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crítica

  • Animal desalmado

    Nimguém merecia , ninguém deveria ter seu corpo violado 
    ninguém merecia ter esse trauma gravado 
    e não é um caso nem dois é simplesmente um punhado 
    foram machucadas simplesmente por estar ali na hora errada em frente a um animal desalmado 
    e depois vêem as perguntas do "tipo onde estava? com quem estava? estava pedindo por isso né? estava bêbada mesmo queria o que? "
    queria mesmo saber que mundo é esse é quando se tornou tão antiquado onde culpado vira vítima e a vítima vira o culpado 
    mais Veja bem o estuprador não é só aquele cara esquisito e Também o garanhão ,o Bonito , é o cara de família .
    nós não deveríamos concientizar mulheres a como não ser estupradas , nem a como se vestir perto dos caras 
    devíamos é ensinar os caras 
    devíamos é ensinar as pessoas a não apoiar o coleguinha estuprador que é bem sucedido , o cara que faz chantagem emocional com a própria mulher para força-la, o carinha que você ouviu reclamações dele mais não acreditou que era verdade porque a moça estava bêbada 
    estupro não vêem apenas de desconhecidos , vêem também de conhecidos vêem de pessoas que deveríamos confiar que deveríamos poder confiar , e isso continua acontecendo e o porque muitas pessoas não denunciam? talvez porque aquele carinha legal diz " ninguém vai acreditar na sua palavra" " é sua palavra contra a minha" ou quando os amigos do carinha dizem se liga você nunca vai encontrar alguém como ele" 
    isso precisa ser mudado , apenas deve ser mudado .
  • Aniversario de um personagem

    sabe a maioridade poética que tanto buscam - eu já tive a tempos. por quê? - eu me pergunto - por quê a tecnologia estraga a inteligencia e a criatividade dos jovens escritores? - um texto cheio de dúvidas que até Foucault teria prazer em ler! - é só isso que tenho a mostrar - no centésimo poema autoral - que de original nada tem - existem pouquíssimas certezas neste vasto mundo - algumas das quais posso dizer agora (1) existe mais chances de você morrer atropelado por uma vaca do que ganhar na loteria - principalmente se você morar perto de uma - (2) ninguém nem mesmo seus heróis foram tão grandes assim - (3) seus pais fazem sexo - e não é só pra te ter e isso vale para seus avós, tios, irmãs, primos “isso se você já não estiver fazendo com nenhum deles”- (4) você não é especial, não importa o quanto fizeram você acreditar nisso - (ultima) se você me acompanha até aqui te garanto uma passagem pro inferno, mas pelo menos teve boas reflexões - ate a proxima
  • Antes ...

    Antes disso, o Homem vivia a natureza, o Homem era a natureza. Hoje ele apenas a contempla com saudades doloridas, muitas vezes não mais que através de miragens fotográficas.
    Contudo, o Homem ainda vive na natureza, mesmo distante dela, mesmo disfarçando ela, mesmo negando ela.
    A natureza o compõe e o integra.
  • Ao vivo é muito pior

    A vida no pântano não era das mais fáceis, porém Leila já estava mais do que acostumada.
    Ria-se dos seus desprazeres, pois para ela eram motivo de alegria. Ria-se ainda mais quando podia causar desprazeres nos outros. Nada melhor para uma mente pequena do que a desgraça alheia. Não qualquer desgraça como uma topada na calçada, não. Uma desgraça como a fome, frio ou perda de um ente querido. Era isso que a divertia mais.
    Mesmo com sua formação de professora, Leila tinha uma mentalidade retrógrada e até mesmo vil. Cantarolava mentalmente as marchinhas militares dos anos 60 e 70 ao sair de casa e ter de atravessar o pântano todo dia para ir trabalhar.
    Há tempos que não sabia o que era lavar sua bota velha e lamacenta. A lama já fazia parte de sua alma. Era algo já indissociável que para ela de nada importava. Sua alma era lamacenta assim como o local onde vivia.
    Pé ante pé ela ia caminhando. Com um pé afundando depois do outro. Esquerda, direita, esquerda, direita. Sempre afundando um pouco mais numa mistura perfeita entre água, plantas aquáticas, lama, seres microscópicos e, é claro, um certo teor elevado de eutrofização que dava àquele emaranhado biológico um odor de podridão capaz de inutilizar os olfatos mais sensíveis.
    Ela não se importava. Gostava de viver nesse lugar horrível. Gostava de viver no que outros considerariam uma merda. O cheiro e as profundezas daquele barro pegajosos eram coisas já entrelaçadas ao seu ser. Desde que o Fürhermorreu, sua família vivia a beira da sociedade. Muitas fugas, muitos países. Muitos lugares inóspitos.
    Ou seja, ela só estava continuando o legado da família. Um legado de desprezo pela vida. Depois descontaria suas mazelas nos alunos e estava tudo certo. Essa era sua satisfação do dia a dia.
    Leila ensinava biologia.
    Sim, por mais contraditório que fosse, uma disciplina para aqueles que buscavam entender um pouco mais a natureza, para aqueles que de certa forma eram amantes da natureza.
    Não no seu caso. Nem tudo é o que parece. Cada vez mais a vida nos joga na face que não devemos nos amarrar nos pré-conceitos que criamos.
    Leila gostava do obscuro, gostava do que é feio. A natureza para si significava crueldade, significava sobrevivência a qualquer custo. A sobrevivência do mais apto. E ela era a mais apta. Ela era um exemplo a ser seguido. Uma imagem a ser contemplada e venerada por todos. Quem não cumprisse seus padrões de vida, ela desejava nada menos que a morte. Lenta e tortuosa. Essa era sua teoria da evolução. Sua teoria de vida. Sua visão de mundo impregnada como lama seca e fedorenta em sua mente. A natureza, assim como a sociedade, lhe era somente um lugar onde as mais variadas atrocidades aconteciam diariamente e ninguém se dava conta. Sua existência era uma dessas atrocidades.
    Por isso resolvera morar ali, rodeada por um pântano, um brejo repleto de jacarés do papo amarelo, jiboias e sabe-se lá mais o que. Onde kodamas eram expulsos e repelidos. Não tinha medo dos animais. Eles é que tinham medo dela. Ela gostava disso. Humanos são superiores em relação a qualquer outro ser vivo, disso ela tinha certeza.
    Na sua varanda ficavam penduradas algumas lembranças dos animais que por algum ato importuno do destino toparam com ela pelo seu caminho. Crânios de jacarés. Peles de cobras. Lagartos empalhados. Até mesmo insetos dos mais variados tamanhos e impensáveis para os moradores da cidade. Sua casa era definitivamente um circo dos horrores para os desavisados que esbarravam com ela quando se davam por perdidos durante alguma trilha.
    Felizmente, poucos tinham esse desprazer.
    Quando estava na escola, Leia era bem calada.
    Bem medíocre também.
    Só conseguia trabalho correndo atrás de político. Nunca teve a capacidade de passar em algum concurso ou conseguir trabalho por mérito próprio. Se não fosse a indicação política, não sei o que seria dela. Teria que viver do pântano. Comer lama. Não que fosse algo novo em sua vida.
    Nenhum aluno gostava dela. Ela dava as piores notas. As provas mais difíceis. Tratava todos com o mesmo desprezo com que tratava a vida. A palavra empatia não existia em seu vocabulário. Um ser que vive na merda tem prazer em transformar a vida dos outros em merda também. Leila representava bem esse personagem. Sentia-se solitária nesse caminho que escolhera para a vida, mas de forma alguma infeliz.
    Nem com outros professores conseguia manter alguma amizade. A direção da escola era obrigada a suporta-la somente para cumprir a legislação. Leila sabia disso, mas nem por isso deixava de levantar seu nariz pelos corredores da escola na tentativa de se mostrar superior aos outros.
    Superior em que?!
    Pois é. A auto ilusão é realmente um traço de personalidade a ser estudado com mais afinco.
    E sua vida seguia nessa toada. Escola, casa, pântano.
    Até que certo dia ao retornar da escola percebeu um murmurinho vindo do abismo brejoso que era sua vizinhança.
    Sons mecânicos vinham da direção sua casa.
    Eram maquinas. Muitas maquinas.
    Eram pessoas. Muitas pessoas.
    Por mais inacreditável que fosse Leila estava ganhando vizinhos.
    Encucada com o que estava acontecendo, Leila correu o mais rápido que pode em meio a lama. Se é que isso era possível. Sua bota já tinha ficado pelo caminho, mas depois ela pegava, pensou. Conhecia aquele lugar como a palma das mãos. Ao se aproximar do primeiro ser humano que vira, ela foi logo inquirindo-o:
    – Ei você, o que está acontecendo? Vocês estão malucos?! Por acaso vocês vão construir alguma coisa aqui?
    – Oi, senhora. Tudo bem? Vamos sim, se Deus quiser. Nós vamos morar aqui. Por enquanto está programado dez casas e duas igrejas. Dez famílias no total. — Continuou — Mas não se preocupe, são todos cidadãos de bem. Assim como a senhora.
    Leila ficou boquiaberta.
    Pensou: “Isso está realmente acontecendo? Será mesmo verdade isso?! As pessoas finalmente estão reconhecendo que a vida que levo é a melhor forma de viver? Melhor forma de criar uma sociedade? Ah se a Oma pudesse estar aqui pra ver isso!”
    O homem, ao ver que a moradora mais antiga do local estava sem palavras, continuou:
    – Pois é, senhora. Ninguém aguenta mais a roubalheira dos políticos. Nos roubam cada dia mais esses comunistas. Todos estamos cansados disso. Aqui, em meio ao pântano, com esse ar puro e límpido a sociedade brasileira há de se erguer, há de se reestruturar. Aqui fincaremos raízes pautadas no respeito à família de bem brasileira. A senhora é uma previu isso tudo, não é mesmo? A senhora é uma visionária, uma inspiração para todos nós!
    Leila, incrédula, já ia retornando para sua casa quando o homem finalizou:
    – Deus te proteja, senhora.
    – Sim, sim. — Ela murmurou.
    As obras iam de vento e popa. Os dias iam passando. Semanas. Meses.
    Cada vez mais pessoas chegavam.
    Leila já perdera a conta da quantidade de vizinhos.
    Ela nunca fora tão feliz. Finalmente encontrara pessoas que a compreendiam. Fizera amizade com todos. Todos que chegavam eram pessoas como ela, pessoas que viam a beleza em viver naquela lama, naquele lugar em eterna decomposição. Idolatravam o que era precário.
    Era um verdadeiro milagre.
    Obra do Messias.
    Obra de Deus.
    Leila percebia que aquele sentimento se espalhava pelo país. Aquilo em que ela sempre acreditou ia se tornando realidade. Na escola ouvia os burburinhos. Na TV não se falava em outra coisa.
    Não era um milagre pontual, não era só ali que isso acontecia.
    “Mais e mais pessoas optam por viver em brejos e pântanos.”
    Essa era a manchete do Jornal Nacional.
    Enfim seu sonho estava se realizando. A sociedade se transformando. Era um sinal de novos tempos para o povo brasileiro. Tempos de justiça, sem criminalidade e sem bandidagem estavam por vir.
    Na escuridão que estava por vir, enfim via sua vida fazer sentido.
    Não conseguia controlar sua alegria.
    Seu riso estava frouxo.
    Tão frouxo que sentiu um dente cair e ficar perdido pela sua boca com a língua a tentar domá-lo.
    Ela acordou. Um suspiro alucinado.
    Olhou para os lados assustada. Olhos arregalados. Desesperados. Pupilas buscando o melhor formato para visualizar onde estava.
    A memória vinha aos poucos.
    Quarto branco. Roupas brancas. Braços imóveis. Pernas imóveis. Cabeça imóvel.
    Somente seus olhos mexiam e tinham liberdade.
    De repente uma porta, grande e incólume, surge em meio ao branco das paredes que a rodeavam.
    Uma pessoa toda aparamentada dos pés acabeça de um traje típico de usinas nucleares amarelo entra no quarto.
    Mesmo abafado pela máscara que usava, é perceptível o tom de deboche em sua voz quando ele fala:
    – Vamos, presidente. Acabou a mamata.
    Pegando seu radinho na cintura, o enfermeiro comunica:
    – Solicito a liberação da estação de choque. Levando o sujeito 01 agora.
    – Confirmado. Pode trazer. — disse uma voz eletrônica do outro lado.
  • Aquelas Pessoas

