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  • De mãos dadas

    Pequenas coisas, ditas ou feitas
    Percebidas, perfeitas.
    Pequenas coisas, como mãos dadas
    Vidas entrelaçadas, idéias pensadas,
    Sorrisos, saudade sendo saciada.
    Se você pode beijar, beije.
    Se você podê abraçar, abrace.
    Antes que as paginas virem
    Antes que sua vida passe.
    Corra atrás do seu sol, mesmo que não alcance.
    Se o dia for de chuva, então dance!
    Um Beijo, um abraço, mãos dadas, a noite é uma criança.
    E tudo vai dar certo, no bater das alianças.

    Dedico a você, realmente forte.
  • Deixe o Karl Cair - 10

    I. Amar denovo
    Não lembro a data e hora da primeira vez em que vi o Kaio, mas lembro perfeitamente o cheiro do seu perfume.
     Kaio era um completo estranho para mim: não havia estudado comigo nem frequentado os mesmos lugares. Tudo indicava que nossos círculos de amizade também não se cruzavam.
     Você pode se perguntar o por quê de eu ter me aproximado 
    repentinamente de um desconhecido, certo? Ele tinha duas coisas muito 
    peculiares: uma coragem insana e um passado misterioso (para mim que não conhecia).
     Praticidade fez parte dos nossos encontros... inclusive, marcamos esse primeiro contato na tarde anterior. Não tínhamos conversado mais do que um 
    "Oi, tudo bem?" , "Quem é você?" , "Legal e tu?" . 
     Foi tudo muito rápido então lá estava eu sentada no banco de uma praça muito ampla e arborizada, com o vapor do sol dos meio dia lutando para tirar   
    A primeira coisa que eu achei bem estranha foi que ele se atrasou mais do que eu. Quando ele chegou eu entendi o por quê: estava bem mais arrumado (desnecessariamente) que a personagem que vos narra.
     Vou descrever para vocês, tô tentando não rir disso, mesmo mesmo... 
     Assim que o vi, parecia gótico, vestindo preto dos pés a cabeça. A única coisa com cor ali era o cabelo dele no sol, que por sinal estava grande, do tamanho do meu para mais. Depois de uma breve conversa, entendi o "style".
     Perguntei-o várias coisas, que de fato eram respondidas rapidamente - 
    tramontina, corte rápido - Ele era sincero, muito sincero. Não demorou muito até que estivéssemos longe dali em um canto mais tranquilo e vazio.
     Eu conhecia aquele bairro e sua vizinhança como a palma da minha mão, por mais que eu tentasse me perder, alguém ia me achar. Foi dito e feito, sentamos em frente a um apartamento em que havia uma curiosa senhora nos observando do terceiro andar. 
     Ela ficava de minuto em minuto entrando e saindo para a sacada, parecia desesperada como se tivesse visto um fantasma.
     Avisei o Kaio que era melhor a gente parar de conversar para ver o que ela iria fazer. Ele quis saber o motivo, então eu disse: fica calado e senta direito que eu acho que ela vai descer para o térreo.
     A senhorinha depois de alguns minutos desceu para o térreo e começou a checar ansiosamente uma pequena bolsinha que carregava na mão direita. 
     Vendo ela assim mais de perto, percebi que era muito parecida com o meu professor de química: se ele fosse uns 20 anos mais velho e uns 15 centímetros mais baixo. 
     O que realmente me fez perceber quem ela era, foi o cabelo cor de fogo que tinha. Não sou muito de reparar em cores, mas que, na iluminação certa, posso ver outras.
     Kaio diferentemente de mim não perde tempo, perguntou se ela era professora. 
    A velhinha riu e disse que tinha sido professora, mas que havia se aposentado há muito tempo (provavelmente antes de eu nascer e com certeza do Kaio também). 
     Quando a senhora perguntou o por quê, respondi que suas feições me lembravam alguém, mas não era nada demais, me despedi dela antes que o Kaio ousasse fazer mais perguntas: a mulher já estava visivelmente incomodada

    II. Vinicius o retorno

    Já fazia três anos que eu não conversava direito com o Vinicius. Eu tinha inventado a maldita ideia de sempre parabenizá-lo em seus aniversários.
    Queria dar parabéns para ele por ter aguentado mais um ano, mas também queria dar um soco na cara dele e chamá-lo de idiota.
     Não sou boa com datas, de verdade. Datas e nomes somem da minha mente numa rapidez impressionante. Já a minha memória fotográfica é ótima, até porque lembrar de nomes parecidos tipo: Mariana, Maria, Mariano, Mariane, Marrie... é difícil. 
     E tem mais: Mateus, Matheus, Marcelo, Miguel, Michel, Manoel (ou Manuel ou Emanuel)...
     O que sobra de criatividade nos pais na hora de escolher o nome do filho, falta na minha capacidade de lembrar tantos nomes parecidos.
    Triângulos amorosos são o tema mais clichê que existe em histórias de romance - colegial - ficção e seus relacionados.
     Agora cá estamos, a personagem principal e dois garotos completamente diferentes (inclusive de idades diferentes, o Vini tinha 20 e o Kaio 17) e a decisão final recaiu sobre quem? ---
     Obrigada vida, por suas consequências e cobranças.
    ** Oh mama oh la oh la, 
    Don't know what this is
    Oh mama oh la oh la,
    What do I do know? **
     Fui encontrar o dito cujo "só o pó da rabiola"*
    * - cansada, exausta, de ressaca.
     Se eu dormi 5 horas foi muito. Me meti em confusão e dessa vez nem tinha sido eu a causadora.
     Só respirei fundo e fui dar de cara com o passado.
     Enquanto eu enterrava tudo, os sentimentos renasciam nele. Injusto, não? 
    KARMA, kar-ma. Não tinha para onde eu correr: ele estava parado em frente a porta do colégio.
    (Vinicius tinha estudado lá também, não sei se vocês estão lembrados). 
     É como se após ter assinado a carta de alforria, um escravo quisesse voltar a estaca zero e libertar outro. *
     * * Nota do autor
    Claro que isso é um tremendo exagero, porém o melodrama está aí para ser vivido.
    Fim da nota do autor * * 
     Disse que havia passado para uma Universidade Estadual com tudo incluso, uma das melhores do país.
     Nossa, fiquei super feliz! Apesar dos apesares eu tinha presenciado cada esforço da parte dele para chegar até esse momento.
     Os olhos dele brilhavam de emoção, os meus também.
     Opa opa, não pode rolar beijo aqui, vamos com calma _ disse a voz da consciência. 
    meus parabéns, disse que agora não precisaria mais aguenta-lo. 
     Detesto despedidas, com todas as minhas forças. Aquele momento definitivamente era um adeus.
     Dei as costas para ele, entrei na portaria, virei em direção ao campo de futebol e 
    meu celular apitou.
     Abri para ver de quem era, adivinha de quem? Só tinha três palavras escritas: 
    Eu quero você. 
     Ele estava se declarando para mim, tudo que eu queria era aceitar tudo isso. 
     "(...) mas foram tantos sim, que agora digo não. Porque a vida é louca mano, a vida é louca." Iza





    Next.....
    Capítulo 12
    O que você fez comigo Kaio?
  • Desabafo de Alguém

    Meu nome é Alguém, eu sempre fui Alguém dinâmico e sempre acreditei que conquistaria o mundo, sempre acreditei que iria mais longe do que as pessoas imaginavam. Coisas difíceis sempre me atraíram, mas coisas difíceis que, não me compreendam mal, eram possíveis de serem alcançadas. Isso me levou a desejar corresponder com as expectativas das outras pessoas, seja como algum filho ou filha exemplar, Alguém estudante exemplar, Algum irmão ou irmã amoroso, Alguém marido, Alguém humano! Mas tudo isso, não retornou à altura de tudo o que eu havia investido ao longo da vida.

    Meus planos sempre foram muito bem definidos, casaria aos 24, teria um filho até os 28, trabalharia na área numa área do meu interesse e se sentiria realizado fazendo exatamente o que gostava. Teria um bom emprego, seria respeitado por minhas contribuições, se é que já não possuísse minha própria empresa, pois as aspirações de Alguém não permitiriam menos do que isso. Todas as áreas da vida estariam sob o controle de Alguém e tudo seria fácil e simples de ser resolvido até que, nada disso aconteceu!

    Alguém se sente velho, desmotivado, tomado por uma tristeza insana e desconhecida. Já faz um certo tempo que tudo na vida de Alguém está em um tom de degrade de cinza, passando pela janela da vida de Alguém e não há que se possa fazer. Em algum lugar Alguém se perdeu dentro de mim mesmo, ou esqueceu de como veio parar onde está hoje, será Alguém foi negligente? Condescendente ou irresponsável? Onde foi que Alguém se perdeu, para onde foi que Alguém, que convenceu tantos de que alcançaria seus planos fracassou? O que aconteceu com Alguém? Quando as coisas se tornaram tão difíceis de serem resolvidas por Alguém? Cadê as respostas, onde está o ancião dos filmes e histórias de fantasia com todas as resposta ou os oráculos divinos para satisfazer Alguém com respostas? Alguém se sente atormentado, vivendo a vida se como se fosse um hipócrita mentiroso, Alguém que falava mais, mais do que possuía, Alguém que se iludiu com o mundo e a vida, assim como todos os outros humanos perdidos em suas tristes realidades, vitimas das consequência de sua existência vazia e insignificante. Alguém se tornou como os outros desesperados tentando ser mais ou melhores do que aquilo que jamais poderão ser.

