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  • Apenas Um Garoto

    Em 1994, numa cidade do interior de São Paulo, nasceu um pequeno garoto. Coitado… Desde pequeno já vivia à sombra do tormento que seria sua vida. Logo ao ganhar parte nesse mundo já virara um problema. Seus pais, jovens, 19 anos, o tiveram contra sua vontade, deixaram suas vidas e sonhos de lado por causa dele. O tempo passou, e assim como o tempo, a inocência do garoto foi embora. Com apenas 5 anos ele já sabia que não merecia viver. Já escutava ocasionalmente seus pais brigando e reclamando dele, chamando-o de problema, dizendo que deveria ter sido abortado, mas o garoto nunca abriu a boca pra falar sobre o que escutara em casa. O tempo continuou passando, ele agora tinha 11 anos, e continuava pensando que não merecia viver. Esse garoto, mesmo com todo esse sofrimento, sempre foi muito bom em disfarçar. Ninguém imaginava o que se passava na cabeça dessa criança. Medos, desilusões, depressão, tristeza, amargura. Tudo isso era dele, e apenas dele, pois nem amigos o mesmo tinha capacidade de ter. Um dia ele conheceu um outro garoto, aparentemente feliz. Ele tentou evitar esse garoto, mas não conseguiu, e de alguma forma ganhou seu primeiro amigo nesse momento. O tempo, maldito tempo, continuou passando e apenas estragando o protagonista dessa história. Esse amigo que ele conheceu, seu único amigo, faleceu aos 17 anos. Durante 6 anos esse garoto sentia que merecia viver, sentia que tinha alguém que se importava, mas esse alguém foi removido brutalmente de sua vida. Desse dia em diante o garoto concluiu “Não tenho direito de viver. Não tenho o direito de ter um laço de amizade sequer.” e passou a evitar tudo e todos. Ele viveu sozinho por alguns anos, teve algumas novas amizades e namoro, mas todos, sem exceção, foram decepções. 2015 chegou. Faculdade, carro, dinheiro. A vida desse garoto começou a mudar. Ele novamente fez laços de amizades e está namorando há quatro meses. Esse garoto já está estragando seu namoro, já está se calejando para caso tudo venha a ocorrer de novo e ele seja jogado sozinho na vida, como merece ser jogado. Alguém, por favor, ajude esse garoto. Alguém, por favor, me ajude…
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Apesar de tudo, eu te amo

    Apesar de tudo que passamos, de todos os erros, eu ainda te amo.
    Você talvez não saiba disso, dos meus sentimentos, dos meus pensamentos e das minhas sensações. 
    Mesmo depois de tantas coisas, depois de te ver com um "relacionamento sério" com outra no facebook, de após o término eu está lá, ao seu lado, depois de te ver ficando com outra na minha frente, eu ainda estou aqui, por que eu te amo, e a única coisa que eu quero é te ver feliz, estar ao seu lado a todo momento, mesmo que você não me escolha pra ser sua namorada, eu vou estar aqui.
    Eu tento superar, juro que tento fazer esse sentimento sumir.
    Eu tento conhecer outras pessoas, eu tento sair e me relacionar com elas mas, no final, eu posso está com elas fisicamente, mas meus pensamentos sempre estarão em você. 
    Do que adianta eu tentar sair com outras pessoas que não são tão interessantes como você é para mim? e se no final eu sempre vou pensar "não é ele, não é a mesma sensação, não é o mesmo toque, não é o mesmo beijo, não é ele".
    Eu chego em casa devastada e sempre pensando em você, no teu beijo, pensando no que eu errei, no que eu podia ter feito para que o "nós" desse certo e se tornasse real, se eu deveria me entregar mais, demonstrar mais, te chamar pra sair mais vezes, conversar mais, te mandar algumas das minhas cantadas bobas que eu sei que você adora, ou dos meus memes e piadas sem graça.
    Eu só queria uma resposta pra minha incerteza, eu queria saber o que você sente, no que eu posso melhorar, no que eu errei.
    Talvez o erro não seja eu, mas eu não tenho certeza.
    Eu quero ficar aqui com você, te ajudar no que posso, tentar te segurar, fazer piadas só pra te ver sorrir.
    Eu só quero que você saiba que dentro de mim existe um sentimento vivo, eu vou está aqui mesmo depois de perceber que nós nunca vamos dá certo, mas no final eu sempre vou te amar.
    "Eu quero você sem garantia e com defeito pra nunca mais te devolver."
  • Aposentei o Galinha

      Existem dois tipos de homem, os que procuram mulheres e os que procuram a mãe de seus filhos.
    Aposentei o galinha que existia em mim conforme fui amadurecendo, ficando mais velho e mais exigente, não por beleza, mas sim por responsabilidade, segurança, interesses mútuos e a confiança que passavam pra mim.
    Uma mulher convicta, segura e que sabe o que quer, malandro, todo homem sabe que põe medo, porque essa aí não vai ser domada, vai te pôr nas rédeas. E esse é o maior medo do homem, andar na linha. Por isso muitos não assumem, preferem pegar várias, é muito, mas muito mais fácil ser O PEGADOR do que o cara que anda na linha.
    Sou loiro, olhos azuis e beijei muito na boca. Não era feio, tinha um bom papo, namorei por anos uma blogueira sem eu nem se quer ter fama. Após cair na vida de solteiro tive aquela fase de “tocar o terror”. Pegava geral, era o último a sair da balada e sempre acompanhado, foram dois anos a fio assim após ficar solteiro. TODO SÁBADO.
    No meu aniversário de 24 anos, estava dentro da balada, meus amigos todos na festa, afinal era meu aniversário e num SÁBADO, quem é solteiro me entende perfeitamente o que é fazer aniversário num sábado, é farra na certa. Era aproximadamente 3h da manhã e fui pra casa, sim, fui pra casa antes da balada fechar e sozinho. E o pior ou então o melhor conforme o ponto de vista, é que eu não estava triste. Parece que no meu aniversário me deram realmente mais um ano de vida, ou então um “cai na real”, sai da balada cedo, sem ter bebido e muito pensante. Mas feliz.
    Foi então que eu comecei a selecionar as pessoas que eu queria por perto, não queria mais meus amigos de balada que fiz em 2 anos, queria meus amigos de infância, ou então aqueles que conheci na trilha de moto, ou em algum curso que fizemos juntos, enfim, longe da noite. Virei seletivo, inclusive com mulheres. Já não “trovava” qualquer uma, já não saia com aquela que todo mundo pegou e eu não peguei por isso tinha que pegar (sim, é esse o pensamento do homem, pode ser sim que meu texto está sendo machista, mas estou expressando a minha opinião, sem me rotular). Comecei a ver outros valores nas mulheres além do tamanho da bunda e do peito. Comecei então a buscar a mãe pro meu filho, aquela que eu queria ao meu lado todas as noites.
    Estava a uns 6 meses sem sair pra noite, não falava com muita gente, não estava com paciência para aquela rotina do chaveco, convida para jantar, mulher se faz um pouco, combinamos o dia, jantamos, transamos, nunca mais nos vimos. E principalmente para a parte da mulher se faz e no fim saímos. Eu já não era mais popular na noite, eu não tinha mais uma rotina noturna e eu não pegava mais tantas mulheres, afinal, quem não é visto, não é lembrado.
    Certo dia estava dando uma volta com dois amigos meus de carro, um amigo conhecia a mais de 10, 12 anos, amigo de infância. O outro, que conhecia a menos tempo, mas que também considerava muito, conheci numa van indo para o jogo do Inter. Eu sentado no banco do carona e nisso para ao lado um Corolla branco, carro com película escura, mas dava pra ver que a motorista era muito linda. E não só no quesito beleza, dava pra ver que era uma moça mais séria, sábado a noite dando uma volta com as amigas, vidro fechado, não tava ali pra chamar atenção, apesar da beleza. Pedi para um dos dois se alguém a conhecia, em cidade pequena a probabilidade de alguém conhecer é muito grande. E um disse que sim e me passou o nome. Cheguei em casa e curti duas fotos dela no instagram, ela retribuiu, ficou por isso.
    Passaram-se cerca de dois meses, eu não a chamei, eu não corri atrás, e muito menos ela. Eu pelo fato de estar muito enjoado daquela coisa chamada paquera que descrevi a cima. Certo dia ela me manda um video no privado, curtindo um som e dando uma volta de carro, foi aí que eu pensei, quer saber, domingo há noite, nada pra fazer, tempo propício a chuva. Mandei algo do tipo “passa aí me buscar, vamos dar uma volta” no que eu mandei isso, na minha cabeça eu já tinha aceitado o não. E a resposta dela foi, “eu vou jantar com algumas amigas, pode ser mais tarde?” e nisso minha cabeça já pensou “nesse meio tempo da janta, ela vai mandar algo pra deixarmos pra outro dia, porque vai estar tarde”. Mas respondi só um “beleza, me avisa quando sair da janta”. Eram cerca de 23h de um domingo com previsão de temporal quando recebi a mensagem “Está acordado ainda? Posso te buscar pra darmos uma volta?”. Nesse exato momento meu cérebro entrou em colapso, eu achava inacreditável que ela não mudou de idéia, foi segura o tempo todo e foi até o fim quando quis alguma coisa. Mas se acha que isso ainda é pouco, entrei no carro e ela disse “E ai, vamos beber o que?” e quando cai na real dessa pergunta percebi que ela tava curtindo um rap.
    Foi aí que percebi que não queria mais uma mulher para uma noite, mas queria que essa mulher ficasse todas as noite, que seria a mãe do meu maior bem, dos meus filhos. Segura, objetiva, que iria me pôr na linha e seria um exemplo para as crianças.
    Por fim, a sociedade talvez diria que ela foi uma mulher fácil, oferecida e “puta”. Eu vi nela uma mulher segura, que almeja o que quer e corre sempre atrás dos seus objetivos. Eu vi nela exatamente aquilo que me faltava.
    “A essência da família se perde nos rótulos que usamos. Já o rótulo do amor gera a essência da família.” 2018, N.A.N
  • Aprendendo a viver novamente!

       Aprontei. Roubei. Furtei. Dei uma de esperto. Enganei àqueles que eram mais sagazes e inteligentes que eu. Perdi a confiança. Levei um pé na bunda, mas não perdi a vida. Preservaram-me. Não sei por que, mas estava vivo, vendo o sol raiar todos os dias, na Praça da Estação do Centro de Fortaleza, entre tantos iguais a mim.  Uma pena não ter sequer um centavo no bolso. Levaram-me tudo, enquanto descansava.  Fortaleza não é uma cidade acolhedora. Somos tratados como ratos e baratas. Nada diferente das outras metrópoles. Em São Paulo e Belo Horizonte era a mesma coisa.  As pessoas estão muito ocupadas com seus problemas para pensarem no outros. Eu compreendo. Também só penso em mim. Fui tão egoísta e ganancioso que acredito ser esse o motivo de me encontrar nesta situação. Assim permaneço, entre calçadas e prédios abandonados, vivendo à mercê da esmola, do furto, do tráfico e dos sopões caridosos.
       Contarei resumidamente minha história de quando cheguei à Fortaleza, a minha primeira noite. A calorosa recepção que tive.  Quando aqui cheguei, expulso de São Paulo pelos traficantes os quais traí, pensei em frequentar uma igreja evangélica com o fim de buscar apoio para minhas necessidades diárias. Estava disposto a trabalhar em troca de comida e abrigo. No aeroporto de Fortaleza, às 18h, os dois pistoleiros da organização pagaram um táxi e disseram ao motorista: "leve-o até à Praça da Estação do Centro da cidade, próximo ao antigo Shopping Acaiaca. Deixe-o lá e depois volte aqui. Temos outra corrida para você". Ao chegar ao referido local, senti-me desolado e perdido. Procurei um local para sentar e pensar no que fazer. Após trinta minutos, o taxista retornou, chamou-me para dentro de seu veículo, afirmando que os dois rapazes o pagaram para que ele me levasse a um local próximo dali, um sobrado abandonado onde eu poderia dormir, comer tranquilamente, e ficar na companhia de pessoas maravilhosas que me ajudariam a conhecer a cidade e arranjar um emprego. Quando desci do carro, o taxista me disse: "espera, tenho um material para entregá-lo. tratava-se de um Kit com algumas roupas, sabonete, creme e escova dental, toalhas, um colchão inflável, travesseiro, 500 gramas de Crack puro, isqueiros, dez carteiras de cigarros, dez maricas e dois mil reais em espécie. Antes de sair o motorista deixou um aviso: "os garotos me disseram para lhe avisar que nunca mais entre em São Paulo, nem sonhando. Recomece sua vida aqui". E deu partida. Nunca mais o vi.
       Avistei o abrigo. Era um prédio em plena decadência, ao lado de pequenos bares e cabarés , cercado de mendigos, moradores de rua, viciados e prostitutas. Entrei no sobrado e logo deparei com três rapazes limpando e raspando suas maricas na intenção de retirar a borra do crack que se impregna no material durante um longo período de uso. Saudei a todos com um boa noite e perguntei se poderia passar a noite com eles. Obtive como resposta que o local era de todos, não tinha dono, porém  cada um tinha que respeitar o espaço do outro. Portanto, poderia ficar com eles desde que não causasse problemas. Indicaram-me um quarto. Agradeci. Eles saíram e me deixaram à vontade. Preparei minha cama inflável, guardei meus objetos na mochila e me deitei. Estava exausto e logo peguei no sono. Acordei por volta das 9h. Olhei ao meu redor e não via minha mochila. Furtaram meus pertences! Caí no choro e em desespero. Procurei as igrejas, entretanto não me aceitaram, nem para lamber o chão ou limpar as privadas. E aqui estou: vítima de mim mesmo e dos outros. Que Deus me ilumine e proteja meus passos!
  • APROPRIAÇÃO CULTURAL E O MOVIMENTO NEGRO

    O que é apropriação cultural?
    Apropriação cultural é um fenômeno social identificado como a usurpação de elementos culturais de um grupo étnico-racial por parte de um grupo dominante.
    POLÊMICA:
    Há poucos anos atrás surgiu uma polêmica em torno de uma situação inusitada. Uma mulher branca que usava turbante foi interpelada por uma mulher negra que a disse que esta não poderia estar fazendo uso deste adereço por não negra. Para muitos o fato a mulher que usava o turbante não pertencer a raça identificada com a cultural da qual advém tal adereço faz com que essa não tenha o direito de usá-lo, para outros o simples fato desta não entender o significado intrínseco ao objeto lhe tira a legitimidade para isto e para tantos outros isso não passa de uma simples bobagem e um radicalismo dos militantes do movimento negro.
    MAS E BRANCOS PODEM USAR TURBANTE E DREADS?
    Bom, não é bem essa a questão...
    Vamos lá!
    Primeiramente não se deve analisar de um ponto de vista individual esse processo, tão pouco acreditar que este tipo de ação intempestiva é algo defendido indiscutivelmente pelo movimento negro.
    A apropriação cultural deve ser vista da ótica estrutural, pois é assim que ela atua. Quando dreadlocks são vistos de maneira pejorativa em negros e vistos de maneira positiva em brancos temos um exemplo de apropriação cultural, isso reflete individualmente, porém só pode ser identificado e combatido na ótica estrutural.
    Esse processo se torna ainda mais depreciativo quando usurpa elementos de uma cultura historicamente marginalizada, perseguida e silenciada como a cultura negra, que já sofre há muito tempo com esse tipo de fenômeno ao redor do mundo. É nítido o processo de apropriação do Rock, a tentativa de embranquecimento do movimento Hip-Hop e são inúmeros os casos de desfiles que usam elementos dos vestuários africanos usando apenas modelos caucasianos. Isso mostra uma estrutura de substituição da figura étnico-racial ligada a um elemento por uma figura de outra raça, que passa a usufruir das benesses, da beleza e dos lucros gerados por esses elementos.
    E QUAL A SOLUÇÃO?
    É notório que esse não é um problema simples, pelo contrário, é muito complexo, sendo ligado a uma estrutura racista e etnocentrista secular, que encontra grande sustentação no sistema capitalista. Mas é importante ressaltar o caráter estrutural desse fenômeno, para que possamos ampliar nossa visão e encontrar caminhos mais consoantes para enfrentar esse grande problema.
  • Aquela história pt.1

    “Eu lembro até hoje o dia em que te conheci, você era tudo aquilo que eu sempre disse que eu não queria na minha vida, era o oposto de tudo o que eu acreditava: era a felicidade, o amor, a alegria de viver, tinha um sorriso diferente, mas admito que era um lindo sorriso. Pois é, agora percebo que quando te vi, meus sentimentos já estavam confusos em  relação a você. Me lembro que você estava vestida com uma saia de tulê, como alguma menina de 6 anos que voltava do Ballet, usava uma blusinha curta com renda que definia perfeitamente sua cintura, nunca te perguntei o verdadeiro motivo de estar assim aquele horário, mas você usava um salto preto e me lembro que tinha cílios enormes.
    Você chorava quieta no seu canto e lia um livro, mas na mesma medida em que chorava você estava lá, rindo , sorrindo, sorrindo com todo o amor que você tinha no coração , sorrindo discretamente é claro. 
    Que eu me lembre, entrei no outback para comprar um café, precisava curar a ressaca da noite que havia passado. Era umas 4:00 da manhã e não tinha ninguém lá dentro, bom eu achava isso, até chegar perto do caixa e ver os sofás vermelhos que tinham por lá. 
    Quando olhei para eles, te vi.
    Nunca imaginei que daria nisso, te vi chorando, lendo, sorrindo, ouvindo música, NOSSA! Você era realmente confusa. Perguntei ao caixa se eles vendiam café, claro que ele riu de mim, então olhei novamente pra você e te vi com um copo de café. Perguntei a ele como você poderia estar tomando café se ali não vendia, então ele riu de mim novamente e me pediu para olhar de novo, foi aí que reparei em tudo que havia em você, o cabelo médio todo enrolado, a pele morena, o olho pequeno ( com marcas de choro recente) , as bochechas grandes e rosadas, a unha vermelha, a sua roupa de 6 anos quase elegante, mesmo sendo meio infantil, que eu achei estranhamente linda, e claro, reparei no seu livro e principalmente no seu copo de café. Era um MC café. E assim todas as dúvidas começaram: estávamos no meio da estrada, não tinha como ter um MC café por ali. Enfim, eu PRECISAVA de café àquelas horas, precisava me livrar daquela dor de cabeça, e havia somente aquele comércio perto da minha nova casa (Que tipo de pessoa resolve morar perto de uma estrada? pois é) , não tinha como eu voltar pro meu apê naquele estado e fui na sorte falar com você. Deixei o caixa falando sozinho, CARINHA CHATO, e fui até os sofás vermelhos. Cheguei bem perto, e quase sem coragem, tive um impulso e consegui ser educado, te pedi licença e me sentei. Você olhou pra mim de baixo pra cima, aqueles cílios fizeram um desenho no ar. Te vi assustada, mas logo relaxou, você disse que eu podia me sentar, abriu um sorriso despreocupado, me disse oi e perguntou se eu estava bem. Lembro-me que esqueci o que eu tava fazendo ali, só fiquei sem chão com tanta simpatia, me vi ali, esperando mais um sorriso, e tentando entender o que havia acontecido com ela, por que ela estava de salto àquelas horas no outback?Por que ela chorava? por que ela havia sorrido pra mim sem nunca ter me visto? Nesse dia eu me encantei pelo oposto de mim, pela pessoa mais feliz que já passará pela minha vida. Assim, com apenas um "Oi". 
    PS: Posso dizer que descobri muitas coisas no momento em que te vi pela primeira vez, apenas um pouquinho sobre você”{Camila Rodrigues, Autores.com.br}
  • As aventuras de Guto: O diário de Thiago

    Desde do começo da turma de Guto,existia um garoto não muito esperto,careca,com sua camisa listrada e calça xadrez,sim Thiago,esse personagem que tinha um diário. E para ninguém descobrir,ele tinha uma hora especifica para escrever nele,as 4:30 am só que Guto e Charlie desconfiaram disso na festa do pijama a noite toda:
                      - Olhem,são quatro e meia da manhã,sabe o que vamos fazer???-Disse Guto.
                      - O quê? - Respondeu Charlie com um pingo de curiosidade(como sempre)
                      - È hora de jogar SUPER MANO BOSS!! -Guto disse com muita felicidade.
                  Mesmo querendo muito jogar esse jogo,Thiago não iria conseguir dormir se não escrever no diário e assim,saindo quebrando tudo,quase atropelado,e acertado por um lutador de boxe,Thiago chegou na sua casa e finamente estava escrevendo no diário,mas o que ele não sabia é que Guto e Charlie seguiram ele e estavam vendo o que ele estava fazendo:
                      - Bem. -Suspirou Guto. - Ele tem um diário e nem nos contou??? Eu vou descobrir o que ele nos esconde.
                      -  Mas Guto,isso pode ser considerado invasão de privacidade. - Falou Charlie.
                      - NÃO...a gente está invadido o diário,não a dona privacidade da rua de baixo. - Respondeu Guto
                      - Não essa privacidade...aff - Tentou explicar Charlie.
                 Pena que Charlie sabia é que "o que o Guto promete,ele faz'' e então por cinco dias e noites,ele tentava descobrir o que tinha dentro do diário de Thiago,mas ele sempre caia nas armadilhas de Thiago,então veio buscar um grupo da pesada.
                 Os meninos mais espertos do bairro foram(obrigados) a ajudar Guto,e descobriram que o diário estava todo o tempo debaixo da cama,pois é claro,ele é mais burro que uma pedra.Mas a emoção para ver o diário foi grande,ele foi abrindo e tiveram uma decepção que no diário não tinha nada,e então um fenômeno aconteceu,Guto pela primeira vez afirmou que estava errado e foi embora,só que o diário verdadeiro estava dentro do seu armario

      Moral:não invada a privacidade dos outros,mesmo que ela seja sua vizinha...Não não é isso.
  • As borboletas nos guiam

    Sinopse:
    O que será que acontece quando uma deusa nórdica se cansa de seus afazeres?Isso mesmo!Férias junto com os mortais. Freya tinha a capacidade de manipular os desejos e a fortuna das pessoas,deusa do amor e também era considerada como a governante do reino da vida após a morte, Folkvang. E agora vivendo como uma mortal terá que enfrentar os desafios como tal. Por quanto tempo Odin suportará esse ato de rebeldia?
    Notas do Autor
    OIIIII MEUS AMORINHOS !!!! TURU POM ? ESSA É MINHA PRIMEIRA FIC AQUI E EU ESPERO QUE VOCÊS GOSTEM . ESTOU BEM ANIMADA MAS ATERRORIZADA POR NÃO SABER SE GOSTARÃO OU NÃO >-<. ESPERO QUE SE DIVIRTAM COM MEU DEVANEIO NÓRDICO KKKK
    BEIJOS E A LUZ DE ODIN SOBRE VOCÊS <3
    ATENCIOSAMENTE,
    MARY SAMPAIO


    Capítulo 1 - Préfacio : Mudança para Asgard

    Eu e meu irmão gêmeo Frey fomos concebidos da união de Skadi ( Deusa do gelo ) e Njord ( Deus Vanir dos Mares). A união dos dois não durou muito pois meu pai não adaptava-se a vida nas montanhas e tão pouco minha mãe a vida nas costas oceânicas, então após a separação dos dois ficamos em Vanaheim com papai. Afim de manter um acordo de paz fizemos uma troca com os deuses aesires Mimir e Honir e deixamos o reino Vanir para morarmos em Asgard. Meu irmão logo casou-se com a gigante Gerda . Eu casei-me também com o deus Odur responsável por guiar a carruagem do dia, que anda pelos céus, mas há muito não retorna para casa. Cansei-me de espera-lo , então concentro-me em administrar meu palácio Sessruminir apenas. Aqui em Folkvang está se tornando monotôno demais . Apesar de ser divertido quando novos guerreiros chegam aqui. Como líder das Valquírias tenho direito de reclamar metade das almas dos bravos guerreiros mortos em batalha . Onde aqui repousarão e aguardarão o Ragnarok.
    Cada dia no palácio me parece igual . As vezes gosto de observar os humanos daqui, apesar de muitas vezes não concordar com as atitudes deles, criaturas extremamente fúteis . Me pego pensando em uma vida humana , em como eu poderia fazer diferente estando lá. Em que tipo de aventuras me envolveria .Ontem maquinei um plano para sair daqui. Obviamente Odin não permitiria que eu abandonasse Folkvang, então começei a fabricar uma poção para dar a Brunhilde (uma das minhas Valquírias ) minha aparência. Seria por apenas uma semana e sei que tudo ficará bem . Amanhã ao nascer da aurora estarei indo ao mundo dos mortais.
  • As crianças perdidas

    Sofria de insônia há alguns anos. Terapias e tentativas diversas nunca funcionaram(acupuntura,meditação,oração, reza, TCC, psicanálise etc) . Em relação aos remédios, seguravam-me, no máximo, duas horas na cama, mesmo tomando o triplo do recomendado pelos médicos. Passei por vários, que sempre me diagnosticaram com um problema diferente. E, cada um deles, prescreviam um amontoado de pílulas. Tomava aos montes, estava viciada, especialmente num verdadeiro coquetel de benzodiazepínicos, que sempre estavam ao lado da minha cama. Não me faziam dormir, mas me acalmavam quando eu estava com raiva ou chateada com algo ou alguém. Apelei até para as mais bizarras alternativas. Cheguei a sacrificar animais a pedido de um pai de santo. De nada adiantou. Fui a uma praticante de vodun, que havia fugido da crise haitiana após aquele terrível terremoto do ano passado e vindo morar em nosso país. Era de uma tradicional família abastada de lá. Dinheiro e tempo perdidos. Nada me fazia dormir.
       O motivo para a insônia que os especialistas, religiosos e curandeiros alegavam, variava de acordo com a especialidade e a crença deles: Os psiquiatras diziam que eu sofria de um distúrbio hormonal na produção de melatonina(hormônio necessário para o sono). Resultado de um defeito congênito na glândula Pineal(má formação) que a impedia de produzir o hormônio na quantidade e qualidade necessárias para as minhas necessidades. Os religiosos, em geral, incluindo curandeiros, padres, pastores, umbandistas e espíritas estavam de acordo: era um problema espiritual. Havia forças sobrenaturais atuando sobre mim e causando a insônia.
       Certa noite, acordei com se ouvisse gritos de crianças. Fui ao banheiro, então tive novamente a impressão de que crianças brincavam pelo terreno da fazenda. Dei uma espiada por todos os lados da casa e seus arredores. Não havia ninguém. Acordei meu irmão:
    - Carlinhos, Carlinhos, acorda:
    - O que é dessa vez, Naninha? viu o Boitatá ou o Saci?
    - É sério, Carlinhos.
    - Pois diz logo, porque diferente de você, tenho a obrigação de dormir. Papai e eu temos que sair cedo para fecharmos um contrato para a venda de nossas uvas. Os preços subiram e quero dinheiro, e muito. Afinal, quem vai sustentá-la? sua aposentadoria mirrada não vale os presentes que vc distribui aos seus amantes, uma vez ao ano, quando aparecem por aqui.
    - Acho que há crianças pela casa. Eu as ouvi. Elas estavam correndo e rindo. Conversavam também.
    - Naninha, vá para a cidade. Termine os estudos e arranje um namorado , ou um macho qualquer pra te comer. Ou quem sabe uma mulher. Os tempos mudaram. Agora me faça um favor: saia do meu quarto e me deixe dormir.
       Enquanto todos dormiam, eu perambulava pela casa, não parava de ouvir passos e vozes de crianças. Percebi de onde vinham os sons, os passos e as gargalhadas. Abaixo-me lentamente e saio rastejando até uma das janelas. Preparo a câmera do celular. Elevo-me subitamente, avisto as crianças e bato várias fotos. As crianças estão entrando na plantação de Uvas. Uma delas arranca vários cachos. Pelam praticamente as videiras da frente da casa. Eu encaro uma delas e ela retribui com uma sorriso. Depois corre para dentro das videiras. Enfim, achava que havia registrado as crianças.
    - São crianças de verdade. Meu Deus! Carlinhos tem que ver isso.
    - Carlinhos! Carlinhos!
    - O que é Naninha? Jesus Cristo, me deixa dormir. Vai encher o saco da mãe ou do seu primo retardado. Preciso dormir, mulher.
    - Agora é sério. Tirei fotos de crianças, elas estão nas videiras. Brincando.
    - Espera que vou abrir a porta.
    - Entra, diz Carlinhos.
    - Olha, Carlinhos, aqui estão as fotos. Agora me diga se estou louca.
    - Cadê as crianças? não vejo ninguém.
    - Você além de burro e feio, é cego também? não está vendo esse garotinho de chapéu de vaqueiro? e essa garotinha com roupa de cigana?
    - Saia do meu quarto, agora. Sua maluca. Aliás, vou acordar a mãe e falar com ela.
    Carlinhos, dirige-se ao quarto dos nossos pais,furioso e mal humorado. Bate na porta a ponto de derrubá-la.
    - O que é Carlinhos? o que aconteceu, diz sua mãe assustada.
    - Dê um jeito na sua filha, agora. Além de passar todas as noites fazendo barulho pela casa, atrapalhando nosso sono, agora fica vendo coisas. Tô até com medo dessa doida.
    - Feche sua porta, e não dê atenção a ela. Me deixe em paz também, diz a mãe deles.
    - O que Carlinhos queria, Maria? pergunta o esposo
    - Veio reclamar da Naninha. Diz que agora ela anda pela casa vendo coisas.
    - Não bastasse passar as noites acordadas, agora está tendo visões. Mais um problema, mais dinheiro com consultas e remédios, diz o patriarca da família.
    - Pois é, conversaremos sobre isso amanhã.
    - Mas agora quero conversar com você sobre outra coisa.
    - Nem venha. Estou com dor de cabeça e indisposta. Vá dormir
       Depois de todo o alvoroço que meu irmão provocou, resolvi ser mais reservada. Não iria incomodar mais ninguém, nem minha mãe, que geralmente era mais paciente e compreensiva que todos(as) da família. Resolvi me refrescar fora da casa. Sentei-me na cadeira de balanço na varanda. Preparei um cafezinho e um cigarro de Marijuana. Aqui em casa, e nas fazendas vizinhas, o uso dessa planta é disseminado, para os mais variados fins. Todos fumam, sobretudo como tranquilizante natural. Minha mãe também faz chá com suas folhas. A plantação é ilegal, mas tínhamos variadas espécies de Cannabis entre as videiras. Não gostava muito, mas me tranquilizava. Tinha um efeito semelhante ao meu coquetel de benzodiazepínicos.
       Enquanto me refrescava ao sabor do café e da Cannabis, as crianças voltaram. Eu as observava de longe. Elas brincavam. Escondiam-se. Acenaram para mim e entraram na plantação de uvas. Eu resolvi segui-las. Entrei no labirinto das videiras. O campo de plantação era gigantesco. Tinha quilômetros.
       Estava no labirinto, as crianças apareceram. Pareciam querer brincar. Peguei na mão do garoto e da garota e saí pelo mato, cantando e me divertindo com elas, até o dia raiar.
    - Bom dia, Pedrinho!
    - Bom dia, mãe!
    - Cadê sua irmã?
    - Não sei. Ela me acordou duas vezes de madrugada.Meu pai ainda está dormindo?
    - Não.Está se arrumando para sair com você.
    - Vá la fora e chame-a aqui?
    - quem?
    - A Naninha, Carlos. Quero conversar com ela.
       Carlos vasculha o terreno da casa. Grita por Ana. Ela não responde. Ele observa suas pegadas em direção às videiras. Ele entra, chama por ela, mas ninguém responde. Ele entra mais a fundo nas plantações. De repente ouve vozes de crianças também. Elas riem.
    - Será que a Naninha tem razão? parece que tem crianças por aqui.
    Ele tenta saber o local que origina os sons. Vai em direção a eles. Lentamente, sem fazer barulho, observa uma cena estranha. Era sua irmã sozinha, cantando e rodando em meio às videiras. Mas ele continua intrigado com as vozes de crianças que continua escutar. Ele observa os lábios de Ana. Percebe que as vozes infantis são falsetes. São criações de sua irmã. Furioso, ele a pega pelos braços e a leva:
    - Vamos, Naninha. Minha paciência se esgotou. A mãe quer falar com você.
    - Espere, não deixe as crianças sozinhas, elas podem se perder.
    Carlos leva Ana até a cozinha, onde todos estavam rezando.
    - Ana chegou, mãe? gostaria de saber onde ela estava e o que estava fazendo?
    - Que insolência, Carlos! interromper nossa sagrada oração matinal sem necessidade, diz o patriarca
    - Desculpa, pai.
    - Agora diga, onde diabos estava Ana e o que fazia? estava transando com algum dos agricultores, como é de costume?
    - Não era isso não. Diga você mesmo, Naninha!
    - Eu estava a brincar com um casal de meninos lá dentro das videiras.
    - Você desse tamanho, Aninha, brincando com crianças em plantações? pergunta seu primo.
    - Sim, não tinha nada a fazer. Eu as vi brincando e resolvi fazer companhia a elas.
    - Isso é verdade, Carlos? pergunta a mãe.
    - Que nada. A louca estava sozinha cantando e rodando no meio do mato, e com um agravante: a maluca imita vozes de crianças. Fala com ela mesma achando que conversa com crianças.
    - Seu caso está sério, querida, diz seu pai.
    - Vamos, Ana, imita aí a voz de uma criança! insinua Carlos
    - Eu não estava imitando nada. Você que inventou isso!
    - Estamos sem tempo, Carlos! vamos sair agora. Deixe sua irmã em paz. Deixe-a brincar com quem quiser, e imitar o que bem entender, desde que não traga prejuízos. Melhor brincar com crianças do que com adultos, porque estas últimas brincadeiras tem me rendido uma terrível dor de cabeça e uma grana preta. Esqueceu os abortos a que fui obrigado a arcar?
    - Talvez se ela não abortasse os filhos, tudo melhoraria. Era teria ao menos o que fazer, disse a mãe.
    - jamais! disse o pai esmurrando a mesa.
    - Filha minha não tem filhos bastardos, não tem filhos em pai.
    - Os garotos da cidade vem para os festejos e transam com essas idiotas. E os pais dessas irresponsáveis que arcam com o prejuízo.
    - De saco cheio dessa conversa de sempre. Vamos embora, pai.
    - Eu também, meu filho. Vamos sim, porque alguém precisa ganhar dinheiro para sustentar essa palhaçada toda.
    - Vão, e demorem bastante, disse Ana, furiosa.
    - O que é isso, minha filha? são seu pai e seu irmão.
    - Eu sei, mãe. Eles me tiram do sério.
    - E vc acha que não os tira do sério também?
    - Só não me mudo para a cidade porque não gosto do estilo de vida urbano. Me acostumei com a tranquilidade daqui, diz Ana.
    - Uma viagem poderia fazer um grande bem a você, meu amor.
    - Vou pensar no assunto.
    - Mas antes disso vou chamar o Dr. Wolff, para uma nova consulta.
    - Aquele médico nazista nojento?
    - Sim, ele mesmo. A preferência políitica dele não nos interessa. O que importa é sua competência como psiquiatra.
    - A senhora quem sabe.
       Tinha trinta e três anos quando as crianças surgiram na minha vida. No começo, apareciam apenas à noite. Mas aos poucos a presença delas foi se estendendo por todo o dia. Às vezes, quando acordava no meio da noite, elas estavam juntas a mim. Eu me levantava e as cobria como uma boa mãe deveria fazer. Bebiam café e conversavam comigo. Elas até me pediam para fumar. Mas não deixei, é claro. Um dia perguntei a elas:
     Por que só eu as vejo ?
    - Nós também só vemos a senhora. Quem mora mais aqui?
    - Meu pai, minha mãe, meu irmão e mais dois primos. E mais à frente na fazenda, depois do cercado, fica a moradia temporária dos agricultores. Eles ajudam a família na colheita. Depois voltam para suas casas.
    - Não, nós não vemos ninguém. E naquela casa lá fora só vemos um homem. O que se veste igual ao meu irmão. Ele também conversa com a gente. Por que isso acontece?
    - Não sei, minha querida.
    - Deixa eu olhar bem para você, garoto. A roupa é igualzinha a dele. Ele se veste sempre assim mesmo. Que estranho!
    - Vocês moram onde, crianças?
    - Nós moramos entres as videiras. Crescemos com elas. Tem mais crianças lá. Muitas. Você não as vê?
    - Não. Só vejo vocês.
    - E quem são seus pais, meninos ?
    - O chão é nosso pai e uma das videiras nossa mãe. Quer conhecer nossos pais, Naninha?
    - Não, queridos, por enquanto não.
       Era domingo à tarde. O pessoal estava no campo trabalhando, fazendo a colheita das uvas. A família estava reunida como de costume. E tínhamos uma visita: nossa prima Raquel. Era uma jovem inteligente e bastante divertida. Fazia residência médica em psiquiatria na Capital. Todos os meses nos visitava. Era a irmã dos dois primos que residiam conosco. Mas estava claro que sua visita tinha um propósito exclusivo: analisar meu caso a pedido dos meus familiares. Quando todos estavam à mesa, Carlos falou em tom de ironia:
    - Raquel, você já se formou?
    - Sim, Carlos. Estou fazendo residência médica agora.
    - Vai ser médica dos doidos, não é?
    - Não é bem assim, Carlos.
    - Pois minha irmã está completamente louca.
    - Cale a boca, Carlos!
    - Não tia, deixe-o prosseguir. Não tenho tempo de sair espalhando a vida particular de ninguém. Meu tempo é curto, é quase todo dedicado à Universidade.
    - A Naninha acha que cuida de duas crianças que nasceram nas videiras. Vê se pode isso! Tá louca de pedra.
    Todos riram, inclusive nossa prima, que tentou até se segurar. Mas não deu.
    - Mas é verdade. Eu vejo como se estivesse vendo a todos aqui.
    - Verdade, prima?
    - Sim.
    - E melhorou daquela sua insônia?
    - Não, continuo sem dormir, mesmo tomando o coquetel de medicações.
    - Estou preocupada, prima. Conheço casos parecidos com o seu. Temos que cuidar disso antes que se agrave. Antes só não dormia, agora vê crianças. Isso pode progredir.
    - Mais tarde quero conversar com você sobre tudo.Quem sabe posso ajudar.
    - Ótima ideia, Raquel. Ana precisa de uma companhia feminina e de desabafar um pouco. Você ajudaria e muito se dormisse essa noite conosco.
    - Eu ficarei, tia, não se preocupe.
    - Vocês mulheres que se entendam, disse o patriarca, saindo com os outros para fiscalizar a colheita das uvas.
       Já era tarde da noite. Umas 23h, talvez. Não sei precisar. Eu estava na sala assistindo a um filme com meus primos quando Raquel chegou acompanhada de uma jovem, vestida de branco e com uma bíblia na mão.Era uma médium espirita, muito conhecida pelos fazendeiros locais.
    - Ana, preciso que venha até a varanda para conversarmos.
    - Não pode esperar até o fim do filme? venham, podem ficar à vontade, vejam como é interessante.
    - A médium não tem tempo. Precisa falar agora com você.
    - Esperem uns dez minutinhos. Daqui a pouco chego à varanda.
       Passaram duas horas e nada de Ana aparecer. Carlos passa pela sala e vê os primos e a irmã vendo TV e pergunta:
    - Que filme é este?
    - Diário de uma paixão, diz um dos primos
    - Filme de maricas. Um lixo, diz Carlos, de mal humor e  cansado.
    - Vocês dois não tem vergonha de assistirem a um filme tão idiota? a propósito Senhorita Ana, há duas pessoas que estão a um tempão na varanda esperando alguém. Receio que seja você. Estou certo?
    - Meu deus, acabei esquecendo.
       Ana levanta-se e vai à varanda da casa.
    - Me desculpe, pessoal. Eu me esqueci completamente de vocês.
    - Não tem problemas, Ana, a médium cancelou o compromisso que tinha para dar toda atenção a você. Agora vou dormir! boa sorte para as duas.
    - Olá , Ana, Lembra-se de mim?
    - Como poderia esquecer?
    - Pois vamos direto aos fatos, meu anjo. Sabe o que está ocorrendo com você?
    - Tenho insônia e estou, segundo os médicos, tendo alucinações.
    - Nada disso.
    - Você foi abençoada por Deus e pela natureza.
    - Não me diga, é? e por quê?
    - Porque mesmo tendo abortado seus filhos, eles cresceram e estão próximos a você.
    - Como sabe disso?
    - Raquel me contou tudo.
    - E como sabe que são meus filhos?
    - Pela descrição que me deram deles.
    - Continuo sem entender.
    - Vou lhe explicar um pouco sobre o mundo espiritual. Todos nós possuímos um alma antes mesmo de nascer. O corpo é apenas um receptor descartável. Vagamos por mundos e vidas num processo evolutivo. É a lei do progresso. Reencarnamos incessantemente. Mas há alguns espíritos que relutam contra esse inevitável processo. Querem permanecer vagando pela Terra ou no planeta onde desencarnaram.
    - E onde entram as crianças nisso?
    - Eu me lembro que Raquel me disse que as crianças afirmam terem nascido da terra e que a mãe seria era uma das videiras. Estou certa?
    - Sim. Elas dizem isso mesmo. E dizem que só vê a mim e a um dos homens que trabalham na colheita?
    - Agora quero que responda, Ana, sem mentiras. Você teve um caso com esse homem?
    - Não só tive um caso como abortei duas vezes.
    - E hoje, como é a relação entre vocês?
    - Não nos falamos. Meu pai quase me mata e o ameaçou também. Mas durante a colheita anual ele sempre vem aqui trabalhar.
    - E o garotinho é cara dele, não é?
    - Sim, e se veste do mesmo jeito que ele.
    - Ana, não se faça de desentendida. Você sabe que essas crianças são seus filhos.
    - Mas como pode? eles só tinham dois meses quando os abortei.
    - Ana, os fetos foram enterrados vivos. E eles captaram a energia dessas videiras e desse solo. Cresceram e estão vivos. É um raro processo de materialização. Eles são uma forma especial de vida. Estão na fronteira dos dois mundos. E nessas circunstâncias, só quem possui uma ligação direta sanguinea podem senti-los ou vê-los. Ou seja, seus pais. Você e o agricultor. Por isso as crianças veem os dois, ninguém mais. Nem eu, uma médium experiente, posso vê-los. Nem eles a mim.
    - Queria ao menos uma prova do que diz.
    - Mas não está óbvio. Não faz sentido para você?
    - Pode até fazer, mas não me convence.
    - Pois vou lhe dar uma prova definitiva. Sabe onde os fetos estão enterrados?
    - Sim. Duzentos metros depois da primeira videira. A do meio.
    - Quer ir até lá para eu lhe mostrar algo?
    - O que é?
    - Quando chegarmos lhe direi.
    - Chegamos. O que tem aqui?
    - Os seus fetos enterrados.
    - E daí?
    - Desenterre-os. Eles estão protegidos num vaso de vidro com álcool. Terá uma surpresa quando vê-los. Não arranque a videira. Vai matá-los.
    - Minha nossa, o vidro está quebrado e não há nada aqui. Onde estão meus filhos?
    - Eles não estão mais nos recipientes. Quando os enterraram, seus espíritos capitaram a energia da terra e da videira, que os alimentava. Os fetos cresceram numa forma material diferente. Uma espécie de corpo espiritualizado. Olhe a videira. As uvas carregam a semelhança de rostos. E ela não tem a vitalidade como as demais. Ela passou todos esses anos alimentando as crianças. Está quase perecendo. Quando ela morrer, as crianças terão de voltar ao mundo espiritual para reencarnarem, talvez aqui, ou em outro lugar, ou mesmo em outro planeta. Não sabemos. Um dia, elas irão embora para sempre. E nunca mais as verá.
    - Agora eu acredito. São meus filhinhos de verdade. E a garota é minha cara.
    - E o que eu faço, feiticeira?
    - Não sou feiticeira, Ana. Sou médium.
    - Desculpe.
    - Cuide dessas crianças até o destino as levarem. E se case com o pai delas. Você ainda gosta dele, não é?
    - Sim, mas meu pai jamais admitiria eu me casar com um agricultor.
    - Converse com ele que tudo estará resolvido. Eu vejo um futuro glorioso para vocês.
       A médium me deu  esperança. Se havia algo de racional acontecendo, então eu não estava louca. Saí satisfeita com as explicações e sugestões dela.
       Enquanto a médium saía da fazenda, o patriarca a interpelou:.
    -Venha cá, Bruxa de quinta, charlatã.
    - O que quer, seu Jeca de terceira?
    - Fez o trabalho direitinho com minha filha?
    - Fiz de acordo com o combinado..
    - Então pegue o seu dinheiro.
    - Obrigado, seu brutamontes. Soque seu dinheiro onde bem entender. Não preciso dele. Vá pro inferno, seu hipócrita.
       Amanheceu na fazenda. Os galos dão seu ar da graça.
    -Bom dia, Ana. Conseguiu dormir?
    - Não. Passei a noite pensando em como vou fazer o quarto das crianças?
    - O quarto das crianças? pergunta Carlinhos, espantado.
    - Sim, não sabia que as crianças que me acompanham são meus filhos? os que eu abortei por imposição de meu pai?
    - Carlos se levanta às gargalhadas, e vai para o quarto. A mãe o segue.
    - Carlinhos, o que combinamos?
    - Mãe, juro que não se repetirá. Mas não me contive. É hilário, no mínimo. Por isso saí.
    - Espero que isso não se repita.
       A mãe volta ao lanche matinal.
    - Tenho algo a dizer a todos: vou morar aqui com o Joel. O pai dos meus filhos
    - Por mim tudo bem, minha filha. O problema é seu pai. Ele quem manda.
    - Por mim, pode se casar até com um jumento e dizer que é seu marido. Já passou dos trinta. Depois dessa idade, para uma mulher que não é mais virgem, qualquer coisa serve, até o Joel.
    - Obrigada pelo incentivo, papai.
    - Hoje mesmo arrumo os quartos das crianças. Já chamei os decoradores, disse a mãe de Ana.
       Joel veio morar na casa comigo. Senti um alívio. As gozações na família cessaram. Durante os seis meses posteriores, as aparições das crianças se tornaram mais raras. E a cada dia, elas apareciam menos. Eu engravidei novamente. E dessa vez não abortei. As crianças sumiram. Não as vi mais. Voltei a dormir normalmente. O relacionamento com Joel durou pouco: dois anos.  Nós nos separamos amigavelmente. Conheci outro rapaz. Casei-me de verdade, na Igreja, como os meus pais desejavam. Enfim, depois de anos, voltei a ter uma vida tranquila e normal. Tomando café e fumando marijuana todas as noites.
  • As crônicas do Inferno I

