person_outline



search

drama

  • As Férias Da Sua Vida

    A duas semanas das férias, depois de um ano duro, Rob deveria estar animado. A verdade é que não sabia o que fazer nem das férias, nem da vida. Passava pela fase mais difícil: perdeu a noiva, estava cheio de dívidas e odiava seu trabalho. Naquela noite viu um anúncio na internet prometendo as "férias da sua vida". Orçamento sem compromisso, não custaria verificar.
    Srta. Sylvia o recebeu explicando que sua empresa oferecia um novo tipo de férias. Nada de aeroporto, malas e tempo perdido planejando transporte ou passeios. Se ele quisesse, no dia marcado suas férias começariam na cidade onde morava. Rob gostou, achou o preço salgado, mas perto da dívida que já tinha que mal faria?
    Escolheu a promoção "pague dez dias e ganhe quinze", era o pacote com retorno. Assim que passou o cartão, Srta. Sylvia o desafiou a colocar para fora seus maiores sonhos. O céu era o limite.
    Um carro foi buscá-lo em casa e no caminho foram passando os detalhes da nova vida. Conforme seus desejos seria um desenhista de sucesso, teria uma esposa loura e atlética e saldo em conta com sete dígitos.
    A primeira semana foi maravilhosa. Sua rotina era acordar para um café majestoso, saía de sua cobertura para o escritório luxuoso e lá desenhava. Na parede haviam ilustrações suas em molduras valiosíssimas e isso enchia-o de orgulho. À noite voltava para casa, jantava com sua linda esposa e fazia amor até a exaustão. Antes de dormir chorava baixinho lembrando que essa vida não passaria de quinze dias.
    Uma rotina se estabeleceu e pelo sexto dia, apesar de exultante, Rob começou a sentir que trabalhava demais. Passava dezoito horas no escritório. Sua assessora, uma morena estonteante, surgia frequentemente com papéis para assinar e decisões para serem tomadas. Tantas horas juntos e acabaram tendo um caso. Rob aproveitava cada oportunidade.
    No décimo dia o estresse era grande, pois tudo era tomar decisões, tanto no escritório quanto em casa. Chegou na cobertura exausto, precisando descansar, mas foi recebido com um copo que quase o atingiu na cabeça. Sua esposa descobriu a traição e enlouqueceu. Passaram a noite discutindo e Rob saiu cedo, sem dormir, para o escritório. Não conseguiu acertar a senha da porta e ligou para sua assessora. Ela friamente deu a notícia de que estava acabado. Assinou papéis demais e toda a empresa havia sido transferida à morena. Preocupado olhou o saldo da conta e seu coração quase explodiu: negativo. Precisou dormir em um beco, aquecido nos fundos de uma pizzaria. Dia seguinte enfrentou os advogados da ex. Depois teve que depor à polícia sobre sonegação de impostos. Acabou preso por fraude.
    Na décima quinta noite foi dormir pensando na vida de antes. Sentia saudades do apartamento fedido e até das dívidas que certamente pagaria. Dia seguinte acordou com Srta. Sylvia pronta para soltá-lo. Ao perguntar o que ele achou de tudo, Rob respondeu com um sorriso: "foram as melhores férias da minha vida". E mal via a hora das próximas.
  • B A I I S C T N Â

     

     

                           B                              A

                              I                         I

                                 S               C

                                     T       N

                                         Â

     

     


                         
                        t e l e              v i s ã o

     


                        t e l e             v a z ã o

     


                        t e l e              v a z i o

     

     

     

     

     




    ..................................................................................................................................

    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 188.
  • Beco do Adeus

    Com os olhos fechados e calo nesse mundo de ódio e amor aos poucos meus olhos escorem gotas que caiem no chão, que me lembra de tudo que fiz e cada vez me deixa mais confuso já não sei oque fazer perdido em delírio de pensamento pessimistas que me levaram esse lugar escoro chamado de beco. Jogado no chão a chorar parece apenas um conto de um livro de ficção momento que o protagonista é derrota ou perde alguém que ama bem minha historia é diferente estou aqui, pois nunca ter nada, perde sempre, ser zero a esquerda, não consegui ser o protagonista da minha própria vida é engraçado dizer nesse momento poderia ser aqueles que as pessoas percebem que ficarem chorando não vai mudar nada, mas já passei por isso, mas não mudou nada sabe antes que m julgue como um cara que não quer lutar pelos seus sonhos entenda que  nem todos desistem por não ter coragem de lutar uns só estão cansados de perder sabe é fácil falar levante a cabeça e siga em frente quando  você não  perdeu mais vezes que pode contar. Caralho isso esta  muito desmotivador até pra min mas vou te mandar real irmão você  provável que seja alguém  melhor que eu já que estou morto nesse momento que esta lendo isso, mas mesmo tendo uma vida de bosta tive momentos  bons, olha tive um amor ela era linda mas tive que deixar ela parti ter uma vida melhor, amigos verdadeiros,  muitas coisas boas só que tudo oque realmente tentava  fazer de útil não dava certo desde de criança então hoje eu parto para um outro começo. Adeus caro leitor.
  • Caçadora

    Já haviam se passado dois dias desde que os sequestros começaram, as delegacias da região estavam lotadas de policiais e informantes, todos desesperados por uma única pista. Nos hospitais seguranças cercavam os berçários, pais nunca deixavam um enfermeiro ficar a sós com seus filhos. Dois dias, quarenta crianças, todas tiradas dos braços das mães em sete diferentes hospitais da cidade.
    Sofia tentara rastrear os sequestradores a partir de câmeras de segurança, mas não conseguiu nada além do que a policia tinha, os bebes eram pegos por enfermeiros que trabalhavam nos hospitais, eles aparentavam estar fazendo seu trabalho de rotina, contudo, nunca chegavam ao destino, desapareciam dentro de um carro junto com a criança, tudo pego pelas câmeras.
    No primeiro dia dez roubos dentro de uma hora, dois recém-nascidos e oito que já estavam a mais de um dia no berçário, quando chamaram a policia já haviam desaparecido, essa primeira onda ocorreu somente em um hospital, os outros trintas seguiram o mesmo padrão no dia seguinte, menos de uma hora e em seis hospitais diferentes. As câmeras de trânsito não conseguiam acompanhar os criminosos, haviam poucas e cobriam somente uma parte pequena das ruas.
    A cidade inteira estava em pânico, a mídia não saia de cima da polícia, os gerentes dos hospitais estavam ocupados demais tendo que atender advogados que ameaçam processos milionários, Sofia sabia que quanto mais alvoroço acontecesse, mais as pessoas deixariam passar os detalhes, então estava na hora dela agir.
    Após assistir as câmeras diversas vezes, juntou os seguintes padrões, o comportamento dos enfermeiros até recolherem as crianças eram normais, nenhum dos quarenta apresentara qualquer sinal de nervosismo, nenhum teve qualquer contato estranho ou incomum entre eles, ou seja, sequestrador com sequestrador, assim como agiram de forma completamente confortável quando saíram do hospital e entraram no carro, o mais provável era que o quer que tenha motivado os roubos tenha acontecido entre os segundos em que as câmeras não pegavam eles, se tornava difícil notar qualquer interação com outros possíveis cumplices nesses momentos, ninguém estranho, tudo em perfeita ordem, parecia completamente inútil.
    O único detalhe que juntava todos os membros como cumplices era que em cada roubo o carro do sequestrador pertencia a outro sequestrador, todos segundo os familiares sem qualquer ligação. Os carros foram encontrados, estavam separados em diversos bairros da cidade, sem GPS, sem os donos, sem pistas.
    No primeiro dia vinte minutos após chamarem a policia as BRs que levavam para fora da cidade estavam fechadas, no segundo dia elas foram reforçadas, a guarda nacional ajudava a cercar a cidade, ninguém passava sem ser visto, pelo menos era isso que eles queriam acreditar, o mais provável era que as crianças ainda estivessem na cidade, a questão era acha-las.
    Sofia pensou em qual seria o próximo passo da polícia, estavam prontos para invadir todo e qualquer lugar que pudesse abrigar quarenta recém-nascidos, quanto tempo demorariam para conseguir a permissão? Algumas horas?! Ninguém conseguiria esconder-se por tanto tempo com esse número de reféns, os planos eram outros, talvez aquelas crianças não tivessem algumas horas.
    Eram quatro horas da manhã, Sofia decidiu que não valia a pena correr atrás de todos os quarenta suspeitos, escolheu um, Carlos Mendonça, quarenta e dois anos, residia no hospital a mais de uma década, casado e com três filhos, um homem normal, pai amoroso e ótimo jogador de cartas segunda a esposa. A casa do suspeito ficava próximo a casa de uma das vítimas, podia ser coincidência ou ele podia estar de olho na gravida a muito tempo.
    A menina esgueirou-se pelo jardim da casa, sempre de olho para que ninguém a visse, escalou até o segundo andar onde sabia por informações recolhidas de conversas com “vizinhas informantes” (fofoqueiras) que ficava o quarto do suspeito e sua esposa. A janela estava fechada, mas era de vidro e por ela podia-se ver uma mulher de idade já avançada deitada na cama em um sono profundo, um sono que conseguira a muito custo, isso era o que indicava os frascos de soníferos ao lado da cama. Outro motivo pelo qual Sofia escolhera aquela família em especial era por que fora uma das primeiras entrevistadas, metade dos familiares de suspeitos ainda estavam na delegacia e a garota preferia fazer seu trabalho longe da polícia.
    Todos na vizinhança dormiam, tão calmos e ao mesmo tempo tão desesperados, Sofia desceu para o jardim, encontrou a porta dos fundos e com um grampo abriu a fechadura como se fosse um jogo de criança.
    Andou pela casa sorrateiramente, procurou pelos filhos, mas eles não estavam, deviam ter sido mandados para os cuidados de algum parente para evitar que comtemplassem a tristeza da mãe, era uma coisa boa, não seria interrompida. Subiu as escadas, fechou as cortinas do quarto, vestiu uma mascara completamente branca que só possuía buracos para os olhos e foi em direção a cama.
    - Cristina! – sussurrou bem perto do ouvido da mulher, mas não surgiu efeito.
    - Cristina! – voltou a repetir, agora mais alto dando um empurrão na dorminhoca.
    A mulher resmungou um pouco, virou-se de frente para a menina e quando abriu os olhos, entrou em desespero, tentou gritar, mas uma mão tapava sua boca. Seu próximo instinto foi pular para fora da cama, novamente frustrada, desta vez devido a faca de caça que repousava em seu pescoço.
    - Não quero ter de usar meios violentos. – disse Sofia – mas não hesitarei um segundo se me obrigar a fazê-lo, estamos entendidos?
    A mulher com os olhos arregalados e cheios de medo acenou com a cabeça de forma afirmativa. Sofia retirou a mão que tapava a boca da vítima, mas manteve a faca,
    sentou-se na cama confortavelmente enquanto era observada pelo olhar amedrontado de Cristina.
    - É... é dinheiro? – perguntou a mulher gaguejando – Te... te... tem no... co... co... cofre, a senha é 2...2... 4...
    - Isso não é um assalto!
    A mulher permaneceu um momento em silencio, então pediu se poderia sentar, Sofia permitiu, contudo, sem remover a faca do pescoço da vítima.
    - É meu marido? – perguntou a mulher com os olhos cheios de lágrimas. – Você é uma parente?
    - Não Cristina, sou só alguém querendo fazer a coisa certa.
    - Com uma faca?
    - Com os meios que a justiça despreza, mas necessita.
    As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da mulher. – Eu não tenho nada a ver com isso, meu marido também não, é um grande engano, ele é uma boa pessoa.
    - Ele sequestrou um bebe e desapareceu, não é a definição correta de boa pessoa.
    - Você não entende, ele não pode ter feito isso, ele é um homem carinhoso, um pai de família gentil, nunca esquece meu aniversário, continua dizendo que me ama todos os dias mesmo depois de vinte anos de casamento.
    - Parece perfeito demais não acha?!
    - Por que está aqui? Tem alguma pista dele, tem dele algo a mais que os outros? Não conheço todos os envolvidos, mas tenho certeza que assim como meu Carlinhos eles são vítimas de alguém que os manipulou.
    - Acha mesmo que ele é inocente?
    - Eu conheço meu marido!
    - Então consegue imaginar alguma oferta que o teria feito repensar seu estilo de vida? Dinheiro, algum favor especial talvez?
    - Dinheiro? Eu sei que ele é só um enfermeiro, mas dinheiro nunca foi um problema, ele herdou uma fortuna de seus pais, poderia ter pego tudo e ido embora, em vez disso dedica todo dia cada centavo dele para dar a mim e a nossos filhos a vida mais alegre que poderíamos desejar.
    - E onde está sua alegria agora?
    A mulher caiu em prantos e Sofia não demonstrou qualquer sinal de pena diante da cena, assim como sua mão não afrouxou no pescoço da refém.
    - Temos um problema aqui! – disse a menina – Tudo indica que seu marido faz parte de algum grupo de lunáticos que resolveu sequestrar quarenta crianças de uma vez só em um período de dois dias, sabe o quanto isso é insano? Não faz o menor sentido! Sabe, eu gostaria que ele não fosse culpado, acredite em mim, assim eu pouparia uma bala na hora de matar os responsáveis, o problema é que preciso de uma outra teoria que o livre dessa, você tem alguma?
    - Ah...ah... Não sei... ah... Talvez alguém parecido com ele, talvez... eu não sei... – a mulher voltou a chorar, tentou controlar quando sentiu o fio da navalha apertar mais contra seu pescoço.
    - Vamos lá Cristina, eu não tenho muito tempo.
    - EU NÃO SEI! Bolar uma teoria não deveria ser o seu trabalho?
    - Estou sem ideias, preciso de uma segunda opinião, que tipo de grupo é lunático a esse ponto?
    - Tráfico sexual, trabalho infantil, órgãos, EU NÃO SEI!
    - Sabe qual é o problema com esses grupos Cristina?
    - Eu... eu... eles... não fazem escândalo?!
    - Exatamente! Você não está se esforçando para livrar seu marido dessa Cristina.
    - ELE É INOCENTE! Porque não acredita em mim?! Eu não sei de nada, ele era um bom homem, meu deus ele até doava dinheiro para igreja todo mês.
    Sofia suspirou desapontada, retirou a faca da garganta da vitima e a guardou no sapato, as duas permaneceram em silencio por um momento, até que a menina notou algo no que havia ouvido.
    - Vocês são religiosos? – perguntou ela a mulher.
    - Não exatamente! A religião vem de família, mas as doações são nossa única ligação com esse tipo de culto atualmente e é só porque a igreja faz obras de caridade ou algo assim...
    - Está me dizendo que não sabe exatamente para que a igreja usava o dinheiro?
    - Era o... era... meu marido... que... cuidava disso... você... você acha que...
    - Um homem perfeito?! Talvez você esteja certa e não seja nada, mas só por precaução vou checar para onde o dinheiro ia, tem pelo menos o nome da igreja?
    Alguns quilômetros longe dali, dentro de uma cafeteria vinte e quatro horas, Sofia procurava em um dos computadores do estabelecimento, tentando encontrar informações sobre o Centro de fé e contemplação do senhor Jesus Cristo. Era uma comunidade bem grande, muitas propagandas sobre obras de caridade, embora as igrejas deste culto fossem templos pequenos e espalhados em vários pontos da cidade, todos os anúncios traziam consigo a imagem do patrono da religião, o padre
    Deo Missusa, latim, se fosse escrito Missus a Deo significava enviado de deus, Sofia entendia um pouco de latim e essa podia ser novamente só uma coincidência, mas aquele parecia ser um nome inventado, do tipo que artistas usam para parecerem mais chamativos.
    “O que Deus diria disso?!” pensou ela.
    Após alguns minutos de pesquisa encontrou um numero de telefone, sabia que não ajudaria muito, mas resolveu tentar um contato com o próprio “Enviado de Deus”, através da linha de ajuda a viciados. Saiu da cafeteria, encontrou um lugar sossegado e então telefonou, foi quase que imediatamente atendida por uma mulher.
    - Centro de fé e contemplação do senhor Jesus Cristo, que a benção do senhor esteja com você, com quem estou falando?
    Sofia enrugou um pouco a voz para parecer rouca – Meu... Meu nome é Karine, eu... eu preciso de ajuda... eu quero me matar.
    Houve uma comoção do outro lado da linha, outra pessoa assumiu o telefone, desta vez um homem, afinal, a linha era para viciados, não suicidadas. – Boa noite Karine, meu nome é Jeferson, estou aqui para te ajudar, preciso que continue na linha ok? O senhor nosso deus tem um proposito para você, sua vida tem um valor inestimável...
    Sofia resolveu criar um pouco mais de drama – Onde está a mulher? Eu estava falando com uma mulher? – ameaçou um choro – Porque todo mundo me passa para outra pessoa?
    - Karine, eu preciso que se acalme ok?! A irmã Maria está aqui comigo, ela não saiu, eu pedi para assumir o telefone, já lidei com isso antes querida, tem algo que deseje em seu coração?
    - Deo!
    - Como?
    - O padre Deo está ai?
    - Sinto muito querida, o padre encontrasse em seus aposentos, mas Deus fala através de todos nós, pode falar conosco e estará falando com Deus.
    - Por favor! – Sofia fingiu que estava chorando, parecia bem convincente, era uma ótima atriz – eu estava... estava vindo para cá, pronta a pular, pronta a tirar minha vida, então eu vi, eu vi um cartaz, era o padre Deo, é um sinal, meus pais sempre foram religiosos, eu nunca liguei para essas coisas, por favor, eu preciso falar com o padre, ou então não tem porque eu continuar nessa ligação.
    A resposta foi rápida – Tudo bem Karine, eu preciso que prometa continuar na linha, não faça nada precipitado, vamos tentar entrar em contato com o padre, mas enquanto isso, porque você não nos dá sua localização?! talvez o padre possa te encontrar pessoalmente.
    - NÃO! Vocês estão mentindo, vão chamar a polícia, vão me mandar de volta para aquela maldita clínica, EU QUERO FALAR COM DEO OU VOU PULAR!
    - Calma Karine, estamos ligando para o padre agora mesmo...
    A ligação se estendeu por alguns minutos com Jeferson incentivando o tempo todo para que a vitima se acalmasse e tivesse paciência, Sofia por sua vez mostrava cada vez mais sinais de impaciência para que agilizassem as coisas, por fim a ligação foi passada para o “Santo Deo”.
    - Que a benção do senhor esteja com você, o que há em seu coração querida? – perguntou o padre.
    Era hora de decidir bem o que dizer, Sofia queria saber se a igreja tinha algo a ver com os sequestros, pensou em alguns dos sequestradores. – Meu nome é Karine... meu pai era Gregório Castro...
    Sofia não disse mais nada, esperou uma reação.
    - Um dos sequestradores?! – disse o padre.
    “E o peixe morde a isca” pensou a menina, mesmo que tivesse visto todas as notícias seria difícil decorar todos os quarenta nomes, muitos dos jornais nem se deram ao trabalho de citar todos os envolvidos, de novo, poderia ser coincidência, mas a garota chegara até ali com algo extremamente banal como contribuições para caridade, não tinha porque não ir a diante.
    - Ele falava muito da igreja – Sofia continuava com a voz de choro – você o conhecia?
    - Deus conhece todos os seus servos minha querida, mas eu sou só um mortal, não tive a honra de conhece-lo, tenho certeza que era um bom homem...
    - Então porque ele...
    - O diabo as vezes tem vitórias que não conseguimos entender, mas Deus sabe a hora de agir, se seu pai era um bom servo, tenho certeza que Deus perdoara seus pecados.
    - E os seus, padre?
    - Meus?!... meus pecados? Somos todos iguais aos olhos de Deus.
    - Ele sempre doava dinheiro para igreja! – disse Sofia atirando no escuro.
    - Ele era um doador fiel da caridade sim, e Deus ajuda quem ajuda os desfavorecidos.
    Uma ligação, havia uma ligação entre dois suspeitos, ambos doavam para igreja, como sempre sem provas, mas as coincidências continuavam a aparecer.
    - O que está pensando em fazer querida? – continuou a falar o padre – É por isso que está pensando em cometer o pecado do suicídio, por causa dos pecados de seu pai?
    - Como posso viver com isso padre? Minha amiga pensa do mesmo jeito, a mãe dela também fez isso, era uma boa mulher – mais uma tentativa, Sofia pensou em outro
    nome entre os sequestradores - Julia Tália Santos, sempre doava para sua caridade – esperava outra mordida, mas as coisas mudaram a partir daí.
    - Quem é você? – perguntou o padre de forma fria.
    Nesse instante Sofia entendeu que fora descoberta, estava ligando pontos demais, pedindo informações demais, e o líder de um culto só podia ser burro até determinado ponto ou não seria o líder.
    - Onde estão eles? – perguntou a menina.
    - Os sequestradores? Porque eu deveria saber disso?
    - Porque eles trabalham para você, porque sua maldita igreja sequestrou quarenta crianças e posso apostar que não faz parte de um programa de caridade.
    - Dominus tem um grande plano para elas, você é uma criatura sem fé, não entenderia.
    - A policia está ouvindo essa conversa!
    - Não está não! – disse o padre com confiança – essa é uma linha privada, já tenho sua localização e alguém de olho em você, é só uma adolescente metendo o nariz onde não é chamada...
    Sofia desligou o telefone e olhou em volta tentando encontrar os olhos do padre em algum lugar, não havia ninguém, estava sozinha, a rua era silenciosa e ao longe os primeiros raios de sol nasciam, ela suspirou aliviada e ao mesmo tempo sentindo o coração pular para fora do peito.
    Agora que já sabia que a igreja realmente tinha algo a ver com isso ela tinha que encontrar um modo de chegar até eles, estariam em um grande culto ou algo assim, devia haver muita gente envolvida, não que fossem fazer isso em um lugar público, mas devia ter um jeito de chegar a eles.
    Sofia entrou novamente na cafeteria, era a única cliente ali, pensou em pedir algo, passara muito tempo sem comer nada, foi até o balcão e enquanto avaliava as opções notou vários cartões de visita, taxis, livrarias, grupos de ajuda, e lá estava ele, a imagem de Deo “Faça parte da nossa comunidade!” dizia o cartão.
    - Vai pedir? – disse o garoto atrás do balcão assustando Sofia que estava focada nos cartões.
    - Não! – respondeu ela rápido – desculpa, quero dizer, estou escolhendo ainda.
    O garoto sorriu e de forma graciosa fez uma reverencia, Sofia riu e voltou os olhos para o cardápio. Ao fundo ouviu o telefone tocar, o garoto atendeu imediatamente, deixando a menina sozinha com as opções.
    Seria um dia puxado, ela precisava de energia, começara a pensar que se metera com algo muito grande, afinal, estava sozinha, passou os olhos pelo hambúrguer e pela
    torrada, pensou em pedir talvez um pastel, estranhamente estava com vontade de comer pastel.
    - Karine? – perguntou o atendente.
    Sofia ergueu os olhos a tempo de ver um teaser ser disparado contra seu peito, ela tombou no chão com 50 mil volts passando pelo seu corpo, tremia freneticamente, já tinha feito treinamento com armas de choque, não era algo fácil de suportar, conseguiu com muita força arrancar os ganchos que lhe transmitiam a corrente, mas ficou no chão convulsionando. O menino ficou lá, com um olhar catatônico, observando sua presa, após alguns segundos pegou a faca que era usada para cortar os bolos e deu a volta no balcão indo em direção a sua vítima.
    Sofia ainda tremia, mas levar tantos choques nos treinamentos devia valer alguma coisa, pois ela conseguiu se levantar, cambaleou para longe do atacante, mal conseguia se manter de pé, sua única opção era tentar aguentar até que seu corpo tivesse condições de lutar.
    O menino se aproximou rapidamente enfiando a faca no braço de Sofia, ela gritou de dor e voltou a tombar ao chão, desta vez levando uma serie de mesas e cadeiras junto, a faca não entrara muito fundo, acabou caindo durante a confusão. O atendente pulou em cima da pobre garota desferindo diversos socos em um ritmo frenético, a cada golpe a consciência de Sofia ia esvaziando, “como pudera ser tão descuidada?” pensou ela “Não notara um agressor tão próximo, tanto treino, tanto esforço para acabar assim?! Não! ainda não estava acabado”.
    Um movimento rápido entre um dos socos, uma cabeçada, as cabeças se chocaram forte o suficiente para empurrar o garoto para trás. Sofia encontrava-se exausta, afastara o inimigo, mas por quanto tempo? Não tinha mais forças para lutar, para sua surpresa, não precisaria mais lutar.
    O garoto começara a resmungar de dor, perguntando o que diabos tinha acontecido, ficaram ali por alguns minutos, os dois, Sofia em um estado bem pior que o garoto, até que o seu ex-inimigo veio ao seu socorro, ajudou a levanta-la, correu pegar o kit de primeiros socorros quando viu o estado do corte em seu braço e enquanto limpava o ferimento a garota aproveitou para perguntar algo que já imaginava.
    - Você tem alguma ligação com Deo?
    - O cara da igreja? Não!
    - Como conhece a igreja? – perguntou apontando para os cartões de visita.
    - Fiz uma doação! Para um programa de viciados e... a mais ou menos um mês atrás me convidaram para uma comemoração para doadores, era um tipo de palestra, dormi a sessão inteira, me deram os cartões na saída.
    - Soldados russos! – disse Sofia, agora entendia o que havia acontecido, como todas aquelas pessoas tinha sido convencidas a fazer o que fizeram.
    O garoto olhou em volta, somente agora parou para tentar entender o que havia acontecido, o teaser para ladrões estava em cima do balcão, acabara de ser usado, uma faca ensanguentada estava caída no chão, sentiu-se horrorizado, havia feito aquilo com a menina.
    - Não se preocupe, não vou contar para ninguém – disse Sofia – desde que não conte que estive aqui.
    O garoto tinha muitas perguntas, mas foi convencido a deixar que a garota fosse embora sem responder nada, e com o aviso para que não atendesse o telefone.
    Soldados russos, fora isso que aconteceu, os doadores que compareceram a reunião de comemoração foram hipnotizados para serem como soldados russos, ativados com algum sinal, prontos para executar qualquer ordem que lhes fossem dada, seriam necessários apenas alguns segundos para ativar as marionetes durante os sequestros, poderia ser qualquer um a fazê-lo, bastava algum sinal pré-programado. A reunião havia acontecido segundo o garoto no subsolo da decima terceira cede da igreja, todos dormiram na reunião, motivo pelo qual não falavam dela por ai, talvez estivesse erada, mas tinha a impressão que seria lá que o quer que estivesse acontecendo seria realizado.
    Oito horas da manhã Sofia já se encontrava livre de quase todas as dores, sangramento estancado, ferida limpa, estava na hora da caçada. A garota finalmente se vestia para um combate, botas de couro, uma malha que absorvia impactos, duas facas na cintura, duas facas nas botas, cobrira tudo com um sobretudo preto, e a ultima peça era um rife de caça com dardos tranquilizantes que guardou dentro de um case de violão junto com sua máscara, na rua pareceria uma menina comum, quem a via mal sabia que estava indo em direção a uma guerra.
    Passou algumas vezes por frente de televisões que anunciavam a invasão da polícia em vários pontos da cidade, a guarda nacional estava ajudando, vários vídeos eram gravados a partir de câmeras de celular, o perímetro das invasões era sempre evacuado, podiam estar lidando com terroristas, não encontrariam nada e demorariam muito tempo para fazer isso.
    Demorou uns quarenta minutos até chegar a igreja, não havia ninguém ali, não na parte de cima pelo menos, Sofia levou um tempo para achar a entrada do subsolo, lá em baixo parou na escada, ficou abaixada observando a sala, era um lugar imenso, bem maior que o andar anterior, a porta lacrava a sala e impedia que qualquer som saísse de lá.
    Os fieis podiam ainda não estar ali, mas os sequestradores estavam, todos desacordados amarados em cadeiras, vendados e amordaçados. Sofia não conseguia ver os recém-nascidos, mas agora tinha certeza que aquele era o lugar certo. Em um canto do salão arrumando o que parecia ser um palco estavam dois homens grandes vestidos de branco com sinais de cruzes invertidas desenhados em seus trajes, a garota não podia ser burra e enfrentar os dois em uma luta corpo a corpo, seria esperto
    guardar os dardos do rifle para quando estivesse em real perigo, por hora faria tudo com calma, para começar colocou a mascara branca, não podia ser reconhecida.
    Tentando ser a mais silenciosa possível esgueirou-se pelo canto do salão, aproveitando que os dois grandões estavam distraídos em uma discussão calorosa sobre a posição de uma das peças de madeira. Quando conseguiu alcançar o fim do salão, entrou em baixo do palco e de lá engatinhou até que estivesse ao alcance dos calcanhares dos dois, com um movimento rápido puxou as facas da cintura e cortou os tendões acima dos calcanhares, imediatamente os dois homens tombaram de bruços no chão, Sofia saiu do esconderijo e apertou a faca contra a garganta dos monstros de branco, os dois ficaram paralisados com as laminas ameaçando acabar com suas vidas.
    - Onde estão os bebês? – perguntou ela.
    O grandão do lado direito resmungou – Sua vadia, não vamos falar nada, Dominus vai cuidar de você, estará morta assim que Deo chegar.
    A lâminas foram pressionadas com mais força e uma linha de sangue escorreu pelo pescoço.
    - Estão com os fies! – disse o do lado esquerdo em desespero – a gente só banca o segurança, por favor, não me mata.
    - CALADO IDIOTA! – gritou o outro.
    Sofia retirou a faca do pescoço do da direita e com o cabo lhe deu uma coronhada que o fez perder a consciência, enfim, voltou a atenção para o da esquerda. – Continue a falar.
    - Eles separam os bebes, não dava pra manter todos em um só lugar, vai ser hoje ao meio dia, era para ser a noite, mas tiveram que adiantar, todos reunidos... são sacrifícios... para Dominus, nunca foi feito antes, é o maior ritual, eles realmente esperam invocar esse tal Deus hoje...
    - Porque não se livraram dos sequestradores ainda?
    - Eles vão assumir a culpa!
    - Fui atacada fora daqui por alguém hipnotizado, quantos mais há?
    - Não sei, não cuido disso!
    A faca foi apertada mais fundo na carne gorda do pescoço. – Eu não sei, eu juro, sei que são bastante, tem até uns policiais, todos que doaram, e as pessoas doam bastante para essa igreja.
    - Então é provável que se eu ligar para policia vão saber que estou aqui e as crianças somem?
    - Bem provável!
    Sofia fez igual a antes e apagou o grandão com uma coronhada. Amarrou os dois, amordaçou-os e empurrou para de baixo do palco, onde não seriam vistos. Suas opções eram limitadas, precisava derrubar Deo antes de chamar a polícia, procurou pelo lugar coisas que talvez pudessem ser uteis, tomou cuidado o tempo todo, mas felizmente ninguém apareceu, por fim onze horas a portaa da escada se abriram e pessoas começaram a entrar, a menina estava escondida em cima de uma das vigas de ferro do teto junto com as lâmpadas, as luzes estavam viradas para o outro lado de forma que não dava par ver que havia alguém ali, o rifle estava pronto, Deo estaria no palco e seria o primeiro a cair.
    Os minutos iam passando e cada vez mais pessoas chegavam, alguns sem nada, outras com os bebes no colo. Todas as crianças foram colocadas no centro da sala junto com os sequestradores, aparentemente ter o sangue dos recém-nascidos nas roupas dos sequestradores fazia parte do plano.
    Deo foi o último a aparecer, cumprimentava a todos como se não estivessem para sacrificar quarenta crianças em um ritual macabro e insano.
    - Louvado seja Dominus! – disse ele ao se posicionar em seu lugar no palco, todos os fies repetiram em coro, devia ter umas setenta pessoas ali.
    Sofia pegou o celular, pronta a mandar sua localização para a polícia, assim que começasse a atirar ninguém mais poderia impedi-la, bastava um click e a ajuda estaria a caminho, infelizmente um estrondo forte assustou a todos e tomou atenção da garota. Um dos grandões que estava em baixo do palco havia acordado e se debatia feito um peixe fora da água.
    Os fieis se amonturam para tirá-los de lá enquanto outros procuravam ao redor da sala quem fora o responsável por aquilo. Deo parecia furioso, olhava para todos os lados imaginando quem ousaria se intrometer em um dia tão especial, eis que ele viu algo, viu o cano do rifle, viu a tempo de desviar do primeiro disparo, um alvoroço se estabeleceu, todos procuraram um lugar para se esconder e os bebes começaram a chorar em um coro que poderia derrubar um gigante, a confusão só aumentou, as pessoas corriam de um lado para o outro derrubando as cadeiras com os reféns que acordavam desesperados tentando se soltar.
    Sofia apertou o botão de enviar da mensagem e começou a disparar seguidamente os dardos contra Deo que corria de proteção em proteção fugindo dos disparos.
    - ELA ESTÁ NO TETO SEUS IDIOTAS! – gritou ele para seus fiéis.
    Alguém virou um foco de luz para posição da garota, agora todos podiam vê-la, estava exposta, os fieis que já haviam se acalmado começaram a atirar nela coisas que encontravam pelo chão, para sorte da garota todos eram péssimos de mira.
    Dois dos fieis decidiram escalar as paredes para poderem alcançar a posição da atiradora, nesse momento Sofia teve que mudar o seu alvo, derrubar os dois foi fácil, o
    problema é que outros decidiram fazer o mesmo e os dardos estavam acabando, sem falar que Deo ainda estava de pé.
    No centro do salão alguns dos sequestradores soltaram-se das amarras e pareciam estar cientes de sua situação porque não esperaram nem mesmo um segundo para sair dando porrada nos verdadeiros vilões. Deo gritava frases que deveriam ativar a hipnose, mas não funcionava muito, pois assim que alguém recebia um golpe na cabeça voltava ao normal.
    A briga ficava cada vez mais intensa, os sequestradores estavam bem mais irados, contudo estavam em menor número, havia alguns que nem se quer haviam sido desamarrados ainda, sem falar que tinham que sempre levar a briga para longe de onde estavam os bebes, quase ninguém mais se lembrava da menina que começara a confusão, o que fora muita sorte, já que os dardos haviam acabado.
    Deo por sua vez ainda se lembrava daquela pequena criatura, irado com o fracasso do seu plano e notando que sua saída de emergência fora trancada, pôs-se a escalar a parede para derrubar a criança. Ele subia rápido motivado pela raiva, nem esperou estar próximo ao alvo, se atirou agarrando a perna da menina derrubando os dois de cima da viga.
    Sofia ficou pendurada pelas mãos na barra de ferro, Deo estava logo abaixo pendurado em sua perna, era um lugar alto, se caíssem poderiam quebrar muitos ossos ou até mesmo morrer. O padre era bem mais pesado do que aparentava, fazendo com que a garota tivesse que aplicar muita força para não soltas as mãos.
    - O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO PIRALHA?! – gritou o padre.
    - ACABANDO COM UM GRUPO DOENTE DE LUNÁTICOS!
    A garota tentava chutar freneticamente o peso em suas pernas, mas a coisa abaixo dela parecia fortemente motivada a manter-se presa.
    Vendo uma oportunidade única Deo sacou uma das facas que ficavam na bota da menina e cravou em sua perna extraindo um grito de dor da pobre atiradora. Deo retirou a faca e quando estava pronto para mais uma facada a garota soltou a viga, os dois despencaram, o impacto com o chão foi forte, Deo pode ouvir suas costelas quebrando na queda, seus pulmões foram perfurados, sangue jorrou de sua boca, Sofia por sua vez teve a queda amortecida pelo cadáver do padre junto da malha revestida que estava usando, uma ou duas costelas se partiram, ela estava fraca, mancando, mas conseguiu se por de pé encarrando horrorizada o pedaço de carne abaixo dela.
    Os fieis que ainda restavam se desesperaram ao ver a queda do líder, alguns foram nocauteados durante a distração, alguns tentaram correr para fora da igreja, mas os policiais já cercavam o perímetro. Os reféns finalmente controlaram a situação, as crianças continuavam a chorar e depois de tanta baderna ia ser difícil fazer eles pararem.
    Sofia sabia que não poderia estar ali quando a polícia chegasse, teria muita coisa para explicar, sem falar que acabara de provocar a morte de um homem, cambaleou para trás do palco, havia uma porta de fuga que Deo provavelmente teria usado se ela não tivesse trancado antes dele chegar. Antes de sair um dos reféns chamou sua atenção.
    - Quem é você? – perguntou ele perplexo com a salvadora mascarada.
    - Pode me chamar de caçadora! – respondeu Sofia antes de correr para fora da igreja e desaparecer.
  • Caçando demónios por aí