    Alguém está cansando de desse jogo de mascaras, de ficar mostrando essa personalidade segura e firme, quando tudo isso está corroendo e ferindo por dentro, cansado de corresponder com as expectativas do mundo. Alguém está em busca de uma vida simples, colorida, a qual, um dia viveu, que lhe foi tão prazerosa. Alguém quer voltar a se encontrar com aquele que um dia ele foi. Quer se livrar das amarras que o prendem ao futuro, impedindo de voltar ao passado onde Alguém era feliz, onde os momentos eram felizes e a alegria era parte do cotidiano.

    O que mais incomoda Alguém é a obrigação de ter que fazer, de ter que decidir, de ter que tomar uma atitude, quando na verdade todos os outros estão assistindo de braços cruzados enquanto Alguém faz tudo. Alguém não compreende o por que se sente com tanta raiva, ou por que está tão insatisfeito? Será que Alguém se tornou prisioneiro da própria mente? Todos os dias são iguais, rotinas intermináveis de infrutíferas ações e decisões que não levam a nada, que enriquecem quem já está entorpecido pela ganância e pelo poder, ou simplesmente para continuar na mesmice de uma sobrevivência sem esperança de melhoras no amanhã mais difícil que o hoje. Do algo mais que só existe nos sonhos.

    Alguém pode ser você! Alguém pode ser eu. Alguém pode ser quem você ama, quem poderá ajudar Alguém? Alguém em qualquer lugar aguarda sua mão amiga, seu abraço carinhoso, sua piedade sem julgamento, seu afeto sem interesse. Alguém espera por você! Você está disposto a fazer a diferença na vida de Alguém?!
  • Desabafos de uma Ana

    Tem um momento da vida que você tem que parar para refleti sobre tudo o que você fez,que quer fazer é que está fazendo. Esse momento tem que acontecer não apenas uma vez,mas várias. Até hoje tento realizar as coisas com racionalidade, mas será que é o suficiente? Mágoas do passado não são simplesmente apagadas de uma hora para outra,ou até mesmo perdoadas,ainda mais quando são pessoas que você menos quer se magoa. Pedir perdão de um dia para o outro não resolve nada, inventar mentiras também não, e aquele tempo todo que passou sem falar um palavra se quer comigo? E aqueles momentos que mais precisei ou mais felizes da minha vida que foi perdido por um mero orgulho? Hoje percebo que toda mágoa que quardava não valia a pena, não existe volta para o que não quer ser concertado,não existe perdão para quem não admite o erro,não existe aproximação para quem não tenta. E pensando nesse momento,todo o tempo perdido valeu a pena?Sim,porque pude percebe a cada segundo quem realmente quis estar comigo resolvia o problema na hora,não deixava o orgulho vencer e reconhecia que estava errado. E se era eu a errada,me mostrava isso,não apenas sumia. Então reveja o seu julgamento de quem está certo ou errado,pois se despender de mim,vai continuar sendo apenas mais uma pessoa que passou pela minha vida.
  • Diferenças

    Certa vez um deficiente conquistou vaga em uma empresa. O discurso do gestor para seus colaboradores foi aquele protocolar, ou seja havia exigência de cotas. As atividades eram operacionais com isso estava vetado sobrecarregar com demandas complexas seu mais novo contratado. A pessoa chegou e iniciou sua jornada, em pouco tempo se viu o quanto era especial mas não pelo que a empresa atribuíra a esse adjetivo. Com uma perna e braço debilitados se desdobrava mas concluía qualquer missão. Sinceramente foi esquecido por todos as questões físicas do rapaz. Moral da história, tratando as pessoas como iguais as diferenças ficam de lado.

    Um homem negro, de origem humilde, nascido e criado na favela estudou com afinco a vida toda. Graças aos esforços da mãe nunca transitou por caminhos obscuros. Se formou e iniciou trajetória em uma grande multinacional. Foram anos de trabalho, dedicação e empenho. No entanto mesmo tendo as qualificações a sonhada promoção não chegava. Mal sabia ele, a cúpula formada por burgueses jamais admitiria alguém de sua origem em cargos na parte de cima. Foi quando receberam uma inusitada visita. Diretores da matriz foram inspecionar a filial, passaram meses checando, observando, etc. Ao final resolveram que duas pessoas mereciam um curso de aprimoramento fora do país e ao retornarem uma nova vaga estaria a sua espera. Um dos escolhidos foi aquele homem negro, de origem humilde e vindo da favela. A análise foi em cima de performances, esquecendo qualquer atributo físico, de classe social ou outro qualquer.

    Hoje existem diversos movimentos contra formas de preconceito, qual o motivo de tanta segregação ? No intuito de objetivar causas nobres essas iniciativas em muitos casos fomentam mais violência e ódio na sociedade, por que ? Cada grupo propaga a sua verdade e acredita ser a absoluta não respeitando outros pensamentos. A referência de beleza tem quer ser a da top model. O mocinho da novela tem que ser o branquinho de olhos azuis. O melhor local de se morar tem que ser a zona sul do Rio de Janeiro. Enfim, se for diferente não serve, é ruim, não presta!

    Os seres quando jovens, em formação, não possuem a semente chamada diferença. É nessa hora que devemos influenciar corretamente. Mas não se preocupando apenas em pagar altos valores em instituições de ensino e sim dando bons exemplos. Nossos jovens são esponjas a absorver tudo seja bom ou ruim. Os hábitos dos pais, familiares em geral, professores etc tudo é armazenado em suas mentes que estão a se desenvolver.  Seria bonito de ver um adulto com a mente aberta. Alheio a preconceitos ou conceitos unilaterais. Respeitando as diferenças quaisquer que sejam, e se posicionando corretamente junto a sociedade. Basta ao racismo, feminismo, homofobia, preconceito de classe, etc. O que são esses movimentos ?  Que palhaçada é essa ? Perdoem o termo! Se todos fossem tratados como iguais nada disso precisaria existir.

    LUTE E NÃO DESISTA !
  • Ditos antigos... Sal

    vitao alimentos integrais alimentacao saudavel sal marinho sal refinado diferencas
    Estava eu e mãe num dia a jogar sal ao redor da casa, mas não para espantar demônios e sim por causas de caramujos, em época de chuva como agora eles aparecem de montão.
    Lá estava eu jogando sal e joguei para trás por sobre o ombro e minha mãe gritou comigo:
    -Não faça isto! Um caramujo espinoteou assustado e eu perguntei:
    Por que não devo jogar sal por sobre os ombros?
    -Faz mal a família! Mãe respondeu sem dar detalhes.
    -Esta certa, não jogo mais.
    Só numa conversa com minha vó é que eu realmente entendi:
    -Vó porque não se deve jogar sal para trás por sobre os ombros?
    -Íh, isto é do meu tempo mesmo. Iniciou e eu ouvia atento ela continuar: - É que se se joga sal como você disse esta se desejando mal sem querer a um ente querido!
    -Já não faço mais! Eu disse e a ouvir encerrar sobre risos:
    -É de muito tempo, tempos antigos, ditos antigos, bons tempos. Onde ainda se tinha medo de lobisomens.5709b4a2d12191.73997234werewolfeye
    Meu pai tinha medo de lobisomens e me contou que uma vez para andar na rua se enrolou numa linha com varias latas pendurada nela, para fazer barulho, com isto espantar lobisomens e saiu correndo ao anoitecer para casa de um amigo e voltou de lá da mesma forma. No dia seguinte os boatos eram que o lobisomem tinha agitado garrafas pela rua para assustar a população.
    Eu não acredito em lobisomens, mas não mais jogo sal por sobre o ombro, minha mãe aprendeu com minha vó e sabe das coisas.
  • É o espaço tempo?