    As crônicas do Inferno
    Sociedade Atemporal 
    Por Srta Oliveira 
                      &
          Carry Manson
    Os primordiais
    No início havia apenas sombras e o
    vazio.
     O multiverso era cheio de potencial para a vida, mas permanecia
    deserto.
     Até que um dia uma destas forças
    evoluiu, e então ele nasceu com todo o
    esplendor de um titã. 
    Caos o primeiro ser a existir.
    Ele não era personificado, 
    não era fogo, nem água,
    era apenas uma força magnífica.
    E como para cada força há um
    oposto complementar, quando menos esperou não estava mais sozinho.
    Logo de cada ruína que gerava,
    nascia uma flor.
    Para cada vida destruída, nascia
    um novo ser.
    Era ela que estava ali. A doce e
    perfeita Harmonia.
    No início ele a detestava, 
    pois suas obras eram constantemente embelezadas.
    E ela o odiava, pois sempre tinha que
    consertar as suas falhas universais.
    Por isso certo dia fizeram um acordo:
    “Destruirei o quê quiser naquela direção, e você criará o quê desejar
    naquele espaço.”
    E naturalmente tudo seria perfeito para
    os dois, estavam livres para criar e destruir sem parar.
    No entanto Caos percebeu com o tempo, que logo não haveria mais 
    nada para transformar em pó 
    ou ruína.
    E Harmonia notou que sua criatividade
    diminuíra,  de acordo com o quê criava
    sem razão alguma.
    Eles precisavam um do outro para existir, e quando deram por si estavam
    apaixonados.
    Havia algo encantador nas flores que
    nasciam no deserto.
    E incrivelmente motivador quando toda
    a criação perecia, e tinha de se fazer 
    de novo.
    Por isso logo se tornaram um só, e deste delicioso amor nasceram 7 deuses, que
    deram origem as dimensões conhecidas.
    O Deus Solitário e a Deusa prometida.
    7 Deuses caminhavam pelo multiverso,
    cada um com seu poder, e sua dimensão. 
    Todos estavam felizes, pois de acordo com que cresciam, descobriam também o amor que os gerou. 
    Assim desta união, nasceram os 4 elementos principais. 
    Espírito foi o primeiro que
    surgiu.
    Fogo foi o segundo.
    Ar o terceiro.
    E por fim a Água.
    Sim a Terra, era algo que não existia até
    o momento, e por isso restou um Deus.
    Ao contrário dos outros, este era especial.
    Todos os opostos masculinos eram
    semelhantes ao Caos.
    E os complementares femininos a
    Harmonia.
    O quê gerava um equilíbrio perfeito.
    Mas este Deus solitário não estava feliz,
    e como Caos e Harmonia não tinham
    novos filhos, jamais teria um 
    par.
    Por isso se tornou a força do conhecimento, e seguiu tentando
    criar a parceira perfeita, com
    os remanescentes de seus
    pais.
    Certo dia Harmonia encontrou o filho
    desesperado tentando criar um par,
    e ao ver suas lágrimas negras, levou
    aquele corpo frágil e vazio para
    Caos.
    Ele logo se apaixonou pela criação do
    filho. Ela era como uma parte sua que até então desconhecia, e por isso ele
    e sua amada, derramaram seu poder
    orgástico, sob aquele material 
    estranho.
    Foi então que ela nasceu, 
    a Grande e Majestosa Deusa Terra.
    Ela era diferente dos outros.
    Não era apenas uma energia, tinha um 
    corpo, mas era tão poderosa quanto
    os outros.
    O Deus solitário se apaixonou a primeira vista, mas como tinha passado
    muito tempo no escuro, não demonstrou.
    Harmonia e Caos concordavam com tudo, porém a chegada de Cerridwen mudou isso. Ela era como Caos e por isso ele sempre a protegia.
    Ele a ensinou a caçar, guerrear, a ensinou tudo o que ele sabia e ela se tornou sua melhor guerreira. 
    Nos duelos de treinamento que havia ela sempre ganhava principalmente 
    de seu irmão mais velho Yaweh.
    “Você é mesmo um chorão Yaweh, não aceita perder.”
    “Lógico você é mulher, é uma lástima. Papai não deveria te ensinar a guerrear.”
    “Você esta é com inveja. Você é o protegido da mamãe. O que vai fazer? Vai chorar pra mamãe vai??? ‘
    Toda vez que ela fazia isso, Yaweh
     ardia de raiva por dentro, ele odiava ser desprezado por ela e odiava mais ainda a forma como ela zombava
    dele.
    “Você deveria parar com isso Cerridwen, uma dama não se comporta assim” Disse Harmonia séria, mas serena.
    “Sim mamãe, me desculpe.”
    “ Deixa a menina Harmonia, ela só esta se divertindo. E damas devem sim lutar e não ficar como sonsas em casa.” 
    Disse Caos abraçando a filha.
    O tempo foi passando Cerridwen se tornava mais bela e mais forte, guerreava em nome do pai dela e Yaweh sempre a vigiava de longe. 
    A olhava quando ela tomava banho no riacho, ficava escondido a admirando. Ele a amava, mas odiava este sentimento.
    Até que um dia o inesperado aconteceu durante uma batalha Cerridwen, foi ferida gravemente e Yahwen a salvou, com isso ela passou a ter uma gratidão por ele, mas ele viu uma ótima oportunidade para concretizar seus planos.
    A escuridão e a luz
    O dia do casamento chegou, todos estavam contentes menos a noiva, em seu quarto Cerridwen se preparava, fazia hora, enrolava. Só queria que alguém a matasse, mas infelizmente ninguém fez isso. Ate que ouviu passos atrás de dela era Karlandisht um dos seus irmãos mais velhos, e  mais apegado a ela.” Você parece tão triste!?” “Não quero me casar com ele, tenho nojo dele, a presença dele me da nos nervos. Tento gostar dele, mas não dá. Sinto que nunca irei gostar dele. Sinto que jamais irei amá-lo.”
    “Não pensei assim, um dia vai sentir o amor. Tenha calma.” O casamento parecia uma tortura. Cerridwen mal podia visitar os pais, sempre isolada em seu jardim. Se ele quisesse vê lá ele ia, se não quisesse não ia. Se ele queria beija lá, ela o beijava. Durante muito tempo ela se entristeceu, vivia chorando. Fez de tudo para amá-lo, mas não conseguiu. Até que um certo dia viu um ser no seu jardim. ”O que faz aqui?”
    “Sou Sammael, meu senhor pediu para que lhe trouxesse algo.” 
    “Seu senhor, diga a ele que não quero nada. Diga a ele para me deixar em paz.”
    “Senhora melhor aceitar. Ele é benevolente, misericordioso.” Disse-lhe de maneira automática, pois assim foi treinado.
    “Ele é o que? Nunca foi. Ele é um monstro. Um torturador que sempre quer que acatemos as ordens dele” Disse-lhe furiosa. 
    Os dias foram passando e a amizade entre os dois se fortalecia o anjo estava amando aquele ser, sua amiga de todas as horas como ele dizia. Passou a ir vê-la escondido, já que seu pai não permitia mais. 
    “ Você deve sempre estar equilibrado, sempre de olho no seu adversário.” Disse Cerridwen segurando uma espada. Por um momento só ouviam os barulhos das espadas, Cerridwen estava se divertindo depois de tanto tempo. Adorava a companhia de Sammael, amava tudo nele. Até que em um movimento ele a desarma e a segura  quando seus olhos se encontraram.
    “Você é linda!” Disse-lhe encantado “Ah...Obrigada...” ela tentou dizer, mas sua fala foi interrompida por um beijo de seu amado.
    Naquele instante tudo aconteceu.
    Os dois se amaram, e descobriram ali, que o amor deles era invencível.
    Tempos depois Cerridwen foi se 
    refugiar no reino de sua mãe a 
    procura de abrigo. 
    Estava grávida e não sabia o quê fazer.
    “Essa criança é a marca de seu pecado.”
    “Mas por que mamãe? Porque eu amei outro?” “Este outro é seu filho. Ele nunca te contou? Yahwen não deveria ter esconder assim. Olhe a tragédia que isso gerou.” “Vai ficar aqui, ate o nascimento dessa criança, depois veremos o que fazemos.”
    Naquele momento Cerridwen havia se preparado para dar a luz.
    Estava preocupada, principalmente com seu amado. Não sabia o que fazer.
    Quando a criança nasceu, ela sentiu algo, que nunca havia sentido. A menina era alva, de cabelos ruivos e olhos violetas. Era linda, naquele instante ela sabia que possuía um pequeno ser que precisava dela.
    “mamãe ela é linda!” “Sim querida, ela e igualzinha a você. Ela te puxou Cerridwen”.
    Do lado de fora escutam-se gritos, Yaweh estava furioso. 
    Rapidamente Harmonia entrega a neta a um emissário de Sammael, e Yaweh
     se encontra com Cerridwen.
    “ Aí esta você. Vagabunda. Achou mesmo que eu nunca iria descobrir? Achou mesmo que eu não saberia o que você fez?” “Yaweh calma, por favor, não faça nada com eles, por favor.”
    “Onde esta a criança?” “Não vou te contar. Não vai tocar na minha filha.”
    Ele a agrediu diversas vezes. Harmonia teve medo do filho pela primeira vez, por isso deixou que ele fizesse o que fez. Cerridwen ficou trancada em uma cela na torre norte do céu, sofrendo torturas, abusos. Totalmente sem esperanças.
    O bebê iluminado
    Ela era um bebê quando tudo aconteceu.
    Foi uma surpresa para os pais, e
    para o seu tio.
    “Você precisa protegê-la Miguel.”
    Disse-lhe Samael, e o arcanjo 
    detestou a ideia.
    “Ela é o fruto do pecado de vocês.
    Ela merece o destino que a aguarda.”
    Respondeu-lhe sem pensar duas
    vezes.
    “Ela é muito pequena e inocente.
    Como os querubins. Não pode lhe
    dá as costas assim.” Retrucou, ao
    segurar aquela criaturinha ruiva
    de olhos violetas.
    “Por quê não a escondem no jardim?
    Nosso pai nem vem por aqui mais.” 
    Perguntou o arcanjo, até que o irmão
    lhe deu a menina alada, e ele a
    segurou.
    “Ela é linda.” Disse para o mesmo, ao segurar a criaturinha, que ficou a brincar com o seu cabelo.
    “Exatamente como a mãe dela. Miguel por favor, me ajude a cuidar dela, o jardim não é seguro.” Suplicou
    quase desesperado.
    “Está bem. Está bem. Vou levá-la a minha estufa. Lá é meu canto particular, e ninguém ousaria entrar
    ali.” Disse embrulhando o rostinho
    da pequena. “É um ótimo lugar.
    Assim Yaweh não irá achá-la.” 
    Concordou.
    Infelizmente houve um traidor que descobriu sobre a pequena, e 
    contou ao criador.
    “Uma criança? Que não nasceu adulta?! Como isso é possível!?” Yaweh bradou
    furioso.
    “A culpa é minha senhor.” Samael ergueu a mão, e assumiu a responsabilidade.
    “Samael?! Como ousou ir contra a regra?!” Ele ficou surpreso com a descoberta.
    “Eu me envolvi com um anjo chamado Layla, e ela faleceu no parto.” O pobre
    pai, mentiu para salvar a amada.
    “Não existe nenhuma Layla. Acha que não sei de toda a verdade?! Não me
    subestime.” Disse com raiva o
    criador.
    “Por favor não a machuque. A culpa é
    minha! Fui eu que a procurei!” Berrou
    o pobre brigadeiro, com lágrimas
    na face.
    “Os dois são culpados. E já que gostam tanto daquele mundo sombrio, viverão
    lá para sempre!” O criador retrucou.
    Nenhum dos outros anjos na 
    reunião sabia do quê exatamente 
    se tratava.
    Ninguém tinha coragem de perguntar,
    e por esta razão permaneceram em
    silêncio.
    “A partir de hoje Samael está 
    morto, e agora você será conhecido como Lúcifer a estrela da manhã!” Disse-lhe totalmente transtornado 
    com a traição, e então quebrou
    11 dos seus 12 pares de
    asas.
    “Pois tal como a estrela de dia, você não será visto no mundo celestial.”
    Esclareceu, dando-lhe a 
    sentença.
    “E você Miguel. Meu bravo e poderoso filho. Irá com este traidor, para vigiá-lo e impedi-lo de cometer outra grande
    falha!” Deu a missão para o arcanjo
    , e assim os dois partiram.
    Muitos anjos ficaram insatisfeitos com
     a decisão do criador, estava claro que Lúcifer só tinha cometido o pecado de
    amar, e por isso o seguiram.
    Esta foi a primeira e grande revolução Luciferiana.
    E o nome que deveria ser um sinônimo de vergonha, se tornou motivo de
    orgulho para o caído.
    Outro amor proibido
    O bebê alado levou muitos anos para crescer.
    Mas ao atingir 1500 anos, se tornou uma linda adolescente, que vivia no laboratório do arcanjo.
    “Quando vou poder ir para superfície?” 
    Perguntava animada para o protetor.
    “Nunca e meio.” Respondia-lhe com
    frieza.
    “Mas eu quero muito conhecer este tal céu.” Retrucou fazendo manha.
    “É perigoso. Aqui embaixo, com seus familiares é mais seguro Luciféria.”
    Disse ao continuar a estudar os seus experimentos.
    “Não acho. Para mim, o perigo está em toda parte.” Disse sentando-se a 
    mesa.
    Com o seu vestido branco e curto, 
    bem na frente dele, deixando-o envergonhado.
    “Modos fazem uma dama.” Disse com 
    a face corada, coçando os cabelos
    louros e escuros.
    “Azazel diz que o importante é ser livre.” Rebateu como quem tem 
    razão.
    “Azazel só pode mesmo ser filho de Lúcifer.” Resmungou revirando os
    olhos, com um sorriso.
    Miguel era focado no trabalho, e 
    por mais atraente que Luciféria fosse, ele evitava vê-la com outros olhos,
    pois considerava um pecado
    mortal.
    Luciféria era livre como a mãe, e não
    conhecia termos como “moral” e “bons
    costumes.”
     Miguel tentou fazer dela uma dama,
    mas por mais educada que fosse, ela
    permanecia sendo um espírito
    rebelde.
    “Segure a taça desta forma.” O arcanjo disse, ensinando-a a ter boas maneiras, e como uma jovem deve se portar.
    “Que tal me ensinar como segura uma espada?” Perguntou entediada, imitando-o com exatidão.
    “Damas devem ser inteligentes, e não podem participar de batalhas.” Disse-lhe cortando a carne em seu prato.
    “Damas são chatas. Prefiro ser como a minha mãe.” Retrucou tomando os utensílios da mão dele.
    Miguel nem sequer imaginava, no começo. Mas quando ia para a batalha, o irmão mais velho dela Azazel, a levava para floresta, e tentava lhe ensinar a
    se defender.
    “Lucy. Não é uma dança é uma luta!” 
    Azazel ria, atacando-a com investidas bem violentas. 
    “Eu sei. Deixa de ser trouxa!” Rebatia toda desengonçada.
    Ao vê-la tão imponente, ele movimenta-se rapidamente, e a derruba. 
    Mas quando está para chegar no chão,
    a pega nos braços, e por pouco não
    a beija.
    “Respeite-a garoto. Ela é sua irmã.”
    Diz o arcanjo claramente descontente com aquele gesto carinhoso.
    “Pare de olhar para ela desse jeito querido tio. Ela é sua sobrinha.”
    Diz o anjo rebelde, parado na frente 
    do rival, com um sorriso malicioso, colocando a espada nas costas,
    e partindo.
    “Não tem jeito não é?” o anjo passa 
    a mão nos cabelos, totalmente desconcertado.
    “Eu quero muito lutar. Como a minha mãe. Ela é um exemplo para mim.” A
    jovem se explica, e o anjo cede.
    “Certo. Azazel não conseguirá usar  as suas qualidades.” Diz revirando os olhos.
    Ele não consegue se conter, por mais que tente, o seu ciúme ultrapassa o nível aceitável para um 
    familiar.
    “ A luta dele é selvagem, e você foi educada para ter graça e delicadeza.”  Diz o seu responsável, tentando colocar defeito no método do inimigo.
    “Eu sou frágil, intocável, e toda essa balela. Já vi que não vai me ensinar nada.” A bela lhe dá as costas, furiosa pois por mais que tenha sido cúmplice do seu nascimento, era tão machista
    quanto o pai.
    “Lucy.” Ele agarra seu pulso, e ela o olha com indiferença. 
    “Vou te mostrar que toda a sua graça e delicadeza podem ser mortais.” Sorri, deixando-a bastante animada.
    Miguel era um grande soldado. Esteve nas maiores batalhas, e era uma honra ser treinada por ele.
    Como ele sabia que ela queria muito lutar, a desafiou bastante, e testou
    as suas habilidades, para focarem
    em seus pontos fortes.
    Quanto mais tempo passava com ela, mais percebia seus sentimentos, por isso decidiu deixá-la sob os cuidados
    do irmão.
    “Você está certo” Assume o crime de imediato.
    “Eu sei. Só espero que não a machuque por isso, caso não sinta o mesmo.” Responde Azazel ajeitando
    a besta.
    “Ela sente. Mas isso não importa. É contra minha conduta, e não quero ser castigado por meu pai.” Diz entregando
    algumas coisas afiadas para o seu
    irmão.
    “Sempre o filho de seu pai. Não sei como é meu oponente.” 
    Azazel fala baixo, por mais que goste de Luciféria, é outro que não quer assumir.
    Mas neste caso é porquê não se acha bom o suficiente, para competir o 
    “fabuloso Miguel.”
    “Eu vou embora. Então como sei que você é um dos melhores alunos do meu irmão, quero que prossiga com o treinamento dela” Diz estranhando a reação do seu oponente, e colocando 
    o capuz azul marinho.
    “Ok. Mas isso vai magoá-la bastante.” Tenta ser altruísta, pois só deseja a felicidade de sua amada.
    “É para o bem dela.” O arcanjo se prepara para voar. “O dela ou o seu?”
    Azazel lhe pergunta, e o anjo olha
    para trás, com certo pesar.
    “É, acho que lutar com aquele maricas te fez bem. Uma mulher sabe como ensinar outra!” Diz Azazel percebendo uma melhora nas investidas da 
    ruiva.
    “Você odeia mesmo o Miguel não é?” Diz bloqueando os ataques com a
    sua espada de treinamento.
    “Não. Só acho ele extremamente covarde, e pouco confiável.” Azazel
    responde girando a lâmina, e a
    desarmando.
    “Ele só não faz o meu tipo.” Brinca e 
    lhe entrega a arma, para mais
    uma rodada.
    “Vocês passaram tempo demais juntos.” Diz atacando com ferocidade, mas a bela desvia de cada ataque.
    “Seus golpes são tão previsíveis quanto os dele!” Termina tirando a espada da sua mão, e segurando as duas.
    “Foi um bom treino. Amanhã nos vemos.” A abraça e recolhe o todo o equipamento. A bela continua parada, olhando para a mata e o rio.
    O jovem vai embora. Sentindo-se feliz, pois com a partida do seu rival, teria
    uma chance de se tornar o seu
    pretendente.
    No céu se vê a silhueta de um ser alado, e este desce até a jovem. Ao vê-lo seus
    olhos se iluminam.
    “Luci...Precisamos conversar.” Aquelas palavras a assombram, pois teme o
    pior, já que não tinha o visto o
    dia todo.
    “Azazel acha que temos passado tempo demais juntos.” Ela lhe disse. “Ele acha
    que tenho...sentimentos...Por você”
    Ele respondeu.
    “E você tem?” Ela perguntou. “Isso não importa.” Rebateu em defesa.
    “É seria errado.” Ela retrucou triste, e ele não resistiu e a beijou.
    O primeiro beijo de um amor esperado,
    é inesquecível, e aquele tinha sido o
    melhor beijo de todos.
    Mas ele não quis ir adiante, e preferiu não se comprometer.
    No lugar disso, partiu do jardim sombrio, e evitou vê-la.
    “É errado. Deus não vai me perdoar.”
    Era o quê pensava sempre que se
    pegava a pensar nela.
    Até que um dia não resistiu...
    Na tarde em que voltou ela ficou tão
    feliz, que o desejou por inteiro.
    Entre as folhas secas e a água, ele a
    fez mulher, e com ela conheceu o
    pior e mais delicioso pecado.
    “Eu te amo.” Foi a primeira vez que ele contou a ela, e ela não teve resposta,
    pois tinha realizado o seu sonho.
    Infelizmente nem tudo foram flores,
    e logo deste criminoso amor vieram 
    os derradeiros terremotos.
    O casamento e a queda
    Azazel foi quem os encontrou na floresta.
    Este ficou furioso, pois todas as suas
    esperanças, tinham virado cinzas.
    Miguel não só tinha retornado do nada,
    como agora parecia disposto a ficar
    com a sua amada.
    Sendo assim tudo o quê imaginava para eles, não passava de uma cruel ilusão
    de um apaixonado.
    “Mas no fim de tudo isso filho. Ela será sua. Apenas sua, e ninguém mais irá
    separá-los.” Era o quê se lembrava, ao vê-la adormecida e nua nos braços 
    do maldito soldado.
    O pobre ser de coração partido, não perdeu tempo, e contou tudo a Lúcifer 
    e Cerridwen.
    Ambos ficaram pasmos com a descoberta, e o pai da anjinha foi
    para cima do arcanjo.
    “Era para protegê-la! E não se 
    aproveitar de sua inocência!” Disse
    ao acertar-lhe socos contínuos na
    face.
    “Eu a amo Lúcifer! Não é o quê
    parece!” Berrou ao receber os golpes sem revidar, pois se sentia culpado.
    “Isso não pode ser verdade. Você nunca amou ninguém, a não ser a si mesmo.”
    Disse-lhe entredentes, pois não se esqueceu, que ele contou para o pai, sobre o nascimento da sua filha, e para proteger a si mesmo, fingiu não ter envolvimento algum com o
    caso.
    “Case-se com ela, assuma um compromisso, indo contra o seu pai então.” Disse Cerridwen utilizando 
    uma estratégia que sabia que iria funcionar.
    “Se é o quê é preciso. Tudo bem.” O
    arcanjo respondeu limpando o sangue
    do canto do lábio.
    Mesmo sob as piores condições, Luciféria ficou feliz com a
    união.
    Logo a notícia de um noivado tinha saído do jardim sombrio, e chegado aos
    ouvidos do impiedoso Yaweh.
    “Você foi enviado para conter Lúcifer e
    a filha!” Yaweh urrou em cima do seu
    jovem filho.
    “Eu a amo pai.” Disse com uma voz
    baixa, temendo a represália.
    “Amor? Foi o amor que a trouxe a vida,
    e me fez perder meu trunfo!” Gritou
    ainda mais alto.
    “Esta menina, é uma qualquer como a
    mãe dela. Nunca será ideal para você!
    Só irá machucá-lo!” Falou despertando
     a dúvida no arcanjo.
    “Não importa. É com ela que quero, e
    vou ficar.” Respondeu recuperado
    das incertezas.
    O céu não era o único infeliz com a notícia. No Inferno os pais de Luciféria
    temiam por sua infelicidade.
    “Lúcifer. Eu não pensei que ele aceitaria 
    , me perdoe.” Dizia Cerridwen entre
    lágrimas.
    “Não se preocupe Cerridwen. Eu sei que
    esse casamento não chegará nem no
    Eu aceito.” Respondeu-lhe o amado
    abraçando-a.
    “Papai e mamãe estão chorando por sua causa.” Disse Azazel para a mocinha.
    “Eles não entendem o quê é esse amor...Miguel não vai me machucar, 
    ele me ama.” Disse Luciféria, ainda saltitante pelo futuro.
    “Deixa de ser tonta. Se ele te amasse
    , não esperaria um ultimato para 
    se casar.” Retrucou Azazel.
    “E importa ter esperado tal condição?
    Eu a amo Azazel, e você não é capaz de entender tal sentimento.” Respondeu 
    o arcanjo, abraçando a noiva.
     Azazel não era o único fulo da vida,
    com o relacionamento de Luciféria e Miguel.
    A prima dela Eke, também não tinha 
    muito o quê comemorar.
    Era apaixonada por Miguel desde 
    muito jovem, e saber que ele seria para sempre de Lucy, lhe deixava furiosa.
    Todos estavam contra eles. 
    Mas ainda sim o casal permanecia 
    feliz, e seguiam adiante com o seu
    compromisso.
    A perdição de um caído por nascença.
    Mesmo contra a união, Lúcifer e Cerridwen foram ao templo.
    Lá encontraram Azazel, que após descobrir que era filho de Yaweh
    , tinha partido de casa.
    Foi um belo reencontro, ele parecia ter aceito que Luciféria seria do seu rival,
    e pediu para vê-la.
    “Ela é minha irmã, e já foi minha
    melhor amiga. Preciso mostrar que
    a apoio.” Pediu para Cerridwen,
    e esta lhe concedeu a entrada.
    Luciféria estava mais linda e radiante
    do quê nunca. Azazel ficou encantado
    com aquela visão, mas tentou apagar
    as segundas intenções.
    “O quê faz aqui? Veio dizer mais uma vez, que meu noivo não me ama?!” 
    Perguntou com raiva, colocando o
    véu vermelho.
    “Não. Vim te mostrar que não é com
    Ele, que deve ficar.” Respondeu o
    anjo, e ela gargalhou.
    “Como?” Perguntou com sarcasmo.
    “Vai se arrepender disso. Olhe nos
    meus olhos.” Disse encostando-a
    na parede.
    Ela o olhou, sem realmente vê-lo.
    “Olhe de verdade. Fixe em mim.”
    Disse-lhe com certa força, e 
    ela o fez.
    Ele se aproximou, e a imprensou ali.
    “Se você acha que é contigo que vou ficar, está muito enganado.” Ela se
    defendeu, e ele a beijou.
    No começo aquele toque de lábios
    , a deixou sem reação.
    “O quê está fazendo? Eu sou sua irmã.” Respondeu de olhos fechados, como
    se esperasse por mais.
    “E vai se casar com o nosso tio.” Ele
    rebateu sorridente, e a beijou uma
    segunda vez.
    Deste segundo beijo, veio a retribuição,
    e de tal gesto as coisas foram esquentando.
    O tempo foi passando, e nada da noiva chegar.
    Miguel ficou estarrecido, e Eke se dispôs a consolá-lo.
    A noite...Luciféria o procurou, queria muito lhe explicar porquê não podiam
    ficar juntos.
    “Cometi o adultério.” Disse-lhe sem
    pestanejar. “Azazel apareceu, eu não
    consegui resistir.” Continuou a tagarelar.
    “Miguel...” Ela tentou tocar em seu ombro, mas este se foi sem dizer uma palavra sequer, deixando-a sozinha
    na floresta.
    No dia seguinte...Procurou por Azazel,
    este podia entendê-la neste momento
    tão sombrio, e foi quando descobriu.
    Assim como Yekun, Azazel tinha sido contratado para levá-la a perdição,
    e destruir o coração do arcanjo.
    Amor? Não. Era apenas uma vingança pela constante rejeição, e isso a deixou desolada.
    Outra vez foi atrás de Miguel. Este agora não saia do laboratório.
    “Miguel...” Ao ouvir aquela voz, a imagem dela e Azazel se formou
    na sua mente.
    “Saia daqui.” Disse seco, e voltou
    ao trabalho.
    Ela insistiu, e ele então fechou a 
    porta.
    Por quê Luciféria não foi embora?!
    Por quê continuou ali?!
    No escuro ele a tomou para si,
    Não como sua amada, mas
    sim um objeto.
    Arrancou-lhe o vestido branco,
    e a penetrou como um animal.
    Sua mão cobria a dela.
    Ela chorava sem parar, estava
    sangrando, mas ele continuava
    , saindo e invadindo seu
    corpo.
    Dele nenhuma lágrima caia, as 
    chamas laranjas brilhavam em
    seus olhos.
    Ele não parecia mais um arcanjo,
    mas sim um monstro.
    Uma das bestas que vivera no universo
    , muito antes da existência dos 7 deuses.
    Ela não suportou e desmaiou, mas nem
    por isso ele parou.
    Até que percebeu que ela estava imóvel,
    e caiu no choro, desejando nunca tê-la conhecido.
    Seus olhos violetas se abriram, e ela se arrastou para a saída.
    Com todas as forças que lhe restava,
    correu pela lama, pois não conseguia voar.
    Caiu assim que alcançou um metro de distancia.
    E ele correu para ajudá-la.
    Ela estava tão destruída, 
    Que não tinha vida em seus olhos.
    “Me leva pra casa.” Disse com os
    lábios sujos de sangue escuro.
    Ele acatou seu desejo.
    A destruição de um anjo
    Ao entrar na sala azul, sua mãe estava
    sentada no sofá, inconsolável. 
    “Mamãe se acalme estou bem” Disse
    sentando ao seu lado.
    “Eu preferia que estivesse morta!” A
    linda deusa ruiva berrou.
    “O quê?!” A pobre dama ficou sem
    entender.
    “Eu vi! Eu vi você com meu Leviatã!”
    Cerridwen disse claramente perturbada.
    “Eu não...” Luciféria tentou se defender.
    “Estavam na cama. Aos beijos, sem
    qualquer pudor!” A acusou mais uma
    vez.
    “Eu não estava aqui.” Luciféria continuou a lutar para se provar
    inocente.
    “Não se faça de sonsa. Todo mundo sabe a piranha que é. Traiu seu noivo,
    e dormiu com o próprio irmão!”
    Continuou a atacá-la.
    “Pelo menos nenhum deles era meu filho!” Gritou a dama com desgosto.
    “Eu não sabia que Lúcifer era meu filho quando me apaixonei. Mas você jovem meretriz, tinha noção disso.” Rebateu.
    “Disso e de que Samael é seu pai.” Continuou a tentar lhe ferir.
    “É uma qualquer como Hécate! Dorme
    com todo mundo! E se faz de inocente!”
    Permaneceu a insultá-la.
    “É um erro. Um erro grotesco. Tire-a daqui imediatamente!” Ordenou a
    Miguel, que se sentindo culpado
    tentou intervir.
    “Cerridwen devia ouvi-la. Ela não é culpada. Estava comigo!” Disse escondendo parte dos 
    fatos.
    “Como se eu pudesse acreditar, no 
    anjo que foi traído, e continua com a vagabunda!” Respondeu com total
    frieza.
    “Vem Luciféria. Ela não vai te ouvir.
    Esta entorpecida pelo ódio.” 
    A esta altura a jovem não tinha mais voz, e ao ir embora com o seu agressor
    torceu para aquela ser a única vez.
    “O paraíso” é mesmo o Paraíso?
    “É minha culpa. Fui eu quem armou para você.” Disse Miguel entre lágrimas 
    na carruagem, e a jovem o encarou
    incrédula.
    “O quê mais você fez?” Perguntou com
    total falta de emoção.
    “Eu tinha que te segurar lá. Para Eke ir
    e seduzir o seu pai na sua forma.” Soltou a língua.
    “Então o abuso não fazia parte do plano.” Pressupõe ainda 
    mórbida.
    “Meu pai jamais trairia minha mãe comigo. Nos respeitamos demais para
    Isso.” Resmunga olhando para o céu
    azul marinho.
    “Por isso criamos uma confusão em Aldarin, e o substituímos por um sósia.”
    Continua a confessar, entre lágrimas.
    Se sente pior agora.
    “Se sente culpado por acabar com a minha vida? É tarde.” Diz em tom
    de ironia.
    “Não foi apenas uma traição Miguel.
    Eu realmente sinto algo por Azazel.”
    Diz sem pensar duas vezes.
    “Você deixou de me amar?” Pergunta
    assustado com aquela resposta.
    “Depois do quê fez comigo, não consigo
    te perdoar. Então acho que nunca te
    amei.”
    As últimas três palavras ecoam na cabeça do arcanjo.
    E logo toda a compaixão que tinha tido até ali, se transforma em ódio.
    “Não me ama? Tudo bem. Se achou ruim o quê eu fiz...Imagina o quê
    vai achar quando eles fizerem.”
    Disse jogando-a numa cela suja, cheia de jovens bestas, sedentas por 
    sexo.
    “Nunca te amei.” É a única frase que fica na sua cabeça, ao deixá-la para
    trás.
    Com o olhar sem qualquer sinal de vida, ela encarou o seu destino.
    Nada poderia ser pior que destruir o coração da sua mãe.
    A cada passo deles em sua direção, 
    o calafrio subia a espinha, mas
    estava pronta.
    “Eu vou ser o primeiro, afinal ela está aqui por minha causa!” Disse Azazel, 
    se aproximando da moça.
    “Por favor confie em mim. Tudo o quê farei é para te proteger.” Sussurrou em seu ouvido, e então tirou as suas roupas.
    Ele a olhou preocupado, pedindo permissão para ir adiante, mas para 
    ela nada tinha significado.
    Ele a possuiu na frente de todos, 
     e declarou que seria o seu torturador,
    desta forma nenhum outro anjo veio
    a se aproximar dela.
    “Deve está feliz.” Foram as primeiras palavras após dias de silêncio.
    “Não estou. O quê houve para vim acabar aqui?”  Perguntou assim
    ficaram a sós.
    “Fui expulsa de casa. Porquê minha mãe acha que dormi com meu pai.” Resume com sorriso de tristeza.
    “O quê?!” Azazel fica surpreso. “E no momento em que estava supostamente sendo uma puta, eu estava na verdade sofrendo abusos de Miguel.” Continua
    como se aquilo fosse normal.
    “Miguel fez o quê?!” O anjo ferreiro fica irado com aquela alegação. 
    “Me estuprou.” Responde com um sorriso ainda sem graça.
    “Eu vou matá-lo.” Conclui, e ela gargalha. 
    “Ele é Miguel. Se matá-lo, teu pai 
    acaba contigo. Não seja tolo, eu não valho nada mesmo.” Diz sem se importar com a justiça, ou a falta 
    dela.
    “Ele tem que pagar Lucy!” Diz incrédulo.
    “Ele não tem que pagar nada. Você que causou tudo isso, com a sua vingança infantil!” Rebate, tirando-lhe o manto de herói.
    “Você ainda o defende?” Diz Azazel
    totalmente exasperado. “Devia mesmo ter casado com ele. Pois nasceu para ser submissa.” É o último insulto antes de partir.
    A última batalha antes do Fim. Parte I
    Luciféria e Azazel viviam juntos, 
    desde crianças.
    Eram os melhores amigos, e os
    que guiavam os irmãozinhos
    na traquinagem.
    Foi na adolescência, quando Lucy
    descobriu o amor por Miguel, que
    eles se separaram.
    Pois Azazel detestava o arcanjo,
    por saber que era seu rival.
    Então quando ele cuidou dela na cela,
    esta reviveu os momentos de infância, quando ele cuidava de seus machucados.
    E se perguntou “Quando foi que a nossa amizade se destruiu?” 
    Eles tinham nascido um para o outro,
    tal como Harmonia para o Caos, e por
    isso nem a traição os separou.
    Logo tinham se tornado amigos outra vez, e desta amizade veio o sentimento,
    que sempre esteve ali, mas foi ocultado
    por uma paixão juvenil.
    Ele sempre a amou e tinha consciência
    disso, ela sempre o amou, mas não se
    deixava ver, para não perdê-lo.
    E Miguel soube.
    Furioso por saber que Azazel tomava conta da cela dela, decidiu libertá-la
    e levá-la consigo, para garantir 
    sua infelicidade.
    Mas ela preferiu ficar acorrentada e numa cela, sendo feliz. 
    Do quê partir com o arcanjo, e ser
    destratada para o resto da 
    vida.
    “Você ficou louca? Se ele te amasse.
    Teria te libertado, e levado para longe daqui!” Disse-lhe na porta da cela.
    “Me levaria para onde? Se graças a você e seu pai não tenho um lar!”
    Ela berrou.
    “Ele destruiu sua vida. Se não tivesse dormido com você, hoje tudo seria
    diferente.” Diz com certo pesar.
    “Você também me destruiu, e nem por isso deixei de sentir algo por ti.” São as palavras, que jamais deveriam ser 
    ditas, mas foram.
    O eco da porcelana quebrada, se fez no lugar, e ela viu Azazel partindo para longe.
    Seus passos tentaram alcançá-lo, e o
    arcanjo a seguiu.
    Ao vê-la junto do seu maior inimigo,
    pegou uma prisioneira em seus braços,
    e a beijou do mesmo jeito que beijava
    a anjo, que transtornada com aquilo
    , aceitou a carcerária liberdade.
    Luciféria optou por trair o seu povo, 
    pois queria morrer, e esta era a única forma.
    Azazel era sua última gota de felicidade,
    e tinha sido arrancada dela.
    Miguel detestou mais ainda o ferreiro, e odiou não ser a razão da morte de
    sua única amada.
    Ela fez um acordo com Deus para ser destruída, e mostrando a famosa 
    misericórdia, ele limpou seu
    nome.
    Disse-lhe que Luciféria não existiria mais, e agora seria Nahemah.
    Ela aceitou.
    Todos no céu, achavam que Miguel a tinha perdoado, e a detestavam por
    isso.
    Mas ele na frente dos outros, lhe defendia.
    Quando estavam a sós, ele a humilhava de todas as formas.
    Foi então que aconteceu...Lúcifer soube
    que a filha estava querendo cometer
    suicídio, e preparou as tropas para
    ir resgatá-la.
    Ele e o filho adotivo Azazel discutiram.
    “Acha mesmo que Deus lhe dará algo? Eu era o maior dos anjos, e nem a
    mim, ele poupou! Cresce garoto!” 
    Disse-lhe o caído.
    A dama estava pronta para morrer,
    mas quando o pelotão de Miguel veio até ela, para exterminá-la, esta se
    defendeu, e os matou.
    Miguel ficou furioso com a afronta.
    Achou que a morte dela, era um plano para atrair seus protegidos, e matar
    cada anjo no céu.
    Por isso ele a atacou, e os dois lutaram
    com espadas de luz.
    Ele era um esgrimista nato, e ela uma desastrada, por isso perdeu.
    No entanto quando veio o golpe de misericórdia, uma espada a 
    protegeu.
    Era Azazel, com uma armadura de metal, pronto para acertar as
    contas.
    Miguel sorriu. Estava louco por uma oportunidade de destruir o irmão.
    E o tilintar das espadas se encontrando,
    ecoou por entre as nuvens. Porém não
    foi o suficiente para abafar os gritos
    de dor de Nahemah.
    Ao ouvi-la Azazel e Miguel imediatamente pararam.
    O arcanjo queria vê-la sofrer, e o
    anjo a pegou nos braços.
    Ele a salvou. 
    Ao chegar no Inferno, ele a levou a sagrada fonte de cura, que ficava
    perto do penhasco das almas.
    Ela agradeceu, mas eles discutiram,
    e este foi embora com o rosto vermelho por causa de um tapa.
    Um fiel servo de Cerridwen a viu, e sem saber da verdade, fez o quê achou melhor para a sua senhora.
    A jogou no mundo dos humanos, e esta caiu.
    Aquele mundo, não lhe era tão estranho, já havia o visto antes, em suas viagens dimensionais.
    “Este aqui. Pode ser meu novo lar...
    Mas a verdade é que não quero
    existir.” Disse ao se jogar dentro do
    mar, afundando o punhal de Miguel
    contra o coração, e enfim
    morrendo.
    A tristeza de Cerridwen era grande,
    por saber que a filha tinha feito o quê
    fez, mas foi ainda maior quando 
    o seu irmão lhe contou a 
    verdade.
    Eke tinha ido longe demais, por seu amor doentio.
    Yaweh tinha ultrapassado os limites, 
    por falta de maturidade.
    Miguel já nem devia ser chamado de celestial, diante das atrocidades que cometera.
    Mas Cerridwen só conseguia culpar a si mesma, pela desgraça da filha.
    Onde estaria o pequeno fruto de amor, agora que tinha se tornado parte do
    multiverso?
    O espírito dela estava com Harmonia,
    adormecido, pois a titã não queria 
    acordá-la.
    “Ela não lhe pertence!” Cerridwen dizia
    para a mãe, com raiva e imponência.
    “Do momento em que retornou para mim, sim, ela é minha.” Respondeu-lhe
    a velha e sabia Harmonia.
    “Ela é minha filha! Você não tem direito algum sobre ela!” Continuou a brigar.
    “Ela é essência da minha essência, como você.” Disse ainda segurando o espírito da pequena.
    “Volte, e sirva a Yaweh de acordo para
    o quê foi feita. Sacrifique-se, e sua filha será libertada.” Cerridwen engoliu seco aquelas palavras, mas aceitou a
    condição.
    Como castigo, Yaweh que a criou 
    com a energia dos deuses, lhe tirou todos os poderes.
    “Você não tem serventia para mim.
    Mas terá para a minha criação.” Disse
    ao destruir seu corpo de deusa, e roubar-lhe a chama encantada.
    Assim fez Adão, e para ele deu sua esposa.
    Agora sem poder algum, totalmente regenerada, sem memória, e a
    batizou de Heva-Lilith.
    No início Heva e Adão eram felizes,
    de acordo com a vontade do criador.
    Mas dentro daquela deusa agora
    humana, ainda havia rastros
    de sua vida anterior.
    Por isso na hora das relações sexuais,
    Lilith não se sentia confortável, em
    ficar abaixo de Adão.
    Afinal de contas, de alguma forma
    isso lhe trazia a sensação, de que era
    errado, e que chegava a ser abusivo.
    Mal sabia a bela ruiva, que isto já havia acontecido antes, e pior sem o seu
    consentimento.
    Chorosa ela se sentia confusa, e por isso procurou um canto apenas seu.
    Foi lá que ela o conheceu, ou melhor o
    reencontrou. O seu amante, 
    amado.
    Logo de cara, ficou claro que eles se conheciam de algum lugar.
    O fogo e o desejo os consumiam, e por
    isso se entregaram um ao outro.
    Lilith não sabia quem era, mas Lúcifer
    sabia, e queria resgatá-la, para irem
    salvar também a pequena.
    Ele tentou não parecer um lunático,
    por isso pouco a pouco foi fazendo-a se recordar.
    Mas apenas no momento em que disse o seu nome, é que a bela se recordou
    de todo passado.
    Na sua forma humana, ela era ainda mais rebelde.
    Por isso espantou os 3 anjos com facilidade, e seguiu com seu amado Samael, em busca do espírito de
    Luciféria.
    Com o tempo, embora Harmonia discordasse, Cerridwen tinha feito a sua
    parte, e por isso esta permitiu que a
    bela Luciféria renascesse.
    Infelizmente outra Deusa veio, e desposou Adão.
    Os humanos a conhecem como Eva, ou Heca, ou Aisha.
    Nós a conhecemos como Eke.
    Eke não perdeu a memória quando entrou no plano humano.
    Ela se sujeitou a Adão apenas porquê queria causar ciúmes em Miguel, que
    continuava devastado com a perda
    de Nahemah.
    Notando que este nem sequer a olhava, esta fez uma manobra ousada, e pegou
    o sêmen de Lúcifer, e o colocou no
    próprio útero.
    Se Lilith desconfiasse de outra traição,
    ela ficaria infeliz, e se destruiria.
    Eke só desejava ver o circo pegando fogo, e que a família perfeita de
    Nahemah se desfizesse.
    Tudo o quê era bom e importante para Nahemah, tinha que ser destruído.
    Assim como seu coração foi, por Miguel por causa dela.
    Para a infelicidade de Eke, Lilith a reconheceu, e soube na hora que o filho que carregava na barriga, era um artificio.
    Eke furiosa, teve o pequeno Caim, e o
    jogou para morrer no rio.
    Ele não tinha nenhuma utilidade para o seu plano perverso, por isso podia ser
    descartado.
    Lilith salvou o bebê, e o criou como seu, junto do pequeno Asmodeus.
    Como tinha acabado de tê-lo, havia leite para os dois.
    Lúcifer e ela aguardavam pela volta da filha, acreditavam até que viria outra vez do útero de Lilith.
    Mas a pequena Nahemah, nasceu da descendência Luciferiana de Caim.
    Em homenagem ao seu nome celestial,
    eles a batizaram de Namah. 
    Ao ouvir que sua amada tinha renascido, Miguel e Azazel vieram 
    para a Terra.
    Ambos estavam preparados para lutar pelo coração da jovem outra vez.
    A novidade logo chegou aos céus escuros, e todos os seres da Sirius B, desceram também.
    Dando início ao evento conhecido como a queda dos anjos. 
    Os anjos ficaram encantados com 
    as humanas, e por estas se apaixonaram.
    Diz a lenda que Azazel desceu para ter relações com várias mulheres.
    Mas é uma mentira, ele só queria uma,
    a sua doce e indomável Luciféria.
    Miguel não é citado como um caído, pois este veio para supervisionar a
    baderna.
    Assim dizem. 
    Ele só queria vê-la outra vez.
