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  • A Extinção dos Gatos

    Três gatos morreram e fizeram a tristeza de uma família se juntar à tristeza de milhões de pessoas no mundo que passavam pelo mesmo. Os gatos estavam morrendo por uma doença misteriosa, transmitida pelo ar e que aparentemente os matava sem muita dor, os deixando tontos e cambaleantes por alguns poucos minutos, terminando com um súbito e fatal desmaio. Mas a família ainda sentia muita dor mesmo após semanas em que os três se foram.
    Obviamente os cientistas estavam interessados em achar alguma cura ou vacina já que isso também significava milhões em lucros, mas muitos não demonstravam muito otimismo com a velocidade que a doença se espalhava e o tempo necessário para as pesquisas. Enquanto isso, há cada vez mais relatos de coisas sobrenaturais acontecendo. Aqueles mais ligados ao mundo sobrenatural afirmam que os gatos são guardiões do submundo e por isso esses eventos estão acontecendo. Já os mais céticos falam que tudo isso não passa de um monte de desocupados que espalham desinformação para sustentar uma teoria da conspiração.
    Nicolas, que acabou de perder os seus três gatos, era um dos céticos, enquanto os seus pais eram crentes no sobrenatural. Eles moravam há mais de duas gerações em uma fazenda a uns dez quilômetros de estrada de chão da cidade mais próxima. Quando criança, Nicolas brincava nas árvores que seus avós plantaram em suas infâncias e desde cedo aprendeu os trabalhos na roça, além do respeito aos animais. Cada bicho tinha uma função, seja prática ou espiritual, e por isso tinham que ter a constante presença de todos eles. Por mais difícil que fosse, os gatos tinham que ser substituídos assim que partiram deste plano, então os pais de Nicolas fizeram uma viagem até a cidade para adotar uns gatos de sua tia, castrá-los e comprar alguns suprimentos pra casa. Pela primeira vez, Nicolas ficaria alguns dias totalmente sozinho e seria o responsável por manter toda a plantação e animais vivos. Mas é claro que, depois de acompanhar o seu pai todos os dias por mais de 8 anos, não seria uma tarefa muito difícil. A rotina já estava bem definida há anos e só mudava quando um novo equipamento chegava, então sabia que tinha que acordar bem cedo e ficar alternando entre cuidar dos animais e da plantação. Era algo bem cansativo e até chato em alguns pontos, mas necessário se quisesse sobreviver.
    O lado bom é que quando chegava a noite estava tão cansado que só queria esquentar a janta, que não passava das sobras do almoço, e deitar. O cansaço era tanto que sempre se recusava a acender a luz da cozinha para lavar o seu prato, usando a pouca claridade da sala em suas costas como guia. Assim que levantou a cabeça para abrir a torneira, viu uma sombra humana se formar na parede e se aproximar de suas costas até que não houvesse mais luz e a parede estivesse completamente preta. A sua respiração parou momentaneamente, a barriga se contraiu e os olhos vidrados se esforçaram ao máximo para piscar. Assim que piscou, tudo estava como antes e a luz da sala continuava a iluminar fracamente a cozinha. Nesse instante, soltou de uma vez só todo ar que tinha segurado e respirou fundo algumas dezenas de vezes para se acalmar enquanto a água escorria na sua frente. O seu lado racional tentava convencer o emocional de que tudo não passava da obra do cansaço, afinal não estava acostumado a fazer todo o trabalho sozinho. E, mesmo que não fosse cansaço, não tinha outra alternativa a não ser tentar descansar já que o próximo dia estava perto de começar.
    Como sabia que não ia conseguir simplesmente tirar isso da cabeça e dormir, decidiu deitar no sofá, colocar os fones de ouvido e esperar o sono o pegar desprevenido. É estranho como não se percebe a transição entre estar acordado e dormindo. Sem nem lembrar em qual parte da música dormiu ou até mesmo qual era a música, Nicolas foi para o mundo dos sonhos e se distanciou completamente de sua realidade. Pelo menos até abrir os olhos e perceber que não conseguia mexer nem sequer um dedo. O medo que sentia era perceptível em sua breve respiração e que foi ficando mais curta ao perceber pela sua visão periférica que uma sombra vinha se aproximando. Quando ficou de frente pra ele, percebeu pelo corpo que era um homem alto, mas bem franzino e com uma aparência de que tinha sofrido muito. O corpo todo do homem parecia envolto de uma sombra a não ser pelo chapéu que uma vez já tinha sido bege, mas agora estava preto de tão sujo. Aquele homem sombra ficou encarando Nicolas por alguns segundos, parecendo saborear o medo que ele sentia e que transparecia pelo seu suor, lágrimas e respiração. Nicolas tentava falar, gritar e implorar, mas não conseguia abrir seus lábios. Enquanto batalhava contra o seu corpo, o homem sombra avançou pra cima dele e começou a sufocá-lo com uma força incompatível com o corpo que apresentava. A respiração curta de Nicolas tinha ficado inexistente. No desespero da busca pelo ar, piscou o olho, caiu no chão e começou a tossir. Por alguns minutos ficou olhando de relance para todos os lados tentando achar o homem sombra enquanto revezava entre respirar e tossir. O medo ainda estava em seus olhos e só queria fugir, mas os seus pais haviam levado o único carro que tinha na propriedade. Então, ignorando o cansaço, decidiu andar até a propriedade vizinha a uns três quilômetros e pedir o carro deles emprestado.
    Ele queria e tentava se convencer de que tudo tinha uma explicação. Já tinha tido uma vez paralisia do sono e talvez fosse só isso, embora ela não explicasse a marca vermelha de dedos em seu pescoço. Mas mesmo que de algum modo conseguisse uma explicação racional para tudo isso, não iria adiantar. O medo que sentia era muito grande e, por mais que quisesse, não poderia ignorar isso. Então pegou uma lanterna, a identidade e um pouco de dinheiro, trancou a porta e fugiu em plena escuridão.
    A lanterna ia da direita para esquerda e da esquerda para a direita em uma meia lua interminável, indo ocasionalmente para trás para ver se não havia nada lá. A vista das estrelas já começava a acalmá-lo nesse longo caminho, o que era bom. Já havia pensado na desculpa que usaria com os seus vizinhos: uma pessoa invadiu a casa e o agrediu, mas conseguiu fazer com que ele sumisse. Como tinha medo que ele voltasse sozinho ou acompanhado, queria passar a noite na cidade. Não era a verdade, mas também não era uma mentira. Com tudo isso planejado, podia continuar admirando as estrelas e afastando a imagem do homem sombra de seus pensamentos.
    Tinha acabado de direcionar a lanterna para trás, visto que não tinha nada lá e voltado a mirá-la para a frente quando sentiu um enorme impacto em sua perna esquerda que o fez cair e soltar diversos xingamentos. A dor parecia sair de seu joelho e ir ardendo até a sua mente. Quando olhou para o chão, viu uma pedra do tamanho de um melão banhada em sangue. Tentou se levantar, mas a dor não permitia que o seu joelho sustentasse o seu corpo.
    Devia faltar mais uns quinhentos metros até a casa vizinha, então, como não tinha outra escolha, decidiu começar a se arrastar. Logo depois dos primeiros centímetros percorridos, sentiu uma forte puxada em sua perna machucada que levou a uma nova irradiação de dor. Embora tentasse, não conseguia gritar e, por mais que se esforçasse, só soltava uns grunhidos baixos. Quando começava a se acostumar com a dor, olhou para a frente e viu o chapéu na sombra de um homem. Não conseguiu encarar por muito tempo, pois, cada vez que a dor ficava um pouco mais tolerável, ele puxava com força para dar um tranco na perna e irradiar mais dor para o corpo. Sabia que estava sendo levado de volta para a sua casa. Tentava piscar e se debater para escapar, mas o homem sombra era muito forte.
    A família de Nicolas chegou dois dias depois dessa noite com seis filhotes de gatos, bastante comida e fertilizante. A mancha de sangue na estrada já se confundia com o vermelho do barro e nem foi percebido pelos seus pais. E mesmo que percebessem, provavelmente acreditariam que algum animal tinha caçado e arrastado a carcaça de sua presa. Não estariam certos, mas também não estariam errados. Chegando em sua casa, viram o corpo de Nicolas empalado com o suporte de uma antena e deixado com os braços abertos como se fosse um espantalho bem na escada que dava acesso a porta principal da casa.
    A polícia investigou o caso que teve uma repercussão nacional, mas nunca chegaram a algum suspeito. Segundo os legistas, Nicolas foi empalado vivo, morrendo lentamente de hemorragia enquanto a antena ia atravessando os seus órgãos até chegar ao seu estômago, o fazendo engasgar lentamente com o seu próprio sangue. Mesmo demorando horas para morrer, pela distância entre as propriedades ninguém deve ter conseguido ouvir os seus gritos de dor. Já os seus pais nunca souberam o que o atormentou já que se mudaram antes dos seus novos gatos morrerem pela doença.
  • À Florbela Espanca

    Te entendo, amiga, o tanto que arde

    O sol, a pino, no céu azul piscina

    O amor no peito, vermelho escarlate

    E o medo de ambos te faz fugir como menina

     

    Pena que não pude encontrá-la, franzina e fina

    Destilando no papel essa beleza de arte

    Vislumbrando, como um astrônomo à Marte

    Olhando hoje o que tu refletiu em era distinta

     

    Triste noite, mundo deserto e frio

    Ao ouvir sua infeliz sina

    Andreza de Oxum nunca mais sorriu

     

    E esse fadário no seu peito forte

    Um tédio profundo de viver nina

    Um desejo persistente pela morte
  • A Fuga

    Não existe lugar onde eles não possam encontrar-me,mesmo estando oculto nos becos mais sombrios,nas ruínas das construções abandonadas,ou até mesmo na silenciosa solidão de meu quarto,mesmo assim inevitavelmente eles estão comigo.
    Tento sem sucesso apartar-me deles,mante-los afastados de mim por alguns momentos, mas é claro,tudo isto é em vão.Eles me atormentam a muito tempo,como um predador que busca incansavelmente sua presa.Sou tomado pela ansiedade,inquietação,a bebida me faz entorpecer para não perceber quando chegam,mas isto não impede que venham,e com eles vem o medo,o remorso,a angustia,a certeza que podem tirar-me tudo,até mesmo minha própria vida.
    E pensar que um dia eu os criei,os alimentei,busquei argumentos para dar a eles toda razão,para torná-los cada vez mais fortes,e ironicamente tem eles hoje o poder de transformar-me em um louco,insano.
    Eu poderia ter evitado tudo isto no começo,mas não fiz
    Poderia ter encontrado alguma maneira de controlá-los,mas também não fiz.
    Agora já é muito tarde,estou sucumbindo a cada momento aos martírios que eles me fazem passar.É inútil lutar contra eles,ou deles tentar escapar.Estou completamente dominado,entregue por completo e sem forças para controlar a fera que eu mesmo criei,sem poder conter meus próprios pensamentos. 
  • A garota do segundo andar

    Em uma madrugada chuvosa sinto o efeito da solidão.
    Da janela vejo outras, a maioria deve estar dormindo mas ainda há algumas com luzes acesas.
    Uma senhora com uma xícara que suponho ter café, uma mulher sentada na sala assistindo algum progama na televisão, e lá no canto um homen misterioso que nada faz, apenas olha o mundo, não fala, não se mexe, dizem que tem problemas psicológicos mas quem sou eu para julgar? Não me sinto normal.
    Sou uma garota jovem que não se encaixa em lugar nenhum, que são sai, não conversa, não vive realmente apenas sobrevive a mais um dia.
    Sou a garota do segundo andar.
    A solitária.
    Apaixonada por livros , história e arte.
    Um mundo como esse, agitado, não serve para uma garota como eu; amante do silêncio.
    Os livros são uma fuga, uma pré solução para uma questão maior; o vazio.
    As lágrimas não mais ajudam. O medo do fracasso se torna insuportável,
    O sentimento de não servir pra nada é sufocante.
    O medo irreal do esquecimento é enlouquecedor.
    Por fora uma máscara, por dentro a realidade.
    Poucos são aqueles momentos de paz.
  • a lenda de Èden/capitulo 4 o poderoso guardião fracassado (P & R)

    -isso foi rápido demais eu não vi quase nada-questiona luna
    -é assim mesmo mosa,guardiões da luz tem sua velocidade elevada desse jeito mesmo-fala pafunsu
    -eu não te dei o direito de me chamar de mosa-fala luna
    -bom vamos focar na próxima luta -fala pafunsu
    -primeiro como foi a sua luta
    pafunsu olha para cima e começa a pensar 
    -Oh não-fala luna 
                                                                 //////FLASH BACK TIME COM COMENTÁRIO EXTRA\\\\\\
    -outro flash back naaaaaoooo-fala luna
    -ja era-riu pafunsu
                                                                               INICIO DO FLASH BACK TIME
    Depois de pafunsu entrar no campo foi anunciada a luta entre ele e um cara desconhecido,quando começam a lutar pafunsu da um chute que afunda o rosto do sujeito e o dito-cujo perde a luta
                                                                                   COMENTÁRIO EXTRA
    -isso foi rápido,até demais-falou luna

    -guardiões da luz tem uma velocidade muito alta,porem uma defesa baixa de mais-falou pafunsu

    -por isso acabou rápido-fala luna

                                                                              CONTINUAÇÃO DO FLASH BACK TIME
    E na outra luta,era um guardião mais lento e com muito mais defesa,porem pafunsu era muito rapido e o outro cara nem chegara perto de sua velocidade e pafunsu o finalizou com facilidade,e por fim a ultima luta,porem esse cara era diferente dos demais 

    -acho que vou aparecer dele e dar aquele baita chute trava coluna nele- falou pafunsu

    ele o faz porem erra,por que seu adversario se defendeu com um outro chute,então tentou dar um soco e seu oponente parou o soco com outro soco ate que pafunsu pensa:

    -vou jogar um trovão nele 

    então pafunsu joga um trovão que errou,porem servia apenas para atrapalhar e atrair o adversário,perto o suficiente para atravessar a sua cabeça com uma mao aberta e eletrificada e assim que atravessa sua cabeça ela explode e ele é declarado vencedor da luta e o primeiro guardião da luz
                                                                                          FIM DO FLASHBACK TIME
    -agora falta a luta de quem-pergunta pafunsu

    -do gustavo-fala luna

    -era,não é mais,agora é a luta do rafael-fala gustavo

    -vai chorar-zoa pafunsu

    -nao,mais to quase-fala gustavo

    entao,finalmente os guerreiros de fogo entram em campo porem o destaque é mais do brasileiro de altura mediana e cabelo escuro e forte,estava sendo destaque por ser um daqueles que ajudou juan com aquela criatura de fogo e estavam em punhos uma luva e uma espada,algo que digamos era meio diferente,afinal pra que usar uma luva,mas ao iniciar a primeira luta que no caso era a dele o rapaz qua agora sabiamos o nome por anuncio de cahethel:lan santiago era seu nome e por coincidencia o outro cara tambem era brasileiro e se chamava edgar

    -isso esta muito estranho o nick falou que cabelos de cores estranhas sao caracteristicas dos descendentes dos guardiões da terra,só que nenhum dos guardiões do fogo tem olhos vermelhos,nem o rafael tem isso-fala pafunsu

    -pafunsu eu quero assistir-fala luna sentada em uma cadeira de rodas comendo um pãozim

    ao começar a luta edgar solta uma bomba de canhão de fogo 

    -esse ataque pode incinerar um planeta inteiro diga adeus aos seus ossos-fala edgar com uma risada alta

    lan apenas poem sua mão com a luva para frente e devolve para seu oponente o ataque como se não fosse nada e incinera completamente todo o seu corpo até reduzi-lo a cinzas

    -isso foi rapido-falou luna

    -luna para de falar so isso,mas realmente foi bem rapido,rapido ate de mais-fala pafunsu 

    porem a proxima pessoa a entrar em luta é seu amigo rafael

    -bom é isso vou conseguir-falou rafael

    no inicio da luta refael lança seus ioios a ponto que ficassem com suas cordas por todo o campo,quase que impossibilitando seu adversario de se mover,entao o adversario tenta queimar as cordas,que apenas ficavam em seu lugar sugando a energia e repassando a força pro ioio que ia ficando maior e deixando as cordas cada vez mais quente e entao rafael mexeu seus fios ate que cortou seu adversario e transformou-o em uma especie de picadinho frito de carne humana e entao rafael e declarado vencedor da luta

    -meu deus(do ceu berg)que nojo ele cortou o cara como picadinho argh-fala luna
     
    -meu deus que merda to com vontade de vomitar-falou pafunsu

    cahethel pede para alguem vir la para ressucitar o rapaz e devolve-lo a terra,afinal o perdedor teria apenas os poderes retirados e depois iria ser mandado para a terra para poder viver normalmente a sua vida na terra 

