemanha. Foi surpreendido ao ver que Derek surgira mais alinhado com suas vestimentas, logo deduziu que seu filho preparara-se par uma ocasião mais formal.
    — O que merece todo esse cuidado? – falou.
    — Vou até a casa de Mark. – esclareceu o que deixou seu pai confuso. — Quero falar com os pais de Katherine e espero que ele me diga onde encontrá-los. – por fim.
    O home desfez-se do aparelho.
    — Mas que droga! Achei que tivéssemos resolvido esse assunto! – John sério. — Vai realmente insistir nessa história?
    — Já tomei minha decisão. – respondeu indo em direção a saída.
    — Não me dê às costas, rapaz! – o homem deixou o assento. — Não percebe o erro que está cometendo? Com pode considerar uma vida normal com alguém que um dia não vai nem escutar o que você diz?
    — Dane-se todos vocês! – Derek posicionou-se. — Não vou abrir mão daquilo que eu acredito por que vocês são covardes!
    — Cuidado, rapaz! – John o advertiu.
    — Covardes, sim! Não teriam coragem de enfrentar uma situação como essa e por isso se não conseguem mantê-la trancada querem impedir que o mundo não se aproxime dela.
    — E o que pretende fazer? Não tem culhões pra esse relacionamento, filho. – disse. — Mal consegue manter os bolsos cheios.
    — Ainda assim é o que pretendo fazer! – insistiu.
                — Pois bem. – deu de mãos abertas. — Resolva isso de uma vez, então! Quem sabe, depois de ser enxotado perceba quem está certo.
    Sem dar ouvidos Derek partiu.
    — Você enlouqueceu de vez, Dek! – Mark ainda sem acreditar no pedido do amigo. — Acaso ouviu alguma coisa do que eu disse ontem?
    — Cada palavra.
    — Cara, você realmente gosta dela, não é? – agora admirando a postura do amigo.
    — Assim que a vi, Mark. – respondeu. — Por isso preciso da tua ajuda. Não vou desistir sem que ela mesma deixe claro que não tem sentimentos por mim.
    Mark respirou fundo e soltou o ar.
    — Está bem! – então concordou. — Parece justo. Afinal de contas você já me ajudou tantas vezes. – estendeu a mão. Cumprimentaram-se com força. — Provavelmente meu tio me mate por dar apoio a isso, mas vejo que é sincero o que sente por Katy. Quem sabe eles também enxerguem...
    — Tudo de que preciso agora é do teu apoio. – Derek respondeu vendo transparecer na face do outro um sorriso de satisfação.
    CONFIRA TAMBÉM... Meu Querido Manequim / Humanos
    OBRIGADO a ATENÇÃO!
  • Entrevista com Grazi – organizadora da antologia Contos do Desconhecido

    1 – A Editora Immortal surge num momento em que há uma crise no nosso modelo de distribuição, com livrarias fechando e gente sendo demitida. O que a casa editorial está fazendo para driblar essa dificuldade?
    R- Após conversar com alguns livreiros locais, decidimos continuar as vendas no nosso próprio site, pois as livrarias cobram um valor muito alto pela consignação. Optamos por investir mais na divulgação dos nossos títulos e autores. A antologia teve como principal objetivo conquistar mais público e
    graças a ela estamos conquistando nosso espaço aos pouquinhos.
    2 – Porque a editora optou por se especializar na publicação de terror e seus gêneros correlatos?
    R – Logo que abrimos nosso objetivo era publicar somente livros de terror, o público desse gênero vem crescendo muito em nosso país e a equipe é composta por muitos amantes do terror. Entretanto, no segundo semestre de 2019 decidimos expandir nossas publicações para todos os gêneros, com o intuito de aumentar ainda mais nosso público e claro, ter mais lucro.
    3 – O mercado independente têm duas características principais: alto índice de concorrência e grau de rentabilidade. Como a editora se destaca no meio desse furacão indie?
    R – Estamos sempre fazendo novas parcerias e focamos em caprichar muuuito no projeto gráfico, principalmente na capa. Quanto mais bonito o livro for, mais chances ele vai ter se destacar. Também buscamos originalidade no texto, nossos autores trazem isso à tona, muitas são as resenhas que elogiam a criatividade dos livros.
    4 – Hoje, além da qualidade gráfica e dos títulos, uma editora deve procurar meios de divulgação eficiente, qual o modelo de parceria que a editora desenvolveu nesse quesito?
    R – A formação de parceria com blogs grandes e pequenos, por mais que tenhamos de fornecer o ebook ou livro físico gratuitamente para esses, a parceria sempre ajuda a impulsionar uma obra.
    5 – A Editora Immortal criou uma assinatura na plataforma Catarse. Como ela funciona e quais os seus benefícios?