    Certa vez, enquanto lia a Revista Action Hiken, descobri um shonen de traços bem legais. Mas quando comecei a ler, me deparei com uma linguagem formalista. Um português truncado e de leitura arrastada. Eu achei os diálogos engraçados. Juro, as vezes eu tinha que ler duas vezes para entender. Por um momento, levando em consideração o contexto da história e os personagens, achei que deveria ser um elemento narrativo.
              Pesquisando um pouco mais sobre o mangá Demon Hunter, e o seu autor, o Diogo Cidades, descobri que se tratava de um jovem mangaká português. Aí sim ficou claro aquele modo de escrever tão distante de minha realidade. Convenhamos, salvo raras exceções, somos todos coloquiais. A península Ibérica é um celeiro de mangakás. Espanha e Portugal tem diversos talentos nesse estilo de desenho, o Diogo é um deles.
              Demon Hunter possui caracter designer que se encaixa perfeitamente em sua proposta: entreter. Confesso que os traços me remeteram automaticamente ao autor Hiro Mashima. Um desenho simples, mas dinâmico, caricato e de expressão cômico. Mais que simpático, funcional. É um shonenzão, e isso é bem positivo, levando em consideração a antologia em que está sendo publicado e o público alvo.
              A história se inicia com um acampamento de May Lionheart e um amigo, que estava cheio de más intenções. Infelizmente, naquela floresta e àquela hora da noite, eles acabam se separando. Para piorar de vez a noite de terror, acabam sendo atacados por um capeta dos zinfernos, ou como os portugueses dizem, um demónio. Nesse momento, surge nosso protagonista de cabelos prateados e salva a noite, Mike Seikatsu, o caçador de demónios.
              Depois disso, a May é levada pelo Mike até o mosteiro onde vive. Lá, só habitam ele e o seu avô, o Mayuge Seikatsu, um velhote safado, pra variar. Ao longo dos cinco capítulos, vemos o desenvolvimento da amizade entre ambos os protagonistas. Uma relação cheia de química, com direito a alguns echis, nada exagerado, viu crianças! É um quadrinho sincero em sua violência, afinal, são demónios a serem combatidos.
              Mas, se eu tivesse que tratar de um ladrão de cena, bem, esse é o Steve, o macaquinho cozinheiro. A cena da luta entre Steve e Mike é impagável, e provocaria elevação de ânimos entre ambientalistas. O autor desenvolve bem as personalidades ali presentes, lhes dando profundidade, sem cair na exposição desnecessária de muitos shonen. Ele vai com calma, sabe onde está indo, e isso te empolga a descobrir mais.
              Pouco do universo foi apresentado no vol. 1, mas podemos ver ali uma série de mistérios, que, se bem desenvolvidos, trarão ótimas reviravoltas dentro de seu universo. Por exemplo: qual a origem dos poderes do Mike? Porque os demónios se transformam em pérolas ao morrerem? Quem controla esses seres? Enfim, teremos uma longa saga a ser acompanhada.
              A decisão dos editores de adaptarem alguns termos da escrita do Diogo Cidades, foi uma ótima decisão. Ajudou muito. Os países lusófonos, como Brasil e Angola, falam português oficialmente, mas, possuem uma variação muito complexa. Deve ter dado trabalho adaptar a linguagem para ambos os leitores de ambos os países, deixou a escrita mais fluída sem perder o seu sotaque português.
              Teve só uma coisa que me incomodou no mangá: onomatopeias. Em alguns quadros, são grafadas em caracteres latinos, em outros, em japonês, noutros, aparecem em japonês e latino! Tá meio bagunçado isso aí. Tem que padronizar. Isso gera uma cacofonia visual. Sem contar que deve ser difícil ficar mudando a editoração a cada página ou capítulo, perde-se muito tempo nisso. Embora, não atrapalhe a leitura de ninguém.
              Sobre o desenho do Diogo Cidades, ele tem boas influências e vem de uma boa escola de estilo. Alguns desenhistas evoluem ao longo de anos, outros a cada obra, alguns ainda por capítulo, o Diogo evolui a cada quadro. Sério, o traço do cara evolui proporcionalmente a cada virada de página. Muitas vezes, quadrinistas como os da Action Hiken é o que não encontramos em algumas antologias japonesas semanais.
              Fiquei mais que satisfeito em conhecer esse mangá luso-brasileiro — espero que o autor não veja problema nisso, afinal, é produzido em Portugal, mas é editado e publicado no Brasil. A obra tem mais de 140 páginas, orelhas, galeria de fanarts e curiosidades da produção. Senti falta das páginas coloridas, mas, entendi os motivos, encareceria a produção. E sobre a qualidade gráfica?
              Olha, serei sincero com vocês, se outras editoras tivessem o mesmo esmero em suas publicações como o Estúdio Armon, teríamos HQs melhores produzidas na estante. O projeto gráfico e a impressão estão excelentes. Nada de off white xexelento. A capa, a lombada, a colorização, gente, tá tudo muito bom. O único defeito do negócio, é que ainda não temos previsão do volume 2. Parabéns ao Diogo Cidades e ao Estúdio Armon.
  • Carta de volta ao remetente

    Seus beijos me fazem querer ficar, eles são quentes e me perco nos seus lábios enquanto percorre minhas costas com suas mãos. Então abro os olhos com nossos rostos ainda ligados e vejo sua expressão sorridente enquanto beija. Sinto também o seu cheiro, ele me satisfaz da maneira mais refinada possível. Você se afasta e eu observo cada um de seus perfeitos detalhes. Não sei se já disse, mas amo a maneira como seus olhos têm o formato desenhado pelas maçãs do seu rosto. Vejo que elas estão rosadas e quero voltar a esse momento outra vez. "Por favor, não vá", eu digo querendo fique mais, pelo menos abraçada a mim.
    Chego em casa, ainda sinto seu cheiro, quero guardá-lo até nos vermos novamente. Estou totalmente submergido no que sinto por você, um sentimento para o qual não tenho nome.
    Ouço você dizer sobre suas noites, como se diverte. Conheço, através de você, as pessoas com quem anda ficando. Presto atenção em cada palavra que diz sobre o seu ex. Quando vai dormir, ainda fico acordado comparando os lugares onde poderíamos ir nesse fim de semana. Penso, por horas, no quanto desejo ser seu próximo beijo. Reflito sobre como, se eu tivesse a oportunidade que ele teve, nunca me tornaria seu ex.
    Na próxima vez que conversarmos, como sempre, eu vou perguntar sobre o seu dia tentando não demonstrar que te quero mais que tudo ao meu lado, pegar meu bloco e escrever todas as coisas que meu coração está dizendo sobre você, colocar numa caixinha com o seu nome e deixar guardado, esperando o dia em que serei bom o suficiente pra te dizer tudo o que está ali e ouvir que sente o mesmo por mim.
  • CASOS E DESCASOS

    CRUEL SENHORIO
    O casal dormia profundamente.
    O sol, que já ia alto, aquecia fortemente a telha de cimento amianto do teto do pequeno barraco da rua Um, número 530, na favela do Jardim DS, Zona Leste de São Paulo.
    Maria dos Santos Roberto Guedes, de 26 anos, e seu companheiro, Chico Boió, de 40 anos, pedreiro de profissão, ainda estavam entorpecidos pela cachaça barata ingerida até a madrugada e mal tiveram tempo de levantar-se, da malcheirosa cama.
    Foram surpreendidos pelo operário Donato Pereira Gomes, de 55 anos, que empunhava uma faca de 15 centímetros.
    Vários golpes, tudo muito rápido.
    A perícia técnica não precisou ainda quantos, nos dois corpos que caíram no chão de terra batida, umedecendo-a.
    A mulher recebeu mais facadas, sem piedade do criminoso.
    Donato Pereira Gomes se vingava assim, do casal que não queria desocupar seu barraco, apesar dos insistentes pedidos.
    O assassino não suportava mais as brigas dos amásios em sua casa, quando se embriagavam.
    Ele, Donato, também costumava beber com Maria e Chico Boió, nos bares da favela e no próprio barraco, quando se recolhiam para dormir, sempre acompanhados da garrafa de pinga mais ralé encontrada nas biroscas da favela do Jardim DS.
    O convívio do trio começou há mais ou menos dois meses, quando Donato conheceu o casal bebericando, num animado e barulhento forró.
    Fizeram amizade rapidamente e o pernambucano, ao saber que Maria e Boió não tinham onde dormir convidou-os para seu barraco até que arrumassem uma acomodação.
    No começo, Donato Pereira Gomes se deu bem com os novos inquilinos.
    Ele ia para o trabalho em uma fábrica de plásticos, enquanto o casal permanecia em casa, dormindo.
    À volta do operário, já no começo da noite, os três iam para os bares tomar seus aperitivos preferidos.
    Pelo menos uma garrafa da "mardita branquinha” era consumida de várias maneiras e, embriagados, se dirigiam para o barraco.
    Ali, tomavam mais aguardente barato, até que o sono  pesado chegasse.
    A bebida foi influenciando negativamente na amizade entre o casal e Donato, dia após dia.
    Eles brigavam muito e o operário perdoava muitas coisas, até que resolveu pedir que desocupassem seu barraco.
    Dos pedidos, Donato passou a exigir que Maria e Boió se mudassem com o que o casal não concordava.
    As discussões foram sucedendo-se, até que o pernambucano tomou uma decisão.
     - Não suporto mais vocês aqui! Ou mudam, ou jogo os dois na rua!
    De nada adiantou a advertência, ela entrou por suas orelhas e saiu sem nenhuma atenção, do casal.      
    Eles continuaram no barraco, não se importando com Donato, que começou a se torturar raivosamente.
    - Se eu sou o dono disto, tenho de pôr ordem na casa! Vou agir!
    Chegou a comentar, com os vizinhos.
    A favela estava em silêncio na manhã do dia 27 passado, José Bentão retornava das compras em uma venda da Vila Rica, principal bairro da região da favela do Jardim DS, quando encontrou o amigo Donato com uma mala na mão.
    - Bentão, matei aqueles dois que moravam comigo e por isso vou viajar!
    Disse o operário a Bentão, que não acreditou muito nas palavras do amigo, mas resolveu ir até o barraco.
    Ali, o quadro de terror, Maria estava com a barriga toda retalhada.
    Boió também estava repetidamente esfaqueado.
    Os dois mortos e totalmente cobertos de sangue já começando sua coagulação.  
    José Bentão saiu do barraco desesperado e saiu à procura de Donato, que já desaparecera pelas estreitas ruas da favela, encoberto pelos latidos dos cães.
     - "Não me disse para onde ia! Deve ter ido para sua terra! Era um homem bom, o Boió, um grande amigo”.
    Disse José Bentão ao escrivão interessado Peixoto, da Delegacia em Vila Rica, quando era interrogado.
    José Bentão foi quem avisou a polícia sobre o duplo assassinato e é a principal testemunha do inquérito; ainda aberto, sem solução, como milhares de outros.
     
    O CAMINHONEIRO E O TRAVESTI
    Válber da Silva Teixeira, 30 anos, caminhoneiro, tinha se instalado no bairro do Bixiga, em São Paulo, nos anos 70, passando a frequentar o bar e café Grappa de Lucio Montanari, de 28 anos, localizado no centro do bairro.
    Com a compra do local, Lucio chamou seu irmão, Pietro, de 25 anos, para que também viesse tentar a sorte em São Paulo, deixando a localidade de Casella (Gênova), onde ambos eram cozinheiros.
    Pietro dormia no bar e cuidava da casa, nos horários em que o irmão estava fora, fazendo pagamentos.
    No domingo à tarde, Lucio estava de folga e o rapaz ficou responsável pelo estabelecimento.
    Para defender-se de possíveis assaltantes, sob o balcão, guardava um revólver calibre .38, carregado.
    O bar e café, contendo um balcão, mesas com banquinhos e uma mesa de bilhar, foi comprado pelos dois irmãos há menos de dois meses.
    Nem Lucio e nem Pietro conheciam Válber, apesar do mesmo, frequentar o estabelecimento antigo, já há algum tempo.
    No entanto, desde que haviam adquirido o negócio, o caminhoneiro nunca havia ido lá.
    Dez ou doze pessoas estavam no bar e café Grappa, naquela tarde ensolarada e abafada.
    Pietro, irmão do proprietário, se encontrava atrás do balcão e alguns fregueses em torno da mesa de bilhar.
    O delegado Tanaka e o escrivão Jair, do Distrito Policial da região, só sabem o que aconteceu através de testemunhas.
    Entre elas, Pasquale de Santis, antigo morador da redondeza.
    Válber chegou por volta das 18:00hs.
    Embriagado, agressivo.  
    Pietro Montanari, embora não o conhecesse, já sabia de sua fama de desordeiro.
    Preveniu-se e deixou o revólver à mão.
    Válber, que quando ficava embriagado, se apresentava como Matilde e, nos "inferninhos" frequentados por travestis, se vestia como mulher, ruiva e sedutora, e já estava bastante alcoolizado. 
    Queria beber mais e participar do jogo de sinuca, mas, como estivesse incomodando os demais fregueses, com seus palavrões, acabou sendo advertido por Pietro e intimidado a se retirar.
    O caminhoneiro travesti não se conformou, franzindo sua feição, horrendamente.
    Forte e completamente embriagado, Válber já estava fora de si.
    Inconformado quando foi intimado a sair do Grappa, simplesmente começou a quebrar tudo.
    Primeiramente, jogou no chão copos e garrafas e, em seguida, agarrando uma das mesas com os braços fortes, avisou que iria tombá-la.
    Pietro pediu que se acalmasse.
    Válber não escutou e cumpriu a ameaça.
    Sem esforço algum, tombou a mesa e ameaçou continuar o quebra-quebra geral.
    Pietro não pretendia atirar.
    Intimidado com a fúria do desordeiro, ele primeiro dá um tiro em direção do chão, acertando a coluna que separa duas das três portas do local.
    Nem assim Válber se intimida e tenta avançar contra o comerciante, gritando, completamente alucinado.
    Sem opção, o rapaz italiano agora trêmulo, aponta o revólver para o agressor e aperta o gatilho, mais duas vezes.
    Válber esboça uma reação de surpresa, observa abismado os dois tiros em seu peito, cospe muito sangue e cambaleia, como um boneco de pano.
    Tenta desesperadamente, agarrar-se ao balcão e cai.
    Está agonizando, praticamente morto.
    Ainda vivo, é socorrido pela guarnição de radiopatrulha que foi chamada para verificar, o que havia acontecido ali, mas morre, ao chegar ao hospital.
    O inquérito segue os trâmites legais.
     
