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  • Carta a Morte

    Olha ela ai de novo, lazarenta
    Vem sempre querendo me levar
    E no final não me aguenta
    Me deixa sozinha nessa maldita tormenta

    Oh morte sua ordinária!
    Tu dizes que veio me buscar?
    Então o que acontece que estou ainda aqui na sala de estar?
    Te espero incansavelmente, tu vens me olha e volta

    Na infelicidade do tempo...
    Ficar te esperando é sempre um tormento
    Chegou a hora, não vou te esperar nem mais um momento

    Vou liberar os demônios que em mim estão querendo passear
    Agora tu não terás mais tempo para vim me buscar
    Eu e meus demônios vamos te fazer trabalhar
  • Dama de Sangue

    Dama de sangue
    sua mestre não é uma boa pessoa
    Dama de sangue
    juraste-me a felicidade!

    Agora me trancas neste buraco
    e toma conta de minha alma
    como ainda te amo
    quando me fazes tanto sofres?

    Dama de sangue
    mentistes para mim
    disseste-me que me salvaria
    e poste-me nessa tumba

    Agora há 7 palmos da terra
    entendo o que me dizias
    quando me mataste
    sua mestre levou minha alma
    Mas você
    Dama de sangue
    estarás junto a mim eternamente
    Ligados pelo sangue da aclamada vitória
  • Demanda de Sabotagem

    Para cada momento
    sinto que algo falta
    algo fatal
    que vai me matar
    de felicidade
    ou de estranhamento

    Me inspiro em instantes de cor
    sintoma de que a minha realidade está doente
    e que minha motivação vem de algo
    que causa dor

    Lugares claustrofóbicos
    como esse
    me trazem uma estranha sensação de
    liberdade
    De que apesar das limitações
    há sinceridade

    Saio das mãos do palhaço no sábado
    Mas caio nos braços do meu carrasco na segunda

    Serei feliz depois do Carnaval

    Antes de querer
    ou depois que morrer.
  • Descanse sem paz

    Do alto da ponte, Elis rezou pela última vez. Nada aconteceu. Naquele breu de solitude, apenas um assaltante sairia às ruas, mas ela não carregava nada de valor, nem mesmo sua própria vida. Ser assassinada pouparia trabalho, mas responsabilizar terceiros era inviável — afinal, ela tinha bom coração.
    Elis acompanhou sua família inteira sair pela porta da frente. Primeiro, seus pais. Depois, seu marido. E filhos. Todos engolidos pela escuridão. Para se proteger do caos contagioso e persecutório, ela construiu um santuário no quintal, com pequenas lápides sobre a grama mal aparada. Ela lutava contra a apatia e reverenciava os corpos imaginários que jaziam sob a terra, mas algo sombrio crescia no coração do vilarejo.
    Os estatísticos não carregavam informações precisas, mas, em meados do verão de 2025, o Sol nunca mais voltou. Não houve despedida nem aviso prévio; era só mais um dia comum. Em qualquer esquina, qualquer viela desconhecida, alguém morria. Não havia fome, pobreza ou violência. Mas a felicidade deixou de visitar o vilarejo — e todos foram engolidos pela escuridão.
    Os adolescentes foram os primeiros — confinados no próprio quarto e sufocados por uma música mais alta que seu desespero. Em uma sequência óbvia, seus pais foram os próximos. E vizinhos, professores, policiais. Todos submeteram-se ao vazio. Algumas crianças sobreviveram ao massacre voluntário, talvez por covardia ou esperança. Nenhum cientista sobreviveu para buscar soluções. Loucos fizeram sacrifícios aos deuses insatisfeitos. Outros, antes exemplos morais, contrabandeavam paliativos. E os religiosos eram os únicos capazes de abraçar o conforto. Quem sabia enganar a si mesmo, sobrevivia.
    Elis terminou sua oração. Anos atrás, aquele era o lugar perfeito para assistir ao pôr do Sol de mãos entrelaçadas a um romance. E hoje era palco de seu marginalizado espetáculo. Suas lágrimas tinham medo de altura. Quanto tempo demora uma queda? O que acontece quando o corpo encontra o rio? Ela arrastou seus pés um pouco mais, esfarelando o concreto que sustentava a enorme ponte. Elis fechou os olhos e se equilibrou em um pé só.

    ***
    Klaus estava perdido. Dez horas na rodovia e nada de encontrar seu destino. Seguir em frente era sua única opção, mas a verdade é que aquela rodovia era responsável por lendas aterrorizantes, daquelas que só podem ser contadas ao redor de uma fogueira. Dizem que o último desavisado desapareceu sem deixar vestígios. A sabedoria popular alertava sobre monstros inimagináveis e assegurava que ninguém sobreviveria. Mas Klaus estava lá. Porque era louco, de acordo com sua família. E também porque ouviu boatos. Boatos sobre uma paisagem tão bonita que os olhos mal suportariam. Sobre uma floresta tão receptiva e tão livre que ele se sentiria em casa. Na companhia de um carro velho — e chocolates — ele não pensou mais do que três vezes e seguiu viagem. Klaus estava confiante, curioso e perigosamente feliz. E estava perdido.
    O sono era inevitável; sua sensatez decidiu que dormir seria uma boa ideia. Parou no acostamento para dobrar à direita e encontrar um lugar para dormir. A placa indicava uma cidade amigável, mas que passava por sérios problemas de eletricidade. Klaus procurou por algum sinal de vida, mas essa era a última coisa que aquele vilarejo poderia oferecer. Contornou os parques da cidade, que mais pareciam cemitérios, e retornou à ponte. Na metade do caminho, a luz de seus faróis encontrou uma mulher. Klaus desceu do carro, sentindo uma estranha necessidade de ajudar.
    — Olá.
    Elis quase perdeu o equilíbrio.
    — Oi — ele repetiu. — Tudo bem?
    Sem saber se gostaria de contar sua história, ela pensou em pular. Mas e se a curiosidade retornasse durante a queda? E se ela quisesse conversar? Elis relembrou de todas as suas mentiras sobre estar bem e deixou a raiva percorrer todo o seu corpo — um sinal de que algo ainda vivia ali dentro.
    — Não — sussurrou.
    E ela pulou. Bateu a cabeça em uma lasca de concreto. Aos poucos, Elis se levantou e suas lágrimas correram sãs e salvas. Sua respiração sentiu o triste ar do vilarejo, permitindo a alforria de sua voz.
    — Eu preciso de ajuda.
    Klaus franziu as sobrancelhas; ajudar não era sua especialidade. Ele quis pedir desculpas, indicar um terapeuta e ir embora. Mas algo mais forte que a gravidade prendeu seus pés naquela ponte, e tudo o que ele conseguiu foi construir um sorriso inseguro. Elis sorriu de volta e apontou o caminho para retornar ao vilarejo.
    O local indicado era uma espécie de trincheira ocupada por crianças esfomeadas. Com o carro abastecido de chocolates, cada criança energizada era motivo de comemoração. O estridente som de risadas arrancou a vizinhança do sono quase eterno, despertando a ira de alguns que não queriam acordar.
    Elis caminhou até o centro do vilarejo e retornou com latas de tinta. Seu rosto esboçava novos tipos de sorriso: fé, cautela, esperança. Uma parte da vizinhança se aproximou para reconhecer as cores — há quanto tempo não enxergavam o verde! Elis pintou a calçada e os carros abandonados com os dedos, fazendo gestos desorientados e insistentes. As crianças copiaram seus movimentos e, num minuto, todos participavam do mutirão de pintura, ainda desconfiados, como se fosse errado.
    Em pouco tempo, o vilarejo reuniu pintores amadores, crianças desordeiras e sorrisos satisfeitos. O estoque de chocolate, devorado até o último pedaço, estendeu a pacífica convivência por horas. Quando as crianças caíram ao chão, todos já estavam em silêncio — e então veio a crítica.
    — Isso não muda nada — alguém comentou, cruzando os braços.
    Certos de que aquilo não passava de uma histeria ilusória, os vizinhos mais próximos foram os primeiros a retornar aos seus esconderijos particulares, depositando mais infelicidades na conta. Elis se aproximou de Klaus e respirou fundo.
    — Achei que fosse acontecer alguma coisa.
    — Tipo o quê?
    — Achei que o Sol voltaria.
    Klaus não entendeu. Ele olhou em direção ao horizonte assombrado e, imerso em sua trajetória, teve um vislumbre do que ouviu tempos atrás — quando a vida era mais fácil e os mais velhos contavam histórias ao redor de uma fogueira. Seriam os monstros inimagináveis pregando peças no pobre vilarejo? Seus olhos brilharam; Klaus não era de se apegar aos fatos.
    — Talvez seja um teste, sabe — ele hesitou — , pra ver se você consegue continuar.
    — Continuar?
    — Sim, continuar a viver.
    Elis sorriu. Voltou sua atenção ao horizonte, como se o desafiasse, e agradeceu Klaus pela ajuda. Ele se despediu de todas as crianças e retomou seu caminho com sintomas de saudade. Embora sem repouso, ele sentia que era hora de seguir viagem e enfrentar seus próprios monstros.

