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devaneio

  • A CAIXA

    Cerca de quatro horas de uma tarde chuvosa, mercadinho vazio, a poeta e belíssima caixa Laurinha abandona alguns objetos no balcão a fim de ler no celular as prosas de um amigo. Faz um favor, na verdade, porque Laurinha gosta mesmo é de poemas. Mas como, segundo o amigo, aquela prosa fala de um amor repentino, ela julga encontrar ali fatias de guloseimas poéticas.
    Quiçá pelo som da chuva, mas certamente pelo tedioso texto, certo é que, ao não topar com as fatias poéticas, os olhos imploram repouso e as mãos invisíveis do sono começam a fechá-los. Fecha não fecha, Laurinha dá uma piscadela de apreensão com o pivete que, se caqueando, está se apeando de uma moto na calçada do mercadinho: assaltante ou cliente?
    Peço aqui um parágrafo a fim de justificar a apreensão de Laurinha. É que na sua cidade, Natal, a população vive assustada em razão dos assaltos. A cada dia mais penoso se torna o equilíbrio entre prudência e naturalidade, já que prudência em demasia leva à neurose e, em excesso, a naturalidade implica negligência. E Laurinha não contava as vezes que tinha visto motos e bicicletas “assaltadoras” defronte do Mesa Farta. Achava até que havia se tornado cliente de alguma delas.
    Assaltante ou cliente, conjecturava a poeta Laurinha, quando as pálpebras se fecharam de vez. E, como sempre acontece com os poetas, sono e sonho se enrouparam com a magia da realidade. Mas há quem diga que a poeta estava acordada e punha em prática os versos do Outro: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente”.
    Agora, a meu ver, Laurinha não estava inteiramente desperta, mas sim em transe, ou em alfa, como nos explicava a querida professora Renata. Até porque Laurinha estava de ressaca. E ressaca, sabemos, costuma potencializar a modorra.
    Então, mesmo de olhos fechados, Laurinha continuava a ver o pivete caminhando em sua direção. Acompanhava-o e, misteriosamente, via-o, aos poucos, agigantando-se. Intrigada, fitou-o melhor. Não era mais o pivete. Era um homem adulto, másculo, viril. Um homem lindo. Autêntico deus grego. Atônitas, as pupilas de Laurinha exigiam explicação para o mistério. Emocionado, o homem captou o martírio e, da cabeceira do balcão, pôs-se a falar, as mãos nas costas:
    - Não acredito que não tenha me reconhecido. Brincadeira tem hora, viu, mocinha? Como você está linda, Afrodite.
    Engasgada com a visão, Laurinha ficou imóvel, literalmente babando. Diante da inexplicável mudez, a decepção falou pelo homem:
    - Acuda-me, pai Zeus. Tantos séculos procurando essa mulher, e agora ela me acolhe com tamanha indiferença. Devo dar umas palmadas no bumbum dela?
    “Hã”! Foi esse o som emitido pela Laurinha, boquiaberta com a voz sexy do cavalheiro.
    - Por Zeus, onde escondeu a gargalhada da paixão, Afrodite?
    - Meu nome é Laura, moço. Laura, entendeu? Mas pode me chamar de Laurinha.
    - De onde tirou esse nome horroroso, Afrodite? Não suporto mais essa conversa sem beijá-la. Ou mata o fingimento, ou a mato com beijos.
    Laurinha ficou pensando. Até que a ameaça não seria má ideia. Mas não devia incentivar a prática, já que o zum-zum-zum da vizinhança seria eterno. De uma coisa, porém, tinha certeza: o bonitão era tantã. Zeus. Ele falou em Zeus duas vezes. Chamou-o inclusive de pai. Laurinha já lera muito sobre mitologia grega. Zeus tinha um filho de nome Apolo. Apolo, para muita gente, o deus da beleza. E a Afrodite? A deusa do amor e da sexualidade? Sem dúvida, o charmosão passava-se por Apolo e queria encontrar a Afrodite. Melhor entrar no jogo do pirado:
    Entre vácuos de escandalosa gargalhada, Laurinha falou:
    - Como me encontrou, Apolo?
    - Quer me matar do coração, Afrodite? Já estava pensando que você tinha perdido a memória. Escuta só. Larguei a Vênus, porquanto queria você, no dia em que se separou do manco e ciumento marido, o Hefaísto.  
    - Ciumento, mas não com você, Apolo.
    - Comigo também, Afrodite. A verdade é que o Hefaísto nunca engoliu a história de que éramos irmãos. Tinha ciúme, sim. Pois bem, corri o mundo a sua procura. O problema é que não capturo o seu cheiro se estivermos separados por oceanos, mares e grandes rios. Então, como o primeiro medalhista olímpico, vim abrir a Rio/16. Aí, menina, sabe quem encontro na Vila Olímpica? A sua irmã Helena. Papo vai, papo vem, a Helena me informa que você está morando aqui nesta cidade linda, já percebi. Daí peguei um avião, aluguei essa moto no aeroporto e seu perfume natural me guiou até aqui.
    “Ah, tome”, disse Apolo, tirando as mãos das costas, entregando-lhe uma rosa vermelha.
    - Que romântico, Apolo. Obrigada.
    - Bom, agora vamos embora pro nosso mundo. Está pronta?
    - Sim. Deixe-me só arrumar essas coisas, tá?
    Nisso, gente, como se aplausos do céu, barulhento trovão despertou Laurinha. Um parêntesis. Lembrem-se de que estava chovendo naqueles minutos.
    Bom, Laurinha acorda e vê o sorriso dum belo moço, semelhante ao Apolo, guardada as devidas proporções - mas de guardado proporcional -, uma concha de banana na mão direita.
    “Ah, meu pai. Acho que cochilei. Desculpe, moço. Por que não me acordou, Alex? Misericórdia”, envergonhou-se Laurinha, somando no computador uma garrafa de aguardente, um pacote de limão, outro de laranja, presente dela a uma amiga que estava aniversariando.
    Outro parêntesis. Quando Laurinha adormece havia uns objetos no balcão, lembram disso? Desculpe, leitor normal, mas preciso dos dois alertas por causa do azedume de certo leitor chatinho. Ele vive pegando no meu pé em razão de detalhes semelhantes.
    - O rapaz não tem culpa, moça. Como apenas eu estava na fila, pedi-lhe que a deixasse tirar o cochilo. Você parecia estar se divertindo a valer. Angelical, os lábios tremiam e chegou a babar, acredita? Sabe, moça, você se parece bastante com a minha irmã, a Laura. A diferença é que minha irmã não é muito bonita não. E é minha irmã.
    “E é?”, gaguejou Laurinha, entendo o galanteio, aprovando o galanteador, mas querendo passar tudo a limpo:
    - Me diga uma coisa. Você desceu da moto e, se caqueando, se transformando, caminhou pra cá. Pensei que fosse me assaltar. Você está armado?
                - Sim, estou. Já que ficamos amigos, vou me apresentar. Sou delegado federal. Meu nome é Apolinário. E o seu?
                - Não somos amigos ainda, mas certamente vamos ficar. Meu nome é Laura. Mas os amigos me tratam por Laurinha. Como é seu nome mesmo? Não entendi.
                - Apolinário, Laurinha. Mas os amigos me tratam por Apolo.
                - Quê?! Apolo!!!
                Amoroso e olímpico agosto/16
                TC, o cupido.
    Obs. Mais textos em www.pocilgadeouro.com
  • a lenda de Èden/capitulo 4 o poderoso guardião fracassado (P & R)

    -isso foi rápido demais eu não vi quase nada-questiona luna
    -é assim mesmo mosa,guardiões da luz tem sua velocidade elevada desse jeito mesmo-fala pafunsu
    -eu não te dei o direito de me chamar de mosa-fala luna
    -bom vamos focar na próxima luta -fala pafunsu
    -primeiro como foi a sua luta
    pafunsu olha para cima e começa a pensar 
    -Oh não-fala luna 
                                                                 //////FLASH BACK TIME COM COMENTÁRIO EXTRA\\\\\\
    -outro flash back naaaaaoooo-fala luna
    -ja era-riu pafunsu
                                                                               INICIO DO FLASH BACK TIME
    Depois de pafunsu entrar no campo foi anunciada a luta entre ele e um cara desconhecido,quando começam a lutar pafunsu da um chute que afunda o rosto do sujeito e o dito-cujo perde a luta
                                                                                   COMENTÁRIO EXTRA
    -isso foi rápido,até demais-falou luna

