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  • Um pequeno livro de grandes coisas

                Um cronista é alguém que desnuda a alma de uma cidade. Deixa as claras o que está oculto pela correria do dia a dia. Sem pretensão a ser um historiador, memorialista ou repórter, o cronista acaba fazendo esse trabalho. Em jornais ou em livros, publicando na internet, o cronista vai tecendo uma memória coletiva. Depois as reúne em algum momento e as publica, como um menu de histórias.
                Pedro Marcelino, com o seu livro “Grandes coisa”, com olhar bastante humanizado, muito devido a sua formação, e a nostalgia do memorialista ligado à terra, nos traz uma Alagoinhas mais viva, mais boêmia e politizada do que o seu presente cinzento se apresenta. Original de Boa União, distrito de Alagoinhas, resgata causos e contos desse vilarejo. Um período de menor violência, de pessoas rijas vivenciando uma vida árida, com todo o seu saber-fazer.
                Essa Alagoinhas perpassa o tempo dos petroleiros, de ativismo político pelo PCdoB e tour em bares alagoinhenses. De modo extrovertido, o autor nos faz caminhar por essas ruas ainda em construção, essas resenhas ao som de viola e cachaça da boa. O cotidiano nunca pareceu tão excepcional. E como diria seu Leal, Alagoinhas é uma grande coisa aos olhos dos filhos que realmente conhecem o seu valor.
                Evocando a linguagem informal do baiano e os costumes sociais, a culinária “pesada” e fazendo rir com as peripécias de petroleiros, o escritor consegue nos fisgar a cada virada de página. É de se emocionar como o autor busca reviver esse tempo que existe e persiste em sentimentos e emoções que só podem ser vividas uma vez mais na memória, lugar da afetividade da alma.
                O livro é rico em imagens, é só ler e vivenciar as experiências de Pedro Marcelino e de suas testemunhas, ao longo do livro ele evoca várias. Coisas corriqueiras ganham um tom especial. A crônica como sinfonia do tempo e do espaço, e por ela, vamos nos preenchendo de amor a Alagoinhas. Essa cidade que encanta e fascina, ao mesmo tempo que desperta nosso senso crítico.
                O seu segundo livro é publicado pela FIGAM Editora. A capa e contracapa do livro é uma reprodução dos quadros do artista plástico Antônio Lins. Com orelha de Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia. Já o prefácio ficou a cargo do Prof. Osmar Moreira, com revisão da prolífica Prof.ª Eliana Batista. Ao fim do livro, temos os depoimentos de Antônio Torres e Jean Wyllys sobre o seu primeiro livro Alagoinhas: o que a memória guarda. O livro contou com apoio cultural de várias instituições e órgãos municipais como colégios, sindicatos e lojas de serviço. A diagramação está perfeita em suas 168 páginas, o designer de capa está estupendo! Alguns erros ortográficos foram vistos, mas insignificantes frente ao conteúdo.
    Onde comprar:
    Shock Revistas e Jornais
    Rua Conselheiro Couto, 155 - Bairro: Centro - Alagoinhas - BA - CEP: 48005-130
    (75) 3421-6106
  • Uma controversa

    O ano era 1890, em Avaré, havia uma família que era o exemplo para as outras instituições familiares. Faby era a filha do casal Silvia. Ela era uma bela jovem admirada por todos por conta da sua intelectualidade. Era tão linda quanto o pôr do sol que se via a beira do mar. Seus pais, Carla Francisca Silvia, era uma ótima mãe e uma excelente dona de casa, todos comentavam o quanto sua casa era totalmente arrumada e limpa, seu marido Sebastian Carlos Silvia era um excelente pai e marido. Era a mão direita do prefeito e sempre frequentava a missa de quartas, sextas e domingos com a sua família. 
    Faby estava no seu último ano do ensino do médio, sua família já estava tentando arranjar um marido para sua única filha, e pretendente era o que não faltava. Na sua escola de Faby os professores pediam para os alunos que escrevessem bilhetes onde eles escreveriam seus desejos para o futuro  e por conta de um sorteio, Faby foi escolhida para ler seu bilhete para todos da turma, quando leu todos da turma se chocaram pois não era o destino que todos imaginava para a bela Faby, no bilhete estava escrito: “ Meu desejo é que eu possa passar meus dias sem ir à igreja e possa frequentar lugares onde a minhas perguntas sejam respondidas sem envolver a religião e que as mulheres possam ser superiores aos homens”. Por conta do bilhete seus responsáveis foram chamados para falar sobre esse ato considerado uma rebeldia pela moça, seus pais conversaram com o reitor e disseram que aquilo não se repetiria.  
