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Desejo

  • "MEU QUERIDO JUNQ".

    “MEU QUERIDO JUNQ”.

     
    (Brito Santos) / Novembro/2016



    Revisão: Luísa Aranha

    Contato: (causoseprosas.com.br)



    Capa: Arte & Criação: Wilson Brito

    Contato: (facebook.com/wilson.brito93)



    Autores Novos e Veteranos. Divulgue sua obra aqui. Contato: Vânia Livros



    Agradecimentos Especiais:

    “Sociedade Secreta dos Escritores Vivos”: Bruno Vieira, Sandro Moreira, Bruno Cardoso.

     

    “Curso de Escrita Criativa”: Tiago Novaes.

    Contato: (escritacriativa.net.br)

     

     

    Para elas, as mulheres: As duas principais mulheres com quem tive a honra, e o privilégio de conviver. Mesmo por pouco tempo, foi um pouco que virou muito, levando-se em conta a qualidade do tempo vivido.

    “Mãe, e Irmã” – “Lú..., você quer umbu?”

     

    Mais mulheres: (Professoras) do Curso de Jovens e Adultos da Escola Fundação Florestan Fernandes em Diadema/SP.

    Especialmente para “Fátima” (História); e “Ana Paula” (Português/Inglês). Espero reencontrá-las um dia.

     

     

     

     

     

     

    MEU QUERIDO JUNQ


     

    “As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física”.

    (Friedrich Nietzsche )

     

    Manoel Junqueira, este era o seu nome. Para seu amor, era “Junq” (apelido carinhoso pois todo casal apaixonado tem essa mania não é mesmo? Ou é “tinho”, ou “vida”.  Alguns, são verdadeiras bombonieres. “Meu pão de mel”, “vem cá docinho de leite”.  Coisas grudentas, desse tipo.

    Estavam juntos há alguns anos. O relacionamento ia bem, cogitavam casar-se. Ter filhos? Quem sabe... mesmo que para isso, fosse necessário adotar. Uma união estável, quem poderia impedir? Namorado antigo? Jamais. Justiça? Também não.

    Com o problema na embaixada resolvido, comprou uma linda mansão em Atibaia. Tinha posses para isso, vida plena, vida boa.

    O escritório de contabilidade funcionava a todo vapor, clientes aos montes. Pensava em expandir, contratar mais funcionários. Pois é. Parece mentira, mas às vezes acontece. A felicidade aparece, vem e fica.

    Estavam bem nos negócios, bem no relacionamento, bem com os amigos. Coisa rara na vida de qualquer um, chegava a dar medo.

    O médico psiquiatra, Flávio Gikovate, escreveu sobre o assunto em um dos seus artigos: “... as pessoas, ao se apaixonarem, passam a viver em estado de alarme; muitas vezes em pânico, como se algo de terrível estivesse para lhes acontecer”.

    Sinceramente? Junq... dava de ombros para isso. Não que ele não respeitasse a opinião do médico, longe disso. Preferia olhar sempre, o lado mais otimista da vida, ver o copo “quase cheio”. Se era assim, com o copo quase cheio, quem dirá, com ele “passado à régua”.

    Como vida é ciranda, coisa viva que vagueia, chamava o Chico para cantar: “Roda mundo, roda gigante, rodamoinho roda pião, o mundo girou num instante, a roda do meu coração”.

     

    Uma mudança sutil ocorreu depois do feriado. Juntos mais uma vez, como gostavam de fazer, os três amigos fiéis, Carmen Lúcia, Manoel Junqueira e Albano Matoso, passaram um dos finais de semana mais divertidos da vida, como se o futuro adivinho e precavido, os premiasse pelo sofrimento vindouro.

    Contrapeso e equilíbrio na balança da mulher que segura a espada.

    Se conheciam desde os tempos de colégio, todos os homens naquela época desejavam Carmem Lúcia, também, com aquele corpão. Quando tinha apenas quinze anos, a menina já parecia uma “toura”. “Toura” de touro mesmo! Como se fosse esse o feminino.

    Botava umas roupas “Meu amigo”! Aqueles vestidinhos que vem o demônio no tecido, quando a mulher anda, é uma festa ali atrás, todo homem quer entrar mesmo sem ser convidado. Junq, um pouco tímido e sutil, ficava enciumado algumas vezes.

    Já Albano, macho alfa, arranca toco pega tudo e estraçalha, brincava com ela dizendo:

    “Ah..., se eu fosse mulher! Iria me vingar..., ô; se iria. O que eu faria? Sairia na rua com uma roupa bem provocante, sabe? Tipo essa que você está usando aí. E então, quando aparecessem candidatos, eu iria dar que só, dar sem dó. Dar pra caralho, deixar todos eles moles.

    E tem mais... quem não desse no couro, ia colocar na lista. A lista dos broxantes. Para aprender a se garantir”.

    Carmem Lúcia ria. Dizia que todo homem era igual, todo homem pensava desse jeito. Bons encontros, bons tempos aqueles.

    No recente final de semana, relembraram bons momentos: suas bagunças e curtições de adolescentes, inventaram e criaram novidades. Beberam, comeram, jogaram. Quase uma perfeição. Quase! Dois dos três agora noivos, pelo sim ou pelo não, justa e posta divisão.

    No meio da brincadeira, quando estavam disputando uma partida de “Just Dance”, Junq percebeu que Albano, estava a todo momento perto demais de Carmem Lúcia. Conversando mais que o de costume. De início, achou normal. Afinal de contas, a amizade dos três era antiga.

    “Será que eles já haviam tido um caso antes? E ele, Junq nunca ficara sabendo? Não, não, não... tira isso da cabeça rapaz, isso é só viagem, apenas viagem. É apenas o excesso de rum, com limão gelo e soda. ”

    E foi assim que Junq, começou a desconfiar dos dois. Pouco a pouco. Os atrasos para os compromissos que não aconteciam antes, uma viagem aqui outra li. As ligações em horas estranhas, sempre com descrições ou pelos cantos.

    “Quem era? ” “Hã? Nada não... apenas um amigo do trabalho”. A coisa intensificou, ou um copo esvaziou. Ou quem sabe, transbordou. Chegou uma hora, em que ficou insustentável.

    A semana decisiva na vida do trio seria aquela. Junq, depois do ocorrido na festa andava muito desconfiado, fez o que não costumava fazer. Uma das coisas que odiava nas pessoas, esgueirou-se por entre os móveis, e, durante uma das ligações, ficou ouvindo atrás da parede.

    “Sábado? Está bem. No mesmo lugar de sempre? Na mesma hora de sempre”. No fim a frase que terminou por selar seu destino massacrou seu coração. “Um beijo”! Aquela frase... duas palavras... nunca tinham soado tão dolorosas para ele como desta vez.

    Já havia ouvido tantas e tantas vezes, amigos cumprimentarem-se assim, é normal. Mas não ali, não entre ele dois, ele tinha certeza. Intuição, coisas do coração, de quem ama e está apaixonado. “Como ela pode? E ele...esse... porco traidor...aquela... puta e vadia”.

    Teve uma ideia: Iria até o encontro acabar com a festa. Surpreenderia os dois, e pronto. Se fosse o caso, desceria o cacete. Afinal de contas, quando o lance é traição, não tem esse negócio de culpa de um, e não culpa do outro.

    Tudo safado e sem vergonha, farinha do mesmo saco para citar o dito mais dito de todos os tempos. Para ter dedo na rosca, precisa dos dois. “Da rosca e do dedo”. Estava decidido.

    Na sexta-feira de manhã, Junq inventou uma viagem de negócios, disse que só retornaria no domingo. Comprou até mesmo a passagem de avião, mostrou e tudo, para dar credibilidade, queria deixar os dois “pombinhos” bem à vontade.

    Assim, sem desconfiar de nada, sem nem imaginar o que estaria esperando por eles. Queria pegar no flagra, ver com os próprios olhos. Todo homem traído merece isso, para limpar sua alma.

    Bons tempos aqueles em que às mulheres tinham a dignidade como principal característica. O que aconteceu com as mulheres meu Bom Deus? A culpa foi dela. Sempre dela. Ele sabia, dizia isso para os amigos quando conversavam sobre o assunto.

    “A tal: ‘Revolução Feminina’. A culpa sempre foi da ‘Chiquinha Gonzaga'. Maldita Chiquinha Gonzaga, ela e seu piano infeliz. Foi ali que começaram os ‘pancadões’ da vida. Que hoje dominam as grandes metrópoles, e muitas vezes varam as noites das periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo, impedindo todo e qualquer um, de ter uma mínima noite de sono. Imaginou a sua canção mais famosa, uma marchinha de carnaval: ‘Ô abre alas... que eu quero passar...’, tocado com som ao fundo do “Beatbox” puxado pelo DJ. Aquele ‘tchu-tchu-tchu’ horrível e repetitivo feito com a boca, os lábios abrindo e fechando rapidamente, batendo um contra o outro e cuspindo”.

    Durante a noite, Junq de propósito aproximou seu corpo deixando claro sua intenção, para ver se rolava alguma brincadeirinha entre os dois. Porém nada aconteceu. Foi como havia imaginado, o fingimento entrou em cena.

    “Sinto muito, mas hoje não dá, não estou bem”!

    “Não estou muito bem é uma pinoia! ”, pensou Junq. Queria mesmo era guardar todas as forças, todos os seus fluídos, inclusive seu suor, para a traição.

    “Filhos duma puta, miseráveis, como podem”. O sono demorou, criou filmes na cabeça, via os dois em kama sutra, outras vezes cabaret.

    Na manhã do sábado, como tudo já estava preparado de antemão, mesmo tendo dormido mal, acordou cedo, tomou banho e café. Saiu na hora que disse que sairia, para não levantar nenhuma suspeita.

    No beijo de despedida, se manteve frio e calculista, mas não deixou de imaginar aqueles lábios noutro corpo e sua língua noutra carne. Sentiu-se enojado. Cortaria à fria faca, fino fio em franco corte.

    Pegou o carro, o peso do pé no acelerador, a arrancada seguida do barulho dos pneus riscando o chão. Sua marca, sua urina, dirigiu até um ponto, em que pudesse fazer a perseguição sem ser visto, à distância.

    Nem precisou esperar muito, provavelmente o tesão dos dois estava à flor da pele, “Malditos! Se fosse mesmo viajar, mal teria saído. Não dariam o tempo, nem de tomar o avião”.

    Seguiu o carro tranquilo, com toda descrição. Tomando o cuidado de deixar alguns outros veículos entre eles, até chegar no local designado. Quando o perseguido estacionou, fez o mesmo.

    Foi aí então que viu, sem querer crer, sem querer ver. Uma flechada, uma agulhada, uma pancada, uma explosão.

    Sua desconfiança, suas dúvidas que até então ainda se achavam penduradas no corcovado, segurando em fracas raízes e cipós, caiu de repente.

    Uma queda no vazio, uma queda no escuro. Queda funda e sem volta, buraco largo escuro negro. Tudo estava acabado, o destino dos três, selado para sempre.

    Só lhe restava uma coisa a fazer, esperou que entrassem na casa, não era um motel. Escolheram uma casa tradicional, um sobrado simples, numa rua de pouco movimento. 

    Assim era melhor, mais fácil invadir sem portão um muro baixo.

    Caminhou até a entrada, na frente os dois carros estacionados. Um atrás do outro, bem coladinhos. Dando um recado claro, do que estaria acontecendo.

    Conferiu a pistola. As aulas de tiro finalmente pagariam seu valor. Para abrir a porta, usaria dois clips, isso era fácil. Praticava de vez em quando até por brincadeira.

    Assim que entrou, conforme caminhava ficava tudo evidente. As peças de roupas formando o caminho e a indicação da transa, primeiro as formais, depois as informais...

    E por fim, as íntimas. Alguns sussurros, dois gemidos, um pouco baixo ainda lento, dava até um certo tesão, mas o ódio era maior.

    O ódio pegou o tesão pelo pescoço, empurrou contra a parede, e com adaga pontiaguda perfurou seu coração, olhou fundo nos seus olhos, sem nenhuma piedade, olhar frio, olhar medonho, um olhar sem emoção.

    Subiu as escadas devagar, no andar de cima a porta do quarto estava entreaberta. A respiração ofegante, o cheiro dela, do creme dela, do perfume dela, do corpo dela. Ela em cima dele, cavalgando. O frenesi e a vontade. 

    Vasta a fome um do outro, dava até uma certa inveja. Os dois, com os olhos fechados, nem perceberam quando ele entrou. Ficou alguns segundos observando, realmente era linda.

    Peitos grandes, rígidos, coxas grossas, bunda avantajada, sacudindo as carnes conforme o corpo se movia para frente e para trás. Gemidos, mais fortes, mais alto. Não permitiria que gozassem! Arma apontada nas mãos trêmulas.

    Não estavam firmes o suficiente, mas era perto e não tinha como errar.

    Disparos! Um... dois... nela, por trás. Três... quatro... nele, no peito. Cinco... seis... na cabeça dela. Sete... oito... na cabeça dele. Pronto.

    Sentou na beira da cama onde um ato sexual acontecia ainda a pouco. O cheiro do sexo agora, misturado ia sendo substituído aos poucos, pelo da pólvora. Latidos vindos da janela. Um funeral a caminho, o final que todos os traidores mereciam e merecem.

    Olhou na mesinha ao lado, um papel rabiscado. Não... na verdade uma carta. No envelope “Meu Junq”, com um coração, circulando o nome. Dentro, estava impresso:

    Para Manoel Junqueira

     

    “Meu Querido Junq”,

     

    O maior amor que tive em minha vida, por muito, muito tempo.

    Meu amor, não pense que estou mentindo por favor. É a mais pura verdade. Estou indo embora sem nada dizer, porque não tenho coragem ainda. Há algum tempo, venho tentando encontrar forças e coragem para te contar, juro que tentei. Por Deus, tentei diversas vezes. Sempre tive certeza do que queria em minha vida, nunca tive dúvidas sobre nada. Você estava certo sobre muitas coisas, só errou em uma. Em me aceitar. Em me deixar fazer parte da sua vida. Nestes três últimos anos, tenho sabido mais que nunca, o que é viver felicidade. Achei até que não conseguiria sentir algo além. Que o nosso amor era o ápice das alturas. O clímax do clímax. Mas não foi assim.

    Espero que nos perdoe um dia por isso. Éramos amigos. Sim, éramos. Nossa amizade sempre foi verdadeira. Se estiver lendo essa carta é porque agora já não estaremos aí com você. Planejamos fugir, ir para bem longe, para nunca mais voltar e para nunca mais nos vermos. Seria impossível uma vida nova, com você perto. Então decidimos assim. Assim é melhor ou... menos pior. O que os olhos não vêm o coração não sente, isso é um fato.

    De alguém, que te amou com toda a paixão, que cabe em um coração humano.

     

    Albano Matoso de Oliveira.

     

     

    Sua visão foi ofuscada, tanto água, tanto choro, tão molhado estavam os olhos. Caiu devagar e de joelhos, com a carta na mão, o corpo balançando em pêndulo, então gritou rasgando o ar com um alto estrondo:

     - Arghhhhhhhhhhh! Nããããooooo! Não... não... não... – pegou a carta, amassou com os punhos e apertou contra a testa. Ficou assim, alguns segundos.

    Pouco tempo depois ergueu a cabeça, ainda zonzo, respirou.

    Procurou o resto das forças, por fim levantou devagar e pesado. Ouviu o som de conversas lá fora, sirenes ao longe, pela janela.

    Ajeitou um dos corpos na cama, o outro rolou e empurrou para o lado. Como quem se livra do lixo, um saco pesado jogado no cesto.

    Tirou toda a roupa do corpo. Ficou nu e deitou-se com o outro corpo na cama arrumados de um jeito, como um casal.

    Pegou a arma na mesa ao lado. Olhou para o teto, soluçou e chorou:

    – Agora... meu amor... ninguém vai nos separar...

    “Meu amor, minha vida... foi meu tudo, foi meu lar. ”... “Meu Querido Albano”.

    No chão frio ao lado da cama, o corpo de Carmem Lúcia que já foi um dia tão quente como o sol, mas que agora era uma casca vazia e sem vida, branca e sem cor.

    Como sempre tão juntos, quem iria mudar. Não passou mais que um segundo... outro tiro cortou o ar.







    (Brito Santos) 

    caminhantesdasletras.blogspot.com






  • * Carne e sangue

    Tentando encontrar um parâmetro mais definido sobre os sentimentos de Nayara relacionado ao seu casamento com Sílvio Agnaldo, pode se narrar os fatos baseados nas frustrações corriqueiras e comuns a toda hora, de todos os tamanhos e formas, objetivas no viver doméstico ou subjetivas no sentir os sentimentos sempre a inundando por dentro em torrentes de arrependimentos carregados de culpas por causa do pecado, de acordo com o que quase diariamente ouvia do pregador no púlpito, o suor escorrendo o rosto aos berros, a bíblia entrincheirada na mão esquerda, enquanto na outra, seus os dedos em riste, apontados para uma congregação assustada, os olhos vidrados no gesticular agitado, a voz  ficando cada vez mais falhada, intercalada nos goles d’água, e rouca diante das mensagens, das normas e da doutrina sabiamente ensinada a favor do testemunho que dizia que um membro de igreja só poderia se relacionar com outro da mesma congregação: “ Contudo, irmãos, eu vos afirmo que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus…”

    E assim foi com Nayara Tokugawa, pré adolescente aos treze anos de idade, visitando a primeira vez a Igreja Genuína dos Filhos do Altíssimo, conduzida ali por uma amiga da escola que conhecera o testemunho claudicante e perturbador narrado no intercalar das aulas, e que por bastante tempo ficou incrustado na sua alma de boa menina. Aos treze anos ela sentia-se extremamente impotente diante do alcoolismo do pai truculento e sempre embriagado, que quando não estava em roda de amigos bebendo ao varar da noite, estava caído no chão mulambento à porta do mesmo bar. Quando o salário recheava o bolso do senhor Nivaldo, uma amnésia temporária o visitava fazendo-o se esquecer dos compromissos em forma de faturas, boletos, cobranças ao pé da porta, e até mesmo o pagamento do leiteiro era desprezado frente a sua fiel fidelidade aos prostíbulos da região. 
    Nesses “respeitosos” ambientes, ele desaparecia por vários dias seguidos, às vezes faltava o serviço, e enquanto o fruto da labuta mensal de cobrador de ônibus não evaporava em forma de sorrisos estampados nos rostos das incansáveis operárias, ele não retornava para casa. “O pai voltou minha mãe?” A magérrima perguntava baixinho todas às vezes que ouvia o pai cadenciando os passos no corredor, seu rosto expurgado da embriaguez passada, camuflando uma seriedade não genuína, mas tão necessária para adentrar novamente o local de trabalho. 
    Eram rotineiras as contendas com a mulher frequentemente abandonada as responsabilidades de casa,  a filha comprometendo o futuro na diluição emocional que absorvia grande parte da sua energia mental frente aos estudos, sem falar nas cobranças conjugais aos gritos, as ameaças de separação repetitivas, os julgamentos simultâneos de atos certos e errados adentrando madrugada a fora; todo esse emaranhado sufocante, palpitante no peito amargurado de anos, pouco a pouco convenceram a jovem que, passar mais tempo esfolando os joelhos em forma de oração seria bem mais produtivo do que ficar ao pé da porta, fibrilando tentativas e pulsões de interferir nas brigas. Primeiro ela se firmou na igreja, depois sua mãe a acompanhou aos finais de semana, e em seguida, um bom tempo depois, o pai começou a frequentar as reuniões.

    Com a frequência nos cultos e conforme o peso das nádegas sobre o assento iam delineando um “ouvir” cada vez mais sensível às sutilezas apreendidas nas mensagens do evangelho, o coração familiar foi se pacificando aos poucos, se acalmando da torrente nervosa no sentir com desprezo o outro, da culpa arremessada simultaneamente para ambos os lados, e principalmente dos ódios gratuitos estimulados pelo alto teor alcoólico circulando nas veias o  poder destruidor dos consentimentos outroras construídos entremeio a raríssimos diálogos conscientes. 

    Agora todo esse emaranhado febril tratado, estava ruindo dia a dia em um desmoronamento prazeroso e não sutilmente apresentada como o testemunho vivo no meio de uma congregação ávida por experiências genuínas do  poder sobrenatural estimulando a todos para o bem comum, principalmente na prática dos ensinamentos aprendidos e engendrados profeticamente pela “ voz divina ” encarnada nas palavras de um pastor desmascarando a energia ruim, a moldando em forma de bons pensamentos, tecendo comportamentos mais assertivos no caminhar junto ao outro, convergindo assim todo e qualquer jugo desigual, seja na esfera da mente ou na emocional, em atitudes mais convidativas, benignas de sentir até as entranhas ou apelativas o suficiente para atrair sempre mais gente disposta a propagandear o “ reino de deus ” e a “ religião ” ensinada nos cultos cada vez mais recheados conforme um a um passava a enxergar a vida sob a tutela de um pregador cada vez mais possuído pelo espírito de "deus".
    Nesse ambiente, Nayara com o coração sempre grato das coisas que o seu Deus tinha realizado em sua família, procurava se ocupar cada vez mais nas atividades oriundas dos serviços demandados pela congregação, seja na organização do voluntariado responsável pela evangelização semanal que percorria os bairros, os telefonemas convocando os irmãos desviados, a procura insistente por alguma “estrela eminente”, seja um cantor famoso, pregador em ascendência ou mesmo alguém ainda desconhecido, mas com um testemunho de conversão forte o suficiente para apertar um pouco mais a coleira invisível dando voltas consecutivas no pescoço de cada fiel. 

    Para trás ficaram as brincadeiras na rua sempre tumultuadas pela garotada correndo solta às gargalhadas, findaram as festinhas entre os amigos, desapareceram os bilhetinhos secretos de amor e as confidências apaixonadas, e redirecionou ao presbitério todo as perguntas existenciais antes feitas diretamente aos pais. Acabou-se isso e muito mais, principalmente o  prazer juvenil adentrando a puberdade nos selinhos inocentes, nas bitocas acaloradas, nos abraços singelos ou apertados carregados de provocação mútua, principalmente quando ela estava, por assim dizer, escondida atrás de alguma árvore, na dobra de alguma esquina sem movimentação eminente, ou mesmo diante das ausências passageiras que proporcionavam estar momentaneamente com seu namoradinho em qualquer lugar. 

    “Mamãe, estou indo para a igreja!” É o que ela mais comumente dizia à partir dali, a Bíblia gorda empanturrada debaixo dos esqueléticos braços, a sensação gostosa no peito acariciando a alma em afagos rememorando na mente a certeza do dever angelical sendo cumprido à risca. Mas com o passar de dois anos, Nayara Tokugawa começou a sentir incômodos rotineiros que começavam a somatizar alergias diversas em forma de coceiras que coçando sofregamente descascavam a pele, deixando-a com fundo levemente mais avermelhado que o normal. À partir dali vieram as luxações no corpo e as constantes dores se esparramando pelos ossos, pelos músculos que, inundando importunos o resto do corpo, gerava uma angústia de ser que nenhum remédio receitado ou a mais potente oração em forma de jejum davam algum jeito. 

    “Você precisa se consagrar mais minha filhinha!” Ouvia sempre as mesmas orientações pastorais que apesar de reconfortantes a curto prazo, não tinham qualquer efeito em um longo prazo carregado de responsabilidades eclesiásticas. Sem contar o que já foi mencionado, dentro da organização eclesiástica era a responsável por propagandear e estimular as correntes espirituais da semana, no abastecimento do púlpito com a água, café e os papéis para redigir os pedidos, pela organização das mesas e cadeiras porventura desorganizadas, e na ausência de voluntários na noite, a limpeza geral do salão até o horário que antecedia o apagar das luzes. 

