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  • Valeu, tio!


    onibus
    Entrou no ônibus após uma pequena corrida.

    Não queria perder a oportunidade que o sinal de trânsito fechado lhe oferecia. Já na roleta, percebeu o missionário que, na forma de vendedor de cocadas, bradava como de costume sua história de conversão aos passageiros.

    Em meio ao testemunho proclamado no interior daquele coletivo, o recém-chegado passageiro caminhou pelo centro do longo veículo a conferir o troco recebido. Não vira o rosto da trocadora, nem do entusiasmado convertido, assim como o da maioria dos trabalhadores que, após mais um extenso dia, voltavam para suas casas através daquele popular meio de transporte.

    Não havia bancos vagos totalmente, apenas um lugar aqui, outro ali, sempre ao lado de algum outro alguém sem rosto e que, para seu desgosto, não muito espaço ofereciam para ele e sua enorme sacola de doces.

    Sim... Da mesma forma que o vendedor de cocadas, também ele, o recém-chegado passageiro, carregava guloseimas. Não portava uma cesta, como o prolixo missionário, mas segurava as alças de uma vultosa bolsa plástica, repleta de chocolates, balas, bombons e outras iguarias.

    Estas não eram para vender, ao custo da solidariedade alheia, em prol dos irmãos atendidos pela casa onde o ex-dependente químico declarava trabalhar; mas sim para o seu próprio consumo.

    No centro da cidade existia uma enorme casa de doces, que vendia em médias quantidades a preço de atacado. O recém-chegado passageiro abastecera-se lá. Sua cota mensal de glicose. Era início de mês e, com o salário recebido no bolso, dera início ao costumeiro estoque.

    Sentou-se ao final do coletivo; no penúltimo banco, pois visualizara um espaço no fundo do ônibus onde descobrira não haver ninguém ao lado, possibilitando-o assim começar a saborosa degustação. Mas, ao aproximar-se, percebera o motivo daquele inusitado vazio, a ele oferecido em plena hora do rush.

    Havia um menino de rua deitado sobre o último assento, ocupando o lugar destinado originalmente para duas ou três pessoas.

    Descalço, maltrapilho e sujo, o dimenor também portava um saco plástico, só que o detinha na altura da boca, pressionado em sua abertura por um par de mãos trêmulas, ainda sob o efeito do alucinógeno vapor.

    O rosto daquela criança em êxtase, retrato cruel da realidade urbana, foi a primeira e única feição avistada pelo homem dentro do coletivo. Torpor infantil. Contraste.

    Asco.

    Então, após entreabrir somente um dos olhos, o menino foi diretamente atraído pela transparência da sacola plástica carregada pelo recém-chegado passageiro; o único a sentar-se próximo a ele.

    Levantou-se com dificuldade e, no resto de inocência que a brutalidade desumana daquela grande cidade ainda lhe permitia experimentar, estendeu os braços na direção da sacola, numa mistura de sonho e realidade.

    “Valeu, tio!”, disse o moleque com o esboço de um tenro sorriso nos lábios marcados de cola.

    Valeu, tio!

    Mais ainda do que o sorriso, ficou marcada na mente do recém-chegado passageiro aquela frase. Alegre. Aliviada. Feliz. Uma simples e pequenina frase. Uma meia sentença. Muito mais rica em sua exclamação. Uma pequena pausa em meio a uma meia vida.

    Sem sua sacola de doces, o passageiro agora não mais era um recém-chegado. Estabelecera contato direto com a plenitude de sentido coletivo. E único. Desfizera-se de sua máscara, seu muro, sua redoma de vidro temperado.

    Temperança.

    Tocado pelas mãos daquela criança, sujas pelo mesmo cimento do intransponível muro agora derrubado, o passageiro já havia feito o verdadeiro percurso. O caminho precursor de todos os trajetos.

    Concretos acessos.

    Pela janela avistava o invisível. Marquises, pontes, viadutos... A cidade estava toda lá fora. Viva. Reflexos convexos de encontro a um complexo coletivo. Cidade. A rima na mente, incoerente, querendo conversa. E se tudo tivesse sido diferente para ele? E se, nessa idade... E se?

    Cidade.

    O doce sentido das palavras, degustado em forma de poesia. O abrupto encontro de realidades perdidas. Perdidas em meio a um insustentável sentido. Idas e vindas. A pressa. O medo. O egoísmo e a falsa sensação de impotência. Desculpas de culpas cabíveis. Reflexa ação do pensar coletivamente. Ônus.

