person_outline



search

história,

  • QUINTA-FEIRA, 12

    As imensas portas externas se abriram e a luz do sol iluminou parte do corredor central. As trancas metálicas ainda balançavam quando o prisioneiro passou pelos batentes enferrujados, iniciando uma solene procissão pelo úmido e fétido ambiente, escoltado pelos soldados da guarda real. Não era incomum aquela cena, afinal, presos entravam e saiam daquele local a todo o momento, fazia parte da rotina daquele ergástulo. Mas nesse dia em especial, havia algo de diferente.
    Embora o barulho dos grilhões metálicos arrastando no piso áspero soasse familiar, dessa vez não se ouvia os costumeiros gritos, risadas e as conversas em latim vulgar carregado com sotaque frâncico, tão coloquial entre os guardas de Felipe. Havia uma aura de respeito para com aquele prisioneiro.

    _Que estranho!! Falou baixinho, Jean, enquanto se aproximava da porta de sua cela, espiando pela pequena abertura da portinhola basculante – por onde lhe serviam a ração diária – acompanhando com olhos curiosos a procissão silenciosa de quatro guardas, que escoltavam um senhor de cabelos e barbas brancas, olhar altivo e andar ereto.

    _Merde!! Mais um desafortunado veio parar aqui nesse lugar maldito. O que será que esse velho andou aprontando? Pensou enquanto tentava se conformar com o fato de os guardas não abordarem sua cela para liberá-lo, já que esperava por isso ansiosamente havia dias.
    A expressão de frustração na cara de Jean era evidente. Na verdade ele esperava ser liberado em breve, pois já amargava mais de oitenta dias de prisão, contados e marcados com dezesseis grupos de cinco rabiscos arranhados numa pedra grande, úmida e irregular da parede lateral, bem ao lado de sua cama. Não era exatamente uma cama, mas um pedaço de couro de carneiro curtido empoeirado, estendido no chão.

     _Eu quero sair daqui!! Eu não fiz nada!! Esbravejou o jovem com a voz embargada, e vendo os guardas o ignorarem e se afastarem rumo a porta externa. Malditos!! Gritou já sem a esperança de ser ouvido.

    Jean era um jovem plebeu, auxiliava seu pai nas funções de governança do castelo Fontainebleau. Um lugar cercado de um imenso jardim ricamente adornado pelas flores e arbustos e uma grama impecavelmente aparada. Jean administrava a equipe de serviçais que trabalhava na manutenção do jardim. O trabalho era feito com tal perfeição que seus colegas e alguns membros da pequena nobreza o apelidaram de maître jardinier. Ele era realmente bom no que fazia.

    Sua juventude e simpatia, aliado a sua comunicabilidade, angariavam a admiração de todos, e seu livre acesso aos integrantes da corte o tornara um bon vivant que passeava com desenvoltura pelos sete pecados capitais. Era dado ao vinho, festas e mulheres, apesar de sua pouca idade.

    Retornando em seus pensamentos, já deitado sobre aquele pedaço de couro de carneiro, refletiu sobre sua sorte. Ele não estaria nessa situação se naquela tarde de primavera não tivesse sido surpreendido literalmente sens culottes, em um dos cômodos do imponente castelo, em plena prevaricação com a fogosa Anne Marie, - esposa de Guilherme de Nogaret, um dos conselheiros do Rei -.

    Havia muito que a linda madame sob pretexto de admirar as flores e arbustos, circulava pelo jardim lançando olhares lânguidos e sôfregos para o jovem, que mesmo receoso, retribuía sem se importar com sua condição de plebeu. Na primeira oportunidade que teve, “caiu matando‟, e por isso estava privado de sua liberdade.
    _Algumas coisas valem o risco de se perder o pescoço, Anne era uma delas - pensou ele enquanto esboçava um sorriso de canto de boca, e repousava a cabeça no pequeno monte de palhas que usava como travesseiro. Adormeceu.

    Não muito tempo depois a portinhola tombou repentinamente para o lado interno da cela, formando uma pequena plataforma. O barulho despertou Jean de seu sono.
     _l'heure du dîner!! Gritou um velho envolto em um manto e capuz pardo que quase lhe encobria os olhos - o esquerdo era vazado e de aspecto leitoso -. Esboçava um sorriso espontâneo que ressaltava os dentes frontais corroídos pelas cáries, tudo isso lhe conferia um aspecto lúgubre para quem o via de relance. Era a imagem da própria morte.

    O serviçal de aspecto estranho segurava em sua mão esquerda uma pequena pá de madeira, cheia de batatas amassadas e pronta para transferir diretamente para as mãos de Jean, que se estendia em concha para fora da cela, através daquela pequena abertura.

    _ Quer mais? _O Senhor da cela vizinha não quis a porção dele. Falou o velho torto, tentando agradar. Jean permaneceu em silêncio. A recusa foi entendida pela expressão de desagrado estampada em sua face.
     
    _ Você é quem sabe!! Seguiu o velho pelo corredor pouco iluminado empurrando a carriola e cantarolando uma velha canção, enquanto batia em cada uma das portinholas das celas, para servir os outros condenados.

     Jean suspirou. Já havia decidido retornar para o fundo da cela e se recolher em seu tédio, quando percebeu que alguém o observava pelo pequeno vão da abertura da porta da cela vizinha, no lado oposto do corredor. Ainda que não houvesse claridade suficiente, era possível perceber o contorno do rosto daquele senhor, marcado pela barba e pelos cabelos compridos.

     _O que “tá” olhando, velho? ”Tá” aqui, por quê? Já sei, és mais um inocente preso.

    _Estou preso há sete anos, jovem - respondeu o velho com uma voz grave, porém mansa, e sem deixar de esboçar um sorriso.

     _Santo Deus!! O que você fez de tão grave, “pegou” a esposa do Rei? Sorriu sarcasticamente.

    _ Sou acusado de várias coisas, filho. Na verdade eu sou acusado de ser quem eu sou. A essas alturas dos acontecimentos já não importa se eu sou culpado ou inocente. A decisão já foi tomada e meu destino está selado. Resta-me apenas esperar a execução da sentença.

     _Como não importa, senhor? Se você realmente é inocente, não deveria estar aqui. Você não tem família, irmãos ou amigos que possam ir até o rei e interceder por você?

     _Tenho muitos irmãos - respondeu o velho senhor. _Na verdade tenho mais de vinte mil irmãos, e não quero que nenhum deles venha até mim. Ao contrário, quero que se afastem não só de mim, mas de toda a França.

    _Vinte mil irmãos...? Velho maluco, pensou Jean, e prosseguiu, _Eu sou culpado, não nego. Estou aqui há oitenta dias, mas quer saber? Eu não me preocupo, pois tenho amigos e familiares importantes e que já devem ter intercedido por mim junto ao Rei, pedindo clemência.

     _ E como tens a certeza de que teus amigos conseguirão convencer o Rei, ou seja quem for, a te conceder clemência? Indagou o velho sem alterar o tom de voz.

    _ Sabe de nada, barbudo!! A minha turma precisa de mim lá fora. Prosseguiu sem que alguém pedisse, e com arrogância imatura. _Em razão de minha função e de minhas amizades na corte  eu consigo ter acesso a bons vinhos, festas, mulheres e outros benefícios e é claro, sei de alguns “segredinhos”, sei que sabe do que estou falando. Tenho alguns amigos influentes e ricos, e claros, me devem uns “favorzinhos”. Se não conseguirem o perdão na conversa, eles “molharão” a mão de algum conselheiro do rei.

    Prosseguiu explicando, o rapaz.

      _No mundo de hoje tudo se resolve com contatos. _Você não precisa ter dinheiro e nem ser nobre, você só precisa de amigos nobres e com dinheiro!! Finalizou Jean, rindo sinicamente.

    Enquanto o jovem se gabava, o Velho escutava atento e sem julgamentos.

    _E mais – Jean prosseguiu na gabolice, _ Não estou arrependido do que fiz, a madame Anne Marie é “mó gostosa”. Satirizou. _Quando eu sair daqui, o que acredito vai ser em breve, vou continuar aproveitando a vida...Vim ao mundo para me divertir, meu velho...”Tô” nem ai para as regras!!

     _Não espere que eu te julgue, filho. Retrucou o senhor. _Qualquer um que esteja inserido em um ambiente corrompido e deficiente de moral, irá corresponder a esse ambiente reproduzindo suas práticas corrompidas e imorais. O Jovem rapaz permaneceu inerte esperando que o senhor complementasse a idéia.

    _Você é jovem, e sinceramente não espero que tu tenhas a fortaleza de espírito para agir diferente. Quando a maturidade chegar, é possível que tu te arrependas por  não teres  buscado corrigir tua conduta. Sentenciou.

    _Mas senhor, eu sinceramente esperava que  você soubesse como funcionam as coisas na côrte. Aqui há poucas pessoas que não se deleitam nas benesses. Alguns idiotas ainda evitam fazer as coisas erradas, mas no geral... ninguém perde uma oportunidade para se dar bem. É uma verdadeira festa. Aliás, dinheiro foi feito pra gastar, e dinheiro dos impostos mais ainda. É assim que eu penso, não só eu, mas a maioria.

     _Uma vida sem virtudes não é propriamente uma vida. Bom jovem, eu já andei por vários e distantes lugares deste mundo e posso te garantir que o mundo é muito maior do que o castelo onde tu tens trabalhado, maior do que toda a côrte e é imensamente maior do que Paris e a própria França. Por onde andei eu encontrei muita miséria, sofrimento e angustia. Pessoas clamam por ajuda, pois não conseguem sair daquela situação por si mesmas.

    _Danem-se... eu nem as conheço!! Esbravejou Jean, irresignado.

    _Eis o problema, meu Jovem. Pessoas sofrem injustiças e continuarão sofrendo independente de tu as conhecer ou não. Existem pessoas que não conseguem se proteger ou proteger suas famílias das injustiças e arbitrariedades e esperam que alguém o faça por elas.

    O Jovem Jean já havia parado de fanfarronices e começava a prestar atenção nas palavras daquele senhor.

    _Continue, velho.

    _Há pessoas nos arredores de Paris sofrendo com a pobreza e com a fome. Fugindo  da violência e das injustiças causadas exatamente por pessoas desprovidas de senso de humanidade e de moral, exatamente como as que vivem no ambiente que tu me relataste.

    _Não estou a te julgar e nem farei isso. Mas gostaria que tu soubesses que nada mudará na côrte e nada mudará neste país. As sociedades corrompidas são reflexos das pessoas que a compõe, e para melhorarmos uma sociedade precisamos que cada um dos indivíduos que a compõe, mudem.  

    _Putz...

    _Embora tu não saibas... Prosseguiu o sábio senhor. Eu sou um homem nobre e rico e assim como tu, também conheço homens nobres e ricos, mas em toda a minha vida eu sempre evitei que tais atributos me corrompessem a alma. Vivi uma vida regrada e sem excessos.

    _Caracas...de que adianta ser nobre e rico e não aproveitar!? Jean questionou perplexo.

    _Eu não falei que não aproveitei... Apenas aproveitei de forma diferente. Embora meus valores sejam claramente diferentes dos teus, isso não me põe em situação superior a você, a diferença se deve a maneira que nós fomos formados e o ambiente a que fomos submetidos. Fui direcionado desde jovem a ter uma vida limpa e varonil, a defender e os desvalidos materialmente e espiritualmente. O fato de eu ter convivido com pessoas de boa moral me ajudou a me tornar física e moralmente forte, solidário, corajoso e fiel.

     O Jovem Jean permanecia ouvindo atentamente, e já não olhava para aquele senhor com desdém.

    _Uma vida virtuosa deve ser pautada pelo equilíbrio e sem excessos. Viver uma vida justa, buscando sempre a perfeição, é uma forma de retribuir a graça de sua existência. Tudo isso pode ser alcançado por qualquer um. Ser bom é uma decisão pessoal.

    Jean não sabia o que responder. Nunca ninguém havia lhe falado aquilo.

    _Em breve eu não estarei mais aqui...meu jovem. Ter sido trazido para esta prisão é um sinal de que minha sentença será cumprida em breve. Estou muito tranqüilo. Partirei e não levarei meus títulos e nem minha riqueza, levarei apenas minha fé, minha honra e certeza de ter servido os propósitos do meu Senhor. Concluiu.
    _Não estarás mais aqui? Legal, vamos nos encontrar lá fora para conversar e comemorar, então!!

    O velho levou as duas mãos na cara, cobrindo seus olhos, inconformado.

    _Não é nesse sentido que eu falei... Esquece.

    _Não entendi...

     _Nem sei em que dia é hoje, faz tanto tempo que estou preso. Saberias me dizer, jovem?

    _Pela minha contagem, senhor, marcada aqui na parede, eu acho que estamos em meados de outubro. Por quê?

    _Nada não!! Eu receio que essa esta sendo a nossa primeira e última conversa. Não nos falaremos mais – falou o velho, olhando pro vazio e com semblante de cansaço e sono _Acho que vou repousar este meu velho e cansado corpo, deve ser tarde. Falou o velho, sugerindo o fim da conversa.

    _Não, Senhor...por favor continue, implorou o jovem, demonstrando um interesse genuíno. Nunca ouvira alguém falar sobre aquelas questões  de maneira tão paciente.

    _Eu agora entendi, o Senhor foi condenado a pena capital, não é? Perguntou Jean, num tom mais solene e entristecido.

     A conversa entre o sábio senhor e o jovem ainda seguiu até quase meia noite daquela Quinta-Feira, 12 de outubro. O velho contou sua história de vida, lugares por onde andou e falou sobre a sua nobre missão. Quando parou de falar as tochas suspensas nas paredes do corredor já estavam se apagando, mas ainda emitiam uma luz pálida que não mais permitia que ambos enxergassem a sombra um do outro, através do  pequeno espaço aberto.

    O Jovem estava completamente extasiado com os relatos daquele senhor, e apesar de cansado, ainda insistia em questionar sobre seus grandes feitos, honra, moral e outras particularidades da vida, que só um homem com o histórico daquele senhor, poderia ensinar.

    Silence!! _l'heure du silence!! Gritou o velhote de manto e capuz pardo, enquanto andava pelo sentido leste do corredor, batendo com um bastão nas portas metálicas, obrigando cada condenado a fechar as pequenas portinholas de suas celas.

    O jovem e o senhor de barbas brancas decidiram não esperar a aproximação do serviçal e se despediram.

    _Boa noite, já não era sem tempo, estou deveras cansado. _ Antes, dizei-me teu nome, por favor.

    Meu nome é Jean, bom homem!! E o seu?! Perguntou na esperança de que o velho respondesse antes de fechar a portinhola.

    _Jaques!! Jaques Demolay...é assim que me chamam.
  • Rápido demais — Crônicas do Parque

    Já fazia cinco solitários anos em que se encontrava separado e divorciado. Se mantinha firme em sua promessa de não mais se envolver e se entregar a um relacionamento amoroso. Afinal, sofrera bastante quando se separou da sua amada e louca esposa norte-americana (USA), que de repente enlouquecera quando ele achava estar tudo indo bem.

    Lembrara-se quando, por causa da separação, se ergueu de uma depressão que quase o matou de fome. Em que ao final do quinto dia sem comer, desmaiara caindo da cadeira em que estava sentado solitário trancado no escuro do seu apartamento. Em um instante se viu envolto em uma luz alvamente branca, flutuando em um corredor que o erguera para cima. Aquilo o atraia como dando um basta a sua vida terrena de sofrimentos. Porém, de repente, olhara para baixo vendo o seu corpo caído ao chão desgraçadamente. E disse para si mesmo:

    _ Não! Não é minha hora, tenho que voltar.

    E, novamente, lá estava ele, desgraçadamente em seu corpo caído ao chão. Juntou forças e foi se arrastando até a cozinha. Ao chegar, viu um pedaço de baguete duro sobre a mesa, e se esforçando apoiando penosamente os seus braços na cadeira, ergueu-se para pegá-lo. Já com o pão duro na mão, rastejou até o filtro de água potável, em que enchera um copo. E ali caído ao solo com as costas recostadas nas gavetas do armário da pia, comeu vagarosamente o tosco pedaço de pão duro, junto a goladas de água.

    Quando sentiu que já tinha forças para se levantar, ergueu-se pausadamente segurando com suas mãos as gavetas da pia, como se estivesse escalando o monte Everest. E, apoiou-se sobre seus pês. Foi até o banheiro, e tomou uma longa ducha quente. Ao final, viu que carecera de um choque térmico, e virou a torneira fazendo com que água esfriasse, tomando uma outra ducha fria. E bocejava, estremecia e ofegava.

    Vestiu-se, entrou em seu carro e pegou seu smartphone o ligando depois de uma semana, e vira múltiplas notificações de mensagens e ligações em sua tela. Ignorou-as, indo diretamente ao Google Maps para procurar um bom restaurante italiano mais próximo, pois desejara comer uma pasta com frutos do mar. Depois dessa recaída em que quase lhe valera a vida, prometeu para si mesmo viver como um monge eunuco, distante das perigosas mulheres.

    Assim, estava ele vivendo feliz, sem dar satisfação a ninguém para onde ia e o que fazia. Procurava ocupar ao máximo o seu tempo fazendo classes de yoga, teatro e aprendendo a tocar flauta e piano. Evitava ler, ver e ouvir romances, series e filmes, músicas e histórias de relações amorosas. Em que baixara o Google Keep, um moderno e super aplicativo de tarefas, para seu smartphone. Onde ao final de cada dia, dedicava meia hora da sua atarefada vida para fazer a programação do próximo dia, não dando oportunidades para surpresas. Fechando assim as portas para novos imprevistos que o poderia levar a um novo relacionamento, ao conhecer uma interessante pessoa em um lugar desconhecido, fora da sua agenda digital de compromissos fictícios.

    Portanto, acordava, se levantava e ia correr por uma hora todas as manhãs antes de ir para o seu entediante trabalho de programador, em uma dessas grandes corporações Hi-Tech Israelense.

    Em uma dessas manhãs em que corria no parque de Kfar Saba, viu a sua frente uma jovem que tropeçara na pista de exercícios, e machucara um dos joelhos. Por um instante decidiu ignorar aquele acidente, ultrapassando-a. Porém, por um ataque de consciência deu meia volta, indo ao encontro da jovem que se encontrava sentada no chão chorando.

    Ao chegar até ela, agachou-se e disse ainda ofegando pelo esforço do seu exercício:

    _ Você está bem?

    _ Claro que não! Você não vê?

    _ Desculpe! Só estou tentando ajudar. Venha, vou te levantar.

    _ Ai! Ai! Ai! _ resmungou a moça não podendo se apoiar em uma das pernas.

    Então, ele a carregou em seus braços a levando para grama, pondo-a debaixo de uma Tamareira que fazia uma refrescante sombra. E a perguntou:

    _ Você mora por aqui por perto?

    _ Moro em Rosh Haayin.

    _ Não está tão longe. _ falou ele enquanto estava lavando o ferimento do joelho da jovem moça, com a água de sua garrafa.

    _ Você está de carro? Será que pode me levar até minha casa.

    Ele hesitou ao responder de imediato, e olhou para o seu smartwatch que se encontrava no pulso direito, sabendo que se a ajudasse, chegaria tarde no trabalho. E, olhando para aquela jovem e linda moça de olhos verdes molhados de lágrimas, não resistindo ao seu apelo, disse:

    _ Sim, eu te levo para casa.

    Ela sorriu, e de súbito o beijou no rosto como forma de reverencia. E aquele beijo repentino ascendeu um chama nele que há muito tempo se encontrava apagada. E temeu, ignorando aquele beijo ao levantar a moça nas suas costas, apoiando-a como se fosse uma mochila. Ao passo em que ele caminhava com a pesada moça sobre as costas, ela ia tagarelando:

    _ Nem ao menos nos apresentamos, e aqui estamos como namorados em que você me leva de macaquinho. Como é o destino, ultimamente só estou conhecendo novas pessoas através do Facebook, e agora te conheço assim, em um acidente, e já temos um contato físico como pessoas que se conhecem a muito tempo. Acho que só os acidentes são capazes disso. O que acha? Eu ainda não sei o seu nome. Como você se chama?

    _ Em primeiro lugar não somos amigos, nem muito menos namorados. Em segundo você está muito pesada, e não estou conseguindo me concentrar com essa sua tagarelice. Me chamo Nimirod.

    _ Desculpa Nimi, eu só estava querendo te distrair por causa do meu peso e seu esforço. Me chamo Einat. Prometo que não falo mais. Naim meod (Prazer em conhecê-lo)!

    Juntos chegaram ao estacionamento, e ele a colocou no banco da frente do seu carro. Ela ainda se encontrava calada pela dura que recebera dele, e, ele se encontrava sério, meio puto em chegar atrasado para o trabalho.

    Então, ela resolveu quebrar o gelo que existia entre os dois, perguntando-o:

    _ Você corre no parque de Kfar Saba todos os dias?

    _ Sim. _ respondeu ele secamente.

    _ Você mora em Kfar Saba?

    _ Não. _ deu outra resposta seca.

    _ Onde mora?

    _ Próximo. _ disse isso não querendo responde-la.

    _ Sim. Não. Próximo. Você fala hebraico? _ disse ela o provocando.

    _ Você é da polícia? Não pode se calar um pouco, apenas por um momento. Não gosto de ser interrogado, e por sua causa estou me atrasando para o trabalho.

    Ao ver essa resposta arrogante, mais uma vez os olhos da jovem se encheram de lágrimas, e ela pediu para descer ali em qualquer lugar, já que estava incomodando.

    Diante disso, arrependido ele disse:

    _ Desculpe-me Einat. Apenas fiquei irritado por me atrasar para ir ao trabalho hoje, tenho muitas tarefas e meu chefe está já há uma semana no meu pé para que eu termine. Vou te levar para casa e tentar responder suas perguntas, ok.

    A jovem enxugou suas lágrimas, deu um grande sorriso, e perguntou:

    _ Quantos anos você tem?

    _ Trinta e sete. E você?

    _ Vinte e três.

    _ Você é nova. Fez o exército?

    _ Sim. Terminei faz um ano.

    _ E não viajou?

    _ Acabei de chegar da Índia, estive lá por dez meses.

    _ E como foi?

    _ Louco. Já foi a Índia?

    _ Sim.

    _ E como foi?

    _ Louco.

    _ Então, não preciso lhe dizer nada _ disse ela sorrindo.

    Ele sorriu em resposta, e a perguntou já chegando em Rosh Haayin:

    _ Em que direção fica sua casa aqui.

    _ Eu não sei direito lhe instruir, pois sou nova aqui, mas posso ver no Waze. _ disse ela pegando o seu smartphone, e abrindo o aplicativo GPS digitando o nome da rua.

    _ Você é daqui? _ perguntou ele, enquanto ela ainda digitava.

    _ Não. Sou de Tel Aviv. Vim morar aqui por causa do emprego de ajudante de enfermeira veterinária, pois quero estudar veterinária no futuro. Amo animais, principalmente gatos.

    _ Eu odeio gatos. São egoístas e interesseiros.

    _ Assim como nós. _ disse ela.

    _ Prefiro os cachorros. São amáveis e amigos. _ disse ele ignorando o que ela disse.

    _ Já eu, não sou muito afeiçoada a eles. São dependentes de mais e bagunceiros.

    _ Assim como nós, quando crianças. _ disse ele.

    Ambos se olharam e sorriram como se concordassem um com o outro, e a voz robótica do aplicativo falou dizendo que se encontravam no local de chegada.

    _ É aqui, nesse prédio. _ disse ela apontando, e continuou_ Quer entrar para tomar um café? Afinal, você já está atrasado mesmo.

    _ Não, obrigado! Não quero me atrasar mais ainda.

    _ Só que tem um probleminha! Esqueceu que não posso andar, e no meu prédio não tem elevador, e vivo no terraço no quarto andar. _ disse ela sorrindo.

    _ Ok! Te levo até lá, mas não tenho tempo para o café.

    Ela sorriu. Ele saiu do carro, foi até a porta do assento lateral, a carregou em seus braços, e ela disse:

    _ Agora parece que acabamos de nos casar, e você me leva para lua de mel.

    Ele a encarou com seriedade não gostando nada do que ela disse, e a colocou em suas costas indo em direção ao prédio a sua frente. Chegando a porta, ele se virou de lado para que ela pudesse digitar o código chave de cinco dígitos para abrir, fazendo um barulho entediante afirmando que já estava destrancada. Ele empurrou a porta de vidro com o pé, e enquanto adentrava ela ajudou com uma das mãos, sendo que a outra estava envolvendo o busto e pescoço dele.

    E seguiram subindo a escada. A cada andar ele parava um pouco para pegar um fôlego e descansar. E ela resolveu dessa vez ficar em silêncio, pois ele não estava nada gostando daquela situação. Então, chegaram a porta do apartamento dela. E ela disse:

    _ Não vai nem ao menos entrar para um copo d’água e descansar um pouco.

    E, ofegante ele disse:

    _ Não. Melhor não. Estou muito atrasado, tenho que ir.

    _ Vai me deixar aqui na porta para que eu me arraste até a cama? _ perguntou ela com uma dengosa voz.

    _ Acho melhor você já aprender a se virar sozinha com essa situação. Depois você vai me pedir para te levar para o banheiro, e te dar banho e depois fazer comida.

    _ Eu bem que poderia comer você. _ disse ela, e continuou_ Brincadeirinha. _ disse isso, querendo desfazer o que disse.

    _ É por isso que não quero entrar. É disso que eu tenho medo. Vocês jovens são rápidos demais. Bye! _ disse ele descendo as escadas.

    _ Hei, espera aí! Você não me disse onde mora. _ disse ela gritando.

    _ Moro em Kfar Saba. _ respondeu ele já de baixo.

    _ Me dá o número do seu telefone. _ ela gritou de cima.

    _ Rápido demais, já disse! E se eu for casado…

    _ Você é casado? _ Ela gritou o mais alto que pode.

    _Não! Mas, enquanto o meu número de telefone, vai ter que descobrir por si só.

    _ Isso já é bom! _ gritou ela, e já não houve mais respostas. _ “Ele se foi” _ pensou ela entrando no seu apartamento.

    Ele entrou no carro e dirigiu rapidamente para o local de trabalho, fazendo consideráveis esforços para esquecer aquilo tudo, repetindo um milhão de vezes em sua mente _ “Isso nunca existiu” _ tentando assim ignorar os fatos, que já fora fisgado pelas garras do destino.

    Ela estava maravilhada com ele, achava ele bonito e responsável, o tipo certo para uma mulher se casar. Ela era tão jovem, mas já pensava em um bom partido. Estava meia que traumatizada pelo motivo de suas duas irmãs mais velhas não conseguirem ter relacionamentos por serem gordas, não suprindo as exigências dos homens israelenses, numa sociedade que admira e fortalece a indústria da moda e cosméticos. Sendo que sua irmã mais velha de trinta e oito anos, fizera bebês em um laboratório de banco de espermas, tendo assim filhos gêmeos. E sua segunda irmã de trinta e quatro, já estava pensando em fazer a mesma coisa. Ela não era assim tão gordinha, mas geneticamente tinha formas arredondadas, e isso a preocupava. Passava muito tempo na frente do espelho, e se achava gorda e feia.

    Porém, não era bem assim, suas amigas a invejavam pela sua cintura bem definida, seu bumbum farto e arredondado, seus seios medianos e seu rosto de anjo com olhos verdes e cabelos loiros cor de mel. Um belo corpo de violoncelo, unida a um belo rosto e altura de um metro e setenta e cinco invejável. Não era gorda de jeito e maneira, era dessas mulheres mutantes de forma gigantesca.

    O despertador do smartphone tocou as cinco horas da manhã, como de costume ele se levantou indo diretamente ao banheiro, lavara o rosto e escovara os dentes apressadamente. Vestiu-se com sua roupa e assessórios de correr, colocou seus fones de ouvidos bluetooth, e pendurou o seu smartphone por uma capa detentora em seu braço esquerdo, começando o seu exercício matinal ao som do piano de Richard Clayderman. Pelo esforço que fizera para esquecer do evento inconveniente do dia anterior, já não se lembrara com emoção daquela moça linda e alta de olhos verdes, sua mente se voltara a sua rotina diária de solteirão feliz.

    Mas para o seu desgosto, lá estava a jovem linda moça correndo em sua direção pela contramão com o joelho enfaixado. Ao passo em que se aproximava dela, ele pensava em ignorá-la. Dizendo em seus pensamentos: “Puta-merda! O que ela quer de mim. Droga! Porque logo hoje fui me esquecer de colocar meus óculos escuros”.

    Ao se aproximarem, param ainda correndo e trocaram sorrisos, e ela disse:

    _ Olá como está?

    _ Bem. Vejo que seu joelho já está bom.

    _ Quase. Mas não resistir ter que parar com os meus exercícios matinais.

    _ Entendo. Bom! Não quero me atrasar mais um dia para o trabalho. Bye!

    _ Bye! Lehitraot (Até mais ver)!

    E, continuaram os seus percursos, entretanto, enquanto se distanciavam ela disse em alta voz:

    _ Ainda quero o número do seu telefone.

    _ Ainda vai ter que descobrir. _ disse ele não olhando para trás.

    E, isso se repetia dia após dia, semana após semana.

    Até em que um belo dia de Yom Rishon (domingo) ensolarado, em que ele estava a correr como de costume no parque de Kfar Sabah, não a viu durante todo o percurso. E, pensou: “Ela não veio correr hoje. O que será que aconteceu. Não importa! Bom para mim”. E, Yom Sheni (segunda-feira) a mesma coisa. E, Yom Shilishi (terça-feira), Yom Revyi (quarta-feira), Yom Hamishi (quinta-feira), Yom Shishi (sexta-feira) a mesma ausência.

    Yom Shabat (sábado), ele despertara já sem o apito do seu despertador. Continuou ainda deitado em sua confortável cama elétrica com colchões de astronauta, e não conseguia pensar em outra coisa, senão, nela. E vislumbrara em seus pensamentos o sorriso contagiante que enfeitava seu belo e limpo rosto redondo. Sua meiga voz de menina mimada. E seu gigante corpo perfeito. A ausência dela o fisgara, como as coloridas iscas artificiais dos profissionais esportistas pescadores. Aconteceu o que ele mais temia, se viu apaixonado, e sabia que esse sentimento era o mesmo que estar enfermo. Mas, agora, o que fazer, pensou. Ir procurá-la. Não! Isso era se entregar a loucura novamente. E se lastimou pelo fato de não ter dado o número do seu telefone a ela.

    Levantou-se da cama, foi ao banheiro, levantou a tampa da latrina e fez xixi. Deu descarga, e foi ao lavatório. Se olhou no espelho, e pela primeira vez viu um fio de cabelo branco em sua cabeça e dois em sua barba. Meu deus! Pensou. Abriu a gaveta procurando uma tesoura, e achando-a, rapidamente com cuidado fora até a raiz dos seus intrusos cabelos brancos para expulsá-los.

    _ Estou ficando velho. _ disse em alta voz para si mesmo.

    Teve medo por um instante de pânico de envelhecer sozinho. E pensou nela. Rapidamente entrara na banheira, ligara a ducha tomando um banho. Pegou a tolha, se enxugou apressadamente, passara um creme facial no rosto e se perfumara. Correu até o quarto, se vestindo elegantemente com roupas de verão. Uma curta bermuda branca, uma camiseta verde e uma sandália de couro esportiva. E, pensou em convidá-la para ir à praia em Herzliya.

    Ao chegar no prédio em que ela morava, correu em direção a porta, e não se lembrando o número do seu apartamento, não sabia em que botão devia apertar para chama-la pelo interfone. Esperou um pouco, e teve a oportunidade quando um casal estava para sair, aproveitou essa oportunidade em que a porta fora aberta, adentrando-a. E subiu as escadas em direção ao terraço no quarto andar. Lá chegando, parou e fez um pequeno exercício de respiração para aliviar a tensão. E, antes de bater à porta hesitou, não sabendo bem o que dizer a ela. E quando fora bater, a porta se abriu. Sendo, que ambos se assustaram. E ela disse:

    _ Você aqui! Eu já estava prestes a sair.

    _ Pois é, resolvi ainda que tarde aceitar seu convite para tomar um café. Mas, vejo que tens compromisso.

    _ Eu estava indo à praia.

    _ Uau! Foi isso mesmo que vim fazer aqui, te convidar para ir à praia.

    _ Ainda quer entrar e tomar um café antes?

    _ Seria um prazer!

    Ele entrou, e viu que ela morava em um pequeno apartamento de solteiro de apenas um quarto, com uma pequena cozinha e banheiro acoplados. Mas, que continha uma enorme varanda no terraço com muitas flores, plantas, um cagado, um papagaio branco, uma iguana e três gatos. O apartamento era pequeno, mas estava muito bem organizado com uma cama de casal ao meio, a cozinha no estilo americano a frente, o banheiro ao lado e uma grande mesa com impressora e computador, improvisando um escritório de trabalho. Do outro lado havia também uma porta e uma larga janela que dava para varanda. O ambiente estava bem iluminado e confortável, havia odores de incenso, e um toque alegre maravilhosamente feminino. Muito distante do seu escuro apartamento, triste e sem graça. E, enquanto ela aprontava o café, ele disse ao se sentar a cama:

    _ Bonito e aconchegante aqui.

    _ Foi isso que você perdeu antes. Muito lento você, Sr. Lesma.

    _ E você, apressada demais, Sra. Papa Léguas.

    _ Viu!

    _ Viu o quê?

    _ Agora já estamos nos comportando como um casal rotineiro, discutindo por besteiras.

    _ Rápida demais menina! _ Ele a alertou, e continuo _ Nem começamos ainda a namorar, e você fala em casamento. Mas me diga, porque não foi ao parque correr essa semana.

    _ Funcionou!

    _ Funcionou o quê? _ perguntou ele sem nada entender.

    _ Não está vendo. _ disse ela sorrindo.

    _ Como sou idiota! Bye! _ disse ele indo revoltado em direção a porta.

    _ Bye! _ disse ela tranquilamente sem olhar para traz, enquanto ainda preparava o café.

    Rapidamente ele saiu, e descendo as escadas às pressas, parou no meio, colocou a mão na cabeça, e dizia para si em voz alta:

    _ Como sou idiota! Hahhhh!

    Continuou a descer, e ao chegar a porta. Hesitou em abri-la. E se viu completamente apaixonado e envolvido a ela. Tão rápido, mais rápido do que a velocidade dos pensamentos era a velocidade dos sentimentos. Sua cabeça lhe dizia: “Saia imediatamente dessa arapuca, e esqueça essa garota que só vai atrapalhar a sua vida”. E o coração rebatia, dizendo: “Volte imediatamente, peça desculpas e diga que gosta dela”.

    O coração foi mais forte, assim deu meia volta e subiu as escadas. E lá estava ela a porta, com duas xícaras na mão, uma de café e outra de chá de folhas de Luiza Limão do seu pequeno canteiro de ervas. Ele subiu a passos lentos em sua direção. E pediu desculpas, e ela abrindo os braços com as mãos ocupadas com as xícaras cheias, disse:

    _ Só desculpo se me der um beijo.

    Ele se aproximou o mais perto possível, encostando barriga a barriga, e sentiu o calor atraente do corpo dela o chamando. Olho a olho se olhavam, e o olhar dela ficou meio vesgo, tornando-a mais linda e atraente, ainda mais do que já era. Suas respirações estavam ofegantes, e seus corações pulsavam tão alto, que faziam os líquidos das xícaras que estavam nas mãos dela ondularem pelas laterais, respigando todo o chão. E por um instante se cheiravam, enquanto seus narizes se tocavam. Rapidamente ele se afastou, pegando a xícara de café da mão dela, e disse:

    _ Rápido demais menina. Rápido demais…

    Ela sorriu, e ambos caminharam até a varanda. Assim, se sentaram um a frente do outro em uma pequena mesa de ferro, com a plataforma de cimento com mosaicos feitos de pedaços de azulejo que ela mesma confeccionara. E, apenas se olhavam por longos minutos sem nada dizer, enquanto saboreavam o gosto do café e chá, e os gatos se enroscavam em seus pés.

    Então, ele rompera o silêncio dizendo:

    _ Vamos devagar, Ok! Assim será melhor e mais prazeroso. Não quero ter uma relação de palito de fósforo.

    _ Como assim, palito de fósforo? _ indagou ela.

    _ Você tem uma caixa de fósforos? _ perguntou.

    Ela sem nada dizer, adentrou a casa para apanhar. E trazendo, foi vagarosamente por detrás dele o abraçando em tons provocativos, enquanto estendia com uma das mãos a caixa de palitos de fósforos a frente dos seus olhos. Ele pegou a caixa, ela voltou ao seu assento, e ele disse:

    _ Tome essa caixa, pegue um fósforo e ascenda.

    E, assim como foi dito, ela fez. E ele disse:

    _ Está vendo! O fósforo ascendeu ligeiro se inflamando rapidamente, e da mesma forma ligeiro se apagou. O mesmo acontecerá com nós se formos tão depressa nisso. Tudo não passará de uma inflamante paixão. Devemos começar como uma pequena fogueira de acampamento. Catar folhas e palhas secas, colocar gravetos em cima, depois paus grossos e duros, e acende-la com muita atenção cuidadosamente, e ir alimentando-a com esse combustível de matéria orgânica dura aos poucos, para que permaneça acesa, e venha nos aquecer por toda noite, até a vinda do sol.

    _ Mas, essa sua fogueira só poderá ser acesa com um palito de fósforo, não é? _ questionou a moça a sua frente com ironia.

    Nisso, ele se irritou novamente. E ela rapidamente disse:

    _ Brincadeirinha, Sr. Nervosinho. _ e sorriu como uma esperta menina, que ganhou a aposta.

    _ Ok! Nada de telefones, SMS, Telegram, WhatsApp, Facebook, Skype e todas essas parafernálias da internet. Usaremos cartas. E só nos encontraremos no local especificado por elas. Faremos a moda antiga, antes da tecnologia. _ rebateu ele, irritado por se sentir derrotado.

    _ E se as cartas não chegarem? Você sabe como são os correios aqui em Israel.

    _ Vamos usar então uma empresa de correios privada, a Deutsche Post DHL. Não se preocupe, eu cobrirei todos os custos.

    _ Está bem, Sr. A Moda Antiga _ disse ela ironicamente concordando.

    Assim, terminaram com o café e chá, e foram para praia em Herzliya. Lá, conversaram bastante abrindo o livro de suas vidas um para o outro, e o tempo em que passaram juntos foram mágicos para os dois.

    Ele a levou de volta para o apartamento dela em Rosh Haayin. E, ao se despedir saindo do carro, enquanto ainda caminhavam até a porta do prédio, ela o surpreendeu com um beijo apaixonante em sua boca, em que ele nem ao menos teve chance de resistir, apenas pela altura dela, teve que ficar suspenso nas pontas dos pés. Então, ela percebendo o seu desconforto, o puxou ainda o beijando descendo para rua, enquanto ele ainda ficava sobre o paralelepípedo da calçada, dessa forma ele ficou mais alto e ela mais baixa. Esse beijo em que se abraçaram amorosamente, durou por quase dois minutos. Ao terminar ela disse se despedindo:

    _ Isso foi apenas o fósforo que acendeu a fogueira no nosso acampamento.

    E assim, ele e ela, Nimi e Einat se encontravam esporadicamente através de cartas que indicavam locais estratégicos como um jogo de RPG. Ela o escrevia cartas amorosas, as desenhando com lápis de cor, ou aquarela, e fazia também colagens de flores e folhas do seu jardim suspenso. Ele a enviava cartas com bombons e flores, sempre ditando os lugares de encontro como o mestre do jogo. Até que um dia, ela recebeu uma encomenda vinda em um carro forte de alta segurança, tendo que dar várias assinaturas nos protocolos de papeis para recebe-la. Parecia-lhe algo extremamente de muito valor financeiro, para vim com aqueles seguranças todos bem armados, com pistolas e escopetas Glock. Era uma caixa grande que envolvia outras pequenas caixas, como degraus de escada de caixas sobre caixas. E, ao chegar à última e pequena caixa preta. Encontrou um pequeno papel vermelho, dobrado em quatro partes. E ao abri-lo, viu um número de telefone escrito em tinta negra: 0529516651. De imediato foi a sua bolsa procurando o seu smartphone, e ao acha-lo ligou imediatamente. E ao dizer alô, ouviu uma voz que emocionado perguntava:

    _ Quer se casar comigo?

    _ Rápido demais seu moço. Nem ao menos ficamos noivos e você já pensa em casamento.

    Então, ele ao ouvir essa resposta, desligou de imediato o telefone.

    E, ela se desesperou dizendo para si: “Droga! Eu brinco demais com ele, e ele sempre me leva a sério. Apenas só repeti as suas palavras. Droga!”.

    Todavia, enquanto ela tentava ligar para ele novamente, desesperada para lhe dizer: “Sim! Era isso que eu mais desejava desde quando nos conhecemos”. Ela ouviu um toc, toc em sua porta. E abrindo-a, lá estava ele de joelhos com uma caixa de anéis na mão dizendo:

    _ Case-se comigo agora, mesmo que seja rápido demais! É que não precisamos mais da fogueira no nosso acampamento. Pois o sol raiou, e já é dia.
  • Razão da minha vida

    Acalenta-me, estou agustiado 
    prenda-me em tua paz
    me faça descansar em teu colo pacificador
    me dê esperanças para que eu possa viver mais um novo dia
    razão da minha vida.
  • RECLAMAR MENOS E AGRADECER MAIS

     Durante nossas vidas, todos nós reclamamos de algo que nunca está bom ou que não sai como planejamos. Muitas destas vezes podemos até ter razão, mas o que adianta sair por aí brigando ou xingando as pessoas ao nosso redor? Como você se sente diante disto?  Não adianta achar que o mundo vai girar em torno de si mesma (o) dia após dia, pois sempre irá te afetar, ou seja, em vez de progredir com coisas boas você acaba regredindo da pior maneira possível. A pessoa que passa o dia inteiro resmungando, é igual aquela que vive deitada o dia todo no sofá, no qual nunca está satisfeita com tudo, acha que nada tem um valor simples e significativo. 
    A  partir do momento em que você começa a parar de querer reclamar de tudo, seu modo de pensar muda, suas escolhas se tornam diferentes e é ai que você percebe que é capaz de assumir o controle do seu futuro. É normal que aos poucos, algumas coisas acabam não dando certo, mas é a partir de atitudes concretas que as situações tomam rumos melhores.    Então, pare e comece a adotar atitudes que te fazem bem, que te tragam felicidade.  Tire um tempo para conversar com Deus, se precisar chorar, chore, mas pela tua força de vontade mesmo os dias estando complicados, você vai vencer, e por desejar sempre o bem das pessoas verdadeiras ao seu redor. Nunca esqueça de agradecer por ter vida, por ter uma família que mesmo passando por altos e baixos, eles estarão ao seu lado para te apoiar e por estar com saúde. Se você tem algo que te incomode, bote para fora essa negatividade, mas NUNCA desconte em alguém que te quer bem! 

    -- Os momentos positivos na nossa vida são lembranças agradáveis que levamos pela vida para testar nossa gratidão, já os negativos são para o nosso aprendizado.  
  • Recordações - Velho Brasil Boiadeiro.