    “Essa irmãzinha é abençoada!” Eram constantes os elogios que ouvia de relance, às vezes diretamente no encarar de olhos carregados de admiração, mas apesar de todas estas práticas que ela, por um breve tempo, insistiu acreditar que a consagravam, não percebeu a eclosão dos gritos repentinos no inconsciente lhe informando que suas crenças estavam totalmente desniveladas. Desniveladas nas cobranças religiosas que a torturavam mais do que a pacificavam, nas alterações constantes do humor por causa de uma pressão sanguínea sufocando o peito em surtos repentinos que aconteciam em dias alternados, e principalmente na solidão solidária entremeando almas com crenças parecidas mas que de forma alguma nunca se conectavam. 

    Com todos esses conflitos, Nayara Tokugawa foi sentindo uma película de tristeza pálida e contígua crescer na sua face e se avolumar no coração, cerceando os sentimentos juvenis ainda não amadurecidos à medida que a afundavam cada vez mais em amarguras, em vazios perturbadores, e em culpas carregadas de sofrimentos pelo aflorar de uma enxurrada de desejos que a pequenina julgava, de acordo com o que ouvia do púlpito, emoções proibidas frente ao que se propôs a abandonar em nome da fé. 

    Todo um conjunto de sensações boas no início e na maioria ruins no desandar dos fatos, a embarcaram cada vez mais dentro de um casulo de insegurança contínua, acelerado ainda mais pelas memórias de uma vida que também aconteceu em forma de gritarias, de gargalhadas, das brincadeiras de rua até o adentrar da noite, e no “ prazer proibido ” que aos finais de semanas a arrebatava entre beijos e abraços quando em conjunto com Frederico, seu namoradinho da casa ao lado. Em noites febris assim, ela  encontrava alento apenas entre os pensamentos que porventura já a endurecia há anos. Convencendo-se sempre com os mesmos argumentos religiosos carregados de versículos bíblicos, relembrando o poder divino na cura dos traumas entre seus familiares, buscando alívio principalmente em aconselhamentos pastorais e na constante leitura de livros que pudessem de alguma forma, blindá-la frente a todos estes “ tormentos ”.

    Imersa nesse “ santo ” processo até aos dezoito anos de idade e não encontrando outra solução para a pacificação da própria alma, além do que era ensinado piamente na igreja, ou seja, a repreensão e negação de fatos represados, uma pontinha de “ libertadora esperança ” surgiu em seu coraçãozinho quando pela primeira vez viu um irmãozinho novo na fé; Sílvio Agnaldo de Amorim, rapazola de dezessete anos chegando acompanhado dos pais, que vinham de mudança do interior e chegavam com todas as recomendações dos irmãos da matriz da igreja em São Paulo. “A paz do Senhor minha irmã!” Era o que frequentemente ele dizia, cumprimentando Nayara antes do culto, o rosto de menino ainda mais destacado pelo empinar do nariz sob o cadenciar de seus passos rumo aos primeiros assentos da congregação. Quando o pregador apontava no púlpito, Sílvio Agnaldo vidrado sempre estava nas palavras, nos gestos, nas entonações marcantes que mais arrancavam Glórias e Aleluias, procurando sempre aqui e ali, por espaços desocupados na Bíblia arregaçada, que pudessem ser rapidamente preenchidos por suas anotações em azul ou preto e na ausência delas, por alguma das suas canetinhas coloridas. 

    “Com certeza ele será um pastor!” Ouvir essas palavras fascinava Nayara Tokugawa, sempre atenta a tudo o que testemunhavam sobre ele, e que pouco a pouco, avolumando no coração de mulher ainda fibrilando desejos por um “ santo amor ”, paulatinamente a convenceu que ambos, com toda a certeza, seriam um casal ímpar diante do seu Deus. A partir daí, intensificaram as súplicas repentinas, as orações de madrugada, e as consagrações em jejuns que se estendiam por dias sem fim. Casaram-se dois anos depois com todas as pompas e gracejos dos irmãos, que anos outroras, profetizaram o acontecimento. “ Minha esposa: em consagração a Deus não nos tocaremos por trinta dias!” Logo na lua que deveria ser de mel, Sílvio Agnaldo martelou a proposta conjugal que acabou sendo um prelúdio da história que os acompanharia anos afora. Pensando já estar livre de antigos tormentos, feliz e anestesiada pelos acontecimentos que agora ocupavam todos os recônditos dos pensamentos recentes, ela respondeu imatura em sorrisos, gracejando louvores rendidos aos céus, falando em gestos e calando todos os protestos interiores com o olhar carregado de precoces ternuras que refletia em Sílvio Agnaldo, a certeza que ela estava entrando em sua vida principalmente para ajudá-lo no ministério. 

    Agindo assim de início e impressionada apenas com o “ brilho do anel ” circulando o dedo trocado de mão, acabou se esquecendo de si e das necessidades da menina mulher incrustadas no ser, estimuladas na carne desde a puberdade precoce, e que apesar de propagandear aparências de felicidades na alma, por trás de todo aquele aparato religioso, eclesiástico, servil no viver a vida buscando um nível cada vez mais alto de santidade, nos recônditos de sua feminilidade ainda resistia a fêmea insaciável, adormecida de outras épocas e que em noites mais febris, quando o invólucro do pudor é rompido e os diques do desejo se entornam para mais, ela ressurgiria arruinando o chão das sexualidades não correspondidas, expondo dessa forma todas as sujeiras, as imundícias e as superficialidades construídas dentro de uma conjugalidade que supervalorizou a castidade e a religião e desprezou quase por completo as singularidades de um viver comum a dois.

    “É tentação do diabo!” “Assim ela convencia a si sempre em silêncio, ora orando cabisbaixa e mergulhada em culpas passageiras, outrora jejuando dias e dias que pareciam nunca ter fim, preces sempre acompanhadas de confissões cada vez mais corroboradas da “ palavra ”, a bíblia sempre a tiracolo, reprimindo todo o tipo de alteração nos impulsos sexuais que seriam normais na sua carne, se não fosse o desprezo assexuado que já alguns anos recheava o casamento de tristezas. “Meu Deus! Será que algo assim é normal ?” Eram partes de suas orações confusas, misturadas com o desgosto que paulatinamente enchiam sua alma de amargura, pois quando eles estavam deitados e com desejo a esposa resvalava em seu peito cabeludo, logo ele saltitava nervoso, vociferando desculpas esfarrapadas, dizendo não estar em condições pelo cansaço que no púlpito o consumia ou pelas horas de estudo da “ palavra de deus ” quando na confecção da mensagem principal que, após semanas de dedicada consagração, esgotaram todas as alegrias que porventura teria para compartilhar com ela.

    “ O mais importante é a amizade entre o casal! ” O marido repetia a desgastada frase todas às vezes que sentindo a aproximação repentina da mulher resfolegante, logo tratava de castrá-la em respostas acompanhadas de uma face cerrada, às vezes reprimindo-a em chantagens fictícias corroboradas no uso covarde de alguns versículos invertidos e utilizados a favor da sua assexualidade já condenada, principalmente nos encarceramentos que outrora a cercando com todo o respeito e carinho de um amigo, a cuidava pura e simplesmente como o objeto do seu não desejo.“Seja fiel ao seu cônjuge!” Atrás do púlpito era isso o que o pastor Sílvio Agnaldo geralmente pregava, lançando o olhar condenatório para todos os lados, os dedos das mãos sempre em riste carregados de ameaças divinas para o resto da congregação. “Amados irmãos, depois da Obra do Senhor, o mais importante é a santidade no casamento como a base de uma família que agrada a Deus!” Repetia sem se julgar anestesiando-se nas frustrações alheias, fechando os olhos para as próprias misérias, tapando os ouvidos para os clamores visíveis e audíveis da esposa cada vez mais saturada de um homem se revestindo de hipocrisias, de mentiras e dos enganos que, como servo de Deus, deveria ser o primeiro a repudiar.

    Tirando a pauta do não-me-toque, a vida doméstica, de início era uma maravilha. De todos os quesitos que um bom marido deveriam ter, boa parte deles estavam destacados no currículo de Sílvio Agnaldo. Sempre atento às necessidades da igreja como também com os olhos sempre voltados para dentro de casa, nunca permitia que a mulher, quando se sentindo indisposta, se excedesse em assuntos do lar. Por isso, quando necessário era ele mesmo quem cuidava dos afazeres domésticos desde a limpeza e manutenção dos ambientes internos, os cuidados com as roupas e outros tecidos que iam para a lavadora, sem falar nas obrigações que exigiam dele algum tipo de locomoção; as compras semanais em supermercados quase sempre lotados, as visitas nas feiras a procura de frutas e verduras sempre frescas, e as filas de bancos à perder de vista que enfrentava sempre em nome do  amor; de pé por horas, até que todos os boletos relacionados a prestação de algum serviço necessário, estivessem quitados.

    Para encurtar as idas e vindas do trabalho, a residência estava localizada em um bairro vizinho a Campo Lindo. A construção simples erigida nos fundos de um terreno de duzentos metros quadrados, era ainda mais empoderada por causa do belo jardim ocupando quase toda a área externa da habitação: bordeado por pingos de ouro, cicas gorduchas próximo ao portão em um constante desabrochar de folhas esverdeadas, sem falar nos cactos acompanhados de rochas fragmentadas, das espadas de São Jorge sempre amostras, do Ficus, da Pacova, das Patas de Elefantes e das flores de todos os tipos e cores. E no centro do jardim, sobre um círculo cimentado, a palmeira gigantesca, velha de anos outroras, o tronco cinzento rachando sinais de apodrecimento recentes, que já somatizando problemas no piso, suas folhas inundadas de casulos de borboletas precoces, cobriam em molestamentos sombreados grande parte da varanda principal, bem na entrada da casa. 

    Apesar de modesto, a limpeza e conservação sempre constante do verde davam um ar mais respirável, mais louvável, mais receptivo ao ambiente delimitado por vizinhanças de casas sem qualquer cuidado, as pinturas de anos à refazer, telhados sempre velhos com partes esburacadas ou quebradas, e na frente dos portões sobre calçadas despedaçadas, um acúmulo de mal cheiro insuportável de sacolas rasgadas, o interior todo à mostra, lançados de qualquer jeito ali sem o mínimo do entendimento da importância da presença de um cesto ou mesmo de um latão de lixo para os proteger.

    "Meu bem, hoje a noite o culto se estenderá até a madrugada!"  Ela ouvia as constantes deixas do marido já partindo porta afora logo após ter certificado que a esposa de nada material necessitava em casa. Sentindo-se mais sozinha que o convencional, já imersa em pensamentos noturnos, ela recorria a velha bíblia companheira de anos. "Lerei Cantares de Salomão para me animar..." Sibilava palavras contidas, desviando-se de leituras apocalípticas, posicionando a luz do abajur frente ao rosto enquanto se esparramava por completo no leito raramente utilizado. Começava do início e logo se entediava no atravessar dos capítulos. Decidida a desfrutar mais dos solitários momentos de tempo, com olhos ansiosos ela ia pulando versículos, saltitando palavras, até encontrar as passagens perfeitas que mais a excitava; debruçada sobre eles com o coração palpitando recorrentes tremuras, a mente mergulhava vorazmente nas partes sempre grifadas, o papel amarelado pelo encardido constantes dos dedos acompanhando palavra por palavra, e a imaginação a mil, ora em galopes repentinos, outrora em demoradas galopadas, tudo por causa da provocação insinuante incendiando os pensamentos encorpados e deliciosamente imaginados em cada frase: "Oh amado da minha alma!" Sussurrava para si, os olhos cerrados, retrocedendo inconscientemente os pensamentos de volta ao passado. 

    "Dize-me, oh tu, a quem ama a minha alma: onde apascentas o teu rebanho, ondes o recolhes pelo meio dia…"   Letra por letra, as palavras cada vez mais sendo entoadas em uma sonoridade ficando adocicada, lenta e gradualmente era consumida pelos desejos da fêmea mulher que com o fogo abrasador corando o rosto angelical, descia pelo pescoço aquecendo os seios, passeava em movimentos circulares eletrizando o ventre, e por fim, se concentrando na virilha, espalhava-se gradualmente pelas pernas, devorando toda a sensibilidade contida nelas. Quando assim, já imersa em um fluxo de pecados não mais considerados, as memórias do seu passado tornavam a acariciá-la em contínuos tormentos, pululando na mente desejos antigos ainda ardendo inconscientemente, fazendo emergir do baú das lembranças secretamente guardadas, tudo o que ficou impresso em sua sexualidade de menina; os olhares inocentes, os beijos inflamados, as fugas momentâneas, os abraços apertados, e os toques de pele findando sempre em dedos carinhosamente entrelaçados. 

    Um frenesi de sentimentos cada vez mais conectados na extensão da amizade de tempos outroras, expressados nas carícias, nos afagos das faces ficando rosadas, e na paixão juvenil sempre envolta por um amor não fingido, deliciosamente correspondido, às vezes impossibilitado de ser expressado por causa de ausências proibitivas impostas temporariamente por ambos os pais. Tudo isso junto e eclodindo na sua feminilidade, a transportava para um momento da vida que, comparado aos dias atuais, fora mágico e sublime por estimular sensações genuinamente prazerosas que agora, pelo peso dessas ardências que brotavam no terreno infértil da sua conjugalidade, a molestava diariamente diante de todas as incongruências diárias vividas com Sílvio Agnaldo. Uma pausa para a respiração e logo então as mãos se encontravam debaixo da saia, os olhos cerrados, os pensamentos já enclausurados, e todo aquele peso no peito sufocado de anos áridos encontrava oportunidade para se diluir na liberdade sexual momentânea que, expurgando resquícios do pudor religioso ainda grudado na alma, desafogava por completo qualquer insatisfação outrora domesticada. “Que tesão!” Nayara Tokugawa sussurrava doces sussurros, os dedos eriçados passeando o tecido de algodão cada vez mais umedecido, tateando na mente por algo no casamento para se ancorar, se deleitar, e não encontrando nem migalhas na própria conjugalidade, retroagindo ainda mais o passado sem traços de culpas na própria psique, até se agarrar por completo às estruturas deliciosamente construídas em um relacionamento juvenil abruptamente deixado para trás. “Oh meu amor!” Gemia sem pronunciar o seu nome, entesourando na memória verdades que não ousava expressar em palavras, pelo medo de às enfraquecê-las, ou mesmo perdê-las por qualquer vento do acaso que, porventura passeando enquanto ela gemia, as engolfassem transportando-as para fora do ambiente das suas subjetivas realidades.

    De repente, parte das suas angústias evaporavam por um breve instante na respiração não mais contida pelo agitar frenético dos dedos acelerando cada vez mais o friccionar embaixo, inundando-a de carinhos imaginados também com outros homens que, recheando os inúmeros textos eróticos devorados em noites insones, a faziam se sentir temporariamente um pouco menos solitária.“ O mais importante é a amizade entre o casal... ” Retrucava em gemidos às constantes falas do marido-pastor, imaginando em desejos acalorados, “algum desconhecido” forçando passagem entre as pernas decididamente arreganhadas, ordenando posições corporais submissas, sussurrando palavras aveludadas ao pé do ouvido, a fazendo se sentir viva e plenamente saboreada no êxtase louco que jorrando entre as coxas, era maculado apenas pelo rancor refletido na vingança fictícia imposta mentalmente a Silvio Agnaldo. 

    Depois de três anos assim, a culpa após estes contínuos atos, já não a molestava. Esparramada sobre a cama, o corpo totalmente nu, inerte e inundado pelo deleite decorrente do abandono das fagulhas não mais eletrificadas, o que pairava após o frenesi era apenas nuvens carregadas de arrependimentos desconhecidos, sublimando os pensamentos pós prazer, e enquanto não fossem discernidos até as entranhas, a manteria  agrilhoada em um sentimento de extrema carência por ausência de consumação carnal. Após Nayara tanto buscar os encontros para os diálogos, colecionar noites de choro carregadas de ânsia que pareciam nunca ter fim, estabeleceram-se as brigas entre o casal e nunca mais os abandonaram. 
    “Deixa de ser frouxo! Você não é homem para mim!" Rotineiramente era o que ela mais vociferava amargurada, emitindo ofensas ácidas em suas tentativas desesperadas de encontrar alguma luz, alguma solução, ou qualquer válida saída para a decadente corrosão conjugal, ainda que estimulando o casamento a trancos de maus tratos contínuos. O marido argumentava sempre aos berros, exausto pelos uso dos mesmos argumentos, desprezando conscientemente a natureza das coisas normais da vida que o Deus que a seu favor eloquentemente ele pregava, havia definido de serem simples. Não demorou muito e logo essas ofensas verbais se converteram em uma agressividade recíproca, recheada de empurrões, tapas e pontapés que, engrossando o clima dentro da casa do santo casal, era ouvido à distância por toda a vizinhança assustada, confusa nas decisões a tomar, e que não sabendo discernir se era briga conjugal ou oração forte para destronar o capeta, não acudia e muito menos ligava para a polícia. Com o transbordar das duplas angústias no acumular de conflitos sob conflitos em demandas que desatavam até o nó das gargantas entaladas de anos, como não encontrando meio termo entre os diálogos que se tornavam cada vez mais raros, implantou-se um silêncio entre os dois que só era rompido quando na presença de algum conhecido, eles dissimulava intimidades, afetos fingidos, risos forçados em uma ginástica laboral tremenda para continuar mantendo as aparências diante de uma congregação cada vez mais desconfiada.

     

  • * Prazeres "quase" eternos

    Nos refletores, cores variadas explodindo em feixes de luzes ricocheteando os globos espelhados posicionados estrategicamente no alto do salão, infundia em cada um dos presentes, um misto de sensação cada vez mais agitado, frenético, dançante e prazeroso no expressar já movimentado dos pés sobre a pista de dança. “Que tanto de gata! Vamos praticar os passinhos? Marcos Hayashi era impulsionado pelos amigos em provocações já imersas e sequestradas pelo ritmo das músicas, vibrando neles, pensamentos, atitudes e comportamentos mais ousados que em um dia normal. “ Putz! Há tantos anos frequento esse espaço e nunca encontrei alguém que realmente valesse a pena!” Com o olhar viajando pelo ambiente, ele suspirava silencioso entre um e outro ressentimento, copo de cerveja à mão, acompanhando apenas com os olhos o grupo incompleto se enfileirando no centro, iniciando os passos exaustivamente praticados no fundo do galpão da fábrica. Conforme a música se desenvolvia e a provocação do ritmo abastecia a eletricidade dos corpos, a galera ao redor ficava cada vez mais agitada com gritos perenes, excitada pelos movimentos frenéticos de pés, mãos, troncos e cabeças metodicamente sincronizados entre os eles, perfeitamente expressando rostos já corroborados de sentimentos de aprovação por causa dos aplausos que recebiam. “ Galera, hoje não irei participar! Marcos sorria um sorriso desanimado partindo solitário para o segundo piso, após ter negado o convite quase obrigatório de estar ali, juntamente com eles, participando da coreografia que a alguns anos o clã  utilizava como “isca” para “pescar” novas garotas. Subindo as escadas, a alma tateando aqui e ali através de olhares trocados, contraditoriamente ele adentrou a sala reservada aos namorados, e como todas às vezes que se sentia entediado, caminhou lentamente atravessando o corredor sobrepujando uma parede esverdeada, onde após a grossa coluna de concreto, alguns banquinhos isolados construíam uma aura maior de privacidade no ambiente. Já sentado, o líquido embriagante sobre a mesa ao lado de um maço de cigarros amarrotado, ele ficava ali, o olhar perdido no horizonte dos sons, das cores e dos corpos agitados de desejo lutando contra a ansiedade e o receio de “porventura” voltarem desacompanhados após a farra.
    Como nas noites que velhos sentimentos voltava a atormentá-lo, ele retirou o pequeno livreto do bolso, capa azul de camurça, onde estava escrito em letras desgastadas e douradas o título: MAKTUB (Está escrito!) Com o rosto mergulhado vasculhava página por página, a fumaça do cigarro insistindo adentrar as pálpebras mas impedida pelo piscar frenético dos olhos, seu dedo finalmente encontrou a dobradura no cantinho que denunciava o papel amarrotado, sujo e amarelado pelas constantes releituras das letras. “O pior pecado do mundo é o arrependimento” Lia e relia em voz alta a frase que a tantos anos exercitava os músculos da língua e da mente, entremeando os pensamentos, devorando horas de suas horas por busca de significados diferenciados entre os inúmeros que se pôs a refletir em algum canto do apartamento. “Não acredito que estou vendo você aqui!” Era uma voz feminina e sensual, reconhecida no desabrochar da infância até a puberdade precoce, que acompanhou o Marcos menino nas ruas, nas praças, nas lanchonetes, na escola e em cada cantinho de casa quando imprudentemente esquecidos ali por ambos os pais. “ Linda Harumi! ” Em um sobressalto, os olhos não podendo esconder o impacto daquela presença, ele ficou vislumbrado com a beleza que agora encorpava a menina manhosa, delicada em gestos e nos protestos, a raquítica especial que insistia a tantos anos estimular antigas lembranças, povoar suas memórias, sempre o incomodando em desejos impossíveis de serem esquecidos. “ Há quanto tempo você está no Japão?” Já sentada e o encarando, Linda perguntava curiosidades ouvindo atentamente não mais se atendo a fisionomia do rosto dele, nem incomodada pelos olhares à volta a devorando de cima a baixo, mas no movimentar contínuo e singelo daqueles doces lábios que, na adolescência, tanto deliciou em beijar. “Estou à três anos no Japão! E você?”  Marcos respondia suas perguntas com o semblante amendoado e carinhoso, lutando com os olhos na verdade, mas não conseguindo se desvencilhar das curvas, das formas, da silhueta formosa ainda que na penumbra do ambiente levemente já esbranquiçado pela fumaça branca liberando um odor agradável que subia dos motores elétricos posicionados nos quatro cantos da pista de dança.
    Como água represada à anos, ambos assim ficaram, os olhos dele encarando sutilmente os olhos dela, ela tateando resquícios de percepções diversos nele, mas ambos simultaneamente impulsionados a encontrar nos diálogos; um sentimento comum impregnando as palavras, ladeando o pausar das resposta involuntárias, ou suspenso em algum movimento inconsciente que porventura denunciasse em gestos, em olhares, em suspiros inaudíveis que eles ainda se desejavam. “ Cheguei à três meses... é tudo tão diferente…  não sei se vou conseguir me acostumar!” Buscando refúgio no calor corporal que, paulatinamente se alastrava para a singeleza do rosto, Linda Harumi intercalava sorrisos com desvios de olhar, e ele, devolvia o sorriso envelopando com eles, promessas protetoras de alguém um pouco mais acostumado com toda aquela loucura, com todos aqueles trejeitos, com todas aquelas esquisitices de país de 1º mundo.  Finalmente chegava a pausa de descanso do DJ que, com as mãos doloridas, posicionou um LP enquanto os casais apaixonados iam se formando aos pares. “Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo...” Ele se levantou da mesa, e estendendo carinhosamente a mão em sua direção, a convidou para descer até a pista de dança ao som romântico de Mariah Carey...
    “You look into my eyes
    And I get emotional inside
    I know it's crazy but
    You still can touch my heart
    And after all this time
    You'd think that I
    I wouldn't feel the same
    But time melts into nothing
    And nothing's change…”