    Chegando em casa a dona Carla foi direto pro quarto da moça e quando chegou não pode acreditar no que viu, havia relatos jornalísticos de bruxaria, onde diziam que elas se sentiam superiores aos homens colado no quarto da moça, alguns encantamentos e algumas coisas similares. Ela quase teve um desmaio quando viu aquilo, quando Faby chegou em casa depois de ter ajudado uma senhora que morava na colina, Sebastian queria dar uma surra na filha por tentar destruir a imagem da família perfeita, mas dona Carla conseguiu controlar a raiva do marido e ordenou que a moça não deveria mais ver a senhora da Colina, que era ela que estava incentivando a Faby a ter pensamentos como aqueles. Mas uma fofoca começou a se introduzir no meio da igreja em plena a missa de sexta, numa sexta-feira 13, onde todos da cidade se reuniram e diziam que Faby era a mais pecadora de todos, que ela havia se tornado uma bruxa junto com a senhora da colina, algo que já estava sendo esquecido pelos moradores. Era impossível a missa ter um fim, e como o Padre havia pedido para alguns de seus fiéis, pediu para que trancassem as postas e não deixasse os Silvas saírem dali. Do nada o padre diz que Deus estava mandando-o a jogar Faby e sua mãe na fogueira, Sebastian enlouqueceu, entrou em desespero e saiu batendo em todas as mulheres e homens que seguravam sua filha e esposa, pediu para que elas fugissem, mas só Faby fugiu.  
    Faby conseguiu fugir para colina, onde ninguém tinha coragem de ir. Seu pai for morto por ter ajudo uma bruxa a fugir e sua mãe foi presa por homens em um cativeiro onde ninguém sabia o que ocorria. Chegando na colina ela pediu ajuda a Izzy, uma senhora que morava isolada de todos. Ela contou que a muitos tempos atrás eles achavam que ela era a bruxa das bruxas, por que todos os homens eram caídos por ela e ela nunca precisou ser sustentado por homem. As mulheres enfurecidas pediram para que o padre expulsasse Izzy, ou ela acabaria dominando a cidade que já era pequena. Izzy foi viver na colina, onde ela ainda recebia visita de alguns homens, mas ninguém de Avaré, ela deixou a moça viver ali até que a poeira abaixasse. Faby passou uns 2 anos com Izzy, quando resolveu voltar para Avaré, chegando lá ela soube que a Febre de Lassa matou quase todos da sua cidade, ela foi ver o padre, ele ao ouvir a sua voz pediu para que ela fosse embora de lá, que tudo aquilo tinha acontecido por terem deixado uma bruxa viva, por mais que a mãe dela tinha sido morta na fogueira nem isso acabou com a ira de fúria para o padre. Faby na hora encheu seu coração de raiva e a única coisa que fazia era chorar enquanto voltava para a colina, chegando na colina Izzy perguntou o que havia acontecido e Faby contou tudo, Izzy disse que havia uns livros onde havia receitas de alguns medicamentos, Faby estudou e fez vários testes de vacinas com um velho que estava com a Febre de Lassa quando ele veio visitar Izzy, depois de muitos esforços ela conseguiu achar a cura. Faby saiu distribuindo a cura para todos de Avaré, quando foi entregar ao Padre, ela disse para ele lembrar que quem salvou ele foi uma bruxa e não o senhor que ele acreditava. 
  • Uma simples história

    Ainda me lembro! Uma quarta de tardezinha. 4 aula do dia, e a atenção voltada para o português. Ao final o desafio de criar um texto literário. Confesso que um pouco me assombrei. Mas o que temer? Algo que eu sei é escrever.
                Hora de ir embora, segui andando, estava como pássaro que em voo sai do galho sem destino, mas com a certeza de que em outro galho pousará. Já em casa, caneta e caderno velho em minhas mãos, meu desespero começa - mal sabia eu que, aflição maior estava por vir – meu desejo era escrever uma história, já estava tudo em minha mente, faltava apenas jogar no papel.
