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  • Yume Nagashi - capitulo 01

    Sr. Shinobu é seqüestrado e assassinado, ele é um dos donos de uma grande empresa no Japão. Algumas semanas depois, sua esposa Akane e sua filha sobrem um acidente de carro. Os motoristas de ambos os carros morrem no local, Akane e Yume chegam ao hospital vivas, mas infelizmente a mãe não resiste, teve derrame celebral. A herdeira, Yume sai praticamente intacta. A policial suspeita que alguém quer acabar com a família, por segurança da herdeira, aconselham a avó Ikari mandar a neta morar em outra cidade ou se possível país. Avó conversa com a neta e informa que ela irá se mudar para o Brasil, e irá morar com a madrinha Kanna que é a irmã mais nova do seu falecido pai. Yume não gosta de idéia, mas não tem escolha. Yume esta no avião ouvindo musica no seu walkman, pensando em tudo, morte dos seus pais, sua avó meio que dispensando ela pro Brasil, não ter celular para conversar com seus amigos, já que teve que deixar com a polícia, morar com sua madrinha e entre outros pensamentos. Chegando ao aeroporto de São Paulo, mostra ao segurança que ela tem autorização judicial para viajar sozinha, mesmo tendo apenas 14 anos. Ela pega o ônibus para Santos, na descida da serra, ela vê a paisagem da baixada santista, na qual ela se anima um pouco, pois aparenta ser uma região legal desse morar. Quando estava lavando seu rosto no banheiro do ônibus, falando para ela mesma através do espelho, que ela deve ter paciência e educação, pois sabe que sua madrinha tem uma condição bem mais simples do que ela estava acostumada a viver. Na hora do ônibus fazer uma curva, ele acaba balança muito, fazendo com que Yume caia sentada na privada, ela levanta irritada e chuta a privada. Ela sai e senta na sua poltrona, ao sentar sente falta do seu celular, ao pensar no pior, corre pro banheiro, e vê ele dentro da privada. Yume volta pra poltrona desanimada, pois agora está sem celular para se comunicar com sua madrinha, pois ela esta chegando um pouco antes do imprevisto. Chegando à rodoviária, ela vê que é ambiente é bem simples e meio largado, ficando com nojo de sentar, sentando somente quando achou uma toalhinha para colocar embaixo. Um rapaz que a vê e pensa que está desorientada, por estar com blusa e mochila dos E.U.A, pensa que é estrangeira, e começa a falar com ela em inglês. Porém, Yume é péssima em inglês, ela tenta conversar em japonês, pensando que o rapaz é um estrangeiro desorientado. Um falando em inglês e o outro em japonês, única coisa que ambos entenderam foram seus nomes, que o dele é Carlos e o dela é Yume. Sua madrinha Kanna aparece e agradece ao rapaz por ter cuidado de sua afilhada, falando em português, o rapaz fica sem jeito. Antes de elas irem embora, Yume fala em português com ele, deixando ele indignado que ficou falando inglês à toa. Elas pegam o ônibus, sua madrinha conta que montou um quarto pra ela, que conversou a família do Japão para saber os gostos dela, já que faziam uns 10 anos que ela não a via. Yume sente que sua madrinha está tentando fazer de tudo para criar uma relação, fazendo um monte de perguntas e contando sobre a cidade, mas Yume não consegue esconder no seu olhar que não está muito aberta para conversas. Deixando sua madrinha sem jeito e quieta durante o trajeto. Descendo do ônibus, elas entram num prédio de três andares, o apartamento é um dos fundos e no ultimo andar, quando Yume olha a quantidade de malas e as escadas, bate um desanimo e desespero. Sua madrinha pede para ela esperar, pois vai chamar o padrinho Hakkai para ajudar. Ele desce reclamando, e quando vê a quantidade de malas, reclama mais ainda, e já joga uma indireta para sua esposa que não tem armário para isso tudo e que a metade deverá ser doado. Yume coloca seu walkman, e ajuda a subir com as suas malas. Sua madrinha mostra seu quarto, o que seu padrinho disse era verdade, quarto pequeno, apenas um armário com 4 gavetas e uma cômoda com 8 gavetas e uma pequena escrivaninha. Enquanto sua madrinha faz o jantar, ela fica deitada na cama, escutando musica, ao fechar os olhos, lembra do seu quarto que era enorme, seu closet era do tamanho do seu quarto atual, e como sua mãe amava passar o dia fazendo Yume de modelo, sua mãe sempre falava que queria que sua filha estivesse na moda, e agora sente que será obrigada a desfazer das roupas que sua mãe vivia comprando. Yume chora, mas coloca o travesseiro no rosto pra abafar. Kanna abre a porta e percebe que ela esta chorando, volta pra cozinha e senta triste na cadeira, Hakkai questiona do porque a tristeza no olhar, ela comenta que Yume esta chorando e ela não sabe como confortar. Hakkai levanta, abre a porta do quarto da Yume e fala, que chorar não tira a fome, e que ele quer ela esteja na mesa com choro ou sem, pois não viu sua esposa fazer um jantar deliciosa para agradar a afilhada, e a mesma não degustar. Sentindo-se obrigada, ela senta a mesa com cara vermelha e com raiva de Hakkai. Kanna a serve um prato de yakissoba um dos pratos favoritos de Yume, e logo em seguida serve Hakkai, e senta para comer junto. Para tirar o clima tenso, Kanna conta o seu dia, acontecimentos da cidade e Hakkai da audiência, puxando outros assuntos. Yume come quieta, mas se sente bem, pois além da comida estar uma delicia, o momento a fez lembrar das poucas vezes que seus pais jantavam juntos. Seu pai vivia pro trabalho, passava pouco tempo com a família, já sua mãe, mesmo com o trabalho dava um jeito de passar tempo com sua filha, então quando jantavam juntos era bem aproveitado...
  • Zumbi, mais que ação, um ideal