    -espero que perca logo,esse garoto é um piromaniaco sadico,nao seria uma boa te-lo como guardiao-pensou cahethel 

    a proxima luta sera entre lan e rafael

    -se prepare para ser queimado-falou rafael

    a cara de ridicularizaçao de lan era tao grande que chegou a ser ridiculo pra ele o que rafael falava,entao meio totalmente puto da vida rafael jogou seu ioio em cima de lan que nao apenas segurou como tambem quebrou o mesmo 

    -serio isso nao destroi nem um planeta anão gelo,acha mesmo que pode comigo-sacaneou lan

    tudo isso deixa rafael mais puto e tambem desesperado,ele refaz o ioio com suas chamas e aumenta o tamanho do mesmo a ponto de poder subir em cima do ioio como um carro gigante e tenta atropelar lan que desvia com uma facilidade enorme com se estivesse apenas dando um pulinho pro lado e da uma zoada

    -tao lento que nem chega a mach 1

    rafael putao responde:esse deus aqui chega a mach 36.000 

    -nao chega nem a mach 900 de tao lento 

    rafael acelera mais uma vez e lan apenas pega sua espada e da um corte certeiro no meio do rafael e corta o ioio dele ao meio e antes que rafael pudesse reclamar lan aparece rapido atraz dele e corta sua cabeça em instantes e assim lan e declarado ganhador por cahethel  e na plateia luna fala:

    -ele perdeu mesmo meu desu,eu dont believe

    -perdeu feio-fala pafunsu

    -nao acredito nisso-fala gustavo irritado-ele nao devia ter perdido 

    sim era isso rafael tinha perdido feio e lan havia se tornado o novo guardião do fogo,rafael foi ressucitado,teve seus poderes extraidos e foi mandado para seus pais na terra com a advertencia de nao mexer de novo em fosforos,mas claro cahethel deixou ele se despedir dos amigos afinal as proximas lutas seriam seguidas em elemento:agua,depois espiritual,depois escuridao,depois terra e por ultimo estrela ja era quase certo os vencedores afinal no ataque ja tinha uma da agua,uma da espiritual e uma da escuridão porem terra e estrela foram considerados dificeis de saber afinal havia tres guardioes da terra no incidente e nenhum da estrela,mas apos as despedidas começaram as batalhas da agua e a vencedora foi kamillie orihara da oceania,foi uma luta rapida nao igual a dos guardioes da luz mas tambem tinha seus meritos

    -aposto que foi bem facil ne,kamille ou posso te chamar de kamie-fala luna para a nova guardiã

    -serio querida e a sua-fala kamie

    -eu quase morri-fala luna

    -deveria ter morrido-fala kamie

    -que moça ruim pra eu-fala luna

    pra se ter uma ideia do quao rapido foi cada luitra era aproximadamente 20 segundos por luta depois disso era uma vitoria muito facil

    -nao curti essa moça,,mas curti as outras duas -falou luna

    essas tais garotas eram as duas dos elementos espiritual e escuridão,regendo o elemento da escuridão estava uma garota chamada julie kanam de istambul tinha uma personalidade calma e bem calada e ate alegre porem muito timida e gostava de chamar todo mundo de demonio algo que mostrava seu autismo com força altissima e regendo o elemento espiritual estava giulya kim than essa diferente da ultima ja era mais ativa e animada e gostava de cantar do nada,em especial k-pop (eu tenho uma amiga que gosta dessas musicas e como eu tava sem nada melhor pra colocar presente pra voces) as 2 seriam as mais novas guardiães do grupo 
                                                                            ENTREVISTA UTILITARIA COM LUNA GERLOFF
    -oi,oi,oi tudo bem,tudo bão-pergunta luna

    -tudo bem-fala giu

    julie calada

    -que merda eu to fazendo aqui-falou kamie

    -entrevista,xiu-sussurra luna

    -nao quero ficar no autismo de voces-fala kamie

    -xiu,agora continuando como foi a ultima luta de voces-pergunta luna

    -eu so entupi a mina de agua e explodi ela,como qualquer ser humano normal faria-fala kamie

    luna assustada pergunta:

    -e o que voce mais gosta kamie

    -rola-fala kamie-de varias idades idades,de muitos amores

    luna vermelha finge que nao escutou nada e passa para giu

    -entao giu como foi sua luta-pergunta luna

    -eu basicamente invoquei espiritos do alem e fiz todos atacarem como distraçao e voei por debaixo da terra em forma fantasma e possui o meu oponente por traz enquanto secava seu corpo-fala giu

    -e pior que a primeira-pensou luna desesperada

    e assustada luna pergunta com uma cara de nao me mate:

    -e....doq......do que voc.....do que voce gosta

    -kpop,escuto o dia todo,ate dormindo se possivel-fala giu 

    Luna agarra giu e fala:

    -meu desuuuu nos vamos dar tao bem

    -giu esta assustada com voce apertando ela assim luna-fala gustavo como um cameraman ou algo do tipo

    -ok,ok,ok eu largo,mas agora e sua vez julie-fala luna

    luna ja simpatiza com a garota ser baixinha a ponto de parecer uma versao de mini-chibi baby edition

    -entao como voce venceu-pergunta luna

    julie fica calada

    -fala pelo menos de quem voce gosta

    entao a garota gagueja e fala:
    hu..hu....hu...huinglerson-e some em uma sombra de vergonha 

    todos os presentes ficam calados por um instante e luna com um sorriso encerra a transmiçao

    -bae,bae pessoas-fala luna
                                                                              FIM DO ENTREVISTA COM LUNA GERLOFF
    -o que foi isso perguntou gustavo

    -nem eu sei acho que ela gosta do....-fala luna ate ser interrompida pelo pafunsu

    -quem gosta de quem-pergunta pafunsu

    -eu..eu gosto muito de pãozim-fala luna

    -e eu gosto de assistir a luta,elas sao muito bacanas

    -principalmente as com poderzinho sem a rajada tipo seu ataque na ultima luta-fala luna

    -e eu tambem-fala giu sobrando no canto mas manjando da situação 

    -e a proxima luta parece estar prestes a começar-fala pafunsu

    e julie estava com eles porem calada 

    -ainda bem que voces gostam por que o nick e o juan vao lutar daqui a pouco-fala pafunsu

    -eu avaliei os dois,so iram se encontrar se for na final,mas seu amigo nao tem chance o poder do juan é anormal para um guardião da grama,eles nao passam de curandeiros e protetores,juan de algum jeito serve de ataque e aquele modo dele nao vai ajudar em nada-fala julie

    -ela falou-riu pafunsu-finalmente hahaha

    julie some de novo e pafunsu estranha novamente (ate ai tudo normal)

    -ela ate que ta certa a luta deles vai ocorrer no final,vai ser emocionante-fala luna

    -duvido que esse tal de nick ganhe,nao esqueçam que tiveram 3 guardiões da terra no incidente e pelo jeito ele vai lutar com os 3-fala giu

    -eu confio no moso-fala luna

    -eu tambem-fala gustavo

    -concordo-fala pafunsu

    entao as outras guardioes retrucam

    -vai levar surra-fala kamie

    -chute na butt-fala giu

    -uhum-fala (ou grunge)julie 

    entao alguem vai andando naquela direçao era lan

    -alguem percebeu que o primeiro nome dele e mais japones que o do gustavo-fala pafunsu

    lan vai ate gustavo e da um soco com força na barriga dele que o faz cair,e o arrasta pelo cabelo ate cahethel,entao cahethel ouve o que o garoto tem a dizer e troca umas letras de um crachazinho que esta com cada um

    -o que aconteceu-perguntou luna

    -esse cara no dia que eu cheguei aqui deu um jeito de trocar nossos nomes e nacionalidade pra ele parecer japones,eu sou o unico hikari aqui,Lan Hikari-fala Lan

    -nao tendi nada-fala luna 

    -nem eu-fala pafunsu com gustavo vomitando sangue nos braços tentando ajeitar ele

    -aquele e o amigo de voces indo pro ringue-fala kamie

    -e ele sim-fala gustavo meio tonto

    -e o moso-fala luna

    -parece ter uma rola bacana-fala kamie passando a lingua sensualmente entre o labio 

    -eu mereço-fala luna envergonhada de como caminha a humanidade

    mais todos estavam ansiosos afinal nick iria lutar finalmente contra alguem,afinal apos uma historia com aquela (cap2) era impossivel nao ficar curioso com o treino,entao entram em campo um dos 2 caras do incidente e nick dormindo por que cahethel apenas o lançou pro campo enquanto ele dormia meio ensanguentado

    -prontos-fala cahethel-comecem

    -isso nao e justo o moso ta dormindo-fala luna

    entao no meio do campo o outro cara grita:

    -ninguem te perguntou nada,indiazinha

    luna e seus belos cabelos de india se ofendem e mandam ele se-fu mentalmente

    a luta começa com o adversario apontando-lhe o dedo e falando:

    -renda-se eu sou o mais forte aqui e posso destruir qualquer um

    ele era alto como se tivesse 2m e 10 de altura,mas nick ja esta dormindo no chão,como se estivessem pouco se importasse  e seu oponente considerou isso como uma afronta direta de nick e da um soco no chao causando um terremoto que apenas fez nick ficar rolando pelo chão ate que foi chegando perto de seu adversario rolando pela grama do local e ao tentar esmagalo com um pisao,nick chuta ele no rosto ainda no chao dormindo e afunda o rosto do pobre rapaz que ia esmagar a cabeça de nick com um pisão e ainda racha a barreira media de cahethel,todo destruido pelo chute o guerreiro se levanta porem ja e tarde nick esta em pe em sua frente dormindo e lhe da um soco na barriga que explode tanto o seu estomago quanto o resto da barreira do cahethel,entao cahethel fala:

    -treinamento duro pessoal,vamos fazer magia do tempo no sr.matias pra ver se acorda

    apos tenta usar a magia do tempo cahethel nao consegue e fala:

    -nao acredito,mudança do tempo nao funciona nele

    -o que isso quer dizer-pergunta luna

    -significa que nem se eu mudar o tempo,o nick nao vai ficar parado,nao vai envelhecer mais rapido e nem tentar diminuir a velocidade dele e ainda me proibe de viajar pro passado enquanto eu estiver a 1 galaxia de distancia dele-fala cahethel

    -chega vei,esse cara ta muito apelão-falou pafunsu

    -disse o cara que terminou 3 lutas em 4 milisegundos-fala nick

    -voce nao tava dormindo-falou pafunsu

    -habilidade de fotossintese e so eu estar encostando em terra que eu me recupero mais rapido-fala nick

    -bom mais tirando isso-nick colocando um punho fechado em frente ao rosto so que com um sorriso corajoso-eu vou vencer todo mundo,que esta aqui eu prometo isso pra voces 
    FIM
    __________________________________________________________BONUS_________________________________________________________________

    NOME:Kamille Orihara        APELIDO:Kamie         PAÍS:Australia
    ELEMENTO:Agua        HABILIDADE:Solidificação e Gaseificação
    GOSTA DE:Instrumentos Pessoais Masculinos (IPM)

    NOME:juliane kanam      APELIDO:Julie     PAÍS:Istambul
    ELEMENTO:Escuridão      HABILIDADE:Nuvem escura
    GOSTA DE:Pafunsu (DARK STALKER)

    NOME:Giulya kim than    APELIDO:Giu      PAÍS:Coreia do Sul
    ELEMENTO:Espiritual      HABILIDADE:Necromancia
    GOSTA DE:K-POP

    ________________________ERRATAS__________________
     NOME:Gustavo Santiago  APELIDO:Gusta ou Gustavo  PAÍS:Brasil
    ELEMENTO:Estrela     HABILIDADE:Escudo Estelar
    GOSTA DE:Olhar as estrelas

    NOME:Lan Hikari   APELIDO:Nenhum   PAÍS:Japão
    ELEMENTO:Fogo    HABILIDADE:Escudo Estelar
    GOSTA DE:Não se sabe




  • A manhã de Marina

    Era maio. O sol forçava seus raios na cortina entreaberta. Marina abriu os olhos e decidiu que aquele dia seria diferente. Empenhou-se a espreguiçar-se lentamente enquanto ouvia o som irritante dos cabelos friccionando o travesseiro. O coração já começava a acelerar e o desejo de ficar mais algum tempo aquecida entre os lençóis roubava-lhe a paz. Todos os dias eram assim.
    A respiração ia ficando curta e o fato de sentar-se, colocar os pés no chão e ficar enfim de pé, associava-se à sua decisão de fazer a diferença.
    Ela tinha lido Mrs. Dalloway, e queria copiar a frase célebre de Virginia: “Mrs. Dallaway decidiu que ela mesma compraria as flores”.
    Foi pensando nisso que enfim enfiou os pés pálidos nas Havaianas surradas e caminhou devagar ao lavabo.
    Ao encarar seu reflexo no espelho notou que seu rosto estava inchado, e não podia se lembrar da última vez que realmente se via como era.
    Escovou os dentes pensando em como havia ganhado peso, e em como seus cabelos não brilhavam mais. Isso a fez pensar se realmente deveria atravessar a rua e ir à padaria.
    “Se Mrs. Dallaway foi eu também vou!”
    Tirou o pijama e teve um ímpeto de constrangimento ao notar que ele tenha sido seu uniforme diário.
    Abriu o armário e tudo estava confuso. Nada lhe chamava a atenção. Resolveu não arriscar afinal jeans e camiseta te faz parecer comum e respeitável.
    Seria mesmo necessário comprar pão? Talvez pudesse se virar com o restinho de biscoito um pouco murcho que estava naquele pacote aberto sobre a mesa, pensava ela, relutante em si mesma.
    Quando penteou os cabelos, houve um resquício de dignidade em seu semblante.
    - Talvez eu consiga!- Disse para si mesma encarando o espelho.
    Calçou seu All Star batido, colocou os óculos, apanhou a chave e uma nota de dez reais, não tinha trocados. Segurando o trinco entre os dedos, sentiu como se estivesse indo atravessar o oceano a nado, sem saber nadar. Suas mãos transpiravam e um leve tremor que se originava nas pernas percorreu seu corpo todo.
    Abriu a porta de uma vez, e começou a descer as escadas, menos de um minuto e ja estava diante daquela rua movimentada. Carros, buzinas, musica, conversas e tudo o que ela precisava fazer era esperar o sinal abrir para atravessar.
    “Será que o semáforo está funcionando? Será que estão olhando para mim? Acho que esta roupa está muito velha? Minha camiseta esta amassada? Talvez eu devesse voltar para casa e trocar! Não isso é loucura!”
    Consumida por pensamentos mal pode notar o esverdear da luz diante de si.
    Atravessou a rua meio cambaleante como um bêbado, cabeça baixa enquanto a mão molhava o dinheiro ja tão amarrotado.
    “Pronto! Consegui!” Respirou um tanto aliviada.
    Entrou na padaria pequena, o cheiro lhe trouxe um certo conforto.
    -Pois não! - Disse o senhor do outro lado do balcão.
    -Dois pães franceses, por favor!
    Enquanto o homenzinho se virava para apanhar e embalar o pedido.
    Marina queria correr.
    “Paes franceses?! Que ridículo ninguém fala assim. Ele deve estar pensando que sou patética.”
    -Mais alguma coisa? - Perguntou ele interrompendo os pensamentos dela.
    -Não, é só isso mesmo! - Respondeu entregando a nota.
    Pegou o pacote e o torcia tanto nas mãos, que por pouco não o rasgou.
    Agarrou o troco: uma nota de 5, uma de dois e algumas moedas. Isso pouco lhe importava.
    Agradeceu e saiu.
    Quando sentiu o sol lhe tocar. E vislumbrou a rua novamente a sua frente, havia dois sentimentos dentro dela: satisfação e angustia.
    Desta vez o sinal se abriu mais rápido e ela com olhos nos pés, apressou-se ainda mais. Precisava voltar para casa!
    Subiu as escadas com alegria, entrou em casa e abriu as cortinas. O dia estava tão bonito!
    Preparou seu café bem doce, como gostava e colocou manteiga no pão, apreciou aquele momento deixando que ele se prolongasse!
    E quando só havia farelos de pão à sua frente. Marina não sabia o que fazer.
    Voltou para o quarto, vestiu o pijama e encolheu-se entre as cobertas.
    “Amanhã talvez eu prefira comer os biscoitos”.
     
