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  • O Mistério do Guaporé

    Acredite, eu não nasci aqui. Tampouco projetei viver o resto de minha pobre vida neste lugar esquecido por Deus. Ocorre que a vida tem dessas coisas. Ela se impõe. Quando atuei diante das circunstâncias que o passado me legou, procurando produzir circunstâncias distintas daquelas com as quais me deparei, vim parar aqui.
    Era abril de 1969 quando as escolhas que me foram apresentadas eram viver ou morrer. Permanecer com vida, contudo, significaria partir para outro lugar. Os amigos com os quais partilhei a juventude e os mesmos ideais, ou estavam mortos ou estavam no estrangeiro. Não me agradava a ideia do estrangeiro, portanto, poderia continuar a luta que havia iniciado há uns cinco anos antes, porém, também não me agradava a ideia da morte. Por isso, busquei o meio termo e parti para a Amazônia. Rondônia foi o local escolhido, não por convicção, mas por puro acaso.
    Virei operador de balsa, realizando o transporte de cargas e pessoas de Guajará, cidade brasileira localizada no lado direito do Rio Guaporé, à Guayará, cidade boliviana situada na margem esquerda do rio e vice-versa. Quando se atua neste tipo de serviço, você não tem hora para dormir e nem tampouco para acordar. Infindáveis foram as vezes em que me levantei no meio da madrugada para levar pessoas para a outra margem do rio. Na maioria delas o motivo era contrabando de produtos ou de drogas. Isso me importava pouco, pois, para um balseiro como eu ou qualquer um que ganha a vida cruzando o rio, interessa menos o conteúdo da carga e mais o valor da travessia. Cruzar o rio fora de hora me rendia um bom dinheiro.
    Em alguma madrugada, porém, tocou o sino da balsa que estava ancorada na barranca do rio. Esse era o sinal de que algum passageiro estava à minha espera. Naquela noite, entretanto, depois da última travessia - 22 horas era o último horário - bebi mais do que devia, portanto, àquela altura da madrugada ainda estava meio grogue. Levantei depressa, tal ímpeto revirou o álcool que ainda estava armazenado em meu estômago e tive que evacuar toda a cachaça ingerida naquela noite no assoalho da casa. Fiz gargarejo com a água que sempre deixara em um balde sobre a mesa da cozinha na esperança de que pudesse eliminar o gosto amargo do vômito. Com a mesma água molhei minha cabeça, fingindo que havia penteado os cabelos, vesti a camisa branca de botão e marchei rumo ao cais onde estava ancorada a balsa.
    A surpresa foi arrebatadora, tanto que ainda hoje me provoca episódios de arrepio. Uma ruiva de vestido vermelho, tal qual o batom que lhe desenhava a boca, com um cigarro aceso enfiado nos vão de seus delicados dedos, estava escorada no grosso poste de ipê que sustentava a estrutura de madeira que dava acesso a balsa. A surpresa não decorreu-se tão somente em razão de transportar uma bela dama àquela hora da noite, isso não era novidade para um balseiro veterano como eu. No entanto, de todas as mulheres que transportei fora de hora até aquele fatídico momento, ou eram prostitutas, ou era alguma "mula" fazendo o serviço sujo do tráfico, para logo ser desovada em alguma beira de estrada qualquer. Aquela, porém, sem incorrer em nenhum julgamento Lombrosiano, não tinha cara de mula, tampouco de prostituta.
    Em que pesem ditas circunstâncias, não era meu serviço fazer análises de passageiros. Minha missão consistia em fazê-los cruzarem o rio em troca de dinheiro, nada mais nada menos, assim como toda e qualquer atividade econômica do mundo capitalista que tanto abominei. Portanto, não me interessava o que faziam ou, ainda melhor, qual razão os levavam atravessar o rio.
    Apenas cumprimentei-a cordialmente, pois a boa educação foi a única coisa que me acompanhou a vida inteira. Antes que pudesse dizer o custo da travessia, entretanto, ela jogou sobre meus peitos uma nota de 500 cruzeiros. Achei estranho, pois aquela nota havia sido inserida há pouco tempo no mercado e a travessia custava muito menos. Contudo, "pecunia non olet" já dizia o professor tributarista no segundo ano do curso de direito que a ditadura não me permitiu concluir.
    Abri o cadeado que através de uma corrente prendia a balsa à margem e, segurado em sua delicada mão, ajudei-a caminhar sobre a estrutura de madeira que dava acesso a balsa, pois, embora ela fosse dotada de uma rara beleza, ao que parece, uma pequena deformação nas pernas a impedia de caminhar perfeitamente.
    Rapidamente abri o cadeado da caixa de ferramentas, retirei de lá a manivela e acionei o motor. Somente 21 minutos separava-nos do outro lado da margem do rio. Àquela altura da madrugada uma fina brisa de fumaça repousava sobre a água. Era o período das cheias, portanto, haveria de tomar bastante cuidado, pois qualquer descuido e um tronco de árvore, arrancado de alguma margem pela força avassaladora das águas, chocar-se-ia com a balsa e poderíamos tombar.
    Sem que eu percebesse ela chegou devagarinho atrás de mim. Quando dei por fé ela já havia me abraçado pelas costas e com as mãos acariciava meus peitos. O gesto causou-me espanto, porém, a maciez de suas mãos me acalmava, impedindo qualquer reação contrária, de tal sorte que acabei por ceder aos seus afagos. Já fazia um bom tempo que eu não sabia o que eram os carinhos de uma mulher. A vida havia me jogado para além da fronteira da solidão. Todo dia transportando centenas de pessoas e, no entanto, era terrivelmente uma pessoa só. Minhas únicas companhia eram a balsa, o rio e a cachaça.
    No entanto, naquela noite, aquela estranha criatura me mostrou que ainda existia em mim vestígios do homem que um dia fui. Muito embora os cabelos e a barba requeressem uma maior higiene, eu ainda era bem apessoado, pois, o esforço físico exigido no serviço que desempenhava na balsa, manteve meu corpo em forma. Meu odor que era minha perdição. A vida de balseiro fez com que o rio entranhasse em minha pele e isso fazia com que as mulheres tomassem uma certa distância de segurança.
    A enigmática mulher daquela noite, porém, não se importava com meu odor. Enquanto ainda me apertava as costas, perguntei-a se meu cheiro de rio não lhe causava mal-estar e ela prontamente respondeu que não. Explicou-me que sua família sempre viveu do rio e que foi exatamente meu perfume que a atraiu. Neste momento ela deixou as minhas costas e se pôs a minha frente. Pegou na minha mão e começamos a dançar a canção que ela mesmo entoava. Desliguei o motor da balsa e nos amamos até adormecer.
    Quando o dia clareou estava a muitos metros rio abaixo. Minha sorte foi que a balsa encalhou em alguns arbustos em uma curva qualquer do rio. Olhei a minha volta e sequer havia vestígios da mulher com quem passei a noite. Quando compartilhei o acontecido, obviamente ninguém acreditou na minha história. Muitos diziam que adormeci bêbado na balsa e tudo não passara de uma invenção para justificar o porquê de ter ficado à deriva.
    Os dias passaram. Nove meses mais tarde em um dia de muita chuva cujas águas do Rio Guaporé estavam bastante revoltas, de tal sorte que até abortei as travessias, quando descansava na rede de minha pequena palafita, construída sobre o rio, ouvi um barulho. Fui até a porta e uma criança, uma linda menininha, fora deixada na porta, olhei para todos os lados e vi quando algo não identificado submergiu nas águas escuras do rio.
    A criança foi rejeitada em toda casa que tentei deixá-la. Portanto, tive eu mesmo que criá-la. Os primeiros anos foram fáceis, pois apenas leite e farinha era o suficiente para alimentá-la. Depois que ela completou cinco anos, no entanto, a pequena criança revelou uma abrupta mudança em sua dieta alimentar, desenvolvendo, consequentemente, uma estranha compulsão por carne. Não era por carne preparada ao fogo, cozida, frita ou assada, como deves pensar. Era por carne, crua e sem tempero.
    Quando os peixes já não eram mais o suficiente para saciar o seu estranho paladar, ela experimentou pela primeira vez a carne humana. Em tal ocasião tinha doze anos de idade. Posterior a isso, uma a uma as crianças dos ribeirinhos que viviam próximos das margens do rio começaram a desaparecer.
    Embora eu soubesse o real motivo dos desaparecimentos não podia revela-lo, pois, por mais que tentava, um estranho encanto que inclusive desafiava a minha lógica racionalista, acabava me impedindo. Isso me incomodava muito. Ora, logo eu que estacionei neste lugar esquecido por Deus em razão de lutar contra a exploração do humano pelo humano, era conivente, quando debaixo do meu nariz, a vida de uma era à custa de tantas outras. Mas, inerte por uma força sobrenatural, eu nada podia fazer.
    Na noite em que ela completou quinze anos fiz um bolo com apenas nós dois de convidados na varanda da casa. Tive, evidentemente, medo de que minha filha devorasse algum convidado e entregasse nosso segredo. Antes de cortar o bolo, no entanto, ouvi um barulho na água. Como era a temporada da cheia, a água do rio dava até o quinto degrau da escada. Foi por aí que emergiu uma mulher das escuras águas do rio. Sacou a toalha que estava pendurada no varal da varanda e tapou sua nudez. Era ela! A misteriosa mulher que me pediu para cruzar o rio há mais de quinze anos atrás.
    Ela chegou até mim, tinha as mesmas feições, parece que o tempo não lhe havia sido cruel como fora comigo. Deu-me um beijo e agradeceu-me por ter cuidado de nossa filha. Disse que nossa garotinha já havia completado a sua fase humana, estava pronta, portanto, para assumir a sua verdadeira natureza. Depois disso as duas sumiram nas águas e desde esse então jamais as vi.
    - Acabou a entrevista almofadinha – interrompeu o carcereiro. Tenho certeza que ele deve ter contado a mesma ladainha de sereias e botos de sempre. Mas a verdade é que esse monstro matou a filha e mais de 20 crianças. A história é bem contada. Talvez seja por isso que essa criatura atraia tantos jornalistas. Mas lhe garanto é só a mente fértil de um assassino.
    Juca era mais um de mais de uma dezena de jornalistas a entrevistar o folclórico Carlos da balsa, buscando evidenciar as mortes do caso que ficou conhecido como "O Mistério do Guaporé". O referido caso foi encerrado, levando Carlos a júri popular com a consequente condenação do mesmo a mais de 600 anos de prisão pela morte de 22 pessoas, sendo uma delas Iara, sua filha adotiva. Algumas pontas soltas, no entanto, como por exemplo: o corpo da filha que nunca fora encontrado, bem como alguns desaparecimentos coincidirem com as travessias de Carlos no rio, somado as bem articuladas histórias do balseiro, rendiam várias teorias da conspiração. O fato é que as ossadas de 20 crianças estavam no fundo do rio próximo a sua casa, sendo que uma estava debaixo do assoalho de sua própria casa, bem como o misterioso sumiço de sua filha adotada, foram motivo o bastante para endossar a sua culpa. E mesmo que não houvessem provas robustas, havia-se uma convicção coletiva de que o judiciário deveria dar uma resposta à altura para a população que estava sedenta por vingança.
    Após o término da entrevista Juca resolveu passar a noite naquela cidade, procurando inspiração para a matéria sobre Carlos que redigiria para a revista que trabalhava cuja edição sairia no mês seguinte. Marchou até a boate Flor de Cogumelo, único lugar da cidade que podia-se trocar dinheiro por sexo e bebidas, construída onde no passado fora o cais da balsa – inativa depois da construção da ponte que interligou as cidades – sentou-se onde iniciava o envernizado balcão de carvalho, de costas para o salão. Sentiu uma palmadinha nas costas, dessas quando se chama um amigo. Virou os olhos e uma ruiva de vestido vermelho tal qual o batom que lhe desenhava a boca, com um cigarro aceso enfiado nos vão de seus delicados dedos, sussurrou suave em seu ouvido:
    - Procurando alguma história, bonitão?
  • O Negro dos sonhos

    A Luz caiu
    Compreensível,afinal
    Lá fora da minha casa
    Caía um intenso temporal

    Sento em frente à janela,
    Meus pensamentos põem-se a voar;
    Apenas o fim da tempestade
    Todos eles pode findar

    Ouço um barulho seco
    Vindo do andar de baixo;
    ''Deve ser apenas um rato'',
    Penso,e relaxo

    Volto à janela,
    Onde é meu lugar.
    Quando, de repente,
    O barulho torno a escutar

    Dessa vez,aterrorizada
    Desço e vou checar...
    Haveria alguém lá embaixo,
    Pronto a me pegar?

    Minha pergunta se responde
    Em dos olhos um piscar;
    Acendo a vela no porão
    Mas não há nada para olhar

    Meu medo esquecido;
    Volto áquele lugar.
    A mesma janela,a mesma chuva;
    Mas não a mesma a observar

    Sinto-me diferente;
    Como se não fosse eu.
    Minha mente não é mais clara;
    Agora é só um breu

    Serei eu mesma,outra?
    Meu corpo já não se encaixa;
    Me sinto presa,sufocada,
    No canto obscuro da caixa

    Sinto algo tocar em mim,
    Rápida,olho para trás;
    Vejo um vulto negro,fugaz;
    Logo desaparece,aliás

    Mais barulhos,que estranho;
    Não são os mesmos de antes.
    Volto ao porão,
    Em passadas hesitantes

    Não apenas não vejo nada,
    Como vejo algo,sim
    Não vejo com meus olhos,
    Mas sinto atrás de mim

    Meus olhos se reviram,
    Minha boca se abre,
    Um esgar pálido me observa,
    Já face a face

    Os olhos da criatura
    Não demonstram piedade;
    Parece que veio determinado
    A cumprir sua finalidade

    Não sinto-me mais diferente
    Parece que passou.
    Agora a mesma mulher
    À frente da janela acordou.

    O Que teria sonhado?
    A Lembrança se esmaece
    Enquanto isso,calma,
    A chuva de novo aparece.
  • O Olho da Cachoeira

    Houvera um tempo onde o azul do mar era o mesmo do azul do céu, onde a terra era mais verde que o próprio verde que a envolvia e onde a noite era mais obscura que a mais obscura das mentes.
    No meio disso havia um pequeno vilarejo, que acomodava pessoas egoístas, gananciosas e más, de modo geral. Entretanto havia uma jovem solitária que divergia dos costumes dos seus conterrâneos, por ser de família pobre e por ser diferente dos demais ela constantemente sofria abusos, era explorada enquanto tentava conseguir prata pra se alimentar, pois ouro era moeda de ricos. As humilhações iam de xingamentos à cusparadas. 

    Apesar dos abusos a jovem era muito bonita, apesar das lágrimas noturnas a jovem era radiante e sorria com o próprio vento, pois amava a natureza. Contudo essa felicidade não duraria por muito mais tempo.
    Era uma tempestuosa noite, mais tempestuosa que a mente da jovem. A penumbra envolvia o ar enquanto a jovem voltava pra casa herdada dos falecidos pais com os pães que comprou e que seriam sua segunda refeição do dia. Ao atravessar a noite e passar por um bar local a jovem foi seguida por dois homens embebidos de maldade e preconceito que na primeira oportunidade agrediram-na, rasgaram suas roupas e roubaram seus pães.
    Aos prantos chegou em casa e trancou-se em seu quarto. Onde repleta de ódio e rancor decidiu não derramar mais nenhuma lágrima por aqueles selvagens ao qual dividia a cidade. Cansada e com fome, adormeceu. Enquanto dormia uma última lágrima que escorrera de seus olhos, embebida de seu ódio e rancor, voltou ao seu ducto lacrimal. 
    Ao acordar, a jovem sentira um dor terrível no seu rosto. Correu desesperada para a cozinha onde havia um balde com água ao qual viu seu reflexo e, perplexa, notou seu olho esquerdo inchado. Continuou sua rotina de trabalho e de humilhação, que só piorara com seu edema. Com o passar do tempo as dores foram aumentando até que sumiram, trazendo então um odor repugnante. Os abusos pioraram ao ponto da jovem não sair mais de casa e racionar a comida que ainda tinha. Mais tempo se passou e o olho da jovem começou a apodrecer e seu rosto adquirira uma feição nefasta. Envergonhada e com medo dos outros a jovem fugiu pela floresta e nunca mais foi vista, nunca mais chorou e tampouco sorriu.
    Anos depois, onde o azul não era tão azul e o verde não era tão verde, exploradores resolveram escalar uma cachoeira que encontraram entre a floresta e a cidade. Ao chegar em seu topo encontraram uma ossada em volta de uma pequena poça de água. Perceberam então que dentro dos ossos, flutuando nas águas límpidas, havia um olho humano completamente intacto sem sinal de apodrecimento. Nomearam então de O Olho da Cachoeira.
    Não sabiam que outrora a bela jovem que já não era bela, nem jovem, construira uma casa em meio as colinas da floresta. Após uma vida de reclusão, vergonha e rancor a não mais jovem morrera de velhice. Seu corpo naturalmente começara a apodrecer, deixando apenas seu olho direito que, como um ato de desespero e alívio, começou a lacrimejar. De gota em gota as lágrimas preencheram o lugar que antes era o vilarejo forçando todos os habitantes a se mudarem de lá. 
    A casa na colina, o vilarejo, tudo fora engolido pelas lágrimas. O que restara foi seu corpo e seu olho, como testemunha do que os outros podem fazer... Ou do que podemos fazer com nós mesmos
  • O quarto

    Dia 1
    Toc toc
      Bato na porta de entrada, mas ninguém aparece para atender. Olho para o relógio e já está tarde. O voo atrasou, o taxista era lento. Toc toc. Ninguém abre a porta. Olho pela janela da casa, mas isso se torna impossível, todas estão cobertas por cortinas pesadas e escuras. Coloco a minha mão dentro do vaso das roseiras que ficam ao lado da porta, encontro uma chave e a coloco na fechadura, giro a maçaneta e ponho os meus pés para dentro da casa. As luzes estão acessas, mas não tem ninguém.
     — Joe? — Novamente o meu chamado é ignorado.
      Desço a escada até o porão, o meu quarto. A cama e os livros ainda estão no mesmo lugar. Coloco a minha mochila no chão e subo. Vejo meu pai descer a escada do andar superior. Ele gesticula em libras para mim e eu o respondo. O meu pai perdeu a audição quando ainda éramos criança e com isso a fala foi se tornando cada vez mais difícil para ele, mas se falarmos bem devagar ele ainda consegue ler os nossos lábios.
     — Cadê o Joe? Eu já sei da armação dele. — Conforme me comunico em libras, falo bem alto para que o meu irmão me escute.
     — Você sabe que eu só fiz isso, por que você vive mais para o trabalho do que tem tempo para vir aqui. — Viro e encontro o meu irmão saindo da cozinha com uma faca e as mãos sujas de sangue, ele cheira e coloca um dos dedos na boca, limpado-o com a sua saliva — É carne de porco, a sua favorita.
      Há dois dias recebi uma ligação de Joe, supostamente, assustado e falando sobre como o nosso pai não estava bem. Eu acreditei no início. Mas depois percebi que o Joe nunca me liga, nem mesmo para assuntos graves e segundo é o Joe, só poderia ser mais uma de suas brincadeiras sem graça.
     — Você não pode inventar as coisas e simplesmente me pedir para viajar para esse lugar no meio do nada. Perdi meu tempo.
     — É, mas você veio. — Ele disse. É, eu vim.
    Dia 2
      Ainda de olhos fechados ouço passos em cima do porão, como se várias pessoas estivessem se movimentando na sala principal. Subo e quando entro na sala não encontro ninguém, a casa parece tão vazia quanto ontem. Penso que estava sonhando acordada. Vou até à cozinha e pego um copo com água, sento-me perto da janela e arrasto a cortina para o lado, lá fora ainda está escuro e pingos de água batem contra a grama verde do jardim. Caminho para mais perto da janela, algo preto e grande vem na minha direção, colide na janela e cai. Dou um passo para trás assustada e deixo o copo cai no chão, olho para a janela e tudo o que vejo é o vidro trincado, ainda com receio caminho lentamente para mais perto janela e observo além da rachadura, um corvo contorcendo-se no chão, a ave consegue se recuperar e levanta voo. Vejo o animal desaparecendo além das árvores.
      Não volto mais a dormir, fico em meu quarto lendo alguns dos meus muitos livros até que amanheça. Quando finalmente retorno para o andar superior da casa tudo está em silêncio, assim como na madrugada. Caminho até as janelas da casa e abro as cortinas uma por uma, a claridade entra e a casa finalmente recebe luz natural. Na janela trincada consigo ver ao longe o meu pai no jardim apontando para algo nas árvores e Joe ao seu lado. Lembro do quarto do meu pai e decido ir olhá-lo. Quando abro a porta do cômodo não consigo enxergar nada, tudo está escuro e sinto um cheiro forte que me deixa enjoada.
      Ligo a luz. A intensidade da iluminação faz com que os meus olhos se fechem instantaneamente, olho para todos os lados, mas nada parece incomum. Sinto algo tocar os meus ombros e calcanhares, afasto-me, mas não tem ninguém, devo estar sentindo coisas. Ouço uma voz vindo do closet do quarto. “Tem alguém aqui”, é o que consigo escutar. Ela se torna mais alta, e mais alta e então começa a parecer gritos “Tem alguém aqui”. Protejo os meus ouvidos com as mãos, contudo, não adianta, está muito alto. O cheiro começa a ficar mais intenso. Agora percebo que o ar não circula mais pelo local, as janelas estão cobertas pelo mesmo modelo de cortina das outras janelas que pelo visto tampam o restante da casa. A minha respiração começa a pesar, fica cada vez mais difícil de respirar. As vozes começam a brincar com a minha mente. Tem alguém aqui. Tem alguém aqui. Aproximo-me do closet e o odor fica ainda mais presente, arrasto o material de mdf para o lado e vejo um animal sem cabeça pendurada em um cabide. É um porco.
      Por um instante tudo fica escuro em minha cabeça, os meus olhos se abrem novamente e o animal decepado ainda está na minha frente. Desço as escadas correndo. No andar de baixo vejo Joe fechando a última cortina de uma das janelas. O ambiente continua claro, a luz artificial está ligada. Tento gritar, mas a minha respiração ainda está desregulada.
     — Você não deve em hipótese alguma abrir as cortinas — a voz de Joe ecoa na minha cabeça. E então desabo no chão gélido. “Tem alguém aqui”. A voz grita e é a única coisa que fica na minha mente.
    Dia 3
      Vozes são tudo o que escuto ao abrir os olhos, mas não tem ninguém comigo. Não consigo lembrar do que aconteceu. A casa está em completa escuridão quando subo as escadas, vou até à janela abrir as cortinas, mas alguém me puxa para trás. É Joe.
     — Não abra as cortinas. — É tudo o que ele fala antes de sair, consigo ouvir seus passos indo para a cozinha, ele retorna e acende velas, colocando-as em candelabros pela casa toda. — Estamos sem energia por tempo indeterminado.
      Tudo o que vejo é a silhueta de Joe andando pela casa. Subo as escadas e encontro o meu pai saindo do seu quarto, assim que ele me avista volta correndo para o cômodo, acelero os meus passos até a porta e o impossibilito de a fechar antes que eu possa entrar, diferente do resto da casa a janela está aberta permitindo que entre um pouco de luz e a brisa da manhã. O meu pai vai até porta e a tranca, quando se vira para mim, começa a falar, mas eu não consigo entender os seus rápidos movimentos com a mão. Ele para e retorna. Tudo o que eu consigo entender é “Tem alguém aqui”, então flashes da noite anterior aparecem na minha cabeça, olho ao meu redor e não vejo nada, vou até o closet e tem apenas roupas. A escuridão consome o lugar e as velas tomam o lugar da luz natural. Pergunto para o meu pai quem está aqui, mas batidas fortes na porta nos atrapalha.
      A porta é aberta bruscamente. Joe aparece e balança um molho de chave na mão. Convida-nos para descer e comer. O prato principal de hoje será carne de porco, novamente. Mas antes, ele pede para que eu saia do quarto, pois, precisa conversar com o meu pai em particular, assunto de homem, ele diz. Desço as escadas e vou até à cozinha. Na mesa, a carne fede e está coberta de moscas, tento afastá-las, mas são muitas. Parece podre. Aperto o meu nariz com os dedos e saio de lá. Espero até que o meu pai e meu irmão desçam para que eu possa falar da impossibilidade de comermos carne estragada. Quando eles finalmente descem, passam por mim e vão até à mesa de jantar, ouço a cadeira ser arrastada e os talheres batendo no prato. Vou até lá e eles estão comendo, olho para o meu prato e a carne está intacta, bem assada e não parece podre. Olho ao redor e percebo que definitivamente algo está acontecendo comigo.
    Dia 4
      A luz tremeluzente da vela se apaga. Acendo outra. Não vai demorar para que essa assim como as outras três se desmanche até virar cera. Logo será manhã e eu ainda não conseguir fechar os olhos um só instante. Não sei o que está acontecendo, mas há algo de errado na casa. Ontem fui até a caixa elétrica da casa e parece que alguém desligou o interruptor de toda a casa, não sei quem o fez, mas não temos vizinhos e nem arruaceiros nas proximidades. “Sem energia por tempo indeterminado”, Joe falara. Decido não contar para ele e nem para o meu pai, temos velas suficientes para cinco meses.
      No andar de cima escuto a voz abafada de Joe e de mais alguém, a qual não consigo reconhecer, parecem estar no quarto do meu pai, ainda do último degrau da escada, estico o pescoço para tentar ouvir algo, mas a porta se fecha em um estrondo. Assusto-me, mas decido subir mesmo assim. Não ouço mais as vozes, apenas um grunhido que se parece com o som da voz do meu pai. Eu acho que ele está tentando falar, mas algo o impede. Bato na porta. Joe! Joe! Grito o nome do meu irmão. Sem passos, sem nada. Ninguém está vindo abrir a porta. Forço a fechadura da porta, mas ela se abre rapidamente, fazendo-me cair de joelhos no chão.
     — Você precisa saber esperar — Joe fala e passa por mim. Na cama, vejo o rosto do meu pai enrugado dormindo. É, não tem ninguém aqui.
    Lá fora a chuva castigava o jardim, as árvores balançam de forma ritmada de acordo com a direção do vento e os trovões soavam estrondosos. Pela única fresta da janela posso ver o que acontecia do lado de fora. Já era noite e as luzes da vela criava um ambiente sinistro na casa. A cabeça de um cervo empalhado e pendurado, agora parecia um monstro que toma forma uma horrenda e sombra se estende por toda a parede. Direciono novamente a minha atenção para a chuva, mas sinto algo envolver o meu pescoço, como se fossem duas mãos grandes estivessem enroscando-o e não querem mais soltar, tento inalar o ar, mas fica difícil, levanto-me e tento levar as minhas mãos até o pescoço, porém, algo me impede e continua a me sufocar. Uma baba grossa e vermelha começa a escorrer pela minha boca e cai no carpete. Esforço-me para gritar o nome de Joe, mas não consigo. Primeiro a minha visão fica turva e depois tudo apaga.
      Acordo ofegante. Pingos de água caem sobre o meu rosto que está molhado de suor, tem uma infiltração no teto do porão. Olho para o relógio na escrivaninha e ainda é noite, nada aconteceu foi apenas um pesadelo. Mesmo assim toco no meu pescoço e está dolorido, tento falar algo, mas a minha voz sai rouca, a minha garganta se contrai e sai um pouco de sangue pela minha boca, lembro do sonho e caminho até o local da casa, no qual ocorreu o meu suposto sonho. A cortina está um pouco afastada, deixando a luz da lua passar pelo vidro, vou até lá e a arrastado, fechando-a completamente. Olho para o carpete e noto uma mancha vermelha escura, abaixo-me e toco aquele borrão sujo, o sangue ainda está quente e viscoso. Algo tenta se aproximar de mim enquanto levanto, olho para trás e vejo uma sombra correndo e subindo as escadas. Sigo o vulto, ao chegar no andar superior, a coisa entra no quarto do meu pai, apresso-me a ir atrás, mas a porta já está fechada. Tento abrir a porta, mas algo pesado parece impedir até mesmo a maçaneta de girar. Ainda não consigo falar por causa da minha garganta, mas mesmo assim continuo a empurrar a madeira pesada na minha frente. Não obtenho um resultado, então decido tentar pela janela, mesmo que isso dê chance para o que quer que seja sair de lá.
      Olho para a janela em cima. É no segundo andar, então não é tão alto. A chuva já passou, mas o frio insiste em continuar. Subo pela construção de madeira que fica ao lado da janela, encontro dificuldade em apoiar os meus pés junto das plantas que envolvem a madeira. Mas preciso ser rápida. Não consigo enxergar lá dentro, as grossas cortinas tapam a minha visão. Arrasto o vidro para o lado, mas não é surpresa alguma que a janela esteja trancada pelo lado de dentro. Com o braço esquerdo me seguro no parapeito da janela e coloco o cotovelo direito na frente do me corpo, sem pensar muito jogo o braço na direção do vidro, uma fina rachadura se abre, forço mais uma vez e, finalmente, um buraco mediano rompe, posiciono a minha mão para dentro e encontro a fechadura, arrasto o ferro para o lado e a janela destrava.
     
      Coloco a última parte do meu corpo para dentro do quarto. No meu bolso esquerdo sinto o estilete friccionar. O quarto está escuro, a não ser pela luz trêmula da vela, e sem sinal de ninguém, o que é estranho, já que o meu pai deveria estar dormindo aqui. O mesmo odor que eu sentir pela primeira vez que entrei aqui surgi novamente. Sinto uma vontade incontrolável de vomitar e uma líquido espesso sai pela minha boca. As mesmas vozes que gritavam quando entrei aqui retornam, mas agora a frase é diferente "Estou aqui". Puxo o canivete do meu bolso e vou até o closet, deslizo a porta de uma vez e enxergo um corpo também sem cabeça pendurada no cabide. Olho para a cama e o meu pai não está lá. Eu preciso sair daqui. Corro até a janela, mas está trancada, e não abre, tento a porta, mas como esperado ela também não quer abrir. A vela intenta a apagar e uma silhueta aparece na parede, uma grande mão ameaça em vir em minha direção, jogo o meu corpo contra a porta, esperando que alguém ouça o barulho. Aquele membro grande agarra o meu pescoço e o brilho da luz se dissipa, a porta se abre e o meu corpo é jogado para frente e logo desmaio.
    Dia 5
      Os meus olhos se abrem com dificuldade. Apalpo abaixo do meu corpo e percebo que estou na casa, na mesinha ao lado consigo ver uma xícara de chá e uma caixinha transparente com pílulas. O relógio aponta que já é tarde e logo mais a noite chegará. Devo ter dormido o dia todo. Sento na cama com dificuldade e apoio o meu corpo na parede, estico o meu braço e apanho a xícara que contém um líquido verde, levo o conteúdo até o nariz e tem um cheiro forte, mas não parece ser ruim.
     — Você vai se sentir melhor quando tomar com os comprimidos — Assusto-me com a voz que sai do canto escuro do quarto, é Joe, eu não o vi ali. — Eles irão vir te pegar a noite.
      Eles quem? Mas quando vou perguntar a porta do porão se fecha, ele se foi e me deixou aqui sozinha. Eu não posso mais ficar aqui. Derramo o chá no mesmo canto escuro do qual Joe saiu e jogo as pílulas debaixo da cama. Pego a minha mochila, mas está vazia, sem as peças de roupa que eu trouxe, está sem nada. Vou até o telefone que fica na mesinha de cabeceira, mas está mudo, preciso ligar o sistema de energia e restabelecer o sistema de telefonia. A porta se abre, volto para cama. Joe olha a mochila jogada no chão e me fita balançando a cabeça negativamente.
     — Você não vai precisar mais das suas roupas. Confie em mim. — É a última coisa que diz antes de sair apressado do quarto, deixando-me sem possibilidades para perguntas e respostas.
      Vejo o relógio e pelo horário sinalizado o sol deve estar se pondo. Apesar do receio de que a porta esteja trancada, subo as escadas e consigo abri-la sem dificuldades. Aqui em cima o silêncio é agonizante, caminho até a janela e puxo a cortina para o lado, diferente do que o relógio indicava, o sol não está se pondo, já anoiteceu e o céu está escuro, nem lua, nem estrelas. Alguém atrasou o meu relógio. Caminho até a porta dos fundos da casa, já do lado de fora vou até o interruptor e ligo todo o sistema, ainda assim as luzes da casa estão apagadas, conecto também a fiação do sistema de telefonia. Retorno para a casa, ainda com receio de que alguém me veja. Vou para o meu quarto e tranco a porta. Consigo ligar a luz. Retiro o telefone do suporte, e está funcionando normalmente, disco alguns números, mas o aparelho para de funcionar novamente. O meu corpo começa a tremer e sinto que vou desmaiar, tento dizer a mim mesma para ficar calma, porém só aumenta a sensação. Do alto da escada uma luz pálida escapa por debaixo da porta e uma sombra anda na frente do porão, desaparecendo depois. Ele já sabe que liguei o sistema.
      Tudo retorna a ficar escuro. Olho para a frente e a luz da vela também se apaga. O que faço agora? Olho para a porta do porão e decido correr, ainda que seja a minha última chance. Subo as escadas e abro a porta, mas antes de colocar os meus pés para fora da cômodo algo me faz tropeçar e caio na escada, o meu corpo colidi com o chão, tento me levantar, mas não consigo, julgo que quebrei algumas costelas. Na porta vejo a silhueta de uma pessoa descendo pelas escadas, esforço-me a levantar, mas sinto uma dor excruciante nas minhas costas, ainda assim consigo me arrastar para trás, mas a madeira da cama me impede de continuar, a coisa vem se aproximando de mim, mesmo com a escuridão eu consigo ver o par de olhos que me encaram, eles brilham de uma forma que eu nunca tinha visto. Do seu braço direito observo um objeto pontiagudo que também reluz no escuro. Antes que a coisa me acerte, dou um chute que parece ter sido no ar, pois, não sinto o impacto em nada, mas por um tempo a figura some da minha frente e eu não sei como, mas consigo me levantar e mesmo andando curvada alcanço a escada, subo mais rápido que posso e consigo sair do porão. Apoiando-me na parede chego até a porta de saída. A minha única e última chance, digo em meus pensamentos, a última oportunidade. Toco na maçaneta e a porta abre com dificuldade. O vento choca contra a minha face e a neblina cobre todo o jardim, dou uma última olhada para trás e resolvo tentar correr. No entanto, ao invés de o meu corpo ir para frente, eu o sinto sendo lançado para trás no ar e se chocando com a parede, escorregando lentamente até atingir o chão. Da minha garganta rasga um grunhido de dor, sem forças para me levantar, vejo as velas que estão colocadas nos candelabros se acenderem e na parede surgem sombras que se aproximam de mim, enquanto a porta a minha frente começa a ranger, de forma lenta e agoniante, fechando e atrás dela está o meu irmão. É tudo o que vejo antes das sombras se revelarem sobre mim.
     
  • O Sombra

           Capítulo 1: Noite chuvosa
         Tudo começa com Mike no dia 27/10 de 1987, eram oito horas da noite e chovia demais. Mike estava  sem muito o que fazer, resolveu ir na biblioteca antes que fechasse as nove horas. Quando estava saindo com sua capa de chuva amarela, sua mãe gritou:
        - Filho pegue a bombinha para usar caso tenha suas crise de asma e por favor não demore, já são oito e vinte.
        - Você não acha que sou um pouco louco para sair a essa hora só para pegar um livro? - pergunta Mike dando uma risadinha.
        - Só um pouquinho filho, você não acha melhor fica em casa? Pois ta chovendo demais e é de noite, a biblioteca abre amanhã, aí você pode ir bem cedo. - fala sua mãe com uma preocupação.
         - Mãe eu não demoro dez minutos para chegar na biblioteca, daqui a meia hora estou em casa com um livro bem legal. - fala Mike sorrindo para ela.
         Então sua mãe deixou ele ir mas antes de ir Mike pegou sua bombinha que estava em cima do bidé de seu quarto. Quando Mike saiu pela porta, ele sentiu o frio e o vento forte batendo em seu rosto, não havia ninguém na rua. No caminho para biblioteca Mike notou que a chuva estava mais forte e  que começaram os trovões e relâmpagos. Quando estava passando pelo último poste de luz antes de chegar na biblioteca viu que ele havia piscado três vezes direto, parecia um aviso dizendo perigo. Mike ignorou o poste e andou mais rápido em direção da biblioteca, quando estava entrando na biblioteca viu na janela uma pessoa passar. Isso deu uma certo susto em Mike pois ele achava que era o único que ía na biblioteca a essa hora.
         Quando entrou na biblioteca a senhora Amber falou: 
        -Mike já são oito e meia, por favor seja rápido e escolha seu livro. E por favor deixe sua capa de chuva ali na estante para não sair molhando tudo
         Mike deixou sua capa de chuva na estante e perguntou para senhora Amber:
        -  Foi a senhora que eu recém vi na janela agora a pouco? - pergunta Mike um pouco assustado.
        - Não, faz mais de quatro horas que não saio dessa cadeira e a última pessoa esteve aqui a três horas atrás, acho que está lendo demais senhor Foster - diz a senhora Amber ajustando seu óculos que estava torto.
        - Talvez seja isso mesmo mas agora vou ver o livro antes que a senhora feche a biblioteca - diz Mike indo para o corredor cinco.
        Enquanto Mike anda pelo corredor cinco, ele nota um livro com uma capa super legal, em sua capa diz: O mundo escondido. Quando Mike vai pegar o livro ele sente que algo cruza atrás dele, então ele se vira rapidamente mas não tinha nada, com o susto ele teve uma crise de asma, rapidamente ele pega a sua bombinha no bolso de sua calça, inclina sua cabeça para cima e da uma respirada enquanto pressiona a bombinha. Mike estava com muito medo, ele resolveu ir para casa e deixar para pegar um livro outro dia, mas quando ta saindo do corredor cinco, ele escuta um livro cair no final do corredor seis que fica ao lado direito do cinco. Mike sai do cinco e vai para o seis, quando pegou o livro na mão deu um trovão tão forte que fez Mike ficar mais assustado, mas ele não teve uma crise de asma.
         Depois de pegar aquele livro ele chega na bibliotecária e fala:
        - Vou levar esse, seu nome é Eli.
        - Tudo bem, qual é o nome do autor - pergunta a senhora Amber olhando para o livro para ver se achava o nome do autor.
         Mike olha o livro por fora e vê suas primeiras e últimas páginas para dizer o nome do autor, mas simplesmente não tinha. Então ele disse:
        - Não tem, coloque autor desconhecido.
         Assim escreveu a senhor Amber no caderno onde ela anotava o nome do livro, seu autor, a pessoa que levava e a data que levava, normalmente as pessoas tem quinze dias para ler o livro mas caso não terminem é só ir na biblioteca e dizer que não terminaram e que precisam de mais quinze dias. Então senhora Amber da mais quinze dias para ler, caso a pessoa não termine nesses outros quinze dias é só ela voltar e fazer a mesma coisa.
         Depois que a senhora Amber anotou em seus caderno, Mike desejou uma boa noite para ela e foi para casa. No caminho para casa aconteceu o mesmo que havia acontecido com o poste de luz mas só que ele se apagou e não acendeu depois da terceira piscada, Mike começa a correr e é perseguido por uma coisa preta que parecia uma sombra, quando Mike corria e passava pelo postes, eles iam se desligando depois de três piscadas rápidas. Quando passou pelo último poste antes de chegar na sua casa a coisa preta sumiu e os postes apagados acenderam. 
         Quando Mike notou que tinha voltado ao normal, ele já estava em frente a porta de sua casa, com mais uma horrível crise de asma que fez ele tirar a bombinha de seu bolso e respirar pressionando a bombinha com a cabeça inclinada. Depois disso entrou na sua casa. Quando estava entrando seu irmão George de sete anos e meio falou para ele:
        -Oi mano, recém cheguei com o papai do mercado. Eu pedi pra ele comprar moranguinhos que a gente  gosta e ele comprou.
         Então George tirou do seu bolso um morango e deu a Mike.
        - Obrigado George, muito obrigado - agradeceu Mike enquanto passava sua mão entre os cabelo de George.
         Mike comeu o morango e foi para cozinha com George para eles jantarem, quando sentaram na mesa seu pai falou:
        - Vamos orar para agradecer?
         Todo mundo responde que sim, então papai orava em voz alta enquanto Mike, mamãe e George oravam em voz baixa. George sempre repete o que Mike fala, pois ele não sabe orar muito bem. Depois da oração comeram a deliciosa massa com guisado que  mamãe havia feito.
        Logo em seguida, depois do almoço Mike e George foram escovar os dentes e depois foram para o quarto que os dois dividem. Como Mike é o irmão mais velho com doze anos, ele sente que tem a responsabilidade de ler para George. E George adora quando Mike lê, essa noite Mike leu uma parte do livro de fantasia que seu pai tinha comprado para ele ler para George. A história do livro era sobre um dragão que protegia um reino, mas o rei achou que ele era do mal e expulsou ele. George acabou dormindo bem na parte em que o dragão é expulso e vai parar em uma terra distante voando.
         Mike guardou o livro na estante de livro de seu quarto, deu um beijo na bochecha de George falando boa noite em voz baixa e foi dormir, resolveu deixar ler o livro Eli amanhã pois já eram dez horas e vinte da noite e ele teria escola pela manhã.
  • O Sombra: Capítulo 1

    Capítulo 1: Noite chuvosa
         Tudo começa com Mike no dia 27/10 de 1987, eram oito horas da noite e chovia demais. Mike estava  sem muito o que fazer, resolveu ir na biblioteca antes que fechasse as nove horas. Quando estava saindo com sua capa de chuva amarela, sua mãe gritou:
        - Filho pegue a bombinha para usar caso tenha suas crise de asma e por favor não demore, já são oito e vinte.
        - Você não acha que sou um pouco louco para sair a essa hora só para pegar um livro? - pergunta Mike dando uma risadinha.
        - Só um pouquinho filho, você não acha melhor fica em casa? Pois ta chovendo demais e é de noite, a biblioteca abre amanhã, aí você pode ir bem cedo. - fala sua mãe com uma preocupação.
         - Mãe eu não demoro dez minutos para chegar na biblioteca, daqui a meia hora estou em casa com um livro bem legal. - fala Mike sorrindo para ela.
         Então sua mãe deixou ele ir mas antes de ir Mike pegou sua bombinha que estava em cima do bidé de seu quarto. Quando Mike saiu pela porta, ele sentiu o frio e o vento forte batendo em seu rosto, não havia ninguém na rua. No caminho para biblioteca Mike notou que a chuva estava mais forte e  que começaram os trovões e relâmpagos. Quando estava passando pelo último poste de luz antes de chegar na biblioteca viu que ele havia piscado três vezes direto, parecia um aviso dizendo perigo. Mike ignorou o poste e andou mais rápido em direção da biblioteca, quando estava entrando na biblioteca viu na janela uma pessoa passar. Isso deu uma certo susto em Mike pois ele achava que era o único que ía na biblioteca a essa hora.
         Quando entrou na biblioteca a senhora Amber falou: 
        -Mike já são oito e meia, por favor escolha seu livro rápido. E por favor deixe sua capa de chuva ali na estante para não sair molhando tudo
         Mike deixou sua capa de chuva na estante e perguntou para senhora Amber:
        -  Foi a senhora que eu recém vi na janela agora a pouco? - pergunta Mike um pouco assustado.
        - Não, faz mais de quatro horas que não saio dessa cadeira e a última pessoa esteve aqui a três horas atrás, acho que está lendo demais senhor Foster - diz a senhora Amber ajustando seu óculos que estava torto.
        - Talvez seja isso mesmo mas agora vou ver o livro antes que a senhora feche a biblioteca - diz Mike indo para o corredor cinco.
        Enquanto Mike anda pelo corredor cinco, ele nota um livro com uma capa super legal, em sua capa diz: O mundo escondido. Quando Mike vai pegar o livro ele sente que algo cruza atrás dele, então ele se vira rapidamente mas não tinha nada, com o susto ele teve uma crise de asma, rapidamente ele pega a sua bombinha no bolso de sua calça, inclina sua cabeça para cima e da uma respirada enquanto pressiona a bombinha. Mike estava com muito medo, ele resolveu ir para casa e deixar para pegar um livro outro dia, mas quando estava saindo do corredor cinco, ele escuta um livro cair no final do corredor seis que fica ao lado direito do cinco. Mike sai do cinco e vai para o seis, quando pegou o livro na mão deu um trovão tão forte que fez Mike ficar mais assustado, mas ele não teve uma crise de asma.
         Depois de pegar aquele livro ele chega na bibliotecária e fala:
        - Vou levar esse, seu nome é Eli.
        - Tudo bem, qual é o nome do autor - pergunta a senhora Amber olhando para o livro para ver se achava o nome.
         Mike olha o livro por fora e vê suas primeiras e últimas páginas para dizer o nome do autor, mas simplesmente não tinha. Então ele disse:
        - Não tem, coloque autor desconhecido.
         Assim escreveu a senhora Amber no caderno onde ela anotava o nome do livro, seu autor, a pessoa que levava e a data que levava, normalmente as pessoas tem quinze dias para ler o livro mas caso não terminem é só ir na biblioteca e dizer que não terminaram e que precisam de mais quinze dias. Então senhora Amber da mais quinze dias para ler, caso a pessoa não termine nesses outros quinze dias é só ela voltar e fazer a mesma coisa.
         Depois que a senhora Amber anotou em seu caderno, Mike desejou uma boa noite para ela, colocou sua capa de chuva e foi para casa. No caminho para casa aconteceu o mesmo que havia acontecido com o poste de luz mas só que ele se apagou e não acendeu depois da terceira piscada, Mike começa a correr e é perseguido por uma coisa preta que parecia uma sombra, quando Mike corria e passava pelos postes eles iam se desligando depois de três piscadas rápidas. Quando passou pelo último poste antes de chegar na sua casa a coisa preta sumiu e os postes apagados acenderam. 
         Quando Mike notou que tinha voltado ao normal, ele já estava em frente a porta de sua casa, com mais uma horrível crise de asma que fez ele tirar a bombinha de seu bolso e respirar pressionando a bombinha com a cabeça inclinada. Depois disso entrou na sua casa. Quando estava entrando seu irmão George de sete anos e meio falou para ele:
        -Oi mano, recém cheguei com o papai do mercado. Eu pedi pra ele comprar moranguinhos que a gente  gosta e ele comprou.
         Então George tirou do seu bolso um morango e deu a Mike.
        - Obrigado George, muito obrigado - agradeceu Mike enquanto passava sua mão entre os cabelo de George.
         Mike comeu o morango e foi para cozinha com George para eles jantarem, quando sentaram na mesa seu pai falou:
        - Vamos orar para agradecer?
         Todo mundo responde que sim, então papai orava em voz alta enquanto Mike, mamãe e George oravam em voz baixa. George sempre repete o que Mike fala, pois ele não sabe orar muito bem. Depois da oração comeram a deliciosa massa com guisado que  mamãe havia feito.
        Logo em seguida, depois do almoço Mike e George foram escovar os dentes e depois foram para o quarto que os dois dividem. Como Mike é o irmão mais velho com doze anos, ele sente que tem a responsabilidade de ler para George. E George adora quando Mike lê, essa noite Mike leu uma parte do livro de fantasia que seu pai tinha comprado para ele ler para George. A história do livro era sobre um dragão que protegia um reino, mas o rei achou que ele era do mal e expulsou ele. George acabou dormindo bem na parte em que o dragão é expulso e vai parar em uma terra distante voando.
         Mike guardou o livro na estante de livro de seu quarto, deu um beijo na bochecha de George falando boa noite em voz baixa e foi dormir, resolveu deixar ler o livro Eli amanhã pois já eram dez horas e vinte da noite e ele teria escola pela manhã.
  • O Sombra: Capítulo 2

