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  • Dia de chuva

    Tudo começou com um belo dia pós chuva. À vi em uma travessa daquela pequena cidade.
    A princípio não havia reparado em seu elegante cachecol estampado com flores, e sua blusa lisa caque que destacava sua esbelta cintura, e sua calça jeans escura, e suas botas marrom, sem salto. Não sou de reparar nas pessoas, mas não pude deixar de reparar em seus cabelos castanho escuro, levemente andulado nas pontas, e aqueles chamativos par de olhos mel esverdiados, que até poderia dizer que eram âmbar, e um sorriso, lindíssimo, com dentes tão brancos como as nuvens, e reluzentes como as estrelas. Mas o que realmente me chamou a atenção, foi o motivo de seu sorriso, um pequeno pássaro verde, pousado em uma árvore próxima. Ela apontava, e sorria, mostrando-o para quem andava com ela.
    E isso me fez pensar: Como coisas simples podem fazer a alegria de alguém?
    Aquele pássaro pousado naquela árvore, nada de mais, fez a moça sorrir.
    E aquela simples ação da linda moça, me fez sorrir o resto do meu dia.
  • Diário de um Feiticeiro: Parte 01

         Oi, meu  nome é Ryan Lewis e tenho 15 anos. Hoje é o dia 26 de outubro de 1985, falta apenas 5 dia para meu aniversário. Hoje 26 de outubro acordei com o pé esquerdo, escovei os dentes e lavei a cara com a força do ódio e fui pra escola.
         Quando cheguei na escola veio meu amigo Henry para nós falar sobre a nossa série favorita de terror. A gente passou  os quatros períodos da aula conversando sobre teorias malucas do que aconteceria com a alma da personagem Lilian. Enquanto nós passamos os quatros períodos da aula conversando eu fiquei olhando para Sabrina Spellman que é uma garota bonita, inteligente e misteriosa. Não vou negar que sinto um sentimento por ela mas ela nem sabe q eu existo hahaha. Eu dou risada mas na verdade é um tanto triste. E essa foi a minha manhã.
         Depois dessa manhã chata mas legal ao mesmo tempo no colégio Dorcas, fui para minha casa e almoçei com minha tia Ilda e meu tio Ben. Você deve estar se perguntando dos meus pais, vou deixar bem claro que eles não estão mortos, eles somente desapareceram quando eu nasci. Deixa eu explicar melhor isso, quando eu nasci eles me entregaram para os meus tios e foram embora e disseram q voltariam um dia. Faz 15 anos e eles não voltaram, mas eu me acostumei com minha tia Ilda e meu tio Ben. 
         Depois do almoço, fui as duas horas da tarde para a floresta Salvatore para fazer o que eu mais gosto que é observar a natureza e tirar fotos mas algo estranho aconteceu lá. Eu vi a Sabrina realizando algo que parecia um ritual, me aproximei perto dela sem ela ver, fiquei olhando tudo aquilo acontecer. Aquele ritual era para trazer de volta o seu gato morto que tinha sido atropelado, foi naquele momento que descobri que bruxas existiam e que andavam entre nós.
         Mas eu não fiquei assustado pois eu senti que era igual a ela, era como se algo fluísse dentro de mim, então sem medo me aproximei dela e ela tentou fugir com o gato já vivo correndo atrás dela, então eu gritei :
          - Espera, eu acho que eu sou que nem você, sinto algo fluindo em mim.
         Então ela parou e se virou para trás e o gato também, então ela me perguntou a minha idade e eu respondi 15 anos. Ela me perguntou quantos dias ou meses faltava para o meu aniversário, então respondi 5 dias. Ela me perguntou se estava tendo sonhos com algo relacionado a magia, ela parecia saber de tudo, ela até descreveu um sonho bem direitinho, era um sonho onde eu pegava um livro e realizava um ritual de invocação. Ela me explicou que eu me tornaria um bruxo ou melhor dizendo um feiticeiro. Fiquei um pouco espantado mas nem tanto pois sabia que eu não era normal que nem outros, as vezes sentia uma energia percorrendo meu corpo. Parece q eu realmente iria descobrir meus poderes no dia 31 de outubro que é o dia do meu aniversário de 16 anos segundo Sabrina. Ela explicou q descobriu seus poderes dia 28 de julho que foi seu aniversário de 16 anos mas Sabrina ao contrário de mim já sabia disso e foi orientada desde pequena.
         Sabrina se aproximou perto de mim e disse que não era para eu ter medo pois ela me ajudaria a cada passo que eu desse, isso me fez me sentir melhor, ela falou que eu adquiria conhecimento em uma escola para feiticeiros e feiticeiras indo todos os sábados. Ela me explicou que a escola ficava debaixo da ponte sul da nossa cidade. Eu fiquei falando pra ela: 
         -Como assim? Debaixo da ponte? 
         Mas aí ela me explicou melhor e disse que debaixo da ponte havia um pentagrama que se você for um feiticeiro de verdade e recitar as palavras cremonali doudali soulanali a parede quebraria e abriria um portal para a escola. Eu fiquei feliz pois sábado é o dia que irei virar feiticeiro e já poderei ir na escola de magia no mesmo dia.
         Então depois dessa tarde maluca descobrindo coisas incríveis, eu fui para casa e meu amigo Henry esta me esperando na frente da minha casa, ele parecia querer contar algo. Então me aproximei dele e ele me contou que na outra floresta da cidade que é uma floresta mais obscura da que eu estava, tinha uma criatura peluda, com dentes enormes e garras muito afiadas coberto de sangue de um cervo que essa criatura matou.
         Então eu disse:
       -  O que você estava fazendo lá, e que horas você viu isso?
         Ele me disse que viu as 22:45 de hoje, a esse horário eu ainda estava com a Sabrina na outra floresta que é muito linda, diferente dessa que Henry estava. Mas ele não me disse o que estava fazendo lá, então eu falei:
        - Mas você não me disse o que estava fazendo lá.
         Henry disse que estava atrás de uma nova espécie de passarinho mas não fazia sentido ele estar naquele horário, então perguntei:
        - Mas por que você estava nessa?
         Henry falou que o pássaro possuía hábitos noturnos, mas estava tão difícil de acreditar nele, parecia que estava me escondendo alguma coisa. Mas então por que ele me contaria dessa criatura? Minha mente estava tão confusa com tudo isso.
         Então falei para ele:
       - Henry você esta mentindo, você pode confiar em mim e contar a verdade.
         Então Henry me olhou e contou tudo dizendo:
        - Meu vô contava que uma criatura morava naquela floresta a muito tempo e ele já tentou caçar essa criatura mas não obteve sucesso. Então eu resolvi ver se era verdade as história dele e era.
         Depois de ouvir Henry falar isso, eu fiquei meio que assustado, eu estava pensando em contar para Henry sobre mim já que ele contou a verdade para mim, mas eu não queria colocar ele em perigo, talvez isso da criatura já fosse coisa demais para ele. Então falei para ele:
         - Henry eu acho que essa criatura não é nada mais ou nada menos que um lobisomem, que tal a gente continuar a comentar amanhã pois agora já são 23:00 horas da noite e sinto que nós dois levaremos broncas hahaha.
         Henry concordou comigo, ele me deu tchau e foi para casa e eu entrei na minha casa, quando entrei já estava minha tia Ilda e meu tio Ben sentado em um cadeira e eles estavam furiosos por eu ter chegado as 23:00 da noite, o horário máximo que eu poderia chegar em casa era as 20:00.
         Eu expliquei que estava com uma colega minha na floresta, só que isso não pegou muito bem. Eles acharam que eu estava transando ou algo assim, mas aí eu meio que falei a "verdade", falei que Sabrina estava me ensinando algumas coisas. Você pode achar que não mas eles acreditaram pois eles tinham grande confiança em  mim.
         Então depois da conversa com eles, eu tomei um suco de laranja muito gostoso com duas torradas de presunto e queijo, depois disso fui escovar meus dentes com a pasta de dente que eu amo e fui dormir. Posso ter começado o dia meio mal humorado mas acabei ele com tanta felicidade. 
         Depois de dormir acordei animado, querendo ir para escola e tentar me aproximar mais de Sabrina. Cheguei na escola encontrei Henry e fomos para sala de aula antes do sinal bater e já colocamos a data no nossos caderno que é dia 27/10 (terça-feira). Depois que colocamos a data resolvermos comentar mais sobre o lobisomem, ele me disse:
        - Era enorme, antes que você me pergunte se ele me viu já digo que não pois eu estava muito bem escondido, estava escondido atrás de duas árvores gigantes e elas tinham um cheiro muito forte, então seria difícil dele me farejar.
         Então eu lhe perguntei:
        - Essa de você estar escondido atrás de árvores com cheiro forte foi planejado?
         Henry riu, mexeu a cabeça fazendo sinal de negativo e respondeu:
        - Com certeza não, eu dei sorte de esta no lugar certo na hora certa.
         Então bateu o sinal para aula começar e Sabrina entrou na sala e fez um  gesto me dando oi, então eu fiz o mesmo com um sorriso. Depois que bate para o segundo período nós temos a merenda, notei q as duas amigas de Sabrina tinham faltado a aula, uma estava doente e a outra viajando para Nova York pois seu pai morava lá e ele estava muito doente, o coitado estava com câncer. Então já que Sabrina estava sozinha na merenda falei pra Henry que ia sentar com ela e pedi para ele deixar nós sós, Henry não gostou muito mas ele aceitou numa boa. Quando sentei com ela falei:
        - Eae Sabrina tudo bom? Posso sentar?
         Ela respondeu:
        - Estou bem, você já esta sentado, desculpa não quis ser grossa, me conte, esta animado? Esta bem com tudo isso?
         Então com um sorriso eu falei:
        - Não foi grossa não, só um pouquinho hahaha, sim estou super animado com tudo isso e por incrível que pareça estou bem com toda essa novidade, vai ser uma aventura para mim e será melhor ainda se você estiver nela.
         Sabrina ficou um pouco vermelha, me deu um sorriso e disse: 
        - Será um prazer estar nela.
         Então o nosso tempo na cantina acabou e voltamos para a sala, quando voltei lembrei que a gente nem comeu nada e meu estômago começou a roncar. Henry notou que eu estava com fome então me deu um pão com doce que havia pegado na merenda. Quando fui comer escondido (pois é proibido comer na sala de aula) lembrei que Sabrina não comeu nada, então parti o pão e dei o maior pedaço para ela sem a chatinha da professora Laiane ver. Sabrina me agradeceu e depois que acabou o segundo período fomos para o recreio, Henry foi conosco mas todo o recreio eu e Sabrina não falamos uma palavra sobre o assunto de feiticeiro, ficamos apenas falando sobre os professores, séries, filmes etc. Foi bom saber que a Sabrina também gostava de filme de terror. 
         Depois do recreio tivemos aula de história que me deu até sono mas depois veio a aula de ciências. E na aula de ciência foi dado um trabalho onde teríamos que tirar fotos de animais em umas das floresta da cidade, poderíamos escolher a floresta Salvatore ou a floresta Negra que era onde Henry teria avistado o lobisomem. O trabalho foi divido em duplas que foram sorteadas. A professora Nancy sorteou o papel com meu nome e falou:
        - Ryan ficará com...
         Aí ela sorteou outro papel com outro nome de uma pessoa e disse:
        - Sabrina 
         Aí olhei para Sabrina e sorri para ela e ela retribuiu com outro sorriso. Ela me deu um bilhete no final da aula que dizia:
        - Ryan me encontre as 14:00 horas na floresta Salvatore para nós realizar o trabalho, e para conseguirmos um familiar pra você, quando chegar eu lhe explico o que é familiar.
         Peguei o bilhete e coloquei no bolso e fui para casa conversando com Henry, ele me disse que havia ficado sem dupla, então eu lhe disse:
        - Henry nem pense em entrar na floresta Negra pra tirar foto daquela criatura, acredito que o mundo não esta pronto pra descobrir que lobisomens existem.
         Henry me olhou, concordou com um gesto positivo com a cabeça. Então Henry entrou ma casa dele que é do lado da minha e eu entrei na minha. Comi a galinha deliciosa que minha tinha Ilda tinha preparado de almoço, junto com um arroz branco e o meu suco favorito que é o de laranja. Depois de ter comido fui dormir um pouco até as 13:30 para depois ir na Sabrina, quando dormi eu tive um sonho, onde eu falava com um corvo e ele me respondia, o nome dele era Estorcas
         Então me acordei as 13:30 e fui para a floresta Salvatore encontrar a Sabrina, eu cheguei bem no horário combinado, nenhum minuto antes e nem depois mas ela não tinha chegado ainda, então resolvi sentar no banco para esperar ela. Não demorou 5 minutos pra ela chegar, quando chegou entramos pra dentro da floresta, eu estava com a câmera e ela com uma mochila que eu não sabia o que havia dentro.
         Olhei pra ela e disse:
        - Então, você tinha ficado de me explicar o que era um familiar. Então me diga o que é.
         Sabrina me olhou e falou:
        - Familiar é um animal que conversa com você e só você entende ele, ele entende as outras pessoas mas as outras pessoas não o entendem. Então você pode escolher que tipo de animal você quer e pode dar um nome pra ele.
         Eu na hora falei que queria um corvo e que seu nome seria Estorcas, Sabrina me olhou e disse:
        - Um corvo, sério? O meu familiar é aquele gato que você viu eu ressuscitando usando necromancia, antes que me pergunte o que é necromancia, já digo que é uma magia que lida com mortos e é bem complicada.
         Então eu olhei pra ela e falei:
        - Eu quero um corvo pois eu tive um sonho que eu estava falando com um corvo chamado Estorcas.
         Ela me olhou e disse:
        - Ei, você foi escolhido por ele, ele veio a você através do sonho. Eu acho que tenho tudo em minha mochila para evocalo.
         Então ela tirou um giz branco da mochila e fez um pentagrama no chão com a letra "E" no meio da estrela, no pentagrama tinha outros desenhos que simbolizavam evocação e outros meio referente a familiares. Ela me deu um livro de capa dura com um pentagrama na capa e embaixo dizia: "Livro Básico de Evocações."
         Ela me falou para abrir na página 27, onde falava de evocação de familiares, aí eu li as palavras:
        - Evocate familiare prontact pra me serviare.
         Depois que eu falei essas palavras, começou a sair uma fumaça preta do livro que foi para o pentagrama e no meio daquela fumaça saiu um corvo e ele me disse:
        - Eu não sou seu escravo mas o ajudarei em sua jornada e não ache que serei presso a você, eu serei livre pra voar para onde eu quiser. Eu serei seu amigo, seu conselheiro e até parceiro para inúmeras coisas mas jamais seu escravo.
         Eu falei pra ele:
        - Sim, serás meu amigo mas não escravo. Poderá voar pra onde quiser a hora que quiser. Será um prazer trabalhar com você.
         Depois disso, Sabrina e eu fomos procurar algum animal legal para tirar uma foto enquanto Estorcas sobrevoava a área para garantir se estava tudo bem. Depois de procurar e procurar um animal para tirar foto, finalmente achamos uma borboleta azul muito bonita. Então quando nos aproximamos o bastante dela para tirar uma foto ela vôo para longe. Aí eu olhei pra Sabrina e perguntei:
        - Tem como a gente evocar um animal só para a gente tirar uma foto e depois fazer ele ir de volta do lugar que saiu?
         Sabrina respondeu:
        - Sim mas tive uma ideia melhor, antes de eu contar me fale se você sabe desenhar bem.
         Eu respondi que sim aí ela contou que tem um feitiço que a gente faz um desenho meio que criar vida por uns dez segundos aí depois ele some. Então desenhei uma linda borboleta azul, idêntica aquela que a gente tinham visto. Ela pegou o meu caderno e outro livro de feitiços que dizia: Feitiços Básicos Volume 01.
         Ela abriu o livro na página 77 que tinha o feitiço chamado Ilusione desenhare, então ela ela recitou as palavras que dizia:
         - Criare el ilusuine del deserro poro trempo cutiro.
         Depois que ela disse essas palavras estranha o meu desenho da borboleta sumiu da folha e estava na minha frente a borboleta que eu tinha desenhado. Então rapidamente peguei a câmera e tirei uma foto perfeita, depois que tirei a foto eu fui tocar na borboleta mas aí o tempo acabou e ela voltou para a folha de papel do meu caderno.
         
