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  • A fé & a fé 2 sinopses

    A fé e A fé 2

    A fé
    A triste história de um vampiro

         Vampiros ultimamente estão acompanhados ou sendo gays. Esta é uma história que trás este tema. Um caçador que odeia vampiros. O que será dele ao se tornar um? Acordar como num pesadelo, onde tem que descobrir o que realmente aconteceu que fez seu mundo virar de cabeça para baixo.
         Perder tudo? Encontrar um caminho a seguir!
         Cachie é um caçador, eficiente, prestativo, mas num certo dia acorda como um daqueles ao qual tanto se acostumou a matar. Ódio será que sua percepção, seus sentimentos para com vampiros irá mudar ao se tornar um? Como tudo pode acontecer assim tão rápido?
         Até que ponto uma amizade pode chegar a se tornar algo mais? Mais que bons amigos ou amigas?
         Em um mundo onde o submundo, as magias se tornaram realidade. Vampiros, lobisomens, fadas tudo veio a se misturar. Humanos e vampiros juntos e separados.
         Onde a fé dos que lhe rodeiam pode chegar a influenciar sua vida?
         Porque ter fé? A fé move montanhas, já diziam alguns.
         Cachie acorda no escuro fechado, começa a tentar sair desta escuridão e sai, percebendo ao ver que está em um tumulo, o seu certamente e que não dormiu, não esteve morto por muito tempo, foram horas. Agora ele tem que se proteger do sol, este queima sua pele. Conclui que se tornou um vampiro, se pergunta como e não lhe vem na memoria. Então se esconde até escurecer, só então sai atrás de resposta. Revê sua namorada e sua mãe ao ir para casa. Elas dizem que o amigo Carlos tem que estar presente para a verdade ser contada então quando todos que devem estar presentes estiverem ele saberá o que aconteceu.
         É a vida de um vampiro que ele tem para viver agora e terá que aprender a ser assim verdadeiramente o que era para ele um monstro.  


    A fé 2
    O fim para história de um vampiro

         Cachie agora não luta contra monstros e sim para ter o amor de sua filha e neta. Uma luta constante, onde elas o receberiam?
         Em tempos de lobisomens em forma de lobo, não como monstros em mistura de homem e lobo. A fé 2, trás este tema. As feras se complementam, e o que era lobisomem monstro no primeiro livro se torna lobisomem em forma de lobo neste segundo.
         Cachie que passou a viver na escuridão encontrará luz em sua família? Carlais o perdoou? Que mais questões se podem levantar?
         Com a neta sendo sequestrada Cachie sai das sombras e se revela trazendo escuridão e desgraça.
         -O que ouve?
         A neta de Carlais foi sequestrada!
         -Ela foi levada.
         -Ninguém sabe pra onde nem por quem.
         -Ou por que.
         -Minha neta, o que está acontecendo, não pode ser verdade. Deixou escapar o minha neta e assim um dos homens falou assustado:
         -Você é o vô dela? O vampiro que a muito apavorou cidades? Cachie saiu preocupado tinha que encontrar uma maneira de salvar sua neta. Ele não percebeu, mas ficaram novos boatos, que diziam:
         -O vampiro está de volta!
         -Ele retornou a escuridão nos cercará!
         Uma família que Cachie acreditava não merecer agora precisa dele e ele será capaz de ser o que esperam que ele seja? Carlais aceitará a ajuda dele?
         Veja a aventura de Cachie, a triste história de um vampiro e o fim para história de um vampiro!

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  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 1 de 12

    Capítulo 1
         Cachie ficou nas sombras, escuridão por um tempo. Até que em uma de suas visitas escondidas ao que era sua família ouviu boatos, as conversas seguiam. Desesperado com a notícia ele se revelou perguntando em meio a um grupo:
         -O que ouve?
         A neta de Carlais foi sequestrada!
         -Ela foi levada.
         -Ninguém sabe pra onde nem por quem.
         -Ou por que.
         -Minha neta, o que está acontecendo, não pode ser verdade. Deixou escapar o minha neta e assim um dos homens falou assustado:
         -Você é o vô dela? O vampiro que a muito apavorou cidades? Cachie saiu preocupado tinha que encontrar uma maneira de salvar sua neta. Ele não percebeu, mas ficaram novos boatos, que diziam:
         -O vampiro está de volta!
         -Ele retornou a escuridão nos cercará!
         Em casa Carlais não podia ou não queria acreditar.
         -São falsos boatos, agora temos uma busca a fazer por uma garotinha. Amigos dela diziam.
         A filha preocupada não sabia o que fazer e Carlais sabia que com Cachie presente tudo daria certo, ele voltou na hora certa em que precisam do seu apoio e amor à filha que tanto o desejava.
         Carlais entrou no quarto da criança e cheirou as roupas dela. Saiu em busca de encontrá-la, ligaria para a filha dizendo onde estava.
         É noite, chegou à igreja da praça, que lhe trazia más lembranças, foi na praça desta igreja onde contou a seu amado que tinham o matado sem dizer adeus em palavras. Enviou uma mensagem para filha. Entrou, a porta por trás dela se fechou. Três homens que estavam cientes de que ela era uma mulher loba a cercaram.
         -Caindo em nossa armadilha assim tão fácil!?
         -Entregue minha neta, o que querem de nós? Ela daria o que fosse para ter a neta de volta.
         -Estamos com nosso objetivo e você com o seu, porem agora, aqui, morrerás pelo que amou!
         -Seus bandidos, onde ela está? Carlais chutou um dos acentos do lugar. É então que um dos homens mostra uma arma e diz:
         -Está carregada com balas de prata!
         -Como sabem sobre minha vida? Não responderam, um dos homens deu um golpe que a fez cair.
         -Sem lua cheia você não é de nada. Nosso recado é que sua família de antigos caçadores está chegando ao fim.
         -Só uma correção, nós ainda caçamos, mas tentamos ajudar aqueles que querem... E gritando disse: -Vocês não passam de humanos. Eles disseram que eram caçadores também e pediram meio que ordenando:
         -Deixe um recado para sua querida filha humana, diga que sobre um cadáver daqui desta igreja, que de fato será o seu, estará uma pista para que ela possa tentar encontrar a filha! Carlais pensou:
         -Então eles estão com algo que pode ajudar a encontrar minha querida neta, tenho que matá-los, mas como, minha filha já deve estar chegando, porque vim armada apenas com uma faca e sozinha? Eu e meus hábitos de ser imprudente. Ela mostrou a faca: -Vou matar você primeiro.
         Em gargalhadas um disse:
         -Solte esta arma delicadamente! E sorriu. Ela jogou no ombro do que estava armado e o chutou a retirando, os demais a rodearam. Um chutou a mão dela que soltou a faca. Foi então que o que caiu se ergueu dizendo:
         -Hora, hora... Disse um palavrão e apontou para Carlais:
         -É seu fim, morra! Carlais fecha os olhos.
         É então que um vulto avança erguendo a mão do homem armado o golpeia na barriga com algo, nisto toma a arma. Ele diz:
         -Estas balas também servem contra humanos, oh que coisa heim!? Carlais abre os olhos ao reconhecê-la. Ouve dois tiros e o homem que tinha caído vai atacá-lo por trás, porem recebe um novo golpe e cai morto.
         O vulto é de um homem, ele fica de costas para Carlais e é então que se vira após ouvir da agora velha senhora Carlais:
         -Você continua IDEM! Cachie olha nos olhos da senhora, sem saber que reação devia ter ou ela demostrar. Demoraram um instante como a pausar o tempo e relembrar das boas e más lembranças.
         A sena é de três humanos mortos, uma mulher loba e um vampiro. Ela se aproxima e dá uma tapa na cara dele.
    Fim do capítulo 1, a seguir o segundo capítulo.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 10 de 12

    Capítulo 10
         -Preparados para ultima batalha de suas vidas? Cachie fica na frente das garotas em seguida os dois se atacam, Claus com uma estaca o tempo todo tentando dar o fim desejado aquilo, e o que seria depois da vingança? Ninguém sabia. Já para o vampiro o que importava era a família que agora tinha, porem desistiria delas por Claus, se este decidisse não levar a vingança a família que também era dele, esta vingança de um para o outro apenas, mas parecia que Claus não entendia, ou estendia o ódio a todos.
         Cachie leva um soco e cai para trás, é então que a filha entra em ação com a espada voltada para o marido e dizendo:
         -Pare ou não respondo por mim. E segue as palavras: -Esqueça está vingança, vamos ser felizes! Ela ainda tenta, mas ouve:
         -Você não tem coragem! E uma risada feroz. Em seguida golpeia a mão de Cara fazendo esta se soltar e cravar em pé ao chão. Mais um golpe, este no rosto da esposa e ela cai ouvindo a filha gritar por ela.
         -Sua vingança é contra mim, eu deixarei você concluí-la se me prometer amá-las. Ouviu-se risos de apenas um.
         -Não preciso de nada de você nem delas e minha vingança está concluída. E gritou avançando a Cachie que se sentia culpado por aquele ódio, apenas abriu os braços ouvindo em berros: -Agora... Morra! E a estava se crava no peito de Cachie.
         -Não! Grita a filha e a neta chora.
         -Eu não desejava viver sem vocês como um vampiro vagando pela eternidade. Ele que já havia perdido duas pessoas que amava, Carlos e Carlais. Já o livro anuncia:
         -Que se abra o portal! Os relógios batiam zero hora e um brilho forte se fez e em seguida a aparição de um portal. Poeiras subiram com o vento que se fez descontrolado por um breve período.
         Com o portal aberto e Cachie deixando-se ser vencido, com uma estaca ao peito diz que a felicidade dele é ver a filha passar o portal com a neta, assim viverem felizes!
         -Você concluiu sua vingança, vá com elas para outra dimensão elas o perdoarão e sejam felizes! Insistia em vão o inimigo se curvou um pouco para pegar a espada:
         -Elas nunca serão felizes! Cachie enfraquecido se ajoelhou, não queria morrer antes de ver as garotas passarem pelo portal. Mas Claus estava no caminho. A neta se aproximou do pai e disse:
         -Pai pare com isso, não vê que seremos felizes.
         -Filha se afaste! Foi tarde demais.
         -Criança maldita, nunca te desejei! Laischi tenta se proteger levantando o braço e este é cortado pela espada afiada que passou em sua frente.
         Um braço cai ao chão.
         -Filha! A garota começa a gritar de dor. Tentando acalmá-la e dar um fim a batalha Cachie profere:
         -Leve sua mão lá tem tecnologia para colocá-la de volta. Claus se vira para ele e se aproxima dizendo:
         -Você já está morto e assistirá a morte de sua família, a quem você nunca quis! Quando se vira para filha Cachie com um golpe derruba a espada da mão de Claus, daí o segura:
         -Entrem no portal! Gritou desesperado. Então o inimigo o derruba e fica sobre ele:
         -Vou arrancar sua cabeça e sentir este prazer! Cachie apenas diz em seguida ao que ouviu:
         -É seu fim! Pois tinha visto a filha pegar a espada, ela diz:
         -Agora sei por que você tinha tanto medo de minha espada! Ela corta pelo pescoço a cabeça do marido. Como a exímia caçadora que era ela sabia que arrancando a cabeça os imortais morrem. Então dois morrem felizes com seus objetivos concluídos. Cara se apreça a entrar no portal para salvar a filha, pega o braço dela no chão e leva:
         -Pai, obrigado por tudo! Cachie fecha os olhos após ver a filha e a neta entrarem no portal para felicidade.
         O tempo de trevas no mundo, podia-se dizer que existiam pessoas felizes, mas tanto aquelas que não eram. A lua coroava o céu, as nuvens passavam, a noite sempre brilhava tanto quanto o dia para alguns. A lua indo dormir no escuro horizonte também é belo de se ver.
         Ergue-se uma mão, saindo de um tumulo no cemitério da cidade grande. São quase amanhecer e um corpo consegue sair do tumulo e areia que o cobria. Segundos atrás:
         -Está tudo escuro! Uma batida: - Estou sem folego! Outra batida: - Estou num lugar fechado! E começa a bater desesperadamente.
         -Não sei se eu tinha folego, mas o ar me veio depois que consegui erguer a mão. Um homem sai coberto de areia, cambaleando ele cai sentado.
         -Quando eu me ergui, minha memoria voltou, ou parte dela, eu fiquei tonto. Olha-se no espelho que tem pregado ao lado do possível seu nome na escritura do tumulo.
         -Não me vejo ainda sou vampiro! Olhou para o lado: - Reside aqui, Cachie, o ano estava apagado, este sou eu!
         O sol nasce Cachie olha para o horizonte e sente sua mão queimar: - Que droga, o sol está me queimando! Vou ao deposito ao lado, porem este deposito não existe. Sua pele queimando. Ele começa a gritar e o fogo a consumir seu corpo e ele se desintegra em brasas.
    Este é o fim do capítulo 10, siga lendo a seguir o capítulo 11.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 5 de 12

    Capítulo 5
         Agora com a nova forma da mulher lobo pode sendo lobo encontrar a neta através do cheiro que é mais apurado. Está é a ideia de Cachie, que segue em ação.
         Observam o lugar em que Carlais os leva como loba, não é um lugar muito grande, mas deve ter muitos cômodos, ou mais certo, cárceres.
         -Tem três guardas eu vou na frente como morcego para ver se algum deles é vampiro, pois se for irá me seguir.
         -Caso não nós entramos em ação! Cachie dá um gritinho de susto:
         -Você fala! E falou mais: -Eu não sabia que como mulher loba você falaria.
         -Não é assim na outra dimensão?
         -Na realidade não tive contato com lobisomens. Agora ele tinha que se acostumar a andar ao lado de um lobisomem.
         -Vai! Cara ordenou a seguirem o plano. Cachie vai e sobrevoa os três homens, descobre que um destes que achava ser três homens uma é mulher, nenhum o segue, um salta e o segura dizendo:
         -Opa, morcego ninguém entra. Cachie se tornou normal e mordeu o pescoço deste sugando-o o sangue.
         Rapidamente Carlais salta na cabeça do outro mordendo e gira torcendo o pescoço dele que cai. A mulher prepara para atirar com uma arma, porem antes que agisse Cara entra em ação a dando uma paulada na cabeça por trás e a vê desabar desacordada.
         Eles invadem o lugar. Dão de cara com um vampiro que os mostra os dentes em recepção, este diz:
         -Você é Cachie, tem alguém que espera por encontrá-lo há muitos anos.
         -O que vocês querem de nós?
         -Estou aqui apenas para não deixar que ninguém leve a menina! E completou: -Daqui vocês não passam, o que um vampiro, uma simples humana e um cachorro podem fazer contra mim que sou o vampiro mais poderoso. Gabou-se e mostrou uma estava dizendo que estava preparado, Cara mostra também revidando aos atos do vampiro.
         -É perigoso pra você, vá e encontre nossa neta, nós duas daremos um jeito neste vampiro metido.
         Cachie não discutiu disse para que tivessem cuidado e correu para dentro ao corredor. O vampiro queria enfrentá-lo e ia atrás dele, porem Carlais o mordeu na perna o segurando ali, coisa que ele a fez soltar e dizer:
         -Se vocês preferem morrer primeiro, morrerão!
         -Não vamos perder tempo. Disse Cara e pegando seu revolver deu um tiro no vampiro o distraindo para a mãe o atacar numa outra distração que pretendia por fim enfiá-lo a estaca, mas não deu certo.
         Cachie para na frente de uma porta, pois escutou um barulho dentro do lugar, vê que está trancada, então chuta e chuta, até arrombar:
         -Vim salvá-la! E ver que era um rato, não tinha ninguém.
         Carlais é jogada contra parece, sente dor e vê que sua pata está machucada. Mais uma tentativa. Cara atira varias vezes contra o inimigo, então Carlais o ataca, ele tenta se defender dela é neste momento que Cara acerta a estaca no peito do vampiro que geme e cai no chão morto.
         Cachie vê um homem sentado de vigia na frente de um espelho grande de parede. Cachie faz barulho ao se aproximar, mas o homem olha pelo espelho e não vê ninguém. Despreocupado continua relaxado, o descuidado faz barulho mais uma vez, o despreocupado olha novamente para o espelho e nada é então que Cachie o agarra pelo pescoço num mata leão e o homem se debate, depois sem forças desmaia ou morre Cachie não soube ao certo. Observando ouve barulho vindo do chão e vê uma entrada pra possivelmente o porão. Ele se baixa para abrir, abrindo entra.
         A menina fica com medo ao ver ele se aproximar, porem diz:
         -Eu te conheço de algum lugar, você é celebridade?
         -Estou aqui para lhe salvar! Cachie estava alegre por em fim ter a encontrado, é então que uma mão o toca no ombro.
         Cachie olha e vê que é a filha e ao lado dela a mulher lobo, se sente aliviado por as vê-la bem:
         -Laischi! Pela primeira vez se ouve o nome da menina, fácil perceber que Cara a deu este nome como uma homenagem aos pais.
         -Filha! Elas se deixam num longo abraço.
         Não era hora para uma pausa familiar, Cara diz a filha:
         -Este é seu vovô!
         -Ele voltou, enfim! E saltou nos braços de Cachie. A emoção foi forte em olhar aqueles olhinhos chorosos e ao mesmo tempo contentes.
         -Como você está?
         -Eles me batiam para saber onde você estava e eu dizia que não sabia. Perceberam que era por causa dele que a haviam sequestrado.
         -Agora está tudo bem! A acalmaram e ela disse mais.
         -Escutei a voz de pai falando com os sequestradores. Ninguém entendeu, a mãe dela como todos ouvintes acham estranho, o que ele faria ali? Estaria negociando algo para salvar a filha? Seria ele? Talvez ela tivesse desejando ver o pai e acabou pensando tal coisa, Cara tentou explicar dizendo isso, então a menina disse mais:
         -Pai Bernar está aqui! Cachie achou estranho ela o chamar de pai. Bastou um olhar e explicaram:
         -É que o pai dela não dá a atenção que devia a ela, Bernar lhe é como um pai! Definitivo, Cachie tinha duvidado de uma pessoa boa.
         -Vamos atrás dele!
         Não andaram muito e se ouviu:
         -Que confusão é está que está acontecendo aí fora? Tem alguém aí? É Bernar com a mania de falar bastante que ele tem, ele viu o rosto de Carlais pela abertura na porta e sorriu ouvindo:
         -Viemos resgatá-los! Ele ficou contente em saber que Laischi estava à salva. Ninguém mais os viu, eles saíram com cuidado. Finalmente Cachie conheceu Bernar, não se falaram muito, mas estavam dividindo agora uma família e se deram bem, não ouve queixas nem de um nem doutro.
         Cachie ficou para trás:
         -Vou matar todos que estão e aparecerem por aqui! Pegou a bolsa de armas da filha.
         -E tentar buscar uma explicação, mandante ou culpado pelo sequestro. Especificou Carlais sabendo que não o convenceria de não ficar.
         Foi então que ele notou o machucado no braço dela:
         -Você se machucou!
         -Sim, por quê? Ela pergunta e ele se lembrou de dizer um detalhe e agora falou:
         -Esqueci-me de um detalhe, agora que es como um animal completo você pode morrer como um, apesar de seus ferimentos se recuperarem rápidos, não é mais apenas a bala de prata que pode te matar, estais vulnerável. Ela completou dizendo que o espera na casa da filha.
         Assim todos seguiram no caminho oposto ao de Cachie que enfrentaria todos para proteger sua família.
    Final do capítulo 5, segue o capítulo 6.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 6 de 12

