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medieval

  • Soullumière

    Vila de Calm, às 22:39, noite...
    Diante dos céus tomados pelas nuvens e devastados pela escuridão do espaço, misturado com as estrelas que pouco apareciam, em meio a uma pequena vila, localizada no reino, um jovem pai colocava seu filho para dormir, na pequena casa de barro e madeira.
    — Pai... —, o pequeno garoto coça os olhos com sono, enquanto continua com a frase — [...] conte-me uma pequena história para que eu durma. O jovem pai coça a barba enquanto cobre o filho com a pequena manta de couro, dizendo — Feche seus olhos e imagine comigo. Ele cobrirá o corpo do garoto aproveitando a brisa natural com os galhos que se moviam da árvore para fazer a criança adormecer rapidamente.
    — Há um tempo atrás em uma taverna da capital, enquanto todos bebiam e comiam exuberadamente, as portas abriram-se com um homem comum, mas que carregava uma armadura pesada e uma espada e um escudo reluzente, o que chamou a atenção do dono e dos clientes.
    Taverna do pônei bêbado, capital de Arstotzka às 19:13, final da tarde, semi-noite.
    — E então ele disse para mim ''Ou você me dá três moedas de bronze ou eu uso sua mulher como quarta.'', então eu lhe golpeei tão forte com a inchada que ele desmaiou na primeira. Disse o homem gargalhando junto com seus acompanhantes e conforme o homem de armadura reluzente adentra a porta, todos olham por alguns segundos mudando o assunto e com o devido respeito sentando nas cadeiras, e conversando mais baixos, cochichos de lá e de cá diziam — Será que esse é o paladino? Aquele o último? — disse o jovem trabalhador e junto disso retrucou o velho que bebia com ele — Não..não pode ser, eu sei que nossas colheitas estão péssimas, mas isso? Não mandariam para cá ele, já não basta a quantidade de guardas e soldados perambulando pela rua.
     De tal forma o homem se aproximou do balcão, sentou-se e com um braço apoiado na mesa o outro na bainha disse ao balconista com uma voz suave, mas forte. — Conceda-me nobre taberneiro uma caneca de vinho, por favor. Ao terminar a frase todos gargalharam, menos o taberneiro, que o fez. Um homem que não tinha consciência de suas ações por causa da bebida se aproximou como podia. — Sr.nobre, poderia me conceder a honra de beber ao seu lado? — o homem sorriu olhando de canto e disse. — Claro, que tal fazermos uma aposta? Quem beber mais sem desmaiar, pode ficar com tudo que o outro tem, vamos lá, o que me diz, você parece um homem inteligente. O jovem bêbado analisa o homem retirando o saco de moedas de ouro e mostrando apenas a ele que retira rapidamente duas moedas de bronze colocando sobre a mesa e dizendo ao sentar-se — Obviamente, então quem beber mais sem desmaiar vence! — Gargalhou o jovem enquanto pensava nas moedas — Não ache que por quê bebi um pouco, não irei lhe acompanhar. Taverneiro conceda-me a garrafa mais forte do que tiver. O homem pediu então. — Pelo contrário, dê a ele o mais leve para que aguente bastante, e dê a mim o mais forte. Neste momento o homem olhou estranho, mas com essa garantia de vitória encheu seu primeiro copo enquanto todos olhavam, e parecia não ter efeito em nada, logo o homem tomou do mais forte um copo, e assim foi, dois copos de cada, três, quatro... quando chegou no quarto copo o homem olhou sorrindo para ele e disse. — Você me parece cansado, taberneiro dê a ele um copo de água, se ele conseguir tomar esse copo sem desmaiar, eu lhe darei todo o meu ouro, inclusive as armaduras e espada. O jovem bêbado cresceu os olhos quando o copo apareceu diante d'ele e quando o mesmo tomou o copo d'água...
    Vila de Calm, às 23:10, noite.
     — Ah...criança...já adormeceu?  — o pai do garoto beijou-lhe a testa e saiu do quarto apagando as velas, virando o corredor do quarto para seu quarto e escutou do filho mais velho.  — E o que acontece quando ele bebe o copo d'água?  —, o pai diz de costas  — O homem golpeia com um soco tão forte quanto o da inchada fazendo o jovem bêbado desmaiar, e diz no final pegando as duas moedas de bronze.  — É parece que você não conseguiu. — Então um outro bêbado o questiona e ele diz.  — Ele não me deu termos.  —, o pai então adentra seu quarto e deita-se para dormir.
  • 2- Sim (Roupas) - TEOMAKIA

    Queria ter tido tempo de se vestir melhor, mas nesse dia não teve. Fazia anos que ele a tinha visto sem nenhuma maquiagem ou em roupas tão simples. Dessa vez, por ter acordado tarde, vestiu um robe sobre o pijama. Escolheu o robe vinho, já que ele parecia gostar dessa cor. Apesar de serem bem lisos, amarrou os cabelos, pois não teve tempo de penteá-los. Maria tinha crescido rapidamente nos últimos meses, além de ter tomado algum corpo. Os 14 anos de idade lhe fizeram bem. E por isso mesmo preferiria estar bem vestida. Ele, por outro lado, que já era um homem feito desde que o havia conhecido, agora parecia ser mais homem ainda. Ombros largos, braços fortes... e que belas pernas! Não queria pensar naquilo, mas os pensamentos vinham a sua mente sem ser convidados. Mas de longe, a marca registrada dele era o olhar. Olhos vermelhos sangue, únicos no mundo.

    O próprio sobrado, uma casa de dois andares a poucas ruas do Palácio Imperial, fora uma cortesia dele. Desde que Aidan ficou sabendo que o padrasto de Maria tinha voltado a agredir sua mãe, ele agiu imediatamente. Assim que as transferiu para sua casa na capital, Antonino nunca mais foi visto por elas. O palpite da menina era que o Dragão do Império havia cumprido com sua antiga promessa. Ele mesmo se recusava a falar sobre isso. Talvez fosse melhor assim, já que sua mãe ainda poderia nutrir sentimentos pelo homem.

    De qualquer forma, a vida das duas mudou drasticamente para melhor. Haviam três empregados, sendo um mordomo, uma governanta e uma cozinheira, ambos muito amáveis e gentis. Até mesmo uma tutora havia sido mandada a casa três dias na semana, para ensiná-las leitura, escrita, matemática básica e todas as etiquetas possíveis. Aidan dizia que não bastaria que elas se adaptassem a viver na capital, elas deveriam estar aptas a viver na própria corte, embora ao longo de todo aquele tempo elas não tenham ido nenhuma vez até o Palácio. Eram tutoradas em conhecimentos básicos e bons modos. Aprendiam a se vestir, se portar, como comer em público e até mesmo em dança. Foram dois anos de um frutífero aprendizado. Maria adorava dançar, e sonhava que um dia dançaria com Aidan na corte.

    O Barão Aidan estava bem vestido como sempre, muito elegante e bonito. Havia deixado os cabelos crescerem um pouco, tinha a barba por fazer emoldurando um rosto quadrado e másculo. As pernas da menina deram uma leve bambeada. Seria a vergonha do ano rolar escada abaixo na presença dele. O homem estava maior. Agora ele certamente tinha mais de um metro e oitenta, sim, mas o que mais impressionava era que agora não era mais o esguio rapaz da ultima vez. Ele agora tinha porte. De frente para ele, Ana Rosa chorava. Maria percebeu isso assim que desceu as escadas. Não estava chorando na hora, mas os olhos marejados e o nariz vermelho não enganavam ninguém. Era incapaz de disfarçar isso. Aidan parecia a estar confortando, sentado de frente para sua mãe, com um ar de ternura no olhar e um meio sorriso. E então desviou o olhar para a filha. Sua expressão mudou repentinamente. Parecia estar trazendo novidades boas.

    - Pequena! - aquilo derrubou toda a expectativa que ela tinha de parecer uma mulher para ele. - Como'stai? Venho oferecer-te um convite. Caso aceite, iremos ao Palácio Imperial. Hoje haverá a apresentação dos novos pupilos dos Dragões do Império. Tenho certeza de que lhe agradará conhecê-los.
    - Estou bem, Senhor Aidan. E o senhor? Eu creio que eu vá gostar. - disse Maria, tentando em vão esconder a empolgação. - Quando será?
    - Será hoje ao cair da noite. Passarei por aqui antes do pôr do Sol para levá-las. Maria, quero que vista-se passando mais força do que fragilidade, entende o que quero dizer?
    - Não entendi. De toda forma eu não sei como faria isso. Mas, por que motivo eu deveria me vestir dessa forma? - Mais uma dele. Será que era para que fossem parecendo um casal? Aidan se vestia de maneira imponente sempre, tanto com farda militar quanto usando sobretudo.
    - Talvez encontremos alguma resistência por lá. Bem sei que tens alguma noção de como se porta a nobreza, não é? Mas não preocupe-se. Mandarei a roupa com antecedência. De toda forma, não use muita maquiagem. Ou use... não sei... podes escolher essa parte. Tenho até vontade de pedir-te para que vá vestida como uma princesa, mas não precisamos colecionar ainda mais problemas do que já teremos a princípio. - problemas? A forma como ele falava dava a entender que Maria seria testada ou sabatinada de alguma maneira. Aquilo a preocupou, mas tentou não pensar nisso.

    Depois de conversarem bem pouco, Aidan infelizmente foi embora cedo. Reforçou que mandaria as roupas e sugeriu que Maria aguardasse elas para escolher a maquiagem, caso estivesse em dúvida. Quando chegaram, percebeu que ele estava falando sério: a roupas eram quase masculinas. Uma casaca preta de mangas longas, uma camisa feminina em um tom de vermelho tão profundo quanto os olhos dele, um par de calças pretas e outro de botas militares. Na verdade, exceto por serem modeladas para um corpo como o dela, aquelas roupas realmente pareciam as dele. Será mesmo que ele não a via como uma mulher? Bem, não tinha como questionar o Barão. Perguntaria quando chegasse. Curiosamente, ele acertou as medidas dela em cheio: nada folgado, levemente justo, o traje valorizava cada curva dela. Talvez ele reparasse... Maria não queria pensar nisso, mas todas essas coincidências a deixava mais animada com a ideia de que ele prestava atenção nela.

    Maria tentou puxar a língua da mãe para saber do que se tratava. Ana Rosa certamente sabia de algo, já que estava chorando tanto. Mas ela não quis dizer, alegando que foi o que Aidan a fez prometer. Limitou-se a dizer que, mesmo ela não gostando nem um pouco, a filha provavelmente adoraria.


    Quando a charrete chegou, Aidan estava bem mais sério. Parecia preocupado com algo. Mal olhou para as duas. Até que, de rompante, olhou para Maria novamente. Toda a seriedade se desfez numa cara de travesso.
    - Eu escolhi muito bem mesmo. Como esperado de mim.
    - As roupas me serviram bem, Barão. - Maria estava subitamente tímida.
    - Ah sim, as roupas. Eu também as escolhi bem. - e após essa demonstração gratuita de safadeza, voltou a sua introversão inicial. Maria ficou especialmente desconcertada e devia estar vermelha como um tomate. Mas a satisfez saber que ele estava falando dela. A mãe apenas conteve o riso. Pelo menos aquilo tinha distraído ela. Ana Rosa não quis dizer a ela qual o motivo do choro mais cedo, mas passou o dia toda diferente, ora triste, ora dispersa. Enfim, mesmo que ninguém perguntasse, após dez longos minutos que pareciam uma eternidade naquele silêncio, Aidan finalmente disse do que se tratava.
    - Maria, eu a escolhi como minha sucessora. É uma apresentação dos pupilos, e você será a minha. - aquilo a assustou. A menina travou, de queixo caído.

    Maria teve uma explosão de vários sentimentos naquela hora. Estava feliz por ser escolhida, profundamente surpresa por jamais imaginar que poderia ser, ansiosa por estar indo para um evento tão importante, nervosa por saber que não será nada fácil convencer o Império inteiro de que pode ser uma Catedrática... e, claro, um pouco desapontada, afinal, ela queria muito dançar com Aidan. Ou mesmo ser pedida em noivado. O que? Como assim? De onde saiu isso? Agora sim, Maria estava desconcertada, envergonhada por ter pensado nisso, começou a suar frio. Claro, apenas por um segundo, até perceber que ninguém saberia sobre esse pensamento. Mas sabia que agora não conseguia mais tirar da cabeça esse novo sonho. A puberdade é realmente confusa. Finalmente se recompôs:
    - Mas... não são somente homens que podem ser Dragões? Quero dizer, homens, nobres, com ascendência e tudo mais? - tinha aprendido sobre aquilo tudo com a tutora ao longo dos últimos anos.
    - Sim sim, isso... e tudo mais. - respondeu com desdém. - Essas são as regras. Mas o princípio, a ideia central, o verdadeiro cerne da questão, é que eu escolha alguém de confiança, a melhor pessoa possível para me substituir. Mas, sim, todas essas regras são seguidas à risca ao longo de gerações.
    - E então. Vai descumprir as regras? Por que? - agora ela estava mais confusa do que nunca.
    - Eu sigo princípios, não regras. Entenda, as regras podem voltar-se contra você, podem ser injustas. Os princípios não. Siga princípios e será bem-sucedida.
    - Barão, eu nem sei o que dizer... - Maria realmente estava confusa. Era uma missão complicada. Ela não gostava nem um pouco de conflitos. Também odiava pressão. Mas não conseguia negar um pedido do Aidan. Por que ele não deu a ela tempo pra pensar?
    - Diga apenas que sim. Sempre diga sim para mim, pequena! - Aidan fez aquela cara... como negar algo para aquela expressão? Parecia um menino pedindo carinhosamente. E esse "sempre diga sim para mim" despertou sentimentos. Voltou a pensar no tal noivado. Aidan estava começando a mexer com o coração de Maria. Ela não tinha outra escolha. Aceitar significava ficar com ele.
    - Sim, sempre sim! - se viu dizendo. Não tinha volta. Que viessem as lutas. Maria lutará por Aidan sempre.

  • 3- Catedráticos - TEOMAKIA

    O Palácio Imperial era muito bonito, em estilo barroco, de cor clara. Tinha dezenas de janelas e muitas portas. Entraram pela principal. Havia muita gente entrando e saindo do Palácio, tanto militares quanto civis, porém parecia que a grande maioria era nobre, pois se vestiam muito bem. Assim que entraram, havia um salão muito comprido e largo, com uma decoração muito rica e bonita. Havia muita alusão a santos nos vitrais, muitos mosaicos em cores muito vivas, algumas armaduras ao lado das grandes janelas e um teto abobadado com uma pintura tão linda que era difícil desviar o olhar: uma miríade de anjos cantando em nuvens que circundam uma forte luz central sobre um céu azul. A frente, sobre um estrado, estavam duas cadeiras douradas ornamentadas com estofados vermelhos. Estavam vazias. Ao lado delas, de ambos os lados, haviam mais algumas. Abaixo do estrado estavam perfiladas muitas dezenas de jovens, claramente homens nobres, com idades variando entre doze e dezoito anos.

    Aidan pediu para que Maria fosse para perto deles e aguardasse. Assim que ela chegou ao local, um burburinho se iniciou entre eles, provavelmente por causa dela. Tentou conter o nervosismo de estar ali no meio de todos. A frente dela, por todo o salão, centenas de pessoas, em sua maioria homens, muitos deles militares, discutiam calorosamente. Logo, cada vez mais deles olhavam para ela, o que a deixou tremendo de nervoso. Então, três militares jovens, que estavam caminhando e cumprimentando cada um dos jovens que ali estavam, chegaram até ela.

    - O que faz aqui, garotinha? - disse o primeiro, um homem mais alto e mais largo que Aidan, com queixo partido e cabelos castanhos abaixo dos ombros. Seus olhos eram verdes claros, com um brilho profundo.

    - E-eu... eu fui indicada... - gaguejou Maria, tentando parecer mais calma.

    - E quem é o seu mestre? - o segundo indagou, um homem loiro, com olhos azuis lindos. Parecia ser o mais jovem deles, e certamente o mais bonito.

    - Não é óbvio? - o terceiro interrompeu a conversa antes que Maria pudesse responder. Era um rapaz de estatura média, mais esguio e de cabelos estranhamente mais claros, quase grisalhos. Olhos dourados. Soltou uma gargalhada alta e continuou - Ele sempre me surpreende. Essa eu quero ver.

    Os outros dois lançaram a ele olhares de reprovação. Seguiram para o próximo garoto. Parecia óbvio, esses eram os outros Catedráticos. Maria começou a se sentir frustrada. Será que Aidan estava brincando com ela? Ao procurar na multidão, não conseguiu vê-lo.

    Quanto mais tempo passava ali, mais raiva nutria pelo Barão. Maria não admitiria ser tratada como um brinquedo. Por mais que ele fosse seu mecenas¹, isso não se faz. Pouco a pouco a multidão começou a se aquietar e tomar seus lugares. Em pouco tempo, somente os militares permaneceram no salão baixo, enquanto as demais pessoas subiram as escadas para os mezaninos. Maria sentia todos os olhares postos sobre si, o que aumentava aquele sentimento negativo. Enfim, o silêncio começou a reinar ali e iniciou-se uma discussão mais pontual.

    - O que significa isto? - bradou um homem, um tanto mais velho, já grisalho e com entradas proeminentes, apontando em direção a ela. A vergonha a consumia.

    - Se está referindo-se a minha aluna, é melhor começar a utilizar os pronomes de tratamento adequados. - Aidan, com uma voz mais grossa do que o normal, finalmente apareceu no meio daquela multidão de homens e tomou a frente. Um calafrio subiu pela espinha de Maria. - Minha sucessora deve ser tratada tal como o que ela é: a futura Catedrática do Fogo!

    - Afronta a todos nós com esse disparate! - outro homem falou, e parecia furioso. Um burburinho voltou a se iniciar. - Sabe quais são as regras, Barão! Não iremos permitir.

    - E farão o quê? - Aidan, em tom de desafio, questionou. - A unica regra que conheço é que eu escolho meu sucessor e os senhores aceitam calados. Eu é que não permitirei ingerências sobre as prerrogativas que me cabem. Lembre-se de que está falando com um Catedrático, Dragão.

    Os outros três Catedráticos apenas observavam calados. O de cabelos grisalhos segurava o riso. Aidan a defendia como um leão. Não, não era uma brincadeira, ele estava falando sério. - Tudo isso é pelo fato de ter sido desprezado? - voltou a indagar o primeiro, agora em tom de ironia - Ora, vamos garoto! Já te aceitamos, mesmo não sendo um alto nobre. Não há necessidade de sentir-se inferior. - Eu nunca me imaginei inferior a nenhum dos senhores. São fracos, não possuem fibra, seriam incapazes de me suceder. A unica coisa que consigo sentir pelos senhores, quando me lembro que existem, é pena. E uma certa compaixão também, que é o que os permite continuar essa conversa desnecessária. - Quem faz muitos inimigos não sabe de vem o punhal... - um terceiro homem recitou um ditado antigo. - Cuidado, jovem Barão! - Cuidado Luciano, cada um segue suas tradições. Os senhores seguem o costume de nomear sucessores homens e nobres. Eu sigo o antigo costume de não deixar que um homem que me ameace veja o próximo nascer do Sol. Espero que não seja o caso. - a voz de Aidan estava fria. Por um momento, Maria conseguiu sentir o ar muito mais denso. Um silêncio acompanhado de um clima pesado se abateu sobre o local.

    De repente o clima mudou. Cada um dos Dragões caiu sobre um dos joelhos e abaixaram suas cabeças, inclusive Aidan e os mais exaltados. Então, Maria e os demais aprendizes se viraram e logo começaram a fazer o mesmo. Era o Imperador Tiago I, que estava de pé a frente de uma das cadeiras do centro.

    - Podem se levantar. O que está acon... - assim que colocou os olhos sobre Maria, ele pareceu entender do que se tratava. Um leve sorriso de canto de boca tomou seu rosto. - certo. Entendi. Aidan, por favor, explique.

    - Sua Majestade Imperial, obrigado por me dar a palavra. Eu escolhi meu sucessor, mas os demais não aceitam.

    - Imperador, isso é um absurdo. Visivelmente ele escolheu uma mulher, plebéia e mestiça. - atravessou na frente da conversa o primeiro homem que havia reclamado. Aidan agora estava furioso:

    - Se o problema é ser mestiça, saiba que isso em nada influi na índole ou na capacidade dela. Se o problema é ser mulher, saiba que não existe a menor possibilidade de um aprendiz meu ser inferior a um dos vossos. Quanto a ser plebeia, foi o exato motivo pelo qual a escolhi. Se questionar minhas decisões novamente, considere-se desafiado para um combate.

    - Chega! - o Imperador vociferou. - quero esclarecer algumas coisas aqui hoje. Em primeiro lugar, não admito ameaças aqui. Em segundo lugar, não falem, a menos que eu lhes tenha dado a palavra. Essas duas regras garantem que possamos conversar civilizadamente. Em terceiro lugar, não há regras para a sucessão. A escolha é feita por cada um dos Dragões, como lhes parecer melhor. - voltou os olhos para Aidan - Me diga, sua escolha é essa mesmo? A garota atende a seus critérios?

    - Sim, Majestade, Maria é como eu. Viveu trabalhando arduamente desde a infância, sem pai e sem escravos ou servos. Tem uma boa índole, é humilde e inteligente. Ela tem o que é necessário para ser melhor do que eu. E, obviamente, muito melhor do que qualquer um dos presentes aqui. - Aidan falava com convicção. Maria chegou a marejar os olhos ao se lembrar de tudo o que passou e ainda mais por ouvir aquelas palavras do homem que ela mais admirava. Não pôde evitar um leve sorriso de satisfação.

    - Muito bem. Está encerrado o caso. Aceitem, é uma ordem. Caso desafiem meu pupilo, não terei como contê-lo. - terminou o Tiago I.

    "Meu pupilo"? Maria estava perplexa. Aidan havia sido pupilo do próprio Imperador? Aquilo era chocante. Ainda mais por saber como as regras do Império funcionavam. Havia pouco tempo, ela tinha estudado sobre isso. O Império era composto por diversos territórios, entre eles as marcas, os ducados, os condados e os reinos. A princípio, os quatro reinos se unificaram e formaram o Império. Posteriormente, novos territórios foram agregados, seja por meio de conquistas militares ou de negociações com chefes de Estado. Esses novos territórios ganharam o status de marcas. As marcas eram territórios periféricos, que faziam fronteira com reinos bárbaros. Quando o Império continuou se expandindo, algumas marcas deixaram de fazer fronteira com outros reinos, e então passaram a ser condados e ducados, dependendo do prestígio que tinham junto ao Imperador.

    Os marqueses, condes, duques, reis e o Imperador passavam seus títulos a herdeiros aparentes. Entre os reis, o herdeiro aparente era, preferencialmente, o filho mais velho do sexo masculino. Caso ele não tivesse filhos homens, a sucessão passava para os irmãos, isto é, os filhos do pai dele, seguindo a mesma regra de primogenitura² e de masculinidade. Outros nobres seguiam uma regra parecida, tendo como diferença que podiam passar o título para mulheres. Para o Imperador, a regra era semelhante, mas como não era um título essencialmente hereditário, o herdeiro aparente podia ser um apadrinhado, um pupilo ou alguém próximo. Seguindo essa lógica, a menos que Dom Tiago tivesse filhos ou outros apadrinhados, Aidan podia muito bem ser o próximo Imperador. De qualquer forma, a aclamação deveria ser feita por um conselho de nobres. Isso talvez dificultasse as coisas para o Barão.

    ¹ mecenas: financiador, patrocinador. Pessoa que investe em algo ou alguém, em geral visando retorno.

  • A Grande Rocha da Vida

    Quando a Terra Média ainda era dividida entre homens e criaturas, existiam os reinos dos humanos, o território dos gigantes, as cavernas dos elfos, o reino das fadas, o reino das nuvens dos deuses, e o misterioso reino dos pesadelos, habitado pelos demônios.
    Entre eles existia uma rocha mágica que podia curar quem a absorvesse, nem que fosse um pouquinho de seu poder de doenças e feridas, A Grande Rocha da vida. Todas essas nações podiam usar o seu poder, moderadamente, para que não houvesse conflitos ou guerras por posse dela, tanto que cada nação tinha um dia específico da semana para usar o poder da Grande Rocha, a menos que fosse emergência.
    Havia um segredo sobre a Rocha que só os deuses e os demônios tinham em conhecimento, que se alguém absorvesse todo o seu poder, obteria vida eterna e poder ilimitado, o suficiente para derrotar qualquer um, e segundo as Runas dos Tempos dos Profetas, apenas quem tivesse o sangue de demônios ou deuses podia absorver toda a Rocha, mas “lá se sabe se isso é verdade”.
    Um dia os demônios tentaram tomar a Rocha só para eles no objetivo de que Helldron, Rei dos demônios, absorvesse-a e destruísse as outras nações, dominando o mundo, mas falharam porque todos se uniram e os selaram junto ao portal proibido que dava acesso para o Reino dos Pesadelos. Muitos morreram, pois os demônios eram muito poderosos. Quando tudo estava se estabilizando os deuses fizeram um comunicado pacífico, dizendo que iriam pegar a Rocha e leva-la aos céus para que eles decidissem quem usaria ou não o seu poder, mas não aceitaram e obrigaram os deuses a se exilarem nos céus. Os deuses são pacíficos e inteligentes então para manter a ordem eles aceitaram seu exílio, pois sabiam que depois desse comunicado poderia haver desconfiança. E assim terminou o que eles chamaram de “A Guerra Centenária”, pois pode não parecer, mas a guerra contra os demônios durou 200 anos.
    Os demônios não eram muito amigáveis. Eles tinham três corações e viviam 700 anos. As fadas eram fascinantes porque eles voavam sem ao menos ter asas e mantinham um corpo jovem mesmo estando a poucos dias da morte. Vivem 300 anos e quando morrem seus corpos demoram 50 anos para se decompor. Os humanos viviam uma vida normal, sua expectativa de vida era cerca de 90 anos. Os gigantes, bem, eles não eram maus, mas alguns eram brutos demais, outros eram amigáveis, e uns eram travessos, pois pregavam peças nos humanos se fantasiando de demônios e assustando-os dizendo que “nós, os demônios voltamos para tomar a Grande Rocha e destruir todas as nações”, e por isso os gigantes eram mal interpretados por alguns humanos, pois achavam que os gigantes queriam a volta dos demônios... “será que é verdade?”. Os elfos também eram pacíficos, assim como os deuses, mas também eram misteriosos. Pesquisavam segredos do mundo, mas não diziam para os outros. Os deuses não eram como divindades, eram nomeados de deuses por serem muito sábios, tentavam evitar conflitos, procuravam jeitos de beneficiar a todos. Eles não são eternos, mas vivem 300 anos a mais que os demônios. Antes dos deuses serem exilados, alguns se relacionavam com humanos, e a junção dos dois originou uma nova espécie, que rapidamente virou uma nação também, e ficaram conhecidos como druidas. Os druidas têm duas diferenças dos humanos, uma, é que eles nascem com os olhos muito amarelados e brilhantes, e outra é que eles têm um poder de cura parecido com a da Grande Rocha da Vida, só que um druida pode curar apenas feridas, pois envenenamentos, doenças, essas coisas eles não conseguem curar. Havia um, porém no nascimento de um druida, pois alguns nasciam como humanos normais, mas eles não eram mandados para os outros reinos, pois os anciões ensinavam técnicas de cura com ervas e outras coisas que eles encontravam na floresta dos druidas. E também não podem absorver tanto da Grande Rocha. Todos aceitaram o surgimento dos druidas, as fadas se aliaram a eles, e os dois agiram por gerações como “unha e carne”.
    Muitos anos depois da Guerra Centenária, na floresta dos druidas, havia 200 anos que humanos não nasciam, e acharam que tal coisa não iria mais acontecer, até que uma menina nasceu só que ela nasceu com muitas doenças, meio fraca, e por alguma razão, a Grande Rocha não curava suas doenças. Ela sempre admirou a Rocha, mesmo não podendo ajuda-la. Ela cresceu, conheceu um humano por quem se apaixonou, eles casaram-se e um ano depois tiveram a noticia de que ela estava gravida. Numa expedição aos Montes de Gelo, seu marido morreu num acidente. Quando o bebê estava pronto para nascer, numa mesa de parto, ela não tinha forças para fazer com que o bebê saísse, e sentia muita dor. Mesmo estando ciente de que não funcionava, levaram ela até a Rocha, pois era uma emergência, e, por incrível que pareça, a mesma a deu forças para deixa-lo sair. Ela sabia que ia morrer, mas antes de morrer viu que era um menino, e o nomeou como Seikatsu, que do japonês para o português significa “vida”.
    O Avô de Seikatsu não gostava dele, pois dizia ele que Seikatsu matou a própria mãe, então o menino foi criado por todos os druidas. Ele não guardava rancor de seu avô e não se sentia muito triste quando falavam de sua mãe, pois para ele ela era uma heroína por viver tantos anos no estado em que estava, e deixou ele como prova de sua força, e como ela, ele também admirava a grande Rocha.
    Quando completou maior idade decidiu iniciar uma jornada pela Terra Média para conhecer todas as criaturas das outras nações, indo primeiro para o reino mais próximo dos humanos, pois ele queria conhecer a cultura do povo do qual seu pai fazia parte.
    Chegando lá ele se encantou com o jeito dos humanos, seu jeito de comemorar o deixava impressionado. Com o dinheiro que ele havia guardado por anos para quando chegasse sua jornada, ele pretendia comprar várias coisas do reino humano, mas descobriu que no dia seguinte teria um festival que os humanos celebravam para comemorar a vitória contra os demônios na Guerra Centenária, então guardou suas economias para o tão esperado evento. No dia do festival, todos cantavam e dançavam juntos, e o rei propôs irem todos até à Grande Rocha para admirá-la enquanto celebravam, e como ele chegou atrasado não conseguiu comprar nada, então só podia aproveitar a longa caminhada até a Rocha. Chegando lá, todos se espantaram, pois, metade da Rocha tinha sumido, como se alguém tivesse a cortado e levado embora, e seu poder estava enfraquecido, incapaz de curar qualquer um.
    Não demorou muito pra todas as nações ficarem sabendo. Os humanos convocaram uma reunião para saber o que houve, mas o atual estado da Grande Rocha começou a causar discórdia, pois os druidas e as fadas acusaram os humanos de roubar o poder da Rocha por terem sido vistos por perto, e os gigantes não estavam do lado de ninguém, só sabiam que alguém havia roubado a Grande Rocha e que estavam prontos para qualquer batalha para encontrá-la, e os elfos não reagiram de nenhum modo, o que era muito suspeito. Seikatsu não conseguiu engolir o fato de que a Grande Rocha não estava em seu estado normal, e que isso causaria guerra. Usou todas as suas economias para comprar uma espada, e um equipamento básico para sair numa jornada, e dessa vez não era para conhecer seres e lugares novos, e sim para descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha. Ele falou com o rei sobre sua jornada, e pediu que alguns homens fossem com ele, mas o rei não pensava em nada além de se preparar o possível começo de outra “Guerra Centenária”, e os únicos que conseguiam ajudar a restaurar a ordem e resolver os conflitos sem violência eram os deuses, mas eles haviam sido exilados, e não estavam mais interessados em deixar seu exílio e intervir na Terra.
    Seikatsu andou por três dias até chegar perto do reino dos gigantes. Chegando lá, viu alguns homens com pedras nas mãos, atirando-as em um buraco bem fundo, onde tinha um gigante com uma cara ameaçadora. Ele espantou aqueles homens com sua espada, chamou ajuda de alguns gigantes, e tiraram aquele brutamonte do buraco. O gigante agradeceu, e perguntou o que trazia um bravo humano até o território dos gigantes. Seikatsu explicou a situação, e o gigante, conhecido como Smasher, jurou que o guiaria até completar seu objetivo de descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha da Vida. Eles fizeram uma pesquisa em metade do território dos gigantes, falaram inclusive com o comandante deles, e todos negaram que não sabiam nada sobre o atual estado da Grande Rocha, então eles partiram.
    Dois dias depois, eles chegaram num bosque, onde encontraram um enorme golem de planta, que expeliu um gás roxo que os envenenou e os fez cair de sono.  Quando acordaram, deram de cara com um monte de crianças flutuando, e perceberam que estavam no Reino das fadas.  As fadas explicaram a situação, foi um mal entendido, pois o golem de planta era só um guardião, mas ele não ataca a menos que cheguem perto do Reino das fadas sem avisar com antecedência. Enquanto Smasher estava fazendo a pesquisa sobre o desaparecimento da metade da Rocha, Seikatsu estava explorando aquela linda cidade, e enquanto passava por um recanto com plantações de uvas, ele se deparou com uma linda fada, e os dois ficaram por um longo tempo se encarando, como se nunca tivessem visto algo tão especial na vida. Eles se cumprimentaram, o nome dela era Hana. Ela ouviu falar sobre o que ele estava fazendo, e perguntou se ele gostaria de passar mais um dia pelo reino das fadas. Ele aceitou, e ela mostrou a ele como era a cidade à noite. Perto de um lago, meio embaraçados, explicaram o que sentiram um pelo outro quando se viram, pareciam sincronizados, um só, e no dia seguinte, ela o acompanhou em sua jornada.
    Seikatsu não tinha noção por onde começar a procurar uma passagem para as cavernas dos elfos, mas por sorte, Hana sabia onde era, porque quando mais nova, acompanhava sua mãe em entregas de flores para os elfos, pois por algum motivo eles adoravam comer pétalas de flores. Chegando lá n hesitaram em ir direto falar com a chefia. Os elfos disseram que descobriram que o rei dos demônios conseguiu um jeito de escapar antes de ser selado, e que ele estava habitando um corpo humano, e que foi ele que absorveu a Rocha, só que seu corpo humano era fraco, então só conseguiu absorver metade da Rocha, e a outra metade está fraca, e a mesma podia se destruir a qualquer momento. Seu plano era absorver os demônios do selo do portal proibido, reconstituir seu corpo original e terminar de absorver todo o poder da Grande Rocha da Vida.
    Saindo de lá, eles partiram em direção à Grande Rocha, no objetivo de dizer a todos o que realmente estava acontecendo, e chegando lá se deparou com os druidas caídos no chão próximos à Rocha, e um homem que aparentava estar com más intenções. Eles diziam que era seu pai. Então, o “pai” de Seikatsu começou a se decompor e surgir um demônio enorme de dentro dele, sendo esse Helldron, o Rei dos demônios. Helldron explicou que não houve nenhum acidente, e que Helldron matou e tomou o corpo do pai de Seikatsu, e matou todos os outros que estavam com ele. Smasher tentou um ataque surpresa, mas foi ludibriado, pois Helldron o pegou de surpresa, e o lançou contra a Grande Rocha. Smasher não aguentou tal impacto e teve alguns de seus ossos quebrados, impossibilitando-o de lutar. Os humanos temeram o poder de Helldron, e alguns deles recuaram, mas os gigantes, as fadas e os elfos, ficaram e lutaram bravamente, mas “a que preço?” Muitos foram mortos, Helldron estava invencível. Seikatsu partiu rapidamente para cima dele, e assim, num chute com poder suficiente pra abrir uma cratera, Helldron o lançou até a Rocha, fazendo com que seu corpo a perfurasse, e por alguma razão, ela não estava curando ninguém. Por alguns instantes, todos pensaram que era o fim. Helldron gargalhava comemorando sua vitória, e quando ia se aproximando da Rocha para absorvê-la, uma incrível luz surgiu de dentro dela, sua estrutura começou a se partir em pedaços, e de dentro dela, surgira um corpo emitindo luz, era Seikatsu. Helldron se perguntou o porquê, e como ele absorveu a Rocha, e um velho druida entendeu em fim que, Seikatsu e talvez até sua mãe não tivessem poderes de cura porque haviam herdado poder dos deuses, e na teoria, os deuses tinham mais controle sobre o poder da Rocha do que os demônios. Seikatsu absorveu em um estalar de dedos, toda a energia da Rocha tirada por Helldron, e, num soco estrondeante, reduziu Helldron em poeira. Seikatsu curou a todos, reviveu alguns mortos, despediu-se de Hana e dos druidas, e, emitindo uma incrível luz verde que iluminava toda a Terra Média, transformou-se em um incrível cristal, que se parecia com a Grande Rocha da Vida. Seu corpo virou uma estatua de pedra dentro daquele cristal. Sua Historia foi contada por gerações. Festivais celebrando sua vitória sobre Helldron, e todos o chamavam como, O Menino da Vida.
  • A guerra de sangue cap.1 começo

    -…. Magnus pega sua espada caida no chao , e vai correndo na direçao do dragão vermelho,o dragão pensando que ele éra um alvo facil góspe uma ernome bola de fogo em direção de Magnus , magnus alevanta seu escudo e continuar a andar na direçao do dragão , magnus sendo atingido pela bola de fogo do dragão continua a caminha para frente pois a bola de fogo só deu uma queimadinha em seu escudo… Magnus vai e solta seu ernome escudo e pula em direçao ao dragão,ele alevanta sua espada e………….
    -Mãeeeeeee……
    Mãe-que ,que foi filho…
    Filho-Porque Magnus pulo em direção ao ernome dragão vermelho ?
    Mãe-Porque ele ia corta a cabeça do dragão,e salvaria a pricesa das mãos do dragão filho.
    Filho-Más se o dragão é um animal , então não são patas mãe ?
    ……..(relogio veio a tocar)…………
    Mãe-bom acho que esta na hora de dormi.
    Calmamente ela coloca o livro encima da mesa de seu filho, e tampa ele com um ernome coberto,e beijou sua testa…..
    filho- mãe mas como termino a historia ?
    A mãe dizendo para ele dormi, e ele insistia para que ela termina-se a historia…. Então depois de um tempo a mãe nervosa falou
    -VAI DORMI IMEDIATAMENTE RAGNA!!
    o menino desesperado coloca o coberto em sua cabeça e fala
    Ragna-boa noite!!
    Ragna olha com um olho para sua mae enquanto o outro ficava enbaixo do coberto e fala
    Ragna-mãe amanhã é meu aniversario e vô fazer 8 anos, sera que você poderia fazer aqueles biscoito que só você sabe como fazer ?
    A mãe olha e rapidamente Ragna se esconde enbaixo do coberto
    a mãe apenas deu um sorriso e falo
    Mãe-boa noite…..
    ……...10 anos depois……...
    …………..Mãe-filho por que você não sai da sala do seu pai e vem aqui enbaixo comer unpouco
    Ragna simplesmente abre a porta e sai com um livro em sua mão
    Mãe-Filho por que você não deixa o livro em cima da mesa do seu pai e vem comer….
    Ragna simplesmente deixa o livro em cima da mesa e fala
    Ragna-mãe … hoje eu irei em busca do meu pai…
    Mãe-filho eu acho melhor…
    Ragna-não eu irei sim nem adianta tentar me impedir já faz 8 anos que ele sumiu e não volto, deixando nós pobres, se lembre que nós tivemos que trabalhar como se agente fosse escravos!!
    Ragna inconscientemente conjura uma magia que fez a porta que estava atras dele ser arrancada e destruida……
    A mãe de magnus assustada tenta acalma-lo , mas quando a porta da sala de seu pai ela vê diversos livros de magias,conjuração,invocaçao,etc encima da mesa de seu pai… e fala
    Mãe-então éra isso que você estava pesquisando…..
    Ragna se acalma e vê sua mae com uma cara como se fosse chorar e pergunta se esta tudo bem …
    sua mãe irritada fala
    Mãe-filho…… a você se lembra da historia sobre seu avô não se lembra ?
    Ragna tentar lembra da historia….
    “seu avõ era um guerreiro que sabia usar algumas magias, que lutou contra um dos maiores dragões que toda a historia tinha visto,um dragão que conseguia controlar o sangue de outros animais e usa-las como arma…. O dragão cortou sua perna direita, seu braço esquerdo e seus olhos,… mas com isso o seu avô conseguio corta a barriga to dragão totalmente, e venceu…. E como premio ele cortou os braços e pernas de um recém nascido de dragão que estava no ninho daquele dragão ernome, e arranco os olhos , deixando o filhote totalmente banhado de sangue… com ajuda de sua esposa que sabia magias curativas conseguio usar o braço do filhote de dragão e sua perna , já seus olhos,demoro cerca de 2 horas arrancar os perfurados e colocar os olhos do dragão filhote que mesmo recém nascido já tinha 1,90 m de altura o tamanho de um homen sadio…….. no final ele conseguio ter 1 braço,1 perna e 2 olhos de dragão mais já que essas partes de dragão eram diferentes de um ser humano começo a ter efeitos negativos , o avô começo a ficar louco e assasino milhares de seus companheiros… e no final ele foi morto por tais amigos… deixando 1 esposa e 1 filho recém nascido para trás”……………
    Ragna-sim eu lembro mais ou menos , mas oque tem?
    Sua mãe pensou 2 vezes e falo
    Mãe-deixa filho……
    e depois de varias horas, Ragnus fico curioso por que sua mãe pergunto se ele se lembrava da historia de seu avô que éra pai do seu pai, oque teria a ver ? Isso….. anoite todos da casa foram dormi………….. 
     
     continuação ?
  • Amantes do Caos

    Seu sorriso era encantador: roxo.
    Sua beleza fantasmagórica: maltrapilha os cabelos negros presos por um coque.
    Eu me encantei e confesso, foi amor à primeira vista. E ainda confesso, eu a beijei com meus lábios de sangue.
    Imediatamente eu a cativei pra mim e, numa tarde de tempestade, o céu negro cheio de relâmpagos e trovões, nós dançamos.
    A cama era uma elegância no meu mausoléu digno dela. E fomos então no meio de velas e assombrações.
    Nós amamos e nos confundimos com fogo e frio; com reclusão e dinastia; com amor e ratos. Mas... Silêncio.
    A lua branca chegou e murmurou: "bem vindos a minha loucura e o meu inferno".
    E voamos para encontrarmos os anjos de Apocalipse.
  • As crônicas do Inferno I