    -guardiões da luz tem uma velocidade muito alta,porem uma defesa baixa de mais-falou pafunsu

    -por isso acabou rápido-fala luna

                                                                              CONTINUAÇÃO DO FLASH BACK TIME
    E na outra luta,era um guardião mais lento e com muito mais defesa,porem pafunsu era muito rapido e o outro cara nem chegara perto de sua velocidade e pafunsu o finalizou com facilidade,e por fim a ultima luta,porem esse cara era diferente dos demais 

    -acho que vou aparecer dele e dar aquele baita chute trava coluna nele- falou pafunsu

    ele o faz porem erra,por que seu adversario se defendeu com um outro chute,então tentou dar um soco e seu oponente parou o soco com outro soco ate que pafunsu pensa:

    -vou jogar um trovão nele 

    então pafunsu joga um trovão que errou,porem servia apenas para atrapalhar e atrair o adversário,perto o suficiente para atravessar a sua cabeça com uma mao aberta e eletrificada e assim que atravessa sua cabeça ela explode e ele é declarado vencedor da luta e o primeiro guardião da luz
                                                                                          FIM DO FLASHBACK TIME
    -agora falta a luta de quem-pergunta pafunsu

    -do gustavo-fala luna

    -era,não é mais,agora é a luta do rafael-fala gustavo

    -vai chorar-zoa pafunsu

    -nao,mais to quase-fala gustavo

    entao,finalmente os guerreiros de fogo entram em campo porem o destaque é mais do brasileiro de altura mediana e cabelo escuro e forte,estava sendo destaque por ser um daqueles que ajudou juan com aquela criatura de fogo e estavam em punhos uma luva e uma espada,algo que digamos era meio diferente,afinal pra que usar uma luva,mas ao iniciar a primeira luta que no caso era a dele o rapaz qua agora sabiamos o nome por anuncio de cahethel:lan santiago era seu nome e por coincidencia o outro cara tambem era brasileiro e se chamava edgar

    -isso esta muito estranho o nick falou que cabelos de cores estranhas sao caracteristicas dos descendentes dos guardiões da terra,só que nenhum dos guardiões do fogo tem olhos vermelhos,nem o rafael tem isso-fala pafunsu

    -pafunsu eu quero assistir-fala luna sentada em uma cadeira de rodas comendo um pãozim

    ao começar a luta edgar solta uma bomba de canhão de fogo 

    -esse ataque pode incinerar um planeta inteiro diga adeus aos seus ossos-fala edgar com uma risada alta

    lan apenas poem sua mão com a luva para frente e devolve para seu oponente o ataque como se não fosse nada e incinera completamente todo o seu corpo até reduzi-lo a cinzas

    -isso foi rapido-falou luna

    -luna para de falar so isso,mas realmente foi bem rapido,rapido ate de mais-fala pafunsu 

    porem a proxima pessoa a entrar em luta é seu amigo rafael

    -bom é isso vou conseguir-falou rafael

    no inicio da luta refael lança seus ioios a ponto que ficassem com suas cordas por todo o campo,quase que impossibilitando seu adversario de se mover,entao o adversario tenta queimar as cordas,que apenas ficavam em seu lugar sugando a energia e repassando a força pro ioio que ia ficando maior e deixando as cordas cada vez mais quente e entao rafael mexeu seus fios ate que cortou seu adversario e transformou-o em uma especie de picadinho frito de carne humana e entao rafael e declarado vencedor da luta

    -meu deus(do ceu berg)que nojo ele cortou o cara como picadinho argh-fala luna
     
    -meu deus que merda to com vontade de vomitar-falou pafunsu

    cahethel pede para alguem vir la para ressucitar o rapaz e devolve-lo a terra,afinal o perdedor teria apenas os poderes retirados e depois iria ser mandado para a terra para poder viver normalmente a sua vida na terra 

    -espero que perca logo,esse garoto é um piromaniaco sadico,nao seria uma boa te-lo como guardiao-pensou cahethel 

    a proxima luta sera entre lan e rafael

    -se prepare para ser queimado-falou rafael

    a cara de ridicularizaçao de lan era tao grande que chegou a ser ridiculo pra ele o que rafael falava,entao meio totalmente puto da vida rafael jogou seu ioio em cima de lan que nao apenas segurou como tambem quebrou o mesmo 

    -serio isso nao destroi nem um planeta anão gelo,acha mesmo que pode comigo-sacaneou lan

    tudo isso deixa rafael mais puto e tambem desesperado,ele refaz o ioio com suas chamas e aumenta o tamanho do mesmo a ponto de poder subir em cima do ioio como um carro gigante e tenta atropelar lan que desvia com uma facilidade enorme com se estivesse apenas dando um pulinho pro lado e da uma zoada

    -tao lento que nem chega a mach 1

    rafael putao responde:esse deus aqui chega a mach 36.000 

    -nao chega nem a mach 900 de tao lento 

    rafael acelera mais uma vez e lan apenas pega sua espada e da um corte certeiro no meio do rafael e corta o ioio dele ao meio e antes que rafael pudesse reclamar lan aparece rapido atraz dele e corta sua cabeça em instantes e assim lan e declarado ganhador por cahethel  e na plateia luna fala:

    -ele perdeu mesmo meu desu,eu dont believe

    -perdeu feio-fala pafunsu

    -nao acredito nisso-fala gustavo irritado-ele nao devia ter perdido 

    sim era isso rafael tinha perdido feio e lan havia se tornado o novo guardião do fogo,rafael foi ressucitado,teve seus poderes extraidos e foi mandado para seus pais na terra com a advertencia de nao mexer de novo em fosforos,mas claro cahethel deixou ele se despedir dos amigos afinal as proximas lutas seriam seguidas em elemento:agua,depois espiritual,depois escuridao,depois terra e por ultimo estrela ja era quase certo os vencedores afinal no ataque ja tinha uma da agua,uma da espiritual e uma da escuridão porem terra e estrela foram considerados dificeis de saber afinal havia tres guardioes da terra no incidente e nenhum da estrela,mas apos as despedidas começaram as batalhas da agua e a vencedora foi kamillie orihara da oceania,foi uma luta rapida nao igual a dos guardioes da luz mas tambem tinha seus meritos

    -aposto que foi bem facil ne,kamille ou posso te chamar de kamie-fala luna para a nova guardiã

    -serio querida e a sua-fala kamie

    -eu quase morri-fala luna

    -deveria ter morrido-fala kamie

    -que moça ruim pra eu-fala luna

    pra se ter uma ideia do quao rapido foi cada luitra era aproximadamente 20 segundos por luta depois disso era uma vitoria muito facil

    -nao curti essa moça,,mas curti as outras duas -falou luna

    essas tais garotas eram as duas dos elementos espiritual e escuridão,regendo o elemento da escuridão estava uma garota chamada julie kanam de istambul tinha uma personalidade calma e bem calada e ate alegre porem muito timida e gostava de chamar todo mundo de demonio algo que mostrava seu autismo com força altissima e regendo o elemento espiritual estava giulya kim than essa diferente da ultima ja era mais ativa e animada e gostava de cantar do nada,em especial k-pop (eu tenho uma amiga que gosta dessas musicas e como eu tava sem nada melhor pra colocar presente pra voces) as 2 seriam as mais novas guardiães do grupo 
                                                                            ENTREVISTA UTILITARIA COM LUNA GERLOFF
    -oi,oi,oi tudo bem,tudo bão-pergunta luna

    -tudo bem-fala giu

    julie calada

    -que merda eu to fazendo aqui-falou kamie

    -entrevista,xiu-sussurra luna

    -nao quero ficar no autismo de voces-fala kamie

    -xiu,agora continuando como foi a ultima luta de voces-pergunta luna

    -eu so entupi a mina de agua e explodi ela,como qualquer ser humano normal faria-fala kamie

    luna assustada pergunta:

