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  • A MOÇA DA SELFIE

    Uma análise aleatória do comportamento humano nas redes sociais!
     
       Uma jovem anônima postou uma foto em seu perfil de uma rede social. Assim como tantas outras, era apenas uma foto qualquer, sem endereço ou motivo específico algum para tirar ou postar.
       Era uma moça linda, de olhos claros, cabelos quase ruivos e de pele sedosa. Seu rosto era de uma simetria perfeita. Suas bochechas rosadas e algumas sardas na região do nariz dava-lhe um ar pueril. Sem nenhum tipo de cosmético no rosto ou nas mãos, sua beleza natural fazia enaltecer ainda mais paisagem. 
       Por se tratar de uma selfie, sua imagem preenchia quase 40% do enquadramento da foto. Nos 60% do espaço restante, via-se na paisagem ao fundo um lago, uma casa rústica, uma cerca, um curral, um senhor de meia idade ordenhando a vaca, algumas árvores, uma vasta campina e o sol despontando por detrás da colina.
       Pela posição do sol no horizonte devia ser entre 6 e 7 da manhã. Pela qualidade do ar, a limpidez do céu e verdor da relva, ela devia estar em um país tropical e com certeza era primavera na ocasião da foto.
      Na foto ela segurava um copo de leite fresco e esbanjava um sorriso enigmático, tão quanto a Mona Lisa do famoso quadro. A espuma do leite fresco dera-lhe um bigode branco artificial, ampliando ainda mais a imagem de criança levada.  
       Uma paz de espírito estampava sua face e todo os elementos da paisagem harmonizavam com o seu rosto dando à imagem um ar bucólico, daquelas que víamos somente nas representações escritas do arcadismo. Tudo era tão simples e ao mesmo tempo tudo era tão belo, tão perfeito que a imagem parecia ser artificial. Mas não era.
       Na postagem não havia legendas nem a data da foto e no perfil da moça poucas informações pessoais existiam, deixando ainda mais enigmático aquela cena. Ela quase não seguia ou era seguida por ninguém.
       Um dos poucos seguidores do perfil daquela jovem compartilhou aquela bela imagem em seu próprio perfil. Outros fizeram o mesmo e em pouco tempo, dezenas de compartilhamentos sobre aquela imagem ocorrera. Todos querendo ver o perfil onde originalmente aquela postagem havia sido feita.
       O que era apenas para ser uma foto anônima, tornou-se então objeto dos mais variados tipos de comentários e pensamentos, sendo a alguns deles obscuros, maldosos ou de duplo sentido mostrando que uma mesma imagem pode disparar nos indivíduos diferentes tipos de reações, sentimentos, intenções e emoções.
     O pervertido olhou para a foto e foi o primeiro a comentar:
    -Tomando leitinho no copo não é? Eu sei muito bem o que ela está querendo com essa postagem...
     A recalcada foi a segunda e disse:
    -Uma moça linda dessa, numa fazenda dessa, numa hora dessas...só pode ser amante de um velho rico, pois moça da roça ela não é!
    O surubeiro de plantão completou essa fala:
    - Aposto que ontem teve suruba aí e agora ela está se recompondo!”
     Em seguida veio a designer de sobrancelhas:
    - Ah, esse rosto tão perfeito precisa de meus cuidados! Faria nela uma micro pigmentação gratuita se ela quisesse e em troca queria autorização para o uso de sua imagem em meu perfil de clientes!”
    A cabelereira, a maquiadora, a manicure e a dona de uma lojinha de roupa responderam no comentário da designer:
    -Idem!
    Uma outra moça vaidosa, aparentando ter complexo de inferioridade disse:
    -Olha isso! Como ela pode aparecer desse jeito? Ela devia cuidar mais da própria imagem. Se sem maquiagem alguma ela é bela desse jeito, imagine toda produzida! Eu jamais me exponho sem me produzir e no lugar dela me produziria toda: rosto, mãos, cabelos, unhas e principalmente roupa para aparecer numa foto assim. Eu não tiraria apenas uma foto, tiraria várias. Iria tirar foto beijando até o sapo daquela lagoa, srsrs...
    Um engraçadinho respondeu no comentário dessa última:
    -Mas isso é você que tem o rosto parecendo a superfície lunar e precisa de meio quilo de reboco para tapar todos os buracos, kkkkk. Essa é bonita por conta própria e nem por isso anda se exibindo como você em seu perfil!
    De imediato, essa que acha que o retoque cobre tudo na vida respondeu ao engraçadinho:
    -Não me dirigi a você seu arrombado! Vai tomar no olho do seu C*...
      Os comentários seguiram na foto da jovem misteriosa.
    Um “papudinho” marcou seu amigo na postagem e disse:
    -Olha aí fulano, que lugar bom pra gente “cumê água”! Será onde fica?
    Seu amigo respondeu:
    -Sei não, descubra aí que chamo a galera aqui, compramos umas caixas de cerveja, você consegue um paredão e umas putas pra levar junto, pra gente beber e fazer putaria até o outro dia...
    Um usuário de cannabis olhou a foto e disse:
    -Que brisa...
    Um senhor aposentado comentou:
    -Que lugar maravilhoso! Quem me dera passar os restos dos meus dias em um lugar assim com minha velhinha e meus netinhos...
    Um empresário comentou:
    -Se eu soubesse onde fica essa propriedade eu a compraria a transformaria em um belo rancho, um local de laser para todas as idade e faturaria uma boa grana.
    Um empresário ainda mais rico comentou embaixo dessa última postagem:
    -Eu te compraria a propriedade por um preço ainda maior, te colocaria como gerente da mesma, te pagaria um bom salário e ainda casaria com a moça da foto se ela quisesse!
    Um vendedor de pedalinhos vendo o comentário desse último respondeu.
    -Se precisar de meus serviços, estimo que naquela lagoa caiba ao menos 6 pedalinhos. Caso queira transformá-la em um pesque e pague também tenho tudo que precisar!
      O cara que vendia antenas de internet para áreas rurais, o eletricista, o paisagista, o carpinteiro e o pedreiro também se apresentaram, caso um dos dois empresários levassem adiante suas especulações.
      Um sujeito de uma agencia de turismo não ficou por baixo e ofereceu de imediato sua frota, sua página na net e todos os meios de divulgações possíveis para fazer fluir o novo negócio, exigindo em contrapartida exclusividade nos transportes de passageiros para o possível futuro rancho.
       Todos riram e ficaram impressionados pelo modo e rapidez com que esses últimos personagens interagiram entre eles mesmos, fazendo planos de logísticas e retorno financeiro em cima uma frase hipotética, sobre um lugar e pessoa anônima.
    Um “religioso do bem” comentou:
    -Que lugar lindo, que moça linda, que cenário lindo...tudo isso é obra do meu deus! Tudo isso foi ele quem fez. Alegrai-vos por suas maravilhas. Regozijai-vos todos!
    Um outro religioso muzumbudo, pessimista, paranoico e arauto do apocalipse parecia estar de prontidão, aguardando apenas aquele tipo de comentário e de imediato fez questão de retrucar:
    -Não ficará nem raízes e nem ramos! O meu senhor quando vier em glória dos céus sobre as nuvens aniquilará todos os pecados e os pecadores que não se arrependerem serão consumidos. Tudo queimará no fogo do grande dia da ira do senhor!
    A esposa recalcada deste fez questão de completar:
    -Rostinho bonito também envelhece! Com o passar do tempo tudo murcha, tudo vira pelancas e toda beleza se esvai! Por isso que desde a minha juventude sirvo ao senhor. Estou livre do mundo e seus males. Assim aguardo ansiosa a sua vinda, com toda pureza de corpo e alma.
    O que tinha mania de proselitismo fez questão de reafirmar:
    -Pois é: O que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Beleza não voga nada. Riqueza também não e lugar bonito muito menos ainda! Jesus é o caminho a verdade e a vida! Visitem nossa igreja, aceitem a jesus como único e suficiente salvador!
    Esses três últimos comentários foram tão broxantes, tão desnecessários e de tão péssimo gosto que pareceu tirar toda a beleza da imagem e o desejo de outros em prosseguir comentando.
    A anônima da foto permaneceria anônima por enquanto. Tanto ela quanto a localização da paisagem. Os sonhos de lascívia ou grandeza de alguns também teriam de esperar para uma outra ocasião.
    ....
      Criei esse cenário hipotético apenas para refletirmos um poucos sobre o modo como reagimos as “provocações” do meio em que estamos inseridos.
     Uma simples paisagem como a do exemplo acima pode, ascender diferentes tipos de comportamentos nas pessoas. Vemos isso todos os dias, o dia todo, tanto no mundo virtual quanto no real.
       Se é verdade que ninguém dá aquilo que que não se tem, também é verdade que certas pessoas treinam os seus olhos, ouvidos e mentes para enxergarem apenas aquilo que desejam ver.  Outras pelas condições físicas, psicológicas ou religiosas a que foram submetidos possuem uma visão limitada ou distorcida sobre vários aspectos.
       À grosso modo, as pessoas costumam projetar nos outros de forma inconsciente um reflexo do seu próprio eu. De acordo com o grau de ganancia, ignorância, prepotência e outras qualidades positivas e negativas, cada um poderá fazer uma leitura diferente daquilo que veem.
      A bajulação, o louvor ou a repulsa automática (sentimento de rebanho) são as que mais embaçam a visão do observador, principalmente se o objeto e foco for uma celebridade do mundo religioso ou político qualquer.
       Um observador idólatra é o pior inimigo que alguém pode ter, principalmente se esta for uma figura pública. É comum a esse tipo gente agir de modo corrupto, dando louvor em troca de influência ou dinheiro, escondendo ou negando os defeitos do objeto de culto só para agradar, enquanto inventam qualidades que este não possui, em certos casos já articulando sua queda. Nesses casos, a mão que afaga serpa a mesma que apedreja.
       Semelhante a isso, temos os que vivem na lama e torcem para que outros deçam ao seu nível para não se sentirem a sós.  Alguns destes dizem almejar viver em um pais mais justo e mais igualitário mas pessoalmente nada fazem para que isso aconteça, ao invés disso torcem internamente para que os seus representantes sejam corruptos e miseráveis como ele o é, para que desse modo, o direito à crítica e ao esculacho seja o eterno combustível que alimentará sua ira ou sua roda (pífia) de conversas diárias.
      Uma pessoa cheia de defeitos morando e um ambiente perfeito seria torturada pelo seu próprio reflexo social a todo tempo. A crítica mediante o deslize, corrupção ou “pecado” evidente de outra pessoa, pode fazer com que até a mais vil de todas as criaturas sinta-se “o deus da moralidade”, usando sua língua afiada como se fosse uma faca de açougueiro para retaliar e vender aos pedaços a reputação do seu objeto de crítica.
       Se a leitura de que muitos fazem do mundo ficasse apenas na crítica seria até bom. O ruim é que muitos fazem disso seu estilo de vida entram no campo da ação.
       Tomamos como exemplo algumas pessoas citadas acima, o lascivo acha que tudo ou o mundo todo funciona em torno de sexo, sacanagem e safadeza. Acham que tudo gira em torno de penetrar e ser penetrado; de encochar ou ser encochado; de f*der ou ser f*dido.
      Alguns desses não perdem tempo, e se tiverem oportunidade, no ônibus, na igreja, no trabalho, na escola, na rua, na praia ou em qualquer lugar onde haja pessoas animais ou coisas darão vazão às suas fantasias (doentias). Acham que todo gesto ou olhar do outro é um convite à sacanagem e respondem de fato como se fosse.
       O religioso paranoico também é outro problema. Sua leitura do mundo é muito perturbada, e faz com que o mais lindo dia de sol se transforme em um vendaval com raios e trovões e muita ira divina. Tudo em sua mente é o resultado de uma ação divina ou maligna e que nós somos meras marionetes dessas forças e que no fim das contas somente eles e o seu grupinho de “escolhidos” se salvarão.   Ainda que saiam a evangelizar, levar as boas novas e a “palavra de salvação” aos “perdidos”, no fundo torcem pela condenação alheia, dos que rejeitaram suas “verdades”.
      Os que fazem acontecer o “capitalismo malvadão”, achando que as funções humanas resume-se apenas em comprar, vender, lucrar e acumular coisas desnecessárias em detrimento a escassez e exploração alheia, também fazem o mundo ficar mais sombrio, parecendo que somos meras mercadorias ou produtos a serem descartados depois de usados.
      Os que procuram viver apenas de aparência também saem no prejuízo, pois não estão vivendo suas vidas em si ou para si, mas as vivem em função do reconhecimento alheio, baseado naquilo que os outros vão pensar, dizer ou fazer ao seu respeito. Como cães adestrados, vivem de acordo com as últimas tendência da moda, do mundo fitness, do mundo religioso ou do mundo high tech. Quando menos se dão conta, a vida passou, viveram a vida dos outros e se perguntam: “quem sou eu mesmo?”
       Como vimos, uma mesma paisagem pode acionar diferentes estímulos,
      Da mesma forma, um som, um cheiro, um gesto ou um conjunto de uma obra podem significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Por isso nem todo autor é compreendido ou toda arte é apreciada. Públicos diferentes fazem avaliações diferentes fazendo com que o bom se ache ruim e o imprestável se ache uma joia rara.
      Os ouvidos treinados ouvindo uma música clássica, jamais irá admitir que funk é música e vice versa.
       Uma pessoa que já viu a capela sistina, sabe de suas riquezas de detalhes e o tempo que o artista demorou para finalizá-la, jamais vai se conformar em chamar de arte uma roda de bicicleta aparafusada em cima de uma privada...
       O “retrato perfeito” do mundo está mais ligado ao modo como administramos nossos sentimentos e emoções do que o modo como nos retratam.
     Uma vida bem administrada pode ser sim uma experiência agradável nesse corpo, nessa forma humana. Poderemos viver ou fazer de nossa vida um paraíso ou deixar que outros façam dela um inferno.
    Como dizia um certo ditado: a beleza está nos olhos de quem vê...
    Pensem sobre isso.
    Saúde e Sanidade a todos!
    REVEJAM SEUS CONCEITOS!
  •  É POSSIVEL ESTUDAR DEUS?

    Breve análise sobre conceituações teológicas
    Parte 1
     
      Jaz o criador em uma mesa de laboratório do curso de ciências teológicas, pronto para ser estudado pelos formandos.
       Inerte e por vontade própria, ele será “dissecado” pelos tais para que depois de entendido sua forma de ser e agir, ele possa ser retratado ao mundo de modo fidedigno e jamais a sua imagem e seu poder sejam deturpados.
       É o estágio final do curso e esses aspirantes a representantes do divino precisam passar com honras nessa etapa final do curso para que depois de diplomados venham agir segundo a lei, a ordem e a justiça que só a santa igreja de cristo nesse mundo tenebroso pode representar.
       Agora eles poderão juntar-se à tantos outros que interligam o mundo dos deuses ao mundo dos homens, a tantos sábios e profetas que deixaram nos anais da história os seus feitos.
        Deus ali está deitado mas não está morto. Está apenas se deixando conhecer. É imperativo que cada um que ouse intitular-se como seu vigário conheça-o à fundo, de modo que não possa iludir e nem ser iludido, nem tão pouco tirar proveito da fé e da ignorância alheia. Nenhuma versão alternativa de sua personalidade e atuação poderá ser divulgada. Por esse motivo, todas as igrejas do mundo todo desde o início da era cristã segue o mesmo padrão em todos os aspectos. Todas elas são unidas. Todas elas se amam e os seus líderes trocam flores entre si e permitem que todos os seus membros visitem umas outras sem nenhuma coação ou ataques de ciúmes.
       Desde o ano 384 da era comum quando Constantino estabeleceu o cristianismo como religião oficial do império que ele (deus), tem se prontificado a esse ritual de conclusão de curso para cada turma que faz ciências teológicas no mundo inteiro.
       Nenhum aluno poderá ser diplomado sem esse TCC, considerando que o que estará em jogo é a coisa mais importante de todas: a salvação do homem por meio da pregação da palavra da verdade.
       Permitir que picaretas, salafrários, ignorantes e aproveitadores saiam por aí abrindo igrejas e desonrando a sua majestade é algo que nenhum deus jamais tolerou, muito menos ele, o deus cristão, o único e verdadeiro.
        Isso nunca aconteceu e jamais acontecerá!
       Ele zela pela sua palavra para cumprir e nem um “J” ou um “Til” poderá ser diminuído ou acrescentado à sua palavra e nenhum dos seus atributos poderá ser vilipendiado.
        Até hoje quando em má fé, nenhum pastor, bispo, sacerdote ou missionário permaneceu vivo para contar história após macular o nome do senhor ou a imagem da igreja. Todos eles morreram de forma horrenda. Nenhum deles ficou bilionário manipulando a fé.
         Não, isso nunca ocorreu!
         Nessa última fase do curso os alunos estão ansiosos para conhecer cada tecido, cada órgão e cada célula que compõe esse ser magnânimo. Conhecer a estrutura do criador que fez céus, a terra, o mar e tudo que neles há é um privilégio reservado a poucos. O momento é de emoção e a euforia toma conta de todos.
        Assim como um estudante de medicina precisa conhecer à fundo o corpo humano e suas patologias, esses estudantes estudam a essência de deus para que possam receitar aos que comerão do corpo e beberão do sangue do seu filho, a cura para todos os males que pecado possa causar.
      À partir daquele momento os formando serão o espelho para o mundo, um farol em meio as densas trevas e por ter tido contado direto com a essência do divino, somente o bem emanará de suas palavras e ações.
        Assim foi. Assim é. Assim será!
      ....
       Pois bem, esse cenário hipotético nunca existiu.
       É apenas uma forma cômica de ilustrar aquilo que muitos leigos e aspirantes (de boa-fé) pensam à cerca de um curso de teologia.
       Achar que todos os que entram (ou se formam) nesse tipo de cursos tem intenções plenamente pura é tão infantil quanto pensar que todo mundo que se forma em direito almeja justiça, igualdade e equidade plena entre os homens.
       Tão infantil quanto, é pensar que todo mundo que se forma em medicina deseja realmente curar doenças ou lutar em prol da vida (dos outros).
       Outra ideia errônea que outras pessoas têm, é a de achar que uma obrigatoriedade a todos os formados (ou estudantes desse curso) a crença em deus, o estar filiado a algum tipo de igreja ou ser um defensor (debiloide) de qualquer linha teológica.
       Isso não é regra, é opção! Assim como qualquer outro campo do conhecimento humano, ao adquiri-lo cada um poderá muito bem decidir onde aplica-lo (ou não).
       Com o conteúdo absorvido em um campo como esse é bem mais provável que o estudante passe a ter tendências ao ceticismo, ateísmo ou se torne adepto de alguma linha filosófica do passado ou do presente.
        Entender “como deus foi parido” é uma das oportunidades mais libertadoras que alguém pode ter na vida.
        Nada paga o direito de liberdade adquirida a uma pessoa que antes amedrontada pela religião, agora poder dizer que não teme mais as ameaças de nenhum líder religioso ou de qualquer “livro sagrado”.
         Uma coisa é desvencilhar-se da fé devido a uma profunda decepção sofrida dentro de um sistema religioso (ou por um religioso mau caráter). Isso poderá acarretar sentimentos de raiva, revoltas e vinganças ao que sofrera, podendo manifestar-se de diversas formas no futuro. A mais comum é abrir uma outra igreja, fazer tudo o que condenava no outro e mesmo assim proclamar-se santo e diferente.
        Outra coisa totalmente diferente é libertar-se das garras da religião (e religiosidade) pelo poder do conhecimento ao entender como tudo tem sido feito e conduzido desde que o mundo é mundo.  Um astrônomo vibra com um nascimento de uma supernova. Um liberto vibra entender como nascem os deuses.
        Quem almeja estudar a deus ou tornar-se intimo dele por meio de um curso, informo que isso é impossível!
        A fé (ignorância, medo, temor, manipulação) aproximam o homem daquilo que comumente chamam de deus, ou seja o reflexo do seu eu interior ou a projeção consciente de um arquétipo social feita pelos que governam as massas.
        O conhecimento dos fatos por sua vez, faz com que o homem transcenda desse estágio infantil para um estágio mais avançado, fazendo com que este tome para si as responsabilidades pelos seus atos, sucessos e fracassos, sem ter nenhuma força da luz ou das trevas para culpar ou atrapalhar.
        A fé (cega) tende a tornar o homem imaturo, irresponsável e mentiroso, mentindo principalmente para si mesmo, ainda que todas as evidencias provem o contrário de sua afirmação de fé. Quanto mais estupida e mais fantasiosa for esse constructo interno e quanto mais bizarro for os feitos do que tivera essa teofania, mais louvado esse será. Assim surgiu os pais fundadores de cada igreja e religião.
        Ninguém estuda deus!
        Deus é um conceito. Uma teoria. Um estímulo que faz ocultar (ou fluir) nos homens aquilo que de pior (ou melhor) há em si.
        Até mesmo quando dizem estar fazendo o bem em nome de deus, os que o fazem, podem estar fazendo (sem o saber) em prol de uma bandeira ideológica, representando sua própria igreja ou “grupo de escolhidos”. Segundo a própria bíblia, isso torna inválido todo ato de bondade e caridade feita por eles. A bíblia chama isso de hipocrisia ou profundo desejo de ser louvado pelos homens (Mt 23).
       Além disso, ninguém estuda deus pois deus é imaterial, incorpóreo, inacessível, invisível e inimaginável.
       Nada pode mensurá-lo ou contê-lo. Ele está em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo. Pode fazer tudo, porém nada decide fazer para ajudar aos seus servos ou calar os que dele duvidam.
       Ele possui em si, todas as característica de um ser INEXISTENTE. Mesmo assim, os que o invocam o denominam como ser único, universal, eterno e auto existente.
      Os que se dispõem a estuda-lo (nos cursos teológicos), logo perceberá que assim como a filosofia, a teologia estuda deus no campo das ideias sobre aquilo que as pessoas pensam dele, bem como as ações que por meio desses pensamentos e interpretações foram movidas
       A própria bíblia diz que homem nenhum viu a deus.
       Portanto, diferente de outros objetos de estudo cientifico, deus não pode ser revisado por pares e duas ou mais pessoas juntas jamais chegariam a mesma conclusão mediante um estudo aprofundado de sua “matéria”. 
       Tudo nele é mistério e toda religião só subsiste se for assim.
       O que pode ser palpável e conferível não gera tanta fé quanto o inominável. Sem falar que no deus metafísico, mentalmente cada um pode considerar-se um escolhido e fazer sua própria versão de guarda pessoal, usando-o como paliativo próprio ou para o abate do outro.
      Os deuses povoam o imaginário coletivo de todos os povos desde tempos imemoriais.
      Todos os povos do mundo representam o sagrado e o profano de formas diferente. Isso é inegável.
      Em certos casos, o deus de um povo é o demônio de outro e vice e versa.
      Sacerdotes, profetas e teólogos existiam (ou existem) para interpretar essa suposta vontade dos deuses ou ajudar os seus súditos na escolha e execução das oferendas pessoais de seus súditos. O teólogo existia para convalidar deus, ou seja: dar um atestado intelectual “plausível” de suas obras segundo a fé do povo. Ele tinha o poder de “mata-lo” e reconstruí-lo quantas vezes fosse necessário à fim de adaptar deus ao povo ou o povo a deus.
       Para cada problema social, pandemia ou fenômeno natural que surgia, novos problemas apareciam e com isso novos medos. O povo inventava então mais um “acessório” ao deus já existente para turbinar o seu poder e assim resolver esse problema até então desconhecido.
      A incompreensão do universo, da natureza, do corpo e da mente humana sempre fora em todas as culturas a principal motivo da mente que cria os deuses. O medo é o principal dele, até porque o medo se manifesta de diversas formas, inclusive no acúmulo de riquezas, de gordura localizada, de parceiros e de coisas que um grupo local aprecia e tem como valiosa.
      Um medo gera um mito. Um mito cria um rito. Um rito move um culto. Um culto estabelece um padrão. Esse por sua vez dará o suporte para as religiões, que depois de formar muitos adeptos, estatizará a moral, a família e até o próprio estado caso o governante seja um frouxo ou um corrupto.
        A religião se torna assim tão sólida pois ainda na fase do culto um espertalhão percebe que pode tirar proveito do medo coletivo em benefício próprio.
          CONTINUA...
  • ...E NOS LIVRAI DESSE MAL, AMEM!