    Capítulo 2: Eli e sua mensagem
         Enquanto Mike dormia, sonhou que George estava morto em pedaços no chão, seu coração estava fora do peito, seu cabelo loiro cheio de sangue. Mike acordou gritando:
        - George não!
         Mike olhou para lado direito onde fica a cama de George e viu ele se acordando com o grito. George perguntou:
        - Mano, ta tudo bem? Eu fiz algo errado?
         Mike vai para cama de George e abraça ele chorando, dizendo:
        - Não fez nada de errado George, eu só tive um sonho horrível.
         - Como foi o sonho mano? - perguntou George secando as lágrimas de seu irmão.
        -Foi horrível, você estava morto e era muito horrível mesmo George. - responde Mike abraçando George tão forte como se não quisesse o largar mais.
        - Mas agora ta tudo bem, aquele sonho acabou. Você sabe que horas são? - pergunta George querendo saber se já estava na hora de ir para escola.
         Então Mike pega seu relógio de pulso que estava no bidé, olha as horas e diz:
        - São sete e dez, acho melhor a gente se levantar e comer uma torrada. E depois escovar os dentes.
         Então os dois se levantaram, foram para a cozinha, Mike fez duas torradas, uma para ele e a outra para seu irmão. George pergunta:
        - Tem suco mano?
        - Acho que tem um pouco do de laranja que sobrou ontem - responde Mike enquanto vai em direção a geladeira para olhar se tinha suco.
         Então Mike acha o suco mas só tinha para um. Então Mike deu para George o suco juntamente com a torrada. George olhou para Mike que estava sem suco e só com uma torrada, então falou:
        - Eu divido meu suco contigo.
        - Não precisa, eu tomo água - fala Mike bagunçando o cabelo loirinho de seu irmão.
         Depois do café da manhã foram escovar os dentes. Mike e George gostam de escovar os dentes um do outro. Então depois eles pegaram suas mochilas e foram para escola. Na escola Mike encontrou Jack seu amigo que usa uma toca escura e tem uma franja super legal.
        - Vou com meus amigos Mike, se não se importa.
        - Pode ir George mas antes quero um abraço.
         Então os dois irmão se abraçaram, Mike deu um beijinho na bochecha de seu irmão e lhe desejou uma boa aula. Enquanto George foi com seus amigos, Mike foi para o pátio da escola junto com o Jack para eles sentarem num banco e conversarem. Quando se sentaram, Mike tirou o livro Eli de sua mochila e falou para Jack:
        - Eu tive uma noite muito bizarra ontem, eu vi vultos, postes se apagaram e fui até perseguido por uma coisa escura que parecia uma sombra.
        - Mas o que esse livro tem haver? - pergunta Jack tentando acreditar em Mike.
        - Eu estava na biblioteca e tinha deixado para pegar um livro em outro dia, ou seja, nesse dia mas quando estava lá ontem ouvi o barulho desse livro caindo no corredor 6. Peguei ele na mão e bem na hora relampeou. Então cheguei na senhora Amber e ela anotou os dados no caderno e depois que tava vindo para casa fui perseguido por essa "sombra". Com certeza você não está acreditando em mim
         - Meu Deus Mike, isso é muita loucura, mas eu acredito em você. Você é meu melhor amigo Mike Foster, se me dissesse que laçou fogo pelas mãos, eu acreditaria. - fala Jack indo mais perto de onde Mike estava assentado no banco.
        - Obrigado Jack, também considero você como meu melhor amigo. - fala Mike assegurando a mão de Jack - Eu tive um sonho horrível onde George estava morto no chão, com seu coração fora do peito e seus cabelos coberto de sangue.
        Mas ta tudo bem agora Mike, isso já passou - fala Jack assegurando firme a mão de Mike.
         Quando foram realmente olhar o livro, acabou batendo o sinal para eles irem para sala de aula. Entraram na sala e se sentaram nas classe da frente. A aula favorita de Mike era a de história pois ele sempre descobria coisas incríveis que aconteceram a tempos atrás. Já a aula favorita de Jack é matemática, sua inteligência é impressionante.
         Depois dos dois primeiros períodos de aula que foi ciência e geografia  Mike e Jack foram para o recreio. No recreio Mike observava seu irmão brincando com seus amigos enquanto fala com o Jack.
         - Ei Mike pegue o livro para nós olharmos - fala Jack com muito curiosidade.
         Então Mike foi correndo e pegou o livro que estava em sua mochila, quando estava saindo da sala a porta se fechou sozinha. Mike tentou abrir mas não conseguia, ele começou a bater nela mas mesmo assim ela não se abria e ninguém escutava pois era muito alto o  barulho das crianças gritando enquanto brincavam no pátio da escola. Naquele momento Mike teve um ataque de asma, rapidamente ele pegou sua bombinha e fez os três passos que ele sempre fazia, que são:
       1: Inclina a cabeça para trás.
       2: Respira
       3: Pressiona o botão da bombinha.
         Isso sempre parava as suas crises. Mike não tinha muito o que fazer, então resolveu sentar em sua cadeira e ler o livro de Eli até bater para voltarem para a sala e alguém abrir a porta. No momento que sentou para ler, Jack apareceu e falou:
        - Por que a demora? O que está fazendo? Ía ler sozinho?
        - Iria pois a porta estava trancada e eu teria que esperar alguém destrancar, para não ficar com tédio eu iria ler.
        - Mas a porta estava normal. Ela não estava trancada. - fala Jack olhando seriamente para a cara de Mike.
         Mike levanta da cadeira e abraça Jack tão forte e depois diz:
        - Eu estou com medo, esta acontecendo essa coisas estranhas comigo. Por favor fica do meu lado e me ajuda.
        - O Mike, lembre que sempre te ajudarei, sempre estarei do seu lado, sempre poderá contar comigo, isso é uma promessa. - fala Jack prometendo não abandonar Mike.
         Depois do abraço eles foram ler o livro mas infelizmente acabou o recreio e eles não puderam ler, mas eles ficaram de ler na casa do Mike pela tarde. Depois de mais dois períodos de aula, um de português e o outro de matemática, os dois foram para casa juntamente com George. A casa de Jack fica do lado da de Mike, uma casa azul marinho de dois andares. Quando estavam na frente de suas casas, eles se despediram e combinaram de se encontrar as três horas da tarde para ler o livro.
         Mike entrou com George para sua casa e foram direto almoçar um estrogonofe muito gostoso que a mãe deles havia preparado, mas antes de comerem seus pai falou:
        - Vamos orar, hoje você pode orar Mike?
        - Sim, posso. - responde Mike nervoso porque fazia tempo que não orava pelo alimento em voz alta.
         Então todos fecharam seus olhos e Mike começou a orar:
        - Muito obrigado senhor pelo alimento que você não deixa faltar. Abençoe toda nossa família e perdoe qualquer pecado que temos cometido. Seja feita sua vontade, amém.
         Papai gostou muito que Mike orou e achou muito bonito. Então eles comeram, depois disso papai foi trabalhar as duas horas da tarde em sua oficina e mamãe foi trabalhar vendendo imóveis que é seu emprego. Acabou ficando só George e Mike em casa. Então eles foram construir uma pipa de papel. A pipa ficou tão bonita, ela era colorida e era cheia de detalhes. Eles ficaram brincando com aquela pipa até Jack chegar para ler o livro Eli.
         Quando Jack chegou, Mike subiu para seu quarto com ele, enquanto George ficou brincando com a pipa. Quando subiram foram direto para o livro e começaram a ler juntos. Na primeira página estava escrito:
        - Por favor se você esta lendo esse livro saiba que meu nome é Eli de... Meu sobrenome não importa, quero que saiba que eu estou morto por causa de um entidade que é tipo uma sombra, acabei colocando o nome Sombra nele. Se você viu essa criatura saiba que você pode morrer, mas da para ter um final diferente do meu, basta você enfrentá - lo sem ter medo, ele pode tomar a forma do que você mais tem medo mas você precisa superar o medo se quer derrotar ele. Eu acredito que estou morto enquanto você lê esse livro, pois sei que não conseguiria vencer meu maior medo. Nos primeiros dias ele vai brincar com você, vai te causar medo pois ele gosta de fazer isso, ele se alimenta do medo. Não esqueça que a chave para derrotar ele é não ter medo, se você tem um medo, saiba que você precisa superar. Nas próximas páginas verá relatos do que aconteceu com as pessoas que interagiram com o Sombra.
         Depois que Jack e Mike leram só isso já ficaram horrorizados. Ficaram fazendo perguntas pra si mesmo. De que maneira surgiu o Sombra? Por que ele faz isso com pessoas? Ele é um demônio? Nós vamos morrer?
         Essas perguntas ficaram repetindo na cabeça dos garotos até que Mike falou:
        - Jack você não esta envolvido nisso, isso é perigoso, é melhor ir embora e eu darei meu jeito.
        - Não vou ir embora de maneira nenhuma - reponde Jack cumprindo sua promessa. 
        - Posso falar o meu maior medo? - pergunta Mike enquanto começa a escorrer lágrimas de seu rosto.
        - Pode - responde Jack assegurando mão de Mike.
        - Meu maior medo é perder o George e você. Se você morrer ficaria um vazio de mim, eu não seria mais eu. 
        - Mike eu...
         Jack é interrompido por George batendo na porta e perguntando:
        - Posso entrar mano?
        Mike responde sim e seu irmão entra, ele acaba notando que Mike estava chorando e fala:
        - O que aconteceu mano, esta tudo bem? Eu não gosto de ti ver assim.
        - George vem aqui, senta na minha cama. - fala Mike sorrindo por ver o carinho de seu irmão.
         Quando George sentou Mike lhe deu um abraço bem forte dizendo que isso tudo iria passar. Quando Mike olhou pra Jack falou:
        - O que você ia dizer?
        - Nada - responde Jack escondendo algo.
        - Tem certeza? Parecia algo sério. - diz Mike insistindo pra ele dizer.
        - Ok, eu digo. Estou com fome mas tava com vergonha de falar - diz Jack novamente escondendo a verdade.
        - Não precisa ter vergonha, que tal a gente tomar um suco juntamente com o bolo de chocolate que mamãe fez? Você quer também George?
        - Sim - reponde George e Jack.
         Então os garotos vão se alimentar. Mike serviu seu irmão e Jack também. Quando já havia servido os dois, Mike se serviu e acabou derrubando o copo de vidro que caiu no chão quebrando em vários pedacinhos. Jack olha assustado e pergunta:
        - Você esta bem? 
        Mas Mike não respondeu pois estava tendo uma visão. Nessa visão ele viu um acidente de carro. Quem sofreu o acidente foi o senhor Russel e a senhora Russel que são os pais do Jack. Quando a visão acabou Mike olhou pra Jack e disse:
        - Jack eu vi seus pais sofrerem um acidente de carro.
        - Eu estava lá? Você estava? - pergunta Jack se lembrando de um acidente de dois anos atrás.
        - Sim você estava e eu também, só que a gente era...
        - Criança - completa Jack - isso já aconteceu, se lembra que você perdeu a memória?
        - Sim, me lembro. Vocês tinham falado que foi num acidente de carro mas eu não conseguia me lembrar. - respondeu Mike impressionado que uma parte que faltava da sua memória havia voltado.
        - Lembra que você foi na roda gigante?
        - Não, eu nunca fui numa roda gigante mas lembro que a gente foi no parque. - fala Mike tentando lembrar de alguma roda gigante.
        - Há, tá! - reponde Jack com uma expressão meio triste.
        - Mas já que você lembra que eu fui numa roda gigante me conta como foi. - fala Mike querendo lembrar.
        - Foi incrível, a gente foi junto e dava pra ver a cidade de Healdsburg inteira dali de cima - fala Jack escondendo uma coisa que havia acontecido na roda gigante.
        - Que legal. - fala Mike tentando imaginar como seria ver a cidade de Healdsburg em um roda gigante. - mas acho melhor eu limpar essa bagunça de suco.
         Então Mike limpou e pegou outro copo e tomou o suco e comeu o bolo de chocolate. Depois dos garotos terem comido foram jogar basquete no quintal. Sempre que eles faziam sexta eles gritavam: - Ponto pra mim!
         Os garotos foram parar de jogar basquete a seis horas da tarde, foi quando os pais de Jack chegaram em casa e chamaram ele para ajudar a carregar as compras. Mike e o pequeno George foram juntos para ajudar a carregar as sacolas. Depois disso Mike chegou em Jack e falou:
        - Quer possar lá em casa? Só vai ter que orar junto com minha família para agradecer pelo alimento.
        - Quero, não tem problema. O bom que amanhã não teremos aula pois é sábado - fala Jack feliz pois havia tempo que não pousava na casa de seu amigo. - só teremos que pedir para nossos pais.
  • O Sombra: Capítulo 2

    Capítulo 2: Eli e sua mensagem
         Enquanto Mike dormia, sonhou que George estava morto em pedaços no chão, seu coração estava fora do peito, seu cabelo loiro cheio de sangue. Mike acordou gritando:
        - George não!
         Mike olhou para lado direito onde fica a cama de George e viu ele se acordando com o grito. George perguntou:
        - Mano, ta tudo bem? Eu fiz algo errado?
         Mike vai para cama de George e abraça ele chorando, dizendo:
        - Não fez nada de errado George, eu só tive um sonho horrível.
         - Como foi o sonho mano? - perguntou George secando as lágrimas de seu irmão.
        -Foi horrível, você estava morto e era muito horrível mesmo George. - responde Mike abraçando George tão forte como se não quisesse o largar mais.
        - Mas agora ta tudo bem, aquele sonho acabou. Você sabe que horas são? - pergunta George querendo saber se já estava na hora de ir para escola.
         Então Mike pega seu relógio de pulso que estava no bidé, olha as horas e diz:
        - São sete e dez, acho melhor a gente se levantar e comer uma torrada. E depois escovar os dentes.
         Então os dois se levantaram, foram para a cozinha, Mike fez duas torradas, uma para ele e a outra para seu irmão. George pergunta:
        - Tem suco mano?
        - Acho que tem um pouco do de laranja que sobrou ontem - responde Mike enquanto vai em direção a geladeira para olhar se tinha suco.
         Então Mike acha o suco mas só tinha para um. Então Mike deu para George o suco juntamente com a torrada. George olhou para Mike que estava sem suco e só com uma torrada, então falou:
        - Eu divido meu suco contigo.
        - Não precisa, eu tomo água - fala Mike bagunçando o cabelo loirinho de seu irmão.
         Depois do café da manhã foram escovar os dentes. Mike e George gostam de escovar os dentes um do outro. Então depois eles pegaram suas mochilas e foram para escola. Na escola Mike encontrou Jack seu amigo que usa uma toca escura e tem uma franja super legal.
        - Vou com meus amigos Mike, se não se importa.
        - Pode ir George mas antes quero um abraço.
         Então os dois irmão se abraçaram, Mike deu um beijinho na bochecha de seu irmão e lhe desejou uma boa aula. Enquanto George foi com seus amigos, Mike foi para o pátio da escola junto com o Jack para eles sentarem num banco e conversarem. Quando se sentaram, Mike tirou o livro Eli de sua mochila e falou para Jack:
        - Eu tive uma noite muito bizarra ontem, eu vi vultos, postes se apagaram e fui até perseguido por uma coisa escura que parecia uma sombra.
        - Mas o que esse livro tem haver? - pergunta Jack tentando acreditar em Mike.
        - Eu estava na biblioteca e tinha deixado para pegar um livro em outro dia, ou seja, nesse dia mas quando estava lá ontem ouvi o barulho desse livro caindo no corredor 6. Peguei ele na mão e bem na hora relampeou. Então cheguei na senhora Amber e ela anotou os dados no caderno e depois que tava vindo para casa fui perseguido por essa "sombra". Com certeza você não está acreditando em mim
         - Meu Deus Mike, isso é muita loucura, mas eu acredito em você. Você é meu melhor amigo Mike Foster, se me dissesse que laçou fogo pelas mãos, eu acreditaria. - fala Jack indo mais perto de onde Mike estava assentado no banco.
        - Obrigado Jack, também considero você como meu melhor amigo. - fala Mike assegurando a mão de Jack - Eu tive um sonho horrível onde George estava morto no chão, com seu coração fora do peito e seus cabelos coberto de sangue.
        Mas ta tudo bem agora Mike, isso já passou - fala Jack assegurando firme a mão de Mike.
         Quando foram realmente olhar o livro, acabou batendo o sinal para eles irem para sala de aula. Entraram na sala e se sentaram nas classe da frente. A aula favorita de Mike era a de história pois ele sempre descobria coisas incríveis que aconteceram a tempos atrás. Já a aula favorita de Jack é matemática, sua inteligência é impressionante.
         Depois dos dois primeiros períodos de aula que foi ciência e geografia  Mike e Jack foram para o recreio. No recreio Mike observava seu irmão brincando com seus amigos enquanto fala com o Jack.
         - Ei Mike pegue o livro para nós olharmos - fala Jack com muito curiosidade.
         Então Mike foi correndo e pegou o livro que estava em sua mochila, quando estava saindo da sala a porta se fechou sozinha. Mike tentou abrir mas não conseguia, ele começou a bater nela mas mesmo assim ela não se abria e ninguém escutava pois era muito alto o  barulho das crianças gritando enquanto brincavam no pátio da escola. Naquele momento Mike teve um ataque de asma, rapidamente ele pegou sua bombinha e fez os três passos que ele sempre fazia, que são:
       1: Inclina a cabeça para trás.
       2: Respira
       3: Pressiona o botão da bombinha.
         Isso sempre parava as suas crises. Mike não tinha muito o que fazer, então resolveu sentar em sua cadeira e ler o livro de Eli até bater para voltarem para a sala e alguém abrir a porta. No momento que sentou para ler, Jack apareceu e falou:
        - Por que a demora? O que está fazendo? Ía ler sozinho?
        - Iria pois a porta estava trancada e eu teria que esperar alguém destrancar, para não ficar com tédio eu iria ler.
        - Mas a porta estava normal. Ela não estava trancada. - fala Jack olhando seriamente para a cara de Mike.
         Mike levanta da cadeira e abraça Jack tão forte e depois diz:
        - Eu estou com medo, esta acontecendo essa coisas estranhas comigo. Por favor fica do meu lado e me ajuda.
        - O Mike, lembre que sempre te ajudarei, sempre estarei do seu lado, sempre poderá contar comigo, isso é uma promessa. - fala Jack prometendo não abandonar Mike.
         Depois do abraço eles foram ler o livro mas infelizmente acabou o recreio e eles não puderam ler, mas eles ficaram de ler na casa do Mike pela tarde. Depois de mais dois períodos de aula, um de português e o outro de matemática, os dois foram para casa juntamente com George. A casa de Jack fica do lado da de Mike, uma casa azul marinho de dois andares. Quando estavam na frente de suas casas, eles se despediram e combinaram de se encontrar as três horas da tarde para ler o livro.
         Mike entrou com George para sua casa e foram direto almoçar um estrogonofe muito gostoso que a mãe deles havia preparado, mas antes de comerem seus pai falou:
        - Vamos orar, hoje você pode orar Mike?
        - Sim, posso. - responde Mike nervoso porque fazia tempo que não orava pelo alimento em voz alta.
         Então todos fecharam seus olhos e Mike começou a orar:
        - Muito obrigado senhor pelo alimento que você não deixa faltar. Abençoe toda nossa família e perdoe qualquer pecado que temos cometido. Seja feita sua vontade, amém.
         Papai gostou muito que Mike orou e achou muito bonito. Então eles comeram, depois disso papai foi trabalhar as duas horas da tarde em sua oficina e mamãe foi trabalhar vendendo imóveis que é seu emprego. Acabou ficando só George e Mike em casa. Então eles foram construir uma pipa de papel. A pipa ficou tão bonita, ela era colorida e era cheia de detalhes. Eles ficaram brincando com aquela pipa até Jack chegar para ler o livro Eli.
         Quando Jack chegou, Mike subiu para seu quarto com ele, enquanto George ficou brincando com a pipa. Quando subiram foram direto para o livro e começaram a ler juntos. Na primeira página estava escrito:
        - Por favor se você esta lendo esse livro saiba que meu nome é Eli de... Meu sobrenome não importa, quero que saiba que eu estou morto por causa de um entidade que é tipo uma sombra, acabei colocando o nome Sombra nele. Se você viu essa criatura saiba que você pode morrer, mas da para ter um final diferente do meu, basta você enfrentá - lo sem ter medo, ele pode tomar a forma do que você mais tem medo mas você precisa superar o medo se quer derrotar ele. Eu acredito que estou morto enquanto você lê esse livro, pois sei que não conseguiria vencer meu maior medo. Nos primeiros dias ele vai brincar com você, vai te causar medo pois ele gosta de fazer isso, ele se alimenta do medo. Não esqueça que a chave para derrotar ele é não ter medo, se você tem um medo, saiba que você precisa superar. Nas próximas páginas verá relatos do que aconteceu com as pessoas que interagiram com o Sombra.
         Depois que Jack e Mike leram só isso já ficaram horrorizados. Ficaram fazendo perguntas pra si mesmo. De que maneira surgiu o Sombra? Por que ele faz isso com pessoas? Ele é um demônio? Nós vamos morrer?
         Essas perguntas ficaram repetindo na cabeça dos garotos até que Mike falou:
        - Jack você não esta envolvido nisso, isso é perigoso, é melhor ir embora e eu darei meu jeito.
        - Não vou ir embora de maneira nenhuma - reponde Jack cumprindo sua promessa. 
        - Posso falar o meu maior medo? - pergunta Mike enquanto começa a escorrer lágrimas de seu rosto.
        - Pode - responde Jack assegurando mão de Mike.
        - Meu maior medo é perder o George e você. Se você morrer ficaria um vazio de mim, eu não seria mais eu. 
        - Mike eu...
         Jack é interrompido por George batendo na porta e perguntando:
        - Posso entrar mano?
        Mike responde sim e seu irmão entra, ele acaba notando que Mike estava chorando e fala:
        - O que aconteceu mano, esta tudo bem? Eu não gosto de ti ver assim.
        - George vem aqui, senta na minha cama. - fala Mike sorrindo por ver o carinho de seu irmão.
         Quando George sentou Mike lhe deu um abraço bem forte dizendo que isso tudo iria passar. Quando Mike olhou pra Jack falou:
        - O que você ia dizer?
        - Nada - responde Jack escondendo algo.
        - Tem certeza? Parecia algo sério. - diz Mike insistindo pra ele dizer.
        - Ok, eu digo. Estou com fome mas tava com vergonha de falar - diz Jack novamente escondendo a verdade.
        - Não precisa ter vergonha, que tal a gente tomar um suco juntamente com o bolo de chocolate que mamãe fez? Você quer também George?
        - Sim - reponde George e Jack.
         Então os garotos vão se alimentar. Mike serviu seu irmão e Jack também. Quando já havia servido os dois, Mike se serviu e acabou derrubando o copo de vidro que caiu no chão quebrando em vários pedacinhos. Jack olha assustado e pergunta:
        - Você esta bem? 
        Mas Mike não respondeu pois estava tendo uma visão. Nessa visão ele viu um acidente de carro. Quem sofreu o acidente foi o senhor Russel e a senhora Russel que são os pais do Jack. Quando a visão acabou Mike olhou pra Jack e disse:
        - Jack eu vi seus pais sofrerem um acidente de carro.
        - Eu estava lá? Você estava? - pergunta Jack se lembrando de um acidente de dois anos atrás.
        - Sim você estava e eu também, só que a gente era...
        - Criança - completa Jack - isso já aconteceu, se lembra que você perdeu a memória?
        - Sim, me lembro. Vocês tinham falado que foi num acidente de carro mas eu não conseguia me lembrar. - respondeu Mike impressionado que uma parte que faltava da sua memória havia voltado.
        - Lembra que você foi na roda gigante?
        - Não, eu nunca fui numa roda gigante mas lembro que a gente foi no parque. - fala Mike tentando lembrar de alguma roda gigante.
        - Há, tá! - reponde Jack com uma expressão meio triste.
        - Mas já que você lembra que eu fui numa roda gigante me conta como foi. - fala Mike querendo lembrar.
        - Foi incrível, a gente foi junto e dava pra ver a cidade de Healdsburg inteira dali de cima - fala Jack escondendo uma coisa que havia acontecido na roda gigante.
        - Que legal. - fala Mike tentando imaginar como seria ver a cidade de Healdsburg em um roda gigante. - mas acho melhor eu limpar essa bagunça de suco.
         Então Mike limpou e pegou outro copo e tomou o suco e comeu o bolo de chocolate. Depois dos garotos terem comido foram jogar basquete no quintal. Sempre que eles faziam sexta eles gritavam: - Ponto pra mim!
         Os garotos foram parar de jogar basquete a seis horas da tarde, foi quando os pais de Jack chegaram em casa e chamaram ele para ajudar a carregar as compras. Mike e o pequeno George foram juntos para ajudar a carregar as sacolas. Depois disso Mike chegou em Jack e falou:
        - Quer possar lá em casa? Só vai ter que orar junto com minha família para agradecer pelo alimento.
        - Quero, não tem problema. O bom que amanhã não teremos aula pois é sábado - fala Jack feliz pois havia tempo que não pousava na casa de seu amigo. - só teremos que pedir para nossos pais.
  • O último portal II Justice

    O Último Portal II:
    Justice































    POR: Carry Manson

    Nota da Autora: TODA TEM SEXTA NOVOS CAPÍTULOS.



    Prólogo

    Vivemos numa Nova Era de paz e harmonia

    diante da bandeira verde e azul de nosso país.

    Por muitos anos, lutamos pela liberdade, sem

    entender o quê isto significava. Mas quando

    a tivemos em nossas mãos, muitos a viram

    com os olhos do arco-íris, que foi a cor que a

    mídia pintou, enquanto outros mantiveram a

    mente cheia de conhecimento, e por total

    consequência a razão. Enquanto os jovens

    em sua maioria, e os adultos fingindo serem

    jovens pulavam, enchiam a cara, e se

    drogavam. Os sensatos, observam o caos,

    e não fechavam os olhos para todas as

    iniquidades cometidas. Felizmente chegou

    o momento em que uma luz brilhou. Ela veio

    em forma de escuridão, todos disseram que

    era coisa das obras ocultas, quando nem

    sequer percebiam, que a sociedade

    atual, era o palco destas

    forças.

    Há algum tempo atrás eu jamais lutaria

    a favor de um ditador, mas agora entendo

    porquês todos alemães adoraram a Hitler.

    Ele veio para salvá-los, da desolação que

    se aproximava, não era uma luta contra

    os judeus, haviam judeus no seu exército,

    mas sim uma luta para salvar o mundo,

    que claramente falhou, pois hoje

    Eles o dominaram.

    Ele era um radical, mas o povo precisava

    de um radical, alguém que fizesse algo por

    eles, e não para si próprio, um louco, cuja

    loucura, aceitando ou não, trouxe muito

    desenvolvimento para a sociedade.

    As mortes foram horríveis sim, inocentes

    morreram é claro, mas nenhuma guerra é

    ganha sem dor e sofrimento, nenhuma

    glória chega antes de sermos

    testados.

    Não podemos mais fechar os olhos para

    o certo, ou o errado. A justiça tem que ser

    feita, para que menos inocentes sofram

    , em nome dos falsos revolucionários,

    pois revolução mesmo, é aquela

    que é benéfica ao individuo,

    e os outros.

    Infelizmente nem todo mundo vê assim,

    e por isso em breve iremos lutar uns contra

    os outros, porquê os filhos das cores, não

    são capazes de ver o planeta, com os

    olhos dos filhos do sol nascente.













    Capítulo 1- O brilho no céu, visto pelos poucos.




    “Depois do ocorrido na floresta, nosso grupo se

    separou. Natasha seguiu com os Filhos das cores, 

    abandonando também ao seu par. Alexandra se

    casou com um humano, e apenas Victória 

    ficou ao meu lado.” Isabelle escreve em seu 

    diário, e sorri para o marido, que ao contrário do

    que se imagina, não está mais dentro de

    Dantas, mas segue com o demônio

    Leviroth, com quem outra vez trouxe ao

    mundo, a pequena Isandra, que antes era

    só um fantasma. Hoje a criança não se

    recorda do quanto já ajudou seus pais,

    mas tem constantes sonhos a respeito

    disso. “Nós trouxemos os demônios

    a Terra naquele dia? Será que eram os

    nossos pais? Ou libertamos o mal?” Belle

    morde a tampa da caneta. Infelizmente

    nem tudo são flores, após abrirem os

    últimos portais, Leviroth destruiu o

    corpo de Dantas, por conta da

    sua energia, e por isso teve de ir para

    o corpo de um amor secreto da Calligari.

    Um garoto por quem nutriu uma paixão

    muito forte, antes do metido a perfeito

    interferir. Seu nome era Bener De La

    Cruz. Um rapaz moreno, magro, de olhos

    castanhos, e pele amarelada, que um dia

    entregou a sua alma a filha do demônio,

    por ter alimentado uma paixão por

    ela, desde que tinha 15 anos. Que aliás

    tinha sido o corpo original do príncipe, mas

    como Isa não percebeu, ele foi obrigado a

    mudar, até ela finalmente o amar.

    Na hora da transferência, a energia do

    par de Isa se tornou tão densa, que o corpo

    o rejeitou de imediato, gerando uma triste

    consequência, Leviroth perdeu da memória

    , ao retornar para a casca vazia, e Isa se

    sentiu solitária sem ele, achando que

    o tinha perdido. Separados ambos ficaram

    sofrendo, Leviroth tentou cometer suicídio,

    e a bela feiticeira se jogou nos prazeres do

    mundo, viciando-se em certas manias

    humanas, que terminaram por

    destruí-la. Ao se reencontrarem, a chama

    ardente se reascendeu de imediato, só que

    o amor, outra vez veio com o tempo, e por

    isso eles tiveram problemas para enfim

    se adaptarem. Após algum tempo Isabelle

    reencontrou Victória, que como os outros foi

    para um caminho diferente, e esta veio lhe dizer a 

     triste notícia. Belliath, também tinha partido naquela

     noite, que elas batizaram como o banquete diabólico, e 

    isso lhe deixou muito triste e abatida. Ao ouvir as lamentações 

    a amiga, a jovem lhe abraça forte, e conta-lhe que passara 

    pelo mesmo, só que teve um desfecho feliz, assim elas 

    passaram a trabalhar nas buscas pelo

     outro príncipe.

    _Olha Belle. Este aqui poderia ser o

    Belliath não acha?

    _Não, não tem a energia forte dele.

    _E este? É sedutor como ele...

    _De fato, mas tem a personalidade?

    _Isa o quê foi?

    Victória larga as fotos estiradas na mesa,

    e se volta para a amiga que se mostra bem

    pensativa, a respeito de algo. Esta para de

    pensar, e olha de forma alheia, como se

    tivesse saído de uma alucinação.

    _Não é nada Vic. São apenas sonhos

    que tem se mostrado curiosos.

    _Como assim? O quê tem sonhado?

    _Lembra que sumiu por uns anos?

    _Eu tinha perdido o meu amado,

    não comece a me julgar!

    _Não estou. É que desde aquela noite

    no bosque, tenho tido sonhos que

    não me deixam dormir.

    _Que tipo de sonhos? E com quem?

    _Um demônio, e é como se Dantas

    fosse ele.

    _Mas tinha um demônio no Dantas.

    O Leviroth seu atual marido.

    _Sim...Porém parece que tinha algo

    mais, dentro daquele mauricinho

    idiota.

    Isabelle respira fundo, e recorda-se do

    último contato que tivera com o namorado

    , e baixa a cabeça. “Você o colocou dentro de

    mim! Sua vadia maluca!” “Ele escolheu

    seu corpo! Eu não tive culpa!” “Ele só

    me escolheu, por sua causa!”. “Eu espero que

    você morra!” Gritou ao ver sua pele se dilacerando,

    no meio da mata, até que se foi. Deixando-a para o

    todo sempre, e então o demônio veio em forma

    de espírito, tentando se agarrar a ela, mas 

    desapareceu diante de seus olhos.

    _Isabelle. Estou falando com você.

    _Oi Vic. Me perdoa, estava lembrando

    dos últimos momentos, em que o

    Dantas foi ele mesmo.

    _Por quê?

    _Porquê ele desejou minha morte.

    _E daí?

    _E se ele foi pro Inferno, e fez um

    contrato para garantir isso?

    _Com o quê tem sonhado?!

    _Com o Anticristo, e ele vem para

    me buscar, todas as vezes...

    _Como um monstro, pronto para

    te arrastar para o outro lado?

    _Como um noivo no dia do seu

    casamento, e eu sou a noiva,

    não uma espectadora.

    Responde recordando-se dos sonhos

    que tem com uma criatura humanoide,

    de olhos verdes, cabelos negros e bem

    longos, de pele pálida, que está sempre

    sério, mas nunca perde a oportunidade

    de está ao seu lado, como o seu par, e

    antes que a converse se prolongue,

    alguém liga a TV do bar, e chama

    a atenção das belas.

    _Caos no novo governo. Isto é o quê

    vemos neste momento! As minorias

    se revoltaram, e pedem pela volta

    dos velhos ministérios!

    _Isto é uma luta pelos direitos

    humanos! Este ditador tem que

    ser derrubado! Senão mais

    gente vai morrer!

    _Jovens e adultos, invadem o

    congresso, para brigar pelos direitos

    dos presos, que estão sendo usados

    , para experimentos científicos.

    _Eles são humanos como eu e você!

    Comem, bebem, sentem frio e medo!

    Precisam de cuidados! Não desta

    opressão maldita!

    _A confusão gera um conflito entre

    militantes da bandeira vermelha, e

    os militares, que tem carta branca

    , para puni-los, caso haja algum

    sinal de violência física.

    _Isso, isso é resultado do fascismo,

    que Vocês seus desumanos, deram o

    apoio! Olhem pra esta foto! Olhem

    pra este homem! Isso parece

    certo pra vocês?!

    Uma mulher grita diante da câmera,

    e mostra a imagem de um sujeito bem

    magro, recebendo agulhadas nas veias,

    num estado deplorável. Ao ver aquilo,

    Isabelle revira os olhos. “Luan Alves

    de Andrade, o cara que estuprou

    7 bebês. Merece até pior que

    isso.” Se recorda da prisão

    do meliante.

    _Depois de tudo o quê ele fez

    com aquelas crianças, este castigo

    é até mediano. Se eu estivesse no

    projeto, o torturaria por total

    prazer.

    _Com certeza. Um ser destes

    nem merece ser chamado

    de humano.

    _É, mas ainda sim, estes cegos

    se reúnem diante do Congresso

    para lutar pelos direitos dele.

    _Sim Belle, a humanidade está

    mesmo perdida.

    _De fato.

    As duas se levantam, pagam a conta

    com código digitais, e vão embora, sem

    perceber que estavam sendo vigiadas por

    um homem de terno e chapéu branco, e

    este sorri, e pega as digitais dos copos

    , sem que o vejam fazê-lo, pois é um

    aparentemente profissional na área.

    “Isabelle S Calligari Marry De La Cruz.”

    É o quê aparece na tela do seu celular,

    junto da imagem da bela, parecendo a

    pior das anarquistas. “Victória Silverius

    S Haster.” É o segundo nome a vim,

    junto da imagem da bela no seu

    estado normal.

    “Elas são perfeitas para o caso.” Ele

    pensa, ao analisar o perfil das duas. Isa

    se mostra um gênio revoltado, enquanto

    que Vic mostra habilidades notáveis em

    trabalhos manuais, e muito carisma.

    “Isabelle é realmente a filha dele.”

    Conclui, desligando a tela.

    A noite...Isabelle digita uma extensa

    pesquisa no notebook, e do nada a sua

    tela escurece, preocupada, ela se cobre

    , e se afasta do aparelho. Dados com

    código são  descriptografados, e

    ela recebe uma mensagem.

    _1508? O quê isto significa?

    _Siga o Coelho Alice.

    _Eu não. É arriscado demais.

    _Você quer respostas sobre o seu

    sonho comigo, e eu posso te dá

    , mas precisa confiar em

    mim.

    _Usando robôs é fácil mesmo

    roubar informações.

    _Eu sei seu nome, e sei onde

    nasceu.

    _Basta ir no Facebook.

    _Eu sei que está roendo a

    fronha com medo.

    _Estudou meu perfil psicológico.

    _Eu sei de coisas que fez no

    sonho, e não teve coragem de

    contar a Victória, por sentir

    vergonha.

    _Algo mais?

    _Sei de tudo o quê já fez.

    _Por exemplo?

    _Suas orgias lésbicas com 6

    anos de idade.

    _Ok. Você venceu. O quê

    quer?

    _Siga o coelho e saberá.

    A tela volta ao normal, e então chega

    um convite para um baile de gala, para uma

    pessoa, em seu e-mail. “Leviroth não me

    perdoaria, mas preciso saber o quê me

    atormenta.” Morde os lábios, ao

    olhar para trás.

    Tomada pela curiosidade, respira fundo,

    e responde para o destinatário. “Agradeço

    a oportunidade, mas estou inclinada a ter

    que recusá-lo.” Envia, e recebe uma outra

    mensagem. “Doce Alice, precisa encontrar

    o Chapeleiro, o quanto antes. Não pode

    recusar.” A dama olha para os lados, e por

    fim escreve outra conclusão. “Tenho medo

    do Tempo. Ele pode não entender.”, E por

    fim recebe a última mensagem. “Farei

    um convite duplo, mas preciso vê-la

    para o chá.” Desta vez a antiga rebelde não

    recua. “Mostre-me o caminho para o Chá.”

    Enfim diz, e as mensagens se apagam

    Restando um convite para o

    casal.

    Com Victória acontece a mesma coisa,

    porém o roteiro é outro. “Sei que deseja

    encontrar alguém que não é deste mundo.”

    Diz a sua frase. “Não ignore este aviso, nós

    podemos te ajudar a encontrar Belliath.”

    Ao ver o nome de seu amado, o seu

    coração salta pela boca.

    _Como sabem de Belliath?!

    _Sabemos tudo sobre você.

    Senhorita Haster.

    _Quem são vocês afinal?!

    _Se queres saber, o caminho para

    a floresta deve seguir, Branca

    de Neve.

    _Não são os caçadores, não é?

    _Somos os mineradores, e

    podemos encontrar ao seu

    príncipe.

    _Os Anões?!

    Victória gargalha diante do computador,

    e leva um pequeno choque na ponta do seu

    dedo, que a faz chacoalhar a mão devido a

    dorzinha nele provocada. “Ai que anões

    irritados.” Pensa, colocando

    o indicador na boca.

    _Não se trata de uma brincadeira.

    _O quê podem me provar sobre

    o meu príncipe?

    _Que Ele a perdeu para anjos

    furiosos, e está entre os

    nossos agora.

    _O quê?!

    _Vá para a floresta, e o verá.

    A tela escurece, e Victória recebe um

    individual, para a mesma festa que Belle

    e Ben foram chamados. Só que enquanto

    no convite de uma está impresso o coelho, 

    no da outra é uma maçã mordida só de 

    um lado.




































































































    Capítulo 2- O baile misterioso




    No dia seguinte... Victória e Isabelle se

    arrumam para a festividade, sem saber que

    elas vão se encontrar no mesmo lugar. “ A

    fantasia certa para cada convidado.” Diz os

    bilhetes, em cima das estranhas caixas

    grandes, cor de ovo, que recebem. “Espero

    vê-la hoje, mesmo acompanhada do Tempo

    , senhorita Alice. Ass: Chapeleiro” É o quê

    o bilhete somente de Isabelle diz. “Logo a

    princesa irá receber o seu beijo, mas o feliz

    para sempre dependerá dela. Ass: Dunga”

    É o bilhete de Victória. Ambas pegam as suas 

    fantasias, e observam, que mesmo as

    respectivas personagens, não precisem de

    máscaras, elas precisaram usar. Ben chega

    do trabalho, e encontra a caixa enviada a

    ele, e pega a sua fantasia de Tempo, que

    vem com um aviso. “Olá senhor tempo,

    pode ter pensado que enlouqueci, mas eu

    preciso encontrar a Alice para o chá.” Diz

    o papel que ele esmaga revirando

    os olhos.

    _A gente já não teve problemas demais?

    _Por favor Leviroth. Eu preciso ir neste

    lugar, há respostas que você não pode

    me dá, não com essa memória.

    _Está bem. Mas se o Chapeleiro tentar

    ficar com você, ele vai conhecer o punho

    do Tempo.

    _Que bonitinho da sua parte, ainda ter

    ciúmes, depois de anos de casados.

    _Eu não lutei com aquele mauricinho

    Idiota, para ficar sem você depois.

    _Disso cê lembra né!

    _E de como você se sentia nos meus

    braços também.

    _Se controla bonitão. Não quero dá

    o Odin para a Isandra tão cedo.

    Diz Isabelle fazendo menção ao nome

    do próximo filho, que terá com o príncipe

    do Caos, e ele a puxa para si, beijando-a

    com intensidade, e deixando-a úmida

    entre as pernas, ao ponto de ficar

    corada.

    _Continuo tendo jeito para a coisa.

    _Continua sendo meio idiota.

    _O idiota que te ama.

    _O idiota com quem me casei.

    _E que vai amar por mais uma

    eternidade.

    _Pode ter certeza que sim.

    O beija, e ele a carrega, pronto para

    lhe tirar as roupas. Mas quando abre a

    sua camisa, e vai em direção aos seios

    dela, Isandra entra na sala, cortando o

    clima quente entre os dois. Sem jeito,

    eles sorriem, e a bela ajeita o cabelo

    para ir pegar a menina.

    _Depois desta festa odiosa...

    _Quando Isandra dormir...

    _Vou te mostrar os prazeres do Sol.

    _Vou ser uma com você como a

    Lua.

    _Agora vai lá com a nossa

    filha. Gostosa!

    Ele diz vendo-a de costas, e lhe dá

    um tapa na bunda, com o olhar safado,

    deixando-a vermelha de vergonha, ao ir

    até a menininha de 5 anos, que corre até

    os braços da mãe, com os olhos brilhando

    de alegria. Ao ver o sorriso da esposa, ele

    se sente realizado, por tudo o quê eles

    viveram, ter acabado tão bem.