    Já abraçados, as mãos de Linda suavizadas sobre os ombros seus ombros e as deles circundando firmemente sua cintura, por um momento ou pelo tempo que durou a música, toda uma torrente de sentimentos acumulados e represados ao longos dos anos passados, arrebataram suas almas: vieram as lembranças das promessas joviais expressas em beijos singelos e demorados, das fugas entremeio as festinhas que aconteciam na vizinhança, as travessuras, os receios, e a intranquilidade pelo possível flagra ao pé da porta que avultam ainda mais em sentimentos sinceros, crescentes, genuínos, se apossando cada vez mais do coraçãozinho de ambos na pré-adolescência. “Nunca consegui te esquecer!” Marcos proferia confissões acaloradas ao pé do seu ouvido, a respiração de ambos ficando acelerada, diminuindo cada vez mais o espaço entre os corpos no apertar dos abraços não tão sutis, seduzidos cada vez mais pelas passagens românticas da música. “ Ah Marcos… eu também não … “ Ela respondia os gracejos já se sentindo segura nas palavras, o queixo angelical repousado sobre o ombro dele, deixando a doce fragrância do perfume nos cabelos embriagar cada vez mais o olfato do recém amor reencontrado. “ Parece que foi ontem....”  Refletiam no conforto do próprio silêncio, os passos alternados; dois para lá, dois passos para cá, e a canção anestesiando os corpos da tensão do dia, adocicando pensamentos diversos, enternurando emoções antigas, revirando no fundo do baú dos sentimentos até encontrar o ‘’amor descontinuado’” ainda fibrilando pulsões, latejando sensações, emergindo na epiderme do ser resquícios do prazer de uma vida a dois interrompida, impossível agora, pela força do destino ou pelo acaso do reencontro de almas que se procuravam, permanecer vivo somente nas lembranças.
    “Não vai nos apresentar ?” Logo ao final do repertório romântico, os amigos se aproximaram expressando arfadas, suspiros e golfadas de ar intercaladas, provocando ciúmes ao colega que, diante daquela beldade, o julgava um cara sortudo. “Essa é a Linda!" Apresentava a acompanhante ao seleto grupo de amigos em círculo, desejando naquele espaço de tempo ter dito “meu amor” ao invés de “minha amiga”, dando-lhe um beijo singelo na bochecha, enquanto permitiu que ela fosse fuzilada por perguntas vindas de todo o grupo. Ela respondeu todas as perguntas buscando sempre apoio na presença ao seu lado, as palavras entrecortadas por gestos, por olhares, por suspiros acompanhados de uma entonação amanteigada na voz, e a todo momento direcionando o olhar para aquele que a abraçava. “ Vamos reunir a galera amanhã na estação. Você vem?” Convidaram. “Não vou dar certeza pessoal... Eu e a Linda acabamos de nos reencontrar e talvez tenhamos outros planos para amanhã...” Franzindo os olhos, Marcos a encarava com ternura em rabos de olhos desconfiados, receoso por ter ultrapassado por assim dizer, algum limite dela, na resposta espontânea que deu ao amigo. No relógio central localizado no alto do chafariz da praça principal, bateram duas horas da manhã quando todos se despediram em frente da casa noturna denominada B’One com o frio cortando porta afora, cada um seguiu esgotados e satisfeito em passos apressados na direção do ponto de ônibus. “Aonde te deixo?” Marcos Hayashi perguntava já sentindo saudades, conduzindo-a rumo à estação do metrô subterrâneo enquanto Linda Harumi momentaneamente muda, sorriu envergonhada, com o rosto mais corado que o normal. “Me leva pra sua casa?” Ressabiada e com os olhos miúdos enterrados em sua direção, como uma cadelinha sem dono ela apertou ainda mais o braço encadeado ao seu. Por um instante de momento, com a mente de Marcos  sendo pega desprevenida viajando em devaneios passados, ficou mudo.  “Se você quiser é claro...” Ela reforçou o auto convite com a face insegura e envergonhada,respeitando as próprias pausas respiratórias do ar gelado adentrando as narinas, concentrando o seu olhar a partir dali, nas leituras de uma "aura" agora desperta, emitindo paulatinamente um brilho mais incandescente que antes.
    Após apearem do táxi, ambas as mãos roçando a pele em toques singelos, finalmente seus dedos se entrelaçaram. “Nem em mil anos poderia ter imaginado reencontrá-la...” Marcos Hayashi comemorava em silêncio, a respiração ficando ofegante, e a imaginação a mil enquanto conduzia com doçura Linda Harumi já na entrada do pátio. “Cuidado com o degrau princesa!” Advertia carinhoso, controlando em pausas a excitação se avolumando na mente, enquanto admirava de rabo de olho a silhueta formosa revelada na penumbra da noite. “ Haha! Princesa? Nossa! Estou adorando esse seu tratamento VIP!” Ela subia lentamente cadenciando os passos, a lanterna do celular Iluminando o caminho, enquanto se esforçava para apaziguar o vestido florido, rebelde ao corpo, totalmente agitado com as rajadas de ventos vindo em ambas as direções. Dentro do apartamento N° 404, já protegidos da tortura congelante que ficara de fora, em um impulso logo eles se aqueciam abraçados. “Precisamos de um banho!” Linda se antecipou em falar, para logo em seguida, às pressas, corrigir o possível mal entendido sublimado nas próprias palavras: “ Quero dizer que eu preciso tomar um banho…” Energias inocentes estas, entremeando suas falas, passando a vibrar insinuações sensualmente mais provocantes na libido de ambos. “ Sim, claro! Vou pegar um roupão para você…” Suspirou.
    Foi uma “puta grosseira” de um prostíbulo localizado no centro de uma cidade chamada Omya que anos atrás “roubara” a virgindade do inexperiente Marcos. Entre as “estocadas inseguras” ora ela folheava uma revista, outrora retocava a maquiagem borrada, mas sempre e compulsivamente recontando o dinheiro adquirido que escondia entre cobertores inundados de suor. Com as pernas arregaçadas, recebendo as idas e vindas frenéticas que estremeciam toda a extensão do seu corpo judiado, ela não se esforçava para esconder a má vontade do “ fazer ” expressado nos suspiros tediosos que bufava, nos olhares indiferentes carregados de desprezo, e principalmente na falta de educação que denunciava o cansaço da “ labuta exagerada ” que mulher alguma nunca deveria se acostumar. Dentro de uma cabine 3x1 mal iluminada, com homens e alguns jovens atrás da porta em fila ansiosos para adentrar, foi que Marcos Hayashi aos 16 anos de idade iniciava a traumática vida sexual que, dali pra frente, viciava sua carne, mas violentava inevitavelmente a sua alma. Agora Linda Harumi estava ali: lindamente provocante, insinuante em gestos inconscientemente diretos, arrebatada por desejos de compartilhar com ele, o abecedário completo do prazer quando é deliciosamente conjugados nos verbos: dar e receber amor. Mas Marcos respirando resquícios dessas mesmas frustrações passadas, instintivamente se fez de desentendido, corou nervoso, e insinuando à tarefas esquecidas, ele desprezou momentaneamente os clamores desesperados da sua faminta carne. “ Está com fome? Que acha de eu preparar um lámen pra nós!” Dizia partindo para a cozinha, lhe entregando um roupão amarelo, enquanto Linda envergonhada pelas recentes falas, fechava a porta do banheiro confusa. “Fiz besteira… como você é oferecida garota!" O quê ele vai pensar de mim?” Ela naufragava em perguntas confusas, tirando a roupa vagarosamente, e em paralelo, procurando defeitos em frente a um espelho que revelava seu físico, mas não as angústias brotando da sua alma. “ Burra, burra, burra...” Balançada pelas próprias condenações, ela achava repouso apenas na batida quente das águas que, inundando suas costas, descia suavemente ladeando e abrangendo as curvas acentuadas das nádegas.
    Na cozinha, segurando uma faca afiada na mão, Marcos Hayashi preparava entre um suspiro e outro, os ingredientes que comporiam o preparo do alimento à base de massa: o kombu, o niboshi, ossos de carne, shitake e um pouco de cebola. Mantinha o pé segurando a porta da geladeira entreaberta para alcançar com a mão um par de ovos mexidos que quando quebrados, caiam na água fervente, diluindo e empedrando ao mesmo tempo. “ Que vontade de estar lá, tomando um banho quentinho, agarradinho com ela... ” Dizia degustando os pensamentos vindos do demoniozinho sibilando em seus ouvidos, os seus olhos revirados ao teto, já sentindo no corpo as velhas tremuras do prazer.

    “Mas ela não é como as outras que eu  comi...” Deu o veredicto final, se concentrando no tempero, despejando as verduras picadas na panela enquanto o macarrão duro amolecia aos poucos, no compasso das mexidas da colher de pau. O cheiro do lámen proporcionado nos vapores que subiam em espiral até o teto, seguia o fluxo do ar sorrateiro que entrando pela abertura da janela da sala, alcançava e engolia todos os ambientes do apartamento. “Que cheiro delicioso! ” De repente, Linda, a passos lentos, com o roupão grudado a um corpo jorrando vapor pelos ares, despontou silenciosa na porta da cozinha, e encostando no portal contemplava-o enquanto penteava com os dedos seus longos cabelos umedecidos. 

    Sobre a mesa, os tchawans esperavam virados de cabeça pra baixo bem ao lado dos hashis de madeira recém tirados de uma embalagem. Para acompanhar o preparo; shoyu, pimenta e um pouquinho de kurikake que era jogado sobre o arroz cozido sem um pingo de sal. “ Linda, use o meu quarto para se trocar! ” No quarto, já sentada sobre a cama, Linda Harumi vasculhava com olhos nervosos resquícios que porventura indicassem alguma pista, alguma mancha, cheiro ou algo que confirmasse que alguma presença feminina havia passado por ali. Não encontrou nada. Apenas fixado nas paredes, três pôsteres de tamanho 2x1 “embelezavam” o ambiente pouco iluminado, gerando um frenesi louco de imagens retiradas de revistas hentais (pornô). Em cada cenário, mulheres nuas em  poses extravagantes e sensuais, revelavam as próprias “curvas” sem nenhum pudor. Por exemplo, na parede frontal, estampado estava a imagem de uma loira estonteante: só de biquíni e agachada de costas, ela segurava uma bola de basquete, glúteos quase ao chão, o rosto virado pra trás oferecendo um sorriso lindo carregado de provocação. Na parede lateral à esquerda, bem ao lado de uma estante montada de ferro encaixáveis, o segundo quadro apresentava uma morena escultural em meio à mata: sentada sobre uma grande pedra, as pernas entreabertas, o dedo indicador da mão esquerda passeando os lábios volumosos em um olhar inocente, subliminarmente convidativo ao prazer. À vista ficavam os seios fartos, as coxas grossas, a barriga bronzeada, e o sexo totalmente à mostra, sendo ladeado carinhosamente pela pontinha dos dedos da mão direita. Por último era a ruiva emoldurada no cantinho especial do quarto, por cima de uma escrivaninha coberta por livros e algumas revistas de sacanagem organizadas metodicamente em fileiras que faziam divisa com um porta canetas de aço. A terceira beldade estava suspensa sobre uma máquina de escrever antiga que, há alguns anos, Marcos Hayashi vinha dedilhando alguns poemas apaixonados. “Assim você acaba comigo guria!” Era exatamente assim que ele em seus devaneios frequentes, repetia sua confissão sem se cansar, sozinho no banho ou debruçado sobre a cama, devorando a imagem nua com olhos famintos enquanto arregaçava o “membro endurecido” salivando de desejo, saltitante na palma da mão. “ Nem consigo trabalhar amanhã ” Desejava-a com a boca, os pensamentos soltos e encravados em cada pedacinho do corpo dela: nos lábios carnudos insinuantes no movimentar da língua aos beiços, nos seios fartos carregados de uma volúpia descomunal que refletindo o rosado dos bicos pontudos expressava ainda mais a brancura da pele sedosa, na bunda redondinha, formosa em formas, empinando convites a deliciosas cavalgadas aceleradas, e por fim, na cerejinha do bolo, o gran finale, representado pelo sexo depilado, acentuado pelas marcas de um biquíni ausente, deliciosamente pronto para ser consumido a exaustão. Gemendo sempre baixinho acompanhando o movimentar frenético do vai e vem dos dedos cerrados, ele não deixava que nada passasse despercebido à sua mente, sempre voraz a tudo que, dependendo da quantidade dos pixels da imagem estática, pudesse ser deliciado.
    Deslumbrada com a beleza das imagens, no entanto visivelmente perturbada com a rivalidade que elas representavam, Linda Harumi ficou por um breve espaço de tempo às encarando de frente; o olhar empoderando, a respiração firme e pausada na postura ereta do corpo que anunciava ali, algum tipo de futura batalha. “O reinado de vocês, suas piranhas, acaba aqui!” Dizia em falas esquizofrênicas, relaxando os ombros e as costas, sentindo-se mais leve, mais segura e liberta nas recentes palavras que expurgaram algum tipo de mal inconsciente. Em seguida, após vestir um moletom acinzentado, procurou na gaveta inferior da cômoda alguma meia que pudesse calçar. “Será que é o diário dele?” Lina Harumi manuseava um caderninho capa de couro, cor vinho envelhecido, com o tempo de uso já considerável, sem anotações externas que denunciassem algum tipo de função. Abri-lo sem ser descoberta era impossível. Trancado pelas bordas, um pequeno cadeado dourado garantia que o conteúdo das páginas, seja lá o que for que estivesse escrito, ficasse totalmente inviolável, definitivamente inacessível a olhares curiosos. 

    “ O lámen está pronto... ” Sobre a mesa, com os olhares timidamente trocados, eles se sentaram lado a lado, talheres à mão, servindo da panela à frente, deliciosa e convidativa aos olhos no saciar da fome acumulada, expressada nos roncos sugestivos do estômago que horas atrás vinha reclamando como cachorro louco. Dizendo “Oishi!” em japonês, Linda agradecia a Marcos Hayashi com a boca cheia do macarrão, ora suspenso sobre as duas ferpas do hashi que, enfiado entremeio aos fios, lutava para manter-se firme e ancorado aos dedos. “Vamos ouvir uma música?” Retirando o CD da Roxette do estojo, Marcos o encaixou cuidadosamente no compartimento do aparelho eletrônico, girando o botão do volume até que a canção Listen To Your Heart, já audível em som ambiente, começasse a tocar:

    “I know there's something in the wake of your smile
    I get a notion from the look in your eyes, yea
    You've built a love but that love falls apart
    Your little piece of heaven turns too dark…”

    Finalizado o jantar, eles se sentaram na sacada do apartamento. Com o coração mais acelerado, a respiração ofegante em ciclos se alternava de acordo com a temperatura no interior do edredom enroscado em ambos os corpos à convites de contatos mais aflorados. “A lua é linda!” Ouvia-o dizer poemas ao pé do ouvido, aveludando as palavras, e com o olhar amoroso, Marcos ajustava o tom da voz na altura perfeita que não atrapalhasse a melodia de amor que continuava entoando vibrações carregadas de candura a partir do aparelho na sala.

     “ Eu a perdi uma vez…” Marcos ditava promessas que insistia que iria cuprir a ela, o seu olhar ficando sério, apertando seguidas vezes um chumaço do edredom felpudo que ia reduzindo cada vez mais o espaço entre os dois corpos se ardendo de desejo no resvalar nada sutil dos toques eletrizados. “Ah mas éramos apenas dois jovens apaixonados...  Enroscada ao seu peito e com a ponta dos dedos, Linda identificou uma estrelinha sob a lua, reluzindo seus raios cintilantes na penumbra da noite. “ Vamos compensar agora, né princesa ? Ao ouvir a energia vibrando destas doces palavras, Linda Harumi duplicou o sorriso espaçando ainda mais o espaço entre os lábios, agasalhando no coração de mulher sensibilizada com o cenário, as doces seguras palavras recém-ouvidas ao pé do ouvido. “ Podemos sim e vamos! ” Marcos Hayashi reforçou novamente os abraços, o seu semblante esmagando o dela, sorvendo com a língua o excesso do chocolate que ficara salpicado em um dos lados da bochecha. O carrossel girando no aparelho de som, por fim alcançou o último CD posicionado e, no compartimento sobre o laser, posicionou a música romântica La Solitude de Laura Pausini:

    “Marco se n'è andato e non ritorna più
    E il treno delle 7:30 senza lui
    È un cuore di metallo senza l'anima
    Nel freddo del mattino grigio di città
    A scuola il banco è vuoto, Marco è dentro me
    È dolce il suo respiro fra i pensieri miei
    Distanze enormi sembrano dividerci
    Ma il cuore batte forte dentro me”

    Ali, sobre o luar, os rostos corados levemente sendo iluminados, eles deram o primeiro beijo de amor que, dali pra frente, selaria o reinício da relação iniciada na adolescência. Debaixo do cobertor, ora os corpos se fundindo nos abraços apertados, outrora as mãos soltas à vontade brincando apalpadelas entremeio ao vácuo, deixava a pele toda eletrizada, desejosa por mais, carregada de uma ânsia insaciável por toques mais acalorados. “  Sou toda sua amor!” Linda Harumi se jogou sobre seu corpo, o olhar levemente ficando devasso, se distanciando rapidamente da timidez inicial, incentivada ainda mais pelo alastrar da ardência úmida no enroscar frenético das duas línguas. “ Vem cá... não foge! ” E ela o segurava em suas falsas escapulidas, ambos os sexos estimulados debaixo da roupa, a sua boca carnuda toda enlouquecida, desejosa por mais, naufragando em um mergulhar cada vez mais profundo dentro dos lábios do amado.

    Linda se entregava sem economias, excitada pela voracidade dos beijos contínuos, pelo calor tempestivo gerado nos abraços mais apertados, mas sempre e paulatinamente testemunhando o desnudar do próprio corpo no avultar nada sutil de dois olhos incinerados. Ainda que se sentindo sequestrada pelo desejo de satisfazer a ele ou mesmo ansiando querer mais pra si dele, ela permanecia totalmente entregue diante das investidas sequenciais, palpáveis, ou gustativas, não interrompendo as preliminares nem diante das tão necessárias golfadas de ar. “Fica louquinha pra mim, fica princesa?” O amado balbuciava para uma mulher cada vez mais perdida nos próprios sentidos, a cabeça emborcada para o lado em desprezos dos cabelos sobre o ombro, permitindo com estes submissos atos, uma passagem mais convidativa ao prazer, carregada de provocações eróticas, aprisionando parte dos desejos de Marcos focado na consumação exacerbada da pele nua em volta do seu exuberante pescoço. “Ai que tesão...” Sem piedade Marcos caia esfomeado, o pensamento acelerando o palpitar do coração nos gemidos crescentes ao pé do ouvido, beijando a pele dela com carícias provocativas no passear sensível junto aos lábios, em suaves mordidas no lóbulo inchado de desejo, seguido por intercaladas enfiadas da língua no fundo do orifício do ouvido. “Hum, já estou tão molhada...”. Excitado, Marcos finalizava o ciclo degustativo com chupadas mais sedentas que as iniciais, sua língua serpenteando roxeões à flor da pele, notórias a ver de longe, afogando cada vez mais a libido de ambos no desejo louco de adentrarem o próximo estágio.

    Grossas nuvens formando no horizonte, e o próximo estágio acontecia estritamente às apalpadelas aprofundadas, a mão de Marcos adentrando o moletom de Linda, a pontinha das unhas arranhando suavemente a lateral do dorso dela, a deixando toda arrepiada, louca de desejo por ele que, suas mãos subindo o sutiã, não saia dali, até vencer o adversário empacado, o fecho não sincronizado com o tesão arrebatador que há muito tempo já engolia os dois. No concentrar mental entre as pausas para a respiração, finalmente o fecho se abriu, os sorrisos antes abafados coloriam mais o rosto, as mãos resfolegantes por tatear tanto, finalmente degustavam toda a volúpia de um par de seios extremamente fartos. “ Também estou pegando fogo...” Marcos Hayashi advertia sem parar e ela ficava cada vez mais excitada nas carícias, nos afagos, no movimentar da pontinha do dedo pressionando levemente os bicos dos seios e os deixando mais inchados, entumecidos e desesperados por mais. “Agora desce um pouquinho...” Em seguida, como um cachorrinho bem adestrado ele fielmente obedecia, descendo ao ventre chapado, passeando os dedos na extensão da virilha, estacionando nos pelos pubianos macios e escassos, ora puxando-os levemente como se quisesse arrancá-los, outrora massageando por cima como uma mãe amorosa acariciando os cabelos do filho.

    Ali na virilha, a calcinha apertada denunciando tatilmente a umidade do sexo vazando o exterior do tecido, os dedos dele ficaram mais agitados, mais sedentos, mais ansiosos por causa do ritmo pulsante do sangue que, circulando com maior rapidez nas têmporas da testa, aumentava cada vez mais a pressão sanguínea dentro da cabeça. “Que bucetinha molhada..." Assim, narrando seus laboriosos atos, Marcos começava devagarinho, acariciando o clitóris em movimentos suaves, às vezes frenético no enrijecer dos dedos, mantinha estes movimentos por alguns segundos, depois voltava a ladear os lábios de cima a baixo, arregaçando a abertura da vagina, sempre com o extremo cuidado de não feri-la com as unhas. Na entrada do orifício, com o desejo sexual alimentando a sua sensibilidade criativa, Marcos Hayashi sentia o próprio “pau” ao invés de “dedos” endurecidos: indo, vindo, estacionando lá no fundo, depois voltando e entrando novamente, retornando a ladear os grandes lábios como no início, saboreando assim, devagarinho, palmo a palmo, toda a  densidade cavernosa daquele sexo encharcado.“ Que vontade de chupá-la...” Diante de um par de olhos se cerrando, ele retirava e adentrava os dedos do orifício, e com a viscosidade fazendo ponte entre o indicador e o polegar, abocanhou os dedos com uma tal voracidade, que a deixava ainda mais excitada.

    Era de se esperar que a chuva logo caísse do céu já tenebroso, anunciando o prelúdio que viria através das trovoadas que estremeciam os carros estacionados, os latões de lixo, os postes de ferro mal posicionados, os corrimões das escadas e seus parapeitos, as paredes de alvenaria, os telhados, as janelas, e toda a extensão da sacada onde eles se encontravam. “ Por favor, vamos entrar?” Ela agarrava-se a ele enquanto os clarões dos raios iluminavam como flashes instantâneos os ambientes antes ocupados apenas pelo negrume da noite; as vielas pouco movimentadas, o sombrear das árvores envelhecidas na entrada do pátio e os corredores dos edifícios vizinhos mal iluminados por causa da baixa potência da lâmpada. “Claro que sim! Vamos...” Ele com o olhar prestativo encadeou seus braços a ela que, sentindo o cheiro másculo exalando do seu corpo úmido de minutos outroras, agora lutava para manter toda aquela excitação incubada no seu corpo de mulher ainda não satisfeita. Caminharam até o interior da sala com os dedos entrelaçados, ambos os rostos selando-se entremeio aos beijos que aconteciam aos trotes, e quando atravessaram o ambiente, alcançaram por fim o aconchego do quarto quente, totalmente preparado ao prazer. 