    Ônibus.

    O resto do percurso foi feito em silêncio. Tudo diferente do normal. O vendedor de cocadas desceu; alguns outros passageiros desceram. O coletivo flutuando sobre as trilhas perdidas de uma tarde em despedida. Só havia aquele rosto, agora. E aquela frase...

    Valeu, tio!

    E aquele sorriso infantil.

  • Valorize!

    Sentimentos podem crescer, mas também podem ir embora. Quem gosta, cuida e quem sente falta, procura. Então saiba reconhecer a tempo quem faz a diferença. Valorize quem te respeita, cuide do que é importante e tente não errar com quem realmente se importa, porque gostamos quando queremos, mas esquecemos quando é preciso.


    Luca Schneersohn

  • Valuar

    O Vampiro - A Rosa e o Violino
    A rosa envelhecida estava na mesa.
    O violino velho estava repousando nos meus pés nús que mostravam gotas de sangue e uma taça.. Sim, eu era um vampiro.
    A Taça
    A taça quebrou ao ver a luz do sol que queimava ela, minha amada que virou cinzas vinho as quais guardei no fundo da nossa ampulheta, que destilava sempre aquela areia negra tumular dando um eco de amor e silêncio e missa milenar entre duas carnes.
    Uma Aliança Perdida
    Meus pés então estavam vermelhos, um beijo não demos, e agora? O que faria eu sem minha noiva?!! Estava assombrado.
    O Violino - Jardim Cemiterial
    Peguei meu violino quase sagrado e comecei a tocar.
    As rosas misteriosas do meu jardim cemiterial começaram a dançar e dançar ..
    Era lindo de ver aquele dia onde a ampulheta carreava a meia noite para o céu e onde o Universo conspirava ela, minha noiva.
    A Tumba
    Me sentei na tumba dela e de pernas cruzadas aveludadas, um beijo joguei no escuro da noite.
    A Boca Vermelha
    Os anjos viram e escutaram o estalido vindo da minha boca vermelha.
    O Céu
    O céu estava demais e o violino cantando ao léu.
    O Salão - Música
    Entrei no castelo e vi o salão usufruindo da marcha fúnebre de luto de Nerusco, meu fantasma companheiro de drinks e amor.
    O Luto
    Ele tocava pra mim, era o luto e eram as rosas.
    Um beijo vermelho em Nerusco e...
    Nerusco.
    A idéia...
    Dancei, me atraquei a Nerusco, rimos, choramos e brindamos e abrimos os túmulos do jardim até que... Esperei.
    BelezaAbraços
    ... Abraçado a Nerusco.
    Estava tudo lindo!...
    Valuar
    Voltamos ao salão e eu e Nerusco... Abrimos as cortinas negras ao redor da escadaria.
    Deixei o sol entrar e... Minha noiva está linda! Murmura: "Valuar? Criastes negras asas.
    A Rosa e o Violino
    FIM.
  • VÃOS

    Tão estridente é o eco do minuano

    dessa noite esculpida no maremoto

    sanguíneo que rompe os halos e o pó

    violeta das rajadas do céu de estanho.


    Tão inexistente é o poema com ponto

    desse poema teimoso entre um sonho

    de cantarolar a palavra no tom do verso

    que sai espremido dos miolos do poeta.


    Tão fremente é a poesia, pois incompleta.

  • Varanda

    Um descanso para os pés
    Um descanso para a alma
    Alma sem pé nem calma

    Eu aponto para o céu
    Ela olha para o inferno
    Conto as nuvens
    Ela conta os dias

    E enquanto você esgota cada chance
    de fazer a vida valer a pena
    De relance
    O telhado da varanda cai

    E adeus...