    Antes de mais nada, deixo claro que nesse texto, não estou atacando pessoas de modo particular, nem suas religiões. Estou combatendo ideias! Se te ofenderes com coisas tão pequenas, é sinal que seu deus é uma ideia e não um ser pessoal, imutável, inalterável, inatingível e soberano. Ideias vem e vão, o que é real e verdadeiro prevalece! Não fique amedrontado!  Minhas ideias só modificam o que pode ser mudado!
       Há um mal imposto a ferro, fogo e sangue nas sociedades teístas, que é a ideia criada dos deuses carrascos, irados, perversos, sanguinários e vingadores, cuja imagem, deu poderes as igrejas cuja força eclesiásticas é superior ao poder do estado laico, da ciência e da educação, fazendo com que as pessoas vivam suas vidas em constante estado de medo e ameaças. Um mal que precisa ser sanado se realmente desejarmos evoluir como seres humanos e diminuir as desigualdades sociais. Um conjunto de ideias contraditórias e auto anulativas sobre seres metafísicos que precisam ser reavaliadas para que os padrões de comportamento individual sejam melhorados em cada indivíduo ao assumirem responsabilidades pelos seus atos. Um mal que felizmente tem cura.
       Uma loucura que precisa ser tratada. Um aglomerado de pensamentos e conceitos filosóficos que precisam ser reavaliados um a um. Um mal que faz com que as pessoas deem mais prioridade em relacionamentos com seres imaginários, enquanto desprezam e desonram as relações pessoais entre seus semelhantes em nome de propósitos bizarros, esperando receber algum tipo de recompensa vindoura. Um mal que faz com que tolos governem enquanto sábios amordaçados. Um mal que enxerga a racionalidade como sendo uma ameaça e não como ferramenta para nosso progresso.
        Um mal que leva pessoas sãs, ao comprarem tais ideias a se colocarem nas condições de loucos, paranoicos, esquizofrênico, idiotas e coitadinhos, para alcançar desse modo a suposta atenção do ser superior qual foram ensinados a venerar e temer ou a atenção de seus representantes que fazem questão de manter as pessoas nesse estado medíocre de espirito, pois é desse modo que realizam suas fantasias de grandeza ou obtém sua fonte de lucro e sustento. Um mal que provoca um estado alterado de consciência fazendo com que pessoas normais e livres se ponham em condições de escravidão psicológica, enquanto anunciam aos quatros cantos do mundo que são livres. Pessoas que são levadas a viver toda suas vidas com medo de um ser superior, desenhado com propósitos de domesticação de indivíduos, para fins de manobras de manipulação em massa.
        Um mal que reduz o ser humano a nada, que retira deste sua capacidade racional, evolutiva, criativa e cooperativista, e o transforma em máquinas de guerras, prontas a matar para defender o invisível, e a doar todos os seus recursos se necessário, por uma causa desnecessária, desprezando as causas vitais ao bom funcionamento social. Nesse estado mental, enviam-se pessoas a matança todos os dias em países estrangeiros, fazendo-as acreditarem que estão ganhando “almas pra jesus ou pra Alá” quando na verdade estão apenas subjugando outras pessoas a um modo doentio de ser, enquanto os senhores do rebanho aumentam suas fortunas e divulgam suas marcas.
         Baseado nessa crença coletiva criada e doutrinada a todos os nascidos em tal região, muitos líderes fazem fortunas, expandem seus territórios, manipulam políticos, e demonizam o sagrado enquanto divinizam o banal. O aperfeiçoamento das relações humanas, a busca coletiva para os problemas de moradia, curas de doenças, educação e segurança deveriam ser metas “sagradas” buscada por todos, mas a igreja as torna banal quando usa do discurso religioso, para extrair valores monetários como oferenda aos deuses que de nada precisam e incentiva a da devoção a imagens de ídolos vivos e mortos como sendo coisas realmente importantes. O lixo vira luxo, e o sagrado vira profano nesses aspectos de entendimento.
       A ideia inserida em nós, que somos pecadores, imundos, trapos, farrapos, lixo, pó e cinza e que precisamos de uma salvação comprada, financiada sob 10% de tudo que ganhamos, durante o tempo em que aqui vivermos, deve ser questionada, combatida debatida, reavaliada e banida se realmente almejarmos uma sociedade mais justa e equilibrada. Qualquer divindade rica, majestosa, poderosa e dona de tudo, e que vive a esmolar adoração e tributos de quem quer que seja deve ser questionada no profundo do nosso ser. Quem já tem tudo não precisa de mais nada! Se as divindades são ricas e poderosas devem ajudar ao povo por que tem em abundancia e não exigir sob duras ameaças aquele que nada tem além do próprio sustento. Divindades que estimulam em suas casas de adoração, a ganancia, a soberba, a trapaça, a inveja e a cobiça também devem ser duramente questionadas e postas contra a parede. É por males como esses que afundamos na imoralidade e corrupção. Deveria se envergonhar qualquer ser dito superior que vive a fazer das reuniões de fé coletiva, suas casas de apostas, onde uns poucos ganham tudo, e a maioria fica sem nada. Cassinos e bingos chegam a perder para certas casas de apostas tidas como casas de adoração. Igrejas que estimulam a cobiça e ambição não querem outra coisa senão um grupo de apostadores viciados para enriquecer os donos da casa. Doe 1 mil e deus te devolve 2 mil. Isso não é evangelho, isso é aposta!
       Primeiro te fazem acreditar que você é um pecador, para depois te venderem uma salvação que dizem ser de graça, te prendem em currais, vigiam seus passos e te ordenham de todas as formas possíveis, e quando não é possível a ordenha, usam a ideia de inferno para te manter nesses recintos enquanto usam sua força voluntária para a expansão de um reino nefasto e opressor, de modo que algumas lideranças vivem montados nas costas do povo sem fazer esforço algum. Se a moralidade e o pecado de uma pessoa é medida por suas ações, sou forçado a dizer, que os humanos, por mais falhos que sejam, tem um senso de moralidade superior a dezenas de deuses de várias religiões ao longo da história, incluindo o deus cristão do antigo testamento e ao do novo que nada faz para conter o avanço dos exploradores da fé, dos que usam seu nome para ludibriar o povo. Tanto o que executa a ação sendo representante, quanto o que se omite de corrigir a ação sendo ser superior, são cumplices dos mesmos atos.
       A ideia de que somente pessoas de batinas, de paletós, ou que carregam livros de capa preta na mão, são as únicas pessoas capazes de fazer com que o divino nos aceite, nos receba e nos perdoe por crimes que nunca cometemos, foi criada e mantida a todo custo, com o intuito único de criar segregação, criando-se a ideia de que existem pessoas mais importantes que outras e desse modo os “ungidos” vivem levando vantagem em todos os aspectos sobre os demais dentro e fora dos círculos religiosos. Um ser superior cujo desejo de justiça seja sua causa principal, jamais concordaria com esse tipo de coisa, e jamais esperaria inerte pelo “dia do juízo” para julgar tais opressores e enganadores, ou os que vivem a fazer atrocidades em seu nome. Em nossa “vil” sociedade dirigidas por meros mortais, temos data, meios, e regras para punir infratores, sendo que as penas são dadas de acordo com o crime. Algumas são amenizadas exatamente de acordo com a influência política ou religiosa que o sujeito possa ter, mais uma vez provando-se que tal modelo de fé, traz injustiça ao invés de justiça.
    Se existe um território que deva ser reconquistado, é o território de nossas mentes. É nesse campo que o estopim de toda batalha exterior é ativada. Os que vivem do mercado da fé fazem questão de te lembrar 24hs por dia que somos miseráveis pecadores, amaldiçoados, medíocres e perdidos e que só este ser “bondoso” pode nos livrar de sua própria ira. É dessa ideia que devemos nos livrar. Se há um pecado que cometemos, é deixar que deuses metafísicos e seus representes loucos e gananciosos conduzam nosso destino.
      Precisamos nos livrar da ideia de que somos culpados pela morte de um cara que foi crucificado dois mil anos atrás. A própria bíblia diz que ele se entregou por que quis, então não somos culpados de nada. Precisamos nos livrar da ideia que foi por nossos pecados que ele morreu, pois se consideramos que o pecado segundo a crença cristã é um erro cometido em nossa configuração, ele como sendo o que nos programou e não achou por bem reconfigurar nossa unidade central, então morrer para que fossemos reconfigurados seria o mínimo que ele poderia fazer como criador. Não somos culpados pela morte de ninguém, muito menos pela morte de um ser imortal, que existe antes da criação de tudo, sem falar que se ele morreu e ressuscitou, não há cadáveres, desse modo não há homicídios, e ninguém e culpado de nada. Se ele morreu sabendo que ia ressuscitar, sua morte e sofrimento foi apenas encenação para nos comover. Não somos culpados por isso e nem foi por nossos pecados que ele morreu. Morreu por que quis, por que era necessário, por que escolheu esse caminho. Se existe um pecado que devamos nos arrepender, é pelo que dizemos ou fazemos contra o nosso próximo para defender a honra desses deuses com problemas de personalidade.
       A ideia da salvação cristã, se assemelha muito a ideia de salvação dos hebreus, vendida por Moisés há uns 4 mil anos atrás ali no Egito, caso a história tenha sido real. O deus invisível, que nunca deu as caras a ninguém, mas falou com Moisés numa moita incandescente e alguns poucos privilegiados no passado, é o mesmo de hoje, que nunca deu as caras e também só fala as escondidas com alguns “ungidos” e alguns poucos “profetas” gerando mais suspeitas do que confiança no povo. Os que duvidavam antes eram ameaçados. Os que duvidam hoje também são ameaçados! Morte a todos que não acredita que deus fala as escondidas com seus “ungidos”! Essa é a mensagem de 6 mil anos.
      Quando este mesmo deus tirou o povo do Egito, o objetivo principal definido por ele, era que o povo lhe prestasse culto e lhe oferecesse sacrifício. A ideia principal não era beneficiar o povo com melhorias de alimentação, higiene, segurança e moradia, antes sim ele queria inflar o próprio ego ou se alimentar de alguma forma das energias geradas pelas emoções de medo das pessoas ou do sangue dos animais oferecidos em sacrifício. O objetivo atual de tantos líderes em reunir pessoas diariamente nas igrejas é o mesmo: prestar culto a esse ser e pedir em seu nome todo recurso possivel que as pessoas tem, enquanto garantem que mantem as pessoas seguras da ira e da cólera desse mesmo deus e da tentação do diabo no mundo de pecado, somente aos que ofertam, adoram e obedecem. Você tem de pagar para não ser castigado pela própria pessoa que prometeu te salvar de graça. É mole? É como um sistema de milícias na favelas! Ou você paga aos representantes desse deus pela proteção divina ou eles autorizam pragas sobre sua vida! Ou você paga ou você apanha! Ou você paga ou você morre! E dizem que o bullying só ocorre com crianças...Concluímos que sem culto e sem oferendas esse modelo deus enfraquece ou deixa de existir. Logo, concluímos que, é este ser qual fomos ensinados a chamar de deus quem precisa de adoradores e não as pessoas que precisam ser salvas por esse modelo de salvação. Nesse modelo de salvação cristã, estar salvo é o mesmo que viver sob constante tensões e ameaças. Logo após você ser “salvo”, se não trouxer dízimos, ofertas, prestar cultos, render a ele adoração, ou não comprar bugigangas ungidas, então uma quantidade sem fim de pragas serão enviadas por parte desse deus bondoso e seus representantes. Pelo menos é o que garante seus “ilustres” representantes aqui na terra. No passado bíblico e durante toda a idade média a história se repetia dia após dia e até hoje somos de igual modo ameaçados. A promessa de salvação foi substituída pela ameaça de condenação. Na teoria salvação, na prática morte e condenação!
      Outro fato sobre a salvação dos hebreus no passado: após tirar o povo do Egito, ele poderia ter inserido o povo na nova terra para que estes vivessem bem, já que ele disse ter intenção de tirar o povo da escravidão e não escraviza-los mais ainda. Tudo poderia ser feito num passe de mágica, sem precisar derramar uma gota de sangue sequer nem dos hebreus, nem dos egípcios, nem das quase 50 nações que ele destruiu. Um ser tão poderoso que abre caminho nos mares e destrói nações inteiras só pra provar do que ele é capaz, que precisa estar se auto afirmando o tempo inteiro, poderia facilmente criar do nada uma cidade maravilhosa no meio do deserto, inserir seu povo ali, ou inserir o povo em cidades já habitadas por meio da união e dialogo, e não pelo derramamento de sangue. A menos que a tecnologia desse deus só sirva para o mal e destruição, concluímos que ele não gosta de fazer o bem. A viagem do povo pelo escaldante deserto poderia durar alguns dias apenas, mas de propósito, ele fez o povo andar em círculos por 40 anos, matando toda aquela geração que ele mesmo jurou proteger e guardar. Ele mesmo assume nos escritos tido como sagrado, que foi ele quem matou todo o povo (mais de 3 milhões de pessoas) que ele tirou do Egito durante os 40 anos de viagem no deserto, por que o povo duvidou algumas vezes do seu imenso poder. Ele como criador da raça humana, poderia muito bem imaginar que as pessoas são imprevisíveis mediante situações de calor, frio, fome, ou pressão psicológica. Quando vejo adolescentes jogando jogos violentos na frente de um computador, matando velhinhas, crianças, policiais, atropelando todos por prazer e cometendo os mais diversos crimes sem pensar nas consequências, só me vem a memória a imagem do ser todo poderoso cultuado no ocidente, e comparo seu comportamento aos desses adolescentes sem juízo.
      Do mesmo modo que ele prometeu levar em segurança o povo que ele tirou do Egito e os matou no deserto, qual a possibilidade dos seus adoradores atuais receberem uma recompensa melhor do que os filhos dos semitas que foram vítimas de sua ira no mesopotâmia antigamente? Há dois mil anos, segundo a atual crença cristã, ele prometeu voltar rapidinho, inclusive prometeu, que alguns dos que estavam vivos naqueles dias não provariam a morte. Já se fazem dois mil anos e nem os ossos desses que receberam a promessa de salvação em vida foram encontrados…quem garante que ele não esteja fazendo o mesmo que fez no Egito, esperando que aniquilemos uns aos outros em seu nome, enquanto ele assiste do camarote nossa destruição? Lembrem-se que ele tem poder para fazer o que quer, inclusive o bem, inclusive salvar e perdoar a todos que não compreende seus infinitos, insondáveis e complicados mistérios, e se não faz é por que não quer ou por que gosta de ver sangue sendo derramado em seu nome, para depois dizer que não faz nada por que deu o livre arbítrio ao homem... Um pai humano que deixa seus filhos se matarem brigando enquanto vivem debaixo do seu teto alegando não interferir no livre arbítrio dos seus filhos não é inteligente e nem racional, é apenas um doente mental. Um ser superior, imaterial que age do mesmo modo, recebe o nome de ser de sabedoria e amor supremo. Vai entender...
      Outra parte que não deve ser esquecida nesse trajeto de salvação dos hebreus no passado bíblico é que durante todo o período bíblico, as pessoas que hoje são mais bajuladas, e tidas como heróis da fé, foram pessoas mesquinhas, sanguinárias, que articulavam o mal, gananciosas, que matavam a própria família para ficar no poder, e que eram os primeiros a desobedecer as leis que eles mesmo diziam ser sagradas. Alguma semelhança com os dias de hoje? Leiam os livros de reis, crônicas e Samuel, e observem as baixarias cometidas exatamente por aqueles que levantavam o estandarte da justiça desse deus invisível. Pessoas como Atila e Calígula se sentiriam inferiores diante desses santos homens escolhidos a dedos por deus para o projeto de salvação desenhada por ele. Leiam jornais, revistas e se situem no tempo e no espaço, e vejam o que muitos dos seus representantes fazem hoje e me diga se ele se importa com nada...
       A características mais macabra e suspeita desse ser qual exige veneração e obediência, é que tudo que estar ligado a sua pessoa estar ligada a derramamento de sangue. Ele gosta de sangue! Ama sangue! Bebe sangue! Vivia à custa de rituais de sangue e por qualquer bobagem ordenava que parentes derramassem sangue uns dos outros em sua honra. Sangue humano, de bois, ovelhas, cabras, galinhas...não importa o sangue, desde que fosse sangue! Os rituais de conquista e de adoração a esse deus estão lavados em sangue. Qual a lógica de invadir várias cidades, matar todos os moradores ao fio da espada, inclusive até os animais, para depois deixar todos apodrecendo ao relento até serem comidos pelos chacais ou pelos vermes? Qual o sentido, de retirar da população faminta o gado que serviria para seu sustento, para ofertar e ser degolado e derramado o sangue para esse ser que nem fome tem por que é um ser imaterial? Sentir fome de comida é uma coisa, mas sentir fome de morte, sangue e destruição é outra coisa... Salomão, em apenas 7 dias de festa, degolou e ofereceu o sangue de quase meio milhão de animais! Tem cabimento uma coisa dessas? Enquanto o povo vivia na pobreza e na miséria vem esse ser papando tudo que pertencia a população sofrida! Que pouca vergonha! Sinceramente, qualquer deus que precise de sangue de quem quer que seja e sacrifícios para existir ou se alimentar perdeu o meu respeito! As pessoas costumam ter medo de um morcego por que dizem que este se alimenta de sangue. Há um ser que exige cachoeiras de sangue para se alimentar e as pessoas dizem ama-lo!
      Tudo que falei estar escrito na bíblia. Leiam e confiram. Lembrando que é moda cristã não ler nem acreditar na bíblia, apesar de dizer que ela é verdadeira. Acreditam no salmo 23, 91, ou qualquer passagem bíblica que reforcem seu modelo congregacional e digam quem eles vão ficar ricos, ou ganhar a vida sem trabalhar, isso eles acreditam! As demais parte que confronta sua crença, diz que não existiu, que é erro de tradução, que não é verdade, que aquilo foi coisa do passado ou preferem nem pensar sobre isso por que tem medo de pecar em pensamento. É desse jeito que ele gosta. É desse jeito que os que vivem do mercado da fé desejam que todos se comportem. Acreditem num livro que nunca leram, digam que tudo nele é sagrado sem nunca comparar os conceitos de sacralidade e tudo fica bem. Bem pra os que dominam o rebanho...
      As pessoas não precisam de nenhuma igreja ou religião para serem morais e honestas, mas em contrapartida, o senso de moralidade de uma pessoa religiosa, estar intimamente ligada, a personalidade do ser que este considera superior. Um deus mal, perverso, não disposto ao diálogo, autoritário e sanguinário, gera seguidores com semelhantes características.
       Pense numa coisa óbvia que todos evitam encarar: as três principais religiões ocidentais que alegam servir ao mesmo deus escolhido por Abraão, estão brigando e se matando ao longo de milhares de anos e ele não se importa com isso e nem faz nada para acabar com essa briga, antes sim, “aparece” de modo isolado a cada líder dessas religiões, colocando mais lenha na fogueira, dando-se a entender que a outra parte estar sempre errada e deve ser eliminada, gerando conflitos e mais conflitos. Eu nunca vi um pai humano que se respeita e respeita a ordem em sua casa, deixar que seus filhos briguem até a morte pelas coisas mais fúteis possível como declarar quem tem o pai mais bonito e mais forte sendo que são todos filhos do mesmo pai. Esse deus não estar nem ai pras briguinhas dos seus filhos enquanto estes se matam para mostrar quem tem o ritual mais “correto” de adoração. Se ele for capitalista, deve estar nesse momento comendo um Bic Mac com refrigerante dos grandes, enquanto olha seus filhinhos se matando pela sua honra. Aposto que ele não torce pra nenhum lado ou torce pra os dois. Me parece que ele quer apenas beber o sangue que manchará as arenas dos gladiadores da fé.
      Um pai que se presa, põe a casa em ordem ao primeiro sinal de elevação de humores de seus filhos. Nosso senso de moral eleva em muitos casos os dos deuses. É pela honra deles que as maiores guerras são travadas. É no nome deles que as maiores explorações são cometidas. É em seu nome que crianças e pessoas de boa fé são abusadas nos recintos sagrados e...ele parece gostar de tudo isso, só observando...ou aguardando o dia do juízo chegar pra mandar 99% das pessoas pra o inferno, já que me parece que apenas seus representantes que tem o mesmo comportamento, são os escolhidos deste. 
      Não intento com esse texto, provocar em ninguém o que Martinho Lutero provocou inicialmente há 500 anos atrás nas mentes de pessoas desavisadas e por demais emotivas. Quebrar imagens, destruir igrejas e caçar pessoas ligadas ao clero não resolve nosso problema e nem vai nos libertar em nada.  O conhecimento de como as coisas tem funcionado é o primeiro passo no caminho da nossa libertação. É no inconsciente coletivo que essa ideia macabra de deus foi construído e será no consciente individual de cada ser humano que reassuma sua racionalidade que essa ideia será vencida. A batalha não é contra pessoas de outra fé ou objetos dito sagrado. A batalha é contra nós mesmos! Contra o medo do inferno, a culpa pela morte de outros “pecadores” que morreram sem jesus, e a ideia de que somos todos miseráveis pecadores e acima de tudo. É contra esse mal que devemos lutar.
     Devemos relutar contra ideia de que um ser superior precise de sangue, dinheiro ou adoração para existir. Qualquer império religioso cairá, quando a revolução interna for iniciada. Nenhum tiro precisa ser dado, nenhuma gota de sangue derramada, nenhuma palavra de agressão contra nosso semelhante precisa ser proferida. A conversa é de nós para conosco mesmo. O pensamento religioso atual despreza qualquer pessoa que se arrisque a pensar, pois o que se incentiva é obedecer sem questionar. Ninguém saberá o que você estar pensando sem que o você diga. Uma revolução interna e silenciosa a princípio, e a medida que suas ideias forem amadurecendo, você terá poder argumentativo suficiente para falar o que sente sem se ferir ou ferir os outros, pois entenderá que por trás de qualquer pessoa cheia de razão quanto ao imaginário, existe apenas um ser domesticado, com medo de ser punido com inferno e fogo. É lógico que quando algum grupo de “revoltosos” for descoberto aderindo a esse tipo de revolução interna, várias “pragas” divinas de maneira misteriosas pode vir sobre os tais. São apenas lideranças políticas e religiosas agindo de modo oculto, com medo de perder seus domínios influenciando os acontecimentos dessas “maldições” para intimidar outros. Foi assim na contra reforma e não será diferente em nenhum momento da história. Quando o medo das divindades for substituído pela compaixão aos nossos semelhantes, nesse dia, os deuses serão destronados, ou assumirão o papel que realmente deveriam assumir. Do caos pode nascer a ordem! Das trevas pode surgir a luz! Nós fazemos nosso próprio destino! Nós podemos mudar o rumo das coisas! Quem não sabe onde quer chegar, qualquer destino serve!
      O pensador individual servirá como colunas, para sustentar qualquer movimento coletivo cujo propósito seja a libertação de um povo. Todos nós podemos ser um! Nós podemos ser seres morais, respeitosos, justos, honestos e honrados pelo uso da razão e da reciprocidade e não por medo do chicote dos deuses. Pensem nisso!
  • "PARA HONRA E GLÓRIA DO SENHOR"- Uma sátira a nossa forma errada de entender Deus

    Raríssimas pessoas já pararam em toda sua vida para pensar sobre o peso das palavras do título a cima cada vez que as usam.
       Raríssimas pessoas terão coragem de medir o peso dessa citação e confrontar com sua cadeia de valores sobre Aquele que eles chamam de Senhor e pensar sobre que honra e gloria é esta a que essa citação se refere.
       Milhões de pessoas morreram, morrem e outros milhões ainda morrerão em toda historia da raça humana em combates ou em missões, simplesmente pela honra e gloria de seus deuses, morreram “pela honra e glória do senhor”. Poucos se perguntam, por que um Ser magnifico, completo de tudo que se possa atribuir precisa de honra e gloria, já que essa é o combustível dos fracos e os alimentos dos tolos. Somente pessoas mal resolvidas vivem a exigir que outros lhes prestem homenagens que não lhes são devidas pois as que estão seguras de si, não precisam ser lembradas o tempo inteiro do que elas já sabem. Me parece que a maior parte dos deuses já cultuado pelos homens, são seres mal resolvidos. Ou seria essas frases usadas para manipular as massas e estimula-las em segundas intenções?
       Poucos sabem e outros não terão coragem de admitir que inicialmente essas citações foram usadas por povos da mesopotâmia e do antigo oriente milhares de anos atrás para expandir as fronteiras dos seus reinos, ao mesmo tempo que expandia sua fé. A fé em uma divindade sempre foi usado como emblema para esconder as piores das intenções dos governantes. Se você der um motivo fantástico a uma pessoa pelo qual ela deva lutar, elas farão coisas absurdas em função desse objetivo, ainda que seja para sua autodestruição consciente. A fé também é....o firme fundamento para manipulação geral e criação de conflitos.
       “Para honra e glória do senhor” Marduk, Bell, Amon, Dagon, Baal, Astarote, Rá, Semíramis, Osíris, Shiva, Krishina, Ketzalcoalt, Era, Zeus, Cesar e para tantos outros senhores essa frase já foi usada, e logo depois adotado pelos seguidores de Cristo. Vários desses também já foram trindades adoradas como sendo um.  Em comparação a esses citados, Jesus é o mais recente dos senhores cujos súditos passaram a usar tais termos para se referir a Ele, e fazer coisas que ele nunca mandou, nunca pediu e nunca exigiu. Em nome da fama e gloria própria, os tais dizem estar fazendo algo para uma divindade, e desse modo conseguem o apoio de legiões, seja para doar seu salário e seu patrimônio inteiro, ou para matar e morrer por uma causa. A ideia do lucro presente ou no porvir, faz com que qualquer incauto faça loucuras por um objetivo apresentado pelo líder, desprezando sua atual existência, quando compara com as “garantias” que lhes são oferecidas.
       O medo do lugar da perdição, do mármore do inferno, do lago de fogo, e das trevas eternas, dar poderes sobrenaturais a seguidores dos senhores mais diversos ao redor do mundo para lutarem suas causas. Ganancia e medo bem aplicadas por uma mente má, faz até milagres.
       Dezenas de novas igrejas são criadas diariamente e nas orações de abertura sempre citam ser essa inauguração “para honra e gloria do senhor”. Não seria para lucro próprio do dono da marca fundadora da igreja? Compare suas riquezas de antes e depois de se envolverem com esse negócio lucrativo e me digam para quem é a honra e a gloria.
       Milhares de missionários são enviados a países não cristão, onde explicitamente é proibido uso de bíblia e pregações de outra fé e assim mesmo eles vão. E por que fazem isso? “Para honra e gloria do senhor”. Para expansão do “reino de deus”. Para que o nome do senhor “seja glorificado”. Acontece que pessoas de todas as crenças no mundo também fazem a mesma coisa, enviando missionários de sua fé para evangelizar outros povos. Cristãos procuram converter mulçumanos lá fora, enquanto mulçumanos fazem o mesmo com cristão aqui em nossa terra, bem em cima do nosso nariz, e fazem isso também para gloria do senhor. No mundo inteiro o proselitismo é fato em quase toda crença, e no fundo no fundo, os voluntários a proselitismo querem apenas se sentir seguro de sua própria crença, pois quanto mais pessoas afirmando algo ser real, torna mais segura a crença do próprio emissário. Como em uma grande torcida organizada de um time, é prazeroso estar no meio de uma multidão da mesma bandeira gritando gol, e fica bem mais fácil partir pra violência quando seu time perder. Assim as pessoas fazem prosélitos, assim também alguns se deixam convencer a outra fé. Pelo desejo de ser inserido na multidão, de não remar contra a maré, nem de ser perseguido por suas crenças se essa vir a ser minoria. E como pano de fundo, dizem que é “para honra e gloria do senhor”. Se usarmos esse fundo como crença, tenhamos que admitir que esses senhores gostam de nos ver brigar entre nós mesmos para defendermos nossas bandeiras, enquanto eles assistem da plateia nos destroçarmos. Ou quem sabe pode ser até um mesmo senhor de todos que aceita que sua mensagem seja difundida de modo diferente, com ideias diferentes, para pessoas diferentes para gerar idéia de concorrência, e quando não muda o produto, muda a embalagem, mas o fabricante é o mesmo.
       Num passado não muito distante, homens vibravam ao serem aceitos nos exércitos dos templários. Eram capazes de abandonar sua esposa, filhos, família, bens matérias, e tudo que já tinha conseguido ou poderia conseguir na vida, para se juntar aos exércitos que ia a Jerusalém ou qualquer cidade que tivesse judeus ou mulçumanos morando. Essa missão era para estuprar, matar, pilhar, roubar pessoas e incendiar qualquer vilarejo por onde passavam que se não fosse de fé cristã. E para que e por que? Se você tivesse a chance de perguntar a eles, estes te responderiam em alto e bom som: “PARA HONRA E GLORIA DO SENHOR”. Suas famílias os apoiavam. Era como ter um herói particular em cada família, cada uma querendo demonstrar mais bravura e mais valor ao seu deus e ao estado por meio do seu próprio herói, matando vários, ou morrendo de forma “honrosa” em campo de batalha não negando seu senhor. Tadinhos...Se ao menos eles pudessem pensar que o nome do seu senhor era o Pontífice Máximo da igreja católica...Morreram na ilusão de que serviam a outro senhor e não puderam ser esclarecidos.
       Hoje não é diferente. Chegue em uma igreja evangélica e olhe para o púlpito das igrejas. Em algumas delas, dezenas de homens vestidos de ternos bem elegantes se apinham, se acotovelam e se digladiam entre si por um lugar próximo ao chefe central. Eles anseiam por um lugar de destaque. Eles querem ser obreiro do senhor e trabalhar para sua honra e sua gloria. Conceda algum título ministerial a alguns desses e eles serão capazes de abandonar seus filhos, esposa, famílias, sonhos, carreira, patrimônio e qualquer conquista “para honra e gloria do senhor”. Suas famílias entenderão, apoiarão e terão orgulho como fora no passado. Elas se sentirão orgulhosa em ter seu soldado de cristo particular, consagrado pelo líder máximo local, alguns destes líderes que não tem moral de um hambúrguer podre, mas são capazes de ungir e preparar homens simples e torná-los em super-heróis que lutarão várias batalhas contra seres imaginários e pessoas reais, ofendendo e sendo ofendido, perseguindo e sendo perseguido, tudo “para honra e gloria do senhor”.
       No passado as pessoas eram atormentadas pelo pecado, e ter um cavaleiro de cristo, um padre ou freira na família dava-lhes a ideia de redução de pecado pra família inteira e possibilidade de redenção no grande dia do juízo de Deus contra os homens. Hoje, além de amenizarem a culpa criada pela idéia de pecado, as famílias sabem que um cargo na igreja, também pode ser usado como uma ponte para uma função política se este aprender as “malandragens” do sistema. Um status social para dentro e fora do grupo.
       A velha história se repete. No passado, o cavaleiro de cristo ficava de joelhos perante o papa ou algum de seus representantes e após fazer os votos de cavalaria o seu superior fazia sinais com uma espada sob sua cabeça e a partir dali estes simples homem pareciam receber poderes mágicos e força descomunal para sair matando e destruindo em nome de cristo. Os obreiros de hoje fazem algo bem parecido, ficam de joelhos perante seus “superiores”, fazem juramento de obediência cega ao ministério e o líder derrama um óleo de peroba em sua cabeça, faz um sinal com a bíblia, e diz que a partir daquele momento este também passa a ser o ungido do senhor. O obreiro ganha poderes mágicos a partir de então. Já pode falar em línguas, profetizar, sair chamando todo mundo que não é da igreja de “fio du cão”, “fio du diabo”, entrar em terreiro de macumba pra quebrar imagens, abrir outras igrejas ou ir morrer em países estrangeiros, tudo isso “para honra e gloria do senhor”. 
       Mas existem algumas diferença gritantes entre os soldados de ontem e de hoje. Os de ontem buscavam gloria e fama. Os de hoje além de gloria e fama, querem riqueza de imediato. Querem ser os “pop star de Cristo”. Os de antes faziam voto de celibato. Os de hoje obrigatoriamente são casados, e mesmo assim se aproveitam de seu poder de obreiro, para abusar de crianças, deficientes, jovens, mulheres casadas, e até de gays, quais eles tanto condenam. Os de antes quando erravam, podiam ser julgado pela própria cavalaria ou pela população. Os de hoje, fizeram um acordo entre si de só serem julgados por Deus, e criaram um chavão próprio de “ninguém toca no ungido e vive pra contar história” para amedrontar o povo, e repetiram isso tantas vezes que hoje soa como verdade aos ouvidos dos menos esclarecidos. A velha frase de que pastores e obreiros que foram ungido com óleo santo só podem ser julgadas por deus, pois Ele quem botou e Ele quem tira, tem sido usado como cartão de credito sem limite de gastos por milhares de obreiros ao redor do mundo. Ser obreiro nesses ministérios, tem mais vantagens que delação premiada no judiciário brasileiro. É melhor que ter foro privilegiado. É formação de quadrilha disfarçada de homens de Deus. Engraçado que tais obreiros quando ouvem falar em foro privilegiado no planalto, diz que isso é inadmissível, mas acham totalmente admissível causar dano físico, moral ou psicológico a quem quer seja e só serem julgados no dia do juízo final, única e exclusivamente pelo próprio Deus, por que tiveram um óleo barato jogado em suas cabeças. Bom demais pra ser verdade! Chega de tanta hipocrisia! É chamar o povo de palhaço! Pior que no passado as pessoas eram enganadas e a desculpa é que não tinham acesso a bíblia. Hoje todos tem acesso a bíblia e são enganados ainda 10 vezes mais. A verdade é que pouco importa o que diz um livro sagrado. Mas vale o que diz a liderança e o os cargos que ele tem a oferecer aos seus súditos do que o que realmente estar escrito. A ganancia e soberba disfarçada de santidade.
       Se as pessoas pelo menos pensassem que, desde os tempos imemoriais, desde que passamos a viver em sociedade, buscamos ser reconhecido por algo que fazemos. Se pelos menos parássemos para pensar que é em busca do nosso próprio louvor, gloria e honra quem lutamos e não apenas pelos deuses. Se parássemos para pensar que até nas tribos menos civilizadas, as pessoas vivem comparando o tempo todo entre eles o tamanho do pênis, dos peitos, do pescoço, do ventre, dos músculos, da quantidade de filhos e até da quantidade de utensílios domésticos fabricados, só para ver quem tem mais ou quem faz mais. Tudo isso para que? Para nos destacarmos. E para que serve o destaque? Para honra e gloria...de nós mesmos! Claro! Só que somos peritos em demonstrar falsa modéstia e dizemos ser para honra e gloria de uma divindade qualquer.
      Umas das ciências mais perseguida pelos grupos políticos e religiosos desde os tempo remotos, tem sido a filosofia, exatamente pelo fato de esta motivar o indivíduo a comparar toda sua cadeia de crenças e valores. Comparar, desfazer e refazer se necessário, pela lógica, observação e pesquisa e não apenas pela fé. A velha e cega fé que a tudo estraga e faz o bonito ficar feio.
       Enquanto a religiosidade cega ensina apenas a ter fé e obedecer, seja em qualquer segmento religioso, a filosofia costuma perguntar: Por que? Para que? Para quem? Onde? Como? Comparado a que? Se se não fosse assim seria como? Já tentaram outros meios? Quantas pessoas no mundo fazem assim e tem resultado iguais? E quantas deixam de fazer e tem o mesmo resultado...?  Desse modo, costumam dizer que filósofos se tornam ateus, que na cabeça de muitos tem o mesmo significado de criaturas horrendas e demoníacas. Na verdade um filósofo tende a ser menos tonto em relação a muitas coisas. Mas o mesmo remédio que cura pode matar se não for aplicado em doses correta. Apontar um problema na forma de pensar, e não apontar uma solução na forma de agir, faz de um filósofo apenas um crítico da vida alheia. É como tirar um doce de uma criança ou a muleta de um aleijado e deixá-los desamparados.
       Desde os tempos mais remotos nos proibiram de pensar sobre Deus e sobre nós mesmos. Não fazem isso de modo direto, mas nos enchem de coisas pra serem feitas dentro e fora dos círculos religiosos. Perseguem vorazmente qualquer pessoa que não seja capacho de lideranças eclesiásticas e criaram cultos diários para preencher nosso tempo.
      Cultuar não é pensar sobre Deus, sobre Sua essência, sobre Seu ser. É apenas repetir ritos litúrgicos pré-estabelecido pelo patriarca daquele grupo. Ladrões e criminosos antes de irem as ruas também oram e rezam e pedem proteção ao mesmo deus que uma pessoa fiel e sincera pede quando vai a uma igreja. Um pede oração e proteção para roubar. Outro pede para não ser roubado. Um dos dois será atendido. Um ficará frustrado e outro envaidecido. Ambos pendem ao mesmo deus pois lhes foi o mesmo apresentado a ambos desde sua infância. Um irá chorar e outro sorrir. Pelo menos agora, por um tempo. Uns acreditam em Deus e “faz ele de escudo”, seja para causar inveja as recalcadas, ocultar seus crimes, e pedir proteção quando for praticá-los. Outros acreditam apenas que a ideia de Deus estar associada somente a prática do bem. Ambos seguem suas vidas.
       Sejam sinceros e pesquisem: países como Brasil, Israel, países árabes e Índia, que tem um enorme ritual litúrgico dos seus seguidores do início ao fim do dia, deveriam ter um nível de vida e harmonia entre seus habitantes, melhor que de outros países, mas ao contrário há um alto nível de intolerância mutua, atentados, fome, miséria e desprezo pela vida alheia. Mas existem países europeus e outros, em que poucos ritos religiosos são praticados diariamente, as pessoas poucos voltam para rituais litúrgicos, porém existe mais respeito mútuo entre as pessoas, menos corrupção, mais empregos, mais rendas e menos doenças. Incrível né? Quanto mais perdemos tempo em função de honra e gloria dos deuses, menos tempos temos pra nós e pra nosso próximo. Quanto mais diabos e deuses criamos para pôr nossas culpas, mas irresponsáveis e patéticos nos tornamos.
      Quem é completo é completo! Nada que façamos ou deixamos de fazer aumentará ou diminuirá em nada o tamanho ou a essência dos nossos deuses supra sobrenaturais. Eles não precisam de honra, gloria, louvor, adoração, dízimos ou ofertas para continuarem existindo ou expandindo seus reinos. Eles são o que são e pronto e os seus reinos avançam mesmo sem nossa intervenção, afinal quem pode, pode! Ou são deuses todos poderosos donos do mundo, do ouro e da prata, ou são pedintes, mendigos, que buscam recursos financeiros e atenção humana para continuarem existindo! Nesse ponto de vista seriamos superiores a eles, se eles precisam mais de nós do que nós deles. As pessoas os caracterizam como eternos, imortais, imensuráveis, oniscientes, onipotentes, onipresentes, criadores e feitores de tudo, mas ao mesmo tempo parecem não saber o significado dessas palavras ou não associam uma palavra a outra numa frase, num discurso, numa fé. Apenas o fato de entender o significado de uma palavra, pode mudar não apenas o sentido de uma frase, mas a face de toda uma religião ao redor do globo. Dicionários servem para isso. Mas vale notar que nas igrejas não se usam dicionários! Os membros recebem “pão quentinho dos céus” que eles acreditam ser Deus colocando na boca do líder, e vomitando na boca dos súditos. Igual a filhotes de sabiá. Por isso ficam fraquinhos. Se ensinassem a voar como águias em buscam do próprio alimento teriam uma visão mais ampla do globo.
       Pensem em Deus e me diga pra que ele precisa de honra gloria e louvor. Pensem em vocês mesmo e me digam se a honra e gloria que buscamos, não é para inflar nosso ego em relação ao que os outros pensam de nós. Pensem se não estamos brigando por migalhas mediante uma mesa tão farta. Devemos nos alimentar sentados, com cabeça erguida, como cavalheiros, no assento das cadeiras, com os braços sob a mesa, e não como cães que brigam pelo osso já roído, cujo dono joga debaixo da mesa para ver a disputa entre os cães. Pensem nisso. Se os deuses já alcançaram sua totalidade e plenitude, que nos deixem pelo menos alcançarmos nossa paz e harmonia. Quanto mais buscamos desesperadamente o consolo dos deuses, mas insensíveis ficamos a quem estar próximo a nós.
      Se eles são o que são, seremos achados por eles mesmo que não o busquemos. Seremos supridos, fartos e protegidos, mesmo que não o peçamos. Se sua essência preenche tudo seremos impregnados por ela. Impossível se chegar ao criador destruindo e desprezando sua própria criatura. Pensemos nisso.
  • "Que país é esse"?

