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crise

  • "e, não deixarei"

    essa parede é desperta e a derrubarei
    dentre os impuros de só desejar, te sou.
    o intermédio da rodovia que te trafegou
    pela vantagem de correr cego, eu correrei.

    eu sei de uns dias melhores sob vistas
    eu sei da vontde do vento em descer
    e serao quê decidi pretender, e. sem premissas
    era só contato praticado, o já, agora, sem ter

    a indecisã que todos pedem sob à mesa
    a fartura do corpo crente de seus métodos
    são quatros mortos, sem arbítrio e incrédulos

    a platéia que cercar essas gravuras, à esquerda
    o solo demúsicas incessantes não deve parar
    é. o consolo por ter um conto todo e não contar





    ..e não deixar ela lá.
  • “Pare de mendigar amor”

    As pessoas falam “pare de mendigar amor” Como se nós quiséssemos precisar passar por isso, como se fosse fácil deixar algo ou alguém que você ama com todo o coração, ir embora, sem nem mesmo tentar fazê-lo ficar... Não é que mendigamos amor, só queríamos ser retribuídos com pelo menos um pouco do que sentimos, algumas pessoas não entendem, e nunca vão entender  a imensidão de sentimentos que nos fazem ter essa atitude... Não é mendicância, é simplesmente o amor transbordando.

  • * Prazeres "quase" eternos

    Nos refletores, cores variadas explodindo em feixes de luzes ricocheteando os globos espelhados posicionados estrategicamente no alto do salão, infundia em cada um dos presentes, um misto de sensação cada vez mais agitado, frenético, dançante e prazeroso no expressar já movimentado dos pés sobre a pista de dança. “Que tanto de gata! Vamos praticar os passinhos? Marcos Hayashi era impulsionado pelos amigos em provocações já imersas e sequestradas pelo ritmo das músicas, vibrando neles, pensamentos, atitudes e comportamentos mais ousados que em um dia normal. “ Putz! Há tantos anos frequento esse espaço e nunca encontrei alguém que realmente valesse a pena!” Com o olhar viajando pelo ambiente, ele suspirava silencioso entre um e outro ressentimento, copo de cerveja à mão, acompanhando apenas com os olhos o grupo incompleto se enfileirando no centro, iniciando os passos exaustivamente praticados no fundo do galpão da fábrica. Conforme a música se desenvolvia e a provocação do ritmo abastecia a eletricidade dos corpos, a galera ao redor ficava cada vez mais agitada com gritos perenes, excitada pelos movimentos frenéticos de pés, mãos, troncos e cabeças metodicamente sincronizados entre os eles, perfeitamente expressando rostos já corroborados de sentimentos de aprovação por causa dos aplausos que recebiam. “ Galera, hoje não irei participar! Marcos sorria um sorriso desanimado partindo solitário para o segundo piso, após ter negado o convite quase obrigatório de estar ali, juntamente com eles, participando da coreografia que a alguns anos o clã  utilizava como “isca” para “pescar” novas garotas. Subindo as escadas, a alma tateando aqui e ali através de olhares trocados, contraditoriamente ele adentrou a sala reservada aos namorados, e como todas às vezes que se sentia entediado, caminhou lentamente atravessando o corredor sobrepujando uma parede esverdeada, onde após a grossa coluna de concreto, alguns banquinhos isolados construíam uma aura maior de privacidade no ambiente. Já sentado, o líquido embriagante sobre a mesa ao lado de um maço de cigarros amarrotado, ele ficava ali, o olhar perdido no horizonte dos sons, das cores e dos corpos agitados de desejo lutando contra a ansiedade e o receio de “porventura” voltarem desacompanhados após a farra.
    Como nas noites que velhos sentimentos voltava a atormentá-lo, ele retirou o pequeno livreto do bolso, capa azul de camurça, onde estava escrito em letras desgastadas e douradas o título: MAKTUB (Está escrito!) Com o rosto mergulhado vasculhava página por página, a fumaça do cigarro insistindo adentrar as pálpebras mas impedida pelo piscar frenético dos olhos, seu dedo finalmente encontrou a dobradura no cantinho que denunciava o papel amarrotado, sujo e amarelado pelas constantes releituras das letras. “O pior pecado do mundo é o arrependimento” Lia e relia em voz alta a frase que a tantos anos exercitava os músculos da língua e da mente, entremeando os pensamentos, devorando horas de suas horas por busca de significados diferenciados entre os inúmeros que se pôs a refletir em algum canto do apartamento. “Não acredito que estou vendo você aqui!” Era uma voz feminina e sensual, reconhecida no desabrochar da infância até a puberdade precoce, que acompanhou o Marcos menino nas ruas, nas praças, nas lanchonetes, na escola e em cada cantinho de casa quando imprudentemente esquecidos ali por ambos os pais. “ Linda Harumi! ” Em um sobressalto, os olhos não podendo esconder o impacto daquela presença, ele ficou vislumbrado com a beleza que agora encorpava a menina manhosa, delicada em gestos e nos protestos, a raquítica especial que insistia a tantos anos estimular antigas lembranças, povoar suas memórias, sempre o incomodando em desejos impossíveis de serem esquecidos. “ Há quanto tempo você está no Japão?” Já sentada e o encarando, Linda perguntava curiosidades ouvindo atentamente não mais se atendo a fisionomia do rosto dele, nem incomodada pelos olhares à volta a devorando de cima a baixo, mas no movimentar contínuo e singelo daqueles doces lábios que, na adolescência, tanto deliciou em beijar. “Estou à três anos no Japão! E você?”  Marcos respondia suas perguntas com o semblante amendoado e carinhoso, lutando com os olhos na verdade, mas não conseguindo se desvencilhar das curvas, das formas, da silhueta formosa ainda que na penumbra do ambiente levemente já esbranquiçado pela fumaça branca liberando um odor agradável que subia dos motores elétricos posicionados nos quatro cantos da pista de dança.
    Como água represada à anos, ambos assim ficaram, os olhos dele encarando sutilmente os olhos dela, ela tateando resquícios de percepções diversos nele, mas ambos simultaneamente impulsionados a encontrar nos diálogos; um sentimento comum impregnando as palavras, ladeando o pausar das resposta involuntárias, ou suspenso em algum movimento inconsciente que porventura denunciasse em gestos, em olhares, em suspiros inaudíveis que eles ainda se desejavam. “ Cheguei à três meses... é tudo tão diferente…  não sei se vou conseguir me acostumar!” Buscando refúgio no calor corporal que, paulatinamente se alastrava para a singeleza do rosto, Linda Harumi intercalava sorrisos com desvios de olhar, e ele, devolvia o sorriso envelopando com eles, promessas protetoras de alguém um pouco mais acostumado com toda aquela loucura, com todos aqueles trejeitos, com todas aquelas esquisitices de país de 1º mundo.  Finalmente chegava a pausa de descanso do DJ que, com as mãos doloridas, posicionou um LP enquanto os casais apaixonados iam se formando aos pares. “Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo...” Ele se levantou da mesa, e estendendo carinhosamente a mão em sua direção, a convidou para descer até a pista de dança ao som romântico de Mariah Carey...
    “You look into my eyes
    And I get emotional inside
    I know it's crazy but
    You still can touch my heart
    And after all this time
    You'd think that I
    I wouldn't feel the same
    But time melts into nothing
    And nothing's change…”

    Já abraçados, as mãos de Linda suavizadas sobre os ombros seus ombros e as deles circundando firmemente sua cintura, por um momento ou pelo tempo que durou a música, toda uma torrente de sentimentos acumulados e represados ao longos dos anos passados, arrebataram suas almas: vieram as lembranças das promessas joviais expressas em beijos singelos e demorados, das fugas entremeio as festinhas que aconteciam na vizinhança, as travessuras, os receios, e a intranquilidade pelo possível flagra ao pé da porta que avultam ainda mais em sentimentos sinceros, crescentes, genuínos, se apossando cada vez mais do coraçãozinho de ambos na pré-adolescência. “Nunca consegui te esquecer!” Marcos proferia confissões acaloradas ao pé do seu ouvido, a respiração de ambos ficando acelerada, diminuindo cada vez mais o espaço entre os corpos no apertar dos abraços não tão sutis, seduzidos cada vez mais pelas passagens românticas da música. “ Ah Marcos… eu também não … “ Ela respondia os gracejos já se sentindo segura nas palavras, o queixo angelical repousado sobre o ombro dele, deixando a doce fragrância do perfume nos cabelos embriagar cada vez mais o olfato do recém amor reencontrado. “ Parece que foi ontem....”  Refletiam no conforto do próprio silêncio, os passos alternados; dois para lá, dois passos para cá, e a canção anestesiando os corpos da tensão do dia, adocicando pensamentos diversos, enternurando emoções antigas, revirando no fundo do baú dos sentimentos até encontrar o ‘’amor descontinuado’” ainda fibrilando pulsões, latejando sensações, emergindo na epiderme do ser resquícios do prazer de uma vida a dois interrompida, impossível agora, pela força do destino ou pelo acaso do reencontro de almas que se procuravam, permanecer vivo somente nas lembranças.
    “Não vai nos apresentar ?” Logo ao final do repertório romântico, os amigos se aproximaram expressando arfadas, suspiros e golfadas de ar intercaladas, provocando ciúmes ao colega que, diante daquela beldade, o julgava um cara sortudo. “Essa é a Linda!" Apresentava a acompanhante ao seleto grupo de amigos em círculo, desejando naquele espaço de tempo ter dito “meu amor” ao invés de “minha amiga”, dando-lhe um beijo singelo na bochecha, enquanto permitiu que ela fosse fuzilada por perguntas vindas de todo o grupo. Ela respondeu todas as perguntas buscando sempre apoio na presença ao seu lado, as palavras entrecortadas por gestos, por olhares, por suspiros acompanhados de uma entonação amanteigada na voz, e a todo momento direcionando o olhar para aquele que a abraçava. “ Vamos reunir a galera amanhã na estação. Você vem?” Convidaram. “Não vou dar certeza pessoal... Eu e a Linda acabamos de nos reencontrar e talvez tenhamos outros planos para amanhã...” Franzindo os olhos, Marcos a encarava com ternura em rabos de olhos desconfiados, receoso por ter ultrapassado por assim dizer, algum limite dela, na resposta espontânea que deu ao amigo. No relógio central localizado no alto do chafariz da praça principal, bateram duas horas da manhã quando todos se despediram em frente da casa noturna denominada B’One com o frio cortando porta afora, cada um seguiu esgotados e satisfeito em passos apressados na direção do ponto de ônibus. “Aonde te deixo?” Marcos Hayashi perguntava já sentindo saudades, conduzindo-a rumo à estação do metrô subterrâneo enquanto Linda Harumi momentaneamente muda, sorriu envergonhada, com o rosto mais corado que o normal. “Me leva pra sua casa?” Ressabiada e com os olhos miúdos enterrados em sua direção, como uma cadelinha sem dono ela apertou ainda mais o braço encadeado ao seu. Por um instante de momento, com a mente de Marcos  sendo pega desprevenida viajando em devaneios passados, ficou mudo.  “Se você quiser é claro...” Ela reforçou o auto convite com a face insegura e envergonhada,respeitando as próprias pausas respiratórias do ar gelado adentrando as narinas, concentrando o seu olhar a partir dali, nas leituras de uma "aura" agora desperta, emitindo paulatinamente um brilho mais incandescente que antes.
    Após apearem do táxi, ambas as mãos roçando a pele em toques singelos, finalmente seus dedos se entrelaçaram. “Nem em mil anos poderia ter imaginado reencontrá-la...” Marcos Hayashi comemorava em silêncio, a respiração ficando ofegante, e a imaginação a mil enquanto conduzia com doçura Linda Harumi já na entrada do pátio. “Cuidado com o degrau princesa!” Advertia carinhoso, controlando em pausas a excitação se avolumando na mente, enquanto admirava de rabo de olho a silhueta formosa revelada na penumbra da noite. “ Haha! Princesa? Nossa! Estou adorando esse seu tratamento VIP!” Ela subia lentamente cadenciando os passos, a lanterna do celular Iluminando o caminho, enquanto se esforçava para apaziguar o vestido florido, rebelde ao corpo, totalmente agitado com as rajadas de ventos vindo em ambas as direções. Dentro do apartamento N° 404, já protegidos da tortura congelante que ficara de fora, em um impulso logo eles se aqueciam abraçados. “Precisamos de um banho!” Linda se antecipou em falar, para logo em seguida, às pressas, corrigir o possível mal entendido sublimado nas próprias palavras: “ Quero dizer que eu preciso tomar um banho…” Energias inocentes estas, entremeando suas falas, passando a vibrar insinuações sensualmente mais provocantes na libido de ambos. “ Sim, claro! Vou pegar um roupão para você…” Suspirou.
    Foi uma “puta grosseira” de um prostíbulo localizado no centro de uma cidade chamada Omya que anos atrás “roubara” a virgindade do inexperiente Marcos. Entre as “estocadas inseguras” ora ela folheava uma revista, outrora retocava a maquiagem borrada, mas sempre e compulsivamente recontando o dinheiro adquirido que escondia entre cobertores inundados de suor. Com as pernas arregaçadas, recebendo as idas e vindas frenéticas que estremeciam toda a extensão do seu corpo judiado, ela não se esforçava para esconder a má vontade do “ fazer ” expressado nos suspiros tediosos que bufava, nos olhares indiferentes carregados de desprezo, e principalmente na falta de educação que denunciava o cansaço da “ labuta exagerada ” que mulher alguma nunca deveria se acostumar. Dentro de uma cabine 3x1 mal iluminada, com homens e alguns jovens atrás da porta em fila ansiosos para adentrar, foi que Marcos Hayashi aos 16 anos de idade iniciava a traumática vida sexual que, dali pra frente, viciava sua carne, mas violentava inevitavelmente a sua alma. Agora Linda Harumi estava ali: lindamente provocante, insinuante em gestos inconscientemente diretos, arrebatada por desejos de compartilhar com ele, o abecedário completo do prazer quando é deliciosamente conjugados nos verbos: dar e receber amor. Mas Marcos respirando resquícios dessas mesmas frustrações passadas, instintivamente se fez de desentendido, corou nervoso, e insinuando à tarefas esquecidas, ele desprezou momentaneamente os clamores desesperados da sua faminta carne. “ Está com fome? Que acha de eu preparar um lámen pra nós!” Dizia partindo para a cozinha, lhe entregando um roupão amarelo, enquanto Linda envergonhada pelas recentes falas, fechava a porta do banheiro confusa. “Fiz besteira… como você é oferecida garota!" O quê ele vai pensar de mim?” Ela naufragava em perguntas confusas, tirando a roupa vagarosamente, e em paralelo, procurando defeitos em frente a um espelho que revelava seu físico, mas não as angústias brotando da sua alma. “ Burra, burra, burra...” Balançada pelas próprias condenações, ela achava repouso apenas na batida quente das águas que, inundando suas costas, descia suavemente ladeando e abrangendo as curvas acentuadas das nádegas.
    Na cozinha, segurando uma faca afiada na mão, Marcos Hayashi preparava entre um suspiro e outro, os ingredientes que comporiam o preparo do alimento à base de massa: o kombu, o niboshi, ossos de carne, shitake e um pouco de cebola. Mantinha o pé segurando a porta da geladeira entreaberta para alcançar com a mão um par de ovos mexidos que quando quebrados, caiam na água fervente, diluindo e empedrando ao mesmo tempo. “ Que vontade de estar lá, tomando um banho quentinho, agarradinho com ela... ” Dizia degustando os pensamentos vindos do demoniozinho sibilando em seus ouvidos, os seus olhos revirados ao teto, já sentindo no corpo as velhas tremuras do prazer.

    “Mas ela não é como as outras que eu  comi...” Deu o veredicto final, se concentrando no tempero, despejando as verduras picadas na panela enquanto o macarrão duro amolecia aos poucos, no compasso das mexidas da colher de pau. O cheiro do lámen proporcionado nos vapores que subiam em espiral até o teto, seguia o fluxo do ar sorrateiro que entrando pela abertura da janela da sala, alcançava e engolia todos os ambientes do apartamento. “Que cheiro delicioso! ” De repente, Linda, a passos lentos, com o roupão grudado a um corpo jorrando vapor pelos ares, despontou silenciosa na porta da cozinha, e encostando no portal contemplava-o enquanto penteava com os dedos seus longos cabelos umedecidos. 

    Sobre a mesa, os tchawans esperavam virados de cabeça pra baixo bem ao lado dos hashis de madeira recém tirados de uma embalagem. Para acompanhar o preparo; shoyu, pimenta e um pouquinho de kurikake que era jogado sobre o arroz cozido sem um pingo de sal. “ Linda, use o meu quarto para se trocar! ” No quarto, já sentada sobre a cama, Linda Harumi vasculhava com olhos nervosos resquícios que porventura indicassem alguma pista, alguma mancha, cheiro ou algo que confirmasse que alguma presença feminina havia passado por ali. Não encontrou nada. Apenas fixado nas paredes, três pôsteres de tamanho 2x1 “embelezavam” o ambiente pouco iluminado, gerando um frenesi louco de imagens retiradas de revistas hentais (pornô). Em cada cenário, mulheres nuas em  poses extravagantes e sensuais, revelavam as próprias “curvas” sem nenhum pudor. Por exemplo, na parede frontal, estampado estava a imagem de uma loira estonteante: só de biquíni e agachada de costas, ela segurava uma bola de basquete, glúteos quase ao chão, o rosto virado pra trás oferecendo um sorriso lindo carregado de provocação. Na parede lateral à esquerda, bem ao lado de uma estante montada de ferro encaixáveis, o segundo quadro apresentava uma morena escultural em meio à mata: sentada sobre uma grande pedra, as pernas entreabertas, o dedo indicador da mão esquerda passeando os lábios volumosos em um olhar inocente, subliminarmente convidativo ao prazer. À vista ficavam os seios fartos, as coxas grossas, a barriga bronzeada, e o sexo totalmente à mostra, sendo ladeado carinhosamente pela pontinha dos dedos da mão direita. Por último era a ruiva emoldurada no cantinho especial do quarto, por cima de uma escrivaninha coberta por livros e algumas revistas de sacanagem organizadas metodicamente em fileiras que faziam divisa com um porta canetas de aço. A terceira beldade estava suspensa sobre uma máquina de escrever antiga que, há alguns anos, Marcos Hayashi vinha dedilhando alguns poemas apaixonados. “Assim você acaba comigo guria!” Era exatamente assim que ele em seus devaneios frequentes, repetia sua confissão sem se cansar, sozinho no banho ou debruçado sobre a cama, devorando a imagem nua com olhos famintos enquanto arregaçava o “membro endurecido” salivando de desejo, saltitante na palma da mão. “ Nem consigo trabalhar amanhã ” Desejava-a com a boca, os pensamentos soltos e encravados em cada pedacinho do corpo dela: nos lábios carnudos insinuantes no movimentar da língua aos beiços, nos seios fartos carregados de uma volúpia descomunal que refletindo o rosado dos bicos pontudos expressava ainda mais a brancura da pele sedosa, na bunda redondinha, formosa em formas, empinando convites a deliciosas cavalgadas aceleradas, e por fim, na cerejinha do bolo, o gran finale, representado pelo sexo depilado, acentuado pelas marcas de um biquíni ausente, deliciosamente pronto para ser consumido a exaustão. Gemendo sempre baixinho acompanhando o movimentar frenético do vai e vem dos dedos cerrados, ele não deixava que nada passasse despercebido à sua mente, sempre voraz a tudo que, dependendo da quantidade dos pixels da imagem estática, pudesse ser deliciado.
    Deslumbrada com a beleza das imagens, no entanto visivelmente perturbada com a rivalidade que elas representavam, Linda Harumi ficou por um breve espaço de tempo às encarando de frente; o olhar empoderando, a respiração firme e pausada na postura ereta do corpo que anunciava ali, algum tipo de futura batalha. “O reinado de vocês, suas piranhas, acaba aqui!” Dizia em falas esquizofrênicas, relaxando os ombros e as costas, sentindo-se mais leve, mais segura e liberta nas recentes palavras que expurgaram algum tipo de mal inconsciente. Em seguida, após vestir um moletom acinzentado, procurou na gaveta inferior da cômoda alguma meia que pudesse calçar. “Será que é o diário dele?” Lina Harumi manuseava um caderninho capa de couro, cor vinho envelhecido, com o tempo de uso já considerável, sem anotações externas que denunciassem algum tipo de função. Abri-lo sem ser descoberta era impossível. Trancado pelas bordas, um pequeno cadeado dourado garantia que o conteúdo das páginas, seja lá o que for que estivesse escrito, ficasse totalmente inviolável, definitivamente inacessível a olhares curiosos. 

    “ O lámen está pronto... ” Sobre a mesa, com os olhares timidamente trocados, eles se sentaram lado a lado, talheres à mão, servindo da panela à frente, deliciosa e convidativa aos olhos no saciar da fome acumulada, expressada nos roncos sugestivos do estômago que horas atrás vinha reclamando como cachorro louco. Dizendo “Oishi!” em japonês, Linda agradecia a Marcos Hayashi com a boca cheia do macarrão, ora suspenso sobre as duas ferpas do hashi que, enfiado entremeio aos fios, lutava para manter-se firme e ancorado aos dedos. “Vamos ouvir uma música?” Retirando o CD da Roxette do estojo, Marcos o encaixou cuidadosamente no compartimento do aparelho eletrônico, girando o botão do volume até que a canção Listen To Your Heart, já audível em som ambiente, começasse a tocar:

    “I know there's something in the wake of your smile
    I get a notion from the look in your eyes, yea
    You've built a love but that love falls apart
    Your little piece of heaven turns too dark…”

    Finalizado o jantar, eles se sentaram na sacada do apartamento. Com o coração mais acelerado, a respiração ofegante em ciclos se alternava de acordo com a temperatura no interior do edredom enroscado em ambos os corpos à convites de contatos mais aflorados. “A lua é linda!” Ouvia-o dizer poemas ao pé do ouvido, aveludando as palavras, e com o olhar amoroso, Marcos ajustava o tom da voz na altura perfeita que não atrapalhasse a melodia de amor que continuava entoando vibrações carregadas de candura a partir do aparelho na sala.

     “ Eu a perdi uma vez…” Marcos ditava promessas que insistia que iria cuprir a ela, o seu olhar ficando sério, apertando seguidas vezes um chumaço do edredom felpudo que ia reduzindo cada vez mais o espaço entre os dois corpos se ardendo de desejo no resvalar nada sutil dos toques eletrizados. “Ah mas éramos apenas dois jovens apaixonados...  Enroscada ao seu peito e com a ponta dos dedos, Linda identificou uma estrelinha sob a lua, reluzindo seus raios cintilantes na penumbra da noite. “ Vamos compensar agora, né princesa ? Ao ouvir a energia vibrando destas doces palavras, Linda Harumi duplicou o sorriso espaçando ainda mais o espaço entre os lábios, agasalhando no coração de mulher sensibilizada com o cenário, as doces seguras palavras recém-ouvidas ao pé do ouvido. “ Podemos sim e vamos! ” Marcos Hayashi reforçou novamente os abraços, o seu semblante esmagando o dela, sorvendo com a língua o excesso do chocolate que ficara salpicado em um dos lados da bochecha. O carrossel girando no aparelho de som, por fim alcançou o último CD posicionado e, no compartimento sobre o laser, posicionou a música romântica La Solitude de Laura Pausini:

    “Marco se n'è andato e non ritorna più
    E il treno delle 7:30 senza lui
    È un cuore di metallo senza l'anima
    Nel freddo del mattino grigio di città
    A scuola il banco è vuoto, Marco è dentro me
    È dolce il suo respiro fra i pensieri miei
    Distanze enormi sembrano dividerci
    Ma il cuore batte forte dentro me”

    Ali, sobre o luar, os rostos corados levemente sendo iluminados, eles deram o primeiro beijo de amor que, dali pra frente, selaria o reinício da relação iniciada na adolescência. Debaixo do cobertor, ora os corpos se fundindo nos abraços apertados, outrora as mãos soltas à vontade brincando apalpadelas entremeio ao vácuo, deixava a pele toda eletrizada, desejosa por mais, carregada de uma ânsia insaciável por toques mais acalorados. “  Sou toda sua amor!” Linda Harumi se jogou sobre seu corpo, o olhar levemente ficando devasso, se distanciando rapidamente da timidez inicial, incentivada ainda mais pelo alastrar da ardência úmida no enroscar frenético das duas línguas. “ Vem cá... não foge! ” E ela o segurava em suas falsas escapulidas, ambos os sexos estimulados debaixo da roupa, a sua boca carnuda toda enlouquecida, desejosa por mais, naufragando em um mergulhar cada vez mais profundo dentro dos lábios do amado.

    Linda se entregava sem economias, excitada pela voracidade dos beijos contínuos, pelo calor tempestivo gerado nos abraços mais apertados, mas sempre e paulatinamente testemunhando o desnudar do próprio corpo no avultar nada sutil de dois olhos incinerados. Ainda que se sentindo sequestrada pelo desejo de satisfazer a ele ou mesmo ansiando querer mais pra si dele, ela permanecia totalmente entregue diante das investidas sequenciais, palpáveis, ou gustativas, não interrompendo as preliminares nem diante das tão necessárias golfadas de ar. “Fica louquinha pra mim, fica princesa?” O amado balbuciava para uma mulher cada vez mais perdida nos próprios sentidos, a cabeça emborcada para o lado em desprezos dos cabelos sobre o ombro, permitindo com estes submissos atos, uma passagem mais convidativa ao prazer, carregada de provocações eróticas, aprisionando parte dos desejos de Marcos focado na consumação exacerbada da pele nua em volta do seu exuberante pescoço. “Ai que tesão...” Sem piedade Marcos caia esfomeado, o pensamento acelerando o palpitar do coração nos gemidos crescentes ao pé do ouvido, beijando a pele dela com carícias provocativas no passear sensível junto aos lábios, em suaves mordidas no lóbulo inchado de desejo, seguido por intercaladas enfiadas da língua no fundo do orifício do ouvido. “Hum, já estou tão molhada...”. Excitado, Marcos finalizava o ciclo degustativo com chupadas mais sedentas que as iniciais, sua língua serpenteando roxeões à flor da pele, notórias a ver de longe, afogando cada vez mais a libido de ambos no desejo louco de adentrarem o próximo estágio.

    Grossas nuvens formando no horizonte, e o próximo estágio acontecia estritamente às apalpadelas aprofundadas, a mão de Marcos adentrando o moletom de Linda, a pontinha das unhas arranhando suavemente a lateral do dorso dela, a deixando toda arrepiada, louca de desejo por ele que, suas mãos subindo o sutiã, não saia dali, até vencer o adversário empacado, o fecho não sincronizado com o tesão arrebatador que há muito tempo já engolia os dois. No concentrar mental entre as pausas para a respiração, finalmente o fecho se abriu, os sorrisos antes abafados coloriam mais o rosto, as mãos resfolegantes por tatear tanto, finalmente degustavam toda a volúpia de um par de seios extremamente fartos. “ Também estou pegando fogo...” Marcos Hayashi advertia sem parar e ela ficava cada vez mais excitada nas carícias, nos afagos, no movimentar da pontinha do dedo pressionando levemente os bicos dos seios e os deixando mais inchados, entumecidos e desesperados por mais. “Agora desce um pouquinho...” Em seguida, como um cachorrinho bem adestrado ele fielmente obedecia, descendo ao ventre chapado, passeando os dedos na extensão da virilha, estacionando nos pelos pubianos macios e escassos, ora puxando-os levemente como se quisesse arrancá-los, outrora massageando por cima como uma mãe amorosa acariciando os cabelos do filho.

    Ali na virilha, a calcinha apertada denunciando tatilmente a umidade do sexo vazando o exterior do tecido, os dedos dele ficaram mais agitados, mais sedentos, mais ansiosos por causa do ritmo pulsante do sangue que, circulando com maior rapidez nas têmporas da testa, aumentava cada vez mais a pressão sanguínea dentro da cabeça. “Que bucetinha molhada..." Assim, narrando seus laboriosos atos, Marcos começava devagarinho, acariciando o clitóris em movimentos suaves, às vezes frenético no enrijecer dos dedos, mantinha estes movimentos por alguns segundos, depois voltava a ladear os lábios de cima a baixo, arregaçando a abertura da vagina, sempre com o extremo cuidado de não feri-la com as unhas. Na entrada do orifício, com o desejo sexual alimentando a sua sensibilidade criativa, Marcos Hayashi sentia o próprio “pau” ao invés de “dedos” endurecidos: indo, vindo, estacionando lá no fundo, depois voltando e entrando novamente, retornando a ladear os grandes lábios como no início, saboreando assim, devagarinho, palmo a palmo, toda a  densidade cavernosa daquele sexo encharcado.“ Que vontade de chupá-la...” Diante de um par de olhos se cerrando, ele retirava e adentrava os dedos do orifício, e com a viscosidade fazendo ponte entre o indicador e o polegar, abocanhou os dedos com uma tal voracidade, que a deixava ainda mais excitada.