    -e o que voce mais gosta kamie

    -rola-fala kamie-de varias idades idades,de muitos amores

    luna vermelha finge que nao escutou nada e passa para giu

    -entao giu como foi sua luta-pergunta luna

    -eu basicamente invoquei espiritos do alem e fiz todos atacarem como distraçao e voei por debaixo da terra em forma fantasma e possui o meu oponente por traz enquanto secava seu corpo-fala giu

    -e pior que a primeira-pensou luna desesperada

    e assustada luna pergunta com uma cara de nao me mate:

    -e....doq......do que voc.....do que voce gosta

    -kpop,escuto o dia todo,ate dormindo se possivel-fala giu 

    Luna agarra giu e fala:

    -meu desuuuu nos vamos dar tao bem

    -giu esta assustada com voce apertando ela assim luna-fala gustavo como um cameraman ou algo do tipo

    -ok,ok,ok eu largo,mas agora e sua vez julie-fala luna

    luna ja simpatiza com a garota ser baixinha a ponto de parecer uma versao de mini-chibi baby edition

    -entao como voce venceu-pergunta luna

    julie fica calada

    -fala pelo menos de quem voce gosta

    entao a garota gagueja e fala:
    hu..hu....hu...huinglerson-e some em uma sombra de vergonha 

    todos os presentes ficam calados por um instante e luna com um sorriso encerra a transmiçao

    -bae,bae pessoas-fala luna
                                                                              FIM DO ENTREVISTA COM LUNA GERLOFF
    -o que foi isso perguntou gustavo

    -nem eu sei acho que ela gosta do....-fala luna ate ser interrompida pelo pafunsu

    -quem gosta de quem-pergunta pafunsu

    -eu..eu gosto muito de pãozim-fala luna

    -e eu gosto de assistir a luta,elas sao muito bacanas

    -principalmente as com poderzinho sem a rajada tipo seu ataque na ultima luta-fala luna

    -e eu tambem-fala giu sobrando no canto mas manjando da situação 

    -e a proxima luta parece estar prestes a começar-fala pafunsu

    e julie estava com eles porem calada 

    -ainda bem que voces gostam por que o nick e o juan vao lutar daqui a pouco-fala pafunsu

    -eu avaliei os dois,so iram se encontrar se for na final,mas seu amigo nao tem chance o poder do juan é anormal para um guardião da grama,eles nao passam de curandeiros e protetores,juan de algum jeito serve de ataque e aquele modo dele nao vai ajudar em nada-fala julie

    -ela falou-riu pafunsu-finalmente hahaha

    julie some de novo e pafunsu estranha novamente (ate ai tudo normal)

    -ela ate que ta certa a luta deles vai ocorrer no final,vai ser emocionante-fala luna

    -duvido que esse tal de nick ganhe,nao esqueçam que tiveram 3 guardiões da terra no incidente e pelo jeito ele vai lutar com os 3-fala giu

    -eu confio no moso-fala luna

    -eu tambem-fala gustavo

    -concordo-fala pafunsu

    entao as outras guardioes retrucam

    -vai levar surra-fala kamie

    -chute na butt-fala giu

    -uhum-fala (ou grunge)julie 

    entao alguem vai andando naquela direçao era lan

    -alguem percebeu que o primeiro nome dele e mais japones que o do gustavo-fala pafunsu

    lan vai ate gustavo e da um soco com força na barriga dele que o faz cair,e o arrasta pelo cabelo ate cahethel,entao cahethel ouve o que o garoto tem a dizer e troca umas letras de um crachazinho que esta com cada um

    -o que aconteceu-perguntou luna

    -esse cara no dia que eu cheguei aqui deu um jeito de trocar nossos nomes e nacionalidade pra ele parecer japones,eu sou o unico hikari aqui,Lan Hikari-fala Lan

    -nao tendi nada-fala luna 

    -nem eu-fala pafunsu com gustavo vomitando sangue nos braços tentando ajeitar ele

    -aquele e o amigo de voces indo pro ringue-fala kamie

    -e ele sim-fala gustavo meio tonto

    -e o moso-fala luna

    -parece ter uma rola bacana-fala kamie passando a lingua sensualmente entre o labio 

    -eu mereço-fala luna envergonhada de como caminha a humanidade

    mais todos estavam ansiosos afinal nick iria lutar finalmente contra alguem,afinal apos uma historia com aquela (cap2) era impossivel nao ficar curioso com o treino,entao entram em campo um dos 2 caras do incidente e nick dormindo por que cahethel apenas o lançou pro campo enquanto ele dormia meio ensanguentado

    -prontos-fala cahethel-comecem

    -isso nao e justo o moso ta dormindo-fala luna

    entao no meio do campo o outro cara grita:

    -ninguem te perguntou nada,indiazinha

    luna e seus belos cabelos de india se ofendem e mandam ele se-fu mentalmente

    a luta começa com o adversario apontando-lhe o dedo e falando:

    -renda-se eu sou o mais forte aqui e posso destruir qualquer um

    ele era alto como se tivesse 2m e 10 de altura,mas nick ja esta dormindo no chão,como se estivessem pouco se importasse  e seu oponente considerou isso como uma afronta direta de nick e da um soco no chao causando um terremoto que apenas fez nick ficar rolando pelo chão ate que foi chegando perto de seu adversario rolando pela grama do local e ao tentar esmagalo com um pisao,nick chuta ele no rosto ainda no chao dormindo e afunda o rosto do pobre rapaz que ia esmagar a cabeça de nick com um pisão e ainda racha a barreira media de cahethel,todo destruido pelo chute o guerreiro se levanta porem ja e tarde nick esta em pe em sua frente dormindo e lhe da um soco na barriga que explode tanto o seu estomago quanto o resto da barreira do cahethel,entao cahethel fala:

    -treinamento duro pessoal,vamos fazer magia do tempo no sr.matias pra ver se acorda

    apos tenta usar a magia do tempo cahethel nao consegue e fala:

    -nao acredito,mudança do tempo nao funciona nele

    -o que isso quer dizer-pergunta luna

    -significa que nem se eu mudar o tempo,o nick nao vai ficar parado,nao vai envelhecer mais rapido e nem tentar diminuir a velocidade dele e ainda me proibe de viajar pro passado enquanto eu estiver a 1 galaxia de distancia dele-fala cahethel

    -chega vei,esse cara ta muito apelão-falou pafunsu

    -disse o cara que terminou 3 lutas em 4 milisegundos-fala nick

    -voce nao tava dormindo-falou pafunsu

    -habilidade de fotossintese e so eu estar encostando em terra que eu me recupero mais rapido-fala nick

    -bom mais tirando isso-nick colocando um punho fechado em frente ao rosto so que com um sorriso corajoso-eu vou vencer todo mundo,que esta aqui eu prometo isso pra voces 
    FIM
    __________________________________________________________BONUS_________________________________________________________________

    NOME:Kamille Orihara        APELIDO:Kamie         PAÍS:Australia
    ELEMENTO:Agua        HABILIDADE:Solidificação e Gaseificação
    GOSTA DE:Instrumentos Pessoais Masculinos (IPM)

    NOME:juliane kanam      APELIDO:Julie     PAÍS:Istambul
    ELEMENTO:Escuridão      HABILIDADE:Nuvem escura
    GOSTA DE:Pafunsu (DARK STALKER)

    NOME:Giulya kim than    APELIDO:Giu      PAÍS:Coreia do Sul
    ELEMENTO:Espiritual      HABILIDADE:Necromancia
    GOSTA DE:K-POP

    ________________________ERRATAS__________________
     NOME:Gustavo Santiago  APELIDO:Gusta ou Gustavo  PAÍS:Brasil
    ELEMENTO:Estrela     HABILIDADE:Escudo Estelar
    GOSTA DE:Olhar as estrelas

    NOME:Lan Hikari   APELIDO:Nenhum   PAÍS:Japão
    ELEMENTO:Fogo    HABILIDADE:Escudo Estelar
    GOSTA DE:Não se sabe