    As crônicas do Inferno
    Sociedade Atemporal 
    Por Srta Oliveira 
                      &
          Carry Manson
    Os primordiais
    No início havia apenas sombras e o
    vazio.
     O multiverso era cheio de potencial para a vida, mas permanecia
    deserto.
     Até que um dia uma destas forças
    evoluiu, e então ele nasceu com todo o
    esplendor de um titã. 
    Caos o primeiro ser a existir.
    Ele não era personificado, 
    não era fogo, nem água,
    era apenas uma força magnífica.
    E como para cada força há um
    oposto complementar, quando menos esperou não estava mais sozinho.
    Logo de cada ruína que gerava,
    nascia uma flor.
    Para cada vida destruída, nascia
    um novo ser.
    Era ela que estava ali. A doce e
    perfeita Harmonia.
    No início ele a detestava, 
    pois suas obras eram constantemente embelezadas.
    E ela o odiava, pois sempre tinha que
    consertar as suas falhas universais.
    Por isso certo dia fizeram um acordo:
    “Destruirei o quê quiser naquela direção, e você criará o quê desejar
    naquele espaço.”
    E naturalmente tudo seria perfeito para
    os dois, estavam livres para criar e destruir sem parar.
    No entanto Caos percebeu com o tempo, que logo não haveria mais 
    nada para transformar em pó 
    ou ruína.
    E Harmonia notou que sua criatividade
    diminuíra,  de acordo com o quê criava
    sem razão alguma.
    Eles precisavam um do outro para existir, e quando deram por si estavam
    apaixonados.
    Havia algo encantador nas flores que
    nasciam no deserto.
    E incrivelmente motivador quando toda
    a criação perecia, e tinha de se fazer 
    de novo.
    Por isso logo se tornaram um só, e deste delicioso amor nasceram 7 deuses, que
    deram origem as dimensões conhecidas.
    O Deus Solitário e a Deusa prometida.
    7 Deuses caminhavam pelo multiverso,
    cada um com seu poder, e sua dimensão. 
    Todos estavam felizes, pois de acordo com que cresciam, descobriam também o amor que os gerou. 
    Assim desta união, nasceram os 4 elementos principais. 
    Espírito foi o primeiro que
    surgiu.
    Fogo foi o segundo.
    Ar o terceiro.
    E por fim a Água.
    Sim a Terra, era algo que não existia até
    o momento, e por isso restou um Deus.
    Ao contrário dos outros, este era especial.
    Todos os opostos masculinos eram
    semelhantes ao Caos.
    E os complementares femininos a
    Harmonia.
    O quê gerava um equilíbrio perfeito.
    Mas este Deus solitário não estava feliz,
    e como Caos e Harmonia não tinham
    novos filhos, jamais teria um 
    par.
    Por isso se tornou a força do conhecimento, e seguiu tentando
    criar a parceira perfeita, com
    os remanescentes de seus
    pais.
    Certo dia Harmonia encontrou o filho
    desesperado tentando criar um par,
    e ao ver suas lágrimas negras, levou
    aquele corpo frágil e vazio para
    Caos.
    Ele logo se apaixonou pela criação do
    filho. Ela era como uma parte sua que até então desconhecia, e por isso ele
    e sua amada, derramaram seu poder
    orgástico, sob aquele material 
    estranho.
    Foi então que ela nasceu, 
    a Grande e Majestosa Deusa Terra.
    Ela era diferente dos outros.
    Não era apenas uma energia, tinha um 
    corpo, mas era tão poderosa quanto
    os outros.
    O Deus solitário se apaixonou a primeira vista, mas como tinha passado
    muito tempo no escuro, não demonstrou.
    Harmonia e Caos concordavam com tudo, porém a chegada de Cerridwen mudou isso. Ela era como Caos e por isso ele sempre a protegia.
    Ele a ensinou a caçar, guerrear, a ensinou tudo o que ele sabia e ela se tornou sua melhor guerreira. 
    Nos duelos de treinamento que havia ela sempre ganhava principalmente 
    de seu irmão mais velho Yaweh.
    “Você é mesmo um chorão Yaweh, não aceita perder.”
    “Lógico você é mulher, é uma lástima. Papai não deveria te ensinar a guerrear.”
    “Você esta é com inveja. Você é o protegido da mamãe. O que vai fazer? Vai chorar pra mamãe vai??? ‘
    Toda vez que ela fazia isso, Yaweh
     ardia de raiva por dentro, ele odiava ser desprezado por ela e odiava mais ainda a forma como ela zombava
    dele.
    “Você deveria parar com isso Cerridwen, uma dama não se comporta assim” Disse Harmonia séria, mas serena.
    “Sim mamãe, me desculpe.”
    “ Deixa a menina Harmonia, ela só esta se divertindo. E damas devem sim lutar e não ficar como sonsas em casa.” 
    Disse Caos abraçando a filha.
    O tempo foi passando Cerridwen se tornava mais bela e mais forte, guerreava em nome do pai dela e Yaweh sempre a vigiava de longe. 
    A olhava quando ela tomava banho no riacho, ficava escondido a admirando. Ele a amava, mas odiava este sentimento.
    Até que um dia o inesperado aconteceu durante uma batalha Cerridwen, foi ferida gravemente e Yahwen a salvou, com isso ela passou a ter uma gratidão por ele, mas ele viu uma ótima oportunidade para concretizar seus planos.
    A escuridão e a luz
    O dia do casamento chegou, todos estavam contentes menos a noiva, em seu quarto Cerridwen se preparava, fazia hora, enrolava. Só queria que alguém a matasse, mas infelizmente ninguém fez isso. Ate que ouviu passos atrás de dela era Karlandisht um dos seus irmãos mais velhos, e  mais apegado a ela.” Você parece tão triste!?” “Não quero me casar com ele, tenho nojo dele, a presença dele me da nos nervos. Tento gostar dele, mas não dá. Sinto que nunca irei gostar dele. Sinto que jamais irei amá-lo.”
    “Não pensei assim, um dia vai sentir o amor. Tenha calma.” O casamento parecia uma tortura. Cerridwen mal podia visitar os pais, sempre isolada em seu jardim. Se ele quisesse vê lá ele ia, se não quisesse não ia. Se ele queria beija lá, ela o beijava. Durante muito tempo ela se entristeceu, vivia chorando. Fez de tudo para amá-lo, mas não conseguiu. Até que um certo dia viu um ser no seu jardim. ”O que faz aqui?”
    “Sou Sammael, meu senhor pediu para que lhe trouxesse algo.” 
    “Seu senhor, diga a ele que não quero nada. Diga a ele para me deixar em paz.”
    “Senhora melhor aceitar. Ele é benevolente, misericordioso.” Disse-lhe de maneira automática, pois assim foi treinado.
    “Ele é o que? Nunca foi. Ele é um monstro. Um torturador que sempre quer que acatemos as ordens dele” Disse-lhe furiosa. 
    Os dias foram passando e a amizade entre os dois se fortalecia o anjo estava amando aquele ser, sua amiga de todas as horas como ele dizia. Passou a ir vê-la escondido, já que seu pai não permitia mais. 
    “ Você deve sempre estar equilibrado, sempre de olho no seu adversário.” Disse Cerridwen segurando uma espada. Por um momento só ouviam os barulhos das espadas, Cerridwen estava se divertindo depois de tanto tempo. Adorava a companhia de Sammael, amava tudo nele. Até que em um movimento ele a desarma e a segura  quando seus olhos se encontraram.
    “Você é linda!” Disse-lhe encantado “Ah...Obrigada...” ela tentou dizer, mas sua fala foi interrompida por um beijo de seu amado.
    Naquele instante tudo aconteceu.
    Os dois se amaram, e descobriram ali, que o amor deles era invencível.
    Tempos depois Cerridwen foi se 
    refugiar no reino de sua mãe a 
    procura de abrigo. 
    Estava grávida e não sabia o quê fazer.
    “Essa criança é a marca de seu pecado.”
    “Mas por que mamãe? Porque eu amei outro?” “Este outro é seu filho. Ele nunca te contou? Yahwen não deveria ter esconder assim. Olhe a tragédia que isso gerou.” “Vai ficar aqui, ate o nascimento dessa criança, depois veremos o que fazemos.”
    Naquele momento Cerridwen havia se preparado para dar a luz.
    Estava preocupada, principalmente com seu amado. Não sabia o que fazer.
    Quando a criança nasceu, ela sentiu algo, que nunca havia sentido. A menina era alva, de cabelos ruivos e olhos violetas. Era linda, naquele instante ela sabia que possuía um pequeno ser que precisava dela.
    “mamãe ela é linda!” “Sim querida, ela e igualzinha a você. Ela te puxou Cerridwen”.
    Do lado de fora escutam-se gritos, Yaweh estava furioso. 
    Rapidamente Harmonia entrega a neta a um emissário de Sammael, e Yaweh
     se encontra com Cerridwen.
    “ Aí esta você. Vagabunda. Achou mesmo que eu nunca iria descobrir? Achou mesmo que eu não saberia o que você fez?” “Yaweh calma, por favor, não faça nada com eles, por favor.”
    “Onde esta a criança?” “Não vou te contar. Não vai tocar na minha filha.”
    Ele a agrediu diversas vezes. Harmonia teve medo do filho pela primeira vez, por isso deixou que ele fizesse o que fez. Cerridwen ficou trancada em uma cela na torre norte do céu, sofrendo torturas, abusos. Totalmente sem esperanças.
    O bebê iluminado
    Ela era um bebê quando tudo aconteceu.
    Foi uma surpresa para os pais, e
    para o seu tio.
    “Você precisa protegê-la Miguel.”
    Disse-lhe Samael, e o arcanjo 
    detestou a ideia.
    “Ela é o fruto do pecado de vocês.
    Ela merece o destino que a aguarda.”
    Respondeu-lhe sem pensar duas
    vezes.
    “Ela é muito pequena e inocente.
    Como os querubins. Não pode lhe
    dá as costas assim.” Retrucou, ao
    segurar aquela criaturinha ruiva
    de olhos violetas.
    “Por quê não a escondem no jardim?
    Nosso pai nem vem por aqui mais.” 
    Perguntou o arcanjo, até que o irmão
    lhe deu a menina alada, e ele a
    segurou.
    “Ela é linda.” Disse para o mesmo, ao segurar a criaturinha, que ficou a brincar com o seu cabelo.
    “Exatamente como a mãe dela. Miguel por favor, me ajude a cuidar dela, o jardim não é seguro.” Suplicou
    quase desesperado.
    “Está bem. Está bem. Vou levá-la a minha estufa. Lá é meu canto particular, e ninguém ousaria entrar
    ali.” Disse embrulhando o rostinho
    da pequena. “É um ótimo lugar.
    Assim Yaweh não irá achá-la.” 
    Concordou.
    Infelizmente houve um traidor que descobriu sobre a pequena, e 
    contou ao criador.
    “Uma criança? Que não nasceu adulta?! Como isso é possível!?” Yaweh bradou
    furioso.
    “A culpa é minha senhor.” Samael ergueu a mão, e assumiu a responsabilidade.
    “Samael?! Como ousou ir contra a regra?!” Ele ficou surpreso com a descoberta.
    “Eu me envolvi com um anjo chamado Layla, e ela faleceu no parto.” O pobre
    pai, mentiu para salvar a amada.
    “Não existe nenhuma Layla. Acha que não sei de toda a verdade?! Não me
    subestime.” Disse com raiva o
    criador.
    “Por favor não a machuque. A culpa é
    minha! Fui eu que a procurei!” Berrou
    o pobre brigadeiro, com lágrimas
    na face.
    “Os dois são culpados. E já que gostam tanto daquele mundo sombrio, viverão
    lá para sempre!” O criador retrucou.
    Nenhum dos outros anjos na 
    reunião sabia do quê exatamente 
    se tratava.
    Ninguém tinha coragem de perguntar,
    e por esta razão permaneceram em
    silêncio.
    “A partir de hoje Samael está 
    morto, e agora você será conhecido como Lúcifer a estrela da manhã!” Disse-lhe totalmente transtornado 
    com a traição, e então quebrou
    11 dos seus 12 pares de
    asas.
    “Pois tal como a estrela de dia, você não será visto no mundo celestial.”
    Esclareceu, dando-lhe a 
    sentença.
    “E você Miguel. Meu bravo e poderoso filho. Irá com este traidor, para vigiá-lo e impedi-lo de cometer outra grande
    falha!” Deu a missão para o arcanjo
    , e assim os dois partiram.
    Muitos anjos ficaram insatisfeitos com
     a decisão do criador, estava claro que Lúcifer só tinha cometido o pecado de
    amar, e por isso o seguiram.
    Esta foi a primeira e grande revolução Luciferiana.
    E o nome que deveria ser um sinônimo de vergonha, se tornou motivo de
    orgulho para o caído.
    Outro amor proibido
    O bebê alado levou muitos anos para crescer.
    Mas ao atingir 1500 anos, se tornou uma linda adolescente, que vivia no laboratório do arcanjo.
    “Quando vou poder ir para superfície?” 
    Perguntava animada para o protetor.
    “Nunca e meio.” Respondia-lhe com
    frieza.
    “Mas eu quero muito conhecer este tal céu.” Retrucou fazendo manha.
    “É perigoso. Aqui embaixo, com seus familiares é mais seguro Luciféria.”
    Disse ao continuar a estudar os seus experimentos.
    “Não acho. Para mim, o perigo está em toda parte.” Disse sentando-se a 
    mesa.
    Com o seu vestido branco e curto, 
    bem na frente dele, deixando-o envergonhado.
    “Modos fazem uma dama.” Disse com 
    a face corada, coçando os cabelos
    louros e escuros.
    “Azazel diz que o importante é ser livre.” Rebateu como quem tem 
    razão.
    “Azazel só pode mesmo ser filho de Lúcifer.” Resmungou revirando os
    olhos, com um sorriso.
    Miguel era focado no trabalho, e 
    por mais atraente que Luciféria fosse, ele evitava vê-la com outros olhos,
    pois considerava um pecado
    mortal.
    Luciféria era livre como a mãe, e não
    conhecia termos como “moral” e “bons
    costumes.”
     Miguel tentou fazer dela uma dama,
    mas por mais educada que fosse, ela
    permanecia sendo um espírito
    rebelde.
    “Segure a taça desta forma.” O arcanjo disse, ensinando-a a ter boas maneiras, e como uma jovem deve se portar.
    “Que tal me ensinar como segura uma espada?” Perguntou entediada, imitando-o com exatidão.
    “Damas devem ser inteligentes, e não podem participar de batalhas.” Disse-lhe cortando a carne em seu prato.
    “Damas são chatas. Prefiro ser como a minha mãe.” Retrucou tomando os utensílios da mão dele.
    Miguel nem sequer imaginava, no começo. Mas quando ia para a batalha, o irmão mais velho dela Azazel, a levava para floresta, e tentava lhe ensinar a
    se defender.
    “Lucy. Não é uma dança é uma luta!” 
    Azazel ria, atacando-a com investidas bem violentas. 
    “Eu sei. Deixa de ser trouxa!” Rebatia toda desengonçada.
    Ao vê-la tão imponente, ele movimenta-se rapidamente, e a derruba. 
    Mas quando está para chegar no chão,
    a pega nos braços, e por pouco não
    a beija.
    “Respeite-a garoto. Ela é sua irmã.”
    Diz o arcanjo claramente descontente com aquele gesto carinhoso.
    “Pare de olhar para ela desse jeito querido tio. Ela é sua sobrinha.”
    Diz o anjo rebelde, parado na frente 
    do rival, com um sorriso malicioso, colocando a espada nas costas,
    e partindo.
    “Não tem jeito não é?” o anjo passa 
    a mão nos cabelos, totalmente desconcertado.
    “Eu quero muito lutar. Como a minha mãe. Ela é um exemplo para mim.” A
    jovem se explica, e o anjo cede.
    “Certo. Azazel não conseguirá usar  as suas qualidades.” Diz revirando os olhos.
    Ele não consegue se conter, por mais que tente, o seu ciúme ultrapassa o nível aceitável para um 
    familiar.
    “ A luta dele é selvagem, e você foi educada para ter graça e delicadeza.”  Diz o seu responsável, tentando colocar defeito no método do inimigo.
    “Eu sou frágil, intocável, e toda essa balela. Já vi que não vai me ensinar nada.” A bela lhe dá as costas, furiosa pois por mais que tenha sido cúmplice do seu nascimento, era tão machista
    quanto o pai.
    “Lucy.” Ele agarra seu pulso, e ela o olha com indiferença. 
    “Vou te mostrar que toda a sua graça e delicadeza podem ser mortais.” Sorri, deixando-a bastante animada.
    Miguel era um grande soldado. Esteve nas maiores batalhas, e era uma honra ser treinada por ele.
    Como ele sabia que ela queria muito lutar, a desafiou bastante, e testou
    as suas habilidades, para focarem
    em seus pontos fortes.
    Quanto mais tempo passava com ela, mais percebia seus sentimentos, por isso decidiu deixá-la sob os cuidados
    do irmão.
    “Você está certo” Assume o crime de imediato.
    “Eu sei. Só espero que não a machuque por isso, caso não sinta o mesmo.” Responde Azazel ajeitando
    a besta.
    “Ela sente. Mas isso não importa. É contra minha conduta, e não quero ser castigado por meu pai.” Diz entregando
    algumas coisas afiadas para o seu
    irmão.
    “Sempre o filho de seu pai. Não sei como é meu oponente.” 
    Azazel fala baixo, por mais que goste de Luciféria, é outro que não quer assumir.
    Mas neste caso é porquê não se acha bom o suficiente, para competir o 
    “fabuloso Miguel.”
    “Eu vou embora. Então como sei que você é um dos melhores alunos do meu irmão, quero que prossiga com o treinamento dela” Diz estranhando a reação do seu oponente, e colocando 
    o capuz azul marinho.
    “Ok. Mas isso vai magoá-la bastante.” Tenta ser altruísta, pois só deseja a felicidade de sua amada.
    “É para o bem dela.” O arcanjo se prepara para voar. “O dela ou o seu?”
    Azazel lhe pergunta, e o anjo olha
    para trás, com certo pesar.
    “É, acho que lutar com aquele maricas te fez bem. Uma mulher sabe como ensinar outra!” Diz Azazel percebendo uma melhora nas investidas da 
    ruiva.
    “Você odeia mesmo o Miguel não é?” Diz bloqueando os ataques com a
    sua espada de treinamento.
    “Não. Só acho ele extremamente covarde, e pouco confiável.” Azazel
    responde girando a lâmina, e a
    desarmando.
    “Ele só não faz o meu tipo.” Brinca e 
    lhe entrega a arma, para mais
    uma rodada.
    “Vocês passaram tempo demais juntos.” Diz atacando com ferocidade, mas a bela desvia de cada ataque.
    “Seus golpes são tão previsíveis quanto os dele!” Termina tirando a espada da sua mão, e segurando as duas.
    “Foi um bom treino. Amanhã nos vemos.” A abraça e recolhe o todo o equipamento. A bela continua parada, olhando para a mata e o rio.
    O jovem vai embora. Sentindo-se feliz, pois com a partida do seu rival, teria
    uma chance de se tornar o seu
    pretendente.
    No céu se vê a silhueta de um ser alado, e este desce até a jovem. Ao vê-lo seus
    olhos se iluminam.
    “Luci...Precisamos conversar.” Aquelas palavras a assombram, pois teme o
    pior, já que não tinha o visto o
    dia todo.
    “Azazel acha que temos passado tempo demais juntos.” Ela lhe disse. “Ele acha
    que tenho...sentimentos...Por você”
    Ele respondeu.
    “E você tem?” Ela perguntou. “Isso não importa.” Rebateu em defesa.
    “É seria errado.” Ela retrucou triste, e ele não resistiu e a beijou.
    O primeiro beijo de um amor esperado,
    é inesquecível, e aquele tinha sido o
    melhor beijo de todos.
    Mas ele não quis ir adiante, e preferiu não se comprometer.
    No lugar disso, partiu do jardim sombrio, e evitou vê-la.
    “É errado. Deus não vai me perdoar.”
    Era o quê pensava sempre que se
    pegava a pensar nela.
    Até que um dia não resistiu...
    Na tarde em que voltou ela ficou tão
    feliz, que o desejou por inteiro.
    Entre as folhas secas e a água, ele a
    fez mulher, e com ela conheceu o
    pior e mais delicioso pecado.
    “Eu te amo.” Foi a primeira vez que ele contou a ela, e ela não teve resposta,
    pois tinha realizado o seu sonho.
    Infelizmente nem tudo foram flores,
    e logo deste criminoso amor vieram 
    os derradeiros terremotos.
    O casamento e a queda
    Azazel foi quem os encontrou na floresta.
    Este ficou furioso, pois todas as suas
    esperanças, tinham virado cinzas.
    Miguel não só tinha retornado do nada,
    como agora parecia disposto a ficar
    com a sua amada.
    Sendo assim tudo o quê imaginava para eles, não passava de uma cruel ilusão
    de um apaixonado.
    “Mas no fim de tudo isso filho. Ela será sua. Apenas sua, e ninguém mais irá
    separá-los.” Era o quê se lembrava, ao vê-la adormecida e nua nos braços 
    do maldito soldado.
    O pobre ser de coração partido, não perdeu tempo, e contou tudo a Lúcifer 
    e Cerridwen.
    Ambos ficaram pasmos com a descoberta, e o pai da anjinha foi
    para cima do arcanjo.
    “Era para protegê-la! E não se 
    aproveitar de sua inocência!” Disse
    ao acertar-lhe socos contínuos na
    face.
    “Eu a amo Lúcifer! Não é o quê
    parece!” Berrou ao receber os golpes sem revidar, pois se sentia culpado.
    “Isso não pode ser verdade. Você nunca amou ninguém, a não ser a si mesmo.”
    Disse-lhe entredentes, pois não se esqueceu, que ele contou para o pai, sobre o nascimento da sua filha, e para proteger a si mesmo, fingiu não ter envolvimento algum com o
    caso.
    “Case-se com ela, assuma um compromisso, indo contra o seu pai então.” Disse Cerridwen utilizando 
    uma estratégia que sabia que iria funcionar.
    “Se é o quê é preciso. Tudo bem.” O
    arcanjo respondeu limpando o sangue
    do canto do lábio.
    Mesmo sob as piores condições, Luciféria ficou feliz com a
    união.
    Logo a notícia de um noivado tinha saído do jardim sombrio, e chegado aos
    ouvidos do impiedoso Yaweh.
    “Você foi enviado para conter Lúcifer e
    a filha!” Yaweh urrou em cima do seu
    jovem filho.
    “Eu a amo pai.” Disse com uma voz
    baixa, temendo a represália.
    “Amor? Foi o amor que a trouxe a vida,
    e me fez perder meu trunfo!” Gritou
    ainda mais alto.
    “Esta menina, é uma qualquer como a
    mãe dela. Nunca será ideal para você!
    Só irá machucá-lo!” Falou despertando
     a dúvida no arcanjo.
    “Não importa. É com ela que quero, e
    vou ficar.” Respondeu recuperado
    das incertezas.
    O céu não era o único infeliz com a notícia. No Inferno os pais de Luciféria
    temiam por sua infelicidade.
    “Lúcifer. Eu não pensei que ele aceitaria 
    , me perdoe.” Dizia Cerridwen entre
    lágrimas.
    “Não se preocupe Cerridwen. Eu sei que
    esse casamento não chegará nem no
    Eu aceito.” Respondeu-lhe o amado
    abraçando-a.
    “Papai e mamãe estão chorando por sua causa.” Disse Azazel para a mocinha.
    “Eles não entendem o quê é esse amor...Miguel não vai me machucar, 
    ele me ama.” Disse Luciféria, ainda saltitante pelo futuro.
    “Deixa de ser tonta. Se ele te amasse
    , não esperaria um ultimato para 
    se casar.” Retrucou Azazel.
    “E importa ter esperado tal condição?
    Eu a amo Azazel, e você não é capaz de entender tal sentimento.” Respondeu 
    o arcanjo, abraçando a noiva.
     Azazel não era o único fulo da vida,
    com o relacionamento de Luciféria e Miguel.
    A prima dela Eke, também não tinha 
    muito o quê comemorar.
    Era apaixonada por Miguel desde 
    muito jovem, e saber que ele seria para sempre de Lucy, lhe deixava furiosa.
    Todos estavam contra eles. 
    Mas ainda sim o casal permanecia 
    feliz, e seguiam adiante com o seu
    compromisso.
    A perdição de um caído por nascença.
    Mesmo contra a união, Lúcifer e Cerridwen foram ao templo.
    Lá encontraram Azazel, que após descobrir que era filho de Yaweh
    , tinha partido de casa.
    Foi um belo reencontro, ele parecia ter aceito que Luciféria seria do seu rival,
    e pediu para vê-la.
    “Ela é minha irmã, e já foi minha
    melhor amiga. Preciso mostrar que
    a apoio.” Pediu para Cerridwen,
    e esta lhe concedeu a entrada.
    Luciféria estava mais linda e radiante
    do quê nunca. Azazel ficou encantado
    com aquela visão, mas tentou apagar
    as segundas intenções.
    “O quê faz aqui? Veio dizer mais uma vez, que meu noivo não me ama?!” 
    Perguntou com raiva, colocando o
    véu vermelho.
    “Não. Vim te mostrar que não é com
    Ele, que deve ficar.” Respondeu o
    anjo, e ela gargalhou.
    “Como?” Perguntou com sarcasmo.
    “Vai se arrepender disso. Olhe nos
    meus olhos.” Disse encostando-a
    na parede.
    Ela o olhou, sem realmente vê-lo.
    “Olhe de verdade. Fixe em mim.”
    Disse-lhe com certa força, e 
    ela o fez.
    Ele se aproximou, e a imprensou ali.
    “Se você acha que é contigo que vou ficar, está muito enganado.” Ela se
    defendeu, e ele a beijou.
    No começo aquele toque de lábios
    , a deixou sem reação.
    “O quê está fazendo? Eu sou sua irmã.” Respondeu de olhos fechados, como
    se esperasse por mais.
    “E vai se casar com o nosso tio.” Ele
    rebateu sorridente, e a beijou uma
    segunda vez.
    Deste segundo beijo, veio a retribuição,
    e de tal gesto as coisas foram esquentando.
    O tempo foi passando, e nada da noiva chegar.
    Miguel ficou estarrecido, e Eke se dispôs a consolá-lo.
    A noite...Luciféria o procurou, queria muito lhe explicar porquê não podiam
    ficar juntos.
    “Cometi o adultério.” Disse-lhe sem
    pestanejar. “Azazel apareceu, eu não
    consegui resistir.” Continuou a tagarelar.
    “Miguel...” Ela tentou tocar em seu ombro, mas este se foi sem dizer uma palavra sequer, deixando-a sozinha
    na floresta.
    No dia seguinte...Procurou por Azazel,
    este podia entendê-la neste momento
    tão sombrio, e foi quando descobriu.
    Assim como Yekun, Azazel tinha sido contratado para levá-la a perdição,
    e destruir o coração do arcanjo.
    Amor? Não. Era apenas uma vingança pela constante rejeição, e isso a deixou desolada.
    Outra vez foi atrás de Miguel. Este agora não saia do laboratório.
    “Miguel...” Ao ouvir aquela voz, a imagem dela e Azazel se formou
    na sua mente.
    “Saia daqui.” Disse seco, e voltou
    ao trabalho.
    Ela insistiu, e ele então fechou a 
    porta.
    Por quê Luciféria não foi embora?!
    Por quê continuou ali?!
    No escuro ele a tomou para si,
    Não como sua amada, mas
    sim um objeto.
    Arrancou-lhe o vestido branco,
    e a penetrou como um animal.
    Sua mão cobria a dela.
    Ela chorava sem parar, estava
    sangrando, mas ele continuava
    , saindo e invadindo seu
    corpo.
    Dele nenhuma lágrima caia, as 
    chamas laranjas brilhavam em
    seus olhos.
    Ele não parecia mais um arcanjo,
    mas sim um monstro.
    Uma das bestas que vivera no universo
    , muito antes da existência dos 7 deuses.
    Ela não suportou e desmaiou, mas nem
    por isso ele parou.
    Até que percebeu que ela estava imóvel,
    e caiu no choro, desejando nunca tê-la conhecido.
    Seus olhos violetas se abriram, e ela se arrastou para a saída.
    Com todas as forças que lhe restava,
    correu pela lama, pois não conseguia voar.
    Caiu assim que alcançou um metro de distancia.
    E ele correu para ajudá-la.
    Ela estava tão destruída, 
    Que não tinha vida em seus olhos.
    “Me leva pra casa.” Disse com os
    lábios sujos de sangue escuro.
    Ele acatou seu desejo.
    A destruição de um anjo
    Ao entrar na sala azul, sua mãe estava
    sentada no sofá, inconsolável. 
    “Mamãe se acalme estou bem” Disse
    sentando ao seu lado.
    “Eu preferia que estivesse morta!” A
    linda deusa ruiva berrou.
    “O quê?!” A pobre dama ficou sem
    entender.
    “Eu vi! Eu vi você com meu Leviatã!”
    Cerridwen disse claramente perturbada.
    “Eu não...” Luciféria tentou se defender.
    “Estavam na cama. Aos beijos, sem
    qualquer pudor!” A acusou mais uma
    vez.
    “Eu não estava aqui.” Luciféria continuou a lutar para se provar
    inocente.
    “Não se faça de sonsa. Todo mundo sabe a piranha que é. Traiu seu noivo,
    e dormiu com o próprio irmão!”
    Continuou a atacá-la.
    “Pelo menos nenhum deles era meu filho!” Gritou a dama com desgosto.
    “Eu não sabia que Lúcifer era meu filho quando me apaixonei. Mas você jovem meretriz, tinha noção disso.” Rebateu.
    “Disso e de que Samael é seu pai.” Continuou a tentar lhe ferir.
    “É uma qualquer como Hécate! Dorme
    com todo mundo! E se faz de inocente!”
    Permaneceu a insultá-la.
    “É um erro. Um erro grotesco. Tire-a daqui imediatamente!” Ordenou a
    Miguel, que se sentindo culpado
    tentou intervir.
    “Cerridwen devia ouvi-la. Ela não é culpada. Estava comigo!” Disse escondendo parte dos 
    fatos.
    “Como se eu pudesse acreditar, no 
    anjo que foi traído, e continua com a vagabunda!” Respondeu com total
    frieza.
    “Vem Luciféria. Ela não vai te ouvir.
    Esta entorpecida pelo ódio.” 
    A esta altura a jovem não tinha mais voz, e ao ir embora com o seu agressor
    torceu para aquela ser a única vez.
    “O paraíso” é mesmo o Paraíso?
    “É minha culpa. Fui eu quem armou para você.” Disse Miguel entre lágrimas 
    na carruagem, e a jovem o encarou
    incrédula.
    “O quê mais você fez?” Perguntou com
    total falta de emoção.
    “Eu tinha que te segurar lá. Para Eke ir
    e seduzir o seu pai na sua forma.” Soltou a língua.
    “Então o abuso não fazia parte do plano.” Pressupõe ainda 
    mórbida.
    “Meu pai jamais trairia minha mãe comigo. Nos respeitamos demais para
    Isso.” Resmunga olhando para o céu
    azul marinho.
    “Por isso criamos uma confusão em Aldarin, e o substituímos por um sósia.”
    Continua a confessar, entre lágrimas.
    Se sente pior agora.
    “Se sente culpado por acabar com a minha vida? É tarde.” Diz em tom
    de ironia.
    “Não foi apenas uma traição Miguel.
    Eu realmente sinto algo por Azazel.”
    Diz sem pensar duas vezes.
    “Você deixou de me amar?” Pergunta
    assustado com aquela resposta.
    “Depois do quê fez comigo, não consigo
    te perdoar. Então acho que nunca te
    amei.”
    As últimas três palavras ecoam na cabeça do arcanjo.
    E logo toda a compaixão que tinha tido até ali, se transforma em ódio.
    “Não me ama? Tudo bem. Se achou ruim o quê eu fiz...Imagina o quê
    vai achar quando eles fizerem.”
    Disse jogando-a numa cela suja, cheia de jovens bestas, sedentas por 
    sexo.
    “Nunca te amei.” É a única frase que fica na sua cabeça, ao deixá-la para
    trás.
    Com o olhar sem qualquer sinal de vida, ela encarou o seu destino.
    Nada poderia ser pior que destruir o coração da sua mãe.
    A cada passo deles em sua direção, 
    o calafrio subia a espinha, mas
    estava pronta.
    “Eu vou ser o primeiro, afinal ela está aqui por minha causa!” Disse Azazel, 
    se aproximando da moça.
    “Por favor confie em mim. Tudo o quê farei é para te proteger.” Sussurrou em seu ouvido, e então tirou as suas roupas.
    Ele a olhou preocupado, pedindo permissão para ir adiante, mas para 
    ela nada tinha significado.
    Ele a possuiu na frente de todos, 
     e declarou que seria o seu torturador,
    desta forma nenhum outro anjo veio
    a se aproximar dela.
    “Deve está feliz.” Foram as primeiras palavras após dias de silêncio.
    “Não estou. O quê houve para vim acabar aqui?”  Perguntou assim
    ficaram a sós.
    “Fui expulsa de casa. Porquê minha mãe acha que dormi com meu pai.” Resume com sorriso de tristeza.
    “O quê?!” Azazel fica surpreso. “E no momento em que estava supostamente sendo uma puta, eu estava na verdade sofrendo abusos de Miguel.” Continua
    como se aquilo fosse normal.
    “Miguel fez o quê?!” O anjo ferreiro fica irado com aquela alegação. 
    “Me estuprou.” Responde com um sorriso ainda sem graça.
    “Eu vou matá-lo.” Conclui, e ela gargalha. 
    “Ele é Miguel. Se matá-lo, teu pai 
    acaba contigo. Não seja tolo, eu não valho nada mesmo.” Diz sem se importar com a justiça, ou a falta 
    dela.
    “Ele tem que pagar Lucy!” Diz incrédulo.
    “Ele não tem que pagar nada. Você que causou tudo isso, com a sua vingança infantil!” Rebate, tirando-lhe o manto de herói.
    “Você ainda o defende?” Diz Azazel
    totalmente exasperado. “Devia mesmo ter casado com ele. Pois nasceu para ser submissa.” É o último insulto antes de partir.
    A última batalha antes do Fim. Parte I
    Luciféria e Azazel viviam juntos, 
    desde crianças.
    Eram os melhores amigos, e os
    que guiavam os irmãozinhos
    na traquinagem.
    Foi na adolescência, quando Lucy
    descobriu o amor por Miguel, que
    eles se separaram.
    Pois Azazel detestava o arcanjo,
    por saber que era seu rival.
    Então quando ele cuidou dela na cela,
    esta reviveu os momentos de infância, quando ele cuidava de seus machucados.
    E se perguntou “Quando foi que a nossa amizade se destruiu?” 
    Eles tinham nascido um para o outro,
    tal como Harmonia para o Caos, e por
    isso nem a traição os separou.
    Logo tinham se tornado amigos outra vez, e desta amizade veio o sentimento,
    que sempre esteve ali, mas foi ocultado
    por uma paixão juvenil.
    Ele sempre a amou e tinha consciência
    disso, ela sempre o amou, mas não se
    deixava ver, para não perdê-lo.
    E Miguel soube.
    Furioso por saber que Azazel tomava conta da cela dela, decidiu libertá-la
    e levá-la consigo, para garantir 
    sua infelicidade.
    Mas ela preferiu ficar acorrentada e numa cela, sendo feliz. 
    Do quê partir com o arcanjo, e ser
    destratada para o resto da 
    vida.
    “Você ficou louca? Se ele te amasse.
    Teria te libertado, e levado para longe daqui!” Disse-lhe na porta da cela.
    “Me levaria para onde? Se graças a você e seu pai não tenho um lar!”
    Ela berrou.
    “Ele destruiu sua vida. Se não tivesse dormido com você, hoje tudo seria
    diferente.” Diz com certo pesar.
    “Você também me destruiu, e nem por isso deixei de sentir algo por ti.” São as palavras, que jamais deveriam ser 
    ditas, mas foram.
    O eco da porcelana quebrada, se fez no lugar, e ela viu Azazel partindo para longe.
    Seus passos tentaram alcançá-lo, e o
    arcanjo a seguiu.
    Ao vê-la junto do seu maior inimigo,
    pegou uma prisioneira em seus braços,
    e a beijou do mesmo jeito que beijava
    a anjo, que transtornada com aquilo
    , aceitou a carcerária liberdade.
    Luciféria optou por trair o seu povo, 
    pois queria morrer, e esta era a única forma.
    Azazel era sua última gota de felicidade,
    e tinha sido arrancada dela.
    Miguel detestou mais ainda o ferreiro, e odiou não ser a razão da morte de
    sua única amada.
    Ela fez um acordo com Deus para ser destruída, e mostrando a famosa 
    misericórdia, ele limpou seu
    nome.
    Disse-lhe que Luciféria não existiria mais, e agora seria Nahemah.
    Ela aceitou.
    Todos no céu, achavam que Miguel a tinha perdoado, e a detestavam por
    isso.
    Mas ele na frente dos outros, lhe defendia.
    Quando estavam a sós, ele a humilhava de todas as formas.
    Foi então que aconteceu...Lúcifer soube
    que a filha estava querendo cometer
    suicídio, e preparou as tropas para
    ir resgatá-la.
    Ele e o filho adotivo Azazel discutiram.
    “Acha mesmo que Deus lhe dará algo? Eu era o maior dos anjos, e nem a
    mim, ele poupou! Cresce garoto!” 
    Disse-lhe o caído.
    A dama estava pronta para morrer,
    mas quando o pelotão de Miguel veio até ela, para exterminá-la, esta se
    defendeu, e os matou.
    Miguel ficou furioso com a afronta.
    Achou que a morte dela, era um plano para atrair seus protegidos, e matar
    cada anjo no céu.
    Por isso ele a atacou, e os dois lutaram
    com espadas de luz.
    Ele era um esgrimista nato, e ela uma desastrada, por isso perdeu.
    No entanto quando veio o golpe de misericórdia, uma espada a 
    protegeu.
    Era Azazel, com uma armadura de metal, pronto para acertar as
    contas.
    Miguel sorriu. Estava louco por uma oportunidade de destruir o irmão.
    E o tilintar das espadas se encontrando,
    ecoou por entre as nuvens. Porém não
    foi o suficiente para abafar os gritos
    de dor de Nahemah.
    Ao ouvi-la Azazel e Miguel imediatamente pararam.
    O arcanjo queria vê-la sofrer, e o
    anjo a pegou nos braços.
    Ele a salvou. 
    Ao chegar no Inferno, ele a levou a sagrada fonte de cura, que ficava
    perto do penhasco das almas.
    Ela agradeceu, mas eles discutiram,
    e este foi embora com o rosto vermelho por causa de um tapa.
    Um fiel servo de Cerridwen a viu, e sem saber da verdade, fez o quê achou melhor para a sua senhora.
    A jogou no mundo dos humanos, e esta caiu.
    Aquele mundo, não lhe era tão estranho, já havia o visto antes, em suas viagens dimensionais.
    “Este aqui. Pode ser meu novo lar...
    Mas a verdade é que não quero
    existir.” Disse ao se jogar dentro do
    mar, afundando o punhal de Miguel
    contra o coração, e enfim
    morrendo.
    A tristeza de Cerridwen era grande,
    por saber que a filha tinha feito o quê
    fez, mas foi ainda maior quando 
    o seu irmão lhe contou a 
    verdade.
    Eke tinha ido longe demais, por seu amor doentio.
    Yaweh tinha ultrapassado os limites, 
    por falta de maturidade.
    Miguel já nem devia ser chamado de celestial, diante das atrocidades que cometera.
    Mas Cerridwen só conseguia culpar a si mesma, pela desgraça da filha.
    Onde estaria o pequeno fruto de amor, agora que tinha se tornado parte do
    multiverso?
    O espírito dela estava com Harmonia,
    adormecido, pois a titã não queria 
    acordá-la.
    “Ela não lhe pertence!” Cerridwen dizia
    para a mãe, com raiva e imponência.
    “Do momento em que retornou para mim, sim, ela é minha.” Respondeu-lhe
    a velha e sabia Harmonia.
    “Ela é minha filha! Você não tem direito algum sobre ela!” Continuou a brigar.
    “Ela é essência da minha essência, como você.” Disse ainda segurando o espírito da pequena.
    “Volte, e sirva a Yaweh de acordo para
    o quê foi feita. Sacrifique-se, e sua filha será libertada.” Cerridwen engoliu seco aquelas palavras, mas aceitou a
    condição.
    Como castigo, Yaweh que a criou 
    com a energia dos deuses, lhe tirou todos os poderes.
    “Você não tem serventia para mim.
    Mas terá para a minha criação.” Disse
    ao destruir seu corpo de deusa, e roubar-lhe a chama encantada.
    Assim fez Adão, e para ele deu sua esposa.
    Agora sem poder algum, totalmente regenerada, sem memória, e a
    batizou de Heva-Lilith.
    No início Heva e Adão eram felizes,
    de acordo com a vontade do criador.
    Mas dentro daquela deusa agora
    humana, ainda havia rastros
    de sua vida anterior.
    Por isso na hora das relações sexuais,
    Lilith não se sentia confortável, em
    ficar abaixo de Adão.
    Afinal de contas, de alguma forma
    isso lhe trazia a sensação, de que era
    errado, e que chegava a ser abusivo.
    Mal sabia a bela ruiva, que isto já havia acontecido antes, e pior sem o seu
    consentimento.
    Chorosa ela se sentia confusa, e por isso procurou um canto apenas seu.
    Foi lá que ela o conheceu, ou melhor o
    reencontrou. O seu amante, 
    amado.
    Logo de cara, ficou claro que eles se conheciam de algum lugar.
    O fogo e o desejo os consumiam, e por
    isso se entregaram um ao outro.
    Lilith não sabia quem era, mas Lúcifer
    sabia, e queria resgatá-la, para irem
    salvar também a pequena.
    Ele tentou não parecer um lunático,
    por isso pouco a pouco foi fazendo-a se recordar.
    Mas apenas no momento em que disse o seu nome, é que a bela se recordou
    de todo passado.
    Na sua forma humana, ela era ainda mais rebelde.
    Por isso espantou os 3 anjos com facilidade, e seguiu com seu amado Samael, em busca do espírito de
    Luciféria.
    Com o tempo, embora Harmonia discordasse, Cerridwen tinha feito a sua
    parte, e por isso esta permitiu que a
    bela Luciféria renascesse.
    Infelizmente outra Deusa veio, e desposou Adão.
    Os humanos a conhecem como Eva, ou Heca, ou Aisha.
    Nós a conhecemos como Eke.
    Eke não perdeu a memória quando entrou no plano humano.
    Ela se sujeitou a Adão apenas porquê queria causar ciúmes em Miguel, que
    continuava devastado com a perda
    de Nahemah.
    Notando que este nem sequer a olhava, esta fez uma manobra ousada, e pegou
    o sêmen de Lúcifer, e o colocou no
    próprio útero.
    Se Lilith desconfiasse de outra traição,
    ela ficaria infeliz, e se destruiria.
    Eke só desejava ver o circo pegando fogo, e que a família perfeita de
    Nahemah se desfizesse.
    Tudo o quê era bom e importante para Nahemah, tinha que ser destruído.
    Assim como seu coração foi, por Miguel por causa dela.
    Para a infelicidade de Eke, Lilith a reconheceu, e soube na hora que o filho que carregava na barriga, era um artificio.
    Eke furiosa, teve o pequeno Caim, e o
    jogou para morrer no rio.
    Ele não tinha nenhuma utilidade para o seu plano perverso, por isso podia ser
    descartado.
    Lilith salvou o bebê, e o criou como seu, junto do pequeno Asmodeus.
    Como tinha acabado de tê-lo, havia leite para os dois.
    Lúcifer e ela aguardavam pela volta da filha, acreditavam até que viria outra vez do útero de Lilith.
    Mas a pequena Nahemah, nasceu da descendência Luciferiana de Caim.
    Em homenagem ao seu nome celestial,
    eles a batizaram de Namah. 
    Ao ouvir que sua amada tinha renascido, Miguel e Azazel vieram 
    para a Terra.
    Ambos estavam preparados para lutar pelo coração da jovem outra vez.
    A novidade logo chegou aos céus escuros, e todos os seres da Sirius B, desceram também.
    Dando início ao evento conhecido como a queda dos anjos. 
    Os anjos ficaram encantados com 
    as humanas, e por estas se apaixonaram.
    Diz a lenda que Azazel desceu para ter relações com várias mulheres.
    Mas é uma mentira, ele só queria uma,
    a sua doce e indomável Luciféria.
    Miguel não é citado como um caído, pois este veio para supervisionar a
    baderna.
    Assim dizem. 
    Ele só queria vê-la outra vez.
    Desta vez Azazel foi o primeiro amor de Namah.
    “Você é um anjo?” Perguntou no primeiro encontro.
    “Sim, mas cometi um grande pecado.”
    Respondeu-lhe misterioso e com
    charme.
    “Qual” Perguntou-lhe curiosa.
    “Ter te amado acima de Deus.” 
    Respondeu, deixando-a 
    corada.
    O amor é o motivo de toda perdição.
    Foi por amor que caiu uma nação.
    O amor é perigoso, é saboroso
    Não é algo que te dá paz, mas te
    faz se sentir vivo e seguro.
    Todos os anjos da Sirius B, seguiam
    este lema, por isso não se preocuparam,
    e se envolveram com as filhas dos
    homens.
    Destes amores hediondos, nasceram
    os nephilins. 
    Miguel, Gabriel, e Rafael ficaram assustados com a quantidade de novos humanos, e denunciaram para Yaweh.
    Este com ódio da felicidade dos 
    anjos, então decidiu lavar a 
    terra.
    Para proteger Namah, Miguel a colocou na arca, e roubou a mente de Noé.
    “Você não tem culpa dos pecados de Azazel minha querida.” Disse-lhe ao
    empurrá-la para o barco.
    Namah não entendeu nada. Não tinha lembranças de Miguel, mas sentiu um belo calafrio percorrendo a 
    espinha.
    A última batalha antes do fim. Parte II
    A Terra agora era um campo de batalha, após a última investida de Yaweh. Todos os anjos estavam furiosos pela perda de seus filhos e amadas, e
    por isso declararam guerra ao
    céu.
    Azazel não sabia do paradeiro de Namah, por isso acreditou que esta teria falecido com sua filha dentro
    da barriga, e entrou na guerra.
    Yaweh foi atacado com lanças e luz,
    seus anjos lutaram contra os anjos
    de Lúcifer.
    Sangue inocente tinha sido derramado,
    os filhos não tinham culpa do pecado
    dos pais!
    Caos estava agindo como nunca, pois achava que o filho estava fora de
    controle.
    Sem mais o quê fazer ele o trouxe.
    O irmão gêmeo de Samael. 
    Bael o senhor dos raios.
    O implacável, o destruidor, o mentiroso, o ilusório.
    Era a sua última saída para acabar com a guerra, que estava favorecendo o
    seu inimigo.
    Por isso lhe deu a chama de Zebub.
    Um poder que nem ele podia conter, pois esta pequena chama, era uma importante parte de Caos.
    Era a sua última alternativa, e Bael abraçou aquele poder com todo
    o seu coração.
    Bael desceu então a Terra, e enviou as 7 pragas do Egito, para desmoralizar os
    templos dos anjos.
    Tamanho poder era maior até mesmo que o de Lilith e Lúcifer juntos!
    Por isso as tropas dos caídos foram recuando.
    Yaweh comemorou com gosto, estava feliz com a gloriosa vitória.
    Porém quando resolveu tirar a chama de Zebub, Bael se revoltou, e o subjugou.
    Bael não precisava mais de Yaweh, era mais forte que ele, por isso decidiu que seria o novo Deus.
    Mas como quase ninguém sabia da sua existência, ele precisou de um bom peão.
    “Ficarei por trás de você. Te comandarei. Mas o novo Deus sou
    Eu.” Disse para um famoso arcanjo.
    “Eu jamais...” Miguel se recusou de imediato, nunca quis o trono do
    pai.
    “Vi como olha para a humana. Sei do seu passado vergonhoso com ela. Se não o fizer, eu vou destruí-la para
    sempre!” Disse Bael para lhe
    convencer.
    “Eu tenho o poder primordial Mikael.
    Um estalar de dedos, e sua humana, deixa de existir.” Ameaçou-lhe, e o
    Arcanjo aceitou, fingir que seria
    o novo Deus.
    “Meu filho...Seus irmãos te odiarão.”
    Chorou o Deus criador, ao ver o jovem sentando-se ali no trono, e fingindo ter tomado o poder para proteger a sua eterna amada.
    Luciféria agora se chamava Isis, em homenagem a deusa.
    E pouco ou nada se lembrava, caminhava ao lado de Toth, sem saber que eram amantes divinos em outra vida.
    Ele fazia por ela, o mesmo que Lúcifer fez por Lilith. Tentava lhe devolver sua memória, e reascender sua chama 
    genômica.
    Ela pouco entendia, mas era fascinada pelos ensinamentos de Toth-Azazel.
    Até que certo dia despertou, e lembrou-se de tudo, incluindo dos filhos que tivera com Noé, que na verdade eram de Azazel.
    “Eles nasceram, cresceram, e se reproduziram meu amado, antes de voltar para os braços de Harmonia.”
    Disse-lhe com um sorriso, e isto
    trouxe paz ao demônio.
    “O importante é que vocês 3 estavam bem.” Disse-lhe caminhando ao lado
    dela.
    “Infelizmente esta é a nossa última notícia boa. Deus agora é implacável com seu guerreiro Bael, não temos
    chance de vencer.” Disse com
    pesar.
    “Sempre há chance para a justiça, por mais escuro ou claro que pareça.” Lhe respondeu olhando para o céu.
    “Nahemah.” Disse-lhe o sopro no ouvido, e então Miguel apareceu para ela, acima das montanhas, usando a coroa de um Deus.
    “É Isis na verdade.” Respondeu com
    indiferença. “Pra mim sempre será Nahemah ou Luciféria.” Disse sorrindo sem  jeito.
    “O quê queres anjo ?” Disse com certo desprezo.  “Meu pai é culpado por muitas tragédias, mas não é ele quem está causando estas.” Disse sem
    pensar duas vezes.
    “São semelhantes.” Retrucou com total indiferença.
    “Não são. Ele ama os humanos, não mataria crianças pequenas, apenas porquê um servo pediu.” Respondeu-lhe tentando defender o todo poderoso.
    “Ele matou milhares de nephilins.” Rebate sem acreditar na salvação.
    “Não eram puros.”  Miguel continua
    apreensivo. “Eram bebês!” Ela grita.
    “O sangue estava manchado. Não
    eram humanos, nem demônios eram
    aberrações!” Outra  justificativa 
    barata. “Já chega! Não importa quem está no poder agora! É tão injusto quanto seu pai!” Urra horrorizada com a forma como ele trata os demônios
    mirins. “Nahemah...” Ele tenta falar.
    “É Isis. Como a Deusa.” O corrige friamente.
    “Isis. Não se trata do meu pai mais.
    Bael quer mais poder, ele quer está acima do bem e do mal.” Conta-lhe
    com certo medo.
    “Precisamos unir forças.” Implora segurando-lhe as mãos delicadas. “Nunca me uniria você.” Responde
    deixando-o para trás. 
    “Mas a informação foi útil. Obrigado
    querido tio.”  Diz ao se retirar, e o deixa exasperado. Detestava ser chamado de tio por ela, porquê isso lhe trazia culpa,
    e demonstrava que ela não o queria
    mais.
    “Grande deusa Nuit.” A chamou. “Sabes que é minha filha. Não deve se ajoelhar para mim” Disse-lhe a deusa.
    “Prefiro desta forma ó grande Nuit, deusa soturna.” Responde com sarcasmo.
    “O quê deseja?” Lilith revira os olhos.
    “Um anjo veio até mim, e me contou que o tal Bael agora reina no céu.” Disse evitando o contato.
    “E o quê isso tem a ver conosco?!”
    Lilith exclamou sem entender.
    “Bael está sedento por poder, e segundo o anjo, ele quer o Inferno
    também.” Respondeu-lhe com 
    um pouco de indiferença.
    “Isso não é possível. Bael e seu pai tem caminhado juntos, são grandes amigos, e odeiam Yaweh, até fundaram a ordem de BAAL com seus filhos.” Lilith parece desacreditar da informação.
    “Qual foi o anjo?” Lilith pergunta desconfiada.
    “Miguel. Meu anjo da guarda.” Isis gargalha, e Lilith permanece 
    séria.
    “Miguel não mentiria para você. O passado tem um peso grande entre vocês. Vou averiguar isso” A deusa
    desapareceu do templo, e a jovem
    fez um sinal de reverência.
    “Então Miguel continua a te procurar...” Toth brinca realizando um feitiço. 
    “É...Mas é estranho. Não é como você,
    é como se nunca o tivesse o conhecido, e o odiasse mais que tudo.” Responde
    sentando-se a mesa.
    “Ainda tem sentimentos por ele. Sempre vai ter. Resta saber se o quê sente por mim é maior” Diz com total serenidade. Azazel era maduro, apesar de ser seus surtos de juventude, ainda era mais
    confiável que Miguel.
    “É claro que é. Já disse nem conheço aquele anjo.” Isis responde de imediato, e Toth ri. “Será mesmo?” É o quê pensa
    ao analisar o seu invento, uma esfera
    negra móvel, com anéis envolta.
    Lilith entra na sala em forma de coruja, e caminha até os dois jovens. 
    “Atrapalho?” Disse com um sorriso, e eles disseram que não.
    “Miguel estava certo. Notei nas conversas de Bael, insinuações de que anseia roubar o Inferno.” Lilith dá as notícias.
    “E o quê podemos fazer para impedir?”
    Azazel prontamente se mostrou para a batalha. 
    “Devemos reunir o conselho secreto.”
    Lilith fala porém nenhum dos 2 anjos entende o código.
    “O conselho secreto, é uma reunião entre deuses celestiais e infernais, com os titãs primordiais, para impedir uma catástrofe universal.” Explica-lhes e
    ambos esperam por mais informações.
    “Lúcifer e eu, não podemos presidir o conselho, pois somos oficialmente os aliados de  Bael. Mas você e Azazel
    podem, pois ambos renunciaram
    a coroa.” Lilith lhes dá uma luz, e os dois rapidamente recusam a proposta, porém a 00:00 do mundo humano, eles atravessam o portal, e vão para o Conselho Secreto.
    “Todos que estão aqui, se encontram sob o regimento do Conselho. Portanto as brigas de Luz e Trevas devem ser esquecidas, por um único objetivo,
    a nossa preservação.” Diz Harmonia sentando-se entre as árvores que parecem um trono.
    Para surpresa do jovem casal infernal,
    Miguel é quem fica no lugar do pai, e este evita encará-los, pois não deseja brigar, nem trocar farpas.
    “Existe um terrível rumor de que Deus foi destronado.” Inicia Harmonia.
    “Não é rumor, vovó Harmonia. Estou aqui para provar que é verdade.” Miguel então retira uma esfera do bolso, e dela saem imagens holográficas , na qual Bael lhe diz algo, e este se vê
    obrigado a fazer o quê ele quer.
    “Meu filho. Suas provas o incriminam.”
    Harmonia diz assistindo as imagens. “Não! Ele me obrigou!”  Miguel se defende, e Isis ri.
    “O quê ele lhe disse? Que Apep ia te pegar?!” Isis diz em tom infantilizado.
    “Não. Que ele te mataria se eu não o  fizesse.” Miguel fica cabisbaixo, pois sabe que não receberá gratidão.
    “Você não é meu marido. Se eu tiver de morrer por esta causa, eu vou. Não preciso de sua proteção.” Retruca com total ingratidão, e Miguel sorri com
    raiva.
    “Já chega vocês dois. Briga de casal não tem espaço nesta reunião. O problema aqui é maior que um romance que não
    deu certo.” A velha Harmonia, caracterizada com anos humanos diz.
    “Prossiga Miguel.” A anciã passa a palavra para o arcanjo, que olha com mágoa para a amada.
    “Bael não quer ser o Deus do Céu. Ele quer a Terra. O Inferno. Tudo!” Chega ao ponto principal.
    “Isso é muito grave! Bael está com a chama de Caos! Ele tem poder para ter esse tudo!” Harmonia entre em 
    pânico.
    “Sim, por isso sugiro uma união de forças opostas.” Miguel põe as cartas na mesa, e Azazel e Isis trocam 
    olhares.
    “Se for pela preservação de nosso povo.
    Nós aceitamos. Nos unir. A eles.” Isis responde de má vontade.
    “Eu irei conversar com a alta hierarquia infernal, e descobrirei quem serão os
    nossos aliados.” Azazel com sua mente estrategista, logo percebe que haverão
    traidores, por isso se dispõe a tirar isso
    a limpo.
    “Vou usar meu poder de Deus para conseguir mais aliados.” Miguel diz para os outros.
    “Eu vou ficar calada e observar.” Isis brinca, e Miguel sorri mas é o único.
    “Vou convocar meus melhores dragões, e irei até o reino da minha mãe, para conseguir bestas celestiais.” Revira os olhos, e assume um posto.
    “Ótimo. Estamos todos entendidos.
    Mas para evitar problemas diplomáticos, preparem suas armas
    silenciosamente.” Harmonia termina a reunião e os tronos somem.
    Findado o encontro, Miguel e Isis discutem, e Azazel se retira alegando
    que eles tem muito o quê conversar.
    Ao amanhecer Isis convoca sua mãe para uma reunião, e pede-lhe para entrar nos mundos de Tiamat.
    Azazel inicia um evento entre os demônios da mais alta patente do
    Inferno, e os analisa friamente.
    Miguel tenta evitar Bael, e o engana com visões falsas do futuro, onde ele é o Deus vencedor, e todos caem em ruínas.
    Naquela noite houve uma reunião...
    Bael estava com um enorme sorriso, e
    Lilith o observava com cautela, enquanto Lúcifer aparentava está
    despreocupado.
    “É claro que o Inferno é imbatível. Fez um excelente trabalho aqui irmão.” Disse Bael extremamente maravilhado
    com as terras sombrias.
    “Há regras que servem para sobreviver,
    e não são abusivas como as de Yaweh. É
    um sistema realmente perfeito.” Disse
    elogiando a gestão do reino.
    “Nossos filhos, e irmãos de guerra fazem sua parte direito. Por isso Bael que estas terras são tão perfeitas.”
    Lilith disse com um sorriso, mas Bael a ignorou, pois para ele as mulheres não podiam ter voz.
    “Estou vendo.” Disse-lhe com indiferença, e notando o incômodo da
    esposa, Lúcifer a encarou, e os dois
    inventaram uma desculpa para
    ficarem a sós.
    “Não se sente nada confortável com Bael não é?” Perguntou-lhe ao abraça-la por trás, sentindo o calor do seu 
    corpo quente e nu, sob o veludo
    vermelho.
    “Fora o fato de ser tão idiota quanto o seu pai. As crianças me contaram que ele quer o inferno.” Responde-lhe com
    um sorriso de prazer, e depois a sua
    expressão muda.
    “E como Luciféria saberia, se só conseguiu recuperar as memórias?” 
    Lúcifer logo percebe a fonte da informação, e a acaricia.
    “Como sabe que...?” Lilith nem termina, e seu amado lhe dá um beijo no pescoço.
    “Ela é a sua favorita, e também é a minha. Sempre será a primeira que nós
    vamos ouvir.” Respondeu, e a demônia
    girou, e o jogou nas almofadas, o
    fazendo sorrir.
    “Eu amo todos os meus filhos Lúcifer.” Lhe disse arrancando-lhe suspiros intensos.
    “Mas a Luciféria é a sua especial.” Lhe respondeu tentando respirar, pois a
    Rainha do Inferno, sabia bem 
    o quê fazia.
    “Calado.” Ordena pressionando-se contra o corpo dele, e deixando-o
    mais alegre.
    “Quem disse esta sandice do meu
     irmão para a Luciféria ?” Pergunta-lhe agarrando-a, e jogando-a nas almofadas.
    “O anjo da guarda dela.” Lilith também brincou, e ele a puxou, sentando-a entre as suas pernas.
    “Miguel é um traidor. Por causa dele, ela quase morreu quando era um bebê, e se matou na adolescência.” Diz sério,
    abraçando-a, e beijando-lhe o pescoço.
    Não é a toa que eram conhecidos 
    como o casal da luxúria, até para conversar sobre os assuntos sérios, 
    eles ficavam na “cama”.
    “Eu sei. Mas é inegável que a ama.
    Ele mudou bastante depois que a viu morrer.” Lilith tenta convencer ao marido. 
    “Miguel não ama ninguém. Só ao meu pai. Deve ter sofrido abusos na infância para ser tão apegado ao tirano.” Lúcifer se mostra descontente, e ignora o
    aviso.
    Infelizmente para o imperador, o aviso do celestial era real, e num dia qualquer
    houve o desastre.
    49 dos 72 demônios mais poderosos, 
    se voltaram contra Lúcifer e seus aliados.
    “Regras. Quem precisa delas?” 
    Diziam em coro, ao amarrar e amordaçar os demônios
    machos.
    Como acreditavam que as fêmeas 
    não representavam perigo algum, 
    as deixaram livres.
    Lilith correu para fora do inferno, levando suas 2 outras irmãs, e
    alguns sobreviventes.
    “Me diz que fez algo Luciféria!”
    Lilith berra em desespero, e a moça abre um portal para Tiamat.
    “Eu chamei eles para nos ajudar.”
    Luciféria chama os seus amigos gigantescos, 
    e as bestas caminham lentamente 
    para fora.
    “Se nem eles tiverem forças para derrotar Bael estamos perdidos.” 
    Lilith diz, e saca a espada para lutar contra os 49 traidores da causa.
    Luciféria monta em seu dragão azul acinzentado Graham, e parte  para a batalha, pronta para resgatar os
    irmãos e os menores.
    Após algumas horas...A princesa demônio, volta na sua forma humana,
    está exausta depois de prestar os
    primeiros socorros.
    “Nahemah.” Diz o arcanjo Miguel com
    tristeza, e se aproxima dela.
    Más notícias estavam a caminho, e ela sabia, por isso desceu do seu animal, 
    e correu até ele.
    Este tentou segurar sua mão, lhe dá
    apoio. No entanto quando ela viu o seu
    amado jogado numa maca, correu 
    para os seus braços.
    “Azazel!” Berrou ao ver as profundas 
    marcas no corpo do seu anjo demoníaco.
    “O quê você fez?!” Ela salta no pescoço
    do anjo, tentando enforcá-lo como
    se fosse mortal.
    “Se acalma.” O arcanjo disse com frieza, tentando não sentir a palma quente 
    dela em seu corpo.
    “Você o deixou a beira da morte!” Urra com lágrimas descendo pela face.
    “Eu não fiz nada. Esse idiota quis enfrentar Bael, e se não chego a tempo não estaria aqui.” Responde com 
    total compostura.
    “Luciféria...” Sussurrou o demônio ferido, e a bela se soltou dos braços do ser angelical, para se ajoelhar ao 
    lado dele.
    “Achou que apenas esse babaca faria de tudo para te proteger?” Riu e tossiu logo em seguida.
    “Isso foi idiota Azazel. Eu não quero que ninguém me proteja!” Diz chorando e
    beijando a mão do primeiro 
    sátiro.
    “Mas eu sempre vou. Não importa 
    se está comigo ou com ele. Você sempre
    será minha protegida.” Diz com uma
    voz rouca.
    “Faça ela feliz...Tem 500 anos antes 
    de voltar.” São suas últimas palavras
    antes de partir. 
    Ao ouvir aquilo a moça fica em pânico, e o anjo sem palavras. 
    Lilith observa tudo, e acata a vontade do filho. Colocando as mãos nas
    costas do casal.
    “Nahemah você está bem?” O anjo diz mais preocupado com o estado dela,
    do quê com a oportunidade.
    “Não.” É a única coisa que sai da sua boca, antes de voltar para o campo
    de batalha.
    Agora era como não ter nada a perder,
    por isso montou em Graham, e foi
    para o centro da luta.
    “Bael!” Gritou com fúria, erguendo a sua espada, enquanto o dragão seguia até ele. 
    Ao ver que ela estava prestes a cometer suicídio, o arcanjo entrou em pânico,
    e voou tirando-a dali.
    “Você enlouqueceu?!” O arcanjo 
    berra, ao chegar no deserto.
    “Responde!” Diz chacoalhando-a
    , mas ela está sem reação.
    “Ele vai voltar daqui há 500 anos. Não é para sempre!” Grita-lhe, tentando lhe
    fazer agir, mas esta fica a 
    chorar.
    “Por favor. Eu não quero te perder de novo. Não me importo se não ficarmos
    juntos, só não quero, não ter a chance
    de pelo menos tentar.” Diz entre 
    lágrimas, segurando as 
    suas mãos.
    Ao ver o desespero do arcanjo, 
    Lúcifer percebe que há sentimento
    da parte dele pela pequena.
    “Lilith não cansa de está certa?” Ele 
    ri seguindo na forma de um gigantesco dragão ocidental, tentando se libertar
    da prisão em que Bael lhe colocou.
    A última batalha antes do fim. Parte III
    As tropas de Lilith e Nahemah 
    seguem adiante.
    Sangue cai na areia, e o som do encontro dos metais ecoa.
    A princesa demônio está montada
    no seu dragão, acompanhada por
    Cérberos, e sua hidra de 
    estimação.
    A imperatriz infernal, está na 
    forma de uma gigantesca besta draconiana.
    De tortuoso corpo ocidental, com espinhos saindo de sua
    face.
    Ela é bela, porém por ser uma 
    deusa, pode tomar qualquer forma
    , incluindo a dos maiores pesadelos
    do inimigo.
    “Vamos para o norte.” Diz Lilith  
    com toda a grandeza de Tiamat, indo em direção ao abismo, junto das demônias guerreiras.
    “Está bem.” Nahemah aceita a ordem,
    e da a direção para as feras.
    Elas encontram uma gigantesca esfera,
    que parece um globo de vidro.
    Lilith vê Lúcifer preso no fundo, e logo
    ataca a barreira, cuspindo bolas 
    de energia.
    Ela precisa tirá-lo dali.
    Ele é o seu amado, sua vida, sua paixão.
    Percebendo que sua consorte quer libertá-lo.
    Lúcifer também tenta destruir aquele
    bloqueio.
    No entanto sozinhos não são páreos para tal força.
    Notando que seus pais precisavam de
    ajuda. Nahemah ordena que os dragões
    , ataquem a barreira em sincronia com
    a sua mãe.
    Ao ver todas as feras, as guerreiras 
    Infernais, usam os seus dons. Unindo
    as forças, elas criam uma rachadura
    , e eles usam todo o vigor para 
    quebrá-la.
    Ao destruir aquele muro mágico, os demônios correm para as suas amadas, e ficam felizes, pela regra de Lilith existir.
    Já que sem ela, as moças nem 
    sequer saberiam como usar suas habilidades.
    “Vocês foram brilhantes.” Diz 
    Lúcifer enrolando seu pescoço ao da 
    sua amada, enquanto ficam acima 
    da bela Nahemah.
    Todos os demônios fiéis a Lúcifer 
    e Lilith, se curvam em respeito a eles.
    E os dois se abraçam, pousando em
    cima de Graham.
    Logo Mammon, Caim, Asmodeus, e Solomon, se juntam a família, e
    eles ficam em Graham.
    “Este foi o primeiro passo. Onde está o meu guerreiro equivalente? Onde está Azazel?”Diz Lúcifer notando que o 
    ferreiro não está ali.
    Nahemah não tem palavras, apenas sinaliza em silêncio, negando com lágrimas descendo pela face.
    Lúcifer se enfurece. Embora fosse o 
    Filho de Cerridwen e Yaweh, ele o tinha criado e educado. Foi o primeiro filho
    que conheceu, antes de Lucy.
    Lilith também não estava feliz com a perda, queria assassinar Bael a sangue quente. Mesmo sabendo que não tinha chance, contra aquele que tinha parte
    do poder do seu pai.
    “Vamos destruir Bael.” Lúcifer disse com voz feroz, e Lilith concordou.
    “Nahemah.” Ouviu-se a voz do arcanjo, e a jovem virou-se para trás. Apesar da narrativa, Miguel era o único que lhe chamava por este nome.
    “Eu devo ir. Ele tentou salvar Azazel.”
    Diz caminhando pela fera, e Lúcifer fica de queixo caído. Jamais pensou que o
    arcanjo, pudesse fazer algo que não 
    lhe fosse conveniente.
    “Talvez se o seu pai e o meu se unirem,
    eles podem ter uma chance.” Diz Miguel
    , e a jovem apenas balança a cabeça.
    “Eu irei ajudá-los. Mas não posso entrar diretamente. Bael me destruíria.” Diz
    Harmonia, voando como um 
    fantasma.
    “Então o quê pretende fazer?” Pergunta a garota, sentindo o vento em seus
    cabelos.
    “Te dá a minha chama sagrada.” Diz a grande titã primordial, e o anjo fica
    com os olhos arregalados.
    “Nem pensar! Isso vai matá-la!” o 
    anjo grita, e a dama o encara com indiferença.
    “Não vai. Ela já é quase uma deusa, tal como a mãe. Só precisa deste poder.”
    Diz a velha Harmonia, sorrindo 
    para o jovem.
    “Ela é humana com a descendência de Caim. Ela tem o sangue de Lúcifer, que é filho de Cerridwen, portanto o poder do
    gene, se encontra adormecido nela.”
    Esclarece mas o arcanjo não se
    mostra convencido.
    “Além do mais, se ela não concordar com os meus termos, nunca mais verá o seu amado Azazel. Pois reencarnar ou não, depende apenas de mim.” A sábia anciã ameaça a moça, e seus olhos se
    arregalam.
    “É bem simples. Um favor por outro.
    Vire uma deusa, e escolha o próximo destino do seu parceiro, ou deixe-me escolher, e o mando para o portal.”
    A velha ri com maldade, e a dama congela. O portal era o pior lugar para onde Azazel poderia ser enviado, pois
    lá, tinham diversas criaturas nocivas, até mesmo para os deuses.
    “Aceito.” Nahemah concorda, e o arcanjo fica sem reação.
    “Como sempre fazem tudo pelos seus demônios. É melhor assim Miguel, esta menina tal como a mãe, jamais deve se unir a um celestial.” Harmonia julga
    a atitude da neta.
    “Então aceita o amor dos meus 
    pais?” Nahemah a provoca com sarcasmo.
    “É preferível que anjos e demônios são
    misturem mais.” Harmonia responde.
    O amor de Cerridwen e Lúcifer muito 
     a desagrada.
    Porém nada mais faz para impedi-los, apenas preserva seu querido 
    Yaweh. 
    “Eu não sou meu pai.” Miguel decide
    falar, em vez de apenas acatar a
    vontade da avó.
    Esta o reprimi imediatamente, mas
    ele não reage.
    Isto era preocupante, pois significava que a cópia perfeita de Yaweh, estava 
    a apresentar o defeito da falta de 
    disciplina.
    “Ela não vale a sua queda.” Diz a titã,
    e a jovem desvia o olhar. Já fazia um tempo que o evitava, e  não era 
    agora que iria parar.
    “Vamos ao que importa. Por favor. Como fará de mim uma deusa?” 
    a dama pergunta, desviando o assunto desagradável. 
    “Desta forma.” A criatura enfia um raio no coração da dama. 
    Fazendo seu corpo estourar por dentro, com tanta força que o sangue voa.
    Ela berra desesperada, e Miguel fica pasmo com a atitude da anciã.
    Suas mãos apertam os braços dele, 
    mas ele não a deixa cair no ar.
    “Eu não vou suportar!” Grita ao 
    sentir seu corpo se transformar 
    em energia.
    “Miguel!” É o seu último grito antes de
    explodir, nos braços do príncipe do
    mundo celestial.
    Mas assim como explode se refaz, tal como um Deus, agora é imbatível
    equivalendo-se a  Bael.
    “Agora eu vou matar Bael!” Ruge flutuando no ar, com asas de
    energia.
    “Não. Você vai libertar Yaweh, para que ele e o seu pai o derrotem. Tem apenas a minha chama, e o poder de Caos é
    muito mais destrutivo.” A velha a
    desanima.
    “Está bem. O quê faço?” Questiona, 
    e Harmonia lhe responde “Use sua criatividade. É uma deusa criadora agora”.
    A jovem então imagina o multiverso com milhões de cordas, e que pode manipulá-las.
    Sendo assim todas estas cordas, destinos, devem lhe obedecer, e por 
    isso não demora para achar 
    Yaweh.
    Ao entrar na prisão do avô, este fica surpreso com quem veio resgatá-lo, e não consegue deixar de se sentir mal, por tanto tê-la atormentado.
    “Não vim por você. Nós não somos 
    uma família. Apenas devia um favor a Miguel, ele tentou salvar meu amado.” Diz antes que venha o agradecimento
    do Deus caído, e Miguel dá razão a 
    nova deusa.
    “Preciso conversar com Cerridwen.” É
    a primeira coisa que diz. 
    “Terá tempo para isso. Vamos.” Diz 
    a bela, levando o criador para a liberdade.
    “Você não conseguiu não é?” Deus
    pergunta para o filho, e este ri
    baixinho.
    “Ainda não.” Diz olhando para 
    a criatura voadora, que o observa
    sem entender nada, e segue em
    frente.
    Yaweh e Cerridwen fazem um acordo 
    de ajuda mútua. Ao ouvir que o velho estava de volta, muitos anjos correm
    para servi-lo.
    Como diz o velho ditado. “Um rei nunca perde a sua  majestade.” Haviam os que estranhamente lhe eram gratos, os que gostavam do seu sadismo, e aqueles
    que o amavam acima de tudo.
    O exército de Bael reduziu rapidamente com a chegada de Yaweh, e ao ouvir que a filha o tinha libertado, Lúcifer
    ficou furioso.
    “Você enlouqueceu?! Só porquê o arcanjo mudou pelo que o fez sentir,
    não significa que Yaweh merece uma segunda chance!” Berrou para a
    jovem, que ficou em silêncio.
    “Ele torturou a sua mãe, quase te matou, e ainda destruiu nossa família por séculos. Como pode nos trair desta forma?!” O imperador do Inferno, disse batendo contra a mesa de pedra.
    “Papai eu não tive escolha.” É a sua primeira defesa, antes de pensar em
    outra resposta.
    “O quê? A velha Harmonia te ofereceu a oportunidade, de ser uma semelhante a sua mãe por completo, e você não a
    agarrou? Difícil de acreditar Luciféria Lilith II!” Responde-lhe com sarcasmo.
    “A vovó ameaçou jogar Azazel no portal, se ela não fizesse.” Diz Miguel invadindo o recinto com indiferença, e a bela por mais raiva que sinta deste, lhe agradece em silêncio, arrancando-lhe
    um sorriso.
    “Harmonia fez o quê?! Esta mulher já está passando dos limites!” Lúcifer fica exasperado, e os jovens se encolhem.
    “Oras Lúcifer sua filha é muito fácil de enganar. Jamais atiraria o moleque no portal, ele é o quê mantém ela longe
    do meu neto.” Diz o espectro de 
    uma idosa.
    Ao ouvir aquelas palavras, Luci se sente intrigada, e se retira daquele local. Indo
    para o meio da cidadela, onde observa
    as estrelas, e outra vez manipula as
    cordas do destino.
    “Miguel vai se apaixonar por esta criatura insignificante! Isto não pode acontecer! Ele deve protegê-la,
    e amar a criatura mais perfeita que
    criei para ele, a doce imitação de
    minha amada filha Hécate! ”
    É a mensagem que lhe vem a mente, 
    e então esta induz mais um dos cruéis ataques de Yaweh a Cerridwen, e este a engravida de um bebê, que no futuro se chamaria Azazel, mas nem a primeira sabia a razão disso.
    “ A chegada deste filho, criará um empecilho para o anjo apaixonado. Por ser mais jovem, e ser educado pela  Cerridwen, crescerá um rebelde, e fará
    um par perfeito para esta coisa de
    cabelos vermelhos.” 
    E assim vê-se o início da infância de Nahemah, onde ela e o irmão estavam sempre juntos nas maiores enrascadas, e Miguel apenas os supervisionava.
    Pois para Harmonia, o fato de seu 
    neto conviver com a sua perdição desde cedo, lhe faria vê-la com indiferença.  O quê ela não esperava, era que a moça é que iria despertar o amor pelo arcanjo,
    e não desistiria até conquistá-lo.
    “Nahemah” Ouve a voz do seu primeiro
    amor, vindo por trás dela, e uma lágrima cai.
    “Vá embora.” Diz de imediato, e seus pés que não tocavam o chão, afundam na areia fofa. Todavia o alado não só não parte, como fica a esperar uma resposta.
    “Não é hora, nem o momento.” Diz se preparando para ir, mas o arcanjo pega seu pulso, e nota que sua face está rubra.
    “O quê houve desta vez?” Pergunta-lhe secando suas lágrimas. 
    “Não importa. Apenas fique longe de mim.” Retruca e se afasta tomada pelas sombras da dúvida. Todo o sofrimento não só estava previsto, como foi escrito,
    para favorecer o príncipe sombrio, e
    agora ela se perguntava se o quê sentia
    era real, ou outra obra egoísta de sua
    avó manipuladora.
    “Nah...” Mas antes que prossiga, a bela o silencia com o indicador, o deixando
    confuso.
    “Sei que me chama assim, porquê significa Agradável, e poucas coisas são 
    na sua vida. Mas acho que Eke merece
    este nome mais que eu.” É tudo o quê
    diz antes de partir.
    Miguel fica sem entender nada do quê se passa. Nunca se interessou por Eke, na verdade a achava insuportável, por ser tão submissa, e sem vontade 
    própria.
    Se aquilo era ciúme. Era um ciúme infundado, por isso queria resolver logo
    , já que indicava que a bela ainda tinha sentimentos por ele. Pobre iludido.
    “Nah...Luciféria. Eu não sinto nada por Eke!” Disse o arcanjo, quando a viu atravessando a porta. Por ouvir isso, a jovem não se contém, e esmurra a
    mesa de pedra.
    “Diga para ele querida vovó.” A nova deusa encara a primordial, e esta foge do seu olhar, contudo usando o seu poder, a garota vira-lhe o rosto, forçando-a a olha-la.
    “Diga.” Soa como uma ordem, e os dois anjos mais bravos do céu e do inferno, ficam apreensivos por tamanha
    ousadia.
    “Você e Luciféria não estão juntos por minha causa.” Confessa a anciã, e aquilo não surpreende a ninguém, todos sabiam da sua onipotência gigantesca, e por isso a deusa menor, lhe joga um
    olhar para continuar.
    “Quando soube que Cerridwen tinha se apaixonado por seu próprio filho, temi o quê estava por vim, e quando vi que você se apaixonou pela filha dela, tive de tomar providências.” Prossegue deixando a todos de queixo
    caído.
    “Você não sabia do romance do meu pai com a minha mãe!” Grita-lhe com impetuosidade, e notando o seu grau de estresse, o anjo afasta-se do irmão, para lhe dá algum apoio.
    “Não? Ah deve ter visitado a linha do tempo errada, quando soube que um anjo o levaria a perdição, e mais tarde vi que era ruiva.” A velha ri da ingenuidade da pequena.
    “Eu sabia que ela iria machucá-lo.
    Você nasceu de um casal do perfeito matrimônio, e ela de uma abominação.” Responde olhando 
    para o rapaz, que se mostra também furioso agora.
    “Por isso antes que ela viesse, lhe dei o par ideal, para que vocês não ficassem juntos. Meu filho, Eke é o seu par, não
    Luciféria” Segura as mãos de Miguel
    , e este se solta com repulsa.
    “E o quê nós queríamos? Os sentimentos de cada um? Isso não
    valia de nada?!” Miguel é o segundo a gritar com a sogra do imperador, e este observa este momento, saboreando 
    a revolta contra ela.
    “Azazel realmente me ama? Eu o amo? Ou isto foi só parte do seu plano estúpido?!” A dama diz tremendo-se por completo, tomada pelas 
    lágrimas.
    “Já chega.” Diz Lúcifer silenciando a todos na sala. “Não importa se esta senhora lhe empurrou Azazel. Ele pode ter nascido para atrapalhá-los, mas não
    é obrigado a amar ninguém. Até porquê
    se tem algo que os primordiais não
    conhecem é o amor.” Prossegue tentando acalmar a filha.
    “Você! É tudo sua culpa! Se tivesse aceitado seu posto de soldado, e não se apossasse da coroa de Yaweh, nenhuma
    destas aberrações estariam aqui!” A
    primordial o acusa, e o demônio ri
    de tamanha hipocrisia.
    “É? Então para você o certo, seria deixar Cerridwen nas mãos de Yaweh, ou como Lilith nas mãos de Adão? Sendo humilhada por ambos, sem saber do próprio potencial?!” Urra como um
    leão, e a velha o ignora.
    “Se este é o correto, por quê não?” 
    A velha retruca, e o rei demoníaco ri de novo, claramente ensandecido. No entanto a mão delicada em seu ombro o silencia, é Lilith que se mostra bem
    calma, perante as sandices da
    mãe.
    “Não adianta discutir. Ao menos Yaweh parece entender, então em vez de perder tempo com essa senil, por quê não nos preparamos para deter Bael?”
    Diz com tanta classe e imponência, que todos se curvam perante a ela, menos
    a sua genitora. Sem dizer mais uma palavra, Lúcifer segue sua rainha, e a primordial se vai, deixando apenas o
    casal mal resolvido para trás.
    “Eu tenho que ir.” Luciféria se prepara para partir, porém o arcanjo não a deixa sair.
    “Não me importo com a vontade de Harmonia. Eu amo, e sempre vou amar você, somente você.” Diz em seu ouvido, e aquilo mexe com a sua cabeça, porém antes que aconteça algo, ela se lembra de Azazel, e se esforça para seguir
    para longe.
    “Meu marido acabou de morrer. Seria desrespeitoso.” Diz com a voz fraca, lutando para se soltar, e um sorriso bem saliente, se forma no rosto do arcanjo. “Mais desrespeitoso que ter relações com ele no dia do nosso casamento? Eu acho que não.” Rebate, beijando-a de surpresa, ela tenta resistir, só que não consegue. Seu coração ainda pulsava por ele, mesmo que agora fosse uma pequena parte, e por isso aqueles
    segundos se prolongaram.
    “Chega.” Tem força para empurrá-lo, e este passa a mão nos cabelos sedosos. “Só foi capaz de dizer isso agora?” Brinca fazendo referência ao tempo que passaram, sentindo seus lábios se tocarem.
    “Isso não vai acontecer novamente.” Sai um pouco envergonhada, ajeitando os seus cabelos ruivos, e para o seu azar a prima vê tudo.
    “Beijando a esposa do seu irmão? Nossa Miguel, você já foi mais certinho.” Diz a moça de cabelos negros, exibindo os seus seios enormes para o anjo.
    “Ela teria sido minha esposa, se você não contasse a Azazel onde ela estava no dia do casamento. O quê quer Eke?” 
    O soldado volta para o seu estado natural de desprezo e indiferença.
    “Eu quero você meu doce de abóbora.” Diz ela com voz infantilizada subindo de quatro na mesa de rocha, e o ser alado a ignora. Uma coisa era sensualizar, outra era o baixo nível de Eke.
    “Até mais, e se cobrir um pouco mais não vai te matar.” Diz se retirando do local, e a jovem sopra o cabelo no
    rosto.
    “Ela dorme com o seu irmão no dia do casamento, e fica com você no dia que ele morre, e eu que sou a meretriz?!” A morena provoca, e isto irrita bastante
    o ser celestial.
    “Não ouse sujar o nome dela. As coisas que Nahemah faz, são porquê ela ainda não se decidiu sobre nós 2. Mas assim como eu a beijei, tenho certeza que o idiota do Azazel a seduziu! Ela não
    é como você!” Discursa defendendo a sua amada, e sai do lugar, deixando vilã jovem enraivecida, pois sempre Luciféria, se livra da culpa, e não só é dona de um coração, como de 2 seres bem poderosos. O quê significa que tem chance de reinar no céu, ou no inferno, enquanto ela está fadada aos nobres, que considera os restos da hierarquia satânica.
    “Nahemah é? O quê diria se ela virasse uma prostituta na boca dos homens?” Diz Eke passando a língua entre os dentes, e então toma a forma de Isis, e resolve dormir com os 10 primeiros que encontra no oriente. 
    Fazendo-os espalhar a fama de que Isis da Suméria, era uma vagabunda, que não prestava, e aceitava qualquer coisa por umas moedas de ouro. 
    No entanto quando isto chega aos ouvidos de Miguel, este gargalha, pois agora que Luciféria tinha o dom da manipulação da realidade, podia não só vigiar a inimiga, como também provar suas artimanhas.
    “Vai deixar isto barato?” Diz Miguel ao mergulhar nas linhas do destino, e Luciféria cai no escárnio. 
    “É claro que vou. Meu nome de batismo é Luciféria. Se ela quer sujar Nahemah que vá em frente, mas aguente as consequências mais tarde.” Responde entre risos com o olhar diabólico.
    “Pra mim você sempre vai ser a Nahemah verdadeira.” Diz-lhe meio sem jeito, e a jovem se afasta dele. Tinha lhe dito que o fato não se repetiria, e se dependesse dela, não iria mesmo. 
    Só estavam juntos neste momento, porquê Luciféria e ele ficaram de vigiar as entradas do refúgio.Já que ninguém do inferno quis fazer par com a deusa
    angelical, por ter libertado Yaweh.
    “Foco na missão soldado.” Diz com a voz falha, e este ri da péssima 
    atuação.
    Após alguns anos...Luciféria e o 
    arcanjo, desenvolveram certa amizade, 
    o quê deixava os deuses apreensivos.
    “Seu filho não cansa de avançar em
    uma jovem viúva, não é Yaweh?” 
    Lilith culpa o arcanjo, cruzando os
    braços.
    “Sua filha é que não para de tentar encantar o pobre menino!” Yaweh
    rebate, observando os dois 
    rindo.
    Depois daquele estranho momento 
    na sala, o anjo lhe prometeu que esqueceria o romance, mas não iria
    deixá-la se sentir solitária. Algo que
    veio a calhar, pois depois de “trair
    o Inferno.” Amizade estava fora
    de cogitação.
    “Princesa Luciféria.” Disse-lhe uma 
    das criaturas infernais, e esta lhe deu atenção. “Eu sempre a admirei, mas não acredito que libertou Yaweh, não depois de tudo o quê ele fez.” Falou
    sem pensar duas vezes.
    “Foi por causa do arcanjo?” Pergunta sendo intrometida, e a bela levanta as mãos, pedindo uma pausa. “Não fiz isso por Miguel. Fiz por Azazel, ele é o meu par, e apenas por ele me sacrificaria”
    Respondeu-lhe com um sorriso. Sem saber que aquelas palavras, entravam como uma lança no peito do alado, 
    que apenas se distanciou, evitando por 
    hora aquele pequeno conflito.
    “Não espero que entendam. Mas que no mínimo compreendam, Harmonia faria pior, se eu não o libertasse.” Diz e a tal criatura se transforma na jovem e sedutora Éke Hécate II.
    “Não me importo com os seus atos. Faça o quê quiser, mas alguém que se importa, acabou de ser ferido, e eu estou pronta para consolá-lo” Diz 
    Indo atrás do anjo. 
    De certa forma aquilo lhe preocupa, contudo não considera uma má notícia,
    e por isso em vez de impedir Éke, de ir atrás do seu grande amor, apenas volta a caminhar e supervisionar as tropas
    dos demônios.
    As fofocas voam como moscas, e chegam aos ouvidos de Luciféria, que fica furiosa. “Eu não acredito que de fato chegou a este ponto.” Pensa
    ao ouvir o falatório dos
    guerreiros.
    Como de costume vai para um 
    canto deserto, longe de tudo e de 
    todos. 
    Só que desta vez, arranja companhia, sem sequer desconfiar que está 
    sendo seguida.
    Um ser que segue aos outros, a agarra por trás, e coloca uma lâmina na sua garganta.
    “Quieta princesa, sem nobreza 
    alguma. Primeiro veio o boato de que dormiu com o seu irmão, depois com o próprio pai, e agora beijou seu antigo noivo, no enterro do atual marido” 
    Disse-lhe o ser embrulhado em roupas típicas do calor.
    “É óbvio que gosta muito de coisas carnais, e eu estou louco para lhe dar uma.” Prosseguiu retirando o seu membro, e a jovem gritou sem pensar duas vezes, estava tão assustada com atual situação que se esquecia dos
    poderes.
    “Afaste-se dela.” Disse uma voz no 
    meio da areia, e o arcanjo pousou atrás do demônio abusado.
    “Ela gosta destas coisas.” Mas a criatura repugnante prosseguiu, e 
    ainda passou a mão na pele da 
    garota.
    “Todos sabem o quê você fez com ela, e ainda sim ela caiu nos seus braços.” O provocou. O arcanjo não se conteve, e
    o partiu no meio, derramando sangue
    sobre a princesa que estava em 
    silêncio.
    Após salvar a sua vida, e depois do tempo que passaram juntos, ele achou que poderia acalmá-la, mas quando colocou a mão em seu ombro, ela
    saltou para longe.
    “Eu não vou te machucar.” Disse ao guardar a espada, tentando se aproximar.
    “Fique longe.” Foi o quê conseguiu sussurrar, só que ele não cedeu, e lhe puxou pelo pulso para o seu peito.
    “Você, você não é o herói. É por sua causa, que não, não pude me defender” 
    Disse com os olhos grandes de medo,
    mantendo-se firme para não surtar.
    “Nem eu me perdoo por aquilo Nahemah.” Respondeu-lhe ainda mantendo-a no calor dos seus
    braços.
    Ao vê tal cena Éke surtou, e saiu berrando aos 4 ventos que Miguel tinha matado um demônio inocente, porquê a prima tinha tentado dormir com este, e o pobre agricultor a rejeitou.
    Percebendo o alvoroço, Lilith logo notou que havia algo errado, e abandonou a aula que estava dando, para ir atrás 
    da filha.
    “Luciféria está tudo bem?” Lilith 
    pegou no rosto da jovem, e esta continuava num estado de 
    catatonia.
    Como só encontrou ela e Miguel, logo
    quis acusá-lo de abuso, só que ao ver que a menina não largava a mão dele, e estava coberta de sangue roxo, soube
    que desta vez ele não era o 
    culpado.
    “O quê aconteceu?” Perguntou limpando a face da rebenta, sabendo que algo muito ruim havia acontecido.
    “É minha culpa. Eu a desrespeitei, e agora muitos outros pensam que podem fazer o mesmo, por sermos amigos.” Responde sentindo-se o 
    maior causador dos problemas, e 
    ele era mesmo.
    “Amigos? Você a beijou no mesmo 
    dia que o marido dela morreu!” Gritou Eke, e Lilith lançou um olhar de incredulidade para o rapaz.
    “Como eu disse, eu sou o culpado.” 
    Sorriu sem vontade alguma, apenas pela vergonha de encarar a rainha demônio.
    “Cuide dela. Não a deixe sozinha
    .Eu vou resolver essa situação.” Disse para os dois, e partiu até o marido.
    Eke detestou o fato, de Lilith dá a benção para Miguel resguardar a filha, e por isso foi até a sua avó, e lhe contou tudo, sobre o quanto Luciféria estava atrapalhando o destino, e que não
    abria mão do anjo.
    Para dar-lhe uma lição, e satisfazer o desejo da sua neta favorita, Harmonia então jogou a alma de Azazel no portal,
    e jurou que se Luciféria continuasse a interferir, iria destruí-la também.
    Luciféria após se recuperar do choque, sentiu-se ultrajada com tal afronta. Não foi ela que beijou Miguel, nem era ela que o procurava, porquê tinha que
    pagar e levar Azazel junto?
    Graças a Eke parte das tropas celestiais e infernais que tinham aprendido a conviver, agora lutavam entre si.
    De um lado os demônios acusavam Miguel de assassinato, e do outro os anjos diziam que foi para proteger a garota.
    E isso trazia velhas memórias, do porquê tinham batalhado uns contra 
    os outros anos antes do conflito.
    Tudo estava tomado pelas desavenças,
    como se o inimigo tivesse se infiltrado 
    dentro das colônias, para 
    separá-los.
    “Papai não é justo!” Grita a primeira filha do imperador infernal. “Eu sei minha pequena, mas ainda sim voltou
    a se relacionar com Miguel? Mesmo
    sabendo como terminou?” Diz um
    pouco surpreso com a notícia.
    “Foi apenas um beijo, e nem fui eu que o dei.” Retruca envergonhada, mexendo uma das pernas. “Mas você retribuiu. Senão Éke não contaria a ninguém.” 
    O pai rebate.
    “Filha eu amo você, e quero a sua felicidade. Sua avó é louca, só que sobre você e Miguel, eu concordo com ela, não é para acontecer de novo.” O rei
    lhe dá um sermão, e ouvir aquela frase
    sobre ser melhor evitar, lhe deixa um
    pouco triste.
    “Eu não o beijei. Nem o quero de volta.
    Miguel é só um amigo agora.” Tenta responder. “E será que ele sabe disso?”
    Diz Lilith interrompendo a conversa,
    e pede para o amado se retirar.
    “Luciféria desde que nasceu, sempre fiz o possível e o impossível para que não se magoasse.” Diz Lilith, acariciando a bochecha da filha, como se fosse uma criança.
    “Eu não me importo com Miguel! 
    Aquilo foi um erro! Eu só queria que Azazel estivesse bem, e não naquele portal, cheio de criaturas bizarras, de 
    onde só meu pai voltou!” Berra antes que venha outra lição, sobre a impossibilidade de se relacionar com um celestial. 
    Todavia a rainha que é bastante perceptiva, nota uma certa irritação quando lhe é negada a oportunidade de ter algo com o arcanjo. “Ela ainda não o esqueceu também.” Pensa com os seus sábios olhos de coruja. “Luciféria Lilith II.” Chama-lhe a atenção antes de 
    sair.
    “Você não pode mentir para nós. Nem para si mesma.” Diz encarando-a com calma, porém com seriedade, e a moça passa pela porta da frente. 
    “Você? Não morres cedo.” Diz ao ver
    o arcanjo encostado na porta, mas este não ri da piada, ao contrário dos outros, acha mesmo que Luciféria, só o vê como
    um bom amigo, e apesar de relevar isto
    , não gosta nem um pouco da ideia.
    “Não me afastarei de ti. Sabe-se lá, quantos mais poderão vim.” Responde com frieza, e a bela só o olha sem muito interesse. É quando um belo pardo vem
    ao seu encontro, e a cumprimenta.
    “Olá irmãzinha. Vou ser seu novo guarda. Papai não quer que ande com
    esse cara.” Asmodeus olha com raiva para o arcanjo, pois Azazel era mais
    que seu irmão, era seu melhor
    amigo.
    “Eu tomo minhas próprias decisões.
    Lúcifer não pode me impedir de ficar perto dela.” O arcanjo dá um passo
    a frente, com o peito estufado.
    “Ah posso sim. Ela é minha filha, e 
    eu não a quero com um psicopata como você.” Responde o rei, e os mais novos
    silenciam-se, assustados com esta
    intervenção direta.
    “Eu a salvei, de um dos seus babilônicos.” O arcanjo rebate com um sorriso de vitória. “É, depois de ter feito pior, e ter lhe levado a tirar a própria 
    vida!” O pai diz sem paciência, e notando o conflito, a jovem fica no
    meio dos dois. 
    “Por favor parem. Papai está certo, é melhor ir com Asmodeus, pelo menos desta forma, ninguém pensa coisa
    errada.” Diz indo embora com o irmão, e o arcanjo fica incrédulo, enquanto
    Lúcifer sorri com satisfação.
    A última batalha antes do fim. Parte IV
    Em meio há tantas desavenças, Lilith 
    se posicionou para defender a filha.
    “Eke foi a responsável por tal conflito.
    O demônio Arctus, não é inocente, e todas que o conhecem sabem 
    disso.” Anunciou para a multidão que
    lhe observava atentamente.
    “O único erro de Miguel, foi tê-lo matado tão rápido.” Disse 
    gargalhando.
    “Sabemos que nós somos diferentes.
    Porém são estas diferenças que nos farão vitoriosos na próxima batalha.
    Por isso guardemos as raivas que temos uns dos outro para o inimigo!” Exclamou com ferocidade e todos lhe aplaudiram, contentes por tê-la como
    líder.
    No entanto havia alguém não muito contente em meio a multidão.
    Embora discursasse como a deusa guerreira, a bela não despertava muita confiança em Lúcifer, por isso ele 
    saiu.
    Ao vê-lo partir Luciféria ficou desconfiada, e deixou Asmodeus no canto com uma linda alada, que estava interessada nele. Indo atrás do seu 
    pai de imediato.
    Notando que estava se colocando 
    em risco, o arcanjo foi atrás dos dois, para garantir que ninguém fosse atrás da garota outra vez, sumindo do meio da multidão, sem ser notado até por
    Eke.
    Quando chegou no fundo do deserto, onde não havia mais ninguém, Lúcifer virou furioso pegando-a pelo pescoço, 
    e atirando um raio em Miguel, achando que estavam tentando matá-lo.
    Contudo ao ver que era sua filha e 
    o irmão, baixou a guarda, e os soltou . 
    “Me perdoe Luci. Você não, você mereceu.” Disse para o arcanjo que
    apenas revirou os olhos.
    “O quê está acontecendo?” A dama lhe perguntou, e o pai ficou de cabeça baixa , não sabia como lhe contar, estava se sentindo envergonhado demais para
    falar.
    “Vamos papai diga!” Disse-lhe temerosa sobre o quê estava vindo a acontecer. “É sua mãe. Desde que o Inferno foi invadido, ela não é a mesma.” Responde com 
    tristeza.
    “Estes ataques mexem com a nossa cabeça mesmo. Não deve ser nada.” A jovem tenta acalmá-lo, e este fica um pouco chateado. “Ela tem sido infiel a mim!” Grita para a pequena, e os
    seus olhos crescem.
    “Como assim?” Miguel pergunta desconfiado, entrando na conversa sem ser chamado, mas Lúcifer está tão triste que resolve desabafar. “Oras ela tem se deitado com nossos servos, todas as noites, pelas minhas costas!” Berra
    em tom de fúria, e os dois se entreolham.
    “Não me importo com isso em si. A infidelidade aqui, a traição, é porquê 
    ela não me contou nada, eu tive que descobrir!” Diz com lágrimas douradas descendo pela face, e a filha o 
    abraça.
     “Eu que a fiz minha melhor amiga, 
    e agora ela vem e me apunhala  pelas costas!” Ele retribui o abraço, e a moça olha para Miguel, que fica apenas a
    analisar os fatos.
    “Apesar de achar que traição é comum na sua família, não acho que Lilith está fazendo tal coisa.” Responde o anjo, 
    e a princesa o fulmina com o 
    olhar.
    “Elas não cometem traição, sem haver sentimentos, e não creio que Lilith ame a todos os servos.” Conclui olhando nos
    olhos da dama, que fica desconcertada 
    com tais palavras, mas não desvia
    dele.
    “Há algo errado, e precisamos averiguar sem chamar a atenção.” É
    o quê fala para os infernais. “Então a minha Lilith, não é...?” Lúcifer pergunta voltando a razão, e Miguel ergue uma sobrancelha, indicando um talvez.
    “Deixem comigo. Eu tenho acesso 
    as cordas do destino, posso descobrir o quê está acontecendo.” Luciféria se 
    dispõe a ajudar, e os irmãos 
    concordam.
    A bela se afasta de seus familiares, 
    e vai para um canto silencioso, onde fecha os olhos, e se concentra nas
    linhas do destino de sua 
    mãe.
    Está tudo escuro, uma gosma de 
    plasma pinga no piso. Tudo o quê se houve, é o gotejar da água, que parece ecoar como se fosse dentro de uma 
    caverna.
    Lilith está colada a uma teia de 
    aranha, enrolada como se fosse um casulo, e sempre que as linhas brilham, esta agoniza, e cospe sangue. Há uma
    aranha gigante ali, pronta para lhe
    devorar, mas está a aguardar o
    momento certo.
    “Lúcifer por favor não acredite nela.” É o quê sussurra, como se estivesse num terrível pesadelo, e Luciféria volta a si,
    num suspiro profundo, caindo na 
    areia.
    “Nahemah! Tudo bem?” O arcanjo corre para ajudá-la a se levantar, e a moça o olha com indiferença. “Já disse que é Isis.” O corrige. “Já disse que é Nahemah.” Ele rebate.
    “O quê viu?” Lúcifer aguarda ansiosamente pela resposta. “Mamãe está em apuros.” A menina responde 
    se levantando, e quase desmaia pois
    o lugar, lhe sugou muita energia.
    “Cuidado.” O arcanjo a pega nos braços antes que caia, e esta fica vermelha de vergonha. “Estou bem, não preciso de...” Seus olhos se fecham outra vez, e ela vai para uma outra dimensão, onde se encontra em meio ao deserto, sentindo
    o vento árido em seu rosto.
    “Onde estou?” Pergunta erguendo o
    pulso contra a testa, para se defender
    do ataque do Sahara.
    “E importa?” Responde-lhe uma voz familiar, e ela reconhece como seu pai,
    mas basta ver os olhos negros para
    saber que não se trata dele.
    “Socorro!” Berra desesperada, e acorda no mundo das aranhas. “Luci está tudo bem?” O arcanjo lhe pergunta, e ela
    se solta, afastando-se de todos.
    O sol está raiando, o calor se faz presente, mas a princesa do inferno
    sente muito frio. Com as mãos na cabeça, ela cai no chão arenoso.
    E então uma mulher de cabelos negros,
    e olhos verdes como neon, vem ao seu
    encontro para socorrê-la. 
    “Você está bem?” Perguntou-lhe a moça. “Sim” Respondeu, mas quando sua palma entrou em contato com
    ela, a moça soube quem 
    era.
    “Você é a filha de minha irmã Lilith!
    Como está grande!” Cumprimentou-lhe
    , e a dama ficou confusa, e sem dizer
    nada, a mulher lhe roubou um
    beijo.
    Em vez da saliva comum, saiu um espírito verde da sua boca, que veio a entrar na garganta da jovem, como
    se fosse uma fumaça viva e
    brilhante.
    Após a menina engolir até a última
    molécula da energia, as estranhas veias
    secam, e a mulher vira pó. Ao sentir isso
    na pele, a dama não suporta a força
    em sua carne, e desmaia.
    “O quê é você?” Pergunta-lhe dentro
    da própria mente. “Eu sou você agora, e juntas formamos uma. Mas no futuro só uma restará, com poderes duplicados.”
    Responde-lhe a forma estranha.
    “Não, eu não quero lutar pelo  
    domínio do meu corpo.” Retruca. “Devia ter pensado nisso, antes de se matar.” É o quê rebate, em meio a gargalhadas
    de escárnio.
    “Aaaaah!” Ela grita em desespero, 
    e ao voltar a consciência, procura algo 
    para se cortar. “Não vai funcionar.” Lhe
    diz com confiança, e ela se força a
    vomitar.
    “Não.” Nega com alegria. Ao vê-la 
    se contorcendo, o arcanjo corre para lhe ajudar. “Saia daqui!” Ruge como um leão, e tal como o felino, salta
    para trás.
    “Nahemah? ” Ele pergunta assombrado com a voz demoníaca saiu da garota. A pobre, corre por entre o deserto, em completo desespero.
    “Socorro!” Grita aterrorizada, no 
    meio do nada, e ninguém vem para resgatá-la, pois estava longe, até 
     do quê até os deuses podiam
    alcançar.
    Ao adquirir tamanho poder, ficou
     tão veloz, que ao correr, pulou por
    mais de 5 das 9 dimensões 
    divinas.
    “Pequena criança, você precisa 
    de  ajuda não é?” Disse-lhe um ser, passando a mão em sua cabeça,
    enquanto ela ficava de 
    joelhos.
    “Papai?” Levanta o olhar, e se
    depara com o senhor supremo. “Não,
    é o titio Bael.” Respondeu-lhe com um sorriso, e esta se afastou indo para 
    trás.
    “Fique longe de mim!” Grita como 
    um humano, após ver o demônio. “Seu
    pai, e eu compartilhamos a mesma forma. Não há o quê temer.” Ele
     tenta lhe ajudar, mas ela 
    recusa.
    “Aceite. Tudo ficará bem.” Diz ao
    erguer a mão, e esta se levanta sem
    lhe dá outra oportunidade. “O quê
    queres de mim?” Inquire de
    imediato.
    “Tirar toda esta dor e sofrimento 
    minha pequena.” Responde, e ela ri
    “Em troca de quê?” Questiona de
    imediato, sendo sarcástica.
    “Você receberá fama, glória, e 
    fortuna.” Responde criando a maior
    ilusão de poder. “É tudo o quê sempre quis não é? Isis.” Alega colocando
    um colar de ouro em seu 
    pescoço.
    “Isis, o nome de uma deusa. Mas olhe para você, já foi uma princesa, adorada, respeitada, e amada, e no planeta em que vive agora, não passa de uma
    serva.” O diabo toca na sua
    ferida.
    “Eu sei o quê tem no seu coração. 
    Apesar de aparentemente ser feliz por
    servir os deuses, na verdade gostaria de voltar a ser um deles.” Passa a mão
    em seu ombro, rondando-a como
    uma serpente.
    “Isis. Você pode ter tudo isso 
    outra  vez, basta me entregar a chama da velha. Este poder, só te trará dor, e
    sofrimento, mas em mim será a
    razão do futuro.” Persiste em
    seduzi-la.
    “Um futuro onde todos curvam-se 
    para você? A onde minha posição irá se encaixar?” Pergunta-lhe com ironia. “
    Na imaginação deles, e todas as vezes
    que ouvirem o teu nome e te adorarem
    , você ficará mais forte.” Responde.
    “Sendo real e irreal?” O olha com dúvidas. “Exatamente. Querida aos meus aliados, tudo será permitido. Não
    Importam as regras, pois sou a favor da total liberdade.” Sorri, imaginando todas as atrocidades que irão
    permear o mundo.
    “E os outros?” Pergunta-lhe com 
    total ceticismo. “Eles não merecem esta honra.” É claro e objetivo. “Tem que me prometer, que não os machucará.” 
    Lhe impõe.
    “Suas mortes serão rápidas e silenciosas.” Promete-lhe, e a pega
    nos braços. “O quê está fazendo?” Ela
    pergunta. “Da mesma forma que o
    recebeu, deve transmitir.” Lhe
    esclarece.
    “Certo. Mas se a sua boca encostar
    na minha, eu enlouquecerei de tanto nojo.” Responde. “Eu sou tão belo quanto Lúcifer.” Retruca, sentindo-se
    insultado.
    “Será como beijar o meu pai. Tu Enlouqueceste?!” Grita, e ele tenta abocanhar o ser primordial. Ela lhe
    transmite, evitando o contato bucal, 
    até olhar para a mão deste, e notar 
    que os dedos estão cruzados.
    Sabendo que será enganada, em 
    vez de lhe transmitir o espírito, usa o
    magnetismo, e puxa a essência dele
    para si. Suas veias pulsam sem
    parar, seu corpo parece
    não suportar.
    A regra para receber a chama de Harmonia era clara, ela tinha que ser dada ao próximo, mas a de Caos só
    podia ser tomada, por aqueles que conseguissem dominá-la.
    “O quê está fazendo?!” O demônio
    grita com ela, mas esta continua a se
    manter com os pés firmes, e tenta em
    segundos dominar o Caos, com o
    poder de Harmonia.
    Notando que está sendo roubado, o
    diabo acovardado corre, e a moça cai de joelhos no piso. Ao ver que as suas
    células, estão se desfazendo sem 
    voltar ao normal, ela se
    assusta.
    “Socorro!” Berra ao voltar para 
    frente de Miguel, que a pega em seus braços, com estranheza. Para os seres
    carnais, só haviam se passado alguns segundos, como se ela tivesse se
    telestransportado.
    “Temos que salvar Lilith agora!” Grita
    em desespero, e seus cabelos começam a enegrecer, enquanto a pele empalidece.
    “Luciféria o quê fez?” Lhe pergunta 
    seu pai, e ao ver que o olho da menina está colorido com um violeta quase branco, descobre.
    “Você se encontrou com Bael!” Urra
    claramente furioso com o fato. “Ele, me procurou, mas, eu, disse, não.” Ela tenta responder. “Não, há, tempo.” Segura a mão de seu pai, e do seu tio, e os leva
    para o mundo obscuro.
    Ao chegar lá, se deparam com a 
    pobre rainha aprisionada num casulo, 
    e sem perder tempo, correm para lhe
    tirar dali. Contudo ao dar o próximo
    passo, Luciféria não suporta, e
    desmaia.
    “Vá resgatá-la, eu cuido da Lucy.” 
    Responde o arcanjo, quando o rei dos demônios, vira-se para ver se a filha está bem. O alado pega a jovem no
    colo, e tira seu cabelo do rosto, 
    para ver se está bem.
    “O quê houve Lucy?” Pergunta-lhe o 
    Jovem homem. “Preciso, salvar, todos.”
    Responde, e o agarra pela roupa, lhe beijando de surpresa. Mas não se
    trata de um beijo sentimental, 
    pois o faz de maneira 
    agressiva.
    “O quê foi isso?” O anjo lhe pergunta,
    sem entender porquê a dama o atacou, e antes que diga algo mais, ela o beija
    outra vez. “Retribua” Tenta lhe pedir,
    e este o faz, ainda desconfiado.
    “Nota-se que não está com Azazel 
    não é Luciféria Lilith II?” Diz-lhe sua mãe, saindo de trás de Lúcifer, que
    também não fica feliz com a cena
    , que está vendo.
    “Eu precisava descarregar a energia,
    e a melhor forma foi esta.” Responde e
    o anjo fica espantado. “Eu fui usado?
    Sem piedade?” Diz com o olhar 
    cheio de dor.
    “Não é hora para chorar. Eu estou 
    com a chama do Caos, e a de minha avó Harmonia, acho que não passo de hoje
    .” Mostra os braços, e olha para as
    veias radioativas no seu 
    corpo.
    “Como isso é possível?!” Lilith a questiona, sem entender o quê está havendo. “Bael tentou me seduzir com promessas falsas, e eu arranquei esse poder dele, fingindo ceder a chama.”
    Responde lembrando daquela
    estranha dimensão.
    “Como você tem a chama de Harmonia?” Inquire ainda abalada 
    Pelas revelações do dia. “Há quanto tempo roubaram a sua forma?” Ela
    Fica incrédula.
    “Desde que Belzebu invadiu o 
    Inferno.” Responde de má vontade.
    “E quem descobriu a verdade?” Ela
    pergunta, curiosa para saber a
    quem agradecer.
    “Fui eu.” Miguel dá um passo
    a frente. “Ah ninguém importante.”
    Passa pelo arcanjo, e abraça a
    sua filha.
    “Mamãe adoraria ver a reunião
    entre o filho renegado e a mãe que
    o despreza. Mas não há tempo.” É
    o quê diz, destruindo o clima de
    tensão.
    “O quê quer fazer  agora que tem 
    tais poderes ?” Pergunta desconfiada, e a dama desmaia em seus braços. “Lucy”
    Miguel é o primeiro a reagir com
    preocupação. 
    “Onde estou?” Se pergunta deitada no quê parece ser uma tela vazia, e então se levanta, observando ao redor. 
    Uma silhueta familiar vem ao seu encontro, parece ser o seu pai na forma demoníaca. O quê lhe trás apreensão, 
    pois acredita que é Bael.
    “Papai?” Pergunta desconfiada, 
    então ouve risos piedosos, mas a voz não pertence ao imperador, ou ao inimigo, o quê lhe intriga.
    “Não, mas ficará igualmente feliz ao
    saber” Responde, e o olhar dela brilha.
    Seus passos se tornam velozes, e ela
    se atira nos braços da criatura.
    “Azazel!” Dá um grito jubiloso, e 
    ele a carrega sem problema algum, 
    sentindo-se feliz pela recepção
    tão calorosa.
    “Como isso é possível?! Eu vi a 
    anciã jogar seu períspirito no portal!” Ela pega no rosto do amado. “Sim, 
    e ela o fez.” Esclarece, ainda a
    abraçando.
    “Então?” Questiona mostrando-se confusa. “Lúcifer e eu, já estávamos prontos, para tal eventualidade. Nós
    Já havíamos atravessado a barreira”
    Enfim revela. “Por quê?” Inquire em tom imperativo. 
    “Fora o fato de que era divertido, 
    nós acreditávamos, que nas outras dimensões, haviam materiais para 
    deter Yaweh, de uma vez por 
    todas.” Responde.
    “E para deter Bael?” Pergunta de imediato, e o charmoso demônio só abaixa a cabeça. “Yaweh era só mais 
    um Deus, mas Bael tem o poder do
    nosso avô.” Mostra-se um pouco decepcionado.
    “Então estamos fadados a nos 
    Render a ele?” Volta a interrogá-lo. “Não, se nós separarmos a chama
    de Zebub dele” Lhe dá uma 
    saída.
    “Que bom. Porquê eu consegui.” Ela o surpreende, e o faz sorrir. “Isso explica a aparência nova e soturna. Mas como?” Não consegue deixar de sentir 
    curiosidade.
    “Longa história. Só que em resumo: Ele me fez receber um poder, que acreditou que eu lhe entregaria, para voltar a ser
    reconhecida.” Conta-lhe com
    tristeza.
    “Tocou na sua maior ferida, e você quase lhe entregou, mas no fim se virou contra ele, e conseguiu roubar o poder do seu avô de volta.” Conclui, e ela
    se envergonha por quase 
    cair.
    “Exatamente, e estou amando cada segundo que desfruto com você, mas eu preciso voltar pro outro lado, antes que os poderes extremos do universo, me 
    despedacem, e gerem mais uma dimensão.” Responde se 
    afastando.
    “O quê vai fazer?” Lhe pergunta com
    certa preocupação, pois tal poder iria de fato matá-la para sempre. “Eu não sei,
    só sei que preciso consertar o mundo
    antes que seja tarde demais” Lhe
    diz, e ele a pega pelo 
    pulso.
    “Luciféria, tome cuidado.” Pede-lhe 
    com medo, e esta sorri sem vontade, se
    distanciando dele, até acordar num
    suspiro profundo.
    “Nahemah.” É a primeira palavra 
    que ouve, e já se irrita. “Já disse que é Isis.” Diz acordando num tapete, e olha para os seus pais, que estavam lhe
    esperando aflitos.
    “Precisamos fazer alguma coisa logo.”
    É o quê diz ao acordar, e então a mãe se ajoelha ao seu lado, empurrando o arcanjo para longe.
    “A sua avó deve saber o quê é melhor”
    Responde-lhe, e então a menina grita em desespero, sentindo o raio de Caos saindo do seu corpo. “Idiota. Achou
    mesmo que tinha domado o Caos
    por completo” Ouve-se na
    escuridão.
    E todos se preparam para lutar, mas
    o demônio gargalha, e rouba a menina diante dos seus olhos, tornando-a sua refém ao prendê-la contra o
    peito.
    “Se machucar a minha garotinha, 
    vai se arrepender do dia que saiu da prisão!” É o quê Lúcifer brada, com a saliva de ódio, escorrendo pelos
    lábios.
    “Ora irmãozinho, por quê eu destruiria alguém tão preciosa?” Pergunta-lhe ao tocar no rosto assustado da dama, que não consegue reagir, porquê ele está
    sufocando seu poder, tornando-o
    nulo.
    “Achou que meu propósito era 
    oferecer um pacto?” Pergunta para a jovem, e esta é libertada somente para falar. “Na, não era?” Responde ainda em pânico. “Não, eu queria que me
    sugasse a energia, para ter o total
    controle de você.” Revela.
    “Por, por quê?” Sussurra com a voz fraca, mostrando-se debilitada. “Oras por quê Harmonia fez o quê eu queria, te deu o poder da filha morta, para
    libertar Yaweh.” Continua  a
    falar.
    “O único poder que poderia atravessar o tempo, e tirar toda a minha capacidade.” Sorri, pegando no cabelo da jovem, que era estava ondulado, progredindo para o liso.
    “Mas... você, você disse que a vovó só me entregou a essência, não, não a  chama.”  O contesta, e este 
    gargalha.
    “E você é tão tola que acreditou.” A insulta, ainda atento ao possível ataque 
    que Lilith, Lúcifer, e Miguel planejavam com o olhar. “A mulher que vi...?” Se
    pergunta.
    “Era a Deusa que se foi. Ilusionismo necromântico, seu pai e eu fazíamos na infância, antes de Yaweh me prender, e o torná-lo o favorito.” Se interpõe, e
    a dama olha para o pai.
    “Isso é entre nós dois Bael. Sempre foi
    , achei que o tempo o faria amadurecer, 
    mas vejo que apenas apodreceu.” O 
    ofende, e este ri com escárnio.
    “Que seja. Mas vamos ver como a
     sua amada filha vai se sair no meu lugar!” Responde, e aperta a cabeça
    da menina, gerando uma corrente
    elétrica, que afeta os seus 
    nervos.
    A dama grita desesperada, e quando
    está livre para usar os seus poderes, ele volta a anulá-los. “Solte-a agora!” Grita
    o imperador dos demônios, e o arcanjo
    assisti aquilo, pronto para reagir.
    Só que Lilith pela primeira vez, em 
    um gesto de compaixão, segura no seu
    ombro, impedindo-o de se arriscar. Ele
    é o único dentre os três, que poderia
    servir de agente duplo.
    Já tinha provado que faria qualquer
    coisa por sua filha, e por isso embora ele tenha tentado proteger Azazel, o
    grande traidor, certamente iria 
    lhe chamar de volta.
    Só que se atacasse neste momento,
    iria colocar tudo a perder, e Luciféria não teria nenhum amigo, para lhe
    ajudar a escapar.
    A menina urra e seus olhos sangram
    com tanta intensidade, que o sangue se
    parece com tinta negra. Ela vai para o
    seu próprio inferno, no qual volta
    a reviver o dia que traiu
    Miguel.
    A cada segundo o impacto dele 
    contra o seu corpo, se repete, se iniciando apenas na hora que
    lhe causa dor.
    E desta vez é pior, pois ela sente algo
    dentro do seu corpo, mas vê o arcanjo ao longe, apenas observando tudo
    sem mover um dedo para 
    ajudar.
    Ao olhar para cima, descobre que 
    quem está montado sob as suas costas
    é o próprio Bael, e que seus olhos estão brancos como a luz solar. “Faça o quê
    lhe ordeno” Diz como se comandasse
    alguém.
    Num outro quarto escuro, há uma cortina caída sob a cama, e uma moça
    ruiva como Luciféria, sobe nos lençóis.
    Ela tira as roupas do pai, e se deleita
    em seus braços, fazendo-o lhe
    penetrar.
    “O quê?” Luciféria se  pergunta,
    vendo tal cena, não era sua mãe ali, não chegava nem perto disso. Era uma menininha de 1700 anos, só que ao
    vê-la, sua mãe lhe chamava de
    “Luciféria”.
    “Não! Não sou eu!” Ela esbraveja, horrorizada, tentando escapar do seu torturador, e este sorri deixando-a ali
    estirada, enquanto chama o arcanjo
    , para tomar o seu lugar.
    “Está feito. O coração de Cerridwen
    não será o mesmo, e logo Luciféria será
    destruída meu pai.” Diz o anjo com tanta felicidade, que assusta.
    “Você não falou que a destruíria!”
    Miguel se impõe entre Bael e Yaweh, e o executor se retira, deixando o pai e
    o filho discutirem.
    “Pai por quê fez isso comigo?” 
    A ruiva sussurra, e Yaweh e Miguel correm ao seu encontro, e ambos lhe
    fazem esquecer o ocorrido, dando-lhe
    novas memórias, aquelas que ela
    se lembrava antes.
    “Luciféria nunca mais pisará no meu
    castelo.” Diz uma voz familiar, e agora
    a jovem vê a floresta negra, na qual 
    ocorre um encontro.
    É a sua irmã mais nova, Lilá que está
    conspirando com Bael. E isto faz com a jovem grite, porquê a menina além de
    ter o seu sangue, era a sua melhor
    amiga, e tinha lhe traído.
    “Por quê ela fez isso?! Logo eu que sempre a protegi das represálias de nossa mamãe, e os castigos de
    papai!” Isso lhe atordoa.
    “Por quê!?” Ruge e os fatos se 
    repetem outra vez. Voltando sempre para a traição e o estupro, até que
    ela não suporta. “Por favor!” 
    Ela implora.
    “Por favor Bael faz isso parar!”
     As lágrimas vermelhas escorrem pelo seu rosto, e o deus sorri. “Como desejar.” Diz ele.
    Então todo o pesadelo se desfaz, 
    e se transforma num paraíso perfeito,
    no qual ela e Azazel estão felizes, e
    há um novo deus, o seu pai que
    trás felicidade a todos.
    Os gritos cessam, e ela fica em silêncio.
    Lúcifer observa aquilo com cautela. “O quê fez a Ela?” Pergunta entre dentes.
    “Apenas a mandei para um mundo
    maravilhoso.” Responde, e seus
    olhos ficam sombrios.
    “Luciféria, ataque-os!” Ordena, e os
    olhos da jovem brilham como neon, até carregar duas esferas de energia violeta nas palmas. “Nahemah..Não...” Miguel
    implora, lutando para não reagir, e
    a bela voa na sua direção.
    “Você não vai destruir os meus 
    pais!” Grita enquanto o ataca, mostrando que claramente não está naquela dimensão.
    O soldado, segura seus punhos, mas
     a dama lhe acerta o chute. “Vocês são
    Monstros! Devem ser exterminados!”
    Continua a atacá-lo violentamente,
    com voz de trovão.
    Lilith e Lúcifer se entreolham, e 
    ambos unem forças para atacar Bael. Eles voam na direção do senhor dos
    raios, e aterrissam transformados
    em dragões , só que o ser ri, e
    também muda de
    forma.
    Na forma de um ser com patas de elefante, e o corpo gigantesco, com vários tentáculos do rosto, e asas de morcego. Ao vê-lo, os dragões 
    arrancam-lhe a cabeça.
    Porém este gargalha, e o crânio 
    se refaz. A criatura solta um rugido forte, e os atordoa ao ponto dos 
    seres voltarem a forma 
    humana.
    “Behemoth.” Diz Lúcifer, e o Demônio 
    ri daquilo. “Com todo o poder de Caos e o universo, e você ainda lembra deste nome ridículo.” A criatura caminha,
    cercando-o.
    “Foi como nosso pai o chamou, quando atingiu a sua verdadeira forma irmão.” O eterno rei responde. “De fato, mas
    não altera a questão.” Retruca, e
    o ataca.
    Porém Lilith cria um escudo, e o impede de ser atingido. “Deixará sua mulher, te salvar mesmo?” O provoca, e este ri. “De forma alguma.” Olha para a
    bela, e esta entende o 
    recado.
    “Iremos resolver este problema 
    juntos!” Grita e os dois atacam em
    sincronia, atirando-lhe um raio, no
    meio de um dos 5 corações, que
    rapidamente se regenera.
    “Nahemah.” O arcanjo segura o punho
    da princesa, e bloqueia suas pernas. Ela podia ter grande energia, mas ele foi
    o seu mestre, e sabia como
    pará-la.
    “Vocês são monstros!” Esbraveja, sentindo-se vulnerável. “Acorda...Lucy.”
    O anjo segura-lhe o rosto, enquanto
    prende seus finos pulsos, com 
    a outra mão.
    “Como sabe o meu nome criatura?” 
    Pergunta-lhe claramente assombrada
    com a descoberta. “Porquê não sou um
    demônio.” A imagem do ser horrendo
    desvanece, e ela volta para o tempo
    atual.
    “Para onde me trouxe demônio?!”
    Ela grita, se afastando dele. “Lucy.” O
    ser a agarra. “Este é o mundo real. Não
    o outro.” Ele tenta fazê-la perceber que
    era tudo ilusão. “Do quê está falando?
    Num momento estou em casa, e no
    outro aqui não faz sentido.” É o
    quê lhe fala com desagrado.
    “Aquele lugar não é a sua casa.” Ele lhe responde. “É claro que é. É o lugar que o meu avô cedeu ao meu pai, depois de o perdoar por seus pecados.” Ela mostra
    está distante da realidade.
    “O quê? Não! Yaweh nunca perdoo
    Lúcifer! E por isso você sofreu, e eu tive
    parte no seu sofrimento.” O pobre se
    esforça para fazê-la lembrar, mas
    está evidente que não irá
    conseguir.
    “Yaweh perdoo meu pai sim! E ele e
    a minha mãe foram felizes! Assim como
    sou com o meu único amado Azazel.” A
    última frase, é como uma flecha 
    que o dilacera.
    “Você nunca se apaixonou por 
    mim, digo por Miguel?” Ele pergunta preocupado com o quê iria ouvir. 
    “Está louco? Miguel é meu tio, e 
    O marido da minha querida prima, a 
    quem eu nunca trairia.” Responde, 
    certamente o vendo como um
    ser das sombras.
    “Então no seu mundo perfeito, 
    nós nunca tivemos nada.” Aquelas
    palavras trazem dor ao arcanjo, e
    este se torna sombrio.
    “Com você nada mesmo demônio.”
    Ela responde sem pensar duas vezes,
    e ele abre as asas, levando-a para fora com o brilho no olhar, que lhe era bem conhecido. Era raiva, raiva provocada
    pela rejeição, pela dor, e o medo.
    “Tio o quê planeja?!” Ela grita, ao
    sentir os braços dele entorno dela, e vê que estava com Miguel, e não uma criatura grotesca.
     “Eu não sou um demônio. Demônios não tem asas de penas.” Responde, 
    e seus olhos se encontram.
    “Certo, tem anjos maus no reino do terrível Ismael, isso faz de você um demônio.” Ela o corrige, e este 
    sorri com furor. 
    “Não é o caso.” Levanta voo, em rumo
    a lua, que estava cheia.
    “Então o quê quer?! Yaweh não 
    gostará desta brincadeira.” Ela fica assustada ao ver o quanto estão
    distantes do chão.
    “Não me importo.” Retruca, e a
    moça fica incrédula. “Só quero que
    se lembre de mim outra vez.” É o quê diz, e a larga entre as nuvens. “Louco!
    O quê está fazendo?!” Berra, ao ser
    jogada há 50 mil pés do solo.
    “Eu não sou o marido de Eke!” Ele a
    pega nos braços. “O quê? É claro que é! Harmonia os uniu! Eu vi o casamento!” 
    Ela responde, se debatendo em seus
    braços, e este a solta outra vez.
    “Socorro!” Ela urra temendo a distância entre a areia e o seu corpo. “Eu fui o Seu noivo!” Ele conta. “Não foi nada! Só tive Azazel na minha vida!” Ela grita, e de
    novo, ele a deixa cair.
    “Você foi minha, e eu te amei, como você me amou!” Ele revela, e isso faz com ela sinta uma pontada no peito.
    “Eu não...Por favor para!” Ela lhe
    implora, antes que ele volte
    a arremessá-la.
    “Não sei que poção te deram. Mas 
    você está confundindo toda a história. Eke é a sua paixão, e a única que você ama!” Ela o pega pela gola da camisa, que fica embaixo da armadura, ele
    em desespero, olha-lhe com
    medo.
    Seus antebraços se enrijecem, e as
    mãos a puxam para o peito, enquanto
    os lábios dele, mergulham nos seus
    em um beijo roubado.
    “Como pode achar que eu amo Eke?
    Se você foi, e sempre será a mulher da minha existência.” Ele sussurra, e ela lhe dá um tapa. “Bem que Eke me
    falou que era cafajeste!” diz
    ao limpar os lábios.
    “Lucy não...” Ele diz com aqueles 
    olhos azuis de gato assustado, mas ela nem se esforça para lembrar, pois tem certeza de quê está certa. “Eu não 
    sou nada do quê pensa.” Se
    defende.
    “Eu te defendi pra Ela. Disse minha prima Ele só tem olhos para Você, e é assim que me retribui? Fazendo com que seja uma das suas conquistas?!” A dama rebate, demonstrando sua
    raiva.
    “Eu e você somos amigos?” Ele lhe pergunta. “Sim, éramos. Azazel não irá gostar disso, nem Eke, e eu não posso seguir sabendo de suas intenções 
    insidiosas.” Ela responde, e isso 
    de certa forma o entristece. 
    No mundo real eles eram um par, e 
    se amavam intensamente. No perfeito 
    nunca deram sequer um beijo. Porquê
    se juntaram a outros pares, e ele
    não passa de um canalha.
    “É assim que é perfeito para ti Lucy?”
    Ele questiona. “Não ter nenhum tipo de envolvimento, com o pior marido que há? Sim.” Ela fala sem sequer 
    analisar.
    “Tudo bem. Me perdoe pelo beijo, 
    vamos fingir que não aconteceu.” Ele
    cede ao mundo em que ela quer viver,
    mesmo que isso o machuque, e que
    não seja o seu desejo.
    “Não posso. Eke é como uma irmã
    que nunca tive, seria errado.” Ela lhe
    diz. “Faça o quê achar melhor.” Ele
    responde com voz fraca e sem
    ânimo.
    “O melhor, é você voltar pra sua 
    mulher, e nunca mais se aproximar 
    de mim.” Ela responde, e ele só
    balança a cabeça.
    “Como quiser.” Ele pousa na areia,
    e a deixa ir. “Não me levará de volta pra casa?” Lhe inquire. “Você vai achar o seu caminho, tenho certeza.” Diz
    deixando-a para trás.
    “Nem sei onde estou. Este lugar tão sombrio, cheio de lama e lodo, me dá calafrios.” Caminha ao lado dele, e este ri sem vontade, de fato ela permanece presa ao controle de Bael. “Se sou
    tão ruim...” Inicia descendo 
    a montanha.
    “Por quê está seguindo comigo?” Ele
    ergue a sobrancelha, curioso pelo que há de vir. “Eu não conheço este lugar,
    e Yaweh te nomeou, um dos seus
    generais.” Diz de imediato.
    “Ah tá.” Respira fundo, Bael foi bem esperto, deu a ela elementos reais, só para garantir que jamais acordaria. “O beijo foi ruim?” Ele pergunta. “Não
    quero falar.” Responde com
    indiferença.
    No fundo se sente envergonhada, no
    mundo perfeito, jamais tinha beijado a outro anjo, pois seu corpo e espírito,
    eram somente do marido.
    “Se não responder, serei obrigado a
    fazê-lo outra vez.” Ele brinca, e a bela congela. “Por quê é importante? Eke 
    me disse que já beijou várias.” 
    Tenta desviar o assunto.
    “Várias me beijaram, mas eu só 
    beijei uma.” Ele a corrige, e ela o ignora. “A sua mulher.” Responde seca. “É, se 
    é no quê quer acreditar.” O soldado 
    do céu, revira os olhos, com o 
    seu sorriso maldoso.
    “O quê quer comigo?! Por quê veio
    me perturbar tão de repente?!” Ela o inquire, movendo os braços, e ele a
    joga contra o ar, prendendo-a
    aos seus braços.
    Para ela, foi jogada contra a árvore
    , e esta desapareceu. Sua mente fica a falhar, e cenas sombrias dominam a sua cabeça. “Eu quero que lembre de mim.”
    Ouve ao longe, vendo a sua verdadeira
    vida, se passando como um filme
    antigo.
    Uma dor extrema, lhe faz fraquejar,
    e gritar aos ventos. Ao ver que surtiu 
    efeito, ele tenta elevar o choque, e
    a abraça forte.
    Novamente os lábios dele, vão de encontro aos seus, e ela o empurra em pânico. “Miguel você perdeu o parafuso foi?! O outro beijo foi só para diminuir a carga de Harmonia, não confunda as coisas !” Grita, e ao ver que voltou 
    ao normal, ele volta a beijá-la
     de alegria.
    “Você voltou!” Ele a cumprimenta, e
    esta o estranha. Do quê estava falando
    ? E onde estavam? Eram perguntas que não se calavam. “É uma longa história.
    E o beijo foi necessário.” Ele responde
    , e sai com um sorrisinho de
    vitória.
    “Volta aqui, pervertido.” Ela o segue, 
    e ele vira. “Quer repetir a dose?” Ergue a sobrancelha, sentindo-se atraente e
    irresistível. “Não.” Diz friamente,
    e ele continua rindo.
    “Está agindo como um idiota.” Ela o
    julga, mas a felicidade dele é tanta, que
    isso não o atinge. “Um idiota feliz, por
    saber que minha amada, voltou a
    se lembrar de mim” Lhe
    diz.
    “Está amando outra pessoa? Porquê
    eu não lembro de ti!” Ela fica defensiva,
    e ele outra vez a agarra. “Eu sei que se
    lembra. Não adianta esconder.” Diz
    olhando-a no fundo dos 
    olhos.
    “Um beijo pra não morrer, e fica assim.”
    Ela o desdenha. “Três beijos na verdade. 
    Para te fazer lembrar de mim.” Retruca.
    “Três?!” Ela se horroriza. “Ou mais.”
    Passa na frente dela, com o
    olhar confiante.
    “Você deve beijar mal mesmo. Por isso
    demorou tanto para eu voltar” Brinca, e ele olha sério para ela. “Quer testar ?”
    Questiona, e ela nega repetidas
    vezes.
    “Então não diga mentiras.” Segue
    bem animado, levando-a para longe do conflito. Infelizmente sua felicidade não dura, a grande luz os cega, ele se põe
    na sua frente, e segura-lhe atrás
    dele.
    “Nahemah Lilith.” Diz a voz de Bael, 
    e esta retorna para o seu controle, deixando o arcanjo, para seguir
    com o novo Deus.
    “Lucy não!” O arcanjo diz ao vê-la
    indo para os braços do demônio, que
    a acolhe, e diz algo no seu ouvido,
    que o guerreiro não é capaz
    de entender.
    A dama então voa na direção dele,
    e passa direto, indo até os humanos
    que assassina um a um, drenando
    o sangue deles, com uma única
    mordida.
    Quando não, os abre ao meio com
    um sorriso macabro, tendo piedade dos bebês, mas não dos adolescentes, aos
    quais acerta golpes, que são fortes
    para arrancar-lhes o 
    coração.
    Devido a alguma frase que o sol 
    negro lhe disse, ela assassina mais de
    mil pessoas, em questão de minutos, e
    pouco á pouco, vai pintando o mundo
    de sangue inocente e culpado, até
    restar só os que seguem a
    Bael. 
    Fim?
  • Bem-vindo ao Mundo Fantástico