    No canto esquerdo do dormitório, um abajur chinês com cúpula esbranquiçada e base em tons que se aproximavam ao vermelho sangue, estava localizado a ½ metro da cama. A partir dali, emergindo sua luzinha fraca e limitada, os feixes de luzes alcançavam apenas parte dos móveis e objetos que compunham o lugar, emergindo todo o resto do ambiente em uma penumbra amarelada que se permitia ver apenas vultos nas sombras. “Safadinho você hein...!” Dando voltas ao redor e se posicionando fronteiriço as paredes do quarto, para o provocar, ela encarava as três imagens emolduradas, arranjadas de tal forma que, a iluminação refletida diretamente nos retratos, acentuava ainda mais a beleza irradiando de cada uma das daquelas deliciosas curvas estáticas. “São só pôsteres que não significam nada...” Usando argumentos que mantinham a suavidade do clima ainda pairando no ar, ele a apertou no peito, deu-lhe logo um beijo ardente, sugando todo o fôlego que ela tinha reservado para revidar em palavras. “E eu?” Sorrindo baixinho entremeio aos gritinhos de prazer sufocado que quanto mais ela emitia, ele delirava, seu pescocinho sensível ficou totalmente exposto às carícias vorazes dos lábios incendiados de Marcos. “Você é o meu xuxuzinho!” Respondendo respostas agradáveis, ele a abraçava cada vez mais forte, temperando com humor as palavras salpicadas com ternura, emulando à partir do coração que em outros tempos estava desassossegado, o amor adolescente interrompido anos atrás, e que agora, se ascendia em envergadura e presença,  anestesiando a psique de ambos em confortos verbais e carinhos visíveis, expurgando de dentro dela, qualquer tipo de malícia que porventura instigasse a continuar se avolumando de ciúmes infantis. “Assim você me ganha!” Agora, com o ar do ambiente mantendo sua nobreza, o mesmo inspirava leveza, e impregnado das liberdades não palpáveis que tanto protegem e estimulam os amores, eles voltaram a se aconchegar nos abraços.

    A música havia parado de tocar no aparelho quando o som da chuva torrencial começou a despencar do céu. Inicialmente foram pingos pipocando sobre o telhado que, quando se avolumavam na calha, transbordavam na parede e desciam inundando as bordas janela, deixando a vidraça completamente enervada por grossos fios de água que se enraizaram. “Que fofinho !”  Retirando a calcinha rosa de Linda, Marcos a deslizava entre as pernas entreabertas, enquanto ela o encarando na direção dos seus olhos, se situava através do brilho ocular emitido graças a uns poucos feixes de luzes que ricocheteava em um espelho e jorravam entremeio a escuridão do quarto. Com as mãos segurando o objeto íntimo, ele o levou até o rosto, acariciou a própria pele como se fosse a dela, e em seguida buscou entremeio as linhas do tecido de algodão, o cheiro exalando da essência úmida impregnada no seu interior..“ Tem um odor maravilhoso ! ”  Era o que repetia antes de entrar em um transe louco que o levou a sugar todo o resquício do líquido viscoso que pairava na superfície do algodão. Marcos a elogiava lambendo os próprios beiços, passeando a língua aos lábios, acariciando o membro endurecido trincando pulos desesperados para fora da calça. Como uma mulher não enlouquecerá de prazer diante destes atos? Ver o amado se satisfazendo assim; como um cachorro doido, faminto de desejos, degustando “sabores” e consumindo “odores”, o olhar faiscando contatos mais aprofundados na pele dela, a sua boca gulosa pipocando em brasas, desejando a todo custo bebericar toda a sua intimidade?

    “ Mantenha bem abertinha para mim... ” Marcos segurava suas pernas entreabertas, enquanto descia a sensibilidade do seu rosto devagarinho, suavizando toda a extensão da pele dela. “ Tá gostoso assim? ”  Passeava a língua úmida no interior das coxas, saltitava entre elas, até chegar pertinho dos grandes lábios. Apesar do tesão implorando por extravasar, ele não adentrou por um instante. Permanecia apenas ladeando lábios e língua por fora, energizando a libido aflorada nos toques singelos na pele do seu rosto provocando a pele dela, enquanto beijos e mordiscadas suaves eram alternados rente à divisa, arrepiando Linda Harumi ainda mais no desejo louco de ter todos aqueles limites íntimos ultrapassados. “ Tá judiando demais de mim...” Linda emitia gemidos suaves, os olhos semicerrados ao céu, adocicando a voz no rebolar perfeito que poderia colocar o pingar do seu sexo, mais bem posicionado frente a lábios vertendo lavas incendiárias. Com as pernas tremulando sobre os seus lábios, finalmente Marcos Hayashi decidiu que a doce tortura chegava ao fim. “ Enfia essa linguinha lá no fundo, por favor… ” Enlouquecida nos estímulos e ainda mais sendo consumada a exaustão por uma boca esfomeada, ela desfrutava o desidratar dos próprios fluídos entremeio a uma língua louca, serpenteando enrijecida sobre o clitóris vibrando cada vez mais intumescido. O amado lambuzava os beiços, a pausa para as suas respirações sendo adiadas, a língua, os lábios, e a boca por um todo sempre prudentes na aceleração frenética que desprezava ainda mais os protestos alarmados pululantes no aperto da própria calça. Lentamente, palmo a palmo, com a língua tateando aqui e ali ansiando por absorver resquícios de sensibilidade ainda não explorada, Marcos subia e descia devagarinho, palmilhando olfatos, degustando com excelência toda a textura da pele sensível envolta da vagina. Com a pontinha dos beiços, os dentes acovardados dentro da sua boca, ele puxava cuidadosamente os lábios vaginais: ora os esticando de encontro a si, outrora soltando-os de volta, mas sempre e repetidamente voltando a esses mesmos atos de provocação, gerando dessa forma, uma tensão sexual assoberbada em gemidos cada vez mais carregados de gratidão.

    Linda Harumi suplicava a ele, e ele com a excitação expressada na face avermelhada, mergulhava cada vez mais fundo dentro dela: tateando o interior da intimidade, sentindo as fissuras cavernosas no penetrar inicialmente tímido, e em seguida perfurador da língua até o fundo, mas sempre engolindo e engolfando em êxtase absoluto cada pedacinho da sua libido transbordante de mulher lucidamente entregue. Abandonando os trejeitos ora iniciais, de súbito ele alternou o tom das investidas, antes lentas e delicadas, para em seguida se lançar com maior avidez, maior gula e uma sede insaciável na agressividade enternurada que tomava conta da sua língua. “ Uiiii, Marcos, eu estou quase gozando!” 

    Ela arfava transes carregados de extrema sensualidade; serpenteando o corpo e revirando os olhinhos para o alto, expressando nestes sequenciais atos, todos os desejos outrora reprimidos no ser e agora, expressos no mordiscar frenético das unhas aos bicos dos seios, das mãos galgando carícias em volta do pescoço e lóbulo da orelha, movimentos incontroláveis que a deixaram toda inundada, desejosa ao extremo, fielmente descabelada diante do frenesi possuidor de promessas de êxtases absolutos. “Não para que eu vou gozar!” Quando ouvia este tipo de confissão, Marcos dava brecadas propositais como parte de seus planos de prazeres quase eternos, cheios de malícias, com os lábios umedecidos se afastando do sexo temporariamente desidratado, e arrancando nesses covardes atos, protestos acalorados carregados de uma ansiedade descomunal, ainda mais expressados no rebolar ensandecido das nádegas sobre seu rosto. “ Aguenta mais um pouquinho...”  Marcos também empacava excitado, seus olhos encarando um olhar desvanecendo, mas sete segundos depois ele voltava a apertar o botão do start com mais vontade, maior voracidade e grande desejo nos lábios entremeando as pernas dela; degustando os sabores, consumindo os mesmos odores, fibrilando as velhas palpitações em um bailar nada sutil do clítoris sob a vibração mais enérgico da sua língua.

     Após sequenciais investidas assim: frustrantes e ao mesmo tempo provocantes na carne suada, a excitação de ambos novamente alcançava o nível máximo; ele voltando da embriaguez, subia até a virilha,  passeava a língua sobre o ventre dela, ladeando sempre em sentido horário ou ao contrário os biquinhos pontudos e rosados aprumados em ambos os seios. Por fim, pairava sobre o rostinho angelical e lindo levemente desfigurado pelo prazer interrompido de minutos outroras. “ Agora sente o seu gosto na minha boca! ” Marcos ia ordenando submissões e despejando na boca dela toda a essência do sexo ainda pairando sobre seus lábios, e Linda Harumi gemia mais enlouquecida, se perdendo nos cheiros, nos gostos, nos próprios fluídos a sublimando em metamorfoses embriagantes da própria sexualidade. “ Fica de quatro...” Ela totalmente turva entre os sentidos rodopiando, logo ficou de quatro, enquanto ele afrouxando o cinto da calça, tirou o jeans apertado denunciando um volume exagerado dentro da cueca box. “ Putz, esqueci o preservativo...” Expressando preocupações no semblante, Marcos ia revirando as gavetas da cômoda e do guarda roupa, o membro endurecido bailando vendido no ar, enquanto ela enlouquecida suplicava cada vez mais alto para logo ser penetrada...

    “ Te quero por inteiro… ” O provocava em palavras suavizando gemidos em seu ouvido, tentando-o com o timbre da sua voz ficando enternurada, oferecendo ali toda a volúpia dos lábios vaginais arregaçados e ainda mais valorizados no rebolar provocante das nádegas passeando sofregamente para ambos os lados. Com o rosto enterrado no colchão e a curvatura perfeita da coluna indo de encontro com um arrebitar cada vez mais acentuado da bunda, ela insistia: “ Ah! Assim não! Vem logo Marcos...”  Agora Linda ordenava em gemidos, e ele de pronto obedecia em desesperados desejos de obedecer; optando assim por deixar do lado de fora do quarto; todas as disciplinas latentes que poderiam por hora, evitar preocupações carregadas de reticências futuras, desprezando nessa forma de agir e mal calcular, quaisquer empecilhos ao prazer corroborado nas duas carnes que finalmente se esfolavam. “ Que fogo...” Em baixos sussurros e com a respiração ofegante,  Marcos sentia o pulsar do próprio sangue circulando incontrolável nas veias, enquanto ela desfrutava centímetro a centímetro conforme a consumação operava por baixo das suas operantes nádegas. “ Mete com mais vontade... ” Linda Harumi se sentindo ávida, com tamanha eroticidade mordeu o travesseiro, e com o sexo sendo arreganhado em um cravar de dedos afastando ambas as suas coxas para os lados, com as intimidades escancaradas, ela testemunhou seu clitóris tremer e vibrar em um aperto sufocante socando sequenciais intensidades por baixo das suas nádegas.

     Percebendo o seu sexo friccionar suavemente o “ ponto de contato” do outro sexo, ele com a mão esquerda apoiado sobre a bunda dela, buscava apoio para investidas mais emborcadas, perfeitamente mais bem posicionadas, realizando movimentos transversais no penetrar, ou verticais o suficiente para que os pés levemente em suspensão junto ao corpo favorecessem um ângulo melhor, um colocamento melhor, facilitando dessa forma uma postura mais adequada para que a rigidez peniana infringindo o clitóris intumescido, o esmagasse sucessivamente em todas as investidas de entra e sai. E assim foi. Sucessivamente, exaustivamente, calorosamente provocando o desejo sexual tempestivo, a eletricidade afrodisíaca se apoderando de ambos os corpos inebriados por mais, o prazer não maduro emergindo a virilha, se espalhando pelos músculos em calafrios reconfortantes carregados de promessas de devaneios altissonantes, a tensão tão estimulada nas preliminares, saldada ali, nos pensamentos não mais confundidos e muito menos controlados pela consciência já livre das prisões, liberta dos atrasos, se entregando de vez na luxúria do gozo explodindo no corpo e na alma de ambos. “ Linda! !” Ele dizia “ Marcos !” Ela respondia. Encerrando os gemidos, jogados um sobre o outro, totalmente nus e encharcados pelo deleite percorrendo os corpos, eles adormeceram. 

    Com o irromper do sol no horizonte denunciado que o alvorecer havia principiado, ambos se sentiram levemente atordoados quando no abrir da janela do quarto, golpes de ventos carregados de resquícios da neblina que havia varado a madrugada ainda insistia umedecer a camada de ar, somando-se ao cheiro das flores e das árvores, principalmente do pessegueiro plantado na frente do edifício, inundando ambos os pulmões de uma essência revigorante que rememorava antigas recordações no peito de Marcos. Ficaram por alguns instantes posicionados assim, os rostos sobrepujando parcialmente o limite da janela, avistando ao longe as montanhas, as nuvens pairando quase inertes sobre elas, e toda a vegetação limítrofe pelo alcance de dois pares de olhos encantados com a beleza do cenário. “ Que vista privilegiada! ” Ela bocejou esticando os braços outrora repousados nos ombros de Marcos, procurando a melhor posição para aproveitar a infusão dos raios solares que, jorrando ambiente adentro, aquecia parcialmente a nudez feminina refletindo um brilho mais incandescente através da pele. 

    “ Daí alguém pode te ver... ” Ele sorria sussurrando ciúmes brotados inconscientemente, para em seguida jogá-la sobre a cama, se esforçando a todo o instante para imobilizá-la com o corpo estendido sobre o dela. “ Eu quero que me vejam como vim ao mundo! ” Dando risadas golfadas entremeio a provocações acompanhadas de remelexos de quadril, Linda Harumi  brincava de se soltar até sentir o fôlego se esvair nas cócegas que recebia na sola do pé, nas axilas e principalmente na cinturinha tão sensível ao encravar dos dedos de Marcos. “Ainda não te disse bom dia meu bebêzinho lindo!” Ainda nus, eles já se encontravam enroscados, e apesar do leve incômodo apontado através do bocejar dos hálitos, logo as bocas se avançaram em um tripudiar frenético de línguas e lábios em total desconsonância com hábitos rotineiramente matinais. “Assim você acaba comigo!” Em um meneio, ele foi jogado de costas por ela, e ela já sobre ele, oferecia toda a volúpia de ambos os seios eriçando os bicos quando posicionados fronteiriço a voracidade dos seus lábios. “Mama gostoso meu bebê!”  O provocava sem se deixar penetrar, apenas saboreando os lábios vaginais passeando com eles na ponta do membro ficando endurecido, e o encharcando no mel que escorria gradualmente pela cabeça, lambuzando toda a extensão nervurada, até se acumular viscoso no limite das bolas massageadas pela delicadeza da sua dedicada mão. 

    Encarando-o no fundo dos seus olhos, carinhosamente Linda sorriu o provocando: “  Você vai ver o que é bom para tosse! Ontem a noite me torturou, agora sou eu que vou te pagar na mesma moeda! ”  Degustando um duplo prazer; tanto no proferir dessa covarde promessa quanto no vislumbre da “ dureza “ posicionada a poucos centímetros do corar do seu rosto, com o serpentear da pontinha da língua, ela umedecia os lábios em provocações contínuas e não amenizadas no olhar devorador estampado na sua bela face. " Vai me fazer gozar com essa boquinha? ” Ele deitado de costas, mantinha contínuos emborques de coluna para vê-la trabalhando lá embaixo, antecipando na mente e na carne, a colheita do prazer sexual proveniente da noite anterior que, após ter semeado exaustivamente em frenéticas labutas de língua e lábios, chegava carregado de promessas de devaneios deliciosamente ainda indefinidos.  Mas com intuito de torturá-lo, ela ficou inerte por alguns instantes, apenas encarando-o e se deliciando no desespero expressado em seu semblante: “ Hum… Esse pau vai ficar mais gostoso na minha boca!” Com o corpo tremulando da ansiedade que o revolvia em remexidas ensandecidas pelo logo aquecer de seus doces lábios, e apesar dos seus desesperados atos; ora segurando um chumaço do seu cabelo e direcionando o orifício da boca para perto do palpitar do seu sexo, outrora implorando o logo realizar daqueles prazeres já efervescendo em gemidos silenciosos e desesperados, Linda não cedeu. Desejou excitá-lo além. E assim, consequentemente o resistia realçando cada vez mais o verbalizar das suas promessas. 

    Com uma das mãos soldada sobre o sexo, com a outra ela se esquivava do desespero de Marcos Hayashi, agarrando-o pelo punho da sua mão direita, para em seguida devorar gradualmente toda a sensibilidade contida em cada um dos seus dedos. Com um biquinho beijava as unhas e dali com um sensual afastar de lábios, sua boca úmida o sorvia como se fosse uma luva em idas e vindas, incendiando cada vez mais a sensibilidade já refletida em tremulações nervosas que vagarosamente subia pela espinha dorsal dele e explodia deformando o seu rosto. Sussurrando repetidamente: “ Tá gostoso bebê? ” Ela proferia palavras aveludadas, os olhos amendoados, naufragando o silêncio ensurdecedor da manhã nos gemidos que naturalmente se misturavam com o início de uma melodia de pássaros que se iniciava no beiral da janela. “É assim que vou fazer com você!” E tornava a engolir os dedos e gemer, aumentando o ritmo ou diminuindo, alternando entre os dedos frios e secos e os deixando novamente quentes e umedecidos. “ Que sede da sua boca bebê…”  Se lançando rapidamente sobre ele, novamente ela se afogou em sua boca, beijando-o sofregamente, mordiscando seus lábios ainda anestesiados dos prazeres outroras, e de lá, escorregando de línguas entrelaçadas, ia se aventurar entremeio a roxeões esculpidos e decorados sob a pele do seu pescoço exposto.

    Mas de forma alguma ela se distraia do membro ainda tremulando abaixo, e paralelamente enquanto se deliciava descendo os lábios na caixa toráxica, nos bicos do peito e os mordiscando de leve, passeava sobre o umbigo e o provocava com a " quentura " da língua massageando o fundo do orifício. Em baixo, sob o massagear delicado de uma das mãos, ora Linda arregaçava a cabeça até esgoelá-lo, outrora encapuzava-o por completo também, persistindo nesses calorosos sequenciais movimentos até gerar um calor sexual intempestivo que só era amenizado no estimular mais intenso e mais frenético do arregaça e encapuza que paulatinamente ia emergindo a libido sexual do amado no anseio louco de logo ter o seu pênis exaurido no desforrar de lábios acelerados. " Garota, você é do mal mesmo!" Repetia sem se conter, os olhos docemente acovardados, os braços soltos e desenergizados, naufragando seu corpo carnal na imensidão dos estímulos estuprando seu ser, e o arrebatando ferozmente por dentro. Nos segundos que se seguiram, com a respiração atropelada na sensação chamuscante percorrendo em fagulhas de molestamentos no peito, desejou que seus desesperados anseios de devaneios se tornassem muito mais que eternos quando por fim a quentura abarcando aqueles doces acelerados lábios, cumpria a prazerosa promessa de o engolir. "Puta que o pariu..." Gemia já estando no céu: o movimento da cabeça da amada indo e vindo ocultando parte do seu sexo agargantado, sons sonoros de êxtases de delícias eram pronunciadas em gemidos não contidos que ora e outra arfava descargas elétricas afrodisíacas no intervalo de ambas as respirações.

    " Chupa só a cabecinha..." Com a mão de Marcos segurando um chumaço dos seus cabelos alvoroçado, para lá ela subiu guiada deixando toda a extensão nervurada iluminada de saliva, e após segundos degustando em delícias a pontinha rachada, o encarava com gula cada vez mais expressa no olhar visceral abrilhantando seus olhos. Ali, diante dos desejos desesperados do amado, ela mergulhou mergulhos nunca imaginados com outros homens: com a libido desenfreada inundando o próprio sexo em gotejos de desejos sobre a perna e o cobertor, ora suas mãos calibraram o membro para que não ultrapassasse o limite do pedido, outrora desciam tremulando pelo corpo feminino até a vagina, degustando com os dedos eretos e cerrados, toda a extensão do pêlos pubianos, lábios e a entrada molhada. "Agora engole até o talo e acaba com o papai...!" Ao ouvir as orientações finais de Marcos, Linda Harumi se aprumou em desejos de obedecer para se lançar com muito mais prazer: retirou fios de cabelos que incomodavam a face e foi descendo e subindo, subindo e descendo, vagarosamente articulando movimentos com o cilindro de carne sufocando o aperto dos próprios lábios. " Hum… parece que ficou mais grosso hein?" Agora mais excitada e após cerrar a mão na base encharcada de saliva, laborou movimentos com o corpo nu, ajustando a posição corporal que mais cooperasse com a mecanicidade da sua língua e lábios, principalmente da garganta já desfrutando de gotículas precoces e salgadas, resultado dos estímulos cada vez mais enérgicos no passear descontrolado da outra mão sobre o próprio sexo, pois os dedos operando ritmados com o sugar da voracidade da sua boca, estimulavam brutos prazeres sob a sensibilidade de um clitóris se avolumando de gula carnal, afogado em ânsias, desejoso até os céus dos céus por aqueles breves segundos de gozos que quando alcançaram, a fez desfalecer e tornar uma só entranha com ele.

     “ Que tal um banho juntinhos ? Podemos? ” Sorriam desorientados pelas energias raleadas de minutos outroras, e o piso gelando a sola do pé, agredia chacoalhões matinais conforme eles iam trotando até o registro da ducha. Mas nem tudo se trata só de sexo, carnes esfoladas e suores respingando de corpos eletrizados até a alma. Há um sentimento sim, ou melhor, uma “verdade ainda oculta em sentimentos”  e que é um tanto quanto essencial dentro de um relacionamento que vai se desenvolvendo aos poucos, entremeando as experiências das trocas recíprocas, fortalecendo a conta-gotas todas as bases subjetivas do que no íntimo já deseja ser puro e incondicional. E quando esse processo é genuinamente forjado no espelho da verdade tateando as verdades que mais despontam de dentro do coração, esse jeito de se encarar para se enxergar, vai tecendo  caminhos decididamente compartilhados, enredos mais solidificados, carregados de mais significados se aflorando em cuidados, proteções, carinho curador de feridas, um conjunto de anestésicos psicoemocionais para a epiderme do ser frente ao que, na vida comum de um casal, ainda vai se desenrolar em muitos sequenciais amadurecimentos, até se metamorfosear por completo do rio vertendo o inundar de experientes lágrimas, no que seja o desabrochar do verdadeiro amor. 

    Do nada, “ flagelos do passado ” tornaram a reviver, avultar corpo e carne, sequestrando Linda em uma “ insegurança repentina ” que já deixava seus olhos verdes marejados de lágrimas. “ Dessa vez vai ser diferente! ” Insistia silenciosamente para si em meio aos conflitos; os ossos titubeando o peso do corpo no bambear dos músculos das pernas, as tremuras crescentes fibrilando na boca do estômago, e o peito suado, sufocado na ausência do ar que grotescamente minguava na mente. Tudo junto e eclodindo, elevou a ansiedade de Linda Harumi ao seu estado máximo. Ela buscou alento entre os movimentos, mas não encontrou. 