    Difícil responder essa pergunta diante do cenário que o povo brasileiro está vivenciando. Onde a marca da violência e da desvalorização do trabalho está sendo vista constante por parte dos nossos governantes. 
    Cadê o governo que seria "Do povo, pelo povo e para o povo"? 
    São mais de 483 anos lutando pela soberania do povo, tentando apagar as marcas da escravidão e cicatrizar as feridas ocasionadas pela ditadura militar.... para que agora a parte mais "inteligente" responda por nós e diga o que é melhor para o país. Sendo o que eles querem é apenas o melhor para eles. Pois é, São mais ou menos 500 anos de história para que hoje no século XXI o Brasil volte a regredir.
    No governo Vargas povos lutaram para criar as leis trabalhista... sim, aquelas com direitos as férias, jornada de trabalho de 8 horas por dia, mas que agora tudo está sendo cortado.... E amanhã isto tudo será apenas um sonho.
    Eles dizem: "Que tudo que eles estão fazendo é para a melhoria do país que só assim o Brasil sairá desta crise [...]". 
    Querido, isto que estamos vivenciando não é crise é apenas roubo.
  • "REFLEXÃO" "harmonizando com o silêncio"

    Quando me harmonizo com o silêncio, com o rosto em prantos eu ouço bem baixinho meu coração contestando a veracidade do destino. Ouço ele dizendo que a maneira que o tempo escolhe para adequar com sua vontade, um sentimento extremamente sensível e verdadeiro, é um tanto dolorosa e amarga, é batalha acima da capacidade que ele possui no momento, nesse momento de reflexão, desejo da paz e da luz divina que conduz o maior e puro amor.

    Eu me deixo ser levado aos sons de DEUS, à sublime melodia da natureza, sentindo um querer natural de emudecer-me e refletir sobre as coisas que eu mais gosto e amo. Fecho meus olhos e deixo minha mente ver por mim, ela vai captando fontes sagradas que são me trazidas apenas pelo meu espírito. 

    Os reflexos coloridos dos jardins naturais resignam um destino para cada planejamento meu, as folhas se balançam, parecendo querer me dizer que também amam a vida e que sou bem vindo ali. Me entrego à energia suprema que neste momento me da confiança e me faz ser bom.

    Neste meu instante de sincronismo com a razão superior, me sinto na falta de merecimento e por um instante me retrocedo, revendo atos incabíveis que quando na fraqueza de espírito, eu cometi. Aborrecido comigo mesmo, suplico num grito emocionado a remissão pro meu único e verdadeiro refúgio,DEUS.

    Percebo que minha súplica foi concedida, uma paz absoluta neste momento se põe e minha alma, no mais profundo do meu ser, me oferecendo ainda mais vontade de viver. Por tudo isso. Viverei, agradecerei e amarei.

    Enviarei um link aos que quizerem ouvir esta reflexão com trilha sonora e narração feitas por mim! Basta me enviar uma mensagem, um recado deixando um e-mail, lhes enviarei com o maior prazer e ficarei grato! Aguardo sua solicitação! Obrigado a todos!
  • “FÓRUM PREVILEGIADO BÍBLICO” E OUTROS ABUSOS

    Não se deixem enganar: um título religioso ou unção ministerial não torna nenhum pilantra em semideus!
     
       Nos últimos 15 anos, diversos tipos de escândalos envolvendo líderes religiosos do Brasil e do mundo tem sido expostos como nunca antes fora.
       Não é que isso não ocorresse em outras épocas! Não que é eles fossem mais santos e dignos de total credibilidade em outros tempos. Não é por quê “jesus está” voltando e “as profecias estão se cumprindo” que só agora eles estão se corrompendo...
      É que com o aprimoramento dos recursos de gravações em aparelhos móveis e o avanço da internet, ficou muito mais fácil gravar e jogar na rede, muitos desses pilantras, reis da hipocrisia, que valendo-se de títulos de santidade, vivem uma vida dupla, deixando danos irreversíveis por ondem passam.
       Outro fato é que hoje, tanto é possível postar quanto acessar o que for do nosso próprio interesse, diferente de outras décadas, que víamos e ouvíamos somente o que os diretores de rádio e TV selecionavam para que víssemos. Nessa época, postar algo por nossa própria conta era impossível, a menos que você fosse o dono de alguma mídia.
       Grandes infratores jamais seriam expostos se tivessem dinheiro para vetar a divulgação de sua imagem, e mesmo quando expostos, uma propaganda reversa poderia ser feita em poucas horas, transformando-o de demônio à santos em questão de minutos.
       Pior ainda era quando nem rádio, TV ou Jornais Existiam! Não havia nenhum meio legal de denunciar os abusos cometidos pelos “homens de deus”, e quem o fizesse seria excomungado ou até morto. Eles sempre foram o que hoje tem se mostrado ser, apenas ninguém conseguia mostrar ao mundo, e quando mostrado eram desacreditados pela autoridade da igreja.
       A acessibilidade mudou isso. A aparência milenar de santidade e perfeição que os líderes religiosos possuíam por milênios vem perdendo crédito cada vez mais. Por esses meios, muitos já se desligaram de seus antigos grupos religioso e hoje conseguem viver uma vida normal, mesmo “sem deus” e de fato, vivem muito melhor “sem ele” e sem o grupo.
       Apesar de tantas ocorrências diárias, nem todas as pessoas prejudicadas fazem B.O, ou trazem à tona o que sofreram. Algumas por culpa, outras por vergonha e outras ainda por medo de serem mortas pelos seus abusadores.
       A exemplo do Caso João de Deus, demorou-se mais de 20 anos para que algumas pessoas tomassem coragem de revelar o que sofrera nas mãos daquela pessoa. Outras morrerão amarguradas e jamais revelarão o que passaram por medo de represálias.
      Em quase todas as igrejas, é regra que os problemas da igreja (escândalos) não sejam vazados, que fiquem apenas entre os fiéis do grupo e que tudo seja resolvido da melhor forma possível (melhor forma para quem causou o dano, claro!).
       Na maioria dos casos, o infrator ficará impune e a vítima será vista como vilã na história. Outros casos quando flagrados, são abafados chantageando quem fez registro.
        As chantagens mais comuns são: ascensão na hierarquia da igreja; ameaças veladas; ofertar dinheiro em troca do silencio e destruição de provas para que o testemunho do que sofrera o dano seja duvidoso, caso vá a júri.
       Nesse último caso, uma horda de falsas testemunhas da própria igreja será mobilizada para defender o líder. Se a vítima silenciar, não apenas ela mas outros de sua família poderão ser beneficiadas de alguma forma pela igreja. Se não, as testemunhas falsas executarão o combinado.
       Toda testemunha tem seu preço, nada é de graça! Nesses casos, o preço mínimo exigido por uma realidade alterada será o silencio e o apoio quando este cair em desgraça (e certamente cairá), contando com a garantia do perdão antecipado do cúmplice.
      É tipo um fundo de garantia para cobrir os pecados de um futuro próximo que será planejado em detalhes, mas se mesmo assim algo der errado, o infrator terá um salvo-conduto pelo cúmplice. Será um por todos e todos por um!
        Não será o vínculo do amor, da alegria e da paz quem os unirá à partir de então. Antes sim, será a cumplicidade de um segredo guardado, selado por uma aliança das trevas.
        Só quem já sofrera nas mãos de tais cúmplices sabe o quão ágeis eles são para mudar as versões dos fatos quando deixam pontas soltas. Parece até que se comunicam por wi-fi nos cérebros, de tão rápido que se atualizam para incriminar o inocente absorver o culpado.
        Tem sido cada vez mais frequente nos noticiários e em outros meios de comunicação em massa, casos de estupros de menores, estupros de vulneráveis, adultérios, extorsões, lavagem de dinheiro, corrupção e até crime com ocultação de cadáver, tudo isso realizado justamente por aqueles que dizem ser o baluarte da verdade e da justiça entre os homens.
       O mais recente caso com repercussão nacional está sendo atribuído à deputada e pastora Srta. Flor de Lis. Recentemente o ministério público a denunciou como suspeita de encomendar a morte do próprio marido, pastor e companheiro de ministério! Mesmo assim ela continua pastora e deputada.
       Outro caso ainda mais grave ocorreu em Linhares-ES em Abril de 2018. Dessa vez o crime fora cometido por um jovem pastor e acobertado por sua esposa.
       Segundo os investigadores, ele espancou, estuporou e depois queimou ainda vivo o próprio filho e o enteado, duas crianças que tinham entre 3 e 6 anos na época. Ainda segundo o relato, pouco depois de cometer esse crime hediondo, o “ungido” foi para a igreja dirigir o culto e “adorar a deus” como se nada tivesse acontecido. Comentou inclusive que deus permitiu que seus filhos morressem de forma tão precoce que ele e sua esposa ficassem livres para fazer a sua obra, pois tinha grandes planos para o casal...
        Menos de seis meses depois, outro pastor, dessa vez um senhor de 58 anos foi preso em Mogi das Cruzes, acusado de engravidar a própria nora, e para ocultar o escândalo, encomendou a morte desta e ainda foi ao enterro orar pela família da vítima...
        Qualquer um que pesquisando na internet ou em noticiários, poderá encontrar centenas de outras tragédias como essas, ou ainda mais graves, denotando uma elevada frieza e desvio de caráter por parte dos acusados.
        Da execução do plano à ocultação das provas, eles costumam ter tudo programado, sempre com um ou mais bodes expiatórios para terceirizar suas responsabilidades. E o deus deles, dos altos céus apenas assiste de camarote as vítimas se ferrando, clamando por piedade e justiça divina enquanto cada gota do sangue destes se esvai... Uma justiça que de fato nunca virá, pelo menos por parte de nenhum deus.
       Há diversos blogs e canais de you tube que se encarregam de mostrar tais acontecimentos quase que diariamente. Outros casos são tão evidentes, que mesmo sem acusação ou “levante” algum de parte alguma, seria impossível negar o crime, a exemplo de um filho que surgiu de uma gravidez da pessoa que foi abusada/estuprada ou da que teve relação adúltera com o líder religioso.
       Nesses casos, pessoas de dentro e de fora da igreja se perguntam: como pode um líder religioso cometer tais delitos e ainda continuar liderando o povo? Como pode ele pregar uma coisa e viver outra e mesmo assim ocupar posição de destaque? Como pode ele causar prejuízos psicológicos, morais, emocionais e financeiros a uma pessoa ou grupo e mesmo assim pagar de santo? Como pode o pessoal da igreja ser tão trouxa em aceitar uma pessoa dessas como líder? Como, como, como...?
       Quem já esteve envolvido nesse tipo de ambiente por mais de 1 ano terá na ponta da língua todas essas respostas: um povo amedrontado, intimidado pelo líder e acorrentado por aquilo que eles mesmo chamam de palavra da verdade é capaz de suportar tudo isso e mais um pouco e ainda por cima achar que isso faz parte dos planos de deus ou que estão vendo cumprir em seus dias alguma profecia do passado. Mas é apenas canalhice do líder mesmo!
       São escravos das diversas interpretações pessoais da bíblia e da intenção dos que a interpretam, sendo que a grande maioria deles (principalmente os de linha pentecostal) acreditam que um pastor tem foro privilegiado diante de deus.  Em outras palavras, por mais que um líder religioso apronte, ninguém poderá julgá-lo, condená-lo, ou afrontá-lo a não ser o próprio deus em pessoa.
       Recomenda-se que qualquer crente que se sentiu ofendido ou foi prejudicado por um pastor, apenas ore e entregue tudo a deus, que não o denuncie, que não o enfrente, que não o desmoralize e que apenas ore, pois quem escandalizar a obra de deus vazando assuntos delicados para fora da igreja, terá cometido um pecado ainda maior do que o que cometera o dano.
       Os crentes “tremem na base” com essa citação bíblica! Os que se valem do medo alheio completam com a célebre frase bíblica: “Melhor fora que se amarrasse uma pedra ao próprio pescoço e se lançasse-se ao mar que expor a obra do senhor”. Não há nada mais eficiente nesses casos que usar a própria bíblia para inocentar o culpado e acusar o inocente. Sempre funciona nesses meios!
       Os que pregam o “fórum privilegiado para pastores” dizem que deus julgara os seus ungido no tempo e na hora certa. Que esse julgamento será no juízo final, depois do apocalipse, depois do reino milenar de cristo na terra, depois da condenação ímpios, depois que o próprio satã for acorrentado e lançado no lado de fogo e enxofre e depois da coroação dos justos! Somente depois disso tudo é que os pastores infratores serão ouvidos e julgados por deus.
       Segundo os defensores dessa perversão, os pastores serão os últimos seres viventes entre toda a criação a serem julgados e que apesar dos pesares, por maiores que sejam os delitos de um pastor, há 99% de chance dele ser absolvido, pois eles estavam na linha de frente de batalha, eram os mais tentados e portanto os mais passíveis a errar, e se erraram, foi em função do serviço...
        Por essa crença, muitos pastores são reintegrado às suas funções em pouquíssimo tempo quando causa danos a outrem ou ao grupo. Em alguns casos eles nem são punidos. Serão apenas mudado de município ou de estado para que a poeira abaixe, o povo esqueça e tudo volte ao normal. Azar de quem se lascou por meio deles!
       Em certos casos, o mesmo se dá com líderes da igreja católica e outros movimentos religiosos. Quem se ferrou vai chorar, quem causou o dano estará livre para infernizar a vida de outros por ai. É notável que por esse tipo de mentalidade, algumas igrejas se assemelham muito ao crime organizado.
       Alguns chegam ao barbarismo de dizer que quando o pastor peca, não foi ele quem o fez e sim o diabo que se apoderou do corpo dele para aprontar, isentando-o de quaisquer responsabilidade.
       Dizem também que um “homem de deus”, depois de ungido a pastor passa a ser ainda mais tentando pelo diabo a fim de desmoralizá-lo, pois “afugentando-se o pastor, dispersar-se-á o rebanho”. Afirmam até que desde o ventre de suas mães que eles são perseguidos e que apesar de o diabo não ser onisciente, sabe muito bem quem eles serão no futuro e por isso os tentam mais que os outros a fim de atrapalhar os planos de deus.
         Quando estão diante de um povo ignorante, os que pensam assim quando querem aprontar e continuar impunes usam o seu fórum privilegiado divino para dizer e fazer o que quiserem, afinal, só deus os julgará! Se dizem protegidos por deus acima da média e que quem os enfrentar só terá 3 caminhos: ou se convertem, ou correm ou morrem!
       Complementam a chantagem, ameaçando aos que resistem com falência financeira, na saúde e nas relações pessoais, além de desemprego e doenças degenerativas, não apenas para o que o enfrentou, mas para toda a família deste, incluindo irmãos, tios, primos, sobrinhos e até amigos chegados. Prometem bênçãos para quem se rebaixar a eles e maldições a quem os enfrentar.
      Os que sob essa égide se escondem valendo-se daquilo que dizem ser autoridade divina, abusam, humilham, pisam e perseguem qualquer um que não seja simpático a eles, que não os obedeçam 100% em tudo ou que saibam de algum segredo deles. Nesses casos, a coisa mais perigosa do mundo será descobrir algum podre de “ungido”. Uma queima de arquivo ou a desconstrução pública do seu caráter é o mínimo que você pode esperar nesses casos.
       Se “o ungido” que assim se comporta, além de ser pastor, for também um político eleito ou um oportunista, a desgraça poderá ser ainda maior, tanto para os de dentro da igreja quanto para os de fora dela. O duplo fórum privilegiado será evocado toda vez que algum delito for cometido. Temos um exemplo em curso no atual congresso.
      Um mente liberta de certas infantilidades, jamais será presa por nenhuma falácia de nenhum salafrário desse tipo!
       Se a liberdade de culto é permitida por lei, a liberdade de não permanecer nele também!
       Boa parte dos líderes religiosos querem fazer valer o primeiro ponto, mas desprezam o segundo, por que não querem crentes em suas igrejas e sim escravos e capatazes. Não estão se importando com a salvação ou bem estar de ninguém, mas apenas com o seu próprio bem estar ou dos que a eles estão ligados, fazendo da igreja sua principal fonte de renda. Ninguém é obrigado a tolera isso!
       Ninguém deverá ser ameaçado, humilhado, intimidado ou ter a sua reputação destruída quando desejar se desligar de uma igreja, se afiliar em outra ou não fazer parte mais de nenhuma delas!
       Se todos os homens são iguais perante a lei, não há ungidos, nem homens de deus, nem criaturas especiais de deus ou religião alguma!
        Se todos os homens são iguais diante de deus (aos que creem assim), que façam valer essa parte da crença (até que não precise mais dela), jamais se deixe explorar ou humilhar por qualquer um que dizendo estar à servindo dos deuses, te obrigue a fazer o que não deves, não queres, ou te rebaixe. Você não precisa disso! Se o conceito de deus evolui, evolua você também e pare de depender dele e de seus representantes.
         Reveja Seus Conceitos! Saúde e Sanidade à Todos!
  • “S”ILADA SOCIAL

    Por que o ser humano é tão carente? Por que buscamos atenção a qualquer custo? Qual o motivo da eterna insatisfação? Por que o vazio existencial?
    Não precisamos ler pilhas de livros de Sigmund Freud (médico austríaco e “pioneiro” da psicanálise, 1856 – 1939) ou rever os experimentos de Ivan Pavlov (fisiologista russo, 1849 – 1936) para entender o comportamento de um bebê. As crianças se desenvolvem em armadilhas criadas inconscientemente pelos seus próprios pais, tutores, instituições educacionais, políticas e/ou religiosas. São as maiores vítimas da sociedade, que, de maneira trágica repetirão a mesma ignorância.
    Os seres humanos têm várias necessidades, desde as mais fúteis até as básicas e dentre elas estão: amar e sermos amados. Que em última instância, são traduzidas como infantilidades na busca por atenção. Uma carência profunda! Queremos dedicação constante e se não conseguimos, ficamos deprimidos, com baixa autoestima etc. Se não acredita no que estou dizendo, observe a loucura das redes sociais. Todos aguardam um like ou algum tipo de comentário para serem “felizes”. Ofertamos o poder para as pessoas definirem o nosso estado de ânimo. Compreende o grau da FALTA? Falta de autoconfiança, falta de autenticidade, falta de coragem, falta de amor próprio, falta de não fazermos falta.
    Mencionei anteriormente que “infantilizamos” as coisas, não foi de modo pejorativo – uma expressão ofensiva. É pelo simples fato de que somos animais condicionados. Repare o comportamento dos pequeninos. Aos poucos eles entendem que é muito mais fácil receber olhares quando estão tristes ou doentes, do que alegres e saudáveis.
    Exemplo: se esbarrarmos em uma criança sorrindo, pulando, feliz da vida – não damos importância, ATENÇÃO. Contudo, ao vê-la chorando, cabisbaixa, jururu… na hora perguntamos: o que houve? Precisa de algo? Quer um sorvete? Dessa forma ela sente que está sendo amada, cuidada, por isso afirmei que nos desenvolvemos em armadilhas. Cresceremos pessoas tristes, cheias de mazelas físicas e psicológicas. Os responsáveis que contribuem para a evolução do menor de idade, esperam (com as melhores das intenções) a bem-aventurança. Todavia, o que será gerado é um prato cheio de lástima.
    Fomos aprendendo que é na infelicidade que recebemos AMOR. O planeta está miserável por afeto. Ocos de alma sem saber o por quê? E o mais engraçado e irônico da história… é que a mesma sociedade que apresentou a doença, também nos julgará. Ela aponta o dedo todas as vezes que buscamos preencher o vazio, aliviar nossas angustias em um boteco, em um templo religioso, nas drogas ilícitas, na esbórnia, no trabalho obsessivo ou em qualquer outra válvula de escape. Iguais as empresas que vendem alimentos industrializados e depois oferecem (gentilmente) o tratamento contra o câncer!
    Uma verdadeira “S”ILADA SOCIAL.
  • “Sendo” de verdade, sem subterfúgios.

    Chorei, chorei, copiosamente chorei. Chorei por ter consciência dos anos perdidos em minha vida. Perdidos, por não tê-los vivido com ardor, com garra e amor.
    Para que uma mesquinha moralidade?
    Para que apropriar-me de um ser que não sou eu?
    Para que a loucura de procurar subterfúgios em tudo?
    Para que dissolver minha personalidade apenas para seguir conveniências sociais?
    Para que deixar de ser eu mesmo para alguém ter que me suportar, se em troca, eu não me suportarei?
    Se eu fiz o bem, se eu chorei, se eu sorri, se eu amei, não foi com a intensidade e a profundidade que deveria, mas agora... Chega!
    Cansei de meias verdades, cansei de tudo pela metade.
    Chega de faz de conta!
    Chega de “ser” e ter de mentira.
    Chega de “sub. ter”. Fujo!
    Fujo para precipitar de modo próprio o meu caminho e a minha verdade. Quero ter e ser tudo por inteiro. Chega de concessões! A força que eu fazia para agradar os outros me roubava a vida.
    Devolvo a mim nesse momento a vida que deixei levar. Descobri que tenho o poder de sublimar tudo. Gestos, tentativas e intuições, tudo vem é do meu interior.
    De hoje em diante os meus eus invividos não vão mais se envenenar com regras e exortações. Parei de fazer acordos! Parei de negociar meus dias e minhas horas! Cansei da monotonia do conhecido, do habitual! Hoje começo explorar o inédito. Hoje começo a relacionar-me com pessoas que me devolvem a vida que outras levaram! Hoje vou dar beijos verdadeiros, não quero sorver apenas hálito! Quero energia e amor! Parei com artificialidades! Hoje quero a essência do ser humano e de meu próprio ser!
  • (E)vidente

    Não sou profeta, 
    mas está claro: 
    Você será minha!