    Capítulo 6
         A noite quase se completava, estavam a conversar na casa de Cara, toda família, alguns amigos passaram para dar parabéns felizes pela volta da menina, mesmo apesar de ainda estar escuro e logo foram embora. Cara estava agarrada a filha e a sua espada, pois estava preocupada com o pai, já o marido não era identificável o que ele expressava nas feições, como de costumo não deu muita atenção a filha, apenas meio que as parabenizou. Bernar chama Carlais para ter uma conversa séria, quando ela vai ouvi-lo Cachie aparece ensanguentado lá fora, mas está bem. Todos saem para frente da casa.
         -E aí conseguiu descobrir alguma coisa?
         -Não só apareceram três homens e uma mulher, mas nenhum sabia de nada ou morreram negando. Carlais soltou o ar que prendia, mas não num alivio, e sim pelo que a resposta provocou, Bernar se aproximou dizendo:
         -É sobre isto que tenho a falar, é importante. Iniciou e foi interrompido por gritos:
         -Você é Cachie, o vampiro, finalmente. Era o marido de Cara, ninguém o entendeu e ele prosseguiu: -Esperei durante muitos anos por você maldito! E retirou uma estava duma mochila, partiu para cima de Cachie que revidou o empurrando. A estaca caiu da mão do agressor.
         -Como assim? Cachie e todos queriam saber e ouviram:
         -Não me reconhece? Você continua o mesmo desgraçado que matou meus pais há anos atrás. Ele deu uma pausa respirou e continuou: -Sou Claus, não se lembra de mim, matastes minha mãe e pai, para me proteger me fizeram ir a casa de meus avós.
         -Amor o que está dizendo? Cara que estava baixada com a filha se levantou indo em direção ao marido.
         -Amor? Não me chame disso, eu fiquei durante anos com você apenas numa espera incansável, incessável de vingança!
         -Pai. Foi a vez de a filha ouvir:
         -Você quando sua mãe a teve, foi um desgosto, manter uma família que eu odeio! Cachie se lembrou do que aconteceu no passado, estava atrás de sangue. Descobrindo assim que o marido da filha é o garotinho a quem ele matou os pais. Havia se casado com ela na esperança dele voltar.
         -Então você as usou para chegar a mim?! Era concreto e Claus deu um golpe no rosto de Cachie que deu uns passos para trás com o impacto:
         -Há quanto tempo eu desejava fazer isto! Com a mão direta no queixo Cachie não revidava:
         -Se vingue de mim, me mate, mas não diga que não as ama, não negue o amor delas por você e o que você sente.
         -Eu não sinto nada! Gritou o agora inimigo.
         -Por isso ele não dava amor à filha, a rejeitava. Pensou Cara consentindo.
         Claus puxou uma arma e atirou em Cachie. Bernar entrou na frente dizendo para que ele parasse com que estava fazendo e ouviu:
         -Seu velho idiota, eu te odeio, dava amor àqueles que não merecem! Disse dava porque pretendia fazer o que segue: Um som de tiro que penetrou lentamente nos ouvidos de todos. Ele atirou em Bernar.
         -Não! Gritou Cara e Carlais.
         -Pai Bernar! Foi a vez de Laischi. Cachie avançou e o empurrou puxando a arma de sua mão.
         -Está louco! Uma delas descreveu.
         -Sua vingança é comigo, eu não posso trazer seus pais de volta, não me defenderei, uma família é o que você agora tem, conclua sua vingança! Claus o agarrou num mata leão e disse:
         -Posso te segurar aqui até que o sol nasça! A manhã estava por vir. Cachie conseguiu se soltar e o empurrou outra vez, disse:
         -Não precisa que me segure se queres ficarei aqui e me renderei ao sol em nome de sua vingança. Eles ouviram:
         -Pai não, você tem a nós agora, não deixe este mal o vencer. Estas palavras foram para Cachie, mas serviria para os dois. Claus pegou a estava no chão e foi estancá-la no peito do vampiro que abriu os braços para o fim.
         -Não morra! Carlais gritou e Cara ouvindo um grito de desespero da filha disse: -Precisamos de você, mate-o!
         Cachie desviou da estaca e com a arma disse:
         -Desculpe minhas garotas. E atirou no peito de Claus que caiu morto.
         Cara correu para o pai:
         -Você fez o certo, ele não nos amava, não acredito que pude passar tantos anos ao lado deste homem! Cachie fechou os olhos num momento de reflexão.
         Carlais estava com Bernar nos braços, preocupada, sabendo que era o fim para aquele velho que de vez em quando era um chato, mas sempre amável.
         -Eu mandei uma equipe investigar o sequestro, está aqui o mandante, pegue. E entregou um Pendrive dizendo: -O mantive comigo mesmo naquele escuro da prisão que me mantinham, agora veja e não deixe que machuquem nossa criança outra vez!  E concluiu: -Eu te amo! Antes de apagar ouviu as mesmas palavras da boca dela e um ultimo beijo desta. Cara afastou a filha que chorava pelos pais.
         -Papai não me amava? Perguntava enquanto via na sala da casa Carlais ligava para irmã de Bernar dizendo que o havia encontrado e sem esconder que estava morto, a irmã chorou, Carlais ia concluindo quando acontece uma explosão na entrada da casa, esta começa a pegar fogo.
         O povo grita:
         -Fora vampiro maldito!
         -Família desgraçada!
         Cachie diz:
         -Não dá mais para vocês viverem aqui! Eu trouxe desgraça para suas vidas!
         -Não, você nos salvou! Cara tentava confortá-lo. Ao celular Carlais disse que a irmã de Bernar fosse à igreja, especificou a igreja para que ela fosse encontrar o corpo do irmão. E para os presentes ali disse: -Vamos sair daqui, vamos para igreja! Dá tempo de chegarmos lá antes que amanheça, basta corrermos! A igreja por um tempo tinha se tornado um segundo lar, apesar de ter tido ali o momento ruim da despedida de Cachie. Por causa do padre lobisomem ela se tornou amiga de muitos padres. O desta igreja os receberia de braços abertos.
         Então eles saíram escondidos e a casa se tornou labaredas.
         Ao chão Claus se mexe, em seguida abre os olhos.
    Terminou o capítulo 6, veja o capítulo 7.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 7 de 12

    Capítulo 7
         O dia se faz, Cachie se queimou por um mínimo momento até que chegaram ao destino, foi para o porão da igreja. Antes olhou os detalhes desta renovada que foi senário para a partida dele para outra dimensão. Mas Carlais havia escolhido tal lugar por ter internet e conhecer o padre que pode lhes emprestar o notebook para que ela use o Pendrive para em fim saber quem são os sequestradores.
         O sol quente, as nuvens passavam por este e sorriam ao fazer sombra em um ou outro lá em baixo. O padre não estava, só estava quem arruma a igreja, este disse que o padre voltaria pouco antes do anoitecer. O garoto que limpa tudo ali não tinha notebook, apenas celular e ela tinha o dela ao qual recebeu uma ligação. É a irmã de Bernar dizendo que estaria ali somente à noite e que ela rezasse pelo irmão, estava a avisar o restante dos familiares. Tendo que esperar até a noite era bom porque Cachie poderia sair da escuridão em que estava para a escuridão em que vive.
         Cachie tinha pego o livro que tinha deixado na casa da filha, já Carlais com a correria e a ligação para irmã do ex marido esqueceu que tinha que olhar os arquivos do Pendrive, esquecendo de pegar o notebook da filha, esta que estava dando toda atenção a filha que chorava muito, até que se acalmou.
         -Eu tenho fé que minhas meninas vão serem felizes quando tudo isto for resolvido. Dizia Carlais de si para consigo, saindo um momento da igreja, se perguntou se o vampiro ali teria fome e logo foi saber e soube que talvez tivesse na noite de amanhã.
         Carlais conversou com a filha e a neta:
         -Vocês perderam a quem acreditavam erroneamente que lhes amava e agora tem a quem esta cheio de amor para lhes dar. Lamentavam a morte de Claus e os sentimentos ruins que ele guardava no peito.
         -Eu o amava, o guardarei como algo bom, mesmo sendo como foi. E mudava de opinião: -Como aquele maldito pode fazer isto, fingir por tanto tempo e como não pude perceber que ele não me amava, não nos suportava. Praguejou-o e ouvia a mão dizer que tudo ficaria bem.
         O padre chegou, perguntou se estava tudo bem, Carlais acrescentou que encontrou a neta, o padre ficou feliz e Carlais ao pegar o notebook correu para o porão.
         -Vamos fazer isso! Dizia o livro para Cachie que desviou os olhos que viam o livro parar de brilhar, a pouco brilhava intensamente, para dar atenção para os que ali chegaram.
         -Vamos em fim saber quem são os envolvidos no sequestro. Disse Cara enquanto a mãe já ligava o notebook.
         O Pendrive não funcionou.
         -Como assim, tem que funcionar.
         -Tenta de novo. Foi o que Carlais fez após ouvir Cachie e Cara.
         Desta segunda vez funcionou e ela abriu a única pasta onde tinha dois documentos, o primeiro estava escrito que o principal envolvido no sequestro é Claus.
         -Aquele desgraçado! Cara e Cachie soltaram estas palavras de raiva juntos. O segundo arquivo foi aberto e neste constava um segundo envolvido, um homem de cabelos brancos que nenhum conhecia.
         -Temos que encontrar este homem para segurança de Laischi! Os mandantes estavam definidos. Mas para Cachie já não importava, pois ele tinha a ideia que segue:
         -Não importa mais, não dá mais para vocês viverem aqui, vou levá-las para a dimensão em que estive por muito tempo! Antes que questionassem sobre a magia ele acrescentou: -Antes não se podia levar familiares, mas esta regra foi quebrada já fazem 7 anos.
         Elas achavam que tinham que pensar, mas preocupadas disseram um positivo, foi então que Cachie falou um detalhe:
         -Só podem entrar 3 pessoas no portal, ou seja, eu fico! Estas palavras não soaram boas.
         -Não, nós daremos um jeito de vivermos aqui, vamos para o mais longe possível. Cara sabia que poderiam viver bem em algum lugar, porem para o pai este lugar era único, a outra dimensão.
         -Já está decidido!
         -Vô, você tem que ficar conosco! Laischi queria aquele vampiro que por muito tempo foi apenas uma história contada por sua vó.
         -Entendam o que quero é a felicidade de vocês e está acontecendo eu estarei feliz onde estiver. Carlais também sabia disso, e para ela também o que importava era a felicidade das garotas. O livro falou:
         -Já iniciamos o pedido magico da abertura do portal, acontecerá em 7 dias. Se vocês não forem terão de dar oportunidade a outras pessoas, qualquer pessoa.
         -Elas vão! Cachie estava decidindo por elas.
         -Você não pode ficar longe de nossas garotas.
         -Será como se eu não tivesse voltado, estarão em suas vidas normais, só que em um mundo melhor. Falou prosaicamente como se estivesse tudo bem.
         Não tinha jeito a escolha era partir e partiriam! Carlais pensou nas garotas e disse decidida:
         -Nós vamos!
    Fim do capítulo 7, em seguida o capítulo 8.
    Você que ainda não leu os capítulos anteriores, leia nas paginas do meu perfil. E se quer ler o livro que deu origem a esta serie, este se chama A fé A triste história de um vampiro. Já está postado completo no meu perfil. Ótima leitura continue lendo.
  • A fé 2 O fim para história de um vampiro capítulo 8 de 12

    Capitulo 8
         A noite caiu após o crepúsculo, foi só o tempo da conversa que as faria ir embora, eles todos subiram. Em frente ao altar estava o padre, eles o viram primeiro em seguida foi que perceberam que estava acontecendo uma missa. Muitas pessoas estavam rezando. Foram devolver o notebook e agradecer, porem mais coisas aconteceriam.
         O padre começou a pegar fogo, se debater. As pessoas apavoradas começaram a correr em retirada. Saiam às pressas. Cachie tirou a camisa e começou a bater ela contra o padre tentando apagar as chamas, porem quando estas pararam seus olhos estavam brancos:
         -Está morto! Cachie esta em forma, seu corpo musculosos de muitos anos malhando, demostrava muita beleza, as linhas definidas de seus músculos pareciam brilhar entre sombra e luz da iluminação do espaço.
         Apareceu um homem que eles logo reconheceram, é o homem de cabelos brancos. Foi hora de tirar explicações:
         -O que pretendia tirando minha neta de mim?
         -Eu quero o livro, através dela Claus acreditava que você viria até nós e eu que o livro viria junto a você! E gritando diz: -Dê-me o livro!
         -Você é um bruxo? Carlais perguntou e ouviu:
         -Sou o mago mais poderoso deste mundo! Ele viu o livro com a menina que tinha sido seu alvo de sequestro e apontou uma varinha em direção a ela: -Esta varia faz as coisas queimarem! E sorriu.
         Cachie correu em direção ao adversário dizendo:
         -Você nunca terá o livro! O mago apontou a varinha para ele e anunciando fogo em voz lançou bolas em chamas contra Cachie que defendeu com a mão e jogou para o lado, e depois com a outra até que chegou no mago e lutou pela posse da varinha. Carlais se tornou loba e correu em direção a eles. Cachie conseguiu pegar a varinha e quando Carlais chegou para ajudá-lo o mago lançou uma magia que provocou um vento forte e os lançou longe contra a parede ao alto quase contra o telhado.
         Cachie bate na mão para apagar o fogo que tinha ficado parecia feito por álcool e o mago no moletom onde as chamas tinham se espalhado.
         -Somente um feiticeiro é forte suficiente para me derrotar, mas este se tornou um livro e nada pode fazer. O mago disse e tirou dois chicotes do moletom, um jogou em direção a Cachie que conseguiu desviar, porem na distração de revidar este ataque se desprotegeu por trás, o chicote passou e voltou então se envolveu em volta de Cachie se enrolando a ele da cabeça aos pés, prendendo suas mãos e pés e apertando, ele caiu ao chão.
         -Cara aponte o livro para ele! A filha obedeceu e Cachie prosseguiu: -Fogo! Era a hora dele usar magia, atingiu as costas do mago que tirou o moletom e jogo-o ao chão, estava em chamas. Em seguida jogou um pano em direção a Cachie que foi lentamente enquanto o vampiro continuava ordenando fogo e o mago se protegendo com magia de defesa, até que o pano enrolou-se na boca de Cachie e o mago definiu:
         -Bom assim, agora você não pode falar, não pode dar ordens ao livro, você tem o comando dele, mas em breve este será meu! Virou-se para o livro dizendo: -Só você poderia me vencer se não tivesse se tornado livro.
         Cara entregou o livro a filha e partiu para cima do mago que revidou com o chicote que tinha em mãos, Cara levou um golpe no rosto com o impacto girou no ar e caiu. A mãe foi reagir também, porem o mesmo chicote que atingiu a filha o mago o lançou enrolando no pescoço da mulher lobisomem e soltando o chicote usou magia para este se erguer enforcando Carlais pouco a pouco. Cachie só gemia tentando dizer algo, não se entendia nada.
         O mago então aponta uma arma para Cara, fazendo a arma levitar com magia a soltando de sua mão, mirando nela. Em seguida faz o mesmo com uma estaca, porem esta mirando em Cachie, e para Carlais o chicote estava a ponto de matá-la ele pergunta:
         -Quem quer morrer primeiro? Depois muda as palavras: -Quem será que vai morrer primeiro? Parece estar se divertindo com os adversários . Vira-se para Laischi e ouve:
         -Não ouse tocar nela! Foi Cara que estava tentando se levantar. Laischi corre para o altar e o mago atrás dela diz:
         -Dê-me este livro, seja uma boa garotinha! Todos apenas podem assistir. –Será que se me der pouparei sua vida minha ex refém?
         -Entregue o livro a ele! Cara decide e a filha obedece. O mago pega o livro que diz:
         -Você não pode usar minhas magias para o mal. O inimigo se volta aos demais e diz:
         -Agora tenho o poder e vocês vão morrer!
         Cachie apenas geme tentando se livrar do chicote que o amarra.
         Carlais está no fim sem ar, o chicote arrocha cada vez mais, como um animal ela se debate no ar.
         Cara esta ainda ao chão com dores terríveis.
         Laischi está junto a parece após o altar chorando.
         Tudo está perdido, eles vão morrer. Uma arma aponta para Cara, Uma estaca para Cachie, Carlais sufocando. O mago diz:
         -Chegou a hora! Ergue o livro.
         Uma flecha atinge seu braço e ele deixa o livro cair. Enfiada a flecha o faz gritar.
         -Quem está ai? Quatro lobos pulam sobre ele o mordendo e o estilhaçam, o mago é mutilado.
    Terminou o capítulo 8, a seguir o capítulo 9.
    Leia também os capítulos anteriores de A fé 2 O fim para história de um vampiro.
    E leia também o livro anterior de nome: A fé A triste história de um vampiro.
    Todos nas paginas do meu perfil!
  • A festa

    Eu nunca fui de beber.
    Comecei há pouco tempo, evito ao máximo. Quando faço não me embebedo.
    Minha visão sobre isso torna o ser humano um idiota. Fazemos coisas que sabemos que podem nos matar. 
    Vejo um rapaz sair da festa cambaleando, e entrando no carro.
    Por sorte ele irá bater num poste sem machucar outras pessoas, morrerá sozinho, com a consciência limpa. Se tiver sorte.
    - Que coisa horrível de dizer Otto — Ela diz.
    Sorrio e bebo meu uísque.
    Não lembro como a conversa foi chegar naquele ponto. Ela gostava de falar.
    Um jeito tagarela.
    Havia a conhecido há umas duas festas anteriores. Numa sexta, ou quinta. Não me lembro.
    É sábado à noite, estou cansado, mas é dia de festa. Pessoas bebendo, se divertindo e esquecendo dos problemas da rotina corrida.
    Nessa casa há tantas pessoas. Todas conversavam e riam, algumas pulavam na piscina, outras espalhadas pelos cômodos do primeiro andar da casa. Uma bela casa. Ótima para festas.
    Havia todos os tipos de pessoas naquela casa, todas de diferentes classes sociais, diferentes etnias e raças. 
    Todas reunidas para conhecer pessoas novas, rever as velhas, socializar ou apenas conseguir uma transa.
    Ela estava sentada em uma cadeira verde junto de suas amigas, quando cheguei. Acenou e sorriu.
    Usava um maio vermelho com bolinhas brancas e uma toalha roxa envolta do pescoço, segura um copo de cerveja com a mão esquerda e gesticula com a mão direita enquanto fala, suas unhas estão com um esmalte vermelho sangue.
    Algo que sempre achei muito sexy.
    O seu cabelo preto esta preso num coque molhado que se desfaz a todo instante, ela me olha, continua rindo, mostra a língua e volta a conversar.
    Minutos depois, estamos parados encostados na parede próxima à porta de entrada. Porta de vidro, entrada para a cozinha.
    Não lembro seu nome.
    Mirela.
    Melissa.
    Milena.
    Todos as chamavam de “Mi”.
    “Mi” estuda direito, futura advogada, acredita que a justiça foi feita para proteger todos. Pergunto-me em que país “Mi” vive. Fala sobre prender os caras maus. Bandidos e assassinos. E políticos corruptos.
    Quer fazer a diferença.
    Como todos quer viajar para fora do país, fazer intercambio conhecer algum gringo e ter um amor de verão. Sonha com a Itália. Roma. Coliseu.
    Tagarela.
    Fala sobre seus pais. Médicos. Queriam uma filha medica.
    Pergunta sobre os meus. Mortos. Queriam um filho vivo.
    Ri pensando que foi uma piada. Sorri colocando a mão sobre o rosto, demonstra timidez. Mas esta confortável com a conversa.
    Um jeito leve e descontraído.
    Ela não é alta, mas nem muito baixa. Tem um corpo magro. Sua pele da cor de chocolate me atrai. Seus olhos castanhos me conquistam.
    Uma gota de agua escorre por sua bochecha e pinga ao chegar a seu queixo.
    Sua boca esta levemente pálida por causa da brisa fria desta noite.
    Continua me falando sobre sua vida. Sobre seu estagio em um escritório de advocacia, onde seu chefe fica flertando com ela. Como não flertar com uma garota tão linda? Sorri colocando a mão sobre a boca.
    Ela diz que o café de lá é horrível, respondendo minha pergunta.
    Depois de mais um papo, caímos no assunto sobre bêbados. Ri quando comento sobre o bêbado que acabara de entrar no carro.
    Me da um soco de leve no ombro. Pergunto-me em que momento ganhou intimidade.
    Uma casa bem espaçosa com dois andares, ligados por uma escada de madeira em espiral, moderna. No primeiro andar tem a cozinha, a lavanderia e a sala, no segundo andar, há três quartos, duas suítes e outro para hospedes. 
    Nesse encontra-se uma cama de solteiro, com alguns lençóis e um travesseiro, uma pequena cômoda e uma guarda-roupa empoeirado, com algumas roupas velhas dentro.
    “Mi” esta rindo, seu cabelo esta solto, ainda molhado e caído sobre seus ombros, não é um cabelo comprido.
    A musica alta estrala em meu ouvido. 
    Ela rouba meu copo de uísque, bebe um pouco e então, me devolve. Faz careta ao engolir.
    - Vamos Otto, dance! — Ela diz, rebolando no ritmo da musica.
    Coloco o copo sobre a cômoda. O gelo balança fazendo um som de sino ao bater nas paredes internas do copo.
    Solto minha gravata.
    - Só você para vir de terno a uma festa na piscina — Ela diz.
    Sorrio.
    Ela sorri, não cobre o rosto desta vez. Esta bêbada.
    Começa a falar que esta de olho em mim desde a primeira festa. Desamarra o maiô. Seus seios ficam a mostra, são pequenos como laranjas e tem as aureolas marrons. Fazia um tempo que eu não via uma garota nua. Meu corpo esquenta.
    Ela se aproxima.
    - Eu sei que você me quer Otto. — Ela diz, apalpa os seios.
    Desculpe-me “Mi”, o que sinto não é excitação pelo seu corpo. Mas pela sua morte. Ela esta bêbada.
     Sorri. 
    A faca entra em seu peito. Atravessa seu tórax atingindo seu pulmão. Ela não tem tempo de reagir. Sua respiração fica pesada. Ela não grita. Esta segurando meu terno. Olha-me nos olhos. Sangue escorre pelo canto da sua boca. Retiro a faca. 
    A faca entra novamente, próxima ao local anterior. Retiro a faca.
    Ergo minha mão. Passo a língua em meus lábios.
    Há muito sangue. Ela cai. Seu cabelo esta no meio daquela poça vermelha. Tiro minha gravata. 
    A musica alta estrala em meus ouvidos.
    Suas pernas são lindas, sem nenhuma mancha, sua cor é atraente, seu quadril é largo comparado a sua fina cintura. Abaixo e tiro seu maiô, corpo maravilhoso. Sua barriga é definida, devia fazer exercícios frequentemente. O sangue ainda sai pelos cortes. Esta toda vermelha. Tento não encostar no sangue. Pego o travesseiro e faço pressão para o sangue dar uma pausa. Coloco-a sobre a cama. Esta nua. Penduro o maiô num cabide dentro do guarda-roupa. Tomo um gole do uísque.
    Caminho até o banheiro do outro quarto, não há ninguém no segundo andar. Lavo a faca, as mãos e encaro o espelho. Arrumo o cabelo e volto para vê-la.
    Desço a escada em espiral. Logo estou na cozinha. Largo a faca sobre a pia, mesmo lugar de onde peguei, antes de subir.
    Esbarro em algumas pessoas. Peço desculpas. Alguns sorriem. Outros me encaram.
    Vou embora.
    No dia seguinte vejo a noticia.
     “Mi” foi encontrada dentro de um guarda-roupa, de cabeça para baixo, com os pés amarrados por uma gravata, nua. O cabelo todo sujo de sangue. Os olhos revirados, e sua língua estava sobre a cama num copo de uísque.
  • A Fuga

    Não existe lugar onde eles não possam encontrar-me,mesmo estando oculto nos becos mais sombrios,nas ruínas das construções abandonadas,ou até mesmo na silenciosa solidão de meu quarto,mesmo assim inevitavelmente eles estão comigo.
    Tento sem sucesso apartar-me deles,mante-los afastados de mim por alguns momentos, mas é claro,tudo isto é em vão.Eles me atormentam a muito tempo,como um predador que busca incansavelmente sua presa.Sou tomado pela ansiedade,inquietação,a bebida me faz entorpecer para não perceber quando chegam,mas isto não impede que venham,e com eles vem o medo,o remorso,a angustia,a certeza que podem tirar-me tudo,até mesmo minha própria vida.
    E pensar que um dia eu os criei,os alimentei,busquei argumentos para dar a eles toda razão,para torná-los cada vez mais fortes,e ironicamente tem eles hoje o poder de transformar-me em um louco,insano.
    Eu poderia ter evitado tudo isto no começo,mas não fiz
    Poderia ter encontrado alguma maneira de controlá-los,mas também não fiz.
    Agora já é muito tarde,estou sucumbindo a cada momento aos martírios que eles me fazem passar.É inútil lutar contra eles,ou deles tentar escapar.Estou completamente dominado,entregue por completo e sem forças para controlar a fera que eu mesmo criei,sem poder conter meus próprios pensamentos. 
  • A gênese do caos