    Minhas produções preferidas na cultura pop são àquelas voltadas para a ficção fantástica. Esse tipo de obra reúne a fantasia, a ficção científica e o terror, somado aos seus mais variados subgêneros. Particularmente, produzo nas três vertentes, mas as que mais me dão prazer é a fantasia e a ficção científica, pois, esses dois me dão maior sensação de maravilhamento, motivo maior pelo qual os lemos.
                A fantasia brasileira nunca esteve tão ema alta como está agora. Desde antes do fim da primeira década desse século, já a partir de 2012, centenas ou até milhares de títulos de fantasia foram lançados no mercado editorial brasileiro pelos patrícios. O RPG de mesa, e outros board games que todos julgavam obsoletos tiveram incríveis mudanças e o ganho de um novo público. O mercado da fantasia se revigora em todas as frentes.
                Quando conheci a Cartola Editora através do site Antologias Abertas, fiquei surpreso e feliz da casa editorial se valer do financiamento coletivo para publicar os seus livros. Método esse que havia não apenas previsto, mas também proposto em artigos sobre escrita e publicação. Assim há maior engajamento dos leitores, desoneração dos autores e o tão esperado financiamento da editora.
                Para uma jovem editora como a Cartola Editora, o financiamento coletivo para além de uma necessidade é uma forma inovadora de produzir livros. Com alta aceitação de ambas as partes, eu incluso. Voltando ao site, reparei que durante o ano de 2019, a editora se propôs a publicar uma antologia por mês. A primeira tinha como tema a fantasia. Jamais perderia uma oportunidade dessa!
                A antologia O Encontro dos Mundos Fantásticos, organizada pela editora e uma das fundadoras, Janaina Storfe, recebeu o meu conto Caon contra o quibungo. Esse conto é uma fantasia que se passa no período Pré-Colonial. Conta o tipo de história que eu gostaria de ler mais: uma tribo indígena chamada Caiang recebe a visita de uma poderosa criatura, o quibungo Notala. Ele rapta o filho de Píriti, o morubixaba e exige um poderoso artefato em troca do garoto. Com a vida de seu filho em risco, ele recorre a Inteligência através da força. Para minha felicidade, meu conto foi aprovado.
                Depois do período dos trâmites legais, financiamos a obra durante um mês. Arrecadamos o dobro da meta, com direito a lançamento e tudo mais. Quando o livro chegou, mal pude acreditar na qualidade gráfica do livro, sem contar a seleção de textos maravilhosos da Janaina Storfe e a capa fenomenal do Rodrigo Barros, mais conhecido como Rodo, um dos editores e fundadores da antologia.
                Como toda coletânea de contos, vemos diversos estilos narrativos e subgêneros de fantasia. Alguns até de realismo mágico, o que também não deixa de ser fantasia. Eu gostei muito do resultado e fico feliz de dividir espaço com tantos escritores talentosos. Nenhum conto sou destoante da antologia. Há contos para todos os gostos, e muitos, assim como o meu, são inspirados no nosso folclore e se passam no Brasil.
                Como sempre faço em resenhas de antologias longas como essa, vou analisar dois contos que eu mais gostei, e dois que eu menos gostei. Esses critérios são subjetivos e visam dar uma dimensão do que o leitor encontrará na obra. Isso reflete apenas a minha opinião e não é uma verdade universal. Bom e que o leitor possa ler o livro e ter sua própria opinião sobre o assunto.
                O primeiro conto que eu mais gostei é A maga na torre, conto da Thaís Scuissiatto. Para mim, foi em termos de roteiro, o mais inteligente. Ada, uma neófita em magia está prestes a cumprir uma última prova para se tornar uma maga de verdade. Um Conselho de três magos a leva para o topo de uma torre e dão um prazo de três dias para ela descer até a campina, usando apenas as suas habilidades e estranhos objetos dispostos numa mesa. Qual dos estranhos artefato ela vai escolher e como ela conseguirá cumprir sua missão antes do prazo se esgotar? Parabéns a essa autora, pois, para além da pirotecnia da fantasia, ela fez uma situação corriqueira algo fantástico, com muito suspense e um tirada genial.
                O segundo conto que mais gostei foi O homem, a moral e a fera, da cartolete Tábatha Gagliera. Esse é o conto que me atraí muito a minha leitura. Jamais poderia ler um texto tão rico em expressões e profundo em significados e ignorar! Com um pé no realismo mágico, vemos uma fantasia em que um certo homem faz uma viagem para dentro de si mesmo e caba se deparando com um cenário ao mesmo tempo comum e distante. Lá, duas entidades o interpelam, a primeira se apresenta como a Moral, a outra, é conhecida apenas como Fera. As duas tentam convencer o homem com diversos argumentos sobre a liberdade. Essa obra mostra que fantasia pode sim explorar e fazer debates mais profundos da nossa realidade e sobre nós mesmos. Fantasia não precisa ser desmiolada, ou non sense, ao contrário, pode filosofar e questionar também.
                Os dois contos que eu menos gostei, não significa depreciar o trabalho do colega, ao contrário, apenas tive menos conexão com Um toque de um mundo fantástico, da autora Fabiane Rodrigues da Silva. Achei a narrativa um pouco infantil e a trama não me trouxe nenhum questionamento mais profundo. Agradará um público mais infante, de fato. Alium do escritor Guilherme de Oliveira não é de todo ruim, mas parece ser um prólogo de algo maior, algo que não dá para ser desenvolvido num único conto. Um grupo de garotos chegam a um mundo fantástico, e são impedidos de voltar, ficamos sem saber quais as consequências práticas de suas vidas nesse lugar. As vezes esses finais em aberto nos dão uma sensação de quero mais, noutras uma sensação de incompletude.
                A antologia conta com 35 autores selecionados, mais um conto do Rodrigo Barros. São ao todo 43 contos, nos mais diversos subgêneros da fantasia, desde a alta fantasia até o dark fantasy, tudo disposto em ais de 200 páginas de ótima literatura. O livro possui orelhas, papel pólen 80 g/m2 e um marcador de páginas exclusivos. A obra possuí pouquíssimos erros, não são nem perceptíveis e uma segunda revisão vai tirar de letra.
  • Caia sete, levante oito vezes!

                Qual o limite entre autor e obra? Muitas vezes, não vemos determinismo entre “criador” e “criatura”, mas um estranha e até mesmo simpática inter-relação. Masashi Kishimoto com Naruto, representa sua fase inicial de carreira, alguém rejeitado, mas com um grande potencial que só queria se divertir com o que mais gostava. Samurai 8 – Hachimaruden mostra um autor consciente, porém debilitado pelas barreiras autoimpostas, mas que ainda assim se direciona a um sonho.
                As diferenças não param por aí. Naruto é uma fantasia urbana com doses de guerras épicas, que ao longo do tempo desbanca para a alta fantasia. Samurai 8 – Hachimaruden é uma mistura de histórias de samurai, cyberpunk e space opera numa deliciosa excêntrica mistura que só os mangakás sabem fazer. Mas porque comparar? Para que julgar o novo usando as medidas do velho? Vejamos o que esse samurai pode fazer!
                Aconselho a todos a lerem o capítulo zero. Nele teremos a dose de mistério e empatia pelo protagonista. O jovem Hachimaru é uma criança ciborgue que vive conectado a uma unidade de suporte vital, uma grande máquina que impede sua morte. O garoto tem condição debilitada devido as alergias e uso de próteses no lugar do braço e da perna esquerda. Sem contar a sua aicmofobia, medo de objetos perfurantes.
                Suas únicas companhias são um cachorro robótico chamado Hyatarou e seu pai, um inventor e seu “enfermeiro particular”. Logo no capítulo zero, nós temos vários elementos que poderão ajudar o leitor a se decidir se lerá ou não o novo mangá. Mas recomendo que o leitor não seja precipitado, e avance para o capítulo 1. É nessas 72 páginas, algumas delas coloridas, que veremos todo o potencial a série.
                Não espere aqui encontrar protagonistas cheios de energia ou poderosos logo de cara, o desenvolvimento do personagem se dá de modo lento e gradual. Com nuances, camadas de shonen intercaladas com drama e ficção científica. Para Hachimaru, se livrar de suas fraquezas é tão relevante quanto poder ter uma vida normal, mas o seu maior sonho é se tornar um samurai, aqueles que estão acima dos guerreiros.
                No capítulo um, o protagonista aprofunda sua condição degradante ao leitor. Quase pessimista. Chegamos a sentir as limitações de Hachimaru na pele, e como se refugia na tecnologia. É um dos poucos mangás com inserção de pessoas com necessidade especiais que já vi na vida. Sua relação com seu pai é conflituosa, e ele será o estopim da evolução de Hachimaru, claro que de modo inconsciente.
                Um encontro inesperado com um gato robótico chamado Daruma, que já foi humano, revelará os potenciais latentes do pequeno Hachimaru. O antagonista da obra, não direi “vilão” ainda, não tem nome, embora tenha marcado grande presença num primeiro capítulo tanto com sua personalidade e poder de luta. Sua inserção na trama foi eficaz e preparou terreno para muita coisa.
                Samurai 8 – Hachimaruden tem roteiros de Masashi Kishimoto e desenhos de Akira Ohkubo. O traço de Akira difere do traço mais realista e sóbrio de Naruto Shippuden e do traço mais arredondado de Mikio Ikemoto de Boruto – Naruto Next Generation. Seu desenho é limpo e plástico. Confesso que o designer das tecnologias pode causar estranheza, tem algo biotecnológico envolvido, é simples, mas funcional.
                O autor prometeu uns dez volumes da obra. Bem sabemos que promessa de mangaká não se deve levar em conta, principalmente os famosos e os que trabalham na Shonen Jump. Esses dez volumes podem virar mais de 50 exemplares fácil. Vocês acham que para salvar a galáxia atrás de sete chaves é vai levar quanto tempo? Espero que tempo suficiente para Masashi Kishimoto desenvolver uma história sem os vícios de seu mangá antecessor e possamos ver a evolução da bela arte de Akira Ohkubo.
  • Como eu estou escrevendo?

    Então aqui vou deixar um pouco do que sei escrever e quero que avaliem de 0 a 10, fiquem a vontade para dar opniões sobre o texto abaixo. Eu vou apresentar dois tipos diferentes do que eu escrevi o 1° tipo é uma história com descrição e o 2° tipo é uma sem descrição.
    Mark Krieger um garoto jovem de 17 anos com cabelos castanhos escuros e olhos castanhos claros que era um espadachim e tinha uma espada comum e morava em uma vila chamada Carmine, estava em casa ajudando sua mãe Mafalda Krag uma mulher dona de casa com cabelos castanhos e olhos castanhos com uma idade de 44 anos, quando de repente seu amigo Noah Shideki um jovem da mesma idade de Mark, Loiro e de olhos azuis e que tinha um costume de usar uma faixa na cabeça e que é um lutador de artes marciais, chega e entra dentro da casa de Mark, em seguida olha para Mark com uma cara de preocupação e começa a conversa.
    Noah: Mark preciso da sua ajuda no dojo agora. – Falava Noah preocupado
    Mark olha para Noah com atenção.
    Mark: O que aconteceu? – Falava Mark com duvida
    Noah: Alguns goblins invadiram o dojo e estão saqueando tudo que estão vendo pela frente. – Falava Noah preocupado
    Mark: Ue, mas seu avô não consegue dar conta deles, o veio é forte o suficiente para dar uma surra em um exercito de goblins e de olhos fechados ainda.
    Noah: Eu sei que o velho é forte, mas ele me deixou tomando conta do dojo e me disse: Noah tome conta do dojo enquanto eu saio pra comprar chá, se os goblins saquearem o dojo ou invadirem ele, hoje você ira dormir com hematoma em formato de bastão no meio das costas.
    Mark repara na situação de Noah e começa a rir e zuar seu amigo.
    Mark:  Hahahahahaha! Mal posso esperar para ver o Noah dormir com hematoma em formato de bastão nas costas HAHAHAHAHA! – Mark ria e zuava com a cara de Noah
    Noah: É mais tem um porem que o meu avô me disse: Se acontecer algo e seu amigo Mark recusar a ajudar, eu vou fazer questão de deixar um hematoma em formato de bastão no meio das costas dele também. – Dizia Noah olhando seriamente para Mark
    Mark fica sério e começa a refletir o que Noah disse.
    Mark: “Que droga, tomar uma surra do velho não deve ser nada bom, imagina só dormir com as costas pelando de fogo por causa da paulada que o veio vai dar nas costas, o pior ainda vai ser quando eu for tomar banho, ah mas que velho maldito”. Então vamos lá Noah não quero tomar uma surra do velho. – Falava Mark com medo de tomar uma surra do avô de Noah
    Noah: Eu também não quero tomar uma paulada nas costas, então vamos rápido antes que os goblins fujam. – Falava Noah também com medo de tomar uma surra de seu avô
    Em seguida os meninos saem daquela casa, enquanto os meninos saiam de casa a mãe de Mark olha para ele e diz.
    Mafalda: Mark não volte muito tarde para casa, e juízo nessas cabeças. – Falava mãe de Mark sorrindo
    E Mark enquanto saia de casa olha para sua mãe e dizia em voz alta.
    Mark: OK MÃE, TCHAU – Falava Mark saindo de casa
    Noah e Mark vão correndo até o dojo do clã Shideki um lugar onde os membros do clã Shideki treinam artes marciais, chegando lá encontram 5 goblins, sendo 4 deles armados com uma adaga e o outro armado com um arco e flecha, eles estavam roubando as coisas do lugar, Noah assim que se depara com aquela cena fala em voz alta com os goblins.
    Um goblin são criaturas geralmente verdes que se assemelham a duendes.
    Noah: EI SEUS IDIOTAS PAREM O QUE ESTÃO FAZENDO AGORA!!! – Dizia Noah um pouco furioso
    Os goblins olham para o Noah e começam a rir da cara dele e o goblin que estava com arco e flecha começa a falar com Noah.
    Goblin arqueiro: Acha mesmo que vamos parar o que estamos fazendo só por que um pirralho disse? –Falava o Goblin arqueiro tirando sarro da cara de Noah com seus companheiros goblins. “Garoto insolente acha mesmo que vamos parar de roubar esse dojo só por que ele quer, vou ensinar uma lição a esse moleque” – Pensava o Goblin arqueiro.
    O goblin arqueiro aponta o dedo para o Noah e Mark e ordena os outros 4 goblins.
    Goblin Arqueiro: Vamos rapazes ensinem uma lição a esse garoto. – Falava o goblin enquanto apontava o dedo para Noah e Mark
    Goblin com adaga: Sim chefe, vamos ensinar a esse garoto a não se meter com a gente. – Falava um dos goblins que estavam armados com uma adaga.
    Os 4 goblins vão em direção ao Mark e Noah, Noah na hora começa a sussurrar com Mark sobre um plano
    Noah: Mark presta atenção, você fica com os dois goblins que estão vindo pela esquerda que eu pego os outros dois que estão vindo pela direita. – Sussurrava Noah.
    Mark concorda com a ideia de Noah fazendo um sinal positivo com o polegar, e em seguida Mark avança pela esquerda e Noah pela direita, em seguida Mark desembainha sua espada e vai em direção dos dois goblins e executa uma técnica em um deles.
    Mark: GOLPE CONCENTRADOOOO!!! – Dizia Mark ao concentrar realizar um golpe especial.
    Mark consegue acertar o goblin bem no meio do peito com seu golpe concentrado, em seguida o outro goblin vem em sua direção  e grita em voz alta.
    Goblin com adaga: MORRA SEU PIRRALHO MALDITO!!! – Gritava o goblin com Mark
    Mark enxerga o movimento do goblin e consegue desviar rapidamente, e em seguida Mark realiza um golpe normal no primeiro goblin que ele atacou, e logo depois o goblin desmaia por não resistir aos golpes que sofreu, em seguida o goblin arqueiro mira em Mark e o acerta com uma flecha na perna direita na região da coxa, e Mark sente uma dor bem forte na sua coxa direita devido a flechada e grita.
    Mark: CARALHO VELHO, ISSO DÓI PRA PORRA MANOOO!!! –Gritava Mark sentindo muita dor
    No momento em que Mark se distrai devido a dor que sente na sua coxa direita o goblin vai para cima dele e tenta realizar um ataque, só que Noah chega a tempo e consegue realizar uma técnica especial.
    Noah: SOCO CONCENTRADO!!! – Dizia Noah ao efetuar sua técnica de combate para acertar o goblin
    O goblin fica atordoado devido ao golpe forte que ele levou na cabeça e quase desmaia, em seguida o goblin arqueiro com medo da uma ordem aos outros goblins
    Goblin arqueiro: Vamos embora rapazes esses pirralhos são demais para nós.
    Em seguida todos os goblins se levantam e vão embora deixando as coisas que eles iam roubar. Enquanto os goblins fugiam Mark gritava de dor e pedia para Noah ir ajuda-lo
    Mark: EI NOAH SERÁ QUE VOCÊ PODERIA MEU AJUDAR, CARA EU TÔ COM UMA FELCHA ENFIADA NA MINHA COXA DIREITA ME AJUDA PORRA!!! – Gritava Mark sentindo muita dor
    Noah: Calma Mark vou olhar se aqui no dojo tem o kit de primeiros socorros que meu avô guarda – Procurava Noah um kit de primeiro socorros
    Mark: VAMOS LOGO CARA EU NÃO TENHO O DIA TODO – Gritava Mark enquanto Noah procurava o kit de primeiros socorros
    Noah: Achei, esse aqui deve servir – Falava Noah quando achou o kit de primeiros socorros
    Em seguida Noah vem em direção de Mark e começa a fazer os curativos
    Mark: Vai doer muito? – Perguntava Mark com um pouco de preocupação
    Noah: Acho que vai, mas você já passou pelo pior então não vai doer tanto assim – Dizia Noah enquanto preparava os curativos para fazer em Mark.
    Mark: Nossa cara olha como esse dojo ta uma bagunça, o velho vai bater na gente será? “Imagina só a força que aquele velho tem, uma paulada de bastão nas costas deve doer até na alma” – Perguntava Mark e em seguida pensava, enquanto Noah fazia os curativos.
    Noah: É só a gente arrumar isso aqui rapidinho que o velho nem vai saber o que aconteceu – Dizia Noah sorrindo e finalizava a frase com um sinal positivo com o polegar
    Mark e Noah começaram a arrumar a bagunça que estava do dojo enquanto conversavam
    Mark: Noah cadê o pessoal que treinava aqui no dojo? – Perguntava Mark
    Noah: Eu não sei para onde eles foram exatamente, pois alguns foram até a capital da região e outros foram pra Nagasun fazer o teste para se tornar samurai e alguns para se tornar monge ou melhorar as artes marciais.
    Nagasun é uma região que fica ao extremo norte, uma cidade com uma cultura e visual oriental, onde também é realizado o teste para se tornar samurai,ninja e monge. Há também outros tipos de testes que guerreiros vão atrás para se tornar, mas a maioria que vai para a capital de Nagasun procura sempre se tornar as 3 classes citadas.
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    Agora irei colocar um sem descrição
    Mark Krieger um garoto jovem de 17 anos com cabelos castanhos escuros e olhos castanhos claros que era um espadachim e tinha uma espada comum e morava em uma vila chamada Carmine, estava em casa ajudando sua mãe Mafalda Krag uma mulher dona de casa com cabelos castanhos e olhos castanhos com uma idade de 44 anos, quando de repente seu amigo Noah Shideki um jovem da mesma idade de Mark, Loiro e de olhos azuis e que tinha um costume de usar uma faixa na cabeça e que é um lutador de artes marciais, chega e entra dentro da casa de Mark, em seguida olha para Mark com uma cara de preocupação e começa a conversa.
    Noah: Mark preciso da sua ajuda no dojo agora. – Falava Noah preocupado
    Mark olha para Noah com atenção.
    Mark: O que aconteceu? – Falava Mark com duvida
    Noah: Alguns goblins invadiram o dojo e estão saqueando tudo que estão vendo pela frente. – Falava Noah preocupado
    Mark: Ue, mas seu avô não consegue dar conta deles, o veio é forte o suficiente para dar uma surra em um exercito de goblins e de olhos fechados ainda.
    Noah: Eu sei que o velho é forte, mas ele me deixou tomando conta do dojo e me disse: Noah tome conta do dojo enquanto eu saio pra comprar chá, se os goblins saquearem o dojo ou invadirem ele, hoje você ira dormir com hematoma em formato de bastão no meio das costas.
    Mark repara na situação de Noah e começa a rir e zuar seu amigo.
    Mark:  Hahahahahaha! Mal posso esperar para ver o Noah dormir com hematoma em formato de bastão nas costas HAHAHAHAHA! – Mark ria e zuava com a cara de Noah
    Noah: É mais tem um porem que o meu avô me disse: Se acontecer algo e seu amigo Mark recusar a ajudar, eu vou fazer questão de deixar um hematoma em formato de bastão no meio das costas dele também. – Dizia Noah olhando seriamente para Mark
    Mark fica sério e começa a refletir o que Noah disse.
    Mark: “Que droga, tomar uma surra do velho não deve ser nada bom, imagina só dormir com as costas pelando de fogo por causa da paulada que o veio vai dar nas costas, o pior ainda vai ser quando eu for tomar banho, ah mas que velho maldito”. Então vamos lá Noah não quero tomar uma surra do velho. – Falava Mark com medo de tomar uma surra do avô de Noah
    Noah: Eu também não quero tomar uma paulada nas costas, então vamos rápido antes que os goblins fujam. – Falava Noah também com medo de tomar uma surra de seu avô
    Em seguida os meninos saem daquela casa, enquanto os meninos saiam de casa a mãe de Mark olha para ele e diz.
    Mafalda: Mark não volte muito tarde para casa, e juízo nessas cabeças. – Falava mãe de Mark sorrindo
    E Mark enquanto saia de casa olha para sua mãe e dizia em voz alta.
    Mark: OK MÃE, TCHAU – Falava Mark saindo de casa
    Noah e Mark vão correndo até o dojo do clã Shideki um lugar onde os membros do clã Shideki treinam artes marciais, chegando lá encontram 5 goblins, sendo 4 deles armados com uma adaga e o outro armado com um arco e flecha, eles estavam roubando as coisas do lugar, Noah assim que se depara com aquela cena fala em voz alta com os goblins.
    Noah: EI SEUS IDIOTAS PAREM O QUE ESTÃO FAZENDO AGORA!!! – Dizia Noah um pouco furioso
    Os goblins olham para o Noah e começam a rir da cara dele e o goblin que estava com arco e flecha começa a falar com Noah.
    Goblin arqueiro: Acha mesmo que vamos parar o que estamos fazendo só por que um pirralho disse? –Falava o Goblin arqueiro tirando sarro da cara de Noah com seus companheiros goblins. “Garoto insolente acha mesmo que vamos parar de roubar esse dojo só por que ele quer, vou ensinar uma lição a esse moleque” – Pensava o Goblin arqueiro.
    O goblin arqueiro aponta o dedo para o Noah e Mark e ordena os outros 4 goblins.
    Goblin Arqueiro: Vamos rapazes ensinem uma lição a esse garoto. – Falava o goblin enquanto apontava o dedo para Noah e Mark
    Goblin com adaga: Sim chefe, vamos ensinar a esse garoto a não se meter com a gente. – Falava um dos goblins que estavam armados com uma adaga.
    Os 4 goblins vão em direção ao Mark e Noah, Noah na hora começa a sussurrar com Mark sobre um plano
    Noah: Mark presta atenção, você fica com os dois goblins que estão vindo pela esquerda que eu pego os outros dois que estão vindo pela direita. – Sussurrava Noah.
    Mark concorda com a ideia de Noah fazendo um sinal positivo com o polegar, e em seguida Mark avança pela esquerda e Noah pela direita, em seguida Mark desembainha sua espada e vai em direção dos dois goblins e executa uma técnica em um deles.
    Mark: GOLPE CONCENTRADOOOO!!! – Dizia Mark ao concentrar realizar um golpe especial.
    Mark consegue acertar o goblin bem no meio do peito com seu golpe concentrado, em seguida o outro goblin vem em sua direção  e grita em voz alta.
    Goblin com adaga: MORRA SEU PIRRALHO MALDITO!!! – Gritava o goblin com Mark
    Mark enxerga o movimento do goblin e consegue desviar rapidamente, e em seguida Mark realiza um golpe normal no primeiro goblin que ele atacou, e logo depois o goblin desmaia por não resistir aos golpes que sofreu, em seguida o goblin arqueiro mira em Mark e o acerta com uma flecha na perna direita na região da coxa, e Mark sente uma dor bem forte na sua coxa direita devido a flechada e grita.
    Mark: CARALHO VELHO, ISSO DÓI PRA PORRA MANOOO!!! –Gritava Mark sentindo muita dor
    No momento em que Mark se distrai devido a dor que sente na sua coxa direita o goblin vai para cima dele e tenta realizar um ataque, só que Noah chega a tempo e consegue realizar uma técnica especial.
    Noah: SOCO CONCENTRADO!!! – Dizia Noah ao efetuar sua técnica de combate para acertar o goblin
    O goblin fica atordoado devido ao golpe forte que ele levou na cabeça e quase desmaia, em seguida o goblin arqueiro com medo da uma ordem aos outros goblins
    Goblin arqueiro: Vamos embora rapazes esses pirralhos são demais para nós.
    Em seguida todos os goblins se levantam e vão embora deixando as coisas que eles iam roubar. Enquanto os goblins fugiam Mark gritava de dor e pedia para Noah ir ajuda-lo
    Mark: EI NOAH SERÁ QUE VOCÊ PODERIA MEU AJUDAR, CARA EU TÔ COM UMA FELCHA ENFIADA NA MINHA COXA DIREITA ME AJUDA PORRA!!! – Gritava Mark sentindo muita dor
    Noah: Calma Mark vou olhar se aqui no dojo tem o kit de primeiros socorros que meu avô guarda – Procurava Noah um kit de primeiro socorros
    Mark: VAMOS LOGO CARA EU NÃO TENHO O DIA TODO – Gritava Mark enquanto Noah procurava o kit de primeiros socorros
    Noah: Achei, esse aqui deve servir – Falava Noah quando achou o kit de primeiros socorros
    Em seguida Noah vem em direção de Mark e começa a fazer os curativos
    Mark: Vai doer muito? – Perguntava Mark com um pouco de preocupação
    Noah: Acho que vai, mas você já passou pelo pior então não vai doer tanto assim – Dizia Noah enquanto preparava os curativos para fazer em Mark.
    Mark: Nossa cara olha como esse dojo ta uma bagunça, o velho vai bater na gente será? “Imagina só a força que aquele velho tem, uma paulada de bastão nas costas deve doer até na alma” – Perguntava Mark e em seguida pensava, enquanto Noah fazia os curativos.
    Noah: É só a gente arrumar isso aqui rapidinho que o velho nem vai saber o que aconteceu – Dizia Noah sorrindo e finalizava a frase com um sinal positivo com o polegar
    Mark e Noah começaram a arrumar a bagunça que estava do dojo enquanto conversavam
    Mark: Noah cadê o pessoal que treinava aqui no dojo? – Perguntava Mark
    Noah: Eu não sei para onde eles foram exatamente, pois alguns foram até a capital da região e outros foram pra Nagasun fazer o teste para se tornar samurai e alguns para se tornar monge ou melhorar as artes marciais.
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    Bem isso é tudo, se alguém puder me ajudar como escrever isto melhor ou avaliar para mim eu ficaria muito grato
  • Crônicas de Clisiéia - Capítulo 1