    Bom dia meus amigos, o tempo esfriou, as costas estão meio doloridas. As mãos que antes seguravam rédeas, manuseavam laços, pegavam bois pelas guampas e cavalo redomão pelas orelhas, hoje estão meio "intanguidas", "encarangadas", travando! É a tal da idade que vai chegando…
    Mãos essas que também foram habilidosas em acariciar um belo corpo macio, cheio de curvas e reentrâncias. Peles morenas, negras ou alvas. Cabelos lisos, crespos ou encaracolados… Dos mais diversos locais, espalhados de maneira caprichosa, pelas vastidões dos campos férteis que só as mulheres possuem.
    Hoje vou contar o causo de como foi que o índio Miguelito veio a trabalhar para o meu pai. E se tornou um grande amigo e uma espécie de anjo da guarda. 
    Aquela boa alma, foi mais que um companheiro de viagens em campanhas. Levando boiadas e buscando. 
    Era um belo sábado ensolarado nas terras do velho Mato Grosso. 
    Voltando de uma campanha com sua comitiva, meu velho avô contava com a ajuda de meu pai, tio, e outros 3 peões.
    Voltavam da compra de uma boiada nas regiões do pantanal do Rio Negro, lá pras bandas da Nhecolândia.
    O ano era 1965, e como tudo naquela época, os dias passavam lentos para meus amados familiares. 
    Meu velho avô, estava em maré de aquisição de gado, e como vivia mais no lombo dos burros, que com os pés no chão de suas terras, volta e meia chegava aos seus ouvidos uma proposta de negócio. 
    E assim, partiu com a comitiva na busca dos pantaneiros bravios. Me contavam que a coisa não era fácil naqueles tempos. Haviam muitos perigos nessas empreitadas, e o sujeito tinha que ser de opinião, ou, vendia tudo e montava um Secos e Molhados em alguma das muitas vilinhas que se espalhavam como capim, às margens das linhas férreas que serpenteavam rasgando o mapa do nosso amado Estado de São Paulo. 
    Mas quem nasceu pro caco do arreio, fincar raiz (financeira) em comércio de porta aberta, em beira de rua, era o fim da picada. Coisa pra velho ou doente das juntas.
                                  *   *   *   *   *   *
    Atravessaram no Porto Epitácio, entrando pelas terras do Bataguassu, seguindo para Passo do Lontra, pras bandas do Corumbá velho, bem lá pra cima no mapa das geografias (assim falava meu avô).
    Para aquele tipo de campanha, meu velho avô andava preparado pro que desse e viesse. Carregava uma soma grande em dinheiro, espalhados pela guaiaca e capanga de viagem (tipo de bolsa pequena de couro). Eram as notas do Santos Dumont de 10 mil Cruzeiros. Para pagar pelos bois e para algumas despesas dos marchantes. Diziam que naquela época, o preço do boi havia sofrido uma queda. Então, meu avô, muito vivo, cobres sobrando, foi aumentar seu rebanho, para aguardar uma melhora nos preços, sem muita pressa. 
    Armas sempre azeitadas. Revólveres, rifles winchester 44 - 13 tiros, facas, facões e punhais afiados igual língua de sogra. As munições de reserva, viajavam fixadas nos cinturões, e outras mais (muitas) em uma bolsa de couro cheia de arroz (para evitar umidade nas espoletas). 
    Segundo o gaiato do meu tio, fosse o caso, fariam uma festa de final de ano sem rojão, só com balas que iam nos sobressalentes.
    Naquela empreitada, o velho levou um carroção. Pois o ano estava pra chuva, e ele não tinha pressa no ir, tampouco no vir. Na carroçona levava uns panos de acampar (encerados), cordas, paus, ferramentas diversas, água pros cantis, matulas dos peões, roupas, botinas, munições… tudo zelado com muita atenção por um mulatão cozinheiro, o seu Zico, pai do mulato Simão, que anos depois, virou cozinheiro do meu pai.
    Me contavam que o preto velho Zico era mandingueiro, neto de escravos, sabia muito das coisas dos sertões. E tinha uma mão abençoada para temperar as comidas. (Talento que foi herdado por seu filho Simão, e tive a sorte de poder comprovar)
    As 5 mulas cargueiras que iam atreladas na carroça, levavam em seus lombos as bruacas carregadas com todo tipo de mantimentos necessários para as os marchantes. 
    Arroz, feijão, carne de charque (preferência pelos traseiros), cebola, muito alho, banha de porco e carne na lata, farinha de mandioca biju tostadinha, café, açúcar cristal, rapaduras, pingas, conhaque ,muitas palhas cortadas e fumo bem meladinho, daqueles que se sentia vontade de naquear e comer um pedaço, querosene pras lamparinas...
    As montarias eram bem zeladas, tratadas com esmero, afinal, os cascos eram os meios de transporte naquela época esquecida de nossa história. 
    Meu avô tinha um carinho especial por uma égua castanha que utilizava como madrinha de tropa. A castanha ia sem arreios, e ostentava em seu pescoço um polaco (sino de pescoço) de alpaca, todo trabalhado em desenhos de flores. Era fixado por uma tala de couro curtido em vaqueta, bem sovado e macio, e fivela em formato de folha. Era para não pisar (esfolar) o pescoço da "mocinha castanha". Assim me contaram da forma como meu avô se referia a sua égua castanha, mestra e madrinha de tropas.
    Acredito que muitos que lêem meus causos desconhecem alguns termos utilizados pelos boiadeiros e tropeiros. 
    No caso da égua madrinha, ela serve como guia para os burros e mulas. Uma vez que burro e mula, é um híbrido do cruzamento de um asinino (jumento) com um eguideo (eguá). Dessa maravilha da genética animal, muito explorada no passado por nós, viajantes e estradeiros, nascem os muares. As famosas mulas e burros. Animais formidáveis, quase incansáveis, chegando a cobrir, em marcha, o dobro de léguas ou mais que um cavalo ou égua!
    Assim sendo, onde a égua madrinha ia, a burrada e mulada seguiam atrás, zurrando e murchando as longas orelhas, trocando mordidas e coices, enciumados da madrinha, que toda elegante, troteava despreocupada, balançando o polaco que de longe se ouvia o seu "blém blém blém".
    Ahh que saudade!!!!
    Já as tralhas de montaria eram um capricho só. Hoje se tem aquele esmero com os carros, aparelhagens de som estéreo e os tais gps, rodas em ligas metálicas e pneus finos e achatados, igual barriga de jacaré.
    Naqueles tempos esquecidos, um bom cavaleiro levava a tralha engraxada e limpa. Se utilizava óleo de mocotó para lubrificar as partes de couro das tralhas de arreio. As argolas, que tinham função de juntas e quinas nos courames das cabeçadas e burçais, eram de alpaca, sempre escovadas para tirar o azinhavre causado pelo suor salino dos animais.
    Nos arreios de cabeça, geralmente se usava uma chapa na frente, todo entalhado com botões de rosa e cabeças de cavalos. Era uma formosura. Uns mais abastados de guaiaca cheia, por capricho, revestiam suas tralhas com ouro e prata. 
    Aquilo sim era ostentação.
    Estribos salva-vidas, daqueles que o peão se safava com vida, em caso de uma rodada (tombo). 
    Os laços de couro, quase sempre em duplas, pois os velhos boiadeiros sempre diziam: - quem carrega dois laços, vai seguro. 
    Estes eram tratados com resinas de folhagens. A preferida dos laçadores era a guanxuma branca. Essa abençoada erva deixava os tentos de couro do laço bem lubrificados, macios e flexíveis. Conferindo uma aparência esverdeada ao utensílio do cavaleiro laçador. Por essa semelhança com uma rama do mato, apelidaram em tempos idos, as tais manufaturas sertanejas, de cipó.
    Naqueles tempos, se enfeitavam bestas e cavalos, mas hoje, os bestas se enfeitam com correntões de ouro e vestimentas dos debaixos deixando as ceroulas aparecendo, demonstrando um total desmazelo em sua apresentação, e por vezes, seus imundos regos nadegais estão de fora. 
    É uma tragédia!!!
    Ostentação na nossa época, era um calhamaço de notas de Flor de Abóbora (um mil cruzeiros) na guaiaca, bois espalhados pelas invernadas, pastando e berrando. 
    Fartura na mesa. Muita linguiça defumando perto dos picumãs do telhado logo acima do fogão à lenha. Uma horta de canteiros bem adubados, terra negra, onde os alfaces cresciam a ponto de uma criança sozinha não dar conta de carregar, de tão frondosa. Almeirões, berinjelas, cenouras, pepinos, tomates (os caríssimos cerejas de hoje em dia, eram pragas), rúcula, abóboras, morangos, espinafre, abacaxis, couve (todas)...
    Pomar com laranjeiras frondosas, mexeriqueiras, limoeiros, goiabeiras, mangueiras, jaqueiras, cajueiros, caramboleiras, coqueiros, mamoeiros, pitangueiras…
    Ribeirão potável, infestado dos sagrados peixes, das mais diversas qualidades.
    Poço caipira com lâmina de 5 ou 6 metros de água abundante, fresca e límpida.
    Paiol de milho lotado, que de tão entupido, se colocava fueiros (tábuas) de contenção nas portas, até o alto. Capados rolando de gordos nas cevas do chiqueiro, leitoas parideiras, que a cada parto, eram de 12 a 18 leitões que nasciam sadios. 
    Quando se matava um capão ou mais, as gorduras eram fritas em tachos, e a carne guardada nas latas. Durava pra mais de dois anos estando bem selada.
    Freezer com as carnes de um boi dentro.
    Galinha, cheguei a ver chocando 20 ovos. Era aquele bando de aves que ciscavam pelo terreiro. Era bonito de se ver, quando ia se jogar o milho. Juntava pra mais de 500/600 cabeças, de galo a pintinhos.
    Lembro-me, que certa vez, minha mãe se desfez de uma grande parte das galinhas. Pois eram muitas, e não se dava conta de comer aquilo tudo de ovo e asa frita. Sei que juntou dinheiro que dava para comprar um cavalo bom, raçudo. 
    Sem contar as bondades que minha amada mãezinha fazia, sem alarde, distribuindo leite, queijo, doces, ovos e galinhas às famílias de alguns colonos de fazendas vizinhas. Tudo na moita. Mas todos nós sabíamos dessas atitudes da italianinha.
    Doces de goiaba, manga, carambola, licores de jabuticaba e geleias...as cocadas cremosas, caldeirões de 18 litros com doce de leite apurando em fogo brando, queijos e requeijões… pães doces e salgados, salames, linguiças...
    Aquilo pra nós, os caipiras ignorantes, sem educação, sem classe… era o luxo ostentado. Isso e a barriga cheia. Mãos calejadas igual uma casca de jatobazeiro, e as cadernetas das contas nos armazéns, lojas agropecuárias e posto de gasolina, PAGOS!
    Hoje o povo come bexiguinha de mortadela miuda, e arrota o melhor dos filés. Vivem pendurados nos cartões de crédito, pagando juros que o próprio satanás calculou, parcelando roupas e sapatos em 8,10,12,18 meses, "sem juros"... Óbvio. Quando terminam de pagar a bíblia sagrada, nem existem mais, os tais objetos de suas vaidades.
    Como diria meu velho amigo meu, quando algum garçom perguntava a ele se queria efetuar o pagamento em cartão de crédito, por conta do valor das despesas:
    -Meu fio, pagá no prazo um trem que vô cagá daqui a pôco… é pra doido isso!
    E batia a mão na algibeira e pagava tudo à vista. 
    Aprendi da seguinte forma, que se a coisa não dá para o café com mistura, coma rapadura, afinal, tudo que é doce, é bom!
    Enfim, aquela era a nossa forma de viver… barriga cheia e rosto feliz. Era a nossa "ostentação".

                           *   *   *   *   *   *   *   *   *
    No caminho de ida, meu avô e sua comitiva passaram por Campo Grande, Terenos, Cachoeirão, Piraputanga, Aquidauana… era tudo picada e boiadeiras sem fim.
    Assim me contaram, em uma das milhares de histórias e causos, que me hipnotizava, fazendo minha jovem mente viajar para longe. 
    Meu avô comprou 505 reses, era uma boa boiada. Todos tourinhos em ponto de canivete (castração). Alguns com 36 meses de vida, outros um pouco mais erados. 
    O nelore ainda não dominava o cenário do mercado pecuarista no Brasil, eram poucos que criavam os boizões brancos vindos lá da longínqua Índia. Uma terra que se sabia existir,  por ouvir de algum dos caixeiros Salins Nagib's viajados, ou dos leitores de almanaques, que a tal terra indiana era infestada de uns tipos de gatões listrados, que colocavam a temida onça pintada na carreira sem olhar para trás, era o tal de tigre... Assim diziam!
    E comentavam: se o tal nelore nasce, cresce e se reproduz em um lugar cheio desses bichos, como não será o temperamento de tal bovino. 
    A boiadeirada ficava receosa. O que se sabia,era que nos tempos do 1800 e guaraná com rolha, nas épocas do Dom Pedro II, havia chegado um casal desses nelores na Bahia, depois subiu pra Capital do Império no Rio de Janeiro, das fazendas fluminenses, foram parar nas distantes Minas Gerais e terras Paulistas. Mas a coisa só ferveu mesmo, a partir dos anos 60. Quando a nelorada começou a branquear as invernadas das milhares de fazendas pelos sertões sem fim desse Brasil lindo.
    Mas naquela ocasião, meu avô comprou gado cruzado. Eram basicamente curraleiros, alguns gir e caracus. Mas a maioria era de Pantaneiros, os famosos e temidos bois "Cuiabanos". Tudo colorido. Pelagens das mais variadas cores. Malhados, pintados, chuviscados (mouros), lisos, tostados e brazinos (os araçás). Longos chifres pontudos, afiados igual agulha negra de sacaria. Eram animais sismaticos, muito desconfiados, também, pudera!
    Tudo onça braba, cria dos invernistas do bravio chão matogrossense. Aqueles bois, desde o rompimento da placenta, lutavam contra toda sorte de perigos, que só o velho Mato Grosso poderia lhes oferecer. Onças (das pintadas grandes, às pardas), sucuris imensas com mais de 6 ou 7 metros, que se encontravam igualmente capim pelas beiradas das muitas lagoas de águas esverdeadas, corixos, corgos e rios. Esses últimos, sempre infestados  com piranhas vermelhas e jacarés do papo amarelo (dos grandes açús, só mais acima, pro norte). Quando não, algum bugre querendo sentir o gosto de uma "caça" diferente, atirava suas flechas certeiras no guampudo, que era carneado e virava refeição em alguma oca perdida no meio daquelas matas altas de um verde escuro magnífico.
    Aquilo era o Mato Grosso, com sua tendência natural pecuarista, em seus primórdios!
    Saíram da fazenda com o gado pago, e recibo assinado no bolso. Meu avô ia na culatra da boiada. Meu tio ia de ponteiro repicando o berrante, meu pai como afiador, ajeitando e alinhando o gado na rotina do estradão. 
    Faltava um ano para meu pai conhecer minha mãe, e o bicho era danado. Ele e meu tio não perdiam a oportunidade de se deitar com uma moça de vida fácil, e sempre que possível, amarravam os cavalos na frente de alguma zoninha, assim, aliviando as tensões e desejos carnais fervilhantes, de seus instintos mais primitivos. Queriam sentir um corpo macio de mulher !!!
    Meus velhos nunca me contaram, mas segundo relatos, meu avô não participava dessas incursões pecaminosas em casas de vadiagens. Porém, o velho, meu avô, visitava um sem tanto de comadres e viúvas lá pras bandas da Dracena e terras dos Junqueiras, a Junqueirópolis.
    Como de costume, o fazendeiro alertou meu avô para se alertar com dois bois que seguiam com a manada. Era um preto com uma pinta branca nas ventas, e um brazinão com uma das guampas quebrada. Eram dois capetas. Tanto que marchavam no meio da boiada, sozinhos, com os demais mantendo distância segura de suas raivas e ódios, remoídos e distribuídos em guapassos mortais. Era um perigo.
    Meu pai dizia que foi uma das viagens mais tensas que fez na sua vida de buscar-e-levar bois.
    Meu tio, sempre lambão, despreocupado, não estava nem aí pra paçoca. 
    Sentado no lombo do burrão, repicava o berrante a todo instante, sempre alegre, olhar esperto e a qualquer sinal de coisa estranha, bambeava o 38 no coldre da guaiaca e baixava o chapeuzão na testa, de modo a esconder seus grandes "faróis" azuis.
    Pouco mais de semana que vinham balanceando os cuiabanos, lá pras bandas da Bodoquena, descendo pras terras de Miranda, meu tio encontrou com um cozinheiro de outra comitiva, e foi alertado que estariam topando com outra boiada em algumas poucas horas. Eram momentos tensos aqueles.
    Já que o berrante repicou na corneta de alerta, deixando todos de orelha em pé. O cozinheiro da outra comitiva se espremeu no meio dos pantaneiros e quando rompeu na culatra, avisou meu avô para ficarem espertos, pois de lá, vinha gado de primeiras soltas (sem costume de estrada), e a coisa vinha "bagunçada".
    Meu avô mandou um peão manter o ritmo dos bois no coice (os que iam sempre atrás, mais lerdos), e riscando sua mula nas esporas, foi ter com meu tio lá na guia da boiada.
    A conversa foi curta, e por ser caminho batido por eles, aqueles chãos, seguiram por mais meia légua, e logo estavam em frente a uma fazendona grande, que segundo os velhos, havia um grande corredor que levava à sede e curralama do lugar. 
    Assim que chegaram em passo um pouco mais acelerado, meu pai foi à galope pedir para falar com um dos chefes da fazenda, para pedir permissão de encostar a boiada no corredor boiadeiro das invernadas. 
    Não gastou 20 minutos, e já que meu pai chegou com notícias da permissão concedida. 
    Meu tio já repicou a buzina (berrante) em alerta de rebatida, meu pai cercou o corredor do estradão, um peão que chaveava pelos meios da manada se adiantou com meu tio, e foram empurrando os marrucos (bois erados) porteira adentro. 
    Era um corredor largo, cabia umas 2000 cabeças de uma vez, com folga. 
    Assim que os últimos bois quebraram a esquerda e subiram troteando calmos pelo areião, meu pai recuou rédeas e ficou tampando a boca do corredor. 
    Meu tio, avô e pai ficaram na beira do estradão esperando passar a gadaria arisca. 
    Demorou uma meia hora, e logo ouviram um som que vinha ecoando de lá dos longes. Era o ponteiro da outra comitiva que repicava sem parar a buzina. Aquilo só acontecia quando o gado estava arisco. 
    Quando se conseguiu enxergar a cor do lenço do peão ponteiro, meu tio devolveu acordes em toque de corneta. A boiada do meu avô, pressentindo outra boiada se agitou, mas por sorte, os mourões de aroeira, ficandos de 1 em 1 metro, aguentaram bem o repuxo com os cuiabanos, que seguiriam para terras bandeirantes.
    Assim que o ponteiro veio se aproximando, acenou chapéu e veio encostando:
    -Aoo paulistada, lá vem onça e vem quente nas brasa… agradecido por vânceis alimpá o corredor pra nois meus irmãos. Topêmo vosso cozinheiro, um mulatão forte indo de carroça, puxando uma mulada cargueira… o preto avisô que vancêis invinha trazêno uns pantaneiro la das banda do rio Negro… 
    Meu avô respondeu ao moreno que vinha na guia daquela comitiva:
    -Apôis moço, sorte nois num topá antes...nois tá com os boi na rotina mansa já, mai tem dois malino no meio, que ia dá trabaio querêno intrevera (misturar) nos bois d'ocêis…ia de sê estorô na certa. Deus Pai acudiu nois (todos retiravam o chapéu e se benziam com sinal da cruz) , e os homi dexô nois encosta nessa entrada da fazenda.
    O rapaz antes de seguir com a viagem finalizou fazendo outro alerta:
    -Oia seus moço, nois vai travessá mili boi (mil cabeças) que vem du Aquidauana, tamo na rotina c'oesses bicho a mai de semana corrida, e tão cá peste...custêmo arranca dos pau baixo (pasto sujo, com muitos paus caídos no meio das moitas e ramas) os turuna (tipos de boi), dois fico pá trais de arribada (bois que fugiram, rês desgarrada), e tem dois peão que tão de arribadô pra dexá nas corda as onça… adispois o patrão vê que faiz! Até mai vê meu povo...Que o São Sebastião vai c'ocêis, e a Santa Bárbara segura os aguacêro lá em riba…
    E saiu repicando o berrante no baixão estradeiro, acelerando o passo dos bois que ficavam querendo olhar para seus irmãos de espécie que meu avô havia comprado em preço justo e pago à vista.
    Segundo meu pai, tirando o simpático ponteiro da comitiva, que geralmente eram homens alegres e de boa convivência (tiro por mim que fui ponteiro), o restante era de cara amarrada, tipo de jagunço, povo mal humorado. 
    Meu tio que não deixava por menos, já sacou o revólver e ficou rodando no dedo fazendo graça, mostrando aos maus encarados que se quisessem topar confusão, fariam fumaça sair do cano furado. 
    Meu avô teve que mandar meu tio, rapagão sem juízo, parar com aquela demonstração de poderio bélico, evitando alguma rusga sem necessidade. 
    Meu pai só observava, não dizia nada, mas pelo que me contavam, brabo mesmo era meu pai, mesmo demonstrando calma e tranquilidade nos olhos. 
    Do meio para o fim, aquela outra boiada ia mais calma, alguns bois passavam berrando e olhando para eles, como se pedindo para ir embora para terras paulistas. Coisas de boi.
    Contaram 12 peões naquela comitiva, coisa meio sem propósito, uma vez que ainda tinham dois de arribada atrás dos bois fugidos. Então eram 14 peões para 1000 bois! Se admiraram.
    Meu avô, velho de trecho e sabido nas coisas da vida, matou o mistério.
    A maioria não era peão, e sim, jagunços contratados pelo boiadeiro que havia mandado buscar o gado. Podia ser algum acerto de contas, ou desacerto...e naquela época a coisa era daquele jeito naquelas bandas de um Brasil sem leis. Ninguém perdia tempo com bacharéis das leis faladores com seus cabelos ensebados, gravatas pretas e pastinha de couro embaixo do braço. A coisa era resolvida na bala!
    Estava esclarecido o mistério dos tais peões mal encarados e armados até os dentes, parecendo bandoleiros. E eram!
    Esperaram uma meia hora, e assim que olharam os culatreiros daquela comitiva pelas costas, meu avô ordenou meu pai ir ligeiro agradecer as gentes daquela fazenda pelo ajutório ofertado a eles. 
    Assim que viu meu pai rompendo pras bandas da sede, ordenou meu tio repicar o berrante e dar a solta na boiada. 
    Como de costume, rodaram o gado, tiraram a égua castanha madrinha no corredor, e logo que meu tio saiu repicando o berrante pelo estradão, os pantaneiros foram saindo calmos, ao contrário dos burros e mulas, que faltavam se matar para chegar no rabo da madrinha. Coisas de tropas!
    E seguiram viagem com meu pai e avô na culatra da boiada, meu tio na guia com mais um peão, gado calmo, passos lentos, como tinha que ser uma viagem. Mas nem sempre era assim meus amigos e amigas. Nem sempre!!!
    E foram seguindo viagem, o sol já ia alto, quase meio dia. Agora falo por mim. Nessas horas que o sujeito tinha que ter fibra de aço. A sede apertava, a água estava choca de quente no cantil. Mas tinha que cobrir légua em légua, sempre atento com tudo. Boi, se você descuidar, toma ponteira da guia e adeus Mariana!
    Foram topar o velho Zico preto, cozinheiro de mãos cheias, era pra base das 15:00 hs. O Zico era lampino (ligeiro) nos condimentos à base das pimentas que só ele sabia preparar. Rindo, sempre brincalhão, dizia: Segredos dos cativeiros!
    Ele era neto de escravos, o Zico.
    Contavam que o Zico havia chegado na região trabalhando como braçal da companhia de linhas férreas. Depois descobriram seus talentos para as panelas, e o negro nunca mais assentou dormente. Serviço pesado, para caboclo braçudo e sacudido na marreta. Havia ido para São Paulo, vindo de Minas Gerais logo após a revolução de 1932. Da capital paulista, foi contratado para trabalhar na expansão das malhas ferroviárias do Estado Paulista. Contava o tal Zico, quando estavam sentados em volta da fogueira, que, quando era menino, na fazenda onde nasceu e viveu até os 15 anos, na zona da Mata mineira, ficava doido para montar no lombo de um burro e conhecer terras. Em tais momentos, ele presenteava a todos com um sorrisão dos mais largos, mostrando a brancura dos seus dentes, e falava todo orgulhoso:
    -Nêgo tamém gosta de batê perna pros mundo, uai.
    E o tal Zico foi se embrenhando cada vez mais para o oeste, até parar na beira do rio Paraná. Naquela época, não faltava serviço para um bom cozinheiro nas incontáveis comitivas, que rasgavam caminho com os cascos de suas tropas e boiadas. Em uma dessas, firmou contrato e amizade com meu avô, e viajaram juntos por mais de 15 anos. As vezes, levava seu filho, o Simão, passando as manhas e ensinando os segredos dos atalhos das boiadeiras paulistas, matogrossenses, goianas, mineiras e paranaenses. 
    Boiadeiras essas, cheias de histórias pra contar, hoje, chamadas rodovias, pavimentadas em negro asfalto, sinalizadas e enfeitadas de tal forma, que nem de longe lembram aqueles velhos corredores boiadeiros. Corredores esses, onde a maleita (malária), cobras venenosas, onças, lobisomens e mal assombros nas encruzilhadas, estouros de boiadas e tocaias, escreveram a história, por vezes esquecida, dos nossos heróis sem medalhas, chamados no glorioso passado, de BOIADEIROS.
    Eram momentos de alegria que meu pai guardava em suas memórias, assim como eu guardo as minhas e tantas outras. 
    Assim que encostaram a boiada perto de uma aguada onde o Zico fez o pouso, pelo adiantado da hora, resolveram encerrar a viagem, pois ainda teriam que atravessar um rio no outro dia. O caudaloso rio Miranda e sua precária ponte de madeira.
    Durante os descansos do antes da janta, o Zico comentou com meu avô o quanto eram suspeitos aqueles peões mal encarados da comitiva que havia passado por eles. Meu avô o inquiriu sobre os dois peões que estavam na arribada atrás de dois bois. O Zico não soube responder.
    Meus heróis descansavam com um olho aberto e outro fechado, aquela cisma do gado estourar, ou alguma onça pular em algum dos bois. Eram noites como aquela que meu pai e tio dormiam sentados, um de costas para o outro. Carabinas nas mãos, e sempre alertas com tudo. 
    Por sorte, naquela noite, as onças pressentindo haver coisa mais perigosa que elas, não se atreveram a perturbar a boiada do meu avô. 
    As histórias eram das mais horripilantes. E contavam que quando bandos, isso mesmo, bandos de onças famintas atacavam uma boiada no pouso, era um Deus nos acuda. Mesmo que hoje saibamos, por advento dos canais de documentários, que os felinos onças são territoriais, e costumam se encontrar só para os momentos dos cios reprodutivos. 
    Mas nos tempos em que até lobisomem dava cria para aquelas bandas, as onças sentindo a coisa fácil, atacavam sem misericórdia as comitivas. Meu tio contava, que uma vez, lá pras bandas do Barra do Garças, viu um peão que fora atacado por uma dessas panteras. O homem estava com o pescoço em tiras, e o feltro do chapéu estava enterrado no couro cabeludo por conta da força da unhada, que o gatão pintando deu na cabeça do finado. Era peão de comitiva. 
    São histórias que ninguém conta mais. Mas eu sei o que os pioneiros sofreram para levar o alimento para as mesas daqueles, que morando nas cidades, viviam caçoando e os chamando de atrasados, grosseirões, chucros, rudes, povo sem modos. 
    Meu compadre Dr. Wagner (Guinão) pode contar o que a italianada da família dele enfrentou, tirando toras de matas fechadas com auxílio de bois carreiros, enfrentando o diabo nas febres e nas bocas das onças, surucucús pico de jaca, cascavéis, jararacas, jararacusus, corais e urutus. Dos encantamentos das matas, nem falo então. Quantos se viram perdidos, vagando dias e dias sem rumo no meio das frondosas árvores que subiam aos céus como edifícios silvestres.
    Mas diante de tudo isso, homens como aqueles, corajosos pioneiros, bandeirantes modernos do século XX, os quais me orgulho em saber que tenho o mesmo sangue, não se deixavam abater. Diante dos perigos, chumbo na moita, de muitos calibres, em quantidade bastante!
    No romper da alvorada, meu pai se lembrava muito daquele dia. Anhumas faziam uma sinfonia bonita e triste, muitas garças brancas voavam, os pica-paus e bentevis estavam serelepes, pegando besouros e importunando abelhas. Diziam os antigos, que, quando os pica-paus ficavam naquele assanhamento, era chuva certa. 
    Meu avô, por alguma superstição ou sei lá o que, pediu para o velho Zico acompanhar a comitiva de perto por aqueles dias. Não se alongar muito não. 
    O Zico obedeceu meu avô, e saiu uns 10 minutos na frente, e o encontraram antes de atravessarem para Miranda.
    A boiada ia tranquila, atravessaram sem problemas. Os velhos contavam que era momento de muita atenção, e muitos morreram durante travessias em pontes. Não havia guarda-corpo como nas pontes de hoje em dia. Se peão desviava atenção, podia ser empurrado com sua montaria e uns tantos bois, para dentro d'água. E de lá, ninguém nunca mais ouviria falar do pobre coitado. 
    Caminharam no passo lento da tropa, meu tio, habilidoso, ainda moço, mas muito decidido, ia acalmando os bois, brincando e cantarolando alguma moda, mas sempre tocando o berrante, sempre.
    O Zico ia com a carroça e as mulas cargueiras a distância de 500 metros da comitiva, e em determinado ponto, meu pai e tio perceberam que ele havia parado. Meu tio já repicou o berrante na corneta, deixando todos em atenção. 
    Conforme se aproximavam de um capão de mato aberto, sem cercas de arame ou madeira, meu tio pediu com um toque no berrante, mais um peão na frente, para conter os bois, e não deixar se embrenharem no sujo (mato de capoeira fechada), segurando a dianteira.
    O velho Zico estava em pé na carroça olhando para o mato, para o tio e meu pai:
    -Tem uns peão falano aí dentro da capoeira...iscuita ismininu! 
    Meu pai pediu para meu tio esperar ali com a boiada, que ele ia ver o que estava acontecendo.
    Adiantou a montaria, passou adiante do Zico, que pedia para ele tomar cuidado. O velho cozinheiro era de paz, só mexia com as panelas,  mas naquela hora, estava com o cabo do 38 para fora da camisa e uma papo amarelo 44 carregada nas mãos.
    Meu pai me contou que ao se aproximar do mato, ouviu um homem falando em tom de súplica, voz fraca, como se tivesse machucado. 
    A folhagem das moitas encobriam a visão de quem passava por aquele local, e naquele momento, meu pai sentiu um arrepio na espinha, e um revirar na boca do estômago, como que pressentindo alguma coisa ruim prestes a acontecer. E estava acontecendo! 
    Meu velho com a agilidade da casa dos 20 anos, saltou do burro, entregou as rédeas pro Zico segurar, pegou a carabina, soltou a trava do coldre, engatilhou uma munição na papo amarelo e foi entrando devagar, meio abaixado, e depois rastejando, coisa que aprendeu quando fora servir o Exército. 
    Segundo ele, deve ter rastejado uns 10 metros, quando avistou um peão caído embaixo de um burro, e ao que tudo indicava, o animal estava morto. 
     Levantou-se devagar, e ficou escorado em um pé de gabiroba, e então pode assuntar tudo quando estava acontecendo. Era o peão da comitiva que encontraram no dia anterior!
    Havia um outro peão mais afastado, que não se parecia nada com peão boiadeiro, pois estava com aquelas roupas e capa de jagunço.
    Meu pai aguçou os ouvidos e pela conversa, soube que o peãozinho franzino que estava preso debaixo do burro tinha laçado um dos bois arribados e o deixara preso mais para dentro do mato, e o outro, que parecia ser jagunço, queria matar, carnear e vender os bois para algum açougueiro. Era venda certa, e com o dinheiro, o sujeito cairia no mundo.
    Meu pai ouviu o bugre magrelo preso debaixo do burro morto resmungar que aquilo era errado, o patrão ia ficar sabendo e se não mandasse prender, os mataria por aquela desavença desrespeitosa. Uma vez que aquele gado era objeto de disputa por um acerto mal feito, entre o patrão e o antigo dono da boiada.
    O tal jagunço pegou o rebenque (tipo de chicote) e bateu no bugrinho magro, mostrando crueldade, e falou que o mataria, assim como matou o burro. Que ele era um índio safado, merecia ficar ali, e virar comida de lagarto e urubu.
    O sujeito dos diabos levou a mão no revólver, meu pai saltou da moita igual uma onça, apontou a carabina pra cabeça dele e advertiu o malfeitor:
    -Se triscar a mão no revólver, minha cara é a última coisa que vai ver na puta da tua vida, seu vagabundo… 
    Meu velho, que ainda era moço e cheio de vitalidade, igual um puro sangue, mandou ele tirar o revólver bem devagar e não dar nem um peido, do contrário, ficaria ali morto, junto com o burro que ele matou na mais pura maldade.
    O homem teve juízo e obedeceu meu pai, que ao sentir segurança em dar um passo, gritou por meu tio e pelo Zico. Mas nem precisava, pois meu tio e o Zico, estavam acabando de chegar igual duas esteiras D9 no meio da capoeira. 
    Meu tio perguntou espantado,vendo o bugre debaixo do burro morto, e meu pai escorando outro, ainda vivo, mas na mira do rifle:
    -Que diabo é isso meu irmão?
    Quando meu pai contou, meio por cima, o que estava acontecendo, o velho Zico, ex marreteiro assentador de pinos de dormentes em linha férrea, com aquele bração grosso e mãos igual uma pata de onça, deu um soco tão forte na cabeça do jagunço, que o homem desmontou por cima dos calcanhares, e caiu igual uma jaca madura. Meu pai achou que o homem tinha morrido, e foi cutucar ele. 
    O velho negro Zico, com olhar sério, disse que só tinha colocado ele pra dormir, que coisa ruim não morre matada de mão limpa: -Não sinhô!
    Meu pai, o tio e o velho Zico foram acudir o peãozinho magrelo. Que estava preso com as argolas dos loros e estribos esmagando suas canelinhas finas. 
    Meu tio e o Zico, tal qual duas pás carregadeiras, pegaram o pobre burro baleado na testa pelas pernas e torceram o bicho pelo lado contrário, possibilitando meu pai agarrar o índio pelas axilas e arrastá-lo para fora daquela cilada. 
    O índio estava meio zonzo, e demonstrando muito nervosismo, falava tudo embolado, pouquíssimas coisas em português, tudo no dialeto guarany.
    Já o Zico pegou ele no colo, igual um boneco, e foi saindo com ele carregado, pelos meios da capoeira, até alcançarem a estrada, onde estava a carroça. 
    Meu avô havia deixado dois peões na culatra e outro na ponteira, e estava aflito com a demora deles. Quando viu meu pai, e o Zico carregando o índio no colo, queria saber do que se tratava.
    Meu pai contou às pressas para meu avô a situação, logo o velho deu falta do meu tio. 
    Agora foi meu avô que apeou da montaria e foi correndo atrás do maluco do meu tio. 
    E quando chegou no local onde o burro estava morto, viu meu tio levantando o sujeito, que mal se firmava nos calcanhares, e soltando um murrão na cara do sujeito, que rodopiou e caiu igual um saco de batatas no chão.
    Meu avô segurou ele e mandou largar mão daquilo, mas meu tio estava furioso pela covardia do jagunço maldoso.
    O vô acalmou meu tio, e sugeriu manear (amarrar as mãos) o sujeito e tirar ele no limpo do trecho. 
    E assim que o malvado recobrou os sentidos, com os dois olhos inchados das pancadas e botinadas desferidas pelos delicados 44 bico largo que o tio calçava nas patas traseiras, foi amarrado com maestria em nó de porco (um tipo de laçada em que se faz um 8 dobrado na corda, e quanto mais se tenta escapar, mais o nó aperta).
    E de onde estavam, meu tio levou o jagunço de arrasto. Meu pai falava que meu tio parecia uma mulona xinxadeira, das derradeiras mesmo! O rapaz era bruto igual um arado de meia tomba.
    Nesse meio tempo, o bondoso Zico deu água para o peão índio, um pouco de paçoca de carne seca com farinha, café, mas o que ele mais queria, era a rapadura. O coitado do índio parece que nunca tinha comido doce na vida.
    E ficaram uma hora parados naquela beira de boiadeira, que hoje deve ser asfaltada, e quase ninguém mais deve contar causos daquela época em que o Mato Grosso era um só, onde as onças eram rainhas das matas altas de um verdume absurdo, as sucuris cresciam e engordavam com dietas à base de jacarés e capivaras roliças.
    O peão índio, estando mais calmo, de barriga cheia, esboçando um sorrisinho com aquele rostinho estreito, cabelos lisinhos, e olhos apertados, parecendo até um japonês, alisou e apalpou a perna machucada, e olhando pro meu pai, seu salvador falou:
    -Má tá doeeendo essa perna..êh...má tô beeeem bão já êh…
    E sorrindo pediu se alguém podia emprestar uma palha e um fumo, que ele estava doido pra pitar.
    O Zico velho, deu um risão daqueles que só ele tinha no mundo, passou a mão na cabeça do bugre, e enquanto foi pegar os apetrechos de fumar, falou todo alegre:
    -Eita índio, que num fosse o nêgo Zico tê as oreia boa, ocê ia tá avuano no bico do urubu inda hoje mêmu… hoje mêmu, sim sinhô!
    O índio falou alguma coisa que meu pai e os demais não entenderam, olhou pro céu, ergueu as mãos, depois deu umas batidas no peito, chamou meu pai e assim que meu velho se achegou nele, o bugre tirou seu chapéu e alisou seus cabelos, erguendo as mãos e alisando seus cabelos. A única palavra que souberam entender da língua engraçada e enrolada que o índio falava, era TUPÃ!
    O Zico havia feito um cigarrão igual um charuto pro bugre, que assim que acendeu, fez fumaça e dançou, pulou da carroça que nem parecia ter sofrido um acidente. 
    Dançou na frente dos bois, do meu avô, do meu pai, tio e do Zico.
    Só perdeu a alegria quando parou na frente do jagunço que o teria matado, caso o Zico não tivesse cismado com alguma coisa no mato, e meu pai não fosse tão lampino em uma lida de espreita e emboscada, bem ao modo dos soldados das infantarias do Exército.
    Ergueu a cara toda inchada do malfeitor, e falou umas coisas estranhas, rosnando e dando sibilos igual aos das cobras.
    E cuspiu no chão e soltou muita fumaça na cara do sujeito.
    Voltou-se para a comitiva do meu avô e pediu para soltarem o homem no mato. Bem ali mesmo. E sorriu malicioso. 
    Foi até a carroça, pediu licença, pegou mais um naco de rapadura e foi perguntando se a comitiva precisava de mais um peão.
    Meu avô olhou pro meu pai, que olhou pro tio, que olhou pro Zico… e por uma unanimidade, estampada nos olhos de todos os presentes, ele acabava de ser contratado!
    Meu avô perguntou se aquele burro morto era dele, e o índio disse que só as tralhas eram.
    Já veio a ordem do velho, que ficou segurando o jagunço e mandou meu pai e tio buscar os arreios do índio.
    Não gastaram 10 minutos, e já voltavam com as tralhas todas e o revólver do matador. 
    Meu tio foi entregar o 38 para o índio, mas esse torceu a cara, mandou tacar no meio do mato, e lá deixar os crimes que aquela arma maldita tinha cometido.
    Então, tudo certo, índio ajustado na comitiva do meu avô, o bugre pediu para soltarem o homem. 
    Meu avô receoso revistou o sujeito, e encontrou um punhal dentro do cano das longas botas. Esta também foi atirada bem longe no meio do mato. 
    E assim que soltaram o sujeito, ele saiu correndo para dentro do mato, e o índio sorria, todo satisfeito e falava:
    -É já que elas pegam ele..é jáh…
    E riu muito mascando um torrão de rapadura.
    Quiseram saber quem eram "elas" que pegariam o jagunço, e como resposta, o bugre magrelo fez um movimento com as mãos, iguais às de uma cobra serpenteando.
    Também disse que havia deixado um dos bois arribados amarrado mais pra dentro do mato. E riu ainda mais quando contou que o jagunço não encontraria nunca mais o seu burro. Não ia dar tempo!
    Meu pai disse que se arrepiou na hora.
    Então, meu avô perguntou se ele estava bem para montar, ou se preferia ir na carroça aquele dia. 
    O índio olhou pro saco de rapadura, sorriu igual criança e disse:
    -Atcho que vô beeeem aqui mêmu mio patrón…
    Todos riram demais da tara do bugre pela rapadura!
    Meu tio ainda estava de ouvido no mato, mas já ia longe o homem, que enfeitiçado pelo bugre, corria como se fosse perseguido pelo próprio diabo.
    Todos montaram, meu avô ia se encaminhando para a culatra dos cuiabanos pantaneiros, quando de súbito esbarrou a montaria e perguntou:
    -Ôh índio, me desculpa a falta de educação, mais com essa baruiada toda, nem perguntei a vossa graça, e com tuda certeza, num há de sê índio!
    O bugre guarany, fazendo cara de moleque malino sorriu, abriu a boca mascando a rapadura e respondeu ficando em pé e reverenciando a todos:
    -Ôh mio patrón e todos os xamiiigo aqui… me llamo Miguel, más...llamame Miguelito…y soy bueno atando y domesticando (sou bom no laço e na doma).
    Aquele foi um momento de muita alegria para todos que participaram daquele aventura.
    Meu avô acenou com a mão, deu a ordem, meu tio foi repicando o berrante, o Zico tocou a carroça adiante, já que a madrinha castanha foi pegando lado na estrada, e lá do alto da carroça, o recém resgatado da morte certa Miguelito, ia dando aqueles gritos, que os que ouviram, nunca se esqueceram:
    -Yuuuááá...Yiiipi...Yiiipi...Ai Ai Ai Ai Ai…
    Índio Miguelito, "un buen amigo" como ele mesmo diria. Nasci e cresci e fui salvo muitas vezes pelo misterioso Miguelito! 
    Um homem bom, Índio Guarany, peão boiadeiro, laçador e domador, curandeiro e um comedor de rapaduras e cocadas cremosas, que igual ele nunca teve! Acho que nem nos estrangeiros.
    Mais duas semanas de viagem, e chegaram em terras de Campo Grande. O índio Miguelito ia feliz, contou que não tinha família nem paradeiro, e seguiria com eles para onde fossem. Era como uma folha ou tal. Onde o vento soprava, lá ia o índio Miguelito, de peito aberto, sem medo de nada, ou quase nada!
    E assim foi mostrando seus talentos com os animais, bom laçador, e muito simpático. 
    O defeito do índio, era o despreparo em assuntos de rabos de saia. 
    Meu avô pousou a boiada em uma das muitas chácaras que haviam no trecho que trazia boiadas à Campo Grande, e liberou a peonada para uma fornicação em cama de moças. 
    Pagou todos, e deu um extra pro índio se divertir. Era merecido. Bom peão, alegre, responsável e muito esforçado. E havia escapado das garras da morte por pouco.
    Meu heróis carregaram o índio que os havia cativado. Meu pai e tio, faltaram se mijar de tanto rir, lembrando da cara dele, quando entraram em uma das muitas zonas que existiam naquelas épocas esquecidas do velho Mato Grosso.
    Meu pai se enrabichou com uma morena, meu tio com uma paraguaia, o Miguelito ficou só olhando sem graça, mas por insistência dos dois, pegou uma gordinha. O índio gostava de mulher mais carnuda! 
    Ele ria e dizia, que de magra, bastavam suas canelas e costelas. E olha que o bicho comia igual uma lima nova! 
    Depois de uma hora de saliência, meu pai e tio estavam bebendo uma cerveja, enquanto esperavam o Zico e o Miguelito.
    Já que o bugre apareceu todo amolecido pela gineteada com a moça cheia de curvas volumosas. 
    O Miguel não era de beber, e só aceitou um meio copo de cerveja, e quando ia pedir um pouco de bebida falava mostrando com os dedos magros:
    -Só um gulinhu..um tiquito anssim óh!
    E enquanto fumavam e aguardavam despreocupados, logo a coisa virou piada e risos dentro da casa de safadezas.
    A jovem quenguinha que foi aliviar as tensões do velho Zico Marreta, chegou apressada no salão, segurava e comprimia o abdômen com as mãos, com a cara aflita, e foi se queixar com a cafetina, que bebia e fumava bem ao lado de onde estava meu pai, tio e Miguelito:
    -Nunca mais...nêgo féla da puta…quase me mata...aquilo não é um pinto, é um toco preto queimado…aquilo é um JUMEEEENTO!!!
    E ficou a lamentar-se pelas estocadas violentas que o velho e bem dotado Zico Preto lhe infringiu.
    Meu tio muito gaiato, antes de cair na gargalhada, cutucou o Miguelito e disse com a maior cara de rapariga:
    -O Miguelito, vai de novo na carroça do Zico...vai besta… Ele tá cevando ocê na rapadura, igual galinha no milho… vai sentado do lado dele…vai denovo!
    Nisso aparece o Zicão preto atrás do Miguelito, que sem saber que falavam dele, colocou a mão de maneira inocente e amistosa no ombro do índio. 
    Esse quando sentiu aquela mão pesada sobre seu ombro magricela, olhou e se deparou com os 1:85 do velho Zico, arregalou os olhos puxados,  soltou um grito e arrancou do lugar, colando sua bundinha magrela no balcão do bar:
    -no no no mi amigo…
    Riram de quase rolar no chão! 
    Apelaram por muitos dias com o Miguelito, e sempre que paravam para almoçar ou jantar, o Zico batia no banco da carroça e falava:
    -Senta aqui com o Zico Preto,índio Miguelito...nois é amigo ô nun é, uai?!
    E todos riam demais de tudo aquilo, até o próprio Miguelito. 
    E cresci ouvindo essas e tantas outras histórias dos meus velhos e amados entes queridos.
    Relatando esse causo, sem as habituais safadezas, confesso a vocês que ri e chorei. Mais chorei do que ri!
    Esses eram meus amados familiares, meus amigos. Todos queridos, muito amados, que carrego no coração.
    Assim era aquele Brasil, quando o Mato Grosso era um só, o Goiás alcançava as divisas do Pará e do Maranhão, as onças rosnavam assustando os boiadeiros, lobisomens existiam e assombravam viajantes nas sextas-feiras de lua clara, as muitas cobras se misturavam as folhas pelos chãos das matas altas de um verdume absurdo de tão lindas.
    E vindos lá de longe, os sons dos polacos em pescoços cansados das madrinheiras, e um habilidoso ponteiro de comitiva, fazia o som do seu berrante manhoso encantar a tudo e todos naqueles sertões. 
    Bicho e gente!
                                       🐂     🐎
  • Reflexões de uma mente vazia

    Vinte e oito dias de quarentena. Pra quem, como eu não precisa se preocupar com as contas do próximo mês, foi até divertido por um tempo. Deixando de lado toda a tragédia que estamos vivendo e deixando de lado todo o esforço e tristeza que estão rodeando o planeta nesse momento, a quarentena foi boa em vários sentidos. E quando digo isso não pretendo romantizar, nem quero chamar a atenção para o lado bom das coisas, é apenas uma reflexão que estou fazendo de dentro da minha casa, deitada na minha cama, com o ar condicionado ligado e através do computador que ganhei de presente antes de me formar.
    Bom, quando cheguei de São Paulo tudo era muito novo. “Será que eu tenho?”, “Alguém do meu vôo testou positivo”, frases do tipo passavam pela minha cabeça e como uma criança eu pensava isso e ria internamente da possibilidade de algo dessa magnitude acontecer justamente comigo. Nem acho que Deus se lembra de mim nesses momentos, passo tão despercebida que nem essa doença teria a coragem de me infectar e me fazer importante.
    Fazer alarde nunca foi da minha natureza. Apesar do que dizem por ai, não gosto de ser o centro das atenções. Então segui brincando de quarentena e ignorando a maioria das notícias. Não queria saber quantas pessoas haviam morrido, nem o que os chefes de estado estavam fazendo, nunca gostei de ver jornal, sempre fico com raiva e triste. 
    Mas voltando à parte boa. Fiz bastante exercícios, estudei japonês, passei um bom tempo me divertindo com o jeito da minha família. Ótimo, perfeito! Se não fosse pelo tempo, o mesmo tempo que cura tudo, aquele que vai fazer tudo isso passar, o que cuida dos corações partidos, esse mesmo tempo. O tempo deixa tudo mais difícil, muito tempo é bom, mas muito tempo é tão ruim. Muito tempo é pouco pra fazer o que se ama, muito tempo é bastante tempo quando a paciência é pouca. E a de muitos, inclusive a minha, já se esgotou há muito tempo.
    Vinte e oito dias. O suficiente pra pensar sobre a vida, fazer nada, trabalhar muito, estudar, se informar, dormir, se exercitar, se perder, se achar e se perder de novo. Auto-estima, empolgação, animação, determinação, coragem, vontade, o tempo leva tudo. E vinte e oito dias são mais que o suficiente pra entender o quanto a presença é importante. E eu nem falo da presença do outro, falo da minha própria presença.
    Sem ninguém comigo pude finalmente conviver comigo mesmo, ninguém onde eu pudesse me amparar, nenhuma máscara para vestir, nem um sorriso forçado e sem palavras pra medir. Descobri que posso ser muito sincera. Vinte e oito dias de mim, complicado. Nunca pensei que alguém fosse suportar tanto tempo comigo, e é uma alegria muito grande ver que eu convivo tão bem comigo mesmo.
    Esses dias andei me dizendo algumas verdades e não gostei nada do que eu disse. Mas fazer o que, era  que eu precisava ouvir. E percebi que foram vinte e oito dias de quase paz pra mim. O que isso quer dizer? Eu sei muito bem que quer dizer pra mim, mas não pretendo escrever. Já escrevi tanta coisa que perdi todo o foco do texto. Mas quero deixar uma última reflexão para os que tiveram o tempo e a paciência de ler até aqui. Vinte e oito dias é tempo o suficiente? 
  • Rejeição

    Não tenho mais vontade de nada, estou emocionalmente destruída, juro, nunca imaginei que fosse passar por isso na minha vida, ainda mais por alguém, por alguém que ficou tão pouco, que fez tão pouco de mim... Não tenho mais rumo, mais perspectivas, estou só sofrendo calada, suportando a dor de ter sido rejeitada.