    Um livro de ficção científica me atraí por diversos motivos, dentre eles: os personagens singulares, a trama que me provoca um sentimento de encantamento e a verossimilhança com a nossa realidade. O livro Manjedoura tem tudo isso, sendo uma grata surpresa para um primeiro título publicado pelo autor Sandro J. A. Saint, jovem autor araçaense. Seu romance é um prato cheio para amantes da ficção científica.
                Um tipo de obra que sempre estará em voga é a distopia. Essa narrativa que vislumbra um mundo onde a sociedade está colapsada devido a fatores socioeconômicos, políticos e/ou culturais, lembra o quanto a humanidade é sobrecarregada de contradições. Com certa dose de pessimismo e fatalismo, a modernidade e o progresso se tornam fatores de diluição da sociedade. O livro se torna um alerta, ou seria uma profecia?
                Manjedoura como um primeiro livro de Sandro J. A. Saint apresenta uma narrativa coerente e original, pois consegue sintetizar muito bem os elementos narrativos desse tipo de história. Unindo pós-apocalipse e cyberpunk numa trama distópica, o romance nos traz uma realidade árida, pouco convidativa. Um ambiente carnívoro com relações sociais predatórias. Os protagonistas revelam bem os sentimentos em relação a esse mundo intoxicado de poluição e violência. Como não poderia faltar num livro como este, a temporalidade é desconhecida. Não sabemos se estamos em um futuro ou em uma realidade paralela.
                O livro começa com uma inserção objetiva nesse mundo, um modo de acautelar o leitor e fazê-lo entender que a narrativa terá um cenário diferenciado. É nesse mesmo prólogo que ficamos sabendo que a população mundial cresceu de tal forma que as guerras e o baixo número de recursos naturais diminuíram o número populacional a menos de 30% do total. As elites, sob as suas variadas vertentes, políticos, militares, cientistas e artistas, se unem e formam um único órgão chamado de Cúpula. Seu objetivo é conduzir os resquícios da humanidade.
                Para resolver o problema da superpopulação, eles criam o Projeto Manjedoura, humanos não nascem, são produzidos em escala industrial em laboratórios, chipados e depois dispersados pela cidadela. Mesmo nesse cenário repressor, há revoltas. Grupos rebeldes se organizam e formam os White Mouses, indo viver na clandestinidade fora da Cúpula, ondes serão perseguidos pelas sentinelas.
                Os protagonistas que conduzem a trama são Hanss Nagaf, o emocionante mensageiro-chefe; Jason Cry, o pupilo falastrão de Hanss; e por fim, Handra, a belicosa guerreira do frio. A personalidade desses personagens é única. Com certeza você vai se identificar com todos ou um deles. Mesmo outros personagens que aparecem na trama têm sua personalidade bem definida e atuante na história. Nenhum personagem aqui foi desperdiçado e agrega a narrativa.
                Hanss é um personagem que soa familiar, conduz a trama com bom humor e se mostra um personagem sentimental, a todo momento tenta empreender uma visão mais espiritualizada da vida. Handra é o tipo de protagonista feminista que falta a muitas obras, forte, sem com isso perder a feminilidade. Jason representa o olhar do leitor, sua impulsividade judiciosa e olhar cético vão trazer os conflitos necessários ao trio, bem como divertir o leitor, se tornando um alívio cômico numa sociedade tão agressiva.
                Minha recomendação é: leia esse livro! O livro está com uma edição impecável feita pela Editora Lexia, custa apenas R$ 21,90 mais o frete. Tem orelhas, miolo em papel offset, capa e contracapa feita pelo próprio autor, reforçando o caráter autoral da obra. Se o leitor busca uma ficção científica distópica com pitadas de fim do mundo, Manjedoura é a pedida.
  • A Grande Rocha da Vida

    Quando a Terra Média ainda era dividida entre homens e criaturas, existiam os reinos dos humanos, o território dos gigantes, as cavernas dos elfos, o reino das fadas, o reino das nuvens dos deuses, e o misterioso reino dos pesadelos, habitado pelos demônios.
    Entre eles existia uma rocha mágica que podia curar quem a absorvesse, nem que fosse um pouquinho de seu poder de doenças e feridas, A Grande Rocha da vida. Todas essas nações podiam usar o seu poder, moderadamente, para que não houvesse conflitos ou guerras por posse dela, tanto que cada nação tinha um dia específico da semana para usar o poder da Grande Rocha, a menos que fosse emergência.
    Havia um segredo sobre a Rocha que só os deuses e os demônios tinham em conhecimento, que se alguém absorvesse todo o seu poder, obteria vida eterna e poder ilimitado, o suficiente para derrotar qualquer um, e segundo as Runas dos Tempos dos Profetas, apenas quem tivesse o sangue de demônios ou deuses podia absorver toda a Rocha, mas “lá se sabe se isso é verdade”.
    Um dia os demônios tentaram tomar a Rocha só para eles no objetivo de que Helldron, Rei dos demônios, absorvesse-a e destruísse as outras nações, dominando o mundo, mas falharam porque todos se uniram e os selaram junto ao portal proibido que dava acesso para o Reino dos Pesadelos. Muitos morreram, pois os demônios eram muito poderosos. Quando tudo estava se estabilizando os deuses fizeram um comunicado pacífico, dizendo que iriam pegar a Rocha e leva-la aos céus para que eles decidissem quem usaria ou não o seu poder, mas não aceitaram e obrigaram os deuses a se exilarem nos céus. Os deuses são pacíficos e inteligentes então para manter a ordem eles aceitaram seu exílio, pois sabiam que depois desse comunicado poderia haver desconfiança. E assim terminou o que eles chamaram de “A Guerra Centenária”, pois pode não parecer, mas a guerra contra os demônios durou 200 anos.
    Os demônios não eram muito amigáveis. Eles tinham três corações e viviam 700 anos. As fadas eram fascinantes porque eles voavam sem ao menos ter asas e mantinham um corpo jovem mesmo estando a poucos dias da morte. Vivem 300 anos e quando morrem seus corpos demoram 50 anos para se decompor. Os humanos viviam uma vida normal, sua expectativa de vida era cerca de 90 anos. Os gigantes, bem, eles não eram maus, mas alguns eram brutos demais, outros eram amigáveis, e uns eram travessos, pois pregavam peças nos humanos se fantasiando de demônios e assustando-os dizendo que “nós, os demônios voltamos para tomar a Grande Rocha e destruir todas as nações”, e por isso os gigantes eram mal interpretados por alguns humanos, pois achavam que os gigantes queriam a volta dos demônios... “será que é verdade?”. Os elfos também eram pacíficos, assim como os deuses, mas também eram misteriosos. Pesquisavam segredos do mundo, mas não diziam para os outros. Os deuses não eram como divindades, eram nomeados de deuses por serem muito sábios, tentavam evitar conflitos, procuravam jeitos de beneficiar a todos. Eles não são eternos, mas vivem 300 anos a mais que os demônios. Antes dos deuses serem exilados, alguns se relacionavam com humanos, e a junção dos dois originou uma nova espécie, que rapidamente virou uma nação também, e ficaram conhecidos como druidas. Os druidas têm duas diferenças dos humanos, uma, é que eles nascem com os olhos muito amarelados e brilhantes, e outra é que eles têm um poder de cura parecido com a da Grande Rocha da Vida, só que um druida pode curar apenas feridas, pois envenenamentos, doenças, essas coisas eles não conseguem curar. Havia um, porém no nascimento de um druida, pois alguns nasciam como humanos normais, mas eles não eram mandados para os outros reinos, pois os anciões ensinavam técnicas de cura com ervas e outras coisas que eles encontravam na floresta dos druidas. E também não podem absorver tanto da Grande Rocha. Todos aceitaram o surgimento dos druidas, as fadas se aliaram a eles, e os dois agiram por gerações como “unha e carne”.
    Muitos anos depois da Guerra Centenária, na floresta dos druidas, havia 200 anos que humanos não nasciam, e acharam que tal coisa não iria mais acontecer, até que uma menina nasceu só que ela nasceu com muitas doenças, meio fraca, e por alguma razão, a Grande Rocha não curava suas doenças. Ela sempre admirou a Rocha, mesmo não podendo ajuda-la. Ela cresceu, conheceu um humano por quem se apaixonou, eles casaram-se e um ano depois tiveram a noticia de que ela estava gravida. Numa expedição aos Montes de Gelo, seu marido morreu num acidente. Quando o bebê estava pronto para nascer, numa mesa de parto, ela não tinha forças para fazer com que o bebê saísse, e sentia muita dor. Mesmo estando ciente de que não funcionava, levaram ela até a Rocha, pois era uma emergência, e, por incrível que pareça, a mesma a deu forças para deixa-lo sair. Ela sabia que ia morrer, mas antes de morrer viu que era um menino, e o nomeou como Seikatsu, que do japonês para o português significa “vida”.
    O Avô de Seikatsu não gostava dele, pois dizia ele que Seikatsu matou a própria mãe, então o menino foi criado por todos os druidas. Ele não guardava rancor de seu avô e não se sentia muito triste quando falavam de sua mãe, pois para ele ela era uma heroína por viver tantos anos no estado em que estava, e deixou ele como prova de sua força, e como ela, ele também admirava a grande Rocha.
    Quando completou maior idade decidiu iniciar uma jornada pela Terra Média para conhecer todas as criaturas das outras nações, indo primeiro para o reino mais próximo dos humanos, pois ele queria conhecer a cultura do povo do qual seu pai fazia parte.
    Chegando lá ele se encantou com o jeito dos humanos, seu jeito de comemorar o deixava impressionado. Com o dinheiro que ele havia guardado por anos para quando chegasse sua jornada, ele pretendia comprar várias coisas do reino humano, mas descobriu que no dia seguinte teria um festival que os humanos celebravam para comemorar a vitória contra os demônios na Guerra Centenária, então guardou suas economias para o tão esperado evento. No dia do festival, todos cantavam e dançavam juntos, e o rei propôs irem todos até à Grande Rocha para admirá-la enquanto celebravam, e como ele chegou atrasado não conseguiu comprar nada, então só podia aproveitar a longa caminhada até a Rocha. Chegando lá, todos se espantaram, pois, metade da Rocha tinha sumido, como se alguém tivesse a cortado e levado embora, e seu poder estava enfraquecido, incapaz de curar qualquer um.
    Não demorou muito pra todas as nações ficarem sabendo. Os humanos convocaram uma reunião para saber o que houve, mas o atual estado da Grande Rocha começou a causar discórdia, pois os druidas e as fadas acusaram os humanos de roubar o poder da Rocha por terem sido vistos por perto, e os gigantes não estavam do lado de ninguém, só sabiam que alguém havia roubado a Grande Rocha e que estavam prontos para qualquer batalha para encontrá-la, e os elfos não reagiram de nenhum modo, o que era muito suspeito. Seikatsu não conseguiu engolir o fato de que a Grande Rocha não estava em seu estado normal, e que isso causaria guerra. Usou todas as suas economias para comprar uma espada, e um equipamento básico para sair numa jornada, e dessa vez não era para conhecer seres e lugares novos, e sim para descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha. Ele falou com o rei sobre sua jornada, e pediu que alguns homens fossem com ele, mas o rei não pensava em nada além de se preparar o possível começo de outra “Guerra Centenária”, e os únicos que conseguiam ajudar a restaurar a ordem e resolver os conflitos sem violência eram os deuses, mas eles haviam sido exilados, e não estavam mais interessados em deixar seu exílio e intervir na Terra.
    Seikatsu andou por três dias até chegar perto do reino dos gigantes. Chegando lá, viu alguns homens com pedras nas mãos, atirando-as em um buraco bem fundo, onde tinha um gigante com uma cara ameaçadora. Ele espantou aqueles homens com sua espada, chamou ajuda de alguns gigantes, e tiraram aquele brutamonte do buraco. O gigante agradeceu, e perguntou o que trazia um bravo humano até o território dos gigantes. Seikatsu explicou a situação, e o gigante, conhecido como Smasher, jurou que o guiaria até completar seu objetivo de descobrir o que aconteceu com a Grande Rocha da Vida. Eles fizeram uma pesquisa em metade do território dos gigantes, falaram inclusive com o comandante deles, e todos negaram que não sabiam nada sobre o atual estado da Grande Rocha, então eles partiram.
    Dois dias depois, eles chegaram num bosque, onde encontraram um enorme golem de planta, que expeliu um gás roxo que os envenenou e os fez cair de sono.  Quando acordaram, deram de cara com um monte de crianças flutuando, e perceberam que estavam no Reino das fadas.  As fadas explicaram a situação, foi um mal entendido, pois o golem de planta era só um guardião, mas ele não ataca a menos que cheguem perto do Reino das fadas sem avisar com antecedência. Enquanto Smasher estava fazendo a pesquisa sobre o desaparecimento da metade da Rocha, Seikatsu estava explorando aquela linda cidade, e enquanto passava por um recanto com plantações de uvas, ele se deparou com uma linda fada, e os dois ficaram por um longo tempo se encarando, como se nunca tivessem visto algo tão especial na vida. Eles se cumprimentaram, o nome dela era Hana. Ela ouviu falar sobre o que ele estava fazendo, e perguntou se ele gostaria de passar mais um dia pelo reino das fadas. Ele aceitou, e ela mostrou a ele como era a cidade à noite. Perto de um lago, meio embaraçados, explicaram o que sentiram um pelo outro quando se viram, pareciam sincronizados, um só, e no dia seguinte, ela o acompanhou em sua jornada.
    Seikatsu não tinha noção por onde começar a procurar uma passagem para as cavernas dos elfos, mas por sorte, Hana sabia onde era, porque quando mais nova, acompanhava sua mãe em entregas de flores para os elfos, pois por algum motivo eles adoravam comer pétalas de flores. Chegando lá n hesitaram em ir direto falar com a chefia. Os elfos disseram que descobriram que o rei dos demônios conseguiu um jeito de escapar antes de ser selado, e que ele estava habitando um corpo humano, e que foi ele que absorveu a Rocha, só que seu corpo humano era fraco, então só conseguiu absorver metade da Rocha, e a outra metade está fraca, e a mesma podia se destruir a qualquer momento. Seu plano era absorver os demônios do selo do portal proibido, reconstituir seu corpo original e terminar de absorver todo o poder da Grande Rocha da Vida.
    Saindo de lá, eles partiram em direção à Grande Rocha, no objetivo de dizer a todos o que realmente estava acontecendo, e chegando lá se deparou com os druidas caídos no chão próximos à Rocha, e um homem que aparentava estar com más intenções. Eles diziam que era seu pai. Então, o “pai” de Seikatsu começou a se decompor e surgir um demônio enorme de dentro dele, sendo esse Helldron, o Rei dos demônios. Helldron explicou que não houve nenhum acidente, e que Helldron matou e tomou o corpo do pai de Seikatsu, e matou todos os outros que estavam com ele. Smasher tentou um ataque surpresa, mas foi ludibriado, pois Helldron o pegou de surpresa, e o lançou contra a Grande Rocha. Smasher não aguentou tal impacto e teve alguns de seus ossos quebrados, impossibilitando-o de lutar. Os humanos temeram o poder de Helldron, e alguns deles recuaram, mas os gigantes, as fadas e os elfos, ficaram e lutaram bravamente, mas “a que preço?” Muitos foram mortos, Helldron estava invencível. Seikatsu partiu rapidamente para cima dele, e assim, num chute com poder suficiente pra abrir uma cratera, Helldron o lançou até a Rocha, fazendo com que seu corpo a perfurasse, e por alguma razão, ela não estava curando ninguém. Por alguns instantes, todos pensaram que era o fim. Helldron gargalhava comemorando sua vitória, e quando ia se aproximando da Rocha para absorvê-la, uma incrível luz surgiu de dentro dela, sua estrutura começou a se partir em pedaços, e de dentro dela, surgira um corpo emitindo luz, era Seikatsu. Helldron se perguntou o porquê, e como ele absorveu a Rocha, e um velho druida entendeu em fim que, Seikatsu e talvez até sua mãe não tivessem poderes de cura porque haviam herdado poder dos deuses, e na teoria, os deuses tinham mais controle sobre o poder da Rocha do que os demônios. Seikatsu absorveu em um estalar de dedos, toda a energia da Rocha tirada por Helldron, e, num soco estrondeante, reduziu Helldron em poeira. Seikatsu curou a todos, reviveu alguns mortos, despediu-se de Hana e dos druidas, e, emitindo uma incrível luz verde que iluminava toda a Terra Média, transformou-se em um incrível cristal, que se parecia com a Grande Rocha da Vida. Seu corpo virou uma estatua de pedra dentro daquele cristal. Sua Historia foi contada por gerações. Festivais celebrando sua vitória sobre Helldron, e todos o chamavam como, O Menino da Vida.
  • A Hora Morta

    Existem coisas que não podemos ver,não podemos tocar,mas sabemos que estão aqui.
    Em nossa mente formamos imagens,tentamos dar forma para aquilo que sabemos existir,mas não conseguimos corporizar.Sombras,calafrios,ruídos,sobressaltos em meio ao sono,tudo indica que algo nos vigia,alguma coisa nos acompanha.
    Mas o que seria?
    E porque?
    De onde vem?
    Talvez venha originar-se da região mais profunda de uma caverna,das entranhas mais sombrias do oceano,ou até mesmo da soturna e lamacenta cratera no centro da terra.
    Tudo é incógnita.
    Tudo é mistério.
    Mas extremamente real.
    Na hora morta,onde o sol já se pôs,mas a lua ainda não surgiu,é neste momento que a sombra maligna cobre toda terra.As nuvens movimentam-se com maior rapidez,tocadas que são pelo sopro malévolo do vento,empurradas por aquilo,ou aquele,que não vemos mas sabemos existir.É como se o canto mortal e inebriante de uma sereia adentrasse em nossos ouvidos sem que percebamos,e inconscientemente deixamos fluir o que de mais perverso existe em nosso ser,tomados que somos por estranhas e perigosas sensações.Começa ali,nosso caminho pelo que é misterioso,oculto e perigoso.
    Por alguns instantes os sinos ficam em silencio,calam-se as orações,os templos cerram suas portas.Algo de pernicioso esta no ar,cada segundo parece arrastar-se lentamente,Como se a agonizar pelo pavor que carrega.Sonhos são destruídos,vidas são arrancadas,almas são possuídas.
    A hora morta parece interminável,E o mais assustador é saber que ela pode durar sessenta minutos,um dia inteiro,ou até mesmo uma vida inteira.    
     

     

  • A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA AFRO-BRASILEIRA EM SALA DE AULA: RESGATE DA IDENTIDADE DO NEGRO BRASILEIRO

     INTRODUÇÃO
                 O presente trabalho tem como objetivo expor a importância da Literatura Afro-brasileira em sala de aula no resgate da identidade do negro brasileiro, revelando como essa literatura é uma ferramenta essencial no enriquecimento ideológico e na desconstrução do preconceito racial.
                 Apresenta o processo de surgimento da Literatura Afro-brasileira e os empecilhos encontrados pelos escritores negros na publicação de suas obras. E também trata da efetivação da lei 10.639/03, que possibilitou meios de aplicação da Literatura Afro-brasileira em sala de aula.
                 Além disso, discute a importância do professor como mediador na discussão da Literatura Afro-brasileira em sala de aula. Versa ainda sobre o comprometimento deles em buscar conhecimento sobre a história e cultura dos afro-brasileiros, para que assim tenham repertório suficiente em problematizar essa literatura em diferentes contextos.
                        A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA AFRO-BRASILEIRA EM SALA DE AULA: RESGATE DA IDENTIDADE DO NEGRO BRASILEIRO
                 A literatura brasileira, durante os quatro primeiros séculos, valorizava a forma lusa em sua estrutura e ideologia. A dominação política e econômica também era refletida no domínio cultural, incluindo a literatura. As obras precisavam obedecer aos pressupostos do padrão da elite ou eram desqualificadas. Após a Abolição e a República, as relações sociais começam a sofrer uma mudança, alguns escritores se posicionam contra  essa vertente e através de suas obras transgridem, surgindo uma literatura voltada para o povo negro brasileiro.
                 A literatura negra surge no panorama brasileiro com alguns escritores como  Lima Barreto, Cruz e Souza, Luiz Gama, entre outros. Escritores que transgrediram a forma da escrita e da ideologia lusa, denunciando as questões de racismo e discriminação sofridas pelos negros, esses escritores posicionam-se contra o sistema político e econômico e através de suas obras literárias e ações se tornaram âncora para outros escritores.
                 O surgimento da literatura negra brasileira trouxe questões presentes na formação dos escritores e leitores negros, como a incorporação da cultura africana e suas origens, aspectos importantes para a história e cultura nacional.
                 A partir do século XX a literatura negra brasileira ganha força com os movimentos negros existentes no país, mas a ideologia exclusivamente branca continua a sobrepujar as mentes que comandam a nação nas diversas áreas de poder, oprimindo assim essa literatura que denuncia e grita contra o racismo e discriminação. A elite brasileira tenta justificar o racismo no próprio negro, como diz Octavio Ianni:
    “(...) Parecem diferenciar e discriminar o negro, a ponto de transformá-lo num problema, ou desafio, para o branco e a si mesmo. O branco procura encontrar no próprio negro os motivos da distância social, do preconceito e das tensões que se revelam nas relações entre ambos.” (IANNI, 1978, p.52)
                 Não se muda um pensamento de hierarquia de raças de imediato, muitos se beneficiam disso, porém a literatura negra brasileira consegue a cada dia derrubar barreiras e conceitos, ocupando todos os espaços possíveis.
            