    R- Colocamos a antologia na categoria flex para que pudéssemos arrecadar verba e ajudar na produção do livro, que conta com muitos profissionais envolvidos.
    Os benefícios ao apoiador são as recompensas exclusivas da antologia, itens que não irão para o mercado.
    6 – A antologia Contos do Desconhecido reúne dezenas de escritores. Como a antologia é dividida e que tipo de conto os leitores podem encontrar?
    R – Antologia está dividida em 3 temas: Creppy Pasta, Lendas Urbanas e Releituras de Clássicos. Os leitores encontrarão sobretudo o terror em diversas categorias. A inspiração para antologia é uma frase muito famosa do autor Lovecraft “A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido." Queremos trazer o Desconhecido às páginas da antologia.
    7 – Qual o modelo de publicação dessa antologia?
    R – O primeiro lote será direcionado aos apoiadores. Após isso realizaremos as vendas em nosso site conforme disponibilidade.
    8 – Quais títulos a editora já publicou e nos dê uma breve sinopse?
    R – Cidadolls.
    Fred é um escritor iniciante que pretende escrever seu primeiro sucesso. Fascinado por histórias de suspense e mistério, decide viajar para Cidadoll, uma cidade onde a fama de bonecas realistas se espalhou pela internet. Porém, o local é marcado por poucos visitantes em fator da distância e do difícil acesso. Através desta fama, e dos mistérios que cercam a cidade, o jovem escritor decide escrever o seu mais novo livro... O único problema é que Cidadoll guarda coisas muito além do que Fred poderia imaginar, ou melhor, escrever.
    Cartas de Sangue
    Cartas de Sangue e outras histórias de Violência Gratuita é uma coletânea de contos, mas conta uma só história: a corrupção humana
    Transfigurada em contos de suspense, tensão e gore, no vão entre ficção e a realidade, a violência humana aparece crua (e por vezes nua), levando o leitor a refletir sobre o quão longe alguém pode chegar.
    Evangelhos da Desgraça
    Estas páginas tumultuosas, vindas de uma imaginação mórbida, não mais contêm que textos inspirados nos grandes mestres do terror, criados para o prazer obscuro dos amantes desse gênero.
    Nestes escritos, o autor admite-se enquanto artista enlouquecido mutilando a sua sombra para prazer de um público. Pelas suas palavras, esforça-se para nos mostrar o horror da insanidade em suas várias faces, explorando ao máximo a capacidade da mente humana para se refugiar de uma realidade adversa no mais profundo desconforto e desespero.
    Prometo: estes Evangelhos não foram redigidos pelas mãos de santos. Aqui, é-nos apresentado um conjunto seleto de pequenas blasfémias, excretadas indecentemente pela língua da própria Desgraça.
    Eis, para a podridão humana, "o recriminador vidro de um espelho".
    O Landau Vermelho
    Após presenciar a morte trágica de seu irmão gêmeo e passar os doze anos seguintes desaparecido, Adam Peixoto retorna a Contagem para assumir os negócios de seu falecido pai e tentar dar um novo rumo à sua vida.
    Seu retorno, no entanto, coincide com o início de uma série de assassinatos cruéis, sangrentos e inexplicáveis, provocados por um demônio enorme, com quatro rodas, faróis duplos e capota de vinil, pesando quase duas toneladas e saído diretamente de alguma funilaria do Inferno.
    Um demônio metálico. Violento. Frio.
    Um Ford Landau.
    O Pecado de Cyn
    O meu nascimento se deu na morte.
    Nasci de um parto espontâneo, do corpo enforcado de minha mãe. Ela se foi e tentou levar consigo a aberração que gerava no ventre. Eu já nasci lutando pela vida e tenho as cicatrizes até hoje.
    Eu sou um pária. Um meio orc.
    Eternamente preso entre dois mundos que nunca vão me aceitar como um deles.
    Mas não sinta piedade de mim. Se você tiver alguma, guarde para quem merece. Até o final dessa história você vai ver que eu sou um monstro, criado para ser um monstro. Eu não quero sua simpatia. Eu sobrevivi sem ela até hoje.
    Eu só quero contar minha versão da história. Por quê? Porque se alguém pode encontrar essa história e destruí-la?
    Porque eu quero. Não importa que o mundo não conheça minha história. Nada mais importa. Você que está lendo saberá.
    E isso basta. Deve bastar.
    Meu nome é Cyn.
    Cyn dos Olhos Azuis. Pária, meio orc, criado para ser um monstro.
    E essa é a minha história.
    9 – Qual a projeção que a Editora Immortal tem para o segundo semestre de 2019?
    R – Vamos focar em publicar novos títulos, pois no primeiro semestre a equipe se dedicou apenas à antologia.