         Sabrina olhou pra mim e me deu uma risadinha, nós dois estávamos parados lá sem mais nada pra fazer, então convidei ela pra dar uma caminhada pela floresta. Enquanto nós caminhava notei que Estorcas estava nos acompanhando pelo ar. Sabrina e eu estávamos conversando sobre feitiços e poções super legais enquanto nós caminhava. Mas aí eu pedi pra ela parar e fechar os olhos porque eu tinha uma surpresa. Ela fechou os olhou e falou:
        - To curiosa!
         Eu me aproximei dela e a beijei, enquanto nós nos beijava, as flores  começaram a voar em nosso redor, foi literalmente mágico o nosso beijo. Quando eu tinha finalizado o beijo ela me falou:
        - Foi uma das melhores surpresas que eu poderia receber.
         Quando eu fui pedir ela em namoro ela me interrompeu e falou:
        - Quer namorar comigo?
         Na hora eu disse sim, abracei ela como se não fosse soltar mais, depois do abraço, eu a beijei de novo e as flores em nosso redor fizeram um formato de coração. Falei pra ela:
        - Já são 16:00 horas, achou que vou pra casa, se tu for também posso lhe acompanhar até um pedaço?
         Ela disse que sim, então fomos conversando até sua casa sobre o quão incrível seria daqui pra frente. Quando chegamos na porta da casa dela eu a beijei e dei tchau. Eu estava super feliz, cheguei em casa cantando, minha tinha Ilda perguntou:
        - Qual o motivo de tanta felicidade Ryan?
         Aí eu lhe disse:
        - Ela me ama tia, a Sabrina me ama, tia eu gosto tanto dela.
         Tia Ilda ficou feliz por mim, o tio Ben estava trabalhando, ele trabalha de manhã das 06:00 horas até 11:00 horas da manhã. Depois que ele almoça ele volta a trabalha das 13:00 até 18:00. De manhã quando eu acordo para escola ele já esta no trabalho, depois quando chego da escola ele já ta quase saindo, a gente fica mais juntos pela noite. Tinha Ilda eu vejo quase sempre pois ela não trabalha. Não via a hora de contar pro tio Ben da Sabrina. Não faltava muito pra ele chegar pois já era 17: 37. 
         Fui para meu quarto para assistir The Horror que é uma série de terror que eu e o Henry assistimos, fiquei impressionado com o que fizeram. Fizeram um pacto com satã para a alma de Lilian voltar para o corpo, depois disso fiquei pensando se com a magia poderia fazer coisas assim. Acabei de assistir a série as 18:30, depois disso fui cumprimentar meu tio que havia chegado a meia hora atrás, depois que cumprimentei ele, eu disse:
        - Tio você nem acredita, tem uma garota da escola chamada Sabrina Spellman, a gente ta namorando.
         Ele me olhou com uma cara muito séria e falou:
        - Você falou Spellman?
         Minha tia que estava com uma xícara de chá, acabou derrubando no chão de espanto, então eu falei:
        - Tia esta tudo bem?
         Minha tia estava muito apavorada, eles sabiam de alguma coisa e estavam me escondendo. Então eu falei:
        - O que vocês sabem sobre o sobrenome Spellman?
         Meu tio me disse com uma voz rígida que a família Spellman são bruxos e perguntou se eu sabia algo sobre magia. Então eu lhe respondi:
        - Sim, eu sei e sou um feiticeiro. 
         Ao mesmo tempo minha tia e meu tio falaram:
        - Meu Deus, como você sabe disso?
         Expliquei que descobri através de Sabrina e eles ficaram furiosos e mandaram eu me afastar dela e até disseram que eu não iria a escola de magia. Eles sabiam de tudo isso e me esconderam a vida inteira, eu fiquei com tanto ódio que subi a escada e me tranquei em meu quarto. Quando estava no meu quarto eu abri a janela e em questão de segundos o Estorcas entrou e viu que eu estava furioso e me disse:
        - O que aconteceu? Por que está furioso?
         Então eu lhe respondi:
        - Estorcas o meu tio e minha tia sabiam de tudo e me esconderam a vida inteira, aposto que eles também sabem de meus pais.
         Estorcas falou pra mim que eu deveria perguntar sobre meus pais e sobre tudo que eu tinha direito de saber. Então baixei a escada quase chorando e fui falar com eles que estavam na sala, quando eu cheguei disse:
        - Eu mereço saber a verdade sobre meus pais.
         Eles me contaram que os meu pais queriam que eu tivesse uma vida normal, pois seria muito perigoso para mim, ou talvez para outras pessoas pois eu sou um feiticeiro híbrido. Então pedi para eles me explicarem melhor essa história de feiticeiro híbrido, então minha tia disse:
        - Vou começar a contar para você como surgiu os feiticeiros, existem dois tipos que são os do "bem" e os do "mal". Os do "bem" surgiram com uma cruza de um anjo com uma humana, em vez de estarmos chamando eles de feiticeiro do "bem", usamos o termo feiticeiros angelicais. Os feiticeiros do "mal" surgiram de uma cruza de um demônio com uma humana e para eles usamos o termo feiticeiros demoníacos. Aí o primeiro feiticeiro angelical criou as poções, os feitiços, livros e etc. O primeiro feiticeiro demoníaco criou rituais, livros mais obscuros, necromancia e etc. 
         Então eu perguntei:
        - O feiticeiro angelical pegou uma mulher que teve filho aí os filhos tiveram outros filhos até chegarem na gente?
         Então meu tio Ben respondeu:
        - Isso mesmo, mas eu e sua tia não somos que nem você, a sua mãe é irmã da sua tia por parte de mãe, já de pai não. Sua mãe Natasha era uma feiticeira demoníaca mas não era do mal, ela se casou com Edward que era um feiticeiro angelical e eles geraram você que é uma nova espécie.
        - Mas por que eles foram embora tio?
         Tio Ben falou que era para o meu bem que eles foram embora, se a sociedade dos feiticeiros angelicais e demoníacos vissem eles juntos, talvez matariam eles pois é proibido a união dos feiticeiros demoníacos com os feiticeiros angelicais. Então eu lhe perguntei:
        - Eles estão vivos? E estão seguros?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim, estão seguros pois são muito espertos e eles combinavam seus poderes e faziam coisas incríveis, acredito que eles estão em algum lugar muito longe, onde os feiticeiros não podem alcançar eles. Acredito que um dia talvez eles voltem.
         Perguntei pra eles se eu poderia ir na escola de magia e eles disseram que é muito perigoso mas depois de muita conversa eles deixaram com uma condição. Que era que eu não poderia falar que era um feiticeiro híbrido, só falaria que era um feiticeiro angelical. Concordei com essas condições e falei:
        - Tem uma escola para os feiticeiros demoníacos?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim mas esta escola você não vai participar pois ela não é muito recomendável por causa de seus métodos de ensino. 
         Concordei com o que ele disse e perguntei para minha tinha Ilda:
        - Tia você falou que os feiticeiros demoníacos criaram os rituais e a necromancia certo? Os feiticeiros angelicais podem realizar rituais e fazer coisa com a necromancia?
         Tia Ilda respondeu:
        - Sim, eles podem mas tem coisas que só a magia demoníaca faz e coisas que só a angelical faz. 
         Fiquei curioso com o ritual que Sabrina fez e a necromancia que ela usou para trazer seu gato de volta. Então perguntei:
        - Tia, feiticeiros angelicais podem usar a necromancia para trazer um familiar de volta a vida e pode realizar ritual de invocação de familiar?
         Ela me respondeu que isso são coisa "simples" para feiticeiros seja ele angelical ou demoníaco. Que são meio que nível básico mas já trazer pessoas a vida é bem mais complicado e evocar demônios também já é mais difícil também. A evocação de demônios são mais os feiticeiros demoníaco que conseguem fazer, foi o que disse tia Ilda.
         Chamei Estorcas para eu apresentar ele a minha tia e meu tio. Quando tia Ilda viu ele ficou feliz por ser um corvo pois a de sua irmã que é minha mãe também tinha um corvo de familiar. Finalmente depois de toda a conversa e a apresentação de Estorcas fomos jantar, comemos de janta o que tinha sobrado no almoço pois já eram 21:27 horas. Depois que comi fui escovar os dentes e peguei no sótão uma gaiola para o Estorcas mas ele não quis por causa que ele se sente preso. Aí eu falei pra ele:
        - É só para você dormir, nem vou fechar ela.
         Estorcas então aceitou a gaiola só para dormir, ele falou para mim que amanhã teria que comprar alguma ração de pássaro pois ele precisava comer. Então eu lhe disse:
         - Ok, mas agora boa noite pois tenho que dormir.
         E esse foi meu dia super maluco, cheio de descobertas e segredos revelados. Quando estava dormindo tive um sonho, nesse sonho eu tinha 7 anos e estava no balanço e tinha um homem me balançando e lembro dele dizer:
        - Ryan um dia voltaremos, desculpa por tudo.
         
         Aquele homem aparentava ser meu pai e esse sonho não parecia um sonho, estava mais para uma lembrança perdida. Quando acordei fiquei pensando nesse sonho enquanto escovava meus dentes. Fui olhar que horas eram, eram 7:34, faltava 16 minutos para bater o sinal da escola. Então em seis minutos coloquei minha roupa, arrumei meu cabelo encaracolado, peguei a mochila e saí correndo para a escola. Eu demoro mais ou menos vinte minutos pra chegar na escola mas hoje consegui chegar em dez por causa que eu corri muito rápido. Cheguei bem na hora que tinha batido, entrei na sala e me sentei atrás da Sabrina e do lado do Henry, perguntei de que animal Henry tirou a foto, então ele me mostrou uma linda foto de uma coruja rara.
         A nossa aula de ciências seria no segundo período. Enquanto isso nós tinha aula de português com o professor Guilherme, ele tinha cara de personagem de novela mexicana. As aulas do Guilherme eram bem legais pois ele era super engraçado contando piadas mas apesar das piadas que ele nos contava, ele nos ensinava muito bem o conteúdo e suas provas eram difíceis um pouco mas não eram nenhum bicho de sete cabeças. Depois da aula bem produtiva do professor Guilherme, tivemos a aula que eu estava tanto esperando que era a de ciências para eu entregar a foto da borboleta que eu e Sabrina havíamos tirado. Nossa foto ganhou nota 100 e a do Henry 90 pois a foto dele estava um pouco borrada mas estava boa. A professora nos deu outro trabalho que era pesquisar sobre o animal que a gente tinha tirado  a foto. 
         Então a merendeira nos chamou para comermos, me sentei com Sabrina e sua amiga que tinha voltado de Nova York, a outra ainda estava doente. Perguntei para a amiga de Sabrina que se chama Nathalia se seu pai estava bem e ela me respondeu:
        - Sim, graças a Sabrina que fez uma poção de cura que funcionou.
         Depois que ela disse isso, olhei para Sabrina e falei:
        - Você contou para ela sobre tudo?
         Então Sabrina respondeu:
        - Ela é que nem a gente, uma feiticeira angelical.
        Então  eu lhe disse:
        - Há, tá! Você contou sobre nós estarmos namorando?
         Sabrina fez um sinal positivo com a cabeça enquanto mastigava uma maçã. Nathalia de brinquedo nos pergunta:
        - Eae, quando vai ser o casamento?
         Eu e Sabrina damos uma risadinha e falamos que nós não sabia, mas que pretendemos nos casar um dia. Perguntei a Sabrina se exite casamento bruxo ou algo assim, ela me respondeu:
        - Mais ou menos, a gente pode assinar um livro pra mostrar que estamos compromissados ou algo assim.
         Depois da merenda voltamos para aula de ciência, quando chegou seu fim chegou o recreio e depois do recreio tivemos aula de educação física, eu e Henry notemos que uma garota que havia entrado na escola um mês e meio atrás se movia muito rápido, ela só faltava correr em quatro patas para deixar na cara que era uma lobisomem. Seu nome era Jéssica Freitas, falei para Henry se aproxima dela pra ver se ele descobria algo. Ele se aproximou dela e disse:
        - Oi tudo bem? Você gostaria de comer um lanche um dia comigo?
        Eu falei para Henry se aproximar dela, não para marcar um encontro com ela. Eu não acreditei quando ela disse que gostaria de comer um lanche com o Henry. Então Henry falou para ela:
        - Pode ser hoje de tarde as duas horas na lanchonete do Jimmy?
         Jéssica fez sim com a cabeça, então deixei os dois as sós e fui falar com a Sabrina e sua amiga, contei toda a história para as duas do lobisomem e convidei Sabrina para nós irmos no mesmo lugar que Henry só para investigar melhor ela. Sabrina aceitou com uma condição, a condição era que eu comprasse  lanches para a gente, por sorte eu tinha 35 reais guardados em casa para nós comprarmos os lanches. 
         Depois da aula de física tivemos aula de geografia, falamos sobre mapas, relembremos alguns conceitos, depois disso fomos para casa eu e Henry, Sabrina foi com sua amiga que mora na frente de sua casa. 
         Depois que cheguei em casa comi o delicioso estrogonofe que minha tia tinha feito e fui para meu quarto, quando cheguei no meu quarto joguei a ração pássaro que havia comprado em cima da cama e falei:
        - Toma aí sua ração Estorcas, hoje eu e Sabrina sairemos para uma lanchonete para investigar a Jéssica que estará com o Henry.
         Então Estorcas me perguntou porque eu investigaria a Jéssica, então eu lhe expliquei a história do lobisomem. Já eram 13:20, então fui me arrumar para o "encontro", coloquei minha melhor calça e um camiseta preta, por cima da camiseta coloquei um sobretudo preto pois estava fazendo muito frio naquela tarde. Depois de ter me arrumado coloquei a ração num pote para Estorcas e lhe deixei um pote com água também.
         Quando cheguei na lanchonete do Jimmy, Henry já estava com Jéssica conversando, mas Sabrina não havia chegado ainda, escolhi uma mesa longe deles e me sentei para esperar Sabrina. Alguns minutos depois, chegou Sabrina com seu cabelo loiro solto, e com um lindo casaco cumprido e vermelho. Ela sentou na mesa que eu estava e me disse:
        - Ta parecendo um detetive com esse sobretudo mas um detive muito gato.
         Eu sorri e disse:
        - Você esta linda com esse casaco vermelho, acho que vermelho combina com você.
         O garçom chegou na gente então pedi dois xis salada de 12 reais e um refrigerante de dois litros de 5 reais. Enquanto preparam os xis, eu e Sabrina conversamos sobre os livros de magia que ela iria conseguir para mim. Enquanto conversamos deu pra ver Henry sorrindo e conversando com Jéssica sobre a escola, edução física, professores favoritos e dentre outras coisas. Depois que eles comeram, saíram andando pela praça conversando enquanto eu e Sabrina estava terminando de comer o lanche e tomar o refri. Sabrina acabou não comendo todo o lanche e nem eu também pois tinha comido bastante no almoço então a gente deu para um mendigo junto com um pouco de refri que tinha sobrado.
         Eu e Sabrina estávamos seguindo Henry e Jéssica, depois deles andarem um pouco, eles sentaram num banco e se beijaram, olhei para a Sabrina e disse:
        - Já no primeiro encontro hahaha
         Nos dois demos risada e ela falou:
        - Era o que eu queria fazer com você a primeira vez que a gente começou a conversar.
         Olhei para ela e a beijei e falei:
        - Bora sentar num banco também.
         Ela falou bora, então sentamos num banco, peguei um ferro que estava no chão e escrevi no banco: S+R. Depois disso olhei para trás de nós, e vi uma barraquinha que vendia coisas de pelúcia, então falei para Sabrina:
        - Espere aí, já volto
         Cheguei na barraca e comprei um ursinho com os 6 reais que havia me sobrado. O ursinho assegurava um coração que dizia te amo, levei o ursinho pra ela e falei:
        - Toma uma lembrancinha desse dia que era pra ser uma investigação mas virou um encontro incrível, eu te amo Sabrina Spellman.
         Ela me olhou sorrindo e falou:
        - Eu também te amo Ryan Lewis
         Então a beijei, quando fomos olhar para o Henry, vimos que ele já tinha ido embora com Jéssica. Então eu levei Sabrina para casa dela, dei um beijo de despedida e fui para minha casa. Quando fui para casa, Henry estava na frente da minha casa com mordidas no pescoço. Olhei pra ele e falei:
        - O que aconteceu, foi a Jéssica?
         Ele me respondeu:
        - Não foi ela, foi um homem que saiu da floresta Negra mas eu não estava nela estava só cruzando enquanto voltava para casa, esse homem esta encapuzado e seus olhos eram vermelhos.
         Olhei para ele com uma expressão séria e falei:
        - Já não bastava lobisomens, agora vampiros e provavelmente você vai virar um vampiro se não acharmos uma cura ou algo assim.
         Henry me perguntou como iriamos achar uma cura, então lhe respondi:
        - Henry eu sou um feiticeiro híbrido, posso ter acesso as magias do mal e as do bem.
         Henry não tinha entendido nenhuma palavra do que eu tinha dito, então acabei contando e explicando tudo para ele e ele entendeu.
         Falei para Henry:
        - Vai para casa, amanhã a gente fala com a Sabrina e ela poderá ajudar a gente.
         Então Henry foi para casa e eu para minha, quando cheguei na minha casa, minha tia perguntou:
        - Como foi o encontro?
         Então eu olhei com uma cara de dúvida e disse:
        - Como sabe que foi um encontro?
         Tia Ilda me olhou rindo e falou:
        - Eu não nasci ontem, você estava muito arrumado, perfumado e você esta com uma marca de batom na boca.
         Então eu ri e lhe perguntei:
        - Que horas são tia?
        -São 18:20 - respondeu tinha Ilda
       
         Então depois dela falar o horário, olhei para ela e perguntei:
        - E o tio Ben, onde ele está?
        - No mercado, fazendo umas compras - disse Tia Ilda
         Olhei para ela com cara de preocupado e falei:
        - Ele foi direto do emprego de carro?
         Tia Ilda disse que sim, eu estava muito preocupado depois de tudo isso que descobri sobre vampiros, lobisomens, feiticeiros e etc. 
         Subi para meu quarto, coloquei mais ração para o Estorcas e lhe disse:
        - Tio Ben não voltou ainda, você não acha isso estranho Estorcas?
        - Acho isso um pouco estranho, que tal você fazer um feitiço de localização para ver se esta tudo bem. - disse Estorcas um pouco preocupado.
        Então perguntei se ele sabia esse feitiço, ele me disse que é o básico que um familiar deve saber para ajudar seus mestres. Então Estorcas disse:
        - Para fazer este feitiço é preciso daquele mapa da cidade que esta guardado em cima de seu roupeiro, precisaremos de um cabelo do tio Ben e uma faca.
         
        Reuni todos os itens, coloquei o mapa em cima da minha cama, o cabelo branco do tio Ben que peguei do travesseiro dele deixei em cima do mapa junto com a faca. Então perguntei para o Estorcas o que preciso fazer agora e ele respondeu:
        - Agora você corta sua mão , passa o cabelo no sangue e faça cair um pingo no mapa e esse pingo irá mostra onde esta o Tio Ben, mas não esqueça de recitar as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis depois que derramar a gota de sangue no mapa.
         Então peguei a faca fiz um corte na minha mão e passei o cabelo de tio Ben no sangue, logo em seguida fiz cair um pingo de sangue no cabelo e recitei as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis. A gota de sangue andou até a floresta Negra no mapa, olhei para Estorcas e falei;
        - Não é possível, o que ele estaria fazendo aí essa hora? Tia Ilda disse que ele estava no mercado fazendo compras.
         Já eram 18: 45 e ele não havia chegado ainda, peguei meu casaco escuro e saí correndo junto ao Estorcas que me acompanhava voando pelos céus mas antes é claro que avisei tia Ilda que tinha ido na casa do Henry para ela não ficar preocupada. No caminho para floresta Negra eu vi que Henry estava na casa de Jéssica mas mesmo assim não parei de ir até a floresta. 
         Quando cheguei já era tarde, tio Ben estava morto e pendurado numa árvore, nessa árvore estava escrito: fique longe das escolas de magia ou mais gente irá morrer. Comecei a chorar de joelhos no chão enquanto Estorcas falava que sentia muito.
        Voltei para casa, quando cheguei nela eram 19:20. Abracei tia Ilda e comecei a chorar de novo, disse a ela:
        - Eu sinto muito, não deveria me envolver com magia. Se eu ir para alguma escola de magia eles iram matar mais gente que eu amo tia.
         Tia notou que era o tio Ben que havia morrido ou melhor falando, seu marido que ela amava e estava a casada a mais de 20 anos. Ela me olhou e falou:
        - Meu filho, você vai para escola de magia e vai apreender o feitiço mais forte para matar esse desgraçado.
         - Mas e você tia? E se ele fazer mal a você?
         - Eu não quero saber, prometa pra mim que vai matar ele Ryan, por favor prometa pra mim.
        - Eu prometo tia - respondi eu com uma expressão que eu não sei explicar, fazendo a maior promessa que já fiz na minha vida.
         Então fomos jantar, para não deixar tia Ilda sozinha, eu peguei meu colchão e coloquei do lado de sua cama. 
  • Duas asas pra te proteger

    A internet deu vez e voz a diversos artistas independentes. Possibilitou a todos eles divulgarem suas obras e distribui-las a um público que só tende a crescer. Dentre essa vertente de cultura de massa nos meios digitais estão os webtoons. Além de estarem disponíveis em plataformas digitais, esses quadrinhos acabaram por desenvolver um estilo narrativo próprio, mais objetivo e com diagramação diferenciada.
              Quando o mangaká alagoinhense Antonio Alan me indicou a obra Guardiões possuem asas, webtoon roteirizado e ilustrado por ele, tive oportunidade de acompanhar uma história divertida e cheia de potencial. O autor utilizou a temática da angeologia, algo que ele já tinha usado em seu primeiro título, o mangá Knights of God: Sacred Armors, um B-shonen inspirado em Cavaleiros do Zodíaco. Foi usado como TCC!
              A história foca em Darlan, um homem de 30 anos que sente um amor platônico pela sua amiga Sueli. Depois comemorarem seu aniversário, ela o convida a sua residência para maratonar séries. Infelizmente, depois de voltar para casa, o protagonista acaba sendo assassinado pela coisa mais assustadora atualmente em nossa sociedade: dois malucos de moto num beco tarde da noite.
              Resultado: Darlan toma um tirambaço nas caixas dos peitos e vai pro beleléu. Depois de acordar, ele descobre estar numa dimensão espiritual. Não mais como um humano, ou alma penada. Darlan é o mais novo anjo aprendiz, de nível 500. Mas não pense que isso é algo positivo, pois a hierarquia de poder é decrescente. Depois de uma leve introdução, o novo anjo irá descobrir seus poderes e limitações.
              Como eu já conheço o autor, considero esse trabalho cheio de potencial. Humor na medida certa. Personagens cativantes e com personalidade. Provavelmente o autor irá optar por seguir uma linha mais b-shonen com anjos e demônios, mas talvez esses embates não sejam tão diretos. Pode haver uma batalha de influência também. É difícil dizer muito, o autor ainda só publicou dois capítulos e um prólogo.
              A colorização, personagens com outras etnias e identidades sexuais são um ponto importante. O que me incomodou, não a ponto de me fazer largar a leitura, foram alguns erros de revisão. Do ponto de vista do roteiro, acho que o excesso de explicação e as reações do protagonista. Não achei a reação do Darlan crível. A arte precisa melhorar na proporção e torção, além de perspectivas. Se isso impede a leitura e a diversão: não! Se você não ler essa obra, só você tem a perder.
  • É errado te amar?