                                                                             LITERATURA AFRO-BRASILEIRA EM SALA DE AULA
                 O surgimento da lei 10.639/03 que versa sobre a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, abre espaço na sociedade brasileira para a importância da cultura negra em sua formação. Assim, surge um novo termo para a literatura negra brasileira, a afro-brasileira, embora alguns escritores discordem, esse termo traz um enlace de dois tempos, África e sua diáspora.
    “Quando intelectuais brasileiros em postos de comando (professores, jornalistas etc.) procuram apartar o saber – em nosso caso a literatura – das questões ligadas às relações étnico-raciais, o fazem como quem nega conceber a capacidade intelectual ao seguimento social descendente de escravizados”. (CUTI, 2010, p.12)
                 A escola é o espaço para a construção e resgate da identidade negra brasileira, é necessário que os professores tenham consciência de que a questão racial está presente na escola de diversas maneiras, não se negando a utilizar esse espaço para derrubar conceitos e ideologias racistas e discriminatórias.
                 A literatura é uma ferramenta importante para o resgate da identidade nacional do negro, pois os autores nacionais, principalmente os negros brasileiros, se empenham em fazer uma literatura de sentidos, a qual descreve situações de discriminação sofridas por eles. Além de denunciar, essa literatura também traz um resgate à história dos africanos que foram escravizados e enviados para o Brasil. Descrevem suas lutas, seu empenho em resistir ao poder do homem branco, lutas essas que foram apagadas da história nacional com o propósito de subjulgar seus descendentes.
                Em muitos livros didáticos a representação do homem negro foi distorcida e exageradamente deturpada. Um estereótipo criado pela elite colonizadora para dominar e quebrantar o espírito do homem negro brasileiro. Esses tipos de representações causaram e causam muitos danos à identidade nacional. E a escola tem um papel importante em difundir essa ideia, assim como também em propor uma mudança, basta que esteja empenhada em dizimá-las.
                 O racismo existe e precisa ser erradicado, ele está presente em todos os âmbitos da sociedade, principalmente na escola, seja ele declarado ou velado. É dever do professor que atua em sala de aula, desenvolver projetos para problematizar essa questão racial, buscando textos e escritores negros que trabalhem essa temática e expor o crime que é o racismo e a discriminação.
    “Somando-se a tudo isso, a criança negra também não encontra na escola modelos de estética que afirme (ou legitime) a cor de sua pele de forma positiva, pois geralmente os professores se encontram com poucos subsídios para lidar com os problemas de ordem racial. No entanto, essa é uma característica não só de professores brancos, mas também de muitos professores negros alheios à questão racial no cotidiano escolar.” (ABRAMOWICZ E OLIVEIRA, 2006, p.48)
                 Sabe-se que a escola pública não tem recursos para dar suporte nem conhecimento suficiente a seus profissionais, mas os professores que se inquietam com essa questão racial buscam conhecimento em outras áreas para melhor se qualificarem em ajudar seus alunos.  Até mesmo na preparação de suas aulas, eles têm a preocupação de selecionar textos que apontam o racismo como um problema sério na sociedade brasileira.
                 A diversidade cultural é um tema vigente no currículo nacional, porém nele há diversas falhas que precisam ser corrigidas. Mesmo que ele seja obrigatório, o professor pode ter a autonomia de  estabelecer formas e textos que refletem suas ações contra o racismo e a qualquer tipo de discriminação, como diz Nilma Lino Gomes:
    (...) “E também não podemos continuar nos escondendo atrás de um currículo escolar que silencia, impõe estereótipos e lida de maneira desigual, preconceituosa e discriminatória com as diferenças presentes na escola”. (GOMES, 2006, p.24)
                 Portanto, é necessário portar para sala de aula a literatura Afro-brasileira, ela desconstrói preconceitos que por muito tempo dominaram a sociedade e resgata a autoestima do negro brasileiro. Principalmente para os jovens que estão em construção, para que assim eles possam ter orgulho de sua identidade negra e se posicionar contra esse racismo.
                 Isso é possível quando são apresentados novos textos com protagonistas negros e descrevem situações vividas por eles. Os alunos logo se identificam e buscam ler mais a respeito, o que é preciso é levar esses jovens a ter contato com essas obras, visto que nas escolas quase não há esse tipo de literatura. Assim, eles começam um resgate de sua identidade e essas vozes surgem com força, como explicita o poema de Conceição Evaristo.
    Quando eu morder
    A palavra,
    Por favor,
    Não me apressem;
    Quero mascar,
    Rasgar entre os dentes,
    A pele, os ossos, o tutano
    Do verbo,
    Para assim versejar
    O âmago das coisas.
    (CONCEIÇÃO EVARISTO)
                 No entanto, o jogo das relações de poder e as diferenças criadas socialmente, são obstáculos para essa mudança, pois o preconceito aos grupos étnico-raciais menos favorecidos foi naturalizado. Porém, é possível desconstruir esses conceitos ideológicos do colonizador e resgatar a identidade do negro e sua história.
                 A importância de se usar a literatura Afro-brasileira em sala de aula é nesse aspecto, a melhor ferramenta no processo de resgate, pois ela traz vivências e experiências que não aparecem em outras literaturas. A principal é o negro sendo o protagonista de sua história, não uma representação animalizada ou desumana como é comum em alguns livros.
                 Quando os alunos começam a ter contato com a literatura Afro-brasileira, eles começam a questionar a ideologia colonizadora do homem branco representada nos livros didáticos. Esses livros didáticos tendem a naturalizar o homem escravizado de cabeça baixa, um perdedor, ocultando a verdadeira história de resistência da África.
                 Esses questionamentos surgem de uma forma positiva em relação à história do homem negro brasileiro, pois os alunos começam a pesquisar a história a África e sua diáspora, buscando encontrar relatos que contrapõem a ideologia colonizadora. E o mais importante é que a literatura Afro-brasileira faz com que eles se enxerguem como negros e resgatem seu valor na história nacional. Isso fica explícito nas palavras de Florestan Fernandes que diz:
    “(...) Demonstrando que o negro intelectual, liberto dos preconceitos destrutivos do passado, tende a identificar sua condição humana, e extrair dela uma força criadora quase brutal e desconhecida, bem como a superar-se pela consciência da dor, da vergonha e da afronta moral.” (FERNANDES, 2007, p.209)
                 Nesse contexto escolar é possível fomentar o saber,  o professor pode mediar à literatura Afro-brasileira de uma forma clara e positiva, fazendo com que os alunos consigam identificar quais literaturas tratam do resgate da identidade negro-brasileira e quais não seguem essa linha. Os recursos intelectuais podem desvelar o conceito dessa marginalização e exclusão sofrida pelos afro-brasileiros, basta que o professor se empenhe em transmitir esse conhecimento.
                                             A DIFICULDADE EM ENCONTRAR AS OBRAS DE LITERATURA AFRO-BRASILEIRA
                 Atualmente é possível encontrar um índice de crescimento de publicação da literatura afro-brasileira, mas essa literatura ainda é pouco divulgada e conhecida. Como é o caso do grupo “Quilombhoje”, que já publica  40 anos “Os Cadernos Negros”, poucas pessoas conhecem  essas publicações. O fato é que o campo editorial não financia esse tipo de literatura, surgindo assim algumas editoras independentes, as quais surgem com a colaboração dos próprios escritores.
                 A própria crítica literária não reconhece essas obras como literatura, por tratar de questões que fogem do estabelecido pela elite literária, porém a cada dia essa literatura tem ocupado espaços que anteriormente não tinha acesso. A lei 10.639/03 foi um dos fatores que fez com que a procura da literatura Afro-brasileira aumentasse. Embora, a lei não solucionou esse problema por completo, mas pelo menos ela foi um meio de divulgação da  literatura Afro-brasileira.
                 Devido a esses fatores, a seleção das obras de literatura Afro-brasileira é mais complexa, a dificuldade maior é encontrá-las. Nas escolas, principalmente  na rede estadual de São Paulo, pouco se acha dessas literaturas. Torna-se um desafio trabalhar em sala de aula sem material de apoio sobre a Literatura Afro-brasileira, mas não é impossível. Hoje a internet é uma ferramenta importante de pesquisa, existem vários sites que oferecem gratuitamente algumas dessas obras.
                                                          LITERATURA AFRO-BRASILEIRA ESCRITA POR AFRO-BRASILEIROS
                 A identidade é construída através de grupos e estereótipos que se assemelham ao indivíduo, por isso a literatura Afro-brasileira escrita por Afro-brasileiros, é de extrema importância no resgate da identidade nacional do homem negro. Não é o outro que ele identifica, mas a si mesmo, visto que trata de situações que todo negro brasileiro já vivenciou.
                 Isso implica uma valorização do Ego, a qual é necessária para sua autoafirmação na sociedade, redescobrindo seu lugar e seu papel no espaço o qual vive. Derrubando preconceitos que por muito tempo esmagaram o homem Afro-brasileiro. E tudo isso é possível através da literatura, o contato com textos literários que problematizam essa temática enriquece e dá suporte para a reconstrução do homem negro brasileiro.
                 Escritores Afro-brasileiros como Cuti, Oswaldo de Camargo, Conceição Evaristo, Solano Trindade entre outros, precisam estar sendo estudados e discutidos em sala de aula, porque eles têm uma literatura de enfrentamento, denunciando a sociedade e resgatando nas páginas de seus livros a identidade do povo negro brasileiro.
                 Essa literatura busca legitimar o reconhecimento da importância do negro e da sua cultura no Brasil, um processo ideológico voltado para a identidade negra, inserindo na literatura os seus conceitos e destroçando paradigmas estabelecidos pela elite. Nela o indivíduo afrodescendente está presente tanto no plano sociopolítico, ideológico, humano e cultural.
    “(...) Trata-se de dar voz à escrita produzida pelos afro-brasileiros a partir de um ponto de vista interno em que o centro de referência seja a sua história, as suas identidades, a sua memória.
    ( ALEXANDRE, 2016, p.32)
                 Portanto, a literatura Afro-brasileira precisa ser discutida em sala de aula porque ela dá voz aos excluídos, que por muito tempo foram submetidos às amarras do preconceito pela elite dominante, a qual fez mentes e corpos prisioneiros. Acima de tudo ela resgata a identidade do afro-brasileiro dando-lhes espaço numa sociedade que precisa urgentemente rever seus conceitos.
                                                                                                                                   CONCLUSÃO
                 A Literatura Afro-brasileira cumpre o papel de reconstruir a identidade dos negros brasileiros, ela denuncia o sistema sociopolítico da elite e dá voz aos oprimidos.  A escola pode utilizá-la para derrubar paradigmas estabelecidos pelo sistema colonial e revelar o racismo existente no Brasil.
                 A escola pública é o melhor espaço para aplicar essa literatura, visto que existem vários jovens de diversos contextos. Inquietá-los e fazer com que se posicionem contra o racismo, é função do professor mediador, uma ponte importante para a transmissão da história e cultura dos africanos e afrodescendentes.
                 A Literatura Afro-brasileira escrita por afro-brasileiros tem um impacto positivo  no resgate e na construção da identidade dos negros no Brasil, pois eles se enxergam como protagonistas de sua própria história. Portanto, é de extrema necessidade a discussão dessa literatura em sala de aula.
                                                                                                                          REFERÊNCIAS
    ABRAMOWICZ, Anete & OLIVEIRA, Fabiana de “A escola e a construção da identidade na diversidade”. In: ABRAMOWICZ, Anete, BARBOSA, Lucia Maria de Assunção & SILVÉRIO, Valter Roberto (org). Educação como prática da diferença. Campinas: Editora autores associados, 2006.
    ALEXANDRE, Marcos Antônio. “Vozes diaspóricas e suas reverberações na literatura afro-brasileira”. In: DUARTE, Constância Lima; CÔRTES, Cristiane; PEREIRA, Maria do Rosário A. (org). Escrevivências: Identidade, gênero e violência na obra de Conceição Evaristo. Belo Horizonte: Editora Idea, 2016.
    CUTI (Luiz Silva). “O leitor e o texto afro-brasileiro”. In: FIGUEIREDO, Maria do Carmo Lanna e FONSECA, Maria Nazareth Soares. Poéticas afro-brasileiras, Belo Horizonte: Mazza/PUC-MG, 2002.
    CARVALHO, Leandro. “Lei 10.639/03 e o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana.” Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/lei-10639-03-ensino-historia-cultura-afro-brasileira-africana.htm  (acesso em: 04/01/2018)
    CUTI (Luiz Silva). “Negro ou afro não tanto faz”. In: Literatura negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.
    DUARTE, Eduardo de Assis. “Por um conceito de literatura afro-brasileira”. In: DUARTE, Eduardo de Assis & FONSECA, Maria Nazareth Soares (org) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2011.
    FERNANDES, Florestan. “O  mito da democracia racial”. In: A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Global, 2008.
    FERNANDES, Florestan. “Poesia e Sublimação das Frustrações Raciais”. In: O negro no mundo dos brancos. São Paulo: Global, 2006.
    GOMES, Nilma Lino. “Diversidade cultural, currículo e questão racial: desafios para a prática pedagógica”. In: ABRAMOWICZ, Anete, BARBOSA, Lucia Maria de Assunção & SILVÉRIO, Valter Roberto (org). Educação como prática da diferença. Campinas: Editora autores associados, 2006.
    GOMES, Nilma Lino. “Diversidade étnico-racial e educação no contexto brasileiro: algumas reflexões”. In: GOMES, Nilma Lino (org). Um olhar além das fronteiras: Educação e relações raciais. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
    IANNI, Octávio. “Raça e Classe” e “Escravidão e racismo”. In: Escravidão e racismo. São Paulo: Hucitec, 1978.
    MOURA, Clóvis. Sociologia do negro brasileiro. São Paulo: Editora Átic
  • A lamparina de Luanda

    Pouca gente sabe que morei em Luanda, capital de Angola, na África, durante o curtíssimo período de fevereiro de 1977 a março de 1978, com minha família, onde comemorei dois aniversários, o de onze e o de doze anos. Foi esse um fato que se tornou secreto, não sendo comentado nem mesmo nos círculos familiares, e que meus pais, não sem justa razão, fizerem questão e esquecer. Mas o que de mais secreto há nessa história se deve ao meu silêncio, pois nem mesmo meus pais jamais vieram a saber - pois nunca lhes revelei: é que lá conheci Kambami, um feiticeiro, por meio de quem vivenciei um acontecimento estranho, inconcebível mesmo para a mente de um brasileiro, ou talvez para qualquer mente que não seja africana.
    Antes, morávamos no Rio de Janeiro, onde meu pai trabalhava como encarregado de obras numa firma de construção civil. Deu-se, porém, que a firma faliu, e ele ficou desempregado por quase um ano. Ao final desse período, minha avó paterna, cujo pai viera do Congo para o Brasil em 1890, apresentou pela primeira vez ao meu pai a ideia de ir para a África, morar em Luanda, onde vivam dois tios e uns primos dela.
    Mas que futuro melhor alguém poderia esperar, trocando o Rio de Janeiro por Luanda, ainda mais que Angola estava enfrentando um conflito armado desde 1975? No caso de meu pai, havia, sim, um vislumbre de futuro, e, quem sabe, até de um grande futuro: ele tinha sido lapidador antes de entrar para o ramo da construção civil, e Luanda era um grande centro de comercialização de diamantes. E não havia muito mais o que se fazer na cidade. Seja como for, tanto que meu pai pensou nos diamantes, não quis outra coisa.
    Viajamos: eu, meu pai, minha mãe e meu irmão, este mais novo do que eu dois anos. O avião fez uma conexão na Líbia, era uma sexta-feira, às duas horas da tarde, e a primeira sensação que tive ao saltar no aeroporto foi a de que o calor fosse me matar antes que eu pudesse pedir um copo d’água. Mas em Luanda não era tão quente assim, caso em que eu não estaria aqui agora para contar a história.
    Fomos morar num bairro que, lá, era de classe média, mas, aqui no Brasil, não passaria de um cortiço. A casa era péssima; as águas, pestilentas, e eu esperava que ficássemos naquele bairro e naquela casa só provisoriamente, até que arranjássemos outro lugar, em melhores condições. Havia um odor nauseante e contínuo de esgoto a céu aberto, frequentes cortes de energia elétrica e, por conseguinte, falta de água. Dias mais tarde, descobri que em Luanda pagava-se um ano de aluguel adiantado, motivo por que era certo que teríamos de passar pelo menos um ano naquela casa, a menos que meu pai tomasse o prejuízo financeiro referente à quebra de contrato, para mudarmos mais cedo dali. Passou-se um ano que, a mim, pareceu uma eternidade, e, enfim, meu pai chegou com a notícia de que tinha encontrado uma nova casa. Antes, porém, que nos mudássemos, como não poderia deixar de ser, minha mãe quis ir vê-la para dar seu aval, e no dia em que ela foi, eu e meu irmão fomos juntos. Meu pai não estava conosco, pois tinha ido acertar detalhes do contrato de um trabalho que havia conseguido. Aproximando-se da casa, eu e meu irmão nos adiantamos três ou quatro passos, e entramos nela antes de minha mãe. Era uma tarde cinzenta e enxergava-se com certa dificuldade no interior da habitação, mesmo com a chama bruxuleante de uma lamparina que ardia em cima de um baú antigo de madeira escalavrada a um canto da sala. Minha mãe entrou. E foi justo nesse momento, quando nós três achávamo-nos no interior da casa, que ela me fez saber que se passava ali o estranho fenômeno.
    - Quem apagou a lamparina? – perguntou-me ela, com uma expressão muito exasperada.
    Apontei para o meu irmão, que tinha acabado de cair ao chão subitamente, sem nenhum motivo aparente, e havia perdido os sentidos. Com um grito de pavor, depois de apertar o rosto com as duas mãos, minha mãe atirou-se sobre ele, segurou-o pelos ombros e agitou-o loucamente. Mas ele não esboçou reação. Minutos depois ele foi internado, tendo sido levado ainda desacordado ao hospital, por alguém a quem minha mãe pediu socorro.
    Amedrontado, entendi logo que havia uma sinistra relação entre o apagar da lamparina e o mal súbito que se abateu sobre o meu irmão.
    Senti-me aliviado quando, no mesmo dia, minha mãe disse que se recusava a ir morar naquela casa. Meu pai comentou que era bobagem, mas não chegou a interpor nenhuma objeção contra a decisão dela. E, assim, continuamos no mesmo lugar.
    Chegando em casa, minha mãe me chamou e disse que precisava me explicar uma coisa.  Foi então que ela contou o real motivo por que tinha ficado tão desesperada ao ver meu irmão caído. Antes de começar a dizer, ela hesitou, disse que era uma coisa horrível, mas horrível mesmo, e que só Deus podia nos ajudar, então falou: existe uma tradição em uma certa comunidade de Angola, cujo nome ela não conhecia, em que se praticavam rituais satânicos, sacrificavam crianças, que eram postas nuas em cima de chapas de ferro em brasa, bebiam sangue de galinha diretamente no coto do pescoço cortado, comiam cacos de vidro, atravessavam punhais no coração e não morriam, nem sequer sangravam, proibiam seus adeptos de trabalhar ou estudar, colocavam jovens nus e de mãos amarradas às costas deitados em cima de formigueiros, onde ficavam até desmaiar das picadas. E havia também as mandingas, que eram muitas e muito eficazes, entre as quais estava a que consistia em um método para se salvar do inferno a alma de algum homem que morresse com muito pecado, mas que lograsse o respeito e a benquerença da comunidade: com um ato hediondo de bruxaria, lançavam-se os pecados da alma desse homem venerado sobre a alma de alguém, para que pagasse os pecados em seu lugar – pois pecados nunca podem ser extintos, mas apenas passados de uma alma para outra. E o que faziam para passar o pecado de uma para outra alma? Assim que morria o homem pecador, porém idolatrado pela comunidade, acendiam uma lamparina e a deixavam dentro da casa em que ele morara. E aquele a quem o destino se dignasse em enviar para apagar a chama da lamparina, recebia sobre si toda a carga de pecados do morto, vindo a morrer também, pouco depois, de morte feia – pois pecadores não têm morte bonita - indo sua alma para o inferno em lugar do outro. Chamavam esse ritual de Gees Brandm, em africânder, o que significa algo como “espírito que queima” ou “espírito do fogo” ou “espirito em chamas”. Era de prodigiosa emergência para a comunidade a realização desse mister, e muito necessário era que alguém apagasse a chama, pois, em não aparecendo ninguém que o fizesse, e expirando-se oo fogo naturalmente pelo extinguir da combustão, estaria o venerável homem morto irremediavelmente condenado à danação.
    O médico pediu alguns exames, e mamãe lhe disse que ia providenciar o mais rápido possível. Chegando em casa, entretanto, ela disse:
    - Não haverá exame nenhum! Isso não é caso para medicina. É coisa de mandinga. Só se cura com outra mandinga. Ou talvez nem assim... oh, meu Deus...!
    E decidiu que ia procurar Galobé de Prates, um padre curandeiro que vivia num bairro próximo, e que, apesar de católico, batia tambores às vezes.
    - Ele não tem nada – afirmou o padre. - Nada de espiritual, quero dizer. Se quer um conselho, a senhora deveria procurar um médico.
    Mas havia um problema sobre o qual meus pais não haviam pensado antes de mudarmos para Luanda, e que, se tivessem pensado, talvez nunca teríamos saído do Rio de Janeiro: eles não confiariam aos médicos de Luanda nem mesmo o tratamento de uma dor de barriga.
    Em casa, tendo conversado sobre o que o padre dissera, mamãe e papai chegaram à mesma conclusão, e quase disseram a uma só voz que voltaríamos o mais breve possível ao Brasil.
    Foi à véspera de nossa partida de Luanda, que conheci Kambami, o feiticeiro.
    Eu estava em frente a casa, brincando, quando um homem negro muito velho de cabelos brancos, vestindo calça e bata brancas, passou do outro lado da rua e me chamou pelo nome... por nome? De onde ele me conhece? Eu nunca o tinha visto antes, e estava decidido a não ir até ele, mesmo porque mamãe sempre nos ensinara a não conversar com estranhos. Mas, seja como for, uma força estranha me fez atravessar a rua, mesmo sem querer.
    Ele me disse que precisava falar comigo antes que eu fosse embora de Luanda... antes que eu fosse embora de Luanda? Como ele sabia que eu estava para ir embora de Luanda? Pediu-me que eu o seguisse, mas não disse para onde. E fui. Não sei por que, mas eu agia tão naturalmente, que parecíamos velhos amigos, e que não houvesse qualquer perigo em um menino de doze anos acompanhar um estranho a lugar ignorado.
    Chegamos a um largo barracão de madeira enegrecida pela exposição diuturna ao sol e à chuva, coberto de palhas e com uma chaminé fumegante. A área interior era ampla, sem divisórias, e o piso, de chão de terra batida. Kambami me chamou para nos assentarmos num dos bancos de tábua que se instalavam rente às paredes, ao redor de todo interior o salão. Foi somente aí que ele me disse seu nome e o que queria comigo.
    - Você é um escolhido – falou ele, com uma voz de trovão que surpreendeu por ter saído da garganta de um homem tão velho como era Kambami. – Você não sabe, nem seus pais sabem, nem ninguém sabe, mas um escolhido tem direito a um pedido, qualquer pedido, aos nossos bons espíritos.
    Kambami tinha um olho preto e outro branco,  este parecendo queimado com ácido ou fogo, ou seria uma marca de nascença, não sei. O fato é que olhei para os olhos dele e senti um arrepio. Levantei-me do banco e saí correndo.
    Naquela noite eu demorei para pegar no sono e, quando adormeci, tive pesadelos em que vi meu corpo fritando sobre chapas de ferro em brasa, e galinhas sem cabeça rodopiando pelo chão, aspergindo sague pelo coto do pescoço.
    No Hospital de Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, o médico disse à minha mãe que meu irmão estava imediatamente liberado para ir para casa, pois o seu problema era uma simples anemia, o que seria tratado com vinte gotas de Combiron, duas vezes por dia, durante cinco dias.
    Foi à mesa do jantar que, conversando, meus pais decidiram que não comentariam com ninguém o fato ocorrido na África, pois, de qualquer modo, o ritual de transmissão de pecados de uma alma para outra era, no mínimo, uma coisa esdrúxula, em que as pessoas resistiriam em acreditar, e os tomariam por mentirosos. Mamãe reparou em como meu irmão, sentado à cabeceira da mesa, estava saudável, e disse que, talvez, a história da mandinga do Gees Brandm fosse só uma lenda, ideia essa com a qual meu pai concordou de pronto e disse que era isso mesmo que ele sempre achou. Já tinha dito a ela que era uma bobagem, então não se lembrava?
    Mas a felicidade de meus pais foi duramente golpeada dois dias depois, quando, voltando da escola, ao passar pelo portão, entrando em casa, perdi os sentidos e caí nos braços de minha mãe, que me esperava ali. Minutos depois, encontrava-me no mesmo Hospital de Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, em que meu irmão estivera, mas, dessa vez, o médico não disse que se tratava de algo simples. Em vez disso, fiquei internado, entrei em coma vinte minutos depois, e os exames, que ficaram prontos vinte e quatro horas depois, indicaram tumor cerebral oligodendroglioma de crescimento rápido e agressivo no lóbulo frontal.
    Parecia não haver no mundo sentimento de consternação maior do que aquele que vi no semblante de minha mãe, quando acordei do coma e ela estava olhando para mim. Dali em diante, eu teria vida por mais alguns meses, talvez um ano ou pouco mais, como fiquei sabendo por ter ouvido o próprio médico contar a meu pai, num momento em que ambos conversavam perto do meu leito, achando que eu estivesse dormindo.
    Se a tristeza de minha mãe era grande, não o era, porém, a ponto de que não pudesse ser aumentada. E foi pensando em poupar-lhe de maior sofrimento, que resolvi me calar, e não revelar-lhe a verdade que eu tinha escondido sobre a lamparina de Luanda: a verdade de que a chama quem apagou fui eu.
  • a lenda de Èden/capitulo 4 o poderoso guardião fracassado (P & R)

