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  • Caçador de Lendas

    Natal-RN/Brasil.
    Um garoto de nome Harley,estava na escola,e foi desafiado.
    -Eu duvido que você a chame!
    -Pode ser mas...
    -Vai amarelar é?
    -NÃO!
    -então,as dezesseis horas hoje você vai.

    Apos as aulas de português,história, matemática,artes e educação física,se passou exatamente 2 horas.
    -vai lá prima e faz o que te falei.
    -certo.
    Ela entrou,fez coisas que não posso citar.
    Apareceu uma menina loira,de cabelos que tampam o seu rosto,vestido branco com um perfume inexplicável. A prima:
    Gritou BEM alto.
    Chutaram a porta e se deparam com a lenda urbana na escola estadual.
    -E-Essa loura dá...
    -Calafrios!
    Harley,um jovem espadachim,saca a espada para combater tal demônio.
    Conseguiu dar um belo murro na cara, que fez sangrar sangue preto. Apavorante era! Ela (Loira),levanta seu cabelo que encobre os olhos e parte do nariz. O que veram,foi uma menina sem orbita nos olhos,preto,negro.
  • CARMOND - CAPÍTULO II

    O convite para ir à Carmond chegou um ano após Augusto ter retornado da Europa, onde havia se formando em medicina. E talvez tenha sido isso a causa de seus amigos colocarem tantos empecilhos na sua decisão de aceitar a proposta. Na certa, queriam aproveitar mais a convivência, uma vez que haviam passado tanto tempo distantes.
    _ Você não pode está falando sério que aceitou ir para aquele fim de mundo. Só pode ser uma brincadeira e, convenhamos, de muito mau gosto. O Silva falou enquanto eles dividiam uma cerveja num bar qualquer no centro da cidade.
    _ Porque todo esse espanto, Silva? Serão só alguns meses. É só o tempo do velho ficar bom ou...
    O Silva acabava de virar o último gole do copo e enquanto falava, voltou a enchê-lo.
    _ Você sabe muito bem da fama daquele vilarejo, Augusto. As histórias que chegam de lá são horripilantes.
    _ Como assim? Eu não sei do que está falando?
    _ Não se faça de desentendido, meu amigo. Sabes tão bem quanto eu que pouquíssimas pessoas viajam para aquele lugar e é ainda menor o número que retorna de lá.
    Nesse momento, Augusto não conseguiu conter o riso e isso pareceu deixar o Silva um pouco irritado.
    _ Vais rindo, doutor Augusto, depois não adiantará dizer que não o avisei. Como já diz o bom e velho ditado: Quem avisa amigo é.
    _ Não podemos acreditar em tudo que essa gente diz, meu amigo. Essas histórias são tão verdadeiras quanto o coelho da páscoa ou o papai Noel.
    _ Bom, eu como acredito que tudo é possível nesse mundão de meu Deus, se estivesse no seu lugar, não iria.
    No instante em que Augusto iria dar continuidade à conversa, os dois foram surpreendidos com a chegada de César e Rafael, ambos, amigos de longa data.
    _ Que maravilhosa coincidência! Veja que sortudos que somos! Quatro amigos se encontrando casualmente para tomarem cerveja e jogar conversa fora.
    O Silva, ouvindo as palavras de César, foi logo adiantando:
    _ É bom aproveitar mesmo este momento. Pode ser um dos últimos que passamos assim: os quatro juntos.
    _ Não entendi, alguém aqui irá morrer?
    _ Não leve a sério as palavras do Silva, meus caros. Ele já bebeu um pouco além da conta.
    Todos já estavam acomodados ao redor da mesa e o garçom, com uma competência invejável, servia cerveja aos recém chegados.
    _ Não estou bêbedo coisa nenhuma, rapazes. A verdade é que nosso amigo doutor acabou de fazer uma das maiores burradas da sua vida.
    _ Não seja exagerado, Silva. Desse jeito eles irão achar que eu engravidei alguma daquelas donzelas que visitam meu consultório semanalmente.
    Enquanto César e Rafael sorriam curiosos, Silva continuou com uma expressão de desaprovação e retomou a conversa:
    _ Antes fosse isso. Um filho com uma daquelas donzelas seria muito melhor que se enterrar naquele maldito vilarejo.
    A última palavra proferida por Silva ficou vagando no ar entre os quatro rapazes por um breve instante, enquanto os dois últimos a chegarem encaravam Augusto, espantados.
    _ Vilarejo? Isso quer dizer...
    Antes que completasse a pergunta, Silva adiantou-se:
    _ Isso mesmo: VI-LA-RE-JO, disse pausadamente, enfatizando cada sílaba. _ Augusto acaba de aceitar a proposta de ir para Carmond, tratar de um velho, que segundo informações, já deveria ter partido dessa pra melhor há muito tempo.
    César e Augusto, que até então estavam acreditando que tudo não passava dos dramas habituais do Silva, agora pareciam estar totalmente de acordo com ele.
    _ Sou obrigado a concordar com o Silva. Você só pode estar louco para aceitar ir para aquele lugar. Um vilarejo que fica a não sei quantos mil quilômetros, que só passa trem a cada quinze dias... Não! Você só pode estar de brincadeira.
    _ Calma, meus caros! Vocês estão fazendo confusão num mísero copo d’água, ou melhor, de cerveja. Sorriu e continuou. _ É verdade sim que eu irei até Carmond tratar da saúde de um velho que está a padecer. Ponto. É só isso. É o tempo de ir, tratar do enfermo e estarei de volta ao meu consultório, as minhas fiéis pacientes e aos meus amigos medrosos e queridos.
    Os três ainda continuaram questionando e listando o quanto ele perderia se afastando da cidade naquele momento. César apressou em dizer que ele mal havia aberto as portas do consultório que o pai, com tanto zelo, havia o dado de presente assim que Augusto retornou da Europa.
    Rafael alertou que as donzelas procurariam outros consultórios, e aí quando ele retornasse, se retornasse, não teria mais pacientes lindas e calientes implorando para serem consultadas.
    E por fim, o Silva, que já não encontrava mais argumentos, continuou insistindo na história de que o vilarejo era mal assombrado e que quem viajava até lá, dificilmente retornava.
    Porém, mesmo com todos esses argumentos, Augusto não se deixou persuadir, e dois dias após aquele encontro no bar, despedia-se dos amigos e da família, e embarcava no trem com destino à longínqua e misteriosa Carmond.
    Passadas algumas horas do embarque, uma chuva torrencial começara a cair, e quando o trem parou num lugar qualquer da estrada deixando Augusto, sozinho, esperando pelo motorista que lhe fora prometido na carta, o jovem médico começou a refletir se os amigos não estavam, de fato, com razão.
  • CARMOND - CAPÍTULO III

    CAPÍTULO TRÊS
    O ponto de parada onde fora deixado era diferente de todos os outros já conhecidos e imaginados por Augusto. Ficava num lugar qualquer da estrada e não havia nenhum sinal de vizinhos, ou ainda, nenhum bar ou qualquer outro tipo de estabelecimento como são de costumes nesses lugares.
    A chuva não dava tréguas e tudo que ele fez foi correr até uma velha tapagem, já bem deteriorada pelo tempo, e ficou lá aguardando pelo motorista, no meio da chuva e do nada. Essa espera, permeada pelas lembranças da conversa que havia tido com os amigos, durou mais de uma hora, até que, finalmente, ele viu surgir bem distante, os faróis de um carro que deslizava nas estradas enlameadas.
    Graças a Deus! Ele balbuciou e já foi tratando de ajeitar as malas nas mãos na expectativa de deixar o quanto antes aquele lugar.
    _ Por acaso o senhor é o doutor que está vindo da capital para tratar do Coronel? O motorista perguntou de dentro do carro e com o vidro do lado direito entreaberto.
    _ Sim, sou eu mesmo! Me chamo Augusto.
    _ Prazer, doutor! Sou seu motorista. Pode me chamar de Piu. Venha! Saia dessa chuva.
    Augusto realizou o embarque rapidamente e os dois tomaram o caminho de volta até Carmond, o vilarejo que tanto amedrontava seus amigos.
    _ Demoraremos muito para chegarmos?
    O homem sorriu meio desanimado.
    _ Um cadinho, doutor. Ainda mais com essas estradas ruins como estão. O senhor tem pressa?
    _ Não trata-se de pressa. Acho que é apenas curiosidade mesmo! Já passei o dia todo dentro de um trem, penso que mais algumas horinhas viajando não me farão mal.
    Piu sorriu novamente e ergueu as sobrancelhas indicando o banco traseiro.
    _ Tem uma garrafa e dois copos aí no banco de trás. Faço o favor de pegá-los e servir um chá pra gente, se não for incômodo, é claro.
    Augusto achou aquilo maravilhoso. Estava precisando mesmo tomar alguma coisa quente, depois do banho de chuva que tomara enquanto aguardava.
    _ Não é incômodo algum, ao contrário, será um prazer. O senhor parece ter lido meus pensamentos.
    _ Eu nunca saio sem a minha garrafa, principalmente em noites como esta. Um chazinho quente é sempre uma excelente companhia para quem vive tão solitário.
    Augusto encheu um dos copos e entregou para Piu que segurando-o com a mão esquerda, continuava a guiar o veículo com a direita.
    _ Posso lhe fazer uma pergunta, doutor?
    _ Depois desse chá você pode perguntar o que quiser.
    Sorriram os dois.
    _ Pois bem, o que levou o senhor a aceitar o convite para vir até o nosso vilarejo?
    Inevitavelmente Augusto lembrou-se dos amigos.
    _ Por que isso parece tão estranho? O que há de errado com o seu vilarejo, meu senhor?
    _ Carmond não é o melhor lugar do mundo para se estar, doutor. Tudo lá é muito difícil, desde o acesso, como o senhor mesmo está podendo constatar, até nas outras coisas mais simples.
    _ Por exemplo?
    _ Qualquer coisa que é normal em outro lugar, lá o senhor verá que se torna difícil.
    _ E porque isso acontece?
    _ Pelo visto o doutor não conhece nada mesmo do nosso vilarejo, né?
    Augusto balançou a cabeça negativamente e virou o último gole do chá.
    _ Não, meu senhor. Tudo que sei são as histórias, ou melhor, as lendas que as pessoas inventam e acabam chegando até a capital.
    Piu entregou o copo para ele e voltou a segurar o volante com as duas mãos. Nesse instante estavam passando sobre a velha ponte que já havia sido carregada duas vezes em enchentes que atingiram a região, e fora restaurada pelos próprios moradores.
    _ Boa parte dessas lendas são verdadeiras, meu jovem. As pessoas podem até aumentar, mas elas nunca inventam, já diz o ditado.
    _ O que há de errado em Carmond? O que acontece por lá?
    Piu reduziu a velocidade e olhou para o rapaz.
    _ Saberás logo logo, meu doutor. Afinal, o senhor foi contratado para cuidar do maior de todos os problemas desse vilarejo.
    Augusto percebeu que as últimas palavras foram pronunciadas com certo rancor e ao mesmo tempo tristeza, e isso deixou-o ainda mais curioso.
    _ Então está me dizendo que o problema todo, ou melhor, a maior parte dele provém do Coronel? Mas até onde sei esse homem está à beira da morte.
    _ Não acredito que ele vá morrer tão facilmente, seria sorte demais, e o povo de Carmond aprendeu desde cedo que a sorte parece não gostar muito daqui.
    E foi com a cabeça cheia de interrogações que Augusto seguiu o restante da viagem e nem se deu conta ao entrar no vilarejo que tudo estava escuro, a única luz acessa eram as dos faróis que cortavam a chuva e iluminava a rua diante deles.
  • Desabafos de uma Ana