  • 50 TONS DE DÚVIDAS- Parte 2 de 2

    PARTE 2 DE 2
     Um rastro de sangue, destruição, opressão e enganação tem acompanhado os ritos de culto a esse ser misterioso por mais de 6 mil anos em culturas já subjugadas, ou tem sido a marca registrada dos principais de seus sacerdotes. Não importa em quantos seguimentos se dividam os ritos de culto a esse ser, os rituais, ideais e propósitos continuam sendo o mesmo: esconder o próprio passado, esconder o ser cultuado, manipular a realidade presente, perseguir e matar todos os que se opõem a ela.
     O judaísmo se divide em vários seguimentos e todos eles tentando provar entre si qual o seguimento é o melhor. Todos eles de igual modo alegam estar fazendo o certo de modo certo. Todos eles matam e morrem entre si tentando provar qual ritual que mais agrada a esse ser.
      O islamismo de igual modo tem feito o mesmo, porém mais macabro. Depois de tanta divisão que veio a existir em sua linha de fé e consanguinidade, os tais vem se destruindo uns aos outros e destruindo todos que não se submetam a esse ser invisível. Um corte de cabelo, um uso de barba, usar ou não o véu...Tudo é motivo para iniciar um guerra, provocar chacinas e envolver vários países nesses conflitos intermináveis tendo como pando de fundo provar uma amizade com um ser invisível.
      O cristianismo, esse sim fica praticamente incontável definir suas divisões, pois a cada dia novos modelos surgem para todo tipo de gostos e bolsos, mas todos eles também alegam estar seguindo ao deus verdadeiro de modo verdadeiro. Em países como Irlanda, temos grupos terroristas cristãos, que há décadas espalham terror entre católicos e protestantes, tentando serem tão diferentes quantos brinquedos fabricados em série por uma mesma fábrica, num mesmo lote. De tão diferente que são, todos eles são iguais.
       Os três seguimentos brigam entre si e uns com os outros desde tempos imemoráveis. O que judeus, cristãos e mulçumanos tem em comum? Vejamos:
    ·         A crença no mesmo deus! Apesar de vários seguimentos diferentes entre eles mesmos, apesar dos conflitos internos e externos todos eles alegam seguir o deus de Abraão, Isaque e Jacó. Todos eles usam a maioria dos livros do velho testamento como base inicial de sua fé.
    ·         Todos eles dizem que seu deus é invisível, onisciente, onipresente, onipotente e tal.
    ·         Todos eles alegam para si próprio a real paternidade ou filiação a esse deus, sendo deus e Abraão seus verdadeiros pais e eles mesmos, cada um deles alegando ser seus verdadeiros filhos.
    ·         Todos eles brigam entre si por uma herança na terra ou no céus! Alguns deles, em suas orações fazem juramento de aniquilação total ao outro ao longo dos séculos e por pouco não conseguiram tais feitos.
    ·         Todos eles tem o seu paraíso particular enquanto esperam que o seu deus reserve ao outro a condenação eterna ou aniquilação integral da consciência do outro.
    E o que o seu deus faz em favor deles? Nada! Deixa seus filhos se estapearem até a morte, todos eles querendo ser filhinhos do papai, bichinhos de Jacó, nação eleita de deus, ou a santa gihad. Que loucura! Pensem numa verdade que todos se recusam a encarar: se esse deus existe, ele não gosta de união! Ele gosta de divisões, contendas, guerras, mortes e todo tipo de barbaridade em defesa de sua própria honra, quando na verdade ele mesmo poderia se auto defender e não o faz. Quanto mais divisão mais contendas e melhor assim! É provocando o caos, que um falso herói ganha notoriedade para resolver um problema que ele mesmo criou! Se não nos importarmos uns com os outros e darmos um basta nisso, estejam cientes que ele nunca o fará, pois se o quisesse já teria feito, antes sim, nos registro a cerca dele no antigo testamento, apenas prova que ele prega mais a morte e destruição do que a vida e a paz!
      Os judeus espera um messias que vai subjugar todos os povos enquanto eles reinam sobre todos se vingando de tudo que já fizeram a eles no passado. Os mulçumanos dizem o mesmo, esperam o retorno de seu profeta para os liderar numa santa Gihad e deixar o mundo todo servindo a Allah. E os cristãos? Cada um deles não conta as horas para ver se estabelecer o reino milenial de cristo na terra ou o dia do juízo, onde irão se regozijar, quando seu deus pegar o livro da vida, fazer a chamada, e constar o nome dele e não constar o nome do seu vizinho “chato” que não queria aceitar jesus, ou o nome do sujeito da “igreja falsa”, aquela ao lado da sua. “HÁ, HÁ, HÁ, HÁ”...Quase posso ouvir a gargalhada interna de muitos cristãos, ensaiando para o dia do juízo, quando eles tiverem de boa, com seu deus enquanto todos serão julgados e condenado...ô povinho confuso! Notem que entre eles, o prazer de um é ver o outro se dar mal. Tem sido assim por milênios...Só o uso da razão será capaz de os libertar desse círculo vicioso. São todos ao mesmo tempo prisioneiros e carrascos um dos outros, mas pagam de turistas em liberdade numa manhã de primavera. Todos com as mãos sujas de sangue, mas todos se dizem dignos do colinho do papai por terem sidos bons filhinhos aqui na terra!
     Outra verdade é que, em todos esses seguimentos encontraremos pessoas racistas e extremistas que tornam o mundo pior a cada dia devido exatamente a nutrirem uma certeza duvidosa sobre suas próprias crenças. Em todos esses seguimentos, encontraremos pessoas confusas, aflitas e inconformadas por que nunca conseguiram aceitar ou concordar com esse modelo de crença ou as características do ser cultuado, mas por terem nascidos em tais culturas, foram rotuladas por uma religião desde o nascimento e pra compensar tal infelicidade tendem a perseguir a crença alheia. Em todos esses seguimentos encontraremos também verdadeiros anjos, pessoas de bem, que apesar dos pesares, enfrentaram a fúria do sistema e tentam tornar o mundo mais humano, pagando com suas próprias vidas em vários casos por tentar mudar o sistema. Em todos os seguimentos até hoje encontraremos pessoas lutando por um mundo melhor, mais igualitário, sem barreiras, sem divisões e sem ideologias dentro e fora de qualquer sistemas de crenças. Em todos os seguimentos encontraremos pessoas atacando as bases de suas próprias crenças, os fundamentos sem lógica de sua fé, que só fazem mergulhar o mundo em um caos e trazer segregação tanto aos de dentro, quanto aos de fora. Em todos os seguimentos encontraremos pessoas comuns, atacando as lideranças, criticando seus abusos e exploração do povo em beneficio próprio. Em todos os seguimentos, tais pessoas sabem que podem pagar com a própria vida e nem por isso ficam em silencio. Em todas as épocas pessoas lutaram por um bem comum e contra um império inteiro, tendo apenas os argumentos da razão e da logica como armas. Todos eles foram e são de certa forma vencedores, apesar de a história muitas vezes relatar o contrário. Um exército de um homem só confiante do que faz, tem mais efeito do que uma multidão de amedrontados, que vivem sob ameaças, declarando um amor que não existe a um ser invisível, com medo de serem punidas com um inferno eterno. Os que vivem sob efeito de entorpecentes, não tem como vencer na razão os que usam a lucidez, apenas o volume das massas faz com que um escravo se ache livre por estar em maioria.
       Para nos juntarmos a esse pequeno exército e sairmos de uma escravidão coletiva, tomemos como base alguns princípios da própria crença cristã, usando a bíblia e as própria tradições cristãs contra sua própria linha de fanatismo. Vejamos alguns fatos:
    ·         Um deus imutável não mudará se mudarmos nossa linha de pensar, a menos que ele seja fruto de uma imaginação coletiva. Com isso, deduzimos que pensar não é pecado, que pensar não “desmonta” deus, a não ser que ele seja desmontável;
    ·         Um deus inabalável não irá cair se pararmos um pouco de render nossa atenção e rios de dinheiro destinados a ele para ajudarmos só um pouquinho ao nosso próximo que realmente precisa de nossa ajuda, pois um deus rico e poderoso não precisa de dinheiro nenhum para se auto sustentar, portanto podemos investir nosso dinheiro em coisas uteis ao nosso bem e de nosso familiares;
    ·         Um deus auto existente, não precisa de louvor para continuar existindo. Ele existe independente do que façamos ou não pensando nele, a menos que ele seja fruto de nossa imaginação e só se torne “palpável” quando num universo paralelo ele passe a existir quando o invocamos;
    ·         Um deus onipotente pode tudo, inclusive fazer o bem, e dar um basta em conflitos gerados em defesa de seu nome, sua moral ou filiação. Se não o faz é por que não quer, não pode nada, ou não é realmente bom! Nós não conseguiremos a paz entre os povos quando ele mesmo almeja a guerra. Toda tentativa de pacificação em nome da fé ou em nome dos deuses é inútil e de curta duração. Em nome de nossa existência e do bem comum devemos buscar a paz!
    ·         Um deus de amor, teria como premissa principal o fato de se pôr no lugar do outro, sem falar que ele nem precisaria se por, pois ele já sentiria o que o outro sente por ser onipresente e desse modo, antes de castigar alguém por estar na “igreja errada” ele entenderia que o homem é regido por sentimentos, pensamentos e emoções, e que reagimos o tempo todo a todo tipo de estímulos, e que somos enganados o tempo inteiro por seus próprios representantes, exatamente pelo medo gerado o por eles, quando pintam a figura desse mesmo deus que ao invés de punir uma nação inteira, deveria punir apenas aqueles que em seu nome leva muitos a perdição;
    ·         Um deus misericordioso é regido pela misericórdia e não pelo desejo constante de vingança e castigo. Você só vai encontrar gestos de “misericórdia” desse deus na bíblia, quando se refere a atos praticados por seus “ungidos”, fossem esses reis malandrões ou profetas fanfarrões. Para o povão geral não, incluindo aqueles que tendo boas intenções tentaram proteger recipientes sagrados ou lhe ofertar culto não autorizado. Parece que ele só tem misericórdia de gente errada, não para perdoa-los, mas para cobrir seus erros enquanto enganam o povo. Que sejam testemunhas disso os 40 meninos comidos por uma ursa a mando de Eliseu e os 150 homens que ele mandou descer fogo do céu e os consumiu; Uzias e os sacerdotes consumidos por fogo, incendiados de dentro para fora, todos os habitantes da era antediluviana, os habitantes de Sodoma e Gomorra, e mais outros milhões de pessoas que esse deus castigou sem dar uma segunda chance só por que eram idolatras ou estavam no caminho do seu povo quando fugia do Egito. Pra gente de moralidade duvidosa sempre tem uma segunda chance. Pra os honestos e indefesos não...tem coisa errada nisso ai...                 
    ·         Um deus marido de sua igreja e “macho alfa” não ficaria com medo se sua “esposa” fosse paquerada por outro deus, sendo que ele mesmo declara não existir nenhum outro em nenhuma parte desse vasto universo. Caso existisse, ele deveria punir o ser paquerador e não o ser paquerado. Se a igreja é sua esposa, é sua esposa e pronto, e se ele sentir ciúmes que ele mesmo tire satisfação com o outro cara que paquera sua “igreja” e não fique nos usando para isso. Lembrando que ele mesmo alega não haver outro cara;
    ·         Um deus eterno, não irá deixar de existir só por que dois ou três “ateuzinhos” ou filósofos declararam não acreditar nele ou fazem críticas ao seu modo de governar o mundo. Ele existirá independente que creiamos ou não em sua existência e nada irá muda isso, sem falar que num país como o nosso, que para cada 1 pessoa que diga não acreditar nele, haverá pelo menos 10 mil que estarão diariamente lhes prestando culto. Isso por si, já deveria ser causa de segurança entre os seus seguidores e não de desespero. O desespero de uma maioria, mediante a confiança de uma insignificante minoria deveria ser motivo de questionamentos internos do próprio grupo, se realmente acreditam no que dizem ou estão apenas mentindo a si próprio. Caso esse deus seja real, a negação de um ateu não o tornará irreal, seria apenas mais um motivo para ele provar o contrário do que se dizem a seu respeito por pessoas que não se submetem a uma loucura sagrada.
    ·         Um deus justo teria como premissa a busca pela justiça e igualdade entre os povos. Ele seria o primeiro a intervir contra abusos de autoridade, abusos sexuais, exploração do trabalho escravo e exploração da ingenuidade alheia pelo mercado da fé praticado em seu nome. Esperar para fazer justiça apenas no dia do juízo mostra apenas insensibilidade ao que tem apenas uma vida curta aqui nessa terra e tem de conviver com seu opressor. Isso não é justiça e isso é conivência! Traga oferendas a ele, bajule ele diariamente e parece que ele fica inerte aos problemas de quem sofre. Um político corrupto também fecha os olhos a dor do oprimido, quando recebe favores indevidos para proteger gente do mal.
    ·         Um deus poderoso não é aquele que intimida ou ameaça suas indefesas criaturas só por que não entende seus “gloriosos mistérios”. O nome disso é tirania! Um ser poderoso deveria ser aquele que usa seus recursos para promover o bem estar entre todos, procurando equilibrar a balança da vida, amenizando as mazelas entre as pessoas.
    ·         Um deus maravilho deveria ser aquele que faz maravilhas, e não aquele que promove a destruição do outro e chama isso de milagre. O nome disso é ditadura! Maravilhosa é a capacidade de quem pode tornar coisas simples em coisas grandiosas, e não faz afundar um país inteiro com dez pragas e o restante do povo mata afogado para depois chamar isso de milagre!
    ·         Um deus onisciente não aceitaria fofocas e mentiras de quem quer que seja, sendo que ele sabe de tudo e ver tudo. Esse mesmo deus onisciente também deveria revelar a sua igreja num total, toda “tramoia” e tentativas de queimas de arquivos que seus ungidos fazem quando um simples membro descobrem casos de adultérios, corrupções e todo tipo de abusos as escondidas. Pessoas morrem todos os dias, quando mesmo sem querer flagram lideranças cristãs cometendo ou planejando alguma obra nefasta. Isso ele não revela. Isso ele não sabe. Isso ele não ver. Só tem olhos para o desnecessário e só faz o que já foi feito!
      Poderia passar dias comentando sobre as qualidades do ser cultuado e suas contradições ou justaposições mas resumo tudo, citando um versículo bíblico de Tiago 4.17 que diz: “aquele que sabe fazer o bem e não faz estar cometendo pecado”... Nesse caso não teríamos um ser digno de culto, antes sim um “pecador” igual ou pior que nós mesmos”. Grandes poderes implicam em grandes responsabilidades, já dizia um certo personagem. Mediante a tantos atributos mega escandalosamente fantásticos e surreais desse ser, a atual situação do mundo e a má relação entre seus próprios filhos, concluímos que há ingerência de recursos ou improbidade administrativa. Poderia ele quem saber passar o bastão a outra divindade e se aposentar quem sabe.
       Os triunfos de uma civilização dependem mais da moralidade de seus cidadãos do que a moralidade demonstrada por deuses invisíveis e seus representantes visivelmente alienados. As conquistas, progresso e evolução de um povo dependem unicamente desse mesmo povo. Alguns deuses preferem que vivamos em bandos, defendendo territórios reais ou imaginários. Desde babel que ele lança confusão e dificuldade de entendimento entre os povos. O que mais se pode esperar de um ser assim? Dizer que ama a um ser que lhe ameaça castigar com um inferno eterno caso você não o ame, não é amor, é utopia. Caso não acordemos desse sono milenar, seremos sempre vítimas de uma relação sadomasoquista entre esse deus e seus adoradores. Só que nem todo mundo gosta de ver ou participar desse tipo de rito macabro e isso deve ser respeitado. Aos que curtem isso, paciência! O tamanho de um deus de um povo, será do tamanho de sua ingenuidade! O poder dos representantes desses deuses acabam quando o povo desperta do sono induzido. Pensar não é pecado. Aprender não é ofensa. Entender não é crime. Aceitar e concordar com tudo é suicídio!
    Um brinde a sanidade. Abaixo robotização e sentimento de rebanho!
  • 50 TONS DE DÚVIDAS-Parte 1

    PARTE 1 DE 2
       Qual seria o perfil psicológico esperado de uma pessoa que se diz estar cheia da verdade, cheia de luz e que estar trilhando o caminho certo? Qual deveria ser o perfil de uma pessoa muito religiosa, que diz ter certeza de sua salvação, dos seus ritos litúrgicos e da real existência do ser por ela mesma cultuado como sendo real e verdadeiro? Não seria o perfil desta pessoa pautado pela paz, tranquilidade, confiança e calmaria, considerando que esta mesma diz ter plena certeza que estar fazendo a coisa certa de modo certo, além de ter convicta certeza da existência do ser a que se adora? A certeza que ele nutre, deveria gerar confiança ao falar desse ser, e não revolta quando outra pessoa não recebe tal ponto de vista de igual modo. Parece mais um vendedor ruim vendendo mercadoria defeituosa, que se ofende toda vez que o cliente pergunta se a mercadoria é mesmo boa.
       Por que será que a grande maioria dos que seguem ao deus de Abraão, que é adorado em diferentes ritos de culto por judeus, cristãos e mulçumanos, se ofendem, se escandalizam e se inflamam com tão pouca coisa, apesar de estarem plenamente confiantes de que estão no caminho certo e todos os demais errados? Por que esses três segmentos, vem tentando converter um ao outro ao seu ponto de vista, ou aniquilar um ao outro nos últimos 15 séculos, apesar de renderem devoção, temor e obediência ao mesmo ser cultuado por seu patriarca quase 6 mil anos atrás? Por que esse deus venerado, pai de todos não se manifesta e impõe a paz forçada entre seus filhos, do mesmo modo que impôs a guerra deliberada no passado bíblico em dezenas de ocasiões para mostrar seu grandioso poder? Será que o seu grandioso poder só se manifesta para a destruição alheia? Ele gosta dessa carnificina provocada pela disputa do colinho do papai? Praticamente todas as maravilhas que ele fez para o bem de “seu povo” se resume em ocupar um lugar já ocupado para dar a pessoas sem ocupação e destruir outros povos para ser glorificado como único e verdadeiro por chacinas cometidas como se fosse algo glorioso.
      Levando em consideração que a grande população de cristãos no ocidente correspondem a quase 95% das pessoas, mesmo assim, notamos uma irritabilidade muito grande por partes dessa maioria esmagadora, quando notam um minoria insignificante entre eles, e tentam forçar a aceitação de suas crenças a outros, e estes ao se recusarem, passam a ser perseguidos, justamente por aqueles por estarem em maioria, deveriam estar plenamente confiantes de si mesmos e não incomodar ou perseguir os demais. A certeza de algo gera confiança e não o oposto disso. Os mais radicais deles se ofendem com tudo que não sejam parte deles ou do rito deles, sem falar que entre eles mesmos, vivem a afrontar uns aos outros, tentando pescar membros das igrejas uns dos outros para o seu rebanho. Um símbolo sagrado de uma cultura alheia distante ou presente, um comentário em um post na net, um beijo gay, uma “música do mundo”, um corte de cabelo do outro, uma roupa um pouco decotada... Tudo é motivo de incomodo, ofensa, ou de tentativa de subversão da crença do outro a sua própria, apesar de tantos conflitos entre eles mesmos tentando provar quem é melhor que quem.
     Além de todos esses incômodos entre eles mesmos, a coisa que mais incomoda um cristão destrambelhado é a simples existência de uma pessoa sem religião. Sua respiração, seu trabalho, seus comentários, sua família, seu sucesso, sua grandeza, e tudo que esse venha conseguir fora desse grupo é motivo de afronta a um fiel fanático religioso. Deveriam ser apagados do mapa! É assim que muitos deles dizem publicamente a respeito de todos que não concorda com seu ponto de vista e não se submetem aos seus líderes por demais gananciosos e manipuladores. O sonho de todo religioso que já perdeu o cérebro é viver num mundo quadrado, em forma de caixinha, onde todos pensam de igual modo, dirigidos por uma mesma liderança e sem nenhuma vida fora dela, para que eles mesmos não cheguem a conclusão que existe sim vida fora daquela caixinha sagrada. Isso nunca vai acontecer, lamento informar, pois por mais duro que um sistema seja, sempre haverá rebeldes e revolucionários que não se dobram a abusos seja de quem for.
      Qualquer pessoa que prospere e tenha uma vida tranquila fora da religião, será alvo de duras críticas e comentários negativos por parte desses religiosos, mesmo sendo o ser criticado uma pessoa justa, honesta e que não cause problemas sociais. Para eles, mais vale um vagabundo cristão, do que uma ser honesto sem religião! Essa é a mensagem não verbal que muitos deles proclamam diariamente. Se você conseguiu de certa forma alcançar um nível maior de cultura e de finança e por isso tem sua vida emocional e financeira equilibrada, fique sabendo que qualquer hora dessas será alvo de insultos públicos por parte de pessoas que criam inimigos imaginários, que dão grande parte dos seus rendimentos e tempo precioso as lideranças na ganancia de terem o dobro ou uma vida melhor ao invés de trabalharem e estudarem, e para compensar suas frustações, vivem a ofender e perseguir quem vive bem fora desses “recintos sagrados”. Dizem que quem põe defeito quer comprar! Um bichinho de Jacó, subidor de montes, fazedor de jejuns, pagador de promessas e comprador de bugigangas ungidas piram, quando veem os “manos de fora” do seu mundinho 4x4 tendo um estilo de vida muito melhor que o deles, sem pagar tanta penitencia para isso e vivendo uma vida justa longe do curral das ovelhas! A desgraça de quem não acreditam em seu deus ou não se iludem com falsas promessas é tudo que eles mais parecem desejar. Cada dia de vida útil e feliz de uma pessoa que não se submete a um estilo masoquista de ser, é um insulto a esses pobres e irritados fiéis de cristo. O amor destes estar limitado a quem se afilia ou se submete aos seus caprichos de fé. Morte aos infiéis! Pregam direta ou indiretamente grande parte dos que tem no deus mesopotâmico seguido por Abraão sua base de crença.
       Pode um ser superior que diz estar plenamente certo de sua própria existência como sendo única e suprema nesse vasto universo, estar incomodado com o fato de que seus servidores se prostrem a outro deus sendo que ele mesmo declara não haver outro em lugar algum? Pode um ser superior permanecer constantemente incomodado com a mentira alheia, a ponto de tentar suprimir todas as formas de expressões de outras culturas, sendo que ele mesmo alega não há outra verdade além dele e de sua própria palavra? Poderia um industrial bilionário se incomodar com o poder de compra de um garoto de apenas 10 anos de idade que acaba de ganhar 50 centavos do pai para comprar alguns chicletes na bodega esquina?  Será que esse bilionário em sã consciência poderia enxergar esse menino como um concorrente, a ponto de querer exterminá-lo pela remota e impossível possibilidade deste vir derrubar seu império financeiro com apenas aquela mísera moeda? Pois é....as vezes o ser cultuado por muitos, se comporta como esse bilionário louco! Mesmo se declarando ser o único, o mais potente, o mais poderoso e tal, estar sempre vigiando, ameaçando ou castigando seus filhinhos pela simples possibilidade destes vir dar sua atenção a outros deuses sendo que ele mesmo declarou não existir outro. SE NÃO ME AMARES, MATAREI A TODOS VOCES! Essa parece ser a mensagem oculta em cada “milagre” e em cada evento realizado pelo deus hebreu para “salvar” o “seu povo” durante os tempos bíblicos.
       Se rastrearmos o comportamento da igreja que diz representar o deus cristão ao longo da história, notamos que não há certeza nenhuma em suas atitudes quanto àquele que dizem ser o único, verdadeiro, supremo e dominador de tudo. O modo como esse ser cultuado age no antigo testamento, parece mais estar tentando ocultar algo e apagar provas, do que propriamente mostrar que é o único. Como se entre tantos, ele quisesse provar ser o único, apesar de saber que não é, valendo-se de ameaças constantes quando qualquer pessoas se inclinasse a outro tipo de conhecimento ou devoção que não fosse a sugerida por ele. Era proibido a busca de outra linha de raciocínio a não ser aquela já estabelecida pelos sacerdotes. Por que tanto medo que descubramos...O que tem sido escondido na verdade? No mundo judaico antigo, no mundo cristão medieval e no mundo mulçumano atual ele se comporta do mesmo jeito. Ele (ou seus representantes) proíbem o diálogo entre os povos e a busca pelo conhecimento cientifico e a pesquisa sobre a realidade dos fatos. Ele parece declarar inimizade a todo pesquisador, arqueólogo, antropólogo, cientista, bacteriologista, geólogo, paleontólogo, filósofo ou psicólogo sério, ao invés de tê-los como aliados para ajudar provar sua própria existência.
     O mesmo ser único e verdadeiro, absoluto e exclusivo, parece sofrer de alguma síndrome irreparável de mania de perseguição, pois, quando não estar procurando destruir, obstruir ou mascarar informações sobre o próprio passado, estar tentando destruir o presente ou simular uma realidade inexistente para um futuro, além de autorizar ou com concordar com a destruição da cultura alheia, seus livros, seus costumes, seus deuses e sua história...Estes não deveriam ser comportamentos de quem assegura estar plenamente  seguro de ser o único no pedaço e que fora ele não exista outro.
      Os seus seguidores tem refletidos ao longo dos séculos essa mesma linha de pensamento e desconfiança. Um rastro de sangue, dor e opressão tem sido a marca daqueles que lutam para apagar o próprio passado da humanidade e manter viva uma fantasia surreal a todo custo. Tal pai, tal filhos. A incerteza de um é a desconfiança de outro! A síndrome do marido traído não ficou apenas com Jose, marido de Maria, engravidada por uma pomba. Ela passou a todos os seguidores dessa linha de pensar, que julgam estar servindo a apenas um ser, mas vive com medo que possa haver outro e tomar o seu lugar de pai ou de filhos. Quem mora sozinho numa casa grande, não precisa estar preocupado em esconder sua nudez enquanto toma banho no banheiro, considerando que não há ninguém ali para o pegar desprevenido!
      A mania de perseguição dos seguidores do deus cristão em nome da igreja, a mando dela ou com sua aprovação ainda que silenciosamente consciente, tem deixado um rastro de destruição por onde passa. Por várias vezes ao longo da história, bibliotecas inteiras foram incendiadas, apagando e destruindo milhares de anos de história sobre vários povos, várias civilizações antigas, vários assuntos científicos incluindo  medicina, astronomia filosofias e vários outros em que nos deixariam talvez, em mais de 5 mil anos à frente em evolução, se comparado ao nosso estado atual. A biblioteca de Alexandria no século IV, foi apenas um entre tantos prejuízos que foi causado a humanidade em nome desse deus ou a mando da igreja. A destruição de bibliotecas de povos da mesoamérica foi outro desastre provocado de dano irreparável. Com tantos problemas sociais constantes na Europa medieval, a igreja e seus representantes, gastavam fortunas, para que seus navegadores saíssem mundo a fora, quebrando estatuetas de povos indígenas e tudo que possivelmente fosse interpretado como idolatria. A santa igreja, fabricante de todo tipo de idolatria, se julgava a si mesmo como aquela que salvaria o mundo da idolatria, destruindo todo tipo de objeto considerado ídolo ou ligadas ao satanismo sendo que ela mesma era a principal fabricante deles. Tem cabimento uma coisa dessas. O evangelho que segundo eles mesmos deveria gerar pessoas mais amáveis e preocupadas umas com as outras, estava gerando pessoas por demais ocupadas caçando ídolos ou seus fabricantes para os condenarem ao ferro e fogo. Maldita hipocrisia!
      Durante as conquistas espanholas e portuguesas, várias culturas foram praticamente extintas, seus livros queimados, em praça pública, seus templos destruídos, suas fortunas saqueadas e o povo escravizado pelos colonizadores para serviços braçais e sexuais, além de serem escravizados para servirem ao novo deus por eles apresentados. As pessoas quase que de modo geral, vão viver suas vidas e morrerão sem saber que jamais existiu esses povos ou que esses fatos aconteceram, pelo fato dos tais terem sido extintos e pelo fato da amada igreja ocultar ou manipular tais feitos para que tal passado negro fique no esquecimento. Grandes estudiosos e os que buscam conhecimentos, amargam essa perda sem reparações e ainda caem no descrédito público quanto tentam mostrar ao povo, o mal que esse fanatismo tem causado. Entre confiar na palavra de um semianalfabeto que usa uma bíblia para explicar o mundo e sua história e dezenas de seguimentos científicos para explicar a mesma história, qual ponto de vista vocês acham que prevalece em nossa sociedade? Nem preciso responder! Dez palavras de um líder religioso, valem mais do que uma biblioteca inteira de conhecimentos acumulados pela humanidade, segundo o senso comum de ser cristão.
      Bem verdade é que algumas dessas culturas da mesoamérica eram tão sanguinárias quanto foram algumas cultura do deus judaico e cristão ao longo dos séculos e que mantinham rituais de cultos regados a base de sangue e sofrimento alheio para agradar também a um tipo de divindade suspeita. Em todo local “conquistado” pela igreja, a história sempre se repetia: morte, carnificina, escravidão e destruição da cultura local. Apagar evidencias da existência dos deuses e de todo conhecimento cientifico dos povos conquistados era a ordem principal. Esse deus parecia político desonesto, que julga ter numa população ignorante a certeza de sua estadia permanente no trono. Em todo solo que a igreja hasteava uma bandeira de conquista portuguesa, espanhola ou de algum outro país cristão, a triste sina de um povo estava traçado. O presente oferecido pelos cristão aos povos conquistados era sempre como um presente de grego aos troianos: por traz daquela cruz de madeira ou do ser crucificado nela, sempre vinha em seu interior, a espada, a conquista e a submissão enquanto o povo dormia, embriagado apreciando o presente recebido. Esse modelo de fé tem promovido mais desgraças do que bons resultados por onde passa. Hoje em dia, os países mulçumanos ainda são os responsáveis pelo maior número de pessoas sequestradas para fins de escravidão no mundo, tendo como principal alvo mulheres e crianças. Enquanto no período colonial os cristão escravizavam outros povos com intuito principal o serviço braçal, os mulçumanos veem na exploração sexual a melhor forma de oprimir o outro. Ambos dizem servir ao mesmo deus mesopotâmico! Que Coincidência!
      A pergunta que nenhum fiel cristão consciente faz é: por que a igreja procura apagar todas as “mentiras” de outros povos já que esta mesma tem se considerado ser a detentora da verdade eterna? Quem estar certo de si em algo, não tem necessidade de destruir as evidencias falsas dos outros para se manter na verdade, antes sim tais evidencias, serviria apenas para incriminá-los e não para absolve-los. Queima de arquivos e destruição de provas são sempre comuns a pessoas que tendo cometido crimes e tem certeza que serão punidas pelas provas, procuram de todo custo eliminá-las custe o que custar. Por que os servidores desse deus, procura a todo custo apagar evidencias históricas da humanidade e do planeta impondo a todos sua própria verdade fabricada em concílios secretos? O que eles escondem?
       Tem a igreja procurando eliminar evidencias que comprovem que ela não é tão verdadeira quanto diz ser? Tem procurado o deus mesopotâmico cultuado por judeus, mulçumanos e cristãos destruir provas que sirva para de algum modo mostrar sua face oculta ou seus planos secretos? O que ele tem a temer de fato? O que ele tenta esconder? O que seus seguidores zumbizados pelas ameaças de morte e condenação eterna escondem tanto? Ambos são cumplices de algum tipo de pacto sinistro, ou estão os seguidores apenas cumprindo rituais com medo de uma danação eterna? É visto em toda natureza, que um animal quando encurralado pode atacar e lutar até a morte, ou pode se deixar capturar para permanecer vivo, morando em cativeiro. Acho que os chefes da igreja aceitaram se reproduzir em cativeiro ao invés de incentivar o povo a lutar pela liberdade de consciência, ou seriam eles mesmos os criadores de tais cativeiros?
       Se a igreja cristã, que diz servir a um deus vivo, presente, onisciente, eterno, imutável, inamovível e que não se degenera em todas as suas qualidades metafisicas, por que se incomodar com coisas tão banais como ídolos de pedra, barro, ouro, madeira ou seja lá do que for da cultura alheia? Por que atravessar um oceano pouco acessível naquela época, com várias caravelas, arriscando a vida de toda uma tripulação só para derrubar uma estatueta de barro, numa tribo indígena, largada numa floresta, no meio do mato e praticamente esquecida em uma cidade já não habitada? Por que se incomodar tanto com um ídolo morto, inerte, imóvel e que nada pode fazer sendo que o seu deus é vivo, o todo poderoso chefão das galáxias? Que comportamento infantil! É como um filhinho de papai, cheio de brinquedos eletrônicos caríssimos, mas que ao se ver sem amigos para brincar, tenta atanazar a vida de um pobre favelado que esbanja alegria ao correr todo sujo na chuva como os seus amiguinhos igualmente pobres, porem ricos e felizes pela companhia uns dos outros. Que ciumeira doida é essa? Parece papel de mulher mal amada e mal resolvida, que por mais que se adorne a si própria de joias e roupas caras, ainda sente ciúmes da vizinha, uma simples borralheira doméstica, quando seu marido também sujo do trabalho, chega em casa e lhe cobre de beijos sem se importar com o labor do dia e os odores provocado da labuta.
      Tem alguma coisa errada com esse ser cultuado. Tem alguma coisa errada com os que lhes prestam culto. Até hoje esse comportamento é refletido em vários cristãos radicais (e imbecis) que saem por ai a meia noite, chutando despachos na encruzilhadas, que invadem terreiros de macumba para atrapalham os rituais de outros cultos em pleno funcionamento, ou quebram seus altares, ou que pegam símbolos católicos e os quebram em público enquanto se deixar filmar para todo mundo ver. Por que demonizar a crença do outro quando se julga sua própria como sendo divina? É muita cara de pau ou muita incerteza sobre a própria crença! Não vejo mensagem de salvação alguma nesses atos, antes sim, mensagens de desespero e um convite á guerra!
      O que os sacerdotes cristãos em suas linhagens milenares estão tentando esconder a respeito desse ser cultuado e tido como deus? Seria sua aparência já que ele nunca deu as caras publicamente? Será que ele não tem a aparência meiga e afável que no subconsciente coletivo seus seguidores criaram? A própria bíblia dá alguns detalhes soltos de como possivelmente ele seria. Quando leres a bíblia de modo não induzido, verás que a imagem a respeito dele pode ser bem diferente do que imaginamos. Alguns dirão que o modo simbólico como descrevem suas características, são apenas linguagem poética...que poesia macabra! Um deus justo jamais deixaria que seus filhos derramassem sangue um dos outros em defesa se sua honra sendo que são todos eles seus filhos. Em nossa sociedade “pecadora” como somos, negar responsabilidades de paternidade gera sérios problemas. Na sociedade dos deuses, gerar filhos e deixá-los entregues à própria sorte, parece ser suas marcas registradas e até motivo de orgulho. Do Olimpo ao Horebe, isso tem acontecido aos montões!
      De onde vem esse medo louco de que descubramos como realmente as coisas são? Do deus que inventou a igreja, ou da igreja que inventou esse deus? Estaria por outro lado os sacerdotes cristãos primitivos escondendo as reais intenções do ser a quem se adora, com sua verdadeira identidade disfarçada de ser supremo e universal? Por que tanto ciúmes em relação a outros deuses se ele mesmo diz ser o único e não haver nenhum outro em todo o universo? Esse ciúmes dele só leva uma mente pensante a imaginar o contrário! Esse tipo de ciúmes seria semelhante ao de um homem louco que sequestrou uma mulher para morar em uma ilha deserta e inacessível a qualquer rota, e mesmo assim ele sente medo de ser traído com outro homem. Ou aquela ilha não é deserta e ele tem certeza disso, ou ele aprisionou os náufragos daquela ilha em algum lugar e tem medo que um dia eles venham se libertar e conquiste por mérito sua esposa, e ele venha perder um amor que nunca foi dele já que ele a mantem pela coação e não por opção. O ser cultuado pelos cristãos parece sofrer do mesmo tipo de paranoia. Acha que todos o perseguem quando na verdade é ele quem persegue a todos. Me amem, me adorem, me bajulem, me obedeçam, eu preciso de vocês para continuar existindo, vocês são a razão de minha existência, e não o contrário...essa parece ser a mensagem que se passa mediante a tanta prova de ciúmes.
       Se pesquisarmos na história das religiões, perceberemos que a linhagem sacerdotal de alguns rituais de culto é praticamente a mesma em vários cantos do planeta. Será que o mesmo ser tem sido cultuado de forma disfarçada em partes diferentes do globo? Como os sacerdotes de tão variadas culturas seguiam ritos tão semelhantes apesar de estarem tão distantes? Muda-se o nome do deus adorado, mas o seu perfil continua sendo o mesmo, assim como as linhas sacerdotais que mantem vivo o seu culto. Pelas vestes sacerdotais, pelos ritos ocultos, pelo símbolos sagrados disfarçados ou invertidos, pelo gosto de beber sangue, pelo desejo de apagar todas as evidencias do culto alheio, podemos suspeitar que a humanidade tem servido em seus rituais de culto possivelmente a uma mesma força nefasta disfarçada de divindade sagrada. Deuses semitas como babilônios, assírios mulçumano e hebreus tem de certa forma refletidos suas características para o deus cristãos. Em todo tempo, e em todas essas culturas, ele também alegava ser o único e verdadeiro, apesar de dizer também a mesma coisa para cristãos, judeus e mulçumanos, apresentando-se de modo particular a lideranças diferentes, trazendo conflitos e guerras milenares em honra dele mesmo. Ele parece gosta muito disso. Coisa de maluco um pai que gosta de ver seus filhos se explodirem, se atacarem e se aniquilarem.
      Outra característica comum a esse ser é que todo mal praticado em seu nome, ele parece ser conivente ou não se importar. Estupros, assassinatos, pedofilia, escravidão, abusos sexuais por parte da lideranças, rituais de sangue e todo tipo de manipulação possível tem acontecido em seu nome, ele apesar de toda sua onisciência, onipresença e onipotência, parece dizer: amem, que assim seja, estou gostando muito, continuem, que o maior oprima o menor! Os esforços para manter uma civilização funcionando pouco me importa, quero mais é ser adorado! Que o caos reine! Que o circo pegue fogo! Que se lixem todos! Quero mais é oferta de sangue, carne queimada e bajulação sob ameaça! Sou eterno mesmo! Pouco me importo! No dia do juízo ponho todo mundo no mesmo pacote, mando a maioria pra o inferno e pronto! Depois de outra eternidade nos céus, permitirei outra rebelião de novo, expulsarei um bocado de anjos rebeldes de lá, criarei ouro planeta cheio de adoradores, e recomeço tudo de novo pra não ficar aqui apenas nesse tédio celeste ouvindo os seres eternamente cantantes de forma mecânica e sem sentido aqui na gloria! Que saco esta vida celeste! Tudo é do mesmo modo a vida toda, nada muda! Os humanos tem emoções e sentimentos e isso é tudo pra mim! Por isso sou assim, insensível ao clamor dos oprimidos! Bola pra frente (as vezes acho que ele pensa assim)!
    CONTINUA...
     