    “Eu preciso encontrar a Alice para o

    chá.” Lhe vem a mente, transformando a

    sua face aliviada, em grande mau humor.

    “Como se não bastasse ter que ficar no

    corpo daquele moleque. Agora isso.”

    Pensa com raiva, temendo o quê

    está por vir.

    Sua memória pode ser sido afetada,

    mas não a mente de estrategista natural, e

    esta lhe diz que esta festa não vai terminar

    nem um pouco bem. Porém devido as atuais 

    circunstâncias, ele não pode dizer não a

    sua amada.

    A noite...Eles chegam ao local, é um

    museu antigo, e há muitos homens e

    mulheres bem de vida. Leviroth põe a

    máscara depois de entrar, e Isabelle

    o faz logo em seguida, grudando no

    marido com medo do quê vai ter

    encontrar ali. Infelizmente, assim que

    entram, há pelo menos 5 Alices dentro

    do salão, e quando o demônio se afasta

    para pegar as bebidas, a bela desaparece

    em meio as outras, e é puxada para o

    centro do lugar, onde dança com

    o Chapeleiro.

    _Olá Alice. Fico feliz que veio

    para a festa do Chá.

    _Quem é você? E o quê quer

    exatamente?

    _Você já me conhece dos seus

    sonhos querida.

    _Esta é a pior cantada de todos

    os tempos. Senhor Chapeleiro.

    _Estou falando sério.

    Pega em suas costas, e então aproxima

    sua boca do ouvido da bela, que fica por

    procurar pelo seu par, ignorando o ser

    misterioso, que se irrita, e a aperta

    colando-a em seu peito.

    _Meu reinado se aproxima.

    E a prostituta deve caminhar

    ao meu lado.

    _Que coisa romântica de se

    dizer no primeiro encontro...

    _Você pensa que casou-se com o

    príncipe. Mas também já foi a

    mulher de um Rei.

    _Anticristo?

    _Nesta noite sou só o Chapeleiro.

    Tira a máscara para a dama, e esta que

    já não conseguia respirar, perde o ar por o

    ver ali diante dela, segurando-a nos seus

    braços. Ele era idêntico ao sonho, só

    que neste momento está a sorrir,

    com bastante confiança.

    _Silêncio. Não grite.

    _Por quê está aqui?!

    _Porquê é chegada a hora de

    assumir o poderio do mundo.

    _E o quê isto tem a ver

    Comigo?!

    _Você é a mulher de vermelho,

    e deve ficar comigo.

    _Eu já pertenço a outro ser.

    _Será que é verdade?

    _É claro que é, eu vi a minha vida

    passada com ele!

    _Mas a viu por completo? Acha mesmo

    que alguém como você só teve um

    amor?

    _E o quê sabe sobre mim?!

    _Sei que ajudou a me libertar.

    É a última coisa que diz, dando-lhe um

    beijo rápido, e se misturando a multidão ao

    ver que Leviroth tinha percebido, que a sua

    Alice, tinha uma pulseira negra envolta do

    pulso, que a diferenciava das outras, e

    estava vindo resgatá-la.

    _Vamos sair daqui agora.

    _Está tudo bem meu amor?

    _Ele me beijou!

    _O Chapeleiro?!

    _O Anticristo!

    Berra claramente traumatizada com

    tal encontro, e abraça o marido, sentindo-se

    mole, como se fosse desmaiar de tanto

    nervosismo. Do outro lado do salão, que está

     decorado com árvores semelhante a floresta.

    Victória dança nos braços de um belo príncipe

     com máscara, que fica em  silêncio, até que 

    ele a beija, e esta sente tanto fervor, que 

    não há como negar,

    é Belliath ali.

    _Eu senti a sua falta minha princesa.

    _O beijo foi ótimo, mas como posso

    ter certeza que você é você?

    _Pergunte algo que só nós dois

    sabemos.

    _Como foi a nossa primeira vez?

    _Comigo sendo romântico, ao contrário

    do Roger.

    _Algo mais?

    _Você me expulsou do corpo dele,

    e voltei a ser grosso, mas mesmo

    assim nos envolvemos naquela

    noite.

    _Belliath!

    _O corpo do Roger não suportou.

    Tive mudar, antes que a insanidade

    dele me afetasse.

    _Tudo bem. Contanto que eu

    esteja com você.

    _Sim meu amor...

    Ele a abraça e olha para o outro lado, no

    qual O chapeleiro passa fazendo o sinal de

    que é hora de ir. Ao vê-lo, pede-lhe mais

    tempo, mas o líder nega, e o príncipe

    beija a sua amada com furor, deixando-a

    sem fôlego por alguns segundos, então

    segura em sua face, e olha em seus

    olhos.

    _Eu preciso ir agora.

    _Para onde?

    _Não posso dizer no momento.

    Mas tenha certeza de uma coisa,

    eu vou te achar de novo.

    _Me promete?

    _Sim, fique com isso, é algo

    que tenho esperado muito tempo

    para te dá outra vez.

    _Isso é?

    _Sim, quando eu puder voltar,

    nós iremos nos casar. Diga

    a Isabelle, que mandei um

    “Oi.”

    _Isabelle está aqui?

    _Sim, Ele queria muito vê-la

    , mas não podia se expor.

    _Quem?

    _O Anticristo.

    Responde deixando a amada com o anel de

    noivado, e parte com o Chapeleiro. Isabelle tira

    a máscara, e sai do salão de festas, e já se senta no sofá 

    onde os bêbados deitam, e fica no colo do marido, que lhe

     faz um carinho na cabeça, acalmando-a, pois apesar da

    forma atraente do tal ser, ela está em estado de

     choque.

    _Belle!

    _Vic!

    _Como veio parar aqui?!

    _Recebi um convite.

    _Eita quanta grosseria.

    _Desculpe, eu vim por respostas

    , e acabei por me deparar com

    o meu pesadelo vivo. E

    você?

    _Vim encontrar Belliath, que

    está junto do seu pesadelo

    vivo.

    _Olá Victória, eu também

    estou aqui.

    Diz o demônio erguendo a mão, como

    um aluno na hora da chamada. E é quando

    a bela nota que há mais alguém junto de sua

    amiga, e fica constrangida por ter ignorado

    o coitado sem querer.

    _Oi Leviroth. Desculpe, estava

    tão doida para encontrar a Belle,

    que nem te vi.

    _Depois dizem que não tem um

    “relacionamento lésbico”.

    _Para com isso Levi. Como foi

    reencontrar o Belliath?

    _Foi lindo e perfeito. Do jeito com

    o qual sonhei Belle. Olha só!

    _Nossa trabalhar pro Anticristo

    compensa hein?! Mor será que

    ele me arranja um emprego?

    _Nem pensar. Se você faltar um

    dia, em vez de descontar no salário,

    ele fala que tá no contrato chamar

    a sua esposa para um jantar!

    _Se for como os sonhos que ela

    me contou, é melhor ficarem bem

    longe dele. Ele quer tanto ela,

    quanto você já quis.

    _Já quis? Eu continuo louco

    por essa mulher! E juro que ainda

    quero arrebentar esse cara, por ter

    beijado ela. Aliás cadê ele hein?

    _Se aquieta bravão. Ele correu assim

    que te viu. Não deve mais nem sequer

    está por aqui. O quê significa que: É

    hora de beber!

    _Opa!

    Victória fica no bar admirando a aliança

    que seu amado lhe deu, com tanta alegria

    que nem nota outros rapazes. Já Isabelle

    bebe sem parar, querendo perder a sua

    consciência, para esquecer que tudo o

    quê temia, tinha vindo a tona.

    _Mais um por favor.

    _Já chega Camelinho. Eu vou no

    banheiro, e vamos para casa

    certo?

    _Está bem. Vou chamar, a Vic.

    A bela se prepara para se levantar, só

    que seu corpo está pesado. O efeito da bebida

    é tão forte, que vê tudo rodando, vários Chapeleiros

     caminham pelo salão, e ela não sabe se está alucinando, 

    até que um deles, a ajuda a ficar de pé,  lhe entrega uma carta. 

    Ela rapidamente a abre, percebendo que deve ler antes do marido

    voltar. “Você seguiu o Coelho, e esta é a sua recompensa. Te vejo lá

    , junto da Branca de Neve.” É tudo o quê diz no papel, e dentro do 

    envelope acha um pendrive, que tem esculpido nele a estranha 

    numeração...“1508.” Olha para o drive, e o guarda no bolso. Victória 

    vem ao seu encontro, depois de sair do trem do amor, e a moça 

    logo lhe mostra a carta, e o tal aparelho que veio junto. Ao 

    ver aquilo, a jovem fica estática, e curiosa para entender

     qual é a relação de Belle com o Anticristo.

    _Belle...Você é um imã para demônios!

    _Há há engraçadinha. Deve ter algo muito

    errado comigo isso sim.

    _O quê ele queria com você esta noite?

    _Eu não sei. Acho que me traumatizar.

    _Com um beijo?

    _Qual é. Foi só um selinho. Mas o fato

    de vim da boca dele, é que me assustou.

    _Não foi como quando Leviroth...

    _Não! Eu tenho medo dele!

    _Então não gostou nem um pouco?

    _Eu sou casada. Com o amor da

    minha vida. É claro que não.

    _Eu não entendo Belle. Você e

    Leviroth são almas gêmeas, por quê

    surgiu mais alguém nessa história?

    _Boa pergunta. Ele diz que foi porquê

    Eu fui mulher dele.

    _Mas toda a sua vida passada foi

    Revelada, com a chegada de

    Leviroth.

    _Foi o quê eu pensei, só que ele

    garante que há mais para

    saber.

    _Então no pendrive...

    _Deve ter mais pistas sobre quem eu

    já fui.

    Conclui observando o marido se

    aproximar, então esconde o pendrive e a carta.

    Eles vão para dentro de um Uber, e ali longe dos

    olhos curiosos, a jovem pega o tal papel e

    mostra para o conjugue.

    _Ele não queria que soubesse.

    _Que horas recebeu isso?

    _Foi ainda pouco. Antes de partimos.

    _Ele está te atraindo para alguma

    armadilha.

    _Eu sei, por isso estou te contando.

    _Devia cortar relações com

    esse cara.

    O motorista os observa pelo retrovisor,

    e aumenta a velocidade em que está indo,

    mudando o percurso do caminho de volta

    para casa. Notando a estranha situação, a

    moça olha para o marido, e os dois se

    jogam em cima do motorista.

    _O quê está fazendo?! Pra onde está

    nos levando?!

    _Responda para ela, ou vai acabar

    morto.

    _Por favor não façam nada comigo!

    Ele me obrigou! É a única forma

    de sair! De sair!

    _Você está trabalhando para

    O Anticristo?!

    _Responda ou quebro o seu pescoço!

    _Não! É para O Chapeleiro! Ele quer

    vê-la de novo senhorita Alice da

    pulseira negra!

    _Droga!

    Grita ao sentir o impacto do carro colidindo

    com outro. Leviroth é jogado contra o painel,

    e ela se bate no banco, ficando com

    uma linha de sangue na testa. O Chapeleiro

    entra na parte do passageiro, e pega a moça em

    seus braços, olhando para o rival, que se mostra

    desesperado, por não poder fazer nada, já que sem 

    memória, não sabia como ativar os seus poderes 

    caóticos. Isabelle acorda, sendo carregada pelo

    estranho, e sente o cabelo negro dele,

    caindo sob o seu rosto.

    _O quê, você, quer comigo?

    _Apenas a sua lealdade. Deixei bem

    claro que não devia contar a ele, só

    quê fez, e a consequência foi essa

    querida Alice.

    _Está dizendo que isso, isso é um

    Jogo?!

    _E o quê não é? Tudo se trata de

    ganhar uma recompensa por algo. Até

    um bebê sorri apenas, porquê sabe

    que vai receber um agrado.

    _Eu não sei, qual é, o, seu problema,

    mas juro, vou, te arrebentar!

    Grita usando o seu dom, para jogar um

    poste em cima dele, só que ele sorri, ergue

    a mão, e estala o dedo destruindo-o em mil

    pedaços. Ela entra em pânico, e para de

    reagir, fazendo-o sentir o doce gosto da

    vitória, obtida através do medo.

    _Esqueceu quem tem mais força?

    _Como eu, poderia saber? Nunca

    te vi, na minha vida!

    _Não adianta fingir. Eu provoquei

    aqueles sonhos.

    _Eu não sou, a prostituta.

    _Como pode ter tanta certeza?

    _Como você pode?!

    _Porquê fui eu quem te devolveu

    para este mundo Luciféria.

    “Como ele pode saber que este é o meu

    outro nome?!” Ofega, aterrorizada pelas

    coisas que o sujeito tem conhecimento a

    seu respeito. “É ele. Não há mais nem

    uma dúvida.” Termina, enquanto

    entram em outro carro.

    _Pode respirar. Não vou te fazer nada.

    Pelos sonhos já deveria saber.

    _Eu não estou destinada a você!

    _De fato antes não estava. Mas na

    hora que alterei o seu destino,

    passou a ser.

    _Por quê eu?! Com tanta mulher no

    mundo, muito mais bonita. Por quê

    tem que ser eu?!

    _Porquê foi você Isabelle, quem

    Eu escolhi, e não há anjo ou demônio

    que possa impedir, o quê agora nós

    somos um para o outro.

    _O pesadelo e uma bruxa que

    quer fugir dele?!

    _Um só espírito. Uma só carne.

    Uma única...

    _Eu sou a Alma Gêmea de Leviroth!

    Lúcifer nos revelou isso!

    Esbraveja, horrorizada pela palavra que

    ia sair da boca do poderoso homem. “Isso

    não pode ser verdade. Não pode! Eu amo

    Leviroth! Como nunca amei ninguém

    antes!” Suas mãos tremem sem

    parar.

    _Não é mais. Agora é a minha.

    _E a Minha opinião sobre isso?

    Eu não te dei permissão de

    se tornar meu par!

    _Não deu nesta na vida. Mas na

    outra foi apaixonada por mim, de

    tal forma, que governou o Egito

    ao meu lado.

    _Eu sempre fui do Leviroth.

    _Defina sempre. Porquê até onde

    Eu sei, nós passamos um bom

    tempo juntos.

    _Escuta aqui. Ôh falso messias do

    caralho. Eu já fui encantada por um

    demônio, e ele usou a sua mesma

    jogada. Por isso não vou cair...

    O belo se debruça em cima dela, e a

    beija, segurando-a com firmeza. Desta

    vez ela luta para se livrar dele, não por

    não resistir, mas sim porquê só é

    capaz de pensar em Leviroth,

    neste momento.

    Não é como da outra vez, em que o

    toque do demônio, a fazia ir as nuvens, e

    se sentia culpada por desejá-lo. Ela sente

    total desespero, desgosto, e desprazer

    em tal atitude, por isso o morde bem

    forte, ao ponto de sangrar, só que

    isto o faz rir.

    _Aposto que ele nunca calou sua

    boquinha desta forma.

    _Eu sou casada! Com o amor da minha

    Vida e existência! Encoste em mim de

    novo, e eu vou...

    _Vai o quê?! Me morder como uma

    gatinha assustada que é?!

    _O quê eu fiz para merecer isso?!

    _Me soltou para o universo.

    _Eu nem me lembro disso!

    _Não lembra porquê faz muito

    tempo, mas desde daquele dia eu

    soube que era perfeita, e que a deusa

    mãe a tinha feito para mim...

    Se recorda da menina ruivinha, que foi até

    o Tártaro, e o libertou para o cosmos. “Você

    sabe que posso destruir o universo?”

    “Sim, sei, e eu quero que faça isso, é uma

    forma de me agradecer.” Ele a vê lhe dando as

    costas, então seus olhos ficam fixos na miniatura

    da Rainha da terra do não retorno. “Um dia ela será

    a minha rainha.” pensa ao escapar, virando-se para 

    trás, só para ter certeza de que vai ver a criança

     maldosa outra vez, mas esta já tinha

    desaparecido.

    _Eu me apaixonei por você naquele dia.

    _Pelo que me disse eu era uma criança

    , uma criança bem estúpida por

    sinal.

    _Sim era. Mas aguardei ansiosamente

    , até que crescesse, só que quando fui

    lhe buscar, o seu coração já tinha

    sido tomado por Ele.

    _Não foi tomado. Eu o dei para ele.

    _Foi tomado sim. De mim. Eu deveria

    ter sido o seu par, não aquele idiota

    do príncipe.

    O ódio e a mágoa nos olhos do belo

    estranho, são bem visíveis, e dão fortes

    calafrios na jovem mulher, que não se

    sente nada a vontade, na presença

    da ilustre figura.

    _Se isso é verdade, por quê Lúcifer

    nunca o mencionou!? Ou te vi na

    hora que despertei?!

    _Lúcifer apoia sua união com Leviroth,

    e por culpa pelo o quê um dia sentiu por

    mim, você apagou nossas memórias.

    _História bonita! Mas eu sempre fico

    com Leviroth, por quê insiste!? É

    óbvio que a deusa mãe não

    me fez pra ti!

    _Porquê Eu quero você. Tanto que

    roubei as tábuas do destino, que a tal

    deusa destinada a mim, um dia pegou

    do deus aquático, e lá escrevi que é

    para sermos um só.

    _Você é louco.

    Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.Ele se prepara para responder, porém antes

    que o faça, é atingido por um dardo na nuca, e

    desmaia. Preocupada com quem possa ser, ela

    empurra o corpo dele, se rasteja para fora do

    carro, pronta para correr, antes que a

    peguem também.













    Capitulo 3- Mais mistérios no ar.




    A moça passa por trás do carro, e aumenta a velocidade 

    de seus passos, correndo para longe do veículo, antes que

    seja atingida como o homem que a sequestrou. Os seus

    cabelos esvoaçam ao vento, é evidente que há medo

    em seu olhar, ela precisa sair dali, pois como 

    nas outras vidas, os inimigos são 

    perigosos.

    _Isabelle S Calligari De La Cruz.

    _Como sabe o meu nome?

    _Não há tempo para responder.

    Venha comigo.

    _Socorro!

    Um ser alado levanta voo, pegando-a em

    seus braços, e este a coloca dentro de um carro

    em movimento, através do teto solar, e entra logo

    em seguida. A morena olha para os lados, e vê que

    o marido, está recebendo os cuidados médicos

    logo a frente, e se não estão tentando-a

    lhe separar dele, inimigos não

    devem ser.

    _Para onde estamos indo?

    _Logo irá saber senhorita Calligari.

    _Por quê estão nos ajudando?

    Quem são vocês?

    _São respostas que logo irá obter.

    Mas antes há outras pessoas

    a serem encontradas...

    Responde-lhe o anjo, com um sorriso, e lhe

    aplica um sonífero no pescoço, que a faz desmaiar

    em seu ombro. Não permitindo-a vê-lo, e talvez o

    reconhecer de algum lugar. O carro segue a

    viagem, e entra num túnel, no qual

    desaparece. Olhos se movem, ainda fechados, e se 

    abrem em sincronia, outra vez As 4 fases da Lua está

    reunida, porém uma integrante não está presente, e 

    esta é Natasha, que neste momento lidera as atuais

    tropas da bandeira vermelha, por ter sido uma

    dos convertidos em Filhos das cores.

    _Onde estamos?! Belle?! Victória?!

    _Alexandra?! (Dizem em uníssono)

    _O quê aconteceu para virmos 

    parar aqui?! Horácio?!

    _Alexandra? Está tudo bem meu

    amor?!

    _Isabelle...Isabelle não vá com ele...

    Leviroth parece ter pesadelos, e a sua

    amada, pula do sofá negro, correndo para 

    acordá-lo, e antes que haja mais confusão, 

    o agente que salvou a Senhora De La 

    Cruz, caminha no meio da sala.

    Ele é pálido como a lua, tem olhos azuis,

    e cabelos negros curtos. Apesar da roupa de 

    agente de elite, este não se mostra muito 

    formal, e se escora na beira mesa, 

    atraindo a atenção deles.

    _Olá para todos.

    _Isso daqui não é um dos jogos

    mortais não é?!

    _Alexandra isso não tem sentido!

    _Garotas...

    _Ué é Belle, os caras não nos deixaram

    ver como se chega aqui. Preciso saber

    se estamos em perigo.

    _E você acha que eles nos diriam?

    _Ninguém está em perigo aqui.

    Não ainda pelo menos.

    _Viu como foi bom perguntar?!

    _Seria melhor não saber.

    _Vocês foram convocados, porquê

    precisamos da sua ajuda.

    O agente revira os olhos, e os rapazes ficam

    analisando aquilo friamente. Tentando saber a

    onde isso dará. Sabendo que as palavras não

    serão o suficiente, o rapaz liga a TV LCD atrás 

    dele, e mostra as imagens do fatídico dia

    do banquete diabólico.

    _Não! Algo deu errado! 

    _Leviroth! Leviroth! 

    _Sua vadia! Espero que morra!

    _Victória ele quer o controle 

    de volta! Não vai dá!

    _Belliath! Não!

    _Samalast! 

    _Alexandra!

    _Não confie neles Natasha!

    _Meu amor!

    Vários corpos ficam atirados ao piso sem as

    suas órbitas, como se tivessem queimado por

    dentro. As 4 bruxas olham para os cadáveres,

    e ficam em estado de pânico, sem saber o

    quê fazer. Forças obscuras saem de dentro do

    tal portal, dando gargalhadas, por enfim ficarem

    livres de suas prisões. Elas giram entorno das

    feiticeiras, até por fim irem para cima

    delas, fazendo-as berrar em

    desespero.

    _Sim nós sabemos o quê fizeram.

    _Éramos jovens, não sabíamos que o 

    resultado seria este! 

    _Só queríamos ver nossos pais!

    _Eu só queria saber se real!

    _Sim, sabemos disso. Se acalmem.

    _Eu não matei o Dantas.

    _Eu não mandei o Roger pro

    hospício.

    _Eu não destruí o meu namorado.

    _Não exagerem. Nisso são culpadas.

    Diz o moreno, e Isabelle fica irritada com

    a atitude fria dele. Por isso se levanta e vai

    ao seu encontro, pronta para bater nele

    se preciso, afinal de contas tinha sido

    um idiota, e merecia uma bela

    correção.

    _Como você ousa dizer isso?!

    Não vê o estado em que elas

    estão?!

    _Pensassem nisso antes de querer

    brincarem de Deus. Luciféria!

    _Como sabe o meu nome real?!

    _Não importa. Me perdoe eu

    fiquei nervoso.

    _Como sabe disso?!

    _Ele sabe porquê é um arcanjo

    Izzy.

    Diz Leviroth os separando, antes que ele

    se matem ali mesmo. Porém quando vê o

    rosto do agente de perto, de imediato o

    reconhece, e isto o faz ficar catatônico,

    e implorar com o olhar, para que não

     diga nada para Isabelle.

    _Um Arcanjo?!

    _É. Um dos que te levou para o céu.

    _Isso mesmo. Eu quem te assassinei

    na outra vida, para impedir que

    abrisse outro portal.

    _Agora que não confio mesmo em

    você! Pior que os Filhos das Cores 

    é a tua raça!

    _Calma Izzy.

    _É a mesma que a sua. Então cuidado

    na hora julgar. Eu abri minhas asas e voei

    contigo, pensou que fosse o quê?

    _Eu sou diferente! Eu sei lá um

    mutante?!

    _Já chega vocês dois.

    O marido a leva de volta para o sofá, e

    olha para trás, o ser alado agradece com

    gestos, e o demônio olha com indiferença,

    sentando-se junto da esposa, que ao se

    ajeitar, o encara com raiva latente.

    _Não estou aqui para achar um

    culpado, e sim uma solução.

    _Como se Lúcifer ou Satã fossem 

    nos permitir, ajudar anjos imundos 

    como você.

    _Eu permito, e aliás sou um só.

    Diz um homem tão louro, que parece ter

    sido coberto pela luz mais radiante do mundo.

    Ao vê-lo Isabelle cai para trás, e Victória fica

    de queixo caído. Junto dele vem Belial, e

    o deus sumério Enki, agora batizado

    como Leviatã.

    _Papai?

    _Eu e Victória somos irmãs?!

    _Não entendo por quê estão tão 

    surpresas. Já os viram antes.

    _Venham cá, dá um abraço minhas

    princesas queridas.

    Lúcifer abre os braços,  tornando-se agora 

    um belo moreno de olhos vermelhos, e com o

    par de chifres exposto, e Victória corre para

    abraçá-lo. Isabelle fica congelada ali, sem

    se mover, e por isso o pai vai ao 

    seu encontro.

    _Ainda bravinha e ciumenta não é

    Luciféria?

    _Só estou assustada. Foi me dito que

    um dia herdaria o seu reino, e a 

    Vic o reino de Satã.

    _ E ambiciosa, como o pai...

    Confundiram as suas mentes minha

    Princesinha. Ninguém vai herdar reino

    algum, porquê sou eterno.

    _Que animador...

    _Mas você e Victória, tem os seus

    próprios, que foram feitos com muito

    carinho pela sua amada mãe Lilith.

    _Então ? 

    _Vocês não são só princesas do

    Caos. São rainhas de reinos

    distintos.

    _Interesseira!

    O agente tosse, chamando a atenção de

    Isabelle, e o imperador do Caos, ri daquilo

    notando o raio que está saindo dos olhos de

    ambos, que estão se fulminando sem parar,

    como se houvesse alguma história, por

    trás de tanto ódio mútuo.

    _Algumas coisas nunca mudam...

    _Não, não diz...

    _Não diz o quê? Estrupício de asas?

    _Não é Miguel?

    _Ela vai me matar agora.

    _Miguel? Arcanjo Miguel?!

    _Isso mesmo querida.

    A bela de imediato se afasta, e Victória e Alexandra vão 

    atrás dela. Miguel e Lúcifer discutem um com o outro. “Não 

    tínhamos combinado que ela não saberia?!” “E te dá a chance 

    de desgraçar a vida dela de novo?” “Eu nem queria voltar a me

    envolver com aquela maluca! Estou trabalhando aqui contra

    a minha vontade!” “Não pareceu isso Nergal.” “Dá pra parar

    de entregar meus nomes de bandeja?” “Então pare com a

    sua procura, por motivos pra discutir com Ereshkigal, 

    foi assim que começou da outra vez.”

    _Belle está tudo bem?

    _Parece que cê tava certa...

    _Eu tô bem Vic, e concordo Alex.

    _Vai conseguir fazer a sua missão com ele?

    _Ele não parece muito interessado em voltar,

    então pode ficar fria.

    _É, eu vou ficar calma. Não é nada demais.

    Olha para o agente que continua a brigar com o irmão,

    que segue gargalhando, zombando das desculpas do pobre

    , que se mostra incomodado com as alegações. Seu olhar de

    medo, se cruza com os da jovem, e ambos ficam parados,

    totalmente desconsertados. O Anticristo não tinha lhe dito 

    mentiras, ela realmente teve outros pares, e o arcanjo era um 

    deles, mas como o seu amor por Leviroth era maior, ela fingia

    que não existiam. Ele passa a mão no cabelo cortado, e por

    fim respira fundo, indo ao seu encontro. Ao chegar as

    amigas o observam como leoas prontas para

    avançar.

    _Me perdoe. Eu só fiquei irritado por

    falar mal dos anjos.

    _Tudo bem.

    _O quê aconteceu no passado, fica enterrado lá.

    _Concordo plenamente com você.

    _Podemos trabalhar juntos?

    _Certamente.

    Apertam as mãos como adultos maduros, e ele se 

    distancia, recompondo-se, após engolir a verdade seca,

    que lhe dói a garganta. “Fica no passado.” Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.  

     Olha para ela

    e Leviroth juntos, sorrindo um para o outro. “Enterrado

    lá.” Fecha os olhos com tristeza, e se esforça para 

    fingir que está tudo bem.

    _Todos reunidos. Agora podemos seguir adiante.

    O agente começa a descrever por quê cada um foi

    convocado ali. Contando toda a história que veio dá 

    origem, a esta estranha união entre iluminação e 

    trevas, com o auxílio de slides. “É dito na bíblia 

    que após a queda dele, escuridão e luz não devem 

    se misturar. Mas dado as tristes circunstâncias em que

     tanto anjos quanto os demônios, estavam a mercê da 

    extinção não tivemos outra escolha, senão nos

     juntarmos.” Inicia, com

    o olhar fixo no nada, e mostra imagens da luta

    entre o céu e o inferno. “Eles queriam paz, e nós

    a guerra porém ambos utilizamos os mesmos meios 

    para isso, e foi assim que o libertamos.” Mostra a 

    imagem do Chapeleiro para todos, e a filha de 

    Lúcifer sente um incômodo. “Todo o nosso ódio e

    mágoa, nos deixou tão cegos, que nem percebemos

    quando ele se apossou de nossos mundos, e quando

    voltamos a razão, era tarde demais.” Mostra o paraíso

    devastado, e o inferno dominado. “Por muitos séculos

    vagamos sem um lar, até acharmos este planeta no

    qual nos estabelecemos.” Mostra a chegada dos 

    Anunnakis e os reptilianos, e como eles se

    desenvolveram. “Haviam alguns conflitos vez ou 

    outra, pois somos como água e óleo. Mas nós criamos

    uma bela comunidade, tanto para anjos, quanto para

    os demônios.” Aponta para o Egito, e demonstra os

    deuses, mas não há bons ou maus, apenas os

    iluminados, e os obscuros. “Infelizmente ele nos

    encontrou. Meu povo foi escravizado outra vez, e os

    demônios se curvaram para ele, para sobreviver. Só

    restou um punhado de anjos e demônios, seguros

    do Pacto de Harmonia.” Ele mostra os seres de

    amaduras vermelhas, se curvando para o 

    ser. “Ele é aparentemente só um garoto, mas não

    se enganem, seu poder era tão grande, que o próprio

    pai, tentou devorá-lo, para o impedir de reinar.” As

    cenas agora se passam na Grécia antiga. O garoto

    é um homem agora, que domina as terras sombrias

    , e o Olimpo. Sim ele é Zeus e Hades, mas em 

    períodos diferentes. Pois o verdadeiro Zeus é o

    próprio Lúcifer, renascido após ter sido preso pelo

    próprio filho, quando era o Titã Prometheus. “Você

    será jogado na Terra do não retorno.” Diz-lhe o titã. 

    “Eu voltarei, e tomarei o trono de ti outra vez Zeus.”

    Declara o inimigo. “Dizem que Perséfone é assim.

    Mas esta foi uma forma que propagamos para 

    garantir a segurança dela.” Ele olha para

    o anjo das bruxas.

    “Só que a sua verdadeira forma é essa.” Surge o

    retrato da deusa, e as bruxas se viram para Isabelle

    , que fica transtornada com aquilo. “É idêntica a ti.”

    Diz Victória fascinada com isso. “Tem até as suas

    Tetas.” Alexandra brinca, e a jovem se cobre

    com os braços. “Ao contrário do quê os humanos

    dizem, Koré não era uma virgem, e tão pouco estava

    livre naqueles tempos, tinha um relacionamento 

    com Thanatos, sob a alcunha de Macária, e com ele teve um 

    bebê. Algo que enfureceu  bastante o

    deus dos infernos gregos, e por isso 

    ele a tomou para si.” O rapto da deusa, é mostrado

    em obras de artes, que não condizem com a sua forma

    verdadeira. “Os humanos inventaram também que a deusa

    Afrodite, era um equivalente de Inanna, a deusa mesopotâmica

    , e que esta tinha descido ao Inferno, apenas para rever o seu

    amante Adônis.” Imagens de Afrodite e Adônis surgem na

    tela. “Mas como devem saber, assim como a descida dela, a

    sua identidade também é uma mentira. Esta é a antiga forma

    dela.” A imagem da deusa é idêntica a Victória. “Isso explica

    porquê sempre acreditou no amor, mais que todos.” Diz

    Isabelle. “Ou porquê teve tantos namorados.” A outra

    bruxa brinca. “Afrodite não nasceu da espuma do mar, esta

    é uma metáfora, que esconde o seu outro nome Despina. A

    deusa renegada.” Segue contando a história sem muito

    interesse. “Ao contrário do quê a humanidade prega, ela não

    foi deixada para trás, porquê Deméter era má, ou por ser fruto

    de um abuso. Mas sim porquê Despina compactuou com os

    titãs, na guerra, para roubar o trono de Perséfone, a sua

    irmã mais velha.” Victória se sente triste, mas Isabelle segura

    sua mão, dando-lhe apoio. O quê ocorreu naqueles tempos, é

    para ser esquecido, pois hoje em dia são melhores amigas. “

    E foi assim que garantiu que Perséfone fosse levada

    ao Inferno.” Prossegue. “Despina teve orgulho de seu ato

    cruel, até sofrer as consequências. Deméter ficou desolada pela

    perda da filha, e por esta razão esqueceu dos outros filhos, não

    se importando com nenhum deles, exatamente como quando

    a caçula nasceu.” Ao ouvir aquilo Isabelle fica de queixo

    caído, pois nas suas visões em que tinha uma irmã

    , esta parecia ser muito mais amada. “Hera não queria deixar

    que Deméter fizesse um acordo para devolverem a filha. Afinal

    de contas, ela era o pilar de Despina neste plano, pois tudo o

    quê desejava, era fazer a sua rival sofrer, por tira-lhe o

    amor de Zeus.” Ao verem a história, as irmãs se entreolham,

    e lembram das vezes que viam sobre Ninlil e Inanna, que

    desde o principio queria o amor de Enlil, mas como este era 

    da irmã, ela ficou furiosa. “Me perdoa Belle.” Victória se

    sente incomodada, e chora, abraçando a sua 

    irmã. “Esta tudo bem. Nos preparamos para este dia Vic, ou

    esqueceu de como foi que nos conhecemos?” A dama ri, e a 

    moça fica sem jeito. “Despina se arrependeu, e foi até

    Hades, desfazer o acordo, mas o deus tinha se apaixonado 

    pela deusa, e não a queria deixar ir, pois temia que nunca

    mais voltasse.” Isabelle sente uma dor na garganta. “Triste

    pela derrota, a deusa renegada caminhou sem rumo, até cair no

    mar, e se encontrar com outra divindade, que estava morrendo em

     meio a tantas guerras e desavenças.” Surge a primeira Afrodite 

    celestial, sentindo-se fraca. “Me perdoe. Eu não sabia que meu ódio 

    poderia causar tantas desgraças.” Implora o perdão da deusa, esta sorri 

    e toca em seu rosto, puxando-a para perto. “Este é o meu fim Despina.

    Por tua causa, Eu o Amor estou morrendo, e é por isso que precisa

    consertar o teu erro.” Disse-lhe a deusa a beira da morte.

    “Como? Se tudo o quê consigo fazer é congelar e destruir o quê a

    minha mãe cria.” Chorou a menina de cabelos brancos e rosto jovem.

    “Através do amor minha querida. Através do amor.” Disse-lhe com

    as mãos em sua face, e a beijou calorosamente, preenchendo o

    frio em seu coração, com tanto calor, que seus cabelos

    mudaram de neve para vermelhos como as

    rosas. A luz brilhou, e por fim ela saiu das espumas renascida, a

    velha Despina, amargurada e louca por destruição tinha morrido, e

    dado espaço para a segunda Afrodite, que faria o quê estivesse ao

    seu alcance, para salvar a sua irmã do marido. “Despina não foi a

    única a receber o beijo de uma deusa, que lhe deu novos poderes.

    Koré também tinha passado por este processo, e por isso sua irmã

    se sentiu tão mal.” O anjo explica, e Isabelle fica

    a se questionar.

    _Perdão mas está errado. Eu vi o meu passado.

    Eu era a invejosa, não Despina.

    _Até onde exatamente você viu? Na infância sim,

    teve suas razões para detestar a sua irmã, pelo tipo

    de carinho que Deméter dava a ela. Mas depois que

    ficou mais velha, e recebeu a graça de Nyx, sua

    mãe teve muito orgulho de você.

    _Sim, mas Despina era mais amada e 

    querida.

    _Não, quem te disse isso?

    _Uma bruxa chamada Ariadna.

    _Ela mentiu para você. Sempre foi muito amada

    por seus pais, por ser a primeira filha deles, e mesmo

    achando que não, eles te deram tudo o quê podiam

    , para te fazer feliz. Só que o fato de dividirem 

    este amor com Despina, que te deixou

    tão chateada.

    _Mas Ariadna...

    _Claramente não é de confiança.

    Responde e prossegue ignorando os outros apelos. “Eu disse que

    nós duas fomos bem amadas.” Resmungou Victória com alegria, por

    saber que não deixou sua amiga sofrer. “Para chegar no lar

    do deus do submundo. Afrodite foi até a deusa Tétis, e pediu-lhe

    para levá-la ao fundo do mar. Para assim chegar as águas,

    que passaram pelo Tártaro.” Contou a história, e como já era de

    se esperar, Tétis tinha traços idênticos aos de Alexandra, que fez logo

    um sinal, para que as irmãs se calassem. “Em várias culturas, estas 3 deusas

    foram muito conhecidas, e como ambas tiveram domínio do submundo, logo

    formaram a egrégora de Hécate, que deu origem ao surgimento de uma

    nova deusa na mente humana.” Eis que aparece a imagem da deusa

    de três cabeças. “Afrodite, representava a jovem. Tétis a mulher,

    e Perséfone a anciã, por herdar o poder de uma titã.” Mostra a estátua,

    e aponta para o símbolo lunar na cabeça da deusa. “Esta imagem das três

    fases da lua, foi muito presente nas culturas, e suas histórias se repetiram,

    fazendo-as serem conhecidas por outros nomes. Por isso é muito comum

    , encontrar deusas equivalentes.” Diz  apontando

    para as deusas semelhantes, de outras culturas, e Isabelle ergue

    a mão, o fazendo revirar os olhos, por temer que isso

    gere uma nova discussão.

    _Sim Isabelle pode falar...

    _O meu equivalente nórdico é a Hel. O quê não coincide

    em nada com a Perséfone.

    _Não coincide com o quê os humanos sabem, mas você

    é como uma segunda Nyx, portanto faz sim sentido.

    _Se diz...

    Ele sorri forçadamente e prossegue com as explicações. Sabendo 

    agora dos seus reais poderes, que vão além dos 4 elementos, as jovens 

    são conduzidas para fora da sala, e levadas até o ginásio, onde uma das

    belas tem uma surpresa devastadora. “Você é minha agora.” Se recorda

    Victória, ao ver um belo homem de cabelos longos e negros, pálido, e

    de olhos azuis escuros, que está com o olhar vazio de um

    assassino mortal.

    _Com licença, mas o quê ele faz aqui?

    _Ah, perdão Victória. mas devido

    ao seu poder como Despina, você deu

    origem aos seres vampíricos, e por isso

    Gabriel, irá te ajudar a manipular os

    seus dons.

    _Nunca odiei tanto o fato de ser vampira.

    _Vai dá tudo certo. Você e Bóreas se

    separaram, já faz alguns séculos.

    Ele segura em seu ombro, e a empurra para os braços do irmão, lhe

    deixando, numa bela saia justa. Alexandra, e Horácio são chamados pelo

    anjo Salatiel, e ao ver este a jovem da moda caveira, cospe a água que usou

    para se acalmar, por encontrar o aparentemente ex ali. Vendo-a ali, o loiro

    de olhos verdes, sorri e acena sem más intenções, mas esta não retribui e

    sai correndo até Isabelle. “Eu não sei quem vai te ajudar. Mas você não

    me deixar sozinha com aqueles dois.” Aponta para os alados, e

    Belle arregala os olhos, puxando-a para o canto, onde

    conversam baixo.

    _Pelo visto não sou a única “ferrada” aqui.

    _Para de brincar Belle. Sabe como me sinto como

    sobre isso.

    _A gente teve tempo para se preparar, mas fomos

    ingênuas. Agora é respirar fundo, e trabalhar

    com eles.

    _Como você está sobre Miguel?

    _Bem ué. Eu temi a toa, ele me quer tanto

    , quanto eu quero peixe.

    _Detesta mais que a própria vida?

    _Exatamente.

    Ri e o arcanjo ouve aquilo com desgosto. “Sem querer

    interromper esta conversa, mas é hora de ir.” Ele chama

    a bela, e a pega pelo pulso, afastando-a da amiga. “Eu sou

    adulta.” Diz de má vontade. “Então haja como tal, e não

    se atrase para a sua aula.” Ele a arrasta, e ela se solta.

    “Eu não vou. A minha amiga precisa de mim.” Ela

    volta para Victória, que está pálida.

    _Ela vai ficar com o Gabriel. Você sabe o quê

    eles vão fazer, e não vão se matar.

    _Ela está noiva de Belliath!

    _Ah é? É costume da família dormir com outro

    no noivado. Vamos embora.

    _Não tínhamos parado de brigar?!

    _Tínhamos. Até você fofocar com a sua 

    amiga, que me odeia mais que a comida

    que detesta. Sendo que eu só te salvei

    , daquele maluco.

    _E não é verdade?! 

    _Só porquê eu disse que te acho maluca.

    Não quer dizer que te detesto.

    _E o quê quer dizer então?!

    _Que você é louca oras. Agora larga ela,

    seu marido e eu iremos te treinar.

    O anjo a afasta outra vez, e Victória fica com os

    olhos arregalados, sentindo Gabriel vindo por trás

    dela. “Vamos treinar. Preciso te ensinar a arte da

    caça.” Sussurra em seu ouvido, segurando em

    seu pulso, e inspirando a pele do seu 

    fino pescoço.

    _Eu sou noiva de Belliath.

    _Sua irmã era noiva do meu irmão.

    _Corta essa, eu sei que é filho de Bael.

    _Não sou. Bael foi um tio amável que me

    reconheceu, até se tornar Deus, e agir

    como tal.

    _E eu devia ter pena?

    _Não. Mas devia se lembrar, que nem

    sempre conseguiu resistir a mim.

    Responde dando-lhe um beijo no pescoço, que

    a deixa arrepiada. Mas para disfarçar, ela o segue e

    pega a luva de garras. Isabelle caminha ao lado do tal

    arcanjo, e entra na sala de tiro. Leviroth está acertando

    até os menores alvos com exatidão, e para não ficar

    para trás, Miguel pega uma arma, e também 

    atira, como se os dois competissem.

    _Preste atenção Isabelle.

    _Fique em silêncio e calma.

    _E se não conseguir... Apenas pense

    em algo que odeia.

    _Verdade. Imagine o prazer de atirar na

    cabeça deste ser.

    _Mire na garganta para acertar o alvo.

    Os dois atiram na mesma direção e acertam. A dama

    fica de queixo caído, e se afasta pelos raios produzidos 

    pela tensão deles. Mas Leviroth a pega por trás, e lhe

    dá uma arma para treinar. “É a sua vez amor.” Ele

    diz e lhe ajuda a mirar. Ao ver a bela, sendo

    guiada, o agente se incomoda.

    _Eu preciso tomar um ar.

    _Eu cuido das aulas.

    _Por mim tudo bem.

    _Até mais.

    O agente acena de má vontade, e sai do local, não

    querendo mais ver aquilo. Leviroth ri e abraça a esposa,

    dando-lhe um beijo caloroso. “Alguém se chateou.” Ri da

    dor do rival. “Se chateou? E você não perdeu a chance

    de piorar as coisas.” Ela brinca, e ele volta a lhe

    pegar pela cintura, encostando-a na

    parede.

    _É evidente que ele quer lembrar os

     velhos tempos.

    _Não quer nada. A gente se detesta.

    _Vai por mim, sou um espécime masculino.

    Ele não te olha com desprezo.

    _Acho que você está paranoico.

    _Não estou. Você pode não ter se preparado

    para este momento, mas eu sim.

    _Foi em vão. As chances de eu ficar com Miguel

    , são iguais a gostar de peixe.

    _Você já comeu peixe 3 vezes Izzy.

    _Comer, não significa gostar.

    _Mas que quis experimentar. Eu sei que disse

    que te deixaria ir, só que não vou fazer isso

    sem lutar, ok?

    _Você não precisa. Já me tem há mais de 9

    anos.

    Diz beijando-o com fervor. Tomado pelo medo de

    perdê-la, ele a carrega, segurando-a com força, e com

    vontade. Seus lábios vão para o pescoço dela, passando

    a língua com todo o desejo de sua licantropia, e lhe

    descendo as garras pela costa, por dentro do

    seu vestido já aberto.

    _Podem nos ver...

    _E isso importa? São adultos. Vão ignorar.

    _Você é um louco.

    _E você ama isso em mim.

    Ele abre as calças, e a deixa de joelhos. “Prove que

    é minha.” Coloca-lhe no piso, e ela se ajoelha. O órgão

    está rígido, apontando para o céu, e a bela o abocanha

    com as mãos para trás, enquanto ele lhe acaricia o

    topo da cabeça. Há tanta sede nela, que sua

    boca transborda saliva.

    _Você é minha?

    _Sim.

    _Somente minha?

    _Sim.