    07:45 A.M

    Ethan se sobressaltou quando o despertador tocou, ele não estava mais dormindo, mas só de pensar no que lhe esperava dava preguiça de levantar. O quarto estava escuro apesar de já ser de manhã, talvez o fato do tempo lá fora estar horrivelmente nublado tivesse alguma parcela de culpa.

    O garoto suspirou exasperado já se lembrando do que lhe aguardava. Naquela manhã nublada e fria seria seu primeiro dia em um novo colégio; mais um para a sua longa lista de colégios ridiculamente caros, com pessoas idiotas e esnobes que pensavam que eram melhores que as outras por terem tido a sorte de nascer em uma família rica, e aquilo, na opinião de Ethan, não era motivo para se gabar, afinal qual era a grande coisa de poder dizer que vinha de uma família com status? Do que adiantava ter tanto dinheiro, mas não ver a cara de seu pai por um mês inteiro por causa do trabalho dele? Ou mesmo poder comprar tudo o que queria e não poder dar a quem queria? Quando se era rico assim, não se podia sequer confiar nas pessoas, o que resultava em uma triste e solitária vida e aquilo era algo que Ethan não queria para si.

    Ele se forçou a sair da cama, que era grande demais para apenas uma pessoa, e jogou os lençóis de lado se sentindo exausto, arrastou-se até o banheiro e se encarou no espelho, mas imediatamente se arrependeu de tê-lo feito. Na verdade se arrependia de ter feito o que fizera na noite passada.

    Apenas para fazer raiva a seu pai, que nunca estava em casa, mas quando chegava queria mandar em sua vida, saiu passando a noite quase toda fora, havia chegado há apenas três horas e dormindo mais ou menos uma hora e meia. Seus cabelos estavam uma bagunça, sua roupa extremamente amassada, com marcas de batom e cheiro de perfume caro que as garotas tinham deixado nele. Pôs as mãos nos olhos e massageou as pálpebras doídas com a ponta dos dedos, suspirando ainda mais exasperado que antes, parecia que recentemente tudo o que ele fazia era suspirar, não importava o quão bom tinha sido sua diversão, logo após ele continuava se sentindo vazio.

    Depois de ter certeza de que não tinha mais jeito, Ethan se despiu e ligou o chuveiro; não usou a banheira, pois se o fizesse não sairia dali tão cedo e acabaria perdendo o dia de aula. A água quentinha lhe escorria dos cabelos aos ombros e em seguida para todo o corpo, aquilo lhe acordou um pouco e depois de apenas alguns poucos minutos em baixo da água, teve que sair; fechou os olhos e ergueu a cabeça passando uma toalha por seus quadris. Estava mais magro que antes, agora sentia seus ossos pélvicos mais salientes e talvez fosse todo o estresse que vinha passando.

    O garoto realmente queria evitar se encontrar com o pai quando estivesse saindo, o que era pouco provável, já que ele estava trabalhando em casa aquele mês e essa era noventa por cento da razão de seus problemas.

    Ethan pegou a primeira roupa que achou e vestiu, não estava com disposição e nem via motivos para se preocupar com a aparência, e também não se interessava muito por moda, mas a roupa até que lhe caiu bem, na medida do possível. Sua calça jeans preta não chamava atenção, mas contrastava com a blusa branca de algodão estilo moletom, porém o casaco preto que havia posto por cima a encobria parcialmente e além de lhe proteger daquele frio ridículo que fazia, ainda lhe ajudava com a sua "camuflagem", finalizando com uma bota marrom e a mochila também preta, que norma da escola. Ele arrumou os cabelos, ou pelo menos tentou deixá-los meio normais, já que eles achavam que tinham sua própria vida e continuavam saindo e voando pra onde queriam, então desceu as largas escadas que davam para a sala de visitas e de jantar com cautela para, infelizmente, ver que seus pais já estavam tomando café da manhã ali.

    Ethan ainda não tinha se acostumado àquele local, só fazia uma semana que haviam se mudado e era tudo muito novo; não que a casa não fosse tão extravagante como a antiga, mas o ambiente era diferente. Ele respirou fundo tentando juntar coragem e força de vontade para tentar pelo menos ter um diálogo decente com seu pai, um que não acabasse nele saindo furioso enquanto o outro lhe chamava de inútil, entrou no cômodo indiferente, como se não houvesse aprontado nada na noite passada e também como se seu pai não existisse ali.

    — Bom dia mãe. — se aproximou lhe dando um beijo na bochecha — Acho que estou meio em cima da hora, então estou indo; até sexta.

    Um fato bom sobre o novo colégio era que havia dormitórios e os alunos podiam optar por passar o período de aulas lá e voltar para casa apenas no final da semana. Ethan estava mais do que grato por isso e muito ansioso para sair logo daquela casa.

    — Ethan... — ele congelou no lugar e girou sobre seus calcanhares roboticamente para olhar para seu pai, que estava com a mesma expressão entediada de sempre — espere um minuto, eu irei lhe deixar.

    — Hã... não precisa, não, mas valeu mesmo. — ele aproveitou para fazer uma careta, já que o homem estava ocupado demais olhando para o celular.

    — Eu não estou perguntando, estou avisando. Agora se sente e coma.

    — Por quê?! — Ethan piscou algumas vezes encarando o pai sem realmente entender o porquê daquilo — Porque perder seu tempo me levando?! E não venha me dizer que é por você estar "preocupado" comigo, pois eu sei que não é.

    — Nada em especial. — seu pai falou, finalmente desgrudando os olhos da tela do aparelho e lhe encarando — Apenas preciso falar com a Diretora Solar, explicar o motivo de você estar se matriculando tão tarde, no meio do ano letivo.

    — Eu posso falar com ela sozinho, não precisa gastar seu "precioso tempo" comigo. — Ethan falou aquilo fazendo com que, sem querer, saísse com mais veneno do que o esperado; seu pai levantou da cadeira e estreitou os olhos fazendo sua boca secar.

    — Eu já decidi que vou com você e ponto final, goste você ou não. Não é como se eu quisesse ir também, então quanto mais rápido formos, mais rápido isso acaba para nós dois, hum?! Não insista em dificultar a minha vida.

    — Edmund, Isso é jeito de falar com seu filho? — sua mãe encarava seu pai com um olhar severo, mas ele apenas a ignorou.

    — Bom... — Ethan sabia que não devia começar uma briga com seu pai porque sempre sairia perdendo, mas seu orgulho não lhe deixava engolir as palavras do outro — Dificultar sua vida é a única coisa que tem de legal para fazer na minha vida monótona e rotineira. Dificultar a sua vida é a melhor coisa que eu tenho pra fazer, e cá entre nós, se a sua vida fosse perfeita em casa também, enquanto todo o resto funciona perfeitamente, não seria muito justo com as pessoas que vivem de forma infeliz, certo?! Só estou tentando manter o equilíbrio.

    — Chega, os dois, comam comportadamente e em silêncio ou saiam.

    Ethan abriu a boca para falar, mas ao olhar para a expressão facial de sua mãe, sabia que a tinha magoado, então resolveu parar por ali; mesmo sabendo que a situação não era nada justa, resolveu não falar mais nada, afinal não ia adiantar muita coisa, talvez só servisse pra deixar o velho ainda mais irritado. Eles seguiram para o tráfego sem terminar o café, o clima estava realmente tenso no carro, sua mãe tinha permanecido em casa e estava apenas os dois juntos, o que nunca acabava bem.

    — E então, sobre ontem à noite...

    — Não quero falar sobre isso.

    — Mas eu sim. — a voz do homem voz soava calma — Não peço que você pare de sair e curtir, Ethan, afinal ainda é jovem, mas pelo menos evite fazer este tipo de "show". Já se esqueceu da última vez?!

    — "Esse tipo de show"? Se estiver preocupado que eu vá ser pego em alguma calçada por aí, drogado e desmaiado, não se preocupe...

    — Não é nada disso que você está pensando, e que história é essa de "drogado"?! Está usando drogas agora?! Você tem merda na cabeça ou é apenas muito idiota?! Pense na sua mãe, ela estava muito preocupada. — por um momento ele soou como se realmente se importasse, mas com certeza era apenas impressão — Nunca lhe impedi de fazer o que queria, você sempre sai para onde quer, leva quem quer pra casa e eu nunca cortei a sua mesada, na verdade lhe dou mais do que você merece. Se não gosta de mim, não posso fazer nada sobre isso, nem sei quais são os seus motivos, mas não haja como um idiota apenas para me afetar, pois a única pessoa que você fere é a sua mãe e ela não merece esse tipo de comportamento de você.

    — Você fala como se se importasse com nós.

    — Ela é minha esposa, é claro que eu me importo.

    — E essa atuação faz parte do seu personagem de "homem perfeito" ou está apenas tentando me irritar?

    — O quê...? Ouça, seu garoto ingrato...

    Ethan revirou os olhos e pôs seus fones de ouvido no volume máximo, não queria ouvir mais as mentiras daquele homem, não o conhecia mais e estava cansado de ser tratado como um idiota por todos. Ele só estava fazendo aquilo para puní-lo, Ethan sabia muito bem disso, sabia também exatamente o que ele queria dizer com "conversar com a diretora Solar". Ia explicar a mulher o quanto ele podia ferrar com a vida dela e com a escola caso alguma coisa acontecesse e vazasse, fazendo a mídia se envolver. Ia ser uma conversa mais ou menos assim:"Olha aqui, se esse garoto aprontar alguma coisa e aparecer qualquer que seja o comentário na mídia, eu acabo com vocês".

    Da última vez, quando a mídia se envolveu, ele tinha que admitir que as coisas ficaram feias para sua família por um tempo, mas afinal como ele ia saber que o simples fato de acender um cigarro na escola ia se transformar em uma notícia como aquela?

    "O adolescente, mais conhecido como Ethan Fitzgerald — filho do milionário Edmund Fitzgerald e da renomada escritora de best-sellers, Dakota Fitzgerald — foi pego em flagrante usando drogas ilícitas na escola, o garoto descrito pelos colegas como problemático já foi pego praticando coisas semelhantes em suas escolas anteriores, escolas as quais o mesmo foi expulso. Brigas, vandalismo, posse de drogas e instrumentos que poderiam ser usados como armas são apenas algumas das acusações em seu longo histórico de feitos vândalos. Apesar de tais fatos nunca terem sido confirmados, o simples fato de terem surgido não servem como prova de tais atos?! Porém as perguntas que não querem calar são: Será que o garoto é um viciado? Porque seus pais nunca mencionaram que seu único filho sofria de transtornos psicológicos...?"

    E assim ele ficou conhecido como "um lunático violento e viciado em drogas que envergonhava o nome da família". Por isso seu pai perdera muitos contratos com grandes empresas sócias e muito de seu crédito e fama na cidade onde moravam, e por esse mesmo motivo tinham se mudado para uma nova cidade, onde seu pai conseguira bons contatos e assim, sócios para fechar negócios.

    Ethan estava tão perdido em pensamentos que nem se deu conta que seu pai estava dirigindo em uma estrada de terra com grama morta dos lados, a estrada parecia infinita; ele não lembrava ao certo quando tinham adentrado nela e não conseguia ver seu fim. A paisagem era quase mórbida com a grama amarelada dos lados e o céu cinza acima deles. Depois de mais alguns longos minutos com o carro sacudindo pela estrada maltrapilha, ele finalmente avistou uma enorme construção ao longe. Quando o homem lhe dissera que era "grande" ele não imaginou aquilo tudo; o colégio parecia mais como o campus de uma faculdade.

    Ao chegarem, seu pai entrou em um grande estacionamento de piso lustroso e lâmpadas amareladas no teto até onde se conseguia ver, o que particularmente ele achou um tanto sem nexo, afinal era só um estacionamento. Quando finalmente estacionaram, ele saiu do carro o mais rápido possível, já era humilhante o suficiente ter ido até ali com seu pai de imagem perfeita, não era preciso que soubessem que ele era seu filho, não queria má fama assim que chegasse, então começou a caminhar rapidamente sem ter certeza de para onde estava indo; apenas seguiu a claridade natural que vinha do grande portão por onde haviam entrado.

    — Ethan, onde você está indo? — perguntou o homem erguendo uma sobrancelha perfeitamente delineada, caminhando na direção contrária.

    — Para a minha aula, não é óbvio?

    — Seria falta de educação eu ir falar com a Sra. Solar e não levá-lo comigo para que se conheçam. — disse ele com um sorrisinho que Ethan havia aprendido a odiar e temer — Você irá até lá comigo.

    — Porque eu preciso fazer isso?! — ele suspirou exasperado pela terceira vez em apenas uma manhã, estava começando a se alterar — Você está fazendo isso como uma forma de punição?!

    — Punição? E porque eu faria isso? Porque você acha que merece ser punido, Ethan?

    — Por causa da... notícia?! E... pela noite passada, talvez?!

    — Nós já conversamos sobre aquela notícia e tenho certeza que você se lembra muito bem. — ah e como Ethan se lembrava, o que ele não conseguia fazer, era esquecer — E quanto à noite passada, quando tentei falar com você no carro, você me ignorou, e não falaremos sobre isso aqui, não é o lugar adequado, mas conversaremos uma outra hora. Não pense que eu me esquecerei disso. — os olhos de seu pai faiscaram ameaçadoramente.

    — Então me deixa ir para a minha sala, vai. Ninguém precisa saber que você é meu pai; nós dois saímos ganhando, você mesmo disse que não queria fazer isso.

    — Já chega, Ethan, você vai lá comigo e pronto.

    — Porque você sempre faz isso?! É só para me ver assim, chateado?! Você gosta tanto de abrir ainda mais o espaço gigantesco que existe entre nós?!

    — Você não consegue pensar que eu faço alguma coisa por você, porque eu sou seu pai e me preocupo com a sua vida?! — o homem pareceu sério — Mesmo assim quem aparentemente gosta de aumentar mais ainda o espaço entre nós é você, fazendo de tudo para me envergonhar. Hunf, custa tanto assim fazer algo que eu peço uma vez na sua vida?

    — Sempre a mesma coisa... Só se preocupa com esse seu nome de merda. Desculpe, mas não acho que você saiba o que é amar, respeitar ou se preocupar com mais alguém que não seja você mesmo. — por um momento a sombra de uma expressão que parecia mágoa passou pelo rosto de seu pai, mas logo ele se recompôs parecendo mais chateado que antes.

    — Ótimo, agora que você entendeu a sua situação, podemos ir?!

    — O quê? — Ethan não estava acreditando naquilo.

    — Você vem sozinho ou quer que eu vá até aí e lhe carregue até a sala da diretora, Ethan?

    — Você não se atreveria.

    — Mas não foi você mesmo que disse que eu não sei o que significa "respeitar ou se preocupar com alguém a não ser eu mesmo"?! Essa situação só favorece a mim, não é mesmo?! Não é sábio da sua parte duvidar de mim.

    Seu pai, que já havia caminhado alguns metros — Ethan havia parado no lugar, perplexo — parou e lhe olhou com aquele sorriso que sequer chegava a mexer em seus gelados olhos, aquele sorriso que Ethan conhecia tão bem, porque era exatamente o mesmo que um dia ele amou e admirou, infelizmente. Se ele tinha achado humilhante ir até o colégio com seu pai, imagina então ter que entrar sendo carregado por ele. Odiava aquele fato, mas infelizmente eles se pareciam bastante um com o outro, claro que não do jeito que ele gostaria que fosse, afinal se pudesse escolher alguma coisa do homem, talvez escolhesse a altura e os músculos.

    Seu pai era o tipo de todo mundo, o tipo "bonito e rico de morrer".

    Era bastante alto, com 1,92 de altura, pele pálida, olhos azuis-turquesa e tinha os cabelos, que era a principal atração. Cabelos ruivos com tons variados do vinho ao laranja, cortados curtos e muito bem arrumados para não ficar nem um único fio fora do lugar. Os fios escuros se misturavam com os mais claros e quando ele andava pareciam às chamas de uma vela dançando de acordo com o vento; era hipnotizante olhar para Edmund Fitzgerald, com seus olhos gelados e seus cabelos quentes. Seu sorriso era frio e indiferente assim como o olhar e mostrava dentes brancos e alinhados, contrastando com o cavanhaque perfeitamente feito e nem uma única imperfeição na pele. Para completar a sua imagem de "deus", um terno caro e bem alinhado acompanhava sua postura perfeita, ele parecia ter nascido para aquilo; era intimidador olhá-lo... As pessoas queriam ser ele ou queriam ser dele.

    Na sua frente Ethan parecia um experimento que não havia dado certo. Ao invés da altura ou dos músculos, ele herdara apenas os pontos fracos do pai; pelo menos nele eram pontos fracos. Era uma versão meio destrambelhada do outro, uma espécie de rascunho.

    Enquanto seu pai era alto e com a postura perfeita, Ethan era baixo para a média da sua idade, apenas 1,68 de altura, e não se importava muito com a postura ou com as roupas. Tinha o cabelo ruivo também, mas o pintava e por isso era bem mais escuro que os do pai e bem maior também. Enquanto o do homem era cortado curto, com apenas um pequeno topete, o seu era comprido, chegando quase até os ombros; os tons dos fios dos de seu pai eram mais para vermelho e laranja enquanto os seus ficavam mais para o vinho e o castanho por conta da tinta, só dava para notar que era vermelho se estivesse no sol ou em um lugar bem iluminado que desse para ver o reflexo, mas com a mudança e tudo o que havia acontecido, a bendita tinta estava saindo e ele não tinha tornado a pintá-lo, o que era estranho, já que a raiz era vermelho-alaranjado e as pontas castanho-acobreado.

    Seus dentes também eram muito brancos e alinhados, o que lhe deixava bem chateado; a pele também era tão pálida quanto à de seu pai, quase como um zumbi, porém não era tão imaculada assim, afinal ele tinha vários machucados antigos e cicatrizes de brigas passadas, as quais ele sempre se metia. Por outro lado, Ethan também se parecia um pouco com sua mãe, como por exemplo, a estatura baixa e magra, a aparência frágil e élfica quase feminina, de características pequenas; rosto pontudo, nariz arrebitado, que passava certo ar de superioridade, e olhos cinza tempestade.

    Ele sempre sofrera com o fato de ter a aparência frágil demais, lembrava que em seu último colégio fora perseguido até o último dia de aula por um de seus colegas de classe; o maldito não lhe deixara em paz um único dia por causa de sua aparência e tornou sua vida escolar um inferno. Sempre batia nas mesmas teclas, perguntando se ele tinha mesmo "alguma coisa" entre as pernas ao invés de um "espaço vazio" como as meninas.