    Pessoas
    Que usam pessoas
    Pra valer-se de algo

    Acreditam que são
    Se enxergam demais
    Sentem de menos

    Pessoas
    Que usam pessoas
    Como escudos de ganância
    Sabem dar ordens
    Para o que lhes convém

    Pessoas
    Que usam pessoas
    Padecem de bom senso
    E humildade
    Se já foi ou vai ser
    Tanto faz

    Pessoas
    Que usam pessoas
    Desconhecem o preço
    Que um dia hão de arcar
    Para pagar aquilo
    Que nem mesmo o seu dinheiro
    Pode comprar
  • Arqueologia Pop – Blood Crystals

    É com muito prazer — e outro tanto de nostalgia — que, dou início a esse projeto por tanto tempo adiado. Seu adiamento foi devido a condições pessoais. Sanei esses problemas. Resolvi batizar o projeto de Arqueologia Pop.
              A arqueologia, a grosso modo, é uma ciência que estuda a sociedade através de seus vestígios materiais. Foi ofício de muitos aventureiros e, no mundo contemporâneo, renomados cientistas. Com menos romantismo, e o mesmo tanto de trabalho, estarei através de vários textos, escavando, resgatando e trazendo a luz antigas obras esquecidas dos mangás brasileiros. Aquelas que só os fãs embebidos de nostalgia podem se lembrar.
              Estarei dando prioridade àquelas obras descontinuadas, mas tratarei também, futuramente, de títulos já concluídos, logo seja possível a leitura. E como irei proceder? Irei ler o capítulo um de cada obra, ou o seu prólogo. Não sendo possível nenhuma das últimas opções, irei ler o capítulo disponível, seja ele qual for. Estão excluídos dessa lista as obras que deixaram o seu hiato. Esses serão feitas resenhas regulares mesmo. O objetivo é mais analisar as condições de descontinuidade dos títulos, e não culpar o autor, mas não será esquecido os seus erros. Entrarei em contato com os autores sempre que possível.
              O primeiro título que eu escolhi, o conheci na revista Anime dô da Editora Escala. Todo otaku nascido antes de 2010 conheci essa revista, assim como a revista Neo Tokyo. Na seção de fanzines, eu li uma vez uma obra que me chamou bastante atenção. O mangá era Blood Crystals. Na época, o autor vendia até camisa da obra. A venda do fanzines era feito pelo Correio. Custava muito barato, menos de seis reais, fora o correio.
              Atualmente, pesquisando na internet, consegui ler o primeiro Cap. 1: Recordações numa scan. O mangá tem referências diretas da mitologia nórdica, bebe de fontes do RPG japonês como Final Fantasy. Mas, talvez a maior influência tenha sido o manhwa Ragnarök, que veio a influenciar a produção do jogo Ragnarök Online, MMORPG, jogo de representação de papel com múltiplos jogadores em massa online, ufa!
              A obra foi publicada no Brasil pela Conrad (2004-2005), no famoso formato meio-tankohon. A obra, originalmente de 10 volumes, se transformou em 20. Além da história focada na mitologia nórdica, o traço estilizado de Lee Myung-Jin contribuiu em muito para a inspiração da obra, seja esse de modo direito ou indireto. Era impossível ir numa banca e não ver o volume da Conrad.
              A história gira em torno de uma sessão de treinamento entre dois personagens. Asgard é um espadachim bonachão que tenta passar algumas lições a sua pupila Sasha, uma simpática amazona. Durante o treinamento, além de mostrar as suas habilidades e seu bom-humor, Asgard demonstra capacidades sobre humanas, sério gente, o cabra tora uma espada nos dentes?! Êta fida da... adiante, cof-cof. Depois da derrota de Sasha, decidem descansar um pouco, sabe como é, hora da resenha.
              Corta para outro plano. No centro da Terra, existe um Mundo Diagonal, uma espécie de ilha meia-torta que flutua sobre a lava. Lá existem diversas criaturas, dentre elas, seres draconianos. São diversas raças, possivelmente, inimigas dos humanos. Dois personagens conversam, demonstrando alguma intimidade e, ao mesmo tempo, hierarquia.
              Davkas está sentado num trono, e reconhece um recém-chegado mascarado como ausente por dez anos. Atrás dele, embora só apareça em um quadro com o seu rosto de perfil, há um prisioneiro. O mascarado parece estar deixando o local para algum encontro. O personagem Davkas me chamou a atenção, primeiro por possuir um refém — um trunfo, quem sabe —, segundo, por ele ser um drow, um tipo de elfo negro. Seres belos, mas muito perigosos.
              O capítulo imprime dinâmica e tensão. Carrega um bom-humor em todas as suas páginas. Sasha é desenhado em ângulos bem generosos pelo autor, se é que me entendi? Como diria Kazemon “Carino anca”. Nada demais, apenas para prender a audiência. Asgard é um personagem misterioso, e como essa introdução se propõe a nos conduzir a um perigo iminente, não temos muito tempo para descobrir os objetivos desses personagens, embora tenhamos alguns vislumbres, como a referência aos cristais do título. Engraçado que o fato de Asgard ser Guardião dos Cristais está na sinopse, e não no capítulo do mangá, o que me leva a acreditar que ele foi dividido em duas partes.
              Acho que é nisso que o capítulo peca. São poucas páginas para introduzir tantos personagens e conflitos. Mesmo assim, o autor já nos mostra com simples diálogos um pouco dos futuros conflitos e mitologia da história, como o uso dos cristais no cotidiano, até mesmo para produzir alimentos. Os antagonistas têm um bom designer, e ficamos ansiosos por descobrir os seus objetivos.
              O traço do mangá já demonstra um grande profissionalismo. Faz pouco uso de retículas. As cenas de ação têm impacto, e há linhas de movimento e impacto suficiente para promover a tensão. Enquadramento adequado, mas com poucas divisões, fica tudo muito verticalizado. A capa demonstra uma boa colorização, simples, mas instiga a leitura e está de acordo ao título do mangá, nos remetendo ao mote da trama. Apesar da capa do capítulo estar grafado Blood Crystal, o autor a denomina na sinopse como Blood Crystals, preferi tratar a obra por esse último nome.
              Eu lembro de ter entrado em contato com o autor ao menos uma vez. Ele disse que o trabalho, apesar de prazeroso, se tornou inviável por um momento. Por isso, ficou mais vantajoso descontinuar a publicação. Passou a trabalhar como ilustrador de games e livros de RPG, em geral, trabalhando para o mercado estadunidense. Foi, ou ainda é, professor e proprietário da Halftones Escola de Desenho. Não obtive novas respostas até o fechamento dessa resenha crítica.
              O mangá poderia muito bem continuar, e quem sabe, ser fechado em um álbum de 200 páginas. Não é uma obra estilo Dragon Ball, que necessite de um grande elenco e desenvolvimento de muitos capítulos para resolver os conflitos da trama. Isso é especulação minha. Bem, isso é tudo pessoal! Aguardem novas postagens.
             
    Título: Blood Crystals
    Ano de publicação: 2011
    Autor: Frank Willian
    Sinopse: Blood Crystals conta a história de Asgard um dos guardiões dos cristais de sangue que vive em um mundo repleto de gigantes e criaturas estranhas, um mundo dividido entre os seres do mundo exterior e entre o mundo das poderosas forças do núcleo do planeta que almejam conquistar por completo o mundo exterior em posse dos cristais de sangue.
    Cap. 1 – Recordações, nº de pág. 22.

    Próxima expedição: Nova Ventura.
  • Arqueologia Pop – Kroma!

              O grupo Zine EXPO teve uma grande função social na divulgação e produção de quadrinhos nacionais, principalmente os mangás. Eram desenhistas e roteiristas amadores tentando galgar um espaço no mercado editorial, com recursos próprios, com a cara e a coragem que só artistas do cenário independente tem. Singravam a diversos eventos, vendendo os seus quadrinhos em formatinhos de papel offset e lombada grampeada.
              Dentre o catálogo da Zine Expo, em seu site, eu conheci e adquiri alguns quadrinhos, dentre eles, o Magic Ystin do Laio Yune, o Digude do Vinicius de Souza, o Templários do Yuji Katayama, autores que eu chamo carinhosamente dos Três Mosqueteiros Carioca. E por fim, comprei um quadrinho que tinha uma capa bem legal, o Kroma!. O título era produzido por uma dupla de irmãos.
              O roteiro era do Washington Messias, com desenho do Erick Messias, ou para ficar mais fácil, produzido pelo Messias Brothers. Kroma! tinha uma identidade visual bem legal, e uma trama que me envolveu de súbito. Usar a temática de gangues com o shonen pode não parecer nada fora do normal, mas quando você vê o cenário e os personagens que conduzem a trama, você muda de opinião imediatamente. Saca só!
              Henry está em plena aula de História, mas o joguinho de luta tava mais legal e toma um esbregue da professora. Voltando para casa, ele acaba encontrando o seu pai Abraham largado no sofá, bêbado igual uma raposa. Escornado mesmo. O jovem vai preparar o rango e relembra da mãe falecida semanas atrás. Henry parece estar sofrendo com o chamado “luto difícil”, um forte apego emocional a imagem idealizada da pessoa morta. Ele se apresenta apático e melancólico, além de tímido.
              Em pleno meio-dia, uma visita inoportuna chega, é a Candy, aluna de intercâmbio. Henry a leva para conhecer a Academia de Gangue do Abraham, e para azar de ambos, o velhote acorda. Depois do rolezinho, eles chegam na sala de treino, que é aberta com poder de kroma. Após o término da visita, um grupo grande de jovens moradores visita a casa de Abraham e decidem que querem continuar seus treinos para defenderem o território de invasões de gangues inimigas.
               Mas para surpresa de todos, havia um espião que desafia a academia. O pai de Henry o força a lutar contra o desafiante. Daí ocorre uma das melhores lutas que eu já li num shonen. Só depois da luta é que descobrimos o objetivo do misterioso desafiante, o José “JC” Carlos. Suas habilidades são bem diferenciadas, e prometem lutas incríveis.
              Apesar da história começar com o Henry, o verdadeiro protagonista da história é o JC. Apresentar o personagem o colocando como antagonista no primeiro capítulo é uma inversão de expectativa que o leitor jamais iria esperar. Afinal de contas, é esse personagem que tem o grande objetivo que irá conduzir a trama: destruir o sistema de gangues, que gera violência e desigualdades.
              Seguindo com o JC, o personagem chama muito a atenção em vários sentidos. Ele é negro, luta ao som do hip-hop e tem um grande sonho. Você sente empatia logo de cara pelo personagem. Tem personalidade e um passado trágico: perdeu o irmão mais velho para as gangues. É um bom personagem para fazer um contraponto com o outro coprotagonista, o Henry que, deixaria a desejar como protagonista, mesmo tendo um bom plano de fundo.
              O sistema de gangues parece funcionar muito semelhante as nossas milícias, grupos armados que realizam atividades ilegais em comunidades pobres e favelas, como segurança, extorsão e tráfico. As gangues, nessa história, parecem ter surgido de modo orgânico na sociedade. Existe todo um sistema bem definido, incluindo Juízes de Guerra, ou seja, tem um sistema legal próprio estabelecendo as relações sociais. Uma justiça alternativa.
              As gangues têm seu próprio exército particular e território. Gangues maiores cobram dinheiro de gangue menores, e aglutinam outros territórios, ao que tudo indica. Além disso, existe toda uma economia em torno das gangues, pois, existe um sistema educacional e impostos. Seria interessante, nos futuros capítulos, se os autores explorassem as relações socioeconômicas do Estado com essas gangues.
              Na história, as habilidades dos personagens estão relacionadas ao Círculo Kromático. Num primeiro momento, parece complexo, mas, cada cor está relacionada a um tipo específico de habilidade, que pode ser usada de modo combinado. Como se aprende ou se desenvolve o poder kroma, não sabemos ainda. Levando em conta o que foi apresentado, teriam variações e usos bem estratégicos em batalha.
              O Henry, por exemplo, possui uma técnica ocular em que, ajustando o poder entre ele e o oponente, o jovem poderia bloquear a emissão de kroma do adversário. Já o JC, parece ter uma habilidade diferenciada, originada de outra fonte: o som. Cada som parece lhe conferir uma habilidade diferente, por exemplo, ouvindo hip-hop ele apela para as acrobacias, ouvindo rock, ele fica com supervelocidade. Fico imaginando o que aconteceria se ele ouvisse funk ou sertanejo universitário... melhor não, eu passo.
              A Candy foi o alívio cômico, mas se eu tivesse que fazer uma análise mais profunda, ela parece ser uma menina de classe média. A gente logo vê que ela está muito deslocada na academia. Parece ser uma patricinha vinda de outro lugar, pronta a viver novas experiências, mas que sofrerá com a adaptação. Fico imaginando que ela seria um bom exemplo de personagem que evoluiria muito, a Candy é muito perceptiva.
              O sentido de academia de gangue aqui é menos voltado a um tipo de Ensino Superior e mais direcionado a academia de exercícios físicos mesmo. A obra se passa numa favela, cheia de violência e conflitos. Me aparecem que os autores deram um que de autobiografia na obra. Tá muito crível, ruas apertadas, casas claustrofóbicas, uso de gírias, enfim, muito favela. Eu adorei a abordagem.
              O traço nos remete ao Masashi Kishimoto. Esse artista deixou um ótimo legado entre os mangakás. Sua arte é menos caricata, não chega a ser realista como um gekigá, mas respeita a anatomia mais que outros autores. Erick Messias usa pouca hachura e retículas, investe nos chapados de preto e branco, deixando a arte clara, mas dinâmica. Eu só acho que ele poderia ter feito um dégradé em algumas páginas, ou utilizado texturas, quebraria a monotonia das páginas. Os rostos apresentam boas expressões, definindo muito bem o humor dos personagens.
              Enquadramento perfeito, dinamizou a luta. Aliás, luta bem coreografada, dando peso e movimento na medida certa. Linhas de movimento bem executada. Os diálogos estão bons, os balões não arrastam a leitura. O capítulo cumpriu sua função narrativa e gerou boas expectativas para o próximo capítulo. Tem ação, contexto e ambientação. Já tenho nítido o que os autores querem contar.
              O mangá foi lançado em 2015, sendo vendido em formatinho, de modo independente em dois volumes. Em 2018, sob pseudônimo de Dr. Nankim, os autores republicaram num site de mesmo nome, paralisando a obra. Na época eu entrei em contato com o roteirista, ele fazia faculdade e nada estava descartado. Se a série teria chance de continuar?
              Sim. Eu acho viável. O objetivo do JC era acabar com um sistema de gangues, o mesmo objetivo interrompido pelo Abraham, que desejava formar uma Antigangue —uma gangue que lutaria para dissolver o sistema. Para isso, eles precisam recuperar as jaquetas da primeira gangue existente, a Blackberry, que na verdade, são boton que registram a kroma do usuário!? O JC rapou um, havia mais três livres. No todo são dez. Vai fazendo as contas, mano.
              O arco inicial, para recuperar os boton escondidos poderiam ser usados para desenvolver os personagens, que não sei porque raios, o autor apresentou uns dez logo de cara. E os arcos seguintes seriam direcionados a desenvolver os vilões mais poderosos que, provavelmente, estariam em posse das seis jaquetas restantes. Não ia terminar cedo assim não, mas, mantendo um bom ritmo de publicação, bimestral, por exemplo, seria uma ótima série de se acompanhar, inclusive, com alto apelo comercial.
              Eu entrei em contato com o roteirista da série novamente. Ele disse que apesar de ter algumas páginas prontas, não dará continuidade ao título por algum tempo. Graduado em História, não tem tempo para se dedicar a obra. Não conseguiu seguir na área como quadrinista. Atualmente ele trabalha só, o desenhista deixou o projeto. Essa é mais uma daquelas obras que não conseguem se sustentar sem um mercado editorial para o seu amparo, mas que merecia uma segunda chance.
    Título: Kroma!
    Ano de publicação: 2018
    Autor: Roteiro, Washington Messias; desenho, Erick Messias.
    Sinopse: Após a morte da esposa, Abraham entra em decadência e deixa de pagar os Juízes de Guerra. O território da Blackberry Gangue está oficialmente aberto para invasões. Abraham, Henry, Candy e os discípulos da academia estão correndo sérios perigos. A primeira ameaça adentra o território, Abraham aceita o desafio à sua academia. Quem enfrentará o invasor?
    Cap. 1 – Blackberry Gangue, nº de pág. 30.
    Cap. 1.2 – Invasão, nº de pág. 32.
  • Arqueologia Pop – Nova Ventura

