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mistério

  • A verdade está onde nunca a procuramos — Crônicas do Parque

    Era uma daquelas manhãs escaldantes com temperaturas que variavam de trinta e cinco a trinta e oito graus célsius, com sensação de quarenta a quarenta cinco no centro-norte de Israel. Como de costume me encontrava todos os Yom Sheni (segunda-feira) no parque de Kfar Saba, fazendo manutenção nas piscinas ecológicas.

    Pegava meu bastão de rede, uma caixa plástica preta dessas de armazenar verduras em supermercados, e um balde vazio de comida de peixes ornamentais. Entrava na piscina e submergia até os joelhos no primeiro terraço em que ficava as Nymphoides, espécies do gênero das plantas aquáticas que crescem enraizados no fundo com as folhas a flutuar à superfície da água, de cores brancas, amarelas e variadas tonalidades de flores rosa, da família Nymphaeaceae.

    Prendia meu smartphone pela sua capa ao cordão que ficava no meu pescoço, em que segurava ao peito um Magen David (Estrela de Davi) com um rosto de leão no centro, e colocava uma música suave para iniciar o meu trabalho de cuidar dos nenúfares.

    Em especial, aquela era a piscina ecológica que eu mais gostava dentre todas outras que dava manutenção no centro-norte. Pois além de ser a maior dessa região, estava em um parque bonito e tranquilo arrodeado de belas esculturas. Essa piscina era especial, pois era a única de todas que tinha uma original carpa cinza gigante, espécie de peixe de água doce originário da China, e também havia um canteiro com Lotus Branco (Nelumbo Nucifera), um género de plantas aquáticas pertencente à família Nelumbonaceae da ordem Proteales, e também era lotada de peixes Koi (Nishikigoi), tendo o Higoi (carpa vermelha), o Asagui (carpa azul e vermelha) e o Bekko (branca e preta), que são carpas ornamentais coloridas ou estampadas que surgiram por mutação genética espontânea das carpas comuns (carpas cinza) na região de Niigata no Japão, tendo também outras inúmeras variedades de peixes ornamentais como: peixes dourados, peixes barrigudinho (Guppy) de diversas cores, aruanãs, entre muitos outros.

    Nesse dia em especial, me senti constantemente sendo observado por um senhor de chapéu azul e cabelos grisalhos que aparentava ter a idade de oitenta anos. Estava bem vestido e mantinha sempre um sorriso no rosto. Ele se encontrava sentado em um banco largo que ficava próximo a piscina. E lentamente eu me aproximava dele ao curso do meu oficio de retirar as folhas amareladas dos nenúfares. E ao me aproximar daquela figura atraente, eu o cumprimentei com um Boker Tov (Bom Dia), e ele me respondeu com um Boker Or (Manhã de Luz). Assim trocamos sorrisos, e me voltei novamente para o meu ofício matinal.

    Quando o balde em que colocava as folhas amareladas e flores mortas dos nenúfares se encontrou cheio, me retirei da piscina para esvazia-lo, o despejando na caixa plástica preta que estava perto do banco em que o senhor de chapéu azul se encontrava sentado. E ao me retirar para regressar a piscina, ele elevou a sua doce voz anciã, perguntando-me:

    _ Atah Rotze coz cafeh (Você aceita um copo de café)?

    Então, de imediato lhe respondi:

    _ Ken, efshar (sim, aceito).

    Então, ele retirou de uma sacola de pano um bojão de gás pequeno e enroscou uma pequena boca de fogo nele, acoplando. Colocou o aparato ao solo, e retirou da sacola uma garrafa pet de coca-cola com água, uma pequena chaleira e dois copos de aço inoxidável. E, enquanto ele despejava a água no recipiente e ascendia o fogo com um isqueiro para ferventar, fez um sinal com as mãos para eu me sentar ao seu lado.

    Enquanto a água estava para ferver, nos apresentamos e ele me fazia inúmeras perguntas sobre mim e meu oficio. Perguntas comuns que eu já estava calejado em responder. E depois que ele preparou o café, comecei também a interroga-lo. Para minha surpresa descobri que ele não era judeu, mas árabe. Sendo que falava um bom hebraico sem sotaque e se vestia elegantemente, como um velho Ashkenazi. Além dele ter olhos de uma cor azul claros como o céu que estava sobre nossas cabeças. (…Nós, e nossos pré-julgamentos…).

    Ele me falou que viveu muito anos na Espanha, sendo um mestre sacerdote de Sufi gari (Tasawwuf), uma arte mística e contemplativa do Islão, assim como é a Kabbalah para os judeus. Ele viu o Magen David em meu peito, e disse que era bonito esse símbolo com um rosto do leão no centro. Também, me falou que esse símbolo em que os judeus se apropriaram o colocando em sua bandeira, é de muita importância para o Tasawwuf (Sufismo). E me revelou segredos importantes sobre o significado desse símbolo.

    Conversamos sobre muitas coisas, e eu o interrogava mais e mais, pois vi que esse senhor era muito sábio e ciente de tudo que falava. Ele me revelou coisas sobre a conduta do corpo, como postura e fala. Falou-me sobre pensamentos, músicas e danças místicas, e, sobre alimentação e jejuns para se ter uma vida espiritual equilibrada com o corpo físico. Nesse assunto, eu perguntei a ele porque não se deve comer carne de porco. Até porque eu já tinha perguntado a muitos rabinos e religiosos judeus o porquê de não comer a carne desse animal, e muitos não sabiam me responder ao certo. E os que respondiam, falavam que estava escrito nos Livros da Lei, a Torah, mas não sabiam perfeitamente o porquê.

    Diante da minha pergunta, ele sorriu e me disse algo em que fiquei atônito. Contava ele que os porcos eram seres humanos amaldiçoados, por levar uma vida sexual pervertida na sua última encarnação. Ele me disse que por isso dentre todos os animais o porco era o mais inteligente, e, que seus órgãos internos como fígado, rins e coração são muito parecidos com os nossos, pois na verdade era um ser humano que encarnou nessa condição com a total consciência de sua vida passada, mas que devido ao fato de estar em um corpo animal atrofiado não podia se comunicar para se revelar como tal. Nasceu nessa condição devido a decadência espiritual de sua vida anterior como ser humano, ao se entregar aos prazeres sexuais nojentos e tenebrosos, por isso esse animal pode levar até trinta minutos tendo orgasmos. E assim, veio nessa condição para viver em sua podridão, ao comer seu alimento e dormir misturado as suas fezes, mesmo tendo a inteligência de defecar em um mesmo lugar, são condicionados pelos seus criadores (seres-humanos) a viver junto ao seu excremento. Também, ele me falou que o porco não tem a capacidade de olhar para cima, não podendo ver o céu, e sua pele não pode ser exposta a luz solar por muito tempo, pois não consegue transpirar, e pela falta de umidade decorrente do suor pode sofrer fortes queimaduras. Nasceu para olhar para baixo e se esconder da luz, sendo forçado por essa natureza a viver na lama. Ele também me disse, que o porco é o animal mais amaldiçoado do que a serpente, pois os porcos são invulneráveis às suas picadas venenosas. E concluiu:

    _ É por isso que não se deve consumir a carne desse animal, pôr na verdade ser um ser-humano totalmente consciente em forma atrofiada. _ e, acrescentou me revelando algo_ Você sabia que não a diferença de gosto entre carne humana da carne suína… ambas possuem a mesma textura e sabor.

    Uau! Diante desses fatos que me foram apresentados por esse velho sacerdote Sufi, eu fiquei estupefato. E, entendi o porquê de George Orwell escolher os porcos para serem os protagonistas da revolução em seu romance satírico (Animal Farm — A Revolução dos Bichos). Provavelmente, ele sabia desse conhecimento do Tasawwuf. E isso me fez pensar, o quanto os antigos sabem do que não sabemos. Essas são respostas que não podemos encontrar no oráculo Google. Respostas de um velho de oitenta e poucos anos sentando em um banco de parque.

    O velho me vendo atônito, colocou seus aparatos de café na sua sacola, levantou-se, despediu-se e saiu sem mais nada a dizer.

    E lá no banco do parque de Kfar Saba fiquei com a mão no queixo, vendo os peixes e as nymphaeas. Tão Ignorado em minha ignorante aquariofilia.
  • BENAI ELOHIM E NEPHILIM

    INTRODUÇÃO
    Com certeza os caros leitores já ouviram uma vez ou outra a música “Mulher Bonita e Carinhosa”. Para quem ainda não sabe os versos dessa composição são de Otacílio Batista e a melodia de Zé Ramalho. “Mulher Bonita e Carinhosa” ficara conhecida na voz da cantora Amelinha, contudo, existe uma versão mais recente na voz do próprio Zé Ramalho.
    Os versos de Otacílio Batista são um enfoque ao poder atrativo feminino, e para dar ênfase a esse poder o mesmo da certas pinceladas na narrativa sistemática do passado de ilustres personagens da história.
    “Mulher nova bonita e carinhosa faz um homem gemer sem sentir dor!”
    Os versos de Otacílio são uma verdade incontestável. O poder atrativo feminino é irresistível, e até mesmo anjos, isto é, os Benai Elohim, traduzido por filhos de Deus, rederam-se a ele.
    Gênesis 6/ 1-2: E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
    Inicialmente se acreditava que os filhos de Deus eram anjos, no entanto, quando percebera que algumas Bíblias gregas traziam o termo “anjos de Deus” enquanto outras como “filhos de Deus”, Julius Africanus (+- 200 DC), contrariara essa crença, abraçando a teoria de que os “filhos de Deus” eram os descendentes de Sete, enquanto as “filhas dos homens” eram os descendentes de Caim.
    Depois do parecer de Julius as opiniões se dividiram, porém, Agostinho de Hipona (354-430 DC), ou Santo Agostinho, decidira a questão, e acabara com a discussão dos anjos caídos, afirmando que Gênesis 6, falava a respeito da linhagem piedosa de Sete com a linhagem de Caim. Em decorrência do poder da igreja de abafar o que lhe interessava naquele tempo, o mito da linhagem de Sete prevalecera.
    Hoje com mais liberdade religiosa a discussão volta à tona, e os defensores de que os “os filhos de Deus” mencionados em Gênesis (6) são os descendentes de Caim usam Mateus 22/ 30, para dar sustentáculo a essa crença.
    Mateus 22/ 30: Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.
    Jesus afirma que os anjos de Deus não se casam nem são dados em casamento no céu, não na terra, dando a entender que fora do céu isso é possível, caso contrário Cristo não teria colocado o “no céu”.
    ANJOS OU DESCENDENTES DE CAIM?
    Na Bíblia sempre se encontra um fato esclarecendo outro, e o livro de Jó esclarece Gênesis (6).
    Jó 1/ 6: E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.
    Jó 2/ 1: E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o Senhor.
    Será que esses versículos estão se referindo aos descendentes de Sete ou a anjos? No Velho Testamento os Benai Elohim, isto é, os filhos de Deus são designados como anjos.
    2 Coríntios 11/ 14: E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
    Num dia em que os anjos foram apresentar-se perante Deus, Satanás se transfigurara num anjo de luz, e também se apresentara entre eles perante o Senhor.
    Judas fala a respeito da condenação desses anjos que tomaram mulheres humanas como esposas.
    Judas 1/ 6: E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia.
    Judas afirma que os Benai Elohim que haviam colocado em prática uma invasão alienígena com o intuito de possuir fêmeas humanas de extrema beleza, não permanecendo, assim, dentro dos limites de autoridade que Deus lhes havia dado, mas tinham deixado o lugar que o Senhor lhes havia determinado, Deus guardara-os na escuridão perpetuamente, para o grande dia do seu julgamento.
    O apóstolo Pedro também fala a respeito desse julgamento.
    2 pedro 2/ 4: Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo.
     
    A INVASÃO ALIENÍGENA
     
    O apócrifo livro de Enoque descreve com mais detalhes a invasão alienígena com o propósito de possuir as fêmeas humanas.
    Enoque 7/ 1-3: E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas. E quando os anjos, os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos.
    Esses versículos têm as mesmas informações contidas em Gênesis 6/ 1-2, por isso vamos passar para os versos seguintes.
    Enoque 7/ 3-9: Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento; e que só eu sofrerei por tão grave crime. Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos; (e amarraram-se por mútuos juramentos), que nós não mudaremos nossa intenção, mas executamos nosso empreendimento projetado. Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram (ou uniram) por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, o qual é o topo do monte Armon. Estes são os nomes de seus chefes: Samyaza, que era o seu líder, Urakabarameel, Akibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Azkeel, Saraknyal, Asael, Armers, Batraal, Anane, Zavebe, Samsaveel, Ertael, Turel, Yomyael, Arazyal. Estes eram os prefeitos dos duzentos anjos, e os restantes estavam todos com eles. Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos, e a divisão de raízes e árvores.
    Primeiro houve um processo de escolha por parte dos Benai Elohim, ou seja, cada Benai Elohim escolheu a mulher de sua preferência. Uma vez feito à escolha os mesmos colocaram em prática um método de abordagem para conquista-las. Depois de conquista-las, e passarem a viver como marido e mulher, esses alienígenas de outra dimensão começaram a ensinar a elas malefícios de feiticeiros, encantamentos, e a divisão de raízes e árvores. Essas mulheres tornaram-se as mães de todas as correntes de bruxarias existentes no planeta.
    Enoque 7/ 11: E as mulheres conceberam e geraram gigantes.
    Desta união, Benai Elohim e filhas dos homens descendera uma espécie de gigantes híbridos que, ficaram conhecidos como os Nephelim.
    Enoque 7/ 12-14: Cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los; então eles se voltaram contra os homens, a fim de devorá-los; e começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro, e para beber seu sangue.
    Quando a espécie humana não mais conseguira produzir o suficiente para alimentar os Nephelim, esses gigantes híbridos passaram a tratar a humanidade como um manancial de alimentos, comendo a carne e bebendo o sangue dos humanos com rapidez e avidamente, dando origem ao canibalismo e ao vampirismo. 
    O interessante é que os versículos acima deixam bem claro que, a espécie humana fora o primeiro alvo dos gigantes híbridos. Depois da espécie humana o alvo fora os pássaros, depois os animais. Em seguida fora a vez dos répteis e dos peixes. Quando uma espécie era devorada por completo, os mesmos começavam devorar outra, e assim por diante.
     
