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  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

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    Não sinta-se perdido LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!

          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 4/9

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    Naquela manhã de sábado Mark ligara para Derek pedindo para que o amigo viesse dar uma olhada na sua Formosa, apelido carinhoso que dera a sua motocicleta. Ainda perto do meio dia, ele apareceu por lá. Mark já o esperava disposto a dar cabo de tudo sozinho.

    — Ela não liga, Dek. – adiantou o problema. — Não está dando partida. – explicou ainda.
    — Vamos ver. – o outro disse depois de aproximar-se e cumprimentar o amigo que se mostrava preocupado com a situação.

    Já haviam se passado alguns minutos desde que Derek procurara desvendar o problema quando um automóvel escuro estacionou sobre o gramado em frente a casa. Sem dar atenção, ele continuou fixo no que estava fazendo, diferente de Mark que ao perceber quem chegara lgo  foi recepciona-los.

    — Mãe! – disse indo em direção ao carro. — Eles chegaram. – avisou.
    — Mark! – um senhor falou depois de desembarcar Do vveículo. 
    — Tio. – cumprimentou o homem com aperto de mão e um abraço.
     
    Em seguida uma mulher desembarcou acompanhada de suas duas filhas.

    — Ajude sua tia, sim. – sugeriu ao sobrinho. — Trouxemos algo para o almoço.
    Mark contornou o veículo e deu auxílio a Dna. May.

    — Deixe que eu levou tia. – adiantou-se pegando uma bandeja larga. — Olá Mary... Katy. – cumprimentou suas primas também.

    Então, Derek, voltou-se para trás e viu Katherine deixar o veículo. Mark, acompanhado pelos demais veio em direção a residência.

    — O que houve? – o homem parou por um segundo ao ver o que estava acontecendo.
    — Minha princesa não está bem. – Mark respondeu pelo amigo. — E esse é meu anjo da guarda – referiu-se ao amigo agachado — Dek esse é meu tio Alan e tio Alan esse é Dek. – os apresentou.
    — Me desculpe, senhor. – Derek pôs-se em pé. — Eu o cumprimentaria, mas... – estendeu as mãos mostrando o quanto estavam sujas.

    O rapaz não soube se seria muito educado cumprimentar o senhor daquela forma. Deixou de ter dúvidas quando percebeu que o homem lhe estendera a mão. “É o melhor.” Ouviu Mark falar logo ao lado do senhor.

    — Deixe disso, rapaz. – o homem disse. — Mãos como essas representam o progresso.

    A poucos passos as costas dos dois cruzou Katherine que o fitou discretamente. Mary o ignorou completamente assim como Dna. May. Na entrada da casa surgiu Sofya, mãe de Mark, uma mulher simpática e sorridente que agora as esperava calorosamente. Mark, juntamente com seu tio, seguiu para dentro de casa.

    — Já volto, Dek. – avisou e a verdade é que realmente não levou muito tempo até que estivesse de volta. — E então... como está indo? – pediu com certa preocupação.

     Sem responder, Derek prendeu novamente a mangueira a uma pequena saída do motor e pediu para que o outro tentasse dar partida novamente. Como por um milagre, a motocicleta respondeu imediatamente.

    — Eu sabia! – Mark contente. — Você daria um jeito, Dek!
    — Coisa simples...
    — Bem... Como minhas economias andam...escassas. – agora o outro explicava-se. — Não tenho como te pagar, mas – desligou a moto. — O que acha de almoçar com nós.
    — Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu. — Me parece uma reunião íntima. – referiu-se ao encontro dele com os familiares.
    — Não, não! Deixa disso! – o convidou com um movimento de mão. — Meu tio provavelmente te interrogue, mas é uma boa pessoa. Pelo visto ele gostou de você.
    — E isso é bom?
    – Depende do quanto você corresponda as expectativas dele. – riu-se.

    Percebendo que não existiria uma maneira de impedir que aquele convite se desfizesse seguiu o amigo para dentro da residência.

    Derek sentiu-se um pouco acuado sentado à mesa. Diferente dos demais, ele usava uma vestimenta mais informal. Até mesmo Mark que entre todos era o que mais se assemelhava a ele, estava ou lhe pareceu aquele momento, especialmente bem alinhado.

    — E então... Derek. – o senhor dirigiu-se a ele. — Tem dom para concerto?

    Mark, então, o fitou como se lhe dissesse “Falei que isso podia acontecer”.

    — Bem... Trabalho na oficina de meu pai. – explicou objetivamente. — Ajudo a...resolver algumas coisas.
    — E vejo que se sai muito bem, não. – referiu-se a moto do sobrinho.
    — Obrig...
    — Ainda que se evolva em problemas nas horas vagas. – Mary soltou num sussurro, mas que claramente pode ser ouvido por todos.
    Mark posicionou-se.
    — Aquele dia foi apenas um... Equívoco.
    — Chame como quiser, Mark. – Mary. — A meus olhos vocês não passavam de dois baderneiros.

    Então, estalou-se um certo desconforto a mesa. Derek arrependeu-se no mesmo instante em ter aceitado aquele convite. Não tinha sido o suficiente ter passado a impressão errada na primeira vez, ainda teria que ser exposto ante a família inteira de Katherine, que tanto quanto a última vez, mantinha-se calada. Tanto ele quanto Mark foram envolvidos pelas desaprovações de todos.

    — Mas Dek não teve culpa. – Mark esclareceu. — Tudo o que fez foi ajudar.
    — Uma confusão sempre será uma confusão! – o homem colocou fitando os dois. — E não tolero baderneiros, Mark! São um atraso. E em respeito a memória do grande homem que foi teu pai, não vou tolerar ou permitir que você se torne um. – completou apoiado por sua irmã Sofya.
    — Obrigado, Mary. – então Mark dirigiu a prima. — Finalmente estou conseguindo ser visto como um delinquente. – debochou ao mesmo tempo em que abocanhava um pedaço de carne.

    Ela apenas ergueu as sobrancelhas lembrando algo do tipo “Não há de que”.
  • Entre Lobos (conto-romance) 5/9

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    (POSTAGEM TODO INÍCIO DE MÊS) Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! TENHA UMA ÓTIMA LEITURA!


    — Que almoço, hein? – Mark na varanda riu-se com o amigo depois.

    Sem dizer nada Derek apenas calçou um cigarro entre os lábios. Apalpou os próprios bolsos, mas não achou seu isqueiro.

    — Tome. – o outro alcançou o seu depois de acender o próprio fumo. — Não ligue... Eles são assim mesmo. Conservadores.

    — Claro! – disse depois de soltar a fumaça do pulmão. — Mas então acho que já está tudo resolvido por aqui. – fitou a motocicleta do amigo. — Já é hora de eu ir.

    Assim que disse isso, viu atravessarem a porta de saída Mary e Katherine acompanhada logo atrás por seu pai e as duas mulheres.

    — Mas nos deixe na cidade, papai. – Mary. — Eu e Katy queremos conhecer o parque que chegou essa semana. – comentou.

    — Está bem. – o senhor respondeu. — E o que acha de fazer companhia a elas Mark? Seria de bom tom se agisse como um cavalheiro algumas vezes.

    — Não é necessá... – Mary

    — Claro! – Mark respondeu de imediato. — Assim aproveito pra testar a Formosa. – respondeu com semblante sorridente.

    — Mas pai... – Mary ainda não aprovando aquela ideia.

    — Sabe que não gosto que andem sozinhas, ainda mais em lugar tumultuados como esses. – o homem deixou claro. — Mark lhes fará companhia, sim. – completou aproximando-se de Katy e lhe acariciando o rosto. Seguiu em frente depois de despedirem-se de Sofya. Minutos depois o veículo deu partida e sumiu.

    — Mas e vocês? – A mãe de Mark perguntou sem entender o porquê de os dois ainda estarem por lá. — Já não deveriam ter ido encontrá-las? – completou voltando para dentro de casa.

    — Sim! Claro! – Mark de súbito. — O que acha Dek? – disse apoiando a ideia de tê-lo como companhia.

    — Bem... – Derek deu mais algumas tragadas no fumo e antes que pudesse dizer qualquer coisa o outro antecipou-se comentando.

    — Talvez tenhamos que aturar o humor inflexível de Mary. – brincou. — Mas pense nas lindas mulheres que por lá estarão. – deu um tapinha no ombro do amigo.

    Derek sorriu vendo a perspicácia do amigo.

    — Por isso você aceitou a sugestão do teu tio, não foi? – falou dano uma última puxada na fumaça e jogando fora o cigarro pela metade.

    — Tudo na vida tem um preço. – respondeu pondo seu capacete. — E nesse caso, vejo como uma... Troca de favores. – breve pausa. — As mantemos seguras enquanto bebemos e admiramos a paisagem. Perfeito, não? – concluiu antes de dar partida na motocicleta. Pegaram a estrada.

    O lugar realmente estava movimentado, mas não levaram muito tempo até que conseguissem encontra-las em meio aquela multidão. Derek aproximou-se com o amigo e parou próximo a Katherine que evitava o encontro de seus olhos.

    — Nós vamos caminhar. Deve ter muita coisa interessante por aqui. – avisou o primo. — E você – o mirou séria. — Conseguiria não criar problemas? – soltou antes de afastar-se com Katy.

    — Fique tranquila. – começou com um tom debochado. — Farei o máximo pra que não me diminua no próximo almoço. – então, embrenhou-se com Derek no movimento.

    — Ok! – Mark soltou em algum momento mais tarde já sentindo-se incomodado. — Preciso de uma cerveja e não acho que vou encontrar isso por aqui. – ainda mirando ao redor. Avistou suas primas em frente a uma barraca. Foram até elas. — Como estão se saindo?

    — Muito bem. – Mary respondeu. — Vamos só comprar um refresco. Logo papai vem nos buscar.

    — Acho que vou me contentar com isso. – ele sussurrou dando-se por vencido referinod-se a bebida.

    Assim que um pequeno grupo deixou o lugar depois de fazerem suas compras Mary adiantou-se acompanhada deMark. Katherine mirava a imensa roda gigante que estava a alguns metros longe de onde estavam, vendo sua atenção sobre a atração, Derek usou-a como um meio para em fim aproximar-se dela.

    — Imensa, não? – disse parando logo ao lado. Katy o fitou com o semblante liso e não disse nada. — Quer ir até lá? – perguntou.

    Katherine, pensou por um segundo e sorriu demonstrando ter deduzido o que ele lhe dissera.

    — Conhecer? – respondeu com a voz fraca. — Ela? – indicou com a face.

    — Sim! – ele disse. — Gostaria? – mostrou o caminho com um gesto simples.

    Katherine o observou e respondeu afirmativamente com a cabeça, mas sem pronunciar uma única palavra.

    — O que acha que está fazendo? – Mary então susrgiu como um fantasma.

    — Bem... Nós íamos até a roda gigante e...

    — Não, não vão! Não mesmo! – a outra posicionou-se. — Katy – voltou-se para a irmã. — Não pode agir dessa maneira... precisa ser mais cuidadosa. – reprovou a atitude da irmã.

    — Calma! Não há nada de errado. – Derek. — Só estamos conversando.

    — Não! Ela não está conversando! – respondeu com mais frieza. — Você quem a está importunando. – entregou um copo para a outra. — Deixe-a em paz! Sei muito bem o que você pretende com ela. – insinuou ainda. — Vamos, Katy. – deixou que a outra passasse a sua frente.

    — Mas... – Derek mirou o amigo que deu de mãos como se dissesse “esquece, esquece”.

    — Já te falei sobre isso. – Mark segundos depois. — Vai encontrar problemas ali. – referiu-se a Kety. — Tanto meus tios quando Mary... – pensou por um segundo. — Talvez não minha tia, mas os outros são bem rigorosos quanto a Katherine.

    — Não entendo.... – buscou uma explicação para si mesmo.  — Beata? – concluiu.

    antes mesmo de responder o outro sorriu parecendo debochado.

    — Mais complicado do que isso. – riu-se Mark. — Katy não é como as outras, Dek. – secou seu refresco. — Acho que a diversão acabou por aqui.

    — Vamos até minha casa. – agora Derek sugeriu. — Lá te um bom wisk e você aproveita pra me explicar melhor essa história.

    O outro concordou ao perceber que seu dia ainda não estava perdido.

    Agedeço a atenção!
    Confira também os outros títulos!
    Forte abraço!
  • Entre Lobos (conto-romance) 6/9

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    Não se sinta perdido(a), LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!
    Derek fumava escorado sobre o corrimão acompanhado de um copo de bebida e mais adiante, não muito distante de onde estava, Mark permanecia sentado sobre os poucos degraus que levavam a varanda. A rua em frente, monótona, estava tão quieta quanto os dois amigos.
    —... Quer me fazer de besta! Você está zombando de mim, Mark. – Derek então falou depois de soltar a fumaça do pulmão.
    — Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? – o outro respondeu imediatamente. — Você deve ter percebido algo de estranho, não? Com ela. Queria saber o que esta havendo e estou te dizendo. – completou.
     — Mas... Impossível! Você mesmo viu o que aconteceu no parque! Por mais curta tenha sido nós tivemos uma conversa. – jogou contra. — Não? – riu-se.
    — Está bem, talvez a situação não seja exatamente como coloquei... Ao menos não ainda. Apesar de Katherine ter perdido grande parte da audição, não significa que não consiga nos ouvir. – tirou um gole da bebida. — Sinceramente fiquei surpreso que ela tenha se ariscado a falar com você, Dek. – comentou ainda. — Ela costuma ser extremamente reservada.
    O amigo ainda refletia sobre o que acabara de ouvir.
    — Reparando agora, isso explica muita coisa. – então, disse depois. — E como pode ser desfeito? – atencioso. — Isso pode ser desfeito. – reformulou a frase esperando que sua confirmação fosse apoiada pelo amigo.
    Mark negou com a cabeça antes de responder.
    — Não! – pesaroso com aquele fato. — E com o tempo só piora. Meus tios já procuraram todos os meios pra ver se ao menos isso pode ser interrompido, mas parece que vai chegar o dia em que ela simplesmente vai deixar de ouvir qualquer coisa, Dek. – esclareceu por fim. — E isso é muito triste de saber.
    Ficaram em silêncio.
    — Por isso, meu caro amigo, vou dizer uma última vez. – Mark pôs-se em pé. — Esquece essa história. Não vai querer essa situação pra você. Acredite.
    — Como?! – Derek surpreso. — Acho que não entendi direito. – precisou de confirmação.
    — Não, você me ouviu muito bem. – Mark afirmando o que havia dito. — Esqueça Katy.
    — Poxa vida, Mark! Achei que fosse ter ao menos o teu apoio! – insistiu.
    Antes de seguir falando o outro pôs seu copo vazio junto ao do amigo.
    — A surdez de Katy é só parte do problema, Dek. – continuou dando de mão em seu capacete. — Viu como Mary reagiu só de você trocar umas poucas palavras com ela, meu tio é tanto pior. – montou na motocicleta. — Acredite, cara! Se tem alguém que pode falar com propriedade, essa pessoa sou eu... Faça um favor a si mesmo. Esqueça Katherine ou isso pode não acabar bem.  E é tudo o que tenho a dizer sobre isso. – de ombros vestindo o acessório dando partida e indo embora.
    Derek continuou onde estava, fumando imóvel vendo o amigo levantar poeira da estrada. Não demorou muito e ouviu a porta atrás abrir e bater novamente. John aproximou-se dizendo
    — Deveria dar ouvidos ao que ele disse.
    — As espreitas agora? Não achei que o senhor agisse assim. – comentou vago buscando fitar o homem por cima do ombro.
    — Não pensa em levar isso adiante, não é? – o homem seguiu dizendo sem dar ouvidos ao que seu filho lhe dissera.
    — Bem... Parece que todos já sabem o que eu devo ou não fazer, não é? – respondeu tomando o restante de sua bebida e em seguida lançou o toco de cigarro na estrada antes de seguir para a porta de entrada.
    — Pense melhor, rapaz. – o homem sugeriu. — Essa não é como uma de suas brigas de rua. Ao mesmo consegue enxergar isso?
    — Claramente. – entrou deixando a porta bater. — Claramente. – repetiu.
    Na manhã seguinte, como de costume, John escutava os noticiários sobre o avanço da Alemanha. Foi surpreendido ao ver que Derek surgira mais alinhado com suas vestimentas, logo deduziu que seu filho preparara-se par uma ocasião mais formal.
    — O que merece todo esse cuidado? – falou.
    — Vou até a casa de Mark. – esclareceu o que deixou seu pai confuso. — Quero falar com os pais de Katherine e espero que ele me diga onde encontrá-los. – por fim.
    O home desfez-se do aparelho.
    — Mas que droga! Achei que tivéssemos resolvido esse assunto! – John sério. — Vai realmente insistir nessa história?
    — Já tomei minha decisão. – respondeu indo em direção a saída.
    — Não me dê às costas, rapaz! – o homem deixou o assento. — Não percebe o erro que está cometendo? Com pode considerar uma vida normal com alguém que um dia não vai nem escutar o que você diz?
    — Dane-se todos vocês! – Derek posicionou-se. — Não vou abrir mão daquilo que eu acredito por que vocês são covardes!
    — Cuidado, rapaz! – John o advertiu.
    — Covardes, sim! Não teriam coragem de enfrentar uma situação como essa e por isso se não conseguem mantê-la trancada querem impedir que o mundo não se aproxime dela.
    — E o que pretende fazer? Não tem culhões pra esse relacionamento, filho. – disse. — Mal consegue manter os bolsos cheios.
    — Ainda assim é o que pretendo fazer! – insistiu.
                — Pois bem. – deu de mãos abertas. — Resolva isso de uma vez, então! Quem sabe, depois de ser enxotado perceba quem está certo.
    Sem dar ouvidos Derek partiu.
    — Você enlouqueceu de vez, Dek! – Mark ainda sem acreditar no pedido do amigo. — Acaso ouviu alguma coisa do que eu disse ontem?
    — Cada palavra.
    — Cara, você realmente gosta dela, não é? – agora admirando a postura do amigo.
    — Assim que a vi, Mark. – respondeu. — Por isso preciso da tua ajuda. Não vou desistir sem que ela mesma deixe claro que não tem sentimentos por mim.
    Mark respirou fundo e soltou o ar.
    — Está bem! – então concordou. — Parece justo. Afinal de contas você já me ajudou tantas vezes. – estendeu a mão. Cumprimentaram-se com força. — Provavelmente meu tio me mate por dar apoio a isso, mas vejo que é sincero o que sente por Katy. Quem sabe eles também enxerguem...
    — Tudo de que preciso agora é do teu apoio. – Derek respondeu vendo transparecer na face do outro um sorriso de satisfação.
    CONFIRA TAMBÉM... Meu Querido Manequim / Humanos
    OBRIGADO a ATENÇÃO!
  • ESCURIDÃO

    Solidão é a palavra que define meu atual estado: Tristeza, mas não aquela de chorar, eu não choro, não choro mais, e isso foi algo que decidi e consegui cumprir, contudo as lágrimas serem ou não derramadas não me vem ao acaso, não sou de sair, prefiro passar o tempo no meu quarto, perdendo horas e horas na internet, sei muita coisa, porque leio muita coisa e desde sempre até onde me lembro, claro, acredito que coisas que não deveriam existir nesse mundo, existem: Dêmonios, fantasmas, lobisomens, bruxas, e mais tudo que pode ser imaginado.
    Sempre tive medo do escuro, digo, quando eu era criança, mais precisamente não medo do escuro, mas o que nele habitava, morria de medo de dormir sozinho, separado do conforto e proteção dos meus pais, mesmo estando no mesmo quarto o medo me vinha e eu mau dormia a noite, ficava de cobertor erguido à cima da cabeça, pois sabia eu que se olhasse para o escuro veria o que evitava toda noite ver.
    Palhaços gigantes com enormes bocas e dentes afiados para me devorar, esqueletos usando becas voando pelo teto em vassouras e rindo, umas das coisas que mais me pertubou foi a mulher, enquando estava deitado na minha cama ao lado da dos meus pais, juro por Deus e por tudo, eu vi a coberta se levantar, uma vermelha e comprida que adorava, e assim que foi esguida do meu corpo ignorando o fato de eu estar segurando-a uma mulher deitou ao meu lado na cama e nos tapou, sempre que contava essa história eu ficava serio, foi real eu sabia que tinha sido, mas o que mais me espantava era o fato de que minha irmã tinha morrido quando era um bebê, eu ainda não era vivo, caso estivesse viva hoje seria ela uma mulher já feita.
    Mais uma noite veio e eu ansiava pela aurora e o calor do dia, pois se tinha algo que eu sempre dizia era: O mau não age na luz, seja o que for que dominava a escuridão na luz eles não poderiam me fazer mau, ainda no escuro, vislumbrei um lobo, sim, um lobo enorme e com olhos cinzentos que brilhavam, gelei, só o coração batendo enquanto meus olhos acompanhavam os seus lentos movimentos, e o suor começa a aparecer pela minha testa, ele andou e parou perto da lateral da minha cama, olhou-me nos olhos, sorriu, e sumiu, como fumo, e eu continuava a olhar e olhar, sentia os ombros tensos e o pescoço rigido, odiava aquela situação e não via a hora de crescer, pois quando se cresce as fantasias morrem.
    Nessa época meus pais levantavam cedo para ir trabalhar, como eu dormia na maioria das vezes com eles, ficava na cama até de dia e depois ia para casa da minha prima enquanto eles não retornavam, estava de férias no cólegio, não lembro a série, o fundamental  foi o período mais odiado por mim, e isso faço questão de não recordar, dos imbecis dos colegas, a implicancia, e o fato de estar sempre sozinho seja nas aulas ou no intervalo. Como ia dizendo eu esperava o dia adentrar para ir à casa da prima, ainda de madrugada, estava escuro, senti algo cutucar minha coxa, eu medroso já cerrei com força os olhos, tinha essa mania, achava que faria o indesejado desaparecer, nunca deu certo, descobri o rosto um pouco para espiar e me deparei com uma coisa sem rosto e de pela azul escura em cima de mim, nao gritei, nunca gritei(quem iria ouvir) apenas cobri rapidamente o rosto enquanto sussurava por favor, por favor, não sei quanto tempo havia se passado, quando olhei novamente a coisa tinha sumido, reparei pelas gretas da telha e vi luz, nunca me senti tão aliviado.
    Com o passar do tempo que fui crescendo, mudei para o quarto que fora construido para ser meu, no começo não queria, por causa do escuro, nunca disse a ninguém que tinha medo do “escuro”, mas a palavra de meu pai era lei, e eu obedecia, noite após noite e depois de um longo tempo nunca mais vi as coisas na escuridão, eu deitava e ficava encarando o canto entre as paredes, procurando um lobo ou esqueleto, mas nunca mais os vi, pensar nisso me fez me sentir sozinho, e eu fiquei confuso, detestava aquelas coisas bizarras que vinham toda noite me atormentar, só agora percebi que tinha me apegado à elas, eram monstros, mas estavam comigo e só partiam quando a luz ordenava.
    O que tenho hoje são sonhos, loucos e divertidos, sonhos de todos os tipos, as vezes os odeio, porque acordo e percebo que não passou de um simples e bobo sonho, mas eu me sentia tão bem que aquilo era mais real do que a realidade, aproveito ao máximo, até os pesados, pois um dia esses sonhos iram acabar, irei dormir de noite e acorda na manhã e saberei nesse dia que mais um amigo se foi, eram três, os monstros se foram sem eu nem notar a sua ausencia, sonhos ainda tenho, só temo o dia em que acabar e o terceiro e eterno amigo, que me aompanha para tudo conter lugar e sei, esse eu sei que nunca vai me abondonar a menos que eu faça primeiro. A solidão, pois não importa a ocasião eu sempre estou triste.
  • ESTRELAS

    Não pode, não há como você enfrentar tantos sozinhos, por favor – chorando. Não, não vá, não me deixe. Era necessário, para salvar a todos eu precisava usar o portal, só que minha magia estava no fim, e o que sobrou só daria para levá-las, eu teria que ficar para trás, sozinho, e com o exército se extendendo por todo o horizonte.
                É preciso, Estella, se eu não fizer todos morrerão, entenda, eu... é o único jeito, precisava acabar logo com isso ou iria fazer a escolha que queria, era a errada, porém, a que ele queria. Sou como uma estrela, estela: Quando uma estrela morre seu brilho ainda pode ser visto. – E o que isso tem, disse chorando. Apenas a olhei e meu coração se encheu de tristeza, sorri e disse que ela entenderia. A vanguarda inimiga já podia ser avistada precisava me apressar, comecei o encantamento e logo o portal se abriu, enviei-os à capital onde estariam em segurança, logo que sumiram me virei ao horizonte e para o mar de mostros que se aproximava de mim trazidos pelas ondas da destruição, respirei fundo, fechei os olhos e me preparei para a luta, sabia eu que não sairia com vida e mais uma vez a tristeza me abraçou, a última vez que a verei, pensei enquanto corria para a batalha.
                Quando cheguei ela estava sentada na mureta do castelo observando o por do sol e assim que semicerrou os olhos em minha direção deu um pulo de lá e veio correndo se jogando em mim, caimos e rolamos pela grama, ela soluçava e me abraçava enquanto dizia ainda bem, ainda bem, ainda bem. Deitei em seu colo e ao tocar seu lindo rosto de porcelana uma luz saiu de minha mão, estava sem tempo, pois o perdi na caminhada, ela não a percebeu, alisei a porcelana avermelhada que virou sua bochecha e sorri, a última vez, pensei.
                Você voltou, conseguiu, estou tão feliz, ele deitado em seu colo disse: lembra do que eu falei? Que mesmo depois que uma estrela morre, seu brilho ainda pode ser visto?.
    Após estas palavras ela compreendeu, ele já estava morto., deitado em seu colo jurou seu amor e disse que sempre a amou e sempre a amaria, enquanto o sol ia se pondo ele ia junto do astro, ela não conseguia conter a emoção e as lagrimas foram jorando de seu pranto, rolando pelo seu rosto. – Adeus, disse ele, adeus minha querida Estella, a melancolia em sua voz embargada. a lágrima saiu dos olhos de Estella e caiu no canto de seu olho e parecia que ele havia chorado, o sorriso bobo em seu rosto, bobo que ela amou a primeira vez que viu, e agora seria a última, quando o último raio de sol foi-se ele foi reivindicado para os céus, a minha estrela, pensou Estella chorando, o sol se foi e o levou assim como seu brilho. A lua subia alto no panorama celeste junto das suas luminosas, ela passou a noite toda procurando a sua estrela.
  • Eu amo

    Eu amo, seu beijo, seu desejo

    Eu amo, seu sorriso, seu riso

    Eu amo, seu abraço, seus amassos 

     

    Eu amo, seu corpo, seu rosto 

    Eu amo, seu olhar, seu andar

    Eu amo, seu toque, que me toque

     

    Eu amo, seu cabelo, seu cheiro

    Eu amo, seu jeito, seus defeitos

    Eu amo, mas só eu amo...

  • Eu Juro Que Não Sabia...

    Aquela festa estava destinada a ser inesquecível. Joe já havia bebido muito mais do que pretendia, ficando em um estado totalmente eufórico e imprevisível. Ela dançava no meio da pista como se não houvesse amanhã, remexendo de uma maneira chamativa e sedutora. De repente, ela sentiu uma mão agarrando seu pulso e a puxando para um local escuro e desolado do resto da festa. Era Josh, seu ex-namorado, que claramente não tinha suportado o término. Mas, como estava incrivelmente bêbada, Joanne não se importou com o fato de que tinha prometido à si mesma que não teria mais nenhum tipo de relação com o garoto e deu-lhe um beijo caloroso e equivocado, o deixando extremamente exitado.
         Depois de alguns minutos repletos de satisfação, Josh começou a empurrar a garota pelo quadril até o banheiro masculino, aonde os dois se trancaram em uma cabine e começaram a tirar a roupa um do outro. Porém, havia um detalhe. O garoto posicionou sem celular em um ângulo certeiro próximo a descarga do vaso sanitário que estava logo atrás do "casal". Assim, a câmera do telefone captou momentos que de maneira alguma deviam ser gravados na memória do um celular de um adolescente. Joe estava tão chapada que nem suspeitou de nada e apenas se deixou levar pelos seus instintos que buscavam o ápice do prazer. Mal sabia ela que aquelas gravações iriam gerar um tremendo rebuliço...
         No dia seguinte, Joanne acordou com uma dor de cabeça nefasta. A ressaca estava batendo de um jeito inacreditável. Ela então decidiu que não iria à aula e tentaria sossegar um pouco. Ela foi até a cozinha e tomou um bom café da manhã, depois se deitou no sofá da sala e abriu o seu computador. Seu Facebook estava repleto de notificações. Ao vasculhar um pouco a rede social, Joanne arregalou os olhos e começou a chorar. Todos estavam compartilhando um link que levava até o vídeo gravado por Josh. Joe tratou de pegar seu telefone e ligou imediatamente para o garoto. Felizmente, Estava na hora do intervalo, então o garoto pôde atender mesmo estando na escola.
         - Alô?- O espertinho não parecia nem um pouco preocupado.
         - Seu desgraçado!! Você me filmou fodendo com você sem nem me avisar e ainda espalhou o vídeo para todo mundo ver?!
         - Hey, puta, nem vem com essa que você SABIA que eu estava gravando. 
         - Ai, vai se foder!! É claro que eu não sabia...
         Josh simplesmente desligou na sua cara.
         Joanne ficou arrasada, se trancou no quarto e se pôs a chorar novamente. Se ela ficasse muito tempo ser ir à escola ela sabia que seus pais iriam suspeitar de algo. A pobre garota estava simplesmente perdida...
         Na semana que se seguiu, Joanne percebeu que já estava na hora de comparecer às aulas. Enquanto andava pelos corredores da escola, pôde perceber que todos os olhares se voltavam para ela. Todos riam, xingavam e cochichavam. Quando a aula de fato começou, inúmeros bilhetinhos ofensivos voavam em direção à carteira da jovem. Joe tentou ignorá-los, mas em certo ponto ela simplesmente desabou em lágrimas e pediu à professora para ir ao banheiro. Ela se trancou em uma cabine e esperou até a hora do intervalo. Porém, quando o sinal bateu e Joanne estava prestes à deixar a cabine... Dois garotos adentraram o banheiro feminino silenciosamente e esperaram até que Joe se mostrasse. No mesmo instante que a jovem se dirigiu à fileira de pias para se olhar no espelho, os dois encrenqueiros saltaram em sua direção e a pressionaram contra a parede.
        - Vamos fazer outro vídeo, vagabunda? - Um dos meninos disse tirando o celular do bolço.
        Joanne começou a gritar, porém o garoto mais forte e alto tapou a sua boca e deixou que o outro menino desabotoasse as calças.
       O que se seguiu fora uma cena horrível e extremamente revoltante. Após alguns minutos, os dois deixaram o banheiro correndo em meio a risadas eufóricas enquanto Joe simplesmente se encolheu em um canto, abraçou os joelhos e começou a chorar. Por que aquilo estava acontecendo justamente com ela?!
        Quando chegou em casa, a garota sentiu uma vontade incontrolável de contar aos pais o que havia acontecido, mas... devido à uma sensação horrível que misturava vergonha e medo, a adolescente desistiu e foi direto para a cama, aonde chorou como se o mundo estivesse prestes a acabar, ou... como se já estivesse em ruínas.
        Alguns dias depois, na hora do almoço, um bando de garotas se aproximou de Joanne e começou a xinga-la sem piedade alguma.
        - Ora, ora, ora, se não é a puta do momento... - Uma loira desprezível tratou de comentar.
        - Hahahah, ainda por cima, fica chorando no meio da aula para se fazer de coitada! - Uma outra acrescentou.
        - Me deixem em paz, por favor... - Joanne implorou.
        - Ou o quê?! - A loirinha retrucou.
        Joe respirou fundo e fechou os punhos... Mas não foi capaz de segurar seus instintos. Ela se levantou rapidamente do banco aonde estava sentada e se pôs a puxar os cabelos de uma das garotas ali presentes. A mesma começou a gritar, e logo surgiram pessoas de todos os lados para separar as duas. 
        Mais tarde, Joanne e o grupinho de garotas foram encaminhadas à diretoria e os pais de Joe foram chamados.
        - Por que você atacou a Srta. Manchester, Joanne? - O diretor balofo e mal-cheiroso tratou de perguntar.
        - Porque ela me irritou.
        - E posso saber o que ela fez para te deixar tão irritada?
        Foi aí que Joanne ficou sem palavras... Ela não podia contar o porquê.
        A garota acabou levando uma advertência para casa, aonde a mesma teve que ouvir inúmeros sermões dos pais sem nem ao menos poder se defender... Foi aí que ela teve uma ideia para acabar com tudo aquilo. De madrugada, Joanne se entupiu com os remédios da mãe que havia adquirido sorrateiramente e com uma faca da cozinha, ela simplesmente cortou os pulsos, escrevendo com sangue nas paredes da sala a seguinte mensagem: "Eu não sabia que ele estava gravando. Eu juro que não sabia...". E assim faleceu Joanne Valentine, mais conhecida como Joe. Uma garota forte, porém que não resistiu à mágoa e a humilhação supremas. Vamos acabar com o Bullying, para que a próxima Joanne Valentine possa ser salva... Obrigado pela compreensão.
  • How Be a Mom

