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  • Geração 20's : Não queremos acabar com tudo.

    Uma geração estranha de desasjustados. Os 20,ou 20 e tantos (que há uma margem entre si e uma diferenciação, mas que posta numa escala menor, estão, tanto os 20, quanto os 20 e tantos iguais a uma barata tonta após jatos fortes de SBP de eucalipto) não sabem como proceder, como agir, não param em um emprego sequer. A cada dia, mais amigos me contam que largaram a faculdade, ou que foram demitidos, ou que pediram demissão depois de tanto tempo na empresa, ''cansei, não dá'' ou ''ah amigo, está muito caro.'' e os que trabalham dizem, ''todo dia eu quero me matar'' ou ''diz que um terremoto desmoronou o shopping'' e aqueles felizes com seus trabalhos são Dj's ou fotógrafos e mesmo assim não ganham bem, ou são ricos, pois os ricos sempre estão felizes, se não passa na faculdade um intercâmbio resolve o problema, ou até mesmo uma analista bem cara e bem paga, por que na verdade a única coisa que queremos é estar bem com nós mesmos. 
    Estamos ferrando com tudo por muito pouco, pouca bebida (até mesmo bebidas bem baratas), pouco sexo, poucas drogas e pouco foco no que de fato importa. Conheço pessoas nos 20's que sabem exatamente o que querem e fazem exatamente o que é preciso para conseguir, sem erros, sem falhas, um dia de cada vez, do jeito que tem que ser. Pensando aqui só duas; o resto mais cedo ou mais tarde faz uma cagada específica que ferra com tudo. 
      Nos 20 já desistiram de nós. Já devíamos ter aprendido, já devíamos ter feito aquilo. Na verdade, estamos cansados demais dormindo até ao 12:00, pois na noite anterior juramos pela nossas vidas que 23:30 era o limite para estar na cama; e as 2:30 se dá conta que iniciou o segundo filme, a segunda pipoca ou brigadeiro, e não tem problema, eu acordo cedo assim mesmo para ir trabalhar, eu aguento, um geração de zumbi. Gosto de pôr a culpa na TV, a nossa geração na infância está acostumada a ficar deitada a manhã inteira vendo todos os desenhos possíveis, e nossa Mães (inclusive a minha) secretamente gostavam daquilo, ''pelo menos não está fazendo besteira'' elas pensavam. Na minha casa era um momento religioso, sou o mais novo de 3 meninas e um Poodle, assistir Tv consistia num intervalo de nossas brigas e latidos constantes. Neste cenário, os 20's jamais vai crescer e ter o interesse de pegar no batente as 6:00, ou sentir-se feliz e realizado num emprego de 9:00 ás 18:00 em um escritório que nem a luz do sol é vista; os 20 enfrentam sua primeira crise e divergência e o mundo não tem espaço para crises de identidade, ou depressão, ou ansiedade, apenas o trabalha que cura qualquer enfermidade.
     Um solução? De fato não tenho nenhuma; talvez a culpa seja toda nossa mesmo, ou talvez não. Talvez seja um processo de adaptação á vida adulta; ou muito provavelmente virá um moço com o mapa com as regras e atalhos. O que piora são as expectativas, esperam que sejamos um tipo muito especifico de ser; pacato, mais ou menos; e isso é exatamente a ultima coisa que os 20 que ser. Não queremos pouco, não queremos até o limite, nós queremos intensidade, verdade, paixão, acordar e pensar que tudo vale a pena, queremos viver numa castelo mesmo que seja num camping em ilha grande ou num kitnete no centro da cidade. Até queremos um bom emprego, mas que tenha horários flexíveis, que forme sua equipe de acordo com o mapa astral dos funcionários, uma empresa que entenda o ciclo menstrual feminino e que dê carona em dias de chuva, que leve em consideração a febre do filho de seu funcionário, e que o chame de sócio e não de empregado. Queremos arriscar tudo por uma chance de ser feliz, botar tudo a perder sem garantia nenhuma; entendemos que nossa passagem aqui é breve e que de fato a maior felicidade é viver.
  • "Senta aqui, vamos tomar um café"

    Senta aqui, vamos tomar um café?! Jogar conversa fora? Rir pra caramba, quem sabe chorar em algum momento. Senta aqui, vamos falar sobre nós! Como você está? Seus planos? Suas conquistas... Conta mais.

    Senta aqui, vamos matar a saudade de nós, vamos aproveitar um tempinho livre pra descansar a cabeça, o corpo! Senta aqui, vamos falar sobre sonhos, até mesmo daqueles mais cabulosos, quase impossíveis! Senta aqui, vamos olhar dentro do olho, ver como estão brilhando. Senta aqui, me deixa ver como você está bem, como você está feliz!

    Quero sentir seu abraço por alguns instantes. Ouvir sua voz, sua risada. Senta aqui, deixa eu te contar como eu estou como me sinto. Senta aqui, quero te contar uma ideia maluca que tive. Senta aqui, lembra aquela viagem que eu queria fazer, deu certo! Senta aqui, me ajuda a fazer uma lista de prioridades! 

    Preciso ir... Obrigada pela companhia, pelo café, pelo abraço, pela voz doce e suave, pelos conselhos impagáveis, pela companhia maravilhosa, pelas gargalhadas que demos, pelas bobagens que falamos e pela saudade que matamos!
  • [PESQUISAR}