    Adeus céu
    Adeus calmaria
    Adeus, Maria

    Adeus, poesia.
  • Verbo da esperança

    Tenho uma luz verde no coração. É a luz da esperança. Potência essa capaz de nos guiar por incríveis percepções. Verde é a cor da minha primeira planta e a última cor de camisa que provavelmente eu compraria e isso diz muito, pois nesse pequeno gesto, percebo que o foco do nosso olhar talvez esteja na espontaneidade das cores, portanto, modificá-las para encaixar em modelos determinados pode tirar à primeira vista a beleza do produto. Mas, sim, é preciso dar usos. Utilidades diversas às palavras, inclusive.
    À medida que escrevo, me liberto das dores que afligem os dias e tento recompor a paisagem. É na experiência vivida que afloram os aprendizados. Não adianta encaixar as palavras na gaveta, assim como as cores, se estas não puderem ser primeiro verbo, e isso implica ação, para somente depois, se tornarem reutilizáveis em funções diversas. O verbo não é esquecido, as palavras contidas em um livro fechado talvez não sejam lembradas, porque não estão conhecidas e é preciso conhece-las. É preciso conhecer-se. Dessa forma, encaixar o verbo pode tirar dele a função de expandir-se. E quando a palavra vai, o processo se constitui em um movimento interdependente entre simples e complexo, pois esta vai, caminha, corre vento, mas quando pega voo, não olha para trás e nem tem caminho que a leve para o endereço de volta. Por isso, é preciso cuidado. A palavra lançada é um perigo. É um remédio, é uma culpa. É preciso repensar seu uso. Silenciar as palavras não é guarda-las no criado-mudo. Silenciar também é válido como verbo de fazer e, porque não de agir, pois, eis que ‘’o silêncio fala’’, como dizem os antigos. E o seu, o que fala? Dar a palavra usos jamais imaginados, como propôs o princípio da insignificância de Manoel de Barros. Usar e desusar, mas com recomendações: evitar manusear para condenar, maldizer ou sufocar. Isso é regra que se impõe para não afobar a alma alheia. As palavras podem configurar pessoas, pois atravessam nossos muros e deixam à mostra: fragilidades e força. Já pensou que, olhando através das palavras, talvez estejamos vendo boa parte daquele que a exterioriza?

    Porém, alto lá…

    É preciso não se precipitar e ir além. Palavra também vem no olhar, nos gestos, no grande choro ou no sorriso que carrega tímidas expressões. Como vão suas palavras hoje? Carecem de inspiração ou somente de lápis e papel? Estão afiadas? A pergunta é: já lapidou suas palavras hoje? Usou a lapiseira ou a navalha?

  • VERTIGENS

    Na vertigem inútil do meu verso,
    é do chão onde recolho os cacos
    pontiagudos dessa vida histérica
    de tantos mundos e poucos rastros.
    Fui muitos em muitos abismos. Fui vários.
    Fui malandro formado. E Zé Mané otário.
    Fui o que fluía. E sou oportunista suave
    que fareja um poema no fim duma tarde,
    na vertigem inútil do meu verso. Que arde.
  • VESTÍGIOS

    Há, sim, uma arrogância arrastada em mim.

    Não domo esse vulcão vivo que mora aqui,

    quando irrompe, na vértebra fina da espinha,

    sob o roxo da meia-noite ou do bafo do meio-dia.


    Um dia acreditei que pudesse escrever sobre tudo.

    E que não dependia da realidade doída desse mundo,

    pois o verso é uma construção racional de engenharia.

    Se o poema é incapaz de ser, por que insistir na poesia?


    Mas quanta pretensão a do poeta! É um otário egoísta?

    E nada termina: a argila que finda é a mesma que inicia.

  • Viajante

    ...é tudo tão míope o paradigma da existência quando queremos da nossa maneira caminhar nessa vila, e até meus próprios ouvidos não acompanham esse silêncio que se torna tão alto e me surra com uma força inigualável... sendo apenas um viajante, sem saber bem por onde ir, sem sequer uma bússola como fiel acompanhante, árdua é esta vila... pessoas espalhadas, idéias expostas, ponto de partida para se arriscar a viver de verdade, aparentemente igual, mas o alvo, o ponto chave, a idéia de conquista se deturpa e facilmente todas as correntes, laços que pareciam firmes, se desfazem na facilidade de um rasgar de papel... a idéia do silêncio, da visão desfalecida citada no início, se faz presente diante dessa não percepção de que a vida nada mais é do que um sopro, é um pó, um nada, e daqui a única conquista real, que podemos ter de valor, é o profundo e o belo conhecimento, e partir disso, viver de acordo o que se aprende... a vida é simples, viver é simples, o problema é se negar a cada momento a pensar, e viver de modo superficial, buscando respostas para tudo, onde a maior complexidade não é praticada, apenas viver...
    ...alguém de cabeça para baixo...
  • VIII - O genioso fidalgo Dom Quixote da Mancha