    PRÓLOGO
    Não importa o quão racional ou inteligente sejas. Nenhum ser vivo é detentor de tanto conhecimento a ponto de não ser surpreendido pelo desconhecido. Experiências são conquistadas com o tempo, com os erros, com as pisadas em falso. É com elas que se aprende a lidar com o novo, os obstáculos são contornados até que se chegue a seu objetivo.
    O transtorno é imensurável. Ninguém escolhe percorrer o fundo do poço, apenas, em algum momento dessa longa trilha, a qual se chama de vida, tropeça-se em uma pequena pedra, não vista, no meio do caminho. Afinal, as grandes rochas são visíveis e evitáveis, não?
    Impor-se metas. Munir-se das melhores intenções. Planejar cada passo. Até que um dia nota-se que a base de sua construção não era tão forte, que os pilares daquela estrutura já não estavam tão firmes e, em dado momento, caem em pleno caos. Mas está bem, é apenas juntar os pedaços, fazê-los mais fortes e reconstruí-los de uma forma que não caíam mais por aquele mesmo motivo e tantos outros. Assim se forma uma nova etapa da vida.
    “— Essa é uma nova etapa da sua vida Eliza. – o pai deu dois leves afagos no topo dos longos cabelos negros da garota que o mirou com os exóticos olhos violetas — Uma nova etapa. – repetiu e deu um leve sorriso encarando aquele estranho tom.”
    Naquele dia seu pai estava tão orgulhoso, depois de terem feito a matrícula de Eliza Eckhart numa das melhores faculdades de administração do país.
    — Mana? – aquela voz familiar soou longe de seus pensamentos — Mana! – foi o chamado mais alto e os olhos violetas vislumbraram o vulto da mão da menor passando frente aos seus raros orbes — Estou a chamando faz tempo, mana. – Scarlett Eckhart pôs as mãos na cintura delineada, enquanto dava bronca na filha primogênita da família.
    Apenas naquele momento Eliza notou que ainda estava com o lençol, o qual deveria por no colchão, em mãos e olhava perdidamente para algum ponto da parede. A pele tão alva contrastava com os cabelos longos e levemente ondulados da garota, o único problema era o fato de estar anormalmente pálida.
    — Mana? – a caçula dos Eckhart questionou de novo, a sobrancelha arqueada pela dispersão da irmã.
    Os violetas encontraram os verdes esmeraldinos da mais nova, admirou-os por alguns instantes, como resplandeciam num brilho vivaz invejável ou como a coroa alaranjada em volta da pupila tornava o rosto, de traços tão meigos e até infantis, num de uma verdadeira mulher já completa, mesmo tendo apenas dezesseis anos.
    — Mana... – o tom mais ameno da voz de Scarlett chamou a atenção da outra —... o que você tem? – questionou, tocando, numa ternura inquestionável, a bochecha da mais velha.
    Ali Scarlett presenciou o corpo da irmã estremecer levemente, enquanto os olhos violetas tornavam-se opacos de desespero. Naquele ponto Eliza apenas pôs a mão sobre os lábios e saiu em passos ligeiros até o banheiro do quarto de ambas, trancando-o em seguida.
    As batidas e tentativas de abrir a porta do banheiro foram inúteis e já estava pronta para chamar um dos pais quando ouviu o som da descarga e a fechadura destravando. Ao abrir a madeira de mogno, deparou-se com a irmã escovando os dentes. Aguardou um ritual de passagem de água no rosto e um longo suspiro foi dado pela mais velha.
    — Céus mana, você está pálida. – segurou a mão da mais velha e a fez sentar sobre o colchão fofo da cama — O que você tem? Conta para a maninha. – Scar sentou-se na cama ao lado da que a outra estava, os móveis eram próximos, então era fácil para a caçula segurar as mãos de Eliza.
    Sempre foi tão dura e cheia de lógica. Mas onde existe lógica quando se trata do que é sentir? Era tão nova, tinha apenas dezessete anos e mal sabia dos labirintos que a vida impõe nos caminhos traçados. Então todo aquele emaranhado de boas sensações, guiados por belos olhos azuis, fê-la perder totalmente o sentido de realidade naquela simples noite.
    —Scar,eu....
    Claro que não poderia deixar de se lembrar dos sorrisos de canto, das conversas animadas e como ele a conquistou de uma forma que nunca tinha se permitido sentir naquele primeiro semestre da faculdade. De como as palavras sussurradas naquela voz de tom rouco ressoavam em seu ouvido e de como ela foi tão tola em se permitir levar.
    — Você tem estado estranha mana. Mal come, tem estado pálida. – Scar foi pontuando nos dedos — Até mesmo tem dormido mais, quando sempre é a primeira a acordar. – mais uma vez vislumbrou o desespero materializado nos olhos violetas — Mana está doente?
    As mãos tamparam o rosto. O que faria? Como seria dali em diante? Seu corpo. Seus sonhos. Bem podia recordar-se do dia em que, temerosa e de olhares furtivos, foi até a farmácia para comprar o típico teste feito em casa. Sentiu-se tão envergonhada sob o olhar questionador do caixa, mas era Eliza Eckhart e jamais abaixaria os olhos, por isso manteve-os sérios para o senhor de barba branca que apenas se ateve em pegar o dinheiro dado por ela.
    Naquele mesmo dia aproveitou que os pais não estavam em casa e que Scar tinha combinado de ir ao cinema com os amigos do colégio. E não levou muito tempo para que o desespero abatesse seus olhos violetas quando o resultado completou-se com um claro e simples ‘positivo’. Jamais poderia descrever em palavras o que sentiu no exato momento que reviu o exame.
    Eliza Eckhart, a garota genial, que ganhou bolsa integral na faculdade de administração, e provavelmente tinha um grande futuro pela frente ante sua perspicácia. Bem, agora estava grávida.
    — Scar eu... – respirou fundo, pois, mesmo depois de uma semana de ter aquele conhecimento sobre seu estado de gravidez, ainda não havia contado a ninguém —... estou grávida.
    E quisera Eliza não ter falado naquele momento, pois não houve tempo para lamentações, afagos ou questionamentos quando a porta, antes entreaberta, abriu-se de uma única vez para surgir a figura masculina do pai das irmãs Eckhart, Carl Médici Eckhart, com uma expressão que Eliza soube decifrar em algo ruim.
    — Pai. – Scar olhou para a irmã e, em seguida, para o pai, já se erguendo — O senhor...
    — Eliza! – a voz ameaçadora do pai fez a garota levantar-se — Repita o que você disse. – e dessa vez dera passos à direção da mais velha que parecia ter travado ante a indagação irritadiça do pai, nem mesmo havia notado quando a caçula se colocou frente a ela.
    — Carl, que gritaria é essa? – daquela vez foi a mãe quem adentrara o quarto, enquanto segurava uma toalha de louça nas mãos.
    Mas o questionamento de Celiny Evans Eckhart foi deixado em segundo plano pelo patriarca da família que apenas se atinha em fuzilar com aqueles olhos verdes escuros os violetas da filha mais velha.
    Eliza jamais poderia reclamar de sua vida. Teve tudo que precisava, desde as boas roupas e refeições fartas ate as idas ao cinema com a irmã, patrocinadas pelo pai, por sinal, este sempre fora bom com elas, extremamente rígido, mas sempre bondoso. Carl Médici não era o exemplo de pessoa amável, era general militar das forças armadas e pouco sabia demonstrar afeto, mas, de toda forma, mostrou-se ser um bom pai.
    Agora, a primogênita da família, não sabia dizer quem era aquele homem de expressão aterrorizante na face. Por isso quando entreabriu os lábios finos e desenhados em forma de coração nenhuma palavra saiu.
    — Repita Eliza! – foi a ordem não de seu pai e sim da personificação do general das forças armadas.
    — Pai, eu... – a respiração dela estava pesada e o embrulho em seu estômago tornava-se mais fatigante.
    — Você está grávida, Eliza? – Carl questionou mantendo aquele tom desconhecido pela família.
    — O que? – Celiny arregalou os olhos de um tom raro de rosáceo.
    — Eliza! – o tom de voz dele subiu mais uma vez.
    — Sim. – Eliza respondeu de uma única vez vendo o homem ir a sua direção.
    — Não. Não, não pai. – Scarlett se manteve na frente da irmã e a abraçou fortemente contra o peito como se ali pudesse manter a mais velha longe de perigo — Não bata na mana. – pediu chorosa, os olhos esmeraldinos estavam marejados, embora nenhuma lágrima ousasse cair.
    Aquele pedido pareceu travar o homem, mesmo que a expressão de raiva não saísse de seu rosto.
    — Carl, acalme-se, vamos...
    — O pai já sabe? – Carl cortou as palavras de Celiny, o cenho franzido em irritação depois de a mão passar pelos fios negros do cabelo cortado no típico estilo militar.
    Teve um singelo momento que Eliza não soube se conseguiria aguentar o que quer que estivesse em seu estômago, mesmo não tendo conhecimento do que havia lá, jogou fora tudo o que tinha da noite anterior naquela manhã. Então apenas balançou a cabeça afirmativamente. Fazia dois dias que foi até o apartamento de Braddley Cooper falar do que estava acontecendo e quando o fez o rapaz de seus vinte e cinco anos apenas retrucou que tinha de se mudar devido ao emprego. No dia anterior a Eckhart mais velha descobriu que ele não morava mais naquele apartamento e transferiu a faculdade. Depois disso não soube de mais nada.
    — Onde ele mora? – o pai questionou raivoso, tirando Eliza das lembranças que havia adentrado.
    Silêncio.
    Desde que iniciou a faculdade não comentara com os pais sobre o rapaz que adorava dar belos sorrisos a garota ou como aparecia de surpresa na biblioteca para ter longas conversas com a mais velha, tantas foram às vezes em que a bibliotecária os expulsava do lugar e eles iam até o gramado do campus continuar o bate-papo animado. E, claro, Eliza não era boba, ao menos não achava que o era, demorou um bom tempo até ele roubar o primeiro beijo do casal. Naquele dia, ao retornar da faculdade, contou a irmã que conhecera um cara legal e depois disso não voltou a mencioná-lo mais.
    — Eliza, meu bem, fale para podermos conversar com o rapaz. – Celiny se pronunciou, sabendo que Carl estava no seu limite de ‘compaixão’ pela filha.
    — Ele... – o coração dela disparou rápido dentro do peito —... saiu da cidade. - fora tão tola em se levar por alguém que apenas a fez se apaixonar para levá-la à cama.
    Um novo momento de silêncio, mas daquela vez pelo lado dos pais.
    —Pai,eu...
    — E o que você pensa que vai fazer? – Carl daquela vez estourou, tirando Scar do caminho enquanto segurava o braço de Eliza — Ele assumirá, por acaso? – esbravejou, dando uma boa sacudidela na mais velha.
    —Nãosei.
    — E como criará essa criança?
    —Nãosei.
    — Onde você estava com a cabeça, Eliza? – extravasou totalmente fazendo a mais velha cair sentada na cama depois de uma das sacudidas.
    — ‘Desculpa’ pai, eu...
    — Eu não criarei bastardo na minha casa. – continuou.
    — Carl, nós podemos resolver isso. Acalme-se, meu bem. – Celiny tentou se aproximar, só que, mais uma vez, ele se aproximou de Eliza, ficando frente a mais velha.
    — Fora da minha casa! – disse em plenos pulmões e todas as expressões naquele quarto foram a mesma de desespero.
    — Carl você não pode fazer isso. Eliza é nossa filha. – Celiny se antecedeu, rogando em desespero pela primogênita.
    — Se tem a capacidade de se entregar para qualquer um, também já pode se criar sozinha. – o homem retrucou de forma rude — Na minha casa não se cria mulher da vida.
    Aquelas palavras realmente a feriram de uma forma que não soube explicar. O embrulho do estômago estava em segundo plano, agora sendo substituído por uma pontada de dor no peito. Estar grávida era tão ruim assim? Ela não queria que seu pai criasse a criança que estava por vir, mas eram necessárias todas aquelas palavras?
    — Você não ouviu Eliza? – ante o silêncio e o olhar arregalado da mais velha, Carl se pronunciou — Não a quero ver nem mais um minuto nesta casa. – e naquele ponto segurou o braço da garota, enquanto num momento totalmente fora de si, puxou a garota, saindo do quarto.
    — Carl, pare. – Celiny foi atrás do marido, tentando pará-lo — É nossa filha, Carl. – as lágrimas escorreram dos exóticos orbes rosáceos.
    — Pai, vai machucá-la. – Scar acompanhava numa tentativa de fazer o pai voltar atrás na decisão — Larga a mana, pai. – e nem mesmo sendo tão forte pôde evitar que as lágrimas escapassem de seus olhos. Eliza era sua irmã, sua companheira, um pedaço dela.
    A esperança delas, de que o homem voltasse atrás, simplesmente se acabou ao vê-lo abrir a porta e colocar, literalmente, Eliza para fora da casa. Num último vislumbre, ainda, viram que a mais velha tentou falar algo quando a porta fechou-se por completo.
    — Carl, você não pode fazer isso. – Celiny tentou ir até a porta chaveada e Carl e segurou pelo braço.
    — Abra essa porta e você será a próxima a ir com ela também. – rosnou enfurecido para depois olhar a caçula da família — E o mesmo serve para você. – soltou o braço de Celiny que tinha o olhar em pleno terror, realmente não reconheceu aquele homem a sua frente.
    Aquele nó na garganta de Scar resolveu se desfazer em prantos, os quais fizeram a garota subir os degraus da escada o mais rápido que pudesse até se trancar no quarto. Seu coração doía tanto. Tentou escorar-se na janela para avistar a irmã, mas nada mais viu além de vizinhos enxeridos.
  • Iludido por uma estrela

    Em uma certa noite de luar, sentei em uma cadeira na varanda da minha casa, pousei a refletir sobre as minhas decepções amorosas e os meus desafetos. A brisa era suave e me acariciava mansamente. O silêncio da noite, o momento de exclusão, estavam conformes ao meu estado de meditação. Coloquei meu pescoço sobre o aresta da cadeira e dardejei o meu olhar para a imensidão celeste. Eu descavava lentamente, ao passo das reflexões, as minhas suposições sobre a crueldade do destino. Era um momento de dúvidas e inquirições infindáveis que me causava um desânimo profundo e, irresolvivelmente, me deixava vazio e abjeto às incomensuráveis suposições e conjecturas, sob a ótica de um limitado ser humano que navega no mar da vida temendo as ondas da morte. As dúvidas era uma espécie de doença incurável, que abrandava e reaparecia, intensa às vezes, às vezes fraca, mas sempre insolúvel. Em uma certa noite de luar, sentei em uma cadeira na varanda da minha casa, pousei a refletir sobre as minhas decepções amorosas e os meus desafetos. A brisa era suave e me acariciava mansamente. O silêncio da noite, o momento de exclusão, estavam conformes ao meu estado de meditação. Coloquei meu pescoço sobre o aresta da cadeira e dardejei o meu olhar para a imensidão celeste. Eu descavava lentamente, ao passo das reflexões, as minhas suposições sobre a crueldade do destino. Era um momento de dúvidas e inquirições infindáveis que me causava um desânimo profundo e, irresolvivelmente, me deixava vazio e abjeto às incomensuráveis suposições e conjecturas, sob a ótica de um limitado ser humano que navega no mar da vida temendo as ondas da morte. As dúvidas era uma espécie de doença incurável, que abrandava e reaparecia, intensa às vezes, às vezes fraca, mas sempre insolúvel. Naquele momento, fiquei átono diante da ausência de respostas e, assim, preferi aceitar a minha limitação cósmica. Por mais que eu fosse um grão de areia na imensidão do infinito, me senti um grão que vibrava inconformado com o fluxo irrevogável do destino. Era mais sadio e viável aceitar o silêncio como resposta e deixar que o influxo à morte me conduzisse ou à plena consciência, ou à inconsciência eterna. Após alguns minutos perscrutando o além, um brilho singular que resplandecia no horizonte celeste me assaltava inexplicavelmente revogando as minhas reflexões. Era uma bela e encantadora estrela, que lá estava amainando a minha solidão momentânea. Achei impressionante a magnificência do seu brilho —era surreal a forma como despendia seus traços luminosos. Fiquei tão fascinado com a sua unicidade que resolvi chamá-la de Bella. Durante vários dias, passava horas apreciando a  singularidade de sua performance. Nos dias chuvosos e nublados eu ficava chateado por não desfrutar da celsa visibilidade. Eram momentos de reflexão ascendente, que singelamente me levavam a um sentimento de ternura celeste, de abraço cósmico, e sobretudo, de compreensão da incompreensão do infinito. Bella era tão cordial e acariciadora, que eu via nela um verdadeiro amor, e por mais que intangível fosse, era-o correspondido por sua presença. Foram momentos inexplicáveis e deveras prazeroso. Toda noite, sentia-me abraçado com sua presença. Seu brilho era tão consistente que o luar perdia a sua excentricidade. Sem dúvidas, encontrei o amor, cuja essência é pura e cuja presença é única. Entre nós não havia dúvidas e sim, uma única e regojiza certeza, eu nunca iria sentir abandonado ou desprezado novamente, pois eu encontrara o Amor da minha Vida. Por mais longe que estivesse, a nossa  ligação era decerto íntima, e daquele dia em diante, luz de Bella iria iluminar as minhas noites vazias e lúgubres. 
    Ledo engano! Essa foi a minha conclusão após passar inúmeras noites lamentando o sumiço de Bella. Ela sumiu do mesmo jeito que apareceu em minha vida: inusitadamente. Descobri que não era uma estrela comum (fixa no céu), era uma estrela cadente. Sua cadência fora lenta e ao mesmo tempo rápida, no entanto, a sua presença será eterna na minha memória. Talvez ela tenha me desamado, ou quem sabe enjoado de mim e foi procurar outro para admirá-la. Talvez ela nunca tinha sido minha, e o ego fora o único que me forçou a acreditar na correspondência amorosa. Eu, mais uma vez me senti iludido, e desta vez, iludido por uma estrela.
  • Imensidão

    Você se aproximou de mim  
    Causou em mim todos os  
    Efeitos, eu apenas reagi a  
    Todos eles, feito "boba" 
    Você me levou ao teu  
    Mundo, nele enxerguei a 
    Escuridão por de trás de  
    Seus olhos. 
    O seu coração é gigante  
    Enquanto o seu sorriso  
    É a imensidão  
    É nessa imensidão  
    Que quero estar ao seu lado!
  • Impersonalidade

    Os rostos deterioram-se com o tempo
    Numa infinita espera pelo Paraíso
    Com as relações tornadas mementos
    Pelo mesmo motivo, falsos sorrisos

    Como o fácil se torna difícil?
    E como podemos trazer a felicidade,
    Para uma mente tão infantil?
    Não, o que nunca me faltou foi a maturidade

    Como podemos acreditar sem ver?
    Talvez eu não saiba quem sou
    De onde encontramos essa razão de viver,
    Se tudo o que disse, apenas falou?

    Quem é o verdadeiro infeliz,
    Em sua pequena visão de mundo?
    Explicando sua opinião mordaz,
    E esperando pelo fim, moribundo

    Sou como um rato,
    Escondendo-se da realidade
    Uma ovelha social, o seu gato
    Esperando para emboscar a veracidade

    Como funciona o ceticismo,
    Se nada do que vê, acredita?
    Escondido em um psíquico animalesco,
    Uma fraca alma niilista
  • Indigentes

    Podiam ser ouvidas de muito longe, choros de criança, duas, três, quem sabe até quatro, ou talvez cinco, não sei dizer muito bem. Pareciam tristes e famintas. E eu não podia fazer nada. Apesar de tão próximo eu estava ao mesmo tempo tão longe. Distante por não saber onde estavam e o pior de tudo por não saber o que fazer.
    Procurei pelas chaves por todo apartamento e só fui encontrar no lugar menos provável, a geladeira. Sim, meu molho de chaves estava metido dentro do refrigerador, enfiado dentro da gaveta dos legumes e esses já estavam cheirando azedo. Peguei tudo aquilo quase vomitando, botei dentro de uma sacola de mercado e joguei pela janela; foda-se, vizinho algum ia notar, aquele prédio era uma merda mesmo.
    E os choros não paravam. Então sai pelo prédio a procurar. Passei na porta de outras residências e nenhum sinal de choro, muito menos de crianças. O que conseguia ouvir era somente o som das televisões ligadas e ver a sombra de pessoas andando dentro dos apartamentos, além do cheiro de carne, de frango e do feijão, jantares sendo preparados.
    Desci as escadas correndo e quase cai. Tinham corrimão sim, no entanto a ferrugem estava comendo tudo e o risco daquilo tudo desmontar e causar um acidente pior era nítido. Luzes, barulho e carros. Gente jovem reunida. Todos de copo na mão com cigarros vagabundos enfiados em suas bocas, pobre juventude. O cheiro de esgoto era nauseante. Moleques de bermudas e bonés para trás, com óculos escuros na escuridão, pareciam até querer esconder seus olhares de olhares desavisados. As meninas usavam short curto e maquiagem carregada. Mostrar o corpo de curvas ainda não definidas seria a tarefa do dia, ou melhor, da noite.
    Continuei ouvindo os choros e a cada vez que eu me aproximava deles mais forte, denso, triste e cruel eles ficavam. De longe vi um pedaço de lona. Caminhei na sua direção e os choros aumentaram. Percebi que vinham de lá e apressei o passo. O coração disparado. Ao chegar me abaixei, abri o que parecia ser uma porta feita também de lona; e vi ali três crianças, duas meninas e um menino, ao lado deles a mãe, morta. Entendia agora o motivo do choro.
    Foi difícil para mim me deparar com tudo aquilo. A mulher deitada, morta, provavelmente um ataque cardíaco. Porém o mais duro foi ter que olhar para aqueles rostinhos sujos e sem esperança. Onde estava o pai delas? Na cadeia ou morto? Nem sabia o que pensar. Com as mãos tremidas digitei 190 no celular. Vinte minutos depois uma viatura surgiu de luzes apagadas.
    Dois policias homens desceram do carro, ambos seguravam suas armas, parecia que naquele lugar havia criminosos, sim aquela era uma região bastante perigosa, mas que perigo três crianças e uma mulher morta fariam? Fiquei ali de braços cruzados só observando o trabalho deles. Um deles veio falar comigo, troquei algumas palavras, ganhei um aperto de mão, mas me entristeci quando ouvi o policial dizer que as crianças não tinham pai e agora com a mãe morta elas seriam encaminhadas para um orfanato e a mãe, pobre dela, sem documentos seria enterrada como indigente.
    Ao ir embora comecei a pensar. Quantas pessoas iguais a essa mulher e a essas crianças passam por isso? Por que elas ficam invisíveis aos nossos olhos?  Se não fossem pelo choro sofrido daqueles pequenos eu não saberia da existência deles. E quantas lágrimas ainda vão ser derramadas até terem uma vida digna de verdade? Vou dormir com essa questão na cabeça.
    FIM!!!
     
  • Largado

    Enquato me largava,eu me debatia em pedaços ao chão...
    Tu me apresentastes a liberdade e depois me prendestes em uma gaiola.
    cortava as minhas asas todos os dias pra que eu não alcançasse os céus,mas,nunca tirastes meus sonhos.
    Quando chegou me fez sentir vivo mais uma vez,mesmo que eu sempre tivesse dependido somente de mim.
    Me achava forte porque havia sobrevivido aos meus piores dias,de caos,de dor,de desamor.
    E eu matutava em mim mesmo,como pudera eu achar amor?
    Apesar de nunca acreditar em final feliz,sempre esperei o meu.
    Tive fé de que um dia eu seria tão feliz,que só a mim fora dada a felicidade;mas como vários em comum
    Era só mais uma criança inerte em planos exorbitantes de chegar a lua.
    E enfim,te achei,mesmo quando não te procurava,
    Ao tempo dos dias em que andamos querendo estar sozinhos,cortava qualquer relação que pudesse a vir se tornar complicada demais ou sentimental demais.
    Porque já era vivido e apesar de todo sonho e esperança sabia eu que o amor era sim meu ponto fraco.
    Mas aquele desejo de querer tentar denovo,à beira do abismo pronto a pular,esperando que você fosse tão certo que estaria lá,sempre a me segurar.
    E eu fui,te segui,deixando de lado aos poucos tudo o que havia lutado para construir em busca da minha proteção,os muros que guardavam meu coração caiam a cada passo seu em minha direção.
    Um sorriso embebido em ternura,e palavras doces como sentir meu calor e estar do meu lado era o nescessário para viver,e fui eu tolo descendo em você de degrau em degrau como quem desce a um buraco ao chão,me derretendo em suas mãos e te tornando dono de mim.
    E com os pensamentos e sentidos voltados a ti,nem percebia eu que mais uma vez decaia sobre mim a tristeza da solidão,quando chegastes perto e me arrancando a pele,e antes eu que grudado em ti,jazia aos restos ao chão novamente.
    Terra que eu já conheço é a solidão,quando se nada tem,nem ninguém também,se tem ela,somente.
    E ela me torna forte,me ensina que os devaneios que me fazem recair sempre me perseguirão e perseguirão e insistirão nisso até não sobrar eu,e não existir mim.
    Mas se ao menos você soubesse,o sofrimento e as sequelas que deixou ao me fazer sentir de novo e não sentir mais nada depois,ao me pôr ali deixado,abandonado por fim...sem ti;Largado.
  • Lembranças de um passado perdido

    Lembranças de um passado perdido
    Por que tinha que ser assim? Eu desisto!
    Pensava ele a frente da forca em um quarto escuro cheio de cartilhas remédios, cigarros e pílulas. Seus remédios já não funcionavam a um bom tempo. Ele não aguentava o peso da tristeza em suas costas. Ele só queria sair desse mundo cruel.
    Então no ápice de sua depressão o fez, acabou com sua própria vida. Porem antes de desmaiar graças ao sufocamento, ele se lembrou de sua infância, ele achou que aquilo era algum tipo de castigo, seu inferninho pessoal, uma maneira de fazê-lo sofrer e até que adiantou. Foram 10 segundos infernais e agoniantes, os mais longos de toda sua vida. Só que uma lembrança apareceu, uma lembrança confortante de sua mãe fazendo o almoço logo após dele ter chegado em casa. Ele ficou feliz, em seu ultimo segundo se abriu um sorriso em seu rosto, o mais triste é que em seus 10 últimos segundos  em 9 ele acabou sofrendo. Foi como um pesadelo seguido de um sonho, uma sensação confortável porem agoniante, era uma sensação de arrependimento.
    Ele acabou vendo uma imagem de um ser estranho ao meio de um ambiente em brasas, um ser cinzento. Chorando sangue o disse:
    -O mundo não é cruel, eu sinto. O estralo das chamas era alto demais para ouvir.
    Enquanto a figura dizia isso o lugar começava a pegar cada vez mais fogo, uma chama ardente, ele percebeu que iria sofrer para toda eternidade.
    -Mas quem é você? Disse ele.
    -Eu sou as lembranças de um passado perdido.
  • Lembranças do passado

    E nas memórias que eu tive daquele lugar, lembrei-me do cheiro de urina e fezes, do odor pútrido das privadas sem descarga e do perfume nauseante de jasmim que vinha dos sabonetes.
    As ruas estavam desertas. A não ser pelos cachorros que por ali perambulavam magros de fome e de sede. Jogados ali sem destino e sem dono. Fui passando casa por casa. Vi a residência dos Silva, recordei-me da Patrícia. Uma moça de cabelos negros e olhos azuis como o oceano, triste pela vida, abandonada pelo marido, um filho da puta escroto.
    Passei também pela casa da Dona Mariquinha, a maga dos doces. Quantos quindins eu comi, e que saudade do cheiro das cocadas e das empadas feitos pelas mãos dela. Sai da rua onde eu vivera boa parte da minha vida. Um filme passou e as lembranças continuaram a surgir, desde as boas até as piores.
    Entrei no carro. O cheiro ali de nada parecia com o que senti há pouco. Era o odor do couro dos bancos, do perfume de limpo, bem diferente do cheiro de merda e de ‘mijo’ da minha pobre casa. Coitada de mamãe, tão jovem na idade, mas tão velha em sua aparência, um cadáver vivo, morta pelas surras de papai, mas viva pelo amor a seus filhos.
    Sai dali o mais rápido que consegui. No retrovisor a miséria e a pobreza iam se afastando. Meus filhos sempre me pediram para que eu os levasse ao local onde eu nasci, mas eu nunca faria isso. Coitados, estavam acostumados com a luxúria e com a vida exagerada dos ricos, os meninos nunca sentiram o gosto podre e ardente da pobreza extrema, e fazê-los passarem por isso seria um erro?!
    Passei por ruas em que pessoas moravam nelas, senti o fedor de esgoto e fezes e lembrei mais uma vez das surras que papai dava na mamãe. Numa dessas, o desgraçado quebrou um dedo dela, coitada da mamãe, chorava de dor e ele não fazia nada, apenas olhava aquela cena de horror, e eu no alto dos meus dez anos, sentado no chão de piso vermelho movia meu carrinho de madeira, o único que eu tinha, para frente e para trás.
    A minha vontade era fugir dali, escapar daquela vida triste e sem graça, levar minha mãe embora junto comigo e oferecer a ela uma vida digna. Sai de casa com quatorze anos, fugido. Vi meu pai mais uma vez surrar minha mãe, uma sova que a levou a morte, assisti minha mãe sendo morta sem poder fazer nada.
    Cresci como homem da maneira mais dura possível; fiz fortuna à custa de muito trabalho e esforço...
    Resolvi levar meus filhos a um passeio. Meti os dois no banco de trás do carro e afivelei o cinto de segurança nos dois. Eles perguntaram aonde iriamos, respondi que seria uma surpresa.
    Fiquei em silêncio o trajeto inteiro. Já eles me enchiam de perguntas que eu fingia não ouvir. Entrei na rua onde eu vivi minha infância, vi casas velhas, crianças descalças de pés sujos na rua, todas mal vestidas, com roupas usadas, provavelmente doações; olhei pelo retrovisor e vi meus filhos de cabelos cortados e roupas de qualidade, diferente daqueles meninos do lado de fora.
    Parei o carro e desci. O cheiro não era nada agradável. Na minha frente uma casa pequena de muros descascados, com um portão de madeira caindo aos pedaços. Olhei mais uma vez para o carro e os meninos olhavam incrédulos aquilo.
    Mandei-os descerem, eles obedeceram. Um deles questionou que lugar era aquele, respondi que eram ali que eu morava, claro, eles não acreditaram. Contei minha vida inteira para eles, do cheiro de merda, do cheiro de jasmim do sabonete, da falta de comida, das surras que meu pai dava na minha mãe. Mostrei para eles que vim do nada para dar a eles a vida que eles tinham hoje. Eles não gostaram da experiência, eles não estavam preparados para tudo aquilo.
    Para eles a vida era fácil, e eles têm isso graças a mim, eles não precisam trabalhar, ficam entre os vários cursos no qual estão matriculados e a minha mansão. A diversão deles é o celular e o vídeo game, cada um tem o seu. No meu tempo de criança a brincadeira era correr na rua e jogar bola, meus filhos provavelmente nunca irão saber o que é isso.
    Os dois voltaram para o carro, pareciam assustados, aproximei-me do veículo na tentativa de puxa-los para fora e mostra-los mais algumas coisas, mas foi em vão. Fiz o mesmo, entrei, liguei o motor e olhei pela última vez minha antiga casa. Despedi-me dali quase aos prantos. Deixei para trás meu passado de miséria e de frustração, para viver minha vida de luxo e status.
  • Liberte-se

    Não deixem que olhem através das cortinas, decepção não é uma escolha. O universo em sua imensidão de alguma forma nos destrói.
    Suas ilusões não são minhas, nem mesmo suas lágrimas, nem seu riso e suas palavras. Você é o que sente, o que deseja e o que sonha. Destoar os olhos e quebre as correntes.
    As vezes precisamos enfrentar pequenas mortes para que algo se renove. Chega de sufocar-se com palavras presa na garganta
  • Lua de Meu Existir

    Minha Amada que fertiliza o meu existir.

    Em plena beleza me perco em teu reflexo deitado sobre as águas escuras de minha alma.

    Mesmo com toda calma e mansidão de tua noite em que te revelas nua, cheia e completa.

    Teu reflexo iluminador é tremulo, desconexo e vibrante, intercalado por linhas negras que desconfiguram em saudades meu pobre e solitário coração de poeta.

    Ao subir lentamente cheia, contemplo a tua chegada no meu inabitado lago interior.

    Ao passo que te levantas se abre vagarosamente uma estrada de luz ‘brancamente’ prateada em meu encontro.

    Ó! Doce fonte de luz que me intensifica… ainda que eu possa ser tocado por tua energia iluminada, estás tão ‘lusitaneamente’ longe de mim…

    De súbito me imagino a caminhar em tua prateada e tremula estrada, então, poder ao menos abraçá-la calorosamente, enquanto ainda não flutuastes em mágica para o mais alto dos céus estrelados… tua influência elementar do Sagrado Feminino em mim, desperta a Consciência Mística da intuição emotiva do meu ser, quebrando os meus viciantes padrões interiores em ciclos de transformações ascendentes e decadentes de toda uma existência apaixonada.

    Como eu te amo, Meu Amor!

    Ó! Fruto do meu desejo insaciável…

    Sobes agora livremente… e tua estrada de luz desaparece nas águas de minha emoção, e agora debaixo de tua luz prateada, volto a minha singularidade pequenina e frágil, onde realizo o meu ritual de amor à tua Lua Cheia embelezada em sua aureola majestosa repleta de teu amor.

    Nisso, me vejo sendo irradiado pela luz azul de sua aureola… meu corpo negro encandece inflamado pela sua onda radiativa, tornando-se fosforescente, atraindo toda espécie de pequeninos seres noturnos em divindade graciosa. Pela tua dádiva amorosa, tornei-me um ser luminescente, e… quem me dera ser carregado pelos pequenos vaga-lumes que agora me cercam, no único amoroso objetivo de poder pousar em teu grandioso ventre oculto nos teus misteriosos segredos noturnos.

    Tua pele branca me seduz, teus cabelos de nuvens negras a flutuar me enfeitiçam. Como és bela! Como sou teu!

    Embora possa, eu, ser um diurno ser flamejante, de que me vale toda essa potência… se em minha forte luz te ofusco, ao ponto de nem eu mesmo poder contemplar a tua clara beleza? Estou preso na majestade de mim mesmo, e nisso, sigo meu solitário baile diário.

    Ó! Meu Amor, meu doce Amor… Meu Encanto! Como te imagino e me imagino juntos… ao te contemplar no silêncio de uma tarde em que apareces repentinamente no reflexo espelhado no limpo céu azul… mas, esta linda visão que tenho no dia, bela e cheia de graça… apenas se faz ecoar, ecoando a ecoar… a ecoar.

