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  • DESCAMINHOS

    Sermos amantes
    Nos livros, na vontade de potência e livres!
    Construirmos nossas opiniões
    Silenciaremos os canhões e os sermões
    Viajaremos no universo e nas fragmentações.

    Sermos cantores
    Nos bastidores, escritores!
    Críticos dos valores superiores
    Da sociedade hipócrita sem concepções
    Vamos insuflar as cotas em detrimento dos colonizadores.

    Sermos artes
    Poesia, Platão e Sócrates!
    Livros belos, filosofia e conotações!
    Cidades, festivais e artes!
    Nietzsche, disciplina e valores.

    Sermos contestadores
    Catadores de sementes
    E de idéias mirabolantes
    Idealizadores de uma sociedade justa e combatente
    Nas trincheiras das desigualdades.

    Sermos desencaminhar...
  • Devaneios

    apenas pensamentos passados para o papel.
    'passar' verbo que de representação mor nós faz prosseguir com a vida. 
    o que posso racionalizar de mim mesmo, já que deixo o sentimento ser racional, como um louco me pergunto...
    somos todos frutos de nossas ações, que por vezes são frutos de nós...
    pausa na vida, ela merece respirar, tomar um café e prosseguir...
    me digam...
    "há como não pensar em alguém?"...
    e com um simples devaneio me respondo...
    avente, vou prosseguir, pequenas pausas que arrancam-me sorrisos...
    puros, belos fartos... mas estão longínquos do mundo que me cerca, só encontro em pausas..
    vida futura .
  • Dirias

    Duas almas é o que há, como disse o mestre dos incompreendidos, ''venha!
    Fique conosco que há lugar para você''
    Ora dirias que por dentro é natureza e por fora crueldade,
    Mas te digo amigo que, muito próximo as duas são.

    Fique! a controvérsia não gosta da solidão,
    Continue firme que os passos são incertos, as almas absorventes e vulgares...
    Fale comigo! És mesmo incompreendido? Pois saiba que as estrelas também o são
    E, apesar de mortas, iluminam nossas almas.

    Agora dizes ouvir estrelas! Então eu vos digo amigo,
    ''Fale com elas e tuas almas salvará''.
  • Entre "nós" e "nós"

    Entre esses "nós" que nos entrelaçamos, e nós nos perdemos, que nós nos beijamos, nós nos tocamos, nós nos amamos, nós nos acabamos de tanta intensidade dos nós do nosso amor, da nossa paixão, do nosso fogo, dos nós que fazemos quando damos as mãos, dos nós que quando conversamos desata uma felicidade explendida que nasce quando nos encontramos de novo, nós que parecem durar pra sempre, nós que nunca desatam, nós que tocam nossa alma e desamarra esse medo que nós tinhamos de nos machucarmos novamente, de nós e nós vamos desatando o nosso futuro e lá fazer um nó que unirá nossas almas que nunca mais se afastarão, de nós do nosso amor que teria o mais belo laço dos nós mais fortes de toda história, do nós que eu sonho em existir, dos nós que vamos construir juntos e lá, nós poderemos ficar no nó do nosso amor que irá segurar nós.
  • Estátua Humana

    Sou uma estátua humana
    Inerte e estática, mas ainda humana
    E, sendo humana, tenho sentimentos
    Mas todos se parecem iguais

    Até mesmo as novidades não mudam isso
    Talvez porque toda novidade não é uma novidade
    Algo ruim aconteceu, mesmo que tenha sido planejado para ser bom

    Mas como toda boa estátua humana, sigo
    Talvez esperando uma boa novidade ou um bom sentimento
    Para que assim possa sair da inércia e me movimentar um pouco
    Deixando por um segundo de ser a porra
    De uma
    Estátua
    Humana.
  • ESTE POEMA OESTE

                                                                                                           para Teresa, no aniversário dela

     

     



    Sim

        não

    sinal   ver

                    melho

                       ama r

                                 é

                                     lo

    amarduressendo          verde

     

     

     

     

     

     

     

     

     



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    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 189.

  • Estrofe do dialogo

    os momentos são únicos;
    as sementes são únicas;
    os gritos são surdos
    as palavras nuas
  • Éter

    Não acredito tanto assim na realidade do mundo material, físico
    Vamos descarnar
    Feixe sublime
    Fases de aprendiz                                  
    Isso resume as nossas existências
    O tempo ensina, mas o etéreo já aprendeu o que é físico e o que é o além
    Do começo ao fim
    Tudo tem seu sagrado motivo
    Cada fio de cabelo que reage ao vento interpreta com integridade o seu divino papel, ausente de ego.


    Poema do meu primeiro livro de poesias, Átomo, lançado em dezembro de 2018, com prefácio de Rafael Cortez e apresentação de Thomas Pescarini e disponível em formato físico e ebook na Amazon.
  • Eu conto ou tu me conta um conto?