  • A Morte

    Entre os castiçais, fogo e reclusão.
    Era uma madrugada alta cheia de inspiração onde eu me deitava com ela contando os morcegos do teto.
    Uma voz: "aqui, entre os dois, eu me escondo e digo amém às suas diabruras".
    Levantamos e fomos até a penteadeira. Nada no espelho...
    Nos espantamos ao ver em nossa cama a Morte e uma rosa branca, exclamamos: "que lisura antiga tal honra!"
    E num torpor pegamos uma adaga e cortamos nossos possessos.
    Dormimos, o sol entrou e nos queimou.
    Morremos. O fim do mundo acabou.
  • A morte do eu

    “After a year in therapy, my psychiatrist said to me: ‘maybe life isn’t for everyone’.” 
    O inferno está vazio e todos os demônios estão na minha cabeça. Conjecturo vozes que, no desabrochar da vigília, anunciam-me um transtorno psicótico. Hoje eu tranco o curso, tranco a vida. Cheguei a vasculhar, um dia, a possibilidade do suicídio ser apenas o enterro, mas não a morte em si; todavia, certifico-me, nessa náusea amorfa, que a angústia se infiltra na teia neurossucumbidora antes de incinerarmos a nós mesmos. Conto os dias, odiando o teísmo onipotente, para encontrar o que acredito ser minha alforria: o psiquiatra. Há de ser minha muleta metafísica. Dispneia. Se enlouquecer-me novamente, tenho clonazepam. Vinte gotas; vinte e sete, se precisar. Alivio-me com esse meu novo deus volátil. 
    Sento-me à beira da cama; meus pés desmaiam sobre o chão. Penumbra. Nada me daria mais prazer do que nunca ter de acordar novamente. Sinto na alma a enfadonha arte de vestir-se. Fico apreensivo com minha sanidade dúbia diante das aulas anavalhadas que vagarei hoje. Degusto o Escitalopram com um café áspero. Lembro – fitando um eterno nada – a face sem sentença da minha psicanalista, e esbravejo-me; quero que suba no telhado e grite quem sou eu, pois já me foge essa concepção. Deposito o frasco de benzodiazepínico no bolso; esqueço o celular em casa. 
    Ao longo dos sertões da manhã, o medo do pânico se empodera como um fascista. Claustrofobia. Perscruto que na selva da minha psique não reino como Zumbi Dandara, mas apenas sou uma marionete do caos. Convenço-me da morte iminente: seja por um edema de glote, seja por um cataclismo pneumológico. Vendaval de sinapses. Minha mitral esperneia-se, regurgita-se, fibrila-se; almejo fugir-me; visto a entropia desajustada; balbucio uma filosofia sórdida. Subunidade beta da Proteína G, Guanosina Difosfato Inativa, Adenilato Ciclase: importantíssimo para vocês, futuros médicos. Cronograma de Caim. Quinquilharia. Pandemônio.
    Comprei uma aliança para essa miséria de vida, mas não prometo a monogamia – resmungo ao asilo que concerne minha consciência. Permuto as desvantagens e vantagens de ser um amontoado de átomos; aquelas me logram. Perambulariam como os nômades que nutrem sentimentos por mim? Por mais que sejam escassos, não me ousa denegrir a árvore-mãe que doou suas raízes à fruta empobrecida de alma. Aproveito o anticlímax dessa patologia arruaceira para ler o DSM: tenho todas as anarquias possíveis: transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão, desconexão com o divino, apatriotismo sem-terra. 
    Como um cadáver maquiado, encargo-me da polidez pós-morte: metáfora para os primórdios da tarde. Sobre o alcoolismo: eternizara – não que deguste a ideia, porém era a morfina que varria minhas esquinas neurais; era, senão, o hospício que tratava meu cansaço insuportável de gente. Olho-me: identifico em cada dobramento da minha organogênese os assassinos da minha jornada. A tarde, porém, caminha de forma taciturna; enrosca nos galhos, tropeça nas ironias machadianas, vivencia a chaga de Édipo, mas caminha. Adentro um elevador eremita: coercitivamente controlo a respiração: minhas cavernas pulmonares ecoam desespero.
    Palmilhando os arredores do abismo, pondero em relação ao futuro notívago: ou a insônia reluzirá novamente ou uma bala perfundirá meu encéfalo – entrará por um ouvido e sairá no outro, nada menos. Sinto meus passos derradeiros nesse morro cascalhado. Cairá sequer uma lágrima desse meu rosto surrado diante da morte de meu pai? Meu recinto ainda tem o cheiro de vazio. Insisto em deleitar-me na água que escorre do chuveiro, mas em vão. Pressuponho que dentro da gaiola do meu peito habite um pássaro que almeja voar, todavia se debate nas grades costais, depena-se e desiste da vida. Perfumo o ar com sobriedade: irrita-me o anseio acalentador das pessoas. Recebo, ainda que caquético, no toante dessa noite, uma visita: meu humor sacoleja como um cão solto na praia. Lê-me: você parece ótimo. Não se esqueça, minha cara, que os buquês, por mais que sejam sorridentes e carinhosos, são feitos de flores mortas. 
  • A mulher dos sonhos - parte 2

    1

    Era uma bela quinta feira, embora a chuva e o frio tenham castigado a maior parte da manhã. Gosto desse clima, ainda mais porque posso pagar um uber para casa e não preciso me molhar demais. Afinal, passei o dia inteiro, em minha sala, rodeado de incompetentes. Enfim, parece que tudo vai melhorar daqui para frente, sem preocupações na empresa. Amanhã é feriado, acho que vou passar o dia na piscina. Talvez ligue para Derek me buscar para bebermos algo antes de ir.

    Chego em casa depois das nove da noite, foi um dia pesado de trabalho, relatórios atrasados, prazos perdidos, auditoria no meu pé, prefiro não lembrar disso agora. Jantei uma lasanha congelada, sem paciência para cozinhar nada. Apenas fiz questão de me servir uma taça de vinho tinto e liguei a televisão. Passava “Os Simpsons”, aquele pessoal amarelo sempre me faz rir. Uma das melhores formas de se encerrar uma noite depois de um dia estressante.

    Depois disso, vou para meu banheiro, é pequeno mas agradável, o piso de azulejo preto dá um belo realce com as paredes brancas. A privada é preta, também, acho que dá um visual moderno, e fica ao lado do boxe com o chuveiro. Em frente a tudo isso está a pia que é de vidro transparente. As gavetas e armários são brancos e pretos, mas isso não importa, foi um arquiteto que projetou tudo, não perdi meu tempo com aquilo, apenas exigi a pia transparente com a mesa e tudo. Queria uma daquelas torneiras que acendem luz, só que meu orçamento da época era apertado e, com o passar do tempo, essa vontade diminuiu, embora não tenha sumido.

    Finalmente tiro o terno, jogo-o no chão do banheiro mesmo (semana que vem levo ao tintureiro, não me importo) e tomo uma ducha quente. Deve ter durado uns 40 minutos, precisava muito relaxar. Escovo os dentes, pego o terno do chão e o levo até a área de serviço para deixar em cima da máquina de lavar.

    Estou exausto, então é melhor dormir logo, checo se as portas estão trancadas, afinal, um apartamento pode ser seguro, mas “é melhor prevenir do que remediar”, já dizia meu avô. Entro em meu quarto, aquela cama é meu orgulho, uma king size com um cobertor preto de um lado e branco do outro, com pêlo de ovelha na lado branco e aveludado do outro. Tenho quatro travesseiros ali, mas três sempre acabam no chão. Penduro minha toalha e pego um moletom velho que sempre uso para dormir, é hora de fechar os olhos e encerrar o dia, finalmente. Boa noite a todos e não me esperem cedo amanhã.

    2

    Acordo e olho para o relógio e vejo que já são três da manhã. É uma madrugada fria e silenciosa, sem nenhuma alma na rua, tenho certeza de que é possível ouvir grilos. Essa é a vantagem de um bairro afastado e sem muitos vizinhos, o silêncio cai muito bem. Uma ou outra moto passam na rua, sempre tem um imbecil que estoura o escapamento, apenas para fazer barulho, de resto provavelmente são esses entregadores atendendo aos pedidos dos bêbados e drogados da madrugada, voltando de suas baladas ou o inferno que seja, bancados por papai e mamãe, provavelmente nem trabalham os filhos da puta.

    Maldita insônia!

    Tudo bem, não tem problema, amanhã é feriado e posso dormir até mais tarde, na pior das hipóteses, cancelo a piscina e apenas bebo algumas cervejas com Derek.

    Levanto de minha cama, o lado direito se mantém vazio há muito tempo, desde que Stephanie pegou suas coisas e foi embora, deve ter me achado insuportável, mas não sinto falta dela, do sexo todo dia sim (então por que ainda tenho a foto dela no nosso quarto? Digo, no MEU quarto).

    O laptop está desligado, não estou com paciência de ligar e a escrivaninha é longe da cama (dois passos é muito longe no meu estado), a sonolência me domina por completo (mesmo sem conseguir dormir), deixa a sensação de que o mundo ao meu redor se move mais devagar. Melhor ir para sala assistir alguma besteira até pegar no sono. O caminho é curto, apenas um pequeno corredor, de alguma maneira parece menor do que o trajeto até a escrivaninha (assuma que se ligar o laptop irá atrás de Stephanie).

    Sento na minha poltrona, estico meus pés e puxo uma pequena manta, que sempre mantenho no sofá (mesmo no verão podemos ter noites frias, certo?). A tv de 58 polegadas acoplada à parede é outro orgulho que comprei com meu dinheiro. Sem Stephanie aqui, agora é tudo meu nessa casa, apenas a tv a cabo que não é.

    Neste horário passam apenas reprises, nem o canal pornô está interessante. Porra, quero apenas pegar no sono. Mudando de canais acho a gravação de algum talk show. É a entrevista de um jogador de futebol qualquer que me arranca algumas risadas com algumas histórias bestas. Que vida fácil esses caras têm, ganham em dez anos mais do que ganharei em 5 vidas e mesmo assim sempre querem mais em seus contratos.

    Dou duas piscadas, bem demoradas. Passei o dia todo trabalhando naquela merda de empresa, só queria que meu chefe morresse, aquele gordo, careca, filho de uma puta, ou eu poderia comer a mulher dele, tenho certeza que metade da empresa já passou por ali. É...uma... bela... esposa... trofé....

    Na terceira piscada meus olhos não abrem.

    Fui dominado pelo cansaço, senti o relaxamento por todo o corpo, a sensação era boa demais, aquela manta que peguei no voo de volta de Paris era muito confortável e aconchegante. Esses pequenos cobertores de avião são sempre muito bons. Mas se vou dormir é melhor voltar para cama.

    Abro os olhos e vejo que as paredes sangram ao meu redor, o chão está coberto de carne decomposta, com vermes se mexendo e moscas voando, além de ossos quebrados espalhados por toda a parte. A cena me causa um frio no estômago, meus olhos estão arregalados, o coração pulsando acelerado e o frio domina meus músculos.

    Um pequeno vulto branco escorregou da janela para o além, mas era possível ver algo escrito no orvalho, “estou chegando...”. O horror daquela imagem me fez cair da cadeira, fecho os olhos com a dor do impacto. Quando os abro, o cômodo está intocado, não havia nem orvalho na janela. Devo ter sonhado e não me dei conta.

    (Deus, que sonho horrível.)

    Essa fresta na janela tira todo o ar quente da sala. Porcaria de brisa fria vai acabar com a minha saúde. Aos poucos vou me aproximando da janela, para fechá-la, ainda enrolado em minha manta. Quando o faço, reparo em um pequeno rastro, quase imperceptível, de suor formando a frase “estou chegando...”.

    Que porra é essa? Quem escreveu isso aí? Devo ter visto acordado e acabei sonhando, sim, faz sentido. Mas quem conseguiria escrever isso na janela do nono andar? Estico meu braço, com a manta, e esfrego ali até a frase sumir. Bosta, perdi o sono agora. Vou dar uma mijada.

    O alívio no banheiro é muito bom, deve ter saído uns dois litros de mim, como pode ser? Acho que não bebi dois litros de água o dia todo. É um bom ponto, preciso me hidratar mais, só que no frio é difícil. Não sinto tanta sede. Acho que é mais uma daquelas promessas, que farei no amanhã que nunca chega.

    Lavo as mãos com água quente, chega a sair fumaça da torneira, cara como eu amo essa pia transparente, olha ela toda embaçada. Foi muito cara, mas valeu cada centavo e ela ainda acende umas luzes psicodélicas.

    Fecho a torneira e enxugo a mão, é quando sinto uma sensação estranha no fundo da garganta, começou como uma tosse leve e, logo, parecia que um pequeno grão de arroz entrou no buraco errado. Continuo tossindo e a sensação não passa, tusso mais alto e mais forte. Tento escarrar o que está em minha garganta e vou perdendo o fôlego aos poucos, arranho minha garganta forte ao ponto de minhas unhas ficarem vermelhas.

    Caio no chão e bato minha cabeça na parede de azulejo, o barulho é oco, não me importo, forço todo o meu pulmão naquela maldita tosse e é quando finalmente sai, aquela coisinha branca...

    Isso é um dente?

    Passo a língua dentro de minha boca para ver se não tenho nenhum faltando. Não tenho. Como isso foi parar dentro de mim?

    Olho para a pia e na condensação no vidro está escrito “estou chegando...”.

    A crise de tosse me ataca de novo, e mais forte, sinto vontade de vomitar, foi quando as primeiras gotas de sangue saíram de minha boca. O pânico me domina

    (o que diabos está acontecendo comigo?),

    a tosse segue incessante e não consigo me levantar. Com esforço fico de joelhos sinto como se todo o meu estômago estivesse prestes a vir para fora. Faço uma concha com as duas mãos. Então, de minha boca saem inúmeros dentes, sangue e pedras de gelo.

    (Incrivelmente, o que mais me chocou foram as pedras de gelo.)

    Contudo, sinto-me melhor e consigo me levantar, aquilo que não escorreu por entre meus dedos, joguei na privada e dei descarga. Fui até a pia novamente, apaguei aquela mensagem, lavei as mãos e molhei o rosto.

    O que está acontecendo comigo? Será que ainda estou sonhando? Vou acordar na sala de novo?

    Foi então que olhei no espelho e, atrás de mim, através da porta, consegui um vislumbre do corredor e aquele mesmo vulto branco apareceu. Virei-me no susto.

    BLAM!

    A porta bateu.

    (Mas que porra foi essa?)

    Meu coração parou por um segundo, senti o forro da minha calça esquentar e umedecer. Em meu desespero agarrei a maçaneta, estava gelada, como nada que já havia sentido antes. Minha mão queimou e a retirei rapidamente, apenas para ver que um pedaço de pele que ficou para trás, naquele metal.

    Senti um ardor onde a pele se desprendeu, olhei para minha mão e vi a ponta do anelar escurecer, até a primeira dobra.

    Então começou a sensação de dor...

    A pior dor que já senti na vida...

    Aquela dor acompanhava o rastro negro e era excruciante. Se alastrava rapidamente e, em instantes, chegou na segunda dobra. Procurei alguma tesoura ou algo do tipo. Não achei nada que pudesse me ajudar.

    (Meu Deus não acredito que vou fazer isso.)

    Coloquei o anelar inteiro na boca, fechei os dentes em volta dele e apertei com força. Soltei um grito abafado, a dor aumentava. Em meu desespero comecei a abrir e fechar a boca mais rápido e mais forte, os gritos de horror consumiam minha alma e usavam todo o meu pulmão. A dor intensificava cada vez mais, foi quando senti um pequeno peso em minha língua e reparei no sangue morno escorrendo pelo meu queijo.

    As lágrimas escorriam e encontravam o catarro que saia de seu nariz. Cuspi aquele dedo preto no chão e vi o líquido nefasto sair dele. Não tive tempo de ir até a privada, não consegui nem me levantar, apenas vomitei no chão a minha frente. Foi quando apaguei.

    Ao recobrar a consciência, por um breve momento,  imaginei ter sonhado tudo aquilo. Foquei meus olhos e reconheci aquele maldito dedo preto no chão. O odor parecia pior do que todo o sofrimento que senti até então. Com cuidado peguei aquela membro macabro, joguei na privada e dei descarga. Foi quando fechei os olhos e não contive as lágrimas incessantes.

    O vidro do boxe estourou e me arremessou contra a parede. Bati meu rosto e vi o sangue escorrendo por meu olho direito. Senti diversos cortes e tive medo de olhar, para saber minha condição de fato. Tudo que queria era sair dali, nada mais. Nunca fiz coisa nenhuma para merecer isso. Retirei minha pantufa e bati com ela na maçaneta até a porta abrir. Fiquei com medo de mais dor.

    Cada passo era difícil, o rastro de sangue escorrendo de meus cortes e, principalmente, de meu dedo decepado, diziam para eu desistir. O esforço que fiz era tremendo, contudo, consegui chegar à porta do quarto, onde poderia pegar meu celular para ligar para alguém. Sei que ninguém usa o anelar como impressão digital para desbloqueio, mas o pensamento me fez cair sentado gargalhando. Acho que minha sanidade se esvaia.

    Fiquei de pé novamente e entrei no quarto, quando olhei para minha cama, vi diversas marcas de mãos em sangue ali, estavam espalhadas no cobertor, nas paredes, na escrivaninha, nas cortinas, no armário e todas tinham o anelar faltando.

    (Eu fiz isso? É impossível, acabei de sair da merda do banheiro.)

    Não precisei me preocupar em procurar o celular, ele estava no chão, todo despedaçado.

    Foi então que olhei para o teto e vi aquela mensagem escrita em sangue “ESTOU CHEGANDO...”

    Foda-se essa merda, eu vou embora daqui...

    A dor me consumia e mal conseguia andar. Consegui passar pelo corredor, a custo de muito empenho, e fui até a porta de saída de meu apartamento. Estiquei minha mão, com todas as minhas forças, e abaixei a maçaneta. Já conseguia sentir o ar frio da rua e um breve sorriso invadiu meu rosto.