    O leitor que acompanha
    essa prazerosa história
    do andante Dom Quixote
    cuja fama foi notória
    vai ver agora o herói
    numa nova trajetória

    A data certa dos fatos
    por um tempo pesquisei
    mas o ano em que se deu
    eu mesmo dizer não sei
    só podendo adiantar
    que foi no tempo do rei

    No episódio passado
    já contei como Quixote
    recrutou o seu vizinho
    que era gordo e baixote
    para ser um escudeiro
    nas campanhas do velhote

    Sancho Pança tinha sido
    camponês a vida inteira
    e somente conhecia
    coisas da lida campeira
    Pobre, leigo, e outra mais,
    de pouco sal na moleira

    Mas com ele o cavaleiro
    retomou o seu intento
    de fazer outra jornada
    dando até consentimento
    para o companheiro ir
    escanchado num jumento

    Repetindo na viagem
    os trajetos e locais
    os parceiros avançavam
    percorrendo os chaparrais
    foi então que avistaram
    trinta moinhos ou mais

    Dom Quixote se aprumando
    disse para o escudeiro:
    - Não podemos prosseguir
    antes de passar primeiro
    por esses brutos gigantes
    dali do campo fronteiro!

    - Agora você vai ver
    companheiro Sancho Pança
    como faz um cavaleiro
    valoroso que avança
    nas fileiras inimigas
    confiando em sua lança!

    Sancho Pança intrigado
    disse sem acanhamento:
    - Me desculpe o patrão
    mas olhando bem atento
    lá na frente eu apenas
    vejo moinhos de vento!

    Dom Quixote respondeu
    sem perder a compostura:
    - Para seu conhecimento
    sou versado em aventura
    Reconheço um gigante
    mesmo quando na lonjura!

    - Que eles venham provar
    os meus golpes fulminantes
    Sou espelho e resplendor
    dos cavaleiros andantes
    Estou pronto pra vencer
    o mais forte dos gigantes!

    Dizendo isto Quixote
    seu cavalo esporeou
    e no rumo dos moinhos
    resoluto disparou
    O suposto cavaleiro
    para o mundo anunciou:

    - Sou Dom Quixote da Mancha
    o engenho mais subido!
    Eu jamais fui à peleja
    onde voltasse vencido!
    Essas terras nunca viram
    um guerreiro tão garrido!

    Num terreno inclinado
    avançava Dom Quixote
    mas o cavalo sem forças
    para sustentar o trote
    só a custo é que subia
    carregando o velhote

    - Rocinante, meu corcel
    tão veloz e vigoroso
    que jamais retrocedeu
    em combate perigoso  
    é a hora de honrarmos
    Dulcinéia de Toboso!

    O matungo estranhando
    o trocar das andaduras
    foi subindo o barranco
    já sentindo contraturas
    sem firmeza pra sequer
    levantar as ferraduras

    Mesmo com seu pangaré
    derrapando no caminho
    avançava o cavaleiro
    para enfrentar sozinho
    o gigante embrutecido
    que era só um moinho

    Como faz um cavaleiro
    que disputa um torneio
    Dom Quixote deu a carga
    no moinho sem receio
    de envergar a sua lança
    que foi partida no meio

    E como se não bastasse
    quebrar a arma somente
    uma rajada de vento
    que surgia de repente
    fez as velas do moinho
    rodarem rapidamente

    O freio de Rocinante
    na vela foi enganchado
    Junto dele o cavaleiro
    foi rodando pendurado
    e dum jeito esquisito
    despencou do outro lado

    Sancho Pança quando viu
    seu patrão estatelado
    parecendo um jabuti
    com o casco emborcado
    na garupa do jumento
    foi chegando avexado:

    - Eu não sei se o patrão
    é mais louco do que certo
    mas fazendo o seu cavalo
    disparar em campo aberto
    não viu que eram moinhos
    nem olhando mais de perto?

    Ajudando o cavaleiro
    a levantar-se do chão
    Sancho Pança escutou
    a resposta do patrão
    que a culpa da derrota
    imputava a Frestão:
     
    - Foi Frestão, o feiticeiro
    que por um ato mesquinho
    vendo que eu venceria
    esses gigantes sozinho
    prontamente os deixou
    transformados em moinho

    Dom Quixote novamente
    remontou em Rocinante
    que meio desconjuntado
    chouteava hesitante...
    Sancho remontou o asno
    pra seguirem adiante...