    Era de se esperar que a chuva logo caísse do céu já tenebroso, anunciando o prelúdio que viria através das trovoadas que estremeciam os carros estacionados, os latões de lixo, os postes de ferro mal posicionados, os corrimões das escadas e seus parapeitos, as paredes de alvenaria, os telhados, as janelas, e toda a extensão da sacada onde eles se encontravam. “ Por favor, vamos entrar?” Ela agarrava-se a ele enquanto os clarões dos raios iluminavam como flashes instantâneos os ambientes antes ocupados apenas pelo negrume da noite; as vielas pouco movimentadas, o sombrear das árvores envelhecidas na entrada do pátio e os corredores dos edifícios vizinhos mal iluminados por causa da baixa potência da lâmpada. “Claro que sim! Vamos...” Ele com o olhar prestativo encadeou seus braços a ela que, sentindo o cheiro másculo exalando do seu corpo úmido de minutos outroras, agora lutava para manter toda aquela excitação incubada no seu corpo de mulher ainda não satisfeita. Caminharam até o interior da sala com os dedos entrelaçados, ambos os rostos selando-se entremeio aos beijos que aconteciam aos trotes, e quando atravessaram o ambiente, alcançaram por fim o aconchego do quarto quente, totalmente preparado ao prazer. 

    No canto esquerdo do dormitório, um abajur chinês com cúpula esbranquiçada e base em tons que se aproximavam ao vermelho sangue, estava localizado a ½ metro da cama. A partir dali, emergindo sua luzinha fraca e limitada, os feixes de luzes alcançavam apenas parte dos móveis e objetos que compunham o lugar, emergindo todo o resto do ambiente em uma penumbra amarelada que se permitia ver apenas vultos nas sombras. “Safadinho você hein...!” Dando voltas ao redor e se posicionando fronteiriço as paredes do quarto, para o provocar, ela encarava as três imagens emolduradas, arranjadas de tal forma que, a iluminação refletida diretamente nos retratos, acentuava ainda mais a beleza irradiando de cada uma das daquelas deliciosas curvas estáticas. “São só pôsteres que não significam nada...” Usando argumentos que mantinham a suavidade do clima ainda pairando no ar, ele a apertou no peito, deu-lhe logo um beijo ardente, sugando todo o fôlego que ela tinha reservado para revidar em palavras. “E eu?” Sorrindo baixinho entremeio aos gritinhos de prazer sufocado que quanto mais ela emitia, ele delirava, seu pescocinho sensível ficou totalmente exposto às carícias vorazes dos lábios incendiados de Marcos. “Você é o meu xuxuzinho!” Respondendo respostas agradáveis, ele a abraçava cada vez mais forte, temperando com humor as palavras salpicadas com ternura, emulando à partir do coração que em outros tempos estava desassossegado, o amor adolescente interrompido anos atrás, e que agora, se ascendia em envergadura e presença,  anestesiando a psique de ambos em confortos verbais e carinhos visíveis, expurgando de dentro dela, qualquer tipo de malícia que porventura instigasse a continuar se avolumando de ciúmes infantis. “Assim você me ganha!” Agora, com o ar do ambiente mantendo sua nobreza, o mesmo inspirava leveza, e impregnado das liberdades não palpáveis que tanto protegem e estimulam os amores, eles voltaram a se aconchegar nos abraços.

    A música havia parado de tocar no aparelho quando o som da chuva torrencial começou a despencar do céu. Inicialmente foram pingos pipocando sobre o telhado que, quando se avolumavam na calha, transbordavam na parede e desciam inundando as bordas janela, deixando a vidraça completamente enervada por grossos fios de água que se enraizaram. “Que fofinho !”  Retirando a calcinha rosa de Linda, Marcos a deslizava entre as pernas entreabertas, enquanto ela o encarando na direção dos seus olhos, se situava através do brilho ocular emitido graças a uns poucos feixes de luzes que ricocheteava em um espelho e jorravam entremeio a escuridão do quarto. Com as mãos segurando o objeto íntimo, ele o levou até o rosto, acariciou a própria pele como se fosse a dela, e em seguida buscou entremeio as linhas do tecido de algodão, o cheiro exalando da essência úmida impregnada no seu interior..“ Tem um odor maravilhoso ! ”  Era o que repetia antes de entrar em um transe louco que o levou a sugar todo o resquício do líquido viscoso que pairava na superfície do algodão. Marcos a elogiava lambendo os próprios beiços, passeando a língua aos lábios, acariciando o membro endurecido trincando pulos desesperados para fora da calça. Como uma mulher não enlouquecerá de prazer diante destes atos? Ver o amado se satisfazendo assim; como um cachorro doido, faminto de desejos, degustando “sabores” e consumindo “odores”, o olhar faiscando contatos mais aprofundados na pele dela, a sua boca gulosa pipocando em brasas, desejando a todo custo bebericar toda a sua intimidade?

    “ Mantenha bem abertinha para mim... ” Marcos segurava suas pernas entreabertas, enquanto descia a sensibilidade do seu rosto devagarinho, suavizando toda a extensão da pele dela. “ Tá gostoso assim? ”  Passeava a língua úmida no interior das coxas, saltitava entre elas, até chegar pertinho dos grandes lábios. Apesar do tesão implorando por extravasar, ele não adentrou por um instante. Permanecia apenas ladeando lábios e língua por fora, energizando a libido aflorada nos toques singelos na pele do seu rosto provocando a pele dela, enquanto beijos e mordiscadas suaves eram alternados rente à divisa, arrepiando Linda Harumi ainda mais no desejo louco de ter todos aqueles limites íntimos ultrapassados. “ Tá judiando demais de mim...” Linda emitia gemidos suaves, os olhos semicerrados ao céu, adocicando a voz no rebolar perfeito que poderia colocar o pingar do seu sexo, mais bem posicionado frente a lábios vertendo lavas incendiárias. Com as pernas tremulando sobre os seus lábios, finalmente Marcos Hayashi decidiu que a doce tortura chegava ao fim. “ Enfia essa linguinha lá no fundo, por favor… ” Enlouquecida nos estímulos e ainda mais sendo consumada a exaustão por uma boca esfomeada, ela desfrutava o desidratar dos próprios fluídos entremeio a uma língua louca, serpenteando enrijecida sobre o clitóris vibrando cada vez mais intumescido. O amado lambuzava os beiços, a pausa para as suas respirações sendo adiadas, a língua, os lábios, e a boca por um todo sempre prudentes na aceleração frenética que desprezava ainda mais os protestos alarmados pululantes no aperto da própria calça. Lentamente, palmo a palmo, com a língua tateando aqui e ali ansiando por absorver resquícios de sensibilidade ainda não explorada, Marcos subia e descia devagarinho, palmilhando olfatos, degustando com excelência toda a textura da pele sensível envolta da vagina. Com a pontinha dos beiços, os dentes acovardados dentro da sua boca, ele puxava cuidadosamente os lábios vaginais: ora os esticando de encontro a si, outrora soltando-os de volta, mas sempre e repetidamente voltando a esses mesmos atos de provocação, gerando dessa forma, uma tensão sexual assoberbada em gemidos cada vez mais carregados de gratidão.

    Linda Harumi suplicava a ele, e ele com a excitação expressada na face avermelhada, mergulhava cada vez mais fundo dentro dela: tateando o interior da intimidade, sentindo as fissuras cavernosas no penetrar inicialmente tímido, e em seguida perfurador da língua até o fundo, mas sempre engolindo e engolfando em êxtase absoluto cada pedacinho da sua libido transbordante de mulher lucidamente entregue. Abandonando os trejeitos ora iniciais, de súbito ele alternou o tom das investidas, antes lentas e delicadas, para em seguida se lançar com maior avidez, maior gula e uma sede insaciável na agressividade enternurada que tomava conta da sua língua. “ Uiiii, Marcos, eu estou quase gozando!” 

    Ela arfava transes carregados de extrema sensualidade; serpenteando o corpo e revirando os olhinhos para o alto, expressando nestes sequenciais atos, todos os desejos outrora reprimidos no ser e agora, expressos no mordiscar frenético das unhas aos bicos dos seios, das mãos galgando carícias em volta do pescoço e lóbulo da orelha, movimentos incontroláveis que a deixaram toda inundada, desejosa ao extremo, fielmente descabelada diante do frenesi possuidor de promessas de êxtases absolutos. “Não para que eu vou gozar!” Quando ouvia este tipo de confissão, Marcos dava brecadas propositais como parte de seus planos de prazeres quase eternos, cheios de malícias, com os lábios umedecidos se afastando do sexo temporariamente desidratado, e arrancando nesses covardes atos, protestos acalorados carregados de uma ansiedade descomunal, ainda mais expressados no rebolar ensandecido das nádegas sobre seu rosto. “ Aguenta mais um pouquinho...”  Marcos também empacava excitado, seus olhos encarando um olhar desvanecendo, mas sete segundos depois ele voltava a apertar o botão do start com mais vontade, maior voracidade e grande desejo nos lábios entremeando as pernas dela; degustando os sabores, consumindo os mesmos odores, fibrilando as velhas palpitações em um bailar nada sutil do clítoris sob a vibração mais enérgico da sua língua.

     Após sequenciais investidas assim: frustrantes e ao mesmo tempo provocantes na carne suada, a excitação de ambos novamente alcançava o nível máximo; ele voltando da embriaguez, subia até a virilha,  passeava a língua sobre o ventre dela, ladeando sempre em sentido horário ou ao contrário os biquinhos pontudos e rosados aprumados em ambos os seios. Por fim, pairava sobre o rostinho angelical e lindo levemente desfigurado pelo prazer interrompido de minutos outroras. “ Agora sente o seu gosto na minha boca! ” Marcos ia ordenando submissões e despejando na boca dela toda a essência do sexo ainda pairando sobre seus lábios, e Linda Harumi gemia mais enlouquecida, se perdendo nos cheiros, nos gostos, nos próprios fluídos a sublimando em metamorfoses embriagantes da própria sexualidade. “ Fica de quatro...” Ela totalmente turva entre os sentidos rodopiando, logo ficou de quatro, enquanto ele afrouxando o cinto da calça, tirou o jeans apertado denunciando um volume exagerado dentro da cueca box. “ Putz, esqueci o preservativo...” Expressando preocupações no semblante, Marcos ia revirando as gavetas da cômoda e do guarda roupa, o membro endurecido bailando vendido no ar, enquanto ela enlouquecida suplicava cada vez mais alto para logo ser penetrada...

    “ Te quero por inteiro… ” O provocava em palavras suavizando gemidos em seu ouvido, tentando-o com o timbre da sua voz ficando enternurada, oferecendo ali toda a volúpia dos lábios vaginais arregaçados e ainda mais valorizados no rebolar provocante das nádegas passeando sofregamente para ambos os lados. Com o rosto enterrado no colchão e a curvatura perfeita da coluna indo de encontro com um arrebitar cada vez mais acentuado da bunda, ela insistia: “ Ah! Assim não! Vem logo Marcos...”  Agora Linda ordenava em gemidos, e ele de pronto obedecia em desesperados desejos de obedecer; optando assim por deixar do lado de fora do quarto; todas as disciplinas latentes que poderiam por hora, evitar preocupações carregadas de reticências futuras, desprezando nessa forma de agir e mal calcular, quaisquer empecilhos ao prazer corroborado nas duas carnes que finalmente se esfolavam. “ Que fogo...” Em baixos sussurros e com a respiração ofegante,  Marcos sentia o pulsar do próprio sangue circulando incontrolável nas veias, enquanto ela desfrutava centímetro a centímetro conforme a consumação operava por baixo das suas operantes nádegas. “ Mete com mais vontade... ” Linda Harumi se sentindo ávida, com tamanha eroticidade mordeu o travesseiro, e com o sexo sendo arreganhado em um cravar de dedos afastando ambas as suas coxas para os lados, com as intimidades escancaradas, ela testemunhou seu clitóris tremer e vibrar em um aperto sufocante socando sequenciais intensidades por baixo das suas nádegas.

     Percebendo o seu sexo friccionar suavemente o “ ponto de contato” do outro sexo, ele com a mão esquerda apoiado sobre a bunda dela, buscava apoio para investidas mais emborcadas, perfeitamente mais bem posicionadas, realizando movimentos transversais no penetrar, ou verticais o suficiente para que os pés levemente em suspensão junto ao corpo favorecessem um ângulo melhor, um colocamento melhor, facilitando dessa forma uma postura mais adequada para que a rigidez peniana infringindo o clitóris intumescido, o esmagasse sucessivamente em todas as investidas de entra e sai. E assim foi. Sucessivamente, exaustivamente, calorosamente provocando o desejo sexual tempestivo, a eletricidade afrodisíaca se apoderando de ambos os corpos inebriados por mais, o prazer não maduro emergindo a virilha, se espalhando pelos músculos em calafrios reconfortantes carregados de promessas de devaneios altissonantes, a tensão tão estimulada nas preliminares, saldada ali, nos pensamentos não mais confundidos e muito menos controlados pela consciência já livre das prisões, liberta dos atrasos, se entregando de vez na luxúria do gozo explodindo no corpo e na alma de ambos. “ Linda! !” Ele dizia “ Marcos !” Ela respondia. Encerrando os gemidos, jogados um sobre o outro, totalmente nus e encharcados pelo deleite percorrendo os corpos, eles adormeceram. 

    Com o irromper do sol no horizonte denunciado que o alvorecer havia principiado, ambos se sentiram levemente atordoados quando no abrir da janela do quarto, golpes de ventos carregados de resquícios da neblina que havia varado a madrugada ainda insistia umedecer a camada de ar, somando-se ao cheiro das flores e das árvores, principalmente do pessegueiro plantado na frente do edifício, inundando ambos os pulmões de uma essência revigorante que rememorava antigas recordações no peito de Marcos. Ficaram por alguns instantes posicionados assim, os rostos sobrepujando parcialmente o limite da janela, avistando ao longe as montanhas, as nuvens pairando quase inertes sobre elas, e toda a vegetação limítrofe pelo alcance de dois pares de olhos encantados com a beleza do cenário. “ Que vista privilegiada! ” Ela bocejou esticando os braços outrora repousados nos ombros de Marcos, procurando a melhor posição para aproveitar a infusão dos raios solares que, jorrando ambiente adentro, aquecia parcialmente a nudez feminina refletindo um brilho mais incandescente através da pele. 

    “ Daí alguém pode te ver... ” Ele sorria sussurrando ciúmes brotados inconscientemente, para em seguida jogá-la sobre a cama, se esforçando a todo o instante para imobilizá-la com o corpo estendido sobre o dela. “ Eu quero que me vejam como vim ao mundo! ” Dando risadas golfadas entremeio a provocações acompanhadas de remelexos de quadril, Linda Harumi  brincava de se soltar até sentir o fôlego se esvair nas cócegas que recebia na sola do pé, nas axilas e principalmente na cinturinha tão sensível ao encravar dos dedos de Marcos. “Ainda não te disse bom dia meu bebêzinho lindo!” Ainda nus, eles já se encontravam enroscados, e apesar do leve incômodo apontado através do bocejar dos hálitos, logo as bocas se avançaram em um tripudiar frenético de línguas e lábios em total desconsonância com hábitos rotineiramente matinais. “Assim você acaba comigo!” Em um meneio, ele foi jogado de costas por ela, e ela já sobre ele, oferecia toda a volúpia de ambos os seios eriçando os bicos quando posicionados fronteiriço a voracidade dos seus lábios. “Mama gostoso meu bebê!”  O provocava sem se deixar penetrar, apenas saboreando os lábios vaginais passeando com eles na ponta do membro ficando endurecido, e o encharcando no mel que escorria gradualmente pela cabeça, lambuzando toda a extensão nervurada, até se acumular viscoso no limite das bolas massageadas pela delicadeza da sua dedicada mão. 

    Encarando-o no fundo dos seus olhos, carinhosamente Linda sorriu o provocando: “  Você vai ver o que é bom para tosse! Ontem a noite me torturou, agora sou eu que vou te pagar na mesma moeda! ”  Degustando um duplo prazer; tanto no proferir dessa covarde promessa quanto no vislumbre da “ dureza “ posicionada a poucos centímetros do corar do seu rosto, com o serpentear da pontinha da língua, ela umedecia os lábios em provocações contínuas e não amenizadas no olhar devorador estampado na sua bela face. " Vai me fazer gozar com essa boquinha? ” Ele deitado de costas, mantinha contínuos emborques de coluna para vê-la trabalhando lá embaixo, antecipando na mente e na carne, a colheita do prazer sexual proveniente da noite anterior que, após ter semeado exaustivamente em frenéticas labutas de língua e lábios, chegava carregado de promessas de devaneios deliciosamente ainda indefinidos.  Mas com intuito de torturá-lo, ela ficou inerte por alguns instantes, apenas encarando-o e se deliciando no desespero expressado em seu semblante: “ Hum… Esse pau vai ficar mais gostoso na minha boca!” Com o corpo tremulando da ansiedade que o revolvia em remexidas ensandecidas pelo logo aquecer de seus doces lábios, e apesar dos seus desesperados atos; ora segurando um chumaço do seu cabelo e direcionando o orifício da boca para perto do palpitar do seu sexo, outrora implorando o logo realizar daqueles prazeres já efervescendo em gemidos silenciosos e desesperados, Linda não cedeu. Desejou excitá-lo além. E assim, consequentemente o resistia realçando cada vez mais o verbalizar das suas promessas. 

    Com uma das mãos soldada sobre o sexo, com a outra ela se esquivava do desespero de Marcos Hayashi, agarrando-o pelo punho da sua mão direita, para em seguida devorar gradualmente toda a sensibilidade contida em cada um dos seus dedos. Com um biquinho beijava as unhas e dali com um sensual afastar de lábios, sua boca úmida o sorvia como se fosse uma luva em idas e vindas, incendiando cada vez mais a sensibilidade já refletida em tremulações nervosas que vagarosamente subia pela espinha dorsal dele e explodia deformando o seu rosto. Sussurrando repetidamente: “ Tá gostoso bebê? ” Ela proferia palavras aveludadas, os olhos amendoados, naufragando o silêncio ensurdecedor da manhã nos gemidos que naturalmente se misturavam com o início de uma melodia de pássaros que se iniciava no beiral da janela. “É assim que vou fazer com você!” E tornava a engolir os dedos e gemer, aumentando o ritmo ou diminuindo, alternando entre os dedos frios e secos e os deixando novamente quentes e umedecidos. “ Que sede da sua boca bebê…”  Se lançando rapidamente sobre ele, novamente ela se afogou em sua boca, beijando-o sofregamente, mordiscando seus lábios ainda anestesiados dos prazeres outroras, e de lá, escorregando de línguas entrelaçadas, ia se aventurar entremeio a roxeões esculpidos e decorados sob a pele do seu pescoço exposto.

    Mas de forma alguma ela se distraia do membro ainda tremulando abaixo, e paralelamente enquanto se deliciava descendo os lábios na caixa toráxica, nos bicos do peito e os mordiscando de leve, passeava sobre o umbigo e o provocava com a " quentura " da língua massageando o fundo do orifício. Em baixo, sob o massagear delicado de uma das mãos, ora Linda arregaçava a cabeça até esgoelá-lo, outrora encapuzava-o por completo também, persistindo nesses calorosos sequenciais movimentos até gerar um calor sexual intempestivo que só era amenizado no estimular mais intenso e mais frenético do arregaça e encapuza que paulatinamente ia emergindo a libido sexual do amado no anseio louco de logo ter o seu pênis exaurido no desforrar de lábios acelerados. " Garota, você é do mal mesmo!" Repetia sem se conter, os olhos docemente acovardados, os braços soltos e desenergizados, naufragando seu corpo carnal na imensidão dos estímulos estuprando seu ser, e o arrebatando ferozmente por dentro. Nos segundos que se seguiram, com a respiração atropelada na sensação chamuscante percorrendo em fagulhas de molestamentos no peito, desejou que seus desesperados anseios de devaneios se tornassem muito mais que eternos quando por fim a quentura abarcando aqueles doces acelerados lábios, cumpria a prazerosa promessa de o engolir. "Puta que o pariu..." Gemia já estando no céu: o movimento da cabeça da amada indo e vindo ocultando parte do seu sexo agargantado, sons sonoros de êxtases de delícias eram pronunciadas em gemidos não contidos que ora e outra arfava descargas elétricas afrodisíacas no intervalo de ambas as respirações.

    " Chupa só a cabecinha..." Com a mão de Marcos segurando um chumaço dos seus cabelos alvoroçado, para lá ela subiu guiada deixando toda a extensão nervurada iluminada de saliva, e após segundos degustando em delícias a pontinha rachada, o encarava com gula cada vez mais expressa no olhar visceral abrilhantando seus olhos. Ali, diante dos desejos desesperados do amado, ela mergulhou mergulhos nunca imaginados com outros homens: com a libido desenfreada inundando o próprio sexo em gotejos de desejos sobre a perna e o cobertor, ora suas mãos calibraram o membro para que não ultrapassasse o limite do pedido, outrora desciam tremulando pelo corpo feminino até a vagina, degustando com os dedos eretos e cerrados, toda a extensão do pêlos pubianos, lábios e a entrada molhada. "Agora engole até o talo e acaba com o papai...!" Ao ouvir as orientações finais de Marcos, Linda Harumi se aprumou em desejos de obedecer para se lançar com muito mais prazer: retirou fios de cabelos que incomodavam a face e foi descendo e subindo, subindo e descendo, vagarosamente articulando movimentos com o cilindro de carne sufocando o aperto dos próprios lábios. " Hum… parece que ficou mais grosso hein?" Agora mais excitada e após cerrar a mão na base encharcada de saliva, laborou movimentos com o corpo nu, ajustando a posição corporal que mais cooperasse com a mecanicidade da sua língua e lábios, principalmente da garganta já desfrutando de gotículas precoces e salgadas, resultado dos estímulos cada vez mais enérgicos no passear descontrolado da outra mão sobre o próprio sexo, pois os dedos operando ritmados com o sugar da voracidade da sua boca, estimulavam brutos prazeres sob a sensibilidade de um clitóris se avolumando de gula carnal, afogado em ânsias, desejoso até os céus dos céus por aqueles breves segundos de gozos que quando alcançaram, a fez desfalecer e tornar uma só entranha com ele.

     “ Que tal um banho juntinhos ? Podemos? ” Sorriam desorientados pelas energias raleadas de minutos outroras, e o piso gelando a sola do pé, agredia chacoalhões matinais conforme eles iam trotando até o registro da ducha. Mas nem tudo se trata só de sexo, carnes esfoladas e suores respingando de corpos eletrizados até a alma. Há um sentimento sim, ou melhor, uma “verdade ainda oculta em sentimentos”  e que é um tanto quanto essencial dentro de um relacionamento que vai se desenvolvendo aos poucos, entremeando as experiências das trocas recíprocas, fortalecendo a conta-gotas todas as bases subjetivas do que no íntimo já deseja ser puro e incondicional. E quando esse processo é genuinamente forjado no espelho da verdade tateando as verdades que mais despontam de dentro do coração, esse jeito de se encarar para se enxergar, vai tecendo  caminhos decididamente compartilhados, enredos mais solidificados, carregados de mais significados se aflorando em cuidados, proteções, carinho curador de feridas, um conjunto de anestésicos psicoemocionais para a epiderme do ser frente ao que, na vida comum de um casal, ainda vai se desenrolar em muitos sequenciais amadurecimentos, até se metamorfosear por completo do rio vertendo o inundar de experientes lágrimas, no que seja o desabrochar do verdadeiro amor. 

    Do nada, “ flagelos do passado ” tornaram a reviver, avultar corpo e carne, sequestrando Linda em uma “ insegurança repentina ” que já deixava seus olhos verdes marejados de lágrimas. “ Dessa vez vai ser diferente! ” Insistia silenciosamente para si em meio aos conflitos; os ossos titubeando o peso do corpo no bambear dos músculos das pernas, as tremuras crescentes fibrilando na boca do estômago, e o peito suado, sufocado na ausência do ar que grotescamente minguava na mente. Tudo junto e eclodindo, elevou a ansiedade de Linda Harumi ao seu estado máximo. Ela buscou alento entre os movimentos, mas não encontrou. 

    “ Está tudo bem? ” Assim, deitada sobre o piso, o antebraço direito sobre o rosto como venda sobre os olhos, ela sofreu acovardada o peso de cada pancada existencial refletida nos pavores angustiosos, nas sequenciais lembranças ruins que cansaram de lhe roubar o sono da noite, nos traumas, nas frustrações, nas desilusões, nos abusos, e no sentimento de abandono que insistia a todo custo acompanhar seus antigos relacionamentos. 
    “Eu sinto que eu sinto excessivamente…” Ela recordou dos diagnósticos da terapeuta, os braços circundando o corpo nu coberto pelo cabelo molhado, enquanto expressava um choro sendo reprimido no intervalar de cada respiração. “ Pelo amor de Deus Linda, me diga o que está acontecendo com você? Foi algo que eu fiz? ” Ali, já sentada no chão, ela encontrou auxílio apenas nos ensinamentos fraternos ouvidos desde a infância pelos pais e tios, nas lembranças das falas solidárias que adentrando madrugada a fora pareciam nunca esgotar os diálogos entre os amigos, nas orações que ouviu na igreja, na Palavra que proferiu na solidão do quarto, nas recordações da paz desfrutada entre as meditações diárias.
    “Eu não fui totalmente sincera com você Marcos…”  Aconchegada sobre a cama, com os braços firmes em abraços dando voltas nos joelhos, Linda Harumi voltava a derramar pequenas lágrimas alinhadas com um sentimento palmilhando cuidadosamente as escolhas das suas palavras, ladeando os suspiros irreprimíveis, margeando as confissões que sofregamente ela revelaria a seguir: “ Me perdoe a maldade que fiz a você Marcos … Eu não deveria ter te envolvido nisso... ” . Confuso e ficando angustiado, Marcos se manifestou: “ Que maldade você fez para mim Linda? Por acaso isso é alguma brincadeira? Putz, realmente não estou entendendo nada…” 

    Limpando as lágrimas com as bordas do roupão, e lutando inutilmente consigo para empoderar o próprio semblante, Linda não pode sintonizar-se com o brilho confuso emitido pelos olhos dele, e aos soluços, confessou aos prantos: “ Sou uma mulher casada Marcos… Sou uma mulher casada…! Me perdoe esta grande maldade! ” Portanto, como ele nunca imaginou vivenciar uma situação como aquela que ela também demonstrou ao longo da noite, ter na alma e no corpo a âncora ancorada nos refrigérios das paixões reavivadas, Marcos Hayashi sem saída, e não tendo outra alternativa, passou a cultivar um silêncio de início ensurdecedor.

    Ainda aos prantos, ela insistia: “ Me perdoe Marcos! Te encontrar foi um tipo de presságio, milagre, sei lá, mas que está sendo um refrigério indescritível pra mim. Meu mundo está desmoronando e não sei o que fazer…” Ela suspirou e prosseguiu: “Ontem a noite brigamos feio, saí sem rumo, perdida, só queria tomar um ar, daí eu te vi e…” Com o rosto cabisbaixo, escolhendo cuidadosamente as frases e picotando palavras julgadas desnecessárias, Linda Harumi demonstrou, apesar do corpo ainda envergado, vestígios de uma coragem crescente que de fato a ajudou a voltar-se para ele e encará-lo nos olhos “ Marcos, por favor, fala alguma coisa…” 

    Após liberar uma golfada de ar, Marcos mantinha seu silêncio enclausurado no corpo nu debruçado sobre as bordas da janela. O rosto se aquecendo rebelde ao sol, a íris se acostumando a luminosidade adentrando o ambiente, e a cabeça sendo sustentada pelo apoio de uma das mãos vacilando o peso da mesma para ambos os lados. Vagarosamente, ele inspirou e respirou sequencialmente respeitando as pausas profundas, profundas pausas ante o absorver do ar denso e gelado parido no encontro dos vendavais noturnos da noite de outrora, com as névoas advindas das montanhas distantes. Acendeu um cigarro e abraçou-se. Na verdade, abraçou-se como nunca antes tinha-se abraçado, e chorou. Conseguinte ao enxugar das lágrimas, mergulhou mergulhos em seus pensamentos mais confusos e, após longos minutos inerte com o olhar mirando o nada diante de si, submergiu do seu mundo interior transbordando de lá, o alívio alentador das inocências que inocentaram a aura já se sentindo generosamente liberta do inundar intrépido de sentimentos esvoaçados. 

    Serenando o semblante agora esvaziado das angústias que o cerraram a face, ele expurgou-se de todas as culpas e, voltando-se a se alimentar de pensamentos carregados de amor, encapsulou-se por completo em auto perdões contínuos que, abrilhantando seu olhar, resguardou a psique que lutara ferozmente para voltar a se equilibrar. Interiormente, Marcos Hayashi, já naquele início de manhã avançada, se anestesiava no horizonte das primeiras movimentações iminentes vindas do comércio iniciando suas atividades, dos passos descompassados dos transeuntes cruzando ruas e calçadas, e enquanto uma brisa suave passeava reconfortos em seu rosto, seus ouvidos antes consumidos naquela rotina vibrando desgastes, adorou todos os sons sobrevindos até a janela, principalmente dos automóveis a transitar velozmente, segundos seguintes a semáforos totalmente esverdeados.
  • A Carta de despedida e alguém que já se foi.