  • A Náusea

    A
        Mais uma vez, ele errou a maldita questão de Física. Olhou para a tela do celular e viu que horas eram. Espantou-se, pois não havia percebido que já havia passado a tarde inteira.
      “Mais uma tarde estudando Física para o vestibular.”
        Irritado, Fernando tentou encontrar o erro da questão. Por dez minutos, ele passou os olhos pela folha, procurando, minuciosamente, o erro. Não encontrou e deu um soco na perna, tentando achar um meio de ficar menos frustrado.
        Fernando esfregou o rosto com as mãos, bufando. E, por algum motivo, depois de amassar a cara, ele encarou a mão direita. Pensou que estava suja, por isso, resolveu levantar-se da cadeira e foi ao banheiro para lavá-la.
        Botou a mão direita debaixo de um feixe de água e com a esquerda, esfregou, tentando tirar a sujeira. Como se fosse um robô que tivesse sido posto num corpo humano há pouco tempo, Fernando encarou a sua mão direita.
       “ A minha mão tem essa cor mesmo?”
         Ultimamente, as únicas coisas que a mão de Fernando encostava eram o lápis, a caneta, a borracha, o marca-texto e a folha da apostila. Qual foi a ultima vez que, juntamente com a esquerda, a direita guiou o guidão da bicicleta? Ou que passou a folha de um livro que não tinha nada relacionado com vestibular? Ou que tocou uma bola de vôlei, seu esporte favorito? Fernando mal podia lembrar da ultima vez que a mão direita segurou um copo de refrigerante (ele negaria até a morte que já segurou um copo de cerveja!) numa festa.
        E falando em festa, quando foi a ultima vez que Fernando dançou? Quando foi a ultima vez que ele tentou ficar com uma menina e ouviu um não como resposta? Pior ainda, quando foi a ultima vez que ele teve tempo para conversar com os amigos?
       Olhando para a sua mão direita, apoiada na pia de mármore do banheiro do cursinho, Fernando sentiu falta. Falta daquele grupo de amigos. Ele não conseguia negar, sentia falta daqueles idiotas. Sentia falta de falar de garotas, e suas bundas e peitos. Era engraçado o quão eles divergiam. Para Fernando e Carlos, Fulana era mais bonita, enquanto Igor e Iago achavam que Cicrana ou Beltrana eram muito mais bonita. Sentia falta de passar parte da noite jogando videogame, ouvindo zoeiras e comendo guloseimas, biscoitos. Sentia falta, também, daquela filosofia de grupo. Sim, quando estavam em grupo, nenhum deles era burro. Todos eram capazes de terem idéias fantásticas sobre os mais variados assuntos. Mas o que ele mais sentia falta era daquilo que ele nunca teve. Ele sentia falta de segurar uma mão mais macia do que a dele, uma mão feminina que o acalmasse.
     Porém, por mais que tivesse voltado para sua cabine, onde estavam sua apostila, estojos, livros e o caderno, Fernando estava com a sua mente em outro lugar. Não importava-se mais com o valor da aceleração centrípeta, muito menos para o valor de atrito. “Foda-se isso tudo!” pensava. A grande incógnita da questão era porque ele sentia falta disso tudo?
       Abismado e em procura de respostas, Fernando pegou o celular e foi procurar alguém para recorrer. Seus amigos estavam em aula, num outro cursinho. Sua prima estava trabalhando num estagio. Sua melhor amiga estava de castigo. Por um milésimo de segundo, ele pensou em mandar uma mensagem para sua mãe, perguntando qual a razão daquilo tudo. Chegou a digitar a pergunta, entretanto, ele já sabia a resposta da mãe.
      — Você abdicou dessas coisas para passar no vestibular! – Diria sua mãe, com um tom de obviedade na voz, como se a pergunta fosse tola demais para ser proferida.
      —  Mas, mãe, por quê?
      — Porque, enquanto você perde tempo com seus amigos, ou perde tempo procurando uma namorada, ou perder tempo caçando qualquer motivo para não estudar, alguém estará estudando e pegará sua vaga. E, então, você perderá mais um semestre da sua vida, tentando entrar na universidade.
      A conversa imaginada dava náuseas no Fernando.
      Fernando, diante do argumento imaginado da sua mãe, tentou concentrar-se, usando como motivação uma pessoa queria a mesma vaga de Medicina que ele queria.
       Por vinte minutos, Fernando lutou. Seus olhos liam, linha por linha, a questão. Segurado pela mão direita, o lápis corria junto, tentando acompanhar o ritmo do olhar do adolescente. Mas, mais uma vez, a mente do Fernando não estava naquela questão.
      “Por que devo abdicar do meu lazer, só para passar no vestibular?”
       Mais uma vez, a voz imaginada de sua mãe voltou, com um tom irritado, respondendo a nova obvia pergunta dele:
      — É pelo seu futuro, meu filho. Você tem que estudar para ter uma boa vida. Acredite, na faculdade, isso não vai acontecer.
       Ele já havia ouvido esse argumento. E por mais tentador que fosse, ele não conseguia acreditar nas palavras da mãe. Ele via o esforço da sua irmã, que também havia feito em Medicina. Fernando perdeu as contas de quantas vezes Sofia estudou, virando a madrugada, por causa de uma prova. Ele não esqueceu as dez horas diárias que a irmã gastou para passar no vestibular. Um ano de luta que, no final, rendeu para ela uma vaga no curso.
       Talvez fosse fácil acreditar que, se ele passasse dez horas, todos os dias, estudando, ele passaria no vestibular, assim como a Sofia. O problema era que, ao contrario da irmã, Fernando nunca foi esforçado como ela. Ao contrario dela, que podia passar horas sentada, estudando Física, ou Matemática, ou Química, ele não conseguia. Ele, contrastando com Sofia, nunca foi um dos melhores alunos da sala. Nem tirava acima de oito em todas as matérias. Para falar a verdade, desde que conheceu o Ensino Médio, cada vez mais era difícil manter as notas das Exatas acima da media. Ele ia muito bem, obrigado, em todas as matérias, menos, Física, Matemática e Química.
        Cansado de olhar para aquela apostila, Fernando catou suas coisas, enfiou tudo na mochila e saiu do curso. Foi até o ponto de ônibus e pegou um ônibus para o shopping mais perto. Mandou uma mensagem para a mãe avisando que jantaria um hambúrguer.
       Fernando andou sem rumo no shopping, pensando. Esbarrou algumas vezes em algumas pessoas, que resmungaram e não aceitaram o pedido de desculpas dele.  Resolveu passar na livraria, a fim de procurar algum Best-seller.
       Encontrou um livro que despertou seu interesse, porém, uma garota roubou o foco do garoto. Era Marcela, a menina mais inteligente que Fernando conheceu/ estudou com. Ela estava irreconhecível. Sem maquiagem, os olhos, verdes, estavam fundos, cercados por olheiras. Chegava a estar pálida.
      Assustado, Fernando aproximou-se dela. Sem pensar muito, disse:
    — Como vai você, Marcela?
    — Bem, e você, Fernando? — A garota respondeu tristonha.
       Fernando preocupou-se com ela. Ela era sempre alegre. Agora estava tão para baixo. Por isso, perguntou o que aconteceu com ela. A resposta de Marcela fez o adolescente ficar cheio de náuseas.
    — Eu sofri um colapso nervoso há um mês, causado pelo estresse. O meu psiquiatra me proibiu de fazer o vestibular. De acordo com ele, eu tenho que estabilizar a minha saúde mental.
       Saúde mental? Estresse? Uma adolescente de dezessete anos com problemas de adultos? Isso não é normal.
    — O que aconteceu, Marcela?
     — Vestibular.
       Algo acendeu no Fernando. “Isto está errado!”, pensava. Como, em sã consciência, alguém podia ser levado àquele estado? Só para garantir seu futuro?
       Fernando queria saber o que estava errado. O que mudou, nele? Será que, somente ele estava enxergando o erro? Como jovens de dezessete anos tem que ser levados a estudarem tantas coisas? Por que jovens tem que fazer o tal do ”vestibular”? Para garantir o que não se pode garantir?  
      Fernando, como um autômato, despediu-se da garota e saiu da loja. Mais uma vez, ele estava sem rumo. Sua cabeça estava perdida em uma imaginação. Uma vida hipotética. Fernando viu sua vida, como em um trailer de filme.
      Passou em Medicina e a carga de estudo só aumentou. Em algum ponto do curso, ele começou a namorar e, não era como gracioso como ele se lembrava. Tinha que dividir seu tempo entre amigos, namorada, família e estudo. Tudo aquilo era exaustivo, mas ele se convencera de que no final, as coisas dariam certo.
      Eventualmente, ele terminou com a namorada. Fez um esforço tremendo para não deixar as notas caírem. Ele começou, dentro do curso de Medicina, a viver uma espécie de vida de medico. Entravam e saiam pacientes. Poucos recursos pioravam a situação, fazendo com que o estresse aumentasse.
      Ele formou-se e, as coisas não melhoraram. Agora tem a residência. Tempo? Ele teve pouco, mas era jovem, tinha vinte e sete anos. E, como esperado, a residência apenas dificultou a vida dele.
       Enquanto ele assistia ao filme da vida, de alguma forma, Fernando já havia comido algum lanche e estava voltando para casa. Preferiu pausar o filme e começou a refletir. Estava irritado, não podia negar. E aquela náusea que não passava.
       Ele compreendeu o problema. Fernando estava irritado com o vestibular. Pois, somente o vestibular, e outras coisas ruins, podiam fazer um jovem ver o seu futuro com tamanho pessimismo.
       O vestibular é uma desgraça, disse Fernando em alto bom som, enquanto voltava para casa, a pé. Ele sentia-se cansado. Sua mochila, pesando muito mais psicologicamente do que fisicamente, e sua náusea não ajudavam. Ele andava lentamente, sentindo tudo aquilo em cada passo.
      — O vestibular é uma desgraça. Não foi feito para humanos. Qual o sentido de fazer um adolescente ter conhecimento de mais de dez matérias, ensinadas em três anos. São cento e oitenta questões malignas, que fazem você duvidar de você mesmo. Você estuda para uma prova por um ano. Se você passar, um ano salvo. Não passou, um ano perdido.
       Quanto mais pensava que o vestibular estava errado, mais enjoado ficou. A náusea foi crescendo. Eis que seu corpo, contra a sua vontade, arqueou. Sua boca abriu, dando passagem para a sua janta e lanche da tarde. A fraqueza abraçou-o, e ele pensou:
       — Parece que eu tenho muito tempo para me divertir. Eu sei disso, mas porque eu não acredito? Por que eu tenho a sensação que, a partir de agora, eu serei fraco deste jeito para sempre?
       Ligou para o pai e pediu para ele buscá-lo e, segundos depois, seu corpo pediu arrego, e Fernando desmaiou. 
     “O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.”
                                                                                    -- Platão
  • A Ressurreição