    No seu penúltimo ano do fundamental havia também quatro garotos que sempre o cercava fazendo piadas idiotas, no último dia, antes das férias do meio do ano, porém eles o arrastaram para um local afastado da escola enquanto ele caminhava em direção a seu carro; o líder do grupo disse que não acreditava que ele era um garoto, insinuou que ele era uma garota transvestida e isso o deixou espumando de raiva, ele bem que tentou lutar, mas os outros estavam em maior número e as coisas começaram a dar erradas tomando um curso diferente, lhe fazendo sentir medo de uma briga pela primeira vez na vida.

    O garoto que parecia comandar o grupinho de vândalos começou a lhe tocar em lugares estranhos e constrangedores enquanto os outros riam como idiotas, como se ele fosse, de fato, uma garota. Ethan teve que lutar muito e depois de ser molestado por todos quatro e ter sido espancado quase até desmaiar, por ter resistido, finalmente conseguiu fugir, não sabia como, mas conseguira voltar para as proximidades do colégio e seu tutor lhe achara tropeçando pelas ruas, o levara de volta para o carro e seguiu para a sua casa.

    Ethan estava em choque e completamente detonado; seu nariz estava quebrado, as costelas machucadas, cortes no rosto, sem seus tênis ou blusa da farda. Quando entrou em casa e sua mãe lhe viu, veio correndo ao seu encontro perguntando o que havia lhe acontecido, seu pai chegou logo depois, com um ar carrancudo e perguntando o que era todo aquele barulho e ao lhe encarar, sua expressão se transformou de raiva para nojo.

    — Olha só o que aconteceu com seu filho Edmund, isso não pode continuar. — mas a única coisa que ele fez foi olhar para Ethan com olhos gelados como um iceberg, bufar em desprezo e dizer simplesmente:

    — Se você não é homem o suficiente para ficar e brigar ou para se defender, pegue pelo menos o que restou da sua dignidade, se é que tem alguma, e vá a um hospital sozinho, sem precisar vir chorando para a sua mãe. — ele virou para sua esposa e continuou — Satisfeita Dakota? Olha só o que você fez, criou um covarde, um garoto que não serve para nada. O que ele fará quando você não estiver mais aqui? — dizendo isso ele se virou e voltou ao seu escritório.

    Sua mãe chamou o médico da família, que arrumou seu nariz e enfaixou suas costelas, Ethan não chorou na frente de seu pai ou dela, muito menos de seus agressores, mas no silêncio do seu quarto, enquanto tirava as ataduras para tomar um banho, sentiu a garganta apertar. Enquanto tomava banho e a água tocava seu rosto, ele sentiu as lágrimas descerem calmamente mornas, se misturando a água, sentou-se no chão, sozinho, no silêncio e só então chorou; não que se orgulhasse de demonstrar tamanha fraqueza, mas não conseguira segurar.

    Ficou observando seu sangue misturar-se a água e escorrer pelo ralo pelo que pareceram horas, quando finalmente saiu do banho e vestiu seu pijama, deitou na cama e abraçou o travesseiro, momentos mais tarde sua mãe bateu na porta e entrou sentando-se ao seu lado, botou um travesseiro no colo e ele deitou-se em suas pernas, ela disse que lhe contaria uma de suas histórias, exatamente como quando ele era criança.

    Ela lhe acariciava os cabelos enquanto suas lágrimas caíam mornas molhando o travesseiro, começou com a voz suave de sempre e Ethan fechou os olhos ouvindo aquela voz calma e meiga que era como bálsamo para sua alma; a história dizia o seguinte:

    "Há muito tempo atrás, existiu uma pequena aldeia a qual era lar de um garotinho, esse garoto era o mais menosprezado de todos por não ter altura ou porte físico, todos riam e zombavam dele pelas costas, até mesmo seus pais o desprezava por causa de sua aparência pequena e magra, o pobre garoto todas as noites chorava em silêncio, mas o que seus colegas não sabiam era que ele vinha de uma linhagem muito, muito antiga e rara. Uma família que tinha poderes sobrenaturais. Essa família era um clã, que por acaso era o clã que protegia a aldeia, mas quando o garotinho falou para seus amigos eles zombaram ainda mais dele. Porém, um dia inimigos invadiram a cidade e o garotinho magro o qual todos riam, se transformou em um enorme dragão negro, com olhos amarelos que paralisavam quem ousasse olhar, com asas tão grandes e fortes que jogava os inimigos do outro lado do mar, com um poder de fogo tão forte que com um único jato queimou todos os navios, os reduzindo a cinzas. Depois disso todos queriam ser amigos do garoto e ele viveu o resto de seus dias feliz, mas antes ele aprendeu que: Mesmo coisas pequenas podem se tornar grandiosas".


    Ethan no outro dia foi até o centro da cidade e fez uma tatuagem para lhe lembrar daquele dia. Ele gravou aquele dragão da história de sua mãe na sua pele, porque ele sabia que era como aquele garoto, aparentemente frágil e covarde para as pessoas, mas por dentro, tão forte quanto um dragão.

    ***

    Quando Ethan finalmente voltou ao presente, percebeu que já estavam caminhando em um corredor apinhado de alunos curiosos que sorriam ou faziam cara feia e cochichavam entre si, até que finalmente chegaram à porta aonde se podia ler "DIRETORIA" e entraram.

    A mulher que veio ao encontro deles era alta, por volta de seus trinta e poucos anos, com olhos e cabelos negros. Seu cabelo estava preso em um perfeito rabo-de-cavalo bem apertado no topo de sua cabeça, tinha cílios grandes e cheios e um estranho brilho nos olhos, que os fazia parecer estarem sempre arregalados; usava um terninho cinza, sapatos pretos de salto e um batom excessivamente vermelho. Ela lembrava a Ethan uma vilã ou uma bruxa má dos contos de fadas, só um pouco mais moderna, mas com as mesmas características marcantes que eram:

    1ª) as unhas e os lábios, 2ª) os olhos e 3ª) as sobrancelhas, que eram muito arqueadas. Ela estendeu uma mão pálida, com dedos longos e unhas vermelhas e pontudas, assim como os lábios.

    — Olá Sr. Fitzgerald, é um prazer receber você e seu... filho aqui. — ela lhe olhou de cima a baixo com desprezo nítido o suficiente para lhe fazer ficar desconcertado.

    — Sim, igualmente. Então, eu gostaria de lhe explicar a situação.

    Seu pai conversou com a diretora por bastante tempo e Ethan ficou observando-o flertar com ela; quando ela disse que estava faltando alguns documentos para a conclusão da matrícula ou quando tentou insinuar que Ethan não era qualificado para estudar na escola ou mesmo que já estavam na metade do ano letivo — já haviam passado até mesmo das férias de verão e Agosto já estava começando — ele sorriu e falou em como os olhos dela eram admiráveis e ela finalmente cedeu, e no final ainda lhe pediu seu número... Vê se pode?

    Depois de esperar por pelo menos meia hora, Ethan começou a se distrair novamente, ele lembrou que enquanto caminhava pelo corredor algo no meio daquela multidão de rostos tinha chamado sua atenção, não foi bem uma coisa que ele soubesse definir, pois estava muito perdido nos próprios pensamentos para ter prestado atenção, foi apenas uma impressão, como se a parte de seu subconsciente que estava funcionando tivesse prestado atenção por ele, era só uma vaga lembrança que começava a ficar nítida agora... A lembrança de um par de olhos incrivelmente dourados lhe seguindo tão intensamente, que chegou a tirar-lhe o fôlego.


    ~ C O N T I N U A ~

  • Elleanor - conto/ficção

    elleanor02
    natal
    A traição será Vingada!

    ano:2019
    gênero: Fantasia / ebook
    autor: Marcos dos Santos
  • Embarque

     
    Pego-me pensando num provérbio africano que a minha falecida vó profetizava, sempre quando eu saía: “O sol caminha devagar, mas atravessa o mundo. Um dia você vai entender, fio.” Não havia entendido, até hoje. 
    Notei algo diferente no embarque. Devo ter de escolher apenas um portão, dos nove para embarcar. O meu futuro dependerá desta escolha. Não será fácil. Chega um momento da vida em que devemos escolher qual rumo seguir. Tenho tudo e, ao mesmo tempo, sinto que não tenho nada. E mais uma vez terei de decidir. 
    No primeiro portão, está a felicidade. Ah! Quem não quer ser feliz para sempre? No segundo, a tristeza. Chega de tristeza na minha vida, se tenho a opção de escolher, certamente não será aqui que irei embarcar. No terceiro, o amor. Poderia ser este, amar e ser amado, quem não quer isso para sempre! Viver um grande amor... No quarto, a perseverança. Hum... acreditar que sempre é possível, mesmo quando dizem o contrário. No quinto, o medo. Ele vive diariamente com a gente, às vezes temos de ir com medo mesmo, isso nos dá um pouco de vantagem para seguir em frente. No sexto, a dor. Não, dor não! Como disse sobre o portão da tristeza, se posso escolher, não será este também! No sétimo, a coragem. Acredito ser uma boa escolha, ser forte perante o perigo nos dá a sensação de que não iremos desistir e, talvez, isso nos deixa um passo à frente de todos. Não é má ideia. No oitavo, todas as alternativas anteriores. Pensando bem, tem algumas que não quero vivenciar. No nono e último portão, não está escrito nada, porém, surpreendo-me com aquele brilho vindo ao lado do embarque. Uma senhora idosa, vestida de branco, com seu turbante entrelaçado na cabeça, sentada numa cadeira linda de madeira, transmitindo paz naquele olhar sereno, convidando-me para embarcar no nono portão. 
    Já estava prestes a entrar no portão número um, quando ela balançou a cabeça dizendo não, mas eu perguntei: Por que não pode ser este? É o portão da felicidade. Porque você não quer ser feliz para sempre – disse ela. Então, vou embarcar no portão sete! Você também não vai querer ser corajoso sempre. Qual devo escolher? Escolha o meu. O seu? Não diz nada! Não sei como será a minha vida! Se posso escolher, escolherei o oitavo portão e fim da conversa. 
    Deve escolher o meu. Aqui você irá viver todas as emoções, mas não saberá como e quando elas ocorrerão. Isso é viver, meu jovem, sem saber como será a vida. Não poderá viver todos os seus sonhos, mas terá momentos felizes, momentos de esperanças, de incertezas, medos, mas tudo na hora certa. O amanhã não podemos controlar, e isso é viver, fio. Embarque com uma passagem só de ida, sem olhar para trás, com o coração cheio de esperança, com novos projetos e sonhos lindos. O mais difícil você já está fazendo, escolher. 
    Viva, aproveite cada momento e depois volte aqui, sente nesta cadeira e mostre para outro jovem que, neste portão, ele viverá. Sentirá a pele enrugar por tomar banho de sol demais, deixará o cabelo ficar todo branco, pois não terá mais forças para pintar ou paciência para deixar outro fazer, sentirá dores no corpo todo por ter dançado, corrido, pulado muito e agora o corpo pede descanso, isso é viver. Voe, vá devagar, aprecie cada momento, atrevesse o mundo e, ao pousar, não se esqueça desta “véia” sem graça que lhe aconselhou a embarcar. 
    Vou neste, não tenho dúvida. Embarco, sento e levanto a cabeça, olho para cima e com os olhos cheios d’água, agradeço, pois, hoje, entendo as sábias palavras daquele provérbio. Adupé, ìyá àgbà. 
  • Entre a Espada e o Espinho (Trecho do livro que estou escrevendo)

    A brasa ainda batia em sua face. A imagem da grande fogueira Bravrhera’na visitava seus sonhos. Naquela fria noite, deitou tão exausto da longa caçada que acabou esquecendo-se de apagar a pequena fogueira que fizera. O agudo som dos galhos estalando fez com que acordasse. Virou-se assustado percebendo o enorme cervo ali parado observando-o com temor. O homem tentou se levantar, mas a ferida em sua coxa o impedia dando grandes pontadas em seus nervos. Puxou seu arco, que estava preso ao elevado roble que encobria aquela grande área, mas o cervo, contudo, já estava a metros de distância.
    Bufou decepcionado.
    Fincou sua adaga no roble e com grande dificuldade levantou-se. A chuva havia cessado e a cintilante luz escarlate do sol começava a esquentar seu corpo. Pegou sua espada presa a bainha e a prendeu em seu sinto. Seu estomago reclamava, fazia alguns dias que não comia algo. O vento soprava forte pela manhã, bagunçando ainda mais seus negros cabelos ondulados que acompanhavam sua espessa barba, a qual estava manchada pelo sangue que escorrera durante a noite devido ao corte em seu supercílio. Deu alguns passos desajeitados, o pedaço de tecido que amarrou sobre a ferida de sua coxa para estancar o sangue estava suspenso e o sangue voltava a escorrer. A imagem da fogueira passou novamente em sua mente, dessa vez acompanhada por uma voz pacífica e suave. Assustado, amarrou o tecido fortemente, franzindo o cenho e rangendo os dentes de dor.
  • Entre Lobos - (conto-romance) 2/9

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    NÃO SE SINTA PERDIDO(A) Leia o capítulo anterior! Tenha uma ótima leitura!

    28 de setembro 1939

                John estava dormindo quando acordou com o barulho da velha motocicleta de Derek estacionando em frente a sua casa. Nem se deu ao trabalho de saber que horas eram, de qualquer forma tinha a completa certeza de que era cedo de mais para estar despertando. Sonolento, sentou sobre a borda da cama por um breve tempo e depois deixou o quarto sem calçar seus chinelos. Ligou as luzes da cozinha e serviu uma doze de whisky que tomou em apenas um gole. Serviu-se novamente. A porta de entrada foi aberta.

    — Mas que droga é essa gora, Dek? – com sua voz rouca, soltou antes mesmo que seu filho pudesse dizer qualquer coisa. — O que deu em você?!

    — Não foi nada de mais! – o outro respondeu em seguida.

    — Nada de mais? – riu-se. — Olha só pra essa tua cara! Um belo estrago, não?! – reparou ainda.

    — Garanto que a do outro não ficou tão linda assim! – defendeu-se indo em direção ao velho sofá onde deixou que seu corpo caísse depois de por seu capacete em um canto qualquer ali perto.

    Ficaram em silêncio por alguns segundos até começarem a rir juntos da situação.

    — Tome. – John estendeu o copo. — Quem sabe isso ajude a amortecer a situação. – pausa. — Hansly? – então soltou tentando identificar quem fora o oponente daquele embate.

    — O filho da mãe sempre cruza o meu caminho. – Derek respondeu confirmando.

    — Vocês têm de resolver isso de uma vez! – o homem sugeriu. — Não podem ficar se atracando toda vez que se encontram. Não são mais moleques, droga! – ainda acrescentou.

    — Dessa vez não provoquei nada. Mark está de prova – defendeu-se. — Só o que fiz foi revidar. – explicou antes de tirar um gole da bebida.

    — Mark. – o homem soltou descredibilizando o valor da testemunha. — Tanto pior. – acrescentou. — Só espero que esteja em pé amanhã pra podermos trabalhar. – comentou afastando-se. — Tony Mayer anda impaciente com a entrega da caminhonete. Precisamos entrega-la de uma vez. – John comentou.

    — O senhor pode ficar tranquilo. – Derek tentando despreocupar seu pai. — Estarei lá! – respeitoso, completou vendo John sumir no corredor.

    Derek trabalhava na oficina mecânica de seu pai, por conta disso, tinha conhecimento o suficiente para dar cabo de alguns trabalhos. No tempo em que estava de folga, mexia em sua motocicleta e até fazia alguns ajustes na moto de Mark, seu grande companheiro de noitadas. John e ele estavam finalizando alguns reparos na caminhonete de um cliente quando o rapaz apareceu.

    — Vai, Dek. – John avisou concentrado no motor a sua frente. Seu filho deu a partida e tudo pareceu estar em ordem, finalmente. — Ok! Está bem, pode desligar! – ergueu a mão. Desceu o capô. — Esse deu trabalho! – comentou dando duas batidas sobre a lataria do veículo. — Finalizamos por hoje. – satisfeito.

    — Quando Mayer vem pegá-lo? – Derek perguntou.

    — Bem... – limpava-se em um pano que parecia ainda mais sujo que as suas próprias mãos. — Eu poderia muito bem ligar, mas quero que você faça esse favor pra mim.

    Mark aproximou-se.

    — Já que a sua namorada chegou – provocou os dois. — Vá até a casa dele e peça pra que venha dar uma olhada nessa situação.

    — Claro! Mas preciso de um dinheiro. – falou sem rodeios. — Estou sem cigarros e...

    — Você é um grande mercenário é isso que você é. – jogou o pano sugo contra seu filho antes de ir até um balcão onde abriu uma gaveta e retirar uma pequena quantia em dinheiro. — Mas olha – Derek aproximou-se. — Vê se não vai se meter em confusão novamente... Um olho roxo já lhe basta. – debochou.

    Derek apenas assentiu com o semblante devolvendo o trapo sujo e enfiando o que recebera no bolso da calça suja. Saíram os dois em direção a saída do galpão.

    — A propósito!  – Mark já passos distante virou-se para o senhor. — Eu sou o homem da relação. – referiu-se a brincadeira feita anteriormente pelo senhor.

    — Caiam fora daqui! – John respondeu achando graça.

    Depois de passarem na casa de Tony, Mark e Derek foram para um local conhecido onde costumavam tomar cerveja e ficar jogando conversa fora. Derek comprou uma cerveja e um maço de cigarros enquanto ouvia o deboche do amigo sobre o estado que ficara sua cara depois da noite passada.

    — Ora, vê se cala essa boca! – Derek — Sabe muito bem que fui eu quem se saiu bem nessa. – tomou um gole no bico da garrafa. — Mas que droga de amigo você, hein!

    — Fato, é fato! – o outro de mãos estendidas. — E ele está bem estampado na sua cara. – completou a provocação.

    — Ei! – chamou a atenção do rapaz atrás do balcão. — Dê mais volume! – pediu apontando para o rádio. — Qualquer coisa é melhor do que ouvir essa tua voz! – voltou-se novamente para Mark.

     Então, aos poucos dentro doe estabelecimento as vozes foram se calando e por fim, todos puderam ouvir sobre o ataque massivo que havia sido feito sobre a Polônia. Tanto a Alemanha quando a União Soviética haviam investido forças para tomar o país. Finalmente, Varsóvia, capital da Polônia, havia se rendido ainda no dia anterior.

    — Dane-se essa droga! – um grandalhão soltou atravessando o bar depois de acabar com sua bebida.

    Grande parte dos que estavam por lá o miraram.

    — Essa DROGA! – Mark falou chamando a atenção do rapaz que passou ás suas costas. — Pode muito bem vir a acontecer aqui! Na nossa casa.

    — Dane-se o que você acha também sobre isso! – o rapaz respondeu apontando o dedo em direção a Mark que de imediato pôs-se em pé.

    — Ei! – Derek tocou-lhe o ombro mostrando que não valia apena criar caso.

    — Isso mesmo! – o rapaz continuou. — Escute o teu amigo ou vai acabar ficando com o rosto igual ao dele! – advertiu.

    — Seu filho da mãe! – Mark então perdeu a paciência.