    Hoje tive vontade de falar do céu
    Lembrei dos beijos seus, que afáveis
    carinhos, são ternos como o canto dos anjos

    Ontem lembrei da infância, dos sonhos de menino perdido
    no nintendo quebrado sentado em frente à TV, olhando os brilhosos
    pixeis da existência imaginária do herói Mario, o que será de mim, esta
    era a minha angústia

    Não imaginava que, antes de ontem, sonhei com o futuro, e nele éramos três
    Você, o bebê e eu, mais vocês do que eu, porque eu vivo no trabalho para conseguir
    dinheiro para comprar fraldas, eu não gosto muito, mas faço porque daí o bebê tem fralda leite e você
    chocolate, aquele de coco com chocolate, e eu, eu apenas durmo para voltar ao hoje, ao ontem e ao futuro
  • ÉBRIO

    A penumbra da noite perpassava a janela de vidro e lançava a luz do luar sobre minha fisionomia, outrora radiante, hoje decadente. Os goles da bebida desciam rasgando minha garganta. No início a substância me causava trejeito e um leve reviramento no estômago, mas hoje ela é pra mim o que a água é pra uma pessoa “normal”.
                Esse álcool que agora rasga minha garganta em fervoroso prazer já destruiu minha vida. Essa bebida demoníaca; levou-me a ser abandonado por minha família, levou-me a ser uma vergonha aos meus filhos, levou-me a ser o que sou hoje; um homem de meia idade, decrépito, praticamente sem fígado e quase sem nenhuma razão pra viver.
                Encontro-me hoje jogado em minha velha poltrona, e ao meu lado minha companheira traiçoeira, esse veneno no qual viciei. É comum em noites assim minha cabeça rodopiar em reflexões… “Por que você ainda está vivendo? O abandono de todos que você amava não é o suficiente para você perder a razão da existência?” A voz em minha cabeça dizia. Era uma voz rouca, eu presumo que advinda da bebida.
                Estendo a mão em busca do litro, mas eis que para minha completa estupefação vejo uma sombra passar na parede. Um calafrio percorre meu corpo e num espasmo causado pelo susto acabo derrubando o litro. O vidro se estilhaça em mil pedacinhos, tal qual minha vida se estilhaçou depois do vício.
                Pragas ecoaram de meus lábios. Me levantei e fui pegar uma outra garrafa. O pavor que a sombra me causou foi se dispersando aos poucos. Quando volto a poltrona e tomo um grande gole vejo novamente a sombra. O pânico se apossa de meu corpo, fico paralisado. A sombra começa a ganhar forma, e diante dos meus olhos ela se transforma em… meu pai! Pisquei várias vezes atônito. Pensava que poderia ser uma ilusão, um sonho, já estava a dois dias sem pregar os olhos, sempre que sentia sono cheirava um pouco de um pó especial… Cheirei um pouco de um pacotinho que trazia no bolso. Quem sabe assim a sobra de meu pai ia embora, porém ela não foi. E o terror prendeu meu corpo quando a sombra de meu pai, morto a cinco anos, falou:
                “Você sempre foi uma decepção!” Sua voz soava espectral. “Nem depois da minha morte você toma jeito”.
                “Nem depois da sua morte você me deixa em paz” eu disse, aquilo podia ser um sonho, mas aquele espectro não me ofenderia.
                “Você sempre foi petulante”
                “E você sempre foi um covarde que bate em mulheres”
                “A sua esposa pode dizer o mesmo de você. Isso é, se você não a tivesse matado”
                “Eu não a matei!” Eu exclamei exasperado, peguei a primeira coisa que encontrei e joguei no espectro. Ele desapareceu.
                As palavras dele embaralham meus pensamentos. Fiquei atordoado, e o jeito foi ir pegar uma outra garrafa já que meu pai mesmo morto veio bagunçar minha vida. Enquanto bebia novamente, um redemoinho negro adentro o cômodo. Ele trazia consigo a agonia do inferno, me senti extremamente perturbado, foi então que o redemoinho das trevas começou a ganhar forma e em um piscar de olhos minha esposa estava comigo.
                Sua pele estava pálida, seu rosto, antes rosado e vívido, ganhara um aspecto cadavérico e mortalmente espectral. As órbitas de seus olhos eram de um negrume inigualável. Trajava um belo vestido branco.
                “Anne!” - A exclamação destruiu os muros dos meus lábios.
                “Sentiu saudades, querido.” Sua voz era igualmente doce. “Pensou que não iria mais me ver?”
                Fiquei sem palavras. Ela estava ali em minha frente. Não havia me abandonado. Não estava morta, só estava ali, comigo. Eu não estava sozinho. Me aproximei e tentei tocar seu rosto, mas ela recuou:
                “O que houve?” Perguntei confuso.
                “Você ainda não pode me tocar” ela disse.
                “Por que?” Eu perguntei rapidamente.
                “Você sabe o por que, Victor”. Eu abaixei a cabeça relembrando o dia em que acidentalmente a matei. Eu estava ébrio, não estava consciente dos meus atos. Não queria, simplesmente não queria… mas fiz.
                “Como posso consertar isso? Eu não fiz por querer… Anne” me desesperei.
                “A um jeito de consertar isso, Victor, e você sabe qual é, não é?” A voz dela era melosa, mas firme. Não precisei que ela explicasse, é claro que eu sabia o que ela queria.
                Fui até a cozinha com a garrafa em mãos. Tomei um último gole e quebrei a garrafa na beira da pia. Fiquei a olhar o casco em minhas mão. O estilhaço de vidro em minhas mãos implorava pra ser lambuzado com o meu sangue. Hesitei, mas ela se aproximou de mim e pousou sua mão sobre a minha…
                “Venha! Preciso de você!”
                Essas palavras foram o suficiente. Em um movimento rápido e firme enterrei o vidro em meu pescoço, e ao fazer isso ela desapareceu… não tinha mais esposa… não tinha mais meu pai… não tinha ninguém… apenas eu, sangrando, agonizando, morrendo…
  • Ele Observa

    Sentado em sua cadeira ele observa;
    Observa o senhor que passa, cabisbaixo e aflito, sozinho e perdido;
    Observa a mão estendida, do morador que agoniza, no frio aturdido;
    Observa a cabeça a negar, o coração empedrar, o orgulho aflorar;
    Observa então, o senhor que passou, o desconhecido que ficou, e a solidão, que novamente aos dois assolou...
    Observa descontente, os dois seres carentes, se tornarem indiferentes;
    Sentado em sua cadeira ele observa;
    Observa a dama do lar, no portão adentrar, os pés a pulsar, um “boa noite”ecoar;
    Observa a criança que pula; as brincadeiras e firulas, do abraço apertado antes que durma;
    Observa a sua medíocre “esperteza”, o vento a soprar com leveza, o jantar servido a mesa;
    Observa a louça lavada, a TV desbocada, a família calada;
    Com todo seu poder de observação, “despercebeu” das suas crianças a oração, da sua dama a comoção, e que de pedra, era feito seu coração;
    Sentado em sua cadeira ele observa...
  • Embarque

     
    Pego-me pensando num provérbio africano que a minha falecida vó profetizava, sempre quando eu saía: “O sol caminha devagar, mas atravessa o mundo. Um dia você vai entender, fio.” Não havia entendido, até hoje. 
    Notei algo diferente no embarque. Devo ter de escolher apenas um portão, dos nove para embarcar. O meu futuro dependerá desta escolha. Não será fácil. Chega um momento da vida em que devemos escolher qual rumo seguir. Tenho tudo e, ao mesmo tempo, sinto que não tenho nada. E mais uma vez terei de decidir. 
    No primeiro portão, está a felicidade. Ah! Quem não quer ser feliz para sempre? No segundo, a tristeza. Chega de tristeza na minha vida, se tenho a opção de escolher, certamente não será aqui que irei embarcar. No terceiro, o amor. Poderia ser este, amar e ser amado, quem não quer isso para sempre! Viver um grande amor... No quarto, a perseverança. Hum... acreditar que sempre é possível, mesmo quando dizem o contrário. No quinto, o medo. Ele vive diariamente com a gente, às vezes temos de ir com medo mesmo, isso nos dá um pouco de vantagem para seguir em frente. No sexto, a dor. Não, dor não! Como disse sobre o portão da tristeza, se posso escolher, não será este também! No sétimo, a coragem. Acredito ser uma boa escolha, ser forte perante o perigo nos dá a sensação de que não iremos desistir e, talvez, isso nos deixa um passo à frente de todos. Não é má ideia. No oitavo, todas as alternativas anteriores. Pensando bem, tem algumas que não quero vivenciar. No nono e último portão, não está escrito nada, porém, surpreendo-me com aquele brilho vindo ao lado do embarque. Uma senhora idosa, vestida de branco, com seu turbante entrelaçado na cabeça, sentada numa cadeira linda de madeira, transmitindo paz naquele olhar sereno, convidando-me para embarcar no nono portão. 
    Já estava prestes a entrar no portão número um, quando ela balançou a cabeça dizendo não, mas eu perguntei: Por que não pode ser este? É o portão da felicidade. Porque você não quer ser feliz para sempre – disse ela. Então, vou embarcar no portão sete! Você também não vai querer ser corajoso sempre. Qual devo escolher? Escolha o meu. O seu? Não diz nada! Não sei como será a minha vida! Se posso escolher, escolherei o oitavo portão e fim da conversa. 
    Deve escolher o meu. Aqui você irá viver todas as emoções, mas não saberá como e quando elas ocorrerão. Isso é viver, meu jovem, sem saber como será a vida. Não poderá viver todos os seus sonhos, mas terá momentos felizes, momentos de esperanças, de incertezas, medos, mas tudo na hora certa. O amanhã não podemos controlar, e isso é viver, fio. Embarque com uma passagem só de ida, sem olhar para trás, com o coração cheio de esperança, com novos projetos e sonhos lindos. O mais difícil você já está fazendo, escolher. 
    Viva, aproveite cada momento e depois volte aqui, sente nesta cadeira e mostre para outro jovem que, neste portão, ele viverá. Sentirá a pele enrugar por tomar banho de sol demais, deixará o cabelo ficar todo branco, pois não terá mais forças para pintar ou paciência para deixar outro fazer, sentirá dores no corpo todo por ter dançado, corrido, pulado muito e agora o corpo pede descanso, isso é viver. Voe, vá devagar, aprecie cada momento, atrevesse o mundo e, ao pousar, não se esqueça desta “véia” sem graça que lhe aconselhou a embarcar. 
    Vou neste, não tenho dúvida. Embarco, sento e levanto a cabeça, olho para cima e com os olhos cheios d’água, agradeço, pois, hoje, entendo as sábias palavras daquele provérbio. Adupé, ìyá àgbà. 
  • Encontro surpresa