    Sinto que meus dedos estão frios como o gelo. Não consigo respirar, o ar entra mas não preenche os meus pulmões, não completamente. As lembranças assolam uma mente já perturbada, como um beijo do passado, presente e improvável futuro.
    Não é necessário gritar, eles não podem mais ouvir pois nunca tentaram entender.
    Imagens desconexas se passam a todo momento dentro de mim, vontades ocultas durante o dia invadem um corpo frágil e criam a sua pior versão. Os pensamentos voam em direção a liberdade enquanto os pés se contorcem embaixo das cobertas. O suor ainda escorre pelos dedos. Será assim que eles se sentem? Os corajosos. A sensação tão próxima do fim, a vulnerabilidade da inconstância…
    Um passo.
    Um sinal.
    Um último gole para aliviar a dor.
    O que não nos contam é que no fim, nada importa.
    Os pulmões não precisam mais de ar quando a vida sai pelo seu peito e liberta sua essência.
    Não existe agonia ou arrependimento, apenas uma casca vazia e um último adeus deixado para trás.

     

  • A Carta Gelada

    Às oito e meia da noite, em um sábado, eu estava sentado no sofá, assistindo a um filme, e com um tigela de cereal ao leite sobreposta ao meu colo. O estado de profunda concentração me pungia naquele momento, e meus olhos acompanhava inflexivelmente os movimentos surreais de um serial killer prestes a desligar mais uma vida. Nesse momento, eu ouço um batuque que não fora oriundo da TV, e que aos poucos se repetia ritmadamente. Após alguns segundos guiando a minha audição, percebo que era alguém batendo na minha porta. Confesso que senti um arrepio nas espinhas, e que quando percebi do que se tratava, acabei derrubando a tigela e molhando o tapete. Desdenhei o meu deslize e fui apressadamente até a porta. Receoso em falar algo, olhei pelo olho-mágico, só que esse estava quebrado. Não encontrei palavras no momento, e minha tensão estava aumentando feneticamente. O batuque não parava de se repetir. E eu resolvi interrogar: 
    —Quem é ? 
    O barulho cessou, e o silêncio reinou. Senti um choque profundo, um sensação de taquicardia apertada, um gosto de sangue. Era a sensação de temor misturada com perplexidade. Eu resolvi, perguntar novamente: 
    — Quem é que está aí? 
    E nada a não ser o grito melancólico do silêncio, um som abafado e chiado ao meu ouvi. Neste momento, inquirições estavam se chocando contra minha pisque. Quem será que está uma hora dessa batucando a minha porta? Se fosse algum conhecido, certamente, me ligaria ou então, falaria. Posto isso, resolvi dar de ombros, aliviando a minha mente com a ideia de alguém ter errado de localidade devido à embriaguez ou algo do tipo. 
    Fui até a geladeira, pensei em pegar um suco, mas achei melhor uma cerveja para aliviar a tensão. O chão da sala estava todo lambuzado, e minha janta já não me pertencia mais. Perdi a fome, por mais que o fastidioso despejamento de adrenalina no meu sangue tivesse gastado energia, o medo incutido momentaneamente perfez-me a omitir o desejo por comida. Eu não tive a menor intensão de limpar a sujeira. Perdi a vontade de terminar o filme. Na verdade, não perdi a vontade, apenas, cenas de suspense e insanidades são iriam acalmar meus ânimos. 
    Liguei o toca disco, coloquei uma música animada, repousei meus ossos sobre o sofá e, assim, resolvi abrir a cerveja. 
    —TOC. TOC. TOC... 
    O batuque voltou e desta vez mais agressivo. Nem sequer abri a cerveja. Tive um susto mais avassalador do que antes. E desta vez, senti que algo ruim iria acontecer. Preconizei-me a ligar para polícia. Pedi urgência na ocorrência, e fui aconselhado de evitar ficar perto da porta. Subi apressadamente às escadas e, assim sendo, resolvi me trancar no quarto, e ocupar-me a atentar aos batuques. Cada batuque, cada segundo, estava exaurindo a minha sanidade. Eu não estava aguentando mais. Era uma pressão aterradoramente cruel. Estava com a visão vertiginosa, e uma tontura me eivou. Senti calafrios. Não era mais nervosismo, era o medo que me possuíra. Eu escutei um estrondo, e ademais, seguiu-se apenas o som da música de vinil que tocava lá em baixo. Presumi que entraram na casa. Não sabia o que fazer. Pensei que era melhor pular da janela. Forcejei sem resultados, a embotada ferragem, que impedia a minha fuga. Maldita hora em que troquei o ar fresco pelo ar condicionado. 
    Passei um tempo, procurando algo para quebrar a janela. Nada. Essa palavra resumiu meus esforços. Peguei meu sapato, e agredi impiedosamente a janela, e essa parecia rir da minha cara. Nem um arranhão. Foi quando eu tomei a decisão mais tresloucada da minha vida: choquei-me com toda a angústia e frustração do momento contra a estorva. Uma certeza eu tinha: ou eu acabo com ela, ou ela me acaba. Contudo, sai vitorioso entre aspas, pois, embora eu tivesse fragmentado o vidro em imensuráveis cacos, os cacos dilaceram-me em cortes excruciantes. E ainda, uma queda do primeiro andar me fez sentir como a gravidade me ama. 
    Quando eu caí lá fora, me escondi em umas árvores. A penumbra dava arrepios. A única luz que tinha era a luz de um poste próximo a minha casa. Eu estava às espreitas tentando vislumbrar quem batia na minha porta. Ninguém? fiquei sem entender. Ninguém estava batendo na minha porta. Eu me levantei e fiquei surpreso. Circundei a minha visão em trezentos e sessenta graus e não avistei nada. Apenas uma coruja crocitava em um rododendro ao lado da minha casa. Senti uma gélida friagem acariciando a minha face. Resolvi sair dos arbustos e encaminhar até minha casa. Por garantia resolvi caminhar em derredor a casa para se certificar de que ninguém além de mim estava ali. Quando fui até a porta, eu me perguntei: cadê a chave? Realmente me lasquei. Pensei em forcejar a porta. E nada. A porta por mais velha que fosse, era bastante resistente. Tentei subir pela fachada na frente. Só que não obtive sucesso. Quando retornei a pontapear a porta, a polícia acaba de chegar. Eu pensei, até que fim. A polícia mandou eu colocar a mão na cabeça. Eu clamei dizendo eu sou o dono da casa. Não sou criminoso! Os agentes insistiram com a arma apontada. Eu disse eu me recuso a ser preso. Levei um choque e acabei sendo prezo. 
    No caminho até a delegacia, eu expliquei todo o ocorrido e eles não comentaram nada. Na delegacia, fui questionado várias vezes. Estava exausto, abatido, machucado e, dessa vez, faminto. Contei até onde pude. Disse que foi um tremendo engano. E no dia seguinte fui liberado, realmente constava no sistema o meu nome como proprietário. 
    Caminhei desconsoladamente, fixando meu olhar no chão. Mergulhei num estado de profunda introspecção. Estava com raiva e deveras frustrado. Pensei, será que sou doido? Será que estou vendo coisas? Essas reflexões infindáveis foram vertidas em remorso ao ver a porta da minha casa aberta. Roubaram minha televisão, meu toca disco, minhas cervejas, vários pertences. E eu estava fumegando de raiva. Não só tinha perdido a noite, como também várias coisas; até a minha dignidade. 
    Tentei acalmar meus ânimos. Esforço em vão. Então achei melhor arrumar a bagunça, pois só o tempo iria mudar meu humor. Vasculhei na geladeira algo para comer e, misteriosamente, encontrei uma carta dentro do congelador. Estava petrificada, parecia que estava ali a muito tempo. Caramba, que maneira fria de me entregar uma carta. Abri a carta, e tive a maior surpresa da minha vida: 
    "Feliz aniversário." 
    Era o que estava escrito. Foi quando eu me dei conta de que era o dia do meu aniversário. Um dia que começava bastante angustiante. E essa carta só me trouxe raiva. Que se dane o aniversário. Estava muito mais preocupado com minhas coisas perdidas do que com essa carta infame. 
    À tarde, comemorei meu aniversário comendo um sanduíche com suco, e depois, fiquei sem fazer nada. Sem TV, sem música, sem cerveja, e, acima de tudo, com as feridas latejando. Sem dúvidas, o pior aniversário da minha vida. Às seis horas da noite, estava quase dormindo, quando alguém bate em minha porta. Eu me levantei exasperado e fui até a cozinha, peguei uma faca e um bastão de massas, e resolvi abrir a porta sem delongas. Tive um grande choque. Quem batia na minha porta não era criminoso, nem era ladrão. Era simplesmente um bêbado que errou de casa e me pediu desculpas. Não sabia se ria ou se chorava. 
    No dia seguinte, às noves da manhã, decidi ir ao mercado. Quando abri a porta para sair, e ia saindo, acabei pisando em alguma coisa. Foi então que vi que era uma flor, só que abaixo dela tinha uma carta. Olhei de um lado para o outro, não avistei ninguém. Peguei a flor e a cheirei. Que aroma inigualável. Olhei a carta, muito velha a princípio, e a abri. Li recitando-a em voz alta. 
    Meu Deus! Comecei a chorar e não acreditei no que via e no que escutava. Senti um arrepio profundo. A carta datava 4 anos atrás e dizia: 
    " Hoje, meu filho, é o dia em que você completa mais um ano de vida e eu quero lhe dizer que mesmo antes de você nascer eu já o amava. Quando você nasceu foi uma alegria imensa, tanto para mim como para todos os que o rodeavam. Você cresceu, e se tornou este grande homem que és. Nunca deixe que os problemas da vida afetem seu vigor. Viva a vida. Seja feliz! E nunca se esqueça da sua mãe. Venha me visitar quando puder. Eu estou com saudades. 
    Te amo filho. 
    Da sua Mãe, Regina! 
    09/11/1984 " 
    Eu fiquei muito perplexo. Minha mãe morreu exatamente a quatro anos atrás. E esta carta estava datada no dia do meu aniversário. Quem será que me enviou esta carta? Pensei que foi o correio que tinha enviado em virtude de atrasos. Mas que atraso! 
    Fui até o correio procurar saber se entregaram algum lote de cartas extraviadas ou algo do tipo. A minha busca confirmou a minha hipótese. Realmente teve um lote fora extraviado a muito tempo. Depois de anos de investigação e processos judiciais, o correio teve que reentregar o máximo possível do lote. Eu fiquei extasiado. Quanta consciência! Ainda estava com dúvidas, se realmente foi o correio que me enviou ou foi outra pessoa que me enviara. Talvez alguém da família. Mas que família? Não tive contato a anos, embora soubesse algumas localidades. Eu acho que ninguém iria ligar para o meu aniversário. Mas e a flor? como foi parar lá? 
    Alguns questionamentos foram levados fixamente durante o percurso de volta a casa. Quando eu cheguei, pela primeira vez, vi uma coisa tão obvia, que de tão obvia acabava não sendo vista. Ao lado da porta tinha uma roseira florida e que nunca me dei conta de apreciar a sua beleza. E assim deduzi que provavelmente a carta, pelo fato de não ter caixa de correio, até porque nunca precisei, fora colocada por baixo da minha porta, e logo, o vento poderia ter puxado a carta para baixo e, inusitadamente, derrubado uma flor da roseira. Que vento! Uma explicação racional mas com pitadas surreais. Ironia do destino ou obra do acaso? Fiquei muito intrigado, até porque, quem colocara aquela outra carta no congelador. Talvez em um aniversário atrás, eu estivesse recebido uma carta e em virtude de embriaguez ou cansaço, acabei fazendo algo sem consciência do ato. Mas tudo como se desmembrou foi algo inacreditável para mim. E, portanto, pesou profundamente nos conselhos que minha mãe me deu. Decidi reavaliar meus atos. Prestar mais atenção nas coisas simples. 
    Eu vivia uma ironia curiosa, quanto mais detestava a vida, mais temia a morte. Desde que eu perdi minha mãe, solidão foi sempre companheira. Eu estava em uma ilusão profunda. Eu via o dia e não a luz sol. Eu via a noite e não o luar. Eu via a terra, mas não via as flores. Eu via os frutos, mas não via os sabores. 
    Pode não ter sido o melhor aniversário que tive, mas sem dúvidas será o aniversário mais inescurecível. Eu sempre fui medíocre, conformista e sem virtudes. Sempre receei a loucura. Mas estava muito enganado, ser louco é uma virtude que poucos alcançam e muitos temem. Decidi então, viver como ninguém viveu, sonhar como ninguém sonhou, ser o que ninguém foi: simplesmente, ser alguém original.
  • A morte do eu

    “After a year in therapy, my psychiatrist said to me: ‘maybe life isn’t for everyone’.” 
    O inferno está vazio e todos os demônios estão na minha cabeça. Conjecturo vozes que, no desabrochar da vigília, anunciam-me um transtorno psicótico. Hoje eu tranco o curso, tranco a vida. Cheguei a vasculhar, um dia, a possibilidade do suicídio ser apenas o enterro, mas não a morte em si; todavia, certifico-me, nessa náusea amorfa, que a angústia se infiltra na teia neurossucumbidora antes de incinerarmos a nós mesmos. Conto os dias, odiando o teísmo onipotente, para encontrar o que acredito ser minha alforria: o psiquiatra. Há de ser minha muleta metafísica. Dispneia. Se enlouquecer-me novamente, tenho clonazepam. Vinte gotas; vinte e sete, se precisar. Alivio-me com esse meu novo deus volátil. 
    Sento-me à beira da cama; meus pés desmaiam sobre o chão. Penumbra. Nada me daria mais prazer do que nunca ter de acordar novamente. Sinto na alma a enfadonha arte de vestir-se. Fico apreensivo com minha sanidade dúbia diante das aulas anavalhadas que vagarei hoje. Degusto o Escitalopram com um café áspero. Lembro – fitando um eterno nada – a face sem sentença da minha psicanalista, e esbravejo-me; quero que suba no telhado e grite quem sou eu, pois já me foge essa concepção. Deposito o frasco de benzodiazepínico no bolso; esqueço o celular em casa. 
    Ao longo dos sertões da manhã, o medo do pânico se empodera como um fascista. Claustrofobia. Perscruto que na selva da minha psique não reino como Zumbi Dandara, mas apenas sou uma marionete do caos. Convenço-me da morte iminente: seja por um edema de glote, seja por um cataclismo pneumológico. Vendaval de sinapses. Minha mitral esperneia-se, regurgita-se, fibrila-se; almejo fugir-me; visto a entropia desajustada; balbucio uma filosofia sórdida. Subunidade beta da Proteína G, Guanosina Difosfato Inativa, Adenilato Ciclase: importantíssimo para vocês, futuros médicos. Cronograma de Caim. Quinquilharia. Pandemônio.
    Comprei uma aliança para essa miséria de vida, mas não prometo a monogamia – resmungo ao asilo que concerne minha consciência. Permuto as desvantagens e vantagens de ser um amontoado de átomos; aquelas me logram. Perambulariam como os nômades que nutrem sentimentos por mim? Por mais que sejam escassos, não me ousa denegrir a árvore-mãe que doou suas raízes à fruta empobrecida de alma. Aproveito o anticlímax dessa patologia arruaceira para ler o DSM: tenho todas as anarquias possíveis: transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão, desconexão com o divino, apatriotismo sem-terra. 
    Como um cadáver maquiado, encargo-me da polidez pós-morte: metáfora para os primórdios da tarde. Sobre o alcoolismo: eternizara – não que deguste a ideia, porém era a morfina que varria minhas esquinas neurais; era, senão, o hospício que tratava meu cansaço insuportável de gente. Olho-me: identifico em cada dobramento da minha organogênese os assassinos da minha jornada. A tarde, porém, caminha de forma taciturna; enrosca nos galhos, tropeça nas ironias machadianas, vivencia a chaga de Édipo, mas caminha. Adentro um elevador eremita: coercitivamente controlo a respiração: minhas cavernas pulmonares ecoam desespero.
    Palmilhando os arredores do abismo, pondero em relação ao futuro notívago: ou a insônia reluzirá novamente ou uma bala perfundirá meu encéfalo – entrará por um ouvido e sairá no outro, nada menos. Sinto meus passos derradeiros nesse morro cascalhado. Cairá sequer uma lágrima desse meu rosto surrado diante da morte de meu pai? Meu recinto ainda tem o cheiro de vazio. Insisto em deleitar-me na água que escorre do chuveiro, mas em vão. Pressuponho que dentro da gaiola do meu peito habite um pássaro que almeja voar, todavia se debate nas grades costais, depena-se e desiste da vida. Perfumo o ar com sobriedade: irrita-me o anseio acalentador das pessoas. Recebo, ainda que caquético, no toante dessa noite, uma visita: meu humor sacoleja como um cão solto na praia. Lê-me: você parece ótimo. Não se esqueça, minha cara, que os buquês, por mais que sejam sorridentes e carinhosos, são feitos de flores mortas. 
  • A paixão como eterno crime culposo

    Poucos livros conseguiram abordar as relações conflituosas no casamento como A Guerra Conjugal, do escritor curitibano Dalton Trevisan. Os contos reproduzem os papéis e o psicológico de muitos casais. Com objetividade, humor negro e uso de metáforas, seus textos transmitem uma valoração naturalista da união entre homem e mulher.
                Em todos os contos, dois personagens se fazem presentes, João e Maria, por si só uma ironia do autor, pois nos remetem a famosa história dos Irmãos Grimms. Lembrando o Star System usado em obras de mangá, como as de Osamu Tezuka. Assim a visão do leitor se volta para as ações dos personagens e a influência do meio em que vivem. Isso foi essencial para que sua narração direta não ficasse vaga durante a leitura.
                Sua narrativa sintética não impediu a construção de personagens redondos, algo bastante difícil numa narrativa tão árida. O casal onipresente, ao longo dos diversos contos apresenta inúmeras facetas. Em algumas histórias João é um homem passivo com os atos de Maria, seja na infidelidade ou sendo violentado pela mesma. Em outras ele é o carrasco, trata Maria com indiferença, torturando-a ou a trai com um amante.
                Maria por sua vez, vai de uma dominadora até uma escrava sexual. Muitas vezes a esposa usa dos seus dotes físicos para obter do marido ganhos materiais, ou exceder na lascívia e ser perdoada. Em alguns contos, no entanto, Maria sofre horrores ao se casar com João. Os fetiches do cônjuge ferem não apenas o corpo de Maria, mas também o seu orgulho, ao ponto de em uma das histórias, João colocar o amante para viver sobre o mesmo teto.
                Outros personagens constantes em todo o livro são os filhos. Apresentam-se sempre como vítimas do malfadado casamento entre João e Maria. As famílias crescem desestruturadas. Se o casal ganha em algum aspecto, os filhos saem perdendo, tanto na saúde, paz, lazer etc.
                João e Maria constituem o arquétipo de casamento feliz que inexiste por vários motivos apresentados no livro: As paixões e o instinto sempre acabam interferindo na união conjugal, o casamento formado por interesses materiais impedem qualquer desenvolvimento sentimental, a idealização do casamento encobre as motivações dos conjugues, o casamento também é feito de conflitos. Muitos outros motivos são apresentados no decorrer do livro, o que acaba tornando as situações absurdas, porém reais.
                Sua experiência como advogado deve ter ajudado a formar os cenários dos contos, muitos deles lembram o gênero policial, os finais sempre imprevisíveis e abruptos deixam o leitor desconcertado. A escrita rica de Dalton Trevisan impressiona pelos artifícios que usa nos seus textos, por exemplo, o gore em alguns contos deixam as suas histórias bastante sombrias. A dependência física de alguns personagens sejam eles João ou Maria, dá o parecer de que a paixão é uma droga, e o casamento um ritual para o seu uso.
                Com a falta de descrição dos personagens, pois são tão comuns que mesmo o leitor (a) poderia ser um deles (as), o que nos resta é nos atentar ao cenário. Por vezes a imundície dos antros, e mesmo nos personagens, é o que mais impressiona. Ficamos sem entender porque homens tão asquerosos acabam seduzindo as belas Marias? E horrorosas mulheres os valorosos João? Talvez a resposta esteja na imposição do casamento pela moral vigente.
                Algo notável nos escritos de A Guerra Conjugal é o uso de metáforas seja para encobrir ou codificar conteúdo erótico, tornando as passagens por vezes fantasiosas e em outras até poéticas. Vide o seguinte trecho do conto Quarto de Horrores: “Em pé na cama, inteiramente despido, João soprava a flautinha de bamba... Olhos vidrados, descobertas as vergonhas, girava à sua roda, ora aos pulos, ora de cócoras...”; outro conto com uma bela metáfora é A Normalista: “Sobre a cabeceira a imagem da santa e ali na cômoda a manada de elefantes vermelhos do bem grande ao menor, sempre de trombas para a parede...”. O foco da narrativa é o psicológico dos personagens que são transmitidos através das suas ações nem sempre louváveis. A um clima de demência nas relações “afetuosas” dos personagens que lembram o filme Psicose.
                Outra consideração a sua precisa narrativa é o uso de elementos sensoriais. Chegam a se tornar sensitiva as coisas simples do dia a dia como o amargo do café, o frio do sereno, o penacho de um cardeal ganha não apenas forma, mas total sensibilidade através das palavras de Dalton. Para histórias tão conflituosas, esse uso de elementos sensoriais acaba por diminuir o clima pesado da narrativa.
                A Guerra Conjugal mostrou que o casamento não passa de uma idealização extravagante de uma moral piegas. Nos contos do livro ninguém consegue se realizar na instituição falida que se tornou o casamento, seja ele civil, no religioso ou as uniões estáveis. Muito disso devido à interferência de outrem, e do que cada João e Maria espera receber, e não doar em prol do outro.
  • A solidão me remete paz.

    Eu posso me acostumar com sua presença, mas eu prefiro ficar só. É meu espaço, e eu não gosto de visitantes. Eu sou tão acostumada com a ausência de pessoas que eu nem sinto falta. Não sinto falta de algo que eu sempre tive, solidão. Não acho a solidão tão ruim quanto todo mundo, eu até gosto. Eu gosto de me ter por inteira e não por partes, precisei ficar só para conseguir me amar e notar que eu só tenho, que eu só posso contar com uma pessoa na minha vida. Eu.
  • A vida de uma Pimenta

    Comer a mais no café se tornou rotina. É uma maneira de evitar o contato prolongado com quem eu mais amava: meu pai.
      Depois do meu pedido de ajuda, a vida se virou de ponta cabeça. Depois do meu suicídio mal sucedido, minha cabeça começou a trabalhar num escritório e ter que ler vários artigos por dia.
      Bom, vamos ao ponto. A verdade é que sou depressiva bipolar e fóbica social. Mas a vida não tão difícil quanto pode ter passado em sua mente. Sou bem aberta à recepcionar pessoas e ouví-las. Só entro em pânico quando tenho que ir ao shopping. A vida só ficou complicada mesmo quando meus pais decidiram que eu não podia mais ficar sozinha. Isso mesmo. 24 horas por dia, vigiada. Além disso, comecei a ter o senso de que meu pai estava se aproveitando de nós, minhas irmãs e eu, para fazer tudo na casa, enquanto ele se sentava ao sofá. Sabe aquela VELHA história de que o homem trabalha fora de casa e a mulher dentro? Pois é, acontece aqui. E foi assim que as brigas começaram; que a distância se tornou refúgio e que eu comecei a perder o senso.
      Quero contar essa história do início. Mas é uma LON______GA história. Então, se você quiser/puder ficar, conto tudo direitinho....
  • Acefalia aguda

               Muitos adolescentes brasileiros nascidos na primeira década deste século, e outros tantos jovens adultos da década de 90, se portam como verdadeiros doutores em História e Ciência Política. Pseudocríticos baseando suas vagas opiniões em velhos preconceitos, medos sepultados já há muito tempo e memórias deturpadas por pessoas que nem sequer puderam estudar História. Sem fundamentos empíricos e teóricos, não há História.
                Essa História, ciência da reconstrução do passado através dos vestígios deixados pelo homem no tempo e no espaço, é diferente da história, sucessão de eventos humanos em ordem cronológica e assimilável. O infante — geralmente aquele que filava as aulas de humanas, por considerarem-nas muito chatas ou irrelevantes para a formação profissional —, não saberá defini-la, pois não tem formação na área.
                Não saberá dizer também: Como se deu a conjuntura político-econômico de 1964? O que é uma Ditadura Militar? O que é um golpe de Estado? Como o Tenentismo contribuiu para a formação do “Superleviatã”? Qual o papel da extrema-esquerda na radicalização nas alas golpistas? Você já leu os atos adicionais e institucionais promulgadas pelo Executivo centralizador? O que é um político biônico? Etc.
                Você, que provavelmente deixará um ataque nos comentários desse texto e não uma crítica racional, não tem formação na área de História ou qualquer das Ciências Humanas. Não leu nem sequer um livro de História do começo ao fim e não viveu entre 1964 e 1985.
                Você caro leitor(a), provavelmente não viveu num período onde o salário diminuía na mesma proporção em que banqueiros enriqueciam com empréstimos bilionários com dívidas internas e externas. À censura. Uma época onde democracia se resumia a um bipartidarismo forçado onde o governo controlava ambos os partidos, seja com ideologia ou o braço forte da lei. A inflação galopante que elevava o preço dos alimentos. A precarização e privatização do ensino com a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Onde homossexuais não podiam servir ao Exército, considerados doentes mentais. Época em que prisões arbitrárias, sem amparo legal tinham o aval do Estado. Onde assassinos são heróis. Golpistas democratas. Submissos das potências estrangeiras patriotas. Um tempo e que tortura era política pública e terrorismo de Estado ação de legalidade constituinte. Você, é um mero produto desse período.
                Antes que venham as acusações, eu não sou filiado a partido político. Não sou sindicalista. Não milito em quaisquer ONGs. Nem pratico esportes radicais!
                Minha legitimidade para falar de Ditadura Militar? Bem, digamos que sou graduando em História. Tenho mais legitimidade do que você, ou um youtuber, um blogueiro, qualquer influencer ou “personalidade da mídia”. E o melhor de tudo, meu argumento se fundamenta em princípios teóricos e empíricos, de pessoas que estudaram décadas para chegar à conclusão de suas pesquisas, sejam elas quais forem.
                Mais que uma crítica, lanço aqui um desabafo. Eu tenho muita vergonha de pertencer a uma geração que tem como único objetivo viver em alucinado egotismo. Pessoas que tem como única preocupação adquirir curtidas de pessoas tão acéfalas quanto aqueles que postam fotos entupidas de Photoshop. Crianças mimadas carentes de atenção.
                Sinto nojo de uma nação que escolheu candidatos conservadores, que acusam os próximos dos crimes que eles mesmos praticam nas surdinas como os bons hipócritas que o são. De um país que trocou o seu desenvolvimento para ver o seu processo de conquista ruir como um castelo de cartas marcadas. Uma pátria que tem como único objetivo devorar os seus sonhos de seus filhos e filhas. Se incitar o ódio de héteros contra LGBT+, de homens contra mulheres, de jovens contra adultos, de sulistas contra nortistas, de brancos contra negros... de brasileiros contra brasileiros.
    Vou deixar aqui referências o suficiente para aqueles que cultivam a ignorância, amorteça o seu despreparo perante a realidade:
    LEI Nº 4.024, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html>  acesso dia 26/03/2019 às 23:29 Hrs
    LEI Nº 5.692, DE 11 DE AGOSTO DE 1971
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html>   acesso dia 26/03/2019 às 23:40 Hrs
    Reforma tornou ensino profissional obrigatório em 1971
    Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/03/03/reforma-do-ensino-medio-fracassou-na-ditadura>    acesso dia 26/03/2019 às 23:48 Hrs
    Os currículos de História e Estudos Sociais nos anos 70: entre a formação dos professores e a atuação na escola
    Disponível em: <http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Elaine%20Louren%E7o.pdf > acesso em 26/03/2019 às 00:02 Hrs
    "O desafio de ensinar História durante o regime militar"
    Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/o-desafio-de-ensinar-historia-durante-o-regime-militar-ehc3qh8l0viwed9l42wawrz9q/>  acesso dia 27/03/2019 às 11:25 Hrs
    OS ESTUDOS SOCIAIS E A REFORMA DE ENSINO DE 1º E 2º GRAUS: A “DOUTRINA DO NÚCLEO COMUM”
    Disponível em: <http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1439700335_ARQUIVO_OSESTUDOSSOCIAISEAREFORMADEENSINODE1E2GRAUS.pdf> acesso dia 27/03/2019 às 11:43 Hrs
    Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/documents/186968/485895/Estudos+sociais+no+1%C2%BA+grau/4e96a598-50ec-491d-ab72-4ce2c50a9f3d?version=1.3> acesso dia 27/03/2019 às 12:00 Hrs
    Decreto nº 66.600, de 20 de Maio de 1970
    Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/decreto-66600-20-maio-1970-408046-publicacaooriginal-1-pe.html> acesso dia 27/03/2019 às 12:07 Hrs
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    JOSÉ, Emiliano; MIRANDA, Oldack. Lamarca: o capitão da guerrilha. São Paulo: Global, 2004.
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    _____. Ditadura e democracia no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
  • Agora ela