    ***
    Sobre a ponte, todos os sobreviventes aguardavam a chegada dos fogos de artifício. Meses de preparo foram suficientes para que o vilarejo acreditasse que a noite de ano-novo era o recomeço perfeito. É claro que eles ainda enfrentavam problemas — o júbilo de uns não freou a desistência de outros. Mas, dessa vez, os sobreviventes ostentavam, com orgulho merecido, seus largos sorrisos e braços abertos para acolher qualquer alma desamparada.
    Elis se debruçou sobre a ponte e imaginou como seria o dia seguinte, quem sabe, um dia ensolarado. Ela imaginou como correria até o santuário para contar as boas novas, como sua família festejaria até não poder mais e como agradeceria todos os dias pela delicadeza de que é feita a felicidade. Do alto da ponte, Elis sorriu.
  • Deveria ter te falado

    Oi venho-te falar que tenho uma doença terminal não tenho muito tempo de vida, na verdade os médicos me falaram que tinha três meses de vida no máximo hoje esta quase no final desses três meses, não me brigue por não ter contado é que odiaria ver você perdendo tempo da sua vida se preocupando com alguém que já esta morta, e ver seu olhar de dó pra min não ia suportar isso acho melhor tomar um tiro, mas me desculpe por não ter contado antes, acho que sou idiota por não ter contado pode xingar me odeia  seria melhor, só de imaginar  você chorando me parte aquele meu coração que lava endurecida, mas se não chorar me arranca um sorriso. Sabe todo dai queria te contar, mas não consegui, por favor, entenda eu já estou morto não queria ser só um incomodo ver falsa esperança, não muito obrigado, mas não  quero. Você não tem ideia como não queria entrar em sua vida para partir tão breve, pensei todo dia de sumir com uma brisa que bate no rosto e se vai rápida mente não conseguia sempre queria aproveitar um pouco mais já que era meu fim queria acabar com lembranças boas mesmo que fosse só uma conversa boba ou um inteligente. Agora me despeço ADEUS vou sentir sua falta.
  • DOCE MORTE

    Doce morte
    Me seduz
    A brincar com a sorte

    De ver
    Se com você
    As coisas possam ser
    Um pouco melhores

    Cruel e sem piedade
    Carrasca
    Que a todos
    Sempre vigia

    Diz se meu
    Destino
    Sera de se ter com
    A vida

    Um mistério ao acaso
    Passar de repente
    Para o seu lado
    Agora, depois ou nunca

    Assustando-Se com
    As suas promessas
    Tão vagas
    Mais ternas

    Eu acabo me agarrando
    Mais a vida
    Que de tanta falta de sentido
    Sempre se encontra algum...
  • Ébrio existencialista

    Ébrio. Assim, amenizo a falta de sanidade que pormenoriza o estilhaço que é a vida. Gasto meu batom no papel vil do cigarro amargo; desdobro meus fragmentos de poemas, que são ínfimos, mas para atalhar a realidade estão ótimos.
    Cheiro de fumaça que assoma. Filosofia vã que os goles de uísque barato proporcionam. Devaneios existencialistas. Observo externamente essa cena: sorrio-me de canto de boca – mais por achar o choro lânguido que uma vida fortuita de bons gostos.
    Sentado ao sofá, cubro-me até meia coxa por uma velha manta azul balbuciada de escarlate. Sinto o dardejar da lareira. Fogo baixo e delgado, semelhante às certezas vigentes. Ao passo do som miúdo de um blues que desensurdece a indiferença alheia, perscruto os heterônimos de Pessoa, o amálgama de Baudelaire, The Raven – Poe. Nada diáfanos, todavia me fazem adorar a falta de afago e, no ápice da ontologia, temer os elogios das prostitutas que não pago.
    Meus pulmões estremecem na última tragada; minha boca seca, como o cerne da quimera cotidiana. O líquido do copo esvaiu-se, o dingo desacelera. Lanço o terço de cigarro na capela pseudo-incendiada – voo rasante à jusante.
    Cesso meu fitar. Embrulho minhas mãos exalantes na coberta áspera. Rememoro as mulheres que almejei, portanto esquecidas ao acaso; as indesejadas, que perfidamente beijei. Ainda que haja a indiferença do corvo, digo: nunca mais.
    Que a sobrevivência de um dramaturgo sem roteiro é árdua, nunca fora notícia; assim, vê-me, por favor, o espetáculo do palco fechado à penumbra da plateia vazia.
  • Ele

    Ele cansou. Está exausto de correr atrás do presente. Cansou do cheiro de coisas novas e preferiu usar o tato para encontrar conforto. Ele engoliu litros e mais litros de gritos acorrentados que hoje pesam dentro de seu estômago. Ele está tentando evitar essa ânsia que bate em sua porta todos os dias. Ele sobe as escadas até o vigésimo andar só pra olhar pela janela e assistir o presente visto de cima. Ele caiu na inércia. Entrou em piloto automático. Ele adotou o padrão e expulsou os devaneios da sua própria boca. Ele quebrou os próprios dedos pra não conseguir escrever sobre o peso dos gritos que arranham suas pregas vocais. Ele ficou diante de todos os caminhos e vendou os olhos para entrar no mais dolorido. Ele não está aqui. Ele está no seu próprio mundinho pedindo socorro por dentro e forçando um sorriso por fora. Ele pediu ajuda aos remédios e se viu com um punhado de fragmentos da própria morte em suas mãos. Pensou em por pra dentro também. Mas os gritos ocuparam todo o espaço. Cheio. Transbordando. Fechado.
  • Entre Lobos - (conto-romance) 2/9

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    NÃO SE SINTA PERDIDO(A) Leia o capítulo anterior! Tenha uma ótima leitura!

    28 de setembro 1939

                John estava dormindo quando acordou com o barulho da velha motocicleta de Derek estacionando em frente a sua casa. Nem se deu ao trabalho de saber que horas eram, de qualquer forma tinha a completa certeza de que era cedo de mais para estar despertando. Sonolento, sentou sobre a borda da cama por um breve tempo e depois deixou o quarto sem calçar seus chinelos. Ligou as luzes da cozinha e serviu uma doze de whisky que tomou em apenas um gole. Serviu-se novamente. A porta de entrada foi aberta.

    — Mas que droga é essa gora, Dek? – com sua voz rouca, soltou antes mesmo que seu filho pudesse dizer qualquer coisa. — O que deu em você?!

    — Não foi nada de mais! – o outro respondeu em seguida.

    — Nada de mais? – riu-se. — Olha só pra essa tua cara! Um belo estrago, não?! – reparou ainda.

    — Garanto que a do outro não ficou tão linda assim! – defendeu-se indo em direção ao velho sofá onde deixou que seu corpo caísse depois de por seu capacete em um canto qualquer ali perto.

    Ficaram em silêncio por alguns segundos até começarem a rir juntos da situação.

    — Tome. – John estendeu o copo. — Quem sabe isso ajude a amortecer a situação. – pausa. — Hansly? – então soltou tentando identificar quem fora o oponente daquele embate.

    — O filho da mãe sempre cruza o meu caminho. – Derek respondeu confirmando.

    — Vocês têm de resolver isso de uma vez! – o homem sugeriu. — Não podem ficar se atracando toda vez que se encontram. Não são mais moleques, droga! – ainda acrescentou.

    — Dessa vez não provoquei nada. Mark está de prova – defendeu-se. — Só o que fiz foi revidar. – explicou antes de tirar um gole da bebida.

    — Mark. – o homem soltou descredibilizando o valor da testemunha. — Tanto pior. – acrescentou. — Só espero que esteja em pé amanhã pra podermos trabalhar. – comentou afastando-se. — Tony Mayer anda impaciente com a entrega da caminhonete. Precisamos entrega-la de uma vez. – John comentou.

    — O senhor pode ficar tranquilo. – Derek tentando despreocupar seu pai. — Estarei lá! – respeitoso, completou vendo John sumir no corredor.

    Derek trabalhava na oficina mecânica de seu pai, por conta disso, tinha conhecimento o suficiente para dar cabo de alguns trabalhos. No tempo em que estava de folga, mexia em sua motocicleta e até fazia alguns ajustes na moto de Mark, seu grande companheiro de noitadas. John e ele estavam finalizando alguns reparos na caminhonete de um cliente quando o rapaz apareceu.

    — Vai, Dek. – John avisou concentrado no motor a sua frente. Seu filho deu a partida e tudo pareceu estar em ordem, finalmente. — Ok! Está bem, pode desligar! – ergueu a mão. Desceu o capô. — Esse deu trabalho! – comentou dando duas batidas sobre a lataria do veículo. — Finalizamos por hoje. – satisfeito.

    — Quando Mayer vem pegá-lo? – Derek perguntou.

    — Bem... – limpava-se em um pano que parecia ainda mais sujo que as suas próprias mãos. — Eu poderia muito bem ligar, mas quero que você faça esse favor pra mim.

    Mark aproximou-se.

    — Já que a sua namorada chegou – provocou os dois. — Vá até a casa dele e peça pra que venha dar uma olhada nessa situação.

    — Claro! Mas preciso de um dinheiro. – falou sem rodeios. — Estou sem cigarros e...