    Tem um momento da vida que você tem que parar para refleti sobre tudo o que você fez,que quer fazer é que está fazendo. Esse momento tem que acontecer não apenas uma vez,mas várias. Até hoje tento realizar as coisas com racionalidade, mas será que é o suficiente? Mágoas do passado não são simplesmente apagadas de uma hora para outra,ou até mesmo perdoadas,ainda mais quando são pessoas que você menos quer se magoa. Pedir perdão de um dia para o outro não resolve nada, inventar mentiras também não, e aquele tempo todo que passou sem falar um palavra se quer comigo? E aqueles momentos que mais precisei ou mais felizes da minha vida que foi perdido por um mero orgulho? Hoje percebo que toda mágoa que quardava não valia a pena, não existe volta para o que não quer ser concertado,não existe perdão para quem não admite o erro,não existe aproximação para quem não tenta. E pensando nesse momento,todo o tempo perdido valeu a pena?Sim,porque pude percebe a cada segundo quem realmente quis estar comigo resolvia o problema na hora,não deixava o orgulho vencer e reconhecia que estava errado. E se era eu a errada,me mostrava isso,não apenas sumia. Então reveja o seu julgamento de quem está certo ou errado,pois se despender de mim,vai continuar sendo apenas mais uma pessoa que passou pela minha vida.
  • ESCURIDÃO

    Solidão é a palavra que define meu atual estado: Tristeza, mas não aquela de chorar, eu não choro, não choro mais, e isso foi algo que decidi e consegui cumprir, contudo as lágrimas serem ou não derramadas não me vem ao acaso, não sou de sair, prefiro passar o tempo no meu quarto, perdendo horas e horas na internet, sei muita coisa, porque leio muita coisa e desde sempre até onde me lembro, claro, acredito que coisas que não deveriam existir nesse mundo, existem: Dêmonios, fantasmas, lobisomens, bruxas, e mais tudo que pode ser imaginado.
    Sempre tive medo do escuro, digo, quando eu era criança, mais precisamente não medo do escuro, mas o que nele habitava, morria de medo de dormir sozinho, separado do conforto e proteção dos meus pais, mesmo estando no mesmo quarto o medo me vinha e eu mau dormia a noite, ficava de cobertor erguido à cima da cabeça, pois sabia eu que se olhasse para o escuro veria o que evitava toda noite ver.
    Palhaços gigantes com enormes bocas e dentes afiados para me devorar, esqueletos usando becas voando pelo teto em vassouras e rindo, umas das coisas que mais me pertubou foi a mulher, enquando estava deitado na minha cama ao lado da dos meus pais, juro por Deus e por tudo, eu vi a coberta se levantar, uma vermelha e comprida que adorava, e assim que foi esguida do meu corpo ignorando o fato de eu estar segurando-a uma mulher deitou ao meu lado na cama e nos tapou, sempre que contava essa história eu ficava serio, foi real eu sabia que tinha sido, mas o que mais me espantava era o fato de que minha irmã tinha morrido quando era um bebê, eu ainda não era vivo, caso estivesse viva hoje seria ela uma mulher já feita.
    Mais uma noite veio e eu ansiava pela aurora e o calor do dia, pois se tinha algo que eu sempre dizia era: O mau não age na luz, seja o que for que dominava a escuridão na luz eles não poderiam me fazer mau, ainda no escuro, vislumbrei um lobo, sim, um lobo enorme e com olhos cinzentos que brilhavam, gelei, só o coração batendo enquanto meus olhos acompanhavam os seus lentos movimentos, e o suor começa a aparecer pela minha testa, ele andou e parou perto da lateral da minha cama, olhou-me nos olhos, sorriu, e sumiu, como fumo, e eu continuava a olhar e olhar, sentia os ombros tensos e o pescoço rigido, odiava aquela situação e não via a hora de crescer, pois quando se cresce as fantasias morrem.
    Nessa época meus pais levantavam cedo para ir trabalhar, como eu dormia na maioria das vezes com eles, ficava na cama até de dia e depois ia para casa da minha prima enquanto eles não retornavam, estava de férias no cólegio, não lembro a série, o fundamental  foi o período mais odiado por mim, e isso faço questão de não recordar, dos imbecis dos colegas, a implicancia, e o fato de estar sempre sozinho seja nas aulas ou no intervalo. Como ia dizendo eu esperava o dia adentrar para ir à casa da prima, ainda de madrugada, estava escuro, senti algo cutucar minha coxa, eu medroso já cerrei com força os olhos, tinha essa mania, achava que faria o indesejado desaparecer, nunca deu certo, descobri o rosto um pouco para espiar e me deparei com uma coisa sem rosto e de pela azul escura em cima de mim, nao gritei, nunca gritei(quem iria ouvir) apenas cobri rapidamente o rosto enquanto sussurava por favor, por favor, não sei quanto tempo havia se passado, quando olhei novamente a coisa tinha sumido, reparei pelas gretas da telha e vi luz, nunca me senti tão aliviado.
    Com o passar do tempo que fui crescendo, mudei para o quarto que fora construido para ser meu, no começo não queria, por causa do escuro, nunca disse a ninguém que tinha medo do “escuro”, mas a palavra de meu pai era lei, e eu obedecia, noite após noite e depois de um longo tempo nunca mais vi as coisas na escuridão, eu deitava e ficava encarando o canto entre as paredes, procurando um lobo ou esqueleto, mas nunca mais os vi, pensar nisso me fez me sentir sozinho, e eu fiquei confuso, detestava aquelas coisas bizarras que vinham toda noite me atormentar, só agora percebi que tinha me apegado à elas, eram monstros, mas estavam comigo e só partiam quando a luz ordenava.
    O que tenho hoje são sonhos, loucos e divertidos, sonhos de todos os tipos, as vezes os odeio, porque acordo e percebo que não passou de um simples e bobo sonho, mas eu me sentia tão bem que aquilo era mais real do que a realidade, aproveito ao máximo, até os pesados, pois um dia esses sonhos iram acabar, irei dormir de noite e acorda na manhã e saberei nesse dia que mais um amigo se foi, eram três, os monstros se foram sem eu nem notar a sua ausencia, sonhos ainda tenho, só temo o dia em que acabar e o terceiro e eterno amigo, que me aompanha para tudo conter lugar e sei, esse eu sei que nunca vai me abondonar a menos que eu faça primeiro. A solidão, pois não importa a ocasião eu sempre estou triste.
  • FLORESTA NEGRA

    A chuva batia tão forte na janela do meu quarto que fiquei com medo que ela se quebrasse.  Os relâmpagos que cortavam o céu clareavam o quarto que estava dominado pela escuridão da madrugada. A floresta que rodeava a casa gemia com os ventos fortes da tempestade. Ouvi barulhos de passos se aproximando da porta do meu quarto. Ela se abriu e meu irmão mais velho Jacke acendeu uma lanterna.
    - Jacke? O que foi? – Perguntei me sentando na beirada da cama.
    - A tempestade cortou a energia. Provavelmente só irá voltar pela manhã. – Ele respondeu. – Não estou conseguindo dormir...
    - Quer conversar? – Perguntei. Eu sabia da situação que ele enfrentava.
    Ele deitou ao meu lado. Voltei a deitar também e ficamos nos entreolhando. Todas as camas da casa eram de casal, então havia espaço suficiente para umas três pessoas ali.
    - É irônico, não é? Nos mudamos para cá por que não estávamos acostumados com o frio da nossa antiga cidade. Dizem que aqui é um lugar quente, mas desde que chegamos só tem chovido. – Ele murmurou desdobrando uma parte da minha coberta e jogando sobre o seu corpo. – O que você acha que vai acontecer amanhã?
    - Eu não sei... Não consigo esperar muita coisa desse lugar. Com o número de habitantes que tem, o que poderíamos esperar?
    - Com certeza não teremos que nos preocupar com segredos. – Ele disse sorrindo. – E poderemos saber da vida de quem quisermos. De qualquer garota. Só precisamos perguntar para qualquer fofoqueiro
    Havíamos nos mudados para uma casa que ficava a menos de um quilômetro de uma pequena cidade do Canadá que não chegava a 3.000 habitantes. Uma cidade pacata onde todos provavelmente sabiam completamente da vida dos outros. Não tinha como haver segredos por ali.
    - Mas você não quer conhecer outra garota. – Afirmei. Era a verdade.
    - Não. – Ele demorou quase um minuto para continuar. – Deixar Anne foi a coisa mais difícil que tive que fazer. Quando eu disse a ela que precisava terminar por que iriamos embora... Aquele olhar me cortou o coração e não consigo parar de pensar nisso.
    - Eu diria que sinto muito, mas não entendo em que isso ajudaria. – Disse pegando em sua mão. Nem a escuridão pode esconder os seus olhos cheios de lágrimas. – Sabe que não deve culpar a mamãe por causa disso, não é?
    Eu havia notado desde que chegamos na casa nova que Jacke olhava nossa mãe como se ela fosse uma desconhecida qualquer.
    - Eu sei. É só uma fase difícil para mim. Para todos nós, mas vai passar. – Ele respondeu. – Sabia que não nos mudamos apenas por causa do mal tempo...  A mamãe estava com dificuldade para manter a casa desde que o papai morreu. Eu tentei arrumar um emprego para poder ajuda-la, mas ela não deixou. Acho que é por isso que estou tão magoado com ela. Se ela não tivesse recusado minha ajuda, eu ainda poderia ver a Anne.
    - Tayler... Jacke? Estão aí? – Ouvimos um resmungo curioso abrir a porta e entrar. Era a nossa irmã caçula de oito anos Sofie. Jacke lançou a luz da lanterna para iluminá-la. – Eu posso ficar com vocês também? A casa ainda me assusta e os trovões não me deixam dormir...
    - É claro. – Disse. – Está frio. Vem logo para cá.
    Ela se deitou entre nós dois. Às vezes eu achava que nossa família não era normal. Não éramos como os outros irmãos que víamos nos filmes. Éramos unidos, e tínhamos orgulho de ter o mesmo sangue. Ali comigo estava os melhores irmãos que alguém poderia ter... E os melhores amigos. Sofie fez com que cessássemos a conversa, mas ela logo adormeceu. Eu e Jacke também.
     