    Inícios para mim são sempre mais difíceis. Começos são desafiadores. Não sei bem ao certo quando esse desafio começou, mas para mim tem alguma relação com meu nascimento. Não sei bem. Tenho dúvidas.
    O nascer é luz, mas o sobreviver é imensidão. Nem sempre só de luz vive nossa vida e, parece que, a única coisa que querermos quando saímos e entendemos o que está acontecendo do lado de fora, é voltar para a caverna quentinha da mãe e ali, imaginar, ideias, sem certezas. Só ideias. E aqui estou, sobrevivendo em palavras. Começando e recomeçando pensamentos, revirando e tirando poeira de memórias para dar a alguém de presente. 
    Imensidão. Dúvidas. Reflexões, começos e recomeços. 
    Ah! E por falar em nascimentos, escolhas e essa coisa toda da crise existencial básica humana, essa semana uma amiga apareceu aqui em casa, pra colocar o papo em dia e aquelas coisas todas. E,  entre uma pitada e outra, acabei comentando que precisava contar uma história, fazer um trabalho e teria que ser uma memória, lembrança...sei lá, alguma coisa nesse sentido, mas não sabia nem por onde começar e nem qual assunto escolher. Faltei nesse dia e perdi a atividade que ia me ajudar a “desbloquear” o assunto, internet ruim.  Um adendo: processos criativos são importantes, não falte às aulas, tudo fica mais complicado!  Um caso engraçado, aqui quando venta a internet por fibra para de funcionar, vai saber... mas voltando ali para meu conflito do que escrever...
    Imensidão. Dúvidas. Reflexões. Essa coisa toda. Estava com duvida primeiro do que contar e depois de “como”. Antes que eu sentisse fome e comesse o texto todo, procurei uma forma de organizar as ideias e mandá-las pra fora. Pois bem, em casa estava eu e minha amiga e ela desembestou a falar. Me contou uma infinidade de encontros frustrantes e cômicos de sua longa jornada nos apps da nossa solteirice moderna. Novo social, sabe como é, né?
    Passamos desde tatuagem inusitada do Pinóquio até “dividimos o IFood e ele ficou me devendo, acredita amiga?”. Rimos. De desespero, talvez. Comemos. Dividimos. Agora divido com você, mas não era bem sobre isso que queria falar...encontros frustrantes na internet? Intimidades não...
    Imensidão. Vida. Dúvidas. Faz parte de tudo que respira? Que loucura isso! Alguém para o mundo...porfa.
    Ouvindo ela só pensava em como nós somos reféns das nossas escolhas e como escolher era difícil, pelo menos para mim era. Já para ela, mais fácil do que se imagina. Olha que doido, ela escolhendo pares românticos na internet para tampar um pedaço vazio de vida e eu escolhendo memórias e palavras para tampar um buraquinho na minha imensidão de vida.
    Dúvidas. Como faria isso? Como ela faz isso? E, então, do nada ela me disse “eu mereço mais que isso. Você não acha, amiga? Não vou mais usar esses apps.”
    Decidir. Escolher. Pensar. Para mim, muito mais que epifania. Para minha amiga é uma escolha, um “match perfeito”.
    Imensidão. Qual o tamanho da vida? Quem delimita o espaço ou tamanho que as coisas do mundo ocuparão em nossa existência? Quem define o tamanho de uma responsabilidade ou uma certeza? Por que decidir o que comer, vestir, achar ou falar para mim era tão complicado? Eu sempre me enrolo. Meto os pés pelas mãos, saca? Não é simplesmente só escolher um que te agrada mais e fim? E se eu me arrepender...?. Dúvidas.
    Quando comecei a ouvir aqueles montes de histórias que minha cabeça revirada contava e meus ouvidos metralhados de memórias iam ganhando da amiga, comecei a refletir sobre essa imensidão, minha e dela. Se nascemos todos iguais, do mesmo buraco, então como nos tornamos tão diferentes e com vidas tão únicas? São tão únicas que aqui estou, depois de vários carácteres e sentidos, tomando um café e fumando, escrevendo e pensando em que tipo de memória compartilhar, consigo entender essa singularidade. Para uns, escolhas são luzes. Abrem caminhos, divertem e iluminam sorrisos. Para outros, imensidão... trazem dúvidas, pensamentos, escolhas gris e... não sei ainda o que escrever. Escolhas. Não sei fazer. Como eu deveria encarar? Luz? Imensidão? Mistérios?luzes e sombras? Será? Mas então, eu  sempre falo da minha mãe e da minha criação. Principalmente do ano em que a cromoterapia com cristais pintou em casa e tinha cristais até no suco para filtrar as impurezas e energias e tal. Ah! E quando era o ano da prosperidade e a água era tingida de azul? Esse ano foi épico, descobri que o suco de laranja fica roxo. Ideias. Não queria mais falar de mim, também. Porque igual a minha amiga, tenho conflitos sentimentais, mas por falta deles. Não sei escolher. E se a gente juntasse tudo numa coisa só? Os gostos das pizzas e cores da natureza e, então, tomasse uma capsula por dia. Uma especie de fórmula. Ser adulto é uma constância de escolhas, difícil pra quem não sabe manusear a ferramenta da escolha...pensei então em falar de como meu pai era especialmente inteligente e criava, dentro da área dele, coisas super inovadoras.  Ele era eletrotécnico de uma multinacional alemã e o seu tcc entraria para a historia da FATEC, mas como o pequeno príncipe, ele cansou de carregar sua matéria e foi viver nas estrelas. É triste e eu não queria. Pensei então em contar como minha avó fazia caramelo e sabia o ponto da calda pelo cheiro e pelo barulho que a bolha fazia quando estourava na panela e que por outro lado, não sabia de jeito nenhum fazer arroz. Ficava tipo, unidos venceremos. Ou então que meu avô era rico e perdeu tudo na esbórnia. Fardos de família, também não. Não sei.... dúvidas. Imensidão, reflexões, começos e recomeços. E minha amiga ali, falando, falando. Comemos. Rimos da desgraça nossa. E agora estou aqui, na dúvida de qual momento compartilhar. Pensando bem, acho que essa arrumação aqui nos arquivos me fez reviver. Talvez ficar na dúvida fez bem. Iluminou a minha imensidão, me ajudou a organizar as memórias e vivê-las em palavras, que por sorte minha será compartilhada por voz. Foi preciso revirar e arrumar essa imensidão toda que existe para saber a importância que uma memória tem. Podemos revivê-las a qualquer momento e eternizá-las em palavras. E agora quanto a decisões e escolhas, melhor deixar para uma outra hora. E o assunto da minha historia? Também não sei. O que eu sei é que a única coisa que meu pensamento grita é... “como você pode ser tão indecisa, menina?”
  • Eu faço poesia porque não sei não fazer

    Eu faço poesia porque não sei não fazer
    eu vivo cantando porque não sei não cantar
    tudo que eu faço eu faço de qualquer jeito
    porque não tenho jeito pra nada na vida estudar.

    eu ando torta e caio na rua
    brinco de casa e faço meu
    pensar em roda de lua.

    tudo de qualquer jeito
    sem jeito de começar
    nem final pra me apurar.

    no cair do dia minha façanha é sonhar
    de qualquer jeito de manhã
    me ponho o que o mundo estranha a aprumar.

    feito música que ninguém grava
    feito propaganda que ninguém entende.
    minha festa nem tem gente
    meu banquete nem tem nada de comer.

    meu jeito é andar pra frente.
    e que outro jeito a vida há de ter?
  • FLAMA

    para minha amiga Mara Santos (Várzea Grande/Cuiabá - Mato Grosso)



    olho
    aberto sobre
    a tarde em círculo
    ( o círculo da tarde )
    reflete nu espelho azul
    o sou
           l
            o
              posto entre luz e trevas



    ..................................