    Nossa vida é bagunçada. Precisamos de muitas coisas que nos façam acordar pra uma faxina real...
    fazemos periodicamente um limpa aqui, assopra a poeira dali, varre acolá.
    Nossa casa é grande, e espaçosa, cabem muitas coisas e às vezes nem percebemos quanta coisa desnecessária tem lá,
    uma hora ou outra, precisaremos limpar de verdade tudo aquilo, mas como?
    Sabemos bem, o que fazer, quando algo necessita de reforma ou uma limpeza geral.

    Mas e se estivermos falando de uma limpeza interior? Se o famigerado lugar bagunçado for o coração?
    Se estivermos falando de uma faxina na mente, no corpo? Como seria isso?

    Sabe Deus? isso ele mesmo... sei lá, talvez vc nem o creia muito. Mas de verdade senti vontade de falar dele... 
    Não há pressão, não há imposição aqui. Vivemos um tempo tão horrível nas redes,
    que qualquer motivação contrária a da massa,
    pode ser considerada opressora. 
    Mas se isso incomodar ainda sim, podemos falar metaforicamente, ainda estamos num ambiente literário não é?

    Pois bem. Muitas coisas, muitos bugs, muitos spans podem encher nossos inboxes, nossa memória, por fim uma hora,
    temos de recorrer a limpeza geral, em último 
    caso a um poderoso anti virus. Nosso coração, mente, alma não são diferentes...
    O mundo tá louco, e as pessoas o acompanham com veemencia.
    Jesus, um dia veio pra que tudo isso fosse não só retirado como se fosse (e é) uma carga de sobre nossos ombros,
    mas também para nos aliviar de todo o porvir dessa grande ocorrencia.

    Não há dificuldade em reconhecer que precisamos de algo que nos faça melhores.
    Algo que reestabeleça certas coisas, reviva
    limpe, reestruture... tudo isso está ao nosso alcance. Pois diferente do que pregam,
    Deus não está distante, indiferente, pronto a castigar, corrigir... como pai, Ele também é isso
    mas não só... Ele nos ama de uma forma tão colossal, que não há como fazer uma epitome de tudo 
    o que ele pode nos trazer. Interior e externamente. É lindo, não há dificuldade nisso, 
    as pessoas tentam fazer pesar o que Deus representa. Mas o amor é maior que isso, Ele é maior que isso, que nós.

    Queira ser limpo.
  • Enfim entendemos o significado de união

    A humanidade se regozija
    Estamos vivendo a era da prosperidade
    Tecnologias por todo lado
    Tudo estava bem...
    Cada vez mais e mais descobertas
    Cada vez mais e mais máquinas
    Meio ambiente?!
    Passado
    Em breve não precisaríamos mais disso 
    Seríamos capazes de produzir nossos próprios recursos naturais
    Áreas verdes de nada mais serviriam
    Estariam apenas ocupando espaço
    Barrando o progresso
    Logo seriam substituídas por empresas
    Afinal, elas geram lucro

    No entanto, tantas descobertas e inovações
    Nos deixaram ignorantes
    Egoístas
    Detemos tanto poder, tanta inteligência
    Passamos a nos achar invencíveis 
    Seres racionais usando sua racionalidade
    Nada de mais...
    Nos tornamos dependentes da tecnologia
    E como tolos permitimos que o mecanismo que quebrava fronteiras e unia a humanidade,
    Servisse como ferramenta principal para separa-la 
    Guerras 
    Disputas 
    Tecnologia sendo usada em armamentos nucleares
    Bombas capazes de destruir uma cidade inteira
    Humanos se achando deuses
    Para que retórica se existia violência?!
    Impor ideias é bem menos cansativo

    O mundo estava todo conectado
    Mas a humanidade nunca esteve tão desunida 
    Por isso, que quando uma pandemia assolou o mundo
    Tudo parou
    Desespero
    Mortes em massa
    Recursos chegando ao fim
    Tão pertos mas ao mesmo tempo tão distantes de uma cura
    A humanidade foi lembrada de sua fragilidade
    Haviam coisas que, não importa o quanto o quanto evoluíssemos,
    Nunca seríamos capazes de controlar

    E somente assim foi que nos lembramos do significado de união
    De empatia
    De amor ao próximo
    Finalmente percebemos que somos mortais
    Que a tecnologia não é capaz de resolver tudo
    E principalmente, fomos capazes de recpnhecer a importância do outro

    Mas, apesar de tudo
    Ainda existem aqueles que insistem em
    Tornar político um problema relacionado à saúde
    Querem alguém a quem culpar 
    Querem ver o circo pegar fogo
    Tais pessoas
    Culpam o presidente
    Culpam a China
    Culpam os ricos
    Culpam as pessoas por saírem para trabalhar
    Mandam ficar em casa
    Mas criticam o fechamento do comércio
    E o isolamento social
    Há mesmo aqueles que desdenham da pandemia
    Chamam de gripe
    Um golpe para desestabilizar as grandes potências
    Porém, como culpar os outros
    Como criticar
    Poderia milagrosamente mudar nossa situação?!
    A preocupação maior não deveria ser
    Como venceremos isso?!
    Devemos todos focar em acabar com tudo isso
    Agora mais do nunca devemos estar unidos
    Todos se ajudando 
    Sem discriminação
    Sem desigualdade
    Nesse momento é crucial que seja a humanidade 
    Contra o Covid-19

    Aos governantes, sabedoria
    Ao povo, paciência e compreensão
    Vamos vencer
    Mas para isso cada um deve fazer a sua parte
    E ajudar da melhor forma possível
    Afinal,
    Juntos somos mais fortes!
  • Enquanto eles

    Enquanto eles pensam, haja !
    enquanto eles desistem, continue !
    enquanto eles param, siga!
    enquanto eles vivem o fracasso, busque a vitoria !

    no final quando eles tiverem por baixo, esteja por cima, quando eles lidam com a derrota você lida com a vitória
  • Entre Lobos - (conto-romance) 2/9

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    NÃO SE SINTA PERDIDO(A) Leia o capítulo anterior! Tenha uma ótima leitura!

    28 de setembro 1939

                John estava dormindo quando acordou com o barulho da velha motocicleta de Derek estacionando em frente a sua casa. Nem se deu ao trabalho de saber que horas eram, de qualquer forma tinha a completa certeza de que era cedo de mais para estar despertando. Sonolento, sentou sobre a borda da cama por um breve tempo e depois deixou o quarto sem calçar seus chinelos. Ligou as luzes da cozinha e serviu uma doze de whisky que tomou em apenas um gole. Serviu-se novamente. A porta de entrada foi aberta.

    — Mas que droga é essa gora, Dek? – com sua voz rouca, soltou antes mesmo que seu filho pudesse dizer qualquer coisa. — O que deu em você?!

    — Não foi nada de mais! – o outro respondeu em seguida.

    — Nada de mais? – riu-se. — Olha só pra essa tua cara! Um belo estrago, não?! – reparou ainda.

    — Garanto que a do outro não ficou tão linda assim! – defendeu-se indo em direção ao velho sofá onde deixou que seu corpo caísse depois de por seu capacete em um canto qualquer ali perto.

    Ficaram em silêncio por alguns segundos até começarem a rir juntos da situação.

    — Tome. – John estendeu o copo. — Quem sabe isso ajude a amortecer a situação. – pausa. — Hansly? – então soltou tentando identificar quem fora o oponente daquele embate.

    — O filho da mãe sempre cruza o meu caminho. – Derek respondeu confirmando.

    — Vocês têm de resolver isso de uma vez! – o homem sugeriu. — Não podem ficar se atracando toda vez que se encontram. Não são mais moleques, droga! – ainda acrescentou.