    O SACO PLÁSTICO
    O motorista do ônibus, que faz a linha Santo Amaro-Taipas (São Paulo), virou-se para a mulher idosa que acabara de descer e disse-lhe.  
    - "Minha senhora, esse saco é seu?!"
    Viviane Rocha soltou um grito e entrou desesperada, no coletivo.
    No afã de tirar o saco plástico decorado, que já estava na mão do cobrador, ela deixou o seu conteúdo cair no chão, bruscamente.
    Pedro Silveira, o motorista ficou visivelmente boquiaberto; enquanto Jacinto dos Santos, o cobrador, quase desmaiou: na frente dos dois, a seus pés, havia dois crânios humanos, e algumas peças de roupa, que haviam caído do saco, que pertencia àquela simpática velhinha.
    O condutor do veículo, então, fechou as portas do coletivo e seguiu para o Distrito Policial mais próximo, apesar dos protestos ininterruptos de Viviane, e o espanto de outros dois passageiros.
    Na delegacia, interrogada pelo delegado Tavares, a idosa passageira, deu mostras de teimosia.
    Ela garantiu que estava vindo de Andradina e se dirigia, para casa de um filho.
    Teria pernoitado de 5 para 6 de janeiro no terminal rodoviário Tietê.
    Nervosa, gesticulando muito, ela somente não sabia explicar, a origem dos crânios, que ainda possuíam um grotesco resto de cabelos grudados.
    O mais estranho, eles estavam enfeitados com penas coloridas de galinhas.
    Os peritos do Instituto de Criminalística foram prontamente chamados.
    Examinaram detalhadamente o macabro encontro, mas não conseguiram chegar a nenhuma resposta plausível.
    Somente no dia seguinte, 6 de janeiro, é que os legistas do IML chegaram a uma conclusão definitiva, eram dois crânios pertencentes a pessoas do sexo masculino.
    Dona Viviane Rocha continuou detida, por não conseguir explicar a procedência dos crânios.
    Os policiais divagaram em teorias, mas descartaram a hipótese de que os crânios fossem de vítimas de homicídios.
    Realmente nem Agatha Christie, a renomada escritora britânica, teria uma imaginação tão grande, apesar da versatilidade incrível mostradas nos seus inúmeros romances policiais.
    Matar alguém (no caso duas pessoas), esperar a decomposição e carregar seus crânios decepados por dias seguidos, até mesmo dentro do coletivo é algo imaginável até mesmo para o mais fantasioso dos mortais.
    O que acabou também descartando a possibilidade do homicídio foi o fato de que não houve, por aqueles dias, nenhum crime em que fossem encontrados cadáveres sem cabeça, não identificados, após minuciosa busca.
    Afastada a possibilidade de assassinato, restava aos investigadores checar a história bizarra da velhinha.
    Logo, descobriu-se que ela não morava em Andradina, mas sim, aqui mesmo na capital.
    Em seguida, uma informação anônima, confirmada mais tarde, falava a respeito do envolvimento daquela inocente senhora em cultos de magia negra.
    Os policiais passaram a acreditar então, que os dois crânios foram retirados de algum cemitério da cidade para servir em trabalhos de despacho.
    A certeza é praticamente consolidada, pelo fato de os dois crânios estarem adornados, com penas.
    Dona Viviane, contudo, não confirmou a versão aventada pelos policiais.
    Ela, inclusive, chegou a negar que o saco plástico fosse seu, apesar do testemunho apavorado do motorista, do cobrador e de dois passageiros traumatizados, que se encontravam dentro do coletivo.
    Quando foi "apertada" durante o interrogatório, a velhinha repentinamente ajoelhou-se e passou a rezar, gritando.
     - "Vocês querem comprometer-me! Deus é justo e vai provar que sou inocente! Isso é demais para uma mulher da minha idade! Eu não posso acreditar, ingratos, isso é pecado, sabiam?!"
    Depois dona Viviane, fingiu um suposto “desmaio”.
    Os investigadores, pacientemente, esperaram que ela "recobrasse" os tais sentidos, jamais perdidos.
    Continuaram as insistentes perguntas, mas ela também continuou insistindo em negativas.
    Finalmente, ela foi dispensada na tarde do dia 7. 
    Mas, foi indiciada e iria responder a inquérito por violação de sepultura e profanação, seguida de roubo de cadáveres e afins.
    Um caso estranho, curioso e mórbido.
    Um fato até mesmo incrível, pelo seu inusitado, dois crânios adornados, roubados de um cemitério qualquer, para serem usados em trabalho de magia negra.
    Um acontecimento até mesmo engraçado, não fosse trágico, dentro da violência da capital.
    Em tempo, a estranha e simpática "vovozinha" não conseguiu responder ao inquérito, desapareceu, uma semana após o acontecido; assim como surgira, do nada.
    Domicílio ignorado, dizem os policiais; o caso foi arquivado.
     
    A MORTE É BONITA E USA BATOM
    Aquele local do Guaraú, próximo ao Grêmio dos Reservistas do Forte Itaipu, em Peruíbe, litoral sul de São Paulo, convenhamos, é bastante deserto.
    A rua Sete é apenas uma pequena cicatriz rasgada no ventre da mata virgem.
    Pouquíssimas casas por perto.
    Por isso, quase ninguém viu quando o táxi Lada vermelho placa ZZ-1530 estacionou ali, naquela noite de sexta-feira, 13 de agosto.
    Quase ninguém viu, também, uma pequena fogueira que insistia em arder durante muito tempo.
    Uma fogueira macabra, que as árvores e arbustos em volta mal disfarçariam se houvesse espectadores.
    No dia 17 de agosto, um domingo, os poucos moradores da localidade, descobriram o que alimentava as chamas, dessa fogueira.
    Era o cadáver carbonizado de um homem jovem.
    Pouco restara daquele corpo, além de um pequeno tufo de cabelos, parte do rosto e tórax, dos braços e das pernas.
    O trágico encontro abalou os humildes moradores, caminho obrigatório a quem se dirige à Barra do Una.
    O corpo (mais ossos torrados, do que carne) estava semienterrado à margem da rua.
    Sobre ele, alguns galhos queimados.
    Nas proximidades, as sobras de um saco plástico contendo as roupas e documentos do infeliz.
    Ao ser avisada do achado, a polícia da região viu-se de mãos amarradas.
    Não sabia quem era e praticamente, não tinha meios para identificar a vítima.
    O chefe dos investigadores, Clodoaldo Leite Pereira, passou dias percorrendo as redondezas onde foi encontrado o corpo.
    Até que obteve a primeira pista concreta: às 19h30 daquela sexta-feira; um táxi Lada cinza havia sido visto nas imediações do Grêmio dos Reservistas.
    Dentro dele, nada mais, nada menos do que integrantes da turma do Fiapo, um dos mais conhecidos grileiros de terra de Peruíbe, envolvido em homicídios e chefe de uma quadrilha, cuja extensão de atividades, nem a polícia local conhecem.
    Dessa informação, à detenção dos cinco ocupantes do taxi e daí à elucidação do crime, foram passos curtos.
    O cadáver quase que totalmente carbonizado, era o de Francisco Coelho Filho, 20 anos.
    Ele havia sido assassinado, com dois tiros na cabeça, por sua amante, Paula Pontes Silva, 34 anos, loura oxigenada e muito bela, anos atrás, proprietária de uma barraca de bebidas e petiscos na praia de Peruíbe, a famosa "PPP".
    Francisco teria sido morto por vingança; Paula não suportava mais as agressões e ameaças, que o amante fazia a ela e ao seu filho menor.  
    Os cinco membros da turma do Fiapo (incluindo o próprio), entraram na história, apenas para desovar e dar sumiço ao corpo.
    - "Eu conhecia a Paula há dez anos. Nós éramos muito apegados. Quando ela me pediu para desaparecer com o corpo, eu não pude recusar. Se fizemos coisa errada, está feito".
    Disse Porfírio Costa Machado, 30 anos, o Fiapo.
    Dono de um ferro velho por lá, Fiapo é mais conhecido na região e fora dela, do que a desvalorizada nota de R$1,00 real.
    E temido também.
    Já foi processado por homicídios, lesões corporais e furto de energia elétrica, inclusive sua fiação.
    Mas anda calmamente pela cidade, bebendo de graça onde quer e sempre cercado de muita gente estranha.
    Uma espécie de "Don Corleone brazuca", se isso possa existir realmente, claro.
    De uma de suas últimas aventuras, Fiapo ostenta no alto da testa a cicatriz chamativa de bala.
    Foi num tiroteio travado com agentes da Polícia Federal.
    Simplesmente porque ele estava grilando a área de terra, onde deverá ser construída a futura usina nuclear de Peruíbe.
    Fiapo não é flor que se cheire não, comenta-se na cidade.
    Nem a própria Paula pode confiar nele.
     - "Ela disse que assumiria toda a responsabilidade pelo que aconteceu. Se não assumir, vai ser a próxima da lista. Sabe como é eu também tenho as minhas fontes, dotô", ameaça.
    Paula conheceu o Francisco no Carnaval deste ano, quando ele foi trabalhar para ela na barraca de bebidas.
    Passado o Carnaval, ambos começaram a viver juntos.
    Mas era uma convivência bastante difícil, eles desentendiam-se bastante.
    Qualquer coisinha, ele quebrava-lhe a cara, dava-lhe surras homéricas.
    Teve um dia aqui na minha frente, ele ameaçou matar ela e o menino, explicou o delegado.
    Fui obrigado a atuar-lhe em flagrante, por ameaça.
    Ele passou dez dias preso, mas quando saiu os dois voltaram a viver juntos.
    Acho que ela fez isso por desespero, raciocina o delegado Waldomiro Passos, titular do DP.
    No dia 6 de agosto, Paula procurou o Fiapo, contou-lhe que iria matar o amante, por não suportar mais, e pediu-lhe uma arma.
    Fiapo recusou-se.
    Não se sabe onde, depois, ela conseguiu uma pistola automática calibre 7.65.
    Na noite de 10 de agosto, ela matou Francisco, filho de um comerciante, Dario Coelho.
    Não tendo como desfazer-se do corpo, colocou-o dentro de um saco plástico e enrolou o volume, num cobertor.
    Tirou o colchão da cama de casal e colocou o cadáver, sobre o estrado.
    Dois dias depois, Paula procurou o Fiapo.
    - "Fiz a história. Matei o cara".
    Disse muito calma.
    Prometeu R$1.500,00 reais para que ele desse um fim ao corpo.
    Fiapo não pensou duas vezes.
    Chamou seu empregado BGHI, 14 anos, o Filé, e Jacinto Gomes, 35 anos, o Xuxão.
    Chamou também o amigo Pedro Silva dos Anjos, 30 anos, o Pato.
    Às 18h de um dia chuvoso, os quatro chegavam a uma padaria (A Mirante das Praias), nas proximidades da estação da FEPASA de Peruíbe, para um lanche regado obviamente a cerveja, muita cerveja gelada.
    Só então Fiapo explicou a eles o trabalho que seria feito.
    Fiapo ainda procurou por ali uma perua Kombi para transportar o cadáver.
    Sem êxito.
    A única solução foi valer-se do táxi de Gilberto de Souza, 24 anos, o "GS", espécie de motorista particular de Fiapo.
    Às 19h, o quinteto chegava à casa de Paula, na rua Senador Domingues, 37, centro.
    Enquanto Gilberto manobrava o carro, os quatro foram ao interior da casa para retirar a "encomenda", mais um pacote com suas roupas e documentos e um galão com dez litros de gasolina.
    Como o corpo não coubesse inteiro dentro do porta-malas do veículo.
    - "Pato, muito doidão, porque tinha bebido demais", sentou-se com ele e o foi segurando.
    - "Fizemos a operação toda em cinco minutos", vangloriava-se Fiapo.
    Depois, o carro Russo rumou para o Guaraú.
    A cerca de 500 metros do Grêmio dos Reservistas do Forte Itaipu, o corpo de Francisco Coelho Filho, foi depositado à beira da rua Sete, coberto por gravetos e pelas próprias roupas.
    Filé despejou o galão de gasolina, no presunto, mas ninguém assume ter acendido o fósforo fatal.
    Durante alguns minutos, o grupo iluminado, ficou admirando a fogueira arder.
    Depois, retirou-se, com a tarefa já cumprida.
    No dia seguinte, Pato voltou ao local e, com um pedaço de madeira, fez uma cova muito rasa para ocultar o que sobrara do infeliz rapaz.
    Todos já foram detidos.
    Prestaram depoimento, no inquérito instaurado pela Delegacia local e foram postos em liberdade.
    Paula apresentou-se em seguida e negou o homicídio.
    - "Eu, não suportava mais viver com ele, mas não o matei senhor delegado. Ele é que iria suicidar-se. Quando entrei no quarto, ele estava com a arma encostada já, na orelha. Para evitar que ele se matasse, dei-lhe um tapa na mão. E o revólver, disparou então duas vezes”.
    Defende-se.  
    A já não tão bela assim, Brigitte Bardot de Peruíbe assume, porém, somente a ocultação e o pagamento a Fiapo para o desaparecimento do cadáver.  
    As investigações prosseguem, vagarosamente.
     
    O LOBISOMEM DE PARIS
    Se o inspetor Maigret pudesse sair do retiro forçado, que lhe foi imposto por seu genial criador Georges Simenon, certamente não reconheceria mais a velha Pigalle e Montmartre boêmias, que por noites a fio, palmilhou no encalço dos assassinos comuns, que infestaram Paris e seus arredores.
    As ladeiras íngremes e estreitas, calçadas com pedras irregulares, molhadas pela chuva fina, fervilhantes de gente até a madrugada, hoje estão vazias.
    Os verdadeiros cafés parisienses, as brasseries e bistrôs, onde, longe dos catálogos para turistas, se come a boa comida o bom queijo e se toma bom vinho, buscado em adegas de origem desconhecida, estão misteriosamente desertos.
    Um criminoso, como os que Maigret perseguia, está aterrorizando o bairro.
    A imprensa apelidou-o de o "Lobisomem", porque, desde que começou a agir, no começo de outubro, em cinco semanas assassinou impiedosamente, nove mulheres idosas e solitárias.
    Cinco desses nove crimes, antecedidos por sevícias e cometidos com extrema brutalidade, seguidos de pequenos roubos, aconteceram, coincidência ou não, na fase da lua cheia.
    Pigalle, onde está o Moulin Rouge, dezenas de outros cabarés famosos e outros tantos restaurantes, mais famosos ainda, fica na famosa rive gauche (margem esquerda) do rio Sena.
    Ali, incluindo também célebre Montparnasse, os velhos casarões transformados em apartamentos e suas águas-furtadas, transformadas em ateliês, desde a primeira metade do século passado, começaram a atrair os artistas inconformistas de todo o mundo.
    Ali viveram, beberam absinto, se drogaram, passaram fome, foram execrados e se tornaram gênios figuras como Baudelaire, Rimbaud, Modegliani, Toulouse-Lautrec, Picasso e tantos outros, famosos ou desconhecidos.
    Boêmios e irreverentes, seria bem natural que no labirinto de ruas estreitas, proliferassem a sua volta as adegas, com o chão coberto de serragem, cheirando a vinho novo derramado e taverneiros, sorridente, protegidos por aventais não muito limpos, do peito aos pés.
    Com os gênios, ébrios, boêmios e malditos os infortunados de toda a espécie, os marginalizados pela lei ou pela vida, fizeram fugir os derradeiros bons burgueses, fazendo também a delícia do turista embasbacado.
    Lado a lado com os artistas, obviamente os infelizes.
    Velhos solitários, cujas pensões minguadas ou a usura de filhos e netos indiferentes, só dão mesmo para pagar os cômodos e águas-furtadas, de aquecimento precário e banheiro fétido comum.
    Rodeando a todos, as floristas tristes que passam as madrugadas, de primavera ou inverno, à porta dos cabarés, tentando ganhar o café do dia seguinte, ambulantes de toda a espécie e a partir da segunda década do século, migrantes de todas as partes da Europa, América e África.
    Ali age sorrateiramente o assim chamado, Lobisomem, a besta desconhecida.
    Suas vítimas, velhas solitárias e miseráveis, surpreendidas durante a noite em seu leito, amarradas, golpeadas a facadas com selvageria e depois roubadas em alguns francos, uma ou outra joia barata de família. 
    Sem que, até agora, ninguém haja escutado um grito, um barulho fora do comum, ou um pedido de socorro, nada.
    O mistério e o terror, que extravasaram as fronteiras do bairro para tomar conta da cidade, tornaram-se objeto, de escândalo nacional e objeto de investigações também de jornalistas e curiosos fofoqueiros.
    Enquanto isso, os comissários, da Polícia Judiciária, andam às tontas e em desespero, tentando juntar as peças desse verdadeiro e enigmático, quebra cabeça.  
    A população do bairro e principalmente as mulheres idosas, tem medo de deixar seus pardieiros, mesmo para ir até a agência de Correios mais próxima, receber seus magros cheques mensais de pensionistas.
    Nas ruas, as pessoas olham-se com desconfiança e andam rapidamente e quando escurece dificilmente se encontrará uma prostituta sequer nas esquinas.
    As vítimas se sucederam em um ritmo ordenado, macabro e monótono, que nada indica haver terminado.
    No dia 5 de outubro, encontra-se o corpo de Gabrielle Foucoult.
    A ela seguem-se os cadáveres de Ilona Juneaut, Anne Pasteur, e assim sucessivamente as demais.
    Todas, entre 80 e 90 anos de idade.
    Quem iria querer fazer-lhes mal?
    O pouco dinheiro roubado justificaria a tortura a que foram submetidas?
    Os agentes acreditam que não, talvez algo de incontrolável mesmice, ordena o seu cérebro doentio.
    Se já estavam amarradas, sua morte só se justifica para um louco ou para que não reconheçam o assassino.
    A princípio a polícia pensou que fosse um dos muitos jovens viciados em heroína, que perambulam por aqueles bairros e que cometesse os crimes no desespero para conseguir dinheiro fácil e comprar o tóxico.
    No entanto, a aparente invisibilidade do assassino parece desmentir totalmente, essa fraca hipótese.
    Dificilmente, alguém tão dominado pelo entorpecente (tudo indica que seria assim, se o caso fosse esse) teria sangue frio para evitar qualquer deslize, nove vezes seguidas e tudo, num horrendo banho de sangue. 
    Outro detalhe intriga a polícia Francesa; por que o matador age apenas naquelas ruas restritas a um exíguo raio de quilômetro e meio, a partir de Montmartre?
    Isso parece dar convicção aos agentes que, em vez de vagabundo, alcoólatra ou toxicômano que vaga desesperado pelas ruas, o maníaco sangrento, mora ou tem ocupação fixa na área delimitada.
    Um ambulante, talvez.
    Mais jovem que suas vítimas, mas, certamente, tão amargo e desiludido, quanto elas.
    Um vendedor de bugigangas qualquer, que vê a vida monótona passar a sua frente, ignorando suas frustrações recalcadas.
    Quem sabe até amargando a lembrança de uma mãe indiferente, alcoólatra ou prostituta, tão idosa e solitária como suas próprias vítimas.
    A mente humana é perturbadora, altamente complexa e muito pouco estudada ainda.
    Um ambulante que, durante todo o dia, colocado à frente de sua banca ou percorrendo sempre as mesmas ruas para oferecer aos gritos, sua mercadoria barata, nem sequer é notado.
    Não o notam, mas ele pode observar calmamente tudo e todos, com seus olhos dissimulados, de predador faminto, caçando.
    Pode escolher calmamente sua próxima vítima, precisar seus horários, ter certeza de que não haverá um porteiro para reconhecê-lo, um vizinho para interromper a execução, ou uma testemunha qualquer, para identifica-lo. 
    Anônimo antes do crime transfigura-se medonhamente, apenas quando já está diante de sua vítima, para voltar ao anonimato logo que fecha a porta atrás de si e deixa sobre uma cama pobre, mais um vulto disforme e farrapos banhados em sangue e fúria.
    No dia seguinte, ele poderá estar no bistrô mais próximo, tomando uma sopa quente de legumes, para combater o frio do inverno e depois, nas calçadas sujas e apinhadas pela chusma que sai para o trabalho, talvez até sorria malignamente para outra anciã solitária que, no fundo de seu cérebro doentio, por uma razão desconhecida, já escolheu como a próxima vítima, novamente sedento, como um verdadeiro; Lobisomem.
    Nada de conclusivo, foi apurado naquela época e o caso foi esquecido.
     