    _Então mostre-me o quanto me ama.

    Ela faz movimentos com a língua, saboreando seu

    membro, como um picolé encontrado no deserto. No

    entanto quando se cansa, o morde, e arranha o seu

    peito, erguendo-se como uma deusa soberana,

    sob um daemon. Algo que o faz sorrir, pois

    é sua hora de amá-la.

    _Ah Tempo cruel. Gosta do sabor de sua

    doce Alice?

    _Adoro!

    _Quanta sede. Parece está me devorando...

    _E você não quer ser devorada pelo

    Tempo?

    _Não! Eu quero devorá-lo!

    O empurra, e então monta sob o seu corpo, como

    uma amazona, e escorre liquido do meio das sua pernas,

    envolta do falo dele. O agente resolve voltar, e se depara

    com a cena. Ao ver os olhos de prazer intenso da moça,

    ele de imediato desaparece. O demônio não está

    errado, há interesses obscuros no anjo.

    _Devemos terminar... logo...Tempo.

    _Não, enquanto você não provar o seu desejo.

    _O quê deseja de mim?

    _Que se entregue, e esqueça onde estamos.

    Ele a abraça, e a coloca deitada no piso. Mergulhando

    seus dentes nos seios dela, e a fazendo delirar de loucura

    amorosa. Ao ponto de gemer tão alto, que sofre uma

    represália. Seu amado puxa-lhe o cabelo na nuca,

    e lhe cala com um beijo.

    _Ah!

    _É esse rosto que gosto de vê...

    _Ah! Eu vou! 

    _Sim querida, me pinte com sua 

    tinta deliciosa...

    _Ah! 

    Ela o beija, sentindo seu corpo trêmulo, e suas palmas

    afundam no peito, enquanto ele a prende em cima, com

    um sorriso maldoso, não a deixando escapar, até não ter

    mais gotas peroladas. Os olhos dela se apertam, é uma

    energia muito grande, até que não suporta, e os

    dois se derretem no fogo do amor.

    _Eu preciso tomar uma pílula. 

    _Eles devem ter por aqui.

    _E se não tiverem?

    _Odin vai nascer...

    _Vai me prender de novo com um filho?

    _Funcionou da outra vez, por quê

    não?

    _Você é um idiota.

    _Mas você não vive sem mim.

    Ele se deita e ela se recosta em seu peito adormecendo.

    Mais tarde... os efeitos da paixão foram tão fortes, que o ser

    das trevas continua adormecido. Contudo o medo de Isabelle

    de engravidar uma segunda vez, a faz se levantar, e dá uma

    volta pelo corredor, onde por coincidência se encontra

    Miguel, que está sentado na parede, e nota o seu 

    medo.

    _Precisando de uma pílula do dia seguinte?

    _O quê? Como sabe?!

    _Eu voltei a sala... e vi tudo.

    _Ah sim... Não tem nada demais a 

    gente é casado, é o quê pessoas casadas 

    fazem oras. Elas transam!

    _É, eu sei. Sei também que praticam

    isso há mais tempo, que a sua 

    união.

    _Por quê minha vida pessoal te

    interessa tanto? 

    _Não interessa só não pude deixar

    de refletir a respeito.

    Ele se levanta, e entrega a cartela a ela. Seus olhos

    azuis estão frios, magoados por alguma razão. Na sua

    mente, se passam pensamentos dos quais pode vim a se

    arrepender, se colocar em prática. “Como ela ainda mexe

    tanto comigo?” Pensa ainda parado ali, imerso em sua

    cabeça. “Ele está cada vez mais estranho.” Ela

    o olha, e se afasta.

    Sem dizer nada, sua mão agarra o pulso dela, não

    a deixando ir. Ele fica cabisbaixo, sabe que o quê quer

    que esteja planejando, pode ser um risco gigante dado

    ao fato, de que Leviroth, Lúcifer, Enki, Belial, e todos

    os deuses que não aprovaram esta união, podem

    puni-lo a sangue frio.

    _Eu preciso ir.

    _Não precisa. É noite, todos estão dormindo.

    _Você está me assustando...

    _Eu não sou o Anticristo. Não tentarei nada.

    Apenas fique.

    _O quê há com você? Horas diz que me odeia,

    minutos depois parece que...

    _Eu ainda te amo? 

    Aquelas palavras a quebram em mil pedaços. Numa

    explosão tão impactante, que ela fica sem palavras. Ele

    da um passo a frente, ela dá dois para trás, e acaba “no

    muro”. Suas mãos tremem sem parar, Leviroth está

    certo, ele não a olha com desprezo, e quer

    reviver os anos dourados.

    _Você me odeia lembra? Não quer se envolver

    com uma maluca, não tem a intenção de

    cometer esse erro de novo.

    _Eu disse aquilo para me proteger. Mas ainda

    sim, te deitei em meu ombro antes de 

    chagarmos aqui.

    _Não tem nada demais...

    _Eu te quis perto de mim.

    _Você, tá confuso, não sente nada por

    mim, não mais. Você mesmo disse “o

    passado fica enterrado lá.”

    Diz ela e ele segura em sua face, e tudo acontece rápido 

    demais, para que consiga impedir. Seus lábios estão ligados

    aos dele, seus olhos se fecham por um breve segundo, mas

    ela luta para ficar acordada. Não se entregando aos seus

    impulsos românticos, e ficando petrificada diante dele.

    O quê o leva a entender que só um dos lados

    sente algo, e não é ela.

    _Me desculpa.

    _Tá tudo bem...

    _Eu só me deixei levar pelo ciúme...

    _Não diga nada. 

    _O quê?

    _É melhor se convencer que não sente nada

    , absolutamente nada por mim.

    _Eu não posso. Não dá mais.

    _Você teve o seu tempo, e não veio. Me deixou

    cartas, mas nunca se aproximou.

    _Como você...

    _Eu te amei naquele tempo, de verdade.

    Mas você não sentiu o suficiente para

    lutar por nós.

    _Você corria risco de vida!

    _Eu queria me arriscar!

    Grita tão alto que sua voz ecoa pelo local, e ela

    mesmo se cala. Lágrimas escorrem pela sua face, e

    tudo vem a tona. Ele esteve presente nesta vida, só

    que era como um admirador secreto, um vampiro

    a espreita, que por mais que se comunicasse,

    nunca podia se aproximar.

    _Eu esperei incansavelmente por você.

    _Eu não podia... Isso ia te matar.

    _Eu nunca me importei em morrer e você

    sabe.

    _Mas Isabelle eu não queria te perder de novo,

    como quando se atirou para fora do paraíso

    , e se matou.

    _Você sabia quem eu era...

    _Sempre soube. Tive uma minha memória intacta

    sobre o passado. 

    _Então por quê não lutou pra ficar comigo?!

    Lhe bate no peito, e ele segura seu pulso, abraçando-a

    forte em seguida. “Fora o risco. Você tinha que fazer a sua

    escolha sozinha. Te mandar cartas foi uma trapaça.” Ele diz

    em seu ouvido, e uma lágrima cai no piso. “Era lindo ler 

    que seria minha até depois da morte. Mas eu não

    podia te condenar a mim outra vez.” A

    aperta.

    _Minha vida, assim como a sua, não foi um

    mar de rosas. Também tive uma mãe louca,

    só que a minha matou todas as minhas

    namoradas.

    _Forma bonita de preservar o amor...

    Com muitas namoradas.

    _Você não era uma humana estúpida,

    tinha valor para mim, e merecia ser feliz

    , longe de todo este...este inferno.

    _Eu teria enfrentado as chamas com

    Você.

    _Teria acabado morta, por não ter despertado.

    _Então me deixou ir...

    _Sim. Mas não totalmente...Sempre te protegi

    de longe, mesmo quando pensou está só.

    _Isso não é verdade...

    _Acha que aquele bandido que te abordou

    pegou fogo por acidente?

    _Mas quem me protege desta forma é o diabo.

    _Lamento te informar...mas ele não é o

    único.

    O belo se lembra do tempo que tinha os cabelos longos

    até o ombro, e a vigiava, quando não fingia ser humano. A

    salvando de malfeitores, que poderiam chegar ao lugar no

    qual se encontrava. Algumas vezes não resistia, e entrava 

    em seu quarto, no escuro, e ficava vendo-a dormir. Mas 

    tudo isso parou, quando Bener entrou na vida dela, pois

    o anjo tinha consciência, de que o demônio também 

    poderia protegê-la, por isso partiu. Ela respira fundo

    , e o afasta, deixando-o sem jeito.

    _Obrigada pela ajuda.

    _Mas?

    _O quê aconteceu, não 

    vai se repetir.

    _E ?

    _Você vai contar ao meu 

    marido, mesmo sabendo 

    das consequências.

    _Estou ciente.

    _Não precisa. Eu vi tudo.

    Leviroth aparece na porta do lugar,

    com os braços cruzados. A bela corre

    para o marido, e este fica parado. Os

    olhos dela imploram pelo abraço

    dele, e este a envolve contra o

    peito, encarando o 

    outro.

    _Eu já sabia que isso aconteceria.

    _Você me odeia?

    _Não a culpe Leviroth.

    _Como eu disse, vi tudo Miguel.

    Você a cercou, e ela não cedeu.

    _Não mesmo.

    _Se estão resolvidos. Não tenho

    mais o quê fazer aqui.

    _Vai descansar Izzy. Tá tudo bem.

    Ele a conduz para a sala, e a deixa lá, com um sorriso. 

    Mas ao se virar, a sua raiva cresce tanto, que os seus olhos

    ficam negros por completo, e ele flutua em alta velocidade

    , e pegando o rival pela gola da camisa. O erguendo no

    topo da parede, com completa fúria.

    _Fique longe dela.

    _Depois da rejeição, não tinha

    a intenção de fazer algo 

    mais.

    _Estou falando sério "filinho de

    papai"! 

    _O principe renegado está 

    de volta?

    _Ele nunca saiu. 

    _Eu não vou tentar mais nada

    com a sua esposa. 

    _Ótimo.

    O demônio o coloca no piso. Se sentindo mais calmo, 

    ao ponto dos olhos negros, voltarem ao estado normal.

     "Mas eu não vou ficar longe dela." O agente da um

    escorão no rival, e passa por ele.

     

     

     

     

     

    Capitulo 4- O demônio, o anjo

    e a simbiose.

    .

     

    Leviroth respira fundo, e caminha pelo local, até 

    encontrar o templo do deus Enki, que está sentado em

    um trono, acima das águas. Ao ver o rapaz, o deus o

    chama, e este se curva perante a ele.

    _Levante-se garoto. Tu és um

    nobre.

    _Sou um nobre apenas porquê

    me destes a graça, meu 

    Senhor.

    _Isto não é verdade meu jovem.

    _Não é?

    _É hora de saberes a verdade,

    então observe a tua resposta.

    O deus ergue as águas, e cobre o  príncipe com elas. 

    Ele viaja até o seu passado, e se depara com três bebês.

     "Eis o nascimento da luz, das trevas, e do equilíbrio." Diz a 

    voz de Enki. O primeiro bebê brilha mais que o sol, já o segundo 

    enegrece como o cosmo, e o terceiro, ao contrário dos outros, é 

    escuro com a luz em seu interior. "Tem se falado muito da trindade

    feminina, mas há também a trindade masculina, e aliás esta foi a

     primeira a existir." Prossegue com aquela narração. "O pai é a

     existência, e os gêmeos são vida e morte." Conta, e

    surge Samael, segurando dois bebês, junto de Lilith."Antes do 

    nascimento da escolhida, e se tornar Lúcifer, Samael teve dois filhos 

    inicialmente. Um nasceu de sua sede de sangue, o outro surgiu de sua

     justiça." Gêmeos enfrentam um ao outro na barriga. "A luz forte do

    primeiro filho, obrigou Samael a lhe esconder do mundo, para não o 

    queimar. Enquanto a escuridão se  fez viva." Os irmãos se separam. "A 

    primeira filha de Samael  nasceu. A escuridão não se conteve e tomou-a 

    para si, e com ela, a princesa angelical se juntou." A jovem ruiva abraça

    ao demônio de olhos vermelhos. "A menina ao  contrário dos seus 

    irmãos, não herdou nem luz, nem as sombras, mas sim o controle 

    de ambos." Diz o deus com a sua sabedoria, e surge a bela 

    dançando com o amado acima da terra, enquanto o 

    gêmeo de 

    poder solar, olha para ela. "Os três bebês que viu, são os primeiros filhos 

    sagrados." Agora eles estão mais velhos, cada um 

    reinando de uma forma. O gêmeo solar, lidera um império de fogo. O gêmeo 

    negro, lidera a escuridão, e a jovem deusa fica entre ambos, usando forças de luz 

    e trevas. "É dito que Lúcifer reina no inferno. Isso é uma mentira. Ele está acima disso, e reina nos céus como o senhor do ar, da vida, e da criação." Prossegue. "Ele separou

    Anu e Namu, mas criou tudo isto, e seus filhos ficaram responsáveis pela 

    governança de suas terras."  Diz o deus. "Após os mais velhos, seguirem seus 

    rumos, os mais jovens vieram a se preparar, para serem deuses." Os outros deuses surgem, e cada um tem um dom diferente. "Luciféria treinou os deuses que cuidavam das forças da natureza. Bael cuidou dos seres das profundezas. E você, jovem príncipe Azazel, ensinou os seres das sombras." Ao ouvir o nome Leviroth, respira e se 

    afoga.  O quê obriga o deus, a tirá-lo das águas. 

    _Eu sou Leviroth. O príncipe 

    renegado. O rebelde.

    _Não. Você é Azazel o príncipe

    do caos, e grande mago das 

    sombras.

    _Eu sou filho de Deus e Asherah.

    _Não. Você é filho de Enlil e

    Ninlil. Como seus irmãos.

    _Eu sempre servi a Odin e Gaya.

    _Sua mãe é Nyx e seu pai Eros.

    _Mas Luciféria é filha de Zeus e

    Deméter. Outras faces de seus 

    pais, depois de Hades e Hera 

    prendê-los. 

    _Eu sou o filho de Odin. Não do amor.

    Ali por trás da porta, Isabelle ouve a discussão, e vai

    até os aposentos do pai. No qual o encontra sentado no

    seu trono, e se curva perante a ele. “Minha princesa erga-te,

    e jamais se curve a outro nobre, que não seja você mesma.”

    Diz o deus supremo, e a jovem moça, fica de pé indo 

    até ele, que já tem todas as respostas na

    ponta da língua.

    _Quer saber quem é o Anticristo,e o quê ele 

    e você tiveram. Se Enki mentiu ou não para o

    demônio Leviroth. E porquê o chama por

    Azazel.

    _Sim...Primeiro acreditei que ele era meu

    tio. Depois conclui que era meu irmão.

    _Descobriu o certo minha querida.

    _E por quê sonho que sou mulher dele, se

    sou casada com Leviroth?

    _Porquê a luz busca a escuridão...

    _Então ele devia ter um relacionamento

    gay com Leviroth, ou incestuoso com

    minha mãe.

    _Você não sabe mesmo, qual é o seu

    papel nisso tudo não é?

    _Sou a “messias negra”, nascida para

    guiar o teu povo.

    Isabelle revira os olhos, pois desde o episódio da 

    floresta, deixou de acreditar no seu destino grandioso,

    e Lúcifer ri disso, pois nota na filha, a mesma forma com

    a qual a esposa demonstra desgosto. Elas são parecidas,

    até quando a menina deseja se desvencilhar de tudo, pois

    encontrar a si mesmo no escuro, é o mesmo que achar 

    os demônios insaciáveis de Lilith, que ficam a 

    espreita no fundo da mente.

    _E você sabe o quê significa?

    _Que tenho que liderar suas tropas. Sendo que

    só consigo falar com meus amigos?

    _Não tem a ver com o povo Lucy. Tem a ver com 

    você.

    _Eu não tenho poderes como Afrodite e Tétis.

    Controlo ervas e escrevo o futuro.

    _Sua mãe lhe deu o maior dom dela. O dom

    da noite minha querida, com o qual você fez

    de seus irmãos, deuses abissais.

    _E o quê é esse “dom da noite”?

    _É o dom que dá vida as coisas, e que mantém

    o universo em equilíbrio.

    Isabelle se mostra confusa, e o deus se levanta,

    para lhe ajudar a entender melhor do quê se trata.

    A bela recua temendo o quê está por vir, mas o pai

    a segura, e lhe guia até a câmara, onde mostra os

    velhos tesouros da família luciferiana, e o seu

    diário.

    _E o quê isso tem a ver com o Anticristo?

    _Abra o livro da sabedoria, que seu tio Enki

    fez para mim, e saberá.

    _Acha que estou pronta? 

    _Teve 13 anos para se preparar minha

    querida. Vá em frente.

    _Você vai me proteger?

    _Sempre.

    As mãos dela pousam no livro, e com cuidado ela

    o abre. As folhas se passam rapidamente, até que por

    fim viram vultos, e a bela desmaia nos braços do seu 

    pai, deixando seu corpo para trás, até chegar no inicio

    da civilização da Terra. Luciféria está sentada no 

    lado de uma rocha, com lágrimas em sua

    face.

    _Por quê chora criança?

    _Porquê perdi meus pais para sempre.

    _Eles morreram?

    _Não...Mas Ela nasceu.

    _Ela?

    _Minha irmã...

    _Irmãos são complicados. Por isso quis

    matar os meus.

    _Eu entendo.

    Sem saber de quem se tratava. Ela desenvolveu uma

    amizade com o sol do subsolo, e este também sentiu-se

    ligado a moça, ao ponto de fazer crescer uma flor para 

    sentir seu toque. Ela o via como um amigo, um cão de 

    guarda, para quem podia contar todos os seus 

    segredos.

    _Será que brilho tanto quanto o sol?

    _Consegue ver aí dentro?

    _Sim... mas não estou brilhando no momento.

    _Então como está vendo?

    _Joguei minhas chamas nas velas.

    _Entendo.

    _Tudo bem com você criança?

    _Para de me chamar assim. É só a minha irmã...

    Eu só queria matá-la. Mas não quero acabar

    como você Sr. Rá.

    _É, é melhor tomar cuidado. O escuro pode

    não ser agradável.

    A advertiu. Luciféria tinha tanta estima pelo amigo,

    que a entendia como ninguém mais, que passou a ler

    os arquivos de Miguel, para encontrar uma brecha que

    o libertasse, e o devolvesse para este mundo. Sim, ela

    usou o anjo, para conseguir ajudar o ser que vivia

    nas profundezas, e assim o tirou daquele

    lugar sombrio.

    _Você?

    _Você? É a garotinha...

    _Que você molestou.

    _Luciféria me perdoa...Eu não sabia...

    _Você vai voltar pra jaula!

    Tenta empurrá-lo, mas ele segura sua mão, e a olha nos

    olhos, com suas íris cor de sangue. Ele realmente se sente

    culpado, por ter a tocado indevidamente, mas ela só quer

    mandá-lo de volta para a prisão. Miguel presencia este

    momento, e corre para ajudá-la, assim ambos o

    colocam de volta na caverna. Mas ele percebe que foi a

    princesa que o libertou, e fica chateado. Ela se justifica por

    ele ter lhe entregado a Inanna, que queria matá-la quando

    era um bebê, só que o arcanjo continua magoado. 

    “Luciféria?” Pergunta a voz do submundo.

    _Eu nunca mais quero falar com você!

    _Eu sempre te avisei que era um monstro.

    _Não achava que era o Meu monstro!

    _Se acalme. Não há motivos para gritos.

    _Você me tocou, e abusou de outras!

    _Eu lhes dei a escolha.

    _Engraçado, eu não tive esta escolha.

    _Isso porquê Inanna te odiava.

    Ao ouvir a última frase, ela o deixa falando sozinho,

    e tenta retomar a sua vida como se nunca tivesse lhe

    conhecido. Miguel segue ignorando-a. Céu e Terra não

    devem se misturar mesmo, desde que Enlil ficou entre 

    eles. O arcanjo e novo brigadeiro das tropas do deus 

    Anu, e não o esconde o desgosto, pois realmente

    tinha um sentimento forte pela primogênita 

    de Lúcifer. 

    _Vai me ignorar para sempre?

    _Só por quê me usou para libertar o Diabo?

    Não imagina.

    _Me perdoa. Eu não sabia de quem se

    tratava.

    _Só há um prisioneiro terrível no universo.

    _Como eu ia saber que era ele?

    _Eu não estou nem aí para o quê acha Luciféria.

    Só me importa o fato de ter me traído, para

    ficar com ele.

    _Trair? Nós somos amigos!

    _Correção éramos amigos. Até mais.

    O arcanjo a deixa, e ela olha para o seu irmão mais

    velho, que também não aprova a sua atitude. Ao chegar

    no castelo, Luciféria vê os pais brincando com a irmã, e

    sorrindo, e ela sente muita raiva daquilo, pois os pais

    estavam tão focados em cuidar de Aggarath, que

    nem perceberam o risco no qual ela se meteu.

    “Ninguém me ama. Eu estou sozinha. Sendo esquecida.

    Perdendo o quê me importa.” Se senta encostada de costas

    para a parede, e coloca as mãos na cabeça, como se algo no

    seu interior, quisesse se libertar, e ela não pudesse deixar. 

    Só que como ninguém a vê ela perde o controle, e

    retorna até a floresta proibida.

    Seus pés caminham pela terra molhada. Os olhos violetas

    ficam vazios. O vento bate em seu cabelo que está a mudar de

    cor, deixando de ser vermelho, para virar roxo escuro. A pele

    alva, empalidece até ficar cor de papel. Ela desenha os

    símbolos na rocha, e invoca a destruição.

    _Luciféria?

    _Você precisa me compensar pelo ocorrido.

    _Por quê me libertou de vez? Sabia que posso 

    destruir o universo?

    _Sim, eu sei, e eu quero que faça isso, é a uma

    forma de me agradecer por te libertar.

    _Eles vão te matar, se descobrirem. 

    _Eu não quero viver Sr. Rá.

    A gigantesca e bela criatura, fica assustada com as fortes

    palavras proferidas pelos lábios da criança de 13 anos, e antes

    de fazer alguma coisa para tirá-la dali, ela desaparece, e deita

    na sua cama com os pés sujos. Na manhã seguinte...Há muito

    alvoroço a respeito da fuga de Bael, e ela fica transtornada

    com o fato de se encontrar tão suja. “Não resistiu ao

    amor que tinha por ele não é?” Diz Miguel

    sentado no canto da janela.

    _Do quê você está falando?!

    _Só uma criatura se compadeceu pela solidão

    do demônio. Não há duvidas de que tem culpa

    no cartório.

    _Eu não fiz nada Miguel. 

    _E estes pés sujos?

    _Eu não me lembro. Só estava muito triste,

    Irritada, e fui dormi.

    _Não foi você?! 

    _Não. 

    _Não está mentindo para proteger o seu amado?

    _O quê? Eu não o amo! E sim, não há porquê

    mentir pra você.

    Luciféria cresceu, sem saber do seu lado negro, 

    e por sorte e ajuda do ser do outro mundo, ninguém 

    nunca soube do seu segredo, até aquele dia. Ela agora

    tinha 16 anos, muita coisa tinha acontecido. Azazel e

    ela haviam se envolvido, pouco antes de se casar

    com Miguel, algo que o deixou furioso, ao

    ponto de castigá-la.

    _Não faça nada comigo por favor...

    _Você gosta da escuridão não é? Pois

    vai conhecê-la!

    _Por favor não faça isso!

    _Divirta-se demônio.

    Disse deixando-a trancada na cela do demônio, e

    este estava tão insano de raiva, que não se conteve, e

    tirou-lhe as roupas ali mesmo. “Socorro!” Ela berrou por

    não saber quem estava no escuro. Suas mãos passaram

    pela janela da porta, e só ouviu-se o impacto do seu

    corpo sendo violado friamente. Até que ele viu

    seu rosto na luz, e ficou em pânico.

    _Luciféria?

    _Bael?

    _Eu não sabia...

    _Você...Continua...Sendo um monstro.

    Ela desmaiou em seus braços, e ele derramou 

    lágrimas sob seus pequenos seios. Miguel chegou a 

    este ponto, pois desde pequenos Luciféria e Azazel eram 

    quase inseparáveis. Um cuidava do outro, e  se protegiam

    do resto mundo, por isso mesmo quando ela nutriu uma

    forte paixão por Miguel, o príncipe rebelde sempre foi

    um empecilho. Desta forma, para livrar-se do rival,

    o arcanjo com a ajuda de Inanna, adulterou o 

    DNA dele, e o fez crer ser filho de Anu.

    _Azazel por favor fica.

    _Este não é o meu lugar Lucy.

    _É claro que é. Meu pai te ama como

    se fosse filho dele. Te dará um reino

    também!

    _Eu não quero viver de caridade mais.

    Adeus Lucy.

    Disse dando-lhe um beijo de despedida. “O quê?”

    Olhos confusos o encararam. “Não deixe o idiota do 

    noivo saber.” Riu se preparando para ir. “Por favor 

    fica” Agarrou-lhe o braço. “Me perdoa mas não

    posso.”  Beijou-a na testa, e foi embora.

    A tristeza por não ser filho de Samael, o deixou tão

    devastado, que ele deixou o palácio do pai, para viver

    com o verdadeiro, abandonando sua irmã e melhor

    amiga, e fazendo-a se sentir tão só, que esta

    encontrou refúgio nos braços do

    Diabo.

    “Ela sempre encontra um demônio! Um maldito

    demônio para amar!” Pensava Miguel entorpecido pelo 

    ódio, passando a mão pelos longos cabelos. Após algumas

    horas, ele volta a cela, e tira suas roupas para que

    Luciféria pense que foi ele, e não Bael, pois se

    descobrirem que Anu o protege, todos

    se voltarão contra o supremo.

    Mas esta não é a pior parte de tudo...A irmã de

    Luciféria com seus poderes de criar ilusão, fez a mãe

    crer que esta tinha copulado com o próprio pai, quando

    a culpada pelo crime era a acusadora. Ela foi expulsa

    de Irkala, e mandada de volta a Dilmun, onde

    sofreu grandes humilhações.

    A raiva de Miguel a perseguiu, por todos os cantos,

    até virar uma prisioneira, e quase sofrer abusos na mão

    dos deuses menores. Azazel a reconheceu de imediato

    , e por isso correu até cela, para impedir que o ato

    chegasse ao objetivo. Ao ouvir a voz do grande

    general, todos se curvaram para ele, e este

    foi até a cruz.

    O rosto dela estava vermelho de tanto chorar,

    os cabelos mais escuros que o normal, e ao contrário

    dos cachos, tinham alisado, e caiam sem parar. Ao 

    vê-la naquele estado, ele segurou em sua face

    , quase que em desespero.

    _Quem foi o responsável por isso?

    _Oras Senhor. O brigadeiro Mikael nos deu

    carta branca para fazermos o quê quisermos

    com ela.

    _E alguém fez?

    _Eu fiz. Penetrei o corpo dela com os dedos,

    até fazê-la gritar.

    Disse um deus grande e robusto. Ao ouvir aquilo 

    o jovem sorriu, e o jogou contra a parede, o retalhando

    com a sua adaga, com tanta cólera, que só parou após

    deixá-lo em pedaços. Vendo aquilo, os deuses se

    cobriram, e saíram correndo assustados, por

    temor as suas vidas

    _Você está a salvo agora.

    _Obrigada.

    _Que confusão aprontou para vim parar aqui?

    _De todas as vezes que fui culpada, esta é

    a única que não sou. Nossa mãe me

    expulsou de casa.

    _O quê? Por quê?

    _Ela jura que eu dormi com meu pai.

    Mas eu não fiz isso.

    _Não mesmo?

    _Está desconfiando de mim?

    _É que você nutria sentimentos pelo meu

    Irmão mal, então...

    _Eu estava sendo estuprada na hora.

    Por isso não tem lógica.

    _E quem fez isso com você?!

    _Miguel.

    Ouvindo o famoso nome, e ele a tira da cruz, e a 

    carrega para o canto, onde lhe deita, e a deixa para

    dormir, enquanto sai a caça do rival. “Vigie a cela 13.”

    Ordena para o soldado, e este se recusa. “É melhor

    fazer o quê digo. Pois sou seu superior.” O pega

    pela gola da camisa, e seus olhos ficam

    negros como carvão.

    O gêmeo mal procura pela moça, em forma de 

    luz, e quando a encontra se materializa. Seus dedos

    tiram o cabelo da face dela, e ao vê-la tão maltratada,

    o pouco de sentimento que lhe resta, o faz ter ódio

    do céu, e todas as espécies que a machucaram,

    por isso ele inicia sua vingança.

    Isabelle não suporta todas as visões dolorosas

    do seu passado, e volta a si mesma, acordando no

    sofá dourado de seu pai, que está lhe aguardando

    com um relógio, e uma bandeja com comidas

    apetitosas.

    _Sem refrigerante?

    _Precisa se alimentar melhor e sabe disso.

    O refrigerante é uma arma pra matar

    as células dos mortais.

    _E os pesticidas nas frutas, são tão

    diferentes disso né?

    _Apenas coma. Mandei preparar especialmente

    para você, achei que voltaria faminta da sua

    jornada. Então como foi?

    Pergunta empurrando a bandejinha para ela, e

    esta rejeita. Ele revira os olhos, estala os dedos, e

    lhe dá o refrigerante. Assim ela pega o murffy de 

    morango com chantilly, e o devora numa 

    bocada só.

    _Azazel me ama...

    _Sim.

    _O Anticristo também...

    _De fato. 

    _Mas Miguel é um babaca que merece morrer.

    _Não está tão longe da verdade, mas porquê

    Miguel está entre seus pares?

    _É que aquele idiota me beijou.

    _Ah ele te beijou? Interessante.

    “Esse garoto tá morto. Não vou deixar desgraçar a

    vida da minha filha de novo, ao ponto dela se jogar na

    água, e se perfurar com a matadora de deuses.” Pensa

    sorrindo e ignorando metade do quê a moça diz, pois

    já sabe de que respostas se tratam. Mas ela está

    tão entusiasmada, que não se cala.

    _Eu cheguei a ficar com o anticristo?

    _Sim... Depois que o prendemos outra vez 

    no subsolo, ele a roubou para si.

    _Então o rapto...os meus pesadelos...

    _São reais.

    _Sim, mas por quê me chamavam de virgem?

    _Porquê o cristianismo perverteu o sentido

    da palavra Koré. Devia significar apenas

    jovem e não virgem.

    _Ah sim.

    Ao ouvir aquilo ela fica feliz, e quase salta de alegria,

    pois o tema virgindade, pesava-lhe demais a consciência,

    e saber que o nome foi corrompido, lhe trouxe paz de

    espírito. “Maldita seja a igreja católica, e sua mania

    de demonizar tudo.” Conclui, mas logo a alegria

    vai embora, e dá espaço para a 

    tristeza.

    _ Por quê você e a mamãe me esqueceram?

    _Nunca a esquecemos.

    _Nem viram, quando eu estava falando com

    Bael.

    _Na verdade vimos. Mas acreditávamos que com

    o seu dom poderia equilibrá-lo.

    _Então eu posso curar o ódio dele?

    _Sim, se atravessar a escuridão, e lhe puxar

    para a superfície.

    _Ou seja me envolvendo com ele...

     

    _Me envolvendo com ele... 

    _Sim, mas é uma escolha sua , caso opte por seguir o caminho atual, também pode matá-lo. Isso é o quê poder de Nyx representa para você. _Ele é seu filho...como eu e  Aggarath. 

    _Ele deixou de ser meu filho,  quando cometeu todos aqueles  crimes abomináveis. Ao ouvir a dureza na voz do pai, Isabelle salta para trás, pois pelo  quê o anticristo disse, ela já esteve do seu lado, e deve ter sido renegada da mesma forma, por caminhar com as trevas verdadeiras do universo. Por isso se preocupa, e tenta ficar calada, mas não consegue. 

    _Eu já andei com ele. 

    _Não teve culpa de amá-lo. 

    Com você ele foi bom. 

    _Epa eu nunca o amei. _Será mesmo? Quase destruiu o mundo quando o prendemos. _Eu não me lembro disso... 

    _Você se esforçou para apagar , nas duas vezes. Mas ele não vai deixar assim, então venha e veja... 

    Lúcifer mostra os retratos dos deuses traidores, e na maioria deles , a deusa meio lunar e solar caminha com o sol. Ela julga os inimigos dele, e ele destrói os que a ferem. Para a infelicidade da moça, dá para  notar a ligação entre eles. 

    _Esta... 

    _Sim é você. 

    _Por quantos séculos estive  

    com ele? 

    _Uns 500 anos. No começo ele a  raptou, depois você voltou por vontade própria. _Ele me raptou e eu retornei?! _Sim. Até se casou com ele, como não fez nem com Azazel, nem com Miguel. 

    _Foi forçado né?!  

    _Ele fingiu ser Azazel na verdade, mas depois você descobriu, e não lhe pediu o divórcio. _Eu sei... Já tinha visto isso. Só queria que não fosse real. _É bem real, e você tem que decidir se vai ajudá-lo ou matá-lo. Aquelas palavras ficam na mente  da moça por vários dias. "ajudar ou matar." Fica a refletir, sem saber que partido deve tomar. Afinal era do próprio Diabo que se tratava, porém  apesar dos pesares, ele tinha sido bom pra ela em  alguns momentos, e isto tornava seu julgamento  turvo. 

    Certo dia ele a chama para sair, e ela aceita,  para tirar a dúvida da sua cabeça. Preocupada em ser raptada, pede para irem a um lugar público, e eles ficam sentados na beira de uma escada, em frente a um  museu todo branco. Ao contrário da outra vez, ele não  está mascarado, e está vestido como no helloween,  enquanto ela está mal vestida, lembrando os  nerds da antigas. Não querendo atraí-lo. 

    _Sem máscaras desta vez? 

    _Sem marido?  

    _Ele me deu permissão para vim. _Você sendo submissa? Esse cara tem que me dá o manual! 

    _Vamos nos engalfinhar ou conversar? 

    _Certo. O quê quer saber de mim? 

    _Foi você que me chamou para sair. 

    Achei que você tinha perguntas. _Eu li o escreveu no seu site...Apenas quis ser gentil. 

    Responde bebendo um copo de refrigerante, e  ela olha para o lado, ele oferece a bebida, mas a dama recusa, e por isso ele avança na sua direção,  deixando-a do seu lado. "O quê ele está fazendo?" se afasta dali, mas o copo fica onde ele quer. 

    _Certo. Como perguntar isso? 

    _Sim, você me amou. 

    _Não era o quê ia perguntar. 

    _Mas é o quê quero esclarecer. 

    _Não seja um idiota.  

    _Está certo. Pergunte. 

    Ele passa o braço envolta dela e pega a bebida. Seus olhos frios cruzam os dela, e esta sente o rosto esquentar de vergonha. Por isso se afasta um pouco mais, e ele segura seu pulso, imobilizando-a com gentileza. 

    _Fica calma. Não vou fazer nada. 

    _Foi o quê disse da outra vez... 

    _Nada que Você não queira. Mas enfim veio pra falar de relacionamento, ou quer um esclarecimento útil? 

    _Então relacionamento não é útil?  

    Tanto faz. Como isso aconteceu? 

    _Não, quando quem eu queria não me quer. Foi bem simples você teve síndrome de Estocolmo, e ficou comigo. 

    Responde de forma seca e ela se levanta para ir embora. Outra vez ele respira fundo, e agarra no seu braço, impedindo-a de seguir em frente. Ela volta , e se senta a alguns centímetros de distância. “Isso não vai acabar bem.” Olha para o lado, sentindo arrependimento, e pega o celular. _Eu sei que está aqui para saber se deve me matar ou não.  

    _Mas eu não escrevi isso no site. 

    _Não sou burro, e você sempre foi previsível. Banca a rainha do mal, mas no fundo tem uma gota de piedade. 

    _Esta é a Victória, não eu. _Se veio até mim, o próprio ato contradiz suas palavras. Você sabe que te torturei, que te machuquei, e destruí o teu psicológico. Mas mesmo assim veio me dá uma chance de me redimir. 

    _Não vim para isso. 

    _Não minta para si mesma. Foi usando a justiça a teu favor, que não se tornou tão abominável, mesmo exterminando 75% da humanidade. 

    _Não me lembre disso... 

    _Tem medo? 

    _Não vem ao caso. 

    Ela sente as mãos dele em sua face, e recua. Ele sorri, e se levanta, outra vez bloqueando as chances dela escapar. Preocupada com estes avanços sutis, ela clica na tela para ligar para Victória, mas ele toma o seu aparelho. 

    _Confie em mim. Se quer a verdade. 

    _Por quê me escolheu? 

    _Eu não escolhi, aconteceu, e não fui capaz de deixar pra lá. 

    _Eu cometi atos de crueldade ao seu lado? _Não, embora me dissesse que sentia prazer em torturar alguns pecadores. _Por quê não me deixou ir se não tenho nada a ver com você? 

    _Você se engana. Somos bem parecidos,  mas eu abracei a escuridão, e você ficou com medo dela. 

    _Então fiquei no lado da luz? 

    _Não, você habitou o purgatório. Nem luz , nem escuridão. Tinha desprezo 

    pela primeira, e temia a segunda. Então ficou num lugar próprio. 

    Ela inspira fundo, e ele ri, erguendo a mão. “Segure-a, e saberei que tenho uma chance.” É o quê ele pensa. Ao sentir calafrios, ela evita-o, e  os dois voltam para a escada, onde se sentam. “ Droga. Mas não vou desistir, ela vai ceder. É o destino que escrevi, e a própria deusa mãe abençoou.” Ele revira os  olhos. 

    _Então isso é O equilíbrio... _Não, esta é a sua personalidade. O  equilíbrio é teu dom. _Razão pela qual busca por mim... _Não. Eu te procuro por outro  motivo... 

    Já cansado das escapadas da moça, ele olha em  seus olhos, e a beija de surpresa. Naturalmente as mãos dela sofrem espasmos, e ela o evita, porém por uns segundos seus dedos agarram os dele, não lhe permitindo se afastar. Ele a solta, para ver sua reação, e ela fica com a cara de choro. Os olhos dela ficam vazios, e seu braço se movimenta estapeá-lo, mas este segura sua mão, com tanta facilidade, que é como se tivesse lido seus pensamentos, por isso eles se encaram. 

    _9 mil anos, e ainda reage do mesmo jeito. 

    _9 mil anos? Está de brincadeira?!  _Não. Praticamente toda a sua vida na Terra, foi ao meu lado, até um dos seus amantes  vim te resgatar. 

    _Amantes?! 

    _Azazel e Miguel.  

    _Eles vieram bem antes de você. _Mas foi pra mim que disse “sim” no fim  das contas. E o tapa no rosto, era o primeiro sinal de que acabaria nos meus braços. 

    _Não. Não pode ser. Eu detestei! _Eu senti seus dedos, e eles prendiam os meus. Você queria continuar mas sua consciência, amargou o sabor deste doce prazer. 

    _Não, não queria. Eu levei meses pra te esquecer, e você não vai apagar meu desenvolvimento. 

    _Me esquecer? 

    O interesse dele se intensifica, e ela tenta correr, contudo ele a agarra, fazendo-a ficar contra o seu  peito, para que as mulheres ao redor não vejam o assédio, e criem algum alvoroço, que possa lhe prejudicar de alguma forma. 

    _Fica calma. 

    _Me solta. 

    _Eu vou, e também devolverei o celular. 

    _Mas em troca quer o quê!? Outro beijo!? _Que me responda... Você se lembrou de mim? 

    _Com tantos sonhos foi impossível não lembrar.  

    _Você acreditou me amar em algum momento? 

    _Não importa. 

    _Quer ser livre ou não? 

    _Sim... 

    _Sim quer ou sim me amou? _Sim para o segundo. Mas já matei esse sentimento, agora pode me deixar ir? 

    _Tudo bem.  

    Ele a solta, e entrega o aparelho. Ela de imediato lhe dá as costas, e sai bufando de raiva. “Mesmo que diga não, eu sei que ainda sente algo por mim, e não é desprezo.” Ele se recorda do beijo, e de ter aberto um pouco o olho, ao sentir que os dedos dela ficaram a pressionar os seus. Não havia ódio no ato, no  lugar disso estava uma paixão, que ele poderia usar contra ela. 

    Capitulo 5- O alvorecer do futuro  

    5 meses depois... Isabelle está mudada, não mais passa tanto tempo tempo dentro de casa, ou com os amigos. Caminha por várias ruas e lugares, com uma lata de cerveja na mão, passando por maus bocados vez ou outra, por sua aparência de 16, permanecer mesmo nos seus 25. Sem dizer nada a ninguém foi ao salão, e alisou e repicou o cabelo, algo que seria benéfico, se não fosse pelo o quê veio depois, pintou as unhas de preto, passou a usar batom escuro e se manter em silêncio. Algo que preocupou a todos, menos uma pessoa, que já havia visto esta reação em outras vidas, e não estava nada surpreso. 

    _Está com sérios problemas não é? 

    _Não começa Leviroth. Só me deixa em paz. _O quê aconteceu que te deixou assim desta vez? 

    _Nada. Só voltei a ser mesma Isabelle obscura de antes oras. 

    _A Isabelle de antes era como a lua, obscura mas com brilho, tudo o quê vejo é uma estrela morta. 

    _Volta pra casa. Eu não quero falar com ninguém. 

    _Eu volto mas você vem comigo. 

    Ele a carrega no ombro, e a leva como um cadáver abatido, ela   o olha com indiferença, e fuma um cigarro de menta, bebendo logo  depois. No entanto antes de saírem do viaduto, outro ser também não  muito preocupado surge, trajando roupas bem chamativas. Ao vê-lo  Leviroth, a coloca no piso, porém fica na sua frente, impedindo-o  de chegar tão perto dela. 

    _Velhos hábitos nunca mudam, não é irmão? 

    _O quê você quer? Não vê o estrago que causou? 

    _Vocês dois parem, não quero falar com ninguém. _Eu não fiz nada desta vez. Mas temo trazer más noticias, e acho melhor que ouçam. _Diga e se retire, se não quiser relembrar como foi preso naquela rocha mística. 

    _Já chega, eu não vou ficar aqui. 

    _Fique. Se forem para casa, podem morrer. 

    _O quê? A minha filha está lá! 

    _Não, não tá, quando vi que veio atrás de mim , sem ela, pedi a Victória que a levasse para a minha mãe. 

    _E eu coloquei demônios envolta da moradia, para matar qualquer ser que tente atravessar a barreira. 

    _Por quê faria isso? 

    _É óbvio que é pela Isabelle. 

    Ao ver a onde a discussão daria, a bela os deixa discutindo, sobre “quem é o macho alfa”, e passa entre eles. No entanto ao  chegar perto da rua, sente duas mãos diferentes em seus pulsos,  que a fazem ficar. O espectro deles é muito forte, tanto que a jovem sente tontura ao receber o impacto da  suas energias. 

    _Porquê deveríamos confiar em você? 

    É o filho traidor. 

    _Não se faça de herói Azazel. Esteve ao meu  lado, quando iniciei uma nova gerência dos  mundos. 

    _Gerência dos mundos? É assim que chama o seu golpe de estado? 

    _É até perceber, que meu próprio irmão, queria matar a deusa bebê, que viria a ser minha esposa. 

    _Eu não sabia que também me apaixonaria por ela. 

    _Olha isso não melhora as coisas. 

    _Não melhora mesmo. 

    _São um só espírito mesmo não é? Naquela época , eu só conhecia um amor, o da minha mãe. 

    _Espera dizem que somos gêmeos, está dizendo que... 

    _Não mesmo. 

    _Nós somos filhos de Inanna e Gulgalana. _Mas me disseram que eu era filho de Nyx, ou seja Lilith, como Luciféria e Aggarath. _Inanna é a mãe de vocês? Lúcifer traiu Lilith? _Não. Lilith é a metade de Lúcifer, ele não faria isso com a minha mãe! _Sim. Ele a traiu, mas Lilith nunca soube, por isso ele a fez crer que estava grávida, e quando nascemos, nos roubou de Inanna , e nos deu para ela. 

    _Por quê? 

    _É, posso pensar em mil razões, mas qual delas? 

    _Inanna iria nos devorar. 

    Imagens do passado inundam a mente do anticristo, e este respira fundo, nem sempre fora um pequeno mal, porém ao descobrir que não era filho de Lilith, entendeu que Azazel era,  e por isso ela o tratava melhor, assim se juntou a sua mãe, e tramou as ruínas do atual império em que se vivia. Infelizmente foi só na adolescência, quase na fase adulta que veio descobrir que Azazel também era filho dela, e que ela o fez entender de outra maneira, para que seus planos se realizassem. Lilith não tratava um melhor que o outro, apenas reconhecia as suas qualidades, e ele não era capaz de ver as  suas. Após saber das artimanhas da sua mãe e amante, ele tentou desfazer todo o erro, mas só piorou ainda mais a situação, pois a verdade, destruiu a rainha do Inferno de tal  maneira, que esta enviou o próprio marido para a morte, e este criou um ódio profundo do próprio filho. Todos o julgaram, pelos atos que cometera antes, e desta forma ele enlouqueceu.  