    Tem certos mangás nacionais que quando descontinuados, deixam tanta saudade que, só de ver uma imagem, vem uma nostalgia sem igual. Muitos artistas talentosos acabam deixando as suas obras em eternos hiatos. Os motivos são vários. Mas nada disso impede os leitores e fãs incondicionais de manterem a vontade de fogo queimando nas veias. Por isso, decidi reavivar essas brasas ainda mais.
              Nova Ventura é um desses títulos independentes de mangá nacional que me surpreendem pela sua qualidade e pelo carinho de seu público. Conheci essa obra, junto com muitas outras na seção de fanzines da revista AnimeDô e Neo Tokyo. Sempre tive curiosidade em conhecer essas obras, mas na época, era jovem, não tinha dinheiro para comprar pelo correio nem internet para ficar lendo regularmente.
              Mas hoje, com todos os recursos, não me faço de rogado e, me dou esse prazer tardio que não pude me dar na juventude. Nova Ventura é um mangá shonen do Ivan Lennon. Típica obra de fantasia e aventura, com elementos de RPGs e, dragões também, o que é um RPG sem dragões? — Não seria nada. Viva os dragões! — É uma história que envolve muito a gente. Realmente, li as mais de 50 páginas de modo muito rápido.
              A obra começa com uma página apresentando uma profecia do Guerreiro Milenar, uma criança nascida com grande poder. Poder esse que mudará o mundo. Ele irá construir uma “Nova Era”. Depois disso, acompanhamos um jovem tentando chegar numa universidade chamada UniNORTE. Nosso encrenqueiro protagonista se mete numa briga de bar e, para piorar, assusta toda a cidade com sua estranha amizade com um dragão.
              Mudando de cena, chegamos até o sombrio e porradeiro, Mikael Kanishi — sério, esse pivete é muito foda! —, ele é o bad boy que dá uma sova nos Bad Boys oficiais da UniNORTE. É aquele personagem com pinta de justiceiro, forte e muito decidido em seguir os seus preceitos custe o que custar. Personalidade é o que não falta nos personagens de Nova Ventura.
              Voltando para o nosso estranho protagonista, e o seu dragão que não sabe fazer aterrisagens, ele acaba chegando na UniNorte. Mas cai logo em cima de Nina, uma nerd aleatória de óculos fundo de garrafa. Isso acaba despertando a atenção indesejada do caçador Mikael, o brabão do negócio lá. Para surpresa de todos, antes que eles troquem uns tabefes, o inspetor Robz chega e leva o protagonista para o Supremo Diretor — ou seja, o reitor da instituição.
              O protagonista, mesmo preso, tenta dialogar com o homenzarrão de uns 3,5 metros de altura. Mas o Supremo Diretor Albert Russel não tá nem aí, e ainda queima a carta de recomendação do nosso herói, o que deixa ele putaço, mano. O inspetor e o gigantez saem para resolver um pepino, um bichinho de estimação fugiu, ou foi solto?! O protagonista foge da torre onde estava metido e passa a lutar com um dinossauro que cospe rajada de energia no melhor estilo Dragão Branco de Olhos Azuis. Nesse momento, acontece uma frenética luta. No fim dela, o herói se apresenta como Hiory Shibarai: “O Homem Que Vai Ganhar o Mundo”. Humildade pra que, né?
              Eu gostei muito do traço. Caricato, me lembrou imediatamente do Hiro Mashima, e não será improvável o Ivan ter se inspirado em Fairy Tail para criar a sua obra. O traço é simples, com poucas retículas, mas bem definido em sua identidade. É dinâmico, tem muita movimentação, ângulos diferentes nas horas das lutas e diagramação muito boa. Mesmo com técnica básica, conseguiu incrementar a obra com ilustrações coloridas em momentos chaves.
              A revisão merece muito destaque. Geralmente é comum ter erros de português nos quadrinhos, o que é impróprio para quem visa a profissionalização. A editoração está muito boa, sem muitos erros. Os balões de fala e pensamento tem fontes diferentes, gostei desse mote. O capítulo 1, cumpre todos os papéis: apresenta o protagonista, seu objetivo e o mundo em que ele vive. Como minha análise se detém ao primeiro capítulo da obra, fiquei numa expectativa bem grande de ler o resto. Queria saber tudo sobre o mundo de Nova Ventura e sobre a UniNORTE.
              O Hyori Shibarai é um típico protagonista shonen: brigão, gritalhão e amigão. Nada contra. Me parece que entre o Mikael ia derivar uma relação amigo/rival, a Nina ia ser a mina que luta, mas tende a ser mais protegida que contribuinte da ação. Não sei no todo. Talvez esteja me enganando. Os outros personagens também apresentam muito potencial a ser desenvolvido. Principalmente o diretor Robz, inspirado no filósofo inglês Thomas Hobbs, e o Supremo Diretor Albert Russel, inspirado no filósofo alemão Edmund Gustav Albrecht Husserl, ou no empresário estadunidense Albert Russel Erskine, fabricante de automóveis.
                Agora vamos àquela parte chata que todos vocês já conhecem. Na capa do mangá, o logotipo da série, que deveria estar em destaque, é muito pequeno. Tive que usar um microscópio para enxergar. Aparece o termo abaixo “Zine PB”, fiquei curioso. Descobri que o Ivan Lenonn é natural do estado da Paraíba, estudou na instituição de ensino Unipê Centro Universitário. Trabalhou com Marketing e Arte em algumas empresas.
              Na capa de página dupla, a Nina aparece. Mas do jeito que ela está desenhada, parece um ciclope, sério mano, olha isso. Ela parece unócula. Se fosse não seria problema, ao contrário, seria uma personagem com um diferencial. No fim do capítulo acontece uma coisa meio chata: a edição erra o nome do protagonista. Na pág. 49 aparece grafado Ryori com R, e na próxima, à pág. 50, Hyori com H. Faltou um pouco de atenção nessa hora.
              O mangá começou a ser publicado no ano de 2011. Num mundo em que ainda existia Orkut, e não tinha essa mamata dos streamings. O mangá chegou a ter um site próprio, onde eram publicados os capítulos. Chegou a finalizar o volume 1, e ainda chegar a metade do volume 2, totalizando uns 11 capítulos. O autor tinha previsão de publicar 17 volumes! Isso mesmo, não era dezessete capítulos, eram d-e-z-e-s-s-e-t-e v-o-l-u-m-e-s.
              Em 11 meses ele já tinha produzido um volume com oito capítulos, o que é um feito e tanto. Quase o ritmo de uma Shonen GanGan. Agora, me ajudem a fazer uma conta rápida que eu sou ruim desse negócio. 11 meses = 8 capítulos, ou seja, um volume por ano. Seriam necessários 136 capítulos para concluir a série, ou seja, a obra terminaria em mais de uma década, isso se ele mantivesse a regularidade das postagens. É surreal para mim.
              O mangá contava com apoio de HONNOUTeam, que ao que parece, era um grupo de scan. O site deles está fora do ar. Não sei se desde o primeiro capítulo, houve a formação da Equipe Ventura, composta pela Cary Monteiro, reticulista, colorista, blogueira e editora; Renato Queiroz Ribeiro, colorista; Hitsu, editora; e por fim, o Heudits que editava o roteiro da obra. Veja que a equipe era grande e contava com gente talentosa e experiente.
              E porque o mangá foi descontinuado? Rapaz, daí que vem o imbróglio do negócio, entendeu? Veja bem. O Orkut faliu, e o Facebook se tornou a rede social do momento. O autor Ivan Lenonn não simpatizava muito com ela, e quem gosta? A gente usa porquê é o jeito, meu irmão! Parou de fazer as postagens no Facebook e deletou a página do Facebook. Sim, o autor teve a pachorra de fazer isso, e sem avisar previamente. Ele realmente odeia o Facebook. Considerava a rede social “(...) viciante e sugadora de tempo e criatividade.” Bem isso aí.
               A página foi parar na mão de um fã... sério mano, o que se passa na cabeça desse manolo? O que um fã vai fazer com uma página de um mangá? Esse é o tipo de atitude que encerra uma carreira artística seja ela qual for. Se houve motivos mais graves por trás, não foram explicados aos leitores e muitos desistiram de acompanhar a obra e o autor. Então todo mundo ficou... embasbacado mesmo. Infelizmente, eu não consegui o contato do autor, não pude saber os reais motivos da paralização do título.
              O autor, para satisfazer a curiosidade dos fãs, postou as sinopses da obra do volume 1 ao 17. O lado bom é que temos spoiler até dizer chega, o ruim, é quem temos uma sub light novel, ao invés do mangá. Não quero condenar o autor, é difícil continuar um projeto assim sem retorno financeiro e tendo que contar com ajuda de outras pessoas para tocar o negócio.
              Às vezes você tem que escolher entre ser um artista amador sem dinheiro e um bacharel com um futuro emprego. A última opção é sempre a mais viável. Ele até tentou outra iniciativa, dessa vez com o Vini Pereira. Era outra obra shonen chamada Monkz, os personagens de Nova Ventura faziam até uma ponta. O título teve dois míseros capítulos, e foi cancelado. Uma versão impressa saiu na Craftcomicbook, mas a plataforma faliu. Hoje se chama Indieart/Shop. É, pessoal, quem comprou, comprou.
              Não temam, a história ainda tem salvação! Primeiro, o autor vai ter que condensar os eventos do mangá. Ao invés de fazer de cada saga um volume com umas 160 páginas, terá que transformar cada saga em um capítulo! Tipo, umas 34 páginas cada. A obra seria concluída com 578 páginas, nada mal para uma obra independente. O que daria uns cinco volumes impressos. Quem sabe ele até cortar alguns eventos que não irão influenciar no fechamento da obra. Isso daria uma economia de tempo e avanço na história sem igual.
              Esse enredo cumprido serve para muita coisa, para gente aprender, incluso. Afinal, erros fazem parte dos nossos futuros acertos. Galera, seguinte. Você que é mangaká, quadrinista, roteiristas e escritor de modo geral, saiba que você é responsável pelos seus canais de divulgação, fã não é adequado a essa função, por mais bem-intencionado que seja. Se você não pretende continuar a série, não mude o formato dela na metade. Evite spoilers. Ninguém gosta de revelação do enredo, as pessoas querem ler a obra.
              Pense em formas de financiamento, ou seja, vender os seus produtos. E autofinanciamento, o mesmo que dizer que você deve ter outras fontes de renda, tipo, um emprego. E faça como Ivan Lenonn, estude! Vá para uma faculdade, se for possível, mas estude. Estude o mercado, saiba se aproveitar das oportunidades. E mais importante, seja sincero com seus leitores. Eles merecem. Não seja antissocial, isso não funciona para artistas no Ocidente.
    Título: Nova Ventura
    Ano de publicação: 2010
    Autor: Ivan Lenonn
    Sinopse: Hyori Shibarai é um jovem domador de dragões. Ele está tentando chegar na UniNORTE e ser aceito na instituição, seu intuito é cumprir uma promessa e realizar seu o desejo mais profundo. Para sua jornada ele conhece acidentalmente Nina Ridart e o caçador Mikael Kanishi. Mas seu maior desafio será enfrentar um T-58 para sobreviver ao seu primeiro dia de calouro.
    Cap. 1 – O Homem Que Vai Ganhar O Mundo, nº de pág. 52.
  • Arte perfeita e destrutiva