    O GUERREIRO DO SOL NASCENTE
    A ira dos antigos samurais fez o velho japonês Toshiro Watanabe, de 70 anos, voltar aos seus tempos de guerreiro.
    A época em que pertencia ao Exército Imperial do Japão. Watanabe, agora, era o rapaz de vinte e poucos anos, o soldado que lutava contra os americanos na Segunda Guerra Mundial.
    Podia até sentir o cheiro da pólvora, os ouvidos zumbindo com as explosões das bombas.
    Tempo e espaço se entrelaçavam.
    - "Banzai!"
    O grito de guerra, em honra ao imperador do Japão, ecoou com ferocidade.
    Watanabe lamentava não estar armado com sua metralhadora.
    Faltavam também a "takaná" e o "tantô", respectivamente, a espada e o punhal dos guerreiros do Japão feudal.
    Tempo e espaço continuavam se misturando na mente do ex-combatente.
    O destino pôs em suas mãos, um prosaico tridente de agricultor, como a arma do seu último combate.
    E foi com a imagem de sempre, que Watanabe avançou, contra os inimigos.
    Dois contra um, uma luta desigual, logo encerrada num lance desleal.
    Watanabe não conseguiu desviar-se do botijão de gás de cozinha, arremessado à traição, e caiu golpeado na cabeça.
    Depois, o inimigo desferiu uma machadada no pescoço do ex-soldado.
    Toshiro Watanabe sobrevivera em Okinawa.
    Para morrer nas mãos de um garoto de 15 anos, num barraco miserável de Santo André, no grande ABC paulista.
    Toshiro Watanabe morava sozinho, naquela casa humilde, porém imaculadamente limpa.
    Ao lado de uma viela, entre duas ruas maiores, no Jardim Jacatuba, bairro pobre do município de Santo André.
    O local é ermo e cheio de mato.
    A família do ex-soldado, mulher e dois filhos, há muito o abandonara, mudando-se para outra cidade.
    A segunda Guerra Mundial deixara marcas terríveis em Watanabe.
    Sua mente, perturbada, tornara-se uma pessoa de comportamento estranho, aliás, como todo o sobrevivente, de qual guerra seja.
    Às vezes, passava horas e horas, olhando para o céu infinito, como se esperasse bombas despejadas.
    Watanabe tinha até razão ao se considerar cercado por inimigos.
    A viela malcheirosa e o quintal eram permanentemente ocupados por marginais de todos os tipos, que ali se escondiam, para fumar algo ilícito, ou repartir produtos de roubos.
    O velho militar, inofensivo, segundo seus vizinhos, não gostava dos intrusos.
    O cérebro do ex-soldado, transformava o matagal, numa revolta praia do Pacífico.
    Ele via os navios no horizonte.
    Os canhões disparando, bolas de fogo.
    As grandes barcaças encalhando na areia branca, desembarcando os fuzileiros.
    Não eram os Marines Americanos.
    Era apenas um menino de 15 anos, conhecido como Ratão, que mais uma vez voltava a invadir o quintal do oriental, para furtar limões.
    Watanabe já estava cansado de pedir que não fizessem mais isso.
    Então, naquela manhã de névoa, perdeu a paciência.
    Municiou uma velha espingarda com sal e acertou o ladrão.
    Disparou duas vezes. 
    Ratão correu sangrando, foi obrigado ficar acamado 10 dias, até sararem as feridas, causadas pelos disparos.
    Enquanto se recuperava, Ratão jurava.
    - "Um dia, ainda acerto aquele japa, com certeza!".
    No inverno, Ratão estava de volta às ruas.
    A ideia de como se vingaria, surgiu quando ele passou diante da casa do japonês.
    Encontrou-se com um conhecido, identificado apenas pelo apelido de Sanduba e fez uma proposta tentadora.
    - "Eu vi que ele tem botijões de gás na casa. Se você me ajudar a roubá-los, eu lhe dou um".
    Os dois garotos invadiram a casa, em que o Watanabe não se encontrava no local.
    Mas foram flagrados por ele, quando acabavam de empilhar roupas e outros objetos.
    O japonês partiu para cima deles empunhando seu tridente como se fosse uma antiga baioneta.
    - "Aaaahhh! Banzai! Banzai!"
     Sanduba ficou apavorado.
    Ratão mais tarde, juraria para a polícia, que aquele era o primeiro delito, do companheiro.
    Só o Ratão ficou na sala, esquivando-se, graças à sua habilidade e juventude, das estocadas de Watanabe.
    Aí pegou o botijão de gás e acertou em cheio, o guerreiro do sol nascente.
    Ratão diria também à polícia, que resolveu matar o oriental, para evitar ser preso.
    E fugiu, levando as roupas do japonês.
    Escondeu-se na casa de uma irmã.
    Mas, não resistiu ao impulso de voltar ao local do crime, no dia seguinte.
     - "O japa ainda estava lá gemendo. Não sei se me reconheceu não seu “dotô”. Tenho a impressão de que ele me pediu ajuda, mas eu não fiz nada, fui embora".
    Ratão, contudo, não esquecia a imagem do ex-soldado agonizante e voltou uma segunda vez a casa.
    - "Ele já estava morto, fedia! Estava enrolado num cobertor".
    O menor contou, então, que teve medo de que a polícia encontrasse suas digitais na casa.
    Para apagá-las, resolveu incendiar o barraco.
    Tocou fogo no colchão e num monte de espuma de borracha, que encontrou numa caixa.
    Só não destruíram os R$100,00 reais em notas, que caíram de uma das caixas.
    O incêndio, o encontro do cadáver semicarbonizado do oriental, a morte violenta dele que se transformara num ancião estranho, porém pacífico, comoveram todo o bairro.
    E a solução do crime, se tornou um ponto de honra, para a maioria das delegacias de polícia do Grande ABC.
    Mas, simplesmente, foi o remorso quem resolveu o caso.
    Ratão não conseguia mais dormir.
    Passava os dias escondido num ferro-velho, desconfiava até da própria sombra.
    Dormia no interior de uma velha enferrujada e suja Kombi branca ano 76.
    O grito de guerra do ex-soldado, não o deixava em paz, tinha constantes pesadelos.
    O garoto fez a primeira confissão para o próprio pai, Severino Soares Souza, que, incrédulo, se limitou a dizer.
    - "Se for verdade, não apareça mais em casa, seu moleque".
    Ratão também confessou o crime, para os amigos.
    Não acreditaram.  
    - "Mentiroso! Você não seria capaz disso, cara. O velho Watanabe conhecia artes marciais. Ratão, você é que estaria morto, agora, se o tivesse enfrentado, é!".
    O remorso desesperava e corroía o assassino.
    Já estava pensando em se entregar à polícia, quando foi detido por investigadores, do Distrito Policial da região.
    Os investigadores tinham ouvido um comentário sobre a fantástica história que Ratão, repetia aos amigos e resolveram checá-la.
    O menor contou tudo, com detalhes, foi colocado à disposição do juiz Corregedor de Menores.
    Ele é reincidente.
    Estivera detido na FEBEM, por porte ilegal de arma.
    Mas Ratão era um assaltante.
    Gostava de atacar, jovens de classe média.
    Tirava os sapatos e as roupas de suas vítimas e as afugentava, disparando para cima; um revólver de brinquedo, com espoleta, o assim chamado “simulacro” juntamente com seu amigo Sanduba, o qual nunca viu uma arma, em sua vida.
    Armadilhas da vida de periferia turbulenta, das grandes cidades, atualmente.
    Que o guerreiro descanse em paz, a sombra de uma cerejeira florida, velado por seus companheiros de combate. Sayonara, Toshiro!
    O inquérito foi finalmente concluído.
     
  • Confissão na Madrugada

    Confesso que ainda gosto de você.
    Confesso que orei a Deus pedindo para que você voltasse, pelo menos mais uma vez. E Ele te devolveu pra mim. Frio, diferente, estranho... E mesmo assim meu coração bateu mais rápido e meus olhos brilharam ao ler sua mensagem. Reforcei suas qualidades, minhas paixões em você, apenas para mostrar que ainda nutro um carinho enorme por ti.
    Confesso que quero que você goste de mim de novo, que quero algo recíproco, só não sei bem o quê.
    Na verdade, eu ainda estou machucada, aprendendo a ficar sozinha e a lidar comigo,mas também te quero perto. Te quero todos os dias, do jeito que for, porque eu te aceito. E sempre irei me apaixonar por você, como na primeira vez.
    Talvez seja carência, ou o costume de tê-lo tido ao meu lado todos os dias, porém não quero que acabe.
    Por favor, (não) alimente esse amor inacabado.
  • Contos de Argalia

    Em minha historia contarei sobre Argalia,um reino majestoso, diversificado , cheio de controvérsias , magia , sabedoria e também muito disputado.Repleto de origens,conspirações e acontecimentos vastos. Marcado especialmente por uma disputa central de dois irmãos que buscam administrar o poder e governar tal terra de riquezas e mistérios e também de personagens admiráveis e fantásticos que buscam desenrolar seus destinos em meio a tantaos acontecimentos,conspirações e façanhas.
    De um lado a sobrevivente herdeira de Argalia Hemileia que almeja conseguir por direito sua parte no trono,do outro Arigann seu irmão um rei tirano que após o falecimento de seus pais,ordenou um massacre a todos os seus irmãos para governar sozinho.Desconhecendo entretanto,por pouco tempo, que sua irmã ainda criança havia sobrevivido,e se tornado uma grande maga guerreira.
    Aqui irei contar a historia acompanhada dos personagens,suas origens,poderes e ambições através de detalhada e épica narração.
    Hemileia A Maga Guerreira - Imagem adaptada por Ramile Veras via Rinmaru games-acension
  • Copacabana - Vem ai...

    Luiza, 39 anos é uma renomada jornalista que também é dona do maior jornal do país: Diário Metropolitano. Ela tinha laços empresárias com o ex-cantor Gustavo Ryan, mas um dia o acordo foi encerrado por causa da divisão de lucros. Por isso Gustavo passou a recusar propostas da empresa de Luiza. Luiza cuida da sua mãe, Marilia que está com diabetes. No Andaraí, vive Paola e seu pai, José. José é cadeirante e prescisa trabalhar muito para sustentar ele e a filha. Ele vende jornais numa banca de revistas próximo a sua casa para conseguir sustento. Paola não gosta da vida de miséria e pobreza, por isso, suas ambições são maiores. No Leblon, vive a familia Sousa. Carlos é o homem da familia, ele é amigo de Gustavo e trabalha junto com o mesmo. Marina, é uma especie de secretária de Carlos, seu marido, pois Marina o ajuda em serviços do trabalho. César é o filho único da familia. Ele tem 16 anos e se envolve com uma garota após uma festa. Paola e Luiza tem as vidas traçadas após Paola pedir emprego na casa de Luiza que prescisa de alguém para cuidar da mãe, pois ela não consegue fazer tudo sozinha. Tudo isso em Copacabana, sua próxima novela. De Crystofher Andrade, Copacabana.
  • Crepúsculo

    Esse sol que vejo agora
    Sei que um dia vai embora
    Para assim não mais voltar

    Essa música que outrora
    Fora a nossa trilha sonora
    Não vai mais nos guiar

    Então penso em nossa história
    Nos nossos dias de glória
    E me ponho a chorar

    Pois me ocorre um pressentimento
    De que todos esses momentos
    Não poderei mais vivenciar


    Essas pessoas em minha memória
    Sei que muitas foram embora
    Para assim não retornar

    Companhias valorosas
    Cujas presenças amistosas
    Não vão mais se entrelaçar

    Então penso que lá fora
    Todos devem estar em prosa
    Enquanto eu a lamuriar

    Pois me ocorre um sentimento
    Bate uma dor aqui no peito
    A qual jamais vou superar
  • Crônicas do Parque: Rápido Demais

    Já fazia cinco solitários anos em que se encontrava separado e divorciado. Se mantinha firme em sua promessa de não mais se envolver e se entregar a um relacionamento amoroso. Afinal, sofrera bastante quando se separou da sua amada e louca esposa norte-americana (USA), que de repente enlouquecera quando ele achava estar tudo indo bem.

    Lembrara-se quando, por causa da separação, se ergueu de uma depressão que quase o matou de fome, em que ao final do quinto dia sem comer desmaiara caindo da cadeira em que estava sentado solitário trancado no escuro do seu apartamento. Em um instante se viu envolto em uma luz alvamente branca, flutuando em um corredor que o erguera para cima. Aquilo o atraia majestosamente como dando um basta a sua vida terrena de sofrimentos. Porém, de repente, ao súbito, olhara para baixo vendo o seu corpo caído ao chão desgraçadamente. E disse para si mesmo:

    — Não! Não é minha hora, tenho que voltar. Por favor me ajuda!

    E, novamente, lá estava ele, desgraçadamente em seu corpo caído ao chão. Juntou forças e foi se arrastando até a cozinha. Ao chegar, viu um pedaço de baguete duro sobre a mesa, e se esforçando em seu íntimo, apoiando penosamente os seus braços na cadeira, ergueu-se com considerável esforço para pegá-lo. Já com o pão-duro na mão, rastejou até o filtro de água potável em que enchera um copo. E ali caído ao solo com as costas recostadas nas gavetas do armário da pia, comeu vagarosamente o tosco pedaço de pão-duro, junto a goladas de água.

    Quando sentiu que já tinha forças para se levantar, ergueu-se pausadamente segurando com suas mãos as gavetas da pia, como se estivesse escalando o monte Everest. E, apoiou-se sobre seus pês. Foi até o banheiro, e tomou uma longa ducha quente. Ao final, viu que carecera de um choque térmico, e virou a torneira fazendo com que água esfriasse, tomando uma outra ducha fria. E bocejava, estremecia e ofegava.

    Vestiu-se, entrou em seu carro e pegou seu smartphone o ligando depois de uma semana, e vira múltiplas notificações de mensagens e ligações em sua tela. Ignorou-as, indo diretamente ao aplicativo GPS de serviços para procurar um bom restaurante italiano mais próximo, pois muito desejara comer uma pasta com frutos do mar. Depois dessa recaída em que quase lhe valera a vida, prometeu para si mesmo viver como um monge eunuco, distante das perigosas mulheres.

    Assim, estava ele vivendo feliz sem dar satisfação a ninguém para onde ia e o que fazia. Procurava ocupar ao máximo o seu tempo fazendo classes de yoga, pilates, teatro e aprendendo a tocar flauta e piano. Evitava ler, ver e ouvir romances, séries e filmes, músicas e histórias de relações amorosas, em que baixara um moderno e super aplicativo de tarefas, para seu smartphone. Onde ao final de cada dia, dedicava meia hora da sua atarefada vida para fazer a programação do próximo dia, não dando oportunidades para surpresas, fechando assim, as portas para novos imprevistos que o poderia levar a um novo relacionamento, ao conhecer uma interessante pessoa em um lugar desconhecido, fora da sua agenda digital de compromissos fictícios.

    Portanto, acordava, se levantava e ia correr por uma hora todas as manhãs antes de ir para o seu entediante trabalho de programador, em uma dessas grandes corporações Hi-Tech Israelense.

    Em uma dessas manhãs em que corria no parque de Kfar Saba, viu a sua frente uma jovem que tropeçara na pista de exercícios, e machucara um dos joelhos, por um instante decidiu ignorar aquele acidente, ultrapassando-a. Porém, por um ataque de consciência deu meia volta, indo ao encontro da jovem que se encontrava sentada no chão chorando.

    Ao chegar até ela, agachou-se e disse ainda ofegando pelo esforço do seu exercício:

    — Você está bem?

    — Claro que não! Você não vê?

    — Desculpe! Só estou tentando ajudar. Venha, vou te levantar.

    — Ai! Ai! Ai! — resmungou a moça não podendo se apoiar em uma das pernas.

    Então, ele a carregou em seus braços a levando para grama, pondo-a debaixo de uma Tamareira que fazia uma refrescante sombra. E a perguntou:

    — Você mora por aqui por perto?

    — Moro em Rosh Haayin.

    — Não está tão longe. — falou ele enquanto estava lavando o ferimento do joelho da jovem moça, com a água de sua garrafa.

    — Você está de carro? — perguntou a jovem. — Será que pode me levar até minha casa. — acrescentou.

    Ele hesitou ao responder de imediato, e olhou para o seu smartwatch que se encontrava no pulso direito, sabendo que se a ajudasse, chegaria tarde no trabalho. E, olhando para aquela jovem e linda moça de olhos verdes molhados de lágrimas, não resistindo ao seu apelo, disse:

    — Sim, eu te levo para casa. Mas, vamos rápido, é que estou meio atrasado para o trabalho.

    Ela sorriu, e de súbito o beijou no rosto como forma de reverência. E aquele beijo repentino acendeu um chama nele que há muito tempo se encontrava apagada. E temeu, ignorando aquele beijo ao levantar a moça nas suas costas, apoiando-a como se fosse uma mochila. Ao passo em que ele caminhava com a pesada moça sobre as costas, ela ia tagarelando:

    — Nem ao menos nos apresentamos, e aqui estamos como namorados em que você me leva de macaquinho. Como é o destino, ultimamente só estou conhecendo novas pessoas através das redes sociais no meu celular, e agora te conheço assim, em um acidente, e já temos um contato físico como pessoas que se conhecem a muito tempo. Acho que só os acidentes são capazes disso. Agora me vejo em meio a uma fantasia, nessas cenas de filmes românticos dos anos 80 e 90 que as pessoas postam na internet. O que acha? Eu ainda não sei o seu nome. Como você se chama?

    — Em primeiro lugar não somos amigos, nem muito menos namorados. Em segundo você está muito pesada, e não estou conseguindo me concentrar com essa sua tagarelice. Me chamo Nimirod.

    — Desculpa Nimi, eu só estava querendo te distrair por causa do meu peso e seu esforço. Me chamo Einat. Prometo que não falo mais. Naim meod (Prazer em conhecê-lo)!

    Juntos chegaram ao estacionamento, e ele a colocou no banco da frente do seu carro. Ela ainda se encontrava calada pela dura que recebera dele, e, ele se encontrava sério, meio puto em chegar atrasado para o trabalho.

    Então, ela resolveu quebrar o gelo que existia entre os dois, perguntando-o:

    — Você corre no parque de Kfar Saba todos os dias?

    — Ken (Sim). — respondeu ele secamente.

    — Você mora em Kfar Saba?

    — Lo (Não). — deu outra resposta seca.

    — Onde mora?

    — Próximo. — disse isso não querendo respondê-la.

    — Sim. Não. Próximo. Você fala hebraico? — disse ela o provocando.

    — Você é da polícia? Não pode se calar um pouco, apenas por um momento. Não gosto de ser interrogado, e por sua causa estou me atrasando para o trabalho hoje.

    Ao ver essa resposta arrogante, mais uma vez os olhos da jovem se encheram de lágrimas, e ela pediu para descer ali mesmo em qualquer lugar, já que estava incomodando.

    Diante disso, vendo as lágrimas descendo pelas lindas pálpebras que ao chorar se encontra avermelhadas no belo rosto inocente da jovem ao seu lado, arrependido ele disse:

    — Desculpe-me Einat. Apenas fiquei irritado por me atrasar para ir ao trabalho hoje, tenho muitas tarefas e meu chefe está já há uma semana no meu pé para que eu termine. Vou te levar para casa e tentar responder suas perguntas, ok.

    A jovem enxugou suas lágrimas, deu um grande sorriso, e perguntou:

    — Quantos anos você tem?

    — Trinta e sete. E você?

    — Vinte e três.

    — Você é nova. Fez o exército?

    — Sim. Terminei faz um ano.

    — E não viajou?

    — Acabei de chegar da Índia, estive lá por dez meses.

    — E como foi?

    — Louco. Já foi a Índia?

    — Sim.

    — E como foi?

    — Louco.

    — Então, não preciso lhe dizer nada — disse ela sorrindo.

    Ele sorriu em resposta, e a perguntou já chegando em Rosh Haayin:

    — Em que direção fica sua casa aqui.

    — Eu não sei direito lhe instruir, pois sou nova aqui, mas posso ver no celular. — disse ela pegando o seu smartphone, e abrindo o aplicativo GPS digitando o nome da rua.

    — Você é daqui? Quero dizer, dessa região? — perguntou ele, enquanto ela ainda digitava.

    — Não. Sou de Tel Aviv. Vim morar aqui por causa do emprego de ajudante de enfermeira veterinária, pois quero estudar veterinária no futuro. Amo animais, principalmente gatos.

    — Eu odeio gatos. São egoístas e interesseiros.

    — Assim como nós. — disse ela.

    — Prefiro os cachorros. São amáveis e amigos. — disse ele ignorando o que ela disse.

    — Já eu, não sou muito afeiçoada a eles. São dependentes de mais e bagunceiros.

    — Assim como nós, principalmente quando crianças. — disse ele.

    Ambos se olharam e sorriram como se concordassem um com o outro, e a voz robótica do aplicativo falou dizendo que se encontravam no local de chegada.

    — É aqui, nesse prédio. — disse ela apontando, e continuou — Quer entrar para tomar um café? Afinal, você já está atrasado mesmo.

    — Não, obrigado! Não quero me atrasar mais ainda.

    — Só que tem um probleminha! — disse a jovem o pegando pelo braço — Esqueceu que não posso andar, e no meu prédio não tem elevador, e vivo no terraço no quarto andar. — disse ela sorrindo.

    — Ok! Te levo até lá, mas não tenho tempo para o café.

    Ela sorriu. Ele saiu do carro, foi até a porta do assento lateral, a carregou em seus braços, e ela disse:

    — Agora parece que acabamos de nos casar, e você me leva para lua de mel.

    Ele a encarou com seriedade não gostando nada do que ela disse, e a colocou em suas costas indo em direção ao prédio a sua frente. Chegando à porta, ele se virou de lado para que ela pudesse digitar o código chave de cinco dígitos para abrir, fazendo um barulho entediante afirmando que já estava destrancada. Ele empurrou a porta de vidro com o pé, e enquanto adentrava ela ajudou com uma das mãos, sendo que o seu outro braço estava envolvendo o busto e pescoço dele.

    E seguiram subindo a escada. A cada andar ele parava um pouco para pegar um fôlego e descansar. E ela resolveu dessa vez ficar em silêncio, pois ele não estava nada gostando daquela situação. Então, chegaram a porta do apartamento dela. E ela disse:

    — Não vai nem ao menos entrar para um copo d’água e descansar um pouco.

    E, ofegante ele disse:

    — Não. Melhor não. Estou muito atrasado, tenho que ir.

    — Vai me deixar aqui na porta para que eu me arraste até a cama? — perguntou ela com uma dengosa voz.

    — Acho melhor você já aprender a se virar sozinha com essa situação. Depois você vai me pedir para te levar para o banheiro, e te dar banho e depois fazer comida.

    — Eu bem que poderia comer você. _ disse ela, e vendo a cara dele de extremo espanto, rapidamente exclamou — Brincadeirinha! — disse isso, querendo desfazer o que disse.

    — É por isso que não quero entrar. É disso que eu tenho medo. Vocês jovens são rápidos demais. Bye! — disse ele descendo as escadas.

    — Hei, espera aí! Você não me disse onde mora. — disse ela gritando.

    — Moro em Kfar Saba. — respondeu ele já de baixo.

    — Me dá o número do seu telefone. — ela gritou de cima.

    — Rápido demais, já disse! E se eu for casado…

    — Você é casado? — Ela gritou o mais alto que pode.

    — Não! Mas, enquanto o meu número de telefone, vai ter que descobrir por si só.

    — Isso já é bom! — gritou ela, e já não houve mais respostas. — “Ele se foi” — pensou ela entrando no seu apartamento.

    Ele entrou no carro e dirigiu rapidamente para o local de trabalho, fazendo consideráveis esforços para esquecer aquele imprevisto e inconveniente acontecido, repetindo um milhão de vezes em sua mente — “Isso nunca existiu” — tentando assim ignorar os fatos, que já fora fisgado pelas garras amorosas do destino.

    Ela estava maravilhada com ele, achava ele bonito e responsável, o tipo certo para uma mulher se casar. Ela era tão jovem, mas já pensava em um bom partido. Estava meia que traumatizada pelo motivo de suas duas irmãs mais velhas não conseguirem ter relacionamentos por serem gordas, não suprindo as exigências dos homens israelenses, numa sociedade que admira e fortalece a indústria da moda e cosméticos. Sendo que sua irmã mais velha de trinta e oito anos, fizera bebês em um laboratório de banco de espermas, tendo assim filhos gêmeos. E sua segunda irmã de trinta e quatro, já estava pensando em fazer a mesma coisa. Ela não era assim tão gordinha, mas geneticamente tinha formas arredondadas, e isso a preocupava. Passava muito tempo na frente do espelho, e se achava gorda e feia.

    Porém, não era bem assim, suas amigas a invejavam pela sua cintura bem definida, seu bumbum farto e arredondado, seus seios medianos e seu rosto de anjo com olhos verdes e cabelos loiros e encaracolados cor de mel. Um belo corpo de violoncelo, unida a um belo rosto e altura de um metro e setenta e cinco invejável. Não era gorda de jeito e maneira, era dessas mulheres mutantes de forma gigantesca.

    O despertador do smartphone tocou as cinco horas da manhã como de costume, ele se levantou em um único pulo de sua cama indo diretamente ao banheiro, lavara o rosto e escovara os dentes apressadamente. Vestiu-se com sua roupa e assessórios de correr, colocou seus fones de ouvidos bluetooth, e pendurou o seu smartphone por uma capa detentora em seu braço esquerdo, começando o seu exercício matinal ao som do piano de Richard Clayderman. Pelo esforço que fizera anterior e interiormente para esquecer do evento inconveniente do dia passado, já não se lembrara com emoção daquela moça linda e alta de olhos verdes e cabelos loiros encaracolados, sua mente se voltara a sua rotina diária de solteirão feliz.

    Mas para o seu desgosto, lá estava a jovem linda moça correndo em sua direção pela contramão com o joelho enfaixado. Ao passo em que se aproximava dela, ele pensava em ignorá-la. Dizendo em seus pensamentos: “Puta-merda! O que ela quer de mim. Droga! Porque logo hoje fui me esquecer de colocar meus óculos escuros”.

    Ao se aproximarem, param ainda correndo e trocaram sorrisos, e ela disse:

    — Olá como está?

    — Bem. Vejo que seu joelho já está bom.

    — Quase. Mas não resistir ter que parar com os meus exercícios matinais.

    — Entendo. Bom! Não quero me atrasar mais um dia para o trabalho. Bye!

    — Bye! Lehitraot (Até mais ver)!

    E, continuaram os seus percursos, entretanto, enquanto se distanciavam ela se virou correndo de costas e disse em alta voz:

    — Ainda quero o número do seu telefone.

    — Ainda vai ter que descobrir. — disse ele não olhando para trás.

    E, isso se repetia dia após dia, semana após semana.

    Até em que um belo dia de Yom Rishon (domingo) ensolarado, em que ele estava a correr como de costume no parque de Kfar Saba, não a viu durante todo o percurso. E, pensou: “Ela não veio correr hoje. O que será que aconteceu. Não importa! Bom para mim”. E, Yom Sheni (segunda-feira) a mesma coisa. E, Yom Shilishi (terça-feira), Yom Revyi (quarta-feira), Yom Hamishi (quinta-feira), Yom Shishi (sexta-feira) a mesma ausência.

    Yom Shabat (sábado), ele despertara já sem o apito do seu despertador. Continuou ainda deitado em sua confortável cama elétrica com colchões de astronauta, e não conseguia pensar em outra coisa, senão, nela. E vislumbrara em seus pensamentos o sorriso contagiante que enfeitava seu belo e limpo rosto redondo. Sua meiga voz de menina mimada. E seu gigante corpo perfeito. A ausência dela o fisgara, como as coloridas iscas artificiais dos profissionais esportistas pescadores. Aconteceu o que ele mais temia, se viu apaixonado, e sabia que esse sentimento era o mesmo que estar enfermo. Mas, agora, o que fazer, pensou. Ir procurá-la. Não! Isso era se entregar a loucura novamente. E se lastimou pelo fato de não ter dado o número do seu telefone a ela.