    _Eu deveria ter sido o sol e meu irmão aqui a lua. 

    _Você deveria ter sido luz e eu escuridão. 

    _Então eu nasci para realinhara-los?  

    _De certa forma sim, você desperta coisas boas em  mim, e sombras profundas nele. 

    _Eu inverto a ordem... não a equilibro. _É, e o escuro cresce ainda mais, quando lembro que você quer a minha esposa. 

    _Ela não é a sua esposa. Nasceu para luz e para as trevas, portanto pertence a nós dois. _Sem querer ser estraga prazeres, mas sou monogâmica, e não poligâmica. E não pertenço a ninguém só a mim mesma, o máximo que podem ter de mim é meu coração, mas eu sou eu. 

    _Pensei que era dele. 

    _Eu também pensei, agora estou na  dúvida. 

    A dama revira os olhos e outra vez lhes dá as costas, mas sem fazer alarde, ergue o celular, e se afasta um pouco deles, para tentar conversar com alguém, que não participa desta profecia, ou loucura toda. Os irmãos se entreolham, e se debruçam sob o parapeito do viaduto. 

    _Então qual é a má notícia? 

    _Temos uma mãe ciumenta, que quer que a filha de Lilith morra. 

    _Se afaste de Isabelle, e ela a deixa em paz. Pois não vai representar alguma ameaça. 

    _Não é tão simples. Inanna sabe que enquanto 

    Lucy existir, meus sentimentos serão dela, e por

    isso quer aniquilá-la. 

    _Por quê a quer tanto? É pela profecia de ela ser o equilíbrio? 

    _Não. Quando você e meu pai me jogaram na masmorra dos condenados,  Luciféria foi a única que veio falar comigo... 

    _Porquê não sabia quem você era. 

    _É, mas você bem sabe, que depois ela ficou comigo , por nossa similaridade. 

    _É, tal como eu e ela temos. Mas pelas armações de Miguel, acabei por abandoná-la, e isso te deu certa liberdade de se aproximar não é? 

    _Ou foi o destino que quis que nos conhecêssemos. _Oras Bael não seja tão tolo. Sabe tão bem  quanto eu que nós fazemos o próprio destino. 

    _Não vou discutir. Luciféria, Isabelle, te escolheu. Mas eu a escolhi, e é meu dever protegê-la de nossa mãe. 

    _Está bem, mas tente reviver os velhos tempos  com ela outra vez, e serei o único filho de  gêmeos. 

    Olha de canto para o irmão e este ri, enquanto a bela  liga para alguém do seu celular. Na tela surge o número que termina em 12, mas ela não consegue completar a ligação, e vozes começam a ecoar na linha, como se fossem indistinguíveis. Ela desliga o aparelho assustada , e caminha até os irmãos. Tudo começa a se iluminar a sua volta, fazendo-a ficar em desespero. Seus gritos não tem som, o Anticristo olha para trás, e se transforma em pó ao vento. Leviroth agarra seus pulsos , e ela segura em seu braço, tudo se destrói envolta deles , e a pobre cai no vazio, mergulhando numa escuridão profunda, na qual desaparece. O despertador toca, são 06:03, a jovem se levanta da cama, e corre para tomar seu banho. Está evidentemente atrasada. “Vamos Izzy vai se atrasar!” Grita Benner, e ela desce as escadas , já arrumada para sair. Ele sorri, e os dois entram no carro, seguindo viagem para o quê parece ser os seus empregos. 

    _Tive aquele sonho outra vez. 

    _O do Anticristo? 

    _Sim. Eu não suporto isso, é sempre o mesmo enredo e patético, onde sou o centro de alguma coisa importante, quando na verdade não sou. _Izzy. Eu sou o príncipe do Caos, e seu marido, nós já vimos Lúcifer, e ele te chamou de filha, como pode pensar ainda que não é especial? Você o libertou sabia? 

    _Não sem ajuda. Sozinha, ele teria continuado  preso, e o aconteceu depois disso? Ah é, ele me abandonou, e se fez ser notado pelo mundo! _Izzy. Lúcifer sabe o quê faz. Se ele ficasse do seu lado, certamente você iria sofrer as consequências de carregar o sangue dele, por isso se afastou. 

    _Pois eu preferia “sofrer as consequências”.  Do quê continuar sendo ninguém. _Mas você é alguém. É a rainha do primeiro reino do Caos. 

    _É? Mas quem sabe disso? Aliás quem teme , ou quer fazer pacto com Luciféria? 

    _Os vampiros Italianos?  

    _Não começa. 

    _Ué foi você que perguntou. 

    _Aff. Tá certo. Até mais, chegamos na escola. Ela desce do carro furiosa, e ele ri, observando-a partir, com sua saia longa, salto alto e blazer, como  se fosse a um enterro. “Essa é a minha mulher.” É o quê pensa apaixonado, e então dá a partida. Ela entra na sala, e todos param de fazer suas atividades, para se sentarem no seus lugares. A aula do dia, é sobre como o elo perdido foi desconsiderado, e que apesar dos estudos antigos mostrarem o homem como semelhante ao macaco, este era na verdade uma junção de todas as espécies de mamíferos, répteis, aves, e anfíbios. 

    _Então o Dr. Thomas John percebeu a discrepância na antiga pesquisa, e concluiu que a espécie humana é parente de todos os vertebrados, e não apenas o macaco, como se acreditava antes. _Professora Isabelle. Por quê defendiam tanto que o maior parentesco do homem era com o macaco? 

    _Devia prestar mais atenção na aula senhorita 

    Lina. Como disse Antes, por conta dos velhos estudos , que indicavam que 99.1% do DNA humano era igual ao dos primatas, concluía-se que o parente mais próximo do homem era este. _Professora Isabelle, então a teoria do  elo perdido na verdade é um erro? _Sim, Bill. Esse erro dos cientistas de acreditar que tinha apenas um elo, é uma piada. Já que agora foi comprovado, que o elo não existe, mas a conexão entre as espécies sim. _Professora essa descoberta do Dr. John , não abre ainda mais espaço para se defender a existência do elo? 

    _Sim e não Luíza. Pois a nova teoria de parentesco múltiplo, liga o homem aos vertebrados, mas não unifica todas as espécies. Bom já é 12:00, tenham um bom descanso, a palestra foi longa, e não mandarei dever de casa. 

    A bela termina a aula, e ajeita algo no computador, com um sorriso tristonho. Os alunos se despedem, e vão embora para os seus lares, porém quando a bela chega no corredor, se depara com um grupo de adolescentes de preto, que estão desenhando um pentagrama rubro no piso, e por isso para de caminhar, e observa o feito dos alunos. 

    _O quê estão fazendo senhoritas? 

    _Nada que seja da sua conta santarrona! _É, vai entrar no seu carrinho estúpido, e nos deixe em paz falou?! _Um pentagrama... Querem invocar algo eu presumo. 

    _E se quisermos? Seu Deus falso, não vai poder impedir! 

    _É, aceita que dói menos titia! 

    _O quê acham que são? Filhas do Inferno , que podem atormentar os outros por prazer? 

    _Não que seja do seu interesse, mas é o quê somos. Nós ouvimos o chamado do senhor das trevas! E iremos obedecer cada ordem do libertador! 

    _É nós vmos devastar, esse centro de ensino , para que o apocalipse se inicie aqui. _Vão para casa. Saiam disso. Satã não é senhor de ninguém, na verdade é um idiota , tão mesquinho e mentiroso, quanto o Pai. 

    _O quê você ousou dizer?! Satã irá cortar tua língua! 

    _Tá querendo morrer veia?! 

    _Vocês são uma piada.  

    A professora ri, e vai embora deixando as garotas góticas  para trás. “Essa vagabunda da Isabelle tem que pagar!” Pensa  a líder do grupo, e lhe lança um feitiço quebra ossos, porém ao receber aquela energia tão tenebrosa, a dama abre suas asas , e o poder da bruxa se torna inofensivo. Ao ver aquilo as jovens se apavoram, pois percebem que a educadora , é na verdade um anjo.  

    _Deixem-na em paz!  

    _Aaaah! 

    _Olá... 

    _Ela pode destruir suas almas se quiser. 

    _Sa-Satã... 

    _Pai. 

    _Olá minha garotinha favorita. 

    _Satã é seu pai?! Mas você é um anjo! 

    _Perguntem a Lilith, foi ela que me gerou. 

    _Isso é verdade. 

    _Você é filha de Lúcifer e Lilith?! _Não. Sou filha de Bruna, a bruxa mestiça que deveria reinar ao lado de Satã, segundo uma série tosca de televisão. 

    _As aparências realmente enganam não é? O rei do inferno, se transforma em uma pilha de pó, e rapidamente volta a sua forma humana, que é idêntica a do ator do programa de TV.  As meninas se escondem atrás da líder, e esta faz sinal para que se afastem, e se curva  aos pés do belo homem, que acha graça do fato,  e segura no ombro da professora. 

    _Você está aqui em busca da próxima Bruna, como A madame escuridão? 

    _Em primeiro lugar, eu detesto Bruna. Em segundo jamais procuraria pela próxima bruxa poderosa, pois depois de Lilith eu sou a única. 

    _Pode parecer arrogante mas é verdade, ela é a primeira da minha linhagem com Lilith, e portanto carrega mais genes divinos que os demais. 

    _Mas você odeia magia, só se foca em ciência e fatos concretos. Isso não tem lógica! 

    _Tenho minhas razões, não é papai? 

    _Ela me odeia porquê quis protegê-la, e dei fama e poderes as suas irmãs.  

    _E o quê isso tem a ver?  

    _Tem a ver que graças a esse idiota, eu não alcancei o meu status de Deusa, e por isso sofro humilhações nas mãos de humanos estúpidos feito vocês. 

    _Desculpe. 

    _É por ser tão simpática, que ainda não tem tantos  seguidores minha bravinha. 

    _Desculpa, mas sorrisos falsos não são pra mim. Olha com indiferença, enquanto os olhos vão para o teto, com certo desprezo, e ela cruza os braços. Ele ri e a abraça forte, ela fica com os braços colados ao corpo, evitando aquele gesto de carinho, o quê deixa as garotas horrorizadas, pois dariam suas almas para serem filhas. 

    _Igual a mãe quando sente raiva. São as únicas mulheres, que tem tanto poder sobre mim. _Não é o quê soube. Afinal sua filha com Inanna , tem o prazer de jogar isso na minha cara, enquanto está lá no topo por sua voz de sereia. 

    _Sexo e amor é diferente. Eu tenho responsabilidade por Victória, pois ela e o seu marido são frutos do meu deslize. Mas eu amo você e sua mãe. 

    _É um deslize antes e depois do meu nascimento. Tem certeza que nos ama mesmo? Eu duvido. _Está bem, não estou aqui para discutir o quê é o certo ou errado.  Vim para te ajudar, mas já vi que pode se virar sozinha. 

    _É o quê acontece, quando o próprio pai nos abandona no mundo! A gente tem que saber se cuidar! E aliás eu votei na família Messiânica pra presidente! 

    _Grande coisa eu fiz o mesmo nos E.U.A! 

    Ele berra, e ela vai embora fazendo o sinal do cotoco , ignorando todo o tumulto. Ao ver aquela discussão, as meninas notam que mesmo no Inferno há conflitos, como  na vida humana, e correm para abraçar o papai renegado, mas este faz um sinal para que não se aproximem, pois se sente muito triste pela rejeição da sua primeira e única filha com Lilith. 

    _Ela é uma grata senhor. 

    _Não, não é. Aquela menina sofreu demais por minha culpa, ela tem razões para me odiar. _Como pode defendê-la depois de tamanha recusa? 

    _Ela é filha do meu grande amor, e este amor se 

    estende até a minha menininha. 

    _Deixe-a ir senhor. Ela é apenas uma, enquanto nós somos muitas, e daríamos tudo para sermos suas filhas. 

    _Eu não preciso de mais filhas.  Preciso é de menos, e se querem tão desesperadamente o meu apreço , devem começar por ela. 

    _Mas senhor! 

    _Sem mais. Se querem ter alguma importância no inferno, devem fazer a minha princesinha se sentir como tal. 

    No dia seguinte... Isabelle está no computador, preparando o material para a aula do antigo DNA lixo, que agora é conhecido como DNA Ouro, pois graças a esta brilhante descoberta, que o Doutor John fez uma revisão da antiga pesquisa, que mostrava os humanos como parente mais próximos dos primatas, e isto seria útil para a futura prova. Uma das meninas do dia anterior, a olha sem jeito, e entra na sala. 

    _Veio trazer algum recado das suas amiguinhas adoradoras de Satã? 

    _Não. Eu vim pedir uma trégua, e que me ajude pois se as outras descobrirem, elas me matam. 

    _Por quê eu deveria te ajudar? 

    _Eu não levantei a voz para a senhora, ao contrário das minhas amigas. 

    _Mas também não teve coragem para ficar ao meu lado, então repito por quê deveria te ajudar? _Eu posso te tornar uma deusa, por quê acredito em 

    Você. Depois de ontem encontrei o seu site Senhora Noturna, e percebi que você não é só a filha de Lúcifer. 

    _O quê quer dizer com isso? 

    _Você é a Arádia. A nossa messias sagrada, que veio para proteger o povo da escuridão, e nos guiar junto do Anticristo. 

    _Ah meu outro segredinho foi descoberto. O quê acha que ganhará com isso? Fama, sucesso, poder? Não sei se notou mas sou só uma professora do segundo grau. 

    _Nada. Apenas poderei ajudar a minha mãe, a subir no trono que sempre lhe pertenceu. 

    _Do quê está falando?! A minha única filha é Isandra! _Não segundo essa marca. Eu sou filha de Arádia e o Arcanjo Miguel, portanto pertenço a  

    você. 

    _Como posso saber que isso não é um jogo de manipulação , para saberem as minhas vulnerabilidades? 

    _Porquê ela não está mentindo Luciféria. 

    Diz um homem de cabelos longos entrando no lugar, e a dama se afasta, empurrando o computador com as unhas pintadas de preto, totalmente atordoada pela figura. Sim era o próprio anjo que estava ali diante dela, confirmando a história da menina, e para ter certeza, este abre as asas, e seus olhos mel se tornam azuis, enquanto os dela ficam violetas, iguais aos de um dragão. 

    _Eu soube que tive filhos de Belzebu, mas de você? _Foi há muito tempo, quando desisti do céu para que pudéssemos ficar juntos. Infelizmente você morreu no parto, e Bael apagou sua memória para não te perder pra mim. 

    _E quem é a mãe dela desta vez? Posso saber? _Ela não tem uma mãe específica, foi feita no  laboratório, com os genes e a essência de  nossa filha Laura. 

    _Espera eu só posso produzir meninas? 

    _Sim, mas houve uma vez que gerou um garoto, só que  ele seguiu seus passos e virou bissexual. _Faz sentido. Desculpe Laura, eu não me recordo mesmo, mas isso não significa que vou te abandonar certo? Agora se me derem licença, eu preciso ir  para a minha vida humana. 

    Ela tenta sair daquele local, mas o arcanjo segura no seu braço, e lhe diz algo no ouvido. Ao ouvir tais palavras, ela engole aquilo com desgosto, e lhes dá as costas. “Qual o tipo de vadia que eu fui na outra vida? Já é o 5 filho que me aparece.” Pensa entrando no carro, e então dirige para a casa. 

    Ao contrário do quê se possa imaginar, a professora não mora numa casa qualquer, mas sim numa enorme  mansão, com detalhes antigos, e não é o seu salário que arca com isso, mas sim os seus investimentos em ações da bolsa. Ao vê-la a pequena Isandra corre para lhe abraçar, e as duas entram na casa. 

    Benner está sentado na frente do computador, verificando os lucros da família Calligari de La Cruz, mas ao vê a esposa e a filha larga tudo, e vai lhes dá atenção. Os três entram numa sala escura, onde tem um sofá marrom bem confortável, com uma gigantesca tela de plasma, e todos os tipos de eletrônicos , de realidade virtual, que se possa imaginar. Cada um coloca o seu capacete, e então os três vão para outra realidade, que se passa no tempo medieval, mas tem muitos detalhes bem futuristas, na qual Isabelle é um anjo, Benner um arqueiro demoníaco, e a filha uma curandeira. 

    _Lá vem o dragão! 

    _Se abaixa Isa! 

    _Você também Izzy! 

    _Socorro! 

    _Isaaa! 

    _Izzy!  

    _Mãe! 

    _Deixem comigo! Grito de Tiamat! 

    _Flecha da Fênix! 

    _Cura mágica! 

    Ondas devastadoras saem dos lábios de Isabelle, e ela flutua no ar. Uma fênix gigante em forma de fogo, cobre o gigantesco dragão, e este gargalha sem parar, enquanto o escudo protege a família. O dragão se transforma em um homem de longos cabelos pretos, e olhos vermelhos, que quebra a cúpula de energia, e sequestra a avatar ruiva. 

    _Mamãe! 

    _Isabelle! 

    _Benner! Isandra! 

    A dama grita e então todos retornam para a mansão, menos Isabelle, que é puxada para a França.  Onde acorda nos braços de um homem semelhante ao avatar, mas de olhos castanhos quase vermelhos, em vez de brilhantes cor de rubi. Ao ver que não voltou para casa, ela tira o capacete em estado de choque , e se afasta da estranha figura loira e vitoriana, pegando a primeira faca que aparece para se defender. 

    _Quem é você?! E o quê quer comigo?! _Sou um velho amigo, que tem te acompanhado  a vida toda. 

    _Você se ferrou. Miguel apareceu ainda pouco. 

    _Não sou Miguel. Sou Bael. 

    _Bael não é meu amigo, e você não é Belzebu. 

    _Garota eu te transferi do seu país para o meu , enquanto estava jogando. Literalmente distorci a realidade ao meu bel prazer. Tem certeza de que não sou? 

    _Tem uma possibilidade de 75%. _Sempre cabeça dura.  Quer que te prove de  outra forma? 

    Os dedos com unhas grandes seguram o rosto da bela dama, enquanto ele sorri pronto para beijá-la, mas ela se afasta dando um passo para trás, com o olhar de nojo. Ele revira os olhos bem irritado, e a pega pelo pulso, levando-a a força para o sofá, onde a joga de mal jeito, fazendo-a fechar as pernas com rigidez, por temer que ele veja o quê tem por baixo da sua saia longa. 

    _Acabou o romance? Que rápido! 

    _Você é uma idiota. 

    _Me trouxe da América do Sul, só para me xingar? 

    Eu devo ser muito importante mesmo pra você! 

    _Você é, e sabe disso. Não se faça de tonta. _Certo. Eu estaria horrorizada, se não tivesse sido quase abduzida por você há 4 anos. Pode falar então por quê me sequestrou dessa vez? 

    _Estava com saudades. 

    _O idiota agora é você pelo visto. 

    _Eu não pude resistir. Você e sua família devem ir para o subsolo, daqui há 3 horas  se quiserem viver. 

    _Por quê? 

    _Tenho planos para iniciar a fundação do Novo Mundo. Por isso estou te avisando. 

    _E a minha casa? Eu levei 3 anos para conseguir a mansão!  

    _Ah para de choramingar. Eu te arrumo 3, em apenas 4 minutos. 

    _É se me tornar a Senhora Zebu. 

    _Não, isso vai ser em breve, mas não vem ao caso. Apenas arrume as suas coisas, e vá para o local indicado. Quando sair de lá, tudo estará  normal. 

    _Eu nunca vou me casar com você! _Disse isso da outra vez, mas aceitou de bom grado, minha querida Ishtar. 

    _Me mande logo para casa, e nunca mais me chame por esse nome maldito, dado em homenagem a sua primeira esposa. 

    Diz dando as costas para o homem, que segura em seu ombro, e lhe dá um aparelho com as coordenadas  do local para onde ir. Ela pega o tablet, e ele lhe dá um  abraço forte, como se quisesse evitar o seu sofrimento, porém ela não retribui, age da mesma forma que fez com o pai, e ele se obrigado a apelar, e a beija  

    no rosto, perto da boca. 

    _Se controle. Tudo o quê aconteceu foi há  mais de mil anos. 

    _Pra mim foi ontem. Há alguém mais que queira proteger, e alertar? Meus homens podem cuidar disso. 

    _Deixa que eu mesma aviso. Quanto tempo ficaremos lá?  

    _Até a fumaça se dissipar.  

    _Fumaça? 

    _Para o novo mundo existir, o velho precisa ser destruído. Em breve saberá mais detalhes. 

    _Eu tive muitas visões...Não é o quê... _É exatamente isso, e enquanto o seu poder  não for desbloqueado, é melhor que esteja em  segurança, junto dos seus amados. 

    _Não vai me separar deles vai?  _Não, mas quero que coopere e nos ajude a  libertar o seu poder. 

    _Por quê? 

    _No novo mundo, o homem vai caçar as bestas, e só eu não vou poder proteger a todos. _A velha história do Anticristo e a Messias negra. _É, mas não iremos nos casar, a não ser que queira. 

    _Pode ter certeza que não quero.  _Então assim será, mas te garanto que não vou desistir, não programei todo o mundo , para ficar sem a princesa no final. 

    _Me manda pra casa! 

    Ela grita com raiva, e ele a manda de volta para a mansão. O corpo dela se materializa, e a bela retorna para o lar. Tudo está escuro, e Isandra e Benner foram atrás dela. Sem pensar duas vezes, pega o telefone, e liga para eles. Infelizmente não há sinal, por isso ela pega o punhal na gaveta,  e vai atrás deles. 

    Há um céu cinza, com névoa por toda parte. Em vez de usar os sapatos altos, ela está com uma bota de plataforma baixa, e uma bolsa preta com a alça envolta do corpo, na qual guardou a lâmina. Ela sai da moradia, olhando para os lados em total desespero, preocupada que não os ache a tempo. 

    _Bael? 

    _Oi. Precisa de ajuda? 

    _Sim, essa sua manobra idiota, custou a minha família! 

    _O quê? Como assim? 

    _Eles desapareceram! Se isso foi alguma armação sua, eu juro que vou libertar meu poder pra te matar! _Se acalma princesa mimada. Eu vou localizá-los, e os mandar para o bunker em segurança. 

    _Eu não confio em você! 

    _Vai precisar. Desça e aguarde a minha ligação. 

    _O estranho é que seu número funciona. Bael! _É criado para ser um número de emergência,  por isso funciona. Agora desça. 

    _Eu... 

    _Eles estarão lá acredite em mim. Até mais. 

    _Bael! 

    _O quê é? 

    _Vou escrever uma lista de 10 pessoas que quero proteger. 

    _Ainda bem que não é amada pelo mundo, senão não iria me deixar destruído. Vou salvar todos. 

    Ele desliga, e ela fica preocupada, em vez de obedecer, pega o carro, e vai para a cidade. Ao perceber que ela não o ouviu, o anticristo se enfurece, e toma controle do veículo prendendo-a contra o banco, com o cinto de segurança, que agora é feito  de nano filamentos  automatizados, e por isso podem ser manipulados por hackers. 

    _Não pode ir pra cidade sua maluca! 

    _Você não vai me impedir de salvá-los. 

    _Eu já disse que vou te ajudar! 

    _Eu já disse que não confio em você! _Ah finalmente! Pronto! Eles estão há 10 km de você! E ainda tem 2 horas para achá-los! Se acalma! 

    _Avise-os. Eu vou até lá! 

    _Eu vou te guiar.  

    _Avise-os! 

    A voz do rádio para de responder, e ele lhe devolve o poder de dá a partida. A professora dirige até o local indicado, e não  acha ninguém ali, por isso pega o seu celular e volta a ligar para os seus familiares. Novamente não há sinal, e por isso ela bate violentamente contra o painel, com tanta raiva que parte do  seu poder desperta, e ela quebra o motor. “Porra!” Grita furiosamente, e se agarra ao volante entre lágrimas. 

    _Luciféria? 

    _O quê quer?! Me mandou pro meio do nada! 

    _Levante o rosto... 

    _Leviroth!  

    Ela abraça o marido, e olha para o lado procurando pela filha, mas ele explica que a menina está dormindo dentro do carro, pois desmaiou após caminhar por horas, procurando a mãe. Ao ouvir isso, a dama se sente culpada, e se lembra de Laura, que deve está em casa sem saber o quê está para acontecer. 

    _Bael? 

    _Sim.  

    _Por favor avise Laura Miller e Nicolas Miller. 

    _A sua aluna e o pai? Por quê? _Ela é uma das minhas futuras aprendizes, e aquela que já demonstrou lealdade, ela merece isso. 

    _Tudo bem mais sua lista de 10 pessoas com conexões, fecha aqui ok? Não sou Jesus para  salvar todos. 

    _Na verdade é sim. 

    _É mas o “todos” a que me referia eram os meus escolhidos, o resto são pecadores. 

    _Agora a bíblia faz sentido. 

    Brinca e o demônio ri desligando o aparelho. Ao notar algo errado, o príncipe do Caos quebra o rádio, e entra no veículo. Sentando-se com ela, no seu colo. Ele lhe dá uma  mordida no pescoço, tentando arrancar a toda a verdade  dela, mas a mulher percebe, e ri da tentativa. 

    _Está bem eu conto demônio chato. 

    _Então não perdi o jeito. 

    _Laura é minha filha. Minha filha da época em que era Arádia e Miguel caiu. 

    _E Nicolas é  Miguel. 

    _Sim, ele tem cuidado sozinho da Laura, e ela é uma boa garota mas tem andado com más companhias. 

    _Já se apegou a garota. 

    _Sim. Promete que não vai armar pra ela morrer? 

    _É claro. Elisa foi uma lição. 

    _Se algo der errado, eu mesma a destruo. 

    _Está bem. 

    Ele a abraça, e os dois mudam de carro. Ao entrar no Saveiro prateado do marido, ela encontra a filha dormindo, enrolada na sua jaqueta, e sorri, fazendo carinho na cabeça do seu par. Eles seguem até uma estação abandonada, na qual encontram outras famílias sobrenaturais, que aguardam  pelo metrô. Laura e Nicolas, estão no canto, junto das  amigas da filha de Isabelle, e isto não lhe agrada nem um pouco. 

    _Fiquem aqui. 

    _É a Laura Miller? 

    _Sim. 

    _Izzy. Faltam 23 minutos para o trem chegar. 

    _Eu resolvo isso em 2! 

    Diz caminhando em direção a adolescente e as amigas, e para diante delas, olhando para Laura com bastante fúria. Ao vê-la entre o sobreviventes a menina arregala os olhos, e cospe o sorvete que o pai comprou. Sem dizer uma palavra, a garota vai até a professora, e as duas se afastam. 

    _Eu quis te proteger. Não essas inúteis. _Elas são minhas amigas Isabelle, não podia deixá-las morrer. 

    _Aliás cadê a rainha boca suja de vocês? 

    _Essa daí eu posso deixar pra trás. _Está dando um golpe de estado? É isso que Nicolas tem te ensinado? 

    _Mãe eu preciso assumir o meu lugar. 

    _Se é um lugar roubado. Não é para ser seu. _Você teria feito a mesma coisa no meu lugar. 

    _Não, eu teria deixado Todas para trás, ou escolhido quem fosse leal a mim. Essas garotas não gostam de você Laura! Elas só gostam de permanecerem vivas! _E o quê quer que eu faça?! Deixar que todos me odeiem como você?! _É melhor ser odiada por idiotas, do quê ser amada por eles por 2 minutos, e morrer com uma faca cravada nas costas. _Ninguém nunca vai te matar, porquê não tem uma pessoa te seguindo. _Escute aqui pirralha. A única razão para sobreviver a este Armagedom, é porquê o Anticristo me escolheu. Então dobre a língua ao falar comigo. 

    Diz furiosa, e se afasta da garota, indo para a sua outra família, que a recebe de braços abertos, e sorrindo. Laura estava iludida, sobre o quê ter poder, e se chateia muito , ao ver que a irmã, é muito mais parecida com Arádia , do quê ela, por isso engole sua raiva, e volta para as amigas. 

    Isabelle se senta ao lado de Benner, e carrega Isandra no seu colo, enquanto revisa os nomes das 10 pessoas que ela escolheu para sobreviver. Os primeiros 4 nomes são os mais conhecidos. Não é porquê ela e as amigas perderam o total contato, que ela não iria lhes querer bem. Infelizmente o nome de Natasha é riscado, pois esta se recusa a “Viver em paz, em cima de um castelo, que é sustentado pelo sangue de negros e homossexuais.” Ao ler isso a bela ri com compaixão. 

    Natasha tinha sido tão cegada pela mídia, que nem era capaz de perceber, que não havia mais distinção entre os ricos e os pobres, mas sim entre os seres paranormais, e os humanos. Nada era mais azul ou branco, e sim um perfeito e profundo negro, que unificava as espécies mais fortes. 

    O trem chega e as portas se abrem. No tablet de Isabelle se encontra a recomendação de que siga no segundo trem com a sua família. No entanto por manipulação da própria, Laura deve mandar as amigas no primeiro, e pegar o  próximo. Sem sequer se despedirem da menina , as bruxas entram no transporte. 

    É quando Laura percebe que não tem mesmo amigas, pois estas seguiram o caminho, abandonando-a para trás, por acharem que há mais chances se entrarem no primeiro trem. Ao ver isso Nicolas abraça a menina, que chora sem parar, implorando para que fiquem com ela, mas as garotas só prezam por sua sobrevivência. 

    O segundo trem chega, e por ironia do destino, ou mesmo manipulação do anticristo, Isabelle, Benner, e Isandra, dividem o dormitório com a família Miller, que fica feliz e triste por se juntarem aos De La Cruz. Nicolas e Benner se encaram de imediato, e Isandra e Laura também, o quê faz Isabelle se sentir desconfortável, ao ponto de se sentar no meio deles. 

    _Isa diga olá para Laura, ela é sua irmã. Sim Benner. Nicolas é Miguel. Sim Miguel , Benner é o Rei Leviroth. _Olá “irmã.” _Olá “irmãzinha”! 

    _É um “prazer” Nicolas. 

    _Digo o mesmo Benner. 

    _Por favor não briguem.  

    _Não tenho porquê mamãe.  

    _Eu menos ainda mãe. 

    _Posso conviver com isso. 

    _Eu também. 

    _Alguém me trás muita cerveja! 

    _Eu quero 1! 

    _Eu quero 3! _Isandra Sônia Calligari De La Cruz, Você não tem idade para beber. 

    _Nem você Laura Irina Miller! 

    _Pelo menos concordaram em algo. 


    Capitulo 6 – O Ataque 

    O vagão para por um momento, ao chegar diante de um túnel. A família De La Cruz e os Miller acordam de seus sonos leves. Um grupo de serviçais de branco e mascarados, entra nos quartos, com bandejas, nas  quais se encontram máscaras de aves, para impedir a entrada do ar. A maioria delas é de corvo, mas há uma de coruja, que traz um bilhete específico para Isabelle. “Os líderes devem ser distintos dos sobreviventes. Você entrou no transporte vip do Inferno, aproveite a sua estadia.” Ao ler tais palavras, ela engole seco, e coloca a sua proteção estilizada. Curiosa para saber o quê está havendo, a bela cutuca um dos serventes. 

    _Qualquer um pode colocar essa máscara? _Não senhorita. O senhor Bael disse que a coruja é especificamente para você. 

    _Por quê precisamos das máscaras? 

    _Logo entraremos no Novo Mundo. Mas para este Nascer, o velho deve deixar de existir. 

    _Será uma bomba de gás? _Sim. Queremos destruir os impuros, não o planeta. 

    _Está bem. O quê ele faz? 

    _Logo verá em primeira mão. 

    A mulher sorri, colocando a máscara de pombo negro, e se retira. Após todos se vestirem adequadamente, um alarme é ressoado, e  se abre uma porta no escuro. Dentro de cada corredor, desce uma tela de plasma, que transmite o quê está ocorrendo no mundo  afora. O caos se espalha por cada continente, muitos se escondem nos bunkers, e bem ao lados dos trilhos, é possível presenciar toda a confusão. O gás é inspirado pelos cidadãos, que foram pegos  desprevenidos, e estes morrem em questão de segundos , vomitando sangue. O metrô do novo mundo para. Os que estavam conspirando contra o sistema, surgem em grande escala, e tentam abrir as portas. Há uma mãe segurando um bebê recém-nascido nos braços, que não para de chorar, com a sua pequena máscara de gato azul. Ao vê-la Isabelle, corre para lhe ajudar, só que antes que chegue a porta, surge uma mulher leoa. “Uma cobaia de Thomas John?” Nicolas conclui, ao olhar para a marca de um T e um J entrelaçado nas costas da criatura, que está a devorar os órgãos saindo do peito da mãe, com a boca toda suja de vermelho, enquanto o bebê mole se rasteja pelo piso, tentando sobreviver, machucado por suas garras. “Ele vai morrer!” Isabelle grita ao ver a criança. Notando o olhar de Nicolas e de Benner, ela percebe que ninguém está disposto a ajudar, por isso escapa pelo meio da  multidão, e abre as portas deixando o gás venenoso entrar. A bela coruja corre até o bebê, e a mulher leoa sente o seu cheiro. “Isabelle!” O outro ser com fantasia de coruja, fica apavorado pela situação, só que por medidas de segurança, o esquadrão dos brancos, fecham as portas. “Eu sou o chefe de vocês! Não podem deixá-la para morrer!” Discute com a equipe das aves noturnas, e enquanto isso Benner e Nicolas tentam sair para salvar a jovem mulher. “Eu, eu vou te proteger.” Ela diz com lágrimas, pegando o pobre bebezinho, que não para de chorar. Os seus berros são detestáveis,  só que naquele momento, tudo o quê quer é salvá-lo. A barriguinha dele, está coberta pelo fluxo escarlate, que não para de sair. “Não, não, não”  Ela abraça o menininho, segurando sua cabecinha chorona, ao correr da leoa humana. Porém esta pousa na sua frente, e atira a cabeça da mãe, ao seu lado. Fazendo-a ficar rígida de medo. 

    _Me dá a sobremesa. 

    _É uma criança! Não pode fazer isso! 

    _Ele iria crescer e destruir o novo mundo! 

    _O quê? 

    _O olho de Deus nos mostrou o futuro. 

    _O futuro não é inalterável. 

    _A única chance do mundo prosperar é se ele morrer. 

    _Então o mundo vai ser destruído. 

    Por quê eu não vou entregá-lo! 

    Ela grita, e a fera vai para cima dela. Ao ouvir o rugido, Benner, Bael,  e Nicolas, olham para a direção da moça, e ficam em pânico, pois há  uma falha na contenção, e sua roupa é rasgada, fazendo-a absorver   a névoa venenosa. Ela grita, e gotas vermelhas mancham o piso de  azulejo branco. Pouco a pouco, sente o veneno fazer o efeito, e se torna difícil respirar, só que ainda sim não larga o  nenê. 

    _Já chega Esfinge! 

    _Mas senhor ela está com o bebê! _Não importa! Encoste um dedo  nela, e eu juro que te mato! 

    _Sim senhor. 

    Esfinge se retira do local, e o anticristo vai até a moça, que segura o menininho contra o peito, cuspindo sangue sem parar. Ele a pega em seus braços, e passa a mão em seus cabelos, vendo-a empalidecer cada vez mais. “Isabelle que bobagem foi fazer?!” Pensa ao olhar para os seus braços, que seguram o garotinho, que também está prestes a morrer. “ 

    Isso foi idiota! É apenas um mortal!”  Mostra o olhar desaprovador 

    , então a bela agarra em sua gola com a mão livre, e o olha 

    implorativa. 

    _Salva o meu bebê. 

    _O quê? Surtou? A mãe dele é outra! 

    _A mãe dele sou Eu agora. _Isabelle não! Você vai ter que ficar pra trás se o quiser! 

    _Odin. Odin é o nome dele! 

    _Você está morrendo! 

    _Salva o meu bebê! 

    Ela berra em desespero antes de desmaiar no seu colo. Notando que não há como convencê-la de abandonar o garotinho, ele descobre o rosto, e morde o seu pulso, sugando o próprio sangue, para guardar na bochecha. Os lábios não param de pingar, e por isso ele transmite a cura da morte para ela com o  seu beijo fervoroso, que não é retribuído. Os olhos se abrem, mas não são  cor de mel, e sim violetas azulados, semelhantes aos de um dragão. Ela percebe  que foi salva por ele, e lhe bate para que ajude a criança também, obrigando-o a alimentar o bebê, como se fosse um passarinho. O olhinho da criança se abre, e a bela sorri, estranhando aquela reação o anticristo fica  desconfiado.  

    _Por quê fez isso? 

    _Eu não suportei ver um bebê morrer. _Para o novo mundo existir sacrifícios serão feitos, precisa se acostumar. Não vai poder salvar todas as crianças do mundo. 

    _Eu sei. Mas quem puder salvar com toda certeza eu irei. 

    _E o quê vai fazer com isso? 

    _É um menininho. 

    _Tanto faz. Não pode entrar no bunker com ele. 

    _Então eu vou ficar aqui. 

    _Ah não. Eu não te avisei como proteger os seus amados, para você ficar no velho mundo. 

    _Então terá de aceitar a mim e o  bebê. 

    Benner e Nicolas se aproximam com as meninas, que ficam assustadas pela forma como mãe segura o bebezinho. É claro que ninguém aprova a decisão da moça, mas como Bael tem autoridade sob o conselho, ela entra no transporte, e é levada para o novo mundo. Todos ficam descontentes pela conexão que ela teve com o recém-nascido, e por isso quando esta dorme ao lado do bebê  e as suas filhas, estes se reúnem fora do vagão, e discutem sobre o quê  está havendo. 

    _O quê foi aquilo lá fora? 

    _Acho que tenho uma ideia. 

    _Também acho. 

    _Desembuchem. Ela é a mulher mais complexa do mundo, não deu para ler todos os seus arquivos. 

    _Isabelle sempre quis ter um menino. _Mas de acordo com os avanços científicos , ela só pode produzir meninas. _Então ao ver o menino que perdeu a mãe, ela não perdeu a oportunidade... _Sim. Ela o chamou de Odin não foi? Odin é o nome que daria para o  nosso filho. 

    _Ela deve pensar que é coisa do destino. Ninguém vai separá-la desse menino. _É mas segundo o olho divino ele é  o homem que vai destruir o meu império. 

    _Não vejo mal nisso. 

    _E eu menos. 

    _Típicos dos homens que não fazem a diferença. 

    No dia seguinte... Isabelle cuida da criança que adotou, com a ajuda da  equipe de cientistas do anticristo. Em vez de se opor a criação de Odin, o belo e ardiloso homem de negócios, se aproxima da bela e o novo filho, e tenta manipulá-los. “Leviroth não quer ser o pai dele, não é? Eu assumo  a responsabilidade.” Ele se oferece para dar seu sobrenome ao novo membro da família de Isabelle, e ela nega com educação, pois  ao que parece Leviroth aceitou o nenê. 

    _Ele tem o meu DNA. Eu o salvei da morte. 

    Mereço ser o pai dele. 

    _Bael. Benner já aceitou. 

    _Mas fui eu que salvei vocês. 

    Não é justo. 

    _Qual é o seu interesse no Odin? 

    _Ele vai destruir o meu império Isabelle. Mas acredito que se for o pai dele, posso mudar isso.  

    _Vai manipular ele? 

    _Se eu for um bom pai, não haverá razões para odiar o quê construí _Na boa Bael. Cê surtou. 

    _Me dá ao menos uma chance. 

    _Não. Ele será um De La Cruz. 

    Não um Baltazar. 

    Benner chega a estufa onde a esposa brinca com o bebê, e se depara com ela e o anticristo conversando de maneira bem íntima. Seus olhos ficam vazios, e este se recorda de quando ela estava para morrer, e ele a tomou nos braços, acariciando o seu rosto, e lhe dando sangue com um beijo. É claro que ela não retribuiu, porém na mente do príncipe do Caos, este ato de heroísmo poderá custar tudo o quê ele batalhou para manter, o seu casamento. Simulando uma tosse, ele dá passos longos para perto da amada, e o bebê, e a beija com carinho, mas  quando os lábios se desgrudam, encara o rival. _Eu pensei que era contra a adoção do menino Odin. _Ele carrega o nome do único Deus acima de mim,  e ao qual eu respeito. Além disso veio para te destruir, é o suficiente pra mim. 

    _Não precisa disso. O pai de Odin é o Benner, não há discussão. 

    _Não me obrigue a isso. 

    _Obrigar a quê ? 

    _O quê está escondendo? 

    _Esse menino é meu filho com aquela mulher. 

    _Você é o pai biológico do Odin?! 

    _Sim, e ela é a mãe biológica dele. _Opa. O quê aconteceu naquela abdução  há 4 anos?! Eu não me lembro de muita coisa.  Só de um lugar branco como um laboratório  alien, e está muito drogada. 

    _Nós colhemos seu material genético. 

    Foi assim que Nicolas reviveu Laura, e eu criei esse bebê. Só que ao perceber o quê ele faria, dei a ordem para impedir a continuação da gravidez. 

    _Vocês realmente abduziram minha mulher, para fazer experiências bizarras?! 

    _O quê você fez? 

    _Não foram tão bizarras. Ela tem o sangue e a essência de Lúcifer, era perfeita para o meu herdeiro. 

    Eu mandei matar a barriga de aluguel, e ela fugiu , descobriu que sou o anticristo, e se juntou aos conspiradores. 

    _Não há escrúpulos pra você mesmo. 

    _Você tentou assassinar meu único menino? 

    _Isabelle você tem vários filhos mundo a fora. 

    Odin é um de milhares. 

    _Eu ia ver a morte de um ser que é DNA do 

    meu DNA. O único menino que pude ter, e você ia  tirá-lo de mim! Nunca mais se aproxime da gente! 

    Grita furiosa, pegando o bebê no seu colo, que não para de chorar, e sai da estranha instalação. Bael bufa de raiva, e Benner o encara com indiferença. Fica claro que logo vão discutir, mas mesmo assim o belo loiro, respira fundo, e abre espaço para que se sentem a mesa, e conversem de forma civilizada. O marido se acomoda, e junta as mãos com um sorriso de fúria, enquanto o senhor  do novo mundo, apenas aguarda o quê está por vir. _O quê queria com esses herdeiros sintéticos? 

    _Um exército de seres fiéis a mim e a minha rainha. 

    _Ela é a Minha Rainha.  

    _Não por muito tempo. No outro mundo você é alguma coisa. Aqui eu sou, e não sei se lembra mas a sua amada ama tudo o quê se refere a minha cultura diabólica. 

    _Ela ama tudo o quê se refere ao Pai dela. _Ou será que é ao seu verdadeiro marido? Nunca houve um divórcio adequado, esqueceu? 

    _Luciféria morreu Bael. Esta é Isabelle. 

    Elas não são a mesma pessoa. 

    _Então terei que te roubar Isabelle também. 

    Porquê ela tem o espírito da minha Lucy. _Depois de tentar matar o Odin, ela nunca vai  te querer. Não importa quantas vezes venha a salvá-la. 

    _Ah qual é. Eu fiz coisas bem piores na outra vida, e ela ainda sim casou comigo, e tivemos a Memphis  , da maneira tradicional. 

    _Que ela foi obrigada a matar, porquê tentou eliminar Elisa e Marisa.   

    _Mas ainda sim a tivemos. 

    O loiro ri com malícia, e o demônio se controla para não acerta-lhe um golpe. Horas mais tarde...A jovem mulher olha para o bebê, e este ri para ela. As filhas não se sentem felizes com tanto apego, e reviram os olhos. Isandra e Laura partem pelos corredores, e vão até Nicolas que está sentado no refeitório,  falando seriamente com Leviroth, que demonstra desagrado, porém  não para com ele, e sim com a ousadia do seu rival. 

    _Não queremos ter um irmãozinho! 

    _É verdade papai. Já me basta a Laura! 

    _Hey!  

    _Desculpa Laura. Você é legal, mas não é aquele moleque remelento, que nem tem o nosso sangue. 

    _Isso é verdade. Que amor é esse?! 

    _Acalmem-se as duas. 

    Nicolas respira fundo, e os pais puxam as cadeiras para as garotas, que se sentam com alguma dificuldade. Os pais se entreolham, com a certeza de que as duas crianças mimadas tem tendências psicopatas, e podem fazer como a filha de Bael. Por isso tomam as rédeas da situação, e tentam evitar o quê pode acontecer, para que Isabelle não tenha que se voltar contra  as meninas. _Odin é irmão de vocês _O quê?! 

    _Como assim?! Isabelle pulou a cerca?! 

    _Laura! 

    _Não, ela não pulou a cerca. Pelo que o idiota do meu irmão explicou, foi criado por manipulação genética. 

    _Em laboratório? 

    _Como eu? 

    _Ao que parece sim. Não consegui destruir todas as amostras de DNA de Isabelle pelo visto. 

    _Então foi assim que conseguiu o material genético dela? 