    “ Está tudo bem? ” Assim, deitada sobre o piso, o antebraço direito sobre o rosto como venda sobre os olhos, ela sofreu acovardada o peso de cada pancada existencial refletida nos pavores angustiosos, nas sequenciais lembranças ruins que cansaram de lhe roubar o sono da noite, nos traumas, nas frustrações, nas desilusões, nos abusos, e no sentimento de abandono que insistia a todo custo acompanhar seus antigos relacionamentos. 
    “Eu sinto que eu sinto excessivamente…” Ela recordou dos diagnósticos da terapeuta, os braços circundando o corpo nu coberto pelo cabelo molhado, enquanto expressava um choro sendo reprimido no intervalar de cada respiração. “ Pelo amor de Deus Linda, me diga o que está acontecendo com você? Foi algo que eu fiz? ” Ali, já sentada no chão, ela encontrou auxílio apenas nos ensinamentos fraternos ouvidos desde a infância pelos pais e tios, nas lembranças das falas solidárias que adentrando madrugada a fora pareciam nunca esgotar os diálogos entre os amigos, nas orações que ouviu na igreja, na Palavra que proferiu na solidão do quarto, nas recordações da paz desfrutada entre as meditações diárias.
    “Eu não fui totalmente sincera com você Marcos…”  Aconchegada sobre a cama, com os braços firmes em abraços dando voltas nos joelhos, Linda Harumi voltava a derramar pequenas lágrimas alinhadas com um sentimento palmilhando cuidadosamente as escolhas das suas palavras, ladeando os suspiros irreprimíveis, margeando as confissões que sofregamente ela revelaria a seguir: “ Me perdoe a maldade que fiz a você Marcos … Eu não deveria ter te envolvido nisso... ” . Confuso e ficando angustiado, Marcos se manifestou: “ Que maldade você fez para mim Linda? Por acaso isso é alguma brincadeira? Putz, realmente não estou entendendo nada…” 

    Limpando as lágrimas com as bordas do roupão, e lutando inutilmente consigo para empoderar o próprio semblante, Linda não pode sintonizar-se com o brilho confuso emitido pelos olhos dele, e aos soluços, confessou aos prantos: “ Sou uma mulher casada Marcos… Sou uma mulher casada…! Me perdoe esta grande maldade! ” Portanto, como ele nunca imaginou vivenciar uma situação como aquela que ela também demonstrou ao longo da noite, ter na alma e no corpo a âncora ancorada nos refrigérios das paixões reavivadas, Marcos Hayashi sem saída, e não tendo outra alternativa, passou a cultivar um silêncio de início ensurdecedor.

    Ainda aos prantos, ela insistia: “ Me perdoe Marcos! Te encontrar foi um tipo de presságio, milagre, sei lá, mas que está sendo um refrigério indescritível pra mim. Meu mundo está desmoronando e não sei o que fazer…” Ela suspirou e prosseguiu: “Ontem a noite brigamos feio, saí sem rumo, perdida, só queria tomar um ar, daí eu te vi e…” Com o rosto cabisbaixo, escolhendo cuidadosamente as frases e picotando palavras julgadas desnecessárias, Linda Harumi demonstrou, apesar do corpo ainda envergado, vestígios de uma coragem crescente que de fato a ajudou a voltar-se para ele e encará-lo nos olhos “ Marcos, por favor, fala alguma coisa…” 

    Após liberar uma golfada de ar, Marcos mantinha seu silêncio enclausurado no corpo nu debruçado sobre as bordas da janela. O rosto se aquecendo rebelde ao sol, a íris se acostumando a luminosidade adentrando o ambiente, e a cabeça sendo sustentada pelo apoio de uma das mãos vacilando o peso da mesma para ambos os lados. Vagarosamente, ele inspirou e respirou sequencialmente respeitando as pausas profundas, profundas pausas ante o absorver do ar denso e gelado parido no encontro dos vendavais noturnos da noite de outrora, com as névoas advindas das montanhas distantes. Acendeu um cigarro e abraçou-se. Na verdade, abraçou-se como nunca antes tinha-se abraçado, e chorou. Conseguinte ao enxugar das lágrimas, mergulhou mergulhos em seus pensamentos mais confusos e, após longos minutos inerte com o olhar mirando o nada diante de si, submergiu do seu mundo interior transbordando de lá, o alívio alentador das inocências que inocentaram a aura já se sentindo generosamente liberta do inundar intrépido de sentimentos esvoaçados. 

    Serenando o semblante agora esvaziado das angústias que o cerraram a face, ele expurgou-se de todas as culpas e, voltando-se a se alimentar de pensamentos carregados de amor, encapsulou-se por completo em auto perdões contínuos que, abrilhantando seu olhar, resguardou a psique que lutara ferozmente para voltar a se equilibrar. Interiormente, Marcos Hayashi, já naquele início de manhã avançada, se anestesiava no horizonte das primeiras movimentações iminentes vindas do comércio iniciando suas atividades, dos passos descompassados dos transeuntes cruzando ruas e calçadas, e enquanto uma brisa suave passeava reconfortos em seu rosto, seus ouvidos antes consumidos naquela rotina vibrando desgastes, adorou todos os sons sobrevindos até a janela, principalmente dos automóveis a transitar velozmente, segundos seguintes a semáforos totalmente esverdeados.
  • 31

    Uma certeza eu tenho, existe um tipo de pensamento que está comigo o tempo todo. Esse pensamento eu apelidei de “31”. Eis que você deve estar se perguntando: “Por que e o que é 31?” Pois bem, irei explicar.

    31 é aquele pensamento que está comigo o tempo todo e a todo momento. Este é você e provavelmente você ainda não entendeu o porquê desse apelido incomum.

    O que você tem a ver com 31? É simples, você está nos meus pensamentos 24horas por dia e 7 dias por semana, logo, 24+7=31. Todos os momentos com você são como feriados, calmos, tranquilos e alegres.

    Às vezes me pego pensando em ti do nada, às vezes quando acordo e por fim, quando irei dormir. Nós somos jovens cheios de energia d aprendemos a nos curtir cada vez mais. Deve ser a convivência, eu não conseguia ser assim tão ativo antes.

    Mesmo que não estejamos próximos fisicamente nossos espíritos estão conectados, tenho certeza. Pode não ser literalmente em tempo integral mas deu pra entender o recado rsrs.

  • A arte de se ter um dom

    Eu queria ter um dom. Não sei, sempre fui apaixonada por desenhos. Já tentei diversas vezes desenhar, nunca deu certo. Já tentei tocar violão, mas sou canhota e meu professor é destro, nossa relação nunca teria dado certo.
    Quando eu era pequena, fazia aulas de teclado na igreja, eu adorava. Não me lembro porque parei, mas depois nunca mais e hoje já nem chego perto de um teclado.
    Recentemente, me veio a vontade de escrever, mas acredito que isso também não seja meu forte. Comecei até a escrever um livro, alguns anos atrás, mas perdi o gosto pela história e ela se perdeu entre tantos documentos do meu computador.
    Hoje, eu acredito que só me resta o dom de sonhar. Sonhar com dias melhores, com pessoas sorrindo, dons concebidos... É, acho que a arte do sonhar, essa eu domino. É a minha gasolina, é o meu oxigênio; não era bem o que eu queria, mas querer não é poder e eu sei que, pelo menos, quem tem o dom de sonhar, tem o dom de realizar.
  • A Carta Gelada

    Às oito e meia da noite, em um sábado, eu estava sentado no sofá, assistindo a um filme, e com um tigela de cereal ao leite sobreposta ao meu colo. O estado de profunda concentração me pungia naquele momento, e meus olhos acompanhava inflexivelmente os movimentos surreais de um serial killer prestes a desligar mais uma vida. Nesse momento, eu ouço um batuque que não fora oriundo da TV, e que aos poucos se repetia ritmadamente. Após alguns segundos guiando a minha audição, percebo que era alguém batendo na minha porta. Confesso que senti um arrepio nas espinhas, e que quando percebi do que se tratava, acabei derrubando a tigela e molhando o tapete. Desdenhei o meu deslize e fui apressadamente até a porta. Receoso em falar algo, olhei pelo olho-mágico, só que esse estava quebrado. Não encontrei palavras no momento, e minha tensão estava aumentando feneticamente. O batuque não parava de se repetir. E eu resolvi interrogar: 
    —Quem é ? 
    O barulho cessou, e o silêncio reinou. Senti um choque profundo, um sensação de taquicardia apertada, um gosto de sangue. Era a sensação de temor misturada com perplexidade. Eu resolvi, perguntar novamente: 
    — Quem é que está aí? 
    E nada a não ser o grito melancólico do silêncio, um som abafado e chiado ao meu ouvi. Neste momento, inquirições estavam se chocando contra minha pisque. Quem será que está uma hora dessa batucando a minha porta? Se fosse algum conhecido, certamente, me ligaria ou então, falaria. Posto isso, resolvi dar de ombros, aliviando a minha mente com a ideia de alguém ter errado de localidade devido à embriaguez ou algo do tipo. 
    Fui até a geladeira, pensei em pegar um suco, mas achei melhor uma cerveja para aliviar a tensão. O chão da sala estava todo lambuzado, e minha janta já não me pertencia mais. Perdi a fome, por mais que o fastidioso despejamento de adrenalina no meu sangue tivesse gastado energia, o medo incutido momentaneamente perfez-me a omitir o desejo por comida. Eu não tive a menor intensão de limpar a sujeira. Perdi a vontade de terminar o filme. Na verdade, não perdi a vontade, apenas, cenas de suspense e insanidades são iriam acalmar meus ânimos. 
    Liguei o toca disco, coloquei uma música animada, repousei meus ossos sobre o sofá e, assim, resolvi abrir a cerveja. 
    —TOC. TOC. TOC... 
    O batuque voltou e desta vez mais agressivo. Nem sequer abri a cerveja. Tive um susto mais avassalador do que antes. E desta vez, senti que algo ruim iria acontecer. Preconizei-me a ligar para polícia. Pedi urgência na ocorrência, e fui aconselhado de evitar ficar perto da porta. Subi apressadamente às escadas e, assim sendo, resolvi me trancar no quarto, e ocupar-me a atentar aos batuques. Cada batuque, cada segundo, estava exaurindo a minha sanidade. Eu não estava aguentando mais. Era uma pressão aterradoramente cruel. Estava com a visão vertiginosa, e uma tontura me eivou. Senti calafrios. Não era mais nervosismo, era o medo que me possuíra. Eu escutei um estrondo, e ademais, seguiu-se apenas o som da música de vinil que tocava lá em baixo. Presumi que entraram na casa. Não sabia o que fazer. Pensei que era melhor pular da janela. Forcejei sem resultados, a embotada ferragem, que impedia a minha fuga. Maldita hora em que troquei o ar fresco pelo ar condicionado. 
    Passei um tempo, procurando algo para quebrar a janela. Nada. Essa palavra resumiu meus esforços. Peguei meu sapato, e agredi impiedosamente a janela, e essa parecia rir da minha cara. Nem um arranhão. Foi quando eu tomei a decisão mais tresloucada da minha vida: choquei-me com toda a angústia e frustração do momento contra a estorva. Uma certeza eu tinha: ou eu acabo com ela, ou ela me acaba. Contudo, sai vitorioso entre aspas, pois, embora eu tivesse fragmentado o vidro em imensuráveis cacos, os cacos dilaceram-me em cortes excruciantes. E ainda, uma queda do primeiro andar me fez sentir como a gravidade me ama. 
    Quando eu caí lá fora, me escondi em umas árvores. A penumbra dava arrepios. A única luz que tinha era a luz de um poste próximo a minha casa. Eu estava às espreitas tentando vislumbrar quem batia na minha porta. Ninguém? fiquei sem entender. Ninguém estava batendo na minha porta. Eu me levantei e fiquei surpreso. Circundei a minha visão em trezentos e sessenta graus e não avistei nada. Apenas uma coruja crocitava em um rododendro ao lado da minha casa. Senti uma gélida friagem acariciando a minha face. Resolvi sair dos arbustos e encaminhar até minha casa. Por garantia resolvi caminhar em derredor a casa para se certificar de que ninguém além de mim estava ali. Quando fui até a porta, eu me perguntei: cadê a chave? Realmente me lasquei. Pensei em forcejar a porta. E nada. A porta por mais velha que fosse, era bastante resistente. Tentei subir pela fachada na frente. Só que não obtive sucesso. Quando retornei a pontapear a porta, a polícia acaba de chegar. Eu pensei, até que fim. A polícia mandou eu colocar a mão na cabeça. Eu clamei dizendo eu sou o dono da casa. Não sou criminoso! Os agentes insistiram com a arma apontada. Eu disse eu me recuso a ser preso. Levei um choque e acabei sendo prezo. 
    No caminho até a delegacia, eu expliquei todo o ocorrido e eles não comentaram nada. Na delegacia, fui questionado várias vezes. Estava exausto, abatido, machucado e, dessa vez, faminto. Contei até onde pude. Disse que foi um tremendo engano. E no dia seguinte fui liberado, realmente constava no sistema o meu nome como proprietário. 
    Caminhei desconsoladamente, fixando meu olhar no chão. Mergulhei num estado de profunda introspecção. Estava com raiva e deveras frustrado. Pensei, será que sou doido? Será que estou vendo coisas? Essas reflexões infindáveis foram vertidas em remorso ao ver a porta da minha casa aberta. Roubaram minha televisão, meu toca disco, minhas cervejas, vários pertences. E eu estava fumegando de raiva. Não só tinha perdido a noite, como também várias coisas; até a minha dignidade. 
    Tentei acalmar meus ânimos. Esforço em vão. Então achei melhor arrumar a bagunça, pois só o tempo iria mudar meu humor. Vasculhei na geladeira algo para comer e, misteriosamente, encontrei uma carta dentro do congelador. Estava petrificada, parecia que estava ali a muito tempo. Caramba, que maneira fria de me entregar uma carta. Abri a carta, e tive a maior surpresa da minha vida: 
    "Feliz aniversário." 
    Era o que estava escrito. Foi quando eu me dei conta de que era o dia do meu aniversário. Um dia que começava bastante angustiante. E essa carta só me trouxe raiva. Que se dane o aniversário. Estava muito mais preocupado com minhas coisas perdidas do que com essa carta infame. 
    À tarde, comemorei meu aniversário comendo um sanduíche com suco, e depois, fiquei sem fazer nada. Sem TV, sem música, sem cerveja, e, acima de tudo, com as feridas latejando. Sem dúvidas, o pior aniversário da minha vida. Às seis horas da noite, estava quase dormindo, quando alguém bate em minha porta. Eu me levantei exasperado e fui até a cozinha, peguei uma faca e um bastão de massas, e resolvi abrir a porta sem delongas. Tive um grande choque. Quem batia na minha porta não era criminoso, nem era ladrão. Era simplesmente um bêbado que errou de casa e me pediu desculpas. Não sabia se ria ou se chorava. 
    No dia seguinte, às noves da manhã, decidi ir ao mercado. Quando abri a porta para sair, e ia saindo, acabei pisando em alguma coisa. Foi então que vi que era uma flor, só que abaixo dela tinha uma carta. Olhei de um lado para o outro, não avistei ninguém. Peguei a flor e a cheirei. Que aroma inigualável. Olhei a carta, muito velha a princípio, e a abri. Li recitando-a em voz alta. 
    Meu Deus! Comecei a chorar e não acreditei no que via e no que escutava. Senti um arrepio profundo. A carta datava 4 anos atrás e dizia: 
    " Hoje, meu filho, é o dia em que você completa mais um ano de vida e eu quero lhe dizer que mesmo antes de você nascer eu já o amava. Quando você nasceu foi uma alegria imensa, tanto para mim como para todos os que o rodeavam. Você cresceu, e se tornou este grande homem que és. Nunca deixe que os problemas da vida afetem seu vigor. Viva a vida. Seja feliz! E nunca se esqueça da sua mãe. Venha me visitar quando puder. Eu estou com saudades. 
    Te amo filho. 
    Da sua Mãe, Regina! 
    09/11/1984 " 
    Eu fiquei muito perplexo. Minha mãe morreu exatamente a quatro anos atrás. E esta carta estava datada no dia do meu aniversário. Quem será que me enviou esta carta? Pensei que foi o correio que tinha enviado em virtude de atrasos. Mas que atraso! 
    Fui até o correio procurar saber se entregaram algum lote de cartas extraviadas ou algo do tipo. A minha busca confirmou a minha hipótese. Realmente teve um lote fora extraviado a muito tempo. Depois de anos de investigação e processos judiciais, o correio teve que reentregar o máximo possível do lote. Eu fiquei extasiado. Quanta consciência! Ainda estava com dúvidas, se realmente foi o correio que me enviou ou foi outra pessoa que me enviara. Talvez alguém da família. Mas que família? Não tive contato a anos, embora soubesse algumas localidades. Eu acho que ninguém iria ligar para o meu aniversário. Mas e a flor? como foi parar lá? 
    Alguns questionamentos foram levados fixamente durante o percurso de volta a casa. Quando eu cheguei, pela primeira vez, vi uma coisa tão obvia, que de tão obvia acabava não sendo vista. Ao lado da porta tinha uma roseira florida e que nunca me dei conta de apreciar a sua beleza. E assim deduzi que provavelmente a carta, pelo fato de não ter caixa de correio, até porque nunca precisei, fora colocada por baixo da minha porta, e logo, o vento poderia ter puxado a carta para baixo e, inusitadamente, derrubado uma flor da roseira. Que vento! Uma explicação racional mas com pitadas surreais. Ironia do destino ou obra do acaso? Fiquei muito intrigado, até porque, quem colocara aquela outra carta no congelador. Talvez em um aniversário atrás, eu estivesse recebido uma carta e em virtude de embriaguez ou cansaço, acabei fazendo algo sem consciência do ato. Mas tudo como se desmembrou foi algo inacreditável para mim. E, portanto, pesou profundamente nos conselhos que minha mãe me deu. Decidi reavaliar meus atos. Prestar mais atenção nas coisas simples. 
    Eu vivia uma ironia curiosa, quanto mais detestava a vida, mais temia a morte. Desde que eu perdi minha mãe, solidão foi sempre companheira. Eu estava em uma ilusão profunda. Eu via o dia e não a luz sol. Eu via a noite e não o luar. Eu via a terra, mas não via as flores. Eu via os frutos, mas não via os sabores. 
    Pode não ter sido o melhor aniversário que tive, mas sem dúvidas será o aniversário mais inescurecível. Eu sempre fui medíocre, conformista e sem virtudes. Sempre receei a loucura. Mas estava muito enganado, ser louco é uma virtude que poucos alcançam e muitos temem. Decidi então, viver como ninguém viveu, sonhar como ninguém sonhou, ser o que ninguém foi: simplesmente, ser alguém original.
  • A escuridão e a Luz

    Cada canto do meu chalé era uma alma perdida, Uma alma de quem quer nada com a vida ! Mas quem sou eu para dizer umas coisas dessas ! Alias oi ! Eu me chamo Grabriel Di angelo filho do semideus Nico Di angelo que é filho de hades..ou seja hades é o meu vó ! Puff da na mesma ! 

    Sempre fui apaixonado por um filho de Apolo chamado Felipe ! Felipe averls ! Mas ele tem namorada e nunca me repara ! Alias quem repara no neto de Hades ? Ninguem. 

    .......

    Finalmente o toque do recoler...Uma tronbeta que Quiron feiz para Mandar o povo pros seus chalés ! Diz ele que é melhor do que ficar grirando que nem louco mandando o povo ir dormir ! Me lembro desses dias, Confeço que até que me dovertia vendo aquilo ! Mas em fim...vou pro meu chalé quando entro percebo que algo está estranho...A porta do banheiro estava aberta..pingos de aqua podiam ser ouvidos...uma estranha gosma vermelha aparecia nas paredes ! Escuto a porta atrás de mim ser fechada muito forte..as luzes do local de dentro do meu chalé estavam apagando ! Isso deveria ser normal pro chalé de Hades ! Mas...isso nunca aconteceu ! 

    - Quem é está ai ? - digo 

    Do nada escuto uma risada ! 

    Kkkkkkkk - risada de garota 

    - Ta bom ! Clarity pare com essa brincadeira sem graça ! - digo

    Clarity é uma meia-erma minha ela ama me zuar ! Mas depois que falei aquilo ficou um total cilencio..e me senti como se estivesse sendo observado...do nada do lado de fora escuto alguem bater desesperado na porta

    - Grabriel saia da i ! O mais rapido o possivel ! O chalé está amaldiçõado ! - diz a garota do outri lado da porta

    - Clarity ! Dessa veiz eu não caio ! Alias aqui é o chalé de Hades! Oque de mais pode acontecer ! - digo

    Clarity - Não estou a brincar ! Tem mesmo um monstro ae ! Escontre uma saia imediatamente

    E do nada vejo uma sombra muito enorme da minha frente ! A unica coisa que consigui fazer foi gritar

    - AHHHHHHHHH 

    Apago ! 

    Clarity on

    - Gabriel ! Gabriel ? - digo

    Droga ! A porcaria do centauro modificado deve ter o pegado ! E pior ninguem conhese os poderes da quele centauro ! Droga ! Preciso imediatamente avisar Quiron ! 

    .......

    Quiron - Mas como você soube daquilo ? 

    Clarity - Eu estava vindo da lanchonete quando vi um centauro meio humano e meio serpente com chifres indo em direção ao meu chalé ! Nico estava lá ! Infelizmente antes deu chegar a tenpo o maldito centauro ja tinha chegado antes de mim ! E dai tudo que eu podi ouvir foi um grito do Di Angelo ! 

    Quiron - Droga ! Avise ao felipe quem sabe ele pode ajudar ! Clarity farei o meu possivel ok ?

    Clarity - Ok 

    ......

    Agora aqui estou eu, na frente do chalé 7 ! Preste a chamar o felipe o garoto no qual gabriel gosta ! Sim ele me disse isso....safadenho aquele garoto kkkk
    Em fim, Bato na porta e logo em sequida vejo " Anna" a namorada dele (Autora - Anna é filha de afrodite) me olhar com uma cara de que - Oque uma Francis está fazendo aqui- tenho certeza que esse era o pensamento da patricinha

    - Clarity Francis ! Oque faiz aqui ? 

    Clarity - eu que te pergunto ! Mas em fim ! Preciso falar com o teu "Namorado" de quinta ! 

    - ele está dormindo

    Clarity - o acorde ! É importante ! 

    - Nem se os deuses quiserem ! 

    Clarity - o sua puta ! Se você não acordar aquele desgraçado eu vou te meter um soco nessa sua cara de santa que vai fixar até roxo !

    - hm...está bem 

    Era bom saber..que eu botava medo nas pessoas...

    ......

    Felipe - ELE OQUE ? 

    Clarity - Que saco Alvez Jackson ! Ja disse o meu irmão quer dizer meio irmão Sumiu ou não por um sentauro modificado 

    Felipe - Aonde ele está ? 

    Clarity - Parece preucupado ! - digo dando um sorriso, quem sabe Gabriel x felipe existe ! (A/n - eventem um nome pro shipp) 

    Felipe - Esqueça ! Só me fale aonde ele está

    Clarity - a ultima vez foi no nosso chelé de Hades 

    ....
    ..
    Gabriel on

    Ae minha cabeça...sinto como se tivesse levado uma batecada de panquecas na minha cabeça...se bem que panqueca é bom...ok to esquezito...hm..espera esse não é o meu chalé...olho em volta e percebo que estou numa enfermaria ! Mas oque aconteceu ? Eu não me lembro de nada ! É como se eu tivesse esquecido de tudo ! 

    Clarity - Finalmente ! 

    Mas me lembro dela !

    - Cla...oque aconteceu ?

    Clarity - um centauro te atacou e dai o felipe foi lá e te ajudou

    - F-felipe..Quem é esse tal de felipe ? - digo confuso

    Clarity - Gabriel não brinque com isso !

    - Brincar com oque ! - digo

    Clarity - Não pode ! Você está com amnesia ! 