    Levantou-se da cama, foi ao banheiro, levantou a tampa da latrina e fez xixi. Deu descarga, e foi ao lavatório. Se olhou no espelho, e pela primeira vez viu um fio de cabelo branco em sua cabeça e dois em sua barba. “Meu deus!” Pensou. Abriu rapidamente a gaveta do lavatório procurando uma tesoura, e achando-a, rapidamente com cuidado fora até a raiz dos seus intrusos cabelos brancos para expulsá-los.

    — Estou ficando velho. — disse em alta voz para si mesmo.

    Teve medo por um instante de pânico de envelhecer sozinho. E pensou nela. Rapidamente entrara na banheira, ligara a ducha tomando um banho. Pegou a tolha, se enxugou apressadamente, passara um creme facial no rosto e se perfumara. Correu até o quarto, se vestindo elegantemente com roupas de verão. Uma curta bermuda branca, uma camiseta verde e uma sandália de couro esportiva. E, pensou em convidá-la para ir à praia em Herzliya.

    Ao chegar no prédio em que ela morava, correu em direção a porta, e não se lembrando o número do seu apartamento, não sabia em que botão devia apertar para chamá-la pelo interfone. Esperou um pouco, e teve a oportunidade quando um casal estava para sair, aproveitou essa oportunidade em que a porta fora aberta, adentrando-a. E subiu as escadas em direção ao terraço no quarto andar. Lá chegando, parou e fez um pequeno exercício de respiração para aliviar a tensão. E, antes de bater à porta hesitou, não sabendo bem o que dizer a ela. E quando fora bater, a porta se abriu. Sendo, que ambos se assustaram. E ela disse:

    — Você aqui! Eu já estava prestes a sair.

    — Pois é, resolvi ainda que tarde aceitar seu convite para tomar um café. Mas, vejo que tens compromisso.

    — Eu estava indo à praia.

    — Uau! Foi isso mesmo que vim fazer aqui, te convidar para ir à praia.

    — Ainda quer entrar e tomar um café antes?

    — Seria um prazer!

    Ele entrou, e viu que ela morava em um pequeno apartamento de solteiro de apenas um quarto, com uma pequena cozinha e banheiro acoplados. Mas, que continha uma enorme varanda no terraço com muitas flores, plantas, um cagado, um papagaio branco, uma iguana e três gatos. O apartamento era pequeno, mas estava muito bem organizado com uma cama de casal ao meio, a cozinha no estilo americano a frente, o banheiro ao lado e uma grande mesa com impressora e computador, improvisando um escritório de trabalho. Do outro lado havia também uma porta e uma larga janela que dava para varanda. O ambiente estava bem iluminado e confortável, havia odores de incenso, e um toque alegre maravilhosamente feminino. Muito distante do seu escuro apartamento, triste e sem graça. E, enquanto ela aprontava o café, ele disse ao se sentar a cama:

    — Bonito e aconchegante aqui.

    — Foi isso que você perdeu antes. Muito lento você, Sr. Lesma.

    — E você, apressada demais, Sra. Papa Léguas.

    — Viu!

    — Viu o quê?

    — Agora já estamos nos comportando como um casal rotineiro, discutindo por besteiras.

    — Rápida demais, menina! — Ele a alertou, e continuou — Nem começamos ainda a namorar, e você fala em casamento. Mas me diga, porque não foi ao parque correr essa semana.

    — Funcionou!

    — Funcionou o quê? — perguntou ele sem nada entender.

    — Não está vendo. — disse ela sorrindo, e fazendo um gesto obvio ao erguer a palma de suas mãos para cima, ao dobrar os cotovelos a linha do umbigo.

    — Como sou idiota! Shalom! — disse ele indo revoltado em direção a porta.

    — Bye! — disse ela tranquilamente sem olhar para traz, enquanto ainda preparava o café.

    Rapidamente ele saiu, e descendo as escadas às pressas, parou no meio, colocou a mão na cabeça, e dizia para si em voz alta:

    — Como sou idiota! Hahhhh!

    Continuou a descer, e ao chegar a porta. Hesitou em abri-la. E se viu completamente apaixonado e envolvido por ela. Tão rápido, mais rápido do que a velocidade dos pensamentos era a velocidade dos sentimentos. Sua cabeça lhe dizia: “Saia imediatamente dessa arapuca, e esqueça essa garota que só vai atrapalhar a sua vida”. E o coração rebatia, dizendo: “Volte imediatamente, peça desculpas e diga que gosta dela”.

    O coração foi mais forte, assim deu meia volta e subiu as escadas. E lá estava ela a porta, com duas xícaras na mão, uma de café e outra de chá de folhas de Luíza Limão do seu pequeno canteiro de ervas. Ele subiu a passos lentos em sua direção. E pediu desculpas, e ela abrindo os braços com as mãos ocupadas com as xícaras cheias, disse:

    — Só desculpo se me der um beijo.

    Ele se aproximou o mais perto possível, encostando barriga a barriga, e sentiu o calor atraente do corpo dela o chamando. Olho a olho se olhavam, e o olhar dela ficou meio vesgo, tornando-a mais linda e atraente, ainda mais do que já era. Suas respirações estavam ofegantes, e seus corações pulsavam tão alto, que faziam os líquidos das xícaras que estavam nas mãos dela ondularem pelas laterais, respigando todo o chão. E por um instante se cheiravam, enquanto seus narizes se tocavam. Rapidamente ele se afastou, pegando a xícara de café da mão dela, e disse:

    — Rápido demais, menina. Rápido demais…

    Ela sorriu, e ambos caminharam até a varanda. Assim, se sentaram um a frente do outro em uma pequena mesa de ferro, com a plataforma de cimento com mosaicos feitos de pedaços de azulejo que ela mesma confeccionara. E, apenas se olhavam por longos minutos sem nada dizer, enquanto saboreavam o gosto do café e chá, e os gatos se enroscavam em seus pés.

    Então, ele rompera o silêncio dizendo:

    — Vamos devagar, Ok! Assim será melhor e mais prazeroso. Não quero ter uma relação de palito de fósforo.

    — Como assim, palito de fósforo? — indagou ela.

    — Você tem uma caixa de fósforos? — perguntou.

    Ela sem nada dizer, adentrou a casa para apanhar. E trazendo, foi vagarosamente por detrás dele o abraçando em tons provocativos, enquanto estendia com uma das mãos a caixa de palitos de fósforos a frente dos seus olhos. Ele pegou a caixa, ela voltou ao seu assento, e ele disse:

    — Tome essa caixa, pegue um fósforo e acenda.

    E, assim como foi dito, ela fez. E ele disse:

    — Está vendo! O fósforo acendeu ligeiro se inflamando rapidamente, e da mesma forma ligeiro se apagou. O mesmo acontecerá conosco se formos tão depressa nisso. Tudo não passará de uma inflamante paixão. Devemos começar como uma pequena fogueira de acampamento. Catar folhas e palhas secas, colocar gravetos em cima, depois paus grossos e duros, e acendê-la com muita atenção cuidadosamente, e ir alimentando-a com esse combustível de matéria orgânica dura aos poucos, para que permaneça acesa, e venha nos aquecer por toda noite, até a vinda do sol.

    — Mas, essa sua fogueira só poderá ser acesa com um palito de fósforo, não é? — questionou a moça a sua frente com ironia.

    Nisso, ele se irritou novamente. E ela rapidamente disse:

    — Brincadeirinha, Sr. Nervosinho. — e sorriu como uma esperta menina, que ganhou a aposta.

    — Ok! Nada de telefones, SMS, Telegram, WhatsApp, Facebook, Skype e todas essas parafernálias da internet. Usaremos cartas. E só nos encontraremos no local especificado por elas. Faremos a moda antiga, antes da tecnologia. _ rebateu ele, irritado por se sentir derrotado.

    — E se as cartas não chegarem? Você sabe como são os correios aqui em Israel.

    — Vamos usar então uma empresa de correios privada. Não se preocupe, eu cobrirei todos os custos.

    — Está bem, Sr. A Moda Antiga — disse ela ironicamente concordando.

    Assim, terminaram com o café e chá, e foram para praia em Herzliya. Lá, conversaram bastante abrindo o livro de suas vidas um para o outro, e o tempo em que passaram juntos foram mágicos para os dois.

    Ele a levou de volta para o apartamento dela em Rosh Haayin. E, ao se despedir saindo do carro, enquanto ainda caminhavam até a porta do prédio, ela o surpreendeu com um beijo apaixonante em sua boca, em que ele nem ao menos teve chance de resistir, apenas pela altura dela, teve que ficar suspenso nas pontas dos pés. Então, ela percebendo o seu desconforto, o puxou ainda o beijando descendo para rua, enquanto ele ainda ficava sobre o paralelepípedo da calçada, dessa forma ele ficou mais alto e ela mais baixa. Esse beijo em que se abraçaram amorosamente, durou por quase dois minutos. Ao terminar ela disse se despedindo:

    — Isso foi apenas o palito de fósforo que acendeu a fogueira no nosso acampamento.

    E assim, ele e ela, Nimi e Einat se encontravam esporadicamente através de cartas que indicavam locais estratégicos como um jogo de RPG. Ela o escrevia cartas amorosas, as desenhando com lápis de cor, ou aquarela, e fazia também colagens de flores e folhas do seu jardim suspenso. Ele a enviava cartas com bombons e flores, sempre ditando os lugares de encontro como o mestre do jogo. Até que um dia, ela recebeu uma encomenda vinda em um carro forte de alta segurança, tendo que dar várias assinaturas nos protocolos de papeis para recebê-la. Parecia-lhe algo extremamente de muito valor financeiro, para vim com aqueles seguranças todos bem armados, com pistolas e escopetas Glock 9mm e .40 S&W. Era uma caixa grande que envolvia outras pequenas caixas, como degraus de escada de caixas sobre caixas. E, ao chegar à última e pequena caixa preta. Encontrou um pequeno papel vermelho, dobrado em quatro partes. E ao abri-lo, viu um número de telefone escrito em tinta negra: 0529516651. De imediato foi a sua bolsa procurando o seu smartphone, e ao achá-lo ligou imediatamente. E ao dizer alô, ouviu uma voz que emocionado perguntava:

    — Quer se casar comigo?

    — Rápido demais, seu moço. Nem ao menos ficamos noivos e você já pensa em casamento.

    Então, ele ao ouvir essa resposta, desligou de imediato o telefone.

    E, ela se desesperou dizendo para si: “Droga! Eu brinco demais com ele, e ele sempre me leva a sério. Apenas só repeti as suas palavras. Droga!”.

    Todavia, enquanto ela tentava ligar para ele novamente, desesperada para lhe dizer: “Sim! Era isso que eu mais desejava desde quando nos conhecemos”. Ela ouviu um toc, toc em sua porta. E abrindo-a, lá estava ele de joelhos com uma caixa de anéis na mão dizendo:

    — Case-se comigo agora Einat, mesmo que seja rápido demais! É que não precisamos mais da fogueira no nosso acampamento. Pois, o sol raiou, e já é dia!

  • De partir o coração

    Abro os olhos e começo o dia feliz por estar ao lado da pessoa que mais amo neste mundo. Estamos deitados na mesma cama e ela ainda está dormindo. Por isso, fico quieto, respiro o mais baixo possível e espero até seus olhos encontrarem os meus. Confesso que demora um pouco para isso acontecer – tipo umas 2 horas –, mas quando acontece, eu me ponho a beijá-la e acariciá-la freneticamente. Contudo, sua reação não é das melhores, colocando-me para longe com seus largos braços e erguendo-se da cama sem nem ao menos agradecer pelo meu afago. Mas tudo bem, já estou acostumado com o fato dela, ás vezes, acordar de mau-humor e não querer meu contato; respeito sua decisão.

    Ainda assim, desço os degraus da escada bem ao seu lado e aterrisso na sala à procura de meus irmãos, que constantemente me recebem de braços abertos e com um largo sorriso no rosto. Vasculho a cozinha, os banheiros, o quintal, mas nada deles. Ao perceber que não estão por perto, choro bem baixinho para que, seja lá onde estiverem, possam me escutar e vir até mim. Faço isso por alguns segundos até ser chutado pela pessoa que mais amo neste mundo. Ela parece irritada, com as sobrancelhas apertadas, os olhos semicerrados e as mãos fechadas em um formato que eu conheço muito bem – também, como poderia esquecer a dor de senti-las  em meu corpo? Entendo isso como uma ordem para que eu pare de chorar, e é o que faço.

    Sou então ordenado a ir do quintal à garagem, onde, adivinhem, finalmente encontro meus irmãos! Ah, o quão feliz fico ao perceber que minhas preces foram atendidas; sabia que uma “choradinha” era capaz de trazê-los para perto de mim. Todavia, tal qual a pessoa que mais amo neste mundo, eles também não parecem muito empolgados com a minha presença. Pelo contrário, o que encontro são braços cruzados e rostos erguidos, evitando o contato visual comigo. Começo a achar a situação estranha, mas relevo ao pensar que, talvez, tenha acontecido alguma coisa que deixou toda minha família triste. Algo que abalou a todos eles.

    De qualquer modo, minha família se reúne na garagem e, de lá, vai se sentar no carro que está estacionado do lado de fora da nossa casa. Eu vou junto e pulo no colo de meus irmãos, o que causa a ira da pessoa que mais amo neste mundo, a qual esbraveja sons que não entendo e direciona sua arma contra mim – chinelo nas mãos é sinal de que a brincadeira acabou. Para evitar ser “chinelado”, desço do acento traseiro e me ponho sentado bem em frente a ela, o que, a despeito da minha reação, faz com que receba a punição bem no meu focinho. Depois disso, um pouco dolorido, subo no porta-malas, local que foi designado para mim no carro. Pergunto-me, pois, o que foi que eu fiz de errado para ser afastado de meus irmãos, já que, até então, fui junto com eles em todas as vezes em que saímos de carro. Mas então me lembro donde estou e concluo que isso só pode significar uma coisa: PASSEIO!

    Seguimos adiante um longo trecho até o carro parar. Quando para, a pessoa que mais amo neste mundo abre o porta-malas e faz um gesto que conheço muito bem – está me chamando para pular de onde estou, ou seja, a aventura vai começar! Horas e horas a fio serão, enfim, recompensadas, afinal não me lembro, em toda minha vida, de ter andado tanto de carro quanto hoje. Diante disso, devemos estar bem longe de casa, e só consigo pensar que fizeram isso para me levar a um lugar especial.

    Porém, ao olhar para trás, deparo-me com algo que não esperava: o carro começa a se mover com a minha família dentro. Não hesito em latir o mais alto que posso a fim de fazê-los notar minha ausência, e, com isso, parar o veículo. No entanto, quanto mais alto lato, mais veloz se torna o carro, ficando muito difícil acompanhá-lo. Sinto minhas patas queimarem diante do ritmo que emprego a elas, mas, neste momento, nada é capaz de me fazer parar. Preciso avisar minha família que eles estão indo sem mim!

    Mas é tarde. O carro se foi. Assumiu tal velocidade que fui incapaz de acompanhar. Lati e corri o máximo que pude, porém não obtive sucesso. Num primeiro momento, desespero-me, já que não faço ideia de onde estou, muito menos de como voltar para casa. Olho para o horizonte, bem no ponto em que perdi o veículo de vista, e ao chegar lá, acalmo-me ao pensar que eles logo irão notar minha ausência e voltar o mais depressa possível para me resgatar. Com este pensamento em mente, aconchego-me em uma calçada para esperar o retorno da minha família. Assim, espero um dia, dois, três; algumas semanas; um mês.

    Neste momento, sou obrigado a dizer o indizível: fui esquecido. Deixado para trás, como um objeto usado e inservível. Por alguma razão, eles não me querem mais. Julgam que uma vida sem mim será mais eficaz. Uma pena, pois me esforcei tanto, batalhei de tal forma para conseguir o amor deles, que nunca imaginei acabar numa situação como esta: triste, sozinho, abandonado. Com os olhos caídos e embaçados, vago de rua em rua na busca de alimentos e líquido, acostumando-me a sobreviver com os restos deixados nos sacos de lixo, bem como com a água parada de poças e ritmos fluídos do meio-fio. Nada que se compare às refeições que tinha junto à minha família, mas é o que tenho à disposição agora para saciar minha vida faminta. Sabe, sinto muita falta deles, e daria tudo para vê-los novamente. Quando o marasmo bate, costumo me deitar e sonhar que desperto aninhado no colo de meus irmãos, voltando para casa junto deles enquanto recebo carícias e consideração. Ah, que delícia! No final, porém, ao acordar, percebo que nada mudou, estando eu à deriva de companhia e imerso na solidão.
  • Descansei

    Em um dia de sol, onde o céu era belo
    O olhos se deslumbravam com a paisagem da vida
    Respirando e vivendo um dia de cada vez
    Meu fôlego pesa e meus olhos se fecham


    Acordo em um Hospital com todos a minha volta
    E um de meus olhos não se abrem, como se houvesse algo segurando
    Me via com acessos para onde mandavam medicações
    Não podia sair daquele lugar, só via o mundo pela janela

    Todos os dias que eu acordava, me via ali acima da cama
    Em um leito que me trazia ternura e tristeza
    Na hora era eu e som da chuva a cair pela janela
    Sem poder ver meus familiares, amigos e família

    Em uma noite eu estava bem e feliz
    No outro eu já não conseguia me mexer mais
    Via meu corpo gelado e sem reação
    Pois já não habitava mais nele,

    Via meus familiares me olhando e chorando sem entender
    Via um caixão mais não sabia para quem
    Via meu corpo sendo colocado e me conformei
    Minha vida ali se esvaiu e se fechou

    Me via em um campo verde, enquanto a chuva caia
    E todos jogavam flores para mim, sabendo que eu era valioso
    Ali então as paginas da minha vida se fecharam
    A terra me cobria, A dor me cobria e fiquei ali no escuro

    Assim foi meus últimos dias, de LUTO!
    Perdi um homem que mais amei pra Doença
    Mais ele está no céu, olhando a todos
    Saudades tio, vai em paz nos te amamos.


    A vida é como um sopro, rápida e gelada.

  • Desejo estrelado

    Deitados na varanda 
    Juntos olhando o céu  
    Você me abraça e me domina  
    Numa noite de luar.
    Vendo aquela imensidão 
    Do seu lado, de mãos dadas 
    Você imagina uma vida  
    Ao meu lado, uma vida a dois 
    Cheio de planos e sonhos  
    Desejados por ti.
    Fecha olhos querido amor  
    O seu pedido  pode   
    Ser concedido 
    Pela estrela cadente 
    Aquela que incendeia 
    O nosso amor por essa  
    Imensidão sem fim!
  • Deveria ter te falado

    Oi venho-te falar que tenho uma doença terminal não tenho muito tempo de vida, na verdade os médicos me falaram que tinha três meses de vida no máximo hoje esta quase no final desses três meses, não me brigue por não ter contado é que odiaria ver você perdendo tempo da sua vida se preocupando com alguém que já esta morta, e ver seu olhar de dó pra min não ia suportar isso acho melhor tomar um tiro, mas me desculpe por não ter contado antes, acho que sou idiota por não ter contado pode xingar me odeia  seria melhor, só de imaginar  você chorando me parte aquele meu coração que lava endurecida, mas se não chorar me arranca um sorriso. Sabe todo dai queria te contar, mas não consegui, por favor, entenda eu já estou morto não queria ser só um incomodo ver falsa esperança, não muito obrigado, mas não  quero. Você não tem ideia como não queria entrar em sua vida para partir tão breve, pensei todo dia de sumir com uma brisa que bate no rosto e se vai rápida mente não conseguia sempre queria aproveitar um pouco mais já que era meu fim queria acabar com lembranças boas mesmo que fosse só uma conversa boba ou um inteligente. Agora me despeço ADEUS vou sentir sua falta.
  • Dia de chuva

    Tudo começou com um belo dia pós chuva. À vi em uma travessa daquela pequena cidade.
    A princípio não havia reparado em seu elegante cachecol estampado com flores, e sua blusa lisa caque que destacava sua esbelta cintura, e sua calça jeans escura, e suas botas marrom, sem salto. Não sou de reparar nas pessoas, mas não pude deixar de reparar em seus cabelos castanho escuro, levemente andulado nas pontas, e aqueles chamativos par de olhos mel esverdiados, que até poderia dizer que eram âmbar, e um sorriso, lindíssimo, com dentes tão brancos como as nuvens, e reluzentes como as estrelas. Mas o que realmente me chamou a atenção, foi o motivo de seu sorriso, um pequeno pássaro verde, pousado em uma árvore próxima. Ela apontava, e sorria, mostrando-o para quem andava com ela.
    E isso me fez pensar: Como coisas simples podem fazer a alegria de alguém?
    Aquele pássaro pousado naquela árvore, nada de mais, fez a moça sorrir.
    E aquela simples ação da linda moça, me fez sorrir o resto do meu dia.
  • Diário de um Feiticeiro: Parte 01