    ~~~ϿϾ~~~
     
    - Tayler! Acorda Tay! – Ouvi a voz animada do Jacke me chamar do sono profundo. Ele balançava meu braço enquanto eu ainda me despertava aos poucos. – Olhe lá fora! Está perfeito! Vai se arrumar, vamos sair em menos de uma hora!
    A luz invadia todo o quarto. As árvores estavam luminosas com o brilho do sol que batia nelas. O cheiro de terra molhada predominava no ar. Eu e Jacke apostamos corrida até o banheiro para quem iria tomar banho primeiro, mas como sempre ele venceu.
    - Bom dia querido, preparei uns bolinhos para vocês comerem antes de irem. – Disse minha mãe. – Primeiro dia de aula na cidade nova, como se sente? Ansioso?
    - Muito. – Disse sendo sarcástico. – Somos tecnicamente os intrusos no colégio mãe. Como acha que vai ser?
    - Ah querido deixa de neura! Vai ser legal! É uma vida nova, casa nova, cidade nova... No meu caso, emprego novo e vocês devem fazer amigos novos. – Ela continuou mantendo o sorriso. – É bom se acostumarem.
    Jacke saiu do banheiro enrolado no seu roupão. Ele passou por nós carrancudo. Minha mãe o encarou até que desaparecesse completamente pelo corredor.
    - Ah meu deus que horror. – Ela murmurou parecendo ofendida. – Não sei mais o que eu faço...
    - É temporário. Ele só está chateado... Vai passar. – Disse entrando no banheiro para tomar um demorado banho.
    Passei quase meia hora em frente ao espelho arrumando meu cabelo e mesmo assim estava me sentindo completamente ridículo. Antes de partir, comi alguns bolinhos da minha mãe enquanto ela se arrumava descentemente para nos levar para a escola.
    - Está bonito. – Disse Sofie á mim. – Aposto que está pensando em outra coisa além de apenas estudar...
    - Exatamente! Para quem não gosta muito de chamar atenção, você realmente está ótimo. – Disse Jacke rindo. – Mas você tem que ignorar as garotas que são populares... E as que te encararem.
    - E por que eu devo ignoraria as que me encararem? Isso não é algo bom? – Perguntei curioso.
    - Por que são apenas olhares de intenções. São essas que vão te decepcionar. Procure por aquela que não te olha quando estiver andado pelos corredores. A conquiste e ela te fará feliz. – Disse Jacke.
    - Isso não faz nenhum sentido. – Disse rindo. – Sério. É uma opinião sem completamente sem sentindo.
    - Ainda não entendo por que as outras garotas da minha antiga escola queriam crescer logo. – Disse Sofie devorando um bolinho. – Os adolescentes são complicados... E esquisitos.
    - Vamos crianças. – Disse minha mãe. – Já estamos atrasados.
    - Mãe?! Eu tenho quase 16 anos e o Jacke tem 17. A única criança aqui é a Sofie, sem ofensas maninha.
    Sofie revirou os olhos.
    - É só um modo carinhoso de dizer querido. – Ela protestou. – Não vou discutir isso. É desnecessário. Então, como não queremos nos atrasar mais, é melhor irmos crianças.
     
    ~~~ϿϾ~~~
     
    A cidade era completamente diferente de como havíamos pensado. As casas não eram velhas e assustadoras, os comércios não pareciam ser limitados e o colégio não era antigo e mal estruturado.
    - Que porra de escola é essa?!... – Murmurou Jacke impressionado ao ver o enorme edifício.
    O prédio tinha três andares, onde os dois de cima tinham as paredes da frente completamente feitas de vidro e aço. Um arco de metal enfeitado com um símbolo no centro cruzava o portão de entrada. Havia vários carros luxuosos no estacionamento onde os grupinhos de adolescentes maconheiros faziam a festa em volta deles. Minha mãe estacionou o carro próximo da entrada.
    - Agora preciso confirmar a matricula de vocês dois e depois correr para levar sua irmã no outro colégio. – Minha mãe disse enquanto saíamos do carro. Sofie reclamou por não poder estudar ali.
    O sino bateu enquanto estávamos na secretaria ouvindo burocracias e regras do coordenador. Minha atenção foi atraída por uma garota que estava na sala ao lado. As divisórias eram feitas de vidro, o que facilitava a identificação dela.
    - Estamos combinados senhor Tayler? – Perguntou o coordenador. Me assustei.
    - Que? Claro... Está tudo perfeito. – Resmunguei. Jacke pareceu querer debochar.
    - Certo, vou pedir para a secretária informá-los de suas salas de aula. Espero que gostem da cidade e da nossa escola. É sempre um prazer receber alunos novos de fora. – Ele disse pedindo para que sua secretária nos levasse para nossas salas. Depois se despediu da minha mãe com um aperto de mão gentil.
    Minha mãe entregou alguns trocados para mim e Jacke, caso precisássemos. Me despedi dela e acompanhei a mulher que levou primeiramente Jacke a sua sala. Depois seguimos para o andar de cima, onde me levou até a porta da minha sala. O professor me recebeu na porta. Achei que ele iria me pedir para ficar em frente a turma enquanto fazia um questionário sobre mim, mas tudo o que ele perguntou foi o meu nome.
    - Certo classe, esse é o Tayler. Ele irá nos acompanhar durante esse ano letivo. Espero que o tratem bem. – Ele disse.
    Eu não estava acostumado com tantos olhares... Eram tantos que apenas um aluno da classe não me encarava. Ele era o único que se sentava sozinho, e talvez por uma coincidência, o único lugar que ainda estava vago era ao seu lado.
    – Sente-se ali, com o nosso colega Luke.
    Ouvi risinhos e murmúrios se espalharem pela sala. Aquilo não importava, apenas me sentei ao lado dele, que continuou de cabeça baixa. O professor prosseguiu com a aula. Luke era branco, tinha a aparência de um garoto que gostava de rock pesado. Seu cabelo negro era arrepiado e uma parte dele caía ao lado direito do rosto. Ele usava um bracelete de couro e um anel escuro no dedo, ambos eram completamente descentes.
    - Oi. Então, parece que vamos estudar juntos até o fim do ano... – Tentei puxar assunto.
    - E isso é legal?  – Ele me interrompeu com uma pergunta.
    - Bem... Eu não sei. Se você deixar podemos ser... – Mas percebi que ele não estava afim de conversar então desisti. Parecia que meu primeiro dia de aula estava melhor do que havia imaginado.
    Fiquei o resto da aula em silêncio. De vez em quando escutava uma fofoca da dupla atrás de mim. Eles não falavam de mim, e sim do arrogante garoto ao meu lado. O professor se aproximou.
    - Taylor, como estamos na metade do bimestre e você perdeu trabalhos e atividades importantes, vou passar um único trabalho para que você possa recuperar a nota na minha disciplina. – Ele disse. – Vai ser um tema grande e complicado, mas talvez o Luke possa te ajudar, afinal ele tem nota mais do que suficiente comigo. Vou deixar que me entregue na próxima semana.
    - Obrigado senhor. – Agradeci pegando a folha com as instruções do trabalho da mão dele. O sino bateu logo em seguida. Embora as outras duplas não paravam de conversar entre si, eu e Luke permanecemos em silêncio pelos próximos dois tempos, até que chegou o momento do intervalo.
    Uma aluna da minha própria classe se ofereceu para me apresentar ao colégio. Depois que ela terminou, agradeci e peguei meu lanche na cantina. Procurei Jacke nas mesas do refeitório, mas ele estava rodeado pelos seus novos amigos, então não quis atrapalhar. Todas as mesas já estavam quase ocupadas, embora algumas ainda havia espaço, eu não queria me juntar a quem não conhecia. Olhei para a única mesa vazia no fundo do refeitório. Quase vazia. Luke era o único que estava nela. Acho que eu não teria escolha.
    - Posso me sentar? – Perguntei. Talvez fosse uma pergunta idiota por que nem resposta obtive. Me sentei mesmo assim.
    - Licença... – Disse uma voz feminina. Me virei para ela que me lançou um sorriso gentil.  – Me chamo Neyce. Como você é novo por aqui e provavelmente não conhece muita coisa, eu e os meus colegas gostaríamos que se sentasse conosco.
    Ela mostrou a mesa em que estavam. Um grupinho de adolescentes me encarava.
    - Eu acho que...
    - Por favor, podemos não ser os melhores da classe, mas nos importamos com os novatos... Não queremos eles indo para o mal caminho. – Ela disse de uma forma estranha, como se fosse para debochar de Luke. – Talvez possamos até lhe ajudar em algo que precisar.
    - Então Neyce, eu estou muito bem aqui. Talvez uma outra hora. – Disse. – Mas agradeço pelo convite.
    Ela se retirou desapontada. Luke sorriu.
    - O que? – Perguntei.
    - Recusar um convite para se juntar ao grupo de Neyce Witch... Vão pensar que você é louco. – Ele disse.
    - O que você vai pensar?
    - Que é um dos poucos alunos da escola que tem um pouco de inteligência na cabeça. – Ele respondeu. – Aquele grupo não passa de patricinhas e jogadores valentões.
    - Parece que você é meio rejeitado por aqui. Por que? – Perguntei curioso. Afinal ele não era tão estranho quanto parecia e era muito mais bonito e atraente do que eu e muitos garotos por ali.
    - Isso não importa.
    - Por que não gosta de conversar? – Insisti nas perguntas.
    - Por que não.
    - É satanista?
    - Isso é sério?! Claro que não!
    - Então por que é rejeitado e não gosta de conversar?
    - Por que não gosto de conversar e por que também não quero.
    - Por que não tem amigos?
    - Essa palavra não existe. – Ele respondeu. – É apenas uma ilusão que as pessoas criaram. O termo correto seria colegas.
    - Olá meninos. – Disse outra voz feminina se aproximando. A reconheci imediatamente. Era a garota que me chamou atenção quando estava na sala do coordenador. – Que bom que conheceu um amigo novo Luke, estava precisando. Talvez assim pare de ser tão rabugento.
    - Não somos amigos, nem colegas. E com certeza não quero falar com você hoje. – Ele disse. Não consegui saber ao certo se era uma brincadeira ou se era sério.
    - Arg!! Não tem jeito mesmo. Guri chato! – Ela se afastou zangada.
    - Você parece se dar muito bem com as garotas...
    - Foda-se as garotas, foda-se todo mundo.
    - Acho que estou condenado só por estar aqui falando contigo. – Disse reparando que os outros olhavam e fofocavam entre si.
    - Não pedi que se sentasse aqui. Você que se ofereceu. É só sair. – Ele respondeu sério.
    - Sabe de uma coisa, nem ligo se os outro estão falando mal. – Ignorei suas palavras. – Preciso da sua ajuda para fazer o trabalho do professor.
    - Sem chance.
    - O professor que sugeriu você. – Disse.
    - Sugerir não é uma ordem.
    - Então que tal você me ajudar por livre espontânea vontade?
    - Que tal você se afastar de mim enquanto ainda pode? Minha sugestão é muito melhor. – Ele disse.
    - Preciso de ajuda para fazer o trabalho, e o professor deixou claro que você é bom com essa matéria. – Insisti. – Que tal hoje as duas da tarde na minha casa? Minha mãe gosta de visitas e ela faz uns bolinhos muito bons.
    - Não gosto de bolinhos.
    O sino bateu e eu nem havia conseguido comer o meu lanche. Ele se levantou e me deixou sozinho para trás. Não consegui intender qual era o problema dele. Havia rabugice duplicada. Joguei meu lanche no lixo e fui ao banheiro o mais rápido que pude. Esbarrei com Jacke no caminho.
    - Irmão você é doido de ficar perto daquele garoto. – Ele disse rapidamente. – O pessoal fala que a família dele está envolvida em crimes terríveis.
    - Que crimes? – Perguntei curioso.
    - Não sei ao certo. Uns dizem uma coisa e outros dizem outras. Falaram que o pai dele estuprou uma criança de dez anos e a mãe já foi suspeita em um assassinato.
    - Isso é apenas o que dizem Jacke. As pessoas não sabem o que falam. – Disse. – Você que deve tomar cuidado com quem vai começar a andar. Não quero que te convençam a usar maconha e...
    - Sabe que eu não faria isso. – Ele protestou.
    - Você pode não querer fazer, mas podem te convencer ou te forçar.
    - Relaxa Tay, não vamos falar disso novamente. Agora preciso ir. – Ele disse se afastando. – Nos vemos na saída, me espere no portão.
     