    Enquanto seguiam rumo
    Dom Quixote ao patrício
    começou a explanar
    coisas sobre seu ofício
    tudo estando de acordo
    com seu mundo fictício:

    - Não me venha acudir
    se eu correndo perigo
    estiver em desvantagem
    combatendo um inimigo
    Não permito ao escudeiro
    batalhar junto comigo

    - É mister do cavaleiro
    não ser dado a lamento
    pelas dores corriqueiras
    de espasmo ou ferimento
    quando forem resultantes
    de algum enfrentamento

    Quis saber o escudeiro
    com o respeito devido:
    - Só espero que gemer
    não me seja proibido
    que até um calo no pé
    eu já acho dolorido

    Repassando na memória
    os livros que tinha lido
    Dom Quixote assegurou
    que seria permitido
    pois conforme as novelas
    tudo era respondido

    Relativo aos despojos
    Sancho queria partilha
    Tinha sido convencido
    a seguir naquela trilha
    com promessa de estar
    no governo duma ilha:

    - Não esqueça o patrão
    que desde minha partida
    aceitei ser escudeiro
    nesta jornada comprida
    para ser recompensado
    com a ilha prometida...

    - Não se preocupe Sancho
    pois aqui e além-mares
    com os despojos da guerra
    enricaram os meus pares
    e pretendo que os nossos
    ultrapassem os milhares

    - Governar a sua ilha
    será um grande serviço
    pois quando chegar a hora
    de honrar o compromisso
    vai ser uma insensatez
    aceitar menos que isso

    Estando nessa conversa
    depararam um bambuzal
    Quixote ficou ditoso
    de encontrar este local
    Com uma vara comprida
    faria a lança ideal

    E a ponteira de ferro
    da lança que se quebrara
    Dom Quixote aproveitou
    pra por na ponta da vara
    tendo agora a sua arma
    feita de ferro e taquara

    Depois de terem os dois
    por lonjuras viajado
    aquela noite passaram
    num arvoredo copado
    debaixo de vasto céu
    por estrelas cravejado

    Com a lua clarejando
    a paisagem européia
    Quixote varou a noite
    a pensar em Dulcinéia
    a personagem central
    de sua linda epopéia:

    - Oh, minha dama gentil
    não despreze meu amor...
    Que farei se nunca mais
    vir seu rosto encantador?
    Será longo meu penar!
    Será grande minha dor!

    - Sei que nunca poderia
    outra ser minha princesa
    e se as flores do campo
    tivessem sua beleza
    eu ficaria mais tempo
    contemplando a natureza!

    - Oh, estrela rutilante,
    a razão do meu enlevo,
    não serei o seu poeta
    que a isso não me atrevo
    mas não deixo de pagar
    os suspiros que lhe devo!

    Como se fosse Quixote
    realmente apaixonado
    dava suspiros enquanto
    Sancho Pança estirado
    sem ouvir grilos ou  rãs
    dormia um sono pesado...
  • Visão Literária

    Quando os sábios se calam 
    Os tímpanos alheios ardem no silêncio, 
    Mas quando os versos de uma poesia 
    Ecoam sobre eles 
    É como a mais bela canção 
    Devolvendo o seu prazer.

    As palavras certas 
    Nas horas incertas 
    Do teu dia. 
    Acalmando-te a alma 
    Deixando-te alerta 
    E te fazendo sorrir.

    Um livro que te acorda de um sono profundo 
    Que há tempos moribundos 
    Viveu. 
    Ler é terapia 
    É Aprender, é magia. 
    É o prazer de “viajar pelo mundo”.

    Sem leitura, tu és simples criatura. 
    Letrado, tu és mensageiro da cultura. 
    Tu és mestre da Literatura. 
    Façam dos seus filhos 
    Leitores natos 
    E terão nos “pratos” 
    Os melhores “sabores” 
    Que se possa consumir.

    Dos teus filhos roubarão as vestes 
    Saquearão as casas 
    Levarão comidas 
    Até as sandálias furtarão, 
    Mas a herança do saber 
    Que deixares pra eles... 
    Levarão para a eternidade.
  • Viva como quiser

    E meu amor,não entristece não
    Porque a emoção é capaz de ser mais forte que a razão
    Liberte-se,como sempre quis
    E viva como quiser

    O futuro é um sonho que ainda não foi sonhado,não tenha medo
    Suas ações que te fizeram assim
    Jogue tudo pro alto,pare de ser tão racional
    A vida é mais bela do que você pensa
    Aproveite nosso amor e não tema.