    10 – Conte tudo e não esconda nada! Quais os planos para o futuro?
    R – Pretendemos tornar novos best-sellers todos os nossos autores.
  • Entrevista com Matheus Braga – autor de O Landau vermelho

    1 – Quem é Matheus Braga e porque você resolveu contar a história de um carro assassino?
    R – Já começamos com uma pergunta difícil, porque sou péssimo para falar de mim mesmo, rsrsrsrs. Bem, posso dizer que sou um sonhador. Sou uma pessoa que sonha com a cabeça nas nuvens e os pés no chão e corre atrás da realização desses sonhos. Sou uma pessoa determinada, resiliente, apaixonada pela natureza, que ama animais e a-do-ra carros desde que se entende por gente. Pode-se dizer que aprendi a nomear carros antes mesmo de aprender a falar “papai” e “mamãe”, rsrsrs. Quando pequeno, meus brinquedos favoritos eram as miniaturas de carros e meu Ferrorama, e sempre gostei muito dos filmes cult sobre perseguição de carros como Encurralado e Christine – O carro assassino, e foi daí que, anos mais tarde, vieram algumas das inspirações para meu livro.
    2 – Como foi o processo de produção do seu romance de terror O Landau Vermelho?
    R – Gosto de dizer que O Landau vermelho foi um livro construído ao longo de muitos anos. Como já disse, sempre nutri uma paixão muito grande por carros e sempre tive vontade de escrever algo dentro desse universo, mas nunca havia tido a ideia para isso. Eu estava sempre esboçando plots e cenas separadas, mas nunca havia chegado a um enredo satisfatório. Este só veio quando num dia, ao organizar minha pasta de arquivos no computador, acabei lendo todas as cenas separadas em sequência e, baseada numa dessas cenas em específico, intitulada Corrida Infernal, formou-se a ideia para o livro. Também me inspirei nos filmes clássicos do gênero “carro assassino” para me ajudar a enxergar melhor a história. A partir desse ponto, foram mais dois anos e meio de escrita e muita pesquisa para finalizar o livro, e depois ainda precisamos de uns 5 ou 6 meses de revisões pontuais antes que a versão final finalmente saísse em e-book e, agora, em versão impressa. Cabe aqui uma curiosidade: quase todo esse processo aconteceu tendo como trilha sonora a música Two black Cadillacs, da Carrie Underwood, cujo videoclipe também conta a história de um carro assassino.
    3 – Quais suas maiores influências no mundo da escrita?
    R – Sempre me identifiquei muito com o gênero de romance policial, e minha maior influência foi o mestre Sidney Sheldon. É dele o primeiro romance policial que li, Conte-me seus sonhos, e o estilo narrativo dele sempre foi o que mais me fascinou. Ele constrói as cenas de forma quase cinematográfica, explorando as sensações e percepções tanto dos personagens quanto do ambiente em si, de forma a obrigar o leitor a continuar lendo, e lendo, e lendo até que, quando dá por si, o livro já acabou. Venho praticando muito para conseguir escrever dessa forma também, como pode ser percebido no meu romance O Landau vermelho. Mas além do Sidney Sheldon, também sempre li muito Harlan Coben, Stephen King e Agatha Christie.
    4 – As editoras independentes estão dando um show de como se publicar livros no Brasil, muitas vezes exportando esses livros para a Europa e EUA. Como você percebe essa mudança no nosso mercado literário?
    R – Infelizmente a mudança ainda é relativamente sutil no mercado como um todo, mas já é perceptível para quem está atento. As grandes livrarias e editoras sempre dominaram o mercado literário de forma cavalar, quase sempre valorizando autores já expressivos ou que possuam o famoso “Q.I.”, mas com o advento da internet é possível perceber um crescimento das publicações de editoras menores e autores independentes, principalmente no que diz respeito aos e-books. Tal crescimento tem se mostrado uma grata surpresa aos leitores de plantão, pois tem revelado autores talentosíssimos e histórias extremamente deliciosas de se ler. É bastante notável que estes novos autores quase sempre vêm do mundo das fanfics, que já é bastante popular desde a época dos fóruns, no início dos anos 2000, e temos sido agraciados com grandes talentos que até então estavam ocultos ou não tinham uma divulgação expressiva de seu trabalho, e estes talentos acabam por ser a nossa esperança de que, apesar do mercado literário ter entrado em declínio nos últimos anos, ainda poderemos desfrutar por muito, muito tempo deste prazer indescritível que é a leitura de um bom livro.
    5 – Quais as maiores dificuldades para um escritor iniciante conseguir sua primeira publicação?