    Os dois embolaram-se entre socos e empurrões, Mark obviamente não daria conta do grandalhão sozinho e até mesmo o dono do estabelecimento pediu para que Derek intervisse naquele embate que, possível e provavelmente lhe daria algum prejuízo. Antes de obrigar-se a dar apoio ao amigo, Derek tomou o restante de sua bebida e no mesmo instante em que pôs-se ereto viu Mark ser projetado para fora do bar como se fosse um mero saco de lixo sobre a calçada. Indo de encontro ao rapaz, deu lhe um murro no estômago que a princípio não mostrou qualquer efeito e o soco no rosto pareceu apenas deixa o outro ainda mais irritado. No lado de fora, enquanto se recuperava, Mark era acudido por duas belas moças.

    — Mas que filho da... – Derek vendo em que se metera afinal de contas.

    — Vamos terminar logo com isso! – o outro a sua frente disse armando-se para uma nova investida.

    CONFIRA também - Meu querido Manequim
                                 Humanos
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

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    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 1/9

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    Estados Unidos 8/12/1941

    “...Peço que o Congresso declare que, em vista do ataque ardiloso e não provocado do Japão no domingo, 7 de dezembro, um estado de guerra passa a existir entre os Estados Unidos e o Japão”
    Franklin Roosevelt


    Minnesota, condado de Todd, final de tarde. Dias após o ataque a frota naval americana.

         Escorado sobre a mesa da cozinha, John tentava estabilizar a frequência da radio. A todo instante era transmitido notícias sobre a guerra que partira da Alemanha nazista sobre a Europa. Agora, com a participação do seu país na batalha após o ataque em Pearl Harbor, todo jovem americano era bem vindo ao exército e isso o deixava tenso, pois, Derek era seu único filho e possivelmente iria acabar envolvido àquela causa. Sua concentração era tamanha sobre os noticiários que se quer havia reparado que o próprio chegara e de fato só deu-se conta disso depois que seu filho largara um envelope a sua frente.

          — O que é isso? – perguntou sem tocar na correspondência.
          — Aqueles desgraçados vão pagar caro pelo o que fizeram! – Derek respondeu com precisão. — Vou me juntar ao exército! – declarou.

          O homem escorou-se na guarda da cadeira e tomou fôlego. Desfez-se do ar e levantou sem dizer uma única palavra deixando que a transmissão da rádio encontrasse seu próprio jeito de se consolidar. Foi até o armário e retirou um cigarro da carteira e em seguida escorou-se à porta de saída. Acendeu o fumo e tragou a fumaça profundamente antes de começar a falar.

          — Só espero que não esteja fazendo isso por causa daquela def...
          — Deixe Katy fora disso! – Derek interferiu-se. — Isso nada tem a ver com ela. – esclareceu. — E agradeceria se o senhor não a chamasse dessa forma novamente. A caso tem simpatia pelos ideias daquele tal Führer? – finalizou em um tom mais sério.
          — Não diga bobagens, rapaz! – o senhor firme contra aquela injúria. — Mas está bem! Faça como quiser. Não vai mais me ouvir dar um “pio” sobre essa garota, mas saiba que está criando a ti mesmo um grande problema! – deu outra tragada no cigarro.

          Derek não soube ao certo se seu pai se referia a sua entrada ao exército ou ao seu relacionamento instável com Katherine. Em meio aquele breve silêncio em que se encontravam, ouviram a chegada de um visitante. O rapaz deixou sua motocicleta junto a de Derek e foi de encontro a ambos, agora, parados em frene a  entrada da casa.

          — Sr. John! – o rapaz o cumprimentou respeitosamente antes de falar com Derek.
          — Olá, Mark! – o homem respondeu. — E as novidades, rapaz?
          — Bem... – mirou Derek. — O senhor já deve estar sabendo da nossa... Inclusão! – orgulhoso, referiu-se ao alistamento militar.
         — Claro que sim! – demonstrando não estar surpreso em saber que os dois estariam juntos também naquela empreitada, John respondeu com um pigarro rouco. — Afinal de contas, onde um estaria se não estivesse o outro? – riu-se com certo deboche.
          Mark apenas respondeu com um sorriso na face.

          — Precisamos conversar! – Mark dirigiu-se ao amigo logo à sua frente.

         Percebendo que seria um assunto que não lhe dizia respeito, John deixou que os dois rapazes ficassem a sós. Depois de trocarem algumas poucas palavras Mark deixou clara a razão de ter vindo. De dentro de sua jaqueta, retirou uma folha de papel dobrada e entregou ao outro. Era de Katherine, escrita por sua irmã Mary.

          — Ela está preocupada, Dek! – Mark comentou. — Acha que a ideia de termos entrado no exército foi meio... impulsiva. – descontraiu.

          A mensagem falava sobre a repulsa de Katherine sobre o alistamento de ambos e do quanto ela tronara-se mais reclusa após o término do relacionamento com Derek. Informalmente, pedia ainda para que ele viesse vê-la, deixando claro que os pais dela agora mostravam-se mais receptivos quando a presença dele.

          — Como ela está? – Derek pediu sobre Katy.
          — Até onde sei, mal tem deixado o próprio quarto... – breve pausa. — Pra uma pessoa que adorava fazer passeios isso deve significar alguma coisa, não?
          — Nada disso precisava ter acontecido. – Derek soltou. — Sabe que não foi por minha causa que...
          — Não os tenha mal. – Mark o interrompeu. — Meus tios sempre foram muito cautelosos a tudo o que envolvesse Katy... Só pensam na segurança dela.

         Ficaram em silêncio por alguns segundos.
         — Então, você não vêm? – perguntou.

         Derek o fitou condenando a possível chance de o amigo ter lido sua correspondência.

         — Não, não! – Mark logo se defendeu ao perceber a reação do outro. — Elas só me fizeram prometer que te convenceria ou te levaria amarado até lá. – brincou pondo novamente o capacete.

          Ainda que aquele convite lhe parecesse, num primeiro instante, estranho, Derek sabia que era preciso aceita-lo já que lhe restava pouco tempo na cidade e a verdade é que pouco importava se os pais de Katy, por causa da atual situação da filha, apenas iriam tolera-lo. Ele ainda a amava e nada sabia do que estava por vir assim de partisse para longe dela.

          — Vou dar uma saída! – esquivando parte de seu corpo para dentro da casa avisou seu pai que respondeu erguendo seu copo munido de whisky enquanto ainda fumava e fuçava na transmissão da rádio.

    Confira o capítulo seguinte! 
  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

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    Não sinta-se perdido LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!

          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 4/9

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    Naquela manhã de sábado Mark ligara para Derek pedindo para que o amigo viesse dar uma olhada na sua Formosa, apelido carinhoso que dera a sua motocicleta. Ainda perto do meio dia, ele apareceu por lá. Mark já o esperava disposto a dar cabo de tudo sozinho.

    — Ela não liga, Dek. – adiantou o problema. — Não está dando partida. – explicou ainda.
    — Vamos ver. – o outro disse depois de aproximar-se e cumprimentar o amigo que se mostrava preocupado com a situação.

    Já haviam se passado alguns minutos desde que Derek procurara desvendar o problema quando um automóvel escuro estacionou sobre o gramado em frente a casa. Sem dar atenção, ele continuou fixo no que estava fazendo, diferente de Mark que ao perceber quem chegara lgo  foi recepciona-los.

    — Mãe! – disse indo em direção ao carro. — Eles chegaram. – avisou.
    — Mark! – um senhor falou depois de desembarcar Do vveículo. 
    — Tio. – cumprimentou o homem com aperto de mão e um abraço.
     
    Em seguida uma mulher desembarcou acompanhada de suas duas filhas.

    — Ajude sua tia, sim. – sugeriu ao sobrinho. — Trouxemos algo para o almoço.
    Mark contornou o veículo e deu auxílio a Dna. May.

    — Deixe que eu levou tia. – adiantou-se pegando uma bandeja larga. — Olá Mary... Katy. – cumprimentou suas primas também.

    Então, Derek, voltou-se para trás e viu Katherine deixar o veículo. Mark, acompanhado pelos demais veio em direção a residência.

    — O que houve? – o homem parou por um segundo ao ver o que estava acontecendo.
    — Minha princesa não está bem. – Mark respondeu pelo amigo. — E esse é meu anjo da guarda – referiu-se ao amigo agachado — Dek esse é meu tio Alan e tio Alan esse é Dek. – os apresentou.
    — Me desculpe, senhor. – Derek pôs-se em pé. — Eu o cumprimentaria, mas... – estendeu as mãos mostrando o quanto estavam sujas.

    O rapaz não soube se seria muito educado cumprimentar o senhor daquela forma. Deixou de ter dúvidas quando percebeu que o homem lhe estendera a mão. “É o melhor.” Ouviu Mark falar logo ao lado do senhor.

    — Deixe disso, rapaz. – o homem disse. — Mãos como essas representam o progresso.

    A poucos passos as costas dos dois cruzou Katherine que o fitou discretamente. Mary o ignorou completamente assim como Dna. May. Na entrada da casa surgiu Sofya, mãe de Mark, uma mulher simpática e sorridente que agora as esperava calorosamente. Mark, juntamente com seu tio, seguiu para dentro de casa.

    — Já volto, Dek. – avisou e a verdade é que realmente não levou muito tempo até que estivesse de volta. — E então... como está indo? – pediu com certa preocupação.

     Sem responder, Derek prendeu novamente a mangueira a uma pequena saída do motor e pediu para que o outro tentasse dar partida novamente. Como por um milagre, a motocicleta respondeu imediatamente.

    — Eu sabia! – Mark contente. — Você daria um jeito, Dek!
    — Coisa simples...
    — Bem... Como minhas economias andam...escassas. – agora o outro explicava-se. — Não tenho como te pagar, mas – desligou a moto. — O que acha de almoçar com nós.
    — Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu. — Me parece uma reunião íntima. – referiu-se ao encontro dele com os familiares.
    — Não, não! Deixa disso! – o convidou com um movimento de mão. — Meu tio provavelmente te interrogue, mas é uma boa pessoa. Pelo visto ele gostou de você.
    — E isso é bom?
    – Depende do quanto você corresponda as expectativas dele. – riu-se.

    Percebendo que não existiria uma maneira de impedir que aquele convite se desfizesse seguiu o amigo para dentro da residência.

    Derek sentiu-se um pouco acuado sentado à mesa. Diferente dos demais, ele usava uma vestimenta mais informal. Até mesmo Mark que entre todos era o que mais se assemelhava a ele, estava ou lhe pareceu aquele momento, especialmente bem alinhado.

    — E então... Derek. – o senhor dirigiu-se a ele. — Tem dom para concerto?

    Mark, então, o fitou como se lhe dissesse “Falei que isso podia acontecer”.

    — Bem... Trabalho na oficina de meu pai. – explicou objetivamente. — Ajudo a...resolver algumas coisas.
    — E vejo que se sai muito bem, não. – referiu-se a moto do sobrinho.
    — Obrig...
    — Ainda que se evolva em problemas nas horas vagas. – Mary soltou num sussurro, mas que claramente pode ser ouvido por todos.
    Mark posicionou-se.
    — Aquele dia foi apenas um... Equívoco.
    — Chame como quiser, Mark. – Mary. — A meus olhos vocês não passavam de dois baderneiros.

    Então, estalou-se um certo desconforto a mesa. Derek arrependeu-se no mesmo instante em ter aceitado aquele convite. Não tinha sido o suficiente ter passado a impressão errada na primeira vez, ainda teria que ser exposto ante a família inteira de Katherine, que tanto quanto a última vez, mantinha-se calada. Tanto ele quanto Mark foram envolvidos pelas desaprovações de todos.

    — Mas Dek não teve culpa. – Mark esclareceu. — Tudo o que fez foi ajudar.
    — Uma confusão sempre será uma confusão! – o homem colocou fitando os dois. — E não tolero baderneiros, Mark! São um atraso. E em respeito a memória do grande homem que foi teu pai, não vou tolerar ou permitir que você se torne um. – completou apoiado por sua irmã Sofya.
    — Obrigado, Mary. – então Mark dirigiu a prima. — Finalmente estou conseguindo ser visto como um delinquente. – debochou ao mesmo tempo em que abocanhava um pedaço de carne.

    Ela apenas ergueu as sobrancelhas lembrando algo do tipo “Não há de que”.
  • Entre Lobos (conto-romance) 5/9

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    (POSTAGEM TODO INÍCIO DE MÊS) Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! TENHA UMA ÓTIMA LEITURA!


    — Que almoço, hein? – Mark na varanda riu-se com o amigo depois.

    Sem dizer nada Derek apenas calçou um cigarro entre os lábios. Apalpou os próprios bolsos, mas não achou seu isqueiro.

    — Tome. – o outro alcançou o seu depois de acender o próprio fumo. — Não ligue... Eles são assim mesmo. Conservadores.

    — Claro! – disse depois de soltar a fumaça do pulmão. — Mas então acho que já está tudo resolvido por aqui. – fitou a motocicleta do amigo. — Já é hora de eu ir.

    Assim que disse isso, viu atravessarem a porta de saída Mary e Katherine acompanhada logo atrás por seu pai e as duas mulheres.

    — Mas nos deixe na cidade, papai. – Mary. — Eu e Katy queremos conhecer o parque que chegou essa semana. – comentou.

    — Está bem. – o senhor respondeu. — E o que acha de fazer companhia a elas Mark? Seria de bom tom se agisse como um cavalheiro algumas vezes.

    — Não é necessá... – Mary

    — Claro! – Mark respondeu de imediato. — Assim aproveito pra testar a Formosa. – respondeu com semblante sorridente.

    — Mas pai... – Mary ainda não aprovando aquela ideia.

    — Sabe que não gosto que andem sozinhas, ainda mais em lugar tumultuados como esses. – o homem deixou claro. — Mark lhes fará companhia, sim. – completou aproximando-se de Katy e lhe acariciando o rosto. Seguiu em frente depois de despedirem-se de Sofya. Minutos depois o veículo deu partida e sumiu.

    — Mas e vocês? – A mãe de Mark perguntou sem entender o porquê de os dois ainda estarem por lá. — Já não deveriam ter ido encontrá-las? – completou voltando para dentro de casa.

    — Sim! Claro! – Mark de súbito. — O que acha Dek? – disse apoiando a ideia de tê-lo como companhia.

    — Bem... – Derek deu mais algumas tragadas no fumo e antes que pudesse dizer qualquer coisa o outro antecipou-se comentando.

    — Talvez tenhamos que aturar o humor inflexível de Mary. – brincou. — Mas pense nas lindas mulheres que por lá estarão. – deu um tapinha no ombro do amigo.

    Derek sorriu vendo a perspicácia do amigo.

    — Por isso você aceitou a sugestão do teu tio, não foi? – falou dano uma última puxada na fumaça e jogando fora o cigarro pela metade.

    — Tudo na vida tem um preço. – respondeu pondo seu capacete. — E nesse caso, vejo como uma... Troca de favores. – breve pausa. — As mantemos seguras enquanto bebemos e admiramos a paisagem. Perfeito, não? – concluiu antes de dar partida na motocicleta. Pegaram a estrada.

    O lugar realmente estava movimentado, mas não levaram muito tempo até que conseguissem encontra-las em meio aquela multidão. Derek aproximou-se com o amigo e parou próximo a Katherine que evitava o encontro de seus olhos.

    — Nós vamos caminhar. Deve ter muita coisa interessante por aqui. – avisou o primo. — E você – o mirou séria. — Conseguiria não criar problemas? – soltou antes de afastar-se com Katy.

    — Fique tranquila. – começou com um tom debochado. — Farei o máximo pra que não me diminua no próximo almoço. – então, embrenhou-se com Derek no movimento.

    — Ok! – Mark soltou em algum momento mais tarde já sentindo-se incomodado. — Preciso de uma cerveja e não acho que vou encontrar isso por aqui. – ainda mirando ao redor. Avistou suas primas em frente a uma barraca. Foram até elas. — Como estão se saindo?

    — Muito bem. – Mary respondeu. — Vamos só comprar um refresco. Logo papai vem nos buscar.

    — Acho que vou me contentar com isso. – ele sussurrou dando-se por vencido referinod-se a bebida.

    Assim que um pequeno grupo deixou o lugar depois de fazerem suas compras Mary adiantou-se acompanhada deMark. Katherine mirava a imensa roda gigante que estava a alguns metros longe de onde estavam, vendo sua atenção sobre a atração, Derek usou-a como um meio para em fim aproximar-se dela.

    — Imensa, não? – disse parando logo ao lado. Katy o fitou com o semblante liso e não disse nada. — Quer ir até lá? – perguntou.

    Katherine, pensou por um segundo e sorriu demonstrando ter deduzido o que ele lhe dissera.

    — Conhecer? – respondeu com a voz fraca. — Ela? – indicou com a face.

    — Sim! – ele disse. — Gostaria? – mostrou o caminho com um gesto simples.

    Katherine o observou e respondeu afirmativamente com a cabeça, mas sem pronunciar uma única palavra.

    — O que acha que está fazendo? – Mary então susrgiu como um fantasma.

    — Bem... Nós íamos até a roda gigante e...

    — Não, não vão! Não mesmo! – a outra posicionou-se. — Katy – voltou-se para a irmã. — Não pode agir dessa maneira... precisa ser mais cuidadosa. – reprovou a atitude da irmã.

    — Calma! Não há nada de errado. – Derek. — Só estamos conversando.

    — Não! Ela não está conversando! – respondeu com mais frieza. — Você quem a está importunando. – entregou um copo para a outra. — Deixe-a em paz! Sei muito bem o que você pretende com ela. – insinuou ainda. — Vamos, Katy. – deixou que a outra passasse a sua frente.

    — Mas... – Derek mirou o amigo que deu de mãos como se dissesse “esquece, esquece”.

    — Já te falei sobre isso. – Mark segundos depois. — Vai encontrar problemas ali. – referiu-se a Kety. — Tanto meus tios quando Mary... – pensou por um segundo. — Talvez não minha tia, mas os outros são bem rigorosos quanto a Katherine.

    — Não entendo.... – buscou uma explicação para si mesmo.  — Beata? – concluiu.

    antes mesmo de responder o outro sorriu parecendo debochado.

    — Mais complicado do que isso. – riu-se Mark. — Katy não é como as outras, Dek. – secou seu refresco. — Acho que a diversão acabou por aqui.

    — Vamos até minha casa. – agora Derek sugeriu. — Lá te um bom wisk e você aproveita pra me explicar melhor essa história.

    O outro concordou ao perceber que seu dia ainda não estava perdido.