    Antes de tratar do quadrinho que eu li, o Zumbi em ação do Fernando Gomes, é necessário que eu faça uma pequena introdução. Zumbi dos Palmares é o personagem histórico mais comentado do país ultimamente. Não digo isso apenas por estarmos no Novembro Negro — utilizado pela publicidade a exaustão —, mas sim pelos debates históricos acerca desse homem.
              Para os pensadores... quero dizer, pseudointelectuais da extrema-direita, Zumbi, o mesmo que libertava negros da escravidão, possuía ele próprio escravos!? Nada disso tem o mínimo de fundamento historiográfico. Nenhuma fonte até hoje fez esse tipo de comprovação. Se houve negros e pardos que possuíram escravos, ou Estados africanos que se serviram do escravismo, isso não deve ser usado para legitimar o racismo atual.
              As ilações e especulações esvaziadas de historicidade, ou melhor, contexto histórico, distanciam esse homem negro do seu tempo e do espaço. Mas porque tornar logo Zumbi o vilão do regime escravocrata? Simples, para produzir misologia, pulverizar ignorância, legitimar o racismo produzindo a falsa ideia de que aquele que libertou seus iguais era um oportunista.        
              Quando li o mangá do Fernando Gomes, assim o chamo devido sua estrutura narrativa, vi a oportunidade das pessoas se interessarem um pouco por essa história tão maculada por ideologias vãs. O quadrinho toma algumas liberdades poéticas, algo plausível, visto que o autor produziu uma ficção com elementos históricos, e não apresentou uma tese de Doutorado em História do Brasil Colônia.
              Em Zumbi em ação, o nosso protagonista nasce em 1655 no Quilombo de Palmares, atual Alagoas. O filho de Dona Sabina cresceu um garoto levado, e ainda criança, acabou sendo capturado por um soldado após Zumbi jogar frutas nele. Há meio caminho ele acaba sendo resgatado por um tal Capitão Francisco. Se tornando seu tutor, o militar o leva para uma igreja em Porto Calvo, sendo batizado e educado lá.
              Depois de anos treinando esgrima com Francisco, Zumbi, agora bem mais velho, se junta ao seu mestre Capitão Francisco e luta contra bandoleiros pelas vilas e arraiais. Depois disso a história segue um ritmo mais rápido. Nos parece que o autor queria lançar algum panorama da vida desse herói nacional. A obra em one-shot se desenvolve como um longo flashback pelas mais de 30 páginas.
              A obra colorida ressaltou os grupos étnicos-raciais em conflito, bem como os mestiços. O desenho tem cara influência de mangá, mais pela sua estrutura narrativa do que pelos traços. De maneira resumida, a história traça a ascensão e queda de Zumbi como líder do Quilombo de Palmares. E mais que o traço em desenvolvimento, o que mais me incomodou foi o papel que Zumbi adquiriu na obra.
              Zumbi, embora protagonista, é um personagem mais passivo. Não estou cobrando fidelidade histórica do autor, talvez ele meso não tenha se aprofundado muito na história desse líder negro, mas, o Capitão Francisco como “sensei” de Zumbi ficou pouco crível e acabou atrelando a luta do personagem principal a motivações banais, infundadas até. Não achei crível. Não foi tão estimulante quanto sua luta pela liberdade.
              Ao longo da história o foco muda, mas o quadrinho é tão curto que isso acaba despercebido. O autor lançou outras obras, e Zumbi e Palmares são revisitados mais uma vez. O designer dos personagens é bacana, e mesmo adultos, nos remetem ao shonen de lutas. As lutas, mesmo não sendo o foco, são mal coreografadas e não dão o impacto necessário.
              Apesar dos impasses da obra, se você gostaria de ver Zumbi dos Palmares numa roupagem moderna e fantástica, adquira o seu exemplar. Talvez o maior destaque dessa obra seja despertar a curiosidade do leitor para acompanhar a trajetória desse homem que tanto contribuiu para a liberdade de homens e mulheres negras oprimidos pelo regime escravocrata português e brasileiro.

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