    Tinha acabado de entrar na estalagem onde havia combinado de se encontrarem horas antes, estava coberta de lama e não queria encontrá-lo daquele jeito decadente, espiou toda a extensão da pequena estalagem até ter certeza de que ele não estava por ali ainda, não havia muitas pessoas naquele horário, dois casais no canto ao lado esquerdo que lhes dera um olhar de soslaio ignorando-a imediatamente ao ver seu estado deplorável, um brutamontes próximo à sua direita que nem se deu ao trabalho de levantar os olhos para observá-la e ninguém no canto direito, então, ele não deveria estar mesmo por ali, afinal ela tinha chego duas horas antes do combinado; expirou aliviada e se dirigiu para o balcão da estalagem onde trocou poucas palavras com a senhora sorridente que, ignorando toda a sujeira e fedor que vinha dela, lhe entregou gentilmente uma chave, a chave do quarto onde se lavaria e limparia suas coisas e talvez com sorte estaria apresentável para reencontrar a pessoa.
    Subiu as escadas calmamente ajeitando a bolsa pesada em suas costas doloridas enquanto a dona da estalagem não pôde deixar de notar o bracelete reluzente em ambos pulsos e todas as cinco adagas que carregava no cinto preso à cintura, três em cada um dos cintos presos em ambas as coxas e mais duas em cada bota de couro e metal que ressoava a cada pisada pesada que ela dava para subir as escadas, a dona se espantou ao ver que até mesmo em ambas braçadeiras a mulher, que agora terminava de subir as escadas desaparecendo acima, carregava mais três adagas, todas elas com cabos vermelhos e pedras mágicas no botão dos punhos.
    Enquanto andava pelos corredores de madeira maciça da estalagem, ela atraiu os olhos dos empregados que limpavam o estabelecimento, afinal de contas não eram nem dez da manhã, mas é o estabelecimento deveria estar apresentável para o almoço e também para o resto do dia. Ignorando os olhos arregalados dos empregados que tapavam suas bocas ou narizes conforme ela passava olhando atentamente a numeração de cada porta, olhou para a numeração da chave que recebera e não era nenhum deles, mas estava chegando perto, 90 e acabara de olhar para o número 40, devia ser o quinto quarto à sua direita, pois a numeração das portas pulava de 10 em 10. Ouviu o burburinho que se iniciou no corredor atrás de si quando ela finalmente colocou a chave na fechadura da porta para abri-la, os empregados começaram a cochichar sobre o que tinha acontecido para ela estar naquele estado ou porque ela carregava tantas adagas.
    De certa forma ela parecia uma celebridade, mesmo assim, não se importou quando finalmente fechou a porta atrás de si e observou seu quarto pequeno, uma cama de casal forrada com uma colcha de cetim, uma mesa de madeira maciça assim como o chão do quarto, uma poltrona surrada, mas que ainda parecia confortável o bastante para se deixar cair e relaxar, um espelho de frente para porta do banheiro e a pequena sacada com duas cadeiras de madeira reclinadas e disposta uma de frente para outra, a paisagem lá fora lhe lembrava sua cidade natal, os campos floridos e lá ao longe as Serras das Árvores Azuis, porém de outro ângulo.
    Se dirigiu para o banheiro à sua esquerda e deixou sua bolsa cair no chão agora de pedra, ao mesmo tempo que começou a se despir, lavaria suas roupas ali mesmo na banheira e depois as colocaria na sacada, se a bolsa de couro mágico realmente fosse boa o bastante, teria cumprido seu papel de proteger suas roupas finas e caras mantendo-as limpas, secas e cheirosas.
    Abriu a bolsa e lá estava a sacola plástica intacta, protegendo suas roupas, ela tirou todos os outros itens que estavam na sacola, outra bolsa pequena e dois cantis de água, uma pochete e por fim seu caderno de anotações, jogou a bolsa dentro da banheira, abriu a torneira e deixou a banheira se encher enquanto ela se despia.
    Levou algum tempo até ela tirar toda a lama fétida de suas roupas e da bolsa, mas quanto percebeu que já estava tudo perfeitamente limpo e cheirando ao shampoo que ela trouxera dentro da pochete, decidiu se lavar. Nada de água quente para relaxar, não podia relaxar ainda, apesar de ter passado a noite em claro tentando não ser engolida pelo pântano, tinha de lavar seu cabelo o mais rápido possível para dar tempo de secar apropriadamente e não queria se atrasar para o encontro, tinha esperado muito tempo por aquele dia e não era um importuno incidente que destruiria seu momento.
    O tempo vou até ela conseguir secar o cabelo sem se queimar, pois ainda tinha dificuldades de controlar o fogo que podia fazer emanar do bracelete, pegou o relógio de bolso de dentro da mesma pochete e notou que em mais quinze minutos deveria descer e aguardar até que encontrasse aquele elfo de cabelos prateados, soltou um suspiro só de se lembrar, mas ainda tinha que se vestir e... Mas que droga!! Onde tinha parado seu perfume? De todas as coisas importantes e supérfluas que trouxe, foi esquecer justo aquele perfume? Revirou o restante de coisas que tinha trazido, a bolsa mágica que estava dentro da outra bolsa, ela olhou, vasculhou com as mãos, não ia querer retirar tudo o que tinha ali dentro para no fim perceber que tinha de fato esquecido de trazer seu perfume, não, aquela bolsa tinha tanta coisa acumulada que mesmo se ela quisesse tirar tudo o que tinha ali dentro não caberia no quarto, a bolsa mágica que ganhara de sua amiga, quando ainda eram amigas.
    Não, não faria isso, não retiraria tudo o que tinha lá dentro, já estava mais do que perfumada com o cheiro do seu shampoo preferido e do creme para o corpo que tinha deixado sua pele branca devido ao exagero dela, dane-se o perfume, vestiu o vestido que havia comprado em na cidade portuária quando atracou por lá, há cinco dias, ela se encantou pelos detalhes das pequenas flores bordadas em toda sua extensão, um vestido coral simples com decote ombro a ombro e manga curta que cobria até o joelho, tinha sido difícil decidir qual sapado comprar para combinar com o vestido, mas ela levou em consideração as orientações da vendedora e comprou uma sandália de mesma cor de salto baixo, pois sabia que seus pés e pernas não suportariam tanto tempo em cima dele.
    E ali estava ela, terminando de ajustar o cabelo solto, era tão grande, liso e negro que por alguns minutos ela pensou que seria melhor trançá-los como sempre fazia e amarrá-los para diminuir o volume, mas sabia que não deveria fazer isso, afinal de contas aquele elfo adorava o cabelo dela solto, então ela o deixaria solto, tão estranho, mas sim, ela o deixaria solto. Colocou uma tiara dourava para impedir que o cabeço lhe atrapalhasse cada vez que inclinasse a cabeça para baixo.
    Não tinha certeza se deveria usar um pouco de maquiagem, sua pele morena estava perfeita, mas alguns retoques poderiam melhorá-la ainda mais, porém, quase nunca usará isso em sua vida e sempre que tentava, o resultado era um palhaço de circo, mas só de lembrar já a fez desistir.
    Estava quase pronta, só faltava seu chapéu, para se proteger do sol escaldante, se tinha algo que ela jamais sentira falta durante o tempo que esteve fora, foi do calor insuportável de sua terra natal.
    Pegou sua bolsa mágica que de certa forma combinava com seu visual, só por ser pequena o suficiente para parecer um livro de capa de couro, passou a alça pelo pescoço apoiando no ombro o que a fez uma marca vertical sobre seu tronco, não que ela se importasse, mas isso deixaria mais evidente o tamanho pequeno que seus seios tinham, deu uma última espiada no espelho e contente com o resultado acenou um ok para si mesma deixando o quarto logo em seguida.

  • Crônicas de Clisiéia - Capítulo 2

    Já tinha voado por alguns dias consecutivos desde que recebera aquela carta, mesmo antes de abri-la e sentir o cheiro ele soube que era daquela mulher, o envelope vermelho com um lacre dourado era a marca dela para ele. Esperara por esta carta pelos dois anos anteriores, os dois anos mais longos de toda sua, ainda curta, vida élfica, mesmo os seiscentos e oito anos anteriores não chegaram perto da demora que fora esses dois últimos anos.
    Voou no dorso de seu wyvern, mas não deixou de trazer o dela, iria precisar ele imaginou, tinha certeza aliás e  também queria impressioná-la de alguma maneira, certamente a deixaria feliz de ver que seu animal de estimação tinha crescido tanto, além disso, ele se certificou de ensinar alguns truques para o espertalhão mal humorado, apenas para deixá-la ainda mais impressionada ou aterrorizada.
    Chegara no local de encontro dez dias antes, inacreditavelmente ele queria um pouco mais de tempo para se preparar e estar descansado para avalanche de emoções que acabaria com a qualidade de vida dele por pelo menos duas semanas. Sorriu ao se lembrar da última vez que tinham ficado tanto tempo sem se verem, jamais entendeu a voracidade e resistência daquela mulher em permanecer tanto tempo se agarrando a ele, dia e noite, destruindo cada músculo de seu corpo e certamente ela faria de novo, não é que ele não gostasse, só queria estar preparado.
    Tinha de tirar o chapéu para quem quer que tivesse tido a ideia de construir aquela estalagem ali, do tamanho do quarteirão da avenida principal, três andares, todos os quartos com flores na sacada, o que tornava a vista do estabelecimento agradável do lado de fora. Estalagem Rosa dos Ventos era seu nome, ele nunca tinha sequer visitado o local, apesar de sempre passar por ali a negócios. Ele nem sequer sabia que a cidade Paraíso fora construída em cima de um dos maiores cruzamentos de túneis subterrâneos construídos há muito, muito tempo atrás pelos anões, e há tanto quanto esquecido, mas ela fora bem específica a ponto de desenhar no mapa exatamente onde queria se encontrar com ele. E talvez aquilo por si só já fosse parte do plano que ela iniciou há quase cinco anos.
    Ao avaliar os limites da cidade sentiu o cheiro do perfume dela por todos os lados, eufórico ele caminhou pelas ruas tentando rastreá-la, se o perfume dela estava ali tão vívido, então ela já deveria estar por ali, em algum lugar, a vontade de gritar ao mesmo tempo que sentia a falta do ar, o frio na barriga ao mesmo tempo que suas pernas e braços fraquejaram, todos esses sentimentos confusos e inebriantes se foram, quando ele finalmente percebeu que o cheiro era o mesmo das flores que caiam das árvores.
    Sorriu de sua esperança patética e pela forma como ela conseguira enganá-lo, vencido, levou os wyverns para o estábulo e olhando para o chão sem pensativo e contendo e suspirando vez ou outra para si mesmo aceitando a triste realidade de ter de esperar mais 9 dias até a chegada dela, alugou um quarto onde deixou suas coisas antes de sair e comprar tudo o que precisaria, tudo o que ela precisaria dali pra frente.
    Primeiro comprou um estabelecimento no centro da cidade, se ela precisaria se esconder por mais um tempo, que melhor lugar seria se não debaixo dos narizes das autoridades? Mas, se certificou de comprar em um prédio antigo onde imaginava que se ela precisasse de uma rota de fuga segura, encontraria os túneis do subsolo.
    Depois disso chamou a madame Liliane, sua velha amiga anã que o ajudara duas vezes antes, primeiro quando decorou sua mansão e segundo quando decorou sua torre na academia de magias.
    ― Astral, essa mulher de quem você falou, o que ela é? ― Liliane questionou caminhando ao lado do elfo com as mãos cheias de sacolas.
    ― Uma amiga…
    ― Amiga? Só isso? ― A anã rechonchuda e de longas tranças vermelhas que caiam pelos ombros e chegavam até sua cintura arqueou uma das sobrancelhas enquanto fitava o rosto pálido do elfo e percebeu uma leve alteração em sua cor, ela sorriu satisfeita sabia do que se tratava. ― Fico feliz por ajudar você mais uma vez, mas precisarei de mais informações, só dizer que ela é uma humana e que gosta de coisas humanas não é o suficiente.
    ― O que você quer que eu diga? Que ela se delicia em fatiar soldados drakes?
    ― Eu soube dessa história, a garota que sem magias derrotou mais da metade do exército de Drakes, os seres vivos amaldiçoados sem poderes mágicos que ainda assim, tocaram o terror em Turezo Lozaw, ainda não entendi como ela foi capaz daquilo.
    Astral continuou o caminho pelas ruas de pedra observando as decorações que os cidadãos instalavam na cidade, em nove dias aconteceria a comemoração nacional, o dia, há quinhentos e dezessete anos, em que a barreira mágica que circunda toda a extensão do território de Clisiéia, protegendo seu o país de ataques de outras nações, dos seres amaldiçoados, e de qualquer outro ser vivo que ousasse atacar o território.
    Ele levantou sua mão livre de sacolas para tocar uma das partículas brilhantes que flutuava no ar.
    ― A barreira mágica está ruindo ― A anã falou chamando a atenção dele ― Ouvi boatos de que do outro lado da fronteira com sul, entre Clisiéia e Honshu, os arquimagos do abismo estão performando um ritual…
    ― É bem provável que não dure mais muito tempo mesmo. ― Ele falou abrindo o portão que dava acesso ao prédio do apartamento e deu preferência para Liliane.
    ―  Sabe, essa mulher que você não quer me dizer o nome, tem muita sorte. Você é gentil demais ― Ela fitou-o novamente e o viu desviar o olhar.
    ― Não sou gentil e você melhor do que todos sabe muito bem disso.
    ― E não sei? ― Ela entrou e subiu as escadas que levava para dentro do prédio e ele seguiu atrás.
    Ela admirou o tamanho do apartamento que Astral comprara, logo que entrou pela porta dupla se deparou com o salão uma mesa redonda de mármore com capacidade para quinze pessoas, numa das paredes uma estante que cobria do chão até o teto, ainda vazia, mas Liliane sabia todas as caixas espalhadas pela sala continham os livros que a preencheriam rapidamente. Na parede oposta à da estante, nada, e a parede oposta à de entrada era feita de vidro, Liliane imaginou que as cortinas que ele havia pedido para ela trazer seriam para essa parede.
    Ela emitiu um assovio fino quando finalmente colocou as sacolas em cima da mesa e disse:
    ― Essa é a maior mesa que eu já vi num apartamento tão pequeno.
    ― O apartamento não servirá pra muita coisa além de reuniões.
    ― Imaginei. Mas ela vai precisar de um local para descansar não é mesmo? E onde ela vai cozinhar?
    ― Não é esse o local que ela vai ficar, não enquanto estiver na cidade.
    ― Entendi, então se essa não é uma casa e sim um local de reuniões, porque me chamou? ― Ela ambas as mãos na cintura e deixou claro para ele que ele deveria mesmo dar uma boa razão.
    Ele sorriu ao encará-la e notou por uma fração de segundos que ela tinha menos da metade de seu tamanho, mas ainda assim, emanava uma autoridade e poder muito maior do que o dele.
    ― Você sabe porque eu te chamei aqui, preciso dos seus encantamentos para a proteção do local, só você sabe como usar os hieróglifos antigos.
    ― Sim é verdade, mas porque eu deveria usar isso nesse apartamento, o que vocês vão fazer aqui que ninguém pode descobrir?
    Ele virou-se de costas para anã e disse após um expirar profundo.
    ― É melhor você não saber.
    ― Como sempre, eu me lembro da última vez que usei isso e o resultado não foi coisa boa. ― Ela falou caminhando até parar de frente para ele para encará-lo ― Você sabe o que esses hieróglifos fazem com quem tem magias, não é mesmo? ― Ela o viu concordar – Então, tem mesmo certeza de que é isso o que quer?
    Se encararam por alguns minutos em silêncio, ela permaneceu séria ao mesmo tempo que sua feição quase implorava para que o amigo desistisse do pedido, não por ela não ser capaz de cumprir, mas porque todos que entrassem naquele local, desde sua porta de entrada até a saída pelos esgotos, tornar-se-iam incapazes de usar magias e não apenas isso, mas quem quer que tentasse ousar atacar, estando dentro ou fora, seria instantaneamente destruído, ela se lembrava muito bem quando ele, há alguns anos, lhe pediu que aprendesse à usar os hieróglifos do idioma antigo sem uma razão aparente, mas depois que o aprendeu, a primeira coisa que ele lhe pediu foi para usá-los no subsolo inóspito abaixo da academia de magias, para conter as monstruosidades que lá viviam e mesmo antes de ela terminar de escrever os hieróglifos no local sons horríveis de criaturas que ela jamais viu, o som da morte, até hoje ela não entendia porque ele mesmo não havia aprendido à usar os hieróglifos, porque tinha de ser ela, mas não estava a fim de descobrir o motivo, então ela encarou-o, fazendo até mesmo sua face doer, já que lutava para demonstrar uma severidade que não era dela, ele finalmente respondeu com um meio sorriso.
    ― Certeza.
    Ela respirou fundo e falou com toda a rispidez que conseguia usar contra ele:
    ― Saia! E não deixe qualquer ser vivo chegar perto, precisarei de dois dias completos, começando por agora mesmo! ― Ela expirou levando uma das mãos à cabeça e continuou ― Existe alguma especificidade? Alguém deverá ser imune?
    ― Ela.
    ― E você?
    ― Sou uma ameaça, não posso correr o risco de feri-la.
    ― Mas ao que tudo indica vocês dois não serão os únicos.
    ― Não de fato.
    Ele passou pela anã que fez uma careta ao observá-lo ir embora dizendo para ela não se preocupar.
    Passou pela mente da anã, que ele devia confiar demais na mulher para deixar apenas ela imune aos hieróglifos antigos, mas sabia que ele tinha suas próprias razões para fazer isso.
    Ele tinha muito mais do que isso para fazer antes que Ela o encontrasse, mandar fazer uma armadura, espadas e outros equipamento, imaginava que Ela estaria muito bem armada e protegida, mas o que enfrentariam dali pra frente requisitava algo mais apropriado e só existia um ferreiro em quem confiava o suficiente para produzir uma nova armadura para Ela, uma armadura que teria as mesmas propriedades que as escamas de um akakora, impenetrável tanto contra ataques físicos ou mágicos além de ser o único item capaz de anular magias em área.
    Chegou na armoraria onde encontrou o anão, troncudo de barba grisalha e já sem qualquer fio de cabelo, foi uma surpresa e tanto para o anão vê-lo ali parado à sua frente que não reagiu por pelo menos alguns segundos, até que Astral sorriu e falou:
    ― Ainda no ramo?
    ― Para de palhaçada! ― O anão jogou o avental por cima da mesa de trabalho e correu até o amigo lhe dando um abraço leve pela cintura.
    Astral retribuiu dizendo:
    ― Sua irmã parece muito mais jovem do que você, seu velho caduco.
    ― Caduco nada! ― Ele rosnou empurrando de leve elfo para trás ― E ela precisa mesmo parecer mais jovem do que eu, afinal ela é mulher.
    ― Até onde eu sei, ela é quase sessenta anos mais velha do que você.
    ― Justo! ― O anão falou oferecendo um banco para que o elfo se sentasse. ― Mas isso, é porque ela usa maquiagem e eu não. ― Ele também se sentou de frente para amigo e continuou gesticulando enquanto falava. ― Sabe faz só cinco anos desde que você veio até aqui buscar sua armadura, já era pra tê-la devolvido tenho dificuldades de esconder a verdade para o rei…
    ― Não acho que aqui seja um bom lugar para falarmos sobre isso. ― Astral sorriu ao dizer tais palavras ao mesmo tempo que fitou os transeuntes passando pelas ruas lançando olhos curiosos para dentro do celeiro do anão.
    ― Eles não podem nos ouvir, sabe que Liliane fez um encantamento nesta propriedade…
    ― E quanto a seus funcionários ― Indicou os trabalhadores do lado de dentro foi só neste momento que ele percebeu que não se tratava de outros anões, ou mesmo, elfos, humanos ou orcs, eram bonecos de madeira e metal encantados para que fizessem todo o trabalho pesado. ― Já percebi que não preciso me preocupar com eles.
    ― Cortesia de dela também…
    ― Como e por que ela conseguiu fazer isso? ― Ele perguntou enquanto se levantou para ver de perto os trabalhadores.
    ― Ela disse que foi algo que aprendeu com você, há muito tempo atrás, não me deu detalhes, mas depois que feri meus braços num infeliz incidente, não poderia continuar o ofício, sem aprendizes o trabalho de minha família seria esquecido pela eternidade…
    ― O que aconteceu com seus filhos?
    ― Longa história, imagino que você não tenha tempo para isso…
    ― Stephen! ― Astral o interrompeu, sua preocupação com o velho amigo era genuína e mesmo que ainda não tivesse dito ao anão do que precisaria, e talvez isso pudesse atrasar ainda mais a produção do item, ele não podia ignorar.
    Stephen coçou a barba tentando conter sua preocupação, mas ao olhar para os olhos pretos e brilhantes do elfo à sua frente não tinha como resistir, conhecia-o há mais de duzentos anos, havia treinado na academia de magias com ele, assim como sua irmã e seus pais e seus avós, o elfo conhecia muito bem a família Inzul e não seria Stephen o primeiro a conseguir esconder algo dele.
    ― Coisas ruins Astral, depois da guerra contra Nath o rei ordenou que toda a minha família fosse caçada, meus dois filhos e meu sobrinho foram acusados de traição contra a coroa apenas por trabalharem para o serviço secreto, como eu estava na propriedade do exército na época, fui o primeiro a ser capturado, não é que ele fosse me condenar por algo, veja bem, eu estive à serviço do rei por mais de cento e setenta anos, não é como se ele duvidasse de minha lealdade, mas ele sabia que meus filhos tentariam me salvar. Eu tive sorte por Liliane ser astuta, ela se escondeu muito bem quando soube da minha prisão, forjou a própria morte…
    Astral pegou uma das mãos do anão para analisá-las, as cicatrizes indicavam cortes profundos nos pulsos e nas costas das mãos, cortando os nervos e os tendões, Astral deixou escapar um suspiro, sabia quais eram as mais antigas e quais eram as mais recentes, alguém se certificara de cortar várias vezes em locais diferentes para garantir que jamais se recuperassem.
    ― Quem te machucou Stephen? ― Ele não pôde impedir sua voz fria e severa.
    ― Não foram os homens do rei se é o que quer saber ― O anão respondeu prontamente puxando a mão de volta.
    ― Então quem foi? ― Astral insistiu ao ver o anão dar as costas e se afastar um tanto amedrontado, talvez seu descontrole estivesse afetando o ambiente, mas ele tinha que saber quem fizera aquilo com seu amigo. ― Stephen!
    O anão sobressaltou-se, tinha medo de Astral, por tudo o que já ouvira falar, mas só tinha conhecido a gentileza do amigo, nunca o vira em ação e jamais gostaria de ver, então ele se virou devagar, respirando fundo e disse:
    ― Foi o próprio rei…
    O anão viu Astral levar uma das mãos até a boca ao mesmo tempo que arregalou os olhos, era a primeira vez que via assim, talvez ele não estivesse enxergando direito com seus olhos velhos, mas jurava que viu o amigo estremecer e os olhos negros se tornaram, por um breve momento, incandescente como o fogo de sua fornalha, e uma opressão no ambiente quase o fez perder o fôlego, um frio na barriga as pernas fraquejando, ele sentiu pele esfriar e o suor frio correr por sua espinha, então tossiu e toda a opressão que sentiu no ar desapareceu quando o amigo perguntou:
    ― Como conseguiu sair?
    Stephen não queria aborrecer o amigo com mais problemas e certamente não queria que o descontrole do elfo, o qual, certa vez, sua irmã lhe contara, destruísse seu celeiro, mas viu nos olhos do elfo que ele deveria dizer e não deveria demorar muito mais, voltou à se sentar e enquanto apertava as mãos, com o pouco de força que lhe restara, disse:
    ― Depois de capturar meus filhos e meu sobrinho, ele decidiu que eu poderia ficar livre, mas a Rainha disse que minhas mãos poderiam ser usadas contra ele, e ai ele mesmo pegou seu facão e  cortou os tendões, ele havia me dispensado, mas a Rainha me capturou e mandou que sua guarda particular se certificasse de que eu jamais conseguiria movimentar os dedos, especialmente os polegares, sabe, fica difícil levantar um martelo para fundir ou moldar o metal.
    O silêncio tomou conta da conversa, só era possível ouvir o tilintar do metal que os trabalhadores de Stephen emitiam enquanto trabalhavam, Astral olhou novamente para os trabalhadores, se todos os trabalhadores tivessem as mesmas habilidades de Stephen, então o tiro da rainha teria saído pela culatra o que colocava os dois irmãos em um perigo maior.
    ― Para quem estão produzindo? ― Astral questionou.
    ― Eu não tenho permissão para dizer o nome, porém você o conhece muito bem e aprovaria. ― Ele viu o amigo assentir com a cabeça e continuou sorrindo amigavelmente para o elfo à sua frente tentando fazer o peso do ar mudar ― Eu contei o que você queria saber, agora quero que diga, por que veio até aqui?
    O silêncio de novo, Stephen sabia que o elfo estava lutando para controlar seus poderes, sua irmã lhe dissera que ficava mais difícil para o elfo controlar, principalmente quando suas emoções tomavam conta de suas ações, de certa forma, o anão ficou feliz ao saber que tinha uma certa importância para o amigo elfo, caso contrário aquele peso não estaria ali, mas ele estava ficando cada mais apreensivo, não queria seu celeiro destruído pelo descontrole do elfo, então sorriu, até ver a calmaria tomar conta das feições do elfo.
    ― Seus trabalhadores podem produzir com a mesma qualidade que você produzia? ― Astral questionou sussurrando ao inclinar-se para perto do anão.
    ― Melhor eu diria! ― Stephen se levantou indicando para que Astral o acompanhasse até a outra ala do celeiro.
    As mais diversas armaduras e armas estavam dispostas em pedestais, prateleiras, estantes e mesas, apenas aguardando os encantamentos finais para serem embaladas e levadas ao destino, os dois caminharam por elas e Astral testou algumas das espadas, assim como o peso de algumas das armaduras e até as atacou com um pouco de sua magia de fogo no intuito de entender qual a quantidade de poder mágico elas podiam suportar ou rebater. Todas boas o suficiente, mas nenhuma delas se equiparava a sua própria armadura e ele disse isso ao anão.
    ― Isso é porque a sua armadura foi feita de escamas de dragão nórdeno.
    ― E essas não? ― Astral olhou novamente para as armaduras.
    ― Não, estas aí são feitas de mitril, sabe é um bom material, o melhor eu diria, mas não é tão poderoso quanto escamas de dragão.
    Astral colocou as ombreiras que analisava de volta no pedestal se virou para o anão que não conseguiu fechar os dedos completamente para pegar uma das armaduras e ela quase caiu em cima dos pés, mas ele saltou antes que isso acontecesse, um pensamento passou pela mente de Astral, faria o rei e a rainha pagarem pelos danos que havia causado ao seu velho amigo.
    ― Eu sei no que está pensando. ― O anão falou enquanto se agachava para pegar a armadura. ― Mas eu não me importaria com esses pequenos detalhes, ao me ferir eles desencadearam uma série de acontecimentos que podem se virar contra eles mesmos. Eu usaria essa fraqueza muito bem.
    Astral concordou com o amigo, sabia muito bem ao que ele se referia e certamente faria um ótimo uso.
    ― Agora diga, o que eu posso fazer por você?
    Astral começou contando sobre o tipo de material queria que fosse usado na armadura e mesmo o anão insistindo em saber o motivo ele decidiu não revelar para não colocar o anão em situação pior. Stephen arregalou os olhos quando Astral disse que tinha as escamas de akakora.
    ― Onde foi que você conseguiu isso afinal? Aqueles colossais que mais parecessem uma galinha misturada com… com… ― O anão se irritou, não tinha como descrever exatamente aquela coisa ― Com dragão ou hidra ou qualquer que seja o demônio que os criaram…eles estão extintos…
    ― Pois é ― Astral riu da situação ridícula que o anão se colocara ao tentar descrever a criatura infernal ― Eu também achei, mas descobri que eles, só migraram, uma de minhas ex-alunas capturou um há alguns dias atrás e quase morreu por isso, eu segui os rastros dela e encontrei muitos akakoras.
    ― Muitos? Quantos? A destruição que um único pode causar já é mais do que assustadora, muitos? Se forem dez eu acredito que destruíram metade do país.
    ― Cem! Escute, ― Astral se atacou apoiando e em um dos joelhos e colocou ambas as mãos sobre os ombros do anão o que o deixou ainda mais impressionado, afinal não é todos os dias que um elfo trata um anão como igual ― Essa informação por si só é perigosa demais, eu vou entender se você se recusar à produzir a armadura.
    Stephen retirou ambas as mãos de Astral de cima de seus ombros é disse baixinho:
    ― Astral, mesmo que você não fosse quem você é, eu jamais deixaria de te ajudar, sua causa é uma pela qual vale a pena lutar. ― Ele viu o elfo franzir a testa e antes que o amigo protestasse, ele colocou ambas as as mãos nos ombros do elfo e disse: ― Quem quer que tenha te salvo de sua solidão eterna merece meu agradecimento.
    O ponto fraco, desprevenido ele estava, pois, de todas as pessoas que havia conhecido em sua pequena vida élfica, jamais imaginou que Stephen soubesse ou mesmo se importasse com ele. Menos provável era ter certeza de que o anão sabia o que havia acontecido em seu terrível passado e o que pretendia fazer no futuro.
    ― Sabe agora que estou te vendo bem de perto entendo porque minha irmã adora você.
    Astral se levantou rapidamente com o rosto vermelho, até mesmo Stephen era capaz de um golpe tão baixo assim?
    ― Me traga os materiais e eu farei o que precisa. – Ouviu o anão dizer.
    ―  Sua irmã precisa participar do processo ou algumas propriedades do material se perderão.
    ― Não se preocupe com o processo, o que você pediu será feito, só preciso de alguns dias.
    ― Quantos exatamente?
    ― Eu preciso do material, nunca trabalhei com escamas de análoga não sei como são, não posso dizer quanto tempo demoraria sem analisar antes.
    ― Está bem, vou buscá-lo ― Astral se virou, mas antes que o anão pudesse dizer qualquer coisa ele iniciou a conjuração do portal.
    Uma explosão mágica fez o local se iluminar todo e estremecer ao mesmo tempo que deixou Astral no chão sentindo ambos os braços queimar.
    ― Eu disse que minha irmã tinha…
    ― É, mas eu não sabia que até magias não podiam ser usadas. ― Grunhiu ao tentar se levantar, sentia a ardência nas mãos. ― Droga!
    ― Me desculpe Astral.
    O anão ajudou o elfo a se levantar, segurando uma gargalhada dentro de si, era a primeira vez que via Astral com em uma situação tão constrangedora e ruim, até lágrimas escorreram dos olhos do elfo.
    ― Eu vou ficar bem. ― Ele respondeu ao se pôr de pé, caminhou para saída do celeiro massageando as mãos. ― Eu volto mais tarde com os materiais.
    ― Então eu esperarei.
    Astral retornou para seu quarto na estalagem, sentiu a fome e o cansaço baterem forte, mas não queria deixar o amigo esperando muito mais tempo que o necessário, ele retornou até o celeiro de Stephen e entregou os materiais, após uma olhada minuciosa nos itens o anão pediu cinco dias.
    Faltava mais um dia e algumas horas até ela chegar e ele não conseguia descansar, no quarto da estalagem fitava o horizonte, a serra das arvores azuis vista daquele ângulo lhe dava a sensação de que estava no lugar errado, por quase três séculos ele as observou de cima da torre principal da academia de magias, mas ali daquele local era tudo diferente, os picos esbranquiçados pelo gelo não estavam lá, só haviam as árvores que agora estavam de fato azuis.
    Não é que suas folhas eram azuis ou mesmo o tronco, mas as flores, e nesta época do ano toda extensão da serra floria com o mesmo tipo de flor, jacarandá mimoso era como chamavam aquela árvore e era ela que também estava cravada em todos os estandartes e bandeiras e tudo o que fosse relacionado ao rei, a guarda do rei e aos organizações governamentais.
    Os soldados que chegavam aos montes para patrulhar a cidade, carregavam o desenho desta árvore em seus uniformes.
    Astral tinha ficado bastante tempo observando a vizinhança e percebeu o quanto a guarda da cidade tinha aumentado nos últimos dez dias, a festa nacional começaria no dia seguinte, e ele se irritou, estava dormindo pouco devido a ansiedade e a partir do momento que a festança iniciasse ele não conseguiria mais dormir, mesmo que estivesse exausto, além de lidar com sua ansiedade o barulho também não o deixaria em paz, portanto, desistiu, era melhor admitir que não conseguiria dormir do que passar o resto da noite ali tentando dormir.
    Deixou o quarto no meio da madrugada e caminhou pelas ruas da cidade, agora desertas. O céu estrelado e nenhuma ventania ou brisa, estava tudo parado e monótono, estranhamente silencioso. Ele percebeu que nem mesmo os guardas da cidade estavam de ronda. Certamente haviam se retirado e havia um bom motivo para isso. Não houve qualquer crime desde que o rei instituiu a pena de morte há cinco anos. Muitos criminosos pegos em flagrante foram condenados e executados publicamente, a situação do país tinha decaído depois da batalha contra os soldados Drakes, mas ainda existia ordem e a pena de morte deixara isso claro como um dia ensolarado.
    A única movimentação que ele via ali naquele momento eram as partículas brilhantes que flutuavam no ar, mesmo assim, ele sentiu uma presença no ar, caminhou pela calçada de pedra e chegou na praça central onde havia comprado o apartamento para as reuniões que aconteceriam nos próximos dias e lá estava, um vulto negro sentado nas escadas. Ele sentiu seu coração disparar e o ar falhar, o local era protegido contra magias, mas nada impedia de ser atacado, se o atacante estivesse disposto a lidar com as perdas.
    Ele endireitou o corpo e caminhou calmamente até o portão de entrada, com a mão na lombar onde escondia seu punhal.
    A sombra levantou-se e uma voz que ele reconhecia de muito tempo atrás falou:
    ― Ora! Se é assim que trata seus entes queridos nem quero saber que fim teriam seus inimigos.
    ― Alana?
    Ela retirou o capuz revelando uma elfa de cabelos prateados como os dele e olhos violeta, a semelhança era visível, como se ela fosse uma versão feminina dele, ele sorriu e abriu o portão deixando sua guarda baixar, subiu as escadas em um trote rápido e abraçou a mulher fazendo-a sorrir.
    ― O que está fazendo aqui?
    ― Vim entregar uma mensagem. ― Ela falou revelando um envelope com o selo da harpia. ―  Os soldados do rei sabem que Ela virá, eles pretendem intercepta-la.
    ― Como eles descobriram? Ela devia tê-los despistado.
    ― Dever, devia, mas se ela não está fazendo isso de propósito, então não está fazendo mais do que ela é de fato! ― Astral franziu a testa não gostava que falassem mal Dela na sua frente ou para ele. ― Ela atracou em Koe há três dias, usou a conta bancária, entende o que isso significa, não é?
    ― Certamente tem seus motivos…
    ― Ah sim, claro, disparar com megafones onde estava, é bem típico dela chamar atenção desse jeito!
    Astral se afastou da irmã e forçou uma respiração profunda, precisava manter a calma, Alana sempre fora daquele jeito, não importava com quem ou a situação, mas só de ouvir ela reclamar Dela fez seu sangue ferver e ele não queria começar uma discussão.
    ― Depois não muito contente com a atenção recebida ela comprou passagens de trem para Valência, Ketter e Grauna, três regiões distintas para os mesmo dia, não é que ela conseguisse ir e voltar para esses locais à tempo, talvez percebeu o erro e tentou despistar, que ingênua! ― Alana cruzou os braços enquanto observava o irmão de costas, ela sabia que ele estava irritado e talvez ela não devesse provocar, mas seu sangue por si próprio estava fervendo só por ter de relatar os acontecimentos, mais uma vez. ― Cesar fez questão de seguir esses rastros, talvez tentando acobertá-la, outro idiota! ― Ela se aproximou do irmão, a diferença de tamanho entre os dois era considerável, talvez duas cabeças menor do que ele, mas isso não a impedira de dizer o que pensava ― Porém! Hana ― Ela esboçou um riso fraco e sem vida, embora arregalara os olhos ― A rainha, conhece ela?
    Ele balançou a cabeça em consentimento fazendo seus longos cabelos se mexerem, aqueles cabelos prateados tão perfeitos que chegou à distrair Alana por um único segundo, o qual a fez se lembrar que quando criança adorava fazer trança neles, acreditava que o irmão gostava porque ela sempre fazia isso, toda vez que ele a visitava ela deixava uma trança no lado direito, mas depois daquele dia que ela tinha dado graças aos senhores élficos pelo que sua mãe fizera com aquela mulher, de repente sempre que ele a visitava, a trança já estava lá! Quanta ousadia de Dela em roubar seu presente especial pra seu irmão querido, a raiva subiu novamente.
    ― A rainha desconfiou! E na minha opinião ela estava certa em desconfiar! Aí ela mandou FELIPE investigar, quanta palhaçada! ― Alana ergueu as sobrancelhas, as pupilas dilatadas se contraíram de repente e ela continuou com a voz rouca ― Ele voltou todo detonado!
    ― O que aconteceu? ― Ele questionou voltando-se para encará-la sentiu um aperto no coração ao ver lágrimas escorrerem pelo rosto da irmã.
    ― Felipe havia descoberto onde Ela estava… ― Ela se encolheu, levou as mãos até o rosto tentando esconder sua fraqueza.
    Então, o de sempre, ele não sabia o que fazer e ficou ali parado olhando preocupado para a irmã, ela não chorava, era isso o que sua mãe sempre lhe dizia quando ele as visitava, nem quando ela quebrou os ossos.
    Ela se controlou, ela não podia ceder aos lamentos, não ainda, limpou as lagrimas e respirou fundo afastando a tristeza, só mais um pouco.
    ―  Ele não quis contar para a rainha, sabia que não podia, então Rana o aprisionou ― A voz falhou mais uma vez, ele a viu reunir o pouco de força que tinha e então cuspir as últimas palavras ― Ela o espancou até conseguir a verdade… ― Ela olhou para o irmão e deixou as lágrimas caírem.
     ―  Venha! ― Astral a puxou pelo braço e a levou para dentro do apartamento. A irmã choraria até ficar cansada e ele ouviria tudo o que ela teria para dizer, mesmo que não conseguisse parar de chorar também, mesmo que ficasse mais difícil controlar a explosão mágica dentro de si.
    Uma coisa ele tinha decido antes mesmo de ouvir o que de fato havia acontecido, faria Rana pagar pelo que fizera à sua irmã e à Stephen, era uma promessa á si mesmo!
    Alana acordou com a luz do sol invadindo a sala pela fresta da janela, batendo em seus olhos, tinha dormido no sofá usando Astral de encosto, ela sentiu o coração dele batendo calmamente e ouviu a respiração pesada espalhando seus cabelos. Levantou o corpo e se sentou, doía, seus olhos doíam, e seu maxilar, e também as costas. Dormir daquele jeito desajeitado não era pra ela.
    ― Você está bem? ― Ouviu a voz do irmão, embora quando se virou para encara-lo ele ainda estivesse de olhos fechados.
    ― O suficiente para continuar. ― Ela se pôs de pé alongando o corpo.
    A movimentação na cidade estava começando, Astral fez uma careta quando uma corneta soou na rua à frente do apartamento, mas, já era hora de se levantar de qualquer forma.
    ― A festa nacional ― Alana começou ― Que belo momento ela encontrou para voltar.
    Ele permaneceu quieto enquanto arrumava suas roupas, tinha deixado o casaco em cima da mesa redonda para não amassar. Sentiu a agressão na voz de Alana, mesmo tendo passado o resto da madrugada chorando enquanto relatava o que teve de fazer com Felipe até ele revelar a verdade na frente da rainha, ainda estava cheia de ódio, e isso envenenava Astral, difícil já era controlar a explosão mágica em situações cotidianas, pior quando se deparava com a impotência momentânea e mais ainda quando o provocavam, e Alana estava se mostrando mais do que capaz de leva-lo ao limite.
    ― Você não consegue falar com ela? ― Ela questionou atrás do irmão.
    ― Impossível, ela não tem mais o pergaminho…
    ― Através da mente Astral! ― Ela colocou uma das mãos no ombro dele e falou baixinho ao se aproximar. ― Se não conseguir falar com ela, vá até ela. Use o portal, mas não a deixe chegar perto daqui ou tudo o que aconteceu, todas as mortes e sacrifícios, tudo será em vão.
    Ele permaneceu calado, não queria discutir com ela, não depois de saber o que a rainha a fizera passar.
    ― Se ela for pega ― Ouviu Alana, com a voz altiva e séria ― Eu farei questão de estar lá para executá-la.
    Astral sentiu a raiva de sua irmã se juntar com a dele e o sangue ferveu, sua visão embaçou, e ele se apoiou na porta de saída, olhou para irmã de soslaio, ainda se agarrando para acalmar a explosão mágica dentro de si, aquele sorriso desafiador, ela podia estar a favor dele, arriscando sua vida todos os dias e mais ainda encontrando-se com ele ali naquele instante, mas certamente faria o mesmo por Ela.
    ― Ela não vai chegar aqui. ― Disse ao abrir a porta para sair. ― E se ela chegar ― Sua boca se curvou em um sorriso quanto ele terminou ― Eu mesmo me encarregarei de entrega-la a você!
    ― É bom mesmo!
    Ouviu-a dizer enquanto pisava duro se afastando mais e mais do prédio.
    Ela sorriu satisfeita, se Astral cumpriria o que acabara de dizer era uma aposta que ela não queria fazer, mas ficou feliz ao saber que o irmão dava razão à ela.  Teria a cabeça da Rana em suas mãos, em breve!
  • Crônicas de Clisiéia - Capítulo 3

    Ela desceu as escadas devagar, sempre teve medo de sapatos de saltos, mesmos os mais baixos, tinha torcido o pé uma vez e ficou três longas semanas se recuperando, e isso porque estava treinando, sua mãe lhe disseram para caminhar na calçada de sua casa, seu cachorro andando aos seu lado, cortou a passagem dela ao ver um camundongo no jardim da casa do outro lado da rua e isso a fez parar bruscamente o que lhe causou a torção.
    Depois, na festa organizada pelo rei, após Alessa insistir o dia inteiro ela decidiu colocar o salto alto, dizia ela que combinava melhor com o vestido, então depois da valsa no salão e mais algumas danças animadas, ela se sentira tão vontade que ao caminhar sob as pedras do jardim real acabou tropeçando, o salto quebrou e lá estava ela de novo com o mesmo pé, queimando de dor. Teve sorte de Astral aparecer por lá, não iria conseguir voltar pra casa sozinha e com a barulheira que vinha do salão era improvável que ela conseguisse ajuda antes do amanhecer.
    Depois daquilo ela jurou junca mais usar salto alto, mas mesmo com os baixos, tinha medo de se machucar de novo, entretanto aquela era uma ocasião especial o bastante para se arriscar, queria que o elfo soubesse que faria qualquer coisa por ele, mesmo usar um salto baixo...talvez no futuro ela se arriscasse mais, mas por enquanto, aquilo seria o equilíbrio que ela estava disposta a fazer funcionar.
    Logo, demorou mais do que previra para chegar até o térreo, foi quando sentiu os olhos de todos os clientes que ali estavam, alguns já almoçando e outros aguardando a refeição chegar, mas todos olhando para ela.
    Sentiu a pele do rosto queimar e tentou ignorar os olhos curiosos, mas não pode deixar de estufar o peito com satisfação, não era sempre que ela chamava a atenção para si.
    Caminhou na direção da porta, ali era o local combinado, mas queria esperar do lado de fora, queria ver o elfo se aproximar e talvez não reconhecê-la, afinal tinha mudado, a cor do cabelo, seu corpo, ela sentira, ficara maior, músculos, ela gostava deles o suficiente para tê-los maior do que qualquer dama, porém teve a decência de não  cultiva-los demais, tinha apreço por sua aparência feminina. Apenas um pouco de definição muscular, mas o bastante para deixar claro que não era uma simples dama.
    Ela sentou-se no banco do lado de fora da estalagem, de costas para a vitrine, olhou a movimentação na rua, bem mais movimentado do que duas horas antes e o céu nublado fez a temperatura agradável o bastante para não suar ou sentir frio, a estação preferida dela, provavelmente choveria antes de acabar o dia.
    Ela esperou, recapitulando como reagiria, o que diria, tinha escrito no seu caderno há algumas semanas, faria a proposta, mas antes teria de sonda-lo, tinha que ter certeza de que ele não negaria.
    Passou o dedo indicador nas costas de sua mão esquerda, a cicatriz vertical que cobria toda ela, uma lembrança de Olien de quando ela ainda achava que ele era um inimigo e...
    Um frio na barriga ao mesmo tempo que o coração acelerou, ela reconhecia aquele modo de andar que passou tranquilamente por ela e apenas acompanhando-o com os olhos, o resto do corpo imóvel, viu-o virar ao seu lado e parar para abrir a porta da estalagem.
    Era ele! Astral estava ali e ela não conseguia se mexer ou falar. Por um segundo ela adorou sentir seu corpo todo estremecer e não responder seus comandos, mas aí ela levantou e encontrou os olhos negros dele fitando-a.
    Astral estava a caminho da estalagem quando se lembrou que tinha prometido para Liliane uma torta no café da manhã, na rua principal tinha uma padaria que ela dissera tinha as melhores tortas e bolos da cidade, porém o preço era salgado, ela aceitaria a torta e o café da manhã como forma de pagamento ao favor que ela lhe fizera com relação aos hieróglifos.
    Ele decidiu comprar a torta de morango e quando chegou na residência da anã, se deparou com uma situação incomum, o portão estava aberto assim como a porta, a casa feita de tijolos maciços de provavelmente três cômodos estava em silêncio, ele passou pelo jardim e a chamou, nenhum retorno, caminhou na direção da porta imaginando se ela havia saído às pressas, já que não parecia ter alguém lá dentro.
    Ele bateu na porta, e entrou, ninguém na sala, apenas a mesa cheia de guloseimas, doces, pães, frutas, uma chaleira que emanava calor e um vapor, se ela tinha saído, não fazia nem cinco minutos.
    ― Você está atrasado!
    Ele se virou aliviado pela anã estar ali, depois da noite conturbada, imaginava se a guarda da rainha já estava ali esperando para emboscar quem quer que ajudasse aquela mulher.
    ― A torta que você disse que gosta tinha acabado de ser colocada no forno, não tive escolha a não ser esperar!
    ― Ah! Perfeito! ― Ela deu um pulo de alegria e arrancou a sacola da mão dele levando-a pra cima da mesa.
    Astral sorriu com a voracidade da anã em desembrulhar tudo rápido o bastante para que ele não entendesse os movimentos, rápido demais, o bastante para sentir o bafo e aroma da torta assim que a desembrulho, ela fechou os olhos e disse:
    ―  Esse é o sabor de um sonho realizado ― Ela abriu os olhos e olhou para o amigo, sua felicidade se esvaiu ao ver que além dele estar com os olhos fundos a expressão estava carregada de preocupação. ― O que aconteceu você? Está com uma cara horrível!
    ― Só algumas coisas…
    ― Astral ― Ela indicou a cadeira para que ele se sentasse, passou por sua mente que aquela cadeira era pequena demais, mas ele não se importou ― Não minta, você não dormiu isso é perceptível e até entendo, mas a preocupação.
    ―  Se eu te disser que quanto menos você souber será melhor, você acreditaria?
    ― Mas é claro, ― Ela falou enquanto cortava a torta e servia um pedaço ao amigo, embora preocupada com o amigo a felicidade de poder saborear aquela torta ainda estava ali. ― Porém, ainda assim, você terá de me contar!
    Astral suspirou e começou a contar, tudo o que sua irmã tinha lhe dito na madrugada, embora ele estivesse exausto e preocupado percebeu que de fato aquela torta era deliciosa e isso lhe animou um pouco, fez esquecer da preocupação embora falasse sobre ela, tão esquisito.
    ―  O que você vai fazer então? Ela chega hoje não é mesmo?
    ―  Sim, não tem como me antecipar, não consigo rastreá-la, só o que posso fazer é tirar ela daqui assim que a encontrar.
    ― Bom, eu sei que você não me pediu isso ― A anã se levantou e foi até um armário próximo que estava trancado, ela retirou a chave dourada do bolso e retirou de lá de dentro uma caixa de madeira, maior do que suas duas mãos juntas e a colocou em cima da mesa ― Pode usar o que tiver ai dentro, e se você não quiser usar, acho que ela vai querer!
    ― O que é isso? ―  Ele indagou passando a mão por cima da tampa da caixa que tinha apenas a insígnia do clã dos anões.
    ― Um mapa, dos subterrâneos, você comprou aquele apartamento porque sabia que estava em cima dos corredores subterrâneos abandonados pela nossa raça há muitos séculos, mas não sabe o que tem lá embaixo e nem como sair de lá se entrar, então, esse é o mapa, talvez as coisas lá embaixo não estejam exatamente como descritas no mapa, mas isso deve ser o suficiente para te guiar.
    Ele abriu a caixa e ali havia um pergaminho enrolado com uma fita vermelha ao redor para mantê-lo fechado, ele fechou a caixa e agradeceu a anã.
    ― Tome cuidado lá em baixo, nosso clã abandou aqueles corredores por um bom motivo.
    Ele balançou a cabeça em concordância enquanto colocava mais um pedaço da torta na boca.
    Depois do café , embora só tenham tomado chá, a anã insistiu para que o amigo descansasse um pouco, ela prometeu acorda-lo dali à cinco horas, ela disse que daria tempo suficiente para ele chegar até o local de encontro, ele protestou dizendo que suas coisas estavam na estalagem, como ele poderia se arrumar antes dela chegar? Mas ela o tranquilizou dizendo que as traria.
    Se deitou no sofá, desajeitado, apesar de ser quase do seu tamanho, mais macio do que sua própria cama ou a cama da estalagem, sabia que teria problemas depois, mas ele adormeceu rápido demais para continuar se preocupando.
    Só escuridão e quando acordou sentiu a dor no pescoço, mas é claro que ficaria dolorido, dormindo no sofá, isso era o mínimo que podia esperar, ele viu suas coisas em cima de uma das cadeiras da mesa, o ambiente estava impecavelmente limpo e arrumado, ele se levantou e viu o bilhete em cima de sua mala, Liliane tinha ido entregar uma encomenda para uma de suas clientes e voltaria só à noite. Ele olhou no relógio de parede que havia próximo a mesa e ainda eram onze da manhã, ainda, mas se ele se demorasse demais se atrasaria, ele sentiu o coração palpitar e uma vontade quase incontrolável de sair correndo, mas ele não poderia sair daquele jeito, tinha de se arrumar.
    Foi um banho rápido, até porque ele teve de se manter curvado para não bater a cabeça no chuveiro, a maior dificuldade foi na hora de lavar o cabelo, mas ele deu um jeito de conseguir deixá-lo limpo e perfumado, por fim ele se vestiu, quando olhou no relógio da parede tinham se passado apenas dez minutos.
    ― Isso não é possível ― Ele comentou consigo mesmo.
    ― Uau! ― A anã comentou ao vê-lo guardando suas coisas na bolsa mágica. ― Está mesmo encantador!
    Ele agradeceu enquanto se olhava no espelho preso na parede ao lado do armário, pequeno para o seu tamanho, mas duas vezes maior que a anã, ele mesmo se impressionou com seu estilo novo, usava uma camisa de seda de cor violeta com um colete preto decorado com linhas também violeta, uma calça preta de tecido liso e sapatos de couro preto com uma fivela na lateral que é o que fazia a decoração elegante demais.
    ― Olha trouxe isso para você. ― A anã comentou entregando uma lanterna quadrada, com uma alça triangular. ― Ela emite luz mágica, pode ser útil nos túneis.
    Ele pegou o item e o observo enquanto elevava-o até a altura de seus olhos, ele tinha uma daquelas em sua residência em Valência e sabe que elas podem emitir uma iluminação direcionada e não é necessário carregá-las pois elas acompanham seu possuidor, muito prático principalmente se tiver que usar as duas mãos para fazer outras coisas como lutar ou escavar.
    Agradeceu a anã e terminou de arrumar as coisas, colocou a bolsa nas costas e partiu, sabia que chegaria cedo, mas não via problema em esperar, ele poderia usar esse tempo para pensar no que dizer ao encontrá-la. Apesar de ter passado os últimos dias acordado, não conseguiu decidir, talvez aquele fosse o momento ideal para decidir.
    Ele caminhou pelas ruas pensativo, não se incomodou com a barulheira que os cidadãos faziam nas comemorações, muitas apresentações populares, malabarismos, teatros e dança, as ruas estavam cheias de pessoas fantasiadas, alegres e se divertindo, as barracas vendiam de tudo, desde frutas, especiarias e pratos típicos daquela região, pamonha, caldo de cana e pastel, isso chamou a atenção de Astral, ele tinha apenas comido aquela torna pela manhã e sempre que via pastel não conseguia resistir, comprou alguns, talvez aquela mulher fosse querer alguns também. Ao passar pela barraca de doces não conseguiu resistir as paçocas, acabou comprando dois potes e guardou em sua bolsa, tinha sorte de sua bolsa ainda ter espaço para tanta coisa, caso contrário teria de comprar outra.
    Quando saiu da rua principal os festivos diminuíram o que era esperado, apesar da cidade inteira estar em comemoração, as principais apresentações se concentravam perto da praça principal, o mesmo local onde havia comprado aquele apartamento, duvidou que os guardas pudessem abrir fogo no meio da festança, mas não podia arriscar, ele decidiu assim que avistou a estalagem, assim que encontrasse aquela mulher ele abriria um portal e a levaria com ele em segurança para outro local, um bem distante dali.
    Ao se aproximar cada vez mais da estalagem sentiu seu coração acelerar, a respiração falhar e uma vontade de correr, mas tinha de se manter calmo, ainda era cedo, faltavam uns quinze minutos ainda, talvez um pouco menos, mas não era o horário certo, ele parou do outro lado da rua esperando que as carroças parassem de transitar para ele atravessar, de repente as carroças pareceram se movimentar em câmera lenta, foi quando viu uma mulher sair de dentro da estalagem e se sentar no banco, ele sabia que era ela, mesmo com aquele chapéu tampando seu rosto, mesmo com aquele cabelo preto, mesmo percebendo ela não era mais raquítica, músculos ele viu, o suficiente para deixar claro que ela não era uma dama qualquer, muito menos indefesa, e os braceletes, ele sentiu a explosão mágica dentro de si, virou-se de costas bruscamente precisava conter o que estava dentro de si ou a cidade inteira iria pelos ares, se forçou a se acalmar e á se lembrar que apesar do selo do que o rei não mais segurar suas habilidades ele ainda tinha o selo que ele mesmo havia criado há alguns séculos, para impedir que toda aquela energia mágica destruidora não lhe escapasse, se ainda tivesse os braceletes, os braceletes que ele dera à ela, talvez ele não precisasse se preocupar em se controlar, os braceletes absorveriam toda aquela magia sem problema algum, mas ali estava ele, lutando internamente para se acalmar e ela estava do outro lado da rua, ele pegaria os braceletes de volta, ela provavelmente não se importaria, ela quis devolver antes de partir, mas ele recusou, devia tê-lo aceito, assim não precisaria ter se escondido com medo de causar destruições por onde quer que passasse.
    Ele conseguiu se recompor e voltou à olha aquela mulher de longe, as carroças já tinham se distanciado o bastante para ele atravessar a rua sem ser atropelado, então ele forçou seu corpo a se mover, e enquanto atravessava a rua pensou no que dizer, rápido, mas quando chegou do outro lado ele só andou e passou por ela, estava com medo, o frio na barriga e a vontade de sair correndo dali, mas ele passou a mão na maçaneta da estalagem e olhou para ela sentada no banco ao lado e assim ele travou, quando a viu se levantar e olhá-lo diretamente nos olhos.
  • Dança dos Pássaros

    Na vila de Bukhara, um pequeno lugar entre o deserto de Razes e do Rio Uri, ouve-se gritos e um alto som de espadas, são apenas 10 horas da manhã, mas Aisha, vestida com o traje de couro e pingando suor, não larga a espada por nem sequer um minuto; é a única guerreira em sua vila.  Você deve estar se perguntando por que uma garota de dezenove anos tornou-se uma guerreira impecável, num lugar onde deveria estar tecendo ou cozinhando como as garotas de sua idade. Não era julgada pois Bukhara sempre foi uma vila igualitária, formada pelos refugiados da Guerra dos Corvos, há 10 anos atrás, acolheu pessoas de todos os tipos, como Aisha.
    Em uma ferraria não muito longe dali, encontramos Zayn, o jovem de pele parda e grossos braços, bate no que parece ser um punhal com o martelo; o suor escorre por suas costas e seu estômago ronca, larga o trabalho e sai pela porta, cinco minutos depois está na frente da casa do mestre de armas, ao longe, vê a longa trança de Aisha balançando,  enquanto ela luta bravamente com um boneco de madeira :
    - Ei, passarinho! - grita Zayn para Aisha, que acabou de derrubar o boneco no chão. - Vamos! Minha mãe deve estar nos esperando para o almoço! - Aisha corre em sua direção com o rosto brilhando de suor, com a voz ofegante diz ainda de longe :
    - Ei, meu belo camelo! - dando uma risada cansada - Já derrubei esse boneco três vezes hoje, espero que sua mãe tenha caprichado, eu comeria um camelo inteiro - diz sarcástica, olhando para Zayn que faz cara de bravo, mas não aguenta e dá uma gargalhada;  juntos vão andando pelas ruas da vila, sempre rindo um do outro.
    - Não! Você não pode fazer isso! - grita Aisha em desespero; empunha a espada e, segundos depois, sente o sangue quente em suas mãos, olha para o homem mascarado à sua frente, ele não está ferido. Ao seu lado, a mãe jaz morta no chão. Olha novamente para o homem, desta vez encara seus olhos negros. Acorda assustada.
     