    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 191.
  • Free To Choose

    you are not free to choose and say that you
    do only
    The life is like autumn rain
    It's a phenomenon that always improves each time  even if this is already better
    But life is not a single path
    in a way that
    Doesn't meet another meaning,
    other Existences

    Because this is the life
    a sheet to be stepped on after the gale,
    a butterfly does not kiss the same 
    pollen grain
    Same children playing outside before the stormy and cold rain, reciting poems
    Making small talk and running into the rain
    at the end of the day   Just looking for fun
    being happy
    It could be perfect, if it were real.


    you’re not free to decide anything

    You just choose to be free
  • Gira a Alma Com Passos Maiores

    É o que vem a desenhar o compasso
    Num passo a passo dos traços nossos, agora
    Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se
    É o nos fazer girar esse compasso
    Que de agora os passos nada de antes se classifica
    É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir
    Não há redores dele a passar-nos
    No que é nossa forma e nosso conteúdo.
    Alguns passos outros e passamos a girar
    Nele, tempo nosso, escalas menores
    No que d’alma atributos maiores
    Os passos eu não conto no desenho
    Passo os traços no agora
    Venho e faço descompasso
    A girar vida afora
    Roda grande que fecha
    Roda de dentro se abre
    Passa o tempo a ser nosso
    Gira a alma com passos maiores
  • ÍCARO

    O voo
    desaba no céu
    deságua
    desarma
    desata
                  c
                    aí
                        !
                        .
                        .
    erra na terra
    e se encerra em si
                                  em
                                        cio





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    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 193..
  • ÍCARO

    O voo
    desaba no céu
    deságua
    desarma
    desata
                c
                   aí
                       !
                       .
                       . 
    erra na terra
    e se encerra em si
                                   em
                                         cio




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    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 193.
  • Iniciando o pecado

    Por sorte conheci Ângela.
    Era magra, um pouco alta, loura, seus cabelos caiam sobre seus ombros com leves ondulações, era branca, suas bochechas eram rosadas, seu nariz avermelhado e lábios finos com um tom bem claro.
    Era adoravelmente simpática, seu sorriso era bem quadrado, como se fosse uma dentadura. Estava no segundo ano de medicina. Só sabia falar sobre isso.
    Falava como o cheiro hospitalar era viciante. Contava curiosidades sobre o corpo humano. Explicava sobre as partes inúteis do corpo.
    Era engraçada.
    O clima ficou tenso quando começou a falar sobre seu ex. Um cara qualquer. Futuro advogado. Um babaca que queria que ela desistisse da faculdade.
    Eu não me importava com nada que ela dizia.
    Mas queria me importar. Seus olhos claros, verdes ou azuis. Não lembro. Eram tão bonitos, tinham um brilho. Como se a vida dela até aquele ponto fosse tudo perfeito. Mas não era.
    Há alguns meses sua irmã ficará paraplégica num acidente de carro. Algo que me fez sentir mais próximo dela, já que tínhamos isso em comum.
    Seu foco na área, era descobrir um meio de fazer sua irmã voltar a andar.
    Ela tinha fé, mesmo dizendo não acreditar em Deus. Diferente dela, eu tinha uma crença enorme no pai divino. Eu era o escolhido. O filho de Deus.
    Minha avó começou a me levar para a igreja após a morte da minha mãe. Dizia que encontraríamos a paz lá. Encontrei a paz alguns anos depois numa missão divina.
    Ângela me perguntou sobre meu passado. Inventei uma historia, onde eu tinha uma família perfeita, feliz e viva. Contei coisas engraçadas sobre minha mãe. Contei sobre o arroz que ela queimou uma semana antes.
    Tudo mentira. Ângela ria.
    A festa já havia começado. A conversa estava tão boa que nem percebemos.
    Umas trinta pessoas estavam ali. A casa não era grande, tendo apenas um quarto, sala, cozinha e banheiro. Não era muito confortável, os cômodos eram minúsculos. Mas aconchegantes.
    Percebi que Ângela foi conversar com outros amigos. Fico sozinho. Algumas pessoas que passavam por mim, falavam comigo e ofereciam bebidas. Mas recusei. Jamais havia bebido álcool.
    Tentam puxar assunto, mas ignoro-as. Vejo os passos de Ângela, observo aquele sorriso saltar de conversa em conversa. Com a mão direita ela coloca uma mexa do cabelo atrás da orelha. Olha-me e sorri. Então some na multidão.
    A música esta cada vez mais alta. As luzes coloridas fazem minha visão ficar turva. De repente alguém grita ao pé do meu ouvido.
    “Quer ir ao quarto?” – era Ângela, rebolava e bebia uma bebida colorida.
    “Fazer o que?” – Pergunto... Atualmente me envergonho disso.
    Ela se inclina e me responde com um beijo.
    Um beijo de língua, sinto o sabor do álcool, mas não recuo, sinto o calor da sua língua, dança na minha boca.
    Beijo termina. Ela sorri.
    Agarra minha mão me puxa em direção ao quarto. Minúsculo quarto.
    Meu coração estava batendo o mais rápido possível. Ela abre a porta branca e entramos naquele pequeno espaço, com uma cama que tem um abajur na cabeceira, uma arara com diversas roupas espalhadas. Sobre a cama, estava um cara de porte físico bem atlético, junto de uma garota ruiva, totalmente nus.
    Ângela faz sinal para que saiam, foi quando notei, que ela era a dona da casa.
    Os dois obedecem, sem retrucar. Saem e fecham a porta.
    Ângela ri. Começa a dançar.
    Sou virgem. Ela sabe disso. Segura minhas mãos e põe sobre em sua barriga. Estava quente.
    Ainda segurando minhas mãos, sobe devagar sobre aquele seu corpo macio, fazendo com que eu tire sua camiseta. De sutiã preto ela rebola.
    Aquele excesso de informações, misturado com a bagunça que meus hormônios faziam dentro de mim, me deixava meio perdido.
    “O que eu faço?” Pensava frequentemente. Mas Ângela me dava às direções.
    Soltará o sutiã. Aquele belo par de seios do tamanho de maçãs, me fez vidrar ainda mais naquele corpo. Belas maçãs rosadas. Ela continua controlando minhas mãos. Passa elas sobre as maçãs, meu corpo esquenta. Ela mordisca meu lábio e se entrega num beijo estalado. Um beijo forte, com fogo e paixão.
    Ela deita. Olha-me nos olhos.
    Como se meu cérebro tivesse recebido instruções através daquele beijo, ele passa a fazer tudo automaticamente. Passo minha língua naquelas belas maçãs rosadas, desço pela sua barriga e abro seu short. Retiro-o e fico olhando para sua calcinha roxa com lacinho preto.
    Sem pensar duas vezes retiro toda minha roupa, não me importo em ficar nu. Deito sobre aquela garota de seios rosados, ela esta toda nua agora. Faço os movimentos no quadril como se estivesse programado no meu instinto.
    Movimentos repetidos. Corpos quentes.
    Sinto suas unhas arranharem minhas costas. Passo a mão em seu rosto. Em seu cabelo. Em seus braços, peitos. Beijo seu pescoço. Ela me agarra com mais força.
    Acelero o movimento. Ida e volta sem pausa.
    Novamente ela segura minha mão, leva até seu pescoço, o seguro e a beijo. Beijo firme.
    Ida e volta. Vai e vem sem pausa.
    Ela se contorce de prazer. Suas unhas arranham minhas costas, mais e mais. Suas pernas se contraem. Ela geme. Gemido abafado.
    Sinto minhas costas arderem. Seus olhos estão revirados e sua boca aberta.
    Gozo.
    Então foi quando percebi. Ela estava sufocando. Já havia sufocado, estava morrendo. Suas mãos caem sem força sobre a cama.
    Penso em pedir ajuda, mas minha voz não quer sair. Aqueles lábios que me beijavam há pouco tempo atrás estavam arroxeando. Ela não se move. O abajur na cabeceira da cama havia caído por causa do vai e vem.
    Entro em pânico. Corro para o banheiro e vomito. Vomito muito. Sento ao lado do vazo e começo a chorar.
    “O que houve?”
    “O que eu fiz?”
    Essas perguntas varriam minha mente. Eu precisava de ajuda. Ninguém me ajudaria. Minha avó ficaria louca. Choraria sem parar.
    “Você se tornou como sua mãe.” – Diria ela gritando e tentando furar o cerco policial.
    Eu estava sozinho. Ninguém poderia me consolar. Mas no meio daquele choro, tive forças para ficar em pé. Deixo o corpo do meu corpo sobre a pia, enquanto me olho no espelho. Vejo meu reflexo. Aparentava ser bem mais jovem. Cabelos bagunçados, nada de barba e olhos inchados. Aquela imagem me faz rir. Estar totalmente em pânico e não ter nenhuma saída, me fazia rir.
    Rir era a única coisa que poderia me ajudar.
    Penteio o cabelo com um pente que estava ali. Estou mais calmo. Respiro fundo. Mesmo sem entender o que aconteceu. Sorrio para o reflexo e ele me imita.
    Volto para o quarto.
    Ângela ainda esta lá. Nua e linda. A luz reflete sua pele pálida. Deito-me ao seu lado. Aconchego minha cabeça sobre seu ombro.
    “Como isso aconteceu?” – Pergunto a ela.
    “Perdoa-me, ok? Foi sem querer” – Tento me redimir com ela.
    A cubro para que não sinta frio. O som estava bem alto, poderia atrapalhar seu sono.
    Sono profundo.
    Sua boa ainda esta aberta, assim como seus olhos, que mesmo revirados são lindos.
    “O que eu fiz?”
    “o que estou fazendo?”
    Minha mente esta tentando me trazer para a realidade. Matei mesmo aquela garota. Sem motivo algum.
    Matei por ela ser linda? Não.
    Matei por que me apaixonei? Não.
    Não havia explicação, apenas duvidas. Coloco minha roupa e a visto também. Desculpa Ângela. Coloco seu corpo no meio das roupas que estão jogadas na arara. E me despeço. Sinto vontade de beija-la, mas minha sanidade ainda falava comigo. Ainda
  • INTERROGAÇÃO