    Uma Luz se acendeu
    Quando o menino Jesus nasceu, transformou água em vinho, multiplicou sete pães, Andou sobre as águas Curou enfermos, surdos, Cegos e paralíticos, purificou os leprosos,ressuscitou Lázaro,realizou vários outros milagres.
    Mesmo assim,
    Muitos em ti não acreditavam...
    Por Judas foi traído,e por Pedro três vezes negado.No deserto pelo o inimigo foi tentado Jesus foi crucificado,Seu sangue foi derramado,
    Para salvar os pecadores
    Que de seus milagres muitos duvidaram,
    Deus deu seu único filho
    Para salvar toda humanidade
    Viu na cruz sendo pregado
    Com o coração triste,
    A cada segundo nosso senhor sofria calado.
    mas, para a alegria dos fieis
    Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou.
    Com amor e nenhuma magoa a todos Jesus perdoou
    Com sua bondade de braços abertos
    A todo Jesus ampara,
    Mas fecha os olhos para não vê os nossos pecados,
    Sem nenhum arrependimento Jesus esquece todo o nosso passado. Que nesta Páscoa nos lembremos dos ensinamentos de Jesus: PAZ, AMOR, HUMILDADE e RESPEITO AO PRÓXIMO.
    Que o amor de Deus possa chegar a todos os corações, amando uns aos outros como Jesus nos ensinou.
  • Alguém vai ter que ceder

    Acordo e olho o relógio: duas da manhã. Atordoada, tonta e suando frio. Onde eu estou? Olho ao meu redor e bem, estou em casa. Se acalma, respira, toma um gole d'água. Foi só um pesadelo. Mais um pesadelo...
    Quem dera os piores monstros fossem os de conto de fadas; seria muito mais fácil lutar contra eles. Trancar os armários, tapar o vazio debaixo da cama, não sair comendo maçãs por aí. Ah, como tudo seria mais fácil...
    Mas e quando eles estão dentro de nós? Quando trancar os pensamentos, tapar o vazio de uma despedida e não tomar o veneno das palavras alheias não se faz possível?
    Medo. Insegurança. Arrependimento. Perda. Desilusão. Culpa. Desesperança. Pânico. Ansiedade. Pressão da simples sobrevivência.
    Eles dançam e festejam na mente com total desdém e até com o ar da graça do prazer. A gente tenta se livrar da bagunça; livros, remédios, meditação e busca espirítual. Tem até aqueles dias que a gente chega a implorar por misericórdia e um pouco de sossego, pelo menos durante o sono, mesmo sabendo que não vai haver um segundo de quietude se quer.
    Mas há de haver um dia em que isso tudo desaparecerá.
    Ah, esse dia! Tão esperado dia!
    Mesmo que para isso eu tenha que desaparecer também.
  • Café, Rotina e um Pouco de Horror

    Essa sempre foi minha rotina no final da tarde: chegava do trabalho muito cansada, sem coragem até mesmo para usar as chaves e abrir a porta, deixar o café esquentar na cafeteira, enquanto jogava minhas roupas por todo lado da casa e procurava por algum filme na Netflix.
    Filmes de terror nunca me assustaram, mas ver pessoas tomando sustos e entrar em desespero me garantia boas gargalhadas antes de cair no sono. Hoje algo diferente e assustador aconteceu.
    Assim que cheguei e seguia rigidamente minha rotina, na cozinha aconteceu algo que para mim não passava de um acidente doméstico causado por algum descuido. Afinal, é comum que uma pessoa cansada coloque sua cafeteira na beirada da mesa de cozinha e ele caia com o chacoalhar da água fervendo. Pois bem, a cafeteira caiu, tomei um susto, mas ignorei e nem mesmo levantei para limpar o chão, apenas voltei para a TV, mas quando olhei, ela estava na página do YouTube e na caixa de pesquisa, tinha palavras como: demônio, rituais e suicídios. O que me deixou confusa foi o fato de que eu não lembro de abrir o YouTube. Enquanto tentava lembrar em que momento eu havia entrado naquela aba, algo ainda mais estranho aconteceu. Senti um frio na minha nuca, na verdade era como se alguém estivesse soprando em linha reta nas minhas costas, assustada, imediatamente virei sem saber o que procurar, pois estava sozinha e neste mesmo instante sentir um dedo subir por minhas pernas, a parti dos joelhos, em direção a minha virilha.
    Aquilo já era demais, eu tentei não acreditar, queria não acreditar. Corri em direção as minhas roupas espalhadas pela casa e tentei vesti-las o mais rápido possível. Ainda sem terminar de me vestir, com a intenção de sair, dei alguns passos até a poltrona onde deixei o controle da TV e o peguei, mas quando pressionei o botão de desligar, a TV nem mesmo piscava. Aproximei-me para desliga-la manualmente e ainda assim ela permanecia ligada, mas a angustia tomou total controle quando puxei o cabo de energia e ela não desligou, aquilo fez meu mundo desmoronar, não era possível.
    O frio aumentou e eu já podia sentir meus dentes tremer, e não sabia se era de frio ou medo. Olhei ao meu redor e tudo que passava por minha cabeça eram as palavras; suicídio e demônio. Corri até a porta, não queria passar nem mesmo mais um segundo ali dentro, mas antes de sair fui desligar a luz, a luz também não desligava, mesmo clicando várias vezes com muita raiva e isso pareceu dar mais força para tudo aquilo, pois o controle foi arremessado na parede, espalhando-se em alguns pedaços no chão. Senti minha pele umedecer em lágrimas, estava entrando em pânico. Pânico ainda não é suficiente para descrever o meu estado emocional naquele momento e foi por consequência que decidi fazer a única coisa que podia me tirar daquele pesadelo. Peguei garfo todo metálico e fui até a primeira tomada de energia e empurrei-o, eu esperava que fosse instantâneo, nada aconteceu, achei que estivesse fazendo errado e continuei tentando, mas quando percebi que nada aconteceria, eu dei um grito estridente e chorei ainda mais. Ajoelhada e sem esperanças coloquei as mãos nos ouvidos para não ouvir as batidas das gavetas de talheres que havia acabado de começar junto com uma almofada que foi arremessada em direção a janela, não pensei duas vezes quando a segui e pulei para fora da janela.
    Tudo ficou escuro por alguns segundos, seguido por um clarão. Eu estava acordada. Estava confusa. Peguei o controle da TV onde passava o vídeo de um homem com máscara de coelho e parecia contar uma história sobre demônios, quase me distraí, mas quando finalmente pressionei o botão, rapidamente ela desligou. Fui até a cozinha e a cafeteira estava inteira em cima da mesa e o café nem estava fervendo ainda. Mas eu continuava com muito frio!
  • Chá das Cinco



    Peço às visitas que entrem
    Entrem, mas apenas se forem ficar
    Pois, senão, que sozinha me deixem
    Basta de ir embora antes de chegar.