    Quando puxei a porta, ela não veio.

    Claro, está trancada, eu chequei isso antes de dormir. Peguei a chave que deixo pendurada por ali. Minha mão tremia de desespero e pavor. Tive que usar as duas para enfiar aquela porcaria no buraco, mas consegui.

    Giro a chave e ouço o click da liberdade.

    Puxei a porta.

    É então que vejo...

    Ali parada...

    Aquela mulher de branco com seus dentes pontiagudos em um sorriso maléfico.

  • A Ponte Sobre o Rio

    Antonio estava de pé no parapeito da longa ponte estaiada. Os pés descalços tocavam no concreto frio, vacilando entre uma rajada de vento e outra. Não tenho nada a perder, ele sussurrou. Tinha sim, muito a perder, uma força interna lhe dizia.
    Puxou o capuz para baixo, estava frio. Seu rosto era triste. Muito abaixo de si, centenas de metros abaixo, corria um rio negro e gelado, águas traiçoeiras que seriam capazes de levar toda a cidade em seu curso. Ah, a cidade, pensou melancólico. E se nunca mais visse sua família, seus amigos, ele...? Ele, o homem que eu amo, o homem que disse que...
    -Eles não precisam de mim. - Parecia mais real quando dizia aquilo em voz alta. Ouvir a própria voz era estranho agora. Parecia que não a ouvia há tantos anos... Sabia que seria um estorvo a menos na vida dos seus pais, mas seu irmão e o seu amor... Não há amor nenhum. Não existe mais amor.
    Olhou pro alto, além dos cabos de sustentação que seguravam a longa Ponte Topázio, para o céu da madrugada. Não havia estrelas ou lua. Era apenas um vazio frio e silencioso, e de alguma forma parecia que o seu vazio era ainda maior.
    O que sentia dentro de si era uma monstruosidade negra e maligna sempre lhe dizendo o quão era burro, fraco e covarde, infectando seus pensamentos, seus sonhos, oh Thomas, você vai chorar por mim? Você vai lamentar quando olhar pro meu nome numa lápide? Eu sequer terei uma lápide?
    O estômago embrulhou quando voltou a olhar pra baixo e o mundo girou a sua volta. Olhar para cima lhe desequilibrou por dois segundos e seria o suficiente para lhe ceifar a vida. Mas não foi isso que vim fazer aqui? Pra que iria querer essa vida afinal? Já estou vivo por tanto tempo, e de que me serviu até hoje?
    Não sabia mais. Olhou para a sua esquerda, para as margens da cidade adormecida. Eram luzes distantes agora. Tinha saído de casa no meio da noite, lembrava bem... Ou não... Ainda estaria em casa naquele momento? Onde realmente estava agora? Na cela de um manicômio qualquer? Esforçar a memória fazia sua cabeça latejar e a dor também quase o derrubou. Estava tão silencioso. O tempo andava lhe fazendo truques na cabeça. Ou seria todo o uísque, ou os comprimidos, ou...
    Não havia tráfego na ponte há dois dias... Como saberia daquilo? Era impossível saber, seu pai passou pela ponte horas antes, como não haveria tráfego? Desceu do parapeito para averiguar e realmente havia lá, onde a cidade começava, abaixo da placa de boas-vindas, grandes barricadas de contenção. Há quanto tempo seu pai tinha saído para aquela viagem? Houve um tremor, a ponte não era forte o bastante, lembrava das notícias, precisava se esforçar mais. A cabeça parecia que ia explodir. Mais, mais.
    A lembrança veio, um pequeno lapso de luz numa treva sem fim. Uma luz bastava para iluminar seus motivos. ‘’Você precisa de conserto! Nunca vai dar certo desse jeito Toni!’’, recordou. Era a voz do seu amor que falava, mas também a da sua mãe, dos seus colegas. A cidade inteira parecia gritar que ele não estava bem, que ele não era... Suficiente. Eu não tenho que agradar a ninguém. Mas se pelo menos eu me agradasse, já seria o bastante. Já seria o suficiente pra eu viver feliz.
    Por que as coisas precisavam ser assim? Tudo poderia ter sido perfeito em sua vida, mas as vozes nunca o deixariam ter uma refeição se quer em paz, sempre jogando coisas em seu ouvido, em sua cabeça. Você é ridículo Antonio, vê? Olhe como eles te olham, ouça seus pensamentos. Você é lixo, você é merda e ainda é mais inútil que lixo e merda juntos.
    Afastou as vozes esmurrando o pequeno muro de concreto que separava a via do abismo logo abaixo. Só precisaria de um passo, de um salto. De um único segundo de coragem. Era o que necessitava. Socou o concreto como se visse nele a face de Jorge, de Miguel, de Vinicius, todos eles ali, caçoando dele... Viu também Benjamim, seu falecido padrinho... É o nosso segredo, ninguém vai saber, a voz era seca e maliciosa e as mãos eram puro osso, mas vieram em sua direção. Antonio gritou.
    As mãos latejavam de dor quando parou subitamente de gritar. Não percebeu quando parou de golpear o muro. Estava ofegante e havia sangue. Também havia lágrimas, sentia-as escorrendo pelo seu rosto ridículo, transbordando dos seus olhos ridículos. Tirou os óculos e jogou no chão. Deu um soco no próprio rosto, infelizmente não tão forte quanto gostaria.
    Ele diz que eu sou lindo, a voz amigável recordou dentro de si. Ele também era lindo, Toni pensou. O amava muito, e era amado de volta, sabia. Mas sabia também que a voz da razão tinha muito mais a dizer. Sim, diz que você é lindo. E também que você é louco, que deveria ser internado, que não passa de um doente, paranoico e que nunca dará certo com ele. As palavras afogavam em lama todo o sentimento bom que estava lá há tão poucos momentos.
    Naquela hora já teriam percebido que ele não estaria na cama? Não, claro. Era madrugada e mesmo que alguém acordasse, quem sequer iria se importar de checar se estaria bem? Era muito mais provável que seus próprios pais o empurrassem daquela ponte. Não, eles te amam e querem sempre o seu bem, NÃO! Eles não te amam, não vê como eles debocham? Não ouve o que eles dizem quando acham que está dormindo? Eles sabem que você vai morrer. Eles querem que aconteça.
    Antonio se divertiu por um momento imaginando qual a reação quando, pela manhã, encontrassem a cama vazia e um bilhete de despedida sobre o travesseiro. Logo o sorriso desapareceu do seu rosto quando percebeu o que fizera. Me tomarão como um covarde, como um bobo e idiota! As lágrimas já tinham partido, mas as sentiu voltar. Já tinha ido tão longe agora...
    Poderia voltar a andar para casa, esconderia as mãos feridas nos bolsos pela manhã ou inventaria alguma mentira convincente. Rasgaria o bilhete em mil pedaços e ninguém jamais saberia até onde ousou tentar.
    Mas e aí? Sentaria na mesa com as pessoas que o repudiavam, iria para o trabalho onde todos o achavam um incompetente... Trabalho... Que trabalho? Uma outra voz sussurrou. Estaria ficando louco? Estaria finalmente inventando coisas como todos falavam que fazia?
    Não, não estava louco. Faria todos se arrependerem. Naquela manhã, quando encontrassem seu corpo na margem do rio, todos finalmente sentiriam algum remorso... Mas que corpo?
    O rio era rápido e violento, se chegassem a encontrar algum corpo levaria dias e ele estaria irreconhecível, e ainda que encontrassem seu corpo... Todos me chamariam de coitado por dois minutos e seguiriam suas vidas miseráveis.
    Mas sua vida também era miserável, sua família o odiava, não tinha amigos e seu namorado... Não há nenhum namorado, pensou, e por um breve instante sentiu-se... Destruído. Não tinha mais ninguém. Qual era o propósito de se viver assim? Nunca teria filhos, por que diabos tinha de ter nascido daquela forma? Quebrado, defeituoso, estúpido... Que tragédia era a sua vida afinal?
    A única cura para a vida é a morte, a voz lhe disse.
    Calçou os sapatos e subiu novamente no parapeito. Não deixaria seus sapatos para trás, não deixaria nada. Só uma vida inteira, sonhos, planos... Que planos? Ser um incomodo até finalmente morrer de velhice? Estava frio, escuro, e sua mente parecia um nós de gritos, choros e sussurros. As vozes tinham intensificado ultimamente, e nada mais era capaz de silencia-las.
    Tinha de ser agora. Em pouco tempo o sol retornaria, e com ele toda a sua desgraçada rotina. Sabia que enfrentaria todos novamente e sabia que seria derrotado como era todos os dias, como sempre foi. Estranho! Incompetente! Inútil! Não vê mulher? Ele tem um rosto triste. Ele é um adulto e vive chorando pelos cantos, ele vai acabar cortando os pulsos uma tarde dessas. Era agora. Sentia muito decepcionar seu pai, mas não era muito um fã de lâminas. Nem de pontes.
    Respirou fundo. Era capaz de ouvir o próprio coração agora. Tentou mais uma vez imaginar um futuro em que viveria e seria feliz. Teria uma casa em outra cidade. Talvez até outro estado. Uma grande casa, na beira do mar. Ou um apartamento, bem alto, bem longe de tudo.
    Viveria com ele, com o amor da sua vida. Teria filhos, cachorros, antidepressivos no armário e facas guardadas a sete chaves... O que? Não há felicidade para você seu idiota! Sua própria voz suplicava num apelo justo. Não entende? Nunca vai ter felicidade pra você. Faz um favor pra você. Pra ele. MORRE!
    O parapeito parecia querer expulsar seus pés. Ou suas pernas é que tremiam, não sabia dizer agora. Mordeu o lábio inferior até sentir o gosto de sangue. A dor física afastava a psicológica por alguns momentos. Seria o bastante. Thomas ainda me quer, eu sei disso. Ele me ama... Mas não amava. Não depois de tudo, não depois de tanto. Ele nunca terminaria, mas por pena de mim, o Toni maluco, e por medo que eu morra. Eu tenho que me deixar ir. Por ele, por todo mundo. Que falta eu farei no mundo?
    Haveria o outro lado? Encontraria todos os que já se foram com um olhar julgador lhe esperando? Eles não têm direito de me julgar. Eu sei o que eu passei. Eu senti o inferno da vida. Eu nasci no inferno da vida. Mas isso nunca impediu ninguém de lhe julgar. Não deixaria o receio lhe impedir agora. Essa era a mudança que precisava fazer. Era o rumo que precisava tomar.
    Na última decisão da sua vida, Antonio Prata deu um passo a frente. A ponte subiu atrás de si, indo encontrar o céu, enquanto seu corpo ia na direção contrária. Teria sido seis segundos ou seis séculos?
    O coração saltou em urgência. Sentiu em uma fração de segundo todos os beijos de seu amado, os sorrisos de seus colegas, e os ‘’bom dia’’ que recebia todas as manhãs, tão confortantes quanto um abraço... Ouviu suas brigas, suas brigas, SUAS! Era ele o tempo todo, era eu o causador... Discussões vindas do nada e por nada!
    Lembrou de como todos o olharam quando jogou aquela cadeira pela janela do escritório bem na frente do seu chefe... Eles estavam rindo de mim, estavam zombando, NÃO, NÃO ESTAVAM! E tantas discussões, e tantas lágrimas e tanta paranoia...
    Todos estavam contra mim, imaginou, não, não estavam. Todos queriam ajudar. Nem recordava o motivo pelo qual estava ali, naquela ponte fria, sobre aquele rio frio. Seria possível que fosse mesmo um quebrado? Estaria bem mais quebrado em breve, quando sua eterna queda chegasse ao fim.
    Viu sua mãe chorar sobre o seu caixão e se perguntar o que havia feito de errado... Por que mesmo na morte precisava estragar tudo? Quis voltar quando sentiu em si a dor da mulher que há vinte anos tinha lhe dado à luz. Mas não havia volta. Nem mesmo mandou uma mensagem a seu namorado... Eu te amo Thomas, as lágrimas nem teriam tempo de sair desta vez.
    As águas negras subiram tão depressa... E o engoliu de uma única vez quando as sentiu envolver a pele, tão geladas... Tentou gritar, mas o ar escapou todo de uma vez e se debateu, chutando, esperneando, esmurrando... em vão.
    Não enxergava nem ouvia nada. Jamais receberia ajuda agora. Foi arrastado rio abaixo, tentando se agarrar em qualquer coisa, mas as mãos só encontravam água. Por um instante conseguiu ver o que pareciam ser as luzes da cidade, algo turvo a distância. Os malditos óculos, deixei na maldita ponte. O alívio nem teve tempo de surgir em si, pois logo depois tornou a submergir.
    Não queria morrer, só queria ajuda, só queria... conserto, a voz completou, tarde demais. Pensou na casa e nos filhotes que nunca teria, nos beijos do seu homem que agora seriam de outro. Meu Thom, meu amor, te amo, te amo, vamos casar e adotar filhos e... E eles irão visitar meu túmulo um dia, ao lado do novo pai? Vai contar a eles que eu pulei da ponte Thomas? Os filhos que deveriam ter sido meus! E os beijos, e a casa, e o futuro! O meu futuro!
    Seria assim que partiria, desesperado, lutando pela vida? Será que saberiam o quão assustado ele estava? Achariam que ele esteve determinado e corajoso até o fim? Isso não é nenhuma coragem, eu deveria... Deveria... Viver.
    Viver. A palavra ecoou dentro e fora do seu corpo. O próprio rio a gritava, viver! Viver! Eu quero viver!
    Os pensamentos se tornaram borrões e os borrões viraram nada, quando a vida lhe deixou o corpo. Um pescador lhe encontrou pálido e inchado três dias depois, a quinze quilômetros da cidade, na margem do Rio Topázio.
    Os olhos ainda estavam abertos, olhando para o nada, e parte dos lábios e uma orelha haviam sido devorados por algum bicho, mas o rosto ainda era... triste.
  • A primeira ação quando a quarentena acabar será...

    As vezes o pensamento flutua em retrospectiva, olho para trás e questiono minha caminhada até aqui. Estou beirando os quarenta, alguns sonhos, poucas oportunidades mas firme, desistir jamais! A vida era normal regada de esperança por dias melhores.

    Inimaginável colapso, mundo às avessas, sofrimento e agonia. Uma pandemia fortuita trazendo destruição. Sendo emergentes o óbvio, governança pífia, brecha para espoliação de verbas e desrespeito, pois há sempre incrédulos não querendo entender a real complexidade. Em meio a reveses como sonhar? Tendo esposa, filha, a missão seria garantir renda e orar por luz no fim do túnel. A trajetória não se mostrava fácil, isolamento, reaprender a conviver, trabalhar enfim inúmeros detalhes.

    Sou do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, estado praticamente falido, décadas de corrupção, violência urbana expandindo e as chances menores. O tempo passava, não me iludi achando ser imediata a resolução. Diferente de outros estimando um, talvez dois meses para voltar ao normal. Imaginava no encerrar da quarentena o que faria ? Qual a prioridade ? Para muitos curtir aquela noitada, boteco, temos os viajantes, cinéfilos, etc. No entanto a meu ver projetar o simples bastaria.

    O recorde negativo país a fora seguia avassalador. Mais uma vez os cariocas eram destaque. Parte da população ignorava a doença sendo alheia as medidas protetivas e indignava aqueles buscando agir corretamente. Acreditei estar fazendo papel de bobo cumprindo a reclusão, mas buscava ter equilíbrio emocional para disseminar bons fluídos. Pensava nos entes queridos, estar longe simbolizava cuidado, respeito e acima de tudo amor.

    Todos os dias quando colocava minha filha para dormir sem hipocrisia rezava agradecido. Uma menina saudável, linda e forte. Por ter dois anos, ainda não estudar e conviver socialmente facilitou alguns pontos. Lembram da retrospectiva ? Valeu a pena estar aqui nesse exato momento! Deus vem sendo generoso proporcionando estar empregado para garantir o conforto da família. Não posso reclamar e me fazer de infeliz, seria injusto. Os sonhos vão retornando gradativamente e na hora certa se tiverem que acontecer estarei pronto. Até lá, sigo trabalhando firme. Ah! Faltou dizer, após a quarentena desejo levar minha filhota em um lugar para correr bastante! A garota adora! Ser pai trouxe outro sonho vê-la crescer.

    Estou ciente das adversidades, turbulências e desafios pós pandemia. Mas estamos vivos e ainda há tempo. Muito obrigado SENHOR por essa vida! E benção para todos vocês.