    — Você é um grande mercenário é isso que você é. – jogou o pano sugo contra seu filho antes de ir até um balcão onde abriu uma gaveta e retirar uma pequena quantia em dinheiro. — Mas olha – Derek aproximou-se. — Vê se não vai se meter em confusão novamente... Um olho roxo já lhe basta. – debochou.

    Derek apenas assentiu com o semblante devolvendo o trapo sujo e enfiando o que recebera no bolso da calça suja. Saíram os dois em direção a saída do galpão.

    — A propósito!  – Mark já passos distante virou-se para o senhor. — Eu sou o homem da relação. – referiu-se a brincadeira feita anteriormente pelo senhor.

    — Caiam fora daqui! – John respondeu achando graça.

    Depois de passarem na casa de Tony, Mark e Derek foram para um local conhecido onde costumavam tomar cerveja e ficar jogando conversa fora. Derek comprou uma cerveja e um maço de cigarros enquanto ouvia o deboche do amigo sobre o estado que ficara sua cara depois da noite passada.

    — Ora, vê se cala essa boca! – Derek — Sabe muito bem que fui eu quem se saiu bem nessa. – tomou um gole no bico da garrafa. — Mas que droga de amigo você, hein!

    — Fato, é fato! – o outro de mãos estendidas. — E ele está bem estampado na sua cara. – completou a provocação.

    — Ei! – chamou a atenção do rapaz atrás do balcão. — Dê mais volume! – pediu apontando para o rádio. — Qualquer coisa é melhor do que ouvir essa tua voz! – voltou-se novamente para Mark.

     Então, aos poucos dentro doe estabelecimento as vozes foram se calando e por fim, todos puderam ouvir sobre o ataque massivo que havia sido feito sobre a Polônia. Tanto a Alemanha quando a União Soviética haviam investido forças para tomar o país. Finalmente, Varsóvia, capital da Polônia, havia se rendido ainda no dia anterior.

    — Dane-se essa droga! – um grandalhão soltou atravessando o bar depois de acabar com sua bebida.

    Grande parte dos que estavam por lá o miraram.

    — Essa DROGA! – Mark falou chamando a atenção do rapaz que passou ás suas costas. — Pode muito bem vir a acontecer aqui! Na nossa casa.

    — Dane-se o que você acha também sobre isso! – o rapaz respondeu apontando o dedo em direção a Mark que de imediato pôs-se em pé.

    — Ei! – Derek tocou-lhe o ombro mostrando que não valia apena criar caso.

    — Isso mesmo! – o rapaz continuou. — Escute o teu amigo ou vai acabar ficando com o rosto igual ao dele! – advertiu.

    — Seu filho da mãe! – Mark então perdeu a paciência.

    Os dois embolaram-se entre socos e empurrões, Mark obviamente não daria conta do grandalhão sozinho e até mesmo o dono do estabelecimento pediu para que Derek intervisse naquele embate que, possível e provavelmente lhe daria algum prejuízo. Antes de obrigar-se a dar apoio ao amigo, Derek tomou o restante de sua bebida e no mesmo instante em que pôs-se ereto viu Mark ser projetado para fora do bar como se fosse um mero saco de lixo sobre a calçada. Indo de encontro ao rapaz, deu lhe um murro no estômago que a princípio não mostrou qualquer efeito e o soco no rosto pareceu apenas deixa o outro ainda mais irritado. No lado de fora, enquanto se recuperava, Mark era acudido por duas belas moças.

    — Mas que filho da... – Derek vendo em que se metera afinal de contas.

    — Vamos terminar logo com isso! – o outro a sua frente disse armando-se para uma nova investida.

    CONFIRA também - Meu querido Manequim
                                 Humanos
  • Entre Lobos - cap. 7 (conto-romance)

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    Não se sinta perdido...LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura e Obrogado a a tenção!!
    Katherine estava em seu quarto no segundo andar quando de sua janela os viu chegar. Não soube ao certo o que estava acontecendo afinal de contas Mark não os visitava com frequência, mas o que a deixou incomodada foi a presença de Derek.
    — Mark querido! – sua tia os recebeu. — Mas que ótima surpresa!
    — Olá titia! – a cumprimentou.
    — Mas o que o trás aqui a essa hora? – já era final de tarde. — Espero que nada...
    — Não, não! Eu vim por que...bem... – fitou Derek ao seu lado. — Precisamos...
    — Gostaria de falar com a senhora e o seu marido. – Derek interveio.
    Mark o mirou surpreso, de fato, não imaginava que seu amigo estivesse disposto a “encarrar” aquela situação de forma tão decidida.
    — Você é...? – a mulher então o fitou. – Oh, claro! – lembrou-se do almoço de outro dia. — O amigo de Mark.
    – Derek! – apresentou-se estendendo a mão para a senhora que respondeu ao gesto.
    — Derek, isso! – ela falou ainda recordando do assunto que envolveu ambos aquele dia. — Sim! Alan está na sala, mas o que há? – perguntou buscando a face dos dois a sua frente.
    — Gostaria de falar com vocês sobre Katy. – Derek respondeu.
    Ainda antes que acabasse de falar veio a voz rouca do homem de dentro da casa indo em direção a saída.
    — Mas que conversaria é essa afinal de contas? – falou e em seguida surgiu ao lado da mulher ao escancarar ainda mais a passagem. — Mark? O que está acontecendo?
    A mulher, com o olhar pedido sobre Deck, ainda tentava entender qual era a situação.
    — Esse rapaz – então voltou dizendo. — Veio nos falar sobre Katy. – sem tirar o olhar de cima dele foi direto ao ponto.
    — Katherine? – soltou franzindo a testa e quase que instantaneamente flechando Derek com um olhar desgostoso.
    — Sim! – ele posicionou-se.
    — E oque exatamente você teria para dizer sobre nossa filha? – adiantou-se colocando-se a frente de sua esposa que recuou obrigando-se a observar a conversa por um espaço que lhe sobrara.
    Nenhum deles havia reparado, mas não muito distante de onde estavam, Katherine, atrás de um pilar os observava com atenção. Assim que ela percebeu ser a razão daquela visita sentiu um certo desconforto, seu coração acelerar como nunca antes. Sim, a verdade é que reprovara Derek no primeiro instante em que o conheceu... Sua rebeldia, suas roupas desgastadas, aqueles olhares audaciosos, intrometido sobre ela, mas reconhecia também que algo havia mudado com a aproximação que tiveram outro dia no parque. Agora ele estava ali, falando com seus pais e ao mesmo tempo em que aquilo lhe parecia um absurdo, foi algo que mexeu ainda mais com seus sentimentos.
    — Espera. O que você está me dizendo?! – Alan. — Sentimentos por Katherine?
    — Não quero que o senhor me entenda mal – Derek se explicando. — Tenho as melhores intenções por Katherine e acredito que ela...
    — Filho! – Alan intrometeu-se e depois deu uma pausa fechando a porta para que ele e os dois rapazes ficassem a sós na varanda.
    Assim que viu a entrada ser fechada, Katherine resolveu deixar a sala, foi então que sua mãe a enxergou.
    — Querida! O que está fazendo aqui? Achei que estivesse em seu quarto. – aproximou-se de sua filha.
    — Ouvi, o que estavam, dizendo. – Katherine respondeu pausadamente.
    — Oh, sim! Mas não se preocupe, está bem? Seu pai vai resolver tudo. Esses jovens rapazes sempre confusos com as ideias. – concluiu sorridente em quando seguia com ela para o segundo andar.
    Do lado de fora.
    — Você não sabe o que está dizendo e eu entendo, afinal de contas você não deve imaginar o que realmente se passa com Katy, então vou ser franco com você.
    — Pelo contrário! Sei exatamente o que está acontecendo e isso não interfere no que sinto por ela, Senhor.
    — Você sabe?! – fitou Mark. — Então entende que já temos muito com o que nos preocupar aqui e não precisamos ainda ter que sondar um relacionamento que certamente não tem possibilidade de ir muito longe – pausa. — Talvez, sim, você tenha boas intenções... Derek, não é mesmo? – puxou o nome da memória. — Mas Katy não tem que passar por esse tipo de decepção.
    — O senhor me desculpe! Entendo que queira mantê-la segura, mas como pode ter tanta certeza de que não teremos um ótimo relacionamento? Acredito no amor que sinto por ela se Katherine estiver disposta a...
    — Amor! – Alan repetiu a palavra com certo desdém. — Acredite filho. Não é exatamente o “AMOR” que mantém um relacionamento ou até mesmo um casamento por anos. Em condições normais temos que saber provir a família de tantas formas que você ainda – o fitou por completo. — Desconhece. Com a condição de Katy a situação é ainda mais exigente.
    — Não estou descartando dificuldades Sr. Alan, mas tenho certeza de que Katherine e eu nos ajustaríamos a nossa maneira.
    — E que maneira seria essa?! – o homem então disse em um tom mais duro. — Levá-la para suas farras onde vocês brigam e bebem a noite inteira? – ficou Mark que mirava um canto qualquer enquanto ouvia. — Minha filha não vai ser mais uma de suas diversões, rapaz!
    — Mas senhor... – Derek insistiu.
    — Não há mais o que ser discutido sobre isso! – o homem concluiu. — Katherine está bem do jeito que está e espero que não se aproxime dela. – estendeu a mão indicando o caminho da estrada. — E você, Mark, faça o favor de não ficar instigando essa bobagem.
    — O senhor está errado! – Derek segui falando mesmo com seu amigo o empurrando para fora da varanda. — Todos vocês estão errados! Estão sufocando ela. Impedindo que ela tenha a própria vida!
    Sem dar atenção Alan fechou a porta.
    Já no andar de cima, da janela, Katherine viu seu primo e o amigo embarcarem em suas motos. Ainda antes de dar partida Derek a viu entre as brechas da cortina e foi embora.
  • Entre Lobos (conto-romance) 1/9

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    Estados Unidos 8/12/1941

    “...Peço que o Congresso declare que, em vista do ataque ardiloso e não provocado do Japão no domingo, 7 de dezembro, um estado de guerra passa a existir entre os Estados Unidos e o Japão”
    Franklin Roosevelt


    Minnesota, condado de Todd, final de tarde. Dias após o ataque a frota naval americana.