    A porta está sempre aberta e espera
    Espera muito, se precisar
    Até que finde a primavera,
    Não há problema em demorar.

    Leve muito tempo, mas venha certo
    Certo, que ao puxar a cadeira
    Ficará do outono ao próximo inverno
    Ou até que floresça a última videira.

    Pois quero viver uma vida inteira
    Inteira, de verdadeiros sentimentos
    Da lua cheia ao raiar da aurora,
    Não apenas de breves momentos.
  • DAS MESMAS VEZES

    A voz abriu a janela com furor e pudor, como se não quisesse fazer barulho. Porém, com o impacto insano dos próprios gestos embaralhados, desconcertados e desengonçados fez-se o estrondo sem querer. Havia o intuito de perturbar, de estilhaçar e por fim de fazer não viver. A voz sugava a alma da moça deitada na cama, quase que desfalecida. A voz que não se importava com a tortura agoniante dos ossos que se contorciam rapidamente em uma expulsão do próprio espírito. A voz que não era dos cabelos negros que estavam embalando o travesseiro em um abraço meio "graceiro", benéfico. A voz acariciou o pescoço nu da jovem imóvel. Fez-se um calafrio. Em um estupefato movimento do vento insone, a vocalização perdia-se no deserto frio da alma. A moça pestanejou, fez rangir os dentes, ignorou o grito de socorro estridente. Acordou, já era manhã. E, logo que se ergueu pela janela para contemplar o sol escaldante, a vista foi atingida com a dor do morto que a olhava com pupilas saltitantes. "O grito era dele!", exclamou. Agora não era mais. 
  • ÉBRIO

    A penumbra da noite perpassava a janela de vidro e lançava a luz do luar sobre minha fisionomia, outrora radiante, hoje decadente. Os goles da bebida desciam rasgando minha garganta. No início a substância me causava trejeito e um leve reviramento no estômago, mas hoje ela é pra mim o que a água é pra uma pessoa “normal”.
                Esse álcool que agora rasga minha garganta em fervoroso prazer já destruiu minha vida. Essa bebida demoníaca; levou-me a ser abandonado por minha família, levou-me a ser uma vergonha aos meus filhos, levou-me a ser o que sou hoje; um homem de meia idade, decrépito, praticamente sem fígado e quase sem nenhuma razão pra viver.
                Encontro-me hoje jogado em minha velha poltrona, e ao meu lado minha companheira traiçoeira, esse veneno no qual viciei. É comum em noites assim minha cabeça rodopiar em reflexões… “Por que você ainda está vivendo? O abandono de todos que você amava não é o suficiente para você perder a razão da existência?” A voz em minha cabeça dizia. Era uma voz rouca, eu presumo que advinda da bebida.
                Estendo a mão em busca do litro, mas eis que para minha completa estupefação vejo uma sombra passar na parede. Um calafrio percorre meu corpo e num espasmo causado pelo susto acabo derrubando o litro. O vidro se estilhaça em mil pedacinhos, tal qual minha vida se estilhaçou depois do vício.
                Pragas ecoaram de meus lábios. Me levantei e fui pegar uma outra garrafa. O pavor que a sombra me causou foi se dispersando aos poucos. Quando volto a poltrona e tomo um grande gole vejo novamente a sombra. O pânico se apossa de meu corpo, fico paralisado. A sombra começa a ganhar forma, e diante dos meus olhos ela se transforma em… meu pai! Pisquei várias vezes atônito. Pensava que poderia ser uma ilusão, um sonho, já estava a dois dias sem pregar os olhos, sempre que sentia sono cheirava um pouco de um pó especial… Cheirei um pouco de um pacotinho que trazia no bolso. Quem sabe assim a sobra de meu pai ia embora, porém ela não foi. E o terror prendeu meu corpo quando a sombra de meu pai, morto a cinco anos, falou:
                “Você sempre foi uma decepção!” Sua voz soava espectral. “Nem depois da minha morte você toma jeito”.
                “Nem depois da sua morte você me deixa em paz” eu disse, aquilo podia ser um sonho, mas aquele espectro não me ofenderia.
                “Você sempre foi petulante”
                “E você sempre foi um covarde que bate em mulheres”
                “A sua esposa pode dizer o mesmo de você. Isso é, se você não a tivesse matado”
                “Eu não a matei!” Eu exclamei exasperado, peguei a primeira coisa que encontrei e joguei no espectro. Ele desapareceu.
                As palavras dele embaralham meus pensamentos. Fiquei atordoado, e o jeito foi ir pegar uma outra garrafa já que meu pai mesmo morto veio bagunçar minha vida. Enquanto bebia novamente, um redemoinho negro adentro o cômodo. Ele trazia consigo a agonia do inferno, me senti extremamente perturbado, foi então que o redemoinho das trevas começou a ganhar forma e em um piscar de olhos minha esposa estava comigo.
                Sua pele estava pálida, seu rosto, antes rosado e vívido, ganhara um aspecto cadavérico e mortalmente espectral. As órbitas de seus olhos eram de um negrume inigualável. Trajava um belo vestido branco.
                “Anne!” - A exclamação destruiu os muros dos meus lábios.
                “Sentiu saudades, querido.” Sua voz era igualmente doce. “Pensou que não iria mais me ver?”
                Fiquei sem palavras. Ela estava ali em minha frente. Não havia me abandonado. Não estava morta, só estava ali, comigo. Eu não estava sozinho. Me aproximei e tentei tocar seu rosto, mas ela recuou:
                “O que houve?” Perguntei confuso.
                “Você ainda não pode me tocar” ela disse.
                “Por que?” Eu perguntei rapidamente.
                “Você sabe o por que, Victor”. Eu abaixei a cabeça relembrando o dia em que acidentalmente a matei. Eu estava ébrio, não estava consciente dos meus atos. Não queria, simplesmente não queria… mas fiz.
                “Como posso consertar isso? Eu não fiz por querer… Anne” me desesperei.
                “A um jeito de consertar isso, Victor, e você sabe qual é, não é?” A voz dela era melosa, mas firme. Não precisei que ela explicasse, é claro que eu sabia o que ela queria.
                Fui até a cozinha com a garrafa em mãos. Tomei um último gole e quebrei a garrafa na beira da pia. Fiquei a olhar o casco em minhas mão. O estilhaço de vidro em minhas mãos implorava pra ser lambuzado com o meu sangue. Hesitei, mas ela se aproximou de mim e pousou sua mão sobre a minha…
                “Venha! Preciso de você!”
                Essas palavras foram o suficiente. Em um movimento rápido e firme enterrei o vidro em meu pescoço, e ao fazer isso ela desapareceu… não tinha mais esposa… não tinha mais meu pai… não tinha ninguém… apenas eu, sangrando, agonizando, morrendo…
  • Erro por ser quem sou, Humano.