    Em tua face clara, lusa e juvenil me vejo iluminar. Abrindo meus olhos… retirando de mim as impregnações infrutíferas e residuárias de meu sofrido passado e presente agoniante tedioso.

    No meu mágico ritual… derramo as águas de aquários em uma bacia de prata e deixo exposta à luz de tua Lua Cheia, para que parte de Ti possa se desprender e lá habitar. Ponho minhas mãos sobre as águas e o recipiente, e faço riscos imaginários mágicos escrevendo palavras místicas de amor… em oração Celta na alta voz… dizendo:

    — Ó! Sagrada Mística Sabedoria Lunar… que tua luz fêmea caia sobre essas águas, envolvida na Magia da Prata e, de suas perenes divindades noturnas do Argentum branco e brilhante. Invoco sua áurea iluminada que reflete o poder divino de tua purificação e amor. Ser gigantesco feminino que controla todas as forças ocultas das águas naturais, que constitui todos os seres orgânicos e abarca os seres inorgânicos… se faça aqui fluidamente presente no Sagrado Agora… vem, e me Ilumina!

    Ao terminar meu mágico culto de oração… vi sua luz em forma feminina descer em baile e encanto, se deleitando nas águas… transformando-as em plasma prateado. Ali mesmo sob a luz de tua magnífica e sagrada presença me despi de minhas rudimentares vestes, assim como, também, estavas despida dos teus véus de nuvens negras. Derramei o teu leite prateado em meu corpo nu… pude te sentir me tocando todo e por completo, onde me acariciava com beijos de uma paixão apaixonadamente purificante… a este tocante… me perdi em fluxos energéticos de amor que me fazia flutuar e ecoar… ecoando a ecoar.

    Quando regressei a mim… já tinhas desaparecido, restando apenas a lembrança do teu beijo, teu calor, tua sensação purificadora e teu carinhoso amor, e teu céu noturno no vazio estrelado.

    Minha Amada… silenciosamente fechei meus olhos em reverência, e, de mim, restou lhe dizer:

    — Te amo… Te amo… e Te amo!
  • Lua Escura

    Querida minha

    Hoje passeio em devaneios pela noite escura a sua procura
    Hoje não me contemplaste com tua bela face iluminada, e triste caminho por essa trilha incerta do existir sem ti

    Apenas um vazio em meu coração palpita reclamando a sua presença
    Na tua ausência percebi que o céu era vasto e imenso de estrelas a cintilar
    Porém, vazio do mistério e do segredo de te amar

    Minha Querida
    Onde foste que não me levaste
    Por que de mim te ocultaste
    Sabes que te amo, e sem ti, sou cego em meu solitário noturno caminhar

    Triste, sento-me novamente na beira do meu interno lago, fecho os meus olhos no escuro do infinito abismo de escuridão… de que me importa os olhos abertos se não posso te contemplar fora… volto-me para morada do coração, e lá te imagino a me iluminar com teu claro sorriso.

    Te vejo nos meus amorosos pensamentos deitada sobre o teu céu escuro na cama ilustrada de planetas errantes e estrelas, em pequenos passos lentos e silenciosos vou ao teu encontro, e vejo que dormes encoberta pela sombra da terra. Apenas silenciosamente te contemplo, admirando o teu sono profundo… estou aqui contigo Meu Amor

    Em minha meditação adentro em teus mágicos sonhos… como estás bela a dançar com tuas guirlandas de estrelas. De repente, nossos olhos se encontraram, e não entendi porque ficaste estagnada com minha sutil presença, e lágrimas vi cair em seu lindo rosto que se evaporaram em uma cortina de serenos noturnos… de súbito repentino, me vejo te abraçando… e novamente nada entendi, porque evaporaste súbita e repentinamente dos meus braços como uma gota d’água a tocar uma superfície aquecida… e solitário me vejo, também, chorando, culpado por interferir em sua intimidade.

    Ó! Meu Amor… que maldição é essa que nos prende ao estar separado e nos separa ao estar preso?

    Te vi triste Meu Amor, e em tristezas doloridas estamos
    Dançamos juntos de mãos dadas ao som dessa música melodiosamente triste
    Nossos corpos chorando se juntam embalados por essa solidão
    Que segredos o seu coração guarda?
    Que mistérios esconde a tua face oculta?
    Do que sabes que não sei!?
    Por que tamanho silêncio?
    Não percebes que estou aqui para ti!
    Por que me abandonaste hoje?

    Somos tocados pela dor da separação…, mas, haveria tanta beleza se estivéssemos agora juntos?
    O que separa o Criativo do Receptivo senão a beleza do caminhar separado, ao se unir no imaginário! Então, caminhemos eternamente juntos com nossas mãos dadas na doce solidão a imaginar

    Quero te ouvir, que tristeza melodiosa canta seu coração
    Neste céu silenciosamente noturno, em que ansiosa volta tua face iluminada para baixo… o que pensas?
    Quero te compreender… me fale de tua tristeza, pois sei que a oculta quando enxuga suas lágrimas rapidamente em gotículas de sereno

    Por que só te revelas para mim em parte, se para você sou o todo de tudo em toda face?

    Te vi sentada no trono da noite
    Suas mãos acariciavam o rio do Nilo celeste
    E sentada sobre os seus calcanhares na taça da flor de lótus, o rio luminoso em que tocas arrasta infinitas flores estrelares
    Estás festivamente adornada de luminescências e cintilantes aureolas Meu Amor

    Vi uma beleza sobrenatural no seu amável rosto…, e, uma tristeza oculta… um mistério!
    Em sua majestade vejo que rege a Estrela Mágica, e oito vezes com sua foice crescente a decepaste do noturno céu enviando-a para mim, como a linda Estrela da Manhã. Porém, oito vezes com sua foice minguante, novamente decepaste do céu agora diurno, tomando-a de volta para si, como a linda Estrela Vésper… Essa Estrela é a nossa Mensageira do Amor… de nosso solitário Amor

    Dorme tranquila Meu Amor
    Em sua luz encoberta de encantamento na paz de tua força interior

    Sinto seu amor… Meu Amor… pleno de força plena
    Sua atmosfera mágica me envolve no frescor de seu sereno carinhoso pelo qual solitário me condena

    Hoje! No breu da noite
    Estudarei em meditação as tuas leis celestes
    Na sombra terráquea em que dorme te vestes

    E, nesse céu em que hoje de mim te ocultas
    Esperarei no amanhã a sua doce poesia
    Pelo qual me revela a sua face oculta
    Na companheira doce tristeza do meu amargo solitário alegre dia

  • Melancolia

    Meus olhos encontravam-se marejados
    Minha alma estava profundamente consternada
    Angústia e solidão pareciam não ter fim
    Achava-me à beira de um precipício
    Pronta para pular
    Quem haveria de me salvar?
    Nas inúmeras tentativas de acalentar
    Minhas vozes internas
    Que insistem em me dizer
    O quão tola eu fui em desfazer-me
    Da armadura que criei
    Para me proteger de você.
    Encantador, galante, instigante...
    Eu deveria ter me entregado?
    Depois que estou a juntar os cacos
    Que você me deixou
    Dou-me conta que ingenuamente agi...
    Doce e amarga ilusão.
    Tento de todas as formas
    Esquecer o gosto do seu beijo.
    No lugar onde você se deitava
    Para me fazer juras e promessas,
    Hoje eu ocupo com livros...
    (Os livros que me deu de presente).
    As rosas do buquê que me presenteou,
    Encontram-se murchas
    Assim como o amor que
    Disse que duraria até aquele dia,
    Quando te vi partir com outra pessoa
    E levando consigo minha virtude.
    Muito tempo se passou desde então...
    Consegui o intercâmbio que eu sempre quis,
    E a pessoa com que fugiste
    Hoje te abandonou.
    Ainda guardo a lembrança mais bonita de nós dois
    Mas hoje... você é só mais um 
    No meu oceano de amores.
  • MYSTICA STATERA por Lux Burnns O tomo para iniciantes

    Sumário
     Agradecimentos..........................3
     Introdução......4
     Capítulo 1- O nascer e o torna-se.....5
     Capítulo 2-Realizando a magia.......12
     Capítulo 3- A magia é vida, mas não é um ser 
    vivo....20
     Capítulo 4- O mundo sem o véu..........26
     Capítulo 5- O fanatismo, o grande o veneno mágicko......33
     Capítulo 6 - A verdade liberta, mas é dolorosa....39
     Capítulo 7 - DIY mágicko.............47
     Capítulo 8 - A bruxa que vive entre os santos e os pecadores............ 54
     Capítulo 9 – Os Deuses, e o Fim da farsa da Realidade Dualística...... 59

    Agradecimentos
    Minha gratidão é voltada para o meu companheiro Soul, que me apoiou desde o início desta caminhada, me ajudando a melhorar ainda mais como ocultista, e jamais desistir das minhas convicções, mesmo quando o mundo inteiro, parecia discordar das mesmas. Também deixo minhas graças aos meus amigos: Lua Negra, Srtoa Gamab, Milliato, Rivendell, Srta Rabbith, Mandy, Tha, a Witch born on fire, e Isa, que me ajudaram a perceber quê este tomo poderia ser útil as próximas gerações. Por fim reconheço também o auxílio de minha mãe Silvana, que apesar dos pequenos atritos pelas crenças diferentes, sempre acreditou em mim e nos meus ideais. Obrigado a todos vocês, que me deram ânimo para chegar até aqui, e terminar este projeto. Não sei o quê me aguarda depois disso, mas certamente é um feito e tanto, e me orgulho por plantar esta semente, que vocês com carinho e paciência regaram.

    Introdução 
    É válido mencionar, que jamais tive a intenção de escrever um livro voltado para o aprendizado dos demais. Afinal há muitos autores, infinitamente melhores do quê uma velha bruxa, em um corpo não tão jovem. 
    Mas devido ao grande número de desinformados, que se acham conhecedores do mistério, e tudo o quê mesmo representa, vejo que é hora de assumir o meu manto de ocultista outra vez, e trazer-lhes algumas verdades nada convenientes. 
    Não estou aqui para lhes ensinar fórmulas, que vão mudar as suas vidas num estalar de dedos. Muito menos sobre como devem adorar seus deuses, ou o quê é o certo e o errado. Não sou uma bússola moral para tomar tal partido, apenas viajo de mundo em mundo, para libertar aqueles que aceitam o preço da liberdade. A ignorância pode ser uma benção, mas é a coragem que determina quem tem a chave do tudo. O inimigo é astuto, logo devemos ser justos, mas isto não significa dissociar, e se abster, e sim que devemos está preparados. Você pode não compreender estas palavras no momento, mas logo entenderá o quê cada frase significa.
     Se escolheu decifrar este livro, é porquê ouviu o chamado, mas não estou falando dos filhos do sol, e sim de algo mais amplo e intrigante.
    Há memórias de um mundo que querem te fazer acreditar que não existe. Há poderes que um ou nenhum dos seus parentes consegue explicar. Há mistérios em teu íntimo, que quer desvendar.
    As respostas estão presentes aqui, mas está pronto para ouvir o quê a primeira causa tem a dizer? Não será um caminho fácil, por isso é necessário que esteja pronto para esta jornada, que saiba no mínimo o quê é a espada e o escudo, e como usá-los. Do contrário será devorado pelos teus demônios, antes mesmo de ouvir a palavra da força geradora.
    Eu sei, parece o roteiro de algum filme de ficção científica bizarro, porém tudo o quê for mencionado aqui, será focado na minha experiência real como bruxa, e no aprendizado que isto me trouxe no decorrer do tempo. Está preparado? Então vire a página, pois a aventura o aguarda jovem peregrino.
    Capítulo 1
    O Nascer e o Tornar-se 
    Vivemos numa sociedade cheia de liberdade, que acredita bastante no ideal de igualdade, e que todos podem entrar no mundo da magia, sem discriminações de espécie. 
    Não estou aqui para me impor sobre tal coisa, porém acredito -e é o quê devia ser ensinado- que há aqueles que nascem com a predisposição para a magia, e os que infelizmente, não foram agraciados pelas divindades.
    Isso faz com que estes sejam mais fracos? Não. Eles devem ser escorraçados, e friamente criticados ? Também não. Apenas devem ter consciência de quê a sua busca, certamente será mais trabalhosa e longa – ou não se souber usar os meios certos, mas não vem ao caso – Por isso jamais devem se comparar aos que possuem habilidades naturais, pois tal atitude culmina em desencontro com o propósito inicial, de descobrir-se neste caminho.
    Não pense em nenhum momento, que o fato de ser somente humano te faz inferior, isso não significa muita coisa, quando você sabe que há meios de melhorar as suas habilidades.
    Já os predispostos, deveriam entender que o fato de terem recebido dons da natureza, não os faz automaticamente deuses, apenas lhes dá alguma vantagem em relação aos outros. Mas uma vantagem, não significa uma vitória garantida, portanto devem estudar e se preparar, tanto quanto os que não foram agraciados, para superar suas limitações, que sim existem.
    Não importa o quê são capazes de fazer - se levitam, se incendeiam, se preveem, manifestam, projetam, e tudo mais-  isto não os faz bruxos, apenas são detentores de habilidades especiais. Tanto o filho de um deus, quanto o filho do homem, precisam de treinamento, e conhecimento, para poder serem dignos de tal alcunha.
    É nos ensinado desde o começo, que precisamos andar em grupos, para poder obter o grau de bruxo, mago, ou feiticeiro. A sociedade mágica insiste em seguir essa premissa, mesmo nos tempos atuais, e isso atrasa bastante a vida de um novato.
    Grupos, como: Ordens e Covens, Podem até servir para ajudar no entendimento de certos assuntos, mas a realidade é que se queres realmente o poder, não deve seguir com ninguém mais, além de ti mesmo.
    Afinal de contas, o ocultismo no fim é apenas uma forma de encontrar-se, e não é no meio da multidão, com suas ideias diversificadas, que conseguirá te achar, no máximo ficará ainda mais confuso e perdido.
    Você se encontrará apenas quando não houver ninguém por perto, quando estiver sozinho num quarto escuro ou claro, questionando-se sobre o quê é, como, e o porquê das coisas.
    Por isso não acredite em líderes, que fazem questão de impor que precisa deles, acredite em ti mesmo, e naquilo que vai de acordo com a tua personalidade, e o quê tu consideras certo ou errado.
    E este tópico nos leva a outra questão. A magia tem se tornado um grande alvo do entretenimento. Para onde olhar  há “bruxos” ou “seres místicos”. O quê é uma coisa boa, mas somente para a diversão, pois tudo o quê se encontra nos filmes, seriados, desenhos e afins, são apenas fragmentos de textos ocultistas, e qualquer um de bom senso sabe, que não dá para entender o texto com apenas um verso, pois o mesmo pode servir para expressar diversas possibilidades, e se apenas escolher ler tal parte, jamais entenderá o contexto para que foi criado, por isso não use tais meios para aprender sobre o caminho. 
    A verdadeira magia, influencia o ambiente, mas o ambiente não influencia a magia. Logo uma obra midiática pode ser inspirada em algo oculto, só o quê o oculto, não pode advim de uma obra midiática, do contrário todo o entendimento se perde, e em vez de formar a sua inteligência divina, apenas a degrada e a transforma em loucura vã.
    Um bruxo de verdade- homem ou ser mágico- Sabe disto por instinto próprio. Entretanto com tantos jovens adotando posturas erradas, por conta do quê assistiram, é sempre bom frisar tal fato.
    Como disse antes são verdades inconvenientes, por isso não espere que eu vá apoiar uma conduta tão inapropriada para o ocultista.
    Queres ser um bruxo? Então leia, pesquise, estude, questione-se, e faça-se um. 
    Não espere que apenas porquê mudou o caminho, e deixou de seguir com as ovelhas, tudo será mais fácil. Verdade seja dita, se quer conforto, e evitar desafios que podem te fazer desmoronar, seu lugar não é aqui. Não importa se tem o sangue, sem essência jamais conseguirá sair do lugar.
    A magia não é um caminho simples, nunca foi. Apenas os que se encantam por sua versão comercializada de luzes e pó brilhante, acreditam nesta falácia.
    O agraciado deve aprender a controlar seus dons, para não ferir os que não merecem receber tal castigo, e o humano deve procurar meios, de melhorar seu espírito, ou DNA cósmico, para garantir que conseguirá manifestar alguma habilidade.
    Só que ambos precisam passar pelo mesmo processo árduo e cansativo. O agraciado, que nasceu com poderes sobrenaturais, precisa torna-se aquele que tem controle de si, e o humano que tem o controle da sua mente, precisa destruir todas as barreiras impostas, para então nascer como um ser sobrenatural.
    Ambos são como a metade um do outro, mas precisam focar em suas limitações, pois o primeiro poderá sofrer consequências desagradáveis, e o segundo precisa achar meios, de fazer-se tão forte quanto o outro, mas no fim os dois se encontram no mesmo patamar, por isso seus caminhos, ou o quê são , não interessa.
    É dito que para ser um bruxo, é necessário uma iniciação, canalizada por sacerdotes e sacerdotisas, que receberam o chamado dos deuses, e toda aquela parafernália, que estamos cansados de ouvir.
    A iniciação é um processo necessário sim, mas não precisa vim das mãos de alguém que diz ter sido “tocado” pelos deuses. 
    Haverão aqueles que certamente discordarão de mim, pois são tão tradicionalistas quanto os cristãos ortodoxos, contudo esta é uma verdade inegável.
    Não estou dando pontos a favor de rituais de meia tigela, encontrados na vasta rede, que fique claro. Apenas acho justo mencionar, que tais postos – sacerdotes- não torna os homens e as mulheres detentores da verdade, pois para aqueles que podem ver, a mesma   é revelada dia após dia, fora dos templos “sagrados”. 
    Aliás creio que o grande segredo, é apenas um pedaço de papel vazio, que nada diz, pois o axioma está no vento, na água, na terra e no fogo, não nas palavras ditas por um mestre.
    Você é o quê acredita ser, não o quê os outros impõem sobre ti.
    A iniciação nada mais é que um processo psicológico, no qual você condiciona o teu cérebro, para se abrir a possibilidades, que por anos foram lhes ensinadas como impossíveis.
    É importante pois o poder, embora se manifeste em nossos genes, vem da mente. 
    É um fato científico, pois por mais que muitos duvidem, a magia é sim ciência, pois pode ser estudada, verificada e comprovada.
    Os neurônios são responsáveis por tudo o quê fazemos, seja bom ou ruim. Assim se você acredita firmemente, que ao chegar do outro lado de uma rua, vai acabar caindo, esses impulsos químicos captam a mensagem, e fazem com quê sofra o acidente, porquê os manipulou para isso.
    Este é um caso simples, mas há situações ainda mais “inexplicáveis”, nas quais as pessoas sofrem de males mentais, que podem provocar sintomas físicos, mesmo que não haja aparentemente nada para causar dor, são as chamadas doenças psicossomáticas.
    É por isso que um bom bruxo, precisa ter um ótimo preparo mental, ou a sua magia não obterá resultados.
    Não adianta nada você nascer com a predisposição, ou procurar pela essência sem acreditar nelas, pois em ambos os casos, não conseguirá despertar suas verdadeiras habilidades.
    Já viu que pode levitar, ou incendiar as coisas por exemplo, só que na hora de provar os teus poderes, há um bloqueio.
    Sozinho chega ao teto, queima a toalha da mesa. No entanto na presença de amigos, é visto como louco, pois seus pés não saem do chão, ou acreditam que usou o isqueiro, para forjar provas.
    Isso te faz achar que enlouqueceu, que os outros estão certos, e que é melhor evitar as suas “habilidades imaginárias”. Não é?
    Esse certamente é o caminho mais fácil, mas como disse antes o caminho é difícil, não adianta fugir no primeiro obstáculo.
    Esta é apenas a prova, de quê precisa tornar-se aquele que controla a si mesmo, para poder provar aos outros, do quê realmente é capaz.
    É a evidência de quê a predisposição, não é o suficiente, se em nada acredita – Principalmente se duvida de si.
    Já no caso dos humanos, a situação é um pouco diferente, pois este ainda não manifesta nada, mas precisa se desamarrar das correntes de concreto da sociedade, na qual foi inserido.
    De outra maneira, achará apenas os que lhe oferecem um lugar, servindo aos deuses, mas jamais um acento do lado dos mesmos.
    O ser humano, está acostumado a ter tudo nas mãos, e a seguir sempre aquilo que o torna o maior dos maiores, e é isso que tem que acabar.
    Há uma hierarquia no mundo mágicko, que deve ser respeitada. Só que o fato de hoje ser apenas homem, não implica que amanhã também será, então é preciso que aprenda a aceitar as suas limitações, e a conhecer melhor as possibilidades.
    Seu mundo é pessimista demais, ou exacerbadamente otimista, você não tem equilíbrio, vive mergulhado em caos, engolindo os ideais daqueles que supostamente estão acima de ti, sem nunca levantar a voz.
    É preciso que entenda que você tem sim voz, que o quê sente importa, que há muito mais do quê somente um planeta abrigando a vida, e -comprovado por Galileu Galilei- A Terra não é o centro do Universo.
    Desse modo, quase tudo o quê lhe ensinaram até o momento, pode ser mentira, ou uma verdade mergulhada em mentiras, ou seja há fatos que são claramente falsos, e outros embora pareçam como tais, são verdadeiros.
    É preciso que entendam suas limitações, ou a magia nunca funcionará.
    A iniciação além de expandir a sua mente e elevá-la, é também o  desenvolvimento de uma conexão mental do seu eu e o cosmos, e por isso deve ser considerada “sagrada.” 
    Assim sendo quando for realizá-la, não vá procurar por “receitas de bolo” prontas, como se houvesse alguma nova bruxa, que fosse a Ana Maria Braga da Magia, pois não há - se houvesse todos teriam poderes e entendimento, e não é o que acontece.
    Somos todos mestres e aprendizes de nós mesmos, mas devemos sempre procurar sermos a melhor versão. - É importante frisar, porquê se tu é o teu mestre, logo irá crer que pode fazer o quê quiser, como se ser um mestre, significasse que é Deus, e pode mandar e desmandar. Mas não é bem assim.
    Ser o teu próprio mestre, significa melhorar-se nos aspectos necessários. Crescer, e desenvolver-se, para alcançar os teus objetivos, não interessa se são bons ou ruins, pois bem e mal é relativo -O quê é bom para mim, pode não servir para ti.
    A iniciação, mesmo que realizada por tuas mãos, ainda é um ritual, e por isso dependendo do Deus que escolher seguir, deve respeitá-la como tal.
    Se queres obter sucesso e expandir teus pensamentos, é preciso que ouça a tua voz interior. Mas esta voz não nasce do nada, ela não é uma ideia absurda que lhe vem ao pensamento, e tu executas, isso se chama criatividade, não o chamado interno.
    Para realizar uma iniciação de sucesso, é necessário, que conheça os cultos anteriores dedicados ao Deus com o qual escolheu aprender. É uma forma de honrá-lo, e a ti mesmo também, para quê não passe vergonha entre os outros ocultistas, e consiga calar a boca dos iniciados.
    Eu escolhi aprender com Satã, logo me utilizei de velas negras,  símbolos profanos, e materiais de corte, para realizar a minha auto-iniciação.
    Sou uma predisposta, nasci numa família, que embora hoje sirva a Yaweh sob a luz, um dia serviram ao seu lado negro, conhecido como Adonai.
    Por isso consegui aprender muita coisa, sem a interferência de mestres e iniciados. Já tive a oportunidade de andar com grupos. Mas os “mestres” que apareceram em meu caminho, mais me atrasavam, do quê me ajudavam a entender a minha verdade.
    Entendo muitos conceitos místicos, por intermédio dos deuses do abismo. Eles me ensinaram a ser mais forte, e me indicaram o quê procurar, para achar as respostas, por isso sou muito grata a eles, e defendo minha versão da veras mística. (Ou verdade mística)
    É significativo mencionar que os deuses, embora nos guiem pelo caminho, eles jamais podem andar por nós, sendo assim não espere que o Deus escolhido, te entregue todo o material, que precisa para alcançar o teu objetivo, eles te darão a chave, mas a porta quem procura é você.
    Outra coisa, se teus caminhos se abrem com facilidade, há apenas duas explicações: O teu papel é pequeno, logo suas limitações são fáceis de superar, ou já sofreu o suficiente, para entender como alcançar aquilo que mais deseja.
    Após passar pela iniciação, e receber sinais – isso mesmo sinais, e não sinal- de quê o Deus escolhido te acolheu entre os seus, você agora vai definir como deve estudar, e mensurar o teu aprendizado, por isso precisará de um caderno, e uma caneta, para registrar, cada coisa incomum que te ocorreu, com data, hora, condições mentais, respostas plausíveis, e tudo o quê for necessário, para provar que teu relato é verídico.
    Se é um predisposto, poderá medir a melhora do controle de teus dons, se é o primeiro da tua linhagem, poderá transmitir isso para o próximo que colocar o manto, que certamente vai aparecer, podendo ser um filho seu, ou algum outro parente.
    Coisas incomuns vão acontecer, é inevitável, faz parte da jornada. Como lidarão com elas, é que vai definir se são ou não bruxos, magos, ou feiticeiros de verdade.
    Ou acreditaram mesmo que bastava um ritual, para se tornarem algo?
    Não, não é tão simples. Se fosse, se chamaria cristianismo, e não paganismo.


    Capitulo 2 – Realizando a magia

    Poderia encher as páginas com vários sistemas mágickos, como: Herméticos,  Satânicos, Caoístas, Streghes, Célticos, Gregos, Egípcios etc. Alguns conheço a fundo, outros apenas de maneira superficial, mas não o farei. 

    Se queres conhecer cada um deles, sugiro que faça uma pesquisa, extensa e detalhada, para entender o conceito apresentado, por estas filosofias de maneira profunda.

    Como disse antes não estou aqui para ensiná-los, como adorar os seus deuses, até porquê o ato de “adoração”, é algo que me dá nó estômago, mas vai de cada um.

    Então você escolhe com o quê quer trabalhar, minha função é apenas te ensinar, a realizar o ato mágicko. (Note que há um k extra, é proposital, para separar magia de ilusionismo, e foi proposto por um famoso ocultista.) 

    Primeiramente lembre-se sempre: O poder vem da mente, e com a linguagem certa pode programá-la. Sendo assim os resultados mágickos (como respostas, questões, ou atos) são genuínos, mas o processo para se realizar o ato, pode ser provocado pela mídia. 

    Não estou me contradizendo, a magia sempre influencia, mas a mídia não deve fazê-lo, pois faz do entendedor um tolo. No entanto, se souber usá-la, pode ser bastante benéfica, na hora de preparar a sua mente, para desbravar a Terra Oculta e suas maravilhas.

    Você Não deve aceitar a verdade escrita no roteiro, pois é uma meia verdade, e toda meia verdade é uma mentira.

    Todavia se for esperto o suficiente, fará bom uso de tais artifícios, e em vez de acabar mergulhado nas trevas da insanidade, será um exímio ocultista.

    O tolo irá ouvir a música milhares de vezes, e se deixará ser controlado por ela, tornando-se mais dos zumbis da cultura popular. O astuto utilizará a mesma música, para domar a si mesmo, pois tem conhecimento dos seus efeitos e que a própria serve para controlar a mente, por isso sabe como programar a canção, para atingir o seu objetivo.

    O ingênuo assistirá um filme, e criará diversas histórias em sua mente, acreditando que aquela é a sua realidade, sem de fato ser. O desperto verá na mesma obra, aspectos que condizem com a sua jornada, e os quê também contradizem seu aprendizado. – A magia estará presente ali mas o verdadeiro ocultista, saberá sobre o quê se trata o seu contexto.

    O hipócrita utilizará lendas urbanas, para validar as suas experiências “mágicas”, e recuará quando for abordado. O consciencioso saberá que a verdade sobre as lendas urbanas, é tão pequena que passa despercebida, por isso fará o possível para detalhar o seu relato, de maneira que coincida com o quê tal criatura realmente é, pois tem o entendimento de quê lendas nascem da má interpretação dos povos sobre determinados seres. Lobisomens por exemplo podem ser criaturas provindas de Sirius B, Vampiros podem ser membros da constelação de Alfa Draconis, e por aí vai.

    A voz do coletivo precisa ser ignorada, até que se faça necessário ouvi-la, ou seja o conhecimento empírico tem de ser esquecido, até que haja uma explicação científica para o mesmo, ou uma forma de validá-lo de maneira, que não seja uma experiência pessoal.

    Encontrar-se a si mesmo é importante, contudo depois de achar-se, deve focar-se em descobrir se realmente é o quê acredita ser, pois é a mente é uma caixinha de surpresas.

    No mundo em que vivemos, o ceticismo doentio é louvado, por isso devemos dançar de acordo com a música, para poder criarmos nossos passos. Isto é necessitamos abraçar o conhecimento concreto, antes de realizar a magia. Porquê embora o espírito preceda ao corpo, a mente funciona como nossa alma, e quando a mesma é atingida, nossos resultados mágickos podem falhar.

    Não adianta tentar empregar a magia pela magia, numa sociedade que te obriga a ter respostas para tudo. 

    Foi-se o tempo que não havia explicações para os fatos naturais, e bastava curva-se para os deuses para conseguir as suas graças.

    Não é mais a Era de Ouro, os Deuses não estão mais entre nós, eles abandonaram este planeta há muitos anos, e até os seus filhos estão por conta, por isso conectar-se com os mesmos não é tão simples.

    É imprescindível que o predisposto tenha consciência disto, pois muitos filhos dos deuses, acreditam do fundo de seus corações, que nossos pais cuidam de nós, por 24 horas, como se fossem como os humanos que nos acolheram em suas casas, mas a realidade é outra.

    É, eu lamento, lamento de verdade. Mas os deuses tem seus próprios afazeres, e embora nos visitem algumas vezes, deixando rastros incontestáveis de sua presença, eles não ficam ao nosso lado todo o tempo.

    Novamente estou ciente de quê muitos tentarão me “apedrejar” por isso. Só que como disse antes, as verdades são inconvenientes, e trago a liberdade para os que aceitam o seu preço, e neste caso o preço é abandonar a carência de seus coraçõezinhos, e aceitar que o pai, a mãe, ou ambos nem sempre podem ficar presentes.

    Se vocês os veem, ou os ouvem constantemente, é porquê ainda estão acordando, e as memórias da vida passada, estão se manifestando, de acordo com a forma com a qual eles se comportavam com vocês, no outro mundo.

    Eles nunca aparecem por nada, sempre há uma motivação para realmente virem ao nosso encontro, e quando vem, fazem com que saibamos que estiveram conosco.

    Lúcifer e Lilith são meus pais, sou a primeira de sua linhagem, e isso pode ser confirmado no meu site antigo, que disponibilizarei no fim deste livro. Por quê digo isto? Bem uma famosa série, retratou tal fato recentemente, só que antes do mesmo acontecer, já havia escrito no meu site, que esta primeira era eu. Então pode ir conferir na prática, que o oculto influencia mídia mas a mídia não interfere no aprendizado místico.

    Quando Lúcifer me visita, sempre há todo um contexto por trás disto, ou é para me dá um alerta, como em 2013 quando me mostrou que Belzebu é um traidor, que quer o seu trono. Para me proteger de alguma criatura nociva, que tentou me destruir, enquanto caminhava pelo mundo inferior. Ou me convocar para alguma reunião importante. - Eu sei parece cômico, mas já fui chamada uma vez, para ir com o mesmo no conselho celestial.

    Como sei que de fato era ele? Eu jamais tinha visto Belzebu como um traidor. Mas após este sonho e outros nos quais fui perseguida pelo Senhor das Moscas,  fiz uma extensa pesquisa, e encontrei relatos de pequenos ocultistas, que defendiam a mesma teoria. Alguns que falavam que Belzebu se opõe a rebelião de Satanás, outros que ele era como um exorcista, mencionado na bíblia.  Mas pareciam tão dissociados da realidade, que me desanimei e aleguei insanidade.

    Contudo algo em meu interior, me levou a pesquisar ainda mais, e acabei encontrando um belo artigo dedicado ao mesmo, no site da Penumbra Livros, onde faço grande parte dos meus estudos esotéricos atualmente, devido a enorme fonte de conteúdo gratuito disponível ali.

    De fato não só Belzebu era traidor, como já tinha conquistado o trono do Inferno uma vez, fazendo com quê 49 dos 72 demônios que caminhavam com Lúcifer o servissem, e isto já tinha até se tornado o roteiro de uma revista em quadrinhos da Vertigo inclusive.

    Até aquele momento eu nada sabia, mas Lúcifer veio e me mostrou um fato, que não era uma fantasia, e podia ser comprovado.

    Além disso no dia do dito sonho, ocorreu um evento quase cataclísmico em minha cidade, ligado ao vento, que é um dos elementos que o representa, e minha mãe literalmente viu um anjo dentro do nosso lar, muito bonito segundo a mesma.

    Já na outra vez, foi como se ele enviasse uma mensagem através de uma médium, na qual me mandou tomar cuidado, pois coisas terríveis iriam acontecer em breve. 

    É claro que duvidei, para mim a possessão, é apenas um processo psicológico, no qual o “possuído”, na verdade é um predisposto, que desconhece seus dons, e acaba manifestando habilidades sobre-humanas, que fazem com os quê os padres interpretem de maneira errônea, e na época, achava que se tratava de uma insanidade maior que a minha, só que ainda sim, é no mínimo suspeito tudo o quê aconteceu depois.

    Minha casa foi saqueada, e levaram todo o meu material de registro de eventos sobrenaturais, os homens reviraram o meu quarto todo, e deixaram o da minha mãe arrumado. Procuraram pelo notebook, onde tinha fotos, teorias, e vídeos, sobre a minha caminhada oculta, levaram a minha câmera, e até o quê eu usava para me distrair do mundo, o meu playstation 2, que já não valia muita coisa na época, e acreditei ser o disfarce perfeito, para o quê realmente fizeram.

    Foi como se declarassem guerra a mim, e a minha sanidade, pois eu analisei os fatos, bati cabeça dando explicações para mim mesma, e a verdade é que até hoje não consigo ver como um mero assalto, pois o mesmo começou, segundo a perícia no momento do incêndio da rua debaixo, que havia começado por causas naturais, e não por intervenção humana.