    Quando eu vi a capa do quadrinho Melodia infernal, do autor mongol Lu Ming, pela qualidade da sua arte, esperei uma história profunda e bem elaborada. E não me decepcionei, foi exatamente isso que eu encontrei em suas páginas. Um quadrinho com uma história rica em significados e com um trabalho de pesquisa que se analisado nos mínimos detalhes, apresenta uma qualidade requintada.
    O manhwa publicado originalmente na China, foi publicado em 2009 pela Conrad Editora, em duas edições. Poderia muito bem ser publicada em um volume único, pois ao todo contêm 12 capítulos denominados de “Movimento”, uma bela referência musical. Mas nesse momento os quadrinhos publicados em meio tankohon faziam sucesso. Ambas as edições têm Posfácio de Marcatti, que além de músico é escritor.
    A história gira em torno de uma banda de heavy metal chamada Third Man. O trio é formado pelo baterista Liu Hei, o guitarrista de base Zhang Xiao e o baixista Li Yanan. O trio habita um lugar chamado Purgatório, onde suicidas esperam o dia onde podem ir para o céu ou para o inferno, ou quem sabe reencarnar. A mesma banda vem sofrendo com a falta de um guitarrista solo.
    Os três desencarnados decidem tratar com uma feiticeira chamada Maya para conseguirem o tão desejado quarto membro Chen Xiangzheng, mas a forma não será nada convencional: terão que levá-lo ao suicídio. Sendo esse o único modo de garantir um novo guitarrista, os dilemas morais levantados acerca da questão são levantados por Li Yanan, entrando com conflito com o pragmatismo de Liu Hei.
    Esses três tem um passado, todos dolorosos, o que moldou muito do seu caráter no pós-vida. É uma história que fala de espiritualidade, de questões existenciais e de como a busca pelo perfeccionismo pode destruir a própria arte que deveria ser um espaço criador. Liu Hei é extremamente frustrado e ressentido com a arte, o que se manifesta em seu jeito agressivo e autoritário.
    O manhwa tem capa cartonada e papel offset, o formato é 13,4 x 20,2 cm. Arte em preto e branco com um traço detalhado, diagramação bem executada e com muitas referências a cultura pop e ao rock. Recomendo muito a leitura desse quadrinho. É um daqueles quadrinhos que merece uma releitura, mesmo sendo curtinho. Aprendi muitas coisas com esse manhwa.
    Para adquirir o seu exemplar:
    Link 1- http://www.comix.com.br/mangas/m/melodia-infernal-vol-01.html e http://www.comix.com.br/mangas/m/melodia-infernal-vol-02.html
    Link 2- https://www.amazon.com.br/Melodia-Infernal-1-Lu-Ming/dp/8576163292 e https://www.amazon.com.br/Melodia-Infernal-V-Ku-Ming/dp/8576163306
  • As idiossincrasias do mercado de quadrinhos nacional

    Usei o termo idiossincrasias no título para não usar “idiotices” mesmo. Essa última palavra seria até mais aplicada. Há alguns meses vejo posts de notícias, artigos em blogs, quando não youtubers berrando aos quatro cantos que os quadrinhos de direita estão crescendo no Brasil. Esse fato me é estranho, não por que não contenha um fundo de verdade, mas por essa notícia ser algo irrelevante.
                Irrelevante, pois, se pedisse as esses eufóricos publicistas que me apresentassem os quadrinhos de esquerda, eles teriam muitas dificuldades em cumprir a tarefa. Não estou dizendo que os quadrinhos de esquerda não existam, ou que os países comunistas não tenham produzido a nona arte também. Mas sua divulgação é quase nenhuma, ou nenhuma. E provavelmente, tenha sido usada como propaganda política desse regime, e não como arte e entretenimento.
                Os quadrinhos nasceram como expressão artística e cultural de países capitalistas, ou com aderência a esse sistema político-econômico. Os quadrinhos nasceram, cresceram e continuam oriundos de um mundo capitalista. Defendendo os valores capitalistas e da direita, apelando ao nacionalismo e valores conservadores de cunho judaico-cristão.
                Caso o leitor ou leitora não estejam convencidos, vamos usar exemplos práticos. A Editora Marvel, conhecida como a Casa das Ideias, celeiro de quadrinistas e roteiristas estadunidenses, tem no atual imaginário da cultura popular um grande triunfo: a série de filmes Os Vingadores. Dentre esses personagens, dois se destacam. São eles o Capitão América e o Homem de Ferro.
                O Capitão América foi criado em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial por Joe Simon e Jack Kirby. Sua primeira aparição foi no dia 01 de março de mesmo ano. O alcunhando Sentinela da Liberdade era um soldado estadunidense franzino que se envolve num projeto militar de aperfeiçoamento humano. Seu nome era Steve Rogers. Seu objetivo era combater as forças do eixo. E foi isso que ele fez, mas não sozinho.
                O Capitão América, de todos os super-heróis já criados, encarna muito bem os valores da liberal-democracia. Ele é um símbolo dos EUA. Seu biótipo é o mesmo de um norte-americano comum, de tez branca, cabelos loiros e olhos azuis. Veste as cores da bandeira tricolor estadunidense: branco, azul e vermelho. Incluindo uma estrela, em referência aos cinquenta estados, só que a estrela solitária representa o país como um todo.
                Na luta dos Aliados contra as forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), o Capitão América tinha inimigos bem claros: os nazistas e fascistas. Foram muitas as vezes em que as capas da revista do Capitão América mostravam o soldado dando uns catiripapos no Führer e nos SS. Nesse momento, o Eixo se mostrava a maior ameaça a tudo o que os EUA e as grandes potências neocoloniais da Europa representavam.
                Nesse primeiro momento, os maiores vilões do personagem, Caveira Vermelha e a HYDRA, eram de cunho nazistas. Após a Segunda Guerra Mundial, as armas bélicas e simbólicas foram apontadas para a URSS. Os comunistas assumiram os lugares dos nazistas. O Caveira Vermelha e a HYDRA se alinharam ao comunismo. E assim dezenas de vilões do Capitão América ganharam cores vermelhas.
                O Homem de Ferro é um exemplo tão ou melhor acabado que seu parceiro vingador. O excêntrico milionário Tony Stark surgiu na revista Tales of Suspense em 39 de março de 1963. Foi criado pelo quarteto: Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck e Jack Kirby. Ele representa o multibilionário que todo estadunidense comum deseja ser. Ter empresas, ser financista rico e CEO de um conglomerado empresarial.
                O gênio playboy bem-sucedido é o sonho de consumo de todo filho de Tio Sam. Expressa o ideal meritocrático do capitalismo, pois, sua riqueza ou classe social não teve nenhuma relação com seu sucesso. Foi unicamente o indivíduo, atomizado, que conseguiu se tornar um ricaço e cientista galante.
                Em sua estreia, o personagem está no Vietnã e acaba sofrendo um atentado. A Guerra do Vietnã (1955-1975) ainda estava na metade. E nenhuma previsão revelaria a derrota retumbante das Forças Armadas estadunidenses na Ásia. John Kennedy, atual presidente dos EUA só seria assassinado num atentado em Dallas (Texas) em 22 de novembro de 1963. A vitória na guerra ainda era uma possibilidade.
                Os inimigos eram os vietcongues, os comunistas asiáticos que ameaçavam o imperialismo norte-americano no outro lado do Oceano Pacífico. Não por coincidência, os sequestradores de Tony Stark são vietcongues. Dias depois de sofrimento no cárcere, é graças a sua genialidade que consegue fazer uma armadura com o que encontrou no catre e foge. Na versão cinematográfica, a ação é a mesma, só que se passando no Oriente Médio. Ao invés de comunistas, terroristas islâmicos.
                Veja como os discursos de poder e representações culturais estão conectadas a história em quadrinhos. É mais que claro os valores que estão sendo defendidos e os que estão sendo atacados. Inexiste neutralidade política.
                Muito da riqueza se deve a produção de armas para as Forças Armadas do governo dos EUA. Inclusive, sua postura é tão ou mais militarizada que a do Steve Rogers. Governista quase sempre. Entre os maiores inimigos do personagem, estão o Mandarim, uma representação do imperialismo chinês no mundo; o Homem de Titânio e o Dínamo Escarlate, que nada mais são que cópias russas do Homem de Ferro. O velho mito da tecnologia reversa soviética, como se a URSS não fosse capaz de produção científica e técnica por si mesma. O perigo comunista ainda ronda o mundo, por isso que suas representações como vilões não deixam de existir.
                Poderia falar de outros exemplos mais, no entanto, esses são suficientes para que o leitor ou leitora comece a se questionar sobre os discursos e representações que permeiam a história em quadrinhos. Linguagem e arte não são neutras, e quando o são, criticam ou favorecem determinado sistema. Os quadrinhos de direita não estão surgindo no país, estão aumentando ou radicalizando no seu discurso. Isso sim faz toda a diferença.
  • As opiniões de um ignóbil

    O meu tempo nesse mundo parece querer se esvair, não sinto mais a alegria de viver que outrora inundava meu ser. É uma maldição? Poderia eu um dia me olhar no espelho e refletir uma imagem que não passe de desgosto e amargura, sinceramente não sei dizer. Eu nem ao menos quero me ver diferente do que sou, quero apenas que acabe tudo logo, não importo com o que outros pensam sobre mim. Não sei se vão sentir algo quando for para eu partir. Nada me faz querer continuar, minha vontade é fraca, minha força, inexistente. Mal sei dizer se um dia voltarei ao normal - que ideia tola, eu nem sei se posso considerar algo normal.