                Np momento em que pensava dar início ao meu texto, o cachorro vem e começa a brincar, queria minha companhia. Começou cheirar-me, saltar em meu colo. Não tive escolha, fui satisfazer o desejo do meu amigo que me olhava, quase q implorando minha atenção. Instantes depois, volto ao caderno, estava pronto para a primeira palavra desenhar, meu pai chaga e liga a TV, o futebol estava a começar. Não conseguia escrever, não queria assistir, era o barulho que me atrapalhava. Foi necessário ir para um lugar mais tranquilo. Fui para meu quarto. E, com isso, não havia escrito nada.
                Agora sim – pensei comigo mesmo – consigo escrever. Sentado na cama, caneta na mão e caderno no colo... Do nada ouço uma voz “olha o arroz ai!”. Era minha mãe, que clamava do banheiro. Olho para a sala e meu pai continua deitado, sobrou para mim determinada tarefa. Então vou a cozinha, desligo o fogo e volto ao meu quarto. Novamente sento na cama, caneta na mão e caderno no colo.
                Cerca de cinco minutos depois continuava na mesma posição.  De minha cabeça a história sumiu. – Será que o que eu tinha a escrever fosse algo tão incrível que um ser estranho, talvez invisível, padece vir a rouba-la? Um ladrão de histórias. Porque logo eu ser a vítima? Há tantos escritores profissionais que, com certeza, escrevem e pensam melhor do que eu­ – Quem pensamento idiota, não, idiota não, este é um pensamento muito criativo, coisa de quem não está em seu juízo perfeito.
                E continuava a perguntar para eu mesmo. Como alguém pode perder o que não se pode tocar, algo imaginário e que somente eu sabia, existente apenas em minha mente? E esta pergunta acabou ficando sem resposta. Estaria eu louco? E agora como posso ocupar as linhas destas folhas? Podia perguntar algo ao meu travesseiro, com ele estão confidenciados inúmeras coisas referente a amor, medo e sonhos, tudo coisa minha. Onde está meu juízo? Meu confidente falando? Não conheço sua personalidade. E se ele contasse para todos? Que vergonha sentiria.
                Não estou normal, tudo por causa de uma história. Eu aqui sem ter o q escrever e com pensamentos tão absurdos. De fato minha história havia sido roubada, mas quem são os culpados? Talvez tenha sido o arroz, o futebol ou o cachorro, o cachorro? Não, não pode ser, seria ele capaz de tanto? Será que o arroz e o jogo ajudaram o bicho? Um complô contra mim. Que loucura, como posso ser capaz de pensar em tanto e não poder escrever um simples trabalho de escola. Estava me afogando em meus pensamentos.
                Então me dei conta, a ansiedade acabou me enganando, o entusiasmo de escrever era tanto que não havia pensado em nada. Retornei a mim mesmo, é obvio! Não escrevia porque não havia o q escrever. Então sorrindo de mim mesmo, lembrando de cada pensamento, vendo minhas próprias reações de preocupação sendo que não havia nada pra se preocupar. E o pássaro encontrou um galho onde pousar, respirei fundo e comecei a escrever os últimos sessenta minutos de minha vida, a mão em rápidos movimentos foi enchendo a folha de papel e a alegria me consumia a cada palavra desenhada.
  • Ursal #1

    Eram dias difíceis para todos,desde aquele tempo nada mais foi o mesmo,nada mais. Realmente eram dias difíceis onde o ladrão roubava e era aplaudido e o bom homem era jogado na fogueira. Esperava que tudo ia mudar,mas nada mudou. Era tudo do mesmo jeito,mas será que alguém tem a cura para a maldade?
        Em uma sala se reuníam duas crianças que tentavam sair para brincar lá fora,mas seu paai dizia que era muito perigoso. Eles se perguntavam o porquê de todos dizerem que tudo lá fora é perigoso,mesmo com as guloseimas que seu pai fazia,não era a mesma coisa que jogar bola lá fora. A porta bate e uma das crianças vai atender,era a morte vindo lhe buscar. Dois tiros na cabeça só porque ele estava com vontade de ver sangue jorrar. O pai chorava e perguntava o porquê,e o homem da escopeta virou pra ele e disse:
          -De acordo com o mandato que temos aqui o senhor vai ter que vir conosco para a prisão,por ser contra nosso governo
     O pai,triste e raivoso refutou:
           -Não precisava ter matado meu filho...
            -BASTA!!!!. -Disse o atirador não deixando o pai completar. -Não deixei você falar seu marginal! Vamos direto para a prisão e veremos quem terá piedade de você.