  • Reminiscência

    Ali mesmo no corredor
    Com aqueles olhos que escorriam sentimentos
    Me olhou como quem queria me ver de novo
    Mas de sua boca saíram palavras que não me deixariam voltar
    Sua mão segurando seu braço deixando livres seus olhos para chorar
    Quanta dor em uma cena tão singela quanto um modesto bom dia
    Quem dera um dia
    Voltar naquele corredor
    Os mesmos atores em seu papel prontos para novamente encenar
    Uma peça que não queriam acabar
    Mas um fio do destino acabou por cortar os dois cominhos que haviam lá
    Agora na poltrona lembro
    Já faz tanto tempo
    Mas quem iria eu imaginar que sua falta iria me levar
    A contar histórias como se fosse escritor de um conto fugaz
    Tentando encontrar em minhas loucuras um momento de paz
    Ela não volta mais
    E eu espero demais
    Em, talvez, encontros formais ou informais
    Uma, duas ou mais bocas não sei quais
    Reencontrar uma atriz daquelas principais
    Para um dia viver comigo alguns natais.
  • Revivendo o primeiro amor

    Um dia Te conheci e pude sentir o seu grandioso amor...
    virei uma explosão de sentimentos maravilhosos. 
    Me senti a filha mais amada do universo, a menina dos Teus olhos
    mas sou pecadora e Te traí
    depois de tudo que fizestes por mim eu quis viver sem Ti
    e aquela explosão de sentimentos maravilhosos
    se converteram em prepotência e carência sem fim
    horas, dias, semanas, meses, um ano, dois anos se passaram 
    meu coracação esfriava se convertendo em pedra de gelo
    Eu te dei as costas
    Porém, nunca me deixastes só
    um certo dia senti  a sua prensença
    meu coração começou se derreter
    senti o amor fever minh'alma
    voltei sentir o sangue correr em minhas véias
    meus olhos voltaram a Te ver
    Senti que voltei ser a menina dos Teus olhos
    Sussurravas em meu ouvido o Teu perdão e sua misericórdia
    Então, me lembrei a primiera vez que o Senhor falou comigo
    lembrei do seu infinito amor e dei um grito de vida me deleitando em seus braços como a primeira vez...
    E mesmo depois de tudo, Deus me permitiu reviver o primeiro amor
    e os lindos sonhos que Ele tinha para mim.

  • Rimando com amor

    Ah essa palavra que tanto nos temos escutado, desde criança sendo influenciado, a dar e receber amor !
    Vivo a pensar como uma coisa boa dessa, pode a alguém machucar
    o que ninguém sabe e quando a pessoa amada ira encontrar.
    Sera que em algum canto, dessa imensidão, alguém ira me amar?
    Ah então vivo a pensa e escrever, o que tanto queria te falar !
    Sim nessa imensidão a uma pessoa em que não paro de pensar!
    Ela que vou, todo meu amor lhe dar !
    Farei de tudo pra lhe conquistar !
    Para que em nosso lar, nosso amor tenha frutos e possa continuar !
  • Rosa negra


    30120794 1313554102122840 2070490685 n

    Pérola negra, por mais de trezentos e setenta anos por terra caístes o teu brio.
    Os homens que lhe podavam, lhe arrancavam e que lhe pisavam
    Não percebiam, que faziam um pomar no solo do Brasil.

    Crioula, o que te proteges as delicadas pétalas que outrora eram arrancadas?
    O caule que tanto fora vítima do laminar, como se fortificou?

    Tu não crescestes em meio a plácida relva, mais na ríspida selva!
    E tu és selva! O teu caule?
    Hoje carrega os mais pungentes espinhos que te salva o recôndito pólen no ninho.





    Autor do texto: D`souza Gabriel
    Foto ilustrativa: Fernanda Marins. https://www.yooying.com/fernandagmarins
  • Sala 209

    ***
    Eu era um rapaz do interior, fiz o primeiro ano de meu curso universitário por lá, mas uma oportunidade única me levou para a cidade grande em meu segundo ano. Não conhecia uma alma naquele lugar. Consegui um apartamento pequeno e apertado com apenas um banheiro, um quarto pequeno e uma sala com um fogão e uma geladeira, uma televisão velha e um sofá rasgado. Não tinha luxo algum e tinha muita solidão. Cheguei à cidade um mês antes das aulas começarem e conseguir emprego era muito difícil. Não tenho vergonha de dizer que meus pais, até ali, me sustentavam completamente. Eles não eram ricos, só tinham dinheiro suficiente para cuidar da família em dificuldades.
    O mês terminou e não consegui emprego. Meus pais me transferiam algum dinheiro para que eu pudesse sobreviver. Um mês comendo peito de frango e alface, vi meus quilos esvaírem. A vontade de voltar para casa era grande, só que eu precisava daquilo, precisava superar minhas dificuldades, sabia que meu futuro dependia muito disso.
    O primeiro dia de aula chegou. Resolvi sair de casa cedo para o caso de me perder no caminho. Peguei o metrô, não tinha isso em minha cidade, e achei maravilhoso. Mesmo cheio, era uma coisa incrível, muito embora não ver a paisagem da cidade fosse um ponto negativo. No mês anterior pouco sai de casa, agora, com a perspectiva de um novo emprego, esperava aproveitar melhor e conhecer lugares novos.
    Depois de algumas estações cheguei ao campus e alguns seguranças apontaram o prédio que eu deveria ter minhas aulas. Lá, indaguei a alguns alunos onde era a sala 209, indicaram ser no segundo andar, o que era perto. Apenas subi as escadas e encontrei a porta de madeira, com aquela plaquinha escrito “209”. Entrei no cômodo suntuoso. Ali dentro duas escadarias subiam pelas extremidades da sala e outra cortava a sala ao meio. As escadas eram divididas por mesas que não se separavam, os alunos sentavam lado a lado.
    Fui para uma das últimas fileiras e sentei, sozinho, tentando não incomodar os demais alunos nem chamar muita atenção. Olhei para baixo e vi a mesa do professor. Acima dela havia um quadro negro enorme e a tela branca, para expor gravações do data show, que jazia abaixada, cobrindo parte da lousa. Foi então que imaginei todo o meu futuro, tudo o que aprenderia naquele lugar, o profissional genial que seria. Deixei escorregar um pequeno sorriso. Ao meu lado direito havia apenas um lugar vazio antes da escadaria, ao lado esquerdo dois rapazes sentaram. Tornaram-se meus primeiros amigos naquela cidade.
    ***
    Durante a primeira semana de aula, naquela sala 209, consegui meu primeiro emprego. Não era nada demais, apenas grelhava hambúrgueres em uma rede de fast food. O dinheiro era pouco, só que ajudava meus pais, pois eles não precisavam mais me mandar dinheiro, poderiam desfrutar a aposentadoria em paz.
    Na segunda semana de aula, tive um dia de folga no trabalho. O cansaço já era grande e acabei por cochilar demais. Quando acordei vi que era tarde e o professor Richard não gostava de atrasos. Sai com pressa, e durante minha afobação, acabei por esquecer o guarda-chuva atrás da porta de entrada. Quando vi a tempestade se formando, era tarde demais. Corri, corri e corri, cheguei à universidade ensopado, com frio, minha camisa branca tornara-se transparente, expondo minhas duas bolinhas escuras no peito. Meu cabelo escorria pela testa, revelando algumas falhas que o futuro calvo reservava. Passei a mão para penteá-lo melhor e tentar disfarçar. Fui direto ao banheiro masculino, para tentar me secar com algumas folhas de papel, tive certo alívio, contudo, ainda sentia muito frio.
    Entrei na sala e fui para meu lugar. Meus amigos não chegaram, o lugar a minha direita ficara vago por todo esse tempo. Foi quando reparei que não conhecia ninguém da sala, senão aqueles que sentavam perto de mim. O ar condicionado me fazia tremer, ninguém se importou, ninguém olhava para mim. Acho que ouvi risinhos, minha cabeça dizia que eram por minha causa. Nunca descobri.
    Foi então que, perdido em meus pensamentos, olhei de relance para a porta e vi aquela garota de quase 1m70cm, talvez uns 5 centímetros mais baixa, com seus longos cabelos vermelhos flamejantes, chegavam até a metade de suas costas e dançavam de um lado para o outro a cada passo que ela dava. Seu sorriso era angelical, seus olhos verdes eram hipnotizantes e senti meu coração acelerar. Vestia um casaco da universidade, o casaco era pelo menos dois números maiores do que ela, o que lhe dava um ar divertido e ocultavam suas mãos. Sua calça era de camuflagem militar, bem colada, mostrando quão torneadas eram suas pernas. Ela subiu a escada ao meu lado, dezenas de lugares livres e parou bem ali, olhando para mim.
    - Não adianta me olhar. Você nunca me terá.
    - Oi? Do que você está falando? – Balbuciei sem entender o que acontecera.
    - Você sabe bem, seu pervertido. Belos mamilos – ela disse com um risinho gostoso de se ouvir. – Tome, pegue minha jaqueta, talvez seja um pouco curta para você, mas se não se importar em ficar apertado, vai te esquentar, o forro dela é bom. – Disse ela sentando ao meu lado.
    - Muito obrigado. – Respondi com um sorriso sincero. – Qual o seu nome?
    - Você não tem educação? – Ela falou em um tom sério
    - Desculpe, o que eu fiz agora? – Disse arregalando os olhos com o susto.
    - A etiqueta exige que você se apresente antes de perguntar o nome da outra pessoa – ela respondeu rindo (já não entendia se ela apenas curtia um barato com a minha cara ou se falava sério).
    - A sim, claro. Meu nome é James, e o seu?
    - Sou Emily.
    Ela sorriu para mim. Aquele sorriso deixava minhas pernas moles. Acho que a olhei por tempo demais. Ela me advertiu rispidamente.
    - Preste atenção na aula! O professor chegou, pervertido. Não gosto que fiquem me encarando.
    - Não foi a intenção, não fiz por mal. – Respondi com certa tristeza pela pequena bronca.
    - Você é muito inocente, não vai durar 1 ano nessa faculdade sem mim – ela respondeu rindo, alto o suficiente para o professor pedir silêncio.
    Saímos juntos depois da aula e fomos para um pub beber. Conversamos bastante, ela era muito inteligente, tinha vinte anos, três a menos do que eu. Gostava de meditação, de comer, de malhar, de me provocar, de animais, lutava pelos direitos das mulheres, aos poucos se desenhava uma pessoa incrível, e, simplesmente assim, demos nosso primeiro beijo. Foi o melhor beijo que já dera, não há explicação melhor, apenas pareceu certo, na hora certa. A abracei e a levantei no ar, deve ter parecido cena de cinema, ou apenas dois bêbados fazendo besteira, porque quase caímos. Foi quando me dei conta dos 7 pints de cerveja que deixamos em cima da mesa. Pagamos a conta e fomos embora, cada um para sua casa.
    Mandei mensagem para ela, perguntando se chegara bem em casa, ela respondeu dizendo que sim e que já estava pronta para dormir. Junto, mandou uma foto no espelho, só de camisola. A foto era linda. Sim, deu um pouco de tesão (muito), mas além disso, ela estava simplesmente linda, deslumbrante e radiante, palavras não conseguem descrever. Meu coração já berrava toda a paixão que ela causará em mim. Essa garota era meu primeiro amor e eu sabia disso.
    ***
    Larguei meu emprego virando hambúrgueres e consegui vaga em uma empresa que pagava bem melhor, embora fosse pequena. Minha chefe era famosa, inteligente e preocupada com o crescimento dos funcionários mais baixos, oferecia conselhos valioso, senti que poderia crescer lá dentro se me esforçasse. O trabalho em si, era interessante, contudo, minha mente era povoada apenas por Emily. Trocávamos mensagens todos os dias, quase o tempo todo. Ela mandava dezenas de fotos nuas, eu adorava e replicava com fotos minhas. Às vezes íamos ao banheiro durante o trabalho só para mandar fotos. Aquilo se tornou um vício. Naquela semana, a vi novamente com aquele longo casaco da universidade. Gostava dele, lembrava o dia em que a conheci. Seu sorriso era lindo igual, por ser cedo a sala estava vazia, apenas nós dois e mais três pessoas sentadas nas mesas de baixo.
    Observei Emily subir as escadarias da sala 209, como observava quase todos os dias, sempre tentava chegar mais cedo para vê-la subindo, acho que ela sabia disso. Desta vez tinha um sorriso brincalhão no rosto, sentou ao meu lado, disse um “oi” rápido e me beijou. Ouvi um pequeno “click” e senti uma pontada contra minha virilha. Foi dolorosa e senti uma gota de sangue escorrer. Tive medo por um momento, ela parou de me beijar e continuou sorrindo, deslizou um pouco a faca na minha virilha e fez um corte superficial.
    - Você é louca? – Falei em tom baixo, porém, assustado.
    - Provavelmente, mas se eu não for ao psiquiatra, nunca descobrirei, então nunca serei - Ela diz voltando a me beijar.
    Não sabia como agir, não sabia sua intenção. Por um instante pensei em afastá-la de perto de mim. Então, com a dor daquela pontada na virilha, senti um carinho leve nas minhas bolas, era um carinho delicado e experiente. Ouvi outro click, imaginei que fosse a faca se retraindo, pois, parei de sentir dor. Ela beijou e mordeu meu pescoço e se afastou de mim.
    - Está bom por hoje. A aula já vai começar.
    Eu ri. Aquela garota mexia comigo. Jogou um pedaço de papel para mim e um band-aid para colocar no machucado.
    - Para sua calça você pode achar uma costureira, mas o detalhe rasgado ficou bom. Se quiser posso fazer na outra perna para ficar igual.
    Sim, foi uma sensação gostosa e aterrorizante, nunca haviam encostado uma faca em mim. Emily era uma garota única, já tinha certeza disso.
    ***
    Passava das 22h, troquei mensagens com Emily o dia todo, à noite ela iria para um templo de meditação e dormiria lá. Achei fantástica a ideia, apenas temi um pouco por ser um lugar afastado e por ela ir sozinha. Depois de refletir um pouco, imaginei que talvez eu devesse temer por quem tentasse fazer algo com ela. O pensamento me fez rir.
    Liguei a tv da sala, passava algum filme velho que não me interessava muito. Encostei e relaxei, imaginei que iria dormir ali mesmo e acordaria no dia seguinte, afinal, sem falar com Emily eu não tinha mais nada para fazer naquela noite.
    O sono me chamava com força, meus olhos fechados ajudavam. Até que ouvi meu celular vibrar. Imaginei que fosse alguma notificação de notícia e pensei em ignorar. Não me interessa o que acontece no mundo hoje, a menos que a notícia seja “James dorme como um bebe e acorda todo babado no colo de seu amor”. Não sei o que agiu dentro de mim, mas agiu com força, para me abrigar a abrir os olhos e pegar o aparelho.
    “Cheguei atrasada, já fecharam a casa e não posso entrar. Também não posso ir para casa, meus pais acham que estou na casa de uma amiga, vou ver se vou para lá.”.
    Meu apartamento era perto do metrô e perto de diversos pontos de ônibus. Indaguei onde ela estava e se não seria mais fácil e cômodo ela vir para minha casa, ela perguntou se não seria muito incômodo, eu disse que seria um prazer imenso. Em meia hora tomei um banho, espantei o sono, vesti algo interessante e fui encontrá-la no metrô.
    A rua era segura e sempre cheia, uma reta só até minha casa, só achei que seria melhor fazer-lhe companhia. Nos encontramos, conversamos sobre diversas coisas, demos risada e fomos para minha casa. Lá ela tomou banho e esperei assistindo tv. Começara “O Iluminado”, sempre gostei desse filme. Gostei muito mais da visão atrás de mim, Emily apareceu com sua linda camisola lilás e de calcinha.
    Sentamos no sofá para assistir ao filme e começamos a nos beijar. Seus beijos eram sempre gostosos, na medida perfeita para mim em todos os sentidos. Suas mãos deslizavam pelo meu corpo, a sensação era maravilhosa. Ela deitou no meu colo e continuamos a nos beijar, apaixonadamente. Aproveitei o momento para tentar ir além, vagarosamente passei minha mão por sua barriga e tentei entrar dentro de sua calcinha. Ela parou de me beijar e disse que não, com um sorriso provocador. Eu concordei e lhe abracei.
    Continuamos com os beijos e as coisas esquentaram. Ela abriu meu zíper e retirou o que tinha na minha calça para colocar na boca. A sensação era incrível, como sua delicadeza e movimentos rápidos naquilo me afetavam. Não achei justo apenas eu sentir aquilo. Repeti o movimento de antes, acariciei sua barriga delicadamente e segui meu caminho, bem devagar para que ela pudesse me parar se quisesse, até dentro de sua calcinha. Ela não fez objeção e seguimos, madrugada a dentro, dando prazer um ao outro.
    ***
    Tínhamos uma aula especial no sábado à tarde, naquela sala 209. Apenas um reforço, nada obrigatório, e Emily me convenceu a ir. Pedi que ela me levasse um suco para beber e guardasse meu lugar, pois chegaria atrasado. Ela o fez, assim que cheguei, vi seu rosto iluminar com aquele sorriso. Sentei ao seu lado e bebi o suco de maracujá, uma delícia.
    Ouvi o click e a pontada novamente, era algo rotineiro, uma vez por semana pelo menos. Só que desta vez a sala estava cheia e o professor já começara a aula, então, ela não me beijava, apenas pressionava aquela faca contra mim e acariciava minhas bolas por cima da calça. Preciso admitir que o medo de ser pego e o pouco de dor me agradava e ela sabia disso.
    - Você está me condicionando a sentir essa facada e ficar de pau duro? – Cochicho em seu ouvido, rindo.
    - Talvez. - Ela responde com um sorriso provocador no rosto.
    O professor colocou algum filme para explicar algum ponto, para ser sincero, não prestava muita atenção naquela aula. Na cena a namorada do protagonista levava uma bebida para ele, achei bonito e pensei em voz alta:
    - Olha que fofa, ela trouxe o suco para ele. Parece até alguém que eu conheço.
    Acho que meu tom sonhador foi confundido com sarcasmo, ela respondeu:
    - Ei! Eu trouxe a porra do suco para você.
    - Eu sei, amor. Acabei de dizer que parece alguém que conheço, no caso você - respondi com um riso suave.
     – Sei... essa aula está um saco, vamos sair daqui, quero te mostrar uma coisa.
    - Tudo bem.
    Saímos juntos e Emily me levou até à cobertura do prédio. Pela quantidade de bitucas de cigarro no chão, imaginei que fosse comum ter alunos por ali, mas não naquele final de tarde. Sentamos apreciando o pôr do Sol, conversando sobre a vida.
    - Imagina onde estaremos daqui 5 ou 10 anos? Formados com carreiras solidas? Ricos? Desempregados? Vivos? Eu não sei. E acho que não ligo, pelo menos não agora. Temos que curtir a vida, não?
    - Sim Emily, concordo com você. Acho que a única coisa que me importa agora é estar contigo no futuro. Eu te amo.
    - Eu também te amo, James. Sim, teremos nosso futuro juntos. Vem aqui, chegue mais perto de mim. Estou gostando cada vez mais da sua companhia.
    Nos abraçamos e continuamos falando sobre a vida. Eu ouvia com um sorriso bobo no rosto. Gostava de ouvir o que ela tinha para falar, suas ideias, suas divagações, às vezes tinham sentido, às vezes não, de qualquer forma ela me ensinou muito mais do que aquela faculdade.
    - Você já fumou isso? – ela diz mostrando um baseado - Quer experimentar?
    - Não sei, eu nunca fumei.
    - Isso não faz mal. Experimente, se não gostar, não gostou, mas pelo menos pode falar que experimentou. Eu só fumo de vez enquanto, umas 2 vezes por ano, em momentos especiais, como agora, vendo esse maravilhoso pôr do Sol daqui, na sua companhia maravilhosa.
    Eu sorri, meu coração deu uma batida diferente, como se quisesse que o sangue bombeasse mais devagar, assim o tempo desaceleraria, para que eu pudesse aproveitar mais aquele momento. Ela acendeu o baseado, fumou um pouco e passou para mim.
    Nós acabamos com aquele fumo e fizemos amor olhando a pintura natural de despedida do Sol, com tonalidades laranja, vermelho, azul, amarelo, para nos dizer “adeus meus amores, voltarei amanhã, aproveitem sua noite com minha irmã Lua”, enquanto começava a ser engolido pelas nuvens negras do anoitecer.
    ***
    Os anos de faculdade passaram como um piscar de olhos. Passamos tempo maravilhosos Emily e eu. O fim do curso seria daqui dois meses e toda nossa vida jazia à nossa frente. Voltamos uma última vez para aquela sala 209, onde tudo começou. Não havia ninguém por ali, apenas nós dois falando sobre o futuro.
    - Logo nos formaremos, amor. Talvez não nos vejamos tanto assim, por conta do trabalho e dos cursos que teremos que fazer.
    - Não tem problema. Tenho certeza de que em um mês eu já te esqueci.
    Senti meu coração partindo com aquelas palavras, apenas um mês para me esquecer, depois de tudo que vivemos juntos e toda a intensidade de nosso relacionamento. Acho que ela reparou, minha expressão deve ter mudado bastante.
    - Estou brincando com você seu besta. Da risada comigo.
    - A sim. Desculpe, não achei muita graça.
    A formatura ocorreu no mês seguinte. Foi uma festa e tanto, ficamos lá até às 5 da manhã, depois fomos para casa e dormimos. Passamos o dia seguinte em casa, passeamos pela cidade e à noite ela pediu para que eu não entrasse no quarto até que ela me chamasse. Eu sorri e aceitei. Fui para sala assistir televisão.
    Quando ela me chamou para o quarto, a vi com aquela linda camisola que usara da primeira vez que dormiu em minha casa. Ela enfeitara o quarto com diversas velas que ardiam lentamente, a luz apagada ilustrava bem o clima e um incenso dava um aroma revigorante ao cômodo. Fizemos amor a luz de velas, ela chorou. Foi a primeira vez que a vi chorar. Mas foi um choro com um lindo sorriso. Então ela me disse:
    - Por favor, vamos fazer isso dar certo.
    Eu sorri e assenti com a cabeça.
    - Vou sentir sua falta. Não nos veremos mais como antes e os finais de semana de plantão serão difíceis. – Ela disse com lágrimas escorrendo pelos olhos.
    - Também vou sentir a sua, mas daremos um jeito.
    ***
    Três semanas depois, recebi uma mensagem de Emily e tudo estava terminado entre nós. Tentei conversar, mandar mensagens, ligações e apenas fui ignorado. Não havia respostas, não havia notícias, ela sumira completamente.
    Foi isso, acabamos a faculdade e ela seguiu a vida, me deixou para trás. Eu não entendi porque terminamos, ela não fez questão de explicar, disse que era melhor eu não tentar entender. Acho que são aquelas coisas que apenas acontecem. Tudo o que passamos até ali foi, talvez, a melhor experiência que já tive.
    Por isso, na época me senti um trouxa, me senti usado... Na verdade, me senti perdido... o que senti por Emily era algo que eu nunca senti por ninguém e imaginei que nunca mais iria sentir. Foram momentos incríveis e intensos que partilhamos.
    Aos poucos, entendi que era uma questão de momento. E a vida é apenas isso, um momento após o outro e devemos desfrutar o melhor que podemos desses momentos bons. Em um momento estávamos juntos, no outro não e nossa vida seguiu, apenas separados. Por mais doloroso que seja, é doloroso apenas por um momento. Pena que foi um momento muito longo para seguir adiante.
    Por um ano não sai com ninguém, achei que não encontraria ninguém, achei que não merecia ninguém, achei que se ficasse com alguém estaria enganando essa pessoa pois ainda pensava em outra. Foi talvez o ano mais difícil de minha vida. Contudo, ao passar de 12 meses de frustrações, tristezas e depressão, superei aquela que acreditei ser o amor louco da minha vida.
    (só o amor da minha vida...)
    Com o tempo, voltei a sair com algumas moças bonitas, de bom coração, que tratavam os outros bem, algumas tratavam mal. Conheci garotas de todos os tipos e jeitos, namorei e, em uma festa especial, conheci aquela que virou minha esposa e mãe de meus dois filhos, que são meus orgulhos. Minha carreira não seguiu para o que aprendi na universidade, tornei-me empresário após crescer em minha empresa e ser ajudado por minha chefe que via meu potencial.
    A vida hoje é boa. Imagino se poderia ser melhor. Nunca mais falei com Emily. Às vezes ainda sinto falta, olho suas redes sociais e sinto a dor no peito, a visão embaçando ao pensar nela e imaginando se ela está bem. Como será que a vida a tratou depois que nos separamos? Eu não sei, apenas desejo que ela esteja bem e feliz.
    Às vezes me pego indagando, se ela aparecer na minha porta amanhã e me pedir para largar tudo e ir embora, com aquele jeitinho meio doido dela, que eu tanto adorava. Eu aceitaria?
    Não sei... acho que não.
    (Guardo aquela primeira foto que me passou até hoje, embora não a olhe mais, nunca tive coragem de apagá-la.)
    Não sei...
    Acho que sim...
  • Saudades que se manifestam profanas

    A noite aqui muitas vezes cai sôfrega e se estende nessa minha nova realidade, me reviro na cama refletindo o quanto é cruel você não saber como me sinto, olho para os lados e observo os reflexos lunares que adentram silenciosos pela janela e refletem nas paredes ao redor, únicas testemunhas das noites em que palavras chulas ecoavam destemidas em meio aos gemidos trêmulos.
    Abro os braços sobre a cama buscando partes de você e meu corpo se ondula sobre os lençóis que meses atrás estariam carregados de suor. Fecho olhos e te imagino passando pela porta usando apenas a minha camisa larga, me direcionando o antigo olhar safado e em seguida o sorriso que eu bem conheço. Sozinha, mordisco os lábios e me pego ofegante quando meu pensamento te toca, sinto minhas mãos deslizando em meu corpo como se clamassem em refazer os caminhos que antes eram percorridos pelas suas. De olhos fechados consigo sentir o aroma quente de sua respiração em meu ouvido e posso ouvir sua voz entrecortada dizendo o quanto te enlouqueço.
    Cravo uma das mãos em meio aos meus cabelos puxando-os loucamente e procuro a força ideal que antes tu usaras, enquanto a outra segura fortemente o travesseiro que agora se encontra sobre mim. Sinto como se as partes restadas de você percorressem ágeis em minhas veias.
    Abro os olhos e me pego sôfrega, ofegante e a pele brilha em um suor já visível. Sinto o nervo rígido e pulsante, como se nesse momento competisse com o coração, difícil é saber quem dos dois almeja mais o seu corpo.
    As mãos percorrem inconscientemente e adentram minhas roupas, enquanto uma toca meus seios a outra encontra o sexo encharcado, replico os movimentos antes feitos por seus dedos e nesse momento sem escrúpulos ou pudores, fecho os olhos e pronuncio seu nome em uma voz que soa emergente e descompassada. Os movimentos se multiplicam e me levam a um êxtase a muito tempo guardado.
    Me deixo trêmula sobre a cama, agora úmida, abro e fecho os olhos enquanto a respiração se normaliza. Nesse momento, meus instintos mais despudorados esperam que onde estiver, você receba ao menos uma carta de tesão ou sinta o mínimo da excitação que as lembranças de sua antiga presença ainda me trazem.
    Que maldade meu amor, que maldade foi a sua em aparecer sorrateira, e por meses me proporcionar as melhores noites, os melhores gozos e deixar que eu me entregasse das formas mais profanas para enfim partir e levar consigo os meus desejos mais intensos e obscuros.
    Que maldade a sua.
  • SEM RIMAS

     para o PT e o PSTU
     
    A vida passa de graça
    e fica ainda mais rica
    nos olhos de esperança
    que às mãos multiplicam
     
     
     
    ..............
    © do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 183.
  • Sentimentos - Capitulo 01

    01 – Um jovem historiador, Dr. Vitor Hugo Bernardi acaba de chegar à cidade Katovice na Polônia. O mesmo foi convocado pelo Agente Especial Superior Braun, por terem encontrado uma sala secreta em um dos centros de concentração, e eles querem sua avaliação. Ele é recebido pelo agente Josef que o leva até o centro de concentração Auschwitz. Local está todo isolado e cheio de agente da FBI. Agente Braun junto com o agente Josef dão algumas instruções, uma delas que é extremamente restrito e que as informações não podem sair daqui. Levando até uma das câmaras desativadas, mostram um dispositivo que faz a parede deslizar e mostra uma porta de ferro, observando vê que estava trancada a correntes. Logo após passar pela porta, tem um hall onde mostra que porta de elevador, na qual não funciona, mas os agentes montaram outra forma de descer. Após descerem através de elevadores modernos, eles andam pelos corredores, vê que eram salas de experimentos, porem bem diferente dos outros, salas que demonstram ter tido teste de força e arma, muito acima do normal. Uma das salas desvendadas está guardada por dois seguranças no porta, dentro dela estão mais quatro seguranças e um cientista e algumas cápsulas, a maioria estão destruídas. Nota-se que houve algum tipo de batalha na sala, pois alem de vários objetos quebrados tem sangue seco espalhado por todo canto, e alguns ossos e roupas de soldados nazistas.  Ao se aproximar da única que está inteira, vê através do vidro, uma mulher acorrentada, com camisa de força e mordedor. Dr. Vitor Hugo fica surpreso e questiona se ela está viva, o cientista Dr. Vagner informa que está viva, mostrando que os cabos estão ligados há alguns tambores que contem alguns tipos de gás e alguns deles são oxigênio e sonífero. Dr. Vagner mostra algumas anotações da época pro Dr. Vitor Hugo, nessas anotações tem nome dos experimentos e quais foram feitos neles. Fascinado com tanta informação, Dr. Vitor Hugo informa que ira ajudá-los a desvendar os mistérios deste local, pois tem muitas anotações em latim. No dia seguinte a sala é preparada para despertá-la da mulher, Agente Braun e Josef, Drs. Vagner e Vitor ficam do lado de fora, enquanto os quatro seguranças, mais uma equipe médica e outra de enfermeiros tentam abrir a cápsula, todos estão usando roupas especiais, pois não sabem que tipo de ar está dentro da cápsula. Ao abrirem, eles fazem os primeiros exames, e informam que ela está ótima, eles a tiram da cápsula, colocando-a numa maca, amarrada, para a própria segurança dela e de todos. Informam também que ela poderá acordar dentro de 4h ou 5h. Enquanto isso eles avaliam ela, morena, sem marcas de cicatrizes, mostra-se ser jovem de ter entre 20 ou no máximo 25 anos, cabelo é liso e comprido até o cóccix, suas pernas são longas, sua altura é de 1,75 cm e tem uma tatuagem com o símbolo do nazismo em sua escapula esquerda. Eles colocam uma roupa cirúrgica, pois a mesma estava nua na cápsula. Dr. Vitor Hugo, ficam fascinado pela sua beleza, seus traços são delicados, chamando bastante atenção de todos em sua volta, Agente Superior Braun concorda com todos os comentários que o doutor faz. No seu quarto, ele faz pesquisa tentando achar algo sobre essa câmara de concentração, sem sucesso, acaba pegando no sono, dormindo em cima do notebook. Durante a madrugada, a jovem tem um ataque epilético e sua pressão sobe, a equipe medica entra em ação imediatamente, com muito esforço e precisão, eles conseguem salva-la, a mesma continua desacordada. A sala está trancada e isolada, na porta tem dois seguranças, e a cada hora dois enfermeiros entram para avaliar a moça. Neste período de uma hora, ela acorda, ainda sonolenta, ela tenta abrir os olhos, mas a luz incomoda, vem um flash dos cientistas que estavam fazendo experimentos com ela, no desespero, ela arrebenta as cordas e fica sentada na maca, olhando para o ambiente que é totalmente diferente da sala de ela foi adormecida. Mais flash vem em sua mente, dos abusos sexuais que sofreu, os experimentos que fizeram, as torturas físicas e mentais, e entre outros horrores. Ela fica em transe, ficando presa a essas lembranças. Dois enfermeiros entram, e tomam o maior susto de vê-la acordada e ainda sentada na maca. Enquanto um enfermeiro sai para avisar os superiores, e o outro tenta conversar com ela, fazendo perguntas, mas a mesma está paralisada olhando para o chão. Ao chegar perto dela, nota que esta em transe, ele tenta acordá-la colocando sua mão no ombro dela dando pequenas mexidas. Ao sentir o toque, ela passa a olhar para ele com raiva, deixando-o com medo. Ele tira a mão do ombro dela, e pega um sedativo para sedá-la. Ela percebe e antes mesmo dele conseguir chegar perto, ela da uma cabeçada nele, fazendo-o cair desorientado e pede socorro. Ela começa apertar o pescoço dele com muita força, quebrando a coluna cervical, levando-o a morte. Ouvindo o pedido de socorro os dois seguranças entram, e o vê morto no chão, e a jovem de pé olhando para ele com um olhar frio. Um deles pede reforço e o outro parte para cima dela, tentando nocautear com sua arma, ela desvia, dando um soco na boca do estomago dele. Enquanto o soldado cai desmaiado, ela pega a arma dele no ar, dispara nele e no soltado que está na porta. Seu tiro é certeiro, um no coração e no outro no cérebro. O alarme é acionado, uma equipe com seis soldados aparecem no corredor para impedi-la, infelizmente alguns são mortos, mas consegue disparar alguns sedativos, fazendo-a cair dormente no corredor. Dr. Vitor comparece na sala onde estão os agentes Braun e Josef por ter ouvido o som do alarme, na qual ela está amarrada com correntes de ferro numa maca, desacordar, ele faz questionamentos ao agente Josef sobre ocorrido, ele informa que a mesma matou cinco pessoas em menos de uma hora, sua força e agilidade são foram dos padrões normais de um ser humano e pede para o mesmo se manter no quarto até ao amanhecer. Algumas horas antes do amanhecer, um dos seguranças fica olhando para ela com raiva, por ter perdidos alguns colegas, e vai até ela e cospe. A mesma abre os olhos, e fica olhando para ele com olhar de deboche, deixando o mais irritado, os outros dois seguranças tentam acalmá-lo, o mesmo não conseguem, e vai para dar outro soco nela. Ao se aproximar para dar o soco nela, ela levanta o tronco, desviando do soco, conseguindo chegar perto do pescoço, mordendo com força, rasgando a veia jugular. Um chama o reforço, enquanto o outro tenta socorro o colega que não para de sangrar. Ela se aproxima do segurança que tenta tirar seu colega da sala, mas ela gira sua cabeça matando-o na hora, o outro que chamou mais reforços tenta fugir, mas ela o segura pelo punho, pegando as chaves e a arma do seu bolso. Ele da uma cabeçada, mas só ele sente a dor da pancada. Ela arranca o braço dele e o deixa na sala junto com o outro que já está entrando em coma. Ela aciona uma porta secreta no corredor, e entra, antes dos soldados chegarem, mas as câmeras de segurança pega sua, logo avisam os soldados para adentrarem na passagem secreta. Dr. Vitor, acorda assustado por causa do alarme, ele vai para a janela e vê agitação dos soldados, ao se virar, se depara com a moça saindo por uma porta secreta do seu quarto. Assim que o vê o agarra pelo pescoço, desesperado, ele começa falar em latim, dizendo que ele não é uma ameaça e que ele quer ajudá-la, ela entende o que ele diz, o faz desmaiar e foge do quarto pela janela. Os cachorros sentem o cheiro dela. Ela corre pela floresta, tentando se afastar  dos soldados, ao se deparar com um rio bravo, não pensa duas vezes e se joga para despistar seu cheiro. Os cachorros perdem seu cheiro ao chegarem no rio...

  • Sentir

    Quatro amigos
    Sentados em um sofá
    Naquela cafeteria que eu trabalhava
    Todos rindo
    Conversando
    Se divertindo

    Mas havia um
    Que por dentro
    Estava morrendo
    Ele ultimamente estava vendo
    O seu amor correndo
    Para longe demais
    E há alguns meses atrás
    Eles nunca imaginariam tantos finais

    Havia outro
    Com uma tristeza transparente
    Ria, porém não estava contente
    Ele estava doente
    Doente da mente
    Pois não conseguia esquecer aquela pessoa
    Que o tratava
    Tão gentilmente

    Aquela garota
    Por dentro chorava
    Aquele que ela amava
    Por ela não sentia nada

    E havia aquele
    Que nada sentia
    Ele ria
    Porém não entendia
    Porque ele não conseguia
    Sentir aquilo
    Que os outros sentiam
    Todos os dias.

      
  • Sentir

    Inerte é o amor que  
    Sinto por você  
    Ou melhor que eu sentia  
    Flutuava nessa maré  
    De sentimentos 
    Que no final  
    Foi se despedaçando 
    Tornando assim 
    Apenas pó
  • Ser louco para muitos e errado

    Ser louco para muitos e errado, para min e ser verdadeiro, e pensar de maneira diferente do que somos impostos a viver e pensar, por isso vivo minhas loucuras sem me importar com o que vão pensar
  • Sinfonia de Batalha




    Talvez Um Dia…Talvez Um Dia.. Eu Me Escute, Talvez Um Dia. Eu Te Escute, Abençoado Pelas Vozes Que Poucos Ouvem, Idosos Com A Minha Idade Esses #SãoPoucosJovens, Ainda Assim! A Alma Treme Enquanto O Frio Bate, A Memória Vai Esquecendo Da Sua Hora De Embarque,Apenas Existo Nos Segundos Perdidos Refletidos No Teu Espelho D’água, Sou A Reflexão Que Deflecte A Ambição E Evacua Dos Teus Olhos Todas As Impurezas E Mágoas, É Tão Fácil Sorrir Mas… Muitos De Nós Deseja Chorar, É Tão Fácil Ser Feliz Mas… Muitos De Nós Deseja Não Voltar A Amar, Nunca Desistas! Mesmo Não Existindo Tu Existes Por Uma Razão, Requerem Habilidades Imprintas Em Formulários, Eu.. Só Quero Um Saldo Positivo No Final De Todo Mês, Criei O Meu Próprio Trabalho Onde Imprinto Pensamentos De Cada Vez, Ainda Assim.. Permaneço Sendo Um Pobre Embriagado Que Procura Pela Fama, O Álcool Hoje Olha-me De Lado Porque O Divórcio Separou-nos Da Mesma Cama, Muitos De Vocês Não Passam De Titans Adormecidos Esperando O Meu Ataque Sincronizado, Eu Carrego As Asas Que Intrigam Essa “#NossaLiberdade”, Vivo Lutando Pela Mesma Humanidade Que Muito Me Tem Criticado, Kudza Nada Do Que Dizes É Saliente, Misturas Água Com Sal É Ela Sai Açucarada, É Como Se Nada Saísse Da Tua Mente.

    Kedson Descansa O Teu Corpo Celeste Sobre Essas Ondas De Submissão, Procura Pelo Trono Que O Mundo Sacrificou E Traz O Amor De #VoltaARessurreição, Neste Nevoeiro De Almas Afogadas Pelo Desespero, Criminosos Apenas Apelam Pela Bandeira Branca Enquanto Visitam Ossos No Cemitério, Kedson Parece Que Tudo Se Liga Onde A Vida Se Desliga, Razões E Resultados Não Passam De Travões Que Nos #PrendemAImobilidade, Somos Levados A Resolver Problemas Onde Intencionalmente Acabamos Por Domesticar Essa Nossa Divina Criatividade, Persegui Uma Promessa Que Levou-me A Um Beco Sem Saída, Enganar Esquivando Ser Enganado, A Gente Mente #OlhadoNosOlhos E Depois Diz Bro É A Vida, Talvez Um Dia… Eu Aperceba-me De Que Tudo O Que Deu Errado Levou-me A Esse Presente Certo, O Futuro-Eu Vive Amedrontado Porque Hoje, Kedson E Eu Estamos Desabrigados! Ainda Assim.. Ninguém Desiste! Pois Cada Texto Deixa-nos Mais Perto. Kudza- Eu Não Faço De Um Segredo, A Minha Luta Contra O Medo.