    Pelas minhas costas encontro verdades imutáveis, tão claro como o sol. Prevejo que minha importância se foi a tempos, mesmo assim, ainda dependo de outros para que continue vivendo. Mas sabe que é engraçado, mesmo tendo tantos inimigos, não temo mais os que tramam contra mim, sei que não sou das melhores pessoas, nem mesmo me esforço para ser. Minha personalidade é fraca, me conformo com pouco, traquejo social, Hump, até parece que estou me esforçando muito. Malditas vidas que eu abomino, continuam a existir nesse mundo odioso, mais tempo vem passando e a cada novo minuto me retraio, cada vez que passa uma quinzena, viso acordar apenas para ser deixado de novo. Humilho-me por restos, me odeio, quero que outros me odeiem, não me importo com suas opiniões, mas desejo muito que me odeiem.
    A vida me parece frágil. Outro dia sem mesmo perceber comecei a torcer para que outro semelhante perdesse tudo o que tinha, apenas para que eu pudesse me sentir melhor. Posso parecer um monstro, desejando que uma pessoa tenha tudo tirado de si. Não ligo para o que essa sociedade cheia de moralistas julguem certo. Quero mais é que se explodam, são todos uns fracos amargurados que só pensam em suas próprias vidas, acham que por terem mais que os outros tem o direito de ter pena de alguém. Absurdo, eles que deveriam ter pena de suas patéticas vidas artificiais, completamente mimados por um sistema feito para empurrar cada vez mais o fraco para baixo e alavancar o forte. Meritocracia é ótimo, principalmente quando seu pai tem uma Ferrari na garagem. Queria vê-los como gado, essa sim é uma vida simples, não precisa ir para lugar nenhum, você se alimenta o máximo que pode, vive na própria merda. O gado, ninguém é diferente, tem aqueles que acordam no pasto verde, ou outros que ficam expostos em prateleiras de supermercado, é um fim que se considera digno, um pobre animal violado, desmembrado para o prazer de outros que nem agradecem por sua comida, olham aquilo como mais um prato em meio a tantos outros. Quem me dera ser como o gado.
    Em meio a tantos pensamentos, começo a me achar um lunático. Quero tantas coisas, mas quero elas de maneira fácil. Não quero me esforçar, nem pensar em ter que lutar por elas, mas no fim dizem que os bens adquiridos pelo fruto de trabalho duro, são mais doces que aqueles que são apenas presenteados - Ninguém fala isso, mas queria conhecer alguém que falasse assim. Chega a ser ironia, eu desprezo os acomodados e os desleixados, mas se houvesse uma competição, em absoluto estaria em primeiro. É assim que são as coisas, posso até ser hipócrita, assim é a humanidade, tem seus surtos megalomaníacos baseados em nada, querem tudo, mesmo já tendo demais, a única coisa que compartilham é a habilidade de cagar, essa vem direto do fabricante, se sua merda é cheirosa, então venda e fatura em cima dos trouxas que vão comprar.

    Parte 2: Só mais um babaca, você ainda está lendo isso?

    Lembro que quando era jovem via as pessoas com um olhar mais inocente, “ dizer o obvio parece ser uma de minhas qualidades, o que não significa muita coisa, já que todos são assim”, aposto que até os maiores filósofos da história já sentaram um dia em seu urinol de barro e pensaram: “acho que vou bater uma só para relaxar”. Quem nunca, eu com toda certeza entro nessa categoria, “a de punheteiro, não de filosofo”. É bizarro, mas gosto de imaginar como as pessoas fazem suas coisas quando estão em sua privacidade. Quero dizer, logicamente existe aquele momento em que uma enxurrada de hormônios inundam o corpo e você só tem que descarregar. Agora eu imagino Hitler, Mussolini, Trotsky, e outros babacas de esquerda. “ Pois é, não sou da cartilha, nem me considero conservador e essas viadagem, na minha opinião a única coisa que os difere é a vontade de sair dando o rabo com a de pôr em prática.
    Bem na verdade eu quero mais é que tudo acabe logo, mal posso esperar para chegar o tão amado apocalipse bíblico, finalmente essa galerinha do velho barbudo que não é o papai noel vai sossegar. Realmente espero que deus exista, assim posso dar um soco na cara dele, “Por favor cristão, não leve a mal, mas deus é um otário se ele existir”, não é por nada, mas eu seria um deus melhor, sou obtuso em meus questionamentos, mas quero ter certeza de que se fosse para ter essa trabalho, eu seria melhor que meus professores do estadual. Me vejo usando uma toga branca que vai até minhas sandálias de couro persa, depois ia soltar dois macacos na terra e ver eles se fuderem até brotar essa bosta que é a humanidade. Sendo bem sincero, eu com toda certeza iria me divertir no juízo final. Fazia questão de criar várias instâncias e protocolar milhões de pedidos, só para essa galera ficar batendo um papo no limbo.
    Quem sabe um dia eu ainda possa fazer isso, a tecnologia está aí, porque não? Star Trek me prometeu que no século 24 haveria dobra espacial, desmaterialização e até holo-salas, o que difere deus de um grande inventor que pensou simplesmente para deixar seus espermatozoides em alguma poça.
    Uma beleza são as mulheres, é claro, as que realmente importam, sendo mães, esposas, tias, primas, irmãs e amigas. Não quero aquelas que te olham com superioridade e um aspecto vazio na voz, apenas desejo conversar com as que eu realmente me sinto próximo, aquelas que têm a capacidade de zelar e amar, sem medo de serem desprezadas. As mulheres que não vem com papinho vitimista tentam fazer de leis sua loja de conveniência, sendo franco, porque existe feminicídio, o que difere isso de homicídio, esse país louco chamado Brazolia. Onde o povo que realmente merece respeito não fica na internet ou cuidando da vida do outro, “parece que estou me contradizendo, mas não odeio realmente toda a humanidade, é claro, poucos são aqueles dos quais respeito, mas ainda assim, existem alguns que eu queria ver prosperar”.
    Homens por outro lado, podia ser só 20% da população, competição não é comigo, sou mais do tipo que pega a amiga gorda se ela já está sem opção, mesmo assim ainda existem uns São Jorges que tentam dificultar para mim. Isso sim irrita uma feminista, um cara que pensa em pegar mulher, na cabeça delas eu imagino que os homens seriam grandes sacos reprodutivos que não agregam em nada, mas quer saber é só a minha opinião, “quer saber de outra coisa? Eu não ligo para o que você pensa”.
    Fugindo um pouco o papo triste de desilusão e emo viado, “Lgbtqgasifasf, ou tanto faz a sigla que essa galera esta usando agora”, eu sinceramente não entendo o cara vir na minha frente, falar que é gay e querer meu respeito por isso, eu estou cagando se você da o rabo, ou se apenas esfrega a lampada do gênio. Quando que o cu de alguém virou palco para debate e discussão. Agora, além dessa galera turbinada no gatorade, tem uma outra que define como Xenomorfo, ou sei lá o que, quero dizer, realmente você atestar que gosta de uma coisa, ou desgosta de outra é tão importante assim. Vamos supor que é, por um breve momento, vamos supor que as escolhas individuais sobre sexualidade são realmente importantes. O que mudou no mundo? Viramos uma sociedade mais inclusiva apenas por aceitar que alguém quer dar para o megatron? Ou será que é mais relevante levar em conta como essas pessoas se aceitam e quiçá, aceitam outras pessoas? Lógica é algo que não funciona bem no mundo de hoje, e quer saber, quero que todos se fodam, meu respeito por essa galera acabou a partir do momento que qualquer coisa e é literalmente qualquer coisa pode ser um gênero. Eu sinceramente compreendo o fetiche, isso é normal do ser humano, mas da forma que foi escalonado, parece piada da revista Mad.
  • As Paredes Falam

    Eu deveria estar dormindo
    Papai e mamãe fecharam a porta do quarto deles
    Acho que estavam com muito sono
    Porque conseguiram dormir mesmo de luz acesa
    Mas eu não consigo dormir
    Estou ouvindo vozes
    Talvez eu esteja ficando louca, mas...
    As paredes estão falando
    Estão gritando
    Se continuarem assim
    Brigando
    Vão acabar acordando os meus pais
    Se isso acontecer, papai pode ficar muito bravo
    Ele pode até bater nas paredes
    Do jeito que ele faz com a mamãe
    Agora, não ouço mais vozes
    Apenas tapas estalados
    Seguidos de um choro bem baixinho
    Não sei porque estou chorando também
    Mas odeio dormir com o travesseiro molhado
    Mesmo que isso aconteça todas as noites...
  • Às vezes

    Às vezes me sinto um dado viciado,
    que quando jogado,
    cai sempre no seis.

    - Quero jogar com esse dado!
    - Eu também!
    - Agora é minha vez!

    - Eu quero esse dado enviesado,
    que corrobora meu resultado!
    - Eu quero esse dado manipulado,
    pra gastar o meu francês!

    Outras vezes, sou o jogador,
    o pesquisador,
    o autor.

    O consciente manipulado
    acaba virando
    o manipulador.
  • Assassino Familiar