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    Os dias estavam se passando rapidamente. Comecei a conhecer melhor os alunos da minha sala e estava me dando bem com todos. Conversar com Luke estava ficando mais fácil, pois a cada dia ele se abria aos poucos, respondia algumas das minhas perguntas sem protestar. Mas as fofocas não paravam. Todos me alertavam do quão doido eu estava sendo por ficar perto dele, e sinceramente não conseguia compreender. Inventaram tantas histórias sobre a família dele que eu não sabia qual poderia ser verdadeira, então decidi ignorar tudo o que falavam e o convenci a ir à minha casa para finalizar o trabalho que eu deveria entregar no dia seguinte.
    - Qual é a dele? – Luke perguntou ao perceber que Jacke passava em frente a porta do meu quarto a cada dez minutos.
    - Não é nada. Ignore. – Eu disse fechando a porta do quarto.
    Era incrível como ele dominava tão bem a matéria e também como ele conseguia explicar cada detalhe como se tivesse vivenciado. Concluímos o trabalho antes do esperado e depois de um lanche da tarde que eu mesmo preparei, saímos caminhando por dentro da floresta que se estendia no fundo do quintal da minha casa. Era de fácil acesso, pois não havia matagal, apenas a grama curta e as gigantes árvores, onde a maioria eram pinheiros.
    - Por que todos falam coisas absurdas sobre você? – Perguntei.
    - Talvez elas não tenham algo melhor para fazer.
    - Qual das histórias é verdadeira? – Arrisquei em perguntar.
    - Acredita em alguma delas?
    - Não sei se deveria.
    Houve um momento de silêncio no ar.
    - Por que insiste em conversar comigo? – Ele perguntou. Não havia um tom grosso em sua voz, como era de costume.
    - Eu sento ao seu lado em todas as aulas, não tenho escolha, então achei melhor tentar ser seu amigo do que ter que fingir em todas as aulas que não te conheço. – Respondi. – Mas tentar ser seu amigo é mais difícil do que pensei. Não sei por que você dificulta tanto.
    - Achei que você iria dar ouvidos ao que dizem sobre mim e iria se tornar igual a todos os outros que debocham e falam pelas minhas costas. – Ele disse. – Mas eu estava enganado... Quando estou perto de você eu começo a sentir algo que faz tempo que não sinto.
    - Como assim? – Perguntei estranhando.
    Ele demorou um pouco para responder. Talvez estivesse em dúvida se realmente falava ou não.
    - Estou gostando de você.
    Parei de caminhar e o encarei. Não consegui segurar e comecei a rir, mas parei ao perceber que ele não estava rindo também.
    - Não pode estar falando sério... – Eu disse ainda tentando acreditar que ele havia dito aquilo.
    - Sim, estou falando sério! Eu gosto de você. – Ele insistiu.
    - Luke, você não pode estar gostando de mim...
    - Eu sei o que sinto. Sei que estou gostando de você...
    - Para! Não sabe o que está dizendo! – Exclamei.
    - Não diga isso...
    - Mas você nem me conhece! – Exclamei. – E eu nem te conheço! Tudo o que sei de você é o que dizem!
    - Esse é o problema! Nem eu me conheço! Eu não faço a menor ideia de quem eu sou! – Ele disse. Havia magoa em sua voz. – As pessoas falam tantas coisas ruins de mim que estou começando a acreditar nelas!
    - Eu sinto muito Luke, mas estou tentando ser seu amigo, apenas isso... – O alertei. – Não sou contra esse tipo de sentimento...
    Ele se aproximou devagar. Tentei me afastar, mas ele foi mais rápido e me beijou. Meu corpo ficou paralisado e completamente arrepiado. Eu não podia acreditar que ele estava fazendo aquilo. O empurrei com força para trás e ele se chocou com o tronco de uma das árvores.
    - Você é louco! Não acredito que teve coragem de fazer isso!
    - Tay...
    - Sai! – Exclamei.
    - Por favor não...
    - Saí daqui! – Dessa vez gritei.
    Ele não hesitou. Virou as costas e voltou rapidamente pelo mesmo caminho que viemos. Me sentei apoiando minhas costas em um tronco de árvore próximo. Eu havia sido dominado pela sensação horrível de ter cometido algo proibido, embora tivesse sido a força, eu me sentia um ser humano desagradável... Mas eu tinha que admitir que nunca havia ganhado um beijo tão bom como aquele. Talvez eu devesse ter nojo de mim mesmo por admitir aquilo. Passei quase uma hora perdido em pensamentos perturbadores e depois voltei para a casa.
    - O que foi querido? – Perguntou minha mãe enquanto estávamos jantando ao redor da mesa de vidro. – Parece preocupado. É algum problema no colégio?
    - Não. Eu estou bem. Está tudo bem... – Respondi evitando encará-la pois minha mãe era muito boa em descobrir mentiras. Mas percebi que Jacke já havia descoberto.
    Após o jantar, ajudei minha mãe com a louça e depois subi para o meu quarto. Jacke me seguiu e fechou a porta logo depois de entrar.
    - Fala! – Ele disse.
    - Falar o que? – Perguntei.
    - Sou seu irmão! Conheço você mais do que a mamãe! Sei quando está acontecendo algo, está na sua cara! Você sempre foi péssimo para esconder as coisas. – Ele disse. – Desembucha e fala logo o que aconteceu!
    - Não aconteceu nada! – Disse.
    - O que ele fez?
    - Qualé Jacke. Você tem que parar com esse seu lado de se importar de mais com as coisas...
    - Eu sou o seu irmão! – Ele exclamou. – Sei o que dizem sobre aquele garoto! Além do mais o vi saindo da floresta e indo embora, enquanto você só voltou de lá uma hora depois! Ele te ameaçou?
    - Ele não fez isso!
    - Sabe que não vou desistir até você dizer a verdade né?
    Infelizmente eu sabia bem como era a insistência irritante do Jacke. Não havia muitas alternativas. Ou eu dizia a verdade ou inventava uma.
    - Ele disse que gosta de mim...
    - O que! Ele é gay? E disse que gostava de você?
    - E me beijou.
    - Não pode estar falando sério! Você deixou ele te beijar? Tayler você ficou maluco? Por que você não socou a cara dele? Não posso acreditar nisso! – Jacke parecia mais incomodado do que eu deveria estar.
    - Não deixei ele me beijar... pelo menos não muito. O empurrei... Foi muito rápido...
    - Eu vou arrebentar a cara dele!
    - Jacke você não vai fazer isso!
    - Está defendendo ele?! É isso o que estou ouvindo Tayler?! – Havia raiva em sua voz. – Você tem ideia do que ele fez?! Tem ideia do que vão falar se isso espalhar?!
    - Só não quero que complique mais a situação... Nem que arrume confusão.
    Ele me lançou um olhar esquisito. Jacke era um garoto bom, gentil e alegre, mas sabia ser violento. Ele disse boa noite e se retirou do quarto batendo a porta. Me joguei na cama com medo do que poderia acontecer no dia seguinte. Como eu olharia para Luke durante o resto do ano agora? Devia me sentir envergonhado? Furioso? Talvez eu devesse pedir para mudar de sala. Não! Acho que eu não estava sendo sincero comigo mesmo, pois eu havia realmente gostado. Era algo diferente, que eu nunca havia experimentado, e que era simplesmente bom. Por que eu me sentia tão ruim em relação a algo que havia sido bom? Apenas por que as pessoas diziam que era proibido e nojento? Desde quando as pessoas eram perfeitas para sair julgando as outras por elas fazerem algo que a sociedade abominava? Talvez eu não devesse ignorar ou se zangar com Luke, mas sim pedir desculpas a ele por eu ter sido tão rude na floresta.
     