    Fim do cap 1
  • A ideia comprometida

    Moscas tem a percepção de tempo diferente da dos humanos. Essa frase é algo que eu escutei muito quando era criança e sempre duvidei. Pra mim isso não fazia o menor sentido, o tempo é algo absoluto que todos estão vivenciando simultaneamente. Eventualmente, quando eu estava um pouco mais velho e tinha mais acesso à informações, eu acabei encontrando a explicação para isso, aparentemente tinha algo a ver com os olhos das moscas processarem as imagens mais rapidamente, especificamente 250 flashes por segundo, enquanto nós, humanos , processamos a apenas 60 flashes por segundo. Isso me deixou fascinado, e talvez até mesmo obcecado, fazendo com que eu começasse a ter diversas ideias de como isso teria impacto se fosse controlado pelas pessoas, que tipo de benefício seria capaz de ser obtido através dessa tecnologia, se algum dia ela fosse possível. Com isso eu comecei minha carreira de estudos para chegar onde estou hoje, eu me esforcei muito, sempre mantendo minhas ideias e teorias em dia, até conseguir me tornar o que você pode chamar casualmente de cientista, para não ter que entrar em detalhes.
    Hoje em dia eu faço de tudo para conseguir tornar essa tecnologia viável, mas obviamente também trabalhando normalmente, pois ninguém vive apenas de ideias.
    Atualmente com 32 anos, eu sou casado e sem filhos. Durante toda minha carreira poucos amigos continuaram ao meu lado.
    Hoje, 26 de março de 2027, é apenas mais um dia comum de trabalho. Eu acordo ao lado de minha esposa, Emma, e vou tomar banho. Saindo do banheiro ela já está acordada fazendo o café da manhã, que a gente come assistindo TV.
    No jornal da manhã está passando uma notícia sobre a primeira inteligência artificial a conseguir manter conversas fluídas e originais, sem influências externas, apenas uma semente que germinou e vem se alimentando sozinha de informações pela internet. Vendo isso, Emma comenta:
    -Daqui a pouco não vai mais existir diferença entre humanos e robôs.
    -Realmente, esse tipo de tecnologia deveria ser desenvolvida periculosamente, e não simplesmente jogando toda informação do mundo em cima dela. Isso realmente é perigoso
    Com isso, eu acabo de comer, me arrumo, e saio para trabalhar.
    Meu dia passa rapidamente, nada de interessante acontece na minha rotina de trabalho, apenas o de sempre.
    Novamente em casa, eu janto com Emma e vou para cama ler antes de dormir. O livro se trata de um suspense sci-fi, como qualquer outro clássico jogo de gato e rato, é apenas uma história de perseguição. Durante a leitura algo me chama a atenção, o protagonista, para ajudar em sua busca, recorre ao uso de diversas câmeras que, segundo ele, tem a mesma a capacidade de um olho humano e uma perspectiva de um olho de mosca. Isso me dá algumas ideias, que eu apenas anoto pois está tarde e eu não conseguiria as desenvolver com sono.
    Hoje eu acordei ansioso para rever as ideias e tentar tirar algo delas, mas como meu trabalho existe, isso acaba ficando pra mais tarde.
    Durante o café da manha eu conto para Emma sobre essas ideias e ela diz:
    -Quem sabe você consegue finalmente criar essa tal tecnologia que você fala tanto sobre.
    -Ah eu espero que sim, estou com isso na cabeça desde criança.
    E então eu saio novamente para trabalhar.
    Finalmente em casa, eu vou direto pegar meu caderno de anotações onde eu escrevi minhas ideias.
    A principal, a qual eu considero mais plausível, era a de que, já que a causa dessa diferença era a visão, eu vou simplesmente recriar os olhos de uma mosca. Por mais caro que isso pareça, se eu conseguir discorrer essa ideia publicamente de uma boa forma, eu vou conseguir os certos investidores. Pensando mais a fundo eu chego a conclusão de quem seria o investidor. Por mais que eu recriasse os olhos, pela perspectiva humana, tudo continuaria na mesma velocidade, então o objeto teria que ter inteligência própria, obviamente controlada por nós, para poder usufruir de sua “habilidade temporal”.
    Depois de dias criando um texto para ir a público, eu finalmente o divulgo. E a empresa perfeita vem fazer contato. A mesma empresa que havia criado a inteligência artificial que eu tinha visto outra manhã.
    A ideia do objeto precisar de uma inteligência própria foi o que, obviamente, iscou a empresa. Eu sabia que tudo aquilo era simplesmente por dinheiro, mas não tinha problema, eu só quero ter meu sonho realizado.
    Depois de ser contatado, eu fui chamado para a sede oficial deles, para poder se aprofundar mais sobre o assunto e, quem sabe, chegar em algum contrato. E é exatamente isso que acontece, eles disseram que iam fundar meu projeto, elogiando a ideia, que, por mais obvia que fosse, ninguém nunca tinha pensado dela.
    Nesse dia eu chego em casa e comemoro com minha esposa.
    Passam-se anos, eu largo meu emprego pra poder me esforçar ao máximo no projeto, e finalmente, nós chegamos ao primeiro protótipo. Por mais que eu tivesse tido ajuda da empresa, a maioria da parte técnica foi desenvolvida por mim. E quando eu vi aquela pequena criaturinha de metal levantando voo, com sua própria inteligência, e conseguindo desviar de tudo que se aproximava dela, como uma mosca real, eu chorei. Finalmente meu sonho estava realizado, pode parecer bobo, um sonho que aparece aleatoriamente e se prende a minha cabeça, e agora eu estou chorando por causa dele, mas finalmente aconteceu.
    -Isso é um passo enorme para a humanidade - disse o CEO da empresa
    -Realmente, mas qual será o uso dela - eu respondi, mesmo depois de todo esse tempo trabalhando nisso, eu nunca pensei sobre seu uso, eu só queria a tornar possível, e eu sabia que existia uma ideia de aplicação, já que ninguém investiria em algo tão pesadamente sem ter planos na cabeça.
    -Primeiramente segurança, obviamente, já que com isso nós temos uma pequena câmera indestrutível e, logo menos, camuflada. Ela pode ser usada para infiltrações ou coisas do gênero.
    -Não é uma má ideia - eu digo
    -Mas isso não é tudo, depois que essa fase de segurança passar, nós avançaremos para a próxima.
    -E qual seria essa fase, senhor.
    -Militar, oras, não está obvio? Com ela nós podemos criar uma grande vantagem de combate em relação a outros países. Imagine ter um espião praticamente invisível nas forças inimigas. É algo que seria impensável se não fosse por você. Bom trabalho.
    -Mas eu não criei essa tecnologia para machucar os outros, era apenas para realizar um sonho.
    -E agora ele já está realizado. O resto está em nossas mãos, e quando o governo ficar sabendo disso, ele vai pagar uma grana preta para nossa empresa, e então estará tudo nas mãos deles. No fim todos nós lucramos e nosso país se tornar uma potência ainda maior, não tem perda nesse plano.
    -Eu não acredito nisso.
    -Não precisa acreditar, o pagamento pela sua parte já foi depositado em sua conta, agora saia daqui antes que eu me arrependa de te pagar, pessoas que me contrariam me estressam.
    E então, com meu sonho realizado e sem nenhuma opção de poder continuar lá, eu saio daquela empresa e nunca mais volto. Eu fico sabendo sobre seus futuros projetos, de como eles conseguiram chegar a um produto final, sem ter de continuar usando protótipos, mesmo sem minha ajuda.
    Depois de muitos anos finalmente acontece o prometido, é anunciado na TV a compra dessa tecnologia pelo governo, que sem mais nem menos anunciou que o uso seria militar.
    Tudo que eu tenho pra fazer agora é ficar em casa vendo minha tecnologia sendo usada da maneira errada, sem poder reclamar, e pensando em como nem todo sonho tem seu final feliz quando é cumprido.
  • A LIÇÃO DE JL

    (Duas mil e cem palavras, doze minutos de leitura. Vai? Então vamos. Se não for, a amizade é a mesma).
    Ainda bem que eram aparas de grama. Algo mais sólido teria machucado o pé e adeus o joguinho de futsal.
    Idiota. Se enxergue, menino. Nunca viu mulher não, moleque?
    Desculpe, moça. É que...
    O humilhado travou a explicação, já que a deseducada não o ouvia: mal calçou a arrogância e já saiu pisando a urbanidade, como se o gesto de encantamento do moleque fosse fugitivo de uma mente maligna.
    Que anta é uma, avaliava o moleque, despejando as sobras do jardim numa carroça de entulhos e dirigindo-se para a Sede dos Campeões. Idiota! Idiota se a sacola tivesse caído nos pés dela. Mas seria compreensível, pois dava para ela imaginar que eu não tinha tido a intenção. Foi meu olhar bater nela e a sacola cair junto com o queixo. Fazer o quê? Mas fui idiota por ter pedido desculpa sem necessidade. Mulher ignorante da bexiga. Quem será? Conheço todo o mundo daqui e... Ah, é ela. É isso. É a filha dos donos da fazenda, a tal da JL. Gostosa e linda, mas cu doce, costumam dizer meus colegas. Rica e famosa, mas ingrata. Passa um tempão sem visitar os pais. E nem é tão bonita. Não sabemos o que vocês veem que ficam virando a cabeça para o rabo daquela coroa, reforçam as meninas.
    O moleque Bião - moleque de dezoito anos - chegou à Sede dos Campeões pensando na insultuosa coroa - coroa de trinta anos. A Sede dos Campeões abriga tudo. Exceto troféus disputados na região. Mas há que se reconhecer o esforço da rapaziada do futsal. E o da mulherada do vôlei.
    Bião cortava as frutas do pós-jogo, lembrava-se da moça e bolava uma brincadeira para o quadro de aviso. Escreveu “HÁ UMA ANTA PASTANDO POR AQUI”, mas apagou em seguida, pois temia perguntas e chacotas. As gozações seriam alimentadas entre talhadas de mamão e rodelas de abacaxi. Melhor deixar o assunto só entre ele e a anta. Riu, escreveu algo numa folha de papel e saiu. Daria um jeito de se encontrar com a anta. Diria umas verdades e entregaria o papel. Estava se lixando para a perda do emprego, senão naquela tarde/noite, mas certamente na manhã seguinte, sábado. Jardim na região é que não lhe faltaria para cuidar.
    Bião saiu e foi logo vendo a moça caminhando na área das piscinas. É agora. Contornou a quadra de vôlei e, em minutos, estava na frente dela:
    Sabe, doutora, a doutora mandou eu me enxergar e me chamou de idiota. Idiota é a doutora. A senhora pensa que é rica e doutora, mas é pobre e analfabeta. A senhora é uma anta. Mas não se preocupe, doutora. Esse papo fica entre nós. Não sou fofoqueiro. Agora tome esse papel e pregue nos peitos.
    Bião pintou o desabafo e saiu descolorindo o cavalheirismo. Mesmo assim se controlou e não respondeu com o dedão estirado à pergunta como se chama, moleque?
    É PROIBIDO OLHAR PRA MIM, esse era o escrito do Bião.
    Que garoto insolente! Mas mereci a censura, reconheço. O pestinha ergueu o olhar, passou segundos no meu decote e o sinal de homem já me acenava. Agradeci-lhe a distinção com bofetão, essa é a verdade. E estrategista. Esse papo fica entre nós. Quer dizer que se eu não espalhar o desaforo dele, o meu igualmente não se espalhará. Estrategista de personalidade. Que danado! Deixa pra lá.
    A moça deixou o assunto pra lá e, na tarde seguinte, a do sábado, deixou a fazenda, segundo uma das serviçais numa roda de colegas:
    Agora vocês sossegam o facho. A não me toque saiu agorinha para o Aeroporto Leite Lopes. Foi pegar o avião para São Paulo. Conhecesse ela, Bi? Ontem à noite ela estava perguntando à mãe como era o nome do jardineiro. Eu, hein!
    Bião ficou preocupado, naturalmente. Despreocupada estava a “não me toque”, no apartamento dela, ao ferver o leite da janta. Esperava o leite subir, e as conexões mentais, doidas para se amostrarem, submergiram:
    Está fresquinho. Tome, minha filha. É de cabra.
    Ah, mãe. Ainda vou à fazenda em virtude de meus pais. Os parentes, ave! Ridículos! Só querem saber de rir, comer e beber. Falam errado que é uma beleza. É gíria que dá nojo. Não fazem um curso de especialização, não ligam para estudar outra língua, nada. E as moçoilas? Metidinhas! E os homens? Sem futuro é o mínimo? Enxeridinhos! O marido de minha irmã, então! É Doutora Joelma pra lá, minha cunhada pra cá. Irrita! Tão irritante e acomodado quanto o meu ex-marido. Por isso que me separei com cinco meses de casada. Mas tem hora que sinto falta dele, admito. Principalmente na cama, embora ele tenha me decepcionado. Não sentira nada de espetacular nos dois homens que tinha conhecido e julgava que com ele seria diferente. Era bom, mas não era lá essas coisas. Vai ver que a culpa é minha. O consolo é que não me vejo fria. Se fosse, como explicar os momentos de mormaço? Mas logo o calor passa. Vou ao banheiro e pronto. Tomo banho e volto levinha, levinha para a cama.
    Subido o leite, recolhidas as conexões, descida a janta, dentes escovados, Joelma se deita. Precisa dormir bem, pois na tarde seguinte, a do domingo, viaja para Londres. Para acariciar o sono, liga a tevê e escolhe a BBC de Londres. Logo adormece.
    Dormiu feito criança.
    E como criança acordou.
    Que é isso? Xixi? Fiz xixi na cama?
    Vasculha a memória, rir, gesto raro, e pensa em se banhar. Pega o controle da tevê a fim de desligá-la e se assusta: não entende o linguajar do repórter, tampouco sabe ler as letrinhas passando na tela. Fecha os olhos, suspira e torna a olhar: tudo na mesma. Muda de canal. Alemão, francês, inglês: a mesma coisa. Esfrega os olhos, dá um tapa no rosto e sintoniza a Globonews: entende o português da repórter, mas não consegue ler o rodapé da tela. Enche os olhos de lágrimas e vai tomar banho. Banho de ensopar cabelo.
    Deita-se despida, toda molhada, olhos no teto. Procurava uma prece. Não poderia achar. Jamais deu valor a essas banalidades. Repete os procedimentos da tevê: nada mudou. Vai confiante ao terraço: letreiros da rua são garranchos. Dá-se conta de que está nua e retorna com a desconfiança: enlouquecera? Descabela-se. Grita. Esperneia. Precisa de ajuda. Ah, o smartphone. Mandar uma mensagem de socorro. Agora as lágrimas transbordam de certeza: estava louca. Não sabe escrever. Como escrever se não sabe ler? Ainda bem que distingue os números. Puxa pela memória o celular de alguém. Ah, a Cláudia, sua secretária na empresa. Liga aos prantos. Parecia um bebê a pedir os peitos da mãe. Conversam por dez minutos. Cláudia chega dali a quarenta minutos. E dali a meia hora ficava ciente de tudo.
    Cláudia é daquelas pessoas que não sabem estocar palavras. Brincalhona, distribui verdades, mesmo sabendo que, em demasia, verdades podem matar. Cláudia não mede as consequências e saca a métrica íntima:
    Vou ajudá-la, Dra. JL. Antes...
    Joelma, Claudinha. Por favor, amiga, me chame de Joelma.
    Meu “antes” era sobre isso. Escute. Sou sua secretária há cinco anos. Aí o que acontece. Conversamos agora por cerca de meia hora. Ouvi e vi nesse tempinho o que jamais vi e ouvi nesse tempão, Joelma.
    Só restou à assustada Joelma, tal qual uma guria como medo das chineladas da mãe, encolher-se e ouvir o toque-toque das pedras da sinceridade caindo.
    Você não se mistura, Joelma. Nunca me abraçou, nunca me deu beijinhos, nunca me tratou por Claudinha, nunca me chamou de amiga, nunca rejeitou a horrorosa Dra. JL, nunca implorou por Deus, nunca liberou um gracejo, nunca falou uma gíria. Nunca a vi rindo ou chorando. Nunca a vi com alguém, apesar de homens - e de algumas mulheres - viverem virando a cabeça pra você. Nunca...
    Está bom, Claudinha. Pára, mulher. Misericórdia! Você tem razão. Desculpe, interrompeu Joelma, abraçando a nova amiga.
    Só mais uma coisinha, Joelma. Por viverem ociosos, seus sentimentos se revoltaram, decidiram lhe dar uma lição e pediram a cumplicidade do intelecto. Embora orgulhoso de você, o intelecto aderiu aos planos dos amigos e comentou: vocês têm razão. Já estava apreensivo com o estilo de vida dessa moça. Não quero um aparelho sem vida. Essa moça precisa aprender a viver. Faremos o seguinte.
    E o seguinte, Joelma, é o desaprender, é o que você agora está vivendo. Resta-lhe aprender a lição, Joelma.
    Mas entendo a sua angústia. Veja. Vivemos no mundo do conhecimento. Ler e escrever é a nossa rotina. Então, em bela manhã, a pessoa acorda analfabeta. É enlouquecedor, amiga. Seu caso é estarrecedor, já que executiva de renome e falante em várias línguas. Ainda bem que só perdeu a memória da escrita e a da leitura. Sabe, Joelma, a certas coisas a gente só dá valor quando perde, compreende? Como não sabe o que está perdendo, ou nunca perdeu, o analfabeto vive numa boa, não é isso? O mundo deles é outro, entende, Joelma? E é nesse mundo que você está entrando. Mas vai sair, se Deus quiser. Bom, vou ligar para um amigo neurologista. Ele está fora, mas deve nos dar um norte.
    Claudinha passou uns vinte minutos conversando com o amigo, passou o celular para Joelma e começou a mexer noutro.
    Joelma repetia a história e ouvia as recomendações. Terminada a ligação, parecia mais calma. Até sorrir, sorriu.
    Então é isso, Joelma. Vamos repassar as instruções do Murilo. Você vai voltar para Ribeirão Preto, certo? Encontrei um voo para as três horas da tarde. Já comprei a passagem, ok? Vá e faça tudo para esquecer o problema. Aja naturalmente e tente se divertir, tá? Na terça-feira você vem se consultar com o Murilo, ok? Não fale do distúrbio a ninguém. Nem à sua mãe. Apenas eu, o Murilo e o presidente... Sim, você vai gravar uma mensagem para o presidente da empresa. Amanhã, entrego a ele e peço sigilo, compreendeu? Tome o celular. Fale logo.
    Agora ligue para os seus pais, diga que cancelaram a reunião de Londres, que vai ficar mais uns dias com eles, que... Ah, você sabe. Depois arrume a mala. Vou deixá-la em Congonhas. Só saio de lá quando embarcar você.
    Bença, mãe. Você está sendo uma mãezona, Claudinha.
    Deus te abençoe, filha desmiolada. Agora se arrume e arrume a mala. Vamos! Cuide, menina! Vai treinar soletração daqui para Congonhas, viu? Vai precisar duma carta de ABC se o Murilo não alinhar seu quengo.
     Claudinha foi soletrando e pedindo que Joelma concluísse: B com Ó, BÓ. P com I, PI. C com É, CE. C com A, CA. T com U, TU. T com A, TA. E nessa toada chegaram a Congonhas. E a toada não continuou no avião porque Joelma só se lembrava do P com I, PI.
    Certo é que às quatro e meia Joelma estava nos aposentos dela batendo papo com a mãe:
    Sabe, mãe, acho que vou dar umas mergulhadas na piscina.
    Acredito não. Sério!? Também vou. Vamos matar os homens do coração, Jó.
    Então vá se trocar, mulher. Espero a senhora lá.
    De biquíni e canga, Joelma vai à piscina. Mas a mãe chega primeiro, pois a filha fica parando no caminho:
    Ih, pelo visto vai rolar um churrasquinho. Tem picanha, não tem? Tô dentro.
    É claro que o pessoal que preparava o churrasco apenas balançou a cabeça. Seria mesmo a tal da JL?
    Carregando um cacho de coco, manquejando, camisa nas costas, cabelo caindo na testa, Bião ia chegando à Sede dos Campeões quando Joelma o avista:
    Ei, moleque. Espera. Ah, meu pai! Que foi isso? Machucou-se, foi? Coitado. Bote gelo. Quero um coco desses, moleque.
    Entre, vou abrir um dos gelados. Sou o goleiro do time. Levei um pisão. Disseram que a senhora tinha ido pra São Paulo.
    Fui. Mas só pegar uns trecos. Vou passar uns dias com vocês aqui.
    Evitando encarar Joelma, porém impulsionado pela simpatia dela, Bião achou por bem se desculpar?
    Desculpe por ontem. Aquela frase...
    Águas passadas não movem moinho, criatura. Olhe pra mim, homem de Deus. Está com medo de meus peitos, é? Que coisa! Abre o coco, vai.
    Peixeira na mão direita, coco na esquerda, Bião ia passando ao lado dela a fim de encontrar um ponto de apoio para abrir o coco:
    Me dê essa faca, pediu Joelma, tirando a peixeira da mão do atônito Bião. Mirava-o sem pestanejar. O corpo falava. Estava transtornada, trêmula, lábios se mexendo. Arrepiada, nariz aceso, certamente captava o suor do atleta Bião.
    A simpatia era somente ilusão. Ela quer se vingar. Vai me esfaquear. Minha Nossa Senhora. Prestes a correr, o medroso Bião esbugalha os olhos, após a fora de si espetar a peixeira na mesa:
    Vou beijar você, meu lindo.
    Joelma anuncia a tragédia e cai de boca na boca do apalermado Bião. O machucado do pé agrava-se, porquanto o coco ter caído exatamente no pisão do infeliz feliz. A Sede dos Campeões faz jus ao nome e transforma-se em ringue. Campeã e campeão atendem os gritos das conselheiras libidos e saem aos empurrões em busca do encaixe perfeito. Tamanho agarra-agarra haveria de dar no que deu: canga, biquíni e calção rasgados. Em alguns momentos, o combate mais parece um delírio divino, uma dança sagrada, tal a incrível ondulação dos corpos. Corpos que fazem apenas o que deve ser feito um para o outro. Corpos que querem ir além da fronteira do êxtase. Corpos que querem embarcar no plano sutil da experiência mística.
    Querem e conseguem. Quedam-se exaustos. Luta empatada.
    Não houve o “Nossa”! Apenas demoradão olhos nos olhos e um “Ah, moleque”!
    Vou escrever um negócio que é pra você esquecer a minha idiotice de ontem., disse Bião, levantando-se, caminhando para o quadro de avisos.
    Não! Escreva nada não, amor. Por favor, amor.
    Por que não? Vou escrever, sim.
    E escreveu:
    A MULHER MAIS MULHER E A MAIS LINDA DO MUNDO
    BIÃO SILVA (BS)
    Joelma tirou as mãos dos olhos. Bião não poderia entender a voada de Joelma pra cima dele, a cobertura de beijos, o rio de choro e o pedido. Pedido de adolescente:
    Me bota nos braços, amor. Me segura, vai. Joelma beijava Bião e escrevia um tratado:
    O HOMEM MAIS HOMEM E O MAIS GOSTOSO DO MUNDO. OBRIGADA, AMOR. OBRIGADA MESMO. OBRIGADA POR TUDO, VIU?
    JOELMA LIMA (JL)
    É isso.
    Isso, não. O domingueiro churrasco de fim de jogo jamais tinha visto dama mais atenciosa que Joelma. Beijinhos e sorrisos iam com ela para os cumprimentos. E não escondeu que estava namorando o jardineiro Bião. Não podia esconder, pois de quando em quando dava uma golada na cerveja dele.
    É lógico que teve cutucadinhas, sorrisinhos, piadinhas. Mas o que mais se ouvia era certa expressão de júbilo, conquanto parecesse de inveja:
    Ah, moleque de sorte!
  • A nuca