  • A Amarelinha

    Imagine o dia em que alguém se aproxima de você e diz: “Pare, pare agora! Largue tudo o que está fazendo e me obedeça”. E então ordene: “Comece a pular amarelinha. E nunca pare!”. E você obedece. Não sabe o exato motivo, mas mesmo assim obedece. A partir desse momento você passa a pular amarelinha por pelo menos 5 horas diárias, com dois dias de pausa durante a semana.
      É-lhe dito que quanto mais pular, uma melhor pessoa você se tornará. Esse alguém insiste que você deve continuar, sem cambalear e sem desistir. Você obedece. Por 10 anos pratica quase que incessantemente a arte da amarelinha. Aprende como pular melhor e mais rápido, aprende a melhor superfície possível para a prática, assim como a melhor maneira de posicionar os pés nos quadrados da brincadeira.
      O processo é penoso. Você não sabe o porquê de tudo aquilo, não sabe o motivo pelo qual tudo gira em torno da amarelinha. É cada vez mais sacrificante levantar pela manhã, tomar um rápido café, calçar seu tênis e então ir pular mais uma vez. Mas você continua. Essa é sua rotina, é o que faz durante todos os dias da sua vida, e provavelmente o que fará pelo resto dela.
      Já lhe foi contado que um dia seus conhecimentos seriam postos a prova e que sua habilidade definiria o caminho que trilharia desse momento em diante. Você não questiona, apenas obedece. Se falhar no teste, não há problema, por mais um ano treinará e caso não seja suficiente, treinará por mais outro, e por mais outro, até que esteja preparado.
      O grande dia chega, já com os pés extremamente calejados, você consegue. PARABÉNS! Finalmente passou no teste, todo o trabalho que teve foi por um bom motivo, agora você reconhece. Ou não.
      Por esse breve momento, você se torna pura euforia. Pura não pela intensidade do sentimento, mas pela sua exclusividade. Sente apenas euforia, e nada mais. Não há noção de conclusão ou de êxito, de glória ou de orgulho. Você deve ficar feliz. Você obedece. Agora está apto a aprender técnicas superiores de amarelinha, e o ciclo se reinicia.
      Como se sente? Fazendo sempre mais do mesmo, sem ter motivo, sem ter vontade, sem entender o que se passa a sua volta, apenas cumprindo ordens desse alguém. Percebe, então, que esse alguém não é uma pessoa, não é sua mãe, não é seu pai, seu professor e nem seu avô, mas na verdade é um ente. Um ente chamado sociedade.
      Não sente; segue enfrente.
  • A Bruxa da Arruda e o Sagrado de Tudo

    A manhã estava carinhosamente refrescante em um dia de verão calmo, que precedia o calor do seco e ensolarado tempo impermanente. Acordou às cinco horas da manhã como de costume, e já não tinha mais a necessidade do despertador do seu smartphone para tal feito. Simplesmente os olhos automaticamente em uma só expressão se abriram, o corpo em um só impulso na cama se sentou, e mergulhado nos seus pensamentos do que fazer com o novo dia de quarentena que auto se apresentava, meditava… claro! Aqueles dias eram por demais incomuns, de um lado tinha o dia todo pela frente sem a rotina acinzentada do levantar, correr e trabalhar, e, por outro lado, teria que ser criativo ao esforço máximo, em táticas incomuns e altruístas para não deixar que o tédio com toda sua improdutividade o arrebatasse, sequestrando a sua proposital impulsionada momentânea e intencionada alegria.
    Essa intencional alegria era a Poderosa Presença do Sagrado em sua vida. E apenas se baseava, por incrível que pareça, as coisas e recordações mais simples e singelas da sua tenra infância. Principalmente as lembranças delicadas e afetuosas de sua bisa, a Bruxa da Arruda, D. Darluz. Pelo qual, todas as manhãs, dedicava em um cantinho do seu oratório (em culto aos antepassados) uma vela sentada em um pires repleto de azeite de oliva misturado a sal grosso e mel, um pote de água que diariamente derramava seu líquido em uma específica planta de Arruda (Ruta graveolens), trocando a água do recipiente todas as manhãs, além de oferendas de flores silvestres, como: Cenoura-brava (Daucus carota subsp. Maximus); Centaurea Nigra (Centaurea nigra subsp. rivularis); flor Leopardo (Belamcanda chinensis); flor de Laranjeira (Citrus × sinensis); flores de Onze-horas (Portulaca grandiflora) e Calêndulas (Calendula officinalis). Tudo isso para se manter em conexão permanente com o espírito de sua querida bisavó. Sendo esta, em vida, sua sacerdotisa. E em morte carnal sua guia espiritual. Pelo que lhe prometera em vida terrena, que ao desencarnar nunca o abandonaria e o vigiaria de cima. Dando-lhe inúmeros conselhos e severas instruções ritualísticas de como manter o contato espiritual com sua alma e coração depois de sua partida.
    Para a Bruxa da Arruda, sua bisa, tudo era Sagrado…
    E do Sagrado… e unicamente, pertencendo ao Sagrado!
    Tudo era vivo! E tinha em si um grande e puro significado.
    Tudo era mágico!
    Tudo era místico!
    Tudo era encantado!
    Tudo era rico!
    Sua constante alegria não se baseava em emotivos momentos.
    Era como o constante balançar das árvores que bailavam se animando, apenas, com o tocar dos ventos.
    O seu grande sorriso em sua face iluminada, transmitia a qualquer um que olhava um manancial inesgotável de pleno contentamento.
    As pessoas que iam ao seu encontro de amor se preenchiam, automaticamente renovando esse sublime sentimento.
    Sua bisa lhe dizia que o Sagrado é um estado a ser sustentado constantemente. Um estado de bons hábitos e boas disciplinas que você mesmo se coloca a praticar. Um estado de Amor, de estar amando e de se sentir amado a toda hora e em todo momento, independente das circunstâncias, posses, pessoas, relacionamentos e virtudes materiais ou espirituais. Um estado de simplicidade e humildade, e cumplicidade no serviço devocional, na prática da caridade e solidariedade. Vivendo em perfeita gratidão e sendo gentil não só com as pessoas, mas a tudo em que os nossos sentidos intentar, aplicar e perceber. Lhe dizia que o segredo para vivenciar o Sagrado na prática, estava na gratidão e valorização da vida em todas as suas formas, não diferenciando uma pepita de ouro de uma simples pedra do rio, um ser-humano de uma formiga, a mais iluminada estrela do céu noturno de um singelo grão de areia das praias do mar. E essa valorização é ver a beleza oculta no amago de todas as coisas, sua Energia Divina e Intenção Criativa. Dizia-lhe que para realização de tal feito era preciso se livrar das amarras da má educação de si mesmo, que degenerou os nossos sentidos na elaboração de conceitos e preconceitos, a partir das inúmeras errôneas percepções externas a nossa Linhagem Sagrada, deteriorando e adulterando o nosso pensar, o nosso sentir, o nosso olhar, o nosso ouvir e o nosso falar. E explicou-lhe, que devido a tudo isso, o porquê das manifestações artísticas, arquitetônicas, filosóficas e religiosas de hoje estarem tão feias, rudes, cinzentas, frias, quadradas, embaraçadas e amontoadas, repetitivas e sem coração.
    D. Darluz dizia que por nos desconectarmos das sabedorias dos nossos ancestrais, o nosso sentido do novo e a capacidade do espanto e da novidade assombrosa de olhar tudo de maneira nova, no sublime estado de encantamento e percepção de alerta alegria, se perdeu no mundo. Dizia que o mal das futuras gerações estava na comparação e associação de capturar as impressões, sem a capacidade madura de traduzi-las, sendo essa maneira uma errônea tentativa de interpretar o novo sem a compreensão do velho, desassociando as consequências presentes e futuras das ações passadas. Daí, como ensinava a Bruxa da Arruda, eis a importância de se cultuar os antepassados, pois, uma árvore não pode florir e gerar bons frutos sem o bom cuidado para com suas raízes.
    Voltando ao momento presente, e na cama em que se encontrava sentado, vira como era difícil traduzir a vivência de infância que tivera com sua bisa para o moderno, virtual, tecnológico e competitivo dias de hoje. Sabia que as redes sociais virtuais, ao contrário do que se pensava, alimentava mais as más ações do ego do que o conhecimento (pelo qual era a sua proposta inicial). E que esse contato virtual se tornou uma máquina alimentadora dos nossos mais animalescos instintos, provocando mediante as imagens, sons, cores e palavras as mais variadas sensações emocionais para a satisfação dos nossos mais carnais e individuais desejos de ter ou ser. Não medindo as consequências de um super ego (‘eu’ pluralizado), que busca sempre aquelas ilusórias sensações que lhe possam dar a tão almejada satisfação momentânea, em uma falsa privacidade de no ato de estar solitário cometermos as maiores torpezas, em que julgamos erroneamente não impactar o nosso mundo externo. Vira que a internet, ao contrário do que fora a sua proposta de unir as pessoas, se tornou um luxurioso baile de máscaras, em que as redes sociais eram essas enfeitadas e coloridas máscaras.
    Assim, contudo, preferia estar no seu jardim. Na companhia das lembranças de sua bisa, a Bruxa da Arruda, D. Darluz. Que o lembrava que o mundo ainda era envolvido por uma aura de Novidade Mística, Alegria Mágica e Amor Divino. E que só poderia vivenciar o Sagrado da Vida observando, compactuando, comungando e se relacionando com o Mundo Natural em toda sua essência ecológica. O seu pequeno jardim era totalmente dedicado ao Sagrado e a memória de sua bisavó. Ali… dedicando-se a colocar as mãos e os joelhos na terra, se sentia uma Pessoa Superior em toda sua humildade, dividindo-se entre o observador e o observado, conhecendo a si mesmo na observação dos pequenos seres vegetais, minerais e animais. Se perdendo em um mundo desconhecido de encanto e nostalgia, que o elevava e fazia distante das miseráveis catastróficas vivências de traumas e barbaridades da bestialidade e ignorância humana.
    Ao regar suas plantas em pleno final de tarde, se via quando pequeno sentado no colo de sua bisa em uma balança pendurada a um tronco da árvore de Tipuana (Tipuana tipu (Benth.) Kuntze), em que juntos no crepúsculo vespertino se divertiam olhando as inúmeras nuvens no céu a tomar formas inusitadas de rostos, silhuetas, animais e objetos. E sua bisa, também, instigava a sua imaginação a ver essas formas nas plantas, flores, objetos e coisas. Dizendo que as mensagens dos seres naturais (Elementais) vêm a nós nas formas que a nossa consciência pode reconhecer, por eles falarem uma linguagem desconhecida aos nossos sentidos e dimensão.
    E, lembrou-se das manhãs ensolaradas ao correr pelo terreno da Chácara Celeste (que na verdade era um pedaço do céu na terra) logo ao acordar, indo de encontro a sua querida bisa nos campos abertos, vendo-a colher flores para o seu ritualístico culto matinal. E chegando ofegante até ela, gritava: “Bisaaaaa!”. E D. Darluz respondia com a mesma intensidade: “Meu Miúdo!”. E ela o carregando, abraçava forte e o cobria de beijos, até ele dizer basta. E, D. Darluz lhe dizia: “Olha meu Miúdo, não existe nada neste mundo que é mais adorável que uma flor, nem nada mais essencial que uma árvore e planta, sem elas não conheceríamos o belo, não poderíamos respirar e nem comer, nem nos curar. E, ocultamente a esses benefícios que elas nos trazem ao nosso corpo de carne e seus sentidos, tem ainda a sua função mística, que é a mais relevante, algo divino em que as pessoas comuns e materialistas não têm a capacidade de ver. Uma força mágica e espiritual, eterna e imutável.”
    A Bruxa da Arruda sempre o alertara a valorizar todas as coisas… de uma simples pedra a um pequeno objeto. Como um brinquedo, um utensílio ou algo do tipo. Dizia que tudo tem um propósito e que nada é obra do acaso. Alertara que todas as coisas por serem criações foram pensadas e intencionadas a se manifestarem. Tudo tinha um espírito, mesmo as coisas inanimadas. Pois, sempre afirmará: “O que tem corpo, tem espírito. Tudo é vivo! Toda criação é fragmento do seu Criador, contendo em si uma determinada energia que por mais pequena e singular que seja, é viva em si mesma, presa e magneticamente sustentada nesse corpo, é consciente especificamente para executar tal função, e depois de executada por si só se decompõe e desaparece”. E afirmava que a evolução desses corpos inanimados tinha a ver com a evolução humana, de acordo com seu grau evolutivo. Assim, o inorgânico Elemental podia se manifestar numa pedra, numa mesa, em um relógio de pulso, nos objetos que mais amamos e desejamos, e ainda mais nos brinquedos das crianças, por serem carregados de sentimentos. E que por isso, para seus Rituais da Magia Elemental necessitava dos objetos e minerais… das pedras… das cascas de árvores… dos restos de corpos dos seres vivos e seus derivados, onde se continha ainda preservada a energia Elemental necessária para tal e específica magia.
    Assim, Maria da Piedade…, moradora e proprietária da Chácara Celeste, que se localizava em algum lugar escondido na região nordeste do Brasil…, a Bruxa da Arruda: agricultora, queijeira, azeiteira, parteira, rezadeira, curandeira, e feiticeira portuguesa…, de origem dos antigos povos celtas das terras europeias mediterrâneas da Península Ibérica…, apelidada como D. Darluz…, afirmava que quando nos damos conta da existência do Poder Criativo em tudo que existe ao nosso redor e no nosso viver, quando descobrimos que tudo tem coração e inteligência, que tudo é intenção, e que a toda intenção foi aplicada uma específica atenção, e que a tudo que damos atenção doamos uma determinada fração de nossa energia vital, que se torna um fragmento de vida em si, independente por si próprio e evolutiva em si mesma… Tudo se torna Divino! Tudo se torna Sagrado! A ordem da Grande Espiral do Eterno e Permanente Contínuo.
  • A CERTEZA QUE ENLOUQUECE, OPRIME, CONDENA E MATA!

          Entre um vídeo e outro no you tube é comum que comerciais apareçam. É assim que a plataforma se paga e paga aos produtores de conteúdo, além de propagar produtos e serviços de categorias diversas.
       Quase todas essas propagandas são apelativas. Elas pedem com veemência para que você compre, aceite ou se filie a “algo único no mundo”. Até certo ponto isso é normal e faz parte do jogo da sedução comercial. Sem não há oferta, a procura pode ser escassa e a cadeia produtiva encerra suas ações.  É assim que o mercado funciona.
       Semana passada porém, um desses comerciais me chamou a atenção pelo seu jeito de apelar. Diferente das outras, esta propaganda não pedia para que você comprasse nada, antes sim, eles diziam querer dar-te algo, aparentemente sem custo algum.
       O objeto em questão era um “livro fabuloso” que segundo eles, mostra o passo-a-passo de como enfrentar a grande tribulação que estar por vir no fim dos tempos e como tornar-se um dos escolhidos de deus para herdar o paraíso vindouro.
       Nesse vídeo em questão, apareciam 5 pessoas vestidas de branco no alto de uma colina, andando em direção ao nascer do sol, cantando um cântico cujas palavras remetiam a uma oferenda, como se eles mesmos fossem a oferta viva ao deus qual cultuam. Nessas palavras cantadas eles se auto denominavam santos e pareciam ter CERTEZA do que estavam ofertando.
       Nesse cenário pitoresco, dois dos integrantes aparentavam uma magreza quase que cadavérica, como se em lhes faltassem algum nutriente básico em suas dietas.
       Mesmo assim, todos esboçavam uma aparente felicidade e se comunicavam entre si com olhares, esperando que fosse recíproco tal sentimento de gratidão.
       Em suas palavras ao se referir ao livro ofertado, eles faziam parecer ter encontrado algum segredo oculto que só ali residia, capaz de transformar o mundo inteiro e acabar com todas as suas mazelas.
       Eles pareciam ser praticante da própria crença e toda conjuntura cenográfica, verbal e corporal faziam parecer que estavam certos de que o seu modo de crença e vida era o passaporte para um futuro glorioso ao lado do cristo anunciado. O segredo para tal felicidade segundo o livro, estaria na simples guarda do sétimo dia de cada semana, ou seja, o Sábado.
        Falavam ainda sobre como o diabo tem iludido aos homens desde sempre, fazendo com que estes sirvam a deus no Domingo ao invés do Sábado, desvirtuando assim o “dia sagrado”, trazendo dessa forma as mazelas que o mundo vive.
       A SOLUÇÃO PARA TODOS OS PROBLEMAS DO MUNDO ENCONTRAR-SE-IA NA GUARDA DE UM DIA SANTIFICADO!
       Que maravilha! Por que nunca pensamos nisso antes?
        Confesso que não vi problemas nenhum na gravação, na edição, no cântico e tão pouco na crendice dos integrantes. Tudo parece ser perfeito e cada um acredita no que quiser.
         A única questão que observo (e por isso comento) está na mensagem transmitida.
         Assim como toda mensagem de conteúdo religioso, eles parecem ter CERTEZA naquilo que professam e essa certeza é tamanha, que eles desejam que você também acredite e seja como eles são! Direta ou indireta mente todo segmento religioso diz: “e quem não crer no que pregamos será condenado”!
         Esse é justamente problema dos que “servem aos deuses”: todos eles tem razão, todos eles estão certos, todos são escolhidos, todos são cidadãos dos céus, todos são criaturas especiais e em todas as citações que fazem a cerca deles mesmos, a certeza de que estão certos (e o resto mundo errado) fica evidente de uma ou de outra forma.
        SABER e ACREDITAR são palavras que se confundem nesses recintos. Isso é muito ruim!
       Para uma pessoa bem resolvida, emocionalmente equilibrada e financeiramente independente, uma “mensagem de salvação” como esta é apenas uma propaganda de negócios como qualquer uma outra. Esse tipo de mensagem entra em um ouvido e sai em outro sem efeito algum!
      Porém, para uma pessoa de pouca cultura, com dificuldades financeira ou emocionalmente instável, esse conteúdo poderá ser visto como um oásis em meio a um deserto.
       Fica evidente que não é a “verdade” proferida pelo crente convence o “pecador” e sim a condição deste no momento da oferta.
       Na maioria dos casos é proposital que determinado povo sofra escassez de recursos básicos para que a busca por soluções místicas prevaleça.  “Com deus”, até o mais débil e indefeso entre os homens se achará um gigante, pronto a enfrentar e vencer qualquer sistema.
       Que diga isso os que “derrubaram o congresso” no último dia 7 aqui no Brasil.
       Outro fato é que muita gente só “procura a jesus” depois de ter perdido a própria saúde, a moral, a paz, os amigos, os recursos financeiros ou depois de ter “zerado o contador” de todos os tipos que se possa imaginar.
       Daí então passam a ter certeza do que antes rejeitavam e se tornam moralistas hipócritas e insuportáveis, querendo conduzir a vida alheia, quando a própria vida é um fracasso total!
       Para esses que no desespero procuram a certeza do seus problemas nas propagandas religiosas, aquilo que inicialmente poderia ser visto como uma porta de escape, no futuro poderá ser entendido como uma péssima escolha.
        Com o abrir dos olhos, o fiel poderá perceber que sem querer se metera em uma arapuca, em um local onde cada ação feita estará cavando a sua própria tumba, se enterrando em mentiras e crendices que o tornarão escravos do próprio sistema que alimenta
         O maior perigo que advém pela “certeza que deus dá”, não reside naquilo que o indivíduo internaliza ou professa secretamente para si mesmo.  Antes sim, esse perigo está naquilo que ele verbaliza sobre suas crenças e acima de tudo na maneira como ele tenta controlar as ações e opiniões alheias, tendo como régua máster seu próprio misticismo.
        Qualquer pessoa (louca ou sã), baseada em sua própria fé poderá ler um ou mais versículos isolado na bíblia e dizer: DEUS QUER ASSIM!
         Outros não lendo absolutamente nada, valendo-se apenas de visões e revelações (distúrbios mentais) poderão ter essa mesma certeza e também afirmarem: ASSIM ME FALOU DEUS!
         O ex-presidiário ou qualquer “ex-maluco”, com uma vida inteira de crimes e danos sociais irreparáveis a outrem, poderá ter o mesmo sentimento, fundar um igreja, vender um “testemunho” e converter pessoas ao seu entendimento sobre deus e também terá razão naquilo que professa de acordo com a “lei da fé”.
         Deus é assim: nunca foi visto publicamente por ninguém, mas em segredo fala todo os dias aos ouvidos de gente confusa, paranoica ou mal intencionada, dando sempre instruções antagônica.
        NÃO HÁ UMA BAGUNÇA MAIOR QUE ESSA NO QUE DIZ RESPEITO A “ORDEM DIVINA”.
         Não estou afirmando com isso que todas as religiões do mundo devam ser padronizadas e que todos devam agir exatamente iguais. Bom seria se o homem jamais precisa-se de deus algum para fazer o bem e respeitasse o meio ambiente em que vive!
         Estou apenas dizendo que não há absolutamente nada que possa ser dito como 100% certo ou 100% errado quando o quesito é interpretar deus, sua vontade, sua justiça, seu juízo e a forma correta de venerá-lo. Tudo reside na experiência de vida dos que se dizem servos), seus medos, ambições, ganancia ou ignorância.  Apenas isso e nada mais!
         A reprodução oculta do próprio ego ou a repetição explícita dos pensamentos e medos de povos de outras épocas e lugares também são fatores determinantes para “saber o que deus quer”.
         Qualquer um pode dizer ou fazer o que quiser (até certo ponto) em nome de deus e ainda assim poderá ser visto como bem aventurado. Como prova disso temos os heróis da fé, pessoas “ilustres” da bíblia, cujo histórico de vida envergonharia até o diabo (se fosse o caso).
         O próprio cristianismo com todas as suas vertentes é outra prova de que dar pra perverter todo conceito de deus (segundo o velho testamento) e transformá-lo uma versão de qualquer coisa para atrair um público pagante, desesperado ou submisso.
         Transmutar o paganismo alheio em santidade própria é o que os cristão fazem de melhor e nem por isso deixaram de ser “santos”.
         Algo que na cultura alheia é o (do) demônio, na dele mesmo é de deus puro!  Tem sido assim desde sempre.
         Diferente das CERTEZAS que as religiões tentam inculcar nos homens, é na dúvida que reside o desabrochar da experiência humana.
         Onde houver dúvidas haverá sempre uma esperança, um novo caminho a ser seguido, uma nova forma de se reinventar, de reconstruir a si mesmo ou a sociedade como um todo.
         Porém é na certeza das religiões que toda loucura e atraso residem. Esse tipo de certeza faz com que a vida do crédulo se torne uma caixinha escura esem lugar algum para que o ar, água ou alimento entrem. A tendência é a inanição, sufocamento ou morte do presidiário.
         A situação se torna pior quando preso em uma bolha, esse indivíduo cerca-se de pessoas iguaizinhas a si ou ainda mais radicais que elas mesmas. Daí passam a menosprezar, perseguir ou caçar todos os que pensam e agem diferente.
         ISSO É UM GRANDE PROBLEMA!
         É como ir ao seu próprio funeral, lamentar a morte do defunto sem perceber que quem está dentro do caixão é você mesmo.
         Quando alguém disser ter todas as respostas para o mundo e para vida, encerrar-se-ão as perguntas e quando estas já não existe, o marasmo predomina e a razão de viver e toda criatividade perde-se junto.
         É lamentável perceber o que as religiões fazem com as pessoas, transformando-as em caixinhas ocas, cuja resposta já vem pronta para qualquer tipo de pergunta que a vida propõe.
         VONTADE DE DEUS ou AÇÃO DO DIABO: São sempre essas mesmas respostas para quem alcançou esse nível de “intelectualidade”.
        Um mundo complexo, pululante de vida onde o caos e a violência é evidente em praticamente todos os ciclos e no próprio cosmo, o “povo sábio” resume tudo numa briga eterna entre deus e o seu rival...
         O GRANDE CONFLITO! Eles dizem.
         E pensar que mesmo assim, com essa conclusão tão pífia sobre o mundo, os tais se consideram como coroa da criação e dizem possuir a mente do próprio cristo.
         Lamentável!
         Todos os que se vangloriam de “servir ao deus certo de modo certo” precisam conviver com uma dura realidade que diariamente lhes tiram o sono.
          Me refiro aos seus próprios concorrentes, ou seja qualquer outra pessoa ou grupo que de forma individual ou coletiva diga professar a fé no mesmo deus, usar a mesma bíblia e ainda assim fazer tudo de modo diferente e muitas vezes antagônicos.
         Cada um que se levanta clamando um novo meio de agradar ou servir a deus põe em cheque todas as outras estruturas já existentes bem como a sua própria.
         Cada novo líder autoproclamado põe em dúvida sobre a “unção” dos outros caso vingue suas intenções mercantis ou “salvadora”.
        Cada nova igreja que surge poderá enfatizar um ponto bíblico como marca registrada, dizer ser aquele o detalhe crucial capaz de definir se uma pessoa é realmente santa ou não, se irá ou não entrar nos céus ou se deus está ou não com esta pessoa.
        Tem sido assim desde sempre. Deus sempre inovando década após década, acrescentando um novo apetrecho aos velhos mandamentos para que não fique totalmente esquecido.
        Desse modo, o uso do véu, a guarda de dias santificados, a abstenção de certos alimentos, falar em línguas, o evangelismo pessoal, o dízimo, a obediência cega as hierarquia e aos sacramentos da igreja…cada grupo chama para si, o supra sumo da aprovação divina e desprezam todas as demais.
        SEITA é o nome utilizado por um crente para definir outra igreja que não seja a sua, mesmo sendo esta do mesmo segmento, pregando e vivendo as mesmas coisas com diferença de simples detalhes.
        O que uns chamam de selo da promessa em um segmento, o concorrente chamará de motivo de blasfêmia e condenação em outra, e por ai vai... Todos estão certos ao mesmo tempo que todos estão errados....
        Mesmo desdenhando uns dos outros, criticando ou perseguindo seus próprios compatriotas da fé, cada um se isolará no seu cubículo de verdade própria e dirá: “ainda bem que deus me mostrou o real caminho a ser seguido. CERTO ESTOU, ALELUIA!”
        É justamente esse tipo de certeza que enlouque, oprime, condena e mata os homens.
       Quem dera esse tipo de comportamento febril ficasse apenas dentro dos recintos de culto.
       Na idade média por exemplo, hordas de fieis (católicos e outros grupos) saíam (literalmente) à caça aos que divergiam do seu modo particular de crer, pois tinham ABSOLUTA CERTEZA de que deus estava com eles e de que ele os estavam enviando nessas missões
        Qualquer um que não se rendesse publicamente aos rituais de babaquices e confissões públicas arrancadas à força, eram massacrados. Mesmo alguns que professavam para se livrar da condenação, eram punidos com a desculpa de que os corpos deles estavam padecendo para que suas almas fossem libertas.
         Não há limites para as loucuras praticadas em nome da fé a na suposta vontade de deus. O limite quem impõe é você que ainda tem um pouco de lucidez e respeito a si mesmo.
         No que depender do fiel (fanático) sua vida, sua família e seus bens serão todos subtraídos ou sacrificados para o engrandecimento da causa religiosa ou cumprimento de alguma causa profecia louca.
        Esse tipo de mal nos acompanha desde os mais remotos tempos, trazendo instabilidade, desconfiança e medo em qualquer lugar em que o nome de um deus seja invocado (venerado).   A mais recente evidencia disso é o caso do Afeganistão, cujas atrocidades praticadas tem como objetivo principal agradar a deus, tirando todo pecado e impureza que o eles, o “povo de deus” aprendeu com os ocidentais.
       Por detrás de um conflito existencial até um conflito de escalada global, haverá sempre alguém ou uma multidão inteira preocupado (s) com a forma correta de agradar a deus. Em outras palavras querem ter certeza de que fazem o certo de modo certo e querem impor isso aos demais.
        É um perigo estar perto de alguém que tem esse tipo de crença, de que deus o guia sempre em tudo. O meu conselho é que estando diante de alguém “ilustre que serve a deus em corpo, alma e espirito”, nunca baixa sua guarda!
    . À depender de quem seja esta pessoa, você poderá ser incluso nas estatísticas dos que foram lesados, estuprados, abusados ou mortos em nome da fé, por alguém que “fazia sempre a vontade de deus o tempo todo”.
       A liberdade religiosa é um direito concedido por lei, porém onde há direitos há também deveres (para todos).
        Se o direito ao culto é livre, o direito a rejeição à qualquer tipo de crença religiosa também é!
        Se é verdade que um fiel pode enumerar os diversos motivos pelos quais acredita em deus ou segue um movimento religioso, a mesma liberdade existe para quem deseja argumentar por que não acredita ou deixou de crer em tal divindade ou segmento.
        O lugar onde os deuses habitam e deixam de existir é na mente humana. Porém, o fiel fanático que diz ouvir a voz de deus diariamente pode estar bem perto de você. Ainda que os deuses não sejam reais, os seus seguidores o são e com isso temos de aprender lidar até que esse fase mental possa ser suplantado por algo melhor.
          À qualquer um que diga ter certeza de que deus o escolheu como “povo escolhido” sugiro que REVEJA SEUS CONCEITOS!
           Saúde e Sanidade à Todos!
  • A copa