    Ela era profunda como o oceano
    Perdida em mil planos
    Não sabia concluir
    Mas sabia sorrir
    Não entendia como o mundo vivia
    De conexões rasas 
    Que mudavam da noite pro dia
    Ela não queria ter isso
    E sabia que era quase impossível
    Achar alguém que quisesse a mesma coisa
    Então abraçou a solidão
    E criou o amor próprio
    Assumiu sua tristeza que voltava e partia
    E entendeu que ninguém iria
    Faze-la feliz a não ser ela mesma
    Talvez se encontre em si própria
    E tudo volte a ser leve novamente
    Em sua mente doente
  • Alma Perdida

    Ela era uma prostituta. Mas não era uma prostituta qualquer, nela havia algo especial. Cercada de tristeza e dor, seu corpo possuía tons curiosos.
    Carmen, filha de João e Maria, cresceu ouvindo que o mundo era vazio, um lugar sem esperança. Quando criança, tentava de todas as formas agradar os pais que trabalhavam dia e noite para poder colocar o pão na mesa, chegavam cansados e só verificavam se Carmen estava viva, não prestando atenção acima da mesa: ‘’Papai,Mamãe. Eu não sei muito sobre vocês, contudo isso é uma das consequências da vida que fomos destinados a ter, porém amo vocês do mesmo jeito que qualquer outra filha amaria.”
    Aos 16 anos, os pais de Carmen morreram e a adolescente foi morar com o único parente que tinha, seu tio. Era uma casa fria, sem cor. Todas as noites, ela chorava baixinho, no canto do quarto, implorando para sentir alguma coisa: felicidade, tristeza, raiva... Algo que mostrasse que ela ainda estava viva e não somente sobrevivendo. Seu tio, uma pessoa amarga, chegava bêbado em casa todos os dias e, naquela noite, ele escutou um murmúrio vindo do quarto. Alguém chorava. Uma alma perdida pedindo socorro. ‘’Eu vou te dar um motivo para sentir algo.’’, disse, puxando a cinta e espancando a jovem Carmen.
    E naquela madrugada, ela de fato sentiu algo: repulsa. De si mesma. Olhava para os hematomas e as lágrimas não faziam seu caminho pela bochecha mais, era uma dor mais profunda. Julgou que a melhor forma de acabar com aquilo era fugir e assim fez, saindo sem rumo. Vagou pelas ruas, somente o tempo conseguiria cura-lá.
    Passaram- se anos, Carmen se encontrava no banheiro do posto, enquanto passava o batom tão vermelho quanto seu próprio sangue, um sorriso falho no canto dos lábios. No relógio marcava 00:00, deu um passo para o lado de fora, sentindo o vento frio contra sua pele pálida. Mais uma noite de trabalho.
    Uma mulher diferente de todas as outras, parada no ponto, vendendo aquilo que sempre desejou ter, o puro amor.
  • Amigo Estresse

    Olá, vossa majestade!
    Não chegaste muito cedo?
    Não irá embora tão tarde?
    Tuas visitas, outrora,
    trouxeram caos.
    Porém elas são o que sou
    verdadeiramente.
    Sempre quando tu vem,
    conheço-me gradualmente.
    Minhas artérias entram em euforia,
    a respiração fica ofegante.
    Se tu és uma característica marcante,
    não podia ser de alegria?
    Queria que meu coração pulsasse
    somente por nostalgia,
    não taquicardia.
    Estou desenvolvendo arritmia?
    E essas doenças um dia me mataria?
    Tu vens em tempestade,
    mudando o azul de cor.
    Vou em silêncio, tentando trocar
    o ódio por amor.
    Tu és amigo, ou inimigo?
    Queres brincar, ou acabar comigo?
    Tua cor e teus olhos, teu jeito
    sei de có.
    Se gosta de mim, não me faça
    destruir tudo ao redor.
    Preocupante, eu diria...
    Queria expulsá-lo, mas tu vem
    escondido dia após dia.
    Pela manhã, tarde, noite
    ou pela madru.
    Afinal, quem és tu, querido amigo?
    Quem és tu?
    Te chamam de "Pecado da Ira"
    e "Mandamento do Amor".
    Se tem mais personalidades,
    sejam bem vindas, por favor!
    Transforma-as em peças de xadrez...
    Mas não me abrasse hoje,
    só por uma vez!
    Quero tranquilidade, a calmaria.
    Sem almejar algo para arremessar,
    ou a ira despertar.
    Amigo estresse, por um dia,
    não vem me visitar!
  • Amor não é arte

    Amor não é arte 
    Amor é triunfo 
    Amor não é parte 
    Amor é conjunto 

    O amor é desejo 
    O amor é brio 
    O amor é apego 
    O amor é cio 

    O amor é luz 
    O amor é escuro 
    O amor conduz 

    O amor é puro 
    E o amor é induz: 
    A algo maduro
  • Ando lendo muitos livros ultimamente

    Uma árvore pega fogo
    E
    Dois párias se matam em um bar enquanto eu leio um livro
    Nada acontece pelas próximas duas páginas
    Mesmo assim me convenço que não é a aposta que torna a vida suportável
    Um gato é atropelado
    E vento solar atinge o polo norte criando uma aurora boreal
    Nada acontece na próxima página
    Mudo a posição das pernas, é tudo que eu faço
    Agora estão esticadas


    As pessoas caminham e tentam não pisar nas minhas pernas
    Enquanto isso uma mãe golfinho dá à luz pela primeira vez
    E algum artista cria uma música lendária que nunca será gravada
    Estamos perto de descobrir quem é o assassino
    Viro mais uma página
    O sinal bate
    Mais uma geleira se parte formando um iceberg
    O livro acaba
    Olho para o teto e penso
    Que seres ridículos nós somos
    Um velho morre na Pensilvânia
    Fecho os olhos e seguro um grito de agonia.
     
  • Antecedente da cicatrização

    Como quando a orelha inflama porque o brinco estava um pouco sujo; ou quando colamos o curativo adesivo que fixa na pele de modo a puxar todos os pelos na hora de sair.
    Mesmo sabendo que no fim iria doer, provoquei. Botei o brinco pra inflamar, colei o curativo pra fazer doer. Queria viver aquilo, nem se fosse por míseros segundos, minutos, horas, dias. Nem sei mais quanto tempo passei imersa naquela banheira de espumas.
    Corria cada vez mais só pra vê-la. Queria era socorro, socorro da própria situação. Socorro de mim mesma. Mas por mais rápido que eu o fizesse, não a alcançava. Dormia sem conseguir descansar. Não sabia como evitar, como não sentir. Era, humanamente, impossível fechar o peito para aquela que, outrora, me visitava com flores e com pele macia a me acariciar.
    Deitada sobre seu peito sentia que a perdia. Procurava sua mão. Meus dedos se entrelaçavam nos dela, mas os dela no meu. Ficava ali parada até o momento em que escorria pelo meu corpo. Indo embora sem dizer adeus.
    Enquanto eu souber que a ferida não será fechada por completo, vou levando. Empurrando com o resto de forças que sobrara do restante da minha alma, que jorrava água escura, afim de fugir do precipício que eu mesma criara.
  • Apenas um sonho

    Descobri meu refúgio em você
    Vivemos o melhor que a vida tem,juntos
    Contra todos,vencemos
    Mas,onde você foi?

    Sinto que não posso te encontrar
    E a solidão aumenta a cada segundo
    Lembro de cada sorriso seu
    Não pode ter ido embora

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar

    Nosso amor não se perdeu
    Quero cada segundo da minha vida com você
    Só te encontro nos retratos
    A sua espera a toda hora

    Minha vida virou uma escuridão
    Talvez ainda exista no meu sonhos os seus sorrisos
    Não posso ter te perdido

    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
    Foi tudo apenas um sonho?
    Não posso acreditar
  • Apogeu

    Somos todos compostos de rachaduras,
    Profundas, permeáveis, constantes. 
    Somos a chegada em outubro, a despedida em fevereiro,
    Sem avisos, mediações, atos. 
    Somos a estrutura remanescente que se despedaça, corrói e despenca. 
    Somos auditórios vazios e assombrados por fantasmas,
    Melancólicos, cansados, voláteis. 
    Talvez eu só saiba escrever poemas em guardanapos e você talvez só saiba ler eles quando colados na sua geladeira. 
    Entregas, intensidades e fios que escorrem dos dedos. 
    Eu prendi a linha em meu mindinho, mas não cobrei a responsabilidade de tu fazer o mesmo. Seria desumano, seria desleal,
    Do mesmo modo que os nós emaranhados se acumulavam no teu peito "desprendido, desconstruído". Todos somos resumidos por traumas, passado, expectativa,
    O ato não feito, o olhar dolorido, a palavra não dita.
    (Minha intuição é boa, mas eu deveria praticar mais a telepatia)
    Somos as paranóias que mantemos debaixo da cama,
    O sentimento engolido, a acidez que mata as borboletas no estômago. 
    Somos os ventos frios, o gosto do novo que se torna rotina, a presença inusitada no dia agitado, o Sol aquarelando as nuvens. 
    Do meu olho para o teu. 
    Onde quer que esteja. 
    Somos o verão,
    Quente, laranja, de planetas de fogo. 
    Mas também somos o inverno,
    Frio, distantes, de montanhas esquecidas. 
    Há mais alguns guardanapos abaixo de meus dedos. Não vão ser deixados em tua geladeira e muito menos em teu balcão. 
    Não naquele onde jogou tuas migalhas esperando que preenchessem minha caixa torácica. 
    Elas não eram nem suficientes para meu estômago. 
    Desejo bons batimentos cardíacos à você! 
    Somos feitos da mesma matéria, 
    Física, emocional, etérica. 
    Somos feitos das manifestações que em nosso corpo permitimos. 
    Permitir, permitir-se, além das dobras moleculares, do lógico, do controle que escapa dos teus dedos. 
    Somos feitos de quantas vezes morremos por algo, 
    Renascemos por direito de sentir,
    Na pele, no sangue, na alma. 
    Talvez sejamos feitos de medo,
    De tentar, romper, permanecer. 
    Recolho meus poemas, fecho as janelas, tranco a porta. 
    Tu me encarando na escada. 
    Não sou mais o que eu era,
    Apresente-se novamente.
  • Aprendi ou finjo que aprendi

    Aprendi que amores eternos podem acabar em uma noite, que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos, que o amor sozinho não tem a força que imaginei. Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno, que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos. Que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram. Que o 'nunca mais' nunca se cumpre, que o 'para sempre' sempre acaba, que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso. Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de mãe desde que o mundo é mundo, que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo. Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido tudo. É necessário crescer.
    Luca Schneersohn
  • As crônicas do Inferno II