    Todos estavam festejando e brindando com as suas caras garrafas de champanhe em um pequeno círculo. Era fim de ano e toda a família estava comemorando por estarem bem e juntos em uma bela cobertura de frente para o mar. Não era uma família muito grande, tendo uma esposa e seu marido, que tinham uns 45 anos, e seus 4 filhos: um casal de gêmeos com 20 anos, uma menina com 18 e um menino de 15 anos. Antes mesmo da meia-noite e ainda com vários pratos à disposição para serem devorados, todos estavam dormindo e nem os fogos de artifício que brotavam de todos os cantos foram capazes de acordar essa família.
    O primeiro a acordar foi o jovem de 15 anos. Ele abriu os olhos bem devagar como se as suas pálpebras pesassem dezenas de quilos e percebeu que ainda estava de noite. Ele tentou se levantar jogando um dos braços para a frente para se apoiar no chão, mas não conseguiu e acabou com a cara no chão. Na queda, mordeu a língua e uma dor aguda foi direto para o seu cérebro, fazendo todos os músculos faciais se revirarem. Foi aí que percebeu que os seus braços e pernas estavam amarrados de maneira bem firme, chegando inclusive a doer um pouco. E o cheiro, o cheiro também era forte e confundia os sentidos. Ele vinha de todos os lugares: das roupas, das paredes e da enorme poça em que estava sentado. Finalmente percebeu que estava em uma piscina inflável que nunca tinha visto antes com outras três pessoas ainda desacordadas. Piscou algumas vezes tentando aumentar a velocidade dos seus olhos para fazer com que o seu cérebro pegasse no tranco. Depois de uma dezena de piscadas, percebeu que o cheiro era de gasolina. E que não era pouca, pois parecia que tinha uns três postos à sua volta em um dia bem movimentado de promoção. Sentiu o seu estômago se revirar por causa do cheiro e do medo crescente. Os seus olhos começaram a marejar, mas pouco antes de sua visão ficar encoberta pelas lágrimas identificou que aqueles que estavam ao seu lado eram a sua família com a exceção dos gêmeos.
    Ele não tinha forças o suficiente para voltar a ficar sentado, então foi tentando se virar de barriga para cima para tentar achar os seus irmãos. Quando se virou para o lado oposto, o seu rosto ficou paralisado tentando entender o que estava acontecendo. Ele viu a sua irmã segurando uma faca enquanto encarava o gêmeo que estava amarrado em uma cadeira de madeira. Ela sorria com os seus olhos vidrados no gêmeo, sem desviá-los nem mesmo por um segundo. Ainda deitado no chão, ele tentou falar alguma coisa, perguntar o que estava acontecendo, o porquê disso tudo ou qualquer outra coisa que levasse a algum diálogo, mas só conseguiu balbuciar alguns sons sem sentido. Foi o suficiente para que ela virasse o rosto. Embora os seus olhos parecessem aterrorizados, o sorriso macabro continuava em seu rosto. Ela deu alguns passos em direção a ele e ao resto dos seus familiares amarrados, mas repentinamente e bruscamente parou na metade do caminho. Ficou os encarando por uns 10 segundos antes de começar a falar:
    — Finalmente acordaram para o show! — a sua voz estava trêmula — Não é nada pessoal com nenhum de vocês, só quero me divertir um pouco. Se me deixarem em paz, a vida continuará! — ela voltou a andar na direção deles, levantou o irmão que estava no chão o deixando sentado e depois deu as costas e voltou a encarar o seu gêmeo. Durante toda a fala os olhos dela estavam marejados e assustados, mas o sorriso maníaco não saiu em momento algum.
    Todos da família estavam assistindo atentamente cada movimento que ela fazia sem pronunciar nenhuma palavra. Ela ficou olhando para uma mesa que, pela distância, a sua família não conseguia saber o que tinha nela. Depois de quase um minuto em que ficou quase sem se movimentar, a não ser por uns leves movimentos de não com a cabeça, ela pegou um martelo e um prego de uns 8 centímetros, posicionou o prego no joelho do gêmeo que não parava de repetir a palavra “não”, tomou distância com a mão, disse “sim” e com apenas uma martelada enfiou o prego inteiro bem na articulação do joelho. O gêmeo deu um enorme grito de dor e recebeu um soco por causa disso. Ele chorava como um recém-nascido e, talvez por causa do barulho, ela amordaçou o gêmeo. Os seus pais começaram a implorar para que ela parasse e por isso foram amordaçados também. Os outros dois irmãos não emitiram nenhum som. Eles olhavam, mas não acreditavam. Talvez pensassem que era um pesadelo ou que tinha alguma droga alucinógena no champanhe, aquilo só não podia ser real. Mas para o gêmeo era real e ficava ainda mais a cada minuto que passava e a tortura aumentava.
    Logo quando terminou de amordaçar os pais, voltou para o gêmeo e pregou o outro joelho dele. A família tentava desviar o olhar, mas sempre um acabava vendo alguma parte da tortura. As unhas sendo arrancadas lentamente com alicate ou rapidamente com pedaços de madeira embaixo delas, os diversos cortes feitos pelo corpo, a órbita ocular sendo arrancada com uma colher, a língua sendo arrancada com uma faca quente e as articulações sendo rompidas uma a uma. Essas foram apenas algumas das que eles tiveram estômago para ver. Normalmente elas aconteciam depois de um momento de alívio quando tudo ficava em silêncio. Esse silêncio era a esperança de que o gêmeo tinha morrido e que o seu sofrimento tinha acabado. Mas em todas as vezes ele só tinha desmaiado e em todas elas o gêmeo era obrigado a acordar seja por injeções de adrenalina ou por cheirar amônia, a tortura tinha que continuar.
    Ela só acabou depois de umas duas horas quando ela encharcou o corpo do gêmeo com gasolina e ficou parada na frente de todos com o seu maldito sorriso e com lágrimas saindo dos seus olhos.
    — Todos nos comportamos muito bem e por isso vamos sobreviver. Logo tudo isso irá acabar e poderemos voltar a viver nossas vidas normalmente. — Ela acendeu o isqueiro e ficou com ele no ar de olhos fechados enquanto as lágrimas aumentavam. Depois de uns quinze segundos a sua mão ficou mole e o soltou, caindo em uma poça de gasolina no chão e iniciando um incêndio sobre o corpo do gêmeo. Todos da família assistiam sem acreditar no que os olhos viam, quietos, pasmos. Eles viram o fogo atingir primeiro as pernas do gêmeo, fazendo com que os músculos da panturrilha se contraíssem em meio aos gritos de dor. Quando o fogo atingiu a barriga e o peito, os punhos já estavam fechados, mas os músculos da nuca se enrijeceram forçando o pescoço a virar a cabeça para o alto como se os seus gritos praguejassem contra um deus cruel. Até que um silêncio quase total atingiu a cobertura, a não ser pelos choros e pelo baixo estalar do fogo. O gêmeo agora parecia uma estátua de pedra completamente cinza e sem vida, mas que ainda transmitia a dor e o sofrimento que a artista queria provocar.
    Logo depois que os gritos acabaram, o resto da família foi dopada novamente e posta para dormir. Eles só acordaram quando a polícia chegou e todos esperavam que os policiais dissessem que tinha sido só um pesadelo. Quando era confirmada a realidade, o choro intenso voltava a acontecer. A gêmea também foi encontrada desacordada e quando voltou a consciência não parava de repetir que foi forçada a fazer tudo. Durante os depoimentos da família à polícia, tudo a apontava como culpada, mas ela insistia em sua inocência. Segundo sua versão, ela também foi dopada e acordou um pouco antes de todos. O seu irmão gêmeo já estava amarrado e, por mais que tentasse, não conseguia tirar o sorriso do rosto que parecia pregado na face. Foi aí que começou a ouvir uma voz em seu ouvido direito como se tivesse outra pessoa falando em um ponto nele. Era essa voz que estava ordenando cada ação que ela fazia e, se sequer hesitasse em obedecer, a voz dizia que toda a sua família iria sofrer e morrer por culpa dela. Então ela teve que decidir quantos iriam morrer e ela optou pela opção que tinha menos vítimas.
    Apesar de uma extensa investigação, nenhuma prova que sustentasse a versão dela foi encontrada. Não havia sinal de toxinas em seu organismo que pudessem ter causado o sorriso e nem algum vestígio de qualquer equipamento eletrônico que pudesse justificar as vozes em seu ouvido. Quase toda a sua família acreditava que ela era um monstro, com exceção do seu irmão que se apegava ao terror que viu nos olhos dela no dia do ano novo. Mesmo com o apoio dele, ela foi condenada a quase cem anos de prisão em um hospital psiquiátrico. Será nele onde passará o resto de sua vida como uma vilã sádica para alguns e, para outros, como uma heroína que se sacrificou para que sua família pudesse sobreviver.
  • AVALANCHE DAS SENHAS

    Tornou-se mania nos últimos tempos e cada vez mais comum o avanço da necessidade de senhas para acessar qualquer tipo de plataforma, seja ela digital, ou não. De certa forma também complicou muito a vida do ser humano para poder çdecorá-las sem problema algum (Eu particularmente sou péssimo para decorar qualquer tipo de coisa, senhas ainda pior). Ouço por aí, principalmente em reportagens em sites da internet ou até na televisão, que o seguro a se fazer é que para cada rede social, senhas de bancos, sites de compras, livrarias online e afins seja uma senha diferente. Ou seja, tudo isso torna ainda mais difícil a vida de um reles mortal.
    O uso da internet nos dias de hoje se tornou exponencial. Dá pra comprar, vender, realizar transações financeiras, se exbir, conhecer alguma pessoa por algum aplicativo de encontros virtual etc. etc. Todos os sites e aplicativos do universo, porém, exigem senha. Quanto mais se usa, mais senhas. Há muitos anos atrás a única senha que precisávamos decorar era a do banco e logo depois vieram as redes sociais, que ainda estavam no início e eles nem exigiam uma senha que fosse considerada segura e forte, qualquer que fosse, eles aceitavam. Minha primeira senha por exemplo era meu nome e uma sequência de um à cinco, todas minúsculas. Depois disso os sites e até mesmo essas mesmas redes sociais passaram a exigir um tamanho, que na mesma tivesse letras maiúsculas e minúsculas, tivessem algum número ou até mesmo algum símbolo, este último por exemplo foi a gota d'água. Como criar uma senha enorme, com números, letras maiúsculas e minúculas, e ainda ter um @ ou até mesmo # ? Estranho não? Ou melhor, difícil!
    Lembro-me que em certa ocasião abri uma conta num determinado banco pela internet, logo depois de realizar os cadastros necessários pedidos pelo mesmo, veio a hora de criar a senha, e não podia ser a data de nascimento, aliás, a maioria dos sites proibem, talvez por uma questão se segurança. Criei a senha e eles avaliaram o grau de dificuldade da mesma e a classificou como: Mínimo! Veio um aviso que eu poderia gerar uma senha através de um gerador do próprio site do banco, então concordei. Dei o enter e veio: C2b4A5d7A55f6t9j0l21. Tentei até tentar ler, mas foi inútil e não conseguir de jeito nenhum. Nem pronúncia tem! Como ler uma senha dessas ou então decorar? Impossível! Desisti e criei uma nova, peguei meu caderno, seguindo todas as recomendações do site, criei uma mais complexa e deu certo.
    Eu particularmente devo ter uns seis e-mails, cada um deles é a mesma senha e falo com clareza que não sigo recomendações de que para cada conta, uma senha diferente. Deus me livre! Hoje aprendi a guardá-las em um caderno no qual somente eu tenho acesso para não esquecê-las.
    Há os terrores também para çrealizar algumas trnsações bancárias ou em sites mais complexos. Deve haver uma senha, depois outra digital. Quando vou fazer o prcedimento, eles avisam que estão mandando um código para o meu celular, em determinado banco, chama-se iToken. E na maioria das vezes quando saio para verificar o tal código, a sessão já se expirou, e vem a loucura de começar tudo de novo, o que em algumas vezes já desisto de primeira. Depois de algum tempo, tento de novo, e acontece a mesma coisa. Corro pra tentar resolver o problema da melhor forma possível, mas é difícil.
    Hoje, como já falei anteriormente, meus problemas acabaram depois que aderir ao meu caderninho de anotações, e com isso não preciso estar as voltas para decorar senhas. Não é algo moderno ou usado pela maioria das pessoas mais atualizadas que eu, mas funciona e me ajuda muito.
  • Azul sempre foi a cor mais quente

    Azul sempre foi a cor mais quente
              Eu já havia lido light novels na internet. Acho esse gênero literário tipicamente japonês adequado ao nosso frenético século XXI. Não vamos confundir com contos ilustrados, pois, cada título é lançado periodicamente, formando um ou vários volumes. Além disso, a narrativa se ampara nos diálogos, e não nas descrições. Períodos curtos, linguagem sintética e acessível. Ótimas para iniciar alguém na leitura.
              No Novembro Negro, eu adquirir alguns títulos na Comix Book Shop, loja que todo leitor de quadrinhos ou otaku deve visitar. Comprei mangás nacionais e uma light novel. Pela primeira vez eu iria ler uma obra desse gênero impressa. A novel é um spin-off da franquia multimídia K. O livro é intitulado K: Side Blue, em volume único. A obra é escrita por Furuhashi Hideyuki (GoRa) e ilustrada pelo Suzuki Shingo (GoHands).
              A obra segue a rotina da organização Scepter 4, que tem seus componentes formados por espadachins com capacidades sobre humanas. O órgão é ligado ao governo japonês, e está sob liderança de Reishi Munakata, “o Rei Azul”. O objetivo desses leais espadachins é combater os denominados “sensitivos”, pessoas que também possuem poderes especiais, os “Betas”.
              O “protagonista” da trama, se é que podemos falar dele assim, é Takeru Kusuhara. Kusuhara era um jovem policial que acabou entrando em contato com “Betas” e de modo inesperado, desenvolveu seus poderes psíquicos. Ele é convidado para entrar na Scepter 4, mas para isso, terá que dominar as suas habilidades e saber manejar o seu sabre. Ao longo de sua trajetória, ele conhece o sombrio Gouki Zenjou, seu misterioso veterano.
              Reishi Munakata parece até pouco na obra, embora estampe a capa. O vemos em ação em momentos decisivos, mas só. Kusuhara opera mais como um alivio cômico, embora tenha destino trágico. Quem rouba a cena da light novel é Zenjou, o espadachim de um braço só. A escolha é interessante. O relacionamento entre os personagens e a virada da trama são excelentes.
              Aparece muitos termos originais, mas todos possuem nota de rodapé. A ação da obra é de cunho intimista, desenvolvendo mais os conflitos internos dos personagens. A obra tem uma história coesa e fechada em seu tomo. Tem bastante humor, e até um pouco de fanservice, nada demais, achei bem leve. As ilustrações são medianas, parecem mais o reaproveitamento dos modelos de personagens do anime de K, mas representam bem as cenas do livro.
              A leitura foi rápida e bem fluída. Achei alguns períodos muito longos, sem vírgulas ou aposto. Eu confio na tradução da Karen Kazumi Hayashida, sei que foi publicada em 2012, mas ela já tinha experiência com tradução. Senti falta mesmo foi de uma melhor revisão, Fábio Sakuda e Patricia Pereira Homsi poderiam ter feito um trabalho de adaptação bem melhor.
              Acho que se você quiser uma leitura descompromissada, leve, se deseja conhecer a narrativa de uma light novel ou se iniciar no mundo da leitura, essa obra é a certa para você. Mas se você quiser conhecer a franquia, eu recomendaria o anime ou mesmo os mangás. Ela se passa antes de alguns acontecimentos da obra original, foca em um lado da história, então não serve como introdução.
              A obra possuí 190 páginas divididos em 6 capítulos. Tem orelhas em capa cartão, capa e contracapa ilustrada. Tem uma galeria de personagens logo no início, cada capítulo tem uma ou duas ilustrações, algumas em páginas duplas, todas preto e branco. O papel do miolo é offwhite e de baixa gramatura. Eu recomendo por ela ser volume único e apresentar uma história que mesmo quem não viu ou leu K pode entender.
    Para adquirir com descontos, acesse aqui:
    Link 1 – https://www.lojanewpop.com.br/k-side-blue
    Link 2 – http://www.comix.com.br/k-side-blue.html
  • B A I I S C T N Â