  • CARMOND - CAPÍTULO III

    CAPÍTULO TRÊS
    O ponto de parada onde fora deixado era diferente de todos os outros já conhecidos e imaginados por Augusto. Ficava num lugar qualquer da estrada e não havia nenhum sinal de vizinhos, ou ainda, nenhum bar ou qualquer outro tipo de estabelecimento como são de costumes nesses lugares.
    A chuva não dava tréguas e tudo que ele fez foi correr até uma velha tapagem, já bem deteriorada pelo tempo, e ficou lá aguardando pelo motorista, no meio da chuva e do nada. Essa espera, permeada pelas lembranças da conversa que havia tido com os amigos, durou mais de uma hora, até que, finalmente, ele viu surgir bem distante, os faróis de um carro que deslizava nas estradas enlameadas.
    Graças a Deus! Ele balbuciou e já foi tratando de ajeitar as malas nas mãos na expectativa de deixar o quanto antes aquele lugar.
    _ Por acaso o senhor é o doutor que está vindo da capital para tratar do Coronel? O motorista perguntou de dentro do carro e com o vidro do lado direito entreaberto.
    _ Sim, sou eu mesmo! Me chamo Augusto.
    _ Prazer, doutor! Sou seu motorista. Pode me chamar de Piu. Venha! Saia dessa chuva.
    Augusto realizou o embarque rapidamente e os dois tomaram o caminho de volta até Carmond, o vilarejo que tanto amedrontava seus amigos.
    _ Demoraremos muito para chegarmos?
    O homem sorriu meio desanimado.
    _ Um cadinho, doutor. Ainda mais com essas estradas ruins como estão. O senhor tem pressa?
    _ Não trata-se de pressa. Acho que é apenas curiosidade mesmo! Já passei o dia todo dentro de um trem, penso que mais algumas horinhas viajando não me farão mal.
    Piu sorriu novamente e ergueu as sobrancelhas indicando o banco traseiro.
    _ Tem uma garrafa e dois copos aí no banco de trás. Faço o favor de pegá-los e servir um chá pra gente, se não for incômodo, é claro.
    Augusto achou aquilo maravilhoso. Estava precisando mesmo tomar alguma coisa quente, depois do banho de chuva que tomara enquanto aguardava.
    _ Não é incômodo algum, ao contrário, será um prazer. O senhor parece ter lido meus pensamentos.
    _ Eu nunca saio sem a minha garrafa, principalmente em noites como esta. Um chazinho quente é sempre uma excelente companhia para quem vive tão solitário.
    Augusto encheu um dos copos e entregou para Piu que segurando-o com a mão esquerda, continuava a guiar o veículo com a direita.
    _ Posso lhe fazer uma pergunta, doutor?
    _ Depois desse chá você pode perguntar o que quiser.
    Sorriram os dois.
    _ Pois bem, o que levou o senhor a aceitar o convite para vir até o nosso vilarejo?
    Inevitavelmente Augusto lembrou-se dos amigos.
    _ Por que isso parece tão estranho? O que há de errado com o seu vilarejo, meu senhor?
    _ Carmond não é o melhor lugar do mundo para se estar, doutor. Tudo lá é muito difícil, desde o acesso, como o senhor mesmo está podendo constatar, até nas outras coisas mais simples.
    _ Por exemplo?
    _ Qualquer coisa que é normal em outro lugar, lá o senhor verá que se torna difícil.
    _ E porque isso acontece?
    _ Pelo visto o doutor não conhece nada mesmo do nosso vilarejo, né?
    Augusto balançou a cabeça negativamente e virou o último gole do chá.
    _ Não, meu senhor. Tudo que sei são as histórias, ou melhor, as lendas que as pessoas inventam e acabam chegando até a capital.
    Piu entregou o copo para ele e voltou a segurar o volante com as duas mãos. Nesse instante estavam passando sobre a velha ponte que já havia sido carregada duas vezes em enchentes que atingiram a região, e fora restaurada pelos próprios moradores.
    _ Boa parte dessas lendas são verdadeiras, meu jovem. As pessoas podem até aumentar, mas elas nunca inventam, já diz o ditado.
    _ O que há de errado em Carmond? O que acontece por lá?
    Piu reduziu a velocidade e olhou para o rapaz.
    _ Saberás logo logo, meu doutor. Afinal, o senhor foi contratado para cuidar do maior de todos os problemas desse vilarejo.
    Augusto percebeu que as últimas palavras foram pronunciadas com certo rancor e ao mesmo tempo tristeza, e isso deixou-o ainda mais curioso.
    _ Então está me dizendo que o problema todo, ou melhor, a maior parte dele provém do Coronel? Mas até onde sei esse homem está à beira da morte.
    _ Não acredito que ele vá morrer tão facilmente, seria sorte demais, e o povo de Carmond aprendeu desde cedo que a sorte parece não gostar muito daqui.
    E foi com a cabeça cheia de interrogações que Augusto seguiu o restante da viagem e nem se deu conta ao entrar no vilarejo que tudo estava escuro, a única luz acessa eram as dos faróis que cortavam a chuva e iluminava a rua diante deles.
  • Dois. Capítulo três de seis

    São seis capítulos no total, postarei os seis. Este conto é de 2017. No perfil você poderá encontrar os capítulos.
    Capitulo três
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    O sol nasceu e o horizonte se fez belo, o casal de ladrões caminhou até a mesa e cadeiras colocadas no jardim, parecendo algo rotineiro para eles, conversaram bastante sobre a sombra da grande árvore.
      -O dinheiro está no quarto de nosso futuro filho, só iremos usá-lo daqui a uns dias é mais prudente mesmo já sendo ricos como fomos e agora voltamos ao patamar. A mulher beijou o marido ferozmente, como se nunca tivesse feito aquilo antes que tanto o fez e agora pela felicidade que transbordava. O sorriso do casal era como brilhos que sem que eles soubessem estavam em risco de perderem a luminosidade, eles estavam cientes de que dali para frente era só curtir a volta à vida normal, a riqueza e desfrutarem de seus desejos como a de ter um filho.
      -Que bom, agora sabemos onde o dinheiro está! Sussurrou Zé contente para Coutinho que por algum motivo não sorriu.
      Os ladrões terminaram de tomar o café e voltaram para dentro da casa, Zé e Coutinho já sabiam o que fazer entrar e ir ao quarto da criança, mas Coutinho estava comovido e comentou uma duvida:
       -Deveríamos desistir!
       -Como assim, agora é só esperar anoitecer e pegar a grana!
       -Você não os ouviu? É um sonho deles, ter um filho e dar de tudo o melhor para tal, deveríamos deixar o dinheiro para eles, de uma ou outra maneira eles conquistaram. Você não vê que eles precisam? Os olhos de Coutinho exibiam caridade.
      -Para o lazer deles perderíamos nosso emprego? E sua mulher, o que será dela?
      -Minha mulher é forte, aguenta de tudo, sabe se virar, nós conseguiremos seguir com o que nos for possível. Mas está família está acostumada ao luxo que perderam, me responde, devemos deixar o dinheiro e sairmos daqui?
      -Claro que não, eu preciso de meu emprego! Faremos nosso trabalho, você não acha que apesar de tudo isto é que é o certo? Zé tentou ouvir uma conclusão e Coutinho colocou mais razões ao seu pensamento revelando:
      -Eu não queria dizer, mas você sabe que este dinheiro entregue assim as escondidas certamente é o dinheiro do próprio povo?
      -Eu sei, mas estamos fazendo nosso trabalho seja este dinheiro vindo de onde vier, o certo é entregá-lo a quem o espera.
      Coutinho não insistiu, resolveu ouvir Zé. O aroma do café da manhã dos donos do casarão ficou como loureira. O tempo passou e a fome daqueles que estavam em cima da árvore foi aumentando e eles decidiram:
       -Vamos à cozinha! A fome era tanta que eles arriscariam serem vistos, mas se saciariam. Eles ficaram de olho e os ladrões terminaram o almoço, os empregados pareceram ir descansar era a hora certa de entrarem e enxerem de uma vez a barriga. Porem após alguns passos já na cozinha eles tiveram que se esconder, empregados ainda estavam lá, duas mulheres e os dois seguranças não tiveram como não ouvir a conversa delas, coisa que lhes foi interessante saber.
       -Você sabe que os nossos patrões estão quase falidos, já tiveram que demitir várias pessoas que trabalham aqui. Espero que eles voltem a serem os mesmos ricos de antes e que assim nós não sejamos as próximas, já pensou ficarmos sem emprego? E eles coitados nunca viveram sem o luxo, como se dariam de outra forma? Eu sou uma das que trabalha para eles há muitos anos, talvez eu seja a mais antiga, os vi ricos e não consigo imaginá-los de outra forma.
       -Nem posso imaginar, dei duro para conseguir estar aqui e eles não podem nos deixar de mãos abanando.
       -Os patrões trabalharão duro e vão conseguir nos manter, temos que acreditar que eles podem!
       -Eu quem não posso perder este emprego, tenho um filho para criar! Uma mulher falava para outra e Coutinho se comoveu e seus pensamentos de que deveriam deixar o dinheiro para os donos da mansão voltaram, pois percebeu que não eram só eles que iriam à falência, era uma espécie de peças de domino colocadas em pé em fileiras e estas iriam cair uma a uma.
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    Veja a seguir o capítulo quatro.
  • Dois. Capítulo um de seis

    Capitulo um
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         Tudo começa com um policial chefe dando ordens a dois seguranças, estes teriam que entregar duas imensas sacolas com dinheiro em determinado lugar, e dizia ele:
         -Ninguém pode saber deste carregamento, só quem sabe somos eu, meu chefe, vocês dois e o futuro receptor, caso alguém saiba ou este dinheiro não for entregue em três dias vocês serão demitidos!
         Os dois deram o positivo, tudo ocorreria bem. Saíram e os dois conversavam:
         -Vamos entregar este dinheiro logo hoje, assim teremos os próximos dias como férias!
         -Muito bom, mas não acha que deveríamos ter planos para entregar com segurança?
         -Ninguém sabe, vai ser rápido e fácil, garanto! Eles seguiram para seus carros, um disse que seguiria o outro fazendo a escolta.
         O caminho era longo de certo tinha seus pontos mais perigosos, onde se alguém quisesse roubá-los por ali tentariam. De dentro de seu carro Zé seguia o carro de Coutinho onde estava o dinheiro. O primeiro susto, um carro quebrado no caminho, parecia suspeito. Nisso Zé ultrapassou o amigo e parou o carro fingindo ir ajudar a quem estava a concertar o carro. Nada mais suspeito e ele seguiu após ver Coutinho acelerar ao passar. Depois desse susto eles relaxaram porem na hora errada.
         Um carro fechou Coutinho e deste desceu um homem e uma mulher com os rostos cobertos por talhos de panos. Coutinho foi rendido e pegaram sua arma, jogaram as chaves do carro longe e o homem com esforço colocou as sacolas no carro enquanto a mulher mantinha Coutinho em sua mira.
         -Maravilha! Disse o homem quando, pois os olhos no dinheiro e com este já em seu carro, a mulher entrou e os dois partiram estrada acima.
         Zé apenas ficou de olho, pois nada podia fazer realmente eles deveriam ter armado um plano de entrega. Mas não valia nada chorar o leite derramado. Aproximou-se de Coutinho e fez sinal para que o tal entrasse.
         -Porque você não fez nada, não atirou?
         -Esqueceu que ninguém pode saber deste dinheiro, que escândalo seria um tiroteio, nem tudo está perdido, eles não sabiam que eu te seguia e sendo assim basta não perdê-los de vista! E acelerou seguindo os bandidos. Curva vai curva vem e o dinheiro se afastava e seus empregos com ele, porem bastava acelerar e lá estavam os olhos nos bandidos.
        -Aí minha mulher! Repetia Coutinho por toda perseguição, Zé não dava atenção. Logo o carro diminuiu a velocidade e entrou numa mansão.
         -Nossa que casarão! Disse Coutinho ao ver a mansão. Eles viram o carro sumir no jardim da entrada. Estacionaram e deram de certo que pulariam o muro.
         -Vamos! Disse Zé e Coutinho reclamou das dores nas costas porem eles dois pularam o grande muro, coisa que foi fácil de fazer e não viram seguranças por nenhum lado:
         -Temos que chegar a casa! Zé logo observou os vastos e muitos pés de sabe-se lá o que estes que daria para eles subirem e não serem percebidos. Foram de uma a uma árvore, subiam e desciam, avistaram o carro e os ladrões entrarem na casa. Deram um tempo na árvore:
         -Vamos observar e agir na hora certa!
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         Veja a seguir o capitulo dois."
  • Enredo de Occulta

    Eu estava naquele lugar novamente, em uma sala sem portas e nem janelas, somente um espelho que refletia um pouco de mim, mas muito pouco, andei ate ele como sempre e me olho, olho para os meus pés e uma coisa escura estava subindo neles, tento tirar meus pés de la, mas eles estavam presos,começo a puxar mais forte e a entrar em panico ela não queria soltar, a sombra estava subindo mais, minha cintura já estava totalmente tapada, não via nada abaixo dela, cada vez que eu tentava fazer força para eu sair, mais meu corpo ficava preso e mais ela subia, meus braços já estavam tapados, a sombra para no meu pescoço mais foi só na parte da frente do meu corpo, atras ela continuava,meu cabelo que já era preto foi tapado pela escuridão, quando eu olhava para o espelho só tinha como ver meu rosto, olho para o espelho novamente e em vez do meu reflexo, estava a silhueta de uma mulher, a silhueta literalmente brilhava, ela estende a mão para mim, tento segurá-la dela mas a sombra estava mantendo meus braços presos,a mão dela vai saindo do espelho e quase encostando no lugar onde era para estar meu braço e a sombra sai daquela parte mostrando meu braço novamente, ela me puxou e a sombra foi cada vez saindo do meu corpo, eu estava ficando aliviado por não estar mais com aquela coisa, quando eu atravesso o espelho no outro lado estava aquela silhueta da mulher que brilha, mas do lado dela estava uma silhueta negra de um homem, os dois estendem a mão para mim e eu........