    Quantas vezes eu errei, julguei mal sem conhecer, julguei a mim mesmo, centenas e centenas de vezes no silencio da noite, mas tive a oportunidade, sempre tive, no outro e no outro dia, de reparar minhas falhas, meus temores, minha impaciência, e por alguma razão eu achava certo, pensar ''só em mim'', trilhei o caminho da solidão, do meu orgulho, mas tudo isso, toda essa armadura foi se despedaçando, uma luta interna para mudar, meu olhos agressivos refletiam minha alma e eu me vi sozinho, foi então que eu percebi que outras pessoas sentiam o mesmo, e que só se protegiam ou fingiam estar bem, mas lá no fundo, elas gritavam e não se podia ouvir.
    Eu não estava só, nunca estive, eu nunca vi isso, estava na minha frente as ferramentas para mudar, as pessoas, meu amigos, minha família, eles precisavam de mim, e eu deles, essa é a parte em que aquele muro alto, difícil de transpor, devia ser derrubado, era necessário, eu estava isolado.
    Um ponte foi construída, uma reconstrução do ser, aqueles
    primeiros passos, andando de bicicleta pela primeira vez, sem jeito algum, está sentindo ?...
    O tempo passou, todos notaram, quem o conheceu viu sua mudança, seu olhar era brilhante, seu semblante era uma paz.
    Leve, quanta diferença, olha quantas pessoas estão ao seu redor, todas querem ficar ao seu lado, sua energia é benéfica, seu riso contagia, aquela pagina de sua vida, se chama...
    A ponte chamada Amor...
    ''Sabiamente ele conheceu o valor de cada palavra desferida''.
  • Felicidade

    Tenho minha felicidade
    Por meio da simplicidade
    Em toda parte
    Ver que tudo é arte
    E saber que a dor faz parte.
  • Filosofar não é para qualquer um

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    Atualmente existe o conceito de que filosofar é algo fácil e, portanto, qualquer um pode ser filósofo, basta escrever uma frase clichê ou sem fundamento em um guardanapo, tirar uma foto e postar em alguma rede social. Se fizer sucesso, parabéns! Você é um novo filósofo contemporâneo aos olhos da massa de pessoas que compartilham da mesma concepção. Porém, nada disso muda o fato de que na realidade, filosofar não é tarefa fácil, se não acredita faça o teste, tente ser como os filósofos da antiguidade os quais não tão somente pensavam, mas comprovavam seus pensamentos nas mais diversas áreas, como nas ciências exatas e humanas. De forma a contribuírem com a evolução do conhecimento humano naquela época, e consequentemente até os dias de hoje.

    É tão difícil se imaginar na posição de gênios como Sócrates ou Aristóteles, por exemplo, porque eles viviam pelo amor a filosofia, e nós mal conseguirmos viver por amor a si próprios. Assim como Sócrates que com sua tamanha sabedoria, não renunciou aos seus princípios filosóficos, mesmo sabendo que seria condenado a morte. Para Platão, todo comportamento ou manifestação física precede a ação de um pensamento, ou seja, de acordo com ele, os pensamentos são como sombras que de tanto alimentá-las, acabam se exteriorizando em comportamentos por vezes inconscientes. 

    Nessa premissa, encontra-se a necessidade de reflexão, será que todos nós nascemos filósofos? Partindo da dialética platônica, teoricamente sim. Contudo, é algo que está latente dentro de cada ser humano, o que se faz necessário um trabalho intenso de constatações a respeito de si mesmo. Pois, Sócrates já dizia, que para se ter uma vida que vale a pena ser vivida é preciso, sobretudo, conhecermos quem realmente somos, de maneira análogo á máxima do Oráculo de Delfos ''Conheça-te a ti mesmo''. Somente assim, será possível uma análise filosófica de tudo que é externo a nós, uma análise livre de amarras do preconceito e do senso comum responsáveis por nos distanciar da verdade.

    Convém lembrarmos que, há fatores os quais influenciam a formação dos nossos pensamentos , a maioria das vezes, através de qualquer propagação de informação, que pode está contida nas músicas que escutamos, nos filmes que assistimos, nos livros que lemos, e até mesmo nas redes sociais que acessamos. Somos estimulados a termos determinados tipos de pensamento que alimentam nossas sombras interior, como um vírus que se instala e nem se quer nos damos conta disso. Porque o problema não está nas músicas, filmes, livros ou redes sociais, o problema está em absorver toda e qualquer informação, sem qualquer critério de seleção

    Segundo Platão, toda essa gama de informação que temos contato afetará diretamente quem somos, fazendo com que seja cada vez mais comum, não sabermos diferenciar o mundo sensível do mundo inteligível, nos sentirmos perdidos em nós mesmos, alheios aos nosso destino como se todos estivessem vagando em alto-mar, sem saber a onde realmente desejam chegar. Em síntese, após tanto anos é possível observar que ainda vivemos na Caverna de Platão, sujeitos as sombras e ilusões, nos contentando com menos do que o pouco, com medo de refletir sobre o que se apresenta como absoluto e incontestável, ainda vivemos com medo da verdade. 

    A fim de finalizar essa divagação, trago um fragmento de reflexão do famígero filosofo racionalista René Descartes, em suas próprias palavras:  ''(...) Não nos tornaríamos filósofos por ter tido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o qual nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias. 
  • Imperceptibilidade de uma Grande Alma -  Crônicas do Parque

    Em uma dessas manhãs de Yom Sheni (segunda-feira), em que se encontrava solitário sentado em um dos bancos no Parque de Kfar Saba, com a cabeça cabisbaixa apoiada em seus punhos. Sentia-se ignorado pelo mundo, já não era tão apreciado como antes. Algo lhe escapou ou foi-lhe roubado. As pessoas já não mais lhe presentearam com olhares de admiração e espanto.

    _ O que aconteceu comigo? _ perguntou a si mesmo.

    Se viu metamorfoseado como Gregor Samsa. Não em um besouro monstruoso. Mais em algo muito pior que ele não sabia muito bem o que era, mas que o tornara invisível, como se fora engolido por um grande peixe. Não fazendo muita diferença, pois também o tornava peçonhento.

    Apenas era diferente e fazia a diferença. E por isso se tornou uma alienígena para os demais. Como um vagão que se desprende da locomotiva, decidira há tempos atrás pular dos trilhos e escalar a grande montanha. E assim era visto como esquisito, complexo e fora da lei.

    Entretanto, não entendia o porquê de não ser compreendido. E o porquê do mundo não o querer como amigo.

    As pessoas o temiam, pois ele se tornara o reflexo do correto. As pessoas o rejeitavam, pois ele se transformara no que elas mais temiam em um ser-humano, o espelho da sinceridade e honestidade.

    Nele a verdade se externou. Abrindo a tampa do esgoto das personalidades. E, por isso, diziam umas para as outras:

    _ Este não é divertido.

    Por ter uma personalidade diferente, não era cínico. Por vezes, era muito inocente perante as maldades alheias, o que lhe protegia das armadilhas das más intenções.

    Mesmo sendo ignorado, era notado em todos os lugares. O ignoravam por inveja, medo, receio, ou para não lhe darem a devida primazia e poder merecido.

    Ele nada disso entendia. Apenas sentia-se rejeitado pelo mundo. Porém, o Sagrado o acompanhava, protegendo o seu doce coração da maldade das diversas aspirações do ego humano.

    O Espírito nele fez morada, com o tempo a sabedoria o despia de suas dúvidas e inferioridades. Até que alcançou a Maestria que o tornara distante dos demais, e deles alcançou a veneração, suplantando a admiração mundana. Erguendo-se como uma branca flor de lótus, além de suas folhas deitadas nas águas da ilusão, da grande piscina ecológica do parque da região da Rosa de Sharon.
  • Olhar seu

    São seus olhos, esses belos pares  que me olham e vêm em mim aquilo que o espelho não me revela
     São seus belos pares de olhos que refletem o meu rosto e me fazem te enxergar e me enxergar ao mesmo tempo 
    São esses seus olhos, que transmitem sentimentos e  palavras, que dialogam comigo e me fazem entender o que você sente.
     São esses olhos, que combinados com os meus trazem a certeza de que de nossos olhares precisavam se cruzar.
  • Onde já se viu, a menina se apaixonar pelo mar?