         Escorado sobre a mesa da cozinha, John tentava estabilizar a frequência da radio. A todo instante era transmitido notícias sobre a guerra que partira da Alemanha nazista sobre a Europa. Agora, com a participação do seu país na batalha após o ataque em Pearl Harbor, todo jovem americano era bem vindo ao exército e isso o deixava tenso, pois, Derek era seu único filho e possivelmente iria acabar envolvido àquela causa. Sua concentração era tamanha sobre os noticiários que se quer havia reparado que o próprio chegara e de fato só deu-se conta disso depois que seu filho largara um envelope a sua frente.

          — O que é isso? – perguntou sem tocar na correspondência.
          — Aqueles desgraçados vão pagar caro pelo o que fizeram! – Derek respondeu com precisão. — Vou me juntar ao exército! – declarou.

          O homem escorou-se na guarda da cadeira e tomou fôlego. Desfez-se do ar e levantou sem dizer uma única palavra deixando que a transmissão da rádio encontrasse seu próprio jeito de se consolidar. Foi até o armário e retirou um cigarro da carteira e em seguida escorou-se à porta de saída. Acendeu o fumo e tragou a fumaça profundamente antes de começar a falar.

          — Só espero que não esteja fazendo isso por causa daquela def...
          — Deixe Katy fora disso! – Derek interferiu-se. — Isso nada tem a ver com ela. – esclareceu. — E agradeceria se o senhor não a chamasse dessa forma novamente. A caso tem simpatia pelos ideias daquele tal Führer? – finalizou em um tom mais sério.
          — Não diga bobagens, rapaz! – o senhor firme contra aquela injúria. — Mas está bem! Faça como quiser. Não vai mais me ouvir dar um “pio” sobre essa garota, mas saiba que está criando a ti mesmo um grande problema! – deu outra tragada no cigarro.

          Derek não soube ao certo se seu pai se referia a sua entrada ao exército ou ao seu relacionamento instável com Katherine. Em meio aquele breve silêncio em que se encontravam, ouviram a chegada de um visitante. O rapaz deixou sua motocicleta junto a de Derek e foi de encontro a ambos, agora, parados em frene a  entrada da casa.

          — Sr. John! – o rapaz o cumprimentou respeitosamente antes de falar com Derek.
          — Olá, Mark! – o homem respondeu. — E as novidades, rapaz?
          — Bem... – mirou Derek. — O senhor já deve estar sabendo da nossa... Inclusão! – orgulhoso, referiu-se ao alistamento militar.
         — Claro que sim! – demonstrando não estar surpreso em saber que os dois estariam juntos também naquela empreitada, John respondeu com um pigarro rouco. — Afinal de contas, onde um estaria se não estivesse o outro? – riu-se com certo deboche.
          Mark apenas respondeu com um sorriso na face.

          — Precisamos conversar! – Mark dirigiu-se ao amigo logo à sua frente.

         Percebendo que seria um assunto que não lhe dizia respeito, John deixou que os dois rapazes ficassem a sós. Depois de trocarem algumas poucas palavras Mark deixou clara a razão de ter vindo. De dentro de sua jaqueta, retirou uma folha de papel dobrada e entregou ao outro. Era de Katherine, escrita por sua irmã Mary.

          — Ela está preocupada, Dek! – Mark comentou. — Acha que a ideia de termos entrado no exército foi meio... impulsiva. – descontraiu.

          A mensagem falava sobre a repulsa de Katherine sobre o alistamento de ambos e do quanto ela tronara-se mais reclusa após o término do relacionamento com Derek. Informalmente, pedia ainda para que ele viesse vê-la, deixando claro que os pais dela agora mostravam-se mais receptivos quando a presença dele.

          — Como ela está? – Derek pediu sobre Katy.
          — Até onde sei, mal tem deixado o próprio quarto... – breve pausa. — Pra uma pessoa que adorava fazer passeios isso deve significar alguma coisa, não?
          — Nada disso precisava ter acontecido. – Derek soltou. — Sabe que não foi por minha causa que...
          — Não os tenha mal. – Mark o interrompeu. — Meus tios sempre foram muito cautelosos a tudo o que envolvesse Katy... Só pensam na segurança dela.

         Ficaram em silêncio por alguns segundos.
         — Então, você não vêm? – perguntou.

         Derek o fitou condenando a possível chance de o amigo ter lido sua correspondência.

         — Não, não! – Mark logo se defendeu ao perceber a reação do outro. — Elas só me fizeram prometer que te convenceria ou te levaria amarado até lá. – brincou pondo novamente o capacete.

          Ainda que aquele convite lhe parecesse, num primeiro instante, estranho, Derek sabia que era preciso aceita-lo já que lhe restava pouco tempo na cidade e a verdade é que pouco importava se os pais de Katy, por causa da atual situação da filha, apenas iriam tolera-lo. Ele ainda a amava e nada sabia do que estava por vir assim de partisse para longe dela.

          — Vou dar uma saída! – esquivando parte de seu corpo para dentro da casa avisou seu pai que respondeu erguendo seu copo munido de whisky enquanto ainda fumava e fuçava na transmissão da rádio.

    Confira o capítulo seguinte! 
  • Entre Lobos (conto-romance) 3/9

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          Mary e Katherine vinham caminhando sobre a calçada quando viram, surpresas, seu primo alçando voo de dentro de um estabelecimento poucos metros a sua frente. O rapaz caiu completamente desengonçado e por esse motivo tiveram razões o suficiente para crer que ele não teria condições de erguer-se novamente, mas ainda mais incrédulas, viram ele, ainda meio zonzo, pôr-se em pé. Correram dar-lhe suporte.

    — Mark! – Mary assustada sem entender o que estava acontecendo. — Meu Deus! O que foi isso?! – o investigava de cima a baixo como se buscasse a certeza de que não lhe faltava qualquer pedaço.

    — Varsóvia! – o outro disse ofegante apoiando-se sobre os joelhos. — Maldito desgraçado! – soltou usando o restante do fôlego.

    — O que?! – no primeiro instante a única coisa que conseguiu pensar foi que se ele estivesse bêbado ou  provavelmente estava delirando por causa da queda.

    — Varsóvia foi rendida – continuou falando. — E aquele filho da mãe – mirou para dentro do bar. — Acha que está seguro. – sacudiu a cabeça negativamente. — Não hoje!

    — Mas do que você está falando?

    — Cuidado! – então advertiu afasto-as da entrada antes que fossem atropeladas pelos dois rapazes que agora saíam porta a fora socando-se.

    Sobre a calçada, depois de apartarem-se, Derek e o grandalhão passaram a se espreitar, um estudava o outro esperando o primeiro equívoco, um simples deslize para aquele embate chegar ao fim.

    — Nem sei bem ao certo o porquê de estarmos fazendo isso, cara! – Derek de punhos cerrados, fixo no oponente.

    — É um bom motivo pra você se arrepender de ter entrado nessa, então! – o outro respondeu.

    Então, todos ouviram a sirene soar e a viatura policial encostar rente a calçada.

    — Mas o que está havendo aqui? – o oficial falou sem deixar o veículo.

    Ambos se recompuseram, mas ainda se encarando.

    — Desculpa, chefe. – Mark adiantou-se. — Foi só um desentendimento entre... amigos. – buscou o semblante de Derek e o outro.

    — Mas olhem só... – o policial reconheceu Derek. — Parece que a confusão da noite passada não foi o suficiente, hein rapaz! Por que não me admira que você esteja no meio desse tumulto?

    — Eu...

    — Foi por minha causa! – Mark novamente. — Me desentendi com o... amigo – indicou com a face o grandalhão. — E... cá estamos nós. – soltou sem de fato explicar a situação. — Mas não foi nada de mais, já estamos... resolvidos, certo? – fitou o rapaz novamente que não respondeu, apenas ergueu mais o rosto mostrando superioridade.

    — Então é melhor que todos se acalmem. – o oficial falou com autoridade. — Ou vão acabar encrencados de verdade! Todos vocês. – completou antes de dar partida na viatura.

    O grandalhão passou uma das mãos sobre o lábio e sentiu o gosto do próprio sague. Sorriu.