    LUTE E NÃO DESISTA!
  • A rebelião das bruxas- Parte III- Final

    O Conselho ratifica o pedido de Morgana: conclamar os guerreiros(as) para uma guerra contra os fazendeiros. Desde a antiguidade, as ordens religiosas, sobretudo as de natureza secreta, como as "Irmãs de Ísis", possuem um treinamento e um preparo para momentos de conflito, inclusive guerra armada. Além da educação tradicional que recebem quando crianças, elas tem instrução militar, de tiros e artes maciais. Todos(as) ali sabem atirar e lutar. Eram, além de frágeis moças dedicadas à agricultura, guerreiras preparadas para a guerra.
       Quase toda fazenda se arma. Quase  todas as irmãs saem decididas a acabar com os fazendeiros da cidade. Muitas saem de carro,  Outras a pé. Em cada casa que passam, deixam a marca de sua ordem: a cruz ansata e um monte de mortos.
       Alguém bate à porta de Morgana. Ela pede que uma de suas ajudantes vá atender o chamado. Ao chegar à porta , a serviçal recebe um tiro na testa. Morgana ouve o disparo. Arma-se e se esconde. A pessoa entra na casa à sua procura.
    - Vamos, Morgana, apareça! não seja covarde!
       Morgana está escondida dentro de sua cama. De lá, observa quem à procura. Reconhece. É um dos tatuados. Um dos pais de seus filhos.
    - Chegou sua hora de morrer. Nós tatuados vamos tomar a fazenda. Já eliminamos o Conselho. E de sua família só restou você. Ela mira seu revólver em seu ex-amante. Ela o acerta na cabeça. Depois a esmaga com os pés. Espia com muito cuidado o lado de fora da casa. Vê tatuados(a) rondando a fazenda.
    - Esses malucos acabaram com a irmandade. Enlouqueceram!
       Ela vai ao seu arsenal de armas, municia uma submetralhadora. Da janela, metralha os cinco tatuados(as) que vê. Decide sair da casa. Veste uma roupa comum e se manda. No portão, bem no topo da cruz, a espiã do Conselho a espera.
    -Aonde pensa que vai,  Morgana?
    - É você, Verônica? como está horrível. Suja e maltrapilha.  Andou ferindo alguém?
    - Sim. Matei muitos fazendeiros e muitas irmãs também. Você será a próxima.
    - Acha que vai ser fácil? desça daí e lute.
    - Lutar? não se faça de idiota. Eu tenho um presente. Uma automática.
       Antes de Verônica sacar sua pistola, Morgana corre para as Oliveiras e se esconde. Ela também carrega uma pistola. Verônica desce do portão. Na descida é alvejada por tiros , mas só um deles a atinge. Seu ombro está ferido. A arma cai no chão. Ela corre para as oliveiras e deixa sua pistola para trás. Sangra muito. Ambas estão em lados opostos da fazenda. Morgana armada, Verônica ferida e desarmada. Vários disparos são dados a esmo nas Oliveiras onde Verônica se esconde. Nenhum a atinge. Ela corre pelo mato e já está próxima do lago, por onde há uma saída. Sabe que os crocodilos podem sentir o cheiro de seu sangue e atacá-la. Mas não existe outro caminho. Se voltar Morgana a mata, se ficar morrerá sangrando ou de alguma infecção. Verônica é astuta, ágil, inteligente e uma guerreira bem treinada. Pega dois bambus e com um deles improvisa uma arma(lança). O outro servirá para um salto cuja altura os crocodilos, caso apareçam, não possam alcançá-la. Ela joga para o meio do lago os membros de uma das irmãs mortas para distrair os crocodilos. Enquanto isso caminha lentamente, sem fazer barulho, à beira do lago cuja margem fica encostada ao muro. Ao passo que anda, o muro diminui de altura, porém se aproxima mais da água. Ela não percebe, mas seu sangue fresco que pinga à beira do lago atrai um crocodilo, que a segue. Antes de saltar o muro, precisa tomar distância, e para isso precisa entrar na água. Com um bambu, ela vistoria a água. O bambu trava. Ela sabe que ali a fera está preparada para o bote. Pensa em algo. Se entrar um pouco mais na água será devorada. Ela resolve colocar em prática umas técnicas que aprendeu: esperar o bote do animal, desviar-se dele e utilizar o corpo do animal para saltar o muro. Ele recolhe o bambu e faz uma posição para atiçar o animal. O crocodilo dá o bote, ela gira o corpo em 360 graus e encosta o bambu na cabeça da fera e salta, mas o crocodilo se ergue e usa seu rabo antes que o corpo de sua presa atravesse a parede. Ele a lança nas águas. E entra nelas. E a perseguição começa. Ela nada rapidamente, mas a fera está prestes a alcançá-la. Ela alcança a borda novamente. E ambos estão na mesma posição de antes. Frente a frente. Verônica não arrisca. Volta para as Oliveiras. Corre freneticamente pela mata, o crocodilo sai da água, mas retorna.
       Morgana está a quilômetros da Fazenda. Aproxima-se de um carro aberto. Ela o examina. No carro,  as chaves estão sobre um dos bancos. É o momento de fugir. Entra no carro, liga  a chave e acelera. Enquanto dirige, alguém suspira com uma voz quase diabólica em seu ouvido ao mesmo tempo em que encosta um revólver em sua cabeça :
    - Olá, Morgana?
       Morgana olha para trás e reconhece o rosto. É a presidente do Conselho.
    - Pensa que vai fugir não é, sua traidora? Volte para a fazenda, irmã, agora!
    - Sua idiota. O que que quer lá? Acabou. Todos morreram.
    - Volte ou estouro seus miolos.
       Chegam à fazenda. Verônica ainda está escondida nas Oliveiras. Ela vê Morgana sendo escoltada com uma arma na cabeça.
    - Presidente, sou eu, a Verônica.
    - Olá Verônica, pensei que estivesse morta.
    - O que vai fazer com ela?
    - Vou sacrificá-la.
    - Por que não atira  na cabeça dela e vamos embora daqui?
    - Perdeu seu espirito ritualístico, irmã Verônica?
    - Irmã, estou muito machucada. Acho que não sobrevivo.
    - Antes que morra, preciso da sua ajuda. Mas pelo que vejo, está muito mal. Vou lá dentro buscar uns anestésicos. Segure-a aqui enquanto pego as seringas e a medicação. Qualquer movimento não hesite. Mate-a. A presidente do Conselho volta com a seringa e os anestésicos. Aplica-os em Verônica.
    - Agora se sente melhor?
    - Sim. Muito aliviada. Obrigada Presidente.
    - O que vai fazer agora? pergunta verônica
    - Acionar a cruz e amarrar essa idiota nela.
    - Vai jogá-la aos Crocodilos?
    - Eles não merecem uma carne tão ruim.
    - E então?
    - Morgana ficará despida na cruz até morrer de inanição. Ficará dias amarrada até morrer. Não há ninguém neste fim de mundo para salvá-la. Vamos, ajude-me.
    - Já está amarrada, presidente
    - Acione a cruz para que ela se eleve o mais alto possível. Depois trave-a e destrua o mecanismo de acionamento para que ninguém a tire daí.
    - Feito, fala verônica com a voz ofegante.
    - Agora queime o barco e vamos embora daqui.
       As duas vão embora de carro enquanto Morgana agoniza de fome e sede na cruz.
    - Para onde vamos, presidente?
    - Santa Catarina. E pare com essa idiotice, garota. Não sou mais presidente. Nossa ordem morreu.
    - Por que vamos para Santa Catarina? Eu achei que sairíamos do país.
    - Há uma irmandade que irá nos acolher. São fazendeiras iguais a nós. Também imigraram da Alemanha no mesmo ano que nossos avós. Lá elas adoram os deuses gregos.
    - É a fazenda das Videiras não é? da irmã Milena.
    - Isso mesmo.
    - Acha que ela vai nos aceitar?
    - Como adeptas da fazenda jamais. Passaremos apenas alguns dias para planejarmos o que faremos e para onde iremos.
       Dr. Wolff está cercado. De um lado o delegado e o inspetor, do outro as tatuadas. Uns sete tatuados(as) fortemente armados atiram na casa sem parar. Os policiais já estão sem munição.
    - O que faremos agora, delegado?
    - Esperar os reforços.
    - O Senhor os chamou?
    - Não
    - E por que acha que virão?
    - Alguém deve ter chamado, diz o delegado!
    - É um pena!!!!!!
       A Polícia Militar chega ao local do confronto junto com o promotor. Alguns tatuados(a) conseguem fugir. Mas cinco são abatidos. O delegado, o inspetor e o Dr. Wolff são leva para o interrogatório e logo são liberados. O médico se manda para Santa Catarina. Tem certeza de que a polícia não tardará a descobrir que ele está por trás da matança. Os policiais conseguem retirar Morgana da Cruz, mas sem antes perderem três homens para os Crocodilos. Ela é detida e presa. Desce imediatamente para o presídio.
       Na estrada, duas tatuadas esperam algum viajante. Uma delas sucumbe aos ferimentos e morre. A outra, bastante ferida, sobrevive. Vê um carro. Acena. O carro para. Um senhor sai dele.
    - Venha, minha jovem, vou ajudá-la. Você era uma das brancas, não era?
    - Sim.
    - Todas morreram?
    - Receio que sim.
    - Nossa fazenda também foi atacada pelos capangas do Dr. Wolff. Estamos indo para Santa Catarina, onde os tios dessa criancinha moram.
    - E qual o nome desse anjo?
    - Raquel. Os pais delas morreram no ataque.
    - Por que os atacaram?
    - Porque na fazenda havia uma plantação de maconha.
    - O senhor poderia me deixar no hospital mais próximo, por favor. Não estou suportando as dores.
    - Chegamos. Pode descer, branca.
    - Obrigado, senhor. Mas antes deixo este presente para esta linda criança. É uma cruz. Que ela a guarde. Vai protegê-la.
    - Até mais branca. Obrigado pelo presente, quado ela crescer, contarei a sua história.
    A tatuada se despede. E sob sol escaldante e a poeira da estrada, o carro some de sua vista.
  • A Ressurreição

    Uma Luz se acendeu
    Quando o menino Jesus nasceu, transformou água em vinho, multiplicou sete pães, Andou sobre as águas Curou enfermos, surdos, Cegos e paralíticos, purificou os leprosos,ressuscitou Lázaro,realizou vários outros milagres.
    Mesmo assim,
    Muitos em ti não acreditavam...
    Por Judas foi traído,e por Pedro três vezes negado.No deserto pelo o inimigo foi tentado Jesus foi crucificado,Seu sangue foi derramado,
    Para salvar os pecadores
    Que de seus milagres muitos duvidaram,
    Deus deu seu único filho
    Para salvar toda humanidade
    Viu na cruz sendo pregado
    Com o coração triste,
    A cada segundo nosso senhor sofria calado.
    mas, para a alegria dos fieis
    Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou.
    Com amor e nenhuma magoa a todos Jesus perdoou
    Com sua bondade de braços abertos
    A todo Jesus ampara,
    Mas fecha os olhos para não vê os nossos pecados,
    Sem nenhum arrependimento Jesus esquece todo o nosso passado. Que nesta Páscoa nos lembremos dos ensinamentos de Jesus: PAZ, AMOR, HUMILDADE e RESPEITO AO PRÓXIMO.
    Que o amor de Deus possa chegar a todos os corações, amando uns aos outros como Jesus nos ensinou.
  • A solidão me remete paz.

    Eu posso me acostumar com sua presença, mas eu prefiro ficar só. É meu espaço, e eu não gosto de visitantes. Eu sou tão acostumada com a ausência de pessoas que eu nem sinto falta. Não sinto falta de algo que eu sempre tive, solidão. Não acho a solidão tão ruim quanto todo mundo, eu até gosto. Eu gosto de me ter por inteira e não por partes, precisei ficar só para conseguir me amar e notar que eu só tenho, que eu só posso contar com uma pessoa na minha vida. Eu.
  • A vida atrás de uma tela de computador.

     

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    Ao anoitecer de uma noite qualquer, um garoto jovem e “normal” aos olhos de muitos, procurava se desligar de sua vida e viver em um “novo mundo”. Onde vivia de uma falsa realidade, uma felicidade temporária, mas mal sabia ele que, algo muito ruim estaria por vir, que acarretaria em muitas desilusões e decepções. 


    Muitas vezes seus pais não tinham tempo para lhe dar atenção, o jovem garoto e seu irmão, procuravam ocupar seu tempo se divertindo no mundo dos games. Mas seus pais mal sabiam o que realmente seu filho mais novo estava a fazer na internet.                              

    Ao longo dos anos, seus pais se separaram, Bryan ficou muito triste e abalado, pois ele amava muito seus pais. O garoto, não conseguia compartilhar seus sentimentos com os outros, escondia tristezas profundas, e feridas que jamais seriam cicatrizadas. Bryan ainda estava descobrindo sua sexualidade, mas desde cedo já sabia que era diferente dos outros garotos.

    Aos 13 anos, Bryan inventou de criar um personagem feminino em um jogo, onde ele se passava por menina. Bryan sempre gostou de agir como uma menina, mesmo sabendo que isto era errado, ele fingia ser alguém que ele não era.                        

    Ao passar dos anos, Bryan viveu como um personagem, ao tal que ele deu o nome de (Maria Clara), tinha muitos amigos, parecia que tudo estava perfeito na vida de Bryan, até que tudo mudou. Aos 16 anos, Bryan conheceu um garoto da mesma idade que ele, por uma ferramenta muito conhecida como (DISCORD).

    Bryan obviamente gostou muito do garoto e acabou criando vínculos de amizade, mas mal sabia Bryan, que a partir deste vínculo, sua vida estava prestes a desmoronar.                        

    Após alguns dias de conversa, Bryan acabou se apegando e eventualmente se apaixonando pelo garoto, e acabou pedindo o mesmo em namoro, o garoto por ter gostado da “Maria Clara”, acabou aceitando o seu pedido. Os dois ficaram muito felizes, com o passar do tempo as coisas acabaram ficando mais intensas, Bryan por estar cego de amor pelo Pedro, acabou levando esta farsa a diante.

    As coisas começaram a complicar, pois o garoto começou a pedir fotos, vídeos e até mesmo chamada de vídeo, foi quando a vida de Bryan começou a se complicar.

    O garoto morava muito longe e era muito ingênuo, Bryan se aproveitou disso e começou a mentir para o garoto e passou a enrola-lo, a cada dia que se passava, Bryan estava mais envolvido e apaixonado. Pedro e Bryan viviam juntos, passavam todas as madrugadas assistindo séries na Netflix ou jogando, Bryan gostava muito da companhia de Pedro, ambos gostavam muito do tempo que passavam juntos.

    Para sustentar este namoro, Bryan teve de contar muitas mentiras, uma delas foi inventar que seu personagem “Maria Clara” era muda. Ao saber disso Pedro ficou chocado no início, mas super aceitou, começou até a fazer curso de libras, para que quando se “encontrassem” pela primeira vez, ele pudesse se comunicar com ela.    

    Até que se passaram cinco meses de mentiras e falsas promessas, Bryan estava muito mal, e estava começando a afetar seu relacionamento. Em uma longa noite, Bryan tentou cometer suicídio e Pedro teve de impedir, até então Pedro achava que sua “namorada” só estava passando por problemas psicológicos, mas nunca soube o porque.

    Após estarem namorando a seis meses juntos, Bryan não suportava mais esconder a verdade, pois a cada noite que passava, ele ficava cada vez mais triste, pois no fundo ele sabia que, nunca realmente ficaria com o garoto, que eles nunca poderiam se encontrarem.

    Depois de Bryan sumir por uma semana, Pedro ficou extremamente preocupado, já por saber os transtornos psicológicos de Bryan. Quando Bryan finalmente voltou, ele criou coragem e contou toda a verdade, ele não podia mais esconder tudo isso de Pedro, seus dias como “Maria Clara” haviam acabado, seu personagem havia ido longe demais.

    Pois a intenção de Bryan era fazer Pedro se apaixonar loucamente por ele, que independente de Bryan ser homem ou mulher, eles iriam ficar juntos mesmo assim, mas não foi muito bem o que aconteceu. Ao ouvir toda a história Pedro ficou chocado, mas ao mesmo tempo estava completamente apaixonado por Bryan, e resolveu tentar continuar o namoro, mas desta vez com a verdadeira identidade de Bryan.

    Ao ouvir isto de Pedro, Bryan ficou muito feliz, mas esta felicidade durou muito pouco tempo. No dia seguinte, Pedro disse que não poderia continuar com isto, que havia uma barreira entre eles por Pedro ser hétero, e que se Bryan fosse mulher, ficaria com ele sem problemas.

    Foi quando neste momento, Bryan começou a odiar cada vez mais seu próprio corpo, começou a se culpar por não ter nascido mulher. Bryan estava loucamente apaixonado por Pedro, e faria qualquer coisa para tê-lo de volta em sua vida, pois Bryan não conseguia aceitar a ideia de tê-lo perdido.

    Com muita dor no coração, e com os olhos cheios de lágrimas, Bryan teve de aceitar e se desvincular de Pedro, apesar de isso parecer impossível para ele. Seus pais começaram a ficar extremamente preocupados com Bryan, pois ele não queria comer, estava dormindo muito, não queria mais sair de seu quarto, Bryan estava no fundo do poço, pois ele era emocionalmente dependente do Pedro.