    Querem que eu continue?Comentem se sim ou o que pode melhorar
  • MAGIK

  • Me Chamo Ninguém - 1

    Com apenas quatro anos e eu já estou cansada.
         Há quem diga que isso é pouco tempo, afinal, uma pessoa com quatro anos de idade ainda é uma criança. Mas não é bem assim.
         Aos 28 anos ter quatro anos de idade não é fácil pra ninguém, por que seria pra mim, então?
         Me chamo o nome que quiseres, dizem que me chamo Natália, então vamos chamar-me disto. Sou solteira, acho, tenho um metro e 65 de altura e peso 68 quilos. Esses dois últimos são fatos inquestionáveis já que tem como ver isso nitidamente com uma trena e uma balança.
         Não é um Prólogo. Não é uma história. Nem uma carta. Não é uma fanfic da minha vida. Isso é apenas o que me disseram, não sei se isso é verdade. Eu não lembro.
         Meu nome é “Ninguém”, tenho quatro anos e essa é parte da história que me contaram sobre mim.
  • Meu querido Manequim (cap.3) - "romance-ficção"

    Não se sinta perdido! LEIA os demais capítulos! Tenha ótima leitura!

    icone2No dia seguinte, Emily acordou com seu celular despertando. Em um único movimento, conseguira desliga-lo sem qualquer dificuldade. A verdade é que adquirira aquela precisão naturalmente já que, como uma rotina, não conseguia estar em pé antes das oito horas da manhã. Aos poucos foi despertando, mesmo que aquela vontade de ficar um pouco mais na cama fosse violentamente irresistível. Estendeu-se o máximo que pode sobre a cama e percebeu que estava sozinha, mas dessa vez, não era “um sozinha” como das outras vezes. Percebera que estava sozinha desde a noite passada. Chegou a essa conclusão, pois reparara que o lado onde Thomas dormia, daquela vez, não estava amarotado como sempre o encontrava ao acordar. Buscou as horas no relógio e só confirmou o que era óbvio, ele já havia partido para o trabalho.

    Depois, na sala, encontrou a mesa nua. Sem toalha estendida e muito menos os guardanapos em seus devidos lugares e a xícara que regradamente a esperava a cada manhã. De fato, não encontrou se quer a xícara de Thomas que estaria sobre a pia depois de ser lavada. Foi só então que Emily imaginou ter descoberto a razão para aquilo que estava acontecendo. Thomas provavelmente ficara chateado por causa da noite passada. Em seguida, Emily catou seu celular e ligou para ele, mas caiu na caixa de mensagem. Teria tentado novamente, mas isso foi o bastante para confirmar sua dedução. Ainda assim, acreditando que aquele desentendimento, como os outros que já havia acontecido, não se estenderia por muito tempo, o desacreditou como gravidade. Logo voltariam a se entender. Deixou o apartamento depois de comer algo rápido.

    Emily servia-se um pequeno copo de café quando Renata bateu à porta de sua sala. Com a passagem entre aberta, a outra pôs apenas parte do corpo para dentro do ambiente com o sorriso largo de sempre.

    — Bom dia, minha linda! – começou antes que adentrasse de uma vez.

    — Bom dia! – Emily respondeu voltando para sua cadeira.

    — As meninas da venda ligaram pra você? – Renata pediu em seguida enquanto segurava algumas folhas grampeadas.

    —... Não! Por quê?! Aconteceu alguma coisa? – preocupou-se imediatamente.

     — Sim! – a outra sorridente. — O lote chegou já faz uns minutos. –terminou explicando.

    — O lote?! – Emily empolgou-se instantaneamente. — Achei que fosse chegar só na primeira hora da tarde! – comentou surpresa.

    — Não! – Renata abriu a porta por completo. — Vem, vem! – estendeu a mão e chamou a amiga insistentemente. — To louca pra ver!

    Sem conseguir se que tirar um gole do café, Emily obrigou-se a largar o copo sobre sua mesa e deixar a sala seguindo atrás da amiga que parecia tão ansiosa quanto ela mesma. No andar de baixo, chegaram ao local onde algumas caixas estavam colocadas em cantos determinados.

    — Bem... Nada mais justo do que vocês fazer as horas! – Renata lhe entregou um estilete e deixou que Emily se adiantasse para romper a primeira caixa.

    — Uau! – satisfeita. — Não sabe como to nervosa. – comentou dando de mão na navalha.

    Aos poucos as peças de roupa foram sendo reveladas.

    — Vai ser um sucesso! – Renata animada. — Olha só isso! – segurando um vestido estendido a sua frente. — Só você mesmo, Emy!

    — A variedade que eles têm é gingantesca. – Emily, dando atenção para uma blusa, referiu-se ao fornecedor. — Escolhi a dedo. Espero que as vendas sejam ótimas! – concluiu.

    — Vais ser! – Renata confiante. — Vai sim! – reafirmou.

    Mais ao canto havia uma caixa diferente. Ela não era tão alta, mas chamou a atenção por ser mais estreita.

    — E aquela? – Renata curiosa. – cabides? – palpite.

    — Não! – Emily foi até a caixa. — Essa aqui deve ser o brinde! – falou de um jeito harmonioso. — Já tinha até me esquecido dele! – riu-se.

    — Brinde? – Renata. — Ainda tem brinde?! – surpresa.

    — Sim! Com um lote desse tamanho eles enviam também um manequim. – explicou. – Com certeza deve ser isso.

    Abriram o pacote e confirmaram o que Emily acabara de dizer. Lá dentro havia um boneco em pedaços. A princípio, não era de se esperar que fosse diferente dos demais manequins que já tinham na loja, mas depois de montado, puderam repara com mais calma os detalhes da figura.

    O rosto fora especialmente desenhado. Trazia as feições de um rosto humano, mas que fora petrificado com o olhar vago. Seu revestimento siliconado tinha um tom que se assemelhava a um caramelado, mas ao mesmo tempo em que era denso, também parecia misturado com um tipo de cor rosado lhe dando uma aparência mais suave em alguns pontos.

    — Só faltou o cabelo. – Renata comentou fazendo pouco do brinde. — Bonitinho até. – finalizou.

    — Eu adorei! – Emily expôs sua opinião que visivelmente foi apoiada por suas outras colegas. — Bom, meninas! Já podem abusar do nosso gato. – brincou. — Vai ficar lindo na vitrine! – completou indo em direção a escadaria que conduzia para o andar de cima acompanhada por Renata.

                Quando chegou em casa,  Emily logo percebeu o silêncio do lugar. Normalmente a televisão estaria ligada. Deixou as chaves sobre a mesa na cozinha e foi até a sala. Não encontrou ninguém. Chamou por Thomas imaginando que ele estivesse no quarto. Não tendo resposta, seguiu até o cômodo para ter certeza de que ele não estaria por lá. Não estava. Foi até a sacada e viu que era inútil procura-lo, a verdade é que estava sozinha no apartamento. Deu de mão no seu celular e escorou-se no corrimão. Chamou duas, três vezes até cair na caixa de mensagem igual aquela manhã. Esperou por mais alguns minutos até ligar novamente, mas não foi atendida, então resolveu deixar uma mensagem de voz.

                — Thomy, para com isso, onde você ta? Cheguei em casa e não te encontrei. Não me deixa preocupada. Me liga. Bjo. – voltou para dentro e se desfez do aparelho seguindo para o banho.
  • Nos braços de um anjo.

    Asheley Benson como Angel Kindchester   Em seu aniversário de 18 anos, um intercâmbio parecia uma boa ideia. Mas não foi como Angel Kindchester imaginou...
    No  avião, sobras escuras começaram a surgir, seguidas por sussurros estranhos. Era como se quisessem pegá-la, parecia que surgiam mãos para agarrá-la. Quase consumida pela escuridão, ela avista luzes brancas, como asas. Ela não sabe o que aconteceu depois, sua visão ficou totalmente escura. Angel acorda boiando na asa do avião e não sabe como está viva. Sem saber o que aconteceu, ela decide esquecer tudo que se passou, talvez ela estivesse delirando, mas as sombras começaram a atormentá-la, tanto na vida real quanto em seus sonhos, porém sempre tinha alguém para salvá-la. Atormentada, Angel começa a investigar as supostas sombras e as luzes brilhantes. Durante suas buscas por respostas, ela conhece Brian, um garoto lindo e misterioso. Ele guarda um grande segredo, e ela via descobrir de um jeito inesperado.
  • O Negro dos sonhos

    A Luz caiu
    Compreensível,afinal
    Lá fora da minha casa
    Caía um intenso temporal

    Sento em frente à janela,
    Meus pensamentos põem-se a voar;
    Apenas o fim da tempestade
    Todos eles pode findar

    Ouço um barulho seco
    Vindo do andar de baixo;
    ''Deve ser apenas um rato'',
    Penso,e relaxo

    Volto à janela,
    Onde é meu lugar.
    Quando, de repente,
    O barulho torno a escutar

    Dessa vez,aterrorizada
    Desço e vou checar...
    Haveria alguém lá embaixo,
    Pronto a me pegar?

    Minha pergunta se responde
    Em dos olhos um piscar;
    Acendo a vela no porão
    Mas não há nada para olhar

    Meu medo esquecido;
    Volto áquele lugar.
    A mesma janela,a mesma chuva;
    Mas não a mesma a observar

    Sinto-me diferente;
    Como se não fosse eu.
    Minha mente não é mais clara;
    Agora é só um breu

    Serei eu mesma,outra?
    Meu corpo já não se encaixa;
    Me sinto presa,sufocada,
    No canto obscuro da caixa

    Sinto algo tocar em mim,
    Rápida,olho para trás;
    Vejo um vulto negro,fugaz;
    Logo desaparece,aliás

    Mais barulhos,que estranho;
    Não são os mesmos de antes.
    Volto ao porão,
    Em passadas hesitantes

    Não apenas não vejo nada,
    Como vejo algo,sim
    Não vejo com meus olhos,
    Mas sinto atrás de mim

    Meus olhos se reviram,
    Minha boca se abre,
    Um esgar pálido me observa,
    Já face a face

    Os olhos da criatura
    Não demonstram piedade;
    Parece que veio determinado
    A cumprir sua finalidade

    Não sinto-me mais diferente
    Parece que passou.
    Agora a mesma mulher
    À frente da janela acordou.