    Desta vez Azazel foi o primeiro amor de Namah.
    “Você é um anjo?” Perguntou no primeiro encontro.
    “Sim, mas cometi um grande pecado.”
    Respondeu-lhe misterioso e com
    charme.
    “Qual” Perguntou-lhe curiosa.
    “Ter te amado acima de Deus.” 
    Respondeu, deixando-a 
    corada.
    O amor é o motivo de toda perdição.
    Foi por amor que caiu uma nação.
    O amor é perigoso, é saboroso
    Não é algo que te dá paz, mas te
    faz se sentir vivo e seguro.
    Todos os anjos da Sirius B, seguiam
    este lema, por isso não se preocuparam,
    e se envolveram com as filhas dos
    homens.
    Destes amores hediondos, nasceram
    os nephilins. 
    Miguel, Gabriel, e Rafael ficaram assustados com a quantidade de novos humanos, e denunciaram para Yaweh.
    Este com ódio da felicidade dos 
    anjos, então decidiu lavar a 
    terra.
    Para proteger Namah, Miguel a colocou na arca, e roubou a mente de Noé.
    “Você não tem culpa dos pecados de Azazel minha querida.” Disse-lhe ao
    empurrá-la para o barco.
    Namah não entendeu nada. Não tinha lembranças de Miguel, mas sentiu um belo calafrio percorrendo a 
    espinha.
    A última batalha antes do fim. Parte II
    A Terra agora era um campo de batalha, após a última investida de Yaweh. Todos os anjos estavam furiosos pela perda de seus filhos e amadas, e
    por isso declararam guerra ao
    céu.
    Azazel não sabia do paradeiro de Namah, por isso acreditou que esta teria falecido com sua filha dentro
    da barriga, e entrou na guerra.
    Yaweh foi atacado com lanças e luz,
    seus anjos lutaram contra os anjos
    de Lúcifer.
    Sangue inocente tinha sido derramado,
    os filhos não tinham culpa do pecado
    dos pais!
    Caos estava agindo como nunca, pois achava que o filho estava fora de
    controle.
    Sem mais o quê fazer ele o trouxe.
    O irmão gêmeo de Samael. 
    Bael o senhor dos raios.
    O implacável, o destruidor, o mentiroso, o ilusório.
    Era a sua última saída para acabar com a guerra, que estava favorecendo o
    seu inimigo.
    Por isso lhe deu a chama de Zebub.
    Um poder que nem ele podia conter, pois esta pequena chama, era uma importante parte de Caos.
    Era a sua última alternativa, e Bael abraçou aquele poder com todo
    o seu coração.
    Bael desceu então a Terra, e enviou as 7 pragas do Egito, para desmoralizar os
    templos dos anjos.
    Tamanho poder era maior até mesmo que o de Lilith e Lúcifer juntos!
    Por isso as tropas dos caídos foram recuando.
    Yaweh comemorou com gosto, estava feliz com a gloriosa vitória.
    Porém quando resolveu tirar a chama de Zebub, Bael se revoltou, e o subjugou.
    Bael não precisava mais de Yaweh, era mais forte que ele, por isso decidiu que seria o novo Deus.
    Mas como quase ninguém sabia da sua existência, ele precisou de um bom peão.
    “Ficarei por trás de você. Te comandarei. Mas o novo Deus sou
    Eu.” Disse para um famoso arcanjo.
    “Eu jamais...” Miguel se recusou de imediato, nunca quis o trono do
    pai.
    “Vi como olha para a humana. Sei do seu passado vergonhoso com ela. Se não o fizer, eu vou destruí-la para
    sempre!” Disse Bael para lhe
    convencer.
    “Eu tenho o poder primordial Mikael.
    Um estalar de dedos, e sua humana, deixa de existir.” Ameaçou-lhe, e o
    Arcanjo aceitou, fingir que seria
    o novo Deus.
    “Meu filho...Seus irmãos te odiarão.”
    Chorou o Deus criador, ao ver o jovem sentando-se ali no trono, e fingindo ter tomado o poder para proteger a sua eterna amada.
    Luciféria agora se chamava Isis, em homenagem a deusa.
    E pouco ou nada se lembrava, caminhava ao lado de Toth, sem saber que eram amantes divinos em outra vida.
    Ele fazia por ela, o mesmo que Lúcifer fez por Lilith. Tentava lhe devolver sua memória, e reascender sua chama 
    genômica.
    Ela pouco entendia, mas era fascinada pelos ensinamentos de Toth-Azazel.
    Até que certo dia despertou, e lembrou-se de tudo, incluindo dos filhos que tivera com Noé, que na verdade eram de Azazel.
    “Eles nasceram, cresceram, e se reproduziram meu amado, antes de voltar para os braços de Harmonia.”
    Disse-lhe com um sorriso, e isto
    trouxe paz ao demônio.
    “O importante é que vocês 3 estavam bem.” Disse-lhe caminhando ao lado
    dela.
    “Infelizmente esta é a nossa última notícia boa. Deus agora é implacável com seu guerreiro Bael, não temos
    chance de vencer.” Disse com
    pesar.
    “Sempre há chance para a justiça, por mais escuro ou claro que pareça.” Lhe respondeu olhando para o céu.
    “Nahemah.” Disse-lhe o sopro no ouvido, e então Miguel apareceu para ela, acima das montanhas, usando a coroa de um Deus.
    “É Isis na verdade.” Respondeu com
    indiferença. “Pra mim sempre será Nahemah ou Luciféria.” Disse sorrindo sem  jeito.
    “O quê queres anjo ?” Disse com certo desprezo.  “Meu pai é culpado por muitas tragédias, mas não é ele quem está causando estas.” Disse sem
    pensar duas vezes.
    “São semelhantes.” Retrucou com total indiferença.
    “Não são. Ele ama os humanos, não mataria crianças pequenas, apenas porquê um servo pediu.” Respondeu-lhe tentando defender o todo poderoso.
    “Ele matou milhares de nephilins.” Rebate sem acreditar na salvação.
    “Não eram puros.”  Miguel continua
    apreensivo. “Eram bebês!” Ela grita.
    “O sangue estava manchado. Não
    eram humanos, nem demônios eram
    aberrações!” Outra  justificativa 
    barata. “Já chega! Não importa quem está no poder agora! É tão injusto quanto seu pai!” Urra horrorizada com a forma como ele trata os demônios
    mirins. “Nahemah...” Ele tenta falar.
    “É Isis. Como a Deusa.” O corrige friamente.
    “Isis. Não se trata do meu pai mais.
    Bael quer mais poder, ele quer está acima do bem e do mal.” Conta-lhe
    com certo medo.
    “Precisamos unir forças.” Implora segurando-lhe as mãos delicadas. “Nunca me uniria você.” Responde
    deixando-o para trás. 
    “Mas a informação foi útil. Obrigado
    querido tio.”  Diz ao se retirar, e o deixa exasperado. Detestava ser chamado de tio por ela, porquê isso lhe trazia culpa,
    e demonstrava que ela não o queria
    mais.
    “Grande deusa Nuit.” A chamou. “Sabes que é minha filha. Não deve se ajoelhar para mim” Disse-lhe a deusa.
    “Prefiro desta forma ó grande Nuit, deusa soturna.” Responde com sarcasmo.
    “O quê deseja?” Lilith revira os olhos.
    “Um anjo veio até mim, e me contou que o tal Bael agora reina no céu.” Disse evitando o contato.
    “E o quê isso tem a ver conosco?!”
    Lilith exclamou sem entender.
    “Bael está sedento por poder, e segundo o anjo, ele quer o Inferno
    também.” Respondeu-lhe com 
    um pouco de indiferença.
    “Isso não é possível. Bael e seu pai tem caminhado juntos, são grandes amigos, e odeiam Yaweh, até fundaram a ordem de BAAL com seus filhos.” Lilith parece desacreditar da informação.
    “Qual foi o anjo?” Lilith pergunta desconfiada.
    “Miguel. Meu anjo da guarda.” Isis gargalha, e Lilith permanece 
    séria.
    “Miguel não mentiria para você. O passado tem um peso grande entre vocês. Vou averiguar isso” A deusa
    desapareceu do templo, e a jovem
    fez um sinal de reverência.
    “Então Miguel continua a te procurar...” Toth brinca realizando um feitiço. 
    “É...Mas é estranho. Não é como você,
    é como se nunca o tivesse o conhecido, e o odiasse mais que tudo.” Responde
    sentando-se a mesa.
    “Ainda tem sentimentos por ele. Sempre vai ter. Resta saber se o quê sente por mim é maior” Diz com total serenidade. Azazel era maduro, apesar de ser seus surtos de juventude, ainda era mais
    confiável que Miguel.
    “É claro que é. Já disse nem conheço aquele anjo.” Isis responde de imediato, e Toth ri. “Será mesmo?” É o quê pensa
    ao analisar o seu invento, uma esfera
    negra móvel, com anéis envolta.
    Lilith entra na sala em forma de coruja, e caminha até os dois jovens. 
    “Atrapalho?” Disse com um sorriso, e eles disseram que não.
    “Miguel estava certo. Notei nas conversas de Bael, insinuações de que anseia roubar o Inferno.” Lilith dá as notícias.
    “E o quê podemos fazer para impedir?”
    Azazel prontamente se mostrou para a batalha. 
    “Devemos reunir o conselho secreto.”
    Lilith fala porém nenhum dos 2 anjos entende o código.
    “O conselho secreto, é uma reunião entre deuses celestiais e infernais, com os titãs primordiais, para impedir uma catástrofe universal.” Explica-lhes e
    ambos esperam por mais informações.
    “Lúcifer e eu, não podemos presidir o conselho, pois somos oficialmente os aliados de  Bael. Mas você e Azazel
    podem, pois ambos renunciaram
    a coroa.” Lilith lhes dá uma luz, e os dois rapidamente recusam a proposta, porém a 00:00 do mundo humano, eles atravessam o portal, e vão para o Conselho Secreto.
    “Todos que estão aqui, se encontram sob o regimento do Conselho. Portanto as brigas de Luz e Trevas devem ser esquecidas, por um único objetivo,
    a nossa preservação.” Diz Harmonia sentando-se entre as árvores que parecem um trono.
    Para surpresa do jovem casal infernal,
    Miguel é quem fica no lugar do pai, e este evita encará-los, pois não deseja brigar, nem trocar farpas.
    “Existe um terrível rumor de que Deus foi destronado.” Inicia Harmonia.
    “Não é rumor, vovó Harmonia. Estou aqui para provar que é verdade.” Miguel então retira uma esfera do bolso, e dela saem imagens holográficas , na qual Bael lhe diz algo, e este se vê
    obrigado a fazer o quê ele quer.
    “Meu filho. Suas provas o incriminam.”
    Harmonia diz assistindo as imagens. “Não! Ele me obrigou!”  Miguel se defende, e Isis ri.
    “O quê ele lhe disse? Que Apep ia te pegar?!” Isis diz em tom infantilizado.
    “Não. Que ele te mataria se eu não o  fizesse.” Miguel fica cabisbaixo, pois sabe que não receberá gratidão.
    “Você não é meu marido. Se eu tiver de morrer por esta causa, eu vou. Não preciso de sua proteção.” Retruca com total ingratidão, e Miguel sorri com
    raiva.
    “Já chega vocês dois. Briga de casal não tem espaço nesta reunião. O problema aqui é maior que um romance que não
    deu certo.” A velha Harmonia, caracterizada com anos humanos diz.
    “Prossiga Miguel.” A anciã passa a palavra para o arcanjo, que olha com mágoa para a amada.
    “Bael não quer ser o Deus do Céu. Ele quer a Terra. O Inferno. Tudo!” Chega ao ponto principal.
    “Isso é muito grave! Bael está com a chama de Caos! Ele tem poder para ter esse tudo!” Harmonia entre em 
    pânico.
    “Sim, por isso sugiro uma união de forças opostas.” Miguel põe as cartas na mesa, e Azazel e Isis trocam 
    olhares.
    “Se for pela preservação de nosso povo.
    Nós aceitamos. Nos unir. A eles.” Isis responde de má vontade.
    “Eu irei conversar com a alta hierarquia infernal, e descobrirei quem serão os
    nossos aliados.” Azazel com sua mente estrategista, logo percebe que haverão
    traidores, por isso se dispõe a tirar isso
    a limpo.
    “Vou usar meu poder de Deus para conseguir mais aliados.” Miguel diz para os outros.
    “Eu vou ficar calada e observar.” Isis brinca, e Miguel sorri mas é o único.
    “Vou convocar meus melhores dragões, e irei até o reino da minha mãe, para conseguir bestas celestiais.” Revira os olhos, e assume um posto.
    “Ótimo. Estamos todos entendidos.
    Mas para evitar problemas diplomáticos, preparem suas armas
    silenciosamente.” Harmonia termina a reunião e os tronos somem.
    Findado o encontro, Miguel e Isis discutem, e Azazel se retira alegando
    que eles tem muito o quê conversar.
    Ao amanhecer Isis convoca sua mãe para uma reunião, e pede-lhe para entrar nos mundos de Tiamat.
    Azazel inicia um evento entre os demônios da mais alta patente do
    Inferno, e os analisa friamente.
    Miguel tenta evitar Bael, e o engana com visões falsas do futuro, onde ele é o Deus vencedor, e todos caem em ruínas.
    Naquela noite houve uma reunião...
    Bael estava com um enorme sorriso, e
    Lilith o observava com cautela, enquanto Lúcifer aparentava está
    despreocupado.
    “É claro que o Inferno é imbatível. Fez um excelente trabalho aqui irmão.” Disse Bael extremamente maravilhado
    com as terras sombrias.
    “Há regras que servem para sobreviver,
    e não são abusivas como as de Yaweh. É
    um sistema realmente perfeito.” Disse
    elogiando a gestão do reino.
    “Nossos filhos, e irmãos de guerra fazem sua parte direito. Por isso Bael que estas terras são tão perfeitas.”
    Lilith disse com um sorriso, mas Bael a ignorou, pois para ele as mulheres não podiam ter voz.
    “Estou vendo.” Disse-lhe com indiferença, e notando o incômodo da
    esposa, Lúcifer a encarou, e os dois
    inventaram uma desculpa para
    ficarem a sós.
    “Não se sente nada confortável com Bael não é?” Perguntou-lhe ao abraça-la por trás, sentindo o calor do seu 
    corpo quente e nu, sob o veludo
    vermelho.
    “Fora o fato de ser tão idiota quanto o seu pai. As crianças me contaram que ele quer o inferno.” Responde-lhe com
    um sorriso de prazer, e depois a sua
    expressão muda.
    “E como Luciféria saberia, se só conseguiu recuperar as memórias?” 
    Lúcifer logo percebe a fonte da informação, e a acaricia.
    “Como sabe que...?” Lilith nem termina, e seu amado lhe dá um beijo no pescoço.
    “Ela é a sua favorita, e também é a minha. Sempre será a primeira que nós
    vamos ouvir.” Respondeu, e a demônia
    girou, e o jogou nas almofadas, o
    fazendo sorrir.
    “Eu amo todos os meus filhos Lúcifer.” Lhe disse arrancando-lhe suspiros intensos.
    “Mas a Luciféria é a sua especial.” Lhe respondeu tentando respirar, pois a
    Rainha do Inferno, sabia bem 
    o quê fazia.
    “Calado.” Ordena pressionando-se contra o corpo dele, e deixando-o
    mais alegre.
    “Quem disse esta sandice do meu
     irmão para a Luciféria ?” Pergunta-lhe agarrando-a, e jogando-a nas almofadas.
    “O anjo da guarda dela.” Lilith também brincou, e ele a puxou, sentando-a entre as suas pernas.
    “Miguel é um traidor. Por causa dele, ela quase morreu quando era um bebê, e se matou na adolescência.” Diz sério,
    abraçando-a, e beijando-lhe o pescoço.
    Não é a toa que eram conhecidos 
    como o casal da luxúria, até para conversar sobre os assuntos sérios, 
    eles ficavam na “cama”.
    “Eu sei. Mas é inegável que a ama.
    Ele mudou bastante depois que a viu morrer.” Lilith tenta convencer ao marido. 
    “Miguel não ama ninguém. Só ao meu pai. Deve ter sofrido abusos na infância para ser tão apegado ao tirano.” Lúcifer se mostra descontente, e ignora o
    aviso.
    Infelizmente para o imperador, o aviso do celestial era real, e num dia qualquer
    houve o desastre.
    49 dos 72 demônios mais poderosos, 
    se voltaram contra Lúcifer e seus aliados.
    “Regras. Quem precisa delas?” 
    Diziam em coro, ao amarrar e amordaçar os demônios
    machos.
    Como acreditavam que as fêmeas 
    não representavam perigo algum, 
    as deixaram livres.
    Lilith correu para fora do inferno, levando suas 2 outras irmãs, e
    alguns sobreviventes.
    “Me diz que fez algo Luciféria!”
    Lilith berra em desespero, e a moça abre um portal para Tiamat.
    “Eu chamei eles para nos ajudar.”
    Luciféria chama os seus amigos gigantescos, 
    e as bestas caminham lentamente 
    para fora.
    “Se nem eles tiverem forças para derrotar Bael estamos perdidos.” 
    Lilith diz, e saca a espada para lutar contra os 49 traidores da causa.
    Luciféria monta em seu dragão azul acinzentado Graham, e parte  para a batalha, pronta para resgatar os
    irmãos e os menores.
    Após algumas horas...A princesa demônio, volta na sua forma humana,
    está exausta depois de prestar os
    primeiros socorros.
    “Nahemah.” Diz o arcanjo Miguel com
    tristeza, e se aproxima dela.
    Más notícias estavam a caminho, e ela sabia, por isso desceu do seu animal, 
    e correu até ele.
    Este tentou segurar sua mão, lhe dá
    apoio. No entanto quando ela viu o seu
    amado jogado numa maca, correu 
    para os seus braços.
    “Azazel!” Berrou ao ver as profundas 
    marcas no corpo do seu anjo demoníaco.
    “O quê você fez?!” Ela salta no pescoço
    do anjo, tentando enforcá-lo como
    se fosse mortal.
    “Se acalma.” O arcanjo disse com frieza, tentando não sentir a palma quente 
    dela em seu corpo.
    “Você o deixou a beira da morte!” Urra com lágrimas descendo pela face.
    “Eu não fiz nada. Esse idiota quis enfrentar Bael, e se não chego a tempo não estaria aqui.” Responde com 
    total compostura.
    “Luciféria...” Sussurrou o demônio ferido, e a bela se soltou dos braços do ser angelical, para se ajoelhar ao 
    lado dele.
    “Achou que apenas esse babaca faria de tudo para te proteger?” Riu e tossiu logo em seguida.
    “Isso foi idiota Azazel. Eu não quero que ninguém me proteja!” Diz chorando e
    beijando a mão do primeiro 
    sátiro.
    “Mas eu sempre vou. Não importa 
    se está comigo ou com ele. Você sempre
    será minha protegida.” Diz com uma
    voz rouca.
    “Faça ela feliz...Tem 500 anos antes 
    de voltar.” São suas últimas palavras
    antes de partir. 
    Ao ouvir aquilo a moça fica em pânico, e o anjo sem palavras. 
    Lilith observa tudo, e acata a vontade do filho. Colocando as mãos nas
    costas do casal.
    “Nahemah você está bem?” O anjo diz mais preocupado com o estado dela,
    do quê com a oportunidade.
    “Não.” É a única coisa que sai da sua boca, antes de voltar para o campo
    de batalha.
    Agora era como não ter nada a perder,
    por isso montou em Graham, e foi
    para o centro da luta.
    “Bael!” Gritou com fúria, erguendo a sua espada, enquanto o dragão seguia até ele. 
    Ao ver que ela estava prestes a cometer suicídio, o arcanjo entrou em pânico,
    e voou tirando-a dali.
    “Você enlouqueceu?!” O arcanjo 
    berra, ao chegar no deserto.
    “Responde!” Diz chacoalhando-a
    , mas ela está sem reação.
    “Ele vai voltar daqui há 500 anos. Não é para sempre!” Grita-lhe, tentando lhe
    fazer agir, mas esta fica a 
    chorar.
    “Por favor. Eu não quero te perder de novo. Não me importo se não ficarmos
    juntos, só não quero, não ter a chance
    de pelo menos tentar.” Diz entre 
    lágrimas, segurando as 
    suas mãos.
    Ao ver o desespero do arcanjo, 
    Lúcifer percebe que há sentimento
    da parte dele pela pequena.
    “Lilith não cansa de está certa?” Ele 
    ri seguindo na forma de um gigantesco dragão ocidental, tentando se libertar
    da prisão em que Bael lhe colocou.
    A última batalha antes do fim. Parte III
    As tropas de Lilith e Nahemah 
    seguem adiante.
    Sangue cai na areia, e o som do encontro dos metais ecoa.
    A princesa demônio está montada
    no seu dragão, acompanhada por
    Cérberos, e sua hidra de 
    estimação.
    A imperatriz infernal, está na 
    forma de uma gigantesca besta draconiana.
    De tortuoso corpo ocidental, com espinhos saindo de sua
    face.
    Ela é bela, porém por ser uma 
    deusa, pode tomar qualquer forma
    , incluindo a dos maiores pesadelos
    do inimigo.
    “Vamos para o norte.” Diz Lilith  
    com toda a grandeza de Tiamat, indo em direção ao abismo, junto das demônias guerreiras.
    “Está bem.” Nahemah aceita a ordem,
    e da a direção para as feras.
    Elas encontram uma gigantesca esfera,
    que parece um globo de vidro.
    Lilith vê Lúcifer preso no fundo, e logo
    ataca a barreira, cuspindo bolas 
    de energia.
    Ela precisa tirá-lo dali.
    Ele é o seu amado, sua vida, sua paixão.
    Percebendo que sua consorte quer libertá-lo.
    Lúcifer também tenta destruir aquele
    bloqueio.
    No entanto sozinhos não são páreos para tal força.
    Notando que seus pais precisavam de
    ajuda. Nahemah ordena que os dragões
    , ataquem a barreira em sincronia com
    a sua mãe.
    Ao ver todas as feras, as guerreiras 
    Infernais, usam os seus dons. Unindo
    as forças, elas criam uma rachadura
    , e eles usam todo o vigor para 
    quebrá-la.
    Ao destruir aquele muro mágico, os demônios correm para as suas amadas, e ficam felizes, pela regra de Lilith existir.
    Já que sem ela, as moças nem 
    sequer saberiam como usar suas habilidades.
    “Vocês foram brilhantes.” Diz 
    Lúcifer enrolando seu pescoço ao da 
    sua amada, enquanto ficam acima 
    da bela Nahemah.
    Todos os demônios fiéis a Lúcifer 
    e Lilith, se curvam em respeito a eles.
    E os dois se abraçam, pousando em
    cima de Graham.
    Logo Mammon, Caim, Asmodeus, e Solomon, se juntam a família, e
    eles ficam em Graham.
    “Este foi o primeiro passo. Onde está o meu guerreiro equivalente? Onde está Azazel?”Diz Lúcifer notando que o 
    ferreiro não está ali.
    Nahemah não tem palavras, apenas sinaliza em silêncio, negando com lágrimas descendo pela face.
    Lúcifer se enfurece. Embora fosse o 
    Filho de Cerridwen e Yaweh, ele o tinha criado e educado. Foi o primeiro filho
    que conheceu, antes de Lucy.
    Lilith também não estava feliz com a perda, queria assassinar Bael a sangue quente. Mesmo sabendo que não tinha chance, contra aquele que tinha parte
    do poder do seu pai.
    “Vamos destruir Bael.” Lúcifer disse com voz feroz, e Lilith concordou.
    “Nahemah.” Ouviu-se a voz do arcanjo, e a jovem virou-se para trás. Apesar da narrativa, Miguel era o único que lhe chamava por este nome.
    “Eu devo ir. Ele tentou salvar Azazel.”
    Diz caminhando pela fera, e Lúcifer fica de queixo caído. Jamais pensou que o
    arcanjo, pudesse fazer algo que não 
    lhe fosse conveniente.
    “Talvez se o seu pai e o meu se unirem,
    eles podem ter uma chance.” Diz Miguel
    , e a jovem apenas balança a cabeça.
    “Eu irei ajudá-los. Mas não posso entrar diretamente. Bael me destruíria.” Diz
    Harmonia, voando como um 
    fantasma.
    “Então o quê pretende fazer?” Pergunta a garota, sentindo o vento em seus
    cabelos.
    “Te dá a minha chama sagrada.” Diz a grande titã primordial, e o anjo fica
    com os olhos arregalados.
    “Nem pensar! Isso vai matá-la!” o 
    anjo grita, e a dama o encara com indiferença.
    “Não vai. Ela já é quase uma deusa, tal como a mãe. Só precisa deste poder.”
    Diz a velha Harmonia, sorrindo 
    para o jovem.
    “Ela é humana com a descendência de Caim. Ela tem o sangue de Lúcifer, que é filho de Cerridwen, portanto o poder do
    gene, se encontra adormecido nela.”
    Esclarece mas o arcanjo não se
    mostra convencido.
    “Além do mais, se ela não concordar com os meus termos, nunca mais verá o seu amado Azazel. Pois reencarnar ou não, depende apenas de mim.” A sábia anciã ameaça a moça, e seus olhos se
    arregalam.
    “É bem simples. Um favor por outro.
    Vire uma deusa, e escolha o próximo destino do seu parceiro, ou deixe-me escolher, e o mando para o portal.”
    A velha ri com maldade, e a dama congela. O portal era o pior lugar para onde Azazel poderia ser enviado, pois
    lá, tinham diversas criaturas nocivas, até mesmo para os deuses.
    “Aceito.” Nahemah concorda, e o arcanjo fica sem reação.
    “Como sempre fazem tudo pelos seus demônios. É melhor assim Miguel, esta menina tal como a mãe, jamais deve se unir a um celestial.” Harmonia julga
    a atitude da neta.
    “Então aceita o amor dos meus 
    pais?” Nahemah a provoca com sarcasmo.
    “É preferível que anjos e demônios são
    misturem mais.” Harmonia responde.
    O amor de Cerridwen e Lúcifer muito 
     a desagrada.
    Porém nada mais faz para impedi-los, apenas preserva seu querido 
    Yaweh. 
    “Eu não sou meu pai.” Miguel decide
    falar, em vez de apenas acatar a
    vontade da avó.
    Esta o reprimi imediatamente, mas
    ele não reage.
    Isto era preocupante, pois significava que a cópia perfeita de Yaweh, estava 
    a apresentar o defeito da falta de 
    disciplina.
    “Ela não vale a sua queda.” Diz a titã,
    e a jovem desvia o olhar. Já fazia um tempo que o evitava, e  não era 
    agora que iria parar.
    “Vamos ao que importa. Por favor. Como fará de mim uma deusa?” 
    a dama pergunta, desviando o assunto desagradável. 
    “Desta forma.” A criatura enfia um raio no coração da dama. 
    Fazendo seu corpo estourar por dentro, com tanta força que o sangue voa.
    Ela berra desesperada, e Miguel fica pasmo com a atitude da anciã.
    Suas mãos apertam os braços dele, 
    mas ele não a deixa cair no ar.
    “Eu não vou suportar!” Grita ao 
    sentir seu corpo se transformar 
    em energia.
    “Miguel!” É o seu último grito antes de
    explodir, nos braços do príncipe do
    mundo celestial.
    Mas assim como explode se refaz, tal como um Deus, agora é imbatível
    equivalendo-se a  Bael.
    “Agora eu vou matar Bael!” Ruge flutuando no ar, com asas de
    energia.
    “Não. Você vai libertar Yaweh, para que ele e o seu pai o derrotem. Tem apenas a minha chama, e o poder de Caos é
    muito mais destrutivo.” A velha a
    desanima.
    “Está bem. O quê faço?” Questiona, 
    e Harmonia lhe responde “Use sua criatividade. É uma deusa criadora agora”.
    A jovem então imagina o multiverso com milhões de cordas, e que pode manipulá-las.
    Sendo assim todas estas cordas, destinos, devem lhe obedecer, e por 
    isso não demora para achar 
    Yaweh.
    Ao entrar na prisão do avô, este fica surpreso com quem veio resgatá-lo, e não consegue deixar de se sentir mal, por tanto tê-la atormentado.
    “Não vim por você. Nós não somos 
    uma família. Apenas devia um favor a Miguel, ele tentou salvar meu amado.” Diz antes que venha o agradecimento
    do Deus caído, e Miguel dá razão a 
    nova deusa.
    “Preciso conversar com Cerridwen.” É
    a primeira coisa que diz. 
    “Terá tempo para isso. Vamos.” Diz 
    a bela, levando o criador para a liberdade.
    “Você não conseguiu não é?” Deus
    pergunta para o filho, e este ri
    baixinho.
    “Ainda não.” Diz olhando para 
    a criatura voadora, que o observa
    sem entender nada, e segue em
    frente.
    Yaweh e Cerridwen fazem um acordo 
    de ajuda mútua. Ao ouvir que o velho estava de volta, muitos anjos correm
    para servi-lo.
    Como diz o velho ditado. “Um rei nunca perde a sua  majestade.” Haviam os que estranhamente lhe eram gratos, os que gostavam do seu sadismo, e aqueles
    que o amavam acima de tudo.
    O exército de Bael reduziu rapidamente com a chegada de Yaweh, e ao ouvir que a filha o tinha libertado, Lúcifer
    ficou furioso.
    “Você enlouqueceu?! Só porquê o arcanjo mudou pelo que o fez sentir,
    não significa que Yaweh merece uma segunda chance!” Berrou para a
    jovem, que ficou em silêncio.
    “Ele torturou a sua mãe, quase te matou, e ainda destruiu nossa família por séculos. Como pode nos trair desta forma?!” O imperador do Inferno, disse batendo contra a mesa de pedra.
    “Papai eu não tive escolha.” É a sua primeira defesa, antes de pensar em
    outra resposta.
    “O quê? A velha Harmonia te ofereceu a oportunidade, de ser uma semelhante a sua mãe por completo, e você não a
    agarrou? Difícil de acreditar Luciféria Lilith II!” Responde-lhe com sarcasmo.
    “A vovó ameaçou jogar Azazel no portal, se ela não fizesse.” Diz Miguel invadindo o recinto com indiferença, e a bela por mais raiva que sinta deste, lhe agradece em silêncio, arrancando-lhe
    um sorriso.
    “Harmonia fez o quê?! Esta mulher já está passando dos limites!” Lúcifer fica exasperado, e os jovens se encolhem.
    “Oras Lúcifer sua filha é muito fácil de enganar. Jamais atiraria o moleque no portal, ele é o quê mantém ela longe
    do meu neto.” Diz o espectro de 
    uma idosa.
    Ao ouvir aquelas palavras, Luci se sente intrigada, e se retira daquele local. Indo
    para o meio da cidadela, onde observa
    as estrelas, e outra vez manipula as
    cordas do destino.
    “Miguel vai se apaixonar por esta criatura insignificante! Isto não pode acontecer! Ele deve protegê-la,
    e amar a criatura mais perfeita que
    criei para ele, a doce imitação de
    minha amada filha Hécate! ”
    É a mensagem que lhe vem a mente, 
    e então esta induz mais um dos cruéis ataques de Yaweh a Cerridwen, e este a engravida de um bebê, que no futuro se chamaria Azazel, mas nem a primeira sabia a razão disso.
    “ A chegada deste filho, criará um empecilho para o anjo apaixonado. Por ser mais jovem, e ser educado pela  Cerridwen, crescerá um rebelde, e fará
    um par perfeito para esta coisa de
    cabelos vermelhos.” 
    E assim vê-se o início da infância de Nahemah, onde ela e o irmão estavam sempre juntos nas maiores enrascadas, e Miguel apenas os supervisionava.
    Pois para Harmonia, o fato de seu 
    neto conviver com a sua perdição desde cedo, lhe faria vê-la com indiferença.  O quê ela não esperava, era que a moça é que iria despertar o amor pelo arcanjo,
    e não desistiria até conquistá-lo.
    “Nahemah” Ouve a voz do seu primeiro
    amor, vindo por trás dela, e uma lágrima cai.
    “Vá embora.” Diz de imediato, e seus pés que não tocavam o chão, afundam na areia fofa. Todavia o alado não só não parte, como fica a esperar uma resposta.
    “Não é hora, nem o momento.” Diz se preparando para ir, mas o arcanjo pega seu pulso, e nota que sua face está rubra.
    “O quê houve desta vez?” Pergunta-lhe secando suas lágrimas. 
    “Não importa. Apenas fique longe de mim.” Retruca e se afasta tomada pelas sombras da dúvida. Todo o sofrimento não só estava previsto, como foi escrito,
    para favorecer o príncipe sombrio, e
    agora ela se perguntava se o quê sentia
    era real, ou outra obra egoísta de sua
    avó manipuladora.
    “Nah...” Mas antes que prossiga, a bela o silencia com o indicador, o deixando
    confuso.
    “Sei que me chama assim, porquê significa Agradável, e poucas coisas são 
    na sua vida. Mas acho que Eke merece
    este nome mais que eu.” É tudo o quê
    diz antes de partir.
    Miguel fica sem entender nada do quê se passa. Nunca se interessou por Eke, na verdade a achava insuportável, por ser tão submissa, e sem vontade 
    própria.
    Se aquilo era ciúme. Era um ciúme infundado, por isso queria resolver logo
    , já que indicava que a bela ainda tinha sentimentos por ele. Pobre iludido.
    “Nah...Luciféria. Eu não sinto nada por Eke!” Disse o arcanjo, quando a viu atravessando a porta. Por ouvir isso, a jovem não se contém, e esmurra a
    mesa de pedra.
    “Diga para ele querida vovó.” A nova deusa encara a primordial, e esta foge do seu olhar, contudo usando o seu poder, a garota vira-lhe o rosto, forçando-a a olha-la.
    “Diga.” Soa como uma ordem, e os dois anjos mais bravos do céu e do inferno, ficam apreensivos por tamanha
    ousadia.
    “Você e Luciféria não estão juntos por minha causa.” Confessa a anciã, e aquilo não surpreende a ninguém, todos sabiam da sua onipotência gigantesca, e por isso a deusa menor, lhe joga um
    olhar para continuar.
    “Quando soube que Cerridwen tinha se apaixonado por seu próprio filho, temi o quê estava por vim, e quando vi que você se apaixonou pela filha dela, tive de tomar providências.” Prossegue deixando a todos de queixo
    caído.
    “Você não sabia do romance do meu pai com a minha mãe!” Grita-lhe com impetuosidade, e notando o seu grau de estresse, o anjo afasta-se do irmão, para lhe dá algum apoio.
    “Não? Ah deve ter visitado a linha do tempo errada, quando soube que um anjo o levaria a perdição, e mais tarde vi que era ruiva.” A velha ri da ingenuidade da pequena.
    “Eu sabia que ela iria machucá-lo.
    Você nasceu de um casal do perfeito matrimônio, e ela de uma abominação.” Responde olhando 
    para o rapaz, que se mostra também furioso agora.
    “Por isso antes que ela viesse, lhe dei o par ideal, para que vocês não ficassem juntos. Meu filho, Eke é o seu par, não
    Luciféria” Segura as mãos de Miguel
    , e este se solta com repulsa.
    “E o quê nós queríamos? Os sentimentos de cada um? Isso não
    valia de nada?!” Miguel é o segundo a gritar com a sogra do imperador, e este observa este momento, saboreando 
    a revolta contra ela.
    “Azazel realmente me ama? Eu o amo? Ou isto foi só parte do seu plano estúpido?!” A dama diz tremendo-se por completo, tomada pelas 
    lágrimas.
    “Já chega.” Diz Lúcifer silenciando a todos na sala. “Não importa se esta senhora lhe empurrou Azazel. Ele pode ter nascido para atrapalhá-los, mas não
    é obrigado a amar ninguém. Até porquê
    se tem algo que os primordiais não
    conhecem é o amor.” Prossegue tentando acalmar a filha.
    “Você! É tudo sua culpa! Se tivesse aceitado seu posto de soldado, e não se apossasse da coroa de Yaweh, nenhuma
    destas aberrações estariam aqui!” A
    primordial o acusa, e o demônio ri
    de tamanha hipocrisia.
    “É? Então para você o certo, seria deixar Cerridwen nas mãos de Yaweh, ou como Lilith nas mãos de Adão? Sendo humilhada por ambos, sem saber do próprio potencial?!” Urra como um
    leão, e a velha o ignora.
    “Se este é o correto, por quê não?” 
    A velha retruca, e o rei demoníaco ri de novo, claramente ensandecido. No entanto a mão delicada em seu ombro o silencia, é Lilith que se mostra bem
    calma, perante as sandices da
    mãe.
    “Não adianta discutir. Ao menos Yaweh parece entender, então em vez de perder tempo com essa senil, por quê não nos preparamos para deter Bael?”
    Diz com tanta classe e imponência, que todos se curvam perante a ela, menos
    a sua genitora. Sem dizer mais uma palavra, Lúcifer segue sua rainha, e a primordial se vai, deixando apenas o
    casal mal resolvido para trás.
    “Eu tenho que ir.” Luciféria se prepara para partir, porém o arcanjo não a deixa sair.
    “Não me importo com a vontade de Harmonia. Eu amo, e sempre vou amar você, somente você.” Diz em seu ouvido, e aquilo mexe com a sua cabeça, porém antes que aconteça algo, ela se lembra de Azazel, e se esforça para seguir
    para longe.
    “Meu marido acabou de morrer. Seria desrespeitoso.” Diz com a voz fraca, lutando para se soltar, e um sorriso bem saliente, se forma no rosto do arcanjo. “Mais desrespeitoso que ter relações com ele no dia do nosso casamento? Eu acho que não.” Rebate, beijando-a de surpresa, ela tenta resistir, só que não consegue. Seu coração ainda pulsava por ele, mesmo que agora fosse uma pequena parte, e por isso aqueles
    segundos se prolongaram.
    “Chega.” Tem força para empurrá-lo, e este passa a mão nos cabelos sedosos. “Só foi capaz de dizer isso agora?” Brinca fazendo referência ao tempo que passaram, sentindo seus lábios se tocarem.
    “Isso não vai acontecer novamente.” Sai um pouco envergonhada, ajeitando os seus cabelos ruivos, e para o seu azar a prima vê tudo.
    “Beijando a esposa do seu irmão? Nossa Miguel, você já foi mais certinho.” Diz a moça de cabelos negros, exibindo os seus seios enormes para o anjo.
    “Ela teria sido minha esposa, se você não contasse a Azazel onde ela estava no dia do casamento. O quê quer Eke?” 
    O soldado volta para o seu estado natural de desprezo e indiferença.
    “Eu quero você meu doce de abóbora.” Diz ela com voz infantilizada subindo de quatro na mesa de rocha, e o ser alado a ignora. Uma coisa era sensualizar, outra era o baixo nível de Eke.
    “Até mais, e se cobrir um pouco mais não vai te matar.” Diz se retirando do local, e a jovem sopra o cabelo no
    rosto.
    “Ela dorme com o seu irmão no dia do casamento, e fica com você no dia que ele morre, e eu que sou a meretriz?!” A morena provoca, e isto irrita bastante
    o ser celestial.
    “Não ouse sujar o nome dela. As coisas que Nahemah faz, são porquê ela ainda não se decidiu sobre nós 2. Mas assim como eu a beijei, tenho certeza que o idiota do Azazel a seduziu! Ela não
    é como você!” Discursa defendendo a sua amada, e sai do lugar, deixando vilã jovem enraivecida, pois sempre Luciféria, se livra da culpa, e não só é dona de um coração, como de 2 seres bem poderosos. O quê significa que tem chance de reinar no céu, ou no inferno, enquanto ela está fadada aos nobres, que considera os restos da hierarquia satânica.
    “Nahemah é? O quê diria se ela virasse uma prostituta na boca dos homens?” Diz Eke passando a língua entre os dentes, e então toma a forma de Isis, e resolve dormir com os 10 primeiros que encontra no oriente. 
    Fazendo-os espalhar a fama de que Isis da Suméria, era uma vagabunda, que não prestava, e aceitava qualquer coisa por umas moedas de ouro. 
    No entanto quando isto chega aos ouvidos de Miguel, este gargalha, pois agora que Luciféria tinha o dom da manipulação da realidade, podia não só vigiar a inimiga, como também provar suas artimanhas.
    “Vai deixar isto barato?” Diz Miguel ao mergulhar nas linhas do destino, e Luciféria cai no escárnio. 
    “É claro que vou. Meu nome de batismo é Luciféria. Se ela quer sujar Nahemah que vá em frente, mas aguente as consequências mais tarde.” Responde entre risos com o olhar diabólico.
    “Pra mim você sempre vai ser a Nahemah verdadeira.” Diz-lhe meio sem jeito, e a jovem se afasta dele. Tinha lhe dito que o fato não se repetiria, e se dependesse dela, não iria mesmo. 
    Só estavam juntos neste momento, porquê Luciféria e ele ficaram de vigiar as entradas do refúgio.Já que ninguém do inferno quis fazer par com a deusa
    angelical, por ter libertado Yaweh.
    “Foco na missão soldado.” Diz com a voz falha, e este ri da péssima 
    atuação.
    Após alguns anos...Luciféria e o 
    arcanjo, desenvolveram certa amizade, 
    o quê deixava os deuses apreensivos.
    “Seu filho não cansa de avançar em
    uma jovem viúva, não é Yaweh?” 
    Lilith culpa o arcanjo, cruzando os
    braços.
    “Sua filha é que não para de tentar encantar o pobre menino!” Yaweh
    rebate, observando os dois 
    rindo.
    Depois daquele estranho momento 
    na sala, o anjo lhe prometeu que esqueceria o romance, mas não iria
    deixá-la se sentir solitária. Algo que
    veio a calhar, pois depois de “trair
    o Inferno.” Amizade estava fora
    de cogitação.
    “Princesa Luciféria.” Disse-lhe uma 
    das criaturas infernais, e esta lhe deu atenção. “Eu sempre a admirei, mas não acredito que libertou Yaweh, não depois de tudo o quê ele fez.” Falou
    sem pensar duas vezes.
    “Foi por causa do arcanjo?” Pergunta sendo intrometida, e a bela levanta as mãos, pedindo uma pausa. “Não fiz isso por Miguel. Fiz por Azazel, ele é o meu par, e apenas por ele me sacrificaria”
    Respondeu-lhe com um sorriso. Sem saber que aquelas palavras, entravam como uma lança no peito do alado, 
    que apenas se distanciou, evitando por 
    hora aquele pequeno conflito.
    “Não espero que entendam. Mas que no mínimo compreendam, Harmonia faria pior, se eu não o libertasse.” Diz e a tal criatura se transforma na jovem e sedutora Éke Hécate II.
    “Não me importo com os seus atos. Faça o quê quiser, mas alguém que se importa, acabou de ser ferido, e eu estou pronta para consolá-lo” Diz 
    Indo atrás do anjo. 
    De certa forma aquilo lhe preocupa, contudo não considera uma má notícia,
    e por isso em vez de impedir Éke, de ir atrás do seu grande amor, apenas volta a caminhar e supervisionar as tropas
    dos demônios.
    As fofocas voam como moscas, e chegam aos ouvidos de Luciféria, que fica furiosa. “Eu não acredito que de fato chegou a este ponto.” Pensa
    ao ouvir o falatório dos
    guerreiros.
    Como de costume vai para um 
    canto deserto, longe de tudo e de 
    todos. 
    Só que desta vez, arranja companhia, sem sequer desconfiar que está 
    sendo seguida.
    Um ser que segue aos outros, a agarra por trás, e coloca uma lâmina na sua garganta.
    “Quieta princesa, sem nobreza 
    alguma. Primeiro veio o boato de que dormiu com o seu irmão, depois com o próprio pai, e agora beijou seu antigo noivo, no enterro do atual marido” 
    Disse-lhe o ser embrulhado em roupas típicas do calor.
    “É óbvio que gosta muito de coisas carnais, e eu estou louco para lhe dar uma.” Prosseguiu retirando o seu membro, e a jovem gritou sem pensar duas vezes, estava tão assustada com atual situação que se esquecia dos
    poderes.
    “Afaste-se dela.” Disse uma voz no 
    meio da areia, e o arcanjo pousou atrás do demônio abusado.
    “Ela gosta destas coisas.” Mas a criatura repugnante prosseguiu, e 
    ainda passou a mão na pele da 
    garota.
    “Todos sabem o quê você fez com ela, e ainda sim ela caiu nos seus braços.” O provocou. O arcanjo não se conteve, e
    o partiu no meio, derramando sangue
    sobre a princesa que estava em 
    silêncio.
    Após salvar a sua vida, e depois do tempo que passaram juntos, ele achou que poderia acalmá-la, mas quando colocou a mão em seu ombro, ela
    saltou para longe.
    “Eu não vou te machucar.” Disse ao guardar a espada, tentando se aproximar.
    “Fique longe.” Foi o quê conseguiu sussurrar, só que ele não cedeu, e lhe puxou pelo pulso para o seu peito.