         No dia do julgamento exisstiam alí muitos soldados e generais,cada um com sua arma. O homem não sabia oq fazer. Pois sabia que não podia fazer nada. Mesmo estando certo foi condenado a morte. Eram dias difíceis
  • Vazio

    A cada dia que passa me torno mais vazio, me sinto como um pote sem conteúdo. As vezes eu penso sobre a vida e me bate uma saudade, do tempo em que apenas vivia, não tinha preocupações e muito menos desamores. Minha cabeça nunca esteve tão "fodida", meus problemas estão gritando como loucos no manicômio, mas não sei, não consigo demonstrar minhas emoções. Realmente estou me tornando vazio, mas isso pode ser algo bom! Se me fazer parar de pensar nela. No mundo existem várias formas de se decepcionar, mas se eu não transparecer vou parecer forte,  um ser humano decidido! Mesmo que por dentro eu esteja destruído.
  • Velhos costumes.

    Cinco anos e meio que ele veio. 4 anos e meio que ele foi. Eu ainda penso nele. Penso às vezes. Mas isso me confunde. Fico triste por alguém que às vezes nunca mais se lembrou de mim desde o adeus. Às vezes, ele me deu o ponto de partida, ele abriu o meu coração para o que viria no futuro. E isso é uma das coisas que me confundem. Eu posso estar simplesmente apegada ao início. Que já se foi. Porque agora estou no meio. E não quero abrir olho e esquecer a partida. Ele e deu as direções.
    E eu só preciso seguir em frente...vale a pena viver a vida... Eu espero.
    Hoje em dia. Já fazem 5 anos que ele se foi. Encontrei ele em um bar. Estava bem antes de revê-lo.  Veio falar comigo, disse que eu estava muito bonita. Em algumas de suas falas eu percebia que tentava fazer com que eu me desculpasse. Desculpasse?
    Falando um pouco sobre o adeus de 5 anos atrás, não foi beem um adeus. Foi mais um "tchau" saindo de mim. Hoje eu não entendo por que eu o deixei. Sério. É bem estranho. Acho que nem me lembro porque me despedi. Acho que eu devo ter enlouquecido. Não acho que eu deva desculpas.
    Ele, ontem, conheceu meus amigos. Pareceu forçar a barra para conversar com eles, mas ao mesmo tempo queria estra somente comigo. E relembrar antigas músicas que um dia foram nossas, sentar em seu carro. Admirar antigos gostos que foram expressos em nossas tatuagens que de certa forma nos arrependemos. Ir para sua casa e deitar em um colchão velho em um cantinho na cidade que ele chama de casa.
    Uma coisa que ele disse me tocou. Estávamos em seu carro eu estava questionando que não devíamos mais viver como vivíamos porque não era mais tempo para isso, então ele disse: "nós nunca vamos envelhecer", e se aproximou de mim como aproximava meia década atrás. Me puxou para perto, ainda no carro dele que ainda nem tinha terminado de pagar as prestações, apreciou e riu da minha tatuagem que me arrependo. Me levou para sua casa. Sentamos e conversamos em seu velho acolchoado colchão(que imagino que nem seja dele, aquele parece ser muito caro), nos cobriu com uma coberta que me deu alergia. Ouvimos antigas canções. Então lembrei o motivo do adeus. Me desculpei. Sem ligações. Mas também deixei claro que eu não fui a responsável pelo fim. Então ele se desculpou e disse que também meio que se foi sem deixar razões. E também não ligou.
    Por mais que eu não concorde que a gente continue se vendo, não consigo parar. De jeito nenhum. 
    E ele já me cobrou. Dá próxima vez, no meu carro, e no meu colchão que também não me pertence. Eu rio da tatuagem dele. Ele fica com alergia do meu cobertor. Eu imploro para que ele fique.
    Nós nunca envelheceremos.