    R – Sinceramente não tenho propriedade para responder esta pergunta, pois a editora Immortal foi a primeira e única para a qual enviei o original de O Landau vermelho e ele já foi aceito para publicação, rsrsrsrs. Mas acredito que a dificuldade maior seja justamente encontrar a editora certa para a publicação. Escrever em si já é algo muito difícil, mas encontrar uma editora onde sua história se encaixe da forma devida pode ser um tanto delicado, pois pode haver divergência entre a mensagem que o autor quer passar com a história e a interpretação que a editora dará para ela. Além disso pode haver também o fator financeiro, pois não são todas as editoras que se dispõem a publicar o livro antes para colher os lucros depois, e também não é fácil para um autor iniciante dispor de determinada quantia financeira para investir na publicação, mesmo que a realização de um sonho não tenha preço. De qualquer forma, acredito que com a devida paciência tudo pode se ajeitar.
    6 – Qual sua preferência de leitura: e-book ou impresso? E porquê?
    R – Impresso, com certeza. Além de adorar o cheiro de um livro novo, sou muito tradicional nesse quesito, e ter o livro em mãos me proporciona uma experiência de leitura muito melhor. Gosto da sensação de folhear as páginas e consigo imergir melhor na história e absorver a mensagem do livro de forma mais satisfatória. Ler e-book é algo que requer muita disciplina, pois nos aparelhos eletrônicos as distrações são constantes (WhatsApp, Facebook, Instagram, etc...) e eu sempre acabo desviando minha atenção com outras coisas. O engraçado é que leio fanfics com constância no meu celular e não desvio tanto minha atenção, rsrsrs, mas simplesmente não consigo ler um e-book.
    7 – O autor tem outros hobbies além de escrever? Quais são?
    R – Meus principais hobbies além da escrita são o colecionismo/modelismo e o trekking. Tenho várias coleções, desde miniaturas de carros e trens até minifiguras de Lego e moedas raras, e sempre que disponho de um dia livre ou feriado prolongado gosto de fazer caminhadas ao ar livre para serras ou cachoeiras, pois adoro estar em contato com a natureza. Ainda tenho o sonho de montar um “carro projeto” apenas por hobby, que é comprar um carro antigo e fazer alterações no estilo e na performance dele para um uso mais divertido, mas ainda não tenho condições financeiras para isso, rsrsrs.
    8 – O mercado editorial passa por mudanças, elas já são perceptíveis ao ponto de dizermos que temos um novo mercado ou não?
    R – Acredito que a maior mudança que o mercado editorial vem passando nos últimos tempos é a popularização dos livros digitais. Apesar de admitir isso a contragosto, os e-books são bem mais práticos e acessíveis do que os livros impressos, principalmente para fins acadêmicos e profissionais, e podem ser a melhor opção para pessoas que querem passar a ter o hábito de ler mas não abrem mão da conectividade. Com isso, acredito que é seguro dizer que sim, temos um novo mercado, com novas estratégias de vendas, marketing e lucros adaptadas à nova realidade dos leitores.
    9 – Nos conte quais os planos para o futuro desse escritor?
    R – Adoro fazer planos e sonhar com o desenrolar deles, mas sempre mantendo os pés no chão. Entre os principais planos na minha vida hoje estão: morar sozinho, para finalmente conquistar minha independência; publicar mais um livro até o fim de 2019; conseguir mais uma promoção no meu emprego para me estabilizar financeiramente; e no segundo semestre, quem sabe, começar uma das minhas pós-graduações.
    10 – Como e onde os leitores podem adquirir o seu livro e em que projetos está envolvido ultimamente?
    R – Meu livro pode ser adquirido diretamente com a Editora Immortal ou pelos sites Amazon e Clube de Autores, tanto o e-book quanto a versão impressa. Os links estão no meu perfil e na página da editora. Meu próximo projeto é uma participação na antologia Contos do desconhecido, também da Editora Immortal, que será uma compilação de contos de terror onde estarei participando com os contos originais Ferrorama e Sussurros à meia-noite.
  • Escuridão

    O caminho era longo. Todo final de semana, ele pegava um ônibus em direção à Bérnaba, uma viagem que durava cerca de sete horas e meia. Fazia isso somente para ver a sua namorada e, após o final do mês, a sua noiva. Isso, é claro, se ela aceitasse o pedido que seria feito exatamente na data de aniversário de namoro.
    Normalmente não conseguia dormir durante a viagem. Mesmo quando estava muito cansado, cochilava e acordava constantemente. Às vezes era por causa de alguma dor no pescoço e em outras porque a sua cabeça encostava no vidro que, ao tremular, o acordava. Nessa, entretanto, conseguiu dormir profundamente. Agradeceu aos céus por ter conseguido comprar uma almofada de pescoço que o deixava sem dores e o impedia de colocar o seu rosto contra a janela.