    As crônicas do Inferno
    Épocas sombrias 
     
    O início do fim
    Pecado, esta é a palavra que define
    o tamanho do erro, que Luciféria veio a
    cometer. No começo a consciência lhe
    abandonou, mas quando voltou a
    tê-la, era tarde demais.
    Milhares tinham perecido em suas
    finas e pálidas mãos. O sangue tinha
    tingido o vestido branco de vermelho,
    uma criança aterrorizada estava em
    seus braços, só que ela não sentia
    sua dor, ou qualquer outra
    coisa.
    “Parabéns” Congratulou Bael, vindo
    por trás dela, e atirando o cadáver para
    longe, como se não fosse humano. Em
    seu dedo havia o sangue da vítima,
    que ele levou aos lábios, saboreando
    aquele néctar da vida. “Eram todos
    monstros, que mereciam morrer.”
    Ela lhe respondeu, sem emoção
    nas palavras.
    “Sim minha querida.” Ele disse de
    má vontade, percebendo que a jovem
    não estava ciente do seu crime. “Há mais deles para destruir?” Ficou
    parada, com o olhar vazio.
    “Não, já é o bastante. Beba isso, 
    para perder a sede da guerra.” Disse
    lhe dando o cálice, e fazendo-a beber
    o vinho, que estava infectado com
    uma poção alucinante.
    Ela o bebeu, e ficou leve como 
    o vento. Ele a pegou nos braços, e 
    a levou para o seu palácio pirâmide, 
    onde a deitou numa cama. “Não se
    preocupe, estamos só eu e você
    Lucy” Disse tirando-lhe as
    roupas.
    Na visão da dama, estava num 
    paraíso junto do seu amado marido Azazel, sob o sofá confortável, onde
    praticavam seus atos de paixão. Na
    realidade, ela estava nos braços
    do maligno, que estava louco
    por ideias cruéis.
    Ela parecia uma garotinha, que
    tinha chegado a adolescência apenas
    no tempo, mas não no corpo, e isto o
    fazia querer possuí-la, tomá-la para
    si. Pois de certa forma, o fazia lembrar
    dos tempos em que a filha não tinha
    se desenvolvido, e de quando a
    violou.
    Pobre Eke, além das incessantes negativas de Miguel, tinha um passado
    sombrio, e extremamente assustador.
    Os olhos negros como a noite, já
    foram doces, mas devido ao pânico, a
    cor foi se perdendo com o tempo, e
    ela se transformou em quem
    é hoje.
    “O quê está fazendo?!” Disse a própria,
    tirando-o de sua doentia nostalgia. “Só me divertindo, minha pequena” Ele lhe
    respondeu, adentrando o corpo da
    princesa, que embora parecesse
    intocável, nem um pouco o
    era.
    “Mamãe não gostará disso.” Lhe
    criticou, e o demônio deu os ombros,
    prosseguindo com o abuso, ao ponto
    de suar. “Sabe que de todas as vadias,
    essa é a única...” O olhar frio dele é
    uma resposta ao seu apelo, só
    que ela não desiste.
    “É a única, que jamais quis que
    tocasse.” Protesta em voz solene, e
    ele ergue a sobrancelha. “Eu também
    não queria que deixasse o lar, para ir
    atrás de um certo arcanjo. Mas não
    temos sempre o queremos Eke.”
    Retrucou, fazendo-a deixar
    ele só com a vítima.
    “Eke?” A dama sussurrou, e o mundo
    perfeito, falhou como uma ilusão. “Não
    , eu disse Ele” Tentou desconversar, só
    que a jovem o viu, e isso a trouxe 
    para a realidade.
    “Bael?!” Ela esbravejou, tentando 
    se soltar dos braços dele. “Não haja
    como se não quisesse, sou tão lindo
    quanto seu pai.” Ele se imprensou, forçando-se contra ela.
    “É! É como se estivesse nos braços
    dele! É nojento! Por favor para!” Ela
    implorou, mas em vez de ceder, ele
    apenas seguiu, lhe tapando a
    boca, enquanto ela tenta
    gritar.
    “Podia ser prazeroso, para nós dois.
    Mas você tinha que acordar. Lamento
    por isso, só que não vou parar.” Ele
    diz, sentindo que o corpo dela
    está secando.
    Lágrimas escorrem molhando sua mão.
    Ela tenta dizer “O quê fiz desta vez?” Só
    que o demônio, pressiona sua palma,
    fazendo-a entrar em desespero.
    Os olhos dele encontram os dela, ele
    vê o pânico instalado em sua face, que
    estava ficando vermelha, de tanto chorar.
    Por falsa misericórdia, se aproxima
    do seu ouvido, e sussurra palavras que
    lhe devolvem para o mundo dos seus
    sonhos, e a faz ceder com mais
    facilidade.
    Após terminar, ele se afasta, deixando-a
    desmaiada entre os lençóis brancos. “Eu sinto que tem algo errado aqui.” Ela diz
    dentro do seu Éden mental, enquanto
    fica jogada nas almofadas do
    sofá.
    “De todas as mulheres do mundo, tinha
    que escolher a filha de Cerridwen!?” Diz a deusa Hécate, seguindo o novo deus,
    para os seus aposentos reais, e este
    a ignora.
    “O quê há de errado nisso? Não foi
    Você que escolheu o marido dela como
    seu par ideal?” Questiona friamente, e
    a deixa de queixo caído. “Ela vai ser
    expulsa daqui.” Avisa a esposa,
    e ele para.
    “Ela fica.” Diz em tom imperativo. 
    “Não, nós já temos uma filha de Lúcifer no nosso exército.” Responde opondo-se
    a ordem estabelecida. “Não uma que atenda ao meu desejo. Ela fica.”
    Rebate, deixando-a.
    “Desejo?” A deusa grita invadindo 
    o local. “Você sabe o quanto gosto de
    garotinhas.” Retruca com o sorriso
    cruel. “Lilá é a mais jovem.” Lhe
    contradiz de imediato.
    “Lilá é desenvolvida, como a carne
    manchada pelo pecado. Já Luciféria
    parece tão pura, quanto intocada.”
    Esclarece, e a deusa gargalha 
    com escárnio.
    “Luciféria, não é uma santa. Conheceu 
    os pecados do corpo, mais cedo que Lilá 
    , e nem precisei induzi-la.” Diz em tom de zombaria. “Além do mais, já esteve
    nos braços de Miguel, e Azazel. Ela
    Não É pura.” Prossegue com a
    afirmação.
    “Não? Bem isso a torna perfeita para
    os meus planos. Agora saia, preciso do meu descanso.” Diz fazendo menção 
    para retirar-se. 
    “E Hécate.” A chama antes de passar
    pela porta. “O quê?” Ela pergunta com
    má vontade. “Não ouse tocar nela. Só
    Eu tenho este direito.” Mostra seu
    poder na casa, e isso a 
    enfurece.
    “Mamãe!” Eke grita correndo a bela
    morena. “Sim.” Responde ainda de mal 
    humor. “Você conversou com Ele? Ele vai tirar ela daqui?” Pergunta frenética
    pela resposta. “Não, é mais fácil nos
    tirar, e ficar com ela.” Fala com
    desgosto.
    “Mas por quê?!” A menina fica chateada. “Porquê ele se encantou por
    aquele corpinho de Lilith.” Diz sentindo o ódio crescer dentro de si. “Só que
    como ele não se importa...” Lhe
    vem a ideia.
    “Não vejo mal algum em seguirmos
    em frente também.” Diz caminhando com um sorriso na face. “Chega de ficar
    esperando por Harmonia. Vamos fazer
    do meu jeito. Venha comigo.” Segura
    a mão da menina, e as duas vão
    para fora do palácio.
    A princesa segue desconfiada, 
    olhando para os sorrisos robóticos de seus pais, que sempre parecem felizes. Sem que lhes vejam, ela vai até o penhasco.
    Percebendo que há algo errado, o
    Demônio acorda, e voa rapidamente
    para dentro do quarto. A jovem salta
    para a escuridão, e ele a pega nos
    braços, impedindo-a de bater
    a cabeça.
    Seus olhos estão vazios, outra vez
    a ilusão está falhando, até que volta 
    ao normal, e percebe que está nos
    braços de Bael. “Eu sabia!” Ela
    grita, tentando se livrar 
    dele.
    “De novo?! Não cansa de sofrer?!”
    Ele se mostra frustrado por seu poder
    mental, não ser tão eficaz com ela. “É 
    , e eu não vou cair na sua miragem 
    diabólica outra vez!” Diz ela com
    fúria.
    “Pior para você. Porquê eu não vou
    deixar de me satisfazer!” Responde e a bela fica horrorizada. “Por quê eu?! Eu não queria vim para o seu lado, não
    conspirei com você, então por
    quê?!” Grita mostrando-se
    assustada.
    “Porquê é perfeita.” Responde-lhe, 
    soltando-a, para diminuir o trauma. 
    “Eu sou o quê?” Inquire sem acreditar em tais palavras. “É perfeita.” Ele volta a responder, e com o olhar confuso, a bela pergunta “Por quê?”. “Luciféria,
    desde que a tive nos braços, muito
    tempo se passou...” Ele inicia.
    “Quer dizer quando Miguel permitiu
    que me violasse por vingança?” Ela lhe
    questiona. “Sim” Ele ri. “E seu corpo é o
    mesmo. Seios pequenos, baixinha, pele delicada, é quase uma criança.” Ele
    confessa, tocando-lhe a face.
    “ É uma criança eterna, que nem mesmo a encarnação pode mudar.” Ele
    prossegue, fazendo-a saltar para trás. “O meu corpo, é essa a maldita razão, para me fazer prisioneira?!” Berra, e
    ele a agarra, fazendo-a se sentar
    diante de si.
    “Antes era apenas o seu poder, só
    que ao ver-te desnuda, não pude me conter.” Continua a falar. 
    “Há um fio de sanidade restante? 
    Você me quer porquê pareço uma criança!” Ela berra ainda amedrontada, com as respostas que vem recebendo. “É, mas pelo que sei, já é uma mulher feita, por isso não é crime.”  Ele a
    segura pela cintura.
    “Me devolva para aquele mundo 
    de fantasia, porquê sua insanidade não tem limites!” Diz tirando as mãos dele
    do seu corpo. “Como quiser, assim 
    será menos doloroso.” Ele brinca,
    e se prepara para dar o 
    comando.
    “O quê? O quê vai fazer comigo?!”
    Pergunta-lhe em pânico. “Quando você
    está com Azazel, e realizam atos carnais
    . Bem, não é Azazel que está lá.” Joga
    a isca, e os olhos dela crescem de
    medo.
    “E até onde sei, estava agressivo 
    na medida certa, pois foi o quê você me disse.” Completa, deixando-a vermelha de vergonha. “Achei que era apenas o
    impulso...” Tenta se explicar. “Não
    contarei a ninguém.” Ele volta
    a tirar sarro.
    “Você é doente! Louco!” Finalmente
    o xinga, e ele apenas ri em silêncio. “Só
    é ruim, porquê você quer que seja. Pare
    de lutar, e verá que isso não vai te ferir
    , e será até gostoso, para nós dois.” Tenta manipulá-la, e ela outra 
    vez se afasta.
    “Foi assim que seduziu a Eke?” Ela
    lhe pergunta, tentando fugir daquela conversa pavorosa. “Nem tentei, só fiz 
    o quê Hécate permitiu.” Diz ele lhe
    agarrando outra vez.
    “Por favor não.” Ela suplica, ao vê-lo
    tão próximo do seu pescoço. “Está na sorte princesa infernal. Eu nunca faço
    nada para seduzir minhas vítimas.”
    Responde, e então lhe morde a
    nuca.
    “Nem preciso. Elas se entregam para
    mim, quando finjo ser seu pai.” Diz lhe
    arranhando nas costas. “Eu nunca fui
    apaixonada por  meu pai.” Responde com certa tremedeira, sentindo
    calafrios.
    “Vai ficar depois de mim.” Ele a 
    encosta no topo da parede, e sua
    mão desce até o meio das suas
    pernas. “Certo!” A jovem da
    realeza o para.
    “Me manda pro paraíso, e me faz
    esquecer o aqui e agora. Seja o meu Azazel.” Ela diz tremendo como um
    cachorro com frio. “Não, desta vez
    serei apenas Bael.” Ele diz com
    o sorriso diabólico, e a
    beija.
    Naturalmente a moça resiste, 
    ao menos no começo. “Viu como não
    é ruim, quando você permite?” Ele
    ergue os dedos umedecidos. “Eu não
    estou...” Tenta responder, e ele volta
    a lhe calar, com outro beijo roubado.
    “Se parar de resistir de vez, gostará
    da experiência.” Sussurra em seu
    ouvido.
    “Por favor pare.” Diz ela com
    a voz fraca, aterrorizada por ver-se
    dividida entre seguir, ou manter-se fiel
    aos seus princípios. “Chega, eu não
    quero!” Grita quase se entregando
    a ele, e o atira para longe, caindo
    no piso, onde se fere com a
    madeira.
    “Estou tentando ser bonzinho. 
    Porém você não facilita, sou obrigado 
    a isso...” Diz ele se levantando num vulto, e então enfia na boca dela,
    um liquido esverdeado.
    “O quê é isso?!” Ela urra, e ele não
    se dá o trabalho de responder. “Engula”
    Manda, e ela se nega. “Engula e eu digo .” Diz revirando os olhos. “Eu não confio em você.” É a última coisa que diz, antes dele deixá-la quase 
    cair.
    “Isso é uma toxina que criei. Se não
    quiser saber os efeitos, siga as regras, e ficará bem.” Responde enfim, e a bela sente o calor subir pelo corpo, junto
    de uma dor insuportável.
    “O quê fez comigo?!” Diz entredentes,
    travando na hora de andar. “Apenas lhe dei algo para acumular a libido, se não a esvaziar, o incômodo será maior”
    Ele ri da sua desgraça.
    “Não pode está falando sério!” Diz olhando-o com incredulidade. “Posso e
    estou. Então...Vem para a cama?” Lhe
    questiona, deitando-se entre os 
    travesseiros.
    É claro que apesar da atitude bem
    monstruosa, Bael é atraente, os cabelos loiros como sol, a pele pálida como a lua, e os olhos azul escuro, que ficam
    vermelhos com a adrenalina, são o
    destaque da sua beleza jovial, e
    máscula.
    Porém Luciféria não se importa com
    a forma física do inimigo, e sim com o quê ele faz em seus cultos atrozes, e
    os crimes que cometeu com ela, e
    a sua prima Eke.
    Por isso, embora a primeira vista
    Bael seja um humanoide bonito, ela
    não o vê desta forma, e sim com os
    olhos da vítima, que deseja matar
    , ou fugir do seu agressor.
    “Eu nunca ficaria com você.” Ela
    fica defensiva. “Já ficou, e até gostou.”
    Diz ele olhando para as unhas com total indiferença. “Eu pensei que era Azazel!”
    Grita em desespero. “Então Azazel é
    portador de uma bela espada.” Ele
    zomba, fazendo menção ao “seu
    tamanho.” 
    “Você é baixo!” Diz ela com lágrimas
    , descendo pela face, pois suas partes doem intensamente. “Mais alto que
    Você, e outras deusas.” Ele segue
    brincando, e ela salta em
    cima dele.
    “Me dominando?! Quanto ousadia.
    Nenhuma teve tal coragem.” Diz ele ao
    vê-la montada em seu corpo. “Você é um babaca!” Esbraveja, dando-lhe
    vários socos no peito.
    “Sim eu sou.” A calmaria em sua voz
    , a deixa transtornada. “Idiota!” Grita
    tentando enforcá-lo. “Quem sabe se o
    fizer mais forte...” Ele continua sem se
    importar com a reação dela. “Eu te 
    odeio!” Protesta, e ele a pega 
    nos braços.
    “Eu sei que sim, mas posso tirar a sua
    dor, basta ceder.” Olha em seus olhos, e ela sente calafrios. “Só tende a piorar, e não precisa ter vergonha, finja que está no mundo perfeito.” Diz ele preparando
    seu instrumento, para aliviar a enorme
    tensão que a atormenta.
    “Me manda de volta pra lá.” Pede-lhe
    , preocupada com a realidade. “Não, eu já disse hoje será a minha vez. Chega de Bael, o Lúcifer, Bael, Miguel, ou Bael ,
    Azazel. Serei eu.” Diz ele recordando
    as humilhantes fantasias que 
    satisfez.
    “Por quê?” Lhe questiona amedrontada,
    e ele se prepara para ser um com ela. “É algo que não posso responder.” Diz ele 
    , olhando para o membro, e a dama,
    que mesmo com muita dor 
    ainda nega.
    “Seu corpo precisa liberar o prazer
    Lucy, não vai gostar da dor que vem se
    não o fizer.” É a sua última tentativa. “
    Está bem. Mas saiba que eu mesma,
    sem poção de luxúria, jamais o
    faria!” Finalmente cede.
    Ele a deita cuidadosamente entre 
    os lençóis, e abre-lhe as pernas, que
    estão encharcadas, pois seu corpo já
    estava liberando o júbilo sexual. Ele
    sorri, e entra em seu corpo, fazendo-a
    suar, notando que o medo ainda não
    a deixou, ele entrelaça seus dedos
    aos dela.
    “Há apenas um segredo Luciféria.”
    Diz ele já realizando o objetivo final,
    e os olhos dela engradecem, temerosos
    pelo que a aguardava. “Para, liberar a
    libido, é preciso, que, se, sinta, no
    mínimo, atraída, por, quem, o
    faz!” Diz estocando-lhe.
    “Então agora tenho certeza.” Diz ao
    entoca-se na caverna dela. “Você vai sim se entregar para mim. Sem poção
    alguma.” Conclui, deixando-a num
    carretel de confusão.
    “Isso, não, é verdade!” Ela responde
    ao ser chacoalhada, pelos movimentos
    dele. “Sim, é.” Os lábios dele vão até o
    seu pescoço, e ele morde no ponto
    certo, para esquentá-la.
    “Você pode, não ter, atração por seu
    pai, como Lilá. Mas certamente há algo
    em mim, que te seduz.” Ele prossegue,
    falando em seu ouvido, e deixando-a
    arrepiada pela revelação.
    “Você me envenenou!” Tenta se 
    defender, e no calor do momento ele
    a beija, colando-a ao seu corpo. Outra
    vez ela luta para não retribuir, mas
    acaba o fazendo, pois reduz 
    muito mais a dor.
    Após várias horas, entregando-se 
    aos desejos do demônio, ela finalmente se vê livre do veneno, e adormece nos
    braços dele, que por alguma razão
    não a deixa desta vez.
    “A poção foi apenas uma desculpa.
    A dor passaria com o passar do tempo,
    mas você cedeu a mim, e isso é só o
    começo, pois logo te farei a minha rainha.” Diz ele dando-lhe um
    beijo na testa.
    Eke observa tudo pela fenda da porta,
    e fica furiosa, pois nem com ela, ele era
     tão carinhoso, não mais ao menos, e
    por isso passa a tramar a ruína
    da princesa.
    Vida longa a Rainha
    O tempo foi passando, e a vida seguiu. De alguma forma Miguel
    aceitou seu destino com Eke, e
    Azazel se juntou a Asmodeus,
    numa caçada por ninfas.
    Lilith, Lúcifer, e Yaweh, aos poucos foram restaurando a ordem, e em vez das costumeiras brigas, eles
    enfim agiram como família.
    Lilá também encontrou a 
    felicidade, com a irmã distante 
    do lar, pois embora fossem boas
    amigas. A mais nova da família
    de Lúcifer, detestava o fato da
    irmã se destacar em tantos
    ramos mágicos, dos quais
    os pais tinham total
    orgulho.
    Sem saberem de toda a sujeira
    , que a doce e amável Lilá tinha feito
    com a irmã. Todos achavam que ela
    os tinha traído, e que agora era a
    nova conquista de Bael, por isso
    ninguém foi resgatá-la.
    Luciféria foi a única que não teve
    um final feliz, pois o seu mais novo pretendente, não lhe deixava de
    forma alguma, seguir com 
    outro par.
    “Talvez deva ceder a Ele.” Diz 
    a sua tia, lhe penteando os cachos,
    e esta se vira assustada. “ Eu sei o
    quê fazem nos fundos.” Prossegue
    com o olhar indiferente. “Não é
    que eu queira!” Ela se defende.
    “Será mesmo? O veneno que te
    obriga a tomar...” A morena inicia.
    “Só pode ser curado, por alguém que eu tenha atração.” Completa, ao ver
    que o cacho continua a perder a
    sua forma.
    “Não, só causa dor mesmo. Se para
    quando está com ele, é porquê ele te atrai, e é provável até que goste dele.” Responde terminando
    de ajeitá-la.
    “Eu não sou a Lilá. Não cairei em
    seus jogos de manipulação.” Lhe dá
    um aviso, e a deusa ri. “Não é jogo,
    como deusa da manipulação, você
    devia saber.” Diz deixando-a a 
    sós, com os seus pensamentos.
    “Não, eu não me sinto nem sequer
    bem com Ele.” Diz para si mesma, e o próprio monstro entra no quarto. “O
    quê houve?” Pergunta com o seu
    sorriso mais inocente.
    “Nada. É só que Hécate me alertou
    sobre o veneno.” Responde saindo de
    perto dele. “ Ah que bom, levou mais
    tempo do quê eu esperava.” A sua
    alegria, a deixa apreensiva.
    “Você tem se aproveitado do meu
    pouco entendimento, para fazer o quê bem entende comigo!” Grita,
    e ele lhe faz diminuir o tom, com
    um gesto.
    “Não é nada ruim. Se não sentisse
    nada, continuaria a doer. Eu sei que 
    sente algo Lucy, sua forma lhe trai.”
    Ele brinca de aparecer, em dois
    lados das colunas da cama.
    “Eu não sinto!” Exclama com toda
    a sua energia. “Então se eu quisesse
    te beijar agora, você não iria me
    retribuir?” Pergunta com 
    olhos insidiosos.
    “Claro que!...” Ele a beija antes que
    termine, e cria uma pausa, para ver a onde aquilo chegará. Para a surpresa
    dela, seu sistema nervoso lhe trai, e
    retribui ao gesto dele.
    “Como eu disse sente algo por 
    mim.” Ele se gaba, e com raiva ela 
    lhe morde a língua. “Ataque de amor 
    não dói Lucy.” Ele se afasta, com
    a boca ensanguentada.
    “O quê eu fiz para acabar aqui?”
    Se questiona, e o arcanjo entra no 
    quarto, sem que Eke o veja. “Cedeu a
    ele. Aceitou o presente de Harmonia, ao qual falei que não deveria.” Diz
    claramente enciumado.
    “O quê vê nestes demônios?” Ele
    inquire, fazendo-a gargalhar. “Está
    com ciúmes? Não fui eu que casou
    , e assumiu um compromisso.”
    Retruca, e quem ri é 
    ele.
    “Você só queria saber de Azazel,
    e depois casou-se com o cara que traiu nossos pais. Agora quer vim
    reclamar?! Faça-me rir.” Ele joga
    na cara dela, tudo o quê vem
    fazendo.
    “Eu fui obrigada, idiota!” Diz
    entredentes, e ele ergue a sua sobrancelha descrente. “Não é
    o quê parece, pelos sons que
    vem do quarto do casal.”
    Diz com sarcasmo. 
    “Sons do quarto?! E você e a
    Eke queridinho?! Chame o meu 
    nome, chame o meu nome!” Ela
    começa a contar os segredos, e
    ele percebe também o seu
    ciúme.
    “Como se você e o Matusalém,
    fossem diferentes! Por favor venha
    me possuir, não vou suportar mais!”
    A raiva preenche os olhos dele, que
    ficam vermelhos, ao ponto de 
    lagrimar.
    A princesa podia lhe contar a
    verdade, mas como ele estava com
    a sua maior rival, preferiu ficar em
    silêncio, fazendo-o sofrer com as
    próprias ideias.
    “De todos os homens do céu e o
    inferno, tinha que escolher ele?” É
    o quê diz em tom de tristeza. “O quê
    escolho, ou deixo de escolher, só diz
    respeito a mim.” Responde fria, e
    sem se importar com o choro
    do anjo.
    “Você é realmente uma meretriz!”
    Berra batendo a porta, e a deixando
    sozinha, com sua cabeça. “E você é o mesmo idiota de sempre. Com tantas no mundo, casou-se logo com quem
    quis me destruir.” Lágrimas caem
    no tapete, e a expressão vazia
    volta a ter vida.
    A noite... Luciféria adormece em 
    sua cama de penas, temendo que o marido venha tomá-la durante o sono. Só que nada acontece,
    e ela estranha.
    Ruídos bem familiares, vem do
    último quarto, e ela resolve ver do
    quê se trata. É Lilá que está em seus
    braços, pedindo por mais e mais, e
    a poção está cheia no canto da
    cama, provando que aquilo
    é vontade dela.
    Bael olha nos olhos da esposa,
    sentindo-se revigorado com aquele
    ato, tão impuro. Ele imagina que a
    fará surtar, mas a dama apenas
    sorri, fechando a porta.
    O quê faz perder o seu gosto 
    por aquilo, e correr atrás dela de imediato. “Tão rápido?” Pergunta,
    claramente alegre, com o quê o
    seu companheiro fez.
    “Você não está chateada?” Ele
    questiona, elucidando o seu mal humor. “Sou a 3° das suas esposas.
    Já vi coisa pior.” Rebate, ainda com a face radiante de felicidade. “Só que eu deixei as outras duas, por você.” Esclarece, e a faz sorrir mais.
    “Diga isso para minha irmãzinha.”
    Responde enfim seca, e ele percebe que a machucou. “Lucy.” Tenta tocar
    o seu ombro. “Eu estou bem. Graças
    a você, tive certeza do porquê não
    cedi.” Retruca, com a mesma
    face animada.
    “O quê?” Pergunta-lhe preocupado
    com tal resposta. “Eu quase assumi, que talvez gostasse um pouco de você. Mas me fez lembrar do quanto
    é idiota, então obrigado.” Responde
    deixando-o de queixo caído, pois
    não esperava por esta.
    “Lucy!” Ele berra, batendo na porta
    do quarto dela. “Divirta-se com a sua nova esposa!” Sua voz ecoa por entre a madeira. “Lucy!” Continua a gritar,
    e ela deita, criando fones de pura
    energia, que o silenciam.
    No dia seguinte...Todos os familiares
    se sentam a mesa para o café da manhã, e os olhares gélidos da jovem intrigam a maioria, que desconhece
    os eventos da noite passada.
    “Problemas no paraíso?” Eke brinca,
    e Miguel fica atento para saber sobre as novidades. “Esse lugar sempre foi o inferno.” A jovem responde-lhe com o sorriso mais cínico.
    “Lucy definitivamente não está bem,
    quando sorri demais, sei que há algo errado.” O arcanjo repara no comportamento da moça, que segue como se tivesse achado o tesouro,
    sem o mapa.
    “Logo teremos outra rainha.” Ela
    olha para a irmã, que fica assustada
    com tal afirmação, pois esta sentada ao lado do seu amado Gabriel. “Não
    , não teremos.” Bael a contradiz,
    para proteger a menina.
    “Não precisa esconder querido, 
    uma rainha a mais não faz diferença,
    ou será que faz?” A dama segue cada vez mais ácida, e notando o intuito 
    dela, o rei se levanta, e a puxa
    para longe.
    “Não ouse seguir adiante. Gabriel
    não me perdoará.” Ele olha nos olhos
    dela, que continuam cômicos. “Ah é?
    Devia ter pensado nisso, antes de por
    dentro do meu lar, aquela que foi
    responsável por me destruir!”
    Grita, e a caçula teme 
    pelo futuro.
    Notando a onde a conversa dará,
    Ela se levanta da mesa, e pede para o par ir junto. “Não ouse se afastar!”
    A jovem rainha ordena, e a menor
    fica congelada, esperando pela
    tempestade.
    “Eu estou cansada das suas afrontas,
    e do fato de que nunca recebe o devido castigo!” Diz entredentes, e esta lhe pede com o olhar, que não
    faça nada. Só que a mais velha,
    não lhe dá a mínima.
    “Luciféria Lilith II!” O marido tenta
    lhe impedir, enquanto o arcanjo fica a analisar os fatos, sabendo que há
    algum segredo obscuro, que Lilá
    e Bael, não querem que 
    saiba.
    “Lilá será a 4° esposa de Bael!
    Porquê os encontrei na cama, como
    marido e mulher ontem!” Grita para
    todos na mesa, e Eke e Hécate ficam
    de queixo caído, com a atitude da
    garota.
    “Lilá, isso é verdade?!” Gabriel lhe
    pergunta entredentes, e ela tenta lhe
    negar. “É claro que é verdade! Deixe
    de ser tão bobo!” A filha da rainha
    do inferno, faz juiz ao seu sangue
    quente.
    “Silêncio Luciféria, eu quero ver 
    até onde vão as mentiras dela.” Ele
    olha fixo para a amada, que acaba por desmanchar-se em lágrimas, 
    e tenta abraça-lo, mas ele se
    afasta.
    “É só o quê eu precisava saber.
    Eu mudei, é o quê sempre diz, mas
    Já foram tantas traições que perdi as contas!” Ele revela. “Cansei disto Lilá, eu não sou um brinquedo, e não
    quero mais ser usado como um.” Ele
    se afasta, fazendo-a se virar contra
    a irmã, que a encara com total
    indiferença.
    “Desgraçada! Como pode?! Todos
    sabem que nem mesmo gosta de Bael!” Lilá fica histérica, e a moça
    segue calada, observando até onde vão as acusações. “Afinal ontem mesmo, o marido de Eke saiu do
    seu quarto!” Grita tentando
    causar alarde.
    “Nós não fizemos nada, a não ser
    discutir, deixe de ser idiota.” Ela lhe responde com serenidade. “Você e o amor da sua vida, num quarto, e nada aconteceu?!” Ataca-lhe com mais acidez. 
    “Azazel é!...” Tenta gritar como se
    o quê a irmã fala, fosse a confissão de um crime. “ Você não engana a ninguém! Eu vejo como olha para
    o arcanjo!” Berra mais alto ainda,
    e os olhos do anjo e a deusa se
    encontram.
    Ele se mostra confuso com tais
    revelações, e ela apenas nega em silêncio, enquanto os olhos lhe
    entregam. “Cale-se!” A rainha
    urra estridente, e Lilá nota
    o ponto fraco.
    “Você nunca quis um homem como nosso pai. Mas ainda sim veio e ficou
    no meu lugar!” Protesta, e a outra fica incrédula. “Não mesmo! Ao contrário de você, que dormiu com o
    próprio, eu só queria seguir o meu caminho!” Berra com força, e 
    derruba o vinho.
    “É Lilá, advinha?! O mundo não gira entorno da sua vontade! Até porquê a Harmonia me fez uma deusa, e não a você! Vai ver por isso rasteja de cama em cama, tentando ser adorada!” A bela toca na sua ferida, e a menor perde a cabeça, tentando lhe
    atingir com a faca.
    “Já chega!” Bael a impede de ferir
    Luciféria, e esta deixa a mesa, para ir pro seu quarto. “Eu vou...” O arcanjo
    se dispõe a ajudá-la. “Você fica.” Bael o olha com fúria, e vai atrás da rainha, que permanece trancada.
    “Lucy...” A chama, e ela não lhe responde. “Lucy, o quê foi tudo isso?”
    Tenta descobrir o quê se passa, só que como não obtém resposta,
    usa seu poder para invadir. 
    “Isso não foi por você.” Dá uma luz
    a ele, que o faz rir. “Nem um pouco?”
    Pergunta, e ela o olha com raiva. “Eu só me cansei da sua frieza.” Tenta
    se explicar.
    “O quê faz ou deixa de fazer não 
    me interessa. Com quem faz é o quê
    importa.” Retruca, e ele lhe abraça
    na beira da cama. “Me perdoe. Eu
    prometo que não tocarei outra
    além de ti.” Pede perdão, e
    ela se solta.
    “Só me terá outra vez com o seu
    veneno. Do contrário, nem chegue
    perto de mim.” Deixa-o surpreso. “É
    um sinal de ciúme?” Pergunta com
    alegre desconfiança. “Deixe de
    ser babaca.” Retruca.
    “Lucy, Lucy...Parece se importar com
    as minhas aventuras.” Ele volta a por os braços envolta dela. “Sou possesiva, e desde pequena, tenho lutado com Lilá, para não mexer no quê é meu!” Responde ainda com
    desprezo.
    “Eu sei. Por isso escolhi ela.” Ele ri
    da explicação. “Você só a afasta do quê é importante. O reino de Tiamat,
    seus dragões, Azazel, Miguel, e pelo
    visto Eu.” Beija-lhe o pescoço.
    “Você me fez rainha do mundo, é
    isso que te faz importante. Não sinto nada por ti.” O trata de forma gélida.
    “Não? O ciúme, o fato de ceder, eu
    acho que a resposta é outra.” Ele
    continua a abraçá-la.
    “Lilá, por quê fez isso com a Lucy?
    Já se esqueceu das broncas que ela
    aguentou, só para você ver Gabriel?”
    Miguel pergunta para a mocinha, que o olha com indiferença.
    “Fique quieto.” Ordena, e o arcanjo
    se cala.  “Ele sempre corre atrás dela 
    depois que erra?” Pergunta para Eke
    e Hécate. “Não só quando erra. Ele
    é estúpido, quando se trata dela”
    Responde a deusa das 
    3 faces.
    “Até nos excluiu como esposas, só
    para dá o mundo a Ela. O quê não foi
    tão ruim, pois ganhei meu amado só
    pra mim!” Eke responde abraçando
    o braço do esposo, enquanto este
    sorri sem jeito.
    “Ele segue encantado por Ela, e 
    não sabemos se a ama, ou é o Caos do seu poder, atraído pela Harmonia
    dela. Só temos certeza que não a
    deixa.” Responde a deusa, ainda
    confusa com a atitude do 
    ex.
    “Era para ter sido Eu...” Lilá sente-se
    triste. “Então por quê não foi?” o anjo pergunta furioso. “Porquê eu estava ocupada com Caim, enquanto
    Bael invadia o Inferno.” Mostra-se
    envergonhada.
    “Uma noite de prazer que lhe custou
    Caro.” Hécate ri do seu sofrimento, e lhe dá um cálice cheio de vinho. “Beba vai se sentir melhor.” Estende
    o copo, e esta aceita de imediato.
    “Sempre é sobre Luciféria. Será 
    que ela nunca vai esquecer da nossa infância, e me deixar brilhar?!” É o quê pergunta. “O fato de ser sempre
    a doce e amável Lilá, pesou muito
    para a Luciféria demoníaca e
    bravinha” Miguel ri.
    “É? E ela acha que foi um sonho?
    Nossa mãe tentou me afogar, depois fui jogada no reino de Krasladanshit! Como nada!” Berra, em desespero.
    “Enquanto sua mãe chorava pelos
    cantos, se perguntando porquê não a
    amava, e se isolando dos outros filhos.” Retruca, brincando com
    os vegetais.
    “Ah e eu tinha culpa? Queria ser 
    uma dama sedutora, que tem aos homens na palma da mão, não uma neandertal lutadora!” Rebate, e ele
    ergue a sobrancelha. “Engraçado,
    porquê sua irmã só queria ser
    como Ela.” Revida.
    Notando a superproteção do 
    marido, a jovem de cabelos negros,
    o observa com atenção. “Parece que as neandertais, levam todos os homens das damas.” Eke responde,
    e Lilá sorri, porquê Miguel não poderá mais falar. “A onde irá?” Ele
    lhe pergunta. “Perdi a fome.” A bela
    resmunga, e ao vê os olhos de Hécate, Ele vai atrás.
    “Já disse sem o veneno, não poderá
    me tocar outra vez.” Ele ouve a voz da sua amada, e nota algo errado.
    “Você sabe que posso.” Diz a voz
    de Bael, e os gritos de Lucy se
    fazem presente.
    “Solte-a!” O arcanjo invade o 
    local, e pega o marido com as calças
    arriadas, enquanto a garota corre 
    dele, com lágrimas pela face, só
    que ao chegar nele, o olha
    com raiva.
    Quando está prestes a repousar
    em seus braços, fecha os punhos, e
    se afasta, indo para o mais longe que
    consegue. “O quê faz aqui?!” Ele grita. “O quê ela quis dizer?”
    O questiona sem 
    medo.
    “O quê ela quis dizer com veneno?!”
    Pergunta completamente furioso por causa do silêncio. “Escute aqui anjo,
    a sua mulher é outra!” O demônio
    o pega pelo queixo, e o joga na
    parede.
    “Sabe porquê me casei com ela,
    não se faça de idiota.” Tenta dizer
    , e ele sorri com maldade. “Então se
    casou com minha filha, só por causa
    de Luciféria.” Diz em voz alta, como
    quem conclui algo com sagacidade.
    “É claro que foi.” O alado
    confessa.
    “É bom saber disso.” Eke diz com
    voz de tristeza, e o diabo ri do nível
    de inocência do anjo. “Agora Eke o
    expulsará daqui, e não me causará
    problemas.” Esclarece, e o anjo
    nega em silêncio, sentindo
    a derrota.
    Uma jovem de cabelos negros, e
    olhos violetas esbranquiçados, está 
    a chorar na beira do lago. “Nahemah ”Ouve o chamado familiar, e olha para o anjo. “Eu te abraçaria, se isso não fosse por sua culpa.” Responde
    , ainda sentada na areia, com o
    seu vestido vermelho.
    “Eu não fiz nada desta vez.” Ele
    se senta junto dela, sem aproximar
    demais. “Bael só quis tomar posse de mim, porquê conheceu meu corpo na sua vingança.” Revela, olhando para
    a água, cujas as ondas se movem
    rapidamente.
    “Mas a culpa não é só minha. 
    Eu te disse para não aceitar aquele poder.” Se defende. “Quer mesmo
    Discutir?” O olha incrédula, e faz
    as ondas subirem. “Não.” Segura
    a sua mão, descendo-a, e lhe
    acalmando.
    “O quê é esse veneno de Bael?”
    Enfim investiga. “É uma poção que
    ele me dá, para acumular a libido, e
    causar dor, até que eu ceda aos seus desejos.” Confessa com vergonha 
    de si mesma. “Nossa, isso é...”
    Ele inicia.
    “Engenhoso?” Responde de má
    vontade. “Doentio.” Ele completa.
    “Que seja.” Ela olha para o lado, se
    sentindo frustrada. “O quê Lilá falou
    na mesa, sobre ser o amor da sua
    vida...?” Ele inquire, e a bela
    fica corada.
    “Eu não posso responder. Você 
    é o marido de Eke.” Ela desvia do assunto. “Você é o meu. E só estive 
    com Eke, porquê sabia que Bael é
    um doente.” Ele assume, e a
    faz o olhar surpresa.
    “Só que ao vê-los juntos, acreditei
    que realmente gostava dele, e por isso não tomei partido. Eu não sabia
    o quanto sofria.” Prossegue com a
    sua jura, e coloca seus braços,
    envolta dela, que está de
    costas para ele.
    Seus olhos pedem para abraça-la,
    e os dela permitem. Ele lhe traz para
    o seu colo, e a coloca de frente para a água. “Lembro de quando ficava
    assim com você no paraíso.”
    Diz dando-lhe um beijo
    no rosto.
    “Quando não tinha coragem de 
    assumir que me amava?” Diz com
    sarcasmo. “É, mas não deixava o seu
    irmão se aproximar de forma alguma .” Rebate encostando-a no seu ombro.
    “Isso é errado.” Diz ela ao notar 
    as intenções dele, preocupada com o quê vai acontecer. “Você me fez amar essa frase.” Ele se inclina, e a
    beija. O rosto dela fica vermelho, e
    se sente surpresa com a ousadia. “ É
    como a nossa primeira vez.” Ele a deita. “Eu tenho que te contar...” Ela
    tenta ser sincera. “Quieta. Eu sei o quê quer confessar, mas o quê importa é que te amei como 
    mulher.” Ele beija o seu pescoço, e
    ela continua a se sentir culpada, mas
    o toque dele é tão suave e doce, que
    não consegue resistir ao seu
    carinho. Bael era muito bruto, e cheio de si, e sem o veneno, ela não 
    o cederia tão facilmente, pois seu corpo ficaria seco, sem a devida preliminar. Só que com o arcanjo, se
    sentia bem, e como Azazel lhe deixou de vez, e nem fez nada, finalmente deu uma chance ao quê poderia vir
    a acontecer. “ Se Bael ou Eke...” Ela tenta dizer, e ele a silencia com o indicador. “Esqueça-os, e seja minha outra vez, uma última vez.” Diz com o tom de pedinte, e ela afirma 
    calada. Ele a abraça forte, e a beija
    , tirando-lhe o vestido vermelho, e ela desabotoa a sua camisa. Ambos
    querem ir adiante, os beijos se tornam mais calorosos, ele vai se despedindo. Não há medo nela, não há desespero, há apenas o desejo de 
    entregar-se a paixão. Seus corpos 
    se tornam um, e a sensação daquela energia, os preenche com satisfação, como um prazer inigualável. É este
    o poder do amor, que torna o perigo
    em ação, e o repulsivo em aceitável.
    A dança dos corpos em movimento,
    nem tão sutil, nem bruto, os faz se
    manter ali por muito tempo, até
    ambos derramarem suas 
    libidos. “Eu não me sentia assim 
    há anos.” Diz ele deitando-a em seu peito. “É, nem eu. Você ainda tem a sua forma única de me enlouquecer.” 
    Reconhece ajeitando-se no colo
    dele. “Melhor que Azazel?” Questiona com maldade. “Ele já foi
    um dos senhores da luxúria, então não começa.” O repreende e ele ri, “Está bem”. “Estão satisfeitos? Eke e Bael ficarão felizes em saber a
    notícia.” Hécate corre para contar
    ao pai e a filha, e o arcanjo se prepara para impedi-la. “Não. Saia
    daqui e sobreviva, eu converso com
    eles.” Lucy agarra-lhe o ombro.
    “Eu não posso te deixar aqui.” Ele
    se opõe ao plano, temendo o quê Bael fará com ela. “Pode e vai. 
    Tenho a chama de Harmonia, vou sobreviver.” Responde-lhe o empurrando.  “Eu vou te tirar 
    daqui, te prometo.” Ele diz se preparando para voar. “Não.” Os olhos dela engrandecem, e suas mãos tentam agarrar as dele. “Eu não vou te deixar sofrer mais.” Ele diz e então corre ganhando velocidade, e ergue as suas asas sem olhar para trás. “Miguel” Ela grita desesperada, pois sabe que ninguém o ajudará, já que todos pensam que é traidora, e isto o colocará em 
    risco. “Miguel!!!” Vocifera, e o pai e