    É manhã de sábado e Aisha caminha pela feira no centro da vila, ela tenta afastar da mente o sonho que tivera na noite anterior, o que é quase impossível. O cheiro de tâmaras e damascos enchem o ar e Aisha se sente melhor; para na barraca do tio de Zayn, analisa os punhais e as facas, ouve ao fundo um burburinho e seu ouvido eriça ao ao ouvir " o príncipe, é, eles precisam de um herói". Infiltrando-se em meio às vendedoras de tecido que tanto conversam, Aisha pergunta:
    - Bom dia senhoras - diz com um sorriso um pouco forçado. - Não pude deixar de ouvir, se importariam de me contar mais sobre o que se passa ao príncipe? :
    - Ora! Realmente não sabe o que aconteceu? - exclama a mais velha do grupo. - O príncipe Kamal foi sequestrado ontem pelos Corvos de Sangue! - ao ouvir isso, Aisha sente um arrepio. :
    - E eles, do palácio, buscam um herói que possa salva-lo. - comenta outra jovem. - Eles já perderam o rei Khalid e seu herdeiro na guerra, Kamal é o único que restou.
    Ao ouvir estas palavras, Aisha deixa a cesta de frutas que carregava cair ao sair correndo, as palavras daquela mulher tinindo em sua cabeça e com o coração quase saindo pela boca, Aisha corre em direção ao único que pode ajuda-la.
    Zayn voltava a trabalhar no punhal com o martelo quando ouviu Aisha chegar gritando:
    - Zayn! Zayn! Você nem imagina o que aconteceu! - Depois de se acalmar, Aisha conta em detalhes tudo o que ouviu na feira, e ofegante de empolgação disse:
    - Ora, Zayn! Esta é minha chance! Sou o herói que procuram! Temos que ir logo!
    - Como assim Aisha? ! Ficou maluca? ! Não podemos ir!
    - É claro que podemos! - Agora Aisha chega mais perto de Zayn como quem busca acolhimento, ela olha para ele tomada de emoção e com voz doce diz :
    - Você me conhece, Zayn, conhece minha história e sabe que essa é minha única chance. Você como ninguém precisa me apoiar, por favor Zayn...
    - Tudo bem, Aisha, me desculpe, sabe que apoio você. Isso pode ser loucura, mas estou com você. - Diz Zayn com um sorrido tímido. Aisha se aproximar de seu melhor amigo, ele põe a mão em sua cintura; Zayn sente o perfume do cabelo de Aisha, ele a puxa para si e envolvidos na emoção se abraçam :
    - Zayn? - Diz Aisha ainda abraçando o amigo. - Prometo cuidar de você, se você prometer o mesmo a mim.
    - Eu prometo.
    Assim, Aisha sai sorridente e antes de sair pela porta, olha mais uma vez para o amigo, em seu coração ela sabe que o ama, de uma forma que ela não imagina ainda.
    Durante o jantar todos estavam quietos, Aisha tentava manter que calma mas por dentro a ansiedade a tomava. Saíram logo da mesa e desceram ao curral para preparar os cavalos e as bagagens. Partiriam naquela noite.
    Em seu quarto, Aisha terminava de ajuntar suas coisas, se deita na cama, sua mente está um turbilhão mas o ar gélido a faz adormecer. Esta noite, Aisha não tem pesadelos como o homem de olhos negros; em seu sonho ela cavalga livre pelo deserto em um negro corcel, o sol reflete a cor mel de seus cabelos e o vento bate em seu rosto, este é um sonho feliz, como Aisha nunca teve. :
    - Psiu!  Aisha! - Sussurra Zayn. São três horas da manhã e ele parece sonolento. - Está na hora de partirmos.
    Minutos depois, ambos montam em seus cavalos e cautelosamente fogem no meio da noite; Zayn deixou um bilhete para os pais, mas provavelmente iriam atrás deles quando descobrissem, por isso tinham que ser afastar o mais rápido possível. Um vento frio sopra sobre eles, e com esperança nos olhos, os dois amigos deixam a vila silenciosa.
    Já são seis horas da tarde, o sol começa a se pôr e os dois amigos ainda cavalgam; a esta altura os pais de Zayn e os moradores da vila já os buscam desesperadamente, mas eles já se afastaram o suficiente.
    Decidem parar, com as costas doloridas e famintos, desabam dos cavalos; Zayn faz uma fogueira com alguns gravetos que trouxe da vila, repartem um pão seco e um pouco de queijo de cabra, deitada na areia quente do deserto, Aisha adormece e mais uma vez, sonha.
    Zayn ficará de vigia esta noite, estende sua capa negra na areia e se senta ao lado de Aisha, ele repara que ela dorme com um ar calmo, coisa que ele não via há muito tempo, por conta de seus constantes pesadelos.
    O vento árido do deserto sopra forte, que noite cai sufocante sobre eles. Zayn está alerta para qualquer perigo, ao seu lado, meio encoberta pela capa, repousa a espada brilhante, forjada pela próprias mãos de Zayn; no cabo, a verde esmeralda reluz, "como os olhos de Aisha" - pensa ele.
    A espada vinha sendo trabalhada havia meses, a esmeralda custara a Zayn dois meses de seu salário e um anel de prata que ganhara de algum parente; Zayn planejava dar a espada à Aisha em seu aniversário, daqui três dias, ele acaricia a esmeralda, pensando no sorriso de Aisha ao receber o presente.
    Pela manhã, o sol começa a nascer, Aisha se levanta e ao seu lado vê Zayn preparando ovos mexidos na fogueira, o cheiro desperta sua fome, Zayn sorri para ela :
    - Bom dia, passarinho! - Diz enquanto serve um pouco de ovos para ela, felizmente se lembraram de levar todo o necessário para se alimentarem durante vários dias. :
    - Bom dia, camelo. - Ela tenta sorrir mas ainda está sonolenta.
    Depois de comerem, Aisha pega em sua sacola um papel, é um mapa, conseguiu antes de fugir, curar de um mercador, e junto com ele, adquiriu informações valiosas.
    Passaram cerca de meia hora revendo todo o plano, seguiriam pelo deserto por dois dias até chegarem ao fim dele, numa casa enorme cor de noite, onde mora um mago muito poderoso; Aisha conseguira essa informação com os mercadores viajantes, e acreditava que o mago fosse capaz de ajuda-la.
    Seguiram viagem por mais dois dias, comida e água eram racionadas e eles revesavam o sono e a vigia. Exaustos e com dores nas costas, já não aguentavam mais, até que, ao ver de longe um borrão negro, galoparam o mais rápido que podiam, chegaram ao portão enferrujado pelo tempo, e com os corações exaltados, bateram com uma grossa argola de ouro.
    A porta se abre, ouve-se passos e uma sombra se aproxima, Aisha prende a respiração, atemorizada, espera que alguma criatura horrenda apareça, a sombra se aproxima cada vez mais, até virar alguém.
    Aisha repara no sorriso amarelo à sua frente,  um senhor com bochechas rosadas e olhos grandes, um pouco baixo demais, está parado à sua frente; Aisha finalmente se dá conta e diz :
    - Boa tarde, senhor! Eu sou...
    - O passarinho! - interrompe ele, com ele com entusiasmo nos olhos.
    -Sim! Quer dizer, não! ! - diz ela meio embaraçada. - meu nome é. ..
    - Aisha, da vila de Bukhara! - interrompe ele mais uma vez, e apontando para o corredor atrás de si diz : - e então? Vamos entrar? Temos muito para conversar!
    Aisha está espantada, exita por um momento, mas o senhor, com voz doce diz:
    - Ora, minha filha, não tenha medo, minha servas cuidarão dos cavalos aí fora e eu cuidarei de vocês aqui dentro. Venham, eu posso ajudá- los.
    Assim, um pouco mais tranquila, Aisha entrega os cavalos às servas que vem depressa, segura firme a mão de Zayn e segue o bondoso homem pelo corredor escuro. Atrás deles,  a porta se fecha.
    Acomodados dentro da casa, o senhor manda que seus servos preparem os banhos para Aisha e Zayn, oferece-lhes  as melhorem roupas que tem e os convidados a passarem a noite em sua casa.
    Aisha é despida de suas velhas roupas guerra, o corpo, cansado, relaxa enquanto ela mergulha na banheira quente; a mente começa a viajar.
    O sol começa a se pôr enquanto Aisha desce a escadaria que leva à sala de jantar, o vestido longo balança com ventos que entra pelas janelas; lá em baixo, já sentado à mesa de jantar, Zayn a observa encantado, nunca a vira assim, aliás, Aisha nunca se vestira assim, sente-se como uma rainha.
    Durante o jantar, o mago se apresenta como Hamid, o "Grande Mago", o que faz Zayn rir por dentro. Aisha aproveita o jantar, Zayn e ela jamais comeram uma refeição tão gostosa. Ambos gostam do lugar, do mago e até fizeram amizade com uma das servas do mestre Hamid, Lila.
    O jantar é retirado e todos já satisfeitos, conversam sobre o motivo de Aisha estar ali, o mestre levanta :
    - Me acompanhem, há algo que quero lhes mostrar.
    Todos seguem juntos ao lugar mais baixo da casa, escuro e cheio de ratos, é guardado por uma chave pendurada no pescoço do mago; ele abre a porta e todos entram, Zayn e Aisha se impressionam com a quantidade de objetos espalhados pelo lugar, segundo o mestre, são todos mágicos, o que mais lhes chama a atenção está ao fundo, uma cápsula de vidro, e dentro dela, uma pena branca brilha.
    Os dois amigos seguem o mestre em direção à pena, com mãos delicadas, Hamid toma a pena e a entrega à Aisha, seu olhar bondoso transforma-se num olhar frio e sério:
    - Isto pertence à você, Aisha.
    - A mim?  - pergunta ela espantada. - Mas eu nunca vi isso antes, como pode ser meu?
    Sem responder, mestre Hamid caminha até uma estante, volta com um velho pergaminho, entrega á Aisha que lê as letras douradas em voz alta :
    "Pelo pássaro que se ergue
    E por aquela nascida do amor
    Amor que ainda não se sente
    Jorrará como uma nascente
    Levantará sua escolhida
    Que salvará toda sua gente
    Ressurgirá quando a dor lhe tomar
    E com mão firme
    Fará com que aquele feito de sangue
    Seja espalhado pelo vento ".
    Tomada pelo desentendimento e com olhar confuso, Aisha busca respostas :
    - Eu, eu não entendo o que isso quer dizer! - em sua face há angústia quando ela fala, Zayn toca seu ombro como que dizendo "vai ficar tudo bem ".
    - Aisha, você é a escolhida, é por isso que está aqui. Você é o pássaro que ressurge na dor, e você derrotará os Corvos de Sangue, derrotará aquele que é chamado de Corvo Sangrento. - Aisha sente o coração acelerar, sente o seu chamado para ser uma heroína, mas no fundo de seu peito reina o medo. :
    - Mestre, e como farei isso?
    Neste momento, o mestre Hamid pega a pena branca, e um velho papel corroído pelo tempo. - Esta pena a levará ao seu destino, - diz enquanto a aproxima para a luz, que brilha ainda mais forte. - Ela traçará o caminho até onde está aquela cujo é feita do amor ainda não sentido.
    - E o que seria "aquela"?
    - Ora! A espada que usará para matar o Corvo! - diz o mestre com brilho nos olhos.- A espada foi forjada pelas mãos de seu amor verdadeiro, Aisha. Ao encontra- la, encontrará também o seu verdadeiro amor. 
    Neste momento o nervosismo toma conta de Aisha, não sabe o que é o amor, nunca amara ninguém, não daquela maneira.
    O mestre entrega a pena para Aisha e a explica como deve ser o procedimento:
    - Escreva seu nome neste papel usando a pena, e então, em pensamento, faça seu desejo, e a magia da pena o realizará.
    Aisha tenta controlar a mão trêmula, desdobra o papel mas antes que escreva qualquer coisa, vê uma coisa escrita. "Eva", neste momento, Aisha pergunta ao mestre, bem conturbada:
    - Mestre, por que o nome da minha mãe está escrito aqui?
    - Minha filha, há algo que preciso lhe contar, há dez anos atrás, quando se iniciou a Guerra dos Corvos, sua mãe me procurara, ela dissera que o Corvos Sangrento estava indo até sua aldeia, e ela queria salvar o seu povo, porém, a magia da pena permitia que apenas uma pessoa fosse salva.
    Com lágrimas nos olhos, Aisha diz em meio a um sussurro :
    - Ela desejou me salvar. É por isso que sou a a escolhida, sou a única que restou da dor.
    Neste momento, Aisha toma coragem, escreve seu nome no papel, por um instante fecha os olhos e faz seu pedido, que a espada feita pelo amor verdadeiro seja encontrada. :
    - Agora, vamos subir, isto pode demorar um pouco pois pode vir de qualquer lugar do mundo. - comenta o mago. - Zayn e Aisha seguem pela porta e começam a subir, ao chegaram na sala principal, algo inesperado acontece.
    Zayn caminha ao lado de Aisha , a experiência que tivera ao lado de sua amiga ainda o perturba, e um milhão de ideias passam por sua mente.
    Chegam na sala principal da casa, mas algo os detém, no alto da escada, uma forte luz verde começa a aparecer se aproximar, com êxito, o mestre Hamid diz :
    - Vejam! É ela!  É a espada! Pensei que demoraria mais tempo. - neste momento o coração de Aisha bate mais forte, a espada chegando cada vez mais perto, a garota estende as mãos trêmulas, a espada repousa sobre elas; "é linda", pensa Aisha, analisando a esmeralda cravada no cabo. :
    - Não pode ser! Diz Zayn atrás dela, Aisha vira e se depara com os olhos arregalados e o rosto surpreso do amigo :
    - O que foi Zayn? - pergunta ela. Zayn pisca algumas vezes para ter certeza de que é tudo real, finalmente encontra palavras e diz, um pouco exaltado :
    - A espada, Aisha! Eu a fiz! Trabalhei meses nela para dar a você amanhã, em seu aniversário!
    O cérebro de Aisha tenta assimilar a informação,  ela abre a boca para falar algo, mas desiste. Seus olhos se encontram com os de Zayn, ambos confusos, e enquanto se encaram, nos dois corações, uma crescente chama de amor começa a nascer.
    O mestre Hamid os deixa a sós para que possam conversar,  porém, nenhuma palavra é dita entre os dois, não há o que se possa dizer, apenas sentir. Foram dormir sem dizerem nada, apenas sentindo tudo.
    Pela manhã, Aisha acorda com Zayn à sua porta, vinha lhe dar os parabéns, e apesar do abraço, nada evita o constrangimento; descem juntos para tomar café, mas Aisha não tem apetite, essa noite os olhos negros do homem mascarado vieram visitar seu sonho.
    Os dois amigos se despedem do mestre Hamid, agradecem pelo acolhimento e por toda a comida que ele providenciou para a viagem. Partem os dois em silêncio, guiados por uma linha dourada desenhada pela pena mágica, que apenas eles podem ver, é para Aisha, resta apenas mais um desejo.
    Seguem viagem trocando poucas palavras, mas à noite, quando param para descansar, Aisha já não aguenta mais o silêncio. :
    - Inesperado, não é? - comenta ela, tímida. - Quer dizer, eu nunca imaginei. A gente. Sabe?
    - É, nem eu. - diz Zayn, ascendendo a fogueira. Depois disso não voltam a se falar por um tempo; Aisha senta-se na areia morna, fecha os olhos por um instante, e começa a chorar.
    Ao ouvir os soluços de Aisha, Zayn rapidamente vai em sua direção e a abraça,  seu choro é de profundo desespero, em meio às lágrimas, encostada no peito de Zayn, Aisha confessa.:
    - Estou com medo, Zayn. Pensei que fosse uma heroína, mas não sou, estou com medo.- Zayn acaricia o cabelo de Aisha, e diz com calmaria na voz.:
    - Prometemos cuidar um do outro, lembra? - diz ele tocando com o indicador na ponta do nariz vermelho de Aisha. - E outra, passarinho, você ainda tem a pena mágica. Amanhã, quando chegar o momento da batalha, use seu último desejo para pedir coragem.
    - Você tem razão, Zayn, você sempre tem razão. - diz Aisha, que apesar de ter parado o choro, continua aninhada aos braços de seu amigo, e para ela, nada mais importa, só estar ali, com ele. Esta noite, esquecem-se da vigia, dormem ambos, refugiados um ao outro.
    Aisha acorda com um grito de dor, sem entender, vê Zayn contorcendo-se ao seu lado, só percebe que não é um pesadelo quando por pouco não é atingida pelas presas de uma Cobra de Fogo, esta criatura, descendente de dragões, tem poder para matar qualquer um.
    Em desespero, Aisha pega a espada que ganhara de Zayn, e tomando os gritos do amigos como impulso, corta a serpente ao meio com um só golpe. De dentro dela, escorre lava quente.
    Aisha corre na direção de Zayn, que agoniza, de seu pescoço escorrem sangue, e Aisha, já sem esperanças, o abraça. :
    - Não, por favor Zayn, fique comigo! - grita ela em total desespero. Mas não há nada que se possa fazer. Zayn, com as poucas forças que tinha, leva sua mão ao rosto de Aisha, e a acaricia uma última vez, até fechar os olhos.
    Chorando, Aisha sente como se o coração fosse arrancado do peito, ela olha para o céu e tudo que vê são as estrelas, e a linha desenhada pela pena mágica.
    " A pena ", lembra ela, " é isso ". E corre até onde estão os cavalos com as bagagens, desesperadamente procura a pena em sua bolsa. A encontra, juntamente com o papel que mestre Hamid lhe dera. Sem pensar duas vezes, Aisha escreve seu nome, fecha os olhos e tudo que existe em sua mente é o desejo de ver Zayn vivo ao seu lado novamente. Abre olhos, nada acontece.
    Aisha ainda chora, desolada, seu coração perde novamente a esperança, dessa vez sentia uma faca transpassar-lhe a alma.
    "Maldita pena e toda essa magia ", pensa ela com raiva.:
    - O que foi, passarinho? Alguém morreu? - Aisha abre os olhos e vê Zayn sorrindo, de maneira ainda doída. Ela o abraça como se fosse o mundo, suas lágrimas agora são de alegria.:
    - Você usou a magia da pena, não foi? - pergunta ele, Aisha se afasta e diz que sim com a cabeça, o ajuda a ficar de pé e ele continua dizendo :
    - Tem ideia que usou seu último desejo? - sua expressão é séria agora. - Como terá coragem,  Aisha?
    Ela caminha até ele e o toma pela mão, um desejo ardente a consome, e com voz confiante afirma :
    - Contanto que você esteja comigo Zayn, eu jamais precisarei de magia alguma. É você quem me dá a coragem que preciso, Zayn, sempre.
    Ele a puxa para mais perto, estão colados, sem dizer nada, sentem apenas a batida do coração um do outro. Tomados pelo momento e pelo sentimento descoberto dentro de si, beijam-se, ardentemente, e nesse instante, almas se encontram.
    De manhã, o sol brilhava forte quando avistaram de longe, no fim do deserto, e maravilhoso por uma bandeira negra, o castelo que fora dominado pelos Corvos de Sangue. Seguiam cautelosos, pararam por um instante para rever o plano.:
    - Primeiro, não podemos ser pegos. - diz Zayn, que esbarra de costas em algo, quando se vira, depara-se com um cavaleiro, totalmente vestido de negro, e no seu peito, um broche com o símbolo dos Corvos de Sangue. Não há tempo de reagir, os dois são capturados e levados ao calabouço escuro do estranho castelo negro.
    Passaram-se horas, famintos e assustados, Aisha e Zayn não percebem a presença do cavaleiro que se aproxima da cela, a porta se abre, e a voz pesada os chama:
    - Meu senhor os chama, é bom que venham depressa. Os dois apenas levantam-se e apressadamente seguem o homem.
    Chegam à uma grande sala, no fundo, num trono vermelho como sangue, está sentado em toda a sua glória, a figura do homem-corvo, o manto preso às suas costas, é escrustado de penas pretas, e em seu rosto, uma máscara com face de corvo. Aisha sequer consegue encará-lo.:
    - Bem vinda, passarinho! Há tempo que te espero. - diz ele com ironia, sua voz é carregada de crueldade. Aisha e Zayn mantém o silêncio, as palavras enterradas nas gargantas. Após um longo momento silencioso, Aisha olha para Zayn, e lembra da promessa de protegê-lo.:
    - Sabe quem sou, não é? - fala ela dirigindo-se ao homem no trono. Ele se levanta e caminha até ela, que ainda está de cabeça baixa, o homem se aproxima e para a sua frente, Aisha decide encará-lo, mas ao fazer isso, Aisha descobre uma raiva dentro de si ao ver os olhos daquela criatura. Ela grita.:
    - Foi você, não foi?! Matou minha família! Toda a minha aldeia! Você destruiu a minha vida! - a raiva faz com  que lágrimas brotem nos olhos de Aisha, e mais uma vez seu mundo desaba. O homem, agora descoberto como o Corvo Sangrento, ri diante da desgraça de sua inimiga.:
    - O que você esperava? Que eu levasse flores? Eu já conhecia a profecia antes mesmo de você nascer. Era você quem eu queria. Como não encontrei, restou a mim destruir tudo que seria importante para você.
    Aisha se lembra da magia usada pela mãe para protegê-la, lembra-se de ter visto o Corvo na noite na morte de sua mãe, lembra de ter o encarado nos olhos, mas ele não a vira, a magia a protegera.
    Pensa ela então na mãe, e que é por causa dela que está ali, e que é seu dever fazer justiça em nome dela, em nome de todos que morreram por causa da maldade daquele coração duro que batia à sua frente. Aisha busca com os olhos uma solução, e avista no fundo da sala, a verde esmeralda da espada brilhando forte.
    Aisha nem pensara na loucura que estaria prestes a cometer, corre em direção ao Corvo, e por sua altura, Aisha escorrega e passa por debaixo das pernas dele. Por pouco alcança sua espada. Zayn está sem reação, mas Aisha joga para ele um punhal. Neste instante se inicia uma grande batalha.
    Certamente o Corvo já esperava pela luta com Aisha, desembainha a espada e corre em direção à ela. Espadas se cruzam, começa emfim a dança dos pássaros.
    Zayn luta tão bem quanto a amiga, que lhe ensinara diversos golpes, ele e um dos Corvos Sangrentos, mas não é com ele que se preocupa, ao lado, o som das espadas é ainda mais alto.
    - Você não pode me derrotar,  Aisha! - grita o Corvo quando cai em cima dela, ela segura Aisha pela mão da espada e ela é impedida de atacar. - Eu sou imortal, sua idiota!  Achou que poderia me derrotar tão fácil? Eu fui feito pela magia de sangue, o que corre em minha veia são as vidas que tomei para chegar até aqui!
    Aisha lembra-se da mãe, e a dor de sua perda a consome, com fúria, liberta a mão esquerda, com força, arranca a máscara de corvo da cabeça do homem, o rosto que ela vê a surpreende.:
    - Príncipe Kamal?! - Aisha reconhece o rosto que está sempre estampado em cartazes da vida, os olhos negros do príncipe agora brilham de desespero e seu segredo é revelado; ele vacila.
    Aisha consegue escapar das mãos do príncipe e se lança sobre ele, a fúria da justiça a consome. Se vê em seu pesadelo novamente, só que desta vez, a espada de Aisha lhe transpassa o coração, e ele sangra.
    O príncipe ri com sangue escorrendo pela boca, sua voz é fraca, mas ele insiste em dizer.:
    - Acha que não tentaram me matar antes? Eu sou o Corvo Sangrento! Eu matei a minha família, o meu povo para ser quem eu sou hoje! Eu não posso morrer!
    Aisha sussurra em seu ouvido enquanto aprofunda a espada no coração do príncipe :
    - Ninguém vive para sempre.
    Neste momento, um líquido negro escorre no lugar de sangue, Aisha retira a espada, e no momento que o corpo do Corvo atinge o chão, explode tornando-se milhares de penas pretas. O vento sopra. As penas voam. "Espalhadas pelo deserto".
    - Pode beijar a noiva!
    Aisha e Zayn se beijam e saem de mãos dadas, incrível como quatro anos passaram-se depressa, e enquanto passa pela multidão que viera assistir o casamento da salvadora, as memórias refrescam na sua mente, e ela se lembra de tudo que passou para estar ali.
    Enquanto caminha ao lado de Zayn, ouve, mesmo com o barulho da multidão, a voz da mulher que fala para sua filha:
    - É assim, filha, eles viveram felizes para sempre. É assim que acaba.
    Aisha se aproxima da criança e com brilho nos olhos diz:
      -Este, pequena, não é o final. Este é só o começo. 
    Tira a espada de detrás do vestido e a ergue, o povo aclama seu nome. O brilho da esmeralda verde é forte, e com ele, vem junto uma nova história.
  • Elleanor - conto/ficção

    elleanor02
    natal
    A traição será Vingada!

    ano:2019
    gênero: Fantasia / ebook
    autor: Marcos dos Santos
  • Entre a Espada e o Espinho (Trecho do livro que estou escrevendo)

    A brasa ainda batia em sua face. A imagem da grande fogueira Bravrhera’na visitava seus sonhos. Naquela fria noite, deitou tão exausto da longa caçada que acabou esquecendo-se de apagar a pequena fogueira que fizera. O agudo som dos galhos estalando fez com que acordasse. Virou-se assustado percebendo o enorme cervo ali parado observando-o com temor. O homem tentou se levantar, mas a ferida em sua coxa o impedia dando grandes pontadas em seus nervos. Puxou seu arco, que estava preso ao elevado roble que encobria aquela grande área, mas o cervo, contudo, já estava a metros de distância.
    Bufou decepcionado.
    Fincou sua adaga no roble e com grande dificuldade levantou-se. A chuva havia cessado e a cintilante luz escarlate do sol começava a esquentar seu corpo. Pegou sua espada presa a bainha e a prendeu em seu sinto. Seu estomago reclamava, fazia alguns dias que não comia algo. O vento soprava forte pela manhã, bagunçando ainda mais seus negros cabelos ondulados que acompanhavam sua espessa barba, a qual estava manchada pelo sangue que escorrera durante a noite devido ao corte em seu supercílio. Deu alguns passos desajeitados, o pedaço de tecido que amarrou sobre a ferida de sua coxa para estancar o sangue estava suspenso e o sangue voltava a escorrer. A imagem da fogueira passou novamente em sua mente, dessa vez acompanhada por uma voz pacífica e suave. Assustado, amarrou o tecido fortemente, franzindo o cenho e rangendo os dentes de dor.
  • Exército de um homem só

    Enquanto janto, sinto medo de ter meu lar invadido, e ser arrancado à força dos confortos de minha casa. Enquanto caminho pela praça, leio perfeitamente a insegurança daqueles que andam, temendo pensar algo herético perto de mais de um passarinho entre as árvores. Quem diria, nosso representante carismático arranca como pode nosso suado ouro com abusivos impostos, e mesmo assim, deve os reinos vizinhos, e parece não investir nas necessidades básicas de nossa nação. Agora estou polindo o escudo do cavaleiro a quem sirvo. De certo modo fui arrastado das saias de minha mãe e puxado pelos cabelos até um campo sangrento de batalha, servindo como escudeiro de um esnobe nobre filho de um Lorde. Ah, sou só um plebeu quase homem-feito, e pouco valor me dão por isso. Pouco valor, por tanto, dou ao Rei e ao seu detestável conselho, por ter a audácia de repelir todos os aliados. Pouco valor dou aos governantes que tiveram a proeza de destruir uma nação internamente pelos abusos de autoridade e pela ignorância ao nosso estado, e também destruí-la externamente, fazendo inimigos e desmanchando alianças por serem levianos e interesseiros.

    Não consigo conter meu riso debochado, mas não é apropriado rir agora enquanto levanto minha mão junto com os outros, demostrando respeito e humildade àquele que nos governa. Um serzinho carismático, nosso rei, acho que já disse isso. Carismático por que mesmo assim ele encanta a maioria do povo, abafando os podres que eu conheço muito bem. Carismático por que a imprensa local o titula assim, e faz questão de repetir mil vezes necessárias forem as conquistas e ideias do governo atual. Como a maioria é analfabeta, cantores contratados cantam em nome do rei, canções fáceis, dóceis e viciantes sobre o que querem que sabemos sobre política. Mas eu não ergui a mão em respeito ao nosso eloquente representante. E sei que arrastei a terça parte dos cidadãos comigo com minha cauda. Ah, quem diria que um escudeiro promovido a copeiro devido a sua inutilidade em um campo de batalha seria um bastardo que foi criado pelo dono da imprensa e foi sequestrado quando tinha onze anos para trabalho escravo em um moinho de um nobre que sequer sabia minha identidade seria uma ameaça aos que estão no pódio do poder.

    Eu sei ler suas cartas, entender suas discussões de guerra. Sou um homem de guerra, um articulista e gestor. Mas pouco valor me dão por ser plebeu. O mesmo que já ergueu diversas vezes o braço é aquele que arriscando ser traído por um vira-manto criou uma sociedade secreta, mantendo contato com exilados em outras nações, e fazendo acordos com líderes simpatizantes com os mesmos. Eu sou a luz no meio-dia escurecido pela Inquisição. Ceamos com o rei, que nos sacia a sede com veneno, e, como todo fiel ao estado faria, fingimos beber de seu líquido. Não damos atenção a imprensa, mas às escuras circulamos pelas sombras nossas próprias notícias, escritas sob pressão de morte, em frias grutas, com pouco mais de vinte pessoas de confiança. Em seu cálice também há veneno, ó meu amado rei, e depois de fingirmos beber de seu líquido, aguardamos ansiosamente que beba o nosso.
    Paz.
  • Império Scandinavo Ep1

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    Em uma época arcaica das Terras de Scandinavia onde a guerra e a ambição assolava-se entre membros de famílias guerreiras que a todo custo defendiam a honra e os interesses de sua família por meio da guerra e da espada.
    Entretanto no ano de 150 do Calendário Scandinavo nasce um jovem garoto chamado Tales Filho do Rei Raphah, desde sua infância se interessava mais por os livros que pela guerra, um de seus autores favoritos era Neo autor jovem que pregava um principio básico a União dos Povos Scandinavos E o Fim dessa Guerra Civil Que já se assolava essas terras a mais 50 anos  levando a devastação de centenas de famílias e destruição de 1/3 das terras, Neo também afirmava em suas Escrituras que se os povos Scandinavos não se unissem seriam totalmente devastados por um Império Organizado vindo de uma terra desconhecida que eram donos de um arsenal de armas e intelectualmente mais avançados e organizados uma estrutura formada não por famílias mais por legiões e um exército organizado embora dedicasse sua vida para escrever sobre isso Neo nunca foi ouvido e dado muita importância,10 anos antes do nascimento de Thales no ano de 140 do calendário Scandinavo morre Neo em uma batalha Lendária contra a família de Sebas,são muitas as histórias contadas sobre a morte de Neo alguns dizem que ele enfrentou mais de 10 adversários sozinho e ao final cercado quando sabia que ia morrer se jogou de uma cachoeira seu corpo nunca foi encontrado, as Histórias de Neo Encantavam Thales e sua mãe que também torcia para o fim da guerra pois nela havia perdido muitos parentes, a Organização Social se baseava em grandes famílias os homens ao chegar aos 18 anos eram obrigadores a treinar e irem pra guerra , o estudo filosófico e literário era somente ate os 12 anos a partir de ai somente treinavam para guerra e para sobrevivência, Thales por outro lado nunca se interessou pela guerra e ao chegar aos 12 anos se negava a lutar e participar dos treinamentos de sua família faltando muitas vezes para ler livros ou pensar sobre oque acontecia a sua volta, até que aos 18 anos Thales de Gate foi obrigado a ir para a guerra seu primeiro confronto seria com uma família vizinha que nunca foram grandes guerreiros somente haviam conseguido sobreviver e ganhar batalhas por suas estratégias e firmeza com as palavras de seu líder Emiliano de Balsa,Numericamente os guerreiros de gate tinham vantagem pois eram mais de 400 soldados de gate contra menos de 300 de Balsa Entretanto Emiliano e seu filho Máximo De Gate criaram uma estratégia que consistia em atacar o oponente com rapidez e em pontos estratégicos se dividiu os soldados em pequenos grupos de 30 soldados que usariam artefatos incendiários para atacar o celeiro onde ficava a Cavalaria de Gate, Usaram também seu Serviço de Inteligencia para descobrir onde ficava boa parte dos armamentos dos soldados de Gate, A noite quando os guerreiros de gate faziam suas orações e outros a descansar se nota um grande incêndio em seus celeiros e seus cavalos fugindo, e uma chuva de flechas começa  a cair sobre as tendas de gate ao ir a tenda principal buscar suas armas encontram um vazio,Sem Armas  e Cavalos só restava ao povo de gate se Render,Entre as baixas de Gate estava o rei Raphah pai de Thales, Thales embora vendo a morte de seu pai a aceitou sem mais palavras ele havia buscado esse destino declarando guerra e massacrando os povos da região , Thales Por seu gosto literário começa a se identificar com Máximo outro amante da Literatura,Filosofia e Estratégia, Com o passar dos anos Thales deixa de ser Escravo para a Condição de Braço Direito de Máximo, em meados dos anos 200 do calendário Scandinavo Morre seu Rei, Emiliano deixando como sucessor seu filho Máximo, como braço direito de máximo Thales Apresenta a Máximo as Ideias de Neo que foram aceitas por Máximo que aceitou libertar o povo de gate e transforma-los em cidadães livres , capazes de ingressar no exército ou exercer comércio depois dessa data é fundado o Império Scandinavo de Clãs Unidos I.S.C.U,
                                     1.1 FUNDADO O IMPÉRIO
                  I.S.C.U ganha a simpatia de muitos povos  devastados pelas guerras e construindo uma base sólida e todos os clãs que optavam por seguir com a guerra civil eram massacrados ante o poderio militar da aliança de I.S.C.U  que tinha neste momento mais de 20 clãs aliados num mesmo exército.
    por 80 anos I.S.C.U dominou as terras scandinava sem mais problemas com um forte poder militar  e união dos lideres este império se encontrava firme e unificado, entretanto nos anos 300 , As muralhas recém construidas deste império passam a ser atacadas por um Exército Polaco com uma Força e Quantidade Esmagadora as primeiras cidades a cairem foram Gate, Calle, e Arucci As ordas polacas se dirigiam a capital do Império Localizada em Balsa, Quando o rei Máximo,e Thales foram avisados Máximo por estar velho e sem condições de se dirigir ao campo envia Thales como comandante Oficial dos Clãs Unidos para deter a nova ameaça Thales Liderou um grupo de 10.000 soldados contra 30.000 Polacos  na Fronteira entre Gate e Balsa, Derrotando-os em uma Estrategia que ficou conhecida como "U" onde se organizava as tropas em forma de U deixando a frente do exército inimigo marchando sem ver os ataques que vinham por a retaguarda e lados comprimindo ainda mais a sua força as tropas Polacas sendo esmagadas não tinham como recuar pois sua retaguarda estava fechada eram obrigadas a seguir marchando  ao chegar aos portões de Balsa uma imensa quantidade de arqueiros esperavam nas grandes muralhas assim como Óleo e Fogo Choviam sobre as tropas Polacas que morriam da pior forma possível, depois de este dia Thales foi considerado um herói e 30 anos de paz foram instaurados em Scandinavia ate quando Máximo já velho foi assassinado por um capitão de sua guarda cujo nome foi desconhecido sem deixar filhos herdeiros , Thales assumiu o trono o qual pretendia manter unido seu povo, Entretanto um Homem morto aparece, Era Neo Fundando um Império Scandinavo Rebelde Contestando a Thales o dando como rei tirano a afirmativa de Neo era que não queria destruir a I.S.C.U somente depor thales que em sua opinião já era rei a muito tempo e que deveria ser criado um senado, muitos inimigos de Thales e Scandinavos Leigos encantados por a simpatia de Neo e suas escrituras desertaram ou desbandaram pra o grupo de Neo, Thales como um rei firme decide atacar a Neo com uma guarda de 5.000 soldados Neo conhecedor do terreno e mais experiente em guerras criou uma Nova Estrategia que Consistia em deixar boa parte do esquadrão visível com escudos  em forma de casco de tartaruga e quando atacados as tropas vinham por fora do cerco atacando assim a retaguarda inimiga as tropas de Thales não sabiam como sair dessa armadilha, foi um massacre. isso enfraqueceu a Relação de Thales e os antigos lideres de clãs unidos em seu ultimo esforço Thaless reuniu uma força de 40.000 homens e atacou ao Exército de Neo, que recuou de imediato, A atitude de thales foi vista como covardia por os nobres e cidadães de Scandinavia atacar com um numero 10 vezes maior de soldados tirando a parte que os soldados ali presentes atacavam e matavam a seus próprios familiares membros de seus antigos clãs que hoje eram rebeldes oque enfraqueceu ambas Organizações tanto os Rebeldes Quanto os I.S.C.U pra piorar a situação as tropas Polacas voltavam a invadir as províncias do Imperio com uma quantidade esmagadora de aliados de tribos Nórdicas uma delas Se chamava Vanaheim famosos por sua brutalidade e crueldade em combate, o Império e os Rebeldes começavam a se atrofiar assim como toda a organização os clãs voltavam a se dividir e entrar em guerra ao parecer aquele Sonho Havia Acabado...
  • Império Scandinavo Ep1

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    Em uma época arcaica das Terras de Scandinavia onde a guerra e a ambição assolava-se entre membros de famílias guerreiras que a todo custo defendiam a honra e os interesses de sua família por meio da guerra e da espada.
    Entretanto no ano de 150 do Calendário Scandinavo nasce um jovem garoto chamado Tales Filho do Rei Raphah, desde sua infância se interessava mais por os livros que pela guerra, um de seus autores favoritos era Neo autor jovem que pregava um principio básico a União dos Povos Scandinavos E o Fim dessa Guerra Civil Que já se assolava essas terras a mais 50 anos  levando a devastação de centenas de famílias e destruição de 1/3 das terras, Neo também afirmava em suas Escrituras que se os povos Scandinavos não se unissem seriam totalmente devastados por um Império Organizado vindo de uma terra desconhecida que eram donos de um arsenal de armas e intelectualmente mais avançados e organizados uma estrutura formada não por famílias mais por legiões e um exército organizado embora dedicasse sua vida para escrever sobre isso Neo nunca foi ouvido e dado muita importância,10 anos antes do nascimento de Thales no ano de 140 do calendário Scandinavo morre Neo em uma batalha Lendária contra a família de Sebas,são muitas as histórias contadas sobre a morte de Neo alguns dizem que ele enfrentou mais de 10 adversários sozinho e ao final cercado quando sabia que ia morrer se jogou de uma cachoeira seu corpo nunca foi encontrado, as Histórias de Neo Encantavam Thales e sua mãe que também torcia para o fim da guerra pois nela havia perdido muitos parentes, a Organização Social se baseava em grandes famílias os homens ao chegar aos 18 anos eram obrigadores a treinar e irem pra guerra , o estudo filosófico e literário era somente ate os 12 anos a partir de ai somente treinavam para guerra e para sobrevivência, Thales por outro lado nunca se interessou pela guerra e ao chegar aos 12 anos se negava a lutar e participar dos treinamentos de sua família faltando muitas vezes para ler livros ou pensar sobre oque acontecia a sua volta, até que aos 18 anos Thales de Gate foi obrigado a ir para a guerra seu primeiro confronto seria com uma família vizinha que nunca foram grandes guerreiros somente haviam conseguido sobreviver e ganhar batalhas por suas estratégias e firmeza com as palavras de seu líder Emiliano de Balsa,Numericamente os guerreiros de gate tinham vantagem pois eram mais de 400 soldados de gate contra menos de 300 de Balsa Entretanto Emiliano e seu filho Máximo De Gate criaram uma estratégia que consistia em atacar o oponente com rapidez e em pontos estratégicos se dividiu os soldados em pequenos grupos de 30 soldados que usariam artefatos incendiários para atacar o celeiro onde ficava a Cavalaria de Gate, Usaram também seu Serviço de Inteligencia para descobrir onde ficava boa parte dos armamentos dos soldados de Gate, A noite quando os guerreiros de gate faziam suas orações e outros a descansar se nota um grande incêndio em seus celeiros e seus cavalos fugindo, e uma chuva de flechas começa  a cair sobre as tendas de gate ao ir a tenda principal buscar suas armas encontram um vazio,Sem Armas  e Cavalos só restava ao povo de gate se Render,Entre as baixas de Gate estava o rei Raphah pai de Thales, Thales embora vendo a morte de seu pai a aceitou sem mais palavras ele havia buscado esse destino declarando guerra e massacrando os povos da região , Thales Por seu gosto literário começa a se identificar com Máximo outro amante da Literatura,Filosofia e Estratégia, Com o passar dos anos Thales deixa de ser Escravo para a Condição de Braço Direito de Máximo, em meados dos anos 200 do calendário Scandinavo Morre seu Rei, Emiliano deixando como sucessor seu filho Máximo, como braço direito de máximo Thales Apresenta a Máximo as Ideias de Neo que foram aceitas por Máximo que aceitou libertar o povo de gate e transforma-los em cidadães livres , capazes de ingressar no exército ou exercer comércio depois dessa data é fundado o Império Scandinavo de Clãs Unidos I.S.C.U,
                                     1.1 FUNDADO O IMPÉRIO
                  I.S.C.U ganha a simpatia de muitos povos  devastados pelas guerras e construindo uma base sólida e todos os clãs que optavam por seguir com a guerra civil eram massacrados ante o poderio militar da aliança de I.S.C.U  que tinha neste momento mais de 20 clãs aliados num mesmo exército.
    por 80 anos I.S.C.U dominou as terras scandinava sem mais problemas com um forte poder militar  e união dos lideres este império se encontrava firme e unificado, entretanto nos anos 300 , As muralhas recém construidas deste império passam a ser atacadas por um Exército Polaco com uma Força e Quantidade Esmagadora as primeiras cidades a cairem foram Gate, Calle, e Arucci As ordas polacas se dirigiam a capital do Império Localizada em Balsa, Quando o rei Máximo,e Thales foram avisados Máximo por estar velho e sem condições de se dirigir ao campo envia Thales como comandante Oficial dos Clãs Unidos para deter a nova ameaça Thales Liderou um grupo de 10.000 soldados contra 30.000 Polacos  na Fronteira entre Gate e Balsa, Derrotando-os em uma Estrategia que ficou conhecida como "U" onde se organizava as tropas em forma de U deixando a frente do exército inimigo marchando sem ver os ataques que vinham por a retaguarda e lados comprimindo ainda mais a sua força as tropas Polacas sendo esmagadas não tinham como recuar pois sua retaguarda estava fechada eram obrigadas a seguir marchando  ao chegar aos portões de Balsa uma imensa quantidade de arqueiros esperavam nas grandes muralhas assim como Óleo e Fogo Choviam sobre as tropas Polacas que morriam da pior forma possível, depois de este dia Thales foi considerado um herói e 30 anos de paz foram instaurados em Scandinavia ate quando Máximo já velho foi assassinado por um capitão de sua guarda cujo nome foi desconhecido sem deixar filhos herdeiros , Thales assumiu o trono o qual pretendia manter unido seu povo, Entretanto um Homem morto aparece, Era Neo Fundando um Império Scandinavo Rebelde Contestando a Thales o dando como rei tirano a afirmativa de Neo era que não queria destruir a I.S.C.U somente depor thales que em sua opinião já era rei a muito tempo e que deveria ser criado um senado, muitos inimigos de Thales e Scandinavos Leigos encantados por a simpatia de Neo e suas escrituras desertaram ou desbandaram pra o grupo de Neo, Thales como um rei firme decide atacar a Neo com uma guarda de 5.000 soldados Neo conhecedor do terreno e mais experiente em guerras criou uma Nova Estrategia que Consistia em deixar boa parte do esquadrão visível com escudos  em forma de casco de tartaruga e quando atacados as tropas vinham por fora do cerco atacando assim a retaguarda inimiga as tropas de Thales não sabiam como sair dessa armadilha, foi um massacre. isso enfraqueceu a Relação de Thales e os antigos lideres de clãs unidos em seu ultimo esforço Thaless reuniu uma força de 40.000 homens e atacou ao Exército de Neo, que recuou de imediato, A atitude de thales foi vista como covardia por os nobres e cidadães de Scandinavia atacar com um numero 10 vezes maior de soldados tirando a parte que os soldados ali presentes atacavam e matavam a seus próprios familiares membros de seus antigos clãs que hoje eram rebeldes oque enfraqueceu ambas Organizações tanto os Rebeldes Quanto os I.S.C.U pra piorar a situação as tropas Polacas voltavam a invadir as províncias do Imperio com uma quantidade esmagadora de aliados de tribos Nórdicas uma delas Se chamava Vanaheim famosos por sua brutalidade e crueldade em combate, o Império e os Rebeldes começavam a se atrofiar assim como toda a organização os clãs voltavam a se dividir e entrar em guerra ao parecer aquele Sonho Havia Acabado...
  • Inferno encomendado para um vampiro

    fogo. Reclusão. E um monte de absurdo.
    Ela me devorava. Ela me torturava. Eu era fantasmagórico para uma viva de pele infernal.
    Na noite, um dia, a levei para o meu quarto às escuras.
    Ela era abruptamente e vividamente loura, vivia nos Infernos.
    Não a comi porque, vindo das Trevas, só amava o frio e os anjos da Morte. Mas, uma moça tão bonita se misturou comigo na minha clausura. Eu dei um fim demônios! Ela se transformou em Belzebu.
    Graças aos meus santos, uma gota de sangue pendeu dos meus lábios e então, ela já não estava mais na minha loucura desarvorada era tudo um questão de tempo para esquecer o que ela arrancou de mim, o coração, vampiro, eu já estava sem alma e sem espelho na imensidão das noite.
  • Morte

    Após diversas tentativas de acertar seu adversário com golpes de todas as suas espadas, de nada adiantou. Seus membros estavam estafados. Sua respiração, pesada. O calor da batalha, o sangue fervente. Estava feliz. Afinal, nada lhe trazia mais felicidade do que lutar contra alguém difícil de vencer. Mas agora parecia que o desfecho seria diferente. Nenhuma tentativa logrou êxito, nenhum aço encontrou carne, e agora o tinha perdido de vista. Certamente seu irmão estava às suas costas, pronto a lhe desferir o ultimo golpe. O herói estava pronto para isso. 
    O herói abre suas mãos. Suas espadas caem ao chão com um tênue som de aço encontrando o solo. Sentiu uma pancada no meio das costas e viu a ponta de uma espada escarlate saltar por seu peito. Então o paladino sussurra em seu ouvido aquelas ultimas palavras. "Tem que ser você a descer. Tem que ser eu a subir." 
    Não doía. O sangue quente ainda pulsava por suas têmporas, o suor emanava sob forma de vapor em todo o torso e braços. A unica coisa que sentia era liberdade. Sentia um líquido quente e grosso descer por seu abdome, que certamente era seu sangue. Seus dedos começaram a formigar. Um forte odor de ferro subia por suas narinas. Não tinha mais volta. 
    Olhou para frente, logo abaixo, onde estavam seus companheiros, completamente aterrorizados com o que estava acontecendo. Avistou sua pequena aprendiz, que chorava incrédula e soluçava, e sorriu para ela. Nunca havia lhe demonstrado afeição. Era injusto. No fim do fim, apenas se sentia obrigado a isso: confortá-la. 
    Dizem que sua vida toda passa diante de seus olhos quando está morrendo. Isso não era verdade. O que se passava em sua mente eram apenas perguntas que se fazia sobre seus deveres. Havia cumprido tudo o que deveria? Ao mesmo tempo, não importava mais. O que foi feito já foi. O que não foi feito já passou da hora. Após ter matado tantos inimigos, percebeu que não haviam inocentes entre eles e que, por incrível que pareça, se preocupava muito mais com os vivos que certamente viriam a morrer com sua falta. 
    Agora seus membros estavam dormentes. O herói já estava de joelhos, prestes a cair de peito no chão. Seus amigos vinham a seu encontro correndo. Não avistava mais o paladino, que provavelmente já se evadiu dalí. Sua vista estava se embassando. Caiu pesadamente no chão, mas sua cabeça foi amortecida. Era o colo de Maria, que o virou para cima. Ela chorava muito, uma cena de fazer dó. Os demais passaram disparados, provavelmente buscando perseguir seu irmão. Seu corpo começou a se esfriar, e nesse momento uma dor forte e cada vez mais aguda percorria seu tórax. O gosto de sangue na boca era o ultimo sinal. Era o fim.
    Deixava para trás sua sucessora. Maria não estava preparada, haja visto o descontrole que demonstrava naquele momento. Mas isso acabaria lhe servindo como parte da preparação. Até mesmo nisso ele já havia pensado. Seus pensamentos começavam a se embaralhar. Logo faria a passagem, mas ainda tentava se lembrar de uma ultima coisa que precisava dizer a ela. Ela ajudou, fazendo a pergunta certa.
    - O senhor tinha me dito que o sacrifício era o sentido, mas disse pra eu nunca sacrificar minha própria vida. Por que se sacrificou?
    Estava feliz com a pergunta. Essa lição quase passou batido pelos anos de treinamento e ensinamentos. Em seu ultimo suspiro, juntou forças para dizer suas ultimas palavras.
    - Um homem deve cumprir o seu dever. Um homem deve se sacrificar. 
    Uma bela garota aos prantos, olhos com íris vermelhas e um céu azul sem nuvens. 
  • MYSTICA STATERA por Lux Burnns O tomo para iniciantes

    Sumário
     Agradecimentos..........................3
     Introdução......4
     Capítulo 1- O nascer e o torna-se.....5
     Capítulo 2-Realizando a magia.......12
     Capítulo 3- A magia é vida, mas não é um ser 
    vivo....20
     Capítulo 4- O mundo sem o véu..........26
     Capítulo 5- O fanatismo, o grande o veneno mágicko......33
     Capítulo 6 - A verdade liberta, mas é dolorosa....39
     Capítulo 7 - DIY mágicko.............47
     Capítulo 8 - A bruxa que vive entre os santos e os pecadores............ 54
     Capítulo 9 – Os Deuses, e o Fim da farsa da Realidade Dualística...... 59

    Agradecimentos
    Minha gratidão é voltada para o meu companheiro Soul, que me apoiou desde o início desta caminhada, me ajudando a melhorar ainda mais como ocultista, e jamais desistir das minhas convicções, mesmo quando o mundo inteiro, parecia discordar das mesmas. Também deixo minhas graças aos meus amigos: Lua Negra, Srtoa Gamab, Milliato, Rivendell, Srta Rabbith, Mandy, Tha, a Witch born on fire, e Isa, que me ajudaram a perceber quê este tomo poderia ser útil as próximas gerações. Por fim reconheço também o auxílio de minha mãe Silvana, que apesar dos pequenos atritos pelas crenças diferentes, sempre acreditou em mim e nos meus ideais. Obrigado a todos vocês, que me deram ânimo para chegar até aqui, e terminar este projeto. Não sei o quê me aguarda depois disso, mas certamente é um feito e tanto, e me orgulho por plantar esta semente, que vocês com carinho e paciência regaram.

    Introdução 
    É válido mencionar, que jamais tive a intenção de escrever um livro voltado para o aprendizado dos demais. Afinal há muitos autores, infinitamente melhores do quê uma velha bruxa, em um corpo não tão jovem. 
    Mas devido ao grande número de desinformados, que se acham conhecedores do mistério, e tudo o quê mesmo representa, vejo que é hora de assumir o meu manto de ocultista outra vez, e trazer-lhes algumas verdades nada convenientes. 
    Não estou aqui para lhes ensinar fórmulas, que vão mudar as suas vidas num estalar de dedos. Muito menos sobre como devem adorar seus deuses, ou o quê é o certo e o errado. Não sou uma bússola moral para tomar tal partido, apenas viajo de mundo em mundo, para libertar aqueles que aceitam o preço da liberdade. A ignorância pode ser uma benção, mas é a coragem que determina quem tem a chave do tudo. O inimigo é astuto, logo devemos ser justos, mas isto não significa dissociar, e se abster, e sim que devemos está preparados. Você pode não compreender estas palavras no momento, mas logo entenderá o quê cada frase significa.
     Se escolheu decifrar este livro, é porquê ouviu o chamado, mas não estou falando dos filhos do sol, e sim de algo mais amplo e intrigante.
    Há memórias de um mundo que querem te fazer acreditar que não existe. Há poderes que um ou nenhum dos seus parentes consegue explicar. Há mistérios em teu íntimo, que quer desvendar.
    As respostas estão presentes aqui, mas está pronto para ouvir o quê a primeira causa tem a dizer? Não será um caminho fácil, por isso é necessário que esteja pronto para esta jornada, que saiba no mínimo o quê é a espada e o escudo, e como usá-los. Do contrário será devorado pelos teus demônios, antes mesmo de ouvir a palavra da força geradora.
    Eu sei, parece o roteiro de algum filme de ficção científica bizarro, porém tudo o quê for mencionado aqui, será focado na minha experiência real como bruxa, e no aprendizado que isto me trouxe no decorrer do tempo. Está preparado? Então vire a página, pois a aventura o aguarda jovem peregrino.
    Capítulo 1
    O Nascer e o Tornar-se 
    Vivemos numa sociedade cheia de liberdade, que acredita bastante no ideal de igualdade, e que todos podem entrar no mundo da magia, sem discriminações de espécie. 
    Não estou aqui para me impor sobre tal coisa, porém acredito -e é o quê devia ser ensinado- que há aqueles que nascem com a predisposição para a magia, e os que infelizmente, não foram agraciados pelas divindades.
    Isso faz com que estes sejam mais fracos? Não. Eles devem ser escorraçados, e friamente criticados ? Também não. Apenas devem ter consciência de quê a sua busca, certamente será mais trabalhosa e longa – ou não se souber usar os meios certos, mas não vem ao caso – Por isso jamais devem se comparar aos que possuem habilidades naturais, pois tal atitude culmina em desencontro com o propósito inicial, de descobrir-se neste caminho.
    Não pense em nenhum momento, que o fato de ser somente humano te faz inferior, isso não significa muita coisa, quando você sabe que há meios de melhorar as suas habilidades.
    Já os predispostos, deveriam entender que o fato de terem recebido dons da natureza, não os faz automaticamente deuses, apenas lhes dá alguma vantagem em relação aos outros. Mas uma vantagem, não significa uma vitória garantida, portanto devem estudar e se preparar, tanto quanto os que não foram agraciados, para superar suas limitações, que sim existem.
    Não importa o quê são capazes de fazer - se levitam, se incendeiam, se preveem, manifestam, projetam, e tudo mais-  isto não os faz bruxos, apenas são detentores de habilidades especiais. Tanto o filho de um deus, quanto o filho do homem, precisam de treinamento, e conhecimento, para poder serem dignos de tal alcunha.
    É nos ensinado desde o começo, que precisamos andar em grupos, para poder obter o grau de bruxo, mago, ou feiticeiro. A sociedade mágica insiste em seguir essa premissa, mesmo nos tempos atuais, e isso atrasa bastante a vida de um novato.
    Grupos, como: Ordens e Covens, Podem até servir para ajudar no entendimento de certos assuntos, mas a realidade é que se queres realmente o poder, não deve seguir com ninguém mais, além de ti mesmo.
    Afinal de contas, o ocultismo no fim é apenas uma forma de encontrar-se, e não é no meio da multidão, com suas ideias diversificadas, que conseguirá te achar, no máximo ficará ainda mais confuso e perdido.
    Você se encontrará apenas quando não houver ninguém por perto, quando estiver sozinho num quarto escuro ou claro, questionando-se sobre o quê é, como, e o porquê das coisas.
    Por isso não acredite em líderes, que fazem questão de impor que precisa deles, acredite em ti mesmo, e naquilo que vai de acordo com a tua personalidade, e o quê tu consideras certo ou errado.
    E este tópico nos leva a outra questão. A magia tem se tornado um grande alvo do entretenimento. Para onde olhar  há “bruxos” ou “seres místicos”. O quê é uma coisa boa, mas somente para a diversão, pois tudo o quê se encontra nos filmes, seriados, desenhos e afins, são apenas fragmentos de textos ocultistas, e qualquer um de bom senso sabe, que não dá para entender o texto com apenas um verso, pois o mesmo pode servir para expressar diversas possibilidades, e se apenas escolher ler tal parte, jamais entenderá o contexto para que foi criado, por isso não use tais meios para aprender sobre o caminho. 
    A verdadeira magia, influencia o ambiente, mas o ambiente não influencia a magia. Logo uma obra midiática pode ser inspirada em algo oculto, só o quê o oculto, não pode advim de uma obra midiática, do contrário todo o entendimento se perde, e em vez de formar a sua inteligência divina, apenas a degrada e a transforma em loucura vã.
    Um bruxo de verdade- homem ou ser mágico- Sabe disto por instinto próprio. Entretanto com tantos jovens adotando posturas erradas, por conta do quê assistiram, é sempre bom frisar tal fato.
    Como disse antes são verdades inconvenientes, por isso não espere que eu vá apoiar uma conduta tão inapropriada para o ocultista.
    Queres ser um bruxo? Então leia, pesquise, estude, questione-se, e faça-se um. 
    Não espere que apenas porquê mudou o caminho, e deixou de seguir com as ovelhas, tudo será mais fácil. Verdade seja dita, se quer conforto, e evitar desafios que podem te fazer desmoronar, seu lugar não é aqui. Não importa se tem o sangue, sem essência jamais conseguirá sair do lugar.
    A magia não é um caminho simples, nunca foi. Apenas os que se encantam por sua versão comercializada de luzes e pó brilhante, acreditam nesta falácia.
    O agraciado deve aprender a controlar seus dons, para não ferir os que não merecem receber tal castigo, e o humano deve procurar meios, de melhorar seu espírito, ou DNA cósmico, para garantir que conseguirá manifestar alguma habilidade.
    Só que ambos precisam passar pelo mesmo processo árduo e cansativo. O agraciado, que nasceu com poderes sobrenaturais, precisa torna-se aquele que tem controle de si, e o humano que tem o controle da sua mente, precisa destruir todas as barreiras impostas, para então nascer como um ser sobrenatural.
    Ambos são como a metade um do outro, mas precisam focar em suas limitações, pois o primeiro poderá sofrer consequências desagradáveis, e o segundo precisa achar meios, de fazer-se tão forte quanto o outro, mas no fim os dois se encontram no mesmo patamar, por isso seus caminhos, ou o quê são , não interessa.
    É dito que para ser um bruxo, é necessário uma iniciação, canalizada por sacerdotes e sacerdotisas, que receberam o chamado dos deuses, e toda aquela parafernália, que estamos cansados de ouvir.
    A iniciação é um processo necessário sim, mas não precisa vim das mãos de alguém que diz ter sido “tocado” pelos deuses. 
    Haverão aqueles que certamente discordarão de mim, pois são tão tradicionalistas quanto os cristãos ortodoxos, contudo esta é uma verdade inegável.
    Não estou dando pontos a favor de rituais de meia tigela, encontrados na vasta rede, que fique claro. Apenas acho justo mencionar, que tais postos – sacerdotes- não torna os homens e as mulheres detentores da verdade, pois para aqueles que podem ver, a mesma   é revelada dia após dia, fora dos templos “sagrados”. 
    Aliás creio que o grande segredo, é apenas um pedaço de papel vazio, que nada diz, pois o axioma está no vento, na água, na terra e no fogo, não nas palavras ditas por um mestre.
    Você é o quê acredita ser, não o quê os outros impõem sobre ti.
    A iniciação nada mais é que um processo psicológico, no qual você condiciona o teu cérebro, para se abrir a possibilidades, que por anos foram lhes ensinadas como impossíveis.
    É importante pois o poder, embora se manifeste em nossos genes, vem da mente. 
    É um fato científico, pois por mais que muitos duvidem, a magia é sim ciência, pois pode ser estudada, verificada e comprovada.
    Os neurônios são responsáveis por tudo o quê fazemos, seja bom ou ruim. Assim se você acredita firmemente, que ao chegar do outro lado de uma rua, vai acabar caindo, esses impulsos químicos captam a mensagem, e fazem com quê sofra o acidente, porquê os manipulou para isso.
    Este é um caso simples, mas há situações ainda mais “inexplicáveis”, nas quais as pessoas sofrem de males mentais, que podem provocar sintomas físicos, mesmo que não haja aparentemente nada para causar dor, são as chamadas doenças psicossomáticas.
    É por isso que um bom bruxo, precisa ter um ótimo preparo mental, ou a sua magia não obterá resultados.
    Não adianta nada você nascer com a predisposição, ou procurar pela essência sem acreditar nelas, pois em ambos os casos, não conseguirá despertar suas verdadeiras habilidades.
    Já viu que pode levitar, ou incendiar as coisas por exemplo, só que na hora de provar os teus poderes, há um bloqueio.
    Sozinho chega ao teto, queima a toalha da mesa. No entanto na presença de amigos, é visto como louco, pois seus pés não saem do chão, ou acreditam que usou o isqueiro, para forjar provas.
    Isso te faz achar que enlouqueceu, que os outros estão certos, e que é melhor evitar as suas “habilidades imaginárias”. Não é?
    Esse certamente é o caminho mais fácil, mas como disse antes o caminho é difícil, não adianta fugir no primeiro obstáculo.
    Esta é apenas a prova, de quê precisa tornar-se aquele que controla a si mesmo, para poder provar aos outros, do quê realmente é capaz.
    É a evidência de quê a predisposição, não é o suficiente, se em nada acredita – Principalmente se duvida de si.
    Já no caso dos humanos, a situação é um pouco diferente, pois este ainda não manifesta nada, mas precisa se desamarrar das correntes de concreto da sociedade, na qual foi inserido.
    De outra maneira, achará apenas os que lhe oferecem um lugar, servindo aos deuses, mas jamais um acento do lado dos mesmos.
    O ser humano, está acostumado a ter tudo nas mãos, e a seguir sempre aquilo que o torna o maior dos maiores, e é isso que tem que acabar.
    Há uma hierarquia no mundo mágicko, que deve ser respeitada. Só que o fato de hoje ser apenas homem, não implica que amanhã também será, então é preciso que aprenda a aceitar as suas limitações, e a conhecer melhor as possibilidades.
    Seu mundo é pessimista demais, ou exacerbadamente otimista, você não tem equilíbrio, vive mergulhado em caos, engolindo os ideais daqueles que supostamente estão acima de ti, sem nunca levantar a voz.
    É preciso que entenda que você tem sim voz, que o quê sente importa, que há muito mais do quê somente um planeta abrigando a vida, e -comprovado por Galileu Galilei- A Terra não é o centro do Universo.
    Desse modo, quase tudo o quê lhe ensinaram até o momento, pode ser mentira, ou uma verdade mergulhada em mentiras, ou seja há fatos que são claramente falsos, e outros embora pareçam como tais, são verdadeiros.
    É preciso que entendam suas limitações, ou a magia nunca funcionará.
    A iniciação além de expandir a sua mente e elevá-la, é também o  desenvolvimento de uma conexão mental do seu eu e o cosmos, e por isso deve ser considerada “sagrada.” 
    Assim sendo quando for realizá-la, não vá procurar por “receitas de bolo” prontas, como se houvesse alguma nova bruxa, que fosse a Ana Maria Braga da Magia, pois não há - se houvesse todos teriam poderes e entendimento, e não é o que acontece.
    Somos todos mestres e aprendizes de nós mesmos, mas devemos sempre procurar sermos a melhor versão. - É importante frisar, porquê se tu é o teu mestre, logo irá crer que pode fazer o quê quiser, como se ser um mestre, significasse que é Deus, e pode mandar e desmandar. Mas não é bem assim.
    Ser o teu próprio mestre, significa melhorar-se nos aspectos necessários. Crescer, e desenvolver-se, para alcançar os teus objetivos, não interessa se são bons ou ruins, pois bem e mal é relativo -O quê é bom para mim, pode não servir para ti.
    A iniciação, mesmo que realizada por tuas mãos, ainda é um ritual, e por isso dependendo do Deus que escolher seguir, deve respeitá-la como tal.
    Se queres obter sucesso e expandir teus pensamentos, é preciso que ouça a tua voz interior. Mas esta voz não nasce do nada, ela não é uma ideia absurda que lhe vem ao pensamento, e tu executas, isso se chama criatividade, não o chamado interno.
    Para realizar uma iniciação de sucesso, é necessário, que conheça os cultos anteriores dedicados ao Deus com o qual escolheu aprender. É uma forma de honrá-lo, e a ti mesmo também, para quê não passe vergonha entre os outros ocultistas, e consiga calar a boca dos iniciados.
    Eu escolhi aprender com Satã, logo me utilizei de velas negras,  símbolos profanos, e materiais de corte, para realizar a minha auto-iniciação.
    Sou uma predisposta, nasci numa família, que embora hoje sirva a Yaweh sob a luz, um dia serviram ao seu lado negro, conhecido como Adonai.
    Por isso consegui aprender muita coisa, sem a interferência de mestres e iniciados. Já tive a oportunidade de andar com grupos. Mas os “mestres” que apareceram em meu caminho, mais me atrasavam, do quê me ajudavam a entender a minha verdade.
    Entendo muitos conceitos místicos, por intermédio dos deuses do abismo. Eles me ensinaram a ser mais forte, e me indicaram o quê procurar, para achar as respostas, por isso sou muito grata a eles, e defendo minha versão da veras mística. (Ou verdade mística)
    É significativo mencionar que os deuses, embora nos guiem pelo caminho, eles jamais podem andar por nós, sendo assim não espere que o Deus escolhido, te entregue todo o material, que precisa para alcançar o teu objetivo, eles te darão a chave, mas a porta quem procura é você.
    Outra coisa, se teus caminhos se abrem com facilidade, há apenas duas explicações: O teu papel é pequeno, logo suas limitações são fáceis de superar, ou já sofreu o suficiente, para entender como alcançar aquilo que mais deseja.
    Após passar pela iniciação, e receber sinais – isso mesmo sinais, e não sinal- de quê o Deus escolhido te acolheu entre os seus, você agora vai definir como deve estudar, e mensurar o teu aprendizado, por isso precisará de um caderno, e uma caneta, para registrar, cada coisa incomum que te ocorreu, com data, hora, condições mentais, respostas plausíveis, e tudo o quê for necessário, para provar que teu relato é verídico.
    Se é um predisposto, poderá medir a melhora do controle de teus dons, se é o primeiro da tua linhagem, poderá transmitir isso para o próximo que colocar o manto, que certamente vai aparecer, podendo ser um filho seu, ou algum outro parente.
    Coisas incomuns vão acontecer, é inevitável, faz parte da jornada. Como lidarão com elas, é que vai definir se são ou não bruxos, magos, ou feiticeiros de verdade.
    Ou acreditaram mesmo que bastava um ritual, para se tornarem algo?
    Não, não é tão simples. Se fosse, se chamaria cristianismo, e não paganismo.


    Capitulo 2 – Realizando a magia

    Poderia encher as páginas com vários sistemas mágickos, como: Herméticos,  Satânicos, Caoístas, Streghes, Célticos, Gregos, Egípcios etc. Alguns conheço a fundo, outros apenas de maneira superficial, mas não o farei. 

    Se queres conhecer cada um deles, sugiro que faça uma pesquisa, extensa e detalhada, para entender o conceito apresentado, por estas filosofias de maneira profunda.

    Como disse antes não estou aqui para ensiná-los, como adorar os seus deuses, até porquê o ato de “adoração”, é algo que me dá nó estômago, mas vai de cada um.

    Então você escolhe com o quê quer trabalhar, minha função é apenas te ensinar, a realizar o ato mágicko. (Note que há um k extra, é proposital, para separar magia de ilusionismo, e foi proposto por um famoso ocultista.) 

    Primeiramente lembre-se sempre: O poder vem da mente, e com a linguagem certa pode programá-la. Sendo assim os resultados mágickos (como respostas, questões, ou atos) são genuínos, mas o processo para se realizar o ato, pode ser provocado pela mídia. 

    Não estou me contradizendo, a magia sempre influencia, mas a mídia não deve fazê-lo, pois faz do entendedor um tolo. No entanto, se souber usá-la, pode ser bastante benéfica, na hora de preparar a sua mente, para desbravar a Terra Oculta e suas maravilhas.

    Você Não deve aceitar a verdade escrita no roteiro, pois é uma meia verdade, e toda meia verdade é uma mentira.

    Todavia se for esperto o suficiente, fará bom uso de tais artifícios, e em vez de acabar mergulhado nas trevas da insanidade, será um exímio ocultista.

    O tolo irá ouvir a música milhares de vezes, e se deixará ser controlado por ela, tornando-se mais dos zumbis da cultura popular. O astuto utilizará a mesma música, para domar a si mesmo, pois tem conhecimento dos seus efeitos e que a própria serve para controlar a mente, por isso sabe como programar a canção, para atingir o seu objetivo.

    O ingênuo assistirá um filme, e criará diversas histórias em sua mente, acreditando que aquela é a sua realidade, sem de fato ser. O desperto verá na mesma obra, aspectos que condizem com a sua jornada, e os quê também contradizem seu aprendizado. – A magia estará presente ali mas o verdadeiro ocultista, saberá sobre o quê se trata o seu contexto.

    O hipócrita utilizará lendas urbanas, para validar as suas experiências “mágicas”, e recuará quando for abordado. O consciencioso saberá que a verdade sobre as lendas urbanas, é tão pequena que passa despercebida, por isso fará o possível para detalhar o seu relato, de maneira que coincida com o quê tal criatura realmente é, pois tem o entendimento de quê lendas nascem da má interpretação dos povos sobre determinados seres. Lobisomens por exemplo podem ser criaturas provindas de Sirius B, Vampiros podem ser membros da constelação de Alfa Draconis, e por aí vai.

    A voz do coletivo precisa ser ignorada, até que se faça necessário ouvi-la, ou seja o conhecimento empírico tem de ser esquecido, até que haja uma explicação científica para o mesmo, ou uma forma de validá-lo de maneira, que não seja uma experiência pessoal.

    Encontrar-se a si mesmo é importante, contudo depois de achar-se, deve focar-se em descobrir se realmente é o quê acredita ser, pois é a mente é uma caixinha de surpresas.

    No mundo em que vivemos, o ceticismo doentio é louvado, por isso devemos dançar de acordo com a música, para poder criarmos nossos passos. Isto é necessitamos abraçar o conhecimento concreto, antes de realizar a magia. Porquê embora o espírito preceda ao corpo, a mente funciona como nossa alma, e quando a mesma é atingida, nossos resultados mágickos podem falhar.

    Não adianta tentar empregar a magia pela magia, numa sociedade que te obriga a ter respostas para tudo. 

    Foi-se o tempo que não havia explicações para os fatos naturais, e bastava curva-se para os deuses para conseguir as suas graças.

    Não é mais a Era de Ouro, os Deuses não estão mais entre nós, eles abandonaram este planeta há muitos anos, e até os seus filhos estão por conta, por isso conectar-se com os mesmos não é tão simples.

    É imprescindível que o predisposto tenha consciência disto, pois muitos filhos dos deuses, acreditam do fundo de seus corações, que nossos pais cuidam de nós, por 24 horas, como se fossem como os humanos que nos acolheram em suas casas, mas a realidade é outra.

    É, eu lamento, lamento de verdade. Mas os deuses tem seus próprios afazeres, e embora nos visitem algumas vezes, deixando rastros incontestáveis de sua presença, eles não ficam ao nosso lado todo o tempo.

    Novamente estou ciente de quê muitos tentarão me “apedrejar” por isso. Só que como disse antes, as verdades são inconvenientes, e trago a liberdade para os que aceitam o seu preço, e neste caso o preço é abandonar a carência de seus coraçõezinhos, e aceitar que o pai, a mãe, ou ambos nem sempre podem ficar presentes.

    Se vocês os veem, ou os ouvem constantemente, é porquê ainda estão acordando, e as memórias da vida passada, estão se manifestando, de acordo com a forma com a qual eles se comportavam com vocês, no outro mundo.

    Eles nunca aparecem por nada, sempre há uma motivação para realmente virem ao nosso encontro, e quando vem, fazem com que saibamos que estiveram conosco.

    Lúcifer e Lilith são meus pais, sou a primeira de sua linhagem, e isso pode ser confirmado no meu site antigo, que disponibilizarei no fim deste livro. Por quê digo isto? Bem uma famosa série, retratou tal fato recentemente, só que antes do mesmo acontecer, já havia escrito no meu site, que esta primeira era eu. Então pode ir conferir na prática, que o oculto influencia mídia mas a mídia não interfere no aprendizado místico.