    -isso foi rápido demais eu não vi quase nada-questiona luna
    -é assim mesmo mosa,guardiões da luz tem sua velocidade elevada desse jeito mesmo-fala pafunsu
    -eu não te dei o direito de me chamar de mosa-fala luna
    -bom vamos focar na próxima luta -fala pafunsu
    -primeiro como foi a sua luta
    pafunsu olha para cima e começa a pensar 
    -Oh não-fala luna 
                                                                 //////FLASH BACK TIME COM COMENTÁRIO EXTRA\\\\\\
    -outro flash back naaaaaoooo-fala luna
    -ja era-riu pafunsu
                                                                               INICIO DO FLASH BACK TIME
    Depois de pafunsu entrar no campo foi anunciada a luta entre ele e um cara desconhecido,quando começam a lutar pafunsu da um chute que afunda o rosto do sujeito e o dito-cujo perde a luta
                                                                                   COMENTÁRIO EXTRA
    -isso foi rápido,até demais-falou luna

    -guardiões da luz tem uma velocidade muito alta,porem uma defesa baixa de mais-falou pafunsu

    -por isso acabou rápido-fala luna

                                                                              CONTINUAÇÃO DO FLASH BACK TIME
    E na outra luta,era um guardião mais lento e com muito mais defesa,porem pafunsu era muito rapido e o outro cara nem chegara perto de sua velocidade e pafunsu o finalizou com facilidade,e por fim a ultima luta,porem esse cara era diferente dos demais 

    -acho que vou aparecer dele e dar aquele baita chute trava coluna nele- falou pafunsu

    ele o faz porem erra,por que seu adversario se defendeu com um outro chute,então tentou dar um soco e seu oponente parou o soco com outro soco ate que pafunsu pensa:

    -vou jogar um trovão nele 

    então pafunsu joga um trovão que errou,porem servia apenas para atrapalhar e atrair o adversário,perto o suficiente para atravessar a sua cabeça com uma mao aberta e eletrificada e assim que atravessa sua cabeça ela explode e ele é declarado vencedor da luta e o primeiro guardião da luz
                                                                                          FIM DO FLASHBACK TIME
    -agora falta a luta de quem-pergunta pafunsu

    -do gustavo-fala luna

    -era,não é mais,agora é a luta do rafael-fala gustavo

    -vai chorar-zoa pafunsu

    -nao,mais to quase-fala gustavo

    entao,finalmente os guerreiros de fogo entram em campo porem o destaque é mais do brasileiro de altura mediana e cabelo escuro e forte,estava sendo destaque por ser um daqueles que ajudou juan com aquela criatura de fogo e estavam em punhos uma luva e uma espada,algo que digamos era meio diferente,afinal pra que usar uma luva,mas ao iniciar a primeira luta que no caso era a dele o rapaz qua agora sabiamos o nome por anuncio de cahethel:lan santiago era seu nome e por coincidencia o outro cara tambem era brasileiro e se chamava edgar

    -isso esta muito estranho o nick falou que cabelos de cores estranhas sao caracteristicas dos descendentes dos guardiões da terra,só que nenhum dos guardiões do fogo tem olhos vermelhos,nem o rafael tem isso-fala pafunsu

    -pafunsu eu quero assistir-fala luna sentada em uma cadeira de rodas comendo um pãozim

    ao começar a luta edgar solta uma bomba de canhão de fogo 

    -esse ataque pode incinerar um planeta inteiro diga adeus aos seus ossos-fala edgar com uma risada alta

    lan apenas poem sua mão com a luva para frente e devolve para seu oponente o ataque como se não fosse nada e incinera completamente todo o seu corpo até reduzi-lo a cinzas

    -isso foi rapido-falou luna

    -luna para de falar so isso,mas realmente foi bem rapido,rapido ate de mais-fala pafunsu 

    porem a proxima pessoa a entrar em luta é seu amigo rafael

    -bom é isso vou conseguir-falou rafael

    no inicio da luta refael lança seus ioios a ponto que ficassem com suas cordas por todo o campo,quase que impossibilitando seu adversario de se mover,entao o adversario tenta queimar as cordas,que apenas ficavam em seu lugar sugando a energia e repassando a força pro ioio que ia ficando maior e deixando as cordas cada vez mais quente e entao rafael mexeu seus fios ate que cortou seu adversario e transformou-o em uma especie de picadinho frito de carne humana e entao rafael e declarado vencedor da luta

    -meu deus(do ceu berg)que nojo ele cortou o cara como picadinho argh-fala luna
     
    -meu deus que merda to com vontade de vomitar-falou pafunsu

    cahethel pede para alguem vir la para ressucitar o rapaz e devolve-lo a terra,afinal o perdedor teria apenas os poderes retirados e depois iria ser mandado para a terra para poder viver normalmente a sua vida na terra 

    -espero que perca logo,esse garoto é um piromaniaco sadico,nao seria uma boa te-lo como guardiao-pensou cahethel 

    a proxima luta sera entre lan e rafael

    -se prepare para ser queimado-falou rafael

    a cara de ridicularizaçao de lan era tao grande que chegou a ser ridiculo pra ele o que rafael falava,entao meio totalmente puto da vida rafael jogou seu ioio em cima de lan que nao apenas segurou como tambem quebrou o mesmo 

    -serio isso nao destroi nem um planeta anão gelo,acha mesmo que pode comigo-sacaneou lan

    tudo isso deixa rafael mais puto e tambem desesperado,ele refaz o ioio com suas chamas e aumenta o tamanho do mesmo a ponto de poder subir em cima do ioio como um carro gigante e tenta atropelar lan que desvia com uma facilidade enorme com se estivesse apenas dando um pulinho pro lado e da uma zoada

    -tao lento que nem chega a mach 1

    rafael putao responde:esse deus aqui chega a mach 36.000 

    -nao chega nem a mach 900 de tao lento 

    rafael acelera mais uma vez e lan apenas pega sua espada e da um corte certeiro no meio do rafael e corta o ioio dele ao meio e antes que rafael pudesse reclamar lan aparece rapido atraz dele e corta sua cabeça em instantes e assim lan e declarado ganhador por cahethel  e na plateia luna fala:

    -ele perdeu mesmo meu desu,eu dont believe

    -perdeu feio-fala pafunsu

    -nao acredito nisso-fala gustavo irritado-ele nao devia ter perdido 

    sim era isso rafael tinha perdido feio e lan havia se tornado o novo guardião do fogo,rafael foi ressucitado,teve seus poderes extraidos e foi mandado para seus pais na terra com a advertencia de nao mexer de novo em fosforos,mas claro cahethel deixou ele se despedir dos amigos afinal as proximas lutas seriam seguidas em elemento:agua,depois espiritual,depois escuridao,depois terra e por ultimo estrela ja era quase certo os vencedores afinal no ataque ja tinha uma da agua,uma da espiritual e uma da escuridão porem terra e estrela foram considerados dificeis de saber afinal havia tres guardioes da terra no incidente e nenhum da estrela,mas apos as despedidas começaram as batalhas da agua e a vencedora foi kamillie orihara da oceania,foi uma luta rapida nao igual a dos guardioes da luz mas tambem tinha seus meritos

    -aposto que foi bem facil ne,kamille ou posso te chamar de kamie-fala luna para a nova guardiã

    -serio querida e a sua-fala kamie

    -eu quase morri-fala luna

    -deveria ter morrido-fala kamie

    -que moça ruim pra eu-fala luna

    pra se ter uma ideia do quao rapido foi cada luitra era aproximadamente 20 segundos por luta depois disso era uma vitoria muito facil

    -nao curti essa moça,,mas curti as outras duas -falou luna

    essas tais garotas eram as duas dos elementos espiritual e escuridão,regendo o elemento da escuridão estava uma garota chamada julie kanam de istambul tinha uma personalidade calma e bem calada e ate alegre porem muito timida e gostava de chamar todo mundo de demonio algo que mostrava seu autismo com força altissima e regendo o elemento espiritual estava giulya kim than essa diferente da ultima ja era mais ativa e animada e gostava de cantar do nada,em especial k-pop (eu tenho uma amiga que gosta dessas musicas e como eu tava sem nada melhor pra colocar presente pra voces) as 2 seriam as mais novas guardiães do grupo 
                                                                            ENTREVISTA UTILITARIA COM LUNA GERLOFF
    -oi,oi,oi tudo bem,tudo bão-pergunta luna

    -tudo bem-fala giu

    julie calada

    -que merda eu to fazendo aqui-falou kamie

    -entrevista,xiu-sussurra luna

    -nao quero ficar no autismo de voces-fala kamie

    -xiu,agora continuando como foi a ultima luta de voces-pergunta luna

    -eu so entupi a mina de agua e explodi ela,como qualquer ser humano normal faria-fala kamie

    luna assustada pergunta:

    -e o que voce mais gosta kamie

    -rola-fala kamie-de varias idades idades,de muitos amores

    luna vermelha finge que nao escutou nada e passa para giu

    -entao giu como foi sua luta-pergunta luna

    -eu basicamente invoquei espiritos do alem e fiz todos atacarem como distraçao e voei por debaixo da terra em forma fantasma e possui o meu oponente por traz enquanto secava seu corpo-fala giu

    -e pior que a primeira-pensou luna desesperada

    e assustada luna pergunta com uma cara de nao me mate:

    -e....doq......do que voc.....do que voce gosta

    -kpop,escuto o dia todo,ate dormindo se possivel-fala giu 

    Luna agarra giu e fala:

    -meu desuuuu nos vamos dar tao bem

    -giu esta assustada com voce apertando ela assim luna-fala gustavo como um cameraman ou algo do tipo

    -ok,ok,ok eu largo,mas agora e sua vez julie-fala luna

    luna ja simpatiza com a garota ser baixinha a ponto de parecer uma versao de mini-chibi baby edition

    -entao como voce venceu-pergunta luna

    julie fica calada

    -fala pelo menos de quem voce gosta

    entao a garota gagueja e fala:
    hu..hu....hu...huinglerson-e some em uma sombra de vergonha 

    todos os presentes ficam calados por um instante e luna com um sorriso encerra a transmiçao

    -bae,bae pessoas-fala luna
                                                                              FIM DO ENTREVISTA COM LUNA GERLOFF
    -o que foi isso perguntou gustavo

    -nem eu sei acho que ela gosta do....-fala luna ate ser interrompida pelo pafunsu

    -quem gosta de quem-pergunta pafunsu

    -eu..eu gosto muito de pãozim-fala luna

    -e eu gosto de assistir a luta,elas sao muito bacanas

    -principalmente as com poderzinho sem a rajada tipo seu ataque na ultima luta-fala luna

    -e eu tambem-fala giu sobrando no canto mas manjando da situação 

    -e a proxima luta parece estar prestes a começar-fala pafunsu

    e julie estava com eles porem calada 

    -ainda bem que voces gostam por que o nick e o juan vao lutar daqui a pouco-fala pafunsu

    -eu avaliei os dois,so iram se encontrar se for na final,mas seu amigo nao tem chance o poder do juan é anormal para um guardião da grama,eles nao passam de curandeiros e protetores,juan de algum jeito serve de ataque e aquele modo dele nao vai ajudar em nada-fala julie

    -ela falou-riu pafunsu-finalmente hahaha

    julie some de novo e pafunsu estranha novamente (ate ai tudo normal)

    -ela ate que ta certa a luta deles vai ocorrer no final,vai ser emocionante-fala luna

    -duvido que esse tal de nick ganhe,nao esqueçam que tiveram 3 guardiões da terra no incidente e pelo jeito ele vai lutar com os 3-fala giu

    -eu confio no moso-fala luna

    -eu tambem-fala gustavo

    -concordo-fala pafunsu

    entao as outras guardioes retrucam

    -vai levar surra-fala kamie

    -chute na butt-fala giu

    -uhum-fala (ou grunge)julie 

    entao alguem vai andando naquela direçao era lan

    -alguem percebeu que o primeiro nome dele e mais japones que o do gustavo-fala pafunsu

    lan vai ate gustavo e da um soco com força na barriga dele que o faz cair,e o arrasta pelo cabelo ate cahethel,entao cahethel ouve o que o garoto tem a dizer e troca umas letras de um crachazinho que esta com cada um

    -o que aconteceu-perguntou luna

    -esse cara no dia que eu cheguei aqui deu um jeito de trocar nossos nomes e nacionalidade pra ele parecer japones,eu sou o unico hikari aqui,Lan Hikari-fala Lan

    -nao tendi nada-fala luna 

    -nem eu-fala pafunsu com gustavo vomitando sangue nos braços tentando ajeitar ele

    -aquele e o amigo de voces indo pro ringue-fala kamie

    -e ele sim-fala gustavo meio tonto

    -e o moso-fala luna

    -parece ter uma rola bacana-fala kamie passando a lingua sensualmente entre o labio 

    -eu mereço-fala luna envergonhada de como caminha a humanidade

    mais todos estavam ansiosos afinal nick iria lutar finalmente contra alguem,afinal apos uma historia com aquela (cap2) era impossivel nao ficar curioso com o treino,entao entram em campo um dos 2 caras do incidente e nick dormindo por que cahethel apenas o lançou pro campo enquanto ele dormia meio ensanguentado

    -prontos-fala cahethel-comecem

    -isso nao e justo o moso ta dormindo-fala luna

    entao no meio do campo o outro cara grita:

    -ninguem te perguntou nada,indiazinha

    luna e seus belos cabelos de india se ofendem e mandam ele se-fu mentalmente

    a luta começa com o adversario apontando-lhe o dedo e falando:

    -renda-se eu sou o mais forte aqui e posso destruir qualquer um

    ele era alto como se tivesse 2m e 10 de altura,mas nick ja esta dormindo no chão,como se estivessem pouco se importasse  e seu oponente considerou isso como uma afronta direta de nick e da um soco no chao causando um terremoto que apenas fez nick ficar rolando pelo chão ate que foi chegando perto de seu adversario rolando pela grama do local e ao tentar esmagalo com um pisao,nick chuta ele no rosto ainda no chao dormindo e afunda o rosto do pobre rapaz que ia esmagar a cabeça de nick com um pisão e ainda racha a barreira media de cahethel,todo destruido pelo chute o guerreiro se levanta porem ja e tarde nick esta em pe em sua frente dormindo e lhe da um soco na barriga que explode tanto o seu estomago quanto o resto da barreira do cahethel,entao cahethel fala:

    -treinamento duro pessoal,vamos fazer magia do tempo no sr.matias pra ver se acorda

    apos tenta usar a magia do tempo cahethel nao consegue e fala:

    -nao acredito,mudança do tempo nao funciona nele

    -o que isso quer dizer-pergunta luna

    -significa que nem se eu mudar o tempo,o nick nao vai ficar parado,nao vai envelhecer mais rapido e nem tentar diminuir a velocidade dele e ainda me proibe de viajar pro passado enquanto eu estiver a 1 galaxia de distancia dele-fala cahethel

    -chega vei,esse cara ta muito apelão-falou pafunsu

    -disse o cara que terminou 3 lutas em 4 milisegundos-fala nick

    -voce nao tava dormindo-falou pafunsu

    -habilidade de fotossintese e so eu estar encostando em terra que eu me recupero mais rapido-fala nick

    -bom mais tirando isso-nick colocando um punho fechado em frente ao rosto so que com um sorriso corajoso-eu vou vencer todo mundo,que esta aqui eu prometo isso pra voces 
    FIM
    __________________________________________________________BONUS_________________________________________________________________

    NOME:Kamille Orihara        APELIDO:Kamie         PAÍS:Australia
    ELEMENTO:Agua        HABILIDADE:Solidificação e Gaseificação
    GOSTA DE:Instrumentos Pessoais Masculinos (IPM)

    NOME:juliane kanam      APELIDO:Julie     PAÍS:Istambul
    ELEMENTO:Escuridão      HABILIDADE:Nuvem escura
    GOSTA DE:Pafunsu (DARK STALKER)

    NOME:Giulya kim than    APELIDO:Giu      PAÍS:Coreia do Sul
    ELEMENTO:Espiritual      HABILIDADE:Necromancia
    GOSTA DE:K-POP

    ________________________ERRATAS__________________
     NOME:Gustavo Santiago  APELIDO:Gusta ou Gustavo  PAÍS:Brasil
    ELEMENTO:Estrela     HABILIDADE:Escudo Estelar
    GOSTA DE:Olhar as estrelas

    NOME:Lan Hikari   APELIDO:Nenhum   PAÍS:Japão
    ELEMENTO:Fogo    HABILIDADE:Escudo Estelar
    GOSTA DE:Não se sabe




  • A LÍNGUA

    A língua é um navio faminto no meio da maresia

    e da salmoura da linguagem que, do azul, ressuscita

    e espalha-se no verbo que, no oceano, fez moradia.

    A língua engravida de todas as tribos, das manias


    daqui e Dalí do mundo. Esta absorção permissiva,

    feito uma osmose infinita: cresce dos lados e desliza

    abaixo da linha. Ela é vivíssima. Mutante. Oferecida.

    Ela é pátria, estado e avenida. É do salão da esquina.


    Meu verso tem uma língua, mas obedece a real cartilha

    dos homens. A imposição determinante vinda lá de cima.

    É por isso que tento destruir as palavras, signos e sílabas

    a fim de gerir a instabilidade do poema na gota da neblina.


    Não há sucesso nesta tarefa de equilibrar o desequilíbrio.

    À língua, as sementes. Ao poeta, a busca da uva no vinho.