    _Foi? Papai achava que era de maneira tradicional. _Eu também achei, até papai me contar que  sai de uma barriga de aluguel, de um clone dela. 

    _Nunca pensei isso. Isabelle não pularia a cerca uma segunda vez Isandra. 

    _É? Pelo ciúme que sentiu da mamãe, duvido viu? _Senhor De La Cruz posso assegurar, nasci  em uma instalação de pesquisa genética. 

    _Podemos nos focar em questões mais importantes? 

    Isabelle e Bael tem um filho. Isso não é assustador? o quê ele ganha com isso? 

    _Uma ligação eterna com Isabelle. Está convicto de que ela pode voltar a mesma Lucy, que largou todos os que amou, para ser sua rainha. 

    _Minha mãe já teve um caso com ele? 

    _Arádia e o Novo Senhor do Inferno? 

    _Sim. Houve uma época, que ela sentiu um ódio extremo do pai e a mãe, de mim e Leviroth, e se juntou a ele. _Não só isso. Destruiu milhares de povos, julgando-os a favor do seu então marido. 

    _Como Ishtar. 

    _Ela também é Ishtar? 

    _É um lado sombrio da vida da mãe de vocês. Só que tudo começou por causa de um  

    Bebê. 

    _E agora está se repetindo... 

    A dama coloca o bebê para dormir, e sente uma forte pontada na cabeça, que a faz se debater contra o vidro da janela.  Um vulto negro surge e a carrega, embora  se pareça muito com Bael, não é ele que vem acudi-la, mas sim o seu pai, que a deita na cama, e a cobre notando a sua palidez. “O quê ele fez contigo?” Passa a mão na cabeça da filha, que está ardendo em febre, e suas veias brilham um forte  tom de roxo florescente. Fazendo-o entender o quê houve. Furioso este sai do  quarto, e vai atrás do anticristo, pronto para corrigir o seu filho rebelde, da mesma forma que o seu pai fez com ele, quando descobriu que ele lhe roubou, o seu bem mais precioso, a sua rainha. No caminho, este se depara com Victória e o neto Dave Haster. Ao vê-lo a mulher com roupas de caveira, corre para o abraçar, e este o retribui relutante. 

    _O quê foi pai? 

    _Isabelle foi infectada com a essência de Caesta. 

    _E o quê isso significa? 

    _Significa que seu irmão Bael, está tentando matar Isabelle, para reviver Ishtar  outra vez. 

    _Mas Isabelle é Ishtar  não ? 

    _Sim, e não. Ishtar é uma das 3 personalidades da sua irmã. A  1-Luciféria Lilith II, o anjo justo. A  2-Nahemah Hela, a deusa do julgamento. E por fim a 3 é Babalon Ishtar. 

    _Isabelle é Babalon?!  

    _E também é Koré. 

    _Mas Babalon é a prostituta e Koré a virgem! 

    _São estágios da vida da sua irmã. Ela foi Koré, a meninas dos olhos de Bael, e se tornou Babalon, a mulher dele. _Isabelle e Bael são realmente casados?! _Não exatamente. Ela como Babalon Ishtar é a mulher dele, mas como Isabelle é mulher de Azazel. 

    _Então Bael quer exterminar as outras duas versões dela, para só uma existir? _Sim. Babalon surgiu de todo o ódio que sua irmã sentiu por cada sofrimento, ela é o lado mais negro que existe nela. 

    _Então o quê ocorre se ela virar Babalon? _Ela se torna a Messias Negra das verdadeiras trevas. 

    _E  isso quer dizer? 

    _Que não há um futuro livre para as próximas 

    gerações. 

    Ele respira fundo, e Victória fica catatônica. Isabelle  gira de um lado para o outro, sentindo-se desconfortável. Corpos estão espalhados por toda parte, queimando em brasas ardentes. Sua mão segura uma espada e um estandarte, como se fosse uma amazona egípcia. Seus pés caminham pelo chão, cobertos de sangue. O medo lhe preenche o âmago. Que criatura grotesca teria feito tamanha chacina no antigo Egito? Sua respiração se torna ofegante, o coração palpita rapidamente,  e logo esta começa a correr pela areia. Há risadas em uníssono, e isto a deixa desconfiada. “Inanna.” Pensa com certeza e raiva em seu olhar, dando  passos longos em direção as vozes. Uma mulher, com o corpo pouco coberto, vestida de branco, está sentada no colo do Deus do local, com um cálice dourado em suas mãos.  Ao vê-la sorridente e maléfica, larga suas armas, em estado de  pânico. Os lábios da mulher misteriosa, beijam os lábios profanos do Deus iniquo. A mão do homem pálido, e de olhos vermelhos, agarra os seus cabelos  ruivos, e eles se encaram como dois dragões prestes a acasalar. As suas unhas negras  arranham carinhosamente a coxa dela, enquanto as mechas dos longos cabelos lisos, caem sob suas pernas, fazendo-a corar e abrir seus olhos violetas. Ao assistir a cena, a bela, fica de queixo caído. “Por favor não faça isso!” Grita em sua mente, ao tapar o rosto com os dedos abertos, e os olhos arregalados. Por não  conseguir suportar ver a cena, já que a mulher de cabelos 

    de fogo é ela mesma, em outra vida. Aterrorizada, pela visão que acabara de  ter, dá passos errados e escorrega para trás. Ao vê-la os demônios sorriem, e vão ao seu encontro, avançando em seu corpo, e beijando-a dos pés a cabeça, até Babalon desaparecer ao entrar no seu corpo, fazendo-a se sentir muito atraída, pelo novo Senhor do Céu e do Inferno. 

    _Você vai ceder a mim. Sempre cede. Basta sofrer o suficiente. 

    _Aquela, vadia, ali, não, sou, eu! 

    _,É uma parte sua. Uma parte que sempre desejou  toda a minha escuridão e iniquidade. 

    _Para! 

    _Você ama o Inferno, porquê ama a mim. 

    _Não! Eu! Não! Te amo! 

    _Ama sim. Pare de fingir o contrário. 

    _Não...Não... 

    Ela sente os dedos dele em suas costas, logo está com a roupa da Deusa Escarlate, e a sua coroa. “Eu não sinto atração, eu não sinto atração, eu não sinto atração!” É o  quê repete na sua mente, tão concentrada em não sentir, que é pega desprevenida no escuro, e ele a beija com ferocidade. De inicio ela não retribui, mas seu corpo reage contra a sua vontade, fazendo-a sentir algum prazer ao ser dominada, pela poderosa criatura. A língua dele entra em sua boca, por vários minutos, deixando-a sem ar, enquanto eles giram no meio do nada, como fantasmas se tornando um só ser 

    , de duas cores, a luz violeta, que se torna levemente rubra e a ausência de cores, o Ayin. “Eu Não...” Tenta o impedir de chegar, só que não resiste, e acaba em  seus braços, emanando a luz completamente em cor de rubi. 

    _Socorro! 

    _Filha? 

    _Mana? 

    _Me tirem daqui! Me tirem daqui! 

    _O quê aconteceu Isabelle?! 

    _Ela teve um pesadelo com o anticristo. 

    Certeza. 

    _Eu, e ele... A gente... Ai minha nossa Eu não acredito no quê vi! 

    Ela se ajoelha ao lado da cama, e o pequeno Odin acorda assustado, em estado de desespero. Ela treme se aproximando do bercinho, está em choque, sem acreditar no quê aconteceu, e no quê sentiu. O pai e a irmã tentam lhe acalmar, mas nada funciona, seu corpo não para de vibrar. É como se estivesse na Antártida, usando somente um biquíni. Lúcifer abraça a filha mais velha, impedindo-a de carregar o seu neto, pois na situação em  que encontra, pode derrubá-lo. Victória pega o bebê draconiano, e fica a niná-lo, junto do filho que luta para distrair o seu primo. A bela  volta a empalidecer, e sua pressão desce a tal ponto, que esta perde a consciência, nos braços do anjo das virtudes. Percebendo a gravidade do caso, a irmã mais nova, passa a mão no cabelo, e se ajeita ao lado da consanguínea fazendo-lhe carinhosos cafunés. 

    _É muito para Isabelle suportar. 

    _Sim. Sua irmã foi a que mais sofreu de vocês. 

    _Como que ela acabou nos braços dele?! Todo mundo sabe que ela é do Azazel! 

    _Ela e ele tem um destino, criado por Caesta , a grande deusa matrona. 

    _Mas você disse uma vez que ela e Azazel nasceram um para o outro! 

    _Sim, e é verdade. Só que ela foi castigada, por fazer Miguel se apaixonar, e destruir o seu destino com a outra sobrinha. 

    _Eke?  

    _Sim. Por se meter com uma das favoritas, ela a fez cair nos braços do demônio. Ficando assim dividida pelos gêmeos primários. _E o quê ela pode fazer pra mudar isso? _Somente controlar o quê sente pelo seu carrasco. 

    _Isso é horrível. Por quê Caesta é tão ruim? _Não há uma resposta. Mas Caesta odeia a sua irmã, tanto quanto a sua tia Lilith. Então creio que a motivação vem daí. 

    Lúcifer segura o netinho, e este gargalha no seu colo, sentindo-se muito confortável.  Ao vê-lo ele franze o cenho, e se recorda de quando segurou os gêmeos Bael e Azazel em seu colo. Azazel era uma criaturinha coberta por uma mortalha de energia escura, com um sinuoso brilho em seu peito. Já Bael era um bebê que brilhava tanto quanto o sol, mas em seu olhar havia a mesma fúria, do pai, quando ainda recebia o nome de Samael, e isto o preocupou. Os meninos, cresceram aos cuidados de Lilith, que em sua sabedoria sobre gestação, logo viu o futuro devastador daquele que pensou ser seu filho. Um calafrio percorreu-lhe a espinha, ao se lembrar de como Lúcifer era antes, e por isso o temeu por quase toda a sua vida. Bael cresceu se sentindo odiado pela mãe, e quando Luciféria nasceu, ele tentou matá-la afogada. Se a rainha do Inferno não chega a tempo, ele teria conseguido. É claro que a princesa não morreria de fato, mas esta seria enviada para o reino de Caesta, onde sofreria com o seu julgamento rígido e cruel, mesmo sem saber pensar. Lilith teve ódio dele, e por isso ela o enviou para uma floresta, na qual suas criaturas o puxaram para o subsolo do Éden Negro, e o manteve lá. Como no sonho de Isabelle, ela  foi até o lugar proibido, e teve com o terrível demônio, uma espécie de amor platônico, no qual ele a quis como sua futura rainha do submundo, e ela o quis como um amigo, com quem dividia suas aflições sobre a família, Miguel ou Azazel. Isso o devastou, e foi assim que ele acabou nos braços da sua verdadeira mãe, Inanna, que o educou para tomar posse do  céu de Ninlil, e o Inferno de Ereshkigal, que basicamente são a face da mesma deusa. Caesta os favoreceu, Bael tomou posse do mundo de Anu, e Chaos o marido e o oposto complementar dela, não gostou nada da afronta, e por isso lhe mostrou o poder da desordem. Enquanto céu e inferno lutavam entre si, o novo Deus, inventava meios para se aproximar outra vez de Luciféria. Só que ao vê-la nos braços do odiado gêmeo, ele mesmo a empurrou para a Terra, onde ela sofreu  

    até se matar. O quê só o pai sabe, é que quando ela se foi, ele saiu do trono, e entrou na água, sujando-se com o sangue da bela, enquanto via que poderia salvá-la. Só que nada conseguiu, e esta agora na adolescência, foi mandada para o reino de Caesta. A deusa anciã, recebeu sua essência, e quis destrinchá-la, mas ele atravessou o reino fatal para os deuses, só  para lhe trazer de volta. “Caesta. Você disse que quer que ela sofra. Ela sofre ao meu lado. Devolva-me a minha boneca.” O mentiroso profissional piscou diante da gigante, que gargalhou como louca, com as suas duas vozes entrelaçadas, entre a roca e a fina, como a de Akasha, em A Rainha dos condenados. O novo Deus, se curvou para a velha Tiamat, sem saber que decisão tomar. 

    _Está apaixonado pelo anjo maldito! 

    _Não, não estou mais. Eu só quero feri-la. _Não me engana Bael Lúcios  _Eu sou o carrasco dela.  

    _Não é mais. Designarei outro para esse 

    serviço. 

    Ao ouvir a ordem, o demônio ri sem acreditar, e então pega a deusa pelo pescoço, e a parte ao meio, banhando-se no sangue da draconesa, com seu olhar frio e sem vida. “Ninguém me diz o quê fazer. Nem mesmo você minha  querida avó.” Ele diz ao olhar para a cabeça dela, então olha para o coração desta, e o pega. A bela filha de Lúcifer, aparece presa em um cristal verde,  num sono profundo, que o jovem deus quebra com seu punho, só que nem assim ela desperta, e por isso ele rasga o seu peito, e coloca o miocárdio da deusa no lugar do seu. 

    _Bael o quê está fazendo?! Ela não é digna! 

    _Eu a escolhi. Quer você queira ou não. _Ela não vai suportar! É filha de um demônio e meu coração de carne é puro!  

    _Ah é? Esqueci de lhe contar  Luciféria não é filha de uma demônia. Mas sim da deusa que foi violentada. 

    _Ela é filha de Ninlil?!  

    _Você entende rápido.  

    _Então isso foi uma armadilha?! 

    _Achou mesmo que depois de tudo o quê fizeram Comigo, eu seria fiel a vocês?! Ah vovó isso foi uma tolice. 

    _Você vai morrer! 

    A Deusa Berra se materializando, mas os olhos de Luciféria se abrem, tão  verdes quanto esmeraldas, e esta surge diante da gigante, segurando o seu punho violento, com relativa facilidade. Ao ver que a menina agora, tem uma parte importante do seu poder, ela voa para longe, e decide criar um exército para deter Bael e a amada.  Aos poucos ela recobra a consciência, porém não se recorda de nada da outra vida, por isso o novo deus agarra a oportunidade, e se aproxima dela, fingindo o seu par. É claro que ela reconhece, e se afasta , só que quando recua, ele avança, como uma serpente, e lhe dá o bote, fazendo-a não resistir, e até retribuir aos seus desejos. 

    “E depois dele a manipular e mentir, ainda sim ela se tornou sua rainha, e nos traiu.” É o quê reflete o imperador do Inferno nos dias atuais, olhando para a filha no colo da irmã, com certo receio. Por isso coloca o pequeno  Odin para dormir, e volta para o caminho anterior. Contudo ao chegar na porta ouve uma voz familiar, e por isso para. 

    _Papai? A onde está indo? 

    _Vou resolver alguns problemas querida. 

    _Não o enfrente. Ele está poderoso demais. _Ele nunca foi mais poderoso do quê eu. 

    _Como pode ter tanta certeza?  

    _Eu ainda estou aqui. 

    O coroa charmoso pisca, e vai embora. Bael fica sentado diante da mesa,  fazendo anúncios em nome do seu pai, em relação ao Apocalipse, como se este patrocinasse suas atrocidades, em prol do novo mundo. No entanto ao terminar o seu discurso raso, o próprio deus da justiça aplaude com ironia, entrando no local, com o seu sorriso mais confiante, que faz o diabo ficar em choque, por acreditar que este vai desmascará-lo, mas por total educação, o pai espera a reunião acabar, para poder  repreendê-lo. 

    _Lúcifer. 

    _Olá filhinho. Está prestes a dominar o mundo, e ainda sim precisa do meu nome para ter algum sucesso? 

    _O quê quer?! 

    _Que fique longe de Isabelle. A menina não é a sua Ishtar, e eu não quero vê a reencarnação da minha filha  morrer. 

    _Você pode tentar enganar a Aggarath, o Azazel, o Miguel, e as crianças. Mas Eu sei que é a minha Luciféria. 

    _Em primeiro lugar Luciféria é o par de Azazel. Em segundo ela não tem mais a mesma personalidade. A Luciféria que conhecemos não existe mais. 

    _Então nunca a conheceram de verdade. Porquê Isabelle é exatamente a mesma Luciféria da qual me lembro. 

    _Você não vai machucá-la outra vez. 

    _Você e eu sabemos que eu nunca a machuquei de fato. O único que mais se feriu com a nossa união foi Você. 

    _Você fez com ela se odiasse, e enlouquecesse! 

    Não venha me dizer que não a machucou! 

    Lúcifer perde a cabeça, e agarra o filho pelo colarinho, o jogando contra a parede. O loiro ri da afronta, como se aquilo não o ferisse, e o quê o pai estava dizendo fosse somente ladainha. Todavia basta sentir a pressão da flamejante luz gloriosa do deus renegado, para se controlar, e deixar de agir feito um idiota. Infelizmente o momento de juízo  não dura, e este volta a defensiva agressiva. 

    _Ela surtou apenas porquê não se aceitou. 

    _Ela não é assim. Não é uma...! 

    _Uma o quê? 

    _Uma aberração como você! 

    _Desculpe informar reencarnação de Chronos. Mas a sua doce Perséfone, não é tão pura quanto você acredita.  

    _Eu nunca disse que ela era pura. Não seja idiota. 

    Ela apenas não é monstruosa como você. 

    _Ah ela é. E toda vez que desceu ao meu reino,  

    provou da minha escuridão e quis mais. 

    _Você a obrigou! 

    _No começo sim... Mas depois ela voltou ao Tártaro, pelo prazer que somente as trevas podem proporcionar. 

    _Está bem. Já vi que discuti não vai levar a  nada. Só fica esperto. Porquê Eu estou por  perto, e não te deixarei tirá-la de nós. _Interessante é um desafio? Porquê se for Eu já ganhei. Ela te odeia, pois se deu conta do péssimo pai que é. 

    Ele diz com um sorriso cruel, e o deus que domina o Tártaro, lhe acerta um soco no rosto, com a mão tão quente, que se ele não desvia, em vez de receber um arranhado no canto dos lábios, teria tido a face queimada. A raiva consome o progenitor, e este sente seu punho tremer, o deus do novo mundo, se enfurece pela humilhação, e urra para que saia imediatamente da sua  presença. 

    “Eu já pretendia tomar Isabelle para sempre, mas agora isso não é mais uma pretensão, e sim uma certeza.” Os olhos dele ficam sombrios, e o anjo caído, caminha pelo vagão, suando frio. Ao verem Lúcifer, Azazel e Nicolas correm para cumprimentá-lo, e saber o quê houve de tão grave, para que tenha se deslocado da Boulevard, para os trilhos do  trem da perdição. 

    _Olá irmão. 

    _Oi pai. 

    _Olá garotos. 

    _O quê aconteceu? Está trêmulo! 

    _Tem a ver com a Izzy? 

    _Apenas tive uma conversa com meu filhinho rebelde. 

    _Parece mais que discutiu. 

    _E espancou. 

    _Ah isso? É porquê ele não quer deixar a minha filha em paz, e me chamou de péssimo pai. 

    _É um soco e tanto. 

    _O quê ele ainda quer com Isabelle?! 

    _Tê-la de volta. 

    _Mas mesmo depois de muito tempo? 

    _Eu vou matar ele antes de conseguir uma segunda vez! 

    Azazel se prepara para ir atrás do irmão, mas Lúcifer o impede, e então avista a sua sobrinha Alexandra, e tem um plano, que resolve colocar em prática. Como quem não quer nada, se aproxima da moça, e tenta convencê-la a lhe ajudar, mas como a menina tem o sangue das deusas, percebe logo que é uma jogada, e o       faz confessar a verdade. Ele se envergonha, só que ainda sim, a bela bruxa resolve ajudá-lo, por ver o seu desespero, ao pensar que vai perder  

    a filha do seu grande amor outra vez. 

    _Então Isabelle realmente teve um relacionamento com  O Anticristo? 

    _Sim. 

    _E há ainda alguma chance de quê ela caia nos abraços dele? _Infelizmente há. Ele percebeu que a fonte do amor, vem do  seu ódio pelo resto do Universo, e por isso desgraçou a vida dela. 

    _Se ela souber que ele fez isso, certamente ficará longe dele. 

    _Não. Isabelle é louca como Luciféria, pode acabar se apaixonando, só por saber que ele gastou metade da vida, focado em obtê-la. 

    _E ele realmente gastou?! 

    _Ele não está vigiando-a de agora Alexandra. 

    _Ele é um psicopata! Isso é ruim... 

    _Eu sei... Isabelle tal como Luciféria abraçou As trevas com que a humanidade me vestiu. 

    Isabelle acorda no colo da irmã e se assusta, pois jamais imaginou que Victória  seria capaz de perdoá-la, após a sua coroação de rainha do pop no Madison Square Garden. Na qual a melhor amiga e irmã, se enfureceu pelo grande sucesso que seu pai proporcionou a mais nova, enquanto a manteve longe dos holofotes, porquê segundo ele Victória era mais digna, por ter o amado cegamente. Foi a gota d’água para Isabelle, que fez até o mais virtuoso dos seres ficar em silêncio, quando disse “É muito fácil ser fiel aos sentimentos por 3 anos de espera. Ela não ficou, por mais da metade da vida, esperando todos os dias que aparecesse, e chorou achando que tinha enlouquecido, quando nada aconteceu. Mas se isso a torna mais digna, então a partir de hoje corto meus laços com você e o satanismo, não importa  se tenho o teu sangue, Eu não sou mais tua filha.” Mal sabia ela, que o pai não fez aquilo por duvidar da sua nobreza, afinal nunca foi fã de adoração, e sim do amor  que poucos tinham por ele. O pobre imperador foi obrigado a agir dessa forma, renegando-a, ou Inanna, teria cortado-lhe a garganta, assim que fugiu da Dimensão prisional, junto com os demônios que enganaram as princesas e os príncipes do Caos. 

    _Então recebeu o meu pedido de desculpas. 

    _Sim, e eu aceitei. Você é minha irmã, sempre vai ser. _Posso até ser Vick. Mas te salvei por compaixão, e não pelo babaca do nosso pai. 

    _Devia pegar menos pesado com ele Izzy. 

    _Primeiro só Azazel me chama de Izzy. Segundo Você lembra o quê aconteceu no Madison. Ele me chamou lá para ser humilhada e rebaixada a serva! 

    _Primeiro Tô nem aí. É Izzy e ponto. Segundo já parou para se perguntar por quê ele fez isso? 

    _Porquê não o amei o suficiente e era indigna. 

    Ele mesmo disse. 

    Ela revira os olhos, e a dama lhe entrega o celular, na página oficial do site do pai.  “Leia a carta, Ao fruto do meu grande amor 19/08/2020.” Ela respira fundo apontando o dedo para onde a bela deve clicar. Isabelle se mostra relutante, mas Victória lhe dá, Insistindo para que o faça. “Ao contrário do quê ele disse a mídia, não foi um single barato, para iniciar sua carreira com chave de ouro. “ Diz, então isso desperta a curiosidade da bruxa mais velha do convém.  “Ao fruto do meu grande amor. Me perdoe por te abandonar naquela noite de horror. Você não entenderia, então te deixei ir. Se eu te coroasse como sonhava, não haveria como fugir. Sua mãe é a minha rainha, mas você sempre será minha garotinha. Me perdoe por  ser tão cruel. Mas havia algo terrível por baixo do véu. Seu sorriso, sua esperança. Sempre estarão em minha lembrança. Não podia permitir aquela matança. O relógio se move lentamente. Fazendo com que eu me lamente. Contudo não posso voltar atrás. Os monstros te devorariam no Alcatraz. Então tenho que seguir de coração partido. Sem poder está contigo.” Ao ler a parte “Seu sorriso, sua esperança” Ela fecha o cenho, e se esforça para terminar. Ao ver o seu incômodo,  Victória percebe que há algo errado, e pega o telefone de volta, pronta para abrir o inquérito. 

    _Não basta ter conseguido o topo que sonhei?! 

    Tem que jogar na cara o quanto ele te ama?! 

    _O quê?! Não Izzy. Não é pra mim! 

    _É claro que é, eu quase nunca sorrio ou tenho esperanças! 

    _Mas já teve! E nosso pai se recorda disso! Por favor Izzy! 

    Inanna não é o grande amor do nosso pai! Sua mãe É! 

    _Se isso é verdade, por quê ele pulou a cerca tantas vezes com ela?! 

    _Porquê ela o enfeitiçou! 

    Grita como se revelasse um segredo cruel e obscuro, e Isabelle recobra o fio  da sanidade. Olhando para ela em estado de choque, as duas que estavam em pé,  se sentam na cama, e a mulher com roupas moda caveira começa a chorar sem parar, o quê desperta um pouco de compaixão na irmã que a abraça, lhe acolhendo, e confortando-a, enquanto tenta secar as suas 

    lágrimas. Só que Victória, fica inconsolável, praticamente a beira de um surto, como se a sua vida de pop star, não fosse o paraíso que a professora acreditava  que era. Então pouco a pouco, ela se recompõe, passando a luva na sua face, para limpar o lápis borrado dos cílios inferiores. 

    _O quê tem demais nisso? Todo mundo sabe que Inanna é uma vadia. _Tem que Eu nasci de uma noite de prazer Isabelle. Não de amor , como você! 

    _Mas você disse que Inanna e ele se amavam. 

    _Eu menti. Estava furiosa por como me tratou. A minha vida é uma mentira! Eu sou uma deusa do amor, que literalmente nasceu do testículo do mar! 

    _Todos nós nascemos de um testículo Victória. 

    _Você não entende. Eu sou só o esperma que evoluiu, e Inanna usou para prender o nosso pai, e quando não tive serventia , ela me jogou fora! 

    _Minha nossa Vick. Mas Lilith te acolheu como filha lembra? _É mas eu sempre soube que ela não me amaria como amou a você. Esse tipo de conexão, só se tem através do sangue.  

    _Então por isso fez aquelas coisas terríveis comigo? _Sim. Eu me arrependi depois. Mas era tarde demais, tinha finalmente cumprido com a vontade Inanna, e você já era pura escuridão como eu e Bael. 

    _Se você é tão má assim. Por quê está confessando? _Porquê você é minha irmã! E eu te amo. Lilith me aceitou na casa dela, mas foi você que me criou, não fui justa contigo. 

    _Tudo bem. 

    _Não, não tá. Inanna continua a te odiar, e foi por isso que nosso pai agiu daquela forma. Se ele não te tirasse do caminho dela, ela ia te matar diante todos. 

    _Ela o quê?! 

    _Ela ia te matar. Por isso pai cedeu a entrada na fama pra mim. Como sou filha dela, ela iria adorar me ver ali, no seu lugar. 

    _Então ela desgraçou minha ida ao topo?! 

    _Sim. Mana me perdoa mesmo, sério. 

    _Bom pelo menos me contou. 

    Responde abraçando a irmã, reatando os laços de uma amizade que tinha sido destruída, há 9 anos. Então elas olham para o vazio, como se houvessem outros pecados escondidos. Enquanto isso... Bael sorri, com o seu mais perverso olhar, e o trem finalmente chega a velha cidade  subterrânea, na qual, se estabilizará o novo mundo. 

    Capitulo 7 – A cidade dourada 

    As portas do transporte se abrem, e todos descem outra vez mascarados. Porém o anticristo passa por todos, e é o primeiro a tirar a sua proteção, os deixando de queixo caído. “O homem em sua enorme ignorância, sempre acreditou que está no topo era o quê mais importava. Mas hoje meus queridos, estamos provando o valor das terras do subterrâneo.” O anfitrião abre os braços, com suas caras roupas amarelas, mostrando o paraíso que os aguarda. “Os humanos nunca entenderam, que o quê está acima, é o que está abaixo.” O loiro imita a estátua de Baphomet. “Que a sua morada , pode ser tanto o céu, quanto a terra.” Prossegue, e então olha para a única coruja entre as outras aves, com forte fixação. “Que o amor e o ódio provém da mesma energia.” Segue encurralando a jovem mãe. “E que podem ser convertidos. Portanto aquele que odeia hoje, pode ser a quem venha amar no dia de amanhã.”  Sorri com malevolência, e a bela recua. Percebendo o desconforto da amada, Leviroth resolve acolhê-la, e está o abraça forte, mas seu olhar continua preso a figura do rei do novo, que continua a sorrir confiante. O novo mundo dos escolhidos, é diferente do quê muitos se acostumaram, principalmente os que enriqueceram por obra de Bael. Há uma enorme fonte de água potável no meio da cidade, que é cheia de prédios dourados, que possuem várias tecnologias, as quais a comunidade tem acesso para resolver as suas causas, não importa se são significativas ou fúteis. Um 

    verdadeiro Éden. Ao entrarem no local, cada família é colocada numa casa, de acordo com a quantidade de membros, e dentro desta encontram roupas, comidas, e alguns brinquedos para se distraírem. Só que depois de ser raptada, Isabelle evita o capacete de realidade virtual, e prefere usar o aparelho, no qual reproduz livros. Já Os Miller optam por passar horas, enfrentando um ao outro num jogo de corrida de carro. Victória e Dave ficam num jogo de música, enquanto o par dela assiste TV, e Alexandra , e sua família escolhem vê um filme de terror de possessão.  “Amo Lovecraft.” A mãe de Isandra diz com um sorriso, cruzando as pernas, e balançando o berço de Odin, para mantê-lo dormindo. 

    _Isabelle encontrei seu pai ontem. 

    _O meu pai?! Aquele desgraçado que me renegou?! 

    _Não, o seu outro pai, com compartilha a essência única. _Ah o outro desgraçado que me renegou. O quê tem ele? 

    _Ele falou que o Anticristo está focado em ti. _É, eu sei, o fato de Odin ter o nosso DNA, me deixou bem desconfiada. Mas não acho que sou o Foco dele. 

    _Você é. Ele deixou claro para mim também. 

    _Eu não entendo o porquê de tudo isso. 

    Sou só uma professora de biologia. 

    _Eu entendo. Ele acha que você é Luciféria. 

    _E eu sou. Só que o quê isso tem a ver? _Não, não é. Tem o sangue e a essência, parte da forma, mas não é ela. 

    _Então eu não sou a princesa mesmo? 

    _É claro que é Izzy. Mas vocês tem personalidades diferentes, e não é só isso... 

    O marido respira fundo, lutando contra o seu ciúme, que quer o dominar, como um dono domina o seu animal. As imagens da sua amada ruiva nos braços de Bael, lhe vem a mente, e os seus dentes rangem sem parar, enquanto ele treme de raiva. A dama fecha o livro, e o coloca na cadeira branca. Suas mãos tocam o rosto do  amado, que retorna para a realidade, e a encara tomado pelo medo,  e a tristeza. 

    _O quê está havendo meu amor? 

    _Você lembra que sempre me disse que tinha um ser obscuro  dentro de ti, que você mantinha enjaulado no fundo da sua mente.  Porquê se saísse iria ferir os que ama? Sem dó ou piedade,  exatamente como a deusa descrita por Crowley? 

    _Sim é claro. Por quê? 

    _Você é mais que Koré, é Babalon também. _Aquela criatura arrogante e cheia de si?! Impossível. Eu sofro de depressão por ter Pouco amor próprio. 

    _É uma longa história. Mas em resumo você e Bael estiveram juntos, sim exatamente como desconfiava. Por isso teve os pesadelos em que se envolvia com o Anticristo. 

    _Por quê não me confirmou antes? 

    _Estávamos em crise, e eu achei que iria preferir a ele. 

    _Leviroth está inseguro? 

    _É claro que estou. Tudo o quê gosta, é baseado nele. 

    _Isso não é verdade. 

    _Você mesma disse uma vez. Há diferenças entre Lúcifer e o Diabo, e eu amo mais o Diabo do quê a Lúcifer. 

    _Você leu minhas mensagens para Victória?! _Eu sempre leio. Não tem por quê ficar surpresa, fez  a mesma coisa comigo. 

    _É, eu fiz. Só me preocupo que não confie em mim. 

    _Eu confio. Só que temia que ele fosse te procurar. 

    As mãos dele continuam a tremer, e a bela as segura. No começo ele se mostra relutante, mas ela é firme no ato. É difícil ver o demônio chorar, só que está claro  que aquilo o assusta, e que as lágrimas querem sair. Por isso ela o abraça forte, e este acaba se deixando retribuir, apertando-a forte contra o seu peito,  como se aquilo pudesse impedir a sua separação. 

    _Eu estou aqui B. 

    _É, mas por quanto tempo? 

    _Eu sempre vou está aqui. 

    _E se um dia sentir algo por ele outra vez? 

    _Eu arranco meu coração, e faço uma lavagem cerebral , para ficar somente amando você. 

    _Não. Isso não. 

    _Eu te amo muito. Não precisa se preocupar certo? 

    _Eu também te amo muito. 

    Eles olham um para o outro, e então como duas serpentes, inclinam a cabeça para frente, encostando os seus lábios um no outro. Como se quisessem algo mais, então os seus olhares transmitem mensagens, e eles se beijam fervorosamente. O demônio a  pega em seus braços, carregando-a para o quarto, no momento que suas línguas se enrolam uma na outra. A mão máscula tranca a porta, a dama tira sua roupa, e ele também. Como uma fera, ele fica por cima dela, mordendo seu pescoço com ferocidade, enquanto seus dedos agarram as costas femininas. Arrancando-lhe fortes gemidos, sem sequer começarem. Porém quando as coisas vão esquentando, os olhos da bela se tornam reptilianos, e esta sente muito desejo por sangue. Percebendo que há algo errado, o marido para com os estímulos, e com a unha arranha o pescoço, permitindo-a beber da sua vida. 

    _Não. Eu posso não ter controle. 

    _Eu sou um demônio. Me curo rápido. 

    _Tem certeza disso? 

    _Tenho. Pode se alimentar de mim, assim não precisará ir atrás do meu irmão. 

    Ele diz e a sua companheira, o ataca, sugando sua energia com tanta sede, que  parecia está no deserto. Ele sorri, contudo percebe que ela não vai parar, e a afasta. Os olhos deles se encontram, nos dela há fome, e no dele receio. Por isso esta salta pela janela, e o deixa para trás. Os seus sentidos ficam apurados, ela segue o cheiro  de sangue, vendo as cores da aura de cada um, enquanto tudo vibra ao seu redor. Um rapaz se encaminha para um dos becos do local, e ela o segue, com as mãos para trás expondo as suas garras. Bael percebe que está fora de controle , e vai ao seu encontro. O jovem tenta gritar, só que ela arrancou a sua língua fora, e está prestes a devorá-lo. Vendo aquela cena, ele sorri com crueldade, e estala o dedo, reconstruindo a língua do garoto, que está aterrorizado. 

    _Você pode falar outra vez. 

    _Ela, ela me perseguiu. 

    _Eu sei. Mas se não quiser voltar a ficar mudo, não conte a ninguém o quê viu. 

    _Está bem. Eu, eu só quero ir pra casa. 

    _O caminho é livre. 

    Isabelle respira fundo no canto, tremendo, como se estivesse doente. Seus olhos mudam de cor, e alternam entre draconianos e normais. Os dentes se tornam afiados , e os caninos pontudos. O loiro se aproxima lentamente, e ela se afasta, mas está fraca, e ele sabe disso. A unha do seu dedo indicador cresce como uma lâmina, e ele faz o mesmo que Leviroth, porém em vez de arranhar o pescoço, ele fura o lábio inferior, e a segura contra a parede, deixando o liquido pingar na sua blusa branca. 

    _Eu não vou. 

    _Vai morrer de fome assim. 

    _Eu já bebi o sangue de Leviroth. 

    _Ele é um Demônio mas não é um Deus. Não tem sangue  suficiente para alimentar uma Deusa. 

    _O quê você quer? Eu não sou Babalon! 

    _Quem te falou isso? 

    O anticristo fica desconfiado da afirmação, e ela vira o rosto para o lado, evitando olhar para as gotas vermelhas. Só que ele passa o dedo no ferimento, e coloca entre os seus dentes, fazendo-a chorar, por ter que lutar contra o seu desejo. “Eu vou matar todos no seu reino.” O ameaça, e ele ri do seu desespero. “Será julgada, e morta, pois não há necessidade de matar alguém por alimento, quando eu sou uma fonte  inesgotável.” Ele responde em voz baixa, aproximando-se  dela. 

    _Eu não tenho medo da morte esqueceu? 

    _Deveria ter, pois se perder a consciência posso te fazer minha. 

    _Você não...Necrofilia sério?! 

    _Hahaha, Embora a ideia me agrade bastante, não é isso que quero dizer.  

    _Então? 

    _Eu vou lavar a sua mente, para que me ame. Mais ainda. 

    _Eu não te amo. 

    _Será que não mesmo? Sempre soube quem era o Diabo, e quem era Lúcifer, mas seguiu me cultuando. 

    _Eu não achava que você era real. Acreditava que era só uma ideia da minha mente perturbada. 

    _É? Mas eu sou, e sim eu te quero. 

    _Eu não sou mais uma das suas mil garotas. Aliás eu não acredito nas suas palavras, pois como o seu nome diz, é “O caluniador”. 

    Ela lhe dá as costas, e ele ri. De repente a pega nos braços, e segura seu pulso contra a parede, respirando pela boca, perto da boca dela, enquanto esta absorve o aroma do sangue, lutando para não beber da nascente em seu corpo. Gargalhadas histéricas se fazem presentes, e a sombra do demônio da dimensão do caos se desfaz, e refaz diante do seu inimigo, o afastando da sua amada. Ao receber o golpe de Leviroth, o ser de amarelo fica surpreso, só que não desiste, e voltar a ficar de pé, pronto para lutar, no entanto o marido joga a mão para trás, e exibe a lâmina do seu punhal, como se estivesse pronto para matá-lo, algo que é cômico para o rival. 

    _Acha mesmo que pode me matar? Eu sou Deus! 

    _Não, nunca pensei nisso. Mas sei que posso te ferir bastante. _Será que pode? Só conseguiu alguma coisa, porquê eu estava inerte no olhar da sua mulher. 

    _Eu sempre fui melhor na batalha do quê você irmão, por isso não precisei roubar o poder de nosso avô, para ser um Deus. 

    _Você é apenas um demônio, um demônio bastardo! 

    _Somos gêmeos,idiota. Se eu sou bastardo, você também é. 

    _Eu sou o ser supremo do universo. O alfa e o ômega. 

    O principio e o fim. O nada e o tudo. 

    _Nascido da prostituta de Lúcifer. Tal como eu. 

    _Você quer desaparecer para sempre? 

    _Isso só seria possível se não fosse um fracassado. 

    Então tenta filhinho de Inanna, tenta. 

    O demônio ri, com crueldade, e o diabo perde a cabeça, e vai para cima dele. 

    “O seu problema Bael, é achar que uma chama roubada te faz digno! Você é só Lixo!” Ele provoca, acertando golpes violentos no seu irmão mais novo, e tirando sangue deste com facilidade. “Você queria oferecer o seu sangue pra ela !? Que tal eu ajudar um pouco?!” O demônio corta o pescoço do diabo, e inclina a sua cabeça, em cima da bela, que estava sentada no piso assistindo  a luta. “Ele é uma fonte inesgotável amor. Pode beber.” A dama olha para o marido assustada. “Beba. Sei que está com sede.” Ele olha para o outro lado, e a moça salta para o pescoço do anticristo, lambendo cada gota rubra que sai do seu corte, enquanto este se debate sem parar, mas não consegue escapar do seu ataque faminto. “Eu era conhecido como o clone de Lúcifer. Mas não  era por um senso de justiça distorcido...” Ergue o queixo dele, fazendo-o olhar para cima. “Mas sim porquê tal como Samael. Eu ceifei muitas almas, sem dó , ou piedade, e antes de matar as torturei por dias.” Ele diz no ouvido do inimigo, enquanto a esposa se alimenta. “Nunca se esqueça disso,  ou volte a cercar a minha amada.” Diz entredentes. “Você tirou a Luciféria de mim uma vez, porém não deixarei que tire também a Isabelle.” Ele percebe que a dama se saciou, e o arremessa contra a parede. Percebendo que está em desvantagem, o diabo olha para a dama, e o seu irmão, e desaparece , deixando um rastro de fumaça negra. Benner está bufando de  raiva, contudo abraça a sua companheira. “Eu disse uma vez que te deixaria ir se quisesse ser feliz com outro, mas a verdade é que não posso Isabelle. Não quero, te deixar partir.” Ele confessa, e a jovem o beija com a boca toda suja de vermelho. Ele não resiste, e retribui ao beijo com fervor, carregando-a em seus braços. A adrenalina que percorre o seu corpo, lhe faz  tirar a blusa rapidamente. Então se faz ser colocada no piso, para abrir-lhe a calça, e encher sua boca com o membro pulsante dele, que está rígido e duro. 

    Ele não consegue aguentar, e solta gemidos, ao sentir a saliva dela escorrendo por seu símbolo fálico. Toda aquela situação de guerra e morte, os deixa bem excitados. Por isso escorre o liquido de prazer, no meio das pernas dela, e cai no chão. Notando o quanto está molhada, ele a levanta, e a joga na parede, pronto para penetrá-la. Ela respira ofegante, e então o sente entrando no seu corpo encharcado, tornando-se um só com ela. A boca dele vai até o seu pescoço, fazendo-a revirar os olhos de prazer, enquanto ele aperta  o seu seio, e a agarra pela cintura. A sua costa dói por conta dos tijolos, só que em vez de parar, ela o arranha nas costas, e morde a sua jugular, afundando sua unha na pele dele, ao ponto de sangrar. Só que ele gosta da dor, e retribui lhe pegando pelo pescoço com força, sorrindo com maldade, ao ter noção do seu poder. Logo a vira de costas, e esta se empina. Ele entra em seu corpo outra vez, segurando as suas mãos na parede. Outra vez a boca dele vai para o seu pescoço, só que a pega pelo cabelo e lhe morde na nuca, deixando-a bastante excitada com tanta violência. As mãos dele pegam os seus seios, e seus dedos se entrelaçam aos dela. Eles gemem, gemem sem parar. Outra vez ela vira para ele, só que em vez dela descer 

    , ele quem o faz. De joelhos como um escravo, ele bebe do seu leite feminino , beijando-a entre as pernas, como se estivesse fazendo isso com a sua boca. É impossível não sentir prazer, por isso mais e mais quantidades do liquido cor de pérola, chegam a sua língua, enquanto as bochechas dela ficam  coradas, pela falta de pudor. Notando que ela está mole de tanto gozar, ele ri, e sinaliza negativamente, com o dedo indicador, e volta a prensá-la na parede, mergulhando seu membro no buraco carnoso, com vontade, até que não suporta mais segurar o prazer, e jorra seu liquido branco contra o solo. Regorjeando-se de satisfação. _Eu devia tentar matar o Bael mais vezes. _Você sabe que sempre amei os psicóticos  com tendências assassinas. 

    _É, por isso se casou comigo. 

    _E continuarei para resto da vida. 

    _Eu te amo Izzy. 

    _Também te amo B. 

    Os dois se abraçam, e então colocam as suas roupas de volta. Nem os mais de 9  anos de casados, havia apagado o fogo da sua relação. Eles dão as mãos, e caminham risonhos como dois adolescentes pelo centro. Ao vê-los Victória deixa Dave com o marido, e vai até o casal, curiosa para saber, porquê Isabelle estava com a boca toda suja do liquido vital. A bela identifica o olhar observador da amiga, e se afasta de 

    Benner. As duas caminham para uma maloca abandonada, e se sentam na mesa que está no meio do local. Victória capta que algo aconteceu, por conta dos lábios vermelhos, e as machas na blusa branca de Isabelle, e por isso inicia a conversa apontando para os seus seios. 

    _Você matou alguém? 

    _Não. Mas foi por pouco. 

    _Você machucou alguém?! 

    _Sim, só que Bael ajudou a pessoa a se curar. 

    _Mas você saiu toda feliz com o Benner. 

    Então Bael não conseguiu nada. 

    _Sim. Só que também foi por bem pouco. 

    _Pode me contar tudo. 

    _Bael me fez uma bebedora de sangue... 

    Isabelle começa a narrar os fatos para Victória, que fica de queixo caído  porquê o seu sonho era se tornar vampira, e quem tinha se tornado era a sua  amiga. Já o sonho de Isabelle era ser famosa, mas quem se tornou foi ela. “Que  mundo injusto” Ela sorri com tristeza, e a professora lhe olha desconfiada. “Vic? 

    Tem algo errado?” segura as suas mãos, e a dama sorri com tristeza. “Não, Está tudo bem.” Tenta mentir, só que não consegue, e por isso a mulher volta a lhe questionar. “Está tudo bem?” Insiste, e a bela se segura para não sorrir, e negar os fatos outra vez. 

    _Você percebeu. 

    _É. Você ficou triste do nada. 

    _É que Isabelle, este era o meu sonho lembra? _Sim mana, mas também era o meu ser famosa, e ter muitos seguidores. Só quem conseguiu foi você. 

    _É. Isso é tão injusto quanto você disse que seria uma vez. 

    _Você está com raiva de mim? 

    _Não Isabelle. Estou triste. Por quê não conseguimos realizar os nossos sonhos? 