    Como-escrever-coisas-felizes-depois-de-muito-tempo-escrevendo-coisas-tristes-?
    O segredo era deixar as palvras virem e vômitar tudo em uma folha em braco. Dar cor. Mas e se eu precisar da cor azul e amarela, se eu só consigo fazer preto e roxo? E se eu engoli tanta cor fria que eu nao consigo mais sentir cores vivas e quentes? Se nas minhas mãos tem tantos calos pós trabalho árduo, como faço para voltar a ser delicado?
    Como é se sentir leve e delicado? Lembra de quando eu era porcelana limpa? Eu era leve? era suave? Me conta mais. Me traz de volta naquela época, por favor. Me deixa fingir, me deixa rodopiar leve, solto, descoordenado. Me deixa cair e rachar, me deixa poder quebrar de novo. Me deixa voltar...
    Tentativa 1:
    É domingo. Estou em um parque com cachorros correndo de um lado para o outro. Meus olhos estão fechado pois o maior prazer é sentir o sol e o cheiro de grama cortada. Quando reabro os olhos, vejo à minha volta algumas pessoas. Não são estranhos, mas tem rostos estranhos. Eu sindo em cada um uma grande preocupação e carinho. Seus olhos estão voltados para mim e os meus para eles. Eu sinto o calor e sinto o cheiro do chá que bebemos. Eu ouço o violão tocando musicas de alguma banda de MPB enquanto todos cantam juntos. Eu vejo comida sob uma toalha de pic nic. Eu vejo sorrisos e risadas. Nesse mesmo dia, mas deitado na cama mais tarde. Eu fecho novamente meus olhos e me sinto ainda no sol, ainda sentido cheiro de grama cortada, ainda sentindo aquele calor. Eu sei que essa memória, que agora ja faz parte da coleção de lembranças boas, vai me ajudar sempre que preciso.
    AAH EU NÃO CONSIGO.
    Tentativa 2:
    É quinta e eu já cheguei do trabalho. Vou correndo para o quarto e organizo pensando em cada detalhe. Troco a roupa de cama e acendo um insenso. Fico sentado no chão, com as costas escoradas na cama e o silencio se fixa até que o cheiro de insenso passe. Me levanto e vou tomar banho, eu relaxo. Agora de pijama, com as meias por cima da calça e uma pantufa de pata monstrusa, eu vou até a cozinha e faço minha janta. Coloco uma musica animada e preparo panquecas. Infelizmente, quando terminei a ultima panceca, já tinha comido todas as outras sem recheio mesmo. Olho para o recheio e para o prato de panquecas vazio. Coloco tudo no pão e como com satisfação.
    Deito na cama e ela está gelada. Com cheiro de amaciante. Olho as horas no celular e conecto ao carregador. Retiro da cabeceira o meu livro favorito, (insira aqui o nome do seu livro favorito) e leio até cair no sono, acordando com o livro caindo na minha cara. Logo após, cambaleando, eu guardo o livro e apago a luz. Descanso.
    É, acho que essa ficou melhor.
    Tentativa 3:
    Talvez seja melhor viver e depois escrever. Será que minha lembranças boas que posto no papel soam falsas porque são falsas?
  • A Colecionável

    Ela estava voltando da faculdade. Infelizmente tinha que andar aqueles duzentos metros à pé, no escuro, para chegar em casa. Sentiu um toque suave no ombro direito e antes que pudesse virar, uma mão enluvada pressionou um pano úmido e fétido sobre seu nariz. Por alguns instantes ela tentou lutar, mas uma letargia avassaladora tomou conta. Sentiu ser colocada em um pequeno espaço acarpetado, e uma porta de metal sendo fechada com violência. E então, foi só escuridão.

    Acordou tempos depois sobre uma cama macia e cheirosa. Parecia que tinha dormido por séculos, mas ainda sentia o corpo cansado e dolorido. Bastante confusa levantou-se e observou o lugar. Onde estava? Um quarto amplo, cuidadosamente decorado com papel de parede rosa, móveis de qualidade, tudo novinho. Uma estante com centenas de livros, escrivaninha para desenho, frigobar, um bar cheio de garrafas de suas bebidas favoritas e finalmente um closet enorme com mais roupas e sapatos do que ela jamais sonhou em ter. Estava deslumbrada com tudo, mas não pôde deixar de lembrar que havia sido sequestrada.

    Em sua exploração pelo quarto recheado de surpresas ela nem reparou na porta. Foi só quando a euforia arrefeceu que ela pensou que talvez não fosse uma prisioneira. Experimentou a maçaneta e surpresa: a porta abriu. Do outro lado havia um pequeno cômodo, com uma mesa de centro e mais nada. Na outra extremidade outra porta, e essa sim estava trancada. A moça experimentou um sentimento estranho, pois concluiu que estava, de fato, encarcerada. Sobre a mesa ela notou um envelope do qual tirou uma carta que dizia o seguinte: "Minha princesa. Meu grande amor. Sinto como se nos conhecêssemos desde o princípio dos tempos. Vivo e respiro a cada segundo por você. Tenho a esperança de que se sentirá em casa no quarto que preparei especialmente para você com todo o carinho do mundo! Tudo que quiser será seu, basta escrever e deixar o pedido sobre a mesa nesta sala. Com amor... seu admirador secreto".

    Estava sob o domínio de um louco que a conhecia nos mínimos detalhes, sabia de seus desejos e podia até antecipar suas necessidades. Os dias se passaram, as semanas e depois os meses. Ela já não sabia quanto tempo estava ali, mas sabia com absoluta certeza de que seu captor a amava mais do que podia compreender, pois tudo ali realmente satisfazia suas mais profundas vontades. Nunca em sua humilde vida ela poderia ter tais roupas, nunca poderia comprar os perfumes e jamais comeria iguarias tão deliciosas enquanto estivesse por si só. Mas mesmo assim, ela não passava de uma prisioneira.

    Ao longo dos anos ela aceitou o conforto, aceitou que tinha tudo que poderia querer e por isso não precisava querer o que não tinha. A vida se encaixou, não da forma que ela tinha planejado, mas se encaixou. Cabia a ela agradecer e continuar existindo, linda, plena e boazinha para que a vida que tinha conquistado pudesse continuar a ser do jeitinho  que sempre sonharam para ela.
  • A ideia comprometida