    Com o passar dos dias, parecia que a vida teria acabado para Bryan, ele dormia e sonhava que Pedro estava mandando mensagem para ele, muitas vezes acordava chorando por aquilo se tratar de apenas um sonho. Para ele era como se o mundo estivesse desabando, pois ele sentia muita falta do Pedro, da companhia dele, de seu sorriso, da sua doce voz.  

    Apesar de Bryan ter tirado um peso das costas e ter tido a oportunidade de continuar amigo de Pedro, para ele não era suficiente, pois ele o amava e queria ter uma família com Pedro. Após muitas tentativas falhas de tirar sua própria vida, Bryan percebeu que deveria afastar-se de Pedro, ou caso contrário nunca o superaria.

    Bryan se afastou de tudo e de todos, e quando pareceu que sua vida estava acabada, surgiu uma luz no fim do túnel. Ao surgir esta luz, apareceu alguém especial, que amava Bryan do jeito que ele realmente era, Bryan ficou muito feliz, pois desta vez a pessoa não amava o seu "personagem", e sim ele mesmo. Com a chegada deste novo amor, Bryan ressurgiu das cinzas, quando tudo parecia estar perdido, sua vida começou a melhorar, Bryan podia finalmente encontrar a verdadeira felicidade.

    Será que finalmente Bryan está indo no caminho certo, ou talvez esteja indo a caminho de sua morte?

    Quem será este novo amor, de onde ele é, como será a nova história de Bryan, terá um final feliz?

    São dúvidas que logo teremos respostas. 

    O começo de uma nova história, ou o começo do fim?

    Largado em seu quarto, lá estava Bryan, pensando em sua vida e em seus atos, quando Bryan recebe uma mensagem anônima em seu celular.

    Bryan rapidamente o respondeu lhe perguntando quem era e como esta pessoa havia conseguido seu número. Após duas semanas sem resposta, Bryan é finalmente respondido, a pessoa "anônima" e misteriosa se identificou como Bruno. Apesar de Bryan desconfiar, no momento ele estava precisando de alguém para conversar, alguém que lhe desse atenção, e isto Bruno tinha muito para oferecer.

                                                                    

    Após várias noites conversando com Bruno, Bryan pode perceber que eles dois tinham muitas coisas em comum, talvez Bryan estivesse se apaixonando novamente, ele tinha muito medo de isto acontecer, pois já havia se machucado muito com Pedro. Bruno sempre foi educado e muito gentil, não aparentava ser uma pessoa ruim ou até mesmo que colocasse a segurança de Bryan em risco, mas até que em uma fatídica noite, tudo se provou o contrário.

    Bruno era muito misterioso, quando Bryan lhe fazia perguntas pessoais, ele respondia vagamente, nunca uma resposta concreta, Bryan não conseguia enxergar as malícias de Bruno. Mas até que então em uma noite, Bryan abriu seu coração e contou tudo o que sentia por Bruno. O Bruno obviamente ficou surpreso com tudo isto, ele também disse que gostava muito de Bryan e que estava escondendo isto a muito tempo.

    Os dois começaram a namorar, quando a vida de Bryan parecia ter entrado de volta ao eixo, tudo mudou e sua vida começou o verdadeiro inferno. Bruno não apareceu por acaso, Bruno não estava nem um pouco apaixonando. Na verdade Bruno estava apenas brincando com os sentimentos de Bryan, o sofrimento de Bryan estava muito longe se acabar, estava apenas começando.

    Bruno forçava Bryan a enviar constantemente fotos e vídeos íntimos, eles brigavam bastante por conta disto, mas Bryan sempre cedia aos caprichos de Bruno. Bruno não gostava de falar sobre sua família, isto estava incomodando Bryan, pois ele já estava desconfiando de Bruno. Após inúmeras desconfianças, Bryan resolveu investigar sobre a vida de “Bruno”, começou a fazer uma varredura nas redes sociais e a procurá-lo em todos os lugares, foi quando Bryan achou algo que não queria, as fotos que “Bruno” havia mandando, não eram dele.

    Bruno havia mentido e Bryan não entendia o porque, foi quando Bryan criou coragem e o questionou. Bruno ficou enfurecido e começou a culpar Bryan, dizendo que Bryan nunca deveria ter desconfiado dele. Bryan estava vulnerável e foi facilmente manipulado, três semanas após este episódio, Bruno revelou sua verdadeira identidade a Bryan.  O Bruno ao qual conhecemos não existia, Bruno se revelou como Pedro.

    O Pedro estava atrás de vingança, queria que Bryan tivesse passado pelo mesmo sofrimento que ele, queria que Bryan conseguisse sentir um pouco da dor que ele sentiu, ao ser enganado por seis meses. Após
     Bruno revelar sua identidade, começou a então a chantagear Bryan com as fotos íntimas e os vídeos que ele havia enviado. Foi quando toda tristeza de Bryan veio a tona, quando sua vida tinha começado a voltar ao normal, o verdadeiro inferno começou...

     Pedro conseguiu o número dos pais de Brayan e começou a mandar mensagens assustadoras para eles, e também começou a ameaçar Bryan de expor toda a história. Ao passar alguns dias, Bryan não suportava mais a tortura psicológica que Pedro estava fazendo com ele, foi quando Bryan resolveu dar um fim em seu sofrimento, Bryan se despede de seus pais e foge de casa pela madrugada.

    Ao caminhar pela estrada escura e deserta, Bryan sobe em um viaduto, e a partir daquele instante Bryan derrama suas últimas lágrimas, ali se vai com ele, todo seu sofrimento, todos seus sonhos e todas suas mágoas.

    Apesar de Bryan lutar contra sua depressão, contra seu sofrimento, infelizmente desistiu de lutar. Para Bryan ele era um fardo para as pessoas, que ele era um peso para todos, e que se caso todos descobrissem oque ele fez, todos olhariam com cara de nojo para ele.

    Em troca de seu suicídio, Pedro prometeu que morreria com Bryan toda a história, que se Bryan cometesse suicídio, ele não iria divulgar as coisas que Bryan havia feito. Apesar de tudo, Bryan tinha muito medo de seus pais acabarem descobrindo o que ele fez, então Bryan acabou aceitando a proposta de Pedro.

    Foi quando em um belo dia ensolarado, com os pássaros cantando logo de manhã cedo, Bryan se jogou do viaduto e infelizmente veio a óbito, seus pais ao receberem a notícia, entraram em desespero, sua mãe não conseguia parar de chorar.

    Apesar de tudo, Bryan sabia que por mais que lutasse contra seu sofrimento, jamais conseguiria sozinho. Muitas vezes ele implorou por ajuda e ninguém conseguiu ver o quanto ele estava sofrendo.

    Reflexão: Não brinque com depressão, pois é algo muito sério, não deixe de ajudar alguém que necessite de sua ajuda.   Muitas vezes algumas palavras de conforto, fazem a diferença na vida de uma pessoa.                                                                                    

    Após se passarem alguns anos do suicídio de Bryan, seu pai acabou ficando muito doente, sua esposa mãe de Bryan, vivia no hospital cuidando dele. Após o pai de Bryan estar três meses internado no hospital, em uma fatídica noite, infelizmente teve uma parada cardíaca e acabou vindo a óbito.

    A família de Bryan ficou muito triste, pois tinham acabado de perder Bryan a pouco tempo. Após duas semanas se passarem, a mãe de Bryan acabou adoecendo, pois ela estava muito abalada com a morte de Bryan e de seu companheiro. O irmão de Bryan, com muito medo de perder sua mãe também, acabou largando o emprego para cuidar dela.

    Foi quando a mãe de Bryan começou a melhorar cada vez mais, já estava até fazendo atividades físicas novamente, mas até então que tudo mudou. Quando tudo parecia estar voltando ao normal, mãe de Bryan piorou e muito, foi quando o mundo de Kaique irmão de Bryan, terminou de desabar.

    A mãe de Bryan lutou até o fim de seus dias, Kaique ficou oito horas em frente do bloco cirúrgico esperando por sua mãe, quando infelizmente os médicos deram a notícia de que ela não havia resistido. Naquele momento a vida de Kaique tinha acabado, aos 26 anos, Kaique tinha perdido seus pais e seu único irmão.

    Por dois meses seguidos, Kaique visitava os túmulos de seus pais e de seu irmão mais novo Bryan, pois para ele, aquele era o único momento que ele podia ficar um pouco mais próximo deles. Ali Kaique contava para eles sobre como tinha sido seu dia, os estresses do trabalho, e ao cair a noite, Kaique voltava caminhando para casa derramando inúmeras lágrimas.

    Kaique acabou conhecendo uma mulher em seu trabalho, o nome dela era Isabela. A Isabela era uma mulher, linda, gentil e muito carismática, Kaique esquecia de todos os problemas quando estava com ela. Foi quando Kaique percebeu que precisava seguir sua vida em frente, Kaique teve muito apoio de Isabela, e os dois acabaram ficando bem íntimos.

    Após se passarem um mês juntos, Kaique pediu Isabela em namoro, foi quando ela rapidamente aceitou, e os dois foram morar juntos. Já tinha se passado muito tempo dos fatos ocorridos, Kaique estava muito feliz com Isabela, os dois já até planejavam em ter um filho. Após Isabela finalmente conseguir engravidar, os dois resolveram visitar os túmulos dos pais de Kaique.

    Após chegarem lá, levaram flores e Kaique conversou muito com seus pais, Isabela pediu para Kaique levá-la ao túmulo de Bryan, quando chegaram lá, puderam perceber que já havia uma pessoa por lá. Ao se aproximarem, perceberam que se tratava de um homem, o perguntaram quem era e porque estava ali, o homem não quis se identificar e foi embora.

    Kaique achou muito estranho e resolveu ir todos os dias no túmulo de Bryan para ver se aquele homem voltava, foi quando em uma tarde chuvosa, os dois finalmente se encontraram novamente. O Kaique estava decidido a não deixá-lo ir embora sem antes lhe fazer algumas perguntas, pois até então ninguém sabia o motivo de Bryan ter cometido suicídio. E para Kaique, aquele homem parecia bem próximo de Bryan, apesar de Kaique nunca tê-lo visto em sua vida.

    Mal sabia Kaique que em sua frente, estava o assassino de seu irmão, o homem que havia destruído a sua família, e que sua nova família que estava prestes a ser formada, também corria um perigo enorme.

    O homem assustado ao ver Kaique pela segunda vez, resolveu correr para fora do cemitério, Kaique correu atrás dele mas acabou o perdendo. Foi quando Kaique achou ainda mais estranho e resolveu a partir daquele momento começar a investigar. Pois Kaique começou a perceber que poderia não ser apenas um suicídio, que algo muito maior estava oculto, e ele estava prestes a descobrir.

    Após ter passado anos de culpa, Pedro estava fazendo visitas constantes ao túmulo de Bryan, mas mal sabia ele que essas visitas poderiam acabar trazendo toda verdade a tona.

    O homem encapuzado, todo de preto, estava prestes a ter a identidade revelada. Pedro começou a investigar a vida de Kaique, onde ele trabalhava, onde ele morava, a que horas eles chegavam em casa. Pois para Pedro, Kaique poderia acabar com a vida dele, e que se ele sumisse com Kaique, tudo estaria resolvido.

    Foi quando Pedro resolveu arquitetar um plano, mas nada saiu como o esperado. Do outro lado, Kaique estava ficando paranoico, Isabela não o aguentava mais, e estavam tendo brigas constantes, pois Kaique insistia que não tinha sido apenas um suicídio qualquer, Isabela já estava furiosa com esta história.

    Foi quando em um dia muito chuvoso, Isabela e Kaique brigaram, Isabela resolveu sair de casa e ir dormir na casa de seus pais. Foi quando Pedro resolveu colocar seu plano em prática, aquela era a chance de Pedro, de por um fim em seus problemas.

    As duas 02:30 da madrugada quando Pedro havia entrado já na residência e estava escondido, Isabela bate na porta e acorda Kaique. Isabela havia desistido de dormir na casa de seus pais, pois estava preocupada com Kaique, Pedro ficou desesperado, pois estava preso dentro da residência.

    Deu 04:45 da madrugada, Kaique e Isabela foram dormir após terem uma longa conversa, Pedro subiu as escadas com um revólver na mão, estendeu sua mão sobre a porta e abriu, se aproximou da cama do casal e apontou seu revólver sobre Isabela.

    Pedro começou a chorar e então Kaique e Isabela acordaram assustados, Kaique logo reconheceu que era o mesmo homem do cemitério. Então Kaique começou a dialogar com Pedro, dizendo que ele não precisava fazer aquilo, que Isabela estava grávida. Pedro estava cego, ele tinha medo de que todos descobrissem a verdade, e estava disposto a tirar a vida de Kaique e Isabela para se safar de sua culpa.

    Foi quando os vizinhos ouviram gritos e tumultos e acabaram acionando a polícia, quando a polícia chegou ao local, Pedro ficou completamente transtornado, pois percebeu que sua vida estava acabada.

    Com a chegada da polícia, Pedro ficou muito nervoso, Kaique tentou se aproveitar deste momento para tentar tirar a arma de Pedro, mas sua tentativa falhou. O revólver disparou e a bala acabou atingindo o coração de Kaique, ali naquele momento Isabela entrou em desespero e acabou indo para cima de Pedro.

    Ao ir para cima de Pedro e tentar tirar a arma dele, Pedro acabou a empurrando para afasta-la, pois Pedro não queria matar Isabela por ela estar grávida.

    Ao empurra-la, Isabela acabou batendo forte com a cabeça em um espelho, e acabou vindo a óbito, foi quando ao ouvirem os disparos e todos esses barulhos, a polícia resolveu invadir a residência, mas infelizmente chegaram tarde demais.

    Ao entrarem no quarto, a polícia viu uma cena de terror, ao matar Kaique e Isabela, Pedro acabou se suicidando com um tiro na cabeça, foi naquele mesmo quarto que a história de uma linda família teve um fim trágico.

    Uma história de amor que acabou destruindo com uma família, após inúmeras mortes, a polícia resolveu abrir uma investigação, e a verdade veio a tona.

    Reflexão: Cuidado com quem você acabe se envolvendo, as vezes vivemos anos com uma pessoa, e não conhecemos como realmente ela pode ser.

                                                                   

     
  • A Visão Do Precipício

    Mais um. Alguns estão tão longe, outros estão na beirada. Eles são loucos para saber como será cair,mas no fim não é isso que querem,e no fim eles não tem coragem para pular. Alguns vão no impulso, achando que aquilo será o melhor. Outros apenas não vão, mas ficam perto o suficiente para serem tentados a pular. É que no fim todos têm medo. São de todas as idades e tipos. E são por todos os motivos.
        Então eu a encaro. Ela tinha pensado tanto nisso, sobre pular. Foi inevitável pensar nisso. E agora ela faria. Com coragem o suficiente ela virou de costas e se jogou. De um modo tão simples que pareceu até bonito,corajoso,mas ainda assim doloroso.Ela cai de olhos fechados. Ela não sabe como é a sensação, é tão rápido que alguns nem percebem como é. Mas ela sente, tenta absorver tudo. Ela sente a pressão do vento, sente como os pelos dos braços se arrepiam e sente o ar gelado. Sente o coração batendo incrivelmente rápido, e no fim sente um pequeno alivio. No fim foi mais um...
       Ela bate no chão, e seu corpo está jogado aos outros que também sentiram o coração bater. E no fim eu apenas abro os braços para ver mais um cair.
  • Ação e Reação

    Tenho ouvido por ai a lei da ação e reação. Ela é usada em qualquer situação social e vou me ater, somente, no momento de desentendimento num relacionamento a dois, não vem ao caso qual seja o tipo de relacionamento, ampliarei para todas as classes, seja homo, seja heterossexual. Acontece que em momentos de conflitos conhecemos verdadeiramente quem é o nosso parceiro. Não é no sexo, nem no cinema, nem na casa da sua mãe, nem na viagem e no jantar romântico. É aqui (no desentendimento), que poderemos identificar qual é a sua personalidade e acredite: Se você não gostar da ação ou reação do seu parceiro, tome cuidado! Desde da violência física, verbal e consequentemente psíquica até aos atos de suposta traição ou desejo de trair. Acontece que no período de conflito é que demonstramos quem somos de verdade. O quanto de autocontrole e respeito para com o outro temos. Aqui demonstramos o nosso verdadeiro afeto e amor e o mais importante nossa índole. Se somos pacientes, altruístas, fieis, respeitosos e bondosos com o outro. O importante é se relacionar com quem lhe entenda e te aceite nos momentos felizes e saiba te tratar ainda melhor em tempos de conflitos. Mas por favor, saiba identificar e valorizar o comprometimento do próximo, pois você também está sendo analisado.
  • Acefalia aguda