    No meio da noite, acordou pela primeira vez. O ônibus parou subitamente no meio da estrada, todas as suas luzes apagaram e nada funcionava. Ainda sem compreender nada corretamente, ele esfregou os olhos e tentou ligar o celular para saber que horas eram, mas a tela continuava escura. Acabou acreditando que a bateria havia acabado e o guardou.
    Ainda em sua busca de descobrir o horário, abriu a cortina da janela e tentou achar algum indício do nascer do sol. Lá fora estava tudo extremamente escuro. A única coisa que conseguia enxergar era uma montanha já no horizonte. Ela parecia ser composta por três picos: o primeiro era maior que o segundo, e o terceiro era o maior de todos. A única cor que ela tinha naquela escuridão era o preto, mas não era um preto qualquer. A sua cor, que parecia como a de uma sombra mais escura do que o próprio preto, hipnotizava o seu admirador e parecia congelá-lo no tempo como se nada mais importasse.
    Ele ficou ali até ser interrompido pelo barulho da porta que os separava do motorista ser aberta. Ele pediu para que todos que estivessem aptos a empurrar o ônibus para irem lá fora e ajudá-lo a colocar o veículo no acostamento. O intuito disso era evitar acidentes já que a pane elétrica havia acontecido bem em uma curva e algum carro desatento poderia bater neles.
    Ele foi um dos primeiros a se candidatar para a tarefa. Fez isso mais para sair do ônibus do que para ajudar. Sempre odiou ficar em locais muito fechados, pois lhe causava um extremo desconforto conforme o tempo passava. Lá fora havia quinze pessoas de um total de vinte e nove no ônibus. Ninguém tinha lanternas, a não ser a do motorista que havia quebrado quando ele saiu do ônibus pela primeira vez. Não se enxergava muito bem, o alcance máximo devia ser de um metro ao forçar a vista. Ele não fazia ideia de qual era a fonte dessa pequena luminosidade já que não havia lua no céu e nem sequer uma estrela, mas a sua intuição acreditava que aquela montanha era a iluminadora.
    Ele se posicionou na extremidade esquerda da traseira do ônibus e usou toda a força que tinha para deslocá-lo. Inicialmente, ele andava muito lentamente, porém, em questão de segundos, o ônibus começou a andar rapidamente como se estivesse descendo uma ladeira. Nesse instante, com a mudança súbita de força necessária a ser aplicada, acabou indo para o chão. Sentiu uma dor nos seus cotovelos já que eles foram a primeira parte do corpo a atingir o chão, mas a dor não o abateu. Rapidamente, ele se levantou e começou a caminhar na direção na qual estavam empurrando o ônibus. Não conseguia enxergar nem o que tinha a trinta centímetros de distância, mas sentia que o terreno não era íngreme.
    Ele não conseguia achar o ônibus. O desespero começou a tomar conta da sua mente. Começava a cogitar que estava andando para o lado errado, então começou a girar lentamente e a gritar. Esperava que algum outro passageiro ouvisse e desse um sinal de onde eles estavam. Entretanto, o silêncio reinava. A montanha havia sumido junto com qualquer chance de se localizar por meio dela. A sua garganta já começava a doer de tanto gritar por ajuda. Os seus pensamentos começaram a implorar por uma resposta ou até mesmo para que um carro aparecesse com farol alto e o atropelasse. A escuridão, a falta de localização e de sinais de vida estavam começando a deixá-lo desesperado. O medo corria por todas as suas artérias, veias e capilares nesse momento.
    O medo aumentou quando sentiu alguma coisa correndo alguns metros atrás dele. A sua respiração começou a ficar mais curta por causa do medo. Aconteceu mais uma vez, porém dessa vez sentiu que ela passou pelo seu lado direito com uma leve brisa o atingindo. Começou a cogitar que podia ser a sua mente pregando peças nele. Essa paranoia devia ser muito comum em alguém em estado de pânico. Mesmo assim, ao sentir aquilo pela terceira vez e perceber que estava cada vez mais próximo, começou a correr o máximo que podia para a direção em que estava virado. Não sabia se estava na estrada ou saindo dela. Ele somente não queria parar, pelo menos não até se sentir minimamente seguro e isso significava ter alguma fonte de luz. Entretanto, isso não foi possível. Ele caiu, bateu a cabeça e desmaiou, não sabendo se algo o perseguia, o que o perseguia, se foi atingido ou se tropeçou.