    Moscas tem a percepção de tempo diferente da dos humanos. Essa frase é algo que eu escutei muito quando era criança e sempre duvidei. Pra mim isso não fazia o menor sentido, o tempo é algo absoluto que todos estão vivenciando simultaneamente. Eventualmente, quando eu estava um pouco mais velho e tinha mais acesso à informações, eu acabei encontrando a explicação para isso, aparentemente tinha algo a ver com os olhos das moscas processarem as imagens mais rapidamente, especificamente 250 flashes por segundo, enquanto nós, humanos , processamos a apenas 60 flashes por segundo. Isso me deixou fascinado, e talvez até mesmo obcecado, fazendo com que eu começasse a ter diversas ideias de como isso teria impacto se fosse controlado pelas pessoas, que tipo de benefício seria capaz de ser obtido através dessa tecnologia, se algum dia ela fosse possível. Com isso eu comecei minha carreira de estudos para chegar onde estou hoje, eu me esforcei muito, sempre mantendo minhas ideias e teorias em dia, até conseguir me tornar o que você pode chamar casualmente de cientista, para não ter que entrar em detalhes.
    Hoje em dia eu faço de tudo para conseguir tornar essa tecnologia viável, mas obviamente também trabalhando normalmente, pois ninguém vive apenas de ideias.
    Atualmente com 32 anos, eu sou casado e sem filhos. Durante toda minha carreira poucos amigos continuaram ao meu lado.
    Hoje, 26 de março de 2027, é apenas mais um dia comum de trabalho. Eu acordo ao lado de minha esposa, Emma, e vou tomar banho. Saindo do banheiro ela já está acordada fazendo o café da manhã, que a gente come assistindo TV.
    No jornal da manhã está passando uma notícia sobre a primeira inteligência artificial a conseguir manter conversas fluídas e originais, sem influências externas, apenas uma semente que germinou e vem se alimentando sozinha de informações pela internet. Vendo isso, Emma comenta:
    -Daqui a pouco não vai mais existir diferença entre humanos e robôs.
    -Realmente, esse tipo de tecnologia deveria ser desenvolvida periculosamente, e não simplesmente jogando toda informação do mundo em cima dela. Isso realmente é perigoso
    Com isso, eu acabo de comer, me arrumo, e saio para trabalhar.
    Meu dia passa rapidamente, nada de interessante acontece na minha rotina de trabalho, apenas o de sempre.
    Novamente em casa, eu janto com Emma e vou para cama ler antes de dormir. O livro se trata de um suspense sci-fi, como qualquer outro clássico jogo de gato e rato, é apenas uma história de perseguição. Durante a leitura algo me chama a atenção, o protagonista, para ajudar em sua busca, recorre ao uso de diversas câmeras que, segundo ele, tem a mesma a capacidade de um olho humano e uma perspectiva de um olho de mosca. Isso me dá algumas ideias, que eu apenas anoto pois está tarde e eu não conseguiria as desenvolver com sono.
    Hoje eu acordei ansioso para rever as ideias e tentar tirar algo delas, mas como meu trabalho existe, isso acaba ficando pra mais tarde.
    Durante o café da manha eu conto para Emma sobre essas ideias e ela diz:
    -Quem sabe você consegue finalmente criar essa tal tecnologia que você fala tanto sobre.
    -Ah eu espero que sim, estou com isso na cabeça desde criança.
    E então eu saio novamente para trabalhar.
    Finalmente em casa, eu vou direto pegar meu caderno de anotações onde eu escrevi minhas ideias.
    A principal, a qual eu considero mais plausível, era a de que, já que a causa dessa diferença era a visão, eu vou simplesmente recriar os olhos de uma mosca. Por mais caro que isso pareça, se eu conseguir discorrer essa ideia publicamente de uma boa forma, eu vou conseguir os certos investidores. Pensando mais a fundo eu chego a conclusão de quem seria o investidor. Por mais que eu recriasse os olhos, pela perspectiva humana, tudo continuaria na mesma velocidade, então o objeto teria que ter inteligência própria, obviamente controlada por nós, para poder usufruir de sua “habilidade temporal”.
    Depois de dias criando um texto para ir a público, eu finalmente o divulgo. E a empresa perfeita vem fazer contato. A mesma empresa que havia criado a inteligência artificial que eu tinha visto outra manhã.
    A ideia do objeto precisar de uma inteligência própria foi o que, obviamente, iscou a empresa. Eu sabia que tudo aquilo era simplesmente por dinheiro, mas não tinha problema, eu só quero ter meu sonho realizado.
    Depois de ser contatado, eu fui chamado para a sede oficial deles, para poder se aprofundar mais sobre o assunto e, quem sabe, chegar em algum contrato. E é exatamente isso que acontece, eles disseram que iam fundar meu projeto, elogiando a ideia, que, por mais obvia que fosse, ninguém nunca tinha pensado dela.
    Nesse dia eu chego em casa e comemoro com minha esposa.
    Passam-se anos, eu largo meu emprego pra poder me esforçar ao máximo no projeto, e finalmente, nós chegamos ao primeiro protótipo. Por mais que eu tivesse tido ajuda da empresa, a maioria da parte técnica foi desenvolvida por mim. E quando eu vi aquela pequena criaturinha de metal levantando voo, com sua própria inteligência, e conseguindo desviar de tudo que se aproximava dela, como uma mosca real, eu chorei. Finalmente meu sonho estava realizado, pode parecer bobo, um sonho que aparece aleatoriamente e se prende a minha cabeça, e agora eu estou chorando por causa dele, mas finalmente aconteceu.
    -Isso é um passo enorme para a humanidade - disse o CEO da empresa
    -Realmente, mas qual será o uso dela - eu respondi, mesmo depois de todo esse tempo trabalhando nisso, eu nunca pensei sobre seu uso, eu só queria a tornar possível, e eu sabia que existia uma ideia de aplicação, já que ninguém investiria em algo tão pesadamente sem ter planos na cabeça.
    -Primeiramente segurança, obviamente, já que com isso nós temos uma pequena câmera indestrutível e, logo menos, camuflada. Ela pode ser usada para infiltrações ou coisas do gênero.
    -Não é uma má ideia - eu digo
    -Mas isso não é tudo, depois que essa fase de segurança passar, nós avançaremos para a próxima.
    -E qual seria essa fase, senhor.
    -Militar, oras, não está obvio? Com ela nós podemos criar uma grande vantagem de combate em relação a outros países. Imagine ter um espião praticamente invisível nas forças inimigas. É algo que seria impensável se não fosse por você. Bom trabalho.
    -Mas eu não criei essa tecnologia para machucar os outros, era apenas para realizar um sonho.
    -E agora ele já está realizado. O resto está em nossas mãos, e quando o governo ficar sabendo disso, ele vai pagar uma grana preta para nossa empresa, e então estará tudo nas mãos deles. No fim todos nós lucramos e nosso país se tornar uma potência ainda maior, não tem perda nesse plano.
    -Eu não acredito nisso.
    -Não precisa acreditar, o pagamento pela sua parte já foi depositado em sua conta, agora saia daqui antes que eu me arrependa de te pagar, pessoas que me contrariam me estressam.
    E então, com meu sonho realizado e sem nenhuma opção de poder continuar lá, eu saio daquela empresa e nunca mais volto. Eu fico sabendo sobre seus futuros projetos, de como eles conseguiram chegar a um produto final, sem ter de continuar usando protótipos, mesmo sem minha ajuda.
    Depois de muitos anos finalmente acontece o prometido, é anunciado na TV a compra dessa tecnologia pelo governo, que sem mais nem menos anunciou que o uso seria militar.
    Tudo que eu tenho pra fazer agora é ficar em casa vendo minha tecnologia sendo usada da maneira errada, sem poder reclamar, e pensando em como nem todo sonho tem seu final feliz quando é cumprido.
  • Acessando o vídeo: I like the stars

    Estava eu navegando a internet quando decidi acessar o youtube. Eu sou brasileiro, mas adoro o conteúdo americano. De repente, na pagina inicial do youtube, estava vídeo especial dizendo: i LIKE THE STAR. Eu cliquei no link, curioso e eufórico. O video carregou e o que tinha nele era: (musiquinha infantil e um homem cantando) I like the stars,i like the stars i`am happy, yes, verry happy. In the sky, in the sky there are sixty tree stars isso durou 6 minutos até que acabou com uma estrela cadente
  • Afrodite

    Sensualíssima

    Tecido e corpo

    Quero sentir o sabor

    Que o seu tecido esconde.