    “Nada Inspira Mais Coragem Ao Medroso Do Que O Medo Alheio” U.Eco

    Esperando Pelo Final Da Tempestade, #PermaneçoSolitário Como O Nome Kudza!! Tu Não Pertences Aqui, Deverias Retirar-te, A Derrota É Um Destino Do Qual Não Conseguirás Esquivar-te, O Teu Sofrimento Paira No Berço Do Tempo Esperando A Era De Renascimento Kedson É O Corpo Kudza É A Alma, O Klan É O Meu Monumento, Eu Sou Um Naufrágio Neste Plano Que Foi Por Água Abaixo, No Princípio Ela Disse Que Está Vida Era Um #TemporárioEstágio, Uns Reprovam Outros Aprovam, Já Eu Não Me Encaixo, A Bondade Vem Dos Que Menos Têm, Fazem No Silêncio Tudo O Que Eu Mais Penso, Ainda Assim A Luz Eles Não Vêm, Haverá Sempre Uma Feição Engraçada Semeando #DiscursosDeEsperança, A Gente Vota Em Toda Horta Mas A Fruta Cresce Podre Por Dentro Como Péssimas Lembranças, Limitam-se A Atualizar A Piada Para Uma Mais Educada, O Povo Comete O Mesmo Erro Vezes Sem Conta Esperando Resultados Diferentes,Kudza-Isso Mais Parece Um Crime Onde A Suicides Popular Foi Suicidada, Por Vários Políticos Em Gerações Esfero-Delinquentes.

    “A Política Talvez Seja A Única Profissão Para A Qual Não Se Julga Necessária Uma Preparação” R.Stevenson

    Disfarças As Tuas Emoções Explodindo #DesabafosSemAvisos, Vais Deixando Migalhas Nesta Floresta Sem Saída, Perdeste-Me Desta Caminhada Da Qual Chamamos Vida, Resguardas Um Mistério Que Não Contem Esperança, Um Dia Traz O Outro Mas Nunca Traz A Mudança, Esses#SuspirosRetraídos, São Como Dores Provenientes De Um Coração Que Sempre Foi Passivo, Diz-Me Qual É O Teu Objetivo? Fraquejas-te Perante A Final Decisão. Kedson- Mas Por Ela Eu Irei Ajoelhar-me, Pois Ela É A Mulher Ela É A Minha #GêmeaIlustração, Mesmo Estando Errada Ela Tem Sempre Razão!! Kudza– Ainda Assim.. Mostrei-te Uma Outra Oportunidade, Desvaloriza-te As Minhas Palavras Pois O Teu Ser É Incompatível Com A Bondade, Como Posso Eu Encarar-te Com Toda Essa Distância Que Me Deforma? Prestarei Culto A Divindade Amarei Sofhia Ao Extremo, Porque A Minha Única Fonte De Amor Ressequiu-se, Com O Teu Barco Dado O Primeiro Remo.

    A Multidão Grita De Euforia, Mas A Tua Voz É Única! Capaz De Expandir Até Essa Minha #Esfera-Auditiva, Relembrando E Revivendo Todas Aquelas Variedades De Momentos Em Um Só Dia,Bastou Uma Troca De Olhares E Ela Tirou-me Uma Vida Ativa, Não Voltes A Não Ser Que Tragas A Última Peça, Certas Certezas Bem Aplicadas Paralisam Ânimos, Kedson- Quando O Destino Fala-te Cala-te E Obedeça, Em Meros Instantes Deixei O Oceano Intermédio, Muitas Das Vezes Arguimos O Que Aliviou A Tensão E Matou O Tédio, Eu Não Me Esqueci De Ti, Porque Eu Sou Kudza!!! Uma Ilusão Paralela A Ambição De Um Órgão Que Tudo Sente, Um #CoraçãoVirtualDisregularizando Todas As Regras Porque Quem As Segue Mente, Somos Uma Constelação Desassossegada Adicionada A Universal Emoção, Que Procura Um Novo Rumo, Sou O Recibo De Compra Indesejado Que Faz Contas Aos Bens Que Consumo, Internei Todos Os Meus Sentimentos Na Longitude Desta Pulsação, Eu Não Entro Em Remoinhos De Palavras Pois Temo O Aviso De Expropriação, Mas Um Quadro Desenquadrado Neste Museu, Onde Todos Passam Sem Averiguar A Beleza Interna, Todo O Dia É Um Carnaval Porque, Máscaras Fazem Parte Da Nossa #FaceExterna.

    “Nossa Existência Não É Mais Que Um Curto Circuito De Luz Entre Duas Eternidades De Escuridão” V. Nabókov

    Kedson
  • Sinopse do livro Especialista em tudo, formado em nada

    “A universidade está com os dias contados”, é com essa frase iconoclasta que o autor mando Neura inicia o seu mais novo best-seller. Famoso youtuber, amado pelos jovens dinâmicos e discípulo de Óvulo de Cavalo, traz novas conspirações pós-verdadeiras que irão demolir a realidade que nós todos conhecemos. Em seus ensaios, Mando Neura relata a sua experiência autodidata, mostra como a universidade pública cria militantes esquerdopatas, crítica o globalismo, revela que a liberdade de expressão faz mal para a democracia, que o cigarro cura o câncer e que camisinhas causam esterilidade nas mulheres. Com prefácio do blogueiro Caiu Cappota, o livro mata a sede de negacionismo de órfãos do curso O Mestre do Anarcocapitalismo.

    Autor: Mando Neura

    Editora: Espiral de Ilusões Editorial

    Prefácio de Caiu Cappota

    Ano: 2021

    Págs. 283

    Preço: R$ 72,00

  • Sinopse Princess Magic - The Adventure

    Prévia da Capa

    SINOPSE:
    -Por que eu tinha que me apaixonar por ela? -Pensa Simon,ao ver Mirella beijando Brain... 

    Mirella Miller,uma garota simpática e humilde,tem os cabelos loiros e lindos olhos azuis,ela é a melhor amiga de Simon desde pequena. Ela e sua irmã,Miranda,eram muito próximas a ele,os três vivam juntos,um ajudando o outro. Mas com o passar dos anos,Mirella teve muitos problemas e não aguentava mais viver daquele jeito,então resolveu fugir. Foi para uma floresta,bem longe de todos,mas acabou encontrando um novo amigo,seu nome era Brain Carter. Ele a ajudou,e os dois começaram a se aproximar... 
    Miranda e Simon precisavam encontrá-la e trazê-la de volta,mas ela não aceitou. Agora,eles irão ficar por lá,mas por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. 
    Simon e Brain,não se deram muito bem,e o triângulo amoroso se formou entre eles,e agora,Mirella está em dúvida. Quem é o seu verdadeiro amor? Simon ou Brain? 

    -Ela só te vê como um amigo,não percebe? -Provoca Brain. 

    -Eu não acredito em você! 

    -Continue negando,mas o coração dela pertence a outro...
  • Só nos sobraram os espinhos

    O filósofo Arthur Schopenhauer escreveu um conto para tratar da solidão. Essa obra, chamada de O dilema do porco espinho, seria célebre em abordar desse fenômeno social cada vez mais presente e preocupante. É através dessa metáfora que questões profundas são consideradas. O historiador Leandro Karnal soube se utilizar muito bem desse delicado tema no livro O dilema do porco espinho: como encarar a solidão.
              O ensaio, através de fontes diversas como a Bíblia, o Corão, clássicos da literatura, biografias de sujeitos, pinturas e leis, nos trazem a complexidade do objeto. A solidão, embora seja única, é ao mesmo tempo múltipla quando abordada com um enfoque. Para a medicina, um sintoma patológico; para o artista, um mal necessário, e até bem-vindo; para o religioso e o sábio, caminho de iluminação.
              A obra é dividida, já em sua segunda edição, traz uma apresentação acertada do tema, seis capítulos e uma conclusão. No primeiro capítulo do livro, Karnal nos leva a refletir sobre a tradição judaico-cristã, mostrando pontos de convergência e as largas divergências entre cristão e judeus em lidar com a solidão. O individualismo da modernidade é retratado aqui como um dos fatores para o isolamento social.
              O capítulo dois, se desdobra sobre o contemporâneo e a relação que os seres humanos desenvolveram com as novas tecnologias. Quase sempre uma relação de dependência, quase a nível químico, e alienação. No capítulo seguinte, ele faz uma distinção entre solidão e solitude. Suas fontes aqui são os clássicos da literatura e os explora muito bem, numa relação entre História e Literatura.
              Em O Deus da Solidão, Karnal oferece mais uma vez a relação entre as religiões e a solidão. Expandindo o escopo para outras religiões além das monoteístas. Por aqui desfila a vida de vários santos e líderes religiosos. O próximo capítulo avança na área de História e Cinema. As representações sobre o isolamento humano são tratadas aqui, bem como suas consequências no imaginário social. O último capítulo vai abordar um tema caro ao Brasil, e talvez, esse seja um dos melhores desse livro: o encarceramento.
              Assim como muitos outros dos seus ensaios, os livros, embora sejam curtos, não traz leitura descompromissada. Os temas sempre são relevantes. É leve, gostosos de ler, com linguagem acessível a qualquer leitor, principalmente os que não são acadêmicos o que deveria ser uma preocupação de muitos cientistas e editoras. São cerca de 200 páginas. O livro conclui com uma pergunta capciosa, mas de necessária reflexão. Livro recomendado para qualquer leitor que deseje entender a questão da solidão e do isolamento.
  • Sob as marmóreas palpebras

    Foi na mesa de jantar, naquela em que ainda guarda ao canto a cadeira reservada ao terceiro indivíduo da casa, seu lugar à mesa; lugar este que agora já não toma, falta à ocasião para dar espaço à outros. No entanto, sua presença lá se sente, onipresente. Faz-se na circunstância velar penoso ao corpo ausente.
    Ao lugar das velas fúnebres, copos de mesmo formato transparecem o alegre laranja do suco pela viúva servido, fazendo-se contrastar com o sem cor daquele velório iconoclasta, sem marmórea defunta imagem a quem se dirigir as preces. Sente-se no entanto ainda, uma presença outra que o ar preenche: é a morte a roçar-lhes o manto negro pelas canelas dos condolentes.
    Infortúnia aparição esta sua, que aproveitando o recente furto à vida, espera para roubar-lhe ao desgraçado por alguns minutos, a memória de sua partida aos ali presentes. Pois agora, ao senti-la por perto, cada um sente mais por sua própria vida do que pelo morto, temendo ainda que esta seja levada num arrastão. Talvez seja esse o maior pesar do luto, sentir que a morte errou-te a foice e apunhalou vizinho peito. 
    Ao sentarem-se à mesa os convidados quietos, a espiarem uns aos outros em busca de palavra amiga a que dizer, calam-se ainda à presença intrusa que lhes rouba o peito. A viúva começa então um discurso em resposta às mudas perguntas, questões por ninguém feitas, porém que todos aceitam em compaixão.
    A senhora da casa já bem conhecia a funérea imagem da morte. Esta primeiro visitou-a no chá de bebê, em seu primeiro casamento, para logo abandonar-lhe mãe solteira. Desde então, sentara-se em canto qualquer esquecido da casa, na paciente missão de a manter enviuvada. Não houve falha, adormecida por anos talvez, despertou para descobrir-lhe novo casamento, que não tardou a separar por terra.
    E foi em ocasião de seu consecutivo assalto, que a viúva narrou-lhes aos convidados a nostalgia da perda. Pois a morte, ao arrebatar-lhe os maridos, sugou-lhes pelos olhos a alma, para que assim se lembrasse dela. Tomou-lhes aos defuntos aquele órgão como corpo substancial, para que através deles pudesse cravar-lhe-a em vida seu olhar vingativo.
    E foi assim que pois, narrou aos atenciosos ouvintes a viúva, sua desgraçada presente situação: pelos olhos. Contou-lhes da dupla lembrança que com pesar guardava dos maridos; De que foi, por debaixo das petrificadas pálpebras, com dificuldade abertas por ela mesma, que pôde descobrir-lhe longínquo o olhar do primeiro esposo. Olhar esse que viajou por anos até encontrar-lhe-se com ela novamente, por debaixo das mesmas marmóreas pálpebras, porém de diferente homem, a íris em igual natureza, a suspirar-lhe adeus.
  • Sobre Mim

    Oi gente, bom, hoje vim aqui falar um pouco sobre mim, para vocês me conhecerem um pouco melhor. Bom, não irei falar meu nome, minha idade, como eu sou ou onde eu moro. Não gosto de contar coisas pessoais minhas para pessoas que não conheço, e é por isso que esse é meu nome, mais só por sites, em fim;
      Eu amo, mais amo muito escrever, o maior sonho da minha vida é poder ser uma escritora, escrever para uma das revistas mais famosas do Mundo, e escrever diversas histórias, não só infantis como contos, mais sim também histórias para adolescentes e adultos, por exemplo, romance, comédia, ação, tipo um filme sabe, mais em letras...Bom, esse não é meu único sonho não, eu também adoraria poder ser Cardiologista, pois fala sério gente, quem nunca quis cuidar de uma parte linda e mais importante do corpo ?! Embora eu tenha um pouquinho de medo de ver sangue, irei me acostumar. Ah, ainda não acabou por ai, eu também adoro fotos gente, mais eu amo e amo tirar fotos, não minhas e sim de pessoas, paisagens, lugares, etc..Eu bato fotos muito boas e descobri que também tenho um dom pra isso, então, por que não fazer realizar-se estes sonhos hein ? Seria possível ? Lógico, aprendem uma coisa gente, na vida, nada é impossível, basta você tentar, querer e fazer aquilo que você sempre quis ter.
         Minha comida preferida é Bife, Nuggets, Frango a milanesa e batatas fritas..Essas são apenas as "favoritas".
          Minha besteira favorita : Pizza, Hambúrguer (apenas com carne grã filé), Empadão, Pastel, Cachorro-Quente, Coxinha(Salgados/Salgadinhos), é, acho que é só essas, mais sinto que tem mais rs, é porque não lembro agora kkk.
         Comidas ou besteiras que detesto: Camarão, Peixe, Lasanha, Sopa(qualquer tipo de sopa eu detesto), Linguiça, Carne Moída, Mostarda(+ou-), presunto, queijo minas, coxa ou asa de frango ( frango assado, pois só como o peito do frango), mortadela, peito de peru, pipoca doce ou salgada, etc, tem muito mais, só que não lembro.
          Doces que adoro: Nutella, Brigadeiro, Sorvetes, Fini, M&M, Pirulito Colorido(aquele grande sabe), Paçoca, Chokito (+ou-), leite condensado, ovomaltine puro, tem muito mais gente, só que a noite minha mente não funciona tanto kkk.
          Doces que não gosto: Doce de leite, pingo de leite, chiclete, pirulito com chiclete, bala hals, mentos, bananada, cajuzinho, etc.
          Bolos: só como de chocolate pois de morango acho enjoativo odeio os outros tipos de sabores ou recheios. Ah gente, eu detesto muito coco.
          Sorvetes: Favoritos são- Napolitano, Flocos, Chocolate com avelã, Tablitooo amo, creme,baunilha, passas ao rom sem a passas kkk, etc...
          Frutas que gosto: Minha favorita de todas é a melancia, mais também gosto da maçã verde ou vermelha, uva, banana, laranja, tangerina, e só.
           Frutas q não gosto: Coco, Abacate, todas, menos as que eu citei em cima.
           Bebidas favoritas: Bom, eu não bebo pois sou nova pra isso, e também não pretendo beber, mais as minhas bebidas favoritas são-Água, Coca-cola, Fanta uva, pepsi guarana antartica, soda, sprite, kuat, etc..
           Bebidas que não gosto são todas menos as que eu citei acima ..
           Meu maior mico na vida foi eu ter caido na praia na frente de todo mundo kkkk
  • Sobre mim

    Sobre mim....




    A história de uma garota perturbada.










     




























    “Há muita escuridão há minha volta. Tanto que não conseguia ver, mas agora sei que posso encaixar as peças do quebra-cabeça que é minha vida, e que as respostas irão interferir em muitas outras histórias.” Thaís Mariano




    Essa história é baseada em fatos reais.




    Se não está preparado para mergulhar no mundo, de uma

    mente insana, pare agora, ou

    certamente irá se arrepender.













    Introdução 










    Tudo começou quando era muito nova...Como toda criança vivia dentro do meu mundo mágico, mas diferente do sentimento que muitos tem, acreditava mesmo que a magia era real, e estava disposta a lutar para achar algo que provasse isso. Aos 11 anos , estava na 5° série, e após viver uma das histórias mais bizarras de minha infância, precisava de respostas. Certo dia quando estava a fazer um de meus rabiscos, coisa em que era viciada, percebi que sempre pegava, o mesmo livro azul para servir de apoio para os meus papéis. Como se houvesse um imã poderoso, que me puxava para ele, em vez de os outros livros que haviam na biblioteca de minha avó. E então me perguntei por quê, e resolvi me aventurar na leitura do mesmo. Minha avó disse que era muito jovem, para entender seu conteúdo tão “pesado”, e me proibiu de voltar a pegá-lo. É claro que como todo bom curioso, não me contive, e as escondidas o li. Não foi difícil, pois minha família vivia ocupada com os negócios, e por uma tarde inteira, ficava fora de suas vistas. O conteúdo era bastante sombrio, haviam : feitiços de São Cipriano para o bem ou o mal,  profecias de Nostradamus, rituais sanguinários, como criar a própria varinha mágica, ver o futuro com a conhecida bola de cristal, vodoo, e superstições Seu nome? Era Ciências Ocultas da Iavisa, e o volume que tanto me fascinava era o IV da coletânea. Haviam outros que tratavam de: Cartomancia, quiromancia, grafologia, significado dos sonhos, hipnose...Enfim diversos assuntos de interesse ocultista. Mas por alguma razão, desde que nem me entendia por gente, era levada para o quê se aprofundava em magia negra. Após ler toda a história da magia, e seus segredos obscuros, me interessei por hipnose. No entanto o volume II desapareceu antes mesmo que pudesse ver a sua capa. No começo, fiquei fascinada pelo poder, e ainda mais pelas possibilidades de pertencer a uma família de bruxos, e no ano seguinte me joguei de cabeça na ideia de me tornar uma bruxa. Naquela época não era tão simples quanto é hoje, era necessário ter o verdadeiro poder de mudar o mundo a sua vontade. E pelo que li, todos precisavam de um mestre, e este chegaria se você fosse o escolhido para fazer parte deste mundo. O meu nunca chegou, mas não desisti, e aprendi tudo o quê pude por conta própria. No ano seguinte, estava na 6°, havia acabado de perder alguém que eu gostava, para uma suposta amiga que sempre conseguia tirar de mim, tudo com o quê me importava. Ninguém respeitava meu sofrimento, pelo contrário todos riam, e ainda fofocavam sobre o meu fracasso. Já cansada de sempre ser tratada como fraca, resolvi usar meus recursos para mostrar que o melhor a se fazer, era "não se meterem comigo", e então peguei o meu livro, e espalhei seu conteúdo em sala de aula. Criando a minha frase de efeito que só viria usar no ano seguinte: É melhor não fazer nada contra mim, se não vou te fazer ficar doente, e nem os melhores médicos poderão encontrar a cura. O engraçado é que ninguém ficou com medo, estavam curiosos demais por verem um livro de magia real, para o temerem, e por um tempo todos seguiram a risca seu conteúdo, quando se tratava de evitar malefícios. Mas apesar de ser divertido no começo, depois isso me trouxe revolta, porquê meus coleguinhas sempre me viam como uma santa, incapaz de praticar os ritos de Cipriano, e ser uma garota boa, para mim se tratava de pura fraqueza. Detestava esta imagem, pois meus segredos obscuros, provavam o contrário. Era hora de lhes mostrar o meu verdadeiro eu, e assim o fiz. Com 13 anos...abandonei os cachos naturais, e alisei o cabelo para me tornar um digno fantasma. O batom rosa, foi substituído pelo preto, algo que caiu bem para minha pele anêmica, e fiquei conhecida como a aluna mais vaidosa da classe, aquela que jamais saia da frente do espelho. Ainda não era o suficiente, e devido a acontecimentos que só serão revelados no devido momento, criei gostos estranhos, e me entreguei as trevas. Num dia era apenas a aluna que dormia em sala de aula, no outro era uma automutiladora, que desenhava cruzes na pele, com cacos de vidro, e batia fotos, assustando a maioria das pessoas ao meu redor. Era divertido, não sentia dor, apenas prazer, e o sabor do sangue, me fazia sentir viva. É claro que para os professores e orientadores, minhas práticas eram abomináveis. Por isso muitas vezes ia para diretoria, e lá mentia sobre ter um acompanhamento psicológico,  lhe entregando números falsos, quando tentavam entrar em contato com meus pais. Minha mãe até tentou me levar ao psicólogo naquela época, mas fui uma vez e decidi não voltar, pois não queria ir parar na camisa de força, se no fundo não me sentia tão anormal, quanto queriam que eu acreditasse. Só que me aprofundarei mais nisso, quando chegar a hora. Aprontei bastante, e não são apenas dois ou três parágrafos que poderão servir para elucidar esta biografia.





































    Capítulo I 

    Meu mundo




    Queria dizer que minha vida é feliz, e só possuo coisas mágicas e maravilhosas para compartilhar, mas seria mentira. Isso aqui não é um conto de ninar, mas sim uma história repleta de lições, que por hora nem eu mesma consigo compreender.




     A criatura que aqui escreve, sempre foi estranhamente diferente, como? É o quê mostrarei agora...Toda criança tem um amigo imaginário certo? Mas eu não tive, bom pelo menos não apenas u. No seu lugar criei um mundo, cheio de criaturas bizarras de bom coração, e seres belos com almas sujas. Não me leve a mal, tinha 6 anos, e vivia trancada num terreno com um muro gigante, precisava de amigos, só que não podia sair de casa, pois minha mãe temia os perigos que a rua podia oferecer. Mal sabia ela que estas coisas terríveis se encontravam na minha escola, e até mesmo dentro de casa. No entanto, ainda não é hora de falar deste assunto. Bem, retomando...Sem amigos, e com uma família sempre ocupada, usei minha criatividade, e não fiquei sozinha. Toda tarde depois da escolinha, ia para o fundo do enorme quintal da casa da minha avó, e lá me comunicava com minha amiga Layla. Uma moça ruiva de pele clara, que carregava uma coroa de flores no topo da cabeça, e vivia de branco. Só eu a via, mas ela me levava para um reino, onde seres aparentemente malignos como: o bicho papão, lobisomens, morcegos, e sapos me protegiam, dos ataques da elite, contra quem lutava bravamente para salvar meus amigos da morte. Eram inúmeras batalhas, só que o foco permanecia sendo o mesmo: Nem todos que são belos são bons, e nem todos os que por fora parecem monstros, o são. Não sei ao certo, quando abandonei este universo em particular, mas me recordo perfeitamente das tantas vezes que mencionei a Layla. Eu nem sabia se este era o seu verdadeiro nome, todavia sabia que quando algo é sua criação, tem o direito, ou o dever de lhe nomear. Layla, era o nome da minha segunda Winx favorita, a primeira era a Bloom, com quem me identifiquei desde o primeiro episódio, por ser uma humana que ia estudar no colégio das fadas, e minha personalidade era bastante parecida na época. Só que por alguma razão, preferi lhe chamar de Layla, mesmo sem minha criação se parecer com a personagem. Com o tempo, fui me desvinculando deste mundo, e passei a desenhar enquanto vivenciava as aventuras de minhas novas criações, inspiradas em outros desenhos de fantasia e ficção. Ficava sentada no sofá, e após desenhar algo, mergulhava na página, e dava voz aos meus personagens. Muitas vezes fui pega por meus familiares paternos, que me olhavam com repulsa, e fingiam não ter visto nada, como se quisessem dizer “Não, não temos uma aberração entre nós, e se for o contrário vamos ignorar o fato”, e pela minha avó materna, que dizia que estava me comunicando com demônios. Eu não me importava, era feliz sendo solitária, e aqueles olhares não me serviam para nada mesmo. Só que de alguma forma, esse mundo interferia no meu, e por isso acabei vivenciando meus primeiros momentos sobrenaturais. Sempre que ia aprontar algo, saia ilesa do local antes que me percebessem, pois conseguia ouvir passos a uma distância tão grande, que antes mesmo do barulho chegar a dimensão física, eu já havia saído dali. Até hoje não consigo explicar, mas creio que há  teorias científicas, que possam fazê-lo, ao descrever a audição infantil. Tudo seria muito lindo e perfeito, se minha infância se resumisse apenas a esta parte, porém infelizmente não termina aqui, e é agora que meu mundo se torna sombrio. Como já mencionei antes, passava muito tempo sozinha, e apesar de não ser tão bela, este era um prato cheio para os predadores... Algumas vezes quando ia para o fundo do quintal, meu avô me fazia companhia, me carregando de um lado para o outro pelo nosso galinheiro, e quando ninguém estava olhando, o quê ocorria com frequência, colocava seus dedos de unhas grandes, por dentro de minha calcinha, pegando em minhas partes íntimas, e mais tarde me entregava algumas notas de dinheiro, como se o papel compensasse seu crime. Não que me machucasse, mas dentro de mim, sabia que algo estava errado, só não tinha ideia do quê, já que na idade em que isso aconteceu tinha 3 para 5 anos. Hoje há estudos que supostamente comprovam, que nossas memórias antes dos 6 anos são falsas, então não sei se estou certa ao culpar meu avô de abuso, mas minha lembrança do fato é muito nítida para duvidar, talvez seja porquê não sou normal. Infelizmente não para por aí, e desta lembrança me recordo com exatidão. Era de tarde, como sempre meu pai tinha esquecido me buscar na escola, e já ia da 1 hora. Foi quando resolvi ir para sala de TV escola, onde as outras crianças estavam vendo desenho, e me sentei perto do meu amável professor de balé, em quem minha mãe após muito vigiar, agora confiava. Quando me sentei com as pernas cruzadas, na frente dele, este colocou uma pasta cor de rosa de plástico, diante da minha coxa, cobrindo-a, e ali no meio de tanta gente, este sussurrou em meu ouvido: “Pensa numa coisa bem boa” e então colocou sua mão dentro da minha calcinha, e começou a massagear meu pequeno grelinho. Não me recordo de quando parou, contudo assim que o fez me levantei, e sai correndo. Nunca mais quis ir ao balé, pouco a pouco fui inventando desculpas, até que deixei de comparecer aos ensaios. Pra ser sincera, nunca gostei das aulas de dança, sempre fui fã de luta, mas meus pais nunca quiseram me colocar numa academia, porquê achavam que : 1-Não era para meninas e 2-Não tinha mente para ser lutadora. Pelos argumentos nem preciso dizer que o primeiro vinha de minha mãe, e o segundo do meu pai. Poderia ter sido pior, hoje tenho a consciência disso, mas dentro de mim, preferia que não tivesse acontecido, pois isso liberou minha sexualidade e maturidade cedo demais, e não pude ser criança. No maternal, já tinha tido experiências de masturbação em grupo, e beijo homossexual, até hoje me pergunto com quem foi meu primeiro beijo, porquê esse momento que devia ser importante, não teve significado algum. E pior, como se já deve saber, o agredido repete os atos do agressor, por isso fui responsável por diversas iniciações sexuais de garotos e garotas mais jovens, quando tinha apenas 9 anos. Na época me sentia bem ao praticar o mal, roubando de inocentes o mesmo que me foi roubado, seus primeiros beijos, sua ingenuidade, e até a virgindade das  meninas. Antes de praticar certos atos, ia para frente de qualquer espelho, e sorria para mim mesma, com gosto. Aqui sim, admito que fui um monstro, tão cruel, quanto os que me fizeram assim, e hoje de certa forma me arrependo, pois tenho ciência, de que aquelas crianças não tinham culpa, e não mereciam esse destino. Por conta de meu sofrimento, criei uma dupla face: Uma que apresentava para os que queriam me conhecer, e outra que só as vítimas de minha perversão conheciam.  Isso associado ao fato de que tinha um pai, quase ausente, que pouco tinha apreço por mim, uma mãe sempre presa no trabalho, que lutava para estar comigo, e me dar o quê não teve, e amigos que só estavam por perto, por causa da minha mesada proibida, e outros bens materiais. Fez de mim, uma pessoa amargurada, sem simpatia pelo próximo, e quando vieram me forçar a ir para a igreja, eu simplesmente disse não. Pois apesar de errar constantemente, e cometer muitos pecados, sempre pedi perdão com o coração pesado, mas Deus nunca me ouviu, e me abandonou quando mais precisei de proteção. É claro que como bons católicos, meus pais não entenderam, e por isso me obrigaram a estudar a bíblia, todo sábado com uma testemunha de jeová. O cômico é que antes de fazer tais estudos, era temente ao Diabo, e só o chamava por seus diversos nomes, em momentos de raiva, mas depois de descobrir o significado do nome, e estudar sobre as origens do mais famoso anjo caído, passei a ficar fascinada por ele, sentindo-me como se fosse a encarnação do mesmo, por sermos parecidos. E é aí que minhas outras antigas experiências paranormais, se tornam mais significativas. Enquanto sofria com a falsidade humana, e o trauma do abuso que suportei calada, evitando o agressor de todas as maneiras possíveis, também vivi duas experiências magníficas, que jamais poderei esquecer. A primeira ocorreu na escola Guanabara, que se localizava no canto do cemitério do centro, e a segunda no pátio da casa de minha avó. Era uma tarde como qualquer outra, e como em todo canto próximo as lápides, falava-se de um fantasma no banheiro feminino.  Como todo bom estudioso, preferia não crer em tais ladainhas, todavia no fundo queria saber se o fato era verídico, e por isso fui desvendá-lo. Certo dia, fui ao banheiro, apenas para averiguar, e provar que aquele medo era bobagem. Peguei minha coragem e entrei no local assombrado, para lavar as mãos, e foi quando fui surpreendida. Todas as torneiras giraram juntas, como se minhas mãos as controlassem. Tomada pela adrenalina, fui até o vaso sanitário para ver se o mesmo agora continha a água da cor do sangue, só que isso sim era falso, e quando sai a luz se apagou. Não ficou tudo escuro, ainda podia se ver algumas coisas, devido ao reflexo da luz solar, e por esta razão fui capaz de vê-lo. Um ser, todo coberto por uma mortalha negra, que não tocava os pés chão, estava parado no fundo, e antes que fizesse algo para me ferir, eu sai as pressas do seu caminho. Se pensa que fiquei conhecida como a “louca que via vultos”, por ter gritado de medo, está muito enganado, eu corri sem olhar pra trás, mas quando me aproximei da sala, respirei fundo e fingi que nada tinha acontecido. Cheguei a comentar com alguns coleguinhas, sem muito entusiasmo, e terminou aí. A escola era estranha, sempre se ouvia vozes detrás dela, que não se sabia de onde vinham, então o fato de existir um fantasma ali não era nada incomum. Essa experiência paranormal, foi a mais marcante de  minha vida, só que não foi a primeira. Quando menor, não me recordo da idade, via as sombras tomarem formas de pessoas, antes de dormir, e dormia pensando em quem eram aqueles homens e mulheres nas paredes. Além disso tinha sonhos que previam o futuro, não de forma significante, mas que me servia de maneira útil, ao tentar achar objetos perdidos, era realmente fascinante. E por falar em sonhos, há um do qual não conseguirei esquecer, o muro dos mortos. Não sei quando aconteceu, só me lembro do quê houve, em alguma noite, tive acesso ao terreno dos meus avós , de forma onírica, e vi que atrás do pequeno muro, que nos separava do vasto mato, tinham várias lápides. Não me assustei, naquela época tinha uma coragem de ferro, apenas achei esquisito, e quando fiz 15 anos se tornou ainda mais, pois minha mãe me disse que o nosso antigo lar, era um cemitério de índios. Talvez por isso Layla, fosse tão parecida com os índios norte- americanos, pensei, contudo este era um mistério que só viria a ser resolvido mais tarde. O segundo grande e inacreditável fato sobrenatural, não foi tão obscuro. Na verdade, eu diria que é mais digno de uma ficção-científica, do quê do terror. Mas para me aprofundar nisso teremos que falar de uma das motivações, para ter determinado, que há mais chances de encontrar um ser humano ruim, do quê alguém que me queira bem, e parte de minha desconfiança se resume a uma pessoa, uma garota que claramente tinha problemas de personalidade, pois adorava imitar minhas frases e projetos criativos, e tal coisa seria adorável, se ela não agisse como se o quê inventei era seu. Seu nome é Claudiane, e os que são próximos de mim, saberão a quem me refiro. É, querida, não me esqueci do quanto foi oportunista, assim como também me recordo, que mesmo te conhecendo bem, preferi que não se afastasse. Porquê meus familiares gostavam de você, e bem era a minha primeira amiga, após uma amiguinha do maternal ter se juntado a detestável Carla Ivana, me levando a me misturar com os meninos, e as promiscuas mirins que iniciaram minha descoberta da  sexualidade. Não queria te perder, apesar de você sempre competir comigo sem razão alguma, roubar os meus pretendentes, só porquê o seu cabelo era melhor, era mais magra, e todos me achavam baranga, e ainda sim mesmo detonando, no fim eu era a vencedora desta batalha mortal. Porquê com o meu jeito de ser, tinha muito do quê você queria: Pais liberais, para quem apresentei o meu novo namorado, coisa com a qual você nem podia sonhar, senão sua mãe te esganava. Poder contar de verdade sobre o meu dia, tinha uma mesada, que esta altura era apenas a forma do meu avô se desculpar, por sua doença. Sair, pra onde eu quisesse. E sobre o namorado, ainda que eu fosse pior que você, ele te largou para ficar comigo, e eu o larguei porquê me apaixonei por outro garoto, então isso fala por si só. Você lembra que não quis ir para a mesma escola no último ano? Bem foi por isso, por isso, e ter dito a todos que o tema “Água” era ideia sua. Sendo que nós duas sabemos a quem pertencia, pois ao contrário de você, quando se tratava de salvar o mundo, as aulas tinham toda a minha atenção. Porém apesar de tudo, foi com você que esse episódio aconteceu, e a nossa competição, se tornou a chave para destrancar a porta dos limites físicos. Num final de semana, resolvemos colocar as roupas de banho, e fomos brincar com o balão cheio d’água. O jogo era simples, quem o deixasse cair perdia, e de tanto ser derrotada por ti, não iria entregar a vitória de bandeja. A luta se iniciou, cada uma dando o seu melhor para não perder. Logo atiramos com mais velocidade que o normal, e quase nos tornamos vultos, dentro dos limites do possível. Só que algo fugiu do controle, e o tempo ficou tão lento, que quase parecia está se congelando. A bexiga rasgou no ar, e vimos a água cair como se fosse uma cachoeira, como se cada momento tivesse sido cronometrado. Falamos muito daquele momento, e ambas achamos fantástico, foi um dos poucos momentos em houve amizade verdadeira entre nós, e já se dizia o velho ditado: Tudo que é bom dura pouco. Naquele mesmo ano, uma de nossas colegas deu uma festa do pijama, para qual todos foram convidados, e a maioria ficou, infelizmente meu pai não deixou, e fez pior disse que da próxima vez diria sim. Por quê ele usou aqueles termos? Por quê?! É o quê me pergunto hoje. Houve sim a tão esperada chance, mas preferia não ter que não tivesse acontecido, pois apenas eu fui, e isso se fez o momento perfeito, para ser pega numa armadilha. Numa tarde de sexta-feira, a mãe dessa colega veio buscar a filha, então conversou com meu pai, que ligou para minha mãe, e todos acertaram que eu poderia ir dormir na casa dela. Meu pai proprois que fôssemos a Top Game, a minha locadora favorita, para pegarmos as fitas, mas eu disse não, insistir para ir, porquê todos ficaram naquele dia, e eu não, e então fui para a casa da menina. No caminho a mãe desta fez uma pausa no supermercado Fortaleza do bairro Laguinho, e falou que não tinha dinheiro para mais nada além do necessário. Eu entendi a mensagem, só que a filha não, e foi assim que o desastre aconteceu. Ao entrar no lugar, Manuela (A minha colega de classe) teve a brilhante ideia de roubar a barra de chocolate, e assim o fez, passou pelo caixa na frente do guarda, pegou uma barrinha de chocolate, de marca pouco popular, e me puxou pelo pulso ao correr para o banheiro. O vigia bateu na porta em poucos segundos, e nos levou para fora. A menina me implorou para não dizer que tinga culpa, e como toda idiota, tomei a responsabilidade para mim. As pessoas me olhavam com repulsa, como se eu tivesse matado alguém. Eu chorei, disse que pagaria depois, porquê dinheiro não me faltava, e ninguém acreditou em mim, porquê andava sempre como uma mendiga, já que grifes e sapatos bonitos não me atraiam, era como a Hanover do filme Meninas Malvadas 2. Ao chegar na casa dela, sua mãe, uma mulher que parecia viver de drogas e álcool, me deu vários sermões, como se eu fosse a má influência. Entrei em desespero, e cheguei ao ponto de dizer que sofria de cleptomania, por causa da novela das 9, só para proteger aquela garota. Alguns dias se passaram, e a mãe da menina que descobrir se chamar de Edna, foi falar tudo ao meu pai, que é claro não duvidou dela nem por um minuto. Afinal de contas vivia pegando as coisas de minha avó sem permissão, quebrava objetos, e era a maior fofoqueira, uma cobra como ele mesmo dizia, então só podia ter roubado mesmo. Ouvi muito naquele dia, até meu pai se calar, e agir com frieza, só que foi a noite que não pude suportar a mentira, não quando ele falou a minha mãe, que fazia de tudo por mim. Contei-lhes a verdade, e logo o drácula (apelido que dei ao papai, por ter o cabelo igual ao do vampiro) mudou sua postura, e tudo teria acabado bem se Manuela, não continuasse com sua versão falsária, e falasse a todos da escola. Discutimos muito sobre isso, e os outros apenas riram, dizendo que aquilo era uma verdadeira novela. Novamente, ninguém acreditou em mim, e talvez por isso tenha perdido a cabeça. Numa tarde qualquer, as meninas foram para a casa de minha avó, e todas ficaram do lado inimigo na hora de outra discussão. Me enfureci tanto, que fui ao fundo do terreno, e soltei os cachorros para devorarem-nas. Não senti pena de seus gritos, nem tive compaixão, só desejei destruí-las, meu pai veio socorrê-las, e me deu aquele olhar de “Você é uma aberração”. Mas não me senti como errada, só tive a sensação de mostrar minha força. Este não foi o primeiro episódio de traços psicopatas, acho que a solidão me fez monstruosa, pois nem minha prima escapou. Só que para retratar melhor essa história, teremos que esclarecer como era a minha relação com os parentes. Antes de minha prima nascer, achava que era hábito da família de meu pai serem tão frios, e pouco afetuosos, interessados apenas no quê se podia ganhar, e sempre negarem a derrota, e os sentimentos mais profundos.  Frases como “Você tem que colocar o dinheiro na frente do amor” e a “Família e a amizade acima de seu companheiro” eram bastante repetidas por minha família de sangue. Então achava compreensível, que sempre exigissem muito de mim, e não houvesse uma gota de reconhecimento, por tudo que alcançava. Até que um nascimento, mudou a minha opinião a respeito deles. Das migalhas que recebia, o pão de amor e atenção era todo da minha prima, que viera depois de mim. Dizem que o primeiro é sempre mais paparicado e querido, mas hoje estou aqui provando o contrário. Se tirava uma nota boa, havia apenas o mais gélido parabéns, só que se a menina aprendia a amarrar os sapatos, tinha de haver um almoço para comemorar. Se surgia uma personagem feia, gorda e nariguda, minha avó fazia questão de enfatizar que “era a minha cara”, mas se tinha uma atriz bela, ela dizia que era igual a Menara, a sua favorita. Como se não bastasse, eu tinha que lavar a louça, arrumar a casa, e servir de empregada para as visitas, enquanto a princesa ficava vendo TV, sendo que ali tinha muitas empregadas, era humilhante. Para piorar a “mimadinha”, adorava entregar meus planos, e nem mesmo com meus dons, podia sair ilesa quando aprontava algo. Ao chegar na sala, trocava os programas , para por desenhos estúpidos sobre como contar  “1,2, e 3”, e a maioria aprovava suas tolices. Minha vida era um inferno, como se não fosse o suficiente, não ter amigos na escola, não tinha paz em casa, nem isso, nem carinho. Era sempre culpada por tudo de errado, e a minha mãe, a única pessoa que me amava e me apoiava, estava sempre presa no trabalho, e eu só a via a noite. Era horrível, sim, eu tinha inveja do amor, que minha família paterna direcionava inteiramente a aquela garota, e tal coisa me consumia tanto, que chegava a desenhar a todos que machucavam, morrendo esquartejados, pelas minhas próprias mãos. Quando não, pegava velas, e ia para o galpão onde desenhava no escuro, pois em meio a tanta solidão, me sentia melhor ao ficar isolada. Porém houve um tempo, que acabei explodindo, e sobrou para ela. Tinha 12 anos, e havia acabado de chegar  da aula, com a mochila nas costas, e uma rejeição cravada no peito. Como de costume, coloquei na Playtv, o melhor canal de entretenimento na época, e então aumentei o volume, pois como num passe de mágica, só estavam tocando músicas sobre amor platônico. Estava devastada, era rejeitada pelas amizades, pelos meus familiares e pelo amor, não tinha paciência para as asneiras de uma criança, que tinha tudo o quê queria. Mas ao contrário de mim, Menara estava animada, feliz, radiante, e como poucos lhe diziam não, ficou pulando no sofá, e puxou a folha do meu caderno. Acho que perdi a noção depois disso, já que tudo do quê me recordo em seguida, é das minhas mãos no seu fino pescoço, pressionando-o sem parar, pronta para cortar o mal pela raiz, e eliminá-la para sempre. No entanto, quando tive um momento de lucidez, pensei que poderia ir parar na cadeia, e só por este motivo, não fui até o fim. Ela contou ao meu pai, que novidade, me tratou como um monstro, só que naquela altura após ser tão maltratada, nem ligava mais, e menti com gosto, alegando não ter feito nada. O mesmo veio a acontecer, quando tinha 14 anos, desta vez com um gato que tentei sacrificar, só que ao ver seus olhos azuis, fiquei tocada, e decidi que não mataria nenhum animal doméstico, eles não mereciam essa tortura gratuita. Com o tempo cansei das migalhas dos Mariano, e passei a ir direto para casa dos meus pais, onde ficava sozinha o dia todo, mas livre daqueles lobos devoradores de alma. Foi nessa época, que fiz minha primeira amizade que valeu a pena, pois foi com ela, que aprendi o significado das minhas experiências paranormais, e com quem pude ter a segurança, de compartilhar sobre os garotos de quem gostava, sem ter medo dela me tomar um deles. Seu nome era Vanessa, e ela era bem diferente das patricinhas hipócritas, com quem tentei desenvolver a amizade, e dos nerds inocentes que levei a perdição, por ser um pouco pervertida para a minha idade. Meus pais não gostavam da nossa amizade, minha mãe porquê qualquer uma que se afastasse de ser uma Barbie, era malvista, e meu pai, porquê éramos de classes sociais diferentes, o quê na sua visão implicava em ser só uma interesseira. Mas eu preferia ter alguém digna de compartilhar as minhas coisas, do quê uma enchedora de saco, que era uma pedra enorme no meu sapato, e ele não entendia isso. Aliás ele nunca entendia nenhuma das minhas escolhas, como quando terminei meu namoro com o garoto dos seus sonhos, e ficou falando para voltarmos. Pouco antes de conhecer quem viria a ser a minha melhor amiga, eu andava com os veteranos do colégio, junto ao povo da 6° série, minha turma com quem tentava ter uma boa relação, apesar de tudo. Adorava ir pra sala deles na hora do recreio, pois sempre me dava bem com os mais velhos. Todo dia íamos comprar tip-top, um chopp, ou  sacolé como alguns conhecem, que era vendido por alguns centavos na época. Catávamos moeda por moeda e íamos até a loja, com as nossas bandanas amarradas na testa, uma marca registrada do grupo, que fora inspirada no anime Naruto, e por isso nosso nome era  “Naruteiros”. Enfim...Pouco a pouco todos iam para casa, e ficava apenas eu e Caio, um nerd veterano, muito bonito, que lembrava o Fred do programa ICarly, amigo de minhas duas amigas Ariane, uma Naruteira nata, e Luane, uma quase anti-anime, que estava no grupo pelas conversas de meninas. Ele era um cavalheiro, que fazia questão de me esperar, para poder partir. Conversávamos bastante, sobre os interesses em comum, e as minhas tristezas, que se resumiam a rejeição do seu melhor amigo, um idiota, que só teve minha atenção porquê tive um péssimo pai. Ao vê-lo todos dias, meu pai sempre brincava que o rapaz estava interessado em me namorar, e eu achava que não. Até que ele revelou gostar de mim, e começamos a namorar, com direito a ir conhecer sua família, e tudo mais que é importante, para provar que o relacionamento é sério. Muitas meninas ficaram chateadas, pois por ele ser bonito, era bastante popular entre as garotas. Eu não ligava, o achava legal, por ser parte do grupo, e como tal me conhecia bem. Sabia até que eu era a responsável por mostrar aos Naruteiros, a versão erótica do anime que nos uniu, e não me tratava como uma vadia por isso, então tinha motivo para me orgulhar. Só que por mais que eu tentasse, não conseguia gostar dele, tanto quanto ele gostava de mim, tinha dificuldades em expressar meus sentimentos, porquê eram quase nulos, e por isso na primeira besteira terminei nosso relacionamento. Por alguma razão, ele quis voltar, mas eu não, e pior o humilhei perante seus amigos, ao gritar que gostava de outro, e esse outro era o seu melhor amigo. Sim, fui uma idiota, e hoje me arrependo, não porquê acabou, mas sim pela forma que o tratei, ele era um cara legal, e não merecia que eu despejasse todo meu ódio interno nele. Apesar de saber tudo isso, meu pai nunca aceitou o fim, e até hoje anos depois diz que aquele era o cara certo, assim como acredita que minha amiga, foi má influência. 