               Muitos adolescentes brasileiros nascidos na primeira década deste século, e outros tantos jovens adultos da década de 90, se portam como verdadeiros doutores em História e Ciência Política. Pseudocríticos baseando suas vagas opiniões em velhos preconceitos, medos sepultados já há muito tempo e memórias deturpadas por pessoas que nem sequer puderam estudar História. Sem fundamentos empíricos e teóricos, não há História.
                Essa História, ciência da reconstrução do passado através dos vestígios deixados pelo homem no tempo e no espaço, é diferente da história, sucessão de eventos humanos em ordem cronológica e assimilável. O infante — geralmente aquele que filava as aulas de humanas, por considerarem-nas muito chatas ou irrelevantes para a formação profissional —, não saberá defini-la, pois não tem formação na área.
                Não saberá dizer também: Como se deu a conjuntura político-econômico de 1964? O que é uma Ditadura Militar? O que é um golpe de Estado? Como o Tenentismo contribuiu para a formação do “Superleviatã”? Qual o papel da extrema-esquerda na radicalização nas alas golpistas? Você já leu os atos adicionais e institucionais promulgadas pelo Executivo centralizador? O que é um político biônico? Etc.
                Você, que provavelmente deixará um ataque nos comentários desse texto e não uma crítica racional, não tem formação na área de História ou qualquer das Ciências Humanas. Não leu nem sequer um livro de História do começo ao fim e não viveu entre 1964 e 1985.
                Você caro leitor(a), provavelmente não viveu num período onde o salário diminuía na mesma proporção em que banqueiros enriqueciam com empréstimos bilionários com dívidas internas e externas. À censura. Uma época onde democracia se resumia a um bipartidarismo forçado onde o governo controlava ambos os partidos, seja com ideologia ou o braço forte da lei. A inflação galopante que elevava o preço dos alimentos. A precarização e privatização do ensino com a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Onde homossexuais não podiam servir ao Exército, considerados doentes mentais. Época em que prisões arbitrárias, sem amparo legal tinham o aval do Estado. Onde assassinos são heróis. Golpistas democratas. Submissos das potências estrangeiras patriotas. Um tempo e que tortura era política pública e terrorismo de Estado ação de legalidade constituinte. Você, é um mero produto desse período.
                Antes que venham as acusações, eu não sou filiado a partido político. Não sou sindicalista. Não milito em quaisquer ONGs. Nem pratico esportes radicais!
                Minha legitimidade para falar de Ditadura Militar? Bem, digamos que sou graduando em História. Tenho mais legitimidade do que você, ou um youtuber, um blogueiro, qualquer influencer ou “personalidade da mídia”. E o melhor de tudo, meu argumento se fundamenta em princípios teóricos e empíricos, de pessoas que estudaram décadas para chegar à conclusão de suas pesquisas, sejam elas quais forem.
                Mais que uma crítica, lanço aqui um desabafo. Eu tenho muita vergonha de pertencer a uma geração que tem como único objetivo viver em alucinado egotismo. Pessoas que tem como única preocupação adquirir curtidas de pessoas tão acéfalas quanto aqueles que postam fotos entupidas de Photoshop. Crianças mimadas carentes de atenção.
                Sinto nojo de uma nação que escolheu candidatos conservadores, que acusam os próximos dos crimes que eles mesmos praticam nas surdinas como os bons hipócritas que o são. De um país que trocou o seu desenvolvimento para ver o seu processo de conquista ruir como um castelo de cartas marcadas. Uma pátria que tem como único objetivo devorar os seus sonhos de seus filhos e filhas. Se incitar o ódio de héteros contra LGBT+, de homens contra mulheres, de jovens contra adultos, de sulistas contra nortistas, de brancos contra negros... de brasileiros contra brasileiros.
    Vou deixar aqui referências o suficiente para aqueles que cultivam a ignorância, amorteça o seu despreparo perante a realidade:
    LEI Nº 4.024, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html>  acesso dia 26/03/2019 às 23:29 Hrs
    LEI Nº 5.692, DE 11 DE AGOSTO DE 1971
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html>   acesso dia 26/03/2019 às 23:40 Hrs
    Reforma tornou ensino profissional obrigatório em 1971
    Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/03/03/reforma-do-ensino-medio-fracassou-na-ditadura>    acesso dia 26/03/2019 às 23:48 Hrs
    Os currículos de História e Estudos Sociais nos anos 70: entre a formação dos professores e a atuação na escola
    Disponível em: <http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Elaine%20Louren%E7o.pdf > acesso em 26/03/2019 às 00:02 Hrs
    "O desafio de ensinar História durante o regime militar"
    Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/o-desafio-de-ensinar-historia-durante-o-regime-militar-ehc3qh8l0viwed9l42wawrz9q/>  acesso dia 27/03/2019 às 11:25 Hrs
    OS ESTUDOS SOCIAIS E A REFORMA DE ENSINO DE 1º E 2º GRAUS: A “DOUTRINA DO NÚCLEO COMUM”
    Disponível em: <http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1439700335_ARQUIVO_OSESTUDOSSOCIAISEAREFORMADEENSINODE1E2GRAUS.pdf> acesso dia 27/03/2019 às 11:43 Hrs
    Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/documents/186968/485895/Estudos+sociais+no+1%C2%BA+grau/4e96a598-50ec-491d-ab72-4ce2c50a9f3d?version=1.3> acesso dia 27/03/2019 às 12:00 Hrs
    Decreto nº 66.600, de 20 de Maio de 1970
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/decreto-66600-20-maio-1970-408046-publicacaooriginal-1-pe.html> acesso dia 27/03/2019 às 12:07 Hrs
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  • Adeus

    Vocês foram para lutar, jogar e nos trazer um título. Meninos com uma alegria só. Todos brincando felizes ao subir naquele avião, um time humilde mais de grande valia, brincavam e sorriam na certeza de uma vitória, para contar a história de seu verdadeiro valor, mas o destino mais uma vez cumpriu o seu dever, calando a voz de jogadores e repórteres tão jovens, que foram chamados aos braços do pai, deixando corações enlutados, famílias e amigos que choram a sua partida. E eles voltaram como heróis, corpos inertes, frios e sem vida, mas com a certeza que suas mortes não foram em vão e que a vida continua, pois assim eles gostariam que fosse, que não desistissem, pois a vida é apenas uma passagem rápida. Força Chapecoense, sejam fortes e continuem, pois é isso que seus filhos iam querer.
        Não chorem, não se desesperem pois estaremos como estrelas brilhando no céu a iluminar Chapecó, SC.  Saímos da vida para entrar para a história. Adeus.
  • Alguém

    Ai você para pra pensar e olhar pro lado
    E descobre que, quem você queria que estivesse do seu lado, na verdade... Já foi embora... Descobre que as lembranças que você alimentava e a saudade que se alimentava das suas lembranças estão agora se alimentando de você
    Os únicos pensamentos que lhe vem a cabeça são os melhores e os piores dependendo de como se olha... Mas você não quer nenhum deles...
    Não quer esquecer e tentar ser feliz sem aquele alguém... Não quer morrer e tentar ser feliz sem você mesmo...
    A única coisa que parece realmente ser o que você quer... É aquele alguém.
  • Alma Perdida

    Ela era uma prostituta. Mas não era uma prostituta qualquer, nela havia algo especial. Cercada de tristeza e dor, seu corpo possuía tons curiosos.
    Carmen, filha de João e Maria, cresceu ouvindo que o mundo era vazio, um lugar sem esperança. Quando criança, tentava de todas as formas agradar os pais que trabalhavam dia e noite para poder colocar o pão na mesa, chegavam cansados e só verificavam se Carmen estava viva, não prestando atenção acima da mesa: ‘’Papai,Mamãe. Eu não sei muito sobre vocês, contudo isso é uma das consequências da vida que fomos destinados a ter, porém amo vocês do mesmo jeito que qualquer outra filha amaria.”
    Aos 16 anos, os pais de Carmen morreram e a adolescente foi morar com o único parente que tinha, seu tio. Era uma casa fria, sem cor. Todas as noites, ela chorava baixinho, no canto do quarto, implorando para sentir alguma coisa: felicidade, tristeza, raiva... Algo que mostrasse que ela ainda estava viva e não somente sobrevivendo. Seu tio, uma pessoa amarga, chegava bêbado em casa todos os dias e, naquela noite, ele escutou um murmúrio vindo do quarto. Alguém chorava. Uma alma perdida pedindo socorro. ‘’Eu vou te dar um motivo para sentir algo.’’, disse, puxando a cinta e espancando a jovem Carmen.
    E naquela madrugada, ela de fato sentiu algo: repulsa. De si mesma. Olhava para os hematomas e as lágrimas não faziam seu caminho pela bochecha mais, era uma dor mais profunda. Julgou que a melhor forma de acabar com aquilo era fugir e assim fez, saindo sem rumo. Vagou pelas ruas, somente o tempo conseguiria cura-lá.
    Passaram- se anos, Carmen se encontrava no banheiro do posto, enquanto passava o batom tão vermelho quanto seu próprio sangue, um sorriso falho no canto dos lábios. No relógio marcava 00:00, deu um passo para o lado de fora, sentindo o vento frio contra sua pele pálida. Mais uma noite de trabalho.
    Uma mulher diferente de todas as outras, parada no ponto, vendendo aquilo que sempre desejou ter, o puro amor.
  • Amantes do Caos

    Seu sorriso era encantador: roxo.
    Sua beleza fantasmagórica: maltrapilha os cabelos negros presos por um coque.
    Eu me encantei e confesso, foi amor à primeira vista. E ainda confesso, eu a beijei com meus lábios de sangue.
    Imediatamente eu a cativei pra mim e, numa tarde de tempestade, o céu negro cheio de relâmpagos e trovões, nós dançamos.
    A cama era uma elegância no meu mausoléu digno dela. E fomos então no meio de velas e assombrações.
    Nós amamos e nos confundimos com fogo e frio; com reclusão e dinastia; com amor e ratos. Mas... Silêncio.
    A lua branca chegou e murmurou: "bem vindos a minha loucura e o meu inferno".
    E voamos para encontrarmos os anjos de Apocalipse.
  • Amigo Estresse

    Olá, vossa majestade!
    Não chegaste muito cedo?
    Não irá embora tão tarde?
    Tuas visitas, outrora,
    trouxeram caos.
    Porém elas são o que sou
    verdadeiramente.
    Sempre quando tu vem,
    conheço-me gradualmente.
    Minhas artérias entram em euforia,
    a respiração fica ofegante.
    Se tu és uma característica marcante,
    não podia ser de alegria?
    Queria que meu coração pulsasse
    somente por nostalgia,
    não taquicardia.
    Estou desenvolvendo arritmia?
    E essas doenças um dia me mataria?
    Tu vens em tempestade,
    mudando o azul de cor.
    Vou em silêncio, tentando trocar
    o ódio por amor.
    Tu és amigo, ou inimigo?
    Queres brincar, ou acabar comigo?
    Tua cor e teus olhos, teu jeito
    sei de có.
    Se gosta de mim, não me faça
    destruir tudo ao redor.
    Preocupante, eu diria...
    Queria expulsá-lo, mas tu vem
    escondido dia após dia.
    Pela manhã, tarde, noite
    ou pela madru.
    Afinal, quem és tu, querido amigo?
    Quem és tu?
    Te chamam de "Pecado da Ira"
    e "Mandamento do Amor".
    Se tem mais personalidades,
    sejam bem vindas, por favor!
    Transforma-as em peças de xadrez...
    Mas não me abrasse hoje,
    só por uma vez!
    Quero tranquilidade, a calmaria.
    Sem almejar algo para arremessar,
    ou a ira despertar.
    Amigo estresse, por um dia,
    não vem me visitar!
  • Amor de Quarentena