  • Você

     Eu posso abri isso daqui uns meses e eu lembrarei da forma que eu me apaixonei por você ao ler essa “carta”. Durante a noite é você que me vem ao pensamento, desde de a nossa última conversa ficou decidido que ambos não manteriam contato, mas está difícil sabia? Eu tento não te chamar tanto para que o meu sentimento por você não venha crescer. Eu não posso manter o contato contigo, porque isso me quebra, isso me destrói por dentro e você não imagina o quanto está doendo em mim. Em não poder ter você, não poder me permitir eu odeio isso, ter que esconder meus sentimentos quando na verdade eu quero dizer o quanto eu amo você e o quanto eu preciso de você, eu não escolhi me apaixonar, simplesmente aconteceu. Agora eu me vejo presa a ti, embora eu não esteja, porque você tomou decisões por mim, você me magoou e mesmo assim eu continuo amando você, eu não gostava de ninguém da mesma intensidade desde do meu último relacionamento, agora que eu vim conseguir sentir essa sensação boa novamente. E me parte não poder demonstrar, me parte o coração a cada palavra que falo contigo, me dói muito.
    É como se eu dependesse de ter você por perto, em poder te ligar e sentir o som da sua respiração, em poder ouvir a sua voz e dizer o quanto eu gosto dela. Eu quero saber do seu dia, das suas novidades, felicidades e tristezas, mas eu sinto que também preciso me afastar. Procurar novos horizontes, me recriar ser feliz, eu tenho tantas coisas para dizer, mas eu preciso ir, e todos os anos que se passaram eu nunca tinha amado da mesma intensidade, eu nem sei por que te amei assim, eu fui intensa demais eu odeio isso em mim! Eu estou tentando me reencontrar, eu preciso. Eu escrevo porque não posso te falar, não posso demonstrar e muito menos sentir, conversar com você me quebra, eu as vezes olhos pra trás e eu estava com meu emocional tão bem antes de conhecer você, antes de me envolver, eu odeio isso, eu odeio, odeio amar você, eu ainda penso muito em ti, sua falta me assusta.
  • Você não fez nada errado

    - Mamãe? Cadê o papai? – Uma minúscula garotinha entra aparece na porta de casa coberta de sangue
    - Atália!? O que aconteceu com você? – Exclama desesperada – Você se machucou? – A mãe apalpa a garotinha a procura de algum ferimento
    - Eu to bem mamãe – a garotinha sorri
    - De onde vem todo esse sangue filha?! – Puxa a garotinha para um banho
    - Um homem mau tentou machucar o papai – os olhos da garotinha se enchem de lagrimas – tentou machucar o papai com uma espada – chora
    - E o que aconteceu?
    - Eu arranquei seu coração – Seus olhos brilhavam inocência
    - OQUE?!
    - Eu só estendi a mão e o coração saio dele... aí eu ouvi uma voz mandando eu apertar... – sorri
    - Eu apertei e ele virou pó, a voz disse que eu fiz muito bem! – Sorri mais largo
    - E o seu pai?
    - Ele me olhou com medo... – Entristeceu e começou Chora nos braços da mãe – Me chamou de monstro e correu... – piscou os olhos brilhando de lagrimas
    - Eu achei que ele tinha vindo pra casa... mas ele não tá aqui... – Funga
    - Calma meu Amor – Suspira e aperta a garotinha em um abraço – Você não fez nada de errado, o homem era mau e você só quis proteger seu pai
    - Mas ele correu... o papai correu – apoia a cabeça no ombro de sua mãe chorando
    - Seu pai é um covarde querida... ele não entende... – olha nos olhos da garotinha que havia parado de chorar
  • Yume Nagashi - capitulo 01

    Sr. Shinobu é seqüestrado e assassinado, ele é um dos donos de uma grande empresa no Japão. Algumas semanas depois, sua esposa Akane e sua filha sobrem um acidente de carro. Os motoristas de ambos os carros morrem no local, Akane e Yume chegam ao hospital vivas, mas infelizmente a mãe não resiste, teve derrame celebral. A herdeira, Yume sai praticamente intacta. A policial suspeita que alguém quer acabar com a família, por segurança da herdeira, aconselham a avó Ikari mandar a neta morar em outra cidade ou se possível país. Avó conversa com a neta e informa que ela irá se mudar para o Brasil, e irá morar com a madrinha Kanna que é a irmã mais nova do seu falecido pai. Yume não gosta de idéia, mas não tem escolha. Yume esta no avião ouvindo musica no seu walkman, pensando em tudo, morte dos seus pais, sua avó meio que dispensando ela pro Brasil, não ter celular para conversar com seus amigos, já que teve que deixar com a polícia, morar com sua madrinha e entre outros pensamentos. Chegando ao aeroporto de