    Poema do meu primeiro livro de poesias, Átomo, lançado em dezembro de 2018, com prefácio de Rafael Cortez e apresentação de Thomas Pescarini e disponível em formato físico e ebook na Amazon.
  • Amarelo

    A maré
    Amarelo
    Do Sol.


    Poema do meu primeiro livro de poesias, Átomo, lançado em dezembro de 2018, com prefácio de Rafael Cortez e apresentação de Thomas Pescarini e disponível em formato físico e ebook na Amazon.
  • Ame-se

    Quer um conselho?
    Ame-se! Perdoe-se! Permita-se!
    Evite comparações, você não precisa ser melhor que ninguém para ser bom.
    Seja a melhor versão de você. Seja hoje melhor do que foi ontem, não precisa ser nada grandioso. Pode ser um pequeno gesto ou um grande ato, o importante é que você procure evoluir sempre.
    Faça por você o que os outros não fazem. Não abandone a você mesmo. Não negue-se respeito, amor ou cuidado.
    Ninguém melhor do que você mesmo sabe o que passou.
    Ninguém melhor que você sabe o quanto doeu.
    Ninguém sentiu o que você sentiu.
    Ninguém sabe o peso que você carrega/carregou nos ombros.
    Ninguém sabe a força que você fez pra levantar ou o tamanho da angustia que te impedia de pegar no sono.
    Ninguém pode saber ao certo. Ninguém está/estava na sua pele.
    Então ninguém melhor do que você sabe da sua força pra suportar, pra levantar e pra seguir.
    Ninguém melhor do que você pra se admirar, pra saber do que é capaz. Ninguém pode conhecer você melhor que você mesmo.
    Ninguém melhor do que você conhece seus limites.
    Ninguém vai fazer tão bem se te amar quanto você pode fazer se amar a se mesmo.
    É importante ser amado? Sim, claro.
    Mas mais importante é amar-se.
    Confie e ama-se porque ninguém te conhece como você mesmo.

    Você é uma pessoa incrível!
  • Amor Bipolar

    De todos os sentimentos do mundo, o amor é o mais traiçoeiro.
    Ele te pega quando menos se espera e suga o melhor que você tem e entrega a alguém .
    Ele acaba, e quando isso acontece você vira um ponto insignificante na Terra.
    É como um papel amassado jogado no chão, como um copo de vidro que caiu, você fica quebrado e você é inutil.
    E então quando você se recupera, ele faz o ciclo tudo de novo.
    De todos os sentimentos do mundo, o amor é mais lindo.
    Ele te resgata do nada, e faz você virar uma pessoa diferente, ele te transforma .
    Sabe o universo? ele é pouco para 2 corações apaixonados, seus pensamentos giram em torno daquela pessoa.
    E então quando da certo o sonho se transforma em realidade.
    O amor sabe tudo: seus atos, pensamentos, sonhos, desejos.
    Um coração apaixonado faz loucuras e você apenas não consegue guarda isso dentro de você.
    Você quer expressar de alguma forma, com um sorriso, abraço, um beijo, um poema, uma musica, uma declaração, tudo isso é amor .
    Acho que o amor é meio bipolar, ele quer ser os dois lados.
    Qual lado do amor esta reservado pra nós?
  • Antecedente da cicatrização

    Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
    Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
    Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
    Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
    Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
  • Aquilo Que Somos

    Como um anjo a cair,
    Como um monstro a destruir,
    Você me abraça,
    Um abraço falso,
    Falso como as palavras que falamos antes de dormir
    Você conseguiu dormir?

    Como um corvo a se alimentar,
    Como um rato a nos enojar,
    Você me abraça,
    Um abraço fraco,
    Fraco como o café desta manhã
    Você o tomou?

    Enquanto fingimos esta relação
    O mundo continuará a dar voltas
    E nós ficamos,
    Por longos anos ficamos,
    Sorrindo de cada desastre
    Chorando sempre que a sós
    Por que isso somos nós.
  • As Férias Da Sua Vida

    A duas semanas das férias, depois de um ano duro, Rob deveria estar animado. A verdade é que não sabia o que fazer nem das férias, nem da vida. Passava pela fase mais difícil: perdeu a noiva, estava cheio de dívidas e odiava seu trabalho. Naquela noite viu um anúncio na internet prometendo as "férias da sua vida". Orçamento sem compromisso, não custaria verificar.
    Srta. Sylvia o recebeu explicando que sua empresa oferecia um novo tipo de férias. Nada de aeroporto, malas e tempo perdido planejando transporte ou passeios. Se ele quisesse, no dia marcado suas férias começariam na cidade onde morava. Rob gostou, achou o preço salgado, mas perto da dívida que já tinha que mal faria?
    Escolheu a promoção "pague dez dias e ganhe quinze", era o pacote com retorno. Assim que passou o cartão, Srta. Sylvia o desafiou a colocar para fora seus maiores sonhos. O céu era o limite.
    Um carro foi buscá-lo em casa e no caminho foram passando os detalhes da nova vida. Conforme seus desejos seria um desenhista de sucesso, teria uma esposa loura e atlética e saldo em conta com sete dígitos.
    A primeira semana foi maravilhosa. Sua rotina era acordar para um café majestoso, saía de sua cobertura para o escritório luxuoso e lá desenhava. Na parede haviam ilustrações suas em molduras valiosíssimas e isso enchia-o de orgulho. À noite voltava para casa, jantava com sua linda esposa e fazia amor até a exaustão. Antes de dormir chorava baixinho lembrando que essa vida não passaria de quinze dias.
    Uma rotina se estabeleceu e pelo sexto dia, apesar de exultante, Rob começou a sentir que trabalhava demais. Passava dezoito horas no escritório. Sua assessora, uma morena estonteante, surgia frequentemente com papéis para assinar e decisões para serem tomadas. Tantas horas juntos e acabaram tendo um caso. Rob aproveitava cada oportunidade.
    No décimo dia o estresse era grande, pois tudo era tomar decisões, tanto no escritório quanto em casa. Chegou na cobertura exausto, precisando descansar, mas foi recebido com um copo que quase o atingiu na cabeça. Sua esposa descobriu a traição e enlouqueceu. Passaram a noite discutindo e Rob saiu cedo, sem dormir, para o escritório. Não conseguiu acertar a senha da porta e ligou para sua assessora. Ela friamente deu a notícia de que estava acabado. Assinou papéis demais e toda a empresa havia sido transferida à morena. Preocupado olhou o saldo da conta e seu coração quase explodiu: negativo. Precisou dormir em um beco, aquecido nos fundos de uma pizzaria. Dia seguinte enfrentou os advogados da ex. Depois teve que depor à polícia sobre sonegação de impostos. Acabou preso por fraude.
    Na décima quinta noite foi dormir pensando na vida de antes. Sentia saudades do apartamento fedido e até das dívidas que certamente pagaria. Dia seguinte acordou com Srta. Sylvia pronta para soltá-lo. Ao perguntar o que ele achou de tudo, Rob respondeu com um sorriso: "foram as melhores férias da minha vida". E mal via a hora das próximas.
  • Broto de Bambu

    velha na janela 1



    R. B. Santos / Dezembro,2016.

    Revisão: Luísa Aranha
    Agradecimentos Especiais: “SSEV” – Sociedade Secreta dos Escritores Vivos (Obrigado Camila Deus Dará).