    Quem eu sou?
    O que me espera?
    A quem vou esperar?
    Posso continuar a perguntar?
    Isso é vida?
    A morte onde está?
    Será que demora?
    Será que nunca virá?
    O passado é uma navalha,
    Que retalha o presente,
    Cicatrizando o futuro.
    A certeza de estar errado,
    É minha única certeza
    Que estou certo!
  • Inúmeros ‘eus’ demônios de mim

    Sentia-se cansado depois de um longo dia de trabalho árduo. Tirou seus sapatos, e como de praxe, pendurou-os pelos cadarços em um extintor de incêndio que se encontrava na entrada do acampamento. Fazia isso, todos os dias, para que os insetos nocivos como aranhas e escorpiões não fossem ter seus calçados como abrigo. Tirou suas roupas de trabalho, que mais pareciam como fardas de soldado, e pendurou-as em um barbante que estava esticado ao lado das paredes feitas de pequenas varas de bambu. E ainda vestido com finas roupas brancas de baixo, pegara sua pequena sacola de pano, que comprara em viagem ao Peru, onde cotinha seus produtos de higiene e limpeza corporal, e fora rapidamente para o banheiro tomar uma ducha quente.

    — Finalmente! — exclamara para si mesmo se enxugando e caminhado para vestir sua confortável roupa de dormir.

    Pegou alguns pedaços de madeira, colocou em uma pequena lareira de ferro que se assentava ao solo, colocou um bule com água para esquentar na plataforma da lareira, e fora se sentar numa pequena poltrona ao lado, se aquecendo do imenso frio do inverno desértico israelense. E, com uma xícara de chá de Erva Luíza envolvida pelas suas mãos, para, também, aquecê-las, levava a boca dando pequenos goles em curtos espaços de tempo, onde seus pensamentos rodopiavam com os estalares da madeira incendiada, fazendo uma pequena retrospectiva do seu difícil dia.

    Ao terminar de tomar o seu calmante chá, massageava seus pês com uma solução que fizera com alecrim, azeite de oliva, essência de lavanda, óleo de sementes de uva, óleo de amêndoa e mel.

    Lamentavelmente, pensando, percebera que por falta de sabedoria os seres humanos construíam em suas vivências inúmeros ‘eus’ demoníacos, roubando-lhes suas consciências e alegria de vida. Pensava isso, pelo fato de presenciar nas atitudes de seus companheiros de trabalho, os muitos agregados psíquicos aproveitarem-se de alguns conhecimentos adquiridos para se auto afirmar. Conhecimentos estes, sequestrados pelo mau ego, que tornam o ‘pequeno eu’ perigosamente astuto, capaz de formular os piores crimes emocionais e sentimentais, explorando o homem pelo homem, destroçando as inúmeras capacidades intuitivas, e as diversas expressões artísticas, filosóficas e religiosas do ser.

    Este ‘pequeno eu’ sabotador, que na verdade são múltiplos e se arma de intelectualidade, destrói os verdadeiros valores existenciais que sempre vem sustentando a espiritualidade humana, dando o pior de si mesmo em sua astucia mecanicamente intelectual, para conseguir seus “altos” níveis de prestígios sociais, políticos e econômicos. Imbuído de sua vaidade doentia e arrogante que crê firmemente que em si mesmo e por si mesmo está pensando, sem se dar conta que sendo um pobre mamífero e bípede intelectual, está apenas sendo controlado por seus múltiplos sentimentos e emoções que são subordinados aos seres semelhantes, assuntos e objetos externos, e, não a si próprio.

    Intuitivamente, também, percebera em si mesmo os muitos ‘eus’ agregados e trapaceiros, que apesar de constituir uma só parte, ilusoriamente crera ser o todo em um dado momento. Nessa intuição, vira que quando surgia repentinamente um sentimento de ódio por uma determinada pessoa, pensara erroneamente que a totalidade do seu ser estava odiando, enquanto apenas um determinado eu era o autor de tal sentimento odioso.

    Percebera-se diante de um mundo pluralizado dentro de si mesmo, em que no exterior confeccionava o indivíduo. Inúmeros pensadores que apesar de fazer parte de um só corpo e mente, se crê que é um todo, momento a momento.