    Quando Lúcifer me visita, sempre há todo um contexto por trás disto, ou é para me dá um alerta, como em 2013 quando me mostrou que Belzebu é um traidor, que quer o seu trono. Para me proteger de alguma criatura nociva, que tentou me destruir, enquanto caminhava pelo mundo inferior. Ou me convocar para alguma reunião importante. - Eu sei parece cômico, mas já fui chamada uma vez, para ir com o mesmo no conselho celestial.

    Como sei que de fato era ele? Eu jamais tinha visto Belzebu como um traidor. Mas após este sonho e outros nos quais fui perseguida pelo Senhor das Moscas,  fiz uma extensa pesquisa, e encontrei relatos de pequenos ocultistas, que defendiam a mesma teoria. Alguns que falavam que Belzebu se opõe a rebelião de Satanás, outros que ele era como um exorcista, mencionado na bíblia.  Mas pareciam tão dissociados da realidade, que me desanimei e aleguei insanidade.

    Contudo algo em meu interior, me levou a pesquisar ainda mais, e acabei encontrando um belo artigo dedicado ao mesmo, no site da Penumbra Livros, onde faço grande parte dos meus estudos esotéricos atualmente, devido a enorme fonte de conteúdo gratuito disponível ali.

    De fato não só Belzebu era traidor, como já tinha conquistado o trono do Inferno uma vez, fazendo com quê 49 dos 72 demônios que caminhavam com Lúcifer o servissem, e isto já tinha até se tornado o roteiro de uma revista em quadrinhos da Vertigo inclusive.

    Até aquele momento eu nada sabia, mas Lúcifer veio e me mostrou um fato, que não era uma fantasia, e podia ser comprovado.

    Além disso no dia do dito sonho, ocorreu um evento quase cataclísmico em minha cidade, ligado ao vento, que é um dos elementos que o representa, e minha mãe literalmente viu um anjo dentro do nosso lar, muito bonito segundo a mesma.

    Já na outra vez, foi como se ele enviasse uma mensagem através de uma médium, na qual me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer em breve. 

    É claro que duvidei, para mim a possessão, é apenas um processo psicológico, no qual o “possuído”, na verdade é um predisposto, que desconhece seus dons, e acaba manifestando habilidades sobre-humanas, que fazem com os quê os padres interpretem de maneira errônea, e na época, achava que se tratava de uma insanidade maior que a minha, só que ainda sim, é no mínimo suspeito tudo o quê aconteceu depois.

    Minha casa foi saqueada, e levaram todo o meu material de registro de eventos sobrenaturais, os homens reviraram o meu quarto todo, e deixaram o da minha mãe arrumado. Procuraram pelo notebook, onde tinha fotos, teorias, e vídeos, sobre a minha caminhada oculta, levaram a minha câmera, e até o quê eu usava para me distrair do mundo, o meu playstation 2, que já não valia muita coisa na época, e acreditei ser o disfarce perfeito, para o quê realmente fizeram.

    Foi como se declarassem guerra a mim, e a minha sanidade, pois eu analisei os fatos, bati cabeça dando explicações para mim mesma, e a verdade é que até hoje não consigo ver como um mero assalto, pois o mesmo começou, segundo a perícia no momento do incêndio da rua debaixo, que havia começado por causas naturais, e não por intervenção humana.

    Isso não foi a única coisa, naquele ano e até o inicio do outro fiquei muitas vezes a beira da morte. Escapando de acidentes por muito pouco, ou sobrevivendo as tentativas de suicídio, mesmo sem querer continuar de pé, porquê não suportava mais o fardo de ser filha de Lúcifer e Lilith. – Ou achou que somente o não agraciado sofreria? 

    Não foi fácil, e depois que tudo o quê era meu foi levado, fiquei isolada do mundo, e saiu a notícia de quê as contas estavam sendo vigiadas pelos americanos, e como se isto não bastasse, a minha página com apenas 150 curtidas, tinha sido apagada da rede, como se o link estivesse quebrado. O quê convenhamos, é no mínimo suspeito.

    Mas Lúcifer havia me avisado, e eu não dei ouvidos.

    Já Lilith sempre foi mais sutil, aparecia em corpos bonitos, e transmitia mensagens de importância sentimental, que me impediriam de me meter em furadas - Entretanto eu não ouvia, e por isso me machucava sem necessidade.

    No meu primeiro contato com a mesma, esta me revelou que o meu namorado na época, não era digno, nem me pertencia, e que era um erro tomar posse do mesmo, pois este era infantil e malévolo, e não era o quê tinha escolhido para mim.

    Duvidei de imediato, pois a moça que me disse, parecia ter sentimentos pelo rapaz. Só que anos mais tarde, vim saber que as suas predições estavam corretas, e que o cara era realmente um traste.

    Não haviam sinais plausíveis, que nos ligassem de fato, somente aqueles que vinham da sua capacidade de me estudar, para saber o quê eu queria - como um sociopata adolescente - e que o fato de me juntar a ele, não trouxe nada mais que:  Desentendimento, culpa, tristeza, e desespero. Como se o mesmo tivesse sido colocado na minha frente, somente para atrasar a minha descoberta, sobre quem e o quê de fato era, pois tal informação certamente tinha grande valia, e lá na frente falarei sobre isto.

    Por estas e outras que digo, eles só vão se manifestar em casos de extrema importância, por isso não espere que apareçam apenas por quê é a tua vontade.

    É preciso entender que a linha da realidade e a ficção por vezes se cruzam, mas a ficção é apenas uma expressão exagerada da realidade. Se não compreender isso, certamente não vai suportar os desafios, e acabará por enlouquecer. – Foi o quê quase aconteceu comigo, depois de 6 anos no caminho.

    Por isso use os artifícios midiáticos apenas para controlar a ti mesmo, para atingir o teu objetivo, ou por diversão. Mas jamais faça uso dos mesmos, para o teu aprendizado. Eu sei deve ser a 3° ou a 4° vez que repito, mas é para que entre em suas cabeças.

    O preparo mental é o primeiro e mais importante nível, porquê é através deste que vai destravar todo o teu potencial oculto, e trazê-lo para a luz.

    Por isso é necessário cuidar da tua mente, como se fosse o teu corpo, absorvendo somente aquilo que é capaz de suportar, e que favoreça o teu entendimento, ou a realização do teu propósito.

    Dias antes de fazer o ritual, faça uma boa playlist de músicas, que te ajudem a se sentir mais forte e capaz, de filmes que te façam crer no mundo oculto, de games e quadrinhos que seguem o mesmo roteiro, e quebram o padrão do impossível, tornando-o possível.

    Pois assim é criada a atmosfera mística mental, e isto te ajuda a ficar pronto para realizar o teu ato místico.

    Feito isto, agora é hora de seguir para o segundo nível.

    A atmosfera mental já foi desenvolvida, você se sente pronto para fazer o seu primeiro ritual, e não há nada que te faça duvidar de suas capacidades.

    Então agora deve expressar isso de maneira física, desenhando símbolos em teu altar, utilizando as velas certas, o incenso necessário, e o ambiente favorável ao teu rito.

    Por isso precisará conhecer cada símbolo que for utilizar em teu ritual, do contrário pode acabar libertando uma coisa, que deveria ficar no outro mundo- Falo por experiência, passei 9 anos sob a influência de Carreau, por ter o libertado em um dos meus rituais, e só há pouco tempo me livrei do mesmo. Então tome muito cuidado, com os símbolos que vai utilizar, pois cada um tem significado específico, e não é o teu desejo de alterá-lo, que vai promover a mudança de uma egrégora que está presente neste planeta há anos.

    Feito isto, agora é colocar em prática o teu aprendizado, então vá adiante.

    Já estudou, já conheceu os símbolos, e leu tudo a respeito dos cultos dedicados ao deus que tu escolhestes, então porquê não se arriscar com um rito próprio? 

    Você já aprendeu a respeito do ser escolhido, sabe o quê pode, ou não fazer, o quê o honra ou desonra, então dê asas a tua imaginação, pois uma imaginação sem recursos é criatividade, mas quando a mente foi preenchida com conteúdo, a imaginação pode abrir as portas, para quê consiga ouvir a tua voz interna. Quer dizer que se você apenas fizer um ritual, seguindo a tua imaginação por nada, pode falhar e cometer erros graves, mas se souber moldá-la, pode servir de ponte entre você e o deus que te aceitou entre os seus.

    Os predispostos precisam está preparados, pois quando a sua voz interna surgir, vários fatos intrigantes vão acontecer, inclusive coisas de origem sobrenatural, que parecem obra de um poltergeist, mas provavelmente virão deles mesmos. 

    A forma de saber se vem de si mesmo, é medindo sua temperatura corporal, pois o excesso de energia, fará com quê a mesma suba bastante, independente do seu elemento, mesmo os que tem afinidade com o gelo, poderão sentir a sensação de calor intenso.

    Ou tentando mensurar o seu comportamento psicológico, pois se estiver sob o estado de muita adrenalina, também poderá acabar por influenciar o ambiente com a tua força oculta.

    Já os humanos não precisam se preocupar, também podem empregar a sua energia oculta num ato mágico, sem ter alcançado o poder divino. É claro que no caso dos mesmos, coisas sobrenaturais serão raras, e provavelmente se acontecer, dificilmente virão dos mesmos. Contudo isso não significa que não há nada que possam fazer.

    O poder dos homens está em sua mente, um pouco mais que no caso dos predispostos, e os humanos podem usar a sua força, para realizar sonhos típicos da espécie, como: Ganhar muito dinheiro, um bom emprego, atrair o amor de suas vidas, melhorar a aparência etc.

    Não será algo instantâneo pois são limitados, por serem a imagem de seu Deus Jeová, mas mesmo assim, com o método certo, e os 2 níveis mental e físico, eles certamente atingirão as suas metas.

    Pois há uma energia oculta poderosa, que está disponível para todos, inclusive os humanos, e é através desta que podem inclusive, abandonar a condição de homens, para se tornar algo mais próximo dos predispostos, ou ainda mais poderosos que alguns.

    Capitulo 3- A Magia é vida, mas não é um ser vivo.

    A magia não é feminina, nem masculina, ela está acima de teorias tão mundanas.

    Atualmente vemos constantemente que a magia é algo especificamente feminino, que a mulher é detentora de uma enorme energia oculta, porquê somente a mesma é capaz de produzir a vida, e todo aquele blá, blá, blá feminista, do qual até mesmo Lilith já está por aqui.

    Ou pior ainda que o homem, por conta de seu intelecto voltado para o modelo mais racional da realidade, é naturalmente aquele que manifesta as forças de um verdadeiro deus, ou outras besteiras machistas que nos fazem entender, porquê o feminismo existe para se opor a tal pensamento.

    Nem o homem ou a mulher são os provedores de tal energia. Não separados pelo menos. Pois a mulher embora tenha o ambiente perfeito para gerar a vida, não pode fazê-lo sem a semente que existe dentro do homem.

    É totalmente desnecessário provar a sua superioridade através do seu sexo. Isto não é coisa de um bruxo real, mas sim de alguém que tem sérios problemas consigo, e precisa validar-se pelo quê tem no meio das pernas.

    No caso das mulheres, é como adotar uma postura semelhante ao machismo, que supostamente desprezam. No caso dos homens é apenas seguir sendo como os outros, quando, como ocultista , deveria ser melhor que os demais.

    Baphomet representa a união do feminino e masculino, e é uma das figuras mais poderosas do ocultismo, pois não expressa apenas a dualidade, mas a totalidade, que é o uno. A união  do céu e o inferno, do sagrado e o profano, e provavelmente é a imagem perfeita, de como a primeira causa seria, se a mesma se manifestasse em forma física, portanto aprenda a lição mostrada por esta imagem.

    A Magia não tem Religião.

    Muitos defendem abertamente que bruxaria cristã não existe, porquê a igreja perseguiu inúmeros bruxos na santa inquisição. – Até os 16 anos acreditava no mesmo, mas hoje tenho 24 anos, e sou obrigada a desiludi-los mais uma vez.

    O conceito amplamente defendido é que a magia pertence ao paganismo, e logo não pode ser praticada dentro das igrejas, ou por seus fiéis.

    Quem faz tal defesa, provavelmente se encontra no inicio da caminhada- Mas se já passou vários anos, e ainda acredita nisso, precisa urgente deixar de seguir a “massa mística” (O quê é irônico, pois nem deveria haver uma.) e conectar-se  com os deuses, pois apesar do quê imaginam, não estão nem os servindo, nem caminhando com os mesmos.

    Eles sentem como se a nossa cultura estivesse sendo saqueada dos templos sagrados, e entregues aos cristãos.

    E não estão errados, pois isto é o quê de fato aconteceu, antes da chegada de Cristo. – A bíblia sagrada cristã é um mosaico de textos ocultistas de outras culturas.

    Portanto o “roubo” já aconteceu há muito tempo, não é algo novo, e desta forma muitos fiéis já tiveram tempo suficiente para desenvolver os seus cultos. Existe até mesmo uma linha do cristianismo, voltada para os misticismos, então a bruxaria cristã não é algo novo, aceite isso.

    Além disto os grandes ocultistas conhecidos, estudaram as mesmas filosofias criadas por estes fiéis, antes de fundar as suas escolas de pensamentos. É o caso de Aleister Crowley - conhecido como “To Mega Therion”, a  “Besta 666”, “O homem mais cruel do mundo” - que ingressou na Ordem da Aurora Dourada, antes de criar seus Libers. Porém o quê poucos sabem, é que embora o mesmo tenha sido expulso da escola dominical, a Ordem que o recebeu, foi fundada através do ensinamentos distorcidos de Agrippa, que era um grande homem, e devoto do divino.

    Então não há necessidade de espancar e cuspir naqueles que descobriram tal possibilidade, pois pode até servir para contribuir em alguma coisa.

    Há tanta coisa que merece mais tal ódio, que realmente me dói a vista, ler tanto desgosto voltado para os que resolveram seguir um caminho diferente do nosso.

    Do momento em quê erguemos nossa espada para os homens apenas por conta da sua religião, estamos sendo tão sujos e hipócritas, quanto os inquisidores, que apenas apontavam o dedo para aqueles que discordavam da sua versão do mundo. – E eu sei que você não quer ser comparado com o teu rival, então não haja como tal.

    É importante frisar, que a magia supostamente foi trazida aos homens por aqueles que desceram dos céus, por isso a mesma não pertence a humanidade, e logo não deve ser julgada como se fosse.

    Lúcifer e os caídos ensinaram as mulheres, e lhes deram o poder, para realizar os próprios intentos. Mas de onde Lúcifer veio e onde a magia residia antes? Isso mesmo no plano celestial, ou a Deusa Desceu a Terra para ensinar os humanos a praticar a magia, e os guiar para o seu mundo. Quando não mais pôde ficar enviou a sua filha, para continuar o seu trabalho. Mas é sempre seguindo a premissa de quê a magia foi transportada de outro reino, que não é o quê vivemos.

    Então por favor, pare de usar esse contexto absurdo, de quê a magia pertence somente a um grupo, pois até nos textos antigos, pode ser comprovado, que “não é assim que a banda toca”. Hermes Trismegisto já dizia: O quê está acima, é o quê está abaixo. Entenda de uma vez por todas este conceito.

    A magia não tem política.

    Se você é de : direita, esquerda, liberal, fascista, socialista, ou qualquer outro partido conhecido, não importa.

    Novamente é algo mundano, que deve ser deixado em seu devido lugar.

    Não traga suas convicções partidárias para dentro da sociedade ocultista, pois não é bom misturar as coisas.

    Hitler e o Vrill estão aí para provar. 

    Ele obteve um grande sucesso ao realizar a sua missão, mas a sua mensagem real jamais foi ouvida, e pior ainda acabou por ser distorcida, com o decorrer dos anos. Sendo tratada como um massacre desnecessário, ou desumano, ou o grito de horror de inocentes, que nem eram tão inocentes assim. – A sua luta não era contra os judeus, e sim os sionistas, que supostamente queriam dominar o mundo, mas conseguiram fazer parecer que esta era a vontade de Adolf.

    Esta é a versão da verdade que conheço e acredito, pois a filosofia sionista e illuminati, em muito coincidem.

    Mas é algo em quê Eu acredito. Não significa que você é obrigado a crer no mesmo. Por isso saiba que há um espaço para a magia, e outro para a política, não é porquê um influencia o outro, que devemos misturá-los.

    O Tudo é o Todo, e o Todo é Um. Só que é preciso compreender suas metades, para poder entender como se complementam.

    A Magia não tem etnia.

    Não importa se tu és negro, branco, hispânico, índio, ou qualquer outra raça conhecida. Todos são humanos, ou ao menos meio-humanos, no caso dos predispostos. Assim sendo devem respeitar uns aos outros.

    Se o branco quer fazer parte da gira, deixe-o entrar. O mesmo vale para o negro que anseia entrar num sistema mais elitista como o luciferianismo ou o satanismo.

    Salvo apenas exceções para filosofias voltadas para o racismo como a Skull and Bones por exemplo. Porém creio que tais ideais são como feminismo e machismo, e precisam ser abolidos da face da Terra, pois só servem para validar a vontade, de gente tão pequena que se define por sua cor ou sexo.

    A magia não tem estilo.

    Vocês encontrarão gente de todo tipo no caminho. Mulheres com roupas provocantes, homens maquiados, moças de turbante, rapazes de dread, gente de preto, gente de branco, e isso não significa absolutamente nada.

    A roupa que a bruxa veste, não representa o seu poder, apenas expressa a sua mais forte emoção, aquilo que mais gosta, e tem alguma afinidade.

    Ou seja não é porquê uma bruxa veste preto, que ela trabalha para Satã, ou porquê uma bruxa usa vestes coloridas, que esta serve a deusa e o deus.

    A diversidade neste meio é muito grande, logo nem tudo o quê aparentemente é, de fato é. Quer dizer há casos de bruxos que se vestem como anjos, mas trabalham com energias bem densas, e o mesmo ocorre com aqueles que se vestem como demônios, mas praticam magias menos pesadas, pois é o quê podem suportar.

    Há bruxos que pouco estudam, mas conseguem obter grandes resultados. – Embora mais tarde acabem achando que o hospício é o lar doce lar.

    Há ocultistas que procuram estudar mais do quê necessário, e quê embora criem barreiras no seu desenvolvimento, se sentem mais confortáveis, em suas limitações.

    Então não adianta ditar que a magia é um estilo de vida, pois cada um é livre para encontrar o tipo de vida que o mais o agrada. – É claro que adotar a prática diariamente, certamente vai te ajudar a obter bons resultados, pois condiciona o cérebro a destruir o empecilho do impossível. Entretanto isso não é uma obrigação, nem uma regra. Você decide o quê se adequa a tua condição. - Até porquê há aqueles que compartilham seu lar com outras pessoas, que não apoiam as suas práticas, e por isso precisam de outros meios, de gerar uma boa atmosfera mágica, que não implique em desrespeito aos que lhe oferecem um teto, e seja viável para executar.

    A magia é uma energia.

    A magia é formada de átomos de energia positiva e negativa, e você é o nêutron que rege tais forças. 

    A magia não tem voz, ela apenas te ajuda a encontrar a sua. A magia não pode ser um corpo, mas te ajuda a moldar o teu. A magia não ouve, mas te faz ouvir. A magia não vê, mas te ilumina para enxergar. A magia não sente, mas te impulsiona a sentir. A magia não pensa, só que intervém em teus pensamentos.  

    A magia é uma força gigantesca, que se bem canalizada, pode criar ou destruir a vida, mudar ou colocar as coisas no lugar, alterar o fluxo ou mantê-lo, incendiar ou apagar o incêndio. É a mais perfeita expressão da linguagem divina, proveniente da Primeira Causa. É a matriz de onde tudo nasce, da qual pode beber de sua energia.

    A magia é vida, pois é movimento, e ausência do mesmo, é luz, é sombra, é claro e escuro, é impulso, é neutra, é causa e efeito, mas não é um ser vivo.

    Consequentemente não pode ser tratada como tal. A vista disto não lhe atribua as características de um humano, fazendo-a ter: sexo, política, etnia, ou estilo, pois esta é muito maior que tais convicções.

    Capitulo 4- O Mundo sem o véu.

    Já trabalhamos em cima da atmosfera mística , e a importância do aspecto mental, para criar tais condições, e portanto aplicar a energia mágicka. Mas como é que o mundo se torna, após quebrar a barreira do impossível? 

    Primeiramente o mundo de concreto, continuará o mesmo, são seus olhos e o olhar que se tornarão diferentes. 

    Provavelmente deve ver diariamente a batalha entre os céticos e os ocultistas. “Só confie na ciência pois há como comprová-la e a magia é apenas crendice.” Dizem os apaixonados pela ciência. “Abra seus olhos, há um mundo mágico por trás deste, e somente a fé nele é o suficiente para manifestá-lo. A ciência é uma tolice, um insulto as forças divinas.” Dizem os aficionados a magia.

    Você pode de imediato concordar com a segunda visão, mas ambas estão erradas. – Embora a parte do conceito metafísico (o mundo por trás do mundo) seja correta.

    Quando se encontra de fato com o oculto, você percebe que magia e ciência, servem para dar as mãos e não se destruírem, como se fossem inimigos velados.

    Essa rivalidade trivial, não é digna de um ocultista, pois o mesmo tem consciência, de quê muito do quê temos hoje antes era visto como místico.

    Imagine-se em 1500 com um celular em suas mãos, certamente as pessoas do tempo, ficariam maravilhadas, e depois iriam temê-lo, ao ponto de queimá-lo vivo, sob a declaração de prática de bruxaria. – Mas nos tempos em que vive, sabe que se trata de ciência, e isto o faz rir.

    Essa perspectiva a princípio pode deixá-lo desnorteado, só que é um fato. Eles nem parariam para estudar a respeito, pois naquela época a Terra era movida pelo medo.

    Muitos cientistas foram tidos como hereges no seu tempo, e jogados no fogo purificador dos santos, então tentar separar o inseparável é bobagem. – Todavia é significativo que saiba que não basta compreender as metades, é necessário entendê-las a fundo.

    A ciência é um meio de comprovar se um fato é real ou falso. Embora seus métodos, pareçam servir somente para desbancar a existência de seres maiores que a humanidade. Eles também podem ser usados, para por exemplo separar, quem realmente viveu uma experiência sobrenatural, e os que apenas precisam de tratamento psiquiátrico. – Lembrando que alguns eventos de natureza mística, podem ser tão devastadores, que causam este efeito de estresse pós-traumático.

    Logo se a ciência serve para medir o evento, o esoterismo é o evento– Uma manifestação nua e crua da natureza, que para muitos foi esquecida, e que tem mistérios a serem desvelados.

    Desta forma o primeiro ponto é esse: A inexistência de um padrão dualista, e percepção de que o universo é realmente um, cujas as metades unidas, o fazem completo.

    Além disso, quando você se conecta de fato com o cosmos, ele também se junta a ti, e assim desenvolve o quê é conhecido como inteligência divina. – Não que vá conseguir resolver cálculos matemáticos complicados em segundos, como no filme Transformers, mas certamente libertará uma sabedoria, bem diferente da dos demais, e que vai te ajudar a se compreender melhor.

    No caso daqueles que tem a predisposição, poderão descobrir mais sobre a linhagem, através das memórias dos deuses, que vão lhes transmitir informações sobre a sua missão, e o nível dela. – Se será fácil ou cheia de obstáculos.

    Já os humanos, terão como resolver as suas grandes questões, a respeito de quem são, e de onde vieram de fato, podendo inclusive conhecer o criador da sua espécie, e lhe pedir a dádiva divina. – Mesmo que tenha um preço alto a se pagar.

    E este é o segundo ponto: Saberá sem ter visto nada antes. – Mentalize a seguinte situação: Você é um estudante de médio conhecimento sobre a Deusa Afrodite. Tudo o quê sabe é que é a Deusa do Amor, e que seu par é Hefestos, o ferreiro do Olímpo, e outras pequenas coisas. Do nada seu corpo se desliga, e você tem a visão de Afrodite na cama de Ares, o Deus da Guerra dos Gregos, e Hefestos quer provar a sua traição. Você retorna, acha aquilo estranho, e decide pesquisar sobre isso, então lá está o quadro que retrata a sua visão. É o quê vai acontecer, quando libertar este tipo específico de aprendizado.

    Novos mundos irão se apresentar a ti, mas eles não serão físicos. Sempre que meditar, terá visões do teu verdadeiro lar, que não é este planeta, e ao fazer a viagem astral irá sentir, como  são as outras civilizações.

    Há chances de prestigiar o mundo, em que o Deus que te acolheu habita, e assim receber dele algumas direções, para te ajudar a cumprir o teu propósito.

    É quando começará a entender a teoria de Giordano Bruno, sobre os milhares de planetas, que existem além da Terra, e a diversidade presente nos mesmos.

    Deixará de crer em filosofias como criacionismo ou evolucionismo, e aceitará o design inteligente, que lhe parecerá a resposta mais plausível, para a origem das espécies existentes.

    Verá que a panspermia cósmica, é uma ideia incompleta, pois a vida não se forma do nada, é preciso de uma causa que a gere, e esta é ninguém menos que o próprio Uno, que você conhece como Universo.

    Ao entrar no plano invísivel , começará a duvidar se está vivo, ou preso em um sonho, do qual acorda todas as noites, e retorna para casa. – É lindo, porém se você criar afinidade com apenas o outro lado, esquecerá que não habita nele, e isto te trará consequências terríveis, como buscar o abraço gélido da morte por exemplo, e ao fazê-lo, se levará a dimensões sombrias, que deram origem ao termo adotado como Inferno, o quê atrasará ainda mais a sua volta.

    É preciso que se lembre sempre, de quê embora a sua casa seja a anos luz daqui, há pessoas que precisam de você, e tu tens uma missão a cumprir, antes de retornar para aquele lugar que te faz tão bem. – Quando fizer a projeção, tenha ciência de quê está fazendo uma visita, e não se mudando pra lá.

    Alguns rapidamente encontram o caminho de volta para as estrelas, outros demoraram, pois não estão prontos para aceitar, que aquele canto maravilhoso, o aguarda, mas ainda não é o momento certo. – Ou pior, devido as espécies superiores e inferiores, que vem se aniquilando há milênios, não há pra onde ir, e só pode aprender com o quê restou, da sua civilização materna.

    Outra coisa, é importante também ter conhecimento de quê, tudo o quê tem no outro mundo, não pode trazer para o físico. O máximo que conseguirá, é uma versão fantasma da coisa em questão.

    Portanto se atravessar o mundo dos dragões para este, montando em um deles, o mesmo não vai se materializar em teu quarto, como se fosse um animal comum, e somente os que desenvolveram A Visão, poderão enxergá-lo, (ou nem isto, pois há os que escolhem com quem interagir).

    Há muitas críticas no meio sobre o quê os bruxos já viram ou experimentaram.  Qualquer magista que tenha  visto duendes ou dragões, e se juntado a estes numa experiência mística, é friamente julgado. Então mesmo que adentre no outro lado, é preciso que não fale isto para quem não presenciou o mesmo, pois dificilmente vão compreender. – Salvo exceções aos que se dizem ocultistas, mas precisam de substâncias alucinógenas para adentrar no outro mundo. Estes realmente possuem pouca credibilidade sobre o quê presenciaram, pois as drogas não te ajudam a conhecer a outra dimensão, no máximo consegue refletir o teu interior. Isto não significa que me oponho ao seu uso, pois cada cabeça tem uma sentença, e sabe o quê é melhor para si. No entanto quando se trata de experiências extra-sensoriais, o uso de tais artifícios pode lhe ofuscar A Visão.

    Não estou falando da visão física, mas sim do terceiro olho, o olho que tudo vê, o olho que não enxerga somente o concreto, mas os átomos que o compõem, e vibram na mais baixa frequência, para torná-lo pesado.– É o olho que desmembra a realidade, para que conheçamos cada um dos seus mais profundos mistérios, e certamente você não querer perder essa capacidade. Pois uma vez que encontra o plano místico, os seres do plano místico te encontram também, e nem sempre isso é algo positivo, pois a maioria detesta os seres esquecidos na Terra, e anseia destrui-los, para que não retornem ao mundo deles, com medo de serem “infectados” por ideias humanas.

    E aqui é que a situação piora, pois os seres que odeiam os meios- terrestres, e terrestres em sua totalidade, fazem de tudo para que  os bruxos, não consigam atravessar a ponte do astral, para o Etérico – O plano acima do astral, (que também pode ser reconhecido como o Consciente Coletivo de Jung) terão as respostas necessárias, para evoluírem suas consciências, sobre quem são.

    Eu sei parece o roteiro de algum RPG, e se quer saber a realidade, o mundo invisível não é tão diferente do mesmo. Então se anseia entender a respeito, sugiro que comece a jogar, e estude todo o sistema, para quê saiba de suas limitações.

    Aliás creio que quando disseram que Deus jogava com dados, se referiam a isto, pois tudo depende das circunstâncias. Deus lhe oferece alternativas, e você no início, quer seguir adiante, e derrotar o monstro com um golpe de misericórdia. Contudo Ele no poder de mestre do jogo, prefere que lute contra o monstro, da forma mais humilhante que há, e perca teus braços e pernas. Ambos atiram seus dados no tabuleiro. O resultado dele é 7 o seu é 2, sua vontade é alterada para que a dele seja atendida, e você nobre peregrino, acaba por perder teus membros na batalha contra o gigante.

    Pois não importa o quanto digam que A Tua Vontade é A Lei, seus artigos podem ser alterados pela diretoria, que foi gerada pela Lei Imutável dos Antigos. 

    A sua vontade, não é o suficiente para alterar algo monumental, principalmente quando se trata do seu encontro com o Mestre do plano Superior. Pois naquele lado há uma egrégora poderosa, que foi alimentada por milhões, e a diferença do milhão para um é muito grande.

    Você certamente deve está pensando, se é assim que graça tem em praticar magia? A mesma de jogar. Pois quando você segue dentro dos padrões sociais, apenas está sendo parte do cenário, e não tem controle das próprias ações.

     Mas quando modifica o rumo, ao menos tem a chance de escolher, ou seja está pegando os seus dados, e se preparando para alcançar a glória do verdadeiro livre- arbítrio.

    Porém assim como para jogar um RPG, você precisa muito do quê o dado, na magia não é diferente. É necessário escolher um personagem, ou no caso do ocultismo, uma vertente, como a magia draconiana por exemplo.

    Feito isto, não basta apenas manter o personagem, é preciso fortalecê-lo, para encarar o mundo que o aguarda. No RPG com armaduras, joias, e outros apetrechos. Na magia com sigilos, círculos, linguagens desconhecidas, etc.- E mesmo que seu personagem esteja no nível máximo, sempre haverão aprimoramentos, para torná-lo cada vez mais capaz de alcançar os objetivos, que lhe são apresentados na jornada.

    Portanto antes de adentrar de vez no mundo translúcido, ou tentar remover o véu do mundano, se prepare devidamente, pois nem sempre o mestre vai com a cara do seu personagem, e no seu caso essa potência é ninguém menos que o próprio Deus. - Não o Deus dos Ocultistas, que é a força ilimitada e geradora. Mas sim o quê foi criado por uma egrégora de humanos ambiciosos, e mal intencionados, que conheceram um ser, que achou que poderia tomar a coroa cósmica de quem o gerou, e o fortaleceram o suficiente para ser aquele que hoje comanda muitos mundos. É, eu sei parece a história de Lúcifer, mas este é um clássico caso, em quê o vilão se denuncia pela sua versão deturpada dos fatos, e quem tem o bom senso consegue perceber as entrelinhas. – Leia o Antigo Testamento, como um livro comum, e verá que o Deus do Amor, é na verdade uma expressão do mais puro Ódio. 

    Além destas alegorias, há muitas outras, então fique atento, e aprenda a jogar, ou siga como a massa permitindo que o mestre controle o seu destino, sem jamais se opor a tudo o quê te acontece, e ficando grato pelo pão e o vinho na mesa, assim como pela morte dolorosa de toda a sua população, porquê este quis assim.

    Capítulo 5 - O fanatismo, o grande veneno mágicko.

    No capítulo 4, abordei sobre o outro mundo, mas primeiro expliquei sobre o maior dos empecilhos para chegar lá, pois é importante que esteja ciente, de quê nem tudo são flores.

    Posso ter passado a impressão de quê estou em cima do muro, sobre Deus e o Diabo. Mas o fato é que, quando se conhece ambos os lados, fica claro que a ideia do preto e branco, não serve para nada.

    É claro Jeová é cruel, é o Deus dos homens, dos pecadores. Contudo é um verdadeiro Ares da religião judaico-cristã, não há quem duvide da eficácia de suas estratégias, e isto é admirável. – Apenas discordo de algumas metodologias dele.

    O mesmo ocorre com Lúcifer, ele é meu pai, e certamente me orgulho disto. Porém não concordo em evitar a massa. Apesar de não pertencer a ela, seus tipos de entretenimentos são bem agradáveis.

    Então é aqui que se percebe, a razão para não apoiar fanatismos. Se fosse obcecada por Lúcifer, concordaria com tudo o quê dissesse, mesmo que fosse contra aquilo que gosto, somente para ser o quê ele supostamente espera de mim.

    Isso é errado. Além da grande falta de amor próprio, há também o risco de ser manipulado por entidades maléficas, que não caminham nem com a luz, nem com as trevas, apenas servem a si mesmos. – O quê não é errado, mas do momento que atrapalha a vida do outro, se torna prejudicial.

    São seres que passaram grande parte da sua vida, sob a sombra dos senhores, e que jamais conseguiram ascender como eles, e por isso na primeira oportunidade, os apunhalaram pelas costas, e assim foram jogados num mundo caótico, de onde vez ou outra saem para atormentar, sob a forma de fantasmas, que sussurram coisas em nossos ouvidos. – É como se fossem os empregados que se dedicaram a empresa, sem terem recebido uma proposta de aumento, e mesmo assim esperaram subir de cargo, e quando nada aconteceu, começaram a destruir o prédio para que ninguém mais trabalhasse. 

    Uns os chamam de demônios, mas isto é um insulto aos seres do mundo inferior. Então prefiro seguir com o conceito da umbanda, de espíritos obsessores, e embora grande parte diga que se tratam apenas de seres humanos, poucos sabem que não são apenas os homens, que tem problemas para evoluir.

    São criaturas que em vez de terem visto alguma oportunidade, abraçaram as limitações como desculpa, para concentrar a sua ira em algum foco.

    E porquê estou falando nelas? É bem simples na verdade. Porquê tais seres encarnados ou desencarnados, costumam se aproveitar da fé alheia, para que cumpram seus objetivos atrozes, de destruir a base das filosofias, que supostamente os abandonaram.

    Portanto quando você se entrega demais a fé, não consegue perceber as armadilhas dos mesmos.

    Imagine duas situações: Primeiro há um padre de uma cidade pequena, cheia de gente analfabeta, mas com muita fé em compensação.

    Eles acreditam que apenas a palavra de Deus, proferida por seu padre, é a verdade imutável da vida.

    Contudo tal líder, pouco se importa com as palavras divinas, apenas as estudou, para ter poder sobre as pessoas, e assim usá-las como bem entender.

    Ele tira das mesmas: o seu dinheiro, os seus filhos, a sua liberdade, e os faz segui-lo cegamente, em rumo a completa perdição, pois sabe que está condenado, e quer levar quem puder junto.

    Como se não bastasse, para garantir-se, diz que é a vontade de Deus, toda vez que o questionam, e pior ainda, faz com que seus seguidores, repudiem qualquer figura pública, que pode desmistificar a sua falácia. – E se a tática funciona, mostra as suas garras, é quando por exemplo reúne os mais devotos, e os influencia a matar alguém, alegando que a pessoa está sob possessão demoníaca. (Não que discorde da existência da mesma, mas creio que eu, que o quê parece palhaçada para quem entende, é assustador para o ignorante, e o medo, sempre gera caos, se mal empregado) 

    No segundo caso, a mentira é um pouco mais articulada. O sacerdote diz que você é livre, que não precisa mais seguir nenhuma regra do “Nazareno”, que a vida começa agora, e os pecados não passam de uma bobagem.

    No início nenhum centavo é tirado, eles apenas promovem festas de orgia. – O quê não é ruim se for solteiro, mas o verdadeiro preço, que vem depois sim.

    Você se envolve nas palavras do sacerdote: Não há Céu, Não há Inferno, somente o aqui e agora, então façam valer a pena do jeito que o diabo gosta!

    Assim como o padre, tal sacerdote não está interessado no crescimento do seu grupo, somente quer arrastá-los para o fundo do poço, para que precisem dele, e é aqui que o golpe se torna mais evidente.

    Pois toda vez que a pessoa quer sair da tristeza por sua vida vazia, surge um novo motivo para deixá-la em tal estado. – É, o sacerdote, não carrega tal acunha, sem ser praticante de magia.

    Após fazer com que a vítima de seu magnetismo ( e alguns espíritos), comece a enlouquecer, vem as ofertas absurdas. “Mate um bebê para Satã, e ele te libertará destas correntes.” Diz o mesmo. Mas convenientemente, esquece de contar que a criança escolhida, é filha da ex com o atual - que percebeu o bosta que ele era, e o deixou.

    Eu sei parece inacreditável, mas a situação somente se agrava, pois no fim das contas, o padre e o sacerdote, se encontram longe dos olhos de todos, e assumem que suas jogadas, estão sendo bastante eficazes. Pois se os cristãos ficarem longe da magia, que os levam a questionar, e os satanistas evitarem o sentido de certo e errado, nunca conseguem atingir o estado da iluminação, para descobrirem a quem de fato servem, e que não é nem ao Diabo, nem a Deus.

    Estas criaturas são ainda mais inescrupulosas que Jeová, pois enquanto o mesmo ainda recompensa os seus, estes seres apenas fazem os demais afundarem, e nunca reconhecem os seus esforços, porquê como disse antes, sentem-se injustiçados, e que todos merecem a sorte que tiveram, por serem tão tolos ao acreditarem neles.

    Então não deixe que a sua fé te domine, mesmo que seja parte do plano superior. – Ela pode abrir portas, mas se não souber onde pisa, acabará indo para uma selva, e mergulhará em areia movediça.

    Somente a fé, nos faz ficar cegos. Da mesma forma como seguir somente a ciência, nos faz deixar de perceber, o tamanho da plenitude do universo, e que nem tudo se resume ao que é “concreto”. – A verdade mística não pode ser medida por filosofias dualistas da humanidade, pois esta se perdeu há muito tempo.

    Então como nos impedir de chegar a esse ponto? 

    Não há um método certo, e que tenha 100% de eficácia. Mas após várias pesquisas de campo, com base em observação, percebi algumas formas, que listarei a seguir:

     Evite defender a sua fé com paixão. – Não estou dizendo que não deve amar o quê faz, mas sim que precisa saber a diferença, entre o amor e a paixão. Amor é uma chama pequena, que serve para nos aquecer numa caverna. Paixão é um incêndio, que se alastra, destruindo toda a floresta, e se não ficou claro Paixão é um caso de amor intenso, impulsivo, e descontrolado. Amor é quando duas pessoas completas, compartilham uma vida juntas, sem desistir de quem são, pois escolheram andar com o par, e não dominá-lo.

     Estude tanto o seu opositor, quanto aqueles a que apoia. – Não estou dizendo que precisa se tornar um cdf de magia. Todavia é preciso sim ter conhecimento do quê faz. Então antes de julgar o inimigo, tente descobrir sobre as suas motivações para agir de tal forma. Concordar ou não, está fora do caso, mas é importante ver até onde o boato relatado é real.

     Haja como cético. – Apesar da correlação com o item anterior, é importante nos focarmos no fato, pois ser cético, é duvidar bastante da história, antes de aceitá-la como verdade, e é esta postura que deve tomar, sempre que uma coisa, que desconhece, surge na tua porta.

     Procure informações imparciais – Se o bruxo diz que a sua deusa é santa, e a religião a condena como “demônio”, é bom evitar ouvir ambos, e buscar por uma voz, que trabalha todos os aspectos da deusa, desde os puros, aos mais pecaminosos.

     Não fale sobre sua filosofia com eles. – Um fanático não tem nada para acrescentar na sua busca por conhecimento, a não ser, que queira estudar sobre transtornos de personalidade, ligados a estresse pós- traumático. Mais terrível ainda, pode te levar pro fundo do poço junto com ele, pois te faz crer no mesmo mundo maravilhoso, em que os seus superiores o colocaram. Então se tem um(a) amigo(a) que sofre disto, fale sobre qualquer assunto, menos deste.

     Rejeite as palavras do fanático – Não precisa humilhar a pessoa, por conta do seu fascínio. Afinal o fanático em si, é apenas uma pessoa apaixonada, sendo controlada por terceiros. Então sempre que notar os traços de fanatismo, lembre-se de que ela é apenas o papagaio repetindo o quê ouviu, e não sabe o quê fala.

     Conheça os traços de fanatismo. – Um ser tomado por esta paixão doentia, manifesta alguns sintomas como: 

    Palavras vazias. – O(a) sujeito (a) fala como se entendesse do assunto, mas ao ser confrontado, e obrigado a defender os interesses, com ideias próprias, fica mudo, ou tenta alterar o rumo da conversa. Fingem sensatez e calmaria. – Frases como “O mundo é injusto, por causa de...” são bem comuns no seu vocabulário, pois estes conhecem o Uno, mas são incapazes de entendê-lo.

    III. São agressivos. – Se mudar o rumo da conversa, não funcionar, eles começam a se irritar bastante, e por isso se tornam violentos.

    Não suportam a verdade. – Diga-lhes que Satã é bom, ou que Deus é engenhoso, e verás o fanático demonstrar, a escuridão mais profunda daquilo a que serve. São iludidos. – Não conseguem extrair a verdade de um material fabricado para entretenimento, e pior ainda, tomam para si o todo como verdade absoluta. (Depois saem matando hereges ou sacrificando virgens porquê o programa ensinou.) Veem sinais onde não há nada. – Que há sinais no universo, todos nós sabemos, porém achar que tudo é sinal de alguma coisa, sem antes avaliar os aspectos psicológicos, entorno de tal possibilidade, é sim um erro. Se você sonha com um homem te perseguindo, após ter assistido um filme de terror, ou vários, isto certamente comprova que no fundo, não suportou tão bem quanto pensava. Agora se você sonha com anjos te ajudando, quando a sua vida, é totalmente voltada pro satanismo, é bom avaliar o quê significa.

    VII. Carregam olhos vazios, e parecem está sob efeito de drogas pesadas. – Eles podem tentar forçar o riso, para demonstrar que estão 100% satisfeitos, mas se olhar bem, verá sinais físicos, que denunciam a sua infelicidade como: Olhos de quem foi vítima de hipnose, sorriso que não condiz com os mesmos, magreza ou gordura extrema, tremedeira, e fala lenta, cheia de pausas excessivamente longas, (mesmo que não condiga, com a sua regionalidade) ou discurso caloroso e agitado demais.

    VIII. São ativistas do templo. – Que há fiéis enjoados dentro das igrejas voltadas para o culto cristão, já estamos cansados de saber. Mas sim, também há fanáticos no templo pagão. São bruxos e bruxas, que vivem querendo impor a sua crença, mesmo que isto não seja bom para a própria imagem.

    Não tem noção do quê fazem – São como crianças de 3 anos, que repetem os gestos dos líderes. Nunca questionam os seus superiores. – Nem conseguem, pois a lavagem cerebral intensa, os tornou submissos.  Te amam, somente enquanto concorda com eles. – Discorde de uma ideia sobre a sua conduta, e eles te queimam vivo (literalmente ás vezes).

    Em algum momento da vida, podemos apresentar, alguns destes sinais, já que independente do caminho que seguimos, nós o amamos, não importa o quão complexo seja. Mas é bom lutar contra tais atitudes, pois elas só servem para nos envergonhar, e também nos distanciam dos deuses, e consequentemente do quê é real e falso.

    Capítulo 6 – A verdade liberta, mas é dolorosa

    É, nobre forasteiro, se a vida tem sido fácil, e as verdades que descobriu até o momento, não lhe trouxeram nenhum problema, ou representaram tudo aquilo que sempre quis, sem algum esforço, e nem sangue ou suor foi derramado. – Significa que a parte boa está acabando, e é melhor está preparado, ou você é vítima da sua própria mente.

    No segundo caso, é algo muito comum atualmente. É o quê chamo de iluminação de holofote. Trate-se de uma pessoa, que sai dizendo que é superior aos demais, ou força transparecer que já atingiu o nível máximo da evolução cósmica. – Mas antes dos beijos de luz, deixa subentendido que te quer “queimando no inferno”.

    A verdade nunca é aquilo que serve para compensar uma perda, mas sim confrontar a existência do ser, por ter sido pré-estabelecida há muito tempo, e isso nos leva a um tópico interessante: Os bonecos que pensam ser filhos dos deuses.

    Hoje em dia tem muitos filhos de Lúcifer e Lilith por aí. Se for contar nos grupos de magia do Brasil, há mais ou menos “mil” deles. – Razão pela qual, prefiro me manter em silêncio a respeito disto, pois me sinto envergonhada.

    Assim como há também as crianças Percy Jackson – Jovens entre 11 e 18 anos, que se encantaram pelos programas, que são focados na visão etérica (e distorcida) do mundo, e saíram mundo a fora, batendo no peito, e dizendo eu sou um (a) semideus!

    Em ambos os casos é algo bastante incômodo, pois se for falar com tais seres, muitos são vítimas do fanatismo midiático, e não só não possuem habilidades, como também mentem, para dar a impressão de quê são “especiais.”

    Chego a sentir dó dessas crianças, pois o tempo que gastam tentando provar o quê não são, poderiam usar para adquirir conhecimentos, que os levassem a encontrar os deuses, e dependendo do contexto, serem abençoados por eles, ao ponto de desenvolverem algum dote.

    Não seriam semideuses, mas e daí? Quantas lendas maravilhosas serão necessárias, para que entendam, que nascer humano, não significa morrer como tal?

     Olhem o exemplo do conde Vlad III, o turco, que empalava os seus inimigos vivos, e deu origem ao vampiro mais famoso das décadas. Ele iniciou como humano, mas hoje, para muitos, é visto como um Deus Noturno.

    Então novamente o quê você é no momento não importa, o quê pode vim a se tornar, após a caminhada sim, portanto pare de perder tempo, forçando ser o quê não é, e abrace quem é de fato.

    A verdade, não é aquilo que deseja, e sim o quê necessita.

    Você pode morrer gritando aos 4 ventos, que é filho (a)  de um deus (a) mas se não for, sempre haverão ausências de sinais legítimos, e a magia não vai se manifestar, mesmo que a sua fé seja grande, pois haverá um forte bloqueio em teu caminho.

     Porém quando realmente é algo, até as coincidências, serão ligadas ao deus com o qual sente a conexão.

     É o meu caso. Quando me foi revelado que era filha de Lúcifer, me opus a isso, com toda fibra do meu ser. – Tinha acabado de ler Lex Satanicus, e via Lúcifer e Satã como seres distintos. Sendo Lúcifer, o belo e inteligente, que tem repulsa ao mundano, e Satã um charmoso nerd, que se divertia em qualquer lugar.

    Jamais pensei em Lúcifer, como sequer meu semelhante, pois apesar de ter problemas para me socializar, não desprezava a sociedade, como ele, e isso foi um grande baque para mim.

    Como se não bastasse, além de ser filha do ser mais inteligente e cheio de conquistas, também me foi revelado que eu era um anjo, e foi a gota d’água, porquê detestava celestiais, e todo o plano superior na época. – Tinha 17 anos, e os hormônios agiam com grande potência em meu organismo.

    Não foi da noite  para o dia, que consegui aceitar. Receber a notícia de que era filha de Lilith foi fácil, pois já tinha notado traços de personalidade, bem semelhantes aos da deusa antiga, que ao contrário do quê a maioria pensa, não nasceu de um mito Judeu, mas sim Sumério, sob o nome de Kiskill-Lila, a filha legítima da deusa Terra, ou Antu, também conhecida como Tiamat, pelos Babilônicos. – Então sei que Lilith não é a deusa suprema, e também que não foi criada para o Adão.

    Lilith era uma deusa lasciva, hipersexualizada, que seduzia os homens, para torturá-los. Tinha ódio da humanidade, por ter sido substituída, por uma mulher inferior. Gerava abortos, para não mandar suas crianças sagradas, para este buraco conhecido como planeta Terra.

    Eu a admirava, me sentia como ela, sentia seu poder em minhas veias, e gostava muito da sensação. Mas como disse antes a verdade não é algo que tapa buracos, por isso tinham aspectos negativos, sobre ter o seu sangue.

    Meu impulso agressivo era muito forte, meu desejo sexual também, ás vezes manipulava as pessoas para o benefício próprio e nem percebia, e pior fui inclinada a uma vida pecaminosa de traição, que por muito esforço, não foi física. – Com exceção ao homem com o qual sou casada, mas ele era meu amante, e não o traído.

    Além disto, como carrego duas naturezas divinas em meu DNA cósmico, tenho peso de consciência sempre que pratico atos de maldade, com aqueles que não deveriam receber a escuridão de mim. – Mas os que a merecem, ou esqueço, ou me vanglorio da vitória.

    Saber destas e outras coisas, foi um enorme desafio, principalmente porquê não entrei no caminho, achando que era um ser celestial ou demoníaco. Apenas o fiz para entender, porquê minha família toda, possuía um passado de histórias fantásticas ou sombrias, e coisas estranhas aconteciam comigo desde criança.

    Quando bebê, meu andajá  se ligava sozinho de madrugada, e isto causou tamanho pavor nos meus pais, que estes queimaram o objeto. Já um pouco mais velha, quando me irritava as coisas caíam sem tocar, se sentia muito ódio, os eletrônicos pegavam fogo perto de quem me magoou, ouvia passos há metros de distância, encontrava objetos perdidos através de sonhos, e literalmente deslocava  meu espírito de um mundo para o outro. – Na infância entrava numa espécie de transe, que me levava para uma dimensão, onde os belos eram maus, e os seres horrendos me protegiam, mas não sabia o porquê. Assim como costumava dizer que o bicho papão era meu amigo, muito antes de lançarem filmes sobre o tema ( quando o entretenimento era voltado para bom é bonito, e mal é feio.) Tal capacidade assustava a minha avó materna, que me pegava falando “sozinha”, e acusava que eu conversava com demônios.

     Como se isso não fosse o suficiente, quando estava na quarta série, e estudava numa escola de esquina para o cemitério, chamada Guanabara, cheguei a me deparar com o mundo sobrenatural, e creio eu que a própria morte, pois era um ser de mortalha negra, que apareceu em meio a penumbra, iluminada por pequenos raios de sol, depois de ter me encontrado com torneiras, que se abriram sem o auxílio de mãos alheias. Não fiquei lá para conversar, tinha 10 anos na época, por isso sai correndo, e ao entrar em contato com meus colegas, tentei não parecer que tinha medo, ou visto algo. Dentre outras histórias, que vieram depois, mas que se eu citasse seria difícil de crer, então vou parar por aqui.

    Quando me abri para o satanismo, não tinha a intenção de ser uma das filhas de Satã, ansiava apenas por ser uma soldada, que guiaria as pessoas para os seus devidos caminhos.

    Por isso ao ser confrontada com visões, e gente muito mais surtada do quê eu mesma, acabei por duvidar de tudo. – “Ah tah eu sou filha de Lúcifer e Lilith, e a herdeira do Inferno, Aham, acredito” ou “Este é o cúmulo da infâmia”. “Tanta gente lá fora, querendo isso, e eu aqui apenas seguindo a minha jornada sem acreditar que sou eu.” “Por quê Lúcifer e não Satã?” – Relembrando que na época via-os como gêmeos negros, não uma totalidade de opostos complementares.

    Não foi algo simples, e pra piorar fiz uma cota de inimigos, que achavam que eu não era digna. – E não ligava muito, pois também concordava com isso, só brigava quando se tratava de mim, não da minha suposta “herança”.

    Até hoje sigo duvidando, mesmo que bem lá no fundo, saiba que é verdade, e que aceitar isso é o melhor caminho. Só que sou muito cética, para abraçar tal fé sem provas mais consistentes, e outra eu nunca quis sentar no lugar de Lúcifer, só de está na sua presença, com meus dragões, e meus aliados, já me sentiria feliz. –Apesar das reservas, que tenho, por ele ter interferido para que soubesse, como era ser a ovelha negra da família, e iniciar uma conquista, com apenas as asas e a essência. Todavia há sinais de quê sou da sua linhagem, e vou citá-los, para quê fique claro, quando alguém é um filho, e quando não é. São eles: 

     Nascimento que parece milagroso, mas é maldito: Quando minha mãe engravidou, ela teve rubéola, e o caso foi tão grave, que o médico mandou-lhe me abortar, mas ela se opôs a isto, e fez promessa a uma santa, para garantir minha segurança, e vim saudável. — A igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quase pegou fogo em 2013, quando houve um incêndio de grandes proporções em Macapá- AP, que foi inclusive noticiado no jornal nacional, mas a causa por muito tempo, foi um mistério insolúvel.

     O meu número da sorte ligado a data do meu aniversário: 15/02/1995 foi quando nasci, e 15 é o meu número da sorte desde criança. – Afinal ganhava festas e presentes. O mesmo dígito é considerado o número do Diabo no Tarot. Além disto se somar todos os algarismos de maneira cabalística, resultará em 5, que lembra o pentagrama, um símbolo bastante comum na magia, e o 1,5 é uma das partes presentes da Deusa Babalom, de Aleister Crowley, representada em sua totalidade por 156.

     Os fenômenos de 15/02: O dia é marcado por grandes eventos históricos, ligados a Nova Era, e ao mesmo a antiga. É no dia 15 por exemplo, que comemora-se a Lupercália, o “dia dos namorados pagão”, em que se celebra Lupercos – que é tido como uma das faces de Lúcifer na Itália – e o dia da fundação de Roma. Foi também no dia 15, que logo após o Papa renunciar, um meteorito caiu na Rússia, e muitos acharam que era um sinal apocalíptico. Desde então no mesmo dia: O exército de fanáticos, chamados de gladiadores do altar se levantou – Estes são responsáveis pela destruição ilegal de terreiros.  Até o material midiático foi direcionado para o caos do fim do mundo. Procure pela série mais assistida por quase um mês: The Umbrella Academy que foi baseada na HQ da Dark Horse, e Doom Patrol, um dos poucos sucessos da DC comics. – Que a propósito, fazem parte do meu gênero favorito de programação, e soou como um presente. Mas você já deve saber, afinal o oculto influencia a mídia... e o resto já deve ter gravado não é?

     Sinais físicos: “Os olhos são a janela da alma”, já dizia o ditado popular. – Embora tenha nascido sem uma alma, meu espírito segue me precedendo. Portanto vez ou outra, os olhos se alteram de maneira expressiva, (quase inumana em alguns casos).

     A minha descendência física: É evidente que carrego uma grande herança Africana, mas o quê poucos percebem, é que a minha forte ligação é com a Itália, inclusive meu sobrenome é dessa origem, e tenho parentes originalmente italianos. Por quê é um sinal? Lá é único lugar onde as bruxas cultuam, e aceitam que Lúcifer teve uma filha enviada a Terra, e também o primeiro local do mundo, onde ouviu-se o nome do Deus Romano. – E eu não sabia disto até 2016. Quando tive um sonho, sobre ter ficado adormecida por 500 anos, que me levou até um conflito na terra da minha descendência de sangue, onde até mesmo encontrei, uma música relevante ao meu nome secreto em 2013. Mas nunca tinha pesquisado mais a fundo, até aquele dia, quando tive o estalo “E se eu focasse na minha magia hereditária para me desenvolver?”.

     A falta de empatia satânica: Lúcifer não é aquele que se diverte entre os demônios, é o quê os mantém na linha, então é normal, que muitos demônios, ou espíritos perturbados, tenham aversão a mim, pois sou filha do “carcereiro da prisão cósmica”.

     Poderes, que podem ser terríveis ás vezes: Odeio ferir pessoas inocentes, mas por vezes a minha ira, se manifesta de tal forma, que consigo interferir neste plano. – Se você é um de nós ou dos nossos, sabe bem a que me refiro.

     A ausência de Lúcifer e Lilith: Eles são deuses, tem seus afazeres, não podem ficar me mimando a cada 24 horas, só porquê vim deles. – A não ser que eu necessite exclusivamente de sua proteção. No entanto é mais fácil enviarem guardiões, antes de tomarem partido, pois querem filhos fortes e dispostos a lutar.

     Loucura racional: Não pertenço a um lado, estou ligada ao todo. Conceitos separativos pertencentes a humanidade, me parecem antiquados. “Magia não pode se unir a Religião” é o tipo de frase que me faz rir por exemplo.– Mas sigo respeitando cada crença, assim como quero, que a minha seja respeitada.

     Relatos autênticos: Devido ao conhecimento sobre os grimórios – e a grande quantidade de gente cética sobre quem sou – registrei tudo datado num site, que serviu como meu diário por um tempo. O nome do mesmo é: Os pensamentos infernais de Carry Manson. – Tenha em mente que na época eu tinha 18 anos, havia acabado de aceitar que era a primeira filha de Lúcifer, e meus textos soavam completamente insanos (e até vergonhosos.) Além disso há os livros Sobre mim de 16/05/2018 e The Angel In Earth de 28/05/2019 no site da Autores, onde podem ler melhor sobre a minha história, e tirarem as suas conclusões. – Os conceitos apresentados acima, são apenas para diferenciar a fantasia do verdadeiro.

    Queria dizer que a verdade é o máximo, um conto de fadas, ou tudo o quê aparece na TV, em quê do nada os esquisitos se tornam legais, e imediatamente são reconhecidos como os maiorais da história da Terra. Mas não é assim que funciona.

    Diga que é filho de um Deus, e prepare-se para as risadas, insultos, e pessoas que imediatamente se acham melhores que você.

    Levante-se contra aqueles que não tem consciência, e eles vão apontar o dedo, achando que surtou, e se por acidente acabar os machucando, farão a tua caveira.

    Estou revelando sobre mim, não para que venham tirar satisfações mais tarde. – Mas se quiserem tenho muito mais material para provar quem sou.  – E sim para lhes mostrar, que há sim semideuses entre os humanos, e que nem todos pertencem ao 90% dos mergulhados em mentiras, somente para aparecer.

    Vocês não estão sozinhos. Eu posso ouvi-los, e acreditar em suas histórias, se forem sinceros sobre o quê houve. – Quem realmente é, percebe as inconsistências dos fatos, por isso é mais fácil saber, quem carrega a mesma dádiva ou maldição.

    Cada de nós tem uma missão, seja ela grandiosa, ou parte de um grande plano, e seria bom que nos apoiássemos, pois o universo é grande o suficiente para quê todos consigamos, alcançar a merecida glória. – E isso vale para humanos e predispostos.

    Acham que apenas por ser filha de Lúcifer e Lilith, sou uma criatura suprema e imbatível? Não, não é por aí. Há os filhos que nasceram da própria Tiamat ou de Apsu, e outros Titãs, que são muito mais poderosos. – No entanto ter muita energia, não significa  automaticamente, que sabe usá-la.

    Capítulo 7 – DIY MÁGICKO

     DIY é um conceito em inglês que significa Do it Youself, ou Faça você mesmo, e foi adotado por alguns grupos dos E.U.A que preferem fabricar seus materiais, e se abstém do uso das grandes marcas conhecidas. É claro que tal ideal parece implícito para muitos, e embora haja uma corrente chamada Magia do Caos,  que foi desenvolvida Austin O. Spare, e trabalha com isso de maneira bem expressiva, é importante que saiba como praticar.

    Você pode naturalmente criar feitiços, rituais, e cerimônias, para cultuar o teu deus, e lhe mostrar a sua devoção. Mas infelizmente há leis que por hora são permanentes.

    Não adianta por exemplo usar um baphomet para fechar um portal, quando o mesmo é usado a décadas por diversas seitas satânicas, para invocar os príncipes infernais.

    Assim como não adianta tentar invocar um demônio, atribuindo energias negativas ao pentagrama, que há muito tempo é considerado pelas bruxas, como um símbolo de proteção. – Pode até funcionar devido o grande descaso da sociedade, que segue achando que é o símbolo do Diabo, mas a entidade em questão vai rir de você.

    Sempre crie meios de se proteger, mesmo que seja na hora de criar um servidor – No caso da Chaos Magic. – Você pode ter a linhagem dos demônios, sem saber, e atrair um ser de luz, que tenta te destruir, somente porquê tu nascestes como determinado herdeiro. – E vá por mim, luz não significa ausência de combate violento.

    Verifique as condições ideais para realizar a prática mágicka. – Não só a atmosfera mística, como a física também.

    Se a lua é negra, e não condiz com o teu objetivo, evite-a, ou vibre de acordo com o instrumento, de onde saiu o acorde.

    Se o tempo está ruim, (e você não foi responsável), vivem te perturbando, e tudo parece dá errado no dia em questão, já tem a resposta para o teu intento, que é: Não. O universo está se manifestando contra, então fica por sua conta e risco. – Caso queira ir adiante.

    Procure conhecer os presságios. O chamado do universo é comum, por seguir um padrão lógico de repetições, que foge do binário computacional 0 e 1, e passa a ser 0,0,0 ou 1,1,1 – Quanto mais frequente, mais chances há de ser o Cosmos falando de maneira silenciosa. – Será um alerta, se Todos os itens estiverem presentes:

     Números: Números iguais, são portais de consciência – e energia mágicka – se abrindo. Mas quando surgem várias vezes, em conceitos diversos, é bom avaliar o quê significam através do estudo da numerologia, cabala, e gematria em geral.

     Sonhos : O plano onírico é um dos mais interessantes, pois revela sobre o mundo, que há dentro do ser. – Freud estudava os sonhos, para compreender melhor seus pacientes, e você também pode, embora o método não seja recomendado, pois dificilmente será objetivo para ter resultados plausíveis. Além disto, se o indivíduo está conectado com o oculto, tem a capacidade, de prever as linhas dos próximos acontecimentos. Assim sendo deve-se avaliar, quando um sonho, é apenas sonho, ou um sinal. 

    Por ex: Se você tem tido sonhos com elementos semelhantes isolados. Como: a presença constante de pregos em evidência. O resto do contexto se aplica a ti, mas a presença dos pregos é um comunicado. – Como se fosse um código morse do Universo.

     Frases incomuns: Sejam de ameaças, ou que transmitam segurança. – Devem ser avaliadas, se sentir algum tipo de calafrio na espinha, quando as ouvir. Não importa se é da boca de um estranho, na tela do pc, ou em uma canção, pesquise sobre a questão, e tente decifrar o quê significa.

    É relevante salientar que o Padrão Ressoante é a chave, e que embora tenha citado apenas 3 exemplos, o fato de o presságio acontecer 3 vezes, não é o suficiente para se definir como um sinal. Será um sinal, se houver persistência do oculto em te mostrar a mesma mensagem, do contrário pode ser somente uma bela coincidência. A(o) Bruxa (o) saberá intuir a partir disso, e definirá se quer seguir tal caminho, ou optar por outro.

    Respeite as Leis Antigas, apenas atribua algo condizente a tua personalidade no Culto a teu Deus.

    Se lá no teu grimório diz que deve usar a violeta, use a violeta, não o  eucalipto – Com exceção a sacrifícios humanos e de animais, sem razão lógica. Como por ex: Mate um carneiro para o deus, e se livre do cadáver. (Se for para matar um bicho, que seja para deleitar-se da sua carne, ou trazer alívio para alguma dor.)

    Siga os antigos, estude-os, respeite-os, mas adore somente aos deuses. – Não trate grandes nomes da vertente da magia, como se fossem a entidade a que te dedica. – Por ex: Aleister Crowley Não É Um Deus Supremo. Em vista disso não haja como se fosse. ( Leia seus escritos, mas sempre com a consciência crítica, do quê condiz com a tua realidade.)

    Você pode imitar alguns rituais, feitiços, e poções. Mas o ocultismo é o campo da criatividade, então quando estiver pronto, inove, entregue-se, e DIY (Faça você mesmo) – Não é porquê fulana usa sempre os métodos 100% tradicionais, que tu devas utilizar também, afinal para ela pode ser fácil, arrancar a cabeça de um cervo, e para ti não.

    Como é errado falar de um ideal, sem aplicá-lo na vida, a experiência que lhes trago é a minha própria língua, que batizei de Lovlicos, pois me baseei em escritos de H.P Lovecraft, e nos sinais da linguagem cósmica, e ela consiste em: 

    Alfabeto tradicional  português- BR. 3 Palavras abreviadas com 3 siglas no total.

    III. Formação de frases, com no máximo 3 sentenças.

    Dicção forte, com acentos ocultos, que somente 

    quem já presenciou os mistérios do universo, 

    consegue aplicá-los.

    Timbre doce para o uso benéfico, timbre

    sombrio, beirando o demoníaco para o

    maléfico.

    Ex: 

    Em português é: 

    A lua brilha sem parar

    Em Lovlicos é: 

    Alub separ

    Em português é:

    Sim e não, talvez

    Em Lovlicos é:

    Sie nata

    Em português é:

    Não vou

    Em Lovlicos é:

    Navo

    Parecem palavras de uma raça antiga de alienígenas – ou com os Enn’s demoníacos que conheci ano passado. Mas é apenas um sistema simples, que apliquei aos meus rituais, e até agora rendeu bons resultados. – Ainda que alguns fatos tenham me assombrado, pois apesar de não ter uma egrégora forte (por ser minha criação) é uma expressão muito poderosa. – A melhor explicação, é que o cérebro se impressiona com coisas estranhas, e o uso das mesmas, intensifica o poder mágicko.

    A intenção aplicada nela pode variar, mas pelo que percebi com as minhas experiências e análises, é uma força que mexe com a ordem mundana, e traz a tona o quê é considerado impossível. – Tanto pro bem, quanto pro mal.

    Fora a Lovilicos, também realizo meus próprios rituais, baseados na filosofia com a qual tenho mais afinidade. – Uma qualidade, que me fez inclusive criar uma seita chamada Sees- Seguidores da Estrela, que obviamente representava Lúcifer, mas para acessá-la bastava acreditar em algo. -  Através dela introduzi algumas pessoas no mundo místico, após comprar-lhes a sua alma. – Quando acreditava em tais falácias.

    O Sees tinha um propósito comum: Realizar desejos, sejam eles nobres ou atrozes. Assim como também gerava consequências, para aqueles que traíssem o círculo.

    No total formávamos 4 componentes. Todos os membros eram femininos, e a nossa crença no poder oculto, era tão grande, que quando nos tornamos A constelação – O quê uma sente, as outras também. – O efeito foi imediato.

    Da mesma maneira que quando uma das moças, escolheu um homem, em vez do círculo. Acabou possuída, e tentou matar o seu amado, diante dos familiares. – Tinha 16 anos na época, e até chorei, me sentindo culpada, por um demônio tomar-lhe posse. – Nem sempre ter poder, é um sonho, na maioria das vezes parece mais um pesadelo. (Ao menos para mim.)