    Capítulo II

    Conhecendo o oculto




    “Portas se movem com o vento, não se sabe o quê há lá dentro. Palavras rimadas, podem ter consequências desastrosas. Cuidado com o anjo que agora virou o demônio”




    Após terminar com Caio, e levar outro fora do babaca, que por pouco não apanhou da Vanessa. Vivi uma das épocas mais felizes de minha adolescência, pois finalmente tive com quem compartilhar minhas dores e segredos. Nós duas sempre levávamos foras, só que tendo o  ombro uma da outra, qualquer fato ruim se tornava alegre. Mas minha vida com minha amiga, não era tão comum, ela tinha uma amiga fantasma chamada Laura, e sem querer fiz uma amiga também, que se chamava Samara. Algo que no começo me deixou com muito medo, porquê ela escreveu seu nome na parede, e havia um filme de terror de sucesso denominado de “O chamado” no qual a personagem Samara Morgan saia de dentro da TV, para matar todos os que viam a fita da sua morte. Detestava aquele filme, pois como ficava muito tempo só, a TV era a minha única companhia, e temia que algo acontecesse comigo. Inicialmente,  fugi de casa com medo da fantasma, e fui pra casa da minha amiga, que ficava há uma rua de distância da minha. Nós tentamos confrontá-la, só que parecia pior, faltava luz a noite, as rajadas de vento eram intensas, e víamos pessoas nos quadros de paisagens. Exatamente como num filme de terror, ela riscava as paredes, escrevendo mensagens bem agressivas. Eu chorava de medo, pois via muitos programas sobre assombrações, e o fim era sempre trágico. Não queria morrer tão cedo, até que um dia, Vanessa me ensinou  a fazer o tabuleiro oija, usando o meu fio de cabelo, papel e caneta, e me comuniquei com a visagem. Ela não era um espírito da casa, tinha vindo comigo de nossas andanças pelos cemitérios. Apesar de zombeteira, não queria me machucar, só queria companhia tanto quanto eu, e logo nos tornamos amigas. Minha família não aprovou nossa amizade, tinham medo demais dela, e só me criticaram pelo laço estabelecido. Como estavam enganados, ter a Samara por perto foi a melhor coisa, pois sabendo que tinha uma amiga do outro mundo, me sentia mais segura, quando voltava para casa, ou andava pela rua. E tudo deu certo até que um dia, num domingo adormeci no sofá, e vi uma esfera de luz branca vindo até mim. Era a minha amiga se despedindo, disse que nossa amizade havia lhe levado de volta para a luz, e agora precisava partir, nunca mais a senti desde então. O quê me levou á procurar por uma nova amizade, mas isso não acabou tão bem, um espírito nada gentil se apresentou no tabuleiro. Ele tinha 37 anos, não fazia questão de ter novos amigos, e após o chamado, coisas terríveis começaram a acontecer. Facas caíram de dentro do armário, sempre que íamos pegar algum utensílio. Vultos passaram a nos assombrar, e a segurança se reverteu em medo. No entanto apesar do perigo eminente, algo nos protegia, pois quando a lâmina chegava perto do pescoço, desviava para o lado oposto, evitando um acidente. Pra ser sincera, mesmo assustada, aquilo era incrível, e me motivava a estudar e pesquisar sobre o mundo paranormal. Todo dia lia livros espíritas, e ia para a lan house, uma casa de acesso a internet, e perguntava a amigos como proceder, para comprovar a teoria dos fatos, e foi assim que realizei meu primeiro banimento. O processo foi simples, a casa era minha, e nela o espírito não podia habitar, sem permissão. Então eu literalmente o expulsei do meu lar. Nesta época, estava num relacionamento conturbado, com um suposto mago, que me achava “trevosa demais”, por ter ideias bem distantes do moralismo. Este sempre me criticava, aliás o conheci numa discussão, por ter vindo brigar comigo em um chat, nem sei como isso se tornou um namoro virtual. É, eu era solitária, e como toda pessoa sem autoestima, vivia na internet, a procura do par ideal, pois acreditava que ninguém da cidade, poderia ser o homem dos meus sonhos. Bobagem, eu sei, mas tinha 14 anos, nada sabia sobre a vida, apesar de achar que sim. Entrei nessa onda, depois que minha tentativa de conhecer o par perfeito, por um cadernos de perguntas, pareceu ser a maior farsa de todos os tempos, e aí que se inicia outra parte da história... Certo dia, as meninas começaram um jogo em sala de aula, no qual faziam várias perguntas, num caderno, e entregavam para os outros assinarem. Assim se fazia novos amigos, ou encontrava-se um par, e como eu era tímida demais, vi que esta era a oportunidade perfeita, para conhecer as pessoas. De alguma forma, o meu caderno foi parar nas mãos de um amigo de Vanessa, que se chamava Karlos, e este havia lido as minhas respostas, e supostamente teria se interessado por mim. Começamos a escrever cartas, estilo romeu e julieta, e marcamos de nos encontrar em vários lugares, mas em nenhum deles ele foi, e a única vez que acho que o vi, foi no show da Pitty, que teve na minha cidade natal Macapá-Ap. Só que como estava sem comer pra ficar em forma, acho que foi parte de um delírio. Após algum tempo, comecei a duvidar de sua existência, podia ser muito bem a minha melhor amiga escrevendo as cartas, já desgastada de tanto de me ver chorar, por babacas que me faziam sofrer. Foi quando conheci Dante, o pseudônimo do tal mago, e acabei por “trair” esse fantasma, uma boa razão para terminar, contudo segundo minha amiga, ele vivia o mesmo dilema, dizendo que fora inventada, e após o termino com o ocultista da luz, queria voltar, só que eu temia que se vingasse e me deixasse, por isso recusei a proposta. Depois do fim com Dante, por causa do meu conto incestuoso, que era na sua visão, terrivelmente grotesco, me envolvi com um fantasma, que se chamava Yuri, e acredite em mim, foi o fim da picada levar um fora de um espírito! O engraçado é que com tantos fracassos no amor, sempre me recuperava rapidamente de um término, num dia chorava, e no outro voltava a luta. Todavia, há um dia que merece ser lembrado, não me lembro com quem terminei, só de ter ido até o fundo do quintal da casa de minha avó, onde me sentei numa construção de madeira, e a mesma se encheu de pássaros negros, que ficaram envolta de mim em plena 18 horas, sob o céu parcialmente nublado. Foi estranho, e não consigo me esquecer desse dia. Mais tarde, por sugestão de um amigo, comecei a conhecer o satanismo moderno de Anton La vey, e adorei cada página da bíblia satânica, porquê suas regras se tratavam de responsabilidade, e não obrigações como a Wicca, religião para qual anos antes tentei entrar , mas não deu certo, porquê parecia uma forma de cristianismo disfarçada com magia, e não me manteve atraída. Por conta disso, aos 15 anos  passei a procurar por um parceiro adepto do satanismo, e assim passei a andar com o namorado de minha amiga Gláucia, que me garantia que ia me encontrar alguém. Seu nome era Rodrigo, e o cara se considerava o maior satanista da cidade. Era um babaca completo, falava mal dos que pouco compreendiam Satã, e adorava zombar, principalmente dos que se diziam “filhos de Lúcifer”. Por ser conhecido como “sinistro” se achava o tal. Uma vez, me apresentou a um amigo, mas este se encontrava abaixo das minhas expectativas, bem abaixo por sinal.  Certa vez, me chamou para sair, e eu aceitei, porquê fazia tempo que Gláucia, o jogava para mim, criando situações para nos deixar a sós. Desta saída, virou um namoro, que para a minha surpresa, foi um choque para Gláucia, e quando o mesmo não deu certo, porquê Rodrigo mentiu para mim, fiz o meu primeiro ritual de magia negra. Era halloween, meu namorado idiota, disse que estava doente para ir a festa comigo, mas mais tarde, uma amiga veio alegar que ele foi ao evento, e isso me deixou furiosa. Ás 5:00 da manhã respirei fundo, e pensei na minha vingança. Quando deu 6:00, peguei um papel e caneta, e escrevi com detalhes, canalizando minha ira que algo terrível lhe aconteceria. Selando o papel queimado nas beiras, com meu nome escrito com sangue, junto dos nomes dos príncipes do inferno, na ordem de seus elementos. Naquele mesmo dia fui visitá-lo, este estava “quebrado”, mal conseguia andar, seus olhos amarelados e murchos, tinha ido ao médico, e este atestara suspeita de pneumonia. Contei-lhe sobre o quê havia feito, e este implorou para que eu desfizesse meu ritual,  assim o fiz, tinha lhe dado uma lição e isso bastava. É claro que o relacionamento não durou, um dia brigamos, e eu joguei o anel que me dera na sua cara, diante dos amigos. Mas este não foi o único  motivo para dar um basta. No mesmo ano, entrei no jogo dos espíritos, e fui ameaçada de morte, para terminar com ele, no dia 10 de uma determinada data, acho que era outubro ou novembro, do ano de 2010. Se foi em 10/10/10 é uma enorme coincidência, pois só vim saber dos chamados portais, em 11/11/11, no entanto, não posso afirmar nada, pois não tenho certeza. Retomando, após receber a tal ameaça, mantive o relacionamento, apenas para irritar as entidades, e a Glaucia, que vivia me atacando com paus e pedras , através de mensagens na rede social Orkut. A vida era minha, e um bando de gente morta, e uma garota, não devia se intrometer. Mas isso aconteceu após fundar a minha própria seita chamada Sees, então eu e as componentes do grupo quase morremos, aliás em um dos  encontros, nós 4 quase fomos atropeladas, e para acabar com as “quase mortes”, tive de largar o canalha, a pedido das meninas. Não foi difícil, há semanas vivia sonhando que ele e Gláucia voltariam, e como minhas previsões oníricas, quase nunca erravam, preferi deixar pra lá. Ele já tinha cumprido seu propósito, tirar minha virgindade, e ficar uns meses comigo, para não ser como as outras otárias, que o cara desvirgina, e no dia seguinte some. Eu não o amava, só dizia isso pra iludi-lo, meu “amigo”( cara em quem fui interessada por um tempo, mas não deu em nada, por me muito vadia) Midaní sabia disso. Tudo o quê eu gostava nele, era o fato de ser satanista, fora isso nada mais lhe era atraente. Falava errado, não era elegante, se misturava com qualquer um, e ainda se achava no direito de comandar, as diretrizes de um verdadeiro satanista. Quando acabou foi libertador, nunca me senti tão bem por me  ver longe de um fardo. Na mesma semana, fui atrás de um encontro, e mudei meu pseudônimo para Carry Manson, dizendo a mim mesma que seria diferente, e finalmente acharia alguém digno de mim. Era sábado a noite, fui a uma casa de acesso, enquanto minha mãe estava no trabalho, lá entrei na rede do MSN, onde fui bater um papo com um garoto, que desde a época das cartas do garoto misterioso, me chamava para sair, e eu dizia sim, mas não ia, temendo que fosse um maníaco, ou pior, alguém que não me atraísse. Seu nome na rede era Nightmare BK, havia o conhecido, por ser um dos amigos de Vanessa, ele não tinha foto, mas um motivo para não confiar, e sempre que conversávamos, mandava exclamações, o quê me levava a crer que era um rapaz alegre, e eu sempre preferi os solitários aos palhaços. Mas pensei: Quem sabe não tenha um amigo que faça o meu tipo? É claro que só quer sair comigo, por me achar bonita, não tô ferindo os sentimentos de ninguém. Enviei a mensagem, e perguntei se a gente tinha brigado , porquê realmente eu me focava tanto no satanismo, e nas minhas desilusões, que mal lembrava do porquê a gente não se falava mais. Ele disse que não, então fui direto ao ponto. Falou-me que tinha um amigo e ia ver, depois voltou e disse que não dava, mas que ele estava disponível, por alguma razão aceitei e peguei seu número. Ficou claro que ele estava interessado, e tinha inventado um amigo, então por quê não? Até onde sabia podia ser minha alma gêmea. Realmente não sei, como o pensamento de “ele é um louco” foi para “Minha nossa é o meu futuro ex-namorado”(Depois explico) mas aconteceu. No domingo a noite, liguei para ele, e rapaz como me enganei! A sua voz era melancólica e profunda, bastante séria. Me apaixonei, mas para saber se seria amor, ele precisaria responder as mesmas questões do meu caderno de perguntas da 8° série. Eram 100 questões, com tudo o quê eu queria agora de alguém, e ocorreu que ele era compatível comigo em 99%, algo que nos rendeu uma ótima conversa de horas, antes do nosso encontro na segunda-feira, para o qual iria com Vanessa e Claudiane, só por precaução. Que garoto fascinante, acreditava em eventos paranormais, tinha histórias com fantasmas para contar, era um satanista nato, que ainda desconhecia sua vocação diabólica, não gostava muito de peixe, rock era o seu estilo favorito, mas não menosprezava os outros, e arrancar um sorriso seu era complicado. Ele era perfeito! Tão perfeito, que naquela noite fui dormir pensando nele, e sonhei que namoraríamos, e isso seria motivo de grande festa, entre minhas amigas. Aliás no sonho, eu estava feliz e tinha o olhar de realizada, dizendo: Eu tô namorando o Nightmare! (essa parte cantava que nem o início da música Nightmare do Avengend Sevenfold) Fui ao encontro, de botas dizendo que levaria a “Death people” escondida na mesma, minha faca de estimação, e o conheci. Nos apresentamos, e fomos andar pela Fortaleza de São José, o antigo  point jovem da pequena cidade. Segurei sua mão logo de cara, e conversei com ele, estava de boné, e usava os fones de ouvido, me senti um pouco tímida e desajeitada. Nos sentamos, e ele me deu um dos fones, ouvimos a Hollywood Worm do Papa Roach, e ele me contou sobre o clipe, de como o rosto da moça se despedaçava neste. Só que o danado, gesticulou, tocando meu rosto, e fiquei corada. O encontro foi bom, mas não durou muito, meu pai, agora separado de minha mãe,  queria “me ver”, e nos interrompeu. Ficou furioso ao saber que estávamos no morrinho escuro, mas minha felicidade era tanta, que nem me importava. Já me via namorando ele, só faltei ter dito “acho que tô apaixonada por você”, quando mandei um SMS, mas ele achava cedo demais, e por isso lhe dei um gelo, e fui dormir. No dia seguinte tinha algumas mensagens suas, respondi com frieza em dobro, se seria só um fica , eu nada mais queria. Foi então que marcamos o segundo encontro, agora na praça da bandeira, neste definimos o quê queríamos, e porquê queríamos. Juntos cometemos o mesmo erro, falamos dos ex’s para enfatizar as razões dos términos, e tínhamos a mesma opinião: Queríamos algo sério. Como ele mesmo disse “eu não gosto de relacionamentos de 1 segundo” e eu gostava menos ainda. Após nos resolvermos, fomos para um banco, e ali ele me roubou um beijo. Foi o meu primeiro beijo roubado, eu acho, não consigo me lembrar de mais ninguém fazendo isso comigo, antes dele. Deve ser por isso que foi tão mágico, e ao mesmo tempo cheio de tesão. Ele tinha uma pegada na cintura, que ficava entre safado e santo, na medida certa. Depois disso fui pra casa, outra vez feliz da vida, finalmente alguém que era exatamente o meu tipo, estava comigo, e isso era o máximo. Agradecia aos deuses, mentira, somente a Satã, pelo tal amigo dele não poder ter ido. Naquele ano... Passamos o natal juntos, foi a primeira vez que não estive com aqueles abutres dos Mariano, ou com os santos dos Cavalcante, e isso me deixou super feliz. Fui logo para o quarto dele, e lá nos “pegamos” e as coisas foram esquentando, pois estava com um sexy vestido de veludo. Numa hora estava por cima o beijando, outra por baixo, e sentia seu corpo colado ao meu. Mas apesar do evidente fogo, decidi que só iria pra cama com ele, depois de 1 mês, para garantir seu interesse em mim por algum tempo. O quê tá pensando que é só vim e me levar pra cama? Era uma vadia mas não a esse ponto. No natal perguntei se podia mudar o meu status do Orkut para " namorando", sim fui bem direta, e a resposta foi sim, e mudamos o status, era oficial estávamos namorando, só que segundo ele na sua visão nosso namoro começara no segundo encontro. Certa vez ele foi na minha casa, e eu o enrolei até não ter mais ônibus, fazendo-o ficar para dormir. Desgraçada como só eu sou, coloquei a camisola mais curta que tinha, e dormi de costas para ele.  Faltava pouco para fazer um mês, e eu queria deixá-lo louco para nossa primeira vez. E quando a hora chegou foi um desastre, achei que tinha deixado de ser virgem, e quando o senti, parecia que não. Ele logo parou, não forçou a barra, até que no dia seguinte, estávamos vendo TV, e começou a tocar a Sweet Dreams na versão do Marylin Manson, fiquei excitada na hora, e tentamos de novo, desta vez deu certo. O engraçado é que na minha suposta primeira vez, tive de parar tudo, para colocar essa música. Enquanto que com o Nightmare, foi tudo tão natural, que quase parecia surreal. Após a nossa primeira transa, houve uma intensa maratona de sexo proibido, já que meu pai nem sonhava que eu não era mais virgem, e vivia no quarto com minha mãe, naquele lenga lenga de volta ou não volta. Quando lhe contei sobre, culpou o Nightmare, dizendo que eu tinha dito que era o outro, para protegê-lo, mas me senti super responsável, e fiquei tranquila, era o mínimo que podia fazer, estava quase completando 16 anos. O tempo foi passando, e cada vez mais estava perdidamente apaixonada por Nightmare, cujo o nome real era Brendo Araújo. Mesmo com toda a minha insegurança, ele estava lá, apesar de tentar me matar, ele me queria, ele me parava, ele me fazia sorrir, e não era tão bom moço, para querer me afastar da magia, o quê o tornava ideal. Aliás ele foi o meu escolhido, o único que poderia ser chamado de rei no Sees. Ah o Sees, o meu primeiro grande fracasso mágico, como poderia esquecer? Seu nome era uma sigla para “Seguidores da Estrela”. É claro que a estrela a qual me referia era Lúcifer, a famosa estrela da manhã, e tinha escolhido este nome de madrugada, enquanto estudava a bíblia satânica, exatamente as 3 horas da manhã. Alguns anos mais tarde, vim descobrir que a sigla SEES, também servia para identificar ao “ Senhores da escuridão”, um livro espírita  pertencente a trilogia Reino das Sombras, da qual só me interessara o livro “A marca da besta”, por ter lido um breve artigo numa revista do mesmo tema. Isso me interessou bastante, pois depois de estudar em artes sobre mensagens subliminares, fiquei obcecada por conspirações, e toda conspiração tinha um cunho religioso. Mas foi apenas um acaso, o Sees, não servia para dominar o mundo, e sim atingir metas pessoais, apesar de que no fundo acreditava que seríamos grandes, (não fomos). Mesmo sem conhecer a fundo a maçonaria, nela se  aceitava todos os tipos de religião, tudo o quê bastava era crer em algo. Já que após estudar muito e testar, havia concluído que: A fé era como uma chave, que destrancava o potencial da mente humana, gerando assim efeitos incríveis, que podiam mudar o ambiente, criando o quê se entende por “Magia”. Tínhamos algumas regras, naturalmente, mas a principal era “jamais destruir o círculo”, senão do contrário, espíritos iriam nos atormentar.  Como em todo bom culto diabólico, instituir um contrato, no qual os membros ofereciam suas almas a Lúcifer, e eu me responsabilizaria de guardá-las. O quê? Pensou que eu iria realizar ambições de graça? Não era agora chamada de “o demônio” ou “a bruxa” a toa. Apesar do pacto explícito, consegui 3 membros, (Vanessa, Rose, e Claudiane) de quem bebia o sangue, por saber que eram saudáveis naquele tempo. Não foi complicado, separadamente iniciei cada uma, e as fiz ler o contrato em voz alta, que as impedia de voltar atrás. Foi maldoso de minha parte, e me senti revigorada por minha astúcia demoníaca. Nosso símbolo, era uma maçã com um pentagrama dentro, representando o caos, e o conhecimento proibido. Nossas reuniões, eram cheias de carne ,doces, e bebidas, representando o oposto do jejum cristão. Tivemos poucas reuniões, pois pouco a pouco o grupo foi se desfazendo, mesmo depois de termos unido o nosso sangue, por causa da regra de que “cada uma era uma estrela.” Que dizia: Cada uma é uma estrela, mas juntas formam uma constelação. O quê significava que o quê uma sentir, a outra sentirá, até alcançar todas, formando um efeito dominó”. Apesar de ter funcionado bem no começo, o quê quase nos quase nos destruiu, pois fui ameaçada de morte, no fim cada uma seguiu o seu caminho. Afinal de contas, sempre colocamos o coração no lugar da razão, e foi assim que tudo desandou. Vanessa se afastou do Sees, porquê seu namorado era contra. Claudiane, porquê começar a ver sombras lhe assustava. Rose, porquê se sentiu incomodada, com a nossa queda, e eu porquê não teve jeito mesmo de continuar sozinha. Todas pagamos o preço, mas chegarei lá. Num de nossos encontros, eu e Rose vimos algo que bem, drogas serviriam para explicar, mas não usávamos isso. Fomos para o cemitério do bairro Santa Rita, o lugar onde mais me encontrava com meus amigos. (Sim agora tinha amigos) Ao chegarmos lá um homem saiu do mato, coberto por um chapéu e nos perguntou: Estão aqui a passeio ou a trabalho? Respondemos a passeio, que tínhamos ido visitar nossa tia, o sujeito riu, e falou “cuidado com as visagens” antes de partir. Rose logo retrucou: “Tenho medo dos vivos, não dos mortos” e eu bradei com satisfação “A morte é só uma escapatória para os covardes” (O quê houve com essa garota?! Sinto falta dela.) O estranho pareceu contente com a resposta, e se foi dentro do mato. Começamos a nos sentirmos tontas, e as sombras das árvores, ganharam forma de pessoas. Vimos os rostos de 5 mulheres e 2 homens, ou 3 homens, isso até hoje é incerto. Era como se o representasse o Sees, em outra época, dava para perceber pelas vestimentas. Mas isto não foi o mais impressionante, naquele dia tive uma visão da minha outra vida, ou pelo menos é o quê parecia. Vi uma dama enforcada por cipós cheios de espinho no topo de uma árvore, prática comum na eliminação de bruxas no século XV, tempo ao qual suas roupas se remetiam. Teria sido eu uma bruxa? Não tinha certeza, afinal de contas até ali, nunca tinha tido um mestre, para me ajudar a desvendar este mistério, no seu lugar, só vieram guias. Pessoas que não me conheciam, e diziam coisas enigmáticas, e as vezes pessoais. Como: “Você é especial sabia? Não desista do quê tanto quer, você vai conseguir, um dia vai brilhar” (Vai por mim, não parecia clichê de autoestima, principalmente porquê esse guia sofria de problemas mentais) ou “Quando te vi, sabia que você mudaria este lugar”. Foi então que a imagem se tornou ainda mais tenebrosa, o meu corpo caiu, e um ser meio homem, meio besta, de chifres de touro, veio recolher o meu corpo. Ele não arrastou minha alma a força, como dizem que seres assim fariam. Pelo contrário, me pegou no colo, como se fosse sua noiva, e desapareceu comigo numa névoa densa. Ao chegar na casa da Rose, eu desmaiei na sua rede, mesmo sem está cansada, e quando entrei no meu quarto, me vi rodeada de seres chifrudos, tão reais, que cheguei a ver um próximo do meu rosto. Quando contei ao Brendo, este achou interessante, mas não era um ocultista, para entender a profundidade da visão, uma realidade que fazia questão de mudar. Com ele não trapaceei, lhe disse exatamente como era o contrato, e ainda sim este fez o pacto. O pacto era diferente do das meninas, com ele me uniria para ser alma e carne. Tornando-o uma alma gêmea sintética, com a qual uni o meu espírito, através do sangue e o meu primeiro sexo mágico. No qual nós invocamos os 4 príncipes do inferno, para concretizar nossa união. E assim foi feito, ele se tornou o meu rei, e eu sua rainha no tabuleiro da magia. Após a entrada do primeiro dos 2 ou 3 homens, que completariam minha visão da vida passada, me animei para chamar mais integrantes, até consegui alguns, porém nunca mais houve uma reunião desde então, e o Sees acabou. No entanto, não era porquê tinha se findado, que eu desistiria de saber sobre porquê coisas estranhas ocorriam comigo. Precisava de respostas, e iria obtê-las, nem que para isso tivesse de ir ao Inferno.(Sério, cadê essa garota?!) Como? Através de viagens astrais, coisa que dentro de uma semana, já conseguia realizar. Mesmo que algumas vezes perdesse a consciência, quando falava que ia viajar ao mundo astral, minha mãe sempre via um vulto de uma garota correndo na casa, onde realizava os meus testes. Era tão simples, bastava me concentrar, que ia exatamente para o lugar que desejava. Desta forma, acreditava que seria fácil ir ao Inferno e voltar. Certa vez, cheguei em casa, exausta, porém pronta para a minha viagem. Tirei o uniforme, e fiquei apenas de calça jeans e sutiã, adormeci centrada em ir até o lar de Satã, e acordei na escola em que estudava, o Tiradentes. (Seria a escola o meu Inferno?) Estava chovendo, comecei a caminhar por ali, até que Carol, outra satanista declarada do Tiradentes, me viu e disse: “Ele quer falar com você, está lá na frente.” E sem entender nada, fui até o local por curiosidade. Foi quando um ser de chifres e asas de morcego, humanoide de rosto belo, veio até mim e ergueu sua mão, eu a segurei, e este me carregou em seu colo, levantando voo para longe, enquanto uma tempestade se aproximava, e vinha destruindo tudo pelo caminho. Ao passar ao lado de Carol, esta me olhava furiosa por ser deixada para trás, dentro de um carro que iria se desfazer com facilidade, ao se esbarrar no enorme tornado. Foi um sonho e tanto, que me levou a pesquisar sobre quem era aquele demônio, e tudo indicava que era o próprio Satã. Fiquei surpresa,  com quem tinha vindo me visitar, e fui em todos os grupos do Orkut, procurar por alguém, que pudesse me explicar, o quê de fato isso significava. Porquê o maior dos demônios, estava a me proteger, eu era uma soldada do inferno? Não sabia dizer, e as coisas se tornaram ainda mais estranhas. Na noite seguinte sonhei com uma pop up, que me fazia várias perguntas, mas a única da qual me lembro é você perdoaria a traição de um amigo? Na qual cliquei que me vingaria, e depois surgiu uma congratulação, por ter passado no teste, e me vi no meio de um rancho, onde se via a imagem de Jesus Cristo, sendo puxada para ser erguida, e mostrada aos fiéis, mas eu cortava a sua corda, impedindo-a de chegar ao topo. Este ocorrido me fez pensar que, havia sido convocada para o exército do Inferno, e agora era uma soldada infernal. Na escola, por onde passava com meus trajes extravagantes, causava o fascínio e o temor nas pessoas, uns faziam o sinal da cruz, outros me chamavam de Dark Barbie, e uma pessoa não parecia nada feliz com minhas descobertas, e esta era Carol. Ela se aproximou de mim do nada, até hoje não sei o porquê, provavelmente era uma amiga de Gláucia, mas quando aconteceu, isso nem se passou por minha cabeça, quer dizer já tinha terminado com o Rodrigo, e se era isso o quê queria, o quê ganharia me perturbando? Ela era jovem, me contava as suas histórias sobre o oculto, e eu lhe contava as minhas. Se declarava poderosa, tendo o dom da palavra, ou seja o quê dizia se realizava, e eu era só uma mera aprendiz. Certa vez ela me contou sobre os filhos dos demônios, e quando lhe perguntei se eu também poderia ser, dado a algumas semelhanças entre nossas experiências, esta disse com agressividade: Não! Você não! Aceitei aquilo, porém isso desencadeou uma suspeita, se eu não poderia ser, porquê responder de forma tão abrupta? Será que a realidade era que ela não queria que eu fosse? É uma dúvida que ficou a pairar. Certa vez fui visitá-la em sua sala, apesar dos atritos, era bom poder falar com alguém sobre satanismo sem ser julgada. Mas a jovem começou a se afastar de mim, alegando que minha energia a deixava com dor de cabeça. Não achei que poderia ser mentira, pois depois de sua resposta hostil, ficava sempre com o sentimento de desconfiança, e como não sabia me controlar, acabava lhe atingindo. Aliás, isto não era incomum, toda vez que me chateava muito, provocava dores no corpo das pessoas. Minha mãe era a maior vítima, pois quando me rebelei contra o seu cristianismo, ela tentou me matar alegando que eu era um demônio, e nunca a perdoei por isso. Não sei exatamente se era um ataque astral dessa menina, ou se eram entidades, mas todas as noites batalhava contra algo e vencia. No mundo dos sonhos, era atormentada por pessoas me perseguindo, como quando era criança, e lutava ao lado dos monstros imaginários. Só conseguia vencer, porquê neste plano meus poderes eram

    maiores, e assim podia gerar tempestades e raios, fortes o suficiente para destruir meu oponente. Certo dia , essa garota veio até mim, e contou-me sobre um pesadelo que tivera comigo. Segundo a mesma, eu havia assassinado várias pessoas numa casa de altos e baixos, e saia do pentagrama para ir atrás dela, deixando-a assustada. Todavia para ter utilizado o termo "pesadelo", é porquê com certeza o final não lhe agradou. Talvez sua seita particular estivesse mesmo em guerra comigo, e isso se tornaria mais suspeito mais tarde...Antes do Sees se desfazer, houve uma notícia que nos deixou boquiabertas. Justo no cemitério onde praticávamos nossos ritos, foi encontrado um bode morte, túmulos destruídos, e alguns outros itens que fizeram as pessoas desconfiar de magia negra. É claro que um lugar assim, seria utilizado para tal fim. No entanto, foi muita coincidência acontecer, quando passamos a ir com mais frequência a aquele lugar. Era como se algo quisesse nos impedir de prosperar, (e conseguiu) já que devido a este fato, a vigilância se tornou maior, e assim ficou difícil de entrar lá. O quê me trouxe muita tristeza, porquê costumava ir com meu melhor amigo Bruno, e Rose (uma das minhas melhores amigas) para lá.  Aquele espaço, era fúnebre, mas cheio de lembranças doces de pequenas coisas erradas que fizemos como: A primeira vez que Bruno bebeu. Quando Claudiane cuspiu num túmulo, e o morto disse a Vanessa para lhe passar o recado. Quando fizemos o jogo dos espíritos, após muito tempo. Os roubos das doces frutas dos mortos. As reuniões do Sees. Enfim essas preciosidades, na vida de uma garota demoníaca. Lembra que eu disse que agora tinha amigos? É hora de apresentá-los, creio eu que não será tão absurdo quanto parece. A primeira continua sendo a Vanessa. A segunda é a Rose, que sempre me acompanhou nas minhas loucuras, e foi minha namorada de plástico, para afastar alguns carinhas no colegial, e após os 18 anos. O terceiro é o Bruno, um garoto que conheci na 6° série, por dizerem que "queria me conhecer", mas só veio se tornar meu melhor amigo mais tarde, quando ingressei no ensino médio. O quarto é o Midani, um baixinho sagaz, que despertava meu interesse, por entender bastante do mundo obscuro, mas foi uma amizade que durou por pouco tempo. A quinta é a Adriana, alguém que chegou de mansinho, e conseguiu um lugar no meu coração. A quarta é a Nicole, mas falarei dela lá na frente, então fica o spoiler. E o sexto e último é o Renan, um ex-evangélico, que pegava no meu pé por ser satanista, e dizia ter aulas de exorcismo. Rose foi alguém que conheci por intermédio de Vanessa, já que ambas estudavam juntas. Era no começo uma amizade por associação, que logo virou uma amizade para todas as horas. Foi a amiga que mais vivenciou meus dramas, e minhas atitudes loucas. Com ela dancei no meio de uma multidão, andei tranquilamente de preto. Faltei algumas aulas, apenas para andar pelos corredores, fugindo dos monitores, conheci novas pessoas. E apesar de meus pais desaprovarem-na naquele tempo, foi quem salvou minha vida, quando cheguei perto de um coma alcoólico. Ainda no colegial, me casei com o Brendo, e fui viver por algum tempo na casa de sua mãe, um mês ou mais, isso não vem ao caso. Um dia implorei para não ir a aula, apesar de ter amigos, ainda detestava aquele lugar, mas ele sabia, o quanto era importante pra mim terminar, então insistiu para eu ir. Fui furiosa, sentindo que algo daria errado, e quando cheguei lá, não teve aula, e Claudiane me chamou para beber. Aceitei, não perdia a oportunidade de encher a cara, e chamei Rose para vim comigo, porquê era outra papuda. No caminho, nos separamos, eu e ela sentimos que algo daria errado, e fomos por um caminho diferente. Ao chegarmos no puerão, compraram Vodka, detestava essa bebida, preferia vinho, mas sendo o quê tinha não reclamei. Havia muita gente lá, que nem se quer conhecia, e começaram a ouvir funk, para se animarem, odiei está ali, e gritei para tocar Lady Gaga, pois na época, era a única cantora pop, que ouvia. ("Porquê será?") Rose rebolou até o chão, não tinha tanta frescura quanto eu, então bebi meia garrafa sozinha, só virando sem parar, e fiquei tonta. Comecei a ver anjos ao meu redor, e me desesperei, porém em vez de pedir "Socorro", gritei algo como "Eu vou matar vocês!". O dia que estava ensolarado, sem qualquer sinal de chuva,  nublou, e a água pingou do céu. Todos foram embora, com exceção de Rose, que ficou comigo, enquanto eu vomitava espuma, na minha primeira camisa de banda, que o meu marido tinha me dado. Não me lembro de muita coisa, só de ter encontrado Tayane, uma conhecida do colegial, que me comprou água, e ter ido parar num bar, onde ligaram para o SAMU. Dali só me vem a mente, ter bancado a boazinha, e ter agradecido pela ajuda a  uma paramédica, enquanto Rose segurava minha mão, e ligava para o meu marido, pois a beira da morte, ele era a última pessoa que precisava ver, e que eu não parava de perguntar se havia o traído, pois este era o meu maior medo. No banco do hospital desmaiei, e tudo ficou preto, só me lembro de ver de longe aos meus pais chegando, muito mais chateados que preocupados, antes do meu corpo pesado cair. Fiquei furiosa com o Brendo, mas mais tarde vim descobrir, que ele tinha tentado chegar lá de bicicleta, sendo que eram 30 minutos até de ônibus, e não demorei tanto, por isso o perdoei por não está lá. Algum tempo depois, graças a esse fato, me usei como um exemplo de "ética amoral “numa apresentação de Ética, que fiz com o Bruno. Não tinha vergonha, e todos sabiam do quanto eu tinha bebido naquele dia, porquê era a maior má influência daqueles corredores. E por causa deste dia, minha amizade com Rose, se tornou ainda mais forte, ao ponto de dizer que eu, ela, e Vanessa formávamos um trio.Com o Bruno conversava todos os dias, sobre todas as coisas, mas principalmente magia, que era a minha grande paixão. Foi a pessoa que por mais quieta, e calada que fosse, me ajudou muito no decorrer do meu caminho no colegial,  não apenas nas provas e trabalhos, como também em coisas pessoais, pois sempre estava por perto, quando a linha entre a realidade e o místico se misturava. Uma vez tentei salvar a vida de um inseto, mandando-o para fora de nossa sala, e para a minha surpresa, o enviei para morte, pois devorado por um passarinho, e ele viu tudo, aliás foi até quem brincou sobre meu dom fatal. Além disso, com ele testei se tinha o dom da palavra,   falei que num determinado dia ele morreria, e no dia seguinte, o pobre chegou pálido, e assustado, pois um caminhão quase o atropelou ao voltar para casa. Não sei se tenho algum "dedo" envolvido nisso, mas quando lhe conheci ia para igreja, festejar com os jovens corretos, e mais tarde entrou para a wicca, a religião mágica que mais o agradou, por ser mais distante das trevas satânicas, e graças a isso, me conseguiu uma pista importante, para a definição de minha identidade futura. Interessado em magia wiccana, ele procurou uma amiga de sua mãe, que fazia parte de um coven, e lhe contou sobre mim, e a bruxa disse-lhe que no meu caso tinha de fazer uma escolha, e no dele ainda precisava estudar bastante. É na magia, eu era a aluna universitária, enquanto que na escola mesmo, parecia pertencer a 4° série. Só ia por obrigação, e passava, quando sozinha, apenas por ter um espírito muito forte, capaz de me dá as respostas certas, mesmo sem prestar atenção. Ele foi o amigo que esteve mais presente, em minhas aventuras absurdas. Com Midani a amizade não durou muito, porquê fiz a besteira de transformá-lo em um dos meus interesses, antes de me casar, e isso gerou um clima estranho entre nós, que perdurou até o último ano, quando já tinha seguido em frente, e estava feliz com a pessoa certa para mim. Acho que em seu mais alto grau de arrogância, uma qualidade que compartilhávamos, ele acreditou que aquilo duraria para sempre, e preferiu se afastar. No entanto no inicio era a melhor amizade do mundo, pois ambos tínhamos atração pelas trevas, e sempre trocávamos curiosidades, a respeito de coisas que para os outros eram bizarras, e assim nos apoiávamos, na luta contra a hipocrisia do mundo normal. Era divertido, e aprendi muito sobre a literatura proibida, despertando assim minha atenção aos autores hereges, iniciando minha leitura através de Edgar Allan Poe. Além de que nos meus piores momentos, ele esteve lá para dizer "Levanta essa cabeça e acaba com eles!" quando estava mergulhada em lágrimas. Não acho ruim que tenha se findado, pois graças a isso, passei a ficar mais perto do Bruno, alguém que só teve o meu interesse num dia, e foi no desespero mesmo. Não que não fosse bonito, ele era, mas não era nada o meu tipo, o quê colaborou para a amizade durar por anos, e jamais se quebrar.  Com Adriana tive uma amizade comum de garotas. Sempre que podia falava com ela, sobre tudo o quê me afligia, já que era o tipo que lhe faz querer confiar nas pessoas outra vez, sendo assim nos sempre nos apoiamos em tempos difíceis. No entanto apesar de ser bastante normal, ela sabia como eu era, e o quê fazia, por isso não precisava lhe esconder minhas anormalidades. Uma vez os meninos da minha sala, fizeram uma algazarra, que terminou com a janela quebrada, um deles sangrou, e ao ver aquele líquido escarlate me deu muita sede, comecei a me morder, porquê parecia está em abstinência, enquanto a Diana (como a chamava, para me destacar dos outros) me dizia "Calma. Se controla. Você consegue!" Além disso dois desses mesmos meninos, vieram a praticar bullying comigo mais tarde, e como resultado lançei-lhes uma maldição, apenas com o olhar, de que algo terrível iria lhes acontecer. Estava furiosa, e sem paciência para aturar gente comum, que tem a mente fechada, e não respeita o estilo dos outros, por isso não me contive, e canalizei meu ódio neles. Algum tempo depois, Diana veio me contar que a mãe de um faleceu, e o pai do outro também, tornando-os orfãos, e estranhamente aconteceu de eles pararem de mexer comigo após esse fato. Ela e eu sabíamos quem era a culpada, mas preferimos acreditar que foi coincidência, e até nos dias atuais, é melhor deixar assim. A ela influenciei com minhas músicas favoritas, animes, livros, filmes enfim tudo o quê me deixava mais feliz, e hoje ela é uma das madrinhas de minha amada filha Ravenna. E por fim vem o Renan, que completa a cota dos 6 amigos para a vida toda.(6 com Nicole que será apresentada lá na frente, com Midani perdi o contato) Com Renan a amizade parecia impossível, ele era evangélico, e ainda dizia ter aulas de exorcismo, sempre pegava no meu pé por ter orgulho de ser satanista, e algumas vezes suas brincadeiras me deixavam para baixo. Todavia

    era a única pessoa com quem conversava muito, já que diferente das outras meninas, não tinha vergonha de piadas impróprias, ou mesmo fotos de garotas nuas, e como se dizia parte do exército da salvação, era interessante dialogar, com alguém que tinha o pensamento diferente do meu, e descobrir mais sobre o lado inimigo. Graças a ele e seu grupo, fui muitas vezes salva de ser reprovada de vez. Já que na época que o conheci, estava mergulhada numa depressão profunda, após ter passado por um término, com um sanguessuga que me afastou todos, e desta forma preferia passar mais tempo trancada no quarto, do quê fora de casa. Era um amigo para quem podia contar, e que fazia da sala menos sombria, com suas histórias infames. Embora muitas vezes, acreditasse que algumas delas fossem falsas, por causa de nosso colega Jackson que sempre gesticulava, que era mentira, quando ele contava suas façanhas.  O colegial foi uma época conturbada mas teria sido pior, se não os tivesse conhecido. Outra de minhas grandes memórias mágicas, ocorreu quando era jovem e rebelde, porém esta não tinha a ver com a escola, mas sim com meu marido. Num sábado qualquer este resolveu sair, mesmo demonstrando que era totalmente contra, e para o seu azar, era casado com uma neurótica, que também era bruxa. Furiosa dancei a canção Mother Earth do Winthin Temptation, com toda minha desenvoltura e ira, concentrando-me nele. Quando chegou, ele me contou que quase não achou a casa de evento, e ao achá-la quase foi morto na hora da roda punk. Não satisfeita, ainda me centrei em seu coração, e imaginando-o bater, comecei a apertá-lo lentamente, deixando-o com uma sensação de frio no peito, mesmo que minha mão estivesse vazia. Novamente não fui até o fim, parei porquê só queria lhe dá uma lição, não acabar com ele para sempre. Ainda sim, mesmo com meus surtos, e as capacidades ocultas mortais, Brendo nunca deixou de me amar, já eu sempre tive o sentimento de que me abandonaria, porquê ninguém me suportava por muito tempo, hora ou outra as pessoas me deixavam, e foi assim que nosso relacionamento afundou. Numa noite também de sábado, combinamos de nos vermos, mas já era tarde demais, e o último ônibus havia passado, por isso não daria para ele ir me ver. Fiquei desolada, como se fosse o fim do mundo, porquê se passou pela minha mente que este era o sinal de que ia acabar, e seria mais um relacionamento fadado ao fracasso. (Neurótica lembra?)  Por esta razão, antes de me magoar, fiz o encantamento para esquecer um amor impossível, e o entoei com todas as minhas forças. Mais tarde...Brendo apareceu, tinha vindo andando de seu bairro até o meu, e eu fiquei feliz em vê-lo. O efeito não foi instantâneo, como pensei, então acreditei na frase dos Padrinhos mágicos "A magia não pode interferir em amor verdadeiro",(Qual é, se usam a mídia para nos doutrinar, por quê não seria real?) e o abracei com todo meu amor. Pouco a pouco a chama foi arrefecendo, o fato dele sempre está ali para mim, já não era o bastante, e com sua mãe, e meu pai tramando para nos separar, a situação estava cada vez mais difícil. Quando chegava em casa, e o via alegre, lembrava-me das palavras de meu pai. "Você quer alguém que caminhe contigo, ou que tenha de carregar nas costas?" E isso me chateava. Todo dia era o mesmo inferno na minha cabeça, e eu enfrentava todos por ele, porquê me achava forte o suficiente, para valer por dois, e que poderia mudar a situação. Então sempre antes de dormimos, lhe explicava que tinha de ir atrás de um emprego, já que não queria estudar, por considerar o diploma apenas um pedaço de papel, ao qual era atribuído muito valor, e me minha mãe já não suportava mais sustentar a nós dois, e era justo, porquê não éramos crianças. Mas em vez de me ajudar, ele só se levantava para ir procurar emprego, quando já não tinha opção, e se tornava muito cansativo, viver pedindo por seu auxílio. Assim como era um moleque, preferia deixá-lo, e colocava a culpa no meu pai, por me pressionar ao extremo.  E eu ouvia minha figura paterna, pois algumas vezes, parecia possuído pelo próprio Satã. Não de forma cruel, mas sim de maneira que me fazia questionar, qual espírito estava em seu corpo. Uma vez lhe disse que haviam me dito para não ingressar na magia, por não ser boa o suficiente, e ele respondeu irado: "Quem ousou dizer isso?!" Como se estivesse totalmente enfurecido. Sendo que meu pai Alessandro, nunca foi a favor da magia, pra ele quanto mais eu estivesse longe do caminho esotérico melhor, já que meu tio Thales havia falecido muito jovem, por ter se envolvido com os mortos. Então se o meu DeuS, era contra meu relacionamento, deveria ouvi-lo, por mais que algumas vezes parecesse mesmo ser obra do Sandro, e não de Satã. O problema foi logo resolvido, pela mãe do meu marido, que lhe conseguira um emprego em outra cidade, que ficava a horas de distância da minha. Não era fácil arranjar trabalho em Macapá, mas outra cidade? Isso não me agradava nem um pouco, só que era tudo o quê tínhamos, então tive de engolir e aceitar. Toda quarta-feira de folga Brendo vinha me visitar, se deslocava de uma cidade para outra, apenas para me ver, e ainda sim meu amor por ele só ia diminuindo. Eu queria mais da vida, queria alguém poderoso e sedutor, não apenas um apaixonado, sendo forçado a trabalhar, por não ter ambição. A relação estava desgastada, e para piorar ele ainda veio me dizer que numa semana passada, tinha conversado com sua Ex Amanda, que fez referência ao fato dos relacionamentos de Brendo terem o prazo de validade de um ano. Eu odiava essa garota, tinha sido sua primeira namorada, era a favorita de sua mãe, a qual vivia trocando nossos nomes de propósito, para defender sua queridinha, que era cristã, então isso me subiu a cabeça. Após ele partir, me envolvi com uma pessoa na internet, e tive um caso virtual, que durou uma semana, porquê não era tão vadia, quanto pensava. Sim, foram só palavras, mas para mim ter dito tais coisas, significava o mesmo que ter a coragem de fazê-las. Significava que já não tinha mais amor, e logo cometeria uma terrível traição, ainda maior que esta. Era hora de dar um fim a tudo. Na outra visita de meu marido, este me contou que em uma das suas visões, me via trocando-o por uma pessoa da internet. O quê era estranho, pois sabia bem como apagar meus rastros, e não tinha deixado evidências. Passava no máximo 1 hora online, quando estava em sua presença, então não tinha como desconfiar. Foi quando me certifiquei de que ele era mesmo um vidente, como havia me dito na nossa primeira conversa. Neste mesmo dia, ele teve uma espécie de surto psicótico, ao me ver diante da tela do notebook, saiu para a cozinha, e começou a bater as portas dos armários, sem parar. Depois voltou para o quarto, retirou o Soul,(seu canivete de estimação) e colocou a ponta do mesmo, sob a minha garganta, com um sorriso macabro, alegando que as vozes lhe diziam para me matar. Entrei em pânico na hora, e abracei o computador portátil, até que o larguei, e comecei a me forçar a chorar, para alcançar alguma parte sua que estivesse sã, da mesma maneira que impedi minha mãe, de me matar a facadas aos 14 anos. Isso pareceu tocá-lo, por alguma razão me sentia muito mais segura no escuro, e isso me levou a apagar luz, e lhe dá as costas. "Se essas vozes te ordenam a me matar, é porquê não são boas para nós" disse-lhe lamuriada, até que me abraçou, e dormimos. Na madrugada me levantei, e lhe contei sobre o caso que estava tendo, ele para minha surpresa, me perdoo logo de cara, e quis continuar comigo, mas eu quis terminar, não achava justo permanecer com ele, depois de enganá-lo. O tempo passou, terminamos, e voltamos, porém agora estava comprometida com uma garota, chamada Letícia, que apesar da distância, era a minha namorada, e não mentia para ela, e nem para ele, estando ambos cientes de suas existências aceitaram os termos, mesmo que para Brendo, fosse triste, já que agora não podia dizer sua frase favorita "Minha. Só minha". Leeh foi uma amiga a distância, de São Paulo, por quem me apaixonei, devido a sua personalidade cativante, e seu jeito doce de lidar comigo. Era a melhor namorada que alguém podia ter, e por ela quase fui expulsa de casa, já que minha mãe ficou furiosa ao me ouvir que agora namoraria meninas. Chamou-me de aberração, monstros, e vários outros insultos. O quê me levou a terminar com a Leeh, bem no dia que a pobre sofreu um acidente, mas ela era tão doce e perfeita, que entendeu minhas razões para findar o nosso relacionamento. 









































































    Capítulo III

    Novas frustrações




    “Verdade, mentira não sei dizer, antes achava ser real. Hoje acredito

    que não passa de uma fábula.”