    Vira que os seus processos de identificação, empatia, amor, ódio, rejeição e discriminação eram apenas pequenos ‘eus’ interesseiros e oportunistas, em que o fazia de vítima ou vilão de cada situação. E, diante disso, queria sempre se manter alerta, questionando toda e qualquer forma de emoção, pensamento e sentimento autônomo que infortunadamente o dirigisse. Principalmente para o que dizia respeito as intenções, palavras e ações alheias. Não esquecendo, é claro! Que esses inúmeros ‘eus’ mesquinhos e desarmônicos, apoderam-se constantemente de situações que não foram devidamente analisadas e meditadas, que tornava a personalidade vítima das circunstâncias e intenções maldosas alheias.

    Sentado no conforto da lareira, repetia para si mesmo mentalmente, exclamando:

    — Tenho que viver em estado de profundo alerta constante!

    Desejava não mais ser enganado pelos inúmeros ‘eus’ internos que só lhe causavam discórdia, ou pretendia afastá-lo da senda do conhecimento místico espiritual. E, mentalmente dizia para si mesmo:

    — Se eu deixar que esses ‘eus’ demoníacos internos atuem… pensando e sentindo por mim, nunca estarei no real controle. Nunca serei o senhor do meu destino e de mim mesmo. Apenas pensarei estar pensando, sentirei que estou sentindo… enquanto é ‘outros’ agregados que pensa com minha mente, e sente como meu coração. Sendo eu arrastado pelo vento, levado pela correnteza e inflamado pelo fogo.

    Se vira escravo… escravo das circunstâncias culturais que o acorrentaram desde o seu nascimento a um corpo animal cheio de desejos, vícios, medos, traumas, percepções e concepções errôneas do universo e da natureza em seu cotidiano urbano social. Que negativamente se fazia personificado nas associações e identificações mecânicas de si mesmo, e dos demais seres semelhantes no coletivo sentimentalismo mórbido e agregados psíquicos de um mundo em que a fantasia era a realidade do animal intelectual. Amando demasiadamente a si mesmo, se auto vangloriando, imbuído de autoconsideração que o conduzia inevitavelmente à autocomiseração. Pensado ser o “bom-homem”, no papel da vítima, em que ninguém ao seu redor sabia apreciá-lo. Tudo isso graças a má-educação psicofísica, somada a uma pitada de pobreza espiritual e ignorância cultural, que o tornava produto intelectual de formas estereotipadas de reagir sem pensar a toda e qualquer situação adversa, levando as diversas maneiras equivocadas de sentir e pensar nos inúmeros mecanismos autônomos negativos de se entregar a emoções inferiores, e luxuriosas do prazer e a da dor.

    Nisso, percebera a compaixão que tinha que ter com seus semelhantes e consigo mesmo. Não punir, e nem se punir. Não condenar os seus sentimentos negativos e inferiores, e nem condenar esses mesmos sentimentos no seu semelhante. Nem tão pouco procurar motivos para justificá-los, mas, observar e se auto observar em um ato de recordação de si mesmo, na procura de conhecimentos ajudadores dos inúmeros estados que nos levam a tal decadência, e dos equívocos da consciência suprema espiritual. Em que vivemos lamentado o perdido… chorando pelo leite derramado na recordação atormentante dos velhos tropeços e calamidades… odiando o que desprezamos em nós e no outro… manifestando um amor-próprio narcisista exagerado… e em pensar se vamos ser aprovados pelos julgamentos alheios.

    E, essa compaixão nada mais era do que sacrificar os nossos próprios sentimentos, emoções e pensamentos de quem somos. Sacrificar os nossos próprios sofrimentos, medos e complexos. E ser como o céu… que mesmo estando em toda parte, observando e englobando o todo de tudo, nunca pode ser tocado… nunca pode ser contaminado!

  • JUS

    para Jussandra
     
     
    É natural toda a maravilhosa surpresa:
    Meus olhos muito te admiram porque
    Eu não sei se você é feita de beleza
    Ou se a beleza é que é feita de você...
     





    © do Autor, in: Concursos Literários do Piauí. Teresina, Fundação Cultural do Piauí, 2005, 226 p. Página 175.


  • KWY

     

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    © do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 184.
  • L I V E R D A D E

     

    o ex

           páss-ar-

                  o

    voa

    e vai

    a

       l 

         em

               n os

                     sos

              olhos

    de bis ânsia

     

     

     

     

  • La Luna em Beleza e Graça

    Meu Amor!

    Há uma beleza audível e invisível que imerge no íntimo dos puros de coração

    E como a luz da lua cheia em que sua aureola prateada a envolve de encanto místico sagrado… a canção emerge do mais profundo do ser, espiralando no corpo uma aura de graça e áurea de benção

    A uma inocente beleza de pureza e graça iluminada em sua doce voz feminina…

    Voz de pureza musical que penetra arrepiando os fios dos corpos em graça

    Cada tom… cada acorde… cada timbre… cada sopro do teu ser é gracioso em sua voz em graça

    Calmamente vou seguindo os seus passos sonoros no Bendito Amor em beleza e graça

    Tua força audível dança descontroladamente em meu coração

    Tua voz graciosa me arrasta para a Morada da Beleza

    O Sagrado lá me espera…

    A Beleza em tua doce graça penetra meu coração

    Apenas um eco no vento de uma doce voz feminina me embala

    Trançando meus cabelos com pequenos galhos de flores e coloridas folhas, arrastados no sopro íntimo dos teus acordes sonoros em graça

    Como és graciosa Querida!

    Em tua voz fui levado ao divino do meu SER

    Proclamou-se em mim uma semente do Sagrado e Eterno Contínuo ecoando em sua voz em beleza e graça

    Os empecilhos e agregados de minha falsa personalidade evaporaram pelo sopro gracioso do teu iluminado coração, em cura, beleza e graça

    Cante escrevendo para mim Meu Amor, no silencioso do meu ser agora em graça… sopre o teu vento em ondas sonoras, acompanhado pelos acordes percussivos dos grilos, pelos efeitos do rasgar da garganta da coruja em um misterioso grito supersônico, e pela beleza secreta e mística da melodia dos lobos uivantes ao te venerar em luz prateada no céu noturno

    Sento-me solitário na beira do rio Meu Amor… me leve em teus passos sonoros… reflita em minha pele a luz dos teus acordes em brilho e graça… fecho meus olhos com a cabeça erguida voltada para tua face lunar… cruzo minhas mãos abertas em reverência uma sobre a outra, levando-as calmamente ao meu peito, no lado do meu palpitante coração… na sinfonia noturna das pequenas criaturas… em um divino concerto místico onde toda natureza te acompanhava em beleza e graça… tua voz luz em ondas escritas me penetrou… e sozinho, sentado me ergui no doce luminoso bailado… e fui levado pelas cores do invisível sonhar… e na minha singela silhueta, em que fui ofuscado em seu canto de luminosidade coloridamente graciosa, me despi por completo de minha singular, pluralista e dualística personalidade masculina