     

     

                           B                              A

                              I                         I

                                 S               C

                                     T       N

                                         Â

     

     


                         
                        t e l e              v i s ã o

     


                        t e l e             v a z ã o

     


                        t e l e              v a z i o

     

     

     

     

     




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    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 188.
  • Bistância

    tele   visão
    tele   vazão
    tele   vazio
  • Caçadores de emoções... e aventuras

              O Estúdio Armon está se firmando como um dos maiores expoentes do mangá nacional. Sem desconsiderar iniciativas anteriores, e outros quadrinistas independentes, a Revista Action Hiken acabou reunindo uma Geração de Ouro dos mangás brasileiros no século XXI. Digo isso não por preciosismo, mas pelo fato do grupo não apenas publicar de modo impendente, mas manter uma frequência e aumentar sua qualidade e quantidade.
              Um desses mangakás a ganhar uma vaga na publicação é o Israel Guedes. O autor publicava o mangá T-Hunters em um aplicativo online de webcomics, mas quando passou a publicar na Action Hiken n. 43, junho de 2019, aumentou em muito a visibilidade do seu título. Foi uma decisão acertada do autor, e da antologia, que teria mais uma ótima série. O Israel é bem experiente e demonstra ter uma grande maturidade profissional.
              Após a morte de seus pais, Hanako “Hana” Hanajima acaba fugindo de casa para se salvar. O assassino matou seus pais a sangue frio. Não restou nada a jovem, de apenas 10 anos. Em contrapartida, temos o protagonista o Ken’ichi “Ken” Akamatsu. Esse jovem de apenas catorze anos está atrasado para o funeral da sua irmã mais velha. Ambos tinham uma boa relação, mas também um conflito de personalidades, pois, ela era alguém muito altruísta, já o Ken é um pessimista.
              Antes de chegar ao funeral, acidentalmente, acaba em meio a uma luta entre um Treasure Hunter (T-Hunter) e um caçador de recompensas. O T-Hunter o salva, e o caçador foge após ser ajudado por uma misteriosa companheira. A partir desse momento, uma série de acontecimentos irá unir os destinos de Ken e Hana. O personagem irá descobrir uma guerra entre poderosas organizações secretas, magias e cidades misteriosas.
              A primeira coisa que me chamou atenção nesse mangá: o traço. Olhando pela capa, você acha que vai ler algo meio shoujo, mas o autor não poupa em violência gráfica. Nada de autocensura aqui, até me impressionei com a veracidade da violência. O desenho tem boas referências, os traços são grossos, pesados, mas ainda assim dinâmicos. Me lembra mangás mais adultos.
              A página tem muitos quadros, o autor apela para closes e planos detalhes. O traço é seinen, a diagramação é shoujo, o mangá é shonen. Eu achei uma escolha acertada. Em paisagens, ou melhor, ambientes externos, o desenho é pouco detalhado, passando as informações necessárias. Os personagens se destacam muito em relação ao cenário. Já os personagens, sempre são detalhados em cabelos, roupas e adereços. Cada um tem seu próprio visual. O Israel faz bom uso das retículas, agregando em contrastes.
              O volume 1 possui cinco capítulos. Os dois primeiros oferecem alguma ação, os outros três, os quais o mangaká chama erroneamente de “capítulos de transição”, buscam apresentar protagonistas, o mundo e suas possibilidades. Sendo assim, o correto seria dizer que ainda estamos num volume introdutório. Teríamos transição se estivéssemos perto de uma segunda saga ou arco narrativo, o que não se configura.
              Como de praxe em muitos mangás shonen, a idade dos personagens parece destoar do físico deles, sobre o Ken e o Chiru, você até entende, mas o Satoshi só tem oito anos, parece bem mais. A personalidade do Satoshi também parece muito adulta para um personagem de oito anos, achei pouco factível. Já no que diz respeito a Hana, eu gostei do tratamento dispensado. Inclusive, ela tem um ótimo potencial narrativo.
              O autor tem boas referências no CLAMP e Hiroyuki Takei, não só em desenho, mas também no roteiro. Optou por conduzir a trama inicial através de conflitos internos e interpessoais. Uma ação minimalista. O artista empregou muito bem a personalidade de cada um em suas expressões faciais, gestos e modo de falar. A obra possui diversas críticas sociais impregnadas, basta uma leitura cuidadosa e você a verá.
              Entretanto, minha crítica é que depois do capítulo 2, apesar de já termos um conflito anunciado, não senti uma sensação de perigo tão iminente. Parecia que o núcleo principal fazia turismo. É uma série que vai investir em mistério e aventura, conflitos psicológicos e de personalidade, mas esperava que as situações dos capítulos 1 e 2 oferecessem um pouco mais de desconforto aos protagonistas no restante do volume.
              O Israel Guedes fez um ótimo mangá. Se passa totalmente num universo ficcional alternativo, muito semelhante ao atual Japão, talvez para receber uma melhor aceitação do público. Bem poderia acontecer em qualquer lugar através de sua dinâmica e mitologia. Muita coisa a ser abordada. O autor em experiência em desenhar e narrar, é professor na escola Japan Sunset, possui um canal no YouTube chamado Canal do Izu.
              Ele é bem crítico de obras japonesas e faz um estudo de desenho e narrativa deles, mas também é autocrítico e otimista, duas qualidades que admiro muito em qualquer artista. O mangá possui mais de 180 págs., orelhas, galeria de fanarts, making of do desenvolvimento. Veio com marca página exclusivo.
  • Caçando demónios por aí

    Certa vez, enquanto lia a Revista Action Hiken, descobri um shonen de traços bem legais. Mas quando comecei a ler, me deparei com uma linguagem formalista. Um português truncado e de leitura arrastada. Eu achei os diálogos engraçados. Juro, as vezes eu tinha que ler duas vezes para entender. Por um momento, levando em consideração o contexto da história e os personagens, achei que deveria ser um elemento narrativo.
              Pesquisando um pouco mais sobre o mangá Demon Hunter, e o seu autor, o Diogo Cidades, descobri que se tratava de um jovem mangaká português. Aí sim ficou claro aquele modo de escrever tão distante de minha realidade. Convenhamos, salvo raras exceções, somos todos coloquiais. A península Ibérica é um celeiro de mangakás. Espanha e Portugal tem diversos talentos nesse estilo de desenho, o Diogo é um deles.
              Demon Hunter possui caracter designer que se encaixa perfeitamente em sua proposta: entreter. Confesso que os traços me remeteram automaticamente ao autor Hiro Mashima. Um desenho simples, mas dinâmico, caricato e de expressão cômico. Mais que simpático, funcional. É um shonenzão, e isso é bem positivo, levando em consideração a antologia em que está sendo publicado e o público alvo.
              A história se inicia com um acampamento de May Lionheart e um amigo, que estava cheio de más intenções. Infelizmente, naquela floresta e àquela hora da noite, eles acabam se separando. Para piorar de vez a noite de terror, acabam sendo atacados por um capeta dos zinfernos, ou como os portugueses dizem, um demónio. Nesse momento, surge nosso protagonista de cabelos prateados e salva a noite, Mike Seikatsu, o caçador de demónios.
              Depois disso, a May é levada pelo Mike até o mosteiro onde vive. Lá, só habitam ele e o seu avô, o Mayuge Seikatsu, um velhote safado, pra variar. Ao longo dos cinco capítulos, vemos o desenvolvimento da amizade entre ambos os protagonistas. Uma relação cheia de química, com direito a alguns echis, nada exagerado, viu crianças! É um quadrinho sincero em sua violência, afinal, são demónios a serem combatidos.
              Mas, se eu tivesse que tratar de um ladrão de cena, bem, esse é o Steve, o macaquinho cozinheiro. A cena da luta entre Steve e Mike é impagável, e provocaria elevação de ânimos entre ambientalistas. O autor desenvolve bem as personalidades ali presentes, lhes dando profundidade, sem cair na exposição desnecessária de muitos shonen. Ele vai com calma, sabe onde está indo, e isso te empolga a descobrir mais.
              Pouco do universo foi apresentado no vol. 1, mas podemos ver ali uma série de mistérios, que, se bem desenvolvidos, trarão ótimas reviravoltas dentro de seu universo. Por exemplo: qual a origem dos poderes do Mike? Porque os demónios se transformam em pérolas ao morrerem? Quem controla esses seres? Enfim, teremos uma longa saga a ser acompanhada.
              A decisão dos editores de adaptarem alguns termos da escrita do Diogo Cidades, foi uma ótima decisão. Ajudou muito. Os países lusófonos, como Brasil e Angola, falam português oficialmente, mas, possuem uma variação muito complexa. Deve ter dado trabalho adaptar a linguagem para ambos os leitores de ambos os países, deixou a escrita mais fluída sem perder o seu sotaque português.
              Teve só uma coisa que me incomodou no mangá: onomatopeias. Em alguns quadros, são grafadas em caracteres latinos, em outros, em japonês, noutros, aparecem em japonês e latino! Tá meio bagunçado isso aí. Tem que padronizar. Isso gera uma cacofonia visual. Sem contar que deve ser difícil ficar mudando a editoração a cada página ou capítulo, perde-se muito tempo nisso. Embora, não atrapalhe a leitura de ninguém.
              Sobre o desenho do Diogo Cidades, ele tem boas influências e vem de uma boa escola de estilo. Alguns desenhistas evoluem ao longo de anos, outros a cada obra, alguns ainda por capítulo, o Diogo evolui a cada quadro. Sério, o traço do cara evolui proporcionalmente a cada virada de página. Muitas vezes, quadrinistas como os da Action Hiken é o que não encontramos em algumas antologias japonesas semanais.
              Fiquei mais que satisfeito em conhecer esse mangá luso-brasileiro — espero que o autor não veja problema nisso, afinal, é produzido em Portugal, mas é editado e publicado no Brasil. A obra tem mais de 140 páginas, orelhas, galeria de fanarts e curiosidades da produção. Senti falta das páginas coloridas, mas, entendi os motivos, encareceria a produção. E sobre a qualidade gráfica?
              Olha, serei sincero com vocês, se outras editoras tivessem o mesmo esmero em suas publicações como o Estúdio Armon, teríamos HQs melhores produzidas na estante. O projeto gráfico e a impressão estão excelentes. Nada de off white xexelento. A capa, a lombada, a colorização, gente, tá tudo muito bom. O único defeito do negócio, é que ainda não temos previsão do volume 2. Parabéns ao Diogo Cidades e ao Estúdio Armon.
  • Calidoscópio

    para tia Francisca Miriam

    Do outro lado    odal ortuo oD

    Ohlepse on ameop o    o poema no espelhO

    Não esconde nada    adan ednocse oãN

    Sarvalap sa euqrop    porque as palavraS

    São apenas um jogo    ogoj mu sanepa oãS

    Oãça-snegami ed    de imagens-açãO

     

     

     

     

     

     

     

     