         Oi, meu  nome é Ryan Lewis e tenho 15 anos. Hoje é o dia 26 de outubro de 1985, falta apenas 5 dia para meu aniversário. Hoje 26 de outubro acordei com o pé esquerdo, escovei os dentes e lavei a cara com a força do ódio e fui pra escola.
         Quando cheguei na escola veio meu amigo Henry para nós falar sobre a nossa série favorita de terror. A gente passou  os quatros períodos da aula conversando sobre teorias malucas do que aconteceria com a alma da personagem Lilian. Enquanto nós passamos os quatros períodos da aula conversando eu fiquei olhando para Sabrina Spellman que é uma garota bonita, inteligente e misteriosa. Não vou negar que sinto um sentimento por ela mas ela nem sabe q eu existo hahaha. Eu dou risada mas na verdade é um tanto triste. E essa foi a minha manhã.
         Depois dessa manhã chata mas legal ao mesmo tempo no colégio Dorcas, fui para minha casa e almoçei com minha tia Ilda e meu tio Ben. Você deve estar se perguntando dos meus pais, vou deixar bem claro que eles não estão mortos, eles somente desapareceram quando eu nasci. Deixa eu explicar melhor isso, quando eu nasci eles me entregaram para os meus tios e foram embora e disseram q voltariam um dia. Faz 15 anos e eles não voltaram, mas eu me acostumei com minha tia Ilda e meu tio Ben. 
         Depois do almoço, fui as duas horas da tarde para a floresta Salvatore para fazer o que eu mais gosto que é observar a natureza e tirar fotos mas algo estranho aconteceu lá. Eu vi a Sabrina realizando algo que parecia um ritual, me aproximei perto dela sem ela ver, fiquei olhando tudo aquilo acontecer. Aquele ritual era para trazer de volta o seu gato morto que tinha sido atropelado, foi naquele momento que descobri que bruxas existiam e que andavam entre nós.
         Mas eu não fiquei assustado pois eu senti que era igual a ela, era como se algo fluísse dentro de mim, então sem medo me aproximei dela e ela tentou fugir com o gato já vivo correndo atrás dela, então eu gritei :
          - Espera, eu acho que eu sou que nem você, sinto algo fluindo em mim.
         Então ela parou e se virou para trás e o gato também, então ela me perguntou a minha idade e eu respondi 15 anos. Ela me perguntou quantos dias ou meses faltava para o meu aniversário, então respondi 5 dias. Ela me perguntou se estava tendo sonhos com algo relacionado a magia, ela parecia saber de tudo, ela até descreveu um sonho bem direitinho, era um sonho onde eu pegava um livro e realizava um ritual de invocação. Ela me explicou que eu me tornaria um bruxo ou melhor dizendo um feiticeiro. Fiquei um pouco espantado mas nem tanto pois sabia que eu não era normal que nem outros, as vezes sentia uma energia percorrendo meu corpo. Parece q eu realmente iria descobrir meus poderes no dia 31 de outubro que é o dia do meu aniversário de 16 anos segundo Sabrina. Ela explicou q descobriu seus poderes dia 28 de julho que foi seu aniversário de 16 anos mas Sabrina ao contrário de mim já sabia disso e foi orientada desde pequena.
         Sabrina se aproximou perto de mim e disse que não era para eu ter medo pois ela me ajudaria a cada passo que eu desse, isso me fez me sentir melhor, ela falou que eu adquiria conhecimento em uma escola para feiticeiros e feiticeiras indo todos os sábados. Ela me explicou que a escola ficava debaixo da ponte sul da nossa cidade. Eu fiquei falando pra ela: 
         -Como assim? Debaixo da ponte? 
         Mas aí ela me explicou melhor e disse que debaixo da ponte havia um pentagrama que se você for um feiticeiro de verdade e recitar as palavras cremonali doudali soulanali a parede quebraria e abriria um portal para a escola. Eu fiquei feliz pois sábado é o dia que irei virar feiticeiro e já poderei ir na escola de magia no mesmo dia.
         Então depois dessa tarde maluca descobrindo coisas incríveis, eu fui para casa e meu amigo Henry esta me esperando na frente da minha casa, ele parecia querer contar algo. Então me aproximei dele e ele me contou que na outra floresta da cidade que é uma floresta mais obscura da que eu estava, tinha uma criatura peluda, com dentes enormes e garras muito afiadas coberto de sangue de um cervo que essa criatura matou.
         Então eu disse:
       -  O que você estava fazendo lá, e que horas você viu isso?
         Ele me disse que viu as 22:45 de hoje, a esse horário eu ainda estava com a Sabrina na outra floresta que é muito linda, diferente dessa que Henry estava. Mas ele não me disse o que estava fazendo lá, então eu falei:
        - Mas você não me disse o que estava fazendo lá.
         Henry disse que estava atrás de uma nova espécie de passarinho mas não fazia sentido ele estar naquele horário, então perguntei:
        - Mas por que você estava nessa?
         Henry falou que o pássaro possuía hábitos noturnos, mas estava tão difícil de acreditar nele, parecia que estava me escondendo alguma coisa. Mas então por que ele me contaria dessa criatura? Minha mente estava tão confusa com tudo isso.
         Então falei para ele:
       - Henry você esta mentindo, você pode confiar em mim e contar a verdade.
         Então Henry me olhou e contou tudo dizendo:
        - Meu vô contava que uma criatura morava naquela floresta a muito tempo e ele já tentou caçar essa criatura mas não obteve sucesso. Então eu resolvi ver se era verdade as história dele e era.
         Depois de ouvir Henry falar isso, eu fiquei meio que assustado, eu estava pensando em contar para Henry sobre mim já que ele contou a verdade para mim, mas eu não queria colocar ele em perigo, talvez isso da criatura já fosse coisa demais para ele. Então falei para ele:
         - Henry eu acho que essa criatura não é nada mais ou nada menos que um lobisomem, que tal a gente continuar a comentar amanhã pois agora já são 23:00 horas da noite e sinto que nós dois levaremos broncas hahaha.
         Henry concordou comigo, ele me deu tchau e foi para casa e eu entrei na minha casa, quando entrei já estava minha tia Ilda e meu tio Ben sentado em um cadeira e eles estavam furiosos por eu ter chegado as 23:00 da noite, o horário máximo que eu poderia chegar em casa era as 20:00.
         Eu expliquei que estava com uma colega minha na floresta, só que isso não pegou muito bem. Eles acharam que eu estava transando ou algo assim, mas aí eu meio que falei a "verdade", falei que Sabrina estava me ensinando algumas coisas. Você pode achar que não mas eles acreditaram pois eles tinham grande confiança em  mim.
         Então depois da conversa com eles, eu tomei um suco de laranja muito gostoso com duas torradas de presunto e queijo, depois disso fui escovar meus dentes com a pasta de dente que eu amo e fui dormir. Posso ter começado o dia meio mal humorado mas acabei ele com tanta felicidade. 
         Depois de dormir acordei animado, querendo ir para escola e tentar me aproximar mais de Sabrina. Cheguei na escola encontrei Henry e fomos para sala de aula antes do sinal bater e já colocamos a data no nossos caderno que é dia 27/10 (terça-feira). Depois que colocamos a data resolvermos comentar mais sobre o lobisomem, ele me disse:
        - Era enorme, antes que você me pergunte se ele me viu já digo que não pois eu estava muito bem escondido, estava escondido atrás de duas árvores gigantes e elas tinham um cheiro muito forte, então seria difícil dele me farejar.
         Então eu lhe perguntei:
        - Essa de você estar escondido atrás de árvores com cheiro forte foi planejado?
         Henry riu, mexeu a cabeça fazendo sinal de negativo e respondeu:
        - Com certeza não, eu dei sorte de esta no lugar certo na hora certa.
         Então bateu o sinal para aula começar e Sabrina entrou na sala e fez um  gesto me dando oi, então eu fiz o mesmo com um sorriso. Depois que bate para o segundo período nós temos a merenda, notei q as duas amigas de Sabrina tinham faltado a aula, uma estava doente e a outra viajando para Nova York pois seu pai morava lá e ele estava muito doente, o coitado estava com câncer. Então já que Sabrina estava sozinha na merenda falei pra Henry que ia sentar com ela e pedi para ele deixar nós sós, Henry não gostou muito mas ele aceitou numa boa. Quando sentei com ela falei:
        - Eae Sabrina tudo bom? Posso sentar?
         Ela respondeu:
        - Estou bem, você já esta sentado, desculpa não quis ser grossa, me conte, esta animado? Esta bem com tudo isso?
         Então com um sorriso eu falei:
        - Não foi grossa não, só um pouquinho hahaha, sim estou super animado com tudo isso e por incrível que pareça estou bem com toda essa novidade, vai ser uma aventura para mim e será melhor ainda se você estiver nela.
         Sabrina ficou um pouco vermelha, me deu um sorriso e disse: 
        - Será um prazer estar nela.
         Então o nosso tempo na cantina acabou e voltamos para a sala, quando voltei lembrei que a gente nem comeu nada e meu estômago começou a roncar. Henry notou que eu estava com fome então me deu um pão com doce que havia pegado na merenda. Quando fui comer escondido (pois é proibido comer na sala de aula) lembrei que Sabrina não comeu nada, então parti o pão e dei o maior pedaço para ela sem a chatinha da professora Laiane ver. Sabrina me agradeceu e depois que acabou o segundo período fomos para o recreio, Henry foi conosco mas todo o recreio eu e Sabrina não falamos uma palavra sobre o assunto de feiticeiro, ficamos apenas falando sobre os professores, séries, filmes etc. Foi bom saber que a Sabrina também gostava de filme de terror. 
         Depois do recreio tivemos aula de história que me deu até sono mas depois veio a aula de ciências. E na aula de ciência foi dado um trabalho onde teríamos que tirar fotos de animais em umas das floresta da cidade, poderíamos escolher a floresta Salvatore ou a floresta Negra que era onde Henry teria avistado o lobisomem. O trabalho foi divido em duplas que foram sorteadas. A professora Nancy sorteou o papel com meu nome e falou:
        - Ryan ficará com...
         Aí ela sorteou outro papel com outro nome de uma pessoa e disse:
        - Sabrina 
         Aí olhei para Sabrina e sorri para ela e ela retribuiu com outro sorriso. Ela me deu um bilhete no final da aula que dizia:
        - Ryan me encontre as 14:00 horas na floresta Salvatore para nós realizar o trabalho, e para conseguirmos um familiar pra você, quando chegar eu lhe explico o que é familiar.
         Peguei o bilhete e coloquei no bolso e fui para casa conversando com Henry, ele me disse que havia ficado sem dupla, então eu lhe disse:
        - Henry nem pense em entrar na floresta Negra pra tirar foto daquela criatura, acredito que o mundo não esta pronto pra descobrir que lobisomens existem.
         Henry me olhou, concordou com um gesto positivo com a cabeça. Então Henry entrou ma casa dele que é do lado da minha e eu entrei na minha. Comi a galinha deliciosa que minha tinha Ilda tinha preparado de almoço, junto com um arroz branco e o meu suco favorito que é o de laranja. Depois de ter comido fui dormir um pouco até as 13:30 para depois ir na Sabrina, quando dormi eu tive um sonho, onde eu falava com um corvo e ele me respondia, o nome dele era Estorcas
         Então me acordei as 13:30 e fui para a floresta Salvatore encontrar a Sabrina, eu cheguei bem no horário combinado, nenhum minuto antes e nem depois mas ela não tinha chegado ainda, então resolvi sentar no banco para esperar ela. Não demorou 5 minutos pra ela chegar, quando chegou entramos pra dentro da floresta, eu estava com a câmera e ela com uma mochila que eu não sabia o que havia dentro.
         Olhei pra ela e disse:
        - Então, você tinha ficado de me explicar o que era um familiar. Então me diga o que é.
         Sabrina me olhou e falou:
        - Familiar é um animal que conversa com você e só você entende ele, ele entende as outras pessoas mas as outras pessoas não o entendem. Então você pode escolher que tipo de animal você quer e pode dar um nome pra ele.
         Eu na hora falei que queria um corvo e que seu nome seria Estorcas, Sabrina me olhou e disse:
        - Um corvo, sério? O meu familiar é aquele gato que você viu eu ressuscitando usando necromancia, antes que me pergunte o que é necromancia, já digo que é uma magia que lida com mortos e é bem complicada.
         Então eu olhei pra ela e falei:
        - Eu quero um corvo pois eu tive um sonho que eu estava falando com um corvo chamado Estorcas.
         Ela me olhou e disse:
        - Ei, você foi escolhido por ele, ele veio a você através do sonho. Eu acho que tenho tudo em minha mochila para evocalo.
         Então ela tirou um giz branco da mochila e fez um pentagrama no chão com a letra "E" no meio da estrela, no pentagrama tinha outros desenhos que simbolizavam evocação e outros meio referente a familiares. Ela me deu um livro de capa dura com um pentagrama na capa e embaixo dizia: "Livro Básico de Evocações."
         Ela me falou para abrir na página 27, onde falava de evocação de familiares, aí eu li as palavras:
        - Evocate familiare prontact pra me serviare.
         Depois que eu falei essas palavras, começou a sair uma fumaça preta do livro que foi para o pentagrama e no meio daquela fumaça saiu um corvo e ele me disse:
        - Eu não sou seu escravo mas o ajudarei em sua jornada e não ache que serei presso a você, eu serei livre pra voar para onde eu quiser. Eu serei seu amigo, seu conselheiro e até parceiro para inúmeras coisas mas jamais seu escravo.
         Eu falei pra ele:
        - Sim, serás meu amigo mas não escravo. Poderá voar pra onde quiser a hora que quiser. Será um prazer trabalhar com você.
         Depois disso, Sabrina e eu fomos procurar algum animal legal para tirar uma foto enquanto Estorcas sobrevoava a área para garantir se estava tudo bem. Depois de procurar e procurar um animal para tirar foto, finalmente achamos uma borboleta azul muito bonita. Então quando nos aproximamos o bastante dela para tirar uma foto ela vôo para longe. Aí eu olhei pra Sabrina e perguntei:
        - Tem como a gente evocar um animal só para a gente tirar uma foto e depois fazer ele ir de volta do lugar que saiu?
         Sabrina respondeu:
        - Sim mas tive uma ideia melhor, antes de eu contar me fale se você sabe desenhar bem.
         Eu respondi que sim aí ela contou que tem um feitiço que a gente faz um desenho meio que criar vida por uns dez segundos aí depois ele some. Então desenhei uma linda borboleta azul, idêntica aquela que a gente tinham visto. Ela pegou o meu caderno e outro livro de feitiços que dizia: Feitiços Básicos Volume 01.
         Ela abriu o livro na página 77 que tinha o feitiço chamado Ilusione desenhare, então ela ela recitou as palavras que dizia:
         - Criare el ilusuine del deserro poro trempo cutiro.
         Depois que ela disse essas palavras estranha o meu desenho da borboleta sumiu da folha e estava na minha frente a borboleta que eu tinha desenhado. Então rapidamente peguei a câmera e tirei uma foto perfeita, depois que tirei a foto eu fui tocar na borboleta mas aí o tempo acabou e ela voltou para a folha de papel do meu caderno.
         
         Sabrina olhou pra mim e me deu uma risadinha, nós dois estávamos parados lá sem mais nada pra fazer, então convidei ela pra dar uma caminhada pela floresta. Enquanto nós caminhava notei que Estorcas estava nos acompanhando pelo ar. Sabrina e eu estávamos conversando sobre feitiços e poções super legais enquanto nós caminhava. Mas aí eu pedi pra ela parar e fechar os olhos porque eu tinha uma surpresa. Ela fechou os olhou e falou:
        - To curiosa!
         Eu me aproximei dela e a beijei, enquanto nós nos beijava, as flores  começaram a voar em nosso redor, foi literalmente mágico o nosso beijo. Quando eu tinha finalizado o beijo ela me falou:
        - Foi uma das melhores surpresas que eu poderia receber.
         Quando eu fui pedir ela em namoro ela me interrompeu e falou:
        - Quer namorar comigo?
         Na hora eu disse sim, abracei ela como se não fosse soltar mais, depois do abraço, eu a beijei de novo e as flores em nosso redor fizeram um formato de coração. Falei pra ela:
        - Já são 16:00 horas, achou que vou pra casa, se tu for também posso lhe acompanhar até um pedaço?
         Ela disse que sim, então fomos conversando até sua casa sobre o quão incrível seria daqui pra frente. Quando chegamos na porta da casa dela eu a beijei e dei tchau. Eu estava super feliz, cheguei em casa cantando, minha tinha Ilda perguntou:
        - Qual o motivo de tanta felicidade Ryan?
         Aí eu lhe disse:
        - Ela me ama tia, a Sabrina me ama, tia eu gosto tanto dela.
         Tia Ilda ficou feliz por mim, o tio Ben estava trabalhando, ele trabalha de manhã das 06:00 horas até 11:00 horas da manhã. Depois que ele almoça ele volta a trabalha das 13:00 até 18:00. De manhã quando eu acordo para escola ele já esta no trabalho, depois quando chego da escola ele já ta quase saindo, a gente fica mais juntos pela noite. Tinha Ilda eu vejo quase sempre pois ela não trabalha. Não via a hora de contar pro tio Ben da Sabrina. Não faltava muito pra ele chegar pois já era 17: 37. 
         Fui para meu quarto para assistir The Horror que é uma série de terror que eu e o Henry assistimos, fiquei impressionado com o que fizeram. Fizeram um pacto com satã para a alma de Lilian voltar para o corpo, depois disso fiquei pensando se com a magia poderia fazer coisas assim. Acabei de assistir a série as 18:30, depois disso fui cumprimentar meu tio que havia chegado a meia hora atrás, depois que cumprimentei ele, eu disse:
        - Tio você nem acredita, tem uma garota da escola chamada Sabrina Spellman, a gente ta namorando.
         Ele me olhou com uma cara muito séria e falou:
        - Você falou Spellman?
         Minha tia que estava com uma xícara de chá, acabou derrubando no chão de espanto, então eu falei:
        - Tia esta tudo bem?
         Minha tia estava muito apavorada, eles sabiam de alguma coisa e estavam me escondendo. Então eu falei:
        - O que vocês sabem sobre o sobrenome Spellman?
         Meu tio me disse com uma voz rígida que a família Spellman são bruxos e perguntou se eu sabia algo sobre magia. Então eu lhe respondi:
        - Sim, eu sei e sou um feiticeiro. 
         Ao mesmo tempo minha tia e meu tio falaram:
        - Meu Deus, como você sabe disso?
         Expliquei que descobri através de Sabrina e eles ficaram furiosos e mandaram eu me afastar dela e até disseram que eu não iria a escola de magia. Eles sabiam de tudo isso e me esconderam a vida inteira, eu fiquei com tanto ódio que subi a escada e me tranquei em meu quarto. Quando estava no meu quarto eu abri a janela e em questão de segundos o Estorcas entrou e viu que eu estava furioso e me disse:
        - O que aconteceu? Por que está furioso?
         Então eu lhe respondi:
        - Estorcas o meu tio e minha tia sabiam de tudo e me esconderam a vida inteira, aposto que eles também sabem de meus pais.
         Estorcas falou pra mim que eu deveria perguntar sobre meus pais e sobre tudo que eu tinha direito de saber. Então baixei a escada quase chorando e fui falar com eles que estavam na sala, quando eu cheguei disse:
        - Eu mereço saber a verdade sobre meus pais.
         Eles me contaram que os meu pais queriam que eu tivesse uma vida normal, pois seria muito perigoso para mim, ou talvez para outras pessoas pois eu sou um feiticeiro híbrido. Então pedi para eles me explicarem melhor essa história de feiticeiro híbrido, então minha tia disse:
        - Vou começar a contar para você como surgiu os feiticeiros, existem dois tipos que são os do "bem" e os do "mal". Os do "bem" surgiram com uma cruza de um anjo com uma humana, em vez de estarmos chamando eles de feiticeiro do "bem", usamos o termo feiticeiros angelicais. Os feiticeiros do "mal" surgiram de uma cruza de um demônio com uma humana e para eles usamos o termo feiticeiros demoníacos. Aí o primeiro feiticeiro angelical criou as poções, os feitiços, livros e etc. O primeiro feiticeiro demoníaco criou rituais, livros mais obscuros, necromancia e etc. 
         Então eu perguntei:
        - O feiticeiro angelical pegou uma mulher que teve filho aí os filhos tiveram outros filhos até chegarem na gente?
         Então meu tio Ben respondeu:
        - Isso mesmo, mas eu e sua tia não somos que nem você, a sua mãe é irmã da sua tia por parte de mãe, já de pai não. Sua mãe Natasha era uma feiticeira demoníaca mas não era do mal, ela se casou com Edward que era um feiticeiro angelical e eles geraram você que é uma nova espécie.
        - Mas por que eles foram embora tio?
         Tio Ben falou que era para o meu bem que eles foram embora, se a sociedade dos feiticeiros angelicais e demoníacos vissem eles juntos, talvez matariam eles pois é proibido a união dos feiticeiros demoníacos com os feiticeiros angelicais. Então eu lhe perguntei:
        - Eles estão vivos? E estão seguros?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim, estão seguros pois são muito espertos e eles combinavam seus poderes e faziam coisas incríveis, acredito que eles estão em algum lugar muito longe, onde os feiticeiros não podem alcançar eles. Acredito que um dia talvez eles voltem.
         Perguntei pra eles se eu poderia ir na escola de magia e eles disseram que é muito perigoso mas depois de muita conversa eles deixaram com uma condição. Que era que eu não poderia falar que era um feiticeiro híbrido, só falaria que era um feiticeiro angelical. Concordei com essas condições e falei:
        - Tem uma escola para os feiticeiros demoníacos?
         Tio Ben respondeu:
        - Sim mas esta escola você não vai participar pois ela não é muito recomendável por causa de seus métodos de ensino. 
         Concordei com o que ele disse e perguntei para minha tinha Ilda:
        - Tia você falou que os feiticeiros demoníacos criaram os rituais e a necromancia certo? Os feiticeiros angelicais podem realizar rituais e fazer coisa com a necromancia?
         Tia Ilda respondeu:
        - Sim, eles podem mas tem coisas que só a magia demoníaca faz e coisas que só a angelical faz. 
         Fiquei curioso com o ritual que Sabrina fez e a necromancia que ela usou para trazer seu gato de volta. Então perguntei:
        - Tia, feiticeiros angelicais podem usar a necromancia para trazer um familiar de volta a vida e pode realizar ritual de invocação de familiar?
         Ela me respondeu que isso são coisa "simples" para feiticeiros seja ele angelical ou demoníaco. Que são meio que nível básico mas já trazer pessoas a vida é bem mais complicado e evocar demônios também já é mais difícil também. A evocação de demônios são mais os feiticeiros demoníaco que conseguem fazer, foi o que disse tia Ilda.
         Chamei Estorcas para eu apresentar ele a minha tia e meu tio. Quando tia Ilda viu ele ficou feliz por ser um corvo pois a de sua irmã que é minha mãe também tinha um corvo de familiar. Finalmente depois de toda a conversa e a apresentação de Estorcas fomos jantar, comemos de janta o que tinha sobrado no almoço pois já eram 21:27 horas. Depois que comi fui escovar os dentes e peguei no sótão uma gaiola para o Estorcas mas ele não quis por causa que ele se sente preso. Aí eu falei pra ele:
        - É só para você dormir, nem vou fechar ela.
         Estorcas então aceitou a gaiola só para dormir, ele falou para mim que amanhã teria que comprar alguma ração de pássaro pois ele precisava comer. Então eu lhe disse:
         - Ok, mas agora boa noite pois tenho que dormir.
         E esse foi meu dia super maluco, cheio de descobertas e segredos revelados. Quando estava dormindo tive um sonho, nesse sonho eu tinha 7 anos e estava no balanço e tinha um homem me balançando e lembro dele dizer:
        - Ryan um dia voltaremos, desculpa por tudo.
         
         Aquele homem aparentava ser meu pai e esse sonho não parecia um sonho, estava mais para uma lembrança perdida. Quando acordei fiquei pensando nesse sonho enquanto escovava meus dentes. Fui olhar que horas eram, eram 7:34, faltava 16 minutos para bater o sinal da escola. Então em seis minutos coloquei minha roupa, arrumei meu cabelo encaracolado, peguei a mochila e saí correndo para a escola. Eu demoro mais ou menos vinte minutos pra chegar na escola mas hoje consegui chegar em dez por causa que eu corri muito rápido. Cheguei bem na hora que tinha batido, entrei na sala e me sentei atrás da Sabrina e do lado do Henry, perguntei de que animal Henry tirou a foto, então ele me mostrou uma linda foto de uma coruja rara.
         A nossa aula de ciências seria no segundo período. Enquanto isso nós tinha aula de português com o professor Guilherme, ele tinha cara de personagem de novela mexicana. As aulas do Guilherme eram bem legais pois ele era super engraçado contando piadas mas apesar das piadas que ele nos contava, ele nos ensinava muito bem o conteúdo e suas provas eram difíceis um pouco mas não eram nenhum bicho de sete cabeças. Depois da aula bem produtiva do professor Guilherme, tivemos a aula que eu estava tanto esperando que era a de ciências para eu entregar a foto da borboleta que eu e Sabrina havíamos tirado. Nossa foto ganhou nota 100 e a do Henry 90 pois a foto dele estava um pouco borrada mas estava boa. A professora nos deu outro trabalho que era pesquisar sobre o animal que a gente tinha tirado  a foto. 
         Então a merendeira nos chamou para comermos, me sentei com Sabrina e sua amiga que tinha voltado de Nova York, a outra ainda estava doente. Perguntei para a amiga de Sabrina que se chama Nathalia se seu pai estava bem e ela me respondeu:
        - Sim, graças a Sabrina que fez uma poção de cura que funcionou.
         Depois que ela disse isso, olhei para Sabrina e falei:
        - Você contou para ela sobre tudo?
         Então Sabrina respondeu:
        - Ela é que nem a gente, uma feiticeira angelical.
        Então  eu lhe disse:
        - Há, tá! Você contou sobre nós estarmos namorando?
         Sabrina fez um sinal positivo com a cabeça enquanto mastigava uma maçã. Nathalia de brinquedo nos pergunta:
        - Eae, quando vai ser o casamento?
         Eu e Sabrina damos uma risadinha e falamos que nós não sabia, mas que pretendemos nos casar um dia. Perguntei a Sabrina se exite casamento bruxo ou algo assim, ela me respondeu:
        - Mais ou menos, a gente pode assinar um livro pra mostrar que estamos compromissados ou algo assim.
         Depois da merenda voltamos para aula de ciência, quando chegou seu fim chegou o recreio e depois do recreio tivemos aula de educação física, eu e Henry notemos que uma garota que havia entrado na escola um mês e meio atrás se movia muito rápido, ela só faltava correr em quatro patas para deixar na cara que era uma lobisomem. Seu nome era Jéssica Freitas, falei para Henry se aproxima dela pra ver se ele descobria algo. Ele se aproximou dela e disse:
        - Oi tudo bem? Você gostaria de comer um lanche um dia comigo?
        Eu falei para Henry se aproximar dela, não para marcar um encontro com ela. Eu não acreditei quando ela disse que gostaria de comer um lanche com o Henry. Então Henry falou para ela:
        - Pode ser hoje de tarde as duas horas na lanchonete do Jimmy?
         Jéssica fez sim com a cabeça, então deixei os dois as sós e fui falar com a Sabrina e sua amiga, contei toda a história para as duas do lobisomem e convidei Sabrina para nós irmos no mesmo lugar que Henry só para investigar melhor ela. Sabrina aceitou com uma condição, a condição era que eu comprasse  lanches para a gente, por sorte eu tinha 35 reais guardados em casa para nós comprarmos os lanches. 
         Depois da aula de física tivemos aula de geografia, falamos sobre mapas, relembremos alguns conceitos, depois disso fomos para casa eu e Henry, Sabrina foi com sua amiga que mora na frente de sua casa. 
         Depois que cheguei em casa comi o delicioso estrogonofe que minha tia tinha feito e fui para meu quarto, quando cheguei no meu quarto joguei a ração pássaro que havia comprado em cima da cama e falei:
        - Toma aí sua ração Estorcas, hoje eu e Sabrina sairemos para uma lanchonete para investigar a Jéssica que estará com o Henry.
         Então Estorcas me perguntou porque eu investigaria a Jéssica, então eu lhe expliquei a história do lobisomem. Já eram 13:20, então fui me arrumar para o "encontro", coloquei minha melhor calça e um camiseta preta, por cima da camiseta coloquei um sobretudo preto pois estava fazendo muito frio naquela tarde. Depois de ter me arrumado coloquei a ração num pote para Estorcas e lhe deixei um pote com água também.
         Quando cheguei na lanchonete do Jimmy, Henry já estava com Jéssica conversando, mas Sabrina não havia chegado ainda, escolhi uma mesa longe deles e me sentei para esperar Sabrina. Alguns minutos depois, chegou Sabrina com seu cabelo loiro solto, e com um lindo casaco cumprido e vermelho. Ela sentou na mesa que eu estava e me disse:
        - Ta parecendo um detetive com esse sobretudo mas um detive muito gato.
         Eu sorri e disse:
        - Você esta linda com esse casaco vermelho, acho que vermelho combina com você.
         O garçom chegou na gente então pedi dois xis salada de 12 reais e um refrigerante de dois litros de 5 reais. Enquanto preparam os xis, eu e Sabrina conversamos sobre os livros de magia que ela iria conseguir para mim. Enquanto conversamos deu pra ver Henry sorrindo e conversando com Jéssica sobre a escola, edução física, professores favoritos e dentre outras coisas. Depois que eles comeram, saíram andando pela praça conversando enquanto eu e Sabrina estava terminando de comer o lanche e tomar o refri. Sabrina acabou não comendo todo o lanche e nem eu também pois tinha comido bastante no almoço então a gente deu para um mendigo junto com um pouco de refri que tinha sobrado.
         Eu e Sabrina estávamos seguindo Henry e Jéssica, depois deles andarem um pouco, eles sentaram num banco e se beijaram, olhei para a Sabrina e disse:
        - Já no primeiro encontro hahaha
         Nos dois demos risada e ela falou:
        - Era o que eu queria fazer com você a primeira vez que a gente começou a conversar.
         Olhei para ela e a beijei e falei:
        - Bora sentar num banco também.
         Ela falou bora, então sentamos num banco, peguei um ferro que estava no chão e escrevi no banco: S+R. Depois disso olhei para trás de nós, e vi uma barraquinha que vendia coisas de pelúcia, então falei para Sabrina:
        - Espere aí, já volto
         Cheguei na barraca e comprei um ursinho com os 6 reais que havia me sobrado. O ursinho assegurava um coração que dizia te amo, levei o ursinho pra ela e falei:
        - Toma uma lembrancinha desse dia que era pra ser uma investigação mas virou um encontro incrível, eu te amo Sabrina Spellman.
         Ela me olhou sorrindo e falou:
        - Eu também te amo Ryan Lewis
         Então a beijei, quando fomos olhar para o Henry, vimos que ele já tinha ido embora com Jéssica. Então eu levei Sabrina para casa dela, dei um beijo de despedida e fui para minha casa. Quando fui para casa, Henry estava na frente da minha casa com mordidas no pescoço. Olhei pra ele e falei:
        - O que aconteceu, foi a Jéssica?
         Ele me respondeu:
        - Não foi ela, foi um homem que saiu da floresta Negra mas eu não estava nela estava só cruzando enquanto voltava para casa, esse homem esta encapuzado e seus olhos eram vermelhos.
         Olhei para ele com uma expressão séria e falei:
        - Já não bastava lobisomens, agora vampiros e provavelmente você vai virar um vampiro se não acharmos uma cura ou algo assim.
         Henry me perguntou como iriamos achar uma cura, então lhe respondi:
        - Henry eu sou um feiticeiro híbrido, posso ter acesso as magias do mal e as do bem.
         Henry não tinha entendido nenhuma palavra do que eu tinha dito, então acabei contando e explicando tudo para ele e ele entendeu.
         Falei para Henry:
        - Vai para casa, amanhã a gente fala com a Sabrina e ela poderá ajudar a gente.
         Então Henry foi para casa e eu para minha, quando cheguei na minha casa, minha tia perguntou:
        - Como foi o encontro?
         Então eu olhei com uma cara de dúvida e disse:
        - Como sabe que foi um encontro?
         Tia Ilda me olhou rindo e falou:
        - Eu não nasci ontem, você estava muito arrumado, perfumado e você esta com uma marca de batom na boca.
         Então eu ri e lhe perguntei:
        - Que horas são tia?
        -São 18:20 - respondeu tinha Ilda
       