    O Que teria sonhado?
    A Lembrança se esmaece
    Enquanto isso,calma,
    A chuva de novo aparece.
  • Os holandeses

    O marido despediu-se com um beijo seco e rotineiro. Não ía demorar, prometeu. Mas desceria com o trator até às vinhas.
    Anelise retocou a sala antes de subir para o quarto. Disfarçou a bagunçada acomodando almofadas nos sofás, encheu a bandeja com copos de caipirinha e vinho, espalhados pela sala e equilibrou-os até à cozinha. Havia sido noite de festa. Um casal de amigos próximos, também holandeses, que estava de passagem de férias pelas planícies alentejanas e outra amiga íntima de Anelise. Noite de excessos e risos descontrolados. Ninguém acreditaria que se tratavam de homens e mulheres de meia idade. Ricos; milionários, excêntricos e dispostos a aproveitar os restantes anos de vida como nunca o haviam feito durante a juventude. Juventude gozada entre livros, cursos, negócios em busca das melhores oportunidades de assegurar um futuro risonho. Que se tornava agora em presente palpável. Às vezes inimaginável.
    Ela arrancou para a piscina. A desarrumação ainda mais agreste. De mãos apoiadas no quadril, retomava forças antes de continuar. Esperaria pela senhora da limpeza, decidiu. Ao menos a sala já não parecia tão caótica. Afinal de contas nada se faria na piscina durante aquele dia.
    A campainha tocou. Mais cedo do que esperava. Não a campainha da entrada principal, a do portão para o patamar da mansão. Na imagem da câmara exterior, a mulher estava de olhos no chão, esperando resposta do intercomunicador. Anelise simplesmente abriu a porta. Já esperava a senhora da limpeza para dar um destino à desorganização que se tornara incontrolável.
    A senhora tocou novamente, agora na campainha principal.
    "Pode entrar", gritou Anelise voltando das traseiras.
    "Bom dia", desejou a jovem. Mais nova do que Anelise pensara. Lenço branco de flores castanhas no cimo da cabeça, segurando longos cabelos ondulados e muito escuros. Não era o tipo de mulher que Anelise quisesse próxima do marido. Além do mais, apresentava-se de maquilhagem retocada e brincos chamativos.
    "Quer que limpe aqui fora primeiro?", perguntou a jovem prontificando-se para o fazer.
    "Fique à vontade"
    "Tem uma casa linda."
    Anelise anuiu.
    A frente da casa era adornada de jardins divididos pelo carreirinho que subia do portão até à porta principal. De um lado o envidraçado da sala do outro o da cozinha. Uma vista ampla e panorâmica para quem estivesse em qualquer uma das divisões. A piscina ficava do lado de trás. Um oásis que contrastava com o cenário seco de oliveiras e vinhas a perder de vista, para lá dos limites da mansão.
    Anelise serviu uma taça de vinho na cozinha e arrastou os chinelos até ao quarto. Ficava por cima da sala. Também ele de frente envidraçada. Era possível contemplar as vinhas todas entrançadas a acompanhar a ondulação dos montes. O céu muito azul navegado por nuvens pacíficas de quase meio dia.
    Fechou as cortinas e esboçou um sorriso envergonhado, relembrando as loucuras da noite passada em que agiam como adolescentes, empurrando-se para a piscina, música alta, muita bebida. Momentos em que tudo se tornava permitido. Horas separadas de leis morais, éticas e religiosas. O marido gritava como um louco. Típico adulto incorrigível, homem de boa constituição física, cabelo e barba grisalha. Sempre predisposto para celebrar. Dançava desengonçado como se nunca o tivesse feito na vida, agitando as ancas, de pernas abertas e garrafa de vinho na mão.
    Naturalmente que o Alentejo, na sua passividade, alimentava o estado de espírito festivo que se agravava com as noites quentes. Apenas observados pelo céu atafulhado de estrelas. E a herdade era grande. Sem vizinhos para se queixar da música alta, ou dos gritos arremessados para a piscina.
    O telemóvel vibrou na mesinha de cabeceira. Anelise arrastou-se para apanhá-lo.
    A mensagem dizia:
    "Peço desculpa pelo atraso."
    Escrevia a senhora da limpeza.
    Acho que ela se enganou, pensou Anelise. Ou talvez a mensagem apenas tivesse chegado naquela altura.
    Desceu para confirmar.
    A jovem segurava a saia com uma das mãos e o balde com outra como se bailasse ao som de música cigana, exibindo a destreza das ancas.
    Anelise avançou para deixar a informação mas logo foi interrompida por um entusiasmo atípico.
    "A senhora está com um rosto tão tristonho", disse a jovem soltando o balde. Depois segurou o rosto de Anelise como uma mãe consolando as dores de uma filha entristecida.
    "Só estou cansada", respondeu Anelise.
    Apesar da invasão de espaço, Anelise sentiu um leve conforto. A jovem tinha olhos grandes, cheios de alma. Olhos que perscrutavam o interior de Anelise.
    "Mas não é só cansaço físico, minha senhora", identificou a jovem, encaminhando Anelise para a sala.
    Depois sentaram-se as duas no sofá, de mãos dadas.
    "Muitas vezes escondemos problemas espirituais atrás de tarefas e afazeres, mas temos de lidar com as dores do espírito."
    Anelise não teve a certeza se entendeu e a jovem continuou: "É como ir ao médico", disse fazendo retinir as pulseiras. "Mas a um médico focado em diagnósticos mais profundos. Quer que lhe faça um diagnóstico?"
    "Ãããã..."
    "São cinco minutinhos", assegurou a jovem. "Vai ver que vai gostar."
    Anelise acabou por deixar o ritual desenrolar-se. A jovem identificava sinais nas mãos, nos olhos, na testa e fazia perguntas; muitas perguntas. Esqueceram os afazeres da casa e rapidamente se entregaram ao transcendente. Uma viagem confusa, de questões das quais Anelise não tinha a certeza da melhor resposta. Ao fim de cinco minutos ela sentia uma presença estranha a deambular pela casa. Algo arrepiante.
    "Acho que vou para cima, descansar um pouco", acabou por dizer.
    "Isso, minha senhora. O diagnóstico está feito e a cura virá aos poucos."
    A holandesa esvoaçou de robe de cetim para o quarto, ao cimo das escadas. Começava a sentir as vertigens do cansaço, e quase se atirou para a cama, implorando por descanso. As emoções num turbilhão.
    O pensamento voltou à noite passada. Certos momentos ainda não estavam claros.
    "Tem um quarto muito bonito", disse uma voz vinda do canto do quarto.
    O medo invadiu as entranhas de Anelise. Medo que foi crescendo, acelerando o coração. Ela podia jurar que não ouvira a porta abrir-se. E que a jovem continuava na sala.
    "Como é que você entrou aqui?"
    "Não tenha medo. Só me esqueci de lhe pedir uma coisa."
    De luz do sol escassa, coada pelas cortinas era difícil decifrar a jovem sentada na poltrona do quarto.
    "Peço que saia do quarto, por favor", ordenou Anelise com rispidez.
    "Desculpe-me pela invasão. Mas não quer que limpe aqui?"
    "Claro, não é isso...", Anelise precisou recuperar a razão. "Limpe primeiro a parte de baixo e avise-me quando quiser limpar aqui em cima."
    "Não tem problema, minha senhora. Assim que acabar lá em baixo eu aviso."
    E saiu esvoaçando a sai até à cozinha.
    Anelise segurava a cabeça, de cotovelos apoiados nas pernas.
    Optou por não adormecer. Afastou as cortinas da janela para o exterior. Conseguia ver a mulher passeando a esfregona pelo chão. O cheiro a lixívia subia até ao quarto trazendo consigo a normalidade dos hábitos rotineiros.
    Anelise saiu do quarto em bicos de pés. O emadeirado das escadas gemia por mais delicados que fossem os passos. E desceu até à piscina. Lá estava a jovem agora na parte traseira da casa, a limpar as cadeiras exteriores. A confusão enrogava a testa de Anelise, os cabelos desfiavam-se em fiapos amarelados muito finos.
    "Sabe, minha senhora", começou a jovem, lá do fundo, "O que lhe queria dizer é que normalmente as consultas no médico são pagas."
    Foi aproximando-se muito lentamente.
    "Os médicos espirituais também merecem o retorno do seu trabalho."
    Anelise não conseguiu ficar indignada com a sugestão. Invadida pela perplexidade, apenas anuiu.
    A jovem continuou a aproximar-se.
    "Não acha justo?”, perguntou, muito próximo de Anelise. Pergunta acompanhada de resquícios de afronta. Mas a jovem não sabia que se dirigia a uma mulher de negócios. Habituada a lidar com propostas ainda mais indecentes. Não tão atrevidas.
    "No entanto o serviço de limpeza está longe de ser o melhor", confrontou Anelise. "Estava a pensar receber algum desconto. Sinto-me lesada."
    O rosto da jovem emanou hostilidade de tão cerrado que se tornou.
    Não disse nada.
    Voltou para as limpezas. De joelhos resignados no chão.
    Anelise voltou para cima.
    Teve naquele momento a certeza de que havia algo mais com aquela jovem que de um momento para o outro já estava parada à entrada do quarto de Anelise. Ao vê-la no cimo das escadas, quis voltar para trás. Ouviu-se a loiça da cozinha desabar no chão. A jovem apenas se desviou da porta, ainda de olhar fulminante. Anelise não questionou, atarantada pelo medo. Entrou e fechou a porta atrás de si fazendo questão de trancá-la, ainda que aquela jovem parecesse não obedecer aos mesmos limites físicos que qualquer ser mortal.
    O telemóvel estava em cima da cama, com alguma mensagem por ler.
    Lia-se:
    "Mais uma vez, as minhas desculpas. Só conseguirei chegar depois do almoço, aconteceu um imprevisto"
    Dizia a senhora da limpeza.
    Por um instante, algo acudiu à mente de Anelise, um receio rápido e passageiro. Ela escreveu de volta:
    "Alguma coisa grave?"
    A cabeça rodou num turbilhão de ponderações. O coração acelerou as rotações.
    Tentou manter a calma e encostou o ouvido à porta do quarto.
    Silêncio.
    O telemóvel vibrou de volta.
    "Assaltaram-nos o apartamento, mas já comunicamos à polícia. Espero conseguir estar aí o mais rápido possível."
    Ela procurou algum objeto para se defender. Livros, almofadas. Até desmontar a cama se tornou hipótese. Qualquer taco de madeira seria melhor do que voltar a sair daquele quarto de mãos a abanar. Mas foi exatamente como Anelise saiu do quarto; de mãos a abanar.
    Os corredores afunilavam-se, cada esquina se tornava em ataque iminente. Anelise podia sentir a jovem a observá-la de algum canto desconsiderado. E quando menos esperava, a jovem emergiu da cozinha de faca na mão.
    A perseguição deu-se entre os móveis da sala. Copos no chão, cadeiras arremessadas, sofás arrastados. Até Anelise escorregar no tapete. De faca apontada à garganta rogou por tréguas.
    "O que quer você de mim?", gritou em agonia.
    "Eu sei que tem um cofre aqui em casa, toda a gente sabe na cidade. Leve-me até lá."
    "Cofre? Que cofre?"
    A faca admoestou-lhe o pescoço.
    "Não me minta", avisou a jovem. "Rasgo-lhe as entranhas."
    "Mas não existe nenhum cofre, o dinheiro está no banco."
    "Há um cofre nesta casa, as pessoas falam."
    Anelise logo se lembrou da cave. Pois claro, a cave!
    "Não é o que está a pensar", tentou Anelise, "mas é muito valioso e está na cave."
    A outra afrouxou o entusiasmo.
    "Onde fica?"
    Caminharam até à cave separadas pela faca. A jovem picava o quadril de Anelise fazendo-a apressar-se.
    Desceram a escadaria que emanava um hálito fresco e húmido de azulejos laranja. E eis que a galeria se revestia de quadros, nas paredes, no chão, nas prateleiras. O próprio teto exibia também os seus quadros.
    "Onde está o cofre?", insistiu a jovem.
    "É disto que as pessoas falam. Há quadros que valem milhares de euros. Temos muito dinheiro investido aqui, pode levá-los para vender."
    De início a jovem não entendeu. Depois, precisou do apoio das paredes para equilibrar as vertigens. Ela passeava as mãos inconformadas pelos quadros, como se de alguma forma fosse extrair o dinheiro e abanava veemente a cabeça.
    "Não, não, não", berrou. "Mas onde vai parar este mundo, minha nossa senhora", disse ela em devaneio, de faca a pender na mão, "as pessoas gastam dinheiro… as pessoas já não...", teve dificuldade em organizar o discurso.
    Num gesto irracional tentou segurar alguns dos ditos quadros, que de leves nada tinham e na ausência de força para o fazer acabou por escolher apenas um quadro. (longe de ser dos mais caros).
    Anelise ponderou o confronto físico quando a jovem começou a carregar o quadro para cima. Temeu ser atraiçoada por algum tipo de magia e preferiu saborear o momento em que a outra se debatia para arrastar a pintura.
    "Não esteja para aí parada e venha atrás de mim", ordenou.
    Chegaram à porta de saída, mas Anelise recebeu instruções ríspidas para ficar na sala virada para a parede. Não contestou. Acabou por observar toda a cena a partir dos envidraçados da sala.
    Logo foi tomada pelo espanto quando duas jovens idênticas entraram na viatura depois de atulhar o quadro. A princípio ponderou ser magia, a um nível extraordinário em que a menina se duplicara. Foi preciso tempo para aceitar que havia sido enganada por duas irmãs gémeas fazendo-se passar por uma mulher feiticeira.
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
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    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
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    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • Psychotic