    Isso não foi a única coisa, naquele ano e até o inicio do outro fiquei muitas vezes a beira da morte. Escapando de acidentes por muito pouco, ou sobrevivendo as tentativas de suicídio, mesmo sem querer continuar de pé, porquê não suportava mais o fardo de ser filha de Lúcifer e Lilith. – Ou achou que somente o não agraciado sofreria? 

    Não foi fácil, e depois que tudo o quê era meu foi levado, fiquei isolada do mundo, e saiu a notícia de quê as contas estavam sendo vigiadas pelos americanos, e como se isto não bastasse, a minha página com apenas 150 curtidas, tinha sido apagada da rede, como se o link estivesse quebrado. O quê convenhamos, é no mínimo suspeito.

    Mas Lúcifer havia me avisado, e eu não dei ouvidos.

    Já Lilith sempre foi mais sutil, aparecia em corpos bonitos, e transmitia mensagens de importância sentimental, que me impediriam de me meter em furadas - Entretanto eu não ouvia, e por isso me machucava sem necessidade.

    No meu primeiro contato com a mesma, esta me revelou que o meu namorado na época, não era digno, nem me pertencia, e que era um erro tomar posse do mesmo, pois este era infantil e malévolo, e não era o quê tinha escolhido para mim.

    Duvidei de imediato, pois a moça que me disse, parecia ter sentimentos pelo rapaz. Só que anos mais tarde, vim saber que as suas predições estavam corretas, e que o cara era realmente um traste.

    Não haviam sinais plausíveis, que nos ligassem de fato, somente aqueles que vinham da sua capacidade de me estudar, para saber o quê eu queria - como um sociopata adolescente - e que o fato de me juntar a ele, não trouxe nada mais que:  Desentendimento, culpa, tristeza, e desespero. Como se o mesmo tivesse sido colocado na minha frente, somente para atrasar a minha descoberta, sobre quem e o quê de fato era, pois tal informação certamente tinha grande valia, e lá na frente falarei sobre isto.

    Por estas e outras que digo, eles só vão se manifestar em casos de extrema importância, por isso não espere que apareçam apenas por quê é a tua vontade.

    É preciso entender que a linha da realidade e a ficção por vezes se cruzam, mas a ficção é apenas uma expressão exagerada da realidade. Se não compreender isso, certamente não vai suportar os desafios, e acabará por enlouquecer. – Foi o quê quase aconteceu comigo, depois de 6 anos no caminho.

    Por isso use os artifícios midiáticos apenas para controlar a ti mesmo, para atingir o teu objetivo, ou por diversão. Mas jamais faça uso dos mesmos, para o teu aprendizado. Eu sei deve ser a 3° ou a 4° vez que repito, mas é para que entre em suas cabeças.

    O preparo mental é o primeiro e mais importante nível, porquê é através deste que vai destravar todo o teu potencial oculto, e trazê-lo para a luz.

    Por isso é necessário cuidar da tua mente, como se fosse o teu corpo, absorvendo somente aquilo que é capaz de suportar, e que favoreça o teu entendimento, ou a realização do teu propósito.

    Dias antes de fazer o ritual, faça uma boa playlist de músicas, que te ajudem a se sentir mais forte e capaz, de filmes que te façam crer no mundo oculto, de games e quadrinhos que seguem o mesmo roteiro, e quebram o padrão do impossível, tornando-o possível.

    Pois assim é criada a atmosfera mística mental, e isto te ajuda a ficar pronto para realizar o teu ato místico.

    Feito isto, agora é hora de seguir para o segundo nível.

    A atmosfera mental já foi desenvolvida, você se sente pronto para fazer o seu primeiro ritual, e não há nada que te faça duvidar de suas capacidades.

    Então agora deve expressar isso de maneira física, desenhando símbolos em teu altar, utilizando as velas certas, o incenso necessário, e o ambiente favorável ao teu rito.

    Por isso precisará conhecer cada símbolo que for utilizar em teu ritual, do contrário pode acabar libertando uma coisa, que deveria ficar no outro mundo- Falo por experiência, passei 9 anos sob a influência de Carreau, por ter o libertado em um dos meus rituais, e só há pouco tempo me livrei do mesmo. Então tome muito cuidado, com os símbolos que vai utilizar, pois cada um tem significado específico, e não é o teu desejo de alterá-lo, que vai promover a mudança de uma egrégora que está presente neste planeta há anos.

    Feito isto, agora é colocar em prática o teu aprendizado, então vá adiante.

    Já estudou, já conheceu os símbolos, e leu tudo a respeito dos cultos dedicados ao deus que tu escolhestes, então porquê não se arriscar com um rito próprio? 

    Você já aprendeu a respeito do ser escolhido, sabe o quê pode, ou não fazer, o quê o honra ou desonra, então dê asas a tua imaginação, pois uma imaginação sem recursos é criatividade, mas quando a mente foi preenchida com conteúdo, a imaginação pode abrir as portas, para quê consiga ouvir a tua voz interna. Quer dizer que se você apenas fizer um ritual, seguindo a tua imaginação por nada, pode falhar e cometer erros graves, mas se souber moldá-la, pode servir de ponte entre você e o deus que te aceitou entre os seus.

    Os predispostos precisam está preparados, pois quando a sua voz interna surgir, vários fatos intrigantes vão acontecer, inclusive coisas de origem sobrenatural, que parecem obra de um poltergeist, mas provavelmente virão deles mesmos. 

    A forma de saber se vem de si mesmo, é medindo sua temperatura corporal, pois o excesso de energia, fará com quê a mesma suba bastante, independente do seu elemento, mesmo os que tem afinidade com o gelo, poderão sentir a sensação de calor intenso.

    Ou tentando mensurar o seu comportamento psicológico, pois se estiver sob o estado de muita adrenalina, também poderá acabar por influenciar o ambiente com a tua força oculta.

    Já os humanos não precisam se preocupar, também podem empregar a sua energia oculta num ato mágico, sem ter alcançado o poder divino. É claro que no caso dos mesmos, coisas sobrenaturais serão raras, e provavelmente se acontecer, dificilmente virão dos mesmos. Contudo isso não significa que não há nada que possam fazer.

    O poder dos homens está em sua mente, um pouco mais que no caso dos predispostos, e os humanos podem usar a sua força, para realizar sonhos típicos da espécie, como: Ganhar muito dinheiro, um bom emprego, atrair o amor de suas vidas, melhorar a aparência etc.

    Não será algo instantâneo pois são limitados, por serem a imagem de seu Deus Jeová, mas mesmo assim, com o método certo, e os 2 níveis mental e físico, eles certamente atingirão as suas metas.

    Pois há uma energia oculta poderosa, que está disponível para todos, inclusive os humanos, e é através desta que podem inclusive, abandonar a condição de homens, para se tornar algo mais próximo dos predispostos, ou ainda mais poderosos que alguns.

    Capitulo 3- A Magia é vida, mas não é um ser vivo.

    A magia não é feminina, nem masculina, ela está acima de teorias tão mundanas.

    Atualmente vemos constantemente que a magia é algo especificamente feminino, que a mulher é detentora de uma enorme energia oculta, porquê somente a mesma é capaz de produzir a vida, e todo aquele blá, blá, blá feminista, do qual até mesmo Lilith já está por aqui.

    Ou pior ainda que o homem, por conta de seu intelecto voltado para o modelo mais racional da realidade, é naturalmente aquele que manifesta as forças de um verdadeiro deus, ou outras besteiras machistas que nos fazem entender, porquê o feminismo existe para se opor a tal pensamento.

    Nem o homem ou a mulher são os provedores de tal energia. Não separados pelo menos. Pois a mulher embora tenha o ambiente perfeito para gerar a vida, não pode fazê-lo sem a semente que existe dentro do homem.

    É totalmente desnecessário provar a sua superioridade através do seu sexo. Isto não é coisa de um bruxo real, mas sim de alguém que tem sérios problemas consigo, e precisa validar-se pelo quê tem no meio das pernas.

    No caso das mulheres, é como adotar uma postura semelhante ao machismo, que supostamente desprezam. No caso dos homens é apenas seguir sendo como os outros, quando, como ocultista , deveria ser melhor que os demais.

    Baphomet representa a união do feminino e masculino, e é uma das figuras mais poderosas do ocultismo, pois não expressa apenas a dualidade, mas a totalidade, que é o uno. A união  do céu e o inferno, do sagrado e o profano, e provavelmente é a imagem perfeita, de como a primeira causa seria, se a mesma se manifestasse em forma física, portanto aprenda a lição mostrada por esta imagem.

    A Magia não tem Religião.

    Muitos defendem abertamente que bruxaria cristã não existe, porquê a igreja perseguiu inúmeros bruxos na santa inquisição. – Até os 16 anos acreditava no mesmo, mas hoje tenho 24 anos, e sou obrigada a desiludi-los mais uma vez.

    O conceito amplamente defendido é que a magia pertence ao paganismo, e logo não pode ser praticada dentro das igrejas, ou por seus fiéis.

    Quem faz tal defesa, provavelmente se encontra no inicio da caminhada- Mas se já passou vários anos, e ainda acredita nisso, precisa urgente deixar de seguir a “massa mística” (O quê é irônico, pois nem deveria haver uma.) e conectar-se  com os deuses, pois apesar do quê imaginam, não estão nem os servindo, nem caminhando com os mesmos.

    Eles sentem como se a nossa cultura estivesse sendo saqueada dos templos sagrados, e entregues aos cristãos.

    E não estão errados, pois isto é o quê de fato aconteceu, antes da chegada de Cristo. – A bíblia sagrada cristã é um mosaico de textos ocultistas de outras culturas.

    Portanto o “roubo” já aconteceu há muito tempo, não é algo novo, e desta forma muitos fiéis já tiveram tempo suficiente para desenvolver os seus cultos. Existe até mesmo uma linha do cristianismo, voltada para os misticismos, então a bruxaria cristã não é algo novo, aceite isso.

    Além disto os grandes ocultistas conhecidos, estudaram as mesmas filosofias criadas por estes fiéis, antes de fundar as suas escolas de pensamentos. É o caso de Aleister Crowley - conhecido como “To Mega Therion”, a  “Besta 666”, “O homem mais cruel do mundo” - que ingressou na Ordem da Aurora Dourada, antes de criar seus Libers. Porém o quê poucos sabem, é que embora o mesmo tenha sido expulso da escola dominical, a Ordem que o recebeu, foi fundada através do ensinamentos distorcidos de Agrippa, que era um grande homem, e devoto do divino.

    Então não há necessidade de espancar e cuspir naqueles que descobriram tal possibilidade, pois pode até servir para contribuir em alguma coisa.

    Há tanta coisa que merece mais tal ódio, que realmente me dói a vista, ler tanto desgosto voltado para os que resolveram seguir um caminho diferente do nosso.

    Do momento em quê erguemos nossa espada para os homens apenas por conta da sua religião, estamos sendo tão sujos e hipócritas, quanto os inquisidores, que apenas apontavam o dedo para aqueles que discordavam da sua versão do mundo. – E eu sei que você não quer ser comparado com o teu rival, então não haja como tal.

    É importante frisar, que a magia supostamente foi trazida aos homens por aqueles que desceram dos céus, por isso a mesma não pertence a humanidade, e logo não deve ser julgada como se fosse.

    Lúcifer e os caídos ensinaram as mulheres, e lhes deram o poder, para realizar os próprios intentos. Mas de onde Lúcifer veio e onde a magia residia antes? Isso mesmo no plano celestial, ou a Deusa Desceu a Terra para ensinar os humanos a praticar a magia, e os guiar para o seu mundo. Quando não mais pôde ficar enviou a sua filha, para continuar o seu trabalho. Mas é sempre seguindo a premissa de quê a magia foi transportada de outro reino, que não é o quê vivemos.

    Então por favor, pare de usar esse contexto absurdo, de quê a magia pertence somente a um grupo, pois até nos textos antigos, pode ser comprovado, que “não é assim que a banda toca”. Hermes Trismegisto já dizia: O quê está acima, é o quê está abaixo. Entenda de uma vez por todas este conceito.

    A magia não tem política.

    Se você é de : direita, esquerda, liberal, fascista, socialista, ou qualquer outro partido conhecido, não importa.

    Novamente é algo mundano, que deve ser deixado em seu devido lugar.

    Não traga suas convicções partidárias para dentro da sociedade ocultista, pois não é bom misturar as coisas.

    Hitler e o Vrill estão aí para provar. 

    Ele obteve um grande sucesso ao realizar a sua missão, mas a sua mensagem real jamais foi ouvida, e pior ainda acabou por ser distorcida, com o decorrer dos anos. Sendo tratada como um massacre desnecessário, ou desumano, ou o grito de horror de inocentes, que nem eram tão inocentes assim. – A sua luta não era contra os judeus, e sim os sionistas, que supostamente queriam dominar o mundo, mas conseguiram fazer parecer que esta era a vontade de Adolf.

    Esta é a versão da verdade que conheço e acredito, pois a filosofia sionista e illuminati, em muito coincidem.

    Mas é algo em quê Eu acredito. Não significa que você é obrigado a crer no mesmo. Por isso saiba que há um espaço para a magia, e outro para a política, não é porquê um influencia o outro, que devemos misturá-los.

    O Tudo é o Todo, e o Todo é Um. Só que é preciso compreender suas metades, para poder entender como se complementam.

    A Magia não tem etnia.

    Não importa se tu és negro, branco, hispânico, índio, ou qualquer outra raça conhecida. Todos são humanos, ou ao menos meio-humanos, no caso dos predispostos. Assim sendo devem respeitar uns aos outros.

    Se o branco quer fazer parte da gira, deixe-o entrar. O mesmo vale para o negro que anseia entrar num sistema mais elitista como o luciferianismo ou o satanismo.

    Salvo apenas exceções para filosofias voltadas para o racismo como a Skull and Bones por exemplo. Porém creio que tais ideais são como feminismo e machismo, e precisam ser abolidos da face da Terra, pois só servem para validar a vontade, de gente tão pequena que se define por sua cor ou sexo.

    A magia não tem estilo.

    Vocês encontrarão gente de todo tipo no caminho. Mulheres com roupas provocantes, homens maquiados, moças de turbante, rapazes de dread, gente de preto, gente de branco, e isso não significa absolutamente nada.

    A roupa que a bruxa veste, não representa o seu poder, apenas expressa a sua mais forte emoção, aquilo que mais gosta, e tem alguma afinidade.

    Ou seja não é porquê uma bruxa veste preto, que ela trabalha para Satã, ou porquê uma bruxa usa vestes coloridas, que esta serve a deusa e o deus.

    A diversidade neste meio é muito grande, logo nem tudo o quê aparentemente é, de fato é. Quer dizer há casos de bruxos que se vestem como anjos, mas trabalham com energias bem densas, e o mesmo ocorre com aqueles que se vestem como demônios, mas praticam magias menos pesadas, pois é o quê podem suportar.

    Há bruxos que pouco estudam, mas conseguem obter grandes resultados. – Embora mais tarde acabem achando que o hospício é o lar doce lar.

    Há ocultistas que procuram estudar mais do quê necessário, e quê embora criem barreiras no seu desenvolvimento, se sentem mais confortáveis, em suas limitações.

    Então não adianta ditar que a magia é um estilo de vida, pois cada um é livre para encontrar o tipo de vida que o mais o agrada. – É claro que adotar a prática diariamente, certamente vai te ajudar a obter bons resultados, pois condiciona o cérebro a destruir o empecilho do impossível. Entretanto isso não é uma obrigação, nem uma regra. Você decide o quê se adequa a tua condição. - Até porquê há aqueles que compartilham seu lar com outras pessoas, que não apoiam as suas práticas, e por isso precisam de outros meios, de gerar uma boa atmosfera mágica, que não implique em desrespeito aos que lhe oferecem um teto, e seja viável para executar.

    A magia é uma energia.

    A magia é formada de átomos de energia positiva e negativa, e você é o nêutron que rege tais forças. 

    A magia não tem voz, ela apenas te ajuda a encontrar a sua. A magia não pode ser um corpo, mas te ajuda a moldar o teu. A magia não ouve, mas te faz ouvir. A magia não vê, mas te ilumina para enxergar. A magia não sente, mas te impulsiona a sentir. A magia não pensa, só que intervém em teus pensamentos.  

    A magia é uma força gigantesca, que se bem canalizada, pode criar ou destruir a vida, mudar ou colocar as coisas no lugar, alterar o fluxo ou mantê-lo, incendiar ou apagar o incêndio. É a mais perfeita expressão da linguagem divina, proveniente da Primeira Causa. É a matriz de onde tudo nasce, da qual pode beber de sua energia.

    A magia é vida, pois é movimento, e ausência do mesmo, é luz, é sombra, é claro e escuro, é impulso, é neutra, é causa e efeito, mas não é um ser vivo.

    Consequentemente não pode ser tratada como tal. A vista disto não lhe atribua as características de um humano, fazendo-a ter: sexo, política, etnia, ou estilo, pois esta é muito maior que tais convicções.

    Capitulo 4- O Mundo sem o véu.

    Já trabalhamos em cima da atmosfera mística , e a importância do aspecto mental, para criar tais condições, e portanto aplicar a energia mágicka. Mas como é que o mundo se torna, após quebrar a barreira do impossível? 

    Primeiramente o mundo de concreto, continuará o mesmo, são seus olhos e o olhar que se tornarão diferentes. 

    Provavelmente deve ver diariamente a batalha entre os céticos e os ocultistas. “Só confie na ciência pois há como comprová-la e a magia é apenas crendice.” Dizem os apaixonados pela ciência. “Abra seus olhos, há um mundo mágico por trás deste, e somente a fé nele é o suficiente para manifestá-lo. A ciência é uma tolice, um insulto as forças divinas.” Dizem os aficionados a magia.

    Você pode de imediato concordar com a segunda visão, mas ambas estão erradas. – Embora a parte do conceito metafísico (o mundo por trás do mundo) seja correta.

    Quando se encontra de fato com o oculto, você percebe que magia e ciência, servem para dar as mãos e não se destruírem, como se fossem inimigos velados.

    Essa rivalidade trivial, não é digna de um ocultista, pois o mesmo tem consciência, de quê muito do quê temos hoje antes era visto como místico.

    Imagine-se em 1500 com um celular em suas mãos, certamente as pessoas do tempo, ficariam maravilhadas, e depois iriam temê-lo, ao ponto de queimá-lo vivo, sob a declaração de prática de bruxaria. – Mas nos tempos em que vive, sabe que se trata de ciência, e isto o faz rir.

    Essa perspectiva a princípio pode deixá-lo desnorteado, só que é um fato. Eles nem parariam para estudar a respeito, pois naquela época a Terra era movida pelo medo.

    Muitos cientistas foram tidos como hereges no seu tempo, e jogados no fogo purificador dos santos, então tentar separar o inseparável é bobagem. – Todavia é significativo que saiba que não basta compreender as metades, é necessário entendê-las a fundo.

    A ciência é um meio de comprovar se um fato é real ou falso. Embora seus métodos, pareçam servir somente para desbancar a existência de seres maiores que a humanidade. Eles também podem ser usados, para por exemplo separar, quem realmente viveu uma experiência sobrenatural, e os que apenas precisam de tratamento psiquiátrico. – Lembrando que alguns eventos de natureza mística, podem ser tão devastadores, que causam este efeito de estresse pós-traumático.

    Logo se a ciência serve para medir o evento, o esoterismo é o evento– Uma manifestação nua e crua da natureza, que para muitos foi esquecida, e que tem mistérios a serem desvelados.

    Desta forma o primeiro ponto é esse: A inexistência de um padrão dualista, e percepção de que o universo é realmente um, cujas as metades unidas, o fazem completo.

    Além disso, quando você se conecta de fato com o cosmos, ele também se junta a ti, e assim desenvolve o quê é conhecido como inteligência divina. – Não que vá conseguir resolver cálculos matemáticos complicados em segundos, como no filme Transformers, mas certamente libertará uma sabedoria, bem diferente da dos demais, e que vai te ajudar a se compreender melhor.

    No caso daqueles que tem a predisposição, poderão descobrir mais sobre a linhagem, através das memórias dos deuses, que vão lhes transmitir informações sobre a sua missão, e o nível dela. – Se será fácil ou cheia de obstáculos.

    Já os humanos, terão como resolver as suas grandes questões, a respeito de quem são, e de onde vieram de fato, podendo inclusive conhecer o criador da sua espécie, e lhe pedir a dádiva divina. – Mesmo que tenha um preço alto a se pagar.

    E este é o segundo ponto: Saberá sem ter visto nada antes. – Mentalize a seguinte situação: Você é um estudante de médio conhecimento sobre a Deusa Afrodite. Tudo o quê sabe é que é a Deusa do Amor, e que seu par é Hefestos, o ferreiro do Olímpo, e outras pequenas coisas. Do nada seu corpo se desliga, e você tem a visão de Afrodite na cama de Ares, o Deus da Guerra dos Gregos, e Hefestos quer provar a sua traição. Você retorna, acha aquilo estranho, e decide pesquisar sobre isso, então lá está o quadro que retrata a sua visão. É o quê vai acontecer, quando libertar este tipo específico de aprendizado.

    Novos mundos irão se apresentar a ti, mas eles não serão físicos. Sempre que meditar, terá visões do teu verdadeiro lar, que não é este planeta, e ao fazer a viagem astral irá sentir, como  são as outras civilizações.

    Há chances de prestigiar o mundo, em que o Deus que te acolheu habita, e assim receber dele algumas direções, para te ajudar a cumprir o teu propósito.

    É quando começará a entender a teoria de Giordano Bruno, sobre os milhares de planetas, que existem além da Terra, e a diversidade presente nos mesmos.

    Deixará de crer em filosofias como criacionismo ou evolucionismo, e aceitará o design inteligente, que lhe parecerá a resposta mais plausível, para a origem das espécies existentes.

    Verá que a panspermia cósmica, é uma ideia incompleta, pois a vida não se forma do nada, é preciso de uma causa que a gere, e esta é ninguém menos que o próprio Uno, que você conhece como Universo.

    Ao entrar no plano invísivel , começará a duvidar se está vivo, ou preso em um sonho, do qual acorda todas as noites, e retorna para casa. – É lindo, porém se você criar afinidade com apenas o outro lado, esquecerá que não habita nele, e isto te trará consequências terríveis, como buscar o abraço gélido da morte por exemplo, e ao fazê-lo, se levará a dimensões sombrias, que deram origem ao termo adotado como Inferno, o quê atrasará ainda mais a sua volta.

    É preciso que se lembre sempre, de quê embora a sua casa seja a anos luz daqui, há pessoas que precisam de você, e tu tens uma missão a cumprir, antes de retornar para aquele lugar que te faz tão bem. – Quando fizer a projeção, tenha ciência de quê está fazendo uma visita, e não se mudando pra lá.

    Alguns rapidamente encontram o caminho de volta para as estrelas, outros demoraram, pois não estão prontos para aceitar, que aquele canto maravilhoso, o aguarda, mas ainda não é o momento certo. – Ou pior, devido as espécies superiores e inferiores, que vem se aniquilando há milênios, não há pra onde ir, e só pode aprender com o quê restou, da sua civilização materna.

    Outra coisa, é importante também ter conhecimento de quê, tudo o quê tem no outro mundo, não pode trazer para o físico. O máximo que conseguirá, é uma versão fantasma da coisa em questão.

    Portanto se atravessar o mundo dos dragões para este, montando em um deles, o mesmo não vai se materializar em teu quarto, como se fosse um animal comum, e somente os que desenvolveram A Visão, poderão enxergá-lo, (ou nem isto, pois há os que escolhem com quem interagir).

    Há muitas críticas no meio sobre o quê os bruxos já viram ou experimentaram.  Qualquer magista que tenha  visto duendes ou dragões, e se juntado a estes numa experiência mística, é friamente julgado. Então mesmo que adentre no outro lado, é preciso que não fale isto para quem não presenciou o mesmo, pois dificilmente vão compreender. – Salvo exceções aos que se dizem ocultistas, mas precisam de substâncias alucinógenas para adentrar no outro mundo. Estes realmente possuem pouca credibilidade sobre o quê presenciaram, pois as drogas não te ajudam a conhecer a outra dimensão, no máximo consegue refletir o teu interior. Isto não significa que me oponho ao seu uso, pois cada cabeça tem uma sentença, e sabe o quê é melhor para si. No entanto quando se trata de experiências extra-sensoriais, o uso de tais artifícios pode lhe ofuscar A Visão.

    Não estou falando da visão física, mas sim do terceiro olho, o olho que tudo vê, o olho que não enxerga somente o concreto, mas os átomos que o compõem, e vibram na mais baixa frequência, para torná-lo pesado.– É o olho que desmembra a realidade, para que conheçamos cada um dos seus mais profundos mistérios, e certamente você não querer perder essa capacidade. Pois uma vez que encontra o plano místico, os seres do plano místico te encontram também, e nem sempre isso é algo positivo, pois a maioria detesta os seres esquecidos na Terra, e anseia destrui-los, para que não retornem ao mundo deles, com medo de serem “infectados” por ideias humanas.

    E aqui é que a situação piora, pois os seres que odeiam os meios- terrestres, e terrestres em sua totalidade, fazem de tudo para que  os bruxos, não consigam atravessar a ponte do astral, para o Etérico – O plano acima do astral, (que também pode ser reconhecido como o Consciente Coletivo de Jung) terão as respostas necessárias, para evoluírem suas consciências, sobre quem são.

    Eu sei parece o roteiro de algum RPG, e se quer saber a realidade, o mundo invisível não é tão diferente do mesmo. Então se anseia entender a respeito, sugiro que comece a jogar, e estude todo o sistema, para quê saiba de suas limitações.

    Aliás creio que quando disseram que Deus jogava com dados, se referiam a isto, pois tudo depende das circunstâncias. Deus lhe oferece alternativas, e você no início, quer seguir adiante, e derrotar o monstro com um golpe de misericórdia. Contudo Ele no poder de mestre do jogo, prefere que lute contra o monstro, da forma mais humilhante que há, e perca teus braços e pernas. Ambos atiram seus dados no tabuleiro. O resultado dele é 7 o seu é 2, sua vontade é alterada para que a dele seja atendida, e você nobre peregrino, acaba por perder teus membros na batalha contra o gigante.

    Pois não importa o quanto digam que A Tua Vontade é A Lei, seus artigos podem ser alterados pela diretoria, que foi gerada pela Lei Imutável dos Antigos. 

    A sua vontade, não é o suficiente para alterar algo monumental, principalmente quando se trata do seu encontro com o Mestre do plano Superior. Pois naquele lado há uma egrégora poderosa, que foi alimentada por milhões, e a diferença do milhão para um é muito grande.

    Você certamente deve está pensando, se é assim que graça tem em praticar magia? A mesma de jogar. Pois quando você segue dentro dos padrões sociais, apenas está sendo parte do cenário, e não tem controle das próprias ações.

     Mas quando modifica o rumo, ao menos tem a chance de escolher, ou seja está pegando os seus dados, e se preparando para alcançar a glória do verdadeiro livre- arbítrio.

    Porém assim como para jogar um RPG, você precisa muito do quê o dado, na magia não é diferente. É necessário escolher um personagem, ou no caso do ocultismo, uma vertente, como a magia draconiana por exemplo.

    Feito isto, não basta apenas manter o personagem, é preciso fortalecê-lo, para encarar o mundo que o aguarda. No RPG com armaduras, joias, e outros apetrechos. Na magia com sigilos, círculos, linguagens desconhecidas, etc.- E mesmo que seu personagem esteja no nível máximo, sempre haverão aprimoramentos, para torná-lo cada vez mais capaz de alcançar os objetivos, que lhe são apresentados na jornada.

    Portanto antes de adentrar de vez no mundo translúcido, ou tentar remover o véu do mundano, se prepare devidamente, pois nem sempre o mestre vai com a cara do seu personagem, e no seu caso essa potência é ninguém menos que o próprio Deus. - Não o Deus dos Ocultistas, que é a força ilimitada e geradora. Mas sim o quê foi criado por uma egrégora de humanos ambiciosos, e mal intencionados, que conheceram um ser, que achou que poderia tomar a coroa cósmica de quem o gerou, e o fortaleceram o suficiente para ser aquele que hoje comanda muitos mundos. É, eu sei parece a história de Lúcifer, mas este é um clássico caso, em quê o vilão se denuncia pela sua versão deturpada dos fatos, e quem tem o bom senso consegue perceber as entrelinhas. – Leia o Antigo Testamento, como um livro comum, e verá que o Deus do Amor, é na verdade uma expressão do mais puro Ódio. 

    Além destas alegorias, há muitas outras, então fique atento, e aprenda a jogar, ou siga como a massa permitindo que o mestre controle o seu destino, sem jamais se opor a tudo o quê te acontece, e ficando grato pelo pão e o vinho na mesa, assim como pela morte dolorosa de toda a sua população, porquê este quis assim.

    Capítulo 5 - O fanatismo, o grande veneno mágicko.

    No capítulo 4, abordei sobre o outro mundo, mas primeiro expliquei sobre o maior dos empecilhos para chegar lá, pois é importante que esteja ciente, de quê nem tudo são flores.

    Posso ter passado a impressão de quê estou em cima do muro, sobre Deus e o Diabo. Mas o fato é que, quando se conhece ambos os lados, fica claro que a ideia do preto e branco, não serve para nada.

    É claro Jeová é cruel, é o Deus dos homens, dos pecadores. Contudo é um verdadeiro Ares da religião judaico-cristã, não há quem duvide da eficácia de suas estratégias, e isto é admirável. – Apenas discordo de algumas metodologias dele.

    O mesmo ocorre com Lúcifer, ele é meu pai, e certamente me orgulho disto. Porém não concordo em evitar a massa. Apesar de não pertencer a ela, seus tipos de entretenimentos são bem agradáveis.

    Então é aqui que se percebe, a razão para não apoiar fanatismos. Se fosse obcecada por Lúcifer, concordaria com tudo o quê dissesse, mesmo que fosse contra aquilo que gosto, somente para ser o quê ele supostamente espera de mim.

    Isso é errado. Além da grande falta de amor próprio, há também o risco de ser manipulado por entidades maléficas, que não caminham nem com a luz, nem com as trevas, apenas servem a si mesmos. – O quê não é errado, mas do momento que atrapalha a vida do outro, se torna prejudicial.

    São seres que passaram grande parte da sua vida, sob a sombra dos senhores, e que jamais conseguiram ascender como eles, e por isso na primeira oportunidade, os apunhalaram pelas costas, e assim foram jogados num mundo caótico, de onde vez ou outra saem para atormentar, sob a forma de fantasmas, que sussurram coisas em nossos ouvidos. – É como se fossem os empregados que se dedicaram a empresa, sem terem recebido uma proposta de aumento, e mesmo assim esperaram subir de cargo, e quando nada aconteceu, começaram a destruir o prédio para que ninguém mais trabalhasse. 

    Uns os chamam de demônios, mas isto é um insulto aos seres do mundo inferior. Então prefiro seguir com o conceito da umbanda, de espíritos obsessores, e embora grande parte diga que se tratam apenas de seres humanos, poucos sabem que não são apenas os homens, que tem problemas para evoluir.

    São criaturas que em vez de terem visto alguma oportunidade, abraçaram as limitações como desculpa, para concentrar a sua ira em algum foco.

    E porquê estou falando nelas? É bem simples na verdade. Porquê tais seres encarnados ou desencarnados, costumam se aproveitar da fé alheia, para que cumpram seus objetivos atrozes, de destruir a base das filosofias, que supostamente os abandonaram.

    Portanto quando você se entrega demais a fé, não consegue perceber as armadilhas dos mesmos.

    Imagine duas situações: Primeiro há um padre de uma cidade pequena, cheia de gente analfabeta, mas com muita fé em compensação.

    Eles acreditam que apenas a palavra de Deus, proferida por seu padre, é a verdade imutável da vida.

    Contudo tal líder, pouco se importa com as palavras divinas, apenas as estudou, para ter poder sobre as pessoas, e assim usá-las como bem entender.

    Ele tira das mesmas: o seu dinheiro, os seus filhos, a sua liberdade, e os faz segui-lo cegamente, em rumo a completa perdição, pois sabe que está condenado, e quer levar quem puder junto.

    Como se não bastasse, para garantir-se, diz que é a vontade de Deus, toda vez que o questionam, e pior ainda, faz com que seus seguidores, repudiem qualquer figura pública, que pode desmistificar a sua falácia. – E se a tática funciona, mostra as suas garras, é quando por exemplo reúne os mais devotos, e os influencia a matar alguém, alegando que a pessoa está sob possessão demoníaca. (Não que discorde da existência da mesma, mas creio que eu, que o quê parece palhaçada para quem entende, é assustador para o ignorante, e o medo, sempre gera caos, se mal empregado) 

    No segundo caso, a mentira é um pouco mais articulada. O sacerdote diz que você é livre, que não precisa mais seguir nenhuma regra do “Nazareno”, que a vida começa agora, e os pecados não passam de uma bobagem.

    No início nenhum centavo é tirado, eles apenas promovem festas de orgia. – O quê não é ruim se for solteiro, mas o verdadeiro preço, que vem depois sim.

    Você se envolve nas palavras do sacerdote: Não há Céu, Não há Inferno, somente o aqui e agora, então façam valer a pena do jeito que o diabo gosta!

    Assim como o padre, tal sacerdote não está interessado no crescimento do seu grupo, somente quer arrastá-los para o fundo do poço, para que precisem dele, e é aqui que o golpe se torna mais evidente.

    Pois toda vez que a pessoa quer sair da tristeza por sua vida vazia, surge um novo motivo para deixá-la em tal estado. – É, o sacerdote, não carrega tal acunha, sem ser praticante de magia.

    Após fazer com que a vítima de seu magnetismo ( e alguns espíritos), comece a enlouquecer, vem as ofertas absurdas. “Mate um bebê para Satã, e ele te libertará destas correntes.” Diz o mesmo. Mas convenientemente, esquece de contar que a criança escolhida, é filha da ex com o atual - que percebeu o bosta que ele era, e o deixou.