    Nossos rituais incluíam derramamento de sangue, como prova de lealdade, e devorar as doces frutas do cemitério, onde nos reunimos para realizar nossas práticas ocultas. – Que fique claro, não tolerava sacrifício de animais, o fluído da vida, vinha das moças, que faziam parte do círculo.

    Era pura brincadeira de criança, como uma versão da vida real de jovens bruxas. – Mas não cheguei a me tornar uma maníaca como a Nancy, apesar de me vestir como tal.

    Tivemos poucas reuniões, pois após chegarem as consequências, duas garotas, queriam pular fora. Uma perdeu o namorado, e a outra começou a ver as sombras, e isso lhe fez ter medo de onde colocava o pé. Então só restou eu e outra garota, que me apoiou por um bom tempo. – E até me ajudou quando minha vida ficou em risco, após romper o círculo de vez.

    Lembro-me do nosso último encontro. Foi o mais marcante de todos, pois ali tive o primeiro vislumbre da vida passada. – Fomos até o cemitério, e lá um estranho homem de chapéu branco, e camisa vermelha nos recebeu, fazendo perguntas interessantes, a respeito de estarmos ali para passeio ou trabalho, e nos avisou para tomar cuidado com as visagens (termo para espíritos) minha companheira riu, disse temer só os vivos, e eu disse que a morte era uma escapatória para os covardes, frase esta que não saia da minha cabeça.

     Ao ouvir a minha resposta, ele fez uma reverência, e sumiu no meio do matagal. Após a sua partida, as sombras começaram a ganhar forma, e tanto eu, quanto a menina vimos coisas. Primeiro vi uma mulher enforcada no topo de um pinheiro, por um cipó cheio de espinhos, e logo deduzi que era uma bruxa. Em seguida seu corpo sem vida caiu, e um ser de chifres meio homem meio touro, veio para recolhê-lo. Tão grande foi a minha surpresa, ao ver como ele a pegava nos braços. Não a arrastava para o inferno, nem levava como um pedaço de carne, parecia mais que era a sua noiva, e tinha um aparente carinho por ela. – Conseguia sentir que aquela imagem, era um retrato da minha vida passada, e aquela conexão era fantástica. – Ambos desapareciam na névoa, e 7 ou 8 rostos, não lembro ao certo, apareceram, sendo 5 femininos e os restantes masculinos. Nós voltamos para a causa da minha amiga, e acabei por desmaiar sem razão aparente.

    Mais tarde a noite, quando estava sozinha em meu quarto, vi que haviam várias sombras chifrudas ao meu redor, e as mesmas pareciam que iam sair das paredes. – Isso me deu um calafrio tão grande, que naquela noite, resolvi dormir no sofá. – Neste tempo nem imaginava que era a herdeira de Lúcifer, então não tem como ser algo influenciado por tal descoberta, que veio acontecer no ano seguinte, e só foi aceita, quase 2 anos depois, pois precisei analisar toda a gama de fatores, para poder aceitar tais fatos.

    Então tome muito cuidado com o quê aplica no seu DIY mágico, pois tudo o quê fizer, expressará a sua real natureza. – É por isso que estou lhe dando estes conselhos de maneira direta, pois apesar de ser uma conhecedora dos mistérios, com grandes saberes, por ter estudado sempre sozinha. Queria que alguém tivesse me dito estas palavras, para evitar todos os desastres que aconteceram.

    A magia independente do quê faça, sempre trará consequências. Mas não é como colher o quê plantar, e sim por causa do valor que atribui a tua responsabilidade pelos atos. Portanto sempre pratique, somente aquilo que a sua consciência é capaz de suportar, do contrário além de ser taxado como louco pela sociedade, vai realmente acabar como um. – Ouça esse conselho de quem foi recentemente diagnosticada com transtorno de personalidade, após inúmeras tentativas de suicídio e agressão, antes de conhecer formas de lidar com a própria escuridão.

    Capitulo 8 – A bruxa que vive entre os santos e os pecadores.

    Viver em sociedade é uma tarefa difícil para um bruxo. Sabemos de tantas coisas maravilhosas, e verdades indizíveis, que nos sentimos criaturas superiores, que precisam interferir na jornada dos demais, para que experimentem de toda a beleza ou conhecimento que adquirimos. – Isso é inegável, mesmo que sirva a luz da magia, e diga que acredita que todos são iguais, a igualdade não é a resposta para o quê quer.

    Imagine que todos no mundo são lagartas, e que algum dia se tornarão lindas borboletas. – Se você interferir no processo, eles certamente morrerão, antes de conseguirem sair do casulo. Este é um exemplo que li em Lex Satanicus, e achei algo absurdo na época, mas hoje percebo que é o melhor a ser feito.

    Assim como as pessoas, podem ser simbolizadas como insetos majestosos, também podem ser descritas como música, e cada uma tem um ritmo ou melodia própria, que pode ou não agradar os nossos ouvidos. – Portanto procure sempre andar, com aqueles que tem um ideal em comum contigo.

    É lindo abraçar as diferenças, mas uma coisa é aceitar o outro, outra bem diferente, é querer ser como ele. – A verdadeira beleza do mundo, não está em rostos padronizados e iguais. Mas sim em suas peculiaridades. O quê quero dizer com isso? Seja fiel a ti mesmo, e se aceite acima de tudo, não tente se adequar aos demais, somente porquê eles não te aceitam. Procure pelo teu próprio nicho, pois não importa qual seja, sempre há um espaço para ser ouvido. 

    Evite se expressar em sociedade, se não aceitam a tua crença mística. – Não é porquê você respeita os outros, que eles farão o mesmo por ti. – “Mas Lux você falou para não me adequar aos demais!” Sim, e não se adequar, significa ser leal aos teus ideais, não importa o ambiente em que se encontra. – Eu sou bi, e mesmo em meio aos héteros, continuarei sendo, não importa o quê digam. E se encontrar aqueles que me apoiam, me abrirei e direi a verdade, se não, seguirei em silêncio, pois o mundo é um lugar perigoso, e há aqueles que em seu fanatismo, apenas precisam de um “A”, para virem para cima. – E não quero mais responsabilidades por danos aos outros. É uma questão de sobrevivência.

    Enfiar nossas crenças na goela alheia, é como forçar a pessoa a aceitar nossas filosofias. – Eu sei que funcionou para os cristãos, mas o medo é tão eficaz, que hoje os fiéis se uniram a outras crenças, por não aceitarem a intolerância religiosa. Então o temor, embora funcione, não se compara a força do amor pelo quê se faz. Por isso se quer mesmo trazer, alguém para o seu lado – Vá na mãe de santo mais próxima, e coloque o nome da pessoa numa roda. Brincadeira!

    Tente explicar-lhes sobre a sua fé, e quando for confrontado, apenas faça comparações, que o ajudem a perceber que no fim seu amor pela divindade, não é tão diferente, do quê o quê sentem por Cristo. – Sua vida está tão difícil por quê não larga dessa tal magia e abraça o nosso senhor? Já me disseram e respondi Da mesma forma que você ama o seu senhor, apesar das dificuldades, eu também amo a Lúcifer, e assim como tu se identificas com Cristo, eu me sinto mais confortável andando com o deus romano. Foi o suficiente para seguir em paz, nunca mais tocou-se no assunto, e a amizade seguiu  a mesma.

    Não tente humilhar ninguém, a não ser que a pessoa realmente mereça tal castigo. – Eu pessoalmente odeio “lacrações”, porquê é algo desnecessário para sociedade, e trata-se de gente, que quer “arrasar” apenas repetindo o discurso alheio, como se fosse uma verdade absoluta. A pessoa aparentemente refletiu sobre algo, mas no fundo não se deu o trabalho de questionar, e apenas uniu a ideia do autor, a coisas que ouve no cotidiano. Chega a ser – me perdoe pela expressão – Patético, pois a preguiça intelectual se torna mais do quê evidente. – Por isso fica a seu critério Expor a sua ideologia ou não–  Mas lembre-se Bruxos (a) de verdade, não tomam os problemas da sociedade como seus. – Eu sei soa frio, todavia é assim que funciona, pois devido a enorme gama de poder, que um ser desses possui, se ele coloca as suas emoções em jogo, certamente isso traz consequências, que dificilmente são agradáveis. Hoje destrói um ditador, amanhã impede o seu país de prosperar, e todos acabam na miséria por exemplo.

    Não estou dizendo,  que não deve defender aquilo em quê acredita, estou apenas esclarecendo, que precisa ter noção do quê defende, antes de ir as ruas ou redes sociais. – Não seja mais um papagaio da fé, e somente parta para a guerra, se o conceito do outro, realmente te ferir, de uma forma, que precisa colocar todo o ácido para fora. – Este livro não é para passivos, ou atacados, mas sim guerreiros que sabem quando devem erguer a voz.

    Isto nos leva a um tópico interessante. Não ataque a tudo e todos, apenas porquê não te aceitam. Aprenda a si amar, e não ligar para opiniões repulsivas. – Não ligar mesmo, ou seja ouvir, e entrar por um lado e sair pelo outro, sem sair por aí dizendo “Eu não ligo! Não adianta tentar me atingir! Pois não vai conseguir!” já que se o fizer, estará claramente agindo de maneira contrária, ao que disse.

    Aprenda a controlar a sua raiva, ou ela te controlará. – Não haja por impulsos, pois isto pode custar muito caro para você, ou os seus colegas. – A ira nos faz ter pensamentos num segundo, cuja responsabilidade pesa por uma década.

    Haverão muitos grupos, que exaltarão a fúria, e te dirão para destruir tudo e todos. Mas não te falarão, que você pode ferir alguém gravemente, ou até mesmo matar o alvo escolhido. – Porquê a maioria que venera estas forças, não se dá ao trabalho de conscientizar os seus do perigo.

    Aprender a controlar a sua raiva interior, não te fará mais fraco. Mas sim capaz de realmente arrancar o coração, de um inimigo velado, sem sequer se importar se isto pesa ou não na consciência, pois terá ciência, de quê se chegou a tal ponto, foi algo necessário, e será mais difícil de se arrepender. Só que se o fizer, apenas por causa de um segundo de raiva, a culpa mais tarde vai te consumir, e caso isto não aconteça, sugiro que vá urgente ao psiquiatra, pois a sua falta de empatia, é algo assustador.

    Aceite a natureza, e a proteja, não tente modificar a ordem das coisas. – Nós somos carnívoros, está no nosso DNA, desenvolvemos caninos para devorar carne. Se você quer cuidar da natureza, comendo apenas frutas e vegetais, tudo bem, mas não venha tentar obrigar os outros a seguirem a tua doutrina. – Cada um em seu nicho lembra?.

     “Um leão pode devorar um ser humano, mas o ser humano não pode devorar o leão”? A onde isto é natural na cadeia alimentar? Por quê o leão tem que ser superior ao homem, em vez de haver um termo de igualdade entre ambos? A ciência não tem dito a anos, que o homem tem parentesco com os primatas, e logo é um animal também? – Eu sei isso pode ser desagradável, mas o natural não se baseia em veados e leões, andando lado a lado como amigos, da mesma forma, não pode acontecer com os humanos e os seus irmãos animalescos. Não importa se é racional. A falta do instinto caçador, nos torna dóceis, e mais fáceis de sermos manipulados por entidades obsessoras. – É claro esta é a minha opinião, escolher seguir ou não é de você, mas antes de sair levantando bandeiras a favor do meio-ambiente, pelo menos conheça o quê defende.

    Isto significa que eu, Lux Burnns, sou um monstro, a favor da caça por diversão, e outros meios de entretenimento humano, que humilham os animais? Não, o preto e branco, não se encaixa a mim. Uma coisa é respeitar a natureza, outra é usá-la como posse, da maneira que bem entender. – Por mim as fábricas de comida, deveriam promover o abate misericordioso, semelhante aos dos banquetes de festividades africanas.

    Sempre respeite a crença alheia. Você ama Odin e seu parceiro a Lúcifer. Mas e daí? Cada um segue a divindade que desejar, e aprende com a mesma. – Novamente lembre-se da metamorfose da borboleta, se mexer no casulo, ela morre.

    O mesmo vale para os seus pais. Se você vive com eles, lhes deve muito, por te darem um teto, comida, e as vezes até roupa lavada. Então não os desafie, ou os desmereça por causa de crenças diferentes. Vocês são de tempos diferentes, foram colocados juntos, para aprenderem uns com os outros, não se destruírem. – Seja maduro, saiba argumentar, e lutar como um nobre, pelo seu ponto de vista. Se agir assim, eles provavelmente verão, que a tua filosofia está te tornando alguém melhor, e que não precisam se preocupar. Agora se sair berrando, quebrando os móveis da casa, batendo a porta do quarto, mesmo que eles só queiram conversar, tudo o quê vai ganhar com isso, é mais abordagens, que demonstrem medo do caminho que está tomando. – Falo por experiência. Iniciei minha vida mágica da pior forma, e só depois que adotei esta postura, por causa de Anton Lavey, a guerra em casa acabou. Rebeldia com causa é algo louvável, mas rebeldia por rebeldia, nada mais é que tolice. – Se eles  ainda sim, não permitirem que faça os cultos dentro de casa, vá para fora, se for ruim, procure algum canto seguro, onde possa praticar, sem causar problemas em seu lar. – Nem sempre será um método efetivo, mas é melhor ter aliados dentro de casa, do quê inimigos.

    Por fim sempre tenha em mente, que sentir-se superior, não significa ser superior. Para torna-se assim, terá que ter atitudes que condizem com tal postura. – Não me mande beijos de luz, se a sua única intenção é me queimar. GsolitaryDevil.

    Capitulo 9 – Os Deuses e o Fim da farsa da realidade dualística.

    Este é o fim da sua jornada comigo, e o ínicio de algo ainda maior. Como disse lá no início, há autores infinitamente melhores, e não estou aqui para me apropriar dos seus cargos ou teorias. – Apenas estou apresentando-as com uma linguagem mais direta, para que saibam exatamente o quê praticam, de acordo com a interpretação aceita por outros ocultistas. 

    Até aqui temos trabalhado sobre as grandes causas sociais, que afligem a comunidade mística, e muitas vezes defendi que a realidade não é dualística. Mas para fechar este pequeno guia, me aprofundarei nesta questão com uma explicação mais extensa. – É neste ponto que você vai decidir, se quer continuar sendo ocultista, ou prefere tomar o caminho mais simples, adotando alguma religião por exemplo.

    Desde que éramos jovens, nos ensinaram a dividir o mundo entre homens e mulheres, bem e mal, fogo e gelo, guerra e paz. Nossos pais – na maioria das vezes – nos diziam “No mundo há Deus que é o bem, e há Satanás que é o mal. Deus é luz, Satanás escuridão. Deus é água, Satanás é chamas.” 

    Apesar de não discordar, dos conceitos acima apresentados – com exceção a Deus ser luz, mas é pessoal – creio continuarmos a segui-los é errado. Já aprendemos muito sobre as duas metades, então por quê deveríamos continuar trabalhando-as de maneira separada? 

    Está certo, a iluminação é importante, mas as sombras também são. É preciso que haja um ou o outro, para quê o todo exista. Não adianta tentar tirar um dos números da equação, senão dificilmente encontrará o valor de X ou Y.

    Devido a minha conexão cósmica, estudei não somente astrologia, como astronomia, física, e biologia. Pensei a príncipio, como muitos magos, que era apenas uma imposição social, para nos manter ignorantes perante a verdade do universo. Mas foi então que percebi, que a culpa da divisão não era dos cientistas, em sua maioria religiosos, e sim dos novos filósofos da internet, que empregam o conhecimento científico, apenas para atender os seus próprios conceitos mesquinhos.

    “Deus não existe.” Dizem todos os ateus, que esqueceram-se de questionar, adotando uma conduta massificada, e muitas vezes tomam como prova inconstetável, as palavras de grandes pensadores, que foram queimados como hereges. Oras meus amigos, se Deus não existe, naturalmente nada mais do mundo místico é real também. Inclusive Lúcifer, Odin, Hel, Osíris, Ísis, Seth, Zeus, Deméter, Amon, Baal, Krishina, e vários outros deuses, pois se o suposto supremo não é real, o resto dificilmente pode ser considerado como tal. O velho barbudo de sandálias que conhecemos, nada mais é do quê uma imagem criada por homens, que compilaram antigos escritos, num livro chamado bíblia sagrada. – Então quando se entrega a crença, de adorar o Deus do impossível, você indiretamente está se conectando com alguma destas divindades do velho mundo, por isso o uso de versículos, para atingir determinados objetivos.

    Espera Lux Burnns, filha de Lúcifer e Lilith, neta da gigante Tiamat, você está sugerindo que devo me converter? Calma! Não, isso jamais. Alimentar a ideia de quê este deus é supremo, é o quê torna ainda mais forte, não lembra? 

    Só que também não se pode descartar o inegável, de quê esse grande mosaico mal feito, também é parte da nossa cultura, e que desprezar alguns dos seus fatos, é o mesmo que massacrar a própria doutrina. – Por isso se prender ao lado A ou B, é errado. 

    “Ah mas a deusa x é maior que o deus y.” ou “O deus y é maior que a deusa x” Já chega de se prender a isso. Queres realmente acessar o poder máximo, nesta realidade limitada? Então pare de abraçar apenas a causa que te convém, e aceite que o quadrado é feito de dois triângulos, ou o círculo é formado pela união dos mesmos. – O quê isto significa? Que a realidade não se resume, a deuses C e D, e que não é necessário comprar as suas brigas, para que adquira o seu respeito, ou realizem os seus objetivos.

    Nem mesmo estes deuses são originários do príncipio feminino ou masculino, mas sim da união de ambos, que nasceram do verdadeiro ser supremo, que não é Jeová, Cerridween, ou nem mesmo Tiamat, apesar do quê muitos acreditam.

    Se você é iniciante, será um choque, mas a realidade precisa mostrada desde aqui, para que entenda a perda de tempo, que é lutar apenas de um lado. Então prepare-se, pois a origem do universo, de acordo com os antigos, lhe parecerá absurda, se ainda continua abraçado apenas a positivos e negativos:

     Mitologia súmeria

    Cosmogonia

    “Antes de todos os antes, nada existia, a não ser Nammu, o abismo sem forma. Um dia, Nammu resolveu espreguiçar-se, e novamente voltou a enrolar-se. Com esse gesto, ele criou Ki e Anu, respectivamente a Mãe Terra e o Firmamento. Deles nasceriam todos os demais deuses, o tempo e, no futuro, o homem, que seria feito de argila.”

    Superinteressante 28/05/2019

     Mitologia Egípcia: 

    Cosmogonia 

    Neterus Primordiais:

    São os deuses mais importantes os quais estão associados com o mito de criação (origem do universo):

    • Nun (Nu ou Ny): simbolizava a água ou o líquido cósmico que deu origem ao Universo.• Atum (Atum-Rá, Tem, Temu, Tum e Atem): representa a transformação de Nun, sendo considerado aquele que deu origem a explosão do Universo (semelhante ao Bing Bang) e que gerou os diversos corpos celestes, separando assim, o céu e a Terra.• Amon (ou Amun): esposa de Mut, ele é considerado o rei dos deuses.• Aton (Aton ou Aten): relacionado ao sol, ele foi o deus do atomismo que estava relacionado com o disco solar.• Rá (ou Ré): deus da criação, sendo um dos principais deuses do Egito.• Ka: força mística que representava a alma dos deuses e dos homens.• Ptah: marido de Sekhmet e de Bastet, representava o deus criador e protetor da cidade de Mênfis. Além disso, era considerado deus dos artesãos e arquitetos.• Hu: representava a palavra de criação do Universo.

    Toda Matéria 28/05/2019

     Mitologia Hindu

       Comosgonia 

    A Mitologia Hindu está fundada nos Vedas, que são os livros sagrados dos hindus. Segundo a crença, o próprio Brahma os  escreveu. Brahma é o Deus supremo da tríade hindu. Seus atributos são representados pelos três poderes: criação, conservação e destruição, que formam a Trimuri ou trindade dos principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva, respectivamente, da criação, da conservação e as destruição.

    Brahma é o deus criador de todo o universo e de todas as divindades individuais e por ele, todas serão absorvidas. Ele se transformou em várias coisas, sem nenhuma ajuda externa e criou a alma humana que, de acordo com os Vedas, constitui uma parte do poder supremo, como uma fagulha pertence ao fogo.

    Infoescola 28/05/2019

     Mitologia Grega

    Cosmogonia

    No princípio de todos os mitos, houve um tempo em que nada existia no Universo além do Caos – a mais antiga, a mais inexplicável, a mais absurda das divindades. Nenhum poeta e nenhum filósofo grego imaginava o que teria existido antes dele: era o primeiro dos deuses, a sombra de loucura e confusão que está nas profundezas de tudo o que existe.

    O Caos ocupava todo o espaço do Universo. Nele, estavam misturadas as sementes de todas as coisas futuras: mas não havia ordem alguma, apenas um turbilhão sem sentido e sem fim. No poema As Metamorfoses, escrito no século 1 a.C., o poeta romano Ovídio descreve assim a terrível divindade que deu origem a tudo: “Antes que a terra, o mar e o céu tomassem forma, a natureza tinha apenas uma única face, chamada Caos: uma massa crua e desestruturada, um conglomerado de matéria composta por elementos incompatíveis… Nenhum elemento estava em sua forma correta, e tudo estava em conflito dentro de um mesmo corpo: o frio com o quente, o seco com o molhado, o pesado com o leve”.

    O Sol não iluminava o dia, e a Lua não brilhava à noite. Não havia chão para firmar os pés, nem mar para se nadar – todos os elementos estavam misturados num caldo primitivo. E as coisas, embora sempre em convulsão, não saíam do lugar: pois não havia sequer direita e esquerda, em cima ou embaixo, Norte ou Sul, dentro ou fora. O Caos era tudo e, ao mesmo tempo, nada.

    Superinteressante 28/05/2019

     Mitologia Nórdica

    Cosmogonia

    A narrativa das Edas conta que, no princípio, não havia nem céu nem terra, apenas uma enorme abismo sem fundo e um mundo de vapor, no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte surgiram doze rios que, após longa viagem, congelaram-se e com o acúmulo das camadas de gelo umas sobre as outras, o abismo se encheu.

    Ao sul desse mundo de vapor, havia um mundo de luz, que soprando vapores quentes, derreteu o gelo que havia se formado. Esses vapores, ao elevarem-se no ar, formaram nuvens e destas surgiu Ymir, o gelo gigante e sua geração. Surgiu, também, a vaca Audumbla, que alimentou o gigante com seu leite e alimentava-se da água e sal contidos no gelo. Certo dia, quando a vaca lambia o gelo, surgiu o cabelo de um homem; no segundo dia, a cabeça e no terceiro, todo o corpo, com grande beleza, força e agilidade.

    O novo ser era um deus e dele e de sua esposa surgiram Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir. Com o corpo do gigante morto, fizeram a terra, com o sangue, os mares, com os ossos ergueram as montanhas, dos cabelos fizeram as árvores, com o crânio fizeram o céu e o cérebro tornou-se as nuvens carregadas de neve e granizo. A moradia dos homens foi formada pela testa de Ymir e ficou conhecida como Midgard ou terra média.

    Infoescola 28/05/2019

    Notou uma semelhança? É novato, e A e B nada mais são que A+B, que resulta em AB, que é a resposta sobre o quê o cosmos é. Eu detesto matemática, mas é um cálculo aceitável. Só que esta presença de uma força, que é a soma de partes, não se encontra presente apenas no misticismo, ou em algebra.

    Na física por exemplo um átomo, é formado por prótons e elétrons, que significa respectivamente o positivo e o negativo trabalhando juntos. Isto é algo caiu para mim na sexta-série, mas estava tão focada em renegar o aprendizado mundano, que não pude perceber, o quanto isto podería me ser útil.

    Na biologia há os casos de partogênese, quando uma espécie assexuada, gera uma prole. Mas isto só é possível, porquê as mesmas carregam tanto os genes xx quanto o xy. 

    Esta é a natureza meu caro, esfregando em sua face, que as espécies não são definidas por machos ou femêas, e sim por aqueles que são dotados de capacidades, para dominar o reino em quê habitam. – No reino dos insetos a louva deus fêmea, fica no poder, porquê o ambiente a tornou capaz. No reino felino, especificamente dos leões, é o leão quem comanda, e assim por diante.

    Os humanos, pré-dispostos ou não, continuam sendo animais, por isso também são livres, para definir quem é apto ou não para determinado cargo, desde que estejam cientes, de quê os gêneros feminino e masculino, atuam como formas da valor equivalente, não desigual. Já que novamente, um sem o outro, tem poder, mas os dois juntos, geram a perfeita união que representa o nosso Universo.

    Portanto não se entregue a falácias dualístas, que só agregam valor a determinado grupo. Abrace o todo, entenda-o, e perceba que a união de muitos, é o quê realmente faz a força.

    Por fim guarde isto em sua mente: Bem e mal é relativo sim. Mas uma conduta, realmente correta, pode ser alvo de piada entre os demais. Não importa, se tu segues a luz ou as trevas. Sempre que resolver pensar fora da caixa, haverão aqueles que tendem a te “apedrejar” ou “queimar na fornalha ardente”, por sua postura nobre.

    Um satanista pode sim ser amigo de um cristão. Um bruxo pode sim ser amigo de um mundano. A única coisa que me parece imperdoável, é que ambos continuem, a tentar se destruir, por comprar a briga de seres, que claramente andam de mãos dadas.

    Sem o Inferno não há quem puna os criminosos pelos seus pecados terríveis, da mesma maneira que sem o Paraíso não tem recompensas maravilhosas. Sem a Guerra, não há razão para o Amor existir. Sem a luz não dá para ver na escuridão, assim como sem um pouco escuro, é impossivel enxergar na luz. Sem o fogo para aquecer, o frio nos congela. Sem o frio para nos aliviar, o calor nos queima. Sem a lança para atacar, o escudo pode não ser mortal. Sem o escudo, não há como se defender da espada. A magia branca nos ajuda a alcançar nossos objetivos, mas a magia negra, nos ajuda a sobreviver. O tudo é o todo, e o todo é a junção de todas as metades.

    Agora a sua jornada se encerra comigo, nobre peregrino, e espero ter te ajudado a encontrar o teu cálice dourado. Pegue-o, encha-o do vinho do saber, e embriague-se de conhecimento, pois como pôde ter notado, não importa o caminho que tomares, o destino sempre será o mesmo, mas é a perspectiva do conceito, que te trará paz ou desespero.

    Com muito carinho, Lux Burnns.