    Capítulo 01
    Bam!
    Levantou os olhos cansados, já não aguentando mais ficar naquele lugar. Seus braços estavam cruzados em cima da mesa, e sua expressão já deduzia tudo que queria dizer. Apesar de o homem ter lhe dado as costas, sabia qual seria seu destino dali pra frente...
    – "Plantão". – leu a palavras em vermelho apenas para confirmar. – Ah, não... – choramingou após rolar os olhos.
    Voltou pousar a cabeça em seus braços, começando produzir o som idêntico de um choro, porém não estava chorando. Só queria tirar três horas para descansar, ela também precisava dormir ninguém era de ferro!
    Mas mais um turno noturno, sendo este o seu terceiro. Até quando teria que aguentar? Melhor nem pensar, pois seu corpo não iria aguentar por muito tempo, suas energias estavam esgotadas, e sem querer ser indelicada, mas Amber não aguentaria mais uma noite acordada, nem mesmo se tomasse anfetaminas para manter os olhos abertos!
    – Amber? Tudo bem? – a médica mais velha, adentrou a sala privada dos médicos com uma caixa de objetos em mãos. – Amber...? – chamou novamente, colocando a caixa em cima da mesa, e se aproximando da mulher, que até então não fazia um movimento. – Amber? – a cutucou devagar, e então percebeu que ela tinha os olhos fechados e uma expressão maltratada. – Pobre bichinho, está exausto! – afastou os cabelos de Amber, passando acariciar sua face adormecida.
    O nome dela era Wendy Smith, ou, mais conhecida como a Vovó Wendy do hospital Joseph Louise Morgan. Ela tinha lá seus setenta e oito anos bem vividos, e sua própria aparência denunciava sua idade. Tinha olhos verdes, sobrancelhas finas, cabelos curtos e brancos com alguns – despercebidos – fios pretos. E o sorriso que estampava, quase sempre, em seus lábios tinha o dom de cativar qualquer iniciante na área hospitalar.
    Todos a consideravam a "vovó", por ser a única médica mais velha que aguentou segurar todas as pontas. Sua vida se baseou em controlar os enfermeiros, porém sua responsabilidade dobrou, assim que ganhou os médicos em sua lista.
    Sempre tinha o dever de estudar o paciente, antes de entregá-lo nas mãos de um dos médicos. Essa era sua função. Não acreditava que, estudar a pessoa antes de deixá-la nas mãos de um profissional capacitado, fosse necessário, pois dentro daquele hospital era onde se localizava os melhores médicos do país. Nenhum possuía ficha marcada, todos – sem exceção – executavam muito bem seus trabalhos.
    Wendy tinha um enorme significado, ela era a mãe de todos ali dentro. Sua doçura conseguia cativar a todos, até mesmo um médico orgulhoso e mal-educado, do qual ela conseguia transformar em um profissional respeitoso.
    – Vovó Wendy? – a porta da sala se abriu devagar. – Preciso tirar uma dúvida com a senhora. – ele começou, segurando a nova ficha que recebera do chefe.
    – Alex, Amber trabalhou a noite toda, ontem? – Wendy quis saber, fazendo carinho nas costas da jovem.
    – Ela substituiu o turno da Katy, não se lembra? – respondeu como se fosse óbvio.
    – Katy Hill não voltou pelo visto. – concluiu vendo Alex assentir. – Pobrezinha, ela tem que descansar um pouco. – pronunciou afastando uma mecha de cabelo do rosto de Amber. – Dr. King, não pode levá-la até a ala privada? – questionou encarando o homem docemente.
    – Vovó... – levantou os ombros. – Já estamos na ala privada. – disse como se ela não soubesse.
    – Não digo aqui Alex, me refiro às camas que o hospital disponibiliza para vocês, médicos. – explicou.
    – O chefe não irá... "Encrespar"? – fez aspas com os dedos, deixando sua pasta de documentos em cima da mesa.
    – Irei explicar a situação para ele. – respondeu, visualizando Alex se dirigir para o lado direito de Amber. – Agora, por favor, querido, leve a Dr. Anderson para um descanso, sim? – pediu.
    – Não saia daqui vovó, eu preciso falar com a senhora depois. – avisou antes de pegar o corpo adormecido de Amber, cuidadosamente.
    – Cuidado. – pediu observando Alex caminhar com o corpo da garota nos braços.
    Seus olhos o acompanharam até este empurrar a porta, que daria acesso ao cômodo das camas, com o pé. Assim que a figura de Alex desapareceu, passou prender seus glóbulos fuscos, em tom esverdeado, no documento que antes estavam nas mãos do rapaz.
    Seus dedos enrugados, que tinham envolvimento com a fina camada de pele com manchinhas, abriram o documento, encontrando com algumas fotografias presas por um clips de papel. Com sutileza, as separou, observando os rostos inocentes das crianças. Os lenços amarrados em suas cabeças, já deduziam que todas lutavam contra o câncer.
    O hospital tinha uma área reservada, especialmente para se dedicar as crianças com câncer. E dentro dela, se poderiam encontrar de todos os tipos de sorrisos, ninguém ali demonstrava tristeza!
    O câncer era um assunto bastante delicado para se tratar, e o melhor jeito de lidar com isso era através das visitas públicas, onde pessoas dedicavam um tempo precioso de suas vidas, para fazer almas inocentes rirem.
    – Pelo visto, já descobriu meu assunto com a senhora, vovó Wendy?! – Alex voltou, fechando a porta por onde acabara de sair, com sutileza.
    – Amber acordou? – não, ela não ignorou as palavras de King.
    – Apenas tomou um leve susto quando as costas tocaram o colchão. – respondeu já observando Wendy passar as fotografias. – Ele vai vir hoje! – disse de repente, recebendo os olhos surpresos da vovó.
    – Como sabe? – perguntou abaixando as mãos com as fotos.
    – Ele sempre visita o hospital, nas segundas. – deu de ombros puxando uma cadeira. – Acho gentil da parte dele, tirar algumas horas da rotina, para passar com as crianças. – revelou começando brincar com o elástico da pasta.
    – Ele é um padre, Alex, o que você esperava? – o rapaz rolou os olhos.
    – Nem todo padre, é verdadeiramente um padre! – deixou fluir, cruzando os braços em cima da mesa, deixando um sorriso brincalhão estampar em seus lábios.
    Wendy encarou aquele sorriso com receio. Não gostava quando Alex King, ria após exclamar uma possível suspeita. Odiava ficar em cima da corda. Tudo que Alex mais sabia fazer era imaginar hipóteses e expô-las para o público, como se elas realmente fossem reais, ou fossem se tornar realidade. E isso deixava a vovó cada vez mais incomodada, ele como médico, não deveria viver no mundo da lua!
    – O que quer dizer com isso Alex? – disparou.
    – Eu? Nada, é claro! – foi cínico.
    Alex riu, deixando seu corpo cair para trás. Com os pés apoiados no chão, deixou a cadeira ficar sobre duas das pernas. Levou as mãos para trás da cabeça, e continuou encarando Wendy, concluindo que ela estava louca para mandá-lo para fora dali!
    – Alex, ele é um padre! – exclamou com o tom de voz um pouco alterado, tentando colocar alguma coisa verdadeira naquela mente fértil.
    – E daí que ele é um padre? – o tom de voz desinteressado, estava deixando Wendy irritada. – Ser padre, não significa servir apenas ao Senhor; assim como todo ser humano, um padre está sujeito aos pecados, sendo eles dos mais fáceis de controlar, até os mais difíceis... Ah, quer que eu cite algum pecado tentador? – expôs sua magnífica carreira de dentes brancos.
    – Guarde seus pecados "tentadores", somente para si! – rebateu. – O monsenhor, Bruce Rodriguez, se entregou completamente à igreja. É um dos melhores padres da região, como ousa falar essas coisas dele? – Alex negou com a cabeça, parecendo arrasado.
    – Nunca devemos confiar nas pessoas. O monsenhor pode ser considerado uma pessoa religiosa, respeitosa, pura, porém nós, nunca saberemos o que ele faz quando está fora da área sagrada! – respondeu apertando os olhos conforme pronunciava. – Mas... – se levantou arrumando as fotografias dentro de sua pasta com o documento. – Meu tempo que é sagrado, e têm várias crianças me esperando! – declarou seguindo caminho a porta.
    Wendy rolou os olhos, no fundo, ter demitido Alex King quando o chefe lhe deu a chance, teria sido uma ótima escolha. Mas sentiu pena dele na época, afinal, em sua cabeça, uma pessoa não merecia perder o emprego por deixar um bisturi cair em uma hora de desespero.
    Mas Alex passou dos limites. Falar do Pe. Bruce Rodriguez daquela maneira e com aquele tom de voz cínico, foi demais! A vovó era capaz de esperar tudo vindo dele, menos aquilo... Onde estava o consentimento por ter ganhado uma segunda chance dentro do Joseph Louise Morgan? Que tipo de monstro King se tornou?
    Vovó Wendy não tinha as respostas, porém não tinha tempo para elaborá-las, havia uma paciente preste passar por uma cirurgia no fígado, do qual ela precisava estar presente. Mas se Alex achou que tinha escapado dos questionamentos, estava muito enganado, pois eles sequer começaram!
    ⓟⓢⓨⓒⓗⓞⓣⓘⓒ
    A dobradiça rangeu por um fio de ruído, mas as crianças não mostraram importância com a falta de óleo. Assim que a porta foi empurrada, Amber adentrou a enorme sala, recebendo os olhinhos brilhantes em cima de si. Sorriu, podendo ver duas das meninas correrem em sua direção.
    – Amber! – uma delas emitiu, abraçando a mulher pela cintura.
    – Amber, estava com tanta saudade! – a outra que tinha um lenço branco na cabeça, também a abraçou.
    – Também estava Carly! – sorriu, se abaixando para ficar da altura das meninas. – O que vocês, estão fazendo hoje? – perguntou mantendo seu sorriso.
    – Estamos brincando de casinha. – Carly respondeu.
    – Está na hora do banho, quer brincar junto com a gente, Amber? – a outra ofereceu.
    – Talvez mais tarde Lola. – respondeu, deixando seus olhos caírem sobre as figuras de Alex e Wendy. – Agora vão meninas! – incentivou, e as duas logo correram em direção do tapete, onde estava a casinha de bonecas.
    Sem mais delongas, caminhou em direção da vovó Wendy, que parecia estar dando uma belíssima bronca em Alex. Ótimo, o que ele tinha aprontado daquela vez? Mente fechada e complicada, só poderia resultar em confusão!
    Rolou os olhos assim que viu Alex com os olhos de um predador. O rapaz tinha as mãos na cintura e sua língua umedecida seus lábios, enquanto a vovó lhe ditava palavras que pareciam não agradar muito sua autoestima.
    – O que aconteceu? – foi direto ao ponto.
    – Alex está acusando o Pe. Bruce, de não ser realmente um padre! – Wendy respondeu e Alex riu.
    – Eu não acusei ninguém! – repreendeu tentando segurar o riso. – Eu só falei como uma hipótese. A vovó que está o considerando um infiel à igreja! – Amber mostrou-se confusa.
    – Eu nunca disse que ele era um infiel à igreja, você que citou os pecados "tentadores"! – vovó se defendeu, apontando o dedo no peito de Alex enquanto falava.
    – Alex! – Amber emitiu ficando surpresa com as palavras da vovó.
    – O que? – o ouviu pronunciar. – Sexo não é pecado! Todo e qualquer ser humano necessita. Sentir um pouquinho que seja de prazer, não mata ninguém! – Anderson rolou os olhos, enquanto Wendy cobriu o rosto com as mãos, sentindo vergonha.
    – Você ouviu o que acabou de dizer? – levantou uma sobrancelha. – Está falando de sexo. Um padre, a partir do momento que decide ser padre, nunca se entrega aos pecados tentadores do mundo! – pronunciou firme de si. – Somos todos seres humanos, capazes de cometer erros, e o Pe. Bruce não é diferente de nós. Mas ele possui um ofício, o dever de servir a Deus... Então pare de tentar ver coisas, onde não há! – seu tom de voz firme, talvez intimidasse Alex.
    Mas ele riu, estava debochando de todas as palavras de Amber.
    – Amber, por favor, até parece que nunca transou na vida. – continuou rindo, fazendo a mulher engolir em seco.
    Sexo era um assunto bastante delicado...
    – Isso não vem ao caso, Alex! – rebateu com a voz um pouco alterada.
    – Vem sim! – provocou seguindo com passos lentos, até estar cara a cara com ela. – Diga, não é gostoso sentir o prazer vivo em suas entranhas? Ouvir sua própria melodia; sentir suas pernas bambas com cada round; o suor desenhando por sua pele... É capaz de negar que não gosta? – direcionou o olhar convencido para o olhar, já irritado, de Amber.
    – Eu disse... Que isso, não vem ao caso Alex King! – rosnou entre os dentes.
    – Parem já, vocês dois! – vovó interviu, os separando a partir do momento que ficou no meio deles.
    Alex tentou avançar com seus passos, mas a vovó o impediu, fazendo-o recuar com o olhar raivoso. Amber o encarava profundamente, com série de dúvidas... Bruce não merecia ser visto daquela maneira, de modo algum ele faltou com respeito à igreja, então não havia motivos para Alex julgá-lo.
    Sinceramente, Alex King tinha uma mente que precisava passar por um tratamento!
    – Eu só estava tentando ser amigável em conversar sobre sexo com você, Amber Anderson. – sorriu sarcasticamente.
    – Eu não preciso que ninguém... – Amber ia se defender, mas a porta escolheu justo aquele momento para se abrir. – Acho que seu amigo chegou Alex! – provocou fazendo o rapaz rolar os olhos.
    Wendy abriu um sorriso largo, e se dirigiu em direção do novo indivíduo, deixando Alex e Amber livres para se atacarem.
    A mulher, por outro lado, ignorou a presença de King, não queria ter que trocar palavras com ele, homem desprezível que só pensava em sexo!
    Amber Anderson não gostava de conversar sobre sexo. Sentia-se envergonhada. Era virgem aos vinte e três anos, não que nunca ter transado fosse uma vergonha, mas se sentia desconfortável por conversar sobre tesão sexual com alguém experiente, como Alex.
    – Bruce te adora Amber, não quer ir lá conversar com ele? – ouviu a voz de Alex, e tudo que fez foi ignorá-lo. – Não quer trocar umas palavrinhas? – provocou novamente, e ela apenas rolou os olhos. – Vai me ignorar mesmo Amber?! – entrou na frente dela com as sobrancelhas arcadas.
    – Nunca mais fale sobre sexo comigo! – deixou claro.
    – E, por acaso, isso é algum crime? Você já transou Amber, então não é constrangimento algum falar sobre isso! – se explicou, e visualizou a mulher abaixar a cabeça.
    – Alex entenda... – envergonhada olhou para os lados para se certificar de que ninguém mais, além dele, ouviria. – Eu sou virgem. – falou baixo apenas para ele ouvir.
    – Wow... Amber eu... – ficou sem jeito. – Eu não sabia, pensei que você e Jackson já...
    – Não, eu não deixei. Nunca me senti segura, por isso ele terminou. – explicou.
    – Entendo... Mas se quiser, a gente pode resolver isso! – indicou o banheiro com o queixo.
    – Estúpido! – riu acertando um tapa contra o ombro dele.
    Alex não escondia, e era preciso apenas estudar o seu sorriso para ver que ele sentia uma atração por Amber. Eram amigos desde que ela entrara para o hospital, e sempre, desde o primeiro dia, sentiu uma atração muito forte por ela.
    Ele queria fazer parte de um pedaço da vida da mulher, porém isso tinha se tornado algo difícil. Toda vez que tentava conversar sobre relacionamento, tentava ser o mais delicado possível, mas Amber sempre mudava de assunto quando ele questionava sobre intimidade.
    Agora entedia. Ela era virgem!
    – Você já se masturbou, alguma vez, Anderson? – questionou de repente.
    – Eu, hã... – travou, mas foi salva.
    – Amber! Amber! – duas meninas começaram a gritar correndo na direção da garota.
    – Fale meninas. – foi simpática e Alex observou seu sorriso tão lindo...
    – O Pe. Bruce quer falar com você. – Zoe respondeu segurando a mão da mulher.
    – Ele disse que vai nos ensinar como fazer uma torta de maçã, mas você tem que ir junto! – já lhe puxava a outra mão.
    – Parece interessante a ideia, Carly! – sorriu, deixando-se guiar pelas duas meninas.
    Alex mordera os lábios, onde estava com a cabeça? No mundo da lua só podia ser!
    Era bem óbvio, pela cara de vergonha de Amber em revelar que era virgem que ela nunca tinha se masturbado. Mas homens, oh, criaturas burras, sempre estragam tudo!
    Alex King buscava ter uma chance com Amber, certo? Pois bem, acabou com todas as suas chances possíveis!
    Passou acompanhar os movimentos de Anderson, vendo-a abraçar o Pe. Bruce com um sorriso largo nos lábios. Aquilo o fez revirar os olhos. Será que ele era o único com pensamentos diferentes sobre aquele padre? Não era possível que ninguém acreditava nele, não necessariamente precisavam concordar, então pelo menos respeitar suas teorias já era o suficiente, mas ninguém, certamente NINGUÉM tinha capacidade para fazer isso!
    Até mesmo a vovó Wendy, que julgava sendo como uma mãe ficou contra si, isso sem comentar de Amber...
    – Eu vou vomitar! – exclamou rolando os olhos, saindo em direção da saída da sala, com certeza, papéis ou arquivos eram muito mais interessantes que ficar ali observando Amber sorrindo abertamente para o padre.
    Sabe o quanto ele daria para receber um sorriso daqueles? Melhor nem dizer...
    ⓟⓢⓨⓒⓗⓞⓣⓘⓒ
    A mão arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, era ela simplesmente linda demais! A mulher mais bonita de todo o hospital Joseph Louise Morgan!
    Afastou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça para o alto, a cor branca começou desenhar um lado obscuro do puro desejo e atração. Os traços da fumaça desapareceram com a força do vento, porém esse era o menor dos problemas.
    Amber Anderson, era a sua garota, a escolhida para viver anos ao seu lado. Afastando novamente o cigarro dos lábios, jogou-o no chão, fazendo questão de pisar em cima, ninguém poderia saber que ele fumava.
    Precisava manter sua imagem no hospital.
    Pela última vez, espiou a imagem de Amber agora conversando com Wendy, e um sorriso acabou dominando seus lábios, ela era realmente a melhor mulher que já encontrara!
    E antes que dois médicos pudessem sair do estabelecimento, se dirigiu rapidamente em direção de seu automóvel. Adentrara o lado do motorista começando checar seus pertences, que estavam dentro da caixa em cima do banco do passageiro, e assim que conferiu cada detalhe, fechou a caixa com a tampa. Ele não iria precisar mais daquilo, somente no dia seguinte, agora seu rumo seria outra residência...
    Girando a chave da ignição, pisou fundo no acelerador, cantando os pneus. A imagem de Amber estava gravada em sua mente, mas agora não poderia contar mais com ela, sua próxima parada exigia um talento que ele escondia nas próprias mãos!
    Dentro do hospital, Amber caminhava pelo corredor, segurando sua prancheta de pacientes em mãos. A noite finalmente caiu e cobriu todo o céu de San Rosie, e o hospital nunca ficou tão escuro e frio igual naquela noite.
    A mulher esfregava as mãos nos braços na tentativa de espantar o frio, mas era tudo inevitável. Seus pelos continuavam se arrepiando lhe alertando que aquele seria um dos seus piores plantões!
    – Amber! – parou imediatamente os passos, virando na direção da voz.
    – Como está sendo sua noite, Jacob, belíssima? – tentou colocar sarcasmo na voz, o que foi um fracasso.
    – Deve está sendo o mesmo que a sua. – respondeu dando de ombros, acompanhando Amber que seguia para o balcão na recepção.
    – Que coincidência, não? O chefe do hospital pegando plantão, como qualquer outro médico, chega até soar engraçado! – caçoou rindo.
    – Amber pare de agir como uma criança no jardim de infância! – exigiu, e ela fingiu não ouvir, estava ocupada demais assinando alguns documentos. – Nem parece que é médica e sim, uma faxineira que só resmunga! – comparou e logo Anderson se virou, ficando cara a cara com Jacob.
    – Se eu pareço uma faxineira, por que me contratou para servir o seu hospital? – disparou firme.
    – Amber... Eu ter deixado dois plantão na sua mão, já são provas o suficiente do que você significa para mim. – respondeu, e a mulher negou com a cabeça e um sorriso cínico.
    – Foram duas noites, Jacob! – rebateu seguindo novamente para o corredor.
    – Me deixa falar Amber! – emitiu, começando segui-la.
    – Eu não tenho nada do que falar com você! – emitiu continuando com seus passos.
    Jacob percebendo que nada iria adiantar para parar Amber resolveu aumentar a velocidade de suas pernas. Conseguiu, com muito esforço, entrar na frente dela, e a mulher em contradição somente parou e rolou os olhos impaciente.
    – O que você quer Jacob? – deu-se por vencida.
    – Você está livre do plantão de hoje. – resolveu despejar tudo na primeira oportunidade que tivesse.
    – Por q... Não, cadê o documento onde consta minha demissão? – esperou que ele retirasse alguma folha do jaleco e lhe entregasse, o que não aconteceu, ao contrário ele riu.
    – Acha mesmo que vou demiti-la só porque a dispensei do plantão? – riu mais uma vez, e Amber suspirou em raiva. – Não se preocupe Amber, enquanto eu estiver no cargo de chefe, você nunca será demitida. – deixou claro antes de seguir para a recepção, de onde antes estavam.
    Rolou os olhos mais uma vez. Jacob Write com trinta e dois anos conseguia mesmo ser surpreendente. De repente joga um plantão nas mãos de Amber e logo depois decidi retirá-la do plantão?! Que tipo de chefe era aquele?
    Enquanto tentava refletir sobre a mudança de plantão observava, na mesma posição, à figura morena de Jacob conferindo algumas pastas. A secretária ria de alguma idiotice que com certeza saiu pelos lábios de Write.
    Era incrível como todas as mulheres tinham uma queda pelo chefe!
    Claro, com seus cabelos castanhos, corpo esculpido – nada muito exagerado – sorriso colgate e olhos azuis, malditos olhos azuis, ele só poderia ter sido um erro genético!
    Jacob Write tinha apenas trinta e dois anos, como era possível ter aquela aparência? Tudo bem que os olhos azuis lhe dava o charme natural, mas com sua idade, o certo seria estar casado, com filhos e aparência velha, mas Jacob era totalmente o oposto de tudo, começando por estar solteiro.
    Homens do século XXI.
    Amber balançou a cabeça de um lado para o outro, retornando para sua caminhada pelo corredor. Já que não teria mais que ficar responsável pelo plantão, o que mais poderia fazer? Só lhe restava ir dormir, pois se voltasse para casa teria que encarar a figura de Alex e vovó. O que de fato não estava com determinação para encarar...
  • SEVEN