    Eu sei parece inacreditável, mas a situação somente se agrava, pois no fim das contas, o padre e o sacerdote, se encontram longe dos olhos de todos, e assumem que suas jogadas, estão sendo bastante eficazes. Pois se os cristãos ficarem longe da magia, que os levam a questionar, e os satanistas evitarem o sentido de certo e errado, nunca conseguem atingir o estado da iluminação, para descobrirem a quem de fato servem, e que não é nem ao Diabo, nem a Deus.

    Estas criaturas são ainda mais inescrupulosas que Jeová, pois enquanto o mesmo ainda recompensa os seus, estes seres apenas fazem os demais afundarem, e nunca reconhecem os seus esforços, porquê como disse antes, sentem-se injustiçados, e que todos merecem a sorte que tiveram, por serem tão tolos ao acreditarem neles.

    Então não deixe que a sua fé te domine, mesmo que seja parte do plano superior. – Ela pode abrir portas, mas se não souber onde pisa, acabará indo para uma selva, e mergulhará em areia movediça.

    Somente a fé, nos faz ficar cegos. Da mesma forma como seguir somente a ciência, nos faz deixar de perceber, o tamanho da plenitude do universo, e que nem tudo se resume ao que é “concreto”. – A verdade mística não pode ser medida por filosofias dualistas da humanidade, pois esta se perdeu há muito tempo.

    Então como nos impedir de chegar a esse ponto? 

    Não há um método certo, e que tenha 100% de eficácia. Mas após várias pesquisas de campo, com base em observação, percebi algumas formas, que listarei a seguir:

     Evite defender a sua fé com paixão. – Não estou dizendo que não deve amar o quê faz, mas sim que precisa saber a diferença, entre o amor e a paixão. Amor é uma chama pequena, que serve para nos aquecer numa caverna. Paixão é um incêndio, que se alastra, destruindo toda a floresta, e se não ficou claro Paixão é um caso de amor intenso, impulsivo, e descontrolado. Amor é quando duas pessoas completas, compartilham uma vida juntas, sem desistir de quem são, pois escolheram andar com o par, e não dominá-lo.

     Estude tanto o seu opositor, quanto aqueles a que apoia. – Não estou dizendo que precisa se tornar um cdf de magia. Todavia é preciso sim ter conhecimento do quê faz. Então antes de julgar o inimigo, tente descobrir sobre as suas motivações para agir de tal forma. Concordar ou não, está fora do caso, mas é importante ver até onde o boato relatado é real.

     Haja como cético. – Apesar da correlação com o item anterior, é importante nos focarmos no fato, pois ser cético, é duvidar bastante da história, antes de aceitá-la como verdade, e é esta postura que deve tomar, sempre que uma coisa, que desconhece, surge na tua porta.

     Procure informações imparciais – Se o bruxo diz que a sua deusa é santa, e a religião a condena como “demônio”, é bom evitar ouvir ambos, e buscar por uma voz, que trabalha todos os aspectos da deusa, desde os puros, aos mais pecaminosos.

     Não fale sobre sua filosofia com eles. – Um fanático não tem nada para acrescentar na sua busca por conhecimento, a não ser, que queira estudar sobre transtornos de personalidade, ligados a estresse pós- traumático. Mais terrível ainda, pode te levar pro fundo do poço junto com ele, pois te faz crer no mesmo mundo maravilhoso, em que os seus superiores o colocaram. Então se tem um(a) amigo(a) que sofre disto, fale sobre qualquer assunto, menos deste.

     Rejeite as palavras do fanático – Não precisa humilhar a pessoa, por conta do seu fascínio. Afinal o fanático em si, é apenas uma pessoa apaixonada, sendo controlada por terceiros. Então sempre que notar os traços de fanatismo, lembre-se de que ela é apenas o papagaio repetindo o quê ouviu, e não sabe o quê fala.

     Conheça os traços de fanatismo. – Um ser tomado por esta paixão doentia, manifesta alguns sintomas como: 

    Palavras vazias. – O(a) sujeito (a) fala como se entendesse do assunto, mas ao ser confrontado, e obrigado a defender os interesses, com ideias próprias, fica mudo, ou tenta alterar o rumo da conversa. Fingem sensatez e calmaria. – Frases como “O mundo é injusto, por causa de...” são bem comuns no seu vocabulário, pois estes conhecem o Uno, mas são incapazes de entendê-lo.

    III. São agressivos. – Se mudar o rumo da conversa, não funcionar, eles começam a se irritar bastante, e por isso se tornam violentos.

    Não suportam a verdade. – Diga-lhes que Satã é bom, ou que Deus é engenhoso, e verás o fanático demonstrar, a escuridão mais profunda daquilo a que serve. São iludidos. – Não conseguem extrair a verdade de um material fabricado para entretenimento, e pior ainda, tomam para si o todo como verdade absoluta. (Depois saem matando hereges ou sacrificando virgens porquê o programa ensinou.) Veem sinais onde não há nada. – Que há sinais no universo, todos nós sabemos, porém achar que tudo é sinal de alguma coisa, sem antes avaliar os aspectos psicológicos, entorno de tal possibilidade, é sim um erro. Se você sonha com um homem te perseguindo, após ter assistido um filme de terror, ou vários, isto certamente comprova que no fundo, não suportou tão bem quanto pensava. Agora se você sonha com anjos te ajudando, quando a sua vida, é totalmente voltada pro satanismo, é bom avaliar o quê significa.

    VII. Carregam olhos vazios, e parecem está sob efeito de drogas pesadas. – Eles podem tentar forçar o riso, para demonstrar que estão 100% satisfeitos, mas se olhar bem, verá sinais físicos, que denunciam a sua infelicidade como: Olhos de quem foi vítima de hipnose, sorriso que não condiz com os mesmos, magreza ou gordura extrema, tremedeira, e fala lenta, cheia de pausas excessivamente longas, (mesmo que não condiga, com a sua regionalidade) ou discurso caloroso e agitado demais.

    VIII. São ativistas do templo. – Que há fiéis enjoados dentro das igrejas voltadas para o culto cristão, já estamos cansados de saber. Mas sim, também há fanáticos no templo pagão. São bruxos e bruxas, que vivem querendo impor a sua crença, mesmo que isto não seja bom para a própria imagem.

    Não tem noção do quê fazem – São como crianças de 3 anos, que repetem os gestos dos líderes. Nunca questionam os seus superiores. – Nem conseguem, pois a lavagem cerebral intensa, os tornou submissos.  Te amam, somente enquanto concorda com eles. – Discorde de uma ideia sobre a sua conduta, e eles te queimam vivo (literalmente ás vezes).

    Em algum momento da vida, podemos apresentar, alguns destes sinais, já que independente do caminho que seguimos, nós o amamos, não importa o quão complexo seja. Mas é bom lutar contra tais atitudes, pois elas só servem para nos envergonhar, e também nos distanciam dos deuses, e consequentemente do quê é real e falso.

    Capítulo 6 – A verdade liberta, mas é dolorosa

    É, nobre forasteiro, se a vida tem sido fácil, e as verdades que descobriu até o momento, não lhe trouxeram nenhum problema, ou representaram tudo aquilo que sempre quis, sem algum esforço, e nem sangue ou suor foi derramado. – Significa que a parte boa está acabando, e é melhor está preparado, ou você é vítima da sua própria mente.

    No segundo caso, é algo muito comum atualmente. É o quê chamo de iluminação de holofote. Trate-se de uma pessoa, que sai dizendo que é superior aos demais, ou força transparecer que já atingiu o nível máximo da evolução cósmica. – Mas antes dos beijos de luz, deixa subentendido que te quer “queimando no inferno”.

    A verdade nunca é aquilo que serve para compensar uma perda, mas sim confrontar a existência do ser, por ter sido pré-estabelecida há muito tempo, e isso nos leva a um tópico interessante: Os bonecos que pensam ser filhos dos deuses.

    Hoje em dia tem muitos filhos de Lúcifer e Lilith por aí. Se for contar nos grupos de magia do Brasil, há mais ou menos “mil” deles. – Razão pela qual, prefiro me manter em silêncio a respeito disto, pois me sinto envergonhada.

    Assim como há também as crianças Percy Jackson – Jovens entre 11 e 18 anos, que se encantaram pelos programas, que são focados na visão etérica (e distorcida) do mundo, e saíram mundo a fora, batendo no peito, e dizendo eu sou um (a) semideus!

    Em ambos os casos é algo bastante incômodo, pois se for falar com tais seres, muitos são vítimas do fanatismo midiático, e não só não possuem habilidades, como também mentem, para dar a impressão de quê são “especiais.”

    Chego a sentir dó dessas crianças, pois o tempo que gastam tentando provar o quê não são, poderiam usar para adquirir conhecimentos, que os levassem a encontrar os deuses, e dependendo do contexto, serem abençoados por eles, ao ponto de desenvolverem algum dote.

    Não seriam semideuses, mas e daí? Quantas lendas maravilhosas serão necessárias, para que entendam, que nascer humano, não significa morrer como tal?

     Olhem o exemplo do conde Vlad III, o turco, que empalava os seus inimigos vivos, e deu origem ao vampiro mais famoso das décadas. Ele iniciou como humano, mas hoje, para muitos, é visto como um Deus Noturno.

    Então novamente o quê você é no momento não importa, o quê pode vim a se tornar, após a caminhada sim, portanto pare de perder tempo, forçando ser o quê não é, e abrace quem é de fato.

    A verdade, não é aquilo que deseja, e sim o quê necessita.

    Você pode morrer gritando aos 4 ventos, que é filho (a)  de um deus (a) mas se não for, sempre haverão ausências de sinais legítimos, e a magia não vai se manifestar, mesmo que a sua fé seja grande, pois haverá um forte bloqueio em teu caminho.

     Porém quando realmente é algo, até as coincidências, serão ligadas ao deus com o qual sente a conexão.

     É o meu caso. Quando me foi revelado que era filha de Lúcifer, me opus a isso, com toda fibra do meu ser. – Tinha acabado de ler Lex Satanicus, e via Lúcifer e Satã como seres distintos. Sendo Lúcifer, o belo e inteligente, que tem repulsa ao mundano, e Satã um charmoso nerd, que se divertia em qualquer lugar.

    Jamais pensei em Lúcifer, como sequer meu semelhante, pois apesar de ter problemas para me socializar, não desprezava a sociedade, como ele, e isso foi um grande baque para mim.

    Como se não bastasse, além de ser filha do ser mais inteligente e cheio de conquistas, também me foi revelado que eu era um anjo, e foi a gota d’água, porquê detestava celestiais, e todo o plano superior na época. – Tinha 17 anos, e os hormônios agiam com grande potência em meu organismo.

    Não foi da noite  para o dia, que consegui aceitar. Receber a notícia de que era filha de Lilith foi fácil, pois já tinha notado traços de personalidade, bem semelhantes aos da deusa antiga, que ao contrário do quê a maioria pensa, não nasceu de um mito Judeu, mas sim Sumério, sob o nome de Kiskill-Lila, a filha legítima da deusa Terra, ou Antu, também conhecida como Tiamat, pelos Babilônicos. – Então sei que Lilith não é a deusa suprema, e também que não foi criada para o Adão.

    Lilith era uma deusa lasciva, hipersexualizada, que seduzia os homens, para torturá-los. Tinha ódio da humanidade, por ter sido substituída, por uma mulher inferior. Gerava abortos, para não mandar suas crianças sagradas, para este buraco conhecido como planeta Terra.

    Eu a admirava, me sentia como ela, sentia seu poder em minhas veias, e gostava muito da sensação. Mas como disse antes a verdade não é algo que tapa buracos, por isso tinham aspectos negativos, sobre ter o seu sangue.

    Meu impulso agressivo era muito forte, meu desejo sexual também, ás vezes manipulava as pessoas para o benefício próprio e nem percebia, e pior fui inclinada a uma vida pecaminosa de traição, que por muito esforço, não foi física. – Com exceção ao homem com o qual sou casada, mas ele era meu amante, e não o traído.

    Além disto, como carrego duas naturezas divinas em meu DNA cósmico, tenho peso de consciência sempre que pratico atos de maldade, com aqueles que não deveriam receber a escuridão de mim. – Mas os que a merecem, ou esqueço, ou me vanglorio da vitória.

    Saber destas e outras coisas, foi um enorme desafio, principalmente porquê não entrei no caminho, achando que era um ser celestial ou demoníaco. Apenas o fiz para entender, porquê minha família toda, possuía um passado de histórias fantásticas ou sombrias, e coisas estranhas aconteciam comigo desde criança.

    Quando bebê, meu andajá  se ligava sozinho de madrugada, e isto causou tamanho pavor nos meus pais, que estes queimaram o objeto. Já um pouco mais velha, quando me irritava as coisas caíam sem tocar, se sentia muito ódio, os eletrônicos pegavam fogo perto de quem me magoou, ouvia passos há metros de distância, encontrava objetos perdidos através de sonhos, e literalmente deslocava  meu espírito de um mundo para o outro. – Na infância entrava numa espécie de transe, que me levava para uma dimensão, onde os belos eram maus, e os seres horrendos me protegiam, mas não sabia o porquê. Assim como costumava dizer que o bicho papão era meu amigo, muito antes de lançarem filmes sobre o tema ( quando o entretenimento era voltado para bom é bonito, e mal é feio.) Tal capacidade assustava a minha avó materna, que me pegava falando “sozinha”, e acusava que eu conversava com demônios.

     Como se isso não fosse o suficiente, quando estava na quarta série, e estudava numa escola de esquina para o cemitério, chamada Guanabara, cheguei a me deparar com o mundo sobrenatural, e creio eu que a própria morte, pois era um ser de mortalha negra, que apareceu em meio a penumbra, iluminada por pequenos raios de sol, depois de ter me encontrado com torneiras, que se abriram sem o auxílio de mãos alheias. Não fiquei lá para conversar, tinha 10 anos na época, por isso sai correndo, e ao entrar em contato com meus colegas, tentei não parecer que tinha medo, ou visto algo. Dentre outras histórias, que vieram depois, mas que se eu citasse seria difícil de crer, então vou parar por aqui.

    Quando me abri para o satanismo, não tinha a intenção de ser uma das filhas de Satã, ansiava apenas por ser uma soldada, que guiaria as pessoas para os seus devidos caminhos.

    Por isso ao ser confrontada com visões, e gente muito mais surtada do quê eu mesma, acabei por duvidar de tudo. – “Ah tah eu sou filha de Lúcifer e Lilith, e a herdeira do Inferno, Aham, acredito” ou “Este é o cúmulo da infâmia”. “Tanta gente lá fora, querendo isso, e eu aqui apenas seguindo a minha jornada sem acreditar que sou eu.” “Por quê Lúcifer e não Satã?” – Relembrando que na época via-os como gêmeos negros, não uma totalidade de opostos complementares.

    Não foi algo simples, e pra piorar fiz uma cota de inimigos, que achavam que eu não era digna. – E não ligava muito, pois também concordava com isso, só brigava quando se tratava de mim, não da minha suposta “herança”.

    Até hoje sigo duvidando, mesmo que bem lá no fundo, saiba que é verdade, e que aceitar isso é o melhor caminho. Só que sou muito cética, para abraçar tal fé sem provas mais consistentes, e outra eu nunca quis sentar no lugar de Lúcifer, só de está na sua presença, com meus dragões, e meus aliados, já me sentiria feliz. –Apesar das reservas, que tenho, por ele ter interferido para que soubesse, como era ser a ovelha negra da família, e iniciar uma conquista, com apenas as asas e a essência. Todavia há sinais de quê sou da sua linhagem, e vou citá-los, para quê fique claro, quando alguém é um filho, e quando não é. São eles: 

     Nascimento que parece milagroso, mas é maldito: Quando minha mãe engravidou, ela teve rubéola, e o caso foi tão grave, que o médico mandou-lhe me abortar, mas ela se opôs a isto, e fez promessa a uma santa, para garantir minha segurança, e vim saudável. — A igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quase pegou fogo em 2013, quando houve um incêndio de grandes proporções em Macapá- AP, que foi inclusive noticiado no jornal nacional, mas a causa por muito tempo, foi um mistério insolúvel.

     O meu número da sorte ligado a data do meu aniversário: 15/02/1995 foi quando nasci, e 15 é o meu número da sorte desde criança. – Afinal ganhava festas e presentes. O mesmo dígito é considerado o número do Diabo no Tarot. Além disto se somar todos os algarismos de maneira cabalística, resultará em 5, que lembra o pentagrama, um símbolo bastante comum na magia, e o 1,5 é uma das partes presentes da Deusa Babalom, de Aleister Crowley, representada em sua totalidade por 156.

     Os fenômenos de 15/02: O dia é marcado por grandes eventos históricos, ligados a Nova Era, e ao mesmo a antiga. É no dia 15 por exemplo, que comemora-se a Lupercália, o “dia dos namorados pagão”, em que se celebra Lupercos – que é tido como uma das faces de Lúcifer na Itália – e o dia da fundação de Roma. Foi também no dia 15, que logo após o Papa renunciar, um meteorito caiu na Rússia, e muitos acharam que era um sinal apocalíptico. Desde então no mesmo dia: O exército de fanáticos, chamados de gladiadores do altar se levantou – Estes são responsáveis pela destruição ilegal de terreiros.  Até o material midiático foi direcionado para o caos do fim do mundo. Procure pela série mais assistida por quase um mês: The Umbrella Academy que foi baseada na HQ da Dark Horse, e Doom Patrol, um dos poucos sucessos da DC comics. – Que a propósito, fazem parte do meu gênero favorito de programação, e soou como um presente. Mas você já deve saber, afinal o oculto influencia a mídia... e o resto já deve ter gravado não é?

     Sinais físicos: “Os olhos são a janela da alma”, já dizia o ditado popular. – Embora tenha nascido sem uma alma, meu espírito segue me precedendo. Portanto vez ou outra, os olhos se alteram de maneira expressiva, (quase inumana em alguns casos).

     A minha descendência física: É evidente que carrego uma grande herança Africana, mas o quê poucos percebem, é que a minha forte ligação é com a Itália, inclusive meu sobrenome é dessa origem, e tenho parentes originalmente italianos. Por quê é um sinal? Lá é único lugar onde as bruxas cultuam, e aceitam que Lúcifer teve uma filha enviada a Terra, e também o primeiro local do mundo, onde ouviu-se o nome do Deus Romano. – E eu não sabia disto até 2016. Quando tive um sonho, sobre ter ficado adormecida por 500 anos, que me levou até um conflito na terra da minha descendência de sangue, onde até mesmo encontrei, uma música relevante ao meu nome secreto em 2013. Mas nunca tinha pesquisado mais a fundo, até aquele dia, quando tive o estalo “E se eu focasse na minha magia hereditária para me desenvolver?”.

     A falta de empatia satânica: Lúcifer não é aquele que se diverte entre os demônios, é o quê os mantém na linha, então é normal, que muitos demônios, ou espíritos perturbados, tenham aversão a mim, pois sou filha do “carcereiro da prisão cósmica”.

     Poderes, que podem ser terríveis ás vezes: Odeio ferir pessoas inocentes, mas por vezes a minha ira, se manifesta de tal forma, que consigo interferir neste plano. – Se você é um de nós ou dos nossos, sabe bem a que me refiro.

     A ausência de Lúcifer e Lilith: Eles são deuses, tem seus afazeres, não podem ficar me mimando a cada 24 horas, só porquê vim deles. – A não ser que eu necessite exclusivamente de sua proteção. No entanto é mais fácil enviarem guardiões, antes de tomarem partido, pois querem filhos fortes e dispostos a lutar.

     Loucura racional: Não pertenço a um lado, estou ligada ao todo. Conceitos separativos pertencentes a humanidade, me parecem antiquados. “Magia não pode se unir a Religião” é o tipo de frase que me faz rir por exemplo.– Mas sigo respeitando cada crença, assim como quero, que a minha seja respeitada.

     Relatos autênticos: Devido ao conhecimento sobre os grimórios – e a grande quantidade de gente cética sobre quem sou – registrei tudo datado num site, que serviu como meu diário por um tempo. O nome do mesmo é: Os pensamentos infernais de Carry Manson. – Tenha em mente que na época eu tinha 18 anos, havia acabado de aceitar que era a primeira filha de Lúcifer, e meus textos soavam completamente insanos (e até vergonhosos.) Além disso há os livros Sobre mim de 16/05/2018 e The Angel In Earth de 28/05/2019 no site da Autores, onde podem ler melhor sobre a minha história, e tirarem as suas conclusões. – Os conceitos apresentados acima, são apenas para diferenciar a fantasia do verdadeiro.

    Queria dizer que a verdade é o máximo, um conto de fadas, ou tudo o quê aparece na TV, em quê do nada os esquisitos se tornam legais, e imediatamente são reconhecidos como os maiorais da história da Terra. Mas não é assim que funciona.

    Diga que é filho de um Deus, e prepare-se para as risadas, insultos, e pessoas que imediatamente se acham melhores que você.

    Levante-se contra aqueles que não tem consciência, e eles vão apontar o dedo, achando que surtou, e se por acidente acabar os machucando, farão a tua caveira.

    Estou revelando sobre mim, não para que venham tirar satisfações mais tarde. – Mas se quiserem tenho muito mais material para provar quem sou.  – E sim para lhes mostrar, que há sim semideuses entre os humanos, e que nem todos pertencem ao 90% dos mergulhados em mentiras, somente para aparecer.

    Vocês não estão sozinhos. Eu posso ouvi-los, e acreditar em suas histórias, se forem sinceros sobre o quê houve. – Quem realmente é, percebe as inconsistências dos fatos, por isso é mais fácil saber, quem carrega a mesma dádiva ou maldição.

    Cada de nós tem uma missão, seja ela grandiosa, ou parte de um grande plano, e seria bom que nos apoiássemos, pois o universo é grande o suficiente para quê todos consigamos, alcançar a merecida glória. – E isso vale para humanos e predispostos.

    Acham que apenas por ser filha de Lúcifer e Lilith, sou uma criatura suprema e imbatível? Não, não é por aí. Há os filhos que nasceram da própria Tiamat ou de Apsu, e outros Titãs, que são muito mais poderosos. – No entanto ter muita energia, não significa  automaticamente, que sabe usá-la.

    Capítulo 7 – DIY MÁGICKO

     DIY é um conceito em inglês que significa Do it Youself, ou Faça você mesmo, e foi adotado por alguns grupos dos E.U.A que preferem fabricar seus materiais, e se abstém do uso das grandes marcas conhecidas. É claro que tal ideal parece implícito para muitos, e embora haja uma corrente chamada Magia do Caos,  que foi desenvolvida Austin O. Spare, e trabalha com isso de maneira bem expressiva, é importante que saiba como praticar.

    Você pode naturalmente criar feitiços, rituais, e cerimônias, para cultuar o teu deus, e lhe mostrar a sua devoção. Mas infelizmente há leis que por hora são permanentes.

    Não adianta por exemplo usar um baphomet para fechar um portal, quando o mesmo é usado a décadas por diversas seitas satânicas, para invocar os príncipes infernais.

    Assim como não adianta tentar invocar um demônio, atribuindo energias negativas ao pentagrama, que há muito tempo é considerado pelas bruxas, como um símbolo de proteção. – Pode até funcionar devido o grande descaso da sociedade, que segue achando que é o símbolo do Diabo, mas a entidade em questão vai rir de você.

    Sempre crie meios de se proteger, mesmo que seja na hora de criar um servidor – No caso da Chaos Magic. – Você pode ter a linhagem dos demônios, sem saber, e atrair um ser de luz, que tenta te destruir, somente porquê tu nascestes como determinado herdeiro. – E vá por mim, luz não significa ausência de combate violento.

    Verifique as condições ideais para realizar a prática mágicka. – Não só a atmosfera mística, como a física também.

    Se a lua é negra, e não condiz com o teu objetivo, evite-a, ou vibre de acordo com o instrumento, de onde saiu o acorde.

    Se o tempo está ruim, (e você não foi responsável), vivem te perturbando, e tudo parece dá errado no dia em questão, já tem a resposta para o teu intento, que é: Não. O universo está se manifestando contra, então fica por sua conta e risco. – Caso queira ir adiante.

    Procure conhecer os presságios. O chamado do universo é comum, por seguir um padrão lógico de repetições, que foge do binário computacional 0 e 1, e passa a ser 0,0,0 ou 1,1,1 – Quanto mais frequente, mais chances há de ser o Cosmos falando de maneira silenciosa. – Será um alerta, se Todos os itens estiverem presentes:

     Números: Números iguais, são portais de consciência – e energia mágicka – se abrindo. Mas quando surgem várias vezes, em conceitos diversos, é bom avaliar o quê significam através do estudo da numerologia, cabala, e gematria em geral.

     Sonhos : O plano onírico é um dos mais interessantes, pois revela sobre o mundo, que há dentro do ser. – Freud estudava os sonhos, para compreender melhor seus pacientes, e você também pode, embora o método não seja recomendado, pois dificilmente será objetivo para ter resultados plausíveis. Além disto, se o indivíduo está conectado com o oculto, tem a capacidade, de prever as linhas dos próximos acontecimentos. Assim sendo deve-se avaliar, quando um sonho, é apenas sonho, ou um sinal. 

    Por ex: Se você tem tido sonhos com elementos semelhantes isolados. Como: a presença constante de pregos em evidência. O resto do contexto se aplica a ti, mas a presença dos pregos é um comunicado. – Como se fosse um código morse do Universo.

     Frases incomuns: Sejam de ameaças, ou que transmitam segurança. – Devem ser avaliadas, se sentir algum tipo de calafrio na espinha, quando as ouvir. Não importa se é da boca de um estranho, na tela do pc, ou em uma canção, pesquise sobre a questão, e tente decifrar o quê significa.

    É relevante salientar que o Padrão Ressoante é a chave, e que embora tenha citado apenas 3 exemplos, o fato de o presságio acontecer 3 vezes, não é o suficiente para se definir como um sinal. Será um sinal, se houver persistência do oculto em te mostrar a mesma mensagem, do contrário pode ser somente uma bela coincidência. A(o) Bruxa (o) saberá intuir a partir disso, e definirá se quer seguir tal caminho, ou optar por outro.

    Respeite as Leis Antigas, apenas atribua algo condizente a tua personalidade no Culto a teu Deus.

    Se lá no teu grimório diz que deve usar a violeta, use a violeta, não o  eucalipto – Com exceção a sacrifícios humanos e de animais, sem razão lógica. Como por ex: Mate um carneiro para o deus, e se livre do cadáver. (Se for para matar um bicho, que seja para deleitar-se da sua carne, ou trazer alívio para alguma dor.)

    Siga os antigos, estude-os, respeite-os, mas adore somente aos deuses. – Não trate grandes nomes da vertente da magia, como se fossem a entidade a que te dedica. – Por ex: Aleister Crowley Não É Um Deus Supremo. Em vista disso não haja como se fosse. ( Leia seus escritos, mas sempre com a consciência crítica, do quê condiz com a tua realidade.)

    Você pode imitar alguns rituais, feitiços, e poções. Mas o ocultismo é o campo da criatividade, então quando estiver pronto, inove, entregue-se, e DIY (Faça você mesmo) – Não é porquê fulana usa sempre os métodos 100% tradicionais, que tu devas utilizar também, afinal para ela pode ser fácil, arrancar a cabeça de um cervo, e para ti não.

    Como é errado falar de um ideal, sem aplicá-lo na vida, a experiência que lhes trago é a minha própria língua, que batizei de Lovlicos, pois me baseei em escritos de H.P Lovecraft, e nos sinais da linguagem cósmica, e ela consiste em: 

    Alfabeto tradicional  português- BR. 3 Palavras abreviadas com 3 siglas no total.

    III. Formação de frases, com no máximo 3 sentenças.

    Dicção forte, com acentos ocultos, que somente 

    quem já presenciou os mistérios do universo, 

    consegue aplicá-los.

    Timbre doce para o uso benéfico, timbre

    sombrio, beirando o demoníaco para o

    maléfico.

    Ex: 

    Em português é: 

    A lua brilha sem parar

    Em Lovlicos é: 

    Alub separ

    Em português é:

    Sim e não, talvez

    Em Lovlicos é:

    Sie nata

    Em português é:

    Não vou

    Em Lovlicos é:

    Navo

    Parecem palavras de uma raça antiga de alienígenas – ou com os Enn’s demoníacos que conheci ano passado. Mas é apenas um sistema simples, que apliquei aos meus rituais, e até agora rendeu bons resultados. – Ainda que alguns fatos tenham me assombrado, pois apesar de não ter uma egrégora forte (por ser minha criação) é uma expressão muito poderosa. – A melhor explicação, é que o cérebro se impressiona com coisas estranhas, e o uso das mesmas, intensifica o poder mágicko.

    A intenção aplicada nela pode variar, mas pelo que percebi com as minhas experiências e análises, é uma força que mexe com a ordem mundana, e traz a tona o quê é considerado impossível. – Tanto pro bem, quanto pro mal.

    Fora a Lovilicos, também realizo meus próprios rituais, baseados na filosofia com a qual tenho mais afinidade. – Uma qualidade, que me fez inclusive criar uma seita chamada Sees- Seguidores da Estrela, que obviamente representava Lúcifer, mas para acessá-la bastava acreditar em algo. -  Através dela introduzi algumas pessoas no mundo místico, após comprar-lhes a sua alma. – Quando acreditava em tais falácias.

    O Sees tinha um propósito comum: Realizar desejos, sejam eles nobres ou atrozes. Assim como também gerava consequências, para aqueles que traíssem o círculo.

    No total formávamos 4 componentes. Todos os membros eram femininos, e a nossa crença no poder oculto, era tão grande, que quando nos tornamos A constelação – O quê uma sente, as outras também. – O efeito foi imediato.

    Da mesma maneira que quando uma das moças, escolheu um homem, em vez do círculo. Acabou possuída, e tentou matar o seu amado, diante dos familiares. – Tinha 16 anos na época, e até chorei, me sentindo culpada, por um demônio tomar-lhe posse. – Nem sempre ter poder, é um sonho, na maioria das vezes parece mais um pesadelo. (Ao menos para mim.)

    Nossos rituais incluíam derramamento de sangue, como prova de lealdade, e devorar as doces frutas do cemitério, onde nos reunimos para realizar nossas práticas ocultas. – Que fique claro, não tolerava sacrifício de animais, o fluído da vida, vinha das moças, que faziam parte do círculo.

    Era pura brincadeira de criança, como uma versão da vida real de jovens bruxas. – Mas não cheguei a me tornar uma maníaca como a Nancy, apesar de me vestir como tal.

    Tivemos poucas reuniões, pois após chegarem as consequências, duas garotas, queriam pular fora. Uma perdeu o namorado, e a outra começou a ver as sombras, e isso lhe fez ter medo de onde colocava o pé. Então só restou eu e outra garota, que me apoiou por um bom tempo. – E até me ajudou quando minha vida ficou em risco, após romper o círculo de vez.

    Lembro-me do nosso último encontro. Foi o mais marcante de todos, pois ali tive o primeiro vislumbre da vida passada. – Fomos até o cemitério, e lá um estranho homem de chapéu branco, e camisa vermelha nos recebeu, fazendo perguntas interessantes, a respeito de estarmos ali para passeio ou trabalho, e nos avisou para tomar cuidado com as visagens (termo para espíritos) minha companheira riu, disse temer só os vivos, e eu disse que a morte era uma escapatória para os covardes, frase esta que não saia da minha cabeça.

     Ao ouvir a minha resposta, ele fez uma reverência, e sumiu no meio do matagal. Após a sua partida, as sombras começaram a ganhar forma, e tanto eu, quanto a menina vimos coisas. Primeiro vi uma mulher enforcada no topo de um pinheiro, por um cipó cheio de espinhos, e logo deduzi que era uma bruxa. Em seguida seu corpo sem vida caiu, e um ser de chifres meio homem meio touro, veio para recolhê-lo. Tão grande foi a minha surpresa, ao ver como ele a pegava nos braços. Não a arrastava para o inferno, nem levava como um pedaço de carne, parecia mais que era a sua noiva, e tinha um aparente carinho por ela. – Conseguia sentir que aquela imagem, era um retrato da minha vida passada, e aquela conexão era fantástica. – Ambos desapareciam na névoa, e 7 ou 8 rostos, não lembro ao certo, apareceram, sendo 5 femininos e os restantes masculinos. Nós voltamos para a causa da minha amiga, e acabei por desmaiar sem razão aparente.

    Mais tarde a noite, quando estava sozinha em meu quarto, vi que haviam várias sombras chifrudas ao meu redor, e as mesmas pareciam que iam sair das paredes. – Isso me deu um calafrio tão grande, que naquela noite, resolvi dormir no sofá. – Neste tempo nem imaginava que era a herdeira de Lúcifer, então não tem como ser algo influenciado por tal descoberta, que veio acontecer no ano seguinte, e só foi aceita, quase 2 anos depois, pois precisei analisar toda a gama de fatores, para poder aceitar tais fatos.

    Então tome muito cuidado com o quê aplica no seu DIY mágico, pois tudo o quê fizer, expressará a sua real natureza. – É por isso que estou lhe dando estes conselhos de maneira direta, pois apesar de ser uma conhecedora dos mistérios, com grandes saberes, por ter estudado sempre sozinha. Queria que alguém tivesse me dito estas palavras, para evitar todos os desastres que aconteceram.

    A magia independente do quê faça, sempre trará consequências. Mas não é como colher o quê plantar, e sim por causa do valor que atribui a tua responsabilidade pelos atos. Portanto sempre pratique, somente aquilo que a sua consciência é capaz de suportar, do contrário além de ser taxado como louco pela sociedade, vai realmente acabar como um. – Ouça esse conselho de quem foi recentemente diagnosticada com transtorno de personalidade, após inúmeras tentativas de suicídio e agressão, antes de conhecer formas de lidar com a própria escuridão.

    Capitulo 8 – A bruxa que vive entre os santos e os pecadores.