    Brendo e eu fomos nos afastando. Toda vez que vinha me encontrar, estava namorando uma pessoa diferente, porém nem assim conseguia o deixar ir. Não importava quantos novos "amores" tivesse, não estava pronta para vê-lo sair da minha vida, mesmo sabendo que estava errada. Até que um dia veio alguém, que me ajudou a mandá-lo para bem longe mim.  Seu nome era Diogo, e eu o conheci por obra do acaso. Ele realmente não fazia o meu tipo, pois chorava o tempo todo, era doce, e educado, como um príncipe da Barbie, o único desenho de menina que não suportava. Mas por trás de tanta falsidade, havia alguém que não aguentava mais ser pisado, e estava prestes a explodir, e eu queria muito puxar o pino dessa mina. Não me leve a mal, naquele tempo estava obcecada com psicologia, e ver alguém tão vulnerável, me fez querer estudar a sua condição, e entender o quê se passa na mente de um louco. Precisava de algo novo na minha vida, após cometer um grande erro, e por esta razão, deixei que o único homem que me amava fosse embora. Ele o fez sem pestanejar, e até me ajudou a me conectar com esse estranho, mesmo com todos os sinais indicando que devíamos nos 

    afastar. Pois quando esse garoto começou a demonstrar sentimentos por mim, meu computador parou de funcionar, e como esta era a única maneira de nos falarmos, isso significava que os astros estavam dizendo "não" para o quê viesse. No entanto Brendo era tão bom comigo, que fazia qualquer coisa para me ver feliz, e por isso ia até contra o universo, mesmo que lhe machucasse mais, do quê lhe trouxesse alegria. Um estranho relacionamento se iniciou entre esse garoto e eu, baseado em passar a maior parte do tempo, tentando trazer o seu pior lado a tona, porquê o seu estado normal me entediava. Ele era sempre gentil demais, e gente assim não é digna de confiança, porquê sua bondade é obrigatória, e não genuína, e eu preferia falar com o seu pior lado, porquê me parecia mais sincero. Quando explodia, podia perceber o quanto estava insatisfeito, e falar abertamente sobre qualquer assunto, para entender melhor sua mente tão perturbada. Entretanto quando estava sob controle, parecia um robô, programado para dizer "eu te amo", quando tinha vontade de dizer "eu te odeio". Com o tempo, fiquei tão fascinada pela insanidade de sua mente, que acabei gostando dele, mas de acordo com o próprio, por mais que estivéssemos juntos, ainda estava apaixonada pelo meu ex-marido. Ele acreditava nisso provavelmente, porquê quando se tratava de Brendo, sempre pensava nos melhores momentos, e falava que seu único ponto contra era não ter ambição. Sempre fui o tipo de garota, que só mencionava as razões do término dos relacionamentos, mas com o Brendo, era diferente, pois tinha sido a única pessoa, com que estive por um ano, e ele tinha me dado os melhores momentos, apesar de toda a escuridão em que vivíamos. Não conseguia esconder, o quanto era especial para mim, e isso o deixava furioso, só que eu não sabia o quanto. Até que um dia, ele me fez bloqueá-lo, e eu o fiz mesmo contra minha vontade, para respeitar o código de ética do namoro. Não satisfeito, me fez crer que ele podia ser um demônio, que utilizava suas coisas para me atormentar, e por isso tinha de destruir e me livrar de tudo o quê fora dele, e agora estava comigo. Já deve saber que o fiz, com bastante relutância, não é? E me pergunto até hoje, porquê diabos não deixei aquele babaca, e voltei para o meu grande amor. Como já disse antes, alguém como ele não era digno de confiança, e após alguns meses de namoro tive certeza disso. Pouco 

    a pouco, ele foi me afastando de todos que se importavam comigo, só porquê eram meninos. Primeiro foi o Brendo, depois foi o Bruno, e quando vi fiquei totalmente sem amigos, e não entendi porquê. Com Bruno, ele usou uma manobra diferente, em vez de dizer que era um demônio, me fez crer que estava se aproveitando de mim, e ganhando em cima das minhas costas. Lembra que Bruno escrevia sobre minhas aventuras no mundo mágico? Aconteceu que ele transformou-as numa web série, na qual eu era uma das personagens principais, e assim ganhou grande destaque, tornando-se um sucesso nos blogs de séries. O problema é que antes dele escrever, eu já o fazia, e também estava criando a minha própria estória naquele tempo. Mas se assemelhava mais a American Horror Story, do quê Charmed, então era bem mais difícil de agradar o público. Isso então o fez parecer um oportunista como Claudiane, que sempre roubava minhas ideias, e levava o crédito. Vendo isso os chifres de diabo, cresceram na  cabeça de Diogo, e ele intensificou meu sentimento de desgosto, até me fazer explodir, e afastar Bruno da minha vida de vez. Tudo isso por quê? Por ter ficado uma vez com o meu melhor amigo, logo depois de ter terminado meu casamento. Também tinha um amigo chamado João naquele tempo, e ele era um aspirante a maçom, não só isso, tudo indicava que estávamos ligados pela alma, e este jurava que a ligação era romântica. Meu namorado o detestava, tanto quanto ao Brendo e o Bruno. Só que este era muito mais difícil de tirar do seu caminho, porquê de alguma forma, ele via o seu espírito podre, e por esta razão não queria me deixar em suas mãos. Como se não bastasse todo esse drama, nesta época estava sendo bombardeada por informações do mundo místico, e todo mundo que se comunicava comigo, parecia ficar possuído. Como sabia? Lembra do surto psicótico de meu ex-marido? Ele na verdade foi caracterizado como possessão, por uma bruxa satânica, que me elogiou por ter sabido lidar com isso, e me deixou um enigma, que levei tempo para responder. “Agora entendo. Sua mãe foi apenas o ovo, você sempre pertenceu a Satã.” Ao falar com os possuídos sempre vinham novos enigmas, uns simples, outros não, mas alguns deles chamaram a minha atenção. “Você tem um futuro extraordinário na magia”, “Você é filha de Lilith e Lúcifer”, “Você é a herdeira do Inferno”, “Você é forte por ter luz e trevas”, “Você nunca vai conseguir reinar”, “Você tem o dom de manipular mentes”, coisas assim. É claro que duvidei de ser possessão, acreditava mais que aquelas pessoas tinham sérios problemas mentais. Mas o fato de não terem ligação entre si, e dizerem o mesmo texto, me fez acreditar que podia ter um fundo de verdade, por isso fui até o único bruxo que acreditou em mim. Seu nome era Agnes Farias, um senhor de idade, que estudava magia há muito tempo,  e havia criado uma nova vertente do Satanismo, o Satanismo real, que era destinado a abrir a mente das pessoas, para a verdade de Satã. Ele tinha sido quase como um mestre para mim, e foi o primeiro que deu significado ao meu sonho com Satã. Ele confirmou, o quê estava acontecendo, e isso me mostrou que sim era filha de Lúcifer. Tal coisa me trouxe alegria? Não, nenhuma na verdade, pois a primeira coisa na qual pensei foi “Isso é o ápice da poseragem satânica, serei uma piada se falar nisso.” E depois, filha de Lúcifer? Sério? O CDF do ocultismo, que detesta a massa e seu conteúdo?! Por quê não de Satã? Ele sim é um exemplo de como sou, um nerd descolado, cheio de si! Eu não tenho nada a ver com Lúcifer. Talvez você não entenda o contexto, mas li no manual do Satanista de Lex Satanicus, que Lúcifer e Satã são os gêmeos negros. Então embora muitos confundam e digam que Lúcifer e Satã são o mesmo ser, esta é uma alegação distante da verdade. Aquilo era horrível, e para piorar ainda vivia tendo visões estranhas sobre o paraíso, conhecido como Éden. Via um anjo e uma mulher transando na copa de uma árvore, com paixão e furor, e não sabia o porquê. Também via o inferno, como um reino semelhante a Terra, com a diferença de que continha magia, e estava anos luz a sua frente. E via como minha vida tinha sido lá. Diferente da minha vida neste mundo, ali era querida, popular, e um sucesso na escola de magia, tinha vários amigos, e “pegava” tantos demônios, que fazia jus ao meu título de mini Lilith. Todos diziam que era a cópia perfeita de minha mãe, e que assim como ela seduzia a quem quisesse. Até que um dia me apaixonei, e abri mão desta vida descarada, da mesma maneira que ocorreu com ela, quando se encontrou com Lúcifer. Naquele tempo dava minha cara a tapa, de que estava eternamente casada com aquele mentecapto, e isso me deixava sem reação. Mas apesar de achar tal coisa, uma possuída, irmã por parte de Lilith  chamada Mayara me disse que estava enganada. Só que não a ouvi, porquê achava que ela era afim do meu namorado, e só queria me tirar do jogo. Não tardou para confirmar minhas desconfianças, pois mais tarde essa mesma irmã, me disse que ele era seu noivo infernal, e que eu o tinha roubado na outra vida. Se casamos ou não, eu não sabia, todavia como o desgraçado que ele era, me fez acreditar que sim. De alguma maneira, depois de confirmar que era filha de Lúcifer, fui de mortal inútil para “você é o amor da minha vida”. (O quê uma coroa não faz) Após ser bombardeada com informações, sobre quem era no meio de toda essa loucura. Vieram vários rapazes alegando amor por mim, e tudo no quê pude pensar foi “Só me querem, para subir na hierarquia infernal”. Minha vida virou um inferno, e não tive para quem correr. Foi quando Brendo apareceu na minha porta, o único com quem tinha me juntado, de uma maneira, que jamais poderia se separar. Eu não sabia como reagir, mas também não tinha certeza se o Diogro era ou não, o ser com quem estive por tanto tempo, o demônio que me pegou nos braços em minhas visões. Por isso apenas fui fria, e fiz o possível para que meu ex-namorado fosse embora. Aquilo me destruiu, ainda tinha sentimentos por ele, mas alguém tão conformista como ele, não podia ser o meu marido das visões. É claro que um relacionamento abusivo desses, não durou tanto tempo, em novembro soube que meu lindo namorado tinha me traído com sua amiga, e ainda usou sua insanidade para justificar o ato. Fiquei furiosa e paguei na mesma moeda, porquê sempre lhe avisei, que se fizesse algo assim pra mim, iria me vingar. Só que no momento que beijei o outro cara, quase fui estuprada, e por isso entrei em pânico depois. Por mais chateado que tivesse, e o quanto babaca fosse, ele foi atrás do cara e o ameaçou de morte, e isso me fez lhe dá algum crédito. Nos preparamos então para nos conhecer, mas algumas semanas antes, tive um desmaio, e isso trouxe mais uma revelação. No sonho fui parar em um cemitério, e ali fiquei rodeada de espíritos histéricos, que repetiam sem parar “Morte, dinheiro, e falsidade”. Não entendi o porquê daquela viagem astral, até que aconteceu. Nunca fui boa em lidar com o fantasma traição, como bem sabem, deixei o homem mais perfeito para mim, porquê tinha lhe traído. Então quando estive do outro lado da moeda, só pensava numa coisa: Terminar. Todo dia era a mesma choradeira, seguida de outra tentativa de suicídio, que já não me comovia mais. Só me vinha a mente voltar para Brendo, que tinha sido a melhor pessoa que conheci em toda minha vida, e ouvir as músicas do cd que deixou pra mim, não ajudava nem um pouco. Sentia apenas raiva de Diogo, raiva por tudo o quê me fez passar, e ainda ter que suportar o fato de receber seus chifres, por isso na noite de natal, 2 dias antes de viajar para minha cidade, eu lhe dei um fora, sem pensar duas vezes. Na noite seguinte, sonhei com ele muito magro, me abraçando no escuro, enquanto dizia “por quê está fazendo isso comigo?” e fiquei preocupada. Fui procurá-lo, querendo conversar, não podia deixar tudo o quê passamos, para acabar assim, mas foi como se eu não existisse para ele, e no mesmo dia, meu avô faleceu. Não fiquei chocada com aquilo, estava triste demais, por ser ignorada por alguém que dizia preferir a morte, do quê me perder. Pensava no que tinha feito de errado, para que agora nem lembrasse de mim, e não viesse me socorrer, num momento tão delicado. Cheguei até a acreditar que havia sido vítima de um despacho astral, e ele estava enfeitiçado, assim como no romance Os imortais, que estava lendo, mas nem assim voltou a falar comigo. Me senti sozinha, abandonada, sem suas milhares de SMS por dia, e assim entrei numa depressão profunda, na qual as minhas tentativas de suicídio, se tornaram diárias. Eu não tinha mais ninguém, nem amigos, nem namorado, e os que ficavam por perto, pareciam torcer pelo meu sofrimento. Parece que estava perdidamente apaixonada certo? É aí que se engana, ele criou condições para isso, e o quê me fazia sofrer, não eram os sentimentos, e sim a dependência que se fez ter. O ano de 2012 terminou assim sombrio, e o de 2013 se iniciou ainda pior. Em 15 de Fevereiro, fiz 18 anos, e apesar de ter muitos motivos para comemorar, nesse dia estava desanimada. Parte de mim sentia-se feliz por chegar a maior idade, e a outra parte torcia para que tudo se ajeitasse, e como não era de perder uma festa e bebedeira, resolvi comemorar no sábado, e tratei aquele dia como outro qualquer. O Papa já havia renunciado recentemente, e um raio tinha caído na basílica, no mês que atingiria a maior idade, então nada mais poderia acontecer certo? Errado, como em 11/11/2011, algo veio a tona. Ah não contei? Bem, não é tarde demais! Em 11 de novembro de 2011, sabia que algo grande ia acontecer, já que devido ao meu fascínio por conspirações, tinha lido sobre a importância do número 11 para elite, que significava 1 número a frente de Deus, e minha melhor amiga Vanessa concordara comigo, só que concluiu, que o fato passaria despercebido pelos leigos. Naquela noite adormeci, e então tive um sonho. Era de noite, e havia uma enorme passarela de granito, acima de uma cachoeira cristalina, com um pilar no final. Eu estava com uma túnica ritualística preta, e caminhava descalça em linha reta, até o final da ponte de pedra. Ao chegar no meu destino, encontrava um painel, com símbolos exóticos que pareciam de outro mundo, e de alguma forma eu os entendia. Ajeitava-os em ordem, passando os dedos entre eles, e então olhava para o céu, e via um cometa sair do vazio e voar por ali. No dia seguinte, contei sobre este sonho para a minha mãe, e esta me falou que saiu no jornal, que um astro passou mesmo no céu aquela noite, e não só isso, segundo os estudiosos, este tinha sido igual ao meteoro, que passou pela Terra,  antes do dilúvio bíblico no passado.  Isso sim me deixou surpresa, e me fez questionar, se de alguma forma eu tinha causado aquilo. Como disse antes, esta não foi a única experiência que tive, e foi no meu aniversário que a outra veio a acontecer. Em pleno dia 15/02/2013, data em que fiz 18 anos, um meteorito caiu na Rússia, deixando vários feridos, e servindo como um dos sinais do Apocalipse. Por conta deste fato, alguns satanistas defenderam que eu era mesmo filha de Lúcifer, e de fato o anticristo destinado a reinar na Terra. Isso me deixou animada, era uma prova, quase incontestável do meu suposto destino grandioso, e mesmo que não tivesse ninguém, imaginava que minha vida iria melhorar, pois estava no caminho pelo qual devia seguir, e a mão esquerda logo me reconheceria. No dia que comemorei meus 18 anos, tirei uma foto com os metaleiros, e o brilho dos meus olhos saiu verde, algo quase inumano. Como se isso não bastasse, em março daquele ano fui surpreendida com uma aparição, bem peculiar. Sai com os meus “amigos” para o formigueiro, uma pracinha que ficava atrás da igreja São José, onde os roqueiros se reuniam para beber. Como sempre me sentei num canto afastado dos demais, e fiquei conversando com a Rose. O céu estava nublado, haviam muitas pessoas, e eu estava com o ar de soberania, que só uma princesa infernal tem, pois tinha certeza de que era filha de Lúcifer. A primeira, a inabalável, a princesa das sombras, o anjo que servia o inferno, entre outras bobagens. Um homem de idade, todo vestido de preto se aproximou, usando um hexagrama, e carregando um livro preto. Cumprimentou a todos, com um sorriso, simpático e gentil, enquanto ouvia-se o boato de que era um pedófilo. Por razões mais do quê óbvias, eu realmente odeio esse tipo, mas ainda sim dancei sua música, e fui cordial com ele. Ao tocar minha mão, ele alegou que eu fosse do signo de leão, por ter um espírito muito forte, esta não era a primeira vez que ouvia sobre meu poder espiritual, mas o erro do signo me fez sorrir com pura arrogância. E no momento que meus dentes foram expostos, este largou minha mão, assustado como um cordeiro que acabara de ver um lobo. Por trás das lentes negras de seus óculos, pude ver o pânico se instalar, era como se soubesse quem estava ali, e por não ser uma mortal frágil, ele decidiu fugir. Sem dizer nada, e a passos rápidos, se afastou dali, como quem viu o olho de Sauron, deixando de cumprimentar os demais. Eu ri e me gabei para Rose que viu tudo, mas a aventura não terminou aí. Quando deu 17 horas, o grupo decidiu mudar de lugar, e saímos para a praça da bandeira, quando 3 frades da entidade Capuxinhos chegaram ali. Ao passar por mim, estes evitaram olhar em meus olhos, pareciam temorosos, e seguiram para a igreja com rapidez. Não liguei, afinal de contas eram religiosos, é claro que ficariam assustados, com qualquer um, que não fosse o sinônimo do divino, então segui o meu caminho. Quando escureceu, uma das meninas avistou novamente o grupo de frades, mas desta vez não eram apenas 3, e sim 12 ou 13, que marchavam pela rua como se fossem soldados caçando algo, e este algo certamente era eu. Após este fato me tornei paranoica, pois era muita coincidência, ter muitos frades, no mesmo lugar em que se encontrava a filha do inimigo deles não? E por medidas de segurança, comecei a postar “Se eu desaparecer, me procurem no Vaticano!” Por quê? Oras todos dizem que anjos não fazem mal, ou que as entidades católicas, são apenas para a caridade, mas isso é um fato quase falso. Pois em 1500, quando muitos se recusaram a seguir a fé em Cristo, estes foram jogados na fogueira, sem dó, nem piedade, por entidades que pertenciam a santa fé, ou quando Sodoma e Gomorra caíram no pecado, todos foram aniquilados pelos anjos. O quê significa que eles só não matam e torturam, quem segue as suas regras, e como eu não só não as seguia, como carregava o sangue demoníaco, certamente seria um alvo, numa guerra que estava prestes a começar. Por conta de tudo o quê sabia, e sentia ser real, vivia tendo pesadelos, nos quais um anjo de olhos brancos me perseguia, tentando me destruir a qualquer custo, como se de fato fosse a chave do Armagedom, do qual Agnes havia me falado, mas enquanto um anjo tentava me matar, outro descia dos céus para me defender, assim como quando sonhava com cobra, uma avançava em mim, e a outra me protegia. Nessa época passava muito tempo dormindo, era melhor que viver rodeada de gente, que torcia pra eu me acabar em depressão, por isso tive todo tipo de sonho bizarro, que se possa imaginar, mas isto fica para um próximo livro. Em 13 de julho de 2013, fui ao dia do rock com Rose, ela estava caindo de bêbada, e como cuidou de mim lhe devia uma. Nesse dia, por alguma razão Diogo mandou mensagem, algo que era bem comum naquela época, pois após o término e fingir que eu não existia, passou a aparecer de vez em quando, só para me atormentar. A gente ficou discutindo, não me lembro porquê , mas por causa disso, fiquei tirando e colocando o celular de dentro da bota, até que um moleque veio e o roubou de mim. Mas já era de se esperar, estava longe da multidão, numa construção deserta, porquê Rose não queria vomitar em público. No começo ri, não acreditei que aquilo estava acontecendo comigo, e quando fui ameaçada de morte, corri atrás do assaltante, mas este foi mais rápido naturalmente. Ao contar para a policial, esta me olhou com desdém, como se eu fosse uma menor, que estava infringindo a lei. Não aguentei e gritei com ela, foi preciso que o grupo de meninos com o qual Rose viera, me segurasse, para me acalmar, e no meio da confusão, ainda haviam dois meninos brigando para ver quem me consolava. Mas estava com tanta raiva na hora, que nem liguei. Senti meu corpo pulsar, como se meus pés não tocassem a sola da bota, e fiquei com medo de flutuar ali na multidão, por isso abracei um dos rapazes. Ao chegar em casa, fiquei fora de mim, e gritei com um rugido de leão, sobre ser fraca, chutando tudo ao meu redor. Estranhamente, na hora que surtei, os cães e gatos ficaram loucos, latindo sem parar, como se eu estivesse possuída, e esta foi a mesma conclusão da vizinhança, que mais tarde vim saber, que acreditavam que eu estava com o satanás no coro. Ainda naquele ano houve mais um fato, eram 6 horas da manhã, noutros tempos estaria indo para a escola, mas naquela época tinha me formado no ensino médio, então só estava vagando na internet, procurando por respostas como “qual era meu nome infernal” e se haviam mais pessoas que acreditavam na minha existência. Sim a esta altura, tinha embarcado no trem da loucura, e não ia descer na estação da razão. Pra piorar haviam muitos fanáticos de diversas igrejas, que não só acreditavam na existência da filha de Satanás, como também a temiam. Uns diziam que hoje em dia era velha por ter habitado a Terra, muito antes do homem caminhar por ela. Outros alegavam que era uma jovem, e que quem se casava com ela, trilhava o caminho da escuridão. Mas a que me deixava de queixo caído, era a que falava sobre ela ter sido expulsa do paraíso, pelo próprio Deus, que não queria dividir suas glórias. Por quê me deixava assim? Devido a minha visão do anjo e a mulher copulando no paraíso. Além disso consegui desvendar qual era o meu nome, mas isto será explicado adiante. Em meio a todo este turbilhão de ser ou não ser, algo ainda mais fantástico aconteceu. Numa manhã qualquer, estava diante do meu computador, falando com uma das milhares filhas de Lúcifer, que ao contrário de mim, eram super bem recebidas pelo público satânico, sem muito ânimo, porquê vi que o fato de ser da realeza infernal, não mudaria nada na minha vida, poucos acreditavam em mim, e minha popularidade continuava baixa então de que adiantava ter uma coroa?. De repente a luz começou a piscar, como em um filme de terror, e pensei “ah ótimo, lá vem uma assombração encher o saco!”, mas com um pouco de animação, resolvi falar sobre. Foi quando o sinal caiu, e ouvi o barulho de algo no lado de fora de casa, parecia uma nave especial, e por isso corri para abrir a janela do meu quarto. Para a minha tristeza, não tinha nada lá fora, mas o barulho permaneceu, e me lembrei do O galinho Chiken little, onde as naves podiam se disfarçar entre as nuvens. Se havia ido parar no cinema, é porquê queriam que  a humanidade soubesse, do potencial das naves extraterrestres não? Entrei para o cômodo, e me deparei, com uma esfera dourada flutuando diante de meus olhos. Por incrível que pareça, não surtei, apenas fiquei fascinada pelo fato e sorri. N9 entanto, assim que percebeu que estava sendo vista, a bolha de energia foi rapidamente para a parede, e então desapareceu, deixando tudo normal outra vez.Na semana seguinte, fui para o meu primeiro estágio, pois precisava de dinheiro, para ajudar na casa. Era 14 de agosto de 2013, e o dia foi estranho do começo ao fim, naquela noite sonhei que fugia de um lugar semelhante ao cenário do primeiro jogos mortais, e ao escapar me deparava com a rua de minha casa, onde recebia uma facada no útero, mas não sentia dor, apenas me dissolvia em energia até desaparecer. Acordei sem vontade de ir para o trabalho, e como minha mãe na maioria das vezes dizia sim, para o quê eu pedia, pensei que fosse me deixar ficar em casa. Para minha surpresa, ela não deixou, e fui para o escritório do jornal, do qual o amigo de meu pai era o dono. Lá foi interessante, até divertido, e senti que devia voltar, pois queria seguir a área do jornalismo, para expor estes fatos estranhos na mídia, e abrir os olhos dos mais céticos. Só que quando cheguei em casa veio o abalo, logo que entrei na ladeira, vi que houve um incêndio, e brinquei com minha mãe dizendo "Desta vez não fui eu.", já que neste tempo, toda vez que ficava furiosa, algo pegava fogo do nada, o quê fazia eu me sentir uma verdadeira mutante da geração X. Todavia da mesma forma que o sorriso brotou, ele foi derrubado, quando notei que a janela de casa estava aberta, até briguei com minha mãe, lhe dizendo que tinha esquecido, mas esta percebeu logo, que sofremos um assalto. Outra vez fiquei fora de mim, sai chutando a porta, e quando o marginal do meu vizinho passou por mim com o ar de satisfação, quase lhe desferi um golpe. A porta foi fechada por dentro, e quando abrimos, apenas o meu quarto estava revirado, totalmente bagunçado cheio de sacolas, e vazio. Meu primeiro pensamento foi "levaram meu notebook! Justo onde estava digitando o meu livro, e onde tinha metade da minha vida!" Fiquei em choque, e quando fomos a polícia registrar o roubo, tudo se tornou ainda mais esquisito, pois eles pareciam zumbis, programados para agir de uma maneira robótica, sem qualquer consciência. Citei sobre o tal incêndio da casa de baixo, e a única resposta que tive foi que ele não foi criminoso, e quando a perícia chegou, concluiu que o roubo ocorreu sim, na hora que a residência da vizinha pegou fogo. Minha fé em Lúcifer foi totalmente abalada, me senti só e desprotegida, como nunca antes, e isso me deixou mergulhada em trevas. Naquela tarde, tentei entrar na minha conta Carry Manson do Facebook, onde tinha uma página, que estava a crescer, tanto pelos meus contos, quanto por minha vida real, mas a senha foi alterada, e me tornei um fantasma virtual, como se nunca tivesse existido. Sim, tudo no mesmo dia. Após perder tudo, tive de recomeçar do zero, e passei a ler mais, tentando usar o fato da forma mais positiva que pudesse. Criei uma nova conta, e continuei a expor minhas visões, porém parte de mim ficou temerosa, pois tinha me envolvido com algo muito sério pelo visto, e provavelmente sabia mais do quê deveria, e queriam me calar. Pouco tempo depois minha fé foi restaurada, porquê ás 19:15 da noite, o meu professor de balé foi preso, com exatas 11 acusações de abuso, e mandado para o pior presídio do Estado, e assim soube que Lúcifer ainda estava ali por mim, pois me trouxe a justiça, que o povo de Deus, passa anos e anos esperando, mas nunca vem, e as vezes o cara ainda é perdoado por se converter. Ainda neste ano, tentei realizar meus sonhos, e comecei indo para a aula de canto, pensando ser a rainha soprano, até ser descartada e taxada de mezzosoprano lírico. Por quê é relevante? Bem porquê quando voltei da aula, minha mãe viu fantasmas. Era sábado a tarde, e ela me pediu para comprar pão, fui até a padaria, e quando voltei, esta me disse que tinha visto um homem torturando uma mulher, na janela da cozinha, e achava que isso se dava, porquê meu professor impôs que cantássemos um hino de igreja, mas ignorei. Até que no domingo a noite, passamos por um carro, e este ligou os faróis , admito que fiquei com medo, e deduzi que tinha alguém no carro, até que minha mãe me empurrou, e vimos que não havia ninguém ali. Pouco tempo depois de ter sido transformada num pó virtual, saiu nos jornais que os E.U.A estavam vigiando o Brasil, e todos ligados a presidente Dilma, o quê era estranho, pois vivia tendo sonhos com ela, nos quais esta vinha na forma do cavaleiro guerra e conversava comigo, e eu contava a minha mãe, que ficava de queixo caído, e acreditava em mim, o quê me dava forças para evitar remédios, apesar de achar que estava a beira da loucura. E o quê me fez duvidar ainda mais da minha sanidade, foi esse fato que contarei a seguir. Eram 18:30 da tarde, meu quarto estava todo escuro, quando me deitei, e ouvi o Apocalipse sendo recitado por várias vozes, de forma tão perfeita que não parecia vim de mim, eles mencionavam sobre a Marca da Besta, e eu não sabia porquê, até que contei a uma amiga, e esta me mostrou a imagem de um contrato, assinado pelo Barack Obama, onde este aceitava o chip 666 mondex no país, que era um apetrecho tão pequeno que servia para colocar na mão ou na testa exatamente como nos textos bíblicos. Foi quando passei a me dedicar aos estudos da bíblia, percebendo que estávamos mais longe do quê eu pensava. Achava que o Apocalipse se iniciaria logo, não que já estava acontecendo. Não sei porquê ouvi essas coisas, justo quando a marca foi instalada, mas sei que tem alguma razão para isso, e não é a loucura. Neste ano me perdi de vez, não via com quem contar, não tinha bons amigos que me entendessem, e os que ficavam ao meu redor, sempre "curtiam" ao meu sofrimento. Por isso me tornei cruel e dura, e desta maneira quase perdi para todo o sempre, o amor da minha vida. Estava tão entorpecida pelo veneno destilado por Diogo, que nem sequer via, que tinha alguém que de fato me amava. Era um dia de maio, quando eu e Brendo voltamos a nos ver, e dormimos juntos, mas o clima não foi de romance no fim das contas, pois no dia seguinte lhe disse a seguinte frase: "isso não quer dizer que te amo, nem que vamos voltar!" e este partiu sem dizer nada. Não achei que o machucaria tanto, porquê para mim, ele já tinha aceitado o nosso fim, e aquilo era uma recaída, mas hoje acredito que foi o pivô de sua destruição. Dando continuidade aos fatos, lembra-se do ódio mortal que senti do menino que roubou meu celular? Bem, ele foi tão grande que me fez lhe ameaçar de morte por sms, deixando

    claro que não sabia com quem estava se metendo. E alguns meses depois em outubro

    daquele ano, cheio de fatos incríveis, houve o grande incêndio do maior ninho de bandidos

    de Macapá, o bairro Perpétuo Socorro. Lugar que por coincidência se localizava a igreja favorita de minha mãe, e foi nesta que ela fez a promessa, de me colocar um sobrenome

    ridículo, por causa de um "milagre". É, minha vida tem mais eventos paranormais ainda, e estes ocorrem desde que nasci. Enfim praticamente o bairro inteiro pegou fogo, e as chamas eram tão intensas que teve uma repercussão nacional. O quê me deixou por um lado feliz, pois me senti vingada, e temerosa porquê alguém estava atraindo os holofotes exatamente para onde eu morava, e eu não queria ser descoberta, não pelo inimigo, não sem guardas demoníacos para me ajudar. Depois desse fato houve outro, eu e minha mãe brigamos por religião, porquê esta uma vez puxou uma faca de carne para mim. É impossível esquecer, era véspera da  véspera de natal, eu tinha 14 anos, e estava animada para a data, imaginando como seriam os cartões virtuais dos meus amigos obscuros. Seus olhos ficaram  amarelos, bem claros, e ela pulou em cima de mim, sem eu sequer lhe provocar, me chamando de monstro, de demônio, e tentou me matar. Eu só sobrevivi, por ser muito boa em manipulação de pessoas, que são excessivamente emocionais, além de ter tido tanta adrenalina, que fui capaz de lhe imobilizar com facilidade. Do contrário hoje não estaria aqui, contando a história, como resultado houve um desastre num evento religioso da nossa cidade, e alguns se

    foram.  Como sempre, toda vez que eu estava por perto, ou remotamente envolvida, algo bem devastador acontecia.  O ano de 2013 terminou com todas as desgraças, e o ano de 2014 se iniciou diferente dos outros. Em janeiro daquele ano, sai com um rapaz, que era tão conspiracionista quanto louco, e logo nós começamos a namorar. Nosso primeiro encontro foi inesquecível, porquê mais uma vez fui assaltada, mas desta vez foi ainda melhor, porquê enfrentei o assaltante, e se meu pretendente Reginaldo não me puxasse, teria tomado uma facada na garganta. Mas o relacionamento não durou nem uma semana, porquê o idiota do meu único amigo Raphael, que estava tão na pior quanto eu, porquê tinha magoado a minha melhor amiga Magnólia, resolveu se declarar, e como eu já estava gostando dele desde novembro de 2013, fiz o quê meu coração mandou, fui sincera com o meu par, e terminamos numa boa. Meu coração era burro, ele não gostava tanto assim de mim, e já era de se esperar. Viramos amigos porquê depois de tanto pegar no meu pé, por eu dizer a Maggy que ele devia respeitá-la, viu a chance de se reaproximar da ex maravilhosa que perdeu, mas infelizmente na mesma época nós perdemos o contato, porquê devido a minha obsessão com o fato de ser filha de Lúcifer, acabei brigando com Maggy por ter mais destaque que eu, mas antes  fiz de tudo para que voltassem, achando que ele tinha mudado, e estava pronto para um recomeço, com a melhor pessoa do  mundo. Como não restou mais ninguém, a

    gente se aproximou, e com ele conheci umas novas bandas bem legais de rock, além de conhecer o autor literário mais perfeito do universo Howard Philips Lovecraft, o

    autor de O chamado de Cthulhu. Aquele que deu origem a ficção científica, envolvendo aliens, com uma obra que influenciou na criação do filme Doom a porta do Inferno, e muitos outros que seguiam a mesma temática. Fora isso, era um tremendo babaca, dava em cima de todas, e vivia tirando onda comigo, então foi outro relacionamento curto. Como tudo deu errado em 2013, não vi outra escolha senão entrar na faculdade, e escolhi Ciências Biológicas e Enfermagem, mas só passei para o primeiro, em 11° lugar. As aulas começaram, e logo no primeiro dia, me deparei com um nerd, que de imediato me atraiu, mas como não sabia qual era a dele, evitei seus olhares. Na hora de responder o porquê da escolha do curso, eu disse logo que estava ali, para estudar a vida alienígena, sem me importar se viraria a "louca dos ets" afinal de contas, não conhecia ninguém, então não tinha nada a perder. A minha resposta foi a melhor na qual pensei, pois seria pior dizer que graças a panspermia cósmica, não cometi suicídio. A esta altura tinha novos problemas para resolver, como provar que não só filhos de demônios e anjos existiam, como também podiam ser encontrados através dos genes, e enquanto lutava para ter sucesso, minha nova irmã de Lúcifer e Lilith Gabriela, o obtinha sem mover um dedo. Será que o segredo está na idade? Quanto mais jovem mais chances de brilhar? Bem não sei, mas admito que é o quê parece. Pra piorar, ela vinha se destacando tanto, que era impossível não sentir raiva, pois até os meus amigos a admiravam. Outra vez alguém mais jovem, roubando o meu lugar, então não andava lá muito feliz. Certo dia o garoto que achei bonitinho, levou uma revista sobre os vilões, e por esta razão me aproximei. Descobri que seu nome era Thiago, e falei sobre ir pro curso, para poder dissecar sapos, e ele me mostrou que dissecou um rato, ali me apaixonei. Nós começamos a conversar, e o fato de ser tão inteligente me deixava fascinada. Que belo intelecto, que bela pessoa, será que tinha tirado a sorte grande? Claro que não, ou então hoje em dia não seria casada outra pessoa. Mas voltando , ele parecia está na minha também, vivíamos grudados, e uma vez acho até que tentou me beijar mas desviei, por medo, por fidelidade a Raphael, ou sei lá o quê. No entanto dei uma festa, bebi demais, levei um fora dele, e isso terminou comigo me cortando no pescoço. Eu sei, parece que não tenho maturidade, só que foi mais uma coisa que deu errado, e pra piorar as cartas de tarô que sempre acertaram sobre meus fracassos românticos, pareciam ter errado sobre o meu sucesso no amor. Não tive cara para reagir, só soube mais tarde que ele confessou a minha mãe, que gostava muito de mim, e não queria que eu fizesse isso. Depois veio falar comigo, e as coisas foram ficando estranhas, na semana seguinte soube que não ficou comigo porquê tinha namorada, pior sua namorada era amiga de uma das minhas melhores amigas, a Adriana, e eu a conheci. A menina foi  gentil comigo, e nos demos muito bem, me senti culpada, e por essa razão decidi ir me afastando. Quer dizer se a garota fosse uma megera, iria lutar até tirar o cara dela, mas alguém tão gente boa, não merecia isso, logo voltei pro Raphael, com quem tinha terminado para não trair. Algum tempo depois da festa do desastre, ele e a namorada terminaram por algum motivo, se não me engano, problemas com o horário, e como Raphael era um idiota, novamente fui a luta, mas as coisas ficaram estranhas entre a gente, ele parecia cada vez mais próximo de sua amiga Creuziane, como se estivesse apaixonado por ela, e suas ideias toscas sobre ateísmo, pois se tornou ateia apenas porquê Deus, não lhe deu nada do bom e do melhor, para piorar mais suspeito ainda, notei que meu livro de magia negra de São Cipriano, foi marcado na página "como obrigar alguém a te amar", e isso me fez questionar se ela não o enfeitiçou. Novamente fiquei sem amigos, a popularidade, estava relativamente em alta, só que pra mim não era o suficiente, e foi assim que fiz amizade com Késsia, uma evangélica, que além de bonita, era uma CDF de primeira que me ajudava com minha autoestima.  Porém vez ou outra ainda via o menino e seu grupo, que não parava de crescer, só que ele me fazia de trouxa tipo 100%, por isso fui criando raiva, mas não me afastei por completo. Levou tempo até entender que a Creuza, não o enfeitiçou, mas sim deve tê-lo envenenado dizendo que provavelmente eu o fiz, afinal de contas todos sabiam que eu era satanista, e por isso esperavam o pior de mim. A faculdade virou um inferno, era um joguinho chato, que não dava para suportar de maneira alguma, porquê enquanto eu falava que era filha de Lúcifer, e tinha muito a ensinar a este mundo, como uma princesa alien, ele preferia a mulher do "foda-se Deus e o sobrenatural que faz parte dele!". Falei, falei, fui insultada de burra, até que resolvi me calar, as pessoas creem no que bem desejarem, e se querem ser idiotas, que sejam. Achei que nada podia piorar, já tinha cometido grandes falhas, me apaixonar por um idiota, ter ido pra casa de um estranho, onde quase participei de uma orgia, depois de ficar com as garotas, ter dormido com o dono da casa, ter dormido com o namorado, da sobrinha da minha tia, e por fim ter partido o coração de um rapaz, muito legal que se chamava Fabiano. Ele é marcante porquê graças a sua forma de agir perante a minha traição, mesmo sem ter certeza que a gente estava num relacionamento, percebi que estava me tornando uma vadia fria, e não me senti nada bem com isso. Queria mais da minha vida, do quê me tornar uma Claudiane Kelly, por isso senti um alívio, quando Brendo reapareceu, e estava namorando. Todas as minhas amigas falavam que ele não tinha

    me esquecido, mas o fato de está com alguém, provava o contrário. Agora podíamos

    ser amigos, como teria acontecido, se Diogo não tivesse interferido, eu podia lhe pedir desculpas, pelo mal que causei, e tudo iria dá certo, até me ajeitar com alguém também. Só

    que quando testamos essa amizade, as coisas ficaram fora de controle, ele tentou se afastar