    Tua mística voz foi jogada ao vento como o sopro no dente-de-leão

    Uma dessas sementes luminosas repousou em meu coração

    E lá nasceu a tua graça… divina… escrita… cantada

    No palco lunar de inefável beleza e bondade mística iluminada

    Assim, Meu Amor… sua voz cantou em graça meu coração

    Beijando com sua luz o meu masculino negro corpo terra, numa voz feminina branca e graciosa lunar canção

  • Labirinto étnico-racial de si

    Diante das variadas questões raciais e exaltação do antifascismo, que nada mais era do que a divulgação, ignorantemente, involuntária no coletivo social de um pensamento e filosofia fascista (regime político-filosófico italiano estabelecido nas primeiras décadas do século XX por Benito Mussolini, fazendo prevalecer o conceito da superioridade de uma raça e seu sistema de governo ditador e autocrático), que se apresentavam naqueles sombrios e acinzentados dias pandêmicos. Resolvera adentrar em si mesmo, na resolução da síntese de sua própria persona etnicamente mal identificada e incompreendida. E, se buscando em cansativas e exaustivas análises na cosmologia da raça humana e nas muitas referências lhes apresentadas em estudos acadêmicos… filosóficos… podcasts, posts e lives… discursos escritos e audiovisuais nas redes sociais e internet…, contudo, não se encontrara. Percebeu-se no mundo dos humanos… um ser alienígena.

    Racialmente, internamente, não se identificava e, externamente, não era identificado a nenhum povo ou etnia.

    Ele era fruto de uma louca, mutante e ‘metamorfósica’ mistura étnica, filosófica, religiosa e cultural. Bisneto de uma índia Pataxó-hã-hã-hães (que já era uma mistura combinada dos Povos Baenãs, Tupinambás, Mongoios, Camacãs, Geréns, Sapuiás, Quiriris, e entre outros… que habitavam o sudoeste do Estado da Bahia) com um cigano oriundo da Grécia (descendente dos Povos Rom, nômades desertores do sistema de casta na antiga Índia, provenientes do noroeste do Subcontinente Indiano, região peninsular do sul asiático que compreende os atuais países da Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Butão e as ilhas Maldivas, e, as do Sri Lanka). Neto do fruto dessa mistura, por parte da sua avó, com um judeu sefardita ocidental oriundo da Espanha (que chagara na Península Ibérica nas embarcações fenícias, durante as destruições do Templo de Jerusalém pelas revoltas judaicas e romanas). E, por última consequência, filho dessa mistura, por parte de mãe, com um negro oriundo dos Povos Iorubás (que foram violentamente sequestrados, e criminosamente extraditados da sua terra natal, o Império de Oió, nos meados do século XVI, chegando ao Novo Mundo nos tumbeiros da colonização portuguesa).

    …Assim, nessa complexa linhagem, era bem mal compreendido pela moderna sociedade brasileira, que (por ignorância) ignorava o procedimento decorrente de um intenso processo miscigenatório (classificado por alguns estudiosos acadêmicos brasileiros como: Homo brasilis)…, e incompreendido por ele mesmo nessa atual conjectura e caótica questão racial da sociedade brasileira, e mundial (no que se referia o caso do assassinato de George Floyd)… não sabendo em que lado deveria estar… que partido deveria tomar… e que etnia deveria se classificar… qual dogma e religião poderia declarar como sua verdade filosófica… e, que bandeira deveria sustentar. Porém, sabia ele que a corda sempre parte do lado preto. E nisso, também, enfureceu-se pela cruel morte do homem preto pelo poder estatal do homem branco. Contudo, pôs-se a pensar em que partido, dentro de si, iria tomar…

    De um lado… sua negritude e africanidade imperava, no externo, em sua forma física (corpo marrom, olhos castanhos escuros, traços faciais negros e cabelo crespo). Por outro lado… seu sistema psicológico e intelectual era ‘eurocentricamente’ branco. E, mediando nos seus extremos polos opostos do ‘SER’ e de ser… intentara que seu coração era ‘nativamente’ dos originais povos das Matas Atlânticas sul-americanas.

    Apesar de na sociedade brasileira, americana, asiática e europeia ser comumente discriminado como um negro da diáspora africana, no externo mundo social… Quando viajara ao continente Africano, percorrendo todas as suas regiões geográficas (Norte da África, África Ocidental, África Centro-ocidental, África Centro-oriental e África Meridional) na procura de uma identidade africana… Para seu espanto e surpresa! Fora discriminado pelos próprios negros africanos como um ‘MESTIÇO’. Nisso, se viu desolado… desabrigado… desenraizado. O chão sumiu diante dos seus pés, e caíra em um abismo sem fim na profundidade do seu ser. Na África, seu tapete fora puxado por sua própria descendência africana, caindo esparramado de bunda contra o chão. E, assim, se perguntara: “Quem sou eu?”, “Quem são meus ancestrais?”, “A que casa humana pertenço”. E, em sua existencial miscigenada contradição não poderia negar o Branco, o Preto e o Nativo Americano dentro de si, porém, seria um erro escolher uma dessas partes como política existencial, pois, ao fazer isso, cometeria o equívoco de negar a si mesmo como o todo de tudo. E, se viu sendo: O NOVO! O UM! A UNIÃO! E, também, o esquisito, a anomalia, o invisível.

    Percebeu que a Raça Humana proveio de um único embrião que crescera, multiplicara, evoluíra e se apartara dela mesma, indo explorar e habitar as várias regiões da Terra, e, por consequência, se fragmentara dela mesma, se mutando e se dividindo em si mesma. Daí intentou na concepção do: Retorno para Casa. E, viu que a miscigenação era, nada mais e nada menos do que, a realização natural desse retorno. Então, como ser miscigenado que era, se estudou, observando a si mesmo e seu meio-ambiente comunal e social.