    — Nada mal! – começou a recuar lentamente e por fim dando as costas para todos e indo embora.

    — Mas afinal de contas o que foi tudo isso?! – Mary completamente confusa. — Não acredito que você anda se envolvendo em confusão, Mark! – reprovou. — Titia não iria gostar nem um pouco de saber que...

    — Não se preocupe. – disse num tom calmo. — A propósito esse é Derek! – apresentou o amigo. — E obrigado, cara. – agradeceu em seguida.

    — Por ter levado uns socos por você? – o outro descontraiu. — Como eu poderia ter recusado!

    — Bem, me parece que os dois valentões estão satisfeitos, não? – Mary ainda tentou repreende-los.

    — Não muito! – Mark. — Ser jogado daquela forma foi humilhante. – completou vendo o sorriso machucado do amigo. — Me senti menosprezado, droga!

    Derek se ria ouvindo o amigo desgostoso quando passou a reparar na demasiada indiferença de uma das moças sobre tudo o que estava acontecendo. De fato, a garota ser quer havia dito uma única palavra desde que elas apareceram por lá. Talvez fosse tímida ou simplesmente, assim mostrou seu delicado e refinado modo de se vestir, ele a enojava. A verdade é que dificilmente se saberia ao certo e, de qualquer forma, aquele rosto doce com olhos claros lembrando dois diamantes azuis sutilmente lapidados, já havia aguçado a atenção dele. Como provavelmente aconteceria, a moça percebeu o olhar descarado e persistente sobre ela. Tentou desvencilhar-se buscando pontos que o tirassem de sua mira, mas obtinha sucesso por poucos segundos. Não demorou muito para que Mary reparasse no que estava acontecendo.

    — Bem... – Mary continuou. — Eu e Katy já estamos indo e aconselho a você a ir para casa também antes que arrume mais confusão. – sugeriu.

    — Estamos bem. – Mark declarou. — Foi só um imprevisto. – completou.

    — Você não tem mais jeito mesmo, Mark! – adiantou-se dando passagem para Katherine. — Não tem! – reforçou.

    Derek encontrava-se com as ideias distantes.

    — Ei! – Mark chamava o amigo. — Dek! – próximo a entrada do estabelecimento chamava o amigo. — Acho que merecemos tomarmos outra, não?

    — Por que nunca me falou sobre ela? – Derek então soltou.

    — O que? – voltou-se para o amigo.

    — Nunca me falou sobre essa sua prima... Kathy, não é?

    — Não! Não, não, não. Esquece! – o outro já cortando o assunto. — Nem pense nisso, cara. Vai encontrar problemas, ali!

    — E acaso não estou acostumado com isso? – abriu os braços mostrando sua situação. — Maldita hora que resolvi me envolver na tua confusão Mark! Ela deve estar me achando um animal.

    — Coisa que você não é, certo? – o amigo debochando.

    — Pro inferno! – cruzou por ele. — Você me deve essa e sabe disso! – deixou claro.

    — Pois bem! – Mark seguiu dizendo vendo o amigo entrar no bar. — Te pago uma cerveja, então!

    — Não! Não é o suficiente. – voltou a sentar-se de aonde havia saído. — Mas já é um começo. – acomodou-se dizendo por fim.
  • Entre Lobos (conto-romance) 4/9

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    Naquela manhã de sábado Mark ligara para Derek pedindo para que o amigo viesse dar uma olhada na sua Formosa, apelido carinhoso que dera a sua motocicleta. Ainda perto do meio dia, ele apareceu por lá. Mark já o esperava disposto a dar cabo de tudo sozinho.

    — Ela não liga, Dek. – adiantou o problema. — Não está dando partida. – explicou ainda.
    — Vamos ver. – o outro disse depois de aproximar-se e cumprimentar o amigo que se mostrava preocupado com a situação.

    Já haviam se passado alguns minutos desde que Derek procurara desvendar o problema quando um automóvel escuro estacionou sobre o gramado em frente a casa. Sem dar atenção, ele continuou fixo no que estava fazendo, diferente de Mark que ao perceber quem chegara lgo  foi recepciona-los.

    — Mãe! – disse indo em direção ao carro. — Eles chegaram. – avisou.
    — Mark! – um senhor falou depois de desembarcar Do vveículo. 
    — Tio. – cumprimentou o homem com aperto de mão e um abraço.
     
    Em seguida uma mulher desembarcou acompanhada de suas duas filhas.

    — Ajude sua tia, sim. – sugeriu ao sobrinho. — Trouxemos algo para o almoço.
    Mark contornou o veículo e deu auxílio a Dna. May.

    — Deixe que eu levou tia. – adiantou-se pegando uma bandeja larga. — Olá Mary... Katy. – cumprimentou suas primas também.

    Então, Derek, voltou-se para trás e viu Katherine deixar o veículo. Mark, acompanhado pelos demais veio em direção a residência.

    — O que houve? – o homem parou por um segundo ao ver o que estava acontecendo.
    — Minha princesa não está bem. – Mark respondeu pelo amigo. — E esse é meu anjo da guarda – referiu-se ao amigo agachado — Dek esse é meu tio Alan e tio Alan esse é Dek. – os apresentou.
    — Me desculpe, senhor. – Derek pôs-se em pé. — Eu o cumprimentaria, mas... – estendeu as mãos mostrando o quanto estavam sujas.

    O rapaz não soube se seria muito educado cumprimentar o senhor daquela forma. Deixou de ter dúvidas quando percebeu que o homem lhe estendera a mão. “É o melhor.” Ouviu Mark falar logo ao lado do senhor.

    — Deixe disso, rapaz. – o homem disse. — Mãos como essas representam o progresso.

    A poucos passos as costas dos dois cruzou Katherine que o fitou discretamente. Mary o ignorou completamente assim como Dna. May. Na entrada da casa surgiu Sofya, mãe de Mark, uma mulher simpática e sorridente que agora as esperava calorosamente. Mark, juntamente com seu tio, seguiu para dentro de casa.

    — Já volto, Dek. – avisou e a verdade é que realmente não levou muito tempo até que estivesse de volta. — E então... como está indo? – pediu com certa preocupação.

     Sem responder, Derek prendeu novamente a mangueira a uma pequena saída do motor e pediu para que o outro tentasse dar partida novamente. Como por um milagre, a motocicleta respondeu imediatamente.

    — Eu sabia! – Mark contente. — Você daria um jeito, Dek!
    — Coisa simples...
    — Bem... Como minhas economias andam...escassas. – agora o outro explicava-se. — Não tenho como te pagar, mas – desligou a moto. — O que acha de almoçar com nós.
    — Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu. — Me parece uma reunião íntima. – referiu-se ao encontro dele com os familiares.
    — Não, não! Deixa disso! – o convidou com um movimento de mão. — Meu tio provavelmente te interrogue, mas é uma boa pessoa. Pelo visto ele gostou de você.
    — E isso é bom?
    – Depende do quanto você corresponda as expectativas dele. – riu-se.

    Percebendo que não existiria uma maneira de impedir que aquele convite se desfizesse seguiu o amigo para dentro da residência.

    Derek sentiu-se um pouco acuado sentado à mesa. Diferente dos demais, ele usava uma vestimenta mais informal. Até mesmo Mark que entre todos era o que mais se assemelhava a ele, estava ou lhe pareceu aquele momento, especialmente bem alinhado.

    — E então... Derek. – o senhor dirigiu-se a ele. — Tem dom para concerto?

    Mark, então, o fitou como se lhe dissesse “Falei que isso podia acontecer”.

    — Bem... Trabalho na oficina de meu pai. – explicou objetivamente. — Ajudo a...resolver algumas coisas.
    — E vejo que se sai muito bem, não. – referiu-se a moto do sobrinho.
    — Obrig...
    — Ainda que se evolva em problemas nas horas vagas. – Mary soltou num sussurro, mas que claramente pode ser ouvido por todos.
    Mark posicionou-se.
    — Aquele dia foi apenas um... Equívoco.
    — Chame como quiser, Mark. – Mary. — A meus olhos vocês não passavam de dois baderneiros.

    Então, estalou-se um certo desconforto a mesa. Derek arrependeu-se no mesmo instante em ter aceitado aquele convite. Não tinha sido o suficiente ter passado a impressão errada na primeira vez, ainda teria que ser exposto ante a família inteira de Katherine, que tanto quanto a última vez, mantinha-se calada. Tanto ele quanto Mark foram envolvidos pelas desaprovações de todos.

    — Mas Dek não teve culpa. – Mark esclareceu. — Tudo o que fez foi ajudar.
    — Uma confusão sempre será uma confusão! – o homem colocou fitando os dois. — E não tolero baderneiros, Mark! São um atraso. E em respeito a memória do grande homem que foi teu pai, não vou tolerar ou permitir que você se torne um. – completou apoiado por sua irmã Sofya.
    — Obrigado, Mary. – então Mark dirigiu a prima. — Finalmente estou conseguindo ser visto como um delinquente. – debochou ao mesmo tempo em que abocanhava um pedaço de carne.

    Ela apenas ergueu as sobrancelhas lembrando algo do tipo “Não há de que”.
  • Entre Lobos (conto-romance) 5/9

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    (POSTAGEM TODO INÍCIO DE MÊS) Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! TENHA UMA ÓTIMA LEITURA!