    — Dessa vez não provoquei nada. Mark está de prova – defendeu-se. — Só o que fiz foi revidar. – explicou antes de tirar um gole da bebida.

    — Mark. – o homem soltou descredibilizando o valor da testemunha. — Tanto pior. – acrescentou. — Só espero que esteja em pé amanhã pra podermos trabalhar. – comentou afastando-se. — Tony Mayer anda impaciente com a entrega da caminhonete. Precisamos entrega-la de uma vez. – John comentou.

    — O senhor pode ficar tranquilo. – Derek tentando despreocupar seu pai. — Estarei lá! – respeitoso, completou vendo John sumir no corredor.

    Derek trabalhava na oficina mecânica de seu pai, por conta disso, tinha conhecimento o suficiente para dar cabo de alguns trabalhos. No tempo em que estava de folga, mexia em sua motocicleta e até fazia alguns ajustes na moto de Mark, seu grande companheiro de noitadas. John e ele estavam finalizando alguns reparos na caminhonete de um cliente quando o rapaz apareceu.

    — Vai, Dek. – John avisou concentrado no motor a sua frente. Seu filho deu a partida e tudo pareceu estar em ordem, finalmente. — Ok! Está bem, pode desligar! – ergueu a mão. Desceu o capô. — Esse deu trabalho! – comentou dando duas batidas sobre a lataria do veículo. — Finalizamos por hoje. – satisfeito.

    — Quando Mayer vem pegá-lo? – Derek perguntou.

    — Bem... – limpava-se em um pano que parecia ainda mais sujo que as suas próprias mãos. — Eu poderia muito bem ligar, mas quero que você faça esse favor pra mim.

    Mark aproximou-se.

    — Já que a sua namorada chegou – provocou os dois. — Vá até a casa dele e peça pra que venha dar uma olhada nessa situação.

    — Claro! Mas preciso de um dinheiro. – falou sem rodeios. — Estou sem cigarros e...

    — Você é um grande mercenário é isso que você é. – jogou o pano sugo contra seu filho antes de ir até um balcão onde abriu uma gaveta e retirar uma pequena quantia em dinheiro. — Mas olha – Derek aproximou-se. — Vê se não vai se meter em confusão novamente... Um olho roxo já lhe basta. – debochou.

    Derek apenas assentiu com o semblante devolvendo o trapo sujo e enfiando o que recebera no bolso da calça suja. Saíram os dois em direção a saída do galpão.

    — A propósito!  – Mark já passos distante virou-se para o senhor. — Eu sou o homem da relação. – referiu-se a brincadeira feita anteriormente pelo senhor.

    — Caiam fora daqui! – John respondeu achando graça.

    Depois de passarem na casa de Tony, Mark e Derek foram para um local conhecido onde costumavam tomar cerveja e ficar jogando conversa fora. Derek comprou uma cerveja e um maço de cigarros enquanto ouvia o deboche do amigo sobre o estado que ficara sua cara depois da noite passada.

    — Ora, vê se cala essa boca! – Derek — Sabe muito bem que fui eu quem se saiu bem nessa. – tomou um gole no bico da garrafa. — Mas que droga de amigo você, hein!

    — Fato, é fato! – o outro de mãos estendidas. — E ele está bem estampado na sua cara. – completou a provocação.

    — Ei! – chamou a atenção do rapaz atrás do balcão. — Dê mais volume! – pediu apontando para o rádio. — Qualquer coisa é melhor do que ouvir essa tua voz! – voltou-se novamente para Mark.

     Então, aos poucos dentro doe estabelecimento as vozes foram se calando e por fim, todos puderam ouvir sobre o ataque massivo que havia sido feito sobre a Polônia. Tanto a Alemanha quando a União Soviética haviam investido forças para tomar o país. Finalmente, Varsóvia, capital da Polônia, havia se rendido ainda no dia anterior.

    — Dane-se essa droga! – um grandalhão soltou atravessando o bar depois de acabar com sua bebida.

    Grande parte dos que estavam por lá o miraram.

    — Essa DROGA! – Mark falou chamando a atenção do rapaz que passou ás suas costas. — Pode muito bem vir a acontecer aqui! Na nossa casa.

    — Dane-se o que você acha também sobre isso! – o rapaz respondeu apontando o dedo em direção a Mark que de imediato pôs-se em pé.

    — Ei! – Derek tocou-lhe o ombro mostrando que não valia apena criar caso.

    — Isso mesmo! – o rapaz continuou. — Escute o teu amigo ou vai acabar ficando com o rosto igual ao dele! – advertiu.

    — Seu filho da mãe! – Mark então perdeu a paciência.

    Os dois embolaram-se entre socos e empurrões, Mark obviamente não daria conta do grandalhão sozinho e até mesmo o dono do estabelecimento pediu para que Derek intervisse naquele embate que, possível e provavelmente lhe daria algum prejuízo. Antes de obrigar-se a dar apoio ao amigo, Derek tomou o restante de sua bebida e no mesmo instante em que pôs-se ereto viu Mark ser projetado para fora do bar como se fosse um mero saco de lixo sobre a calçada. Indo de encontro ao rapaz, deu lhe um murro no estômago que a princípio não mostrou qualquer efeito e o soco no rosto pareceu apenas deixa o outro ainda mais irritado. No lado de fora, enquanto se recuperava, Mark era acudido por duas belas moças.

    — Mas que filho da... – Derek vendo em que se metera afinal de contas.

    — Vamos terminar logo com isso! – o outro a sua frente disse armando-se para uma nova investida.

    CONFIRA também - Meu querido Manequim
                                 Humanos
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

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    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

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    Não sinta-se perdido LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!

          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 5/9

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    (POSTAGEM TODO INÍCIO DE MÊS) Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! TENHA UMA ÓTIMA LEITURA!


    — Que almoço, hein? – Mark na varanda riu-se com o amigo depois.

    Sem dizer nada Derek apenas calçou um cigarro entre os lábios. Apalpou os próprios bolsos, mas não achou seu isqueiro.

    — Tome. – o outro alcançou o seu depois de acender o próprio fumo. — Não ligue... Eles são assim mesmo. Conservadores.

    — Claro! – disse depois de soltar a fumaça do pulmão. — Mas então acho que já está tudo resolvido por aqui. – fitou a motocicleta do amigo. — Já é hora de eu ir.

    Assim que disse isso, viu atravessarem a porta de saída Mary e Katherine acompanhada logo atrás por seu pai e as duas mulheres.

    — Mas nos deixe na cidade, papai. – Mary. — Eu e Katy queremos conhecer o parque que chegou essa semana. – comentou.

    — Está bem. – o senhor respondeu. — E o que acha de fazer companhia a elas Mark? Seria de bom tom se agisse como um cavalheiro algumas vezes.

    — Não é necessá... – Mary

    — Claro! – Mark respondeu de imediato. — Assim aproveito pra testar a Formosa. – respondeu com semblante sorridente.

    — Mas pai... – Mary ainda não aprovando aquela ideia.

    — Sabe que não gosto que andem sozinhas, ainda mais em lugar tumultuados como esses. – o homem deixou claro. — Mark lhes fará companhia, sim. – completou aproximando-se de Katy e lhe acariciando o rosto. Seguiu em frente depois de despedirem-se de Sofya. Minutos depois o veículo deu partida e sumiu.

    — Mas e vocês? – A mãe de Mark perguntou sem entender o porquê de os dois ainda estarem por lá. — Já não deveriam ter ido encontrá-las? – completou voltando para dentro de casa.

    — Sim! Claro! – Mark de súbito. — O que acha Dek? – disse apoiando a ideia de tê-lo como companhia.

    — Bem... – Derek deu mais algumas tragadas no fumo e antes que pudesse dizer qualquer coisa o outro antecipou-se comentando.

    — Talvez tenhamos que aturar o humor inflexível de Mary. – brincou. — Mas pense nas lindas mulheres que por lá estarão. – deu um tapinha no ombro do amigo.

    Derek sorriu vendo a perspicácia do amigo.

    — Por isso você aceitou a sugestão do teu tio, não foi? – falou dano uma última puxada na fumaça e jogando fora o cigarro pela metade.

    — Tudo na vida tem um preço. – respondeu pondo seu capacete. — E nesse caso, vejo como uma... Troca de favores. – breve pausa. — As mantemos seguras enquanto bebemos e admiramos a paisagem. Perfeito, não? – concluiu antes de dar partida na motocicleta. Pegaram a estrada.

    O lugar realmente estava movimentado, mas não levaram muito tempo até que conseguissem encontra-las em meio aquela multidão. Derek aproximou-se com o amigo e parou próximo a Katherine que evitava o encontro de seus olhos.

    — Nós vamos caminhar. Deve ter muita coisa interessante por aqui. – avisou o primo. — E você – o mirou séria. — Conseguiria não criar problemas? – soltou antes de afastar-se com Katy.

    — Fique tranquila. – começou com um tom debochado. — Farei o máximo pra que não me diminua no próximo almoço. – então, embrenhou-se com Derek no movimento.