    “Você, você não é o herói. É por sua causa, que não, não pude me defender” 
    Disse com os olhos grandes de medo,
    mantendo-se firme para não surtar.
    “Nem eu me perdoo por aquilo Nahemah.” Respondeu-lhe ainda mantendo-a no calor dos seus
    braços.
    Ao vê tal cena Éke surtou, e saiu berrando aos 4 ventos que Miguel tinha matado um demônio inocente, porquê a prima tinha tentado dormir com este, e o pobre agricultor a rejeitou.
    Percebendo o alvoroço, Lilith logo notou que havia algo errado, e abandonou a aula que estava dando, para ir atrás 
    da filha.
    “Luciféria está tudo bem?” Lilith 
    pegou no rosto da jovem, e esta continuava num estado de 
    catatonia.
    Como só encontrou ela e Miguel, logo
    quis acusá-lo de abuso, só que ao ver que a menina não largava a mão dele, e estava coberta de sangue roxo, soube
    que desta vez ele não era o 
    culpado.
    “O quê aconteceu?” Perguntou limpando a face da rebenta, sabendo que algo muito ruim havia acontecido.
    “É minha culpa. Eu a desrespeitei, e agora muitos outros pensam que podem fazer o mesmo, por sermos amigos.” Responde sentindo-se o 
    maior causador dos problemas, e 
    ele era mesmo.
    “Amigos? Você a beijou no mesmo 
    dia que o marido dela morreu!” Gritou Eke, e Lilith lançou um olhar de incredulidade para o rapaz.
    “Como eu disse, eu sou o culpado.” 
    Sorriu sem vontade alguma, apenas pela vergonha de encarar a rainha demônio.
    “Cuide dela. Não a deixe sozinha
    .Eu vou resolver essa situação.” Disse para os dois, e partiu até o marido.
    Eke detestou o fato, de Lilith dá a benção para Miguel resguardar a filha, e por isso foi até a sua avó, e lhe contou tudo, sobre o quanto Luciféria estava atrapalhando o destino, e que não
    abria mão do anjo.
    Para dar-lhe uma lição, e satisfazer o desejo da sua neta favorita, Harmonia então jogou a alma de Azazel no portal,
    e jurou que se Luciféria continuasse a interferir, iria destruí-la também.
    Luciféria após se recuperar do choque, sentiu-se ultrajada com tal afronta. Não foi ela que beijou Miguel, nem era ela que o procurava, porquê tinha que
    pagar e levar Azazel junto?
    Graças a Eke parte das tropas celestiais e infernais que tinham aprendido a conviver, agora lutavam entre si.
    De um lado os demônios acusavam Miguel de assassinato, e do outro os anjos diziam que foi para proteger a garota.
    E isso trazia velhas memórias, do porquê tinham batalhado uns contra 
    os outros anos antes do conflito.
    Tudo estava tomado pelas desavenças,
    como se o inimigo tivesse se infiltrado 
    dentro das colônias, para 
    separá-los.
    “Papai não é justo!” Grita a primeira filha do imperador infernal. “Eu sei minha pequena, mas ainda sim voltou
    a se relacionar com Miguel? Mesmo
    sabendo como terminou?” Diz um
    pouco surpreso com a notícia.
    “Foi apenas um beijo, e nem fui eu que o dei.” Retruca envergonhada, mexendo uma das pernas. “Mas você retribuiu. Senão Éke não contaria a ninguém.” 
    O pai rebate.
    “Filha eu amo você, e quero a sua felicidade. Sua avó é louca, só que sobre você e Miguel, eu concordo com ela, não é para acontecer de novo.” O rei
    lhe dá um sermão, e ouvir aquela frase
    sobre ser melhor evitar, lhe deixa um
    pouco triste.
    “Eu não o beijei. Nem o quero de volta.
    Miguel é só um amigo agora.” Tenta responder. “E será que ele sabe disso?”
    Diz Lilith interrompendo a conversa,
    e pede para o amado se retirar.
    “Luciféria desde que nasceu, sempre fiz o possível e o impossível para que não se magoasse.” Diz Lilith, acariciando a bochecha da filha, como se fosse uma criança.
    “Eu não me importo com Miguel! 
    Aquilo foi um erro! Eu só queria que Azazel estivesse bem, e não naquele portal, cheio de criaturas bizarras, de 
    onde só meu pai voltou!” Berra antes que venha outra lição, sobre a impossibilidade de se relacionar com um celestial. 
    Todavia a rainha que é bastante perceptiva, nota uma certa irritação quando lhe é negada a oportunidade de ter algo com o arcanjo. “Ela ainda não o esqueceu também.” Pensa com os seus sábios olhos de coruja. “Luciféria Lilith II.” Chama-lhe a atenção antes de 
    sair.
    “Você não pode mentir para nós. Nem para si mesma.” Diz encarando-a com calma, porém com seriedade, e a moça passa pela porta da frente. 
    “Você? Não morres cedo.” Diz ao ver
    o arcanjo encostado na porta, mas este não ri da piada, ao contrário dos outros, acha mesmo que Luciféria, só o vê como
    um bom amigo, e apesar de relevar isto
    , não gosta nem um pouco da ideia.
    “Não me afastarei de ti. Sabe-se lá, quantos mais poderão vim.” Responde com frieza, e a bela só o olha sem muito interesse. É quando um belo pardo vem
    ao seu encontro, e a cumprimenta.
    “Olá irmãzinha. Vou ser seu novo guarda. Papai não quer que ande com
    esse cara.” Asmodeus olha com raiva para o arcanjo, pois Azazel era mais
    que seu irmão, era seu melhor
    amigo.
    “Eu tomo minhas próprias decisões.
    Lúcifer não pode me impedir de ficar perto dela.” O arcanjo dá um passo
    a frente, com o peito estufado.
    “Ah posso sim. Ela é minha filha, e 
    eu não a quero com um psicopata como você.” Responde o rei, e os mais novos
    silenciam-se, assustados com esta
    intervenção direta.
    “Eu a salvei, de um dos seus babilônicos.” O arcanjo rebate com um sorriso de vitória. “É, depois de ter feito pior, e ter lhe levado a tirar a própria 
    vida!” O pai diz sem paciência, e notando o conflito, a jovem fica no
    meio dos dois. 
    “Por favor parem. Papai está certo, é melhor ir com Asmodeus, pelo menos desta forma, ninguém pensa coisa
    errada.” Diz indo embora com o irmão, e o arcanjo fica incrédulo, enquanto
    Lúcifer sorri com satisfação.
    A última batalha antes do fim. Parte IV
    Em meio há tantas desavenças, Lilith 
    se posicionou para defender a filha.
    “Eke foi a responsável por tal conflito.
    O demônio Arctus, não é inocente, e todas que o conhecem sabem 
    disso.” Anunciou para a multidão que
    lhe observava atentamente.
    “O único erro de Miguel, foi tê-lo matado tão rápido.” Disse 
    gargalhando.
    “Sabemos que nós somos diferentes.
    Porém são estas diferenças que nos farão vitoriosos na próxima batalha.
    Por isso guardemos as raivas que temos uns dos outro para o inimigo!” Exclamou com ferocidade e todos lhe aplaudiram, contentes por tê-la como
    líder.
    No entanto havia alguém não muito contente em meio a multidão.
    Embora discursasse como a deusa guerreira, a bela não despertava muita confiança em Lúcifer, por isso ele 
    saiu.
    Ao vê-lo partir Luciféria ficou desconfiada, e deixou Asmodeus no canto com uma linda alada, que estava interessada nele. Indo atrás do seu 
    pai de imediato.
    Notando que estava se colocando 
    em risco, o arcanjo foi atrás dos dois, para garantir que ninguém fosse atrás da garota outra vez, sumindo do meio da multidão, sem ser notado até por
    Eke.
    Quando chegou no fundo do deserto, onde não havia mais ninguém, Lúcifer virou furioso pegando-a pelo pescoço, 
    e atirando um raio em Miguel, achando que estavam tentando matá-lo.
    Contudo ao ver que era sua filha e 
    o irmão, baixou a guarda, e os soltou . 
    “Me perdoe Luci. Você não, você mereceu.” Disse para o arcanjo que
    apenas revirou os olhos.
    “O quê está acontecendo?” A dama lhe perguntou, e o pai ficou de cabeça baixa , não sabia como lhe contar, estava se sentindo envergonhado demais para
    falar.
    “Vamos papai diga!” Disse-lhe temerosa sobre o quê estava vindo a acontecer. “É sua mãe. Desde que o Inferno foi invadido, ela não é a mesma.” Responde com 
    tristeza.
    “Estes ataques mexem com a nossa cabeça mesmo. Não deve ser nada.” A jovem tenta acalmá-lo, e este fica um pouco chateado. “Ela tem sido infiel a mim!” Grita para a pequena, e os
    seus olhos crescem.
    “Como assim?” Miguel pergunta desconfiado, entrando na conversa sem ser chamado, mas Lúcifer está tão triste que resolve desabafar. “Oras ela tem se deitado com nossos servos, todas as noites, pelas minhas costas!” Berra
    em tom de fúria, e os dois se entreolham.
    “Não me importo com isso em si. A infidelidade aqui, a traição, é porquê 
    ela não me contou nada, eu tive que descobrir!” Diz com lágrimas douradas descendo pela face, e a filha o 
    abraça.
     “Eu que a fiz minha melhor amiga, 
    e agora ela vem e me apunhala  pelas costas!” Ele retribui o abraço, e a moça olha para Miguel, que fica apenas a
    analisar os fatos.
    “Apesar de achar que traição é comum na sua família, não acho que Lilith está fazendo tal coisa.” Responde o anjo, 
    e a princesa o fulmina com o 
    olhar.
    “Elas não cometem traição, sem haver sentimentos, e não creio que Lilith ame a todos os servos.” Conclui olhando nos
    olhos da dama, que fica desconcertada 
    com tais palavras, mas não desvia
    dele.
    “Há algo errado, e precisamos averiguar sem chamar a atenção.” É
    o quê fala para os infernais. “Então a minha Lilith, não é...?” Lúcifer pergunta voltando a razão, e Miguel ergue uma sobrancelha, indicando um talvez.
    “Deixem comigo. Eu tenho acesso 
    as cordas do destino, posso descobrir o quê está acontecendo.” Luciféria se 
    dispõe a ajudar, e os irmãos 
    concordam.
    A bela se afasta de seus familiares, 
    e vai para um canto silencioso, onde fecha os olhos, e se concentra nas
    linhas do destino de sua 
    mãe.
    Está tudo escuro, uma gosma de 
    plasma pinga no piso. Tudo o quê se houve, é o gotejar da água, que parece ecoar como se fosse dentro de uma 
    caverna.
    Lilith está colada a uma teia de 
    aranha, enrolada como se fosse um casulo, e sempre que as linhas brilham, esta agoniza, e cospe sangue. Há uma
    aranha gigante ali, pronta para lhe
    devorar, mas está a aguardar o
    momento certo.
    “Lúcifer por favor não acredite nela.” É o quê sussurra, como se estivesse num terrível pesadelo, e Luciféria volta a si,
    num suspiro profundo, caindo na 
    areia.
    “Nahemah! Tudo bem?” O arcanjo corre para ajudá-la a se levantar, e a moça o olha com indiferença. “Já disse que é Isis.” O corrige. “Já disse que é Nahemah.” Ele rebate.
    “O quê viu?” Lúcifer aguarda ansiosamente pela resposta. “Mamãe está em apuros.” A menina responde 
    se levantando, e quase desmaia pois
    o lugar, lhe sugou muita energia.
    “Cuidado.” O arcanjo a pega nos braços antes que caia, e esta fica vermelha de vergonha. “Estou bem, não preciso de...” Seus olhos se fecham outra vez, e ela vai para uma outra dimensão, onde se encontra em meio ao deserto, sentindo
    o vento árido em seu rosto.
    “Onde estou?” Pergunta erguendo o
    pulso contra a testa, para se defender
    do ataque do Sahara.
    “E importa?” Responde-lhe uma voz familiar, e ela reconhece como seu pai,
    mas basta ver os olhos negros para
    saber que não se trata dele.
    “Socorro!” Berra desesperada, e acorda no mundo das aranhas. “Luci está tudo bem?” O arcanjo lhe pergunta, e ela
    se solta, afastando-se de todos.
    O sol está raiando, o calor se faz presente, mas a princesa do inferno
    sente muito frio. Com as mãos na cabeça, ela cai no chão arenoso.
    E então uma mulher de cabelos negros,
    e olhos verdes como neon, vem ao seu
    encontro para socorrê-la. 
    “Você está bem?” Perguntou-lhe a moça. “Sim” Respondeu, mas quando sua palma entrou em contato com
    ela, a moça soube quem 
    era.
    “Você é a filha de minha irmã Lilith!
    Como está grande!” Cumprimentou-lhe
    , e a dama ficou confusa, e sem dizer
    nada, a mulher lhe roubou um
    beijo.
    Em vez da saliva comum, saiu um espírito verde da sua boca, que veio a entrar na garganta da jovem, como
    se fosse uma fumaça viva e
    brilhante.
    Após a menina engolir até a última
    molécula da energia, as estranhas veias
    secam, e a mulher vira pó. Ao sentir isso
    na pele, a dama não suporta a força
    em sua carne, e desmaia.
    “O quê é você?” Pergunta-lhe dentro
    da própria mente. “Eu sou você agora, e juntas formamos uma. Mas no futuro só uma restará, com poderes duplicados.”
    Responde-lhe a forma estranha.
    “Não, eu não quero lutar pelo  
    domínio do meu corpo.” Retruca. “Devia ter pensado nisso, antes de se matar.” É o quê rebate, em meio a gargalhadas
    de escárnio.
    “Aaaaah!” Ela grita em desespero, 
    e ao voltar a consciência, procura algo 
    para se cortar. “Não vai funcionar.” Lhe
    diz com confiança, e ela se força a
    vomitar.
    “Não.” Nega com alegria. Ao vê-la 
    se contorcendo, o arcanjo corre para lhe ajudar. “Saia daqui!” Ruge como um leão, e tal como o felino, salta
    para trás.
    “Nahemah? ” Ele pergunta assombrado com a voz demoníaca saiu da garota. A pobre, corre por entre o deserto, em completo desespero.
    “Socorro!” Grita aterrorizada, no 
    meio do nada, e ninguém vem para resgatá-la, pois estava longe, até 
     do quê até os deuses podiam
    alcançar.
    Ao adquirir tamanho poder, ficou
     tão veloz, que ao correr, pulou por
    mais de 5 das 9 dimensões 
    divinas.
    “Pequena criança, você precisa 
    de  ajuda não é?” Disse-lhe um ser, passando a mão em sua cabeça,
    enquanto ela ficava de 
    joelhos.
    “Papai?” Levanta o olhar, e se
    depara com o senhor supremo. “Não,
    é o titio Bael.” Respondeu-lhe com um sorriso, e esta se afastou indo para 
    trás.
    “Fique longe de mim!” Grita como 
    um humano, após ver o demônio. “Seu
    pai, e eu compartilhamos a mesma forma. Não há o quê temer.” Ele
     tenta lhe ajudar, mas ela 
    recusa.
    “Aceite. Tudo ficará bem.” Diz ao
    erguer a mão, e esta se levanta sem
    lhe dá outra oportunidade. “O quê
    queres de mim?” Inquire de
    imediato.
    “Tirar toda esta dor e sofrimento 
    minha pequena.” Responde, e ela ri
    “Em troca de quê?” Questiona de
    imediato, sendo sarcástica.
    “Você receberá fama, glória, e 
    fortuna.” Responde criando a maior
    ilusão de poder. “É tudo o quê sempre quis não é? Isis.” Alega colocando
    um colar de ouro em seu 
    pescoço.
    “Isis, o nome de uma deusa. Mas olhe para você, já foi uma princesa, adorada, respeitada, e amada, e no planeta em que vive agora, não passa de uma
    serva.” O diabo toca na sua
    ferida.
    “Eu sei o quê tem no seu coração. 
    Apesar de aparentemente ser feliz por
    servir os deuses, na verdade gostaria de voltar a ser um deles.” Passa a mão
    em seu ombro, rondando-a como
    uma serpente.
    “Isis. Você pode ter tudo isso 
    outra  vez, basta me entregar a chama da velha. Este poder, só te trará dor, e
    sofrimento, mas em mim será a
    razão do futuro.” Persiste em
    seduzi-la.
    “Um futuro onde todos curvam-se 
    para você? A onde minha posição irá se encaixar?” Pergunta-lhe com ironia. “
    Na imaginação deles, e todas as vezes
    que ouvirem o teu nome e te adorarem
    , você ficará mais forte.” Responde.
    “Sendo real e irreal?” O olha com dúvidas. “Exatamente. Querida aos meus aliados, tudo será permitido. Não
    Importam as regras, pois sou a favor da total liberdade.” Sorri, imaginando todas as atrocidades que irão
    permear o mundo.
    “E os outros?” Pergunta-lhe com 
    total ceticismo. “Eles não merecem esta honra.” É claro e objetivo. “Tem que me prometer, que não os machucará.” 
    Lhe impõe.
    “Suas mortes serão rápidas e silenciosas.” Promete-lhe, e a pega
    nos braços. “O quê está fazendo?” Ela
    pergunta. “Da mesma forma que o
    recebeu, deve transmitir.” Lhe
    esclarece.
    “Certo. Mas se a sua boca encostar
    na minha, eu enlouquecerei de tanto nojo.” Responde. “Eu sou tão belo quanto Lúcifer.” Retruca, sentindo-se
    insultado.
    “Será como beijar o meu pai. Tu Enlouqueceste?!” Grita, e ele tenta abocanhar o ser primordial. Ela lhe
    transmite, evitando o contato bucal, 
    até olhar para a mão deste, e notar 
    que os dedos estão cruzados.
    Sabendo que será enganada, em 
    vez de lhe transmitir o espírito, usa o
    magnetismo, e puxa a essência dele
    para si. Suas veias pulsam sem
    parar, seu corpo parece
    não suportar.
    A regra para receber a chama de Harmonia era clara, ela tinha que ser dada ao próximo, mas a de Caos só
    podia ser tomada, por aqueles que conseguissem dominá-la.
    “O quê está fazendo?!” O demônio
    grita com ela, mas esta continua a se
    manter com os pés firmes, e tenta em
    segundos dominar o Caos, com o
    poder de Harmonia.
    Notando que está sendo roubado, o
    diabo acovardado corre, e a moça cai de joelhos no piso. Ao ver que as suas
    células, estão se desfazendo sem 
    voltar ao normal, ela se
    assusta.
    “Socorro!” Berra ao voltar para 
    frente de Miguel, que a pega em seus braços, com estranheza. Para os seres
    carnais, só haviam se passado alguns segundos, como se ela tivesse se
    telestransportado.
    “Temos que salvar Lilith agora!” Grita
    em desespero, e seus cabelos começam a enegrecer, enquanto a pele empalidece.
    “Luciféria o quê fez?” Lhe pergunta 
    seu pai, e ao ver que o olho da menina está colorido com um violeta quase branco, descobre.
    “Você se encontrou com Bael!” Urra
    claramente furioso com o fato. “Ele, me procurou, mas, eu, disse, não.” Ela tenta responder. “Não, há, tempo.” Segura a mão de seu pai, e do seu tio, e os leva
    para o mundo obscuro.
    Ao chegar lá, se deparam com a 
    pobre rainha aprisionada num casulo, 
    e sem perder tempo, correm para lhe
    tirar dali. Contudo ao dar o próximo
    passo, Luciféria não suporta, e
    desmaia.
    “Vá resgatá-la, eu cuido da Lucy.” 
    Responde o arcanjo, quando o rei dos demônios, vira-se para ver se a filha está bem. O alado pega a jovem no
    colo, e tira seu cabelo do rosto, 
    para ver se está bem.
    “O quê houve Lucy?” Pergunta-lhe o 
    Jovem homem. “Preciso, salvar, todos.”
    Responde, e o agarra pela roupa, lhe beijando de surpresa. Mas não se
    trata de um beijo sentimental, 
    pois o faz de maneira 
    agressiva.
    “O quê foi isso?” O anjo lhe pergunta,
    sem entender porquê a dama o atacou, e antes que diga algo mais, ela o beija
    outra vez. “Retribua” Tenta lhe pedir,
    e este o faz, ainda desconfiado.
    “Nota-se que não está com Azazel 
    não é Luciféria Lilith II?” Diz-lhe sua mãe, saindo de trás de Lúcifer, que
    também não fica feliz com a cena
    , que está vendo.
    “Eu precisava descarregar a energia,
    e a melhor forma foi esta.” Responde e
    o anjo fica espantado. “Eu fui usado?
    Sem piedade?” Diz com o olhar 
    cheio de dor.
    “Não é hora para chorar. Eu estou 
    com a chama do Caos, e a de minha avó Harmonia, acho que não passo de hoje
    .” Mostra os braços, e olha para as
    veias radioativas no seu 
    corpo.
    “Como isso é possível?!” Lilith a questiona, sem entender o quê está havendo. “Bael tentou me seduzir com promessas falsas, e eu arranquei esse poder dele, fingindo ceder a chama.”
    Responde lembrando daquela
    estranha dimensão.
    “Como você tem a chama de Harmonia?” Inquire ainda abalada 
    Pelas revelações do dia. “Há quanto tempo roubaram a sua forma?” Ela
    Fica incrédula.
    “Desde que Belzebu invadiu o 
    Inferno.” Responde de má vontade.
    “E quem descobriu a verdade?” Ela
    pergunta, curiosa para saber a
    quem agradecer.
    “Fui eu.” Miguel dá um passo
    a frente. “Ah ninguém importante.”
    Passa pelo arcanjo, e abraça a
    sua filha.
    “Mamãe adoraria ver a reunião
    entre o filho renegado e a mãe que
    o despreza. Mas não há tempo.” É
    o quê diz, destruindo o clima de
    tensão.
    “O quê quer fazer  agora que tem 
    tais poderes ?” Pergunta desconfiada, e a dama desmaia em seus braços. “Lucy”
    Miguel é o primeiro a reagir com
    preocupação. 
    “Onde estou?” Se pergunta deitada no quê parece ser uma tela vazia, e então se levanta, observando ao redor. 
    Uma silhueta familiar vem ao seu encontro, parece ser o seu pai na forma demoníaca. O quê lhe trás apreensão, 
    pois acredita que é Bael.
    “Papai?” Pergunta desconfiada, 
    então ouve risos piedosos, mas a voz não pertence ao imperador, ou ao inimigo, o quê lhe intriga.
    “Não, mas ficará igualmente feliz ao
    saber” Responde, e o olhar dela brilha.
    Seus passos se tornam velozes, e ela
    se atira nos braços da criatura.
    “Azazel!” Dá um grito jubiloso, e 
    ele a carrega sem problema algum, 
    sentindo-se feliz pela recepção
    tão calorosa.
    “Como isso é possível?! Eu vi a 
    anciã jogar seu períspirito no portal!” Ela pega no rosto do amado. “Sim, 
    e ela o fez.” Esclarece, ainda a
    abraçando.
    “Então?” Questiona mostrando-se confusa. “Lúcifer e eu, já estávamos prontos, para tal eventualidade. Nós
    Já havíamos atravessado a barreira”
    Enfim revela. “Por quê?” Inquire em tom imperativo. 
    “Fora o fato de que era divertido, 
    nós acreditávamos, que nas outras dimensões, haviam materiais para 
    deter Yaweh, de uma vez por 
    todas.” Responde.
    “E para deter Bael?” Pergunta de imediato, e o charmoso demônio só abaixa a cabeça. “Yaweh era só mais 
    um Deus, mas Bael tem o poder do
    nosso avô.” Mostra-se um pouco decepcionado.
    “Então estamos fadados a nos 
    Render a ele?” Volta a interrogá-lo. “Não, se nós separarmos a chama
    de Zebub dele” Lhe dá uma 
    saída.
    “Que bom. Porquê eu consegui.” Ela o surpreende, e o faz sorrir. “Isso explica a aparência nova e soturna. Mas como?” Não consegue deixar de sentir 
    curiosidade.
    “Longa história. Só que em resumo: Ele me fez receber um poder, que acreditou que eu lhe entregaria, para voltar a ser
    reconhecida.” Conta-lhe com
    tristeza.
    “Tocou na sua maior ferida, e você quase lhe entregou, mas no fim se virou contra ele, e conseguiu roubar o poder do seu avô de volta.” Conclui, e ela
    se envergonha por quase 
    cair.
    “Exatamente, e estou amando cada segundo que desfruto com você, mas eu preciso voltar pro outro lado, antes que os poderes extremos do universo, me 
    despedacem, e gerem mais uma dimensão.” Responde se 
    afastando.
    “O quê vai fazer?” Lhe pergunta com
    certa preocupação, pois tal poder iria de fato matá-la para sempre. “Eu não sei,
    só sei que preciso consertar o mundo
    antes que seja tarde demais” Lhe
    diz, e ele a pega pelo 
    pulso.
    “Luciféria, tome cuidado.” Pede-lhe 
    com medo, e esta sorri sem vontade, se
    distanciando dele, até acordar num
    suspiro profundo.
    “Nahemah.” É a primeira palavra 
    que ouve, e já se irrita. “Já disse que é Isis.” Diz acordando num tapete, e olha para os seus pais, que estavam lhe
    esperando aflitos.
    “Precisamos fazer alguma coisa logo.”
    É o quê diz ao acordar, e então a mãe se ajoelha ao seu lado, empurrando o arcanjo para longe.
    “A sua avó deve saber o quê é melhor”
    Responde-lhe, e então a menina grita em desespero, sentindo o raio de Caos saindo do seu corpo. “Idiota. Achou
    mesmo que tinha domado o Caos
    por completo” Ouve-se na
    escuridão.
    E todos se preparam para lutar, mas
    o demônio gargalha, e rouba a menina diante dos seus olhos, tornando-a sua refém ao prendê-la contra o
    peito.
    “Se machucar a minha garotinha, 
    vai se arrepender do dia que saiu da prisão!” É o quê Lúcifer brada, com a saliva de ódio, escorrendo pelos
    lábios.
    “Ora irmãozinho, por quê eu destruiria alguém tão preciosa?” Pergunta-lhe ao tocar no rosto assustado da dama, que não consegue reagir, porquê ele está
    sufocando seu poder, tornando-o
    nulo.
    “Achou que meu propósito era 
    oferecer um pacto?” Pergunta para a jovem, e esta é libertada somente para falar. “Na, não era?” Responde ainda em pânico. “Não, eu queria que me
    sugasse a energia, para ter o total
    controle de você.” Revela.
    “Por, por quê?” Sussurra com a voz fraca, mostrando-se debilitada. “Oras por quê Harmonia fez o quê eu queria, te deu o poder da filha morta, para
    libertar Yaweh.” Continua  a
    falar.
    “O único poder que poderia atravessar o tempo, e tirar toda a minha capacidade.” Sorri, pegando no cabelo da jovem, que era estava ondulado, progredindo para o liso.
    “Mas... você, você disse que a vovó só me entregou a essência, não, não a  chama.”  O contesta, e este 
    gargalha.
    “E você é tão tola que acreditou.” A insulta, ainda atento ao possível ataque 
    que Lilith, Lúcifer, e Miguel planejavam com o olhar. “A mulher que vi...?” Se
    pergunta.
    “Era a Deusa que se foi. Ilusionismo necromântico, seu pai e eu fazíamos na infância, antes de Yaweh me prender, e o torná-lo o favorito.” Se interpõe, e
    a dama olha para o pai.
    “Isso é entre nós dois Bael. Sempre foi
    , achei que o tempo o faria amadurecer, 
    mas vejo que apenas apodreceu.” O 
    ofende, e este ri com escárnio.
    “Que seja. Mas vamos ver como a
     sua amada filha vai se sair no meu lugar!” Responde, e aperta a cabeça
    da menina, gerando uma corrente
    elétrica, que afeta os seus 
    nervos.
    A dama grita desesperada, e quando
    está livre para usar os seus poderes, ele volta a anulá-los. “Solte-a agora!” Grita
    o imperador dos demônios, e o arcanjo
    assisti aquilo, pronto para reagir.
    Só que Lilith pela primeira vez, em 
    um gesto de compaixão, segura no seu
    ombro, impedindo-o de se arriscar. Ele
    é o único dentre os três, que poderia
    servir de agente duplo.
    Já tinha provado que faria qualquer
    coisa por sua filha, e por isso embora ele tenha tentado proteger Azazel, o
    grande traidor, certamente iria 
    lhe chamar de volta.
    Só que se atacasse neste momento,
    iria colocar tudo a perder, e Luciféria não teria nenhum amigo, para lhe
    ajudar a escapar.
    A menina urra e seus olhos sangram
    com tanta intensidade, que o sangue se
    parece com tinta negra. Ela vai para o
    seu próprio inferno, no qual volta
    a reviver o dia que traiu
    Miguel.
    A cada segundo o impacto dele 
    contra o seu corpo, se repete, se iniciando apenas na hora que
    lhe causa dor.
    E desta vez é pior, pois ela sente algo
    dentro do seu corpo, mas vê o arcanjo ao longe, apenas observando tudo
    sem mover um dedo para 
    ajudar.
    Ao olhar para cima, descobre que 
    quem está montado sob as suas costas
    é o próprio Bael, e que seus olhos estão brancos como a luz solar. “Faça o quê
    lhe ordeno” Diz como se comandasse
    alguém.
    Num outro quarto escuro, há uma cortina caída sob a cama, e uma moça
    ruiva como Luciféria, sobe nos lençóis.
    Ela tira as roupas do pai, e se deleita
    em seus braços, fazendo-o lhe
    penetrar.
    “O quê?” Luciféria se  pergunta,
    vendo tal cena, não era sua mãe ali, não chegava nem perto disso. Era uma menininha de 1700 anos, só que ao
    vê-la, sua mãe lhe chamava de
    “Luciféria”.
    “Não! Não sou eu!” Ela esbraveja, horrorizada, tentando escapar do seu torturador, e este sorri deixando-a ali
    estirada, enquanto chama o arcanjo
    , para tomar o seu lugar.
    “Está feito. O coração de Cerridwen
    não será o mesmo, e logo Luciféria será
    destruída meu pai.” Diz o anjo com tanta felicidade, que assusta.
    “Você não falou que a destruíria!”
    Miguel se impõe entre Bael e Yaweh, e o executor se retira, deixando o pai e
    o filho discutirem.
    “Pai por quê fez isso comigo?” 
    A ruiva sussurra, e Yaweh e Miguel correm ao seu encontro, e ambos lhe
    fazem esquecer o ocorrido, dando-lhe
    novas memórias, aquelas que ela
    se lembrava antes.
    “Luciféria nunca mais pisará no meu
    castelo.” Diz uma voz familiar, e agora
    a jovem vê a floresta negra, na qual 
    ocorre um encontro.
    É a sua irmã mais nova, Lilá que está
    conspirando com Bael. E isto faz com a jovem grite, porquê a menina além de
    ter o seu sangue, era a sua melhor
    amiga, e tinha lhe traído.
    “Por quê ela fez isso?! Logo eu que sempre a protegi das represálias de nossa mamãe, e os castigos de
    papai!” Isso lhe atordoa.
    “Por quê!?” Ruge e os fatos se 
    repetem outra vez. Voltando sempre para a traição e o estupro, até que
    ela não suporta. “Por favor!” 
    Ela implora.
    “Por favor Bael faz isso parar!”
     As lágrimas vermelhas escorrem pelo seu rosto, e o deus sorri. “Como desejar.” Diz ele.
    Então todo o pesadelo se desfaz, 
    e se transforma num paraíso perfeito,
    no qual ela e Azazel estão felizes, e
    há um novo deus, o seu pai que
    trás felicidade a todos.
    Os gritos cessam, e ela fica em silêncio.
    Lúcifer observa aquilo com cautela. “O quê fez a Ela?” Pergunta entre dentes.
    “Apenas a mandei para um mundo
    maravilhoso.” Responde, e seus
    olhos ficam sombrios.
    “Luciféria, ataque-os!” Ordena, e os
    olhos da jovem brilham como neon, até carregar duas esferas de energia violeta nas palmas. “Nahemah..Não...” Miguel
    implora, lutando para não reagir, e
    a bela voa na sua direção.
    “Você não vai destruir os meus 
    pais!” Grita enquanto o ataca, mostrando que claramente não está naquela dimensão.
    O soldado, segura seus punhos, mas
     a dama lhe acerta o chute. “Vocês são
    Monstros! Devem ser exterminados!”
    Continua a atacá-lo violentamente,
    com voz de trovão.
    Lilith e Lúcifer se entreolham, e 
    ambos unem forças para atacar Bael. Eles voam na direção do senhor dos
    raios, e aterrissam transformados
    em dragões , só que o ser ri, e
    também muda de
    forma.
    Na forma de um ser com patas de elefante, e o corpo gigantesco, com vários tentáculos do rosto, e asas de morcego. Ao vê-lo, os dragões 
    arrancam-lhe a cabeça.
    Porém este gargalha, e o crânio 
    se refaz. A criatura solta um rugido forte, e os atordoa ao ponto dos 
    seres voltarem a forma 
    humana.
    “Behemoth.” Diz Lúcifer, e o Demônio 
    ri daquilo. “Com todo o poder de Caos e o universo, e você ainda lembra deste nome ridículo.” A criatura caminha,
    cercando-o.
    “Foi como nosso pai o chamou, quando atingiu a sua verdadeira forma irmão.” O eterno rei responde. “De fato, mas
    não altera a questão.” Retruca, e
    o ataca.
    Porém Lilith cria um escudo, e o impede de ser atingido. “Deixará sua mulher, te salvar mesmo?” O provoca, e este ri. “De forma alguma.” Olha para a
    bela, e esta entende o 
    recado.
    “Iremos resolver este problema 
    juntos!” Grita e os dois atacam em
    sincronia, atirando-lhe um raio, no
    meio de um dos 5 corações, que
    rapidamente se regenera.
    “Nahemah.” O arcanjo segura o punho
    da princesa, e bloqueia suas pernas. Ela podia ter grande energia, mas ele foi
    o seu mestre, e sabia como
    pará-la.
    “Vocês são monstros!” Esbraveja, sentindo-se vulnerável. “Acorda...Lucy.”
    O anjo segura-lhe o rosto, enquanto
    prende seus finos pulsos, com 
    a outra mão.
    “Como sabe o meu nome criatura?” 
    Pergunta-lhe claramente assombrada
    com a descoberta. “Porquê não sou um
    demônio.” A imagem do ser horrendo
    desvanece, e ela volta para o tempo
    atual.
    “Para onde me trouxe demônio?!”
    Ela grita, se afastando dele. “Lucy.” O
    ser a agarra. “Este é o mundo real. Não
    o outro.” Ele tenta fazê-la perceber que
    era tudo ilusão. “Do quê está falando?
    Num momento estou em casa, e no
    outro aqui não faz sentido.” É o
    quê lhe fala com desagrado.
    “Aquele lugar não é a sua casa.” Ele lhe responde. “É claro que é. É o lugar que o meu avô cedeu ao meu pai, depois de o perdoar por seus pecados.” Ela mostra
    está distante da realidade.
    “O quê? Não! Yaweh nunca perdoo
    Lúcifer! E por isso você sofreu, e eu tive
    parte no seu sofrimento.” O pobre se
    esforça para fazê-la lembrar, mas
    está evidente que não irá
    conseguir.
    “Yaweh perdoo meu pai sim! E ele e
    a minha mãe foram felizes! Assim como
    sou com o meu único amado Azazel.” A
    última frase, é como uma flecha 
    que o dilacera.
    “Você nunca se apaixonou por 
    mim, digo por Miguel?” Ele pergunta preocupado com o quê iria ouvir. 
    “Está louco? Miguel é meu tio, e 
    O marido da minha querida prima, a 
    quem eu nunca trairia.” Responde, 
    certamente o vendo como um
    ser das sombras.
    “Então no seu mundo perfeito, 
    nós nunca tivemos nada.” Aquelas
    palavras trazem dor ao arcanjo, e
    este se torna sombrio.
    “Com você nada mesmo demônio.”
    Ela responde sem pensar duas vezes,
    e ele abre as asas, levando-a para fora com o brilho no olhar, que lhe era bem conhecido. Era raiva, raiva provocada
    pela rejeição, pela dor, e o medo.
    “Tio o quê planeja?!” Ela grita, ao
    sentir os braços dele entorno dela, e vê que estava com Miguel, e não uma criatura grotesca.
     “Eu não sou um demônio. Demônios não tem asas de penas.” Responde, 
    e seus olhos se encontram.
    “Certo, tem anjos maus no reino do terrível Ismael, isso faz de você um demônio.” Ela o corrige, e este 
    sorri com furor. 
    “Não é o caso.” Levanta voo, em rumo
    a lua, que estava cheia.
    “Então o quê quer?! Yaweh não 
    gostará desta brincadeira.” Ela fica assustada ao ver o quanto estão
    distantes do chão.
    “Não me importo.” Retruca, e a
    moça fica incrédula. “Só quero que
    se lembre de mim outra vez.” É o quê diz, e a larga entre as nuvens. “Louco!
    O quê está fazendo?!” Berra, ao ser
    jogada há 50 mil pés do solo.
    “Eu não sou o marido de Eke!” Ele a
    pega nos braços. “O quê? É claro que é! Harmonia os uniu! Eu vi o casamento!” 
    Ela responde, se debatendo em seus
    braços, e este a solta outra vez.
    “Socorro!” Ela urra temendo a distância entre a areia e o seu corpo. “Eu fui o Seu noivo!” Ele conta. “Não foi nada! Só tive Azazel na minha vida!” Ela grita, e de
    novo, ele a deixa cair.
    “Você foi minha, e eu te amei, como você me amou!” Ele revela, e isso faz com ela sinta uma pontada no peito.
    “Eu não...Por favor para!” Ela lhe
    implora, antes que ele volte
    a arremessá-la.
    “Não sei que poção te deram. Mas 
    você está confundindo toda a história. Eke é a sua paixão, e a única que você ama!” Ela o pega pela gola da camisa, que fica embaixo da armadura, ele
    em desespero, olha-lhe com
    medo.
    Seus antebraços se enrijecem, e as
    mãos a puxam para o peito, enquanto
    os lábios dele, mergulham nos seus
    em um beijo roubado.
    “Como pode achar que eu amo Eke?
    Se você foi, e sempre será a mulher da minha existência.” Ele sussurra, e ela lhe dá um tapa. “Bem que Eke me
    falou que era cafajeste!” diz
    ao limpar os lábios.
    “Lucy não...” Ele diz com aqueles 
    olhos azuis de gato assustado, mas ela nem se esforça para lembrar, pois tem certeza de quê está certa. “Eu não 
    sou nada do quê pensa.” Se
    defende.
    “Eu te defendi pra Ela. Disse minha prima Ele só tem olhos para Você, e é assim que me retribui? Fazendo com que seja uma das suas conquistas?!” A dama rebate, demonstrando sua
    raiva.
    “Eu e você somos amigos?” Ele lhe pergunta. “Sim, éramos. Azazel não irá gostar disso, nem Eke, e eu não posso seguir sabendo de suas intenções 
    insidiosas.” Ela responde, e isso 
    de certa forma o entristece. 
    No mundo real eles eram um par, e 
    se amavam intensamente. No perfeito 
    nunca deram sequer um beijo. Porquê
    se juntaram a outros pares, e ele
    não passa de um canalha.
    “É assim que é perfeito para ti Lucy?”
    Ele questiona. “Não ter nenhum tipo de envolvimento, com o pior marido que há? Sim.” Ela fala sem sequer 
    analisar.
    “Tudo bem. Me perdoe pelo beijo, 
    vamos fingir que não aconteceu.” Ele
    cede ao mundo em que ela quer viver,
    mesmo que isso o machuque, e que
    não seja o seu desejo.
    “Não posso. Eke é como uma irmã
    que nunca tive, seria errado.” Ela lhe
    diz. “Faça o quê achar melhor.” Ele
    responde com voz fraca e sem
    ânimo.
    “O melhor, é você voltar pra sua 
    mulher, e nunca mais se aproximar 
    de mim.” Ela responde, e ele só
    balança a cabeça.
    “Como quiser.” Ele pousa na areia,
    e a deixa ir. “Não me levará de volta pra casa?” Lhe inquire. “Você vai achar o seu caminho, tenho certeza.” Diz
    deixando-a para trás.
    “Nem sei onde estou. Este lugar tão sombrio, cheio de lama e lodo, me dá calafrios.” Caminha ao lado dele, e este ri sem vontade, de fato ela permanece presa ao controle de Bael. “Se sou
    tão ruim...” Inicia descendo 
    a montanha.
    “Por quê está seguindo comigo?” Ele
    ergue a sobrancelha, curioso pelo que há de vir. “Eu não conheço este lugar,
    e Yaweh te nomeou, um dos seus
    generais.” Diz de imediato.
    “Ah tá.” Respira fundo, Bael foi bem esperto, deu a ela elementos reais, só para garantir que jamais acordaria. “O beijo foi ruim?” Ele pergunta. “Não
    quero falar.” Responde com
    indiferença.
    No fundo se sente envergonhada, no
    mundo perfeito, jamais tinha beijado a outro anjo, pois seu corpo e espírito,
    eram somente do marido.
    “Se não responder, serei obrigado a
    fazê-lo outra vez.” Ele brinca, e a bela congela. “Por quê é importante? Eke 
    me disse que já beijou várias.” 
    Tenta desviar o assunto.
    “Várias me beijaram, mas eu só 
    beijei uma.” Ele a corrige, e ela o ignora. “A sua mulher.” Responde seca. “É, se 
    é no quê quer acreditar.” O soldado 
    do céu, revira os olhos, com o 
    seu sorriso maldoso.
    “O quê quer comigo?! Por quê veio
    me perturbar tão de repente?!” Ela o inquire, movendo os braços, e ele a
    joga contra o ar, prendendo-a
    aos seus braços.
    Para ela, foi jogada contra a árvore
    , e esta desapareceu. Sua mente fica a falhar, e cenas sombrias dominam a sua cabeça. “Eu quero que lembre de mim.”
    Ouve ao longe, vendo a sua verdadeira
    vida, se passando como um filme
    antigo.
    Uma dor extrema, lhe faz fraquejar,
    e gritar aos ventos. Ao ver que surtiu 
    efeito, ele tenta elevar o choque, e
    a abraça forte.
    Novamente os lábios dele, vão de encontro aos seus, e ela o empurra em pânico. “Miguel você perdeu o parafuso foi?! O outro beijo foi só para diminuir a carga de Harmonia, não confunda as coisas !” Grita, e ao ver que voltou 
    ao normal, ele volta a beijá-la
     de alegria.
    “Você voltou!” Ele a cumprimenta, e
    esta o estranha. Do quê estava falando
    ? E onde estavam? Eram perguntas que não se calavam. “É uma longa história.
    E o beijo foi necessário.” Ele responde
    , e sai com um sorrisinho de
    vitória.
    “Volta aqui, pervertido.” Ela o segue, 
    e ele vira. “Quer repetir a dose?” Ergue a sobrancelha, sentindo-se atraente e
    irresistível. “Não.” Diz friamente,
    e ele continua rindo.
    “Está agindo como um idiota.” Ela o
    julga, mas a felicidade dele é tanta, que
    isso não o atinge. “Um idiota feliz, por
    saber que minha amada, voltou a
    se lembrar de mim” Lhe
    diz.
    “Está amando outra pessoa? Porquê
    eu não lembro de ti!” Ela fica defensiva,
    e ele outra vez a agarra. “Eu sei que se
    lembra. Não adianta esconder.” Diz
    olhando-a no fundo dos 
    olhos.
    “Um beijo pra não morrer, e fica assim.”
    Ela o desdenha. “Três beijos na verdade. 
    Para te fazer lembrar de mim.” Retruca.
    “Três?!” Ela se horroriza. “Ou mais.”
    Passa na frente dela, com o
    olhar confiante.
    “Você deve beijar mal mesmo. Por isso
    demorou tanto para eu voltar” Brinca, e ele olha sério para ela. “Quer testar ?”
    Questiona, e ela nega repetidas
    vezes.
    “Então não diga mentiras.” Segue
    bem animado, levando-a para longe do conflito. Infelizmente sua felicidade não dura, a grande luz os cega, ele se põe
    na sua frente, e segura-lhe atrás
    dele.
    “Nahemah Lilith.” Diz a voz de Bael, 
    e esta retorna para o seu controle, deixando o arcanjo, para seguir
    com o novo Deus.
    “Lucy não!” O arcanjo diz ao vê-la
    indo para os braços do demônio, que
    a acolhe, e diz algo no seu ouvido,
    que o guerreiro não é capaz
    de entender.
    A dama então voa na direção dele,
    e passa direto, indo até os humanos
    que assassina um a um, drenando
    o sangue deles, com uma única
    mordida.
    Quando não, os abre ao meio com
    um sorriso macabro, tendo piedade dos bebês, mas não dos adolescentes, aos
    quais acerta golpes, que são fortes
    para arrancar-lhes o 
    coração.
    Devido a alguma frase que o sol 
    negro lhe disse, ela assassina mais de
    mil pessoas, em questão de minutos, e
    pouco á pouco, vai pintando o mundo
    de sangue inocente e culpado, até
    restar só os que seguem a
    Bael. 
    Fim?
  • As curvas de Jessica