    A mãe avisou para não ir brincar perto demais do mar. A voz alertando que era perigoso demais ecoava em um canto esquecido de seu ser. Arriscou-se pois o achou bonito demais para não ser aproveitado. Não soube apenas molhar os pés e ir lentamente acostumando-se até gradativamente estar completamente molhada. Disparou sem pensar duas vezes diretamente para aquela imensidão da qual não tinha conhecimento. Não sabia que era necessário saber nadar, aquilo era traiçoeiro e a faria se afogar. A correnteza empurrava cada vez mais para o fundo, cada vez mais dentro daquela imensidão e sem chances de escapar. Não havia fôlego para gritar por ajuda. Conseguiu subir algumas vezes antes de ser engolida por aquela força que superava a sua mil vezes. Arrependeu-se. Odiou-se. Até que acostumou-se. Manteve os olhos fechados até criar coragem de observar o que a cercava. No primeiro momento, não compreendeu. Havia apenas imagens borradas, infinitas imagens que não se explicavam. Forçou os olhos, tentou se acalmar e olhou ao redor mais uma vez. Havia beleza em toda aquela dor. A desobediência a concedera uma experiência sem igual. Vira coisas tão belas que limitou-se a guardar consigo pois ninguém compreenderia. O mar estava agitado, assim como seu estômago que se agitava em torno de sua ansiedade. Entendeu que deveria se acalmar se quisesse sair ilesa dali. Isso se de fato sairia dali. Aprendeu a conviver, em alguns momentos até ceder. Não aprendeu a nadar, mas era boa em flutuar. E observar. E deixar o tempo passar. O mar às vezes a chamava para brincar. E mesmo correndo o risco de se afogar, não pensava em recusar. Onde já se viu, a menina se apaixonar pelo mar?
  • Qualquer dor é melhor que um devaneio


    As lágrimas que você derrama por coisas ou pessoas que ama são mais do que qualquer coração pode aguentar. Sim, o amor não deveria custar nada, mas então porquê é que você tem pago um preço tão alto por ele? A pergunta tem a própria resposta: ora, se é livre e você não o tem aos grátis modos, de certo está sendo iludido, preço algum pode ser pago por aquilo que ultrapassa qualquer valor. 
    O grande problema é que você é enganado aos poucos. Numa hora lhe é pedido para esperar mais alguns minutos, noutra lhe faz esperar em vão por um encontro que você ansiou a semana toda, algumas vezes lhe pede um favor e esquece de agradecer, até mesmo o menospreza num momento em que poderia ter feito o contrário, e já o faz sem perceber porque tornou-se de praxe lhe consumir.
    E o mal disto acontecer aos poucos é que você nunca tem tempo para dizer basta, sempre acaba encontrando força e desculpas para acreditar que foi só mais um episódio, e mais outro, e mais outro.
    E isso dura até o dia em que você acorda achando que ainda é tão forte como era a princípio para aguentar mais um pedaço ser levado, mas aí então, no fim deste dia, no momento em que a lua chega a pico, você se embrulha na cama e não consegue dizer mais nada para si mesmo: há algo inchorável em seu coração que o faz se dar conta de que tudo mudou, de que você já não é mais o mesmo, que é só aquilo que não deu tempo de ser roubado. Sua alma foi corrompida.
    Neste momento, apague as luzes, feche os olhos e olhe para dentro de si. Deite sua cabeça no colo de sua alma se for preciso, mas tenha coragem para enfrentar o peso da dor. Se for preciso também, diga com vontade para si mesmo que no fim das contas sentir a dor foi melhor que os devaneios aos quais você se submeteu anteriormente e, então, no mesmo instante, saberá que qualquer janela quebrada pode ser substituída, que as rachaduras das paredes podem ser restauradas e que uma chama anteriormente queimada por inteiro pode agora reacender por outro alguém.
    Com isso, vai descobrir que há alguém que pode cuidar do que restou de seu coração, que pode ficar ao seu lado para espantar seus medos enquanto você pega no sono e que, acima de tudo, pode lhe fazer perceber que melhor que acordar de um devaneio incessante é viver aquilo que outrora não passava de uma ilusão longínqua.
  • Quântica

    Caí em sono profundo
    Foram tempos depois
    Quando me safei da cripta
    Brotei do chão simbiótico

    Corria o vento minuano
    E do meu leito panóptico
    Vi a cidade deserta
    O fumo das chaminés
    Toda cortina fechada..

    Correu-me um frio pela espinha
    (Ao menos pensei que tinha)
    Soube que todas almas
    Encerradas em sua sorte
    De mim nunca viram nada
    Nem estavam interessadas
    Na ladainha da morte

    Num impulso agonizante
    Subi no sopro do vento
    E num traslado fremente
    Tornei-me na água fria
    Fiquei preso em qualquer porta
    Ao menos no frio que corta
    Alguem notou que eu existia
  • Reminiscência

    Ali mesmo no corredor
    Com aqueles olhos que escorriam sentimentos
    Me olhou como quem queria me ver de novo
    Mas de sua boca saíram palavras que não me deixariam voltar
    Sua mão segurando seu braço deixando livres seus olhos para chorar
    Quanta dor em uma cena tão singela quanto um modesto bom dia
    Quem dera um dia
    Voltar naquele corredor
    Os mesmos atores em seu papel prontos para novamente encenar
    Uma peça que não queriam acabar
    Mas um fio do destino acabou por cortar os dois cominhos que haviam lá
    Agora na poltrona lembro
    Já faz tanto tempo
    Mas quem iria eu imaginar que sua falta iria me levar
    A contar histórias como se fosse escritor de um conto fugaz
    Tentando encontrar em minhas loucuras um momento de paz
    Ela não volta mais
    E eu espero demais
    Em, talvez, encontros formais ou informais
    Uma, duas ou mais bocas não sei quais
    Reencontrar uma atriz daquelas principais
    Para um dia viver comigo alguns natais.
  • Sobre atualidades I

    aleatorio1
    Na era das dificuldades pessoais trancafiadas dentro de nosso âmago e uma superficial felicidade vendida ao nosso ciclo de amizades, fica cada vez mais difícil de se detectar sentimentos reais que vão além do "tamo junto".
    Clamamos por amor sabendo que temos a condição de amar, clamamos por felicidade sabendo que temos condição de sermos felizes, mas o medo da demonstração e de se arriscar uma mediana estabilidade nos faz recuar constantemente, e o que era para ser simples e corriqueiro na vida se torna utópico.
    Abandonem seus gurus, abandonem as receitas de bolo!
    A vida não é passo a passo, a vida é constante metamorfose, onde se existe limites. Acreditar que se pode tudo a qualquer momento será frustrante no futuro, as responsabilidades baterão na porta, mas elas não vão te assustar, afinal são consequências do seu plano de vida, da sua libertação.
    Não tenha medo de conhecer novas pessoas, pois de uma forma ou de outra você irá conhecê-las, não tenha medo de seguir em frente, os que têm coragem para tal ato são historicamente glorificados.
    Se te faz mal não é vantajoso guardar, livre-se.
  • Você

    Por muito tempo eu a observei
    Nos teus pequenos atos, minha cara
    Aposte que eu te notei
    Lutei em certos momentos, a esconder minha tara
    Meus interesses eu arrebatei

    E fiz isso pois sabia que era duro o serviço
    Além do mais você parece ter compromisso
    Então deixei pra lá
    Me contentei em só admirar

    Além do mais você parece ser do estilo "peace and love" e eu sempre ocupado
    Você sempre livre leve e solta 
    e eu todo abarrotado
    Você toda desenvolta
    E eu por vezes meio truncado

    Você já mulher madura
    E eu a amadurecer
    Você já com experiencia
    E eu a me desenvolver

    Dane-se, queria mesmo era por uma noite te ter
    E te satisfazer
    E ver teu corpo arrefecer
    Pra estar em meus braços até amanhecer

    Mas não ache por engano que eu te amo
    É que te acho incrivelmente sensual
    Queria ter a liberdade de perguntar "vamos?"
    Até porque o teu jeito é sem igual

    Infelizmente, nossos olhos não podem muito se fitar
    Nossas bocas não podem se tocar
    Nossos corpos quentes não podem se enrolar
    Nunca poderiamos nos entregar

    Posso ver nos teus olhos seus desejos escondidos
    Quem sabe até reprimidos
    Estes que nem podem ser acolhidos
    Nem podem se libertar
    Ah, como eu queria te tentar

    Te tentar pra o teu lado devasso revelar
    Te tentar pra te ver fazer e gostar
    Te tentar pra te ver do pecado provar
    Pra você ir ao céu e voltar

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