    Viver em sociedade é uma tarefa difícil para um bruxo. Sabemos de tantas coisas maravilhosas, e verdades indizíveis, que nos sentimos criaturas superiores, que precisam interferir na jornada dos demais, para que experimentem de toda a beleza ou conhecimento que adquirimos. – Isso é inegável, mesmo que sirva a luz da magia, e diga que acredita que todos são iguais, a igualdade não é a resposta para o quê quer.

    Imagine que todos no mundo são lagartas, e que algum dia se tornarão lindas borboletas. – Se você interferir no processo, eles certamente morrerão, antes de conseguirem sair do casulo. Este é um exemplo que li em Lex Satanicus, e achei algo absurdo na época, mas hoje percebo que é o melhor a ser feito.

    Assim como as pessoas, podem ser simbolizadas como insetos majestosos, também podem ser descritas como música, e cada uma tem um ritmo ou melodia própria, que pode ou não agradar os nossos ouvidos. – Portanto procure sempre andar, com aqueles que tem um ideal em comum contigo.

    É lindo abraçar as diferenças, mas uma coisa é aceitar o outro, outra bem diferente, é querer ser como ele. – A verdadeira beleza do mundo, não está em rostos padronizados e iguais. Mas sim em suas peculiaridades. O quê quero dizer com isso? Seja fiel a ti mesmo, e se aceite acima de tudo, não tente se adequar aos demais, somente porquê eles não te aceitam. Procure pelo teu próprio nicho, pois não importa qual seja, sempre há um espaço para ser ouvido. 

    Evite se expressar em sociedade, se não aceitam a tua crença mística. – Não é porquê você respeita os outros, que eles farão o mesmo por ti. – “Mas Lux você falou para não me adequar aos demais!” Sim, e não se adequar, significa ser leal aos teus ideais, não importa o ambiente em que se encontra. – Eu sou bi, e mesmo em meio aos héteros, continuarei sendo, não importa o quê digam. E se encontrar aqueles que me apoiam, me abrirei e direi a verdade, se não, seguirei em silêncio, pois o mundo é um lugar perigoso, e há aqueles que em seu fanatismo, apenas precisam de um “A”, para virem para cima. – E não quero mais responsabilidades por danos aos outros. É uma questão de sobrevivência.

    Enfiar nossas crenças na goela alheia, é como forçar a pessoa a aceitar nossas filosofias. – Eu sei que funcionou para os cristãos, mas o medo é tão eficaz, que hoje os fiéis se uniram a outras crenças, por não aceitarem a intolerância religiosa. Então o temor, embora funcione, não se compara a força do amor pelo quê se faz. Por isso se quer mesmo trazer, alguém para o seu lado – Vá na mãe de santo mais próxima, e coloque o nome da pessoa numa roda. Brincadeira!

    Tente explicar-lhes sobre a sua fé, e quando for confrontado, apenas faça comparações, que o ajudem a perceber que no fim seu amor pela divindade, não é tão diferente, do quê o quê sentem por Cristo. – Sua vida está tão difícil por quê não larga dessa tal magia e abraça o nosso senhor? Já me disseram e respondi Da mesma forma que você ama o seu senhor, apesar das dificuldades, eu também amo a Lúcifer, e assim como tu se identificas com Cristo, eu me sinto mais confortável andando com o deus romano. Foi o suficiente para seguir em paz, nunca mais tocou-se no assunto, e a amizade seguiu  a mesma.

    Não tente humilhar ninguém, a não ser que a pessoa realmente mereça tal castigo. – Eu pessoalmente odeio “lacrações”, porquê é algo desnecessário para sociedade, e trata-se de gente, que quer “arrasar” apenas repetindo o discurso alheio, como se fosse uma verdade absoluta. A pessoa aparentemente refletiu sobre algo, mas no fundo não se deu o trabalho de questionar, e apenas uniu a ideia do autor, a coisas que ouve no cotidiano. Chega a ser – me perdoe pela expressão – Patético, pois a preguiça intelectual se torna mais do quê evidente. – Por isso fica a seu critério Expor a sua ideologia ou não–  Mas lembre-se Bruxos (a) de verdade, não tomam os problemas da sociedade como seus. – Eu sei soa frio, todavia é assim que funciona, pois devido a enorme gama de poder, que um ser desses possui, se ele coloca as suas emoções em jogo, certamente isso traz consequências, que dificilmente são agradáveis. Hoje destrói um ditador, amanhã impede o seu país de prosperar, e todos acabam na miséria por exemplo.

    Não estou dizendo,  que não deve defender aquilo em quê acredita, estou apenas esclarecendo, que precisa ter noção do quê defende, antes de ir as ruas ou redes sociais. – Não seja mais um papagaio da fé, e somente parta para a guerra, se o conceito do outro, realmente te ferir, de uma forma, que precisa colocar todo o ácido para fora. – Este livro não é para passivos, ou atacados, mas sim guerreiros que sabem quando devem erguer a voz.

    Isto nos leva a um tópico interessante. Não ataque a tudo e todos, apenas porquê não te aceitam. Aprenda a si amar, e não ligar para opiniões repulsivas. – Não ligar mesmo, ou seja ouvir, e entrar por um lado e sair pelo outro, sem sair por aí dizendo “Eu não ligo! Não adianta tentar me atingir! Pois não vai conseguir!” já que se o fizer, estará claramente agindo de maneira contrária, ao que disse.

    Aprenda a controlar a sua raiva, ou ela te controlará. – Não haja por impulsos, pois isto pode custar muito caro para você, ou os seus colegas. – A ira nos faz ter pensamentos num segundo, cuja responsabilidade pesa por uma década.

    Haverão muitos grupos, que exaltarão a fúria, e te dirão para destruir tudo e todos. Mas não te falarão, que você pode ferir alguém gravemente, ou até mesmo matar o alvo escolhido. – Porquê a maioria que venera estas forças, não se dá ao trabalho de conscientizar os seus do perigo.

    Aprender a controlar a sua raiva interior, não te fará mais fraco. Mas sim capaz de realmente arrancar o coração, de um inimigo velado, sem sequer se importar se isto pesa ou não na consciência, pois terá ciência, de quê se chegou a tal ponto, foi algo necessário, e será mais difícil de se arrepender. Só que se o fizer, apenas por causa de um segundo de raiva, a culpa mais tarde vai te consumir, e caso isto não aconteça, sugiro que vá urgente ao psiquiatra, pois a sua falta de empatia, é algo assustador.

    Aceite a natureza, e a proteja, não tente modificar a ordem das coisas. – Nós somos carnívoros, está no nosso DNA, desenvolvemos caninos para devorar carne. Se você quer cuidar da natureza, comendo apenas frutas e vegetais, tudo bem, mas não venha tentar obrigar os outros a seguirem a tua doutrina. – Cada um em seu nicho lembra?.

     “Um leão pode devorar um ser humano, mas o ser humano não pode devorar o leão”? A onde isto é natural na cadeia alimentar? Por quê o leão tem que ser superior ao homem, em vez de haver um termo de igualdade entre ambos? A ciência não tem dito a anos, que o homem tem parentesco com os primatas, e logo é um animal também? – Eu sei isso pode ser desagradável, mas o natural não se baseia em veados e leões, andando lado a lado como amigos, da mesma forma, não pode acontecer com os humanos e os seus irmãos animalescos. Não importa se é racional. A falta do instinto caçador, nos torna dóceis, e mais fáceis de sermos manipulados por entidades obsessoras. – É claro esta é a minha opinião, escolher seguir ou não é de você, mas antes de sair levantando bandeiras a favor do meio-ambiente, pelo menos conheça o quê defende.

    Isto significa que eu, Lux Burnns, sou um monstro, a favor da caça por diversão, e outros meios de entretenimento humano, que humilham os animais? Não, o preto e branco, não se encaixa a mim. Uma coisa é respeitar a natureza, outra é usá-la como posse, da maneira que bem entender. – Por mim as fábricas de comida, deveriam promover o abate misericordioso, semelhante aos dos banquetes de festividades africanas.

    Sempre respeite a crença alheia. Você ama Odin e seu parceiro a Lúcifer. Mas e daí? Cada um segue a divindade que desejar, e aprende com a mesma. – Novamente lembre-se da metamorfose da borboleta, se mexer no casulo, ela morre.

    O mesmo vale para os seus pais. Se você vive com eles, lhes deve muito, por te darem um teto, comida, e as vezes até roupa lavada. Então não os desafie, ou os desmereça por causa de crenças diferentes. Vocês são de tempos diferentes, foram colocados juntos, para aprenderem uns com os outros, não se destruírem. – Seja maduro, saiba argumentar, e lutar como um nobre, pelo seu ponto de vista. Se agir assim, eles provavelmente verão, que a tua filosofia está te tornando alguém melhor, e que não precisam se preocupar. Agora se sair berrando, quebrando os móveis da casa, batendo a porta do quarto, mesmo que eles só queiram conversar, tudo o quê vai ganhar com isso, é mais abordagens, que demonstrem medo do caminho que está tomando. – Falo por experiência. Iniciei minha vida mágica da pior forma, e só depois que adotei esta postura, por causa de Anton Lavey, a guerra em casa acabou. Rebeldia com causa é algo louvável, mas rebeldia por rebeldia, nada mais é que tolice. – Se eles  ainda sim, não permitirem que faça os cultos dentro de casa, vá para fora, se for ruim, procure algum canto seguro, onde possa praticar, sem causar problemas em seu lar. – Nem sempre será um método efetivo, mas é melhor ter aliados dentro de casa, do quê inimigos.

    Por fim sempre tenha em mente, que sentir-se superior, não significa ser superior. Para torna-se assim, terá que ter atitudes que condizem com tal postura. – Não me mande beijos de luz, se a sua única intenção é me queimar. GsolitaryDevil.

    Capitulo 9 – Os Deuses e o Fim da farsa da realidade dualística.

    Este é o fim da sua jornada comigo, e o ínicio de algo ainda maior. Como disse lá no início, há autores infinitamente melhores, e não estou aqui para me apropriar dos seus cargos ou teorias. – Apenas estou apresentando-as com uma linguagem mais direta, para que saibam exatamente o quê praticam, de acordo com a interpretação aceita por outros ocultistas. 

    Até aqui temos trabalhado sobre as grandes causas sociais, que afligem a comunidade mística, e muitas vezes defendi que a realidade não é dualística. Mas para fechar este pequeno guia, me aprofundarei nesta questão com uma explicação mais extensa. – É neste ponto que você vai decidir, se quer continuar sendo ocultista, ou prefere tomar o caminho mais simples, adotando alguma religião por exemplo.

    Desde que éramos jovens, nos ensinaram a dividir o mundo entre homens e mulheres, bem e mal, fogo e gelo, guerra e paz. Nossos pais – na maioria das vezes – nos diziam “No mundo há Deus que é o bem, e há Satanás que é o mal. Deus é luz, Satanás escuridão. Deus é água, Satanás é chamas.” 

    Apesar de não discordar, dos conceitos acima apresentados – com exceção a Deus ser luz, mas é pessoal – creio continuarmos a segui-los é errado. Já aprendemos muito sobre as duas metades, então por quê deveríamos continuar trabalhando-as de maneira separada? 

    Está certo, a iluminação é importante, mas as sombras também são. É preciso que haja um ou o outro, para quê o todo exista. Não adianta tentar tirar um dos números da equação, senão dificilmente encontrará o valor de X ou Y.

    Devido a minha conexão cósmica, estudei não somente astrologia, como astronomia, física, e biologia. Pensei a príncipio, como muitos magos, que era apenas uma imposição social, para nos manter ignorantes perante a verdade do universo. Mas foi então que percebi, que a culpa da divisão não era dos cientistas, em sua maioria religiosos, e sim dos novos filósofos da internet, que empregam o conhecimento científico, apenas para atender os seus próprios conceitos mesquinhos.

    “Deus não existe.” Dizem todos os ateus, que esqueceram-se de questionar, adotando uma conduta massificada, e muitas vezes tomam como prova inconstetável, as palavras de grandes pensadores, que foram queimados como hereges. Oras meus amigos, se Deus não existe, naturalmente nada mais do mundo místico é real também. Inclusive Lúcifer, Odin, Hel, Osíris, Ísis, Seth, Zeus, Deméter, Amon, Baal, Krishina, e vários outros deuses, pois se o suposto supremo não é real, o resto dificilmente pode ser considerado como tal. O velho barbudo de sandálias que conhecemos, nada mais é do quê uma imagem criada por homens, que compilaram antigos escritos, num livro chamado bíblia sagrada. – Então quando se entrega a crença, de adorar o Deus do impossível, você indiretamente está se conectando com alguma destas divindades do velho mundo, por isso o uso de versículos, para atingir determinados objetivos.

    Espera Lux Burnns, filha de Lúcifer e Lilith, neta da gigante Tiamat, você está sugerindo que devo me converter? Calma! Não, isso jamais. Alimentar a ideia de quê este deus é supremo, é o quê torna ainda mais forte, não lembra? 

    Só que também não se pode descartar o inegável, de quê esse grande mosaico mal feito, também é parte da nossa cultura, e que desprezar alguns dos seus fatos, é o mesmo que massacrar a própria doutrina. – Por isso se prender ao lado A ou B, é errado. 

    “Ah mas a deusa x é maior que o deus y.” ou “O deus y é maior que a deusa x” Já chega de se prender a isso. Queres realmente acessar o poder máximo, nesta realidade limitada? Então pare de abraçar apenas a causa que te convém, e aceite que o quadrado é feito de dois triângulos, ou o círculo é formado pela união dos mesmos. – O quê isto significa? Que a realidade não se resume, a deuses C e D, e que não é necessário comprar as suas brigas, para que adquira o seu respeito, ou realizem os seus objetivos.

    Nem mesmo estes deuses são originários do príncipio feminino ou masculino, mas sim da união de ambos, que nasceram do verdadeiro ser supremo, que não é Jeová, Cerridween, ou nem mesmo Tiamat, apesar do quê muitos acreditam.

    Se você é iniciante, será um choque, mas a realidade precisa mostrada desde aqui, para que entenda a perda de tempo, que é lutar apenas de um lado. Então prepare-se, pois a origem do universo, de acordo com os antigos, lhe parecerá absurda, se ainda continua abraçado apenas a positivos e negativos:

     Mitologia súmeria

    Cosmogonia

    “Antes de todos os antes, nada existia, a não ser Nammu, o abismo sem forma. Um dia, Nammu resolveu espreguiçar-se, e novamente voltou a enrolar-se. Com esse gesto, ele criou Ki e Anu, respectivamente a Mãe Terra e o Firmamento. Deles nasceriam todos os demais deuses, o tempo e, no futuro, o homem, que seria feito de argila.”

    Superinteressante 28/05/2019

     Mitologia Egípcia: 

    Cosmogonia 

    Neterus Primordiais:

    São os deuses mais importantes os quais estão associados com o mito de criação (origem do universo):

    • Nun (Nu ou Ny): simbolizava a água ou o líquido cósmico que deu origem ao Universo.• Atum (Atum-Rá, Tem, Temu, Tum e Atem): representa a transformação de Nun, sendo considerado aquele que deu origem a explosão do Universo (semelhante ao Bing Bang) e que gerou os diversos corpos celestes, separando assim, o céu e a Terra.• Amon (ou Amun): esposa de Mut, ele é considerado o rei dos deuses.• Aton (Aton ou Aten): relacionado ao sol, ele foi o deus do atomismo que estava relacionado com o disco solar.• Rá (ou Ré): deus da criação, sendo um dos principais deuses do Egito.• Ka: força mística que representava a alma dos deuses e dos homens.• Ptah: marido de Sekhmet e de Bastet, representava o deus criador e protetor da cidade de Mênfis. Além disso, era considerado deus dos artesãos e arquitetos.• Hu: representava a palavra de criação do Universo.

    Toda Matéria 28/05/2019

     Mitologia Hindu

       Comosgonia 

    A Mitologia Hindu está fundada nos Vedas, que são os livros sagrados dos hindus. Segundo a crença, o próprio Brahma os  escreveu. Brahma é o Deus supremo da tríade hindu. Seus atributos são representados pelos três poderes: criação, conservação e destruição, que formam a Trimuri ou trindade dos principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva, respectivamente, da criação, da conservação e as destruição.

    Brahma é o deus criador de todo o universo e de todas as divindades individuais e por ele, todas serão absorvidas. Ele se transformou em várias coisas, sem nenhuma ajuda externa e criou a alma humana que, de acordo com os Vedas, constitui uma parte do poder supremo, como uma fagulha pertence ao fogo.

    Infoescola 28/05/2019

     Mitologia Grega

    Cosmogonia

    No princípio de todos os mitos, houve um tempo em que nada existia no Universo além do Caos – a mais antiga, a mais inexplicável, a mais absurda das divindades. Nenhum poeta e nenhum filósofo grego imaginava o que teria existido antes dele: era o primeiro dos deuses, a sombra de loucura e confusão que está nas profundezas de tudo o que existe.

    O Caos ocupava todo o espaço do Universo. Nele, estavam misturadas as sementes de todas as coisas futuras: mas não havia ordem alguma, apenas um turbilhão sem sentido e sem fim. No poema As Metamorfoses, escrito no século 1 a.C., o poeta romano Ovídio descreve assim a terrível divindade que deu origem a tudo: “Antes que a terra, o mar e o céu tomassem forma, a natureza tinha apenas uma única face, chamada Caos: uma massa crua e desestruturada, um conglomerado de matéria composta por elementos incompatíveis… Nenhum elemento estava em sua forma correta, e tudo estava em conflito dentro de um mesmo corpo: o frio com o quente, o seco com o molhado, o pesado com o leve”.

    O Sol não iluminava o dia, e a Lua não brilhava à noite. Não havia chão para firmar os pés, nem mar para se nadar – todos os elementos estavam misturados num caldo primitivo. E as coisas, embora sempre em convulsão, não saíam do lugar: pois não havia sequer direita e esquerda, em cima ou embaixo, Norte ou Sul, dentro ou fora. O Caos era tudo e, ao mesmo tempo, nada.

    Superinteressante 28/05/2019

     Mitologia Nórdica

    Cosmogonia

    A narrativa das Edas conta que, no princípio, não havia nem céu nem terra, apenas uma enorme abismo sem fundo e um mundo de vapor, no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte surgiram doze rios que, após longa viagem, congelaram-se e com o acúmulo das camadas de gelo umas sobre as outras, o abismo se encheu.

    Ao sul desse mundo de vapor, havia um mundo de luz, que soprando vapores quentes, derreteu o gelo que havia se formado. Esses vapores, ao elevarem-se no ar, formaram nuvens e destas surgiu Ymir, o gelo gigante e sua geração. Surgiu, também, a vaca Audumbla, que alimentou o gigante com seu leite e alimentava-se da água e sal contidos no gelo. Certo dia, quando a vaca lambia o gelo, surgiu o cabelo de um homem; no segundo dia, a cabeça e no terceiro, todo o corpo, com grande beleza, força e agilidade.

    O novo ser era um deus e dele e de sua esposa surgiram Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir. Com o corpo do gigante morto, fizeram a terra, com o sangue, os mares, com os ossos ergueram as montanhas, dos cabelos fizeram as árvores, com o crânio fizeram o céu e o cérebro tornou-se as nuvens carregadas de neve e granizo. A moradia dos homens foi formada pela testa de Ymir e ficou conhecida como Midgard ou terra média.

    Infoescola 28/05/2019

    Notou uma semelhança? É novato, e A e B nada mais são que A+B, que resulta em AB, que é a resposta sobre o quê o cosmos é. Eu detesto matemática, mas é um cálculo aceitável. Só que esta presença de uma força, que é a soma de partes, não se encontra presente apenas no misticismo, ou em algebra.

    Na física por exemplo um átomo, é formado por prótons e elétrons, que significa respectivamente o positivo e o negativo trabalhando juntos. Isto é algo caiu para mim na sexta-série, mas estava tão focada em renegar o aprendizado mundano, que não pude perceber, o quanto isto podería me ser útil.

    Na biologia há os casos de partogênese, quando uma espécie assexuada, gera uma prole. Mas isto só é possível, porquê as mesmas carregam tanto os genes xx quanto o xy. 

    Esta é a natureza meu caro, esfregando em sua face, que as espécies não são definidas por machos ou femêas, e sim por aqueles que são dotados de capacidades, para dominar o reino em quê habitam. – No reino dos insetos a louva deus fêmea, fica no poder, porquê o ambiente a tornou capaz. No reino felino, especificamente dos leões, é o leão quem comanda, e assim por diante.

    Os humanos, pré-dispostos ou não, continuam sendo animais, por isso também são livres, para definir quem é apto ou não para determinado cargo, desde que estejam cientes, de quê os gêneros feminino e masculino, atuam como formas da valor equivalente, não desigual. Já que novamente, um sem o outro, tem poder, mas os dois juntos, geram a perfeita união que representa o nosso Universo.

    Portanto não se entregue a falácias dualístas, que só agregam valor a determinado grupo. Abrace o todo, entenda-o, e perceba que a união de muitos, é o quê realmente faz a força.

    Por fim guarde isto em sua mente: Bem e mal é relativo sim. Mas uma conduta, realmente correta, pode ser alvo de piada entre os demais. Não importa, se tu segues a luz ou as trevas. Sempre que resolver pensar fora da caixa, haverão aqueles que tendem a te “apedrejar” ou “queimar na fornalha ardente”, por sua postura nobre.

    Um satanista pode sim ser amigo de um cristão. Um bruxo pode sim ser amigo de um mundano. A única coisa que me parece imperdoável, é que ambos continuem, a tentar se destruir, por comprar a briga de seres, que claramente andam de mãos dadas.

    Sem o Inferno não há quem puna os criminosos pelos seus pecados terríveis, da mesma maneira que sem o Paraíso não tem recompensas maravilhosas. Sem a Guerra, não há razão para o Amor existir. Sem a luz não dá para ver na escuridão, assim como sem um pouco escuro, é impossivel enxergar na luz. Sem o fogo para aquecer, o frio nos congela. Sem o frio para nos aliviar, o calor nos queima. Sem a lança para atacar, o escudo pode não ser mortal. Sem o escudo, não há como se defender da espada. A magia branca nos ajuda a alcançar nossos objetivos, mas a magia negra, nos ajuda a sobreviver. O tudo é o todo, e o todo é a junção de todas as metades.

    Agora a sua jornada se encerra comigo, nobre peregrino, e espero ter te ajudado a encontrar o teu cálice dourado. Pegue-o, encha-o do vinho do saber, e embriague-se de conhecimento, pois como pôde ter notado, não importa o caminho que tomares, o destino sempre será o mesmo, mas é a perspectiva do conceito, que te trará paz ou desespero.

    Com muito carinho, Lux Burnns.

  • NÃO HÁ LUZ SEM ELE

    Era um dia atípico de inverno, parecia mais uma primavera se encaminhando para o verão; faziam talvez, uns 28°C, escaldante para o sul e agoniante para ela.
    Em compensação, o dia estava lindo como não havia há dias. E, assim como as controvérsias do tempo, o coração dela estava tanto quanto. Mesmo a bagunça sentimental cessando, a data não ajudava na recuperação, faziam exatos dois fucking meses desde a pior despedida dela. Até os de coração mais frio tem alguém que seja o ponto fraco, aquele que derrete os tantos graus de uma pedra fria no peito.
    Ela se arruma e sai, vai cuidar da vida. O dia flui leve, a hora passa rápido e até aí o que a incomoda é o calor.
    Olha o relógio, hora de ir embora;
    Pega o casaco, entra no carro, liga o rádio e vai.
    É no caminho de volta que trabalha a tormenta e tão atenta à datas, sabendo o dia que é, a faz temer e tremer ainda mais.
    Nos pequenos gestos de tentar não vê-lo, a vontade ainda ultrapassa a racionalidade e uma viradinha de lado com a cabeça para ver nem que seja o carro sempre acontece; porém a sorte, por assim dizer, sempre a acompanhou, fazendo com que nem o carro estacionado ela avistasse longe.
    A rua é reta e longa, de longe ela já consegue ver o brilho dourado refletido pelo fox 2004 e mesmo o coração gritando e implorando para que ela mantenha o foco à frente, a teimosia e a saudade fazem ela virar a cabeça reciosamente para a esquerda. O coração grita de tristeza. "Garota idiota! Eu bem avisei! Agora eu que aguente, não é?!"
    Ali está ele, bonito como nunca. A visão de uma fração de segundo é o suficiente para formar horas de lembranças.
    Nesse instante já não há mais calor, o céu escurece e nem a estrela mais distante brilha e a vontade de fazer o que quer tenha que ser feito se esvai.
    Só há uma luz. Aquela que ecoa no pensamento de que "Bem, se estando longe de mim o deixa feliz, em algum pulo eu acertei".
  • Não te Culpo

    Eu não sei mais oque esperar vindo dessa relação que percebi ser tão vazia. 
    Um ano que estamos nessa e não proguedimos em nada, pelo contrário, só regredimos em tudo.
    Cansei disso, cansei de só ser "útil" e "boa" pra você quando te convém, quando não tem mais nenhuma disponível pra você.
    Você vive reclamando que eu não me abro, que eu não falo direito com você mas, pra mim, é difícil me abrir por quem eu sei que não dá a mínima, que só se finge interessado pra ter uma noite de pleno prazer.
    Não foi fácil voltar a conversar com você depois daquele banque que você me deu quando apareceu namorando com outra, sabia? Não foi nada fácil colher meus caquinhos e tentar voltar a ser quem eu era, não foi fácil me recuperar do tombo que você me fez dá, 2 vezes. Sim, 2 vezes que aconteceu isso e você não teve o mínimo de consideração por mim, pra sentar, conversar e me preparar pro que estava vindo, ao menos falasse "A gente não pode continuar mais com isso" ou qualquer coisa que me alertasse para que a queda fosse menos dolorosa. Mas você... você simplesmente pegou e falou "ah, não tinhamos nada sério, você se recupera. Mas pera, não exclui meu número que eu volto pra gente dá uns amassos de vez enquado, quando eu não tiver nada pra fazer"
    Você leva a vida como se ela fosse simples e brinca com os sentimentos dos outros. 
    Responsabilidade emocional? Puff, você nunca ouviu e nem sequer procurou saber oque era isso, você acha que é tudo de boa, que pode levar na brincadeira, pessoas não tem sentimentos pra você, né? Os únicos que importam são os seus, mas mesmo assim, você os retém.
    Não te culpo por eu ter criado esse sentimento e esse laço, não te culpo por cada vez que eu abro o whatsapp ou o Facebook eu ore pra que você não esteja namorando com outra e me deixando de lado outra vez, ou das vezes que passei noites em claro chorando por não ser a escolhida da vez, não te culpo por cada ataque de ansiedade que eu tive só de pensar ou lembrar daquela cena de você com outra, não te culpo por ficar fazendo planos bobos, por ainda ter esperanças no "nós", não te culpo por eu responder cada mensagem tua com um sorriso no rosto, eu não te culpo pelo o que eu sinto.
    Mas eu me culpo por ter me deixado chegar a esse ponto onde não consigo mais me reconstruir.
  • Neutralizado