    Lentamente a vendei, tive que me controlar para não a assustar logo na amarra. Jessica não gostava muito, mas havia cedido, talvez pelo enorme tesão que sentia por mim ou pela grandiosa carência. Logo foi a vez dos pulsos serem amarrados, e, após eles, projetei meu corpo sob o dela, o forçando contra a parede enquanto ambos estávamos inclinados, de joelhos na cama. Meus dedos jogaram o cabelo de Jessica para o lado, seu pescoço ficou a mostra e, refletindo sobre todas as vezes que a via casualmente, não me contive. O primeiro abraço foi demasiadamente forte. O suficiente para que ela reclamasse e ficasse impedida de respirar, era esperado, meu braço passou por sua barriga, segurando em sua cintura, enquanto meus beijos alcançavam seu pescoço. Logo após, minhas unhas arranharam suavemente a parte de trás de sua coxa, e fiz o favor de massagear sua cintura. A excitação começava a fluir por seu corpo, isso era notável. Seus beijos ficaram mais salientes e calorosos, seu pescoço quase que se quebrava para alcança minha boca. Meu peitoral fazia enorme atrito com suas costas, me excitava pensar que ela estaria se empolgando com o toque de meu abdômen quente. Queria a tocar, por isso a acariciei por todo o corpo, as palmas de minhas mãos viajaram de seu rosto até seus joelhos, logo na última viagem fiz questão de passar sobre sua roupa íntima, tocando-a e a masturbando, por cima da roupa, de um jeito firme e lento o suficiente para estar sincronizado com nossos beijos e deslizes. Aquilo não era o bastante, a massageei na região dos seios, apalpando eles e não deixando um centímetro sem as carícias. Logo podia ouvir as primeiras falhas em sua respiração, o que só aumentou meu apetite, fazendo com que, de maneira inconsciente, deslizasse nossos quadris interminavelmente um pelo outro. Esse foi o primeiro passo para que Jessica se sentisse confortável com minha presença, ela passou a me desejar mais e mais. Eu também. Mas para dois jovens imaturos... todo amor era pouco.
  • As Fadas da Gratidão