São Paulo, mostra ao segurança que ela tem autorização judicial para viajar sozinha, mesmo tendo apenas 14 anos. Ela pega o ônibus para Santos, na descida da serra, ela vê a paisagem da baixada santista, na qual ela se anima um pouco, pois aparenta ser uma região legal desse morar. Quando estava lavando seu rosto no banheiro do ônibus, falando para ela mesma através do espelho, que ela deve ter paciência e educação, pois sabe que sua madrinha tem uma condição bem mais simples do que ela estava acostumada a viver. Na hora do ônibus fazer uma curva, ele acaba balança muito, fazendo com que Yume caia sentada na privada, ela levanta irritada e chuta a privada. Ela sai e senta na sua poltrona, ao sentar sente falta do seu celular, ao pensar no pior, corre pro banheiro, e vê ele dentro da privada. Yume volta pra poltrona desanimada, pois agora está sem celular para se comunicar com sua madrinha, pois ela esta chegando um pouco antes do imprevisto. Chegando à rodoviária, ela vê que é ambiente é bem simples e meio largado, ficando com nojo de sentar, sentando somente quando achou uma toalhinha para colocar embaixo. Um rapaz que a vê e pensa que está desorientada, por estar com blusa e mochila dos E.U.A, pensa que é estrangeira, e começa a falar com ela em inglês. Porém, Yume é péssima em inglês, ela tenta conversar em japonês, pensando que o rapaz é um estrangeiro desorientado. Um falando em inglês e o outro em japonês, única coisa que ambos entenderam foram seus nomes, que o dele é Carlos e o dela é Yume. Sua madrinha Kanna aparece e agradece ao rapaz por ter cuidado de sua afilhada, falando em português, o rapaz fica sem jeito. Antes de elas irem embora, Yume fala em português com ele, deixando ele indignado que ficou falando inglês à toa. Elas pegam o ônibus, sua madrinha conta que montou um quarto pra ela, que conversou a família do Japão para saber os gostos dela, já que faziam uns 10 anos que ela não a via. Yume sente que sua madrinha está tentando fazer de tudo para criar uma relação, fazendo um monte de perguntas e contando sobre a cidade, mas Yume não consegue esconder no seu olhar que não está muito aberta para conversas. Deixando sua madrinha sem jeito e quieta durante o trajeto. Descendo do ônibus, elas entram num prédio de três andares, o apartamento é um dos fundos e no ultimo andar, quando Yume olha a quantidade de malas e as escadas, bate um desanimo e desespero. Sua madrinha pede para ela esperar, pois vai chamar o padrinho Hakkai para ajudar. Ele desce reclamando, e quando vê a quantidade de malas, reclama mais ainda, e já joga uma indireta para sua esposa que não tem armário para isso tudo e que a metade deverá ser doado. Yume coloca seu walkman, e ajuda a subir com as suas malas. Sua madrinha mostra seu quarto, o que seu padrinho disse era verdade, quarto pequeno, apenas um armário com 4 gavetas e uma cômoda com 8 gavetas e uma pequena escrivaninha. Enquanto sua madrinha faz o jantar, ela fica deitada na cama, escutando musica, ao fechar os olhos, lembra do seu quarto que era enorme, seu closet era do tamanho do seu quarto atual, e como sua mãe amava passar o dia fazendo Yume de modelo, sua mãe sempre falava que queria que sua filha estivesse na moda, e agora sente que será obrigada a desfazer das roupas que sua mãe vivia comprando. Yume chora, mas coloca o travesseiro no rosto pra abafar. Kanna abre a porta e percebe que ela esta chorando, volta pra cozinha e senta triste na cadeira, Hakkai questiona do porque a tristeza no olhar, ela comenta que Yume esta chorando e ela não sabe como confortar. Hakkai levanta, abre a porta do quarto da Yume e fala, que chorar não tira a fome, e que ele quer ela esteja na mesa com choro ou sem, pois não viu sua esposa fazer um jantar deliciosa para agradar a afilhada, e a mesma não degustar. Sentindo-se obrigada, ela senta a mesa com cara vermelha e com raiva de Hakkai. Kanna a serve um prato de yakissoba um dos pratos favoritos de Yume, e logo em seguida serve Hakkai, e senta para comer junto. Para tirar o clima tenso, Kanna conta o seu dia, acontecimentos da cidade e Hakkai da audiência, puxando outros assuntos. Yume come quieta, mas se sente bem, pois além da comida estar uma delicia, o momento a fez lembrar das poucas vezes que seus pais jantavam juntos. Seu pai vivia pro trabalho, passava pouco tempo com a família, já sua mãe, mesmo com o trabalho dava um jeito de passar tempo com sua filha, então quando jantavam juntos era bem aproveitado...