    Um sonho pode ser mais libertador do que você pensa
    Sonhe,acredite,se emocione e viva!
    Estou do seu lado a todo momento
    Acalmasse meu amor,vou te proteger
    Me de a mão que te mostro o melhor lado da vida

    Libera a mente e experimente
    O que a vida tem a te oferecer
    Posso te mostra isto da melhor forma
    Só basta acreditar em mim
    Que transformo qualquer desilusão em um arco-íris infinito
    E te levo pra conhecer o pôr do sol mais bonito

    E meu amor por você supera qualquer obstáculo
    Minha felicidade está em cada sorriso que você dar
    Coragem,pois é uma das mais belas coisas que você tem a oferecer
    Você é mais forte do pensa,prove
    Pode ser a felicidade em pessoa
    Então erga-se,você é muito mais do que pensa.
  • Vivemos presos

    Vivemos presos, aprisionados em nossos próprios pensamentos mais profundos que muitas vezes sem perceber nós prende, a nossa realidade, sem perspectivas de mudanças radicais
  • Vivemos tanto buscando a paz

    Vivemos tanto buscando a paz, que esquecemos que ela e interior e vem de nós, não do mundo la fora!
  • Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?

    O mundo é tão complicado
    As pessoas são tão confusas
    Felicidade!
    Todos buscam, todos buscam...
     
    A vida é tão curta
    Os dias passam rápido
    O tempo é escasso
    Não temos tempo a perder
    O tempo não para
    Vamos viver!
     
    Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?
    Vamos me fale! Pra quê viver?
     
    Viver a ignorância predominante do nosso país?
    Viver a miséria e a violência que deixa o nosso povo infeliz?
    Viver a deficiência do ensino público?
    Viver com fome, demente e imundo?
    Viver num país de terceiro mundo subdesenvolvido?
    Viver a blasfema “de um mundo melhor” na boca dos políticos?
    Viver jogado nas praças, debaixo dos viadutos, marquises e vielas?
    Viver a vida bastante iludida de uma novela?
     
    Viver o quê? Viver de quê? Viver porquê?
    Vamos me fale! Pra quê viver?
     
    Vamos viver o que há para viver
    Viver o momento presente
    Deixar que o coração e a mente ame incondicionalmente
    Vamos nos preencher do mais infinito amor por todas as criaturas
    Praticar a benevolência para com o mundo todo
    Porque somente quando amamos é que percebemos a importância do viver
     
    Vamos me fale! O que há para amar?
     
     
    Amar é ter respeito
    É sentir dentro do peito
    É abster-se de todas as facetas do preconceito
     
    Amar é cuidar do bem estar de todas as coisas
    É não possuir, mas, de ser possuído
    É olhar para uma árvore e não vê só uma árvore
    Vê raízes, folhas, tronco, chuva, solo e Sol
    Em um relacionamento contínuo e a árvore aflorando dessa relação
     
    Amar é olhar para si mesmo e para outra pessoa e vê a mesma coisa
    Árvores e animais, humanos e insetos, pedra, flores e pássaros
    Todos unidos na mais perfeita harmonia
    Dando origem a todas as coisas vivas
     
    A pessoa que ama é compreensiva com sua gente infantil
    Em seu olhar não há malevolência
    Quando é agredido e ofendido escreve na área
    Para que o rancor e o ódio do seu coração
    Sejam apagados facilmente pelas ondas do mar
    E os benefícios que recebe escreve na pedra
    Para que sejam lembrados para todo o sempre
     
    Amar é saber que a Terra é um ser vivo
    Um gigantesco ser consciente
    Sujeito às mesmas forças que nós
    É saber que este grande ser é a nossa mãe, e assim, respeitá-la
     
    Sabendo disso!
    Sabe-se que todas as coisas vivas são irmãos
     
    Cuidando delas!
    Estaremos cuidando de nós mesmos
    Dando a elas!
    Estaremos dando a nós mesmos
    Ficando em paz com elas!
    Estaremos sempre em paz, em paz com nós mesmos
     
    Vamos viver o que há para viver
    A felicidade brota do agora
    O entendimento está no momento presente
    Na nossa vida cotidiana
    Caminhando passo a passo ao nosso lado
     
    Viver cada minuto como se fosse o ultimo minuto de nossas vidas!
     