    — Que almoço, hein? – Mark na varanda riu-se com o amigo depois.

    Sem dizer nada Derek apenas calçou um cigarro entre os lábios. Apalpou os próprios bolsos, mas não achou seu isqueiro.

    — Tome. – o outro alcançou o seu depois de acender o próprio fumo. — Não ligue... Eles são assim mesmo. Conservadores.

    — Claro! – disse depois de soltar a fumaça do pulmão. — Mas então acho que já está tudo resolvido por aqui. – fitou a motocicleta do amigo. — Já é hora de eu ir.

    Assim que disse isso, viu atravessarem a porta de saída Mary e Katherine acompanhada logo atrás por seu pai e as duas mulheres.

    — Mas nos deixe na cidade, papai. – Mary. — Eu e Katy queremos conhecer o parque que chegou essa semana. – comentou.

    — Está bem. – o senhor respondeu. — E o que acha de fazer companhia a elas Mark? Seria de bom tom se agisse como um cavalheiro algumas vezes.

    — Não é necessá... – Mary

    — Claro! – Mark respondeu de imediato. — Assim aproveito pra testar a Formosa. – respondeu com semblante sorridente.

    — Mas pai... – Mary ainda não aprovando aquela ideia.

    — Sabe que não gosto que andem sozinhas, ainda mais em lugar tumultuados como esses. – o homem deixou claro. — Mark lhes fará companhia, sim. – completou aproximando-se de Katy e lhe acariciando o rosto. Seguiu em frente depois de despedirem-se de Sofya. Minutos depois o veículo deu partida e sumiu.

    — Mas e vocês? – A mãe de Mark perguntou sem entender o porquê de os dois ainda estarem por lá. — Já não deveriam ter ido encontrá-las? – completou voltando para dentro de casa.

    — Sim! Claro! – Mark de súbito. — O que acha Dek? – disse apoiando a ideia de tê-lo como companhia.

    — Bem... – Derek deu mais algumas tragadas no fumo e antes que pudesse dizer qualquer coisa o outro antecipou-se comentando.

    — Talvez tenhamos que aturar o humor inflexível de Mary. – brincou. — Mas pense nas lindas mulheres que por lá estarão. – deu um tapinha no ombro do amigo.

    Derek sorriu vendo a perspicácia do amigo.

    — Por isso você aceitou a sugestão do teu tio, não foi? – falou dano uma última puxada na fumaça e jogando fora o cigarro pela metade.

    — Tudo na vida tem um preço. – respondeu pondo seu capacete. — E nesse caso, vejo como uma... Troca de favores. – breve pausa. — As mantemos seguras enquanto bebemos e admiramos a paisagem. Perfeito, não? – concluiu antes de dar partida na motocicleta. Pegaram a estrada.

    O lugar realmente estava movimentado, mas não levaram muito tempo até que conseguissem encontra-las em meio aquela multidão. Derek aproximou-se com o amigo e parou próximo a Katherine que evitava o encontro de seus olhos.

    — Nós vamos caminhar. Deve ter muita coisa interessante por aqui. – avisou o primo. — E você – o mirou séria. — Conseguiria não criar problemas? – soltou antes de afastar-se com Katy.

    — Fique tranquila. – começou com um tom debochado. — Farei o máximo pra que não me diminua no próximo almoço. – então, embrenhou-se com Derek no movimento.

    — Ok! – Mark soltou em algum momento mais tarde já sentindo-se incomodado. — Preciso de uma cerveja e não acho que vou encontrar isso por aqui. – ainda mirando ao redor. Avistou suas primas em frente a uma barraca. Foram até elas. — Como estão se saindo?

    — Muito bem. – Mary respondeu. — Vamos só comprar um refresco. Logo papai vem nos buscar.

    — Acho que vou me contentar com isso. – ele sussurrou dando-se por vencido referinod-se a bebida.

    Assim que um pequeno grupo deixou o lugar depois de fazerem suas compras Mary adiantou-se acompanhada deMark. Katherine mirava a imensa roda gigante que estava a alguns metros longe de onde estavam, vendo sua atenção sobre a atração, Derek usou-a como um meio para em fim aproximar-se dela.

    — Imensa, não? – disse parando logo ao lado. Katy o fitou com o semblante liso e não disse nada. — Quer ir até lá? – perguntou.

    Katherine, pensou por um segundo e sorriu demonstrando ter deduzido o que ele lhe dissera.

    — Conhecer? – respondeu com a voz fraca. — Ela? – indicou com a face.

    — Sim! – ele disse. — Gostaria? – mostrou o caminho com um gesto simples.

    Katherine o observou e respondeu afirmativamente com a cabeça, mas sem pronunciar uma única palavra.

    — O que acha que está fazendo? – Mary então susrgiu como um fantasma.

    — Bem... Nós íamos até a roda gigante e...

    — Não, não vão! Não mesmo! – a outra posicionou-se. — Katy – voltou-se para a irmã. — Não pode agir dessa maneira... precisa ser mais cuidadosa. – reprovou a atitude da irmã.

    — Calma! Não há nada de errado. – Derek. — Só estamos conversando.

    — Não! Ela não está conversando! – respondeu com mais frieza. — Você quem a está importunando. – entregou um copo para a outra. — Deixe-a em paz! Sei muito bem o que você pretende com ela. – insinuou ainda. — Vamos, Katy. – deixou que a outra passasse a sua frente.

    — Mas... – Derek mirou o amigo que deu de mãos como se dissesse “esquece, esquece”.

    — Já te falei sobre isso. – Mark segundos depois. — Vai encontrar problemas ali. – referiu-se a Kety. — Tanto meus tios quando Mary... – pensou por um segundo. — Talvez não minha tia, mas os outros são bem rigorosos quanto a Katherine.

    — Não entendo.... – buscou uma explicação para si mesmo.  — Beata? – concluiu.

    antes mesmo de responder o outro sorriu parecendo debochado.

    — Mais complicado do que isso. – riu-se Mark. — Katy não é como as outras, Dek. – secou seu refresco. — Acho que a diversão acabou por aqui.

    — Vamos até minha casa. – agora Derek sugeriu. — Lá te um bom wisk e você aproveita pra me explicar melhor essa história.

    O outro concordou ao perceber que seu dia ainda não estava perdido.

    Agedeço a atenção!
    Confira também os outros títulos!
    Forte abraço!
  • Entre Lobos (conto-romance) 6/9