    , mas me aproximei, até beijá-lo de surpresa, o pior é que foi ótimo, teve ardor e magia, e por

    esse encontro de bocas, toda a minha perspectiva mudou. Na semana seguinte tudo no quê eu pensava era em voltar com o B, ele sabia que eu gostava de Thiago, mas aceitou me ajudar quanto a isso. Houve uma nova reunião na minha casa, dessa vez com vinho e um cigarro de maconha, esta era a terceira e última vez que fumaria isso na minha vida, as outras ocorreram na faculdade, junto da minha paixão platônica. B e eu voltamos, e de alguma forma, tínhamos uma química inegável, que dava inveja nos mais próximos. Quem eram os convidados? Creuziane, Thiago, e o resto do nosso grupo, e o ciúme daquele que segundo o mesmo, só tinha desejos carnais por mim, era bem evidente. Ele tentava se aproximar, e eu só jogava meu charme, não queria ferir a ninguém, mas também estava cansada de ser pisada. Nesta noite houve algo que nunca antes tinha acontecido, de alguma forma eu acabei no meio dos meus possíveis pares. B estava confiante, até mesmo conversava com T, que estava claramente inseguro, e eu me sentia no topo. Até que fui pra fora de casa fumar um beck, e fiquei abraçada ao B, T viu, e seu olhar de fúria foi tão perceptivo, quanto o brilho de uma estrela a noite. Este me encarou, eu sorri com muita satisfação, e ele tentou literalmente me queimar viva, tacou fogo no meu cabelo. Mas a noite não acabou aí, Creuza vendo que eu estava ganhando terreno, tentou levá-lo embora mas o garoto não queria ir, como se quisesse ter certeza de que B fosse embora antes. Só que como Creuza, é uma papa anjo como minha mãe, ela sabia como virar o jogo, ela era a carona dele, por isso ameaçou ir embora, e quando todos foram nem me levantei para abraça-lo. Foi épico, e naquela noite eu ri muito ao lado do B, porquê conquistei uma vitória bem ao estilo Carry the Devil. Porém não deu em nada, a não ser no fato de T, começar a demonstrar mais os seus sentimentos, sem confessar alguma coisa, e vendo que isso irritava um pouco o B, fui deixando de ir as aulas. Pra uma coisa que era meramente carnal, ele agia bem diferente do padrão, e acho que cheguei perto de ter algo mais, porém desisti no último minuto. Já tinha tido muitas lutas como essa, por amores que não valeram a pena, por isso resolvi acabar de vez, com esse sentimento. Pouco a pouco fui sumindo da faculdade, até tomar a decisão de abandonar de vez, porquê não tinha mais jeito. Eu joguei, foi divertido, todavia só valeu a partida, pois no fim das contas ninguém venceu. Ele me perdeu de vez, mesmo demonstrando que quisesse que eu ficasse, voltou com a ex, terminou com a ex, me procurou no Facebook, mas eu o recusei depois de muito deliberar. Eu e B voltamos, tentei parecer feliz, mas não me sentia lá muito realizada. Ele agora era mesmo o babaca que havia me dito, que se tornara por causa da sua ex Késia
    . Graças a ela, segundo o mesmo, ele agora tinha dormido com quase que a cidade inteira, tudo porquê esta se recusou a ir pra cama, e disse que esperava o pior dele. Eu não me importava, achava que o amor de B era maior por mim, e que não me sacanearia, com a primeira que aparecesse. Afinal de contas sexo não era um problema, e nenhum cara  topa te ajudar a por ciúme em alguém, se não gostar de você de uma maneira diferente não é? Acreditava que Brendo, era o tipo de pessoa que ia até o fim do mundo, para me buscar um remédio, caso estivesse doente, por isso seu passado não o condenava. Passei muito tempo, presa a esta paixão platônica sem futuro, tentando me ajeitar com o B, pois achava que ele sim me amava, porquê já tínhamos um compromisso, estava registrado, todos sabiam, ele tinha me assumido, então por quê perder tempo com uma pessoa, que não teve essa coragem? Nessa época, conheci novas pessoas, e por conta do meu histórico escolar da noite, todos me conheceram pelos elogios dos professores, que me consideravam muito inteligente. Primeiro me juntei a Anália, mas a amizade não deu certo, porquê ela me trocou por Larissa, a melhor amiga de Nicole, que vivia pegando no meu pé, por praticamente respirar, e esbanjava popularidade, coisa que para Ana, era claramente mais importante do quê me ter por perto. Nicole ficou sozinha, após Ana dá um jeito de separar as duas, e como eu não tinha valor, nos tornamos amigas. Tudo estava muito bem, até que finalmente com a ajuda de Larissa, consegui tomar a minha decisão sobre ficar com um ou lutar pelo outro. Disse "Não importa se o T é gato, é o Brendo que me ama de verdade!" E por uns meses fui feliz por ter o B por perto, porquê ele me fez voltar a gostar

    de anime, de jogar, e enfim me achar outra vez. Até que no ano seguinte aconteceu, a pior coisa de todos os tempos da minha vida, uma semana antes do meu aniversário em 2016 ás 15:40 da tarde, eu fui ver suas mensagens, e descobri que ele andava arrastando uma asa, para uma tal de Thaís Andréia. Você não diz "tenho saudade de quando me mordia, pois faz tempo que não o faz" para uma amiga. Nem que assiste um anime romântico com sua namorada, e lembra da amiga, porquê deu para o seu par o mesmo apelido que pertence a ela, no caso Kuriyama Mirai. Você não a chama para ir ver um filme, sozinho com ela, se não quer transar. E por fim você não diz que sonha com ela, em vez da mulher da sua vida. Aquilo me devastou, tanto que lembro do mês, ano, e hora, que aconteceu.  É, se você pensou que vilões podem ser felizes, está bem enganado, as coisas sempre dão errado pra gente, e aqui não é diferente. Eu abri mão do Thiago, e dos pretendentes da reserva, ele não. Se for homem, deve está feliz por ver minha desgraça , porquê provavelmente alguém também partiu teu coração, mas vai ver que com mulher, jamais deve dá o troco. Primeiro fiquei tão fora de mim, que eventualmente quebrei o amado PC dele. Segundo o expus para todos que o achavam o máximo, e por fim fiz da sua vida um inferno. Porquê comigo não se brinca, ou joga o meu jogo, ou morre. Infelizmente numa vez que ficamos em paz engravidei, e como no dia que tomei a pílula do dia seguinte, bebi vódica, o efeito foi cortado, e assim fiquei com um barrigão, e um evidente chifre na cabeça. Nesse tempo, eu voltei a falar com Diogo, porquê assim como Kuriyama fazia o B se lembrar da Thaís, o novo Flash da DC era a cara dele, e eu queria muito me vingar. Entretanto Diogo era tão doente, que queria que eu abortasse, sendo uma gravidez que ao contrário das outras vezes, foi confirmada, e mesmo odiando está grávida de um tremendo filho da puta, não queria matar uma criança inocente. Que ele tinha me enganado e manipulado tudo bem, mas pedir pra destruir meu bebê era demais, por isso desde então cortei todos os laços de vez. A gravidez era horrível, vivia em hospitais, sofrendo com dores muito intensas, de parto prematuro, mas por alguma razão o bebê ficava protegido. Torcia pra ser um menino, porquê sabia que se fosse menina, a história da Menara se repetiria, e eu perderia todo o amor de todos. Como sempre, como minha vida é uma merda gigante, o sexo do bebê era feminino, e por isso muitas vezes odiei carregar esse ser dentro de mim. Outras vezes superprotegia, e conversava, mas na maior parte do tempo, só pensava que ia roubar meu lugar, assim como a Menara fez, e todas as outras jovens depois dela. Em meio a esse inferno , ainda tinha que conviver com a dúvida se tinha sido traída ou não, bem que fui traída é óbvio, mas precisava saber se tinha sido como com Késia. E por falar nessa puta,  descobri que B não era tão ruim como namorado pra ela. Sempre falava bem, e o medo que tinha de perdê-la, enquanto que de mim, só falava que estava comigo pra suprir sua carência e por sexo. Uma vez ele falou que quando voltou comigo, não me amava mais, não acreditei até ver com os meus próprios olhos. É cara, comigo as declarações eram toscas, ele fazia como Raphael, me xingava de menina chata, e com ela era te amo pra sempre minha centelha de felicidade. Então fica a questão...Quem ele amou mesmo? Exatamente, ela, só que não assume, como se fosse crime dizer que você amou mais a quem mais se dedicou. Isso me deixou bem puta, daí ele tentou se desenrolar, dizendo que fui mais importante, porquê o quê fez por mim, não se comparava ao mínimo que fez por ela. Ah nossa, fez muito, falou mal de mim, não teve um pingo de respeito, e ainda pôs uma foto de perfil ridícula com ela. Com certeza, ai que amor. Segundo ele, ela só se tornou gótica, porquê eu era gótica, e gostou do meu estilo, adotando-o como se fosse uma cópia barata de mim, e que enquanto estava com ela, dormia ouvindo minha canção chamada Suicida. Ah que prova de amor! Uhul ele guardou a merda de uma canção idiota! Grande coisa! Minha filha Ravenna Thayla nasceu, e por um tempo me senti realizada com seu nascimento, até perceber que de fato ela veio pra roubar o meu lugar, e me afastar dessa ideia estúpida de ser mãe. Minha mãe me jogou logo 4 pedras, porquê não quis amamentar, devido ao fato de meu peito está em carne viva, e muitas vezes falou pra eu colocar a menina pra adoção. Algo que me deixava irritada pra caramba, como se não me bastasse o chifre, ainda tinha que ouvi desaforo, sobre ser uma péssima mãe. Eu estava tentando, fingindo que estava tudo bem em não ter mais os holofotes, só que nada do quê fazia era bom o suficiente, e pra piorar Nicole ficava dizendo que a minha filha seria apegada a avó, que lhe dava mais cuidados, do quê a mim, porquê eu estava claramente despreparada. Era fácil falar tudo de ruim, afinal de contas ser mãe era o sonho dela, e por isso o fato de me manter afastada da bebê, era visto como um crime, mesmo que eu a alimentasse, desse carinho, e lhe protegesse. Sim, nunca foi a minha vontade ser mãe, bem nunca é um forte exagero, mas naquele tempo certamente não o era. Diogo destruiu meus instintos maternais, quando veio dizer que se tivéssemos um filho, este seria mais poderoso que nós dois, e por esta razão deixei de sequer pensar no assunto. Já tinha provado a sensação de ser dona de um pequeno reino, e perder tudo para a próxima geração, e não desejava ter um pouco mais disso. Infelizmente gerei um ser na minha barriga, e os deuses disseram sim para a sua vinda a Terra, então não tive escolha se não ser mãe. Porém se coloque no meu lugar, eu me vi sempre ficando para trás por causa do novo, e fui doutrinada para acreditar que "as crianças são o futuro" , não foi fácil manter essa decisão. Como se não bastasse ainda tinha o fantasma da minha prima, atormentando a memória, com aquela cena clássica de um filme de terror, em que eu por pouco não a matei. Não me sentia segura, com a ideia de manter o bebê perto de mim, só me via cometendo atrocidades, e por medo de machucá-la, preferia deixá-la com a avó, que certamente só tentaria matá-la, quando esta crescesse, e seguisse meus passos. Ninguém me entendia, com exceção do Brendo que ficava ao meu lado, e me defendia dos ataques da minha mãe, porquê sabia o quê eu estava passando, e não queria piorar a situação, mas ainda sim eu o odiava, estava dividida entre amá-lo e desprezá-lo, e isso me enlouquecia.Já cansada de meus surtos, resolvi ir ao psicólogo, não aguentava mais tanta tristeza. Lá recebi o apoio, e fui encaminhada para a psiquiatria, porquê como já deve imaginar, o meu caso é grave, tenho uma depressão profunda. É, também fiquei surpresa, achei que tinha personalidade esquizotípica, mas não, e olha que falei sobre tudo, principalmente sobre defender que os deuses são aliens. Fui a vários médicos depois disso, e me conectei profundamente a Anelise, uma  psicóloga, que me ajudou a perceber que só atraio destruição pra minha vida, quanto pior, melhor, pois assim me dá coragem pra acabar de vez com tudo. Ela está certa, todo relacionamento me leva para o fundo do poço, sendo um relacionamento ou platônico, quanto pior, melhor. Já exausta de ficar em duvida, fui atrás da amante fixa de Brendo, Bruna , descobri se ele tinha me traído com ela, mas tudo o quê soube é que ele se sentia culpado por trair a Késia. Fui atrás dessa sirigaita também, mas a mesma disse que nunca ouviu falar de mim, e me tratou com  ignorância por ser a vagabunda que é, rindo da minha desgraça, como se me odiasse, mas concordávamos numa coisa Brendo era um mentiroso. Tentei falar diretamente com o pivô disso tudo, mas nunca dava certo, até que um dia Brendo foi pra Goiânia procurar emprego, e me conseguiu um encontro com ela. Eu a conheci, numa praça pública, conversamos bastante, e fui bem direta sobre a traição, mas esta demonstrou que não aconteceu, tudo ficou no campo da emoção, o quê não isenta ninguém de culpa. Era fácil saber quando estava mentindo, pois ficava bem nervosa, sabia disso porquê quando falei sobre gostar do Brendo, ela negou repetidas vezes, e desviando o olhar, como quem comete um pecado. Só que sobre traição parecia ter a sua consciência tranquila, falou até que gostou mais de mim, do quê da vadia ladra de legados, e juntas chegamos a conclusão de que B, a manteve por perto porquê se assemelhava muito a mim no passado, quando era muito mais satisfeita com a vida, e só a deixou lá para substituir o vazio, que eu deixei em sua vida ao ir embora. Ela até falou que eles tinham conversado depois de muito tempo, e que nunca o tinha visto gostar tanto assim de alguém, e que se ele pisasse na bola comigo, era para lhe dizer pra ela tacar uma pedra nele. A menina era gente boa, senão fosse o fato de ser amante do meu marido, teríamos sido amigas facilmente. E tudo pareceu se resolver, assim também fiz as malas, e viajei para Goiânia, com a intenção de deixar o passado no seu devido lugar. Todavia é impossível, não dá pra construir nada, num lugar em completa ruína, porquê o passado sempre vai contar, pois sem passado não há presente.














































    Capítulo IV

     “Como lidar com os fantasmas do passado, se eles parecem mais vivos do quê eu?”




    Antes de ontem, enviei uma carta a Késia na qual tomei o cuidado de lhe expor, e destruir sua mentira descarada. É claro que a odeio, tanto quanto a Claudiane, ou Anália, e as tantas outras que apareceram na minha vida, apenas para estragá-la. Falei toda a verdade, como esta é, e a bloqueei porquê meu único objetivo, era trazê-la para o meu Inferno particular. Citei o fato de quê as fotos dela são parecidas com as minhas, e o estilo também, e que isso só começou, depois que namorou o meu marido. Falei que era estranho carregar um nome com K que se parece tanto com o meu pseudônimo Carry, e que foi mais esquisito ainda adotar o  sobrenome Marques, sendo que antes usava o Brandão, que tanto lembra o Manson, meu sobrenome falso, e que eu vim antes dela. Falei que até o Brendo lhe chamava de cópia barata de mim, e que se não sabia sobre minha existência, por quê então dizia que tudo que era romântico, ele postava para outra pessoa? Citei o fato da música que B ouvia, entre outras coisas como só conseguir declarações românticas por fechar as pernas, enquanto que eu tinha ido pra cama com ele, e o mantive por 8 anos. Tempo que é contado até como a época, em que estiveram juntos, mas fui a amante, porquê não o queria de volta. Enfim disse tudo o quê pensava dela, sem esquecer nada, deixarei a carta nos anexos, e você pode ler depois. Meu objetivo foi concluído, como a bloqueei, ela veio atrás de mim, através de um fake, acho que do namorado, e a única coisa que soube dizer foi que sou covarde, e não tem medo de mim. Deveria ter querida, porquê sou uma jovem autora, com muito talento, e logo serei famosa o suficiente pra seu noūme ficar na boca do povo. Eu fui traída, mas tudo bem, porquê ele não dormiu com ninguém, só que ela levou tanto chifre que o namoro, mais parecia um carnaval. Sei que fiz o certo, a carta ácida foi perfeita, o suficiente para deixá-la tão irritada, que arranjou meios de revidar, sei que doeu, doeu tanto que precisou se defender. Pena que quando se vende milhares de cópias da sua vergonha, não dá pra esconder, como se fosse tudo perfeito, porquê já é tarde demais. Tenho noção de que estou me expondo, e desmascarando muitas pessoas com essa biografia, e sinto prazer em mostrá-los, para que assim percebam o quanto vocês, que fingem ter a vida perfeita, são piores do quê eu, e olha que sou satanista.  O problema é que não me sinto bem, eu quis machucá-la, porquê além de ter dela tudo o quê eu queria, teve a audácia de mentir para mim, sendo que a verdade está ali, estampada no seu Facebook, e quem me conhece há anos vai perceber. Eu sou a rainha dark Barbie de Macapá, não ela, nem nunca será. Parte de mim, se sente revigorada por colocá-la no devido lugar, e a outra parte nem sequer quer lutar. Não vale a pena lutar, porquê ela é uma cópia do Diogo mal, ou “Lord Dark” como ele se autodenominava. Vai sorrir e atacar sem parar, porquê no fundo se sente destruída, e acha que se fazer de forte vai disfarçar a sua dor. Sei bem como é, já convivi com alguém assim, e acredito que quanto mais mente pra si mesmo, mais isso te corrói, e te faz se sentir culpado. Ela e ele são claramente almas gêmeas, seria lindo se por acaso se encontrassem, se juntassem, e acabassem se destruindo. Eu poderia providenciar esse encontro, mas sinceramente, sei que o destino cuidará disso, e não vai demorar tanto. O problema é que as mentiras dela, me fazem duvidar duas vezes mais de Brendo, que jura que ela só faz isso, porquê tentou me substituir e não conseguiu. Mas duvido muito disso, porquê se foi assim, eu ganhei no fim das contas, afinal ele está comigo, e segundo o mesmo, e todos ao meu redor ele é louco por mim. Há novas informações que talvez façam sentido, sobre porquê ele supostamente me traiu com a outra Thaís, só que ainda não consigo processar isso. De acordo com a conversa que tive com meu marido, pude perceber que ele ficou bem chateado comigo, não tanto pela traição na web, e sim pelo fato de ter partido com Diogo, e ainda ter o levado a voltar comigo, quando claramente gostava do Thiago. Chateado o suficiente, para falar coisas que mais tarde me machucariam, e agir feito um idiota, por causa do ciúme e a insegurança. Uma coisa típica dos homens, do tipo “machão” quando se sentem ameaçados. Além disso como se não bastasse, numa coisa ele tinha razão, a conta do Facebook dele estava salva com a senha no Notebook, por isso era perfeito usar essa conta para me provocar ciúmes, pela suposta competição na qual o coloquei, já que como sou curiosa, hora ou outra iria fuçar a sua conta. Me diz como pode ser uma competição, se o outro cara nem sequer ligava pro fato de eu existir? Meu marido diz que nós dois sabemos que não era assim, só que o próprio garoto assumiu pra mim, que seu interesse era carnal, então essa conclusão dele é errônea. No entanto como ele acreditava fortemente nisso, a insegurança não tão aparente, e o ciúme pouco evidente, o fizeram errar comigo. Está bem, voltamos para o marco zero, porquê novamente eu sou culpada, por suas atitudes, outra vez sou a vilã, e ele apenas o cara apaixonado, que não sendo correspondido da maneira que queria, se deixar levar pela raiva e o medo da derrota. Sinceramente pode até está certo, isso explica porquê há tanta coisa ruim sobre mim, disseminada por ele, só que não serve para corroborar o fato de que amou mais a ex dele, afinal de contas, aquela garota é uma idiota, e deve ter feito bem pior, com os seus tantos pretendentes, e sua maneira fria e ao mesmo tempo estúpida de lidar com as coisas. Ele diz que o quê ela fazia não importava, já que não estava nem aí, só queria dormir com ela mesmo, não ficar para sempre, mas ainda sim tenho minhas duvidas, porquê como o próprio disse, foram as palavras erradas que ela falou, que o fizeram se tornar um lixo em forma de homem. Para isso, este explica que meras palavras não o afetariam, se já não estivesse machucado antes, com a minha perda. Também soube que os meus “amigos”, em vez de lhe contar a verdade sobre meu relacionamento com Diogo, sempre diziam que estava tudo bem, e que quando este ia averiguar pensava exatamente isso, porquê via alguma coisa boa no meu feed, e parava de pesquisar sobre mim. Se tivesse um pouco de coragem, teria ido até o fim, e veria que aquilo era uma relação entre manipulador e monarca, aliás se estivesse um pouco em si, teria dito para não ficar com ele, em vez de dizer que não deveria deixá-lo depois de tudo. Ah se eu tivesse a minha conta antiga, o meu velho orkut, e as outras provas para lhe fazer entender, que não me salvou porquê não quis. Infelizmente não tenho nada, só lembranças, que na hora do debate não servem, assim como suas declarações sobre nunca ter me esquecido, não são provas, se não há alguma consistência, é tudo circunstancial. Ele diz que o fato de ter guardado a minha música, é uma prova concreta, mas para mim não serve, o fato de manter minha obra, só prova que sou uma boa artista, ou que ele não apaga as músicas do seu computador, aliás a segunda é uma alternativa perfeita, dado ao fato de que tinha mais de 5 mil músicas guardadas. Nesse julgamento as únicas coisas que podem lhe favorecer são: A) Amigos novos saberem que namoramos em 2011, coisa que ainda não foi comprovada, com exceção de uma amiga que se lembrou, e perguntou “se apareci de novo”  B) Conversas antigas registradas em seu Facebook, nas quais mencione que não me esqueceu, e me ama. Algo que para o seu azar, também não pode ser comprovado, dado ao fato de que o nome “Carry” não indica nada na pesquisa, e “Thaís” serve de indicativo para a outra moça, e coisas bem ruins sobre mim, abrindo exceção apenas para o fato, de que deixou de sair com os amigos, para cuidar de mim porquê estava doente. E C) o milagre da única pessoa que viveu isso na carne, parar de mentir, e vim me contar a verdade, sobre ele não ter me esquecido. Milagre pois dificilmente uma pessoa que não é nobre, aceita a derrota, e confessa seu crime. É bem difícil para mim aceitar, mas acho que meu psiquiatra o doutor Arthur está certo, a paixão que ele sentiu por ela, foi muito maior do quê teve por mim, por isso se tornou romântico, de uma maneira que jamais fora comigo antes. E o motivo é bem óbvio meus caros leitores, eu fui fácil, forcei a barra para casar duas vezes, o empurrei para responsabilidades, e quis que fosse uma versão melhor de si mesmo. Algo que é claramente insuportável para os homens, porquê se uma garota já o deixou levá-la para cama, dá-se a entender que esta perdeu o seu valor, para eles significa que não há o quê ser conquistado, considerando que são movidos por sexo, e o amor é praticamente uma coisa puramente feminina. Uma invenção da mulher, para fingir que o ritual de procriação, representa uma ligação única com o parceiro. Como se não bastasse ter esperado apenas um mês, o fiz escolher entre o mundo ou eu, mostrando que logo perderia esse corpo quentinho, se não se casasse comigo imediatamente. Não o bastante, também impus que procurasse um rumo na vida, e após tudo isso, terminamos, e ele perdeu o fabuloso sexo que tanto lhe importava, pelo menos por um tempo, depois nos vimos outras vezes, e sempre aconteceu algo, no entanto  continuei a privá-lo de mim, e isso deve ter lhe enfurecido, porquê precisava do amor da outra, e do meu corpo, mas não podia ter os 2 em uma só, já que a pobre virgem Maria, se recusava a ir pra cama, mesmo permitindo-lhe algumas preliminares bem sacanas, que certamente o deixavam louco, ao ponto de fazer tudo pra conquistar seu glorioso objetivo de levá-la pra cama. Devia eu ter sido mais puritana então? Acho que sim, afinal de contas fechando as pernas, fez com ele dissesse muita coisa boa dela, e com as minhas pernas abertas, fui tratada como vadia, mesmo o acolhendo dentro de minha casa, ou o obrigando de novo? Ele diz que isso não significa nada, que tais palavras foram ditas só para que se espalhassem, mas amigos, temos aqui a prova de que o sexo faz o homem mover montanhas, então não importa o quanto ame certo? Mantenha-se pura e imaculada como a virgem Maria, porquê se fizer como Lilith, ninguém te dará valor, e se der será depois de já ter considerado que nenhuma puritana, está no mercado, porquê a primeira impressão é que você é uma vadia. Não importa se sente livre, dona do próprio nariz, ou ame o cara como a ninguém amou antes, feche a porra das pernas, se não quiser se arrepender. É incrível como a influência da doutrina cristã, continua a atrapalhar a evolução do mundo, e aqui é uma batalha clássica entre um anjo do submundo, e uma humana submissa a fé, na qual aquela que se mantém ligada a velhos costumes, sai vencendo, enquanto a que é futurística se vê incompreendida e humilhada. Eu sou o demônio dessa história, e como tal, me entreguei aos prazeres carnais, mesmo que de forma moderada, dado ao meu pequeno histórico de apenas 4 pessoas, em 9 anos desde que deixei de ser virgem. Nunca me senti envergonhada por minhas decisões antes, afinal de contas tem humanas que já fizeram com muito mais homens, mas hoje me sinto totalmente errada, como se gostar de quebrar regras sutilmente, só me trouxesse desgraças. Não ser uma ovelha, no meio de tantas delas, é bem doloroso, porquê apesar de serem dóceis, em grandes quantidades elas fazem um demônio ficar louco. Porém não é de mim que estou falando, e sim do meu marido, que após se afastar da magia, se juntou a uma ovelha, e seguiu os costumes banais de sua espécie retrógrada. O Brendo que conheci no passado, jamais ligaria para esses costumes, se uma garota lhe dissesse “não”, partiria para outra, porquê seres de gênero feminino não faltam no mundo, e o único “não” que o fez lutar por um “sim” era o meu, porquê há muito tempo gostava de mim, apesar dos infinitos “bolos” que lhe dei. Mas essa mulher o fez mudar, ou a dor o fez mudar, só sei que se fez tudo aquilo para dormir com ela, estava obcecado com a ideia, e se estava assim é porquê gostava dela. Não sei como alguém pode gostar daquilo, ela é razoável no padrão de beleza admito, só que a sua personalidade, é horrível. É de fato um ser desprezível, e ao contrário do Diogo, não tem momentos de compaixão, só dá coice atrás de coice. Contudo me parece que mais um “não” valeu a pena, porquê o motivou a lutar por longos 2 anos, e isso sim fere demais. Eu não consigo descansar sabendo que uma filha de Eva, me tomou o quê era meu por direito, que perdi o quê mais me importava para ela. Me pergunto se foi porquê era popular, ou o preço do seu corpo. Todos me dizem que ela não me superou em nada, pois o Brendo me escolheu, e é comigo que tem uma família de verdade. Todavia como posso ir descansar, sabendo que disse pro amigo que a amava, não queria perdê-la, e que ia mudar por ela, enquanto que de mim, só falou que não me ama, que sou um suprimento de carência, e que “adorava quando o chupava”?  Ele explica que disse tais coisas na raiva, só que duvido que aquela japonesa do Paraguai, não o tenha o irritado uma vez se quer, aí se justifica dizendo que no caso dela, nada dizia, apenas fazia, que ele a traia, e blá blá blá. E daí que ele a traia? Sério que significado tem isso, se ficava dizendo que a amava, e jamais a tratava mal em status compartilhado? Era literalmente só sexo, o sentimento ficava para ela, então não vejo tais traições como algo ruim. Vou te dizer o quê é ruim, porquê eu sim, já namorei um canalha, e seu nome era Raphael. Todo dia me lembrava o quanto Maggy era maravilhosa, e acredite em mim, ela era mesmo, mas doía porquê eu gostava dele, e este me remediava com “mas eu gosto um pouco de você”. Daí arranjava namorada, e me pedia pra ajudar, sabendo que eu tinha sentimentos, embora pequenos em comparação ao que já senti por outra pessoa. Status? Sempre me perseguia em postagens, para zombar do tamanho do meu seio, ou dizer que era “feia”. Aí terminava vinha pra mim, e dava em cima das minhas amigas peitudas, apoiando-as sem implicar por seus gostos “emos”, ou erros gramaticais. Quando namoramos, foi para o status, e na primeira briga o tirou. Quando arranjei um namorado, ficou furioso, e ficou falando um monte de coisa só pra me seduzir. Esse sim meu bem, é o canalha do ano, mas até o cara mais desgraçado que conheci na minha vida, nunca me expôs dessa forma, e ainda me ajudou a dar um belo troco na Deborah, uma outra garota que também tentou roubar meu lugar, como filha de Lúcifer. Isso aí de namorar, trair e fazer declaração de amor o tempo todo, não é ser cafajeste, no mínimo canalha, mas não é uma coisa terrível, ao ponto de dizer “minha nossa pobre Késia que foi traída, o Brendo é o pior namorado do mundo pra ela”, ele estava apenas sendo homem, um homem que não presta, mas só isso. Humilhação foi saber que estava comigo por carência, foi ser lembrada de que era pior do quê as outras. Tadinha da Késia é o caralho, coitada é de mim, que tive de aturar o pior desses dois homens. No entanto não foi de todo o mal, porquê apesar de tudo, todos esses idiotas sempre vem atrás de mim, já que os conquistei de verdade, entretanto apenas um deles fica, porquê eu ainda permito, e este alguém é o Brendo. Não sei se estou jogando outra vez o meu orgulho no lixo, por alguém que não fez metade dos meus sacrifícios, só que tenho de admitir, se o B realmente sofreu com a minha perda, e fez de mim um fantasma que assombrava o seu relacionamento com a “bruxa” Kéka, talvez seja o único a merecer as segundas, terceiras e quintas chances que já me esforcei para lhe dá. Já que até o momento, ninguém mais me amou, ao ponto de atrapalhar toda a sua nova vida. Tenho que encerrar esse capítulo, não apenas porquê é um drama bem patético para quem o lê, quer dizer eu o deixei, eu o trai, enfim foi tudo eu não é? Mas voltando ao assunto, porquê esse passado me machuca muito. Sei que estou errada, os mais próximos de mim, fazem questão de me encher o saco com isso, até os psicólogos, dizem que não estou vendo o quanto ele me ama, e que parte das minhas teorias estão distantes da realidade. Só que depois de ter visto, o quanto ele dedicava a ela, e a amava, fico me perguntando se não seria melhor, ter o mantido longe, e deixado seguir sua vida. O quê fazia de bom por ela, nunca fará por mim, foi besteira pensar que sim, que todas as mulheres independente de suas falhas, merecem o tratamento “vip”. Não que não faça nada por mim, ele o faz, trabalha para me sustentar com os meus luxos, cuida de mim, e de nossa filha, e dificilmente me abandona, só o faz quando vê que nosso relacionamento, mais faz mal que bem pra mim, é, ele diz que me ama também, mas será que isso vale alguma coisa? Depois de tudo o quê aconteceu, não consigo acreditar em mais nada dele, acho que foi assim que se sentiu quando fui eu a traí-lo, mas ele não é de todo o mal, não é bom demais como o Caio, nem mau ao ponto de ser como o crápula do Diogo, é uma espécie de equilíbrio, entre o cara certo, que é agora, e o cara errado que foi antes, e não sei como agir diante disso. Mas não vamos estender esse assunto mais do quê o necessário, esse livro não é sobre os fracassos românticos de Thaís, e sim a respeito da história de um anjo caído, que há muitos séculos foi calado, pelo pecado de ter nascido no Paraíso, quando anjos supostamente não podiam ter filhos, e é sobre isso que vou me aprofundar agora. Não é de hoje que tenho visões sobre o mundo acima da Terra, e seus seres. Começou simples com imagens de outra dimensão, onde era perseguida por belas criaturas, que de majestoso só tinham o rosto, pois suas almas eram podres. Nunca soube ao certo, a razão de ter isso tão bem delimitado em minha mente, acreditava que 

    se tratava apenas de imaginação, ou mesmo pela influência midiática, mas com o tempo esses devaneios se provaram úteis na minha descoberta, sobre quem realmente sou, e o quê estou fazendo aqui. Sempre tive orgulho de dizer a minha mãe, que não tinha problemas de identidade, pois mesmo sendo filha de Lúcifer, não deixava de ser “Thaís”, e por um longo tempo isso foi verdade, até que um dia passei a questionar, qual das duas era real. Se você não crê em nada, além do material, e ainda sim chegou até aqui, certamente dirá que apenas Thaís é real, e o resto não passa de ficção. Um conto que criei, para fugir da minha dura realidade, de fracassada social, derrotas românticas, e a ausência da figura mais importante da vida de uma mulher, o próprio pai. Estou ciente dessa versão dos fatos, não se dê o trabalho de me xingar de insana. Contudo como o termo sugere é apenas uma versão dos fatos, que por sinal não pode ser comprovada, enquanto há relatos  concretos de que nem tudo, está apenas na minha cabeça. Você pode está entrando em contato com o próprio anticristo, sinta-se honrado, ou assustado, a escolha é sua. Deve está pensando agora, "Não pode ser o anticristo, se está falando nisso abertamente, pois este jamais se revelaria." E eu digo é mesmo? E qual seria o propósito de ter que me esconder, se não cometi nenhum crime? Se sou esta figura majestosa, posso afirmar que apesar de todo o mito que envolve a minha existência, não sou nada do quê acreditam. Não estou aqui para trazer morte e destruição a humanidade, apesar de que em alguns momentos me sinta tentada a isso, vim só para lutar pelo meu povo, e ajudá-los nestes tempos sombrios que continuam a se aproximar. Não são os religiosos que serão perseguidos mais a frente, mas sim nós, porquê nossas ideias são uma afronta a velhos dogmas, que deveriam ser esquecidos, pois não passam de versões deturpadas dos conhecimentos antigos. Mas abordarei sobre esta época no devido momento, outra vez fugi do assunto principal que são as minhas visões extradimensionais, e peço perdão, é que são tantos assuntos a serem tratados, que me perco num turbilhão de informações. É de conhecimento de todos que desde criança vejo a outros mundos, o quê não se sabe, é que muitas vezes mergulhei de fato nestes universos. Era como se fizesse parte daquele cenário de luta e sangria, podia ouvi-los, senti-los, e me ver literalmente em outro campo universal, e quando voltava a este mundo, demonstrava habilidades sobrehumanas. A questão é que após chegar perto da idade adulta, isso se tornou ainda mais intenso, era como está hipnotizada, para alcançar os níveis mais profundos da consciência, onde enxergava aparentemente com mais clareza. No começo me via sempre como um ser de Órion, onde vi que a batalha entre os anjos e os demônios ocorreu, exatamente em Rigel. Contudo por razões de desconfiança do destino, nunca aceitei que ali era de fato o meu lar, pois as características do meu corpo real, e com real quero dizer primeira casca, não se assemelham as deles, sou ruiva de olhos violetas, e eles tem olhos amarelos,

    com aspectos de felinos, sendo que eu me

    assemelho mais aos pássaros e cobras, simplesmente não batia, por isso fui investiguei com mais precisão, e descobri que na verdade há grandes chances de pertencer a Andrômeda, o lugar dos seres mais evoluídos da galáxia, aqueles que deram origem ao termo "iluminado". De fato, os aspectos se encaixam, no entanto não completamente, e é daí que surgiu uma nova peça deste quebra-cabeça. É hora da história, a história de minha outra vida, sente-se e pegue um copo de uma deliciosa e gelada Coca-Cola, pois há muito a ser dito. Já tentei levar uma vida normal, sabe? Ignorar as notícias do jornal, e fantasiar que a vida é boa, e o mal não existe, só que sempre alguma coisa me puxa de volta, para esse planeta de alucinações, e acho que está na hora de parar de lutar contra isso. Eu amo não ter uma vida normal, e projetar futuros que acontecem figurativamente, então porquê negar que estou satisfeita com minha suposta loucura? Não o farei mais, e por isso vou lhes contar sobre o passado que não me deixa cair no sono, uma época que soará como parte de um bem elaborado filme de ficção científica. Todavia os que sabem da minha existência, sentirão no fundo dos seus corações, que esta é a verdade, a minha versão fatídica, o lado oculto da moeda de Luciféria Lilith II, primeira princesa do reino do ar, conhecido como o Inferno. Há milênios atrás, houve um reino que era supostamente perfeito, todo branco com criaturas pálidas e inteligentes, que mais tarde seriam conhecidas como "anjos", estes jamais questionavam o seu criador, o pai de todos conhecido por Uno. Neste lugar tinha várias regras, e quem não as seguia era mandado para o calabouço celestial, de onde nunca mais sairia. Mas a maior das ordens era que tais seres não podiam se relacionar entre si, não de forma imprópria, pois o contato físico levava a impureza da sabedoria, que resultava numa prole imperfeita, que não deveria habitar este mundo. Por quê? Ninguém sabia ao certo,

    só que preferiam não arriscar, afinal de contas descer, era o pior dos seus temores. Certo dia um serafim resolveu se rebelar contra tais mandamentos, e se apaixonou por Layla a protetora dos partos, um lindo anjo de cabelos de fogo e olhos claros, que pertencia a um segredo obscuro. Layla era parte de um ambicioso empreendimento celestial, e por esta razão não tinha tantas asas, quanto os outros andromedanos, e só pôde ser liberada para andar em sociedade, porquê não  apresentava riscos ao projeto principal. O serafim não sabia do passado de sua amada, mas aceitava vê-la todas as noites, embaixo da gigantesca árvore, onde realizavam atos de pura luxúria, conhecendo aos seus corpos, e encantando um ao outro. Desta união nasceu uma criança, que mudaria todo o conceito sobre a vida, até então conhecido, pois até aquele momento ninguém acreditava que os "anjos", podiam ter o dom de dar a vida, e isso era um tapa no rosto de Uno, que odiou descobrir que seus filhos, também podiam procriar. Ao saber das novidades, o grande pai de todos, rebaixou o serafim para anjo, e o mandou para Órion, para cuidar da nova geração de seguidores, de Veneno de Deus, este passou a se chamar de Lúcifer, pois seu ato ousado, trouxe uma luz para os estudos do criador, que estava a inventar novas espécies para povoar o universo, que se encontrava vazio de seres racionais,  como uma selva exótica gigantesca, que mais tarde se tornaria uma nova cidade de pedra. Uno era severo é verdade, mas reconhecia as proezas do filho mais velho, e por isso não o exilou do plano celestial. Com o novo nome e missão, Lúcifer continuou a respeitar os desejos do pai, e seguiu sua vida junto de Layla e a filha recém-nascida, a quem batizou de Luciféria, por acreditar que ela era uma extensão da sua luz. O mais forte guerreiro, agora era o senhor das virtudes, e este não se importava com a mudança de patamar, pois onde quer que fosse, sempre conseguia ser o melhor no que fazia. No entanto com o tempo, o agora anjo passou a detestar sua tarefa, porquê percebeu que as leis ditadas por seu pai, não atendiam aos outros, e sim aos seus próprios desejos, e por esta razão este declarou guerra a hipocrisia de Uno. Não tardou para surgir aliados da causa, e pouco a pouco, todos que viviam em Rigel se juntaram a Lúcifer, na batalha pela liberdade de escolha, que os homens chamariam de livre arbítrio. A primeira batalha foi sanguinária, e houveram tantas baixas, que apenas um terço das áreas paradisíacas, foi mandado para a área fria e tenebrosa, que os fiéis seguidores de Uno mais tarde chamariam de Inferno. No começo todos os prisioneiros daquele submundo, detestaram Lúcifer, porquê alguns deles estavam lá por sua causa, mas não tardou para este conquistar a simpatia dos demais, e ser reverenciado como um rei. O pior lugar do universo, literalmente, se tornou um lar para aquele que um dia foi um serafim, mas este não conseguiu descansar, porquê sua mulher e sua filha, foram tomadas pelo grupo inimigo, e ele conhecia todos os métodos de tortura que usariam nelas, por isso planejou uma rebelião. A esta altura Luciféria não era mais uma criança, estava na adolescência, e por ser tão bela quanto sua mãe, era um prato cheio para os pervertidos que de tanto negar suas vontades, agora tinham desejos insanos e sádicos. Por carregar o DNA de seu pai e sua mãe, ela conseguia se defender, usando suas habilidades paranormais, mas não era capaz de lutar contra um anjo, protegido de seu tio Mikael, chamado Arakiel, que invadia a sua mente, e fazia o quê bem entendesse com o seu corpo, obrigando-a a assistir todo o próprio sofrimento. Por isso todo dia implorava pela ajuda de seu pai, para sair daquele lugar terrível. Layla continuava desaparecida, provavelmente tinham retomado o projeto no qual fora inserida, desde o princípio da criação, e nada podia se fazer. Após muito pensar, Lúcifer e seus velhos e novos seguidores saíram do mundo que ficava abaixo, e foram em busca das garotas de seu comandante, com mapas que marcavam os laboratórios dos andromedanos. Só que mesmo com toda a chacina, não conseguiram encontrar os anjos, até que as duas foram abandonadas nos portões da entrada, em estado deplorável. A mãe abraçava a filha, ambas cobertas jde vermelho, com os olhos vazios, e ferimentos tão profundos, que o líder dos renegados, tinha certeza de que a tortura fora além do físico, e isso o deixava furioso. Todavia naquele momento tinha de ser racional, e por isso pegou as duas em seus braços, e as levou para dentro de uma nave espacial enorme, na qual abrigou todos que lhe ajudaram na guerra contra seu pai, e zarpou para o desconhecido. Por fazer parte do esquadrão de Andrômeda, quando carregava o seu nome de nascença, Lúcifer conhecia bem as terras que não foram

    mapeadas por Andrômeda, e por isso acreditava que podia dar um novo lar a todos que foram injustiçados, principalmente a sua doce amante e a filha, que precisavam de cuidados específicos. Foi assim que aterrissaram na Alfa-Draconis, um ponto do mapa que se assemelha "ao triângulo das bermudas" na linguagem humana, ou seja praticamente impossível de rastrear. Era um lugar totalmente novo, selvagem, e inóspito mas com o olhar esperançoso e visionário, Lúcifer sabia que podia fazer dali o seu novo lar. No início, Layla continuava distante, mas depois de alguns meses, foi se aproximando das criaturas, com as quais percebeu que

    tinha enorme semelhança. Havia gene de serpentes e dragões em seu DNA, que tinha sido encontrado em laboratório, após uma profunda análise. Layla era filha da Alfa

    Draconis, e isso estava bem evidente, ela era o ser racional preparado pelos próprios andromedanos, para colonizar o novo mundo, e percebendo este fato, Lúcifer viu uma ótima oportunidade de ajudar sua amada, e também aumentar o seu exército. No entanto antes de criar projetos, precisava saber se esta aceitaria se juntar ao confronto, depois do triste ocorrido. Para sua sorte, sua parceira estava tão fora de si, que aceitou participar da sua empreitada, e se aproximou dos seres que habitavam o local. Vendo o quanto seus pais estavam se empenhando, Luciféria começou a estudar genética para poder ajudá-los, só que sua mãe queria que fosse além, por isso lhe ensinou sobre a reserva de energia oculta, que mantinha Uno vivo, a qual os outros chamariam de magia. Nesta época a bela e dedicada filha de Lúcifer, se juntou a um dos injustiçados, um ser antigo, porém não tão  velho quanto os outros, cujo o nome não sou capaz de lembrar, mas lembra bastante a Asmodeus. Este foi o primeiro dos rebeldes que se juntou a causa de Lúcifer, e era um dos seus favoritos, na escolha para a nova dinastia, por essa razão o mais belo de todos os alados,

    tinha gosto em fazer desse jovem, pretendente da sua garotinha. É claro que no início, a dama angelical nem ligava para o compromisso, não importava em que posição o companheiro se encontrasse, estava mais interessada em lutar contra aqueles que destruíram sua mente, por isso se casou com o amigo de seu pai, sem questionar se se sentia, ou poderia sentir algo pelo seu companheiro. Ele não era apenas um seguidor de seu pai. Graças a sua lealdade, era dono de um reino completo, e o responsável pelo bem estar dos dragões na Alfa. A união era benéfica por motivos exopolíticos, pois este ser tinha uma linhagem poderosa, gerada por Uno em laboratório, que lhe dava direito as terras de outro plano da via láctea. Mas amor, era algo que nenhuma das novas criaturas conhecia, com exceção de Layla e Lúcifer, que o descobriram por acaso. Os primeiros dias foram estranhos, dormir ao lado de alguém que mal conhece, não é fácil, principalmente se a única vez que te tocaram foi para abusar de você, e por isso Luciféria se manteve distante do par, como se fosse virgem. O quê a bela e violada moça alada não sabia, é que seu marido sentia-se impelido a cuidar dela, e lhe fazer todo o bem que fosse possível. Já havia lhe notado a distância, e toda vez que seus olhos se encontravam, uma carga de energia percorria-lhe o corpo, e ele não conseguia explicar a razão, sabia que eram os elétrons, através dos seus neurônios, porém não entendia porquê apenas com ela, era capaz de sentir tal coisa. Sim, ele a amava, e não estava consciente disso, até Lúcifer lhe fazer perceber, pois o quê se passava com ele, também acontecia com seu sogro, quando via a linda ruiva de olhos claros, mãe de sua filha. Sabendo do quê sentia, o pobre demônio, tentou esquecer aquilo, se entregando a orgias e perdições, recém descobertas pelos "anjos", estava claro que Luciféria não sentia o mesmo, então o melhor a se fazer, era não perturbá-la com algo, que só lhe dizia respeito. Ele estava certo, o primeiro fruto angelical, não tinha espaço na sua vida, para vivenciar tais tolices, que segundo a mesma, só os que nunca viram a verdadeira escuridão, poderiam sentir. Sem poder se aproximar do foco do seu interesse, o nobre guerreiro andromedano, viu que a única forma de fazer parte da vida dela, era sendo seu mentor em cientomagia, uma união dos conhecimentos esotéricos ligada aos saberes científicos, matéria na qual era expert. Mas a abordagem falhou, e este teve de procurar outro papel para ser notado, o de conselheiro, da nova princesa dos dragões. Assim pode andar ao seu lado, como um dragão de guarda, só que mesmo assim não se destacou. Para a sua tristeza, tudo o quê a dama sabia sobre ele, e que era inteligente e o braço "direito" de seu pai, que tinha sido escolhido a dedo, para ajudar-lhe com as questões do novo reino. Uma pequena mentira inventada pelo seu mentor, que torcia para que a sua filha escolhesse o seu aprendiz como  companheiro num futuro próximo. O demônio era poderoso e influente o suficiente, para ser parte de conselho dos 9 reis, todavia preferia se passar por plebeu, para ficar perto da moça. Certo dia uma notícia mudou toda a sua perspectiva, percebendo que a filha jamais iria escolher o ser, Lúcifer lhe impôs que casasse com outro demônio, um traidor que o rei dos condenados, sabia que o jovem apaixonado seria capaz de expor, o quê obrigaria este falso nobre, a tirar sua máscara, e sair das terras sagradas, matando dois coelhos com uma cajadada. Ele não merecia está ali, com aqueles que estavam decididos a segui-lo de coração, se tudo o quê queria era poder, e o monarca não deixaria barato. Azerath era o nome do perjuro, e este estava disposto a tomar Luciféria para si, apenas para matá-la, mas o pai dela não sabia a que nível iam os delírios do príncipe sem coroa, por isso permitiu a união. Ao vê-la prestes a cair nas garras de um canalha, o demôniou colocou em prática todas as artimanhas que tinha em mente para lhe expor. Não acreditava que da noite para o dia, tinha deixado de ser o primeiro na lista de melhores pretendentes para a princesa, e quando ouviu dos lábios de seu mestre, que era fraco e impotente, isto o fez sentir-se exasperado, ao ponto de querer provar que era muito mais do quê um covarde.