    — Ok! – Mark soltou em algum momento mais tarde já sentindo-se incomodado. — Preciso de uma cerveja e não acho que vou encontrar isso por aqui. – ainda mirando ao redor. Avistou suas primas em frente a uma barraca. Foram até elas. — Como estão se saindo?

    — Muito bem. – Mary respondeu. — Vamos só comprar um refresco. Logo papai vem nos buscar.

    — Acho que vou me contentar com isso. – ele sussurrou dando-se por vencido referinod-se a bebida.

    Assim que um pequeno grupo deixou o lugar depois de fazerem suas compras Mary adiantou-se acompanhada deMark. Katherine mirava a imensa roda gigante que estava a alguns metros longe de onde estavam, vendo sua atenção sobre a atração, Derek usou-a como um meio para em fim aproximar-se dela.

    — Imensa, não? – disse parando logo ao lado. Katy o fitou com o semblante liso e não disse nada. — Quer ir até lá? – perguntou.

    Katherine, pensou por um segundo e sorriu demonstrando ter deduzido o que ele lhe dissera.

    — Conhecer? – respondeu com a voz fraca. — Ela? – indicou com a face.

    — Sim! – ele disse. — Gostaria? – mostrou o caminho com um gesto simples.

    Katherine o observou e respondeu afirmativamente com a cabeça, mas sem pronunciar uma única palavra.

    — O que acha que está fazendo? – Mary então susrgiu como um fantasma.

    — Bem... Nós íamos até a roda gigante e...

    — Não, não vão! Não mesmo! – a outra posicionou-se. — Katy – voltou-se para a irmã. — Não pode agir dessa maneira... precisa ser mais cuidadosa. – reprovou a atitude da irmã.

    — Calma! Não há nada de errado. – Derek. — Só estamos conversando.

    — Não! Ela não está conversando! – respondeu com mais frieza. — Você quem a está importunando. – entregou um copo para a outra. — Deixe-a em paz! Sei muito bem o que você pretende com ela. – insinuou ainda. — Vamos, Katy. – deixou que a outra passasse a sua frente.

    — Mas... – Derek mirou o amigo que deu de mãos como se dissesse “esquece, esquece”.

    — Já te falei sobre isso. – Mark segundos depois. — Vai encontrar problemas ali. – referiu-se a Kety. — Tanto meus tios quando Mary... – pensou por um segundo. — Talvez não minha tia, mas os outros são bem rigorosos quanto a Katherine.

    — Não entendo.... – buscou uma explicação para si mesmo.  — Beata? – concluiu.

    antes mesmo de responder o outro sorriu parecendo debochado.

    — Mais complicado do que isso. – riu-se Mark. — Katy não é como as outras, Dek. – secou seu refresco. — Acho que a diversão acabou por aqui.

    — Vamos até minha casa. – agora Derek sugeriu. — Lá te um bom wisk e você aproveita pra me explicar melhor essa história.

    O outro concordou ao perceber que seu dia ainda não estava perdido.

    Agedeço a atenção!
    Confira também os outros títulos!
    Forte abraço!
  • Entre Lobos (conto-romance) 6/9

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    Não se sinta perdido(a), LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!
    Derek fumava escorado sobre o corrimão acompanhado de um copo de bebida e mais adiante, não muito distante de onde estava, Mark permanecia sentado sobre os poucos degraus que levavam a varanda. A rua em frente, monótona, estava tão quieta quanto os dois amigos.
    —... Quer me fazer de besta! Você está zombando de mim, Mark. – Derek então falou depois de soltar a fumaça do pulmão.
    — Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? – o outro respondeu imediatamente. — Você deve ter percebido algo de estranho, não? Com ela. Queria saber o que esta havendo e estou te dizendo. – completou.
     — Mas... Impossível! Você mesmo viu o que aconteceu no parque! Por mais curta tenha sido nós tivemos uma conversa. – jogou contra. — Não? – riu-se.
    — Está bem, talvez a situação não seja exatamente como coloquei... Ao menos não ainda. Apesar de Katherine ter perdido grande parte da audição, não significa que não consiga nos ouvir. – tirou um gole da bebida. — Sinceramente fiquei surpreso que ela tenha se ariscado a falar com você, Dek. – comentou ainda. — Ela costuma ser extremamente reservada.
    O amigo ainda refletia sobre o que acabara de ouvir.
    — Reparando agora, isso explica muita coisa. – então, disse depois. — E como pode ser desfeito? – atencioso. — Isso pode ser desfeito. – reformulou a frase esperando que sua confirmação fosse apoiada pelo amigo.
    Mark negou com a cabeça antes de responder.
    — Não! – pesaroso com aquele fato. — E com o tempo só piora. Meus tios já procuraram todos os meios pra ver se ao menos isso pode ser interrompido, mas parece que vai chegar o dia em que ela simplesmente vai deixar de ouvir qualquer coisa, Dek. – esclareceu por fim. — E isso é muito triste de saber.
    Ficaram em silêncio.
    — Por isso, meu caro amigo, vou dizer uma última vez. – Mark pôs-se em pé. — Esquece essa história. Não vai querer essa situação pra você. Acredite.
    — Como?! – Derek surpreso. — Acho que não entendi direito. – precisou de confirmação.
    — Não, você me ouviu muito bem. – Mark afirmando o que havia dito. — Esqueça Katy.
    — Poxa vida, Mark! Achei que fosse ter ao menos o teu apoio! – insistiu.
    Antes de seguir falando o outro pôs seu copo vazio junto ao do amigo.
    — A surdez de Katy é só parte do problema, Dek. – continuou dando de mão em seu capacete. — Viu como Mary reagiu só de você trocar umas poucas palavras com ela, meu tio é tanto pior. – montou na motocicleta. — Acredite, cara! Se tem alguém que pode falar com propriedade, essa pessoa sou eu... Faça um favor a si mesmo. Esqueça Katherine ou isso pode não acabar bem.  E é tudo o que tenho a dizer sobre isso. – de ombros vestindo o acessório dando partida e indo embora.
    Derek continuou onde estava, fumando imóvel vendo o amigo levantar poeira da estrada. Não demorou muito e ouviu a porta atrás abrir e bater novamente. John aproximou-se dizendo
    — Deveria dar ouvidos ao que ele disse.
    — As espreitas agora? Não achei que o senhor agisse assim. – comentou vago buscando fitar o homem por cima do ombro.
    — Não pensa em levar isso adiante, não é? – o homem seguiu dizendo sem dar ouvidos ao que seu filho lhe dissera.
    — Bem... Parece que todos já sabem o que eu devo ou não fazer, não é? – respondeu tomando o restante de sua bebida e em seguida lançou o toco de cigarro na estrada antes de seguir para a porta de entrada.
    — Pense melhor, rapaz. – o homem sugeriu. — Essa não é como uma de suas brigas de rua. Ao mesmo consegue enxergar isso?
    — Claramente. – entrou deixando a porta bater. — Claramente. – repetiu.
    Na manhã seguinte, como de costume, John escutava os noticiários sobre o avanço da Alemanha. Foi surpreendido ao ver que Derek surgira mais alinhado com suas vestimentas, logo deduziu que seu filho preparara-se par uma ocasião mais formal.
    — O que merece todo esse cuidado? – falou.
    — Vou até a casa de Mark. – esclareceu o que deixou seu pai confuso. — Quero falar com os pais de Katherine e espero que ele me diga onde encontrá-los. – por fim.
    O home desfez-se do aparelho.
    — Mas que droga! Achei que tivéssemos resolvido esse assunto! – John sério. — Vai realmente insistir nessa história?
    — Já tomei minha decisão. – respondeu indo em direção a saída.
    — Não me dê às costas, rapaz! – o homem deixou o assento. — Não percebe o erro que está cometendo? Com pode considerar uma vida normal com alguém que um dia não vai nem escutar o que você diz?
    — Dane-se todos vocês! – Derek posicionou-se. — Não vou abrir mão daquilo que eu acredito por que vocês são covardes!
    — Cuidado, rapaz! – John o advertiu.
    — Covardes, sim! Não teriam coragem de enfrentar uma situação como essa e por isso se não conseguem mantê-la trancada querem impedir que o mundo não se aproxime dela.
    — E o que pretende fazer? Não tem culhões pra esse relacionamento, filho. – disse. — Mal consegue manter os bolsos cheios.
    — Ainda assim é o que pretendo fazer! – insistiu.
                — Pois bem. – deu de mãos abertas. — Resolva isso de uma vez, então! Quem sabe, depois de ser enxotado perceba quem está certo.
    Sem dar ouvidos Derek partiu.
    — Você enlouqueceu de vez, Dek! – Mark ainda sem acreditar no pedido do amigo. — Acaso ouviu alguma coisa do que eu disse ontem?
    — Cada palavra.
    — Cara, você realmente gosta dela, não é? – agora admirando a postura do amigo.
    — Assim que a vi, Mark. – respondeu. — Por isso preciso da tua ajuda. Não vou desistir sem que ela mesma deixe claro que não tem sentimentos por mim.
    Mark respirou fundo e soltou o ar.
    — Está bem! – então concordou. — Parece justo. Afinal de contas você já me ajudou tantas vezes. – estendeu a mão. Cumprimentaram-se com força. — Provavelmente meu tio me mate por dar apoio a isso, mas vejo que é sincero o que sente por Katy. Quem sabe eles também enxerguem...
    — Tudo de que preciso agora é do teu apoio. – Derek respondeu vendo transparecer na face do outro um sorriso de satisfação.
    CONFIRA TAMBÉM... Meu Querido Manequim / Humanos
    OBRIGADO a ATENÇÃO!
  • Entre nós