    Porque depositar tanta esperança em pessoas simples?São milhares de pessoas simples torcendo por poucas pessoas tão simples quanto elas.Quero dizer,biologicamente somos todos iguais.Então porque tratá-los de maneira diferente?.São milhares de pessoas confiando seu dinheiro em apostas,são milhares de pessoas perdendo apostas.São milhares de pessoas felizes,são milhares de pessoas deprimidas.Seria a copa uma contradição?
  • A cópula dos mortos

    Morto, caminhando entre mortos.
    Uma carne viva, uma vida morta.
    Vivo em um corpo vivo
    sempre ansiando por coisas,
    coisas que já nascem mortas,
    abortos embalados pela canção
    da cegueira infinita bailando
    sobre os corpos dos prazeres
    em cópula com todas as dores
    enquanto abrem o meu peito e lambem
    sugando o sangue do meu coração,
    do meu trêmulo coração sem vontade.
    A cada desejo, a mentira da vida...
    Tão suculento, coxas úmidas,
    lábios e línguas…
    Fantasmas com máscaras de Vênus
    e os louros de Apolo, sendo tudo
    mas nunca sem polos.
    Sou corrompido pelas alturas,
    violentado pelos de baixo.
    Se olho pra cima e grito:
    Salve-me!
    O decote do mundo desvia o meu olhar.
    Quando dou por mim estou no quarto escuro
    entre os lábios de Babilônia embriagado por seu perfume,
    fazendo juras de amor, achando que eu a penetro,
    quando sou penetrado de todas as formas e grito: Mais!
    Ela se aproxima da minha face,
    seu hálito doce, seus cabelos serpenteantes,
    e nos seus olhos frios, sem vida como um espelho,
    vejo refletido a mim mesmo
    e com horror percebo que não existo,
    sou apenas ela que olha para o vazio
    dançando sobre os cadáveres da vida,
    sem vida, sonhando tudo.
  • A CORRIDA MALUCA- Quando a chegada vale mais que o percurso

    Para quem tem entre 10 e 40 anos de idade, já viu com certeza na TV aquele desenho animado, chamado a “corrida maluca”, em que mostra as várias tentativas do personagem Dick Vigarista em atrapalhar a corrida dos outros. Ele sempre estar na frente, mas perde a corrida, toda vez que retarda seu trajeto para planejar o fracasso dos outros. Sempre acaba perdendo a corrida por que ao invés de cuidar do seu sucesso, cuida em garantir o fracasso dos outros. Assim age muita gente de modo consciente ou inconsciente. Ao invés de seguir o curso de suas vidas, passa o tempo todo obstruindo ou dificultando o caminho dos outros. Assim agem os grupos religiosos e políticos pois perdem tempo atrapalhando o percurso do outro, ao invés de expandir o próprio criando soluções para a sociedade e não demonizando tudo, ou “esquerdizando” tudo. Desse modo agimos todos nós sem percebermos. De olho na chegada esquecemos do percurso as suas maravilhas.
       O sentimento de competitividade e escassez de recursos que desde criança nos embutem, faz com que muito cedo vejamos nossas relações pessoais como meras competições de um único vencedor onde a lei áurea dessa regra ensina que ou você elimina ou é eliminado, que não há espaço para duas pessoas ser, fazer ou ter ambas oportunidades ao mesmo tempo sem prejudicar o outro. Mera ilusão, pois só há competitividade, onde foi projetado um valor ao produto. Se não há projeção de valor, não há competitividade, apesar do produto em si agregar as mesmas propriedades. Quanto mais valor se dar a algo, mais esforço faremos para tê-lo, então maior será o seu sacrifício para possuí-lo e menos tempo você terá para si próprio ou para sua família. Assim deixamos de perceber que nem sempre o que nos ensinaram a buscar tem tanto valor enquanto as virtudes que nos tornam mais humanos, e estas são deixadas de lado. A propaganda moderna agrega valor à coisas irrisórias, para depois descarta-las no futuro. Passamos nossa vida inteira demarcando território como animais e lutando por coisas, que no fim das contas ficarão para outros, que talvez irão adquirir sem esforço nenhum, como em caos de heranças por exemplo.
       Além do senso de competitividade, temos por outro lado pessoas que conservam a crença em um Deus ou diabo que serve apenas para atribuir seus fracassos ou sucessos e essa linha de pensar faz com que muita gente quando estão fazendo o mal a outro, já tenha em mente um álibi perfeito, pois dirão que o mal que praticaram foi por que teve suas faculdades mentais possuídas pelo poder das trevas e quando alcançam algum “sucesso” derrubando os outros, dirão que só estão ali por que Deus quis, e quando Deus quer ninguém impede. Esse tipo de comportamento faz com que muitos tenham desculpas para todas as suas ações na vida e se tornem cada vez mais medíocres e irresponsáveis por seus atos.
       Políticos usam a difamação, calunia e perseguição alheia para conseguir sucesso próprio. Líderes religiosos demonizam a religião de outros para endeusar a sua própria. Laboratórios farmacêuticos defendem a autoria de sua patente para que somente estes produzam aquele tipo de remédio por certo tempo pelo preço que este quiser, nas condições que lhes for mais interessante.  Descobertas cientificas que mudariam para sempre a face de nosso planeta e as relações humanas são silenciadas para que muita coisa não mude, para que a dependência do sistema continue e a equipe do poder fique no sistema de criar problema, observar reação para depois gerar solução, sendo heróis por resolver um problema que eles mesmo criaram. Nesses moldes a resolução geralmente consiste no início de uma dependência crônica de um outro sistema criado.
       Esse padrão se repete desde uma simples relação cotidiana até as mais obscuras das tramas que são feitas às escondidas por sociedades secretas. Tirar vantagem ou manipular o outro é sinônimo de inteligência para muitos, seja numa relação amorosa traindo o parceiro, seja numa relação comercial roubando alguns gramas no produto pesado ou vendendo um produto com defeito como se fosse perfeito, seja nas relações de trabalho negando o que se deve e exigindo o que se não deve. Isso que nos ensinam diariamente. Isso que repetimos o tempo todo. Tornamos as relações conflituosas e tumultuosas, depois pedimos ajuda aos deuses e oramos ardentemente para que um messias todo poderoso venha botar ordem na casa e punir os “injustos”, esquecendo que também fazemos parte dessa injustiça por conveniência e que somos nós mesmos os causadores de muita injustiça. Acontece que acreditamos ser errado apenas aquilo que uma constituição federão diz ser mesmo sabendo que estamos causando danos a alguém. Acontece que mesmo sabendo que algo pode trazer prejuízos enormes no futuro, mesmo assim muitos arriscam tentar e dizer seja o que Deus quiser. Acontece que muitos ainda funcionam na base do “ter de filmar, fotografar e provar” para que os tais assumam que erraram contra outros, pois se ninguém viu, ninguém fotografou ou filmou então, não se tem provas. Se não tem provas não há crimes. Se não há crimes o que causou o mal se julga inocente. Acontece que muitos ainda funcionam na base de “faça escondidinho, apronte e morra negando se te perguntarem algum dia se fez”. Quanta hipocrisia...Estas são as mesmas pessoas que oram o pai nosso todos os dias e pede graça a Deus. Essas são as mesmas pessoas que lotam todo tipo de igreja para “adorar ao senhor” sem nenhum peso na consciência. Essas são as pessoas que vivem a contar suas misérias como se fossem vítimas mesmo sendo causadoras da ação. Assim vivemos um círculo vicioso de errar crendo na proteção ou misericórdia divina.
       Nesse ritmo, um comerciante abre uma quitanda, uma bar, um salão de beleza, ou um comercio qualquer e alguns comportamento começam a modificar sua personalidade. Ele procura a todo custo fidelizar seus clientes como se este fosse a única fonte de renda em todo o globo e quando o cliente usa o serviço ou produtos da concorrência, tal comerciante pode ficar com “raivinha” tratando mal o cliente em outra ocasião ou reduzindo o próprio lucro para cativar o cliente, tornando difícil a manutenção do próprio comercio e no futuro até ir a falência. Grandes empresas por sua vez, produzem aparelhos, que geralmente só recebem concertos de qualidade na assistência autorizada, levando meses para resolver um serviço simples, tornando a vida do consumidor tediosa mediante a esse fato quando a assistência podia ser estendida a outros de uma forma bem mais simples.
       Por outro lado consumidores se tornam cada vez mais exigentes e intolerantes de todos os lados. Quando percebem que há briga entre os comerciantes pela venda de seus produtos os tais se sentem como deuses a receber bajulação. Quando encontram alguma falha técnica num processo industrial querem indenizações milionárias. Como toda regra tem exceções, claro que há abuso dos dois lados. Um sentimento de tirar vantagem sobre o outro se apodera cada vez mais de nossa sociedade. Processos dos mais estupido tipos possíveis enchem as mesas dos magistrados. Alguns querendo indenizações milionárias sobre um crime que eles mesmo armaram para se fazer de vítima depois. Alguns são de pessoas que querem criar direitos onde não se tem só por que “ouvir dizer que”... Outros querendo se esquivar de deveres que deveriam ser cumpridos sem precisar de intervenção judicial.  A boca que te diz eu te amo no dia do casamento é a mesma que diz “dane-se, quero tudo que é seu” ou “morra” no dia do divórcio. A pessoa que diz hoje que o importante é apenas a sua companhia, amanhã dirá que quer tudo seu, e que vai fazer de tudo pra te deixar na miséria absoluta e ainda vai rir de sua cara.
       Políticos eleitos usam o dinheiro do povo em atos de corrupção para comprar o voto do próprio povo e acha que estar saindo no lucro. O que vende o voto, mesmo sabendo que ele próprio foi a fonte pagadora, sente-se um “iluminado” naquele instante, pois acha que estar manipulando o político e levando vantagem sobre aquele que vai votar de graça e que espera apenas uma boa administração para todos em troca do voto.
      Líderes religiosos fazem campanhas e mais campanhas diferentes em igrejas para atrair mais público pagante. Se o público fosse apenas de pessoas simples, de pouca condição financeira “deus” não se manifestaria tanto por meio dessas unções. Depois eles se acham donos da vida de cada pessoa que entra naquele recinto e “aceitam” a jesus, e a partir daí querem ter controle total sobre as vidas dos tais, e usa todo tipo de ameaça quando alguém anuncia que vai deixar o grupo. Por outro lado, os crentes, pagam seus dizemos e ofertas além de participar de todas as companhas criadas pela liderança, pela sutil esperança que terá vantagens financeiras e espiritual sobre aqueles que não tem dinheiro pra apostar no “cassino do senhor”. Hoje você não precisa ir até LAS VEGAS para sonhar com dinheiro fácil obtido por meio de apostas, pois em cada esquina tem um líder religioso que te ensina a fazer apostas nas campanhas financeiras de sua igreja e como sempre, o dono da casa é o maior beneficiado nessas “casas de jogos”.
      Líderes militantes “patriotas” críticos da burguesia, que lutam por igualdade entre todos os cidadãos, não vê problema nenhum em ganhar 200 vezes mais que as pessoas que o elegeram acreditando nesse “patriotismo”, mas são críticos ferrenhos da iniciativa privada e faz duras perseguições, quando empresários após várias tentativas de acertos e fracassos apostaram toda sua fortuna para produzir um produto que vai atender uma grande quantidade de pessoas e por isso terá uma grande quantidade de lucro. Lucro obtido pela prestação de serviço é ser burguês na concepção desses “patriotas”. Lucro obtido manipulando “militontos” é sinal de patriotismo. Gente assim chama de burguês qualquer pessoa que cresceu por conta própria, para esconder que o mesmo é um fidalgo disfarçado de pobre, que vive as custas do voto do povo, falando contra algo que na prática o mesmo prova ser o objeto da crítica.
       Poderia ser diferente se desligássemos um pouco nosso piloto automático. Difícil é fazer isso. Quanto mais agitada for a vida de uma pessoa, menos tempo ela terá para pensar na vida pois passa tempo demais opinando sobre a vida dos outros ou correndo como burros atrás de cenouras amarradas em sua própria cabeça.
      Então nos perguntamos: para onde vamos com tanta pressa? Por que corremos tanto? A linha de chegada é mais importante do que o trajeto a ser percorrido? E se o prêmio não for o que nos prometeram? E se não conseguirmos chegar até o final? Será que o que nos espera na linha de chegada justifica certos comportamentos que temos em relação ao nosso semelhante? O prêmio a ser conquistado é tão importante assim a ponto de custar a vida, a carreira e a moral de outros para construirmos a nossa, que por sinal será tão sólida como um castelo de areia? Geralmente o prêmio tão sonhado não passa de um conjunto de valores apreciados em nossa cultura ou época e desprezados em outras ou entre outros povos. Só no final da carreira é que muitos percebem que correram em vão, que viveram a vida perseguindo apenas conceitos. Tudo não passa de conceitos. Tanto o material quanto o imaterial. O que pra uns valem fortunas, pra outros não passa de lixo podre.
      Em busca de fama e glória própria passamos metade de nossas vidas correndo como tontos, para cima e para baixo, para acumular teres, conquistar títulos e se encaixar no perfil do grupo em que estamos inseridos. Em busca de evitar críticas ou a agradar a opinião alheia passamos uma outra parte de nossa existência fazendo ou sendo o que não gostamos, para sermos aceito no grupo. Como papagaios de pirata, passamos toda nossa vida, apenas repetindo frases e padrões comportamentais o tempo todo, sem nem pararmos para calcular a escala de valores inseridas em nós desde a infância e perceber que não vivemos nossas vidas, e sim vivemos uma vida que foi desenhada para vivermos, qual fomos inseridos e tivemos que simplesmente nos adaptar. Os sistemas políticos e religiosos são os nossos principais senhores, regentes do comportamento de quase toda sociedade organizada.
       Nessa corrida maluca que vivemos tem hora que precisamos parar e refazer o trajeto. Outras vezes precisamos reduzir e apreciar a paisagem. Em algum momento devemos contornar e pegar o sentido oposto. Se pudermos ajudar outros que estejam com algum problemas na estrada tudo bem, se não pudermos não atrapalhar ninguém já é uma boa ajuda.
        A solução para os problemas da humanidade não estar em descobrir meios para aperfeiçoas as nossas relações com os deuses, seja de que crença for. A solução para nossos problemas consiste em aprendermos nos relacionar uns com os outros, livres da ideia de tirar sempre vantagens, livre da falsa ideia que possuímos algo. O máximo que possuímos é o ar que circula em nossos pulmões no presente momento. A vida é o momento. E no momento isso é o máximo que possuímos. Todas as outras coisas estão fora de nós apesar de criarmos o conceito que são nossas. As outras coisas são partes das relações e não a razão da vida. Vale lembrar que praticamente todo grupo religioso se considera escolhido por algum ser especial e que esse ser vai levar esse grupo, e destruir todos os demais que não fazem parte daquele grupo. Se levarmos em consideração o conceito do Deus judaico-cristão interpretado nos dias de hoje segundo a própria bíblia, perceberemos que entre conversar e mandar uma praga pra destruir todo mundo, ele prefere a segunda opção. Então pouca opção nos resta senão aprendermos a convivermos uns com os outros já que todo grupo se auto denomina escolhido. Enquanto gastamos fortunas para dar honra, louvor, gloria e adoração ao que se diz ser onipotente e que de nada precisa, bem debaixo do nosso nariz, os que realmente são necessitados nós os ignoramos.
       Enquanto o combustível do nosso “veiculo” estiver queimando, estamos nessa corrida maluca. Quando a centelha que gera a combustão acabar é que muitos irão perceber que agiram como um Dick Vigarista o tempo todo e que nem viveram suas vidas e ainda atrapalharam a de muitos.
       Um brinde a sanidade e a reflexão.
  • A CRÔNICA DOS MORTOS

    Os fatos mencionados em meu relato são verídicos e é possível encontrar matérias completas sobre esses acontecimentos em diversos sites pela internet. A reflexão que pretendo trazer com meu texto é a de que a morte “vive” a espreita, e de onde menos se espera ela pode surgir, sorrateira. Claro que em muitas situações a negligência e a falta de sorte acabam colaborando em conjunto para um desfecho trágico. Algumas pessoas preferem culpar o destino... mas, será que o destino pode as vezes ser tão “criativo”? Estimado leitor, observe os três casos que hoje trago até você:
    O primeiro caso é o da Dona Neusa. Ela estava para receber visitas na sua casa naquele domingo, então... logo de manhã bem cedinho, resolveu ir até o supermercado do bairro para comprar algumas coisas que faltavam para preparar um belo almoço para os parentes que chegariam. Dirigiu por uns cinco minutos, estacionou e entrou no supermercado. Ela comprou batatas, queijo ralado e algumas cervejas para os seus convidados. Também comprou tempero verde, tomate e alface, para a salada. Dona Neusa pagou a conta, colocou as compras no carro e retornou imediatamente para casa. Estava animada para oferecer um delicioso almoço. Ela só não sabia que, a partir daquele momento, estava dando carona para a morte.
    Já em casa, Dona Neusa colocou as sacolas sobre a mesa da cozinha e começou os trabalhos. Separou os ingredientes em ordem para facilitar os preparos. Abriu a embalagem da alface na pia, pois precisava lavar a hortaliça; mas antes que pudesse abrir a torneira, sentiu um intenso choque em uma das mãos. Uma fisgada; na verdade, foi uma picada. Escondida por entre as folhas da alface estava uma cobra venenosa; era uma pequena jararaca que havia picado a Dona Neusa. A cobra jararaca, mesmo que ainda filhote, possui um veneno extremamente perigoso e pode levar uma pessoa a morte facilmente.
    Dona Neusa gritou de dor no momento da picada e assim que percebeu de onde tinha vindo o ataque, entrou em pânico. O coração disparou, espalhando ainda mais rápido o veneno pelo seu corpo. Estava sozinha em casa e certamente após a picada, não conseguiria dirigir até o pronto socorro. Dizem que Dona Neusa chegou a ligar para a emergência pedindo ajuda, mas quando os socorristas chegaram ao local, ela já estava morta. Provavelmente não foi o veneno da jararaca que a matou, mas sim a intensa descarga de estresse que desencadeou um ataque cardíaco na mulher.
    O segundo caso é o da Dona Tereza. Certo dia, quando ela estava em sua propriedade trabalhando com sua criação de gado, encostou sem perceber em uma taturana; um pequeno animal também conhecido como lagarta de fogo. A taturana possui “espinhos” distribuídos por todo o seu corpo e ao tocar nessa lagarta, os “espinhos” liberam uma perigosa toxina que no início parece queimar como fogo; daí o motivo para ser chamada de lagarta de fogo. No entanto, a toxina vai causando danos no organismo, capaz de matar uma pessoa. Ao tocar na taturana, Dona Tereza sentiu a ardência, mas achou que logo a incomoda sensação sumiria naturalmente.
    No dia seguinte Dona Tereza passou mal, vomitou e foi levada ao hospital. Ela nem imaginava que o mal estar que estava sentindo era por causa do contato que teve com a taturana, por isso, não informou o médico. Foi tratada como se estivesse com uma virose. Voltou para casa e logo começou a sentir fortes dores de cabeça; precisou voltar com urgência ao hospital. Exames detalhados foram feitos e detectaram veneno no sangue de Dona Tereza; foi aí que ela lembrou que poderia ter sido o contato com a lagarta de fogo. Seu quadro clínico piorou, a toxina havia causado um sério dano aos rins e Dona Tereza veio a falecer em pouco tempo.
    O terceiro caso é o mais bizarro. É a história de um mergulhador chamado Donald, encontrado por bombeiros em uma área onde ocorreu um grande incêndio florestal. Um fato muito estranho era que o corpo do mergulhador estava muito longe de qualquer lugar onde se pudesse praticar mergulho. O mergulhador morto estava vestido com sua roupa de mergulho, pés de pato, máscara e cilindro de oxigênio. Como ele foi parar naquele local? Essa foi a principal pergunta feita pelos bombeiros, e em seguida, por toda a imprensa. Uma pesquisa foi feita para desvendar o mistério do mergulhador; até que a resposta finalmente chegou para esclarecer tudo.
    Foi descoberto que aquele mergulhador morto estava desaparecido há dezessete anos. Isso mesmo... há quase duas décadas. Os investigadores do caso descobriram ainda que tudo teria começado quando o mergulhador desapareceu em um lago onde costumava praticar mergulho. Seu corpo não foi encontrado na época e então foi dado como desaparecido. Anos mais tarde, um grupo de mergulhadores esteve no mesmo lago e avistaram o corpo do homem no fundo do lago; porém, não conseguiram resgatar o corpo por falta de equipamentos adequados e baixa visibilidade.
    As autoridades foram avisadas, mas antes que uma força tarefa fosse formada para uma missão de resgate ao mergulhador morto, algo estarrecedor aconteceu. A trágica e inacreditável história do mergulhador não tinha chegado ao seu fim; ainda teria o seu último capítulo, digno de ser contado em um filme dramático. No mesmo período, um grande incêndio acontecia em uma área de floresta que ficava a quilômetros de distância do lago onde o mergulhador morto estava. As equipes de bombeiros combatiam o fogo por terra e o helicóptero do corpo de bombeiro fazia o auxilio transportando e jogando (despejando) água do alto.
    Em combates a incêndios, o helicóptero utiliza o Bambi Bucket (uma bolsa de água acoplada a barriga da aeronave) que pode levar em torno de 500 litros de água por vez. Esse equipamento permite que a água seja coletada de qualquer reservatório, piscina, mar ou lago que esteja mais próximo do incêndio. A água é levada e liberada sobre o fogo para apaga-lo. E foi justamente com esse equipamento que “por acaso” o mergulhador morto foi “pescado” no lago, transportado na Bambi Bucket e jogado no incêndio florestal. Apesar de estar morto por dezessete anos dentro de um lago, o corpo de Donald estava incrivelmente bem conservado. Segundo os especialistas, a roupa de borracha que ele usava, as características químicas e a temperatura da água do lago formaram uma combinação favorável para a preservação do corpo durante tanto tempo.
    Se essas histórias não fossem reais, os leitores poderiam até dizer que se trata de uma obra de ficção digna dos filmes de Hollywood. Mas essas mortes inusitadas acontecem quase todos os dias, e cada uma dessas mortes poderia inspirar um livro ou um filme que contasse sua história. Por vezes, parece que a pessoa estava no lugar errado, na hora errada; por outro lado, também parece que vivemos sobre a influência de alguma “natural” lei caótica que procura a todo o momento uma maneira de nos prejudicar, de nos eliminar; como um inimigo invisível nos caçando.
    A verdade é que a morte sempre nos parece cruel. Ela acaba deixando um “gostinho de quero mais”. Ninguém quer realmente morrer; todos querem viver. A vida é pura resistência existencial. Mesmo que digam que a morte não é o fim e sim um recomeço, gostaríamos de não precisar “começar” tudo de novo. Seria bom viver para sempre. Esses são pensamentos involuntários, instintivos do ser humano. Sabemos que o entendimento de vida e morte é complexo e vai além do que possamos compreender. Não se trata de religião ou ciência; provavelmente seja algo maior que sequer nós conseguimos imaginar.
    Frequentemente a morte resolve pregar suas peças. Será que ela se acha engraçada? Estaria ela só se divertindo? Talvez ela queira apenas nos lembrar de que morte não é o contrário de vida. O contrário de morte é nascimento; vida é o que fazemos no intervalo entre o nascimento e a morte. Alguns dizem que a partir do momento em que nascemos, começamos a morrer, ou seja, o nascimento é o início de um caminho que cedo ou tarde no conduzirá até a morte. Por isso, a importância de viver; de evoluir. Se for assim, aproveite a vida.
  • A CRÔNICA DOS MORTOS