    Acordou no ônibus. O sol brilhava com algumas poucas nuvens brancas prestes a encobri-lo. Via alguns pássaros do lado de fora cantando suavemente e conseguiu relaxar. Entendeu que tudo deveria ser parte de um pesadelo bem vívido, então tentou fechar os seus olhos e descansar um pouco. Apesar de inúmeras tentativas, os seus olhos permaneciam abertos. O desespero retornou. Tentou levantar os seus braços e tocar o rosto com as suas mãos, mas nada acontecia. Sentia que estava dentro do seu corpo, porém não tinha controle nenhum sobre ele. Não sentia parte alguma dele, embora estivesse vendo tudo. Era como se fosse um prisioneiro amarrado em uma cela minúscula tendo uma única janela para ficar observando o mundo lá fora.
    O ônibus parou. Sentia um desespero cada vez maior. Se tivesse controle sobre os seus pulmões, tinha certeza de que a respiração estaria cada vez mais curta quase a ponto de desmaiar. Mas não tinha e pensou se, algum dia e de alguma forma, conseguiria restaurar o controle sobre o seu corpo. As suas dúvidas aumentaram quando viu o seu corpo desafivelar o cinto de segurança, pegar a mala e sair andando completamente sozinho enquanto era um mero passageiro dos olhos.
    Quando viu a sua namorada na rodoviária, tentou pela primeira vez gritar por socorro. O som saia, mas somente na sua mente. A boca não se movia nem mesmo um milímetro. Queria chorar, mas lágrimas não saiam dos seus olhos. Nunca tinha sentido tanto medo na vida, nem mesmo durante a noite passada.
    Finalmente um som saiu da sua boca, embora ele não tivesse lançado comandos para isso. A fala era completamente normal e a conversa totalmente amigável, mas não era ele falando. Talvez a pior parte de tudo isso fosse a impotência que sentia. Nem mesmo fugir ou pensar em fugir podia já que de nada adiantaria.
    Durante o trajeto até a casa da namorada, começou a tentar a se acalmar e a elaborar hipóteses para o que estava acontecendo. A mais plausível, embora ainda considerasse difícil de ser a verdade, era que o medo que sentiu na noite anterior o tenha feito desenvolver alguma doença mental e ele ser a voz secundária de uma esquizofrenia ou uma outra personalidade de um transtorno dissociativo de identidade.
    Depois de muito tempo numa prisão na qual não podia fazer nada além de observar, chegou a noite e a hora de dormir. Durante todo o dia, nada de anormal havia acontecido. Tudo o que ele teria feito normalmente, o seu corpo fez. Agora teria que dormir, mesmo sem saber como, e desejar que tudo voltasse ao normal no dia seguinte.
    Em cerca de meia hora, o seu corpo desligou. No meio da noite, estava ligado novamente. Tinha sentado na cama de repente e com o movimento havia acordado. Verificou se tinha retomado o controle do corpo ao tentar piscar, mas ainda nada acontecia. Sentia um sorriso se formando no rosto e a sua mão lentamente indo para a mesinha ao lado da cama. Dessa vez, estava sentindo tudo o que fazia sem precisar olhar para nenhum lado. Sentia, embora não controlasse. A sua mão pegou uma caneta e o seu tronco se virou para a namorada que estava em um sono profundo. O seu braço levantou até acima da sua cabeça e depois desceu rapidamente em direção ao peito dela. Fez aquilo repetidas vezes. A caneta deve ter atingido o coração porque o sangue jorrava e diversas vezes respingava no seu rosto formando gotas que desciam pelo nariz e pelas têmporas.
    Ele fazia força para tentar retomar o controle, se concentrava ao máximo no braço para ver se ele parava, mas nada acontecia. Quanto mais esforço fazia parecia que com mais força segurava a caneta. Gritava com o máximo de força que tinha, mas o som só soava em sua mente. Queria chorar e sentia que estava fazendo isso, mas do seu rosto só descia o sangue dela que se depositava em sua testa. Sentia aquelas gotas quentes se formando como se água fervente fosse jogada na pele. Quando viu a caneta quebrando, acreditou que tudo pararia. Ela já estava morta, sabia disso mesmo que a sua mente ainda tentasse procurar algum resquício de esperança. Mesmo assim, o seu braço não parava. Finalmente, o desespero e o sofrimento fizeram com que desmaiasse. Talvez não fisicamente, mas pelo menos mentalmente.
    Acordou no dia seguinte na mesma posição em que tinha desmaiado. Ainda sem controle do corpo e, dessa vez, sem conseguir sentir os músculos. Quando a sua cabeça se moveu na direção dela, não viu nada de anormal. Ela estava lá, dormindo e sem nenhum sangue ou sinal de ferimento a sua volta. Não entendia como, mas estava feliz que estivesse daquele jeito.