    CAPITULO 1 – UM MAL DIA PARA LEVANTAR
    Sempre acreditei que a vida era uma grande lixeira onde eu catava por um pouco de lixo pra comer. Por isso nunca precisei de um rumo, nunca busquei por um; eu apenas nadava nesse mar aberto até que esbarrei em uma droga de ilha. Talvez por nunca esperar por nada que quando ela apareceu eu senti como se tudo tivesse ficado diferente, os sinais de trânsito passaram a ter cor. E como um idiota terminei acreditando que podia fazer qualquer coisa. Até que a vida chutou meu saco e me lembrou do pior jeito que não seria tão fácil assim.
    E como sempre merdas acontecem, o que parecia que ia durar pra sempre muda em apenas alguns minutos. E agora por que um imbecil que se acha dono do mundo resolveu carregar tudo embora e me pôs pra correr como um cachorro ainda não consegui voltar. Mas isso pra mim pouco importa por que ela tem que estar viva em algum lugar. Demorou mais estou voltando.
    Faz alguns meses tenho um sonho constante como se eu estivesse me afogado com ela. Tudo está muito escuro, mas posso ver seu rosto envolto numa mascara. Suas roupas, cabelos e expressão eram bem diferentes da ultima vez que eu vi, mas sua voz continuava a mesma. E sempre escuto ela me chamando.
    Garota – Riff… RIFF!
    No final eu sempre termino sufocando e acordo assustado. A questão é que essa noite foi mais uma como essas, o mesmo maldito sonho, mas dessa vez não precisava respirar.
    Ao acordar e abrir os olhos, terminei notando que estava dentro do carro e havia água por toda parte. Tudo completamente submerso. Continuava não precisando respirar e tudo estava no seu lugar certo, podia ver que todas estavam dormindo e meu equipamento também estava lá, só o peso pra levantar que era enorme. Como se estivesse amarrado. Até que ouvi o som do comunicador tocando.
    BIII BIII BIII
    Tentei pegá-lo e ao piscar os olhos, a água desabou numa grande enxurrada e tudo ficou seco. Ainda não consigo acreditar, mas mesmo com alguma dificuldade agora podia respirar e me mover lentamente.
    Riff — Ferrou… Acho que agora fiquei doido de verdade.
    BIII BIII BIII
    Trabalhei por alguns anos em uma empresa privada como chefe da equipe de segurança, mas depois de toda a desgraça agora só faço trabalhos rápidos com um grupo independente. Fazemos de quase um tudo, desde que a grana mantenha nossos suprimentos e equipamento, coisa que continua muito cara por causa da guerra. Estamos em uma série de missões a um mês e de certa forma esse barulho chato de agora pouco é meu chefe me chamando. Eu e esse chefe temos uma relação segura, nos comunicamos apenas por textos, mas o mais estranho é o nome que ele prefere ser chamado, Destiny.
    (Riff está digitando…)
    Riff — Até que enfim Destiny. Faz tempo que estamos seguindo essas pistas e preciso de uma boa notícia. Esse grupo sabe mesmo algo sobre ela?
    Destiny — O que sabemos de certeza é que esse bando de contrabandistas tem feito grandes negociações clandestinas com a New World Tecnology e isso é o suficiente como pista inicial. Por isso já tenho os dados de sua última missão nesse ciclo, reagrupe-se e parta ainda essa manhã.
    Fim do capítulo 1
    Comentário:
    Primeiramente obrigado por estar lendo essa história. Sua leitura e opinião critica serão muito importantes para esse projeto. Por isso peço que dentro de sua disponibilidade, responda ao questionário sobre a história no seguinte link:
    https://docs.google.com/forms/d/1EWpmKeJxME41SvzHYYkaprZcawr0V1KMs7QXsr5sVEg/viewform           
    Espero que se divirta nessa breve leitura.

    CAPITULO 2 – COTIDIANO

    Vim com a esperança de encontrar alguma pista sobre o que a empresa em que trabalhei está fazendo. Depois do acidente o chefe do setor de inovação e pesquisa, também pai dela conseguiu sumir com ela sem deixar rastros. Eu fui demitido, perseguido pelo desgraçado. Fugi do pais como um cachorro assustado, mas agora com a poeira baixa a segurança está menor e as pistas começam a aparecer. Tenho que aproveitar esses erros pra descobrir onde ela está.

    Riff - Pelos dados de Destiny, nossa missão vai ser rápida.

    Riff - Eu preciso entrar lá e checar procurar umas informações, mas nossa missão é invadir o esconderijo deles e destruir um carregamento ilegal.

    Iris - Informações, entendo. Bom, e essa carga é algum tipo de droga?

    Riff – Na verdade não. É um composto para nutrição de pacientes terminais, mas nesse caso a formula tem sido adulterada e vendida ilegalmente em grandes quantidades por um preço menor.

    Iris - Então nos só vamos acabar com um bando de inúteis e...

    Helen – Tomara que seja rápido mesmo, não aquento mais dormir nesse carro.

    Ily - Quero tomar um banho.

    Iris - Duas folgadas vocês.

    Iris - Estamos fora faz tão pouco tempo, só umas semaninhas até que foi legal.

    Helen - Foi um mês!

    Iris - Serio? Ahh, foi mesmo!

    Helen - Pelo visto eles não são os únicos idiotas. E você realmente acha que é pouco tempo? Nossas roupas já estão uns trapos, os suprimentos estão no fim, estamos com pouca munição e não tenho quase nada pra primeiro socorros. A cada hora que passa o risco aumenta.

    Por isso precisamos tirar uma folga depois dessa missão, reabastecer e depois só pensar em trabalho. Tipo umas duas semanas depois. 

    Iris - Eu gosto das barracas.

    Riff - Ei! Foco! Invadir a casa, eliminar os alvos e destruir a mercadoria. Ok?

    Riff - Ily, você da cobertura a distancia.

    Ily - Certo.