    As fadas da gratidão estavam no bosque.
    Era noite de lua minguante.
    Só eu e Isabô e os centauros:
    "Aqui, nesse lago azul dorme Deus".
    E saímos de perto quando, no céu, acendia uma tempestade.
    Era a Justiça e Deus conversando o início do mundo.
  • As Três Maravilhas

    Os dias passaram o arrastando por trombadas de sentimentos incontroláveis. Pensava ele estar acima das suas emoções, porém, por pensar estar acima, tirara a mão do mastro, e fora arrastado pelas tempestades sentimentais. Forças destrutivas o empurraram novamente a lama, e se sentira energeticamente imundo. Abrira a porta escrotamente para o mal de si, e violara a regra de sua santidade e perfeição. O mal o rondara, e percebera-se insano.

    Não podia crer que novamente tropeçara… o mesmo ciclo vicioso… a cobra que morde o próprio rabo… a mordida na própria língua.

    Entretanto, o Sagrado com toda a sua Mística o amava. E como uma mulher estéril que sorriu de felicidade pelo fim de sua improdutividade, ao ter um varão, na sua velhice… o Sagrado, assim, pacientemente, e rigorosamente, o educava com AMOR.

    O Místico Amor…

    O Amor do Amante e do Ser Amado… que faz do dois, três, e das três maravilhas uma só PRESENÇA.

    Havia entre eles compreensão e trabalho mútuo… era o pequeno e O GRANDE… o fraco e O FORTE… o encarnado e O IMANIFESTO…, que se despontavam em duas formas distintas, o inferior e O SUPERIOR. Contudo, um dependia do outro para ser visivelmente revelado.

    A Inteligência Superior a ele ofertada o fazia diferente dos demais, por isso, ao cair se levantava rapidamente… O SAGRADO compreendia que os tempos atuais eram ofuscados por uma sombra de trevas e ignorância, e que a LUZ teria como trabalho romper a cápsula de ignorância em que o SER AMADO nasceria, pois não tinha como nascer numa poça de lama sem estar melado por ela… só que ele mesmo (O Ser Amado) estava cansado dessas repetidas quedas na poça suja. Suas quedas eram mínimas em sua totalidade, nada que magoasse alguém, nada que ferisse… nada que matasse… nada de inveja, cacoetes, ou avareza… nada de arrogância, intolerância e cinismo… nada de extrema ignorância ou alienação. Caía contra ele mesmo… caía em sua perfeição, em sua santidade.

    E assim, se magoava e se autopunia, porquanto, almejava o principado. Por isso, os cavaleiros sombrios o perseguiam, e caía, quando, enganado pelo pequeno eu, amante da luxúria, cega e apaixonadamente o dominava. Entretanto, sabia quem era o inimigo, o estudara, o observara… e, também, o compreendeu… e dele mesmo teve compaixão.

    Vira os seus pequenos filhos que ao longo do seu nascimento no mundo das ilusões, nascera de suas traumáticas experiencias. Todos eles estavam berrando e choramingando por comida. O seu filho Medo tinha como iguaria a egoística proteção e isolamento, e a culpa era sua sobremesa favorita; Já a sua filha Ambição se deliciava de glamour, com biscoitos recheados de estrelismos. Porém, o que mais lhe preocupava, era seu filho mais velho Desejo, que crescera além da conta, e, trouxera sua amante Luxúria para habitar em sua morada, e juntos se deliciavam no doce picante chocolate da paixão.

    Notara que alimentar esses filhos seus era trabalho de sua personalidade mecânica e falsa, habitante dos infra mundos, cultivada exatamente por todas as coisas que contraiu e aprendeu em toda sua vida social metropolitana, fixa pelas teias de pontos de vistas alienados a uma realidade criada nos padrões ilusórios do pensar, sentir e agir mecanicamente.

    Sim! Ao se observar e autoanalisar a sua personalidade induzida…, sem sombra de dúvidas em sua mecânica ambiguidade, se percebera homem-máquina… um mero robô-humanoide que trabalha, se alegra, sofre, se droga, goza, come e dorme. E, pensara na etimologia da palavra robô, provinda do russo Работа (rabota), que quer dizer: trabalho, algo meramente mecânico, e percebera que seu instinto não passava disso… uma mera programação… pronta para executar as suas funções animais de prazer e dor. Graças a uma ignorante educação equivocada, que o adestrou a atuar, desde infância, em um frágil mundo de mentiras, em razão dos múltiplos episódios exteriores e de choques aleatórios, que abrolham em seu interior algumas mudanças quase sempre errôneas, ou não coincidentes com o evento em tese.

    E, assim, oculta e perspicazmente se sentara na poltrona da sua existência…, e vira seus malcriados filhos, que, insistindo em crescer em sua persona, desde cedo, assumir o controle da condução de sua vida mecânica, pois, estes, veio a existência unicamente por causa da pressão dos dramas, tragédias e comédias que se apresentam nas telas e palcos da vida. Claramente vira, que por culpa dessa mecanicidade do ser, O SAGRADO perdera sua essência e fragrância, despossibilitando a sua santa e perfeita manifestação harmoniosa, em sua vivência material orgânica. Já que toda forma de ação conscientemente mística-divina, fora substituída pelo automatismo mecânico do individuo social… o chamado cidadão comum.

    Analisara que sua débil e frágil personalidade mecanizada e controlada pelos ‘eus’ criados de si se adaptava a ambientes e pessoas. Escaneando e criando autoimagens em costumes e hábitos moldáveis pelo intelecto, utilizando de discursos e palavras, pensamentos e movimentos ilusórios, que utilizavam de hipnose consciente para o adormecimento da própria consciência.

    Ao se perceber mecanizado, resolvera ir a fonte de tudo que o programava… sentou-se em profundo silêncio, fixando os olhos ao chão… fizera uma pergunta ao universo do seu ser… e, prometera a si mesmo levantar-se, apenas com a resposta. Fixo em sua empreitada, o tempo, destruidor de todo gênero e criações humanas, ali parou. E, percebeu a expansão do seu próprio Ser Divino, além matéria, e viu o quanto era amado e protegido por essa Absoluta Grandeza. Também, junto a essa visão divina, se culpava por não se dedicar totalmente a esse Primeiro Amor… era o Ser Amado, porém, por não ter o Divino Amante por primazia, ainda não o conhecia. E, por ainda não o conhecer em sua Divina Essência, não se tornou o instrumento musical de suas harmoniosas canções… não alcançando ainda o Imanifesto que manifesta tudo.

    Em sua meditação sabia que a viagem era longa, e o trabalho pesado, a vida corpórea orgânica e encarnada tinha que enfrentar o mundo para se livrar de suas rédeas e freios. Sabia que o mundo material não passava de uma escola da alma, por isso, o alienado entretenimento social não o sequestrava.

    E, clamando silenciosamente orou: “Ó Sagrada e Mística Essência Divina que se assenta no trono de meu coração; Grande Sol Central Esplendoroso, mais radiante entre todas as luzes desse plano material; Magnifica Lua Cheia que ofusca as luzes cintilantes de todas as estrelas no imenso escuro dos céus; Consciente Inteligência do Eterno Sentido Divino; Grande Oceano pelo qual desagua todos os rios; Soberano entre as fontes de todos os néctares nascentes; Leão de todas as selvas e pastagens. Ó tu de olhos abertos em todos os lugares, fala-me diretamente sem intermediações, pois, tenho sede de ti. Como poderei eu te conhecer… aqui sentado e meditando?”

    Ali, parado, meditando por horas afinco, nada ouvira… nada vira… e não deslumbrara nada.

    Portanto, sabia que para poder receber as ondas de vibrações harmoniosas do SUPERIOR, primeiro tinha que se domar: educar todos os seus sentidos… peneirar todos os seus pensamentos… frear todos os seus sentimentos… adestrar todas as suas emoções. Se conhecer e ser o senhor de si mesmo, deixando de alimentar os seus ‘eus’ criados, e, assim, matá-los de fome e sede, para que educadamente perceba a superioridade do Pai, e possa o servir com frequente piedade e fé inquebrantável.

    Intentara evolutivamente que a melhor riqueza e nobreza do ser humano é a FÉ. Que seguindo a missão de sua existência no aqui e agora, atrairia a verdadeira felicidade que é independente e indiferente a ter alguma coisa, e ser algo ou alguém de sucesso para viver. Que, interiorizando e espiritualizando cada ação, até o ato de limpar uma fossa de merda pública em reverencia e gratidão, chegaria à maestria e principado. Degustara o doce mel da verdade, e queria obter os melhores dos bens e serviços devocionais, vivendo a vida sabiamente vivida purificando todas as maldades suas e dos demais. Descobriu que pela Fé… atravessaria as tormentas, pela Sinceridade… o mar dos egos e, pela Bonança e compaixão… o outro lado do reino da morte.

    De repente, em sua meditação, o espírito destruidor que o tentava, o inundou de maus pensamentos, gerando em sua mente maus sentimentos. Vira claramente a face do Anjo da Destruição, prateada como a lua em sua feminina forma tentadora, que faz lançar a culpada alma nos infra mundos infernais, e que goza de toda desolação. Ela estava deslumbrantemente irresistível, e cheirava paixão e luxúria. Seu sexo molhado de gozo tentador estava exposto, e latejando desejo o chamava. Sua boca parecia doce como mel, melados de néctar do prazer. No entanto, um pensamento de morte passou como vulto em sua consciência… e, meditando profundamente, enquanto se via nos braços demoníacos da luxúria, freou sua paixão, e disse, dessa vez, em voz audível: “Ó Dona de meu Desejo, como és bela e tentadora, estou agora ardendo de paixão e tesão por ti, porém, sinto seu calor arder como brasa, se me entrego a ti queimarei minha alma em sua chamas mortíferas. Ó Espírito de Tentação! Penso agora em minha morte, e tenho ela agora como fiel companheira. Você não tem mais lugar em mim”. Falando isso, o Tentador se dissolveu diante de seus olhos como um monte areia a esparramar pelo chão.

    A partir daquele dia as três maravilhas abundou o seu ser… de um que era se tornou vários; de vários, um; manifesto ou invisível atravessa sem resistências as paredes, as rochas como se penetrasse uma queda d’água de cachoeira; submergia na terra, e tornava a subir como se fosse o mar; caminha nas águas como se fosse terra firme; voava pelos ares como os pássaros, e sentava nas nuvens como os seres inefáveis; até a lua e o sol inflamados de calor, Ele acariciava com suas mãos, e no mundo dos deuses e semideuses se manifestava em glória; conhecia os homens e lia os seus pensamentos, sabia dos caminhos de sua alma, aquilo que faz elevar e tropeçar, dizendo: “Esse é o seu pensamento e desejo. Isso ou aquilo está em seu espírito. Este é o destino que te espera.”; E tinha sabedoria e inteligência para instruir e adestrar qualquer alma vivente.

    E assim, se manteve calmo e sereno em sua iluminação. O AMOR do AMANTE envolveu o SER AMADO, purificando de todas as impurezas acumuladas em seus centros orgânicos. O humanoide de programação emocional, deletou sua atividade efemeramente mecânica, transcendendo o corpo biológico, que agora era o receptáculo do SAGRADO em si mesmo.

    Nada mais o afetava, livrou-se do medo… fez da morte física sua companheira, e matou-se a si mesmo, renascendo das cinzas do sofrimento, se purificando nas águas do arrependimento, emergindo no ar do Sagrado Conhecimento… não por estar isento de emoções e sentimentos. Mas, unicamente por se livrar do corpo mortificado do desejo… que, ilusoriamente se ajoelhava perseguindo o prazer, e alienadamente orava fugindo da dor.
  • ATRAVÉS DOS OLHOS DO TEMPO

    Quando era mais nova, os adultos sempre falavam que eu nunca havia tido problemas de verdade, que eu só os entenderia quando alcançasse a sua idade, Mas na verdade, eu percebi algo: os mais velhos nos apresentam esse quadro fictício porque ouviram de seus antecessores e acataram sem se dar conta de que o reproduziam sem estudar suas próprias vidas.  
             Você vai passar anos da sua existência desconsiderando suas experiências, verdadeiras décadas esperando chegar aquele dito momento em que você poderá se considerar adulto suficiente para pronunciar aquelas mesmas palavras, a hora em que seus antecessores te darão parabéns por ter problemas de verdade. Por conseguinte, ninguém consegue ver as consequências de tudo isso. Temos, então, um problema, pois depois de tanto tempo esperando para gritar seus problemas de verdade para o mundo, você não percebe que não é uma experiência específica que te introduzirá no mundo real, você já está nele e nem sequer percebeu suas cicatrizes ao longo do caminho, simplesmente porque ouviu a vida toda que eles não eram problemas de verdade, “de adulto”, e que trazê-los à superfície seria besteira.
              Eu tenho então outra notícia pra te dar, o quadro nunca vai se inverter e os que vieram antes de você não pararão no tempo para dizer “está vendo, isso sim é um problema sério, agora você entende.” Os mais velhos só ficarão mais velhos, e eles sempre te enxergarão como alguém alheio aos problemas de verdade, quando na verdade o que eles deveriam dizer é que nunca entenderíamos os problemas deles. Perseguimos algo inalcançável, porque nunca nos sentiremos dignos das cicatrizes que estão em nós.
               Eu já acreditei nessas palavras um dia. Elas foram ditas pela minha mãe, minhas tias, minha avó... Então passei uns bons 10 anos esperando o ponto de ruptura em que finalmente eu entenderia o que elas queriam dizer, mas ele nunca aconteceu.  Pelo menos não da forma que eu imaginava. Foi algo mais gradual, como o envelhecimento físico, que você só se dar conta, pra valer, quando olha uma foto de anos atrás e percebe o quanto mudou.  É quando você olha pra trás e lembra aquele momento na sua infância, quando sua melhor amiga fez uma “brincadeirinha” te chamando de gorda na frente de todo mundo e você só queria chorar, mas te disseram que era bobagem chorar por isso. Aquela “brincadeira” te fez sofrer por não estar no padrão por boa parte da sua vida, mesmo que estivesse bem aos olhos dos outros; Ou na sua pré-adolescência, quando você decidiu que beijar na boca te faria ser legal,só porque todos faziam, por isso seria idiota se não fizesse, e consequentemente, levou um não do garoto “pop”, o qual era apaixonada, acarretando uma total quebra de autoestima. Ou ainda, quando você se dá conta de que foi abusada por alguém em quem confiava e isso te transformou em uma pessoa chata, fechada, autocrítica, desconfiada e com algo escuro dentro da alma, pois não conseguia perdoar.  Podemos lembrar também das suas trivialidades, quando você tirou seu primeiro zero em uma prova e ninguém viu como te afetou; Quando se dedicou tanto a uma matéria só pra mostrar que podia, mas não deu certo. E em todos esses pequenos casos você não era permitido se queixar, pois havia pessoas com problemas mais sérios no mundo.
                 Às vezes estar no limbo é a melhor coisa para alguém, pois a inércia faz a queda de um alfinete pareça um raio. Péssima comparação, eu sei.  A questão, é que nessa espera pelo crescimento abordado pelos mais velhos, ignoramos total e completamente os pequenos pontos de ruptura durante a vida. Mas um dia acontece. É apenas uma percepção, mas está lá, e é tão real quanto essas marcas invisíveis em suas mãos.  Você começa a se lembrar do sentimento de ver seu avô preferido morrer e percebe que ele nunca verá você se casar ou ter filhos.  Recorda-se das vezes em que deixou alguém te magoar e fingiu que estava tudo bem, ou ainda quando você magoou pessoas por aí e nem sabe disso... Ou sabe, e deseja desesperadamente voltar atrás.  Aquela sensação de facas no estômago quando alguém , o qual você achava que conhecia, reage de uma forma covarde com outra pessoa bem na sua frente, e tudo o que você sente é vontade de gritar.  A confirmação vem, e continua até que as barreiras levantadas anos atrás por seus antecessores são derrubadas, a descrença dos “experientes” te impediu de mostrar a todos que sim, você entende. E eles, na nossa idade, também entendiam, mas se esqueceram disso.
                  Pessoas irão dizer que é necessário ter a experiência delas para se receber o direito a queixa. No entanto, vivemos momentos decisivos desde que fomos gerados. Há os grandes momentos, ou apenas simples palavras, mas todos são construtores de caráter. Não deixem que te digam que nunca passou pelo bastante, pois aqui entre nós, eles não sabem nem 10%. Não estou dando garantia de que todos são iguais e que vão passar pelos mesmos problemas, porque ainda haverá mais. Algo bom, algo ruim, tudo é uma soma de momentos que deixarão cicatrizes, e essas sim, são a prova da compreensão. Não são seus anos de vida, mas quantos momentos você superou durante esse período. E se eu aprendi algo, é que os adultos não estão sempre certos. Basta olhar para você, que está lendo esse texto. Você é adulto, sempre acertas? Então não é válido ter a frustrante impressão de que um senhor de 50 anos estará.
                  Tenho 21 anos, e como disse, cansei de ouvir pessoas dizendo que eu não estava pronta o suficiente para compreender certas coisas. Eles podem até estar certos, em parte: eu nunca vou saber como é viver os problemas deles, mas eles também nunca saberão como é passar pelo o que eu passei.  Muitos jovens são jovens apenas na identidade, porque dentro de cada um deles existe uma barreira que já foi rompida. Chegamos então a uma de muitas conclusões: a medida de experiências de vida não deveria ser baseada em números, mas em quantas vezes seu coração sangrou.
                    A vida, eu percebi, é linda sim. Não como poesia, mas como uma terra árida que precisa ser tratada diariamente para render frutos. Não importa quanto você já vivenciou, você verá ainda mais. E sim, eu me dou o direito de escrever isso. Mas o principal ponto de ruptura será aquele quando você verá que o único jeito de transformar todas as suas experiências em algo bom para si mesmo e para outros, é encontrar o amor. Não um amor, O amor. Ele te mostra o seu valor, te da uma nova autoestima, e segura a sua mão nas horas escuras, quando a confusão é tudo o que existe dentro de você.  Aceitar o que você viveu sem desmoronar, só é possível olhando naqueles lindo olhos e segurando as suas mãos firmes, que nunca te deixarão cair. O amor sempre te amará de volta!
             Posso não ter todas as respostas, mas sei o caminho.
  • Beco do Adeus

    Com os olhos fechados e calo nesse mundo de ódio e amor aos poucos meus olhos escorem gotas que caiem no chão, que me lembra de tudo que fiz e cada vez me deixa mais confuso já não sei oque fazer perdido em delírio de pensamento pessimistas que me levaram esse lugar escoro chamado de beco. Jogado no chão a chorar parece apenas um conto de um livro de ficção momento que o protagonista é derrota ou perde alguém que ama bem minha historia é diferente estou aqui, pois nunca ter nada, perde sempre, ser zero a esquerda, não consegui ser o protagonista da minha própria vida é engraçado dizer nesse momento poderia ser aqueles que as pessoas percebem que ficarem chorando não vai mudar nada, mas já passei por isso, mas não mudou nada sabe antes que m julgue como um cara que não quer lutar pelos seus sonhos entenda que  nem todos desistem por não ter coragem de lutar uns só estão cansados de perder sabe é fácil falar levante a cabeça e siga em frente quando  você não  perdeu mais vezes que pode contar. Caralho isso esta  muito desmotivador até pra min mas vou te mandar real irmão você  provável que seja alguém  melhor que eu já que estou morto nesse momento que esta lendo isso, mas mesmo tendo uma vida de bosta tive momentos  bons, olha tive um amor ela era linda mas tive que deixar ela parti ter uma vida melhor, amigos verdadeiros,  muitas coisas boas só que tudo oque realmente tentava  fazer de útil não dava certo desde de criança então hoje eu parto para um outro começo. Adeus caro leitor.
  • BREVE HISTÓRIA DO IMPÉRIO EM TEOMAKIA

    No continente de Éos, mais precisamente na região central, localiza-se o Império Sagrado. Este, estabeleceu-se numa vasta região, onde se localizavam dezenas de tribos, com idiomas bastante similares, que eventualmente foram unificadas em 8 pequenas nações. Como era natural que ocorresse, essas nações acabaram por se tornarem em monarquias rudimentares, as quais entravam em constantes guerras e alianças. No fim desse período, numa fase semelhante a baixa antiguidade, quatro reinos restaram, tendo cada um anexado um dos demais por meio de casamentos e/ou tratados de unificação. Havia uma peculiaridade nesses reinos.
    Haviam quatro portadores de poderes sobrenaturais que passavam seus poderes para sucessores. Não se sabia exatamente como isso tudo funcionava, mas eles naturalmente tornaram-se generais em seus respectivos reinos. Tradicionalmente, esse poder, conhecido como "A Virtude" no Reino do Sul e regiões próximas e como "O Legado" nos demais reinos, era transmitido somente dentro de determinadas tribos, que tornaram-se clãs. A influência de cada um desses clãs aumentou ao ponto de que, adentrando aquela civilização em uma condição social de feudalismo, tornaram-se todos esses clãs, em seus respectivos reinos, famílias tradicionalmente nobres. Assim que cada um dos 8 reinos se unificou a um outro, os tratados tenderam para centralizar o poder na figura do portador do Legado. 
    Passados mais alguns anos, a religião comum de toda essa região, a Doutrina, passou a ser ameaçada por religiões de povos do leste. Foi então iniciado um processo de unificação forçada, visando um esforço de defesa. Ocorreu que a falta de articulação entre os reinos resultou em uma derrota quase absoluta: um vasto território de quase 3 milhões de km² foi tomado de assalto por centenas de inimigos com habilidades sobrenaturais, liderados por dois generais imortais, sendo um homem e uma mulher. Acredita-se que eram deuses. Todos os 4 portadores foram eliminados, sendo substituidos por seus herdeiros aprendizes. Entretanto, sendo ambos ainda muito jovens, preferiu-se uma estratégia de menos enfrentamento e de poupar suas populações. Os quatro reinos foram reduzidos a uma pequena parte do norte do antigo Reino Ocidental. Foi então firmado um tratado de paz com os deuses. 
    Na pequena parte reduzida dos quatro reinos, eles foram unificados em um, com um monarca eleito entre os líderes de clãs. Foram criadas também as cátedras, títulos militares dados aos portadores. Mais sete anos e iniciou-se um processo de retomada do território. Os quatro Catedráticos lideraram os exércitos em consecutivas vitórias, reconquistando quase metade do território perdido em cerca de cinco décadas. Seus sucessores retomaram quase o mesmo território dos anteriores em cerca de três décadas. Estes, por sua vez, escolheram aprendizes jovens. Os quatro jovens escolhidos foram os últimos até o início da história contada de Teomakia. Após a reconquista de tão vasto território, estabeleceu-se a capital real numa região ao sul do continente, Augusta. Foi estabelecido o Senado, tendo presença de cada um dos chefes dos clãs tradicionais, os quais eram responsáveis pela eleição do Prínceps (o monarca, o primeiro cidadão). Ao Prínceps, após coroação da Doutrina, é dado o título de Imperator. 
    O atual Imperator é Tiago Primeiro, Prínceps, Imperator e Rei de Australis, Occidentalis, Orientalis e Septentrionalis. Os catedráticos no início da história são: Aidan Silva, Barão da Colina, Herói de Australis e Catedrático do Fogo; Éolo Piero, Duque de Sol, Paladino e herdeiro de Orientalis e Catedrático do Ar; Orlando Mercio, Marquês do Ocidente, Protetor de Occidentalis e Catedrático da Terra; e Adriano Gelo, Duque de Fluvius, Defensor e herdeiro de Septentrionalis e Catedrático da água. 
    A Cátedra é tradicionalmente passada a um nobre, do sexo masculino, de clã reconhecido, puro de ascendência filho legítimo.
  • brisa do amor

    Com a brisa da manhã olhei pela janela e na rua avistava meu amor
    com um lindo sorriso encantador
    Acenando para min, fazendo assim meu coração acelerar
    Aquela bela sensação que só o amor tem

    Minha reação e simplesmente querer te abraçar
    e mil beijos lhe dar
    encher de amor
    ate seu coração transbordar !!
  • Caçador de Lendas

    Natal-RN/Brasil.
    Um garoto de nome Harley,estava na escola,e foi desafiado.
    -Eu duvido que você a chame!
    -Pode ser mas...
    -Vai amarelar é?
    -NÃO!
    -então,as dezesseis horas hoje você vai.

    Apos as aulas de português,história, matemática,artes e educação física,se passou exatamente 2 horas.
    -vai lá prima e faz o que te falei.
    -certo.
    Ela entrou,fez coisas que não posso citar.
    Apareceu uma menina loira,de cabelos que tampam o seu rosto,vestido branco com um perfume inexplicável. A prima:
    Gritou BEM alto.
    Chutaram a porta e se deparam com a lenda urbana na escola estadual.
    -E-Essa loura dá...
    -Calafrios!
    Harley,um jovem espadachim,saca a espada para combater tal demônio.
    Conseguiu dar um belo murro na cara, que fez sangrar sangue preto. Apavorante era! Ela (Loira),levanta seu cabelo que encobre os olhos e parte do nariz. O que veram,foi uma menina sem orbita nos olhos,preto,negro.
  • Caçadora