    Os fatos mencionados em meu relato são verídicos e é possível encontrar matérias completas sobre esses acontecimentos em diversos sites pela internet. A reflexão que pretendo trazer com meu texto é a de que a morte “vive” a espreita, e de onde menos se espera ela pode surgir, sorrateira. Claro que em muitas situações a negligência e a falta de sorte acabam colaborando em conjunto para um desfecho trágico. Algumas pessoas preferem culpar o destino... mas, será que o destino pode as vezes ser tão “criativo”? Estimado leitor, observe os três casos que hoje trago até você:
    O primeiro caso é o da Dona Neusa. Ela estava para receber visitas na sua casa naquele domingo, então... logo de manhã bem cedinho, resolveu ir até o supermercado do bairro para comprar algumas coisas que faltavam para preparar um belo almoço para os parentes que chegariam. Dirigiu por uns cinco minutos, estacionou e entrou no supermercado. Ela comprou batatas, queijo ralado e algumas cervejas para os seus convidados. Também comprou tempero verde, tomate e alface, para a salada. Dona Neusa pagou a conta, colocou as compras no carro e retornou imediatamente para casa. Estava animada para oferecer um delicioso almoço. Ela só não sabia que, a partir daquele momento, estava dando carona para a morte.
    Já em casa, Dona Neusa colocou as sacolas sobre a mesa da cozinha e começou os trabalhos. Separou os ingredientes em ordem para facilitar os preparos. Abriu a embalagem da alface na pia, pois precisava lavar a hortaliça; mas antes que pudesse abrir a torneira, sentiu um intenso choque em uma das mãos. Uma fisgada; na verdade, foi uma picada. Escondida por entre as folhas da alface estava uma cobra venenosa; era uma pequena jararaca que havia picado a Dona Neusa. A cobra jararaca, mesmo que ainda filhote, possui um veneno extremamente perigoso e pode levar uma pessoa a morte facilmente.
    Dona Neusa gritou de dor no momento da picada e assim que percebeu de onde tinha vindo o ataque, entrou em pânico. O coração disparou, espalhando ainda mais rápido o veneno pelo seu corpo. Estava sozinha em casa e certamente após a picada, não conseguiria dirigir até o pronto socorro. Dizem que Dona Neusa chegou a ligar para a emergência pedindo ajuda, mas quando os socorristas chegaram ao local, ela já estava morta. Provavelmente não foi o veneno da jararaca que a matou, mas sim a intensa descarga de estresse que desencadeou um ataque cardíaco na mulher.
    O segundo caso é o da Dona Tereza. Certo dia, quando ela estava em sua propriedade trabalhando com sua criação de gado, encostou sem perceber em uma taturana; um pequeno animal também conhecido como lagarta de fogo. A taturana possui “espinhos” distribuídos por todo o seu corpo e ao tocar nessa lagarta, os “espinhos” liberam uma perigosa toxina que no início parece queimar como fogo; daí o motivo para ser chamada de lagarta de fogo. No entanto, a toxina vai causando danos no organismo, capaz de matar uma pessoa. Ao tocar na taturana, Dona Tereza sentiu a ardência, mas achou que logo a incomoda sensação sumiria naturalmente.
    No dia seguinte Dona Tereza passou mal, vomitou e foi levada ao hospital. Ela nem imaginava que o mal estar que estava sentindo era por causa do contato que teve com a taturana, por isso, não informou o médico. Foi tratada como se estivesse com uma virose. Voltou para casa e logo começou a sentir fortes dores de cabeça; precisou voltar com urgência ao hospital. Exames detalhados foram feitos e detectaram veneno no sangue de Dona Tereza; foi aí que ela lembrou que poderia ter sido o contato com a lagarta de fogo. Seu quadro clínico piorou, a toxina havia causado um sério dano aos rins e Dona Tereza veio a falecer em pouco tempo.
    O terceiro caso é o mais bizarro. É a história de um mergulhador chamado Donald, encontrado por bombeiros em uma área onde ocorreu um grande incêndio florestal. Um fato muito estranho era que o corpo do mergulhador estava muito longe de qualquer lugar onde se pudesse praticar mergulho. O mergulhador morto estava vestido com sua roupa de mergulho, pés de pato, máscara e cilindro de oxigênio. Como ele foi parar naquele local? Essa foi a principal pergunta feita pelos bombeiros, e em seguida, por toda a imprensa. Uma pesquisa foi feita para desvendar o mistério do mergulhador; até que a resposta finalmente chegou para esclarecer tudo.
    Foi descoberto que aquele mergulhador morto estava desaparecido há dezessete anos. Isso mesmo... há quase duas décadas. Os investigadores do caso descobriram ainda que tudo teria começado quando o mergulhador desapareceu em um lago onde costumava praticar mergulho. Seu corpo não foi encontrado na época e então foi dado como desaparecido. Anos mais tarde, um grupo de mergulhadores esteve no mesmo lago e avistaram o corpo do homem no fundo do lago; porém, não conseguiram resgatar o corpo por falta de equipamentos adequados e baixa visibilidade.
    As autoridades foram avisadas, mas antes que uma força tarefa fosse formada para uma missão de resgate ao mergulhador morto, algo estarrecedor aconteceu. A trágica e inacreditável história do mergulhador não tinha chegado ao seu fim; ainda teria o seu último capítulo, digno de ser contado em um filme dramático. No mesmo período, um grande incêndio acontecia em uma área de floresta que ficava a quilômetros de distância do lago onde o mergulhador morto estava. As equipes de bombeiros combatiam o fogo por terra e o helicóptero do corpo de bombeiro fazia o auxilio transportando e jogando (despejando) água do alto.
    Em combates a incêndios, o helicóptero utiliza o Bambi Bucket (uma bolsa de água acoplada a barriga da aeronave) que pode levar em torno de 500 litros de água por vez. Esse equipamento permite que a água seja coletada de qualquer reservatório, piscina, mar ou lago que esteja mais próximo do incêndio. A água é levada e liberada sobre o fogo para apaga-lo. E foi justamente com esse equipamento que “por acaso” o mergulhador morto foi “pescado” no lago, transportado na Bambi Bucket e jogado no incêndio florestal. Apesar de estar morto por dezessete anos dentro de um lago, o corpo de Donald estava incrivelmente bem conservado. Segundo os especialistas, a roupa de borracha que ele usava, as características químicas e a temperatura da água do lago formaram uma combinação favorável para a preservação do corpo durante tanto tempo.
    Se essas histórias não fossem reais, os leitores poderiam até dizer que se trata de uma obra de ficção digna dos filmes de Hollywood. Mas essas mortes inusitadas acontecem quase todos os dias, e cada uma dessas mortes poderia inspirar um livro ou um filme que contasse sua história. Por vezes, parece que a pessoa estava no lugar errado, na hora errada; por outro lado, também parece que vivemos sobre a influência de alguma “natural” lei caótica que procura a todo o momento uma maneira de nos prejudicar, de nos eliminar; como um inimigo invisível nos caçando.
    A verdade é que a morte sempre nos parece cruel. Ela acaba deixando um “gostinho de quero mais”. Ninguém quer realmente morrer; todos querem viver. A vida é pura resistência existencial. Mesmo que digam que a morte não é o fim e sim um recomeço, gostaríamos de não precisar “começar” tudo de novo. Seria bom viver para sempre. Esses são pensamentos involuntários, instintivos do ser humano. Sabemos que o entendimento de vida e morte é complexo e vai além do que possamos compreender. Não se trata de religião ou ciência; provavelmente seja algo maior que sequer nós conseguimos imaginar.
    Frequentemente a morte resolve pregar suas peças. Será que ela se acha engraçada? Estaria ela só se divertindo? Talvez ela queira apenas nos lembrar de que morte não é o contrário de vida. O contrário de morte é nascimento; vida é o que fazemos no intervalo entre o nascimento e a morte. Alguns dizem que a partir do momento em que nascemos, começamos a morrer, ou seja, o nascimento é o início de um caminho que cedo ou tarde no conduzirá até a morte. Por isso, a importância de viver; de evoluir. Se for assim, aproveite a vida.
  • A CRUZADA DOS INOCENTES VS A CRUZADA DOS ILUDIDOS

        A cruzada das criancinhas (dos pequeninos ou dos inocentes) é um episódio um tanto obscuro na história do cristianismo. Uma parte dos historiadores acreditam que esse evento não passa de um mito criado na idade média, enquanto que outra parte concorda que ele realmente ocorreu e que a igreja católica fez de tudo para “melar os fatos”, mesclando verdades com mentiras à fim de apagar esse desastre que ela mesma incentivou ou consentiu e que ceifou a vida de milhares de pequeninos em nome da fé.
      O caso se deu no ano de 1212, cerca de 800 anos atrás, no norte da França.
      Desde o ano de 1096 que algumas cruzadas católicas já haviam sido realizadas na tentativa de reconquistar Jerusalém das mãos dos “pecadores”. Todas elas haviam sido um desastre ou perderam-na da volta após cada reconquista.
      Milhares de vidas e suprimentos haviam sido perdidos nessa empreitada e o bem mais precioso da fé cristã continuava lá sendo ocupada por “aquela gente sem deus”.
      Cem anos de “guerra santa”, quatro cruzadas e o “povo de deus” continuava ali, apanhando e sendo duramente massacrado por “pagãos”.
       De repente um jovem pastor de ovelhas de somente 12 anos se apresenta como a solução para o problema. Dizia ter tido uma revelação divina.
       O nome deste menino era Estevão.
       Conta-se que nessa visão, deus lhe havia dito que para retomar a cidade era preciso gente pura e de coração limpo. Ninguém mais puro e limpo que uma criancinha, segundo essa interpretação.
       Desse modo ele convenceu as autoridades civis e religiosas a montarem uma caravana de “soldados pequeninos” para marcharem em direção à Jerusalém e acabar com os mulçumanos de uma vez por todas.  Em outras versões dessa história dizem que foi o próprio papa quem teve a visão ou organizou a cruzada.
        De qualquer jeito, segundo tais relatos, a caravana foi montada e a jornada iniciada passando por vilarejos, cidades e países. Em cada canto que passavam, mais crianças se juntavam à causa, todos acreditando piamente que deus, o deus cristão estava por trás de tudo aquilo, comandando tudo remotamente “como sempre faz”.
       “DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA” também já se dizia naquela época!
        Disseram para aquelas crianças que eles venceriam a guerra sem dar nenhum só golpe. Só precisavam acampar ao redor de Jerusalém e esperar pois a mão de deus faria o resto.
        Eram cerca 4 mil quilômetros de distância desde o local da saída até o destino e o percurso era todo à pé.
        No caminho havia morros, vales, pântanos, florestas, desertos e todos os tipos de perigos que se possa imaginar, incluindo feras e mercadores de escravos, além das dezenas de moléstias que afetavam a saúde de muitos na ocasião.
        Cerca de 40 mil crianças foram iludidas a aceitaram esse “chamado de deus”.
        Parte deles morreram no caminho de alguma doença ou por outro infortúnio.
        Outras foram sequestradas e vendidas como escravas e as que conseguiram chegar ao litoral estavam diante do maior de todos os desafios: atravessas o mar mediterrâneo e chegar no outro continente onde estaria o alvo.
       Fora-lhes dito que ao chegar diante do mar, deus iria abri-lo assim como fizera como Moisés diante do mar vermelho. As criancinhas acreditaram e a população local fez fila para assistir tal evento.
        Estevão, o garotinho clamou por horas à fio e nada aconteceu. O mar continuava ali do mesmo jeitinho.
      Dias se passaram e o mesmo ato de fé ocorrera repetidamente: ele pedia que em nome de deus o mar se abrisse e nada acontecia.
       Cansados, humilhados e frustrados eles pensaram em voltar para os seus lares e dar a missão por encerrada.
       Foi quando dois oportunistas de nome Hugo o Ferro e Guilherme o Porco se dispuseram a “ajudar”.
       Eles possuíam barcos e prometeram levar gratuitamente ao outro lado do mar todas as crianças. Diziam também estar comovidos e crédulos de que tudo aquilo ali fazia parte dos grandes planos do criador e ofereceram algumas embarcações para conduzir os pequeninos.
       Eles eram mercadores de escravos.
      Até quem sabia disso não suspeitou de suas reais intenções pois “deus estava no controle de tudo” (como sempre se diz por aí).
        Ao entrarem naqueles barcos, nunca mais aquelas crianças foram vistas. Ninguém sabia o paradeiro delas, nem o que realmente lhe sucedera depois daquele puro gesto de “bondade”.
        Somente anos depois, sobreviventes daquele episódio puderam narrar que a maioria deles foram sequestradas e escravizadas e que outra parte morrera durante um naufrágio.
       Não foi preciso comprar um só menino para depois revende-los pois “deus” enviou tantos de forma milagrosa e gratuita (diziam os mercadores). Eles tiveram um lucro estupendo com essas operações no mercado negro.
      Os meninos foram enviados para trabalhos braçais enquanto que as meninas para servirem como prostitutas em bordeis (cuja igreja católica era dona de maior parte deles).
       Assim, “segundo a vontade de deus”, encerrou-se com fracasso total mais uma cruzada para reconquistar a cidade de Davi.
       De cerca de 40 mil crianças iludidas que saíram ou se juntaram ao grupo, menos de 2 mil retornaram para os seus lares, todas as demais tiveram suas vidas ceifadas ou escravizadas justamente por questões de fé, obediência a deus e amor à pátria!
    ....
    O CIRCO PEGOU FOGO O PALHAÇO DEU SINAL...
       Algo semelhante à cruzada dos pequenino ocorreu entre os dias 7 e 9 de Setembro de 2021 nesse imenso país chamado Brasil num episódio que desvirtuou profundamente o dia em que comemorávamos o dia da pátria.
       Alguns passaram a chamar esse feito de “a cruzada dos idiotas”, mas eu prefiro crer que fora uma cruzada dos iludidos mesmo.
       Acredito que ali, a grande maioria eram pessoas de boa fé e boas intenções e assim como as crianças da história acima, foram enganadas por lideranças políticas e religiosas que manipulam as massas em benefício próprio.  
       Essa cruzada brasileira iniciou-se em 2017 com o lema “DEUS, PATRIA FAMÍLIA” e “BRASIL ACIMA DE TUDO, DEUS ACIMA DE TODOS” e tem sido liderada desde então por um tal de messias, que fez inflamar em vários corações um sentimento patriota, ainda que invertido.
       Com “arminha na mão”, palavreado chulo e muita bravata, ele convenceu os principais mercadores da fé desse país a juntar-se a ele pois sabiam que os mesmos “fariam tudo de graça, sem querer nada em troca”.
        Fora prometido aos cruzados que o fim dessa “batalha” seria nesta semana que passou, e que triunfante, os cruzados tomariam de volta Brasília das mãos do “energúmenos” e instauraria para sempre um misto de teocracia, ditadura e dinastia.
        Ao contrário disso, um dia depois de sitiar a “cidade sagrada”, os bravos soldados foram abandonados, humilhados e entregues à própria sorte diante de seus algozes.
      Algumas dessas pessoas terão sua imagem e voz estampada por anos e quem sabe décadas, usadas como símbolo de chacota, de burrice e de fracasso. O messias que antes rugia como leão, fora pego no dia seguinte miando como um gatinho e lambendo a mão ao que antes lhe mostrou os dentes e as garras por mais de 30 meses seguidos.
       Assim como nas antigas guerras santas, o “sentimento cristão” (sabe-se lá de fato o que isso significa) vinha sendo inflamado todos os dias desde o quinto mês de governo desse redentor.
       Do mesmo modo que o garoto Estevão dizia ser guiado por deus para liderar os pequeninos, esse messias também tinha a mesma convicção de que fora escolhido à marchar até Brasília e “enquadrar todos os bandidos” e trazer para essa pátria um reino de justiça, moralidade equidade a todos os “cidadãos de bem”.
       Por meio de “profecias e profetadas” de todos os tipos, o clero evangélico também confirmava tal unção na vida deste homem. Do cercadinho do planalto às grandes aglomerações religiosas realizadas por pastores endinheirados, os iludidos ovacionavam em nome de deus essa liderança.
        As crianças de Estevam, foram convencidas de que só pelo fato de serem crianças eram puras o bastante para que deus fizesse seus inimigos se renderem apenas sitiando os muros da cidade.
       As “crianças do Jair” foram convencidas de que apenas apertando 17 nas urnas, fazendo sinal de arminha, vestindo verde e amarelo e citando versículos bíblico aleatórios seriam capazes de tirar o “Xandão” e os outros “sarracenos” do congresso.
        Elas foram iludidas de que o mal do Brasil inteiro estava ali na suprema corte e não na somatória das suas próprias ações individuais, cotidianamente repetida e emburrecidamente encobertas.
        Diziam que devido aqueles 11 ministros, o presidente era impedido de governar e se o povo os tirasse dali e entregasse todo o poder do país ao seu supremo líder, o país inteiro seria um paraíso, com cordeirinhos correndo na grama, brincando com leões, semelhante as pinturas dos panfletos dos TJs.
        “Todo poder ao nosso messias”! Eles diziam indiretamente.
        Como os mulçumanos maculavam a cidade santa, os 11 de capa preta maculavam nossa capital federal (eles pensavam).
       “Sitiai Jerusalém”, diziam os profetas da idade média!
       “Sitiai Brasília”, disseram os nossos profetas!
       Além de ser cômico, foi muito trágico!
        Nunca mais o 7 de Setembro será visto sob a mesma ótica.
        Por sorte a grande maioria sairá desta cruzada com vida, apesar de alguns já presos ou destinados certamente à prisão.
         Além dos “barqueiros que amam a obra de deus”, havia também nessa nossa cruzada, alguns empresários financiando essa empreitada assim como naquela época. Boa parte desses eram massa de manobra e outra parte com poder de manobrar.
         Os que acharam ter conquistado a cidade Santa durante a noite, pela manhã tiveram de enfrentar a dura realidade de que eles é quem foram conquistados (ou traídos).
        Ainda tivemos entre os tais, alguns que agiram com violência contra os próprios colegas de profissão (mais lúcidos) que se recusaram a bloquear as estradas.
        Do topo ao fundo do poço em questão de horas. Quanta decepção!
         Como sempre, todo profeta místico é confuso e aleatório, para que quando acontecer (caso aconteça) o vidente leve crédito pelo que dissera mesmo sem nada ter dito, apenas insinuado. Esse messias tem o mesmo dom: depois de dizer algo ele “desdiz” ou então afirma ter dito uma coisa e seus seguidores (ou a impressa lixo-como ele diz) interpreta outra.
          O golpe final viera na tarde de Quinta-Feira dia 9 quando ele declaradamente pedia desculpas àquele que há mais de dois anos acusava de abuso de autoridade e o ameaçava “pelas entre linhas” de prendê-lo à qualquer momento.
          “Jaz aí o vosso messias diante do próprio carrasco implorando misericórdia depois de tê-lo afrontado”! A impressa retratava.
         Esse momento ficará pra história!
         Os que ainda continuam a florear tudo o que o messias diz, como sempre mudarão a versão do que fora dito anteriormente dizendo que isso é um gesto de nobreza pois até cristo se deu à crucificação diante do seu carrasco.
        Os mais sensatos registrarão os fatos com maior lucidez e riqueza de detalhes. Os que fazem memes e humoristas terão conteúdos prontos por meses à fio sempre precisar cavar muito.
        O melhor de tudo nessa história é que apesar do papelão à nível internacional, aquilo que os bravateiros juravam acontecer não aconteceu (para o bem de todos).
        Bem verdade é que precisamos de paz, de harmonia e coesão entre os três poderes.  Todos pareciam saber disso menos o nosso messias que só agora se deu conta desse detalhe.
         Ainda bem! Melhor um leão que virou um gatinho que todo um país sofrer por esse delírio fascista. O povo do cercadinho não merece tanto. Não merece que ele reine como imperador sobre todos apenas para agradar a um punhado de imbecis!
        Quem dera esse mesmo povo caísse na real e se enxergasse como parte principal desse fermento que leveda toda massa.
        Mas eles não se enxergam! Acham que também estão dentro dos planos santos para apoiar “moralmente” o seu messias.
         Os realmente fanáticos por esse homem não se importam quantas vezes o mesmo venha mudar o discurso, suas prioridades e seus ataques a quem quer que seja (inclusive aos próprios aliados): eles continuarão mesmo assim venerando o lado patético dessa figura.
         Mais triste ainda é saber que o presidente eleito acredita que a bajulação 200 pessoas de um cercadinho diário corresponde a vontade total de 200 milhões de cidadãos desse país continental.
         Que confusão, que mediocridade!
         Sabe-se quem em todo agrupamento humano, onde há uma figura que se destaca o repúdio e a bajulação andarão lado a lado, contra ou à favor do objeto de apreço e isso é até certo ponto normal...mas acreditar piamente que um punhado de gente que cabe em 4 ónibus fala por toda uma nação, aí já é demais...
          “Acudam, acudam, acudam a bandeira nacional...” Os mais sensatos estavam quase a gritar!
        Só não se sabe ainda qual foi o palhaço que deu o sinal: se foi o que usa a faixa presidencial ou os que foram iludidos a saírem nessa cruzada insana em que um auto golpe era anunciado.
         Sabe-se apenas que o fogo do circo foi apagou, ainda bem!
         Tomara que não cheguemos na parte da música onde se diz: “um pacote de Bombril, só paga mil” ou “quem se mexeu, saiu”!
         Aos bravateiros, aos fanáticos e aos que passam pano em tudo: é bom lembrar sempre que os barqueiros HUGO o ferro e GUILHERME o porco, estão doidinhos para atravessar de graça criancinhas inocentes ao outro lado do mar! Você pode ser uma delas se não se cuidar!
    Saúde e Sanidade à Todos!
    Revejam Sempre seus Conceitos!
  • A distancia

    A distancia pode impedir você de ver alguém, mais não pode impedir seus sentimentos
  • A Educação Obrigatória é um crime contra as crianças

    Para falar sobre educação, devemos saber como se dá o processo de aprendizagem.
    Toda criança nasce desprovida do poder de raciocínio, o qual distingue os homens dos animais. Sabendo que a criança poderá se tornar um ser humano adulto, ela é tem, potencialmente, a capacidade de raciocinar dentro dela.
    A medida que a criança cresce ela cria fins e descobre meios para alcançá-los. Esses fins são baseados em sua personalidade e seu conhecimento dos meios é baseado no que aprendeu ser mais apropriado.
    Quando ela se torna adulta, ela desenvolveu suas faculdades o quanto pode. Todo esse processo de desenvolver as facetas da personalidade do homem é sua educação.
    Para desenvolver as facetas de sua personalidade a criança não necessita de instrução formal sistemática, pois isso está dentro do espaço direto de sua vida cotidiana, ou seja, não exige grandes exercícios das capacidades de raciocínio.
    Porém, para desenvolver o conhecimento intelectual, que está fora do espaço direto de sua vida cotidiana, envolve um exercício muito maior de seu cérebro. Para desenvolver esse conhecimento é necessária instrução sistemática, uma vez que o raciocínio progride em etapas lógicas ordenadas, organizando observações em um corpo de conhecimento sistemático. A criança, então, tem que desenvolver capacidades de raciocínio e de observação.
    Necessitando de instrução sistemática ela tem 3 opções, o livro, o instrutor e a combinação livro e professor.
    O livro apresenta assuntos de forma completa e sistemática, já o instrutor conhece o livro e lida com a criança diretamente e pode explicar pontos de dúvida e de difícil compreensão.
    A combinação do livro e instrutor é a melhor para a instrução formal.
    Serão necessárias 3 ferramentas básicas, a leitura, a escrita e a aritmética.
    Através da leitura ela poderá estudar ciências naturais, história e geografia e depois economia, política, filosofia, psicologia e literatura.
    A escrita irá ajudar no aprendizado, pois ela ramificará esses vários assuntos em ensaios e composições.
    A aritmética irá lhe possibilitar usar números simples até as partes mais desenvolvidas da matemática, sem falar que ela poderá ajudar no processo de desenvolvimento no raciocínio lógico da criança.
    A principal dessas 3 é a leitura, e para aprendê-la o alfabeto é a ferramenta principal e lógica.
    Agora, falando sobre a personalidade, cada criança tem a sua, o que permite no futuro ter um grande espectro da especialização da divisão do trabalho.
    As habilidades e interesses de cada criança é natural que seja variado. E tentar uniformizar os interesses é um crime contra a criança, uma vez que nega os princípios fundamentais da vida e do crescimento humano.
    Deve ficar claro que nem a razão e nem a criatividade podem funcionar numa atmosfera de coerção. Isso quer dizer que, o melhor tipo de instrução formal é aquele que é adequado para a personalidade individual da criança, ou seja, a instrução individual. Somente na instrução individual as potencialidades humanas podem desenvolver em seus níveis mais altos.
    Isso quer dizer que existe uma grande injustiça no Brasil que é proibir que os pais ensinem seus próprios filhos ou paguem um instrutor para os ensinar. Além dessa injustiça tem uma outra que se chama Base Nacional Comum Curricular, uma vez que ela impõe padrões uniformes ela causa um sério dano à diversidade de gostos e aptidões humanas. Mais ainda: ela força crianças com pouca capacidade de raciocínio à escolaridade, e isso uma ofensa criminal às suas naturezas. Sem falar que indiretamente a Base Nacional Comum Curricular não permite que surjam escolas diferentes para cada tipo de demanda, uma vez que cada escola deve seguir essas imposição. Em decorrência disso, todas as crianças da nação serão obrigadas a seguir os mesmo conteúdos, mesmo que elas tenham personalidades e aptidões diferentes.
    Então vem a questão, quem deve ser o supervisor da criança? Os pais ou o estado?
    Os pais são os tutores naturais da criança, uma vez que foram eles  que conceberam-na sob um contrato legítimo entre homem e mulher. Já o estado não tem relação alguma com a criança, sem falar que ele decreta o que deve ser obedecido sob risco de prisão. A criança, sendo tutelada pelo estado, irá crescer sob as asas de uma instituição que repousa sobre a violência e restrição. Tirania de modo algum é compatível com o espírito do homem, já que ele exige a liberdade para seu pleno desenvolvimento.
    Com a educação e a tutela exclusivamente sendo dominada pelo estado, surge uma raça passiva de gados servidores do estado, onde no livre mercado seriam homens independentes e com conhecimentos diversificados.Além do mais o controle estatal da educação promoveu o impedimento à educação ao invés do verdadeiro desenvolvimento do indivíduo.
    Atualmente no Brasil a educação é compulsória, caso as crianças não sejam mandadas para as escolas privadas, elas devem ir para a pública, o que nos leva a pensar que grande parte das crianças da escola pública não queriam estar lá, mas a lei obriga seus pais ameaçando-os de prisão ou de sequestro institucionalizado de seus filhos.
    Além do mais, a educação obrigatória força as crianças com pouca capacidade de raciocínio à escolaridade, porém isso é uma ofensa criminal às suas naturezas, pois elas, em sua maioria, não querem estudar e não conseguem progredir intelectualmente em um sistema no qual é impossível que ela seja atendida e ajudada em sua particularidade.
    Já dizia Isabel Paterson: "Um sistema de educação obrigatória, financiado pelos impostos, é o modelo completo de um estado totalitário."
    O economista Murray N. Rothbard em seu livro “Educação: Livre e Obrigatória” fez a seguinte analogia:  “O que pensaríamos sobre uma proposta do governo, federal ou estadual, de usar o dinheiro dos pagadores de impostos para criar uma rede nacional de jornais públicos e obrigar todo o povo, ou todas as crianças, a lê-los? O que pensaríamos se, além disto, o governo proibisse todos os jornais que não se encaixassem aos “padrões” do que uma comissão do governo acha que as crianças devem ler?”
    É evidente que um proposta dessa seria, por muitos, considerada um horror e um ataque à liberdade de expressão, porém essa é exatamente a ação do governo em relação à instrução formal. Ele regula o que é escrito nos livros, o que deve ser ensinado e como deve ser ensinado, regula quem pode ou não trabalhar como instrutor, e, ainda mais, faz tudo isso com o dinheiro dos “contribuintes”. A questão que está sendo colocada é se a liberdade escolar é tão importante quanto a liberdade de expressão, a educação obrigatória tem que ser vista com maus olhos e ser repudiada ao máximo, uma vez que ela irá moldar toda sociedade da forma que o estado quiser.
  • A epistemologia genética de Jean Piaget

    Esta é uma seção do Capítulo 4 do livro "Terapia e Cosmovisão" que estou escrevendo e que está disponível em http://ctbornstl.blogspot.com.br. Como o capítulo pode ser lido fora do contexto do livro, achei que caberia colocá-lo aqui. Uma ou outra referência geral ao livro pode ser ignorada sem prejuízo do entendimento. Faço uma apreciação geral da epistemologia genética de Piaget.

    Como foi dito na introdução, este livro não é um trabalho acadêmico. Pouco espaço é dedicado às referências bibliográficas e pouco valor é dado à tentativa de respaldar as idéias em literatura. Porque então dedicar uma seção à Piaget? Esta pergunta é ainda mais importante se lembrarmos que nenhuma seção foi dedicada a Freud, sendo este autor tão ou mais importante para a psicologia do que Piaget o é para a educação ou o aprendizado. Cabe lembrar que psicologia e aprendizado são dois dos pilares nos quais se apoia o presente livro.

    A resposta à pergunta formulada acima é simples. Piaget é um humanista e a visão dele tem muita coisa em comum com a visão aqui apresentada. Em contrapartida, Freud é um cético e sua visão do ser humano é extremamente negativa e apresenta poucos pontos em comum com a presente cosmovisão. Não quero, de forma alguma, diminuir a enorme contribuição de Freud para o entendimento da psique humana. Certamente Freud foi muito mais revolucionário do que Piaget e a importância de fatores como sexualidade, inconsciente, sonhos, repressão e sublimação nos distúrbios psíquicos, deve muitíssimo a Freud. Acontece que o foco do presente livro não são os distúrbios psíquicos, mas sim uma cosmovisão terapêutica, e aí a contribuição de Piaget é maior. O foco em Freud é como curar doentes, ou seja, o foco é no remediar. O foco em Piaget é em prevenir a doença, ou seja, em como criar homens sãos.

    Nos parágrafos a seguir, vamos descrever brevemente as idéias principais da epistemologia genética de Piaget, em especial, as idéias que tem ligação com o material que está sendo aqui apresentado. Cabe lembrar que Piaget trabalhou também com educação infantil e isto será quase que inteiramente deixado de lado.

    A teoria de Piaget parte da idéia de que o desenvolvimento humano é um longo processo que surge de uma interação entre o ser e o mundo. Ele contesta a suposição da psicanálise de que este desenvolvimento é fruto de instintos (pulsões ou Triebe) bem como a suposição do behaviorismo de que o ele é resultado do mecanismo estímulo-resposta [1].

    Piaget teve como tarefa principal examinar a gênese do conhecimento e por isto a sua teoria é conhecida como epistemologia genética. Ele verificou que o desenvolvimento do conhecimento ao longo da vida de uma pessoa passa por mudanças qualitativas além das quantitativas. Assim, existe uma mudança do concreto para o abstrato, do simples para o diferenciado. Ao longo do tempo, o conhecimento torna-se mais sistemático, flexível e adaptado às circunstâncias, ou seja, à realidade.