    Agedeço a atenção!
    Confira também os outros títulos!
    Forte abraço!
  • Entre Lobos (conto-romance) 6/9

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    Não se sinta perdido(a), LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!
    Derek fumava escorado sobre o corrimão acompanhado de um copo de bebida e mais adiante, não muito distante de onde estava, Mark permanecia sentado sobre os poucos degraus que levavam a varanda. A rua em frente, monótona, estava tão quieta quanto os dois amigos.
    —... Quer me fazer de besta! Você está zombando de mim, Mark. – Derek então falou depois de soltar a fumaça do pulmão.
    — Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? – o outro respondeu imediatamente. — Você deve ter percebido algo de estranho, não? Com ela. Queria saber o que esta havendo e estou te dizendo. – completou.
     — Mas... Impossível! Você mesmo viu o que aconteceu no parque! Por mais curta tenha sido nós tivemos uma conversa. – jogou contra. — Não? – riu-se.
    — Está bem, talvez a situação não seja exatamente como coloquei... Ao menos não ainda. Apesar de Katherine ter perdido grande parte da audição, não significa que não consiga nos ouvir. – tirou um gole da bebida. — Sinceramente fiquei surpreso que ela tenha se ariscado a falar com você, Dek. – comentou ainda. — Ela costuma ser extremamente reservada.
    O amigo ainda refletia sobre o que acabara de ouvir.
    — Reparando agora, isso explica muita coisa. – então, disse depois. — E como pode ser desfeito? – atencioso. — Isso pode ser desfeito. – reformulou a frase esperando que sua confirmação fosse apoiada pelo amigo.
    Mark negou com a cabeça antes de responder.
    — Não! – pesaroso com aquele fato. — E com o tempo só piora. Meus tios já procuraram todos os meios pra ver se ao menos isso pode ser interrompido, mas parece que vai chegar o dia em que ela simplesmente vai deixar de ouvir qualquer coisa, Dek. – esclareceu por fim. — E isso é muito triste de saber.
    Ficaram em silêncio.
    — Por isso, meu caro amigo, vou dizer uma última vez. – Mark pôs-se em pé. — Esquece essa história. Não vai querer essa situação pra você. Acredite.
    — Como?! – Derek surpreso. — Acho que não entendi direito. – precisou de confirmação.
    — Não, você me ouviu muito bem. – Mark afirmando o que havia dito. — Esqueça Katy.
    — Poxa vida, Mark! Achei que fosse ter ao menos o teu apoio! – insistiu.
    Antes de seguir falando o outro pôs seu copo vazio junto ao do amigo.
    — A surdez de Katy é só parte do problema, Dek. – continuou dando de mão em seu capacete. — Viu como Mary reagiu só de você trocar umas poucas palavras com ela, meu tio é tanto pior. – montou na motocicleta. — Acredite, cara! Se tem alguém que pode falar com propriedade, essa pessoa sou eu... Faça um favor a si mesmo. Esqueça Katherine ou isso pode não acabar bem.  E é tudo o que tenho a dizer sobre isso. – de ombros vestindo o acessório dando partida e indo embora.
    Derek continuou onde estava, fumando imóvel vendo o amigo levantar poeira da estrada. Não demorou muito e ouviu a porta atrás abrir e bater novamente. John aproximou-se dizendo
    — Deveria dar ouvidos ao que ele disse.
    — As espreitas agora? Não achei que o senhor agisse assim. – comentou vago buscando fitar o homem por cima do ombro.
    — Não pensa em levar isso adiante, não é? – o homem seguiu dizendo sem dar ouvidos ao que seu filho lhe dissera.
    — Bem... Parece que todos já sabem o que eu devo ou não fazer, não é? – respondeu tomando o restante de sua bebida e em seguida lançou o toco de cigarro na estrada antes de seguir para a porta de entrada.
    — Pense melhor, rapaz. – o homem sugeriu. — Essa não é como uma de suas brigas de rua. Ao mesmo consegue enxergar isso?
    — Claramente. – entrou deixando a porta bater. — Claramente. – repetiu.
    Na manhã seguinte, como de costume, John escutava os noticiários sobre o avanço da Alemanha. Foi surpreendido ao ver que Derek surgira mais alinhado com suas vestimentas, logo deduziu que seu filho preparara-se par uma ocasião mais formal.
    — O que merece todo esse cuidado? – falou.
    — Vou até a casa de Mark. – esclareceu o que deixou seu pai confuso. — Quero falar com os pais de Katherine e espero que ele me diga onde encontrá-los. – por fim.
    O home desfez-se do aparelho.
    — Mas que droga! Achei que tivéssemos resolvido esse assunto! – John sério. — Vai realmente insistir nessa história?
    — Já tomei minha decisão. – respondeu indo em direção a saída.
    — Não me dê às costas, rapaz! – o homem deixou o assento. — Não percebe o erro que está cometendo? Com pode considerar uma vida normal com alguém que um dia não vai nem escutar o que você diz?
    — Dane-se todos vocês! – Derek posicionou-se. — Não vou abrir mão daquilo que eu acredito por que vocês são covardes!
    — Cuidado, rapaz! – John o advertiu.
    — Covardes, sim! Não teriam coragem de enfrentar uma situação como essa e por isso se não conseguem mantê-la trancada querem impedir que o mundo não se aproxime dela.
    — E o que pretende fazer? Não tem culhões pra esse relacionamento, filho. – disse. — Mal consegue manter os bolsos cheios.
    — Ainda assim é o que pretendo fazer! – insistiu.
                — Pois bem. – deu de mãos abertas. — Resolva isso de uma vez, então! Quem sabe, depois de ser enxotado perceba quem está certo.
    Sem dar ouvidos Derek partiu.
    — Você enlouqueceu de vez, Dek! – Mark ainda sem acreditar no pedido do amigo. — Acaso ouviu alguma coisa do que eu disse ontem?
    — Cada palavra.
    — Cara, você realmente gosta dela, não é? – agora admirando a postura do amigo.
    — Assim que a vi, Mark. – respondeu. — Por isso preciso da tua ajuda. Não vou desistir sem que ela mesma deixe claro que não tem sentimentos por mim.
    Mark respirou fundo e soltou o ar.
    — Está bem! – então concordou. — Parece justo. Afinal de contas você já me ajudou tantas vezes. – estendeu a mão. Cumprimentaram-se com força. — Provavelmente meu tio me mate por dar apoio a isso, mas vejo que é sincero o que sente por Katy. Quem sabe eles também enxerguem...
    — Tudo de que preciso agora é do teu apoio. – Derek respondeu vendo transparecer na face do outro um sorriso de satisfação.
    CONFIRA TAMBÉM... Meu Querido Manequim / Humanos
    OBRIGADO a ATENÇÃO!
  • ESCURIDÃO

    Solidão é a palavra que define meu atual estado: Tristeza, mas não aquela de chorar, eu não choro, não choro mais, e isso foi algo que decidi e consegui cumprir, contudo as lágrimas serem ou não derramadas não me vem ao acaso, não sou de sair, prefiro passar o tempo no meu quarto, perdendo horas e horas na internet, sei muita coisa, porque leio muita coisa e desde sempre até onde me lembro, claro, acredito que coisas que não deveriam existir nesse mundo, existem: Dêmonios, fantasmas, lobisomens, bruxas, e mais tudo que pode ser imaginado.
    Sempre tive medo do escuro, digo, quando eu era criança, mais precisamente não medo do escuro, mas o que nele habitava, morria de medo de dormir sozinho, separado do conforto e proteção dos meus pais, mesmo estando no mesmo quarto o medo me vinha e eu mau dormia a noite, ficava de cobertor erguido à cima da cabeça, pois sabia eu que se olhasse para o escuro veria o que evitava toda noite ver.
    Palhaços gigantes com enormes bocas e dentes afiados para me devorar, esqueletos usando becas voando pelo teto em vassouras e rindo, umas das coisas que mais me pertubou foi a mulher, enquando estava deitado na minha cama ao lado da dos meus pais, juro por Deus e por tudo, eu vi a coberta se levantar, uma vermelha e comprida que adorava, e assim que foi esguida do meu corpo ignorando o fato de eu estar segurando-a uma mulher deitou ao meu lado na cama e nos tapou, sempre que contava essa história eu ficava serio, foi real eu sabia que tinha sido, mas o que mais me espantava era o fato de que minha irmã tinha morrido quando era um bebê, eu ainda não era vivo, caso estivesse viva hoje seria ela uma mulher já feita.
    Mais uma noite veio e eu ansiava pela aurora e o calor do dia, pois se tinha algo que eu sempre dizia era: O mau não age na luz, seja o que for que dominava a escuridão na luz eles não poderiam me fazer mau, ainda no escuro, vislumbrei um lobo, sim, um lobo enorme e com olhos cinzentos que brilhavam, gelei, só o coração batendo enquanto meus olhos acompanhavam os seus lentos movimentos, e o suor começa a aparecer pela minha testa, ele andou e parou perto da lateral da minha cama, olhou-me nos olhos, sorriu, e sumiu, como fumo, e eu continuava a olhar e olhar, sentia os ombros tensos e o pescoço rigido, odiava aquela situação e não via a hora de crescer, pois quando se cresce as fantasias morrem.
    Nessa época meus pais levantavam cedo para ir trabalhar, como eu dormia na maioria das vezes com eles, ficava na cama até de dia e depois ia para casa da minha prima enquanto eles não retornavam, estava de férias no cólegio, não lembro a série, o fundamental  foi o período mais odiado por mim, e isso faço questão de não recordar, dos imbecis dos colegas, a implicancia, e o fato de estar sempre sozinho seja nas aulas ou no intervalo. Como ia dizendo eu esperava o dia adentrar para ir à casa da prima, ainda de madrugada, estava escuro, senti algo cutucar minha coxa, eu medroso já cerrei com força os olhos, tinha essa mania, achava que faria o indesejado desaparecer, nunca deu certo, descobri o rosto um pouco para espiar e me deparei com uma coisa sem rosto e de pela azul escura em cima de mim, nao gritei, nunca gritei(quem iria ouvir) apenas cobri rapidamente o rosto enquanto sussurava por favor, por favor, não sei quanto tempo havia se passado, quando olhei novamente a coisa tinha sumido, reparei pelas gretas da telha e vi luz, nunca me senti tão aliviado.
    Com o passar do tempo que fui crescendo, mudei para o quarto que fora construido para ser meu, no começo não queria, por causa do escuro, nunca disse a ninguém que tinha medo do “escuro”, mas a palavra de meu pai era lei, e eu obedecia, noite após noite e depois de um longo tempo nunca mais vi as coisas na escuridão, eu deitava e ficava encarando o canto entre as paredes, procurando um lobo ou esqueleto, mas nunca mais os vi, pensar nisso me fez me sentir sozinho, e eu fiquei confuso, detestava aquelas coisas bizarras que vinham toda noite me atormentar, só agora percebi que tinha me apegado à elas, eram monstros, mas estavam comigo e só partiam quando a luz ordenava.
    O que tenho hoje são sonhos, loucos e divertidos, sonhos de todos os tipos, as vezes os odeio, porque acordo e percebo que não passou de um simples e bobo sonho, mas eu me sentia tão bem que aquilo era mais real do que a realidade, aproveito ao máximo, até os pesados, pois um dia esses sonhos iram acabar, irei dormir de noite e acorda na manhã e saberei nesse dia que mais um amigo se foi, eram três, os monstros se foram sem eu nem notar a sua ausencia, sonhos ainda tenho, só temo o dia em que acabar e o terceiro e eterno amigo, que me aompanha para tudo conter lugar e sei, esse eu sei que nunca vai me abondonar a menos que eu faça primeiro. A solidão, pois não importa a ocasião eu sempre estou triste.
  • ESTRELAS

    Não pode, não há como você enfrentar tantos sozinhos, por favor – chorando. Não, não vá, não me deixe. Era necessário, para salvar a todos eu precisava usar o portal, só que minha magia estava no fim, e o que sobrou só daria para levá-las, eu teria que ficar para trás, sozinho, e com o exército se extendendo por todo o horizonte.
                É preciso, Estella, se eu não fizer todos morrerão, entenda, eu... é o único jeito, precisava acabar logo com isso ou iria fazer a escolha que queria, era a errada, porém, a que ele queria. Sou como uma estrela, estela: Quando uma estrela morre seu brilho ainda pode ser visto. – E o que isso tem, disse chorando. Apenas a olhei e meu coração se encheu de tristeza, sorri e disse que ela entenderia. A vanguarda inimiga já podia ser avistada precisava me apressar, comecei o encantamento e logo o portal se abriu, enviei-os à capital onde estariam em segurança, logo que sumiram me virei ao horizonte e para o mar de mostros que se aproximava de mim trazidos pelas ondas da destruição, respirei fundo, fechei os olhos e me preparei para a luta, sabia eu que não sairia com vida e mais uma vez a tristeza me abraçou, a última vez que a verei, pensei enquanto corria para a batalha.
                Quando cheguei ela estava sentada na mureta do castelo observando o por do sol e assim que semicerrou os olhos em minha direção deu um pulo de lá e veio correndo se jogando em mim, caimos e rolamos pela grama, ela soluçava e me abraçava enquanto dizia ainda bem, ainda bem, ainda bem. Deitei em seu colo e ao tocar seu lindo rosto de porcelana uma luz saiu de minha mão, estava sem tempo, pois o perdi na caminhada, ela não a percebeu, alisei a porcelana avermelhada que virou sua bochecha e sorri, a última vez, pensei.
                Você voltou, conseguiu, estou tão feliz, ele deitado em seu colo disse: lembra do que eu falei? Que mesmo depois que uma estrela morre, seu brilho ainda pode ser visto?.
    Após estas palavras ela compreendeu, ele já estava morto., deitado em seu colo jurou seu amor e disse que sempre a amou e sempre a amaria, enquanto o sol ia se pondo ele ia junto do astro, ela não conseguia conter a emoção e as lagrimas foram jorando de seu pranto, rolando pelo seu rosto. – Adeus, disse ele, adeus minha querida Estella, a melancolia em sua voz embargada. a lágrima saiu dos olhos de Estella e caiu no canto de seu olho e parecia que ele havia chorado, o sorriso bobo em seu rosto, bobo que ela amou a primeira vez que viu, e agora seria a última, quando o último raio de sol foi-se ele foi reivindicado para os céus, a minha estrela, pensou Estella chorando, o sol se foi e o levou assim como seu brilho. A lua subia alto no panorama celeste junto das suas luminosas, ela passou a noite toda procurando a sua estrela.
  • Eu amo

    Eu amo, seu beijo, seu desejo

    Eu amo, seu sorriso, seu riso

    Eu amo, seu abraço, seus amassos 

     

    Eu amo, seu corpo, seu rosto 

    Eu amo, seu olhar, seu andar

    Eu amo, seu toque, que me toque

     

    Eu amo, seu cabelo, seu cheiro

    Eu amo, seu jeito, seus defeitos

    Eu amo, mas só eu amo...

  • Eu Juro Que Não Sabia...

    Aquela festa estava destinada a ser inesquecível. Joe já havia bebido muito mais do que pretendia, ficando em um estado totalmente eufórico e imprevisível. Ela dançava no meio da pista como se não houvesse amanhã, remexendo de uma maneira chamativa e sedutora. De repente, ela sentiu uma mão agarrando seu pulso e a puxando para um local escuro e desolado do resto da festa. Era Josh, seu ex-namorado, que claramente não tinha suportado o término. Mas, como estava incrivelmente bêbada, Joanne não se importou com o fato de que tinha prometido à si mesma que não teria mais nenhum tipo de relação com o garoto e deu-lhe um beijo caloroso e equivocado, o deixando extremamente exitado.
         Depois de alguns minutos repletos de satisfação, Josh começou a empurrar a garota pelo quadril até o banheiro masculino, aonde os dois se trancaram em uma cabine e começaram a tirar a roupa um do outro. Porém, havia um detalhe. O garoto posicionou sem celular em um ângulo certeiro próximo a descarga do vaso sanitário que estava logo atrás do "casal". Assim, a câmera do telefone captou momentos que de maneira alguma deviam ser gravados na memória do um celular de um adolescente. Joe estava tão chapada que nem suspeitou de nada e apenas se deixou levar pelos seus instintos que buscavam o ápice do prazer. Mal sabia ela que aquelas gravações iriam gerar um tremendo rebuliço...
         No dia seguinte, Joanne acordou com uma dor de cabeça nefasta. A ressaca estava batendo de um jeito inacreditável. Ela então decidiu que não iria à aula e tentaria sossegar um pouco. Ela foi até a cozinha e tomou um bom café da manhã, depois se deitou no sofá da sala e abriu o seu computador. Seu Facebook estava repleto de notificações. Ao vasculhar um pouco a rede social, Joanne arregalou os olhos e começou a chorar. Todos estavam compartilhando um link que levava até o vídeo gravado por Josh. Joe tratou de pegar seu telefone e ligou imediatamente para o garoto. Felizmente, Estava na hora do intervalo, então o garoto pôde atender mesmo estando na escola.
         - Alô?- O espertinho não parecia nem um pouco preocupado.
         - Seu desgraçado!! Você me filmou fodendo com você sem nem me avisar e ainda espalhou o vídeo para todo mundo ver?!
         - Hey, puta, nem vem com essa que você SABIA que eu estava gravando. 
         - Ai, vai se foder!! É claro que eu não sabia...
         Josh simplesmente desligou na sua cara.
         Joanne ficou arrasada, se trancou no quarto e se pôs a chorar novamente. Se ela ficasse muito tempo ser ir à escola ela sabia que seus pais iriam suspeitar de algo. A pobre garota estava simplesmente perdida...
         Na semana que se seguiu, Joanne percebeu que já estava na hora de comparecer às aulas. Enquanto andava pelos corredores da escola, pôde perceber que todos os olhares se voltavam para ela. Todos riam, xingavam e cochichavam. Quando a aula de fato começou, inúmeros bilhetinhos ofensivos voavam em direção à carteira da jovem. Joe tentou ignorá-los, mas em certo ponto ela simplesmente desabou em lágrimas e pediu à professora para ir ao banheiro. Ela se trancou em uma cabine e esperou até a hora do intervalo. Porém, quando o sinal bateu e Joanne estava prestes à deixar a cabine... Dois garotos adentraram o banheiro feminino silenciosamente e esperaram até que Joe se mostrasse. No mesmo instante que a jovem se dirigiu à fileira de pias para se olhar no espelho, os dois encrenqueiros saltaram em sua direção e a pressionaram contra a parede.
        - Vamos fazer outro vídeo, vagabunda? - Um dos meninos disse tirando o celular do bolço.
        Joanne começou a gritar, porém o garoto mais forte e alto tapou a sua boca e deixou que o outro menino desabotoasse as calças.
       O que se seguiu fora uma cena horrível e extremamente revoltante. Após alguns minutos, os dois deixaram o banheiro correndo em meio a risadas eufóricas enquanto Joe simplesmente se encolheu em um canto, abraçou os joelhos e começou a chorar. Por que aquilo estava acontecendo justamente com ela?!
        Quando chegou em casa, a garota sentiu uma vontade incontrolável de contar aos pais o que havia acontecido, mas... devido à uma sensação horrível que misturava vergonha e medo, a adolescente desistiu e foi direto para a cama, aonde chorou como se o mundo estivesse prestes a acabar, ou... como se já estivesse em ruínas.
        Alguns dias depois, na hora do almoço, um bando de garotas se aproximou de Joanne e começou a xinga-la sem piedade alguma.
        - Ora, ora, ora, se não é a puta do momento... - Uma loira desprezível tratou de comentar.
        - Hahahah, ainda por cima, fica chorando no meio da aula para se fazer de coitada! - Uma outra acrescentou.
        - Me deixem em paz, por favor... - Joanne implorou.
        - Ou o quê?! - A loirinha retrucou.
        Joe respirou fundo e fechou os punhos... Mas não foi capaz de segurar seus instintos. Ela se levantou rapidamente do banco aonde estava sentada e se pôs a puxar os cabelos de uma das garotas ali presentes. A mesma começou a gritar, e logo surgiram pessoas de todos os lados para separar as duas. 
        Mais tarde, Joanne e o grupinho de garotas foram encaminhadas à diretoria e os pais de Joe foram chamados.
        - Por que você atacou a Srta. Manchester, Joanne? - O diretor balofo e mal-cheiroso tratou de perguntar.
        - Porque ela me irritou.
        - E posso saber o que ela fez para te deixar tão irritada?
        Foi aí que Joanne ficou sem palavras... Ela não podia contar o porquê.
        A garota acabou levando uma advertência para casa, aonde a mesma teve que ouvir inúmeros sermões dos pais sem nem ao menos poder se defender... Foi aí que ela teve uma ideia para acabar com tudo aquilo. De madrugada, Joanne se entupiu com os remédios da mãe que havia adquirido sorrateiramente e com uma faca da cozinha, ela simplesmente cortou os pulsos, escrevendo com sangue nas paredes da sala a seguinte mensagem: "Eu não sabia que ele estava gravando. Eu juro que não sabia...". E assim faleceu Joanne Valentine, mais conhecida como Joe. Uma garota forte, porém que não resistiu à mágoa e a humilhação supremas. Vamos acabar com o Bullying, para que a próxima Joanne Valentine possa ser salva... Obrigado pela compreensão.
  • Eu sou quem sou