    Não sei por que isso está acontecendo. Beliscando os lábios, retiro pequenos, mas irritantes, acúmulos de muco, ou alguma mutação da saliva, combinada a algo muito específico, não sei dizer. Puxo uma ponta, que segue descamando até se soltar completamente e me deixar em um estado mútuo de repulsa e satisfação, assim como quando esmagamos formiguinhas perdidas nos móveis, ou usamos com muita eficácia o fio dental.
    Meu ritual é interrompido por um giro inesperado, revelando o rosto por trás da nuca que encaro o dia inteiro. O que ela diz é indiferente ao desenrolar da história, mas o jeito que o diz faz toda a diferença. Sua voz é uma criança, portadora de um entusiasmo infantil incontido, mas é também uma sacerdotisa, que sabe que cada toque da sua língua nos dentes produz uma parte do encantamento, e sem falar diretamente, entrega sua mensagem, seu convite que não pode ser dito com eloquência aos ouvidos dos estrangeiros.
    Ela sai. Poucos minutos depois eu também saio. Nos esbarramos, sem antecipação dos eventos, em um confinamento um pouco constrangedor e intimidador, no qual perdura um meio espaço de tempo onde tudo e nada acontece. Travo pela sobrecarga de pensamentos e dúvidas e incertezas, enquanto ela se decide apenas por ir embora, sem cerimônia, sem olhar pra trás. Eu a puxo pelo braço e arrasto pra dentro de um Box, aonde podemos ceder a tudo o que imaginamos diariamente mas não fazemos. E ali nos entregamos ao antigo, ao puro, àquilo que nos acompanha e ao que matamos.
    Retorno ao meu lugar, corrigindo a postura e respirando com cuidado, porque ninguém sabe o que acontece além da superfície. Rabisco qualquer coisa com o olhar vago, absorto, voltado para dentro e para tudo o que se passa e poderia se passar em uma mente tomada por um poder que me era totalmente desconhecido. Diria que tivemos uma irmandade secreta, dividimos segredos velados até de nós mesmas, enquanto deslizávamos pela superfície do que poderia. Crio mais essa memória, escondida de todos que possam mudá-la, até mesmo dela. Retomo a consciência física, e tudo o que mais me interessa ao olhar é uma nuca.
  • Alvorecer ou simples alvorecer

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    O lindo nácar do amanhecer, trazido pela estrela mais próxima.
    As diletas águas de lamentos e tormentos deixados por um ou outro ali. Ondas de felicidade também curvam acolá.
    Comoção causada pelo ralhar da mãe para com um filho aos demais da família.
    Oh, bola que chega a rogar um ou a outro que a toca com a mão ou o pé.
    Tão mimoso o sorriso da criança que o compartilha com bonomia em maçada.
    Uma mulher olha para um homem à socapa. Tenta sem tentar tirar os olhos dos dele. Ele chega e lhe fala parvoíces que a deixa agastada.
    Ela sai, mas a manhã ainda é rutilante. As árvores acordando ao adejar como sinal de bonança.
    O desgrenhado do dia começou. Curta a aproveitar.
    Após o som do ressonar vêm os sons dos automóveis, de algum animal. De uma pessoa a bocejar, pois ainda com sono estar.
    O mar em alcovitar, a areia da praia há de se desenhar, o amor, um coração.
    Nubentes a sorrirem de pilhérias e contentes sem por nada se apoquentar.
    Vamos, seja garrido e sinta-se ao lado de quem estiver como se sente a uma loureira.
  • Amor de amigo

    Cara tu é muito chata sabia? Mas de todas as coisas possíveis para se pensar era você que vinha a minha cabeça as 6 horas dá manhã para mandar acordar mesmo sabendo que já estaria acordada ou que não acordaria com minhas mensagens , até mesmo me deparar com mensagens suas logo cedo para me acordar , puxar assuntos mega aleatórios para deixar sem respostas, brincar com ela, também né meu bebê , ela vivi ruimzinha e eu não consigo cuidar dela pois sempre estou longe, fico enchendo d mensagens e as vezes até ligo para abusar um pouco mais, me desculpa por não estar contigo quando você precisava , sério eu me arrependo muito disso e sei que não tem como concertar mas estou aqui agora para que isso nunca aconteça de novo.
      Ela fica sem assunto muito rápido e eu acabo ficando bravo porque seria a mesma coisa que conversar com um programa de computador, por gostar tanto dela acabei criando muitas expectativas que foram uma a uma sendo descartadas. Fica mentiras para não me dar atenção e isso me incomodar muito e você sabe disso, como por exemplo : se você fica online no whatsapp é porque tem condições de responder aquele Oi q mandei assim que acordei, dar um aviso prévio que não conseguira responder porque está fazendo ocupada, antes mesmo de começar a fazer e parar de responder e depois avisar. Eu iniciei o ano pensando em comprar um computador novo, estudar, trocar emprego o quanto antes,já te falei isso. Acabo não fazendo isso, porque chego em casa e tem alguém esperando para me ligar com uma vozinha chata que eu gosto muito e mesmo depois quando ela desliga, fico lá porque já perdi a cabeça pra estudar só quero mais ficar lá esperando para dizer que a AMO e que não acredito que ela me ama e nem sei quando vou acreditar.
      Sempre acabo ficando bravo mas é porque eu me importo de mais, quero você comigo 24 horas por dia e ainda acho pouco, você fica reclamando que não possui amigos , mesmo possuindo alguns que são importantes para você , mas eu também não possuía ninguém nessa idade. Na escola estamos junto outros dias não os via mais, o Rick vinha aqui em casa as vezes e me acordava pra jogar no notebook, tipo umas 8 horas dá manhã e eu falava onde estava o notebook e a senha então voltava a dormir. A tarde minha mãe enchia nós de tarefas da casa, como limpar o pátio e aqui ele é muito grande . Depois de já algum tempo fiz algumas amizades e montamos um grupinho todo pessoal com uma mesma mentalidade​, os exclusos que não interagiam muito, saíamos as vezes mas só para comer e era isso. Viu se eu consegui porque você não​ consegue? você tem tudo e o que lhe falta sei que conseguira com o tempo.
      É eu não te amo tudo isso , porque se eu amasse isso não seria nada, o tanto que te amo não pode ser demostrado só com isso, uma hora talvez te mostro , e nunca vou deixar de ficar bravo contigo, porque se eu deixar não vou mais me importar com você , e não quero isso. Lembra que falei em te deixar de castigo algumas semanas? Então porque acha que estou aqui me contrariando?
      Você realmente conseguiu me irritar muito para ter te bloqueado, e mesmo assim continua sendo trouxa comigo, é tentei ser legal, só que para tudo existe um limite. Te perguntei oque você queria comigo e não recebi uma resposta como de costume, assim como suas promessas que nunca cumpre. Já havia entendido o recado antes só não queria acreditar, levei isso longe de mais então deixo o resto ser como você quiser.
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Ares

    Dentro das fagulhas do teu peito, Ares acendeu o fósforo e declarou guerra
    As mulheres ao redor da fogueira de mãos dadas e corpos nus, gritam teu nome num sonoro e solidificado coro
    Vinho, sangue, aura aquecida 
    O solo dá espaço para tua chegada, o fogo entrega forma ao teu corpo
    Ao teu espírito e à sonoridade picante que tua voz emite
    Combustão e incêndio 
    Cavaleiros postos diante da tua presença insaciável por destruição
    A mulher-divindade que nunca pudera ser descrita em espaços reduzidos por mãos masculinas 
    Aquela que ergueu a tocha sobre cabeças decepadas
    Declarou todo o amor e liberdade ao mundo 
    E a ela mesma 
    Escoa por ti, a lava que transpira por mim
    Contorno a constelação de Eros em teus lábios 
    E toda a minha pulsação toma consciência que os batimentos pertencentes ao meu peito, são determinados por teu estalar de dedos
    Quando as chamas morrerem e teus pés serem capazes de arrastar as cinzas vulcânicas deixadas pelos homens,
    Cubro-me de Sol, do vermelho-alaranjado, do gosto de canela e alecrim
    Aprecio a fumaça, seguro a vela e conservo a chama
    De lá e de qualquer lugar, há esferas, 
    translações de Marte gotejantes, por todas as luas que rodeiam as pupilas dos teus olhos
  • As curvas de Jessica

    Lentamente a vendei, tive que me controlar para não a assustar logo na amarra. Jessica não gostava muito, mas havia cedido, talvez pelo enorme tesão que sentia por mim ou pela grandiosa carência. Logo foi a vez dos pulsos serem amarrados, e, após eles, projetei meu corpo sob o dela, o forçando contra a parede enquanto ambos estávamos inclinados, de joelhos na cama. Meus dedos jogaram o cabelo de Jessica para o lado, seu pescoço ficou a mostra e, refletindo sobre todas as vezes que a via casualmente, não me contive. O primeiro abraço foi demasiadamente forte. O suficiente para que ela reclamasse e ficasse impedida de respirar, era esperado, meu braço passou por sua barriga, segurando em sua cintura, enquanto meus beijos alcançavam seu pescoço. Logo após, minhas unhas arranharam suavemente a parte de trás de sua coxa, e fiz o favor de massagear sua cintura. A excitação começava a fluir por seu corpo, isso era notável. Seus beijos ficaram mais salientes e calorosos, seu pescoço quase que se quebrava para alcança minha boca. Meu peitoral fazia enorme atrito com suas costas, me excitava pensar que ela estaria se empolgando com o toque de meu abdômen quente. Queria a tocar, por isso a acariciei por todo o corpo, as palmas de minhas mãos viajaram de seu rosto até seus joelhos, logo na última viagem fiz questão de passar sobre sua roupa íntima, tocando-a e a masturbando, por cima da roupa, de um jeito firme e lento o suficiente para estar sincronizado com nossos beijos e deslizes. Aquilo não era o bastante, a massageei na região dos seios, apalpando eles e não deixando um centímetro sem as carícias. Logo podia ouvir as primeiras falhas em sua respiração, o que só aumentou meu apetite, fazendo com que, de maneira inconsciente, deslizasse nossos quadris interminavelmente um pelo outro. Esse foi o primeiro passo para que Jessica se sentisse confortável com minha presença, ela passou a me desejar mais e mais. Eu também. Mas para dois jovens imaturos... todo amor era pouco.
  • As diletas águas da vesânia

    Contos do RN
    Advertência: Não me deem ante depressivos, isto é apenas um livro.
         Caminho sobre a plataforma de madeira, (praia de Pirangi) finalmente em um dia em que consegui me livrar de todos do mundo, estou só, com a areia, o mar, o vento e seus sons, eu penso:
    praia pirangi do norte1
         “Os olhos que governam o mundo e seus lares são mais de um. O mar é minha obsessão! Quem sou eu? Perguntaria outra vez, mas o cansaço da procura me fez parar esta busca, seria isto? Então me deixei levar por apenas isto? Não! A pergunta ficará, como este longo mar, são muitas perguntas, uma vastidão da areia da praia que o vento sopra e leva a seu lado. Incomoda-me às vezes, sonhar passar a noite admirando o encanto das águas e não passar. Sonho todas as noites, todas as tardes e todos os dias, está sentado e ao redor em três lados as águas, as ondas batendo em tabas que formam a estrutura na qual estou. O céu e as nuvens, nomeações de coisas que estão lá em cima. A lua jogando as luzes e as nuvens as lágrimas a terra, esta ultima é a única coisa que me tira dali, após me molhar por tempos.”
         Estou aqui, e agora?
         Continuo meus passos e após olhar a vastidão olho para mim:
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         Vejo-me colocar as mãos na parte de apoio desta passagem, deste cais.
         Minhas mãos vão passando sobre o frio que ela me passa.
         Continuo caminhando sem saber se estou me sentindo bem ou melhor, opções estas que não se alteram.
         Sinto as ondas alcançarem meus pés, ao colidirem contra a madeira.
         Continuo meus passos, vejo o sol nascer, dar sua primeira olhada da manhã para cá lá do fim em que se encontra.
         As nuvens parecem abrir seus olhos naturalmente quando a luz a passa e abraça fortemente.
         Chegando ao fim das tabas e de meus passos olho para o que me resta, o mar e mais?
         Sento-me, que frio e que calor! Não consigo me decidir ou decifrar o que me vem.
         Volto a pensar em meus dias longe daqui:
         “Às vezes me vejo chorando nesta bela imagem das águas e das areias. Sem saber a razão do choro eu apenas quero está ali, enquanto as vozes das pessoas que me amam me convidam em vão para sair, coisa que acaba me convencendo, após gritos de insistência.”
         Estou aqui, e já pensei e penso sobre outros lugares: Não sito nomes, são características, quem poder que os definam.
         São poucos minutos em poucas gotas que caem, árvores e águas como belezas naturais (Cachoeira do pinga).103653495  0 portalegre cachoeira do pinga portalegre
    Juntamente a estes, um pouco distante estas outras águas e árvores, uma gruta, casa pequena com água, assim a defino, pois não sei explica-la (Portalegre).0 Portalegre - Term Tur da Bica 1.jpg
         Sempre procuro o que seja bom, tem sido algo novo ou algo que vive como uma ilusão, como pensar em uma garota que não sabe nem que existo ou sabe e eu não sei, só sei que me lembrei dela quando estive ali. Talvez esta garota ao qual pensei fosse apenas uma referência a uma outra, esta que sempre me cerca em meus sonhos e me abraça quando durmo. Seu corpo é quente, sinto seus cabelos em meu pescoço, as ondas estranhas parecem seu leve sorriso.
         Ultimamente soprou em meu ouvido, pedindo para que eu escrevesse algo para ela, mais um algo eu disse, em pergunta sem pronunciar e não fiz questão. Talvez ela nem tenha pedido e apenas eu desejei ao está com uma ilusão que nunca vou deixar.
         Em outro lugar fiz uma trilha (Parque das dunas),1 164 nesta fechei os olhos ao andar, respirei bem, foi bom, lá de cima dava pra ver a praia, o mar. Na trilha fechei os olhos para sentir uma sensação diferente, parece besteira, mas as coisas diferentes e principalmente as simples sempre me chamam atenção.
         Lugares distantes entre si e distantes do agora. Onde respiro bem “areia, água e sal”.
         Lembro-me de mais um lugar (Serra caiada),4.JPG  estre tinha uma cruz lá no alto é simples de identifica-lo, subir foi ótimo, descer apesar de quase passar direto e descer de vez caindo sem querer também foi bom já que não cai.
         Dá pra ver a cidade, a mata, as pistas, estradas que se ligam e listram longe um traço a vir e ir. O que me chamou mais atenção foram as nuvens, elas tinham peso, algumas distantes pareciam carregar pesos em sua branquisse estrutural. Não sei o que elas diziam, pois não as dei atenção, foi um dia legal, onde todos estes lugares perdem para o mar, que se tornou minha obsessão a ponto de pensar:
         “Sempre me imagino, sentado na areia e as ondas em sorriso apagarem os desenhos ao chão. Este sorriso ser calado por aquela que nunca existiu, uma ilusão, uma garota que sempre sito e sempre me vem. Eu sentado ao lado daquela que esta sem esta sentada a meu lado. Nós dois levantamos e após segundos pensando sobre coisas ou momentos bons, estes nos apertam e nos sufocam nos dando e definindo o futuro de nossos passos.”
         Penso em como continuar, como continuar este conto para que leiam, para que seja grande suficiente como uma vida. Para que ninguém passe os olhos e esqueça.
         Vou pensando sobre onde estive a pouco: Chutar a areia involuntariamente e voluntariamente foi o que fiz (praia de Cotovelo). full_250220140056163ea2019180f557e5bb9da131d3a2cf8b.jpgDesenhos em traços na areia eu fiz e o mar levou, me dizendo que tudo se vai.images.jpg
         Porque escrever minha depressão sobre um lugar tão belo? Porque guardar a imagem desta obsessão de forma tão obsessiva?
         Eu não sei, só quero ficar aqui e olhar para você: Mar; céu; sol; vastidão; pontos e vírgulas a mais chegaria a solidão. É isto que peço involuntariamente? Seria uma obsessão para se conseguir está só? Eu acredito que não, é apenas algo que penso e me vem melancolicamente. E observe que nestes mares eu não estou sozinho, a ilusão da garota está sempre presente, então esta ideia de solitário não é certa!
         Senti o vento passar e bater em mim, me fazendo ver que tinha decidido afastar estas perguntas de mim e deixar esta obsessão ser ela como algo que é e não se vai.
         Uma onda joga seus pingos em mim, me faz sorrir e voltar a pensar em outros lugares:
         Uma vasta subida, um vai e vem diagonal para ver do alto o verde, em volta lugares, um castelo ao longe e um cantar do despertar bem perto de mim, este dono do cantar esta parado e observa aquilo que é novo para os que estão em volta e meio que entediante para si, que passa horas e horas mirando para aquela paisagem até o sol sair liberando o fechar de seus olhos (Monte do Galo).monte-do-galo-nova.jpg  Descer dali pode se tornar um meio fluente de uma breve e pequena adrenalina, basta correr e se perder sentindo o ar até se pegar tentando frear seus passos para não bater nas barras laterais e cair. 92070910.jpg
    Eu fiz isto, dá um frio e você tenta parar apesar de no desejo querer manter a velocidade e tentar curvar e curvar as curvas e chegar ao fim da longa descida.37782713
         Mais um lugar que passei e admirei, admirando com uma angustia que me cerca como cercas e às vezes se desfaz me dando passagem e às vezes se fecha me segurando, esta pode ser alguém ou algo natural como o vento e o mar que me faz pensar:
         “As águas em gotas que se jogam das ondas de si para consigo do mar, são como pensamentos de si para consigo como os meus são para mim. Aprendendo com as ondas que fazem parte do interesse de outros eu escrevo para que alguém se interesse.”
         Lugares e mais lugares, belas palavras, belas belezas, penso que devo sair mais para buscar mais vocês, ao qual dão inicio a este paragrafo. Lembrei-me do diferencial, sempre gosto dos diferenciais. A chuva numa trilha alegrava as galhas como lágrimas de alegria, destas que eram verdes e vivas. É sempre ótimo caminhar, ver o mar, ver o verde e o sol por entre as nuvens olhar sorrindo ou chorando nos traços destas. Tentar ver tartarugas entre as leves ondas era algo interessante, onde se via pedras, se acreditava e se apontava serem elas, que deveriam está se exibindo ao boiar lá em baixo (Santuário ecológico de Pipa).Santuario-Ecologico-Pipa-01.jpg  Algumas eram miradas e certamente admiradas por alguns. As gotas sempre deram um clima a mais, sempre gosto de encontrá-las por todos os lados, não que estas tirem o valor do sol que brilha sempre como ouro, que por aqui reflete como algo valioso. O arco-íris forma suas formas e desenham seus traços. Escolher o lado mais rápido foi opção do cansaço da maioria, mas todos saíram dali pedindo mais. Saindo dali segui para praia onde penso:
         “Às vezes me pego pensando (Praia de Pipa),pipa4.jpg  me vendo olhando para o mar, passo horas e horas, sentado encolhido olhando para ali. Percebo que o vento está presente. Percebo que nem eu me entendo e penso se é algo para se entender.”
         Então salto para outro lugar, é alto, têm árvores, o verde vivo em verdes que se unem e se espalham. Algo me impediu de chegar até seu pequeno muro de poucos enfeites estruturais. De lá se via melhor o fim, este que refiro ao verde lá em baixo, coisa que não sei se era verde, pois não me aproximei algo me segurou e me fez ficar sentado em cercas murais junto às árvores (Mirante de Portalegre).Mirante_Boa_Vista,_Portalegre_(RN).JPG
         Deve ser difícil ou estranho traduzir para si minhas palavras em desenhos que se fazem de misturas de palavras e representações. Mas é besteira, ter escrito para vocês olharem está questão em meio à leitura, pois na busca das traduções não se deve aprender pegando e se grudando ao pé da letra, os idiomas devem surgir como o vento dentre as árvores. Tente vê-lo, tente e apenas o sinta!
         Existem lugares que me sufocam ou meu sufocar é natural? O certo a dizer é que existem lugares que me fazem respirar, respirar a liberdade de algo puro, puridez esta que me é estranha, como se perguntar se tal palavra existe e na verdade saber a resposta, mas não encontrá-la como algo que firma, pois ao sair destes lugares o sufocar me volta. A permanência ali se torna estranha, não compreendê-la é algo que me faz entender meu fraco respirar como natural. Lá deste alto me lembro de misturar os lugares:
         “O vento vai e vem, com os mesmos passos das galhas dos coqueiros e das ondas do mar em tempos em tempos desenham desejos que formam a estrutura natural e não natural que me cerca, aqui onde estou a pensar sobre o que não canso de sonhar.”
         Fiz o inverso de onde realmente estou: das alturas de lá pensei no aqui e voltei a me olhar.
         Segurei a água como algo bom, tocar é relevantemente bom em termos de que nem tudo se tem, e o que se busca é a vontade e o prazer de saber que se pode buscar.
         A claridade que se formou em meus dedos, foi como se eu olhasse para o sol sem mirá-lo (Praia de Ponta Negra),conheca-o-rio-grande-do-norte-cenario-tornou-o-turismo-uma-das-mais-importantes-fontes-de-renda-do-estado.jpg  o que mais posso fazer além de me prender a melancolia? Mais uma vez olho para vastidão do azul, respiro fundo e me pergunto, como? Como continuar?
         Como continuar estes traços para que se tenham traduções em palavras, em mentes e em memorias daqueles que por algum desses cantos já tracejou sua vida?
         Minhas expressões me dizem:
         “As minhas lágrimas querem descer e se unir ao mar, as águas desse sempre me dizem algo e me chamam, chamam, chamam e gritam me seduzem ardentemente, friamente, me fazem segurar as minhas vesânias com as mãos! O que respondê-la? O que dizer a estas diletas? ‘As diletas águas da vesânia! ’ Não me deixe; não me deixe; não se vá; nunca se vá. Não pare seu canto que me chama, pois um dia vamos nos decifrar e nos encontrar e sempre estaremos carregando a mesma obsessiva atração!”
         Estou mais uma vez em minha mente, e nesta entre árvores. Após uma branca união, as dunas estão sobre meus pés.
         Algo estranho me formava como algo que abraça e diz que se tem erro e acerto. Como decifrar? Eu não tentei, só quis está ali e aproveitar este momento ao qual eu não estava realmente com vestimentas adequadas. Onde para mim qualquer de meus atos seria os mesmos, eu apenas fiz o que deu e as águas de cor diferente eu toquei para dizer para mim mesmo que o fiz, tal gesto (Lagoa da Coca-Cola).49955054.jpg  Um lugar legal e apenas não poder molhar o meio que levou e ia levar em saída eu e o pessoal dali, me fez ficar na minha e não insistir para mim em ali entrar. Então pensei um pouco sobre este lugar:
         “As cores são diversas, algumas indecifráveis, em nomes de misturas. Ver o sol iluminar o laranja vivo das águas ou amarelo dourado que a estes desenharam juntos. Ou esta seria vermelho, a cor que nos alimenta em vida? Estaria está se escrevendo em fluidos de minha obsessão? Não sei, mas as nuvens estavam chorando, em poucas águas, pareciam está felizes por algo. Então digo que eu estava feliz por ela que jorrou suas gotas em mim!”
         Minhas palavras já estão se tornando mais compulsivamente obsessivas, alguns versos já aparentam um não entendimento ou fuga de uma ligação a algum sentido lógico. Mas o mundo é assim, só encontrasse lógica sobre aquilo que se encontra.
         Saindo de minhas letras e reflexos de palavras de uniões estranhas em sentido ou sem este, volvo a mim.
         Levanto-me! Olho para aquilo tudo a minha frente. Tudo que já falei sobre este belo movimento e som que me consome como um perfeito sonho de união.
         Olho para minhas mãos, as proximidades delas me dizem que existem outros modos! Modos de que? Pergunto-me tentando não me alimentar de mim.
         Tenho duas perfeições em mãos duas cores em líquidos que não me deixam ver outra coisa e com água em mãos eu penso:
         “Como seria o sessar? Seria perfeição? As tabas já mais quentes me mostram o mais seguro para nós que entre varias coisas nos alimentamos de ar!”
         Tentando ver minha imagem em reflexo na água, o espelho nada me mostra, e enquanto procuro ver volto a meu passado e lugares por onde escrevi minhas digitais.
         Agora estou no escuro, a terra em formato de resistência está de lado a lado e baixo a cima rejeitando a forma luminosa até que uma lâmpada ilumina em meio termo as rochas. Estas que levam anos pra se formar. Mas pouco andamos, plural por eu não está só, pessoas se fazem presentes e também observam as esculturais entradas que não se enxerga.
         Achei que eu me sentiria sufocado ali dentro (Mina Brejuí),vfegrew.jpg  mas me veio uma imensa liberdade, um aliviar do perturbar que os seres do mundo me passam ou causam. Quando esquecia que tinha mais alguém ali, percebi que aquele apertado lugar parecia como um amplo e ventilado globo, como se eu estivesse em paz em um inverso da terra, ou seja, ao invés de pisar sobre o convexo eu pisava no côncavo do planeta. Tinha uma voz, eu ouvi uma voz! Mas ela não dizia nada em som, no escuro apenas estava presente! Dizia sem falar: Estou aqui! E não estava perto e nem longe, estando mais perto que longe ela preenchia o vazio em mim, um vazio que não sei o que é.
         A cada respirar na escuridão o vazio se sentia se complementando, aos poucos, mas logo voltou a se tornar o que é. Saindo dali o sol clareava mais claro, volvendo ao presente olho para o mesmo e a mata que via antes ao longe no fim dos reflexos mudou para as águas que em “C” se curvam ondulando o espelho ao qual eu me via formando as ondas que me fazem pensar:
         “Lembro de uma vez ter me perguntado: Você vai me levar; o que você quer; quem é você que se esconde nesta imensidão? Eu estava no mar, as ondas a se jogarem em mim. Elas pareciam normais! Eu apesar de não parecer, eu me sentia normal em me encantar com este dançar das águas e jogar minhas vesânias em questões perguntas para aquelas diletas que apenas cantavam e cantavam seu som maravilhoso.”
         Lembro-me de está aqui neste mesmo lugar e ver um instrumento que me sacia, ou mais certo, um instrumento e um se que contemplo, eram um violão e uma moça, está estava perfeitamente vestida com uma camisa branca e de biquíni preto, sentada e com o violão amarelo queimado como o sol. Pra ser sincero eu não lembro se o violão existia. Mas a beleza daquela moça era prazerosa. O jeito dela, não sei dizer, ela tinha algo que me iludia sem pensar e me abraçava sem abraçar. A moça não estava sozinha e nem eu neste dia.
         A solidão não está sozinha, pois não estamos só, mesmo se estivermos com ela!
         “Então olhei para o céu e percebi que o começo é sempre melhor que o fim!”
         Seria mesmo assim? Um começo e um fim?
         Seria mesmo assim? Um melhor que o outro?
         Como seria?
         O cansaço que a procura provocaria me fez voltar a olhar os passos que escrevo nestas tabas. Após pensar compulsivamente: Quero quebrar este sonho e deixar de senti-lo como devaneio!
         Reparo que o mar não me sorri, algumas outras coisas me sorriem, por que o mar não? Deveria ser porque cada um é como é e todas as coisas também.
         O mar gosta de desenhar na praia como alguém que está triste. O mar gosta de ver as mulheres rebolarem ao andarem sem perceber que fazem tal ato que é escultural e sensual.
         O mar tem momentos de agressividade.
         O mar pensa se tem solidão, se alguém o chama se quer algo e se alguém o quer.
         Então eu pulo neste do fim das tabas do cais e digo reflexões de mesmo sentido varias vezes onde repito duas em escritos:praia-de-pirangi-do-norte.jpg
         “Este que eu falei sou eu, eu não sou você, apenas busco você!”
         As águas saltam com nossa união e liberam brilhos se unindo ao sol em varias gotas.
         Engolindo aquele sal, areia e água, eu ardo os olhos, eu respiro o arder e penso aperreada mente devido à agitação comum:
         “Me aceite, eu só tenho um alimento! Queira-me e aceite minha solidão, pois você é tão vasta não te importará!”
         As ondas me fazem sentir o 360°, estas me olham, estou tranquilo como dormindo e conseguindo me livrar de tudo, ou me saciar da solidão que tanto busco, ou já não sei de que forma está que dança me traduz, nem também:
         “Eu não mais sei de mim!”
         “Ouço uma canção ela vem como algo que canta e sorri, estou com os olhos dormindo. Logo está canção canta como algo conhecido e identifico o mar! Retirando parte da areia em mim, ela vem, vai duas vezes e vejo a areia me consumir. Abro os olhos me curvo e vejo que da praia é tal areia que o mar jogou aquele que a depressão corroeu, mas não o levou.”
         Fim. Ricardo Fernandes. Abril a Junho de 2011.
  • Ausência e Devaneio