    Não importa o lugar
    Não importa a condição
    Viva! Viva o momento presente!
     
    Porque a vida é curta
    Os dias passam rápido
    O tempo é escasso
    Não temos tempo a perder
    O tempo não para
    Vamos viver!
     
    Sem “o quê?”, sem “de quê?”, sem “porquê?”
    Sem se perguntar “pra quê viver?”
  • voce pode ate me ver

    Você pode ate me ver chorar
    em alguns dias sorrir
    mais jamais vera
    eu desistir

    Você pode me ver a reclamar
    em silencio ficar
    mais nunca vera
    eu parar de lutar

    você pode me ver triste
    pelos canto ficar
    porém jamais verá
    eu um dia para de te amar
  • Você, não

           O dia era 11/03/2019, acabei de ler o primeiro texto que escrevi sobre o nosso amor, no caso sobre o meu amor! Já se passaram quatro meses desde da nossa decisão e nesse pouco tempo eu me dediquei a minha pessoa e eu comecei a fazer coisas que eu nunca imaginei que faria. Eu estou feliz, muito feliz...sem você. 
           Sabia que eu não sinto mais aquele sentimento puro e gostoso por você? Eu não sinto falta quando você não fala comigo e eu até inicie umas séries novas, dá pra acreditar? E nessas series eu percebi o quão precisamos pensar em nós mesmos e deixar o mundo um pouco de lado, a nossa felicidade depende só de nós mesmos. Você, não! Eu não sinto absolutamente mais nada. 

     

  • VOLÁTIL

    Nunca pude desfazer as malas abertas da minha cabeça,

    pois viajo dentro de mim mesmo munido das ampulhetas

    sem a areia crua do tempo e do estreito que o movimenta.

    Desloco-me de pulso em pulso — de silêncios em silêncios,


    entre as estradas do pensamento. Sigo aqui e ali, sedento.

    Vou lá e acolá, rabugento. Estou na caça do verso intenso

    escondido nas sombras da rede. Farejo o rastro do medo,

    na pegada desse confronto elétrico: amperes e incêndios.


    Ouço o vento dizer-me, a sós, feito um segredo de estado:

    — O poema é artefato de éter… Não tente pôr um cadeado.

  • vulnerabilidade

    O problema é que a gente se entrega demais e fica muito vulnerável!
    Problema?
    Se fosse diferente não valeria à pena, ora!
     
    ==
     No momento você tem o grande amor da sua vida e pode estar tomando ele por certo e garantido, deixando de regar, cuidar e pôr no colo. Cuidado. Doerá se perder.
     
    ==
  • XXXXXX

    Pensado muito em solidão, e nos meses de 2016. Eu vou esquecer tudo isso, por alcool, drogas ou sedativo qualquer. Desde que larguei o Médio, a guitarra e os vicíos, é como se todo preço a se pagar fosse cobrado agora. Ela veio cedo demais, cedo demais, e não mais.
    Hoje foi o dia da poesia, recitatas.
    Ontem foi o anivérsario de Nancy.
    Quarta foi o culto.
    Daí não lembro mais. Eu nem sei se fui, ou devo ir.
    São como bolsas de heroína, bocetas como outras. Drogas num saco e livros de Auto-Ajuda. Já faz um tempo que o mundo não precisa de literatura.
  • ZONA DO SILÊNCIO

    Tudo muito bem aqui no mundo dos mortos,

    onde quase todos passam — exceto as horas

    que se atrapalham sem ponteiros ou relógios

    quando marcam a implacável tirania dos ossos.


    Não temos dia e noite, tampouco ocaso e aurora;

    o tempo também morreu feito o que há em volta.

    O cinza é dominante sobre os escombros tortos

    das ruas sem alamedas e das almas sem corpos.


    O sol vermelho sanguíneo ultrapassa o céu ocre.

    Vejo os becos e as cédulas sujas que se enrolam

    — conduzem a poeira por entre as ventas expostas

    e não há quem saiba mais o que realmente importa.


    Ouço muletas e próteses que se escoram no poste.

    Há gemidos invisíveis que não têm sul. Nem norte.

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