    Já haviam se passado dois dias desde que os sequestros começaram, as delegacias da região estavam lotadas de policiais e informantes, todos desesperados por uma única pista. Nos hospitais seguranças cercavam os berçários, pais nunca deixavam um enfermeiro ficar a sós com seus filhos. Dois dias, quarenta crianças, todas tiradas dos braços das mães em sete diferentes hospitais da cidade.
    Sofia tentara rastrear os sequestradores a partir de câmeras de segurança, mas não conseguiu nada além do que a policia tinha, os bebes eram pegos por enfermeiros que trabalhavam nos hospitais, eles aparentavam estar fazendo seu trabalho de rotina, contudo, nunca chegavam ao destino, desapareciam dentro de um carro junto com a criança, tudo pego pelas câmeras.
    No primeiro dia dez roubos dentro de uma hora, dois recém-nascidos e oito que já estavam a mais de um dia no berçário, quando chamaram a policia já haviam desaparecido, essa primeira onda ocorreu somente em um hospital, os outros trintas seguiram o mesmo padrão no dia seguinte, menos de uma hora e em seis hospitais diferentes. As câmeras de trânsito não conseguiam acompanhar os criminosos, haviam poucas e cobriam somente uma parte pequena das ruas.
    A cidade inteira estava em pânico, a mídia não saia de cima da polícia, os gerentes dos hospitais estavam ocupados demais tendo que atender advogados que ameaçam processos milionários, Sofia sabia que quanto mais alvoroço acontecesse, mais as pessoas deixariam passar os detalhes, então estava na hora dela agir.
    Após assistir as câmeras diversas vezes, juntou os seguintes padrões, o comportamento dos enfermeiros até recolherem as crianças eram normais, nenhum dos quarenta apresentara qualquer sinal de nervosismo, nenhum teve qualquer contato estranho ou incomum entre eles, ou seja, sequestrador com sequestrador, assim como agiram de forma completamente confortável quando saíram do hospital e entraram no carro, o mais provável era que o quer que tenha motivado os roubos tenha acontecido entre os segundos em que as câmeras não pegavam eles, se tornava difícil notar qualquer interação com outros possíveis cumplices nesses momentos, ninguém estranho, tudo em perfeita ordem, parecia completamente inútil.
    O único detalhe que juntava todos os membros como cumplices era que em cada roubo o carro do sequestrador pertencia a outro sequestrador, todos segundo os familiares sem qualquer ligação. Os carros foram encontrados, estavam separados em diversos bairros da cidade, sem GPS, sem os donos, sem pistas.
    No primeiro dia vinte minutos após chamarem a policia as BRs que levavam para fora da cidade estavam fechadas, no segundo dia elas foram reforçadas, a guarda nacional ajudava a cercar a cidade, ninguém passava sem ser visto, pelo menos era isso que eles queriam acreditar, o mais provável era que as crianças ainda estivessem na cidade, a questão era acha-las.
    Sofia pensou em qual seria o próximo passo da polícia, estavam prontos para invadir todo e qualquer lugar que pudesse abrigar quarenta recém-nascidos, quanto tempo demorariam para conseguir a permissão? Algumas horas?! Ninguém conseguiria esconder-se por tanto tempo com esse número de reféns, os planos eram outros, talvez aquelas crianças não tivessem algumas horas.
    Eram quatro horas da manhã, Sofia decidiu que não valia a pena correr atrás de todos os quarenta suspeitos, escolheu um, Carlos Mendonça, quarenta e dois anos, residia no hospital a mais de uma década, casado e com três filhos, um homem normal, pai amoroso e ótimo jogador de cartas segunda a esposa. A casa do suspeito ficava próximo a casa de uma das vítimas, podia ser coincidência ou ele podia estar de olho na gravida a muito tempo.
    A menina esgueirou-se pelo jardim da casa, sempre de olho para que ninguém a visse, escalou até o segundo andar onde sabia por informações recolhidas de conversas com “vizinhas informantes” (fofoqueiras) que ficava o quarto do suspeito e sua esposa. A janela estava fechada, mas era de vidro e por ela podia-se ver uma mulher de idade já avançada deitada na cama em um sono profundo, um sono que conseguira a muito custo, isso era o que indicava os frascos de soníferos ao lado da cama. Outro motivo pelo qual Sofia escolhera aquela família em especial era por que fora uma das primeiras entrevistadas, metade dos familiares de suspeitos ainda estavam na delegacia e a garota preferia fazer seu trabalho longe da polícia.
    Todos na vizinhança dormiam, tão calmos e ao mesmo tempo tão desesperados, Sofia desceu para o jardim, encontrou a porta dos fundos e com um grampo abriu a fechadura como se fosse um jogo de criança.
    Andou pela casa sorrateiramente, procurou pelos filhos, mas eles não estavam, deviam ter sido mandados para os cuidados de algum parente para evitar que comtemplassem a tristeza da mãe, era uma coisa boa, não seria interrompida. Subiu as escadas, fechou as cortinas do quarto, vestiu uma mascara completamente branca que só possuía buracos para os olhos e foi em direção a cama.
    - Cristina! – sussurrou bem perto do ouvido da mulher, mas não surgiu efeito.
    - Cristina! – voltou a repetir, agora mais alto dando um empurrão na dorminhoca.
    A mulher resmungou um pouco, virou-se de frente para a menina e quando abriu os olhos, entrou em desespero, tentou gritar, mas uma mão tapava sua boca. Seu próximo instinto foi pular para fora da cama, novamente frustrada, desta vez devido a faca de caça que repousava em seu pescoço.
    - Não quero ter de usar meios violentos. – disse Sofia – mas não hesitarei um segundo se me obrigar a fazê-lo, estamos entendidos?
    A mulher com os olhos arregalados e cheios de medo acenou com a cabeça de forma afirmativa. Sofia retirou a mão que tapava a boca da vítima, mas manteve a faca,
    sentou-se na cama confortavelmente enquanto era observada pelo olhar amedrontado de Cristina.
    - É... é dinheiro? – perguntou a mulher gaguejando – Te... te... tem no... co... co... cofre, a senha é 2...2... 4...
    - Isso não é um assalto!
    A mulher permaneceu um momento em silencio, então pediu se poderia sentar, Sofia permitiu, contudo, sem remover a faca do pescoço da vítima.
    - É meu marido? – perguntou a mulher com os olhos cheios de lágrimas. – Você é uma parente?
    - Não Cristina, sou só alguém querendo fazer a coisa certa.
    - Com uma faca?
    - Com os meios que a justiça despreza, mas necessita.
    As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da mulher. – Eu não tenho nada a ver com isso, meu marido também não, é um grande engano, ele é uma boa pessoa.
    - Ele sequestrou um bebe e desapareceu, não é a definição correta de boa pessoa.
    - Você não entende, ele não pode ter feito isso, ele é um homem carinhoso, um pai de família gentil, nunca esquece meu aniversário, continua dizendo que me ama todos os dias mesmo depois de vinte anos de casamento.
    - Parece perfeito demais não acha?!
    - Por que está aqui? Tem alguma pista dele, tem dele algo a mais que os outros? Não conheço todos os envolvidos, mas tenho certeza que assim como meu Carlinhos eles são vítimas de alguém que os manipulou.
    - Acha mesmo que ele é inocente?
    - Eu conheço meu marido!
    - Então consegue imaginar alguma oferta que o teria feito repensar seu estilo de vida? Dinheiro, algum favor especial talvez?
    - Dinheiro? Eu sei que ele é só um enfermeiro, mas dinheiro nunca foi um problema, ele herdou uma fortuna de seus pais, poderia ter pego tudo e ido embora, em vez disso dedica todo dia cada centavo dele para dar a mim e a nossos filhos a vida mais alegre que poderíamos desejar.
    - E onde está sua alegria agora?
    A mulher caiu em prantos e Sofia não demonstrou qualquer sinal de pena diante da cena, assim como sua mão não afrouxou no pescoço da refém.
    - Temos um problema aqui! – disse a menina – Tudo indica que seu marido faz parte de algum grupo de lunáticos que resolveu sequestrar quarenta crianças de uma vez só em um período de dois dias, sabe o quanto isso é insano? Não faz o menor sentido! Sabe, eu gostaria que ele não fosse culpado, acredite em mim, assim eu pouparia uma bala na hora de matar os responsáveis, o problema é que preciso de uma outra teoria que o livre dessa, você tem alguma?
    - Ah...ah... Não sei... ah... Talvez alguém parecido com ele, talvez... eu não sei... – a mulher voltou a chorar, tentou controlar quando sentiu o fio da navalha apertar mais contra seu pescoço.
    - Vamos lá Cristina, eu não tenho muito tempo.
    - EU NÃO SEI! Bolar uma teoria não deveria ser o seu trabalho?
    - Estou sem ideias, preciso de uma segunda opinião, que tipo de grupo é lunático a esse ponto?
    - Tráfico sexual, trabalho infantil, órgãos, EU NÃO SEI!
    - Sabe qual é o problema com esses grupos Cristina?
    - Eu... eu... eles... não fazem escândalo?!
    - Exatamente! Você não está se esforçando para livrar seu marido dessa Cristina.
    - ELE É INOCENTE! Porque não acredita em mim?! Eu não sei de nada, ele era um bom homem, meu deus ele até doava dinheiro para igreja todo mês.
    Sofia suspirou desapontada, retirou a faca da garganta da vitima e a guardou no sapato, as duas permaneceram em silencio por um momento, até que a menina notou algo no que havia ouvido.
    - Vocês são religiosos? – perguntou ela a mulher.
    - Não exatamente! A religião vem de família, mas as doações são nossa única ligação com esse tipo de culto atualmente e é só porque a igreja faz obras de caridade ou algo assim...
    - Está me dizendo que não sabe exatamente para que a igreja usava o dinheiro?
    - Era o... era... meu marido... que... cuidava disso... você... você acha que...
    - Um homem perfeito?! Talvez você esteja certa e não seja nada, mas só por precaução vou checar para onde o dinheiro ia, tem pelo menos o nome da igreja?
    Alguns quilômetros longe dali, dentro de uma cafeteria vinte e quatro horas, Sofia procurava em um dos computadores do estabelecimento, tentando encontrar informações sobre o Centro de fé e contemplação do senhor Jesus Cristo. Era uma comunidade bem grande, muitas propagandas sobre obras de caridade, embora as igrejas deste culto fossem templos pequenos e espalhados em vários pontos da cidade, todos os anúncios traziam consigo a imagem do patrono da religião, o padre
    Deo Missusa, latim, se fosse escrito Missus a Deo significava enviado de deus, Sofia entendia um pouco de latim e essa podia ser novamente só uma coincidência, mas aquele parecia ser um nome inventado, do tipo que artistas usam para parecerem mais chamativos.
    “O que Deus diria disso?!” pensou ela.
    Após alguns minutos de pesquisa encontrou um numero de telefone, sabia que não ajudaria muito, mas resolveu tentar um contato com o próprio “Enviado de Deus”, através da linha de ajuda a viciados. Saiu da cafeteria, encontrou um lugar sossegado e então telefonou, foi quase que imediatamente atendida por uma mulher.
    - Centro de fé e contemplação do senhor Jesus Cristo, que a benção do senhor esteja com você, com quem estou falando?
    Sofia enrugou um pouco a voz para parecer rouca – Meu... Meu nome é Karine, eu... eu preciso de ajuda... eu quero me matar.
    Houve uma comoção do outro lado da linha, outra pessoa assumiu o telefone, desta vez um homem, afinal, a linha era para viciados, não suicidadas. – Boa noite Karine, meu nome é Jeferson, estou aqui para te ajudar, preciso que continue na linha ok? O senhor nosso deus tem um proposito para você, sua vida tem um valor inestimável...
    Sofia resolveu criar um pouco mais de drama – Onde está a mulher? Eu estava falando com uma mulher? – ameaçou um choro – Porque todo mundo me passa para outra pessoa?
    - Karine, eu preciso que se acalme ok?! A irmã Maria está aqui comigo, ela não saiu, eu pedi para assumir o telefone, já lidei com isso antes querida, tem algo que deseje em seu coração?
    - Deo!
    - Como?
    - O padre Deo está ai?
    - Sinto muito querida, o padre encontrasse em seus aposentos, mas Deus fala através de todos nós, pode falar conosco e estará falando com Deus.
    - Por favor! – Sofia fingiu que estava chorando, parecia bem convincente, era uma ótima atriz – eu estava... estava vindo para cá, pronta a pular, pronta a tirar minha vida, então eu vi, eu vi um cartaz, era o padre Deo, é um sinal, meus pais sempre foram religiosos, eu nunca liguei para essas coisas, por favor, eu preciso falar com o padre, ou então não tem porque eu continuar nessa ligação.
    A resposta foi rápida – Tudo bem Karine, eu preciso que prometa continuar na linha, não faça nada precipitado, vamos tentar entrar em contato com o padre, mas enquanto isso, porque você não nos dá sua localização?! talvez o padre possa te encontrar pessoalmente.
    - NÃO! Vocês estão mentindo, vão chamar a polícia, vão me mandar de volta para aquela maldita clínica, EU QUERO FALAR COM DEO OU VOU PULAR!
    - Calma Karine, estamos ligando para o padre agora mesmo...
    A ligação se estendeu por alguns minutos com Jeferson incentivando o tempo todo para que a vitima se acalmasse e tivesse paciência, Sofia por sua vez mostrava cada vez mais sinais de impaciência para que agilizassem as coisas, por fim a ligação foi passada para o “Santo Deo”.
    - Que a benção do senhor esteja com você, o que há em seu coração querida? – perguntou o padre.
    Era hora de decidir bem o que dizer, Sofia queria saber se a igreja tinha algo a ver com os sequestros, pensou em alguns dos sequestradores. – Meu nome é Karine... meu pai era Gregório Castro...
    Sofia não disse mais nada, esperou uma reação.
    - Um dos sequestradores?! – disse o padre.
    “E o peixe morde a isca” pensou a menina, mesmo que tivesse visto todas as notícias seria difícil decorar todos os quarenta nomes, muitos dos jornais nem se deram ao trabalho de citar todos os envolvidos, de novo, poderia ser coincidência, mas a garota chegara até ali com algo extremamente banal como contribuições para caridade, não tinha porque não ir a diante.
    - Ele falava muito da igreja – Sofia continuava com a voz de choro – você o conhecia?
    - Deus conhece todos os seus servos minha querida, mas eu sou só um mortal, não tive a honra de conhece-lo, tenho certeza que era um bom homem...
    - Então porque ele...
    - O diabo as vezes tem vitórias que não conseguimos entender, mas Deus sabe a hora de agir, se seu pai era um bom servo, tenho certeza que Deus perdoara seus pecados.
    - E os seus, padre?
    - Meus?!... meus pecados? Somos todos iguais aos olhos de Deus.
    - Ele sempre doava dinheiro para igreja! – disse Sofia atirando no escuro.
    - Ele era um doador fiel da caridade sim, e Deus ajuda quem ajuda os desfavorecidos.
    Uma ligação, havia uma ligação entre dois suspeitos, ambos doavam para igreja, como sempre sem provas, mas as coincidências continuavam a aparecer.
    - O que está pensando em fazer querida? – continuou a falar o padre – É por isso que está pensando em cometer o pecado do suicídio, por causa dos pecados de seu pai?
    - Como posso viver com isso padre? Minha amiga pensa do mesmo jeito, a mãe dela também fez isso, era uma boa mulher – mais uma tentativa, Sofia pensou em outro
    nome entre os sequestradores - Julia Tália Santos, sempre doava para sua caridade – esperava outra mordida, mas as coisas mudaram a partir daí.
    - Quem é você? – perguntou o padre de forma fria.
    Nesse instante Sofia entendeu que fora descoberta, estava ligando pontos demais, pedindo informações demais, e o líder de um culto só podia ser burro até determinado ponto ou não seria o líder.
    - Onde estão eles? – perguntou a menina.
    - Os sequestradores? Porque eu deveria saber disso?
    - Porque eles trabalham para você, porque sua maldita igreja sequestrou quarenta crianças e posso apostar que não faz parte de um programa de caridade.
    - Dominus tem um grande plano para elas, você é uma criatura sem fé, não entenderia.
    - A policia está ouvindo essa conversa!
    - Não está não! – disse o padre com confiança – essa é uma linha privada, já tenho sua localização e alguém de olho em você, é só uma adolescente metendo o nariz onde não é chamada...
    Sofia desligou o telefone e olhou em volta tentando encontrar os olhos do padre em algum lugar, não havia ninguém, estava sozinha, a rua era silenciosa e ao longe os primeiros raios de sol nasciam, ela suspirou aliviada e ao mesmo tempo sentindo o coração pular para fora do peito.
    Agora que já sabia que a igreja realmente tinha algo a ver com isso ela tinha que encontrar um modo de chegar até eles, estariam em um grande culto ou algo assim, devia haver muita gente envolvida, não que fossem fazer isso em um lugar público, mas devia ter um jeito de chegar a eles.
    Sofia entrou novamente na cafeteria, era a única cliente ali, pensou em pedir algo, passara muito tempo sem comer nada, foi até o balcão e enquanto avaliava as opções notou vários cartões de visita, taxis, livrarias, grupos de ajuda, e lá estava ele, a imagem de Deo “Faça parte da nossa comunidade!” dizia o cartão.
    - Vai pedir? – disse o garoto atrás do balcão assustando Sofia que estava focada nos cartões.
    - Não! – respondeu ela rápido – desculpa, quero dizer, estou escolhendo ainda.
    O garoto sorriu e de forma graciosa fez uma reverencia, Sofia riu e voltou os olhos para o cardápio. Ao fundo ouviu o telefone tocar, o garoto atendeu imediatamente, deixando a menina sozinha com as opções.
    Seria um dia puxado, ela precisava de energia, começara a pensar que se metera com algo muito grande, afinal, estava sozinha, passou os olhos pelo hambúrguer e pela
    torrada, pensou em pedir talvez um pastel, estranhamente estava com vontade de comer pastel.
    - Karine? – perguntou o atendente.
    Sofia ergueu os olhos a tempo de ver um teaser ser disparado contra seu peito, ela tombou no chão com 50 mil volts passando pelo seu corpo, tremia freneticamente, já tinha feito treinamento com armas de choque, não era algo fácil de suportar, conseguiu com muita força arrancar os ganchos que lhe transmitiam a corrente, mas ficou no chão convulsionando. O menino ficou lá, com um olhar catatônico, observando sua presa, após alguns segundos pegou a faca que era usada para cortar os bolos e deu a volta no balcão indo em direção a sua vítima.
    Sofia ainda tremia, mas levar tantos choques nos treinamentos devia valer alguma coisa, pois ela conseguiu se levantar, cambaleou para longe do atacante, mal conseguia se manter de pé, sua única opção era tentar aguentar até que seu corpo tivesse condições de lutar.
    O menino se aproximou rapidamente enfiando a faca no braço de Sofia, ela gritou de dor e voltou a tombar ao chão, desta vez levando uma serie de mesas e cadeiras junto, a faca não entrara muito fundo, acabou caindo durante a confusão. O atendente pulou em cima da pobre garota desferindo diversos socos em um ritmo frenético, a cada golpe a consciência de Sofia ia esvaziando, “como pudera ser tão descuidada?” pensou ela “Não notara um agressor tão próximo, tanto treino, tanto esforço para acabar assim?! Não! ainda não estava acabado”.
    Um movimento rápido entre um dos socos, uma cabeçada, as cabeças se chocaram forte o suficiente para empurrar o garoto para trás. Sofia encontrava-se exausta, afastara o inimigo, mas por quanto tempo? Não tinha mais forças para lutar, para sua surpresa, não precisaria mais lutar.
    O garoto começara a resmungar de dor, perguntando o que diabos tinha acontecido, ficaram ali por alguns minutos, os dois, Sofia em um estado bem pior que o garoto, até que o seu ex-inimigo veio ao seu socorro, ajudou a levanta-la, correu pegar o kit de primeiros socorros quando viu o estado do corte em seu braço e enquanto limpava o ferimento a garota aproveitou para perguntar algo que já imaginava.
    - Você tem alguma ligação com Deo?
    - O cara da igreja? Não!
    - Como conhece a igreja? – perguntou apontando para os cartões de visita.
    - Fiz uma doação! Para um programa de viciados e... a mais ou menos um mês atrás me convidaram para uma comemoração para doadores, era um tipo de palestra, dormi a sessão inteira, me deram os cartões na saída.
    - Soldados russos! – disse Sofia, agora entendia o que havia acontecido, como todas aquelas pessoas tinha sido convencidas a fazer o que fizeram.
    O garoto olhou em volta, somente agora parou para tentar entender o que havia acontecido, o teaser para ladrões estava em cima do balcão, acabara de ser usado, uma faca ensanguentada estava caída no chão, sentiu-se horrorizado, havia feito aquilo com a menina.
    - Não se preocupe, não vou contar para ninguém – disse Sofia – desde que não conte que estive aqui.
    O garoto tinha muitas perguntas, mas foi convencido a deixar que a garota fosse embora sem responder nada, e com o aviso para que não atendesse o telefone.
    Soldados russos, fora isso que aconteceu, os doadores que compareceram a reunião de comemoração foram hipnotizados para serem como soldados russos, ativados com algum sinal, prontos para executar qualquer ordem que lhes fossem dada, seriam necessários apenas alguns segundos para ativar as marionetes durante os sequestros, poderia ser qualquer um a fazê-lo, bastava algum sinal pré-programado. A reunião havia acontecido segundo o garoto no subsolo da decima terceira cede da igreja, todos dormiram na reunião, motivo pelo qual não falavam dela por ai, talvez estivesse erada, mas tinha a impressão que seria lá que o quer que estivesse acontecendo seria realizado.
    Oito horas da manhã Sofia já se encontrava livre de quase todas as dores, sangramento estancado, ferida limpa, estava na hora da caçada. A garota finalmente se vestia para um combate, botas de couro, uma malha que absorvia impactos, duas facas na cintura, duas facas nas botas, cobrira tudo com um sobretudo preto, e a ultima peça era um rife de caça com dardos tranquilizantes que guardou dentro de um case de violão junto com sua máscara, na rua pareceria uma menina comum, quem a via mal sabia que estava indo em direção a uma guerra.
    Passou algumas vezes por frente de televisões que anunciavam a invasão da polícia em vários pontos da cidade, a guarda nacional estava ajudando, vários vídeos eram gravados a partir de câmeras de celular, o perímetro das invasões era sempre evacuado, podiam estar lidando com terroristas, não encontrariam nada e demorariam muito tempo para fazer isso.
    Demorou uns quarenta minutos até chegar a igreja, não havia ninguém ali, não na parte de cima pelo menos, Sofia levou um tempo para achar a entrada do subsolo, lá em baixo parou na escada, ficou abaixada observando a sala, era um lugar imenso, bem maior que o andar anterior, a porta lacrava a sala e impedia que qualquer som saísse de lá.
    Os fieis podiam ainda não estar ali, mas os sequestradores estavam, todos desacordados amarados em cadeiras, vendados e amordaçados. Sofia não conseguia ver os recém-nascidos, mas agora tinha certeza que aquele era o lugar certo. Em um canto do salão arrumando o que parecia ser um palco estavam dois homens grandes vestidos de branco com sinais de cruzes invertidas desenhados em seus trajes, a garota não podia ser burra e enfrentar os dois em uma luta corpo a corpo, seria esperto
    guardar os dardos do rifle para quando estivesse em real perigo, por hora faria tudo com calma, para começar colocou a mascara branca, não podia ser reconhecida.
    Tentando ser a mais silenciosa possível esgueirou-se pelo canto do salão, aproveitando que os dois grandões estavam distraídos em uma discussão calorosa sobre a posição de uma das peças de madeira. Quando conseguiu alcançar o fim do salão, entrou em baixo do palco e de lá engatinhou até que estivesse ao alcance dos calcanhares dos dois, com um movimento rápido puxou as facas da cintura e cortou os tendões acima dos calcanhares, imediatamente os dois homens tombaram de bruços no chão, Sofia saiu do esconderijo e apertou a faca contra a garganta dos monstros de branco, os dois ficaram paralisados com as laminas ameaçando acabar com suas vidas.
    - Onde estão os bebês? – perguntou ela.
    O grandão do lado direito resmungou – Sua vadia, não vamos falar nada, Dominus vai cuidar de você, estará morta assim que Deo chegar.
    A lâminas foram pressionadas com mais força e uma linha de sangue escorreu pelo pescoço.
    - Estão com os fies! – disse o do lado esquerdo em desespero – a gente só banca o segurança, por favor, não me mata.
    - CALADO IDIOTA! – gritou o outro.
    Sofia retirou a faca do pescoço do da direita e com o cabo lhe deu uma coronhada que o fez perder a consciência, enfim, voltou a atenção para o da esquerda. – Continue a falar.
    - Eles separam os bebes, não dava pra manter todos em um só lugar, vai ser hoje ao meio dia, era para ser a noite, mas tiveram que adiantar, todos reunidos... são sacrifícios... para Dominus, nunca foi feito antes, é o maior ritual, eles realmente esperam invocar esse tal Deus hoje...
    - Porque não se livraram dos sequestradores ainda?
    - Eles vão assumir a culpa!
    - Fui atacada fora daqui por alguém hipnotizado, quantos mais há?
    - Não sei, não cuido disso!
    A faca foi apertada mais fundo na carne gorda do pescoço. – Eu não sei, eu juro, sei que são bastante, tem até uns policiais, todos que doaram, e as pessoas doam bastante para essa igreja.
    - Então é provável que se eu ligar para policia vão saber que estou aqui e as crianças somem?
    - Bem provável!
    Sofia fez igual a antes e apagou o grandão com uma coronhada. Amarrou os dois, amordaçou-os e empurrou para de baixo do palco, onde não seriam vistos. Suas opções eram limitadas, precisava derrubar Deo antes de chamar a polícia, procurou pelo lugar coisas que talvez pudessem ser uteis, tomou cuidado o tempo todo, mas felizmente ninguém apareceu, por fim onze horas a portaa da escada se abriram e pessoas começaram a entrar, a menina estava escondida em cima de uma das vigas de ferro do teto junto com as lâmpadas, as luzes estavam viradas para o outro lado de forma que não dava par ver que havia alguém ali, o rifle estava pronto, Deo estaria no palco e seria o primeiro a cair.
    Os minutos iam passando e cada vez mais pessoas chegavam, alguns sem nada, outras com os bebes no colo. Todas as crianças foram colocadas no centro da sala junto com os sequestradores, aparentemente ter o sangue dos recém-nascidos nas roupas dos sequestradores fazia parte do plano.
    Deo foi o último a aparecer, cumprimentava a todos como se não estivessem para sacrificar quarenta crianças em um ritual macabro e insano.
    - Louvado seja Dominus! – disse ele ao se posicionar em seu lugar no palco, todos os fies repetiram em coro, devia ter umas setenta pessoas ali.
    Sofia pegou o celular, pronta a mandar sua localização para a polícia, assim que começasse a atirar ninguém mais poderia impedi-la, bastava um click e a ajuda estaria a caminho, infelizmente um estrondo forte assustou a todos e tomou atenção da garota. Um dos grandões que estava em baixo do palco havia acordado e se debatia feito um peixe fora da água.
    Os fieis se amonturam para tirá-los de lá enquanto outros procuravam ao redor da sala quem fora o responsável por aquilo. Deo parecia furioso, olhava para todos os lados imaginando quem ousaria se intrometer em um dia tão especial, eis que ele viu algo, viu o cano do rifle, viu a tempo de desviar do primeiro disparo, um alvoroço se estabeleceu, todos procuraram um lugar para se esconder e os bebes começaram a chorar em um coro que poderia derrubar um gigante, a confusão só aumentou, as pessoas corriam de um lado para o outro derrubando as cadeiras com os reféns que acordavam desesperados tentando se soltar.
    Sofia apertou o botão de enviar da mensagem e começou a disparar seguidamente os dardos contra Deo que corria de proteção em proteção fugindo dos disparos.
    - ELA ESTÁ NO TETO SEUS IDIOTAS! – gritou ele para seus fiéis.
    Alguém virou um foco de luz para posição da garota, agora todos podiam vê-la, estava exposta, os fieis que já haviam se acalmado começaram a atirar nela coisas que encontravam pelo chão, para sorte da garota todos eram péssimos de mira.
    Dois dos fieis decidiram escalar as paredes para poderem alcançar a posição da atiradora, nesse momento Sofia teve que mudar o seu alvo, derrubar os dois foi fácil, o
    problema é que outros decidiram fazer o mesmo e os dardos estavam acabando, sem falar que Deo ainda estava de pé.
    No centro do salão alguns dos sequestradores soltaram-se das amarras e pareciam estar cientes de sua situação porque não esperaram nem mesmo um segundo para sair dando porrada nos verdadeiros vilões. Deo gritava frases que deveriam ativar a hipnose, mas não funcionava muito, pois assim que alguém recebia um golpe na cabeça voltava ao normal.
    A briga ficava cada vez mais intensa, os sequestradores estavam bem mais irados, contudo estavam em menor número, havia alguns que nem se quer haviam sido desamarrados ainda, sem falar que tinham que sempre levar a briga para longe de onde estavam os bebes, quase ninguém mais se lembrava da menina que começara a confusão, o que fora muita sorte, já que os dardos haviam acabado.
    Deo por sua vez ainda se lembrava daquela pequena criatura, irado com o fracasso do seu plano e notando que sua saída de emergência fora trancada, pôs-se a escalar a parede para derrubar a criança. Ele subia rápido motivado pela raiva, nem esperou estar próximo ao alvo, se atirou agarrando a perna da menina derrubando os dois de cima da viga.
    Sofia ficou pendurada pelas mãos na barra de ferro, Deo estava logo abaixo pendurado em sua perna, era um lugar alto, se caíssem poderiam quebrar muitos ossos ou até mesmo morrer. O padre era bem mais pesado do que aparentava, fazendo com que a garota tivesse que aplicar muita força para não soltas as mãos.
    - O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO PIRALHA?! – gritou o padre.
    - ACABANDO COM UM GRUPO DOENTE DE LUNÁTICOS!
    A garota tentava chutar freneticamente o peso em suas pernas, mas a coisa abaixo dela parecia fortemente motivada a manter-se presa.
    Vendo uma oportunidade única Deo sacou uma das facas que ficavam na bota da menina e cravou em sua perna extraindo um grito de dor da pobre atiradora. Deo retirou a faca e quando estava pronto para mais uma facada a garota soltou a viga, os dois despencaram, o impacto com o chão foi forte, Deo pode ouvir suas costelas quebrando na queda, seus pulmões foram perfurados, sangue jorrou de sua boca, Sofia por sua vez teve a queda amortecida pelo cadáver do padre junto da malha revestida que estava usando, uma ou duas costelas se partiram, ela estava fraca, mancando, mas conseguiu se por de pé encarrando horrorizada o pedaço de carne abaixo dela.
    Os fieis que ainda restavam se desesperaram ao ver a queda do líder, alguns foram nocauteados durante a distração, alguns tentaram correr para fora da igreja, mas os policiais já cercavam o perímetro. Os reféns finalmente controlaram a situação, as crianças continuavam a chorar e depois de tanta baderna ia ser difícil fazer eles pararem.
    Sofia sabia que não poderia estar ali quando a polícia chegasse, teria muita coisa para explicar, sem falar que acabara de provocar a morte de um homem, cambaleou para trás do palco, havia uma porta de fuga que Deo provavelmente teria usado se ela não tivesse trancado antes dele chegar. Antes de sair um dos reféns chamou sua atenção.
    - Quem é você? – perguntou ele perplexo com a salvadora mascarada.
    - Pode me chamar de caçadora! – respondeu Sofia antes de correr para fora da igreja e desaparecer.
  • caçadores da meia noite ( capitulo 1 )

    Todos olhavam para um homem que caminhava com uma criança em seu colo . a criança chorava, e seu choro era ouvido por todos . o homem tinha um grande ferida em sua barrica onde ele colocava a mão , caminhava devagar parecia que perderia todas as forças a qualquer momento e aos poucos começara a chover .
    Caia uma chuva gelada e sem vida que espalhava o sangue no chão ,o homem agora estava quase a frente de um orfanato onde colocara um garoto e deixava uma carta manchada com seu sangue , o homem então sussurrou algumas palavras para o garoto e depois se virou , havia um grande platéia parada vendo o esforço dele . uma das pessoas que olhava tentou ajudar mas foi parado por um homem de cabelos castanhos com estranhas vestes cinzas escuras.
    - não – o homem falou como se estivesse preste a chorar a qualquer momento
    O outro homem com uma roupas manchada de sangue apenas observou seu amigo caminhando para longe , parece que não tinha notado todas as pessoas olhando para ele e então com um ultimo suspiro caiu no chão
    O homem com cabelos castanhos caídos ate sua cintura chegou perto dele e fechou seus olhos e falou.
    - bom trabalho – agora se afastava quando varias pessoas gritavam e corriam para velo ali caído , o homem com seus cabelos castanhos molhados pela chuva fria estava segurando suas lagrimas.
    E com um grande barulho o garoto acordará de seu sonho profundo e estranho , seu despertador estava tocando em cima da escrivaninha o garoto desligou ainda sonolento e cansado levantou de sua cama quente e aconchegante , vestiu uma flanela azul por cima de uma camisa preta amassada, abotoou devagar , colocou seus tênis rasgado e velho caminhou pelo o corretor e entrou no banheiro , se olhou pelo espelho e então viu sua própria imagem , um garoto com cabelos bagunçados , olhos escuros , magro .  se olhou por mas um tempo no espelho depois abriu a torneira e lavou seu rosto , desceu as escadas e finalmente estava em uma pequena sala que estava ocupada por varias crianças , que estavam interditas brincados com os poucos brinquedos que tinham . continuou caminhando sem olhar para os lados entrou na cozinha encheu uma xícara com café e pegou um pãozinho , olhou para o relógio e começou a comer o pãozinho e a beber o café mas rápido parecia que estava atrasado para ir a escola . terminou de comer e começou a caminhar tanto os passos apressados abriu a porta e então se lembrou . tinha esquecido a mochila em seu quarto, abriu a porta e começou a correr , subiu as escadas ( quase caiu no ultimo degrau ) caminhou por grande corretor , abriu a porta ferozmente pegou sua mochila que estava jogada em um canto.
    Voltou a descer o mas rápido que pode , correu em direção a porta saiu e começou a correr atravessou duas ruas dobrou três esquinas e ao longe ainda ouviu o som da sineta que indicava que a aula tinha começado , o garoto agora parou de correr e começou a caminhar e chutar uma pedra ate chegar no grande portal fechado que estava impedindo sua entrada . ficara ali por mas de um minuto pensando alguma desculpa para dar ao seu professor e então novamente ouviu o som da sineta mas agora indicava que era o intervalo ouvia se passos vindos das escadas . quanto menos esperou avistou seu professor caminhando em sua direção .
    - atrasado novamente Edward
    - a prof. Gabriel..... 
    Mas  logo foi interrompido pelo professor
    - não venha com desculpas 
    Ed ficou quieto em quanto via o professor mexendo nas chaves colocando as na tranca e tentando abrir , logo mudava para outra e outra  ate que finalmente conseguiu abrir a porta . Edward entrou rápido e ele logo fechou a porta travando a novamente . o homem agora não falou nada apenas fez um gesto para Edward segui lo e foi o que ele fez , caminharam pelo grande pátio onde varias pessoas ficaram olhando e tanto risadas ou cochichando em quanto ele passava . os dois entraram para dentro do colégio e subiram as escadas , caminharam por um corretor , e entraram na ultima porta a esquerda .
    - qual foi o motivo do atraso – falou o prof. Gabriel fechando a porta
    - bom.... eu...
    - tem desculpas – interrompeu o prof. Gabriel
    Edward não falou nada agora baixou a cabeça e se preparou para ouvir o seu professor falar .
    - estou ficando preocupado com você  - falou seu prof. Gabriel caminhando de um lado para outro
    Ficaram ali conversando ate acabar o recreio , o sinal bateu novamente e agora era a hora de todos voltarem  as salas de aula , e logo foram entrando vários alunos na sala e sentando nas cadeiras , o professor chamou a atenção e voltou a explica sobre o romantismo ( aula de literatura ) .
    - O romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que durou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa –  falava o prof. Gabriel andando de um lado para o outro.
    A aula parecia não acabar nunca, Ed ficava olhando o relógio   pendurado na parede la no fundo da sala , e seu professor não parava de explicar e passar atividades no quatro negro . ate que finalmente soou a sineta pela ultima vez naquele dia agora falava que era o final da aula , todos começaram a guardar seus matérias e a caminhar em direção a saída .
    - bom nossa conversa ainda não terminou – falou seu professor olhando para Ed
    Edward parou na frente da porta aberta , virou se para ele e então perguntou
    - não terminou
    Mas antes que pudesse falar mas alguma coisa seu professor o interrompeu  
    - não , ainda não terminou
    Agora se fez um silencio , a sala de aula estava quase vazia , só tinha os dois La dentro e o único barulho que tinha era do relógio pendurado na parede . Prof Gabriel parecia esperar alguma resposta de Ed mas o que ganhou foi apenas o silencio dele .
    - bom , pelo jeito não tem nenhuma desculpa  -  ele se levantou da cadeira e começou a apagar o quadro
    -  prof. Gabriel e que... – Ed parou de falar e começou a ouvir barulhos estranhos vindo de fora sala
    Caminhou ate a porta e olhou para o vasto corredor mas não vira nada
    - e que – continuo seu professor agora arrumando as classes
    Ed voltou sua atenção ao professor e começou a ajuda lo a arrumar as classes silencioso sem fazer nenhum barulho e quanto pensou em falar novamente foi interrompido por outro barulho vindo do lado de fora da sala de aula .
    - pelo jeito você não quer me contar – falou seu professor com os braços cruzados
    Ele caminhou ate sua classe e pegou seu material se aproximou de Ed e então falou
    - bom não vou obriga lo a me falar , mas não chegue atrasado novamente  - ele falava  tanto tapinhas nas costas de Ed
    Eles saíram da sala e seu Professor pegou as chaves para fechar sua sala , um silencio ficou em quanto ele fechava aporta , Ed estava tentando ouvir de onde vira aquele barulho mas testa vez não ouviu nada . O prof. Gabriel fechou a porta e eles caminharam  pelo corretor agora escuro em direção as escadas .
    - bom – falou Ed colocando as mãos no cabelo
    Estava tentando puxar assunto , mas foi a pior coisa que ele já fez 
    - vai me contar o motivos do atraso – falou seu professor com um dom rigoroso
    Ed não respondeu ficou calado em quanto desciam os degraus da escada
    - foi o que pensei
    Seu professor Gabriel era um cara legal , usava um moletom com o símbolo do colégio era gorducho e baixo tinha uma barba falhada e cabelos muito curtos e um homem muito esperto divertido , pelo menos quanto não esta pegando no pé de Edward . ele era o único que se preocupava com ele nem no orfanato as pessoas pareciam se importa. Finalmente desceram o ultimo degrau e agora caminhavam em direção a porta onde deixava Ed muitas vezes para o lado de fora .  agora estavam no lado de fora do colégio Ed observava seu professor fechar a portão e gateado , guardou a chaves em seu bolso e se dirige ao seu carro , ele abriu a porta e então se virou .  
    - você não quer uma carona ate o orfanato
    O garoto se virou e então falou
    - não , prefiro ir caminhando
    - bom tem certeza
    O garoto confirmou com a cabeça
    - então ate amanha , a e não chega atrasado amanha
    O homem entrou no carro ligou , Ed ficou olhando o carro se afastar ate ele desaparecer quanto virou uma esquina . Ed virou se então e começou a caminhar desanimado pois já não agüentava ficar naquele lugar , não agüentava ouvir aquelas mulheres mas ainda faltava muito para ele completar seus dezoito anos , fazia apenas dois meses que completara seus quatorze , caminhava devagar , olhava para baixo a vontade que tinha era de fugir daquele lugar  . a volta ao orfanato sempre parecia ser muito rápido mesmo quanto ele parava no meio do caminho ou diminuísse os passos ao Maximo que podia , fazia todo o dia o mesmo caminho para ir e voltar , ficava a tarde inteira fazendo a mesma coisa era como se ele ficasse preço no mesmo dia.
      Ao longe já tava pra ver o orfanato com seus grande muros e bem no meio havia um grande portão com suas grades enferrujadas , o garoto entrou dentro e ali havia um pequeno parquinho onde muitas crianças brincavam a tarde inteira mas agora estava vazia e isso só significava uma coisa estavam todos almoçando , e era o que ele mas odiava sentava numa mesa cheias de crianças e tentava comer o mas rápido possível , o resto da tarde tentava ficar o mas longe de todos , ou se isolava em seu guardo ,  a única coisa que ele gostava de fazer era ler livros ou desenhar , muitas vezes ficava observando algumas pequenas criaturas , mas o que era mas estranho e que ele era o único que conseguia velas , e quanto contava para alguém falavam que era sua imaginação ou pensavam que era amigos imaginários
    Quanto entrou dentro do orfanato viu o que mas temia a pior parte de seu dia , havia varias mesas e estavam cheias de crianças ali comendo seu almoço alegres , aos poucos elas iam saindo e eram levadas ao banheiro para escovar os dentes , e depois voltavam a brincar . a outra pior parte era quanto vinham pessoas para visitar o orfanato e pareciam se espantar a ver suas condições era um orfanato velho , tinha uma pintura laranja que com o tempo fora desbotando , por dentro era empoeirado , tinha aspecto sujo , nos fundo havia um pequeno jardim cheio de bancos e mesinhas e cobertos com flores que agora estavam murchas e sem graças . muitas crianças eram ato dadas. Mas as crianças maiores que já tinham seus treze anos ou mas eram deixadas de lado , muito adulto tinham a preferência por crianças menores , que tinham seus oito ou nove anos .
    Ed almoçou quanto a maior parte das crianças já tinham saído , e estavam brincado no pátio , na mesa tinha um único prato com um pouco de feijão e arroz , que já estava frio , ele comeu e então subiu as escadas , entrou em seu quarto largou a mochila em um canto puxou um caderno de desenho que agora estava com poucas folhas brancas . sentou se na escrivaninha perto da janela e dali começou a desenhar as pequenas criaturas . eram pequenas tinham cabeções e bem muito chatos . muitas vezes elas derrubavam as crianças e riam  delas . e assim fora sua tarde desenhava , as vezes lia livros , as vezes ficava isolado em um canto do pátio . ate que finalmente ia escurecendo e com isso as crianças eram chamadas para se recolher . o céu agora não era mas claro mas sim escuro estava coberta por nuvens negras e não te morou muito para começar a cair os primeiros pingos de chuva  , que ficavam mas forte , naquele dia  todos foram se recolher muito cedo , todos estavam em suas calmas em voltas das oito em ponto . tendo em minha cama mas não estou com sono , e pelo jeito não vai aparecer tão cedo , não tenho nada para fazer não ser ver a chuva cair e exatamente isso o que irei fazer.
    Levantou se da cama sentou numa cadeira e ficou ali vendo a chuva cair , pátio inteiro estava escuro , e sem graça , as única pessoas felizes eram as pequenas criaturas que dançavam em círculos embaixo de uma grande arvore velha . logo a chuva começou a cair mas rápida e mas grosa e com isso veio os primeiros trovoes que clarearam o pátio por alguns segundos . o garoto continuava a observa as pequenas criaturas com seus sorrisos meio psicopata e assustador , logo veio outro raio fazendo barulho e iluminando o pátio , mas por algum motivo o coração de Edward começou a bater com mas força , tinha avistado naquela mesma arvore a sombra de um homem  , mas não tinha certeza será que seus olhos tinha pregado uma peça nele . esperou outro trovão cair para clarear o pátio e tiram suas duvidas . logo veio outro trovão que clareou todo o pátio por segundos e a mesma arvore onde pensou der visto alguém estava vazia , nem as criaturas estavam mas lá . o garoto suspirou e então decidiu fechar a janela e deitar se e sua cama .
    Estava tirando sua roupa e colocando um pijama azul fraco listrado que fazia conjunto a sua calça . deitou se em sua cama e se tampou com dois cobertores e logo fechou seus olhos . mas não ficou muito tempo com ele fechado , ouvira outro barulho agora vindo de baixo , mas esse ele não conhecia , era um barulho alto que Foi acompanhado por passos vindo da escada que indicava que alguém estava subindo ou desvendo  . por algum motivo subira um arrepio ate sua nuca deixando seus pelos em pé e fazendo seu estomago embrulhar .
    Ficou mas um tempo ali deitado reunindo forças para levantar e ver o que era , esperou mas um tempo e então levantou abriu a porta e caminhou pelo corredor escuro e frio , todas as luzes piscavam como se fossem estourar a qualquer momento , chegou perto da escada , desceu devagar ate chegar ao ultimo degrau e quando chegou parece que levara um soco direto no estomago
    Havia uma mulher caída no chão e em cima dela uma estranha criatura vestida totalmente de vermelha , usava um capuz que cobria totalmente seu rosto , Edward que estava perto da escada parecia ter perdido toda as suas forças só ao olha para aquela terrível cena . se assegurou com força em só um lado da escada fazendo barulho , a criatura olhou para ele , e as luzes apagaram se todas de uma vez só . a única luz agora que tinha era a da cozinha e isso o que o garoto fez caminhou para la fazendo todo seu esforço . mas era tarde demais logo saíra outra daquela criaturas . e começou a flutuar para sua direção o garoto ficou parado sem reação e quanto menos viu estava cercado . viam de todas as direções que ele podia imaginar e só com a presença delas Edward perdeu todas as suas forças  . ele caminhou e se escorou na parede mas próxima para se manter em pé e quanto notou estava sento tocado por todas .
    Seus rostos encapuzados estavam perto dele , varias mãos esqueléticas em constava em seu corpo quente , seu estomago fez um nó , suas pernas começaram a tremer , tudo parecia ter perdido o sentido , toda a vontade de viver parecia ser tirado dele . suas visão começou a ficar embaçada sua mente parou de responde não tinha como escapa . e o único pensamento que via a sua cabeça era ‘‘ me matem de uma vez’’ .
    Mas logo ao longe viu uma luz branca e forte , e vários gritos mas talvez já era tarde demais . tudo ao seu redor tinha escurecido e a única coisa que ouviu antes de apagar foi
    - aguente firme
  • caçadores da meia noite (capitulo 2)