    Não generalizando, mas em proporções e porcentagens maiores do que a média. Percebeu:

    a) que seus amigos negros (filhos de mães e pais negros) eram intelectualmente ignorantes em sua maioria. Não compreendiam, concebiam e nem dominavam a intelectualidade (que é de origem eurocêntrica). Sendo que para isso, necessitavam realizar um esforço energético tremendo, e antinatural, para se enquadrar nos padrões acadêmicos e filosóficos dessa intelectualidade e cultura greco-romana, que não correspondiam as suas realidades e necessidades básicas e existenciais. Porém, em contrapartida, eram seres místicos por natureza. A magia com todo o seu misticismo e conceitos esotéricos já estavam entranhados desde o berço em sua essência de ser. Seus corpos eram esbeltos, sensuais e atrativos. Dominavam toda sensualidade dos gestos dançantes, em toda a associação dos elementos cênicos-dramáticos e místicos da estética da dança e coreografia corporal. Além de serem músicos por natureza, e obterem uma força corporal descomunal, que desafiava as leis físicas e gravitacionais deste plano terrestre. Eram seres conectados à terra, naturalmente formados em simbiose com toda vida e ecologia… conhecedores dos mundos invisíveis e mágicos com seus seres elementais e inefáveis.

    b) que seus amigos brancos (filhos de mães e pais brancos) eram misticamente ignorantes em toda sua maioria. Desconectados da natureza, meio-ambiente e dos seus próprios corpos e espiritualidade ecológica. Sendo pessoas de psicológico e físico fraco, e de baixa autoestima corporal e emocional. Super dependentes das coisas e objetos criados e inventados por eles mesmos, além de possuírem uma dependência doméstica sócio problemática, não sabendo realizar suas tarefas mais simples… e sempre necessitando de uma outra pessoa em seus afazeres diários de higiene, proteção e alimentação. Possuidores de um super Ego (buscando fama, glórias, sucesso, riquezas, poder e luxo e, sobretudo, em poder saciar suas sensações e satisfações instintivas no abuso das drogas, dos esportes violentos e radicais, e, do sexo sem medir consequências) e entregues as coisas mais banais e materiais do sistema social urbano civilizatório. Porém, naturalmente, eram gênios intelectuais. Possuidores de uma mente informática e racional na busca de resoluções de problemas no seu cotidiano. Mestres acadêmicos, políticos, científicos, engenheiros, medicinais, econômicos, financeiros e tecnológicos. Formadores da moderna civilização com todos os seus equipamentos, aparatos e ferramentas… os donos do mundo e de todas as coisas inventadas e padronizadas dessa caótica sociedade humana.

    Já os nativos, ele não possuía um só amigo sequer. Pois, não havia espaço para sua existência na moderna sociedade. Se o nativo abandonar sua terra, tribo e floresta… ele tinha que fazer um abandono de si mesmo, em toda sua essência. Sua língua, cultura, saberes e modo de vida eram totalmente contrarias a todo conceito da sociedade urbana e civilizatória, e de nada valia para essa sociedade no seu conceito funcional. O valor do nativo brasileiro, estava em ser nativo mesmo… vivendo na floresta com seus costumes, modos e crenças.

    Então, observando a si mesmo, meditando e refletindo… se vendo mestiço: sua mente intelectual era branca… seu copo místico-físico era preto… e seu oculto coração-alma era nativo. A Sagrada Trindade em si mesmo… A tríade evolucionária encarnada e manifestada!

    E o mestiço? Qual é o seu valor? Em que se baseia a sua crença e seu papel na sociedade?

    O mestiço (possuindo um pai negro e uma mãe branca, ou nativa… ao contrário, ou vice-versa, tudo junto e misturado) vive um eterno dilema. Apoiado em uma corda bamba, que por incrível que pareça sua parte nativa automaticamente se anulava (pelas questões culturais apresentadas no parágrafo acima), sendo que lhes restava apenas os dois lados da moeda sócio racial: o branco e o preto. E o que determinava essa escolha? Sem dúvida a química orgânica da enzima tirosinase… as altas ou baixas concentrações de melanina e sua principal função da pigmentação da pele, no caso, humana. Que na cultura popular greco-romana as altas taxas de melanina era classificada, como: ‘Sujeira Escura’, e na cultura eurocêntrica colonial era discriminada, como: ‘Sujeira Biológica’.

    Entretanto, se o equilibrista mestiço tiver, no jogo genético do cara e coroa, baixas taxas de melanina: ele perderá seu equilíbrio caindo no lado social branco. E se tiver altas taxas, uma vez possuindo maior quantidade de melanina: perderá seu equilíbrio tombando no lado social preto. Daí, percebera o racismo em sua síntese, em que o mais prejudicado era ele mesmo, pelo fato de ser: O Mestiço!

    Discriminado, sendo tudo, a escolher na atual sociedade em que vive um só partido…

    Mal compreendido e julgado socialmente…

    Pejorado e anulado…

    Tendo que habitar um corpo mutante e alienígena… o X-Man da questão!

    O mestiço é tudo enquanto é nada. Compreende o Misticismo Negro e a Intelectualidade Branca. Mas, não é profundo como o negro no misticismo e como branco na intelectualidade. Sendo raso, no entanto, manifestando: ALGO NOVO!

    Pensando na corda bamba da sua existência, e no discurso do racismo. Viu que toda luta das políticas do ‘movimento negro’, e dos ‘mestiços negros’, era para conquistar o espaço do ‘branco’ na sociedade pós colonial das Américas. E ao contrário do que pregava Marcus Mosiah Garvey, com suas ideias do movimento de retorno da diáspora negra para África. Os ‘negros’ americanos pós-colonial queriam estar nas faculdades e universidades criadas e mantidas pelos ‘brancos’, e estudar sua visão e filosofia cartesiana e eurocêntrica de mundo… batalhavam para estar na televisão do ‘branco’… a usar a moda do ‘branco’… a ter a vida e o sistema econômico do ‘branco’… e nunca lutavam verdadeiramente para resgatar as suas línguas e culturas africanas, que estavam sendo abandonadas… até os próprios ‘brancos’, também, resolverem tomar de assalto as ‘culturas negras’, e em seu empreendedorismo massivo, comercializa-las. Sendo, que Marcus Garvey já dizia no passado: “Eu não tenho nenhum desejo de levar todas as pessoas negras de volta para a África, há negros que não são bons elementos aqui e provavelmente não o serão lá.” E, viu a contradição nas lutas e ideologias de raça, em que as próprias pessoas que se dizem ‘negras’, não sabem e nem se interessam a estudar e falar uma língua nativa africana, além de só saber algumas palavrinhas, mas, ironicamente ficam criticando o ‘branco’ na língua do ‘branco’. Assim, percebeu a hipocrisia, pois a luta do ‘negro’ não é por África e nem racial, e sim, é uma luta de classe econômica disfarçada. (não querendo desfavorecer aqui os direitos e deveres constitucionais de todo cidadão brasileiro, independente de sua etnia).

    Percebera a evolução da raça humana em si mesmo, e sabia que ainda estava no início do início de todo o complexo processo evolutivo. Mas, o diferente e maravilhoso nos dias de hoje é que esse processo pode ser estudado, pensado, analisado e devidamente acompanhado. Sendo, ao que diz respeito a Teoria da Evolução, não seria mais o caso de uma espécie evolutiva sentir a necessidade de exterminar a outra espécie (como foi a do Homo Sapiens em relação aos outros hominídeos). O NOVO! O processo final do Mestiço, se culminaria na mistura das misturas de todas as etnias em união em si mesma.