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    Não se sinta perdido(a), LEIA os capítulos anteriores! Tenha uma ótima leitura!
    Derek fumava escorado sobre o corrimão acompanhado de um copo de bebida e mais adiante, não muito distante de onde estava, Mark permanecia sentado sobre os poucos degraus que levavam a varanda. A rua em frente, monótona, estava tão quieta quanto os dois amigos.
    —... Quer me fazer de besta! Você está zombando de mim, Mark. – Derek então falou depois de soltar a fumaça do pulmão.
    — Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? – o outro respondeu imediatamente. — Você deve ter percebido algo de estranho, não? Com ela. Queria saber o que esta havendo e estou te dizendo. – completou.
     — Mas... Impossível! Você mesmo viu o que aconteceu no parque! Por mais curta tenha sido nós tivemos uma conversa. – jogou contra. — Não? – riu-se.
    — Está bem, talvez a situação não seja exatamente como coloquei... Ao menos não ainda. Apesar de Katherine ter perdido grande parte da audição, não significa que não consiga nos ouvir. – tirou um gole da bebida. — Sinceramente fiquei surpreso que ela tenha se ariscado a falar com você, Dek. – comentou ainda. — Ela costuma ser extremamente reservada.
    O amigo ainda refletia sobre o que acabara de ouvir.
    — Reparando agora, isso explica muita coisa. – então, disse depois. — E como pode ser desfeito? – atencioso. — Isso pode ser desfeito. – reformulou a frase esperando que sua confirmação fosse apoiada pelo amigo.
    Mark negou com a cabeça antes de responder.
    — Não! – pesaroso com aquele fato. — E com o tempo só piora. Meus tios já procuraram todos os meios pra ver se ao menos isso pode ser interrompido, mas parece que vai chegar o dia em que ela simplesmente vai deixar de ouvir qualquer coisa, Dek. – esclareceu por fim. — E isso é muito triste de saber.
    Ficaram em silêncio.
    — Por isso, meu caro amigo, vou dizer uma última vez. – Mark pôs-se em pé. — Esquece essa história. Não vai querer essa situação pra você. Acredite.
    — Como?! – Derek surpreso. — Acho que não entendi direito. – precisou de confirmação.
    — Não, você me ouviu muito bem. – Mark afirmando o que havia dito. — Esqueça Katy.
    — Poxa vida, Mark! Achei que fosse ter ao menos o teu apoio! – insistiu.
    Antes de seguir falando o outro pôs seu copo vazio junto ao do amigo.
    — A surdez de Katy é só parte do problema, Dek. – continuou dando de mão em seu capacete. — Viu como Mary reagiu só de você trocar umas poucas palavras com ela, meu tio é tanto pior. – montou na motocicleta. — Acredite, cara! Se tem alguém que pode falar com propriedade, essa pessoa sou eu... Faça um favor a si mesmo. Esqueça Katherine ou isso pode não acabar bem.  E é tudo o que tenho a dizer sobre isso. – de ombros vestindo o acessório dando partida e indo embora.
    Derek continuou onde estava, fumando imóvel vendo o amigo levantar poeira da estrada. Não demorou muito e ouviu a porta atrás abrir e bater novamente. John aproximou-se dizendo
    — Deveria dar ouvidos ao que ele disse.
    — As espreitas agora? Não achei que o senhor agisse assim. – comentou vago buscando fitar o homem por cima do ombro.
    — Não pensa em levar isso adiante, não é? – o homem seguiu dizendo sem dar ouvidos ao que seu filho lhe dissera.
    — Bem... Parece que todos já sabem o que eu devo ou não fazer, não é? – respondeu tomando o restante de sua bebida e em seguida lançou o toco de cigarro na estrada antes de seguir para a porta de entrada.
    — Pense melhor, rapaz. – o homem sugeriu. — Essa não é como uma de suas brigas de rua. Ao mesmo consegue enxergar isso?
    — Claramente. – entrou deixando a porta bater. — Claramente. – repetiu.
    Na manhã seguinte, como de costume, John escutava os noticiários sobre o avanço da Alemanha. Foi surpreendido ao ver que Derek surgira mais alinhado com suas vestimentas, logo deduziu que seu filho preparara-se par uma ocasião mais formal.
    — O que merece todo esse cuidado? – falou.
    — Vou até a casa de Mark. – esclareceu o que deixou seu pai confuso. — Quero falar com os pais de Katherine e espero que ele me diga onde encontrá-los. – por fim.
    O home desfez-se do aparelho.
    — Mas que droga! Achei que tivéssemos resolvido esse assunto! – John sério. — Vai realmente insistir nessa história?
    — Já tomei minha decisão. – respondeu indo em direção a saída.
    — Não me dê às costas, rapaz! – o homem deixou o assento. — Não percebe o erro que está cometendo? Com pode considerar uma vida normal com alguém que um dia não vai nem escutar o que você diz?
    — Dane-se todos vocês! – Derek posicionou-se. — Não vou abrir mão daquilo que eu acredito por que vocês são covardes!
    — Cuidado, rapaz! – John o advertiu.
    — Covardes, sim! Não teriam coragem de enfrentar uma situação como essa e por isso se não conseguem mantê-la trancada querem impedir que o mundo não se aproxime dela.
    — E o que pretende fazer? Não tem culhões pra esse relacionamento, filho. – disse. — Mal consegue manter os bolsos cheios.
    — Ainda assim é o que pretendo fazer! – insistiu.
                — Pois bem. – deu de mãos abertas. — Resolva isso de uma vez, então! Quem sabe, depois de ser enxotado perceba quem está certo.
    Sem dar ouvidos Derek partiu.
    — Você enlouqueceu de vez, Dek! – Mark ainda sem acreditar no pedido do amigo. — Acaso ouviu alguma coisa do que eu disse ontem?
    — Cada palavra.
    — Cara, você realmente gosta dela, não é? – agora admirando a postura do amigo.
    — Assim que a vi, Mark. – respondeu. — Por isso preciso da tua ajuda. Não vou desistir sem que ela mesma deixe claro que não tem sentimentos por mim.
    Mark respirou fundo e soltou o ar.
    — Está bem! – então concordou. — Parece justo. Afinal de contas você já me ajudou tantas vezes. – estendeu a mão. Cumprimentaram-se com força. — Provavelmente meu tio me mate por dar apoio a isso, mas vejo que é sincero o que sente por Katy. Quem sabe eles também enxerguem...
    — Tudo de que preciso agora é do teu apoio. – Derek respondeu vendo transparecer na face do outro um sorriso de satisfação.
    CONFIRA TAMBÉM... Meu Querido Manequim / Humanos
    OBRIGADO a ATENÇÃO!
  • Eu e o Pássaro

    Ninguém quer sentir inveja, ela simplesmente aparece. Queria poder voar, sentir o vento no meu rosto e ser livre pra ir onde quiser, mas não posso. Não sou um pássaro! E é aí que aparece a inveja, ela chega bem devagar no ouvido da sua mente e diz: “Olha aquele passarinho! Ele voa, encanta a todos com seu contorcionismo nos ares e parece ser feliz com essa vantagem. E você?! Você não consegue voar! E é feliz com isso?” e nossa mente, sabe muito bem a resposta e manda apenas uma sensação pro nosso consciente… a inferioridade. E para tentar me sentir superior e competir com a maldita ave eu construo aviões e paraquedas, crio técnicas, trajes especiais, pulo de Bungee jumping, faço de tudo pra depois olhar pra lado e ver que eu ainda sou mais infeliz que o pássaro.
    O pássaro não liga pra mim, não ligar pra minha dor, ele vive a vida dele e aproveita seu dom. Ah, Como eu queria esse dom! Encantar os outros com acrobacias maravilhosas, sentir o bem dito vento em minha face, mostrar minhas belas penas quando bater as asas e ter um canto majestoso. Entretanto, eu voou como uma pedra, o vento que sinto em meu rosto pode me cegar, minha pele tem tatuagens que não se comparam a penugens e minha voz rouca cansa os ouvidos alheios. Como posso prosseguir assim? Como posso esquecer essa dor se tudo me faz lembrar dela?
    Já tentei fazer amizade com o pássaro, para ver seus podres e conseguir superar minhas fraquezas, porém ele me abriu as portas de seu ninho, me contou sobre sua trajetória de vida, sua função na natureza, me mostrou seus troféus, me contou que errou bastante e se arrepende de tudo de ruim que fez, e também me mostrou sua namorada.
    A inveja não é um sentimento fixo, ela com certeza vai te levar para outro bem pior. No meu caso, quando eu soube tudo sobre o pássaro, meu coração disparou, meu olhos reviraram, minhas mãos tremeram e meu coração antes tomado pela inveja mudou para o ódio.
    O ódio é como o escuro, quanto mais se têm menos se vê o que a gente faz. E eu estava cego de tanto ódio que circulava no meu corpo, cada glóbulo no meu sangue odiava o pássaro, odiava seu voou, suas sensações, sua linda namorada, seus belos arrependimentos, odiava aquela vida!
    E o que acontece quando tem alguém cego de ódio perto de sua causa?!... Uma vingança cega.
    E foi isso que aconteceu… uma vingança cega! Eu depenei o pássaro com cuidado, cortei suas asas com todo o respeito que suas coreografias aéreas mereciam, tirei seu bico cantando a melhor música que aquele bico já cantara e joguei seu corpo de um penhasco para que pela primeira vez ele sentisse a decepção de não conseguir voar igual eu sentia. E eu estou me sentindo melhor do que jamais estive, vestindo uma roupa de penas feita pelas minhas próprias mãos e tendo seu bico como troféu na minha estante.
    Eu?! Se eu estou me sentindo arrependido?! Hahaha, arrependimento é coisa de pássaro.
     
  • Eu sou...

    Eu sou fogo de euforia, logo menos sou gelo de tristeza
    As vezes eu não existo, as vezes eu só quero mostrar ao mundo que eu ainda existo
    Morro de amores por ele e choro por ele não sentir amor por mim, eu sou inimiga da solidão, mas as vezes nos damos as mãos e ela se torna minha melhor companhia, meu corpo pede aconchego, meu coração corre do apego, mas sempre é pego.
     Eu ando na linha, no limite, mas eu nem sei qual é o limite, eu posso ser as águas calmas do mar morto, ou a bomba de hiroshima, depende do que me domina
    Meu cerebro tem ligações interminaveis incapaz de ser compreendida, eu sou um enigma, sou uma bomba relógio disfarçada de anjo, sou pó, apenas uma imagem , muito prazer, meu nome é borderline.
  • Eu vi um anjo

    Escuro com asas pretas
    Asas bonita, belas escuras
    Escuras como a noite

    Noite tão escura, insegura
    Insegura, falta de segurança
    Segurança, pra que se
    Em uma noite escura

    Um anjo preto te cercas
    Cercas você, única saída
    Saída abaixo das asas
    Asas bonita belas escuras

    Belas asas pretas escuras
    Escuras como meu pensamento
    Pensamento de um rapaz
    Que um dia foi claro

    Claro como, escuro como noite
    Brilhante como a lua
    Escuro como as trevas
    Esse rapaz encontra uma saída

    Ao lado do anjo
    Anjo do bem?
    Anjo do mal ?
    O que o anjo fez ?

    O que o rapaz fez ?
    O que ele escolheu ?
    Para onde ele foi ?
    Ele já se foi !!!