    O dia foi tranquilo como os seguintes. Tinha anunciado para ela que ficaria a semana toda e, na sua prisão mental, ficou com medo do porquê disso. Descobriu o porquê nessa noite e nas seguintes. Novamente acordou no meio da noite e a matou cruelmente. A cada noite uma arma diferente era usada, podendo ser um abajur ou uma tesoura. Logo depois ele desmaiava devido ao terror e acordava no dia seguinte com tudo acontecendo normalmente.
    Entretanto, quando chegou na quarta noite, conseguiu manter a calma. Estava prestes a matá-la sufocada com o travesseiro, mas mesmo assim se manteve totalmente calmo. Repetia sem parar que tudo aquilo não era real. Deu certo, não caiu no desespero enquanto matava ela, mas, mesmo assim, desmaiou após ter terminado o serviço.
    Acordou no dia seguinte e ela já estava em pé. O sol batia no seu rosto e sentia a pele esquentar de forma bem suave e agradável. Pensou que tinha recuperado o controle, mas ainda não conseguia nem sequer mexer um dedo. Mesmo assim, pensou estar lentamente recuperando o controle. Sentiu os músculos se moverem enquanto se levantava e caminhava na direção da sua namorada. Seu braço direito levantou e acertou um soco bem no olho dela. Ela gritou de dor. Sentiu uma dor nos nós da sua mão e uma confusão atingiu a sua mente. Não era noite e ela estava acordada, portanto não via o porquê de está-la atacando. O desespero estava retomando o controle. Tentava pensar que não era real, mas era difícil quando tudo ou pelo menos os principais detalhes se modificavam. Mesmo assim, tentava se convencer de que era tudo uma alucinação.
    Quando tinha começado a se convencer disso, o que demorou menos de dez segundos, o seu corpo lançou novamente aquele sorriso e voltou a agredi-la com um chute na barriga. O seu pé sentiu o impacto. Logo em seguida, o seu corpo se montou em cima dela e começou a socar o rosto dela sem dar pausas. Os punhos doíam e sentia os ossos da face dela quebrando a cada golpe desferido. Mesmo assim, se mantinha calmo. Tinha certeza que logo desmaiaria, acordaria novamente e tudo estaria bem.
    O seu corpo parou de socar depois de uns vinte minutos de esforço físico ininterrupto. Estava ansiosamente esperando para a hora em que iria desmaiar, mas, ao invés disso, o seu corpo pegou o telefone e ligou para a polícia. Quando ele fez isso, passou a não entender nada. O sofrimento que sentia era gigantesco, então entendeu que tudo havia sido verdade. Pela primeira vez, o seu corpo permitiu que chorasse. Mesmo assim, parecia que o sofrimento só aumentava ao rolar de cada lágrima.
    Tinha sido preso e o seu corpo confessou o crime descrevendo cada detalhe. A parte que mais doeu foi quando falou que tinha gostado de fazer aquilo. A sua mente xingou o corpo com todas as palavras que sabia, mas de nada adiantava.
    Na prisão, ele arranjava briga com todos só para que a mente sentisse a dor física. O recorde dele fora da solitária ou enfermaria foi de somente dois dias. Chegou a matar algumas pessoas em brigas, mas já não ligava tanto como antes. O sofrimento que sentia por estar numa prisão dentro de outra prisão, em uma cela solitária dentro de outra solitária, já o tinha feito totalmente indiferente a tudo.
    A única boa notícia é que o corpo havia revelado o que tinha causado isso. Num sonho que tivera no primeiro dia de prisão tudo tinha ficado claro. Ele estava novamente correndo na estrada sem conseguir enxergar coisa alguma quando conseguiu ver uma placa da mesma cor da montanha que dizia “Bem-vindo a Escuridão!”. A escuridão havia consumido ele e talvez todos aqueles que estavam no ônibus.
  • Estrelas

    Arminda não se sente bem. Está sozinha em casa, a taquicardia volta-lhe ao peito num ataque e se instala por toda a tarde. Preocupada, projeta a cabeça para a única janela com visão para o horizonte. De lá enxerga a noite empurrando o dia para o fim, já despencam um par de estrelas, as últimas nuvens embaçam um céu fugidio. Dali a pouco acabou-se, é fim de dia, poderia ser o último.

    Acostumada a vida inteira à solidão, Arminda da Mata, alcunha da vida, não de cartório, não conhece o mundo. É velha, mas tem os olhos claros e alegres. Já transbordou dos setenta anos, imigrou do extremo rural português aos vinte para a caótica urbanização brasileira e conviveu, desde então, com a “pontada”, como chama a angústia que lhe ocorre todos os dias. Esta dor eu não conheço, diz hoje para si mesma, tentando buscar dentro do seu pequeno ninho de palavras práticas, as únicas que conhece, aquelas que melhor traduziriam o seu embrulho. Tenho areia nos pulmões e dói-me muito, decide-se enfim por este decreto, é o que dirá ao farmacêutico, e assim será.  