         Então depois dela falar o horário, olhei para ela e perguntei:
        - E o tio Ben, onde ele está?
        - No mercado, fazendo umas compras - disse Tia Ilda
         Olhei para ela com cara de preocupado e falei:
        - Ele foi direto do emprego de carro?
         Tia Ilda disse que sim, eu estava muito preocupado depois de tudo isso que descobri sobre vampiros, lobisomens, feiticeiros e etc. 
         Subi para meu quarto, coloquei mais ração para o Estorcas e lhe disse:
        - Tio Ben não voltou ainda, você não acha isso estranho Estorcas?
        - Acho isso um pouco estranho, que tal você fazer um feitiço de localização para ver se esta tudo bem. - disse Estorcas um pouco preocupado.
        Então perguntei se ele sabia esse feitiço, ele me disse que é o básico que um familiar deve saber para ajudar seus mestres. Então Estorcas disse:
        - Para fazer este feitiço é preciso daquele mapa da cidade que esta guardado em cima de seu roupeiro, precisaremos de um cabelo do tio Ben e uma faca.
         
        Reuni todos os itens, coloquei o mapa em cima da minha cama, o cabelo branco do tio Ben que peguei do travesseiro dele deixei em cima do mapa junto com a faca. Então perguntei para o Estorcas o que preciso fazer agora e ele respondeu:
        - Agora você corta sua mão , passa o cabelo no sangue e faça cair um pingo no mapa e esse pingo irá mostra onde esta o Tio Ben, mas não esqueça de recitar as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis depois que derramar a gota de sangue no mapa.
         Então peguei a faca fiz um corte na minha mão e passei o cabelo de tio Ben no sangue, logo em seguida fiz cair um pingo de sangue no cabelo e recitei as palavras encontrare pasato sumito Ben Lewis. A gota de sangue andou até a floresta Negra no mapa, olhei para Estorcas e falei;
        - Não é possível, o que ele estaria fazendo aí essa hora? Tia Ilda disse que ele estava no mercado fazendo compras.
         Já eram 18: 45 e ele não havia chegado ainda, peguei meu casaco escuro e saí correndo junto ao Estorcas que me acompanhava voando pelos céus mas antes é claro que avisei tia Ilda que tinha ido na casa do Henry para ela não ficar preocupada. No caminho para floresta Negra eu vi que Henry estava na casa de Jéssica mas mesmo assim não parei de ir até a floresta. 
         Quando cheguei já era tarde, tio Ben estava morto e pendurado numa árvore, nessa árvore estava escrito: fique longe das escolas de magia ou mais gente irá morrer. Comecei a chorar de joelhos no chão enquanto Estorcas falava que sentia muito.
        Voltei para casa, quando cheguei nela eram 19:20. Abracei tia Ilda e comecei a chorar de novo, disse a ela:
        - Eu sinto muito, não deveria me envolver com magia. Se eu ir para alguma escola de magia eles iram matar mais gente que eu amo tia.
         Tia notou que era o tio Ben que havia morrido ou melhor falando, seu marido que ela amava e estava a casada a mais de 20 anos. Ela me olhou e falou:
        - Meu filho, você vai para escola de magia e vai apreender o feitiço mais forte para matar esse desgraçado.
         - Mas e você tia? E se ele fazer mal a você?
         - Eu não quero saber, prometa pra mim que vai matar ele Ryan, por favor prometa pra mim.
        - Eu prometo tia - respondi eu com uma expressão que eu não sei explicar, fazendo a maior promessa que já fiz na minha vida.
         Então fomos jantar, para não deixar tia Ilda sozinha, eu peguei meu colchão e coloquei do lado de sua cama. 
  • Duas asas pra te proteger

    A internet deu vez e voz a diversos artistas independentes. Possibilitou a todos eles divulgarem suas obras e distribui-las a um público que só tende a crescer. Dentre essa vertente de cultura de massa nos meios digitais estão os webtoons. Além de estarem disponíveis em plataformas digitais, esses quadrinhos acabaram por desenvolver um estilo narrativo próprio, mais objetivo e com diagramação diferenciada.
              Quando o mangaká alagoinhense Antonio Alan me indicou a obra Guardiões possuem asas, webtoon roteirizado e ilustrado por ele, tive oportunidade de acompanhar uma história divertida e cheia de potencial. O autor utilizou a temática da angeologia, algo que ele já tinha usado em seu primeiro título, o mangá Knights of God: Sacred Armors, um B-shonen inspirado em Cavaleiros do Zodíaco. Foi usado como TCC!
              A história foca em Darlan, um homem de 30 anos que sente um amor platônico pela sua amiga Sueli. Depois comemorarem seu aniversário, ela o convida a sua residência para maratonar séries. Infelizmente, depois de voltar para casa, o protagonista acaba sendo assassinado pela coisa mais assustadora atualmente em nossa sociedade: dois malucos de moto num beco tarde da noite.
              Resultado: Darlan toma um tirambaço nas caixas dos peitos e vai pro beleléu. Depois de acordar, ele descobre estar numa dimensão espiritual. Não mais como um humano, ou alma penada. Darlan é o mais novo anjo aprendiz, de nível 500. Mas não pense que isso é algo positivo, pois a hierarquia de poder é decrescente. Depois de uma leve introdução, o novo anjo irá descobrir seus poderes e limitações.
              Como eu já conheço o autor, considero esse trabalho cheio de potencial. Humor na medida certa. Personagens cativantes e com personalidade. Provavelmente o autor irá optar por seguir uma linha mais b-shonen com anjos e demônios, mas talvez esses embates não sejam tão diretos. Pode haver uma batalha de influência também. É difícil dizer muito, o autor ainda só publicou dois capítulos e um prólogo.
              A colorização, personagens com outras etnias e identidades sexuais são um ponto importante. O que me incomodou, não a ponto de me fazer largar a leitura, foram alguns erros de revisão. Do ponto de vista do roteiro, acho que o excesso de explicação e as reações do protagonista. Não achei a reação do Darlan crível. A arte precisa melhorar na proporção e torção, além de perspectivas. Se isso impede a leitura e a diversão: não! Se você não ler essa obra, só você tem a perder.
  • É errado te amar?

    07:45 A.M

    Ethan se sobressaltou quando o despertador tocou, ele não estava mais dormindo, mas só de pensar no que lhe esperava dava preguiça de levantar. O quarto estava escuro apesar de já ser de manhã, talvez o fato do tempo lá fora estar horrivelmente nublado tivesse alguma parcela de culpa.

    O garoto suspirou exasperado já se lembrando do que lhe aguardava. Naquela manhã nublada e fria seria seu primeiro dia em um novo colégio; mais um para a sua longa lista de colégios ridiculamente caros, com pessoas idiotas e esnobes que pensavam que eram melhores que as outras por terem tido a sorte de nascer em uma família rica, e aquilo, na opinião de Ethan, não era motivo para se gabar, afinal qual era a grande coisa de poder dizer que vinha de uma família com status? Do que adiantava ter tanto dinheiro, mas não ver a cara de seu pai por um mês inteiro por causa do trabalho dele? Ou mesmo poder comprar tudo o que queria e não poder dar a quem queria? Quando se era rico assim, não se podia sequer confiar nas pessoas, o que resultava em uma triste e solitária vida e aquilo era algo que Ethan não queria para si.

    Ele se forçou a sair da cama, que era grande demais para apenas uma pessoa, e jogou os lençóis de lado se sentindo exausto, arrastou-se até o banheiro e se encarou no espelho, mas imediatamente se arrependeu de tê-lo feito. Na verdade se arrependia de ter feito o que fizera na noite passada.

    Apenas para fazer raiva a seu pai, que nunca estava em casa, mas quando chegava queria mandar em sua vida, saiu passando a noite quase toda fora, havia chegado há apenas três horas e dormindo mais ou menos uma hora e meia. Seus cabelos estavam uma bagunça, sua roupa extremamente amassada, com marcas de batom e cheiro de perfume caro que as garotas tinham deixado nele. Pôs as mãos nos olhos e massageou as pálpebras doídas com a ponta dos dedos, suspirando ainda mais exasperado que antes, parecia que recentemente tudo o que ele fazia era suspirar, não importava o quão bom tinha sido sua diversão, logo após ele continuava se sentindo vazio.

    Depois de ter certeza de que não tinha mais jeito, Ethan se despiu e ligou o chuveiro; não usou a banheira, pois se o fizesse não sairia dali tão cedo e acabaria perdendo o dia de aula. A água quentinha lhe escorria dos cabelos aos ombros e em seguida para todo o corpo, aquilo lhe acordou um pouco e depois de apenas alguns poucos minutos em baixo da água, teve que sair; fechou os olhos e ergueu a cabeça passando uma toalha por seus quadris. Estava mais magro que antes, agora sentia seus ossos pélvicos mais salientes e talvez fosse todo o estresse que vinha passando.

    O garoto realmente queria evitar se encontrar com o pai quando estivesse saindo, o que era pouco provável, já que ele estava trabalhando em casa aquele mês e essa era noventa por cento da razão de seus problemas.

    Ethan pegou a primeira roupa que achou e vestiu, não estava com disposição e nem via motivos para se preocupar com a aparência, e também não se interessava muito por moda, mas a roupa até que lhe caiu bem, na medida do possível. Sua calça jeans preta não chamava atenção, mas contrastava com a blusa branca de algodão estilo moletom, porém o casaco preto que havia posto por cima a encobria parcialmente e além de lhe proteger daquele frio ridículo que fazia, ainda lhe ajudava com a sua "camuflagem", finalizando com uma bota marrom e a mochila também preta, que norma da escola. Ele arrumou os cabelos, ou pelo menos tentou deixá-los meio normais, já que eles achavam que tinham sua própria vida e continuavam saindo e voando pra onde queriam, então desceu as largas escadas que davam para a sala de visitas e de jantar com cautela para, infelizmente, ver que seus pais já estavam tomando café da manhã ali.

    Ethan ainda não tinha se acostumado àquele local, só fazia uma semana que haviam se mudado e era tudo muito novo; não que a casa não fosse tão extravagante como a antiga, mas o ambiente era diferente. Ele respirou fundo tentando juntar coragem e força de vontade para tentar pelo menos ter um diálogo decente com seu pai, um que não acabasse nele saindo furioso enquanto o outro lhe chamava de inútil, entrou no cômodo indiferente, como se não houvesse aprontado nada na noite passada e também como se seu pai não existisse ali.

    — Bom dia mãe. — se aproximou lhe dando um beijo na bochecha — Acho que estou meio em cima da hora, então estou indo; até sexta.

    Um fato bom sobre o novo colégio era que havia dormitórios e os alunos podiam optar por passar o período de aulas lá e voltar para casa apenas no final da semana. Ethan estava mais do que grato por isso e muito ansioso para sair logo daquela casa.

    — Ethan... — ele congelou no lugar e girou sobre seus calcanhares roboticamente para olhar para seu pai, que estava com a mesma expressão entediada de sempre — espere um minuto, eu irei lhe deixar.

    — Hã... não precisa, não, mas valeu mesmo. — ele aproveitou para fazer uma careta, já que o homem estava ocupado demais olhando para o celular.

    — Eu não estou perguntando, estou avisando. Agora se sente e coma.

    — Por quê?! — Ethan piscou algumas vezes encarando o pai sem realmente entender o porquê daquilo — Porque perder seu tempo me levando?! E não venha me dizer que é por você estar "preocupado" comigo, pois eu sei que não é.

    — Nada em especial. — seu pai falou, finalmente desgrudando os olhos da tela do aparelho e lhe encarando — Apenas preciso falar com a Diretora Solar, explicar o motivo de você estar se matriculando tão tarde, no meio do ano letivo.

    — Eu posso falar com ela sozinho, não precisa gastar seu "precioso tempo" comigo. — Ethan falou aquilo fazendo com que, sem querer, saísse com mais veneno do que o esperado; seu pai levantou da cadeira e estreitou os olhos fazendo sua boca secar.

    — Eu já decidi que vou com você e ponto final, goste você ou não. Não é como se eu quisesse ir também, então quanto mais rápido formos, mais rápido isso acaba para nós dois, hum?! Não insista em dificultar a minha vida.

    — Edmund, Isso é jeito de falar com seu filho? — sua mãe encarava seu pai com um olhar severo, mas ele apenas a ignorou.

    — Bom... — Ethan sabia que não devia começar uma briga com seu pai porque sempre sairia perdendo, mas seu orgulho não lhe deixava engolir as palavras do outro — Dificultar sua vida é a única coisa que tem de legal para fazer na minha vida monótona e rotineira. Dificultar a sua vida é a melhor coisa que eu tenho pra fazer, e cá entre nós, se a sua vida fosse perfeita em casa também, enquanto todo o resto funciona perfeitamente, não seria muito justo com as pessoas que vivem de forma infeliz, certo?! Só estou tentando manter o equilíbrio.

    — Chega, os dois, comam comportadamente e em silêncio ou saiam.

    Ethan abriu a boca para falar, mas ao olhar para a expressão facial de sua mãe, sabia que a tinha magoado, então resolveu parar por ali; mesmo sabendo que a situação não era nada justa, resolveu não falar mais nada, afinal não ia adiantar muita coisa, talvez só servisse pra deixar o velho ainda mais irritado. Eles seguiram para o tráfego sem terminar o café, o clima estava realmente tenso no carro, sua mãe tinha permanecido em casa e estava apenas os dois juntos, o que nunca acabava bem.

    — E então, sobre ontem à noite...

    — Não quero falar sobre isso.

    — Mas eu sim. — a voz do homem voz soava calma — Não peço que você pare de sair e curtir, Ethan, afinal ainda é jovem, mas pelo menos evite fazer este tipo de "show". Já se esqueceu da última vez?!

    — "Esse tipo de show"? Se estiver preocupado que eu vá ser pego em alguma calçada por aí, drogado e desmaiado, não se preocupe...

    — Não é nada disso que você está pensando, e que história é essa de "drogado"?! Está usando drogas agora?! Você tem merda na cabeça ou é apenas muito idiota?! Pense na sua mãe, ela estava muito preocupada. — por um momento ele soou como se realmente se importasse, mas com certeza era apenas impressão — Nunca lhe impedi de fazer o que queria, você sempre sai para onde quer, leva quem quer pra casa e eu nunca cortei a sua mesada, na verdade lhe dou mais do que você merece. Se não gosta de mim, não posso fazer nada sobre isso, nem sei quais são os seus motivos, mas não haja como um idiota apenas para me afetar, pois a única pessoa que você fere é a sua mãe e ela não merece esse tipo de comportamento de você.

    — Você fala como se se importasse com nós.

    — Ela é minha esposa, é claro que eu me importo.

    — E essa atuação faz parte do seu personagem de "homem perfeito" ou está apenas tentando me irritar?

    — O quê...? Ouça, seu garoto ingrato...

    Ethan revirou os olhos e pôs seus fones de ouvido no volume máximo, não queria ouvir mais as mentiras daquele homem, não o conhecia mais e estava cansado de ser tratado como um idiota por todos. Ele só estava fazendo aquilo para puní-lo, Ethan sabia muito bem disso, sabia também exatamente o que ele queria dizer com "conversar com a diretora Solar". Ia explicar a mulher o quanto ele podia ferrar com a vida dela e com a escola caso alguma coisa acontecesse e vazasse, fazendo a mídia se envolver. Ia ser uma conversa mais ou menos assim:"Olha aqui, se esse garoto aprontar alguma coisa e aparecer qualquer que seja o comentário na mídia, eu acabo com vocês".

    Da última vez, quando a mídia se envolveu, ele tinha que admitir que as coisas ficaram feias para sua família por um tempo, mas afinal como ele ia saber que o simples fato de acender um cigarro na escola ia se transformar em uma notícia como aquela?

    "O adolescente, mais conhecido como Ethan Fitzgerald — filho do milionário Edmund Fitzgerald e da renomada escritora de best-sellers, Dakota Fitzgerald — foi pego em flagrante usando drogas ilícitas na escola, o garoto descrito pelos colegas como problemático já foi pego praticando coisas semelhantes em suas escolas anteriores, escolas as quais o mesmo foi expulso. Brigas, vandalismo, posse de drogas e instrumentos que poderiam ser usados como armas são apenas algumas das acusações em seu longo histórico de feitos vândalos. Apesar de tais fatos nunca terem sido confirmados, o simples fato de terem surgido não servem como prova de tais atos?! Porém as perguntas que não querem calar são: Será que o garoto é um viciado? Porque seus pais nunca mencionaram que seu único filho sofria de transtornos psicológicos...?"

    E assim ele ficou conhecido como "um lunático violento e viciado em drogas que envergonhava o nome da família". Por isso seu pai perdera muitos contratos com grandes empresas sócias e muito de seu crédito e fama na cidade onde moravam, e por esse mesmo motivo tinham se mudado para uma nova cidade, onde seu pai conseguira bons contatos e assim, sócios para fechar negócios.

    Ethan estava tão perdido em pensamentos que nem se deu conta que seu pai estava dirigindo em uma estrada de terra com grama morta dos lados, a estrada parecia infinita; ele não lembrava ao certo quando tinham adentrado nela e não conseguia ver seu fim. A paisagem era quase mórbida com a grama amarelada dos lados e o céu cinza acima deles. Depois de mais alguns longos minutos com o carro sacudindo pela estrada maltrapilha, ele finalmente avistou uma enorme construção ao longe. Quando o homem lhe dissera que era "grande" ele não imaginou aquilo tudo; o colégio parecia mais como o campus de uma faculdade.

    Ao chegarem, seu pai entrou em um grande estacionamento de piso lustroso e lâmpadas amareladas no teto até onde se conseguia ver, o que particularmente ele achou um tanto sem nexo, afinal era só um estacionamento. Quando finalmente estacionaram, ele saiu do carro o mais rápido possível, já era humilhante o suficiente ter ido até ali com seu pai de imagem perfeita, não era preciso que soubessem que ele era seu filho, não queria má fama assim que chegasse, então começou a caminhar rapidamente sem ter certeza de para onde estava indo; apenas seguiu a claridade natural que vinha do grande portão por onde haviam entrado.

    — Ethan, onde você está indo? — perguntou o homem erguendo uma sobrancelha perfeitamente delineada, caminhando na direção contrária.

    — Para a minha aula, não é óbvio?

    — Seria falta de educação eu ir falar com a Sra. Solar e não levá-lo comigo para que se conheçam. — disse ele com um sorrisinho que Ethan havia aprendido a odiar e temer — Você irá até lá comigo.

    — Porque eu preciso fazer isso?! — ele suspirou exasperado pela terceira vez em apenas uma manhã, estava começando a se alterar — Você está fazendo isso como uma forma de punição?!

    — Punição? E porque eu faria isso? Porque você acha que merece ser punido, Ethan?

    — Por causa da... notícia?! E... pela noite passada, talvez?!

    — Nós já conversamos sobre aquela notícia e tenho certeza que você se lembra muito bem. — ah e como Ethan se lembrava, o que ele não conseguia fazer, era esquecer — E quanto à noite passada, quando tentei falar com você no carro, você me ignorou, e não falaremos sobre isso aqui, não é o lugar adequado, mas conversaremos uma outra hora. Não pense que eu me esquecerei disso. — os olhos de seu pai faiscaram ameaçadoramente.

    — Então me deixa ir para a minha sala, vai. Ninguém precisa saber que você é meu pai; nós dois saímos ganhando, você mesmo disse que não queria fazer isso.

    — Já chega, Ethan, você vai lá comigo e pronto.

    — Porque você sempre faz isso?! É só para me ver assim, chateado?! Você gosta tanto de abrir ainda mais o espaço gigantesco que existe entre nós?!

    — Você não consegue pensar que eu faço alguma coisa por você, porque eu sou seu pai e me preocupo com a sua vida?! — o homem pareceu sério — Mesmo assim quem aparentemente gosta de aumentar mais ainda o espaço entre nós é você, fazendo de tudo para me envergonhar. Hunf, custa tanto assim fazer algo que eu peço uma vez na sua vida?

    — Sempre a mesma coisa... Só se preocupa com esse seu nome de merda. Desculpe, mas não acho que você saiba o que é amar, respeitar ou se preocupar com mais alguém que não seja você mesmo. — por um momento a sombra de uma expressão que parecia mágoa passou pelo rosto de seu pai, mas logo ele se recompôs parecendo mais chateado que antes.

    — Ótimo, agora que você entendeu a sua situação, podemos ir?!

    — O quê? — Ethan não estava acreditando naquilo.

    — Você vem sozinho ou quer que eu vá até aí e lhe carregue até a sala da diretora, Ethan?

    — Você não se atreveria.

    — Mas não foi você mesmo que disse que eu não sei o que significa "respeitar ou se preocupar com alguém a não ser eu mesmo"?! Essa situação só favorece a mim, não é mesmo?! Não é sábio da sua parte duvidar de mim.

    Seu pai, que já havia caminhado alguns metros — Ethan havia parado no lugar, perplexo — parou e lhe olhou com aquele sorriso que sequer chegava a mexer em seus gelados olhos, aquele sorriso que Ethan conhecia tão bem, porque era exatamente o mesmo que um dia ele amou e admirou, infelizmente. Se ele tinha achado humilhante ir até o colégio com seu pai, imagina então ter que entrar sendo carregado por ele. Odiava aquele fato, mas infelizmente eles se pareciam bastante um com o outro, claro que não do jeito que ele gostaria que fosse, afinal se pudesse escolher alguma coisa do homem, talvez escolhesse a altura e os músculos.