    _Porquê nossos destinos eram esses. Mas Vic nem sabemos se sou uma vampira, é provável que eu seja outra coisa. Ser uma criatura da noite, atrapalharia aos planos de Bael. 

    _Não, quando todos vivem na cidade subterrânea. 

    _Tenho que concordar. Porém te prometo uma coisa, se eu for uma vampira mesmo vou te transformar também. 

    _Por quê faria isso? Eu sou uma estrela, e nunca te puxei para o palco. _Porquê ser vampira, já foi um dos meus sonhos, e creio que no novo mundo, eu realizarei os outros. 

    _Você merece irmã. Apesar de dizer que tem trevas profundas, sempre foi uma pessoa maravilhosa. 

    _É, ser boa, sempre foi a minha maior fraqueza. 

    _Pra mim não. Esta é a sua qualidade, boa na medida certa. 

    Ao longe o diabo quebra todos os seus objetos dentro do escritório, entregando-se aos seus instintos mais primitivos. “Maldito seja!” Berra destruindo tudo ao seu redor, recordando-se de que ficou a segundos de ter o quê ele queria. “Por muito pouco ela não foi minha!” Brada socando a mesa de pedra negra, e volta a razão. “Por muito  pouco...” Se acalma, e começa a alegrar-se. “Eu só preciso criar uma situação, e ela será minha.” Seus olhos se tornam obsessivos. “Um beijo. Isso vai confundir o seu coração.” Conclui confiante da aposta. “Um beijo, e ela voltará a ser a minha Babalon.” Ele prossegue, e então ajeita os fios do seu rabo de cavalo desgrenhado, amarrando-o outra vez. “Uma festa em homenagem a Dionísio deve funcionar.” Termina, bebendo Whisky da boca do copo quebrado. Com o olhar fixo  no seu grande  objetivo Recuperar Luciféria. 

    A noite... Todos são convocados ao baile do anticristo, sob pena de perderem suas  moradias, caso não o prestigiem por uma hora. Outra vez Isabelle recebe a máscara de coruja, e ela e Leviroth se entreolham com a certeza de quem veio aquele presente, por isso trocam a fantasia, e vão para a festividade. Ao chegar lá, eles se separam por alguns minutos, para que o demônio vá comprar bebidas, mas a fila no bar é enorme, e demora mais que o esperado. Um homem de máscara 

    negra, a puxa para dançar, e pela ousadia ela o  reconhece. 

    _Achou que eu não ia te reconhecer? 

    _Você quer levar outra surra?  _Não me importo em apanhar mil vezes, se tiver a chance de ficar na sua companhia. 

    _Eu tenho mais o quê fazer. Licença. 

    _Do quê tem medo? 

    _Medo? Eu não tenho medo. 

    Tenho pavor. Agora... 

    _É só um beijo Isabelle Caligari. Nada que não queira vai acontecer. 

    _Vê isso? Significa que sou casada. 

    _Isso é só um circulo envolta do seu dedo. Eu ergui estátuas gigantescas, para te mostrar ao mundo. 

    _Esse é o seu problema. Acha que exagerando, pode conseguir alguma coisa. 

    _Eu sempre consegui, ou nunca sentiu falta de  

    ter todos os seus caprichos realizados? _Eu senti. Mas o Leviroth me ensinou, que são as pequenas coisas que fazem o amor. _É uma pena, pois eu adorava te exaltar, e te fazer ser reconhecida. 

    Ele aproxima os lábios dos seus, e os olhos dela crescem por baixo da máscara. Lentamente nega com a cabeça, tentando escapar da sua investida. O dedo dele segura o seu queixo, e a mão a segura por trás. “Cadê o seu príncipe sombrio para te socorrer?” Ele brinca apertando-a, e aproximando-a do seu peito. Os braços da pobre se esticam, e ela fecha os olhos com medo do quê vai acontecer. “Não  resista.” Ele tira as suas mãos do ombro, e a deixa bem perto dele. “Não faça isso.” Os lábios imploram. “Quietinha. Nós dois sabemos.” A unha dele cresce. “Que se o seu marido não interrompesse...” Corta o meio dos lábios inferiores. “Você teria me beijado...” Diminui ainda mais a distância da boca, e ela sente  a sua respiração. “E gostado.” Completa, beijando-a. É claro que ela não quer lhe  dá o gosto da vitória, mas o sabor do sangue, altera os seus sentidos, e faz sugá-lo como um animal faminto. Ele ri, e se aproveita da situação, para colocar a sua língua cheia do liquido vital, para trabalhar. Outra vez é difícil resistir, há uma luta no começo, que termina em retribuição. Porém Victória vê a cena, e corre para separá-los. Fazendo algum esforço, ela os afasta. 

    _Fica longe da minha irmã! 

    _Eu até vou ficar. Mas garanto que Ela não vai querer isso. 

    _Vai embora Bael. 

    _Viu? Ela mandou!  

    _É assim? Depois de praticamente arrancar  o meu ar, com o seu beijo cheio de volúpia? 

    _Eu vou te matar! 

    _Saia. Antes que Leviroth volte. _Está bem. Aguardo a sua ligação para uma parte 2 desse momento. 

    _Só nos seus sonhos! 

    _... 

    _Lá também.  

    Ele gargalha indo embora todo vitorioso. Victória pede para que saiam, e ela envia uma mensagem ao marido, avisando que estarão num local mais tranquilo. Ao ver a SMS, ele sorri encantado, mas sua paz vai embora, ao ver quem chegou exibindo os dentes com felicidade. “Eu quero uma dose do seu melhor Whisky. E uma rodada de bebida para todos!” Berra, e os alcóolatras comemoram. Vendo o irmão  no canto, ele se aproxima cheio de arrogância, e este revira os olhos. 

    _Olá irmãozinho. 

    _E aí. 

    _Sabe por quê estou tão feliz? 

    _Por coisas boas, não deve ser. 

    _É. Mas o quê não é bom pra você, é ótimo  pra mim. 

    _Eu sei. 

    _Sabe? 

    _Quem você acha que avisou a Victória? _Então também deve saber que sua mulherzinha, estava pegando fogo em meus braços. 

    _Porquê você se cortou? Engraçado. Nunca precisei jogar tão baixo para seduzi-la. Sabe por quê? Porquê sou um homem de verdade , sei como encantar uma mulher. Fica na paz “irmãozinho”. 

    Ele sai aparentemente por cima, contudo basta sair da frente dos olhares curiosos, para deixar a máscara cair, está triste, e até magoado. “Não vou tomar outra decisão estúpida, deve ter havido uma razão. Ela pode realmente só ter tido abstinência de sangue.” Pensa ao caminhar pelo local, evitando as piscadas, das biscates que 

    aparecem no caminho. As damas pousam seus braços no apoio, e olham para o fundo abismo. Como se estivessem em silêncio a horas, respiram profundamente. Isabelle está trêmula, e envergonhada pelo aconteceu, e a irmã está receosa, como se já tivesse visto este filme antes, e não quisesse reiniciar a fita. “Bel. Eu não vou te julgar só quero te advertir, essa história não tem um 

    final feliz. Ele não é diferente de Gabriel.” Inicia, e ela fica calada,  procurando uma resposta. 

    _Eu não sinto nada por Bael. 

    _Depois daquele beijo cheio de volúpia?! Tá zoando! _Tá. Foi uma atração momentânea pelo sangue dele. 

    _Só o sangue? Porquê parecia que a sua língua estava na goela dele. 

    _Já chega Vic. Nem eu sei o quê aconteceu certo?! Também queria entender! 

    _Você não saboreou o momento? 

    _Meu deus não! Talvez... um pouco! 

    _Você tá confusa Isabelle! Igual a mim. 

    Quando beijei o Gabriel! 

    _É! Mas a diferença é que não quero casar e ter filhos com ele! Eu sou casada Vic! Isso nunca deveria ter acontecido! 

    _Você tem que evitar o Bael tá? 

    Depois do beijo as coisas só pioram. _Tudo bem, eu não pretendo ficar perto dele. 

    Garante, mas no dia seguinte, enquanto todos estão dormindo em seus quartos. 

    Ela envia uma mensagem para ele, e este deixa claro que só lhe dará uma resposta , se for vê-lo, em um jardim distante da cidade. Algo que ela se reluta a fazer, até ele jurar por escrito, que não fará nada com ela. Preocupada pelo quê possa acontecer entre eles, ela escreve uma carta, porém quando a deixa na mesa,  o seu marido acorda, e percebe algo errado. Por isso pega o seu celular, e olha a conversa que ela está tendo com o seu irmão. “É sério isso Isabelle? Esta bem na cara que ele quer bem mais que um beijo.” Ele diz empurrando o aparelho. “Eu preciso entender Leviroth.” Ela se arruma para sair. “A última vez que ficou dividida, 

    houveram graves consequências. Só não esqueça disso.” Ele lhe 

    dá as costas, e a bela sai. Ao chegar no local, ela fica em pânico, pois a estátua de anjo, e a iluminação é semelhante aos seus sonhos com o anticristo, e todos eles tinham algum contexto romântico. Ela respira fundo, está vazio. “Talvez ele só esteja me testando, e...” Ele chega, com o cabelo desgrenhado, e um sorriso totalmente sem vergonha. “A noite deve ser sido boa.” Brinca com desgosto. “Tenho uma reputação a zelar.” Ele rebate, e se sentam perto um do outro na fonte. 

    _Vamos ser bem diretos ok? 

    _Eu sempre sou Isabelle. 

    _Isso tem que parar. Eu sou casada e respeito  muito o meu marido. 

    _Engraçado. Quando era eu o marido, você não tinha piedade de mim. 

    _Eu não te amava, e você me traiu antes, ou se já se esqueceu das doces noites  com Aggarath? 

    _Não, não esqueci, mas isso só aconteceu por  culpa do seu desprezo. 

    _Hahaha' Essa é boa. Você é o  cafajeste, e eu que levo a culpa? 

    _Tem razão. É idiota. Já aconteceu, mas não muda o fato de que esteve casada comigo. _É, quando descobri fiquei me perguntando como pude ser tão idiota. 

    _Já chega. Assim você vai acabar tirando a roupa, e eu não vou resistir. 

    _Eu vou é te esganar. Não está me escutando? 

    Eu não quero isso. O passado morreu certo?! 

    _Estou, só não quero ouvir.  

    _Foi uma total perda de tempo. Até mais. 

    Ela se levanta para ir embora, só que ele segura o seu pulso,  e fica de pé diante dela, sem o comum semblante zombeteiro. O quê a deixa bem preocupada, pois o quê quer que venha a dizer, é algo sério. “Eu não quero ouvir porquê também estou confuso.” Diz em forma de confissão, apertando o seu braço para não deixá-la se mover. Seus olhos denotam tristeza, e por alguma razão, isso lhe desperta um pouco de compaixão, e ela resolve esperar por sua explicação. Eles  retornam para a fonte, e ele passa a mão nos cabelos, cobrindo a sua face. 

    _Eu sei que sou um babaca. “Imperador dos  Babacas” pra você. 

    _Victória te disse isso?! 

    _Eu te vigio Isabelle. Sei o quê fala de mim. _E quer se vingar fazendo eu me apaixonar, só porquê disse que não seria uma das mil, que acreditam nos seus falsos “eu te amos"? 

    _Não. Eu não me importo com o quê diz. _Então porquê tudo isso? Eu briguei com Leviroth pra está aqui. Preciso saber. 

    _De verdade? Eu só sinto a falta da minha Amada. 

    _É. Eu não sou aquela prostituta fria! _Esse é apenas um rótulo, que você recebeu por ser uma criatura livre de amarras. 

    _Bael. Eu sei que quer me matar, para trazer ela de volta, mas não é justo comigo. Eu não sou mais 

    Luciféria, nem Babalon, Hell, ou qualquer outra Deusa. Sou apenas Isabelle, mas eu sinto, e isso me assusta. 

    _Eu não tenho a intenção de te matar. Se fosse como  diz, já teria morrido. Sinto algo por ti, sendo Babalon  ou Isabelle.  

    _Não pode. Terá que viver com isso. 

    Nem tudo pode ser seu. 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • O Vaso de Pandora

    ...
         Lá estava eu, com meu grupo de amigos de sempre. Mal podia acreditar que estávamos a caminho de uma expedição de verdade, assim eu imaginava. Eu estava até me sentindo parte do scooby doo, e passei a nos enxergar daquela forma, afinal estávamos em cinco pessoas, duas meninas e três meninos, mas sem o cachorro. Era empolgação ao máximo. Chegamos a tal caverna que nos indicaram, onde haviam ruinas. Mal entramos e já encontramos o tal objeto que nos pediram pra buscar. Certos de que seríamos perseguidos, decidimos nos separar, afinal não queríamos que o grupo inimigo nos achasse. Pelo menos, tínhamos a vantagem de que ninguem do outro grupo nos conhecia. Mas a desvantagem de não sabermos quem eram do outro, ou quantos seriam. Saímos da caverna, pegamos nossas bicicletas, e pedalamos pela estrada de chão até chegarmos no cemitério dos ricos. Foi aí que a história complicou...
         Um outro grupo de garotos passou por nós, indo na direção da caverna. Claro que eles chegariam lá, não encontrariam o objeto e viriam atrás da gente. Será que ele prestaram atenção em nós, nos nossos rostos? Assim que eles passaram nos dividimos em duas equipes, para ter a chance de despistar os quem quer que nos seguisse. Uma equipe daria a volta por fora da cidade, enquanto a nossa iria por dentro da cidade. Por sorte (ou azar), eu fiquei com o tal objeto. Pus na mochila e seguimos caminho, tentando planejar o que fazer caso fossemos parados ou perseguidos.
       Já estava começando a anoitecer quando estavamos chegando perto do centro, nossas três bicicletas quebraram e tivemos que ir caminhando. Legal, uma desvantagem caso os outros garotos inimigos aparecessem aparecessem. Chegamos no bairro próximo ao centro da cidade, e passamos a ter mais cuidado, já que estavámos chegando até quem no "contratou". Mas um medo grande nos invediu, como saberíamos quem era nossos inimigos? E como saber quantos eram? Quantos outros garotos foram convocados para esse serviço? Nos aproximamos de um grupo de garotos e garotas amontoados numa esquina, conversando, escutando funk, alguns até fumavam. Eles nos acompanhavam com um olhar de pura voracidade, mas porque fugir se eles não sabiam quem éramos e o que tínhamos na mochila?
        Alguns deles usavam fantasias de heróis de quadrinho, máscaras ou capas, um tanto exagerado, mas quem liga pra esses moleques que pareciam deliquentes e não filhinhos de papai? Passamos por eles tentando manter nossa postura, dobramos a esquina e entramos no primeiro bar que vimos. Um bando de adolescentes no meio de bêbados e mulheres velhas tentando a sorte com algum cara que tivesse 100 reais sobrando na carteira. A caminhada até ali foi longa, mas ainda faltava um grande trecho até o centro da cidade. Pensamos em descansar um pouco e tomar algum refrigerante, mas só foi nos sentarmos a mesa que os garotos da esquina se aproximaram. O cheiro estonteante de cigarro em suas bocas dava nausêas. Eles nos perguntaram da onde estávamos vindo e para onde estávamos indo, e a única garota da nossa equipe respondeu a eles. Por sorte eles engoliram a mentira dela e nos deixaram em paz.
        No entanto, o medo começou a falar mais alto. Assim que os garotos esquisitos saíram do bar e se afastaram, nós nos levantamos e tentamos seguir nosso rumo sem chamar atenção. Mas é claro que não deu certo, os garotos notaram que saímos com pressa e começaram a nos perseguir. Nós três corremos bairro adentro, nos separando. A maioria deles foi atrás da garota, enquanto apenas uma das meninas inimigas me seguiu. Agarrei a mochila, corri o mais rápido que pude e tentei despista-la pulando para dentro do muro de uma das casas. Achei que tinha escapado dela, mas não demorou muito tempo para que ela também pulasse o muro e viesse na minha direção segurando uma faca.
        Trocamos xigamentos, lutamos pelo jardim dos fundos da casa, dando tapas ou arremessando objetos um no outro, até que consegui derrubá-la no chão e torcer sua perna. Pensando em dificultar mais ainda a vida dela e evitar que ela conseguisse vir atrás de mim, a arrastei para dentro da piscina que tinha ali. A piscina era funda e a garota mau conseguia se manter na superfície. Ela começou a gritar enfurecida, o que chamou a atenção de alguém de dentro da casa. As luzes do jardim acenderam enquanto corri para o muro, subi nele e observei por um momento o que iria acontecer. Uma mulher loira de meia idade saiu da casa e foi caminhando lentamente e incrédula em direção a piscina. A garota gritava pedindo ajuda para tirá-la da piscina, reclamando da dor na perna. A mulher se ajoelhou na borda, chorando baixinho e começou a acariciar a cabeça da garota. Ela pedia desculpas para a garota enquanto a coitada lutava para conseguir se manter na borda, ela mau conseguia bater as pernas. Foi quando a mulher, em meio a lágrimas, tirou as mãos da garota da borda da piscina, e com uma das mãos empurrou a cabeça dela para debaixo da água. A garota se debateu por uns minutos até que parou em meio a bolhas de ar que saiam de sua boca. A mulher soltou sua cabeça e deixou seu corpo flutuar na piscina. Ela se levantou, limpou as lágrimas, olhou para o céu e gritou "EU NÃO TIVE CULPA FILHA, AGORA ME DEIXE EM PAZ!". Ela entrou na casa e eu desci do muro em choque. Andei pela rua, ainda visualizando a cena na minha mente, encontrei um canto escuro em meio a duas casa e me sentei no chão.
       Tudo isso por causa desse objeto? Esse vaso de cerâmica antigo? O que ele tem de tão especial? Abri a tampa do vaso procurando algo valioso, e com o pensamento ainda naquela cena que acabará de ver. Porque aquela mulher fez aquilo? Enterrei minha cabeça dentro do vaso e comecei a chorar, mas eu não estava mais vendo o interior do vaso, e sim a piscina numa visão de dentro da casa. Um par de mãos limpou minhas lágrimas, e fui para uma sala onde havia uma outra mulher igual a que assassinou a garota na piscina e mais duas meninas assistindo TV. Parei no corredor e me olhei no espelho, eu estava vendo pelos olhos da mulher assassina. Podia ver, podia ouvir, podia sentir tudo o que ela sentia. Ela estava magoada de ter visto o fantasma de sua filha afogada na piscina, estava confusa e frágil. Ela, eu olhei mais uma vez para piscina e o corpo ainda estava lá, um terror se espalhou pelo seu, meu, nosso corpo. Nós acabamos de matar uma garota inocente.
        Eu, ela, nós não estávamos pensando direito, agimos por impulso. Chamamos uma das meninas que estava na casa, filha da outra mulher, e a levamos para a piscina. Eu, ela, nós a afogamos também, afinal sabiámos que a culpa disso tudo foi da nossa irmã gêmea. Ela tinha que pagar pelo que fez com minha filha, ela tinha que perder uma de suas filhas também, ela precisava sentir o que eu, ela, nós sentimos. Mas não era o suficiente, não mesmo. Pegamos uma faca que estava jogada no chão perto da piscina, chamamos nossa irmã e mostramos sua filha afogada, ao lado de uma outra garota desconhecida, ambas boiando sem vida. Enquanto nossa irmã estava ajoelhada chorando sua perda, só me aproximei dela, puxei sua cabeça para cima e passei a faca na sua garganta com uma dor no peito e uma raiva muito grande. Fiquei assistindo seu sangue jorrar e se misturar na água da piscina, seu olhar ficar vazio aos poucos, sua tentativa inútil de tentar conter o sangue com as mãos. A empurrei para dentro da água para fazer companhia da sua filha favorita, nos levantamos com lágrimas nos olhos, lavamos as mãos, jogamos a faca na água, entramos na casa, pegamos nossa sobrinha querida restante e fomos embora com pensamento que agora tudo ficaria bem.
    O vaso saiu do meu rosto e mal pude ver o céu em meio as lágrimas.
  • O Velho e a Ponte

    Diversas coisas podem despertar lembranças de sentimentos que nunca mais existirão da mesma forma e, com o passar do tempo, essas coisas só aumentam de tamanho. Todas essas lembranças ativadas por lugares, objetos ou qualquer outra coisa podem ser chamadas de fantasmas já que tem a possibilidade de produzir a saudades ou a repulsa.
    A maior parte dos fantasmas do Velho estavam presos a uma antiga ponte que ligava dois parques de ilhas diferentes. O rio que passava por debaixo dela não era muito grande, mas a correnteza podia ficar muito forte dependendo da quantidade de chuva. Quando era criança, costumava brincar no rio, mas isso era antes de descobrir e se importar com o quão poluído ele era. Após isso, sempre brincava no parque e aos dezesseis anos passou a correr cotidianamente lá. Mesmo com as suas visitas se tornando cada vez mais raras com o aumento da idade, aquela ponte sempre o marcou. Inicialmente, era a fonte das aventuras das suas brincadeiras de infância. Já nos momentos de corrida, essa era a parte mais difícil devido a subida. Também foi lá onde viu e sentiu as coisas mais maravilhosas como diversos pores do sol e o seu primeiro beijo. Entretanto, também já viu coisas horríveis lá.
    Nos dias de hoje, no auge dos seus setenta anos, não consegue mais ir com muita frequência tanto no parque como na ponte. O velho vai no máximo uma vez por semana para que as dores não atinjam as suas articulações com maior intensidade. Mesmo assim, vai tão lentamente que não é sempre que consegue atingir a ponte. As dores são uma lembrança constante de que a juventude não lhe pertence mais, rivalizando com as dores da saudade que as lembranças dessa época trazem. A cada nova dor que descobria sabia que esses tempos estavam cada vez mais distantes e que o fim de tudo cada vez mais perto.
    No final de uma tarde de outono, o que em sua cidade significava tempo nublado e ventos frios, decidiu que iria até a ponte. Era uma vontade repentina e arrebatadora, impossível de não ser cumprida. O velho não sabia se seria uma coisa boa ou não ir lá, se traria uma bela lembrança que o faria sorrir ou um horrível demônio que o faria chorar, mas tinha que arriscar.
    No longo caminho até a ponte, ele tentava se lembrar de tudo de bom que havia acontecido naquele lugar. Em sua cabeça vinha a cena de um velho tocando saxofone em um pôr do sol. Essa foi uma das poucas vezes que parou a sua corrida por tanto tempo naquela ponte e foi só para ver um homem tirando notas musicais de seus pulmões. Até hoje não conseguiu entender o que viu naquela cena e talvez por isso a chamava de poética.
    É claro que essa não era a única cena que vinha em sua cabeça. Havia também a imagem de diversas mulheres que havia beijado naquela ponte e em diferentes partes do dia, épocas do ano e climas. Apesar disso, dentre todas elas, tinha uma que sempre ocupava a sua mente e eliminava a imagem de todas as outras. O velho tinha sido casado com essa mulher, e ela já tinha morrido há doze anos. Lembrava-se de andar abraçado com ela nos dias frios e, nos dias quentes, de comprarem grandes potes de sorvete que não duravam mais do que duas horas. Certo dia, quando já era muito tarde e não havia quase ninguém no parque, parou de repente no meio da ponte. Ela não estava entendendo nada quando ele pegou a mão direita dela, começou a cantarolar uma valsa de maneira um pouco desafinada e perguntou se ela daria a honra de dançar com ele. Nenhum dos dois sabia dançar aquele tipo de música, então só ficaram dando passos de um lado para o outro. Mesmo assim, esse foi um dos momentos mais marcantes da sua vida e que, se pudesse, o reviveria em um loop eterno. Sempre quando lembrava desse momento, sorria e chorava ao mesmo tempo. Chorava pela saudade que isso causava e sorria por poder se lembrar.
    Entretanto, ele sabia que aquelas lembranças não eram geradas pela ponte. Ele lembrava daquilo tudo porque queria lembrar, mas nem sempre a ponte se apresentava para ele com clemência. De certo modo, logo quando acordou já sabia que os pensamentos gerados por ela não seriam tão bons. Afinal, ameaçava chover e isso nunca é um bom sinal. Ao se deparar com início da ponte, parou. A sua mão tremia mais do que o normal e os seus joelhos ameaçavam parar de sustentá-lo. Os seus olhos vidrados começaram a se lembrar de coisas que há muito tempo conseguiu esquecer. Estava correndo de manhã bem cedo antes que o parque lotasse quando uma moto passou tão rápido à sua direita que só conseguiu perceber que ela era azul. Ele sabia que isso não era permitido, mas, pela velocidade, sabia que ela já estaria fora do parque antes que pudessem fazer alguma coisa. No momento em que escutou um miado esganiçado, se arrependeu de não ter tentado impedir o motoqueiro ou ao menos o xingado. O velho ainda jovem correu o mais veloz que pôde, mas ao ver o gato já sabia que não conseguiria fazer nada por ele. A moto havia passado por cima da metade de trás do gato e nem sequer parou para tentar ajudá-lo. O sangramento era intenso e um corte profundo na barriga jogou metade do intestino para fora. A respiração do gato já estava pesada, os olhos verdes não tinham mais brilho e não era possível distinguir nem mais a cor do pelo dele em meio a tanto sangue. O jovem sabia que só havia uma coisa que poderia fazer já que não tinha como pedir ou levá-lo até a ajuda, então procurou a pedra mais pesada que havia a sua volta, a levantou e, com lágrimas nos olhos desejando que um milagre acontecesse, a abaixou com toda a força possível na cabeça do gato. Ainda em choque e sem acreditar no que teve que fazer, pegou o corpo do gato morto nos braços, o abraçou e o jogou no rio, achando que aquele fim seria mais digno do que ser deixado no meio da ponte. Mesmo acreditando que o que tinha feito foi para livrar o gato de um sofrimento que poderia durar horas, sabia desde o início que aquele seria um fantasma que nunca o deixaria em paz.
    O velho, agora de volta a sua desalentadora realidade, tomou coragem em meio as suas lágrimas para continuar a caminhar. Com passos lentos e medo de ser pego de surpresa novamente por alguma lembrança indesejada, chegou a exata metade da ponte. Como ele sabia disso? Através de seu amigo Henrique. Em uma noite parecida com a que estava hoje, também tinha decidido caminhar no parque. Colocou o seu casaco e caminhou até chegar a ponte. Lá estava o seu amigo Henrique sentado na mureta da ponte com o seu cabelo curto, barba bem aparada e vestindo o seu terno azul-marinho. Em um primeiro momento, o velho de meia idade não viu nada de errado com o amigo, mas logo percebeu que ele estava chorando. Ainda tentando entender o que estava acontecendo, o cumprimentou e perguntou se ele estava bem. Henrique o encarou e o velho percebeu pelo brilho dos seus olhos que o seu velho amigo havia se perdido dentro da própria mente. A resposta de Henrique foi a simplicidade da falta de sentido: “Sabe onde estou? Na metade exata da ponte. Uma perna para um lado e a outra do outro. Fiz um trabalho no ensino fundamental que era simplesmente medir essa ponte, então marquei essa pedra com uma faca para saber a metade exata. Sem sentido, não? Talvez seja por isso que, nesse momento da vida, resolvi colocar um sentido nisso tudo.”. Antes que o velho pudesse responder qualquer coisa, Henrique deixou o corpo mole e permitiu que a gravidade fizesse o seu trabalho. Tanto o velho da lembrança como o velho da atualidade correram para a borda da ponte e ficaram encarando um rio extremamente violento por causa das chuvas dessa época do ano.
    Não conseguiu entender o porquê de ele fazer o que fez. O velho simplesmente não tinha a resposta, não sabendo como poderia ter ajudado e feito as coisas serem diferentes. Ele só sabia que não fez nada para ajudar e isso o corroía tão profundamente como se algo extremamente ácido estivesse sendo jogado no seu peito. Não havia nada que pudesse fazer para aliviar a dor. E é claro que não ajudou ter que dar a notícia para os familiares e ter que responder dezenas de perguntas para afastar as suspeitas dos policiais e daqueles para quem dera a notícia. “Você foi o último a vê-lo, então ele deve ter te dado o motivo”. Mas o Velho não sabia de nada e nem poderia saber. Foi somente com o passar de meses que conseguiu amenizar as lembranças desse fato e a lentamente começar a esquecer.
    Agora lá estava ele no auge dos seus setenta anos e décadas depois do acontecido encarando o mesmo rio. Foi nessa hora, no exato momento em que diversas lágrimas começaram a rolar dos seus olhos, que tudo a sua volta ficou preto. Sentia todo o medo, a raiva, a desconfiança, a dor e a pressão que sentiu durante meses em um único momento. O ódio predominava. Tinha ódio por não ter feito nada para evitar. Tinha ódio por ter deixado que todos desconfiassem dele. E tinha ódio principalmente porque, se tivesse a oportunidade de fazer alguma coisa, não saberia o que fazer. Tudo isso causava dor. Essa era impossível de sanar e não havia como externalizá-la. Nem mesmo através de lágrimas ela saiu, ficando lá dentro se alimentando do crescente remorso.
    Agora estava com essa dor na escuridão, o seu inferno particular. Não havia nem fogo como num inferno tradicional já que uma fonte de luz seria muita bondade. No seu inferno não podia enxergar nada, não havia odores, nada para ouvir e nenhuma coisa para comer ou encostar. Sem sentidos para usar como ponto de fuga, apenas a dor para sentir. Sendo torturado de forma lenta e eterna por aquilo que fez em vida, sem escapatória alguma. Sozinho com a sua mente e sem a necessidade de demônios, ele mesmo fazia o trabalho de forma eficaz. A dor que o Velho fazia o Velho sentir o forçava a querer morrer para que pudesse ir para o inferno tradicional. Assim, talvez conseguisse parar de pensar.
    Contrariando os seus desejos, lentamente a escuridão foi se afastando e o Velho começou a ver a iluminação das lâmpadas fluorescentes do parque. Só então percebeu que as suas velhas pernas não foram capazes de sustentar tanta dor e que estava sentado de maneira desajeitada no chão. Ficou ali um bom tempo até recuperar minimamente a sua força emocional. Os seus olhos ficaram marejados todo esse momento como se tivesse uma lágrima presa que se recusasse a descer.
    Depois de umas duas horas, se levantou e começou a voltar lentamente para a sua casa. Os olhos do Velho o acusavam e dava para saber que os seus pensamentos estavam distantes. Mesmo assim, ele sabia que nem ele e nem ninguém poderia amenizar o que ele estava sentindo. O máximo que poderia fazer no momento era aproveitar a noite fria, dormir e esperar um dia seguinte melhor. Assim, o tempo poderia fazer o seu trabalho e amenizar as suas longínquas dores.
  • O Voar dos Corvos

    Me diga com cautela 
    Pois tal assunto é um tabu
    O que acontece quando morremos?
    Viramos pó, cinzas azuis?

    Em cemitérios 
    Tumbas perdidas
    Túmulos escuros 
    Oh!, Morte, serás salvação?!

    Entre laços e forcados
    Águas negras, 
    Decepção. 

    Pássaros puros
    Cantos gélidos 
    Minha amada lua
    Me espera morrer

    Asfixia, debaixo da cama
    Sangue escarlate
    Veias quebradas 

    Minha cara amiga 
    Negros olhares 
    Solitude sombria
    Sinfonias sem voz

    O voo, pulo
    Ballet de aflições 
    Negrume infinito 
    Entre tecidos e cortes 
    Caídos. 

    Terra fosca, molhada 
    Em lágrimas por ti derramadas 
    Amor não correspondido 
    Morte irreversível. 

    Não morras, oh!, meu amor
    Pois bobagens são lhe ditas 
    Venha comigo, pois sou tua amiga
    Morte, eu, não deixarei você morrer

    Estarás acolhido 
    Mas não em paz
    Pois em corvos, assobios 
    Serei eu, teu ínfimo tormento 

    Acordarei-te-ei com melodias amadas
    De uma tarde banhada em negro 
    Que tu, em teu grandioso sofrimento 
    Estragou e pôs-se a lamentar 
    Por perdas e dores

    Tua amada nos braços 
    Num último suspiro 
    Odiou-te até teu fim. 

    Escuto ao longe 
    Entre nuvens, parasitas 
    Cantos calados 
    Prantos sinceros 

    Este é meu tormento 
    Esta, minha maldição 
    Morrerei por mim, 
    Oh!, ingrato! 
    Pois minha alma não cala jamais 

    Consigo ouvi-los gritando 
    Negando o que irá com graça, acontecer 
    Mas lhes digo, corvos infernais 
    Não comam meu tormento 
    Pois dele nunca irei me livrar 

    Devorem minha calúnia
    Matem o que de bem fiz
    Oh!, minha amada, querida
    Por ti, mataria-me outra vez

    Desespero me consome 
    O carrasco está a espreita 
    Posso sentir tua calma respiração 
    Posso vê-lo rindo de forma triste 
    Posso senti-lo, ele está aqui
    Ouço teu manto 
    Sinto teu toque 
    Percebo tua foice
    Nada restará. 

    O que será de mim? 
    O que acontece quando morremos? 
    Viramos pó, cinzas azuis? 

    Sinto o sangue
    Pingando de tuas vestes
    Perdoai-me, perdoai-me! 
    Não quis um dia, matá-la em vão! 

    Nada restará 
    Sangue escorrerá
    Tudo irá silenciar
    Tudo ficará vazio. 

    Não comam meu tormento 
    Devorem minha calúnia 
    Sintam-me sofrer...! 

    Nada restará 

    Os Corvos voarão. 

  • Orion

    Órion há anos luz !! Revelação divina da nebulosa, o cinturão das três Marias se alinharao, toda Terra entrará em órbita. "Registros" diz que o "deserto florira" !!! Visíveis dos dois hemisférios, ondas eletromagnéticas, atraem Orion, para o centro de todos os corações. Com força total tudo está se transformando, o eixo da Terra está lentamente, se movendo para a criação do novo. O chão se abrirá e os céus se tornará essencial àqueles que estão aprendendo a voar com as asas da inspiração superiores. A Ursa Maior sempre despertou grande fascinio, mas a anunciação está em Órion, alinhamentos de estrelas e mitos traduzem Órion é o guardião da pérola astral. Lá é tudo decorado com pérolas, dos oceanos, as paredes tem desenhos de criaturas translúcidas, e simbologia aquática, cheiro de peixe e supostamente pode-se definir Órion como uma Ostra dentro de uma concha. Madrepérolo esplendor de beleza !!! Quem nunca foi em Órion? Se fechar os olhos e fizer uma oração verás que seu pedido vem de lá!!!
  • Os holandeses

    O marido despediu-se com um beijo seco e rotineiro. Não ía demorar, prometeu. Mas desceria com o trator até às vinhas.
    Anelise retocou a sala antes de subir para o quarto. Disfarçou a bagunçada acomodando almofadas nos sofás, encheu a bandeja com copos de caipirinha e vinho, espalhados pela sala e equilibrou-os até à cozinha. Havia sido noite de festa. Um casal de amigos próximos, também holandeses, que estava de passagem de férias pelas planícies alentejanas e outra amiga íntima de Anelise. Noite de excessos e risos descontrolados. Ninguém acreditaria que se tratavam de homens e mulheres de meia idade. Ricos; milionários, excêntricos e dispostos a aproveitar os restantes anos de vida como nunca o haviam feito durante a juventude. Juventude gozada entre livros, cursos, negócios em busca das melhores oportunidades de assegurar um futuro risonho. Que se tornava agora em presente palpável. Às vezes inimaginável.
    Ela arrancou para a piscina. A desarrumação ainda mais agreste. De mãos apoiadas no quadril, retomava forças antes de continuar. Esperaria pela senhora da limpeza, decidiu. Ao menos a sala já não parecia tão caótica. Afinal de contas nada se faria na piscina durante aquele dia.
    A campainha tocou. Mais cedo do que esperava. Não a campainha da entrada principal, a do portão para o patamar da mansão. Na imagem da câmara exterior, a mulher estava de olhos no chão, esperando resposta do intercomunicador. Anelise simplesmente abriu a porta. Já esperava a senhora da limpeza para dar um destino à desorganização que se tornara incontrolável.
    A senhora tocou novamente, agora na campainha principal.
    "Pode entrar", gritou Anelise voltando das traseiras.
    "Bom dia", desejou a jovem. Mais nova do que Anelise pensara. Lenço branco de flores castanhas no cimo da cabeça, segurando longos cabelos ondulados e muito escuros. Não era o tipo de mulher que Anelise quisesse próxima do marido. Além do mais, apresentava-se de maquilhagem retocada e brincos chamativos.
    "Quer que limpe aqui fora primeiro?", perguntou a jovem prontificando-se para o fazer.
    "Fique à vontade"
    "Tem uma casa linda."
    Anelise anuiu.
    A frente da casa era adornada de jardins divididos pelo carreirinho que subia do portão até à porta principal. De um lado o envidraçado da sala do outro o da cozinha. Uma vista ampla e panorâmica para quem estivesse em qualquer uma das divisões. A piscina ficava do lado de trás. Um oásis que contrastava com o cenário seco de oliveiras e vinhas a perder de vista, para lá dos limites da mansão.
    Anelise serviu uma taça de vinho na cozinha e arrastou os chinelos até ao quarto. Ficava por cima da sala. Também ele de frente envidraçada. Era possível contemplar as vinhas todas entrançadas a acompanhar a ondulação dos montes. O céu muito azul navegado por nuvens pacíficas de quase meio dia.
    Fechou as cortinas e esboçou um sorriso envergonhado, relembrando as loucuras da noite passada em que agiam como adolescentes, empurrando-se para a piscina, música alta, muita bebida. Momentos em que tudo se tornava permitido. Horas separadas de leis morais, éticas e religiosas. O marido gritava como um louco. Típico adulto incorrigível, homem de boa constituição física, cabelo e barba grisalha. Sempre predisposto para celebrar. Dançava desengonçado como se nunca o tivesse feito na vida, agitando as ancas, de pernas abertas e garrafa de vinho na mão.
    Naturalmente que o Alentejo, na sua passividade, alimentava o estado de espírito festivo que se agravava com as noites quentes. Apenas observados pelo céu atafulhado de estrelas. E a herdade era grande. Sem vizinhos para se queixar da música alta, ou dos gritos arremessados para a piscina.
    O telemóvel vibrou na mesinha de cabeceira. Anelise arrastou-se para apanhá-lo.
    A mensagem dizia:
    "Peço desculpa pelo atraso."
    Escrevia a senhora da limpeza.
    Acho que ela se enganou, pensou Anelise. Ou talvez a mensagem apenas tivesse chegado naquela altura.
    Desceu para confirmar.
    A jovem segurava a saia com uma das mãos e o balde com outra como se bailasse ao som de música cigana, exibindo a destreza das ancas.
    Anelise avançou para deixar a informação mas logo foi interrompida por um entusiasmo atípico.
    "A senhora está com um rosto tão tristonho", disse a jovem soltando o balde. Depois segurou o rosto de Anelise como uma mãe consolando as dores de uma filha entristecida.
    "Só estou cansada", respondeu Anelise.
    Apesar da invasão de espaço, Anelise sentiu um leve conforto. A jovem tinha olhos grandes, cheios de alma. Olhos que perscrutavam o interior de Anelise.
    "Mas não é só cansaço físico, minha senhora", identificou a jovem, encaminhando Anelise para a sala.
    Depois sentaram-se as duas no sofá, de mãos dadas.
    "Muitas vezes escondemos problemas espirituais atrás de tarefas e afazeres, mas temos de lidar com as dores do espírito."
    Anelise não teve a certeza se entendeu e a jovem continuou: "É como ir ao médico", disse fazendo retinir as pulseiras. "Mas a um médico focado em diagnósticos mais profundos. Quer que lhe faça um diagnóstico?"
    "Ãããã..."
    "São cinco minutinhos", assegurou a jovem. "Vai ver que vai gostar."
    Anelise acabou por deixar o ritual desenrolar-se. A jovem identificava sinais nas mãos, nos olhos, na testa e fazia perguntas; muitas perguntas. Esqueceram os afazeres da casa e rapidamente se entregaram ao transcendente. Uma viagem confusa, de questões das quais Anelise não tinha a certeza da melhor resposta. Ao fim de cinco minutos ela sentia uma presença estranha a deambular pela casa. Algo arrepiante.
    "Acho que vou para cima, descansar um pouco", acabou por dizer.
    "Isso, minha senhora. O diagnóstico está feito e a cura virá aos poucos."
    A holandesa esvoaçou de robe de cetim para o quarto, ao cimo das escadas. Começava a sentir as vertigens do cansaço, e quase se atirou para a cama, implorando por descanso. As emoções num turbilhão.
    O pensamento voltou à noite passada. Certos momentos ainda não estavam claros.
    "Tem um quarto muito bonito", disse uma voz vinda do canto do quarto.
    O medo invadiu as entranhas de Anelise. Medo que foi crescendo, acelerando o coração. Ela podia jurar que não ouvira a porta abrir-se. E que a jovem continuava na sala.
    "Como é que você entrou aqui?"
    "Não tenha medo. Só me esqueci de lhe pedir uma coisa."
    De luz do sol escassa, coada pelas cortinas era difícil decifrar a jovem sentada na poltrona do quarto.
    "Peço que saia do quarto, por favor", ordenou Anelise com rispidez.
    "Desculpe-me pela invasão. Mas não quer que limpe aqui?"
    "Claro, não é isso...", Anelise precisou recuperar a razão. "Limpe primeiro a parte de baixo e avise-me quando quiser limpar aqui em cima."
    "Não tem problema, minha senhora. Assim que acabar lá em baixo eu aviso."
    E saiu esvoaçando a sai até à cozinha.
    Anelise segurava a cabeça, de cotovelos apoiados nas pernas.
    Optou por não adormecer. Afastou as cortinas da janela para o exterior. Conseguia ver a mulher passeando a esfregona pelo chão. O cheiro a lixívia subia até ao quarto trazendo consigo a normalidade dos hábitos rotineiros.
    Anelise saiu do quarto em bicos de pés. O emadeirado das escadas gemia por mais delicados que fossem os passos. E desceu até à piscina. Lá estava a jovem agora na parte traseira da casa, a limpar as cadeiras exteriores. A confusão enrogava a testa de Anelise, os cabelos desfiavam-se em fiapos amarelados muito finos.
    "Sabe, minha senhora", começou a jovem, lá do fundo, "O que lhe queria dizer é que normalmente as consultas no médico são pagas."
    Foi aproximando-se muito lentamente.
    "Os médicos espirituais também merecem o retorno do seu trabalho."
    Anelise não conseguiu ficar indignada com a sugestão. Invadida pela perplexidade, apenas anuiu.
    A jovem continuou a aproximar-se.
    "Não acha justo?”, perguntou, muito próximo de Anelise. Pergunta acompanhada de resquícios de afronta. Mas a jovem não sabia que se dirigia a uma mulher de negócios. Habituada a lidar com propostas ainda mais indecentes. Não tão atrevidas.
    "No entanto o serviço de limpeza está longe de ser o melhor", confrontou Anelise. "Estava a pensar receber algum desconto. Sinto-me lesada."
    O rosto da jovem emanou hostilidade de tão cerrado que se tornou.
    Não disse nada.
    Voltou para as limpezas. De joelhos resignados no chão.
    Anelise voltou para cima.
    Teve naquele momento a certeza de que havia algo mais com aquela jovem que de um momento para o outro já estava parada à entrada do quarto de Anelise. Ao vê-la no cimo das escadas, quis voltar para trás. Ouviu-se a loiça da cozinha desabar no chão. A jovem apenas se desviou da porta, ainda de olhar fulminante. Anelise não questionou, atarantada pelo medo. Entrou e fechou a porta atrás de si fazendo questão de trancá-la, ainda que aquela jovem parecesse não obedecer aos mesmos limites físicos que qualquer ser mortal.
    O telemóvel estava em cima da cama, com alguma mensagem por ler.
    Lia-se:
    "Mais uma vez, as minhas desculpas. Só conseguirei chegar depois do almoço, aconteceu um imprevisto"
    Dizia a senhora da limpeza.
    Por um instante, algo acudiu à mente de Anelise, um receio rápido e passageiro. Ela escreveu de volta:
    "Alguma coisa grave?"
    A cabeça rodou num turbilhão de ponderações. O coração acelerou as rotações.
    Tentou manter a calma e encostou o ouvido à porta do quarto.
    Silêncio.
    O telemóvel vibrou de volta.
    "Assaltaram-nos o apartamento, mas já comunicamos à polícia. Espero conseguir estar aí o mais rápido possível."
    Ela procurou algum objeto para se defender. Livros, almofadas. Até desmontar a cama se tornou hipótese. Qualquer taco de madeira seria melhor do que voltar a sair daquele quarto de mãos a abanar. Mas foi exatamente como Anelise saiu do quarto; de mãos a abanar.
    Os corredores afunilavam-se, cada esquina se tornava em ataque iminente. Anelise podia sentir a jovem a observá-la de algum canto desconsiderado. E quando menos esperava, a jovem emergiu da cozinha de faca na mão.
    A perseguição deu-se entre os móveis da sala. Copos no chão, cadeiras arremessadas, sofás arrastados. Até Anelise escorregar no tapete. De faca apontada à garganta rogou por tréguas.
    "O que quer você de mim?", gritou em agonia.
    "Eu sei que tem um cofre aqui em casa, toda a gente sabe na cidade. Leve-me até lá."
    "Cofre? Que cofre?"
    A faca admoestou-lhe o pescoço.
    "Não me minta", avisou a jovem. "Rasgo-lhe as entranhas."
    "Mas não existe nenhum cofre, o dinheiro está no banco."
    "Há um cofre nesta casa, as pessoas falam."
    Anelise logo se lembrou da cave. Pois claro, a cave!
    "Não é o que está a pensar", tentou Anelise, "mas é muito valioso e está na cave."
    A outra afrouxou o entusiasmo.
    "Onde fica?"
    Caminharam até à cave separadas pela faca. A jovem picava o quadril de Anelise fazendo-a apressar-se.
    Desceram a escadaria que emanava um hálito fresco e húmido de azulejos laranja. E eis que a galeria se revestia de quadros, nas paredes, no chão, nas prateleiras. O próprio teto exibia também os seus quadros.
    "Onde está o cofre?", insistiu a jovem.
    "É disto que as pessoas falam. Há quadros que valem milhares de euros. Temos muito dinheiro investido aqui, pode levá-los para vender."
    De início a jovem não entendeu. Depois, precisou do apoio das paredes para equilibrar as vertigens. Ela passeava as mãos inconformadas pelos quadros, como se de alguma forma fosse extrair o dinheiro e abanava veemente a cabeça.
    "Não, não, não", berrou. "Mas onde vai parar este mundo, minha nossa senhora", disse ela em devaneio, de faca a pender na mão, "as pessoas gastam dinheiro… as pessoas já não...", teve dificuldade em organizar o discurso.
    Num gesto irracional tentou segurar alguns dos ditos quadros, que de leves nada tinham e na ausência de força para o fazer acabou por escolher apenas um quadro. (longe de ser dos mais caros).
    Anelise ponderou o confronto físico quando a jovem começou a carregar o quadro para cima. Temeu ser atraiçoada por algum tipo de magia e preferiu saborear o momento em que a outra se debatia para arrastar a pintura.
    "Não esteja para aí parada e venha atrás de mim", ordenou.
    Chegaram à porta de saída, mas Anelise recebeu instruções ríspidas para ficar na sala virada para a parede. Não contestou. Acabou por observar toda a cena a partir dos envidraçados da sala.
    Logo foi tomada pelo espanto quando duas jovens idênticas entraram na viatura depois de atulhar o quadro. A princípio ponderou ser magia, a um nível extraordinário em que a menina se duplicara. Foi preciso tempo para aceitar que havia sido enganada por duas irmãs gémeas fazendo-se passar por uma mulher feiticeira.
  • Pavó