     
    Para ela: “Que dividiu um pão em cinco, fazendo parecer, que eram dez. Por mais de uma vez. Obrigado Mãe”!




    BROTO DE BAMBU

     
     
    O bairro era bem simples, desses de periferia em cidade grande. Onde gente conversa tão alto, que até parece briga. Cachorro late de noite e de dia. Neste, até galo tinha. A rua onde se passa a história não era nada comum, em formação de “S”, com calçadas estreitas, um lugar pobre. No final, logo depois da segunda curva, não bastasse o que faltava de bom, havia ainda uma “boca de fumo”. O vai e vem era constante.

    Num sobrado, mais ou menos no meio da rua, morava Dona Raimunda. Havia duas janelas que davam para a parte da frente. Com isso conseguia uma visão privilegiada de boa parte do local, e também, dos vizinhos e transeuntes.  Era uma senhora já de idade, devia ter mais ou menos uns sessenta para setenta anos, ninguém sabia ao certo. Adorava ficar espiando e conferindo a rotina das pessoas. Gostava tanto, que ás vezes passava da hora de almoçar. Sua filha reclamava, mas ela não ligava. Acordava bem cedo, passava o café, em coador de pano para dar mais sabor, comia dois pedaços graúdos de mandioca cozida, que a manteiga derretia, e se debruçava no seu local predileto. Sua boa e velha janela, “melhor que televisão”, pensava ela.

    “Lá vem ele! É o Sr. José! E pelo jeito, bêbado de novo, logo cedo. Trançando as pernas, mas não cai o desgraçado. Podia cair! Dizem que sorrir faz bem para as rugas, e eu bem que estou precisando. Velho sem vergonha. Nessa idade. Também, a de se entender, não é. Com tanta galha que a mulher colocou na cabeça do homem, não se admira que ele beba. Talvez para esquecer, ou para enlouquecer mesmo”.  Não poupava críticas, ela era assim sem piedade. E continuava enquanto um rapaz caminhava descendo a rua.
    “Agora é o outro. O maloqueiro do Luis Castân. Nem morar aqui mora. Pensa que eu não sei. Vai buscar maconha o safado. E deve até cobrar por isso. Não é possível alguém fumar tanto assim e não morrer. Pela quantidade de vezes que ele sobe e desce, quem sabe não abriu uma concorrência e cobra mais caro. Só pode ser isso. Não vejo outra explicação! É traficante, é sim”.

     O jovem passou em frente da casa, fez menção com a cabeça em cumprimento e seguiu rua abaixo. Dona Raimunda limpou os óculos no vestido, para melhorar a visão, e olhava agora para a parte de cima da rua.

    “A Sofia nunca mais vai arrumar marido. Depois que inventou de trabalhar fora e fazer faculdade, as brigas com o cônjuge só aumentaram. Brigaram, brigaram tanto, que ele não aguentou e foi embora. Não demorou um mês e a franga já está com outro. Veja que falta de vergonha, os dois num agarro só em frente ao portão. Aposto que já eram amantes”.
    Do outro lado da rua, numa casa térrea e com uma grande área murada na frente, Ivete abria o portão para o amigo Carlos que acabara de chegar. Como o muro era baixo, ficaram ali, apoiados. Papeando e vendo o movimento. Podiam ver a Dona Raimunda dali, mas com certeza, ela não conseguiria ouvi-los. Havia certa distância entre as casas, e a anciã já não escutava muito bem. Ivete, em voz baixa, foi a primeira falar.

    - Veja só, Carlos. Mal amanhece o dia, e lá está ela. A velha coroca. Cuidando da vida de todos. É assim durante o dia todo, não sai da janela por nada.

    - É mesmo Ivete, eu já tinha prestado atenção. Tem gente que não tem o que fazer. Acho que deve ter a vida vazia. – Fez uma breve pausa. - Sabe se a filha ainda mora com ela?

    - Sei lá! Acho que sim. Eu não gosto de ficar reparando na vida de ninguém, tenho mais o que fazer, sabe. A minha já é bastante interessante para mim.  – E com o olhar cerrado na direção da janela, disparou. -Velha rabugenta!

    - Quando essa daí morrer a alma dela vai voltar e ficar nesta janela. Deus me livre! – Observou Carlos.

    Duas semanas depois, coincidência ou não, Dona Raimunda faleceu. Os dois amigos se reencontraram e conversavam no local de sempre, sobre o ocorrido.

    - Ivete! Sabe dizer o que aconteceu com a velha? Do que foi mesmo que ela morreu? – Perguntou enquanto olhava para a janela, agora vazia.

    - Bem, ouvi dizer que foi derrame. Eu não fui ao velório e nem ao enterro. Nunca tive intimidade com a família. E também, não gostava nem um pouco da bruxa. Mas pelos comentários, acho que foi isso sim.

    - Bom... que Deus a tenha. Pelo menos agora a rua ficará mais tranquila. Que coisa! Fazer o que, não é? É o destino de todos nós. – Colocou uma das mãos na cabeça e arrematou. - Ah!... E antes que eu morra também, vou indo... lembrei que tenho que resolver uma coisa.

    Quando Carlos saiu e já ia longe, Ivete ficou por ali, observava do muro.

    “Esse Carlos... sei não, hein. Não trabalha, não estuda e nem namora o infeliz! Resolver uma coisa uma ova! Pensa que eu não sei, vai é dar o rabo para o Ricardo. Tenho quase certeza de que esses dois são dois maricas. ” – Esticou o pescoço para ver melhor.
    “Ei! Espera um pouco aí! Quem é aquele?!... É o Senhor José?!... Nossa! E bêbado...  De novo...”