    Seu pai era o tipo de todo mundo, o tipo "bonito e rico de morrer".

    Era bastante alto, com 1,92 de altura, pele pálida, olhos azuis-turquesa e tinha os cabelos, que era a principal atração. Cabelos ruivos com tons variados do vinho ao laranja, cortados curtos e muito bem arrumados para não ficar nem um único fio fora do lugar. Os fios escuros se misturavam com os mais claros e quando ele andava pareciam às chamas de uma vela dançando de acordo com o vento; era hipnotizante olhar para Edmund Fitzgerald, com seus olhos gelados e seus cabelos quentes. Seu sorriso era frio e indiferente assim como o olhar e mostrava dentes brancos e alinhados, contrastando com o cavanhaque perfeitamente feito e nem uma única imperfeição na pele. Para completar a sua imagem de "deus", um terno caro e bem alinhado acompanhava sua postura perfeita, ele parecia ter nascido para aquilo; era intimidador olhá-lo... As pessoas queriam ser ele ou queriam ser dele.

    Na sua frente Ethan parecia um experimento que não havia dado certo. Ao invés da altura ou dos músculos, ele herdara apenas os pontos fracos do pai; pelo menos nele eram pontos fracos. Era uma versão meio destrambelhada do outro, uma espécie de rascunho.

    Enquanto seu pai era alto e com a postura perfeita, Ethan era baixo para a média da sua idade, apenas 1,68 de altura, e não se importava muito com a postura ou com as roupas. Tinha o cabelo ruivo também, mas o pintava e por isso era bem mais escuro que os do pai e bem maior também. Enquanto o do homem era cortado curto, com apenas um pequeno topete, o seu era comprido, chegando quase até os ombros; os tons dos fios dos de seu pai eram mais para vermelho e laranja enquanto os seus ficavam mais para o vinho e o castanho por conta da tinta, só dava para notar que era vermelho se estivesse no sol ou em um lugar bem iluminado que desse para ver o reflexo, mas com a mudança e tudo o que havia acontecido, a bendita tinta estava saindo e ele não tinha tornado a pintá-lo, o que era estranho, já que a raiz era vermelho-alaranjado e as pontas castanho-acobreado.

    Seus dentes também eram muito brancos e alinhados, o que lhe deixava bem chateado; a pele também era tão pálida quanto à de seu pai, quase como um zumbi, porém não era tão imaculada assim, afinal ele tinha vários machucados antigos e cicatrizes de brigas passadas, as quais ele sempre se metia. Por outro lado, Ethan também se parecia um pouco com sua mãe, como por exemplo, a estatura baixa e magra, a aparência frágil e élfica quase feminina, de características pequenas; rosto pontudo, nariz arrebitado, que passava certo ar de superioridade, e olhos cinza tempestade.

    Ele sempre sofrera com o fato de ter a aparência frágil demais, lembrava que em seu último colégio fora perseguido até o último dia de aula por um de seus colegas de classe; o maldito não lhe deixara em paz um único dia por causa de sua aparência e tornou sua vida escolar um inferno. Sempre batia nas mesmas teclas, perguntando se ele tinha mesmo "alguma coisa" entre as pernas ao invés de um "espaço vazio" como as meninas.

    No seu penúltimo ano do fundamental havia também quatro garotos que sempre o cercava fazendo piadas idiotas, no último dia, antes das férias do meio do ano, porém eles o arrastaram para um local afastado da escola enquanto ele caminhava em direção a seu carro; o líder do grupo disse que não acreditava que ele era um garoto, insinuou que ele era uma garota transvestida e isso o deixou espumando de raiva, ele bem que tentou lutar, mas os outros estavam em maior número e as coisas começaram a dar erradas tomando um curso diferente, lhe fazendo sentir medo de uma briga pela primeira vez na vida.

    O garoto que parecia comandar o grupinho de vândalos começou a lhe tocar em lugares estranhos e constrangedores enquanto os outros riam como idiotas, como se ele fosse, de fato, uma garota. Ethan teve que lutar muito e depois de ser molestado por todos quatro e ter sido espancado quase até desmaiar, por ter resistido, finalmente conseguiu fugir, não sabia como, mas conseguira voltar para as proximidades do colégio e seu tutor lhe achara tropeçando pelas ruas, o levara de volta para o carro e seguiu para a sua casa.

    Ethan estava em choque e completamente detonado; seu nariz estava quebrado, as costelas machucadas, cortes no rosto, sem seus tênis ou blusa da farda. Quando entrou em casa e sua mãe lhe viu, veio correndo ao seu encontro perguntando o que havia lhe acontecido, seu pai chegou logo depois, com um ar carrancudo e perguntando o que era todo aquele barulho e ao lhe encarar, sua expressão se transformou de raiva para nojo.

    — Olha só o que aconteceu com seu filho Edmund, isso não pode continuar. — mas a única coisa que ele fez foi olhar para Ethan com olhos gelados como um iceberg, bufar em desprezo e dizer simplesmente:

    — Se você não é homem o suficiente para ficar e brigar ou para se defender, pegue pelo menos o que restou da sua dignidade, se é que tem alguma, e vá a um hospital sozinho, sem precisar vir chorando para a sua mãe. — ele virou para sua esposa e continuou — Satisfeita Dakota? Olha só o que você fez, criou um covarde, um garoto que não serve para nada. O que ele fará quando você não estiver mais aqui? — dizendo isso ele se virou e voltou ao seu escritório.

    Sua mãe chamou o médico da família, que arrumou seu nariz e enfaixou suas costelas, Ethan não chorou na frente de seu pai ou dela, muito menos de seus agressores, mas no silêncio do seu quarto, enquanto tirava as ataduras para tomar um banho, sentiu a garganta apertar. Enquanto tomava banho e a água tocava seu rosto, ele sentiu as lágrimas descerem calmamente mornas, se misturando a água, sentou-se no chão, sozinho, no silêncio e só então chorou; não que se orgulhasse de demonstrar tamanha fraqueza, mas não conseguira segurar.

    Ficou observando seu sangue misturar-se a água e escorrer pelo ralo pelo que pareceram horas, quando finalmente saiu do banho e vestiu seu pijama, deitou na cama e abraçou o travesseiro, momentos mais tarde sua mãe bateu na porta e entrou sentando-se ao seu lado, botou um travesseiro no colo e ele deitou-se em suas pernas, ela disse que lhe contaria uma de suas histórias, exatamente como quando ele era criança.

    Ela lhe acariciava os cabelos enquanto suas lágrimas caíam mornas molhando o travesseiro, começou com a voz suave de sempre e Ethan fechou os olhos ouvindo aquela voz calma e meiga que era como bálsamo para sua alma; a história dizia o seguinte:

    "Há muito tempo atrás, existiu uma pequena aldeia a qual era lar de um garotinho, esse garoto era o mais menosprezado de todos por não ter altura ou porte físico, todos riam e zombavam dele pelas costas, até mesmo seus pais o desprezava por causa de sua aparência pequena e magra, o pobre garoto todas as noites chorava em silêncio, mas o que seus colegas não sabiam era que ele vinha de uma linhagem muito, muito antiga e rara. Uma família que tinha poderes sobrenaturais. Essa família era um clã, que por acaso era o clã que protegia a aldeia, mas quando o garotinho falou para seus amigos eles zombaram ainda mais dele. Porém, um dia inimigos invadiram a cidade e o garotinho magro o qual todos riam, se transformou em um enorme dragão negro, com olhos amarelos que paralisavam quem ousasse olhar, com asas tão grandes e fortes que jogava os inimigos do outro lado do mar, com um poder de fogo tão forte que com um único jato queimou todos os navios, os reduzindo a cinzas. Depois disso todos queriam ser amigos do garoto e ele viveu o resto de seus dias feliz, mas antes ele aprendeu que: Mesmo coisas pequenas podem se tornar grandiosas".


    Ethan no outro dia foi até o centro da cidade e fez uma tatuagem para lhe lembrar daquele dia. Ele gravou aquele dragão da história de sua mãe na sua pele, porque ele sabia que era como aquele garoto, aparentemente frágil e covarde para as pessoas, mas por dentro, tão forte quanto um dragão.

    ***

    Quando Ethan finalmente voltou ao presente, percebeu que já estavam caminhando em um corredor apinhado de alunos curiosos que sorriam ou faziam cara feia e cochichavam entre si, até que finalmente chegaram à porta aonde se podia ler "DIRETORIA" e entraram.

    A mulher que veio ao encontro deles era alta, por volta de seus trinta e poucos anos, com olhos e cabelos negros. Seu cabelo estava preso em um perfeito rabo-de-cavalo bem apertado no topo de sua cabeça, tinha cílios grandes e cheios e um estranho brilho nos olhos, que os fazia parecer estarem sempre arregalados; usava um terninho cinza, sapatos pretos de salto e um batom excessivamente vermelho. Ela lembrava a Ethan uma vilã ou uma bruxa má dos contos de fadas, só um pouco mais moderna, mas com as mesmas características marcantes que eram:

    1ª) as unhas e os lábios, 2ª) os olhos e 3ª) as sobrancelhas, que eram muito arqueadas. Ela estendeu uma mão pálida, com dedos longos e unhas vermelhas e pontudas, assim como os lábios.

    — Olá Sr. Fitzgerald, é um prazer receber você e seu... filho aqui. — ela lhe olhou de cima a baixo com desprezo nítido o suficiente para lhe fazer ficar desconcertado.

    — Sim, igualmente. Então, eu gostaria de lhe explicar a situação.

    Seu pai conversou com a diretora por bastante tempo e Ethan ficou observando-o flertar com ela; quando ela disse que estava faltando alguns documentos para a conclusão da matrícula ou quando tentou insinuar que Ethan não era qualificado para estudar na escola ou mesmo que já estavam na metade do ano letivo — já haviam passado até mesmo das férias de verão e Agosto já estava começando — ele sorriu e falou em como os olhos dela eram admiráveis e ela finalmente cedeu, e no final ainda lhe pediu seu número... Vê se pode?

    Depois de esperar por pelo menos meia hora, Ethan começou a se distrair novamente, ele lembrou que enquanto caminhava pelo corredor algo no meio daquela multidão de rostos tinha chamado sua atenção, não foi bem uma coisa que ele soubesse definir, pois estava muito perdido nos próprios pensamentos para ter prestado atenção, foi apenas uma impressão, como se a parte de seu subconsciente que estava funcionando tivesse prestado atenção por ele, era só uma vaga lembrança que começava a ficar nítida agora... A lembrança de um par de olhos incrivelmente dourados lhe seguindo tão intensamente, que chegou a tirar-lhe o fôlego.


    ~ C O N T I N U A ~

  • Elleanor - conto/ficção

    elleanor02
    natal
    A traição será Vingada!

    ano:2019
    gênero: Fantasia / ebook
    autor: Marcos dos Santos
  • Entre a Espada e o Espinho (Trecho do livro que estou escrevendo)

    A brasa ainda batia em sua face. A imagem da grande fogueira Bravrhera’na visitava seus sonhos. Naquela fria noite, deitou tão exausto da longa caçada que acabou esquecendo-se de apagar a pequena fogueira que fizera. O agudo som dos galhos estalando fez com que acordasse. Virou-se assustado percebendo o enorme cervo ali parado observando-o com temor. O homem tentou se levantar, mas a ferida em sua coxa o impedia dando grandes pontadas em seus nervos. Puxou seu arco, que estava preso ao elevado roble que encobria aquela grande área, mas o cervo, contudo, já estava a metros de distância.
    Bufou decepcionado.
    Fincou sua adaga no roble e com grande dificuldade levantou-se. A chuva havia cessado e a cintilante luz escarlate do sol começava a esquentar seu corpo. Pegou sua espada presa a bainha e a prendeu em seu sinto. Seu estomago reclamava, fazia alguns dias que não comia algo. O vento soprava forte pela manhã, bagunçando ainda mais seus negros cabelos ondulados que acompanhavam sua espessa barba, a qual estava manchada pelo sangue que escorrera durante a noite devido ao corte em seu supercílio. Deu alguns passos desajeitados, o pedaço de tecido que amarrou sobre a ferida de sua coxa para estancar o sangue estava suspenso e o sangue voltava a escorrer. A imagem da fogueira passou novamente em sua mente, dessa vez acompanhada por uma voz pacífica e suave. Assustado, amarrou o tecido fortemente, franzindo o cenho e rangendo os dentes de dor.
  • Entre Lobos - (conto-romance) 2/9

    principal
    NÃO SE SINTA PERDIDO(A) Leia o capítulo anterior! Tenha uma ótima leitura!

    28 de setembro 1939

                John estava dormindo quando acordou com o barulho da velha motocicleta de Derek estacionando em frente a sua casa. Nem se deu ao trabalho de saber que horas eram, de qualquer forma tinha a completa certeza de que era cedo de mais para estar despertando. Sonolento, sentou sobre a borda da cama por um breve tempo e depois deixou o quarto sem calçar seus chinelos. Ligou as luzes da cozinha e serviu uma doze de whisky que tomou em apenas um gole. Serviu-se novamente. A porta de entrada foi aberta.

    — Mas que droga é essa gora, Dek? – com sua voz rouca, soltou antes mesmo que seu filho pudesse dizer qualquer coisa. — O que deu em você?!

    — Não foi nada de mais! – o outro respondeu em seguida.

    — Nada de mais? – riu-se. — Olha só pra essa tua cara! Um belo estrago, não?! – reparou ainda.

    — Garanto que a do outro não ficou tão linda assim! – defendeu-se indo em direção ao velho sofá onde deixou que seu corpo caísse depois de por seu capacete em um canto qualquer ali perto.

    Ficaram em silêncio por alguns segundos até começarem a rir juntos da situação.

    — Tome. – John estendeu o copo. — Quem sabe isso ajude a amortecer a situação. – pausa. — Hansly? – então soltou tentando identificar quem fora o oponente daquele embate.

    — O filho da mãe sempre cruza o meu caminho. – Derek respondeu confirmando.

    — Vocês têm de resolver isso de uma vez! – o homem sugeriu. — Não podem ficar se atracando toda vez que se encontram. Não são mais moleques, droga! – ainda acrescentou.

    — Dessa vez não provoquei nada. Mark está de prova – defendeu-se. — Só o que fiz foi revidar. – explicou antes de tirar um gole da bebida.

    — Mark. – o homem soltou descredibilizando o valor da testemunha. — Tanto pior. – acrescentou. — Só espero que esteja em pé amanhã pra podermos trabalhar. – comentou afastando-se. — Tony Mayer anda impaciente com a entrega da caminhonete. Precisamos entrega-la de uma vez. – John comentou.

    — O senhor pode ficar tranquilo. – Derek tentando despreocupar seu pai. — Estarei lá! – respeitoso, completou vendo John sumir no corredor.

    Derek trabalhava na oficina mecânica de seu pai, por conta disso, tinha conhecimento o suficiente para dar cabo de alguns trabalhos. No tempo em que estava de folga, mexia em sua motocicleta e até fazia alguns ajustes na moto de Mark, seu grande companheiro de noitadas. John e ele estavam finalizando alguns reparos na caminhonete de um cliente quando o rapaz apareceu.

    — Vai, Dek. – John avisou concentrado no motor a sua frente. Seu filho deu a partida e tudo pareceu estar em ordem, finalmente. — Ok! Está bem, pode desligar! – ergueu a mão. Desceu o capô. — Esse deu trabalho! – comentou dando duas batidas sobre a lataria do veículo. — Finalizamos por hoje. – satisfeito.

    — Quando Mayer vem pegá-lo? – Derek perguntou.

    — Bem... – limpava-se em um pano que parecia ainda mais sujo que as suas próprias mãos. — Eu poderia muito bem ligar, mas quero que você faça esse favor pra mim.

    Mark aproximou-se.

    — Já que a sua namorada chegou – provocou os dois. — Vá até a casa dele e peça pra que venha dar uma olhada nessa situação.

    — Claro! Mas preciso de um dinheiro. – falou sem rodeios. — Estou sem cigarros e...

    — Você é um grande mercenário é isso que você é. – jogou o pano sugo contra seu filho antes de ir até um balcão onde abriu uma gaveta e retirar uma pequena quantia em dinheiro. — Mas olha – Derek aproximou-se. — Vê se não vai se meter em confusão novamente... Um olho roxo já lhe basta. – debochou.

    Derek apenas assentiu com o semblante devolvendo o trapo sujo e enfiando o que recebera no bolso da calça suja. Saíram os dois em direção a saída do galpão.

    — A propósito!  – Mark já passos distante virou-se para o senhor. — Eu sou o homem da relação. – referiu-se a brincadeira feita anteriormente pelo senhor.

    — Caiam fora daqui! – John respondeu achando graça.

    Depois de passarem na casa de Tony, Mark e Derek foram para um local conhecido onde costumavam tomar cerveja e ficar jogando conversa fora. Derek comprou uma cerveja e um maço de cigarros enquanto ouvia o deboche do amigo sobre o estado que ficara sua cara depois da noite passada.

    — Ora, vê se cala essa boca! – Derek — Sabe muito bem que fui eu quem se saiu bem nessa. – tomou um gole no bico da garrafa. — Mas que droga de amigo você, hein!

    — Fato, é fato! – o outro de mãos estendidas. — E ele está bem estampado na sua cara. – completou a provocação.

    — Ei! – chamou a atenção do rapaz atrás do balcão. — Dê mais volume! – pediu apontando para o rádio. — Qualquer coisa é melhor do que ouvir essa tua voz! – voltou-se novamente para Mark.

     Então, aos poucos dentro doe estabelecimento as vozes foram se calando e por fim, todos puderam ouvir sobre o ataque massivo que havia sido feito sobre a Polônia. Tanto a Alemanha quando a União Soviética haviam investido forças para tomar o país. Finalmente, Varsóvia, capital da Polônia, havia se rendido ainda no dia anterior.

    — Dane-se essa droga! – um grandalhão soltou atravessando o bar depois de acabar com sua bebida.

    Grande parte dos que estavam por lá o miraram.

    — Essa DROGA! – Mark falou chamando a atenção do rapaz que passou ás suas costas. — Pode muito bem vir a acontecer aqui! Na nossa casa.

    — Dane-se o que você acha também sobre isso! – o rapaz respondeu apontando o dedo em direção a Mark que de imediato pôs-se em pé.

    — Ei! – Derek tocou-lhe o ombro mostrando que não valia apena criar caso.

    — Isso mesmo! – o rapaz continuou. — Escute o teu amigo ou vai acabar ficando com o rosto igual ao dele! – advertiu.

    — Seu filho da mãe! – Mark então perdeu a paciência.

    Os dois embolaram-se entre socos e empurrões, Mark obviamente não daria conta do grandalhão sozinho e até mesmo o dono do estabelecimento pediu para que Derek intervisse naquele embate que, possível e provavelmente lhe daria algum prejuízo. Antes de obrigar-se a dar apoio ao amigo, Derek tomou o restante de sua bebida e no mesmo instante em que pôs-se ereto viu Mark ser projetado para fora do bar como se fosse um mero saco de lixo sobre a calçada. Indo de encontro ao rapaz, deu lhe um murro no estômago que a princípio não mostrou qualquer efeito e o soco no rosto pareceu apenas deixa o outro ainda mais irritado. No lado de fora, enquanto se recuperava, Mark era acudido por duas belas moças.

    — Mas que filho da... – Derek vendo em que se metera afinal de contas.

    — Vamos terminar logo com isso! – o outro a sua frente disse armando-se para uma nova investida.

    CONFIRA também - Meu querido Manequim
                                 Humanos
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

    principal
    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 1/9

    principal
    Estados Unidos 8/12/1941

    “...Peço que o Congresso declare que, em vista do ataque ardiloso e não provocado do Japão no domingo, 7 de dezembro, um estado de guerra passa a existir entre os Estados Unidos e o Japão”
    Franklin Roosevelt


    Minnesota, condado de Todd, final de tarde. Dias após o ataque a frota naval americana.

         Escorado sobre a mesa da cozinha, John tentava estabilizar a frequência da radio. A todo instante era transmitido notícias sobre a guerra que partira da Alemanha nazista sobre a Europa. Agora, com a participação do seu país na batalha após o ataque em Pearl Harbor, todo jovem americano era bem vindo ao exército e isso o deixava tenso, pois, Derek era seu único filho e possivelmente iria acabar envolvido àquela causa. Sua concentração era tamanha sobre os noticiários que se quer havia reparado que o próprio chegara e de fato só deu-se conta disso depois que seu filho largara um envelope a sua frente.

          — O que é isso? – perguntou sem tocar na correspondência.
          — Aqueles desgraçados vão pagar caro pelo o que fizeram! – Derek respondeu com precisão. — Vou me juntar ao exército! – declarou.

          O homem escorou-se na guarda da cadeira e tomou fôlego. Desfez-se do ar e levantou sem dizer uma única palavra deixando que a transmissão da rádio encontrasse seu próprio jeito de se consolidar. Foi até o armário e retirou um cigarro da carteira e em seguida escorou-se à porta de saída. Acendeu o fumo e tragou a fumaça profundamente antes de começar a falar.

          — Só espero que não esteja fazendo isso por causa daquela def...
          — Deixe Katy fora disso! – Derek interferiu-se. — Isso nada tem a ver com ela. – esclareceu. — E agradeceria se o senhor não a chamasse dessa forma novamente. A caso tem simpatia pelos ideias daquele tal Führer? – finalizou em um tom mais sério.
          — Não diga bobagens, rapaz! – o senhor firme contra aquela injúria. — Mas está bem! Faça como quiser. Não vai mais me ouvir dar um “pio” sobre essa garota, mas saiba que está criando a ti mesmo um grande problema! – deu outra tragada no cigarro.

          Derek não soube ao certo se seu pai se referia a sua entrada ao exército ou ao seu relacionamento instável com Katherine. Em meio aquele breve silêncio em que se encontravam, ouviram a chegada de um visitante. O rapaz deixou sua motocicleta junto a de Derek e foi de encontro a ambos, agora, parados em frene a  entrada da casa.

          — Sr. John! – o rapaz o cumprimentou respeitosamente antes de falar com Derek.
          — Olá, Mark! – o homem respondeu. — E as novidades, rapaz?
          — Bem... – mirou Derek. — O senhor já deve estar sabendo da nossa... Inclusão! – orgulhoso, referiu-se ao alistamento militar.
         — Claro que sim! – demonstrando não estar surpreso em saber que os dois estariam juntos também naquela empreitada, John respondeu com um pigarro rouco. — Afinal de contas, onde um estaria se não estivesse o outro? – riu-se com certo deboche.
          Mark apenas respondeu com um sorriso na face.

          — Precisamos conversar! – Mark dirigiu-se ao amigo logo à sua frente.

         Percebendo que seria um assunto que não lhe dizia respeito, John deixou que os dois rapazes ficassem a sós. Depois de trocarem algumas poucas palavras Mark deixou clara a razão de ter vindo. De dentro de sua jaqueta, retirou uma folha de papel dobrada e entregou ao outro. Era de Katherine, escrita por sua irmã Mary.

          — Ela está preocupada, Dek! – Mark comentou. — Acha que a ideia de termos entrado no exército foi meio... impulsiva. – descontraiu.

          A mensagem falava sobre a repulsa de Katherine sobre o alistamento de ambos e do quanto ela tronara-se mais reclusa após o término do relacionamento com Derek. Informalmente, pedia ainda para que ele viesse vê-la, deixando claro que os pais dela agora mostravam-se mais receptivos quando a presença dele.

          — Como ela está? – Derek pediu sobre Katy.
          — Até onde sei, mal tem deixado o próprio quarto... – breve pausa. — Pra uma pessoa que adorava fazer passeios isso deve significar alguma coisa, não?
          — Nada disso precisava ter acontecido. – Derek soltou. — Sabe que não foi por minha causa que...
          — Não os tenha mal. – Mark o interrompeu. — Meus tios sempre foram muito cautelosos a tudo o que envolvesse Katy... Só pensam na segurança dela.

         Ficaram em silêncio por alguns segundos.
         — Então, você não vêm? – perguntou.

         Derek o fitou condenando a possível chance de o amigo ter lido sua correspondência.

         — Não, não! – Mark logo se defendeu ao perceber a reação do outro. — Elas só me fizeram prometer que te convenceria ou te levaria amarado até lá. – brincou pondo novamente o capacete.

          Ainda que aquele convite lhe parecesse, num primeiro instante, estranho, Derek sabia que era preciso aceita-lo já que lhe restava pouco tempo na cidade e a verdade é que pouco importava se os pais de Katy, por causa da atual situação da filha, apenas iriam tolera-lo. Ele ainda a amava e nada sabia do que estava por vir assim de partisse para longe dela.

          — Vou dar uma saída! – esquivando parte de seu corpo para dentro da casa avisou seu pai que respondeu erguendo seu copo munido de whisky enquanto ainda fumava e fuçava na transmissão da rádio.

    Confira o capítulo seguinte! 

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222