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    Não sei dizer se foi um alivio quando entrei na sala de aula e o seu lugar estava vazio. O professor disse alguma lição de moral por eu ter chegado atrasado, mas nem dei atenção. Luke não havia ido em nenhum tempo de aula aquele dia. Eu queria falar com ele, queria satisfações... Queria ter certeza de algo.
    No intervalo, encontrei a única garota que ainda falava com o Luke.
    - Por que você quer saber onde ele mora? – Ela perguntou.
    - Preciso falar com ele urgente. Ele não veio hoje. – Disse.
    - Tudo bem, mas não diga que foi eu que te passei. – Ela disse escrevendo o endereço em um pequeno pedaço de papel e me entregando logo em seguida.
    Na hora da saída, pedi que Jacke fosse embora, pois não iria com ele. Menti sobre o que eu iria fazer. Ele me encarou desconfiado, mas não disse nada, apenas foi embora. Através das informações que a garota havia colocado no papel e da ajuda do GPS do meu celular, logo consegui encontrar o local indicado. Não era uma casa comum, era uma pequena mansão luxuosa. Me aproximei da porta com receio e toquei a campainha. Não demorou muito e a porta se abriu.
    - Boa tarde querido, em que posso ajudá-lo? – Disse uma mulher que devia ter idade suficiente para ser a mãe dele. Ela estava bem vestida e parecia ser uma pessoa gentil.
    - Desculpe incomodar, mas é que eu precisava falar com o Luke...
    - Luke? – Ela perguntou surpresa. – Você é amigo dele?
    - Bem... O Luke não gosta muito de ter amigos, mas eu tento.
    Ela sorriu.
    - Por favor entre, talvez esteja com fome ou queira tomar algo. – Ela disse fazendo um gesto para que eu entrasse.
    - Não quero incomodar senhora.
    - Oh querido, não está incomodando. Não recebemos muitas visitas... Principalmente o Luke. Entre por favor. – Ela insistiu gentilmente. Aceitei o convite e entrei, afinal, ela parecia muito feliz com a minha presença. – Se quiser pode esperar aqui na sala de estar, eu vou chamá-lo. Ele deve estar no quarto.
    Ela desapareceu pelo corredor da casa enquanto eu olhava alguns quadros e umas fotos de parede do passado da família. Parecia uma família feliz.
    - Eu acho que ele deve ter saído... – Ela disse voltando. – Agorinha ele estava aqui, mas acho que saiu.
    - Sabe onde ele poderia ter ido?
    - Luke não saí muito de casa, mas as poucas vezes que saí, ele geralmente vai em um riacho não muito longe daqui. Fica a um quilômetro fora dos limites da cidade, através da rodovia 26. – Ela disse.
    - Qual o nome da senhora?
    - Pode me chamar de senhora Heston. – Ela respondeu sorridente. – Mas também pode me chamar como você preferir, eu não me importo muito como me chamam.
    - Senhora Heston, posso fazer uma pergunta? Talvez uma pergunta estupida...
    - Claro querido. Se eu puder responder, assim farei.
    - A cidade inteira espalha histórias horríveis sobre a sua família. Não consigo entender o motivo... Afinal, nenhuma delas parece ser verdadeira. – Disse. Eu via o obvio ali. Aquela era uma família tão feliz quanto qualquer outra, e a senhora Heston não parecia uma assassina nem uma maconheira. – Por que inventaram tantas histórias?
    Ela pareceu triste com a pergunta, mas pediu que eu me sentasse em uma das poltronas luxuosas e confortáveis da sala de estar. Ela se sentou em outra que ficava ao lado.
    - Já faz quatro anos que meu marido matou o nosso vizinho Phil. O vizinho era uma pessoa que fazia de tudo para arranjar confusões com as outras pessoas, principalmente com o meu marido. Um dia Phil bebeu demais e tentou brigar com meu esposo que por si acabou revidando. Phil estava armado e tentou atirar nele, mas ele foi mais rápido e conseguiu tirar a arma da mão do Phil... Meu marido atirou logo em seguida. – Ela disse. – Por mais que meu esposo estivesse zangado naquele momento, não cabia a ele tira a vida do Phil, mas assim ele fez. Meu marido foi condenado a prisão, e a família de Phil espalhou todas as histórias que você provavelmente deve ter ouvido.
    - Eu sinto muito senhora Heston. Sei que seu marido é um homem bom e não quis tirar uma vida de propósito. – Disse. – Mas pelo menos agora sei a verdade. Saiba que desde o começo, não acreditei em nenhuma dessas histórias.
    - Obrigado querido. Meu marido era um homem bom sim. – Agora percebi que ela estava aflita. – Ele teve uma parada cardíaca o ano passado... Não conseguiu resistir...
    Fiquei sem palavras. Aquele clima foi quebrado quando Luke entrou na sala de estar pela porta da frente. Ele se assustou ao me ver.
    - Ai está o meu lindo. – Disse a senhora Heston. – Querido, seu amigo quer falar com você.
    - Não somos amigos. – Disse Luke mudando sua expressão. Percebi que ele estava zangado. – Mas talvez ele queira conhecer o meu quarto.
    A senhora Heston se retirou sorridente. Segui Luke até o seu quarto. O ambiente era aconchegante, e extremamente... Limpo. As paredes eram tão brancas quanto as nuvens e o chão era revestido por cerâmicas brancas e pretas, criando um enorme tabuleiro de xadrez. Havia um cheiro de perfume masculino no ar. A cama estava arrumada de um modo tão perfeito que me recusei a encostar um dedo no lençol. Havia algumas prateleiras de mogno branco embutido em uma das paredes, e nela estava organizado alguns livros da literatura americana.
    - Pode começar explicando o que está fazendo na minha casa. – Ele disse se sentando na beirada da cama e tirando o tênis.
    - Eu... Eu meio que quero falar com você...
    - Quer falar comigo?! Mas você foi bem claro ontem. – Ele disse zangado.
    - Preciso pedir desculpas por ter sido um idiota ontem... Acho que fiquei muito nervoso diante da situação...
    - Essas palavras não significam nada para mim. – Ele disse tirando a camiseta e colocando uma outra. – Eu não quero ver ninguém hoje, então se puder ir embora...
    - Me beija! – Disse antes que ele pudesse terminar de falar.
    Ele me lançou um olhar surpreso. Percebi que ele mexeu os lábios em uma forma de deboche. Me aproximei mais.
    - Vai. Eu quero que faça mais uma vez...
    - Não! Você quase me bateu ontem e então vem até a minha casa como se nada tivesse acontecido e me pede para beijar você novamente? Isso é ridículo! – Ele disse. – Por favor vá embora. Você não devia estar aqui.
    O encarei por alguns segundos. Eu não sabia ao certo se me sentia decepcionado ou magoado. A culpa era completamente dele por eu estar ali, daquele beijo proibido, mas que havia sido diferente e bom. Não me despedi, apenas virei as costas e me dirigi para fora da casa.
     
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    No dia seguinte, fingi que não o vi ao entrar na sala de aula. Sentei ao seu lado como se ele não estivesse ali. Percebi que ele me olhou de lado várias vezes durante a aula, mas fingi que estava prestando atenção na explicação da professora de Biologia. Na hora do intervalo, me sentei na mesa da Neyce e dos seus colegas apenas para provocá-lo. Assim que terminei meu lanche, me dirigi ao banheiro para fazer as coisas básicas como arrumar o penteado. Gelei quando o vi entrar atrás de mim logo em seguida.
    - Virou um dos brinquedos da Neyce agora? – Ele perguntou se aproximando.
    - Eu acho que não é da sua conta.
    - Se quer me aborrecer vai ter que ser melhor do que isso.
    Ele começou a tocar levemente minha cintura e depois senti o calor do seu corpo ao encostar no meu. Me arrepiei com o ar ofegante da sua respiração batendo no meu pescoço.
    - Para! – Me afastei sendo grosso. – Não posso... Aqui não. Na verdade, acho melhor não fazermos isso nunca mais. É o certo.
    - Mas você queria que...
    - Isso foi ontem! E você disse não!
    - Foi você que Zombou quando eu disse que gostava de você! Foi você que me empurrou quando te beijei! Naquele momento eu me senti o pior ser humano, me senti um nada...
    - Queria que eu agisse como?! Você chega em mim de uma hora para a outra e diz que gosta de mim e depois me beija sem a devida permissão... Como acha que eu fiquei naquele momento? Era algo novo, algo que eu nunca havia experimentado... – Disse aumentando o tom da minha voz.
    - Então por que não me deixa te tocar agora? Afinal você queria isso ontem...
    - E você disse não! Estou confuso! Eu não faço a menor ideia do que está acontecendo comigo! Uma hora eu me arrependo de não ter deixado você me beijar e então eu quero experimentar novamente, mas em outros momentos paro para pensar no quanto isso é errado e que se eu fizer isso vou decepcionar toda a minha família...
    - Não vai decepcionar... É a sua família! Eles te amam e devem te apoiar em suas escolhas, devem ficar ao seu lado.
    Alguns garotos entraram no banheiro fazendo barulho e brincadeiras um com o outro. Luke me lançou um último olhar e depois se retirou. Terminei de arrumar meu penteado e me retirei logo em seguida. Depois de uns dez minutos, o sino bateu e voltei imediatamente para a sala, mas Luke não estava mais lá. Seus pertences haviam desaparecido misteriosamente. Meu celular vibrou no bolso.
    “Ei. Estou indo embora. Não me espere na saída”. – Li a mensagem do Jacke.
    Passei as próximas três aulas seguintes sozinho, sem saber ao certo o que havia acontecido com Luke. Talvez tivesse passado mal ou pediu para ir embora mais cedo. Talvez ele estivesse tentando se afastar por que sabia que aquilo estava sendo difícil para mim. Mas eu não estava me conformando com pensamentos. Resolvi passar na casa dele para saber se estava tudo bem.
    Me assustei quando a porta da sua casa se abriu. Fiquei mudo, paralisado... Seu olho esquerdo estava completamente roxo e havia várias manchas avermelhadas espalhadas pelo seu rosto. Ele me encarou com receio.
    - O que aconteceu?! – Perguntei assustado.
    - Nada.
    - Fala! – Exclamei. Eu sabia realmente quem havia feito aquilo, mas queria que não fosse verdade. – Foi o meu irmão?! Foi o Jacke que fez isso?!
    - Olha eu estou bem...
    - Luke!
    Ele respirou fundo antes de começar a falar.
    - Depois que saí do banheiro, seu irmão me seguiu e dois colegas dele me seguraram enquanto ele encheu de socos. Ele foi bem especifico do porquê estava fazendo aquilo comigo... Você contou a ele sobre nós.
    Virei as costas para ele e fui indo embora. Eu estava com muita raiva, com muito ódio. Jacke não tinha o direito de fazer aquilo.
    - Tayler! – Luke me chamou enquanto me seguia. – Deixa isso quieto! Ele levou suspensão e eu estou bem. Afinal a culpa é minha mesmo...
    - Foi eu que contei ao Jacke sobre o beijo. A culpa é toda minha por ele ter batido em você. Eu juro que ele vai pagar por isso!
    Luke não me impediu, afinal devia ter ficado com medo do modo furioso que eu me encontrava. A caminhada foi longa até a minha casa e assim que cheguei, entrei e fui direto encontrar Jacke. O achei na cozinha preparando um sanduiche.
    - Tay... – Mas eu acertei a cara dele com um soco antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa. Ele cambaleou para trás. – Mas o que! Por que fez isso?!
    - Isso foi por ter batido no Luke. – Eu disse me aproximando e dando outro soco. – E isso foi pela sua covardia!
    Ele me empurrou forte, o que apenas me deixou mais nervoso. Corri e joguei meu corpo sobre o dele e caímos sobre a mesa de vidro da cozinha. A mesa se quebrou completamente e eu caí deitado sobre o seu corpo. Jacke me empurrou para o lado para se livrar do peso do meu corpo de cima dele. Continuamos deitado no chão.
    - Droga. – Resmunguei. – Você está bem?
    - Acho que essa foi a primeira vez que brigamos de verdade. – Ele disse rindo.
    - A mamãe vai virar uma fera. Ela adorava essa mesa.
    - Acho que cortei minhas costas. – Ele reclamou. De fato percebi que ele tinha vários cortes pelo corpo e um pedaço enorme de vidro encravado no braço direito.
    O ajudei a se levantar. Ele colocou seu braço por trás do meu pescoço e o ajudei a chegar até o sofá da sala de estar. Peguei uma toalha limpa e uma garrafa de álcool que nunca havia sido aberta.
    - Eu vou tirar isso do seu braço. – Disse. – Fique quieto. Se ficar se mexendo vou acabar machucando mais.
    - Tira logo! Está doendo!
    Fui puxando devagar enquanto Jacke gemia de dor. Assim que consegui remover o vidro, joguei o álcool sobre o ferimento e limpei com a toalha. Até que ele conseguiu suportar a dor sem gritar muito.
    - Por que me bateu por eu ter defendido você? – Ele perguntou. – O garoto merecia, afinal o que ele fez foi algo muito sério... Não sei por que está zangado comigo.
    - Por que eu gosto dele... – Disse.
    - Não pode estar falando sério...
    - Eu estou muito confuso ainda com isso, mas eu sei que gosto dele, sei que gosto de ficar perto dele... E eu preciso muito de você agora... Preciso muito que seja meu irmão e me apoie...
    Ele ficou mudo, como se não soubesse o que dizer, mas então quebrou o silêncio.
    - Eu nunca deixei de te apoiar um único dia... Nem você. Você sempre me apoiou e esteve comigo. Somos irmãos... Devemos ficar juntos, aconteça o que acontecer... Até mesmo na surra que vamos levar quando a mamãe chegar em casa.
    Eu ri e o abracei... Aliás Tentei, afinal ele estava todo machucado.
    - Vai tomar um banho. Eu vou dar um jeito de limpar a cozinha. – Disse indo procurar qualquer coisa que me desse segurança ao catar os cacos de vidro.
     