    Mas eu fico, disse ela, não em conformidade, mas firme de aceitação. Fico entre nós, e sou entre nós, mas entre nós não me quebrem nos espaços, não façam seus pés entre os meus colocar, para que eu caia tão somente antes de dançar. Eu fico, mas não reinem sobre mim, sobre mim não me façam saber em ausência de si, ausência de nós. Eu fico, mas deixem que eu me ensine das coisas que sei e respire não os sonhos seus de mim, deixem-me do ar sentir uma falta que de angústia seja minha. Eu fico entre nós, mas caibam-me entre vós, saibam que somos nós, atados, apoio de laços, movimentos inteiros de ser um, de agregar-nos. Eu fico, mas não me dissolvam como a um nó, que por entre nós fiquem os laços que nos cabem.
    Mas eu fico, disse ela em conformidade com o que aceitara. Fico entre os nós que somos e os espaços que nos quebramos, faço dos nossos pés os meus a colocar para que dancemos antes de cairmos. Eu fico, mas não quero reinar sobre nós, sobre mim não haverá ausência do que somos nós. Eu fico e deixo que me ensinem das coisas que sabemos, e respiro o que de nós são os sonhos, deixo que na falta do ar respiremos em conjunto. Eu fico entre nós, e faço que caibam em mim, sei de mim como nós, atada ao apoio de nossos laços, um ser que se movimenta inteiro a agregar-nos. Voltando-me aos nossos laços, eu fico e não me dissolvo entre nós.
  • Estrada da vida

    O destino e uma estrada para vários lugares,e você quem escolhe o seu
  • Estrelas

    Arminda não se sente bem. Está sozinha em casa, a taquicardia volta-lhe ao peito num ataque e se instala por toda a tarde. Preocupada, projeta a cabeça para a única janela com visão para o horizonte. De lá enxerga a noite empurrando o dia para o fim, já despencam um par de estrelas, as últimas nuvens embaçam um céu fugidio. Dali a pouco acabou-se, é fim de dia, poderia ser o último.

    Acostumada a vida inteira à solidão, Arminda da Mata, alcunha da vida, não de cartório, não conhece o mundo. É velha, mas tem os olhos claros e alegres. Já transbordou dos setenta anos, imigrou do extremo rural português aos vinte para a caótica urbanização brasileira e conviveu, desde então, com a “pontada”, como chama a angústia que lhe ocorre todos os dias. Esta dor eu não conheço, diz hoje para si mesma, tentando buscar dentro do seu pequeno ninho de palavras práticas, as únicas que conhece, aquelas que melhor traduziriam o seu embrulho. Tenho areia nos pulmões e dói-me muito, decide-se enfim por este decreto, é o que dirá ao farmacêutico, e assim será.  

    Gosta da noite, não pela quietude, menos pela brisa morna, mas pelas lembranças de um mundo já esgotado porém nunca esquecido. Sua antiga juventude é trancada, nunca a quis compartilhar com marido e filhos por entender que, como não a viveram, não a compreenderiam. As noites em sua aldeia atravessaram sua mocidade como um grande mistério: o breu noturnal sobre as copas das árvores, os guinchados de um besta desconhecida que faziam seu corpo tremer num paradoxal contentamento apavorado, e as estrelas. Hoje, da sua janela, acompanha o brilho das mesmas estrelas e não entende.

    O funcionário já conhece Dona Arminda, é velha diferente das demais que sempre ralham-lhe porque os remédios ainda não chegaram à farmácia. Consegue compreender seus motivos, as anciãs sabem que a morte já avizinha e querem prolongar a vida com os fármacos que juram sustentar os corpos em pé ou, se nem isto for possível, ao menos acesos e quentes. Hoje Arminda traz um semblante pesado, senta-se ao lado da balança e deixa os ombros caírem, sequência gestual acompanhada com toda a atenção pelo funcionário. A senhora está bem? Se eu puder ajudá-la é só pedir, Não me sinto nada bem, O que houve consigo, Meus filhos foram embora de casa e eu sinto que vou morrer.

    Da televisão dependurada na parede ressoa a frase que Arminda da Mata, nos derradeiros três anos de vida que ainda lhe restam até findar-se, jamais esquecerá. Um tipo excêntrico, talvez um astronauta, responde a uma jovem que lembra sua filha, Há mais estrelas no universo do que grãos de areia na Terra.
  • Experiência Divina (Meu filho Lavi)

    Chamo minha experiência de pai, a experiência de Deus. Pude perceber muitas coisas da vida e de mim mesmo, vendo o crescimento e desenvolvimento do meu filhinho Lavi. No início logo quando ele nasceu, parecia para mim que ele ainda não estava aqui, quando digo ‘aqui’ falo desce mundo, acho que estava em parte… Não existia muita expressão da parte dele, além de muito sofrimento, pois pude ver que nesses primeiros dias de vida tudo é dor. E como dói! O maior problema era a coisa com gases, a experiência de ingerir algo pela primeira vez, o leite materno causava uma revolução interna muito grande, às vezes ele chorava estridentemente por horas, e as noites eram mais dolorosas para todos. Alguns diziam que para melhorar dos problemas de gases a mãe não deve comer isso ou aquilo, eu particularmente não acreditava em nada disso, acho que era o processo da vida acontecendo, até o pequenino se acostumar em ingerir alimentos e aprender a eliminar os gases. Pronto! Daí passou esse processo, e pude vê-lo descobrindo as suas mãozinhas, era mágico para ele abrir e fechar as mãos, acho que nesse momento o seu espírito estava aprendendo a se comunicar com o seu corpo, assim, pude perceber que tudo que somos no início de nossas vidas são os nossos olhos e nossas bocas, acho que é o primeiro contato com a vida material. Ele olhava suas mãos constantemente e se maravilhava, virava de um lado a outro, mas não tinha coordenação e nem conseguia segurar um objeto sequer. Quando ele aprendeu a utilizar essas duas ferramentas poderosas tudo se transformou, daí pegava tudo e levava para boca. Queria sentir tudo, e a maneira de sentir verdadeiramente é provar com o paladar, como se tudo fosse um alimento, e verdadeiramente percebi que de certa forma tudo é alimento. Incrível Isso! Como podia aprender da vida, apenas observando o desenvolvimento da própria vida… As vezes ele sorria, mais seu sorriso era meio que inconsciente, pois sorria quando começava a ter sono e dormia a maior parte do tempo, acho que era muito cansativo aqui, preferia estar no mundo imaterial… Quando queria alguma coisa chorava, nisso aprendi que o desejo é uma forma de sofrimento… Mas realmente os problemas começaram quando ele aprendeu a engatinhar, daí pude ver o quanto o desejo pelo que é perigoso e arriscado é o natural do ser humano, pois o menino só se interessava em ir de encontro ao que colocasse sua vida em risco, como: Colocar o dedo nos buracos da eletricidade… Engatinhar em direção as escadas e precipícios (no caso os da cama) e mexer em coisas perigosas. Vi que quando crescemos não nos tornamos muito diferentes, o perigo nos atrai de uma forma que nem percebemos, em nossas escolhas e em nosso querer… Daí pude entender que o nosso Pai-Mãe Amado muitas vezes utiliza da ignorância de muitas coisas, para proteger os seus filhos amados das paixões que possam empregar as suas almas. E via como Lavi ficava irritado, esperneava e chorava, quando eu o tirava de uma situação perigosa, como: tirar uma faca ou uma moeda de sua mão, e coisas desses tipos que causam riscos de vida aos bebês. Daí também eu compreendi quando eu ficava triste e me irritava quando eu perdia algo que achava ser bom na minha vida, e vi que o meu Pai-Mãe Amado estava me protegendo de algum dano qualquer e agradeci a Ele de coração por isso, e, ao meu filho Lavi também por me revelar esse segredo… Quando Deus tira algo de seu alcance, Ele não está punindo-o, mas apenas abrindo suas mãos para receber algo melhor… Uma coisa muito interessante que eu aprendi com Lavi, foi o verdadeiro significado da palavra paciência, e vi que paciência é o mesmo que proteção… Pois todas as vezes que eu fazia comida para ele, colocava-o na cadeirinha de comer, e ele no início odiava e gritava, e chorava… Ele não entendia o porquê de ficar preso nessa cadeira com cintos de segurança e tudo. E num desses momentos que eu preparava a comida e ele chorava, me veio um insight desses que eu sempre tive com Lavi, ele não sabia que eu estava fazendo aquilo para o bem dele, ele só podia compreender o momento daquela prisão entediante, mas depois que eu chegava com a deliciosa comida, ele se alegrava. E vi claramente que todas as vezes que me sentia preso a uma situação desconfortável, e que eu gritava e esperneava… Era que o meu Pai-Mãe Amado estava preparando algo de especial para mim, e que me colocou nessa situação desconfortante para eu estar protegido de todo mal, pois enquanto ele preparava esse algo em especial, ele não podia cuidar de mim, por isso ele me colocava numa “prisão”, daí eis que compreendi a paciência de todas as coisas. Atualmente eu educo o meu filho com muitos NÃO! Lavieeeeeeê NÃOOOOOOO! (לביא לא). E agora estou refletindo nisso seriamente. Depois que ele começou a andar com quase 10 meses, tudo ficou mais arriscado… As ferramentas corporais que ele descobriu só o levam para sua morte… Daí eu pude perceber que nós seres-humanos criamos muitas ferramentas, e que atualmente muitas delas nos levam à morte, e vi o porquê que depois de milhares de anos, só agora (2012) depois de uns 60 anos muitas ferramentas foram nos dadas, e, as coisas que antigamente eram consideradas como proibidas, agora nos são lícitas. Deus parou de nos dizer NÃO! Assim como no momento certo vou para de dizer NÃO, ao meu filhinho… Saber usar as pernas e as mãos é bom, mas quando elas nos levam a perdição e a morte é mal… Com muito cuidado deixo o meu filho experimentar as coisas, só nos momentos drásticos, tiro de suas mãos ou tiro ele da direção errada em que seus pés o levam, e ele chora e esperneia… E pude compreender que a vontade de nosso Pai-Mãe Amado nunca irá nos levar aonde a sua Graça não irá nos proteger… Em algum momento eu pensei que Deus nos abandonou, mas acho que nesses tempos atuais em que profetas e enviados se ocultam, o nosso Pai-Mãe Amado está nos deixando experimentar por nós mesmos os efeitos de nossas escolhas, pois tudo já foi dito e revelado… Nós já crescemos! Agora como parte de nosso aprendizado só nos resta escolher o que fazer com todas essas ferramentas. Eis aí o nosso livre arbítrio. Deixo no final uma pequena reflexão (ciranda) que tive, e compus, antes de ser pai… Mas que julgo ser verdadeira e de grande valor. Benção do mais Alto dos altos a todos!
     