    Gosta da noite, não pela quietude, menos pela brisa morna, mas pelas lembranças de um mundo já esgotado porém nunca esquecido. Sua antiga juventude é trancada, nunca a quis compartilhar com marido e filhos por entender que, como não a viveram, não a compreenderiam. As noites em sua aldeia atravessaram sua mocidade como um grande mistério: o breu noturnal sobre as copas das árvores, os guinchados de um besta desconhecida que faziam seu corpo tremer num paradoxal contentamento apavorado, e as estrelas. Hoje, da sua janela, acompanha o brilho das mesmas estrelas e não entende.

    O funcionário já conhece Dona Arminda, é velha diferente das demais que sempre ralham-lhe porque os remédios ainda não chegaram à farmácia. Consegue compreender seus motivos, as anciãs sabem que a morte já avizinha e querem prolongar a vida com os fármacos que juram sustentar os corpos em pé ou, se nem isto for possível, ao menos acesos e quentes. Hoje Arminda traz um semblante pesado, senta-se ao lado da balança e deixa os ombros caírem, sequência gestual acompanhada com toda a atenção pelo funcionário. A senhora está bem? Se eu puder ajudá-la é só pedir, Não me sinto nada bem, O que houve consigo, Meus filhos foram embora de casa e eu sinto que vou morrer.

    Da televisão dependurada na parede ressoa a frase que Arminda da Mata, nos derradeiros três anos de vida que ainda lhe restam até findar-se, jamais esquecerá. Um tipo excêntrico, talvez um astronauta, responde a uma jovem que lembra sua filha, Há mais estrelas no universo do que grãos de areia na Terra.
  • ESTRELAS

    Não pode, não há como você enfrentar tantos sozinhos, por favor – chorando. Não, não vá, não me deixe. Era necessário, para salvar a todos eu precisava usar o portal, só que minha magia estava no fim, e o que sobrou só daria para levá-las, eu teria que ficar para trás, sozinho, e com o exército se extendendo por todo o horizonte.
                É preciso, Estella, se eu não fizer todos morrerão, entenda, eu... é o único jeito, precisava acabar logo com isso ou iria fazer a escolha que queria, era a errada, porém, a que ele queria. Sou como uma estrela, estela: Quando uma estrela morre seu brilho ainda pode ser visto. – E o que isso tem, disse chorando. Apenas a olhei e meu coração se encheu de tristeza, sorri e disse que ela entenderia. A vanguarda inimiga já podia ser avistada precisava me apressar, comecei o encantamento e logo o portal se abriu, enviei-os à capital onde estariam em segurança, logo que sumiram me virei ao horizonte e para o mar de mostros que se aproximava de mim trazidos pelas ondas da destruição, respirei fundo, fechei os olhos e me preparei para a luta, sabia eu que não sairia com vida e mais uma vez a tristeza me abraçou, a última vez que a verei, pensei enquanto corria para a batalha.
                Quando cheguei ela estava sentada na mureta do castelo observando o por do sol e assim que semicerrou os olhos em minha direção deu um pulo de lá e veio correndo se jogando em mim, caimos e rolamos pela grama, ela soluçava e me abraçava enquanto dizia ainda bem, ainda bem, ainda bem. Deitei em seu colo e ao tocar seu lindo rosto de porcelana uma luz saiu de minha mão, estava sem tempo, pois o perdi na caminhada, ela não a percebeu, alisei a porcelana avermelhada que virou sua bochecha e sorri, a última vez, pensei.
                Você voltou, conseguiu, estou tão feliz, ele deitado em seu colo disse: lembra do que eu falei? Que mesmo depois que uma estrela morre, seu brilho ainda pode ser visto?.
    Após estas palavras ela compreendeu, ele já estava morto., deitado em seu colo jurou seu amor e disse que sempre a amou e sempre a amaria, enquanto o sol ia se pondo ele ia junto do astro, ela não conseguia conter a emoção e as lagrimas foram jorando de seu pranto, rolando pelo seu rosto. – Adeus, disse ele, adeus minha querida Estella, a melancolia em sua voz embargada. a lágrima saiu dos olhos de Estella e caiu no canto de seu olho e parecia que ele havia chorado, o sorriso bobo em seu rosto, bobo que ela amou a primeira vez que viu, e agora seria a última, quando o último raio de sol foi-se ele foi reivindicado para os céus, a minha estrela, pensou Estella chorando, o sol se foi e o levou assim como seu brilho. A lua subia alto no panorama celeste junto das suas luminosas, ela passou a noite toda procurando a sua estrela.

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222