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    Eu levei duas broncas. Uma por ser o responsável por quebrar a mesa e a outra por deixar Jacke completamente ferido. Ele estava bem, mais ainda reclamava de dor. Desisti do jantar, pois queria evitar o olhar “maligno” da minha mãe.
    “Como você está?”. – Enviei uma mensagem para o Luke através do WhatsApp.
    “Meu olho ainda está roxo, mas já está melhor”. – Ele respondeu. Aquela era a primeira vez que conversávamos virtualmente.
    “Sinto muito por isso. Não vai acontecer novamente L”.
    “O que você fez?”.
    “Consegui quebrar a mesa da cozinha usando o Jacke *-*”.
    “○.o  Acho que sei o que me aguarda seu eu te irritar alguma vez... ♥☺”.
    “Nada vê. Não faria nada contigo.  ☻♥♥”.
    “Te amo S2”. – Ele mandou. Dessa vez demorei alguns segundos para saber o que mandaria de volta.
    “Eu também...”.
    Não obtive mais mensagens. Coloquei o celular ao meu lado e abracei o travesseiro, como se fosse o Luke. Eu costumava abraçar o travesseiro quando eu estava gostando de uma pessoa e ela não estava presente.
     
    A floresta estava sombria. O sol havia se escondido no céu nublado. Começou a chover e a trovejar. Luke segurava minha mão enquanto corríamos pela trilha tentando achar qualquer abrigo que nos impedisse de tomar um banho, mas foi em vão. Ele me puxou e nos jogou no chão lamacento.
    - Nãoo! Por que fez isso. Olha como estou! – Exclamei.
    - Está lindo. – Ele disse sorrindo e me dando um selinho rápido. Logo em seguida, o empurrei de leve e joguei uma bola de lama nele.
    Senti o chão a minha volta tremer e a rachar. Em menos de alguns segundos, fui sugado para uma imensidão escura, como se estivesse caindo em um poço sem fim.
     
    Acordei num pulo. Eu nem lembrava de como havia adormecido na noite anterior. Era sexta-feira, o dia da semana que todos odiavam, pois havia aulas chatas e sono acumulado. Jacke estava suspenso, então aquele dia era perfeito para matar aula com o Luke, ele só não sabia disso ainda. Minha mãe levaria eu e Sofie para o colégio e depois iria trabalhar. Me arrumei e tomei um café leve antes de partir.
    No colégio, encontrei Luke sentado em um dos bancos do pátio. Me aproximei devagar. Ele sorriu ao me ver.
    - Quer fazer uma coisa doida hoje? – Perguntei.
    - Que tipo de coisa doida?
    - Matar aula. Só nós dois... – Disse.
    - Isso parece errado. – Ele disse sorrindo. – E é legal fazer coisas erradas de vez em quando. E também por que se for com você, eu topo qualquer coisa.
    Sorri. Saímos rapidamente para fora do colégio. Tentamos não chamar muita atenção, mas as pessoas são curiosas... Elas têm olhos de águia, principalmente linguarudos e fofoqueiros.
    - Sabe que vão falar neh? – Ele me alertou.
    - Eu não me importo com o que as pessoas falam. Nunca me importei.
    Peguei em sua mão e o arrastei para uma padaria próxima, famosa por seus bolinhos recheados com nutella. Conversamos e rimos muito enquanto lanchávamos. Depois ele me mostrou um pouco da cidade, os lugares em que as pessoas mais gostavam de ir, as praças e os monumentos. Paramos em um monumento especifico.
    - Você namoraria comigo? – Ele perguntou.
    Demorei para arranjar coragem e dizer uma resposta sincera.
    - Estou aprendendo aos poucos a gostar de você... É esquisito as vezes, mas eu sinto algo. Pra ser sincero, acho que você me deixa mais confortável.
    - Confortável?
    - Eu gosto da sua companhia, gosto de estar perto de você. Acho que é o termo correto a se dizer. – Disse. – Alguma coisa mudou em mim, algo que surgiu logo após aquele beijo. Não paro de pensar no modo como aconteceu, a sensação... na forma em que eu queria que se repetisse...
    - Quer que eu te beije agora? – Ele perguntou de um modo tão fofo que eu não conseguiria recusar. Mas ele deu uma sugestão melhor. – Bem, se quiser podemos ir para a minha casa. Minha mãe não está lá.
    - Eu adoraria.
    Senti um certo desconforto quando ele me levou para o seu quarto. Talvez não fosse desconforto, mas vergonha. Ele segurou minha cintura carinhosamente e me puxou de encontro com seu corpo que estava quente. Senti ele acariciar minhas costas lentamente.
    - Não precisa ficar nervoso... Se quiser que eu pare...
    Mas o empurrei e o prensei contra a parede.
    - Me beija! – Pedi.
    Ele me beijou intensamente enquanto acariciava meu peito e minha barriga. Comecei a dar vários selinhos em seu pescoço de uma forma carinhosa. Tiramos a camisa um do outro e ficamos no carinho e no beijo por um bom tempo. Depois fomos para a cama decentemente. Deitei sobre o seu peito e ele começou a me fazer carinho e cafuné. Cafuné sempre havia sido o meu ponto fraco. Me deixava mole e com sono.
    - Eu amo você Tayler...
    - Sabe aquela pergunta? A resposta é sim. Eu ficaria feliz se pudesse namorar você. – Disse.
    Ele sorriu. Ficamos horas deitado e conversando. De vez em quando ele me beijava rapidinho e dizia coisas fofas. Pensei que iria cochilar em cima do peito dele, mas me lembrei que precisava voltar para casa.
    - Eu preciso ir vida. – Me levantei e coloquei minha camiseta novamente.
    - Mas eu queria tanto que ficasse mais... – Ele disse fazendo biquinho.
    Eu ri.
    - Mas eu quero, queria ficar o dia todo aqui, mas realmente preciso ir. Ninguém em casa pode suspeitar que eu matei aula. Se minha mãe souber ela vai jogar um monte de sermão em cima de mim. Espero que entenda... Mas a amanhã a gente se vê, ou podemos sair hoje à tarde.
    - Tudo bem meu amor. – Ele disse colocando sua camisa e me levando até a porta.
    Antes que eu pudesse sair, ele me deu um beijo de despedida.
    - Eu te amo.
    - Eu também.
    Enquanto voltava, eu pensava em tudo o que tinha acontecido, o quanto havia sido bom aqueles poucos momentos com ele. Mas meus pensamentos felizes cessaram quando entrei em casa. Muitas das nossas coisas haviam sido encaixotadas novamente. Jacke me encarou animado.
    - O que está acontecendo? – Perguntei estranhado a situação.
    - Querido? – Disse minha mãe surpresa ao me encontrar na sala. – Que bom que veio mais sedo, assim pode nos ajudar.
    - Ajudar? O que está acontecendo? – Perguntei.
    - Vamos voltar para nossa casa novamente. – Disse Jacke contente.
    - Espera! Por que? Não! Não podemos voltar! – Eu estava apavorado por saber sobre aquilo.
    - Querido, hoje recebi uma ligação do meu ex-chefe e ele me ofereceu outra proposta de emprego muito melhor do que eu tinha. – Explicou minha mãe. - É irrecusável. O salário que ele está disposto a me pagar vai nos ajudar a ter uma vida muito melhor.
    - Não podemos ir! – Exclamei. Jacke me olhou como se soubesse o que eu estava sentindo. Meu coração estava apertado... Eu tinha que tentar impedir aquela mudança.
    - Tayler! Não vou recusar a proposta... – Disse minha mãe com um tom arrogante em sua voz. – Precisamos melhorar a nossa vida...
    - Mas foi você que disse que isso era uma nova vida e...
    - Uma nova vida que ninguém queria! – Ela exclamou tão alto que me assustei. – Vocês mal olharam na minha cara quando estávamos nos mudando para cá e agora não querem voltar?
    Fiquei em silêncio. Meus olhos estavam cheios de lagrimas e meu coração estava destruído.
    - Arrume suas coisas... – Disse minha mãe. Ela parecia chateada por me ver daquele jeito. Mas nada a faria mudar de ideia. – Não temos tempo a perder. Vou buscar Sofie no colégio e depois volto para ajudar.
    Assim que minha mãe saiu, encarei o Jacke que parecia preocupado comigo.
    - Eu sinto muito...
    - Não! – Exclamei zangado. – Eu sei que é tudo o que você quer!
    - Tay...
    - Eu preciso fazer uma última coisa... Pode arrumar minhas coisas?! – Pedi.
    - Tudo bem. – Ele concordou com a cabeça.
    Saí e comecei a correr o mais rápido que pude em direção a cidade.
    Dizem que o bom dura muito pouco... Devia ser uma frase verdadeira. É em nossos momentos felizes que a vida dá uma rasteira e nos joga de cara na lama. A vida é assim, repleta de altos e baixos.
    Luke sorriu ao abrir a porta, mas escondeu o sorriso quando percebeu que eu estava quase chorando. Me aproximei rapidamente dele e o abracei. Um abraço forte e quente, como se fosse o último que eu daria em toda a minha vida.
    - O que foi amor? – Ele perguntou enquanto me levava para dentro da sua casa. – Por favor me fale o que está acontecendo...
    - Essa é a última vez que vamos nos ver... – Disse limpando as lágrimas. – Eu só queria passar mais alguns minutos com você...
    - Espera?! Por que?!
    - Vamos voltar para a nossa casa anterior. – Respondi. – Minha mãe recebeu uma proposta de emprego melhor e ela não quis recusar.
    Ele ficou em silêncio. Percebi o quanto aquilo o havia magoado. O abracei novamente e não o larguei.
    - Você não pode me deixar sozinho aqui nesse fim de mundo onde todos me odeiam... – Ele resmungou. – Não posso perder a única pessoa por quem me apaixonei...
    - Eu não tenho escolha...
    - Fica aqui comigo... Você pode ficar aqui em casa... Minha mãe não vai se incomodar... Ela...
    - Luke, você não faz ideia do quanto eu queria poder ficar. Queria que as coisas fossem simples... Mas tenho uma família que eu a amo tanto quanto gosto de você. – Disse. Ainda estávamos abraçados.
    Ele permaneceu em silêncio por quase um minuto.
    - Quero que deixe o endereço da sua outra casa. – Ele pediu. – Quero te mandar presentes...
    Assenti positivamente com a cabeça. Encarei seus lábios, mas a iniciativa de beijar foi completamente dele. Um beijo lento e delicado que me permitiu sentir o ar quente da sua respiração. Aquele foi o último beijo, um último abraço e uma despedida completamente dolorosa.
     