    Sem objetivo ou motivo
    A bebida vai acabando
    O cigarro vai queimando
    Infinitamente
    Em um ciclo, vicioso.

    Como esse nossos desejo
    Um pelo outro
    Eufórico e ansioso
    Na sua ausência, o meu desejo.
    Na sua presença, o meu anseio.
    Amo-te e te odeio

    Na primeira estrofe, nos primeiros versos.
    É onde me encontro
    Nesse mundo vazio
    Cheios de devaneios
  • Batalha à beira-mar

    Vivíamos uma batalha,
    À beira mar,
    De pés na areia,
    De espadas nas mãos 
    Tentávamos decidir nosso futuro
    Demos golpes baixos, 
    Mas também dávamos vantagem, 
    A luta era justa, 
    Entre dois amantes 
    Mas no final nenhum resistiu,
    O mar se tornou vermelho com o sangue dos nossos corações destroçados.
  • Bom dia!

    Que o sol ao nascer te faça sorrir, te mostrando que mais um dia se inicia. Que o vento leve os seus sonhos até Deus e que tudo se realize. Mas, quando entardecer e tudo escurecer, não desamine.
    As estrelas vão brilhar e logo mais a lua aparecerá. Mas, se as nuvens cobrirem o céu, feche os olhos e perceba, que nem todos os dias terminam como a gente quer, mas, podem começar como a gente sonha.


    Luca Schneersohn
  • Camomila

    Imagino sua mão na minha
    Pois vi que pouco tempo tinha
    Ao decidir olhar seus olhos
    Esquecer de meus trabalhos
    Me perder nos horários
    Só observando sua pupila
    Me acalmando e relaxando
    Como se tomasse camomila.
  • Celeiro de José

    O dardejar dos raios de sol pressagiava mais uma aurora naquela fazendola no interior agrestino. As sabiás e os bem-te-vis desatavam a cantar e as cigarras já indicavam o castigo solar que vinha. Seu José acordou tremendamente diferente, tinha tido um pesadelo que talvez prenunciasse a algo. Acordou abatido, mesmo assim, não se deixou levar pelas intempéries oníricas, foi metodicamente realizar seus quefazeres cotidianos: ordenhar a vaca, cuidar da ração dos bois e carneiros, alimentar as aves; enquanto isso Maria, sua mulher, estava preparando o café. Quando foram tomar café, maria notou josé muito abatido e questionou-o: 
    —o que aconteceu com você? 
    —nada não mulher. 
    —deixe de enrolação, sei muito bem quando está incomodado com alguma coisa. 
    —deixe de bobagem e vá tomar seu café. 
    —Mas num vou de jeito nenhum. cuide e desembuche logo. 
    —eu já disse 
    — você num disse nada. pois tá bem. 
    e assim maria saiu arretada da cozinha. Durante a tarde, após José chegar da roça, maria notou muito estranho; ele estava escrevendo algo em um papel. Maria ao vê-lo, gritou: 
    —Que danado tu tá fazendo agora? 
    —nada não 
    —endoidou agora. Este matuto tá escrevendo agora. Meu Deus, é o fim do mundo. 
    —não tô escrevendo. Cuide procurar o que fazer. 
    —Vish maria, tá perdendo o juízo. Nem cinquenta anos tem ainda e já tá pirando. 
    Após esse ínterim, Maria foi preparar uma sopa para o jantar. Seu José ainda não saiu do quarto e isso causou novamente um grande incômodo a maria. Ao terminar a sopa, maria pegou uma colher de pau e foi até ele descobrir o que estava fazendo. 
    —O que danado tu tai fazendo zé. 
    —já disse, nada. 
    —cuide, me dê esse papel aí. 
    E maria ferozmente tomou o papel da mão de josé e ficou muito surpresa, ele não estava escrevendo e sim desenhando; desenhou uma espécie de casa. 
    —que diabos é isso agora? você virou desenhista foi? 
    —não! disse ele friamente 
    — e o que é isto então? 
    —já falei que não é nada. 
    —Mas num to cega. Você vai me dizer dum jeito ou doutro. cuide desembuche de uma vez hôme. 
    —Eita mulher para aperrear meu juízo. Isto aí é apenas um desenho que veio na minha cabeça. 
    —pra que tu quer isso? 
    —pra nada. 
    foi quando maria pegou uma vassoura que estava no quarto e ameaçou ele impiedosamente. Ele, temendo levar umas porradas, acabou contando o que estava por trás daquele desenho. 
    Maria ao ouvir, disse que ele estava bem doido mesmo. José calmamente retrucou: talvez! 
    No dia seguinte josé foi coletar madeira para tal projeto e isso deixou maria perplexa. 
    Passaram 4 meses, José estava prestes a terminar o seu projeto. Maria cada dia ficava mais preocupada com a loucura dele. José de tempos para cá, começou a trabalhar incansavelmente, plantando, colhendo, estocando, construindo... 
    Quando por fim terminou seu projeto, não aparentava uma casa e sim um grande celeiro. Ele estocou comida não só para ele como também para seus animais. Os vizinhos acharam josé muito estranho, eles se perguntavam o por quê de tanto trabalhado, e além do mais, para quê um celeiro no sertão. Certa vez, veio uns primos distante até a casa de José, com uma pretensão implícita, eles vieram trazer alguns produtos orgânicos como forma de omitir sua verdadeira intensão: descobrir o porquê dessa construção. Ao passar o dia, eles em uma conversa trivial, acabaram induzindo ao questionamento do celeiro. José disse que era para se proteger contra o frio, e assim, eles discretamente riram, e retrucaram: 
    —Seu zé, de onde é que esse frio virá? Aqui é sertão e o único frio que tem é o da geladeira. 
    José por um momento se omitiu mentalmente, refletindo sobre o seu sonho assustador. Após alguns segundos, ele retornou e disse: 
    — Certa vez tive um sonho curioso. E que me fez fazer isto. 
    — Que sonho, conte-nos? 
    — A terra quente e amarronzada do sertão ficava fria e branca. 
    —Mas zé, ter pesadelos é normal, pesadelos e sonhos são distorções da realidade. 
    —tempos atrás, sonhei durante 2 semanas o sertão morrendo, não pelo calor e sim pelo frio, nos dois últimos dias da sucessão de sonhos, vi uma casa no meio do gelo, era grande e abrigava animais, era o celeiro que fiz. 
    —Zé, aqui é agreste, é até difícil chover, imagine gear . Sertão é seco, nem Antônio estava certo, quando disse que o sertão ia virar mar. E agora vem você, dizendo que vai nevar. 
    —Se não acreditas, não cabe a eu julgar. O que eu tive foi uma visão, que por mais que seja bobagem, a convicção que tenho é que esta estiagem vai dar lugar a uma passagem, em que ninguém ia imaginar. 
    E assim, seus primos saíram rindo, e josé calado ficou, Maria cada vez mais preocupada com José, pensou que ele deva está doente e que o sol quente tenha fritado seu juízo. 
    Em uma noite calma, uma chuvinha fina dançava sobre as telhas. Acresce que, aos poucos essa chuvinha começava a engrossar, e José na cama dizendo que a hora já ia chegar. De manhã cedo, José acordou, a chuva ainda estava forte, pegou um guarda-chuva, e foi até seus bichos guardar no celeiro. Quando voltou molhado, a mulher se arrepiou, pensava ela: será que ele está certo, será que com o dilúvio a neve vai chegar?. Mas tarde a chuva parou e o sol novamente raiou, sem piedades evaporou tudo que na terra foi abençoado. O calor reinou e com isso maria viu que josé estava errado. José não ficou preocupado, disse a maria que no seu sonho, aquilo era um aviso, e mas tarde a neve ia chegar. Passaram semanas, meses, e o sol cada vez mais forte, o sol castigava tudo e todos, a água estava escassa e josé ainda não desanimou. Maria estava com medo de José perder o resto do juízo que tinha com aquela ideia fixa. Após 3 meses do projeto de josé ter sido finalizado, a chuva começava a lavar a terra estéril, o pasto vagarosamente crescia, os animais se deliciavam, as seriemas gritavam anunciando a vida que nascia do solo rachado — era o paraíso. José sempre com a convicção iminente, tinha fé na sua profecia. Os meses foram se passando e a seca foi reinando, tudo que em um momento vivia o apogeu, viu seu declínio sendo devastado com sol... 
    Até hoje os bisnetos de José levam a profecia do tataravô como uma emblema. Quem sabe um dia do sertão o sol se canse, da chuva a neve surja e José fique lembrado como um profeta do passado, que tanto foi criticado, com seu sonho enigmático.
  • Chá das Cinco



    Peço às visitas que entrem
    Entrem, mas apenas se forem ficar
    Pois, senão, que sozinha me deixem
    Basta de ir embora antes de chegar.

    A porta está sempre aberta e espera
    Espera muito, se precisar
    Até que finde a primavera,
    Não há problema em demorar.

    Leve muito tempo, mas venha certo
    Certo que ao puxar a cadeira
    Ficará do outono ao próximo inverno
    Ou até que floresça a última videira.

    Pois quero viver uma vida inteira
    Inteira, de verdadeiros sentimentos
    Da lua cheia ao raiar da aurora,
    Não apenas de breves momentos.
  • Como água do mar

    Hoje nada mais faz sentido
    A saudade já bate mais forte
    Preciso daquele abraço,do seu abraço
    Sai desse lugar e vem me encontrar
    Estou te esperando de frente pro mar

    Vem,não faz isso comigo
    Não me deixe mais uma vez
    Viva comigo,o que temos a perde?
    Deixa falarem,que no nosso romance nem nos entendemos
    Se deixa levar,nosso amor é mais lindo que a água do mar

    Que sorriso é esse
    Me conquisto em 2 segundos
    Fiquei louca só de imaginar
    Mil coisas para nos amar
    Uma tarde não basta
    Quero toda a eternidade
    Esse brilho no olhar

    Vem que hoje é o nosso dia
    Vamos aproveitar cada segundo
    Eu te quero mais do que posso suportar
    O seu sorriso me despertou
    Todo esse amor,o que faço agora?
    Já que sem você eu estou.
  • Copacabana - Cap. 1

    Luiza Mello, 39 anos. Luiza é uma jornalista de pretigio e é dona de um grande jornal brasileiro: Diário Metropolitano. Ela é solteira e cuida da mãe, Marilia. Marilia tem diabetes e prescisa de cuidados. Também moram na casa, Laura, sua irmã. Luiza banca Laura em tudo: calçados, roupas, joias etc... Laura é desocupada e só fica vendo revista de fofoca, tv e cuidando dos seus animais domésticos: um Gato amarelo e um Coelho. Essas são as únicas coisas que ela sabe fazer. Laura já tentou ser modelo, atriz, mais nunca deu certo. Ela prejudica a irmã em tudo. Laura já vendeu joias de Luiza para comprar roupas e já vendeu fotos intimas de Luiza para paparazzis. Luiza nunca soube disso.
    Gustavo Ryan, um cantor que agora se dedica a outros empreendimentos, tinha laços empresariais com a empresa de Luiza. Mas um dia, em um acordo que daria a divisão de lucros entre publicidade e o jornal fracassou. Nisso Gustavo cancelou os laços da sua empresa, Costa e Silva com o jornal.
    Luiza: ''Não... Divisão? Não, claro que não!''
    Gustavo: ''Luiza... é uma simples divisão, metade metade!''
    Luiza: ''Mas é muito dinheiro... Se fosse mais pra mim...'' -  Gustavo a interrompe
    Gustavo: ''Peraí... Você quer mais?... Cacete, isso é pouco? Meio a meio!''
    Luiza: ''Não... esse eu não aceito!''
    Gustavo: ''Ta bom... Sem acordo, sem vinculo empresarial...''
    Luiza: ''Mas Gustavo... Eu presciso dos teus serviços!...''
    Gustavo: ''Decide!''
    Luiza: ''Ta bom!... Encerramento do vinculo empresarial da Costa e Silva e da Diário Metropolitano'' - Luiza avisa o seu assistente Marcos - ''Marcos, faz a papelada... pra ontem.... Rápido por favor!!

    Andaraí, Rio de Janeiro. Vive José e Paola, pai e filha. Paola que quer sair do buraco com ela mesmo diz, José um paraplégico que sobrevive vendendo jornais na sua banca improvisada. Paola quer sair da probreza:
    Paola: ''José... Eu vou tirar a gente dessa miséria, eu juro...''
    José: ''Minha filha... Todo o dia a gente toma café, almoça e janta sem prescisar de ninguém.''
    Paola: ''Pai... A mamãe morreu por causa que a gente não tinha dinheiro pra pagar um hospital.''

    Leblon, Rio de Janeiro. Vive César, João e Marina, filho e seus pais respectivamente. João de 42 anos é representante comercial de uma fábrica de móveis e Marina o ajuda com uma especie de ''secretária''. Ela é vaidosa demais e só compra vestidos carissímos. César pede a Marina se ela autoriza ele ir a uma festa. César tem 16 anos. Ao chegar na festa que era do seu amigo, Italo, ele encontra bebidas alcoólicas, pois alguns convidados eram maiores de 18. Nisso ele encontra uma garota, também de 16 anos, Montserrat. Eles ficam conversando até que rola um clima com eles:
    César: ''Sei lá... Eu tive pensando se você quer ir a um lugar mais afastado daqui...''
    Montserrat: ''Claro... Bora ir pro quarto do Italo... Fala com ele se a gente pode ir pra lá...''
    César fala com Italo e o mesmo libera o quarto pros dois...
    Italo: ''Tá vai... Olha a camisinha hein... (risos)''
    César fica sem graça, mais ele vai com Montserrat para o quarto.
    Montserrat puxa assunto sobre namoro, e César se interresa ainda mais por ela. Ambos se conhecem melhor e eles se beijam e a noite esquenta...

    Como já era de noite, Luiza vai ver sua mãe. Ela está passando mal e a leva para o hospital São Jorge, também em Copacabana. Ela descobre que sua mãe está com um tumor no cerebro e ela deve fazer uma cirurgia. Luiza faz o orçamento e paga os tratamentos e etc... A cirurgia está marcada para o dia seguinte.

    Paola, antes de dormir, olha a internet e pesquisa sobre ''Simpátias para ficar rica'' e encontra diversos. Uma das simpáticas, diz que é para pegar uma nota de 5 reais e joga-la na água com sal. Paola faz e depois percebe que os cinco reais do seu pai era para comprar café no dia seguinte, pois a banca estava fechada pois tinha quebrado um suporte dos jornais. José prescisava para comprar o pão do dia seguinte e comprar parafusos, pois não deu tempo de comprar no dia que está indo embora.

    César e Montserrat estão deitados na cama:
    Montserrat: ''Gostou?''
    César: ''Claro!... Quero que a gente se encontre mais vezes...''
    Montserrat: ''Amanhã vai eu, a minha irmã e o namorado dela no shopping... Quer ir?''
    César: ''Tá... Tá bom...''
    Horas depois, César chega a sua casa e sua mãe está no sofá vendo filme com seu pai.
    Marina: ''Como foi filho?''
    César: ''Ah.. foi bom... foi legal!... Posso ir amanhã com uma amiga nova?''
    Marina: ''Amiga... Sei... Tá bom... Pode ir...''

    No dia seguinte. Laura vai até o quarto de Luiza, mais não vê ela. Ela andando pelo quarto encontra uma foto de Luiza com seu ex. Laura pega a foto e leva té seu quarto e tira cópia. Ela liga para um paparazzi que ela é amiga, Fernando. Fernando marca com Laura numa sorveteria para a troca da foto por dinheiro.

    José acorda e vai tomar banho. Depois ele olha na carteira e não encontra nada. Ele vai até o quarto de Paola e a indaga sobre o dinheiro. Paola nega ter pegado e gastado em algo mais. Ele fala para ela que eles vão ficar sem café da manhã por que o dinheiro sumiu. José vai para a sala e Paola vai até ele:
    Paola: ''Pai... Vai ficar com raiva?''
    José: ''Paola...'' - Paola o interrompe.
    Paola: ''Fui eu... Eu vi uma simpátia e...'' - José a interrompe.
    José: ''O que?... Não... e agora?..'' - José fica pensativo após isso.
    Paola tem a ideia de ir com Vanderlei, um amigo deles que faz concerto de sapatos, para emprestar 10 reais. Ela vai até lá e empresta. Nisso ela vai até a padaria, compra pão e volta para sua casa. Ela dá o troco para José que vai até uma loja de ferramentas comprar os parafusos. Ela olha uma matéria sobre Luiza. E fica om a vontade de ter dinheiro como ela.

    Continua...
  • Copacabana - Vem ai...

    Luiza, 39 anos é uma renomada jornalista que também é dona do maior jornal do país: Diário Metropolitano. Ela tinha laços empresárias com o ex-cantor Gustavo Ryan, mas um dia o acordo foi encerrado por causa da divisão de lucros. Por isso Gustavo passou a recusar propostas da empresa de Luiza. Luiza cuida da sua mãe, Marilia que está com diabetes. No Andaraí, vive Paola e seu pai, José. José é cadeirante e prescisa trabalhar muito para sustentar ele e a filha. Ele vende jornais numa banca de revistas próximo a sua casa para conseguir sustento. Paola não gosta da vida de miséria e pobreza, por isso, suas ambições são maiores. No Leblon, vive a familia Sousa. Carlos é o homem da familia, ele é amigo de Gustavo e trabalha junto com o mesmo. Marina, é uma especie de secretária de Carlos, seu marido, pois Marina o ajuda em serviços do trabalho. César é o filho único da familia. Ele tem 16 anos e se envolve com uma garota após uma festa. Paola e Luiza tem as vidas traçadas após Paola pedir emprego na casa de Luiza que prescisa de alguém para cuidar da mãe, pois ela não consegue fazer tudo sozinha. Tudo isso em Copacabana, sua próxima novela. De Crystofher Andrade, Copacabana.

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