    Desesperado para recuperar o respeito que achava ter perdido, o demônio raptou a dama no quarto de noiva, e a levou para as montanhas, onde a escondeu, alegando que era para a sua própria segurança. Luciféria ficou confusa, não sabia porquê o mentor estava tão estranho, por isso em vez de ouvi-lo foi ver o noivo, e acabou voltando para casa numa maca, a beira de uma overdose. O ser que já estava com raiva, ficou possesso, e em vez de ir atrás do traiçoeiro, o atraiu para dentro do castelo, conduzindo-o a uma armadilha que resultou numa confissão. Ao ver o quanto o seu pupilo cresceu com o confronto, Lúcifer sorriu, sabia que o rapaz tinha talento, e assim baniu o traidor, entregando a mão de Luciféria, para o único que era digno dela. Após o ocorrido, a bela não lembrava de nada, com exceção do fato de que seu noivo tinha tentado matá-la, e o ser  preferiu manter segredo sobre seu ato de heroísmo, queria que ela casasse com ele por amor, e não por lhe dever, todos em Alfa concordaram com os termos, e a menina dos cabelos de fogo, andou pelas vilas, sem saber o quê acontecera. Ele não conseguiu, e a moça disse-lhe o tão esperado sim, de forma tão robótica e fria, que os moradores a odiaram por desprezá-lo, mesmo que não soubesse o quê este tinha feito, para ser tão adorado pela maioria. O relacionamento não foi como um conto de fadas, apesar de dormirem juntos, eles mal se conheciam. Ela permitia que fossem adiante no ato de acasalamento, no entanto era tão monótono, que o próprio quase evitava o contato, tratando-a como intocada. Muitas vezes se via tentado a cair na farra, e se encher de substâncias psicoativas, mas quando passava da sedução, preferia retornar para o lar, antes que se envolvesse com outra. Não que a infidelidade fosse um crime,  ela não era, porém eles respeitavam muito a honestidade, e se esta fosse quebrada, sim era uma traição, muitas vezes mal vista pela sociedade. O ser conhecido por ter sido preso apenas por impurificar seu corpo, e destruir as suas habilidades de controle, agora tinha de voltar para o lar, junto de uma criatura frígida que nem sequer o valorizava, da maneira que queria. Ela fazia o básico para tratá-lo bem, só que não havia ternura em seus atos, e isso deixava claro que sua compostura, se dava por educação, e não amor a ele, o quê o entristecia muito. Tinha a mulher de seus sonhos, mas esta estava se afogando em trevas, e não podia respirar o ar da paixão. Certa vez este tomou tantas doses de uma bebida forte, que não segurou a lingua perante a esposa, e esta ficou tão chateada com sua visão da verdade, que partiu para a floresta, onde foi morar com os pais, junto dos dragões, os seus únicos amigos. Ele não foi atrás dela, estava exausto de tentar manter um relacionamento, que para ela não passava de um acordo feito por seu pai, após acordar. Grahan o dragão branco acinzentado, então cuidou da moça, e abriu-lhe os olhos, com a habilidade telepática, mostrando os sacrifícios que o seu admirador secreto fez, apenas para está ao seu lado. Fazendo-a notar que sua raiva tão intensa, a tornava cega para aqueles que lhe desejavam o bem, e lhe causava tanto asco que acabava sendo tão cruel, quanto os que queria destruir. Sentindo-se estranha, ela regressou para o lar do marido, e finalmente lhe contou sobre como tinha sido machucada, e porquê não podia retribuir seus sentimentos, ele ficou triste, mas entendeu, e permaneceu do seu lado. Na manhã seguinte, parou de planejar as suas saídas, e passou a criar projetos para tentar lhe devolver a alegria de existir, e assim seguiu por vários meses, até fazê-la sorrir, e depois do primeiro riso, vieram outros, que logo se tornaram comuns. De alguma forma, ele a deixou radiante, e todos do reino puderam perceber, e foi aí que a inveja das ninfas surgiu. Elas podiam ter o ser que desejassem, só que jamais teriam o quê a princesa tinha, e por isso tramaram para que desaparecesse. Com a ruiva distante, seria mais fácil de conseguirem ter a atenção do demônio, que antes frequentava as suas rodas lunares de perdição. Infelizmente para elas, o casal se amava tanto, que podia sentir quando um precisava da proteção do outro, e desta maneira sempre atrapalhavam o esquema. E tudo teria terminado bem, mas se assim fosse hoje não lhes contaria essa história, então não, não houve um final feliz, e este casal ingênuo, ainda teve muito mais o quê enfrentar. A existência de Luciféria, era um erro grave nas projeções de Uno, que anseava esconder mais um segredo, para não peder o controle dos fiéis, por isso este mandou todas as suas tropas para caça-la, e foi assim que ela desapareceu de Alfa Draconis. O quê quase ninguém sabia, é que a moça agora carregava mais uma parte da linhagem de Lúcifer, assim como sua mãe. O demônio ficou louco sem a esposa, e a procurou por todos os cantos, temia que esta tivesse enlouquecido, pois depois de tantos sorrisos, voltara a agir com desconfiança e medo, e o pai e a mãe dela também organizaram grupos de busca, mas ninguém a achou.  Sem saber o quê fazer, o novo senhor dos injustiçados, lançou mão de uma nova artimanha, para tentar resgatar a filha, que claramente tinha sido raptada. Reuniu os moradores, e lhes mostrou a sua nova empreitada.Se queriam ajudar a tirar a menina das garras da federação intergalática, teriam de deixar de ser andromedanos, para serem uma nova espécie, algo adaptado ao

    seu novo lar. A premissa trouxe temor a comunidade, e por isso Lúcifer foi o primeiro a deixar de ser um anjo, para se tornar algo novo e mais poderoso, e ao vê-lo tão bem com as suas novas habilidades, todos seguiram adiante com a mutação, e assim surgiu a raça draconiana, a qual só Layla pertencia antes. Com seus olhos e asas de dragão, os seres foram a batalha prontos para trazer uma das suas. Lúcifer e Layla ficaram felizes com a união dos demônios, e ambos se tornaram dragões gigantescos, para fazer os outros os seguirem. Assim entraram na nave, e se dirigiram para o primeiro lar das criaturas pensantes do universo, onde sabiam que iriam encontrar a jovem princesa alada, que ainda não tinha sofrido mutações. A invasão foi um sucesso, desta vez as baixas foram maiores para o lado inimigo, e quando Luciféria se reencontrou com os outros, ficou surpresa com o quê se tornaram, mas foi com estes de volta para o lar. A Alfa draconis não era mais a mesma, todos eram metade humanoide, metade dragão, e a dama se recusava a ter mais do quê os 13% de gene draconiano em seu sangue, por isso a maioria a detestava.

     Acreditavam que o fato de manter suas asas de pena, era um crime hediondo, já que aquilo representava a ditadura de Uno. O quê não tinham noção, é que Luciféria mantinha as suas asas, apenas para não esquecer dos que lhe destruíram, e se lembrar de que voltaria a Andrômeda, para um dia se vingar. Asmodeus a apoiava, mesmo sem saber porquê a sede de sangue da moça tinha retornado com tanta força. Até que um dia esta lhe contou, e ele ficou furioso, juntando-se imediatamente a causa, pois Andrômeda, tinha lhe tirado muito mais do quê o seu sossego e o da esposa, aqueles desgraçados agora tinham posse de sua filha, e eles não sabiam para onde ela seria mandada. Cansada de ser sempre salva por seu pai, Luciféria foi atrás do general Belial, e pediu para ser treinada, para que num futuro próximo não fosse mais uma vítima dos iluminados celestiais, e sim uma guerreira pronta para destruí-los. O treinamento não foi nada fácil, o general esperava o pior dela, por não querer evoluir como os outros, mas a dama superou suas expectativas, e se tornou uma ótima lutadora, ficando como segunda no comando do grupo de batalha, que ficava atrás dos seus amigos draconianos, que a seguiam para onde quer que fosse. Desta forma de anjo fraco, a moça ficou conhecida como princesa dos dragões, guerreira da luz violeta. Sua mãe ficou tão orgulhosa, que lhe ofereceu a guarda de um grupo de dragões, para serem apenas seus. Só que apesar das suas vitórias, a menina mulher dos cabelos de fogo, não se sentia completa, não sem o bebê que lhe roubaram, por isso aguardava ansiosamente pelo futuro 

    confronto. O dia D chegou, e todos foram a luta, para impedir que os andromedanos viessem a destruir o novo lar, e no meio da briga, Luciféria acabou entrando num portal para um novo mundo, que em breve se chamaria Tiamat, e viu que ao contrário do quê Uno impôs, a vida podia sim existir sem sua intervenção sagrada. Outra vez a bela sabia demais, por isso lhe mandaram um assassino, conhecedor da geomancia, que lhe dava calafrios e mexia com a sua mente, atormentando-a de todas as maneiras. Luci teve de lutar contra o seu carrasco, só que ao contrário das outras vezes não padeceu, ficou de pé, e conseguiu arrancar -lhe jorros de sangue, até derrubá-lo, e correu para procurar a filha na nave inimiga, onde a reconheceu de imediato, e a levou para longe da guerra.  Ao se juntar aos seus dragões, a moça entregou o lindo querubim para as criaturas, e pediu para que a protegessem, e mantivessem-na oculta de toda Alfa-Draconis, com exceção do marido e seus pais, pois temia que houvesse algum outro traidor, entre os moradores. Averiguando com cuidado, Luciféria voltou para o castelo, e quando chegou ali, se deparou com um ser de olhos vermelhos, e cabelos negros, que a empurrou num precipício, conhecido como o penhasco das almas, no qual a bela mergulhou numa substância verde, onde sentiu toda a angustia dos espíritos que ali se encontravam, até acordar outra vez em Tiamat. No entanto ao contrário do outro momento, não tinha uma passagem de volta, e isso a deixou assustada, ao ponto de encolher as asas, e se esconder entre as árvores daquele lugar selvagem. Seus olhos violetas, como os de seu pai antes da transformação, observaram aqueles seres tão imperfeitos, que mais tarde se chamariam de homens, caminhando em direção a água, com seus pés tortos e sobrancelhas unidas. Quem eram, ela nem sequer imaginava, mas tinha certeza de que Uno estava envolvido com eles, e queria salvá-los antes que fosse tarde demais. Preocupada com aquelas criaturas feias e desengonçadas, Luciféria se infiltrou numa das naves de Andrômeda, e estabeleceu contato com a Alfa Draconis, contando sobre aquele novo espécime, e atraiu a atenção de seus pais para a terra desconhecida. Ao chegarem naquele planeta, Lúcifer e Layla ficaram maravilhados com a diversidade de animais que ali viviam. Era como um gigantesco campo de pesquisa, cheio de possibilidades, e só tinham a agradecer a sua pequena, que agora estava focada apenas em cuidar da sua família, e conhecer os seres novos.  Como já era de se esperar, os andromedanos e os draconianos um dia se encontraram, e os seus interesses entraram em conflito. De um lado tinha Uno, que tinha sido batizado de Enlil pelos terráqueos, e queria escravizá-los por serem menos sábios, que a sua espécie. Do outro tinha Lúcifer, carinhosamente chamado de Enki, que desejava ver aquelas criaturas primitivas, alcançando o seu limite, com toda a liberdade, da mesma forma que os andromedanos, que se juntaram a ele, e se transformaram em algo maior. Uma nova batalha começou, e jogando sujo, fazendo Lúcifer parecer um monstro, por saber muito de diversos assuntos, Uno conseguiu que o expulsassem junto dos seus. O quê o senhor celestial não sabia, é que o seu antigo e mais forte brigadeiro, deixara para trás uma cápsula injetável, que provocava mutações, nas mãos do líder de um pequeno grupo, que acreditava nele, garantindo a continuação da linhagem draconiana, neste novo mundo. Apesar da maioria cair nas ladainhas de que Uno, tinha criado tudo o quê existia, haviam aqueles que ouviam a voz da razão, e acreditavam na versão de seu querido Enki, a quem deviam todo o  conhecimento que agora possuíam. Assim surgiu o povo de Atlântida, que foi destruído para dar espaço aos Maias e os Egípcios. Como sei de tudo isso? Eu não sei, mas creio que nós andromedanos, temos a capacidade de ver e ouvir, de forma onipresente, através da projeção astral, por isso sei tanto sem participar diretamente da história. Sim, eu sou Luciféria, e é um prazer conhecê-los, mas essa jornada não acabou com a nossa expulsão, por isso continuarei a contar sobre a minha vida. Certa vez retornei a este plano depois de muito tempo, e fui para um lugar chamado Babilônia, onde meus pais realizavam encontros com seus seguidores, e lá dei auxílio a todos que queriam saber sobre a verdade, a respeito do criador. E de tempos em tempos, continuei a voltar como porta voz dos que eles chamaram de "deuses" que na nossa linguagem, significava apenas "seres superiores". Eles também acreditavam que eu era uma deusa, por andar com dragões, e lhes mostrar minhas habilidades telecinéticas, mas eu os via, sempre como meus iguais, assim como meu pai me ensinou. Acreditava que nós éramos irmãos do cosmos, e não havia necessidade de nos tonar maiores ou menores que eles, mas eles se sentiam melhores assim, então não os privava de me chamar como tal. Era bom ser querida, e necessária, por isso vim a esse planeta, que antes se chamava Tiamat, me trazia enorme alegria. Infelizmente como nada que é bom dura para sempre, nem mesmo para nós, quando veio a primeira guerra mundial, eu fui capturada por um grupo de Judeus, que achava que era mais uma arma nazista, por causa de minhas asas negras, e estes me levaram os seus anjos, que destruíram meu DNA, desativando as partes que me davam habilidades, e me tornando uma humana, frágil e incapaz de me defender, como quando tinha poderes e Belial não tinha me treinado. Tentei me juntar aos homens, principalmente aos nazistas, mas acabei por ser internada num hospício dirigido por Mikael, ou Miguel como os humanos chamavam agora .Onde sofri todas as torturas que se possa imaginar. Outra vez os abusos aconteceram, contudo não podia fazer os agressores sangrarem pelos olhos, e por mais que fosse uma boa lutora, com o corpo que tinha, não podia sequer arranhar, os enfermeiros, que eram parte do plano de super soldados. Não tinha mais provas de que era do outro mundo, a não ser pelo fato de ser quem era, e graças a isso, os humanos que me adoravam, deixaram de me seguir, e se juntaram a Andrômeda, com medo de perderem seus poderes também. Fui resgatada, não era a primeira vez que tentavam me capturar. No entanto das outras vezes, não me colocavam em laboratórios, mas sim tentavam me mandar pra fogueira, ou ser enforcada no topo de uma árvore, só que como tinha as minhas capacidades extras, isso  não era o suficiente para me deter. Luciféria não existia mais, e por isso não quis voltar para Alfa-Draconis. Sem minhas características fora do comum, era realmente igual aos outros humanos, por isso não podia voltar para o meu lugar de origem, aliás nem sequer podia respirar o ar cheio de carbono, então o melhor a se fazer era ficar aqui. Após ter tido tantos nomes dignos de uma deusa, agora tinha adotar uma nova identidade. Tal como minha mãe, quando foi capturada, e obrigada a ser esposa Adão, que supostamente seria a sua outra metade, e com quem tinha de repovoar o planeta, após a terrível explosão, que dizimou todos os fiéis de Uno, deixando apenas os que seguiam Enki no planeta, enquanto fundavam a Atlântida. Para o azar de Uno, Lúcifer nunca desistiu do seu primeiro amor, e a tomou de volta para si, ao apresentar-se usando o primeiro nome que Uno lhe deu, tirando-a do controle mental em que lhe colocaram. Eu tinha que adotar um nome comum, e por isso escolhi ser chamada de Isabel, haviam chances de alterar o meu DNA ao seu estado original, mas com o nível de tecnologia deles, levariam muitos anos, por isso tive de levar uma vida normal, como fugitiva dos nazistas. Sendo apenas humana, fui bem recebida pelos judeus, que me deram um lar, até surgirem os soldados, prontos para o massacre. O nazismo em si, não era um partido político, que estava caçando  os  judeus, gays, e africanos. Este órgão governamental, era uma força tarefa de Andrômeda, para eliminar os remanescentes da Atlântida, antes que o mundo descobrisse sobre a existência real deste povo. Sim, essa história de serem Arianos, é uma farsa, eles eram na verdade Andromedanos, e estavam dispostos a sacrificar os seus, para eliminar de vez todos os resquícios de Lúcifer do planeta.

    Nunca achou estranho, o fato de perseguirem com maior intensidade os africanos e os gays, ambos os grupos que representam a liberdade, tanto religiosa, quanto sexual? "Ah mas os judeus morreram em maior quantidade!" Assim te ensinaram meu bem. No exército de Hitler tinha judeus, que o seguiam, por acreditar nas hipocrisias de Uno, achando que estavam perante o seu próprio Deus. Mas essa guerra nunca acabou, em algum momento fizeram deste planeta uma prisão, um gigantesco campo de concentração, para esconder todos os extraterrestres traidores de Andrômeda, e as falhas do plano supostamente perfeito do criador. Não é a toa que existe uma ordem secreta, com propósitos claramente religiosos, dominando o mundo, e movendo a vida das pessoas, como se tivessem no The Sims, eles são os carcereiros, e precisam garantir que não saiamos daqui. Aliás este foi plano secreto de Uno desde o começo, por isso precisava da total submissão dos homens, para garantir que seus fracassos, jamais se lembrassem de quem eram. Lúcifer queria que este planeta , fosse o lar do aprendizado e a sabedoria, enquanto que o criador, apenas desejava usá-lo para aumentar o espaço do Submundo de Andrômeda, já que depois da revolução Luciferiana, o número de prisioneiros não parava de subir. De certa forma somos perigosos demais para andar pela galáxia, portanto é mais fácil apagar nossas memórias, e tirar nossos poderes, do quê nos dá qualquer chance de nos defendermos. Infelizmente não sei em que momento o " lago da liberdade" se tornou "as profundezas da condenação", 

    mas tenho certeza de que nós aliens, não cometemos um crime terrível, para estarmos aqui, e que os humanos agora são joguetes de Uno, para tornar nossa estadia um verdadeiro Inferno. Se meu pai é imperador do Inferno, ele está aqui em algum lugar, tentando nos tirar desta prisão sem grades. Porquê quem precisa de grades, depois de lobotomizar e tornar o criminoso impotente? Este lugar poderia ser o lar da justiça, igualdade e a fraternidade draconiana, mas agora está distante de o ser, é apenas um buraco imundo de sofrimento constante, e nós não podemos fazer nada para mudar, se não lutar contra os "policiais galácticos". Os humanos sempre vão ouvir as palavras de Uno, não importa o quanto lutemos para acordá-los, isso é parte da bio-programação deles, então não podemos contar com a sua ajuda. Seus familiares terráqueos, serão os primeiros a tentar te fazer abandonar a ideia de fugir, por isso não confie neles, apenas os que carregam o sangue e a consciência cósmica, é que podem te acudir. Você tem o direito de conhecer novos mundos, não há nada errado com o seu DNA. Não é obrigado a seguir as regras deles, é um deus adormecido, que foi posto no sono pelo pecado de questionar, ou como o meu, o de existir. Estas lembranças são muito confusas, porém perfeitamente nítidas, o quê me faz pensar que pode ser excesso de informação, misturado a imaginação. É claro que questiono meu estado de suposta iluminação, pois apesar de se encaixar perfeitamente, enquanto não surgem provas concretas, de que realmente sou, o quê tenho 85% de certeza ser, tudo não passa de teoria uma louca e criativa teoria, maior do quê o quê se encontra em sites de conspiração. Nestes tudo o quê verá é que os humanos, os terríveis e cruéis humanos, estão aprisionados nesta prisão, por serem perigosos para o resto do universo. Estamos em 1500 outra vez? A Terra não é o centro do Universo! Um humano não é capaz de machucar as infinitas espécies que existem, fora do planeta, e até deste sistema. Há algo mais, e este mais, é que dentro de alguns seres humanos, existem essências alienígenas, ou criaturas cobertas com a carne humana, presas a este corpo e

    seu organismo subdesenvolvido. Condenadas, sem memória, ou quando se recordam são obrigadas a esquecer, porquê sem saberem quem são, acabam confiando nos bonecos de Uno, que os chamam de loucos, porquê temem perder o posto de espécie suprema da cadeia alimentar, algo que na verdade nunca lhes pertenceu, pois este topo é das bestas gigantes, criaturas que estiveram no planeta, e em outros mundos, antes do surgimento de uma espécie capaz de raciocinar. Estes são os chamados Deuses e monstros de Lovecraft, sim são reais, e extremamente perigosos. São verdadeiros demônios, como nos livros de ficção fantástica, ou o mais famoso deles, a bíblia. Estes sim, são devoradores, cruéis, e sem escrúpulos, porquê esta é a sua natureza, e embora se acredite que a mesma pode ser alterada, a verdade é que o natural é concreto, e pode até mudar sua forma, mas a essência, o material e seus componentes sempre serão o mesmo. Então se anseia ser um membro do Culto ao Cthulhu ou Nyarlahtotep pense bem, 

    pois realmente estará se colocando em risco, não importa se é humano ou de outra raça,

    eles são os seres mais antigos e assustadores que existem, desde que o universo era apenas o Caos. Uno foi a primeira e única criatura, que nasceu com a capacidade de pensar, e por isso teve de criar sintéticamente outra espécie, que pudesse receber os traços do seu DNA. Foi assim que nasceu Duo, a sua contraparte feminina, que seria utilizada apenas para a procriação, e repasse dos genes do primeiro ser. Não é a toa que os do gênero masculino, se sentem superiores aos seres femininos, eles vieram de quem veio primeiro, mas a verdade é que sem sua metade, ele não poderia gerar outros seres, então é por isso que as fêmeas, são bem mais importantes, e glorificadas por seus óvulos. A história de Uno e Duo, não é nada romântica, ele a desenvolveu, apenas por um propósito, e não era o medo de ficar sozinho. A solidão para Deus nunca foi um problema, mas precisava de outros para aprisionar suas primeiras criações, os violentos antigos. Por isso ele não a respeitava, era apenas um pouco das suas células, nem mais, nem menos, e como tinha sido criada por ele, tinha a obrigação de servi-lo de todas as maneiras. Como sua guerreira, ou escrava sexual, na tentativa de testar se tinha capacidade de se reproduzir com ela. Duo era constantemente humilhada, como algo sem valor. Teve 7 filhos com Uno, e nem um deles, soube de sua existência, até o dia da Revolução Luciferiana, todos acreditavam que Uno havia os feito, e ele poderia mesmo, só que preferiu verificar outras formas de reprodução, que não envolviam a síntese. Não tinha mencionado Duo antes, porquê a história de Uno e suas injustiças, é o quê tem perturbado minha mente, mas ela é importante para toda a história, não só a minha, como a de todos os mundos. Após a grande guerra entre os anjos do senhor e os caídos, ela se tornou a maior autoridade, a qual os seres dispostos a lutar pela justiça procuraram. Seu nome na Terra foi modificado para Gaya, uma homenagem ao seu poder de criação instantânea, que vinha dos 50% de DNA de Uno compartilhado com ela. Duo é a minha avó, como os terráqueos chamariam, devido a sua ilusão de tempo, criada por uma corrupção dos telômeros. Ela é doce e bondosa, uma verdadeira luz diante da escuridão de Uno, mas a sua natureza amável, é facilmente manipulada por interesses esdrúxulos, e por mais que tente abrir seus olhos, ela assim permanece, por isso não me dou bem com ela. Ela é a deusa Cerridween dos Wiccanos, a Maria dos Católicos, e certamente me protege, mas eu não tenho intimidades com este ser tão poderoso, que de Deusa da criação, tem sido a reduzida a humana, que supostamente deu a luz a um dos filhos de Uno, digo Jeová, sem o contato sexual, e mesmo assim não levanta a sua espada, e luta para ter o seu nome respeitado. Duo é incrivelmente forte, apesar de sua maior característica ter ligação com o amor, ela tem dons que poderiam facilmente devastar todo o universo, e parte do multiverso. Eu herdei alguns dos seus dons, devido aos 13% de DNA divino que corre em minhas veias. Por isso certas coisas acontecem, quando fico com raiva, nunca consegui controlar minhas habilidades, e pra ser sincera nem tentei, queria lutar por ter o necessário para a guerra, e não ser uma arma sem intelecto. Como minha mãe, ela também foi uma criação, porém diferente dela, Lilith foi fervorosamente amada pelo filho mais velho

    de Uno. Duo e Lilith são semelhantes, como se fossem mãe e filha, ambas são ruivas, tem a pele clara, e os olhos brilhantes, no entanto Duo é pura energia em sua forma real, só que se pode ter uma ideia do seu físico, porquê ela consegue facilmente se materializar, fazendo juiz ao seu status de Deusa Suprema. Peço perdão, mas não sou capaz de continuar a falar de Duo, porquê nunca a admirei, é por causa dela que estou aqui, e isso não me faz nem um pouco feliz. Em algum momento vim pra cá, numa missão suicida, mas ela me tirou da morte, e me colocou neste corpo, deixando o seu sinal, para que eu tivesse certeza de que era a responsável. Eu literalmente devo esta vida a ela, então não há porquê agradecer, meu marido está aqui, junto de mim, e a minha filha também, mas ela não fez nada para impedir Uno, de tornar minha estadia neste lugar um inferno. Coisas ruins aconteceram comigo, e ela com certeza estava tão focada nos seus seguidores, que nem sequer soube, ou me deixou sofrer, porquê nunca quis seguir o seu lema de amor incondicional. Ela é boa, mas em seus atos de bondade, acaba sendo igual ou pior que Uno, então me perdoem queridos leitores, não dá pra continuar a falar da deusa, sem descer ao nível da escrita, e parecer uma lunática ainda maior xingando-a. Por isso, esta parte se encerra aqui. Posso não está lúcida sobre meu papel no universo, mas de uma coisa tenho certeza, isso daqui é apenas uma plataforma de dor e sofrimento, e os humanos contribuem inconscientemente para piorar

    essa situação. Disto estou certa, e também me mantenho na posição de entidade extraterrestre, em carne humana, pois tenho certeza das minhas memórias. Á única coisa que não se encaixa é, como vim parar aqui depois que a Terra, foi enfim tomada pela escuridão, conhecida como Jeová. Eu fui presa? Nosso reino foi atacado? Isso faz sentido, porquê já tive memórias, antes mesmo de descobrir que era filha de Lúcifer, as quais usei para criar uma personagem chamada Samaelith, pois acreditava que era filha do anjo da morte, que tinha vindo para a Terra com seus familiares adolescentes, porquê o reino de Samael havia sido atacado, pelas tropas angelicais. Talvez não tenhamos fugido, e sim fomos capturados, drogados e atordoados, para achar que viemos por vontade própria. Eu não sei, só sei que hora ou outra vou me recordar, no momento certo provavelmente. “A prisão tem seus dias contados, e os carcereiros já estão em pânico!” Há pouco mais de 3 dias, meu amigo Bruno, se que é posso chamar alguém de amigo naquela ilha de cobras, que é Macapá, me enviou um vídeo intrigante de Chico Xavier, sobre a data limite. Tal profecia nem sequer me abalou, afinal de contas, sou obcecada por esses assuntos, mas ela serviu para manter a minha teoria da Terra prisão. De acordo com o próprio Chico, a humanidade teve um prazo de 50 anos, para garantir um mundo sem guerra, e violência, que se iniciou em 1969 quando o homem pisou na lua, e se encerra em 2019. O prazo foi proposto pelas entidades superiores, (dou minha cara a tapa, que foram os andromedanos), porquê segundo as mesmas, do momento que o homem foi capaz de sair do planeta, ele se tornou um perigo para o sistema solar. Caso a "humanidade" cumpra o acordo, em breve este lugar se tornará o "paraíso", onde não haverá sequer uma doença. Parece maravilhoso não é? A Terra um paraíso...Mas lembrem-se de como me recordo de Andrômeda, e saibam como lutar contra isso. Eles nos querem dóceis e amáveis, depois de tudo o quê nos fizeram passar, e sim me refiro a nós aliens ou demônios se preferir dentro de humanos. Tenho certeza de que se você está lendo meu relato até aqui, também sofreu bastante, deve ter sido estuprado, humilhado, rejeitado, torturado, entre outras coisas, e provavelmente nem se deu conta de que teve o desprazer de ter mente lavada. Eles nos destruíram, tomaram nossas esperanças, aniquilaram nossos sentimentos, e ás vezes até tiraram nossos entes queridos. Para nos intimidar, e agora terem a certeza, de que vamos baixar a cabeça. Desculpe desapontá-los mas eu não vou, tô pouco me lixando para o seu milagre curativo, porquê sei que foram vocês mesmos, que criaram tais doenças, então não percam o seu tempo. Sei que não sou a única desperta, então se preparem pois logo vamos guerrear. Entidades de outro planeta viram pra cá? É claro que sim, eles já estão aqui, e trabalham pra nos torturar dia a dia, com todo o requinte de crueldade, porquê não seguimos Uno. Tenho lido constantemente em sites, que o mundo é um lugar terrível, por causa de gente satanista, que a devastação se dará porquê é plano do diabo, que o Illuminati, é uma ordem secreta, que serve para propósitos satânicos, etc. O quê isso tem a ver? Chegarei lá. Primeiro há sim ordem secretas e satânicas, trabalhando mundo a fora, mas não se engane, eles não são estupradores, ou comedores crianças, são gente de bem, disposta a fazer parte da iluminação, e lutar por um mundo melhor, seguindo fielmente os princípios luciferianos. A Illuminati já foi uma das nossas ordens, principalmente no período renascentista, mas hoje é corrompida, e pertence puramente a igreja, a mais famosa de todas, o sagrado Vaticano, e não, não é o código da Vinci, é a realidade, eles precisam de fiéis dispostos a seguir com o plano de Uno, por isso garantem que estes façam o trabalho sujo, enquanto supostamente "lutam para salvar almas". E sim a devastação se dará porquê é um plano do Diabo, e ela já começou. Sim, este planeta está sendo destruído, por nossa culpa, mas não da forma que lhe fizeram acreditar. Ele está sendo destruído sistematicamente. Já deve ter ouvido falar em Bitcoin, não é? Com certeza sim, é uma moeda que foi criada com o intuito de derrubar os bancos tradicionais, ou o seu futuro e provável investimento. O quê ela tem a ver? Calma, tudo a seu tempo. Tenho me envolvido com o universo das criptomoedas, e estou extremamente fascinada com as mesmas. Achei que seria impossível, dado ao fato de que tentaram me afastar delas, usando a Késia como pretexto, mas agora estou de volta, e não me importo se ela fez um curso de técnica em informática, que a propósito se escreve com "ca" e não "k", como a anta escreveu. Isso foi em 2013, e duvido que alguém tão ignorante, e sedenta por superioridade tenha se dado ao trabalho de se atualizar. Não, certamente deve ter perdido o seu tempo, estudando para se tornar advogada, porquê é uma profissão que supostamente lhe dará o status almejado. Porquê é um tempo perdido? Simples essa profissão em breve deixará de existir, já que com a capacidade de se infiltrar em memórias, não haverá porquê defender alguém, se tiver a prova da própria pessoa cometendo o crime, além disso antes da profissão falir, terá certamente sido presa por ser envolver em um escândalo de corrupção. Ela é do tipo “passo por cima de qualquer um pra ganhar”, então seu futuro não pode ser próspero, isso não é profético, é apenas ação e reação. Mas voltando ao que interessa, a tecnologia, a robótica, o futuro sempre foi a minha grande paixão, depois da magia é lógico. Porquê ler sobre aventuras que se passam num período longínquo, me fazia me sentir mais próxima de casa, e ás vezes até lembrar de onde vim.  Por isso estou cada vez mais envolvida com o mundo binário, e tenho entrado em sites para me especializar neste assunto. Tenho passado madrugadas inteiras, apenas procurando ex-changes, e faucets, para entrar neste mercado com o pé direito. E numa das minhas "viagens pela dimensão de Thaís", como meus colegas da faculdade costumavam chamar, percebi que a criptomoeda é muito mais do quê um novo ativo financeiro, representa o início da queda do velho mundo. Pense comigo, o quê tem movido a sociedade há séculos? Nem precisa de alguns segundos, para saber que o dinheiro não é? É como dizem sem dinheiro ninguém "vive", e com isso o sistema tem nos controlado para andar de mansinho, seguindo sua linha reta, sem fazer curvas. Mas o quê acontece quando esse dinheiro perde a valia, e outro objeto é colocado em seu lugar? Ele sai de circulação. Os carcereiros tem nos dito através de todos os seus recursos midiáticos que "não há dinheiro para todos", por causa da quantidade de papel que se gasta, mas e quando, não precisa mais de papel, e os outros conseguem criar uma boa quantidade financeira literalmente do nada? O sistema deles quebra, e todos ficam livres para fazerem o quê quiserem de suas vidas. Seu sonho é ser pintor, mas não tem condições para isso? Procure na internet como ganhar bitcoins, e troque-os por dinheiro, para conseguir realizá-lo!  É como um sonho não? Não precisar mais trabalhar para um chefe grosso, e estúpido, que não te valoriza, por um salário que nem compensa, o seu suor e lágrimas. Chega desse inferno, e alcance as folhas desta árvore da vida. Crowley uma vez disse, que há espaço suficiente para todos, só não para a ganância, e acho que ele se referia ao Bitcoin. É claro que a moeda foi criada por alguma ordem secreta, para favorecer os seus, pois muita gente que não tinha absolutamente nada, agora está bem de vida. Quando dizem que esta é a moeda do Diabo, eu digo deve ser mesmo, porquê meu pai a introduziu neste mundo, para desbancar o sistema político-religioso aqui instalado. Se eu sou a messias dos demônios, só tenho a agradecer ao Satoshi, por aceitar ser o rosto da moeda que foi desenvolvida pelo meu pai. E fico feliz, de ter a chance, de também melhorar minha vida financeira, com este invento. Infelizmente, ou talvez felizmente, os nossos governantes, já estão cientes de que o seu sistema econômico está falindo, e em breve o dinheiro de papel será apenas uma lembrança, está preparado para o meu reinado, e usar a marca da besta? Eles tem usado todos os artifícios para destruir as criptomoedas.De proibições, a banimentos, e discursos desnecessários de alguém que deseja manter o seu lugar no céu. É bastante óbvio, e isso é uma verdadeira guerra, entre os gênios satanistas ou "ateus", e os velhos e carrancudos senhores de empresas, que sem o papel valioso, podem conhecer a miséria como nós já conhecemos. Eu estou do lado dos entusiastas bitcoin, o mundo tradicional e suas regras patéticas, já deu o quê tinha dá. As taxas de banco são altas demais, o preço das coisas chega a ser grotesco, as pessoas se matam de trabalhar, para não conseguirem nada mais que o necessário. Enquanto que os outros, os seus senhores, ficam no topo só a rir e observar sua desgraça. Com o Bitcoin isso não será mais necessário, pois há formas de ganhar frações do mesmo, totalmente de graça, ou caso não consiga, tente outras moedas. O Bitcoin abriu as portas da revolução Luciferiana na Terra, mas não é o centro de tudo, ele é o Sol, só que há outros planetas, então procure explorar isso. Se você é satanista, um louco, ou os dois que está lendo isso, certamente ficará animado com minhas projeções, e fico feliz por mostrar o caminho dos tijolos amarelos, porém tenho que te alertar, se quer entrar neste universo, pode ter certeza que é bem vindo, só que antes de colocar todo o seu dinheiro na moeda, lembre-se de duas coisas. 1 o mundo antigo ainda está de pé, e 2 há formas de se conseguir moedas de graça, então pra quê gastar, se pode apenas ganhar? Com as criptomoedas tudo é possível. Os senhores do velho mundo, vestidos com seus ternos e gravatas, estão furiosos com as enormes demandas de criptomoedas, por isso não se assuste se aparecer algum artigo indicando que um órgão obscuro, usava  bitcoin pra financiar o tráfico de crianças. É uma jogada deles, para fazer da moeda ilegal, e perder o seu valor, nunca se esqueça que eles sempre terão gente, pronta para fazer o serviço sujo, e manchar a reputação de algo que os ameaça. Mas trata-se apenas disso, uma ameaça, portanto não se preocupe, assim como há gente de poder no topo do lado deles, há no nosso, e estes não deixarão que a utopia da criptomoeda seja destruída facilmente.


































    .





























































    Anexos




    Carta prometida




    13/03/2018

    Olá novamente, em todas as vezes que vim 

    até você, porquê não sou uma covarde, vim com um tratado de paz, mas como a sem classe que é, você simplesmente me tratou mal, só para sair de superior. Engraçado nunca ter ouvido falar de mim, mas justo depois de começar a namorar o meu marido, adotar esse estilo tão característico da única Carry Manson que existe, outra coincidência estranha Késia, Carry...ambas com o som de K, mas advinha quem veio primeiro? Isso mesmo, eu sou o ovo, você é apenas a galinha. Suas fotos são tão semelhantes as minhas, que entendo porquê o Brendo te chama de cópia barata de mim. E ah se você nunca ouviu falar de mim, porquê então escrevia nas postagens românticas que aquilo não era pra você? Sabia que ele esteve com você por 2 anos, e nesses 2 anos guardou uma música que cantei, e a ouviu antes de dormir? Taí o quanto é superior queridinha. Ah que ele falava de mim pros amigos, como a única perfeita pra ele, e   só estava com você porquê queria te levar pra cama, cê foi dura na queda hein? Tão típico de virgens indesejadas. Calma tem mais. Quando você foi pra casa dele, ele nunca teve a intenção de te apresentar pra mãe. Ele te traiu com Macapá inteira, incluindo sua amiguinha Bruna, que você tanto detesta, e sabe a Thaís Silva que quase destruiu o namorico idiota de vocês? Bem ela nos dá total apoio, e comigo percebeu que a derrota era garantida, porquê eu mostrei quem realmente manda. Ah o nome da melhor amiguinha dele era Thaís e ela curtia animes, filmes, desenhos, e pintava o cabelo de colorido? Bem advinha por quê?! Por lembrar de você é que não era monamour. Sei que se falaram recentemente, e que você continuou a negar os fatos, porquê quer ser superior, mas meu bem você é tão superior, quanto essa tua popularidade de merda, que se restringe aos teus amigos. Quem é Késia Marques? Se você não tivesse namorado o cara que eu deixei, eu nunca saberia, mas anda por Macapá, todo mundo sabe quem é Thaís Mariano, e joga no google, e todos vão saber quem é Carry Manson. Se acha especial por falsas declarações, que só conseguiu por fechar as pernas? Grande coisa, quero ver dormir com o cara, e segurá-lo por 8 anos. Ah é desculpe em março de 2013, ele não esteve com você, porquê estava na minha casa, e só não ficou lá porquê eu garanti que não voltaria pra ele. Triste não acha? Saber que a pessoa em quem você quis pisar, te superou em tudo. Sim porquê se com 3 meses de namoro, ele saiu pra te trair, com 3 meses de namoro eu o fiz sair de casa, pra se casar comigo. Bom é isso, foi um prazer não falar com você, e quer saber ? Isso não acaba aqui. Se sente humilhada agora, é porquê não sabe o quê te aguarda. Ps: Deixa de se fazer de dark,

    todo mundo sabe que você escuta apenas

    nxzero, fresno, e strike!










    Obs: Sim fui arrogante e metida, mas isso é apenas um mecanismo de defesa, para esconder minha tristeza e total insatisfação diante dos fatos. Não tenho nada contra as bandas de rock citadas, apenas acho ridículo alguém escutá-las, e querer bancar  um ser das trevas, quando está claro que tem coração mole. Eu já as escutei, mas isso foi há muitos anos, quando acreditava em amor, e que podia ser feliz. Pra mim quando alguém escuta tais canções e gosta do quê ouve, significa que é uma pessoa de coração mole, que tem esperanças e alegrias, algo bem distante da persona de alguém soturno, por isso fica fora de contexto, é como ter o coração de manteiga, e fingir que é de pedra, só para ter atenção, o quê para mim é um ultraje. Porquê o quê importa é ser você mesmo, e não outra pessoa para agradar a todos, pois se tem que ser outra pessoa pra gostarem de ti, é porquê os sentimentos dos que te rodeiam não são reais.




























    Fim.

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222