    ~~~ϿϾ~~~
     
     As árvores passavam rapidamente diante dos meus olhos enquanto minha mãe dirigia para fora dos limites da cidade através da rodovia 26. Vi rapidamente ficar para trás, o riacho em que Luke costumava ir. Eu sentiria muita falta daquele lugar. Jacke segurou a minha mão. Ele estava preocupado comigo, como sempre...
    A nossa vida voltou como era antes, Jacke estava feliz, minha mãe estava feliz, Sofie estava feliz... Mas ali não era mais o meu lar. Eu estava me afastando dos meus antigos amigos e das garotas que gostavam de mim. Comecei a passar mais tempo sozinho em meu quarto, perdido em pensamentos e evitando ao máximo mandar uma única mensagem para Luke. Conversas virtualmente apenas machucaria ambos. Eu precisava esquecê-lo... Mesmo que isso fosse completamente difícil.
    ~~~Ͽ 1 Mês Depois Ͼ~~~
    ~~~Ͽ 14 de Novembro, Sábado Ͼ~~~
    08:13h
     
    Aquele era um dos dias raros em que os moradores acordavam e o sol dominava a cidade. Não consegui dormir até mais tarde. A cama não estava agradável. Eu me virava de um lado para o outro e mesmo assim parecia que estava deitado sobre uma rocha. Então levantei e me arrumei para ir à conveniência mais próxima. As ruas estavam praticamente desertas, o que me preocupava, pois os moradores reclamavam de um suposto assaltante que rondava aquela área. Continuei mesmo assim. Só faltava uma quadra.
    - Tayler?! – Ouvi uma voz conhecida me chamar. Era um tom alegre, um timbre maravilhoso.
    Me arrepiei ao se virar. O sorriso que ele lançou ao me ver era o mesmo de alguém que tivesse acabado de encontrar um baú de diamantes, ou um punhado de ouro. Corri desesperadamente até ele e me joguei em seus braços com sorrisos de alegria.
    - Ah meu deus! Eu nem acredito que está aqui. – Disse alisando seu rosto enquanto ele gargalhava de felicidade. Aquelas era uma das poucas vezes que pude vê-lo sorrir de verdade. – Como você está?
    - Estou maravilhosamente feliz por estar aqui. Eu ia tocar a campainha da sua casa mas então vi você saindo...
    - Por que está aqui Luke...? – Perguntei estranhando. Era uma pergunta estupida da minha parte, mas eu via em seu rosto que ele não estava ali apenas de passagem ou apenas para me ver.
    - Ué eu quis vir... Queria te ver e... Eu pensei que iria gostar... Você me deu o seu endereço e eu não tinha nada a perder... – Ele parecia incomodado com a minha pergunta, pois gaguejava em algumas palavras.
    - Acredite, eu amei te ver. Não sabe o quanto estou feliz...
    Mas então ele entendeu a minha expressão no rosto e começou a explicar a situação.
    - Minha mãe faleceu semana passada... Não foi uma morte dolorosa. Foi silenciosa. Aconteceu enquanto ela dormia...
    Fiquei paralisado com aquela notícia.
    - Eu sinto muito... – senti um aperto no peito, não apenas pela sua perda, mas sim por que ele estava sozinho.
    - Não sinta. Ela está em um lugar melhor. Longe de tudo que a machucava... E está com meu pai. – Ele disse. – Depois disso, eu parei para pensar e cheguei a uma conclusão de que não havia mais nada para mim naquela cidade. Um lugar repleto de lembranças tristes e de pessoas que me viam como um monstro. Então vendi a casa e comprei um apartamento aqui perto. Cheguei com a mudança ontem. Eu queria ter vindo atrás de você antes, mas já estava tarde e eu estava cansado...
    - Então, como é que vai ser as coisas agora? – Perguntei.
    - Eu não faço a menor ideia... Vou estudar e arrumar um emprego... E se você quiser, podemos ir ao cinema todos os fins de semana. – Ele sugeriu sorrindo.
    - Só se eu ganhar um beijo depois de cada filme...
    - Bem, quanto á isso, vou adiantar. – Ele disse passando o dedo levemente nos meus lábios.
    E então me beijou.
    -------(FIM)--------
  • I miss you

    Ontem novamente senti sua falta, senti vontade de te abraçar de estar em seus braços, de sentir seu cheiro. Senti falta de estar com Você, como se não te visse a dias quando na verdade não havia passado nem um minuto.
    Você se foi. 
    Para seu ponto de ônibus (claro!)
    E eu fiquei ali com saudade, com vontade de estar com Você e torcendo para que no dia seguinte eu tivesse a coragem de Estar com Você, de estar ali pra ir e te abraçar, para dizer que sim, eu quero que você more comigo ou que quero que Você pelo menos me visite sempre, com nossos amigos pra gente se divertir, ou que venha só Você e que a gente assista Netflix juntos, abraçados, assista os filmes que eu nunca ouvi falar, mas que eu sei q por algum motivo estranho Você ama. E mesmo tendo a certeza de que enquanto Você vai estar super animado vendo o filme eu provavelmente vou dormir, vou querer assistir mesmo assim pois sei que vou acordar com um beijo seu, dizendo que o filme está em uma parte parada e que esse seria um bom momento pra “aproveitar o filme”, iríamos nos beijar, “brincar” e rir muito, em alguns momentos apenas olhar um para o outro, e continuar assim até o fim do filme.
    Nas noites mais tranquilas, depois do filme Você calmamente ira embora com aquele eterno sorriso de quem vai destruir minha vida, e eu te daria um tchau com som de “vai”, Mas com vontade de “fica” e finalmente não estaria mais ligando pro medo de Você me machucar.
    Pq mesmo que tenha, eu não vou pensar nessa possibilidade. Você vai me tranquilizar com esse mesmo sorriso. Ou com seu rostinho de surpreso de quando eu for grossa de propósito com Você. Ou com esse seu jeito foda-Se que de alguma forma me faz ficar bem, pois sei que Você não vai perceber as merdas que faço e falo a cada segundo. E que independente de qualquer coisa, vou continuar a ter a ansiedade de te ver na próxima visita, à sensação de te ver após dias, e me surpreender com seu rosto que a cada dia eu acho mais lindo, com seus olhos que me encantam, com sua altura que eu nunca vou saber lidar, que meus pés em “ponta” sempre vão reclamar, mas que eu não vou ligar pra nenhuma dor Pq sei q se estou assim é Pq estou com Você. E estar com Você é melhor do que qualquer momento “seguro”. Estar com Você é um risco, mas como um risco pode me deixar tão segura?
  • O aniversário de Pedro: Quarto e último Capítulo

    - César, não me envolva em seus rolos...
    - Aline, tenta entender, se você não fizer este favor pra mim, eu vou MORRER!!! Você quer carregar essa culpa?
    - Larga de ser dramático!!!
    - Eu não estou sendo dramático Aline, eu estou sendo realista! Tô no meio de uma festa de aniversário, cercado de parentes da Lene por toda a volta...
    - Quer saber? Bem feito! Quem manda querer ter duas namoradas! Você tem mais é que se ferrar mesmo!!! 
    - Mas Aline...
    - E já te disse, meu computador está quebrado e eu não estou nem um pouco disposta a me deslocar até a faculdade só pra resolver seu rolinho. Eu tenho mais o que fazer César... Se vira! Beijo, fui!
    E assim minha querida irmã desliga o telefone em minha cara!!! "Tô fudido". Não pensem mal dela por isso. Na época ela estava passando por um momento de grande estresse com os experimentos relacionados ao seu Doutorado. Sim, tenho muito orgulho em dizer que minha irmã é Doutora em Neurociências pela Escola Paulista de Medicina. E lamento muito informar que SIM, um doutorado bem feito pode acabar com a humanidade de uma pessoa!
    - Eu não acredito que você desligou o telefone em minha cara?!
    Pois é, eu liguei novamente... Era insistir ou morrer...
    - César, para de me encher o saco, eu tenho mais o que fazer.
    - O Felipe está ai, chama o Felipe!
    Felipe era um amigo que dividia apartamento com minha irmã, que também fazia doutorado com ela. "O Felipe vai se solidarizar com meu problema!"
    - Pará César, você mal conhece o Felipe!
    - CHAMA O FELIPE PORRA!
    E lá vai mais uma vez o telefone em minha cara...
    "Puta que o pariu!!! Vô liga outra vez!!!"
    - Oi amor, já falou com sua mãe?
    Perguntou Lene, entrando em seu quarto sem bater e me interrompendo!
    - Ééé... Falei, mas agora estou tentando falar com a Aline...
    - Sua irmã de São Paulo?
    - Sim sim, ééé... que eu tô com um pressentimento estranho, com a impressão de que ela não está muito bem!
    A Lene era uma pessoa sensível a crenças, mitos e prenúncios! Acreditava, por exemplo, que uma coruja cantando no muro de casa era prenuncio de morte na família! Ok... eu sei, apelei!
    - Nossa amor, então liga logo pra ela... Depois me conta!
    Ela fecha a porta e eu volto a me focar em meu problema! "0151134789788"
    - Aline, me ouve mulher... Eu não tô brincando, eu vou morrer!!!
    - Fala César, é o Felipe que está falando...
    - PORRA FELIPE, VOCÊ CAIU DO CÉU CARA!
    Senti que escorreu até uma lágrima de meus olhos!
    - Me salva Felipe... Eu vou te dar o Login e senha de meu Orkut, você acessa e apaga todas os "scraps"... Principalmente os da "Karla Lopes".
    - Beleza cara, passa ai que já faço isso agora mesmo!!!
    - Cara, anota ai: Login: César Lenzi; Senha: #######. Velho, tu tá salvando minha vida...
    - Nem esquenta cara... Vou subir no Lab agora e já faço isso!!! Abraço...
    - Abraço...
    "Como nós homens nos compreendemos nestes momentos!"
    E assim desligo o telefone. "Tenho que ganhar tempo". Enrolei mais uns minutos no quarto, até que ouço:
    - Lene, pede pro seu namorado liberar o telefone né? Ele está pensando...
    - Desculpe dona Maria, assim que chegar a conta de telefone, por favor descrimine minhas ligações.
    Interrompi com um sorriso.
    - Posso voltar pro computador então?
    Perguntou a Josi.
    - Vai lá filha, só não esquece que já já vamos cantar Parabéns pro seu primo tá?
    E lá vai a Josi terminar sua inscrição no Orkut. Sinto uma primeira gota de suor escorrendo de minha testa. 
    - Vou te ajudar com a inscrição Josi.
    E lá fui acompanhar a inscrição de Josi para o meu funeral. Meu sentimento era de que a cada passo concluído, um de meus órgãos era perfurado. 
     - Pronto!!! Acabei... Só falta colocar uma foto! 
    Pensa em uma menina feliz. 
    - Mas antes vou te procurar... Me ajuda aqui! Como eu te acho no Orkut? 
    - Vai aqui em procura e escreve César.
    - Só César.
    - Acho que sim!
    Respondi com a animação de um moribundo.
    - Ebaaaaah...Te achei... Que legaaallll
    "What? Eu sou o primeiro na procura pelo nome César! PRIMEIRO!" De fato, meu perfil era o primeiro na lista de procura pelo meu nome! A essa altura meu cabelo já estava todo úmido de tanto suor!
    - Me ensina aqui... O que são estes "Scraps"?
    - Nada de importante, umas mensagens que a gente pode trocar com outras pessoas... Legal mesmo são os depoimentos aqui em baixo!
    - Mensagens? Eu quero ver as mensagens que você vem recebendo amor. Entra lá Josi.
    Minha tensão era tamanha que eu nem havia me atentado que a Lene estava no quarto sentada em meu colo.
    E a Josi clicou nos "Scraps"!!! A velocidade da internet discada fez aquele momento parecer uma eternidade. Cada parte da página carregando aos poucos....
    .
    .
    .
    Até que se completa!
    "Vazio, nada... Nem uma mensagem... SANTO FELIPE... Devo a vida pra esse filho da puta!"
    O alívio que eu senti foi tamanho que eu não consigo expressar em palavras. Talvez algo similar àquele momento em que a pessoa está com uma vontade imensa de cagar e senta na privada!
    - Nossa, que fome da peste!!! Vamos comer alguma coisa amor?
    Naquele momento eu voltei a sentir o ar entrando em meus pulmões. Vocês não tem ideia do tamanho do alívio!
    E assim, voltei a curtir a festa: Bolo, refrigerante, salgados, doces... Brinquei um monte com o Pedro... Tudo voltou a ser divertido e gostoso! Passado algumas horas:
    - Amor, tenho que ir embora... Cuidar da minha veinha...
    - Que pena amor... Você não me disse nada, tua mãe conseguiu comprar o remédio?
    - Ah sim... Comprou sim!
    - E tua irmã, tudo bem com ela?
    - Está tudo bem sim... Mas de fato ela machucou o pé... Eeee, você sabe, eu tenho uma ligação muito próxima com ela!
    "Nossa! Eu só me enrolo!!!" E assim se constrói um relacionamento cheio de mentirinhas pra sustentar! :)
    E lá vou eu de volta pra casa. Depois de 40 minutos de viagem, entro no apartamento de minha mãe e, como sempre, sou calorosamente recebido.
    - Oi filho, como foi a festinha?
    - Mãe, tenho algo grave pra te falar.
    - O que foi filho?
    - Você tem cirrose!
    FIM.
  • PARA CASA