  • A Madrugada

     O quarto estava escuro, com um fraco feixe de luz lunar que entrava pela janela aberta, ferindo o breu instalado no úmido cômodo, iluminando o chão de piso branco barato e uma parede bege envelhecida. O ventilador ligado em sua maior potência pouco ruído fazia frente ao estardalhaço criado pela forte ventania do lado de fora da janela. O quarto não possuía som, todo o som pertencia a tempestade que reclamava seu direito sobre os ventos.
     À esquerda, a simples janela de alumínio dava uma visão escura sobre a cadeia de morros habitados por casas, aqui e ali uma luz de uma varanda vazia, engolidas na proclamação e na vastidão da noite, mas o principal evento não estava lá fora, ele vinha de fora para dentro e aqui no quarto, ele acontecia.
     Atrás da janela, do teto até os últimos seis centímetros do chão, a suave cortina de renda branca resistia, imóvel, elegante e destemida, ela se erguia frente a gritaria dos ventos, observava como se vê uma pirraça de uma criança mal educada, e comparada a ela, era a isso que se resumia toda aquela encenação da força do soturno céu.
     Com ciúmes e sentindo-se diminuída, a ventania irrompeu pela janela, tomando a suave cortina pelos braços e jogando-a pelos quatro cantos do quarto em arcos vertiginosos e ríspidos, porém, ainda impassível, ela se segurava no trilho sem aparente esforço, sem ter tocado o chão ou alguma das paredes nenhuma vez, ela volta a sua posição original ainda imaculada.
     O céu ultrajado com a insubordinação, tentou novamente, voltou mais furioso e violento, e assim fez seguidas vezes, mas a leve cortina não demonstrava resistência, e com toda sua elegância e suavidade, se colocava de volta atrás da janela, com movimentos graciosos, sem tocar nenhum canto do quarto.
     O tempo passava, o céu poderoso e revoltoso, já não demonstrava tamanha rebeldia, a ventania diminuiu, foram trocadas primeiro por brisas fortes, depois nem isso. Sem sucesso, o céu enviou seu último campeão para o duelo final. Uma fraca brisa perpassou pela janela, jovem e gentil, parecia pedir permissão ao entrar e suavemente pegou a mão da leve cortina.
     Enquanto o som lá fora diminuía drasticamente, a brisa começou a conduzir a cortina pelo quarto, não era apenas um simples movimento de empurrão para aqui ou acolá, era suave. Assim, a cortina foi lentamente se enroscando na brisa e ali eles bailavam uma lenta e suave valsa, cada vez mais lenta e ritmada, a dança transformava o casal, se antes eram brisa e cortina, agora eram uma só coisa, transfigurados, inseparáveis, vitais um ao outro. E toda vez que a leve cortina passava pelo fraco feixe de luz prateada, ela se iluminava, como se vestisse um vestido de diamantes que reluzia ao pequeno pedaço de lua presente.
     Tocada pela lua que crescia agora a cada instante, a cortina nasceu, debutou e envelheceu bailando com o seu amor na eternidade de minutos, ali ela foi plebeia, princesa, rainha, filha, mulher, esposa e mãe.
     Mas o tempo corria, as nuvens passaram, o céu se abriu como que saindo de cena, pois seu protagonismo havia sido roubado, e agora limpo, dava lugar para a lua cheia que ia aparecendo para contemplar aquele pequeno e delicado acontecimento que tomava toda a sua atenção, completando e prateando a noite daquele jovem casal. Porém, com a chegada da lua, a brisa precisava ir, seu mestre a chamava, e ela cada vez mais fraca se despedia da cortina. Até que saiu, a cortina agora sozinha, era banhada completamente pelo pratear da lua, jazia parada em frente a janela, fria, sem lembranças, abandonada na quietude da noite, ela voltara a ser só uma leve cortina de renda branca, sem par, sem motivo, sem vida. Apenas uma cortina morta.
  • A Máquina da Ordem

    Naquela praça deserta os jardins eram perfeitos, os bancos perfeitos, as árvores perfeitas. Um lugar perfeito. No centro, a Máquina transmitia boletins informativos de utilidade pública através de uma de suas telas espalhadas pela cidade. Era um dos serviços sociais prestados pelo Estado.
    Um homem esquálido, cambaleante, sentou-se num dos bancos, esgotado pelo calor intenso. Tinha andado já um bocado. Precisava aliviar a dor dos pés inchados apertados dentro do sapato. O cheiro do pão quente saído da padaria em frente o torturava, mas não mais que a sede. Do dinheiro que ganhou com o trabalho temporário que arranjara naquele mês, não tinha sobrado nada.
    Ouvia distraidamente os boletins informativos da programação do dia quando um guarda municipal, bem uniformizado e com ar de autoridade, abordou-o:
    — O que faz aqui?
    ― Estou só descansando um pouco ― explicou pensando em tirar o calçado.
    ― De onde o senhor vem?
    ― Lá da fábrica de papel.
    ― Aonde o senhor vai?
    ― Ao posto da Assistência Social. Disseram-me que fica para aquele lado de lá — disse apontando uma direção.
    ― Então vá para aquele lado de lá. Não pode ficar aqui vagabundeando.
    O homem esquálido ergueu-se lentamente e atravessou a praça chegando a um ponto de ônibus. O banco ali era coberto e o protegeria dos malditos raios de sol que pretendiam cozinhá-lo lentamente. Continuou ouvindo os boletins transmitidos pela tela da Máquina atrás dele.
    Naquele momento, uma menina chegou ao local trazida pela mão de uma jovem mulher. Pela rosadinha, cabelos louros, parecia um anjinho. Devia ter uns seis anos. A filha dele que morrera junto com a mãe no parto teria a idade dela. Ele nunca soube o que causou a morte de ambas. Nenhum médico apareceu para lhe explicar o que tinha acontecido. A limpeza do hospital era impecável, os funcionários estavam alegres, tudo estava em ordem e, apesar da demora, não podia negar que sua mulher fora bem atendida.
    Sua filha não se pareceria com a menina loura. Era mais provável que fosse pretinha, como a mãe. Ah minha pretinha...
    Divagava olhando a menininha enquanto a jovem mulher, em pé na beira da calçada, olhava-o com desconfiança. O guarda municipal que vinha da guarita da esquina se aproximou dela e trocou algumas palavras. Em seguida, empertigou-se, franziu o cenho e se voltou para o homem esquálido.
    ― O senhor de novo?! Está assediando os transeuntes. Vamos! Circulando.
    Antes de partir, o homem esquálido acenou para a menininha que se agarrou à mulher e, por de trás dela, tombou a cabecinha espiando-o assustada.
    Caminhou por mais quarenta e cinco minutos e chegou ao posto. Na entrada do prédio, um recepcionista uniformizado portando uma arma lhe pediu identificação. Em seguida, foi informado que deveria pegar uma senha de atendimento antes de passar pela porta com um dispositivo de detecção de metais.
    — Pode me dar uma garrafinha de água daquelas? — perguntou apontando para a geladeira na recepção.
    — Tem de colocar uma moeda ali — explicou o recepcionista.
    No salão de espera, havia poltronas estofadas, cinco pessoas atrás de computadores num balcão e um vigilante de pé num canto.
    Longos minutos se passaram até que o visor apitou mostrando o número de sua senha. No balcão, uma moça sorridente lhe fez uma série de perguntas para preencher uma ficha e pediu que ele aguardasse um pouquinho para falar com o assistente social.
    O homem esquálido voltou a se sentar e decidiu tirar os sapatos para aliviar a pressão insuportável que exerciam sobre os pés inchados.
    — O senhor não pode tirar os sapatos aqui — disse o vigilante se aproximando. Olhou com reprovação para o pé do homem esquálido do qual começou a escorrer um líquido cinzento e fétido pingando no chão. Então mandou que ele saísse dali imediatamente.
    — A Máquina informou que eu precisava do encaminhamento do assistente social para ser atendido no hospital.
    — O senhor está fazendo sujeira. Dê um jeito de calçar e sair daqui.
    Uma senhora que ouvia a conversa dos dois, tocou levemente o ombro do homem esquálido e disse que ele poderia passar na frente dela.
    A atitude da mulher encheu-lhe de gratidão e ele a agradeceu diversas vezes enquanto trocava o bilhete com ela. Em seguida, dobrou a parte de trás dos sapatos, calçou-os como se fossem chinelos e seguiu para a sala indicada na senha da mulher.
    — O senhor não é Jussara de Souza — disse o jovem sorridente que conferia os dados pelo número da senha no computador.
    — Estou com dor e uma senhora me deixou passar na frente dela.
    — Bem, mas não posso atendê-lo com o nome dela. Devo atender pela ordem das fichas. Saia e aguarde sua vez. — ordenou o jovem mantendo o sorriso.
    — Tenho pressa, moço — arriscou dizer o óbvio, mas incerto se o rapaz compreenderia, explicou: — Está saindo pus do meu pé.
    O jovem fez uma expressão de nojo e perguntou:
    — O senhor não acompanha as informações da Máquina? Deveria saber que tudo aqui funciona perfeitamente dentro da ordem. E todos devem obedecer às regras. Insisto que saia e aguarde sua vez.
    O homem esquálido sentiu suas forças se agigantarem com o sentimento de indignação. Num impulso insólito, certamente movido pela dor lancinante, bateu com violência no monitor do computador que se espatifou no chão.
    O assistente social apertou um botão vermelho na parede ao lado dele. Imediatamente o vigilante apareceu e rendeu o homem esquálido imobilizando seus braços, algemando-os para trás. Em seguida, tomaram a viatura da polícia que fazia plantão no local e foram para a delegacia.
    Não teve de esperar muito para ser atendido.
    — O que o senhor fazia no posto? — perguntou o delegado.
    — Fui buscar um encaminhamento para receber assistência médica gratuita.
    — O relatório diz que o senhor infringiu regras da instituição, desacatou o segurança, agrediu um funcionário e depredou patrimônio público. Correto?
    — Eu só... — tentou dizer o homem esquálido interrompido pela fraqueza e a dor que o assolavam novamente.
    — O senhor não observou as orientações da Máquina. — continuou o delegado. —Tudo é organizado para garantir a ordem e melhor servir à população. Os desordeiros devem ser imediatamente punidos. O senhor vai ficar preso para seguir o programa de reeducação social da penitenciária até que prove que está apto para conviver novamente em sociedade.
    — E os meus pés?
    — Isso não é comigo. É com o médico.
  • A minha alma...

    Na tua alma tem o alvor e a brancura dos sentidos
    É tão imaculada a fase de plantar ilusões...
    ... Um suspiro decisivo...
    E planto... E plantei!
    E fantasio na estrada do coração... Lindos momentos de amor...!
    E caminho em frente ao mar... Num passeio sem fim...
    És a poesia razão desta caminhada onde escuto
    A melodia de passarinhos voando nas nuvens
    ... Desse horizonte sem fim...
    Eco melodioso
    De brados matizes... Muitas cores!


    Resultado de imagem para imagem de duas almas se amando





  • A Morte

    Eu ouço ainda o teu canto,
    nas florestas, e casas, nos cemitérios...
    Andas arrastando o seu manto, 
    desde séculos passados, a vindouros séculos. 

    É tu, que assombrarás o homem,
    no silêncio da noite quedo...
    Vem os males que o consomem,
    e à ave cabalística do medo. 

    Tocas,tenebrosa,teu arpejo e prossegues, 
    nesta marcha em que segues,
    pelo mundo a caminhares...

    Entoando, melancólico, teu hino,
    pelos campos do destino,
    até um dia, finalmente, me encontrares.
  • A morte do eu

    “After a year in therapy, my psychiatrist said to me: ‘maybe life isn’t for everyone’.” 
    O inferno está vazio e todos os demônios estão na minha cabeça. Conjecturo vozes que, no desabrochar da vigília, anunciam-me um transtorno psicótico. Hoje eu tranco o curso, tranco a vida. Cheguei a vasculhar, um dia, a possibilidade do suicídio ser apenas o enterro, mas não a morte em si; todavia, certifico-me, nessa náusea amorfa, que a angústia se infiltra na teia neurossucumbidora antes de incinerarmos a nós mesmos. Conto os dias, odiando o teísmo onipotente, para encontrar o que acredito ser minha alforria: o psiquiatra. Há de ser minha muleta metafísica. Dispneia. Se enlouquecer-me novamente, tenho clonazepam. Vinte gotas; vinte e sete, se precisar. Alivio-me com esse meu novo deus volátil. 
    Sento-me à beira da cama; meus pés desmaiam sobre o chão. Penumbra. Nada me daria mais prazer do que nunca ter de acordar novamente. Sinto na alma a enfadonha arte de vestir-se. Fico apreensivo com minha sanidade dúbia diante das aulas anavalhadas que vagarei hoje. Degusto o Escitalopram com um café áspero. Lembro – fitando um eterno nada – a face sem sentença da minha psicanalista, e esbravejo-me; quero que suba no telhado e grite quem sou eu, pois já me foge essa concepção. Deposito o frasco de benzodiazepínico no bolso; esqueço o celular em casa. 
    Ao longo dos sertões da manhã, o medo do pânico se empodera como um fascista. Claustrofobia. Perscruto que na selva da minha psique não reino como Zumbi Dandara, mas apenas sou uma marionete do caos. Convenço-me da morte iminente: seja por um edema de glote, seja por um cataclismo pneumológico. Vendaval de sinapses. Minha mitral esperneia-se, regurgita-se, fibrila-se; almejo fugir-me; visto a entropia desajustada; balbucio uma filosofia sórdida. Subunidade beta da Proteína G, Guanosina Difosfato Inativa, Adenilato Ciclase: importantíssimo para vocês, futuros médicos. Cronograma de Caim. Quinquilharia. Pandemônio.
    Comprei uma aliança para essa miséria de vida, mas não prometo a monogamia – resmungo ao asilo que concerne minha consciência. Permuto as desvantagens e vantagens de ser um amontoado de átomos; aquelas me logram. Perambulariam como os nômades que nutrem sentimentos por mim? Por mais que sejam escassos, não me ousa denegrir a árvore-mãe que doou suas raízes à fruta empobrecida de alma. Aproveito o anticlímax dessa patologia arruaceira para ler o DSM: tenho todas as anarquias possíveis: transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão, desconexão com o divino, apatriotismo sem-terra. 
    Como um cadáver maquiado, encargo-me da polidez pós-morte: metáfora para os primórdios da tarde. Sobre o alcoolismo: eternizara – não que deguste a ideia, porém era a morfina que varria minhas esquinas neurais; era, senão, o hospício que tratava meu cansaço insuportável de gente. Olho-me: identifico em cada dobramento da minha organogênese os assassinos da minha jornada. A tarde, porém, caminha de forma taciturna; enrosca nos galhos, tropeça nas ironias machadianas, vivencia a chaga de Édipo, mas caminha. Adentro um elevador eremita: coercitivamente controlo a respiração: minhas cavernas pulmonares ecoam desespero.
    Palmilhando os arredores do abismo, pondero em relação ao futuro notívago: ou a insônia reluzirá novamente ou uma bala perfundirá meu encéfalo – entrará por um ouvido e sairá no outro, nada menos. Sinto meus passos derradeiros nesse morro cascalhado. Cairá sequer uma lágrima desse meu rosto surrado diante da morte de meu pai? Meu recinto ainda tem o cheiro de vazio. Insisto em deleitar-me na água que escorre do chuveiro, mas em vão. Pressuponho que dentro da gaiola do meu peito habite um pássaro que almeja voar, todavia se debate nas grades costais, depena-se e desiste da vida. Perfumo o ar com sobriedade: irrita-me o anseio acalentador das pessoas. Recebo, ainda que caquético, no toante dessa noite, uma visita: meu humor sacoleja como um cão solto na praia. Lê-me: você parece ótimo. Não se esqueça, minha cara, que os buquês, por mais que sejam sorridentes e carinhosos, são feitos de flores mortas. 
  • A morte do Pronome Possessivo Teu

    O velório estava no maior tumultuo. Dona Língua Portuguesa estava de luto, pois mais uma de suas raízes caira em desuso, tornando-se arcaico. A galera do Pronome Possessivo não se conformava, era um de seus entes queridos: o Pronome Teu.

    O Pronome Seu, nem teve coragem de comparecer ao velório, pois aos que não entendiam poderiam de alguma forma condená-lo, já que um dos possíveis motivos do Pronome Possessivo Teu ter falecido, foi o constante uso do pronome Seu, em todas as condições onde gramaticalmente quem deveria estar era o Pronome Teu.

    Segundo as más línguas, o Pronome Possessivo Teu poderia ter falecido de cacofonia, outros se arriscavam de homônimos, arcaísmos e inúmeras outras situações. Um boato onde somente Dona Análise Sintática deveria responder, essa, era como o médico legista do Instituto Médico Legal, aquele que dá a palavra final do atestado de óbito ao falecido. Segundo Dona Análise Sintática, o que levou realmente a morte do finadíssimo Pronome Possessivo foi a bendita Variação Linguística. 
  • A Mudança