    Um homem caminhava admirando obras de artes tão antiga e raras, seus passos faziam eco no museu vazio, não havia ninguém apenas ele que caminhava tranquilamente sem preocupações. Ate que não muito longe dali ouviu uma voz
    - parece que eu não sou o único
    Ele olhou para trás e ali viu um homem com longos cabelos ruivo penteados para trás, usava uma camisa social com uma gravada e por cima usava um terno, o homem tinha uma barba muito bem feita. O outro homem que parou de observa um relógio velho e enferrujado.
    - o que um homem como você quer – o homem tinha um olhar feroz
    - bom curiosidade – falou o homem arrumando sua gravata
    O outro homem caminhou para frente e colou uma de suas mãos para trás e puxou uma varinha velha e toda arranhada
    - lutar num lugar assim – falou o homem ruivo
    O outro não respondeu apenas apontou a varinha para ele
    - parece que não tenho escolha – falou o homem ruivo tirando sua varinha
    Ele a apontou para o homem que era tão deslumbrante quanto ele, tinha cabelos pretos curtos penteados para o lado, usava uma camisa preta, calças Jean e um tênis velho rasgado. O homem ruivo pareceu admirado ou ate irônico demais ao falar tal palavra, mas mesmo assim não tinha a intenção de lutar.
    - você tem certeza estamos num museu – falou o homem ruivo  
    Mas o outro homem pareceu não dar bolas continuava a segura firme a varinha e em poucos instantes pronunciara uma magia que se fez sair raios da ponta de sua varinha. O homem ruivo esquivou por pouco, se escondeu de atrás de uma estátua.
    - não seria necessário lutar se você, não estivesse aqui – o homem de cabelo preto caminhava contornando a estatua.
    O homem ruivo saiu e pronunciou outra magia tão rápida quanto o outro homem, saiu um grande raio avermelhado de sua varinha, mas errou o alvo acertou uma estatua que agora estava despedaçada no chão. O outro homem não saiu do lugar ficaram ali parados tanto risinhos.
    - nata mal – falou ele irônico
    - eu não riria se fosse você – falou o homem ruivo
    Os dois apontaram a varinha um para o outro e ao mesmo tempo saíram raios vermelhos e pretos que colidiram um com o outro por algum tempo, eles ficara parados com as varinhas tentavam não cair manterá os dois raios que lutavam ferozmente concentrados por horas mas logo saíram do controle , os raios estavam  indo por toda parte , destruía tudo que atingiam , o museu logo ficaria todo destruído . Mas nenhum deles cederia ate que outro raio apareceu atingindo os dois homens.
    - hora, parece que cheguei na hora certa
    Os dois olharam para um canto e da sombra saíram um homem com longos cabelos negros que caia ate sua cintura, estava usando um casaco rasgado que mostrava o corpo magro. Seu rosto era pálido e seus olhos estavam totalmente negros, junto a ele tinham duas criaturas encapuzadas. Ele apontou a varinha para os dois fazendo colidirem numa parede e logo falou.
    - estamos procurando a mesma coisa – tinha um sorriso malicioso
    Os dois homem que travavam uma luta entre si estavam sento enforcados e flutuavam a cinco palmos do chão , um deles sorrira fazendo o outro apertar a varinha com mas força e enforcado mas . Ele caminhou e quanto chegou lá o relógio já não estava ali
    - bom acho que vocês são grandinho demais para brincar de esconder não e – o homem pálido parecia, mas feroz que antes 
    E com um movimento brusco com a varinha fez o dois voarem em direção a outra parede.
    - onde esta – falou ele, mas feroz que antes seus olhos negros estavam agora vermelhos
    O homem de cabelos curtos levantou e então disse
    - nunca vai pega lo sua criatura imunda – seus risos eram dolorosos e sem gloria
    O homem estava feroz apontou sua varinha para ele mas agora era tarde demais ao longe se ouvira o som de um relógio cuco e dali o sonho fora interrompido quanto um garoto abriu seus olhos e acordou com sua respiração ofegante e seu rosto e sua camisa estava encharcada de suor , um suor frio que faria subir calafrios em todo o seu corpo . o garoto demorou para notar mas não estava mas em seu guardo no orfanato  , estava em um lugar diferente onde fora acordado com um relógio cuco que soltava um passarinho .
    - cuco, cuco
    Outro sonho estranho ocorrera ali, mas não estava preocupado com isso, pois pelo jeito não estava, mas no orfanato, não estava em seu quarto, estava deitado numa cama velha onde as paredes pareciam mofadas e sem vida, tinha uma janela aperta mostrando o dia claro e quente que fazia ali fora. O garoto levantou com os pés ainda tremendo e logo caiu no chão todo o seu corpo doía fazendo gemer de dor. Pareceu que tinha sido esfaqueada, mas ao levantou a camisa vira marcas de mão que estavam em todo o seu corpo e logo lembrou as terríveis criaturas. Ed tentou levantar ainda com as pernas fracas, mas logo caira novamente no chão fazendo barulho suficiente para acorda todas as pessoas que talvez estejam vivendo nessa velha casa.
    Ficou ali caído tentando levantar, mas logo pensou em desistir ate que abriram a porta do quarto onde estavam e o viram ali no chão, o garoto se contorceu pra ver quem era e para a sua surpresa viu seu professor, ele ajudo Edward a se levantar e a sentar novamente na cama.
    - você ainda esta fraco – falou seu professor preocupado
    - mas professor. – antes de terminar o que ia falar foi interrompido
    - me chame pelo meu nome
    Edward parou suspirou e recomeçou
    - Gabriel o que eram aquelas coisas – Edward voltou a respirar mas pesado cada vez que lembrava daquelas criaturas mas a resposta que ganhou foi
    - agora não e hora para isso, você tem que descansar
    Gabriel levantou pegou um remédio e deu para Ed tomar por cima tomou um longo gole de água para tirar o horrível gosto do remédio, Ed tentou levantar novamente, mas não consegui , parecia que suas pernas tinham perdido todas as forças.
    - descanse – falou Gabriel caminhando em direção a porta
    - espere
    Ed tentara falar alguma coisa, mas no meio da frase tinha perdido a sua voz, pois ali na porta estava dois olhares curioso , haviam dois garotos iguais olhando para ele  , mas logo saíram junto com Gabriel . Ed ficou um tempo preso no quarto e quanto alguém entrava não falava com ele, pareciam ignora lo, mas logo depois houve barulho vindo das janelas aperta e ali viu os dois garotos que olhavam para ele.
    - hein garoto – falou um deles
    - ah – disse Ed perdido
    - aqui na janela nos ajude – falava os dois garotos agora
    Ed olhou para a janela e viu dois garotos fazendo esforço para entrarem, ele se aproximou ainda fraco, mas com força jogou seu corpo para trás fazendo um dos garotos entrarem para dentro do quarto . o garoto que estava dentro do quarto levantou e puxou o outro para dentro .
    - valeu irmão
    - disponha – falou o outro
    Ed levantou devagar e sentou se na cama, começou a fazer barulho para chamar a atenção dos dois
    - ah e – falou o outro garoto
    Os dois se aproximaram curiosos e tocaram Ed que tentava se esquivar deles
    - cara, como você sobreviveu – falou um dos irmãos curioso
    - que?
    - você sabe aos andarilhos da noite – falou o outro sentando na cama
    - andarilho – falou Ed
    - você não sabe – falou o outro irmão espiando pela porta
    - pelo jeito não – falou o outro olhando para Ed
    Ed nunca ficou tão confuso ao ver os dois garotos olhando para ele e falando , pareciam falar em códigos , e eram iguais .
    - foi perca de tempo vir aqui – falou finalmente o outro irmão
    Ed parou um pouco e então perguntou  
    - há... Quem são vocês – olhava para os dois
    O garoto que estava na porta fechou a e falou
    - eu me chamo Leonardo
    - e eu sou Afonso, somos gêmeos – falou o outro irmão
    - e meio obvio – falou o outro sentando na cama
    Ed suspirou e então falou
    - onde estou
    - boa pergunta – falou Afonso tanto um pulo da cama
    - seja bem vindo ao acampamento de refugiados – falou o outro irmão 
    Finalmente a porta se abriu e Gabriel entrou, cruzou os braços e então falou
    - ai está vocês
    Os gêmeos suspiraram e então ao mesmo tempo falaram
    - não
    Ed não atendeu, mas nada depois teste ocorrido, ficou uma boa parte do dia trancado num quarto sem forças para levantar, parecia que suas pernas tinham abandoando ele. Ficou o resto do dia ali no quarto deitado, mas sua mente estava trabalhando sem parar no como sair dali ou o porquê estava ali, o dia foi se passando e, mas nada aconteceu a não ser por Gabriel entrar e sair toda hora de seu quarto e se Ed perguntar alguma coisa ele ignorava ou falava ‘‘ espere ok’’. Quanto menos viu o dia já estava escuro, sua janela estava trancada e Gabriel agora trouxe o jantar.
    - ate quanto você vai me deixar trancado aqui – perguntou Ed que agora estava bravo    
    Mas não ganhou resposta nenhuma, Gabriel saiu e deixou falando sozinho novamente, mas agora já estava cansado ia sair dali de um jeito ou de outro,
    Levantou mas agora estava mancando suas forças já tinha voltado e ele caminhava agora se apoiando nas coisas. Chegou ate a janela e abriu então. Seu quarto era no segundo andar ou talvez terceiro enfim isso já não importava pelo menos não agora. Voltou para trás e começou a mexer no armário onde estava cheios de cobertas e cortinas pela primeira vez na vida iria fugir, pegou as todas que tinha ali dentro e começou amarrar as pontas umas nas outras agora dento uma grande corta de cortinas.
    Amarrou em uma ponta de sua cama a grande corta de cortinas e tocou janela abaixo e então parou para vela ate aonde ia , parece que estava pelo menos perto do chão e então começou a se preparar sentou se então na janela e começou a descer e ao longo que descia , começava a se reunir pessoas em volta do grande pátio.
    - olhem que louco – gritou alguém la em baixo
    Mas Ed não tinha tempo para ver quem era apenas continuou a descer devagar e com muita cautela, mas logo seus braços foram se cansando de sustentar seu corpo por um monte de cortinas amarradas e suas pernas não davam tão boas como ele achou mas o que deixou ele preocupado fora os ruídos que as cortinas começaram a dar , estavam se rasgando aos poucos e ele ainda não tinha descido tudo estava nem na metade do caminho . E quanto menos viu ouvirá pessoas gritando e outras apostando ate aonde ele iria, mas tudo aquilo era abafado pelos gritos de seu professor que via da janela
    - Ed olha para mim, eu sei que comecei errado
    Ele tentava não olhar para o professor, como se não tivesse tanto bolas para o que ele estava falando, sua mente só estava concentrada na descida, mas agora ele estava imóvel no mesmo lugar ate que ouvira outro barulho e quanto menos viu estava em queda livre. Passou mil coisas pela sua cabeça, mas ele focou em seus sonhos, parecia que alguém falava com ele, mas isso logo fez, mas importância, pois era seu fim. 
  • Caçadores de Urso - Um Conto Nórdico

    Sonreike já se via na escuridão por tempo demais. Apenas os fogos das chaminés aqueciam os homens, apenas a lua e as estrelas iluminavam o chão. A lua, agente das trevas. As estrelas, mensageiras do Sol. Não se via por todo reino qualquer sinal das belas árvores que enfeitavam os campos e alimentavam os homens de frutas. Como poucos, os pinheiros da Praça Central continuavam verdes e robustos, provendo pinha e beleza a uma visão sem cor e sem vida. O uivo dos lobos para a maldita lua completava a melancolia daquela terra sem luz.

    Os ursos brancos eram o maior símbolo da força no mundo dos homens. Os bearjagare, soldados de elite do Rei, provavam a força dos homens derrotando as grandes bestas brancas. Desde a unificação do Reino, os ursos têm sido os únicos inímigos de Sonreike. Mas nesse Solstício, os guerreiros-deuses terão que enfrentar a própria morte encarnada.
  • CACIMBADOS, UMA MEMÓRIA CRÍTICA A GUERRA COLONIAL

      INTRODUÇÃO
                 O presente trabalho tem como objetivo expor as consequências da Colonização portuguesa e como esse processo acarretou traumas aos envolvidos na guerra colonial. Utilizando registros e arquivos de memória para confirmar essa denúncia de perda de identidade diante de situações extremas de estresse.
                 Expondo a importância desses registros na reconstrução de uma nova identidade para futuras gerações, e como esses relatos estão presentes na literatura. A obra que será analisada dentro desse conceito é “Cacimbados – A vida por um fio”, do escritor português Manuel Bastos, o qual descreve suas memórias da guerra colonial e os traumas causados por ela.
                O sistema ditador do governo português induziu a população a uma ideologia ilusória através da propaganda panfletária, a qual afirmava não existir guerra que esta era apenas simbólica. Essa ideia é rebatida e denunciada pelo autor em sua obra Cacimbados. Provando que a violência e seus traumas podem originar problemas irreparáveis na vida de quem participou ativamente na guerra colonial.
    CACIMBADOS, UMA MEMÓRIA CRÍTICA A GUERRA COLONIAL
                O colonialismo português causou traumas tanto nos africano quanto em seu próprio povo. A literatura teve um papel importante em registrar esses acontecimentos que denunciam as atrocidades os traumas causados pela guerra colonial. São óbvios os danos que sofreram as pessoas que participaram ativamente da guerra colonial, através de seus depoimentos em documentários ou por seus relatos em textos de memórias.
                É certo que houve um prolongado silêncio sobre a colonização e diversas tentativas do governo para o apagamento da memória coletiva do que foi o esse período. A propaganda panfletária empenhada por Portugal era persuadir a população que os terroristas africanos ameaçavam a identidade nacional.
                Essa ideologia foi se modificando a partir do momento em que os jovens que foram cumprir o serviço obrigatório em África retornaram a Portugal, existindo uma transformação psicológica nessa geração, começando nesse período a descolonização.
                Os arquivos e testemunhos cumprem o papel de revelar  o que não pode ser elucidado, mas conservar acesa o repúdio contra essa violência que não pode se repetir. As literaturas que compõem esse gênero precisam ser divulgadas e estudadas cada vez mais para conscientizar a sociedade.
                                                                                                                          CACIMBADOS
                A obra analisada nesse artigo será “Cacimbados a vida por um fio”, do autor Manuel Bastos. Ele lutou na guerra colonial e escreveu em seu blog as memórias desse período, surgindo a partir disso o livro que reuniu todos esses textos. Embora, o autor teve um período de luto pós-guerra para conseguir enfrentar suas memórias. É evidente que os traumas causados pela guerra colonial jamais serão totalmente esquecidos, mas após quarenta anos Manuel conseguiu registrá-los.
                 No livro Cacimbados, Manuel Bastos além de descrever as atrocidades da guerra, ele também expõe seus conceitos contra tudo aquilo. Logo no início do livro ele afirma que “todos perdem na guerra”, ou seja, tanto colonizadores como os colonizados. É apresentada uma nova face da guerra colonial por alguém que vivenciou de perto, alguém que estava inserido naquele ambiente.
                O livro tem capítulos nomeados, dando a ideia de contos. A cada um deles o autor descreve um momento marcante da guerra, um livro que faz reflexão sobre a guerra colonial. Por meio de fotos ele vai registrando tanto o companheirismo quanto o desespero dos soldados. A narrativa aparece por vezes em primeira pessoa, em outras na terceira.
                O gênero do livro é difícil de classificar, assemelha-se com registros de arquivos fotográficos. A linguagem é um relato, não um diário, mas um caderno de memória, o escritor tem anseio apenas de registrar, dizer o que presenciou.
                O tempo da narrativa é lento, determinadas situações são descritas com tantos detalhes que a narrativa se estende por páginas, ocasiões que poderiam ser descritas em segundos. Isso acontece pela intensidade que foi aquele momento para o autor, a memória capta detalhes que outras pessoas que fora daquele ambiente, não conseguiriam nunca perceber.
                 Manuel Bastos se posiciona contra a guerra colonial, foi para guerra para o cumprimento militar obrigatório, lutar com um propósito inserido na mente dos portugueses pelo ditador Salazar. Uma fantasia do poder de Portugal, o qual fez muita propaganda para iludir seu povo.
                                                                      DESCONSTRUÇÃO DA FANTASIA LUSITANA DIANTE DA REALIDADE
                Ao chegar à África, ele percebe que aquela guerra não tem nenhum fundamento, e começa a refletir sobre os motivos de ter que lutar. O escritor reúne todos os conhecimentos para dizer não à guerra, na sua narrativa aparece conhecimento da física, biologia, entre outros.
                 No primeiro capítulo, Manuel Bastos faz uma reflexão sobre os traumas de  todos que participaram da guerra, ele também diz sobre a quantidade de portugueses que não retornaram da África.
    (...) De quase um milhão de portugueses que foram combater, perto de dez mil não regressaram, mais de cem mil não regressaram completamente, algo de si ficou lá, e um número ainda não determinado continua na guerra, vítimas do transtorno do stress pós-traumático. (BASTOS, 2008, p.10)
                 Manuel é consciente das perdas físicas e mentais desses soldados ao retornarem para Portugal, muitos jamais se recuperaram. Um trauma de guerra ocasiona um dano grave na mente e na vida deles.
                O autor questiona se não são eles os escravos mandados a morte, devido às condições deploráveis em que são enviados para a guerra, começando pela viagem no Niassa. Considera a luta pelo império desnecessária, pois eles não ganham nada com isso.
    “Num país que manda soldados numa viagem que não cumpre os requisitos mínimos para transporte de porcos, e ainda por cima defenderem um império ameaçado, a última coisa que se espera é que alguém pergunte “por que”. (BASTOS, 2008, p.24)
                Uma guerra que oficialmente não existe, mas que ninguém tem a audácia de perguntar os motivos de terem que morrer por esse império. Vão à guerra, mas não sabem o por quê.
                No capítulo quatro existe uma voz de consciência que afirma que os portugueses vão à guerra com muita excitação, mas que voltarão como farrapos, quando conseguem voltar. Manuel titula esse capítulo como “A prostituta do Apocalipse” (a cidade grande lá na Metrópole), comparando essa voz com a guerra. Mas na verdade é sua própria consciência diante do caos da guerra.
     (...) A arma para estes não é um adereço, nem um adorno; é um fardo, um fardo pesado mas precioso, do qual, sentem, depende a sua vida. São estes os actores desta peça, os que sofrem e fazem sofrer a guerra. (BASTOS, 2008, p. 35)
                A guerra transforma os homens e o estresse de cada momento causa a perda da sua humanidade. Manuel descreve os atos que são obrigados a fazer para continuar vivos e o medo da  morte, ele relata a forma que os soldados carregam suas armas.
     “Sabes o que importa numa guerra? Não é os turras que matamos. As guerras são para os soldados se matarem uns aos outros. O que importa é o que não são soldados. O que importa é os que morrem sem saberem porquê”. (BASTOS, 2008, p. 38)
                Diante de tudo isso o narrador chega à conclusão que a guerra não é um ato heroico, é uma estupidez que só prejudica aos que estão no campo de batalha. Ela mata a todos, mesmo aqueles que não ultrapassam seus limites.
                No capítulo oito o tempo é estendido quando o narrador descreve a morte do soldado Lourenço, no momento dessa morte rápida, Manuel retrocede todo o tempo de vida do soldado e o humaniza quando discorre sobre suas memórias e lembranças.
    “Momentos antes de acordar o Lourenço sonhará com a namorada e vai ter a última erecção da sua vida; por volta das sete e  um quarto vai sentir fome e vai lembrar-se dos pequenos almoços que a mãe lhe levava à cama enquanto criança, e às oito e vinte cinco minutos vai morrer”. (BASTOS, 2008, p. 41)
                O narrador critica a falta de respeito de sua pátria por seus soldados mortos, uma indignação contra o sistema político que leva os seus para guerra e os ignora. As memórias de Manuel são acompanhadas de reflexão contra a alienação a qual vive o povo português.
    (...) A guerra continuou ainda durante muito tempo, indiferente aos mortos. Quase sempre ignorados, tantas vezes negados. Que má consciência pátria esta que se envergonha dos seus mortos. (BASTOS, 2008, p. 42)
                O sentimento do narrador é de revolta, mesmo que ele esteja falando sobre outros soldados entende-se que ele também é um personagem, sofre mais ao ter que lembrar e registrar. As suas lembranças também são de outros, sendo assim, uma memória coletiva.
                                                                                                                       MEMÓRIAS E TRAUMAS
                 Muitas vítimas de guerra inconscientemente optam por não lembrar ou selecionam suas memórias, resgatam outros acontecimentos nos quais estiveram envolvidos ou participaram ativamente. No caso de “cacimbados”, o narrador tem esse perfil e suas memórias ao contrário de ser limitada, é ampla ao descrever o passado. Isso é evidente ao descrever o momento da morte do soldado Lourenço, um tiro que deveria ser rápido é prolongado e caracterizado em sua trajetória, ele utiliza conhecimento da física para descrever esse episódio, como indica o trecho a seguir:
    “E quando o estilhaço do morteiro – depois de passar pelo capim, por entre um acajueiro e um embondeiro, por entre duas Berliets, depois de assobiar junto às cabeças dos seus camaradas – veio mergulhar na sua fronte, deixando apenas uma pequena mancha negra onde entrou, para depois atravessar o cérebro lado a lado, ficando a escassos milímetros de sair pela nuca (...) e nos permitir um, ainda que breve, momento de luto.” (BASTOS, 2008, p. 43)
                Essa memória não sofreu aceleração ao ser descrita, por ser um momento de estresse e uma morte que poderia ter sido do próprio narrador. Seu sentimento é expresso quando diz que o soldado “morreu “ e “não tivemos tempo de chorar a sua morte”, ele critica mais uma vez a negação da guerra, que para pátria é simbólica, mas para aqueles soldados é tão real.
                No capítulo dez o narrador questiona os motivos dos guerrilheiros africanos serem considerados inimigos, se eles são apenas homens que lutam pelo governo assim como os portugueses. Busca uma justificativa do por que ter que matar e considerá-los oponentes. Isso fica evidente quando fazem um prisioneiro, ao conhecê-lo melhor surge uma afetividade entre eles. Mais uma vez o narrador expõe seu desagrado contra a guerra colonial.
    (...)Quem visse Samuel Ntaluma à minha frente andando de marcha-atrás enquanto eu lhe dava lume não diria que éramos inimigos. ( BASTOS, 2008, p. 61)
                Em seu questionamento, Manuel relembra um livro de sua infância no qual exibia uma imagem de um homem numa África idealizada, retratando o colonizador como um herói, em um ambiente sem conflitos. Uma propaganda lusitana que ocultava a verdadeira realidade, essa publicidade do governo ditador tinha o propósito de iludir o povo que estavam em Portugal, uma reafirmação do seu poder absoluto, sendo assim, os portugueses iam alucinados para lutar pela pátria.
                 Diante de todas as brutalidades que vivenciou, o narrador conclui que se esses livros didáticos mostrassem a realidade dos soldados em África, ninguém ia querer ser soldado.
    “Talvez que se os livros escolares mostrassem soldados sujos agarrados às armas, como sacos de lixo abandonados no meio de uma floresta em África(...) talvez deixasse de haver quem aceitasse ser soldado”. (BASTOS, 2008, p. 73)
                O trauma da guerra não é só de quem sofreu, mas também do sujeito que precisou cometer os atos insanos. Em Cacimbados isso é descrito pelo autor ao lembrar que destruíram uma vila com granadas, tiraram fotos como troféu, mas nenhum deles saiu feliz. Os danos causados pela guerra são ignorados pelos governos que se favorecem, essas memórias quando registradas e divulgadas incitam à luta da sociedade contra esses ditadores.
                É interessante que o tempo da narrativa nesse episódio é acelerado, pois é descrito em apenas um parágrafo, diferente da morte do soldado Lourenço que foi estendido por páginas, como se o narrador limitasse sua memória por ser um ato barbárie que cometeu. Indicando que a memória é vulnerável a usos de manipulações, apontando que existem limites de acesso ao passado.
                                                                                           A CIÊNCIA PRESENTE NA NARRATIVA
                No capítulo titulado “Efémero”, o narrador faz uso da biologia para relatar a morte do soldado Ricardo, indicando ser uma pessoa instruída. Nesse capítulo o tempo também é estendido, por ser uma memória de perda, uma diversidade importante da memória em relembrar o passado permeado de conflitos e  tensões.
    (...) o medo, que aumentou a produção da adrenalina; o medo, que estimulou o coração; o medo, que elevou o nível de açúcar no sangue; o medo; que escolheu criteriosamente que músculos contrair e que músculos relaxar; o medo, que fez as mãos erguerem, nessa ínfima fração de tempo. (BASTOS, 2008, p. 79)
                Nesse trecho Manuel cita dois conhecimentos importantes, a biologia ao descrever as reações do corpo humano diante do medo e de tensões. E da física ao determinar o tempo, dividindo-o em fração de segundos. Justificando esse conhecimento o narrador afirma que são mistérios da natureza humana, que cada homem tem suas memórias como uma biblioteca itinerante.
                                            A IMPORTÂNCIA DOS REGISTROS HISTÓRICOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE
                Os arquivos e registros são necessários para a desconstrução de ideologias ilusórias, expondo verdades concretas da história, sendo atividades da memória fundamentais no campo social. Essa revisitação ao passado é essencial para construção de uma nova identidade.
                Esse conceito é aplicado na viagem do narrador para África, desde o início da viagem ele já questiona o interesse do governo por eles devido às condições da viagem. Percebe naquele momento que as ideologias de lutar pelo império eram jogos de poder, que os soldados não tinham menor valor para o governo. O narrador aponta isso quando diz não ter dúvidas o quanto “valem para quem os mandou para aqui”.
                Desse momento em diante Manuel se questiona e critica esse governo ditador que os mandou à África como animais ao abate. Apontando que se não fosse à guerra, talvez, eles fossem amigos dos africanos, saberiam seus nomes, beberiam e ririam como eles. Mas o ódio foi à manipulação do governo ditador para colonizar e oprimir, tornando os soldados sem identidade.
                                                                                      MEMÓRIAS E APAGAMENTO DOS CACIMBADOS
                No capítulo vinte e dois, Mueda a Arder, o narrador expressa seu antagonismo contra os governantes que apagam da história os crimes de guerras e os traumas que elas causam, como se elas nunca tivessem existido. Ele denuncia esse apagamento e a cegueira moral deles, define a guerra como a negação da racionalidade, ferramenta utilizada por usurpadores e tiranos.
    “É isso a guerra: a eliminação do outro, a glorificação da morte pela redução da diferença”. (BASTOS, 2008, p. 121)
                 Acusa esses governos de perpetrarem guerras estúpidas, matam como uma formalidade da violência institucional, e quando chega a esses níveis, a estupidez é difícil de classificar.
                É importante apreender que ao mesmo tempo em que o narrador vive uma situação emocional de grande estresse, ele também relembra sua infância, momentos vividos na vila que morava com sua mãe, como se precisasse dessa memória para não perder a sanidade diante do caos.
                Outro momento onde isso também ocorre é no capitulo vinte e quatro, Manuel escreve uma carta para um amor que ainda não tem, apenas para desabafar sobre a morte de um soldado. Ele observa que a guerra tira a humanidade das pessoas, mas ele usa o choro como exercício para não habituar-se à morte e atrocidades ao seu redor.
    “Eu choro sempre que morre alguém, mesmo que morram várias pessoas por dia. É a minha maneira de não aprender a morte; mesmo que não apeteça chorar, choro. É uma espécie de exercício para não me esquecer que sou humano” (...) “São pessoas como eu que fazem isso, pessoas que aceitaram a missão de nos irmos abatendo uns aos outros,por um motivo de que já nem sequer lembramos”. (BASTOS, 2008, p. 129-130)
                 Manuel critica a perda imposta da identidade dos soldados, ninguém os chama pelo nome como se isso já fosse um apagamento deles da história, o preço de cada soldado é um lugar vazio até ser substituído.
                Essa memória da violência mental e física possui uma característica única, transmite o indivíduo para o evento real. Ele em seu testemunho recria um evento que vivenciou, mesmo fragmentada a lembrança é do próprio episódio. Esta representação está contida nos testemunhos de circunstâncias traumáticas. Sem esses registros, depoimentos, arquivos, testemunhos, não seria possível transmitir a gerações futuras o absurdo dessa violência.
                Isso está presente em  Cacimbados quando o narrador descreve o medo. A violência mental causada na guerra o acompanha a toda parte, o som de explosão é alerta de uma morte, “na guerra quando aconteceu algo e não se sabe o que aconteceu, aconteceu uma desgraça”, isso permeia todo o livro, a espera do pior sempre presente.
                A aflição de ver um amigo pisando em uma mina e morrer induz o narrador ao extremo desespero, ele busca a definição dos medos, pois tenta entender como cada um deles é representado em determinadas situações e por indivíduos diferentes. Sendo confrontado com o valor de ser uma peça descartável, ele questiona mais os motivos dessa guerra.
    “Nada ficou na minha mente dos instantes que se seguiram, em que deixei de existir. Apenas o abismo negro e vazio que implodiu todo o meu ser, apenas o tenebroso conhecimento da morte iminente. O medo dos medos: o medo da não existência, tão esmagador que nem o pior pesadelo pode antecipar, para nos ir preparando para horrenda visão do seu rosto, um pesadelo que tivesse a meritória função de ir preparando um homem para enfrentar o rosto apocalíptico do medo absoluto”. (BASTOS, 2008, p. 180)
                Ele conclui esse capítulo afirmando que o pior medo é o da não existência, seja da morte simbólica ou da física.
                Manuel termina o livro com o relato da perda de suas pernas, como se ele já esperasse que alguma coisa fosse lhe acontecer, mas mesmo tendo consciência que na guerra muitas tragédias ocorrem, ele ficou surpreso naquele momento. Apesar disso Manuel sentiu o desejo de não ir embora da África, como se só aquele lugar e os que estavam ali, pudessem entender o que é viver na guerra.
    “Ás vezes dou por mim, à distância, olhando o poço fundo do tempo com uma vertigem. Dou por mim a escrever coisas sobre a guerra colonial como se quisesse trazer de volta a magia de África que, quem sabe, só existe na minha memória. Ou simplesmente como se quisesse preservar o que de África ainda resta em mim”. (BASTOS, 2008, p. 184)
                Situações de extremo estresse causam em algumas vítimas, o apego às circunstâncias que as oprimem, não conseguindo desprender-se do passado. Isso, talvez, ocorreu com o narrador, uma vez que lembra com saudade da África. Mesmo que essas lembranças sejam o retorno da dor e do desespero ou um reflexo de culpa.
              A obra Cacimbados reúne testemunho, registros e arquivos que sustentam as memórias de Manuel, as fotos exibidas na obra têm uma sequência dos relatos descritos pelo narrador. Os traumas da guerra colonial vistos por outra face produz no leitor a sensibilidade de entender que na guerra não há heróis, apenas vítimas.
                                                                                                                  CONCLUSÃO
                 A obra Cacimbados cumpre o papel de denunciar o sistema colonial por meio dos relatos de memórias contidos nele.  A crítica ao governo é presente em todo o livro, o autor busca detalhar o descaso de Portugal para com os enviados à guerra na África.
                É evidente que esses registros históricos promoveram uma mudança no pensamento da nova geração, quando voltavam da guerra colonial compreendiam que haviam sido iludidos pela propaganda enganosa de Portugal, a qual  afirmava existir uma guerra apenas simbólica. Visto que em África ficaram completamente esquecidos, mandados como animais para lutarem por uma pátria que não valorizava seu povo, o governo ditador apenas buscava poder.
                Esses registros de memórias foram essenciais para a revisitação do passado, pois eles denunciaram toda violência física e mental causada pelo Colonialismo português. A tomada de posse do presente e a construção de uma identidade perdida foram necessárias para amenizar esses traumas, isso só foi possível através desses registros de memórias.
               Estando a violência desumana descrita nesses arquivos, cria-se uma consciência coletiva contra esse período colonial, uma nova luta para evitar que brutalidades desse aspecto não se repitam.
                                                                                                          REFERÊNCIAS
    AFONSO, Aniceto. A Guerra Colonial. In: MEDINA, João. História Contemporânea de Portugal. Lisboa: Amigos do Livro, 1986.
    AMÂNCIO, Lígia. Género – Representações e Identidades, in Sociologia – Problemas e Práticas, nº14, p. 127-140, 1993. Disponível em: https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/909/1/8.pdf   acesso em: 21/12/2017.
    AZEVEDO, Viviana Clara Carvalho Freitas. Literatura Pós-Colonial Portuguesa Como Lugar  de Memória da Colonização Portuguesa em África, 2013. Disponível em: https://sigarra.up.pt/flup/pt/pub_geral.show_file?pi_gdoc_id=486201 pdf  acesso em: 21/12/2017.
    ARAÚJO, Maria Paula Nascimento; SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. História, memória e esquecimento: implicações políticas. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 79, p. 95-111, Dez. 2007.
    BASTOS, Manuel. Cacimbados. A vida por um fio. Vila Nova de Gaia: Babel Editores, 2008.
    CUNHA, Paulo. Guerra colonial e colonialismo no cinema português. ESTUDOS DO SÉCULO XX. Colonialismo, anticolonialismo e identidades nacionais. (3, 2003), coordenação Luís Reis Torgal e Luís Oliveira Andrade, p. 187-208.
    RIBEIRO, Margarida Calafate. Uma História de Regressos. Império, Guerra Colonial e Pós-Colonialismo. Porto: Afrontamento, 2004.
    RIBEIRO, Margarida Calafate; FERREIRA, Ana Paula. Fantasmas e Fantasias Imperiais no Imaginário Português. Porto: Campo de Letras, 2003.
    SANTOS, Boaventura de Sousa.  Entre Próspero e Caliban: colonialismo, pós-colonialismo e inter-identidade. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2010.
  • Café, Rotina e um Pouco de Horror

    Essa sempre foi minha rotina no final da tarde: chegava do trabalho muito cansada, sem coragem até mesmo para usar as chaves e abrir a porta, deixar o café esquentar na cafeteira, enquanto jogava minhas roupas por todo lado da casa e procurava por algum filme na Netflix.
    Filmes de terror nunca me assustaram, mas ver pessoas tomando sustos e entrar em desespero me garantia boas gargalhadas antes de cair no sono. Hoje algo diferente e assustador aconteceu.
    Assim que cheguei e seguia rigidamente minha rotina, na cozinha aconteceu algo que para mim não passava de um acidente doméstico causado por algum descuido. Afinal, é comum que uma pessoa cansada coloque sua cafeteira na beirada da mesa de cozinha e ele caia com o chacoalhar da água fervendo. Pois bem, a cafeteira caiu, tomei um susto, mas ignorei e nem mesmo levantei para limpar o chão, apenas voltei para a TV, mas quando olhei, ela estava na página do YouTube e na caixa de pesquisa, tinha palavras como: demônio, rituais e suicídios. O que me deixou confusa foi o fato de que eu não lembro de abrir o YouTube. Enquanto tentava lembrar em que momento eu havia entrado naquela aba, algo ainda mais estranho aconteceu. Senti um frio na minha nuca, na verdade era como se alguém estivesse soprando em linha reta nas minhas costas, assustada, imediatamente virei sem saber o que procurar, pois estava sozinha e neste mesmo instante sentir um dedo subir por minhas pernas, a parti dos joelhos, em direção a minha virilha.
    Aquilo já era demais, eu tentei não acreditar, queria não acreditar. Corri em direção as minhas roupas espalhadas pela casa e tentei vesti-las o mais rápido possível. Ainda sem terminar de me vestir, com a intenção de sair, dei alguns passos até a poltrona onde deixei o controle da TV e o peguei, mas quando pressionei o botão de desligar, a TV nem mesmo piscava. Aproximei-me para desliga-la manualmente e ainda assim ela permanecia ligada, mas a angustia tomou total controle quando puxei o cabo de energia e ela não desligou, aquilo fez meu mundo desmoronar, não era possível.
    O frio aumentou e eu já podia sentir meus dentes tremer, e não sabia se era de frio ou medo. Olhei ao meu redor e tudo que passava por minha cabeça eram as palavras; suicídio e demônio. Corri até a porta, não queria passar nem mesmo mais um segundo ali dentro, mas antes de sair fui desligar a luz, a luz também não desligava, mesmo clicando várias vezes com muita raiva e isso pareceu dar mais força para tudo aquilo, pois o controle foi arremessado na parede, espalhando-se em alguns pedaços no chão. Senti minha pele umedecer em lágrimas, estava entrando em pânico. Pânico ainda não é suficiente para descrever o meu estado emocional naquele momento e foi por consequência que decidi fazer a única coisa que podia me tirar daquele pesadelo. Peguei garfo todo metálico e fui até a primeira tomada de energia e empurrei-o, eu esperava que fosse instantâneo, nada aconteceu, achei que estivesse fazendo errado e continuei tentando, mas quando percebi que nada aconteceria, eu dei um grito estridente e chorei ainda mais. Ajoelhada e sem esperanças coloquei as mãos nos ouvidos para não ouvir as batidas das gavetas de talheres que havia acabado de começar junto com uma almofada que foi arremessada em direção a janela, não pensei duas vezes quando a segui e pulei para fora da janela.
    Tudo ficou escuro por alguns segundos, seguido por um clarão. Eu estava acordada. Estava confusa. Peguei o controle da TV onde passava o vídeo de um homem com máscara de coelho e parecia contar uma história sobre demônios, quase me distraí, mas quando finalmente pressionei o botão, rapidamente ela desligou. Fui até a cozinha e a cafeteira estava inteira em cima da mesa e o café nem estava fervendo ainda. Mas eu continuava com muito frio!

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