    --xx--

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  • Buquê de cadáveres

    Pra não dizer que não falei das flores
    Cortei todas hoje do meu jardim

    Rosas, tulipas, orquídeas
    Gérberas, cravos e jasmins

    Cortei o mal pela raiz
    E com os dentes, ainda
    Quão orgulhoso estou de mim
    Jardineiro masoquista

    Pois quem sofre sou eu
    Com as pétalas perdidas
    As quais recolho uma a uma
    Pra tornar as lápides floridas

    Auspiciosa homenagem no jardim
    Pra não dizer que não me despedi das flores.
  • Café, Rotina e um Pouco de Horror

    Essa sempre foi minha rotina no final da tarde: chegava do trabalho muito cansada, sem coragem até mesmo para usar as chaves e abrir a porta, deixar o café esquentar na cafeteira, enquanto jogava minhas roupas por todo lado da casa e procurava por algum filme na Netflix.
    Filmes de terror nunca me assustaram, mas ver pessoas tomando sustos e entrar em desespero me garantia boas gargalhadas antes de cair no sono. Hoje algo diferente e assustador aconteceu.
    Assim que cheguei e seguia rigidamente minha rotina, na cozinha aconteceu algo que para mim não passava de um acidente doméstico causado por algum descuido. Afinal, é comum que uma pessoa cansada coloque sua cafeteira na beirada da mesa de cozinha e ele caia com o chacoalhar da água fervendo. Pois bem, a cafeteira caiu, tomei um susto, mas ignorei e nem mesmo levantei para limpar o chão, apenas voltei para a TV, mas quando olhei, ela estava na página do YouTube e na caixa de pesquisa, tinha palavras como: demônio, rituais e suicídios. O que me deixou confusa foi o fato de que eu não lembro de abrir o YouTube. Enquanto tentava lembrar em que momento eu havia entrado naquela aba, algo ainda mais estranho aconteceu. Senti um frio na minha nuca, na verdade era como se alguém estivesse soprando em linha reta nas minhas costas, assustada, imediatamente virei sem saber o que procurar, pois estava sozinha e neste mesmo instante sentir um dedo subir por minhas pernas, a parti dos joelhos, em direção a minha virilha.
    Aquilo já era demais, eu tentei não acreditar, queria não acreditar. Corri em direção as minhas roupas espalhadas pela casa e tentei vesti-las o mais rápido possível. Ainda sem terminar de me vestir, com a intenção de sair, dei alguns passos até a poltrona onde deixei o controle da TV e o peguei, mas quando pressionei o botão de desligar, a TV nem mesmo piscava. Aproximei-me para desliga-la manualmente e ainda assim ela permanecia ligada, mas a angustia tomou total controle quando puxei o cabo de energia e ela não desligou, aquilo fez meu mundo desmoronar, não era possível.
    O frio aumentou e eu já podia sentir meus dentes tremer, e não sabia se era de frio ou medo. Olhei ao meu redor e tudo que passava por minha cabeça eram as palavras; suicídio e demônio. Corri até a porta, não queria passar nem mesmo mais um segundo ali dentro, mas antes de sair fui desligar a luz, a luz também não desligava, mesmo clicando várias vezes com muita raiva e isso pareceu dar mais força para tudo aquilo, pois o controle foi arremessado na parede, espalhando-se em alguns pedaços no chão. Senti minha pele umedecer em lágrimas, estava entrando em pânico. Pânico ainda não é suficiente para descrever o meu estado emocional naquele momento e foi por consequência que decidi fazer a única coisa que podia me tirar daquele pesadelo. Peguei garfo todo metálico e fui até a primeira tomada de energia e empurrei-o, eu esperava que fosse instantâneo, nada aconteceu, achei que estivesse fazendo errado e continuei tentando, mas quando percebi que nada aconteceria, eu dei um grito estridente e chorei ainda mais. Ajoelhada e sem esperanças coloquei as mãos nos ouvidos para não ouvir as batidas das gavetas de talheres que havia acabado de começar junto com uma almofada que foi arremessada em direção a janela, não pensei duas vezes quando a segui e pulei para fora da janela.
    Tudo ficou escuro por alguns segundos, seguido por um clarão. Eu estava acordada. Estava confusa. Peguei o controle da TV onde passava o vídeo de um homem com máscara de coelho e parecia contar uma história sobre demônios, quase me distraí, mas quando finalmente pressionei o botão, rapidamente ela desligou. Fui até a cozinha e a cafeteira estava inteira em cima da mesa e o café nem estava fervendo ainda. Mas eu continuava com muito frio!
  • Cão Morto

    Muito morto, tanto quanto pode ser. Sim. E mais: Contente.
    Senti uma bofetada no rosto. Ele não, estava morto. Um morto não se assusta com um vivo, muito menos aquele desvivido, bravo. Negaram, abandonaram, maltrataram e por fim, mataram-no. E mesmo assim, permanecia como um monumento anônimo numa rua perdida de uma Curitiba estranha. Olhos escancarados em desafio inconveniente à vida que lhe foi tão custosa, a língua para fora estancando um sorriso macabro.
    Voltando ao golpe. Fui pego de surpresa, mas é redundante, golpes são assim. Eu que, arrogantemente, andava em plena vida nesse mundo de imortais, me virei, dei de cara com a morte. E ela me esbofeteou. Justo. Sem aviso ou mensagem, interrompi sua peça póstuma em ousadia digna de gente. Como quem não quer nada adentrei em sua morada e chutei o trabalho de sua, ironicamente, vida.
    Mas foi ela (a vida) quem primeiro me bateu, a fragrância de milhões e milhões de seres vivos lutando uma batalha infinda pelos restos do cão, excretando compostos dos mais variados e malcheirosos. Desculpa, menti, afinal a vida e a morte são a mesma donzela, e seu tapa era igual. E ele ria, em deboche. Ele? Sim, o cão.
    Porque, fruto do desprezo de milhares de pessoas estava ali, morto mas nunca tão cheio de vida, contra a vontade de todos que empinaram o nariz a ele. Havia vencido. Pela ação de milhões de decompositores cada pedaço de matéria em sua carcaça renasceria, era imortal e isso lhe dava certo contentamento a morte e a vida que teve.
    Um dia, pensei eu afagando o rosto moralmente doído, ele será gente, e empinará o nariz para aqueles que um dia lhe foram irmãos no abandono. Ai eu entendi. Tempos atrás, havia sido cão e, algum dia, amaldiçoei essa raça esnobe e estranha que me negava. Ironicamente, em uso do ciclo interminável da matéria, eu renasci gente e tive a chance também de negar meu passado oculto. Devo tê-la tomado, não lembro, o que torna o pecado ainda pior.
    Ele ria entre moscas e tive pena, por fim. Meu rosto já esfriava, o dele era o próximo. As mil próximas vidas lhe custariam muito mais que essa, ele ria, morto, contente, inocente.
  • Carmas