    Riff - E vocês duas vem comigo.


    CAPITULO 3 – NOVA MISSÃO

    Droga. Nenhuma pista sobre o que eles estão fazendo. Pelo que eu vi os contrabandistas nem sabem o que estão vendendo direito. O jeito vai ser voltar e reabastecer antes de continuar procurando.

    Riff - Por sorte como estamos perto, deve dar um dia de viagem até a base. Assim chegaremos ao começo da noite.

    Helen - Perfeito, agora acabou.

    Iris - O que aconteceu nesse lugar Riff? Até agora só vimos refugiados, bandidos e quase todas as casas vazias.

    Riff – Espera, deixa eu pegar um mapa.

    Riff - Depois da guerra azul por causa das investidas do exercito de Astira esse lugar foi definido como uma possível zona de invasão e por isso abandonado pelo governo. Depois disso a maior parte da população fugiu

    Tomei o volante, Iris sentou ao meu lado como de costume e seguimos para a base. Dava pra ver só pela roupa o tempo que tínhamos passado fora. Estávamos todos cansados, mas olhando agora no retrovisor acho que minha cara é a pior. Não tenho dormido e não consigo parar de pensar naquele sonho.

    Durante o trajeto notei que a Iris me olhava bem fundo. Já nos conhecemos a anos então com certeza deve ter notado que tinha algo errado. Ela segurou meu joelho e deitou devagar no meu ombro falando baixo.

    Iris - Vamos, pode me dizer o que aconteceu? Ainda sonhando com ela?

    Riff - Sei lá... Parecia ela, mas ultimamente ela esta diferente. Seu cabelo estava embranquecido e estava com uma espécie de mascara. Foi muito estranho. E depois tinha toda aquela água na barraca.

    Iris – Como, água?

    Olhando pra traz percebi que as duas estavam dormindo, tão juntas que pareciam duas irmãs. Ily deitou no colo de Helen que por sua vez se apoiou na cabeça dela e as duas adormeceram.

    Riff - Mesmo quando eu acordei ainda me sentia gelado e via água por toda parte. Como se estivesse submerso, ou me afogando só que eu tava na barraca, não sei merda foi aquilo.

    Iris – Riff, já fazem mais de 2 anos que ela desapareceu. Não acha que está na hora de seguir

    BIIIP, BIIIP, BIIIP.

    Ela voltou ao seu lugar enquanto eu pegava o terminal para checar o que Destiny trazia.

    Riff - Acho que Destiny quer uma resposta sobre a missão.

    Iris - Que estranho! Ele sempre espera o relatório completo. O que será que houve?

    Riff - É verdade, melhor checar agora.

    Por segurança própria não temos contato com nossos contratantes, e raramente sabemos quem são. Destiny, como se nomeia nos passa as informações que precisamos e os recursos, mas só falamos com ele através de mensagens de texto usando um aparelho especifico que ele mesmo enviou. Gosto de pensar nele como um cara legal, mas não faço idéia se realmente é um homem.

    Encostei o carro, abri o terminal e comecei a digitar.

    Riff - Alvos eliminados e carregamento destruído. Mas nenhuma informação. Agora estamos voltando ao nosso esconderijo.

    Destiny - Ótimo, mas não relevante. O que quero não é isso.

    Riff - Serio? O que houve?

    Destiny - Tenho um trabalho direcionado especialmente pra o seu grupo, um resgate. A prioridade está definida como máxima. Dessa vez devemos conseguir as informações que estamos procurando.

    Vocês devem rever a rota. Enviarei o resto dos dados da missão como sempre.

    Riff - Prioridade máxima! Ei! Estávamos voltando agora. Nosso plano era até tirar folga por um tempo.

    Destiny - Isso não será possível. Precisam completar essa missão ainda hoje e após ela receberão o pagamento.

    Devo lhe alertar que o contratante é alguém do governo de Astira. Você não fugiu de lá por nada. Sabe muito bem o que aconteceria se negar essa missão agora.

    Riff: Certo. Mande tudo que estamos a caminho.

    Droga! O Destiny deve estar escondendo alguma coisa e parece que nos metemos em algo grande dessa vez. Tem algo estranho nisso. Quando desconectei senti um frio na espinha enquanto olhava a estrada. Eu sei que elas vão odiar saber disso, principalmente a Helen, mas é melhor dar esse tempo depois.

    CAPITULO 4 – RESGATE

    A missão foi concluída com sucesso. Resgatamos o engenheiro, estamos todos bem e retornando. Acho que Iris deve ter sido a responsável por amarrar e amordaçar ele. Enquanto isso Helen estava fazendo um exame rápido para checar se ele precisava de primeiros socorros.

    Riff - Pode deixar garotas que eu levo ele pro carro

    Iris – Que nada Riff, quer roubar minha presa. Eu levo ele!

    KS: Huum, hummmm

    Iris - Engraçado como ele se debate

    Iris - Riff! O pacote não para de gritar. O que eu faço?

    Riff - Apaga ele. Estou com uma dor de cabeça desgraçada.

    KS: Hummmmmm!!

    Iris - Vai ficar tudo bem garoto, é um sonífero beeem forte. Só vai doer no começo, depois fica gostoso e você não sente mais nada. Amanhã eu te acordo.

    Riff - Chegamos de noite, mas estamos em casa.

    Iris - Boa noite crianças. O posso deixar o pacote aqui na sala principal mesmo?

    Riff - Larga ele ai que amanhã eu vejo. Já dois dias sem dormir direito, vou subir pra o quarto e só cair na cama.

    ---

    Já é de manhã de manhã. Assim que sai do quarto, antes de ir no salão, vi que Ily estava acordada comendo alguma coisa. Mesmo depois de dois anos, desde que ela veio pra cá, ela continua sem conseguir dormir direito.

    Tenho que falar com esse cara antes de todo mundo. De acordo com Destiny, ele tem um pacote de informações sobre um projeto que a NWT está desenvolvendo. Talvez essa seja a chave que eu preciso.

    Riff - Ei, acorda.

    Riff – Acorda! Será que a Iris deu a dose certa?

    Enquanto pensava, ele pegou uma arma que deixei jogada ontem na sala, se levantou tremendo e olhando para todos os lados.

    Riff - Calma ai rapaz, por que ta apontando isso pra mim?

    Ily estava no andar de cima e pareceu que notar a situação, por que veio armada até a varanda, marcou a mira e me deu um sinal de aguardo.

    Fico feliz que a Iris acorde tarde, seria uma confusão com ela aqui.

    Engenheiro - Quem são vocês e onde nós estamos? Não sei o quanto pretendem ganhar me vendendo, mas não vai ser fácil.

    Nesse momento uma espécie de relógio no pulso dele começou a tocar. Ele ficou um bom tempo olhando para ele até que perguntou.

    Engenheiro - Vocês trabalham com Destiny?

    Riff - Sim, qual o seu nome?

    Na hora em que ele ouviu isso soltou a arma no chão e sentou. Ele parecia acabado.

    KS - Pode me chamar de KS.

    KS - Vocês cometeram um terrível engano. Não era para resgatarem a mim e sim ao meu amigo que estava preso na mesma base que eu. Trouxeram ele também? Onde ele esta?

    Riff - Cara... QUE DROGA É ESSA! Só me passa a porcaria dos dados e você sai vivo daqui, pouco importa o seu amigo.

    KS - É disso que eu estou falando. Ele que tem conhecimento sobre o projeto e qualquer dado que você quiser deve estar ainda lá. Ele estava muito doente, por isso a essa altura já devem ter o levado para outra base, mas ainda vai dar tempo.

    Riff - Eu vou ter que checar com Destiny sobre isso.

    KS - Será impossível sem ele, vocês terão que voltar lá. Já faz um dia que ele desmaiou doente e aqueles idiotas não sabem o que fazer.

    Acho que Ily já pode voltar. Fiz o sinal e ela abaixou a guarda voltando pra cozinha.

    Peguei o terminal para falar com Destiny. Pelo que eu lembro ainda não reportei nada sobre ontem.

    Riff - Conseguimos resgatar o engenheiro, ele se chama KS e não está com os dados. Como procedemos?

    Destiny - A prioridade é a obtenção dos dados. Encontre quem estiver com eles, pois pude confirmar recentemente que Mari, a garota que você procura, por algum motivo ainda tem registros de permanência na NWT. Espero que você não falhe novamente.

    Riff - Temos que voltar e encontrar esse seu amigo agora, mas você vai com agente.

    KS - Eu? Nunca! Eu espero e passo informações pra vocês pela central de dados. Voltar lá seria uma loucura.

    Riff - Mas é assim que vai ser, não temos tempo pra te passar nada e não vou te deixar sozinho na nossa base. Vamos partir o mais rápido possível.


    CAPITULO 5 – PERTO DE MAIS

    De novo essa porcaria de carro. Por que eles tinham que me envolver nisso? Realmente mal sai daquele buraco e agora tenho que voltar, mas não posso deixar o TD pra lá, afinal foi por que ele estava doente que resolvi pedir ajuda. Só espero não encontrar Ryner de guarda.

    KS - Vocês tem algum terminal com internet no carro? Eu acho que podia conseguir algumas informações úteis antes de entrarem lá quebrando tudo.

    Iris - Que maluco! Eu não quebrei nada quando te encontrei. Você mesmo ta ai inteirinho!

    KS - Verdade, mas causaram uma confusão desnecessária. Se descobrirmos exatamente onde o Ted está fica muito mais fácil sair rápido de lá.

    Riff – Ted, esse é o cara com quem está os dados que estamos indo recuperar?

    KS - Exato. Trabalhamos junto a anos, e quando saímos de Astira terminamos sendo pegos pelo Ryner. Ultimamente o Ted ficou doente e desmaiou a dois dias, mas eles não tinham nenhum médico  e nem podiam tira-lo de lá.

    Enquanto falava me peguei olhando para a garota sentada do outro lado. As outras preparavam seus equipamentos, mas ela não fazia nada alem de olhar o horizonte desde que saímos.

    Ela era pequena e parecia ter uns quinze anos, mas carregava um rifle grande de mais para o seu tamanho. Ela deve ser muito tímida até parando para lembrar, acho que não cheguei nem a ouvir a sua voz até agora.

    Riff - Tudo bem vou te deixar com esse, eu uso pra falar com Destiny. É o que temos de mais tecnológico aqui. Não é muito avançado, mas deve servir. Daí você pode ir guiando mais de perto.

    KS - Acho que vai ser o suficiente.

    KS – Pera ai, eu ouvi... Quê! Guiando, perto? NÃO!

    KS - Eu posso ficar de longe mantendo vocês informados pelo comunicador. Eu não vou encontrar de novo com o Ryner, ainda mais que entrar com esse bando de garotas não me dá segurança nenhuma.

    KS - Por exemplo, o que aquela menina faz no carro? Ela não deve ter mais de 16 anos, não sei nem como ela carrega essa arma.

    Nessa hora a mulher loira sentada ao meu lado se virou com um rosto assustador, apoiou sua arma apontada pra mim e começou a falar bem baixo e grave.

    Helen - EI! Escuta aqui espertinho, você não faz idéia do quanto “aquela menina” treinou pra usar aquilo? Muito menos do que ela passou pra terminar aqui, então fica calado ou te coloco pra dormir de novo como a Iris fez.

    Riff - Calma Helen. Precisamos dele pra essa missão.

    Riff – KS, a verdade é que ainda não confio em você e as coisas andam meio confusas nessa missão, então quero te manter por perto.

    Riff - Quanto as garotas pode confiar nelas. Ainda não tivemos tempo para nos apresentar então vamos tentar fazer isso agora. A mulher que lhe apontou a arma é Helen, ela é a médica da nossa equipe e por isso responsável por nos quanto nos ferimos, procure não dar muito trabalho a ela.

    Helen - Conheço a Ily a muito tempo e cuidamos uma da outra. Desculpe se te assustei, pode contar comigo.

    Riff - A de cabelo preto sentada ao meu lado é Iris, ela é especialista em armamento pesado e explosivos.

    Iris - Há, há , devia ter visto a sua cara quando a Helen apontou a arma pra você.

    Riff - A “menina” que você falou se chama Ily, ela tem uma pontaria incrível e uma boa resistência por isso pode contar com ela pra cobrir a retaguarda. Nos garantimos sua segurança, pelo menos até trazermos o seu amigo. Agora, você tava falando antes, como é esse Ryner?

    KS - Ele é o líder daquele grupo e deve estar acompanhando o trabalho dessa base hoje. Ele é uma pessoa engraçada, mas tem uma habilidade assustadora com espadas. Eu acredito que ele tenha trabalhado no exercito de Astira.

    Riff – Tomara que não. De toda forma precisamos ir hoje mesmo então como eu disse, fique perto.

    Pelo que estou vendo não tenho escolha. Detesto a idéia de ir na linha de frente, até por que não entendo quase nada de combates armados, mas como eles tem uma médica espero que seja mais seguro.

    KS - Entendido. Estarei com vocês.

    CAPITULO 6 – UMA DISPUTA DE CORAGEM

    Iris - Até que em fim terminamos.

    Helen - Algum ferimento KS?

    KS - Por sorte estou bem. Só um pouco arranhado, mas nada grave.

    Rif - Ok, temos que ser rápidos agora. Vamos cobrir o perímetro separados, Ily e KS protejam o transporte, Helen e Iris procurem nos outros prédios enquanto eu termino de verificar esse.

    Não posso sair daqui de mãos vazias. Se de alguma forma a Mari ainda esta com a NWT preciso saber por que não fez contato nenhuma vez nesses 2 anos. Destiny com certeza está escondendo alguma coisa , mas só vai me dizer se receber esses tais dados.