    É o indivíduo que constrói o conhecimento e é a verificação da inadequabilidade de certas concepções para explicar fatos e experiências do dia a dia, que nos leva a corrigi-las. É por isto que a teoria de Piaget é denominada de construtivismo. A inteligência é a construção de estruturas que permitem uma cada vez melhor adaptação às situações que se apresentam. Peças básicas destas estruturas são os esquemas segundo os quais objetos e experiências são ordenados e relacionados.

    O esquema (ou estrutura) fornece um padrão ou um modelo segundo o qual conhecimentos e comportamentos são conectados. Por exemplo, um destes esquemas permite fazer a conexão entre um biscoito e uma mordida cautelosa, bem como entre uma maçã e uma mordida firme. Aqui existe uma conexão entre um conhecimento (cognição) da natureza do alimento e um comportamento (forma da mordida). Evidentemente existem esquemas que fazem conexões puramente a nível de cognição (por exemplo, quando se escuta algumas notas musicais e as associamos a determinado compositor, ou quando determinada idéia nos leva a pensar em outra) ou puramente a nível de comportamento (por exemplo, quando se leva um pisão no pé e se reage com um grito).

    Uma situação que surge é adaptada a um esquema através dos mecanismos de assimilação e acomodação. A assimilação é a incorporação de uma nova experiência a um esquema pré-existente. Neste caso a estrutura cognitiva (esquema) existente é suficiente para lidar com a experiência e percebê-la de forma adequada.

    Existem, no entanto, situações em que é preciso modificar o esquema pré-existente. Por exemplo, a criança desenvolve desde cedo um esquema para agarrar/pegar. Quando ela se depara com um líquido, passa a ser necessária a criação de um novo esquema que, no caso de uma bebida, pode ser o de sorver com a boca, ou, apanhar com a concha das mãos. Aqui trata-se de acomodação, ou seja, trata-se de criar um novo esquema ou modificar um esquema antigo. A acomodação se dá sempre que um fato ou uma experiência não conseguem ser trabalhados / entendidos através da assimilação. A acomodação implica em um certo estágio de desenvolvimento, na medida em que um novo esquema não pode ser criado se não existirem condições para tal. Por exemplo, o novo esquema de apanhar com a concha das mãos só pode ser criado se a criança já tiver habilidade manual para realizar este tipo de operação.

    Nenhum comportamento parte da estaca zero. Parte-se sempre de esquemas pré-existentes. É isto que caracteriza o construtivismo, ou seja, o saber é uma construção em que cada nova etapa leva em consideração as etapas já existentes. As estruturas que compõe a construção podem ser congênitas / inatas, ou então, adquiridas.

    Na verdade, assimilação e acomodação ocorrem conjuntamente e, em maior ou menor grau, estão presentes em toda percepção. Quando a assimilação prevalece sobre a acomodação, ocorre um processo de centralização em si mesmo (fechamento) porque o indivíduo rejeita novas experiências que não se deixam enquadrar dentro de esquemas pré-existentes. O caso extremo é o do autista. Mas também as fantasias deixam se explicar pelo prevalecimento da assimilação. Quando se tecem fantasias, deixa-se de ver a realidade exterior e refugia-se em uma realidade interior (fantasia). A realidade passa a ser representada pela fantasia. Este é o processo utilizado por crianças muito novas que não tem condição de criar novos esquemas para lidar com novas situações.

    Quando a acomodação prevalece sobre a assimilação, padrões comportamentais de outras pessoas passam a ser copiados ou reproduzidos. No caso extremo, passa a não existir um trabalho interior de associação da nova experiência a um esquema já existente. A cada nova experiência é gerado um novo esquema e, frequentemente, esquemas utilizados por outros, são copiados e reproduzidos. Ocorre um processo de descentralização ou de abertura.

    Eu acrescentaria a observação de que estas duas tendências não necessariamente são excludentes. O sujeito pode se concentrar em esquemas pré-existentes e se recusar a conhecer tudo aquilo que entra em choque frontal com eles. Quando, no entanto, as circunstâncias o obrigam a lidar com uma nova situação, ele copia esquemas adotados por outras pessoas.

    Equilibração significa a busca por um equilíbrio entre assimilação e acomodação. Segundo Piaget, somente com equilibração há cognição. Somente neste caso existe transformação da realidade, porque conhecimento é transformação.

    O raciocínio desenvolvido nos parágrafos anteriores pode ser formulado de uma maneira mais geral e mais abstrata utilizando dialética e as categorias de sujeito e objeto. A interação do eu com o mundo se dá através da relação dialética entre assimilação e acomodação. A assimilação se dá quando um estímulo vindo do objeto é integrado em uma estrutura já existente no sujeito. Mas um objeto só pode ser percebido na medida em que existe uma estrutura capaz de percebê-lo. A acomodação significa a criação de uma nova estrutura ou a adaptação de uma estrutura já existente, de forma  que a integração seja possível. Através da síntese dialética entre assimilação e acomodação resolve-se a cisão existente entre sujeito e objeto e gera-se conhecimento.

    Não existe assimilação sem acomodação pois toda integração do estímulo à estrutura, ao mesmo tempo a modifica. Da mesma maneira não existe acomodação sem assimilação pois toda modificação ou adaptação de uma estrutura visa assimilar o estímulo. A acomodação é centrada no objeto enquanto que a assimilação é centrada no sujeito [2].

    A equilibração, ou seja, a busca de um balanço entre assimilação e acomodação se dá em níveis cada vez mais elevados e as estruturas (ou esquemas) vão crescendo em complexidade, permitindo a incorporação cada vez maior de estímulos provenientes do mundo externo [3]. As estruturas do sujeito são acomodadas aos objetos, ao mesmo tempo que os objetos são assimilados às estruturas existentes no sujeito.

    Vimos no capítulo anterior que conhecimento é movimento e este é resultado do embate de contrários. De um lado, temos a assimilação como um processo centrado no sujeito. Do outro lado, temos a acomodação como um processo centrado no objeto. Do embate destas duas tendências opostas temos, como síntese, o equilíbrio do qual resulta o conhecimento. O equilíbrio é provisório, pois logo surgem fatos novos tornando necessária nova busca de equilíbrio.

    Piaget considera o ser humano como um sistema aberto. Ele deixa claro que o conhecimento é ativo, ou seja, só conhecemos aquilo com o qual interagimos, para o qual temos esquemas já desenvolvidos (assimilação) ou para o qual temos condição de desenvolver novos esquemas (acomodação). Piaget se baseia em uma visão biológica quando diz que o conhecimento é parecido com o sistema digestivo pois só colocamos para dentro aquilo que nos interessa e que temos condição de digerir.

    À diferença de Piaget eu não consigo ver o problema da existência dissociado do conhecimento. Para mim, dissociar existência de conhecimento é metafísica, ou seja, é abandonar o domínio da realidade. Se o objeto existe é porque dele tive conhecimento, o que, de forma alguma, implica na necessidade de um contato físico ou sensorial com o objeto. A existência de uma galáxia distante, de uma anã branca ou de um buraco negro não chega a ser uma experiência sensorial, embora isto possa ser contestado, porque cálculos matemáticos e observações feitos através de aparelhos e instrumentação, podem ser equiparados a experiências sensoriais [4].

    A percepção é uma construção. Esta é a razão porque a epistemologia genética de Piaget é classificada como construtivismo. Os olhos não são janelas por onde a realidade entra, mas, pelo contrário, a percepção da realidade é uma construção da qual os olhos fazem parte. A percepção que eu consigo ter de um certo objeto através da visão é totalmente diferente da percepção que uma jararaca consegue ter do mesmo objeto. Um exemplo mais realista é a percepção de um cego. Ele tem um conhecimento da realidade diferente de uma pessoa que consegue enxergar e este conhecimento do cego vai moldar a sua personalidade, os seus gostos e interesses. É conhecido o fato de só se ver aquilo que se quer ver, que interessa ver e que temos condição de ver. Este interesse e esta condição é fruto da nossa formação, das experiências que tivemos e do desenvolvimento dos nossos órgãos sensoriais. Se uso óculos de infravermelho eu tenho um conhecimento de uma floresta à noite, muito diferente do conhecimento da mesma floresta sem este recurso. Se esta experiência for repetida por um período prolongado, ela afetará a minha percepção da floresta, podendo inclusive afetar a forma de lidar com ela. A percepção da realidade é parte da nossa formação.

    Para conhecer o objeto, há que interagir com ele, há que transformá-lo [5]. Conhecimento é ação. Ele depende do desenvolvimento do sujeito, da sua inteligência e é ela que conduz à objetividade. A objetividade não é uma propriedade restrita ao objeto, como consideram os empiristas, mas sim é o resultado de uma construção que envolve sujeito e objeto.

    Em Piaget’s Theory, ele explica o desenvolvimento da criança, utilizando os conceitos de centralização e descentralização [6]. Durante os primeiros anos, a criança permanece centrada em si mesmo, no seu corpo e nas suas ações. O gradual equilíbrio entre assimilação e acomodação leva à descentralização, e a criança, progressivamente, aprende a conhecer outros pontos de vista e a interagir com outras pessoas, favorecendo a objetividade [7]. A componente social implica em uma visão coletiva do objeto, das coisas e dos acontecimentos. Reciprocidade e objetividade são sinônimos. Implicam em abandonar a visão egocêntrica da subjetividade [8].

    Piaget, na pg. 120 do trabalho acima citado, narra a história de um esquimó que, perguntado porque sua tribo conservava determinados ritos, responde: conservamos os nossos velhos hábitos a fim de que o universo se mantenha. A dialética nos ensina que tudo se passa nos dois sentidos, causa torna-se efeito e vice-versa. O hábito não é tão somente uma adaptação ao meio em que vivemos, mas, é também, ele próprio, formador deste meio. O mundo é também constituído pelos nossos hábitos, e sem eles o mundo não seria do jeito que é.

    Com respeito à centralização/descentralização é interessante comparar as diferentes perspectivas de Freud e Piaget em relação ao antropocentrismo. No final da palestra XVIII das Conferências Introdutórias sobre Psicanálise, Freud qualifica as mudanças históricas das posições antropocentristas, utilizando a palavra mágoa (Kränkung) [9]. O fato da terra não mais ocupar o centro do universo (Copérnico), o fato do ser humano não mais ocupar o centro da criação (Darwin) e o fato da psicanálise mostrar que o ser humano não mais é guiado pelo consciente, representariam mágoas que acometem a humanidade. Já Piaget mostra que, pelo contrário, estas são conquistas que representam crescimento. O centrismo, seja egocentrismo, etnocentrismo ou antropocentrismo representariam a infância e a imaturidade (veja pg. 122 da obra de Piaget citada acima).

    Para Piaget, aprendizado e conhecimento são conceitos de significado semelhante. Trata-se da construção do mundo através da percepção. Esta percepção se aproxima do objeto, ou seja, o objeto é um limite. O aprendizado é uma adaptação do sujeito ao mundo que o cerca, mas é também uma adaptação do mundo ao sujeito, já que o mundo inclui o sujeito, a sua ação e percepção [10].

    Na pg. 4 de Genetic Epistemology Piaget ressalta que conhecimento não pode ser baseado em raciocínio especulativo. Tem que se respaldar em fatos e em pesquisa psicológica [11]. Com esta afirmação Piaget ressalta a base empírica do conhecimento. O conhecimento, no entanto, não é tão somente resultado de estímulos externos como acreditam os positivistas. É necessário que estes estímulos sejam assimilados e acomodados pelo eu.

    Epistemologia genética é soma de empirismo inglês com racionalismo Kantiano. Temos experimentação psicológica aliada à formalização. Nesta última, o ferramental lógico-matemático desempenha papel fundamental. De um lado temos o objeto, o mundo externo, a experiência. Do outro temos o esquema, a estrutura ao qual o objeto tem que ser assimilado. Piaget ainda junta Hegel a Kant quando ressalta a importância do movimento, da ação e da transformação da realidade.

    Na pg. 6 ao falar da Epistemologia Genética Piaget faz uma bela síntese da sua teoria do conhecimento ao dizer que ali o leitor encontrará a exposição de uma epistemologia que é naturalista sem ser positivista, que coloca em evidência a atividade do sujeito sem ser idealista, que se apóia igualmente no objeto ao mesmo tempo que o considera um limite (portanto, existindo independentemente de nós, mas sem ser completamente alcançado) e que, sobretudo, vê no conhecimento uma construção contínua... [12] Aqui vale a pensa ressaltar que embora Piaget se apóie em Kant no que tange à formalização e à estruturação do conhecimento, dele se distancia no que tange ao idealismo. A rejeição do puramente especulativo, o respaldo na experimentação e a consideração de ação e interferência com a realidade, dão testemunho deste distanciamento.

     

     

    [1] A parte inicial desta seção é baseada no trabalho de Kerstin Hecker, intitulado Jean Piagets Theorie der geistigen Entwicklung, acessado em outubro de 2018 em https://userpages.uni-koblenz.de.

    [2] Veja também texto de autoria de Dennis Hohmann intitulado Jean Piaget – die kognitive Entwicklung in der genetischen Erkenntnistheorie, Escola Superior Vechta, 2006, consultado em janeiro e fevereiro de 2019 em www.dennishohmann.de.

    [3] Aqui temos em Piaget implícita a idéia do todo uma vez que a incorporação cada vez maior de estímulos acaba resultando no todo, ou melhor, se aproximando dele.

    [4] O que é um telescópio mais do que a extensão da nossa visão? Qual a diferença conceitual entre um telescópio e um simples óculos? Ambos se compõem de lentes. O computador nada mais é do que a extensão e o empoderamento do nosso cérebro. E o cérebro está ligado aos nossos sentidos. De uma maneira ampla podemos dizer que visão e tato participam dos cálculos de um computador, porque os cálculos nunca poderiam ser feitos sem que fossem vistos ou percebidos através dos sentidos. A construção de um pensamento se dá através da escrita, da fala ou da digitação. O cérebro pode pensar, mas este pensamento só consegue ser exteriorizado através dos sentidos. E qual seria o significado de um pensamento não exteriorizado? Mesmo em um caso hipotético futuro, em que eletrodos fossem instalados no nosso cérebro, podemos entendê-los como extensão dos nossos sentidos, da mesma forma que uma perna mecânica é uma extensão da perna normal.

    [5] Aqui entra a dialética, apesar de Piaget não mencionar explicitamente este conceito.

    [6] Veja J. Piaget, Piaget’s Theory, em Piaget and his school, Editores: B. Inhelder, H.H. Chipman, C. Zwingman, Springer Study Edition, 1976.

    [7] A objetividade é uma tendência, um limite para o qual se tende à medida que o conhecimento aumenta.

    [8] Veja Jean Piaget, Para onde vai a educação? Editora José Olympio, 20. Edição, 2011, pgs. 118 e seguintes.

    [9] S. Freud, Vorlesungen zur Einführung in die Psychoanalyse, Gustav Kiepenheuer Verlag, 1935.

    [10] Veja entrevista de Jean-Cleaude Bringuier com J. Piaget em Jean Piaget – Ein Selbstportrait in Gesprächen, Weinheim, Beltz Verlag, 2004, pg. 169 citado em Hohmann pg. 8, obra já referenciada.

    [11] Veja Jean Piaget, Genetic Epistemology, primeira de uma série de palestras dada na Columbia University e publicadas pela Columbia University Press, traduzidas por Eleanor Duckworth e consultado por mim em www.marxists.org em 08/2018.

    [12] Jean Piaget, Epistemologia Genética, Editora WMF Martins Fontes Ltda. 4ª. Edição 2012.
  • A EUGENIA DOS SANTOS

      Outro dia recebi em minha casa uma “ilustre pessoa de deus”.
       Era pra ser apenas uma visita rápida de negócios e resolvemos conversar na minha biblioteca mesmo.
       Entre uma conversa e outra notei que a pessoa olhava fixamente para um ponto em minha estante de livros com um certo olhar de espanto com se tivesse visto um fantasma.
       Perguntei o que a atraia tanto e ela apontou para um objeto e em um tom de voz que mesclava o medo e o asco falou:
    -Você tem ligações com as trevas, não é?
    Eu lhe disse:
    -Depende. Não sei o que você considera como trevas!
    Ela retrucou:
    -Você tem a cópia de um crânio humano em sua prateleira de livros. Isso é coisa de bruxo, de gente que mexe com o “coisa ruim”!
     A minha primeira reação foi de surpresa e a segunda foi de risos!
     Tive um crise de risos que cheguei a lacrimejar e a deixei muito desconfortável com sua “brilhante dedução” sobre minha pessoa.
      Depois do riso, a minha terceira reação foi a de decepção!
      Pois é....eu esperava tamanha bobagem de qualquer outra pessoa, menos daquela.
      Eu julguei que pelo fato dela estar em conclusão do seu terceiro curso universitário, ela seria diferente dos demais abobalhados da fé, que andam procurando chifre em cabeça de cavalo ou que enxergam demônios em tudo e em todos que não faça parte do seu círculo místico de crenças. 
      Mas eu estava redondamente enganado. Ela era mais do mesmo apesar de tantos diplomas!
      Eu estava confundindo graduação superior com inteligência e o frequentar de muitas escolas com sabedoria. Essa era mais uma experiência negativa à ser agregadas às tantas outras no que diz respeito a “sabedoria dos santos”.
       O objeto em questão apontado por ela como símbolo demoníaco em minha estante, era apenas a parte inferior de um crânio humano em tamanho reduzido, feito de PVC, cujas partes colecionáveis eram vendidas separadamente em uma revista infantil.
      Meu objetivo era montar todo o sistema ósseo humano, mas a revista saiu de circulação e mal consegui montar por completo a cabeça.
      Para aquela pessoa que alegava ter a mente de cristo, aquele objeto era o suficiente para me associar ao satanismo ou a outra coisa semelhante, sempre no sentido pejorativo já que ela não conhece os fundamentos da própria fé, quanto mais da crença alheia.
       Ela só estava sendo uma crente comum, demonizando o que desconhece enquanto tenta exaltar os valores morais distorcidos que sua igreja lhe impõe.
       Tivemos de mudar de assunto, pois minha forma de resposta não verbal e não agressiva a deixou muito desconfortável.
        Ao que parece, ao me afrontar ela esperava que eu entrasse na defensiva e que se justificasse perante ela, arguindo então o motivo pelo qual tinha em meu poder tão “macabro objeto”, para que assim, por meio de sua própria visão doentia de mundo, ela pudesse me dar “lições de vida”, ensinando-me ensinando os “caminhos da verdade segundo ela mesma. Só que eu estava em minha casa e mesmo se estivesse em erro, não caberia dar-lhe satisfação alguma.
       Essa é uma tática muito usada pelos abobalhados inquisidores da fé: eles apontam algo em ti ou em sua posse que ao ponto de vista deles parece ser um erro, para depois te dar um sermão tosco, e independente do que você diga, ele vai lacrar em cima disso de qualquer jeito, fazendo com que você sinta culpa e inferior a ele. Nesses casos, mesmo te ofendendo desnecessariamente vão saí por ai achando que prestou um serviço público aos reinos dos céus e que vencera mas uma batalha contra o capeta que estava em sua vida.
       Mas não foi isso que ocorreu comigo. Eu apenas ri descontroladamente e isso a desnorteou e ao invés de se achar superior, ela se sentiu patética com tal observação, principalmente por que não lhe pedi opinião à cerca de nenhum objeto em meu pertence e o instituto da conversa era apenas comercial.   
    ...
       Despois que ela saiu fiquei me perguntando o quão mentalmente perturbado um fanático religioso pode ser, ao ponto de julgar o caráter e a história de vida de outrem baseado num fútil descrição de um simples apetrecho decorativo.
        Quanta presunção, quanto orgulho, quanta babaquice!
         Me pergunto diariamente o quão corrosivo é a “verborragia de um salvo” quando estão à exaltar sua própria conduta e visão pífia de mundo. Sempre reflito sobre os males que isso traz ao ambiente em que eles vivem e interagem.
        Nessa minha estante por exemplo, havia quase 2 mil livros e revistas abordando diversos campos do saber humano, mas ela não notou ou não quis notar nenhum deles.
        Havia inclusive 8 bíblias em 5 idiomas diferentes. Ela também não quis destacar isso!
        Além dos livros e do objeto de sua afeição, havia também outros itens que se destacavam à distância, a exemplo de um microscópio amador; duas daquelas balanças que a deusa Themis segura, simbolizando o direito e a justiça; um violão; um par de luvas de boxe; um skate e minha maleta do curso de jornalismo contendo um laboratório portátil com itens básicos para produção de pequenas produções.
       Ela também não notou nenhum desses pertences.
       Ela viu apenas o que queria ver e ainda por cima deu um sentido maligno a algo que poderia ser relacionado a qualquer outra coisa, menos à bruxaria ou ao satanismo naquele contexto.
       Pela quantidade de bíblias que ali havia, ela poderia presumir que eu fosse uma pessoa boa, ou um devoto religioso, já que eles costumam dizer que é do bem quem porta ou fala da bíblia.
       Pela quantidade de livros diversos, ela poderia dizer que eu era um grande estudioso.
       Pelos objetos acima descrito enfeitando a mesma prateleira, ela poderia associar minha imagem à de um cientista, advogado, esportista, músico, jornalista e até mesmo a de um médico ortopedista ou neurocirurgião pois o único item que a interessou dava margem pra essa interpretação.
       Porém, de livre espontânea vontade e com ar de superioridade ela preferiu me comparar a um ser tenebroso, que tinha ligação com o demônio, mesmo quando minhas palavras e ações não tinham nenhuma correlação com tal pressuposição e ela sabia disso por que nos conhecíamos há alguns anos.
        Por um instante pensei que essa pessoa tinha lido algum de meus textos e os tinha interpretado de forma errada, já que isso é comum à nossa gente.  Mas também não foi isso que ocorreu.
        Ela nem sabia que eu escrevia textos como esses, voltados aos questionamentos da fé, da religião e das babaquices humanas no que dizem respeito a idolatria ou ao temor irracional por “pessoas de deus” ou seres mistificados.
        Entre mais de 2 mil itens para ser analisado, ela escolheu um para tentar me diminuir segundo sua pobreza de espírito.
        Lembrei-me que o único modo de um medíocre sentir-se grande é reduzindo ao nada outras pessoas ou suas obras.
       Mas o caso dela ia além disso, pois ela dizia em outras ocasiões ter a mente de cristo, fazendo alusão ao fato de fazer parte de uma determinada igreja evangélica.
        Lembrei de algo que particularmente chamo de A EUGENIA DOS SANTOS.
        Trata-se do modo como cada grupo religioso faz suas próprias “seleções das espécies” criando qualidades para si e defeitos para os outros, e em cima dessas “virtudes e defeitos” passam a julgar a tudo e a todos sob sua ótica perversa, medonha e perturbada.
        Este comportamento individual ou grupal é capaz de transformar qualquer paraíso em um inferno e qualquer relação pessoal pacífica em uma guerra infindável.
        Me lembrei que não há “geneticista” melhor e mais conceituado no mundo que uma pessoa convicta de sua própria fé (religiosa), cujas fontes de inspiração e pesquisas são apenas suas “conversas particulares com deus” e sua própria interpretações bíblicas.
        Estes são criadores natos de “fenótipos e genótipos espirituais”.
        Quando não estão criando, estão fazendo suas “pesquisas científicas segundo a fé”, selecionando pessoas, suas crenças e seus pertences para assim averiguar quem por acaso se encaixa nos padrões de santidade segundo a sua débil perspectiva de vida.
       É mais um menos assim: em um belo dia um deles acorda e diz que deus falou que o modo correto de agradá-lo é andar de lado como caranguejo.
       Pronto: à partir daquele dia em diante quem andar para frente como comumente fazemos, será visto como alguém que resolveu afrontar diretamente ao criador do universo e todas as moléstias do mundo será fruto dessa rebeldia.
        Eles então farão discursos, tratados, epopeias, salmos e provérbios baseados nesse tema e se dirão superiores à todos os que não seguem suas maluquices.
        Se o movimento deles crescer e alcançar algum político poderoso ou autoridade jurídica, o que antes era visto como um movimento de gente maluca poderá se tornar um imposição social com direito a perseguir e exterminar quem se recusar a obedecer tal “ordem divina”.
       Tem sido assim desde sempre em quase todos os movimentos religiosos. Quanto mais radicais, mas imposição farão a todos.
       Que seja testemunha disso os mil anos de império das trevas promovido pela igreja católica romana o atual talibã, além todos os movimentos religiosos radicais de qualquer povo ou época.
       Qualquer pessoa ou “movimento divino” que hoje é motivo de chacota, amanhã poderá estar ditando as regras do jogo se não nos dermos contas de suas intenções não expressas verbalmente.
        A quem ainda não se deu conta, muito se fala sobre o eugenista que influenciou Hitler a destruir “povos inferiores” para que os humanos perfeitos (os alemães) pudessem florescer e dominar o mundo, mas pouco se relata que as principais formas de eugenia sempre ocorreu nos círculos religiosos.
        O velho testamente por exemplo está abarrotado de citações em que “deus ordenou" invadir vilarejos ou cidades inteiras e matar a todos os habitantes por considera-los idolatras e voltados ao paganismos, sendo que o seu “próprio povo” era uma cópia exata dos povos que tentavam exterminar.
       O eugenismo é o racismo disfarçado, e o “racismo santo” é o pior de todos os tipos que existe, pois vem sempre disfarçado de boas intenções e floreios em nome de uma divindade qualquer.
       Em nome desse eugenismo mata-se e morre todos os dias desde que o mundo é mundo.
       Quem o faz alegar ter boas intenções. Inclusive eles dizem estar à serviço de um ser superior da mais alta patente das hierarquias celestiais. Um embaixador dos céus é o que todo racista da fé atesta ser e quem o confrontar estará atiçando a ira do próprio deus e suas hostes celestiais.
        Estas pessoas grotescas que alegam conhecer “o profundo e o escondido de deus”, olham para um ateu e o desprezam, o julgam como filho do demônio e chegam ao cúmulo de atribuírem as mazelas do mundo ao simples fato de uma pessoa ou um grupo não crer em deus.
        Ser ateu é simplesmente não crer em deus e pronto! O fato de negar uma fé não torna uma pessoa boa ou má, apenas menos submissa a um “deus” ou a uma hierarquia eclesiástica.
        O fato de afirmar uma fé também não. São apenas palavras vazias motivas por um anseio de aceitação social.
        Na teoria, um cristão é um deísta. Na prática, ele é tão ateu quanto um ateu comum, com a única diferença que um “ateu raiz” prefere não crer em nenhum tipo divindade já fabricada pelos homens, enquanto que um “ateu cristão” desacredita em todos os outros deuses, menos um, que é o “dele”, qual ele chama de único e verdadeiro.
        Seria muita sorte para alguém que em mais de 200 mil deuses já inventados, a pessoa pudesse selecionar um e dizer ter escolhido o certo.
        O racismo santo cria essa ilusão.
        Mas não é só isso! Esse tipo de preconceito faz com que o preconceituoso se ache no direito de invadir terreiros de cultos africanos com o intuito de destruí-los ou quebrar imagens de esculturas e objetos públicos ou particulares, cujos símbolos sejam por eles interpretados como sendo uma afronta ao seu deus ou às suas crenças religiosas.
        Sem falar que além de atacar os que não são de sua fé, esse tipo de gente tem esse mesmo asco quando atacam os de sua própria religião, alegando que estes outros irmãos estão fora da vontade de deus e por isso precisam ser punidos.
        Cada soberbo desse tipo olha para outro crente e diz (ainda que não seja com palavras): sou melhor que você por que uso o véu; por que guardo o sábado; por que não como certos alimentos; por que dou o dízimo; por que faço orações no monte; por que sou batizado com o espirito santo; por que tenho um cargo na igreja; por que sou casado no civil e por isso já me batizei nas águas; por que na minha família não tem gays; etc, etc, etc. Cada grupo ou pessoa toma para si um característica, a torna como objeto da estima divina e passa a desprezar a fé alheia, incluindo os de sua própria igreja.
        Já vi inúmeras vezes gente à beira do manicômio por dar ouvidos a esses bobagentos.
       Eles nada de proveitoso produzem para a sociedade, mas travam guerras hediondas entre eles mesmos valendo-se dessas premissas. E o pior: arrastam para esse conflito qualquer incauto que não esteja vigilantes quanto às suas reais intenções que é a de sentir-se superior aos outros.
       Eles são como os “Arianos de Cristo”, por assim dizer!
       No atual governo brasileiro esse tipo de gente tem ganhado destaque e qualquer um que saiba citar pelo menos um versículo bíblico publicamente, já se acha um JEDI, pronto para liderar uma batalha intergaláctica contra o império das trevas.
       “E CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ”!
        Já diz repetidamente nosso “amado presidente” com o intuito de convencer os de pouco cérebro de que seu governo é realmente regido por deus.
        O “povo de deus” pira com uma citação dessa. Só falta botar um ovo de tanta alegria! É o suficiente para convencê-los de que o arcanjo Miguel e todo exército celestial está à frente do capitão, liderando-os nessa ilustre missão de tirar o país  das forças das trevas.
        É preciso ter mente apurada para não cair nesse tipo de falácia.
        Devemos sempre usar o bom senso quando um crente fanático quiser impor a você as proibições da fé qual ele prega e defende.
        Se isso não for o bastante, um “VTNC” pode ter um melhor efeito!
        Outra coisa que os fazem “pirar na batatinha” e desejar que alguma entidade do culto africano os abençoe e os guarde sempre. Rsrsr. Eles morrem de medo dessas divindades e duvido que te perturbem outras vezes caso assim você os abençoe.
        Brincadeiras à parte, é salutar que as más pessoas com suas más ideias e suas percepções distorcidas do mundo não interfiram na vossa paz, na de vossa família e nos seus negócios.    Nunca bata palmas pra maluco dançar. Você poderá ser o próximo bobo da corte.
       Revejam Sempre Seus Conceitos!
       Saúde e Sanidade à Todos!
    Texto escrito em 9/10/21.
    *Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.
    *Contatos, sugestões, elogios ou outras solicitações podem ser feitas pelo e-mail: revejaseusconceitos@outlook.com

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