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    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 192.
  • Cão Morto

    Muito morto, tanto quanto pode ser. Sim. E mais: Contente.
    Senti uma bofetada no rosto. Ele não, estava morto. Um morto não se assusta com um vivo, muito menos aquele desvivido, bravo. Negaram, abandonaram, maltrataram e por fim, mataram-no. E mesmo assim, permanecia como um monumento anônimo numa rua perdida de uma Curitiba estranha. Olhos escancarados em desafio inconveniente à vida que lhe foi tão custosa, a língua para fora estancando um sorriso macabro.
    Voltando ao golpe. Fui pego de surpresa, mas é redundante, golpes são assim. Eu que, arrogantemente, andava em plena vida nesse mundo de imortais, me virei, dei de cara com a morte. E ela me esbofeteou. Justo. Sem aviso ou mensagem, interrompi sua peça póstuma em ousadia digna de gente. Como quem não quer nada adentrei em sua morada e chutei o trabalho de sua, ironicamente, vida.
    Mas foi ela (a vida) quem primeiro me bateu, a fragrância de milhões e milhões de seres vivos lutando uma batalha infinda pelos restos do cão, excretando compostos dos mais variados e malcheirosos. Desculpa, menti, afinal a vida e a morte são a mesma donzela, e seu tapa era igual. E ele ria, em deboche. Ele? Sim, o cão.
    Porque, fruto do desprezo de milhares de pessoas estava ali, morto mas nunca tão cheio de vida, contra a vontade de todos que empinaram o nariz a ele. Havia vencido. Pela ação de milhões de decompositores cada pedaço de matéria em sua carcaça renasceria, era imortal e isso lhe dava certo contentamento a morte e a vida que teve.
    Um dia, pensei eu afagando o rosto moralmente doído, ele será gente, e empinará o nariz para aqueles que um dia lhe foram irmãos no abandono. Ai eu entendi. Tempos atrás, havia sido cão e, algum dia, amaldiçoei essa raça esnobe e estranha que me negava. Ironicamente, em uso do ciclo interminável da matéria, eu renasci gente e tive a chance também de negar meu passado oculto. Devo tê-la tomado, não lembro, o que torna o pecado ainda pior.
    Ele ria entre moscas e tive pena, por fim. Meu rosto já esfriava, o dele era o próximo. As mil próximas vidas lhe custariam muito mais que essa, ele ria, morto, contente, inocente.
  • Caridade pela metade

    O homem moderno não quis dar alimento, nem água, nem abrigo a quem pediu, pois ninguém estava lá para ver e aplaudir. Ele foi embora com o coração cheio dos seus preciosos pronomes possessivos.

  • Cascas de Semente

    Era um sábado quando vi nuvens de tempestade se aproximando. Ventos fortes atingiam a cidade em um fim de tarde, e a escuridão que se aproximava estragou o lindo pôr do sol que estava prestes a acontecer. Pássaros cantavam enquanto voltavam para as suas casas em busca de proteção.

    A chuva é boa para diversas pessoas, mas ruim para muitas outras. Infelizmente, não tinha como pensar nessas pessoas quando a chuva estava vindo, afinal não tinha nenhuma delas por perto para me lembrar disso. Ao contrário de boa parte da cidade, estava abrigado quando trovões soavam e raios eram vistos no meio dos relâmpagos. Porém eu ainda podia pensar em algo. Antes dos trovões, quando a tempestade ainda estava para chegar, era possível ver uma árvore da janela da qual eu estava perto. Ela estava carregada de grandes cascas de sementes, a maioria seca, com tons amarronzados, duras e velhas. O vento forte venceu quase todas, exceto duas. Elas não pareciam mais jovens do que as outras, eram simplesmente normais. Estavam no mesmo galho, mas eu não conseguia crer que só sobraram elas. Procurei por um longo tempo, examinando cada parte da árvore, porém não tinha nada além delas.

    Agora, já de volta com os raios e relâmpagos, fiquei me perguntando sobre o porquê de duas e somente essas duas tentarem resistir a uma tempestade mortífera. Elas podiam estar com medo de se soltarem e do que viria depois disso. Esse medo pode ter paralisado elas, impedindo que se juntassem as outras que já estavam no chão. Talvez também quisessem ver mais uma vez a paisagem lá de cima antes de serem jogadas para todos os lados pelo vento forte. Porém há uma outra explicação que particularmente me encanta: as duas cascas de semente, mesmo já estando velhas e terem visto muito isso, queriam apreciar o seu último pôr do sol que ocorreria no dia seguinte, já que este lhes fora surrupiado. Pode ser que, em sua morte, elas só queriam ver o sol sumindo devagar mais uma última vez enquanto uma brisa suave, e não um vento violento, as retirava calmamente de seu galho.

    Essa última hipótese me cativou tanto que de cinco em cinco minutos olhava pela janela para verificar se elas continuavam lá. Não queria fazer isso, lutava contra essa vontade de ficar observando elas para poder me concentrar em outros afazeres, mas simplesmente não conseguia. Percebi, então, que eu estava torcendo pelas lindas cascas de semente. Queria que elas sobrevivessem para que pudessem ver o seu pôr do sol.

    Peguei no sono antes da tempestade terminar e a primeira coisa que fiz quando acordei foi olhar pela janela. Lá estavam elas, as duas grandes sobreviventes. Esperei até o sol começar a dar tchau e me sentei embaixo da árvore para comemorar essa vitória com as cascas de semente. Depois disso, não quis mais olhar pela janela, pois não queria ver a morte das minhas duas heroínas.
     
  • Celeiro de José

    O dardejar dos raios de sol pressagiava mais uma aurora naquela fazendola no interior agrestino. As sabiás e os bem-te-vis desatavam a cantar e as cigarras já indicavam o castigo solar que vinha. Seu José acordou tremendamente diferente, tinha tido um pesadelo que talvez prenunciasse a algo. Acordou abatido, mesmo assim, não se deixou levar pelas intempéries oníricas, foi metodicamente realizar seus quefazeres cotidianos: ordenhar a vaca, cuidar da ração dos bois e carneiros, alimentar as aves; enquanto isso Maria, sua mulher, estava preparando o café. Quando foram tomar café, maria notou josé muito abatido e questionou-o: 
    —o que aconteceu com você? 
    —nada não mulher. 
    —deixe de enrolação, sei muito bem quando está incomodado com alguma coisa. 
    —deixe de bobagem e vá tomar seu café. 
    —Mas num vou de jeito nenhum. cuide e desembuche logo. 
    —eu já disse 
    — você num disse nada. pois tá bem. 
    e assim maria saiu arretada da cozinha. Durante a tarde, após José chegar da roça, maria notou muito estranho; ele estava escrevendo algo em um papel. Maria ao vê-lo, gritou: 
    —Que danado tu tá fazendo agora? 
    —nada não 
    —endoidou agora. Este matuto tá escrevendo agora. Meu Deus, é o fim do mundo. 
    —não tô escrevendo. Cuide procurar o que fazer. 
    —Vish maria, tá perdendo o juízo. Nem cinquenta anos tem ainda e já tá pirando. 
    Após esse ínterim, Maria foi preparar uma sopa para o jantar. Seu José ainda não saiu do quarto e isso causou novamente um grande incômodo a maria. Ao terminar a sopa, maria pegou uma colher de pau e foi até ele descobrir o que estava fazendo. 
    —O que danado tu tai fazendo zé. 
    —já disse, nada. 
    —cuide, me dê esse papel aí. 
    E maria ferozmente tomou o papel da mão de josé e ficou muito surpresa, ele não estava escrevendo e sim desenhando; desenhou uma espécie de casa. 
    —que diabos é isso agora? você virou desenhista foi? 
    —não! disse ele friamente 
    — e o que é isto então? 
    —já falei que não é nada. 
    —Mas num to cega. Você vai me dizer dum jeito ou doutro. cuide desembuche de uma vez hôme. 
    —Eita mulher para aperrear meu juízo. Isto aí é apenas um desenho que veio na minha cabeça. 
    —pra que tu quer isso? 
    —pra nada. 
    foi quando maria pegou uma vassoura que estava no quarto e ameaçou ele impiedosamente. Ele, temendo levar umas porradas, acabou contando o que estava por trás daquele desenho. 
    Maria ao ouvir, disse que ele estava bem doido mesmo. José calmamente retrucou: talvez! 
    No dia seguinte josé foi coletar madeira para tal projeto e isso deixou maria perplexa. 
    Passaram 4 meses, José estava prestes a terminar o seu projeto. Maria cada dia ficava mais preocupada com a loucura dele. José de tempos para cá, começou a trabalhar incansavelmente, plantando, colhendo, estocando, construindo... 
    Quando por fim terminou seu projeto, não aparentava uma casa e sim um grande celeiro. Ele estocou comida não só para ele como também para seus animais. Os vizinhos acharam josé muito estranho, eles se perguntavam o por quê de tanto trabalhado, e além do mais, para quê um celeiro no sertão. Certa vez, veio uns primos distante até a casa de José, com uma pretensão implícita, eles vieram trazer alguns produtos orgânicos como forma de omitir sua verdadeira intensão: descobrir o porquê dessa construção. Ao passar o dia, eles em uma conversa trivial, acabaram induzindo ao questionamento do celeiro. José disse que era para se proteger contra o frio, e assim, eles discretamente riram, e retrucaram: 
    —Seu zé, de onde é que esse frio virá? Aqui é sertão e o único frio que tem é o da geladeira. 
    José por um momento se omitiu mentalmente, refletindo sobre o seu sonho assustador. Após alguns segundos, ele retornou e disse: 
    — Certa vez tive um sonho curioso. E que me fez fazer isto. 
    — Que sonho, conte-nos? 
    — A terra quente e amarronzada do sertão ficava fria e branca. 
    —Mas zé, ter pesadelos é normal, pesadelos e sonhos são distorções da realidade. 
    —tempos atrás, sonhei durante 2 semanas o sertão morrendo, não pelo calor e sim pelo frio, nos dois últimos dias da sucessão de sonhos, vi uma casa no meio do gelo, era grande e abrigava animais, era o celeiro que fiz. 
    —Zé, aqui é agreste, é até difícil chover, imagine gear . Sertão é seco, nem Antônio estava certo, quando disse que o sertão ia virar mar. E agora vem você, dizendo que vai nevar. 
    —Se não acreditas, não cabe a eu julgar. O que eu tive foi uma visão, que por mais que seja bobagem, a convicção que tenho é que esta estiagem vai dar lugar a uma passagem, em que ninguém ia imaginar. 
    E assim, seus primos saíram rindo, e josé calado ficou, Maria cada vez mais preocupada com José, pensou que ele deva está doente e que o sol quente tenha fritado seu juízo. 
    Em uma noite calma, uma chuvinha fina dançava sobre as telhas. Acresce que, aos poucos essa chuvinha começava a engrossar, e José na cama dizendo que a hora já ia chegar. De manhã cedo, José acordou, a chuva ainda estava forte, pegou um guarda-chuva, e foi até seus bichos guardar no celeiro. Quando voltou molhado, a mulher se arrepiou, pensava ela: será que ele está certo, será que com o dilúvio a neve vai chegar?. Mas tarde a chuva parou e o sol novamente raiou, sem piedades evaporou tudo que na terra foi abençoado. O calor reinou e com isso maria viu que josé estava errado. José não ficou preocupado, disse a maria que no seu sonho, aquilo era um aviso, e mas tarde a neve ia chegar. Passaram semanas, meses, e o sol cada vez mais forte, o sol castigava tudo e todos, a água estava escassa e josé ainda não desanimou. Maria estava com medo de José perder o resto do juízo que tinha com aquela ideia fixa. Após 3 meses do projeto de josé ter sido finalizado, a chuva começava a lavar a terra estéril, o pasto vagarosamente crescia, os animais se deliciavam, as seriemas gritavam anunciando a vida que nascia do solo rachado — era o paraíso. José sempre com a convicção iminente, tinha fé na sua profecia. Os meses foram se passando e a seca foi reinando, tudo que em um momento vivia o apogeu, viu seu declínio sendo devastado com sol... 
    Até hoje os bisnetos de José levam a profecia do tataravô como uma emblema. Quem sabe um dia do sertão o sol se canse, da chuva a neve surja e José fique lembrado como um profeta do passado, que tanto foi criticado, com seu sonho enigmático.

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