    ***
    - Só que eu te amo.
    - Mas EU... – (não acredito que ela usou uma pausa dramática) -  não te amo. – ela disse colocando a mão em seu ombro – Adeus Kevin.
    Essas palavras soaram como uma chave de fenda enferrujada penetrando profundamente no coração de Kevin. Ele e Vanessa namoraram por dois anos. Foi algo completamente inesperado, mas talvez, se Kevin prestasse mais atenção aos sinais, não fosse tão inesperado assim. A verdade é que, no final, ambos tinham se acomodado com a presença um do outro. Não faziam muito além de transar e ficar no quarto o dia todo pensando em quando transariam de novo, não tinham nada para conversar ou se preocupar um com o outro. Ela não fazia questão de sair com ele, ele não fazia questão de ter ela por perto. Kevin imagina que a amava, no fundo, talvez acreditasse que isso já não era mais verdade. Ela já não demonstrava sentimentos há meses, e ele achava que demonstrava, mas a verdade estava longe disso.
    Kevin, um rapaz de 20 anos recém completos, era magrelo e tinha cabelos negros até os ombros e belos olhos azuis. Foram esses olhos que atraíram Vanessa, não tinha dúvida. E naquela tarde após a escola, estavam no último ano quando finalmente se beijaram. Havia meses que flertavam, ele começava a duvidar que algo iria acontecer. Foi a segunda garota que beijou e foi com quem perdeu a virgindade.
    Ainda morava com os pais. Eles eram jovens, seu pai tinha apenas 39 anos e sua mãe 36, sempre soube que fora uma gravidez acidental de uma noite bêbada com dois namorados apaixonados e não ligava (não existe uma história de amor muito melhor do que essa, certo? Eles estão juntos e apaixonados até hoje). Seus pais foram expulsos de casa por conta disso, também não se importaram, decidiram que todo o amor que não tiveram em casa dariam para aquela criança e que trabalhariam duro para tudo dar certo. Ele trabalhou em bar por muitos anos até virar o dono e ela trabalhava em lojas de departamento, mesmo sem estudos subiu bem na carreira. Nunca tiveram luxos, só que nada lhes faltou.
    E todo o amor que Kevin recebia de seus pais era o mais importante, principalmente nesses momentos de tristeza. Foi com eles que fumou maconha pela primeira vez. Diziam “melhor fumar aqui do que em um beco sujo qualquer, com todas aquelas porcarias que colocam no meio”. Ele fumou e não gostou, nunca mais encostou naquilo. Mas gostava de beber, geralmente não muito, só quando se sentia para baixo ou quando saia com os amigos, ou em festas em casa (na verdade, quando sozinho ele só bebia se estivesse triste).
    Gostava de tocar sua guitarra, pensava em fazer uma tatuagem, queria um dragão no braços inteiro, só que nunca venceu seu medo de agulhas. Era um guitarrista medíocre, contudo, ganhava alguns trocados tocando na noite. Foi convidado para uma banda e entrou no cenários dos pubs, tocava de quarta a sábado e a grana ficou melhor. Ajudava nas contas de casa e grande parte do que sobrava ele guardava para seu futuro.
    Uma vez por mês jogava na loteria com seus pais, cada um escolhia um terço dos números. Davam risada e nunca acompanhavam os sorteios, apenas viam os número dias depois. Nunca ganharam nada, mas o valor era baixo e o pequeno evento em família era prazeroso.
    Eles moravam no sétimo andar e Kevin, sem querer, viu alguém se mudando para o prédio da frente, apenas uma janela abaixo. Depois ele iria descobrir que ali não era o sexto andar como em seu prédio, na verdade era o terceiro, já que os três primeiros andares dali eram comerciais e por ter uma entrada diferente, tinham os três andares ignorados.
    Entre os novos vizinhos, reparou que havia uma garota que parecia ter sua idade. O que lhe chamou atenção nela, a princípio, foram aqueles longos cabelos loiros que brilhavam intensamente, poderiam ser vistos de longe. Parecia ser filha única, assim como ele. Contudo, seus pais já eram grisalhos. Ela não reparou nele e ele não quis ser o sujeitinho estranho que fica observando as outras pessoas por ai.
    Foi então que o mundo inteiro mudou...
    ***
    Não havia informações precisas de como tudo começou ou de onde surgiu. Diversos lugares no mundo indicavam casos ao mesmo tempo e fronteiras começaram ser fechadas.
    Tarde demais, infelizmente...
    A princípio era apenas uma tosse mais resistente, alguns espirros, nada que não se curasse com o tempo (acreditavam) e provavelmente deve ser uma gripe mais forte. Quando as pessoas começaram a espirar sangue, que escorria incontrolavelmente de suas narinas, a preocupação surgiu. Logo, milhares morreram e o mundo entrou em quarentena. Ainda era possível ir ao mercado e alguns outros serviços essenciais que ainda funcionavam.
    - Filho, não sabemos como será essa pandemia por aqui. Então, vamos ao mercado para estocar aquilo que realmente importa.
    - Cerveja?
    - Eu criei esse filho tão bem – diz seu pai rindo – muita cerveja, mas um pouco de comida faz bem também.
    Os dois riram e saíram juntos.
    Os pais de Kevin se cuidavam bem, faziam exercícios regularmente e visitas periódicas ao médico para seus respectivos check ups. Em geral eles que faziam as compras nos mercados só os dois e, aos poucos, estocavam tudo que precisavam.
    Ninguém sabia explicar como se dava o contágio, a televisão informava que era por espirros ou tosse e recomendava cobrir com o braço para não infectar outros e a limpar as mãos constantemente. O tempo de incubação era de 7 dias e era extremamente contagioso. Também, nesse período, não era possível detectar os doentes. Após isso, os sintomas se confundiam com o  de uma gripe simples, durava de 7 dias a 15 dias com tosse e espirro, daí a confusão com uma simples gripe. Depois variava, algumas pessoas tinham pouco sangramento, similar ao rompimento de uma veia, como acontecem em temperaturas muito elevadas ou algo do tipo. Em outros casos, ocorriam jorros de sangue pelo nariz e pela boca, com pedaços mais densos. Cientistas trabalhavam incessantemente ao redor do mundo procurando uma cura.
    Logo, as ruas ficaram desertas. Embora o número de vítimas fatais fosse baixo, muitos já estavam em estado grave sucateando os hospitais e acomodações temporárias. Foi quando o primeiro grito veio pela janela.
    - Ei! Vizinho de cabelo cumprido! Sempre gostei de um roqueirinho! – A frase é seguida de risadas divertidas.
    Kevin estava na janela contemplando o vazio da rua e perdido em seus pensamentos. Seus cabelos soltos brincavam na frente de sua face. Quando olhou para frente, viu sua vizinha loira, com um belo sorriso, acenando para ele. Ele vestia uma regata do Iron Maiden. Seus braços eram definidos, provavelmente por tentar tocar bateria, nunca fora muito fã de exercícios.
    - Oi! Vizinha de cabelo amarelo!
    - Preciso conversar com alguém para não ficar louca! Já que não tem ninguém na rua e meu prédio parece vazio, fala comigo!
    - Claro! Qual seu nome?
    - Ariel e o seu?
    - Sou Kevin, muito prazer! Mas acho melhor falar por telefone, minhas cordas vocais não vão aguentar muito! Passa o seu número!?
    - Como você é adiantado. Deveria me pagar um jantar ou uma bebida antes de pedir isso! Mas tudo bem, anota ai!
    Ela passou o número e começaram a conversar. Logo, todos os dias saiam na janela para ver o pôr do Sol juntos. Kevin, apesar de novo, não enxergava muito bem de longe. Só tinha certeza de que a garota era loira, até ver sua foto no celular. Seu coração se apaixonou instantaneamente. Acreditou piamente que era a coisa mais linda que já vira na vida (e isso incluía o por do Sol e a aurora boreal que vira com seus pais no inverno rigoroso da Noruega, mas nessa época ainda namorava Vanessa. Preferia não lembrar)
    ***
    Os amigos de Kevin pararam de lhe responder. Rumores de mortes eram frenéticos e ninguém sabia o que de fato acontecia. Foi quando os doentes começavam a chorar sangue e a morte parecia certa.
    Naquela quarta feira as televisões ainda funcionavam e era possível comprar bilhetes da loteria pela internet. A família de Kevin se reuniu, mesmo sem a energia de sempre, e comprou um bilhete. Foi a primeira vez que viram o sorteio ao vivo.
    Em meio a toda aquela loucura, eles ganharam 46 milhões na loteria daquele dia, que seriam muito bem vindos. Dois dias depois um anúncio informou que a premiação seria suspensa até o final da pandemia. Depois de 4 dias surgiu a notícia de que um cura chegaria até setembro, apenas 5 meses dali. Um fio de esperança, embora não se soubesse toda a extensão daquela doença, sabia que ela começara a matar rápido.
    Muito fugiram das grandes cidades, entretanto a maioria ficou. Mortos surgiram jogados nas ruas e ninguém saia de casa para retirá-los. A calamidade era total. Os mercados foram fechados e começaram a ser saqueados. A família de Kevin conseguiu visitar alguns pela região e estocaram comida para pelo menos 7 meses, então, pararam de sair. Todos pararam de sair de suas casas, era perigoso demais.
    A última notícia que a televisão transmitiu era de que já havia mais de 5 milhões de mortos ao redor do mundo e 10 milhões de infectados confirmados. Não tinham ideia da dimensão de doentes com sintomas iniciais, aqueles parecidos com uma gripe comum.
    Ariel estava preocupada. Seu pai jazia doente e se trancara no quarto, não queria contato com ninguém, e sua mãe lhe levava comida receosa com o que poderia ver lá dentro. Ambas sabiam que ele não duraria até uma cura aparecer e que seu estoque de mantimentos não era tão grande.
    Mesmo de longe Kevin sentia a tristeza de seu novo amor. E tentava consolá-la por telefone sempre que podia. Até as linhas serem cortadas. A internet não existia mais, a telecomunicação não existia mais. O cenário era cada vez mais nebuloso, contudo, faltava pouco para a cura chegar e tudo ficaria bem. Kevin tinha comida o suficiente e, assim que possível, pediria para Ariel ir para sua casa com seus pais (provavelmente só com a mãe).
    ***
    Sem telefone, os gritos pela janela voltaram. Era a única forma que tinham para se comunicar.
    - Como você está amor?
    - Estou bem. Acho que meu pai não vai sobreviver muito mais tempo. – falar aquilo gritando causou um peso maior do que Ariel poderia suportar. Começou a chorar. – Eu não quero perder meu pai!
    - Queria poder ir ai te abraçar querida. Sinto muito por tudo o que está acontecendo, queria que tudo fosse diferente... mas... - esse “mas” saiu baixo, Ariel não ouviu, contudo viu a expressão de tristeza no rosto de seu amor.
    - O que aconteceu?
    - Meu pai também está doente. E acho que minha mãe está da mesma forma. Eles estão comendo bem menos e não saem do quarto. Pedem para não entrar, só que preciso levar comida para eles. Eles vão morrer logo, eu sei disso.
    - Sinto muito. Nada disso deveria acontecer.
    - Sim. E sabe o mais incrível? Somos milionários, mas o dinheiro não virá nunca. Acho que mesmo se tivéssemos ganho antes não teríamos muito o que fazer com ele. E talvez eu não tivesse te conhecido... – Ele parou um pouco refletindo, então respirou fundo e preparou o próximo grito - Você valeu muito mais do que aqueles 46 milhões.
    - Eu te amo, Kevin – ela gritou a plenos pulmões com o rosto brilhando por suas lágrimas refletindo a luz do Sol.
    - Também te amo, Ariel. Não existe outra pessoa que eu gostaria de passar esses momentos que não fosse você.
    No fundo, eles sabiam que não sobrara ninguém para ouvir sua conversa. Ninguém mais saia nas janelas. As tosses que Kevin ouvia nos corredores de seu prédio cessaram. As pessoas morreram trancadas em casa. Ele não sabia como não havia sido infectado, muito embora seus pais que saíssem na rua, nunca deixou de abraça-los. E, em breve, estariam mortos.
    ***
    - Estou com fome Kevin... A comida acabou aqui tem 4 dias. Meus pais morreram, tive que coloca-los no quarto e cobri-los. Sinto-me horrível.
    - Queria que tivesse alguma forma de lhe mandar comida. Ainda tenho bastante. E sem meus pais, tenho muito mais do que preciso, pelo menos até a cura. Os cientistas disseram que chegaria em setembro, falta apenas um mês! Temos que aguentar e poderei finalmente te abraçar, meu amor.
    - Você é a coisa mais perfeita que encontrei na minha vida – diz Ariel enxugando as lágrimas. – Vamos tentar sim.
    - Vamos conseguir!
    Em seu apartamento, Kevin procurou alguma linha, corda ou qualquer coisa que pudesse jogar até a janela de Ariel para lhe dar comida. Nada tinha a distância certa. Pensou em amarrar roupas, mas não teria força o suficiente para lançar até lá. Conseguiu um fio frágil de nylon, achou que não aguentaria o peso da comida. Decidiu arriscar. Amarrou o fio em um avião de papel e arremessou em direção à janela de Ariel. Treinou a infância inteira aquele arremesso e acertou de primeira.
    - Eu não acredito! Vai dar certo! – Exclamou Ariel pulando e sorrindo. – Vou amarrar aqui.
    Com muito cuidado, Kevin colocou um pacote de macarrão instantâneo no fio e fez deslizar até Ariel. Ela conseguiu pegar. Quase não se controlou, abriu o pacote e já ia dar uma bocada, quando olhou para Kevin rindo.
    - Esquenta isso ai, sua louca! – Kevin não conseguiu segurar a gargalhada.
    Ela riu, mandou um beijinho para ele, agradeceu a comida e sumiu da janela.
    Quase uma semana se passou e Kevin não arriscava enviar nada mais pesado do que um pacote de macarrão instantâneo para Ariel, mas era visível sua condição física debilitada. Ela estava subnutrida e não viveria muito comendo apenas aquela porcaria. Então ele conseguiu colocar um cabide no fio de náilon e grudou uma lata de atum com fita crepe na base do cabide. Era a esperança que tinha para ajudá-la.
    O cabide deslizou vagarosamente. O peso fez com que parasse na metade do caminho. Kevin colocou os pés no parapeito e ficou de pé para dar uma altura maior à sua ponta do fio. A lata começou a se mover, alguns centímetros vagarosos, então o fio não aguentou e se desfez.
    Foi possível ouvir o coração de Ariel partindo da janela de Kevin. Sua expressão de felicidade mudou rapidamente para tristeza e logo desespero. Ela colocou as mãos no rosto, se apoiou no parapeito e chorou.
    - Calma amor, por favor. Vou conseguiu outra coisa. Vou arrumar outra solução.
    - Tudo bem, amor. – disse Ariel sem emoção alguma.
    Então sumiu na janela. Kevin não a viu por dois dias.
    Nesse meio tempo procurou outras alternativas. Não encontrou nenhuma, nada que alcançasse a janela do outro lado da rua. 50 metros para salvar a vida daquela garota, que significava todo o seu mundo e ele não conseguia. Foi então, que Ariel apareceu na janela novamente.
    - Eu te amo, Kevin, nunca esqueça disso. Mesmo sem nunca termos diminuído a distância entre nós, nunca termos nos tocado, nunca termos nos beijado, eu te amo! Você é a pessoa mais incrível que já conheci em toda a minha vida e de todo o meu coração eu queria ter te conhecido em outras circunstâncias. – Ela chorava copiosamente – Mas... eu.... – a voz falhou. Ela não conseguia tirar do peito o que precisava dizer – eu... não... EU NÃO AGUENTO MAIS!! DESCULPE!!
    Ela levantou o braço, ele viu uma pequena marca e em sua mão havia uma pistola negra.
    - Não! PELO AMOR DE DEUS NÃO!
    Era tarde demais. Ele viu um clarão, aquele barulho alto e, então, o corpo de Ariel pendeu para a esquerda e sumiu da visão que Kevin tinha por aquela janela.
    ***
    Um Mês se passara desde a morte dela. Era setembro e nenhum sinal de cura. Mais um mês se passou e outro, logo, era perto do natal. Pensou na família que se fora. Pensou no amor que se fora. Ela não vai voltar. Seus pais não vão voltar. Ninguém vai voltar, estão todos mortos.
    Foi ao quarto dos pais. Com muito cuidado para não perturbar os mortos que ele carinhosamente havia postado na cama de casal, juntos, embaixo do cobertor para não ver mais aquela cena hedionda de como morreram. Abriu o cofre escondido no armário, sabia a combinação de cor, afinal, ele que escolheu, e pegou a arma que os pais deixavam ali dentro. Guardou-a na parte da frente da calça.
    Saiu do apartamento e desceu pelas escadas. O silêncio daquelas escadarias era ensurdecedor, sentiu vontade de chorar, mas não o fez. Que bem lhe faria chorar sozinho em uma escadaria escura? Seguiu seu caminho até chegar ao térreo.
    (Todos mortos. O que posso fazer?)
    Ali tinha uma cadeira onde sentou. Pôde ver, através das duas portas: a primeira era uma estrutura de metal resistente, mas os vidros foram quebrados; a segunda era um portão de aço, que foram barradas com tudo que pudesse fazer peso, como geladeiras, freezers, sofás, tudo que conseguiram usar para que a porta não cedesse com aqueles mortos que andavam lá fora. Ele nunca soube quando essas pessoas voltariam da cova e havia mais de um milhão naquela rua, essa era sua estimativa desde que o fio de esperança de Ariel arrebentou derrubando sua lata de atum. Porém, havia meses que eles estavam ali e não iam embora.
    (Todos estão mortos. E os mortos estão vivos..)
    Aquela rua completamente tomada por aqueles que voltaram de suas tumbas. Imaginou que fossem partir dali antes de sua comida acabar ou que alguém viria ajudar. Ninguém veio ajudar e sua comida acabou, mesmo assim eles estão lá, balançando lentamente de um lado para o outro sem se mover e com aquele gemido baixo.
    Devem estar todos assim, todos mortos, pelo mundo inteiro. Lembrou do dia que seu pai voltou com uma mordida no braço, como ele devorou o pescoço de sua mãe e como teve que abater os dois com um pedaço de pau. Nunca imaginou que fosse capaz de fazer aquilo.
    Lembrou do amor da janela da frente, o amor que nunca beijou, que nunca tocou, da marca em seu braço com a pistola, provavelmente uma mordida que recebeu de seu pai voltando dos mortos. Ele tinha lhe dito para esmagar a cabeça deles antes que voltassem à vida. Ela provavelmente achou que a porta do quarto iria segurá-los. Lembrou do clarão do tiro que lhe atravessou a cabeça e daqueles dois cadáveres grisalhos que invadiram seu quarto e a devoraram. Então abaixou a cabeça e chorou, em silêncio, no meio do som do murmúrio dos mortos.
    Não sabia quando ou como os mortos voltaram. Mas tinha certeza de que agora o mundo era deles.
    Pegou a arma e encostou em sua têmpora direita. Respirou fundo (adeus) e atirou.
  • Amor e Morte - Cap. 2

    Amor e Morte - Cap. 2
    Anteriormente: Jacqueline e Juliano se conhecem. Clarisse e Gilberto se encontram numa feira. Confira os destaques de hoje.
    Juliano e Jacqueline marcam um encontro. Em casa, Carlos sai para ir ao supermercado e Jacqueline Clarisse, como estão a sós, conversam.
       Não sabe o que eu tenho que te contar - Diz Jacqueline e Clarisse ao mesmo tempo.
       Jacqueline: O que é?
       Clarisse: Primeiro eu; Eu conheci um homem; Gostoso e lindo!;
       Jacqueline: Mentira? Sério? Hoje eu conheci um rapaz na faculdade; O nome dele é.... Juliano; Lindo e gostoso!;
       Clarisse: E ai?
       Jacqueline: A gente marcou um encontro!
       Clarisse: O nome do meu eu não sei; Mas ele é lindo, ele é!;
       Jacqueline: Hum....
    Juliano discute com sua mãe, Maria. Mas Eugênio o defende.
       Maria: Esse muleque só sabe namorar! Ele fica com uma, depois outra! Foca nos estudos!
       Eugênio: Deixa ele. O importante é ele estudar!
       Maria: EUGÊNIO!
       Eugênio: MARIA!
    Gilberto chega na sua casa. Carolina está sentada no sofá chorando.
       Gilberto: Carol... O que houve?
       Carolina: Nossa briga de hoje! Estou triste!
       Gilberto: Calma! Vai se deitar! Relaxa!
    Gilberto leva a esposa para o quarto. Lá essa se deita e dorme.
    Dia seguinte. Gilberto vai até a feira comprar verduras. Clarisse vai todas as manhãs para comprar legumes e verduras. Gilberto com a esperança de encontra-la, caminha pela feira. Compra as verduras e vê... de novo Clarisse passeando. Eles se olham levemente. Gilberto vai até a barraca onde ela está e dá um "Oi!". Eles se olham. Clarisse anda e Gilberto a chama.
       Gilberto: Olá!
       Clarisse: Tudo bem?
       Gilberto: Te vejo todos os dias passear...
       Clarisse: Eu não passeio... Eu venho comprar verduras; legumes;
       Gilberto: O fato é que, eu te vejo. Você é linda. Mais que demais.
       Clarisse: Ai obrigada!
       Gilberto: Olha... Esse é o meu número...
       Clarisse: Rsrsrsrs
       Gilberto: O que foi?
       Clarisse: O que você quer?
       Gilberto: Te conhecer...
       Clarisse: Tem uma caneta?
       Gilberto: Sim. Tenho.
       Clarisse: Esse é o meu número! E tome seu cartão! Está com o meu número!
       Gilberto: Rsrsr você é doce!
       Clarisse: Obrigada!
    Gilberto e Clarisse continuam se falando. Eles se dirigem até o banco da praça ao lado e batem muito papo! Clarisse chega em casa e Carlos pergunta:
       Carlos: Posso saber por que demorou?
       Clarisse: Estava conversando com a dona Regina, lá banca dela. Muito doce ela né?
       Carlos: Ah sim.
    Dias se passam e Clarisse e Gilberto estão intimos, um do outro. Falam sobre a vida amorosa de cada. Se amam, por dentro. Mas por fora, nenhum diz sobre os seus sentimentos. Eles marcam de se encontrar no dia seguinte. Dia seguinte: Carlos, na tarde do dia, diz para Clarisse que fazer "bicos" de mecânico, com seu amigo José. Ela aceita e claro! É a oportunidade que a vida lhe deu para se encontrar com Gilberto. Ela se arruma toda, sente-se plena.
    Continua... E no próximo capitulo. Gilberto é assasinado.

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