    Minha família, como se diz meus familiares desde aquele momento que decidir ir pra outra cidade estuda, eu própria nunca mais soube deles, mais além de tudo, mesmo assim são minha família, apesar de que tivesse sido abandonada por eles, eu ainda os amo. Vou dizer como eu sou, eu sempre fui bonita desde pequena e eu estou falando serio, eu tenho cabelos meio loiro junto com castanho claro, falam que meu cabelo tem cor de caramelo, não que ele tem cor de caramelo, mas é esse o nome da cor do meu cabelo, meus olhos são mais como íris cinza, uma cor única, meio azul meio cinza, falam que meus olhos são muito bonitos, minha cara não é tão magra mais também não muito gorda, eu sou fofa do meu jeito, pintinhas na bochecha não muito escuras nem muito claras, minha pele não é muito escura, eu sou assim, perfeita como sou. Agora tenho vinte e três anos, sou formada em direito e sou uma advogada, eu saí de casa com meus dezoito anos e nunca mais voltei. Não é que eu não queira volta, é que meus pais não me deixariam volta pra casa deles ou nem pra suas vidas.
    Eu moro sozinha em um apartamento, eu queria uma casa com um jardim enorme, mais eu não tenho dinheiro pra uma casa tão grande por isso moro em um apartamento considerado grande, ele é moderno por esse motivo gosto muito dele, as vezes me sinto solitária como eu tivesse sozinha no mundo, eu amo minha vida mais sei que falta alguma coisa, não sei o que, mais falta, algumas pessoas falam que eu sou dramática, Mencionam que eu sou muito quieta e que tenho que me solta mais, eu sou uma pessoa super festeira, animada e as vezes bebo um pouco mais da conta, quando eu estou mais calada, é que não tenho motivos pra fala alguma coisa, não é todo momento que estou tranquila ou calma, não é como eu não fosse uma pessoa animada ou feliz é que eu quero só fica na minha.
    Uma vez eu tava numa festa, bebi só um pouquinho a mais que eu devia, eu fiz um barraco porque exigiram que eu sai-se, porque uma mulher mais endinheirada
    não queria eu na festa dela, naquele momento subiu uma gana daquela mulher que quebrei tudo, e a mulher ficou indignada comigo, venho na porrada, só foi um soco pra ela cair no chão, assim sendo fui presa, fui minha própria advogada e venci meu próprio caso, ainda saí debochando da cara dela, foi um dia de vitoria, depois até celebrei em um bar.
    Falando mais da minha vida. Um dia fiquei na espreita de uma porta, não é que eu seja fofoqueira, mais tinha duas mulheres e fiquei na vigia, só olhando as duas, atenta na conversa, olha o babado umas das amigas não sei qual, ficou com o namorado da outra, então ela começou a chama a amiga de traidora, hipócrita, fingida, mentirosa, talarica e muitas outras coisas, começaram a empurra uma a outra, começou uma choradeira a garota dizendo desculpa e lamento por tudo, a outra deu um tapa na cara dela da amiga talarica, ai inicia a porrada, eu não sabia se devia interferi ou não, não era minha vida, nem minhas amigas, então decidi fica só olhando quem ganharia essa briga, aliás a amiga talarica era boa de luta, não tinha porque eu ajuda, além do mais eu não queria me machuca por causa de uma briguinha, de mais e mais chegou o segurança do prédio, pelo menos as duas saíram vivas, uma saiu quebrada e outra com um namorado, mais é assim a vida né mesmo, uma tem que ganha e outra tem que perde.

    As vezes minha vida era parada e também agitada, eu só existia no mundo, de sete bilhões de pessoas, eu era louca e calma ao mesmo tempo, aqui e agora eu sou feliz mais também posso fica infeliz, minha existência era assim, feliz agora mais posso estava infeliz daqui uma hora, todos acham que eu sou séria por ser uma advogada, mais eu sou muito louca, até mais louca que os bandidos que eu defendo, juro se alguém fala qualquer coisa de mim eu caio no soco, pode ser uma pessoa forte ou até o presidente, eu quebro mesmo assim, na minha antiga rua nunca mexeram comigo toda minha família falava que eu nunca me formaria advogada porque eu estaria presa, eu agora sou a melhor advogada da cidade ou até do estado, sou doida mesmo, dizem que sou problemática se eu for o que vão fazer? nada, então fique quietinho no seu canto, deixe eu vive minha vida, eu sou quem sou, não posso muda e eu não quero muda eu sou feliz assim, vou continua assim, se não gostou estou nem ai, some da minha vida porque não vai muda nada se você for.
    Minha mãe me mandou a uma psicologa, quando eu tinha quinze anos, eu estudava, tirava boas notas, só arrumava umas briguinhas, nunca na sala de aula só no pátio, eu mostrava quem eu era, não queira vê como sou, porque sou mais feroz que um leão e com olhos de uma águia. Eu ia na psicologa uma vez na semana, ficava só sentada olhando e falando sobre minha vida, ela sempre anotava, no final disse que eu só precisava de mais carinho do meus pais, poderia ser isso, mais não era, ninguém entendia que eu era assim, nasci assim e vou morre assim, meu irmão mais velho era o único que me entendia, mais foi mora no exterior, meus pais devem fala que eu estou bem, para o diogo, mais eles estão certo eu estou bem no meu modo de vista.
    Eu no trabalho eu sou tranquila, equilibrada e uma pessoa super amigável, todas as pessoas do meu trabalho gostam de mim, referenciam eu como uma pessoa da paz, eu sou uma pessoa calma quando eu quero, meu melhor amigo me descreve como bipolar, eu aceito de bom grado, honestamente também me acho uma pessoa bipolar, não é que sou obrigada a ser legal, eu sou muito amigável e divertida, quem me conhece sabe que sou muito legal de conviver, mesmo sendo temperamental.
    Ficam me interrogando, falando se eu nunca tinha namorado, já namorei uns três caras, um quando tinha meus quinze anos, Arthur o popular, chato mais bonito. Durante o tempo que namorei com ele, todas as vezes que saímos, ele sempre tirava fotos em qualquer momento, não importava com quem e qual lugar estava, sempre postava tudo, tudo mesmo. Conforme o tempo não soube mais lidar com ele, e terminamos. o meu segundo namorado, eu ainda morava com minha mãe, dezessete quase dezoito, era o Gustavo gentil, romântico, raramente nós dois saía, a gente passava o tempo olhando filmes ou séries, depois de dois meses terminamos, saímos como amigos, virou um policial e hoje é casado. o meu outro namorado foi quando estava na faculdade, namorei ele uns quatro anos, no tempo da faculdade, foi do primeiro ano à o penúltimo ano, perguntam por que terminei? tudo o que sentimos se desfez, ele era um cara legal, com ele era eu mesma, justamente quando podia me solta acabamos terminando.
    Quando eu tinha oito anos, sofri um acidente de carro, meus tios estavam comigo, meu tio Fernando era quem estava dirigindo e minha tia Laura estava sentada na frente no lado do meu tio, não me lembro muito bem desse dia, lembro que veio um caminhão e estava na mesma via que a gente, mais tombou, meu tio não tinha como vira a direção então bateu, eles morreram na hora e eu fui a única a fica viva, depois do acidente, eu fiquei com muito medo de sair de carro, e eu fugi, me encontraram só uma semana depois em outra cidade, com uma vovozinha que tinha cuidado de mim, quando voltei minha mãe só brigou comigo, fingi que não estava escutando.
    A primeira vez que disse que gostaria de ser uma advogada, tinha meus doze anos, meus pais só riram de mim e falaram que era sonho de criança, mais eu nunca desisti do meu sonho, eu decidi luta pelo o que eu mesma queria, e aqui estou eu uma advogada muito boa, fiquei em duvidas em ser promotora ou advogada mais me tornei advogada.
    Perguntam se meus pais, vissem o que eu me tornei, uma mulher forte, bem sucedida, louca mais meiga, eu nunca sei oque responde, ficariam felizes por mim ou não?, me abraçariam ou não?, não sei e nunca vou saber a resposta. eu tenho meus defeitos mais também minhas qualidades, meus pais nunca viram minhas qualidades só meus defeitos, quando eu quebrava algo brigavam comigo, nunca falaram obrigado quando eu comprava de novo a mesma coisa que quebrei, ou quando eu brigava com minhas primas, minha mãe me ordenava que eu pedisse desculpa, mais elas roubavam e gastavam o dinheiro da minha mãe, eu dava meu próprio dinheiro pra ela não fica sem, porque eu não conto, eu fazia isso com orgulho, gostava de vê minha mãe feliz, mesmo eu não estando.
    Eu em nenhum momento odiei minha mãe, ela é meu mundo, só porque era a ovelha negra da família, se fosse antes ficaria triste por ser a ovelha negra, agora eu nem me importo. Nenhuma vez parei de amar minha mãe, guardei muitas coisas pra mim, por esse motivo me tornei forte ou de outro ponto de vista falam que isso me deixou assim como eu sou, eu nem sequer uma vez me afetei com esse assunto.
    Como saí de casa, foi num dia chuvoso, tava dia e contei pra minha família que entraria numa faculdade de direito, eles ficaram felizes. Nesse dia fui em uma festa, pra comemora essa vitória, e sem querer fiz um barraco, tinha dois caras se socando, não sei o motivo e nem queria saber, ninguém fez nada e eu tava bêbada, só um pouquinho, então peguei uma garrafa e quebrei na cabeça de um deles, no outro cara acertei ele com uma cadeira bem nas costas, acho que doeu. Os dois ficaram caídos no chão, um tava com a cabeça sangrando e outro com uns ossos quebrados, fui levada pra delegacia, meus pais começaram fala que nunca seria uma advogada que eu estaria numa prisão não defendendo alguém e eu era a que precisaria se defendida, fiquei uns dois meses presa, depois que saí, peguei minha coisas na casa do meus pais e fui embora, eles nem olharam na minha cara, nem ao menos falaram ''Adeus'' pelo menos eu dei adeus ao meu irmão, e também surrei uma garota que falava mau do meu irmão, foi ai que sai em paz da minha cidade.
    Hoje sou uma ótima advogada, fui presa só umas seis ou sete vezes durante esse progresso e não aprendi nada ainda sobre me controla, claro fui solta todas essas vezes por não ter provas que me manteve presa, só queria dizer a minha mãe ''mãe eu consegui'', mais sei que sera impossível, então essa é EU, agora posso dizer EU SOU QUEM SOU e vou encontra o que falta na minha vida.
         FIM
  • FLAMA

    para minha amiga Mara Santos (Várzea Grande/Cuiabá - Mato Grosso)



    olho
    aberto sobre
    a tarde em círculo
    ( o círculo da tarde )
    reflete nu espelho azul
    o sou
           l
            o
              posto entre luz e trevas



    ..................................

    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 191.
  • Gigante

    O telefone toca.
    Número desconhecido.
    Luís atende.
    A conversa não durou nem 30 segundos. Ele só diz — Sim. Sim, muito obrigado.
    As coisas ao seu redor ficam levemente embaçadas. Pequenas poças se formam em seus olhos. A notícia o atingiu como uma montanha russa de desejos e sentimentos antagônicos. Era difícil discernir o quanto o que ouviu o havia abalado. Havia conseguido um emprego, um trabalho. ENFIM!
    Algo tão almejado, mas que vinha carregado com o inconfundível teor de bile estomacal em seu íntimo. Não aceitava, era um negacionista convicto dos seus próprios sentimentos, mas tentou de recapitular o que se passava no seu maltrapilho pensar.
    Estava feliz pela notícia, sim estava.
    Estava devastado pela vaga conseguida não estar altura do que sonhava para si, dos ganhos que sonhava para si, sim estava.
    Luís ficou estático por alguns minutos. Um blackout interno generalizado que poucas vezes se viu. A sala de máquinas estava em frangalhos. Era uma ideia complicada demais de se conceber. Sabia que na atual conjectura econômica e social (por mais que odiasse com toda sua força a palavra conjectura pelo rancor adquirido após anos de percepções de que tal palavra só era utilizada por pessoas que queriam de maneira fútil demonstrar sua pseudo-superioridade intelectual sobre outrem, mas não dava para lhe escapar agora) não podia renegar-se o privilégio de comer e pagar as contas no fim de mês. Isso jamais! Mas a sensação de contrariedade, de antonímia, estava entranhada em seu eu de corpo e alma, e penava em dissipar-se.
    Havia estudado por anos: escola, cursinho, faculdade, especialização, mestrado, doutorado que de nada pareciam servir. Maldita estatística! Nada desse passado acadêmico poderia dar-lhe de comer nesse momento. Livros não alimentavam o físico, somente a alma. E uma alma sem sua complementação física, não valia mais que um galo de rinha pacifista.
    Há tempos que considerava o desperdício de tempo e o desgosto como velhos amigos. Daqueles inseparáveis mesmo. Não recordava de si mesmo sem tê-los ao seu lado. Sentia pena dos seus pais por ter-lhes causado, e ter sido o único possível culpado, o desconforto de uma vida. Sentia pena das pessoas que de alguma forma lhe ajudaram nesse percurso. Pobres coitados! E, principalmente, sentia culpa de si mesmo por não ter sido capaz de prever tudo isso. Afinal, sempre se considerou uma pessoa inteligente. Um übermensch! Mas agora via o monumental erro preditivo de autoconhecimento que havia cometido.
    Hoje vivia às penas.
    Hoje vivia, apenas.
    Era um emprego em outro Estado. Um lugar distante, ganhando-se pouco, mas ganhando. Não sabia ainda como iria e nem como iria, mas iria e isso estava materializado e aferroado em seu pensamento desde que desligou o telefone.
    As lágrimas agora deslizavam pela sua face como se nenhum atrito ali houvesse desfazendo-se de toda lei da física conhecida. Não era tristeza e decerto não era alegria também. Seu emaranhado de conexões neurais era um sítio obscuro e sem destino aparente, Luís tinha 38 anos de idade e ainda não havia uma explicação plausível que os decifrassem.
    Aprumou-se internamente. Disse a si mesmo — Seria mais uma batalha que travaria na vida. Está decidido! — Já passara por tanto. Lembrava-se da frase que vira num filme e que desde então navegava os mares tempestuosos de sua mente, “Quem disse que seria fácil?”.
    Pois é, quem disse?
    Após silenciosa resignação e ressignificação de tudo que havia divagado, juntou forças e enfim ligou para sua esposa para contar o acontecido. Ela estava no trabalho.
    No terceiro toque ela atendeu. Luís deu-lhe todos os detalhes. Contou tudo. Tudo o que sentia, tudo o que não sentia, tudo o que pensava que deveria sentir e tudo o que faria.
    Percebeu ela como se do seu lado estivesse. Uma simples inspiração seguida de expiração. Então, serenamente ela respondeu:
    Te amo.
  • Gira a Alma Com Passos Maiores

    É o que vem a desenhar o compasso
    Num passo a passo dos traços nossos, agora
    Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se
    É o nos fazer girar esse compasso
    Que de agora os passos nada de antes se classifica
    É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir
    Não há redores dele a passar-nos
    No que é nossa forma e nosso conteúdo.
    Alguns passos outros e passamos a girar
    Nele, tempo nosso, escalas menores
    No que d’alma atributos maiores
    Os passos eu não conto no desenho
    Passo os traços no agora
    Venho e faço descompasso
    A girar vida afora
    Roda grande que fecha
    Roda de dentro se abre
    Passa o tempo a ser nosso
    Gira a alma com passos maiores
  • Hanahaki Disease

    Em meu jardim há vazias borboletas 
    Em minhas pétalas há o negrume de tua voz 
    Entre cores de flores, paletas
    Há a vermelhidão de sinfonias silenciosas. 
     
    O amar cresce, desabrocha em meus pulmões 
    O gostar fere minha garganta com espinhos
    As flores de tua alma me consumiram, ferrões
    Como se talos e pétalas me sufocassem, meu declínio. 
     
    Há de ser o amor, da forma de uma bela flor 
    Que em meu jardim nasce, sufoca e mancha 
    As vazias borboletas há muito se desmancharam 
    E teu amor em meu corpo; não possuo mais calor. 
     
    Esperei, falei, declarei, clamei 
    Chamei teu corpo ao meu
    Mas à falta eu me entreguei 
    E surgiram flores em tosses, das quais jamais me livrarei. 
     
    E ao chão se foram margaridas 
    Belas rosas, junto de meu vermelho 
    E à vida foram-se orquídeas 
    Pétalas manchadas com o meu amar. 
     
    Não pude te encontrar 
    No gesto do meu olhar 
    Pois não lhe haviam cores 
    E acabei por desabrochar. 
     
    Eu olho no espelho 
    Vejo em minha pele tulipas 
    Vejo em meu coração jasmins 
    Choro por não veres meus jardins... 
     
    E eu cansei de tossir flores por você
    Até quando irei reler
    As pétalas doces de sua alma...
    Até o dia anoitecer?
     
    Quem sabe em meu jardim
    Verá o que será de mim
    Sufocarei com meu amor
    Em belas flores carmesim.
     