    Estava zonzo devido ao golpe que recebi na cabeça, me sentia fraco, perdi muito sangue, estudei o terreno em busca da minha espada mas não achei. Vi sua sombra se afastando de mim e se aproximando dela, o monstro era enorme, com uma pelagem escura, garras e dentes afiados, com olhos de ouro derretido, parecia que nada via, mas via, via e sentia, pois assim que me pus de pé com muito esforço ele logo ficou alerta, senti minha cabeça latejar, tenho que fazer alguma coisa, pensei, a criatura se aproximava cada vez mais dela, eu jurei protege-la e ela estava a um passo de ser morta, comecei a correr e lancei uma pedra que peguei no chão em sua direção, a pedra o acertou no dorso, saltei para esmurra-lo, mas ele viu, já estava alerta, me segurou no alto e me arremessou contra o chão com tanta força que senti o ar abandonar meus pulmões, tateei o chão em busca de apoio e por sorte o que achei foi minha espada, estava suja demais para poder ver minha expressão nela, tinha certeza que não estava assustado, não poderia estar a vida dela dependia disso, e mais uma vez me forcei a levantar, a fera já a erguia com as mãos, avancei mais uma vez sobre ele, dessa vez gritando para não tremer, isso só serviu para alerta-lo e lançou ela em cima de mim, assim que abracei o chão vi ele vindo com tudo rolei ela para o lado e ergui a espada a tempo de atravessar seu corpo, era quente e vermelho, um vermelho vivo e cruel jorrou em cima de mim, fitei seus olhos em busca de dor, mas eles não vacilaram, parecia até estar rindo, só então percebi que sua mandíbula tinha se fechado em volta do meu ombro, ignorei a dor e torci com força a espada, ele liberou meu ombro e morreu.
    Estava a caminho de casa, muito ferido e com dor, mas ainda assim feliz, com ela nos braços indo para casa, estava muito cansado e queria deitar e dormir para sempre, mas não podia, tinha que tira-la daqui. Enquanto ia caminhando vi a paisagem ganhar cor e a aurora romper o silencio iluminando o caminho para casa, para nossa casa.
  • Quando Perceber

    Na verdade não importa
    Nada importa
    Nada satisfaz
    Nada está bom
    Nada é bom o suficiente
    O jardim do vizinho tem mais flores e a grama é mais verde
    Talvez o pouco que tem hoje
    Amanhã não terá
    E quando perceber que não terá
    Que não faz mais parte de você
    Você vai querer de volta
    Você vai sentir falta
    Você vai perceber que o que achava que era nada, na verdade sempre foi tudo
    Sempre foi o melhor que poderiam dar à você
    E infelizmente só perceberá isso
    Quando sua falta não importar mais...
    Pense bem, o tempo não volta, pessoas que te amam de verdade lutarão até o último segundo para te fazer bem, mas também saberão lutar até o último segundo para te esquecer.
  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • Vários Leões Por Dia

    Hoje acordei com um pensamento, que na verdade, anda me cercando a um tempo, "Como lidar com gente, é difícil", nossa quase que um inferno diário. Mas como Deus é bom também acordei com outros pensamentos mais positivos que esse primeiro. 
    Nada, absolutamente nada é para sempre, se Deus não fez nem a nossa vida infinita, por que faria nossa dor, nossa angustia, nossos medos, nossas raivas, nossos desesperos?! A não claro para os que passam a vida causando tudo isso pra os demais, ai talvez sim mereçam tal castigo. Mas para as pessoas de bem acredito na paz, no paraíso de felicidade e bondade que Deus prepara para cada um. E acho que foi por acreditar nisso que nunca desabei de vez.
    Faz algum tempo que a depressão, o panico, e tudo de ruim vem tentando me abraçar com todas as forças, faz tempo que vejo as forças negativas da vida pairarem sobre mim, sugando minha fé, minhas energias, minha força de vontade, minha alegria, minha paciência, tudo, tirando tudo de mim. Acho interessante que nessa luta diária tenho algumas pessoas junto a mim que muito fazem pensar ainda mais.
    Algumas pessoas vejo que estão ali por estar, não cheiram nem fedem, só estão ali. Não ajudam, mais também não atrapalham, não falam, mais também não se calam. Pessoas que até gosto, não tenho nada contra, mas as vezes caem no conceito, por as vezes parecerem gostar muito de reclamar e nada fazer para algo mudar, pessoas acomodadas talvez, de corpo, pois a linguá nunca de cansa.
    Outras vejo a presença delas em minha vida como se fossem de minha família, cuidam, mimam, se preocupam. Pessoas que julgo serem amigos de verdade, companheiros para qualquer momento, qualquer situação. Pessoas nas quais posso contar sempre, mesmo que seja só para falar besteiras. Me ouvem, me aconselham, brincam comigo, tudo que acho essencial em um relacionamento.
    Mas dai vem os dementadores, monstros que se disfarçam de pessoas para apontar o dedo em seu rosto, para lhe caluniar, lhe prejudicar. Ficam de olho em cada passo seu para que possa perceber qualquer vacilo, para então golpear. Monstros que não tem vergonha na cara, que na frente de alguns, são pessoas maravilhosas, doadoras de palavras bonitas, e de boas atitudes, compreensivas e chegam a ser até carinhosas. Mas longe desses alguns, são bueiros podres e fedorentos, cheios de merda e insetos asquerosos, distribuindo mentiras, e histórias mal contadas, como diz uma amiga "Dissimulando" e "Manipulando" as presas por onde passa.
    A gente se depara com tanta coisa na vida, que as vezes é difícil acreditar que vamos ter força para vencer tudo. Mas não é só de força que vive o homem, precisamos de fé, precisamos de sabedoria, de amor, de paciência. Paciência não para esperar pela justiça do homem, essa é falha e as vezes nem existe. Mas esperar pela justiça de Deus, pois ele sim vê, o que cada ser aqui faz, e quem pratica o mal contra seu irmão, esse sofrerá as consequências e pagará pelos seus atos.
    Não é fácil acordar pela manhã com um sentimento que só te faz querer continuar na cama, pra mim sempre fui de pensar que quem tem que estar na cama é doente, então porque estou ali naquela situação?! Sem vontades, sem folego, sem forças. Talvez esteja doente, mas não uma doença no corpo, que pode ser detectada em uma consulta de emergência. Mas uma doença na alma, nos sentimentos. Eu não entendia, por muito tempo não entendi, o porque do desanimo, da falta de paciência, o porque de ter emagrecido quase 4 kilos.
    Mas depois, com o tempo fui começando a enxergar o que estava acontecendo comigo, estava doente, sim eu estava, pois pessoas saldáveis não choram noites inteiras, não pensam em suicídio, não pensam em sumir, não pensam em só ficar deitadas esperando tudo passar. Pessoas saldáveis se arriscam, enfrentam os problemas, lutam contra o desanimo, e querem viver, querem estar.
    Me toquei que só estava existindo, não era feliz, não fazia meu marido feliz. O sorriso no rosto era um disfarce para evitar perguntas, o coração quase saindo pela boca, na eminencia de um infarto, para alguém que já sofre de ansiedade e tem picos de batimentos, eu saberia bem como é, não seria a primeira vez que iria parar no hospital por problemas cardiorrespiratórios. Me recordo a ultima vez, o que o médico disse: "Você é muito nova para tanto stress, se acalme ou poderá ter uma parada!".
    Depois disso passei tanto tempo me controlando para não surtar, mas de uns tempos pra cá, algo vem me atormentando tanto, é um pouco aqui, outro pouco ali, no fim um bola de neve e construída e você descobre que simplesmente está cansada. Cansada de pessoas reclamando em seu ouvido e não agindo, cansada de gente passando dos limites e te desencorajando a fazer algo, cansada de ser parada na porta das oportunidades, cansada de várias pequenas situações, que no final podem até algumas delas fazer parte da vida, mas não deveriam ser tão persistentes na vida da gente.
    Mas fui tomando decisões e me afastando das preocupações que não eram minhas, de coisas e pessoas que diziam estar comigo mas não estavam. Me afastei das fofocas, das piadinhas, das chatices. Me apeguei em quem eu vi estava realmente ao meu lado. Em quem quando notou que eu precisava me estendeu a mão, quando outros nem se quer notaram.
    Como a vida é uma professora maravilhosa, hoje ando bem mais observadora, ando um pouco mais pisando em ovos. Um amiga diz que não devo endurecer, e acho que não vou, mas a vida já me ensinou muito, endurecer não vou, mas hoje sei que estou numa selva, e a noite gatos dormem nas arvores para não ser atados por outros bichos e esse vacilo eu não farei mais.
    Acho que é quase impossível não misturar vida pessoal com a profissional, pelo simples fato de ser um ser humano, é impossível você se sentir bem, confortável, ao lado de quem já tentou te prejudicar, ou alguém que já lhe deu as costas. Mas a linha do respeito pode permanecer, afinal como diria meu pai e minha mãe, um bom dia, boa tarde e boa noite não mata ninguém, e eu ainda completo que com um sorriso na boca, você ainda deixa o inimigo deprimido. Aquele velho tapa na cara da sociedade.
    Hoje eu decidi sorrir mais, viver minha vida e deixar essa gente pra lá, tentar viver um pouco a parte apesar de estarem bem ali, fazer meu melhor, e viver minha vida. Me incomoda? sim, muito! mas sabe eu sei o que Deus tem pra mim, eu sei que pra ele ter me colocado aqui é porque ele sabia que eu daria conta, e não vou desaponta-lo de forma alguma.
    Não vou ficar mas me expondo sozinha, quando não sou somente eu que penso assim, as pessoas tem medo, tem vergonha, e nada acontece, nada muda, e não posso ir para uma guerra sozinha, então é melhor orar, porque nessa guerra eu sei que não ficarei só. Sei que Deus vai dar sabedoria, discernimento, paciência para cada dia. Sim não pedirei nada mais além disso, pois é somente disso que precisamos. Precisamos saber lidar com as dificuldades, ter discernimento das bombas que nos jogam pois algumas podem nos destruir mas outras podem nos favorecer, paciência para pensar antes de agir, de falar e de julgar. 
    Se a justiça do homem acontecer fico grata e aliviada, porém espero a de Deus pois sei que somente essa vai doer no coração dos dementadores. 

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