  • Zumbi, mais que ação, um ideal

    Antes de tratar do quadrinho que eu li, o Zumbi em ação do Fernando Gomes, é necessário que eu faça uma pequena introdução. Zumbi dos Palmares é o personagem histórico mais comentado do país ultimamente. Não digo isso apenas por estarmos no Novembro Negro — utilizado pela publicidade a exaustão —, mas sim pelos debates históricos acerca desse homem.
              Para os pensadores... quero dizer, pseudointelectuais da extrema-direita, Zumbi, o mesmo que libertava negros da escravidão, possuía ele próprio escravos!? Nada disso tem o mínimo de fundamento historiográfico. Nenhuma fonte até hoje fez esse tipo de comprovação. Se houve negros e pardos que possuíram escravos, ou Estados africanos que se serviram do escravismo, isso não deve ser usado para legitimar o racismo atual.
              As ilações e especulações esvaziadas de historicidade, ou melhor, contexto histórico, distanciam esse homem negro do seu tempo e do espaço. Mas porque tornar logo Zumbi o vilão do regime escravocrata? Simples, para produzir misologia, pulverizar ignorância, legitimar o racismo produzindo a falsa ideia de que aquele que libertou seus iguais era um oportunista.        
              Quando li o mangá do Fernando Gomes, assim o chamo devido sua estrutura narrativa, vi a oportunidade das pessoas se interessarem um pouco por essa história tão maculada por ideologias vãs. O quadrinho toma algumas liberdades poéticas, algo plausível, visto que o autor produziu uma ficção com elementos históricos, e não apresentou uma tese de Doutorado em História do Brasil Colônia.
              Em Zumbi em ação, o nosso protagonista nasce em 1655 no Quilombo de Palmares, atual Alagoas. O filho de Dona Sabina cresceu um garoto levado, e ainda criança, acabou sendo capturado por um soldado após Zumbi jogar frutas nele. Há meio caminho ele acaba sendo resgatado por um tal Capitão Francisco. Se tornando seu tutor, o militar o leva para uma igreja em Porto Calvo, sendo batizado e educado lá.
              Depois de anos treinando esgrima com Francisco, Zumbi, agora bem mais velho, se junta ao seu mestre Capitão Francisco e luta contra bandoleiros pelas vilas e arraiais. Depois disso a história segue um ritmo mais rápido. Nos parece que o autor queria lançar algum panorama da vida desse herói nacional. A obra em one-shot se desenvolve como um longo flashback pelas mais de 30 páginas.
              A obra colorida ressaltou os grupos étnicos-raciais em conflito, bem como os mestiços. O desenho tem cara influência de mangá, mais pela sua estrutura narrativa do que pelos traços. De maneira resumida, a história traça a ascensão e queda de Zumbi como líder do Quilombo de Palmares. E mais que o traço em desenvolvimento, o que mais me incomodou foi o papel que Zumbi adquiriu na obra.
              Zumbi, embora protagonista, é um personagem mais passivo. Não estou cobrando fidelidade histórica do autor, talvez ele meso não tenha se aprofundado muito na história desse líder negro, mas, o Capitão Francisco como “sensei” de Zumbi ficou pouco crível e acabou atrelando a luta do personagem principal a motivações banais, infundadas até. Não achei crível. Não foi tão estimulante quanto sua luta pela liberdade.
              Ao longo da história o foco muda, mas o quadrinho é tão curto que isso acaba despercebido. O autor lançou outras obras, e Zumbi e Palmares são revisitados mais uma vez. O designer dos personagens é bacana, e mesmo adultos, nos remetem ao shonen de lutas. As lutas, mesmo não sendo o foco, são mal coreografadas e não dão o impacto necessário.
              Apesar dos impasses da obra, se você gostaria de ver Zumbi dos Palmares numa roupagem moderna e fantástica, adquira o seu exemplar. Talvez o maior destaque dessa obra seja despertar a curiosidade do leitor para acompanhar a trajetória desse homem que tanto contribuiu para a liberdade de homens e mulheres negras oprimidos pelo regime escravocrata português e brasileiro.

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