                                                                                                                    I
    Carlos desde que se lembrava, não gostava da ideia de ter de se mudar, gostava de sua casa anterior, gostava da vizinhança, dos amigos que lá tinha e do clima quente. A maioria das pessoas viviam reclamando sobre o calor matador que lá fazia sem parar, dia após dia, mas Carlos gostava, estava acostumado com o calor e com toda a agitação do seu antigo bairro.
    Ele gostava de ver as crianças brincando na rua a tarde toda, correndo de um lado para outro, com toda a sua inocência e desconhecimento de mundo. Gostava do céu, que era sempre de um azul limpo e aberto, e de como era hipnotizante, fácil de se perder em pensamentos quando se ficava sentado olhando a magnitude daquele azul. Lembrava-se de uma dessas vezes, estava deitado num chão morno cimentado, olhando para o céu, não se recordava o que se passava pela sua cabeça naquele momento, mas se lembrava de se sentir sonolento naquele chão duro que estava tão acolhedor, e afogado em sua própria mente, vidrado naquela imensidão azul, ele adormeceu.
    E agora estava acordado dentro daquele carro velho, colado na janela observando sua nova casa. Havia dormido durante toda a viagem, só foi acordar quando seu pai já estacionava o carro em frente a casa, e sua mãe já os esperava do lado de fora, em frente ao portão de madeira envelhecido. O terreno possuía uma cerca de madeira, que aparentava ser da mesma idade do portão, tinha aproximadamente um metro de altura e uns dez centímetros de espaçamento entre as madeiras. Imediatamente Carlos a achou completamente desnecessária, já que não havia nenhuma outra casa por perto. Bem no meio do terreno havia a casa de dois andares construida em madeira, na frente instalava-se a varanda que continha uma porta simples que dava entrada para a casa, acima havia uma janela de madeira retangular, que se abria para fora em duas partes, ou pelo menos deveria, pois acreditava que não seria possível devido ao pútrido estado da janela. Toda a construção externa da casa era de madeira com uma pintura branca, com a madeira e a tintura disputando quem detinha o pior aspecto depois de aparentes cinco décadas de abandono.
    Na época da construção, ela provavelmente seria a casa dos sonhos para quem queria criar uma família numa região pacata, com bastante espaço e contato com a natureza, uma vida simples e proveitosa sem todo o estresse de uma cidade populosa. Quando nova, a construção simples e de visual limpo, devia passar uma tranquilidade invejável, como viver naquelas pinturas genéricas de casas campais. Mas agora o branco era sujo e a casa tinha evidentes manchas de mofo, rachaduras e lascas em todo lugar. Sua decadência era decepcionante quando se imagina como deve ter sido quando construída, porém era compreensível, já que ninguém parecia ter encostado na casa nas últimas décadas. A tranquilidade e a beleza da simplicidade que devia se encontrar aqui a cinquenta anos, dava lugar a monotonia e a depressão que se instalava cada metro quadrado do lugar.
    – É pai... você conseguiu, é de fato uma bela aquisição - disse Carlos aborrecido. Não conseguia se imaginar vivendo ali dentro, nesse lugar isolado e morto, sem nada para fazer e com ninguém conhecido para se entreter.
    – Tudo o que precisa fazer é aceitá-la, depois de um tempo ela se tornará um lugar aconchegante para você. Disse seu pai enquanto o olhava pelo retrovisor com um pequeno sorriso.
    – Vamos antes que sua mãe comece a nos gritar, ela já parece bem ansiosa por termos chegado.
    – Anda Carlos, quero lhe mostrar a casa logo. Chamou-lhe sua mãe.
    Assim que saiu do carro, Carlos notou uma brusca queda de temperatura, mesmo o sol do fim da manhã não era suficiente para afastar o frio úmido que se debruçava sobre eles, sem qualquer sinal de vento ou movimento produzido pela natureza. O silêncio era ainda pior, se sentia estranho como se o silêncio que pressionava suas orelhas fosse tão alto que cobria todos os outros sons, e só era interrompido quando um deles falava, causando-lhe um sobressalto todas vezes, como se uma taça de vidro quebrasse a cada início de frase.
    A espessa neblina que se apoderara dos arredores do terreno talvez fosse a responsável, bloqueava a vista de tudo que estivesse fora do raio de uns oitenta metros, era como se estivessem dentro de uma domo cercado por uma gorda e branca nuvem.
    Atravessou o portão seguindo sua mãe em silêncio pela propriedade, observando o devastado chão do terreno, era uma mistura de grama morta, completamente irregular e esburacada com chão arenoso escuro. Diversas plantas invasoras também estavam por lá espalhadas, haviam carrapichos, capim, ervas daninhas e outras que não conhecia, tudo em completa desordem. – Acho que não teremos uma horta como papai queria. Disse à sua mãe.
    – Você pode ajudá-lo a limpar e a plantar. Contato com a natureza é importante para um garoto urbano como você – respondeu sua mãe.
    – Tudo bem, sei que ele imploraria por isso mesmo.
    Passando pelo deque da varanda em frente a porta de entrada, sua mãe se segurou e lhe deu um olhar penetrante enquanto abria a porta. – A casa é velha, mas tem muita história e vida, dê uma chance e ela se mostrará mágica para você assim como foi para seu pai.
    – Bem, velha e histórica com certeza ela é - retrucou Carlos.
    A entrada da casa dava direto numa sala de estar ampla com um sofá velho e uma poltrona de couro marrom totalmente poído, ainda nela haviam uma alta estante de livros empoeirados, uma televisão quadrada antiga e um pequeno bar com garrafas de bebidas tão empoeiradas quanto os livros. Seguindo pela sala à esquerda tinha uma cozinha coberta do chão ao teto de pisos brancos encardidos, com uma janela na lateral dando vista para o lado esquerdo do terreno, e no centro da cozinha uma mesa retangular de madeira antiga que conseguia acomodar de maneira apertada cinco pessoas. Próximo ao fim da sala à direita se encontrava uma escada que levava ao corredor do segundo andar, onde haviam os dois quartos e o banheiro que ficava ao término da escada. O quarto de seus pais era uma suíte no final do corredor e possuía vista para a frente do quintal, enquanto o seu quarto ficava na outra extremidade do corredor, dando vista para os fundos do terreno. 
    Depois de mostrar a casa, sua mãe lhe entregou as chaves do quarto e desceu, iria preparar o almoço com seu pai, que seria servido na varanda que havia na parte de trás do quintal.
    Ao entrar no quarto se deparou com um cómodo quadrado de cor bege escuro, havia enormes manchas de mofo que desciam dos cantos das quatro paredes numa espécie de degradê de negro absoluto ao verde musgo, algumas iam do teto até quase tocar no chão madeirado, eram grandes e gordas como grandes hematomas numa pele clara e enrugada. Havia também um guarda roupa de madeira de quatro portas, cada uma com um espelho empoeirado e manchado nas bordas devido ao tempo. E por fim, uma cama de solteiro de madeira maciça, a madeira ainda que velha parecia ainda muito forte e resistente a um grande peso, e ao lado da cama uma janela de abertura ampla que dava vista para o quintal dos fundos e para uma grande área de mata esparsa.
    Pela janela ele pôde ver que a área possuía uma relva verde bonita, com bastante espaço entre as árvores que eram grandes e bem verdes, e mais próximo do seu quintal havia um estreito riacho pedregoso, a água seguia seu curso fraca, com todas as pedras a mostra, só filetes da água escura e densa corriam ao redor das pedras, como lágrimas que escorriam de um rosto muito sujo. Era um riacho que tinha seus dias contados, em contraste das árvores e da relva que pareciam lhe roubar toda a vida para brilhar nos seus dias verdes. Assim, o riacho sedia cada vez mais vida, e a cada gota que corria, levava embora a memória de seus dias límpidos.
    Carlos voltou sua atenção ao quarto ao ouvir o chamado de sua mãe para o almoço, temia que ela fosse servi-lo no quintal dos fundos, no momento que viu mesas e cadeiras lá postadas. Porém, ao se encaminhar para saída, algo à sua esquerda lhe chamou atenção, a parede defronte a sua cama possuía agora um círculo escuro no centro, parecia-lhe um mofo, talvez não o tivesse notado ao entrar. Mesmo assim, sua curiosidade o levou a se aproximar da parede, fixado por aquele círculo chegou tão perto quanto um palmo de mão e pode ouvir quase inaudível, um silvo arrastado e debilitado, como os últimos segundos de uma morte lenta, o mofo respirara.
                                                                                                                       II
     Demorou todo o restante do dia e boa parte da noite adentro para terminarem de limpar a casa, e em especial Carlos que passou horas tentando de toda forma retirar aquelas manchas bolorentas de seu quarto, sem obter nenhum sucesso. Frustrado e exausto, Carlos decidiu que deveria dormir e mesmo assim demorou mais algumas horas para conseguir, sua mente voltava sempre com a imagem do mofo respirando, e como ele se postava logo na parede a sua frente, foi difícil tirá-lo da cabeça.
     Enfim, quando os primeiros raios de sol começaram a rasgar o azul escuro do céu, trazendo maior claridade e calor, Carlos se sentiu mais seguro e assim pode cair em seu sono. Porém, mesmo em seu sono não tinha tempo para descanso, assim que dormiu se viu numa escuridão total sufocante, nada podia ver e tentava em vão esticar suas mão para apalpar algo. A seus pés passava um curso de água que ia até acima de seu tornozelo, a água gelada lhe dava calafrios e os tremores se intensificavam gradativamente até serem quase cãibras. Seus lábios gelados tremiam tão rápidos quanto milissegundos, e toda tentativa de fechar a boca era patética e inútil, e nesse estado, foi quando voltou a ouvir.
     A mesma respiração daquela encontrada no bolor em sua parede estava de volta, débil e fraca ela lhe chegava e foi acelerando, crescendo. Ao mesmo tempo o nível da água alcançou a metade de suas canelas, trazendo objetos pesados e macios que acertavam suas pernas, fazendo com o que manter o equilíbrio fosse quase impossível. Olhava para baixo  procurando ver a água ou as coisas que o acertavam, mas o breu era tão forte quanto uma venda em seus olhos, nada enxergava e nem dimensão de distância ele possuía.
     Não sabia a quanto tempo estava lá parado, fechou os olhos com força e rezava para que acabasse, seus ouvidos eram pressionados pela respiração forte e abrupta que estava agora sintonizada com seu coração, cada batimento no ritmo acelerado de seu nervosismo era acompanhado por uma lufada de ar expelida em seu ouvido, lhe deixando mais nervoso, criando assim um círculo vicioso do terror. Quando achou que não mais suportaria, algo passou por seu tornozelo e o agarrou, cravando garras adentro de sua pele e músculos. Sentiu aquele aperto tanto no tornozelo quanto em seu coração, o medo cravou-se em seu peito com as mesmas garras que se prendiam em seus pés e o apertaram até explodir. E assim, acordou de sobressalto com as mãos no peito e com o sol queimando seu rosto.
     Ficou sentado imóvel na cama tentando acalmar-se, respirava fundo seguidamente por mais de um minuto, suas mãos tremiam e seu peito vivia para buscar o ar e jorrar para dentro de seus pulmões a certeza de que tudo fora um sonho e nada mais. Sua mente foi aos poucos se tranquilizando, porém não esperava que ao levantar a cabeça e olhar adiante, bem a frente da sua cama, a parede que detinha a mancha que lhe dava calafrios fosse novamente levá-lo ao terror.
    A parede, na qual jazia a pequena mancha escura de mofo, já não se fazia visível, toda sua extensão fora engolida pelo mofo, que expelia pequenas partículas no ar a cada ciclo respiratório. Levantou de um salto, todo o pesadelo voltava a sua cabeça, e o sufocamento trespassava agora o tecido do sonho para a realidade, a respiração forte e acelerada retornou aos seus ouvidos junto com o medo que teimava em agarrar-se ao peito. Passou pela porta e desceu as escadas sem olhar para trás, parou apenas ao pé da escada e olhou para o andar de cima na tentativa de achar algo que podia estar lhe seguindo, mas nada encontrou.
    Seguindo as vozes de seus pais que saíam de outro cômodo, Carlos se dirigiu a cozinha a procura de se acalmar na segurança de seus pais. Ao passar pela entrada, os encontrou sentados na mesa com a cabeça totalmente afundadas sobre pesadas páginas de jornal, que se ergueram para vê-lo chegar.
    No momento que atravessou o batente, Carlos ficou preso ao chão ao olhar os rostos de seus pais, ou no caso a ausência deles, sua mãe possuía a face afundada como se por diversas vezes um objeto de imenso peso havia lhe caído sobre o rosto, sua boca era um rasgo contorcido que exibiam num sorriso nenhum dente, apenas um vão escuro tão profundo quando o abismo de sua cavidade ocular exposta. Já seu pai, tinha a metade de cima do rosto tão liso quanto uma máscara, não possuía olhos, ouvidos e nem nariz. Enquanto a metade de baixo era ocupada por uma imensa boca que ligava as extremidades laterais da sua cabeça, amplamente repleta de dentes afiados que ficavam a mostra devido ao sorriso congelado e aterrorizador que se fazia em sua face.
    – O que houve Carlos ? Ouvimos você gritar agora a pouco - disse sua mãe
     Carlos não podia responder, lutava para prender um grito em sua garganta, e se esforçava o máximo para não sair correndo novamente. Devia estar enlouquecendo, a mancha, o sonho e agora isso. Fechou os olhos e disse à sua mãe – Não é nada, acho que não estou me sentindo bem. Vou lá fora tomar um pouco de ar, ver se melhoro.
     Nesse mesmo instante, seu pai veio em sua direção de forma lenta, como se observando cada aspecto de Carlos – Têm certeza que não quer sentar conosco um pouco, meu filho ? Você realmente parece muito abatido, dessa forma você nos deixa preocupado - E assim que terminou sua frase, seu pai segurou a cabeça de Carlos próxima a sua, examinando-o, seus dentes afiados com mais de quatro centímetros davam-lhe a aparência de um tubarão. O bafo pútrido que trespassava entres os dentes trincados, combinado com as salivas que escorriam pelos cantos da boca, descendo por toda a extremidade do rosto até cair pesadamente no chão, contradizia toda a fala de seu pai, que para os ouvidos de Carlos parecia preocupado com a aparência do filho, enquanto que para seus olhos parecia faminto e levemente desapontado pelo abatimento de sua presa preferida que talvez para ele diminuísse o sabor da sua futura refeição.
    – Sim...pai, eu só preciso de um pouco de ar livre - Disse Carlos travado, com uma enorme dificuldade. E no momento em que seu pai retirou-lhe as mãos do rosto, Carlos saiu apressadamente para a sala principal e de la para a porta de entrada.
     A atmosfera do lado de fora era a mesma do dia em que havia chegado, era fria, silenciosa e com uma pesada sensação de morbidez. Mas o silêncio, nesse momento o ajudava a se acalmar, longe de seus pais e do terror do sonho que o perseguia, Carlos pode respirar tranquilamente por alguns minutos. Por isso, decidiu andar, se afastar da casa e de seus problemas.
     Após descer da varanda e andar pelo finado jardim, Carlos percebeu que a neblina estava ainda maior hoje, aumentando o cerco à casa, e tornando o silêncio ainda mais poderoso. Nem quando passou descuidadamente por sobre a morta grama e entre as diversas plantas invasoras, foi produzido algum som. Entretanto, se deu conta de que no meio da rua, parado onde se iniciava a neblina, havia um homem que olhava para o chão de maneira fixa.
     Carlos espantou-se ao ver alguém novamente, havia pensado que não havia nenhuma outra alma viva ao redor de sua casa, e foi até a rua para encontrar esse homem. Porém, ao chegar mais perto o homem se virou e adentrou a neblina, na qual Carlos foi em seguida, chamava o estranho seguidas vezes na tentativa de o homem parar.
     Mas quando adentrou a neblina soube que não mais precisava chamar, o som que o estranho fazia ao pisar no chão era como um tambor ritmado, que parecia ecoar, preso dentro da neblina sem espaço para fuga. Os passos e os ecos se misturavam, tornando impossível saber qual era o real, o passado e o presente era um naquele passo, que só foi abafado quando um estrondoso som o encobriu, pareceu um tiro que reverberou sobre si diversas vezes, multiplicando seu volume.
     Assustado, Carlos se virou para voltar pelo caminho de sua casa, mas por mais que andasse a neblina ainda ficava à sua volta, em todas as direções era única coisa que via, não sabia mais em qual direção devia ir, podia andar para qualquer uma que ainda pareceria que estava no mesmo lugar, a névoa densa agarrava-se a sua volta, o cercando naquele mundo.
     Cansado, Carlos teve que parar e dessa vez voltou a ouvir. Vindo em sua direção, cada vez mais alto e fácil de identificar, vinha uma bicicleta que quando se tornou visível, era levemente familiar. Uma bicicleta de médio porte, azul e preta andava em sua direção, devagar fazendo o som da corrente ser o único som existente daquele lugar, onde reinava absoluto. A bicicleta não trazia ninguém pedalando, veio sozinha e por uns três metros andou até Carlos, parando ao seu lado e se sustentando por uns cinco segundos, quando enfim pareceu se dar conta da impossibilidade daquele acontecimento, ela desistiu e tombou para o lado sem produzir nenhum som, como se caísse em nuvens.
     Logo após a queda da bicicleta, outro som se fez reinar novamente, de novo um estrondoso barulho de disparo foi produzido dentro da névoa, e como o primeiro, assustou Carlos até o fundo de sua alma, o fazendo correr às cegas por minutos, não sabia para onde ia, ou por onde, a direção não trazia importância a Carlos, apenas a distância era relevante e era isso que buscava. Quando abriu os olhos, depois de minutos correndo e tropeçando, Carlos se deu conta que havia chegado novamente no portão de casa.
                           
                                                                                                                  III
     Carlos atravessou o portão com lentidão, sentia-se exausto e pela escuridão noturna do céu, podia deduzir que se passou horas dentro da névoa. Não sabia exatamente quanto tempo, se fora horas ou dias, sentiu como se fossem minutos, mas agora sabia que não poderia ter sido.
     Juntou forças para chegar até a casa, queria descansar mas acreditava que não seria possível. Não seria capaz de vivenciar novamente o horror de estar no mesmo lugar que seus pais, ele ainda tentava retirar da cabeça a imagem profana deles, que hora ou outra voltava a sua mente. A mais simples imagem mental deles lhe dava calafrios, tremia durante todo o caminho, temendo encontrar novamente seus pais com aquelas faces, e imaginar que ambos estariam preocupados pelo sumiço do filho e que isso seria uma ótima oportunidade para seu pai o analisar a centímetros de distância, como da última vez.
    Na metade do caminho, um barulho constante surgiu e foi crescendo a cada passo dado em direção a casa. Logo pôde identifica-lo, o som parecia de água corrente, e a distância e o volume indicavam que corria forte e veloz. Só podia imaginar que a fonte fosse o rio atrás da casa, o que lhe parecia impossível já que ainda ontem o rio definhava em seu leito.
     Entrou em casa sorrateiramente e esperou em silêncio na expectativa de perceber se alguém o havia notado. A sala e a cozinha se encontravam vazias, e do andar superior caiam minúsculas partículas negras que se espalhavam pela sala, o que logo foi desvendado ao perceber-se que a escada e a parede que levavam para o segundo andar estavam cobertas por um negror bolorento. Assim, quando enfim notou que a porta que dava para o fundo do quintal estava entreaberta, se apressou para atravessá-la se encaminhando para os fundos, onde viu a figura de seus pais, ambos de costas para a casa, a poucos metros do rio, olhavam fixamente para o curso da água como se estivessem presos a ele.
     Apreensivo, Carlos ficou parado durante segundos em hesitação. Não sabia se ia em direção a seus pais na esperança de que toda aquela transfiguração que eles sofreram fosse apenas uma construção de sua mente exausta, ou se voltasse e fosse para qualquer outro lugar que conseguisse. Porém, antes de sua decisão, sua hesitação lhe custou um preço, seu pai voltara sua face ainda transfigurada para Carlos e o olhou como se estivesse a menos de um metro e não os vinte atuais.
    Sob o olhar inquisidor de seu pai, Carlos congelou, não conseguia se mover, tomar uma decisão. Ficou parado olhando aquela face aterrorizadora, totalmente entregue e submisso. Quando seu pai numa voz gelada e afiada como uma navalha o chamou com um “Venha!”. O som da palavra atravessou os vinte metros e chegou aos seus ouvidos como um segredo sussurrado às escondidas, cravou-se em seu coração e o rasgou como uma faca de gume enferrujado, na qual Carlos só pôde obedecer.
    Quando chegara na metade do caminho, Carlos já tinha a imagem clara. O rio de fato estava mais do que vivo, corria veloz como um cavalo, carregando o que parecia troncos de árvores rio abaixo, e fundo o suficiente para cobrir as patas de tal animal, sua largura era de no mínimo seis metros, escondendo todas as pedras fixas em seu leito e nas suas margens. Por outro lado, a mata verde parecia presa num domo outonal, com o verde substituído pelo marrom seco das folhas e da relva que poderia se quebrar ao menor sinal de vento.
     Chegando até seus pais Carlos parou abruptamente. Seu pai com as mãos firmes pôs Carlos a sua frente, e percebendo a sua perplexidade ao notar o que de fato o rio carregava, seu pai lhe deu um sorriso demoníaco. – Olha Carlos, o rio está novamente vivo. E ao lhe dizer isso, seu pai segurou -lhe a cabeça e a manteve presa direcionada ao rio.
     A essa distância Carlos pôde ver que não eram troncos de árvores que estavam sendo levados pelo rio, mas sim corpos. Corpos em estados de decomposição eram carregados aos montes pela água, de homens e mulheres de todas as idades, desde crianças até idosos. Suas peles enrugadas tinham tons esverdeados, roxos e pálidos, alguns tinham partes de seus corpos faltando, outros tinham ausência parcial de pele, e assim eram carregados numa profusão de água turva de cor marrom.
     Estava agora a menos de dois metros do rio, sua mãe ainda impassível, parecia presa a um transe na qual lhe permitia apenas ficar de pé, olhava para o rio e ignorava tudo o que acontecia a sua volta, enquanto que seu pai posicionado atrás de Carlos, segurando-lhe sua cabeça, se aproximou do seu ouvido e com sua recente voz cortante e fria, que apenas pode ser produzida por algo que a décadas deixou de existir, disse a Carlos – Está na hora de se juntar a eles. E logo após, o empurrou com extraordinária força para dentro do rio.
     Carlos caiu afundando em meio aos corpos, fracassou a tentar se levantar, suas pernas pareciam fracas e sua força ia em direção oposta ao seu desespero, os corpos pesados e de pele macia acertavam os seus membros a todo momento, a falta de ar foi crescendo a medida do seu medo até atingir seu ápice, quando Carlos não mais se encontrava no rio.
     Estava numa rua asfaltada num início de tarde, crianças jogavam bola na rua enquanto ele passava montado em sua bicicleta azul e preta pela lateral da rua. Havia pessoas sentadas em frente as suas casas, conversando amigavelmente com seus vizinhos. O som vindo da rua era barulhento, somado com o calor emanado por um sol alto e amarelo num céu limpo, podia essa combinação ser insuportável para alguns, mas para ele era acolhedor, estava próximo a sua casa, e todos ali o conheciam.   Acenavam e lhe dirigiam saudações enquanto passava lentamente por elas na sua bicicleta. Quando uma correria se fez em toda a rua, disparos estrondosos começaram atrás de Carlos, as crianças foram rapidamente resgatadas por qualquer adulto mais próximo, os que estavam sentados em frente de suas casas se trancaram de imediato, os bares e estabelecimentos familiares desceram suas portas. E nessa confusão, Carlos acabou perdendo o equilíbrio, caindo de sua bicicleta. Tentou se levantar mas suas costas doíam e ardiam incessantemente a qualquer sinal de esforço feito por ele.
     Virou de barriga para cima na tentativa de ver o que acontecia, garotos passavam a toda velocidade por ele seguidos de homens fardados que tentavam alcançá-los e disparavam às suas costas, logo se deu conta do que havia acontecido.
     Deitado naquele duro chão que emanava um calor acolhedor que o abraçava por trás, enquanto o sol queimava levemente seu rosto como uma carícia de dedos em chamas. Sua respiração ficava cada vez mais lenta ao passo que Carlos nadava naquele oceano claro que era o azul límpido do céu, se perdia naquela imensidão, se afastando e afogando aos poucos ele se distanciava de seu mundo até que apagou.
     Estava agora de volta submergido no rio, com água entrando por sua boca, podia sentir os resíduos dos corpos humanos que lhe invadiam junto a água, conseguiu enfim firmar seus pés no fundo contra as pedras e se erguer com imensa dificuldade. Seus pais, de volta ao transe com o olhar perdido no rio, nada expressaram.
     Tentava se esticar para alcançar a margem direita do rio, seus dedos riscando finas linhas na terra não conseguiam proporcionar firmeza suficiente para o seu corpo, quando com sua mão direita, conseguiu cravar todos os seus dedos dentro da margem do rio, rebentando-lhe as unhas de seus dedos, causando uma dor estonteante, Carlos aos poucos foi se aproximando da margem. Quando, como uma unidade, todos os corpos do rio começaram a se debater e a tentar agarrar qualquer parte exposta do corpo de Carlos.
     Um corpo de um idoso cravou todas as unhas pútridas de sua mão no braço esquerdo de Carlos, causando um enorme puxão para o fluxo da água, mas Carlos segurou tão firme a margem que o braço do idoso se soltou de seu corpo e ficou pendendo junto ao braço de Carlos. Suas costas exibiam rasgos em todas as direções, devido aos fracassos dos corpos de se agarrarem a ele.
     Estava com a parte superior do corpo já fora da água, quando sentiu mãos agarrarem seus tornozelos. Duas mulheres mortas, uma sem mandíbula e a outra sem toda a parte inferior do corpo, seguravam seu tornozelo esquerdo, enquanto o seu pé direito era segurado por três corpos tão necrosados que era impossível identificar o que haviam sido em suas vidas passadas. Com esse atraso, mais corpos conseguiram se segurar em Carlos, escalavam suas pernas e cravaram-se em suas costas, mordiam e arranhavam onde podiam.
     Sua mão não aguentando tal peso, foi cedendo e escorregando. Ao mesmo tempo, um corpo conseguiu escalar toda as costas de Carlos, e lhe chegou a cabeça. Mordeu-lhe com os dentes marrons a lateral da face, enquanto que, com a mão cravou todas as unhas, de mais de três centímetros, na mão direita de Carlos que num impulso soltou a margem, sendo tragado de imediato para o rio, afundando com mais de sete corpos agarrados a sua volta. Tentou gritar, mas submerso a água invadia sua boca, carregando a seus pulmões toda impureza do rio. Se rebatendo e lutando contra todos os corpos a sua volta, a alma de Carlos foi levada pelo rio para completar sua morte.
  • A Mulher dos Sonhos - parte 3