    Continuei procurando no deposito até que encontrei uma escada para um andar no subsolo. Ao descer encontrei uma área espaçosa e mal iluminada como estacionamento enorme, cheio de pilares de concreto. Não andei muito e encontrei comecei a ouvir passos e procurei me esconder.

    Bandido - Vamos! Acha que eu tenho o dia todo?

    Notei apenas um bandido caminhando lentamente armado com duas espadas. Serio? Ele realmente só usa espadas.

    Bandido - Vocês bem que podiam ter feito menos barulho lá em cima. Não consegui dormir nada. Vieram buscar o Ted certo?

    Riff - E se for?

    Bandido – Ahh, pra que eu perguntei isso. Nenhum de vocês vai sair daqui mesmo.

    Riff - Para que a New World ira usar o material que vocês roubaram? Onde vocês conseguiram aquilo tudo?

    Bandido - Isso importa? Acho que o carregamento era pra uma colônia de refugiados.

    Não vi motivos pra continuar essa conversa idiota então dei três disparos no peito.

    Bandido - He, He. Que covardia a sua me interromper assim.

    Depois de ver isso não consegui esconder minha surpresa. Ele havia sacado sua espada e em fração de segundos todos os tiros foram refletidos de alguma forma sobrando apenas as manchas nos pilares.

    Riff - Impossível! Como... Como defletiu todos?

    Bandido - Qual foi, ainda não entendeu? Você limita seus olhos e obriga seus braços a fazerem só aquilo que acha possível. È até triste cara, ver alguém com seu potencial se acorrentando assim.

    Enquanto ele falava aproveitei para checar o ambiente procurando por dispositivos que justificassem isso, como projetores ou mesmo algum tipo de campo elétrico.

    Bandido - Ei! Se concentra! Ainda estou aqui sabia.

    Riff – Então você realmente é o Ryner, comandante da infantaria, o Relâmpago Azul de Astira.

    Riner - E se eu for? Isso não importa mais... Não depois daquela guerra covarde.

    Nessa hora ele jogou a outra espada ainda embainhada nos meus pés. Como entendo de laminas, conhecia muito bem aquelas espadas. Eram relíquias da nação e representavam um passado de honradas vitorias. Eu estava na solenidade e vi quando foram entregues a ele no dia em que assumiu seu posto de comandante.

    Elas tinham liga de metal que nunca vi em outro lugar, pois emanavam um leve brilho azul. Ao pegar, notei que era estranhamente leve e parecia estar muito bem cuidada.

    Riff - Por que alguém como você termino com um grupo desses?

    Ryner - Você não cansa de fazer perguntas idiotas. O que um fedelho como você faria se descobrisse que tudo pelo que você luta não passa de uma mentira?  

    Ryner – Chega de conversa! Agora vamos ver se a coragem que te trouxe aqui é verdadeira.

    A pouca luz que tinha apagou e passei a ouviu novamente apenas o som de seus passos.

    A luta se prolongou mais do que esperava. Eu havia recebido um corte no supercílio esquerdo. Já não bastava a falta de luz e agora o sangue não me deixava abrir o olho.

    Ryner - Eu achei que no final você iria correr garoto.

    Lutamos por um bom tempo, e mesmo com alguns cortes consegui acertar ele em cheio. O sangue

    Aaggh! Cloft!!Cloft!!

    Ainda não posso ver nada, mas pela tosse dele e a quantidade de sangue no chão e na lamina o ultimo golpe deve ter causado um ferimento no peito bem profundo.

    Riff - Não precisava ter feito isso Riner.

    Riner - Cloft!! Qual seu nome idiota?

    Riff - Riff

    Riner - Riff, já teve na frente de um desafio que você não podia recusar?

    Riner - Eu nunca fugi de nada na vida. Nunca parei de lutar é não por causa de um otário qualquer que ia ser diferente hoje... He, He He, o otário mais corajoso que já vi.

    Riff - Droga, o radio não funciona aqui em baixo. Eu vou subir e volto com ajuda medica em 10 min.

    Riner - Ei!! Cloft! Leva essas drogas de espadas com você... E me deixa dormir os 10 minutos pelo menos.

     

     

    CAPITULO 7 – PRIMEIRO ENCONTRO

    No final daquela loucura conseguimos achar o TD desmaiado em uma das celas e os mercenários trouxeram nos dois pra sua base. Como já havia vindo aqui antes o ambiente era um pouco familiar.

    Assim que chegamos o TD ficou sob os cuidados da medica loira, pelo que foi dito não corria risco e devia acordar no dia seguinte. Enquanto isso eu fiquei em um quarto com nada alem de uma cama, mais parecendo uma cela, mas como eu estava exausto não demorou muito para dormir.

    Tarde da noite levantei num pulo da cama. De repente percebi que a situação não havia mudado muito, já que de certa forma, ainda estou preso aqui.

    KS - Droga de noite... Onde será que tem um banheiro por aqui?

    Quando eu encontro o tal banheiro, a primeira coisa que vejo ao entrar é meu reflexo. Tem um espelho enorme bem na frente da porta, do chão ao teto.

    KS – Pra que um trambolho tão grande!

    Mesmo assim fiquei me encarando por um tempo enquanto coçava a barba que tinha crescido de mais com o ultimo ano preso.

    KS - E agora, o eu vou fazer aqui?

    De repente ouvi a voz baixa e suave de uma garota. Como se estivesse falando bem atrás da minha nuca.

    Garota – Que droga de frio, bem que podiam ajustar isso a noite.

    KS- Ah! O merda foi essa!

    Virei rápido pra achar quem estava atrás de mim, mas não vi ninguém.

    KS - Serio?

    Garota – Kevin? Vamos, sei que está me ouvindo?

    KS - Quem, quem está ai?

    Continuei procurando, mas nada. Luzes apagadas, portas fechadas e nenhum movimento. Somente a essa voz.

    Garota – Posso afirmar que o primeiro contato foi positivo. Devo manter essa estrutura para os próximos.

    KS - Não vai responder nada? Onde você ta?

    Garota - Six, contudo não posso afirmar precisamente a localização. Ainda não rompi todas as travas.

    KS – Six... É seu nome?

    Six – Afirmativo.

    KS - Realmente deve ter algo errado comigo.

    Six – Não seja egoísta. Respondi duas perguntas suas, agora é sua vez. Notei que você também atende como KS, estranho esse nome, de onde surgiu?

    KS - Ahh... Meu nome é Kevin e decidi adotar o sobrenome Shirase como uma homenagem a um grande programador que sempre admirei. Então meus colegas de equipe acharam legal chamar assim, KS.

    Não acredito que estou fazendo isso. Não tem ninguém aqui, mas ela ainda me responde.

    Six - Há há, realmente foi interessante isso. Uma ultima pergunta Kevin. De que forma um genocida como você consegue continuar vivendo depois de participar do massacre de mais de 3,4 milhões de pessoas?

    KS - Eu... eu não fiz nada. Só passei os dados. Não tinha com eu saber o que eles iam fazer com aquilo. Aaahh, CHEGA DISSO! Não sei quem você é e não vou continuar essa porcaria.

    Six – Então essa é a resposta de toda sua racionalidade... Entendo. Mas não posso aceitar fugir da minha parcela da mesma forma. Obrigado pela cooperação Kevin.

    KS – Como assim sua parcela? ONDE VOCÊ ESTA?

    Six – Nosso encontro foi muito instrutivo encerra aqui. Espero falar com você mais vezes

    No final o silencio continuou pelo resto da noite em claro e não houve mais nenhuma resposta.

     

     

     

     

     

    CAPITULO 8 – A VERDADE

    Quando o sol raiou foi encontrar com TD que estava sentado rindo enquanto conversava com a médica loira no térreo. Os outros membros estavam se reunindo nessa mesma sala principal enquanto Riff preparava algo numa tela grande.

    KS – Melhor nem interromper ele. Assim que isso tudo acabar vamos embora o mais rápido possível.

    Enquanto descia as escadas para o salão encontrei a garotinha do rifle sentada nela. Como sua franja é grande mau dá para ver seus olhos, mas notei que estavam fixados em mim.

    Ily - Você também não dormiu?

    KS - Não tinha como depois do que ouvi ontem.

    Ily - Algum sonho ruim? Você gritou bastante.

    KS – Verdade, acho que foi isso mesmo, um pesadelo muito ruim. Desculpe por se te acordei.

    Ily – huf, sei como é. Tenho muitos pesadelos também, daí essa noite não dormi.

    Riff – OK PESSOAL! Vamos resolver tudo agora. TD, pode me passar os dados do projeto? Eu vou conectar o Destiny na tela maior assim, todo mundo pode falar que ele recebe pelas câmeras.

    TD - Já era, ta aqui mano, mas diz ai... de que horas agente come?

    Riff - Destiny, resgatamos os engenheiros e conseguimos os dados que eu acabei de enviar.

    Destiny - Estou analisando agora e atualizando os objetivos. Os dados realmente são esses e já esclarecem muito sobre a nova missão.

    Helen - O que? Nova missão?

    As palavras eram escritas na tela e todos podíamos ver. Também pude notar uma câmera na acima da tela e outras duas panorâmicas na sala, mas quanto a captação de áudio não faço Idea de onde estão os receptores.

    KS - Ela parece realmente irada enquanto olha o Riff. Me pergunto se tinha algo errado.

    Ily - Ela queria muito ficar na base já que o pouco que eu durmo é aqui.

    Destiny - O contratante gostou da ação do grupo e está requisitando que continuem a investigar o projeto.

    Riff - E do que se trata esse tal projeto?

    Destiny - Mandarei os detalhes adiante. Por hora posso adiantar que o governo de Astira está financiando um grupo de pesquisa com o objetivo de desenvolver um novo super computador que ultrapassa em muito os já existentes. Isso desequilibraria por completo o cenário militar atual

    Helen - E o governo que está nos contratando quer sabotar esse projeto, certo?

    Destiny - Por enquanto suas ordens são de obter algumas informações importantes sobre a arquitetura da maquina e seu funcionamento.

    Iris – Mas nos não temos nenhum especialista na equipe, mesmo com as informações seria difícil até de reconhecer.

    Destiny - Por isso estamos contratando um habilidoso e experiente membro para a equipe. KS ira acompanhar vocês até o termino dessa missão.

    KS - Ei, ei... Nada disso. Quando foi que eu concordei em algo assim? Foda-se, eu vou embora agora mesmo.

    Faz mais de um ano que não trabalho na área. Por que será que ele quer me recomendar* Sem pensar fui andando em direção a saída, mas nesse momento o sistema de segurança foi ativado. As grades nas janelas e portas começaram a descer o que deixou todos nos trancados.

    Destiny - Quanto tempo você ainda pretende esconder sua participação na guerra azul KS. Uma pessoa com suas habilidades não deveria viver fugindo dessa forma.

    Riff - Participação?

    KS – Como?... Como você sabe?

    Nessa hora não pude controlar a raiva. Não importa quanto tempo passe ainda existem idiotas me procurando por causa disso.

    KS - EU QUE PERGUNTO AGORA? Por quanto você acha QUE PODE SE ESCONDER DE MIM?

    Destiny - Temos uma informação que confirma o paradeiro de LT. Ela esta secretamente trabalhando nesse projeto como chefe da equipe que desenvolve o sistema para o M2K.

    Ily já tinha saído da sala enquanto as outros continuaram em silencio. Parecia que ninguém alem de mim e TD conseguia entender o que estava escrito na tela. Eu não sei o quanto eles viram da guerra azul, por isso acho melhor manter isso em segredo por enquanto.

    Riff - Ok Destiny... Eu entendo que nos precisamos de alguém que lide com isso, mas não precisa ser o KS já que ele não quer.

    KS - Eu estou dento! Me mande as coordenadas dessa base que nos teremos todas as informações que precisamos sobre o projeto lá.

    Riff – Queee? Você tava agora mesmo tentando fugir, por que essa mudança toda?

    KS - Somente eu posso entrar lá ou conseguir aquilo que vocês precisam. Quanto ao motivo da mudança... Isso não importa.

    As portas se abriram e enquanto eu sentava no sofá perto da tela principal. Nessa hora TD lembrou que eu existia e veio falar comigo pálido como uma nuvem.

    TD - Eei velho, você sabe muito bem que eu não... não posso encontrar com ela de novo. Certo?

    KS - Vai ficar tudo bem TD, eu vou nisso sozinho. Você pode me ajudar de casa se quiser, mas não precisa ir ate ela.

    Eu tenho que terminar isso. Não sei o motivo dela estar trabalhando nesse projeto, mas eu jurei que encontraria ela e é isso que vou fazer.
  • VIVO

    Senhor, 
    Vivo louvando intensamente teu Santo Nome;
    Vivo de acordo com tuas leis para um dia ver tua face;
    Vivo lendo e ouvindo a tua palavra, pois ela ilumina meu caminho;
    Vivo descobrindo, a cada dia, o teu amor que edifica a minha vida;
    Vivo aprendendo contigo coisas novas e sinto tua glória;
    Vivo na persistência, pois não quero afastar-me de Ti;
    Vivo vigiando para que o inimigo não me toque;
    Vivo na oração para chegar perto do teu esplendor;
    Vivo feliz com tuas promessas que me confortam;
    Vivo num esforço constante para agradar cada vez mais a Ti;
    Vivo carregando minha cruz, pois um dia estarei ao teu lado;
    Vivo na luta para que tenha o gosto da vitória;
    Vivo na esperança, com a certeza do teu trono eterno.

    vivo

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