    Essa foi a melhor maneira de terminar isso
    2015, 6 de dezembro, 46 anos
    Todo mundo diz que a vida passa na nossa frente quase como um filme antes de morrermos. Dizem que tal evento só acontece quando estamos numa situação de perigo e vimos a morte chegar impulsiva e devastadora no nosso campo de visão, mas o meu caso pode ser diferente, pelo menos eu acredito que seja. Porque afinal de contas eu estou aqui, deitado de barriga para cima no chão gelado do meu banheiro com um frasco meio cheio de neutralizadores na mão. Não há perigo iminente ou algo do tipo, eu simplesmente espero a morte.
    Na embalagem diz “cuidado, altas doses não são recomendáveis. Se o efeito não for o desejável com as dosagens recomendadas, pare com o uso”. Que engraçado, talvez todos esses anos enquanto eu tomava a dosagem certa eu estivera morrendo aos poucos, e agora eu simplesmente, com a medida certa, o fiz da melhor maneira. Acabei com isso rápido.
    Ou não tão rápido assim. Poucos minutos atrás eu estava chorando e as beiradas dos meus olhos ainda ardem um pouco. Estava triste e furioso. Possivelmente, neste exato momento, eu estaria realmente puto por estas pílulas estarem demorando tanto tempo para me matarem e talvez até com medo de morrer. Mas esse é o lado bom de pílulas neutralizadoras, você não sente medo de morrer, aliás, você não sente nada! Então, se você quer se matar, as recomendo fortemente! O estranho é que eu precisei sentir – e muito – para querer morrer. Quando enchi minha mão de comprimidos e os engoli com o auxílio de um suco de laranja cheio de açúcar, eu estava sentindo. Vou tentar descrever pra você o que eu senti já que nesse exato momento, estou tão repleto de sentimentos como uma porta.
    Dor.
    Uma quantidade absurda e imensurável de dor, quase palpável e que eu sentia enquanto lágrimas escorriam dos meus olhos e meu estômago se revirava numa dança selvagem. Uma dor que refletia toda a culpa, tristeza, luto e ódio que tomavam conta de mim. Se eu estivesse neutralizado, isso não teria acontecido. Eu estaria indiferente com os prós e contras da morte, assim como os da vida. E eu juro que agora, sinto tão pouco que não há maneira alguma de me sentir arrependido. Admito, no entanto, que ainda ouço aquela voz lá no meu interior gritando aquelas coisas. Mesmo neutralizado ao extremo e a beira da morte por uma overdose de pílulas neutralizadoras, ainda a ouço. E ela me implora por uma coisa.
    Apenas uma única coisa seu bastardo de merda! Você precisa fazer isso! Por acaso quer morrer sozinho?!
    A resposta é: Sim, eu quero. Mas a pequena voz continua a gritar dentro de mim:
    Qual é o seu problema? Acha que há alguém falando com você agora? Você sou eu, eu sou você, Damien Roseburn. Se eu quero que você faça isso, você também quer!
    Bem, nisso ele tinha razão. Ou eu tinha razão. Algum desses dois. Não vai custar nada, vai?
    Levantei-me do chão com um esforço incomum e deixei o frasco em cima da pia. Noto que acabei de me salvar de um tremendo clichê de suicídio no chão do banheiro com a arma do crime em mãos. Vou até a sala de estar, pego meu celular e disco seu número, ainda o lembro de cabeça. O telefone chama um pouco e ela atende.
    — Oi. — Digo daquela maneira seca e indiferente de falar. Não tento escondê-la.
    — Damien? Oi… — Uma pausa desconcertante.
    — Você acha que vale a pena? Eu digo, viver. — Falo ainda em tons monótonos.
    — O que? Damien, do que você está falando? O que aconteceu? — Na sua voz, um toque de nervosismo.
    — Eu fiquei sabendo de umas coisas…— Comecei a brincar com uma almofada do sofá da sala — Não encarei muito bem e fiquei muito, muito mal. Você não respondeu minha pergunta.
    — Damien fala comigo, o que tá acontecendo? É claro que vale a pena viver. Pare de pensar bobagens! — Ela quase grita.
    — Eu queria que você me dissesse que valeu a pena. Acho que na minha situação é comum pensar se a vida valeu a pena ou não. Pesar as situações boas e ruins e ter um veredito final. Mas eu tomei pílulas neutralizadoras e bem… Não me vejo em ocasião para ter esses momentos… E você me conheceu tão bem...—
    — Damien Roseburn, seu babaca! Onde você está?! Quantas pílulas você tomou?! — Ela parece que começou a correr e agora está gritando e me xingando a plenos pulmões.
    — Sim, eu talvez seja um babaca. Estou em casa, deitado no meu sofá. Devo ter tomado umas vinte.
    Fui xingado mais vezes. Ela começa a chorar dizendo que está a caminho.
    — Hannah, você está longe demais. Não se preocupe, eu não estou sentindo nada agora. Essa foi a melhor maneira de terminar isso. — Esperei ser interrompido, mas o único som que eu pude ouvir foi o de seus soluços e seu choro desesperado. — E eu queria te dizer uma coisa.
    Nunca iria imaginar quantas vezes iria conversar com lágrimas novamente
     1978, 20 de Agosto, 8 anos
    Aos oito anos de idade, uma criança pode ser encantada e entretida por diversas maneiras.
    — Robô! Por favor, Robô pai!
    Fui correndo em direção ao meu pai pedindo pelo grande ‘robô’. Dimitri Roseburn, um homem grande com um bigode escuro que faz parte da sua identidade, parou de ler seu jornal das notícias de domingo, colocou-o na mesa e levantou-se da poltrona de couro.
    O robô é algo extremamente divertido e é uma das minhas brincadeiras prediletas. Papai, por sua vez, é um mestre nisso. Acontece da seguinte forma: Apoio meu pé direito em cima do seu pé direito – o que devido a nossa diferença de tamanho, chega a ser confortável –, faço o mesmo com o seu pé esquerdo. Tudo isso enquanto meu pai segura meus braços para que eu não me desequilibre e caia pra frente. A ideia é que eu sou um humano e meu pai é um robô, uma espécie de megazord entende? Primeiro ele dá alguns passos lentos e eu sou levado junto, mas é como se eu o controlasse. No final ele me levanta pelos braços e então é como se o humano saísse do robô e ficasse pendurado por ele. É a melhor parte, bato as pernas como se estivesse realmente voando.
    Um apito vem da cozinha ao mesmo tempo que a porta da sala se abre. Papai me coloca no chão novamente e vai checar o fogão, vejo ele tirando um bolo do forno e o cheiro de queimado se alastra quase que instantaneamente pela casa. Joseph, meu irmão mais velho, passa pela porta com uma caixa de sapatos alocada gentilmente em baixo de seu braço direito. Vou correndo em sua direção.
    — Não Damien, isso é pra mamãe. – Joseph levanta a caixa para fora do meu alcance.
    Sinto tanta raiva por isso que quero chutar sua canela, mas apenas puxo a barra da sua camisa e insisto:
    — É o presente dela? Deixa eu ver, vai!
    Joseph bagunça meus cabelos e dá um daqueles sorrisos que adultos dão para crianças calarem a boca. Isso não é nada justo! Joseph é apenas 3 anos mais velho que eu, duas vezes mais alto e se acha um adulto como mamãe ou papai. Cruzo os braços e fico de cara emburrada enquanto papai tenta salvar o bolo queimado na cozinha e Joseph sobe as escadas, indiferente.
    Vou até a varanda e sento nos degraus que ficam de frente para a grande plantação do meu pai. Vivemos numa grande fazenda numa região um pouco distante da cidade. O vento quente bate no meu rosto enquanto penso no presente que Joseph irá dar pra mamãe e sinto uma pontada de inveja. Com certeza será melhor do que aquela carta dizendo “eu te amo” que escrevi pra ela pintado com giz de cera laranja e vermelho. Então decido dar o meu presente, talvez ser o primeiro a impressione. Volto para dentro de casa e subo as escadas até o meu quarto. Encontro com Joseph sentado na cama de cima da beliche. Não é bem um quarto só meu, vamos assim dizer. Pego a carta que fiz de presente e saio enquanto meu irmão cutuca a suspeita caixa de sapatos. O quarto de Maria está aberto. Ouço suas risadas e quando entro, me deparo com meu pai sentado ao seu lado, na beirada da cama, apoiando o rosto nas mãos.
    — Não está tão ruim assim. — Papai não parece estar gostando muito da brincadeira.
    — Eu disse que não era uma boa ideia! Se ao menos me deixassem fazer o bolo — Mamãe para de falar e tem uma crise de riso.
    Chego mais perto e observo o tamanho de sua barriga de grávida. É literalmente enorme. Me pergunto então, com o maior dos temores, se aquilo estaria comendo minha mãe viva.
    — Vejamos quem está aqui! – Mamãe me recebe, animada.
    Maria é uma mulher linda. A mais linda, na minha opinião. Seus cabelos longos e ondulados que batem na sua cintura são minha parte preferida nela. Depois de grávida, papai vinha constantemente a proibindo de fazer metade das coisas que ela normalmente fazia, mamãe começou a usar vestidos mais simples e quase não sair do quarto. Mas, as vezes, esse esquema de superproteção dava um pouco errado.
    Errado como um bolo de aniversário queimado.
    Papai me levanta como um incrível robô, sai da cama e me coloca sentado no seu lugar.
    — Vou a cidade comprar alguma torta. – Diz, infeliz, beija minha mãe e vai embora.
    — Feliz aniversário mamãe! – Eu digo e lhe entrego o bilhete.
    Maria leva alguns segundos para ler, abre um sorriso e me abraça dizendo:
    — É o melhor presente que eu já recebi na minha vida! É lindo Damien. 
    Ter a exata noção de que o presente era tosco e estava longe de ser o melhor que ela já havia ganhado me deixa um pouco confuso sobre o motivo pelo qual escolhi entregá-lo. Fiquei pior ainda quando Joseph entrou no quarto com um pequeno filhote de cachorro.
    — Ai meu Deus! — Mamãe gritou de uma maneira que eu levei um tremendo susto.
    — Feliz aniversário! — Joseph diz e coloca o pequeno cãozinho na cama. Incomodado, eu levanto e fico o encarando. É um cachorro simpático de pelos cinzas, tão fofo que quis apertá-lo. Eu até apertaria se não estivesse morrendo de inveja do presente de Joseph.
    Papai coloca a cabeça pra dentro do quarto e grita:
    — Vamos Joseph! A torta!
    Joseph abraça minha mãe e vai junto com papai. Ficamos só nós dois enquanto minha mãe brinca com o filhote. Ela nota minha cara emburrada e pergunta:
    — Me diz, o que você mais gosta no mundo inteiro?
    — Você! - Digo, de ímpeto.
    — Não, não, algo material. Que não seja nem eu, nem papai, nem o irmão Joseph e nem seu pequeno irmãozinho aqui. — Ela toca a barriga.
    Fico impressionado com a maneira pela qual ela colocou aquilo no meio de potenciais coisas que eu mais gosto no mundo inteiro. Cai fora!
    Cedo um pouco e respondo:
    — Hum... A chuva.
    — Pois bem! Chuva então. — Ela diz com aquele seu sorriso jovial erguendo o cãozinho cinza no alto.
    Reviro os olhos e viro as costas. Mamãe abaixa o cachorro e pergunta, confusa:
    — Damien, o que diabos tá acontecendo?
    — Nada.
    — Damien, eu te conheço.
    — Nada mãe.
    — Damien Roseburn, se você continuar chateado, aí a mamãe vai ficar chateada. E eu fico muito triste quando chateada. Quer que eu fique triste?
    Ela sempre me convence facilmente.
    — Joseph sempre te dá os melhores presentes. O presente desse ano foi tão bom que ele te deu algo que respira!
    Mamãe dá uma pequena risada que me constrange.
    — Ah pare com isso filho, eu amei o seu presente.
    Ainda cabisbaixo, sentei perto da minha mãe enquanto o cachorro tentava se aninhar no meu colo.
    — Bem... Desculpe por isso, eu só queria te deixar feliz no seu aniversário.
    Chuva deitou no meu colo, parecia estar mastigando algo. Olhei descrente para o cachorro. Ele definitivamente estava mastigando algo.
    — Meu bilhete... — Apontei para o filhote.
    Mamãe colocou o cachorro no chão e tirou metade do papel da sua boca. Agora dizia “amo” nele.
    Quis chorar. Quis muito chorar. Meus olhos encheram d’água e minha mãe disse:
    — Sabe o que eu mais queria ganhar hoje e que respira?
    Tentei perguntar mas se eu o fizesse, irromperia em lágrimas. Maria estendeu sua cabeça para trás de um jeito dramático.
    — Flores. — Disse, enfim.
    — Mãe... — Tentei engolir o choro para explica-la. — Flores não respiram.
    Ela riu e rebateu:
    — Respiram sim Damien, não sabia?
    Como assim flores respiram? Elas não têm nem mesmo pulmões para isso. Mas se minha mãe está dizendo, deve ser verdade.
    — O quanto você está afim de ganhar flores? — Perguntei esperançoso, lembrando da quantidade de flores que havia lá fora para buscar. Talvez mamãe estivesse sendo tão presa por papai que ela não tinha tempo para busca-las sozinha. — Tipo, muito?
    — Muito! Muito mesmo!
    Virei as costas para o sorriso da mamãe e corri até fora de casa. La fora, corri mais ainda. Corri até meus pulmões começarem a arder. Eu lembrava de um lago, e nesse lago haviam umas flores em volta que eram simplesmente perfeitas. Passo todo o caminho pensando na mamãe recebendo as flores com aquele seu sorriso e brilho nos olhos. Ela vai até esquecer de Chuva, tenho certeza! Enquanto caminho por uma vegetação que vai até meus joelhos, o céu começa a escurecer e ser tomado por nuvens cinzas e carregadas. Daqui consigo ver a rua de barro que meu pai usa pra chegar na cidade. Vejo seu carro passando na direção de casa.
    Não preciso me apressar, já estou no lago. Começo a procurar e logo as encontro perto de uma grande rocha repleta de musgo. Um grupo com seis orquídeas, pego metade delas, com o intuito de voltar lá outro dia e pegar as restantes, mamãe ia se surpreender quando o fizesse!
    Na volta, começa a chuviscar um pouco e eu coloco as flores por baixo da camisa para guarda-las bem. Quando estou no meio do caminho, vejo a caminhonete do meu pai indo – dessa vez, com uma velocidade anormal – para a cidade. Será que o bolo veio ruim?
    Chegando em casa, a chuva começa apertar e sou obrigado a correr. Tiro os tênis enlameados na porta. Não há ninguém na sala. Na cozinha, apenas uma grande torta de chocolate. Não vejo nada de errado nela para voltarem a cidade e comprarem outra.
    — Joseph?
    Pelo silêncio, parece que ele foi com o pai até a cidade de novo. Subo as escadas para entregar meu presente. O quarto de mamãe está vazio.
    —Mamãe? — Pergunto retoricamente, tomando noção da solidão. Subitamente fico com medo. Um medo acompanhando de um tremendo mal pressentimento. Sento na cama da minha mãe e sinto um molhado gosmento no traseiro. Saio enojado e sento perto da porta. Não leva muito até Chuva aparecer. Depois de um tempo, acabo brincando com o filhote, tomando até certa simpatia por ele.
    Não sei bem quando eu caí no sono, mas a primeira coisa que vi quando acordei foi um traço verde na minha mão. Pisquei mais duas vezes e vi que aquilo era parte do que eu tinha trazido. Onde está o resto!?
    Chuva sentava na minha frente, ofegante. Um de seus dentes estava roxo.
    — Seu idiota!
    Quando levantei correndo, pronto para esganar o cachorro, a porta no meu lado abriu e se chocou no meu ombro com força.
    — Ah, Damien!
    Era Joseph. Ele veio me abraçar.
    — Tá tudo bem. — Eu disse, esfregando o ombro, pensando que era um abraço de desculpas.
    — Mamãe... Ela... — Joseph tentava falar algo enquanto chorava.
    Eu nunca tinha visto meu irmão chorar.
    — Joseph?
    — É uma menina! — Um sorriso apareceu entre suas lágrimas.
    — Que bom... Mas... Cadê a mamãe?
    Já era bem tarde, seu aniversário deve ter passado e nem comemos a torta ainda. Olhei para minhas mãos e em um dos pequenos galhos ainda haviam algumas pétalas. Ainda poderia entrega-las!
    — Mamãe morreu Damien.
    É estranho quando não conseguimos achar palavras certas e a única coisa fácil, viável e certa a se fazer é chorar. Eu abracei meu irmão e em meio ao silêncio, choramos juntos. Uma espécie de troca de lágrimas. Um novo conceito de diálogo.
    Nunca iria imaginar quantas vezes iria conversar com lágrimas novamente.
    Ocupamos nosso tempo interpretando papéis com emoções fictícias
    2015, 12 de março, 45 anos
    São oito da manhã e já faz algum tempo que encaro o teto do meu quarto com aquela mesma expressão vazia de sempre. Metade do meu corpo nu está descoberto e eu sinto frio onde o vento toca. O frio é uma das poucas coisas que sinto, devo dizer. Naquela época em que eu gostava muito de certas coisas e odiava outras, eu costumava a gostar do frio. Na verdade, eu iria estar adorando essa manhã de hoje. Na minha esquerda, o quarto se encerra em grandes janelas, onde posso ver nitidamente toda aquela imensidão de nuvens carregadas e arranha céus que parecem estar literalmente rasgando as nuvens daquele cinza escuro. Ao meu lado, uma luz vermelha pisca, mostrando uma nova mensagem na secretária eletrônica, aperto um botão na máquina e sigo até o banheiro para tomar banho.
    ­— Ei Damien, é Elisabeth. Então, faz um bom tempo que a gente não se vê... Você não manda notícias... Estamos morrendo de saudades, então decidi marcar um jantar para o próximo mês, já que Joseph também vai estar passando na cidade para nos visitar! Me responda quando der, ok? Fernando está te mandando um grande abraço. Te amo maninho, se cuida.
    Acabo de ouvir a mensagem enquanto um jato de água quente bate nas minhas costas. Encosto a testa no azulejo do meu banheiro. Tudo indica que depois de receber uma mensagem dessas da minha própria irmã eu estaria me afundando em culpa e possivelmente, saudade. Mas indícios não funcionam bem comigo e, na verdade, não funcionam bem com toda a grande gama de neutralizados do mundo.
    Faço meu cooper rotineiro até a praia e percorro toda sua orla. Paro um pouco antes do fim dela, numa árvore centenária repleta de raízes exuberantes. Logo após ela a calçada se eleva e dali é possível ver as ondas mais fortes batendo nas pedras lá em baixo. Não é medo, simplesmente paro antes dali e volto. Sempre é assim, é um hábito.  E por favor, não se ocupe fazendo perguntas do tipo “por que neutralizados fazem atividades físicas? Pra que se preocuparem com a beleza ou saúde?”, você muito provavelmente me verá fingindo ser o que não sou para o “bem estar”. Seja meu ou da sociedade. Neutralizados fingem o tempo todo. Preciso ter um físico saudável para ter melhores chances de socialização e até, maiores chances de uma vida longa. As vezes finjo um sorriso até. Fazemos isso sempre. Enquanto os que sentem ocultam suas emoções, ocupamos nosso tempo interpretando papéis com emoções fictícias.
    Chego no meu prédio, cumprimento o porteiro com um aceno e um sorriso falso – olha lá – e ele responde balançando a cabeça com um sorriso simpático.
    — Como vai Sr. Francisco?
    — Bem, querido. Vou bem. — O senhor Francisco — um idoso sempre amigável e gentil com todos que passam — tem um bigode branco e bem cuidado, nunca deixo de reparar nele.
    Entrando no elevador, ouço um grito feminino.
    — Espera!
    Coloco a mão entre as portas para o elevador não fechar. Ela entra e diz:
    — Obrigado, mas você não deveria colocar a mão aí, é perigoso demais.
    A pequena mulher entra ofegante e vermelha de exaustão.
    — Não há de que. — Ignoro a proposta sobre perigos, afinal, não sinto medo. Retrato o melhor dos meus sorrisos. Ela me olha de um jeito estranho e lembro que o melhor dos meus sorrisos é péssimo.
    — Qual andar? — Ela pergunta apertando no botão 7. Percebo que seu cabelo escuro e curto é extremamente bagunçado e tem uma mecha tão rebelde que é possível reparar de longe. Me pergunto porque alguns dos que sentem não se preocupam com a aparência.
    — Décimo segundo, por favor.
    Quando chegamos no sétimo, o elevador não para e continua subindo.
    — Que merda... — A moça se afasta das portas e junto comigo, nota que também passamos do décimo segundo. — Isso tá errado cara.
    O elevador para com um solavanco violento.
    — Puta merda! — Ela grita. Está quase entrando num estado de pânico.
    — Calma. — Digo num tom calmo enquanto pego o meu celular para ver as horas.
    — Calma?! Estamos dentro da porra de uma caixa de ferro a o que? Quinze andares do chão?!
    Ela começa a dar voltas no elevador enquanto eu continuo parado no meio em perfeito descaso.
    — Sim, mas ele não deve cair, eu acho.
    A moça é pequena, mas quando vira-se e olha pra mim com aqueles olhos escuros, posso jurar que quase vejo sangue escorrendo deles. Até sentiria medo dela se não fosse pelo fato de...
    — Você é um neutralizado?! — Ela grita. Sua mecha escura de cabelo cai sobre sua testa, errada e sem sintonia.
    — Sim
     Já é hora de mais uma dose, procuro dentro da minha calça, acho a pequena caixa e tiro um comprimido dela. Levo à boca e engulo à seco.
    — Isso não é justo, eu sou claustrofóbica. Eu não posso ficar aqui. — Ela começa a andar mais rápido, se agarrando aos seus cabelos desarrumados.
    — Quer uma? — Ofereço a caixinha de neutralizadores.
    Enquanto a encaro ceticamente, repleto de boas intenções, ela me encara de volta, parecendo reunir toda a fúria do mundo para lançar em mim com seus olhos feitos de armas. Recolho a mão e guardo os neutralizadores no bolso sem saber o que dizer.
    —Vai se fuder! — Ela cruza os braços e se vira. — Neutralizadores são drogas de covardes.
    Não sei se foi algo armado ou simplesmente as palavras dela foram um feitiço para fazer o elevador abrir as portas. Ela sai de lá sem olhar para trás, provavelmente pouco se importando de estar no décimo quinto andar. Permaneço no elevador até as portas se fecharem de novo, refletindo sobre as acusações.
    Você não é um covarde. Ela não passou pelo que você passou.
    Aquela voz na minha cabeça de novo.
    Relaxado não é bem o estado certo, mas eu não me sinto mal ou algo do tipo. Apenas tenho aquele incômodo habitual. Nada fora do comum. Chego no meu apartamento, tomo outro banho quente e me arrumo para o trabalho.
    E eu me pergunto se um dia o amor me destruiria assim também
    1985, 9 de Fevereiro, 15 anos
    A alteração dos batimentos cardíacos, o rosto meio corado e a gota legítima de suor que define aquele sentimento típico: Raiva.
    — Me desculpa, mas — eu digo, trabalhando numa gentileza forçada — você não estava na minha frente.
    Apontei para a fila que se estendia até a entrada do refeitório. O grande gordo loiro tinha aquela cara de mongol que por si só, já me irritava. Seu uniforme da escola estava do avesso e eu não fazia a mínima ideia do porquê disso.
    — Me desculpa, mas — Rebateu ele, fazendo uma imitação nada verídica da minha voz — eu vou ficar nessa fila e meus amigo também chegarão e eles fica também. Obrigado.
    E virou as costas, me deixando com aquela cara estupefata diante de tanta falta de concordância e excesso de babaquisse em uma frase só.
    Meu sangue ferveu um pouco mais. Meu rosto, mais enrubescido. Meu punho, um tanto descontrolado. Cutuquei-o no ombro mais uma vez e ao tempo dele virar, dei um murro na sua cara com toda minha força.          
    Na minha volta um “ooooohh” uníssono dos outros estudantes se deu lugar num completo estardalhaço. O gordo loiro me encarou cético com a mão no nariz, a essa hora com uma quantidade considerável de sangue. Devo dizer que o gostinho de vê-lo naquele estado me satisfez um pouco, mas nada se comparou ao medo que se sucedeu. Não simplesmente pelo fato de ele se jogar em cima de mim e me jogar no chão (vamos considerar o seu peso colossal em comparação ao meu e não tomar essa luta como justa), mas também pelos seus amiguinhos, que eu sabia muito bem quais eram, retardados colossais assim como o líder, que agora eu vejo chegarem enquanto me protejo dos socos sem técnica, mas ainda assim pesados que ele dá nas tentativas de acertar meu rosto.
    Não sei quantas pessoas estão me dando pontapés e em meio à um espancamento e uma gritaria absurda a minha volta, não é muito fácil manter a compostura e muito menos tomar decisões sensatas. Continuo tentando defender meu rosto, encolhido no chão quando ouço alguém gritar:
    — Parem com essa merda!
    Consigo ver o gordo loiro sendo agarrado por trás e puxado dali. O herói? Joseph Roseburn, meu irmão mais velho. Logo depois, outros rapazes que de acordo com minha memória, são amigos de Joseph também puxam os outros garotos. Eles cedem por que afinal de contas meu irmão e seus amigos são veteranos e maiores (mas não retardados). Eles saem satisfeitos enquanto Joseph se agacha no meu lado.
    — Você tá bem?
    — Não acredito que você me fez esse tipo de pergunta. — Sento no chão e passo as mãos nas costelas, tudo em ordem. Sinto uma dor absurda no pulso direito e faço uma careta. Joseph ri e rebate.
    — Depois de uma dessas você sair com o pulso machucado...
    — Meu corpo todo dói.
    — Faz parte. — Ele pode falar esse tipo de coisa mas brigar nunca foi, nem de longe, um dos seus melhores hobbies. Ele estende a mão e me ajuda a levantar.
    — Acho que quebrei o nariz dele.
    Joseph franze o cenho com uma cara de reprovação. Eu não deveria ter dito isso.
    — Papai não pode saber disso.
    Papai soube disso.
    —Eu não criei filho pra isso!
    Meu pai bate com a palma da mão na mesa de jantar com tanta força que eu pude jurar ter ouvido a madeira ranger. Elisabeth levou um susto mas disfarçou-o cruzando os braços e olhando para o lado. Ao encarar seu pequeno rosto eu podia ler claramente um “O que diabos faço aqui?”. Acontece que a escola ficou sabendo do acontecido e ligou para nossos pais com conselhos inúteis e informações desnecessárias, na minha opinião.
    — Eram muitos, pai... Eu não pude fazer muita coisa. — Não me atrevo a olhar nos seus olhos.
    — Eles também eram maiores. — Disse Joseph ajeitando os óculos com o dedo indicador.
    — Me digam uma coisa. ­— Papai fecha os olhos como se buscasse algum tipo de concentração em meio a um ataque de fúria. — O que maricas fazem?
    Sabíamos a resposta porque papai sempre se dedicou a nos ensiná-la. Elisabeth era poupada do fardo de a responder, provavelmente por ser uma menina. Eu respondo, não muito satisfeito:
    — Maricas levam porrada.
    — Joseph, eu não te ouvi. — Ele inclina-se na direção de Joseph.
    Ele não o ouviu dizer nada porque Joseph nunca fala esse tipo de coisa geralmente relacionada a ser ou não um marica. O silêncio que sucede a pergunta deixa tudo tão intenso que começo a estalar os dedos com um fervor disfarçado por baixo da mesa.
    —Joseph Roseburn! O QUE MARICAS FAZEM? — Papai berra.
    Chuto a canela de Joseph por baixo da mesa e é como se ele acordasse. Continua olhando para baixo e diz num tom quase inaudível:
    — Maricas levam porrada.
    Nosso pai levanta, sai da mesa numa fúria silenciosa e nos deixa perplexos e imóveis nos nossos lugares. Quando ele some de vista, solto o ar dos pulmões e me acomodo melhor na cadeira. Sei que os outros dois sentiram o mesmo alívio.
    — Papai pode ser tão ridículo as vezes! — Elisabeth bufa e revira os olhos.
    — Com certeza. — Respondo, tentando controlar minhas mãos que ainda insistem em estalar os dedos que já foram estalados. Reparo no silêncio longo demais de Joseph e aperto seu ombro. Uma vez vi na TV que apertar os ombros das pessoas as tranquilizam. — Foi mal Jo, isso é tudo culpa minha.
    — Não é culpa sua ter um pai tão ignorante. — Joseph sempre sabia definir as coisas. E talvez era isso o que nosso pai realmente era.
    — Ele não costumava a ser assim — Cruzo os braços e aperto meus bíceps para manter as mãos ocupadas. — O que aconteceu à mamãe azedou ele.
    Joseph me encara de um jeito como que se concordasse comigo. Elisabeth desvia o olhar, triste. Me aproximo dela e busco seus olhos desconsolados.
    — Papai pode ter azedado, mas juro pra você que mamãe era tão doce que nada no mundo inteiro poderia azedá-la. De onde acha que você tirou todo esse mel? — Aperto seu nariz branco e dou um leve puxão, coisa que sempre faço com ela. Elisabeth cora um pouco e afasta minha mão do seu rosto com uma risada suave.
    Subo as escadas e vou em direção ao meu quarto, mas algo me para. A porta meio aberta do quarto dos meus pais me permite uma visão estranha. Um tecido branco e cheio de rendas se espalha pelo chão. Chego mais perto do jeito mais furtivo que consigo, espio lá dentro e levo alguns segundos para entender o que está acontecendo.
    Meu pai está abraçado à um vestido de noiva. Levo alguns segundos para reparar que ele também está chorando. O meu coração se aperta e eu me pergunto se um dia o amor me destruiria assim também.
    É sábado. Oito e vinte da manhã. Para um dia em que eu não preciso estudar ou fazer algo obrigatório como ir à igreja com meu pai ou levar Elisabeth em algum parque que ela gosta eu deveria estar com umas quatro horas a mais de sono, no mínimo. Mas ouço alguém gritando:
    —Chuvaaaaaaaaa!
    Reconheço sua voz estridente. Elisabeth.
    Quando chego na porta da fazenda ainda vestindo uma camisa branca e shorts de dormir, vejo Elisabeth perto das plantações com as mãos nos lados da boca gritando por Chuva, nosso cachorro. Joseph aparece à minha direita, pela sua cara ele também não planejava acordar tão cedo.
    — O que houve?
    — Acho que Chuva sumiu. — Ele responde.
    — Merda.
    — Vamos lá crianças. — Papai surge atrás de nós dois com as chaves do carro na mão.  E agora diz especialmente para Elisabeth. — Vamos achar seu cãozinho querida.
    É assim Damien. Todo mundo vai embora.
    2015, 12 de Março, 45 anos
    A mesa do meu escritório é arrumada e minimalista. No centro, mantenho o meu atual projeto, seja lá qual for. Á direita, um copo metálico com duas canetas pretas, uma caneta azul e uma caneta vermelha, à esquerda, um grampeador preto. No meu andar, devem haver mais outros trinta funcionários. Meu chefe passa de mesa em mesa avaliando o trabalho de cada um.
    Ele para na minha frente com uma grande pilha de papéis e a coloca entre meu grampeador e minhas canetas.
    — Preciso que você tome conta desses aqui pra mim, Roseburn. —Ele diz com um descaso pelo qual já estou acostumado. Sua careca está brilhando mais que o normal hoje.
    No bolso da sua camisa social listrada, seu nome está bordado: Jorge Mendez. Acredito que seja algo Mexicano. Jorge é um cara que faz o seu trabalho, mas nem sempre agrada os que estão à sua volta. Boatos dizem que, no décimo quarto andar, um funcionário arremessou seu notebook pela janela após uma discussão com ele.
    Sua sorte está no fato de 80% da empresa ser feita de neutralizados.
    — Tudo bem chefe. — Olho para a pilha gigantesca e aceno com a cabeça.
    Planilhas repletas de números, dados, estatísticas e funções prontas para serem avaliadas, corrigidas ou simplesmente preenchidas. Tudo é preto e branco. Tudo é exato. Um trabalho perfeito para pessoas como eu.
    —    What did you expect... From post break up sex?
    Ouço essa voz masculina cantando e me impressiono. Não simplesmente por achar a música familiar, mas por estar num trabalho repleto de pessoas completamente vazias de sentimentos e alguém estar cantando. A questão é que nós, neutralizados, não somos os melhores apreciadores de arte. Músicas, pinturas, filmes, tudo isso é muito sentimental para nós. O desinteresse é total.
    Me inclino para trás para espiar o escritório do meu lado através da divisória. Ele continua cantarolando e trabalhando, de vez em quando, mexendo os ombros numa pequena dança disfarçada. Não lembro de nenhum neutralizado trabalhando nesse andar, ele deve ser novo aqui.
    Quando tomo conta de que é impossível me concentrar com ele cantando ao meu lado, encosto no eu braço e digo:
    — The Vaccines?
    Ele continua cantando. Encosto com mais força:
    — The Vaccines?
    Ele olha pra mim meio perdido e tira os fones de ouvido.
    — Nossa, desculpa cara, não tinha te ouvido.
    — Tudo bem.  É The Vaccines?
    — Pera aí, você conhece The Vaccines?
    — Sim. — Forço um daqueles sorrisos com a boca fechada, não dá muito certo.
    — Nossa! — Ele me bate no braço com força — Ninguém conhece The Vaccines!
    — Eu ouvia há uns anos.
    Depois de um silêncio que se não fosse pela minha condição, seria constrangedor, ele acena com a cabeça para minha pilha de folhas e diz:
    — Isso é injusto, olha o Henrique, ele está à uma hora sem fazer literalmente nada!
    Olho para a pilha e depois para a mesa vazia de Henrique.
    — Eu não me importo, na verdade.
    Ele me encara, tentando decifrar minha falta de indignação e depois desvia o olhar, se espreguiçando.
    — Ouvi dizer que ele fez um cara lançar seu computador pela janela depois de uma discussão. —Digo, puxando assunto. Neutralizados não socializam muito, estou praticando nisso.
    — Sim, eu ouvi falar disso. Conheci o cara. — Ele olha pra mim e arregala os olhos — Já imaginou se o notebook tivesse acertado alguém?
    Ele ri enquanto eu permaneço inerte. Consigo vê-lo enrubescer um pouco.
    — Me desculpe, eu costumo a ter um senso de humor meio ridículo mesmo. — Ele oferece um aperto de mão meio sem jeito. — Meu nome é Tomás, a propósito.
    — Damien.
    Aperto sua mão.
    — Prazer Damien. — Tomás sorri. Noto que ele cuida bem de sua barba, que parece ter sido aparada há poucos minutos. Seus dois dentes da frente são ligeiramente maiores que os outros, como um coelho.
    — Mal chegou no setor e já fez novos amiguinhos? — Jorge aparece com outra pilha de folhas, a coloca na mesa de Tomás, deixando-o sem reação, e se vira para mim — Não sabia que neutralizados socializavam, senhor Roseburn.
    O encaro ceticamente me perguntando se ele acha que poderia estar me afetando com seu comentário desnecessário.  Jorge começa a caminhar de volta para seu escritório no fim do corredor quando Tomás, ainda com uma feição estupefata, diz:
    — Você só pode estar de sacanagem comigo.
    Jorge para por um segundo e se vira.
    — Perdão?
    — Olha a mesa do Henrique! — Tomás aponta com a palma da mão esticada para a mesa do outro empregado. Henrique tira os olhos do trabalho e volta sua atenção para Tomás que agora está gritando. — Você sabia que estamos no mesmo patamar? Que deveríamos trabalhar igualmente?
    Jorge ri e caminha na nossa direção. Agora todos estão olhando para cá.
    — Se você está insatisfeito com seu trabalho, pode pedir demissão a hora que quiser. Mas enquanto estiver aqui, você não pode fazer nada mais e nada menos do que seguir minhas ordens.
    Silêncio. Há uma veia na testa de Tomás que parece prestes a explodir, seu rosto está vermelho e ele parece querer pular no pescoço do nosso chefe.
    —Capiche?
    Tomás oferece um sorriso torto.
    —Capiche.
    — Mas que merda! E vocês ficaram juntos no elevador por quanto tempo?
    Tomás está na calçada conversando com alguém no telefone. Estou cansado de socialização e tento apertar o passo para passar por ele sem ser notado. Não funciona.
    — Tenho que desligar, tchau Hannah. — Ele desliga o telefone e corre na minha direção. — Ei, desculpa por aquilo.
    — Não se preocupe. Tá tudo bem. Acho que você deveria se preocupar mais com a própria pele agora. — Ofereço um sorriso. Tomás responde com uma careta e logo me arrependo. Qualquer hora dessas vou parar de tentar sorrir.
    — Que seja, não sou muito de levar desaforo pra casa. — Tomás questiona qual direção eu devo seguir apontando vagamente com o dedo indicador. Aponto para o lado esquerdo da rua e começo a caminhar, ele me acompanha. — O que ele disse, sobre você....
    — Ser um neutralizado?
    — Sim.
    — É verdade. — Encaro-o por um instante e depois volto a olhar os paralelepípedos da calçada.
    — Ah, ok. — Tomás faz uma pausa e diz — Eu pensei que... Bem... Você conhece The Vaccines.
    — Eu ouvia The Vaccines até 2011. Antes de... — Hesito, não preciso encher Tomás com problemas pessoais — de eu começar a tomar as pílulas.