    a filha traídos, surgem ao horizonte, fazendo-a ficar calada. “Ele te deixou?” Diz Bael se aproximando, e pegando-a pelo pulso. “Aproveitou-se da sua ingenuidade, e se foi como na adolescência?” Cutuca a ferida, e
    acha que tem êxito, pois a mudez da atual esposa, o deixa satisfeito. Mal
    sabe ele, que aquele silêncio, provém do medo eminente, do arcanjo ser estraçalhado nas terras sombrias. “Ele não ama ninguém mesmo. Mas isto não te eximi da culpa!” Eke concorda, e acerta o tapa no rosto da sua rival. “A única razão para apoiar, esse relacionamento, era que tinha Miguel para mim! Agora que não o tenho, não deixarei você levar o meu pai também!” Diz a sua enteada, com saliva escorrendo pela boca, como um cão raivoso. “Acalme-se, minha pequena, Eu não
    irei a lugar algum com Ela. E esta meretriz que não sairá daqui!” Ele abraça a jovem, e pega a amante do
    seu genro, pelo queixo. “Eu te amei Lucy, fui bom para você, fiz tudo por ti, mas agora vou te mostrar porquê as pessoas me chamam de Novo
    Deus!” Proclama, jogando-a contra a
    parede, com tanto pulso, que esta cai e não se levanta. “Vai conhecer a razão de me chamarem de Sol Negro!” Urra lhe mordendo o pescoço, e cravando seus dentes na veia dela. “Você vai odiar viver ao meu lado. Mas a morte nunca irá te tocar!” Declara olhando nos olhos
    da bela, e esta desmaia. 
    Ao longe o arcanjo Miguel voa de
    volta para o lar, e tenta passar pela  barreira para  o paraíso, só que não
    consegue, pois a partir daquele momento, é um caído.
    Ele força a sua entrada , pois sabe
    o quê Bael fará com Luciféria, e com
    isso os raios o atingem, deixando-o
    a beira da morte. “Somente os anjos
    podem entrar no paraíso.” Diz um
    alado loiro, de cabelos longos,
    bronzeado, e forte.
    “Salatiel ?”  O arcanjo o reconhece,
    e se levanta da areia, regenerando o
    ferimento naturalmente. “O quê faz
    aqui?” Pergunta cumprimentando o
    irmão. “O Pai me enviou, estava
    preocupado.” Responde sem a costumeira doçura.
    “O quê aconteceu?” O arcanjo 
    volta a questionar. E o outro anjo
    o olha com seriedade, como se os
    atos que cometera fossem de todo errado , e então lhe conta o quê
    aconteceu até ali.
    O conto da rivalidade entre irmãs.
    Depois do casamento da filha do
    Inferno, os Deuses dos respectivos planos primordiais, entraram em
    consenso, e extinguiram os seus
    mundos do planeta.
    Assim Céu e Inferno, passaram a
    pertencer a uma dimensão, através
    da qual, só podiam entrar os seres
    semelhantes a energia dos 
    reinos.
    Desta forma se você era inteiramente ligado as regras de
    Yaweh, ia para cima, mas se era
    menos ortodoxo, e conectado a
    Lúcifer, descia para o meio 
    da dimensão.
    Havia um reino ao qual o Inferno
    protegia, que ninguém, seja anjo ou
    demônio devia entrar, e este ficava no subsolo, contendo as criaturas que podiam destruir todas as
    vidas.
    Como tudo isto só foi possível 
    porquê Azazel descobriu, após a sua
    morte. Este manteve as terras que tinha conquistado, e que faziam
    uma ponte com o Inferno,
    ficando a margem
    deste.
    Neste tempo Gabriel abandonou
    o pai, para se juntar a Bael, pois não
    suportou as regras celestiais, e por
    motivos obscuros, não era bem
    vindo no Inferno.
    Lilá percebeu que sua conquista
    não teve tanto sucesso, já que Lilith
    manteve as chaves do mundos dos
    dragões, para quando Luciféria
    “Recuperasse o juízo”.
    Por isso foi atrás de Hécate, que 
    apesar do pouco apreço pela menina
    , notou nela a oportunidade de tirar a outra sobrinha do trono, já que 
    trazer Miguel para a casa, não
    teve efeito.
    Lilá tinha um passado sombrio,
    ainda pior que o da irmã, que pode
    ter influenciado no seu destino, pois a princesa mudou, desde que soube da gravidez de sua mãe, e sonhou 
    que era uma menina, que viria a roubar o lugar.
    Torceu com todas as suas forças, 
    para que sua avó não a desgraçasse, só que Harmonia a ignorou. Então na
    hora do parto, esta fugiu para o céu,
    onde se encontrou com o seu pior
    pesadelo.
    “Fique quieta.” Disse-lhe o belo
    homem de olhos cinzentos, ao entrar
    em seu corpo, enquanto estavam a sós. Só que Luciféria não teve medo,
    apenas agiu com extrema frieza, e
    por pouco ele não foi até o
    fim.
    Graças a Miguel, que estava ali 
    procurando materiais, e Azazel que
    estava procurando pela irmã. Ambos
    desejaram espancar o prisioneiro, no
    entanto a princesa, disse que ele 
    não fez nada grave, e este só
    voltou para a cela.
    “Você está bem mesmo?” Azazel
    lhe perguntou, tentando ver algum sinal de machucado. “Sim, só não quero andar sozinha por aqui de
    novo.” Disse com calma, esta
    era a sua forma, de demonstrar
    desconforto com a situação.
    “Por quê veio até aqui?!” Miguel
    a interrogou em desespero, temendo
    que algo pior pudesse acontecer. “É
    o quê acontece com filhos que não
    tem pais.” Responde olhando 
    para o carro.
    Os olhos cinzas do molestador, encontram os da pequena. Não há
    só medo, há também fúria, e isto 
    o deixa surpreso, e ao mesmo
    tempo encantado.
    Ela não esqueceria daquele dia,
    mas também não deixaria que os
    não envolvidos soubessem. O bebê
    nasceu, e teve a ousadia de vim com
    os olhos violetas. Por esta razão a deusa infernal lhe batizou de
    Lilá.
    “Os olhos dela são como os seus.”
    Disse Lilith com o sorriso, e a bela só
    revirou os olhos. Como no seu sonho,
    a vida dela mudou, com a chegada da sua irmã.
    Seus pais que praticamente viviam
    por ela, passaram a viver pelo novo
    membro, e assim Lucy foi esquecida.
    O quê a fez pensar se devia voltar 
    a rever, aquele psicopata.
    E foi assim que cometeu o seu 
    primeiro ato atroz. Quando todos
    festejavam o aniversário de Lilá, ela foi até a masmorra, e usou o seu poder, para libertá-lo.
    “Vai se arrepender. Por quê está fazendo isso?” Ele lhe perguntou, quando viu que foi uma criança a abrir a porta. “Sei que é a arma secreta de Deus, e que pode
    destruir tudo.” Respondeu com o
    olhar mais frio do mundo.
    “Eu tenho capacidade para matar
    a todos sabia? É um erro.” Ele tentou
    lhe alertar. “É o quê quero que faça.
    É o quê me deve, por me tocar.”
    O convenceu, e este 
    fugiu.
    Miguel viu tudo, e a pegou pelo
    pulso. “O quê acabou de fazer?!” Ele
    disse espantado. “Ele te obrigou?!” É o quê perguntou. “Eu fiz porquê quis,
    entre perder tudo, e vê se destruir,
    prefiro a destruição.” Respondeu
    , deixando-o atônito.
    “O quê está havendo?!” Questionou
    , vendo como poderia ajudá-la. “Não é nada.” Ela desviou. “Eu sou um dos
    seus amigos, me diga.” Insistiu. “Eu
    perdi tudo Miguel. Desde que Ela
    chegou.” Confessou. “Estou muito
    cansada de perder.” Declarou 
    com fogo no olhar.
    “Luciféria. Ter irmãos não é fácil
    mesmo, olha só como é comigo e o
    Gabriel. Ele apronta, e eu é que sou
    culpado. Por outro lado Salatiel 
    me ajuda nos estudos, então ter um irmão não é tão ruim. Repense o 
    quê está fazendo!” Tenta lhe dá uma lição, para que reflita. “Lilá não tem nem 2 anos. Você não sabe como será a relação de vocês.” Ele
    se esforça para fazê-la mudar de
    opinião. “Eu sei sim. Sonho com isso todas as noites. Ela vai se sentar num trono, que deveria ser meu.” Rebate.
    “Há muito mais que um trono Lucy.
    Se ela tiver esse, deixe, pois você
    terá outras chances.” Diz 
    com seriedade.
    “Eu sei que não. Mamãe e Harmonia,
    a traidora, darão tudo a ela, e eu vou
    ser esquecida de novo.” A raiva nela
    o assusta. “Lucy, sua mãe te ama, ela
    não faria isso com você.” Ele tenta
    lhe trazer para a luz. “E outra destruindo tudo, acha que vão te amar de novo?” Inquire. “Eles nem
    estarão vivos para isso.” Diz com a voz sombria. “Se estiverem, vão se
    importar mais com ela, pois você não
    está agindo como quem quer amor,
    e sim ódio.” A repreende. “Ela é
    ruim, vem para tirar tudo de mim, você não entende! Ela vai levar os meus pais, meus irmãos, e até os
    meus dragões.” Chora, e ele a abraça. “Lucy, se ela é tão ruim, seus pais verão, e caso ela tire tudo de ti, saiba que sempre terá a mim.” Esclarece, e ela retribui o abraço, o
    apertando forte. “Só não mate todo
    mundo por medo do futuro, certo?”
    Pede, e ela acena que sim. “E como
    vão capturar Bael?” Pergunta ao
    voltar a si. “Verei o quê posso
    fazer.” A tranquiliza.
    “Sempre que se sentir sozinha 
    pode vim para o laboratório comigo. Sou um pouco frio, mas prometo que te dou atenção.” Ele brinca, e lhe 
    dá um beijo no rosto.
    Naquela época, ele não tinha 
    sentimentos ardentes por ela, mas
    se preocupava, e desejava o seu bem
    , por isso estava disposto a fazer o
    necessário, para que fosse feliz,
    e extinguisse a escuridão
    de si.
    Infelizmente as sombras já haviam
    brotado, e ela não pararia, até o dia
    em que algo trágico aconteceu. Lilá
    cresceu, e em vez de querer o amor
    da mãe, ficou focada em ser a
    nova Hécate.
    Algo que irritou muito a Lilith, que
    se desdobrava para ser amada pela 
    menina, ao ponto de só notar Lucy, quando esta fazia as travessuras 
    para ser notada, ou ao chorar
     pela rejeição.
    Por isso esta perdeu a cabeça, e
    tentou afogar a menina, que agora
    tinha o olho azul marinho, e era mais
    pálida que a neve. O choro de Lucy
    invadia a mente. “Mamãe por quê não me ama mais?” É o quê ouvia, ao pressionar os dedos contra a
    garganta da menor.
    O alvoroço dos irmãos era grande,
    para resgatar a caçula, mas algo era
    ainda maior. O olhar frívolo e cruel da mais velha, que torcia para a
    mãe assassiná-la.
    Lilá olhava direto para irmã, lhe
    pedindo socorro, enquanto a água
    entrava pelos orifícios, e esta não
    movia um dedo, para lhe ajudar,
    algo que a assustou muito.
    Porém ao ver o próprio reflexo 
    sorridente na água, Luciféria saiu
    correndo, preocupada com o nível
    a que seu ciúme havia chegado,
    e no quê estava se tornando.
    Ela se afastou de tudo, de todos,
    e ficou chorando no meio da mata, 
    com medo de si mesma, e do quê
    era capaz. Foi quando subiu na
    árvore, e atirou-se no 
    piso.
    Azazel viu a sua queda, e correu
    para ajudá-la. “Você está bem?” Ele
    lhe perguntou, limpando o seu joelho ferido. “Promete que não vai me deixar!” Ela se atirou no peito dele,
    entre lágrimas, que não paravam
    de transbordar. “Eu prometo” Disse
    sem entender, e a carregou de volta
    para o castelo, onde recebeu a noticia, de que a irmã não
    ficaria mais lá.
    Lilá estava apavorada, com os 
    atos da mãe, e a atitude grotesca
    da irmã, por isso implorou para ir
    embora com o seu tio Krishna,
    que a aceitou em seu 
    reino.
    Ao contrário do quê possa imaginar,
    Lucy sentiu alívio por sua irmã partir, não por motivos egoístas, e sim por
    quê poderia terminar o quê a
    rainha começou.
    Luciféria e Lilá cresceram longe 
    uma da outra, e com tudo o quê 
    aconteceu, Lilith aprendeu que
    devia amar todos os filhos, de
    forma igual.
    Porém Luciféria não a perdoo,
    já que seu ato lhe trouxe muitas
    ruínas. Em vez de ficar muito tempo
    no castelo, preferia viver nas matas,
    com Azazel, ou no laboratório com
    Miguel, já que ambos faziam o
    possível para ajudá-la.
    “Bravinha.” Lúcifer chamou-lhe a
    atenção antes de sair. “Sim pai.” Lhe
    respondeu, voltando para o salão, e
    este saiu do trono para caminhar
    com ela.
    “Eu vi como reagiu a quase morte
    de sua irmã.” É direto, e a coloca no
    seu colo, como um bebê.” Só vi este
    olhar, em minhas batalhas, quando
    matava inocentes para o seu avô.”
    Assume, deixando-a surpresa, pois não achava que justo o seu pai 
    lhe entenderia.
    “É muito jovem para sentir tal 
    ódio. Assim como eu era na sua idade.” Disse carregando-a e lhe
    colocando na cadeira da frente.
    “Mas meu pai não era amoroso, 
    e eu nunca tinha visto minha mãe, então tinha motivos. E você?
    O quê te deixou assim?” Tenta
    saber, para lhe auxiliar, sem
    julgamentos.
    “Lilá.” Responde com vergonha,
    baixando a cabeça. “Luciféria. Só o
    seu ciúme, não lhe levaria a sorri por alguém morrer.” Ele diz em represália. “Não importa. Você não
    entende, nunca precisou dividir a sua mãe com ninguém.” Rebate, ficando
    defensiva. “Pode me contar tudo,
    minha garotinha, não vou apontar o
    dedo.” Diz percebendo que há algo
    errado. “Esqueça isso pai. Eu já esqueci.” Responde tentando mudar o assunto. “O quê fizeram com você?” Ele questiona desconfiado. “Eu fui torturada. Com 5 anos, só
    que isso não vem ao caso, fiz da dor a minha força, não virei vítima do
    acaso. Então deixe o passado no
    seu lugar!” Esbraveja. “Quem lhe
    torturou?” Inquire lentamente. “Oras
    quem sempre quis a infelicidade da mãe?” Diz e da os ombros, indo até
    a área morta, onde ficava o lugar
    em que o arcanjo trabalhava. “O quê
    vamos aprender hoje, querido professor?” Diz se esgueirando para cima dele, e este se afasta. “Lucy.”
    Diz em tom de ordem, fazendo-a
    parar. “Eu só queria me divertir.” Diz claramente entediada. “O quê houve?” Pergunta girando a chave
    de um transporte móvel. “Meu pai, acho que querendo trazer Lilá de volta, me fez me lembrar de quando Hécate me raptou.” Diz sentando-se a mesa, sem se importar com as pernas. “Modos.” Ele a julga, e esta se recompõe. “Foi horrível. Tudo o quê ela me fez passar, e nem sei o porquê , talvez seja um castigo premeditado de Harmonia.” Concluiu, e ele deixou o quê fazia para atendê-la. “Lucy.” Chama-lhe a atenção. “Eu já fechei a perna!” Se defende. “Não é isso, mas agradeço, sabe que é pecado provocar um anjo.” Agradece, e se
    senta ao lado dela, para não olhar para as suas coxas. “Você não foi a única a odiar a chegada de um bebê.” Revela, e esta o olha atenta.
    “Eu te odiei no nascimento, porquê
    era a prova de uma falha do meu
    pai.” Prossegue confessando. “Tá
    mas é um sagrado, deve ter sabido
    lidar com isso.” Se desliga da conversa. “Sou sagrado agora, antes era um moleque burro, que te deu para a pior bruxa negra do universo.”
    Responde, e isso a faz ficar em choque. “Miguel. Eu estava andando
    pela floresta. Não foi...” Tenta fazer
    ele falar o quê acha ser verdade. “Eu
    queria que te matassem, para que ninguém soubesse da vergonha do meu pai.” Ele segue falando, e segura a mão dela. “Ela me acorrentou, me deixou sem comer
    e beber. Eu tive de urinar no canto
    que estava presa. Fui tratada como
    um animal!” Grita com ele, e este
    lhe abraça forte. “Por favor me perdoa.” Diz entre lágrimas, coisa que ela jamais vira antes. “Eu amo
    você, não há um dia que a culpa não me consuma.” Assume, apertando-a
    , e esta fica triste. “Houve um tempo
    , que você era tudo para mim, mas
    hoje, todo o meu amor morreu.”
    Diz derramando uma lágrima
    solitária, e se solta.
    “Lucy, eu errei! Como você! Mas
    me recuperei! Também pode!” Ele berra, já que ela o toca de maneira profunda. “Eu não quero me tornar
    tão patética.” Diz na porta, e o
    deixa para trás.
    A jovem chora , encostada na copa
    de uma árvore, e ao ouvir os sons do seu sofrimento, Azazel se aproxima.
    “Lucy.” Diz vendo-a cabisbaixa. “O
    quê houve?” Pergunta. “O Miguel,
    o Miguel...” Soluça sem parar,
    e o anjo vai até o pivô.
    Sem dizer uma palavra, acerta-lhe
    um soco na face, o tirando do meio do seu projeto, e este se mostra espantado. “Ela me chama de patético, e eu que apanho?” Diz quase indignado. “O quê fez com Ela?” O jovem pergunta entredentes. “Não fiz nada.” Responde revirando os olhos. “Lucy não estaria chorando na floresta por sua causa, se não fosse algo!” Rebate, e o arcanjo sente o peso da consciência. “Quer a verdade?” Ele pergunta com ironia.
    “Você...” Diz com o tom sombrio. “Eu sou um idiota. Devia ter ficado calado sobre ter lhe entregado para Hécate.” Se responsabiliza, e volta aos afazeres. “Você contou a ela?” Ele investiga, e o outro acena que
    sim, ainda em silêncio. Sabendo que Lucy, era totalmente louca de amores por ele, Azazel conclui o quanto isso a machucou, e a leva para caçar, e se divertir para se
    esquecer da dor. Um talento que Miguel não tinha, era fazer ela se sentir bem mesmo nos piores momentos, e por isso o irmão mais velho dela, fez questão de lhe dar apoio para melhorar.
    Naquele dia a triste verdade, não
    lhe assombrou, pois ele a distraiu com piadas, pegadinhas, e a fez ir
    até o topo do céu com Graham, e
    Anahan, a sua draconesa de
    estimação.
    Infelizmente a noite veio, e com
    ela as lembranças também. “Azazel”
    Lhe chamou antes de sair do quarto.
    “Eu não consigo dormir sozinha, por
    favor fique comigo.” Pediu, e este
    voltou, e deitou-se atrás dela
    lhe abraçando.
    “Como quando éramos crianças,
    e eu temia matar a Lilá.” Disse com
    um sorriso tristonho. “É, e eu dizia
    que enquanto estivesse nos meus braços, não machucaria ninguém, nem a si mesma.” Ele relembra, e
    ela fecha os olhos. “O melhor
    abraço do mundo” Diz ao
    adormecer.
    Seu sonho é uma lembrança, 
    de quando ambos eram crianças,
    ela tinha 7 e ele 9. Estavam a beira
    do rio cristalino, sentados na ponte,
    sob a vigilância do arcanjo, que 
    teve de sair por minutos.
    “Você já beijou alguém antes?” Lhe pergunta. “É claro. Me tornei um dos soldados cedo, e você sabe.” Disse ao olhar para o fundo da água. “Já fez o
    algo mais?” Se mostra curiosa. “Sim
    , mesmo que Deus não permita. A onde quer chegar?” Questiona, já conhecendo as táticas da irmã. “Eu
    quero que me beije.” Diz diretamente. “Não prefere aquele almofadinha?” Fala a contragosto. “Ele é velho para mim, e eu conheço a sua fama.” Brinca, e o menino ri. “As ninfas deviam se calar.” Se vira para ela. “ Tem certeza disso?” Pergunta, e ela fecha
    os olhos. “Está bem.” Os seus lábios
    se encostam nos dela. “É um beijo
    de verdade.” Ela sorri e ele também,
    logo suas bocas se abrem, e um 
    morde o outro. Ao ver aquele beijo
    tão intenso Miguel surta, e berra com os irmãos. “Luciféria! Azazel!
    Não deviam fazer isso!” Os julga.
    “Lúcifer saberá disso!” Ameaça, e
    Os dois ficam com medo de mãos
    dadas, como um casal de cupidos.
    Infelizmente para o código de Miguel, o pai deles acha isso bem
    normal, e aprova o sentimento dos dois. “Oras deixe de ser tão certinho.
    Está com raiva por quê nunca beijou ninguém.” O portador da luz mostra
    que está despreocupado. “É piada não é? Já estive com várias ninfas!” o anjo se defende. “É, mas só elas lhe beijaram, você nunca as beijou.”
    Disse-lhe bebendo vinho, e ao ouvir
    aquelas palavras, Lucy desejou ter a honra de ser a primeira, a receber o
    beijo imaculado dele. Cartas, e mais cartas são escritas para o arcanjo, o
    fogo as queima, e a voz dele lhe
    confessando tudo, fica a 
    atormentá-la. “O homem que amo,
    é o quê quase me matou. Eu preciso o esquecer!” Pensou ao acordar nos braços do seu irmão, e por algum
    tempo, voltou o seus dias, e o
    coração para Azazel. Ao vê-la sempre ao lado do irmão mais velho, Miguel teve o gosto do ciúme. Era duro não
    ter aquele sorriso, as perturbações,
    e a sua companhia. Já estava apaixonado, por isso corria atrás dela, e pedia para lhe perdoar, só que ela o ignorava. Por isso, quando  viu outra menina apaixonada por ele, tentou ser como um príncipe para
    esta. Não queria causar algum desconforto na sua amada, porém quando passou a cuidar de Eke, Luciféria o odiou ao ponto de nem lhe olhar na cara. “Vá ficar com a sua nova ajudante.” Disse tentando pegar um livro de magia, no alto da estante. “Ela não entra no laboratório.” Esclarece. “Isso não
    é do meu interesse.” Diz com o nariz empinado, e acaba escorregando da escada, mas ele a pega. “Não é o quê parece.” Diz sorrindo, e ela sai do colo dele.  “Tanto faz. Hoje Lilá volta para casa, não tenho mais paciência, para problemas.” Diz indo embora.
    Lilá voltou da casa do tio diferente,
    para uma criança de  8 anos, muito mais parecia uma de 12, e em vez de usar pequenos vestidinhos, vestia-se como adulta, algo que traumatizou
    a mãe de imediato, pois achava 
    que só na adolescência a
    veria assim.
    Ela cumprimentou a todos com
    graça e doçura, como se fosse outra
    criatura. Mas não tardou para ouvir
    os boatos, de que esta andava a
    animar as noites dos irmãos,
    que ficaram divididos.
    Os mais velhos Azazel e Asmodeus,
    ficaram ao lado de Luciféria, e os outros, Caim e Mammon, se juntaram a Lilá. O clima de guerra
    era constante, por isso Lucy seguiu
    distanciando-se de seu lar, sempre
    ao lado do seu irmão. Lilá percebia
    que a incomodava, e por isso tomou
    as rédeas da situação. “Eu sei que
    você ama minha irmã.” Disse com
    maldade para o arcanjo. “Isso é um
    assunto de adultos.” Retrucou com
    frieza. “E desde quando a Lucy é
    adulta?” Brincou, e ele lhe olhou
    com desprezo. “Eu posso fazer ela
    voltar a te ver.” Propõe. “E por quê faria isso? Não a odeia e a quer 
    infeliz pelo passado?” Perguntou já
    desconfiado. “Não, éramos menores,
    agora quero que tudo fique bem.” Diz com certa destreza. “O quê me
    sugere? Já pedi perdão, enviei o livro
    sobre o mundo proibido, que ela tanto ama, me humilhei, o quê falta?” Conta. “Deixa comigo.” O convence, e inicia seu plano. 
    Como quem não quer nada, faz 
    com que Luciféria vá parar no meio de uma floresta negra, sozinha e sem algo para se defender, e prossegue da mesma forma com o soldado, o enviando ao encontro dela.
    “Ah claro! Tinha que ser o psicopata!” Diz ela ao vê-lo chegar,
    Enquanto quase arranca os cabelos,
    Tentando retornar para onde acha
    seguro. “Eu não fiz nada. Foi a Lilá.” Responde. “Eu odeio minha irmã,
    mas não sou idiota.” Rebate. “É a
    verdade. Ela queria que a gente se reconciliasse.” Ele se senta sob a
    pedra, e a bela gargalha. “Lilá? A
    minha irmã mais nova? Por quê? Você é muito fácil de enganar.” Diz
    com sarcasmo, e este balança a sua
    cabeça em negação sorrindo. “Sou um arcanjo. Treinado. Ela falou a
    verdade.” Diz com arrogância. “Oh.
    Então se ela me quer com você, é mais uma razão para eu não querer.”
    Retruca, e este se levanta. Os passos
    dele são rápidos, e em segundos a
    encosta no tronco da árvore. “Eu fui
    um idiota, quantas vezes preciso ter que repetir, para que me perdoe?” Diz olhando nos olhos dela. “ Você me enviou para a morte!” Grita. “É,
    mas também fui lá para consertar o erro, e te devolver para a sua família.” Deixa em pratos limpos. “E isso faz de você um herói?!” Pergunta de forma irônica. “Não, mas mostra a minha consciência.” Ele vira o rosto, envergonhado consigo mesmo. “Eu amo você.” Ele diz e os olhos dela crescem devido a pausa, porquê aquilo lhe faz pensar que chegou o dia que passou a lhe
    retribuir. “Foi um erro, mas por favor pare de basear nossa amizade nisso.” 
    E a expectativa cai por terra. “Tudo
    bem. Me desculpa, por dizer que era patético.” Sorri sem jeito, e ele se
    afasta. “Sem problemas. Agora me diga, por quê achava que Lilá queria
    que ficássemos juntos?” Questiona
    sem entender, na mente dele Luciféria era carinhosa e provocativa 
    com todos os amigos, por isso achava que as declarações eram só
    parte do seu jogo, e não que sentia
    realmente algo. Depois deste dia,
    eles voltaram a se falar, e Luciféria ficou em débito com a menor, que
    fez questão de cobrar, lhe fazendo
    levá-la para sair, e pedir para o
    anjo levar Gabriel.
    Após a irmã lhe ajudar, e passarem
    horas juntas, Luciféria percebeu que Lilá não era insuportável, e que em vez de ser sua inimiga, podia se
    tornar o contrário. Para a surpresa
    de todos, as irmãs passaram a ficar grudadas como chiclete e sapato, e
    ao vê-las sorrindo, Lilith se sentiu
    feliz, por não ter ameaçado o laço
    fraterno delas, com o seu amor
    mal dividido. Luciféria acreditava
    que estava tudo bem, e para compensar sua atitude no passado,
    fazia tudo o quê Lilá queria, mimando-a mais que a própria 
    mãe. Azazel detestava isso, 
    porquê ao ver os encontros duplos, tinha certeza de uma coisa: Lilá não os apoiaria, e fazia tudo por Luciféria e Miguel, só para ver o menino Gabriel. Por isso este veio a alertar
    a irmã, que encantada pelo apoio da caçula, não o ouviu. Porém ele não era o único a notar tal coisa, o
    arcanjo também viu. “Lucy. Lilá só
    nos quer juntos, porquê assim pode ficar junto de Gabriel. Não se engane
    , ela é realmente má, como Hécate.”
    Miguel lhe disse. “Isso não é verdade.
    Minha irmã me ama, e deseja que eu seja feliz.” Rebateu com raiva. “Lucy
    , tome cuidado.” Continuou a avisar.
    “Eu te mostrarei o contrário.” Diz
    com a certeza de que ele está se equivocando. Então usando as suas
    táticas de manipulação, faz com que
    Gabriel beije Eke, sem saber que Lilá estava vendo, provocando uma bela
    briga entre o casalzinho, para ver
    até onde a pequena vai. Não tarda
    para que esta se afaste da mais velha, e volte as antigas provocações, por não ter mais nem uma valia manter o contato com 
    ela. Isso decepciona Luciféria de tal
    forma, que esta chega a chorar. “O quê achou? Que basta pedir desculpa
    por tentar me matar, e seremos as
    siamesas?! Cresça!” Disse-lhe em seu momento de raiva. “Eu descobri um
    segredo de Gabriel, depois de seduzir o Miguel, e o fiz beijar Eke. Ele não te traiu porquê quis.” Diz com frieza, e
    a deixa para trás. Há conflito dentro
    da jovem, pois parte dela odeia a sua irmã, mas a outra parte, a ama e se
    sente triste, por perder uma amiga
    tão boa. Assim as irmãs crescem nesta relação de amor e ódio, que 
    na mente de Luciféria acaba sendo só de amor, quando Lilá chega a adolescência, porém para a sua tristeza, vem a descobrir mais tarde,
    que sua melhor amiga, continua a
    odiá-la, e isto a machuca muito.
    “Como se sente agora?” Lilá 
    pergunta para a irmã, que está amordaçada. A mesma revira os
    olhos, e esta tira o tecido da 
    sua boca.
    “Obrigada” Agradece com o
    sorriso irônico. “Estou muito bem.”
    Mente descaradamente. “Mas e
    você? Já preparou o vestido de
    noiva?” Questiona-lhe com
    alegria raivosa.
    “Sim, será vermelho, como no
    seu pesadelo. Bael se casará comigo,
    e sentarei no trono ao lado dele” A
    mais nova provoca, e a outra se
    debate, tentando atacá-la.
    “Finalmente ganhou uma. Afinal
    os portões de Tiamat, só podem ser
    abertos por mim, e Harmonia me fez
    a deusa” Rebate, tentando conter
    a ira, por conta da derrota.
    “Ah pare! Harmonia só te fez deusa
    , porquê Eu não estava lá!” Berra, e a irmã ri. “Ou o Destino preferiu assim, e não era mesmo para ser você. Pode
    ser a nova rainha de Bael, mas nunca
    será eu querida, lamento.” Diz com
    o tom provocativo.
    “Não quero ser você. Nunca quis.
    Só queria o meu espaço. Mas como
    sempre, quando tinha a menor chance de brilhar, vinha a Luciféria
    bravinha, e me ofuscava com sua
    luz radiante!” Retruca, mostrando
    o seu descontentamento.
    “Você só queria roubar o meu
     lugar! Não se faça de sonsa!” Grita
    de volta. “Por quê acha isso? Porquê 
    nasci com a cor dos seus malditos olhos? Por quê quis ser adorada? Ou
    pior por quê só queria que minha 
    irmã me amasse?!” Lilá perde a cabeça, e põe pra fora tudo o
    quê a machuca. “Não tente me manipular, eu te ensinei isso!” A rainha deposta se mostra furiosa.
    “É! Como me ensinou a me vestir direito! A criar uma conexão com as aves! A estudar! E todo o resto! Eu nunca invejei você Lucy! Mas sempre teve tanta insegurança, que nem percebeu que eu te admirava!” Solta todas as mágoas, fazendo a prisioneira ficar em silêncio. “Eu queria sim ser como você, mas era antes, Hécate tinha me ferido muito, e você era o meu exemplo feminino, já que nossa mãe não acreditava que eu tinha mudado.” Senta do lado da irmã, como uma criança. “Só que você, só soube me machucar, me testar, e se afastar. Você não queria ser minha amiga, e sim que eu fosse a sua inimiga, e por isso me tornei
    o quê temia.” Diz entre lágrimas. “Isso não é verdade, pois se for...” Diz para a mocinha. “Eu só me tornei sua inimiga, porquê me fez assim?!” Mostra a conclusão. “Não! Você era ruim! Eu via! Não pode ter sido minha culpa!” A jovem rainha chora,
    negando a realidade dos fatos. “Eu
    podia ser diferente. Já parou para pensar, se não te mostraram o futuro, só para que mudasse?” Ela
    se mostra arrependida. “Que diferença faz? Você seguiu mesmo pra escuridão, e agora está indo para o meu lugar. Como na visão que a velha me mostrou” A nobre se mostra triste. “E importa Lucy? Por acaso gosta de reinar com Ele? Quer mesmo esse lugar?” Pergunta-lhe com incredulidade. “Não.” Ela responde com voz fraca. “Luciféria, 
    Luciféria Lilith II. Não me diga que...”
    Lilá percebe o desconforto da irmã. “Não, Lucy, Não. Miguel e Azazel são
    uma coisa, ele é horrível! Um monstro!” Esbraveja espantada. “Não pode sentir algo por Ele!” Termina, e a consanguínea fica em silêncio. “Lucy. Não.” A caçula, fica em choque. “Ele deixou as outras, 
    e me fez a rainha” Assume. “E mesmo sendo um idiota, tem até cuidado bem de mim.” Prossegue com o relato. “Ele não é nada disso...” Tenta acordá-la, e o próprio entra no lugar. “Pensei que tentaria atormentá-la, e não colocá-la contra mim.” Diz com o sorriso maléfico, e
    estala os dedos, para que venham lhe prender. “Não! Lucy! Lucy! Ele é um monstro!” A irmã tenta dizer, ao ser amarrada. “Ele abusou de mim!” Grita ao passar pela porta, e isto deixa a rainha catatônica. “Eu fiz o mesmo com Eke. Qual a novidade?” Diz o demônio, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. “Você abusou da minha irmã?” Pergunta incisiva. “Sim, mas não como com você, com ela fui até o fim.” Responde sorridente. “Quantos anos. Quantos anos ela tinha?!” A dama inquire com vigor. “A idade de
    Eke. Por quê? Foi você que me libertou lembra? E me pediu para destruir tudo! Só quis me divertir um pouco!” Diz como se o seu ato fosse normal. “Você a atacou!” Berra com
    ódio. “Sim, e agora farei dela a minha rainha.” Rebate com frieza.
    As mãos dela se soltam, e acertam-lhe um tapa. “Já chega.” Diz angustiada. “Está com ciúme? Depois de se entregar para o arcanjo!?” Diz o novo deus ao limpar o sangue do lábio. “Ciúme eu sentia antes. Por você dormir com a minha irmã jovem e adulta. O quê sinto por você é nojo!” Grita, e ele se
    surpreende. “Lucy.” Diz implorativo. “Não toque em mim!” Se livra da mão dele. “Você me amava?” Ele a pergunta, percebendo a revelação no seu discurso de raiva. “Não! Não sei
    ! Só não te detestava!” A rainha continua a negar o quê sente. “Eu não sabia...” O arrependimento é claro em suas palavras. “Depois de tanto se gabar por me seduzir?! Eu não sou idiota!” Urra. “Lucy.” Ele fica como um bichinho assustado. “Você é um monstro!” Vocifera , o empurrando. “Lucy.” O olhar dela,
    é preenchido pelo rancor, e o violeta enegrece, até ficar como um tubarão, preste a devorar a sua presa. “O quê você...” Ele teme que ela tenha descoberto o tamanho de seu poder. Sem dizer uma palavra,
    ela o puxa pela gola da camisa, e o beija com ferocidade. Algo que o surpreende, mas não tarda para perceber, que não há sentimentos naquilo, e tenta se soltar, só que ela segura o seu pulso, e tenta tomar o
    Caos dele a força, sugando a sua
    energia. Como um machista, tenta mostra superioridade, porém para
    o seu azar, o poder dela cresce pelo ódio, e seu amor pela irmã. Logo os olhos dos dois ficam brancos, e ela mergulha na mente dele. Há uma linda garota de olhos vermelhos como o sangue, parece ter entre 13 ou 14 anos, e então um homem que muito se parece com ela, vem e a toma nos braços, diante toda a família, e a sua prima. Ele tira as suas roupinhas, a toca sem pudor, a penetra como uma cadela no cio. Contudo não se engane, não é Eke
    a vítima, e sim o próprio Bael que
    a rainha colocou na pele da filha, que após este ato horrendo atraiu a sua irmã, para ser iniciada na magia 
    como ela. Ao contrário da rebenta, que depois sentiu prazer no ato. Ele fica com medo, aterrorizado, e implora que lhe salvem, pois aquela sensação é horrível. Seus olhos lagrimam, e então Eke acerta a cabeça da madrasta com a madeira. “Deixe-o em paz!” Grita em pânico,
    atirando a jovem para longe. Esta cai atordoada pelo golpe, e o demônio
    volta para a realidade. Ao vê-la caída na parede, ele arremessa a própria filha, e pega a esposa pelos cabelos, arrancando-lhe o vestido. “Desgraçada!” Diz ele furioso, com
    os olhos cheios de sangue, de tanto exasperar. “Vai pagar pela afronta!” Brada entrando no corpo mole dela, fazendo movimentos tão violentos, que seu membro fica coberto de linhas rubras. “Me larga!” A jovem grita, e ele pressiona seu pulso, até o osso rachar, causando-lhe uma dor insuportável. “Você não é maior que Eu! Nem mais forte!” Grita como se estivesse em desespero para oprimi-la, e a coloca de cara na parede, 
    pressionando sua face no concreto,
    ao balançar-se para dentro dela. O
    tempo parece lento, a dor é incessante, o poder de Harmonia,
    em seu corpo, é sufocado pela escuridão presente em Bael. “Para!”
    A filha do Inferno grita, passando
    por ele como um vulto, e isto o distrai. Ela não suporta a ardência
    em seus músculos feridos, e desmaia no piso. “Eu te odeio.” São as suas
    últimas palavras, antes de fechar
    os olhos. “O quê está olhando?!
    Amarrem-na com cordas mágicas!”
    Ordena, ao ver os olhos grandes de
    Hécate, e esta aprisiona a sobrinha, com a corda encantada, enquanto
    Eke prende-lhe os pés. O novo deus,
    sai do local, extremamente exaltado,
    e resolve descontar tudo em Lilá. Com a mais nova segue um padrão diferente, lhe perfura a língua com o prego, e a penetra com uma camada cheia de espinho, ferindo-a muito
    mais. “É tudo sua culpa! Sabia?!” Ele grita, segurando-a de costas, e lhe
    enfiando o membro. “Ela me amava!
    Ficaria comigo! Se não viesse para
    Reclamar a coroa de rainha!” O rubro fica denso, a mocinha chora sem parar. “Você...Você é o culpado
    não eu.” É tudo o quê ela diz quando
    ele pausa, o quê o faz retomar a tortura, e castigá-la muito mais. No dia seguinte...Luciféria e Lilá estão presas em lados opostos, Eke prepara as vestes da quarta rainha, e Bael segue irritado, temendo que a terceira esposa, volte a atormentá-lo. A cerimônia de coroação de Lilá, não é nada honrosa, ele a leva para o altar, sendo puxada por uma coleira como um animal, fazendo-a inclusive andar como quadrúpede,
    mesmo sem forças. Os servos olham horrorizados para tamanha crueldade, e ele justifica como um ato de correção a má conduta, sem se importar com o medo presente
    nos homens. A coroa é posta na cabeça de Lilá, e o sangue escorre
    por sua face amedrontada. “Bem vinda, nova rainha. Não era isso o quê queria?” Diz ele com sarcasmo, e a dama vira-se lentamente para o encarar. “Teria sido assim quando pôs a coroa na cabeça de Luciféria?”
    Se questionava. Contudo a resposta
    era não, ninguém sabe a razão, mas o novo Senhor da Terra, fez para a sua sobrinha o casamento mais belo ,e com todos os gastos que se possa imaginar. A terceira esposa, lhe era tão importante, que tirou o título das outras para que fosse a única a dividir o trono real. Algo que trouxe
    tanta infelicidade a mãe e a filha, que estas armaram para que Lilá viesse reclamar a coroa, que desde pequena Hécate tinha lhe prometido,
    se fizesse tudo o quê ordenava. Um
    homem de negros cabelos longos e olhos claros, sente uma dor tremenda, ao ver Lilá praticamente nua, sofrendo tamanha humilhação. É Caim, um dos irmãos mais novos de Luciféria, e mais velho que a caçula. Ele não suporta, e abandona o local, a notícia de que Bael tinha uma quarta rainha, logo se espalha, e isto chama a atenção de Miguel. “Precisamos chamar as tropas celestiais!” Diz para o seu irmão mais novo. “Luciféria escolheu o próprio destino, nós não podemos fazer nada.” Diz Salatiel, é claro que queria prestar ajuda, mas sabia que Yaweh não aprovaria. “E o quê faço?! Fico de braços cruzados, vendo a mulher que amo sofrer?!” Diz indignado. “É claro que não. Disse que Nós não podemos ajudá-la. Mas há alguém que pode.” Responde com um sorriso, encontrando uma saída para o irmão, que não mais podia ir para o paraíso. “Quem?!” Quase ulula, de tanta esperança. “Se Bael tem uma quarta rainha, Luciféria não deve está bem.” Diz Asmodeus olhando para Azazel, enquanto este termina a bebida, rodeado por duas mulheres.
    “Ela escolheu casar com ele. Devia saber que logo deixaria de ser a única.” Responde evidentemente sob o efeito da droga infernal. “Não se preocupa?” O irmão e amigo pergunta. “Ele fez um belo casamento, lhe deu o mundo, e atende a todas as vontades dela. Um coração partido deve compensar o poder.” Rebate mostrando-se frustrado. “E se ela foi forçada a isso?” Uma voz familiar diz, e o forasteiro o encara. “Você?! Você não é bem vindo em meu reino!” O demônio meio bode grita. “É? Mas como pode ver, agora posso entrar no Inferno.” Esclarece. “Então vá para lá.” Diz o sátiro rabugento. “Já tentei, mas Lilith e Lúcifer se recusam a ajudar a filha.” Rebate. “É lógico, o quê vier a acontecer com Luciféria, é consequência da própria escolha.” Se mostra indiferente. “Como disse antes, Lucy não teve uma escolha.” O anjo diz como se o outro fosse idiota.