  • O Fim de Escalônia I

    O Fim de EscalôniaCapítulo I
    Cena I
     Apenas quando tentou se mover e seu corpo demorou a responder foi que Ledice teve certeza, ela havia sido afligida de novo. Ela piscou com força tentando comandar a própria atenção, mesmo algo tão simples levou alguns instantes, era difícil desviar sua visão e ao mesmo tempo ela não estava olhando para nada. Quando a atenção voltou seus braços e pernas ainda demoravam demais para responder, era como se estivesse presa dentro do próprio corpo. Aos poucos a liberdade de movimentos retornou, e Ledice começou a olhar para o chão para evitar cair, ela sabia bem que naquela condição vertigens e cãibras seriam comuns. O que acontecia com Ledice não tinha um nome, ou se tivesse ela mesma não conhecia, para si ela chamava de vazio. O vazio era algo que sempre esteve com ela desde que ela se lembrava, tanto foi que apenas quando mais mocinha Ledice descobriu que a outras pessoas não sofriam apagões como os dela. Ela não pensava muito sobre o vazio, simplesmente era algo que vinha sem aviso e poderia acontecer a qualquer momento do dia, por azar ou por sorte nos últimos tempos ocorria apenas quando ela estava sozinha. Fosse como fosse, quando o vazio chegava o resultado era sempre o mesmo, ela acordaria algum tempo depois e teria de se ajustar para entender o que estava acontecendo ao redor dela. Daquela vez como em todas as outras Ledice não sabia quanto tempo havia se passado, se levasse em conta as dores e a sensação de formigamento, parecia que havia ficado em pé por tempo demais. Num estalo seus ouvidos receberam o sons constantes das ondas d’água batendo gentilmente contra as pedras ela se lembrou de porque tinha ido até o píer no lago.
    Oh! Por favor não, por favor não…
     Com medo de que os baldes tivessem caído dentro do lago ela virou-se sobre o píer, arrastando seus grandes pés nas tábuas grossas.
    Ah! Aí estão vocês…
     Ledice ficou aliviada ao ver que os dois baldes estavam a salvo e cheios, ficou mais aliviada ainda ao ver que o céu estava cinzento e a claridade direta do sol não havia surgido no horizonte. Ela então se ajoelhou, entrou debaixo da vara que ligava os dois baldes, ergueu-se lutando contra o desequilíbrio inicial e seguiu em frente, retornando para o Exarcado pela estrada entre as árvores. Acima a neblina era forte e o frio fazia doer ainda mais a sua barriga, mas ela ignorava, olhando para a terra arenosa ela se distraia com cada pedra molhada de orvalho, era como caminhar sobre uma estrada de massa de biscoitos de trufa. Deliciosos biscoitos de trufa doce, ela mal podia esperar para quando a estação da abonância viesse e ela pudesse se estufar com aquelas doces maravilhas.
    Oh! Calma garota, calma…
     Entre gemidos de dor, Ledice falava para sua barriga. Aquela dor no seu estômago roncando logo passava, mas as cólicas cortantes ainda estavam lá, para lembrá-la de apertar seu passo e trocar logo os trapos. Por causa de todo aquele frio Ledice sentia o incômodo individual naquela região de corpo, indicando que os trapos estariam úmidos e gelados. A boa notícia era que se já estava naquele ponto as dores estariam cada vez mais perto de passar, a má notícia era que ela tinha pouco tempo para fazer tudo antes de ir para a cozinha. Fosse como fosse o caminho não ficaria mais curto apenas pela preocupação, Ledice então abandonou aqueles pensamentos e para se distrair da dor, que retornava em ondas, ela buscava imaginar como a vida seria diferente se não existissem aqueles dolorosos dias de sangue no meio do mês. Melhor ainda ela imaginava como a vida seria diferente se…
    Se você jamais tivesse nascido.
     Para que se enganar? Ela tinha de admitir ao menos para si mesma que não ter nascido seria de fato um sonho. Não ter de viver a mesma história todos os dias, não ter de desejar a todo momento que nada de ruim acontecesse e piorasse as coisas, não ouvir gritos nem brigas, não ter que esquecer, não ser uma prisioneira. Se ao menos ela fosse alguém diferente, alguém com possibilidades de…
    Mas você não merece ser feliz.
    O que disse menina? Aliás, por que demorou tanto?
     Era a voz de Brami, a cozinheira, que ia e vinha retirando pães do forno e colocando sobre a mesa. O cheiro maravilhoso de pães frescos assaltou os seus sentidos. Estou na cozinha - pensou Ledice. Seria possível que ela já estivesse lá? Claro que seria, ela nem precisava pensar muito a resposta era simples, Ledice tinha sonhado acordada de novo. Outra vez ela tinha feito várias coisas sem sua cabeça distraída registrar e o que ficava era aquela sensação de atraso. Então ela não se lembrava, mas sim, ela já tinha voltado para dentro do Exarcado, feito sua limpeza e lavado seus trapos, assim que pensou nisso suas mãos frias e molhadas confirmaram a teoria.
    O que é isso menina? É sangue?
     Comentou Brami apontando para o peito dela e logo se virando, tão ocupada que estava a cozinheira com a preparação do dejejum. Ao som de conversas paralelas entre as serviçais cruzando a cozinha Ledice olhou para as pintinhas vermelhas espalhadas sobre o topo de seu vestido e parte de seu ombro.
    Não senhora…
     Disse Ledice, mas sentindo que o que estava dizendo não era totalmente verdade. Poderia ser verdade pelo simples fato de que seu sangue era amarelo e não vermelho. E poderia ser mentira, porque mesmo sem se lembrar do que aconteceu no píer quando teve o vazio ela sentia que algo grave tinha acontecido no lago. Talvez até pudesse se lembrar, se ela quisesse de verdade, mas preferia não tentar. Lembrar das coisa que aconteciam durante o vazio não iria fazer bem nenhum a ela. 
    Ainda está ai parada menina? Ajude colocar a mesa…
     Ledice respondeu sem saber o que estava dizendo, depois se moveu sem se dar conta do que estava fazendo. Uma imagem começava a ser formar em sua mente, era uma imagem horrível, uma coisa que ela não sabia nomear, era como uma árvore, mas tinha braços e pernas.
    Não… Fique aqui, você está aqui…
     Ledice fechou os olhos com força, lutando para não ver aquelas grandes mãos brancas sendo coloridas de intenso vermelho. Com custo ela olhou para o chão se concentrando em seus sapatos furados e no esfregão de base redonda.
    Por que você faz isso consigo mesma?
     Num instante o eco da voz dissipou dentro de sua cabeça, Ledice falava sozinha não conseguia evitar, por sorte nem sempre ela falava em voz alta. Uma pontada de dor em suas costas fez Ledice arquear, a base do esfregão era pesada demais. O cabo também não era longo o bastante, afinal não foi feito para pessoas com a altura dela, as mulheres mais altas do Exarcado chegavam até os ombros de Ledice e ela ainda era chamada de menina. Uma menina com fortes dores nas costas pela postura curvada. Na metade do corredor ela seguia passando o esfregão pelo chão de pedras brancas enquanto sua barriga latejava em outro lembrete da natureza. Arrastando a bacia d’água mais para perto ela se obrigou a deixar a dor de lado. Ledice tinha de admitir que ao menos nisso ela era boa, ela podia simplesmente deixar suas costas doerem, deixar sua barriga doer, deixar seu estômago roncar e viver.
     Afinal não fazia sentido deixar a dor atrapalhar sua vida, o cabo do esfregão não iria aumentar, aqueles dias de sofrimento não iriam desaparecer antes do tempo e ela teria de ficar com fome até que todos os senhores do Exarcado tivessem comido, aliás só depois que todos os outros empregados tivessem se alimentado ela aproveitaria a oportunidade de limpar os pratos para comer. Quando Ledice pensava assim, sentia que estava tudo bem, sentia que se era uma vida que podia suportar então não deveria ser uma vida ruim. Quanto mais ela pensava, mais conseguia se distrair, o lado bom era que ela já estava na segunda metade do corredor e suas forças estavam um tanto renovadas para continuar esfregando o chão coberto de rachaduras.
     Ledice não era forte, mesmo tão alta ela não tinha a mesma resistência das outras pessoas e tinha consciência disso, com a exceção de suportar mais dor do que a maioria parecia ser capaz. Um bom exemplo disso era o fato de ela nunca chorar. Realmente Ledice jamais chorava, talvez fosse uma qualidade, uma forma de resistir e esperar por algo melhor, talvez felicidade. Alegria aliás era o que seu nome significava, supondo que fosse verdade o que lhe disse o menino de pele azul. Ela o viu uma única vez, era um bom menino aquele, ao menos pareceu, pois ele falou com ela. Foi um grupo de três pessoas que passou pela sede do Exarcado, para tirar dúvidas ou algo assim, entre os três havia um menino de pele azul que tentava olhar todos os detalhes do mundo, de repente o menino parou sua atenção em Ledice. Qual seu nome? - perguntou o menino numa voz doce - Ledice - ela respondeu - Ledice? Que nome bonito, quer dizer alegria não é? - antes que que ela pudesse responder aqueles três já estavam de partida, mas mesmo à distancia o menino teve a delicadeza de se virar e se despedir. Ledice passou todos os dias seguintes pensando naquele menino, em como eles eram opostos e ao mesmo tempo parecidos. Inúmeras vezes depois ela fantasiou como seria se encontrar de novo com aquele menino azul, a possibilidade seria tão agradável que ela sorria abertamente enquanto lustrava aquelas lindas pedras brancas riscadas de preto, mas logo a realidade cortava seus sonhos diurnos e seu sorriso desaparecia, afinal ela era uma escrava. E felicidade? Se fosse verdade que seu nome significava alegria os senhores do Exarcado não poderiam ter escolhido um nome pior para ela. E quais nomes teriam recebido os outros? Era inútil pensar naquelas coisas, melhor se concentrar, afinal ela já estava quase no fim do corredor. Ledice deixava as dores emocionais de lado, no mesmo canto onde estavam suas dores abdominais, as dores em suas costas e as memórias ruins. Sem poder evitar ela de novo sorriu, pois começava a imaginar o que o menino de pele azul estaria fazendo naquele momento.
    Cena II
    Noviço Cadmo?
     “Gostaria de dizer que sou capaz de deixar de te amar, mas a verdade é que não consigo te esquecer. Há tanto que gostaria de te contar e não posso, há tanto que gostaria de te mostrar e não posso. Nem mesmo posso te ver, você me tirou até a chance de tentar. Hoje posso ser o pior tipo de pessoa, porque não se passa um dia em que não desejo que algo te aconteça e faça você voltar para mim. Pelo menos mais uma vez queria ter você aqui, a luz dos seus olhos, seus lábios em mim, a força do seu corpo contra o meu. Tudo que precisa é reconhecer, porque sabe que estou aqui, você só precisa dizer quando… Para seres como nós a distância não é mais do que…
    NOVIÇO CADMO!
     Ao ouvir o grito com seu nome Cadmo pulou da cadeira quase caindo para trás, no mesmo reflexo ele fechou o livro com tanta força que o impacto causou-lhe novo susto. Com seu coração batendo na garganta ele virou seus os olhos esbugalhados para o clérigo parado na entrada de seu dormitório.
    Pelo Profeta, o que é isso? Fugindo das responsabilidades? Lendo em hora de dever?
     Em poucos largos passos boa parte da corpulência de cônego Pristo estava sobre a escrivaninha e empurrando o jovem Cadmo para o lado, bufando mais de suas reprimendas o clérigo esticou sua mão roliça. Antes que o garoto pudesse sequer responder o clérigo já havia apanhado o livro. Enquanto o clérigo corpulento folheava o volume procurando por algo escondido, Cadmo pensava como foi infantil aquele descuido, ele se deixou levar pela emoção do sucesso, se distrair daquela maneira realmente não era de sua natureza, mas não era fácil se acostumar com as peculiaridades daquele lugar.
     Coisas como privacidade não eram apenas inexistentes no Cenóbito, mas era uma das consideradas como má conduta se praticada por um clérigo. De fato toda aquela construção era voltada apenas para a simplicidade da vida eclesiástica. O prédio era inegavelmente velho, dito o mais antigo da região do Lago Albo. Dois meses atrás quando Cadmo ingressou como noviço notou de pronto que no Cenóbito não haviam vários móveis e utilitários que na opinião dele eram de óbvia necessidade. Tão óbvio, aliás, que ele teve de questionar o porque de não haver portas dentro do Cenóbito, as respostas que ele recebeu soaram surpreendentemente naturais e iam para um mesmo tema, que a vida de um clérigo era pautada pela verdade e portanto transparente, assim a ausência de portas colaborava para que que nenhum segredo tivesse a chance de corromper a integridade da irmandade dos clérigos e blá, blá blá, entre outras explicações que faziam ainda menos sentido, ao menos tinha porta no banheiro privado.
    De mais a mais ele não estava fazendo nada de errado, afinal ler não era nenhum crime, bem, talvez naquele caso fosse, mas enfim, o que tirou Cadmo de seu centro foi ter sido pego de surpresa, mais do que qualquer coisa ele odiava cometer erros  e ser pego distraído o deixou sem reação, suas bochechas ardiam de vergonha. Um grave descuido, quando que aquela situação toda teria sido muito diferente se ele estivesse alerta como sempre ficava, mas aquele texto era tão…
    Noviço Cadmo? Houve alguma mudança na doutrina da qual não tomei conhecimento?
     Ali estava outro exemplo do que Cadmo não gostava na vida cenobitista, era quando os cônegos faziam uma daquelas perguntas, aquelas perguntas que eram apenas irritantes e que qualquer criatura com meio juízo era capaz de entender que seria muito melhor não responder, mas ele não tinha escolha…
    Houve Noviço Cadmo? Estou esperando…
    Não cônego Pristo, não houve…
     Disse Cadmo com evidente desânimo, ele também não gostava de ter que usar os títulos das pessoas antes dos nomes todas as vezes, afinal que outra serventia teriam os nomes senão para encurtar as relações? Aquele dia já estava se mostrando complicado demais para ele.
    Muito bem…
     Disse o clérigo respirando fundo e tentando modular seu tom, enquanto escoltava o noviço para fora dos dormitórios. Cadmo era o único dos noviços que ainda estava lá, e aquilo o fazia desconfiar que talvez ele tivesse sido dedurado. Caminhando pelo corredor ele olhou para cônego Pristo, aquelas bochechas enormes estavam vermelhas de tanto bufar, ou talvez fosse a caminhada.
    Então se não houve nenhuma mudança, poderia me dizer o que ainda estava fazendo no dormitório em vez de ajudar seus colegas no pátio? Francamente, não entendo por que vocês são todos tão problemáticos...
     Ali estava de novo, aquele tom inequívoco na palavra “vocês” dita para ele como se estivesse descrevendo um conhecido fedor do qual ninguém gostava. Cadmo já deveria estar acostumando, afinal aquilo era comum, ele ouvia aquele mesmo tom toda vez que alguém se referia a cor dele. Os azuis, os cianos, era como chamavam seu povo. Se algumas das histórias que ele leu e ouviu estivessem corretas, originalmente sua raça era chamada de cianinos, que se traduziria para povo azul na antiga língua antes do corrente falado ascalone. O povo azul teria sido dentre os mais nobres de todos os povos, naqueles tempo antigos cada pessoa nascida com a pele azul era admirada como se descendesse dos próprios deuses. Cadmo não se surpreendia com aquelas histórias, afinal ele estava familiarizado com o quando uma cultura tendia a enobrecer o próprio passado. Aos olhos das classes dominantes ser rotulado como ciano, era ser membro de uma raça de vagabundos e portadores de doenças que viviam como pedintes pelos cantos dos povoados. Os azuis não eram muito melhores do que escravos, para alguns certamente eram piores, afinal escravos tendiam a ser lucrativos, Cadmo já deveria ter se acostumado. Deveria, mas quem consegue se acostumar a ser tratado como lixo? Claro que se fosse para ser honesto, Cadmo não podia reclamar tanto do tratamento que ele recebia no Cenóbito, pois todos os clérigos eram educados ao extremo, assim nenhum deles demonstrava explícito desgosto em ter de conviver com ele, mas vez ou outra surgiam vazões de preconceito reprimido como aquela. Realmente Cadmo já deveria estar acostumado, aquela era sua realidade e ele não conseguiria fugir dela, mas era quase impossível não se indignar, afinal tudo que ele ouvia sobre seu povo ele não podia atestar.
    Cadmo foi criado no cinturão de Escalônia, onde havia predominância de fazendas e lavouras, portanto ele começou muito cedo a trabalhar no campo e ajudar nos afazeres do orfanato, pelo que se lembrava ele jamais havia ficado doente, parando para pensar ele não se lembrava nem de sentir dor ou ficar cansado e acima de tudo Cadmo passou sua jovem vida sem jamais encontrar outro de sua cor. Era tudo uma grande pena, na opinião dele, pois ser o único exemplar de uma raça em qualquer lugar que fosse já era difícil o suficiente, adicionar mais preconceito a situação era pura crueldade. Por sorte cônego Pristo não insistiu naquele tema, aliás subitamente mudou sua expressão como se nada de importante tivesse acontecido.
    Espero que não se repita noviço Cadmo, vamos inspecionar este material e mais tarde comunicaremos sobre sua adequada reparação…
     Disse o robusto clérigo, sua bochechas balançando quando ele tomava fôlego. Passando o livro de capa cinzenta de uma mão para outra cônego Pristo tentava ler o título antes de virar sua caminhada rumo ao refeitório.
    Hum… Divisores de Águas? Aposto que é leitura não regulamentar. Bem... Ao trabalho então, bom dia noviço Cadmo, que seja de paz…
     Cadmo ainda mudo, ficou ali parado por alguns instantes pensando em como aquele dia havia começado mal e nas consequências que ele sofreria mais tarde, mas logo concluiu que ao menos quanto a reprimendas não poderia haver nenhuma. O livro que o clérigo gordinho agarrou com tanta avidez não tinha nada de especial, era um apanhado de dissertações filosóficas sobre a validade dos poderes de um estado ou governo em relação ao cidadão comum. Um tema clássico num livro simples, mas que escondia um segredo, uma carta que se revelava apenas para quem soubesse ativar a fórmula. Cadmo sorriu internamente enquanto saia para fora do Cenóbito, certamente o cônego não seria capaz de encontrar as pistas e revelar a carta secreta. Ele estava a salvo, mas era mesmo uma pena, que após tanto trabalho Cadmo não poderia ler todo o conteúdo picante daquela carta secreta.
    Melhor assim…
     Murmurou Cadmo, se preparando para abraçar o frio da manhã ele fechava as portas laterais. Já fazia dois meses de sua primeira noite no Cenóbito, mas ele se lembrava de tudo. Naquela noite ele estava compreensivelmente perdido com a rotina apresentada a ele, mas as vida de internado não poderia ser muito diferente de um regime escolar para um religioso seria uma questão de se esforçar e nisso ele era bom. Mesmo sendo uma noite de temperatura amena, Cadmo estava ansioso, incapaz de dormir, ainda mais por haver outros dois noviços no seu alojamento aberto, ele aproveitou então o que ainda restava da luz da vela para revirar ao máximo os dois únicos móveis do dormitório dado a ele, uma pequena cama e uma mesa menor ainda. E foi então que ele encontrou o livro em baixo das tábuas da mesa. Daquela noite em diante se tornou um ritual para ele, ler um pouco do Divisor de Águas, que, ainda que não fosse de todo ruim, não era dos mais interessantes para ele, mas Cadmo insistiu mesmo assim e chegando ao meio algo lhe chamou a atenção. Era uma anormalidade em uma das páginas, algo que ele podia ver que estava lá, mas não sabia nomear, era como tentar enxergar um objeto debaixo de um tecido. Desde então Cadmo passou quase todo seu tempo livre na biblioteca do Cenóbito pesquisando. Na noite mais recente, depois de passar horas tentando diferentes técnicas de revelação e iluminação ele finalmente vislumbrou a fórmula inscrita na primeira página do livro, e ao ler, a carta de versos ardentes apareceu diante dele. Antes de ser interrompido pelo cônego roliço ele passava os olhos pelas linhas longas repletas de caligrafia perfeita, Cadmo só podia concluir que se tratava de uma carta de amor proibido, endereçada a um dos clérigos e estava misteriosamente assinada por uma grande e elaborada lera “D”.
    Ah… Se cônego Pristo tivesse lido apenas uma daquelas linhas, meu tormento jamais teria fim…
     Descendo as escadas laterais Cadmo adentrava propriamente o longo pátio, que em dias de sol era usado para secagem de grãos. Ele respirou fundo enchendo seus pulmões com o ar frio, agradecendo aos deuses pela beleza sóbria daquela manhã, aqueles belíssimos dias poderiam durar para sempre, na opinião dele. Ao abrir seus olhos outro presente, ele viu as luzes coloridas, como sempre estavam em toda parte em infinitos tons e formas, riscos de luz pelos ares, contornos de luz em volta das coisas, correntes e ondas luminosas aparecendo e desaparecendo, nuvens de luz, brilhos e bolhas, era mesmo um presente que ele só poderia agradecer sem partilhar com ninguém. Após algumas decepções Cadmo aprendeu a não contar sobre as luzes coloridas que ele via, na sua experiência as pessoas para quem ele contava não se importavam, ou mostravam pouco desinteresse, ou quanto muito fingiam acreditar, mas agiam com distância como se no fundo pensassem que ele estiva mentindo. Então não havia porque contar a outras pessoas e além do mais era uma qualidade inútil enxergar aquelas luzes, elas não serviam para nada, não eram capazes de iluminar por exemplo, elas apenas coloriam as coisas e isso as vezes até atrapalhava. Era mesmo belo e sem uso, exceto por uma qualidade, aquelas luzes atestavam o bom estado da alma de Cadmo, pois as luzes só apreciam para ele quando sua alma estava pura, se ele fizesse algo moralmente errado, ou por exemplo, comesse em excesso ele não conseguia ver. Ao menos um dia de boa conduta era necessário para que as luzes aparecessem, o que comprovava para ele que ter lido aquela carta não foi algo ruim para sua integridade, ao menos não até a parte em que ele leu.
     Além de agradecer pela beleza daquela manhã Cadmo estava contente por estar sozinho, imaginando que se algum dos clérigos mais velhos estivesse com ele até que Cadmo tivesse retirado cada umas das folhas daquele pátio gelado surgiriam muitas mais daquelas perguntas que ele certamente não queria responder. 
    Velhos arrogantes, repreende um aprendiz e sem nem sequer disfarçar correm para o refeitório para se fartar de pães antes dos outros, e todos sabem, todos veem, mas ninguém fala nada…
     Reclamava Cadmo para o vento, aquele era um exemplo da dualidade velada que Cadmo achava tão difícil de se acostumar na vida dentro do Cenóbito. A conduta daqueles velhos religiosos de não cumprir suas próprias regras à risca, ou cumpri-las apenas quando fosse conveniente, enquanto exigiam o máximo de rigor nos outros, especialmente nos aprendizes. Cadmo não entendia e jamais iria se acostumar com aquilo, afinal não foi para avida eclesiástica que ele se dedicou tanto. Quando Cadmo foi escolhido entre os órfãos para estudar na capital Atenea, todo um mundo maravilhoso surgiu diante dele. Lá passou três anos em árduos estudos para se colocar entre os melhores alunos. Aliás ele tinha de ser o melhor, pois ele sonhava ser um cavaleiro da Ordem de Escalônia.
    Mas um azul jamais se tornaria um cavaleiro…
     Devia haver milhares de histórias como a dele, histórias de fracassos tão típicos ao ponto da banalidade, mas a banalidade não impedia o fracasso de doer em sua alma. Enquanto varria o pátio com seus olhos Cadmo buscava se acalmar, não era fácil, as feridas da decepção ainda estavam abertas. Uma coisa ele tinha de levar em conta, em nenhum momento aqueles velhos clérigos rejeitaram a presença dele no Cenóbito, aliás em relação aos estudos, os clérigos o acolheram com agradecimentos, afirmando que Cadmo seria muito útil nos trabalhos de biblioteca e acervo. E de fato foi, os clérigos podiam não gostar da sua cor, mas também não economizavam elogios para seus trabalhos de transcrição, tanto que  como prêmio recebeu autorização para fazer suas próprias pesquisas em horas vagas e treinar todos os dias. Ele ainda tinha usar os longos hábitos, que na opinião dele era como vestir cortinas, também teria de ajudar nos trabalhos braçais do Cenóbito e participar dos cultos como todos os outros, mas estava tudo bem, ele gostava de se aplicar as coisas. Havia outras as particularidades na vida religiosa, mas o trabalho com livros e manuscritos para ele era como um pagamento, pois quando foi levado para Atenea Cadmo descobriu uma grande paixão por conhecimento.
    Ora! Ora! Ao menos não vou ser o único a receber críticas hoje…
     Disse Cadmo em baixo tom, ao erguer seus olhos para o fim do pátio, antes das árvores duas figuras jovens e magras estavam de costas para ele, paradas como pedras, provavelmente falando mal dos outros clérigos, mas o melhor de tudo eles estavam matando horas de serviço também. Ainda que usassem as mesmos hábitos de cortina que Cadmo, era impossível confundir aquelas duas figuras, o mais alto e mais exibido era Himeneo, o outro não tão alto, nem tão exibido, mas muito mais chato era Talian, além de Cadmo aqueles eram os dois únicos outros aprendizes ou noviços do Cenóbito. Quando estava perto o bastante para ser ouvido por eles Cadmo pensou em chegar dizendo alguma reprimenda, talvez até se passando por um dos clérigos e dar-lhes um susto, mas aquela não era a natureza dele, Cadmo era reservado demais para aquilo. E não teria mesmo tempo, pois de dentro das árvores dois clérigos  velhos surgiam pálidos e ofegantes.
    Vocês... fiquem aqui…
     Disse o primeiro clérigo entre fôlego, era baixo e calvo, cônego Sidério ou Sidéro, Cadmo não tinha certeza do nome. 
    Mas fiquem... Atentos…
     Disse o segundo, também respirando entre as palavras e ainda mais pálido, aquele sim, Cadmo não fazia ideia de como se chamava. Os clérigos do Cenóbito pareciam tender a ficar todos iguais com o passar do tempo, exceto por alguns ganharem mais barriga e outros perderem mais cabelos. Passaram por Cadmo os dois clérigos sem nem sequer responder ao seu bom dia. Bem típico, cobram educação e cortesia mas esquecem de oferecer - pensou Cadmo, e por que ordenaram que eles ficassem ali? Quem limparia o pátio? 
    Aconteceu alguma coisa? Porque os…
     Cadmo não precisou terminar a frase, se colocando ao lado dos dois noviços viu a grande mancha grossa e vermelha colorindo de modo assustador o chão cinzento.
    É sangue…
     Disse Talian, Cadmo já se preparava para dizer o quão óbvia e inútil aquela informação era quando viu um brilho entre as árvores.
    Ali…
     Cadmo apontou para o local alguns metros mata adentro. Aquelas porções de terra arborizadas ao redor do Cenóbito eram muito bem cuidadas, especialmente onde haviam os pomares. Mesmo ali em que predominavam os alamos escuros, o espaço entre as árvores era tão limpo pela ação dos clérigos que facilmente se podia enxergar longe entre os troncos. Após entenderem a referência os dois noviços se juntaram a Cadmo e logo todos os três estavam caminhando para a direção do brilho, era num local diferente de onde os clérigos mais velhos haviam saído antes, mas relativamente próximo de onde iniciaram. Tão próximo que Cadmo não entendeu como ninguém ainda havia visto o corpo caído.
    É um guardião…
     Disse Talian, novamente sendo óbvio. Bastava olhar para o uniforme escuro coberto por placas de metal. Himeneo havia chegado na frente de Cadmo, mas permanecia calado.
    Está morto…
     Continuou em sua obviedade o mais velho dos noviços. Sinceramente Cadmo pensava que as vezes Talian falava as coisas apenas para preencher o silêncio, ou impedir que alguém pudesse dizer algo mais produtivo. Era claro que o guardião estava morto, a menos que ele tivesse decido dormir em serviço no meio das matas todo estirado no chão daquele jeito, o homem não se mexia oras. Saindo detrás de Himeneo, Cadmo pode olhar melhor para o corpo, o pescoço do guardião estava torcido em um ângulo estranho. O estômago de Cadmo se apertou de repente, a cabeça estava quase totalmente arrancada do corpo. Lutando contra a náusea ele decidiu olhar de longe e disfarçar sua tontura. Não era exatamente o fato de uma pessoa ter morrido, afinal pessoas morrem, mas a cena em si era difícil de encarar. Analisando com mais calma dava para ver que o que sobrou do pobre guardião estava mais preso pelas placas de metal e por suas grossas vestimentas do que pela própria pele, aquele homem havia sofrido uma morte horrível, cortado em tiras não era mais que um resto humano picado dentro de um saco de roupas.
    Oh! Deuses! Acho que vou vomitar…
     Disse Himeneo, cobrindo sua boca e se afastando do corpo. Cadmo entendia bem, aquela imagem era mesmo horrível, além do mais havia um cheiro estranho no ar, não era apenas a essência de sangue, era um odor forte quase viscoso de morte, como se o corpo já estivesse ficando velho. Talian segurou o braço de Himeneo oferecendo algum suporte até que firmasse seus pés, logo então o próprio Talian parecia estar com tonturas. Depois de ver os outro dois noviços tão pálidos como estavam, Cadmo percebeu que de fato não estava tão mal assim, ele então vistoriou novamente o corpo.
    Não estou vendo as armas dele…
     Disse Cadmo, mas não obteve a atenção dos outros dois, não fazia grande diferença de qualquer forma, provavelmente teriam sido levadas por quem cometeu o assassinato.
    Alguém sabe como ele se chamava?
     Perguntou Himeneo engolindo algo preso em sua garganta, ninguém comentou aquilo também. Cadmo mal saberia dizer o nome de uns seis ou sete clérigos dentre os vinte com quem convivia no Cenóbito, muito menos dos guardiões que apenas passavam em patrulha por ali.
    E onde está outro? Devia ter pelo menos mais um, um guardião nunca patrulha sozinho…
     Disse Talian olhando de um lado para o outro, e finalmente dizendo algo pertinente. Cadmo não havia pensado naquilo, mas talvez um tivesse matado o outro, talvez fosse um criminoso infiltrado que esperou por muito tempo pela oportunidade de...
    Vou subir e avisar, vocês dois ficam aqui, e fiquem atentos…
     Disse Talian, como sempre já se achando o líder, sendo que jamais teriam encontrado o corpo se não fosse por ele.
    Cadmo caiu para trás.
     O que foi?
     Perguntaram os outros dois, mas as palavras não saíam da boca de Cadmo.
     O que foi? O que você viu?
     Cadmo ainda estava vendo, mas não sabia o que era aquela coisa. Realmente ele não sabia o que era, mas era grande. Estava bem ali parada entre as árvores, parcialmente encoberta pela neblina, talvez por isso ele não tivesse percebido antes. Será que todo aquele tempo a coisa esteve ali perto deles? Cadmo olhava a figura que se misturava facilmente aos troncos, estava ereta sobre dois pés, magra e alta, com longos braços e galhadas no crânio como de um cervo de oito pontas. Exceto nos braços e na cabeça onde era clara como neve a coisa era toda escura e tinha olhos brilhantes que encaravam. Cadmo, caído, paralisado, abriu a boca para avisar seus colegas, para gritar que eles corressem, mas do mesmo modo repentino a coisa desapareceu no ar.
    Não sei…
     Disse Cadmo ofegante, só então se dando conta de que tinha ficado sem respirar todo aquele tempo, após se levantar e limpar a sujeira em seu traseiro, ele olhou melhor para ter certeza de que não havia nada mesmo entre os troncos.
    Vi algo nas árvores, mas já sumiu…
     Disse Cadmo ainda com espanto no olhar, os outros dois pareciam procurar com toda a atenção que podiam, mas sem avistar nada de anormal. O próprio Cadmo pesava estar vendo coisas, tanto que se surpreendeu com a seriedade de Talian ao sugerir que eles saíssem daquele local o quanto antes, claro todos concordaram de imediato. Além de não ser agradável, ali não era mesmo seguro para permanecer e não havia nada que pudessem fazer pelo pobre guardião morto.
    Noviços Cadmo, Himeneo e Talian!
     Disse cônego Pristo de dentro de suas enormes bochechas ao flagrar os três que saíam de dentro das árvores, atrás do clérigo gordinho vinham os outros os dois mais velhos de antes. Enquanto Talian mencionava o corpo, Cadmo analisava as expressões de reprovação de cônego Pristo se transformarem em medo, que logo se espalhou no rosto dos outros dois clérigos. Retornando para mostrar o local do corpo Cadmo se manteve em silêncio enquanto os dois ávidos noviços se alternavam em contar todo o ocorrido incluindo as partes que ele Cadmo não havia presenciado. Mais do que aguardar o fim do relato Cadmo ficou atento caso aquela coisa resolvesse aparecer novamente. Aquele dia estava decididamente complicado demais para os padrões dele. Cônego Pristo murmurou algumas palavras em baixo tom, depois entregou um objeto a Himeneo.
    Façam então como falei, podem ir já vocês três…
     Apenas quando já haviam atravessado o pátio é que Cadmo teve a curiosidade de perguntar aos outros dois o que havia se passado.
    Não…
     Cadmo não pensou duas vezes quanto virou no caminho para questionar o clérigo. E nem havia o que pensar, a resposta era definitivamente não. Enviar três noviços? Três crianças como mensageiras de um assassinato? Era absurdo para dizer o mínimo. Ridículo, aquilo era ridículo, cônego Pristo não poderia estar pensando direito. Eles deveriam fazer algo relacionado a segurança, adotar medidas, em vez disso ele queria enviar três meninos para fora do Cenóbito? Tinha de ser uma piada. 
    Cena III
    Por um animal?
    É o que estão dizendo... Parece que o guardião foi atacado no pomar dos monges…
     Diziam duas serviçais, uma delas esbarrando em Ledice ao entrar na cozinha para depositar pilhas de talheres. Aquelas tigelas ainda cheiravam a mingau de aveia. Ledice organizava os talheres deixados sobre a mesa antes de começar a lavá-los dentro da grande bacia de metal, daquela vez não tinha sobrado muito para ela comer, mas ao menos seu estômago estava cheio o bastante para lhe dar alguma paz. Ela não estava reclamando, mas aquilo não era só pela fome, Ledice gostava mesmo de comer, e comer coisas gostosas.
    Pobre alma, que os deuses o acolham…
     Ledice gostava tanto de comer que já estava pensando no jantar, afinal duas refeições completas no dia eram muito pouco, por sorte se ela fosse rápida o suficiente teria tempo de comer um pouco de farinha com leite antes de…
    O que tem com você hoje menina?
     Disse Brami, a cozinheira, pegando os talheres limpos da mesa e secando-os num pano que levava sempre preso na cintura. 
    Está caladinha hoje, alguém está te fazendo mal? Quer me contar alguma coisa?
     Brami era cuidadosa com Ledice e ela agradecia por isso, era bom saber que tinha alguém olhando por ela depois de tudo o que aconteceu. Ledice não pensava naquelas coisas, ela apenas era daquele jeito. 
    Não Senhora…
     Respondeu Ledice e sorriu, ela tinha de olhar para baixo, pois Brami era baixinha. Na verdade Brami era normal, talvez um pouco gordinha, o que também era normal. Ledice que era magra e alta demais, tentando se concentrar ela disfarçou rapidamente, comentando sobre o quanto ela sentia falta dos dias de sol. Ledice gostava de qualquer tipo de clima, ou melhor nenhum tinha nada de especial para ela, a não ser pelos dias sagrados ou de festas, aqueles eram os melhores, comidas variadas, pessoas diferentes visitando, o Exarcado ficava cheio de vida por um dois dias. Cheio de vida e de trabalho também, por isso ela preferia dias claros, dias de sol eram mais práticos para trabalhar. 
    E você esqueceu a farinha…
     Falou Ledice  sentindo o peso do balde d’água incomodar seu braço.
    E você se distraiu de novo….
     Disse também para si mesma percebendo que já estava perto do celeiro onde ficavam alguns animais e também o seu cômodo. Sem tempo para retornar ela verificou se não havia nenhum dos rapazes sentinelas, cavalariços, ou outros homens ajudantes por perto, quando teve certeza de que não havia ninguém ela usou a chave pendurada em seu pescoço entrou e trancou a porta do seu quarto. A fechadura foi ideia recente de Brami, uma ideia que acalmava Ledice, por isso ela via como um presente.
    Você está mesmo muito esquecida…
     Ledice tinha esquecido de pendurar os trapos, e na lareira já não tinha restado quase calor nenhum. Torcendo para que os panos estivessem secos até a manhã seguinte Ledice adicionou um pequeno pedaço de madeira e soprou até ver fagulhas voando. Depois de pendurar os panos no cordão a frente da lareira Ledice trancou, destrancou e trancou de novo seu quarto, pois havia esquecido sua caneca lá dentro. No interior do celeiro Ledice foi direto até onde estavam as cabras e teve muita sorte, logo de cara a primeira estava com tanto leite que quase encheu sua caneca, só teve que ordenhar outras duas.
    Delícia, pena que você esqueceu a farinha…
     Limpando o pouco de espuma na manga de seu vestido, ela esvaziou os baldes d’água nos coxos e apanhou o rastelo. Se pondo então a limpar o estrume. Ledice sempre dava uma breve pausa ao completar uma repartição do celeiro era quando ela aproveitava para tomar o leite cada vez menos quente. Sua rotina estava tão enraizada nela que Ledice sabia, após o último gole de leite restaria apenas levar o estrume para o lado de fora do celeiro, algo que, dessa vez ela não faria, não com aquela coisa rondando por perto.
    Cena IV
     Não era uma piada, e de nada adiantou para Cadmo argumentar, exceto por irritar ainda mais cônego Pristo, aliás depois de desistir de reclamar e ter de correr para alcançar os outros noviços Cadmo notou o olhar no clérigo, aquele olhar de quem se vingaria depois. Não era justo e Cadmo sabia disso, afinal aqueles velhos não deveriam pregar a paz e o valor de oferecer o perdão? Ou qualquer que fosse o equivalente na ideologia do Cenóbito? Fosse como fosse Cadmo havia perdido o argumento e perdido tempo, além do mais os três noviços estavam numa situação ainda pior, aquele dia estava mesmo complicado.
    Mas por que só nós três? Não deveria ter ao menos um clérigo mais velho conosco?
     Perguntou Cadmo, imaginando que os outros dois estivessem tão indignados quanto ele.
    Levaremos menos tempo para chegar até a torre se formos só nós três, algum dos clérigos consegue acompanhar nosso ritmo? Fomos escolhidos pela nossa idade só isso.
     Disse Talian, achando  que tinha a perfeita explicação para tudo.
    Você não devia se preocupar tanto, a prova de que somos capazes foi o fato de que passamos pelos portões do Exarcado sem nenhum problema.
     Completou Himeneo, mas Cadmo não via da mesma forma, se eles tinham passado tão facilmente pelos portões do Exarcado era provavelmente por duas razões. A primeira seria porque eles estavam saindo da circunscrição do Exarcado e não entrando. Já que o Cenóbito ficava no interior das terras dos nobres do lago, três jovens noviços de saída não representavam ameaça, mas ainda assim Cadmo tinha certeza de que se ele estivesse sozinho sua passagem seria barrada e aquela era a segunda razão. O fato de os outros dois noviços serem caucasianos inspirou confiança, mas o sentinelas certamente veriam um azul como ele com outros olhos. Preconceito não era a questão, o que mais incomodou Cadmo foi o fato de que mesmo ao saberem da morte de um guardião, nenhum dos sentinelas do Exarcado tomou qualquer providência, nem se propuseram a acompanhá-los, provando para ele que havia mesmo uma certa inimizade entre as membros da Ordem de Escalônia e o poderio da nobreza do lago.
    E afinal do que está reclamando? Seria por medo?
     Questionou Himeneo, caminhando mais a frente ao lado de Talian.
    Afinal você não disse que teve treinamento de combate no Ateneu?
     Conclui o noviço mais alto com ar de cinismo. Cadmo não respondeu, porque era óbvio que ele estava com medo, todos estavam, mas Himeneo era exibido demais para admitir. Aliás medo era pouco, Cadmo estava ficando paranoico, a todo momento a imagem da coisa aparecia em sua memória. Para se distrair ele procurava não olhar para as árvores formando barreiras nos dois lados da estrada, em vez disso ele olhava para o chão menos arenoso a medida que eles se afastavam do lago, em vez disso tentava se concentrar no canto dos pássaros ecoando pelo ar. O ar frio que ele tanto gostava, era o vento que vinha do lago. O Lago Albo era enorme e se os estudos dos clérigos estivessem corretos em tempos ancestrais aquele lago teria sido maior ainda, cobrindo quase todo o território atual do Exarcado, por isso aquelas terras tinham um clima próprio. Eram terras muito bonitas de fato, mas não tanto quanto as planícies onde ele nasceu. Cadmo vinha de uma vida muito diferente daquela dos clérigos e ele realmente tinha estudado no Ateneu, como era conhecido o colégio da capital Atenea. E era exatamente pelo treinamento que recebeu no Ateneu que Cadmo valorizava qualquer  conceitos de prevenção, inclusive os conselhos populares que diziam para jamais deixar de lado o medo. Medo era um aviso que se ignorado levava a imprudência. Quando mais calmo Cadmo alongou sua vista e já pode ver a coluna cinzenta acima das árvores. A torre de guarda parecia calma, mas tudo tende a parecer calmo à distância - pensou Cadmo.
    Acho que foram bandidos…
     Disse Himeneo.
    Com certeza, bandidos tentando contra o Exarcado, mas algo provavelmente deu errado e eles tiveram que  abortar o assalto, talvez tenham desistido, ou adiado por terem sofrido baixas demais ou algo assim.
     Disse Talian.
    Com certeza, talvez os guardiões já estejam até sabendo e já tenham enviado pedidos de reforços.
     Completou Himeneo. Enquanto os dois concordavam no quando seria inútil a ida deles até a torre, pois certamente os guardiões já teriam tomando todas as providencias imagináveis, Cadmo pensava apenas na coisa que ele viu na floresta, mesmo não tendo nome para aquilo Cadmo sabia que era algo de muito ruim, seu único consolo era pensar que provavelmente não seria real, e que ele teria imaginado a cena toda, mas estava cada vez mais difícil pensar daquela forma.
    No restante do caminho Cadmo permaneceu calado, ouvindo os dois noviços rindo um das piadinhas do outro. Aqueles dois se davam muito bem, ambos eram mais velhos que Cadmo, sendo Talian com dezesseis anos o mais velho de todos. Cadmo não sabia ao certo a própria idade e, como todos os órfãos do Cinturão, ele não se preocupava com essas coisas, mas pelo que lhe contaram ele era recém nascido quando foi abandonado na porta do orfanato. Cadmo nasceu num cenário pós guerra, ele não sabia muito sobre o assunto, mas antes de ele nascer a Ordem de Escalônia combateu por gerações as  forças rebeldes por quase todo o território do continente. No Cinturão de Planícies ou simplesmente Cinturão, as rebeliões teriam sido mais leves, apenas alguns grupos ocasionais. Pensar que seus pais foram guerreiros rebeldes não lhe agradava muito, afinal Cadmo foi acolhido por um orfanato criado e mantido pela Ordem de Escalônia e depois de conhecer as doutrinas da Ordem ele aprendeu a admirá-la. Cadmo até sonhava que talvez após receber sua ordenação ele pudesse retornar para o Ateneu, ele iria gostar de trabalhar lá, aquele lugar tinha algo de muito especial, era sagrado.
    O Sino… 
     Disse Talian para Himeneo que emitiu um som de - Oh!- como se tivesse esquecido algo e então retirou de dentro de suas vestes um pequeno sino metálico. Talian explicou que foi cônego Pristo que os instruiu a tocar o sino intermitentemente de modo a avisar aos guardiões que eram clérigos chegando. Um bom costume - pensou Cadmo, avisar de antemão era muito útil e educado por parte dos clérigos do Cenóbito, mostrava também como era boa a relação entre as vertentes religiosa e militar da Ordem de Escalônia. Himeneo tocou o sino mais algumas vezes enquanto eles faziam a última curva no topo do morro e com a desobstrução das árvores Cadmo pode ver a entrada para a torre.
     O caminho para a entrada da torre saía diretamente da estrada e numa trilha seguia em linha reta no topo do morro. Cadmo achou estranho o portão estar meio aberto, achou estranho não ter um guardião a postos do lado de fora do portão e talvez ele até tivesse encontrado outras irregularidades ao longo do caminho, se nas pedras que marcavam o início da construção não tivessem as mesmas manchas vermelhas e viscosas que ele viu horas antes.
    Sangue? Aqui também?
    HEI! TEM ALGUÉ…
     Cadmo tapou a boca de Himeneo impedindo de continuar gritando, mas o noviço se livrou facilmente afinal era bem mais alto.
    Por que fez isso Cadmo?
     Questionou Himeneo.
    Ainda podem estar aqui…
     Respondeu Cadmo em tom baixo, mas tendo certeza de que os outros dois teriam ouvido. Após acenarem em concordância a expressão em seus rostos se tornou mais preocupada e nenhum deles pareceu querer tomar a liderança. Cadmo olhou para uma das manchas de sangue, estava muito mais coagulada e seca do que a aquela de manhã, tentando se convencer de que aquele era um bom sinal, ele procurou por uma arma ou algo que lhe desse mais segurança, não havia nada por perto.
    Vamos com cuidado agora, dois passos de distancia entre nós e quem ficar por último cuida de olhar para trás o tempo todo.
     Determinou ele, já se arrependendo de tomar a liderança, mas sabendo que os outros dois esperavam que ele o fizesse. Cadmo terminou de abrir o grande portão de madeira que não ofereceu resistência nem fez qualquer som de rangido. Ótimo - ele pensou. No interior havia uma área circular ao redor da torre, como um largo pátio de entrada que pelo que ele percebia também servia como área de manobras, treinos e estábulos. O local era todo de pedras rústicas, havia objetos espalhados a esmo, uma carriola para um lado, blocos de aveia seca para o outro e ninguém a vista. De fato nem mesmo haviam animais nos estábulos. Cada vez mais apreensivo Cadmo seguiu para a direita, ele não conhecia aquele lugar, mas bastou circular um pouco mais o prédio para encontrar a porta de entrada da torre e o primeiro corpo.
    Pelo Profeta!
     Himeneo logo disse sobre os ombros de Cadmo
    Não se descuidem…
     Cadmo advertiu, ainda em tom baixo. Aquele corpo caído com o rosto ao chão apresentava poucos sinais de violência. Lutando para manter suas mãos sob controle Cadmo abaixou-se e verificou que o guardião estava mesmo morto ao tocar seu pescoço. Passando sobre o corpo ele olhou em volta e tentou a porta, estava trancada, mas antes que ele pudesse indagar Talian se levantou segurando uma chave cujo cordão estava manchado com sangue. Himeneo que antes estava paralisado se colocou do outro lado cuidando de observar os arredores. Cadmo não temia exatamente um ataque pela retaguarda, aqueles muros externos eram altos demais para transpor, não, se houvesse algo a temer estaria dentro daquela torre. Talian abriu a porta de madeira reforçada com barras de ferro, aquela sim emitiu rangidos, sons de arrasto e Cadmo logo descobriu o motivo. Dois corpos estavam tão próximos da porta de entrada que para terem passagem um deles teria de ser movido.
    Precisamos de luz...
     Disse Cadmo e indicou as tochas no lado de fora da torre, graça aos deuses ainda estavam acesas mesmo contra a humidade daquele dia frio. Himeneo retornou em longos passos desajeitados e entregou a cada um uma tocha. Eram aparatos simples aquelas tochas, mas Cadmo se sentia muito mais seguro tendo um objeto em mãos que em último caso pudesse lhe dar alguma possibilidade de defesa. Ajustando sua visão ao tom amarelado das chamas Cadmo entrou por completo na torre, imediatamente o enjoo retornou ao seu estômago. Aquele cheiro já estava se tornado um conhecido dele, era o odor de sangue envelhecido, de vísceras expostas, era o cheiro grudento de morte. Ao que parecia aquele era o andar onde os guardiões cozinhavam e comiam, havia restos por toda parte. Evitando olhar para as paredes pintadas com largos riscos vermelhos Cadmo se concentrou em vistoriar o cômodo procurando por inimigos, mas havia apenas os dois corpos.
    Limpo...
     Sussurrou Cadmo seguindo para o nível superior. Como em toda construção militar as escadas ficavam do lado esquerdo e as janelas eram altas, mas de aberturas estreitas permitindo atirar flechas do interior, mas sem dar a chance de contra-ataque ou invasão. Portanto e Infelizmente, naqueles dias nublados as janelas não proviam luz suficiente. Lançando sua tocha o mais alto que seus braços iam Cadmo buscava iluminar os degraus acima enquanto subiam. Ele podia sentir o pavor no silêncio dos outros dois noviços atrás dele, antes de entrar no segundo andar ele olhou uma vez mais para se certificar de que os outros dois estavam seguindo suas recomendações.
    Peim!
     O que era aquele som? Cadmo em passos rápidos adentrou o segundo nível buscando colocar suas costas contra a parede, seu coração estava batendo na garganta e ele girava a tocha no ar tentando iluminar o máximo que podia e identificar quem teria causado o som metálico. Aquele nível estava repleto de camas quase na altura do peito, os lençóis deixados sobre as palhas faziam as camas parecem piras fúnebres, mas Cadmo sabia que era para evitar...
    Peim! Peim! Peim...
     Repetidos sons metálicos soaram, por instinto os três noviços apavorados se puseram mais próximos buscando se proteger, Cadmo estava suando e já sentia sua garganta apertada pelo pânico, quando teve a ideia de olhar debaixo das camas.
    Ali! Ah, é um rato...
     Disse Cadmo ofegante, de novo ele havia prendido sua respiração. Abaixando ele iluminou o avantajado roedor que em reação a luz bateu contra outro dos jarros metálicos, ou talvez fossem penicos.
    Ah! Seu pequeno meliante…
    Isso mesmo é bom correr…
      Atrás de Cadmo os dois noviços se revezavam em xingamentos contra o animal, risos seguiram. Ao exemplo de Cadmo ambos haviam abandonado a discrição e falavam em voz alta. Natural - pensou Cadmo, afinal precisavam aliviar a tensão de alguma forma. Seguindo até o fim daquele andar as últimas camas estavam reviradas, quase todas danificadas, havia um única porta que dava acesso a um pequeno cômodo. Apesar do caos em que estavam os móveis lá dentro, as decorações e o cheiro forte de aço e óleo denunciavam que aquele seria um depósito de armas, Cadmo balançava a cabeça em negação, não havia sobrado uma espada sequer.
    Algo de muito estranho está acontecendo aqui...
     Disse Himeneo como sempre colocando seu pescoço sobre os ombros de Cadmo.
    Talvez estejam escondidas...
     Disse Talian, mas Cadmo não compartilhava daquele otimismo. Assim que o silêncio retornou, um entendimento geral de que nada havia para se fazer ali se instalou, os três então subiram para o terceiro nível ainda mantendo as recomendações de segurança de Cadmo.
    Oh! Pelo profeta...
     Disse Talian segurando sua boca para não vomitar. Pelos sons abafados mais atrás Himeneo não teve tanta força. Cadmo também sentiu sua barriga revirar o ver o grande número de cadáveres que cobria o chão do terceiro nível. Movendo sua tocha para os lados ele clareava um tapete de corpos quase todos uniformizados, alguns pareciam se mover em pequenos espasmos, Cadmo procurava não pensar no motivo. Aparentemente esgotados demais para seguir protocolos, Talian e Himeneo continuaram subindo as escadas, mas Cadmo não os seguiu de imediato, antes ele tinha de ter certeza, andou dois passos mais e parou pelo desequilíbrio ao pisar sobre um dos corpos.
    Que os deuses acolham vocês junto aos bravos de todos os tempos...
     Após observar com atenção e novamente não encontrar nenhuma arma, Cadmo seguiu para cima. O próximo nível era também o teto da torre, ali a céu aberto ele observava as árvores pontiagudas se balançando com o vendo, ao que parecia a névoa havia retrocedido bastante, afinal era o meio do dia. Cadmo olhava para o imenso lago que deixava monocromático todo o lado leste do Exarcado. Era impossível não pensar naquelas tragédias, todas aquelas vidas, tiradas tão rapidamente, aquilo não era certo, não era certo todos morrerem sem que ao menos um restasse para contar o que houve.
    Como eles foram atacados se a torre estava trancada por fora?
     Disse Talian.
    Não sei, mas não há mais nada para fazermos aqui, vamos voltar e...
    Não podemos voltar, vamos para Rocha Alva lá tem outra torre de guarda...
     Talian interrompeu Cadmo naquele tom de liderança desmerecida tão irritante. Cadmo não se conteve.
    Não recebemos ordens para ir além daqui e precisamos avisar os outros, avisar o Exarcado que eles podem ser atacados a qualquer momento...
    Não vai adiantar nada, os nobres do lago odeiam a Ordem, eles não vão se arriscar e proteger o Cenóbito...
     Contrapôs Talian já mostrando sinais de irritação por ser contrariado.
    Mesmo assim é o certo a se fazer eles precisam saber o que aconteceu, para que possam se preparar...
    Acho agora é tarde, olha...
     Himeneo falou por último apontando para os prédios da sede do Exarcado.
    Fumaça negra, um incêndio...
     Disse Talian, como sempre sendo óbvio. Cadmo olhava a coluna de fumaça que se erguia rapidamente, girando para dentro de si mesma e juntando-se as nuvens baixas.
    Sei que estão com medo...
     Começou Cadmo e antes que pudesse ser interrompido por Talian ele subiu o tom para continuar.
    TODOS NÓS ESTAMOS COM MEDO, mas temos ao menos que avisar o Cenóbito, eles precisam saber do que aconteceu aqui...
     Talvez pelo tom que utilizou ou pela simples verdade dos fatos, Cadmo convenceu os outros dois. Quando já haviam descido ao pátio da torre Himeneo sugeriu que cortassem caminho pelas matas até a orla do lago e de lá direto para o Cenóbito sem passar pela sede no caso de o Exarcado estivesse sob ataque. Além de que seria mais rápido. 
    Cena V
     Ledice acordou com chacoalhões, após o susto ela notou que era apenas Brami, a cozinheira, provavelmente estava com medo de que Ledice caísse de sono no meio de todos. Em silêncio primeiro ela agradeceu pela ajuda depois se repreendeu. Você cochilou em pé de novo - pensou ela olhando para todos as outras pessoas em volta, ninguém pareceu perceber, mesmo assim ela suspeitava que suas bochechas estariam coradas de vergonha. Aquele sono não era culpa dela, afinal ela não conseguiu cochilar, pois passou quase toda a tarde ajudando a combater o incêndio no celeiro. Por sorte nenhum dos animais sofreu mais do que algumas queimaduras superficiais, mas Ledice perdeu todas as suas coisas, suas roupas e alguns poucos móveis que tinha, até seu chapéu queimou.
    Depois que recebemos notícia de que um guardião fora encontrado morto na floresta perto do Cenóbito, enviamos três de nossos centranos e dois caçadores para investigar, apenas um caçador retornou, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu há pouco...
     A voz da Exarca Venera era linda demais, Ledice sentia que poderia ouví-la por horas sem fim, mas aquele assunto parecia sério, ela falava apenas em morte, perigos e falta de informação. Se a própria governadora do Exarcado reuniu a todos para dar a notícia era por que a situação tinha mesmo de ser grave. Reunida com outros empregados ao fundo do salão de festas, Ledice podia ver os membros nobres a frente. Sobre o palco estavam Exarca Venera, seu marido Exarco Cultuo e Adora a filha do casal, todos brancos vestindo cores claras com adornos dourados, apenas os olhos profundamente negros da pequena Adora serviam de contraste no trio. Pelo que Ledice sabia a as famílias nobres do Exarcado habitavam a região do Lago Albo desde o início dos tempos, e eram todos descendentes dos antigos alfros, sem dúvida ela acreditava, pois eles tinham até aquelas orelhas pontudinhas.
     Ao final a Exarca Venera deu mais algumas ordens, mas Ledice não prestou atenção, pois estava se lembrando de como aquele salão estava lindo no ano passado durante o festival das vinhas, uma festa tradicional da região do lago que marcava o início da estação da floração. Ao que parecia todos estavam de saída do salão, pois algumas pessoas esbarravam em Ledice o que acabou ajudando a trazê-la de volta a realidade. Mesmo sendo mais alta que todos naquele salão ela esticou seu pescoço procurando por Brami. Após avistar a cozinheira que ao longe conversava com outra mulher, Ledice se esforçou para alcançá-la, mas logo se arrependeu, como era desconfortável correr quando estava naqueles dias do mês e ela nem teria mais os seu trapos para trocar, teria de pedir para ferver outros na casa de Brami.
    Surpresa, surpresaaaa...
     Falou Ledice num sorriso aparecendo ao lado de Brami.
    Você não leva nada a sério não é menina?
     Riu Brami interrompendo brevemente sua conversa com Grena. A cozinheira logo desfez o sorriso, algo estava lhe preocupando, mas não reclamou, alías ela jamais disse uma única palavra ruim para Ledice, Brami era muito doce e desde que ficou sozinha no Exarcado Ledice via a cozinheira como uma mãe e Brami fazia o possível para melhorar a vida Ledice, depois de tudo de ruim que aconteceu, era mesmo um presente ter a companhia de Brami, que mesmo sendo mais baixa sempre a chamava de menina. Ledice era de fato bem jovem, então ela não se incomodava. A mulher séria ao lado, Grena, era a governanta do Exarcado e também a irmã mais velha de Brami. Aquela era uma família de montanheses todos com a pele morena e lindos cabelos negros.
    Os lenhadores...
     Dizia Grena com sua voz mais rouca quase masculina.
    Você sabe, irmãos, baixinhos, gordinhos? O dois gêmeos lenhadores? Eles também foram encontrados mortos perto do Lago Albo, contando com os outros seriam o quê? Sete mortos até agora? Sabe o que isso significa?
     Brami respondia com espanto a cada relato de Grena. Após uma breve explicação de que elas deveriam pegar todos os pertences necessários e retornar para a ala de serviço na sede do Exarcado onde estariam mais protegidas, Ledice passou a acompanhar mais de perto as duas irmãs que ao longo do caminho iam discutindo suas ideias sobre o que estaria causando as mortes. Honestamente Ledice não entendia por que elas estavam com tanto medo e também não entendia por que estavam com tanta pressa, afinal ainda não era de noite. 
    Cena VI
     Se fosse um dia comum Cadmo estaria no templo para as vespertinas onde todos se juntariam aos cânticos e ouviriam sermões por umas duas horas, mas decididamente aquele não era um dia comum. Após ouvir os relatos dos noviços cônego Pristo e cônego Sidéro ficaram paralisados por alguns instantes e então saíram mudos, Cadmo jamais havia visto algo parecido, algum tempo depois os três noviços estavam no refeitório aguardando os demais como ordenado.
    Não sei vocês, mas estou cansado…Cansado é pouco. Pelo Profeta! Estou exausto, mas chegamos ainda com luz no horizonte...
     Disse Talian sentado ao lado de Himeneo, ambos um tanto longe de Cadmo. Os dois noviços já aparentavam um melhor estado de espírito. Durante toda a caminhada pela floresta os três ficaram em quase total silêncio, cada um por suas prováveis razões, Cadmo em particular cuidava de cada detalhe que podia, cada passagem, cada pedra, cada tronco de árvore, imaginando se veria aquela coisa monstruosa de novo, ele não viu. O que viram foi o corpo de outro guardião caído sobre as tábuas do píer do lago. Cadmo ouviu, aliás, antes de ver, era um som que parecia o de uma bexiga de bode sendo apertada. Aquele som vinha da garganta do guardião que, ainda vivo, respirava em longos intervalos  puxando o ar com força como se lutasse para se manter longe das garras da morte. O guardião morreu assim que os noviços tentaram contato, nenhum deles falou uma palavra sequer até chegarem ao Cenóbito. Foi a primeira vez que vi alguém morrer - pensou Cadmo sabendo que jamais conseguiria esquecer as imagens que viu naquele dia, ele pensava nos pobres clérigos que teriam de se encarregar dos funerais de todos aqueles mortos. Nada de bom viria em remoer aqueles tragédias, mas ele não conseguia evitar. Ao som de talheres e caldeirões sendo movidos na cozinha ao fundo ele olhava para a longa mesa, aquela madeira lembrava a cor de sangue envelhecido.
    Bom pelo menos...
     Himeneo começava a dizer quando o zumbido de vários clérigos adentrando o refeitório o interrompeu. Imitando os demais clérigos os noviços se coloram de pé formando um grande círculo ao centro do refeitório, no lado oposto ao deles estava ceno Balterem, o líder do Cenóbito, que começava com seu familiar tom de leitura, ameno e constante.
    Um tempo de escuridão vem se abater sobre nossa terra. Sangue foi derramado ás margens de Lacus Albus, sangue manchou suas águas brancas, nossos irmãos de Ordem caíram e não tenham dúvidas que foi em nossa própria defesa. Ao peso da sombra da morte, reflitamos meus irmãos sobre esse valoroso sacrifício...
     Assim como todos os outros Cadmo abaixou sua cabeça e fechou seus olhos. Em memória dos que partiram os clérigos contariam em silêncio até que cem batidas de coração houvessem passado. Entristecido Cadmo fez a promessa silenciosa de visitar todos os túmulos se tivesse a chance, afinal não fosse pelas dobras do destino ele poderia ter sido um desses guardiões que morrem em defesa de terras que não são deles, de pessoas alheias aos seus corações, como Cadmo que nem sequer conhecia seus nomes. De repente Cadmo sentiu um arrepio doloroso correr sua pele, sua boca se encheu d'água e lágrimas correm seu rosto, ainda de olhos fechados ele esperou até o centésimo batimento para limpá-las.
    Bandidos! Saqueadores...
    Tudo indica que sim...
    Veja por exemplo...
    Sim! Certamente bandidos...
    Talvez não se lembre, mas no meu tempo...
     Cadmo ouvia os cochichos que brotavam nas duas mesas em cada lado do refeitório. Após rezarem por quase uma hora, ceno Balterem discursou novamente tendo o cuidado de incluir em seus sermões as novas recomendações de segurança para os próximos dias e em tom de agradecimento mencionou os sentinelas emprestados pela Exarca Venera. Cadmo achou estranho no começo quando se lhe disseram que todas aquelas terras eram governadas por uma mulher, mais que isso todas as casas de nobreza tinham líderes femininas, achou mesmo muito estranho, mas apenas de início, pois no fim das contas as relações de poder entre ricos e pobres permaneciam as mesmas, inobstante o gênero de quem governava. Logo após os sermões do ceno o jantar foi servido. Caldo de legumes, pão rígido e uma caneca de chá, estava tudo muito saboroso como sempre, contudo Cadmo olhava para baixo sem entender por que sua tigela ainda estava cheia. 
    Bandidos aqui? Para roubar o quê?
     Após a saída de ceno Balterem e dos cônegos superiores que sempre se recolhiam para dormir mais cedo, as conversas ganharam em vozes e tom.
    Realmente, como bandidos atacariam sem deixar nenhum rastro?
    Por isso digo que foram atacados por animais ferozes...
    Animais? Aqui no lago? Quais?
    De fato não há registros de ataques recentes de feras nestas terras, certamente foram povos invasores...
    Precisamente, foram povos inimigos e eles é que puseram fogo na sede do Exarcado...
    Não, não, aquilo não foi um atentado, o fogo foi acidental e não queimou mais do que as paredes de um celeiro...
     Cadmo ouvia aqueles clérigos fuxicando como lavadeiras ou pior como bêbados de tavernas, era admirável como gostavam de boatos. Todos debatiam e levantavam suas teorias, bem, todos menos os três noviços. Assim como ele, Talian e Himeneo permaneciam em silêncio, exceto quanto eram chamados pelo nome a responder alguma questão dos mais velhos. Cadmo não corria o mesmo risco, ninguém procurava conversar com ele, mas naquela noite ele não se deixaria abater pelos espinhos do preconceito, já havia peso demais em sua alma. Desanimado, Cadmo desistiu de terminar sua refeição, sem se despedir ele se retirou para o dormitório, não estava cansado, mas seu ânimo simplesmente estava no limite.
    Espero que um bom sono possa me ajudar.
    Cena VII
     Ledice de novo acordou com chacoalhões, ao abrir seus olhos pesados viu que de novo Brami foi quem teve o trabalho. Será que já era de manhã? Seu sono costumava ser pesado, mas ela tinha deitado há tão pouco. Talvez fosse a cama nova, Brami e Ledice foram abrigadas na sede perto de Grena e sua família. Aquele era um quarto nos fundos da cozinha não muito maior que seu antigo, mas a cama era tão macia... 
    Menina...
     Ainda sendo chacoalhada pela cozinheira Ledice levantou seu tronco, tudo estava escuro então apenas quando Brami moveu sua lamparina ela percebeu a expressão de pavor. O que teria acontecido para deixar Brami tão assustada? - pensou Ledice. Segurando a chama numa mão, com a outra Brami puxava ela para fora. Ledice não queria sair vestida daquele jeito, apenas com roupas de dormir, então quando estava para sair do quarto agarrou o casaco pendurado atrás da porta e assim que cozinheira aliviou um pouco a pressão em seu braço ela o vestiu amarrando-o firme na cintura, lá fora a escuridão da noite era cortada por gritos.
    Cena VIII
     Gritos soaram, Cadmo que sempre teve sono leve acordou imediatamente, e portando ele ouviu todos os demais gritos seguintes, aqueles não eram gritos normais, havia algo de errado. Cadmo levantou-se rápido demais e no escuro do dormitório as luzes coloridas assaltaram sua visão, impedindo que ele visse mesmo na penumbra, como tinha comido pouco no jantar seu corpo estava mais fraco que de costume, então ainda que na pior das horas as luzes se faziam muito fortes. Focando sua concentração ele dominou sua visão e deixou de ver tantas luzes, não era perfeito mas seria o bastante por hora. Ainda apoiado contra a parede Cadmo ouviu outra sucessão de gritos.
    O que está acontecendo?
     Perguntou Himeneo. Cadmo não respondeu, em vez disso correu apanhou a vela na entrada do dormitório.
    O que está…
    Shhh!
     Cadmo silenciou Himeneo, que felizmente não voltou a questionar, Enquanto outros gritos soavam, ele correu até sua cama, tendo de suportar a vela quase tocando seu rosto ele se abaixou e retirou um bastão curto de madeira que ele usava para praticar nas horas livres. Era a única arma que ele tinha a mão, certamente não seria suficiente, mas era o que tinha. Rezando para não estar cometendo um grave erro Cadmo entregou o candelabro a Himeneo e sussurrou.
    Vou na frente, você ilumina, em silêncio e devagar…
     Himeneo aceitou com a cabeça, o noviço estava tão pálido que Cadmo pensava se ele não iria desmaiar a qualquer instante. Ambos pararam para chamar Talian, quando a luz passou por cima Cadmo viu a perna dobrada de Talian, estava em baixo da cama. Bem típico - penou Cadmo, toda aquela imagem de bravura, mas quando perigo era iminente ele se escondia. Himeneo teve que saltar para trás quando Cadmo levantou de repente.
    O quê?
     Perguntou Himeneo em sussurro, Cadmo permitiu que o alto noviço passasse por ele e visse por si mesmo.
    Não…
     Em palavras baixas demais para Cadmo ouvir Himeneo tentava mover o corpo de Talian. Por mais que doesse Cadmo não poderia deixar mais tempo se passar. Ele agarrou o ombro de  Himeneo, chamou por ele em voz baixa, por fim o alto noviço levantou-se, preparando se para sair Cadmo pensou ter visto lágrimas no rosto dele. Ele mesmo estava triste, mas não havia o que fazer por Talian, afinal apenas o vivos sofrem. Na saída do dormitório uma sombra passou na frente deles. Num mesmo movimento Cadmo e Himeneo encostaram na parede e se abaixaram. Cadmo pensava que deveria se decidir rapidamente e acertar as costas do inimigo antes que ele os visse, se o que ele aprendeu estivesse correto, a maioria das batalhas terminava rápido e normalmente quem batia primeiro era quem vencia. Cadmo segurou o cabo do bastão com as duas mãos, firme mas não ao ponto de tremer pelo esforço. O que entrou no dormitório não era uma pessoa, tinha sim duas pernas duas mãos e uma cabeça, mas definitivamente não eram humano. A coisa magricela tinha a mesma altura de Cadmo e era verde, coberta de pelos e de lama, ela andava devagar com as mãos distantes do corpo como se tivesse que sentir o espaço em volta. A coisa andava um passo e parava erguendo a cabeça, Cadmo tremia por dentro imaginando se teria força suficiente, mais importante que tudo, se ele não iria errar, ele não podia errar. Tomando coragem ele firmou seu peso nas pernas para se levantar, mas algo lhe ocorreu, a coisa não estava se guiando pela luz, mas Cadmo tinha de ter certeza. Admirado com sua própria coragem ele estendeu a mão para Himeneo e em resposta ao seus gestos recebeu o candelabro. Cadmo agitou o candelabro no ar, a coisa não respondeu a alteração das sombras. Devolvendo o candelabro a Himeneo Cadmo respirou aliviado. A criatura virou imediatamente em sua direção, Cadmo tapou sua boca tentou respirar o mais silenciosamente que podia, mas ele conseguia ouvir o ar saindo de seu nariz. 
    Claq! Claq! 
     A criatura batia seus dentes fechando a mandíbula com força. Como estava bem mais perto o cheiro que se espalhava no ar era cada vez mais presente, algo como sujeira suor e plantas podres. Cadmo não movia um músculo, suas pernas já estavam doendo, mas ele não se movia e internamente agradecia por Himeneo ter a mesma força de espírito. Atendendo aos pedidos mudos de Cadmo a criatura se virou como se fosse sair do dormitório. Cadmo levantou e acertou a cabeça da coisa, na hora suas mãos tremeram pelo impacto, e ele quase soltou o bastão, mas se manteve firme e seus braços, estranhamente pareceram ter ficado mais fortes após o golpe. Quando a criatura ameaçou se levantar Cadmo bateu com toda força, dessa vez lembrando de inspirar antes e soltar o ar dos seus pulmões após o golpe.
    Certo..
     Sussurrou Cadmo, depois que o corpo da coisa parou de se mover com os espasmos ele olhou para Himeneo, o noviço ainda sentado tinha olhos arregalados como se tivesse visto a própria morte. Cadmo limpou a mancha gosmenta na ponta do bastão e acenou para Himeneo. Pouco depois os dois noviços estavam passando a entrada do refeitório.
    Você... Você matou aquilo, o que era aquilo? E... Talian…
     Cadmo teve de retornar alguns passo e olhando para cima viu que o susto ainda não tinha deixado o rosto de Himeneo.
    Concentre-se, pode haver mais, vamos até os sentinelas…
     Os sentinelas não estavam lá. Segundo o que ceno Balterem havia dito do lado de fora de cada uma as portas do Cenóbito deveriam haver dois sentinelas.
    E agora?
     Perguntou Himeneo. Boa pergunta - pensou Cadmo, fugir para o Exarcado talvez fosse o mais seguro, mas…
    Os outros…
     Bastou olhar para Himeneo para Cadmo ter a certeza de que ele havia entendido, os noviços entraram novamente no Cenóbito. 
    Cena IX
    Bram... Por aqui...
     Era a voz grave de Grena soando entre gritos e outros sons horrorosos. Brami retomou o braço de Ledice puxando-a para fora da casa comum. Ao que ela podia ver, caos estava instalado por todo o Exarcado, animais estavam soltos e pessoas corriam perdidas de um lado para o outro.
    Não, não são pessoas.
     Ledice não teve tempo de ver exatamente o que eram aquelas coisas, a escuridão não ajudava e ela teve de voltar sua atenção para frente para onde estava sendo puxada, mas aquelas coisas correndo de um lado par ao outro não eram pessoas. Toda a família de Brami estava no grupo ao que parecia, inclusive as crianças, os adultos elas guiavam juntando-se ao aglomerado de pessoas que corriam para os portões.
    Brami o que está acontecendo?
     Por mais alto que falasse, Ledice era ouvida, em várias direções algumas pessoas gritavam monstros ou palavras parecidas, confirmando o que ela temia. Ainda sendo puxada por Brami ela seguia olhando para todos os lados. Na caótica procissão, nomes eram chamados entre gritos e os sons monstruosos eram cada vez mais frequentes. 
    E as outras pessoas?
     Passando pelas casas que ainda tinham alguma luz Ledice via criaturas atacando famílias inteiras. Puxada para frente ela não conseguiria voltar para ajudar, ainda que pudesse fazer algo numa situação daquelas, para ser honesta consigo ela tinha de admitir que não poderia fazer nada por elas. Ledice não chorava, não era algo possível para ela, mas uma agonia começava a se instalar em seu peito. Brami ainda puxava como se Ledice fosse se perder a qualquer momento, por todo aquele carinho e preocupação Ledice era grata de todo coração. Após uma breve pausa as pessoas começaram a atravessar os portões. Distraída olhando para trás Ledice esbarrou nas pessoas que pararam abruptamente do outro lado. Enquanto dois homens se esforçavam para fechar os grandes portões de madeira o grupo de pessoas formava um círculo no meio da estrada, ali a escuridão era quase total, além da família de Brami apenas poucas outras pessoas traziam lamparinas.
     Vozes soaram no meio da escuridão e como todos os outros Ledice se virou na direção de onde vinham. Eram os monges do Cenóbito, todos estavam tão assustados que ninguém viu eles chegarem, ao menos Ledice não viu. Ela estava mais calma, mas não menos triste Ledice sem saber onde ficar se reuniu com a família de Brami. Logo depois o marido de Grena e outro homem foram até os monges, enquanto conversavam em voz baixa Ledice notava que, exceto pelo avô de Brami, só havia restado três outros homens no grupo de sobreviventes do Exarcado. 
    Está bem menina?
      Ledice respondeu com um aceno para Brami e então pegou um bebê do colo de Grena, a governanta deveria estar cansada de correr com uma criança dos braços. Enquanto algumas conversas rápidas e repletas de perguntas se davam Ledice olhava para os portões, dentre as frestas brilhos amarelados escapavam. Gritos já não eram ouvidos, exceto pelos urros que aquelas coisas faziam. A cada momento as luzes distantes pareciam se agitar mais e mais, o Exarcado estava tomado por chamas.
    Alguém viu aquelas coisas? Sabem o que são?
    São a morte, isso é o  que são, o que estamos esperando aqui? Vamos fugir logo…
    Isso, vamos fugir antes que apareçam mais daquelas coisas…
    Não, antes vamos voltar e ver se alguém mais está vivo. A família Exarca...
     As vozes no meio do grupo de alternavam, e não concordavam em nada definitivo, nenhuma das pessoas parecia confiante o bastante para tomar alguma atitude também.
    Quando os gritos começaram nenhum dos nobres estava lá, olhamos tudo antes de começar a sair...
     Falou Grena, mesmo tendo salvado toda a sua família e se comparada as outras parecia estar bem controlada havia muita tristeza na voz da governanta.
    Os sentinelas foram os primeiros a fugir, e com certeza levaram a família Exarca com eles…
     Completou uma das camareiras.
    Ledice deu um pulo ao ouvir um grito de agonia ao lado dela, era um dos homens, chorando em gritos como se estivesse a beira da morte. Ledice jamais havia visto alguém sofrer daquela maneira, e nenhum deles tinha ferimentos nem nada do tipo. Os gritos do homem finalmente cessaram quando o outro obreiro se afastou dos monges, o abraçou falando-lhe algo em baixo tom,  instantes depois o homem parecia mais calmo. Ninando a bebê em seu colo, Ledice viu que cada um do grupo de religiosos trazia uma tocha consigo. Eram mesmo cinco, três bem velhinhos, um jovem alto e o menino de pele azul, Ledice imediatamente quis ir até ele e conversar, mas imaginava que seria inapropriado interromper a reunião.
    Cena X
    Mortos, todos mortos…
     Dizia Himeneo ao cavalariço que se apresentou como Damácio. Cadmo ouvia em silêncio enquanto os homens debatiam. Mortos? Não, ele não estava certo se estavam todos mortos. Sim eles encontraram cinco corpos, quatro sentinelas e, infelizmente, Talian, mas nada além desses, havia sinais de violência com certeza mas nenhum outro corpo. Quando os outros dois homens do Exarcado retornaram renovou-se a discussão que Cadmo estava esperando:
    Temos que sair logo daqui…
     Dizia o servo que não estava soluçando.
    E ir para onde?
     Rebateu Damácio erguendo os braços em sinal de incerteza.
    Tudo que temos está aqui, se ficarmos podemos pensar em alguma coisa… Em defender…
     Continuou o cavalariço.
    Defender o quê? Está tudo queimado a esta altura. E Contra o quê? Alguém ao menos viu aquelas coisas?
    Ver? Nós até matamos um…
     Cadmo não se surpreendeu quando Himeneo falou, o tempo todo parecia que o noviço exibido estava querendo uma oportunidade de se lançar na conversa, mas nós? Cadmo revia a cena e se perguntava quanto validade do “nós” na narrativa de Himeneo. E no fim das contas ter matado aquela criatura de alguma forma soava muito errado na mente de Cadmo, a prova era que mesmo com toda aquela escuridão ele não enxergava nenhum traço das luzes coloridas, mostrando que sua alma não estava pura. Ao menos estou vivo - pensou Cadmo. Em algum momento a conversa parou e todos os olhares estavam nele. Estão esperando o meu voto - ele pensou. 
    Também não sei o que fazer, mas se formos entrar no Exarcado, devemos ir todos os homens, os idosos ficam aqui com as mulheres, lembrando que não sabemos quantas daquelas criaturas tem lá dentro e que não temos armas decentes.
    Cadmo olhou para o próprio bastão de madeira antes de continuar.
    Mas se formos formos fugir digo que devemos ir agora, levará quase dois dias de caminhada até Rocha Alva, não temos comida nem água, ou seja, teremos de parar em algum lugar, lembrando que tem crianças dependendo de nós…
    Ao mencionar crianças Cadmo viu o homem que soluçava explodir num choro repentino, mas logo se controlou.
    O que decidirem estou com vocês…
     Se pelo peso das palavras ou a melhor análise das circunstâncias Cadmo não sabia dizer, mas a coragem desapareceu do rosto daqueles homens. Talvez por perceberem que eram apenas nove, mas que de fato os homens que poderiam ser combatentes seriam apenas dois adultos, dois garotos e um homem destruído pela perda que soluçava sem parar num choro contido. Bem ao lado havia um grupo de olhares perdidos com mais de uma dúzia de pessoas entre idosos e crianças. Mesmo com pesar da culpa, a escolha se tornou clara para todos eles.
    Cena XI
     Quando Ledice voltou a si já estava caminhando, ela apertou o bolinho em seus braços e se acalmou ao confirmar que não havia deixado ela cair. Não havia sido um vazio exatamente, mas ela se distraiu muito com alguma coisa. Infelizmente ela não sabia dizer quanto tempo havia se passado, mas ao menos não estava mais tão triste por tudo que havia acontecido, estar em movimento fazia bem a ela. Vidra a bebezinha em seu colo era mesmo um docinho, ao contrário do homem que ainda estava soluçando, Vidra não chorou em nenhum momento, por uma ou duas vezes Ledice teve a certeza de que a pequenina abriu seus olhinhos cor de terra e certamente percebeu que não sua mãe olhando de volta, afinal Grena era morena de cabelos lisos e negros, Ledice nada de parecido, mas Vidra não se incomodava, apenas se ajeitava no seu pequeno casulo e voltava a dormir.
    Ela não vai ficar boazinha assim para sempre, logo que a fome bater vai abrir a bocona, todas as meninas da montanha são mortas de fome nessa idade… 
     Disse Brami caminhando ao lado de Ledice e ainda segurando sua lamparina.
    Se quiser pode me entregar ela, não está cansada de tanto carregar essa batatinha?
    Não senhora…
     De fato Ledice não estava cansada, ela estava incomodada sim com seu sangramento mensal que já se fazia presente de novo, apesar de que as cólicas haviam passado por completo, mas era incomodo, não era cansaço. Além do mais era bom fazer algo de útil, fazer algo de bom para as pessoas que sempre estiveram lá para ajudá-la. Brami deveria ter seus trinta anos, Grena era talvez dez anos mais velha e tinha outros dois filhos, agarrados no seu vestido. Damácio o marido de Grena, mesmo não sendo um montanhês, parecia muito preocupado com os avós de Brami e Grena, aquele casal de velhinhos era tudo o que as irmãs conheceram por pai e mãe após a guerra. Então, vendo que todos estavam ocupados de alguma forma, inclusive ela, Ledice não se sentia cansada, estava triste sim, mas enquanto pudesse ajudar ela ficaria bem. Ajudar os outros era renovador, especialmente Brami, a cozinheira estava com uma expressão perdida, como se o mundo debaixo de seus pés tivesse sido trocado por outro completamente diferente e por isso Brami já não sabia como seguir em frente.
    Vai ficar tudo bem…
    Falou Ledice terminando num sorriso, Brami respondeu com um - Claro que vai menina - em seu tom maternal, mas não sorriu ela não estava confiante. Ledice estava, ela sabia que era verdade, coisas ruins sempre iriam acontecer, ninguém poderia evitar, mas a vida era assim, coisas boas também viriam inevitavelmente. Ledice sentia que o ar se tornava mais frio, mas também notavas as luzes começando a aparecer no céu. A coluna seguia pela estrada, cada um com seus propósitos, cada um com atitudes únicas. Os dois obreiros do Exarcado o sério e o soluçante iam na frente, seguido dos montanheses, atrás de Ledice estavam algumas camareiras e arrumadeiras, e mais lá atrás da coluna estariam os monges, incluindo o menino azul que ela ouviu chamarem de Cadmo, mesmo sem saber o significado ela achava um nome bonito também. 
    Cena XII
     Um cobertor de neblina em puro branco pairava no ar, não estava tão frio quanto na madrugada anterior, mas cônego Romupo tossia sem parar, por vezes parecia perder o fôlego, Cadmo até já havia entregado seu candelabro para uma das mulheres do Exarcado, de modo a ter uma mão livre para amparar o velho clérigo caso precisasse. A vela não duraria muito de qualquer forma e já que seu bastão ele não entregaria a ninguém, uma mão teria de bastar. Os outros dois clérigos eram cônegos Gausto e Moni, ele não conhecia  nenhum dos dois, todos seguiam lutando contra o peso da idade, não estavam bem , mas ao menos não estavam tão mau a ponte de desabar,e afinal quem poderia estar em bom estado após tudo que passaram? Bem, talvez o próprio Cadmo e uma outra pessoa. Mais na frente da coluna estava Ledice, alta e de cabelos amarelos, era fácil distinguir as suas formas delicadas e seu sorriso hora para a criança em seu colo hora para a mulher ao seu lado com quem conversava. Todos pareciam destruídos, exaustos, exceto por Ledice, Cadmo não sabia ao certo mas parecia haver uma certa força nela que emanava cada vez mais forte. Talvez fosse o raiar da manhã tornando o céu cada vez mais claro. Era como se ela conseguisse…
     Gritos agudos cortaram os ares, eram gritos de mulher.
     Cadmo saiu da formação em coluna, assim como alguns outros homens, aparentemente pela forte neblina eles não conseguiam determinar a direção dos gritos, mas ele sim, correndo mostrou que a direção seria mesmo a frente. Cadmo parou a beira da estrada, havia manchas de sangue e perto delas um dos sentinelas estava caído. O uniforme em branco e vermelho, as cores tradicionais do Exarcado, estava cortado em vários locais, não era preciso verificar, mas Cadmo tinha de ter certeza.
    Por ali…
     Ao som de novos gritos, Cadmo apontou a direção para Himeneo e os outros, antes de seguí-los ele verificou com o máximo de respeito que a urgência da situação permitia, não havia nenhuma arma com o sentinela, nem as óbvias lanças longas, nem uma única adaga que fosse.
    Não perca mais tempo…
     Cadmo repetia para si mesmo que não deveria deixar passar aquela oportunidade de salvar uma vida, ele se levantou então e correu na direção dos outros. As matas ali estavam tomadas pela neblina e não tinham a mesma limpeza que as do Cenóbito, mas não era tão difícil se mover entre os arbustos. Instantes depois Cadmo parou ao lado dos outros, entre as árvores estava o centrano, um sentinela da elite do lago, responsável pela segurança da família Exarca, atrás do guerreiro estava uma menina branca como parafina de vela. O centrando estava claramente ferido, mas como um urso ele rugia e apontava sua espada em várias direções, na outra mão o escudo estava avariado. Mesmo após o cavalariço e outro homem se identificarem por nome, o centrano mantinha a menina atrás dele encostada contra uma árvore, sua postura de batalha não permitia a aproximação de ninguém.
    É a Exarquina…
     Disse uma das mulheres, no mesmo instante em que o centrano caiu sobre um dos joelhos a mulher correu e abraçou a menina branca. O grupo então se aproximou, com seus olhos praticamente fechados pelo sangue o centrano girou a espada em sua mão e segurando-a pela lâmina ergueu-a na direção de Himeneo. Logo então o centrano caiu sobre seu escuro sangue escorrendo de sua boca.
    Exarquina Adora…
     Dizia a mulher usando um casaco para cobrir a menina que apesar de não gritar mais, ainda chorava muito.
    O que está fazendo?
     Concentrado em retirar o escudo do centrano, Cadmo demorou um pouco para entender que o cavalariço Damácio estava falando com ele.
    Deixa isso aí!
    Supondo que não tenhamos que usá-lo, acho que ao menos precisaremos de provas.
     Rebateu Cadmo ficando com o escudo, a peça estava bastante avariada, sangue manchava o emblema da nobreza do lago e as marcas de garras além de trazer arrepios faziam Cadmo se lembrar. Ele se afastou do corpo dando passagem para os cônegos. Enquanto os clérigos diziam suas palavras de conforto Cadmo vistoriava as matas por sinais da criatura e observava as pessoas a sua volta, em sua mente uma teoria começava a se formar.
    Fim do capítulo.
  • O Humano entre Anjos e Demonios.

    Eu sou Layla Nayana a próxima herdeira ao trono já que meu tio e o Rei ele é a linha direta na coroação, mas e incapaz de ter filhos, então cabe a Meu pai ter o herdeiro só que tem um pequeno problema meus pais só tiveram filhos do Sexo Feminino, melhor dizendo 7 Meninas sendo eu a mais velha. Então eu como a mais velha ganhei esse direito, eu serei a XII Rainha do Reino Alber Lencei.

     Amanha irei para uma escola ao interior do reino para aprofundar minha magia, minha magia e de invocação e possessão, ou seja, posso invocar espíritos e possui-los, fazendo uma fusão, vamos assim dizer, e claro eu preciso de um controle auto para não ser possuída, principalmente por meu espirito Fénix, sim meu espirito é a própria Fénix a Ave Imortal a qual ressurgi das cinzas um espirito classe Lendário, acima da classe lendária só existe 12 Espíritos Celestiais os espíritos nível Deus mas alguém que pode sumonar e muito mais raro, quase impossível você achar alguém com tal poder, tanto porque se você usa-los pode trazer vários danos ao seu corpo, como encurtar sua vida, ou ter que dar algo seu em troca como um braço, uma perna ou algum sentimento como amor, bondade ou ódio, e bem variado o numero de coisa que se pode perde, por isso nos consideramos ate uma maldição alguém nascer com tal poder, caso alguém nasça com tal poder nunca será usado pela corte ou elo exercito para fins como guerras, para que o usuário de tal poder não sofra danos irreparáveis, mas bom, ainda não nasceu ninguém com esse poder na minha Era então eu sou a que tem o espirito mais forte.

      Graças a tela sou chamada de a Esperança da humanidade, pura bobagem, quem tivesse um nível Deus seria tratado com um Rei então, e teria que ficar as ordens do Rei, no caso isso se aplica a mim, eu não posso desobedecer meu tio, ele tem que ter o poder necessário nas mãos para lutar, então deixo ele fazer o que quiser e falar quem sou para os outros nobres e plebeus.

     Hoje faço 15 anos, me torno adulta sendo assim resolvi estudar e aprofundar minha magia para acabar com as guerras entre os seres celestiais e os Humanos, afinal a terra já não está mais aguentando tantas guerras ao passar dos anos, isso para os anjos e demônios pouco importa já que a terra e só um campo de batalha. Antes era um paraíso ate que Deus morreu, sim deus a qual nos fez, morreu junto com o 4 Demonios superiores Lucifer, Leviatan, Beelzebub, Azazel á 2018 Anos na Grande Guerra. Morreram tentando selar os 12 Espiritos Celestiais conseguiram mas a forçar que lhes restou não foi suficiente para continuar a Guerra então pouco a pouco todos os seres demônios e anjos foram morrendo, Deus morreu dois dias depois de selar o espíritos, o que abalou os céus, só que do outro lado os 4 Demonios já não tinham mais forças então pediram que lhes matassem é assim foi feito.

     Desde então Miguel e Gabriel , os Arcanjos, lideram os Céus e no Inferno Belfegor, Asmodeus e Mamon, os Três Reis Demonios cuidam do inferno, essa briga entre eles continua até hoje só que os Humanos também entraram nessa briga a 1111 anos atras para proteger a terra graças a isso a terra continua bem, só que isso não pode continuar, não vai! 

    Amanha estou determinada de ir para a Lencei estudar e logo depois por um fim a essa Guerra, por que se não a humanidade deixará de existir para sempre.

    Ano 2130...

    _Me lembro de tudo daquele dia, o cheiro insuportável da fumaça, o fogo queimando tudo, gritos e choros de crianças e adultos, crianças chorando e buscando pelos seus pais, asas brancas e negras lutando no céus como se não fossemos nada, o sangue em minhas mãos, aqueles que tiraram tudo de mim Anjos e Demonios...

    Ano 112...

    Destrua, destrua todos.

    Você quer poder, nos te daremos poder o quanto você quiser Yuu, então o que você deseja ?

    _Eu desejo... desejo Morte.

    _Hahaha então que seja ser torne a própria morte Yuu, não Hakaishin, nos te daremos poder então destrua tudo.

    De repente o céu se fechou nada além da escuridão podia ser visto, estava um silencio até que...

    Naquele instante todos os seres existentes foram apresentados ao Real medo.

    No dia 12 de maio de 112 a  Propria Morte nasceu.

     todos ficaram com medo daquela escuridão sem fim ate que todos ouviram uma voz uma única voz com tons diferente como se variasse, era como se varias pessoas fossem uma só.

    Um grito de dor foi ouvido, logo depois uma voz.

    _Aaaaaaaaaaah

     _Eu na qual desperto, o ser Celestial acima de Deus!

    Eu destruo tudo, não salvo nada.

    Sua alma vai sofrer comigo

    O relapso da santidade surgiu

    O que é Amor ?

    O que é Dor ?

    Despedaçarei todos os Anjos e os demônios,

    MORRAM.

    _O céus se abriu e o Dia havia virado Noite, uma Risada era Escutada até que todos olharam para a Lua a vista era Linda é ao mesmo tempo Medonha, ali estava o ser na qual matou Deus e os 4 Demonios ali estava o Hakaishin (DEUS DA DESTRUIÇÃO).

    _Naquela noite Deus e os 4 Demonios selaram um Ser na Qual matou 50 % de todos os Anjos e Demonios o ser na qual pintou a terra de sangue, O Ser com Um Rosto uma hora feliz e outra na qual gritava e chorava, um ser realmente impossível de ser entender, O Medo em Pessoa.

    Os Motivos para que uma simples criança tenha ser tornado isso foi...

    Ano  Medieval 112..  

    2018 anos no passado

    Eu Yuu Layo tenho 11 anos e tenho 5 irmãos, vivo na vila July, uma vila pequena longe da capital perto das montanhas que cerca o país, estou catando madeira para queimar, já que hoje eu que irei fazer comida para comemorar, é aniversario da Vovó ela faz 80 Anos é a pessoa mais velha da aldeia, o pessoal a chama de ância o por que, não sei mas todos pedem conselhos a ela.

    A Vovó e muito sabia e sempre tem uma historia para contar, como a Historia da Criação, a historia do Minotauro, ou da Medusa a Rainha das Gorgonas, eu gosto das historias da vovó.

    Terminei de pegar a lenha, estou voltando para casa, meus irmão estão me esperando voltar, tenho ótimos irmãos principalmente Leya a mais nova ela sempre quer me ajudar, é apesar de ser a mais nova ela é a com mais amadurecimento entre nos todos talvez até mais que eu, hihihi.

    Cheguei em casa,  todos estavam arrumando a casa sem brigarem, o que era raro entre nos, a Vovó sorria e todos nos riamos por ela já não ter muitos dentes na boca quando sorria ficava engraçado. Terminei de fazer o almoço, era carne de carneiro com batatas, olho pro lado e todos babando principalmente a Vovó todos estavam famintos então disse a famosa frase que minha mãe usava nessas horas: Se empanturrem seus porcos.

    De repente o ambiente calmo se tornar um campo de batalha todos tentando ser o primeiro a comer, de um lado puxões e empurrões eram vistos do outro, mordidas no braço e arranhões eram feitos principalmente pela Vovó e como sempre a Leya esperando sua vez ela com certeza é a mais madura entre nos.

    Terminamos de comer, eu pedi para todos irem brincar e se divertirem assim foi, logo após todos saírem a vovó me chamou estava seria sobre algo, ela pede para eu sentar e escutar bem, é assim faço.

    _Escute Yuu os Knights Raid estão vindo, nos cobrar aquilo que seu pai deixou pendente.

    _É eu sei e eu já tenho um plano do que fazer.

    _Você não vai fazer isso, não vai se entregar para eles, você vai ser vendido e tratado como escravo esse não é o destino que seu pai queria Yuu.

    _O futuro que meu pai queria é um mundo de fantasias, eu não consigo sonhar igual a vocês vovó , só olho para frente nada mais, sigo em frente passo por passo, devagar e sempre, esse é meu lema e com ele que decidi isso, eu vou me entregar a eles para quitar a divida.

    Era meia-noite estava lua cheia, todos estão dormindo, estou indo me entregar, a vovó e pouco moradores sabem que estou indo, ela vai contar para meus irmãos amanha que fui morto por um urso e que meus restos foram enterrados no pé da montanha, os moradores irão fazer uma cova e fingirem que estou morto, assim espero que seja.

    A lua está no ápice, estou perto de onde é para nos encontrarmos, não a nada a ser feito o vilarejo não pode quitar a divida afinal vivemos do nossa própria colheita e não nos envolvemos com a capital para precisar de dinheiro, a divida de meu Pai é de remédios que meus irmão e o povo do vilarejo precisou por causa de uma peste que atacou o país á 3 anos atrás, o remédio não era caro só que a quantidade de remédios que foi preciso para as pessoas do vilarejo era alta os Knights Raid eles não são ruim apenas rígidos com suas regras, eles são responsáveis por trazer remédios, além de outras coisas da capital para os vilarejos só que todos os anos na Lua cheia eles voltam para cobrar um pouco da divida, caso não pague eles atacam o vilarejo e destroem tudo ate sobrar apenas pó e vendem todas as crianças para o mercado de escravos, deixando só os adultos livres acho que eles usam isso como uma punição aos devedores, eu não posso deixar isso acontecer, não vou meus irmãos vão ser livres.

     A divida é alta, é meu pai sumiu a 2 anos tentando se reergue na capital, já que a divida e algo que não podemos pagar, me darei como escravo que apesar de não parecer grande coisa um escravo jovem vale muito na capital principalmente para os nobres que gostam de nos maltratar para se sentirem superiores então irei com eles e assim que quitar minha divida voltarei para o vilarejo e claro demorara ano mas não á nada a ser feito, ops não é ora de chorar, estou chegando ao ponto de encontro

  • O Poder Sagrado da Arruda e do Limoeiro

    Como de costume no final de tarde estava a trabalhar no seu pequeno jardim, em especial, no canteiro de ervas que fizera ao fundo do quintal de sua casa, próximo de uma cerca feita de pequenas varas de bambu-chinês. Esse pequenino canteiro horizontal, confeccionado por pequenas pedras de calcários brancos enfileiradas, era um dos pontos mágicos e sagrados do seu jardinzinho orgânico. Ali encontravam-se plantadas, uma após outra, plantas de poder e de cura, medicina para o espírito, para a alma (psique ou coração) e para o corpo, como: Capim Santo (Elionurus candidus), Erva Luíza (Aloysia citrodora), Erva Cidreira ou Melissa (Melissa officinalis), Sálvia (Salvia officinalis), Babosa (Aloe Vera), Manjerona (Origanum majorana) e duas espécies de lavanda ou alfazema (Lavandula angustifólia e Lavandula pedunculata).

    Progressivamente em fila, encabeçando o canteiro, plantara um Pezinho de Limão: "Mas, o que tem de haver um Pé de Limão junto a plantas medicinais e de poder?". Na verdade, o Pé de Limão fora colocado no lugar, em que se encontrava um saudável e farto arbusto de Ruta-de-Cheiro-Forte (Ruta graveolens), que misteriosamente em uma demanda espiritual de ordem negativa vinda externamente contra ele, o arbusto em caridade protetora, secou gradualmente, aos poucos, em sacro-sacrifício e morreu. Daí lhe veio, como sempre, a doce recordação de infância nas sábias palavras de sua (já desencarnada) bisavó, que era uma poderosa parteira, rezadeira e curandeira. Muito bem conhecida em toda a região onde morava, entre outras muitas fantásticas manifestações, por realizar mais de três mil partos entre humanos e animais, inclusive o dele próprio, sem deixar desfalecer um ser vivo sequer, não importando a gravidade de risco. Praticamente todos os meninos e meninas da localidade nasceram pelas benditas mãos dela, que devido a tal prodigiosa façanha ficará conhecida por todos como Dona Darluz, apesar de ser mais uma Maria das muitas da região.

    A respeito da Ruta-de-Cheiro-Forte, sua bisa lhe dizia advertindo: "Essa planta tenho para mim como a mais sagrada de todas as plantas, pois pertence unicamente ao Sagrado Positivo, e, por isso deve ser sempre colocada na entrada da casa. Assim, nada de negativo pode entrar em seu ambiente."

    Devido a tal nostálgica recordação, ele resolveu colocar umas mudinhas da Ruta-de-Cheiro-Forte na entrada da sua casa, e plantar um Pé de Limão no lugar do arbusto que morrera no fundo-de-casa.

    Sim! Mas, por qual razão plantar o Pé de Limão no fundo da casa?

    Sua bisavó, D. Darluz, lhe falara que o Limoeiro (Citrus limon) era a contrapartida da Ruta-de-Cheiro-Forte. Dizia ela que toda planta tem sua contraparte no mundo, sendo: positivo e negativo, feminino e masculino, inercia e movimento, absorção e repulsão... se completando em ciclos espiralados. Além, é claro, que toda contrapartida deve pertencer a mesma família. No caso o Limoeiro e a Ruta-de-Cheiro-Forte pertencem à família das Rutáceas. Por isso, falara também, que o Limoeiro sempre deve ser plantado no fundo da casa, dessa forma poderia fechar um ciclo para proteção do ambiente, em que o Limoeiro atraia para ele tudo que era de negativo que a Ruta-de-Cheiro-Forte deixara passar se a carga negativa fosse maior que a capacidade da planta barrar, completando assim a proteção energética ambiental.

    Sempre em que se entregava a dar manutenção no seu canteirinho de ervas de poder, seus pensamentos, imbuídos em muito sentimentos, voltavam-se com todo carinho para a figura mística da sua bisa, a popular D. Darluz. Seu nome verdadeiro era Maria da Piedade, nascida em Portugal na antiga Vila da Arruda e hoje atual município Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa (Região de Lisboa e Vale do Tejo), comunidade intermunicipal do Oeste Cim. Dona Darluz dizia ser descendente das famosas curandeiras de sua região, pejoradas pelos ignorantes como Bruxas da Arruda, que por assim, eram descendentes das feiticeiras e sacerdotisas dos antigos Povos Celtas, mas que devido às misturas culturais e étnicas, e de conquistas de outros muitos povos, com seus costumes e crenças, ainda as mulheres de sua família mística mantinham as antigas tradições, com meras e significantes influencias dessas novas culturas que foram ao longo do tempo agregadas (Não citando as muitas mazelas que sofrera sua mística linhagem durante os massacres do Tribunal do Santo Ofício, com a perseguição religiosa da inquisição portuguesa, promovida pelo clero católico dominicano). Imigrara junto a sua família para o nordeste do Brasil nos meados da primeira década do século XX (entre 1910 a 1920), aos vinte anos, devido à crise que se alastrava na Europa, como resultado da conclusão da Primeira Guerra Mundial e da gripe espanhola. Sendo assim, se fixara no Novo Mundo absorvendo também as muitas sabedorias místicas que ali existiam, tanto dos povos ameríndios como dos afrodescendentes.

    D. Darluz tinha uma presença magneticamente atraente, sendo uma linda senhora alta, bonita, nem muito magra e nem muito gorda e de olhar penetrante. Morava em uma casa que fora construída metade de pedras e outra metade de madeira a arquitetura arcaica mediterrânea, toda ela erguida com o suor de seus pais, seus irmãos e dela mesma. Em uma chácara com cerca de quarenta hectares. Lá havia um grande pomar com diversas árvores frutíferas, uma horta orgânica, campos de flores e ervas medicinais e muitos animais domésticos, como: cabras e bodes, cavalos e éguas, mulas e burros, jumentos (Equus asinus), galos e galinhas de diversas raças, perus, pombos, papagaios, pavões, patos, gansos, porcos, vacas e bois, além dos muitos animais silvestres da região. E, sobrevivia da produção de derivados de leite (queijos, doces e coalhadas de cabra e vaca) e de suas práticas místicas de reza e cura, que, na verdade, esses serviços sagrados eram lhes recompensados por doações. Pois, ela sempre dizia que a verdadeira proteção e cura não podia ser comprada, apenas recompensadas pelas atribuições dos beneficentes, o que estes julgavam de coração contribuírem de acordo com que achavam ser merecido, e, nunca cobrava nada e nem recebia doações, um centavo sequer, pelos partos que realizava, afirmando ser (esse Sagrado Ofício) a sua verdadeira missão na terra: DAR A LUZ!

    Como toda boa portuguesa milagreira em terras brasileiras tinha lá suas queixas, que eram verdadeiramente mínimas e de questões culturais. Sentia falta dos vinhedos e dos bons vinhos, das oliveiras e de suas azeitonas e azeites, dos muitos temperos e ervas naturais do mediterrâneo, das ovelhas e suas deliciosas coalhadas e queijos, do frio nas pradarias e do aconchego da lareira... suas queixas se baseavam em suas saudades de uma terra mágica e romântica... de Portugal, sua gente pacata e sua península ibérica. O Azeite, produto das oliveiras, lhe era sagrado, pois, era através dele que realizava os seus milagres adivinhatórios de cura e proteção. Em que pingava gotas de azeite no consulente, depois com o dedo retornava a pingar o azeite em um prato raso com água, lendo as gotas de óleo que davam forma as verdes letras mágicas no líquido, em seu processo místico divinatório. Também, conseguir o azeite de oliva puro era muito difícil no nordeste do Brasil, porquanto, encomendava algumas sacas de azeitonas do Uruguai com os caminhoneiros que lá iam e regressavam, e, manufaturava pessoalmente o seu azeite. Sendo que nessas consultas com esse processo, independente das doações, cobrava uma certa quantia fixa, apenas, para cobrir os custos do material importado e sua trabalhosa produção.

    Em sua casa havia um pequeno quarto dedicado ao sagrado, com uma grande mesa servindo de oratório em que se realiza os muitos milagres, curas e adivinhações. Essa mesa era repleta de objetos místicos, tigelas com água e azeite, vasos com vinhos e porções de cura, pedras semipreciosas, ossos, pequenos frutos e animais dessecados, potes de unguentos e cataplasmas, pedaços de madeiras e galhos secos, velas, óleos essenciais, cristais, pequenos jarros de barro e porcelana, potes com incensos, incensários, instrumentos, lápis e cadernetas de receitas místicas, papeis para anotações, muitas flores e frutas para oferendas, sal grosso, sal amargo, mel, livros e todo teto era coberto com ervas medicinais, arrancadas pelas suas raízes, penduradas de cabeça para baixo. Criando um ambiente de um universo místico com os seus muitos odores e fragrâncias mágicas.

    Voltando-se para o aqui e o agora, no seu pequeno jardim, com as tantas recordações da sua bisa, lágrimas rolaram de seus olhos ao relembrar de sua infância, em que vivera da idade de dois anos até os seis na companhia dessa mística senhora portuguesa na sua maravilhosa chácara (Chácara Celeste), que depois veio a falecer tranquilamente dormindo com a idade de 97 anos. Recordou-se das tantas histórias que sua bisavó lhe contara de sua terra natal, como: O Caso da Perua, em que um lavrador descobriu que sua vizinha era uma feiticeira que se transformava em um peru; as lendas de lobisomens e maldições; O Demônio do Pinhal do Álamo, em que um curioso rapaz achou um cabrito branco que, na verdade, era um demônio; A lenda de Nossa Senhora da Ajuda; A Lenda de São Tiago dos Velhos; A Lenda do Ouro e da Peste; A Lenda da Parteira e dos Mouros; A Lenda da Cobra e das Cinzas; A Lenda de D. Manuel I e da Peste; A lenda dos Fornos das Antas; A Lenda dos Quarenta Queimados... E, a lenda que ele mais gostava 'A Cova do Gigante', que é um monte do município Arruda dos Vinhos que dizem ser a sepultura de um enorme gigante ciclope Grou que assolava a região.

    Sendo que, além de todas essas maravilhosas lembranças, sempre lhe vinha à mente as muitas sabedorias mágicas que aprendera com sua bisa, em especial ao que diz sobre as ervas de poder. Sua bisavó lhe ensinou que as ervas tinham poder de curar e empoderar o Espírito, a Alma (psique ou coração) e o Corpo, sendo que não toda erva era para cura de ambos. Existia um grupo de ervas para cada seguimento dessa tríade, porém, apenas um pequeno grupo de ervas, conhecida por ela nas terras sul-americanas, serviam para cura e, dar poder aos três veículos. Dentre elas estavam o Tabaco (Nicotiana tabacum), a Acácia ou Jurema Preta (Mimosa hostilis), a Chacrona (Psychotria viridis) e o Mariri (Banisteriopsis caapi), a Diamba (Cannabis sativa), a Folha de Louro (Laurus nobilis) e por último, a que segundo ela era a mais sagrada de todas, a Ruta-de-Cheiro-Forte, muito usada em sua tradição milenar Celta, em que ela utilizava para todos os seus processos milagrosos.

    E foi por causa da influência de sua bisavó entre as parteiras, rezadeiras, mães-de-santo e curandeiras do Novo Mundo, que a 'Erva de Cheiro' como era conhecida no Brasil, trazida das terras mediterrâneas pelos portugueses no período colonial, passou a se chamar nessas terras tropicais do Novo Mundo de: Arruda, em reverência a vila natal de Maria da Piedade, a D. Darluz.

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