    — Bem, eu até estava impressionado de achar alguém que não fosse neutralizado lá.
    — Desculpe te decepcionar.
    — Não! —Tomás gesticula com as mãos, nervoso — Não é isso. Você é legal, eu só... Pensei que...
    A sociedade encara os neutralizados como pessoas que não se ofendem e então tendem a ser grossos e não se importarem muito conosco. É irônico por que não nos importamos muito com eles também. Tomás me acha ‘legal’ e por algum motivo, se preocupou em estar me deixando incomodado ou não. Por algumas pessoas, acho que vale a pena se importar um pouco. Então tento ‘quebrar o gelo’.
    — Tá tudo bem cara, de verdade. Aliás, por que você trabalha num lugar como esse?
    — Eu sempre fui bom com números. Porém, na época, eu não imaginava que metade do ramo de exatas ia ser tomado por pessoas viciadas em pílulas neutralizadoras.
    — Ah, não chega a ser metade. Há outras empresas que não são como a nossa. Você podia tentar achar uma dessas.
    — Ah... — Tomás guarda as mãos nos bolsos. — Preguiça.
    Ele olha pra mim e ri. Eu tento sorrir.
    — Você vai ter que parar de sorrir desse jeito comigo.
    Tento mais uma vez sorrir esperando que ele continue rindo, mas Tomás fica sério.
    — Não, é sério Damien. É bizarro.
    Chego em casa cansado. Tiro os sapatos e os guardo num canto ao lado do armário. O casaco fica no cabideiro e minha bolsa, no mesmo canto de sempre ao lado do sofá da sala. Eu costumo a ser organizado. Tomo um banho quente e deito na cama ainda de toalha.
    Me importar, mesmo que um pouco, com Tomás não foi nada mais do que um pequeno gesto de empatia. Como disse, neutralizados não se importam, mas acabo lembrando daquelas pessoas que sempre estiveram me buscando e que eu não dei a devida atenção. Não é como se eu estivesse sendo tomado por culpa agora, é simplesmente um favor. A minha consideração pelas pessoas que uma vez amei (não acredito que eu possa amar agora) continua intacta. Pego meu celular e disco seu número. Não demora muito para ela atender.
    — Oi.
    — Oi! — Elisabeth parece animada — Como você tá maninho?
    — Hum... Bem. E você?
    — Ótima. E o que você tem feito da vida? Estou muito feliz que tenha ligado.
    — Eu tenho trabalhado, corrido... Nada demais. E você? — Rebater as mesmas perguntas é sempre uma saída fácil.
    — O de sempre também. Agora eu tenho mais uma turma do jardim e meus alunos novos são uma graça. Recebeu minha mensagem? Você vem?
    — É só estipular o dia, estarei aí. Não há nenhuma criança hiperativa ou algo do tipo?
    — Sim, tem um menino, o Pedro. Ele é meio animadinho demais. Que ótimo que você vem! Joseph vai adorar saber disso.
    — Boa sorte com o Pedro.
    Elisabeth ri enquanto forço uma risada. O lado bom de ligações é que ninguém pode ver meus sorrisos mal feitos e minhas risadas soam menos falsas.
    — Tenho que desligar agora, manda um abraço pro Fernando.
    — Ah, sim, claro! Te ligarei assim que marcar a dia maninho, tenho que esperar Joseph confirmar a data de volta dele. Beijo!
    —Beijo, tchau.
    Desligo a chamada e continuo encarando a tela do meu celular. Às vezes, sinto um incômodo dentro do meu peito. É geralmente nessas horas que ouço aquela mesma voz de sempre.
    Saudades dos seus irmãos, Damien?
    E por que diabos eu sentiria saudades?
    Porque você ainda os ama, é claro.
    Eu desisti do amor há muito tempo.
    Pego uma cápsula com pílulas no meu criado mudo, derrubo uma na mão direita e engulo a neutralização a seco.
    Ser um viciado em neutralizadores não te poupa de sonhos.
    Estou fazendo meu cooper diário. Nada fora do comum. É bem cedo e o sol acabou de nascer, algumas pessoas também correm na calçada da praia. Uma mulher loira passa por mim vestindo calças legging e cantando apenas com os lábios sem expelir som algum, uma música que toca em seus fones de ouvido. Isso me faz notar que também estou usando fones de ouvido. Mas nenhuma música sai deles. Os ignoro e continuo correndo, mesmo em silêncio.
    Quando estou chegando no final da praia, a vejo pedalando numa bicicleta vermelha, com seus cabelos escuros e compridos ao vento. Maria. Minha mãe. Não perco tempo com perguntas ou reflexões desnecessárias. Para mim, isso é real o suficiente. Começo a correr mais rápido mas minha mãe pedala numa bicicleta e está bem mais a frente. Passamos pela árvore centenária e eu pulo suas raízes que se entrelaçam quebrando a calçada. Normalmente eu pararia ali, mas eu preciso continuar. Preciso alcança-la. Eu preciso te dar um abraço de despedida. Só isso.
    Estamos na parte mais alta e à minha direita, lá em baixo, as ondas batem nas pedras violentamente. Continuo correndo e foco minha atenção na bicicleta vermelha e na mulher de cabelos escuros. Maria passa por uma curva fechada. Perco-a de vista por um momento e ouço uma buzina de caminhão. É ensurdecedor. Um mal presságio toma meu todo o meu corpo e então eu tento correr mais do que nunca para virar a esquina e encontrá-la. De alguma maneira, eu sei o que aconteceu. Por algum motivo, eu sinto a sua dor.
    Eu sinto.
    E sem explicação alguma, quanto mais eu corro, mais devagar eu fico. As gaivotas voam em câmera lenta sobre a praia. O som das ondas fica grave e parece estar o dobro de vezes mais alto. Parece uma eternidade, mas finalmente chego lá. O caminhão está parado logo atrás da sua bicicleta vermelha, agora destruída. Depois da bicicleta, Maria está deitada no chão, com seu vestido sujo de sangue. Me ajoelho ao seu lado e seguro sua cabeça, chorando.
    — Mamãe. Por favor. Mãe. Mamãe...
    Maria sorri olhando para mim. Eu continuo a chamando em meio ao choro desesperado.
    É assim Damien. Todo mundo vai embora.
    — Cala a boca! — Tampo meus ouvidos mas aquela voz vem de dentro.
    Todo mundo vai embora.
    Grito mais uma vez.
    — CALA A BOCA!
    E acordo. Envolto de lençóis molhados pelo meu suor. Respiro fundo, meu coração bate rápido demais. Inspiro e expiro algumas vezes para me acalmar enquanto continuo com os olhos abertos até minha visão se acostumar com a escuridão. Levanto da cama aos tropeços e corro até minha bolsa, no lado do sofá. Tiro minha carteira de lá e procuro sua foto. Meus dedos estão confusos. Consigo acha-la.
    Encaro a foto de Steve brincando com o seu pequeno carrinho vermelho no chão da sala. Sua feição tomada de inocência e felicidade. Mantenho o olhar fixo na foto por alguns momentos até ter certeza.
    Suspiro. Guardo a foto na carteira. Ainda estou neutralizado.
    Eu preciso deles
    1985, 11 de fevereiro, 15 anos
    Metade de mim morre de preocupação com Elisabeth e procura maneiras suaves de explicá-la como isso aconteceu ou simplesmente planeja uma boa mentira apenas para não machuca-la. A outra metade se preocupa comigo mesmo.
    Quando olho para seu corpo inchado, um nó se forma na minha garganta e meus olhos começam a arder, então tento ao máximo desviar o olhar, mas não consigo. Quando meu pai me chamou para ir buscar o carro, eu decidir ficar aqui, mas agora me arrependo dessa decisão.
    Achamos chuva. Ou melhor, achamos o seu corpo, cadente de pelos e quase irreconhecível, se não fosse pelo distante tom de cinza e por sua coleira com seu nome. Ele provavelmente foi atropelado. Estamos numa rua de barro a poucos quarteirões de casa, eu estava voltando da escola quando achei o seu corpo. Chamei meu pai na hora, mas a ideia de que precisaríamos de um carro para tirá-lo dali só veio depois. Então agora eu estou aqui, andando em círculos em volta do último vestígio que minha mãe deixou na terra (agora morto) dando o meu melhor para não chorar. Se meu pai chegar aqui e eu estiver chorando, não vai ser nada bom.
    Alguns minutos depois, avisto a caminhonete azul e suspiro de alívio. Papai sai do carro com uma enorme sacola plástica preta e meu peito se aperta. Joseph sai da outra porta e caminha na minha direção. Ele olha para o que restou de Chuva e diz:
    — Merda.
    Me surpreendo com o seu abraço e começo a chorar. Sabe aquele tipo de choro tão desesperado que dá vasão a soluções incontroláveis? Esse mesmo. Enquanto estou abraçado com meu irmão me sinto seguro como nunca, livre para chorar. Livre para repousar meu luto. Mas não por muito o tempo.
    — Pare de chorar Damien. — A voz do meu pai é tão intensa e grave que eu fico envergonhado.
    — Ignora ele. — Joseph sussurra no meu ouvido.
    Saio do seu abraço e enxugo as lágrimas tentando me recompor. Joseph me puxa dali quando cogito espiar nosso pai colocando o corpo do cachorro dentro da sacola. Morro de curiosidade, mas sei que é melhor para mim não ver esse tipo de cena.
    Quando estamos chegando, vejo Elisabeth sentada na porta da fazenda de braços cruzados.
    — Tirem a irmã de vocês dali, Beth não precisa me ver tirando um saco preto do tamanho de um cachorro da caminhonete. 
    Assentimos com a cabeça e vamos na direção da nossa irmã mais nova.
    — Eu conto. — Solto, começando a reunir forças.
    Joseph olha pra mim através dos seus óculos de grau e aperta meu ombro. Ainda não sei se apertar ombros realmente ajuda as pessoas ou se é apenas Joseph fazendo o que ele sempre faz, ser meu porto seguro.
    — Vamos inventar uma história. — Ele fala bem baixo por que já estamos chegando perto de Elisabeth. Aceno com a cabeça em resposta.
    — Vocês acharam chuva? — Ela pergunta, esperançosa.
    Ninguém contaria a uma criança de 7 anos que seu cachorro de estimação, que cresceu junto com ela, morreu. Tento bolar uma história da maneira mais rápida que eu posso. Um paraíso cheio de fazendas? Chuva foi embora por que ele quer criar uma família só para ele com uma esposa e vários pequenos filhotinhos cinzentos?
     Abro a boca para falar mas de repente tudo o que vejo é a sua forma deformada no chão da rua de barro, triste e sem vida.
    — Ele morreu. — Eu não consigo terminar a frase antes de começar a ter uma crise de choro. Joseph olha para mim estupefato e Elisabeth simplesmente arregala os olhos. Viro para Joseph e tento dizer em meio aos soluços. — Desculpa eu.... Eu...
    — Damien? —Joseph diz.
    — Chuva morreu? — Elisabeth pergunta para Joseph.
    — Sim, Beth.
    — Entendo. — Elisabeth cruza os braços e encara o chão.
    Eu continuo chorando como uma criança quando Elisabeth me abraça.
    — Calma maninho, vai ficar tudo bem.
    Enxugo os olhos com as costas das mãos e dou uma pequena risada com a ironia da situação, abraço minha irmã mais nova e me sinto mal por não estar conseguindo a proteger. Como uma menina de 7 anos pode ser mais forte do que eu? Joseph apoia a mão no meu ombro e subitamente tenho a certeza absoluta de que eu nunca poderei ficar longe desses dois.
    Eu preciso deles.
    — Vamos rapazes, tenho uma surpresa pra vocês. — Papai passa pela sala balançando as chaves do carro. Joseph tira sua atenção da revista que está lendo e me encara por um instante. Tenho um mal pressentimento.
    — Eu não posso ficar sozinha. — Diz Elisabeth ainda apoiada em mim sem tirar os olhos da TV.
    — Vamos deixar você com a tia Lúcia.
    — Ok. — Elisabeth se espreguiça e boceja.
    — Vamos logo garotos, temos que sair.
    Joseph fecha a revista e vai na frente, eu o sigo. Ambos não dizemos uma palavra sequer. A verdade é que nosso pai não nos dá muitos presentes, e qualquer coisa boa vindo dele é mais do que suspeito. Será que ele ficou chateado comigo por ter chorado hoje? Talvez, mas Joseph não fraquejou uma vez, por que ele estaria sendo punido também?
    Está anoitecendo e vamos em direção à cidade, deixamos Elisabeth no caminho com tia Lúcia e tudo o que eu mais desejo é ficar lá também.
    — Vamos lá, quem quer tomar sorvete?
    — Eu quero! — Elisabeth estende os braços e nossa tia, grande e robusta, a levanta numa pegada só.
    Eu também queria sorvete.
    — Para onde estamos indo? — Joseph pergunta do banco de trás.
    — Para o paraíso Jo, — Papai ri. — o paraíso.
    Olho para trás e encontro os olhos de Joseph, receoso. Quando chegamos na cidade, após muitos campos verdes e escuros naquela noite de campo, chegamos num amontoado de construções urbanas. Aqui parece nunca anoitecer, tudo é tão claro quanto de dia, mas agora, a iluminação tem mil cores diferentes. No lugar que paramos, em especial, a iluminação é vermelha. Logo em cima da porta de entrada tem um grande letreiro aceso dizendo:
    PARAÍSO CARNAL, 173
    — Isso é um... — Começo a dizer.
    — Você não pode estar falando sério. — Joseph me corta.
    — Estou mais do que sério. Sério como um pai mostrando aos seus filhos como serem homens de verdade.
    — Acontece que já somos homens. Você não precisa fazer nada quanto a isso. — Não lembro da última vez que Joseph levantou o tom de voz com papai. Começo a estalar os dedos, nervoso.
    — Chega! — Papai bate com as mãos no volante e Joseph se cala. — Venham.
    Ele sai do carro e nós o seguimos, não há muito o que fazer. Entramos no prostíbulo e mulheres seminuas passam por todos os lados nos encarando. Uma delas mandou um selinho para mim e eu desviei o olhar, aflito.
    Eu sou virgem e não sei quanto a Joseph, mas prefiro continuar assim a transar com prostitutas. Depois do nosso silêncio mútuo, nosso pai decide escolher as garotas para nós. Estava tão desconcertado me preocupando apenas em estalar os dedos que não sei bem como cheguei aqui, mas sei que ela é linda.
    — Meu nome é Samantha, e o seu? — A prostituta tira o top, deixando os peitos nus.
    Eu não quero fazer isso. Não quero.
    — Da-Damien. — Gaguejo e me amaldiçoo por isso.
    Meus dedos já foram estalados vezes o suficiente nos últimos minutos, então apenas passo uma mão na outra e continuo encarando o chão. Eu sento na cama, ainda de roupa. Samantha se ajoelha na minha frente. Ela claramente percebe meu nervosismo.
    — Damien, tá tudo bem?
    — Sim.
    — Você tem certeza de que quer fazer isso?
    Eu demoro a responder. Ela me olha com compaixão. Mas eu não posso decepcionar meu pai. Eu preciso deles. Eu preciso do meu pai, do meu irmão e da minha irmã. Não posso falhar com nenhum. Sem eles, eu seria... Eu não sei o que seria.
    Eu preciso fazer isso, pelo meu pai.
    A ignorância é o combustível do medo. Sabe no que isso dá, Damien?
    2015, 19 de março, 45 anos
    — Por favor Damien! Não me faça jogar esse ingresso fora.
    — Me desculpa Tomás, mas... Não adianta eu ir pra um evento de música, não tem lógica.
    — Você não precisa sentir nada, ora essa! É só nos fazer companhia, ficar lá, curtir a vibe.
    Eu realmente canso e cedo muito fácil. Pude conviver com isso desde sempre, mas não estou acostumado a pessoas insistirem tanto por minha companhia, a não ser quando se trata dos meus irmãos.
    — Tá, eu posso tentar ir.
    Tomás se anima e combinamos um ponto de encontro às 19:00. Tento memorizar as ruas e o horário, me despeço e desligo o telefone, deitando na cama cansado demais para fazer qualquer outra coisa. Imagine em números a vontade que um neutralizado tem de sair de casa à noite para assistir um show de uma banda que nunca ouviu falar. Se você respondeu 0, está certo.
    Eu costumo sempre a ser no mínimo, pontual. Então são 18:40 da noite e estou a caminho, vestindo uma calça jeans simples e uma blusa azul marinho sem estampa. Eu ando sem pressa pelas ruas meio movimentadas da cidade grande, estamos no horário de verão e por isso está escurecendo só agora. Quando eu chego na esquina onde eu deveria encontrar com Tomás, avisto na ponta do quarteirão uma massa enorme de pessoas vindo na minha direção a passos curtos. Semicerro os olhos para enxergar melhor sob as luzes dos postes que ainda estão acendendo e consigo detectar grandes placas erguidas e pessoas que parecem estar bem nervosas, principalmente pelos seus gritos que já posso ouvir daqui. Olho para o relógio no meu pulso e vejo que infelizmente ainda são 18:50. A multidão chega mais perto e consigo ler suas placas.
    “DIGA NÃO ÀS PILULAS!”
    “VICIADOS E COVARDES.”
    “NA BÍBLIA DIZ...”
    Não é como se eu tivesse medo ou algo do tipo, então simplesmente recuo um pouco e me encosto na parede para não ficar no meio deles. Eles vão chegando mais perto e as pessoas de fora do movimento começam a se afastar, receosas, mas eu continuo ali, quieto, esperando. No meio do protesto há um grande carro com uma caixa de som, a voz de uma mulher sai de lá, e ela também parece nervosa.
    — E esse é o número de mortes que vem duplicando a cada ano devido as pílulas. Eles não sentem medo e morrem por isso. O medo é algo necessário para a vida!
    Realmente, é cientificamente provado que o medo é algo essencial e há doenças em que a pessoa não sente medo e por isso, tem um risco de mortalidade muito grande. Mas acho que não é esse o nosso caso. Eu sei que devo “temer” colocar a mão numa panela quente, não sou um retardado mental.
    Isso não é medo seu idiota, é outra coisa. Se você não tiver medo da morte, ela corre duas vezes mais rápido na sua direção.
    Ignoro a pequena voz na minha cabeça. Me espremo contra a parede enquanto as pessoas passam esbarrando em mim. Elas estão suadas mas a grande parte veste ternos. Vejo alguns segurando bíblias numa mão e placas com uma grande Cruz na outra.
    — Eles matam o amor. E se matam o amor, matam Deus também! Nosso todo o poderoso nunca será morto! Os que tentarem isso merecem ser salvos dessa escuridão e convertidos ao amor divino!
    As pessoas gritam como uma tropa de soldados religiosos. Alguns deles olham de um jeito estranho pra mim. Tento mostrar naturalidade mas 1) estou num lugar nada natural para um não protestante, 2) eu não sei mais agir normalmente.
    Recém-neutralizados viram pessoas exatamente normais, mas sem sentimentos. Então quando um cara que passou a vida viciado em sentimentos como todos os outros, pega pílulas e começa seu vício, ele não vai aparentar ser um neutralizado. Passará semanas e quem sabe, até meses para que ele esqueça completamente (inconsciente ou conscientemente) como ‘fingir’ sentimentos. Mas até nós, veteranos com mais de anos no currículo, podemos imitar algo aqui e ali.
    Um homem que está de calça jeans e uma camisa cinza escrito “Essa não é a cura, é a doença” com uma grande pílula vermelha (que nada se assimila a reais pílulas neutralizadoras) abaixo, para na minha frente e olha bem dentro dos meus olhos. Poderia senti-lo invadindo a minha alma com aquele olhar, mas...
    — O que você tá fazendo aqui? Ein?! — O homem vem na minha direção.
    Algumas pessoas a sua volta param e nos encaram, curiosos. A gritaria cessa parcialmente.
    — O que? — Digo da maneira mais monótona possível encarando-o de volta. Ele para bem perto com uma postura erguida como um animal selvagem querendo intimidar outro macho do bando.
    — Você é uma abominação, sabia disso? — Ele grita mais ainda e a multidão começa a fazer silêncio para poder ouvir o sermão, continuo inerte e o seu hálito é terrível e está mais perto de mim do que eu gostaria.
    Não acho respostas válidas e não tenho vontade de me defender. Eu simplesmente não me importo. Enquanto ele bufa quase beijando meu rosto de tão perto, ouço pessoas gritando sentenças avulso como se fossem arqueiros me alvejando sem nem mesmo mostrar as caras.
    — Você deveria morrer!
    — Deus te odeia!
    — Mostre a ele porque ele deveria ter medo, Carl!
    — Bem, é uma boa ideia. — Ele ri.
    Essa é uma daquelas horas em que o bom senso grita tão alto dentro de mim que não há escapatória. Desvio para o lado rápido o suficiente para o soco dele acertar parte da minha orelha esquerda e dou alguns tropeços. Quando me recomponho, o encarando com seu olhar sádico, alguém puxa o meu braço e me carrega dali. O homem fica parado rindo de mim enquanto a multidão se une à um coro de risadas.
    Quanta crueldade.
    Ouço aquela pequena voz na minha cabeça dizer.
    Corro junto de Tomás, ainda sendo segurado pelo braço até pararmos num beco não tão longe dali.
    — Obrigado. — Digo.
    — Relaxa. Eu que deveria me desculpar, não sabia que haveriam protestos hoje, foi mal Damien.
    Ainda estamos encurvados recuperando o fôlego quando Tomás dá uma risada estranha e diz:
    — A ignorância é o combustível do medo. Sabe no que isso dá Damien? — Ele se aproxima e passa a mão na minha orelha, quando recua, tem sangue nela.
    — Não. — Levo a mão ao mesmo ponto e sinto um pequeno corte.
    — Ódio.
    Reflito sobre sua frase de efeito e lembro do motivo de eu ter começado as pílulas. Afasto-o da mente, como sempre.
    — Vamos lá. — Tomás dá um tapinha amigável nas minhas costas. — Temos que encontrar Hannah ainda.
    A fila para o show está enorme e eu não imaginava que essa banda fizesse tanto sucesso.
    — Qual é o nome deles mesmo? — Pergunto, em voz baixa.
    — The war drugs. — Tomás responde com a mesma discrição. — É muito parecido com The Vaccines, você vai adorar.
    Ficamos na fila por um bom tempo até Tomás ser surpreendido — assim como eu — por uma garota pulando nas suas costas e se pendurando nos seus ombros.
    — The war drugs! — Ela grita enquanto Tomás continua girando para tirá-la dali. Alguns dos fãs da fila nos encaram estranhamente e outros apenas riem e voltam com suas conversas.
    A brincadeira — ou loucura — acaba quando ela sai das suas costas e os dois se abraçam ternamente.
    — Sinto muito por Marcos, ele é um idiota por não vir. — A garota diz.
    — Não é culpa dele. Muito trabalho.
     Tomás sai do abraço e eu consigo entender que não se trata de uma garota. É uma mulher, de cabelos curtos e escuros. Eu não guardei muito bem o seu rosto, mas reconheço aquela mecha de cabelo solta e desordenada pendendo sob sua testa.
    — Hannah, Damien. Damien, Han— Tomás tenta nos apresentar mas é interrompido por Hannah.
    — Você! — Ela aponta pra mim com os olhos arregalados.
    — Vocês se conhecem?
    — Sim. — Respondo.
    Relações sociais. Um problema, eu disse.
    — O cara do elevador, Tom.
    — Nossa! Sério? — Tomás tampa a boca e ri.
    — Não tem graça. — Hannah desvia o olhar e cruza os braços. De alguma maneira, ela me lembra Elisabeth.
    — E por que diabos você estava no prédio dele? — Tomás pergunta.
    — Eu fui visitar a Luiza, do teatro, ela mora naquele prédio. — Hannah diz, impaciente.
    Não há tempo para conversa. A fila começa a andar e a euforia é total. Noto que estraguei todo o clima feliz entre os dois, Hannah fica quieta na dela e Tomás não sabe o que dizer.
    Mas que vergonha Damien.
    Eu não fiz nada de errado.
    Você erra toda vez que tenta socializar, idiota.
    Tento ao máximo afogar essa voz — que parece muito com a minha — no meu oceano de pensamentos. As vezes dá certo.
    O show começa e eu fico no bar o tempo todo, deixo Tomás e Hannah ficarem a sós, não quero estragar a noite de Tomás mais ainda. Ouço as músicas e realmente noto a semelhança com The Vaccines, mas não consigo sentir nada com elas, me animar, deprimir ou algo do tipo. Me pergunto como deve ser estranho se eu ouvisse The Vaccines agora e não sentisse nada. 
    Hannah aparece no meu lado e senta em um dos bancos do bar.
    — Duas cervejas por favor. — Ela diz levantando o indicador com um sorriso simpático para o barman. — Acho que você já está bebendo, não saiu daqui até agora. — Ela olha para mim e aponta para o copo meio vazio na minha frente.
    — Eu não bebo. — Levanto o copo e balanço o restante de suco de laranja com um erro fatal. Eu tento sorrir. Porque diabos eu ainda tento?
    Ela faz uma careta e ri.
    — Tudo bem, você não precisa beber, só pare de sorrir.
    — Me desculpe. — Viro para frente.
    — Olha, eu que deveria estar pedindo desculpas. — Hannah começa a bater com as unhas no balcão, ela as pintou de um azul parecidíssimo com o da minha camisa. — Eu não deveria ter dito aquelas coisas à você naquele dia, foi totalmente rude da minha parte.
    Eu não estava pedindo desculpas sobre aquele dia mas aproveitei minha deixa.
    — Neutralizados tem pouca noção de muitas coisas, não foi a minha intenção te ofender.
    O barman aparece com as duas cervejas e as coloca na nossa frente.
    — Leve a do Tomás.
    — Mas eu vou ficar aqui mesmo...
    — Não vai não.
    Hannah levanta e me agarra pelo pulso. Eu hesito mas como disse anteriormente, sempre estou cansado demais para discutir com as pessoas. Então sigo a pequena mulher a contragosto.
    Estou no meio da multidão e todas as pessoas estão meio quietas. A música parece ter acabado agora. Entrego a bebida para Tomás e ele sorri. Quando tento fazer o mesmo ele tampa minha boca com a mão direita e até Hannah ri junto.
    Você precisa sentir com eles de novo.
    Eu não quero.
    Eles ainda estão rindo quando luzes vermelhas e azuis acendem no palco. Um solo de guitarra imunda o recinto com um volume absurdo. Todos gritam e pulam, inclusive Tomás e Hannah que se olham incrivelmente animados e felizes, provavelmente por conhecerem a música e estarem amando aquele momento. O vocalista começa a cantar e todos o acompanham sem errar a letra. A energia que circula a minha volta é tão grande que eu fico extremamente estranho e deslocado. Quando chegamos no refrão, Tomás e Hannah me seguram, um em cada braço, e pulam me levantando numa sincronia absurdamente ruim. Mas eu assisto aos seus olhares e ouço a suas vozes enquanto cantam entendendo que o objetivo não é sincronia, uma boa cantoria ou uma simples dança. O objetivo é aproveitar tudo aquilo. E de alguma forma, eles parecem felizes.
    Seja feliz como eles são, Damien. Vamos sentir de novo.
    Por um momento eu cogito ceder a essa pequena voz dentro de mim. Mas acontece que the war drugs se assemelha muito a essa banda que eu e Steve ouvíamos muito anos atrás... A cada vez que ouço o refrão, consigo vê-lo ali conosco, dançando e cantando, alegre.
    Vamos sentir Damien! Vamos!
    Formulo minha resposta enquanto assisto Steve dançando na minha frente. Uma visão só de dentro da minha cabeça.
    Não.
    Vamos nos fingir de neutralizados por um momento, ok?
    1985, 11 de fevereiro, 15 anos
    — Damien, tá tudo bem?
    — Sim.
    — Você tem certeza de que quer fazer isso?
    — Com licença! — Joseph entra no quarto.
    — Que merda?! — Samantha olha para ele, assustada.
    — Joseph?! — Pergunto, quase gritando.
    Uma mulher entra logo atrás do meu irmão.
    — Kate? — Samantha se levanta e senta no meu lado, pouco importando-se sobre os peitos a mostra.
    — Oi Sam! – Kate é sorridente, magricela e tem uma enorme trança loira.
    — Vamos lá. — Joseph para, ajeita os óculos com o dedo indicador e aponta para mim. — Kate, esse é o Damien.
    — Oi Damien! — Kate sorri para mim.
    — Oi.
    — Você deve ser a Samantha, certo? — Joseph aponta para Samantha.
    — Sim. — Samantha concorda.
    — Samantha, eu sou o irmão do Damien. Vou te explicar a mesma coisa que eu expliquei a Kate. — Joseph anda de um lado para o outro gesticulando com as mãos enquanto Kate fica assentindo com a cabeça em concordância, ela parece ser meio louca — Nosso pai nos colocou aqui a força. Eu tenho uma namorada e sou heterossexual, não quero transar com a Kate e não é nada pessoal. Sobre o meu irmão, eu o conheço e sei que ele também não quer estar aqui. — Eu sorrio para Joseph em forma de agradecimento e ele sorri de volta. — E provavelmente ele não é gay.
    — Joseph!
    As duas mulheres riem, eu fico vermelho como um tomate.
    — Bem. — Samantha levanta e veste seu top com casualidade — Eu não ia obrigar o pequeno Damien a fazer nada que ele não quisesse.
    Eu desvio o olhar, ainda constrangido.
    — E temos TV! — Kate diz eufórica.
    Joseph senta no meu lado e passa o braço pelos meus ombros, apoio a cabeça no seu peito e agradeço mais uma vez.
    — Isso só pode ser piada. — Samantha diz apontando para a TV.
    Eu pego um punhado de pipoca que Kate nos preparou e levo algumas à boca.
    — Talvez seja verdade. — Digo.
    — Não tem como pararmos de sentir, certo? Também acho que é loucura. — Kate diz como se realmente fosse uma ideia bizarra.
    — Totalmente viável. — Joseph não tira os olhos da TV.
    O programa entrevista um homem que vem fazendo pesquisas sobre o que ele chama de “a cura da emoção”. Seu nome é Shelby Michael, ele mantém uma postura convicta mas seus olhos transmitem uma gentileza afetuosa. Shelby fala sobre uma vacina que poderia deixar as pessoas privadas de sentir qualquer tipo de emoção. Ele levou uma ‘cobaia humana’ e o seu nome é Wendy, uma adolescente com cabelos escuros e compridos.
     A apresentadora, uma mulher de meia idade com o rosto repleto de maquiagem e uma roupa chamativa rosa faz perguntas ao dono da vacina e à cobaia na frente de um auditório bem cheio.
    — Com que frequência você aplica as vacinas?
    — Nós estamos fazendo as aplicações de manhã e por enquanto isso parece estar sendo o suficiente para a ‘neutralizar’, vamos assim dizer, pelo dia inteiro.
    — E você, Wendy, como você está se sentindo sobre isso tudo?
    A apresentadora ri e seus cachos loiros balançam sobre seus ombros. A plateia se entretém com a piada enquanto Shelby fica um tanto sem graça. Wendy permanece inerte.
    — Como assim?
    — Nada, foi só uma piada. — Ela balança sua mão cheia de anéis brilhantes — Nos diga, como foi seu primeiro dia depois da vacina?
    — Bem, foi como se tudo tivesse mudado. Literalmente.
    Enquanto Wendy fala, ela mexe no seu vestido olhando para o chão, mas não parece estar constrangida, apenas sem saber o que dizer. Nos seus braços, é possível ver os furos das seringas.
    Shelby toma a palavra.
    — Wendy teve um passado difícil. A sua mãe morreu de câncer fazem 4 meses. Ela se dedicou a me ajudar com essas experiências e acabou que eu a ajudei um pouco também. — Ele sorri para Wendy.
    — Você quer dizer que a vacina a impede de se sentir triste pela morte da mãe?
    — Sim. — Wendy não tira o olhar dos próprios sapatos.
    — Bem, você ficou feliz com o resultado das pílulas? — A apresentadora mexe nos seus cachos.
    — Que idiota. — Joseph diz. — Como ela vai estar feliz?
    —Aposto que é uma bela de uma atriz, essa menina. — Diz Samantha.
    — Por enquanto o efeito das vacinas é completo. Então se considerássemos emoções como boas e ruins, ambas estariam sujeitas a neutralização. — O cientista explica e a apresentadora se endireita na cadeira.
    — Pera. — Joseph levanta e vai até a janela, abrindo a cortina alguns centímetros. — Papai chegou, Damien.
    Me concentro um pouco e consigo ouvir o barulho da caminhonete. Ela se destaca entre os outros sons da cidade.
    — Bem, rapazes. Foi bom pra vocês? — Pergunta Samantha.
    — Maravilhoso. — Joseph responde a papai.
    Ele nos olha um tanto desconfiado.
    — E pra você Damien? Aquela tal de Sam deu conta do recado?
    — Com certeza. — Digo, sem olhá-lo.
    Entramos na caminhonete e eu estou com tanto sono que desabo assim que sento no carona. Acordo com meu pai falando algo com muita raiva.
    — Veja só o que encontramos!
    Não sei do que ele está falando, esfrego os olhos e quando meu pai finalmente estaciona, vejo pela luz dos faróis dois homens vestindo suas roupas desesperadamente. Tenho um mal pressentimento, olho para trás em completo desespero. Joseph está dormindo.
    Estico a mão para acordá-lo mas papai ordena:
    — Vem, deixa seu irmão aí.
    — Mas-
    — Damien Roseburn, vamos ensinar algumas coisas para essas bichinhas.
    Saio do carro e sigo meu pai. Começo a estalar os dedos.
    — Já estávamos de saída. — Um dos rapazes parece ter a minha idade, ele é loiro e bem magro.
    — Que engraçado, eu também estou. — Meu pai ri de uma maneira que arrepia os pelos da minha nuca.
    O outro rapaz continua em silêncio. Sua pele é bem escura e ele parece ser um pouco mais velho.
    — Pai, vamos sair daq-
    — Cala a boca Damien, você só precisa fazer uma coisa.
    Meu pai aponta para o pedaço de ferro que está no chão ao meu lado. Eu olho para o objeto e um frio percorre toda a minha espinha. Os dois rapazes recuam até esbarrarem numa grande parede de tijolos. Estamos atrás de uma fábrica abandonada, nos limites da cidade.
    — Por favor, não queremos problemas. — O loiro levanta as mãos.
    Papai não responde e corre em direção aos rapazes. O negro olha pra mim como se pedisse por misericórdia e meu coração se aperta.
    Eu não quero fazer isso.
    Dimitri desfere um soco no rapaz loiro e ele cai no chão quase que mole. O outro sai aos tropeços e corre até tomar velocidade e sumir da nossa vista. Eu olho para o rapaz no chão e vejo que sua boca sangra muito. Seus olhos encontram com os meus e é como se eu sangrasse também.
    Eu NÃO POSSO fazer isso.
    — Damien. — Papai funga e continua parado na frente do garoto nocauteado que ainda olha para mim.
    Eu fico paralisado encarando os seus olhos. Porque meu pai fez isso? Eles são tão perigosos assim? Esses... homens?
    — DAMIEN! — Papai grita e me tira do transe.
    Pego a barra de ferro no chão e me aproximo. Olho para o meu pai e seu bigode que agora pinga suor. Eu não quero bater nele. Deveria? Mamãe foi embora, eu não posso decepcionar meu pai. Não posso.
    — Por favor... — O menino diz estendendo a mão e tocando no meu pé direito. Começo a tremer.
    Meu pai chuta a sua mão e se ajoelha. Segura seu queixo parecendo pouco se importar com todo o sangue que saiu de sua boca e diz:
    — Você sabe a diferença entre um humano e você? — Meu pai espera a resposta e depois do silêncio, ele grita — SABE?!
    — Não. — O rapaz diz e acaba cuspindo mais sangue.
    — Isso — Dimitri vira o rosto dele para mim. — É um humano. Interessado por mulheres, cristão, branco. — Ele vira o rosto do loiro de volta para o próprio bigode. — E você não é nada mais do que uma aberração. Entende o que eu digo?
    — Sim. — Mais sangue.
    — Damien. — Papai diz mais uma vez.
    Eu ergo a barra de ferro. Não consigo desviar de seu olhar. Ele continua olhando nos meus olhos como se soubesse como eu sou vulnerável. Como eu sou fraco.
    — Deixe o pai orgulhoso. — Meu pai apoia a mão no meu ombro.
    Fecho os olhos e abaixo o ferro com força. Não sei onde acertei. Ouço um grito sendo expelido de um gargarejo de sangue. Sinto a barra de ferro como se fosse uma extensão do meu braço e há um osso quebrando. Eu deixo a barra cair no chão e ando para trás. Não quero abrir os olhos. O silêncio que se sucede é aterrorizador demais. A escuridão me cerca.
    — Damien?! — Joseph grita meu nome. Ouço-o correndo na minha direção.
    Eu sento na terra, não quero abrir os olhos. Sinto o abraço de Joseph me envolver.
    — Se você chorar mais uma vez, te obrigo a vir aqui e fazer esse viado parar de respirar de vez. — Meu pai grita.
    — Tá tudo bem. — Joseph tenta me soltar mas eu me agarro em seu abraço e não lhe concedo permissão para sair.
    — Eu quero chorar. — Digo, bem baixo
    — Não, fica calmo. — Ele sabe que papai está falando sério. Ele sabe o que papai me obrigaria —Vamos nos fingir de neutralizados por um momento ok? Somos neutralizados agora. Não sentimos nada.
    Mas eu sinto tudo
  • NÓS

     
    A tv me promete
    o leite da moça,
    o prazer em pó,
    líquido,
    instantâneo,
    integral...
     


    Que faremos de nossos olhos,
    de nossas mãos?
     
    .............................................................................
    © do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, Fundação Cultural do Piauí, 2005. 226 p. Página 180.

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