    Espírito inocente, ágil, valente
    São poucas as pessoas que os veem como gente
    Tudo é descoberta e não existe pressa
    Das mais simples coisas fazem uma festa
    Nas suas alegrias descobrem fantasias
    Brincadeiras e emoções preenchem os seus dias
    Na imaginação criam um novo mundo
    Ali não existe o “não”, nem tão pouco o absurdo
    Ser pequenino!
    Mas, pequeno só no tamanho
    O seu espírito é maior que o oceano
    Ser insignificante!
    Esquecido pela sociedade
    Só dão o devido valor quando aprendem a ter maldades
    São considerados fracos
    Porque pequeno é o seu tamanho
    Mas, fracos e pequeninos
    Se tornam com o passar dos anos
  • Família

    Otávio olhava para o chão. Ele contou os 400 pisos enquanto todos conversavam. Quatro pisos juntos formavam um desenho maior, um losango. Bem próximo à mesa farta de comida onde todos estavam, o menino descobriu um erro. Três estavam certos, mas o quarto foi colocado do lado errado. Não havia losango ali. Ele era a parte que de alguma forma não se juntava as demais. O garoto riu. 
    Na cozinha, Carlos ajudava sua esposa com o prato final, batatas recheadas. Os outros falavam alto sobre muitas coisas. É comum em conversas onde encontram-se muitas pesssoas falando ao mesmo tempo que aos poucos todos comecem a aumentar o tom de voz para serem ouvidos. Clara, Maria e Joaquim estavam na sala assistindo Peppa Pig. Julio também estava com eles, mas parecia não gostar do desenho e por isso assistia alguma coisa em seu novo celular. 
    O pai de Joaquim, Pedro, vendo as crianças, começou a contar para a multidão as façanhas do filho.
    - Ele é o pegador da escola. As meninas ficam doidas. Vai crescer e namorar com Clara e Maria ao mesmo tempo. Não vai filho?
    O garato olhou para o pai e acenou com a cabeça. O pai de Maria interviu.
    - Pode até namorar com Maria, mas só depois dos 18 e vai ter que ir lá em casa beijar minha cinta primeiro. 
    Todos riram. Marlene, mãe de Clara, vendo que novamente Julio estava isolado decidiu ajudar o garoto.
    - Não. Joaquim vai namorar com Maria e Clara vai namorar com Julio.
    As crianças pararam o que faziam. Julio, calmo como sempre disse:
    - Não. Eu vou namorar com Joaquim. 
  • FELICIDADE NA DOR: PARTE 1

    Flávio estava deitado no sofá de casa assistindo uma partida de futebol. Seu time em noite inspirada vencia e convencia. Em dado momento a campainha tocou, aborrecido por desgrudar os olhos do jogo foi atender. Era a sogra Carmen, alinhara com Julia de lhe aguardar pós trabalho. O casal havia se mudado a pouco e a moça aceitou a ajuda da mãe para arrumar alguns objetos. Notou de imediato o clima festivo, pois seus olhos brilhavam eufóricos, a recepcionou com um abraço e não querendo  incomodar tratou de ir para a cozinha.  As tarefas pareciam óbvias afinal eram copos, talheres dentre outros utensílios necessitando de arrumação.

    Eram vinte e duas horas e trinta minutos, enquanto organizava as coisas Carmen ouvia os gritos do genro alucinado.  A vizinhança colaborava afinal o time era popular na cidade. A exibição de gala merecia gritos, xingamentos e toda espécie de desabafo. Talvez aquela não fosse a ocasião propícia, olhou para a bolsa trazida a tira colo e buscava decidir se faria ou não aquilo. Os pensamentos a levaram, momentos inesquecíveis e não teria volta.

    O time fez mais um gol, necessário para classificar a próxima etapa do torneio. Eram fogos de artificio, buzinas de carro e todo tipo de som para comemorar. Flávio embalado seguia em puro êxtase e a rouquidão tomou conta. Carmen a cada explosão sentia o corpo flamejar, as mãos tremulas, suor e mente desgovernada. Foi quando levantou da cadeira, pegou a bolsa e foi até a sala. A aproximação foi notada e ao virar-se percebeu a sogra tirando algo, era uma arma calibre trinta e oito. Foi tudo muito rápido e quando menos esperou já havia recebido três tiros no peito. A atiradora chegou perto e observara o corpo estirado. Ele sussurrava por socorro, o medo estampado no olhar enquanto dava os últimos respiros.  E a sogra ali, com certo prazer, feliz, mesmo observando dor.

    CONTINUA...
  • FELICIDADE NA DOR: PARTE 2

    Carmen parecia ter acordado de um transe ao notar o chão repleto de sangue. Após a ficha literalmente cair percebeu o horario e faltava pouco para a filha chegar. Seria um choque, e ela, sua mãe, fora a responsável.

    Sempre educou as filhas, tanto Janete quanto Julia tiveram bons exemplos no lar. Jeremias, pai das moças hoje adultas e independentes contribuira ativamente. Tendo somente mulheres em casa, buscava orientar as meninas a se respeitarem em primeiro lugar. E jamais permitir homens contrários a esses preceitos em suas vidas. Ou seja, não admitiria vê-las sofrer nas mãos de quem fosse. Assim cresceram parecendo ter absorvido suas orientações.

    Janete casou primeiro, até por ser cinco anos mais velha em relação a Julia. Na época tinha vinte e cinco anos. Oito anos depois foi a vez da irmã. Nesse momento o casal Carmen e Jeremias sentia ter cumprido sua missão, afinal ambas estavam seguindo a vida ao lado dos maridos e os respectivos eram bons homens. Tempos depois a família cresceu, o neto Iago hoje com três anos, filho de Janete e Saulo preenchia ainda mais com a alegria e naturalidade infantil. Cobranças para Julia e Flávio que levavam de bom humor afinal a pouco sua união completara quatro anos. Em vários fins de semana todos se reuniam e emocionava observar.

    Os pensamentos de Carmen por alguma razão proporcionaram uma breve retrospectiva. A ocasião era turbulenta mas inusitada pois, havia serenidade em seu interior. Mesmo ciente das consequências. Foi quando pegou o celular e mesmo relutante efetuara a ligação. Se era o certo, não tinha a menor idea mas sabia das lágrimas, tristezas e decepções por vir.


    CONTINUA...

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