    1
    Peter rolava de um lado para o outro em sua cama, debaixo de suas cobertas. Embora fosse tarde da noite, não conseguia mais dormir e não queria abrir os olhos, tinha medo. Cobria a cabeça com o cobertor grosso e felpudo, para que não visse o que ocorria naquela imensidão sombria que chamava de quarto.
    Não sabia porque tinha acordado, não sabia porque não queria abrir os olhos e não entendia o porquê de seu medo. Sentia uma presença perto de sua cama e uma brisa gelada em seus pés (será que estão descobertos?), não conseguia movimentá-los. O medo em seu coração aumentava, então preferiu não tentar mais se mover, iria apenas aguardar, coberto e tremendo. Com muito esforço conseguiu abrir os olhos, que não passaram de dois riscos em seu rosto, e observar, brevemente, por um pequeno espaço em seu cobertor, aquele sorriso com dentes pontiagudos que o esperava de pé ao seu lado.
    Seus músculos enrijeceram, não conseguiu segurar a urina. Espremeu as pálpebras com toda a força e se agarrava à toda proteção que aquele velho cobertor lhe dava. Não conseguia, nem queria, se mover.
    Ouviu passos. Pelo som julgou que o movimento era lento, suave e, de certa forma, gracioso. Sua curiosidade apertava. Contudo, não iria ver, não iria espiar e de forma alguma iria retirar a coberta de sua cabeça, onde pensamentos do que poderia acontecer consigo transitavam incessantemente. Sabia dos últimos dois crimes sem explicação que ocorreram na cidades, como dois homens foram brutalmente assassinados em suas casas. Peter era aficionado em notícias tenebrosas e sempre imaginava que seria a próxima vítima (desta vez talvez estivesse certo).
    Mesmo embaixo do cobertor, e lembrando que quando foi dormir a temperatura estivera em torno dos 25 graus celsius, aquele quarto era gélido. O frio agredia todo o seu corpo, fazendo-o tremer, o único local quente era na poça amarela que saiu de sua calça, mas não iria trocar de posição. Aguardaria os primeiros raios de Sol sem se mover um milímetro sequer e nada no mundo o faria mudar.
    Enfim, seu celular tocou. Era o despertador, a noite havia acabado. Fora tudo um sonho? Não sabia, mas seu colchão estava molhado. Os últimos meses foram recheados de diversas noites assim, sempre via a mesma imagem.
    Não sabia se era um pesadelo ou realidade. E aquela imagem de dentes pontiagudos passeando por seu quarto perturbava sua sanidade. Tinha medo de dormir. Tentou dormir um dia na casa de sua mãe e sentiu o mesmo pavor. Se havia algo de errado consigo, lhe perseguindo, preferia não arriscar mais ninguém, iria enfrentar sozinho.
    2
    Passou as semanas seguintes pesquisando se algo similar ocorrera com alguém. Investigou a fundo e chegou a duas mortes peculiares que ocorreram recentemente e continuavam sem explicação. Um rapaz chamado Wayne Banks, morava em uma pensão e foi descoberto por um colega que achou estranho a porta trancada a tarde toda. Ele mencionou não desconfiar de nada e que havia levantado à noite por duas vezes sem ouvir qualquer ruído estranho. Acabou condenado pelo homicídio, embora as evidências contra ele fossem fracas, alguém precisava pagar por aquele crime assombroso.
    O assassinato seguinte foi de um rapaz chamado Trevor Davies descoberto por sua ex namorada Stephanie. Ela ainda tinha a chave de sua casa e, após ligar pelo menos 5 vezes e tocar na casa dele diversas outras vezes, resolveu entrar para pegar algumas roupas que ele deveria ter lhe entregue. Entrou em estado de choque ao ver a cena de seu ex totalmente desfigurado deitado naquele cobertor que parecia vermelho. Tentaram processá-la pelo crime, contudo seu álibi era muito forte e, embora as câmeras do andar de Trevor tivessem apagado por algumas horas na noite do crime, seria impossível ela ter chego até lá sem passar pelas demais câmeras da cidade. Contudo, a pobre garota não escapou de meses de terapia intensiva.
    Peter estendeu sua busca para toda a Inglaterra, só que não encontrou nada similar. Procurou casos antigos e encontrou algumas pistas. Quatro assassinatos antigos, três homens e uma mulher, contudo, nenhuma ligação entre eles, além do que parecia um padrão de tortura sádica similar e marcas de congelamento. Os quatro casos eram bem antigos, remetiam à época em que seu pai morrera tentando proteger sua mãe grávida de um assalto em uma noite de verão.
    Peter temia por sua vida. Não queria dormir à noite, tomava remédios para se manter acordado e tentava dormir durante o protetor Sol matutino. Conseguiu um trabalho como vigia noturno em uma fábrica que operava 24 horas por dia. Nunca estava sozinho, o que lhe trazia certa tranquilidade. Temia seus dias de folga, as longas madrugadas frias. Sempre frias, não importava onde ele estivesse, aquilo o angustiava. Olhava na internet um calor de 28 graus e, apesar disso, era possível observar sua respiração em seu quarto.
    3
    O cansaço castigava Peter, trocar o dia pela noite não é tarefa fácil, agradecia por aquela fábrica barulhenta e movimentada, contudo às 4h da manhã, era hora de ir para casa. Pegou o ônibus que o deixo no metrô, de lá poderia cochilar no vagão, a viagem era longa e acreditava que nada lhe aconteceria.
    Peter estava errado...
    Era tarde da madrugada, contudo o Sol ainda não tinha nascido. O sono apertava mais do que o normal. Encostou a cabeça na parede do vagão, afinal, tinha-o todo para si, e as próximas estações prometiam estar vazias também. Tentava, bravamente, não dormir. Resistiu pela maior parte do caminho. Até fechar, ligeiramente, os olhos, naquilo que pareceu apenas um segundo. Quando acordou, apenas uma estação o separava de seu destino.
    Ficou contente por nada ter acontecido. Olhou ao redor, viu o vagão sem ninguém, de portas abertas. Ao longo da estação, também, não viu ninguém. Apenas uma bela moça, de cabelos negros, longos que chegavam à sua bela cintura. Eles eram radiantes e bem tratados, como das moças das propagandas de shampoo. Entretanto, sentada sozinha naquela estação, sua expressão era tristonha.
    Peter contemplou aquela cena por alguns instantes, imaginou o que poderia ter acontecido com uma mulher tão bela que a deixasse com semblante tão infeliz. Então, ela o olhou profundamente em seus olhos, era um olhar penetrante e assustador. Peter sentiu como se sua alma estivesse exposta, totalmente à disposição daquela mulher. Assim, sentiu-se frágil e desprotegido, o terror começou em seu peito e bambeou suas pernas. Estava receoso, algo naquela bela mulher e em seu olhar sério o perturbavam.
    Ela levantou de seu banco e se deslocou na direção de Peter, vagarosamente. As portas do vagão fecharam, anunciando que todos deveria deixar as portas desimpedidas. Essa voz distraiu Peter que olhou para o auto falante à sua direita. Quando voltou a olhar para sua esquerda, através da janela, viu aquela mulher a menos de um metro de distância (como ela chegou aqui tão rápido?) e ela colocou sua mão no vidro. Era uma mão delicada, embora suas unhas fossem um pouco maiores do que o comum (parecem as unhas daquelas “peruonas”, mas sem as cores vibrantes). Então reparou na falta do dedo anelar e na cicatriz grotesca que ali se encontrava.
    Foi quando ela sorriu...
    Aquele sorriso medonho de dentes pontiagudos, soltou um risinho fino e estridente, como talheres esfregados, com fúria, em louça nova, mas dentro de sua mente. A mão daquela mulher se moveu, deixando uma marca de arranhado no vidro e se aprofundando no metal que se seguia. Rasgou a parede do vagão como se fosse uma folha de papel.
    Peter se levantou da cadeira, afastando-se da parede agora esburacada. Não olhou para trás, manteve seus olhos fixos na mulher, até bater com as costas na barra de ferro que ali se encontrava.
    (metrô do inferno, anda logo!)
    O metrô começou a se mover e Peter a deixou para trás. Sentou no chão, onde estava, e bateu levemente a cabeça na barra de ferro em que se apoiava, por duas vezes. Abaixou sua cabeça, fechou os olhos e espirou até a última molécula de oxigênio sair de seu pulmão. Quando trouxe o ar de volta, abriu os olhos e viu o ser demoníaco no final do corredor. O sorriso macabro estampado no rosto, todas aquelas feridas hediondas, o vestido não era mais branco e sim marrom indo para o preto de tanta sujeira, também tinha manchas vermelhas sinistras. Quando deu seu primeiro passo em direção à sua próxima vítima, foi possível ver a poeira caindo de seu corpo.
    Os olhos de Peter arregalaram de surpresa, seu primeiro ímpeto foi se levantar. As pernas, que tremiam desenfreadamente, não responderam. O desespero se instalou em sua cabeça.
    - Por favor, não! Afaste-se! - Suplicou em voz alta.
    A criatura não se importava, continuou sua caminhada serena em direção ao homem indefeso à sua frente. Enquanto isso Peter se rastejava tentando se distanciar. Sabia que se não fizesse nada seria apenas mais um caso sem solução, perdido nos jornais e na gaveta de algum policial.
    Conseguiu se arrastar até a última porta do vagão, a distância era considerável entre ele e sua perseguidora. Juntou toda a coragem que tinha e controlou as pernas. Levantou-se e com a força que tinha bateu na barra de ferro ao seu lado para arrebentá-la, precisaria dela para se defender. Após quadro golpes poderosos, nada aconteceu.
    (tenho certeza que essa maldita está rindo de mim)
    Ele desistiu e se encolheu contra a porta. Via aquele demônio se aproximar e sentiu o frio de sua unha pressionando, delicadamente, contra a barriga. Sentiu o filete de sangue escorrer enquanto ela, suavemente, abria um corte superficial em sua pele
    (essa vadia gosta de torturar, não vai me matar rápido),
    ele não pretendia desistir, contudo, sabia que nada poderia fazer. Foi quando sentiu em suas costas a porta abrindo e rolou para fora daquele vagão infernal. A mulher não veio, ele se arrastou para o mais longe possível e viu ela sumir atrás da parede do vagão.
    Fora tudo um sonho? Ele realmente dormira no metrô? O rasgo no metal do vagão, que se deslocava para a próxima estação, e em sua barriga diziam que tudo fora real. Algo precisava ser feito para salvá-lo.
    4
    Peter tinha ideia do perigo que corria e que não poderia se salvar sozinho. Precisava de ajuda. Conversou com seus amigos que trabalhavam no período noturno da fábrica, perguntou se conheciam alguém que investigasse casos estranhos. Quando cogitava desistir, lhe apresentaram um cartão velho e surrado.
    “Sean Corbyn – Detetive Particular”
    - Minha sobrinha usou esse cara para investigar a morte do marido, que nunca encontraram o corpo. Ela é bem pobre, então ninguém ligava. A polícia se movimentava sem ligar muito, acho que tinham mais o que fazer do que investigar uma morte de pobre, diziam que provavelmente morreu em uma sarjeta escondida, ou um traficante queimou o corpo. Foram tempos complicados, só que esse cara se importou. Foi a fundo e descobriu que o marido tinha fugido com uma amante, mudou de nome e tudo, foi morar na Bolívia. Hoje ela, pelo menos, recebe uma pensão. Já tem anos que isso aconteceu, talvez esse cartão ajude.
    O cartão tinha endereço, um telefone fixo e um e-mail. Nada de celular, o que não era um bom sinal. E pelo estado do cartão, deveria ser de outro século. Mesmo assim, valia a pena tentar.
    Peter ligou para o número do cartão diversas vezes, não tinha resposta, nem uma secretária eletrônica. Eventualmente recebeu a resposta de que o número não existia mais. Resolveu compilar toda a sua pesquisa em um e-mail e mandou para o detetive. Marcou com alerta de leitura que nunca recebeu.
    (Provavelmente foi para o lixo eletrônico)
    Tentou enviar um e-mail sem anexos. Seguiu sem resposta. Decidiu escrever uma carta contando sua história. Quando a terminou, achou melhor entregar em mãos naquele endereço que tinha.
    Era uma manhã chuvosa. Foi ao endereço, no interfone tocou no 32. Não teve resposta. Esperou... Esperou... E esperou até aquela manhã chuvosa tornar-se um final de tarde nublado e frio. Ninguém aparecera. Foi quando uma pessoa saiu do pequeno prédio e perguntou se Peter iria entrar. Ele assentiu e se dirigiu até terceiro andar, número 32. Não parecia ter nenhum sinal de vida ali. Contudo, não parecia abandonado. Bateu na porta com número 31. Foi atendido por uma moça simpática de idade avançada, retratada por seus cabelos brancos como a neve.
    - Boa tarde, posso ajudar?
    - Sabe onde está o senhor Sean Corbyn, do número 32?
    - O detetive?
    - Isso!
    - É um sujeito divertido. Ele se mudou, conseguiu um escritório melhor eu acho, mas não disse onde era. Também sei que está de férias fora do país. Deve voltar em uns 20 dias aqui para retirar algumas coisas.
    - Você tem algum número que eu possa ligar? – soou mais desesperado do que Peter queria.
    - Tem o celular dele, mas não tem sinal, se não me engano ele foi para a América do Sul. Talvez você consiga mandar uma mensagem, ele acessa em algum wifi. Eu tenho anotado em algum lugar, espere um pouco.
    Enquanto aquela senhora procurava pelo número de telefone que poderia ser a última esperança de Peter, ele colocou sua carta pelo vão inferior da porta. Torcendo para que não fosse tarde demais.
    Quando recebeu o número de telefone, resolveu ir para casa. Era seu dia de folga e Peter lamentava por isso. O cansaço apertava e não queria dormir no metrô de novo. A casa de sua mãe não era longe dali, talvez fosse a melhor opção. Pegou um taxi e foi para lá.
    (não vou aguentar mais 20 dias. Amanhã preciso procurar outro detetive)
    5
    Chegando na casa de sua mãe, ela já se recolhia para dormir.
    - Quer que eu faça algo para jantar, querido?
    - Não mamãe, pode ir dormir eu me viro na cozinha.
    Ela foi para o quarto e ele preparou um jantar solitário, apenas macarrão instantâneo, rápido e fácil. Então, foi para sala assistir filmes. Eram 9 horas da noite, precisava manter-se acordado até às 5h30 da manhã, pelo menos.
    Não teve problemas durante o primeiro filme, sentado naquela cadeira desconfortável. No segundo já imaginou que logo iria dormir. No terceiro, encarava seu próprio umbigo ressoando baixinho. Acordou assustado. Conseguia ver sua respiração. Decidiu ir até a cozinha, pegou a maior faca que encontrara.
    (se essa vadia vier, estarei preparado. Vamos ver se você sangra.)
    Levou seu objeto afiado para o quarto e o colocou embaixo do travesseiro. Achou melhor não trancar a porta. Pegou dois cobertores extras e se cobriu por completo.
    (não vou morrer essa noite)
    Ele tremia embaixo das cobertas. Não sabia se pelo frio ou pelo medo. Talvez um pouco de ambos.
    Sabia algum exercício de respiração. Tentou para se acalmar, respirava profundamente e devagar. Seu coração desacelerou, uma sensação de paz tomou conta de si. Conseguiu fechar os olhos e relaxar.
    Sentiu um toque suave e tenro por cima das cobertas. Como um carinho em seu ombro. Com cuidado, alcançou a faca embaixo do travesseiro. A mão que lhe tocava subiu para a sua cabeça
    (só tenho uma chance, preciso acertar),
    achou que iria retirar sua coberta e, então, aproveitou. Com um movimento rápido encravou a faca naquele ser. Jogou todas as cobertas por cima dela e a derrubou no chão. Em seu momento de fúria, esfaqueou várias vezes aquela mulher que lhe trazia pesadelos todos os dias. E viu o sangue em sua faca.
    (se você sangra, quer dizer que eu posso te matar).
    Não sentiu mais movimentos debaixo do cobertor. Ele havia ganho. Sobrevivera àquela noite e provavelmente a todas as próximas. Já se via morrendo de velhice em seu sono. Aquela imagem lhe trouxe conforto. Então sentou em sua cama. A faca ainda em sua mão e não pode evitar um sorriso discreto.
    6
    Ainda sentado, olhou para a janela, a condensação era estranha para aquela noite quente, e viu a mensagem que gelou seu espírito.
    “Tente de novo...”
    A fraqueza dominou seu corpo, contudo, apertava com todas as suas forças aquela faca. Olhou para sua porta e, mesmo na escuridão, identificou aquele sorriso maligno.
    (O que eu fiz? O que você me fez fazer?)
    Acendeu o abajur perto de sua cama e viu o corpo escondido por dois cobertores. Olhou para a aparição na porta, imóvel, como se dissesse “vai em frente, veja a merda que fez”. Ele puxou a coberta ensanguentada e, por baixo, viu sua mãe mutilada, banhada em sangue, completamente imóvel.
    Foi quando a mulher deu seu primeiro passo. Na claridade do abajur sua imagem era mais aterrorizante. Peter sabia que não poderia se entregar ao medo
    (isso acaba hoje),
    e agiu. Arremessou o abajur em direção à mulher. Não teve certeza de ter acertado. Pegou o celular e acendeu a lanterna. Nenhum sinal dela. Com cuidado foi até o interruptor e acendeu a luz. Sua mãe jazia morta em seu chão, mas nada poderia fazer agora.
    (onde ela foi parar)
    Seguiu para fora do quarto, pelo corredor, e acendeu outra luz. Queria tudo aceso. Talvez ela não seja tão poderosa longe da escuridão. Prosseguiu com cautela, cômodo por cômodo, deixando todas as luzes acessas, enquanto sua faca deixava uma trilha de sangue no chão. Faltava apenas a cozinha e o quarto da falecida mãe. Começou pela cozinha. Não havia nada lá, sentiu-se mais seguro. Pensou em como a mãe era contra armas em casa, talvez se arrependesse hoje.
    Decidiu ir ao quarto de sua mãe, deixou-o iluminado. Toda a casa parecia segura. Agora precisaria explicar para a polícia como matara sua própria mãe achando que era um demônio. Talvez na prisão estivesse mais seguro, talvez devesse se declarar culpado.
    Voltou para seu quarto, ajoelhou perto de sua mãe e chorou. Quase largou a faca, quando ouviu o som sinistro de sua porta rangendo lentamente e o click da maçaneta relaxando naquele buraco dentro do batente. Olhou para lá e viu a mulher novamente. Ela nunca tirava aquele sorriso apavorante do rosto. Movimentava-se sempre devagar, de uma maneira apavorante.
    (Não vou mais ter medo. É isso que você quer, não? Uma vítima medrosa. Não terá mais isso de mim)
    Ele avançou em um ímpeto que nunca imaginou ter, faca bem firme em sua mão, e investiu contra o demônio. Sua arma a poucos centímetros de distância, milímetros, então, encostou naquela carne fétida, apenas para se desintegrar na sua frente.
    - O que é você?
    -...
    Não havia resposta. Nunca houve resposta. Aquele ser não emitiu um único ruído. Foi quando esticou seu braço frágil e apontou sua unha para Peter. Ele recuou até ficar acuado contra a parede. Sentiu aquela unha podre abrindo sua barriga do umbigo até o peito. Olhou para baixo e pode ver seu intestino caindo no chão, seguido de outras coisas. Quando olhou no rosto da mulher ela não mais sorria. Seu toque gelado agora envolvia seu pescoço. Era, de certa forma, suave. Ela sabia que ele morreria em breve, precisava aproveitar seus últimos momentos. Aproveitou observando a vida se esvair, aos poucos, dos olhos de Peter.
    Então sorriu.
  • A Névoa do Amanhã




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    Caminho desnorteado pela trilha fechada em meio à mata. Devido ao inverno rigoroso sinto os ossos congelarem enquanto respiro com dificuldade. A névoa branca ofusca a visão a longo alcance. Os meus olhos castanhos se perdem, não enxergo absolutamente nada. Com os pés machucados reluto para manter o equilíbrio. As folhas secas transmitem medo e angústia. O silêncio fúnebre invade a minha mente perturbada. Já se passaram quase cinco horas desde que acordei dentro de um buraco cheio de vermes rastejantes. A fome que sinto berra a um nível extremo, a boca seca implora por um copo de água, estou literalmente exausto e cansado. E para piorar a situação não me lembro de absolutamente nada.
                Devo ter batido a cabeça, pois a falta de memória não tinha uma justificativa aparente. Sem recordação do passado ou presente, nome desconhecido e perdido. O que mais poderia acontecer? Ouço a poucos metros um grito medonho, o meu instinto de sobrevivência joga o meu corpo na direção oposta. Corro o mais rápido que consigo, atravesso por entre árvores pontiagudas e flores deterioradas. Quando finalmente chego a um ponto sem saída deparo-me com uma sombra humana.
                Fico estagnado olhando fixamente para o ser diabólico que emitia aquele som estarrecedor, fugir de nada adiantou. A criatura gigantesca de aproximadamente 12 metros de altura não tinha aparência, sexo, cor ou idade. Era um ser misterioso observando-me igual a um pobre animal no zoológico. Suavemente dou alguns passos a frente esbarrando num campo invisível o qual bloqueava a passagem entre mim e a aberração. A forma humanoide era notável, pés, mãos e cabeça, porém o seu tamanho desproporcional á realidade. Seria tudo fruto de uma mente criativa? Uma abdução alienígena? Antes de mais questionamentos insanos surpreendo-me por uma voz feminina aos prantos.

    —Volte Marcelo! Volte para mim.
     — Quem está aí? Quem é você?
     — Não se vá...Eu te amo.
    — Você não consegue me ouvir? Quem é?

                Fico tonto por alguns segundos o suficiente para tornar os meus sentimentos uma tristeza profunda. Do limbo inconsciente emergem de forma rápida e destruidora imagens diversas, puras lembranças que juntas completavam um álbum de fotografias do que um dia já foi minha história de vida. As dúvidas que me cercavam eram respondidas de forma ininterrupta. A conclusão era óbvia e cruel. Eu estava morto.
                No momento em que aceitei a realidade pude enxergar claramente tudo ao meu redor. O monstro havia ganhado um belo rosto, olhos azuis e cabelos loiros, o seu nome era Anne. A minha doce noiva agora debruçava sobre o meu cadáver, murmurando palavras de luto. Mas eu apenas podia ouvi-la. Um funeral coberto de lágrimas, lamentações e dor.
               
                Nunca imaginei que terminaria dessa forma. Vítima de um estúpido acidente de carro. Não posso culpar o destino já que as duas garrafas de Vodca contribuíram para esse final deplorável. Desviei-me numa curva sem volta. Infelizmente nada mais poderia ser feito.
                Uma luz branca refletiu na minha face poucos minutos após a grande descoberta guiando o meu espírito ao repouso eterno. O novo mundo me esperava de braços abertos.

    — Adeus querida, me perdoe.

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