    “Lucy se casou com Bael. E no casamento existe o termo de “sim” e “não”, e ela disse “sim”, então que tal desistir dela também? Há muitas ninfas renegadas aqui. Sei que se casou com Eke, mas claramente não é a sua mulher que ama, então junte-se a nós e divirta-se” Volta a beber, e sorri para as moças. “ Lucy
    não ama Bael!” O anjo esbraveja, com tanto ímpeto, que o demônio fica desconfiado. “Como tem tanta certeza?” Questiona insidioso, e ao ver que ele tinha abandonado as súcubos, o irmão se põe entre
    eles. “ Eu dormi com ela.” Confessa, em voz baixa, e o irmão da princesa perde a cabeça, indo para cima do
    alado, acertando-lhe golpes certeiros no queixo e na boca. “E veio aqui para quê?! Se gabar da conquista?!”
    Berra, ao deixar o anjo no piso, lhe atingindo com murros violentos.  “Não. Bael vai matar a Lucy por isso.” Sussurra, limpando o sangue nos lábios, com a costa da mão. “Você é o amante da mulher dele, resolva.” Diz saindo de cima do rival.
    “O quê aconteceu com você? ” O inimigo inquire, assombrado pela forma como o demônio está agindo, e este o ignora. “Antes me machucaria, e correria para resgatá-la. Agora só a despreza, como um covarde!” Se levanta, e ajeita as roupas. “Só cansei de correr atrás, e
    ela escolher os idiotas que a machucam!” Revela em protesto a acusação. “O quê? Azazel ela passou 100 anos perto de mim, e não quis
    sequer trair a sua memória!” Fica desesperado. “Depois de te beijar no meu enterro, e antes de casar com aquele monstro. Conta outra!” Volta a atacar. “Eu a beijei todas as vezes!
    A única que ela o fez, foi só me usando para descarregar energia!” 
    Assume a responsabilidade. “Não foi
    o quê Eke e Lilá me contaram!” Ele
    bebe o cálice do forte liquido. “Ah por favor! Elas odeiam a Lucy! Não te diriam a verdade!” O arcanjo revira os olhos. “Eu sou o culpado. Não ela.
    Tal como você foi no dia do meu noivado.” O relembra. “E vim te implorar que a ajude, porquê todo o tempo que perdemos, significam mais sofrimento para ela!” Tenta
    mais uma vez. “Lucy não vai querer a minha ajuda.” Recobra a razão, e se sente um babaca. “Ela não te esqueceu.” Admite com dor na garganta. “Como sabe?” Ele lhe pergunta. “Me certifiquei” Responde, e se lembra que a amada, considera o demônio como o senhor da luxúria.
    “Por favor, você é a única chance que ela tem.” Pede-lhe mais uma vez, e o rei considera a ideia. “Posso ir com vocês?” Diz o jovem futuro primeiro assassino da história. “Por quê?” O arcanjo o olha com desgosto. “Lilá também precisa de ajuda, e o meu exército de vampiros pode lhes ser útil.” Responde, e os quatro irmãos que estavam no bar da antiguidade, seguem parao resgate das princesas. “Lilá, nunca será somente sua Cam.” Azazel o adverte. “É, ela já esteve com todo o inferno praticamente. É melhor desistir” Miguel concorda. “Desculpa, mas estou ouvindo isso do anjo que foi traído no dia do casamento, e do demônio cujo o luto foi desrespeitado?” O mais jovem provoca, e os dois se calam. “Sei que amam Luciféria, mas ela também não é um exemplo de mulher certa.”
    Atira na face dos rivais, e eles reagem. Miguel sorri forçadamente, e Azazel finge não ter ouvido. “Está bem. Vamos salvá-las.” O rei tenta desviar do assunto, e monta no seu cavalo negro. “Azazel.” O alado o chama a sós, e este fica confuso. “Por favor, entregue isto a ela quando encontrá-la.” Pede com educação. “Por quê não entrega você? Logo a veremos.” O demônio recusa. “Por quê é provável que eu não volte.” Mostra  receio. “O quê?” O jovem rei fica surpreso. “Você o enfrentou no passado, e ela sofreu com a sua perda. Tem que ficar
    vivo desta vez.” Diz com um sorriso sem vontade, e move as rédeas do seu equino branco. “Não morra
    bastardo!” Grita seguindo outro
    caminho, e guiando os exércitos de
    Azazel e Caim, junto de Asmodeus, 
    que se mostrou pronto para o
    auxiliar. O demônio guarda a garrafa com uma carta dentro da cela, e segue o plano com Caim. “Pronto para resgatá-las?” O sátiro pergunta, pensando na amada ruiva. “Estou sempre pronto.” Responde o vampiro, e os cavalos cavalgam rapidamente, atirando-os contra
    o ar, enquanto estes se transformam em lobos negros enormes.
    Miguel vê que Asmodeus está se pondo em perigo, e olha para este com curiosidade. “Por quê veio?”
    lhe questiona. “Luciféria e Lilá são
    importantes para mim.” Responde,
    seguindo ao lado do arcanjo. “Bem
    mais que importantes, já que está
    colocando sua vida em risco por
    elas.” Brinca, e este apenas se faz de desentendido. De fato tinha algo
    errado, e só o tempo iria 
    mostrar.
    O assassinato e o luto
    Dois cavaleiros, mudam suas formas, 
    o primeiro para a de uma serpente, e o segundo para um morcego, e eles vasculham o lar do novo Deus. O morcego, sobrevoa até a área mais alta, enquanto a cobra passa por debaixo da porta. Ao achar o cativeiro, a cobra toma a forma de um homem encapuzado, que desamarra a jovem terceira rainha, e a pega nos braços. “Você voltou para me salvar.” Ela sorri, ao ser carregada, para fora da sala, e a culpa o consome, por vê-la num estado tão crítico. Os lábios estão secos, o rosto marcado pelo cimento, as roupas rasgadas, e esta nem consegue andar. O palácio piramidal está vazio, e não é
    por acaso, pois a família Belzebu teve de se retirar, deixando alguns soldados para vigiar as princesas, enquanto seguiam para Memphis,
    onde havia um estranho ataque
    de sátiros e vampiros. “Não temos
    tempo para agradecimentos.” A voz de Miguel a acalma, e ela o abraça, embora o sinta diferente. O outro cavaleiro, desce dos aposentos carregando a quarta rainha, que está desacordada. “Lilá!” Se desespera, e
    tenta caminhar até a irmã, mas quase cai, e o alado a segura. “Ela ficará bem, agora precisamos sair daqui. Tenho de te entregar para o Azazel.” Diz ele, voltando-a carregá-la, e esta fica confusa. Azazel? Mas ele esteve no seu casamento, e viu quando disse sim ao demônio, porquê teria reconsiderado? É algo que não parava de se perguntar. Ele
    monta no cavalo, e a põe em seus braços. Eles se encaminham para
    o deserto, e ao ver a amada tão fraca, Caim morde o próprio pulso, e enche seus lábios com o sangue. O quê a faz acordar assustada. “Caim?!” Diz em pânico. “Onde estamos?! Cadê a Lucy?!” São as primeiras perguntas dela, e o vampiro aponta para o lado. Ao ver Lucy, ela sorri surpresa, e ambas olham uma para a outra acenando.
    Sem dizer nada o arcanjo e o homem  morcego, mudam a rota, e então vão para onde se encontra o portal para o Inferno. “O quê? Não, e Azazel? Ele vai morrer! Eu não vou suportar isso de novo!” Lucy se debate, tentando sair do equino, para ir resgatar o seu irmão mais velho. É quando se vê ao longe a silhueta de Asmodeus, e logo atrás dele, há outro ser, o quê lhe dá esperança. O novo deus da luxúria, passa por entre eles, e adentra as terras proibidas. “Vamos. Venha logo.” A jovem suplica, torcendo para que Azazel chegue o quanto antes.  Tão grande é a sua surpresa, ao ver que quem vem no cavalo branco é Miguel, e não Azazel, e se sentindo confusa, ela teme que esteja em outra ilusão de Bael, e se esforça para se machucar, e voltar ao mundo real. Infelizmente o arcanjo não vem sozinho, em seus braços se encontra Eke, e isto lhe parte o coração. Ao ver a sua amada, o arcanjo, beija a esposa, deixando-a de queixo caído, e notando que aquilo é uma tentativa de fazê-la ir para o outro lado, Bael lhe desfere um corte no peito, com uma espada encantada pela deusa Hécate, e o puxa para trás. “Não!” Grita ao vê-lo ensanguentado. “Agora Azazel! Agora!” Grita olhando para ela, enquanto pede para o irmão arrastá-la para dentro do portal. “Não! Miguel!” Ruge tentando se soltar, sendo carregada para dentro, enquanto o demônio volta a sua forma original. Mas não tem forças, e é levada para o reino de Azazel, enquanto Miguel é deixado para trás para morrer. “Por quê fez isso?!” Grita com o sátiro, com lágrimas em seu rosto. “Porquê ele me instruiu.” Responde um pouco abalado. “Ah tah, e desde quando você e Miguel são amigos?! Queria matá-lo! Só esperou a oportunidade!” O acusa pela morte do seu amado amante, e ele ri com desgosto. “Agora sei porquê me incumbiu tal tarefa.”  Diz ainda com o sorriso no rosto. “Do quê está rindo?! Ele tá morto!” Urra chorando sem parar. “Ele me pediu para te entregar isso. Se realmente nos tornamos aliados, ele deve ter
    dito a verdade.” Entrega-lhe a garrafa com o pergaminho, e esta a pega, abrindo-a rapidamente. Vendo o estado da irmã, Lilá se junta a ela na leitura, e a abraça. “Se está lendo isso, é porquê não sou tão forte quanto pensava, e pereci nas mãos de Bael. Sei que fui um idiota, mas acredite em mim quando digo que te amo, e que o seu bem é tudo o quê importa. Não quero que chore sem parar, prefiro que se lembre apenas dos nossos momentos felizes, e não se esqueça que assim como voltou, também poderei fazê-lo. Mas por favor, não volte para Bael, é melhor que siga com Azazel, pois apesar do jeito dele, sei que te ama, e pode lhe fazer feliz, talvez até mais do quê fui capaz. Se o culpa pelo meu fim, te peço que reconsidere, pois fizemos um acordo, e eu pedi para que ele
    ficasse vivo. Sabia que o amava, e não suportaria perdê-lo uma segunda  vez. Ele sempre foi o seu ombro amigo, e aquele com quem pode contar, seria mais difícil, do quê perder um belo anjo, que por muito tempo, ignorou os sentimentos te fazendo sofrer. Eu sei que me ama, e eu te amo também, por isso por mim, perdoa a tua alma gêmea, e siga o seu destino, mesmo que nunca me esqueça, pois não sei por quanto tempo ficarei no mundo de Harmonia, e preciso ter certeza
    de que ficará bem. Para sempre seu, Miguel” A princesa leu aquelas palavras, e colocou o colar dourado com a pedra rubra incrustrada. Não tinha nenhuma magia poderosa no colar, mas foi um presente, o único que Cerridwen lhe deu na vida, e por isso Luciféria sabia do quanto lhe era importante. “Lucy.” Lilá chamou a atenção da jovem, e esta segurou no colar, e secou as lágrimas. “É Nahemah agora” Lhe respondeu com orgulho do nome, e a menor sorriu .com ela. “Aza.” Diz ao entrar no jardim do castelo avistando o demônio, olhando para as flores 
    com tristeza. “Sim.” Atendeu ao
    chamado, e a princesa correu para 
    o seu encontro. “Precisa ler isso.”
    Entrega-lhe a carta, e ao ver a
    mancha das lágrimas, e o nome
    Miguel, este de imediato recusa.
    “Ele foi um oponente valoroso.”
    Assume com o sorriso triste. “Não quer mesmo saber?” A jovem o
    questiona. “Eu já tenho uma ideia 
    do quê seja. Mas me perdoa, não
    estou pronto para nos unirmos
    outra vez.” Esclarece, e a bela fica de queixo caído, também não queria ir em frente, mas ouvir da boca dele,
    foi doloroso. “O tempo realmente muda a gente.” Diz após procurar as palavras certas. “Você escolheu Bael
    em vez de mim...” Inicia para  dá uma explicação. “Esse é o problema? Não ter te escolhido?” Pergunta com certa chateação. “Não. Até o arcanjo era melhor que ele.” O ser revela, deixando-a surpresa. “Azazel.” Ela tenta segurar em seu ombro, e ele segura sua mão. “Em breve iremos dizer que somos noivos. Mas é para que fique aqui, eu não te amo mais
    Luciféria.” Confessa, e parte lhe deixando mais triste. Tal revelação não a abala, mas faz com que se sinta ainda pior. Aquele que achou que a amaria acima de tudo, não sente mais nada, e o quê um dia foi 
    o seu querido par estava morto, o único que lhe restou foi o marido,
    mas deste só queria distancia. 
    A jovem rainha do mundo, e princesa renegada do inferno, seguiu sua vida ao lado do rei. Como o acordo firmado entre eles, noivaram perante todo o reino, com sorrisos e beijos, mas nos aposentos reais, a verdade é que mal eram amigos. Ele não a destratava, porém não era gentil ou carinhoso, e o problema era muito evidente. Ao saber que Lucy voltou para o Inferno, e decidiu noivar-se a Azazel, Lilith se encheu de alegria, e foi visitá-los, e ao descobrir que as coisas não iam bem, sugeriu que o “casal” fosse para o reino de Asmodeus, aproveitar a liberdade e os prazeres daquela terra. Eles foram, por insistência da rainha, que ansiava vê-los juntos, no entanto não tinham a menor vontade de ficarem juntos. Por isso ao chegar lá, o rei se juntou aos amigos Gadreel e Asmodeus, e foi para a taverna mais próxima, deixando a noiva para trás, junto da irmã, que insistiu para ir junto, e de Caim que precisava de férias. “Não acredito que ele esqueceu.” Diz a jovem outra vez ruiva e cacheada, olhando para os decretos que o rei deveria revisar. “Vou entregar a ele.” Sai do local, e procura onde este estaria se divertindo. “ Sei que viemos para descansar, mas precisa administrar melhor o seu reino!” Diz imponente, ao encontrar os irmãos
    sentados a mesa, bebendo. “Querida
    . Por quê não se senta conosco?” Lhe pergunta, desconfortável, sem se dar o trabalho de fingir. “Porquê não sou uma adolescente, sem preocupa...” Ela inicia o seu discurso, e então olha para a cabana a frente, de onde saem os seus pais, e uma bela loira de olhos claros, completamente 
    nua. “Mamãe, papai!? O quê fazem aqui?!” Diz aterrorizada com as possibilidades. “Viemos nos divertir. Como todo mundo.” Diz a imperatriz infernal. “Que tipo de diversão ?” Questiona-lhe, assombrada pela caucasiana. “Oras não haja como se tivesse 7 anos Luciféria!” A rainha nota o incômodo da princesa. “Aqui é uma terra livre de preconceitos minha criança.” Lúcifer concorda com a esposa, e a primogênita, sente falta de ar. “Deixe de ser tão neta de Yaweh, e vá se divertir menina.” A mãe brinca, dando-lhe a ordem, e o pai pega os novos decretos. “Eu posso cuidar disso.” Tenta lhe dá alguma segurança. “Mas...” Luta para seguir com o plano inicial. “Já são 700 anos de noivado, e nada de se casarem. Precisam se soltar!” Diz Lilith, e Azazel e Luciféria riem com nervosismo. Olhando um para o outro, e ao ver que estavam distantes, a bela se senta no colo do seu suposto par. “Como sua rainha,
    ordeno que aproveitem as férias!” A bela grita, e ela e Lúcifer partem com Evangeline, a bela loira de antes. Ao ver que foram embora, a princesa se levanta, e decide fazer o mesmo. Só que para o seu azar, ela percebe que a porta foi bloqueada, e toda vez que tenta sair, é obrigada a voltar. “Sente aí Lucy. Não somos piores que os seus dragões.” Asmodeus a convida, e esta de má vontade, se junta a eles. “O quê estão fazendo?” Pergunta olhando para o tabuleiro gritante. “Jogando o culpado.” Azazel esclarece, notando que o amigo está olhando demais para a falsa noiva, por quem ainda nutre amor verdadeiro. “Este não é aquele jogo proibido no reino dos nossos pais?” Ela pergunta, segurando os pequenos humanos, que imploram para viver. “Sim, mas aqui é Asmoath, a terra quase sem lei. Só
    não violamos a consciência de quem se aventura a vim até nós.” Responde o dono do lugar. “Quer jogar conosco?” Azazel pergunta, 
    eles não se falam direito, porém ele continua a cuidar dela, e tenta lhe fazer bem. “Não tenho outra escolha.” A bela pega a bebida, e vira rapidamente, derramando gotas em seu peito, algo que atrai a atenção do ser que representa a luxúria. O grande soldado olha para o amigo, o repreendendo, e este para de imediato. A dama nem percebe, que está sendo o centro das atenções ali,
    e eles iniciam o jogo. O culpado, é um dos 7 jogos proibidos no Inferno,
    já que este envolve tortura e mutilação, para diversão, e não a necessidade. Fundamenta-se na máxima, de que o assassino sempre se faz de inocente, e ganha o jogo
    quem descobrir qual deles é a
    raiz do mal. Lucy olha para uma mulher, que está implorando pela vida, e se compadece, acreditando 
    que é inocente. Por isso a defende
    dos fantasmas que a perseguem, só
    que no final, descobre que é uma dos culpados, e assassinou pelo menos 20 crianças, em nome do seu senhor Belzebu, e resolve assassiná-la, com um golpe no pescoço. O mais interessante deste jogo, é que cada um dos culpados, realmente cometeu tais crimes, e são miniaturas dos originais, que se encontram no reino de Belial, onde são cruelmente julgados. “Só um golpe no pescoço Lucy?! Você é muito ruim neste jogo!” Asmodeus a provoca, e ela o ignora, pois achava mesmo que a Sra. Hah, era uma mulher que tentava salvar as crianças, e com isso se enganou feio.
    “Vou te mostrar como se faz!” Prossegue com a irritação. Asmodeus
    olha para a sua miniatura, e então sorri com pervesidade. É um homem de poder, que tinha abusado de várias garotas, e que agora se sentia um deus, ou no mínimo um dos seus favoritos. Para torturá-lo, ele o faz perder o poder, em seguida que veja os rostos das moças mortas em toda parte, e por fim ás traz do além túmulo, para persegui-lo por toda a eternidade, sem descanso, e para garantir que estas irão matá-lo todos os dias, faz o tempo ir e voltar, sempre para o mesmo momento, até que este perca a sanidade, e fique chorando como o condenado que 
    é. “Só isso?” A bela resolve entrar no jogo do demônio. “Consegue fazer melhor? Ou vai assassinar o próximo com o chifre de unicórnio?” Ele continua a chateá-la, e esta fica bem pensativa. Sua miniatura é Haruka , uma mulher de 33 anos, que tem levado várias mulheres da magia ao suicídio, por adorar Yaweh acima de tudo, e nunca ter sentido o toque 
    de um homem. Mas antes de morrer, esta estava arrependida e acreditava ter salvação. Desta vez Luciféria nem analisa a criatura, só pelo que vê no holograma sobre a vida dela já a detesta. “É hora da brincadeira.”
    Diz com o sorriso maldoso. Presumindo que por seguir o céu, a euroasiática Haruka, é apaixonada por tudo o quê tem, e por se sentir superior por ser pura, a princesa do inferno a leva para uma festa. Esta vai sem questionar, pois é neste ambiente, que encontra suas vítimas. O garçom lhe oferece a bebida, que está contaminada com o aditivo de Bael, e a pura e perfeita Haruka, se atira em cima de vários homens, mas todos a rejeitam, porquê sua pureza , ali é motivo de vergonha.  Cansada e com dor, esta se depara com várias criaturas horrendas, fortes e musculosas, que ficam envolta dela, e lhe arrancam as roupas. Como se não bastasse deixar de ser virgem, da forma mais humilhante, estes ainda tem espinhos em seu corpo, e toda vez que entram em todos os orifícios possíveis, ela se esgoela em
    pânico, sentindo-se cortada por dentro. “Esta indo bem.” Asmodeus percebe certa maldade crescendo na irmã mais velha. “Quieto.” Lucy se concentra, e eleva o sofrimento de Haruka. Quando esta volta para casa, toda suja, com as roupas destruídas, e o corpo ferido, sua família em vez de recebê-la, a manda para a rua, onde ela volta a se encontrar com os seus agressores sobrenaturais. Com medo deles, resolve se refugiar numa igreja, mas como foi tocada pelos demônios, o próprio Deus lhe diz que a repudia. Ela chora sem parar, sentindo-se tão mal quantas as moças que matou. Porquê ela tinha de ser tão cruel? Se perguntava. Aquelas meninas não mereciam tal fim, o mesmo que levaria, por ter mandado que os seus amigos, abusassem delas uma a uma, para validar a sua fé doentia, ou então se matassem, para “diminuir o nível de vermes no mundo”, como a própria dizia. Sem saber o quê fazer, ou o quê está de fato acontecendo, já que os demônios hora vem, hora não, esta se interna junto com outras mulheres, num local o qual os curandeiros ficam tão assustados, que a cegam para que os demônios a deixem em paz, infelizmente para ela, isto só aumenta a diversão deles, já que com tudo escuro, ela sequer
    consegue se defender. Desesperada por um fim, esta tenta pegar qualquer coisa para se ferir, porém
    toda vez que acha algo que pode lhe matar, isto desaparece de suas mãos, e a sua vida é imortalizada, para que sofra, até o demônio, ou neste caso a anjo dizer chega. “Nossa Lucy! Parabéns!” Azazel fica realmente surpreso com o jogo da bela. “Realmente melhorou admito.” Asmodeus fica fascinado pela escuridão, e ela sorri, subindo na cadeira. “Quem vai matar alguém com o chifre de unicórnio agora?!” Brada erguendo o copo, e quase cai, devido a tontura. Mas o rei de Asmoath a pega em seus braços, e tanto Azazel quanto Gadreel ficam sem entender o quê ele quer com a menina. “Eu vou pedir água curativa.” Diz sem jeito, e vai até a tábua onde se debruça. “Luciféria.” Asmodeus surge logo atrás dela, e esta quase cospe a água. “Olá.” Diz sentindo-se incomodada. “Me beija.” Diz ele tentando dispersar o seu feromônio
    de demônio, mas não parece surtir efeito nela. “Não obrigada.” Pega o copo e se retira. Ele agarra seu pulso, e vendo isto o ferreiro do inferno, sai do lugar para ir salvá-la. “É só um beijo, não estou pedindo nada demais, a não ser que queira.” Ele tenta manipulá-la, e a bela ri. “Asmodeus. Eu não quero. Desculpa mas não vou ser mais uma que...” o
    belo demônio de olhos verdes, a puxa, e lhe rouba um beijo. Esta fica sem reação, pois há 700 anos não sentia alguém lhe beijar com tanto desejo, e isto a pega de surpresa. “Foi ruim?” Ele pergunta, querendo ir para o segundo, e ela sai correndo, tentando se afastar dele, só que este não desiste e vai atrás. “Você não vai a lugar algum.” Azazel o para. “Você teve 700 anos, e disse que a esqueceu, então sim eu vou me divertir.” O garoto rebate, e passa pelo irmão. Azazel fica exasperado, mas Gadreel o segura, não era de hoje que o irmão mais novo, estava cercando Lucy, porém esta era a primeira vez que tinha
    tomado tal atitude. “Você teve 700 anos amigo.” O impede de atacar
    o outro. “Você não vai escapar outra vez.” O belo demônio diz, ao
    segurar seus pulsos, atrás das
    costas, não deixando-a sair. “As.
    Não faça isso.” Diz em tom de
    pedido. “Do quê tem medo? Todas saíram satisfeitas.” Se exibe como
    o garoto jovial e imaturo que é.
    “Eu sou sua irmã.” Esclarece para que fique claro. “Lilá também era, e dormiu com todos.”  O símbolo da luxúria fala. “Todos?” A dama fica desconfiada. “Menos Azazel, por conta do código de vocês.” Revira os olhos. “Eu não sou a Lilá. Prazer Luciféria Lilith II, ou Nahemah para os mais íntimos.” Diz de forma sarcástica, e isto o enlouquece. “Foi um beijo ruim? Azazel finge está com você, e o seu arcanjo ainda não reencarnou, por quê não se dá uma chance de fazer algo novo?” É provocativo, e a beldade ruiva ri. “Desiste.” Olha nos olhos dele, e este a beija outra vez. Para que a solte, ela finge ceder a ele, e o beija de volta, no entanto quando a solta, suas mãos vão para a nuca, e o ponto certo das costas,
    o quê realmente lhe desperta o
    desejo. Por mais que sinta que está entregando a vitória ao inimigo, acaba se deixando levar, e outra vez 
    se sente mulher na árvore onde deu
    o primeiro beijo com Azazel, e ainda
    se deitou com o arcanjo. Após a
    estranha noite, a dama se veste e o deixa sozinho abaixo da árvore. Sente vergonha de si mesma, conhece o irmão, e sabe que irá se vangloriar pelo acontecido, por isso retorna para o castelo, e se esconde no quarto. “Lucy o quê houve?” Lilá corre atrás da mais velha, e esta a
    evita. “Por favor abre a porta.” A menor implora, e esta a destranca. “Eu preciso ir embora de Asmoath”
    Diz arrumando as malas. “O quê fez?” Questiona desconfiada. “Eu
    fui a última conquista que faltava para Asmodeus.” Responde com
    dor na garganta. “Como isso aconteceu?” Inquire a pequena,
    surpresa com tal descoberta. A primogênita luciferiana, lhe explica tudo, e pega as malas. Só que quando está para sair, o seu noivo postiço entra nos aposentos, e pede que a caçula se retire. “Asmodeus?
    Não podia escolher outro?” Pergunta indignado com o fato. “Você é meu noivo, por um contrato, mas não me ama mais lembra? Não tem o direito de reclamar.” Rebate, pegando seus
    pertences. “Eu estava chateado, você tinha se casado com o demônio mais que cruel do universo.” Ele retruca sem acreditar. “Está preocupado com a sua reputação 
    Alteza?” Pergunta com ironia. “Eu não me importo com isso.” Se mostra apreensivo. “Então?” Ajeita as últimas coisas. “Ele é meu melhor amigo, mas vai destruir você.” É o
    quê diz preocupado. “Eu não o amo
    Aza. Só simplesmente aconteceu.”
    Explica, e passa pela porta. O rei cruza os braços, e a deixa ir. Azazel
    não estava errado, depois daquele dia, o amigo contou a todos os reinos
    , que conseguiu esquentar o corpo
    gélido, da rainha da neve. A fofoca se
    espalhou tão rápido quanto um vírus, e logo Luciféria virou motivo de zombaria, principalmente para as
    nobres, de quem antes ela mesma
    tirava sarro, por cederem ao
    garoto desejo. Nem nas terras 
    do noivo, era deixada em paz, já que nelas os habitantes lhes julgavam, por trair o senhor mais generoso e bondoso que já conheceram. Por isso
    a ruiva, um dia perdeu a cabeça, e resolveu partir. “Lucy!” Ouviu a voz familiar, e colocou o pé para fora das terras infernais. “O quê quer?” Lhe olhou com ódio.  “Por quê está indo embora?” Perguntou como se fosse inocente. “Você ainda tem a audácia de me perguntar As?!” Vira-se para
    o jovem. “São só fofocas Lucy!” Ele
    tenta dizer como se o fato não tivesse importância. “Que graças ao
    que fizemos, tenho certeza que são
    reais.” Segue para a saída, e ele
    segura seu pulso. “Eu tenho muito
    mais paz, sendo a outra esposa de Bael.” Caminha para o horizonte.
    “Não, não volta para lá. Ele te feriu,
    te humilhou, está maluca?!” Ele a puxa para os seus braços, e a abraça por trás. “Me solta. Aquilo foi um erro, e não vou repetir!” Se livra dele. “Fica Lucy. Por favor, não vai
    se arrepender.” Diz ele quase choroso, e esta retorna desconfiada.
    “Não acredito nisso, mas tudo bem.”
    O portal se fecha, e ele segura a
    sua mão.
    O noivado que não vingou 
    Após impedi-la de partir, o ser mais cobiçado do inferno, segurou sua mão,
    e caminhou com ela, depois foi a vila central que liga todos os reinos, e
    gritou para todos que era a sua namorada, e ninguém devia tocar nela,
    a não ser que antes falasse com a mesma, e lhe pedisse permissão. Aquilo
    a deixou emudecida, e quando todos
    partiram, esta o puxou para o
    canto. “Namorada?” Sussurrou com
    certo desgosto. “Prefere ficar no seu relacionamento de mentira?” Questionou, abrindo os braços, como
    quem não entendeu nada, e a deixou
    falando sozinha. “Não pode está falando sério As!” O seguiu, enquanto este caminhava a passos rápidos. “Por
    quê não?” Asmodeus gira para  
    lhe responder, e a pega em seus braços como se estivesse dançando. “Você nunca namorou ninguém na vida!” ela berra, e ele a faz cair, mantendo-a em
    seus braços. “Nunca encontrei alguém
    que valesse tanto a pena.” Sorri e a
    beija, voltando a mantê-la em
    pé. “Espera quer mesmo me assumir?”
    Não acredita na possibilidade. “Sim, só
    fiz da sua vida um inferno, porquê disse ao Azazel que não me amava.” Confessa. “Eu achei que só queria uma noite, completar a sua lista.” Cruza os braços, ainda duvidando. “Eu te deixei por último Lucy, porquê você é especial para mim, e não achei que seria capaz.” Diz com certa vergonha. “Mas foi, o quê me faz mais uma.” Rebate. “Não, você
    é a minha irmã mais velha Lucy. Sempre
    gostei de ti, te admirei, jamais faria tal coisa contigo, com Lilá sim, mas você
    não.” Quase se declara. “Há quanto tempo planeja isso?” Fica desconfiada.
    “Desde que me beijou naquele desafio.”
    Ri, e ela se recorda do dia. “Eu tinha 9,
    e você 7. Tá brincando comigo?!” Fica
    sem jeito. “Nunca tentei nada, porquê
    seu coração estava ocupado com o
    arcanjo, e o melhor amigo.” Se senta 
    na fonte. “As. Você e eu não daríamos
    certo.” Se junta a ele. “Jamais saberá
    , se não tentar.” Segura a mão dela.
    “Luciféria Lilith II, você aceita namorar
    comigo?” Pede-lhe como um cavalheiro.
    “Por favor?” Implora com olhos doces.
    “Eu aceito, mas não acho que dará
    certo.” Ele sorri.
    De fato Luciféria estava certa. Asmodeus era um viciado em sexo, e
    mesmo namorando com ela, tinha as
    outras. O quê a tornava muito menos
    interessada, em permanecer ao seu
    lado. “Como anda a vida ao lado
    de Asmodeus?” Diz Azazel
    sorridente, chegando a sacada na
    qual a bela se encontra. “Tirando o fato
    de que ele está em mais camas, que um doente, bem.” Lucy bebe uma bebida
    forte, e faz cara feia. “Não deve ser
    fácil, sofrer mais traições que eu
    e Miguel.” Ri da situação.
    “Não é traição, se ele me conta, e 
    permito.” Diz com um incomodo em
    sua garganta, bufando de raiva. “Eu detestaria se você estivesse comigo e outros.” Ele se aproxima dela, com segundas intenções. “Não lembro
    de permitir isso.” Diz o par da
    jovem. “Também não lembro de 
    ter permitido, que ficasse com a minha noiva.” Diz com desgosto. “Você mesmo
    disse que só eram noivos para ela ter um lar.” Rebate. Os melhores amigos, estão a se estranhar, desde que a união
    deles foi concretizada. “Também disse
    que não me amava.” Ela completa, se
    colocando do lado do parceiro. “Viu?”
    Ele sorri para ela. “Mas eu amava. Do
    contrário, por quê cuidaria de ti, depois
    de ter ido com Bael?!” Os surpreende.
    “É tarde. Lucy me escolheu, aceite 
    isso, não pode vencer todas.” O ser
    o expulsa. “Está bem. Você cuide bem
    dela, e Lucy te vejo depois!” Ameaça
    o amigo, e acena para a sua eterna
    amada. Infelizmente a visita faz 
    o efeito esperado. Luciféria já não
    suportava mais encontrar o namorado
    ,com marcas de batom e cheiro de 3 ou
    4 perfumes diferentes, e por isso teve
    que conversar com ele, mas acabou
    em discussão. “Lucy eu preciso disso!”
    Ele berrou. “Eu não pedi pra namorar
    com você! Sabia muito bem onde tinha
    colocado o seu pé!” Grita. “Nós temos
    um acordo! Por quê não dorme com
    os mais belos que escolhi para 
    ti?!”Propõe com fúria.  “ Por quê eu
    só quero você idiota!” Confessa com as
    lágrimas descendo pelo rosto, e então
    tenta correr, só que ele a agarra, e
    a joga na cama. “Você realmente não
    está feliz com isso?” Pergunta como se
    estivesse temeroso. “ Eu amo você As,
    já estamos juntos há  500 anos, não tem
    como não sentir nada.” Confessa, e
    lhe diz o quê sente pela primeira
    vez. “Você nunca...” Ele fica sem palavras. “Eu tenho ciúme, finjo que
    não, mas me incomoda, que não seja
    só meu.” Diz olhando para o lado. “
    Se não está feliz...” Ele respira
    fundo, e ela acha que vão terminar.
    “Eu vou me controlar, e serei somente
    seu.” Diz dando-lhe um beijo, e esta
    o beija de volta. Como o esperado,
    nenhuma súcubo, ou incubo acredita
    nas palavras do novo senhor da luxúria,
    e todos tentam dificultar a sua decisão,
    mas o sentimento dele por Luciféria, é
    tão grande, que ele guarda todo o
    seu desejo para a parceira. As noites deles se tornam ardentes, e eles
    passam a fazer coisas que antes não eram capazes. O sentimento um 
    pelo outro só cresce, porém o fato de Azazel não desistir, torna o namoro complicado, pois o antigo par ainda
    desperta o amor dela, como na época
    em que Miguel a castigou friamente.
    “Não podemos mais nos ver. Não
    como amigos.” Diz para ele. “ Mas não
    fazemos nada, a não ser conversar!” ele fica indignado. “Eu vejo como olha para mim, e As me fez noiva dele, não vou
    trair outro noivo com você!” 
    Reponta. “Nem se me olhar nos olhos?”
    Ele se aproxima, e vai caminhando, até
    encostá-la na parede. “Ou se recordar do dia que te fiz mulher?” Aproxima 
    seus lábios dos dela. “Não.” Diz como
    uma menina com medo. “Você ainda
    sente arrepios com meus avanços,
    não creio que me esqueceu.” Fica
    cada vez mais perto, e esta corre para
    longe. “Pare!” Grita, e Asmodeus a ouve. Ao ver a atitude do amigo, prefere
    observar, em vez de se manifestar. “Você me ama Luciféria. Só está agindo
    assim, para me castigar!” Ele a segue. “
    Não se trata disso! Aquele menino fez
    loucuras por mim! Me amou como
    nem você ou Miguel foram capazes!
    Não seria justo com Ele!” Ulula com
    certo pesar. “Ah não! Não começa!”
    Continua a ir atrás dela. “Ele fez sim
    sacrifícios por você! Mas não foi o
    único!” Ataca, e ela prossegue com
    a fuga. “O anjo foi um falso Deus, para
    Bael não te matar, e nós dois morremos
    por você!” Inicia, e ela o menospreza.
    Eles eram soldados, a morte não era
    dura para estes. “Eu te deixei casar com Miguel, e depois com Bael, enquanto sofria em silêncio!” Confessa, e isto lhe chama a atenção. “Não entrei naquele
    quarto, para agradar meu pai, e sim para tentar te impedir de ir adiante,
    porquê não queria te perder para
    sempre!” Completa. “Só que após ver
    as consequências, de não ter te deixado ir, preferi que casasse com Bael, porquê
    queria que fosse feliz, mesmo que não
    estivesse do meu lado.” Confidencia.
    “Ele é perverso.” Mostra rigidez. 
    “Sim é. Porém preparou um casamento com tantos requintes, que achei que te amava, e te faria feliz.” Por mais que lhe doesse, ele a deixou seguir adiante com o demônio. “Ele te fez a rainha dele, excluindo as outras. Não achei que
    te faria mal.” Admite, sentindo farpas
    nas cordas vocais. “Só que Lucy não 
    aguento mais te deixar partir! Eu te amo, sempre amei! Por favor desfaz
    esse noivado, e fica comigo de verdade
    desta vez!” Implora entre lágrimas, e
    a bela acaba chorando muito, e o
    abraçando forte. Achava que ele tinha
    a esquecido, ido a diante sem ela, só que agora tinha certeza de que ele
    a amava, mesmo tentando esconder,
    e não podia voltar atrás, não depois
    de tudo que Asmodeus tinha feito,
    para que ficassem juntos. Ao ver o
    sofrimento dos dois, o demônio da luxúria, deixa o lugar com o olhar
    cheio de trevas. Na noite anterior
    ao dia do casamento, ele olha para
    a ruiva dormindo ao seu lado, e sente
    que quer passar toda a eternidade com ela, e é por este sentimento que toma
    as rédeas da situação. “Que bom que
    veio.” Diz desgostoso. “O quê quer?”
    Azazel se mostra frustrado. “Queria
    me casar. Mas parece que a minha bela 
    futura mulher, já escolheu o próximo
    marido.” Respinga, atraindo a sua atenção. “Veio apenas se vangloriar.”
    Os olhos vão para o céu, e este quase
    se retira. “Não sou eu.” Esclarece, e o rival ergue a sobrancelha. “Se a ama
    tanto, por quê não se juntou a ela ao voltar?” Pergunta pronto para brigar.
    “Porquê eu estava furioso. Ela tinha
    dito sim a Bael, e isso acabou comigo.”
    Alumina, e o outro ri. No dia do grande
    casamento, todos se preparam para o
    dia em que finalmente Luciféria, não
    irá se juntar a um traidor. Harmonia
    está com o olhar de satisfação, e a filha
    Lilith parece animada e alegre. Lilá não
    parece tão feliz, mas se arruma para
    ir com Caim. “Tem certeza disso?”
    Uma voz disse. “Sim.” Outra
    respondeu. A noiva se arruma para ir
    até o altar, Asmodeus lhe disse para ser mais bela do quê nunca, pois a união iria entrar para a história, por esta
    razão ela compra o vestido 
    dos sonhos.
    Quando se casou com Bael, colocou
    o vestido vermelho sensual, igual as outras esposas. Só que embora o
    escarlate lhe caísse bem, o seu
    sonho nunca foi casar com
    esta cor.
    Desta vez queria usar o preto, que
    representava as trevas presentes em
    seu ser, e o seu buquê sim seria de
    rosas tão vermelhas quanto o
    sangue.
    Não colocaria o véu, pois com o
    seu par, não precisava fingir pureza,
    no lugar disso punha o espartilho, para acentuar o decote, junto de uma longa saia bufante, com detalhes violetas, e luvas da mesma coloração.
    O cabelo seria preso como o de 
    julieta, com cachos caindo na frente 
    da face. Ela estaria linda, sem ser obrigada, a vestir-se da maneira
    que o noivo quisesse.
    Lucy entra no templo, respirando
    fundo, não havia esquecido de como
    se sentiu nos braços de Azazel, mas ia cumprir sua promessa, porquê As era
    um par excelente. Contudo seus olhos
    se enchem de lágrimas, e o sorriso
    se alarga, ao ver o noivo.
    Asmodeus se aproxima dela, de terno
    e gravata vermelha. “Pronta?” Ele lhe dá o braço, e ela aceita ir com ele. “O
    quê está fazendo?” Lhe questiona.
    “Vi uma cena que me comoveu, sobre
    um casal que quase arruinei.” Confessa,
    lhe levando para o altar. “Vocês se
    amam, eu não quero ser o culpado por
    sua infelicidade. Por isso fiz esta
    surpresa.” Diz entregando-a
    para Azazel, que está todo de preto,
    também de terno, mas com a gravata
    cinza metálico. “Faça ela feliz irmão.”
    Se despede com um sorriso de
    júbilo. Ela sorri com encanto para o
    futuro marido, e Harmonia da inicio a
    cerimônia. “Em nome das cordas do
    destino que nos ligam, eu te aceito
    como meu marido/esposa” Dizem
    em conjunto, e um anel em forma
    de energia, surge envolta dos
    seus dedos, cujas as veias se ligam
    direto aos seus corações. “E com a
    minha sagrada benção, eu os declaro
    marido e mulher” Diz a Grande Mãe
    de todos os seres, e o casal dá um
    beijo com fervor.
    Fim...?
    Epilogo 
    A insatisfação do Diabo
    Minha esposa se casou com outro, e fez votos além da morte e a vida, como nunca foi capaz comigo. Ela está outra vez nos braços daquele moleque, que lhe levou para o reino de Nahemoth, no qual a fez sua rainha. Não consigo dormir, nem seguir adiante com a minha segunda esposa, quando sei que a terceira, agora geme nos braços de outro. Sinto meu coração explodir, ao
    imaginar outros lábios tocando os seus,
    meus nervos ficam a flor da pele, ao pensar no quê ele faz com ela todas
    as noites. Luciféria...Nahemah tem que
    pagar pelo seu terrível crime, de agora possuir dois maridos. Sei o quanto o inferno é importante para ela, e por isso que trarei todo aquele povo, para ser
    julgado pelos meus executores. Não a deixarei sorrir ou ser feliz, se não estiver junto de mim. Tomarei tudo o quê lhe é
    importante, até ela voltar a ser minha,
    e somente minha outra vez!
  • As vozes