    Quem sabe as borboletas que tanto lhe atraem
    Possam te levar a entender
    Que por amor floresci em dor
    E que pelo amor... sufoquei em flor.
  • Hiraeth

    Quem dera poder voltar até lá. Ah! Se naquele dia eu não tivesse me descuidado, poderia ter preservado o meu mais valioso bem material. Nele não há vida alguma, mas seu grande valor emocional me leva de volta a minha infância em uma casinha amarela de portão marrom em uma pacata cidadezinha de interior, onde meu amado pai Armando Lima me deu um último presente antes de sofrer um trágico e patético acidente que custou sua vida. Aquele pequeno elefante rosa de pelúcia, com grandes olhos azuis (como os de meu pai) e barriguinha amarela foi meu maior tesouro por toda minha vida, até aquele dia, até aquela trágica tarde de agosto, de céu nublado e clima frio. Estava sozinha em casa, mamãe tinha saído com seu namorado Marcos. Era um homem de coração bondoso, tinha a beleza de um faraó e amava muito a mamãe, mas não chegava nem aos pés de meu pai Armando, com seus olhos profundos e azuis como o oceano e cabelos negros como as penas de um corvo. Naquele dia o tédio me consumiu, como uma pré-adolescente com tanta energia e vitalidade poderia ficar a tarde toda sentada em um pequeno apartamento vazio em uma sexta-feira? Os momentos ociosos são os mais perigosos. Me sentei no chão e observei o novo vaso de plantas da mamãe, tinha pequeninos cactos, um moinho de madeira e um cogumelo de enfeite, era adorável. Mamãe sempre amou plantas, papai era professor de biologia, talvez essa tenha sido uma paixão em comum deles. Aquela tarde fria me trouxe de volta memórias de meu pai, ele amava o inverno e a chuva. Quando sinto o frio tocar minha pele o fantasma dele vem em minha mente. Ó meu pai, por que teve que ser tão descuidado naquele dia? É cômico o fato de que minha última lembrança dele é a do dia em que ganhei aquele bichinho bobo de pelúcia, o qual hoje em dia já está aos farrapos, emendado e desbotado, mas ainda carrega a doce lembrança de um amoroso pai que se foi cedo demais. Ao ficar rodeada de amáveis memórias douradas, veio em minha mente uma ideia, uma ideia fútil, apenas algo que pensei para honrar a memória de meu pai, de maneira imatura. Lembrei de mamãe ter me dito que papai amava comer banana frita, era seu doce preferido e foi o que mamãe e papai comeram no primeiro encontro deles, eram apenas Isabel e Armando naquela época, jovens e apaixonados vivendo o auge dos anos 90. Decidi fazer o quitute que meu finado pai tanto amava, mesmo não sabendo quase nada de cozinha decidi apenas seguir meus instintos. Passei pelo meu quarto que ficava ao lado da cozinha e olhei aquele velho elefantinho rosa, como pode algo tão bobo me causar um conforto tão grande na alma. Parando na cozinha sem hesitar separei uma frigideira e os ingredientes: uma banana cortada ao meio, óleo e açúcar cristal. Senti que estava faltando algo, mas não me lembrei na hora. Quem dera se eu nunca tivesse lembrado. Coloquei o óleo para esquentar na frigideira e quando já estava borbulhando coloquei a banana para fritar. De repente lembrei do que achei que estava faltando, era água! Muitas vezes via mamãe cozinhando e usando água, então pensei que deveria ser isso. Pobre mente inocente, livre de preocupações e com pouco conhecimento sobre a vida e sobre cozinha. Naquele momento por intervenção divina não morri ali mesmo. Peguei um copo de medidas e enchi 200ml, mantive certa distância do fogão por medo do óleo espirrando, apenas estiquei meu braço e rapidamente despejei a água na frigideira com óleo latente. Naquele momento vi uma labareda laranja se levantando diante de meus olhos, naquele momento se passou em minha mente o dia que eu mais queria esquecer, o dia que fez eu desenvolver um grande medo de fogo, o dia que uma alma prematuramente saiu de um corpo desmaiado e em chamas, o dia que meu pai morreu. O fatídico dia em que a casinha amarela cheia de amor e risadas desabou em chamas, quando em uma noite quente faltou luz, quando uma garotinha e seu pai corriam ao redor de uma linda mesa coberta com a nova toalha de mesa um tanto grande demais e iluminada com velas. Quem diria que um momento impulsivo de diversão resultaria em um acidente que custaria a vida de um pai tentando salvar a sua família. Lembrei do exato momento que mamãe me abraçava em pé do lado de fora da casa, ouvia ao longe a sirene dos bombeiros que chegaram tarde demais e vendo aquela tão amável casinha desabar, eu segurava com força meu elefante rosa dos olhos azuis, a única coisa que me fazia permanecer conectada com meu pai, com o meu herói. Eu não podia deixar o mesmo acontecer comigo acontecesse o mesmo, num ato impulsivo de uma pessoa amedrontada fiz o que achei que seria sensato, corri para abrir as janelas, mas a abundante entrada do oxigênio fez o fogo se espalhar mais rápido, o alarme de incêndio apitava e o barulho me deixava desnorteada. Entrei em desespero e não sabia para onde ir ou o que fazer, o fogo se espalhando já havia tomado parte da cozinha, adentrado meu quarto e se aproximava da copa. Corri para perto da porta do meu quarto em chamas e vi o meu bichinho de pelúcia, meu elefantinho velho, desbotado e emendado, a minha única conexão concreta com meu pai, lá estava todo seu corpinho de pano sendo corroído pelo fogo, não pude conter as lágrimas e o aperto no peito. Minha vontade foi de desistir, sentar ali mesmo e deixar que as chamas também tomassem conta de mim, mas não podia, não podia fazer aquilo com a mamãe, o que seria dela sem o único laço que restou entre ela e Armando, o amor de sua vida? É como o significado que o elefantinho tinha para mim, uma conexão inquebrável, mas de forma mais intensa e pura, o amor de uma mãe que teve que atuar como mãe e pai após ficar viúva e eu não poderia desperdiçar esse amor por uma pelúcia mesmo que valiosa, inanimada. Papai sempre estará vivo em minha mente e em meu coração, não há objeto que determine o contrário. Em um pique de adrenalina, e um pouco sufocada pela fumaça, corri rapidamente para a sala e peguei aquele vasinho novo com cactos que mamãe amava e fui depressa em direção a porta, abri e saí, saí daquele apartamento no qual eu e mamãe viemos morar desde que papai se foi, um lar de resiliência e amor, o qual também foi tomado pelo fogo. Desci as escadas o mais rápido que pude, tonta e segurando o vasinho de plantas contra meu peito o mais forte possível. Ao sair do prédio, eu estava chamuscada, minha visão estava embaçada e meus ouvidos entupidos, mas tinham vizinhos me olhando e falando comigo e um caminhão e uma ambulância de bombeiros chegando, era como se tudo estivesse em câmera lenta, ouvi minha mãe gritando meu nome, ela e Marcos haviam chegado no condomínio, o carro estava estacionado em frente do prédio ao lado, mamãe estava do lado de fora do carro acenando para mim com um semblante de preocupação, corri em direção a ela como uma criança desamparada e me joguei em seus braços, soluçando por não ter conseguido salvar minha relíquia emocional e por ter perdido mais um lar para o fogo. Mamãe não teve reação, apenas me abraçava de volta e olhava para os bombeiros entrando e saindo do prédio. Marcos saiu do carro, encostou a mão em meu ombro e disse: “se te conforta, tenho uma casa a dois quarteirões daqui e prometo que nunca deixarei que mais uma parte da sua vida e da sua mãe seja consumida pelas chamas”.
  • How Be a Mom

    PRÓLOGO
    Não importa o quão racional ou inteligente sejas. Nenhum ser vivo é detentor de tanto conhecimento a ponto de não ser surpreendido pelo desconhecido. Experiências são conquistadas com o tempo, com os erros, com as pisadas em falso. É com elas que se aprende a lidar com o novo, os obstáculos são contornados até que se chegue a seu objetivo.
    O transtorno é imensurável. Ninguém escolhe percorrer o fundo do poço, apenas, em algum momento dessa longa trilha, a qual se chama de vida, tropeça-se em uma pequena pedra, não vista, no meio do caminho. Afinal, as grandes rochas são visíveis e evitáveis, não?
    Impor-se metas. Munir-se das melhores intenções. Planejar cada passo. Até que um dia nota-se que a base de sua construção não era tão forte, que os pilares daquela estrutura já não estavam tão firmes e, em dado momento, caem em pleno caos. Mas está bem, é apenas juntar os pedaços, fazê-los mais fortes e reconstruí-los de uma forma que não caíam mais por aquele mesmo motivo e tantos outros. Assim se forma uma nova etapa da vida.
    “— Essa é uma nova etapa da sua vida Eliza. – o pai deu dois leves afagos no topo dos longos cabelos negros da garota que o mirou com os exóticos olhos violetas — Uma nova etapa. – repetiu e deu um leve sorriso encarando aquele estranho tom.”
    Naquele dia seu pai estava tão orgulhoso, depois de terem feito a matrícula de Eliza Eckhart numa das melhores faculdades de administração do país.
    — Mana? – aquela voz familiar soou longe de seus pensamentos — Mana! – foi o chamado mais alto e os olhos violetas vislumbraram o vulto da mão da menor passando frente aos seus raros orbes — Estou a chamando faz tempo, mana. – Scarlett Eckhart pôs as mãos na cintura delineada, enquanto dava bronca na filha primogênita da família.
    Apenas naquele momento Eliza notou que ainda estava com o lençol, o qual deveria por no colchão, em mãos e olhava perdidamente para algum ponto da parede. A pele tão alva contrastava com os cabelos longos e levemente ondulados da garota, o único problema era o fato de estar anormalmente pálida.
    — Mana? – a caçula dos Eckhart questionou de novo, a sobrancelha arqueada pela dispersão da irmã.
    Os violetas encontraram os verdes esmeraldinos da mais nova, admirou-os por alguns instantes, como resplandeciam num brilho vivaz invejável ou como a coroa alaranjada em volta da pupila tornava o rosto, de traços tão meigos e até infantis, num de uma verdadeira mulher já completa, mesmo tendo apenas dezesseis anos.
    — Mana... – o tom mais ameno da voz de Scarlett chamou a atenção da outra —... o que você tem? – questionou, tocando, numa ternura inquestionável, a bochecha da mais velha.
    Ali Scarlett presenciou o corpo da irmã estremecer levemente, enquanto os olhos violetas tornavam-se opacos de desespero. Naquele ponto Eliza apenas pôs a mão sobre os lábios e saiu em passos ligeiros até o banheiro do quarto de ambas, trancando-o em seguida.
    As batidas e tentativas de abrir a porta do banheiro foram inúteis e já estava pronta para chamar um dos pais quando ouviu o som da descarga e a fechadura destravando. Ao abrir a madeira de mogno, deparou-se com a irmã escovando os dentes. Aguardou um ritual de passagem de água no rosto e um longo suspiro foi dado pela mais velha.
    — Céus mana, você está pálida. – segurou a mão da mais velha e a fez sentar sobre o colchão fofo da cama — O que você tem? Conta para a maninha. – Scar sentou-se na cama ao lado da que a outra estava, os móveis eram próximos, então era fácil para a caçula segurar as mãos de Eliza.
    Sempre foi tão dura e cheia de lógica. Mas onde existe lógica quando se trata do que é sentir? Era tão nova, tinha apenas dezessete anos e mal sabia dos labirintos que a vida impõe nos caminhos traçados. Então todo aquele emaranhado de boas sensações, guiados por belos olhos azuis, fê-la perder totalmente o sentido de realidade naquela simples noite.
    —Scar,eu....
    Claro que não poderia deixar de se lembrar dos sorrisos de canto, das conversas animadas e como ele a conquistou de uma forma que nunca tinha se permitido sentir naquele primeiro semestre da faculdade. De como as palavras sussurradas naquela voz de tom rouco ressoavam em seu ouvido e de como ela foi tão tola em se permitir levar.
    — Você tem estado estranha mana. Mal come, tem estado pálida. – Scar foi pontuando nos dedos — Até mesmo tem dormido mais, quando sempre é a primeira a acordar. – mais uma vez vislumbrou o desespero materializado nos olhos violetas — Mana está doente?
    As mãos tamparam o rosto. O que faria? Como seria dali em diante? Seu corpo. Seus sonhos. Bem podia recordar-se do dia em que, temerosa e de olhares furtivos, foi até a farmácia para comprar o típico teste feito em casa. Sentiu-se tão envergonhada sob o olhar questionador do caixa, mas era Eliza Eckhart e jamais abaixaria os olhos, por isso manteve-os sérios para o senhor de barba branca que apenas se ateve em pegar o dinheiro dado por ela.
    Naquele mesmo dia aproveitou que os pais não estavam em casa e que Scar tinha combinado de ir ao cinema com os amigos do colégio. E não levou muito tempo para que o desespero abatesse seus olhos violetas quando o resultado completou-se com um claro e simples ‘positivo’. Jamais poderia descrever em palavras o que sentiu no exato momento que reviu o exame.
    Eliza Eckhart, a garota genial, que ganhou bolsa integral na faculdade de administração, e provavelmente tinha um grande futuro pela frente ante sua perspicácia. Bem, agora estava grávida.
    — Scar eu... – respirou fundo, pois, mesmo depois de uma semana de ter aquele conhecimento sobre seu estado de gravidez, ainda não havia contado a ninguém —... estou grávida.
    E quisera Eliza não ter falado naquele momento, pois não houve tempo para lamentações, afagos ou questionamentos quando a porta, antes entreaberta, abriu-se de uma única vez para surgir a figura masculina do pai das irmãs Eckhart, Carl Médici Eckhart, com uma expressão que Eliza soube decifrar em algo ruim.
    — Pai. – Scar olhou para a irmã e, em seguida, para o pai, já se erguendo — O senhor...
    — Eliza! – a voz ameaçadora do pai fez a garota levantar-se — Repita o que você disse. – e dessa vez dera passos à direção da mais velha que parecia ter travado ante a indagação irritadiça do pai, nem mesmo havia notado quando a caçula se colocou frente a ela.
    — Carl, que gritaria é essa? – daquela vez foi a mãe quem adentrara o quarto, enquanto segurava uma toalha de louça nas mãos.
    Mas o questionamento de Celiny Evans Eckhart foi deixado em segundo plano pelo patriarca da família que apenas se atinha em fuzilar com aqueles olhos verdes escuros os violetas da filha mais velha.
    Eliza jamais poderia reclamar de sua vida. Teve tudo que precisava, desde as boas roupas e refeições fartas ate as idas ao cinema com a irmã, patrocinadas pelo pai, por sinal, este sempre fora bom com elas, extremamente rígido, mas sempre bondoso. Carl Médici não era o exemplo de pessoa amável, era general militar das forças armadas e pouco sabia demonstrar afeto, mas, de toda forma, mostrou-se ser um bom pai.
    Agora, a primogênita da família, não sabia dizer quem era aquele homem de expressão aterrorizante na face. Por isso quando entreabriu os lábios finos e desenhados em forma de coração nenhuma palavra saiu.
    — Repita Eliza! – foi a ordem não de seu pai e sim da personificação do general das forças armadas.
    — Pai, eu... – a respiração dela estava pesada e o embrulho em seu estômago tornava-se mais fatigante.
    — Você está grávida, Eliza? – Carl questionou mantendo aquele tom desconhecido pela família.
    — O que? – Celiny arregalou os olhos de um tom raro de rosáceo.
    — Eliza! – o tom de voz dele subiu mais uma vez.
    — Sim. – Eliza respondeu de uma única vez vendo o homem ir a sua direção.
    — Não. Não, não pai. – Scarlett se manteve na frente da irmã e a abraçou fortemente contra o peito como se ali pudesse manter a mais velha longe de perigo — Não bata na mana. – pediu chorosa, os olhos esmeraldinos estavam marejados, embora nenhuma lágrima ousasse cair.
    Aquele pedido pareceu travar o homem, mesmo que a expressão de raiva não saísse de seu rosto.
    — Carl, acalme-se, vamos...
    — O pai já sabe? – Carl cortou as palavras de Celiny, o cenho franzido em irritação depois de a mão passar pelos fios negros do cabelo cortado no típico estilo militar.
    Teve um singelo momento que Eliza não soube se conseguiria aguentar o que quer que estivesse em seu estômago, mesmo não tendo conhecimento do que havia lá, jogou fora tudo o que tinha da noite anterior naquela manhã. Então apenas balançou a cabeça afirmativamente. Fazia dois dias que foi até o apartamento de Braddley Cooper falar do que estava acontecendo e quando o fez o rapaz de seus vinte e cinco anos apenas retrucou que tinha de se mudar devido ao emprego. No dia anterior a Eckhart mais velha descobriu que ele não morava mais naquele apartamento e transferiu a faculdade. Depois disso não soube de mais nada.
    — Onde ele mora? – o pai questionou raivoso, tirando Eliza das lembranças que havia adentrado.
    Silêncio.
    Desde que iniciou a faculdade não comentara com os pais sobre o rapaz que adorava dar belos sorrisos a garota ou como aparecia de surpresa na biblioteca para ter longas conversas com a mais velha, tantas foram às vezes em que a bibliotecária os expulsava do lugar e eles iam até o gramado do campus continuar o bate-papo animado. E, claro, Eliza não era boba, ao menos não achava que o era, demorou um bom tempo até ele roubar o primeiro beijo do casal. Naquele dia, ao retornar da faculdade, contou a irmã que conhecera um cara legal e depois disso não voltou a mencioná-lo mais.
    — Eliza, meu bem, fale para podermos conversar com o rapaz. – Celiny se pronunciou, sabendo que Carl estava no seu limite de ‘compaixão’ pela filha.
    — Ele... – o coração dela disparou rápido dentro do peito —... saiu da cidade. - fora tão tola em se levar por alguém que apenas a fez se apaixonar para levá-la à cama.
    Um novo momento de silêncio, mas daquela vez pelo lado dos pais.
    —Pai,eu...
    — E o que você pensa que vai fazer? – Carl daquela vez estourou, tirando Scar do caminho enquanto segurava o braço de Eliza — Ele assumirá, por acaso? – esbravejou, dando uma boa sacudidela na mais velha.
    —Nãosei.
    — E como criará essa criança?
    —Nãosei.
    — Onde você estava com a cabeça, Eliza? – extravasou totalmente fazendo a mais velha cair sentada na cama depois de uma das sacudidas.
    — ‘Desculpa’ pai, eu...
    — Eu não criarei bastardo na minha casa. – continuou.
    — Carl, nós podemos resolver isso. Acalme-se, meu bem. – Celiny tentou se aproximar, só que, mais uma vez, ele se aproximou de Eliza, ficando frente a mais velha.
    — Fora da minha casa! – disse em plenos pulmões e todas as expressões naquele quarto foram a mesma de desespero.
    — Carl você não pode fazer isso. Eliza é nossa filha. – Celiny se antecedeu, rogando em desespero pela primogênita.
    — Se tem a capacidade de se entregar para qualquer um, também já pode se criar sozinha. – o homem retrucou de forma rude — Na minha casa não se cria mulher da vida.
    Aquelas palavras realmente a feriram de uma forma que não soube explicar. O embrulho do estômago estava em segundo plano, agora sendo substituído por uma pontada de dor no peito. Estar grávida era tão ruim assim? Ela não queria que seu pai criasse a criança que estava por vir, mas eram necessárias todas aquelas palavras?
    — Você não ouviu Eliza? – ante o silêncio e o olhar arregalado da mais velha, Carl se pronunciou — Não a quero ver nem mais um minuto nesta casa. – e naquele ponto segurou o braço da garota, enquanto num momento totalmente fora de si, puxou a garota, saindo do quarto.
    — Carl, pare. – Celiny foi atrás do marido, tentando pará-lo — É nossa filha, Carl. – as lágrimas escorreram dos exóticos orbes rosáceos.
    — Pai, vai machucá-la. – Scar acompanhava numa tentativa de fazer o pai voltar atrás na decisão — Larga a mana, pai. – e nem mesmo sendo tão forte pôde evitar que as lágrimas escapassem de seus olhos. Eliza era sua irmã, sua companheira, um pedaço dela.
    A esperança delas, de que o homem voltasse atrás, simplesmente se acabou ao vê-lo abrir a porta e colocar, literalmente, Eliza para fora da casa. Num último vislumbre, ainda, viram que a mais velha tentou falar algo quando a porta fechou-se por completo.
    — Carl, você não pode fazer isso. – Celiny tentou ir até a porta chaveada e Carl e segurou pelo braço.
    — Abra essa porta e você será a próxima a ir com ela também. – rosnou enfurecido para depois olhar a caçula da família — E o mesmo serve para você. – soltou o braço de Celiny que tinha o olhar em pleno terror, realmente não reconheceu aquele homem a sua frente.
    Aquele nó na garganta de Scar resolveu se desfazer em prantos, os quais fizeram a garota subir os degraus da escada o mais rápido que pudesse até se trancar no quarto. Seu coração doía tanto. Tentou escorar-se na janela para avistar a irmã, mas nada mais viu além de vizinhos enxeridos.

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