    Em sua catarse étnica racial, como mestiço que era, se classificou como a união e evolução da raça, pelo qual, automaticamente, se batizou de: Homo existencialis. A síntese da união biologicamente genética existencial, global, virtual, cultural, étnica, religiosa e filosófica de todo o multiverso universal da Raça Humana. E, como filosofia, decidira a partir daquele momento, conscientemente revolucionário, defender e levantar como bandeira a união dos povos, suas diversas etnias e cultura em uma única simbiose natural e ambiental, lutar pela ecologia e pregar a sustentabilidade humana na ‘Consciência Universal Biomática’, como classificara sua nova filosofia, promovendo uma estabilidade de união e amor desenvolvida e adaptada onde nossas múltiplas diferenças possam ser transformadas em ferramentas, para construção de uma nova e moderna sociedade mundial, cujos nossos valores individuais e coletivos se fundam em uma cultura de união contínua, visando enraizar práticas sustentáveis, resgatando, assim, os vínculos humanos de proximidade para crescermos em uma nova perspectiva de PAZ, nos orientando nessa difícil, porém possível, tarefa de estabelecer a HARMONIA em nossa amada Ama Terra.
  • LEMBRO-TE

    Saudade: - o choro de outrora chora

    Rola no pranto aquele olhar certeiro

    O teu cheiro, impregnado no roteiro

    Das minhas lembranças, que evola...




    Inquieto romance: - de muita parola

    Do doce encontro, o nosso primeiro

    Abraçar, cheio de sabor, por inteiro

    Tudo neste duro poetar se desenrola




    Acende um lembrar deste passado:

    Quanto mais o tempo, e nele receio

    Mais prazenteio de ter sido amado




    Me vem a tua imagem sem rodeio

    O teu triste olhar ali ao meu lado

    Findo no curso, e não mais veio.




    © Luciano Spagnol

    poeta do cerrado

    Outubro de 2018

    Cerrado goiano

    Olavobilaquiando
  • Lua de Meu Existir

    Minha Amada que fertiliza o meu existir.

    Em plena beleza me perco em teu reflexo deitado sobre as águas escuras de minha alma.

    Mesmo com toda calma e mansidão de tua noite em que te revelas nua, cheia e completa.

    Teu reflexo iluminador é tremulo, desconexo e vibrante, intercalado por linhas negras que desconfiguram em saudades meu pobre e solitário coração de poeta.

    Ao subir lentamente cheia, contemplo a tua chegada no meu inabitado lago interior.

    Ao passo que te levantas se abre vagarosamente uma estrada de luz ‘brancamente’ prateada em meu encontro.

    Ó! Doce fonte de luz que me intensifica… ainda que eu possa ser tocado por tua energia iluminada, estás tão ‘lusitaneamente’ longe de mim…

    De súbito me imagino a caminhar em tua prateada e tremula estrada, então, poder ao menos abraçá-la calorosamente, enquanto ainda não flutuastes em mágica para o mais alto dos céus estrelados… tua influência elementar do Sagrado Feminino em mim, desperta a Consciência Mística da intuição emotiva do meu ser, quebrando os meus viciantes padrões interiores em ciclos de transformações ascendentes e decadentes de toda uma existência apaixonada.

    Como eu te amo, Meu Amor!

    Ó! Fruto do meu desejo insaciável…

    Sobes agora livremente… e tua estrada de luz desaparece nas águas de minha emoção, e agora debaixo de tua luz prateada, volto a minha singularidade pequenina e frágil, onde realizo o meu ritual de amor à tua Lua Cheia embelezada em sua aureola majestosa repleta de teu amor.

    Nisso, me vejo sendo irradiado pela luz azul de sua aureola… meu corpo negro encandece inflamado pela sua onda radiativa, tornando-se fosforescente, atraindo toda espécie de pequeninos seres noturnos em divindade graciosa. Pela tua dádiva amorosa, tornei-me um ser luminescente, e… quem me dera ser carregado pelos pequenos vaga-lumes que agora me cercam, no único amoroso objetivo de poder pousar em teu grandioso ventre oculto nos teus misteriosos segredos noturnos.

    Tua pele branca me seduz, teus cabelos de nuvens negras a flutuar me enfeitiçam. Como és bela! Como sou teu!

    Embora possa, eu, ser um diurno ser flamejante, de que me vale toda essa potência… se em minha forte luz te ofusco, ao ponto de nem eu mesmo poder contemplar a tua clara beleza? Estou preso na majestade de mim mesmo, e nisso, sigo meu solitário baile diário.

    Ó! Meu Amor, meu doce Amor… Meu Encanto! Como te imagino e me imagino juntos… ao te contemplar no silêncio de uma tarde em que apareces repentinamente no reflexo espelhado no limpo céu azul… mas, esta linda visão que tenho no dia, bela e cheia de graça… apenas se faz ecoar, ecoando a ecoar… a ecoar.

    Em tua face clara, lusa e juvenil me vejo iluminar. Abrindo meus olhos… retirando de mim as impregnações infrutíferas e residuárias de meu sofrido passado e presente agoniante tedioso.

    No meu mágico ritual… derramo as águas de aquários em uma bacia de prata e deixo exposta à luz de tua Lua Cheia, para que parte de Ti possa se desprender e lá habitar. Ponho minhas mãos sobre as águas e o recipiente, e faço riscos imaginários mágicos escrevendo palavras místicas de amor… em oração Celta na alta voz… dizendo:

    — Ó! Sagrada Mística Sabedoria Lunar… que tua luz fêmea caia sobre essas águas, envolvida na Magia da Prata e, de suas perenes divindades noturnas do Argentum branco e brilhante. Invoco sua áurea iluminada que reflete o poder divino de tua purificação e amor. Ser gigantesco feminino que controla todas as forças ocultas das águas naturais, que constitui todos os seres orgânicos e abarca os seres inorgânicos… se faça aqui fluidamente presente no Sagrado Agora… vem, e me Ilumina!

    Ao terminar meu mágico culto de oração… vi sua luz em forma feminina descer em baile e encanto, se deleitando nas águas… transformando-as em plasma prateado. Ali mesmo sob a luz de tua magnífica e sagrada presença me despi de minhas rudimentares vestes, assim como, também, estavas despida dos teus véus de nuvens negras. Derramei o teu leite prateado em meu corpo nu… pude te sentir me tocando todo e por completo, onde me acariciava com beijos de uma paixão apaixonadamente purificante… a este tocante… me perdi em fluxos energéticos de amor que me fazia flutuar e ecoar… ecoando a ecoar.

    Quando regressei a mim… já tinhas desaparecido, restando apenas a lembrança do teu beijo, teu calor, tua sensação purificadora e teu carinhoso amor, e teu céu noturno no vazio estrelado.

    Minha Amada… silenciosamente fechei meus olhos em reverência, e, de mim, restou lhe dizer:

    — Te amo… Te amo… e Te amo!

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