    As vozes entram na minha mente 
    Cansam meus olhos 
    As pessoas não entendem 
    Que eu quero viver,
    Quero sonhar,
    E crescer 
    Mas elas me diminuem 
    Me deixando 
    Tão
    P
      e
        q
          u
            e
              n
                a
                  .
  • Bendita crise dos 30.

    Quem já tem lá seus quase trinta anos, sabe muito bem o quanto é difícil distinguir se você se tornou adulto ou não. Não existe uma regra, como maior idade penal, ou você se sente adulto ou não. Se bem que pra mim, até hoje, ao longo dos meus curtos 27 anos, não me sinto nem um pouco adulto, tirando as dores no joelho, as dificuldades de se curar de uma ressaca e uma forte convicção em preferir beber num bar ou no sofá do que numa balada.

    Porém quando se chega perto dos 30 você começa a perceber que suas atitudes mudam, seu paladar muda e os motivos da sua felicidade também. Como estou começando a chegar próximo dessa idade, resolvi falar um pouco das coisas que mudaram em mim e talvez mude ou irá mudar em vocês também.

    Começando pelo paladar. Quando se é jovem, você é amante dos extremos. Prefere sempre coisas muito doces ou muito salgadas. Aquela batata frita que brilha mais que o sol dos teletubbies de tanto óleo coberta por uma forte névoa de sal refinado que só de olhar já recebemos um whatsapp da nossa amiga ponte safena, é um manjar dos deuses para nosso estúpido paladar. Mas ainda assim você come, juntamente com aquele delicioso hambúrguer de fast food sabor câncer e de brinde 500ml de pura magia açucarada chamado milk shake. Até hoje tenho fortes indícios que todas as vacas que disponibilizam leite para o milk shake são diabéticas.

    Quando os 30 vem chegando, tudo isso muda! Você prefere sempre optar por aquela batata rústica feita no forno e, ainda assim, apenas uma vez por semana. Milk Shake? Uma vez no mês e do menor possível. O líquido que inflama sua mente de prazer e serotonina é o pretinho básico chamado café (de preferência sem açúcar). Essa bebida tão maravilhosa irá fazer parte de sua rotina diária (ao menos umas 3 vezes ao dia) e seu corpo irá lhe obrigar a tomá-lo, caso contrário você será apenas um zumbi ambulante retardado mental que não conseguirá prestar atenção em absolutamente nada.

    Quando se é jovem, você bebe 14h seguidas e com apenas 6h de sono você tá novo para a próxima birita. Perto dos 30 são entre 18 e 24h para recuperar toda a energia gasta levantando copos e mijando em vasos. Você vai perceber que a melhor hora de tomar uma breja com a galera não é na noitada e sim no começo da tarde. Assim a biritada acaba cedo e você tem tempo suficiente pra expulsar o máximo de álcool do seu organismo antes de dormir.

    Aos meus 17 aninhos não tinha nada que me deixasse mais feliz que 10 reais pra tomar três latões no recife antigo (point dos bêbados e lisos de recife), chegar em casa e ligar a televisão ou sair de noite e só voltar no outro dia depois que o metrô abrisse. Hoje só existem três coisas (materiais) que me deixam com o sorriso da esposa do Eduardo Cunha (quem não viu, dá um google): Boleto pago, dinheiro na conta sobrando e pia de cozinha limpa e seca. Minha nossa senhra! Não existe nada mais orgasmático que você terminar de lavar os pratos e olhar pra pia limpa. Toda vez que faço isso consigo até entender o prazer que Van Gogh deve ter tido quando terminou de pintar “Noite Estrelada”.

    Tentar entender exatamente quando deixamos de ser jovens e nos tornamos adultos talvez não seja exatamente a grande questão da humanidade, até porque juventude não se mede pelo RG ou pela conta bancária, mas sim pelas atitudes do seu cotidiano e não tem nada de errado ser um jovem com 30 anos. Errado é querer cobrar dos outros uma maturidade que talvez nem você próprio tenha, afinal como já diria o velho ditado: Quem olha muito pro cú alheio deixa sempre o seu descoberto!
  • Blefe Mortal

    O suor escorria pelo seu rosto, porém a feição séria e amedrontadora distraía seus oponentes naquele momento, exceto por Louie.
    Louie era um homem negro e Grisalho, com trajes finos,uma bengala que não apresentava marcas de uso e um olhar vil, porém cativante.
    - Você tem certeza, garoto? Indagava o velho homem com um tom extasiado.
    - Nunca tive certeza de nada, e sempre apostei tudo... E só cheguei aonde estou porque minha vida foi feita de apostas e vitórias...então...é, tenho.
    Enquanto o jovem prolifera as palavras em cima do dinheiro que já não tem, lembra-se da pacata cidade onde nasceu, o calor dos pães já murchos a pouco tirados do forno e o afago materno que o acolhia; Também se lembra de sua primeira viagem para os Estados Unidos onde conseguira sua bolsa em Harvard, seu primeiro emprego, seu primeiro carro, casa, barco, relógio de ouro e claro, de Clarice...
    Ah Clarice... Um verdadeiro anjo caído, mais sedutora que o próprio demônio e mais cruel que Deus, seus lábios vívidos e suculentos rapidamente tiravam nosso protagonista de órbita, mas algumas palavras o fizeram aterrisar novamente na realidade.
    -Showdown!- Afirma o crupiê.
    A confiança do jovem o faz baixar rapidamente as cartas, mostrando um  Flush bem desenhado.
    A própria lógica do poker dizia para Patrick, naquele momento, que era quase impossível uma combinação maior, exceto por um Royal Flush, mas esse era totalmente improvável; Seus cálculos eram precisos e sua mente aguçada o suficiente para apreciar o gosto da vitória de uma forma extremamente precoce, porém, a felicidade de seu oponente começava a deixá-lo em desespero, o velho homem, ao se preparar para mostrar as cartas, solta as seguintes palavras:
    -Parabéns garoto - afirma mantendo o sorriso e baixando as cartas viradas para baixo - Você ganhou.
    O suor que antes era de nervosismo agora virou em felicidade contida atrás daquela máscara; Ao recolher as fichas de seu devido prêmio, a voz rouca e suave do idoso gesticula uma tentadora proposta:
    - Eu tenho mais... Muito mais, quer ver?
    Patrick, em profundo êxtase responde:
    -Quero, quero não só ver, mas tomar, quero dinheiro, quero poder,quero ter o sangue de todos aqueles que me humilharam, quero...Quero...
    Antes de terminar a frase o jovem homem vê seu reflexo no espelho, seu cabelo desarrumado, seu olhar vidrado e expressão diabólica o assustam, e logo atrás de si, através do espelho, vê a sombria criatura que cochicha:
    -Que assim seja.
    O semblante que forma à sua retaguarda toma uma forma demoníaca, o jovem desesperado salta á frente aterrorizado derrubando as fichas e a mesa.
    A criatura medonha se curva, rindo, quase gargalhando.
    - Ora...Por que tanto medo? Não era você que queria sangue a pouco tempo atrás?
    As presas cravam, o corpo esfria,
    e no chão se destaca a sequência mais nobre do Pôker: Um Royal Flush carmesin.
    "A vida é um jogo, que quanto mais você aposta, mais emocionante fica."
  • Cacos

    Meu coração está em pedaços 
    E eu mais uma vez juntando os cacos 
    To aqui de novo, tentando me concertar 
    Desse estrago que seu “amor” me fez 
    Juntando o que sobrou, depois que mais uma vez me deixou.

    Não sei se vai ser possível juntar tudo
    Meu coração foi esmagado
    Meus sentimentos foram desprezados 
    Eu estou destruída, sem rumo, sem saída 

    Está sendo quase impossível me refazer 
    E colar cada pedacinho que restou
    Suportar a dor da despedida e seu amor que nunca ficou 
    Mas agora eu desisto, vou deixar o vento levar
    Que carregue meu coração pra bem longe 
    Para alguém que queira mesmo me amar. 

  • Cansaço

    Tô cansado de me sentir demais
    pros outros ser
    coisas surreais
    e de dentro
    não me conhecer mais.
    Tô cansado de ser de menos
    de menos interessante
    de menos compreensivo
    de menos amante.
    De esperar do mundo de mais
    de mais cor
    de mais sabor
    de mais fervor.
    De mim dar de menos
    menos compreensão
    menos paixão
    menos intenção.
    Afinal esse é mais um poema
    de alguém que quer ajuda
    de um cara as vezes contente
    escrevendo sobre gente
    a qual nunca muda.


    Rio de Janeiro, Dez de Fevereiro de Dois Mil e Vinte

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