    As faces do homem moderno
    Estão desintegrando
    Há um além indizível
    A terra nos segura
    É importante tê-la, pra depois, merecidamente, não mais
    Mais uma lição.
    Poema do meu primeiro livro de poesias, Átomo, lançado em dezembro de 2018, com prefácio de Rafael Cortez e apresentação de Thomas Pescarini e disponível em formato físico e ebook na Amazon.
  • Carta de volta ao remetente

    Seus beijos me fazem querer ficar, eles são quentes e me perco nos seus lábios enquanto percorre minhas costas com suas mãos. Então abro os olhos com nossos rostos ainda ligados e vejo sua expressão sorridente enquanto beija. Sinto também o seu cheiro, ele me satisfaz da maneira mais refinada possível. Você se afasta e eu observo cada um de seus perfeitos detalhes. Não sei se já disse, mas amo a maneira como seus olhos têm o formato desenhado pelas maçãs do seu rosto. Vejo que elas estão rosadas e quero voltar a esse momento outra vez. "Por favor, não vá", eu digo querendo fique mais, pelo menos abraçada a mim.
    Chego em casa, ainda sinto seu cheiro, quero guardá-lo até nos vermos novamente. Estou totalmente submergido no que sinto por você, um sentimento para o qual não tenho nome.
    Ouço você dizer sobre suas noites, como se diverte. Conheço, através de você, as pessoas com quem anda ficando. Presto atenção em cada palavra que diz sobre o seu ex. Quando vai dormir, ainda fico acordado comparando os lugares onde poderíamos ir nesse fim de semana. Penso, por horas, no quanto desejo ser seu próximo beijo. Reflito sobre como, se eu tivesse a oportunidade que ele teve, nunca me tornaria seu ex.
    Na próxima vez que conversarmos, como sempre, eu vou perguntar sobre o seu dia tentando não demonstrar que te quero mais que tudo ao meu lado, pegar meu bloco e escrever todas as coisas que meu coração está dizendo sobre você, colocar numa caixinha com o seu nome e deixar guardado, esperando o dia em que serei bom o suficiente pra te dizer tudo o que está ali e ouvir que sente o mesmo por mim.
  • Clow Senderstein o palhaço de Elm Street parte 2: Senhoras e senhores

       Aós o incidente no Garden hotel, varias investigações começaram a ser feitas e vários circos foram proibidos de terem acesso a elm street.
    Pessoas ficaram desesperadas e se trancaram em suas casa. Com temor que nem a mídia poderia deixar de forma sutil, vários cidadãos se comprometeram a ter vigilância uns com os outros. Em estado de medo e alienação pura, os governadores se reuniram na câmara para  discutir sobre a situação e panico causado por Clow Senderstein. No noticiário, Senderstein aparece novamente e fala ao povo:

    - Atenção todos. Nesta noite, haverá um assassinato no apartamento 369 no edifício da rua Enter day 6766. Os próximos ataques serão realizados a prédios e hotéis de luxo. no mês que vem, em casas e condomínios. E lembrem-se do meu aviso: todos os que forem contra mim serão mortos. Assim como ocorreu com os policiais de ontem. 

     Unidades e viaturas começavam a cercar o prédio em quantidade imensa. Ninguém mais podia passar pela rua novamente. Os apartamentos estavam cheios de policiais por dentro e por fora. Helicópteros cercavam os edifícios e condomínios nesta rua. Policiais entraram no apartamento 369 e encontraram a família chacinada no chão e as crianças foram encontradas com um tiro queima-roupa no peito. Foi encontrado no chão também, um bilhete escrito:

    -SENHORAS E SENHORES, PREPAREM-SE PARA UM ESPETÁCULO.

     Quando um dos policiais leu isto em voz alta, o edifício explodiu. Senderstein apareceu no edifício ao lado e disse:

    -Ha ha ha ha ha ha ha, podem se tremer a vontade, pois outros ataques como este irão acontecer. e desapareceu na fumaça.

      Após isso, houve uma explosão de pipoca que se espalhou pelo chão da rua. Mas as pipocas eram apenas bombinhas que expeliam uma fumaça tóxica, e milhares de policiais morreram.
  • Como chegamos a esse ponto?

    Durante meu almoço fui perturbado pelo som da televisão, era o plantão da cubo, a apresentadora, que claramente queria estar almoçando com o seu chefe, anunciava o vazamento de uma doação feita pelo nosso querido presidente. Ele acabara de doar 500 milhões de dólares para a caridade e havia suspeitas de que outros políticos estivessem envolvidos.
    Como a nossa sociedade chegou a esse ponto? Ate ontem tínhamos estradas não sendo construídas, verbas sendo desviadas, viadutos caindo. Só pode ser o nosso fim. Antes que a apresentadora continuassem falando como o muro que separa o México dos EUA, uma das melhores coisas que já fizeram desde o muro de Berlim, seria quebrado saboreie a minha carne que deliciosamente me lembrava dos pacotes da minha mudança e aceitei que o mundo estava acabando.
  • Como evitar?

    De sua voz, vim a me drogar
    Como evitar?
    Seus abraços vieram a me viciar
    Como evitar?
    Que vontade de seu perfume respirar
    Como evitar?
    Como quero te encontrar…
    Como evitar?
    Que desejo de contigo ficar
    Como evitar?
    Uma apreciação em te acariciar
    Como evitar?
    Todas as noites, contigo sonhar
    Como evitar?
    Dar meu ombro quando tu chorar
    Como evitar?
    Uma ânsia de te beijar
    Como evitar?
    Os dias para seu aniversário contar
    E mais ansioso que você esperar
    Como evitar?
    Se foi por ti que meu sentimento veio a aflorar
    Como evitar?
    Se foi tu que meu coração escolheu amar
    Afinal, como posso evitar?
  • Condenados a morrer sonhando

    O que seria do ser humano se a ele fossem dadas opotunidades?
    O que seria de todos os Chopin que nunca tiveram a oportunidade de tocar o marfim das teclas de um piano?
    Em que ponto estaríamos se aqueles que possuem a verdadeira paixão subtituissem aqueles que apenas podem?
    O que motivaria o mundo se não a felicidade de descobrir e lapidar sua capacidade.
    Não existe disgosto pior que aquele que impede.
    Impede a luz de tocar o corpo, ou o corpo de tocar a alma.
    E a alma, de se expressar livre.
    Tantos mestres sem pupilos.
    Tantos pupilos cobertos pelo desespero ao se verem incubidos ao fracasso naquilo que a sociedade os manda prosperar.
    Quando na verdade são impossibilitados de alcançar a grandeza do mundo.
    Pois o mundo os emburra para baixo e os chama de incapazes.
    O que seria de todas as Primas bailarinas que nunca tiveram a oportunidade de colocar sapatilhas em seus pés?
    Todos os gênios que foram incompreendidos e condenados.
    A sociedade mata.
    Mata a arte, o pensamento, a individualidade.
    Mata o sonho.
    Mata a vontade.
    Mata o que é novo.
    Mata um e mata milhões.
    Milhões que tiveram suas vidas vividas em vão.
    Vidas que poderiam ter significado.
    Se a eles fosse dada uma oportunidade.
    O que seria de você, se tivesse uma oportunidade?
  • Conto kafkiano