    A vida se vira em trevas
    Trevas circulam o rapaz
    Rapaz que não tem saída
    Saída de uma vida, em trevas

    Para onde fui, quem leu não saberá posso ter morrido, me matado, ou talvez, esteja apenas na sua mente, um amigo imaginário, se eu realmente existir, poderei falar e fazer a diferença entre os humanos, quem me dera ser humano, largar essas asas de maldade e viver em paz.
  • Fim

     Hoje me veio esse sentimento, essa dor, e essa vontade de acabar com tudo isso.
     Passei dias enganando minha vida real, me tirando da rotina pra tentar seguir em frente, pra tentar ser feliz. 
     Mas agora, estando aqui como sempre, como todos os dias, me trouxe essa angústia.
     Eu sinto muito, eu peço perdão, mas eu não aguento mais, eu fiz o possível, dei o meu melhor pra estar aqui, mas preciso acabar com isso, preciso que essa dor acabe.
     Sei que nunca vão entender minha atitude, mas não vejo outra saída pra minha vida, eu tentei, juro, mas esse é o meu FIM.
     E vai ser melhor assim, melhor pra mim.

  • Frustração, depressão e comportamento na pandemia

    matéria frustração

    Abordaremos neste artigo alguns comportamentos, situações, que devem ser muito bem analisados durante a pandemia, não só durante ela, mas é a realidade que vivemos atualmente.
    Designamos frustração como “sentimento de insatisfação ou de contrariedade, geralmente causado pela não concretização de um desejo, uma expectativa, necessidade ou de um objetivo”.
    A frustração é a grande “máquina” que derruba uma pessoa, sua autoestima, algumas vezes transformam a sua personalidade, variando de pessoa a pessoa e como lida com ela.
    Quantas pessoas não estão frustradas devido à pandemia?
    Cursos não realizados, objetivos prejudicados, empregos perdidos, isolamento das pessoas, dentre muitas outras situações, cada um sabe o que perdeu por causa da Covid19, e isso pode gerar a depressão.
    Depressão
    Devemos estar atentos, com quem vivemos dentro de nossa casa, em nosso convívio, às vezes a pessoa está em uma tristeza profunda, uma depressão, está destruída por dentro, mas ninguém percebe ou ela mesmo faz de tudo, para ninguém perceber.
    Muitos ainda tratam a depressão como frescura, com desdém. Nunca julgue a dor de alguém, por mais “bobo”, simples, pequeno que pareça para você, para o outro é enorme, é um pico a ser escalado, é uma pedra enorme para carregar nas costas, tenha empatia, a última coisa que uma pessoa depressiva precisa são julgamentos. Saia da sua bolha e olhe para o próximo, preste atenção ao seu redor.
    Alguns comportamentos que devemos ficar atentos:
    1. Humor depressivo. Sensação de tristeza constante, autodesvalorização, apatia, neste caso surge até o desejo de suicídio, na qual esses pensamentos devem ser investigados sistematicamente. Quando o depressivo pensa em tirar a sua vida, ela não está sendo covarde como muitos falam, mas sim está querendo diminuir a dor que está sentido, ela está tão forte que não sabe mais lidar com ela, acredite a última coisa que o suicida realmente quer, é se matar.
    O suicídio não é a saída para nada, é a pior decisão a ser feita, é um caminho que não tem volta, que traz consequências muito pesada e irremediável.
    2. Retardo Mental, falta de energia
    3. Insônia ou sonolência demais
    4. Falta ou apetite em excesso, qualquer um desses dois que não é “normal” no comportamento da pessoa.
    5. Mal estar, dor no peito, falta de apetite sexual
    Fonte: Saúde.gov.br
    Com isso fique atento com o seu próximo, preste atenção aos detalhes, muitas vezes uma conversa ajuda, outras vezes apenas palavras não resolve, mas sim atitude, ação, tudo que não se deve fazer é julgar, antes de apontar o dedo, se coloque no lugar do outro, não condene, apoie, reserve um tempo para passar com essas pessoas. Apoie o sonho delas, pois nada é impossível, nada.
    Essa pandemia destruiu famílias, objetivos, sonhos, portanto preste atenção ao seu redor, tenha empatia, porque ninguém está livre ao decorrer da vida se frustrar ou de flertar com depressão.
    Caro leitor que está triste, se sentido depressivo preste atenção.
    Quem está depressivo, sempre há um outro caminho, sempre há uma luz por mais escuro que esteja, saiba que nunca está sozinho, como você tem milhares de outras pessoas, procure ajuda, procure conversar, entre em grupos.
    Pode ter certeza que para alguém você é muito especial, você é o mundo de outra pessoa, mas não percebeu ainda, sejam filhos, pais, esposa, marido, amigos, parentes.
    Faça coisas que te dá prazer, ouça música que te agrada, se te faz feliz jogo, jogue. Gosta de andar então caminhe, pinte, grite, dance, não se apegue a pessoas a quem não te apoia em seus sonhos, não te apoia porque você é grande. Se foque em quem está do seu lado.
    Dentro da sua mente “viaje”, escreva esses sonhos, essas viagens em um caderno, em um editor de texto, ninguém precisa saber o que se passa dentro da sua mente, então vai ser feliz, afinal você é dono da sua realidade, você é dono do seu pensamento e ai dentro ninguém pode entrar, ninguém pode te julgar.
    A palavra-chave para você agora é felicidade, se te falarem que o seu sonho é impossível, ou algo idiota, sorria, você está no caminho certo.
  • Garoa

    A noite já começava a apresentar sinais do seu término, mas eu ainda continuava a minha caminhada noturna. O clima era frio, como é de se esperar de uma madrugada. De tempos em tempos eu parava, em partes para recuperar o fôlego mas também para observar a lua. Minha velha e única amiga, dali a alguns dias sumiria, dando sua graça novamente na época crescente. Enquanto andava próximo ao rio, percebi algo boiando, parecia ser um saco. Ele se mexia de maneira frenética, de uma maneira tão agressiva, que pensei que ia se romper. Confesso que pensei em deixar para lá, já não era da minha conta. Foi então que lembrei de mim.
    Pulei naquelas águas imundas, nadei com todo o vigor que eu dispunha até chegar ao saco. Chegando lá percebi que o movimento, antes desesperado, agora era sereno e sem muita energia. O culpado daquela atrocidade era um monstro, tentei julgar. Mas antes que pudesse vociferar maldições ao sujeito que fez aquilo, lembrei que antes de saltar naquela água fétida e gelada, cogitei o abandono. Puxei o saco para a margem, e o rasguei quando cheguei em um lugar mais seco. Rapidamente o revirei e encontrei algo difícil. Haviam três filhotes ali dentro, mas apenas um ainda vivia.
    Sempre tentei manter um espírito forte, o suficiente para encarar as durezas da vida. Mas cenas como aquela me dilaceravam por dentro. Inevitavelmente, a tristeza recaiu sobre mim. Relembrei da inocência da minha juventude, da boa vida que eu levava, das pessoas que, supostamente, me amavam. Mas lembrei que estou aqui, traído por quem dizia que me amava, largado como um objeto, algo inútil e descartável. Aquilo foi uma enorme desilusão para alguém tão novo. E pensar que isso pode se repetir novamente, acaba com a pouca compaixão ainda resistente. Mas ele era apenas um filhote, mais cedo ou mais tarde iria se recuperar.
    Não tinha mais nada para fazer ali. Sacudi meus pelos e fui embora, não iria ficar junto do pequeno durante as tentativas inúteis de reanimar seus irmãos. Já tinha feito a boa ação do dia, e não ia ganhar nenhum prêmio por isso. Apesar dos tantos anos que vivo ao relento, da falta de comida e ausência de camas quentinhas, acabo sendo um pouco sensível demais. Enquanto me afastava, criou-se um nó em minha garganta que atrapalhava minha respiração e até o meu caminhar. Eu sabia o seu significado, a vontade de uma parte minha de voltar para ajudá-lo. Mas o que eu estava fazendo seria o melhor para todos. Iria deixá-lo ser criado pela vida.
  • HOJE

    Na minha vida
    Nada combina
    Desatina
    Diverge e termina
    Na minha vida
    Nada combina
    Diverge e termina
    Desatina
    Na minha vida
    Nada combina
    Xadrez com listras
    Na minha vida
    Nada combina
    Minha sina
  • Imagina

    Imagina você num túnel escuro, sem fim e frio. Você estaria apavorado nao? É assim que eu me sinto todo dia quando acordo e tenho que encarar a vida de frente. A ansiedade e a depressão nao sao amigas, nesse imenso túnel elas nao te dao a mao, bem pelo contrário, elas se escondem e a cada passo que você da elas surgem do escuro e lhe dao um susto. A cada passo para frente que eu dou eu sinto vontade de sair correndo para trás e ficar la no começo, quietinha. Mas você sabe o que dizen sobre a luz no final do túnel ne? Então continua a andar e não para. Mesmo se houver sustos, nao desista dessa jornada.
  • Insônia

    Acordo de volta na madrugada mais um dia de insônia, pensamentos a gritarem na mente milhares de palavras que não entendo. Coloco uma musica nesse quarto escuro que me condena a dançar até cair e observa o belo teto branco e lá ter um delírio de lucides que é uma penitencia para um louco como eu viver na lucides é insuportável o pior não ter outro louco a para conversar pessoalmente bem que meus pensamentos sabem bem demais quem ele quer para conversar, mas sabe também que probabilidade não esta a seu favor bem que nunca esteve não será agora que vai me abalar pela essa porra irmão.
  • Jogada Ao Fogo

    Espero morrer logo.
    Mas seria misericordia demais.

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