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    Gustavo estava no zoológico com seus pais. Era mais um daqueles passeios para suprir a ausência deles em casa. Como sempre, seu pai digitava no smartphone e sua mãe estava numa ligação, falando sem parar. Mesmo assim, o garoto sentia-se animado, aquele era seu passeio favorito. Quando não estava na escola, estava na frente da TV assistindo aqueles canais sobre a vida animal.      
       Toda vez que ia ao zoológico era como que fizesse parte de um daqueles programas. Sempre ia vestido a caráter. Roupas camufladas, 'botas de aventureiro', binóculos pendurado no pescoço e uma câmera fotográfica profissional, presa no pulso.
       O menino conhecia cada animal que visitava, seus pais o seguiam como cães adestrados. Algumas vezes ele falava sobre os hábitos alimentares ou sobre alguma curiosidade que conhecia, mesmo sabendo que ninguém o ouvia. 
        Chegaram na ala das aves, seus animais favoritos. Havia um enorme galpão montado com um cartaz que dizia: " Exposição Asas da Metrópole, venha conhecer os pássaros da nossa São Paulo". Entraram e deram de cara com um grande corredor cheio de gaiolas de ambos os lados, que abrigavam centenas de aves. A maioria piava e voava de galho em galho. O barulho era ensurdecedor e o cheiro sufocante. O garoto ignorava as duas coisas. Estava contente por não ouvir mais a voz da sua mãe falando sem parar, ou a gargalhada exagerada de seu pai, quando via algo no celular.
        Passava por cada gaiola citando os nomes das especies sem precisar ler as placas. O colorido dos pássaros o fez sorrir pela primeira vez naquele dia. 
     - Vamos logo Gu. - Sua mãe disse mal humorada, o empurrando. Não conseguia mais ouvir sua ligação.
       Seu pai seguia os dois as cegas, não fazia a menor ideia de onde estava. Participava de um debate acalorado sobre seu time de futebol, num grupo de Whatsapp. 
       Gu acelerou o passo mas não parou de citar os nomes. 
       - Cardeal. Bem-te-vi. Anu-branco. Pica-pau-barrado... - Ele parou de repente. - ESPERA! -  Teve que gritar para que sua mãe parasse de empurra-lo. - É o Pavó!? - Desta vez leu a placa para ter certeza. 
       Na gaiola a sua frente havia apenas um pássaro. Estava parado no meio do puleiro, cabisbaixo. Era todo negro, com as garras e o bico cinzas e o peito coberto de penas vermelhas. 
       - É um Pavó mãe. - Disse animado. - Está em extinção... - A ave solitária estava de cabeça baixa.
       - Tá tá, eu vou esperar lá fora... - Ela respondeu saindo, passando a mão automaticamente em sua cabeça.
      O pai tirou os olhos da tela. Não sabia se seguia ou se ficava. Quando percebeu seu filho parado, se aproximou dizendo:
       - Eai garotão, vamos?
       - Olha pai. É um Pavó. - Gustavo apontou. Neste instante o pássaro ergueu o olhar. - O peito desse é diferente, mas na placa ta escrito Pavó.
       - É... bonito né filho? Vou comprar um pra você tá... Vamos? - Disse se afastando.
       - Ele ta em extinção pai. Num vende.
     O garoto ficou ali parado observando o Pavó, que não piava e nem se mexia. Ele então descidiu pegar sua câmera para registra-lo. Quando o olhou através da lente, se assustou, ao perceber que os pequenos olhos do animal estavam focados nele. Começou a sentir um incomodo. Como se alguém se aproximasse por trás. A sensação de proximidade foi  aumentado cada vez mais, até o momento em que ele se virou de uma vez, sobressaltado. Atrás dele havia somente uma gaiola vazia e seu pai estava mais adiante no corredor, gargalhando para o celular. 
      Ele voltou a atenção para a ave, assim que ergueu a câmera novamente, ela desligou. "Sem bateria", acusou. Gustavo achou estranho, ele tinha certeza de ter a carregado completamente antes do passeio, e essa era a segunda vez que a usava.
       Ao perceber que o pássaro ainda o olhava fixamente, sentiu um calafrio subindo-lhe pela espinha, saiu correndo até seu pai.
       - Vamos - disse já pegando sua mão.
     Seu pai se soltou irado.
       - Mas que po... Desligou !? Oque...? - seu smartphone se apagou. - Sem bateria? Que absurdo. Estava 80% agora... 
       Saíram de mãos dadas. A mãe se surpreendeu com a cena, porém não percebeu o rosto furioso do marido. Nem a expressão assustada do filho.
       - Que coisa linda vocês assim... Eu falei que esse passeio seria bom. - Disse se aproximando com telefone na orelha. - Alô? Rose? Ro, tá aí? Sem bateria? Mas... 
       - Sério!? - O pai interrompeu sorrindo. - O meu acabou de desligar também.
        - Deve ser aquele carregador que você comprou! Eu disse que não valia nada...
      - É ? Na próxima vez eu não compro nada pra você então..
      - E o que você compra pra mim? Eu lá preciso do seu dinheiro ?...
       E assim começaram a brigar.
        Gustavo já estava acostumado com aquilo, todos os passeios em família terminavam quando a discussão começava. Sua mãe agarrou sua mão livre e os três foram em direção ao estacionamento, os adultos foram discutindo por todo o caminho.
       No fundo, Gu agradecia aquele desentendimento entre os pais. Assim iriam embora dali de uma vez. A imagem do pássaro não saia de sua cabeça. Se arrepiou ao relembrar o que sentiu quando encarou a ave. De vez em quando olhava para trás e para os céus procurando algum sinal do Pavó, tinha a sensação de estar sendo seguido.
       No carro, a discussão aqueceu. Agora o motivo era ver quem iria carregar o celular primeiro. O pai se preocupava com o que seus amigos estavam pensando sobre seu silêncio no grupo. A mãe só queria ter alguém que a ouvisse sem interrupções. O garoto estava de coração acelerado, preso ao cinto do banco de trás, em silêncio. procurava no céu, seu perseguidor.
       O pai só saiu com o carro, quando conseguiu se manisfestar no grupo. Gravou um áudio cheio de palavrões e falas maliciosas, na intenção de provocar a mulher. Ela por sua vez,  conectou o celular no carregador, mas ao invés de liga-lo, resolveu discutir sobre a atitude do marido.
       Ele dirigia falando cada vez mais alto. O casal estava naquela fase em que nenhum cede e as discussões viram verdadeiras provas de resistência. 
      Gustavo estava sentado no meio do banco traseiro, se esticava de janela em janela observando o céu ainda preocupado. A cada quilômetro de distância do zoológico era um alívio a mais para o garoto.
     O carro saiu da estrada e seguiu por uma avenida até parar num cruzamento sem semáforo. Gustavo sentiu um aperto no estomago quando viu, sobre a placa de ‘Pare’ o pássaro o encarando, tinha certeza que era o mesmo de antes. Dentro do veículo a briga ficava cada vez pior. O pai, revoltado, arrancou à toda velocidade sem se preocupar em olhar para os lados. Um caminhão vinha em sua direção e por muito pouco não atingiu a lateral do carro. 
        Nem os gritos do seus pais, nem as buzinas estridentes distraíram o garoto.  Sua atenção era toda da ave, que apesar do caos, continuava tranquila sobre a placa, o seguindo com os olhos. Ele ficou de joelhos no banco retribuindo o olhar, até um carro cruzar sua visão e o Pavó desaparecer novamente. Para o seu desespero.
       Gu voltou a se prender no cinto de segurança, não se preocupava mais em saber do pássaro, pois tinha certeza que ele estava ali.
       Seus pais estavam distraídos demais para reparar  em como os olhos dá criança se dilatava, ou no tom pálido que tomava sua pele. Não viam nem o suor que escorria de sua testa ou pelo menos a tremedeira de seu corpo.
       - Mãe... Pai... Ele... tá aqui. O Pavó.. - sua voz era um sussurro fraco e perdido entre as palavras gritadas que se gladiavam no ar.
       Mesmo sentado Gustavo sentia a mesma presença de antes. Dessa vez se aproximava ainda mais. Seu corpo estava paralisado, seu coração batia no limite do possível. 
       - Estou aqui Gustavo. - um sussurro se fez em seu ouvido, ao mesmo tempo que uma mão terna tocava seu ombro.
       Seus pais só perceberam algo de errado com o filho, quando este se atirou por entre os bancos da frente, rasgando o cinto que o prendia e ficou se debatendo descontrolado em seus colos. Arranhando e chutando os dois enquanto gritava até perder a voz.
       Quando o carro colidiu contra a parede de um prédio luxuoso, ouviu-se no ar da capital, além do estrondo do ferro se retorcendo, um piado melancólico. Seguido do bater de asas de um Pavó solitário. 
  • Perturbação

    -Eu só preciso de alguns dados seus para dar início ao interrogatório. 
       -Como? Interrogatório? Mas eu nem deveria estar aqui. 
       -Mas você decidiu estar em uma cena de crime, certo? Agora, diga-me o seu nome completo e a sua idade. 
       -Julieta Marsterson. 19 anos. 
       -De onde você é? O lugar que você nasceu... 
       -Em um vilarejo da Itália 
       -E agora, senhorita Julieta, pode começar a falar sobre o caso. 
       -Mas eu já disse o que eu sei. 
       -Você só disse que estava morando com as vítimas. 
       -Sim. Eu disse isso. 
       -Então, explique o porquê. 
       -Eu não tenho nada para explicar. 
       -Bom, se você me ajudar, senhorita Marsterson, eu posso ajudar você. 
       -Isso é uma proposta? 
       -Não. É a realidade. E você pode começar não mentindo. 
       -Não é mentira. 
      Nos conhecemos em uma festa, eu não sabia o nome dele e ele tampouco o meu. Mas no dia seguinte eu recebi uma carta sua que dizia que queria me encontrar próximo ao lago do nosso vilarejo ao pôr do sol, eu fiquei muito feliz. O único problema era que as nossas famílias se odiavam. Mas isso não foi um grande problema, desse modo no dia seguinte eu sai pela tarde e o encontrei. Ele já me esperava quando cheguei. Levou uma rosa e recitou poesias. A nossa poesia. Desde esse dia começamos a nos encontrar as escondidas. Na igreja, no lago, nos jardins das nossas casas, ou em qualquer lugar em que não fossemos percebidos. Não demorou muito a ter nos descobrirem. Algum traidor da casa nos entregou e pegaram uma das cartas deles para mim. Então a partir daí tramamos nosso plano de fuga. Passou-se três dias, ele tinha fugido um dia antes para organizar uma cabana ao sul para servir como nosso refúgio temporário, enquanto eu ainda estava sobre o teto de traidores. Na noite seguinte, quando todos já repousavam, sai as escondidas deixando uma carta no quarto da minha ama, não dizendo com quem e para onde estava fugindo, apenas disse que um dia voltaria para vê-la e caminhei para a noite que me esperava, junto ao meu amado. O nosso ponto de encontro seria a ponte próxima da praça. Mas quando cheguei o corpo do meu querido jazia ao relento, infeliz sujeito que arrancou a vida de sua alma. Então sem saber o que fazer eu corrir, não podia voltar para casa, não queria. Escondi-me na mata por uns dias, sobrevivi apenas comendo pães e bebendo água do mesmo lago ao qual o encontrei no nosso segundo dia.
       -Ele quem? 
       -Valentim, o meu amado, Valentim Belarmonte 
       -Por favor, continue 
      Passado alguns dias, descobri que os Belarmontes tinham se mudado, não sabia para onde, mas estavam tão angustiados que não podia suportar a ideia de viver no mesmo lugar em que o filho morrerá. Então, assim como eles, eu decidi que não podia mais continuar a viver naquele lugar, peregrinei por alguns dias, e encontrei um grupo de ciganos que viajavam ali por perto, pedi que me levassem com eles e assim o fizeram. Foram muito gentis comigo. Viajamos por um longo tempo, isso explica as minhas vestimentas que não se assemelham a nada do que eu vestia no vilarejo. Chegamos a uma vila, não sei explicar, mas senti que deveria ficar ali, com muito pesar eles seguiram viagem e eu fiquei a mercê da minha sorte ou falta de sorte. Do mesmo modo como antes, escondi-me em uma floresta perto daqui e ia para a feira pedir comida para os camponeses.
       -E como você os encontrou? quer dizer, você estava vivendo com os... 
       -Continuarei 
      Não continuei vivendo assim por muito tempo. Um dia quando estava a caminho da feira me deparei com uma figura que me olhava assustada e sem reção fiquei estática até sentir braços rodearem o meu corpo. Era a senhora Belarmonte. Ao seu lado o senhor Belarmonte mais estupefato estava. Não sabia o porquê dela me abraçar, até que começou a falar enquanto chorava.
       -Pensávamos que você tinha morrido, mas está aqui viva, dizia aos soluços a senhora Belarmonte 
       -Se não tivéssemos ido contra o vosso romance, o meu filho não estaria morto, o senhor Belarmonte falava se referindo a Valentim e eu. E eu concordava com isso. 
       -Você ficará conosco. 
      E sem me perguntar nada, levaram-me para uma casinha na vila, que nada se comparava com o esplendor que era a casa dos Belarmonte no vilarejo. Cederam-me um quarto e roupas limpas. Fiquei sem falar por dois dias. Depois de já acostumada com o lugar, descobrir que não encontraram o assassino do meu bem-amado, e tampouco se preocuparam em desvendar tamanho horror.
       -Então, você os culpava por isso? 
       -O motivo do que aconteceu era de responsabilidade deles. 
       -E você não tem ideia de quem possa tê-lo matado? 
       -Se eu soubesse estaria aqui. 
      Eles faziam de tudo para me agradar, não me percebiam ali, eles enxergavam Valentim em mim. Em uma noite amena me convidaram para ir ao circo que chegara na vila havia poucos dias, de bom grado aceitei. Depois de algumas horas assistindo as apresentações, decidi sair para respirar um pouco, tudo me sufocava. Estava sentada em um caixote de madeira quando surgiu um palhaço do escuro, tinha uma risada peculiar e os olhos muito grandes. Levantei-me assustada pela figura que se aproximava sorrateiramente.
       -Calma, criança, não irei machucá-la. 
       -Quem é você? perguntei assustada e tremendo, a noite de repente tornara-se fria. 
       -Ora, eu sou um palhaço - disse entre gargalhadas. 
       -Um palhaço sem graça, eu diria. 
       -Seu senso de humor me faz lembrar de uma pessoa. 
      Senti braços segurarem os meus ombros e uma voz aveludada falar por trás de mim, fiquei estática com a aproximação.
       -Falando de mim? 
       -E de quem mais poderia ser? 
       -Não acredite em tudo que esse palhaço vos diz, criança. 
      Virei-me, afastando as mãos que antes seguravam os meus ombros. Ao olhar, deparei-me com a figura de uma mulher esbelta, suas feições eram finas e tinha maças bem rosadas no rosto. Apesar do escuro pude olhar perfeitamente para a figura na minha frente que trajava uma espécie de roupa de elástico, como aquelas das trapezistas de circo, e de fato ela o era. Eu não sei quanto tempo passou, mas no decorrer da noite pude conversar com os dois sobre a vida no circo e a o desprendimento com as coisas com a qual nem sempre você pode ter. Perto do final da apresentação voltei à tenda para ver a apresentação das trapezistas e a mulher com quem eu falava faria a sua apresentação também. E ela era simplesmente incrível no que fazia. Infelizmente, não consegui me despedir deles, mas seguir para casa com a sensação de que voltaria para vê-los.
       -E você voltou, senhorita? 
      Voltei para o circo no dia seguinte, pela manhã. Não estava tendo apresentações, mas perto de algumas árvores haviam tendas menores armadas, aproximei-me devagar e os vi sentados sobre a sombra de uma árvore. Eles me viram aproximar e acenaram...
       -Sente-se conosco, querida. 
      Eu passei o dia ensolarado a conversar com eles, descobri que antes de trabalharem no circo viviam na rua e sem comida, tinham que roubar pão para sobreviver e que muito antes disso tudo eles eram casados e tiveram uma filha que morreu dois anos depois do nascimento. Eu acho que eles gostaram de mim por isso, se a filha deles estivesse viva teria a minha idade. Na verdade, eu gostei muito de ficar com eles.
       -Senhorita, gostaria de saber o que você disse para o casal do circo? 
       -Como assim? 
       -Se você está falando sobre eles é por alguma razão. 
       -É apenas um fato. 
      Naquele mesmo dia, na tenda deles, eu falei para eles sobre os Belarmonte. No começo eu falei o que realmente tinha acontecido no vilarejo, só isso já foi o suficiente para que surgisse um sentimento de raiva neles. Mas então, depois eu lhes contei sobre os abusos que aconteciam em casa.
       -Abusos? Isso não foi relatado. 
       -Claro que não, não havia abusos. 
       -Então por que você falou sobre isso? 
       -Eu não disse isso. 
       -Continue... 
      Eles me perguntaram o que podiam fazer para me ajudar, então eu pensei que seria uma boa oportunidade para me vingar de Valentim, não era o que eu pensava quando comecei a morar com eles, mas a cada dia que eu acordava naquela casa e olhava para eles, eu só conseguia lembrar da face de Valentim. Não demorou muito, dois dias depois, eu retornei ao acampamento e os encontrei no mesmo lugar, então quando o crepúsculo estava surgindo eu voltei para casa e disse que a porta estaria aberta, a espera deles. Foi quando aconteceu, eu não dormir, então ouvi os passos e gritos. Quando eu entrei no quarto vi duas figuras, erguidas sobre os corpos que derramavam um líquido que parecia ser viscoso, eles estavam vestidos como da primeira vez no circo, com as roupas que usam nos espetáculos. O palhaço usava uma roupa espalhafatosa colorida e a trapezista com aquela roupa que parecia ser feita de elástico. Eles não olharam para mim, apenas continuaram fitando os corpos enquanto riam.
       -Senhorita Marsterson, já chega! Não existe circo, nem palhaço ou trapezista. Tudo o que foi falado é apenas uma invencionice da sua cabeça... 
       -É claro que existe, eu os vi. 
       -Não. O casal que você atacou na noite passada são os Grephins, eles não tinham filhos e nem sequer uma ligação com você. Isso aqui é a vida real e não um livro trágico que você leu. Estamos no século XXI e não no século XV. Não vivemos em um vilarejo e as suas roupas estão perfeitamente razoáveis para o século em que estamos e possivelmente o seu nome e idade estão errados. O crime provavelmente foi sem motivação aparente suscitado por algum surto seu. Eu tentei você fazer você falar a verdade entrando no seu teatro particular, mas pelo visto alguma coisa está errada. Policial Banks? 
      A porta do escritório abre rapidamente e a policial Banks que estava em seu primeiro turno na delegacia local aparece com uma fisionomia cansada, mas disposta a concluir seu horário de trabalho. 
        -Como posso ajudar? 
       -Ligue imediatamente para o hospital psiquiátrico.
  • Physika MystiKa

    Cansado da procura infinita do fora de si, ao estudar os muitos processos intermediários e primários do existir, em que se entregara a resolução de conflitos dualísticos do corpo-mente, espírito-matéria pelas muitas filosofias mesopotâmicas e posteriormente egípcias, gregas, hindus, hebraicas, árabes, ameríndias, yorubas e congolesas… absorveu o problema da existência mundana e consciência divina sobre outra pressuposição, e se perguntara em pensamentos avassaladores onde estariam os segredos superiores, senão dentro de si mesmo, em seu próprio corpo, psique e coração… resumindo… a vida do aqui e agora, o momento presente, o falar, o respirar, o agir, o sentir… enfim, o viver e depois morrer… a própria existência com todas as suas dores e alegrias, ilusões e fantasias… o bailar constante do bem e mal em si que o movimentava.

    Passou muito tempo até agora na infinita busca externa do Grande Mistério, e olhando para si mesmo… se percebeu esse Grande Mistério.

    Ao sentir-se misterioso, se envolveu em si mesmo com paixão, examinando a si por completo. Vira-se como uma fragrância do todo em tudo, e nele mesmo exalava um perfume do néctar dos deuses. E se auto questionou, dizendo em voz alta para si, em um diálogo monólogo do externo com o interno:

    — Ó matéria pela qual sou constituído, veículo orgânico e atômico de mim mesmo… Ó Sagrado que habita em cada partícula e onda de energia em mim. Foste constituído pelos deuses a Ordem Magna da Consciência Una Superior… A Fonte em que jorra o rio da Sagrada Mística Sabedoria na física de mim mesmo… se te vejo fora não estou dentro, pois, sei que até o que julgo como fora saiu de dentro da outra forma individualizada de Ti mesmo. Então, tudo que saiu de Ti, deve por ordem e dever retornar a Ti. Porque se me conheço e sou conhecido, não é por mim, e sim pelo outro. O que é o externo, senão, o interno alheio exteriorizado em criação e concretização? Ó Sagrada Mística Sabedoria… divina, amada e desejada… te venero em mim mesmo, e a partir de agora não vejo e nem sinto diferença entre o eu e o outro, entre a mente e o objeto… ao te procurar em mim mesmo, percebi que tudo era eu, diferente de quando eu te procurava fora, onde tudo era o indiferente outro externo fragmentado, partidário e polarizado … estava eu perdido procurando fora o que sempre estava comigo. Ó Grande em mim mesmo, revela-se para mim! Porquanto, sou a chave da minha própria prisão… a resposta da minha própria pergunta… o achado da minha própria busca. Dentro de mim está o mercúrio, o sódio, o enxofre e todos os elementos para constituir o ouro puro dos alquímicos, forjado no forno do meu ser, constituindo a Grande Obra em mim mesmo. Assim Eu Sou! Sempre uma única coisa… o superior… o algo mais… o coletivo individualizado… a supra consciência multiversal uniforme que me forma.

    Tornando-se ao ‘UM’, ao se livrar do julgamento que discrimina e separa todas as coisas, vira que o fragmento era uma mera ilusão e verdadeira ignorância… era a criança; o velho; a bela donzela; a senhora fragilizada; o rapaz bonito e valente; o fraco doente; o vivo; o morto; a barata; o verme; o cachorro; o tomate; a carne; o theion divino… não havendo em si e no outro diferença, a partícula se dissolveu em ondas de energia penetrando todas as coisas existentes inexistindo… e de todos teve compaixão, em que ele mesmo era o todo em tudo apaixonado.

    O canto do grilo noturno era ele mesmo a embalar o movimento das estrelas no escuro dos céus…

    Era o próprio galo o despertando pela manhã…

    O gato ao caçar o rato…

    A venenosa serpente a descamar-se…

    O velho vizinho que lhe desejara bom dia era ele mesmo criando vínculos de proximidade em gentilezas…

    O garoto arrogante e brigão…

    O homem chato…

    A lesma se rastejando em sua gosma…

    O esquadro e o compasso de sua própria construção…

    A mesma escada que tanto desce como sobe…

    O engodo de si mesmo e a verdade do outro…

    Assim, em sua livre busca se perdeu nele mesmo em quietude… se encontrando no outro em prisioneiro movimento… em um labirinto em que o dentro e o fora o representava inconscientemente no coletivo individualizado do ordinário Grande Ser em sua pequena forma extraordinária.
  • PORTAS DO PASSADO!

    A visão do que se esconde nas profundezas do passado.
     Ela acreditava que era uma simples mulher da cidade, até começar a procurar onde não devia...

    DESCOBRINDO HORIZONTE  CAPÍTULO 01
    Luna observava a cidade onde cresceu e viveu com aperto no coração, mais para ela era tempo de mudança e novas lembranças...
    Como durante seus 25 anos havia crescido ali, ela sabia que não seria fácil se desligar tão facilmente... Com grande coragem colocou as malas nas costas, as jogou no porta malas, e pelo retrovisor deu adeus a sua cidade natal.
    Após dirigir por duas horas Luna à vista novas formas e uma placa dizendo Bem Vindo a SeulCity, como era noite não conseguia admirar a cidade, mas vi que era um lugar com hábitos noturnos já que havia muito movimento na ruas, crianças brincando, casais namorando velhos trocando histórias, mas como a viagem havia sido longa e cansativa resolvi ir para a nova casa.
    Não era uma casa cheia de charme mais tinha um certo aconchego, uma varanda na frente, cômodos grandes e uma escada para o segundo andar onde seria meu futuro quarto. Aproveitei a desculpa de não ter nada para comer e resolvi sair para uma caminhada noturna, a cidade era bonita e calma até demais, fui a lanchonete pedi um hambúrguer e uma Coca-Cola, senti vários olhares em minha direção, talvez seja por que eu era novata, mais estranhamente senti um olhar diferente e assustador pelas costas.
    Quando virei me dei de cara com um homem realmente assustador, mas assustadoramente lindo, era alto com longas pernas torneadas, ombros largos, mas o rosto era o que mais me chamava atenção, um olhar negro levemente puxado, sobrancelhas arqueadas e uma boca que apesar de bonita não expressava nenhuma emoção. Envergonhada pela sua beleza desviei o olhar e sai da lanchonete, mais a imagem daquele cavaleiro negro não saiu da minha cabeça a noite toda.
    Irritantemente o despertador me acordou, pulei da cama já vestindo a roupa e correndo para o banheiro, era hora de procurar um emprego novo numa nova cidade, tomei o café apressadamente e fui em direção ao centro da cidade, onde ficava o Hospital Central de Seul, entrei timidamente e deixei meu currículo no balcão, observei ao redor, pessoas sendo atendidas por todos os lados, então pensei comigo: " Como seria maravilhoso trabalhar neste Hospital e poder ver todos os dias pessoas entrando com olhares tristes, e saindo restabelecidas".
    Sem emprego e sem nada para fazer fui dar uma volta pela praia, o azul do mar era lindo e confortável, de longe avistei alguém sentado na areia, pelas formas corporais consegui distinguir que era um homem, mas por um leve segundo tive um dejavu, à medida que fui diminuindo o espaço entre nós descobri o por que...era o Cavaleiro Negro, havia apelidado assim já que na primeira noite ele estava todo de preto, mas hoje havia algo diferente, seu olhar não era mais agressivo e sim sereno e calmo como o mar a nossa frente, mas as sobrancelhas continuavam as mesmas numa posição sexy e misteriosa.
    Ao me avistar ele levantou caminhou em minha direção, ficou parado na minha frente, fiquei admirando aquela beleza misteriosa, como eu era baixa ele se inclinou na minha frente e olhou nos meus olhos e disse com uma voz pausada e sedutora:
    -Bem vinda a cidade.
    Ele disse isso e como uma sombra me deu as costas e foi embora.
    Por trinta segundos fiquei paralisada de tensão e excitação.
    Em pé e olhando para o mar só pensei: "Que homem é esse?!?!"
  • Posso Morrer Amanhã

    Você já parou pra pensar  que amanhã você pode ser só uma plaquinha com o dia que você nasceu e o dia que deixou este mundo?
    Nesta plaquinha não estará escrito quem eram seus ídolos políticos, sua religião, seu time do coração, nem suas bondades, ou maldades.
    Sua bondade, ou maldade serão medidas pelo número de pessoas que riram ou choraram ao ver esta placa.
    Você será lembrado por poucos e em poucos anos será apenas um retrato.
    Neste retrato você será apontado como um parente distante do tipo: " Esse na foto é meu avô, mas eu não conheci ele"
    Um dia, você só vai existir na memória de algumas pessoas.
    E se o dia de a gente virar plaquinha for amanhã? Você está preparado?
    Pense, se você morrer agora, quais são as últimas lembranças que as pessoas vão ter de você?
    Alguns vão dizer: "Já foi tarde", outros, "Nossa, tão novo"
    O fato é que em poucos meses os viúvos se apaixonaram por outro alguém, seus filhos terão suas vidas, seu carro terá um novo dono, sua roupas serão doadas, seu emprego vai ser ocupado por outra pessoa e tudo você tanto batalhou para adquirir, vai ser objeto de disputa entre os herdeiros.
    Uma única pessoa passará o resto de sua vida lembrando de você todos os dias, sua mãe, e talvez seu pai.
    Agora me responda: Você tem se preparado para ter valido a pena? Você tem marcado a vida das pessoas? Ou esta perdendo seu tempo em discussões homéricas sobre política, religião e futebol?
    Um dia as pessoas vão olhar para o seu retrato, já amarelado e sem qualidade e vão pensar se vale a pena mandar restaurar para que você continue vivo na memória, ou se jogam de uma vez no lixo dando lugar a uma televisão nova, ou um enfeite qualquer do 1.99.
    A vida é hoje, a hora é agora! Não perca tempo e amizade por discussões bobas, viva!
    Tá com saudade? Liga! Se ama, mostre! Amanhã pode ser tarde, pois cada momento carrega a possibilidade de ser a última vez que nos vejamos.
    Entenda: Um dia você será só uma plaquinha, se tiver sorte, vai virar nome de rua, mas mesmo assim ainda será só uma plaquinha.
  • Precauções do COVID-19

    Se cuide do jeito certo
    Se os sintomas surgir
    Se afaste de perto 
    Depois chame um médico

    Mantenha distância do infectado
    Fique o mais possível afastado
    Mantenha-se mascarado
    Faça tudo que logo estará curado

    Se o resultado der negativo
    A proteção deverá continuar
    Se esforce para seguir protegido
    Que logo a vacina chegará
  • Protetores o inicio.

    Léo um menino de catorze anos, mãe morta, irmão Jony com dezessete anos e com segredos, pai com problemas, e todos seus outros familiares mortos, passava por dificuldades de entender qual seria seu futuro. Um dia de manhã Léo acordou quatro horas para jogar bola. Enquanto tentava uma manobra nova, nos fundos de sua casa, perto da floresta.
     Ele viu um diabo, pelo menos ele achava que viu, mas seria totalmente impossivel de existir. Seu pai o chamou para tomar café, depois de comer Léo quiz ir para floresta, mas seu pai não deixou. De noite Léo tramou um plano para ir para a floresta, depois que todos dormisem, ele pegaria o facão de seu pai e iria. Más por azar seu imão escutou saindo, e o seguiu. Chegando na floresta Léo seguiu um rastro um pouco estranho, derepente ele escorregou para uma caverna, e seu irmão também, caindo em cima de Léo. Depois que Léo e Jony discutiram sobre, oque Léo fazia alí, e por que jony o seguiu. eles viram um portal, se olharam, e entraram no portal. 
     Lá dentro Léo via tudo escuro e vermelho com diabos os cercando, e Jony via palhaços com balões os cercando. Os dois ambos com medo se olharam, nisso o chefe dos intrapeps, nome de origem dos seres, chegou para falar com eles. Ele falou que eles viam seus piores pesadelos. E Léo pensou saco, se estamos vendo nossos piores pesadelos Jony esta vendo palhaços. Por que isso seria tão ruim, por que Jony quase foi morto por um moço vestido de palhaço. Léo se lembrou que trouxe o facão do seu pai e tacou no intrapeps que tinha o segurado, não aconteceu nada então. Os intrapeps viram que eles estavam começando a surtar, e ofereceu, duas escolhas, morte ou juntar-se. Léo perguntou o que era juntar-se, eles falaram que Léo e Jony virariam intrapeps. O irmão escolheu juntar-se e Léo escolheu nenhuma das duas. Conseguindo escapar dos braços do intrapeps, falou para o irmão que voltaria para busca-lo.
     Fujindo por um portal aberto, ele voltou para floresta. Andou até em casa, abriu a porta e falou para seu pai, perdoe-me pai, pela minha imprudencia, Jony foi sequestrado. Então o pai nem perguntou oque aconteceu, porém botou na delegacia um mandato te busca. Léo sabia que não ajudaria, pois sabia que era um intrapeps que estava com Jony, e ficou grato por seu pai não perguntar nada, Léo mentiu para equipe de busca, pois qualquer coisa que fizessem por mais ajuda, no final, chegariam a um ponto que teriam que fazer a mesma escolha que Jony. Porém tinha sorte do que aconteceria em seguida.
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
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    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
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    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
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    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
    ⓟⓢⓨⓒⓗⓞⓣⓘⓒ
    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Qualquer Coisa

    Eu tinha dito para todo mundo que havia superado você. 
    Que havia deixado meu sentimento mais puro para trás.
    Que eu já não ligava mais para você.
    Mas mais uma vez eu estava enganada.
    Pois nos meses em que fiquei em "paz" era só eu que estava me enganando o tempo todo, tentando esconder oque sentia.
    Mas aí você voltou para mim, quero dizer, eu pensei que havia voltado.
    E com isso, tudo voltou por completo, meus sentimentos voltaram a aflorar, aquele borbulho no estômago, minhas borboletas voltaram a voar e trazer aquele friozinho gostoso pra dentro de mim, voltei a sonhar a me iludir novamente, tudo voltou por completo, menos você.
    Se é que alguma vez você se entregou por inteiro pra mim, assim como eu me entregava a você.
    Se é que um dia você entregou ao menos um pequeno pedaço, um átomo que fosse, se é que um dia você quis fazer isso.
    Tudo que eu queria é que você sentisse só uma pequena parte das confusões que se passa por mim, do turbilhão de sentimentos que eu tenho de só te ver sorrir.
    Queria que você sentisse só um pouco do que se passa aqui, o mínimo que fosse e eu estaria grata.
    Eu não deveria deixar isso acontecer, mas foi tudo sem querer, mesmo querendo que isso tudo me levasse a qualquer lugar que seja, o que eu mais queria é que me levasse algo que vá além de só toques na pele e passasse a tocar a nossa alma de uma forma tão singela que unisse nossos corações e pele de uma vez só.
    Mas não, você não quer isso e eu não te culpo, afinal, a culpada de toda essa confusão sou eu.
    A culpada de ter esperança de que um dia algum sentimento iria aflorar em você também.
    A culpada de fazer planos de uma vida perfeita que só vai existe na minha mente, e pra sempre.
    Pra sempre é oque eu imaginava que seria, mas só na minha mente acontece essas loucuras, e você mente, me tratando como se eu fosse única mas trata as dez mil que te dão like no tinder igual.
    Eu não sei se sou idiota, otária ou imbecil por sempre está esperando uma mensagem sua.
    Mesmo sabendo que eu nunca vou ser aquela que se intitula "sua" eu tenho esperanças de que a cada notificação que aparece na tela do meu celular seja uma mensagem tua falando qualquer besteira se quer.
    Qualquer coisa.
    Eu queria qualquer coisa vindo de você.
    Qualquer coisa espontânea e eu me sentiria completa novamente.
  • Sentimentos - Capitulo 01

    01 – Um jovem historiador, Dr. Vitor Hugo Bernardi acaba de chegar à cidade Katovice na Polônia. O mesmo foi convocado pelo Agente Especial Superior Braun, por terem encontrado uma sala secreta em um dos centros de concentração, e eles querem sua avaliação. Ele é recebido pelo agente Josef que o leva até o centro de concentração Auschwitz. Local está todo isolado e cheio de agente da FBI. Agente Braun junto com o agente Josef dão algumas instruções, uma delas que é extremamente restrito e que as informações não podem sair daqui. Levando até uma das câmaras desativadas, mostram um dispositivo que faz a parede deslizar e mostra uma porta de ferro, observando vê que estava trancada a correntes. Logo após passar pela porta, tem um hall onde mostra que porta de elevador, na qual não funciona, mas os agentes montaram outra forma de descer. Após descerem através de elevadores modernos, eles andam pelos corredores, vê que eram salas de experimentos, porem bem diferente dos outros, salas que demonstram ter tido teste de força e arma, muito acima do normal. Uma das salas desvendadas está guardada por dois seguranças no porta, dentro dela estão mais quatro seguranças e um cientista e algumas cápsulas, a maioria estão destruídas. Nota-se que houve algum tipo de batalha na sala, pois alem de vários objetos quebrados tem sangue seco espalhado por todo canto, e alguns ossos e roupas de soldados nazistas.  Ao se aproximar da única que está inteira, vê através do vidro, uma mulher acorrentada, com camisa de força e mordedor. Dr. Vitor Hugo fica surpreso e questiona se ela está viva, o cientista Dr. Vagner informa que está viva, mostrando que os cabos estão ligados há alguns tambores que contem alguns tipos de gás e alguns deles são oxigênio e sonífero. Dr. Vagner mostra algumas anotações da época pro Dr. Vitor Hugo, nessas anotações tem nome dos experimentos e quais foram feitos neles. Fascinado com tanta informação, Dr. Vitor Hugo informa que ira ajudá-los a desvendar os mistérios deste local, pois tem muitas anotações em latim. No dia seguinte a sala é preparada para despertá-la da mulher, Agente Braun e Josef, Drs. Vagner e Vitor ficam do lado de fora, enquanto os quatro seguranças, mais uma equipe médica e outra de enfermeiros tentam abrir a cápsula, todos estão usando roupas especiais, pois não sabem que tipo de ar está dentro da cápsula. Ao abrirem, eles fazem os primeiros exames, e informam que ela está ótima, eles a tiram da cápsula, colocando-a numa maca, amarrada, para a própria segurança dela e de todos. Informam também que ela poderá acordar dentro de 4h ou 5h. Enquanto isso eles avaliam ela, morena, sem marcas de cicatrizes, mostra-se ser jovem de ter entre 20 ou no máximo 25 anos, cabelo é liso e comprido até o cóccix, suas pernas são longas, sua altura é de 1,75 cm e tem uma tatuagem com o símbolo do nazismo em sua escapula esquerda. Eles colocam uma roupa cirúrgica, pois a mesma estava nua na cápsula. Dr. Vitor Hugo, ficam fascinado pela sua beleza, seus traços são delicados, chamando bastante atenção de todos em sua volta, Agente Superior Braun concorda com todos os comentários que o doutor faz. No seu quarto, ele faz pesquisa tentando achar algo sobre essa câmara de concentração, sem sucesso, acaba pegando no sono, dormindo em cima do notebook. Durante a madrugada, a jovem tem um ataque epilético e sua pressão sobe, a equipe medica entra em ação imediatamente, com muito esforço e precisão, eles conseguem salva-la, a mesma continua desacordada. A sala está trancada e isolada, na porta tem dois seguranças, e a cada hora dois enfermeiros entram para avaliar a moça. Neste período de uma hora, ela acorda, ainda sonolenta, ela tenta abrir os olhos, mas a luz incomoda, vem um flash dos cientistas que estavam fazendo experimentos com ela, no desespero, ela arrebenta as cordas e fica sentada na maca, olhando para o ambiente que é totalmente diferente da sala de ela foi adormecida. Mais flash vem em sua mente, dos abusos sexuais que sofreu, os experimentos que fizeram, as torturas físicas e mentais, e entre outros horrores. Ela fica em transe, ficando presa a essas lembranças. Dois enfermeiros entram, e tomam o maior susto de vê-la acordada e ainda sentada na maca. Enquanto um enfermeiro sai para avisar os superiores, e o outro tenta conversar com ela, fazendo perguntas, mas a mesma está paralisada olhando para o chão. Ao chegar perto dela, nota que esta em transe, ele tenta acordá-la colocando sua mão no ombro dela dando pequenas mexidas. Ao sentir o toque, ela passa a olhar para ele com raiva, deixando-o com medo. Ele tira a mão do ombro dela, e pega um sedativo para sedá-la. Ela percebe e antes mesmo dele conseguir chegar perto, ela da uma cabeçada nele, fazendo-o cair desorientado e pede socorro. Ela começa apertar o pescoço dele com muita força, quebrando a coluna cervical, levando-o a morte. Ouvindo o pedido de socorro os dois seguranças entram, e o vê morto no chão, e a jovem de pé olhando para ele com um olhar frio. Um deles pede reforço e o outro parte para cima dela, tentando nocautear com sua arma, ela desvia, dando um soco na boca do estomago dele. Enquanto o soldado cai desmaiado, ela pega a arma dele no ar, dispara nele e no soltado que está na porta. Seu tiro é certeiro, um no coração e no outro no cérebro. O alarme é acionado, uma equipe com seis soldados aparecem no corredor para impedi-la, infelizmente alguns são mortos, mas consegue disparar alguns sedativos, fazendo-a cair dormente no corredor. Dr. Vitor comparece na sala onde estão os agentes Braun e Josef por ter ouvido o som do alarme, na qual ela está amarrada com correntes de ferro numa maca, desacordar, ele faz questionamentos ao agente Josef sobre ocorrido, ele informa que a mesma matou cinco pessoas em menos de uma hora, sua força e agilidade são foram dos padrões normais de um ser humano e pede para o mesmo se manter no quarto até ao amanhecer. Algumas horas antes do amanhecer, um dos seguranças fica olhando para ela com raiva, por ter perdidos alguns colegas, e vai até ela e cospe. A mesma abre os olhos, e fica olhando para ele com olhar de deboche, deixando o mais irritado, os outros dois seguranças tentam acalmá-lo, o mesmo não conseguem, e vai para dar outro soco nela. Ao se aproximar para dar o soco nela, ela levanta o tronco, desviando do soco, conseguindo chegar perto do pescoço, mordendo com força, rasgando a veia jugular. Um chama o reforço, enquanto o outro tenta socorro o colega que não para de sangrar. Ela se aproxima do segurança que tenta tirar seu colega da sala, mas ela gira sua cabeça matando-o na hora, o outro que chamou mais reforços tenta fugir, mas ela o segura pelo punho, pegando as chaves e a arma do seu bolso. Ele da uma cabeçada, mas só ele sente a dor da pancada. Ela arranca o braço dele e o deixa na sala junto com o outro que já está entrando em coma. Ela aciona uma porta secreta no corredor, e entra, antes dos soldados chegarem, mas as câmeras de segurança pega sua, logo avisam os soldados para adentrarem na passagem secreta. Dr. Vitor, acorda assustado por causa do alarme, ele vai para a janela e vê agitação dos soldados, ao se virar, se depara com a moça saindo por uma porta secreta do seu quarto. Assim que o vê o agarra pelo pescoço, desesperado, ele começa falar em latim, dizendo que ele não é uma ameaça e que ele quer ajudá-la, ela entende o que ele diz, o faz desmaiar e foge do quarto pela janela. Os cachorros sentem o cheiro dela. Ela corre pela floresta, tentando se afastar  dos soldados, ao se deparar com um rio bravo, não pensa duas vezes e se joga para despistar seu cheiro. Os cachorros perdem seu cheiro ao chegarem no rio...

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