    O dia do Presidente havia sido cheio. Reuniões, decisões, pressões midiáticas intensas. Não conseguia excluir a possibilidade de não ser reeleito de sua mente e muito se esforçava para não gerar mais cenários de possíveis decepções pessoais em seu íntimo perturbado. Chegou a seu quarto sozinho, a esposa dormia em aposentos próprios. Vida conjugal? Havia muito não existia. Mas as campanhas sempre foram prioritárias. Retirou seu terno feito sob demanda, sua gravata absurdamente cara, seu cinto e seus sapatos, ambos de couro animal. Tomou uma ducha curta e deixou a água fervente jorrar sobre sua cabeça por alguns longos instantes. Deitou-se em sua cama king size, debaixo daqueles lençóis frescos e perfumados, e deixou-se pegar no sono em alguns instantes, alarme programado para as cinco e meia. Campanha. Reeleição. Clamor popular. Adoração. Pódio. Poder. Idolatria. Campanha, reeleição.
    Acordou tomado de um cheiro de putrefação penetrante, abrindo os olhos, intrigado. Ainda era noite. Não sabia se o cheiro emanava de sua própria boca ou de sua esposa adormecida, espremida a seu lado. Esposa? Por que não estranhava aquilo? Estava ali deitada aquela mulata grávida, com cabelos espetados, recobertos de seborreia alarmante, exalando um odor até então desconhecido em seu vasto repertório sináptico. Não era sua esposa loira, esguia, com dentes clareados artificialmente e linhas de expressão corrigidas com inúmeras sessões de botox. Mas era sua esposa, ele sentia. Que diabos?
    Levantou-se, espreguiçou-se e correu atrás de um espelho. Não precisou andar muito, aquele cômodo era minúsculo, e as demais portas não escondiam cômodos muito maiores. O chão era recoberto por roupas rasgadas, cheias de terra e poeira, potes de plástico, bitucas de cigarro, garrafas de bebidas alcóolicas baratas, degradantes e vazias. No meio disso tudo, um colchão em estado precário, com uma criança em cima. Seu filho, seu terno filhinho. A razão de acordar todos os dias para trabalhar naquele inferno enevoado, barulhento e tóxico. Mas como assim, filho? Sua esposa era estéril, por mais que no passado tivesse almejado uma criança com o intuito de procurar algum sentido para sua existência ignóbil.
    Observava intrigado aquela casa miserável sem compreender por que ali acordara. Ao mesmo tempo em que era tomado pela sensação de que àquele lugar pertencia e de que aquela era sua família, não compreendia estar ali ao invés de em sua suíte. Apesar de já haver encontrado um espelho sujo e oxidado sobre a pia do banheiro, receava contemplar seu reflexo. Quem aquele espelho refletiria? O poderosíssimo presidente branco de meia idade em uma fase primordial de sua campanha? Ou um pai pobre, potencialmente negro, um proletário? Tomou confiança e entrou no pequeno cômodo parcamente iluminado pela luz da lua que entrava, soturna, por aquela janela mutilada. Puxou uma cordinha que acendia um abajur precário sobre a bancada da pia suja e, finalmente, enfrentou suas próprias feições. O que via o ilustríssimo Presidente naquele reflexo sincero? Um homem negro, cansado, suado e sujo. Os trejeitos denunciavam sua trajetória, arrastando-se por aquele mundo doente. Os sulcos em sua testa eram penetrantes, notórios. Suas dores estavam ali carimbadas. Seus medos estavam ali estampados. O Presidente estremeceu. Ainda seria o Presidente?
    O deslumbramento era tamanho que pouco questionou-se sobre os motivos de estar preso no corpo de outro alguém, que ao mesmo tempo era ele mesmo. Não tinham uma consciência compartilhada, mas o Presidente tinha acesso ilimitado ao que sentiu e viveu o verdadeiro dono daquele organismo cansado.
    O Presidente jamais soubera o real significado de sofrimento até então. Queria chorar, queria soluçar, queria clamar aos céus ajuda para aquele ser sujo e agonizante e, ao mesmo tempo, para si mesmo. O Presidente estava encarnando aquele homem. Estava preso dentro dele, mas, principalmente, estava preso dentro de si. O homem estava preso dentro de si antes da chegada do Presidente. Aquela figura insignificante do povo. Aquela formiga inquieta dentro daquele formigueiro social miserável. Não ser nada, não objetivar, não sonhar, não sorrir ou comemorar vitórias. Ser pastoreado pelas autoridades como o cordeiro a pastar que era. Estaria em uma prisão? Estaria vivendo um carma? Estaria o cosmos pregando uma peça doentia ao tornar o Presidente um eleitor pobre, dependente das esperanças falsas que o Presidente pregava na televisão diariamente? Não mais queria sentir. Queria suas campanhas, sua esposa anoréxica. Tanto amava sua mulata que em breve conceberia gêmeos, sua cachaça diária, seu filho subnutrido e analfabeto. Tanto amava saber que era sofredor, temente a Deus, justo e, acima de tudo, humilde. Esses fatos aqueciam seu coração, enterneciam sua alma petrificada pelas injustiças daquele mundo doente. Era bom, o Presidente jamais havia sentido aquilo. A esperança do povo ignorante. Do povo ignorado.
    Acordou de súbito e percebeu-se encarando seu espelho revestido de prata, sobre sua bancada de mármore, no banheiro da perfumadíssima suíte presidencial.
    Não mais viveria.
    Seria um proletário sonhando ser o Presidente, ou o Presidente sonhando ser um proletário?
  • Desejo estrelado

    Deitados na varanda 
    Juntos olhando o céu  
    Você me abraça e me domina  
    Numa noite de luar.
    Vendo aquela imensidão 
    Do seu lado, de mãos dadas 
    Você imagina uma vida  
    Ao meu lado, uma vida a dois 
    Cheio de planos e sonhos  
    Desejados por ti.
    Fecha olhos querido amor  
    O seu pedido  pode   
    Ser concedido 
    Pela estrela cadente 
    Aquela que incendeia 
    O nosso amor por essa  
    Imensidão sem fim!

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